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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS


CURSO DE GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA

SISTEMAS DIVERSIFICADOS DE
PRODUÇÃO ANIMAL NO
SEMIÁRIDO

Disciplina: Produção animal sustentável


Profª. Drª. Francislene Silveira Sucupira
1
Objetivos
❖ Conhecer sistemas de produção animal alternativos que se adaptem ao semiárido.

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Introdução
❖ Condições de semiárido:
-Ecossistema frágil - Diferentes condições climáticas e de solo;
-Pecuária é exploração mais adequada para região – pastagens nativas ou enriquecidas;
-Atividades a serem desenvolvidas no semiárido devem preferencialmente:
Apresentar baixo impacto negativo (degradação) sobre o meio ambiente;
Atividades de enriquecimento do meio;

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Agroecologia
• “Conjunto de princípios gerais aplicáveis aos sistemas agropecuários sustentáveis”.

• “Pode ser descrita como uma ciência que tem por objeto o estudo holístico dos
agrossistemas, que buscam copiar os processos naturais empregando um enfoque de
manejo de recursos naturais para condições específicas de propriedades rurais
respondendo pelas necessidades e aspirações de agricultores em determinadas regiões”.

• Sensibilização sobre a forma de praticas agricultura e manejar a propriedade.

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Agroecologia
Importância:
“Capacidade de conservar e promover serviços ecossistêmicos, tais como controle biológico,
polinização, conservação do solo e ciclagem de nutrientes”.

“A abordagem sistêmica e aplicação dos princípios ecológicos como base de conhecimento


para o alcance da sustentabilidade de sistemas agrícolas fazem da agricultura orgânica uma
aliada no alcance das metas da Agenda 2030”.

Promoção de sistemas sustentáveis de produção agrícola;

Promoção da saúde das pessoas; Biodiversidade;


Equilíbrio ambiental; Uso eficiente de recursos naturais.
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Agroecologia
Sistemas de produção inseridos no contexto da agroecologia:
- Orgânico;
- Biodinâmico;
- Natural;
- Ecológico.

Regidos pela Lei 10.831 de 2003:


- Dispõe sobra a produção orgânica e dá outras providências.

São considerados produtos orgânicos:


- “aquele que é obtido em um sistema orgânico de produção agropecuária ou oriundo de
processo extrativista sustentável e não prejudicial ao ecossistema local”.

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Agroecologia
Legislação sobre orgânicos:
- Lei 10.831 de 2003 - 1ª lei de orgânicos do Brasil;
- Decreto 6.323 (27/12/2007) – Regulamentação;
- IN 7/1999 → IN 16/2004 → IN 64/2008.

Selo SISORG – certificação orgânica pelo MAPA (Brasil, 2014);


- Para serem comercializados, os produtos orgânicos deverão ser certificados por organismos
credenciados no Ministério da Agricultura, sendo dispensados da certificação somente
aqueles produzidos por agricultores familiares que fazem parte de organizações de controle
social cadastradas no MAPA, que comercializam exclusivamente em venda direta aos
consumidores (MAPA, 2019).

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Agroecologia
• Alimentos orgânicos – Demanda crescente;
- Qualidade;
- Preço justo;
- Saudáveis (sanitário); Agroecologia:
- Isento de resíduos químicos e biológicos;
- Menor uso de insumos artificiais.
Sustentabilidade
• Sustentabilidade: Mesa redonda x
- Preservação do meio ambiente;
- Geração de empregos no campo; Justiça social
- Redução do êxodo rural;
- Bem estar animal.

• Mercado de orgânicos – é o que mais cresce no mundo!


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Princípio da saúde Princípio da Ecologia

A Produção orgânica deve sustentar e melhorar a saúde A produção Orgânica deve ser baseada sobre sistemas
do solo, planta, animal, humano e planeta como um e e ciclos ecológicos vivos, trabalhar com eles, emulá-los
indivisível. e ajudar a sustentá-los

Princípio da justiça Princípio do cuidado

Agricultura Orgânica deve construir em Agricultura Orgânica deve ser gerenciada em uma
relacionamentos que garantam a equidade em relação precaução e responsável maneira de proteger a saúde e
ao ambiente comum e oportunidades de vida. bem-estar da corrente e do futuro gerações e o meio
ambiente.
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Agroecologia
• “Pecuária orgânica - Modelo de produção sustentável que tem em sua essência a simplicidade
e a harmonia com a natureza, sem deixar de lado a produtividade e a rentabilidade para o
produtor, onde todos os princípios de agroecologia podem ser aplicados”.

• Não é a simples troca de insumos químicos – orgânicos/ biológicos / ecológicos;

• MAPA – procedimentos:
- Alimentação dos rebanhos;
- Instalações;
- Manejo;
- Escolha dos animais;
- Sanidade.

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Agroecologia
• Agropecuária de base agroecológica:
- Nasceu da necessidade de incorporação da dimensão ecológica à produção agrícola;
- Sistemas convencionais – pressionam o produtor para aquisição de máquinas,
equipamentos e insumos – dejetos poluentes;
- Princípios ecológicos gerais aplicados a sistemas produtivos.

• Mudança de manejo:
- Processo complexo;
- Exige formação;
- Mudança de postura que resultem na adoção dos princípios.

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Agroecologia
• Mercado inovador no Brasil:
- Agricultor familiar;
- Baixa dependência de insumos externos;
- Valor agregado aos produtos;
- Aumento de renda para o agricultor;
- Conservação dos recursos naturais.

Países em desenvolvimento

Maiores produtores produtos de origem animal Países desenvolvidos


(POA)
Maiores consumidores (EUA e EU).
Crescimento substancial na produção de orgânicos
(leite e carne)
Soares (2007) 12
Agroecologia - IN 64 de 18/12/2008
• Requisitos gerais dos sistemas orgânicos de produção - OBJETIVOS:

Aspectos econômicos:

I – Melhoramento genético, visando a adaptabilidade às condições ambientais;


II – Manutenção e recuperação das variedades locais, tradicionais ou crioulas, ameaçadas pela
erosão genética;
III – Promoção e manutenção do equilíbrio do sistema como estratégia de promover a sanidade
dos animais e vegetais;
IV -A interação entre a produção animal e vegetal;
V -A valorização dos aspectos culturais e a regionalização o produto.

Brasil (2008) 13
Agroecologia - IN 64 de 18/12/2008
• Requisitos gerais dos sistemas orgânicos de produção - OBJETIVOS:

Aspectos sociais

I – Relações de trabalho fundamentadas nos direitos sociais determinados pela


Constituição Federal;
II – A melhoria na qualidade de vida dos agentes envolvidos em toda a produção orgânica.

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Agroecologia - IN 64 de 18/12/2008
• Documentação e registros:

A Unidade de produção orgânica deverá possuir todos os registros de procedimentos


de todas as operações envolvidas na produção;

Todos os registros deverão ser mantidos por um período de 5 anos.

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Agroecologia - IN 64 de 18/12/2008
• Plano de manejo orgânico:

Para o período de conversão deverá ser elaborado plano de manejo específico


contemplando os regulamentos técnicos e todos os aspectos relevantes do processo
de produção.

O plano de manejo deve conter:


I – histórico de utilização da área;
II – Manutenção ou incremento da
biodiversidade;
III - Manejo dos resíduos;
IV – Conservação de solo e água;
Brasil (2008) 16
Agroecologia - IN 64 de 18/12/2008
• Plano de manejo orgânico:
V - Manejo de produção vegetal;
IX - Procedimentos que contemplem a
VI – Manejo de produção animal; adoção de boas práticas de produção;
VII – Procedimentos para pós- X – As inter-relações ambientais,
produção, envase, armazenamento, econômicas, sociais;
processamento, transporte e
comercialização; XI – A ocupação da unidade de produção
considerando os aspectos ambientais,
VIII – Medidas de prevenção e geomorfológicos, de eficiência energética,
mitigação de riscos de contaminação bioclimatológicos;
externa;
XII – Ações que visem evitar contaminação
internas e externas.

