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UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA

Instituto de ciências humanas


Curso de psicologia

Alberto Camps Tort RA T105GD-0


Aparecida Rosa Gago RA B356JA-2
Celia Regina C. Costa Gomes RA C055AA-0
Jarbas Capusso Filho RA C125ED-2
Perla R. da Cruz Daniel RA C0423B-2

COMPREENSÃO DO FRACASSO ESCOLAR POR MÃES DE


CRIANÇAS DO ENSINO FUNDAMENTAL E AS POSSÍVEIS
CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA

Campus Marques
2

2018
UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA
Instituto de ciências humanas
Curso de psicologia

Alberto Camps Tort RA T105GD-0


Aparecida Rosa Gago RA B356JA-2
Celia Regina C. Costa Gomes RA C055AA-0
Jarbas Capusso Filho RA C125ED-2
Perla R. da Cruz Daniel RA C0423B-2

COMPREENSÃO DO FRACASSO ESCOLAR POR MÃES DE


CRIANÇAS DO ENSINO FUNDAMENTAL E AS POSSÍVEIS
CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA

Trabalho de conclusão de curso como parte


das exigências do curso de Psicologia da
Universidade Paulista - Unip sob a
orientação da Professora Drª. Vanda Lucia
Vitoriano do Nascimento.

Campus Marquês
2018
3

Resumo
Historicamente o fracasso escolar foi construído atribuindo-se ao aluno a única
responsabilidade pelo processo e resultado, e a psicologia foi co-autora desta construção,
utilizando-se inicialmente do seu modelo clinico tradicional, patologizando e culpabilizando o
aluno e classificando-o como apto ou não apto para o processo de aprendizagem. O objetivo
foi entender como famílias de classe média, com filhos matriculados no ensino fundamental
II, em escolas particulares da zona norte de São Paulo, compreendem o fenômeno do fracasso
escolar, como ele foi construído social e historicamente, como esse fenômeno se mantém e
identificar as contribuições da psicologia frente a esta demanda. Para tanto, foi utilizada a
pesquisa qualitativa, com entrevista de cinco mães, de classe média, com seus filhos
matriculados em escola particular de ensino fundamental II, da zona norte de São Paulo; os
dados foram analisados à luz da teoria de Vygotsky, no tocante ao processo denominado por
ele de mediação. Os participantes falaram sobre o fracasso escolar de forma que demonstrou
suas experiências, por vezes com amplo conhecimento. A discussão foi orientada por temas
de maior relevância: a participação da família na vida escolar dos filhos, o comportamento da
criança, o papel da escola e do corpo docente, o ambiente escolar e o papel da psicologia no
ambiente escolar. Ao concluirmos o trabalho foi possível compreender, não mais somente o
aluno como responsável pelo processo do fracasso escolar, mas sim um conjunto de variáveis
que nos levaram a pensar a família como sendo fundamental e coparticipante do processo
educacional.

Palavras chave. Fracasso escolar; participação familiar; mediação; psicologia escolar;


desenvolvimento educacional.
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Sumário

1. INTRODUÇÃO.......................................................................................5
1.1 OBJETIVOS............................................................................................7

1.1.1 OBJETIVO GERAL............................................................................7

1.1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................7

1.2 JUSTIFICATIVA.....................................................................................7

1.2.1 JUSTIFICATIVA SOCIAL................................................................8

1.2.2 JUSTIFICATIVA CIENTIFICA.........................................................9

2. MÉTODO...............................................................................................10
2.1 PARTICIPANTES.................................................................................10

2.2 LOCAL.................................................................................................11

2.3 INSTRUMENTOS.................................................................................11

2.4 APARATOS..........................................................................................11

2.5 PROCEDIMENTOS...............................................................................11

2.5.1 COLETA DE DADOS..............................................................................11

2.5.2 ANÁLISE DE DADOS.............................................................................11

2.6 RESSALVAS ÉTICAS...........................................................................14

3. RESULTADOS......................................................................................15

4. DISCUSSÃO..........................................................................................19

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................36

6. REFERÊNCIAS....................................................................................40

7. ANEXOS:................................................................................................43
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1. INTRODUÇÃO

