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Relações Internacionais

27 de Setembro de 2018

• Notas:

- OIT: organização internacional do trabalho;

- Atores internacionais: empresas, estado, identidades privadas, entre outros;

-Transnacionais (Multinacionais): grandes atores das RI devido aos grandes investimentos.

Origem das RI

• Desde sempre que as sociedades se relacionam entre si, através de diversos campos como o
económico, o cultural, o social e o político, estabelecendo contactos além dos seus limites
territoriais internos. Através destes contactos, as sociedades têm-se vindo a influenciar
mutuamente, o que significa que os fluxos que vão ocorrendo para além das suas fronteiras
podem afectar essas sociedades, visto que esses fluxos estão fora do seu controlo.

• Com o tempo, esses fluxos e relacionamentos foram-se tornando mais complexos, o que
significa que, independentemente do seu carácter ou natureza, pacíficos ou conflituais, os
factores internacionais são importantes na dinâmica interna de cada povo. Ao mesmo tempo
que estas dinâmicas também podem influenciar esses povos. Face a estas realidades, tornou-
se, desde cedo, necessário reflectir sobre o ambiente externo em que as sociedades se vão
desenvolvendo, em que se dão as interacções entre essas sociedades e em que se registam
fenómenos e acontecimentos que (podem) ser gerados pelas acções próprias desses povos.

• Pensar sobre a forma como determinada sociedade se relaciona com o mundo exterior, em que
qualquer área da acção humana e com os mais variados parceiros ou inimigos constituiu-se,
naturalmente, num problema que exigiu, desde logo, um estudo próprio para a formulação de
um conhecimento especializado. Assim surgiu a disciplina específica das Relações
Internacionais.

• Surgiram, consequentemente, de uma necessidade muito particular das sociedades em


reflectir e compreender as realidades além-fronteiras que, ao mesmo tempo são afectadas
e afectam as acções dessas sociedades. O objectivo foi sempre o de conseguir
encaminhar esses processos de fluxos mútuos para se conseguir administrá-los, por
forma, essencialmente, a manter as situações que são favoráveis a essas sociedades e a
alterar as que lhes são prejudiciais. Naturalmente, essas relações oscilam entre a
cooperação e o conflito e, dependendo das situações, a pressão internacional pode ser
positiva ou negativa nos seus efeitos sobre as sociedades. Situação que virá,
seguramente, testar desde a identidade dos povos, até à sua integridade e poder de
resistência ao externo (PECEQUILO, 2004; 15).

• Isto levanta um problema semântico muito importante: porque é que, então, essas relações se
chamam internacionais?

• Para Adriano Moreira (1996), há duas grandes razões:

• A primeira, para nem sequer se questionar a validade da expressão, está no seu


antigo e continuado uso (MOREIRA, 1996; 19).

• A segunda é que a expressão pretende que, a cada nação, corresponda, de um modo


ético, um Estado, sendo certo que a expressão Relações Internacionais assenta as
suas bases valorativas numa outra disciplina muito mais antiga e normativa: o Direito
Internacional (MOREIRA, 1996; 19). Neste sentido, não há, como bem aponta Adriano
Moreira, razões para se substituir esta expressão por outra.

• Distinguir as duas dimensões que, segundo Lytton Guimarães (2001), se podem atribuir à
expressão relações internacionais:

• A primeira delas, a mais comummente utilizada, tem um sentido amplo e refere-se ao


conjunto dos contactos, das interacções e dos fluxos de âmbito político, diplomático,
económico, militar, social, cultural, étnico, humanitário que ocorrem entre actores
internacionais, sejam eles Estados ou não (GUIMARÃES, 2001; 9). É evidente que o
Estado é o mais importante desses actores. É ele quem formula e executa a política
externa, através da qual conduz os seus contactos internacionais com vários tipos de
actores. Mas, paralelamente ao Estado, há organismos inter-estatais, organizações não
governamentais, grupos terroristas, lobbies, partidos políticos e o próprio cidadão, entre
uma gama diversa de outros actores não estatais – os quais, segundo abordagens mais
recentes elaboradas à política externa, são mesmo considerados como actores que
igualmente formulam e executam política externa. Para que estes possam ser
considerados actores internacionais, basta que as suas acções tenham alguma influência
ao nível extra-fronteiriço, isto é, na sociedade internacional.

• O outro significado que deve atribuir-se às Relações Internacionais refere-se ao campo de


estudos académicos que analisa as interacções enumeradas acima, bem como outros
fenómenos considerados importantes para se explicar e compreender as dinâmicas do
cenário internacional. Aqui, a expressão deverá surgir sempre com letras maiúsculas, já
que as Relações Internacionais se assumem como um campo de estudos, como uma área
do Saber, constituindo-se, verdadeiramente, como um ramo do Saber autónomo dentro
das Ciências Sociais.

A autonomia disciplinar das RI

• A autonomia disciplinar das Relações Internacionais é um problema que se coloca em ligação


à autonomia disciplinar da Ciência Política. Se esta se define com base no poder político
soberano – uma capacidade de obrigar que não tem igual na vida interna da comunidade, nem
tem superior na vida externa (MOREIRA, 1996; 13) – as Relações Internacionais individualizam-
se na base do fenómeno social resultante do poder político soberano, isto é, a pluralidade de
poderes políticos soberanos; pluralidade essa que implica o estabelecimento de interacções e
fluxos muito específicos. Daí a necessidade de se proceder à definição do campo de estudos
das Relações Internacionais.

• Conforme atesta António Rocha, define-se um campo de estudo com base em seus problemas,
conceitos, sistemas conceituais e métodos utilizados para conceber e conferir sentido a esses
problemas e dos indivíduos que se dedicam a este exercício. Definir, afinal, significa colocar
limites (ROCHA, 2002; 27). Assim, o campo de estudo das Relações Internacionais refere-se ao
conjunto de agentes, instituições e processos que originam fenómenos que produzem
consequências sobre uma ou mais sociedades. A estes fenómenos, atribuem-se significados
específicos, aos quais se faz referência por meio de conceitos adequados e definidos com
precisão e rigor, o que enforma a ontologia própria da disciplina (ROCHA, 2002; 28).

• Naturalmente, as Relações Internacionais centram-se no cenário exterior no qual estão


inseridas as sociedades e procuram entender, compreender e perspectivar a evolução desse
cenário. Afinal, se este cenário exterior é influenciado, no grau mais micro, pelos indivíduos,
estes também são influenciados pelos diversos elementos que compõem a esfera internacional,
como a guerra, a paz, a diplomacia, as interacções económicas, culturais, políticas, os fluxos
naturais, as comunicações, entre muitos outros. Neste contexto, se as Ciências Sociais
analisam as sociedades, as Relações Internacionais surgem como a Ciência Social que
estudará a dimensão internacional dessas sociedades, isto é, as relações sociais que se
processam na esfera internacional (PECEQUILO, 2004; 16).

• No caso das Relações Internacionais, e embora recorrentemente se pense que não, a disciplina
constitui-se como campo de estudo bem definido e consolidado, com conceitos, sistemas
teóricos e discussões epistemológicas e metodológicas sofisticadas.

• Deste modo, são uma matéria de estudo relativamente recente, uma vez que, até à
Primeira Guerra Mundial (1914-1918), pensar o internacional era uma tarefa que se
distribuía pelas restantes Ciências Sociais, não havendo uma metodologia própria de
estudo. Embora as inter-relações e os fluxos mútuos entre as sociedades fossem muito
antigos – como visto já – não se sentia a necessidade de uma disciplina autónoma para
analisar, pensar e teorizar sobre esses fluxos e relações, já que isto era feito de modo
indirecto pelas outras Ciências Sociais, uma vez que os fenómenos, ditos internacionais,
relacionam-se com diversas outras dimensões que fazem apelo à Economia, ao Direito, à
História, entre outras disciplinas.

• O despontar da Primeira Grande Guerra e a consequente complexificação e aceleração


dos contactos entre as sociedades chamaram a atenção para a necessidade de um
discurso próprio para analisar, exclusivamente, o internacional. Conforme salienta Philippe
Braillard, mais do que proceder a uma reflexão geral e abstracta, pareceu-nos interessante
fixar a nossa atenção em um campo de estudo particular da realidade social, já que dentre
os diversos domínios de estudo da realidade social, existe um que se presta
particularmente a este género de reflexão: o das Relações Internacionais, sendo certo que
a importância que adquiram, a partir de então, as Relações Internacionais, na vida das
diversas sociedades, não pode deixar indiferentes os especialistas das Ciências Sociais
(BRAILLARD, 1990; 82-83, 86).

• A complexidade crescente da vida internacional tornou inevitável a autonomização das


Relações Internacionais, especialmente após a Primeira Guerra Mundial. A grande obra
pioneira pode ser identificada como sendo “Twenty Years’ Crisis: 1919-1930”, de Edward
Carr, publicada em 1939, considerado o primeiro texto realista da era moderna, na senda
de Tucídedes e Maquiavel – os dois grandes pais remotos das Relações Internacionais. A
análise começa com o fim do optimismo pós-Primeira Guerra Mundial, evidenciado em
várias declarações da Sociedade das Nações (SDN) e tratados internacionais que visavam
conceber um esquema de prevenir, de modo permanente, os conflitos militares. Segundo
Carr, o caos e a insegurança na ordem internacional estariam sempre acima de qualquer
ideia, por mais racional e bem concebida que fosse, de paz e de cooperação entre os
Estados. A necessidade da sobrevivência e a competição daí resultante levariam os
Estados a adoptar uma postura agressiva, tanto em termos militares, como em termos
económicos, ideológicos e jurídicos, arrasando com as concepções utópicas nascidas
com os Catorze Pontos de Woodrow Wilson, então presidente dos EUA. Embora no final
da obra Carr acrescentasse, à análise, o papel da moral na política internacional,
considerando a capacidade de melhoramento e aprendizagem do homem, a realidade era
a de que os instrumentos internacionais como a SDN apenas surtiriam efeitos quando
algum progresso fosse feito na afinação das suas fundações.

• Numa fase inicial, os estudos académicos sobre as Relações Internacionais concentravam-se


em problemas substantivos como a diplomacia, a política do poder, os problemas da guerra e
da paz, as alianças e as intervenções militares, reflectindo, quase sempre, preocupações de
carácter normativo, ligada que a disciplina estava ao Direito Internacional.

• Por esta razão, logo de início, o factor autonomizador das Relações Internacionais, o
conceito operacional que todos aqueles autores sempre enumeraram como tema
fundamental e da disciplina foi a guerra. Isto ocorreu porque cada um dos actores das
relações internacionais, segundo estes autores, todos eles de matriz estritamente realista,
se reserva o direito de recorrer à força para a defesa do que considera ser o seu interesse
ou direito, já que as relações internacionais ocorrem num chamado estado de natureza –
conceito criado pelos contratualistas para explicar a passagem da vida do homem, de
uma situação imaginada anterior à existência da sociedade, para a situação, em que o
conhecemos, de viver sempre e apenas em sociedade (MOREIRA, 1996; 13).

• Com base na guerra, sempre se autonomizou, de início, a disciplina das Relações


Internacionais, dominada por preocupações normativas. À medida, porém, que os estudos da
área foram ganhando sofisticação teórica e metodológica, estes passaram a dedicar-se a
problemas mais analíticos, isto é, a problemas como o relacionamento dos fenómenos e das
variáveis, ganhando complexidade. São exemplos claros os estudos sobre a associação entre
poder e segurança, entre poder económico e militar, entre instituições internacionais e
estratégias governamentais (GUIMARÃES, 2001, 10).

• A partir daqui, foram surgindo várias sub-áreas das Relações Internacionais: os estudos de
política externa, os estudos estratégicos, as questões da segurança colectiva e da proibição e
controlo de armamento, a economia política internacional, os organismos ou instituições
internacionais, a integração regional e a cooperação, entre muitos, muitos outros (GUIMARÃES,
2001; 10). Estas sub-áreas foram surgindo porque os temas transnacionais foram sendo
incorporados à agenda internacional. Nos anos 1990, estes temas eram chamados de novos
temas, embora nada tivessem de novo. Simplesmente, ganharam maior importância – ou
encontraram maior campo de manobra – com a distensão Leste- Oeste operada na segunda
metade dos anos 1980. Estes novos temas transcendem o nível interno dos Estados, porque
são problemas globais e, como tal, exigem soluções globais, como o narcotráfico, os direitos
humanos, o meio ambiente, o desenvolvimento económico, o macroterrorismo, entre outros –
problemas que só podem ser solucionados através da cooperação internacional e da
multidisciplinariedade, característica fundamental da disciplina de Relações Internacionais.

Interdisciplinariedade

• Diz-se que a disciplina de Relações Internacionais é uma disciplina multidisciplinar ou


interdisciplinar. Isto significa que se trata de uma disciplina formada em torno de vários eixos
temáticos das Ciências Sociais, como a Ciência Política, a História, o Direito, a Economia, para
citar apenas os mais importantes.

• A interdisciplinaridade pode fazer das Relações Internacionais uma disciplina fragmentada. Mas
pior do que isso, se essa fragmentação não for equilibrada e solidamente sustentada, a
disciplina em causa poderá vir a conter deficiências de conteúdo, privilegiando em demasia
certos eixos temáticos e subvalorizando outros (PECEQUILO, 2004; 19). Por outro lado, esta
multidisciplinariedade pode dificultar o processo de construção de um corpo de análise único e
próprio das Relações Internacionais, transformando a disciplina numa manta de retalhos sem
sustento académico e sem o necessário aprofundamento dos estudos. Para aqueles que
defendem que as Relações Internacionais não se constituem como uma verdadeira disciplina,
este é o argumento ideal, já que, a partir daí, afirmam que as Relações Internacionais resumem-
se apenas a uma colectânea diversificada de preocupações associadas ao internacional, sendo
percebidas como um acessório ou apêndice das demais matérias (PECEQUILO, 2004; 19).
Neste sentido, as Relações Internacionais – como aliás as demais Ciências Sociais – são
acusadas de ser excessivamente generalista e subjectiva, não se conformando como uma
Ciência detentora de objecto de estudo, objectivos, hipóteses, arcabouço teórico-conceptual e
metodologias de estudo próprias, pelo que não detêm a precisão que é conferida às Ciências
Exactas.

• A fragmentação, todavia, também apresenta as suas vantagens, podendo transformar-se numa


das forças da disciplina, precisamente pelo facto de permitir apreender o objecto de estudo de
acordo com diferentes ângulos de abordagem, dando uma visão mais abrangente desse
mesmo objecto de estudo. A análise deste não fica limitada a uma só área, ou esfera da acção
humana, antes é feita de forma multifacetada, o que significa que a investigação do
internacional não fica restringida a uma única avaliação, antes é feita a partir de vários prismas
de análise, sendo, por conseguinte, bastante mais rica (PECEQUILO, 2004; 20).

• É de se salientar, ainda, como factor positivo agregado à fragmentação das Relações


Internacionais, o facto de, embora a disciplina possuir uma base teórico-conceptual e
metodologias próprias, a ela estar associada a possibilidade de se destacarem diferentes
caminhos de pesquisa, que levam à especialização em diferentes tópicos. Ou seja, uma
realidade internacional, ao ser analisada de forma interdisciplinar, inclui a possibilidade de ser
estudada, de modo mais aprofundado, por esta ou por aquela visão, por este ou por aquele
prisma de estudo, havendo, pois, uma diversidade significativa de caminhos de análise que
podem ser mais detalhados, mais recortados, direccionando-se a campos de conhecimento
mais específicos.

Objetos e fins do estudo das RI

• O campo de estudo das Relações Internacionais se caracteriza pelo pluralismo teórico, já que
são os debates e diálogos científicos que permitem a construção de conceitos adequados e a
produção de interpretações científicas da realidade internacional.

• Durante muito tempo, a disciplina de Relações Internacionais se centrou no debate entre o


Realismo e o Idealismo Institucional, isto é, entre a consideração do Estado como único actor
das relações internacionais e a consideração de que, para além deste, existem outros agentes
e sujeitos das mesmas, o debate estato-centrado, hoje, a discussão centra-se em outros dois
argumentos: o debate entre racionalistas e construtivistas. Os primeiros seguem um raciocínio
científico e os segundos um raciocínio interpretativo. Os primeiros, seguidores do método
hipotético-dedutivo, apenas consideram científicos os discursos racionalistas, enquanto o
segundos buscam conclusões através de reflexões orientadas por discursos teóricos de
natureza interpretativa (ROCHA, 2002; 32-33).

• Para alguns autores, as Relações Internacionais ocupam-se do estudo das relações inter-
estaduais, definição que outros renegam por não ter em conta os restantes – e inúmeros –
actores das Relações Internacionais. Assim, outros definem-na como o estudo das relações
entre povos que afectam o poder soberano dos Estados (MOREIRA, 1996; 18), enquanto
outros, ainda, como Hoffmann, consideram-na como a disciplina que estuda os factores e as
actividades que afectam a política externa e o poder das unidades básicas, que o autor
enumera como sendo, apenas, os Estados e os grandes espaços (HOFFMANN, 1979).

• Para Adriano Moreira, o núcleo central de todas estas definições é visível, daí que o autor
proponha uma noção mais ampla e, do nosso ponto de vista, mais completa. Trata-se d'o
conjunto de relações entre entidades que não reconhecem um poder político superior, ainda
que não sejam estaduais, somando-se as relações directas entre entidades formalmente
dependentes de poderes políticos autónomos (MOREIRA, 1996; 18).

• Neste sentido, é possível extrair o objecto de estudo das Relações Internacionais através da
enumeração dos problemas que integram o campo das relações internacionais, isto é, através
da enumeração dos problemas que, de acordo com esta definição, as Relações Internacionais
estudam. De um modo clássico, podemos seguir a proposta de enumeração feita por René
Coste, para quem as Relações Internacionais são as relações estabelecidas entre poderes ou
autoridades que não reconhecem poderes superiores, bem como as relações que se
estabelecem por cima das fronteiras territoriais entre grupos e indivíduos que estão
subordinados àqueles poderes ou autoridades. Como ramo autónomo do Saber, as Relações
Internacionais criam e organizam técnicas e métodos de estudo, através de uma perspectiva
multidisciplinar, objectivando a elaboração de hipóteses, a identificação de temas, o
estabelecimento de objectivos e a criação e definição, com precisão, dos seus próprios
conceitos. Assim, as Relações Internacionais como disciplina servem para a formação de
decisões, por parte dos indivíduos escalonados socialmente no patamar de decisores políticos,
para a condução das relações internacionais, tanto a nível conjuntural, como estrutural.

Portanto:

1. As RI são todas as relações estabelecidas a nível internacional cuja ação terá impacto para
além das fronteiras nacionais.

2. Os fluxos estabelecidos podem ser de origem económica, política, religiosa, social,


diplomática, cultural, militar, etc.

