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Curso de Introdução às Teorias de Relações

Internacionais

Programa do curso e principais conceitos abordados


Aula 1: Apresentação do Curso pelo professor Thales Castro.

O professor Thales castro apresenta um panorama geral do curso de Introdução às


Teorias das Relações Internacionais.

Aula 2: Fenomenologia das Relações Internacionais.

Fenomenologia: estudo dos objetos mentais ideais em si mesmo, análise de tudo que o


fenômeno representa, aquilo se apresenta e se manifesta aos seres cognoscentes.
Objeto de estudo: análise da relações internacionais através de fronteiras politicamente
constituídas com base no summa potestas (Kant): poder supremo que é conferido aos
Estados, que exercem a soberania para fim de exercício de autogoverno, de organização
social e de manutenção de serviços burocráticos.

Relações Internacionais: “Ciência autónoma de raiz epistêmica política que descreve,


explica, prevê e prescreve a interação multidimensional dos vários atores internacionais
nas esferas macro, meso e microssistêmicas”. As relações internacionais compõem o
tronco das ciências humanas, mais especificamente na subdivisão das ciências sociais e,
de maneira ainda mais focal, das ciências políticas.

Recorte metodológico: análise das diferentes sociedades e relacionamentos culturais por


meio do estudo das relações de poder.

Aula 3: Fenomenologia das Relações Internacionais, Parte II.

Estratégia Dominante de Soma Positiva: Estados trabalham de maneira cooperativa,


transparente e conjunta em prol do bem comum. São características a confiança, a
franqueza e a cordialidade.

Estratégia Dominante de Soma Zero: Estados trabalham de maneira destrutiva e baseada


no poder, numa lógica em que o outro é visto como adversário no campo internacional.

Noções relevantes:

Cenário Internacional: teatro onde os papéis se contrapõem mutuamente, prevalecendo a


lógica dos capitais de força, de poder e de interesse.

Sistema Internacional: uma gradação do cenário internacional.

Comunidade Internacional: valoração do mundo a partir da perspectiva da isonomia, da


justiça igualitária, da ética, da lógica de soma positiva e da articulação frutífera entre os
atores internacionais por meio do Direito Internacional Público.
Sociedade Internacional: uma gradação da comunidade internacional (civitas maxima).

Aula 4: Estatologia nas Relações Internacionais: a Teoria do Estado.

Definição de Estado: entidade político-jurídica-diplomática com capacidade de


autogoverno, poder de polícia e gestão interna.

Paz de Westfália: preconização dos conceitos de soberania, territorialidade e autogestão.

Hobbes: Filósofo contratualista (Hobbes-Locke-Rousseau), que entende que a relação


entre Estado e sociedade civil deve ser firmada através de um pacto, um contrato. No
Estado Hobbesiano existe uma tendência natural à violência, sendo necessário que o
soberano aja de maneira impositiva e absolutista para preservar a ordem e a coesão do
tecido social. Dessa relação contratualizada, surge o Estado político.

Burocracia: sistema de organização, normas, hierarquias e processos para o


funcionamento do Estado, tanto com olhar para dentro quanto para fora. Se
consubstanciam através de normas que racionalizam e legalizam as ações de políticas
públicas.

Sistemas de Autoridade (Weber): tradicional, carismático e racional-legal.

Gerações de Teorias do Estado

Teorias Formais do Estado: analisam a forma do Estado para entender o seu


funcionamento
Requisitos:

 População permanente
 Território reconhecido (determinado/delimitado)
 Governo aceito (democráticos ou não)
 Soberania (summa potestas)

Prerrogativas do Estado

 Jus in bellum: capacidade de fazer guerra e celebrar a paz.


 Jus tractum: exercício de celebrar tratados com outros entes estatais.
 Jus legationis: direito de legação ativo e passivo.

Teorias Substanciais do Estado: analisam a natureza e a qualidade do Estado.

Reconhecimento do Estado: ato crucial para a efetivação das relações bilaterais.

Termos relevantes:

Política Externa: ocorre quando o Estado enuncia um posicionamento oficial em


determinado item da agenda externa.

Política Internacional: sinônimo de relações internacionais.

Política Estrangeira: análise das dinâmicas da política interna de um outro ente estatal.
Política Interna: análise interna das configurações internacionais.