Historicamente o fracasso escolar foi construído como o aluno sendo o único


responsável pelo processo, isentando a escola e as demais variáveis que o cercam. A
psicologia contribuiu para essa construção com a sua entrada na escola pelo seu modelo
clinico tradicional, patologizando e culpabilizando o aluno, e o classificando como apto ou
não apto ao processo de aprendizagem.
Segundo o Dicionário Aurélio, fracasso é definido por “ter mau êxito”, “arruinar-se,
falhar”, essa definição quando associada à escola e usada por vezes como senso comum,
entendemos que houve uma falha no processo educacional, que algo não obteve o resultado
desejado e esperado.
Ao entendermos e interpretarmos o fracasso escolar como uma série de fatores, seja
eles repetência, evasão escolar, desempenho insatisfatório ou dificuldade de aprendizagem o
colocamos como uma categoria genérica. (CHARLOT, 2000)
A educação teve um papel importante para a autonomia da psicologia no Brasil,
auxiliando a pedagogia desde o final do século passado, onde houve muitas preocupações
com a educação que atingiu vários pontos da sociedade. (MITSUKO, 2014)
Houve um movimento de ideias para difundir a educação escolarização, movimento
esse defendido pelo positivismo, nos primeiros anos da república. Esse pensamento constituía
na tendência cientificista substituindo a tendência humanista clássica, tendo Benjamin
Constant um dos seus idealizadores. Essas ideias estavam de acordo com a realidade do
Brasil. Com a revolução industrial houve uma exigência de que as pessoas fossem preparadas
somente para ler, escrever e contar. Com isso houve uma grande defesa da instrução e um
apelo para um aumento da escola com objetivo de acabar com o analfabetismo, essas escolas
eram nomeadas de escola novista. Manuel Bonfim foi um médico, psicólogo, pedagogista,
sociólogo, historiador intelectual brasileiro do período da República foi o seu provável
percursor da escola novista que acreditava que a solução dos problemas referente ao atraso e a
ignorância histórica colocada pelas classes dominantes ao povo brasileiro. (MITSUKO, 2014)
Antônio Carneiro Leão um foi um educador, professor, e escritor brasileiro, também
do período da República, acreditava na ideia de que não poderia ser ensinada qualquer
instrução e sim, somente as instruções para o desenvolvimento do comercio e da indústria,
com isso o Brasil poderia ficar no mesmo patamar das nações prosperas. Ele acreditava que a
alfabetização, poderia até ser perigosa, já que, aquelas pessoas que estavam conformados com
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suas condições de vida, alfabetizados poderiam almejar melhor situação e gerar problemas
sociais. (MITSUKO, 2014)
Segundo Machado e Souza as pesquisas passam a questionar a concepção de que o
aluno não é o único responsável pelo fracasso escolar, isso acontece na década de 80 com
Patto (1987). Patto, em suas pesquisas, joga luz em alguns temas preponderantes quando
pensamos o fracasso escolar. A autora, preocupada com um tema tão caro à sociedade faz
uma análise das complexas e intricadas dificuldades no trato da aprendizagem escolar.
Abarcando esse tema, a Psicologia, já profundamente influenciada por um olhar atento e
organicista das aptidões humanas, impregnado de alguns pressupostos elitistas, mas, também,
por um contexto atento por influências ambientais, vêm produzir, uma explicação
contaminada dessa ambiguidade, que será uma característica presente no discurso sobre as
possíveis causas do fracasso escolar, nas nações capitalistas ao longo do século XX. (PATTO,
1992)
Conforme Guzzo a psicologia busca sair da individualização do fracasso escolar
contribuindo para a promoção da aprendizagem e superação das dificuldades através de uma
visão mais sistêmica, considerando também o emocional e o social do aluno. Nesse sentido,
buscando uma reflexão sobre o processo, podemos entender que a reprovação pode ser
compreendida, também, como um fenômeno que afeta a imensa maioria das famílias em
nosso país. Assim, caracterizando-se como um grande problema do sistema escolar no Brasil.
Podemos considerar que o fenômeno do fracasso escolar está na própria origem da
escolarização brasileira. Nesse sentido, passou a ser aceita por todos os atores da escola como
um “fenômeno” natural. Então, podemos entender que, neste fato desvela-se um problema,
visto que provoca novas reprovações, levando ao fracasso escolar. (GUZZO, 2010)
Com base no Tema Comum (2017-2018) proposto pelo CEPPE da Universidade, ou
seja: “Práticas Clínicas educacionais e psicossociais destinadas a atenção psicológica e o
desafio da Inserção institucional” o grupo buscou um recorte a este tema comum, cujos
critérios de escolha se deram pela familiaridade e identificação com o assunto, bem como o
cuidado de trabalharmos um tema atual, com relevância social e científica, que é a questão do
Fracasso Escolar.
O conhecimento da questão social envolvida no fenômeno do fracasso
escolar é de importância fundamental para os profissionais de Educação,
incluindo-se aí aqueles que trabalham com orientação profissional, já que o
grau de escolaridade é o principal critério que sustenta a forma de divisão
social do trabalho que vigora em nossa sociedade de mercado (PAULA;
TFOUNI, 2009, p.118).
7

Relacionamos nosso tema ao tema comum, como uma construção histórica e a entrada
da psicologia escolar como ferramenta de escuta e intervenção ao processo que hoje
denomina-se fracasso escolar.
Para realizarmos as buscas de artigos para nosso fichamento, utilizamos como
palavras-chave: fracasso escolar, ensino fundamental, evasão escolar, psicologia e
pesquisamos nos bancos de dados: Scielo e Capes.
Ao problematizar o tema, levantamos os seguintes questionamentos:
- Como foi construído historicamente e socialmente o fracasso escolar?
- Quais os fatores que contribuem para o fracasso escolar?
- Qual a concepção de fracasso escolar para as famílias?
- Quais as possíveis contribuições da psicologia frente a demanda do fenômeno
fracasso escolar?