• Até à década de 50, sobretudo entre os países anglosaxónicos, existia grande confusão entre
os conceitos de política internacional e relações internacionais. A confusão culminava na
redução das relações internacionais a relações meramente políticas, o que não é verdade.

• Política Internacional: o domínio político das relações inter-estatais, tal como entre os atores
não-estatais, é válido, desde que os atores não-estatais sejam manipulados pelo Estados para
que estes alcancem objetivos políticos.

• Atores da Política internacional:

- Atores estatais;

- Atores não-estatais (desde que a sua ação influencie as relações inter-estatais e


eleve a política externa dos estados envolvidos. exemplo: o governo brasileiro barrar a aplicação
WhatsApp em prol de uma investigação judicial com o objetivo de a aplicação revelar
determinados dados ao estado.)

|Atores internacionais: empresas, ONG’s, Estados (Governos), organizações militares,


organizações de caridade, etc.|

- Observação: A Política Internacional é um ramo das RI que estuda os fluxos políticos, sendo
assim, mais restrita que as próprias RI.

• Segundo Kenneth Waltz:

- É vantajoso ser-se modesto no campo da análise e optar apenas pela Política


Internacional, do que tentar ser mais abrangente e tentar estudar a política e a
economia internacional em simultâneo.

• A Sociedade Internacional segundo Hedley Bull:

- Para além de regras, existem valores, interesses e normas comuns entre os atores
que participam na sociedade. Estes elementos são vinculados pelos Sistemas
Internacionais a todos os estados-membros.

- As sociedades internacionais consistem em domínios com os quais os estados


concordam e intervêm direta ou indiretamente, tal como, formal ou informalmente.
(comércio internacional, política internacional, organizações internacionais, etc).

- A existência de uma sociedade internacional pressupõe a existência de um sistema


internacional. A partir do sistema internacional desenvolvem-se interesses comuns,
valores comuns, padrões e normas comuns que são compatibilizadas nas suas
instituições internacionais.

- Num sistema internacional atuam os atores da política internacional, enquanto que


na sociedade internacional atuam os atores das RI.

- Sistema Internacional: conjunto de regras a que os estados se vinculam


voluntariamente, de modo a garantir a convivência entre os Estados. Tal não impede
o surgimento de guerras, sendo que estas podem agir como agentes de reequilibro
de do sistema. As regras e leis do Sistema Internacional são estipuladas pelos países
que o enquadram. O SI é um sistema anárquico no sentido em que todos os estados
têm soberania (poder de governar o seu território conforme deseja).

- O conceito de soberania foi operacionalizado por Jean Bodin: poder que não tem
igual na ordem interna e não tem superior na ordem externa. Deste modo, todos os
estados-membros do SI são iguais entre si, embora algum ou alguns possam ter
mais poder que os restantes, ou seja, em termos jurídicos são iguais. É um sistema
anárquico na medida que não existe um orgão supremo no que diz respeito à ordem
dos Estados.

- A União Europeia/ Comissão Europeia é uma identidade supranacional para todos os


estados-membros, é a esta que todos têm de responder. (A UE/CE é uma Sociedade
Internacional, na medida que é composta por diversos sistemas internacionais que
partilham dos mesmos valores, interesses e ideias. )

• Os fluxos que compreendem a disciplina das Relações Internacionais e da Política


Internacional:

RI ≠ ri

• RI=Disciplina

(As RI são todas as relações estabelecidas a nível internacional cuja


ação terá impacto para além das fronteiras nacionais.)

• ri= Fluxos

(Os fluxos estabelecidos podem ser de origem económica, política,


religiosa, social, diplomática, cultural, militar, etc.)

PI ≠ pi

• PI= Disciplina

(Estuda os fluxos políticos que ocorrem entre os estados e os


atores não-estatais desde que estes tenham impacto nas relações
estatais ou desde que tenham sido manipulados pelos Estados
para que estes alcancem benefícios políticos.)

• pi= Fluxos políticos

• O objetivo da RI e da PI é compreender os fluxos, tal como, otimizar e maximizar os mesmos.


Também tem como objetivo retirar generalizações- abstrações, isto é, a partir de um ou mais
casos de estudo semelhantes- enquadrados num determinado contexto, retirar generalizações
para se obter estatísticas e probabilidades de comportamentos, isto é, tendências.

- Observações:

- O internacionalista pretende retirar probabilidades e tendências comportamentais.

- Leis absolutas não existem em ciências sociais, o que existem são tendências
comportamentais.

• Estado e Nação:

- Estado-nação: estado coeso (povo como unidade: Portugal, Brasil), não há problemas
em termos de desvinculação com território autónomo, com poder político próprio.

- Estado com múltiplas nações: estado comporto por regiões autónomas (ex: Espanha-
Galiza, Catalunha, País Basco).

- Nação sem Estado: nação sem território autónomo, isto é, vive onde o poder é exercido
por outros grupos (ex: Curdos, Palestinos, Tibetanos, bascos, Chechenos, Caxemires).

- Estado sem Nação: país politicamente organizado cuja população não apresenta
características semelhantes (históricas, culturais, sociais. Ex: Israel, Vaticano).

- Nação-Estado: estado coeso onde predominam as características nacionalistas (ex:


França).

- Nação: formada por um grupo populacional que apresenta características históricas,


culturais, idioma, costumes, valores sociais, etc; que formam uma cultura.

- Estado: país soberano com estrutura própria e politicamente organizado, sendo que
constitui o conjunto das instituições que controlam e administram determinado país.

Portanto:

• As Relações Internacionais devem ser entendidas como relações entre estados, isto é,
interestaduais. Segundo o professor Adriano Moreira, deve-se manter a determinação relações
internacionais, pois no panorama valorativa devia de existir uma nação para um estado. Sendo
que a existência de uma nação não pressupõe a existência de um estado e vice-versa. No
entanto, é difícil estabelecer uma relação internacional com uma nação que não tem estado,
por isso é que se deve ver as relações internacionais como relações interestaduais.

4 de Outubro de 2018

• As variáveis podem ser identificadas como dependentes e independentes:

- Dependentes:

• O fenómeno em estudo (facto). (Ex: o mesmo estado inicia guerras


consecutivamente.)

- Independentes:

• Condições ou fatores que conduzem ao fenómeno/objeto em estudo.

• Por norma, nas ciências sociais existem várias variáveis independentes. (Ex:
aumento das receitas com a defesa: o facto de o país estar sempre em guerra
advém do facto de as receitas aumentarem com a defesa, de forma tendenciosa-
tendência comportamental.)

- Observação: existe uma tendência para as alianças multilaterais se dissolverem uma vez que
a ameaça está erradicada.

• Política Externa: a parte da atividade do Estado que está direcionada para lidar com
problemas que se colocam para além fronteiras. Deste modo, o Estado procura responder ao
comportamento de outros atores internacionais e, geralmente, agir de acordo com os seus
princípios quando o ambiente é favorável e transformar esse mesmo ambiente quando se
apresenta desfavorável. Ou seja, o Estado procura, através da política externa, manter ou
aumentar o seu peso e influência fora do seu território nacional.

• Objetivos da Política Externa:

- Defender os seus objetivos;

- Ter uma influência favorável;

(É uma política bilateral/multilateral do Estado/Governo face aos restantes agentes internacionais


(credibilidade do estado).)

• Política Internacional: inclui o estudo/análise das políticas externas ou processos políticos


entre Estados. No entanto, devem ser incluídas nessa análise, os estudos. Por exemplo, de
uniões de comércio internacional, transportes, comunicações e o desenvolvimento de valores e
ética internacionais.

• Política internacional é o conjunto das relações de poder que ocorrem entre poderes
políticos soberanos, isto é, entre Estados, atores que se reconhecem mutuamente,
conferindo-se legitimidade, mas que não reconhecem qualquer autoridade suprema
dotada de legitimidade e eficácia para exercer essa autoridade sobre si.

• Esta interpretação clássica da política internacional, assente nas contribuições do


Realismo e do Neorrealismo, considera que, num ambiente internacional de anarquia, no
qual não existe um poder superior aos Estados, estes dependem apenas de si próprios,
sendo os atores por excelência da política internacional. Na falta dessa autoridade, os
conflitos estão sempre presentes na política internacional, o que leva os Estados a
procurar evitá-los, tornando a ordem internacional mais previsível, através de várias
formas de associação de interesses, como coligações ou alianças, que aumentam a
probabilidade de os demais Estados agirem da forma acordada.

• O paradigma realista limita, desta forma, as relações internacionais às relações entre os


Estados, de modo que a confusão epistemológica entre política internacional e relações
internacionais perdurou até que as outras abordagens paradigmáticas clássicas (a
Liberal e a Internacionalista) ganhassem relevo, passando a considerar que limitar as
relações internacionais às relações entre os Estados era demasiado redutor, pois no
âmbito dos fenómenos internacionais ocorrem interações que estão fora da política
internacional, por não envolverem apenas Estados, mas que influenciam a esfera
internacional.

• A política internacional considera, assim, apenas as relações inter-estatais, formando


o sistema internacional, o conjunto maior das interações entre todos os agentes cuja
ação influi no contexto internacional forma as relações internacionais, que decorrem
no panorama da sociedade internacional.

• Na visão realista, no entanto, esta distinção não é clara e, segundo a mesma, a política
internacional resulta da ação dos vários Estados tendo em conta os seus fatores de poder
e a distribuição das capacidades no sistema internacional, com base em avaliações
racionais do poder projetado e apercebido pelos demais e da posição relativa que o
Estado ocupa na hierarquia das potências. Pequenas variações existem dentro deste
modelo clássico de interpretação da política internacional.

• Nem sempre, porém, a política internacional é analisada através da preponderância do


poder, do conflito e da guerra. Para outras abordagens, estas situações ocorrem como
desvios da normalidade constituída pelo convívio regrado entre sociedades e Estados.
Assim, se para a visão liberal internacionalista clássica a política internacional também é o
conjunto das relações de poder que ocorrem entre os Estados, existe porém a ideia de
que a anarquia internacional é limitada pela existência de elementos de ordem que
organizam a convivência dos Estados, como a diplomacia, o comércio, as organizações
internacionais, ou o direito internacional, sendo a força só usada para efeitos defensivos
e/ou para manter os contornos da sociedade internacional estabelecidos por aqueles
elementos de ordem. Outras interpretações liberais vão além deste estato-centrismo,
acompanhando a evolução da sociedade internacional, ao considerar que a política
internacional não se resume às relações inter-estatais isoladas dos processos de
comunicação e relação entre as sociedades. Os Estados não são considerados os únicos,
tão pouco os principais atores da política internacional, em virtude da pluralidade de
outros agentes que estabelecem a agenda internacional e condicionam as decisões dos
Estados, ao mesmo tempo que os problemas globais, não podendo ser avaliados a partir
da perspetiva estato-cêntrica da guerra e da paz, da estabilidade e da ordem, demandam
um olhar global, conferindo importância crescente às interdependências que se
estabelecem a todos os níveis e entre todos os agentes cuja ação influi no contexto
internacional.

• Política Externa: esforço estratégico do Estado para ordenar os fatores de poder que o
caracterizam, por forma a agregar os seus interesses, objetivos, valores, decisões e ações
tomadas e as regras do ordenamento internacional que deseja ver implementadas, compondo
as linhas de orientação e ação estratégicas desenvolvidas fora das suas fronteiras territoriais,
tanto a nível bilateral quanto multilateral, tanto em situações de cooperação quanto de conflito.
Assim, a política externa define o Estado perante o ambiente internacional, conferindo-lhe uma
imagem e identidade próprias e, através dela, o Estado administra as suas relações externas
visando controlar o ambiente internacional em que se insere, através da preservação das
situações que lhe são favoráveis e da modificação das que lhe são desfavoráveis.

• Tendo por finalidade defender e concretizar os interesses, os objetivos e os valores do


Estado consubstanciados nos programas de governo, a política externa insere-se,
simultaneamente, no âmbito da política do governo, provendo o conteúdo da diplomacia a
partir de uma perspetiva interna, e no âmbito mais abrangente da política geral do Estado.
Isto significa que, embora sujeita a grandes variações do contexto político- social interno, a
política externa apresenta valores e atributos relativamente constantes que acabam por
institucionalizá-la e torná-la resistente à mudança política e/ou partidária dos governos, o
que lhe confere o caráter de previsibilidade que angaria credibilidade internacional ao
Estado, e uma imagem despolitizada, assente na visão idealizada da política externa como
o legítimo instrumento veiculador da vontade nacional.

• No entanto, a política externa não resiste ao processo de globalização, que vem


provocando alterações nas suas conceções, conduzindo ao aparecimento de novos
modelos analíticos. Por um lado, vem promovendo a dissolução de fronteiras entre o
doméstico e o internacional e, por conseguinte, a internacionalização dos problemas
considerados nacionais e a internalização das questões internacionais. A política externa,
enquanto política voltada para fora das fronteiras do Estado, que regula os assuntos
referentes ao ambiente internacional, passa a influir, também, no âmbito regulatório interno.
Por outro lado, a globalização tem originado processos de descentralização e
regionalização que vêm criando outros níveis de governo, supranacionais e subnacionais,
que também desenvolvem atividades externas consistentes, acrescentando-se aos atores
não-governamentais, como empresas e ONGs, igualmente detentores de ações externas
coerentes.

• A globalização conduz a política externa a deixar de ser apanágio dos Estados. Ao


sofrer influências dos governos subnacionais e dos atores não-governamentais, a
política externa resulta, tal como as restantes políticas públicas do Estado, da
dinâmica que se estabelece entre as diversas forças governamentais e sociais
internas, assumindo, para o modelo político-social, uma inevitável politização.
Situação semelhante pode ocorrer nos governos supranacionais, no âmbito dos quais,
numa escala macro, a ação externa resulta da interação dos Estados nele reunidos e
das respetivas forças internas.

• por razões que se prendem eminentemente com a segurança do Estado, a política


externa, como as de segurança e defesa, é confidencial. Os processos de decisão,
implementação e avaliação das ações que lhe são inerentes, para obter êxito, impõem
o secretismo, assente numa razão de Estado que os cidadãos, quase sempre,
desconhecem, pondo em causa a articulação entre a política externa e o national role
que o Estado deve desempenhar na sociedade internacional, o que origina a ideia de
que os trâmites da política externa se caracterizam por uma democraticidade limitada.
Mas este défice de transparência é justificado pela imperatividade da
confidencialidade, sendo certo que em princípio nenhum interesse nacional pode
validar um objetivo de política externa que não tenha, na base, esse national role, que
é a consciência internacional da comunidade politicamente organizada

• Política Externa de Estado: quem manifesta a política externa é o Estado e não o Governo
(deve ser constante e não sujeita à mudança de governos) (representa o Estado através da
durabilidade).

• Política Externa de Governo: alterações do Governo traduzem-se em pequenas alterações na


metodologia/forma/conteúdos.

Política Externa

Estado Governo
- A política externa é pouco politizada pois dispersa pouco debate entre a população eleitoral e
as campanhas eleitorais, tanto que ocupa um lugar bastante reduzido na população
portuguesa.

As Relações Internacionais são uma disciplina

Autónoma
• Tem a sua própria matéria de estudo;
Interdisciplinar
• Tem um objeto de estudo, teorias e • Recorre a outras disciplinas para se
metodologias próprias;
implementar.

• Esta autonomia advém da Teoria • Desvantagem: junta tantas disciplinas


Política, enquanto que a Teoria trata o que as Relações Internacionais acabam
poder político soberano (Estado), as RI por perder a sua autenticidade.
tratam da multiplicidade de poderes
políticos soberanos no sistema
internacional.

18 de Outubro de 2018

Nascimento das Relações Internacionais

• Partindo da Política entendida como processo social, onde a coacção faz o contraponto ao
consentimento, o desenvolvimento do discurso teórico- racional, precursor do que viria a ser a
Teoria das Relações Internacionais, permeado pela cristianização, encontra em Aristóteles e
Platão a dualidade das suas origens.

• O modelo de Aristoteles é o ponto de partida do associativismo, ponto de vista do pluralismo


das fações e divisão do associativismo. Aristoteles influenciou São Tomás de Aquino no século
XIII, que por sua vez, influenciou os escolásticos.

- Filosofia Escolástica: método ocidental de pensamento crítico e de aprendizagem, com


origem nas escolas monásticas cristãs (Fé cristã + sistema de pensamento racional). Plus,
foi o método crítico dominante nas universidades europeias entre os séculos IX e XVI.

• O modelo platónico defende a unidade, o centralismo em que o objetivo é garantir o bem maior.
Platão influencia São Agostinho no século V, que por sua vez, influencia a teologia protestante
(dominará o centro da Europa).

• Todavia, tanto Platão como Aristoteles influenciam o Humanismo.

• Desenvolvendo-se a vertente platónica do universalismo, da coerção e do centralismo, no


século V, com Santo Agostinho, a vertente particularista do consenso e da descentralização,
aristotélica, encontrou em São Tomás de Aquino, no século XIII, a ponte para os
desenvolvimentos posteriores, com os escolásticos e o Humanismo II, enquanto Santo
Agostinho conduzia à teologia protestante e ao Humanismo I.

• Ambos os Humanismos, embora o I mais do que o II, conduziram ao Jusnaturalismo –


amalgamento da teoria com um outro tipo de discurso, a Jurisprudência, forma distinta de
encarar a sociedade –, que encontra em Hugo Grocius o expoente máximo, enquanto a
vertente do Humanismo oriunda de Aristóteles influenciava Montesquieu e, por via deste, os
federalistas norte- americanos.

• Assentando no Jusnaturalismo, os teólogos protestantes, crentes na predestinação como


incerteza perene da salvação, introduziam o medo, já presente em São Paulo e Santo
Agostinho, na construção de uma ciência protestante, base da edificação da Revolução
Científica do século XVII (auge das transformações sócio-económicas iniciadas, já, no século
XII, aquando da construção das primeiras unidades políticas organizadas, como Portugal) e da
construção do Estado Moderno, assente na doutrina do contrato social (oriunda da vertente
platónica da Política) de que Thomas Hobbes, Jean-Jacques Rousseau, John Locke e
Immanuel Kant se afirmariam, desde logo, seguidores, por oposição ao associativismo implícito
de Montesquieu e dos federalistas, herdeiros da vertente associativista do aristotelismo – para
a qual, antes do Estado, resultante do contrato social, já existiam associações pré- estaduais,
sendo as primeiras de todas as resultantes das relações imutáveis estabelecidas entre homens
e mulheres e entre senhores e escravos, nesta categoria incluindo-se as crianças.

• Mostiquieu defende a divisão do Estado em fações- Estados federados-, o que divide o Estado
em pequenos ou grandes territórios. O que, posteriormente, influencia o Federalismo, em
particular, o federalismo norte-americano (influenciado por Aristoteles).