Brasil (2008) 17
Agroecologia - IN 64 de 18/12/2008
• Período de conversão:
Objetivo:
I – Assegurar que as unidades de produção estejam aptas a produzir em conformidade
com os regulamentos técnicos da produção orgânica, incluindo a capacitação dos
produtores e trabalhadores;
II – Garantir a implementação de um sistema de manejo orgânico por meio de:
a) Manutenção ou construção ecológica da vida e da fertilidade do solo;
b) O estabelecimento do equilíbrio do agroecossistema;
c) Da preservação da biodiversidade dos ecossistemas naturais modificados.

Brasil (2008) 18
Agroecologia - IN 64 de 18/12/2008
• Sistemas orgânicos de produção animal devem buscar:

I – Seguir os princípios do bem estar animal em todas as suas fases do processo produtivo;

II – Manter a higiene e saúde em todo processo criatório, compatível com a legislação


sanitária vigente e com o emprego de produtos permitidos para uso na produção orgânica;

III – A adoção de técnicas sanitárias preventivas;

IV – A oferta de alimentação nutritiva, saudável, de qualidade e em quantidade adequada


de acordo com as exigências nutricionais de cada espécie;

V – A oferta de água de qualidade e em quantidade adequada, isenta de agentes químicos e


biológicos que possam comprometer sua saúde e vigor, a qualidade dos produtos e os
recursos naturais, de acordo com os parâmetros especificados pela legislação vigente.

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Agroecologia - IN 64 de 18/12/2008
• Sistemas orgânicos de produção animal devem buscar:

VI – Utilizar instalações higiênicas, funcionais e adequadas a cada espécie animal e


local de criação;
VII – Destinar de forma ambientalmente adequada os resíduos de produção.

Determinações específicas para sistemas orgânicos de produção apícola;

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Agroecologia - IN 64 de 18/12/2008
• Sistemas produtivos e práticas de manejo orgânicas de bovinos, ovinos,
caprinos, equinos, suínos e aves.

• Será permitido o uso de inseminação artificial, cujo sêmem preferencialmente


advenha de animais de sistemas orgânicos de produção;
• Serão proibidas as técnicas de transferência de embrião e fertilização in vitro e
outras técnicas que utilizem indução hormonal artificial;
• O corte de dentes e de pontas de chifres, a castração, o mochamento e as
marcações, quando realmente necessários, deverão ser efetuados na idade
apropriada visando reduzir processos dolorosos e acelerar o tempo de
recuperação.

Brasil (2008) 21
Agroecologia - IN 64
• Sistemas produtivos e práticas de manejo orgânicas de bovinos, ovinos,
caprinos, equinos, suínos e aves.

• Práticas e uso de anestésicos, quando necessários, deverão ser aprovados


previamente;
• Não será permitida a debicagem das aves, o corte da cauda de suínos, assim
como a inserção do anel no focinho, a descorna nos animais e outras mutilações;
• Não será permitida a prática de muda forçada em aves de postura;
• A iluminação artificial será permitida desde que se garanta um período mínimo
de 8 horas por dia de escuro (exceção de pintinhos de 1 dia).

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Agroecologia - IN 64
• Sistemas produtivos e práticas de manejo orgânicas de bovinos, ovinos,
caprinos, equinos, suínos e aves.
• Não será permitido o uso de estímulos elétricos ou tranquilizantes alopáticos no
manejo dos animais;

• Não será permitido o sistema intensivo e a retenção permanente em gaiolas, correntes,


cordas ou qualquer outro método restritivo aos animais;

• O sistema semi-intensivo será permitido desde que respeitados os princiíos de bem


estar animal e em acordo com o estabelecido pela OAC ou OCS;

• É proibido utilizar em serviço animais feridos, enfermos, fracos ou extenuados ou


obrigar animais de serviço a trabalhos excessivos ou superiores às suas forças por meio
de torturas ou castigos.

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Agroecologia - IN 64
• Sistemas produtivos e práticas de manejo orgânicas de bovinos, ovinos,
caprinos, equinos, suínos e aves.

• A doma de animais, quando feita em unidades de produção orgânica, deve ser


realizada seguindo os princípios da doma racional;
• O transporte, o pré-abate e o abate dos animais, inclusive animais doentes ou
descartados, deverão atender ao seguinte:
- Princípios de respeito ao bem estar animal;
- Redução de processos dolorosos;
- Procedimentos de abate humanitário;
- A legislação específica.

Brasil (2008) 24
Agroecologia - IN 64 Brasil (2008)

• Da aquisição de animais:
• Quando for necessário introduzir animais no sistema de produção, estes deverão ser provenientes de
sistemas orgânicos;
• Na indisponibilidade de animais de sistemas orgânicos, poderão ser adquiridos animais de unidades
de produção convencionais, desde que previamente aprovados e que atendam aos requisitos:
- Idade mínima em que possam ser recriados sem a presença materna, desde que respeitado o período
de conversão previsto neste Regulamento Técnico e observando-se que a idade máxima para ingresso
de frangos de corte é de dois dias de vida e para outras aves de até duas semanas;
- o plantel reprodutivo adquirido não ultrapasse a quantidade máxima de 10% (dez por cento) ao ano
em relação ao número de animais adultos, da mesma espécie;
- os animais adquiridos sejam necessários a implantação de um novo componente de produção animal
na unidade

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Agroecologia - IN 64
• Isolamento e período de conversão:

• Todos os animais oriundos de unidades de produção não orgânicas deverão ser


identificados e alojados em ambiente isolado para evitar a contaminação do sistema
orgânico;
• O período de isolamento será de, no mínimo, três meses para ruminantes e eqüídeos,
dois meses para suínos e um mês para aves e coelhos, onde os animais deverão
receber o manejo orgânico.

Brasil (2008)
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Agroecologia - IN 64
• Denominação de orgânico:

Para que animais, seus produtos e subprodutos possam ser reconhecidos como orgânicos, tanto
oriundos de unidade de produção em conversão para sistemas orgânicos, como de animais trazidos
de sistemas não orgânicos, deverão manter as disposições abaixo:
I – Aves de corte: pelo menos ¾ de sua vida em sistema de manejo orgânico;
II – Aves de postura: pelo menos 75 dias de sistema de manejo orgânico;
III – Para bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos leiteiros: pelo menos 180 dias em sistema de manejo
orgânico, antes do início da lactação;
IV – Para bovinos e bubalinos de corte: mínimo de 12 meses em sistema de manejo orgânico, sendo
que este período represente pelo menos ¾ do período de vida do animal;

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Agroecologia - IN 64
• Denominação de orgânico:

V – Para ovinos, caprinos e suínos de corte: mínimo de seis meses em sistema de manejo
orgânico, sendo que este período represente pelo menos ¾ do período de vida do animal;
VI – Para coelhos de corte: no mínimo de um mês em sistema de manejo orgânico, sendo que
este período represente pelo menos ¾ do período de vida do animal.

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Agroecologia - IN 64
• Da nutrição:

• Os Sistemas Orgânicos de Produção Animal deverão utilizar alimentação da própria unidade


de produção ou de outra sob manejo orgânico:
- A formação e o manejo de pastagens, capineiras e legumineiras, assim como a produção de
silagem, feno e outros produtos e subprodutos de origem vegetal deverão ser de manejo
orgânico; poderão ser utilizadas como aditivos na produção de silagem as bactérias lácticas,
acéticas, fórmicas e propiônicas ou seus produtos naturais ácidos, quando as condições não
permitam a fermentação natural, mediante autorização do OAC ou da OCS;

Brasil (2008) 29
Agroecologia - IN 64
• Da nutrição:

• Os Sistemas Orgânicos de Produção Animal deverão utilizar alimentação da própria


unidade de produção ou de outra sob manejo orgânico:
- Em casos de escassez ou em condições especiais, de acordo com o plano de manejo
orgânico acordado entre produtor e o OAC ou OCS, será permitida a utilização de
alimentos convencionais na proporção da ingestão diária, com base na matéria seca, de;
a) Até 15% para animais ruminantes;
b) até 20% para animais não ruminantes.

