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ENFERMAGEM DE SAÚDE MENTAL E PSIQUIÁTRICA

1- Conceitos, determinantes e dimensão dos problemas de saúde mental

Natureza de saúde e doença mental


Falamos em saúde mental como um estado de bem-estar associado a felicidade,
contentamento, satisfação, conquista, otimismo ou esperança. Esses termos são difíceis
de definir e os seus significados mudam de acordo com a pessoa e com a situação.
A saúde mental consiste em vários critérios que existem num continuum, com graus.
Os indicadores de saúde mental podem ser indicadores de saúde mental:
1.Atitudes positivas em relação a si mesmo
Inclui a aceitação e o conhecimento de si mesmo. O individuo deve ter
alguma objetividade quanto à sua pessoa. Uma pessoa saudável também
ter um senso de identidade, de integridade, de pertencimento, de segurança
e de importância. (Perspetiva do ambiente e dos outros sobre nós)
2. Crescimento, desenvolvimento e auto-realização
O indivíduo: está adequadamente em contacto consigo mesmo para gerir
os recursos que tem; tem livre acesso às próprias emoções e é capaz de
integrá-las ao funcionamento intelectual e cognitivo; é imobilizado por
conflitos íntimos e estres ou é capaz de interagir libre e abertamente com
o ambiente; é capaz de compartilhar com outras pessoas e crescer com
essas experiências.
3. Integração/regulação
É um equilíbrio entre o que é expressado e o que é reprimido, entre
conflitos e impulsos internos e externos e uma regulação de humor e de
emoções. Inclui a resposta e o controlo emocional. Este critério pode ser
avaliado, pelo menos em parte, pela capacidade de o indivíduo suportar o
stress e lidar com a ansiedade. Um ego forte, mas não rígido permite ao
individuo lidar com mudanças e crescer com elas
4. Autonomia
Envolve a autodeterminação, o equilíbrio entre dependência e
independência e a aceitação das consequências das próprias ações. Isto
implica a pessoa ser responsável pelas próprias ações, atos, pensamentos
e emoções, tendo, por conseguinte, que respeitar a autonomia e liberdade
dos outros.
5. Perceção da realidade
É a capacidade do individuo para testar suposições sobre o mundo através
do pensamento empírico. A pessoa mentalmente saudável é capaz de
mudar a sua perceção à luz de novas informações. Este critério inclui a
empatia ou a sensibilidade social, um respeito pelos sentimentos e pelas
atitudes dos outros.
6. Domínio sobre o ambiente
Permite que uma pessoa mentalmente saudável vivencie o sucesso num
papel aprovado pela sociedade. A pessoa é capaz de lidar efetivamente
com o mundo, solucionar problemas pessoais e obter satisfação com a
vida. É capaz de responder aos outros, amar e ser amada e de lidar com
relacionamentos recíprocos. É capaz de construir novas amizades e de ter
um envolvimento gratificante num grupo social

Determinantes e Dimensão dos problemas da Saúde Mental


A evidência científica mostra que as diferenças sociais afetam a saúde mental pública, é
urgente uma ação que melhore as condições de vida ao longo da vida. É importante
perceber que uma boa saúde mental é um indicador de desenvolvimento humano, e é
necessário integrar a saúde mental e uma perspetiva psicológica no desenvolvimento e
nas políticas.
Os fatores de risco e os fatores protetores mudam ao longo da vida, devem implementar-
se intervenções e estratégias que sejam apropriadas a cada etapa da vida. Estudos
demonstram que as intervenções precoces, em camadas mais jovens podem prevenir
doenças mentais a curto e a longo prazo, e são capazes de maximizar o seu potencial e
uma vida adulta saudável. Intervenções a longo prazo incluem desenvolvimento
comunitário, capacitação, parcerias e construção institucional ao longo do ciclo da vida.
Os determinantes de saúde têm sido frequentemente agrupados nas seguintes categorias:
- Fixos ou biológicos (idade, sexo, fatores genéticos);
- Sociais e económicos (pobreza, emprego, posição socioeconómica, exclusão social);
- Ambientais (habitat, qualidade do ar, qualidade da água, ambiente social);
- Estilos de vida (alimentação, atividade física, tabagismo, álcool, comportamento
sexual);
- Acesso a serviços (educação, saúde, serviços sociais, transportes, lazer).
Os determinantes da Saúde Mental são fatores que estão associados e interagem em
diferentes aspetos da saúde mental. Podem ser agrupados em 5 domínios:
- Fatores e experiências individuais;
- Interações sociais;
- Estruturas e recursos sociais;
- Valores culturais;
- Genéticos e Biológicos.
A pobreza coloca as pessoas no risco aumentado de problemas mentais juntamente com
outros fatores intermédios. As mulheres apresentam uma maior incidência de níveis de
angústia em relação aos homens com fatores de risco como pobreza, desemprego, baixas
habilitações literárias, incapacidade, falta de confiança nas pessoas e falta de suporte
pessoal.
Os fatores de risco mais comuns associados às doenças mentais estão fortemente
associados com as desigualdades sociais, e quanto maior é a desigualdade social, maior é
o risco. Os mais pobres e desfavorecidos sofrem desproporcionalmente, mas toda a gente
numa sociedade é afetada até um certo ponto. As doenças mentais estão fortemente
ligadas a outras condições de saúde físicas, estas ações devem também reduzir as
desigualdades nas doenças físicas e melhorar a saúde global.

2 – Modelo de Adaptação ao Stress de Stuart e Crise

Componentes biopsicossociais
Este Modelo vê o comportamento humano sob uma perspetiva holística que integra os
aspetos biológicos, psicológicos e socioculturais da assistência. É um padrão de
referência para a prática de enfermagem de saúde mental.

- Fatores predisponentes
São de natureza biológica, psicológica e sociocultural. Podem ser vistos como
fatores condicionantes ou de risco que influenciam tanto o tipo, como a quantidade
de recursos que a pessoa é capaz de usar para controlar o stress. A história
genética, o estado nutricional, a saúde geral e a exposição a toxinas são exemplos
de predisponentes biológicos.
Os fatores psicológicos incluem personalidade, experiências passadas,
autoconceito, capacidades adaptativas, capacidade de resiliência. As
características socioculturais incluem idade, género, escolaridade, rendimentos,
ocupação, experiências de socialização, bagagem cultural, educação religiosa e
crenças, etc.

- Stressores Desencadeantes
São estímulos percebidos pelo indivíduo como difíceis, perigosos ou desafiadores.
Podem ser de natureza biológica, psicológica ou sociocultural e podem originar-
se no ambiente interno ou externo ao indivíduo. Exigem uma excessiva energia e
produzem um estado de tensão e stress. É importante avaliar o momento da
ocorrência, sendo necessário definir quando ocorreu, a duração de exposição e a
frequência com que ocorre. É também importante avaliar o número de stressores
a que o individuo está sujeito num determinado período de tempo.
Os fatores desencadeantes
- Acontecimentos traumáticos;
- Acontecimentos significativos de vida;
- Situações crónicas;
- Acontecimentos desejados que não ocorrem
- Traumatismos ocorridos (estádios desenvolvimentais).