• O Direito é aquilo que regula as relações entre indivíduos e s diferentes comunidades. Este
Direito é denominado de jus gentium ou Direito das gentes, isto porque na altura não existiam
Estados. (No Império Romano, há o Direito das gentes ao qual é associado uma simestização
de leis/ normas que regulam as relações entre os indivíduos e as diferentes comunidades)

- Após a expansão do Império Romano, acresce o Direito jus civile romano, a


cláusula prasetor peregrinus, com o intuito de regular as relações entre romanos
e não-romanos.

• O Direito tinha uma base laica, isto é, não estava ligado à religião. A base do Direito é
fundamentalmente moral que orientava a criação das normas do Direito que o regulavam.

• Ao longo da época feudal, verifica-se o conflito entre o sacro-império romano-germânico, os


principais principados feudais e a Igreja Católica Apostólica Romana lutam pela apropriação do
Direito Romano:

- O Direito Romano é apropriado pela Igreja católica é lhe atribuída uma base cristã,
esta perdura até ao século XV. O Direito Romano é implementado de modo a
favorecer a Igreja e as suas decisões.

- Durante a época feudal, grande parte da Europa Central estava a ser invadida por povos
Bárbaros (Norte da Europa) e o rei atribuir terras aos senhores que participavam na
defesa, daí o surgimento do feudalismo.

- No Renascimento, N. Maquiavel desenvolve o conceito de Estado e J. Bodin desenvolve o


conceito de soberania:

• O Renascimento abre portas para a Revolução Científica do século XVII.

• Renascimento, como causa e consequência das Descobertas, acontecimento épico,


colectivamente europeu no desfecho, exclusivamente português na aurora do seu brilhantismo,
abria caminho para a identidade paradigmaticamente estadual, primeiro da Europa, depois do
mundo. Consubstanciando o Ocidente dos Estados, que viera substituir a Respublica
Christiana, à época em que a Espanha e a França se constituíam como as primeiras grandes
unidades políticas europeias, enquanto a Áustria, unindo-se à Hungria, tomava a dianteira do
espaço alemão, Nicolau Maquiavel criava a expressão Estado e Jean Bodin dava-lhe
legitimidade, através do conceito de Soberania, pela definição do qual é considerado o pai do
Estado Moderno. Una, indivisível, própria e não delegada, irrevogável, perpétua e suprema, a
soberania passou a ser o conceito por excelência que define a noção de Estado.

- Assim, em 1625, Hugo Grocius propõe a Tese do Naturalismo a partir da laicização do


Direito. No entanto, a sociedade da época deixa a proposta de parte.

- O aparecimento de inúmeros Estados- ganham forma e conteúdo no


Congresso de Westfália (1648)- Congresso convocado com o intuito de
terminar a Guerra dos 30 anos (Católicos vs Protestantes), em que os
Protestantes saem vencedores.

- Quem tem a região tem a religião- isto é, quem tem o território tem o poder de
determinar a religião que quer ver aplicada oficialmente/ obrigatoriamente
nesse seu território. O que por extensão, significa que quem tem determinado
território, tem a possibilidade de controlar internamente no mesmo- Definição
do Estado oficializada no Congresso de Westfália.- este território passa a ser
um Estado soberano. Qualquer Estado que tenha políticas internas terá
políticas externas.

• Determina-se que o Estado seja um determinado território, onde habita um povo, regulado por
um determinado poder político.

- Povo: conjunto populacional que têm a cidadania do Estado que partilha de uma
cultura, costumes, etnia, etc.

- População: povo e estrangeiros que habitam num Estado.

• Reunido de 1643 a 1648 para pôr fim à Guerra dos Trinta Anos, o Congresso de Westfália –
que, determinando a vitória dos protestantes, estabeleceu a derrota do associativismo perante
o contratualismo – marcou o revés dos Habsburgos, permitindo à Europa repor a ordem na
cena internacional. Estabelecendo diversos princípios, determinou o aparecimento, pela
primeira vez, de um verdadeiro sistema internacional, regulado pelo Direito Internacional de
base cristã, especialmente criado, em substituição do jus gentium, para regular as relações
entre os Estados Territoriais Soberanos.

• Deste modo, em Westfália, é também criado o Sistema Internacional.

• Até à criação dos Estados e sucessivamente, do Sistema Internacional, o Direito das gentes, de
forma regulada, passa a regularizar as relações em forma de:

- Direito Interno (regula as relações dentro de um Estado soberano);

- Direito Internacional (regula as relações entre os Estados).

(A base do Direito continua a ser cristã.)

- Após Westfália, a ordem é abalada na Europa e no mundo: Revolução Francesa (1789-1799).

• Em 1815, reúne-se o Congresso de Viena (1815) com o intuito de restaurar a ordem na Europa.
As grandes potências reúnem-se na Santa Aliança com o intuito de reinstutionalizar a política e
por consequência, a base do Direito.

• Os efeitos da Revolução Francesa continuaram a fazer-se sentir. A nível interno, as potências


europeias eram autocráticas, a nível externo, estavam em declínio devido às guerras e lutas nas
colónias.

• As potências autocráticas dão origem a um Sistema Internacional denominado de Concerto


Europeu. O Direito é laicizado e passa a ter base na moral.

• Neste contexto, e não obstante a actuação conjunta do concerto Europeu e do padrão-


ouro internacional para a existência da paz de cem anos, a expansão da Democracia e a
introdução dos parlamentos nacionais dificultaram a política conservadora, facilitando a
ocorrência de mudanças. Simultaneamente, a introdução do sufrágio masculino, o
aparecimento do sindicalismo e dos partidos políticos e a circunstância de a opinião
pública ter passado a poder influenciar o processo político interno de muitos Estados8 –
pressupostos da democracia – preparavam o fim da paz de cem anos, com o eclodir da
Primeira Guerra Mundial.

• Com o fim das hostilidades, Woodrow Wilson, então presidente dos Estados Unidos,
patrocinou um projecto de paz mundial assente nos projectistas da paz do século XVIII,
nos seus Catorze Pontos, ao sugerir a criação da Sociedade das Nações (SDN).
Efectivamente criada em 1920, amplamente marcada pelo idealismo wilsoniano, a SDN
constituiu a última tentativa de fazer com que o Direito Internacional fosse capaz de
manter a ordem do sistema internacional.

• Os Estados começam a formar alianças devido aos conflitos mas que se desfazem com o
começo da 1ª Guerra Mundial:

- Fomentada pelo assassinato do príncipe austro-húngaro: Francisco Ferdinando.

- O Direito jusnaturalista não tem capacidade de desmantelar a guerra e com o fim


do conflito, surge a preocupação de se evitar uma nova guerra com tais
proporções (ainda que a guerra franco-prussiana tenha sido muito mortífera).

- Deste modo, são sistematizados todos os fatores que conduzem a guerras de tal
dimensão, visando evitar uma nova guerra de tais proporções.

• Neste contexto, surgem as Relações Internacionais e a Teoria das Relações Internacionais


(surge a disciplina e a vertente teórica das RI) -> Embate entre o Realismo e o Idealismo, tal
como o Internacionalismo Liberal foi considerado uma solução intermédia para o conflito entre
as duas teorias.

• Uma das propostas mais importantes nos 14 pontos de Wilson é a criação da Sociedade das
Nações, que nunca chega a ser constituída, pois, os EUA retiram-se da proposta (o Congresso
americano veta a ideia da Sociedade das Nações).

• Em 1929, dá-se o crash da bolsa de Nova Iorque, que dá origem à grande depressão dos anos
30 e a um clima de pré-guerra (paz armada).

• Na 2ª Guerra Mundial, visto que já existiam diversas teorias das RI, decidiu-se que era
importante estudar com mais rigor as teorias que dão teor epistemológico às RI- reforço das RI
e respetivas teorias. Na verdade, existe uma relação:

Epistemologia

Ontologia Metodologia

• Só é possível criar uma teoria das RI tendo uma base epistemológica, ontológica e
metodológica firme e forte. Só depois de estarem reunidas estas condições é que é possível
uma Teoria das RI sustentada. A partir desta teoria é possível estudar RI (um qualquer padrão
fenómeno).

Observações:

- Desde Westfália que os Estados se comportam de acordo com a teoria realista.

- Após a 1ª Guerra Mundial, surge um otimismo face aos pressupostos escritos pelo Presidente
americano Woodrow Wilson (14 pontos de Wilson).

• A epistemologia é a ciência do conhecimento prévio/filosófico que o académico das RI tem


para estudar o fenómeno em questão. O conhecimento pode resultar da observação empírica
ou da abstração.

• A ontologia é fundamentalmente, aquilo que se pretende estudar, ou seja, aquilo que é o objeto
de estudo. Em RI, a ontologia encontra um problema: não é exato, é dinâmico, apenas é
possível fazer generalizações- não se consegue ver aquilo que é o objeto de estudo (Estado,
Sistema Internacional, etc); são objetos de estudo intangíveis; por outro lado, as questões que
mais preocupam os académicos são questões substantivas (concretas), no entanto, por detrás
destas questões substantivas, estão questões metafísicas e essas necessitam de respostas
concretas.

• A metodologia depende daquilo que pretendemos estudar, tal como do nosso tipo de
conhecimento:

- Metodologia Racionalista (método hipotético-dedutivo- razão em 1º lugar);

- Método Pós-positivista (interpretação, inferência dos dados- é subjetivo).

O método é aquilo que se utiliza para concretizar a metodologia (são técnicas: pesquisa
bibliográfica, entrevista, análise de dados, entre outros).

• Qualquer estudo das RI assenta numa forte teoria de RI que agrega todos os conceitos acima
explorados.

Observação

• A evolução dos discursos teóricos das Relações Internacionais, dos diálogos científicos
travados pela e entre a comunidade epistémica das Relações Internacionais permitiu a
construção de conceitos, símbolos e metáforas hoje muito utilizados e fundamentais para
tornar inteligível o que constitui o internacional, isto é, para tornar inteligível o modo como os
agentes se constituem e interagem entre si, impulsionando as relações internacionais
contemporâneas, as instituições que resultam dessas interações, os processos que os agentes
estabelecem entre si que condicionam e que lhes condicionam a sua percepção da realidade
internacional e a sua própria margem de ação para atuar no sistema internacional (ROCHA,
2002: 34).

• As teorias das Relações Internacionais surgem, deste modo, como sistemas conceituais
expressos em discursos marcados por características próprias, que Whitehead (1988)
considera serem: conjuntos de sentenças expressas sem ambiguidades em idioma
compreensível e relevante; consistência lógica interna, o que significa que os conceitos
presentes naquelas sentenças têm de ter uma relação mútua de validade; consistência lógica
externa, de acordo com a qual cada discurso teórico tem de subsistir às críticas que lhe são
dirigidas por outros discursos teóricos; ampla conformidade com a realidade, o que implica o
teste empírico; nenhuma discordância com a realidade, o que implica, após o teste empírico, a
não existência de falseabilidade; condição de esquema lógico, em que todas as características
acima enumeradas devem ser incluídas. Isto significa, para Whitehead (1988), que se um
discurso teórico de Relações Internacionais não cumpre os seus critérios para que se
considere científica uma crença, então, na verdade, esse sistema conceitual não o será e
portanto não estaremos em presença de uma verdadeira teoria das Relações Internacionais.

• Conforme afirmam, aliás, Martin Hollis e Steve Smith (1990: 10), as Relações Internacionais são
uma disciplina em que competem as teorias das relações internacionais. Na sua maioria, estas
são teorias sobre as relações internacionais (daí as letras minúsculas), apesar de ocasionalmente
termos a notícia de teorias sobre a conduta da própria disciplina (ou seja, teorias das Relações
Internacionais).

• A teoria política doméstica não vai longe sem referência ao contexto das relações
interestaduais e às tendências da política global. O estudo da política na perspetiva das
relações interestaduais – a política internacional tradicional – tem de reconhecer (mesmo
pagando o preço da sua identidade) que cada vez menos pode ser uma disciplina fechada
em si mesma. Quanto mais reconhecer este facto, e quanto mais tirar partido da sua
perspetiva global, mais terá oportunidade de se tornar a disciplina das disciplinas no
âmbito das ciências sociais (BOOTH & SMITH; 1995: xii).

As Ontologias de Alexander Wendt

• Frente ao acima exposto, e conforme referido já, muitos dos debates substantivos sobre as
relações internacionais são, em grande medida, debates que vão muito além dessas questões
substantivas e focam-se em debates filosóficos. Neste âmbito, Alexander Wendt (1999: 23)
identifica quatro sociologias/ontologias da política e, consoante cada teoria das Relações
Internacionais opte por seguir as linhas desta ou daquela ontologia, assim se consegue
posicionar cada uma dessas teorias num lugar próprio.

• Para tanto, Wendt combina as quatro ontologias em dois debates essenciais contendo cada
qual duas ontologias. No primeiro debate, combinando as ontologias do materialismo e do
idealismo, a questão central que se coloca é a de saber em que medida as estruturas do
sistema internacional são materiais ou sociais, por forma a compreender-se a importância das
forças materiais e das ideias na vida social – o que é, aliás, um debate já antigo na comunidade
epistémica de Relações Internacionais (WENDT, 1999: 23).

25 de Outubro de 2018

• Ao construir-se uma Teoria das RI, constrói-se um sistema conceptual (conjunto de conceitos
que formam uma determinada teoria das RI) com o intuito de estudar uma determinada
realidade empírica.

Teoria das RI Idealismo Vs Realismo

Realidade empírica
O debate das premissas de
duas correntes de pensamento
diferentes exige o maior grau de
abstração possível (o objetivo é
o desenvolvimento das teorias
Quanto maior o envolvimento das RI).
numa teoria das RI, maior será
o grau de abstração (para
teorizar uma determinada

realidade empírica é necessário


um determinado grau de
abstração). - O fenómeno internacional intangível é uma realidade empírica e
o seu estudo pelas RI exige abstração.

- Existem diferentes propostas de pesquisa; Pluralidade de


teorias e agendas de investigação que permitem o estudo de
fenómenos internacionais empíricos. Estes debates marcam a
evolução das Teorias das RI: Os 3 grandes debates das RI:

- Até aos dias de hoje já se sucederam 2 grandes


debates;

- Desde a década de 90 que se vive o 3º grande


debate;


- Estes grandes debates levam ao grande
desenvolvimento das teorias das RI.

• Tendo em conta a existência da realidade empírica, da Teoria das RI e dos grandes debates das
RI; é possível ordenar estes fenómenos por grau de abstração:

Metateoria • O discurso metafórico abrange o discurso



teórico das RI.
Evolução do
grau de

abstração:

Teoria

Debate entre 2 ou mais teorias das RI


Realidade empírica
• Tipos de política:

-Ativa: dita acontecimentos (North Korea; EUA);

-Passiva: responde aos acontecimentos: (Portugal).

• Níveis de análise: a escolha dos níveis de análise depende do objeto de estudo- fenómeno
empírico em estudo-, por isso, escolhe-se o nível de análise de forma precisa e criteriosa:

- Analisar de acordo com o líder, a sua personalidade, percepção, possessão; num


panorama internacional, fala-se de um nível de análise primário: nível individual.
(explica-se o comportamento do Estado no Sistema Internacional a partir do
comportamento do líder).

- Analisar o comportamento do Estado no Sistema Internacional- as características do


Estado resultam do próprio Sistema Internacional- como fruto de variáveis endógenas
(não necessariamente o líder), que podem estar ligadas a fatores políticos, económicos,
religiosos, demográficos, populacionais, etc.-características internas do Estado- fala-se
de um nível de análise secundário: nível nacional ou estatal. (política externa reativa-
age conforme o exterior, ex: Portugal)

- Analisar o comportamento do Estado no Sistema Internacional através das


características do próprio SI. Analisam-se as características do Estado, tanto externas
como internas, assim como a influência do SI; fala-se de um nível de análise
sistematizado: nível sistémico. (preferido pela comunidade de académicos por ser
mais completo)

- Analisar o comportamento das questões globais implica estudar para além do nível
sistémicos; está-se no nível global: estuda as questões globais visando a maximização
do desenvolvimento socioeconómico em todo o mundo, para além de questões bélicas,
religiosas, entre outras. (objetivos do milénio, destruição dos habitats naturais, poluição
dos oceanos, etc)

➡ Todos os níveis de análise são relevantes e igualmente importantes. Tendencialmente, é


possível combinar dois níveis de análise, desde que seja de forma consciente e cautelosa.

Teorias Sistémicas Vs Teorias Reducionistas

- Efeitos causais e constituitivos;


- Efeitos causais;

- Estudam a estrutura do SI, para além dos - Estudam apenas os agentes. Consideram os
efeitos que os agentes causam entre si. comportamentos que os agentes causam uns
Consideram que os agentes causam entre si nos outros, isto é, efeitos causais entre si.
efeitos causais; a estrutura do SI influencia a (sucessivamente, como bolas de bilhar)
constituição dos agentes, ao mesmo tempo,
o agente também produz efeitos
constituitivos (influencia a criação e o
crescimento da estrutura do SI, tal como,
influencia a formação e o crescimento dos
agentes) sobre a estrutura;

- Efeitos bionívicos entre a estrutura e os


agentes.

Debate: Agente Vs Estrutura

Atores que integram o SI. (Estado, Aquilo que suporta o SI, no qual os
agentes sociais, agentes agentes funcionam.
económicos)

➡ Preferência pela criação de Teorias Sistémicas por parte da comunidade epistémica de RI.

8 de Novembro de 2018

• As questões substantivas obtêm um cariz filosófico quando debatidas no âmbito das RI.

• Segundo Alexander Wendt (construtivista- teoria social de elevada amplitude- à qual as RI foi
buscar influência e que considera que não existe uma realidade única, mas sim, várias
percepções de uma realidade empírica que cada indivíduo ou académico observam quando
pretendem avaliar uma determinada realidade. O construtivismo avalia o Estado através das
ideias, culturas, costumes, ideias, entre outros), o mundo é constituído por ideias e
conhecimentos espalhados pot todo o lado. Wendt apresenta quatro ontologias/sociologias da
política que se dividem em dois grandes debates:

1. Materialismo Vs Idealismo;

2. Individualismo Vs Holismo.

➡ O objetivo de Wendt é posicionar cada teoria das RI num gráfico que reflita a construção
social, isto é, analisar a construção social de cada teoria das RI.

- Cada realidade empírica é uma realidade socialmente construída pois assenta nas ideias e
costumes de determinada sociedade/comunidade.

1. Materialismo Vs Idealismo: Como é que a estrutura é formada?

• Materialismo:

- A estrutura do Sistema Internacional é uma estrutura que assenta em forças materiais


(poder económico, poder militar, poder territorial, poder demográfico). Estas forças materiais
resumem-se em duas ideias fundamentais: o poder e o interesse. Para os materialistas, a
estrutura do SI é formada pelo poder e pelos interesses. Para os materialistas, as ideias
assumem um papel secundário.