Brasil (2008) 30
Agroecologia - IN 64
• Da nutrição:

• Os Sistemas Orgânicos de Produção Animal deverão utilizar alimentação da própria unidade de


produção ou de outra sob manejo orgânico:
- Os aditivos e os auxiliares tecnológicos utilizados devem ser provenientes de fontes naturais e
não poderão apresentar moléculas de ADN / ARN recombinante ou proteína resultante de
modificação genética em seu produto final;
- O fornecimento de alimentos de origem animal deverá estar em conformidade com a legislação
sanitária vigente;
- Não poderão ser utilizados compostos nitrogenados não protéicos e nitrogênio sintético na
alimentação de animais em sistemas orgânicos de produção;

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Agroecologia - IN 64
• Da nutrição:

• Os Sistemas Orgânicos de Produção Animal deverão utilizar alimentação da própria unidade


de produção ou de outra sob manejo orgânico:
- É permitido o uso de suplementos minerais e vitamínicos, desde que os seus componentes não
contenham resíduos contaminantes acima dos limites permitidos e que atendam à legislação
específica;
- Os mamíferos jovens deverão ser amamentados pela mãe ou por fêmea substituta;
- Na impossibilidade do aleitamento natural, será permitido o uso de alimentação artificial,
preferencialmente com leite da mesma espécie animal;

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Agroecologia - IN 64
• Da nutrição:

• Os Sistemas Orgânicos de Produção Animal deverão utilizar alimentação da própria unidade


de produção ou de outra sob manejo orgânico:
- Em ambos os casos o período de aleitamento deve ser de, no mínimo:
I - 90 (noventa) dias para bovinos, bubalinos e eqüídeos;
II - 42 (quarenta e dois) dias para suínos; e
III - 45 (quarenta e cinco) dias para ovinos e caprinos.

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Agroecologia - IN 64
• Da instalações:

• As instalações para os animais em sistemas orgânicos deverão dispor de condições de


temperatura, umidade e ventilação que garantam o bem-estar animal;
• Os criatórios para animais em sistemas orgânicos deverão dispor de áreas que assegurem:
- I - o contato social, movimento e descanso, que permitam aos animais assumirem seus
movimentos naturais;
- II - alimentação, reprodução e proteção, em condições que garantam a sanidade e o bem-estar
animal.

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Agroecologia - IN 64
• Da instalações:

• Com relação aos espaços para a criação de animais em sistemas orgânicos, deverão ser
observados;
I - para aves poedeiras e frangos de corte adultos:
a) a lotação máxima permitida em galpão é de 6 (seis) aves por m 2 e a área externa deve ter, no
mínimo, 3 (três) m2 para cada ave;
b) os ninhos devem ter área de no mínimo 120 cm2 para cada 8 (oito) aves; e
c) os puleiros devem apresentar, no mínimo, 18 cm lineares por ave.

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Agroecologia - IN 64
• Da instalações:

• Com relação aos espaços para a criação de animais em sistemas orgânicos, deverão ser
observados;
II - para vacas de leite, a lotação máxima permitida em alojamento tem que respeitar a
relação de, no mínimo, 6 (seis) m2 para cada animal;
III - para bovinos de corte, a lotação máxima permitida em alojamento tem de respeitar a
relação de, no mínimo, 1,5 m2 para cada 100 kg de peso vivo dos animais;
IV - para leitões acima de 40 dias e até 30 kg, a lotação máxima permitida para área de
galpão deve respeitar a relação de, no mínimo, 0,6 m2 para cada animal.

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Agroecologia - IN 64
• Da instalações:

• Com relação aos espaços para a criação de animais em sistemas orgânicos, deverão ser
observados;
V - para suínos adultos, a lotação máxima permitida para área de galpão deve respeitar a relação
de, no mínimo:
a) 0,8 m2 para cada animal com até 50 kg de peso vivo;
b) 1,1 m2 para cada animal com até 85 kg de peso vivo; e
c) 1,3 m2 para cada animal com até 110 kg de peso vivo; VI - para ovelhas e cabras, a lotação
máxima permitida para área de galpão deve respeitar a relação de, no mínimo, 1,5 m 2 para cada
animal adulto e de 0,35 m2 para cada cabrito/cordeiro.
Parágrafo único. Para os animais de que tratam os incisos I, IV e V deste artigo, deve ser
observada a obrigatoriedade de acesso à área externa com sol e a forragem verde.
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Agroecologia - IN 64
• Das instalações:

• A cerca elétrica é permitida desde que seja desenhada, construída, usada e mantida de modo
que, quando os animais a toquem, apenas sintam um ligeiro desconforto. Parágrafo único. Os
animais, antes de serem colocados em pastos com cercas elétricas, devem passar por um
período prévio de condicionamento ao seu uso;
• As instalações, os equipamentos e os utensílios devem ser mantidos limpos e desinfetados
adequadamente utilizando apenas as substâncias permitidas que constam dos Anexos II e V,
desta Instrução Normativa;
• Na confecção das camas, os materiais utilizados devem ser naturais e livres de resíduos de
substâncias não permitidas para uso em sistemas orgânicos de produção;

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Agroecologia - IN 64
• Da instalações:

• As instalações de armazenagem e manipulação de dejetos, incluindo as áreas de compostagem,


deverão ser projetadas, implantadas e operadas de maneira a prevenir a contaminação das
águas subterrâneas e superficiais;
• A madeira para instalações e equipamentos não pode ser tratada com substâncias que não
estejam permitidas para uso em sistemas orgânicos de produção e devem ser provenientes de
extração legal.

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Agroecologia - IN 64
• Da sanidade animal:

• Somente poderão ser utilizadas na prevenção e tratamento de enfermidades as substâncias


constantes no Anexo III desta Instrução Normativa;
• É obrigatório o registro em livro específico, a ser mantido na unidade de produção, de toda
terapêutica utilizada nos animais, constando, no mínimo, as seguintes informações:
I - data de aplicação;
II - período de tratamento;
III - identificação do animal;
IV - produto utilizado.

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Agroecologia - IN 64
• Da sanidade animal:

• Todas as vacinas e exames determinados pela legislação de sanidade animal serão obrigatórios;
• No caso de doenças ou ferimentos em que o uso das substâncias permitidas no Anexo III desta
Instrução Normativa não estejam surtindo efeito e que, por conta disso, o animal esteja
sofrendo, os produtores deverão tratá-los com produtos que impliquem a perda da categoria de
produto orgânico;
• No caso de uso dos produtos mencionados no caput deste artigo, o período de carência a ser
respeitado para que os produtos dos animais tratados possam voltar a ter o reconhecimento
como orgânicos deverá:
I - ser duas vezes o período de carência estipulado na bula do produto;
II - em qualquer caso, ser de no mínimo 48 horas.

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Agroecologia - IN 64
• Da sanidade animal:

• Cada animal poderá ser tratado com medicamentos não permitidos para uso na produção
orgânica por:
I - no máximo duas vezes no período de um ano;
II - com intervalo mínimo de 3 meses entre cada tratamento;
III - no máximo três vezes em toda a sua vida.
• Se houver necessidade de aumentar a frequência dos tratamentos, o animal deverá ser retirado
do sistema orgânico;
• Durante o tratamento e durante o período de carência, o animal deverá ser identificado e
alojado em ambiente isolado, sendo que ele e seus produtos não poderão ser vendidos como
orgânicos.

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Agroecologia - IN 64
• Da sanidade animal:

• Os tratamentos hormonais somente serão permitidos para fins terapêuticos;


• Os medicamentos utilizados para estimular crescimento ou produção são proibidos, bem
como qualquer medicamento proveniente de organismos geneticamente modificados.