- Avaliação do stressor
É o processamento e a compreensão da situação stressante, que ocorre em muitos
em muitos níveis. Especificamente, a avaliação envolve respostas cognitivas,
afetivas, fisiológicas, comportamentais e sociais. É uma apreciação da
importância de um evento para o bem-estar do indivíduo. O stressor assume o seu
significado, intensidade e importância a partir da interpretação e do significado
único a ele atribuído pela pessoa.
As situações indutoras de stress podem ser avaliadas como: ameaça (antecipação
de uma contingência desagradável que pode vir a acontecer mas ainda não surgiu);
dano (refere-se a alguma coisa que já ocorreu e ao individuo apenas resta tolerar
o acontecimento ou reinterpretar o seu significado ou as suas consequências);
desafio ( representa uma circunstância em que o indivíduo sente que as exigências
estabelecidas podem ser alcançadas ou ultrapassadas).
Respostas Cognitivas – os fatores cognitivos exercem um papel central na
adaptação do indivíduo às situações de vida, implicando diferentes formas de agir;
são mediadores psicológicos entre o indivíduo e o ambiente; as pessoas resistes
ao stress têm uma atitude perante a vida de recetividade à mudança, sentido de
envolvimento naquilo que fazem e controlo sobre os eventos; as diferenças na
avaliação cognitiva refletem-se nas respostas dos indivíduos aos eventos.
Respostas Afetivas – despertar de uma emoção suscitada (ansiedade generalizada
expressada por emoções que pode incluir: alegria, medo, ira, aceitação,
desconfiança, surpresa).
Respostas fisiológicas – refletem a interação de diferentes eixos neuro-endócrinos
(envolvendo a hormona do crescimento, prolactina, hormona
adrenocorticotrófica, homana luteinizante e folículo-estimulina, hormonas
estimuladoras da tiroide, vasopressina, oxitocina, insulina, adrenalina,
noradrenalina, etc.). O stress afeta o sistema imunológico, diminuindo a
capacidade de enfrentar doenças.
Respostas Comportamentais – refletem as emoções, mudanças cognitivas e a
análise cognitiva da situação stressante; comportamento de modificação do
ambiente ou fuga, comportamento destinado a adquirir novas capacidades de ação.
Resposta Social – envolve a procura de significado (o individuo procura as
informações sobre o seu problema, e ainda a atribuição social, procura identificar
os fatores que contribuíram para o seu problema) e a comparação social (a pessoa
procura compara as suas habilidades e capacidades com outras pessoas com
problemas semelhantes).

- Respostas de adaptação
Capacidade de a pessoa responder e recuperar perante as adversidades, que
implica um conjunto de qualidades que promovem um processo de adaptação com
êxito e transformação, apesar os riscos e a adversidade.
Recursos de adaptação individual e de resiliência:
- Sentido de coerência - sentimento de confiança generalizado e estável,
embora dinâmico, e que se traduz nos seguintes aspetos: estímulos internos
externos, no decurso da vida são percecionados como sendo estruturados,
previsíveis e explicáveis; existem recursos para fazer face às exigências
desses estímulos; exigências que constituem desafio merecedores de
investimentos e compromisso.
- Locus de controlo – expetativas generalizadas que a pessoa cria relativas
à obtenção de reforços em dada situação; Locus de controlo interno (qd a
pessoa obtém dado reforço, se acredita que ele foi devido ao seu esforço
e/ou qualidades); Locus de controlo externo (qd a pessoa acredita que o
reforço se deveu às circunstâncias externas – intervenções de outras
pessoas mais poderosas ou fatores de sorte).
- Expetativas de eficácia pessoal – refere-se à crença de ser realmente
capaz de executar e de obter êxito em determinada tarefa; perceção ou
expetativa das próprias capacidades; refere-se aos juízos acerca do que a
pessoa pode fazer, independentemente das competências que possua.
- Robustez “hardiness” – características de personalidade que parecem ter
uma influência positiva no estado de saúde e que contrariam o efeito
negativo de eventos perturbadores, evitando, assim, que conduzam à
doença (inclui três componentes inter-relacionados: compromisso,
controlo, desafio).
Fatores psicossociais:
- Interação com os pais e educadores;
- Interação na educação e na vida laboral;
- Interação em situações especiais;
- Apoio Social.

- Mecanismos de adaptação
Coping é definido como os esforços, cognitivos e comportamentais, realizados
pelo indivíduo para lidar com exigências específicas, internas ou externas, que
surgem em situações de stress e são avaliadas como sobrecarregado ou excedendo
os seus recursos pessoais. Numa perspetiva cognitivista, o coping é divido em
duas categorias fundamentais: coping focalizado na emoção; coping focalizado no
problema (mecanismo adaptativo mais saudável).
Crise
A crise é uma perturbação resultante de uma ameaça percebida, que desafia os
mecanismos de enfrentamento habituais do individuo. As crises são momentos de maior
vulnerabilidade, mas também podem estimular o crescimento (A forma como a crise é
enfrentada determina se o resultado será crescimento ou desorganização. O crescimento
vem da experiência a partir de novas situações). A ameaça ou o evento desencadeante
geralmente podem ser identificados, podendo ocorrer semanas ou dias atrás e podendo ou
não estar ligados ao estado de crise na mente do indivíduo. Os eventos desencadeantes
são perdas, ameaças de perdas ou desafios.
Depois de um evento desencadeante, a ansiedade sobe e emergem 4 fases da crise. Na
primeira, a ansiedade ativa os métodos normais de enfrentamento do indivíduo. Se estes
não conseguirem um alívio e não existir apoio adequado, o individuo segue para a
segunda fase, que envolve mais ansiedade porque os mecanismos de enfrentamento
fracassaram. Na terceira fase, novos mecanismos de enfrentamento são tentados ou a
ameaça é redefinida, de modo que os antigos métodos de enfrentamento possam
funcionar. A resolução do problema pode ocorrer nesta fase. Contudo, se a resolução não
ocorre, a pessoa ingressa na quarta fase, na qual a continuação de níveis de ansiedade ou
de pânico pode levar à desorganização psicológica.
Existem dois tipos de crises: de desenvolvimento/maturação e situacionais
As crises de desenvolvimento são eventos evolutivos que exigem mudança de papeis.
As pressões tanto sociais como biológicas para mudar podem precipitar uma crise. A
natureza e a extensão da crise podem ser influenciadas por modelos, recursos
interpessoais e facilidade de outros em aceitar o novo papel.
As crises situacionais ocorrem quando um evento da vida perturba o equilíbrio
psicológico de um indivíduo ou de um grupo. Podem ser de vitimização (perda de
emprego, divórcio, violação, assassinato) ou de desastre (sismos e terramotos, incêndios,
tornados, acidentes de viação).

Intervenção na crise
A intervenção em crises é uma estratégia de tratamento breve, focalizada e de tempo
limitado, que se mostrou eficiente em auxiliar as pessoas a enfrentar adaptativamente os
eventos stressantes.
O objetivo da intervenção na crise é que o indivíduo retorne a um nível de funcionamento
anterior à crise. Os fatores específicos a considerar na intervenção em crise incluem os
seguintes:
- Situação de migração e de cidadania
- Papeis de género e familiares
- Sistemas de crenças religiosas
- Utilização de outros familiares e sistemas de suporte.

As pessoas em crise apresentam muitos sintomas, incluindo raiva, apatia, tédio,


lombalgias, crises de choro, descrença, fadiga, esquecimentos, cefaleias, insónia,
irritabilidade, instabilidade, pesadelos, fraca concentração, tristeza, insegurança, abuso
de substâncias, pensamentos suicidas, retraimento social, entre outros. Por vezes estes
sintomas podem causar grandes problemas, e as crises também podem ser atenuadas por
antigos conflitos, trazidos à superfície pelo problema atual, dificultando a resolução da
crise.
A intervenção em crise é uma terapia breve e ativa com o objetivo de restaurar o nível de
funcionamento anterior à crise. Ao avaliar o paciente, o enfermeiro deve identificar o
comportamento dele, o evento desencadeante, a perceção do evento, os sistemas de apoio
e os recursos de enfrentamento e as competências e mecanismos de enfrentamento
anteriores. O resultado esperado é que o paciente recupere do evento e volte a um nível
de funcionamento anterior à crise.
O enfermeiro usa técnicas ativas, focais e de exploração para executar as intervenções.
O enfermeiro deve ser criativo e flexível, experimentando técnicas diferentes. Algumas
dessas técnicas são expressão de emoções, clarificação, sugestão, manipulação, reforço
do comportamento, apoio das defesas, aumento da autoestima e exploração de soluções.
A resolução de um estado de crise pode ter 3 consequências possíveis: pseudo-
resolução, resolução mal sucedida, resolução bem-sucedida/resolução eficaz de uma
crise (perceção do acontecimento, recursos disponíveis, mecanismos aprendidos).
A verbalização de incapacidade para lidar com os problemas do dia-a-dia, a
incapacidade real para resolver os problemas e a utilização ineficaz dos mecanismos de
Coping são uma forma de reconhecer sinais de crise.
Etapas de intervenção em crise:
Avaliação/Recolha de dados (circunstâncias em que ocorreu, identificar fatores
precipitantes, etc)
Planeamento (Estabelecimento das prioridades de ação, balanço dos recursos da
pessoa)
Implementação (Abordagem orientada para a realidade, ajuda na
consciencialização e clarificação do problema)
Avaliação (Verificar o processo, colaborar com o restabelecimento das redes de
apoio social que podem estar fragilizadas.

