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NOTÍCIAS

22 novembro 2020 / Número 1487


Esta revista faz parte integrante do
Jornal de Notícias n.º 174/133 e não
pode ser vendida separadamente

Quando
a escola
vai ao hospital

magazine
Angústias e vitórias de
d professores que trocaram
t a sala de aula pela enfermaria

O GRITO
DE LIBERDADE
DO CABELO DAS
MULHERES
NEGRAS
Deseja residir e trabalhar
no Reino Unido a partir
de 1 de janeiro de 2021?
As regras para os cidadãos
da UE irão mudar

Terá de satisfazer ˉ˘˥˜Ѓˤ˨˘˦˘̻˘˟˘˚̿˩˘˟˘


determinados requisitos solicite online um visto antes
no âmbito do novo de entrar no Reino Unido.
sistema de imigração
com base em pontos Os cidadãos da UE elegíveis para o
do Reino Unido. estatuto ao abrigo do EU Settlement
Scheme não são afetados.

ˉ˘˥˜Ѓˤ˨˘˦˘̻˘˟˘˚̿˩˘˟ˡˢ˦˜˧˘ʭ
GOV.UK/MudarseparaoReinoUnido
alma-
ESPELHO
MEU Sara Dias Oliveira
POR
naque

LEONARDO NEGRÃO/GLOBAL IMAGENS

TÂNIA RIBAS VEJO BEM... ❶ O meu coração dita a minha vida:


o amor é a minha bandeira. Amo muito e sou mui-
pazes de tudo aquilo a que se propuserem. Fico
muito emocionada quando isso acontece.
DE OLIVEIRA to amada! ❷ Verdade: acima de tudo. A mentira
tem perna curta e nunca vale a pena. E a verdade
VEJO MAL... ❶ Sou exigente. Lido mal com a in-
competência e a falta de humildade. ❷ Vejo mal.
Apresentadora de televisão no olhar não tem preço. ❸ Sentido de humor. Preciso de óculos para ver ao longe e teimo em di-
44 anos Sempre fui a “palhaça” do meu grupo de amigos. zer que ainda não para ver ao perto, mas não sei
Gosto de viver em ambientes felizes e adoro ar- se é totalmente verdade. ❸ Não tenho jeito ne-
rancar gargalhadas e sorrisos. ❹ Saber relativizar. nhum para trabalhos que exijam minúcia e mui-
Aprendi a dar importância apenas àquilo que real- ta paciência. Sou pouco tolerante a erros de repe-
mente é importante. ❺ Fui educada a tratar bem tição. ❹ Sou uma mãe que dá liberdade, mas não
Tânia Ribas de Oliveira regressou às tardes da RTP todas as pessoas, tentando sempre ajudar os mais gosto que os meus filhos durmam fora de casa, é
com o programa “A Nossa Tarde.” Em direto, de se- frágeis. Passo esse ensinamento aos meus filhos: uma questão minha, mas não gosto mesmo. ❺ Sou
gunda a sexta. Foi fotografada nos estúdios da tele- alimento-lhes a autoestima e gosto que eles aju- chata, já me chamaram chata algumas vezes. Por
visão pública, em Lisboa. dem os amigos mais frágeis a sentirem que são ca- isso, é capaz de ser verdade.

Notícias Magazine 22.11.2020 3


sumário#1487
HISTÓRIA CARACÓIS,
DA SEMANA TRANÇADO,
CRESPO,
Na doença, NATURAL
uma janela de Padrões eurocêntri-
cos de beleza empur-
normalidade raram muitas mulhe-
res negras para uma
relação complexa
Os jornalistas Ana Tulha (texto) e com o cabelo. Mas,
Pedro Correia (fotos) conheceram como constatou a
a experiência de professores que jornalista Rita Neves
dão aulas no Hospital de Santa Costa, a maré está a
Maria, em Lisboa, e no Hospital de mudar. Fio a fio. P. 20
São João, no Porto. Os alunos são
internados de longa duração ou
pacientes que chegam nos primei-
ros anos de vida e só de lá saem
quase adultos. Aqui, as regras ESTILOS
normais entre docente e estudante
são voláteis, frágeis como a saúde O MELHOR BARULHINHO
que vai falhando. P. 14 OU O PIOR IRRITANTE
DOS MUNDOS Por mais subtis que certos
sons do quotidiano sejam,
há quem não os suporte. E
Para a maioria, a a reação adversa pode até
entrada em teletraba- ter manifestações físicas.
BRINCANDO lho com a pandemia foi Esta perturbação tem

AOS CLÁSSICOS uma estreia. Três


psicólogas ouvidas
nome: misofonia. E é expli-
cada, com o silêncio possí-
Jamie Cullum passou o confinamento pela jornalista Sara vel, pela jornalista Filomena
primaveril a congeminar uma obra Dias Oliveira analisam Abreu, ajudada por duas
natalícia. “The pianoman at consequências de oito psiquiatras e por um otorri-
FOTO: KABOOMPICS .COM FROM PEXELS

Christmas”, o resultado, é um disco


meses de uma reali- nolaringologista com pers-
que estava previsto apenas para 2021,
dade laboral e pessoal petivas distintas. P. 38
mas já cá canta, e com ambições de se
tornar uma tradição da quadra. Ao alternativa e projetam
jornalista Pedro Emanuel Santos, o o futuro. P. 34
músico britânico fala sobre canções,
família, Portugal, Joe Biden e redes
sociais. P. 26

magazine
NOTÍCIAS
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4 22.11.2020 Notícias Magazine


alma- OBJETO RAIO-X

naque POR Ana Tulha POR Pedro Emanuel Santos

AS NOVAS CARAS
DA CARTA
Vai deixar de ser obrigatório
andar com a carta de condução
em formato físico. Essa é uma das
alterações previstas na revisão
do Código da Estrada.

À MÃO DE SEMEAR IDAS À ESQUADRA


Além de um grafismo Se um automobilista
renovado, as cartas for parado por agentes
passarão a estar dispo- da autoridade que não
níveis numa aplicação estejam munidos de
de telemóvel. O mesmo aparelhos próprios
se passará com os res- para leitura digital, terá
tantes documentos do cinco dias para se des-
automóvel. locar à esquadra.

Até a Bíblia o consagrou


Considerado pela “Forbes”
uma das 20 ferramentas
mais importantes da história,
o anzol terá nascido há dezenas
de milhares de anos, numa ilha
tipo postal.
no Livro de Jó, do Antigo Testamento. Ora, com
tantos anos de existência não admira que o en-
genho humano tenha providenciado anzóis fei-
tos de quase todos os materiais. Além das con-
chas, também a madeira, os chifres de animais,
a pedra, o bronze, o ferro e até os ossos humanos
serviram como matéria-prima para a criação do
objeto. Muitas vezes, a solução passava mesmo
por uma junção de vários desses materiais.
10
ALTERAÇÕES DE FUNDO
ANOS SERÁ O NOVO PRAZO
MÁXIMO PARA A RENOVAÇÃO
DA CARTA DE CONDUÇÃO
APÓS TER CADUCADO,
AO CONTRÁRIO DOS CINCO
ANOS ATUAIS.

A nova carta de condução física vai passar


Historicamente, a ilha de Okinawa, no Japão, é Mas a história do anzol moderno começa verda- a contar com um código de barras bidimensional.
conhecida pela batalha homónima, considerada deiramente com a invenção do aço. A primeira A foto do condutor passará a estar no canto infe-
ainda hoje uma das maiores da História. Aconte- referência a anzóis feitos deste material surge rior direito e com um tamanho mais reduzido.
ceu nos derradeiros meses da Segunda Guerra num tratado de pesca publicado em Londres em
Mundial (abril a junho de 1945) e opôs america- 1496. Vê-los disponíveis em loja, e com verda- CADUCIDADE DIRETA
nos a japoneses, redundando numa premonitó- deira qualidade, foi outra história. Só aconteceu Outra das mudanças previstas passará por prever
ria vitória para os primeiros. Hoje, Okinawa será quase dois séculos depois, graças a um britânico a caducidade automática da carta de condução
mais facilmente identificável pelas imagens chamado Charles Kirby que, durante décadas, aquando do falecimento do titular, o que atual-
tipo postal que exibem praias paradisíacas a per- produziu os melhores anzóis do mercado. O mente não está contemplado.
der de vista e água tão cristalina que parece tin- “monopólio” só terminou quando a sua técnica
gida de céu. O que facilmente passa despercebi- se foi disseminando. Daí até ver os anzóis de
do a propósito desta ilha, com uma dimensão de Kirby – ou múltiplas cópias destes – exportados
1 200 quilómetros quadrados, é que nela foram para todo o Mundo foi um instante. Estima-se
descobertas as primeiras “amostras” de anzóis. que os ingleses tenham liderado a produção des- “A generalidade das alte-
Eram feitas de conchas de caracóis do mar e te- se objeto até ao final do século XX, altura em
rão sido criadas há nada menos do que 22 mil que terão sido ultrapassados pelos noruegueses. rações introduzidas (...)
anos. Outros exemplares quase tão antigos fo- Hoje, numa curiosa ironia histórica, uma grande não suscitam reservas na
ram entretanto descobertos em Timor-Leste, na parte da produção chega-nos diretamente do Ja-
Papua Nova Guiné e ao largo da costa do México. pão. Ah, falta dizer que em 2005 a “Forbes” con-
perspetiva da proteção
Se dúvidas houvesse quanto à antiguidade deste siderou o anzol uma das 20 ferramentas mais de dados pessoais”
objeto, que durante milhares de anos foi funda- importantes na história da Humanidade. “Pro- PARECER DA
mental para assegurar a sobrevivência da espé- vou ser um dos nossos instrumentos mais con- COMISSÃO
cie humana, a própria Bíblia poderia ajudar a dis- fiáveis. A pesca permite-nos comer sem o perigo NACIONAL DE
sipá-las. “Conseguiria içar um leviatã [alegado da caça nem o árduo trabalho da agricultura”, PROTEÇÃO DE
monstro marinho] com um anzol?”, pode ler-se justificou então a revista americana. ● m DADOS

6 22.11.2020 Notícias Magazine


PERFIL
POR Alexandra Tavares-Teles

Rita Valadas
Abrir caminhos
Filha de militar, foi aluna do
Instituto de Odivelas. Muito
organizada, gosta do verbo “rasgar”.
De “luz e de água”. Não prescinde
de um lápis. Aponta e guarda os
“pensamentos soltos”. Adora Coca-
-Cola e amendoins. Em 74 anos de
existência da Cáritas Portuguesa, é
a segunda mulher na cadeira da
presidência.

RITA ISABEL Deixa uma primeira impressão de pessoa afetiva, que ILUSTRAÇÃO:
MAFALDA NEVES
MORAIS TOMAZ gosta de ouvir. “Sou melhor ouvinte do que falante”,
VALADAS reforça. As notas escolares permitiam a entrada em
PEREIRA qualquer curso, mas Rita Valadas seguiu o chamamen-
MARQUES to do serviço social, “espécie de sociologia aplicada,
com o objetivo de melhorar a vida das pessoas, inter-
Cargo vindo no indivíduo, no grupo e na comunidade”. É,
Presidente da portanto, uma “mulher do terreno”.
Cáritas Portuguesa O primeiro trabalho, no início dos anos 1980, levou a
Nascimento recém-formada à península de Setúbal, epicentro de uma
26/02/1963 crise severa que levou a classe média à pobreza. Daí, se-
(57 anos) guiu para a Misericórdia de Lisboa e para um novo proje-
Nacionalidade to, dedicado à transformação da zona de Chelas, tempos
Portuguesa de “aprendizagem fantástica”.
(Lisboa) Vocacionada para “melhorar a vida das pessoas”, é aves-
sa, porém, à política partidária. “Afugenta-me”, diz. Por
isso, quando foi convidada para integrar gabinetes mi-
nisteriais, como técnica, respondeu “nem pensar”, de-
cisão que a conselho amigo tomaria. A conselheira cha-
ma-se Paula Guimarães. Levam 30 anos de amizade. “Se
recusarmos esses desafios, não podemos depois recla-
mar”, disse-lhe na altura.
“Na área da ação social, concretamente na área da ação
social da igreja, sente-se um peixe na água”, começa por
referir António Bagão Félix. O antigo ministro do Em-
prego e da Segurança Social contou com o apoio técnico do entardecer. Nada diariamente. Não deixa pendentes
de Rita Valadas. “É discreta, não reivindica protagonis- para o dia seguinte. Filha de militar, foi aluna do Instituto
mo e quer saber sempre mais”, características que con- de Odivelas. Aí completou o 12.º ano, aí aprendeu, realça,
sidera fundamentais numa profissão que exige mundi- “o valor e o exercício da amizade”.A tomar conta de si.Ado-
vidência. lescente “serena”, estudante muito aplicada e participan-
Teresa Caeiro, ex-secretária de Estado da Segurança So- te ativa nas festas de garagem organizadas pelo irmão gé-
cial, salienta “a generosidade”. A capacidade de trabalho. meo nos fins de semana, recorda a “educação completa”
“A Rita chega a tudo. Trabalha em várias coisas ao mesmo que incluía “costura, bordados e caligrafia”. Não que apre-
tempo, sempre com grande capacidade mobilizadora.” cie lavores. “Mas gosto de cozinha.” Ainda que lá em casa
Paula Guimarães repisa esse aspeto da personalidade da todos pratiquem, sobretudo os dois filhos, os dotes de Ri-
amiga: “Empodera os que a rodeiam. De tal maneira que ta são apreciados. Tem por palavra-chave “rasgar, no sen-
sentimos que vale a pena estarmos ao lado dela”. Lembra tido de abrir”, explica. Gosta de avaliar contraditórios, o
uma técnica “que foge à visão caritativa e assistencialista que está visível e o que está escondido. Não prescinde de
da intervenção social”. Uma amiga “sempre atenta e dis- um lápis. Aponta e guarda os “pensamentos soltos”. Pe-
ponível a qualquer hora”. Trabalharam juntas na Miseri- cados? Coca-Cola – “durante anos foi o meu pequeno-
córdia. “A Rita foi a única dirigente que pintou o gabine- -almoço” – e amendoins ao serão. A nova presidente da
te. E a única que levava o filho bebé, tantas vezes deitado Cáritas Portuguesa conhece os cantos à casa, mas nem
em cima da secretária.” por isso esperava o convite. “Habituei-me a pensar que
Usa o silêncio para se ouvir melhor e aos outros. “O silên- era lugar para um homem.” Em 74 anos da instituição, é
cio restaura-me.” Gosta de “luz e água”. Da madrugada e a segunda mulher na cadeira da presidência. ● m

Notícias Magazine 22.11.2020 7


alma-
naque
AS HISTÓRIAS A CULTURA
DOS DIAS Por
POR Filomena Abreu Richard
Zimler
Escolhas
do escritor

POLÓNIA CAI DE BICICLETA 143 GLÓRIA E


SIMPLICIDADE
E ENCONTRA MOEDAS RARAS
horas debaixo
de água é o
novo registo no
livro do Guin-
ness. Saddam
por instinto, percebendo que iria cair, o Al-Kilany, um
polaco tentou amortecer o impacto com as egípcio de 29 YIDDISH
mãos. Quando já estava estendido no chão, anos, queria GLORY
olhou para uma das mãos e percebeu que chegar às 150
tinha raspado em algo mais do que terra. horas. Mesmo Considero o etnomusicólogo russo-judaico
Havia dezenas de moedas antigas ao seu lado. não tendo Moisei Beregovsky um herói. Porquê? Ele cole-
Depois de piscar os olhos, na tentativa de conseguido, cionou centenas de canções judaicas durante as
perceber se estava a imaginar, Boguslaw superou o décadas de 1930 e 1940, a maioria cantada em
apanhou perto de 60 moedas e levou-as ao antigo recorde iídiche, a língua dos judeus da Europa Oriental
gabinete de conservação regional. No dia por uma hora. (e dos meus avós!). Foi enviado para um Gulag
seguinte, o homem voltou ao local da queda durante uma campanha antissemita ordenada

100
com um detetor de metais e achou mais 13. por Stalin e pensava-se que as suas gravações
No total, foram localizadas 86 moedas, todas em cilindros de cera tinham sido perdidas.
do reinado de João II Casimiro Vasa, rei da Foram encontrados na década de 1990, no
Boguslaw Ruminski saiu de casa, na vila de Polónia e Grão-Duque da Lituânia entre 1648 entanto, e “Yiddish glory” inclui 18 das
Jezuicka Struga, Polónia, logo de manhã, e 1668. Agora, o Ministério da Cultura e do canções que ele catalogou. É uma obra-prima.
pronto para cumprir a rotina: apanhar Património Nacional da Polónia deve
cogumelos. Era um dia normal. Enquanto recompensar Boguslaw por ter notificado as
pedalava para chegar ao local onde sabia que autoridades competentes, em vez de tentar caixões huma-
existiam os melhores, a bicicleta derrapou e obter algum lucro com os artefactos. nos selados e
40 estátuas
foram encon- L’ I N C R O Y A B L E
trados no local HISTOIRE DU
AUSTRÁLIA arqueológico
FACTEUR CHEVAL
de Saqqara, no

Um rato cozido na sande Egito. Os arte-


factos, todos
Ferdinand Cheval (1836-1924) foi um carteiro
francês que passou 33 anos a construir o seu

da cafetaria do hospital muito bem


preservados,
foram sepulta-
“palácio ideal” em Châteauneuf-de-Galaure,
na região de Drôme. Inteiramente construído
de pedras que encontrou perto de sua casa, o
dos há mais de gigantesco palácio é decorado com esculturas
Um funcionário do hospital de Queensland, momento que separou as duas metades do 2500 anos. de animais, fadas e seres mitológicos. Recente-
em Toowoomba, Austrália, teve uma pão para ver o que estava entre elas e o que mente vi o filme [de Nils Tavernier ] baseado na
surpresa de revirar o estômago durante a encontrou deu-lhe vómitos: um rato cozido. sua vida e fiquei muito comovido. O ator prin-
hora de almoço. Na Wellbean, a cafetaria da
unidade hospitalar, pediu uma sanduíche.
Após algumas trincas achou que algo não
estava bem com o sabor e a textura. Foi nesse
Depois de se recompor do susto, tirou uma
fotografia e alertou os funcionários da
cafetaria, que prontamente se desculparam.
Na imagem, é possível ver a cauda do animal
22,5
milhões de
cipal – Jacques Gamblin – é genial.

a sair pela parte de baixo da fatia de pão, o euros foi o valor


corpo cozido no meio e a sande já mordida pelo qual a
pelo cliente. O Serviço de Saúde de Darling leiloeira T H E F R I E N D LY
Downs, administrador do hospital, apressou- Sotheby’s PERSUASION
-se a fazer uma declaração retratando-se pelo vendeu, na
episódio. “Levamos esse incidente muito a Suíça, um Estou fascinado pelos Quakers, um grupo reli-
sério, sendo a nossa maior prioridade a saúde diamante russo gioso conhecido pela defesa do pacifismo e da
e a segurança de nossa comunidade, conhecido por simplicidade, rejeitando qualquer organização
pacientes e funcionários”, disse um porta- “O Espírito da clerical. Nos séculos XVIII e XIX, arriscaram as
-voz da empresa ao jornal local “Toowoomba Rosa”. Com suas vidas para organizar campanhas para abolir
Chronicle”. Segundo o Serviço de Saúde, 14,83 quilates, a escravatura nos EUA. “The friendly persua-
a Wellbean garantiu que cumpria todas é o maior sion” é um romance [de Jessamyn West] sobre
as normas alimentares e de higiene e que diamante um casal Quaker. Decorre no estado de Indiana
medidas de inspeção sanitária adicionais dessa cor a ser na década de 1860, logo a seguir à Guerra Civil.
foram tomadas. Assim, a cafetaria foi leiloado. É magnificamente escrito e as personagens são
autorizada a voltar a abrir portas. apresentadas com uma compreensão rara.