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Agroecologia - IN 64
• Do bem estar animal:

• É proibida a alimentação forçada dos animais;


• Os sistemas de produção devem ser idealizados de forma que sejam produtivos e
respeitem as necessidades e o bem estar dos animais;
• Para sistemas orgânicos de produção, deve-se dar preferência por animais de raças
adaptadas às condições climáticas e ao tipo do manejo empregado.

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Agroecologia - IN 64
• Do bem estar animal:

• Em sistemas orgânicos de produção animal devem ser respeitadas:


I - a liberdade nutricional: os animais devem estar livres de sede, fome e desnutrição;
II - a liberdade sanitária: os animais devem estar livres de feridas e enfermidades;
III - a liberdade de comportamento: os animais devem ter liberdade para expressar os
instintos naturais da espécie;
IV - a liberdade psicológica: os animais devem estar livres de sensação de medo e de
ansiedade;
V - a liberdade ambiental: os animais devem ter liberdade de movimentos em instalações
que sejam adequadas a sua espécie.

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Agroecologia - IN 64
• Do bem estar animal:

• No caso de ruminantes, devem-se respeitar as necessidades de pastoreio e a ingestão diária de


fibras;
• O contato entre tratadores e os animais deve ser estimulado dentro de uma frequência que
permita que os animais se habituem à presença de pessoas;
• O manejo deve ser realizado de forma calma, tranquila e sem agitações, sendo vedado o uso de
instrumentos que possam causar medo ou sofrimento aos animais;
• As pastagens cultivadas devem ser compostas de vegetação arbórea suficiente para propiciar
sombreamento necessário ao bem-estar da espécie em pastejo;
• Em caso de pastagens cultivadas sem áreas de sombreamento, determina-se um prazo de 5
(cinco) anos para estabelecimento de vegetação arbórea suficiente.

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Agroecologia - IN 64

Brasil (2008) 47
Agroecologia - IN 64

Brasil (2008) 48
Agroecologia - IN 64

Brasil (2008)
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Brasil (2008)
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Brasil (2008)
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Agroecologia - Planejamento
• Sistema agroecológico como um todo:
- Apenas pequenas mudanças –não garantem a prática agroecológica;
- Sistemas biologicamente fracos – em desequilíbrio;
- Desafios – pragas e doenças.

• Consciência sobre produção agroecológica


- Garante melhores resultados;
- Transição para práticas agroecológicas reais;
- Garantindo mercados;
- Maioria das normas são atendidas - Certificação.

• Certificação “Lei dos orgânicos”:


- Real harmonia com meio ambiente e pessoas;
- Credibilidade.
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Agroecologia - Planejamento
• Agroecologia para quem?
- A sociedade como um todo – gerações atuais e futuras;
- Mundo rural e urbano;
- Alimentos dizem respeito a sociedade como um todo

• Como fazer agroecologia?


- Bases epistemológicas e metodológicas bem definidas;
- Atender as demandas tecnológicas dos agricultores;
- Trabalho com novas abordagens tecnológicas e técnicas inovadoras;
- Levantamento das condições atuais da propriedade;
- Identificação de pontos chave para mudança;
- Problemas mais sérios do sistema.

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Agroecologia - Planejamento
• Problemas mais sérios do sistema;
- Caráter biológico (solos degradados);
- Falta de conhecimento de práticas agroecológicas pelos produtores;
- Falta de controle na administração;
- Isolamento de membros da família.

• Planejamento:
- Ações dentro e fora da porteira;
- Forma de agir- curto, médio, longo prazo;
- Onde quer chegar → Como e quando vou agir para chegar na situação ideal;
- Mudanças graduais – com base no levantamento se identifica as práticas a serem
realizadas.

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Agroecologia - Planejamento
• Como se deve fazer a transição agroecológica?
- Interno e externamente ao sistema.

• Interno ao sistema produtivo:


- Quando se reduz e racionaliza o uso de insumos químicos;
- Quando se substitui insumos químicos e externos ao sistema;
- Quando se maneja biodiversidade e se redesenha os sistemas produtivos de maneira
sustentável.

• Externa ao sistema produtivo:


- Quando expande a consciência pública;
- Quando organiza os mercados e

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Agroecologia - Planejamento
• Situação atual do solo;
• Práticas que vem sendo realizadas para melhoria da qualidade do solo;
• Cultivos e criações existentes para a subsistência da família;
• Cultivos e criações existentes para a venda;
• Situação geral quanto a diversificação de cultivos;
• Situação quanto ao uso de adubos químicos (quais, como, tempo);
• Situação quanto ao uso de agrotóxicos (quais, como, tempo);
• Situação de mata ciliar da propriedade;
• Situação de reserva legal;
• Mão de obra disponível (quantidade e tempo);
• Como e onde comercializa os produtos da propriedade;
• Renda anual média alcançada;
• Infraestrutura da propriedade;
• Participação em organizações de agricultores.

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Agroecologia - Planejamento
• Planilha de dados levantados:
Situação atual da Situação esperada O que se pode Período das
propriedade fazer mudanças

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Implantação da produção animal orgânica
Atividades Procedimentos recomendados Restritos Proibidos
Uso de técnicas de manejo e conservação de Fogo controlado Monocultura de
solo e água; para limpeza de forrageiras;
Nutrição das pastagens de acordo com as pastagem;
recomendações; Queimadas
Controle de pragas, doenças e invasoras das Pastoreio regulares;
pastagens de acordo com as normas; permanente sob
Pastagens mistas de gramíneas, leguminosas e condições Superlotação de
MANEJO DE
outras plantas diversificação); satisfatórias; pastos;
PASTAGENS
Pastoreio rotativo racional, com divisão de
piquetes; Estabelecimento de Uso de agrotóxicos
Manter solo coberto, evitando pisoteio pastagem em solos e adubação mineral
excessivo; encharcados, rasos de alta
Rodízio de animais de exigências e hábitos ou pedregosos. solubilidade.
alimentares diferenciados (bovinos, equídeos,
ovinos, caprinos e aves).

58
Implantação da produção animal orgânica
Atividades Procedimentos recomendados Restritos Proibidos
Animais adaptados á região; Raças exóticas Raças exóticas não
Raças rústicas; não-adaptadas; adaptadas;
Aquisição de matrizes de criadores orgânicos; Estabulação
Animais comprados devem ficar em quarentena; Bezerros podem permanente de
Instalações adequadas p/ o conforto e saúde dos ser adquiridos de animais;
animais, fácil acesso água, alimentos e pastagens; convencionais até Confinamento e
MANEJO DO
Espaço adequado à movimentação; Número de 30 dias; imobilização
REBANHO E
animais p/ área não deve afetar os padrões de prolongados;
DAS
comportamento; Criações de preferência em Inseminação Instalações fora dos
INSTALAÇÕES
regime extensivo ou semi-extensivos, com artificial sob padrões; Manejo
abrigos; Monta natural para reprodução; e controle; inadequado que
desmame natural. leve animais ao
sofrimento, estresse
e alterações de
comportamento.

59
Implantação da produção animal orgânica
Atividades Procedimentos recomendados Restritos Proibidos
Auto - suficiência alimentar orgânica; Aquisição de Uso de aditivos
Forragens frescas, silagem ou fenação produzidas alimentos não estimulantes
na propriedade ou de fazendas orgânicas; orgânicos, sintéticos,
Aditivos naturais para ração e silagem (algas, equivalente a até promotores de
plantas medicinais, aromáticas, soro de leite, 15% do total da crescimento, uréia,
leveduras, cereais, outros farelos); Mineralização matéria seca para p/ restos de abatedores,
com sal marinho; ruminantes; aa’s sintéticos;
Suplementos vitamínicos (Óleo de fígado peixe e
ALIMENTAÇÃO levedura); Homeopatia, fitoterapia e acupuntura; Aditivos, óleos Transferência de
São obrigatórias as vacinas estabelecidas por lei, e essenciais, embriões;
recomendadas as vacinações para as doenças mais suplementos
comuns a cada região. vitamínicos, de aa’s Descorna e outras
e sais minerais (de mutilações;
forma controlada);
Presença de animais
Amochamento e geneticamente
castração. modificados.