3 – História da psiquiatria e Estigma das doenças mentais e dos doentes


mentais
A pessoa com perturbação psiquiátrica enfrenta numerosos obstáculos (ambientais, de
acesso, legais, institucionais e de atitudes) o que causa exclusão social. Para a pessoa
com perturbação psiquiátrica a exclusão social é frequentemente a barreira mais difícil
de ultrapassar está habitualmente ligada a sentimentos de vergonha, medo e rejeição.
O estigma é o termo utilizado para descrever uma característica específica (física ou
psicológica) socialmente inaceitável ou repreensível. O estigma manifesta-se através de
medos, estereótipos, exclusão social e negação dos direitos e liberdades básicas. Os
doentes mentais continuam a ser vistos como imprevisíveis, violentos e perigosos. Os
fatores relacionados com esta problemática: Conhecimento – ignorância (literacia),
atitudes – preconceito; comportamento – discriminação.
Componentes do estigma social:
Estereótipos (categorização de informações sobre grupos sociais)
Preconceito (resposta cognitiva e afetiva que leva à discriminação)
Discriminação (atitude negativa: exclusão de pessoas que não pertencem ao
grupo; atitude positiva: inclusão de pessoas que pertencem ao grupo)
Tipos de estigma:
Estigma público (resposta da população em geral perante as pessoas com doença
mental)
Auto estigma (preconceito que os doentes têm sobre eles próprios).

O conceito social da doença estabelece o papel atribuído ao doente e o tipo de resposta a


dar à doença. O seu conceito depende da corrente de pensamento dominante.
4 – Promoção da saúde mental
Muitas das doenças mentais poderiam ser evitadas se os profissionais de saúde tivessem
um olhar mais cuidado sobre o significado de saúde mental e dos fatores que envolvem
o seu desequilíbrio, para que pudessem propor estratégias mais eficazes considerando as
peculiaridades de cada região. Assim, e considerando que as estratégias que envolvem a
promoção da saúde mental estão incluídas na abordagem da promoção da saúde, a
promoção da saúde mental pode ser considerada um fenómeno de enfermagem.
Através das contribuições de algumas teorias de enfermagem, salienta-se a importância
de se construírem relações interpessoais eficazes entre o enfermeiro e o indivíduo a ser
cuidado (Peplau), considerando as pessoas como seres biopsicossociais (Pender),
entender que a pessoa passa por transições (Meleis), e que precisam de apoio para que
possam adaptar-se de modo a adotar comportamentos mais saudáveis (Roy). Desta
forma, é essencial reforçar as contribuições teóricas de enfermagem, que apontam para
estratégia que auxiliem na construção de ambientes que promovam uma cultura de paz,
no estímulo à integração das comunidades, na promoção de uma abordagem coletiva, e
na prática de liderança de enfermagem na promoção da saúde mental, para que
possamos reforçar e modificar atitudes e práticas de vida.
A promoção da saúde mental e a prevenção da doença mental são aspetos importantes
do cuidado de enfermagem psiquiátrica. Estão descritos 3 níveis de intervenção
preventiva do modelo de saúde pública às doenças mentais e perturbações emocionais:
- A prevenção primária consiste na redução da incidência de um transtorno mental ou a
redução da taxa de desenvolvimento de novos casos de um transtorno;
- A prevenção secundária envolve a redução da prevalência de um transtorno mental,
reduzindo o número de casos existentes. As atividades de prevenção secundária incluem
a identificação precoce dos casos, o acompanhamento e o tratamento imediato e eficaz.
- A prevenção terciária destina-se a reduzir a gravidade de um transtorno mental e as
deficiências associadas por meio de atividades de reabilitação.

5 – Comunicação terapêutica
A comunicação assume um papel fundamental na relação entre um profissional e a
pessoa/grupo alvo dos cuidados, na medida em que é o contexto em que se desenvolve a
relação, e é, ou pode ser uma ação terapêutica por si só, ou complementar a ação
terapêutica de outra intervenção.
A comunicação terapêutica é um tipo singular de comunicação inserida na comunicação
clínica e comunicação em saúde, utilizada por profissionais de saúde para apoiar,
informar, educar e capacitar as pessoas no processo de transição saúde-doença, e/ou na
adaptação a dificuldades. Adicionalmente, na comunicação terapêutica, o profissional de
saúde utiliza um conjunto de técnicas/habilidades para ajudar as pessoas a resolverem os
seus problemas, a se relacionarem melhor consigo e com os outros, a adaptarem-se à sua
condição de saúde e contexto de vida.
Por isso, a comunicação terapêutica é orientada para um objetivo específico, tem uma
intencionalidade dirigida para a situação da pessoa, requere determinadas competências
do profissional, como a capacidade de escuta, disponibilidade, aceitação e pressupõe a
utilização de um conjunto de técnicas/habilidades de comunicação verbal e não verbal,
nas quais a empatia e a assertividade desempenham um papel central.
Comunicação Intrapessoal é a capacidade de comunicar connosco próprios, promove o
autoconhecimento (crenças, valores, princípios, costumes, etc).
A Auto consciencialização é a utilização de “si mesmo” no contexto interpessoal, o uso
de si mesmo como ferramenta terapêutica, é uma capacidade de autoconhecimento e
autocrítica. Métodos de auto consciencialização:
- Introspeção é o processo de observação do próprio comportamento em várias situações,
e é facilitada pelo relaxamento.
- Discussão é uma conversa focalizada acerca do próprio comportamento, a dois ou em
grupo. Tem o objetivo de identificar crenças e sentimentos subjacentes a determinando
comportamento, e requer um grau de confiança mútuo elevado.
- Ampliação da experiência própria é uma técnica que consiste em diversificar situações
para ajudar a desenvolver um sistema de crenças e sentimentos próprios. Permite testar
as crenças à luz da realidade; aumenta a sua capacidade individual e a sua autoconfiança.
- Encenação de Papéis é um exercício em que se encenam os papeis das pessoas
envolvidas numa interação real ou prevista. A encenação deverá ser seguida de uma
discussão. Permite a vivência de situações em tempo real e facilita o desenvolvimento da
empatia pela pessoa cujo papel está a ser encenado.
A Comunicação interpessoal é influenciada por vários fatores, tais como fatores
ambientais, movimento dos olhos, aparência física e vestuário, expressão facial, fatores
interpessoais, território e espaço pessoal e sinais vocais. A comunicação pode ser verbal
e não verbal, esta pode apoiar ou contradizer a comunicação, e pode ser percebida através
de movimentos corporais, expressões faciais, olhar, voz, etc. Meta comunicação refere-
se unicamente ao domínio consciente dos aspetos não verbais da comunicação. A
congruência comunicativa baseia-se no padrão de comunicação no qual a comunicação
verbal, não verbal e a meta comunicação transmitem a mesma mensagem.
As estratégias de comunicação terapêutica podem ser classificadas em 3 grupos: de
expressão, clarificação e validação.
De Expressão – impelir o cliente a expressão os seus pensamentos, sentimentos, dúvidas
e esperanças relativamente à experiência que os desencadeou, de forma a transmitir
segurança e confiança ao utente e mostrar disponibilidade para ajudar. Envolve a
utilização terapêutica do silêncio e/ou humor, escuta reflexiva, repetição das últimas
palavras proferidas pelo cliente, etc.
De Clarificação – compreende técnicas que pretendem esclarecer ou ajudar a
compreender a mensagem transmitida pelo utente, corrigindo a informação inicialmente
obtida, designadamente comparações, descrição dos factos numa sequência lógica,
solicitar ao utente que esclareça termos incomuns.
De Validação – possibilitam a atribuição de significado sobre os pensamentos,
sentimentos, e emoções expressos, assegurando a sua compreensão.
Atitudes são processos mentais individuais que determinam as respostas reais ou
potenciais do indivíduo no mundo social. Porter divide as atitudes comunicacionais em
dois processos, os processos cognitivos que abrangem as atitudes de avaliação,
interrogação e interpretação, e os processos resolutivos, que incluem as atitudes de apoio,
exploração e compreensão.
Atitude de Avaliação – É uma expressão de censura por atos feitos, manifestando
o desejo de controlar o comportamento presente ou futuro do recetor, através do
controlo simbólico exercido sobre o passado. Induz sentimentos de culpa.
Atitude de Orientação – Exprime a intenção de controlar diretamente o
comportamento futuro do recetor, introduzindo sentimentos de dependência em
relação a uma lei, ou então aceitação de informações, com base na autoridade.
Atitude Exploratória (Interrogativa) – Visa recolher informações dos nossos
interlocutores, exprimindo diretamente a necessidade de saber.
Atitude de Interpretação – É uma explicitação do significado que teve para nós a
comunicação do nosso interlocutor, revestindo-se, por isso, de um cariz
tipicamente psicológico.
Atitude de Apoio – É uma resposta “simpática”, manifestando no emissor uma
afetividade concordante com a do recetor.
Atitude de Compreensão (Empática) – É empática, centrada no outro, mas sem
estar em “uníssono emocional”. Exprime o sentimento do interlocutor do ponto
de vista dele; centra a comunicação no presente, e a expressão do sentimento do
interlocutor é de tal forma que o coloca em relevo em relação ao todo restante.