- Estas forças materiais assumem relevância no relacionamento dos indivíduos entre si (efeito
de bola de bilhar- efeitos causais). Os efeitos causais são privilegiados pelos materialistas
(desvalorizando os efeitos constituitivos).

• Idealismo:

- O SI é constituído, fundamentalmente, por ideias e conhecimentos espalhados por todo o


lado- percepções, costumes, tradições, etc- é uma realidade socialmente construída. Por isso,
implica uma grande construção social. As forças materiais estão presentes, ms não assumem
uma relevância elevada- segundo plano. As ideias e os conhecimentos ganham a sua
importância, por outro lado, o Idealismo considera que a estrutura tem influência sobre a
constituição dos agentes- efeitos constituitivos. O Idealismo privilegia as ideias e os efeitos
constituitivos da estrutura sobre os agentes.

✓ Em conclusão, o Idealismo tem construção social, ao contrário do materialismo, que à partida


não tem.

2. Individualismo Vs Holismo: Que diferença faz a estrutura?

• Individualismo:

- A estrutura do SI é uma estrutura formada, fundamentalmente, por agentes que se


influenciam mutuamente,- comportamentos/ efeitos causais- dá preferência aos efeitos
causais. Em termos de construção social, o individualismo considera que a estrutura não
influencia os agentes do SI.

• Holismo: ( = observa o todo // ≠ atomistico- individual)

- A estrutura do SI é composta por agentes que são influenciados pela estrutura do SI, ou seja, o
peso explicativo da estrutura do Holismo é maior que o peso explicativo da estrutura do
Individualismo- influência da estrutura sob os agentes, o peso que a estrutura tem para
explicar o SI é elevado. Existem efeitos constituitivos. (são privilegiados face aos causais-
Individualismo).

✓ Em conclusão, o Holismo tem mais construção social que o Individualismo.

Y

Construtivismo

Holismo


Neorrealismo Idealismo
Individualismo

Institucionalismo Neoliberal

Materialismo Idealismo

Y= Construção

X= Social
Três Grandes Debates das Teorias das RI

1. Idealismo X Realismo (Anos 20- Anos 80)

2. Neorrealismo X Institucionalismo Neoliberal (Anos 80- Anos 90) (Queda do muro de Berlim-
’89; Queda da URSS- ’91)

3. Abordagens reflexivistas X Abordagens Racionalistas (Anos 90- Atualidade)

1º Grande debate: Idealismo X Realismo (Anos 20- Anos 80)

• Idealismo:

- Nasce após a 1ª-GM. Surge da necessidade de manter a paz no mundo (população e


académicos). Diálogo entre académicos e políticos: estruturar a nova ordem internacional.
(obras de caráter prático sobre as RI, discutem como é que os Estados devem proceder para
evitar uma nova guerra)

• 14 Pontos de Wilson (1918):

- Os 14 pontos de Wilson baseavam-se em cinco ideias essenciais:

1. Segurança Coletiva

2. Diplomacia multilateral permanente

3. Autodeterminação dos povos

4. Globalização da Sociedade Internacional

5. Repressão dos fluxos de contágio da revolução Bolchevique

- Os 14 pontos (íntegra):

1. Pactos abertos (acordos) de paz a serem alcançados abertamente, sem acordos secretos

2. Livre navegação absoluta, além das águas territoriais, tanto na guerra como na paz, excepto
quanto a liberdade de navegação fosse cessada, em parte ou no seu todo, por execução de
pactos internacionais

3. Remoção de todas as barreiras económicas e estabelecimento de igualdade de condições de


comércio entre todas as nações consentâneas à paz e à sua manutenção

4. Redução das armas nacionais ao mínimo necessário à segurança interna

5. Ajustes livres imparciais e abertos às reivindicações das colónias

6. Evacuação das tropas alemãs da Rússia, e respeito pela independência da Rússia

7. Evacuação das tropas alemãs da Bélgica

8. Evacuação das tropas alemãs da França, inclusive da contestada região da Alsácia-Lorena;

9. Reajuste das fronteiras italianas dentro de linhas nacionais claramente reconhecíveis;

10. Autogoverno limitado para o povo austro-húngaro


11. Evacuação das tropas alemãs dos Balcãs e independência para o povo balcânico

12. Independência para a Turquia e autogoverno limitado para as outras nacionalidades até então
vivendo sob o Império Otomano

13. Independência para a Polónia

14. Formação de uma associação geral de nações, sob pactos específicos com o propósito de
fornecer garantias mútuas de independência política e integridade territorial, tanto para os Estados
grandes como para os pequenos

➡ Wilson admite que os regimes democráticos podiam ser uma solução para a chacina militar
fruto dos confrontos bélicos.

No imediato pós-guerra, as RI entram em vigor com o Idealismo, ainda que o Realismo


também estivesse presente.

• Idealismo:

- Teoria que está de acordo com os cinco pontos estruturais de Wilson. A ideia central do
Idealismo é a de que o Direito Internacional deve ser cumprido e caso as suas estruturas não
funcionem corretamente, devem ser alteradas. Segundo Edward Carr (1939), o Idealismo tem
as suas origens no Iluminismo do século XVIII e na Economia Liberal do século XIX.

- O Iluminismo do século XVIII contribui para a estruturação do Idealismo no sentido que


estabelece a fé humana no progresso e nas instituições internacionais, assim como, no
progresso do próprio indivíduo. Por outro lado, a Economia Liberal do século XIX aproveita o
facto de o indivíduo acreditar no progresso para realizar tarefas que visam a melhoria tanto
individualmente, como em conjunto, do SI.

- A Tese da Emancipação Humana de Kant: o indivíduo só se realiza plenamente em sociedade.


(O Estado é uma abstração e só existe porque existe o indivíduo, se não fossem os indivíduos,
individualmente falando, o Estado não existira. Consequentemente, o que interessa é o
indivíduo em todas as suas potencialidades.) Por outro lado, é evidente que o Idealismo é uma
teoria que valoriza a moral, os valores e tudo aquilo que é eticamente correto para as RI. Daí
que o Idealismo esteja em estreita relação com o cumprimento do Direito Internacional.

- O Idealismo tem uma base ideacional, ou seja, assenta nas ideias, nas percepções (aquilo que
cada indivíduo vê como realidade empírica). Deste modo, tem uma forte componente de
construção social que se deve às diversas percepções em que a corrente idealista assenta.
Esta exige metodologias não-positivistas para o seu estudo. (os idealistas são utopistas).

- O Idealismo considera que existe mais cooperação e interdependência entre as entidades


abstratas (Estados). O pano de fundo daquilo que é chamado o placo das RI, é a Comunidade
Internacional (local em que há cooperação plena entre os estados- não existe conflito (utopia)).
Os Idealistas consideram que não existe Anarquia Internacional (não há autoridade acima dos
Estados-estes encontram-se sozinhos no SI e procuram maximizar o seu poder e a sua
segurança), em termos técnicos, os estados, cooperam plenamente, pois essa é a natureza do
Homem- naturalmente bom.

➡ Para os Realistas, existe efetivamente Anarquia Internacional.

15 de Novembro de 2018

• Internacionalismo Liberal:

Idealismo X Realismo

- As duas teorias opõem-se ontologicamente e epistemologicamente, no entanto, entre os anos


20 e 30, houve uma tentativa de constituição de uma 3ª via: o Internacionalismo Liberal.

- O Realismo evolui nos anos 40 com a 2ª-GM. O Idealismo perde importância e o Realismo
ascende- o tal Realismo pós- II GM. O Realismo pós- II GM é caracterizado pelas mesmas
características que o Realismo dos anos 20/30, mas mais forte e dominante- Os seis princípios
do Realismo político de Hans Morgenthau:

1. O Realismo político acredita, tal como a sociedade em geral, que a política obedece a
princípios objetivos e racionais. São constantes e resultam da natureza humana. Há
princípios permanentes e imutáveis da política, porque resultam da natureza humana e
esta é constante numa determinada época/ período de tempo.

2. A principal sinalização que ajuda o Realismo político a situar-se na paisagem da política


internacional é o conceito de interesse em termos de poder. Este conceito forma um elo
entre a razão que procura compreender a política internacional e os factos a serem
compreendidos. (Ideia do Estado como lobo// A natureza humana do homem enquanto
pessoa) A política é uma esfera de ação da própria natureza humana, a esfera de ação
humana- ação baseada nos interesses e poder dos Estados. Aquilo que os Estados
entendem como poder resultante dos interesses. Falar em interesses é falar em poder
(simbiose entre os interesses e o poder do Estado, que tem uma natureza diferente da
natureza humana).

3. O Realismo parte do princípio de que o seu conceito chave é o interesse definido como
poder e isso constitui uma categoria objetiva que é universalmente válida, mas não
autoriza a esse conceito um significado fixo e permanente, ou seja, o interesse não é
imutável, pode sofrer alterações. O que é imutável é a caracterização da política como
defesa dos interesses através do poder.

4. O Realismo político é consciente da significação moral da ação política, assim como o é


igualmente consciente da tensão inevitável existente entre o mandamento moral e as
exigências de uma ação política de êxito. Ou seja, os indivíduos podem aplicar, podem
agir de acordo com princípios morais se assim o entenderem. Mas os princípios morais
não podem guiar as ações do Estado. Os Estadistas não se podem guiar por ações de
cariz moral pois podem comprometer os seus cidadãos.

5. O Realismo político recusa-se a identificar as aspirações morais de uma determinada


comunidade com as leis morais que governam o universo. Uma coisa é saber que as
nações estão sujeitas à lei moral e outra, muito diferente, é pertencer saber o que é bom
ou mau no âmbito das relações entre as nações. (As leis do relativismo não se sobrepõem
às leis morais, pois não há relatividade moral => um Estado que se rege segundo
determinada moral não se pode sobrepor à moral universal => o conflito reside no facto
de x Estado para um nível internacional)

6. É real e profunda a diferença existente entre o realismo político e outras escolas de


pensamento (autonomia do pensamento político). O realista político sustenta a autonomia
da esfera política, raciocina os termos de interesse definidos como poder. Enquanto que o
economista define os termos das normas jurídicas como pode e o moralista define os
termos das normas morais como poder. Cada esfera humana tem os seus princípios
definidores de pensamento e poder.

• O Realismo é uma teoria que surge ao mesmo tempo que o Idealismo, mas que no início dos
anos 30 não tem grande impacto nas escolas europeias e norte-americanas devido ao clima
que se vivia na época: desejo de paz a todo o custo, por todos, levou a que tanto académicos e
populares acreditassem que se fossem cumpridos determinados princípios, não se voltaria a
viver uma guerra com tal magnitude.

• O Estado na Política Internacional é lobo um do outro- todos os Estados na Política


Internacional, têm interesses próprios e fazem de tudo para os defender. Além do mais, o
Estado é soberano. A soberania é uma questão muito importante para os realistas: se todo o
Estado é soberano, então, todo o Estado é juiz, ator e protetor de todos os seus atos. Deste
modo, só tem em conta as suas fronteiras políticas. Ninguém limita a ação do Estado, a não ser
a auto-limitação do próprio Estado. Os Estados atuam sempre tendo em conta que no sistema
internacional existem, ta como eles, outros Estados que agem da mesma forma: O Estado tem
em causa arma-se o mais possível para estar preparado para um eventual conflito, à
semelhança dos restantes Estados.

➡ Efeito bola de neve:

- Forma-se a corrida ao armamento que segundo John Herz, constitui o Dilema da Segurança
(criação da corrida ao armamento para evitar a vulnerabilidade ao armamento dos outros).
Tendo em conta que os Estados vivem nesta situação, vão-se armar para se proteger. Então,
os Estados vivem na chamada Anarquia Internacional (espaço de leis próprias, nas quais os
Estados vem e que é criada pelo comportamento dos Estados na procura de armamento-
procura de mais segurança).

- O pano de fundo das RI para os realistas é a anarquia e o único ator é o Estado. As


Organizações Internacionais, poderão, eventualmente, ser consideradas atores das RI se
defenderem exclusivamente as vontades do Estado (soma das vontades das Organizações
Internacionais é a soma das vontades dos seus Estados-membros). (A ONU não pode intervir
diretamente nas políticas dos Estados-membros, pois é uma organização interestadual)

- O Realismo assenta numa posição positivista da realidade porque observa a realidade empírica
de forma concreta => O Realismo tem uma visão positivista (Positivismo- doutrina que assenta
na razão e no método científico).

‣ O Realismo ganha dinâmica após a II-GM, com a divisão do mundo em dois blocos
antagónicos. No lado dos EUA (capitalismo) dá-se um aumento das verbas aos laboratórios
académicos estudantes das RI. Não havia um ambiente favorável ao desenvolvimento de
teorias de 3ª via. Deste modo, a teoria que considerava o conflito eminente ganhava
protagonismo => O Realismo considerava que o conflito está permanentemente eminente pois
vive-se numa anarquia internacional (cada Estado atua com base na sua soberania e
interesses).

• Internacionalismo Liberal:

- Uma teoria que se estrutura entre as décadas de 20 e 30 com o objetivo de ser um meio-termo
entre os excessos do Idealismo e do Realismo, os excessos ontológicos que compõem o 1º
Debate das RI. Considera-se que o SI anterior à I-GM, do século XIX, era bom, pois garantia
estabilidade e a possibilidade de se realizar comércio em paz e segurança.

- Neste sentido, este sistema deveria ser reposto, mas as condições que existiam após a I-GGM
já não eram as mesmas e os internacionalistas liberais reconheciam esta problemática. Existia
uma série de alterações e novas propostas sobre a ordem internacional- propostas pelos 14
pontos de Wilson, em 1918- e que essas condições mudavam o SI, no entanto, consideravam
os internacionalistas liberais que era possível.

- Apesar de tais alterações, era possível criar-se um SI com regras e valores comuns entre os
Estados e os seus indivíduos. Os Estados só são atores de RI porque a eles pertencem os
indivíduos, então vivia-se em Sociedade Internacional (Internacionalistas Individuais).

- Os Estados e os indivíduos eram ambos atores de RI, isto porque, ambos podiam ter um papel
importante na ação concreta de liderar a libertação da economia e do comércio. Sendo que a
paz e a estabilidade andavam de mãos dadas com o comércio e era necessário existir
comércio internacional para existir paz e estabilidade.

- Consequentemente, esta escola de RI-Internacionalismo- não explora as suas opiniões acerca


das RI, tanto que o seu pano de fundo era a Sociedade Internacional e os atores eram tanto os
Estados como os indivíduos. A possibilidade de haver cooperação no SI advém do facto de os
Estados serem constituídos por indivíduos.

- O objetivo desta Sociedade Internacional constitui a partilha de objetivos e valores comuns. No


Internacionalismo Liberal, tanto pode haver conflito como cooperação, pois não existem os
exageros da cooperação generalizada (Idealismo), nem do conflito eminente (Realismo). Isto
permite-nos realizar o quadro sistemático das três escolas de pensamento que compõe o 1º
Grande Debate das RI.

Idealismo Realismo Internacionalismo


Liberal

Pano de Fundo Comunidade Anarquia Internacional Sociedade Internacional


Internacional

Atores Indivíduos Estados Estados/ Indivíduos

Conflito/ Cooperação Cooperação Conflito eminente Conflito/ Cooperação

Idealismo X Realismo (1920-1980)

Tom de Debate:

Existe ou não, uma anarquia Internacional?

- Idealismo: Não

- Realismo: Sim

Observações:

- O tom de debate no 2º Grande Debate das RI é outro: Neorrealismo X Institucionalismo


Neoliberal (1980-1990), ambas aceitam a existência da Anarquia Internacional, mas:

É possível limitar a Anarquia Internacional?

- Neorrealismo: Não

- Neoliberalismo: Sim

- Neorrealismo: Kenneth Waltz, Theory of International Polithiques (1979).

- Institucionalismo Liberal: Robert Keohane.

- Consenso de Washington: início dos anos 80, grave crise económica na América Latina- FMI
(ajuda financeira)- acordo entre os Governos prestadores de ajuda e os países em crise, em
que se regularam as fortes medidas de austeridade (após a queda das ditaduras latinas).

Observação

• A autonomização das Relações Internacionais em torno do fenómeno guerra, imediatamente


após a I Guerra Mundial, persuadiu os académicos de que era necessário pensar sobre as
relações internacionais, era necessário teorizar sobre o novo domínio que nascia, bem como
elevar os níveis de conhecimento sobre a realidade internacional acima daquele que era então
dado por uma educação em assuntos correntes (BROWN & AINLEY; 2012: 44).

• O fim da Primeira Guerra Mundial foi um período de grande comunicação entre o meio
académico e o meio político em função do falhanço dos mecanismos políticos internacionais
tradicionais (CARVINHO; 2002: 89), o que sugere a questão de se buscar saber se a teoria das
Relações Internacionais se desenvolveu, e vem desenvolvendo, meramente como resposta a
acontecimentos do mundo real da política internacional, como é tradicional pensar-se; ou se tal
teoria se expande como um processo de desenvolvimento interno ao discurso de uma
comunidade em particular de internacionalistas, cujos debates produzem novas e cada vezes
mais sofisticadas teorias e modelos de Relações Internacionais, como sugerem os historiadores
revisionistas da disciplina como Schmidt (BROWN & AINLEY; 2012: 44).

• O fim da Primeira Guerra Mundial foi um período de grande comunicação entre o meio
académico e o meio político em função do falhanço dos mecanismos políticos internacionais
tradicionais (CARVINHO; 2002: 89), o que sugere a questão de se buscar saber se a teoria das
Relações Internacionais se desenvolveu, e vem desenvolvendo, meramente como resposta a
acontecimentos do mundo real da política internacional, como é tradicional pensar-se; ou se tal
teoria se expande como um processo de desenvolvimento interno ao discurso de uma
comunidade em particular de internacionalistas, cujos debates produzem novas e cada vezes
mais sofisticadas teorias e modelos de Relações Internacionais, como sugerem os historiadores
revisionistas da disciplina como Schmidt (BROWN & AINLEY; 2012: 44).