8 22.11.2020 Notícias Magazine


25 DE NOVEMBRO’20 PRAÇA DA LIBERDADE SETÚBAL
ciclo de conferências

A
A SSIS T
E TO
EM DIR T
P
E M JN.

QUE REGIONALIZAÇÃO
QUEREMOS?

10H00 SESSÃO DE ABERTURA


Domingos de Andrade, Administrador e Diretor-Geral Editorial do Global Media Group
Maria das Dores Meira, Presidente da Câmara Municipal de Setúbal
10H30 1º P A I N E L : H Á O U N Ã O C O N D I Ç Õ E S P O L Í T I C A S P A R A F A Z E R A R E G I O N A L I Z A Ç Ã O ?
Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto
Moderador Rafael Barbosa, Chefe de Redação do Jornal de Notícias
11H00 2 º PA INEL : A DE SC E N T R A L IZ AÇ ÃO E A REGION A L IZ AÇ ÃO N A Á RE A DA E DUC AÇ ÃO
Isaltino Morais, Presidente da Câmara Municipal de Oeiras
Moderadora Alexandra Figueira, Jornalista do Jornal de Notícias
11H30 3 º P A I N E L : Q U E M O D E L O D E F I N A N C I A M E N T O P A R A A S F U T U R A S R E G I Õ E S A D M I N I S T R AT I VA S ?
Bernardino Soares, Presidente da Câmara Municipal de Loures
Moderador Rafael Barbosa, Chefe de Redação do Jornal de Notícias
12H00 4 º PA I N E L : A S P R O P O S TA S D A C O M I S S Ã O I N D E P E N D E N T E PA R A A D E S C E N T R A L I Z A Ç Ã O
João Cravinho, Ex-presidente da Comissão Independente para a Descentralização
Moderadora Alexandra Figueira, Jornalista do Jornal de Notícias
12H30 ALMOÇO

14H00 5 º PA INEL : QUE DE SC E N T R A L IZ AÇ ÃO QUE R E MOS?


Representantes dos grupos parlamentares representados na Assembleia da República
Moderador Rafael Barbosa, Chefe de Redação do Jornal de Notícias
15H30 PAUS A

16H00 6 º PA I N E L : A D E S C E N T R A L I Z A Ç Ã O E A R E G IO N A L I Z A Ç Ã O N A Á R E A D A H A B I TA Ç Ã O
Carlos Rabaçal, Vereador da Câmara Municipal de Setúbal
Moderadora Alexandra Figueira, Jornalista do Jornal de Notícias
16H30 7 º PA INEL : DE SC E N T R A L IZ AÇ ÃO OU REGION A L IZ AÇ ÃO? QUA L É O ME L HOR C A MINHO?
Eduardo Vítor Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia
Moderador Rafael Barbosa, Chefe de Redação do Jornal de Notícias
17H00 ENCERRAMENTO
Maria das Dores Meira, Presidente da Câmara Municipal de Setúbal
alma- Susana Romana
naque Partida, Largada, Fugida

1 2 3

Ora cá estamos, não é? Mais um fim de No fim de semana passado existi-


semana de confinamento. Acordaram às ram algumas festas desmantela-
cinco da manhã para irem para a fila do das pela GNR, nomeadamente
hipermercado? Não vos fosse faltar um dois casamentos no Algarve.
básico como leite, fruta, queijo Brie, pipo- Adoro pessoas que fazem casa- Tal como no fim de semana anterior,
cas de micro-ondas, tigela de plástico da mentos em plena pandemia. também neste os restaurantes vão fechar a
Patrulha Pata, creme exfoliante para pés Resolvem logo aquela questão de partir das 13 horas. Dramático para o setor,
cansados ou uma máquina de waffles em decidir que miminho dão os bem sei. Tal como é dramático o aproveita-
forma da cabeça da Hello Kitty? O Governo noivos aos convidados como recor- mento do Chega a esta questão, porque
não nos pode impedir de passar o domingo dação: vai tudo corrido a um covid não se iludam: o couvert deles é para pagar
sem os nossos bens essenciais e inadiáveis! bem fofinho e memorável. mais à frente, e bem caro.

5 4

E o milagre sueco, afinal, não vai coincidir com o Ventura tem vindo defender muito o setor,
milagre do Natal. Tido por alguns como o enquanto continua a queixar-se do RSI pago
melhor exemplo mundial de como a membros
mem da comunidade cigana, sem apre-
lidar com a covid (no clássico “vou sen provas concretas de falcatruas. Não
se
sentar
ignorar até desaparecer”, que é o que see iludam, profissionais
p da restauração:
eu faço com as birras do meu filho), a ele no fundo só defende aque-
Suécia está agora a restringir aglomera- l estabelecimentos que
les
ções. A situação é considerada pelas auto- m
metem sapos de porcelana
ridades de saúde como “extremamente medonhos
m junto à porta.
grave”. Mas, se perguntarem a um derma-
tologista dos Médicos Pela Verdade, ele
garante que está tudo bem. A DGS de lá que A vacina anunciada nesta
lhe ligue que ele viu uma cena no YouTube. semana foi a da Moderna
(não, não a da Univer-
sidade que faliu
6 com estrondo,
podem respirar
fundo), que
tem uma
Por cá, mesmo com as notícias de vacinas, Costa fez ques- eficácia perto
tão de lembrar que há luz ao fundo do túnel, mas “não sabe-
7 dos 95% e cujos
mos o tamanho do túnel”. Tendo em conta o historial de efeitos secundá-
obras públicas neste país, de certeza que as obras do túnel vão rios são descritos
demorar e que há um primo empreiteiro metido ao barulho. como uma sensação
de ressaca. Eu sabia
Um dos dados curiosos sobre a vacina da Moderna é que que a Susana dos 21
uma das responsáveis pelo seu desenvolvimento foi a Dolly lly
ll aos 30 anos que se
Parton. Sim, a cantora. A artista country doou um milhão estragava nos bares
de dólares para ajudar a investigação. do Cais Sodré o fazia
E nós aqui a Adelaide Ferreira nem só por motivos de
cinco euros para a Agência saúde, para se preparar
Europeia do Medicamento. para uma pandemia.
Prefiro uma ressaca de
vacina a sequer ousar beber
8 Gold Strike outra vez.

10 22.11.2020 Notícias Magazine


Cidadania Impura
Valter Hugo Mãe
Por

O livro que Cristina Ferreira publica agora não é protesto de desespero,


é pedagogia. Que se coloque como elemento de estudo para o grotesco
exercício do ódio que grassa por aí é de valor inestimável.

Apenas Cristiano Ronaldo será, de entre os portu- o ódio, manifesto puro do descontrolo.
gueses, mais seguido nas redes sociais do que Cristi- Julgo importante que se discuta o novíssimo livro
na Ferreira. Contudo, quero crer que de entre os por- de Cristina Ferreira com solenidade. Habituados que
tugueses ninguém como Cristina Ferreira estará su- estamos a vê-la no ofício do entretenimento, talvez
jeito a um maior e mais vil escrutínio. O mundo não esperemos que interfira em assuntos mais frac-
sabe muito pouco aceitar que uma mulher possa de- turantes e urgentes que não se coloquem enquanto
ter o poder, algum poder, e que se coloque como ine- modos de divertir ou de informar com ligeireza. A
vitável num jogo onde são esperados os homens e questão da agressão impune nas redes é fulcral para a
desculpadas apenas as mulheres que parecem pagar maturação da sociedade, apanhada em pruridos pelo
caro. O insulto constante, a agressão covarde nas re- desafio de manter a internet livre e esperar que os
des é a tentativa de cobrar esse preço que radica na seus utilizadores, só por bondade, a saibam erguer
frustração íntima dos que já não sabem mais do que com ética e cuidado. Não vai acontecer. A internet,
como em todas as dimensões do humano, terá de se

CRISTINA FERREIRA
submeter à conquista gloriosa do Direito, validada
apenas pela essencial legalidade.
Tem existido um pudor inexplicável para com a ne-
cessidade de fazer operar no foro da internet os prin-
cípios de legalidade perfeitamente assumidos nas de-
mais dimensões sociais. Como se o insulto fosse ine-
quivocamente um crime quando proferido num jor-
nal mas se tornasse liberdade de expressão no Face-
book ou no Instagram. Não há um sentido concreto
num pensamento assim. A ânsia para que em algum
reduto estejamos como sem polícia não pode resultar
na circunscrição de espaços de impunidade. O crime
pode ter gradação mas jamais pode deixar de o ser de-
pois de consumado.
O livro que Cristina Ferreira publica agora não é
protesto de desespero, é pedagogia. Que se coloque
como elemento de estudo para o grotesco exercício
do ódio que grassa por aí é de valor inestimável, por-
que estamos todos aquém da robustez que a apresen-
tadora precisa de ter para seguir focada em seu traba-
lho, seus objectivos, seu bem-estar, sua já tão parca
intimidade.
Importa-nos a todos, porque estamos expostos,
porque vemos expostos nossos filhos e sobrinhos,
aqui e ali atacados por assumirem alguma vulnerabi-
lidade, alguma hesitação perante os pensamentos
maioritários, alguma diferença que os possa fazer
menos inteligíveis ou semelhantes. O esforço para
que se crie uma consciência para o uso ético das redes
e de todo o potencial da internet é fundamental para
o futuro. Dependeremos cada vez mais do retorno
que recebemos deste modo e não há como estruturar
cidadãos equilibrados em sua auto-estima se não
houvermos de lhes garantir que, sob pretexto algum,
se normalizará e aceitará que o crime da agressão psi-
cológica, da ofensa e da difamação perdure.

O AUTOR ESCREVE DE ACORDO COM A ANTERIOR ORTOGRAFIA.

Notícias Magazine 22.11.2020 11


alma-
naque
A SEMANA
QUE VEM


POR Filomena Abreu

SEGUNDA-FEIRA
OS ROSTOS
Políticas educativas
An Rocha de Sousa
Ana
Re
Realizadora
em discussão virtual


“Listen”, a primeira
longa-metragem de Começa o “Fórum Global – Educação Conectada”,
ficção da também um evento de dois dias, inteiramente virtual, que
atriz, foi a mais votada juntará em sessões online governantes europeus e
pela Academia Portu- latino-americanos com a Comissão Europeia, para TERÇA-FEIRA
guesa de Cinema, discutir políticas educativas e formas de ultrapas-
tornando-se o candi- sar as dificuldades criadas pela covid-19 nesta área. Reabilitação Urbana
Além de abordada a adaptação do ensino europeu à
dato nacional aos
Oscars 2021, na cate- era digital, será promovida uma reflexão para mobi- do Porto e audição de ex-
goria de Melhor Filme lizar recursos e encontrar
O ministro da Educa-
-administrador da Doyen
Internacional. soluções para o ensino à ção, Tiago Brandão Ro-
distância. As inscrições drigues, participa na
Luc
Lucília Gago devem ser feitas no site da sessão “Educação pú- Arranca a 8.ª Semana O programa do evento inte-
Pro
Procuradora-geral Virtual Educa, promotora blica: o motor da mu- de Reabilitação Urbana gra um vasto leque de for-
da República
R do evento. dança em Portugal” do Porto, em formato matos, desde sessões ple-
nárias a formações e a
A nova diretiva reforça online, com os Paços apresentações técnicas ou
o poder das hierar- do Concelho como visitas a stands interativos
quias na intromissão cenário. Durante três
dos processos que dias, 90 oradores participam em 15 sessões onde se
tenham, ou possam vir debatem propostas para a cidade, como é o caso do
a ter, impacto mediá- novo Plano Diretor Municipal do Porto. Nesta data
tico. A possível “inter- é também retomada a audição de Nélio Lucas (na
ferência política na foto), ex-administrador da Doyen Sports, e uma
investigação criminal” das testemunhas-chave do processo no qual está a
está a causar mal- ser julgado Rui Pinto, por alegada divulgação de
-estar. documentos confidenciais do mundo do futebol e
alegados esquemas de evasão fiscal através da
Lewis Hamilton plataforma “Football Leaks”.
Piloto de Fórmula 1
O britânico, de 35 anos,
venceu o Grande
TESTES PARA ENTRAR EM QUARTA-FEIRA
ESPANHA E A ÁRVORE DO ANO
Prémio da Turquia, em
Istambul, e sagrou-se
ENFERMEIROS “DE LUTO”
FAZEM MINUTO DE SILÊNCIO
campeão mundial pela
sétima vez. O piloto da
Mercedes igualou o Espanha passa a exigir a votação para eleger a ár-
recorde do alemão um teste negativo de vore nacional que vai re-
Michael Schumacher. PCR a todos os viajantes presentar Portugal no A Federação Nacional dos
de países de risco, Portu- concurso europeu “Tree
gal incluído, que che- of the Year 2021”. Sindicatos dos Enfermeiros
guem a um aeroporto ou
a um porto do país. O tes- O “Tulipeiro da Virgínia”, está “de luto” e propõe um
localizado no jardim do
te terá que ser feito até 72
horas antes da chegada.
Museu dos Biscainhos, minuto de silêncio às 15
em Braga, é uma das
Na mesma data, termina árvores finalistas horas. A iniciativa tem
como objetivo reivindicar
“TEMOS DE ALCANÇAR A HARMONIA “o descongelamento das
ENTRE O HOMEM E A NATUREZA” progressões”, segundo “as


Xi Jinping regras aplicáveis à carreira
Presidente da China, o país que mais polui no
Mundo, defendendo o Acordo de Paris sobre o especial de enfermagem”.
clima e prometendo que a nação se empenhará
na recuperação da crise económica provocada
pela pandemia.

12 22.11.2020 Notícias Magazine


5ª QUINTA-FEIRA
S
Desafio cultural
em Lisboa e obras
SÁBADO


que pensam a reforma
SEXTA-FEIRA Durante este fim de semana, fique a par
das histórias do Palácio Valle Flôr, em
Alcântara, através de uma visita com
audioguia, seguida de um passeio até à
O CONGRESSO DO PCP EM LOURES capela de Santo Amaro, para conhecer
o interior e subir à cúpula. Deste desafio
E OS “OSCARS” DO TURISMO cultural, organizado pela Lisbon Week,
consta ainda uma aula com a arquiteta e
Arranca o XXI congres- O congresso está enqua- artista Fernanda Lamelas sobre ilustra-
so nacional do PCP. No drado como “direito políti- ção em aguarela. Ainda na capital, até 5
encontro comunista, co” e pode realizar-se por de dezembro, também tem a oportuni-
estar previsto no decreto
que terá lugar no Pavi- do estado de emergência
dade de ver a exposição coletiva “Reality
Votação final do OE lhão Paz e Amizade,
em Loures, até sábado Moscovo, e ao fim de
Check: Life After Retirement”, no
Espaço Espelho d’Água, em Belém.
e Amália no CCB (28), e devido à pande-
mia, apenas vão mar-
três anos consecutivos
a trazer para casa a taça
A mostra de artes visuais apresenta
15 obras de jovens artistas desafiados
car presença 600 dele- de melhor destino do a pensar na
A visita, que tem
Decorre a votação final global do Orçamento do gados, metade dos que Mundo, Portugal fica a reforma, abrindo,
duração de hora e
Estado para 2021. A proposta do Governo foi apro- estiveram na última saber se volta a brilhar assim, espaço para meia, pode ser fei-
vada na generalidade com votos a favor do PS, reunião, há quatro nos “Oscars” do Turis- novas abordagens ta entre as 11 e as
abstenções de PCP, PAN e PEV e votos contra de anos. Também não ha- mo. Este ano, o país ao tema. A entrada 13 horas e custa
PSD, BE, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal. Pelas verá convidados nacio- está nomeado em 71 é gratuita. dez euros
19 horas, o realizador João Botelho faz subir ao palco nais e estrangeiros, as- categorias, mais cinco
o espetáculo “Amália - A Voz Maior do que o Fado”, segurou o partido. Ao do que em 2019, apesar
no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Camané, segundo dia (sexta, da pandemia. Melhor DOMINGO
Ricardo Ribeiro, Luz 27), o secretário-geral destino, melhor hotel,
Casal, Mário Laginha,
entre outros, juntam-se
A voz de Amália vai ou-
vir-se cinco vezes, ao
é escolhido por voto
secreto, pelo comité
melhor atração turísti-
ca e melhor compa-
EMERGENTE SERÁ ONLINE
para homenagear a
fadista no centenário do
longo do espetáculo.
“Barco Negro” e “Com
Que Voz” são dois dos
central. Jerónimo de
Sousa deverá conti-
nhia aérea são algumas
das nomeações nos
E NICOLINAS NAS VARANDAS
seu nascimento. fados escolhidos nuar no cargo. Em World Travel Awards. Às 16 horas, o Cineteatro Capitólio, em
Lisboa, transmite em direto a 2.ª edição
do Festival Emergente, para apoiar os
A BLACK FRIDAY jovens talentos nacionais. Entre as
bandas estão Dream People, Hause
QUE SE Plants, Cri The Coeur, Fungue e Cíntia,

ESTENDE
Lana Gaspar tti e Rui Rosa. Em Guima-
rães, a organização das Festas Nicolinas

POR UM MÊS cancelou o cortejo do Pinheiro


e lançou um forte apelo
para que se festeje,
Chegou a “Black Fri- tocando caixa e
day”, mas este ano bombo, nas
as regras foram varandas de cada
adaptadas aos novos casa. O pregão e
tempos. Os descon- as danças são
tos do dia foram alar- feitos online.
gados para todo o
mês e as trocas po-
dem ser feitas até ja-
neiro. Soluções para
mitigar os estragos
que a pandemia im-
primiu no comércio.

Notícias Magazine 22.11.2020 13


14 22.11.2020 Notícias Magazine
ENSINAR A Ser professor num hospital é
bem mais do que dar aulas. É

ESPERANÇA NO gerir emoções e conseguir ler os


momentos. É lidar com o ines-
LUGAR ONDE perado e perceber que, dentro
daquelas paredes, as regras que
A SAÚDE FALHA norteiam a normal relação entre
um docente e um aluno são pura
ilusão. É saber que, em última
instância, só importa proporcio-
nar uma janela de normalidade,
um refúgio feliz onde a doença
não entra. As angústias e as vitó-
rias de cinco professores que es-
colheram trocar a convencional
sala de aula pelo trabalho numa
unidade hospitalar.