60
Implantação da produção animal orgânica
Atividades Procedimentos recomendados
ILPF E SUAS VARIAÇÕES;

CONSORCIAÇÃO DE ESPÉCIES VEGETAIS NA ÁREA DE


PASTEJO;

MANEJO SUSTENTÁVEL DA PASTAGEM NA CAATINGA


– RALEAMENTO, REBAIXAMENTO E
SISTEMAS DE
ENRIQUECIMENTO E SUAS COMBINAÇÕES;
CRIAÇÃO
CRIAÇÃO DE ESPÉCIES RÚSTICAS (AVES, SUÍNOS,
BOVINOS, CAPRINOS, OVINOS);

DIVERSIFICAÇÃO DE CRIAÇÕES ANIMAIS COM


ATIVIDADES AGRÍCOLAS (REDUÇÃO NO USO DE
INSUMOS).

61
Impactos da agroecologia na caatinga
• Barreto (2010) - Pernambuco:
• Avaliaram os resultados de práticas agroecológicas:
- Raleamento, rebaixamento e enriquecimento da caatinga;
- Implantação de leguminosas adaptadas ao semiárido (feijão guandu, Leucena,
moringa);
- ILP e IPF;
- Criação de bancos de proteína;
- Diversificação de criação de animais.

62
Impactos da agroecologia na caatinga
• Barreto (2010):
• Resultados:
- Incremento nas receitas → Impacto econômico positivo → agricultura familiar;
- Maior ganho líquido em função da área → Quanto maior a área maior o ganho;
- Maior disponibilidade de alimentos para as famílias → segurança alimentar da
agricultura familiar;
- Avaliação por meio do AMBITEC: Maior conservação de recursos naturais;
- Contribui para o desenvolvimento rural sustentável e a minimização dos fatores
predisponentes à desertificação.

63
Impactos da agroecologia na caatinga
• Barreto (2010):

“A utilização dos princípios agroecológicos


dentro dos sistemas produtivos gera benefícios
perpétuos, que devem ser preconizados por
políticas públicas voltadas ao setor
agropecuário, não somente para a agricultura
familiar, haja vista que em termos absolutos
esse setor exige mais dos recursos naturais”.

64
Impactos da agroecologia na caatinga
• Pereira (2011) – Manoel Vitorino na Bahia:
• Histórico de 1990 a 2010:
- Impactos negativos de projetos mal elaborados para semiárido;
- Trabalho de manejo dos animais, suplementação estratégica, vacinação, manejo de
pastagem, conservação de forragem, manejo nutricional e melhoramento genético dos
animais;
- Evolução da atividade leiteira.

• Desafios:
- Financiamentos e subsídios;
- Manutenção das parceiras;
- Acompanhamento técnico da atividade;
- Trabalho em conjunto – produção, distribuição e comercialização; captação de
recursos.

65
Desafios para produção animal orgânica
• Agricultura familiar:
- Acompanhamento técnico constante;
- Envelhecimento da população rural – mão de obra;
- Subsídios e linhas de crédito para produtores.

• Ampliar o uso das práticas agropecuárias para atividades intensivas como avicultura,
suinocultura e bovinocultura de leite – grande parcela da economia nacional:
- Produção de grãos orgânicos – elevar preço dos grãos;
- Escassez de rações orgânicas – suplementação na época seca;
- Baixa fertilidade do solo em áreas de pastagens;
- Adubação verde – pouco uso da prática.

66
Mandalas
“Sistema de produção é um processo planejado, pelo qual elementos são transformados
em produtos úteis, ou seja, um procedimento organizado para se conseguir a conversão
de insumos em produtos acabados”.

De forma simplificada:
Insumos Unidade de transformação Bens ou serviços
Sementes e ou mudas Sítios ou hortas Frutas e hortaliças
Animais e ração Galpão e área de pastejo Carne e ovos (couro)

67
Mandalas
Mandala: expressão derivada do sânscrito
- Significado: sagrado ou círculo mágico, círculos concêntricos;
- Significa o todo, os ciclos coordenados de tempo e espaço, unindo o céu e a terra;
- Imita as formas da natureza;
- Ponto de vista religioso: representação do ser humano e do universo;
- Ponto de vista psicológico: círculo que representa simbolicamente a luta pela unidade
total do eu.

68
Mandalas
Mandala e seu papel na agropecuária:
- Tecnologia social promotora de desenvolvimento da agricultura familiar;
- Propõe a produção de alimentos em sistema diferente do convencional;
- Integração de sistemas de criação de animais de pequeno porte e policultivo em uma
mesma área de 2.500 m2;
- Promove por meio da cooperação entre indivíduos atividade econômica que resulte em
renda e produção de alimentos de qualidade para todos que nela trabalhem.

69
Mandalas
“Um dos mais importantes modelos que utilizam os métodos tecnológicos apropriados
para a aplicação em pequenas propriedades rurais, a estratégia permite que o produtor
tenha diversificação de produção além de produzir alimentos para sua família.”.

Rotação de culturas. Reciclagem de nutrientes Controle ecológico de pragas.

Barreiras físicas p dificultar Melhor aproveitamento de


Variedade de culturas e produção
locomoção de insetos. recursos naturais (água e solo)

Concentra e integra de forma


Aproveitamento dos resíduos de Assegura o aproveitamento de
eficiente produção animal e
ambas as atividades. todas as áreas do canteiro.
vegetal.

Torna mais simples o transporte Permite melhor visualização do


de nutrientes. sistema como um todo

70
Mandalas
Sistema de criação em forma de círculos concêntricos, que preservam a agricultura
ecológica.
Voltado para subsistência da família em regiões de baixo IDH, ideal para o semiárido,
local onde se tem baixa disponibilidade de água.

Facilitar a produção de alimentos sustentável;

Manter a família num espaço pequenos com rentabilidade;

Produzir de forma ordenada e sustentável;


Objetivos:
Redução no custo de produção;

Facilidade no manejo.

71
Mandalas
Formada por nove círculos concêntricos, tendo ao centro o reservatório de
água, ou centro de criação de pequenos animais.

Permite que as plantas se ajudem mutuamente, trabalhando com os


conceitos de quebra ventos, de plantas repelentes a insetos, e o controle
ecológicos de doenças e pragas invasoras.

Usa tecnologia ambiental, no qual os conhecimentos, técnicas, métodos,


processos, experiências e equipamentos, são utilizados dentro dos recursos
naturais de forma sustentável, permitindo disposição adequada dos dejetos
industriais não degradando o meio ambiente.
72
Mandalas
Formada por:
• Três círculos internos – Melhoria da qualidade de vida ambiental:
• Voltado para subsistência.
a) Centro:
- Reservatório de água para irrigação;
- Planta central ou criação de animais - aves aquáticas (patos marrecos) ou peixes;
- Processo mais completo com criação de animais.
b) 2 círculos internos:
- Plantas medicinais e hortaliças;
- Consorciação com espécies frutíferas, ou grãos ou cereais.

73
Mandalas
• Cinco círculos – Produtividade econômica:
- Produção em escala para beneficiamento de produtos para o mercado;.
- Culturas como milho, feijão verde, abóbora e frutíferas;
- Criação de animais - alimentos e esterco;
- Produtos de valor agregado.

74
Mandalas
• Último círculo – Equilíbrio ambiental
- Cercas vivas e quebra ventos;
- Proteção do sistema, alimentação dos animais e recuperação do solo
(nutrientes).

75
Mandalas
• Observações:
- Processo modular: necessário que o primeiro círculo esteja produzindo
para que os demais possam continuar o processo;
- Água do centro – irrigação das culturas e para os animais;
- Sistema de irrigação simples, com controle de gotejamento de água;
- Ideal que a família se alimente dos três primeiros círculos e comercialize
a produção dos demais.