• No entanto, no início da disciplina, após a I Guerra Mundial, a teoria das Relações


Internacionais, enquanto disciplina académica, desenvolveu-se em particular por meio de um
diálogo intenso com os setores políticos (CRAVINHO; 2002: 92), nascendo como uma ciência
destinada a compreender o mundo. Por conseguinte, as obras deste período resultam em
conclusões práticas sobre as políticas mais adequadas e apropriadas a adotar, em lugar de se
assumirem como grandes tratados teóricos sobre as Relações Internacionais (CRAVINHO;
2002: 108). Afinal, a sequência de reações provocadas pela I Guerra Mundial originou um
grande abalo no progresso moral e material da civilização que caracterizara o século XIX.
Assim, era convicção generalizada dos académicos, dos políticos e das populações em geral
de que era necessário abolir os mecanismos internacionais que haviam sido incapazes de evitar
a carnificina da guerra. Para tanto, consideravam urgente criar um sistema com bases novas
que fosse capaz de regular os conflitos no sistema internacional, evitando a todo o custo o
recurso a uma nova guerra daquelas proporções. Tornava-se absolutamente necessário, para
que isso fosse viável, que as Relações Internacionais, enquanto disciplina, conhecesse as
dinâmicas da sociedade internacional e conseguisse canalizar essas dinâmicas por caminhos
pacíficos (CRAVINHO; 2002: 92).

• É neste contexto que a Conferência de Versailles (1919) vem pôr fim a uma era e dar início a
uma nova, começando a desenhar-se um novo sistema de relações internacionais – que haveria
de falhar nos seus objetivos escassos 20 anos após, com o deflagrar da II Guerra Mundial. O
novo sistema internacional de Versailles assentava em cinco elementos fundamentais, sendo
certo que todos assentavam no Estado como ator por excelência das relações internacionais:

• Segurança coletiva

• Diplomacia multilateral permanente

• Autodeterminação dos povos

• Globalização da sociedade internacional

• Supressão dos focos de contágio da Revolução Bolchevique (BROWN & AINLEY; 2012:
47).

• O facto de o novo sistema assentar nestas premissas não significa, no entanto, que havia um
consenso entre os académicos, e mesmo entre os políticos, sobre a forma de as aplicar, já que
variavam as lentes teóricas com que académicos e políticos olhavam para a nova estruturação
do sistema internacional. Na verdade, no imediato pós-Primeira Guerra Mundial, no contexto do
otimismo da década dourada dos anos 1920, em função do desejo da paz e da necessidade de
mundiólogos que viessem estudar o internacional de forma autónoma, com conceitos,
metodologias e abordagens específicas, a disciplina viu-se dominada pela visão do Idealismo
wilsoniano, o que não significa que, simultaneamente, não se desenvolvesse o
Internacionalismo Liberal, de matriz semelhante até certo ponto e, ainda, que se estruturasse,
de forma sistematizada, o discurso realista que havia dominado a análise do internacional
desde sempre.

• Interessa, pois, ter estas Escolas em atenção e o debate que entre elas se estruturou.
Efetivamente, ao longo dos anos 1920 e 1930 evidenciou-se o choque entre os dois
paradigmas tidos como clássicos no estudo das Relações Internacionais:

• Idealismo ou Universalismo (matriz kantiana)

• Realismo ou Perspetiva Estato-Cêntrica (matriz hobbesiana)

• Idealismo Wilsoniano

• O desenho do novo sistema internacional assente na segurança coletiva, na diplomacia


multilateral permanente, na autodeterminação dos povos, na globalização da sociedade
internacional e na supressão dos focos de contágio da Revolução Bolchevique foram ideias
particularmente defendidas pelo então presidente norte- americano Woodrow Wilson
(1856-1924), apresentadas, em Janeiro de 1918, no famoso discurso dos Catorze Pontos de
Wilson, no qual o presidente oferecia um diagnóstico sobre o que correra mal em 1914
(BROWN & AINLEY; 2012: 47).

• Em primeiro lugar, Wilson constatava que o povo não desejava a guerra e que era a ela
conduzido por militaristas ou autocratas, ou porque as suas legítimas aspirações às
nacionalidades estavam bloqueadas por sistemas antidemocráticos. A solução que o
presidente apontava era, pois, a da implementação generalizada de regimes políticos
democráticos que conduzissem os povos à autodeterminação caso fosse a sua vontade
(BROWN & AINLEY; 2012: 47).

• Segundo os idealistas, se os povos fossem livres de escolher a forma de governo na qual


quisessem viver, optariam por formas representativas de poder, o que teria como
resultado a criação de mecanismos para a realização da harmonia de interesses num
mundo pacífico (DOUGHERTY & PFALTZGRAFF; 2003: 83).

• Por outro lado, a guerra ocorrera em função da organização do sistema das relações
internacionais anterior a 1914, assente na diplomacia secreta e nos pactos e alianças secretas,
conduzira ao equilíbrio de poder (BROWN & AINLEY; 2012: 47). Neste sentido, a solução
passava pela criação de uma nova estrutura institucional para as relações internacionais que,
fundada na Sociedade das Nações – a organização internacional por excelência – haveria de ter
segurança coletiva, de ver o direito substituir a guerra como princípio e haveria de assentar na
harmonia de interesses entre os Estados (BROWN & AINLEY; 2012: 48).

• Afirmando-se, até certo ponto, ou para alguns autores (HEYWOOD; 2011: 62), como uma
variante do Internacionalismo Liberal, o Idealismo é uma abordagem à política internacional que
reforça a importância da moral, dos valores e ideias, em vez da importância do poder e da
prossecução dos interesses nacionais.

• O Idealismo/Utopismo reflete um forte otimismo na paz internacional, normalmente associada


ao desejo de reforma do sistema internacional através do reforço do Direito Internacional e do
seguimento da ética cosmopolita (HEYWOOD; 2011: 62).

• Na realidade, Edward Carr (1892-1982) identifica as matrizes do Utopismo, ao referir o otimismo


intelectual iluminista do século XVIII e as ideias liberais do século XIX, marcadas pela economia
clássica e pelo progresso da ciência e da tecnologia e crente na capacidade do Homem em
dominar a natureza (CARR; 2001: 21).

• Ora, para o Iluminismo oitocentista, são determinadas circunstâncias que motivam o


comportamento humano de modo que, se se pretende alterar esse comportamento,
basta alterar essas circunstâncias, sendo certo que a humanidade é suscetível ao
progresso de forma significativa. Do mesmo modo, o panorama internacional pode ser
alterado mediante a criação de novas instituições internacionais, como a SDN ou as
Nações Unidas, ao mesmo tempo que a conduta política internacional pode ser
transformada pela criação de certas normas que estabelecem determinados padrões de
comportamento em conjunto com as instituições internacionais. É espectável, além do
mais, que governantes e eleitores instruídos (pois sujeitos ao progresso) sejam capazes
de decidir racionalmente em nome da harmonia de interesses da paz da coletividade
(Estado) e não em seu próprio benefício. O pressuposto central do Idealismo, fundado,
como se verá adiante, nas teses na emancipação humana de Kant, é de que os
interesses de cada indivíduo coincidem com o do Estado em torno de um mundo
pacífico. Se os Estados ainda não se dedicaram em buscar alcançar a paz, foi
simplesmente porque ainda não deram ouvidos às suas populações (DOUGHERTY &
PFALTZGRAFF; 2003: 82-83).

• O Realismo

• De forma oposta aos idealistas, para os realistas, a política internacional é um estado de


natureza em que cada Estado se assume como lobo numa guerra de todos contra todos.

• Neste sentido, o único ator das relações internacionais, com direito de intervenção, é o
Estado Soberano, autoridade suprema exercida sobre uma população e um território
determinado, com base num conjunto de leis, instituições e tradições (GUILHON DE
ALBUQUERQUE, 2005; 9). Como cada Estado tem autoridade suprema sobre uma
população e um território, qualquer autoridade termina onde começa o território e a
população de outro Estado, sendo certo que a soberania é a principal caraterística do
Estado e não está limitada, nem pela moral, nem pelo direito, apenas é passível de
autolimitação. Não havendo um poder superior ao Estado, uma autoridade acima do Estado
(à qual este possa recorrer para provar a ilegalidade ou ameaça vinda de outro Estado), não
pode haver regras internacionais de convivência, de modo que o conceito de injustiça
também não pode existir. Assim, num ambiente inter-estatal, cada Estado é juiz, parte e
executor dos eventuais conflitos com outros Estados.

• O princípio básico do Realismo em Relações Internacionais é, neste sentido, muito claro: todo o
Estado é, em última instância, o responsável final pela sua própria segurança e sobrevivência
enquanto Estado (GUILHON DE ALBUQUERQUE, 2005; 21), o que significa que o que move a
guerra e a paz não são altos desígnios e sentimentos elevados, mas sim o temor da ameaça à
própria sobrevivência (GUILHON DE ALBUQUERQUE, 2005; 21).

• Na base do Realismo está o pessimismo antropológico, que considera que o Homem é


naturalmente mau e que o bem está no poder, sendo certo que a tradição realista remonta ao
historiador grego Tucídides (460 e 455 a.C. – 400 a.C.) que, em “Guerra do Peloponeso”,
mostrou que a guerra entre Atenas e Esparta, que determinou a derrota e posterior decadência
de Atenas, não foi motivada por sentimentos de justiça ou gratidão e lealdade, mas sim pelo
temor de Esparta de que a grandeza e prosperidade crescentes de Atenas a tornassem numa
insuperável ameaça à independência de Esparta. As teses de Nicolau Maquiavel (1469-1527) e
Thomas Hobbes (1588-1679) também contribuíram para estruturar o pensamento realista,
compondo a referência realista no pensamento político clássico, ainda que a preferência do
Realismo pelo presente, assente na preocupação essencial com a identificação de regras que
transcendam as circunstâncias conjunturais, não raramente conduza à marginalização dos
contextos em que as ideias aparecem. Ao mesmo tempo que marginaliza a mudança,
considerada residual, já que as leis a que o sistema internacional obedece são inalteráveis.

• O Realismo apresenta, assim, uma dimensão positivista e material, pois assume a existência de
uma realidade objetiva que é independente das representações mentais e das perceções
humanas, contrariamente aos Idealismo. O Realismo faz uma abordagem positivista e empírica
das forças materiais em relacionamento entre poderes políticos soberanos (FARIAS FERREIRA;
2007: 194-195).

• Internacionalismo Liberal

• A estruturação do novo sistema internacional pós-I Guerra Mundial deveria, para o


Internacionalismo Liberal, assentar na retoma da ordem liberal praticada no sistema
internacional e promovida pelo Reino Unido no século XIX, já que esta ordem havia produzido
estabilidade e crescimento, havendo harmonia de interesses entre os Estados. Assim, após o
conflito, não havia, da parte destes, razões que os levassem a procurar outras fórmulas de
organização do sistema internacional. A novidade do pós-I Guerra Mundial era a Sociedade das
Nações, mas sem a participação dos EUA, a política internacional continuou a ser conduzida
pelas mesmas potências dentro dos mesmos padrões do século XIX, quando na realidade o
ambiente era profundamente diferente e nenhum dos fundamentos que compunham a ordem
do pós-I Guerra Mundial eram compatíveis com a realidade anterior à guerra (CARR; 2001).
Ademais, a Sociedade das Nações assentava na segurança coletiva, na diplomacia multilateral
permanente, na autodeterminação dos povos, na globalização da sociedade internacional e na
supressão dos focos de contágio da Revolução Bolchevique, o que demonstra a total diferença
de contexto do pós-Guerra frente ao contexto preexistente ao conflito.

• Esta crença absoluta na harmonia natural dos interesses dos Estados levou académicos e
estadistas a apostar no valor da educação, encarada como meio de combater a ignorância, a
principal causa da incapacidade de ver a harmonia dos interesses entre os Estados. Para
estudar esta harmonia surgiu, deste ponto de vista, a disciplina das Relações Internacionais,
com David Davies fundando a cátedra Woodrow Wilson de Política Internacional no College of
Walles em Aberystwyth, depois surgindo outras cátedras em Oxford e na London School of
Economics (BROWN & AINLEY; 2012: 46).

• Assente na referência clássica mais antiga de Hugo Grocius (1583-1645) e na referência


moderna que pode ser lida em John Locke (1632-1704), os internacionalistas liberais
consideram que o pano de fundo no qual decorrem as interações entre os atores das relações
internacionais é o da sociedade internacional. Conceito resultante da utilização, pelas Relações
Internacionais, da distinção sociológica de Tönnies e Weber entre comunidade e sociedade, a
sociedade internacional, definida classicamente por Hedley Bull (1932-1985), “existe quando
um grupo de Estados, que tem consciência de interesses e valores comuns, forma uma
sociedade, no sentido de se considerarem interligados por um conjunto de regras comuns que
orientam as suas relações e que partilham no trabalho das instituições comuns” (BULL, 1977:
13). A sociedade internacional existe, desta forma, por contraposição à anarquia internacional,
mas sem chegar ao extremo de cooperação da comunidade internacional, quando os Estados
“reconhecem certos interesses comuns e, possivelmente, alguns valores comuns e se
consideram obrigados a cumprir certas regras” (BULL, 1977: 13), de modo que, sendo o Estado
o principal ator das relações internacionais, a sua existência resulta do facto de serem
formados por indivíduos, sendo estes atores das relações internacionais por intermédio dos
Estados de que são cidadãos (MALTEZ, 2002:197).

22 de Novembro de 2018

2º Grande Debate das RI: Neorrealismo X Institucionalismo Liberal (1980-1990)

• Neorrealismo:

- A crise americana dos anos 70 rapidamente tornou-se numa crise internacional. No final da
década de 70 acontece a subida ao poder, no final dos anos 80, Ronald Reagan- posição
neoliberal a nível económico, politicamente, pretendia recuperar a hegemonia americana
através de programas armazenistas e militares. Encontram-se em vantagem face ao bloco
soviético na corrida ao armamento.

‣ Neste sentido, a teoria das RI tem de acompanhar a conjetura. Kenneth Waltz (1979) elabora
uma correção ao Realismo: Neorrealismo ou Realismo Liberal:

- Consideração de que o SI é anárquico e é a anarquia do SI que faz com que os Estados


se comportem da forma de que se comportam- procura da maximização do poder
(económico,militar, etc), ou seja, pretendem ter mais poder que os outros Estados
integrantes no SI. (Neorrealismo Vs Realismo Clássico: O Realismo Clássico considera
que os Estados estão no SI e comportam-se de forma a maximizar o seu poder e como
meio para alcançar os seus fins (segurança, armamentismo, etc)- este comportamento
leva à origem da Anarquia Internacional. Enquanto que o Neorrealismo considera que o
facto de o SI ser anárquico é que leva os Estados a comportarem-se da forma que se
comportam- procura de poder para satisfazer os seus fins- consequência do SI ser
anárquico) (Kenneth Waltz pretende estudar as regras internas da estrutura anárquica
do SI, por outro lado, o conceito de poder é diferente: segundo o Realismo Clássico, (o
poder é relativo) é um conceito considerado como um meio para atingir objetivos
enquanto é um objetivo em si mesmo- ser mais poderoso que os outros Estados. No
Neorrealismo, o poder não é um objetivo em si mesmo, é apenas um meio para os
Estados alcançarem os seus fins (objetivos). ) O Neorrealismo tem a preocupação de
chamar a atenção para o facto de Estados demasiado poderosos deverem dividir o seu
poder (dar a ideia aos demais de que o seu poder está a ser dividido de forma igual:


Pacto de Varsóvia NATO

URSS era o Estado dominante e “dividia” o seu Os EUA são o Estado dominante e “dividem” o
poder pelos restantes Estados aliados. seu poder pelos restantes Estados aliados.

‣ Neorrealismo: poder relativo que cada Estado tem ao nível do SI. Não interessam as
características internas dos Estados: dimensão populacional bruta, território em bruto, riqueza
bruta, etc. as proximidades ideológicas dos Estados não são significativas- o que importa é o
seu poder.

‣ Hedley Bull identifica a seguinte questão:

Se depois da 2ª-GM tivessem ascendido as super-potências, não os EUA e a URSS, mas


sim, os EUA e o UK, teria-se sucedido a mesma Guerra Fria?

- Segundo Hedley Bull, não existiria Guerra Fria, nem nenhum tensão militar devido à
proximidade entre os EUA e o UK (proximidade cultural, comercial, histórica e ideológica).

- Segundo o Neorrealismo de Kenneth Waltz, haveria Guerra Fria e tensão militar entre os EUA e
o UK porque as escolhas ideológicas/ proximidade comercial, cultural são aspetos internos
dos Estados e tal não é contabilizáveis para as RI, o que as RI levam em conta são as
questões ligadas ao poder. Por isso, se tivessem sido os EUA e o UK a emergir, surgiria uma
tensão/confronto na mesma.

• Segundo o Neorrealismo, o Estado é o ator, por excelência, das RI. No entanto, os Estados até
consideram a possibilidade da cooperação internacional (possibilidade reduzida e as
instituições internacionais criadas não passam da mera soma das vontades dos seus Estados-
membros, ou seja, os Estados-membros usam as instituições internacionais para aumentarem
o seu poder- são essencialmente constituídas por pequenos Estados. As instituições
internacionais só existem dentro do mandato que lhes foi conferido pelos seus Estados-
membros.)

• Tudo o que é feito segundo o mandato das RI está fora da área de competências das
organizações internacionais- não passam de brinquedos nas mãos dos Estados. Estes fazem
tudo o que querem com elas. As potências mais poderosas são as que têm mais
responsabilidades no SI, têm mais peso na sua manutenção, sobretudo na sua estabilidade.
Muitas vezes ocorrem destabilizações no SI, sobretudo quando potências menos poderosas
sobem hierarquicamente a lugares superiores e o mesmo acontece quando potências mais
poderosas caem hierarquicamente. => Destabilizações do SI

• O Neorrealismo não considera a mudança, vendo esta como fruto fás destabilizações e da
guerra. Sendo certo que a guerra é frequentemente, um instrumento para estabilizar o sistema-
no fim da guerra há uma re-hierarquização das potências- o que estabiliza o sistema. (leva
décadas para haver alterações desta magnitude) O Neorrealismo foi criticado na sua própria
época, sobretudo por não considerar a mudança/ por não considerar a existência da
organização supranacional, por outro lado, o Neorrealismo também foi criticado por não
considerar a cooperação internacional entre os Estados completamente viável- só a considera
viável quando favorece os ganhos relativos do Estado. Daí os Estados optarem por confiar mais
nas suas capacidades e descartarem a cooperação internacional.

• Institucionalismo Neoliberal:

• Trazido por Robert Keohane (1986), esta teoria foca-se na possibilidade dos Estados
cooperarem entre si, mesmo num SI anárquico. Cooperarem entre si através de instituições
internacionais (tratados, acordos, organizações, regimes formais/ informais com persistência no
tempo e que permitam aos Estados interagir entre si, de forma integrada ou cooperativa).
Embora venha das mesmas premissas que o Neorrealismo, o Institucionalismo Neoliberal ou
Neorrealismo Otimista tem uma visão muito mais cooperativa:

- O Estado é o ator por excelência nas RI, atuando de acordo com os seus interesses,
interesses estes, de índole económica;

- O poder é uma variável a ter em conta na avaliação do SI;

- O Institucionalismo Neoliberal também vê as RI como a Anarquia Internacional.