TEXTOAna Tulha
FOTOGRAFIA Pedro Correia/Global Imagens

M
argarida (chamemos-lhe assim, como a per-
sonagem da série que é companhia e ampa-
ro de longos dias no hospital), nove anos,
conhece os cantos à casa como poucos. So-
fre de paralisia cerebral e síndrome do in-
testino curto e desde bebé que os interna-
mentos prolongados na ala pediátrica do
Centro Hospitalar de São João, no Porto, lhe
levam a normalidade a que a infância devia
obrigar. Parece em casa, ainda assim. Sabe
os nomes de todos os médicos e enfermei-
ros que ali trabalham. Auxiliares também.
Gosta de ajudar. A fazer as camas, a organi-
zar as fraldas. Foi assim que aprendeu a con-
tar. Foi também ali que aprendeu a brincar. “Esta boneca tem de ir
para as urgências”, dizia. Quis ser médica, pois. Agora não. O moti-
vo é mais do que válido: “Não quero ter de picar os meninos”. Pre-
fere ser informática. Adora estar no computador. Ver vídeos ou a sé-
tima temporada da série Morangos com Açúcar – a tal em que bri-
lha a personagem Margarida –, ouvir música, escrever, jogar. “Gos-
to do Pacman.”
Margarida, a da vida real, está sentada com a professora Maria Jo-
sé, debruçada sobre uma baixinha mesa azul da sala da pediatria.
Puxo bem preso no cimo da cabeça, óculos de massa, semblante ora
traquina ora desconfiado, vai comendo um iogurte enquanto se
Lara Leitão aproveita as prepara para o teste de Português. “Tens tudo o que é preciso?”, per-
idas quinzenais aos gunta-lhe a docente, vestida com uma bata cor de vinho. Ela con-
tratamentos para rever a firma: lápis, borracha, caneta. Tem tudo. Maria José ainda recebe
matéria da escola com os uma breve chamada da professora de Margarida. Antes, que é como
professores do hospital quem diz antes de a covid chegar e virar tudo do avesso, ia à escola

Notícias Magazine 22.11.2020 15


ENSINAR A ESPERANÇA NO LUGAR ONDE A SAÚDE FALHA

primeiro ciclo há 19, chegou dois anos depois. Entre eles, vão dis-
tribuindo os alunos como podem, muitas vezes à custa de um gran-
de trabalho autodidata. Marta trabalha com os do primeiro e se-
gundo ciclos, Nuno com os do terceiro ciclo e secundário, Maria Jo-
sé dedica-se aos meninos da educação especial. Chegaram com mo-
tivações distintas – Maria José e Marta queriam uma experiência
diferente, Nuno um trabalho mais estável –, mas foi o mesmo mo-
tivo que os fez ficar: as relações inevitavelmente mais próximas
que se vão criando. “Há uma envolvência emocional muito gran-
de, tanto na relação com os jovens como com a família. Muitas ve-
zes os pais também precisam de ser ouvidos”, aponta Maria José.
Sobretudo quando estão em causa internamentos prolongados ou
pacientes que chegam ao hospital nos primeiros tempos de vida e
por lá continuam durante largos anos.
É o caso de Lara Leitão, 13 anos, atualmente a frequentar o 8.º
ano. Sofre de doença metabólica e é acompanhada no São João des-
de os dois anos. Atualmente, vem de 15 em 15 dias, às quartas-fei-
ras de manhã, para fazer tratamentos. Mas graças aos professores
do hospital nunca são horas perdidas. “Ajudam-me a perceber aqui-
lo em que tiver dúvidas, a rever a matéria. Assim aproveito o tem-
po que estou aqui e até passa mais depressa.” Está sentada num
grande cadeirão castanho, a fazer medicação intravenosa, másca-
ra bem rente à boca, a avó ali ao lado, amparo certo para o que der e
vier. Até ao 6.º ano, Lara trabalhou sempre com a professora Mar-
ta. Agora, é acompanhada pelo professor Nuno. Mas a relação fica.
“Vamos falando sempre por mensagens”, explica a docente. Tan-
to que Marta até sabe que hoje Lara tem teste de Francês. E que,
apesar de ter a matéria na ponta da língua, está feita uma pilha de
nervos. “É uma miúda muito empenhada, mas muito ansiosa. De-
via confiar mais nela”, diz, num raspanete ternurento. Lara sorri,
comprometida, a dar-lhe razão sem dizer que sim. Quando crescer,
quer ser gestora. Adora Matemática, Francês, Geografia. Tem qua-
tros e cincos, mas “quer sempre ser melhor”, assegura a avó. E a
doença está longe de ser um impedimento.

PROFESSORES QUE SÃO PSICÓLOGOS


Ser professor em contexto hospitalar é saber que não é sempre as-
sim. Que a disposição nem sempre é a melhor. Que os miúdos nem
sempre estão para aí virados. É lidar com o inesperado. Saber ler os
momentos, respeitá-los também. É perceber que, dentro daque-
las quatro paredes, as regras que norteiam a normal relação entre
professor e aluno são voláteis, frágeis como a saúde que vai falhan-
do. Que no fim de contas importa só que as aulas que dão sejam uma
dose de ânimo, pedaço de esperança no futuro que há de vir, pro-
messa de fuga à dureza da doença. “Temos de ser muitas vezes psi-
cólogos. Tenho crescido muito enquanto pessoa e gestora de emo-
ções”, resume Marta.
O trabalho feito diariamente na oncologia pediátrica é um bom
exemplo disso. Beatriz, dez anos, olhar penetrante, máscara rosa
e passava parte do dia numa instituição. Só à noite ia para o hospi- M “Margarida” conhece a claro a condizer com a camisola, vai cumprindo mais um tratamen-
tal, para fazer tratamentos. Agora, por ter um sistema imunitário ala pediátrica do Hospital to de quimioterapia, mas nem por isso se esquiva a uma aula de In-
débil e andar um vírus à solta, está a tempo inteiro no hospital. Des- de São João como glês com a professora Marta. Debruçadas sobre uma larga mesa re-
de 19 de março. Por isso, todos os dias Maria José reserva umas ho- ninguém. Foi lá que donda da sala comum, vão olhando o tablet, Beatriz a tentar resol-
ras para lhe ensinar a matéria do 4.º ano. Os testes são feitos ali, na- aprendeu a brincar ver os exercícios de vocabulário, Marta a ajudar sempre que é pre-
quelas mesas baixinhas, e posteriormente enviados à professora e a contar ciso. “Cat”, “dog”, “fish”, “spider”, diz a pequena, a provar o em-
da escola para que os possa corrigir. Volta e meia, também fazem penho. “Inglês é a minha disciplina preferida”, alegra-se. Chegou
videochamadas, para Margarida rever os colegas e se sentir entur- ao serviço de oncologia do São João há mais de dois anos, com um
mada, mesmo à distância. O rosto denuncia-lhe algum enfado ain- sarcoma de Ewing. Fez cirurgia, quimioterapia, radioterapia. E por
da assim. Já lá vão oito meses de recolhimento hospitalar. Vão-lhe fim a doença entrou em remissão. Mas, em dezembro do ano pas-
valendo a Matemática, de que tanto gosta – “já aprendi até à tabua- sado, o problema voltou. Os tratamentos também. Há quase um
da do sete”, orgulha-se –, e este pedaço de escola que a professora ano que não vai à escola. Restam-lhe as horas que passa com a pro-
do hospital faz questão de lhe levar diariamente. fessora Marta. “Gosto de aprender. É fixe. É a melhor parte de es-
Maria José, 57 anos, 35 deles como professora de ensino especial, tar aqui. E sou boa aluna”, conta, bem-disposta.
é uma de três docentes colocados em regime de mobilidade esta- Maria Conceição (“Maria só”, como ela costuma dizer, brinca a
tutária no Hospital de São João. Chegou logo em 2014, quando o mãe, Salomé), seis anos, fato de treino preto com estampado tigre-
serviço arrancou. Nuno Rodrigues, 45 anos, formado em Educação sa e canadianas ali à mão para a ajudar a movimentar-se, não quer
Física, professor há 21, também. Marta Morais, 41 anos, docente do conversa connosco. Mas presta grande atenção ao que Marta lhe

16 22.11.2020 Notícias Magazine


vai ensinando. “Gosta mais de fazer os exercícios com a professo- pequenas vitórias dos catraios que acompanham também. “Temos
ra do que comigo”, partilha Salomé. Há três anos, também Maria aqui imensos miúdos que são quadro de honra. Isso para nós é uma
recebeu um diagnóstico de sarcoma de Ewing. Recuperou, passou satisfação imensa. Muitos deles vão continuando a dizer-nos as no-
oito meses livre de tratamentos, mas as más notícias regressaram. tas, mesmo depois de deixarmos de os acompanhar”, salienta Mar-
Agora vai alternando entre os internamentos e os tratamentos de ta. Por vezes, o contacto mantém-se quando os jovens debilitados
ambulatório. Chegou a frequentar o ensino pré-escolar, mas a co- que acompanharam no hospital se transformam em adultos bem-
vid impediu-a definitivamente de ir às aulas. O tempo que passa a -sucedidos.
estudar no hospital sempre ajuda a enganar o desânimo. “Ela tem Mas também há um lado angustiante, pesado, por vezes impos-
pena de não poder ir à escola, mas gosta muito destes bocadinhos. sível de digerir. “Como é que lidamos com a envolvência emocio-
Aprende com gosto e acho que nestas alturas consegue desligar.” nal quando as coisas correm mal?”, repete Nuno, como que a acen-
Luís Gonçalves, pai de Beatriz, sente o mesmo. “Durante um bo- tuar a dificuldade da tarefa. “Tentando não lidar. Chorando às ve-
cado ela esquece completamente. E os professores ajudam-nos até zes. A primeira menina que acompanhei que faleceu marcou-me
a nós, que nestas situações ficamos algo desorientados.” imenso. O mais difícil é trabalhar com miúdos que sabemos que
É desse carinho, desse reconhecimento, que se faz uma parte im- não vão sobreviver.” Marta confessa que às vezes prefere nem sa-
portante da motivação destes professores. Nuno Rodrigues lem- ber. “Nós próprios afastamo-nos, tentamos não fazer muitas per-
bra um gesto que o marcou particularmente. “Há uns tempos tive guntas, porque dói.” Dores que, inevitavelmente, vão com eles
uma mãe que imenso tempo depois de a filha ter saído do hospital para casa. Preocupações também. Nuno admite-o, transparente.
ainda me ligou a desejar bom Natal. Esses momentos em que per- “Quando o meu filho tem uma dor de cabeça lembro-me logo da-
cebemos que fazemos a diferença são o que nos faz continuar.” As quele caso que também começou com uma dor de cabeça. Dou mui-
tas voltas à mesa e tento racionalizar. Mas aquele ‘e se?’ é inevitá-
vel, pelo que vamos vendo aqui.” Também por isso Maria José real- a Há anos que Marta,
ça uma experiência “que ajuda muito a perspetivar os problemas”. Nuno e Maria José
E remata convicta, com o dever de missão bem firme, mesmo que trabalham em contexto
a emoção de recordar os últimos seis anos ainda lhe turve os olhos. hospitalar. Riem e choram
“O nosso papel principal aqui não é ensinar. É apoiar.” com frequência

FAZER A PONTE COM AS ESCOLAS


O papel de Maria José, e de Marta, e de Nuno, é o de outros 51 do-
centes que, neste ano letivo, se encontram a trabalhar em hospi-
tais pelo país fora, em regime de mobilidade estatutária (ainda que
se mantenham sempre vinculados a uma escola). Ensinam, claro,
mas também fazem a ponte com os professores das crianças inter-
nadas – sempre que estas já frequentem a escola. Mesmo os testes
feitos no hospital são posteriormente enviados para estes, para que
a avaliação possa ser feita por eles. Para que a mobilidade aconteça,
as unidades hospitalares devem dar nota à Direção-Geral da Admi-

a Salomé Conceição
admite que a filha, Maria,
gosta muito dos
bocadinhos passados
com a professora Marta

Notícias Magazine 22.11.2020 17


ENSINAR A ESPERANÇA NO LUGAR ONDE A SAÚDE FALHA

nistração Escolar (DGAE) da necessidade de contarem com docen- das, fizeram videochamadas com várias escolas, promoveram ati-
tes que façam o acompanhamento destas crianças e jovens. Con- vidades. “Chegámos a ter meninos até aí atrás”, lembram. Depois
tactado pela “Notícias Magazine”, o Ministério da Educação lem- veio a covid. E o distanciamento a que ela obriga. Pelo que a utiliza-
bra que pode haver também o recurso à instalação da Teleaula, que ção da sala da árvore generosa e da manta da amizade está, por ago-
resulta de uma parceria entre a Direção-Geral da Educação (DGE) ra, em suspenso. Mas o trabalho das duas docentes não está de todo
e a Altice e que dá a alunos hospitalizados a possibilidade de parti- em standby. Diariamente, continuam a ir às enfermarias, dar aulas
cipar nas aulas remotamente. às crianças que se encontrem internadas.
Ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, o projeto Teleaula, nasci- São 11.30 horas e Sabina, nove anos, cabelo feito em mil mini-
do em 1998, chegou em 2003, com um grande empurrão da Asso- -tranças, ar muito espevitado, já aguarda com expectativa a pro-
ciação Nacional de Fibrose Quística. Por se tratar de uma doença fessora Diana. Nascida em Angola, veio para Portugal há pouco
que obriga a internamentos recorrentes, era imperativo arranjar mais de um ano, para tratar uma anemia aplásica. Enquanto aguar-
forma de garantir que esses doentes não tivessem de interromper da por um dador de medula compatível, vai alternando entre os in-
a formação escolar. Diana Guerreiro, 55 anos, 33 deles como pro- ternamentos e as passagens pelo hospital de dia. Se sai do hospi-
fessora primária, chegou ao Santa Maria por essa altura. “Trabalha- tal, é para se fechar no quarto. Culpa de um sistema imunitário fra-
va numa escola aqui em Lisboa, tinha ficado sem turma e como sou- gilizado que lhe ameaça a saúde a toda a hora. Mas o sorriso que lhe
be que precisavam de alguém aqui disse que vinha.” Os primeiros escapa assim que vê a professora entrar no quarto esconde bem a
tempos foram penosos, não esconde. “No início não foi fácil. Não rotina difícil que lhe entrava a meninice. “É muito bem -disposta,
conseguia lidar com a doença e o sofrimento. Não havia estrutura, muito alegre”, destaca Diana, que não perde o tempo. “Vamos fa-
não havia sala, estava sozinha, manter o espírito otimista era difí- zer o aquecimento?”, pergunta, já desfeita em mimo. Sabina, que
cil.” Mas a missão haveria de ficar mais leve com o tempo. Quatro quer ser cantora e “doutora”, não pensa duas vezes. Levanta-se e
anos depois, Diana passou a ter a companhia de Sara Costa, 42 anos, ali, ao pé da cama, a menina só de meias mas com o empenho in-
professora de Matemática há 19. Também ela procurava uma “ex- teiro ensaia vários jogos de mãos e palmas e joelhos, com diferen-
periência diferente”. tes músicas a acompanhar. “Lá vai uma, lá vão duas.” E Sabina vai
Diana e Sara recebem-nos na escola do hospital, uma pequena sala cantando também. Feito o aquecimento, mãos à obra, que brincar
com uma mesa de madeira redonda, cadeiras várias, um computa- também é preciso, mas há um texto sobre a lenda de São Martinho
dor equipado com webcam, um mapa mundi, um placard de corti- para ler. “A Sabina gosta muito de ler”, elogia Diana. E a menina,
ça onde segue cravada a “árvore generosa”, numa alusão ao livro que está sentada na cama, apoiada numa mesinha que é uma es-
homónimo, incluído no Plano Nacional de Leitura, que fala de afe- pécie de tabuleiro com pernas oblíquas, vai lendo, lentamente mas
to, de valores, de entrega incondicional. Tudo predicados funda- com sucesso. A professora ajuda com gestos. “Já estás a ler muito
mentais para a missão que desempenham. A cobrir a janela, há uma bem, Sabina”, derrete-se Diana. O caso não é para menos. Como
espécie de cortinado com quadrados coloridos e desenhados das nunca pôde ir à escola em Portugal, foi com ela que aprendeu a ler.
mais diversas formas. “É um pedaço da manta da amizade, uma ini- “Gosto de aprender com a professora Diana, é uma ótima profes-
ciativa que em tempos tivemos com uma escola da comunidade. sora”, comprova Sabina. E Diana desfaz-se num sorriso largo, como
Achámos que dava um bom cortinado”, justifica Sara, num sorri- quem acaba de ganhar o dia. Antes de sair, ainda voltam ao “lá vai
so. Durante anos, foi ali que deram aulas (a todas as crianças e jo- uma, lá vão duas”. E a professora promete regressar não tarda, para
vens que tinham condições para sair dos quartos) e tiraram dúvi- trazer castanhas, que Sabina nunca provou.

a Beatriz, 10 anos,
não abdica de aprender
inglês, mesmo durante
os tratamentos de
quimioterapia

18 22.11.2020 Notícias Magazine


a Sabina desfaz-se
em sorrisos quando vê
a professora Diana. Mas
antes da aula não pode
faltar o “aquecimento”

LIÇÕES DE VIDA SEM IGUAL a Sara Costa dá aulas no


Este tato, esta entrega, esta meiguice são condição sine qua non para Hospital de Santa Maria
o sucesso da tarefa. “Aqui não podemos ser simples professoras. Aca- há 14 anos. Em tempos
bamos por estar sempre muito ligados aos miúdos e à família”, su- de covid, às vezes tem de
blinham as docentes, de volta à sala onde agora falta o mais impor- o fazer por videochamada
tante: os alunos. “Agarramo-nos ao facto de sentirmos que estes miú-
dos gostam de nós e precisam de nós.” À coragem que lhes veem tam-
bém. “Muitos, mesmo estando doentes, são os primeiros a dizer ‘en-
tão hoje não me vens dar aula?’. Apesar dos problemas que têm, são
focados, têm objetivos de vida, dão-nos lições de vida que não temos
em mais lado nenhum.” Diana partilha uma história pessoal, que
diz bem de quanta admiração lhe cabe no peito. “Tenho uma filha
com 19 anos que há dois ou três anos descobriu que tem uma doen-
ça crónica. Na altura trouxe-a cá e disse-lhe ‘olha para eles, vê como
eles estão’. Foi a isso que eu me agarrei.” Sara não tem dúvidas. “Cos-
tumo dizer que há 14 anos que não tenho problemas nenhuns.”
Elas, as docentes, devolvem a bravura dos cachopos com ternura e começou a aprender sueco sozinha.” À inteligência, junta a resi-
e dedicação. Com uma janela de normalidade também. “Lá fora, liência, garantem. “Luta tanto, nunca nos deixa desistir.”
passaram a ser os meninos doentes. Por isso, aqui não falamos so- Mas no hospital os dias nunca são só orgulho e alegria. “Há coisas
bre isso. Aqui são só alunos. É a normalidade que se tenta manter.” às quais nunca nos habituamos. À dor e à morte nunca nos pode-
Sabendo de antemão que o inesperado é uma parte indissociável mos habituar”, lamenta Sara. Por isso, assumem, também choram.
do trabalho. As soluções de recurso também. Ainda mais em tem- “Então eu choro por tudo e por nada”, admite Diana. Pelos bons e
pos de covid. Nos últimos meses, por exemplo, as aulas por video- pelos maus motivos. “Perceber o sucesso deles, as pequenas vitó-
chamada, com meninos que não se encontrando hospitalizados rias, é algo que me deixa muito emocionada.” São os tais momen-
não podem ir à escola, tornaram-se habituais. O acompanhamen- tos que fazem tudo valer a pena. Como quando a mãe de uma me-
to por WhatsApp também. Durante a manhã que passámos no San- nina que acompanhou há anos a convidou para ir à festa de forma-
ta Maria, Diana e Sara tinham previsto ligar a Isaura, uma menina tura da filha, em Évora. E ela fez questão de ir. Como quando Sara
com fibrose quística que acompanham desde o 1.º ano (hoje está foi a Cabo Verde visitar um rapaz que tinha acompanhado duran-
no 8.º). Mas, pouco antes da hora combinada, a mãe avisa que a jo- te três anos no hospital. “Acreditamos que isto que fazemos aqui
vem não está num bom dia. O tal inesperado com que lidam diaria- dá saúde, que facilita um pouco a situação difícil em que se encon-
mente. Diana e Sara respeitam o espaço, há muito o aprenderam a tram. A ideia é pô-los a olhar para a frente, mesmo num momento
fazer. Mas nem por isso poupam nos elogios. “É uma menina inte- difícil. Garantir que continuam a ver o horizonte.” Mais do que o
ligentíssima, sempre com muita vontade de aprender. É tão inte- Português, ou a Matemática, ou o Inglês, ensinar a esperança. Mes-
ligente que um dia viu aqueles nomes estranhos das coisas no IKEA mo quando a doença a quer levar. ● m

Notícias Magazine 22.11.2020 19


A EMANCIPAÇÃO
DO CABELO
Rita Neves Costa
TEXTO

20 22.11.2020 Notícias Magazine


LEONARDO NEGRÃO/GLOBAL IMAGENS

Notícias Magazine 22.11.2020 21


A EMANCIPAÇÃO DO CABELO
O que está no cimo
das nossas cabeças
pode dizer muito
do que somos.
Dá-nos autoestima,
frustração, ódios
e amores. Para a
maioria das mulheres
negras, o cabelo
tornou-se a viagem
de uma vida. Este
é o mundo do cabelo
crespo, das tranças

J
e das extensões.