6 – Relação de Ajuda
A relação enfermeiro-cliente através da qual é possível reconhecer, esclarecer e construir
uma compreensão acerca do que acontece com o cliente. O cliente experimentará melhor
saúde quando todas as suas necessidades são plenamente consideradas no
relacionamento.
De acordo com Hildegard Peplau, as relações interpessoais em enfermagem, são assentes
nos seguintes pressupostos:
- Atitude do enfermeiro facilita a aprendizagem do cliente; ajudas baseadas na técnica de
resolução de problemas;
- Objetivo: ajudar a pessoa e os grupos a produzir mudanças que influenciem de forma
positiva a sua vida; valoriza o cuidado físico, proporcionando aproximação ao cliente
facilitando a compreensão e conexão de circunstâncias presentes e experiências prévias.
A relação de ajuda tem como objetivos: 1- ultrapassar uma dificuldade; 2 – resolver uma
situação problemática atual ou potencial; 3 – encontrar um funcionamento atual mais
satisfatório; 4 – detetar o sentido da existência.
O enfermeiro tem ser preciso e concreto, estar centrado no presente tanto no que lhe diz
respeito como no que se refere aos outros, clarificar respeitar-se e respeitar os outros; ser
congruente em relação a si próprios e em relação aos outros, ser empático consigo próprio
e com os outros; confrontar-se consigo próprio e com os outros.
A relação de ajuda pressupões influência de quem ajuda (interação social), não necessita
de hierarquia, relação igualitária, o ato de ajudar é complementar, não é diretiva, promove
a autonomia e o “crescimento”.
É um processo gradual, com um início e um fim, fase de preparação, fase de exploração,
fase de finalização. A escuta ativa é a capacidade base primordial à relação de ajuda, é
um instrumental essencial que o enfermeiro deve desenvolver e permite, manifestar à
pessoa que ela é importante, identificar as emoções da pessoa, ajudar a pessoa a identificar
os seus problemas, ajudar a pessoa a elaborar um plano de ação realista e eficaz. A
clarificação é a capacidade de ajudar a pessoa a exprimir de forma clara a sua vivência
ou simplesmente aquilo que depreendeu. Respeito consiste em agir de forma a comunicar
ao outro que o respeitamos suficientemente para tentarmos compreender exatamente o
que ele vive, é acreditar no seu potencial, escutá-la atentamente, abster-se de a julgar e
tentar compreender o seu ponto de vista. A congruência possibilita que haja concordância
entre o que o individuo vive interiormente, a consciência que ele tem daquilo que viveu
e a expressão dessa vivência, traduzida conscientemente pelo seu comportamento.
Empatia é a capacidade de se afastar das suas preocupações das suas preocupações
pessoais e dar provas de flexibilidade suficiente para pôr de lado o seu quadro de
referência habitual a fim de mergulhar no do cliente, é a capacidade de estar em contacto
próximo com o que a pessoa vive no momento atual.
O modelo de Egan (Egan’s Skilled Helper Model) é um modelo de usado para
aconselhamento ou coaching, onde o objetivo é alcançar mudanças duradouras e
empoderar pessoas para resolver os seus problemas de forma mais eficaz e desenvolver
oportunidades não utilizadas de maneira mais completa.

7 – Intervenções psicossociais: Atividades de Ocupação Terapêutica e


Relaxamento Terapêutico
As atividades de ocupação terapêuticas são atividades de recreação ou de vida diária,
mental ou física, que integra técnicas terapêuticas selecionadas e prescritas consoantes os
objetivos pretendidos, enquadradas na relação enfermeiro-doente, com efeitos
psicoterapêuticos. Visa promover, manter e/ou recuperar as capacidades do individuo
para a autonomia e satisfação das necessidades fundamentais.
Tem como objetivos, recuperar, reeducar, reabilitar, reintegrar (social e
profissionalmente), maximizar ou manter a autonomia e avaliar as capacidades funcionais
dos utentes. As atividades necessitam de um planeamento prévio, e implicam a avaliação
das necessidades e recursos, planeamento da atividade, programa de ação, execução e
avaliação. A avaliação assenta em 3 dimensões: cognitiva (determinação do nível de
exigência/resposta produzida pela atividade do indivíduo), afetiva (proporção do
desenvolvimento de emoções, sentimentos, e relações do indivíduo) e comportamental
(verificação de gestos, posturas e outros comportamentos).
Elementos de um plano de AOT:
- Tema
- Hora e data
- Critérios de escolha dos participantes
- Recursos necessários (humanos, materiais, financeiros, estruturais)
- Estratégia ou metodologia
- Objetivos (finalidade, resultados esperados)
- Avaliação

Relaxamento
Técnicas de Relaxamento
Respiração abdominal (reflete diretamente o nível da tensão).
Aumento da ansiedade – respiração acelerada, superficial, torácica;
Diminuição da ansiedade – respiração mais lenta, profunda e abdominal.
O sangue oxigenado além de dificultar a oxigenação dos diversos tecidos, também
contribui para o agravamento dos estados de ansiedade.
Benefícios:
Aumento do nível de O2 no cérebro e tecido muscular;
Estimula o sistema nervoso parassimpático;
Promove o sentido de coesão entre o corpo e a mente;
Aumenta a excreção de várias toxinas através dos pulmões;
Promove a concentração.
Relaxamento progressivo (o êxito do relaxamento dependerá):
Reconhecer e relaxar a tensão muscular;
Praticar diariamente em casa;
Aplicar o relaxamento na vida quotidiana da pessoa.
Benefícios:
Aumento do nível de energia vital e da produtividade;
Desenvolvimento da concentração e da memória;
Redução da fadiga e insónia;
Aumento do limiar de tolerância à dor;
Diminuição da FR, FC e TA;
Prevenção ou redução de sintomas psicossomáticos como HTA, cefaleias, crises
de ansiedade.
8 – Intervenções psicossociais: Treino de Competências Sociais
9 – Planeamento de uma sessão de educação para a saúde mental
10 – História clínica psiquiátrica e exame do estado mental
O exame do estado mental corresponde a um corte transversal no estado e sintomatologia
do doente. Representa a síntese da observação psiquiátrica e as impressões num
determinado momento, construindo um importante meio para avaliar a evolução de um
quadro clínico.
1. Apresentação (aspeto geral, atitude, resposta ao contacto)
- Vem por vontade própria ou “forçado” por alguém
- Postura (Tensa, flácida, fletida, expansiva, retraída, estereotipias motoras, ...)
- Forma de vestir (perfecionista, excêntrico, exibicionista ou desleixado)
- Higiene e arranjo pessoal
- Idade aparente versus a real
- Características físicas (anomalias físicas evidentes)
- Expressão facial (triste, alegre, zangado, surpreendido, aborrecido, irritado,
desgostoso, inexpressivo, risos imotivados…)
- Contacto, adequação das respostas, vontade de cooperar (empático, fácil/difícil;
colaborante / não colaborante; cordial; superficial/profundo; retraído/exuberante;
hostil; desconfiado; indiferente; negativista; regressivo, autismo).
2. Consciência
Atividade integradora dos fenómenos psíquicos, o todo momentâneo que
possibilita o tomar consciência da realidade naquele instante. Estado em que o
indivíduo está ciente em relação a si próprio e ao meio que o rodeia.
Aspetos funcionais:

