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1.

Tese, argumento, validade, verdade e solidez

1.1. Tese

Para responder aos problemas que colocam, os filósofos apresentam teses e


desenvolvem teorias.
Uma tese corresponde a uma ideia que se quer afirmar a propósito de um dado
problema. No âmbito da filosofia, uma tese constitui uma resposta a um problema em
aberto, estando, por conseguinte, sujeita à discussão. Para defender uma ideia, ou
tese, é necessário construir bons argumentos.
Na base do trabalho filosófico estão o pensamento (raciocínio lógico) e a
argumentação. Para assegurar a qualidade e o rigor dos argumentos que apoiam as
suas teses e teorias, os filósofos recorrem à lógica.

1.2. Lógica formal e lógica informal

A lógica é a disciplina filosófica que estuda a distinção entre argumentos


válidos e inválidos, mediante a identificação das condições necessárias à operação
que conduz da verdade de certas crenças à verdade de outras. Ela dedica-se ao
estudo das leis, princípios e regras a que devem obedecer o pensamento e o discurso
para serem válidos.
Distingue-se a lógica formal – que analisa a validade dos argumentos
dedutivos – da lógica informal – que se debruça fundamentalmente sobre a validade
dos argumentos não dedutivos. Voltaremos a esta distinção quando apresentarmos a
diferença entre argumentos dedutivos e não dedutivos.

1.3. Argumento

No âmbito da lógica, o argumento é definido como um conjunto de


proposições devidamente articuladas – a conclusão e a(s) premissa(s) –, no qual
a(s) premissa(s) procura(m) defender, sustentar ou justificar a conclusão. À conclusão
também se chamada tese, uma vez que ela traduz a ideia que se quer defender.
O que caracteriza o argumento é o nexo lógico entre as premissas e a
conclusão.

Exemplo de um argumento:
Os alunos da turma 10A são estudantes de Filosofia.
Pedro e Miguel são alunos da turma 10A.
Logo, Pedro e Miguel são estudantes de Filosofia.

Um argumento tem subjacente uma inferência ou raciocínio, uma operação


mental através da qual chegamos a uma conclusão partindo de determinadas razões e
efetuando a transição lógica entre proposições. Quando essa transição lógica falha,
percebemos que algo está errado. Vejamos:

Os alunos da turma 10A são estudantes de Filosofia.


Pedro e Miguel são estudantes de Filosofia.
Logo, Pedro e Miguel são alunos da turma 10A.

Neste exemplo, compreendemos facilmente que o facto de Pedro e Miguel


serem estudantes de Filosofia não implica que façam parte da turma 10A. Neste
sentido, estaremos a cometer um erro de raciocínio, tornando o argumento inválido e,
portanto, nada convincente.
No nosso discurso quotidiano, formulamos constantemente argumentos.
Usamos expressões que indicam a presença de premissas – porque, pois, dado
que, sabendo que – e de conclusões – logo, então, por conseguinte. São estes
indicadores que nos permitem descobrir ideias, ou teses, a propósito de diferentes
assuntos e problemas.

1.4. Proposições

É nas frases que usamos no nosso discurso que encontramos expressas as


proposições que compõem os argumentos. Contudo, nem todas as frases expressam
proposições. As frases associadas a atos de interrogar, ordenar, exclamar, pedir,
chamar, prometer não se enquadram na categoria das frases que expressam
proposições, pois não podem ser classificadas como verdadeiras ou falsas. Só as
frases declarativas é que expressam proposições, dado que podem ser
classificadas como verdadeiras ou falsas.
A proposição é o pensamento ou conteúdo, verdadeiro ou falso, expresso por
uma frase declarativa. A mesma proposição pode ser expressa por diferentes
frases declarativas.
A proposição relaciona pelo menos dois termos. O termo é geralmente
entendido como a expressão verbal do conceito. O conceito constitui o elemento
básico do pensamento e é a representação intelectual de determinada realidade.
A operação mental que permite estabelecer uma relação entre conceitos e que
está subjacente à formação de proposições é o juízo.

1.5. Verdade, validade e solidez

É ao nível das proposições que ocorrem a verdade e a falsidade. Atribui-se às


proposições, e apenas a elas, um dos valores lógicos: verdadeiro ou falso. A verdade
e a falsidade aplicam-se apenas à matéria ou conteúdo das proposições. Se estiverem
de acordo com a realidade, as proposições são verdadeiras; se não estiverem, são
falsas.
A validade e a invalidade são qualidades próprias dos argumentos,
resultantes do facto de as premissas apoiarem/garantirem ou não a conclusão. A
validade traduz uma certa relação entre os valores de verdade das premissas e o valor
de verdade da conclusão. Isso acontece diferentemente nos argumentos dedutivos e
não dedutivos.
Os argumentos dedutivos são aqueles cuja validade depende apenas da sua
forma lógica. Um argumento dedutivo só é válido quando as suas premissas
oferecem uma garantia completa à conclusão, sendo logicamente impossível que as
premissas sejam verdadeiras e, simultaneamente, a conclusão falsa. Assim, a
conclusão terá de ser verdadeira, se todas as premissas forem verdadeiras.

Exemplo:
Todos os portugueses são europeus.
João é português.
Logo, João é europeu.

Contudo, pode dar-se o caso de alguns argumentos válidos apresentarem


premissas falsas. No exemplo apresentado, não temos a certeza se João é português.
Por isso, para ficarmos plenamente convencidos, é importante averiguar a verdade
das proposições.
Os argumentos válidos constituídos por proposições verdadeiras denominam-se
argumentos sólidos. Nesse sentido, a solidez já pressupõe a validade.

Exemplos:
Todos os portugueses são europeus.
João Sousa é português.
Logo, João Sousa é europeu.

João Sousa é vimaranense e é português.


Logo, é português.

No que se refere aos argumentos não dedutivos, que serão referidos mais à
frente, a sua validade depende de aspetos que vão para lá da forma lógica do
argumento.

1.6. Falácias

Entende-se por falácia todo o argumento inválido, embora aparente ser válido.
As falácias formais são aquelas que decorrem apenas da forma lógica do argumento,
sendo por isso cometidas ao nível dos argumentos dedutivos. As falácias informais
são cometidas ao nível dos argumentos não dedutivos, resultando de aspetos que vão
para lá da forma lógica do argumento. Veremos diferentes exemplos destes tipos de
falácias mais à frente.

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