á não é a primeira vez que Sara se


olha ao espelho e não se sente bo-
nita. “Até me custa dizer isto, mas
eu só penso: ‘Que desfasada, o que
é que te aconteceu? Vai alisar esse
cabelo. Vai pôr umas extensões’.”
A assistente de bordo alisou o cabe-
lo pela primeira vez aos 16 anos, de-
pois de muitas tentativas junto da
mãe para ser igual às amigas, já com
cabelo liso e brilhante há mais tem-
po. Quando desfrisou o cabelo sen-
tiu que fazia parte do Mundo. “Até
arranjei um namorado”, confiden-
cia, entre risos. Desde cedo que as mulheres negras
se habituaram a mudar a estrutura do próprio cabe-
lo: as progenitoras ocupavam-se dos penteados quan-
do eram crianças, mas a determinada altura só fazia
sentido tê-lo de outra forma. Cabelo liso, suave, qua-
se como seda: “Cresci nos anos 1990, as Barbies ti-
nham todas o cabelo assim”.
Enquadrar num padrão de beleza, que muitos con-
sideram ser o eurocêntrico, o da figura feminina com
cabelo liso, fez sentido durante décadas para milha-
res de mulheres espalhadas pelos quatro cantos do
Mundo. “É uma questão identitária, houve uma
construção de um ideal, de que nós, mulheres ne-
gras, tínhamos de nos aproximar do modelo branco
europeu. Daí o desfrisar o cabelo e o submeter des-
de muito cedo as raparigas a um processo doloroso”,
explica Angella Graça, técnica superior de Recursos
Humanos e presidente do Instituto da Mulher Ne-
gra em Portugal (INMUNE).
Nos últimos anos, já não é bem assim. A valoriza-
ção do cabelo natural, seja ele crespo, com caracóis “O meu cabelo é o meu
ou trançado, cresceu e inspirou muitas a deixarem cabelo e faz parte da
de lado os alisamentos químicos, as perucas e as ex-
tensões. “Começou a surgir uma vontade de deixar- pessoa que eu sou”
mos de fazer isto, porque o que é bonito aos olhos ANGELLA GRAÇA
de uns, pode não ser bonito aos olhos de outros”, es- Técnica Superior de Recursos Humanos
clarece. Angella diz que o seu cabelo se emancipou e presidente do Instituto da Mulher Negra
aos 14 anos: nunca alisou, fez tranças e outros pen-

22 22.11.2020 Notícias Magazine


teados na adolescência, até que começou a usá-lo reduzir o volume do meu cabelo várias vezes para
LEONARDO NEGRÃO/GLOBAL IMAGENS

LEONARDO NEGRÃO/GLOBAL IMAGENS


completamente solto. “Viesse quem viesse tecer conseguir tirar uma foto apropriada [para a renova-
comentários, o meu cabelo é o meu cabelo e faz par- ção do cartão de cidadão], uma vez que os próprios
te da pessoa que eu sou. Não vou estar a mudá-lo”, funcionários o descreveram como ‘um problema’
diz hoje, com 31 anos. por ter demasiado volume”, conta Telma Gonçal-
Para outras mulheres, a mudança veio mais tarde ves. O que leva a outro ponto: pode o cabelo ser um
e por fruto do ocaso. Carla Moura e Telma Gonçal- instrumento de discriminação?
ves são o rosto por detrás do projeto “We Love Cara- Carla Moura, do projeto “We Love Carapinha”,
pinha”, que promove a valorização do cabelo crespo realça que “a dita discriminação se faz presente atra-
em todas as suas formas. As duas amigas fizeram o vés de micro agressões disfarçadas de piadas, curio-
processo da transição capilar ao mesmo tempo, sem sidades, opiniões ou pareceres não solicitados”. E dá
que tivessem combinado previamente. Por diferen- um exemplo: quando foi renovar o passaporte, um
tes razões decidiram pôr um fim ao alisamento quí- dos funcionários fez “comentários desagradáveis e
mico que faziam desde a infância (Telma desfrisou em tom de reprovação”. “Acabei por ter de voltar ao

LEONARDO NEGRÃO/GLOBAL IMAGENS


pela primeira vez aos quatro anos) e a adolescência local para tirar uma nova fotografia com o cabelo pre-
(Carla aos 16 anos). “O meu cabelo estava danifica- so”, especifica. Algumas das mulheres ouvidas pela
do e afetava a minha autoestima”, recorda Telma NM para esta reportagem confirmam existir casos
Gonçalves, de 34 anos. “Deixei de alisar porque, de pessoas que são incentivadas a alisar o cabelo por
quando fiquei noiva em 2014, pensei que gostaria de causa de um emprego. Mónica Santos, proprietária
fazer um penteado para o meu casamento. Comecei de uma loja de produtos para cabelo natural no Lu-
a procurar tutoriais e foi assim que encontrei vários miar, em Lisboa, e coordenadora do grupo “Crespas
vídeos sobre o cabelo crespo natural”, revela Carla e Cacheadas de Portugal” no Facebook admite ter
Moura, assistente de bordo, 35 anos. clientes que amarram ou fazem tranças para “con-
A jornada conjunta fez com que ambas percebes- trolar” o cabelo afro no trabalho.
sem a quantidade de mitos que existem sobre o ca- Sara, assistente de bordo, nunca se sentiu confor-
belo natural das mulheres negras. “Difícil de pen- tável o suficiente para usar o cabelo natural na área
tear, difícil de lavar, difícil de controlar, não é apre- da aviação. “Nunca fui obrigada, mas senti uma gran-
sentável”, eram alguns dos argumentos que as duas
amigas preservavam como dogmas durante anos,
“Tive de prender de necessidade de ter o cabelo liso” ao trabalhar em
Portugal, confessa. Depois de passar uma tempora-
alimentados ao longo de gerações de mulheres, para o cabelo para tirar a foto da na Arábia Saudita, em 2018, teve oportunidade de
quem o alisamento era visto como um “tratamen-
to” para o cabelo. “Estas ideias são o resultado de uma
do cartão do cidadão” ver como eram os “cabelos” por lá. E ficou surpreen-
dida. “Não sei se era por ter de usar um chapéu ou um
comparação com aquele que era visto até recente- CARLA MOURA lenço, mas senti que podia mudar”, enfatiza. Alguns
mente como o único padrão estético aceitável ou de- Assistente de bordo manuais das companhias aéreas da Arábia Saudita ti-
sejável: o eurocêntrico”, opina Carla. nham páginas dedicadas aos vários tipos de cabelo e
O “We Love Carapinha” quer demonstrar o con- “O meu cabelo as mulheres negras estavam representadas.
trário: o cabelo crespo é tão bonito e aceitável como Algum tempo depois de estar no Médio Oriente,
o cabelo liso. Carla e Telma fazem vídeos e escrevem [alisado] afetava Sara fez a transição capilar além-fronteiras: cortou o
textos sobre esta realidade desde 2015, altura em a minha autoestima” cabelo muito curto, porque estava danificado e tinha
que o tema era muito debatido no Brasil e nos Esta- de crescer de forma saudável. Apanhou inclusive um
dos Unidos, mas pouco em Portugal. “É convenien- TELMA GONÇALVES susto numa das muitas avaliações da empresa aos co-
te contextualizar que se perdeu muito conhecimen- Assistente de backoffice laboradores. “A pessoa que me ia avaliar disse-me:
to ao longo de vários séculos, sobre como cuidar ade- ‘Tira o chapéu para vermos como está o teu cabelo’.
quadamente de cabelos crespos”, justificam. Para até físicas, as observações constantes podem tor- Eu só pensei: ‘Vou receber uma represália, porque es-
as duas mulheres, os ensinamentos sobre o afro fo- nar-se desconfortáveis. “Praticamente todos os dias tou de cabelo curto e natural, ainda por cima, meio
ram-se perdendo, pelo que as novas gerações devem ouço comentários. Não me incomodam. Dispensa- afro’.” Mas a superiora encarou com normalidade o
recuperar as mágoas de um passado doloroso, que va, mas, já que se verificam, lido com a situação”, corte de cabelo e disse que estava tudo bem.
começa no cabelo, mas que pode terminar na dete- assinala a jornalista. Por seu lado, Angella Graça tam- De regresso a Portugal, os manuais das assisten-
rioração do amor-próprio. “Queremos ajudar a er- bém é veterana nesses episódios. “Houve um dia tes de bordo tinham apenas um padrão, um velho
radicar estas ideias deturpadas”, aponta Telma, as- em que uma colega passou à porta do meu gabine- conhecido de Sara: o cabelo liso. Quando começou
sistente de backoffice. te e perguntou: ‘O que é que se passa com o teu ca- a pandemia da covid-19, deixou temporariamente
belo?’.” A presidente do INMUNE ironizou, dizen- de voar e as extensões ficaram guardadas. “Senti um
OS COMENTÁRIOS DOS OUTROS do que o cabelo tem “personalidade jurídica” e que, alívio por poder tirá-las.”
Conceição Queiroz entra regularmente na casa de por vezes, “acorda mais nervoso”.
milhares de portugueses através da televisão. A jor- Apesar de desvalorizar os comentários, sabe que A LIBERDADE DE USAR O QUE QUISEREM
nalista da TVI está consciente de que tem uma “es- nem todas as mulheres conseguem fazê-lo. “Eu olho Amália Augusto tem um salão de beleza há 19 anos,
pécie de imagem de marca”, o cabelo. “No início es- e sei que o padrão dela [da colega] não é o meu, mas dedicado especialmente às mulheres negras. O
ticava, mas nas férias deixava natural. Pouco depois, estas questões podem ter um efeito nocivo em ida- “Amália Beauty”, no Porto, além de funcionar como
percebi que não havia problema algum em assumir des mais prematuras”, reconhece, lembrando o dia uma loja de produtos para o cabelo, tem também
o cabelo crespo”, afirma à “Notícias Magazine”. Foi em que soube que chamaram “esfregona” à afilha- um cabeleireiro. No estabelecimento reina a diver-
até no local de trabalho que a incentivaram a usá-lo da na escola devido ao cabelo natural. “É de uma sidade: há quem faça tranças, quem aposte no na-
daquela forma. Alguns colegas chegaram mesmo a grande violência.” tural e quem use cabelo humano vindo da Índia. “O
dizer-lhe que devia usar sempre o cabelo natural e Os sítios onde as mulheres negras se movem to- cabelo é muito importante numa mulher, dá bele-
apostar no que tinha de “diferenciador”. Assim foi. dos os dias, seja um local de trabalho ou um qual- za e modifica totalmente uma pessoa. As mulheres
“A maioria [dos telespectadores] habituou-se à mi- quer serviço, são muitas vezes palco de comentá- investem mais no cabelo do que na própria roupa”,
nha imagem. São muitos anos”, refere. rios, conscientes ou inconscientes, que provocam realça a proprietária, de 50 anos, à NM.
Porém, se os comentários dos outros servem, por momentos infelizes, que nenhuma delas quer ou Os salões de beleza são, por norma, o encontro dos
vezes, para enaltecer as características pessoais e merece receber. E tudo começa na cabeça. “Tive de amores e frustrações de quem quer mudar ou me-

Notícias Magazine 22.11.2020 23


A EMANCIPAÇÃO DO CABELO

JORGE AMARAL/GLOBAL IMAGENS


“A maioria [dos
telespectadores]
habituou-se à minha
imagem. São muitos
anos”
CONCEIÇÃO QUEIROZ
Jornalista

“O cabelo é muito
importante numa mulher.
As mulheres investem
mais no cabelo do que
na própria roupa”
AMÁLIA AUGUSTO
Comerciante

24 22.11.2020 Notícias Magazine


lhorar algo no aspeto físico. Amália, nascida na Gui- LÁ FORA

JORGE AMARAL/GLOBAL IMAGENS


né-Bissau, faz regularmente viagens à Índia – inter-
rompeu devido à pandemia – para adquirir cabelo e Califórnia na frente
depois vendê-lo na loja. Comercializa de todo o tipo: A senadora Holly Mi-
curto, médio, comprido, liso, ondulado, afro e até tchell do estado da Ca-
loiro. Os preços para um cliente podem custar até lifórnia, nos Estados
um euro por grama, ou seja, um cabelo com 300 gra- Unidos, redigiu a
mas pode chegar aos 300 euros. Mas o valor varia con- “Crown Act”, uma lei
soante o tamanho e a tonalidade. E porquê da Índia? que proíbe a discrimi-
“Tem mais qualidade”, responde a cabeleireira. nação com base no ca-
Por outro lado, Amália vende também produtos belo natural num local
para as mulheres fazerem a transição capilar: pas- de trabalho ou numa
sar do cabelo liso para o natural. A proprietária do escola, por exemplo.
“Amália Beauty” constata que a tendência está a au- O documento foi apro-
mentar e que “muita gente quer ficar com os cara- vado pela primeira vez
cóis naturais”, até porque “as mulheres negras com no verão de 2019 na
o cabelo bonito fazem parar o trânsito”, exclama, Califórnia, mas já cons-
orgulhosa. ta também da legisla-
Para Chiara Pussetti, investigadora do Instituto de ção de Nova Iorque,
Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), Nova Jérsia e Virgínia.
isso só vem demonstrar que, para algumas mulhe- Outros estados ameri-
res negras, é “mais uma questão do estilo do que uma canos estão tentar
não aceitação do próprio cabelo”. A antropóloga con- aprovar a lei.
sidera que é “simplista” considerar que uma mulher
negra por alisar o cabelo, usar perucas ou extensões Aulas no Canadá
está a aderir a um “padrão eurocêntrico” e que quan- Nancy Falaise, dona de
do outra usa tranças ou afro é uma “forma de resis- um salão de beleza em
ARTUR MACHADO/GLOBAL IMAGENS

tência”. “É tentar forçar uma dicotomia que nem Montreal, no Canadá,


sempre existe”, defende. dedica mensalmente
Após falar com várias mulheres negras para um pro- uma manhã de domin-
jeto chamado “Excel: Em busca da excelência - bio- go a ensinar jovens ra-
tecnologias, melhoramento e capital corpóreo em parigas a tratar o cabe-
Portugal”, Chiara Pussetti concluiu que existe uma lo natural. A iniciativa
“descolonização da prática do alisamento dos cabe- foi filmada pela cineas-
los”. Isto é, as mulheres não o fazem porque o “ca- ta Aïcha Diop para a
belo é um problema”, mas por uma “imitação de mo- CBC, canal de televisão
delos de beleza”, como as cantoras Rihanna e Beyon- pública no Canadá,
cé ou a top model Naomi Campbell. “É o mesmo que cujo vídeo alcançou mi-
dizer que existe uma valorização do cabelo loiro. Cla- lhões de visualizações
ro que existe. Muitas mais mulheres fazem madei- no YouTube. Falaise re-
xas loiras ou claras do que as que pintam de escuro”, cebeu mensagens de
observa a antropóloga. Um valor estético com His- mulheres de várias ida-
tória tornou-se num valor para cada um de nós, mes-
mo que inconscientemente.
“Para as mulheres des após a divulgação
do documentário e es-
O tema do cabelo pode ser fraturante. Que o diga negras, o cabelo com pera agora replicar o
Mónica Santos. Quando cocriou o grupo “Crespas e
Cacheadas de Portugal” no Facebook em 2013, os pro-
mais caracol, mais aberto, workshop a outros paí-
ses, assim que a pan-
dutos para cabelos naturais não eram abundantes no é bonito. Mas o crespo, demia permita.
mercado. No entanto, ao longo dos anos, a situação
mudou, a oferta aumentou e a página na rede social
mais fechado, é ruim” Celebrar no cinema
quis ir mais fundo. “Começámos a pôr informação MÓNICA SANTOS O filme “Hair Love”,
sobre empoderamento negro, porque consideramos Comerciante que retrata a história de
que o cabelo estava ligado à aceitação”, salienta. Po- um pai negro a pentear
rém, nem todas as mulheres reagiram bem. “Era um a filha pela primeira
tema sensível porque algumas mulheres negras não cabeças, mas sem se coibir de falar das dificuldades. vez, ganhou um Oscar
viam o cabelo como uma afirmação da cultura afri- “É preciso dizer que é difícil de tratar. Já levei horas de Melhor Curta de
cana e do negro. Depois tínhamos outras pessoas no a desembaraçá-lo”, reconhece Conceição Queiroz. Animação em 2020.
grupo, que não eram negras, e aquilo não fazia sen- “Eu gosto do meu cabelo natural, só que não é ma- A curta foi considerada
tido para elas.” Os conteúdos com este teor são, por leável. Eu aliso porque posso tratá-lo de outra ma- uma celebração dos
isso, raros no grupo para não criar animosidades. neira e ter um aspeto mais adulto”, confessa Sara. cabelos naturais. No
Com uma loja em Lisboa, Mónica ainda vê muitas A emancipação do cabelo, usá-lo como se bem en- discurso da cerimónia
mulheres negras que não aceitam o seu próprio ca- tender, tornou-se importante para várias gerações dos Oscars, o realiza-
belo. “Para elas, o cabelo com mais caracol, mais aber- de mulheres negras, cujas cabeças foram desde sem- dor Matthew A. Cherry
to, é bonito. Mas o crespo, mais fechado, é ruim. Che- pre definidas pelos ideais de beleza que outros cria- disse que o objetivo do
gam aqui e querem mudar a estrutura do cabelo”, re- ram para si. Com extensões, liso, crespo, tranças ou filme era “aumentar a
lata. “Eu acredito que tem muito a ver com o passa- perucas, cada uma irá definir que coroa carrega. Mes- representação na ani-
do”, acrescenta. Uma parte das que usam cabelo na- mo tendo a plena consciência de que o cabelo nun- mação” e “normalizar o
tural quer inspirar outras a orgulharem-se das suas ca deixará de ser uma questão na vida delas. ● m cabelo negro”.