Consciência de
si mesmo

Clareza da
consciência (lucidez)
Consciência
Vivência da realidade
Estado Vigil
do tempo

Consciência da
experiência
Alterações “patológicas” da consciência
- Quantitativas: correspondem a alterações da vigilidade. Implicam uma diminuição da
consciência (+ comum). 1) Hipervigilia 2) Obnulação 3) Sonolência 4) Torpor 5) Coma
e morte cerebral.
- Qualitativas (estreitamento da consciência): pode haver diminuição ao nível da
consciência com eventual desorientação alopsíquica, podem ter causa orgânica (epilepsia,
TCE, ação de tóxicos) ou causa psicogénica (situações emocionais – ansiedade, etc).
- Expansão da consciência: sente o mundo mais intenso, profundo e compreensível, pode
surgir como consequência do consumo de substâncias, ou pode surgir em quadros
psicóticos agudos (esquizofrenia e mania).
- Delirium ou estado confusional agudo: síndrome inespecífico associado a patologia
orgânica – perturbação da consciência, atenção, perceção, pensamento, memória,
comportamento psicomotor, emoção e ciclo sono-vigília. Diminuição abrupta do nível da
consciência com flutuações (normalmente noturnas).
- Delirium tremens: associado a situações de abstinência alcoólica (1º ao 7º dia),
caracterizado por sintomas físicos (tremor, taquicardia, hipertensão, febre, sudorese,
desidratação). Pode estar associado a alucinações visuais.
3. Atenção
Refere-se à orientação da atividade psíquica sobre determinado estímulo, objeto
ou evento. Pode ser, ativa (voluntária), ou seja, existe esforço consciente e
intencional, ou passiva (espontânea), onde não existe um esforço consciente.
Alterações da atenção:
- Hiperprosexia (atenção aumentada)
- Hipoprosexia (diminuição da atenção)
- Distratibilidade (instabilidade e mobilidade acentuada da atenção voluntária).
4. Orientação
Capacidade de se identificar e de se situar adequadamente no tempo, no espaço,
na sua situação pessoal e no ‘geral’.
Alterações da orientação:
- Alopsiquica (ao que está fora da pessoa): desorientação no tempo, desorientação no
espaço (tem, em princípio, etiologia orgânica), incapacidade de reconhecimento do
“outro”.
5. Memória
Fases da memória: Sensorial ou imediata; primária, recente ou a curto prazo ou de
trabalho; e secundária, remota ou a longo prazo;
Estágios de formação da memória:
Apreensão – Retenção – Evocação – Reconhecimento
Alterações da memória:
- Hipermnesia: sonhos, surgem com grande clareza, coisas que na vigília não poderiam
ser reproduzidas.
- Hipomnésia: debilidade da memória; enfraquecimento progressivo das capacidades de
evocação, reconhecimento de pessoas e esquecimento de nomes. Enquanto que a amnesia
é a perda da memória e falta da capacidade de fixar, manter e evocar antigos conteúdos.
- Amnésia anterógrada (incapacidade de aprender ou reter novos factos; geralmente
orgânico).
- Amnésia Retrógada (incapacidade para recuperar informação que tenha sido
armazenada antes do início da perturbação).
- Amnésia Lacunar (perda parcial da memória relativa a um período de tempo).
6. Perceção
7. Pensamento
8. Linguagem e discurso
9. Humor, afetos e emoções
10. Insight ou consciência sobre a doença
Conhecimento da doença
Compreensão dos efeitos da doença
Atitude perante a doença

11 – Psicopatologia do pensamento e da perceção


A função senso-percetiva traduz-se pela capacidade de a pessoa apreender na sua
consciência os objetos do mundo, ou mesmo o próprio mundo; capta intuitivamente
(órgãos sensoriais) e integra com significado (consciência reflexiva).
As alterações percetivas podem ocorrer em qualquer das modalidades sensoriais, na
ausência de qualquer estímulo e podem ser simples ou complexas.
1– Alucinoses: designa uma imagem patológica que possui todas as características de
uma imagem alucinatória, menos a convicção de realidade ou participação do eu. São de
natureza invariavelmente orgânica (intoxicação alcoólica, de outras substâncias
psicoativas, neurológicas).
2 – Ilusões: caracteriza-se pela presença real de um estímulo ou um objeto com
deformação do percebido, é uma perceção alterada de um objeto real e presente.
3 – Alucinações: perceção clara, definida e convicta de um objeto inexistente, as
alucinações ocorrem em todas as modalidades sensoriais. As alucinações auditivas-
verbais são características da esquizofrenia e das perturbações do humor.

O pensamento envolve mais do que a linguagem, possibilita a integração das


representações, perceções e afetos na formulação das ideias. A avaliação do conteúdo e
do processo do pensamento é crucial para a avaliação do estado de saúde mental da
pessoa, é baseada na exploração da linguagem verbal e não verbal.
Conteúdo do Pensamento:
Delírio: crença, ideia, juízo falso, com total certeza subjetiva (incorrigível), não
influenciável pela experiência (convicção). Alteração primária do pensamento, com
conteúdo impossível, mas o indivíduo tem convicção da veracidade da sua interpretação.
Obsessões: São pensamentos intrusivos, indesejados e desagradáveis, que não
conseguem ser suprimidos pela vontade da pessoa.
Ideação suicida: é uma das áreas mais importantes do conteúdo do pensamento a avaliar
no exame mental. Varia na sua intensidade, avaliar a sua presença/ausência e a avaliação
da sua gravidade. Desejo de morte (passivo ou ativo).

12 – Psicopatologia da Ansiedade
Ansiedade. É uma emoção que se experimenta em situações ameaçadoras. É considerada
patológica quando é desproporcionada para a situação e demasiado prolongada. Neste
caso, a atenção está focalizada na resposta do indivíduo perante a ameaça, associando-se
preocupações sobre o significado dessa resposta.
Alguns tipos de Perturbações de Ansiedade (PA):
§ Ataques Pânico (sintomas de falta de ar, palpitações desconforto ou dor no peito,
sensações de sufoco e medo de “enlouquecer” ou de perder o controlo estão presentes)
§ Agorafobia
§ Perturbação de pânico (característica essencial é a presença de Ataques de Pânico
inesperados e recorrentes seguidos de pelo menos um mês de preocupação persistente).
§ Fobia social
§ Perturbação da Ansiedade Generalizada (foco da ansiedade e preocupação não está
limitada. A ansiedade, preocupação ou sintomas físicos causam deficit e mal-estar e não
é provocada por um estado físico geral ou efeito fisiológico direto de uma substância)
§ Perturbação Obsessivo-Compulsiva (insight) (são comportamentos repetitivos, ou atos
mentais cujo objetivo é evitar ou reduzir a ansiedade ou o mal-estar e não criar prazer
ou gratificação. a pessoa sente-se compelida a executar a compulsão para reduzir o mal-
estar que acompanha a obsessão ou para evitar a situação temida).
§ Perturbação Pós-Stress Traumático (desenvolvimento de sintomas característicos a
seguir à exposição a um stressor traumático extremo, implicando uma experiência
pessoal direta com um acontecimento que envolva morte, ameaça de morte ou ferimento
grave, ou observar ou ter conhecimento acerca de uma morte violenta, ferimento grave
ou ameaça de morte vivido por um familiar ou amigo íntimo. A resposta envolve medo
intenso, sentimento de incapacidade de ter ajuda ou horror. Os sintomas específicos
consistem em re experienciar persistente do acontecimento traumático)

Tratamento:
De modo geral, o tratamento para as perturbações da ansiedade centra-se em tratamentos
farmacológicos, e não farmacológicos, onde se encontram a psicoterapia/psicoeducação,
terapia cognitiva comportamental, é importante excluir a presença de um quadro
depressivo.