76
Alimento Qtde Alimento Qtde
Abóbora 850 kg Frango 1.200 kg
Acerola 10 kg Leite 5.400 L
Alface 9.000 pés Limão 100 kg Possibilidades
Amendoim 250 kg Mandioca 1.500 kg
Banana 1.200 kg Mamão 300 kg produtivas em
Batata doce 300 kg Maracujá 100 kg
Berinjela 200 kg Melancia 240 unid
uma mandala
Beterraba 320 kg Milho 9.000 esp
de 9 anéis no
Cebola 150 kg Melões 240 kg
Cenoura 320 kg Ovos 1.200 dz decorrer de
Chuchu 50 kg Repolhos 1.000 unid
Esterco 15 ton Tomate 400 kg um ano
Feijão vargem 30 kg

Sebrae (2008) 77
Mandalas – Implantação
1. Escolha e preparação do terreno (família de 5 pessoas)

• O ideal é que o espaço selecionado seja protegido contra ventos fortes, para evitar
prejuízos no cultivo. Caso não haja uma proteção natural, é recomendável o
plantio de árvores de médio porte para suprir essa necessidade.

• O terreno das hortas circulares e da área central deve ser plano;

• Todo o terrenos deve ter a presença de luz solar na maior parte do dia;

• Espaço para a expansão de até 10 canteiros circulares, além dos e iniciais;

• Fonte de água próxima, com condições para encher a caixa d’água a fim de fazer
funcionar por gravidade o sistema de irrigação por gotejamento;

78
Fonte: Sebrae (2009)

79
Mandalas – Implantação
2. Seleção das culturas

• A escolha da espécie deve levar em conta a cultura alimentar da sociedade;

• Levar em consideração espécies que ofereçam melhores condições de produção e


comercialização;

• A diversidade de espécies é importante para a qualidade dos alimentos;

• Para garantir uma escolha segura, considerar:


- Potencial produtivo;
- Condições de solo e clima;
- Potencialidades de consumo;
- Cultura alimentar da localidade;
- Escolha de mudas sadias.

80
Fonte: Sebrae (2009)

81
Mandalas – Implantação
3. Demarcação do galinheiro e canteiros circulares

• Definição do ponto central do galinheiro;

• Serve de referência para a localização dos demais canteiros da obra;

• Serve de referência para demarcação de corredor de acesso ao galinheiro, de um


lado, e do corredor de acesso Às áreas teladas de rodízio de pastagem, do outro;

• A demarcação do galinheiro deverá ser feita com pedaços de pau, madeiras


encontradas na própria área ou esteios de madeira;

• Uma linha, fixada no ponto central do galinheiro, ajudará a demarcar os canteiros


circulares e os corredores.
82
Mandalas - Implantação
4. Medidas da unidade familiar de produção

• Galinheiro com 2,5 m de raio;

• Área de escape após o galinheiro de 1 m;

• 1º canteiro começa a 3,5 m do ponto central do galinheiro;

• Demais canteiros com espaçamento entre si de 50 cm e largura de 1,2 m cada;

• 20 cm de altura do canteiro na época das chuvas e 10 cm nas épocas secas.

83
Fonte: Sebrae (2009)
84
Mandalas – Implantação
5. Construção do galinheiro

• Implantação do galinheiro central integra a criação dos animais com o cultivo de


hortaliças e frutos, pois facilita a utilização do esterco das aves para enriquecer o
solo das hortas e o uso das sobras dos plantios para alimentar as aves, que
também terão acesso a um corredor para áreas teladas de rodízio de pastagem.

• Construção do galinheiro com estacas e tela;

• A cobertura da área será feita com material disponível na propriedade, a exemplo


de palmeiras, folhas, palhas, capim seco e madeira;

• Construção de minipoleiros, ninhos para as poedeiras, e instalação de 1 comedouro


e 1 bebedouro;

85
Mandalas – Implantação
5. Construção do galinheiro

• O galinheiro terá 10 galinhas e 1 galo para fornecimento de ovos e carne;

• Forrar o galinheiro com capim seco ou folhagens obtidas no local, esse material vai
receber o esterco das aves e será aproveitado como adubo nas hortas e também no
quintal agroecológico;

• A forragem será recolhida e levada para outra área da propriedade onde deve ser
feita a compostagem.

86
Fonte: Sebrae (2009)

87
Mandalas – Implantação
6. Preparação dos canteiros

• Limpeza da terra para retirada de todos os galhos e capim (material deve ser
separado para posterior uso como adubo);

• Montagem de três canteiros circulares ao redor do galinheiro no qual deve-se


diversificar as espécies cultivadas;

• Revolver a terra para preparar o solo e fazer plantio de mudas das culturas
escolhidas;

• Forragem do canteiro com palha para proteger e manter o solo úmido.

88
Mandalas – Implantação
6. Preparação dos canteiros

• Plantar com variedade de hortaliças e legumes;

• Evitar encharcar os canteiros;

• Aproximas as culturas que tenham a mesma necessidade de água;

• Enriquecer o solo do canteiro com matéria orgânica oriunda da compostagem,


principal fonte de nutrientes para os vegetais nesse processo;

• Corrigir o solo com calcáreo quando necessário.

89
Fonte: Sebrae (2009)

90
Mandalas – Implantação
7. Uso de energia

• O uso de energia elétrica é necessário para acionar a bomba que fará o


enchimento da caixa d’água (depende do local da fonte de água);
• Em locais que não dispõem de energia elétrica a alternativa é instalar placas de
energia solar.

91
Fonte: Sebrae (2009)

92
Mandalas – Implantação
7. Sistema de irrigação por gotejamento

• A irrigação por gotejamento é um sistema que ajuda a economizar água e energia,


aumenta a produtividade e poupa mão de obra para o produtor com o trabalho de
irrigação manual das hortas;

• Instalação de caixa d’água a pelo menos 3 a 5 m acima da horta para fazer


irrigação por gravidade;

• Instalação de mangueira preta de 1 polegada com filtro de disco a 5 metros antes


do terceiro canteiro para evitar sujeira e entupimento dos furos para gotejamento;

• Limpeza frequente do filtro;

93
Mandalas – Implantação
7. Sistema de irrigação por gotejamento

• Controle da pressão da água para evitar tensiosamento de fitas gotejadoras;

• Antes do início dos canteiros, dividir a mangueira em duas linhas para irrigar
cada metade dos canteiros;

• Fitas gotejadoras de 0,5 polegadas cada uma, com furos voltados para cima
distantes 20 cm um do outro;

• Sistema deve ter uma saída para fornecimento de água para as de compostagem e
de quintais agroecológicos.

• Tempo de irrigação depende do tipo de cultura.


94
Fonte: Sebrae (2009)

95
Mandalas – Implantação
8. Compostagem – produção de adubos naturais

• Processo de transformação de materiais grosseiros, como palha e esterco, em


materiais orgânicos utilizáveis na agricultura;

• Transformar o material disponível na localidade, juntamente com esterco


removido do galinheiro, em um composto estabilizado, sem cheiro, por meio de um
processo de decomposição;

• Como resultado teremos os adubos naturais, biofertilizantes produzidos com


capim verde, esterco, entre outras sobras;

• Para cada ciclo de produção serão necessários 500 kg de composto, que devem ser
mantidos úmidos e nunca encharcados. Numa média de 45 dias o material pode
ser utilizado como adubo.
96
Fonte: Sebrae (2009)

97
Mandalas – Implantação
9. Quintal agroecológico

• Área complementar, para produção de frutas, grãos e outras culturas, para


complementar a alimentação da família, dos animais, melhorar a renda;

• Com o avanço da unidade produtiva o quintal agroecológico poderá servir


futuramente para a movimentação das aves criadas no galinheiro central;

• Aproveitamento de todas as áreas disponíveis ao redor da mandala.

• Utilização de área com inclinação e desníveis, diferente do que é exigido para os


círculos da mandala;

• Reflorestamento, cultivo de frutas, espécies nativas e comerciais.