‣ A diferença fundamental entre o Institucionalismo Neoliberal e o Neorrealismo é a viabilidade


da cooperação internacional através das instituições internacionais. A cooperação
internacional no seio da anarquia internacional é motivada pela união dos Estados e visa
restringir o comportamento dos Estados. Embora não o limitando. A cooperação internacional
vai atenuar a anarquia internacional, através das instituições internacionais que constrangem o
comportamento dos Estados. Ou seja, vão limitar a anarquia internacional.

‣ Se a anarquia internacional é atenuada, então as possibilidades de conflito também


diminuem. Isto porque os Estados estão sujeitos a determinadas regras impostas pelas
instituições internacionais (mais abrangentes que as organizações internacionais). Para
o Institucionalismo Neoliberal, os Estados facilmente criam processos de cooperação-
o que motiva os seus ganhos económicos de forma regular (incentivo). Robert Keohane
estatele as premissas do Institucionalismo Neoliberal na sua obra Neorealism and it’s
critics.

• Em 1993, David Baldwin estabelece o tom do 2º Grande Debate das RI com a sua obra
Neorealism and Neoliberalism the Contemporary Debate.

Exemplo: Um Estado deixa de ter ganhos relativos ao participar em determinadas


instituições/ organizações internacionais, mas não sai dela.Porquê? Porque sair da
organização internacional afetaria a sua credibilidade, isso significaria renunciar o tratado
dessa organização porque num determinado momento, os seus ganhos relativos são
menores. => Isso significaria perder a credibilidade na sua política externa.
29 de Novembro de 2018

• 2º Grande Debate das RI (1980-1990): Neorrealismo (Kenneth Waltz- viabilidade da


cooperação internacional é reduzida) Vs. Institucionalismo Neoliberal (Robert
Keoharen- cooperação internacional através das instituições internacionais é viável,
sobretudo, porque os Estados pensam vir a ter ganhos económicos com essa
cooperação internacional). Robert Keoharen forma uma nova teoria, em que incorpora
os valores, as ideias, as percepções dos indivíduos; sobretudo daqueles que lideram os
estados, tal significa que os estados passam a ser entidades que além de estarem
somente focados nas forças materiais, como no institucionalizo neoliberal, passam a
estar também, focados em questões centradas no indivíduo: os valores, as próprias
ideias, as percepções do indivíduo, mas ainda se encontram no nível das lideranças-
nível dos valores e ideias das lideranças. Esta visão é desenvolvida na década de 90,
depois das transformações ocorridas no sistema internacional após o derrube do muro
de berlim, após o colapso da URSS e do bloco comunista, é certo que as RI não foram
capazes de prever tal colapso e por consequência, as RI entram num período de abalo
cientifico.

• Outras perspectivas que se vieram a desenvolver desde os anos 60, ganham dinâmica:
perspectivas pós-modernas, estruturalistas, teoria critica da escola de Frankfurt, teorias
feministas, teoria da justiça global, entre outras.

‣ Este tipo de teorias começou a estruturar-se por volta da década de 60, mas na
década de 60 não tiveram repercussão; porque na década de 60, essas teorias
não tinham uma agenda empírica de pesquisa, capaz de apresentar um verdadeiro
projeto de pesquisa que fosse algo de conclusivo, capaz de estruturar uma teoria
das RI. Por outro lado, na década de 70, estas ideias não ganharam forma pois
estiveram na sombra da escola inglesa que traz o conceito de sociedade
internacional: os estados juntam-se e obedecem a um conjunto de regras e
valores, congregando ideias e perspectivas comuns- consequência do sistema
internacional anárquico. Ficaram na sombra da teoria neo-realista de K. Waltz, não
tiveram a capacidade de aparecer com força.

• Após o derrube do muro de Berlim, estas propostas apareceram com dinâmica no


âmbito da sociologia e foram importadas pelas RI, estas abordagens vinham explicar a
nova ordem internacional- a nova sociedade internacional pós-derrube do muro de
Berlim- vieram colocar o indivíduo no centro dos debates das RI, centrar as
preocupações dos internacionalistas, naquilo que são os estudos da comunidade
epistémica das RI, daí ganharem importância.

• Se o indivíduo passou a estar no centro das teorias, por outro lado, ao mesmo tempo,
surgem novas e muitas organizações internacionais, muitas instituições em geral, como
regimes internacionais e por consequência, era necessário estudar a normatividade
dessas instituições internacionais, a razão que levava os estados a participar nessas
instituições internacionais. Segundo as novas abordagens, tal devia-se ao facto de os
estados partilharem ideias, valores comuns; tal como a necessidade de criar valores,
ideias e normas comuns, de modo a estabilizar a sociedade, com o intuito de evitar
uma outra situação de guerra fria.

• Revivem-se certas premissas do Idealismo do século XX misturadas com a


normatividade, regras e normas comuns de comportamento do Direito Internacional-
daí surgirem novas alianças/instituições internacionais.

• A estas abordagens, já Robert Keoharen, no seu discurso de posse, da Internationals


Studies Association, haveria chamado de abordagens reflexivistas.

Observações

• Neorrealismo

• O formato renovado do Realismo nos anos 1980 vem corporizar o Neorrealismo ou


Realismo Estrutural como nova Escola de Relações Internacionais, através da
publicação de duas obras fundamentais:

• “Theory of International Politics”, de Kenneth Waltz (1924-2013), em 1979

• “War and Change in World Politics”, de Robert Gilpin (1930-...), em 1981.

• Se Robert Gilpin reconhece que os desenvolvimentos da vida internacional em


plena década de 1980 recolocavam no cerne das relações internacionais os
problemas recorrentes do conflito e da paz, surgindo como uma figura central do
Neorrealismo, Kenneth Waltz acaba por ser o grande porta-estandarte da nova
versão do pensamento realista (CRAVINHO, 2002: 201).

• Partindo das premissas da natureza anárquica do sistema internacional, da


distribuição de capacidades que existe nesse sistema internacional e do
comportamento dos Estados ser resultante dessa natureza anárquica, Waltz elabora
a sua teoria da política internacional assente nos seguintes fundamentos:

• As variáveis domésticas dos Estados não têm relevância, sendo que a única
qualidade intrínseca dos Estados que importa ter em conta é o poder relativo,
isto é, o lugar que cada Estado ocupa na hierarquia das potências, resultado
da distribuição das capacidades internacionais (CARVINHO, 2002: 202). Isto,
sendo certo que o que verdadeiramente importante nesta distribuição de
capacidades é essa distribuição entre as principais potências do sistema
internacional (SALOMÓN e PINHEIRO, 2013: 46). Com efeito, “se as unidades
crescem em tamanho à medida que competem, finalmente uma delas
suplantará as outras. Se uma unidade engolir o sistema, a distinção entre o
interesse da unidade e o interesse do sistema desaparece. Na falta deste
extremo, em qualquer domínio povoado por unidades que são funcionalmente
similares mas de diferente capacidade, aquelas de maior capacidade assumem
responsabilidades especiais” (WALTZ, 2002: 270).

• O comportamento dos Estados é compreendido olhando para a estrutura


anárquica do sistema internacional (estrutura esta que enquadra a política
internacional) e para o lugar que cada um ocupa na hierarquia de poder (ou
distribuição de capacidades). Estes são os únicos fatores que delimitam os
possíveis destinos dos Estados.

• Assim sendo, variáveis como a proximidade cultural entre Estados,


proximidade ideológica, relação comercial só têm uma importância residual
para explicar o comportamento dos Estados. As duas variáveis que
verdadeiramente importam são a estrutura anárquica do sistema internacional
e a distribuição de capacidades nesse sistema, resultado do poder relativo dos
Estados.

• Para ilustrar a questão das variáveis na teoria de Waltz, Hedley Bull coloca uma
questão muito interessante (CRAVINHO, 2002: 203): se, no fim da II Guerra Mundial,
a URSS estivesse fragilizada e a Grã-Bretanha estivesse fortalecida, qual teria sido o
destino do sistema internacional: a paz entre as superpotências hipotéticas (EUA e
Grã-Bretanha) ou a tensão entre as mesmas?

• Segundo Hedley Bull, numa situação dessas não teria havido Guerra Fria, nem
qualquer outra espécie de situação de tensão, pois os EUA e a Grã-Bretanha
são cultural e ideologicamente próximos e possuem uma intensa relação
comercial, além de outros fatores de ligação.

• Para Waltz, pelo contrário, teria havido, ou Guerra Fria, ou outra qualquer
situação de tensão entre os EUA e a Grã-Bretanha, tal como houve entre os
EUA e a URSS, pois os fatores apontados por Bull de proximidade cultural,
ideológica, comercial, etc. são de pouca relevância quando comparados com a
estrutura do sistema internacional e o poder relativo dos Estados. Nesta
situação hipotética, os EUA e a Grã-Bretanha entrariam, tal como sucedeu com
os EUA e a URSS, numa corrida pela maximização do poder relativamente ao
outro, visando assegurar uma segurança considerada sempre ameaçada. Num
sistema internacional com apenas duas potências, “pode-se esperar que
ambas ajam para manter o sistema” (WALTZ, 2002: 278).

• Institucionalismo Neoliberal

• Na base acima referida, surgia, nos EUA, até para estabelecer as margens do
Neorrealismo, o Institucionalismo Neoliberal3, pois ao focar a sua atenção sobre a
anarquia do sistema internacional e a distribuição de capacidades entre as unidades
que o compõem, no interior do mesmo, o Neorrealismo faz uma interpretação da
política internacional enquanto potencialmente sempre conflitual. Outros autores
vieram, no entanto, apresentando uma interpretação mais abrangente do conceito
de estrutura, focar a normalidade e a frequência da cooperação internacional, e não
apenas a natureza conflituosa da anarquia internacional (CRAVINHO, 2002: 222).
Com origem na Perspectiva Transnacionalista e na Interdependência, as visões
destes autores fornecem uma abordagem alternativa à vida internacional, focando
explicitamente o efeito das instituições internacionais sobre as relações entre os
Estados – razão pela qual estes novos teóricos foram logo chamados de
institucionalistas neoliberais.

• A ideia central dos institucionalistas neoliberais é a de que o progresso é obtido


através da criação de instituições internacionais, pois estas vêm promover a
cooperação internacional, servindo de contraponto à natureza conflitual da anarquia
internacional. Em muitos aspetos, todavia, esta Escola de Relações Internacionais
coincide com o Neorrealismo, que vem, na verdade, apenas procurar limitar,
acrescentando novas possibilidades relativas à frequência da cooperação entre os
Estados, compondo o que João Gomes Cravinho (2002: 223) assume ser um
“Neorrealismo otimista”.

• Com efeito, o surgimento do Institucionalismo Neoliberal como contraponto ou


correção ao Neorrealismo vem estabelecer os padrões do segundo grande debate
teórico das Relações Internacionais, centrado, não sobre a existência ou não da
anarquia internacional, como o anterior debate entre idealistas e realistas, mas sobre
o significado e as implicações dessa anarquia. De facto, se havia desacordo entre o
Idealismo e o Realismo, no contexto do primeiro grande debate teórico das
Relações Internacionais, relativamente à existência da anarquia internacional, no
âmbito deste segundo debate, neorrealistas e institucionalistas neoliberais
concordam com a existência da anarquia internacional (DOUGHERTY &
PFALTZGRAFF, 2003: 85), levando o debate teórico a focar-se, não na demarcação
de campos intelectuais, mas antes no esforço de síntese, mais produtivo para a
Teoria das Relações Internacionais (DOUGHERTY & PFALTZGRAFF, 2003: 86). A
divergência entre as duas Escolas centra-se no significado e nas implicações dessa
anarquia e na capacidade das instituições internacionais em limitá-la, isto é, na
capacidade destas instituições ultrapassar a característica estrutural básica do
sistema internacional, que é justamente a anarquia (DOUGHERTY & PFALTZGRAFF,
2003: 85).

✓A função dos regimes internacionais surge, então, como a de institucionalizar a


cooperação entre os Estados, pois grande parte do comportamento destes atores é
afinal ditado pelo grau de institucionalização do seu relacionamento.

3º Grande Debate:

Abordagens Reflexivistas (interpretativistas) Vs Abordagens Racionalistas (razão)

• As abordagens racionalistas nascem das perspectivas pós-modernas, estruturalistas,


teoria critica da escola de Frankfurt, teorias feministas, teoria da justiça global, entre
outras:

‣ Defendem que o estado é um ator racional, comporta-se de forma homogénea


(não interessa aferir por quantos ministérios este é composto, por quantas
secretarias de estado é composto, porque os ministérios atualmente têm
relevância na participação da política externa- só conta a vontade emanada pelo
governo como legitimo representante do estado; aquilo que cada ministério
estabelece vai para o governo e por isso é transformada em vontade e
comportamento do estado), reativa- é monolítico (é um só- não vale a pena
verificar as características internas do estado- é unitário, apenas conta a vontade
que emana do governo, que é o legitimo representante do estado na sociedade
internacional)- é uma ação racional porque não se tem em conta as percepções,
valores ou moral do líder, só se tem em conta os interesses do estado e só estes é
que são defendidos- defende-se uma posição racional do estado. As suas
abordagens são neopositivistas.

• As abordagens reflexivistas definem que o estado já não é composto por uma só


figura (o governo), um líder em representação legítima desse governo, o estado é
heterogéneo (formado por diversos ministérios autónomos a nível de política externa),
não é racional porque está sujeito aos valores, à moral, às percepções das suas
lideranças (ministérios); o estado passa a ser um ator heterogéneo e irracional- as suas
ações são inesperadas, não apriori programadas, o seu comportamento não é reativo.

‣ Sendo uma abordagem interpretativista, a sua metodologia baseia-se no pós-


positivismo.

‣ Consistem numa lógica interpretativista, ou seja, vão centrar-se, primeiramente, no


indivíduo enquanto indivíduo em si ( indivíduo que tem a sua moral, os seus
valores, percepções próprias- pensa sempre de maneira diferente dos outros) e
não, enquanto cidadão de um estado ( indivíduo cheio de direitos e deveres).
Estas percepções dão origem a várias realidades, então, isto significa que não
existe uma realidade, mas sim, tantas realidades tanto quantos indivíduos existem.

‣ Para interpretar estas realidades, o método de eleição dos reflexivistas, é a


interpretação, o que segundo Emmanuel Adler (construtivista), pode dar origem ao
que denomina de círculo hermenêutico- se os interpretativistas, ou seja, os
reflexivistas vão utilizar o método interpretativista, vão utilizar/basear-se
constantemente em textos produzidos por outros autores para produzir o seu
próprio texto, a sua própria interpretação e assim sucessivamente, interpretando a
realidade segundo as suas obras e as de terceiros- ciclo vicioso de interpretação
do que foi interpretado (interpreto aquilo que foi interpretado e o próximo
interpretará aquilo que ja foi interpretado por mim e por outros).

‣ Por isso é que a linguagem tem uma importância fundamental ao nível das
abordagens reflexivistas- método mais utilizado para se elaborarem abordagens
reflexivistas- são transmitidas oralmente ou por escrito, através da linguagem. Esta
não tem necessariamente de seguir um padrão comum, uma gramática comum, o
que de facto existe nestas abordagens reflexivistas é a relativização da ciência (os
estados são irracionais e ativos).

‣ As realidades que existem, não são realidades empíricas físicas, pois cada um tem
uma determinada perspectiva acerca da realidade , daí ser perspectivada de
acordo com a visão de cada indivíduo.

- Construtivismo:

• Construtivismo de Alexander Wendt (meio-termo do 3º debate): teoria social


importada para as RI, transformando-se por consequência, numa teoria das RI e que
compõe o meio-termo do debate entre as abordagens reflexivistas e racionalistas.
Outros construtivismos, o que dificulta o estabelecimento de uma agenda de pesquisa
única para o construtivismo é o facto de existirem vários tipos de construtivismo, sendo
que alguns contrustivistas se enquadram nas abordagens reflexivistas, como John
Ruggie, Friedrich Kratochwill e Nicholas Onuff.

• Segundo Emmanuel Adler diz que o construtivismo de Alexander Wendt é o meio-


termo do 3º debate, porque embora Alexander Wendt seja um construtivista, aceita
metodologias pós-positivistas, tal como, metodologias positivistas para o estudo das
realidades empíricas que se escolhem para ser estudadas pela comunidade epistémica
das RI. Embora diga que não pretende ser eclético no seu construtivismo, é bastante
aberto na forma como o encara- aceita que no seu construtivismo, a realidade empírica
escolhida para ser estudada, seja efectivamente estudada por metodologias pós-
positivistas e positivistas, de forma doseada- daí Emmanuel Adler considerar Alexander
Wendt o meio-termo.

• Sendo uma teoria social importada pelas RI, como grande parte das abordagens
reflexivistas, o construtivismo é uma teoria das RI, assenta sobretudo no indivíduo
como indivíduo, e por isso, valoriza as percepções que os indivíduos têm da realidade
empírica. Realidade empírica essa, que se é valorizada por aquilo que cada indivíduo
vê, vão ser realidades diferentes. Por outro lado, a realidade empírica é uma realidade
que está sempre em movimento, porque o indivíduo é um ser que está sempre em
mutação, em evolução. O indivíduo vive em sociabilidade, em inter-relação com os
outros indivíduos. Esta inter-relação com os outros indivíduos recebe o nome de
intersubjetividade: não é mais que os indivíduos relacionando-se uns com os outros, se
os indivíduos se relacionam uns com os outros, a estrutura da realidade internacional,
será uma estrutura socialmente construída- os indivíduos relacionam-se na base
daquilo que será a intersubjetividade humana.

• A estrutura da sociedade internacional é socialmente construída. Os grupos sociais e o


estado são socialmente construídos, tal como a política internacional, é socialmente
construída. Assim como as relações internacionais (exemplos de situações socialmente
construídas: os bancos internacionais, instituições internacionais, etc.- o que não
significa que as forças materiais e os interesses não tenham importância, estão num
plano secundário). Ainda que a realidade empírica seja socialmente construída, estas
não deixam de existir.

• Os conflitos são realidades socialmente construídas, pois derivam da intersubjetividade


humana que por sua vez, deriva das percepções humanas. Por isso, é que o indivíduo
está, tal como nas abordagens reflexivistas, no centro do debate do construtivismo. O
construtivismo assenta grandemente nesta rede de valores e percepções dos
indivíduos, da intersubjetividade humana e da realidade socialmente construída.

