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Rituas antecendem a fase da constituição de casamento.

Intoduçao

Como o Mukanda, ritual de iniciação masculina, durante o qual as crianças são circuncidadas e o
Cafundeji, cerimónia em que a jovem mulher aprende uma dança do ventre apreciada pelos sobas,
antecipando as relações sexuais.

A circuncisão masculina na etnia tchokwe é uma das maiores provas submetidas aos adolescentes e
constitui um autêntico calvário, tendo em conta a forma como é feita a pequena cirurgia, e as regras
impostas aos circuncidados durante o período de permanência no Mukanda. As regras de convivência
começam com a aprendizagem da nova linguagem, onde ao circuncidado (candandji), como é chamado
na língua Cokwe, só é permitido falar ou divulgar alguns objectos comuns, usando apenas expressões
permitidas.

Cafundeji, ou simplesmente ukule, consiste num ritual de iniciação feminina que se realiza aquando da
primeira menstruação da adolescente, onde ela recebe instruções sobre o acasalamento.

Fonto: http://m.portalangop.co.

Data da publicação: 05 de Março de 2019

Iniciação feminina

Relativamente à ukule, que consiste num ritual de iniciação feminina, realiza-se aquando da primeira
menstruação (ukule) da adolescente. Esta cerimónia é constituída por várias etapas durante as quais a
jovem (kafundeji) aprende uma dança do ventre (apreciada pelos Tshokwe e que antecipa as relações
sexuais), recebe instruções sobre o acasalamento, é pintada com tatuagens púbicas (mikonda) para fins
eróticos e, juntamente, com o seu futuro noivo, procede a diversos rituais que culminam na
consumação do casamento dos dois jovens.

Iniciação Masculina

No que respeita à mucanda, que se efectua durante a puberdade, trata-se dum ritual de iniciação
masculina durante o qual as crianças são circuncidadas. Mucanda designa o campo cercado com
palhotas redondas, no qual os iniciados, tundandji (plural de kandandji), vivem afastados das suas
famílias por um período de um a dois anos. A iniciativa de um ritual mucanda é tomada pelo chefe da
aldeia. A máscara kalelwa marca o início e o fim do ritual e proíbe severamente a aproximação de
mulheres à mucanda. Durante o retiro, os iniciados aprendem os procedimentos das cerimónias de
culto, fazem máscaras para os rituais e exercitam diferentes tipos de dança, que serão executadas
diante da comunidade a fim de mostrarem o seu talento como dançarinos.

Relativamente às máscaras, há três grandes tipos de máscaras: o primeiro tipo, designado por Cikungu
ou mukishi wa mwanangana, corresponde à máscara sacrificial sagrada e representa os antepassados do
chefe tribal; o segundo tipo denomina-se mukishi a ku mukanda e equivale às máscaras da mucanda,
das quais são exemplo a Cikunza e a Kalelwa que, depois do ritual, são queimadas; finalmente, o terceiro
tipo, designado mukishi a kuhangana, corresponde às máscaras de dança – as mais conhecidas e as mais
frequentes em museus e colecções privadas – sendo as máscaras Cihongo (para os homens) e Pwo (para
as mulheres) os modelos principais. Salienta-se que a palavra mukishi (plural de akishi) indica que um
espírito ancestral ou da natureza encarna na máscara. O mascarado não é identificável, pois está
encoberto com a máscara e com um fato feito de fitas entrelaçadas que lhe cobre as mãos e os pés.
Segundo a tradição dos Tshokwe, aquele que põe a máscara perde as suas qualidades humanas e
incorpora o espírito.

Fonto: radioangola.org

Data da publicação: 26 de Fevereiro de 2018


Outros dados imprtantes

Casamento na cultura tradicional tchokwé promove o compromisso entre as família.

A honra, a dignidade e o relacionamento entre as famílias facilitava a aproximação de pais ou tutores do


pretendente à família da jovem amada, longe das brincadeiras de infância, terminadas de forma
precoce, por altura da passagem pela circuncisão e transcorrido o primeiro ciclo menstrual.