Aula 5: Cratologia: a teoria do poder

Reflexão: o mundo é isonômico ou hierarquizado?

Credenciais Primárias do Poder (CPPs)

População: peso demográfico do Estado

PIB: critério que se baseia na produção econômica de um Estado

Área territorial: espaço físico ocupado pelo Estado

No sistema internacional não existe isonomia. Por essa perspectiva, os Estados estão
distribuídos de forma heterônoma.

Diferenciação: soft  e hard power.

Hegemonia: Poder concentrado nas mãos de um Estado, que impõe a sua vontade para
todos os demais. Exercício de poder multifacetado em várias partes do mundo de
maneira recrudescedora.

Ordem Mundial: Conjunto de normas, pressupostos e valores que estabelecem a


governança do cenário internacional.

Características do Poder:

 Dinamismo: a cada momento histórico existem diferentes países exercendo a primazia


do poder (hegemonia).
 Mensurável: é possível quantificar o exercício do poder.
 Situacional: é possível que em situações específicas Estados com menor poder possam
obter vitórias sobre Estados com maiores credenciais primárias do poder.

Fórmula de Klein

 Massa crítica.
 Capacidade econômica.
 Capacidade militar.
 Concepção estratégica.
 Vontade e meios para execução da estratégica

Exemplo de hierarquização cratológica dos Estados: Guerra Fria.

Primeiro Mundo: mundo livre, ocidental, capitalista, liberal, associado ao EUA.

Segundo Mundo: bloco soviético, marxista-leninista, associado à URSS.

Terceiro Mundo: grupo de países que ainda não completaram seu ciclo industrializante.
Quarto Mundo: países com baixíssima qualidade de vida, hipossuficiência econômica,
índices de miserabilidade.

Essa divisão foi substituída com a queda do Muro de Berlim, passando a ser referencial
a dicotomia Norte-Sul, não necessariamente geográfica, mas da perspectiva da
qualidade de vida e índice de desenvolvimento social e humano. 

Ex.: Austrália e Nova Zelândia fazem parte do Norte global.

Importância da interdependência e conexões entre os países para definição de sua


hierarquia de poder na pirâmide cratológica.

Aula 6: Correntes das Relações Internacionais: Realismo

Introdução: corrente de primeira geração.

Teóricos: Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes, Sun Tzu, Tucídides, Cardeal Richelieu,
Otto von Bismarck, Hans Morgenthau, Raymond Aron.

Neorrealismo: Kenneth Waltz.

Palavras-chave: Sobrevivência, prestígio, ambição, luta, conquista, medo e domínio.

Premissas:

 O poder é o grande elemento de definição e o Estado deve buscar todos os meios


necessários para aumentar os seus meios de influência, sendo a guerra uma
possibilidade dentro do tabuleiro da política externa.
 Existência de uma anarquia no cenário internacional: necessidade do Estado.
 Individualismo metodológico: egolatria.
 Antropologia negativa: a natureza humana é má e perversa.
 Nacionalismo: patriotismo, ufanismo, defesa dos interesses do Estado.
 Militarismo: incentivo à defesa geoestratégica nacional.
 Armamentismo: proteção do território e dos recursos estatais.

Aula 7: Correntes das Relações Internacionais: Idealismo / Liberalismo

Teóricos: Immanuel Kant, Thomas More, Abade de Saint-Pierre, Hugo Grócio,


Woodrow Wilson, Joseph Nye, Robert Keohane.

Premissas:

 Elementos fundamentais: progressismo, cooperação, paz, razão humana e harmonia


coletiva.
 Antropologia negativa: a natureza humana é boa, altruísta, progressista.
 Pluralidade de atores internacionais: o Estado é apenas mais um deles.
 Ideal iluminista: valorização da liberdade individual.
 Necessidade de respeito ao Direito Internacional Público (pacta sunt servanda).
 Regras de conduta: ética e moral (ações humanitárias).
 Aproximação ao conceito atual do globalismo: cosmopolitismo e hospitalidade.
 Igualdade estatal: voz e voto.
 Rejeição à guerra e incentivo à resolução pacífica de controvérsias: arbitragem,
negociação bilateral, bons ofícios.
 Funcionalismo: importância dos organismos internacionais.