• Por outro lado, para o construtivismo, o plano de fundo das RI, em que os atores das RI
atuam, é a sociedade internacional; porque há valores comuns entre os agentes, há
interesses comuns entre os agentes e estes, voluntariamente, estabelecem padrões e
regras comuns de comportamento, no fundo, está-se a regressar à definição de
sociedade internacional. Ao estabelecer-se estas regras comuns de comportamento, os
agentes das RI, estão a criar entre si, sempre na base da intersubjetividade humana-
sempre na base do relacionamento interpessoal- as chamadas redes normativas: são o
conjunto de regras e comportamentos padronizados que levam os agentes das RI a um
comportamento comum (na base da intersubjetividade humana). Se existir um conflito,
o comportamento pode não ser comum. Os conflitos sucedem quando os interesses
se sobrepõem aos valores, às regras comuns de comportamento e por
consequência, gera-se um conflito, que muitas vezes, por muito doloroso que
seja, vem equilibrar o sistema internacional. Este conjunto de normas comuns, tal
como os comportamentos padronizados, têm como exceção os conflitos. A norma no
sentido mais comum é o cumprimento da regra dos padrões comuns de
comportamento, então, as redes normativas servem pra padronizar o comportamento
dos agentes das RI, na sociedade internacional. Estas redes normativas tendem a dar
origem ao que Ernst Hass denomina de comunidades epistémicas. Mas não são as
comunidades epistémicas de RI commumente referenciadas- estas comunidades
epistémicas são grupos especializados numa determinada issue area (área temática)
que têm um forte conhecimento sobre determinada área temática e que atuando
internacionalmente na sociedade internacional, podem mesmo influenciar a política
externa dos estados- as comunidades epistémicas têm este poder. Ernst Hass surge
com o conceito de comunidade epistémica aquando trabalhava com a sua equipa em
problemas ambientais do mediterrâneo, deste modo, apelida os especialistas na área
temática ambiental do mediterrâneo de comunidade epistémica.

• As RI adoptam este conceito para se referir a áreas de conhecimento especificas, ainda


que de forma mais abrangente. O construtivismo é das teorias das RI que mais tem
vindo a ganhar adeptos no século XXI e isso é um indicador favorecedor. No entanto,
seria mais eficaz se indicasse o fortalecimento da teoria em sim. O construtivismo tem
vindo a ganhar muitos adeptos porque há muitos académicos de RI que procuram fugir
das teorias clássicas das RI, teorias ditas racionalistas, sem cair nos extremos das
abordagens reflexivistas. Daí adotarem o construtivismo como teoria que cobre os seus
seus estudos- manto de legitimidade nos estudos que fazem acerca da realidade
empírica, dentro do que as suas percepções escolhem estudar.

Observações

• O estudo sobre o papel das instituições internacionais no sistema internacional ao


longo dos anos 1990 saiu revigorado através do Paradigma Institucionalista, já que o
fim da Guerra Fria levou os especialistas da área a dedicar-se primordialmente à análise
da nova ordem internacional. Ora na nova estrutura do sistema internacional era visível,
não só o aparecimento de inúmeras novas organizações internacionais, como a
implementação consequente de normas internacionais, o que motivou os especialistas
de Relações Internacionais que se dedicavam ao estudo da ordem internacional pós-
Guerra Fria a centrar as suas análises, justamente, sobre a implementação dessas
normas internacionais e sobre o funcionamento e eficácia das organizações
internacionais, deslocando as análises de Relações Internacionais para “as ações
intencionais geradoras de uma ordem política”, recolocando a discussão em termos de
“governabilidade” (HERZ, 1997: 2).

• Assim, na década de 1990 estrutura-se o segundo grande debate das Relações


Internacionais, entre neorrealistas e institucionalistas neoliberais, ainda num quadro
amplamente racionalista, embora as perspetivas não racionalistas ancoradas numa
metodologia de base crítica ao positivismo ganhassem dinâmica, vindo a organizar a
Teoria das Relações Internacionais para o século XXI, quando se assistiria à
composição do terceiro grande debate das Relações Internacionais, entre racionalistas
e abordagens reflexivistas.

• De facto, a introdução, em força, do papel das ideias nos estudos internacionalistas


promoveu a estruturação do debate teórico entre racionalistas e partidários de
epistemologias interpretativas, sendo os racionalistas compostos por realistas,
neorrealistas, institucionalistas neoliberais e todas as outras teorias das Relações

• Internacionais, enquanto as epistemologias interpretativas enquadram os pós-


modernos, pós-estruturalistas, teóricos críticos da Escola de Frankfurt,
institucionalistas históricos e sociológicos e os teóricos feministas (ADLER, 1999: 201-
202). Centrado sobre a natureza da realidade internacional e como esta deve ser
interpretada e explicada, o debate teórico entre racionalistas, de um lado, e partidários
de epistemologias interpretativas, de outro, ocorre, assim, num nível de abstração
muito mais elevado do que os dois debates anteriores, já que tanto realistas e
neorrealistas, quanto institucionalistas neoliberais e teóricos de outras Escolas de
Relações Internacionais passam todos a ser considerados, indiferentemente, como
racionalistas, uma vez que as suas premissas assumem sempre a lógica do
comportamento racional por parte dos agentes que estudam (ROCHA, 2002: 232). A
estes racionalistas contrapõem-se os partidários de epistemologias interpretativas, que
Robert Keohane (1988: 46) apelida de reflexivistas.

• Abordagens relativistas, ancoradas na Sociologia interpretativista que toma o


conhecimento como uma realização coletiva origina um dilema descrito como círculo
hermenêutico já que, de cada vez que uma explicação para uma determinada situação
social é tentada, basear-se-á sempre em leituras anteriores, fornecendo sempre não
mais do que uma interpretação que por sua vez é já uma interpretação de algo
produzido a priori. O dado empírico destas análises será sempre “mais uma
interpretação, aberta a questionamentos por outras interpretações ou leituras” (ADLER,
1999: 204).

• O Construtivismo preocupa-se, assim, fundamentalmente, com a “sociabilidade inerente


à teia de relacionamentos que constitui o ´internacional´” (FARIAS FERREIRA, 2007:
32), o que leva o sistema internacional a ser estudado a partir do fenómeno da produção
e do alargamento do que Malcom Williams chama de consistência cultural, isto é, a
existência de uma teia densamente intersubjectiva de interacções e significações
(FARIAS FERREIRA, 2007: 42). No fundo, esta consistência cultural refere-se à
existência de significados partilhados de forma intersubjectiva (WILLIAMS, 1998: 20) e,
estando inerente aos objectos sociais que conformam o fundamento essencial das
práticas sociais, esta consistência cultural permite a realização de generalizações
resultantes da observação empírica das relações internacionais. Dito de outro modo, só
é possível fazer-se generalizações das práticas sociais empiricamente observáveis no
internacional se tais práticas tiverem significados partilhados intersubjetivamente, isto é,
se tiverem consistência cultural. Neste caso, as generalizações resultantes da
observação empírica das relações internacionais serão representações coerentes da
realidade efectiva das práticas sociais.

• O foco central do Construtivismo não tem sido composto pelos Estados individualmente,
mas sim pelas ideias (normas, identidades, interesses), através do estudo do papel
dessas ideias, seus processos de formação, propagação e alteração (SALOMÓN e
PINHEIRO, 2013: 47). Deste modo, todos os atores, estatais ou não, interessam aos
construtivistas, pois todos participam nesses processos de criação, propagação e
alteração das ideias, particularmente das normas. O Construtivismo confere uma ênfase
muito especial às visões sociocognitivas e ao papel e ação dos diversos agentes na
política internacional, analisando a formação de interesses, normas internacionais, redes
de ativismo transnacional e interação de estruturas e agentes (SALOMÓN e PINHEIRO,
2013: 48). De forma sistematizada, o Construtivismo assenta na visão de mundo das
teorias clássicas internacionais de Grocius, Kant e Hegel e foi brevemente dominante
no estudo das teorias das Relações Internacionais no período Entre Guerras, naquilo
que, hoje, os teóricos das Relações Internacionais frequentemente apelidam de
Idealismo (WENDT, 1999: 3).

Estrutura de exame:

- 1º grupo: 2 perguntas a valer 5 valores cada

- 2º grupo: 1 pergunta a valer 10 valores

6 de Dezembro de 2018

Proposta da América Latina para as RI

• América Latina: sub-região das Américas que se divide em América central (México-
Canal do Panamá) e América do sul (Canal do Panamá- Terra do fogo), esta divisão é
histórico-cultural- linguística e cultural-, a base linguística/ histórico cultural é a mesma
para todos os países da região.

• Do México até ao canal do Panamá faz-se sentir mais a influência norte-americana,


pois são economias pequenas e dependem da economia norte-americana. Na América
do sul, as economias dependem mais da economia brasileira- daí as preocupações
com a situação atual do Brasil, tanto a nível económico, social e político. A América do
Sul é o destino prioritário dos investimentos directos e estrangeiros do Brasil.

• Proposta de RI da América Latina, especificamente da América do Sul. Tem início,


segundo vários académicos, no final do século XIX, pois é nesta época que se
concluem os processos de independência da colónia portuguesa e espanhola das
Américas. Por consequência, quando esses processos se concluem, temos novos
Estados independentes- na forma de repúblicas e impérios (caso do Brasil). Só em
1889 é que o Brasil proclama a república e esta fase desde do final do séc. XIX até
sensivelmente, 1930, é denominada de fase liberal-conservadora ou modelo
liberal-conservador:

- Os Estados recém-independentes estavam preocupados com a aprovação


dos Estados europeus e serem reconhecidos como Estados propriamente
ditos, no SI; o seu objetivo era trabalhar neste sentido.

- Estes novos Estados aliaram-se aos EUA em termos de política externa


para trabalharem em conjunto nesse sentido. Deste modo, tiveram de
satisfazer certas condições- o Brasil foi aquele que teve de obedecer a mais
condições por ser o maior-, os restantes estados eram reduzidos em
tamanho e por isso, tinham pouco a perder.

- O Brasil, no entanto, poderia perder a hegemonia que pretendia exercer


sobre a América do Sul. Ao aliasse aos EUA, o Brasil realizou uma
aliança não-escrita em que o Brasil se subjugava economicamente aos
EUA, pois dependiam economicamente das exportações de café, cacau,
carne bovina, sumo de laranja, etc; por outro lado, o Brasil pedia a
hegemonia que tinha sobre a América do Sul e ficava com uma sub-
hegemonia, ou seja, a hegemonia total sob toda a América Latina, era dos
EUA. No entanto, a América do Sul, estava sob particular hegemonia do
Brasil, sobre subserviência do Brasil desde que não entrasse em choque
com o facto de toda a América Latina estar sobre a hegemonia norte-
americana.

- Desde o final do século XIX, até todos os Estados se transformarem em


repúblicas, adotam uma forma de comércio igual à relação metrópole-
colónia do tempo colonial, comércio que visava o lucro da própria república
sem ter em vista a vantagem relativa de outras repúblicas. Estas repúblicas
tinham em vista a maximização das suas produções, vigora então, o
princípio do Liberalismo. Assim, surge o modelo liberal-conservador, com o
alinhamento aos EUA. Isto vigorou até, sensivelmente, 1930. Em 1930, a
situação económica altera-se devido ao crash da Bolsa de NY (1929) que
provoca a grande depressão dos anos 30. Entre 1930 e 1945, uma fase de
enterro em que os Estados vão tentar adaptar-se à nova condição
económica da realidade do Sistema Internacional. Os Estados irão utilizar
vários métodos para se salvarem desta situação:

- Após a guerra civil espanhola, os Estados continuam à deriva, sem saber o


que fazer em termos de gestão das suas relações externas. Até que, mais
ou menos, a partir de 1942, os Estados começam a saber gerir as suas
relações externas através da chamada Diplomacia da Barganha - teve o seu
auge em plena II-GM-, os Estados da América Latina, sobretudo da América
do Sul, o México e o Brasil em particular, foram países importantes no
desenvolvimento da Diplomacia da Barganha, isto é, não se posicionam em
nenhum lado do conflito militar e negoceiam com ambos, obtendo
vantagens económicas de ambos os lados- quem desse maiores vantagens
económicas era quem obtinha as melhores hipóteses perante o conflito
militar.

- A Diplomacia da Barganha termina em 1943, quando Getúlio Vargas (Brasil)


se encontra com o presidente Roosevelt (EUA) em Natal, porque os norte-
americanos receavam que as vitórias dos nazis no Norte de África
proporcionasse uma invasão nazi pelo nordeste-brasileiro, o que poderia
levar as tropas nazis ao território americano. Deste modo, Roosevelt oferece
ao presidente brasileiro o financiamento integral para a construção de uma
siderurgia- Volta Redonda, em troca de bases militares no nordeste, assim
como, a posição integral do Brasil no lado dos Aliados.

- Deste modo, Getúlio Vargas coloca-se automaticamente do lado dos


Aliados, terminando com a Diplomacia da Barganha. Esta só existia quando
não havia nenhum país da América Latina colocado numa posição oficial e
ideológica na II-GM. Apesar de Perón e Vargas se aproximarem
ideologicamente dos fascistas, foram os Aliados que os seduziram.

- Quando a guerra acaba, em 1945, as condições sociais que existiam na


América do Sul eram completamente diferentes das que existiam entre o
final do século XIX e 1930- época de vigoração do modelo liberal-
conservador-, existia uma necessidade/desejo nacional em todos os países
pelo desenvolvimento económico, que na verdade era o desenvolvimento
industrial. Ou seja, o que os líderes, populações e académicos desejavam
era o desenvolvimento industrial desses países. O desenvolvimento
económico era muitas vezes confundido com o desenvolvimento industrial.

- E para dar resposta a esta nova realidade, eram necessários novos líderes
que pudessem dar resposta às novas demandas. Por outro lado, o fraco
crescimento industrial deu origem a uma nova classe urbana que exigia
melhores condições de vida- exigências sociais.

- Entra-se num nova fase: o Modelo Liberal-conservador cai e é substituído


pelo Modelo Desenvolvimentista:

- Ao contrário do Modelo Liberal-conservador, coloca o Estado ao


serviço da economia, fonte de investimento nas maiores áreas
económicas. O impulsado das principais áreas da produção
industrial, que levará ao crescimento económico. O Estado torna-se
empreendedor e faz crescer a economia através do desenvolvimento
industrial.

- Fase mais duradoura: 1945 (fim da II-GM)- 1982, é caracterizado pelo


Estado empreendedor, uma política externa ao serviço do
desenvolvimento económico e industrial- a política externa torna-se
pragmática: só se tomam decisões/ ações que beneficiem o Estado
a nível económico e/pu industrial.

- Este modelo sobrevive aos golpes militares: Argentina e Brasil (1964-


período de alinhamento frente aos EUA, substituindo o liberalismo
por uma diplomacia universalista e pragmática- paz com todos com o
objetivo de obter ganhos pragmáticos do ponto de vista económico)
na década de 60 que mantêm esta lógica de pensamento
económico, ainda que um pouco mais flexível - os golpes militares
nos países da América do Sul, são em geral, apoiados pelos EUA (de
direita), logo são golpes militares que apoiam o liberalismo/
capitalismo, o que não é compatível com a existência de um Estado
interventor na economia. Consequentemente, deram-se fases de
variação de importância do Modelo Desenvolvimentista, mediante o
peso dos EUA nas revoluções militares latinas.

- O presidente do Brasil- João Figueiredo- negoceia a sua transição


democrática, em que o presidente democrático é eleito pelo colégio
eleitoral- Tranquedo Neves, a quem é sucedido José Sarney. As
primeiras eleições livres no Brasil foram aquelas em que venceu
Fernando Collor de Melo.

- O Modelo Desenvolvimentista espalhou-se por todos os Estados da


América do Sul, que vem a terminar, sensivelmente, em 1982.

• A crise da dívida gera um Modelo Neoliberal: consiste no cumprimento das exigências


das instituições financeiras internacionais, ou seja, tudo aquilo que o FMI, o Banco
Mundial, a Reserva Federal Norte-Americana exige, os Estados têm de cumprir, tendo
em vista os fundos financeiros.

• Os Estados latinos aceitam os empréstimos destas instituições pois estavam em vias


de declarar a banca rota- Consenso de Washington (1980): gerado entre as
instituições financeiras institucionais, no sentido de estabelecerem as medidas a que os
Estados Latino-americanos teriam de satisfazer para beneficiar dos empréstimos de
que necessitavam (esta reunião deu-se em Washington, assim como mais tarde, os
críticos do Consenso de Washington haveriam de fazer uma reunião em Buenos Aires,
que se traduziu no Consenso de Buenos Aires- que não “pegou moda”).

• Em economia, o Neoliberalismo reduz a presença do Estado, ao contrário do Modelo


Desenvolvimentista. O Neoliberalismo privilegia a ausência do Estado no panorama
económico, os mercados regulam-se pelos mecanismos da oferta e da procura, a
privatização das instituições estatais,

• Até no período Desenvolvimentista, o Chile manteve-se Neoliberal- seguia os preceitos


do Neoliberalismo. Os Chicago Boys eram jovens chilenos que iam estudar para a
Universidade de Chicago- grande universidade onde se aprende o monitarismo-
regressavam ao seu país para implementar o que tinham aprendido na em Chicago.
Esta tendência espalhou-se por toda a América Latina. Consequentemente, observava-
se um novo discurso, mais inovador e carismático. (Exemplo de Collor de Melo no
Brasil).

• O período Neoliberal é caracterizado economicamente, por esta versão das instituições


financeiras internacionais e pelo Liberalismo do Consenso de Washington. Em termos
políticos é caracterizado por um respeito pelos regimes internacionais, ou seja,
enquanto que em outras fases, os países latino-americanos foram mais ativos na luta
pela mudança do Sistema Internacional; agora, aceitavam pacificamente os SI, existia
então o respeito pleno e complementar pelos regimes internacionais existentes.

• Na Argentina gerou-se a Teoria do Realismo Periférico, de Carlos Escudé, de acordo


com a qual, Escudé defende em 5 pontos que a Argentina deveria adotar uma posição
de país periférico, de submissão às grandes potências por ser um país periférico- só
assim, a Argentina conseguiria tirar dividendos do SI existente na época Neoliberal,
então era necessário esta adotar a tal posição de país periférico. Segundo Carlos
Escudé, esta teoria deveria ser adotada por todos os países periféricos, nomeadamente
o Brasil, tendo em vista o aumento dos ganhos económicos.

• É claro que esta situação começou a desagradar populações, académicos e os


próprios líderes políticos- que já não se encontravam no poder ou que estiveram
envolvidos na formação do Consenso de Washington-, nos anos 90. Geraram-se
diversas manifestações anti-globalização, anti-modelo liberal, contra o decréscimo do
nível de vida, entre outras. Começaram a realizar-se reuniões: Buenos Aires- o
Consenso de Buenos Aires não teve sucesso- e Santiago do Chile.