13 – Perturbações do Humor
Humor é um estado de ânimo, disposição, afeto fundamental. Um sentimento difuso sem
objeto, que vai sem dúvida colorir emoções, afetos, impulsos, pensamentos e todos os
fenómenos da vida psíquica como se fosse o seu pano de fundo.
Perturbação Bipolar tipo I - ocorrência de pelo menos um episódio maníaco, hipomaníaco
ou misto é que vai determinar o diagnóstico de perturbação bipolar mesmo que os
episódios depressivos sejam muito mais frequentes.
Episódio maníaco é um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado,
expansivo ou irritável, com duração de pelo menos uma semana e presente na maior parte
do dia quase todos os dias (ou qualquer duração se for necessária hospitalização).
Sintomas: Autoestima aumentada ou grandiosidade; Diminuição da necessidade de dormir; Mais
falador que o habitual e pressão para continuar a falar; Fuga de ideias ou experiência subjetiva de
aceleração do pensamento; Distractibilidade; Aumento da atividade dirigida para determinados
objetivos (sociais, escolares, sexuais) ou agitação psicomotora Envolvimento excessivo em
determinadas atividades agradáveis que potencialmente podem ter consequências desagradáveis
(gastos extravagantes, comportamentos sexuais indiscretos).
Episódio hipomaníaco tem critérios idênticos aos episódios maníacos, mas com menor
intensidade e duração. O episódio não é suficientemente grave para provocar um défice
marcado no funcionamento social ou ocupacional ou para necessitar de hospitalização.
Episódio depressivo major caracteriza-se pela presença de cinco ou mais dos seguintes
sintomas durante o mesmo período de duas semanas e representam uma alteração
relativamente ao funcionamento prévio. Pelo menos um dos sintomas é humor depressivo
ou perda do interesse ou do prazer. (Perda de peso ou aumento significativo (5% num mês),
insónia ou hipersónia quase todos os dias, agitação ou lentificação psicomotora quase todos os
dias, fadiga ou perda de energia quase todos os dias, sentimentos de desvalorização ou culpa
excessiva ou inapropriada (delirante) quase todos os dias, diminuição da capacidade de pensar ou
concentrar-se ou indecisão, quase todos os dias pensamentos recorrentes acerca da morte, ideação
suicida recorrente sem plano específico, ou uma tentativa de suicídio ou um plano específico
para cometer suicídio).
Perturbação Bipolar II, um ou mais episódios depressivos major acompanhados por pelo
menos um episódio hipomaníaco.
Perturbação Ciclotímica caracteriza-se pelo menos dois anos com numerosos períodos de
sintomas hipomaníacos que não preenchem os critérios para episódio maníaco e
numerosos períodos de sintomas depressivos que não preenchem os critérios para
episódio depressivo major.
As perturbações bipolares têm uma incidência semelhante em ambos os sexos. O
tratamento consiste em tratamentos farmacológicos, psicoeducativos e psicoterapia.

14 – Esquizofrenia
As perturbações associadas à esquizofrenia caracterizam-se por terem sintomas psicóticos
(perda dos limites do “eu” ou uma marcada incapacidade para avaliar a realidade), os
sintomas podem ser positivos ou negativos.
Sintomas positivos refletem um excesso ou distorção de funções, incluem distorção ou
exageros de pensamento indutivo (delírios), perceção (alucinações), linguagem e
comunicação (discurso desorganizado) e comportamento (comportamento marcadamente
desorganizado ou catatónico).
Sintomas negativos refletem uma diminuição ou perda de funções, incluem restrições no
conjunto e intensidade de expressões emocionais (diminuição da expressão emocional),
na fluência e produtividade de pensamento e discurso (alogia), e a iniciação de um
comportamento dirigido com objetivo.
Características chave que definem as perturbações psicóticas:
1. Delírios (crenças fixas que não são passíveis de mudar à luz da evidência oposta)
Delírio de referência
Delírios Niilísticos
Delírios Bizarros
2. Alucinações (experiências de tipo percetivo que ocorrem sem um estímulo externo,
podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial, mas as alucinações auditivas são as
mais comuns na esquizofrenia)
3. Pensamento (discurso) desorganizado (tipicamente inferido a partir do discurso do
indivíduo)
Descarrilamento ou afrouxamento de associações
Tangencialidade
Incoerência ou salada de palavras
4. Comportamento motor anormal ou grosseiramente desorganizado (incluindo catatonia
– posição rígida imóvel)
Negativismo
Mutismo e Estupor
Excitação catatónica
5. Sintomas negativos
Diminuição da expressão emocional
Avoliação
Anedonia
Isolamento Social
Alogia

O tratamento da Esquizofrenia é um tratamento “de manutenção”, ou seja, não há cura, a


esquizofrenia é uma doença crónica, e pode ser psicofarmacológico (maioritariamente
antipsicóticos), psicológico (psicoterapia individual, terapia comportamental, treino de
competências sociais, etc), abordagem psicossocial e recovery (tratamento assertivo na
comunidade).
15 – Perturbações induzidas por substâncias psicoativas
A característica essencial da dependência é um conjunto de sintomas cognitivos,
comportamentais e fisiológicos indicativos de que o indivíduo continua a utilizar a
substância apesar dos problemas significativos relacionados com esta. Existe um padrão
de autoadministração repetida que resulta geralmente em tolerância, abstinência e
comportamento compulsivo quanto ao consumo.
Tolerância – necessidade de quantidades crescentes para atingir o efeito adequado, com
diminuição acentuada do efeito com a utilização continuada da mesma substância.
Abstinência – específico para a substância, sendo que a mesma substância (ou outra
semelhante) é usada para aliviar ou evitar sintomas de abstinência. São abandonadas
importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas.
A dependência pode ou não ser fisiológica, e pode ser aplicada a todas as classes de
substâncias exceto a cafeína.

16 – Psicofarmacologia
Antipsicóticos
Bloqueia os recetores de dopamina nos antipsicóticos típicos ou de 1ª Geração,
diminuindo os sintomas positivos da esquizofrenia (podem ter efeitos extrapiramidais –
importante fator de não adesão terapêutica), ou bloqueio dos recetores de dopamina e
serotonina nos antipsicóticos atípicos ou de 2ª Geração, diminuindo os sintomas positivos
e negativos da esquizofrenia (sem efeitos extrapiramidais significativos). Os
antipsicóticos atípicos atingem um estado de equilíbrio dinâmico ao fim de
aproximadamente 4 dias e não causam dependência.
Os efeitos secundários mais frequentes decorrentes da toma de antipsicóticos clássicos
são o parkinsonismo, acatísia (agitação, hiperatividade), discinesia tardia (movimentos
rítmicos, estereotipados, involuntários).
Ansiolíticos, sedativos e hipnóticos
Atuam de forma a deprimir a atividade do córtex cerebral, e são utilizados no tratamento
de síndromes de ansiedade e indução/manutenção do sono. Podem ser divididos em
benzodiazepinas (possuem propriedades miorelaxantes e anticonvulsivantes), e
hipnóticos. Alguns dos efeitos secundários são dependência física e psicológica,
sonolência, lipotímias, hipotensão transitória; náuseas e vómitos. Síndroma de
abstinência grave se a medicação for interrompida bruscamente.
Antidepressivos
Estão indicados para as perturbações do humor, da ansiedade, enurese, hiperatividade, e
de modo geral interferem com a recaptação de um ou mais neurotransmissores. A
noradrenalina e a serotonina são os mais relevantes no processo. Os Inibidores seletivos
da recaptação da serotonina (ISRS) são os mais utilizados, a serotonina é um
neurotransmissor associado à regulação do humor, emoções, sono e apetite. Demoram
pelo menos 2 semanas para começarem a fazer efeito e até 8 semanas para atingirem seu
potencial máximo. Os efeitos secundários mais frequentes são secura da mucosa oral,
sedação, agitação, hipotensão, vertigens, obstipação, hipomania, visão turva, ansiedade,
inquietude e irritabilidade.