Notícias Magazine 22.11.2020 25


FOTOS: DIREITOS RESERVADOS

26 22.11.2020 Notícias Magazine


Jamie Cullum
“Não fiz este álbum
para agora mas
para os próximos
50 anos”
Está aí o novo trabalho de Jamie Cullum. Um resultado
diferente, inteiramente dedicado ao Natal, com canções
de época produzidas durante o período de confinamento
em circunstâncias muito especiais. Um disco à antiga,
clássico, para que, como diz o cantor britânico, se possa
ouvir daqui a décadas e continue a soar intemporal.

TEXTO
Pedro Emanuel Santos
Notícias Magazine 22.11.2020 27
ENTREVISTA A JAMIE CULLUM

O
britânico Jamie Cullum, 41 anos e
nove álbuns de originais depois,
lançou um disco totalmente com-
posto por músicas de Natal. “The
Pianoman At Christmas” integra
dez canções e foi gravado em ape-
nas cinco dias nos míticos estúdios
de Abbey Road, em Londres (Rei-
no Unido). Diferente a todos os ní-
veis, das letras aos arranjos, da pro-
dução à sonoridade, contou com
produção de Greg Wells, o mesmo
por detrás de nomes como Adele ou
Dua Lipa, e com a participação de
57 músicos. Um desejo antigo antecipado no tempo
por causa da pandemia. Mais tempo em casa, mais
tempo livre, mais ideias a florescer e assim surgiu na
prática um trabalho que estava pensado para o pró-
ximo ano. Em entrevista à “Notícias Magazine”, via
Zoom, a partir do estúdio de casa, foi um Jamie
Cullum visivelmente entusiasmado com o resulta-
do final do novo trabalho que deu ritmo a uma con-
versa onde não se furtou a nada. Falou do amor à mu-
lher, a antiga modelo e agora escritora Sophie Dahl,
com quem é casado há dez anos, e às duas filhas, as
pequenas Lyra (nove anos) e Margot (sete), do fascí-
nio que as memórias dos natais felizes da infância lhe
trazem, da paixão pelas músicas da época, do delírio
pelo ambiente festivo da quadra. E não esqueceu Por-
tugal, com quem diz viver uma assumida relação es-
pecial e onde espera regressar em breve, assim a pan-
demia desapareça. Também falou dos novos tempos
que poderão advir da eleição de Joe Biden nos Esta-
dos Unidos, do desalento que sente ao aperceber-se
da degradação do nível de discussão nas redes sociais,
da falta que lhe faz atuar ao vivo. E do desejo de o novo
álbum perdurar no tempo como um clássico.

Gravar um álbum inteiramente composto por mú-


sicas de Natal era algo que estava nos planos ou ga-
nhou relevo devido aos tempos conturbados que vi-
vemos devido à pandemia de covid-19?
Bom, já pensava gravar um álbum do género há al-
gum tempo, para dizer a verdade. Sobretudo desde o
ano passado, quando a ideia começou a agitar-me e
não me saía da cabeça. Comecei a levar canções de
Natal a sério e decidi que queria mesmo fazer isto.

Houve alguma motivação em particular? Quanto tempo demorou até entrar em estúdio? As limitações provocadas pela pandemia tiveram in-
Recuei ao tempo dos discos natalícios que escutava Na verdade, não era suposto gravar este ano porque fluência durante as gravações?
em família durante a infância, que adorava e me mar- estava previsto que passasse o ano de 2020 em digres- Sim, tivemos que trabalhar completamente separa-
caram bastante. De Ray Charles, de Nat King Cole, são. Talvez pudesse ser possível apenas em 2021, nun- dos por ecrãs de proteção. Não foi o ideal, mas lá nos
de James Brown e de outros tantos. Apercebi-me da ca pensei que fosse agora. Mas, com a pandemia e com arranjámos (risos) e tudo resultou bem.
beleza das canções e imaginei como seria cantá-las, o confinamento, passei muito tempo em casa, tive
daquilo que me transmitiam e quão especiais eram imenso tempo livre e a mente limpa. Comecei a ima- Quais foram as bases para “The Pianoman At
para mim. E decidi que queria fazer um álbum na pers- ginar “porque não?”, trabalhei as canções, os arran- Christmas”? O que não podia faltar?
petiva de algo clássico que soasse a antigo. Com algu- jos. E acabou por acontecer! Noventa por cento das Queria realmente algo diferente. Algo que ficasse,
ma contemporaneidade, mas sem perder a essência canções foram compostas entre março e maio, e em que marcasse os outros como me marcaram todos os
do passado. Adoro a ideia de um álbum que as pessoas junho já estávamos em estúdio a gravar. Nessa altu- discos de Natal que ouvi e que tão bem feitos foram.
guardem como peça de coleção. ra, já sabia exatamente o que queria do disco. Além disso, pretendi algo que soasse, lá está, como

28 22.11.2020 Notícias Magazine


a O novo álbum de Jamie Cullum foi
gravado nos míticos estúdios Abbey Road.
Na capa, o cantor britânico fez-se
acompanhar pela mulher, a antiga modelo
e agora escritora Sophie Dahl

“A MINHA
Tem uma legião de fãs em Portugal. Já sabe quando
voltará?
A minha relação com Portugal é realmente muito es-

RELAÇÃO COM
pecial, como que um caso de amor com o país. Estive
aí várias vezes, este ano senti falta de não poder atuar
aí. Tenho sempre muito presente a relação excelen-

PORTUGAL É
te que tenho com os portugueses. Nas minhas redes
sociais, aliás, são os meus maiores fãs em termos de
número, é espantoso. Espero voltar a vê-los muito

COMO QUE UM
em breve porque realmente tenho muitas saudades.

Do que sentiu mais falta durante o confinamento?

CASO DE AMOR”
De certa forma posso sentir-me sortudo por ter esta-
do, e ainda estar, em confinamento. Permitiu-me
passar muito mais tempo com as pessoas que amo, a
minha mulher e as minhas filhas. Claro que senti fal-
ta de outras coisas importantes da minha vida e a mú-
sica foi claramente uma delas, mas o confinamento
Aproveitar algo de bom nesta altura é sempre uma permitiu-me perceber realmente o quão sortudo sou
mensagem de esperança. Não foi esse o intuito ini- por ter uma família tão fantástica.
cial. Quando gravava não pensava nisso, no que viria
a seguir, pensava até que no Natal já estaria tudo me- E do palco deu para sentir saudades?
lhor em relação aos efeitos da pandemia. Vamos to- Espero voltar aos concertos em breve, tenho alguns
dos sair disto, isso é certo. Com dificuldades, claro. agendados para o próximo ano. Sinto falta da ligação
Mas a verdade é que eu não fiz este álbum para agora direta e próxima com o público. E de ir a concertos
mas para os próximos 50 anos. também, é curioso.

Cinquenta anos?! Joe Biden foi recentemente eleito presidente dos Es-
Para os próximos 50 anos ou até mais! Quis um álbum tados Unidos. Estamos perante uma nova era?
que ficasse no tempo. A minha esperança é que no fu- As eleições americanas mostraram, essencialmen-
turo as pessoas, quando estiverem a celebrar o Natal te, que os Estados Unidos continuam muito dividi-
e todos os rituais da época, pensem neste álbum como dos, muito polarizados. É uma questão muito com-
parte do que adoram fazer durante a quadra e que lhes plicada. Estou mais perto daquilo que Biden defen-
possa deixar memórias felizes. de, mas seria estúpido ignorar que há uma metade do
país que concorda com as ideias de Trump. A verdade
Algo intemporal, portanto... é que muitas pessoas viram em Joe Biden uma opor-
Exato, por isso também as canções foram gravadas tunidade de mudança, até em contraponto à perso-
de forma muito tradicional, uma espécie de regres- nalidade de Donald Trump, acho que foi mais por aí.
so ao modo mais clássico, como os discos antigamen- A eleição de Biden deixou-me feliz e foi muito im-
te eram gravados, com todos os instrumentos ao mes- portante. Mas há outra questão...
mo tempo, nada em separado. Acho que quem ouvir
consegue perceber isso. Acho que isso se nota e espe- Qual?
ro que passe para o público, porque realmente o am- A eleição foi acesa, com discussões quentes de parte
biente e o prazer com que gravei foi muito especial. a parte. Aliás, atualmente as discussões são muito re-
Quero que as canções sejam escutadas num ambien- dutoras, estão num ponto em que quem não concor-
te familiar e de alegria. da contigo é logo catalogado como inimigo. Isso vê-
-se muito nas redes sociais. Não deveríamos ver as
Se “The Pianoman At Christmas” tivesse dedicató- coisas descerem a esse nível. Temos que assumir que
há pouco referi, a algo do passado, algo que perduras- ria, a quem seria dedicado? a outra parte tem também algo a dizer e que pode ser
se no tempo. Acho que fazia falta um disco de Natal À minha mulher e às minhas duas filhas, sem dúvi- válido.
assim, diferente. Velho, mas contemporâneo. da alguma. Sempre estiveram ao meu lado, sempre
me apoiaram. São o meu Mundo. Para mais, o álbum O seu novo álbum pode ajudar a reunir quem está de-
Uma marca mais clássica... foi pensado e preparado durante o período de confi- savindo, mesmo do ponto de vista político?
Clássica, isso mesmo. Adoro essa ideia de tudo o que namento. Por isso, elas puderam acompanhar tudo Não, não... Definitivamente não. As canções de Na-
é clássico e que depois perdura no tempo. Que soe ainda mais de perto. Estiveram muito presentes du- tal são uma forma lindíssima de juntar as pessoas pelo
contemporâneo, também, sim, mas sempre com rante todo o processo, o que foi excelente para mim próprio ambiente da época, independentemente do
aquele toque do passado. Algo que fica para lá deste e o tornou ainda mais especial, mais romântico e me- resto. Estar em modo de Natal é o mais importante,
tempo. nos mecânico. Gosto dessa ideia de romantismo as- as pessoas adoram. Todo o ambiente da época é espe-
sociado ao Natal, aliás a capa do disco é uma fotogra- cial, a árvore, as decorações... E isso acaba por unir as
Este disco é, também, uma mensagem de esperança? fia minha e da minha mulher. pessoas durante essa altura do ano, é fantástico. ● m

Notícias Magazine 22.11.2020 29


LISBOA

Évora
Évo
Évora

Beja
Be
eja

Faro
30 22.11.2020 Notícias Magazine
avenida
REPRESENTAÇÃO João Vasco Correia

L U Z
Z - S E
O , FE
E S M
D A M
E , N A
T A N T
A D IS
A N AD
L Á X I
A G A
N U M
E

ACONTECEU NA MADRUGADA DA ÚLTIMA


SEGUNDA-FEIRA , DIA 16. UMA BOLA LUMINOSA
CRUZOU O BREU DO SUDOESTE IBÉRICO, NUMA
TRAJETÓRIA COM INÍCIO EM ANDALUZIA E
CONCLUSÃO EM PORTUGAL. TRATOU-SE DE UMA
ROCHA DE UM ASTEROIDE QUE ENTROU NA
ATMOSFERA A 227 MIL QUILÓMETROS POR HORA ,
VELOCIDADE QUE A TORNOU INCANDESCENTE.
APAGOU-SE A 60 MIL METROS DO SOLO.

Notícias Magazine 22.11.2020 31


SABE TUDO

OVOS E IOGURTES:
QUANTOS PODEMOS
COMER?
A Roda dos Alimentos indica as quantidades que
devemos comer em prol de uma alimentação saudável.
Mas ovos e iogurtes causam muita discussão. Um
nutricionista dá-nos algumas explicações e dicas.
POR Sandra Alves

Há alimentos que sabemos quais as sete ovos ou, no máximo, 14 por


doses certas que devemos consumir semana”. O nutricionista sugere
para ter uma alimentação saudável. “um ovo por dia, ou dois ovos dia
Mas há outros, como ovos e iogurtes, sim, dia não.” Se um ovo mexido for
que geram dúvidas porque há quem pouco, o que se pode fazer é “combi-
defenda uma coisa e o seu contrário. nar um ovo inteiro com a clara de
“Estabelecer regras rígidas para a outro ovo”. Assim, “tem mais quan-
alimentação é muito complicado”, tidade sem aumentar a gema. A clara
diz o nutricionista João Rodrigues. é fonte de proteína”.
“No caso dos ovos temos as polémi-
cas associadas a algumas dietas da VANTAGEM DOS IOGURTES
moda, que têm poder enorme nas NO CÁLCIO
redes sociais e as ideias são difundi- Para definir a dose certa de iogurtes
das de forma muito acesa”, observa o que devemos ingerir, João Rodrigues
também autor do blogue Mundo da baseia-se na Roda dos Alimentos e
Nutrição. “No caso dos iogurtes é por recomenda “dois a três por dia”.
questões de desinformação quanto Lembra que há outras possibilidades
aos laticínios, com posições extrema- “como o leite e o queijo” mas frisa que
das. Reconheço que apesar de ser “o ideal seria o consumo de, pelo
uma mais-valia nutricional, o menos, um iogurte por dia” e não
consumo de iogurtes não é indispen- substituir totalmente pelas alternati-
sável. Mas quem não consome não vas. O nutricionista explica que há
deve diabolizar.” ganhos, como o efeito pró-biótico
(benéfico para o intestino): “O cálcio
ATENÇÃO À GEMA DO OVO dos iogurtes é mais bem absorvido do
Mexidos, cozidos, estrelados... há que o cálcio no leite e a digestão das
muitas maneiras de preparar ovos. proteínas também é mais fácil no
A dúvida é saber quantos se devem iogurte do que no leite”. Mas há
comer por dia. João Rodrigues iogurtes e iogurtes e na hora de
aponta um estudo que demonstrou comprar é preciso comparar e “optar
“uma relação entre o consumo de sempre pelos que têm menos gordura
ovos e o risco de doenças cardiovas- e o mínimo de açúcar adicionado”.
culares”, pois “o ovo é dos alimentos Último alerta: “Os iogurtes não são
mais ricos em colesterol”. uma boa sobremesa”, garante o
O problema parece estar nas gemas. nutricionista, “porque o cálcio dimi-
Atualmente recomenda-se “um a nui a absorção de ferro que consumi-
dois ovos inteiros por dia, ou seja, mos à refeição”. ● m

32 22.11.2020 Notícias Magazine


À V O LTA D O M U N D O VÊ MAIS EM

LIVROS TAG.JN.PT
UMA HISTÓRIA VINDA DO
ESPAÇO QUE NOS FALA DE
VALORES BEM PRÓXIMOS POUCOS
PASSAGEIROS,
Há livros que se destacam pela qualidade das ilustra- Luzes na floresta MUITA POLUIÇÃO UM NATAL
ções. Outros captam a nossa atenção pelo tom certo da David Litchfield DIGITAL COM
escrita. E há também os que fazem do grafismo ou da Fábula Em 2018, metade das HISTÓRIAS
CLÁSSICAS
14,59 euros
edição as suas maiores virtudes. Em muito menor nú- emissões de carbono
mero, porém, são aqueles livros em que todos estes ele- dos aviões foram causa-
mentos se fundem para conferir uma dimensão muito das por apenas 1% dos Este ano, devido à
especial ao seu conteúdo. utentes – os chamados pandemia, os espe-
É este o caso de “Luzes na floresta”, um soberbo álbum “frequent flyers”, ou táculos de Natal vão
escrito e ilustrado pelo inglês David Litchfield, cuja edi- passageiros frequentes. acontecer sobre-
ção portuguesa é traduzida por Luísa Costa Gomes. É o que diz um estudo tudo nos ecrãs e não
O que torna este livro tão singular é, antes de mais, a feito pela Universidade ao vivo. Um deles
simplicidade da história – Helena, a protagonista, é uma Linnaeus, na Suécia. chama-se “O feiti-
rapariga que se torna amiga de um ser vindo do espaço O estudo também des- ceiro de Oz no gelo –
quando estava a dar um passeio pela floresta. O encon- cobriu que, nesse ano, espetáculo digital” e
tro teve um impacto tal que, pela vida fora, ela vai ten- só 11% da população é um musical com
tar recriar esse momento, sem sucesso aparente. Até ao mundial viajou de avião. uma história muito
dia em que... bem, o melhor mesmo é leres a história conhecida que
toda para ficares a conhecer o destino da menina com a acontece num
cabeça bem assente nas nuvens. ● m mundo alternativo.
SÉRGIO ALMEIDA Descobre como
assistir a esse e a
outros espetáculos
infantis em tag.jn.pt.

CHILE:
TRÊS PRESIDENTES
EM UMA SEMANA
Não é um acontecimen- PASSEIO
to muito habitual. No es- VIRTUAL PELO
Fábulas de Esopo O meu livro de mitologia Loud em casa: paço de uma semana, o MUNDO DOS
Elli Woolard (adaptação)
Fábula
Sérgio Franclim
Booksmile
quem tem o comando?
Nuvem de Letras
Peru teve três chefes de REMÉDIOS
Estado. Depois de Mar-
16,59 euros 13,99 euros 9,90 euros
tín Vizcarra, acusado de O Museu da Farmá-
corrupção, e de Manuel cia tem instalações
O que têm em comum as Os heróis e vilões não Se costumas ver o canal Merino, que se demitiu em Lisboa, no Porto
histórias de a lebre e a foram uma criação dos Nickelodeon, de certeza ao fim de cinco dias e e... online. Em
tartaruga, a cigarra e a livros de BD ou dos que já te cruzaste com os após protestos violentos tag.jn.pt dizemos-te
formiga ou o rato da filmes. Muitos deles Loud, uma divertida e em que morreram duas como podes fazer
cidade e o rato do campo? foram inspirados nos barulhenta família na pessoas, chegou a vez visitas virtuais a
Todas são fábulas credita- mitos gregos e ainda hoje qual a animação é de Francisco Sagasti. estes espaços que
das a Esopo, um escravo são lidos e admirados. É sempre garantida. Nesta Mas o engenheiro de 76 contam a história da
que viveu na Grécia esse mundo fascinante série de livros da Nuvem anos, pertencente ao evolução dos medi-
Antiga (620-560 a.C.) que o escritor Sérgio de Letras não faltam as Partido Morado, de cen- camentos e das
cuja capacidade de contar Franclim e a ilustradora personagens mais caris- tro-direita, só fica na pre- doenças ao longo
histórias sobreviveu ao Raquel Costa trazem até máticas dos episódios, sidência até às eleições dos séculos, já
tempo, como se pode ler nós num livro para ler e como Lincoln, Lynn, marcadas para 2021. incluindo a covid-19.
neste belo volume. descobrir várias vezes. Leni, Lisa e Lana.