O sucesso do diálogo visava a efectivação do noivado, uma espécie de namoro com compromisso de
casamento, que obrigava à parte solicitante a entrega de um tributo, o alembamento, traduzido num
prato e uma enxada.

Marcada a data para o casamento, as duas famílias barravam as caras dos noivos com terra vermelha,
húmida, em rituais separados, para proteger o casal de forças maléficas, selando a cerimónia do
noivado.

Levada às costas por uma tia, para a casa do noivo, com a parte superior do corpo coberta por
missangas e um pano na parte inferior, a noiva, com um rabo de boi numa das mãos, caminha protegida
por um guarda-sol, rodeada por membros da sua família, levando uma enxada e um prato.

Um palhaço encabeçava a marcha, alternando a corrida com danças e gestos que atraíam a atenção dos
transeuntes, além de anunciar a chegada da nubente e familiares à casa do noivo.

A recepção da delegação decorria num ambiente de festa, cuja duração dependia das possibilidades
económicas dos organizadores.

O cenário é dominado por música e dança, com garantia de alimentos e bebidas. A festa culmina na
casa dos recém casados. Os familiares da jovem casada prepararam um enxoval representado por louça,
recipientes para água e alimentos para suportar os primeiros sete dias do casal.

No fim dos sete dias é autorizado o regresso provisório da esposa à casa paterna antes de assumir as
lides domésticas, efectivado o regresso definitivo à sua nova casa.

Expectativas de procriação

Durante dois anos as famílias aguardam por uma gravidez da jovem casada. A ausência de qualquer
indício obriga à procura de um curandeiro para analisar a situação e submeter a parte afectada (marido
ou mulher) a tratamento.
Um toque manual à boca do útero para detectar anomalias do seu posicionamento marca o inicio de
uma observação minuciosa do quimbanda à jovem, antes do tratamento efectivo, durante quatro dias,
via de regra, à base de infusão de folhas de plantas medicinais.

No caso de suspeita de anomalia no homem, o esperma resultante de uma masturbação forçada é


colocado num pano preto, fazendo a vez de uma lâmina de laboratório. É então feito o teste de
vitalidade, por pessoas de reconhecida experiência, por sucessos em vários tratamentos feitos a pessoas
com problemas do género.

O temor pelo provável insucesso no tratamento à jovem esposa, preocupa o seu irmão mais velho,
porque pode ditar que seja devolvida aos pais, por familiares do marido, comprovada a sua esterilidade
irreversível.

De acordo com o historiador Américo Samutunga, a opção pela poligamia minimizava a situação. Nestas
circunstâncias “o número de esposas assumidas dependia das possibilidades do marido que tinha a
obrigação de efectivar a igualdade de tratamento entre ambas”.

O feitiço que cada uma possuía, longe de constituir ameaças a inocentes, visava a protecção dos lares.
Américo Samutunga referiu que a esterilidade masculina tinha atenuantes. “A continuidade do
casamento dependia da vontade e consideração da família da esposa, expectante num milagre” para
inverter o quadro.

Tais princípios, segundo o historiador, modelaram a forma de ser e estar das comunidades. As
influências extra-regionais a partir de 1975, alteraram hábitos e costumes vigentes nos distintos
domínios da vida social dos Lunda Tchokwé.

O rei Mwene Mwatxissengue Watembo, casado há mais de 50 anos no sistema tradicional, condena a
perda de originalidade em várias famílias lundas, reféns da ganância em detrimento da honra e
dignidade, convertendo os pedidos de casamento feitos às filhas como oportunidade para
enriquecimento.

“A perda destes e outros valores da cultura na região, acentuou a ocorrência de mortes jamais
notificadas no passado”, sublinhou, convicto o rei Mwene Mwatxissengue Watembo.

O soberano nota que após o casamento, os nubentes tinham quatro dias para a lua-de-mel. Uma bacia
de fuba, galinha trazida pela família da noiva, para provar os seus dotes na cozinha, e autorizar da posse
da casa, marcavam a última confraternização na etapa depois do casamento.

Fonto: Jornal de Angola

Reportagem feita pelo Camuanga Júlia e Flávia Massua | Saurimo

Data da publição: 18 de Março, 2010