Estabilizadores do humor
Os estabilizadores do humor estão indicados agudos de mania e hipomania, doença
bipolar recorrente e perturbação esquizoafetiva. Regulam a concentração de sódio, e
interferem na informação ao longo das células nervosas, prevenindo as mudanças de
humor.

17 – Intervenções Autónomas de Enfermagem


Indivíduos com perturbações da Ansiedade
Níveis de Ansiedade
Ansiedade Ligeira Ansiedade Moderada Ansiedade Grave
- Redução em grande escala do
- Associada aos problemas da campo de perceção
- Focalização no problema
vida - Focalização dirigida para o
imediato com bloqueio da
- Motiva para a aprendizagem alívio da ansiedade
periferia
- Favorece a autorrealização e - Conduta dirigida para o
- Campo de perceção estreito
criatividade alívio da ansiedade
- Ausência de atenção seletiva
- Campo de perceção ativo - Necessidade de ajuda para
controlo de emoções
Necessidades Humanas Fundamentais (Principais alterações)

RESPIRAR
Taquipneia
Dor no “peito”
ELIMINAR
Diarreia
MOVIMENTAR-SE E MANTER UMA BOA POSTURA CORPORAL
Palpitações, taquicardia
Aumento da T.A
Lipotimia
Tremores
Agitação, inibição, descoordenação de movimentos
Aumento da tensão física
Movimentos diversos (pés, pernas, mãos,..)

DORMIR E REPOUSAR
Insónia, Medo, Inquietação
MANTER A TEMPERATURA CORPORAL DENTRO DOS VALORES NORMAIS
Sudorese, pele fria e húmida
EVITAR OS PERIGOS
Medo
Inquietação
COMUNICAR COM OS SEUS SEMELHANTES
Alteração da atenção
Evitamentos
Erros de processamento de informação
Bloqueio do pensamento
Impaciência, intolerância
Inquietação
Medo
AGIR SEGUNDO AS SUAS CRENÇAS E OS SEUS VALORES
Impaciência, intolerância
OCUPAR-SE COM VISTA A REALIZAR-SE
Diminuição da criatividade e do campo percetivo
Impaciência, intolerância
RECREAR-SE
Diminuição da criatividade e do campo percetivo
Impaciência, intolerância
APRENDER
Diminuição da criatividade e do campo percetivo
Impaciência, intolerância

Focos de Atenção de Enfermagem (CIPE) – Diagnósticos de Enfermagem


- Ansiedade à Ansiedade Grave
- Autocontrolo de ansiedade à Autocontrolo da Ansiedade Ineficaz
- Coping

Exemplos de Intervenções:
INTERVENÇÕES
Explorar com a pessoa as estratégias de coping que utiliza em situações de ansiedade, às 10
horas, diariamente, nos próximos 5 dias, no gabinete de entrevistas, individualmente.
Promover interação social encorajando a participar na Ginástica, às 10h30m, todos os dias, 10
minutos antes de cada atividade, no quarto da doente, individualmente.
Instruir exercícios respiratórios de relaxamento, sentada no cadeirão do quarto da pessoa, todos
os dias às 11h30m, até dia x de Novembro.
Incentivar a prática dos exercícios respiratórios de relaxamento autonomamente, 2 vezes por
dia, às 9 horas (após o levante) e às 22 horas (antes de deitar).

Indivíduos com perturbações do Humor


Necessidades Humanas Fundamentais (Principais alterações)

COMER E BEBER
Vómitos e Náuseas; Indigestão
Perda de Peso
ELIMINAR
Obstipação
MOVIMENTAR-SE E MANTER UMA BOA POSTURA CORPORAL
Fadiga, Cansaço
Lentificação Motora
DORMIR E REPOUSAR
Insónia ou Hipersónia
VESTIR-SE E DESPIR-SE
Défice de autocuidado
ESTAR LIMPO E CUIDADO, E PROTEGER OS TEGUMENTOS
Défice de autocuidado de higiene e cuidado pessoal
EVITAR OS PERIGOS
Anorexia, Bulimia
Verbalização de ideação suicida
Comportamento Auto lesivo/Tentativa de Suicídio
Consumo de substâncias
COMUNICAR COM OS SEUS SEMELHANTES
Isolamento Social Embotamento afetivo
Apatia e solidão Diminuição da libido
Auto-culpabilização Ruminação do pensamento
Queixas somáticas (excessivos pensamentos
Passividade/Agressividade negativos sobre si, sobre os
Raiva, culpa e ansiedade outros e sobre o futuro)
Autoestima diminuída Ambivalência
Falta de espontaneidade Confusão, indecisão
Tristeza, desesperança e Pensamentos automáticos/
impotência distorções cognitivas - Erros no
Labilidade emocional processamento da informação
Regressão, exigências frequentes (sobregeneralização,
Humor depressivo personalização).
Humor disfórico
AGIR SEGUNDO AS SUAS CRENÇAS E OS SEUS VALORES
Tristeza, desesperança e impotência
Pensamentos negativos sobre si, sobre os outros e sobre o futuro
OCUPAR-SE COM VISTA A REALIZAR-SE
Défice de motivação/interesse; anedonia, abulia
Redução da capacidade de concentração e atenção
RECREAR-SE
Défice de motivação/interesse; anedonia, abulia
Redução da capacidade de concentração e atenção
APRENDER
Défice de motivação/interesse; anedonia, abulia
Redução da capacidade de concentração e atenção

Focos de Atenção de Enfermagem (CIPE) – Diagnósticos de Enfermagem


Tristeza à Tristeza Autocontrolo: Ansiedade (nível...)
Solidão Autocontrolo: Distorção do pensamento
Desespero Autocuidado: higiene
Comunicação à Comunicação Autocuidado: vestir e despir-se
comprometida Autocuidado: comer e beber
Coping Autocuidado: sono e repouso
Autoconceito: autoestima à Tentativa de suicídio à Risco de
Autoestima diminuída tentativa de Suicídio
Ansiedade

Exemplos de Intervenções
INTERVENÇÕES
Promover a participação na Ginástica, às 10h00, todos os dias, 10 minutos antes de cada atividade, no
quarto da doente, individualmente.
Disponibilizar presença, informando a doente da disponibilidade sem forçar o envolvimento da doente, uma
vez no início de cada turno, durante 5 minutos, no quarto da doente, individualmente.
Gerir ambiente terapêutico: reduzindo estímulos, e personalizando o contacto sempre com o mesmo/a
enfermeiro/a;
Vigiar a toma da medicação, durante as refeições e ao deitar, todos os dias;
Entrevista individual, a realizar de 2a a 6a feira após a Atividade de Ginástica, pelas 10h45, num gabinete,
durante cerca de 10-20 minutos, abordando a seguinte ordem de assuntos:
• Encorajar à expressão de pensamentos, sentimentos e preocupações;
• Escutar ativamente, demonstrando interesse pelo conteúdo da conversa da doente;
• Estabelecer relação de compreensão e aceitação do seu estado clínico.
Perturbações do humor – Episódio Maníaco
Focos de Atenção de Enfermagem (CIPE)
• Euforia • Pensamento distorcido
• Raiva • Autocontrolo: Distorção do
• Hostilidade pensamento
• Violência • Autocontrolo: Impulso
• Comunicação • Autocuidado: higiene
• Coping • Autocuidado: vestir e despir-se •
• Auto-conceito: auto-estima Autocuidado: comer e beber
• Ansiedade • Autocuidado: sono e repouso
• Autocontrolo: Ansiedade (nível...)