Notícias Magazine 22.11.2020 33


esti-
los COMPORTAMENTO
POR Sara Dias Oliveira

Teletrabalho
a quanto obrigas
É um novo contexto feito de desafios,
exigências, adaptações. Ninguém escapa:
chefes, trabalhadores, famílias. Há que estabelecer
fronteiras, eliminar barreiras. E confiar.

É
a primeira vez que Isabel Pinto, contabilista há mais de na própria casa. Patrício tem todos os recursos para trabalhar à dis-
25 anos, está em teletrabalho. Em março, a empresa que tância e um disco externo que anda sempre consigo. Mas a expe-
presta serviços de contabilidade reorganizou o seu modo riência de teletrabalho com a escola das filhas em casa confirmou
de funcionamento. Isabel está ligada ao computador que o que suspeitava. “É muito cansativo, não dá para fazer tudo ao mes-
tem no escritório e um dia por semana, de forma combi- mo tempo.” O balanço, porém, não é negativo. “Fizemos produ-
nada com os colegas para não haver cruzamentos, vai à tos, embalagens, coisas novas a partir de casa.” Seja como for, pre-
empresa buscar documentos, imprimir o que é necessá- fere o seu espaço na Viarco, o horário de trabalho, as rotinas a que
rio, arquivar correspondência. Os contactos com os clien- se habituou.
tes são feitos sobretudo por email, por vezes pelo tele- O teletrabalho tornou-se uma imposição, por razões de saúde pú-
móvel. Tem autonomia, prazos a cumprir, adaptou-se bem. blica, e é, para a maioria, uma estreia. O facto de não ser uma esco-
São nove meses de teletrabalho, faltam-lhe rotinas. Sair de casa,
estar com colegas e amigos, andar pelas ruas perto do trabalho no
lha tem consequências. Questiona-se a autonomia, a disciplina, os
recursos, a reorganização pessoal e profissional. “Estas dificulda-
“Estamos
centro do Porto. “Vivo sozinha e, por isso, ao fim de alguns dias, sin- des são geradoras de stresse que tem impacto físico e psicológico. debaixo de
to-me um pouco isolada. O dia torna-se um bocado mais aborreci-
do.” No futuro, Isabel vê com bons olhos um regime misto, uns dias
Maior dificuldade em dormir, em ter um sono de qualidade, ansie-
dade durante o dia, cefaleias, sistema imunitário fragilizado, con-
uma autovi-
em casa, outros na empresa. sumos problemáticos, automedicação, o jogo”, enumera a psicó- gilância per-
Patrício Macedo é designer e diretor criativo da Viarco, fábrica
de lápis, em São João da Madeira, e não quer voltar ao teletrabalho.
loga Teresa Espassandim, da direção da Ordem dos Psicólogos.
Maior conflitualidade e menor tolerância são efeitos secundá-
manente e
Esses dias e meses foram divididos pelo apoio escolar às filhas de rios do contexto de teletrabalho. Com lideranças centradas no con- elevada”
16 e 11 anos, sobretudo à mais nova, pelo suporte aos avós da mu- trolo, ainda pior. Câmaras ligadas, tempo contado em frente ao
TERESA ESPASSANDIM
lher, e pelo seu trabalho criativo. “No teletrabalho há mais facili- computador, tecno stresse porque tudo acontece frente a um ecrã. Psicóloga
dade de trabalhar fora de horas e um bocadito mais.” Estipulou um A equação não é difícil de fazer. “Menos escolhas, menos liberda-
horário das 17 às 20 horas e das 21 às duas da manhã, mais coisa me- de, menos envolvimento nestes processos.”
nos coisa. “Era possível porque não dependia de outros, nem nin- Há dificuldades. Produtividade condicionada pelos recursos dis-
guém dependia de mim.” poníveis. A espontaneidade frente a um ecrã fica comprometida,
A família adaptou a logística, primeiro em casa dos avós, depois menos possibilidades de encontrar soluções criativas, chefias pou-

34 22.11.2020 Notícias Magazine


co flexíveis. No limite, cansaço extremo. “Estamos debaixo de uma Quem tem filhos até aos 12 anos encontrou mais dificuldade. “Os
autovigilância permanente e elevada, usar máscara, desinfetar as pais tiveram de se dividir entre o próprio trabalho e as tarefas esco-
mãos, cumprir o distanciamento social. Tudo isso implica sacrifí- lares, foi um desafio imenso.” De qualquer forma, mais de 90% dos
cios para manter comportamentos para a segurança física.” E quan- inquiridos adaptaram-se à nova situação.
do a energia emocional se esgota, a exaustão bate à porta. O que favoreceu esta adaptação? Vários fatores que envolvem
características do indivíduo e da organização. Estabelecer um ho-
A RESISTÊNCIA DAS CHEFIAS rário para trabalhar, ter um local específico para o fazer, arranjar
Maria José Chambel, doutorada em Psicologia, professora da área momentos de isolamento. “Todas as pessoas que conseguem ter
de Psicologia dos Recursos Humanos, do Trabalho e das Organiza- momentos para desligar do trabalho, momentos de tempos livres
ções na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, tem com atividades extra, adaptam-se melhor e têm níveis de bem-es-
analisado o teletrabalho em tempos de confinamento. “Temos uma
perceção de como as pessoas estão a viver este período.” São resul-
tar mais elevados.” Há ainda a postura das chefias, se mostram
preocupação com os seus funcionários em teletrabalho, se o fa-
“Não temos
tados de estudos feitos numa amostra de 70% dos trabalhadores de zem de forma periódica, se são ou não flexíveis com prazos. uma cultura
quatro empresas da área de serviços que têm, no total, cerca de 500
funcionários.
O trabalho é central na vida das pessoas. A questão é saber se
são as pessoas que estão ao serviço do mercado ou se é o merca-
facilitadora
O teletrabalho é uma modalidade que já existia, mas pouco uti- do que está ao serviço das pessoas. Onde fica a centralidade do do teletra-
lizada no nosso país. “A maioria usava pouquíssimo, não era usada
por mais de 15% dos trabalhadores. Havia uma certa resistência das
valor humano?
Teresa Carla Oliveira, professora na Faculdade de Economia da
balho. Isso
chefias diretas”, adianta. Com o confinamento, de um momento Universidade de Coimbra, doutorada em Psicologia Organizacio- leva tempo”
para o outro, quase todos foram para casa. Uma imposição que afe- nal, começa por aqui, ou seja, se há respeito, se há dignidade, por-
TERESA CARLA
tou o tecido laboral de alto a baixo e 80% dos trabalhadores nunca que o trabalho tem uma dimensão social. “Quando não existe uma OLIVEIRA
tinham trabalhado a partir de casa. “Era uma situação totalmente relação de respeito mútuo, quando há uma relação de exploração, Professora universitária
nova que causou bastantes incertezas e inseguranças para as orga- qualquer questão é um problema”, alerta.
nizações e para as pessoas, algo novo que foi implementado num O teletrabalho pode então tornar-se o melhor ou o pior dos mun-
contexto de pandemia.” dos. Há fronteiras ou há barreiras? Há controlo ou há confiança
Nada seria como dantes, várias adaptações, outras dinâmicas. mútua? Há diálogos ou há silêncios? Motivação ou desmotiva-

Notícias Magazine 22.11.2020 35


esti-
los COMPORTAMENTO

MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA
Recomendações da Ordem dos Psicólogos
❶ Definir um espaço de trabalho e
respeitar as regras de ergonomia.

❷ Reconhecer as dificuldades
de adaptação. Saber que é natural
sentir stresse, cansaço,
frustração, ansiedade.

❸ Minimizar distrações e interrupções.


Estabelecer horários para trabalho,
descanso e lazer.

ção? “Num contexto saudável, o teletrabalho é uma ferramenta


fabulosa. Mas não temos uma cultura facilitadora de teletraba-
lho, isso leva tempo.” ❹ Aceitar e compreender que a
O apoio de quem manda é essencial. Há ganhos e há perdas. E é produtividade à distância não é
preciso saber o que é importante. É a tarefa? É o projeto? Que signi- igual à produtividade em regi-
ficado tem aquele trabalho? Quem decide? Quando e como? “O te- me presencial. As condições de
letrabalho requer uma auto-organização e uma aprendizagem mui- trabalho não são as mesmas.
to grandes.” É necessário estabelecer equilíbrios sem barreiras.
❺ Estabelecer e cumprir
E tudo permanecerá na mesma? objetivos e limites.
Maria José Chambel não tem certezas sobre se o teletrabalho veio
para ficar. “As mudanças são muito difíceis de ser implementadas,
provavelmente voltará tudo à estaca zero.” Na sua opinião, este ❻ Reorganizar tarefas de forma a
método laboral poderia resultar. “A maioria das pessoas conside- compatibilizar as exigências da vida
ra que o teletrabalho foi uma aprendizagem e gostava de, no futu- profissional, pessoal, familiar.
ro, ter um modelo misto. É algo que pode ser fantástico, é um mo- ❼ Valorizar o trabalho em equipa,
delo muito rentável e muito confortável, ganha-se o tempo que definir um plano de comunicação
se perde nos transportes, a andar de um lado para o outro.” com os colegas, partilhar
As chefias habituaram-se, fizeram um esforço inicial para adap- experiências e dificuldades.
tar equipas, assegurar material, tentam perceber o que corre bem
e o que corre mal. “É uma oportunidade que temos, no futuro, de
mudar o nosso modo de trabalhar, de apostar em maneiras mais ❽ Evitar o isolamento, reforçar
flexíveis, mais focadas em objetivos do que propriamente onde o contacto com os colegas,
as pessoas estão e em que horários estão a fazer as suas tarefas.” combinar um café ou um
Teresa Espassandim usa a metáfora do elástico para falar de resi- almoço à distância.
liência. Um elástico estica e tem capacidade de voltar à posição ini-
cial. Ou não. “Quase tudo permanecerá na mesma”, comenta. De- ❾ Valorizar o próprio trabalho.
pois do desconfinamento, em seu entender, tudo voltará ao que Todos os dias, durante alguns
era no contexto laboral. Um modelo misto é uma possibilidade. minutos, refletir sobre a natureza
“Para muitas pessoas, o teletrabalho é uma experiência positi- do trabalho e o quão importante
va, têm mais tempo para si e sabem canalizá-lo para um equilí- é o contributo para si e para
brio entre a vida profissional e pessoal”, refere. Outros não gos- a empresa. ❿ Respeitar os momentos de pausa
tam. “Mais horas de trabalho, o trabalho estende-se durante o dia e a necessidade de autocuidado.
sem fronteiras, toda a hora parece hora de trabalho e para estar Relaxar para recarregar
disponível.” baterias.
“O teletrabalho é inevitável, veio para ficar”, acredita Teresa Car-
la Oliveira. “A implementação desta prática é que põe muitas dú-
vidas e é preciso repensá-las.” Dar-lhe um enquadramento formal,
respeitar capacidades, reunir condições, não ignorar o bem-estar
do trabalhador. Esta é uma discussão multidisciplinar, económi-
ca, social, política, biomédica, em que todos os argumentos são vá-
lidos e em que a reorganização do território e um novo conceito de Movimentar-se, fazer
cidade fazem sentido. “Nem tudo vai ser tão bom como é, nem tão pequenas pausas, levantar-se
mau como estava.” Seja como for, há uma questão que é preciso da cadeira, andar um pouco, ter uma
perceber e encaixar pelos empresários, pelos trabalhadores, pelas alimentação saudável, respeitar
famílias: “O teletrabalho não é telecasa”. Ponto final. ● m os horários das refeições.

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RECEITAS DA ÉPOCA
POR Ana Bravo
Nutricionista, autora e blogger (Nutrição com Coração)

TODOS OS MESES,
AS MINHAS RECEITAS TÊM
UM ALIMENTO EM DESTAQUE.
NOVEMBRO PERTENCE À COUVE-ROXA

Uma grande parte


dos folatos perde-se
durante a cozedura.
Mas, ao contrário
dos outros vegetais
de folha verde, os
oxalatos das couves
TROUXAS DE INGREDIENTES Preparação ❶ Demolhei os nacos de
não limitam o cálcio,
soja durante pelo menos 30 minutos.
deixando-o disponível
COUVE-ROXA 2 folhas de couve-roxa grandes
1 chávena de soja em nacos
❷ Retirei duas folhas grandes a uma
couve-roxa, lavei-as e cozi-as ao vapor. para absorção.
COM SOJA 1 colher de sopa de azeite
1/2 cebola picada
❸ Coloquei o azeite num tacho juntei
a cebola, o tomilho e o pimento. ➍ Dei-
A couve-roxa é muitas
q.b. tomilho xei cozinhar breves minutos e, man- vezes empregue em
Esta receita é vistosa, o seu 1/2 pimento vermelho picado tendo o lume brando, adicionei a cur- cosmética natural.
cheiro inunda a cozinha e 1 colher de café de curcuma cuma. ➎ Escorri a soja, espremendo-a Os pigmentos
sabe tão bem! A couve- q.b. salsa picada bem com as mãos, para assegurar que
q.b. molho de tomate para servir ficou bem seca. Adicionei-a ao prepa-
responsáveis pela sua
-roxa é um alimento muito rado anterior. ➏ Deixei cozinhar, jun- coloração têm
interessante e dá, quase 2 pessoas tando água quente aos poucos sempre propriedades anti-
sempre, para confecionar 1 hora que necessário (demora cerca de 25 mi- -inflamatórias e
mais do que uma refeição, Média nutos). ❼ Envolvi a soja nas folhas de
couve. ❽ Servi polvilhado com salsa e
também são usados
por isso também fica molho de tomate (caseiro), que é op- como corantes na
económica. cional. indústria alimentar.
Notícias Magazine 22.11.2020 37
esti-
los
TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA
TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA
BEM-ESTAR TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA
Filomena Abreu
POR

TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE
TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE
TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TI TI TI TI TI TI TI TI TI
TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI T
TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI T
TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TO TO TO TO
MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI M
QUANDO O
MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MInão
VE VE VE VE VE VE VE VE VE VE VE VE VE VE VE VE VEamaVE
MI MItemMI
precisa de ser elevado.
A misofonia
VEháVE
MI MI
sido estudada

sobre VE
desde MI M
VEPorVE V
década de 1990, mas pouca ou nenhu-

BARULHO NOS
ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ consequência, ZZ
te
literatura

uma ZZconsultaZZ
o assunto.
ZZ ZZ
não existe propriamen-
direcionada ZZ ZZ
para esta