98
Fonte: Sebrae (2009)

99
Mandalas – Implantação
10. Associativismo e cooperativismo

• Comportamento empreendedor para assegurar bons negócios;

• Criação de canais de comercialização por meio de contatos com prefeituras, órgãos


públicos estaduais e federais e comércio local;

• Organização em entidades possibilita a participação de compras governamentais


como fornecedores de alimentos (prefeituras e CONAB);

• Incentivo de ações coletivas dos produtores para melhorar a organização da


comunidade e criar novas formas de comercialização.

• Capacitação sobre: cultura associativa, empreendedorismo e acesso a mercados.


100
Fonte: Sebrae (2009)

101
Mandalas

Fonte: google images

102
Mandalas

Fonte: google images

103
Mandalas

Fonte: google images


104
CICLO
PRODUTIVO
DA
TECNOLOGIA
PAIS

105
MANDALA NO
ASSENTAMENTO
MULUNGU/CE

Fonte: Barroso (2014) 106


Mandala das mulheres no assentamento
Mulungu

Fonte: Silvestre (2018)


107
Mandala das mulheres no assentamento
Acauã/PB

Fonte: Alípio (2015)


108
Mandala no Rio Grande do Sul

Fonte: Emater – RS.

109
Mandalas - Aspectos positivos

• Melhoria na alimentação das famílias, garantindo alimentos de qualidade;


• Garantia de fonte de renda para a família com a venda dos alimentos;
• Inclusão social e econômica das famílias;
• Apesar de apresentarem menor produtividade que os sistemas
convencionais têm desempenho econômico melhor, por apresentar menores
custos efetivos e maiores relações custo-benefício.

110
Mandalas – Aspectos negativos

• Necessidade de água em volume adequado para atender as necessidades


do sistema;
• Requer planejamento adequado em função das condições climáticas;
• Falta de assistência técnica para os agricultores, que podem largar o
projeto nas dificuldades;
• Capital necessário para estrutura, transporte de produtos entre outros;
• Planejamento adequado da comercialização;
• Boa organização dos produtores para garantir a viabilização do sistema.

111
SUSTENTABILIDADE

USO ADEQUADO DOS


DIVERSIFICAÇÃO
RECURSOS

RETORNO
ECONÔMICO E
PRODUTIVO

112
SISTEMAS DE INTEGRAÇÃO
Porque ILPF é adequada para o semiárido?
-Recuperação de pastagens degradadas;
-Melhor aproveitamento de áreas ocupadas pela atividade;
-Diversificação de produtos na propriedade – melhoria de renda;
-Conservação de espécies.

O ILPF é comum no semiárido?


-Fazem parte dos sistemas de produção no semiárido - tradicionalmente se trabalha com
consorciação de culturas no NE;
-Agricultura (biomassa restante) + animal → resultados ruins;
-Solo descoberto – erosão;
-Taxa de lotação muito superior ao adequado.

113
ILPF PARA SEMIÁRIDO
Componentes florestais do ILPF da caatinga – interesse pastoril

Aroeira Catingueira Cumaru

Juazeiro Jucá 114


ILPF PARA SEMIÁRIDO
Componentes florestais do ILPF da caatinga – interesse pastoril

 Qual espaçamento adotar?


- Não há regra;
Jurema preta Mororó - Dimensão do maquinário;
- Finalidade;
- Linhas simples, duplas ou
triplas.

Pau-branco Sabiá 115


ILPF PARA SEMIÁRIDO
Componentes de lavoura do ILPF da caatinga

Milho Cana-de-açucar Sorgo

Milheto Feijão caupi 116


ILPF PARA SEMIÁRIDO
Componente animal do ILPF da caatinga

 Destaques: Raças nativas melhoradas;


- Gado curraleiro;
- Caprinos: Moxotó, Marota, Canindé;
- Ovinos: Crioula, Morada Nova, Santa Inês.
117
ILPF PARA SEMIÁRIDO
Sistema cabrito ecológico:
-Sistema desenvolvido para enfrentamento da realidade atual do NE brasileiro: degradação
de solos e recursos forrageiros da caatinga;
- Visa promover a economia do sistema familiar com base no uso sustentado dos recursos
naturais, na conservação da riqueza cultural das comunidades locais e no aumento da
quantidade e da qualidade dos alimentos consumidos pela população;
- Objetivo:
a) Criação em base agroecológica;
b) Redução na idade de abate dos animais;
c) Aumentar a produção de forragem no período chuvoso;
d) Guardar o excesso para o período seco – conservação de forragem.

118
ILPF PARA SEMIÁRIDO
Sistema cabrito ecológico:
- Valoriza o aumento na produção de carne, em relação aos sistemas tradicionais;
- Agregar valor ao produto, em função dos seus atributos qualitativos - maciez da carne, o
acabamento dos animais, os menores defeitos nas peles;
- É recomendado o uso de animais de raças ou grupos genéticos considerados naturalizados
como a Moxotó, a Canindé, a Repartida, a Marota, a Graúna, entre outras;

1) Base alimentar das matrizes:


- Pastejo das áreas de caatinga na época chuvosa;
- Pastejo em áreas de pasto diferido na época seca - suplementação com ingredientes proteicos;
- Fornecimento de forragem conservada na época seca - feno ou silagem;
- Fornecimento de alimentos “in natura” como a palma-forrageira;
- Pastejo em áreas com restos de culturas agrícolas.
119
ILPF PARA SEMIÁRIDO
Sistema cabrito ecológico:

2) Manejo sanitário:
- Utilização de boas práticas de produção de agropecuária (BPA);
- Uso de produtos fitoterápicos e homeopáticos;
- Uso de produtos com base nas normas de produção orgânica;
- Melhoria na resistência dos animais e redução de custos para o produtor.

120
ILPF PARA SEMIÁRIDO
Sistema cabrito ecológico:

3) Resultados esperados:
- Aumento de produtividade – animais chegam ao ponto
de abate de 8 a 10 meses com 10 kg (carcaça);
- Aumento de peso vivo por matriz exposta por ano de
13 a 23 kg para 31 a 36 kg;
- Redução na mortalidade – média de 30% para aprox.
7,5%.

121
ILPF PARA SEMIÁRIDO

Nogueira e Moreira (2007); Moreira et al. (2007) 122


ILPF PARA SEMIÁRIDO
Sistema CBl (caatinga – buffell – leucena):
- Produção de bovinos/caprinos;
- Uso da vegetação da caatinga por 2 ou 4 meses (período chuvoso);
- Associação a área de capim Buffel;
- Com piquetes de leguminosa arbustiva. Recomendação para uso da leucena, mas outras
espécies podem ser utilizadas.

Componentes técnicos do sistema:


- Pastagem da caatinga por 2 ou 4 meses – qualidade;
- Pasto de gramíneas nos 8 a 10 meses restantes – Capim Buffel;
- Banco de proteína para feno ou silagem – Leucena;
- Cultivo consorciado de palma e maniçoba, Área de reserva estratégica;
- Utilizado com bovinos, caprinos ou suínos, ou ainda sistemas associativos.
123
Impactos da agroecologia na caatinga
• Filho (2011) – Produção agroecológica de leite no semiárido: SISTEMA GLÓRIA
- Sistema de produção de leite agroecológica – EMBRAPA - Sergipe
- Produção de leite de alta qualidade, com baixa utilização de insumos externos, a
baixo custo;
- Campus experimental da Embrapa Semiárido e em propriedade privada –
Município Nossa Senhora da Glória;
- Fundamentos em pressupostos de sustentabilidade:
a) estrutura agrossilvipastoril assentada em espécies forrageiras nativas e adaptadas à
seca: cactáceas forrageiras, leguminosas arbóreas de múltiplo uso, gramíneas
perenes tolerantes e outras espécies nativas;
b) uso de animais geneticamente compatíveis com o ambiente e que otimizam o
padrão nutricional da forragem produzida nesta estrutura agrossilvipastoril;
Impactos da agroecologia na caatinga
SISTEMA GLÓRIA
- Fundamentos em pressupostos de sustentabilidade:
c) diversidade temporal e espacial dos subsistemas cultivados: rotação e consórcio de
culturas;
d) bem-estar animal;
e) uso de produtos e processos naturais para os controles zoo e fitossanitários;
f) práticas de conservação de forragem: ensilagem e fenação;
g) reciclagem de resíduos vegetais para animais e de resíduos animais para culturas;
h) recomposição do extrato arbóreo dos subsistemas cultivados, através da
regeneração de espécies arbóreas nativas, e do estabelecimento de leguminosas
arbóreas e outras espécies em cercas vivas e aléias intercultivadas com culturas anuais
e/ou pastagens perenes;
i) preservação da vegetação nativa remanescente.
Impactos da agroecologia na caatinga
SISTEMA GLÓRIA