Diagnósticos de Enfermagem
Pensamento Distorcido / Autocontrolo: Distorção do pensamento
Comunicação comprometida
Coping Ineficaz
Hostilidade
Autocontrolo: impulso ineficaz

Exemplos de intervenções
INTERVENÇÕES
Disponibilizar presença, informando a doente da disponibilidade sem reforçar comportamentos
de dependência, uma vez por turno às 9h30m, durante 5 minutos, no quarto da doente,
individualmente.
Promover interação social adequada encorajando a doente a participar na Ginástica, às 10h00,
todos os dias, 10 minutos antes de cada atividade, no quarto da doente, individualmente.
Entrevista individual, a realizar de 2a a 6a feira após almoço num gabinete, durante cerca de
20-30 minutos, abordando a seguinte ordem de assuntos:
• Encorajar à expressão de pensamentos, sentimentos e preocupações;
•Escutar ativamente, demonstrando interesse pelo conteúdo da conversa da doente;
• Estabelecer relação de compreensão e aceitação do seu estado clínico.
Supervisionar mania nos momentos de interação grupais (refeições, aot’s) em cada turno, em
SOS.
Indivíduos com Esquizofrenia e outras perturbações psicóticas
Necessidades Humanas Fundamentais (Principais alterações)
Comer e beber: recusa da alimentação, alterações do padrão alimentar
Movimentar-se e manter uma boa postura corporal: imobilidade, maneirismos e posições
peculiares; desenvolver comportamentos ritualistas
Dormir e repousar: alteração do padrão de sono
Vestir-se e despir-se: défice no autocuidado
Estar limpo e cuidado, e proteger os tegumentos: défice de autocuidado de higiene e
cuidado pessoal
Evitar os perigos: diminuição da resposta à dor ou outros estímulos, da autoestima;
dificuldade na tomada de decisões e no juízo crítico; aumento da desconfiança; risco de
violência
Comunicar com os seus semelhantes: alterações no discurso; contacto visual pobre;
alterações da perceção; perda de associações, fuga de ideias; inserção e roubo do
pensamento; delírio; alucinações; ambivalência emocional/afetiva; ira e negativismo;
aumento da impulsividade; ansiedade generalizada (angústia psicótica); humor
deprimido; diminuição da autoestima; afetos inadequados; entre outras alterações
Agir segundo as suas crenças e os seus valores: Incapacidade de se perceber de forma
real + Pensamentos “mágicos”
Ocupar-se com vista a realizar-se: dificuldade em processar os estímulos complexos;
alteração do desempenho de papéis (função executiva)
Recrear-se: dificuldade em processar os estímulos complexos
Aprender: deficits cognitivos (memória, aprendizagem, atenção, concentração)

Focos de Atenção de Enfermagem (CIPE)


• Perceção • Comportamento • Hostilidade
• Alucinação desorganizado • Risco de Violência •
• Pensamento distorcido • Inquietação Violência
• Delírio • Agitação • Autocuidado
• Crença errónea [Psicomotora] • Atenção
• Insight • Comportamento • Concentração
• Medo agressivo • Aprendizagem
• Memória
• Comunicação • Angústia • Capacidade Para Gerir
• Socialização • Autoestima o Regime
• Isolamento social • Não adesão Medicamentoso Efetiva
• Autoconsciência • Não adesão à • Aceitação do estado
• Autocontrolo medicação de saúde
• Coping • Atitude Face à Gestão • Conhecimento sobre a
• Ansiedade de Medicamentos saúde

Diagnósticos de Enfermagem
Delírio
Processo de Pensamento distorcido
Agitação psicomotora elevada
Alucinações
Não adesão ao tratamento
Risco de violência

Exemplos de Intervenções
INTERVENÇÕES
Vigiar comportamento e interação social (prevenção de agressividade), todos os turnos, em
todas as refeições, e pelo menos 1x no intervalo de tempo entre as refeições.
Entrevista individual em gabinete, a realizar de 2ª a 6ª, às 10h, durante 30 min, para expressão
de emoções, avaliação do insight relativo à doença e adesão terapêutica.
Executar orientação sobre a importância da medicação, da toma correta da medicação, turno da
manhã e da tarde, imediatamente antes das refeições, (...)
Executar orientação para realidade, diariamente, pelas 12h no início da entrevista (marcada),
num local com privacidade e em caso de SOS no caso de alucinação/delírio.

Indivíduos com perturbações relacionadas com o consumo de substâncias


Drogas
Necessidades Humanas Fundamentais (alterações)
Comer e beber: anorexia, vómitos e náuseas; perda de peso; défice de autocuidado
Eliminar: indigestão, obstipação/diarreia; défice de autocuidado
Movimentar-se e manter uma correta postura corporal: fadiga, cansaço; queixas
somáticas (dores musculares e abdominais, fasciculações, espasmos, sensação de calor
ou calafrio, dores osteoarticulares, cãibras, sudorese, rinorreia); aumento da FC; FR e TA;
midríase
Dormir e repousar: Insónia
Estar limpo e cuidado, e proteger os tegumentos: cáries dentárias
Evitar os perigos: anemia; aumento da FC; FR e TA; agitação psicomotora; acidentes
trabalho; acidentes automóveis; delinquência.
Comunicar com os seus semelhantes: midríase; autoestima diminuída; diminuição do
desejo sexual; isolamento social; hipersensibilidade; ambivalência afetiva ; apatia e
solidão; humor disfórico; embotamento afetivo; pensamento obsessivo em torno da
substância; manipulação; Ilusões e alucinações; ambivalência; quadros confusionais;
heteroculpabilização; alterações da personalidade; alterações mnésicas; deterioração da
capacidade de juízo crítico; alterações do contacto; Ansiedade (craving *); irritabilidade
e raiva; agressividade; explosões temperamentais; atitudes hostis; intolerância à
frustração.
Agir segundo as suas crenças e os seus valores: delinquência; pensamento obsessivo em
torno da substância; ilusões e alucinações; deterioração da capacidade de juízo crítico
Ocupar-se com vista a realizar-se, Recrear-se e aprender: deficits cognitivos (memória,
aprendizagem, atenção, concentração); dificuldade em processar os estímulos complexos;
alteração do desempenho de papéis (função executiva).

Álcool
Necessidades Humanas Fundamentais (alterações)
Respirar: crises convulsionais
Comer e beber: diminuição do peso/desidratação; enjoos, náuseas, vómitos; diminuição
do peso/desidratação
Eliminar: enjoos, náuseas, vómitos; diarreia, dores abdominais
Movimentar-se e manter uma correta postura corporal: tremores digitais;inquietação;
descoordenação motora; taquicardia; disartria; hipotensão; dormência das mãos e pés
Dormir e repousar: Insónia/sonolência
Manter a temperatura corporal dentro dos valores normais: rubor facial
Estar limpo e cuidado, e proteger os tegumentos: deterioração da capacidade de juízo
crítico
Evitar os perigos: deterioração da capacidade de juízo crítico; pensamento obsessivo em
torno da substância; agressividade; explosões temperamentais; irritabilidade e raiva;
atitudes hostis; comportamento desadatativo; alterações da memória (blackout); quadros
confusionais; desorientação auto e alopsíquica ; ilusões, alucinações
(zoopsias*)*especificas no delirium tremens; delírios (ciúme e ocupacional); crises
convulsivas; incumprimento laboral; acidentes de trabalho; acidente automóvel;
ansiedade (Ansia ou Craving).
Agir segundo as suas crenças e os seus valores: deterioração da capacidade de juízo
crítico; comportamento desadaptativo
Ocupar-se com vista a realizar-se: deterioração da capacidade de juízo crítico;
comportamento desadaptativo; incumprimento laboral
Recrear-se: deterioração da capacidade de juízo crítico; comportamento desadaptativo
Aprender: deterioração da capacidade de juízo crítico; comportamento desadaptativo;
nistagmo

Focos de Atenção de Enfermagem (CIPE) – Álcool e drogas


• Dependência • Dor
• Família disfuncional • Dentição
• Pensamento distorcido • Comunicação
• Delírio • Socialização
• Autoestima • Padrão alimentar ou de ingestão de
• Violência líquidos
• Comportamento agressivo • Uso de drogas
• Não adesão • Uso de álcool
• Capacidade para gerir o regime • • Insónia
Coping ineficaz • Atitude face ao cuidado
• Ansiedade

Diagnósticos de Enfermagem
- Resposta física/psicológica à - Autoestima diminuída;
interrupção do uso de drogas; - Risco de violência;
- Aceitação do estado de saúde - Uso de drogas: risco de recaída;
comprometido; - Não adesão ao regime terapêutico;
- Família disfuncional;
- Socialização comprometida;
- Processo de pensamento distorcido;

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