TIRA DO SÉRIO
ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ síndrome.
ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ
ZZ ZZ
Hospital de SãoZZ
ZZrecorda
João eZZ
ZZo caso
ZZna Fa-
Lia Fernandes, psiquiatra do
professora
ZZdeZZ
culdade de Medicina da Universidade
do Porto,
ZZ ZZ
ZZ ZZ Z
um jovem
Irritação. Fúria. Ansiedade. Mãos suadas.
PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI
Vontade dePIfugir.PITaquicardia.
PI PI PIHá PIuma PI PI PI PI PI PIque
síndrome PI
tório, umPItantoPI PI PI“EraPIalu-PI PI
um dia lhe bateu à porta do consul-
desesperado.
PI PI PI PI PI PI PI PI quePI mexePIcom PI aPI PI PI de
qualidade PIvida
PIdas PIpessoas:
PI PI PI PI PIno dosPI PIfechado,
PI PI PI PI
de Medicina e passava longos perío-
em casa, em silêncio, a es-PI PI
misofonia. E o gatilho é quase sempre subtil.
PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI PItudar. de PI PIporPI PI paraPIfazer
PIosPI PI
Quando regressava à instituição
ensino, exemplo,
PI NHE NHE NHE NHE NHE NHE NHE NHE NHE tende aNHE
reagir de NHE NHE
Ao longe, há um alarme que toca. Ao (fonia). Ou seja, quem sofre desta per- exames, tinha essa hipersensibilidade
perto, uma pessoa que tosse ou funga o turbação, por aversão, aos sons que NHE
o rodeavam.” O que oNHE
im- N
NHE NHE NHE NHE NHE NHE NHE NHE NHE NHE NHE A listaNHE
nariz. No trânsito, alguém buzina, ou forma desadequada e exagerada a baru- pedia de se concentrar.
bate insistentemente com o polegar no lhos específicos a que a maioria dos mor- dos barulhos NHE
que podemNHE ser in- NH
NHE NHE NHE NHE NHE NHEronca NHE NHE NHE NHE NHE NHE NHE
volante, ou roça uma unha na outra. No tais nem sequer presta atenção, como cómodos é grande. Os sintomas variam
escritório, o ar condicionado bai- ouvir alguém escrever no teclado do de pessoa para pessoa: alguns sãoNHE
ativa- NH
NHE NHE NHE RExinho. REUmRE
tentemente, naREmola daREcaneta.RE Por RE REtambém
Convém RE clarificar
RE RE REestímulos
que esta RE RE REluzes
visuais (como REfortes
colega espirra. Clica, insis- computador ou mastigar uma chiclete. dos por ruídos corporais, outros até por
RE ou RE R
RE RE RE RE RE RE REháRE
no sejam, RE REnão
quem simplesmente REa hiperacusia,
RE REemRE RE
que sons RE RE
são perce- meçamRE com sonsRE queRE
mais subtis que certos sons do quotidia- condição não deve ser confundida com que piscam). Contudo, geralmente co-
passamRE desper-RE R
RE RE RE RE RE RE cia. ÉRE REE pode RE REmuitoRE REmuito REaltos. RE REcasos,RE
che- RE
a mão, RE
bocejar,RE
os suporte. Não, não é apenas implicân- bidos de modo anormal, como se esti- cebidos aos demais: bater na mesa com
misofonia. afetar a vessem Nestes RE RE
roncar, assobiar pelo na-RE R
RE RE RE RE RE RE RE designada
RE RE RE RE
forma como se encara o dia a dia.
Também por Síndrome RE RE RE RE RE RE RE RE REpiso, RE
ga a haver dor física. Na misofonia, o riz, sibilos, limpar a garganta, pigarrear,
de problema está no padrão e na repetição soluços, saltos altos no RE RE
calçado que
LE LE LE LE LE LESensibilidade
LE
S4), LE
o termo LEódioLE
significa LE
(miso) ao somLEtornarem
LE LE motivo LE LEo volume
de raiva LE LEas unhas
LE–LE LE LE
Seletiva do Som (SSSS ou em que os ruídos são ouvidos. E para se se arrasta no chão, estalar de dedos, roer
além daqueles LEre- LE L
que foram
LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE LE
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA FU FU FU FU F
FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU
FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU
FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU
38 22.11.2020 Notícias Magazine
TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA
TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA TA
A TA TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE
E TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE
TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE TE
I TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI
TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI
TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI TI
TO TO MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI
MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI MI
MI MIferidos
MInoMI
“Quando MI MI MI MI
início deste texto.
a pessoa fica condicionada, MI MI MI MI umaMIvez MI MIdasMI pessoasMI
encaixem esses sintomas e comporta- CUF Tejo, em Lisboa, dá seguimento.
mentos noutras perturbações, “A maioria que me VEprocu-VE VE VE VE VE VE
VE VEage VE
nenhum VE VE VE VE rea-VE VE VE VE VE VE ob- VE VE VEassociadas,
de forma reflexiva. Têm pouco ou que tanto tem traços de stresse pós- ra com esta síndrome tem outras pato-
controlo sobre as suas -traumático como de perturbações logias psiquiátricas VE VE como VE VE VE VE VE VE
ZZ ZZ ZZa inquietação,
bilidade, ZZ ZZaZZ raiva, oZZ
pâni- ZZ
to deZZ
váriasZZ ZZ ZZ
perturbações, ZZ
ainda não ad- ZZ
tico ZZ
precoceZZ ZZ ZZ
ções”, explica Lia Fernandes. A irrita- sessivo-compulsivas. “Por ter um mis- ansiedade.” Mais uma vez, o diagnós-
é aconselhado. ZZao ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ
“Chega
ZZ ZZ ZZApesar
comuns. ZZ dos ZZparcosZZestudos,
ZZ ZZ podeZZisolar.ZZ
Mas semZZ ZZ
dúvida ZZ ZZ
que come- sa sóZZ ZZ osZZ
de imaginar ditosZZ
co e até mesmo a violência são reações quiriu uma identidade própria e não se ponto de a pessoa já ficar tensa e ansio-
sons queZZ lhe ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ ZZ
ZZ ZZsabe-se
tesZZgraus. ZZ ZZ maisZZ ZZ a pes-PI PI PI PI PI PI PI PI PI
que a misofonia tem diferen- ça a ganhar uma certa dimensão.”
Em casos agudos, PI PIdo problema,
causam incómodo.”
A resolução PI PI dePI PI PI PI PI PI PI PI PI
acordo
O problema é neurológico
PI PIsoa PI PI PI PI PIou uma
PIfú-PI Opinião
pode sentir taquicardia, calores,
suores, necessidade de fugir PI PIcontrária
PI PI PI PI
tem Victor PI PI
Correia PI PI
tratamento PI PI
da condição PIansie-
com a especialista, “passa sempre pelo
de base, PI PI PI PI PI PI PI PI
PI PIriaÉPIfácilPI
assimPI
incontrolável.
PIquePI
perceber PI PI dagologia
o diagnósti- PI PI PI PI
do Hospital CUFPI PI
Porto. PI PI
A per- PI PI
gir”. Depois, PI PIaosPI
Silva, coordenador de otorrinolarin- dade e outros sintomas que possam sur-
a intolerância PI PI PI PI PI PI PI PI
sons pas-
PI PIcoquePI PI PItanto
a misofonia PI afeta
PI adultos
PI PI -sePIcomPI PIdePI
o facto a sua PI PI PI PI
especialidade formaPI PIessa
a vencer PIaversão.
deve ser feito o quanto antes. Sendo tinência do seu testemunho prende- sa pelo enfrentamento progressivo, de
PI PI PI PI PI PI PI PI PI PI
“É o úni-
NHE NHE NHEe acompanhamen-
NHE NHE NHE
procuram quandoNHEnotam que NHEalgo es- NHE
fende Maria NHEChai. NHE NHE NHE NHE NHE
como crianças. Em todo o caso, se não ser uma das primeiras que as pessoas co meio de tratamento e melhoria”, de-
houver intervenção
HE NHE NHE inclusivamente
NHE NHE NHE NHE“A pessoa NHE
to, a síndrome pode levar a sérios pro- tranho lhes está a acontecer quando es-
blemas, conduzindo ao cutam certos barulhos. vem NHEopções. “A NHE NHE
psicoterapia pode serNHE
Já Lia Fernandes, acrescenta outras
uma NHE NHE NHE
HE NHE NHE tanto NHE NHEo que NHE NHE NHEas- NHE NHE
isolamento e a estados depressivos. Por tentar saber se ouve bem e quer saber forma interessante de intervir nestes
isso, os misofónicos são cataloga- se está a passar.” No entanto, casos, que NHE
estão sem dúvida NHE
ligados ao NHE NHE NHE
RE RE é que RE RE
estão em RE RE
sofrimento. RE -nos
E que a sín- REumRE doenteRE com estaRE REde RE
patologia mento RE REcognitivas
e terapias RE RE
dos histéricos como cabisbaixos. Certo segura, é uma situação rara: “Aparece- stresse. Há também técnicas de relaxa-
compor-RE RE RE RE RE RE
RE REdrome,
REque
doenças RE RE RE RE RE RE RE REos exames.
RE RE RE RE RE
não figura do manual de longe a longe”. Depois do médico ou- tamentais, a que se juntam as corren-
mentais, tem uma interferên- vir as queixas são feitos tes de mindfulness. RE
Há muitas RE RE RE RE RE RE
formas
RE REcia“Sabe-se
RE RE
que háRE REneuro-
profunda na sua qualidade de vida.
um distúrbio RE RE daí queRE RE
isto seja RE partilha-
uma doença RE RE RE
mente há oRE
recursoRE
“Muitas vezes não encontramos nada, de treino e de adaptação. E eventual-
RE RE
aos fármacos.” O RE RE RE RE RE
RE RE RE RE RE
confundidos, RE
o que leva REmeira
a pes- REmão,LE mas LEdepoisLE LE LEmultidisciplinar.
é encaminha- LE LE LE
lógico e que os estímulos auditivos e vi- da. O doente vem ao otorrino em pri- importante, conclui, é uma abordagem
suais são LE LE
Um tratamento ade- LE LE LE LE LE LE
E LE soaLE
des. LE LE LE LE LE LE LEpsiquiatra
LE LE
a hiper reagir”, destaca Lia Fernan- do para neurologia ou psiquiatria.”
A falta de casuística faz com que se Maria Chai, LE LEquado
no Hospital LE
quer LE LE LE ● LE LE LE LE LE LE LE
pode fazer milagres para quem
m
ter qualidade de vida.
E NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA NA
FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU
U FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU
U FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU
U FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU FU
Notícias Magazine 22.11.2020 39
esti-
los MODA
MODA
POR SSara
ara Oliveira DEMOBAZA 324 euros

ACNE STUDIOS 290 euros

COM A CASA
ATRÁS
A moda é de extremos e as bolsas oversized
marcam a tendência com pouca discrição mas
garantia de muita arrumação. O que uma mulher
deseja é modelos onde possa guardar tudo e mais
KASSL EDITIONS 350 euros
alguma coisa, mesmo que não precise, como se
andasse com a casa atrás. O lema “go big or go
home” inspirou marcas e designers a exagerarem
nos tamanhos, conquistando não só o público
feminino mas também os homens. E a verdade
é que quanto maior melhor, deixando a dimensão
ao critério da excentricidade de cada um. Já a
escala deve jogar com a estatura, para que não
pareça engolido pelo acessório XXXL. Sendo
certo que haverá sempre dificuldade em
encontrar as chaves do carro ou de casa num
interior amplo, com espaço para o supérfluo
que se teima em guardar, o ideal é levar o estilo
com leveza e sem stressar.

MANGO 29,99 euros

40 22.11.2020 Notícias Magazine


ASSINE 12 EDIÇÕES DA MEN’S HEALTH
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APOIOCLIENTE@NOTICIASDIRECT.PT | 707 200 508. DIAS ÚTEIS DAS 7H00 ÀS 18H00. CUSTO DAS CHAMADAS DA REDE FIXA 0,10 EUR/MINUTO E DA REDE MÓVEL 0,25 EUR/MINUTO, SENDO AMBAS TAXADAS AO
SEGUNDO APÓS O 1º MINUTO. VALORES SUJEITOS A IVA.
esti-
los IDEIAS
POR Sara Dias Oliveira

REINALDO RODRIGUES/GLOBAL IMAGENS


Francisco Cordeiro de Araújo,
o finalista de Direito Internacional
que ergueu o projeto Os 230

genuínos, há perguntas rápidas, esco- ceu a bênção de Marcelo Rebelo de Sou-

O OUTRO LADO lhas soltas, não é possível ter um dis-


curso muito preparado.” Alguns vídeos
sa, e não quer parar. Sente que é neces-
sário quebrar preconceitos à volta da

DA POLÍTICA
estão disponíveis nas redes sociais (Fa- política e aproximar eleitos e eleitores.
cebook, Instagram, YouTube, Twitter) Quanto mais informação para decidir
e, em breve, num site atualmente em em consciência o rumo do país, melhor.
construção. Os cidadãos, aqui, estão invariavel-
Aproximar os portugueses da políti- mente no centro das atenções. “Para
Os 230 é um projeto de literacia democrática, de ca é um dos objetivos. Desmistificar gerar maior compromisso, criar um
combate à desinformação e à abstenção. A ideia é conceitos e contrariar a subida da abs- maior sentimento de identificação e
entrevistar todos os deputados da nação. E não só. tenção também. “Senti que a socieda- vontade de se mobilizarem.”
de estava a caminhar para uma grande O projeto apartidário e sem fins lucra-
desinformação.” Informar é essencial tivos tem pernas para andar e prosse-
Da teoria à ação passaram-se poucos anos, finalista de Direito Internacio- em democracia e faz parte da cidada- gue com outras formas de mobilização
meses. A ideia nasceu em agosto deste nal na Faculdade de Direito da Univer- nia. “É um projeto de responsabilida- da sociedade. Ideias não faltam. Vídeos
ano, a equipa de voluntários, jovens dos sidade de Lisboa, campeão nacional de de cívica para promover a literacia de- informativos sobre a democracia 1.01,
16 aos 26 anos de várias partes do país, esgrima. “Mais ativos, mais informa- mocrática. Estamos animados por dar- em um minuto e um segundo. Vídeos
organizou-se rapidamente e o trabalho dos”, realça. mos um contributo importante.” de dois minutos e meio com testemu-
arrancou. Chama-se Os 230, é um pro- Os deputados falam do percurso pro- nhos de personalidades da sociedade ci-
jeto de combate à iliteracia democráti- fissional e pessoal, da infância, da ter- Mobilizar a sociedade vil de todas as áreas. Um dossiê especial
ca e política e começa com a vontade de ra natal, dos gostos e ideologias, da op- Francisco faz paraquedismo, viveu na sobre as presidenciais, conteúdos sobre
entrevistar os 230 deputados da As- ção por aquele partido e não outro. Base das Lajes, estudou no Colégio Mi- a União Europeia. E tudo o mais que se
sembleia da República. Os primeiros Francisco conduz a conversa ao longo litar, fazia passeios com turistas por Lis- justificar neste percurso de promoção
20 vídeos já estão gravados. A ideia par- de 40 minutos. “É um registo comple- boa, criou um curso de verão sobre or- da literacia democrática. Pelo passado,
tiu de Francisco Cordeiro de Araújo, 23 tamente diferente, os raciocínios são ganizações internacionais que mere- pelo presente e pelo futuro do país. ●m

42 22.11.2020 Notícias Magazine


SHAECO
10,90 euros (champô)
e 16,90 euros (saboneteira)
TENDÊNCIAS
POR Sara Dias Oliveira

CHAMPÔS
AMIGOS DO
AMBIENTE

FOTO: ANA SANTOS PHOTOGRAPHY


solidificar e poder cortar com o formato que se pre-
São sólidos e ecológicos, feitos tende. Mais um mês para perder a humidade e ficar
com essências naturais, delicados pronto a usar. A quente é mais rápido, cozem-se os
com o couro cabeludo. Nascem de ingredientes e o processo demora um dia.
duas formas: a quente ou a frio. AAmor Luso tem champôs sólidos para cabelos secos,
oleosos, mistos e ainda um condicionador. Tudo feito
Ana Milhazes, fundadora do Lixo Zero Portugal, so- com ingredientes naturais de origem vegetal, azeite,
cióloga e instrutora de ioga, fez várias experiências manteiga de cacau, óleo de grainha de uva. São vegans
na sua cabeça numa altura em que não havia quase e não testados em animais. “O importante é lavar bem
nada no mercado português. Sabia o que queria e ren- o couro cabeludo. Pode ficar áspero nas duas ou três pri-
deu-se aos champôs sólidos. Por várias razões. “São meiras lavagens até remover todos os produtos quími-
muito económicos, duram dois ou três meses, não cos que havia no cabelo”, diz Vítor Rodrigues.
têm embalagem, o que é ecológico, e uma grande van- A Árvore do Sabão, em Olhão, tem champô sólido
tagem, não irritam o couro cabeludo e o cabelo man- de azeite, alecrim e hortelã, e um outro feito de azei-
tém-se muito bonito e saudável”, enumera. te, carvão vegetal e erva-príncipe. Tudo a frio em pe-
“São eficazes para quem tem muita sensibilidade quenos lotes artesanais. Clara Nogueira criou a mar-
no couro cabeludo, alergias e caspa”, acrescenta. Fa- ca para, sublinha, “sensibilizar as pessoas para a uti-
zem muita espuma e são práticos de transportar. Ana lização de alternativas mais saudáveis e naturais aos
Milhazes deixa uma dica. “Colocá-los numa sabone- produtos de cosmética convencionais, repletos de
teira com buraquinhos.” Para se manterem sólidos. químicos e agentes nocivos para o nosso corpo”. A ÁRVORE DO SABÃO
As vantagens ecológicas são evidentes. Carmen ideia é aproveitar o que a Natureza oferece. 6 euros
Lima, engenheira do ambiente, coordenadora do “O alecrim é capaz de melhorar a circulação sanguí-
Centro de Informação de Resíduos da Quercus, des- nea na região do couro cabeludo, além de reduzir in-
taca a ausência de embalagem, que evita o desperdí- flamações. É usado para estimular o crescimento do
cio e a produção de resíduos, e os componentes utili- cabelo e retardar o processo natural de envelheci-
zados. “São orgânicos, são feitos com produtos e es- mento.” O carvão vegetal também tem as suas vir-
sências naturais, o que ajuda a não serem tão agressi- tudes ao libertar do cabelo as impurezas e restaurar
vos para o couro cabeludo.” o brilho. Clara Nogueira usa-o porque sabe do que ele
O processo é artesanal, feito a frio ou a quente. Ví- é capaz. “Absorve o excesso de sebo, assim como as
tor Rodrigues, da Amor Luso, instalada em Viseu, ex- toxinas, para que obtenha um couro cabeludo efeti-
plica. A frio, misturam-se as matérias-primas e es- vamente purificado.” Nada de plásticos, nada de lí-
pera-se que a reação química aconteça. Dois dias para quidos. Natural, o mais possível. ● m

AMOR LUSO
6,50 euros

MIND THE TRASH


9,45 euros/unidade

Notícias Magazine 22.11.2020 43


esti-
los CONSUMO
POR Pedro Emanuel Santos

OS CABAZES
BIOLÓGICOS
BATEM À PORTA

ANDRÉ ROLO/GLOBAL IMAGENS

Se há negócio em alta ele é o das encomendas tanto encerrada”, conta. Com sede fí-
online de produtos saudáveis. Não há sica em Gaia, a Quintinha realiza todo
o tipo de entregas biológicas. Até pro-
praticamente canto do país que não as possa dutos de mercearia, de higiene, carnes
receber. A dificuldade é escolher o que colocar e, também, refeições saudáveis. “Per-
nas cestas, tantas são as escolhas possíveis. cebi que as pessoas não tinham onde se
fornecer, que havia um mercado a ex-
plorar. É um negócio muito bonito em
Cresceram e multiplicaram-se. As em- mendar online fruta, legumes e outros que levamos aos clientes tudo o que
presas de entrega ao domicílio de pro- bens biológicos através de um peque- vem da horta diretamente para o cor-
dutos biológicos são às dezenas e estão no passeio pela internet, há 20 anos tal po”, orgulha-se a proprietária.
espalhadas de norte a sul do país. O con- ideia parecia utopia. Mas Graça Costa, O início foi complicado, tal foi a pro-
finamento motivado pela pandemia 67 anos, não teve medo de arriscar e dei- cura. “Houve alturas em que não con- inteiramente nacionais. A lista de bens
de covid-19 veio dar uma ajuda extra a xou para trás uma carreira de econo- seguíamos satisfazer as encomendas. que podem ser adicionados aos cabazes
estes negócios, que prometem oferta mista feita na banca para abrir a Quin- Além disso, não havia praticamente encontra-se no seu site ou no Facebook.
de qualidade e facilmente acessível via tinha, com base na Madalena, fregue- produtores biológicos na zona norte do “Realizamos entregas no prazo de 24
internet. Feita a encomenda, aguarda- sia costeira de Vila Nova de Gaia. “Fo- país e era necessário irmo-nos forne- horas, independentemente da quan-
-se pela chegada dos cabazes à porta de mos os pioneiros na zona norte deste cer à Galiza, em Espanha”, recorda. tidade, num raio de 100 quilómetros à
casa. Assim, sem mais dificuldades. tipo de negócio. Na altura só havia uma As coisas mudaram e atualmente os volta de Vila Nova de Gaia. A média é
Se hoje é fácil encontrar onde enco- empresa do género em Lisboa, entre- produtos disponíveis na Quintinha são de cerca de 50 clientes por semana”,

44 22.11.2020 Notícias Magazine


O PAÍS DOS CABAZES BIO

PAULO SPRANGER/GLOBAL IMAGENS


Aromas da Horta Mercearia Bio
Frutas, legumes e ou- Legumes frutas, ali-
tros produtos. Cabazes mentação animal, bebi-
❶ e ❹ Quintinha, em Vila Nova desde 10 euros. Enco- das biológicas, etc. Ca-
de Gaia, fundada por Graça mendas pelo site. En- bazes desde 22,50 eu-
Costa ❷ Diogo e Miguel Correia, tregas em Lisboa, Al- ros. Encomendas no si-
do Hortelão do Oeste, em Torres mada, Seixal, Corroios, te. Entregas no Algarve,
Vedras ❸ Diana Maciel, ladeada Barreiro, Montijo, Moita mas podem também
por Joel e Yohan Martins, da e Alcochete. ser realizadas noutros
BioemCasa, de Barcelos pontos do continente e
Bio Habitus ilhas.
Lista de produtos atua-
lizada todas as sema- Quinta do Arneiro
nas. Cabazes a partir Frutas, legumes, ervas
dos 11,50 euros. Enco- aromáticas e produtos

PAULO JORGE MAGALHÃES/GLOBAL IMAGENS


mendas no site. Entre- de mercearia. Cabazes
gas no Porto, Matosi- desde 20 euros. Enco-
nhos, Gaia e Espinho. mendas no site. Entre-
gas em Lisboa, Cas-
Cesta Verde cais, Mafra, Oeiras e
Fruta, legumes, legumi- Sintra.
nosas, massas, etc.
Cabazes desde 10 eu- Veggie & Go
ros. Encomendas no si- Legumes, frutas e legu-
te. Entregas no Porto, minosas. Cabazes des-
Maia e Matosinhos. de 12,50 euros. Enco-
mendas através de Fa-
Horta à Porta cebook, Instagram e
Frutas e legumes. Ca- WhatsApp 967 440
bazes desde 19 euros. 303. Entregas no Porto,
Encomendas no site. Matosinhos, Póvoa de
❷ Entregas no Porto, Vila Varzim, Esposende e
Nova de Gaia, Matosi- Apúlia.
nhos, Espinho, Maia e
ANDRÉ ROLO/GLOBAL IMAGENS