• A partir do século XXI, começaram a subir ao poder, através de eleições livres e


democráticas, líderes oriundos da esquerda política do espectro tradicional. Esses
líderes, muitas vezes, eram outsiders políticos, não compunham uma esquerda unitária.
Então, aquilo que aconteceu foi que se sucederam várias esquerdas ao poder: Lula da
Silva (Brasil), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correia (Equador), Hugo Chávez (Venezuela),
Kirchner (Argentina). É difícil colocar todas estas esquerdas no mesmo saco, no
entanto, é possível sistematizar a esquerda nacionalista-populista (Morales, Chávez), a
esquerda democrática (Lula, Vasquez) e esquerda neo-desenvolventista (Kirchner).

• No Brasil, estruturou-se o Modelo Logístico, com Lula da Silva e durou até ao primeiro
mandato de Dilma- terminando com o seu impeachment. O Modelo Logístico é a
combinação entre aquilo que é positivo do neoliberalismo- abertura dos mercados e o
investimento direto estrangeiro feito no Brasil e que este faz no exterior- com o que é
positivo do Modelo Desenvolvimentista- intervenção do Estado na economia-, sendo
certo que no Modelo Logístico, o Estado intervém apenas como Estado empresário,
nos setores-chave da economia. A este modelo acrescem as políticas sociais definidas
por Lula da Silva e que Dilma manteve, algumas destas políticas sociais já vinham do
antecessor de Lula- Fernando Henrique Cardoso, que esteve no poder durante dois
mandatos (1995-2002).

• Em 2010, existe uma nova onda de direitas no poder, com Mauricio Macri na
Argentina, Iván Duque na Colombia, Mário Benitez no Uruguai, Sebastian Piñera no
Chile, Martin Vizcarra no Perú, Michel Temer no Brasil- MDB, atualmente, com a eleição
de Bolsonaro, é evidente a tendência conservadora e as ideologias neoliberais.

• Esta mudança deveu-se ao facto de as esquerdas não terem sido capazes de dar
resposta às necessidades das sociedades latino-americanas. Estas continuaram
profundamente desiguais, violentas e pobres; neste sentido, as populações foram
manifestando o seu descontentamento nas urnas, através da eleição de líderes do
outro lado do espectro político. No Brasil, deveu-se a uma situação de corrupção por
parte do Partido dos Trabalhadores (PT); Bolsonaro capitaliza o ódio contra a corrupção
e índices de violência e convence a população de que os iria resolver, conseguindo ser
eleito.

• Se nos outros países em que existirão eleições, pretende-s observar se a direita irá sair
vencedora.

• Após o impeachment de Dilma em 2016.

13 de Dezembro de 2018

Impactos da Globalização sobre as relações internacionais

• O que é a globalização?

- Assiste-se cada vez mais a processos de regionalização e ao mesmo tempo, a


processos de fragmentação. Por um lado, os Estados unem-se em processos de
cooperação/integração regional e, por outro lado, os Estados ao mesmo tempo,
desfazem-se e separam-se. Os processos de fragmentação acabam por ser
consequências dos processos de integração. Isto causa a emergência de questões
globais:

- Questões climáticas

- Terrorismo

- Crise dos refugiados

- Narcotráfico

- Tráfico Humano

- Estes problemas globais são questões que não podem solucionadas apenas por
um Estados, têm de ser solucionadas em conjunto pelos diversos estados. De
tudo isto, resulta que nem sempre, os governos nacionais- como representantes
legítimos dos seus estados- são capazes de funcionar sozinhos no sistema
nacional. Nem sempre os governos nacionais têm a capacidade de formular as
soluções ideais, de forma isolada, para dar conta desses problemas
fundamentais. Isto é, os Estados deixam de conseguir controlar a sua esfera de
ação externa.

- Isto faz sentido quando há ação de especuladores que levam a uma crise
financeira internacional- como a dos EUA, que levou à falência do Lehman
Brothers e que arrastou toda a economia mundial para uma grave crise,
inicialmente financeira e depois económica. Esta situação foi provocada por
agentes económicos, que teve de ser solucionada pelos estados. Ou seja,
os estados não tiveram participação na origem do processo, mas tiveram
de atuar da solução para os problemas causados por esse processo. Há
muitos atores que limitam a ação dos estados no Sistema Internacional. E
os atores económicos, as grandes corporações multinacionais/
transacionais são alguns deles.

- Existe a necessidade de fazer frente a desafio nacionais e internacionais. Os


problemas nacionais têm tendência a internacionalizar-se, tal como os
problemas internacionais têm tendência a internalizar-se. Ou seja, existe a
tendência para a dissolução de fronteiras entre o interno e o internacional.

- Por outro lado, toda esta ideia de que o Estado já não é o único ator das RI,
aliás, por ventura, há a ideia de que o Estado não é sequer, um ator mais
importante das RI; é apenas mais um no meio de tantos outros atores das
RI e a ideia e os processos de fragmentação e regionalização que ocorrem
no sistema internacional originam aquilo que se chama de:

- Lei da Complexidade crescente das Relações Internacionais:


• Aumenta a quantidade de polos de decisão devido ao facto de os Estados
não serem os únicos atores das RI e porque, há processos de regionalização
e sobretudo, de fragmentação que fazem aumentar o número de polos de
decisão, ou seja, de atores que vão decidir o futuro das RI, e
consequentemente, se aumentam o número de polos de decisão, aumentam
também os fluxos entre esses polos de decisão. Então há um aumento além
da complexidade crescente das RI, o que significa um aumento quantitativo e
qualitativo ao nível das RI. Para além da complexidade crescente, esta tem
origem em pensamentos remotos; quem a aplicou com esta denominação às
RI foi o professor Adriano Moreira (grande instrutor de RI do ISCSP). Há ainda
a tendência para uma governação global, no sentido em que foi no nosso
tempo- na década de 90- que se descobriu que para além da ameaça amigos
vs inimigos, havia uma ameaça muito mais perigosa: as ameaças globais;
sobretudo as ameaças climáticas na década de 90. Então, em plena década
de 90, quando cai o muro de Berlim, deixa de ser viável a consideração por
parte dos académicos de RI, daquilo que são os amigos vs inimigos como a
grande ameaça à humanidade. Esta ameaça desaparece e as grandes
ameaças à humanidade passam a ser as questões globais, que na década de
90, foi a questão ambiental. Daí que surja em 1991, pela 1ª vez num relatório
oficial do Clube de Roma- clube de alto nível de elite para discutir as
grandes questões que preocupam a humanidade, inclui académicos,
políticos- no ativo e ex-políticos-, etc.. Em 1991, da autoria do Clube de
Roma, surge então o relatório sobre os limites ao crescimento económico da
autoria de Alexander King e Bertrand Schneider, em que se aborda pela 1ª
vez num relatório oficial a Revolução Global, referindo-se justamente às
relações ambientais.

• No entanto em 1990, Anthony Giddens já tinha oferecido um conceito de globalização:


Globalização é a intensificação das relações sociais por todo o mundo, promovendo a
ligação de localidades distantes de tal forma, que os acontecimentos locais acabam por
ser influenciados por acontecimentos que têm lugar a milhares de quilómetros e vice-
versa.

- Isto significa que as posições geográficas passam a ser meramente físicas, isto
é, a globalização encurta o espaço e o tempo nas RI, porque aquilo que
acontece em qualquer lugar do globo, tem imediatamente, repercussões num
outro lugar do mundo, não interessando o lugar onde ocorreu. Esta repercussão
é quase que imediata. O tempo perde também importância porque os meios de
comunicação social colocam a informação disponível em todos os lugares, a
qualquer momento.

- É claro que estes fenómenos originados pela globalização não são encarado por
todos os académicos de RI da mesma forma:

- Para os mais conservadores, a visão estadocêntrica continua a predominar,


no entanto, abandonam- ou pelo menos, moderam a visão realista
(demasiado securitária) que têm das RI- ou seja, abandonam a ideia de que
as questões de política externa são governadas pela segurança. Para estes,
o Estado continua a ser o principal ator das RI, mas a política externa
decorre sem o pressuposto da força, tal como, elimina o pressuposto de
que a segurança e o assunto em pauta no momento em questão são o mais
importante; ou seja, se o assunto que está em voga naquele momento, a
nível externo é um assunto ligado às finanças, será o ministério das
finanças a abordá-lo. A política externa passa a ser tratada- mesmo na
visão conservadora- pelo ministério que domina o assunto em causa. As
questões tomam certa especificidade e serão melhor abordadas pelos
ministérios em causa. A ideia dos conservadores de que o Estado é o
principal ator das RI, é atrapalhada por questões das RI, como: o Estado
em si, participar em tratados internacionais, organizações/instituições
internacionais, etc.; e por consequência, seguir as diretrizes ditas pelas RI-
isto leva a que os conservadores tenham dificuldades em justificar a sua
posição conservadora.

- Os transformistas, consideram que o ênfase das RI deve ser colocado nas


transações transfronteiriças que os Estados ou que os vários agentes fazem
entre si. É claro que os transformistas gostariam de pensar que os Estados
são o principal ator das RI mas, há outros atores que se mostram tão ou
mais intervenientes nas RI, que se torna difícil para os transformistas, ter
essa postura. Os transformistas acabam por defender uma posição
intermédia: o Estado pode ser considerado o principal ator das RI mas
consideram também a existência de muitos atores das RI.

- Para outros mais radicais, hiper-globalistas, assentam os seus


pressupostos no paradigma da globalização. Muitos deles, embora
conscientes da importância que o Estado continua a ter; recusam-se a
colocar o Estado no centro das suas atenções. Ou seja, dão ênfase às
transações globais, que para os hiper-globalistas, ocorrem a todos os
níveis- social, económico, político- as usa análises começam sempre pelo
nível global e raramente pelo nível do Estado. Só depois do nível global, é
que chegam ao nível do Estado. Ainda assim, os mais radicais de todos,
ficam somente pelo nível global; sendo certo que estes chegam a falar de
um mundo sem fronteiras- no sentido em que os Estados existem, mas as
transações que ocorrem- a todos os níveis- ocorrem por cima e por baixo
das fronteiras nacionais. Daí considerarem que os Estados são irrelevantes.

• A globalização desafia a competência dos Estados, daí que a tese dos conservadores
seja difícil de estudar. Há diferentes teorias de RI, em que a globalização não se resume
às relações inter-estatais estabelecidas entre as sociedades, para estas abordagens, os
Estados são atores das RI, porque são eles que fazem as regras do ordenamento
internacional, mas os Estados não são necessariamente os atores mais importantes
das RI porque não fazem a agenda internacional, ou seja, não são os Estados que
colocam na pauta do dia o tema das RI a discutir e, por outro lado, não são os Estados
que controlam as RI.

• O Estado para todas as visões- excepto a visão conservadora- é um ator das RI pois é
quem faz as regras do ordenamento internacional- políticas, sociais, económicas, etc.-
mas já não é considerado o ator principal, porque não controla o SI, ou seja, o SI pode
ter uma crise que não foi provocada pelos Estados e são os Estados que depois têm de
solucionar essa crise.

• Isto significa que hoje não se pode compreender as RI sem se compreender o conceito
de globalização.

• Segundo Andrew Heywood: globalização é a emergência de uma complexa rede de


inter-conectividade, o que significa que as nossas vidas e as nossas decisões estão
crescentemente moldadas por eventos que ocorrem a uma grande distância de nós. A
questão central da globalização é, portanto, o declínio de relevância da distância
geográfica e que as fronteiras territoriais, como as dos Estados, estão a tornar-se
insignificantes. Isso não significa, contudo, que o local e o nacional estejam
subordinados ao global, na verdade, isso mostra o aprofundamento e a extensão do
processo político, no sentido, em que eventos locais, nacionais e globais
constantemente interagem (ou talvez, eventos locais, regionais, nacionais, internacionais
e globais).

- A globalização causou um profundo impacto nas RI. É possível dizer que nenhum
desenvolvimento nas RI causou um impacto tão profundo nas teorias e na
disciplina, como a globalização.

- O globalismo é visto como a teoria que domina a globalização.

Visões sobre a globalização

• Hiper-globalistas: assentam os seus pressupostos no paradigma da globalização.


Muitos deles, embora conscientes da importância que o Estado continua a ter;
recusam-se a colocar o Estado no centro das suas atenções. Ou seja, dão ênfase às
transações globais, que para os hiper-globalistas, ocorrem a todos os níveis- social,
económico, político- as usa análises começam sempre pelo nível global e raramente
pelo nível do Estado. Só depois do nível global, é que chegam ao nível do Estado.
Ainda assim, os mais radicais de todos, ficam somente pelo nível global; sendo certo
que estes chegam a falar de um mundo sem fronteiras- no sentido em que os Estados
existem, mas as transações que ocorrem- a todos os níveis- ocorrem por cima e por
baixo das fronteiras nacionais. Daí considerarem que os Estados são irrelevantes.

• Céticos/ Conservadores: visão realista das RI. A visão estadocêntrica continua a


predominar, no entanto, abandonam- ou pelo menos, moderam a visão realista
(demasiado securitária) que têm das RI- ou seja, abandonam a ideia de que as
questões de política externa são governadas pela segurança. Para estes, o Estado
continua a ser o principal ator das RI, mas a política externa decorre sem o pressuposto
da força, tal como, elimina o pressuposto de que a segurança e o assunto em pauta no
momento em questão são o mais importante; ou seja, se o assunto que está em voga
naquele momento, a nível externo é um assunto ligado às finanças, será o ministério
das finanças a abordá-lo. A política externa passa a ser tratada- mesmo na visão
conservadora- pelo ministério que domina o assunto em causa. As questões tomam
certa especificidade e serão melhor abordadas pelos ministérios em causa. A ideia dos
conservadores de que o Estado é o principal ator das RI, é atrapalhada por questões
das RI, como: o Estado em si, participar em tratados internacionais, organizações/
instituições internacionais, etc.; e por consequência, seguir as diretrizes ditas pelas RI-
isto leva a que os conservadores tenham dificuldades em justificar a sua posição
conservadora. Encaram a globalização como a interdependência económica. As trocas
transfronteiriças decorrem entre as fronteiras nacionais e consequentemente, os
Estados são importantes.

• Liberais: consideram que a globalização não é mais do que a vitória da economia de


mercado sobre as outras formulações económicas. Designadamente sobre o modelo
soviético-comunista. Então, os liberais consideram que há uma crença no mercado e
acreditam na economia neo-liberal, que guia o processo de globalização.

• Críticos (visão marxista): contrária à globalização, no sentido em que para os marxistas,


não há processo de globalização porque não há se quer, economia neoliberal ou, a
economia neoliberal é prejudicial às classes mais desfavorecidas. Segundo os críticos
marxistas, a globalização não adianta grande coisa relativamente ao que Marx dizia:
não havia Estado, mas sim uma coletividade divida em classes sociais; aquilo que Marx
observava era que existiam duas classes sociais, fundamentalmente. Os críticos de
base marxista são amplamente contra a globalização.

• Os transformistas, consideram que o ênfase das RI deve ser colocado nas transações
transfronteiriças que os Estados ou que os vários agentes fazem entre si. É claro que os
transformistas gostariam de pensar que os Estados são o principal ator das RI mas, há
outros atores que se mostram tão ou mais intervenientes nas RI, que se torna difícil
para os transformistas, ter essa postura. Os transformistas acabam por defender uma
posição intermédia: o Estado pode ser considerado o principal ator das RI mas
consideram também a existência de muitos atores das RI. Consideram que a
globalização é um processo que altera muitas coisas- produz muitas mudanças-, mas
que não altera as grandes estruturas da sociedade e consequentemente, as grandes
estruturas da sociedade mantém-se. São transformistas devido à sua manifestação
intermédia, admitem que existem mudanças- nomeadamente ao nível económico- e
transformações, mas, também existem continuidades.

• Transformações que os transformistas consideram existir no processo de


globalização:

• A inter-conectividade estreitou e reforçou os laços sociais, económicos, políticos e


culturais, isto por cima das fronteiras dos Estados; dando a ideia de que se
caminha para uma única sociedade internacional, ou seja, existe um ambiente de
mudança globalizante.

• Por outro lado, a intensidade dessa inter-conectividade aumentou o grau das


atividades transfronteiriças/ transmundiais, manifestando-se de diversas formas:
comércio internacional, migrações internacionais, acesso a culturas diferentes,
etc.. O que significa que ao mesmo tempo, existem uma redução do espaço e do
tempo em RI, o que dá origem à dissolução de fronteiras entre o interno e o
internacional.

• Por outro lado, há o aumento dos processos globais- sejam problemas ou não-,
podem ser os problemas globais do ambiente, do tráfico humano, do terrorismo,
do narcotráfico, etc. e pode ser o aumento dos processos de globalização e de
fragmentação, o que significa que os transformistas aceitam a Lei da
complexidade crescente como uma transformação provada pela globalização.

• Por outro lado, devido a todos os fatores anteriormente referidos, gera-se o


fenómeno da governação global.

• Continuidades em que os transformistas consideram existir no processo de


globalização:

• Acreditam que o Sistema Westfaliano- base do sistema de formação de estados-


não colapsou pois vigora na atualidade: Estados soberanos territoriais. O SI é
composto pelo Sistema Westfaliano e pelos outros atores das RI. Há evidências
científicas que provam o não colapso do Sistema Westfaliano, o Estado continua a
ser soberano- o reconhecimento internacional dos Estados no SI continua a ser
feito pelo Direito Internacional, a soberania continua a ser uma característica
essencial dos Estados. O Estado continua a ser o ator principal no SI. Os Estados
fazem as regras do ordenamento internacional, podem não ser eles a dominar a
agenda internnacioal- controlar o SI-, no entanto, são os Estados que estruturam
as regras do SI- sociais, políticas, económicas, comerciais, etc.

• Por outro lado, existem elementos de continuidade que o Estado utiliza para
garantir a sua existência: poder, justiça e segurança. (ou seja, não colapsaram
pelas mudanças introduzidas pelo Tratado de Westfália)

• Na opinião de Andrew Heywood, há três tipos de globalização:

• Globalização económica: traduz-se na interdependência dos Estados- nas


trocas crescentes que fazem com que haja um fluxo crescente entre as trocas
fronteiriças que leva a que haja um fluxo conjunto:

• Fluxo de mercadorias (geoeconomia)

• Fluxo de capitais (geofinanças)

• Globalização social: vê-se no âmbito do espalhamento através do ambiente de


evolução globalizante, da dissolução de fronteiras entre o interno e o
internacional; ou seja, através do espalhamento dos hábitos sociais de uma
região para a outra.

• Globalização cultural: vê-se através dos hábitos culturais de umas regiões para
outras. Através das formas de vestir, falar, através dos filmes Hollywood; tudo
isto é impulsionado pela globalização económica.

(Globalização política: colocação do poder dos Estados sobre uma autoridade comum-
que geriria o poder dos Estados e estes ficariam esvaziados do seu poder nacional.)