a) Estrutura agrossilvipastoril: implantada com os seguintes componentes básicos


- pastagens nativas e cultivadas com capim buffel (Cenchrus ciliaris), grama aridus
(Cynodon dactylon, var. aridus) e capim urocloa (Urocloa moçambisensis);
arborizadas com espécies nativas e exóticas adaptadas;
- áreas de palma forrageira cultivadas com as variedades gigante (Opuntia ficus-
indica), em sistema de fileiras simples adensadas, consorciadas ou não com gliricídia
(Gliricidia sepium) e/ou leucena (Leucaena leucocephala);
- bancos de proteína de leucena e gliricídia, cultivadas em alamedas e intercultivadas
com milho e/ou sorgo;
- cercas vivas forrageiras de gliricídia outras espécies.
Impactos da agroecologia na caatinga
SISTEMA GLÓRIA

a) Estutura agrosilvipastoril: Áreas de palma forrageira em fileiras adensadas


- Palma forrageira - estabelecida em espaçamentos de 2,0 m x 0,25 m (espécies gigante
ou graúda) e em espaçamentos de 2,0 m x 0,5 m (espécie redonda);
- A leucena e/ou a gliricídia podem ser estabelecidas nas ou entre as fileiras de palma de
forma alternada, de modo a não resultar em sombreamento excessivo para a palma;
- A adoção desse sistema implica na necessidade de adubações intensivas, na fundação
e após cada corte, a saber: 10 toneladas de esterco/ha; fósforo, potássio, e calcário se
necessários, de acordo com a análise do solo;
- Limpas (capinas após o plantio e roçagens, depois de estabelecida a palma) devem ser
realizadas de maneira a manter o palmal livre de invasoras que podem reduzir a
produção desejada; sendo que os cortes para fornecimento aos animais são efetuados
a cada dois anos, a partir do segundo ano do plantio.
Impactos da agroecologia na caatinga
SISTEMA GLÓRIA

a) Estrutura agrosilvipastoril: Alamedas de leucena intercultivadas com culturas anuais


- Áreas cultivadas com leucena em alamedas (fileiras simples), associada ao cultivo
intercalar de milho e/ou sorgo
- forragem de alto valor nutritivo (sobretudo protéico);
- para suplementação alimentar do rebanho no período seco.
- os solos da região semiárida não apresentam restrições de fertilidade para o
estabelecimento e persistência da leucena, devendo-se evitar aqueles muito rasos que
possam impedir o aprofundamento do seu sistema radicular.
Impactos da agroecologia na caatinga
SISTEMA GLÓRIA
a) Estrutura agrosilvipastoril: Usos da leucena
- A partir do 2º ano do estabelecimento, poderão ser efetuados cortes para adubação
verde no início da estação chuvosa, para ensilagem e/ou fenação e ainda para pastejo
direto da rebrota após o corte para ensilagem;
- Adubação verde - executada logo após as primeiras chuvas (cerca de 15 dias)
cortando-se a leucena a 10 cm e deixando-se a massa foliar sobre o solo, entre as
alamedas, para posterior incorporação, após retiradas dos ramos mais lenhosos da
área para não dificultar a aração;
- Ensilagem da leucena: a leucena pode ser cortada juntamente com o milho e/ou sorgo
para confecção de silagens mistas, com benefícios em termos de enriquecimento
protéico da silagem resultante, sem qualquer prejuízo para a fermentação;
- Opcionalmente, pode-se cortar a parte aérea da leucena para confecção de feno, seja
triturando-a e deixando-a a secar, em terreiro de piso revestido, por dois dias, seja
deixando-se as folhas desprenderem-se dos ramos sem triturá-los. Rangel et al (2011)
Impactos da agroecologia na caatinga
SISTEMA GLÓRIA
Alimentação dos animais:
- Otimização do uso de forragens de alta qualidade;
- Uso moderado e estratégica de rações concentradas;
- Redução significativa dos custos operacionais.

Alimentação das vacas em lactação:


- Período chuvoso - pastagens cultivadas, realizando pastejo de “pontas”, em rodízio de
pastos, com acesso eventual às áreas de leucena, para pastejo suplementar de duas
horas/dia;
- Período seco - acesso controlado às áreas de leucena, fornecimento de maneira
progressiva, quantidades crescentes de silagem mista de milho, além de silagem de
leucena ou gliricídia no cocho
Impactos da agroecologia na caatinga
SISTEMA GLÓRIA
Alimentação dos animais:
- Otimização do uso de forragens de alta qualidade;
- Uso moderado e estratégica de rações concentradas;
- Redução significativa dos custos operacionais.

Alimentação das vacas em lactação:


- Período chuvoso - pastagens cultivadas, realizando pastejo de “pontas”, em rodízio de
pastos, com acesso eventual às áreas de leucena, para pastejo suplementar de duas
horas/dia;
- Período seco - acesso controlado às áreas de leucena, fornecimento de maneira
progressiva, quantidades crescentes de silagem mista de milho, além de silagem de
leucena ou gliricídia no cocho;
- Glicirídia x leucena – consumo x palatabilidade.
Impactos da agroecologia na caatinga
SISTEMA GLÓRIA
Alimentação dos animais:
Alimentação das vacas secas e novilhas:
- Exclusivamente em pastagens, durante o período chuvoso, “repassando” os pastos
primeiramente utilizados pelas vacas em lactação;
- No período seco, permanecem a pasto com suplementação à base de rolão de milho,
sendo que as novilhas em crescimento e vacas gestantes recebem, adicionalmente,
silagem de leucena e/ou gliricídia.

Alimentação dos bezerros:


- 2 primeiras semanas – colostro e leite;
- 3 primeiros meses – amamentação controlada;
- Período chuvoso - têm acesso a piquetes de pastagens cultivadas, com sombra e abrigo;
- Período seco - No período seco são alimentados com palma picada à vontade e folhagem
fresca de leucena e/ou gliricídia.
ILPF PARA SEMIÁRIDO
Sistema caatinga raleada:
-Controle seletivo de espécies lenhosas - reduzir o sombreamento e a densidade de árvores e
arbustos indesejáveis;
-Obtenção de incremento da produção de fitomassa do estrato herbáceo;
-Intensidade do raleamento → topografia do terreno e características da vegetação;
-Caatinga raleada → sombreamento por árvores e/ou arbustos de, no mínimo, 30%;
-Reduções abaixo deste valor poderão não resultar em aumentos relevantes da produtividade do
estrato herbáceo;
-Topografia da área (principalmente a declividade) → intensidade do raleamento, por causa do
perigo de erosão devido a maior exposição do solo.
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ILPF PARA SEMIÁRIDO –
DESAFIOS E POTENCIALIDADES
Desafios:

-Complexidade do manejo dos sistemas agroflorestais;


-Elevados custos de implantação;
-Limitações para mecanização dentro dos padrões atuais;
-Despreparo dos extencionistas;
-Falta de motivação dos agricultores para a adoção ILPF;
-Informações restritas com espécies nativas.

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ILPF PARA SEMIÁRIDO –
DESAFIOS E POTENCIALIDADE
Potencialidades:

-Melhoria na qualidade do solo;


-Melhoria na produtividade vegetal e animal;
-Produção sustentável – recuperação de áreas degradadas e redução de
áreas propensas a desertificação;
-Com informações voltadas para espécies nativas do NE – melhor eficiência.

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Obrigada!!!

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