Vila do Conde. Vitacress


Produtos hortícolas.
Maria do Pomar Cabazes desde 14,99
Frutas e legumes. Ca- euros. Encomendas no
bazes desde 19,50 eu- site. Entregas em todo
ros. Encomendas no si- o território nacional.
te. Entregas no Porto e
❸ em Lisboa.

mãos, o Hortelão do Oeste. O lema, “da lista pode ser consultada na página de e vendemos vegetais e frutos da época
casa para o campo”, diz quase tudo so- Facebook, as encomendas são reali- que nós produzimos, além de contar-
bre o conceito, um local onde podem zadas através de email. mos com parcerias com outros produ-
ser encontrados produtos de prometi- O objetivo é “chegar a um nicho de tores locais”, diz Yohan.
da qualidade, feitos em exclusivo e sob mercado” que passa por particulares e Com uma média de 120 clientes se-
métodos especiais na horta dos proprie- ainda por restaurantes da região. Tudo manais, distribuem cabazes à porta de
tários. “Somos produtores sazonais. entregue à porta depois de realizadas quem realizar encomendas através do
Não temos estufas e não trabalhamos as respetivas encomendas. “É muito site da BioemCasa em Barcelos, Braga,
nada que não seja de época”, sublinha curioso que grande parte dos nossos Guimarães, Viana do Castelo, Espo-
❹ Miguel, ex-chef de cozinha. clientes não comerciais são estrangei- sende, Vila Nova de Famalicão, Porto
No Hortelão do Oeste pode ser en- ros. Pessoas entre os 30 e os 40 anos e Vila Nova de Gaia. Ou seja, pratica-
contrada uma panóplia de cereais (tri- que residem em Lisboa”, observa Mi- mente toda a área litoral desde o Alto
contabiliza Graça Costa. “O valor mí- go, centeio ou espelta), cinco varie- guel Correia. Minho ao Grande Porto. O preço mí-
nimo por cabaz é de 21 euros e não de- dades de feijões (como os quase ex- Movendo a bússola novamente para nimo por cabaz é de 14,99 euros e há
bitamos taxa de entrega.” tintos feijões de sequeiro), duas de- norte, em Roriz, no minhoto concelho mais oferta disponível além de produ-
zenas de tipos de couves, mais de 200 de Barcelos, nasceu há cinco anos a tos hortícolas, como carne e pão. Tudo
Um nicho para muitos estrangeiros variedades de tomates e por aí fora. BioemCasa, desde 2019 gerida pelos jo- biológico, claro. “Estamos a planear
Mais a sul, em Runa, concelho de Tor- “Temos ainda abóboras, pepinos, ma- vens irmãos Joel e Yohan Martins, 23 lançar brevemente produtos de bem-
res Vedras, Miguel Correia, 39 anos, laguetas, beterrabas, cenouras e be- e 27, e por Diana Maciel, 25, namorada -estar, também eles saudáveis”, reve-
idealizou, juntamente com quatro ir- ringelas, por exemplo”, descreve. A de Yohan. “Temos certificados próprios la Yohan Martins. ● m

Notícias Magazine 22.11.2020 45


esti-
los

FOTOS: RUI OLIVEIRA/GLOBAL IMAGENS


MOTORES
POR Reis Pinto

DISCOVERY SPORT:
O LAND ROVER
DO “POVO”

A Land Rover evoca evasão É o modelo de entrada no universo da Land


e passeios fora de estrada. Rover. Com motor diesel, de 2.0 litros de
cilindrada e 163 cavalos, tração dianteira e
Mas este novo Discovery Sport sete lugares em opção, este D165 Discovery
ensaiado pela “Notícias Sport custa a partir dos 48 066 euros. E o que
Magazine”, que tem tração oferece por esse preço (a versão ensaiada
dianteira e um elevado nível de valia, com diversos extras, 61 416 euros)?
Apesar das dimensões “contidas” para um
conforto, não vai ao monte. SUV compacto, com 4,59 metros de
comprimento, tem um bom espaço interior,
suficiente para cinco passageiros (com a
lotação máxima, os ocupantes dos dois
últimos bancos já vão um pouco apertados)
e, nessa configuração, a bagageira atinge
840 litros. O interior agrada à vista, utiliza
materiais de qualidade, mas a montagem ❶ Equipamento ❸ Segurança
ainda não atingiu o patamar das melhores O equipamento desta Do equipamento de
marcas premium. A ergonomia está a um bom versão estava acres- segurança fazem parte
nível, embora nesta versão, apenas disponível cido do tejadilho pano- a câmara traseira, reco-
com caixa manual, é normal acionarmos o râmico e de bancos nhecimento de sinais
modo Eco no ecrã tátil quando engrenamos a dianteiros aquecidos. de trânsito e travagem
terceira ou a quinta velocidades. de emergência.
A denominação Sport deste modelo é um ❷ Versões
pouco enganadora, ainda que os 163 cavalos O Discovery Sport está
sejam suficientes para manter boas disponível em três moto-
velocidades de cruzeiro. O comportamento é rizações mild hybrid e
seguro e orientado para o conforto, que atinge uma híbrida plug-in. As
um patamar elevado. O mais caro custa potências vão dos 200
72 400 euros. ●m aos 309 cavalos.

46 22.11.2020 Notícias Magazine


INSCRE
JÁ A SUVA
PROPO A
GLOB STA
ALMO
BIAW
MOTO ARDS
R24. .
PT

O FUTURO EM MOVIMENTO
VAMOS PREMIAR O QUE DE MELHOR SE FAZ EM PORTUGAL NO DOMÍNIO DA MOBILIDADE INTELIGENTE!
OS MELHORES CARROS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS À VENDA EM PORTUGAL. E AS TECNOLOGIAS QUE MELHOR
CONTRIBUAM PARA UMA MOBILIDADE SUSTENTÁVEL. O FUTURO JÁ ESTÁ NA ESTRADA.

SAIBA MAIS EM

G LO B A L M O B I AWA R D S . M OTO R 2 4 . P T
esti-
los A SAIR

CAVALHEIROS PERFUMADOS VISÃO NOTURNA


Elite Gentleman é o nome dado pela Avon a um O espetro da coleção Night Ride da Bershka, para
conjunto de fragrâncias masculinas. A versão homens, vai do preto aos padrões vistosos, com roxo
Exclusive in Black recorre a verbena espumante, e laranja ao barulho. Elenco: malhas, golas altas, cortes
cardamomo e cedro. A variante Absolute tem, avantajados, blusões bomber aviador, calças cargo,
refere o comunicado de imprensa, um “toque camisas transparentes e de cetim.
de âmbar” que “evidencia o limão italiano
e a madeira de ágar”.

O SOL AOS QUADRADOS


(E NÃO SÓ)
Na coleção outono-inverno 2020 dos óculos Boss
abundam construções leves; variedade de cores;
designs quadrados, retangulares, redondos, borbo-
letas, olho-de-gato; hastes extrafinas; lentes
degradê, fotocromáticas, espelhadas.

TUDO PELAS GENGIVAS


Anuncia atuar precisamente conforme
se lê na embalagem. A Elgydium lança
um novo dentífrico chamado Placa
Bacteriana e Gengivas. Prometendo
atacar a primeira, fonte de cáries, para
reforçar a saúde das segundas. Quatro
semanas de testes com esta pasta, asse-
gura a marca, detetaram uma diminui-
ção de 66% na placa bacteriana.

A TECNOLOGIA
DE DAR À SOLA
Perto dos 30 anos, o modelo GT-
-2000 da Asics chega à nona edição.
Continua direcionado para corredo-
res de várias cambiantes. O que traz
de novo? Ajuste, respirabilidade e
fixação do pé melhorado com
recurso ao material Jacquard Mesh.
Aumento do conforto e estabilidade
pelo uso das tecnologias FlyteFoam
e Gel na entressola. Borracha AHAR
na sola, mais resistente. E tecnolo-
gia Guidance Trusstic, que reforça
a área externa do meio pé.

48 22.11.2020 Notícias Magazine


HORÓSCOPO
POR Isabel Guimarães
Astróloga — ISAR/CAP

ANIVERSÁRIO
23 a 29 de novembro
o

Carneiro Touro Gémeos Caranguejo


21.03 a 20.04 21.04 a 21.05 22.05 a 20.06 21.06 a 22.07

Altura de aprofundar as Pode concretizar uma Começará a sentir pres- Apesar de ser uma boa se-
negociações e a valori- parceria para um projeto são no organismo, per- mana para planear ou co-
zação dos seus investi- inovador, mas procure dendo vitalidade. Inquie- locar em prática um pro-
mentos. Estruture mais ser claro nas suas inten- tude na forma como co- jeto criativo, procure es-
conhecimentos fazendo ções e enfrente os desa- munica e escreve. Tenha clarecer mal-entendidos
uma formação ou pro- fios com maior determi- atenção aos impulsos e não avance sem perce-
movendo encontros nação e valorização dos causados pela dificulda- ber o que motiva os ou-
para aprofundar ideias. seus recursos. Atenção à de em relaxar e dar tem- tros a envolverem-se nos
A vida afetiva exige a forma como transmite as po a algumas situações seus projetos. Procure es-
sua atenção. ideias. Tendência para a da sua vida. tar com amigos.
dispersão.
Miley Cyrus
Artista, 27 anos

Miley Ray Cyrus é uma atriz, cantora,


compositora e produtora discográfica
americana nascida a 23 de novembro
de 1992. O signo solar Sagitário, com
Leão Virgem Balança Escorpião ascendente no signo de Touro, confe-
23.07 a 23.08 24.08 a 22.09 23.09 a 23.10 24.10 a 22.11 re-lhe uma imagem pública forte,
mantendo uma firmeza nas suas pos-
Procure o apoio dos ou- Ficará bastante nítido o Promova as relações com O seu pensamento pode ses e na valorização da imagem. A
tros. Esse apoio incenti- papel dos outros na sua os outros e a forma como ficar muito rápido e de- Lua em Mercúrio em conjunção no si-
vá-lo-á a criar oportuni- vida, podendo restrutu- se valoriza através dos re- sorganizado, gerando gno de Escorpião reflete-se numa
dades para melhorar as- rar projetos de acordo lacionamentos. Sentirá uma instabilidade men- qualidade herdada em saber lidar
petos da vida, principal- com a clareza na forma necessidade de estabili- tal que lhe retirará o com público, escrever poesia e histó-
mente em termos afeti- como atuou. Mas seja de dade afetiva. Por um foco nos objetivos. É rias com imaginação e sensibilidade.
vos. Começará a enten- que forma for, não mos- lado, tudo até parece es- possível que isto condu- Excecional capacidade de comunicar
der algumas das razoes tre todas as suas ideias. tar tranquilo e pacífico. za a uma perda de opor- e de saber usar a popularidade.
que o levaram a sentir Guarde para si algumas Por outro, haverá teimo- tunidades que começam
afastamento. estratégias que serão sia e uma irritabilidade a surgir, já que não está
úteis mais tarde. acrescida. a observá-las.
PLANETAS
A Lua no signo de Peixes conjunto a
Neptuno na sua fase crescente pode
criar uma tendência para divagarmos e
mergulharmos no mundo da imagina-
ção, trazendo dificuldade de concentra-
ção, confusão entre a realidade e a fic-
Sagitário Capricórnio Aquário Peixes ção, escapismo e desânimo. Idealizare-
23.11 a 21.12 22.12 a 20.01 21.01 a 18.02 19.02 a 20.03 mos pessoas e situações, conduzindo-
-nos ao engano. No entanto, o trígono
Festejando o seu aniver- Ativação da área de vida A forma como lida com Precisa de se reorganizar com Mercúrio no signo de Escorpião
sário, criará oportunida- do amor, recursos mate- as várias alterações no e respeitar os sinais que o proporciona diálogos mais cuidadosos e
des e terá uma forte ne- riais e prazer pelo traba- exterior dará um maior corpo está a manifestar, astutos. A intensa quadratura de Marte
cessidade de estar junto lho, permitindo um foco à sua forte capacida- procurando um especia- com Plutão remete para assuntos de ju-
daqueles que o têm maior otimismo na for- de de manifestar inten- lista para melhorar a ali- lho, trazendo uma forte necessidade de
apoiado. Forte sensibili- ma como lida com o seu ções sem se desviar da mentação e cuidar da termos consciência das nossas ações
dade aos problemas ex- potencial. Por vezes é sua vontade. O rumo dos saúde. Poderá observar para que estas não se tornem destruti-
ternos que o levarão a abalado pelo medo de seus objetivos pode ser os resultados do que in- vas, provocando situações irreversíveis.
sentir-se mais desanima- não conseguir atingir os alterado se dispersar as vestiu em junho. Não É importante analisar a altura do ano que
do devido às injustiças objetivos. Determinação ideias e quiser fazer tudo será fácil lidar com o atravessamos e entender o que pode
sociais. e forte convicção. ao mesmo tempo. inesperado. voltar a experienciar para resolver.

Notícias Magazine 22.11.2020 49


cró-
nica LEVANTE-SE
O RÉU
POR Rui Cardoso Martins

ILUSTRAÇÃO: JOÃO VASCO CORREIA

LADRÕES DE BICICLETAS
go, ou melhor, alguém representado por um polícia da Esquadra
de Investigação Criminal de Loures.
E depois nem bicicleta nem telemóvel, que o guarda confiscou.
Um negócio muito fraco. O polícia disse ao tribunal:
— Nós tínhamos o auto de furto da bicicleta. Contactámos o
O primeiro rapaz trabalhava na restauração na Margem Sul, mas ofendido para dar mais pormenores. Ele verificou que tinha a bi-
teria outras actividades de madrugada. O segundo, mais novo, ti- cicleta à venda no OLX.
rava curso profissional e vivia com a mãe. O terceiro não apare- — Como é que ele sabia que era a dele?
ceu. O primeiro cumpre agora dois anos num estabelecimento — Era muito específica. O guarda-lamas... a cor verde-alface.
prisional, mas foi preso a seguir, nada a ver com a bicicleta. Com maleta. Ele tinha a certeza de que era a dele.
O desaparecimento da bicicleta verde-alface foi em Julho de A versão do rapaz mais novo aguentava-se: disse logo à polícia
2018, na Penha de França, Lisboa. Agora, no banco dos réus, os que fora a mãe a dar o dinheiro.
acusados tinham a cara lisa como pneu careca. — Fiz a apreensão do telemóvel e da bicicleta. Posteriormen-
— Não a levei. Comprei-a por 50 euros no meu bairro. Na rua, te, entregámos a bicicleta ao proprietário.
disse o mais novo. O rapaz furtado era um barbudo com roupa escolhida para pa-
— E quem era essa pessoa? recer que não a escolhe, depois montar uma bicicleta verde-alfa-
— Não sei. ce com maleta para computador e seguir pelas alfacinhas ciclo-
— Comprou-a na rua a uma pessoa que não conhecia? vias. [Em “Ladrões de bicicletas”, de Vittorio de Sica, 1948, Anto-
— Era um toxicodependente que estava a precisar de dinheiro. nio Ricci corre Roma a pé numas calças rotas, atrás dele vai o seu
— E foi comprar um objecto roubado? bambino em calções, procuram uma escura bicicleta roubada,
— Não esperei que a bicicleta fosse roubada. sem ela não podem trabalhar nem comer.]
— Onde é que a bicicleta foi depois encontrada? — Era o meu meio de transporte, disse o dono da bicicleta ver-
— Eu meti à venda no OLX. Apareceram pessoas interessadas. de-alface. O valor em nova era de 600 euros. Eu deixava-a na rua.
— E depois? De sexta-feira para sábado foi roubada. Eu estava na polícia e vi
— Liguei, fui a Odivelas e quando cheguei o comprador era um que estava à venda no OLX.
polícia. — Como é que sabia que era a sua?
Disse o mais novo que o mais velho, o preso, mais o terceiro ra- — Era verde-alface... que não há muitas desta cor. Uma das fo-
paz, foram só acompanhá-lo na venda. A haver culpado, era só ele tos ainda tinha o cadeado à volta da roda!
(o menor). E a sua mãe. Foi ela quem deu 50 euros para comprar a Os olhos brilhavam-lhe de amor verde-hipster. Amarrada a um
bicicleta no meio da rua. Também achou barato, a mãe. poste. O poste era de estacionamento para deficientes, com a pla-
— Essa bicicleta foi furtada, recordou o juiz. ca da matrícula do carro lá em cima.
Como podiam adivinhar? O primeiro rapaz, o preso, disse: — Quando fui à polícia, a pessoa que tem o sinal de deficiente
— Somos os três amigos. também já tinha feito queixa.
— É verdade que não tem nada a ver com isto? A mãe que comprou a bicicleta não foi depor. Faleceu há pouco
— É verdade, respondeu o rapaz. tempo. Ninguém viu quem arrancou o poste de deficiente para
Trabalha na restauração mas o currículo é variado: três roubos roubar uma bicicleta. Também ninguém colocou o poste no OLX.
e um furto qualificado. Tem cadastro e cumpre pena. Mas, repe- Por falta de provas, a procuradora pediu a absolvição dos alegados
tiu o rapaz, foi a Odivelas só para ajudar na transacção porque era ladrões de bicicletas.
o único dos três amigos com telefone para combinar pormenores
com o cliente. Chegaram e afinal o novo cliente era o dono anti- O AUTOR ESCREVE DE ACORDO COM A ANTERIOR ORTOGRAFIA.

50 22.11.2020 Notícias Magazine


27 DE NOVEMBRO’20 PRAÇA DA LIBERDADE GONDOMAR
ciclo de conferências

A
A S SIS T
M D IR E TO
E
PT
E M JN .

MOBILIDADE NO GR ANDE PORTO


RESPOSTAS CONJUNTAS PARA
UM PROBLEMA DE TODOS
P R OGR A M A

14H30 SESSÃO DE ABERTURA


Inês Cardoso, Diretora do Jornal de Notícias
Marco Martins, Presidente da C.M. de Gondomar

15H00 José Pedro Tavares, Professor na Faculdade de Engenharia e Investigador da UP: Tráfego no Grande Porto

15H25 José Rio Fernandes, Professor Catedrático na FLUP: Acessibilidade, Mobilidade e Bem-estar na Cidade
Multimunicipal  

16H00 D E B AT E
Tiago Braga, Presidente da Metro do Porto
Eduardo Vítor Rodrigues, Presidente da Área Metropolitana do Porto
Manuel Pina, CEO da Uber Portugal
Moderação: Pedro Ivo Carvalho, Diretor-adjunto do Jornal de Notícias

17H15 CIDA DE S SEM C A RROS: RE A LIDA DE OU U T OPI A?


Paula Teles, Presidente do Instituto das Cidades

17H45 ENCERRAMENTO
Matos Fernandes, Ministro do Ambiente