1.1 OBJETIVOS
Para Minayo (1994) o objetivo da pesquisa é "responder ao que é pretendido com a
pesquisa, que metas almejamos alcançar ao término da investigação".

1.1.1 OBJETIVO GERAL


Entender como famílias com filhos no ensino fundamental privado compreendem o
fenômeno do fracasso escolar.

1.1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS


Entender como se constrói, histórico e socialmente, o fracasso escolar, bem como,
quais os fatores contribuem para que este fenômeno se mantenha.
Entender as concepções teóricas sobre o fracasso escolar.
Identificar as possíveis contribuições da psicologia frente a demanda do fracasso
escolar.

1.2 JUSTIFICATIVA
Em pesquisa, a justificativa que produz maior impacto é aquela que consegue articular
a relevância intelectual e prática do problema de investigação com a experiência do
investigador.
Pensando neste problema de investigação, percebemos que o fenômeno do fracasso
escolar tem sido um tema de grande repercussão da realidade educacional e social, como
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mostram diversas pesquisas já realizadas sobre este tema. Estes resultados, somados a outros
fatores que contribuem para o tal fenômeno continuam demonstrando que as explicações do
fracasso escolar permanecem centradas no aluno, sendo ele responsabilizado pelos problemas
de escolarização.
Entretanto, o dito “fracasso escolar” dessas crianças está longe de poder ser tratado
simplesmente como problema de aprendizagem individual, pois o fenômeno percorre diversos
caminhos e envolve diferentes atores nesta dinâmica que deveria ser analisada como uma via
de “mão dupla”. (MINAYO, 1994; GUIMIERO, 2011; FEIJÓ, et al, 1996).
Levando em conta tais aspectos apontados decidimos realizar nosso trabalho de
conclusão de curso visando nossas futuras práticas como psicólogos que farão a diferença
contribuindo assim para descristalização desse fenômeno dito individual e direcioná-lo para o
coletivo da qual a próprio artigo da constituição federal de 1988 aponta como
responsabilidade do Estado, família e sociedade.
Para tanto basearemos nossas pesquisas em bibliografias de diferentes teóricos
relacionado ao tema central com intuito de contribuirmos também com a sociedade e com o
âmbito acadêmico.

1.2.1 JUSTIFICATIVA SOCIAL


Diz o artigo 205 da Constituição Federal de 1988:
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida
e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.

Considerando este artigo da Constituição Federal, a educação é o alicerce na formação


de um cidadão pleno de direitos, logo toda iniciativa, seja ela ação, pesquisa ou trabalho
voltado a esta causa, que tenha como objetivo a constante melhoria neste processo merece
todo foco e atenção.
Partindo do princípio de que a educação envolve a comunidade, em especial a escola
em seu entorno, enxergamos que a valorização do coletivo, sendo bem alicerçada, é base para
a educação cidadã. Ao falarmos sobre fracasso escolar, esperamos contribuir para a
construção de novos conceitos que cercam este tema, sobre tudo a questão da família. Para
tanto se faz necessário, atuar na construção do fato da culpa pelo fracasso, ser atribuída
somente ao aluno e não ao sistema na sua totalidade. Quando um aluno fracassa, toda rede
fracassa; fracassa a escola, a família, a comunidade e a sociedade.
9

Assim, ao abordarmos este tema esperamos estimular a reflexão de todos os


envolvidos, ajudando a contribuir, como formadores de opinião, um “efeito cascata” de
conhecimento, no papel de multiplicadores. Ao tomar consciência de sua responsabilidade no
processo pelas suas informações e conhecimentos transmitidos, ocorre o empoderamento
destes “atores” envolvidos, que deságuam em ações voltadas para esta nova construção. Este
conceito que começou a emergir na década de 80, ganha a cada pesquisa e debate mais um
“tijolo no muro”, e cabe a nós, enquanto formandos, contribuir para esta construção,
abraçando esta causa e envolvendo a todos no compartilhamento destas ideias, seja no âmbito
acadêmico ou no exercício cotidiano.

1.2.2 JUSTIFICATIVA CIENTIFICA


Além dos benefícios apontados anteriormente, o presente projeto pretende ampliar o
campo de percepção sobre o tema referido, quiçá, ser mais um ponto de partida para outros
estudos, ainda mais complexos, pesquisas e projetos que irão ao encontro do aprofundamento,
pela comunidade acadêmica, deste tema, “fracasso escolar”, tão caro à sociedade como um
todo. O tema tem sido amplamente discutido dentro dos demais círculos acadêmicos, visando
sempre a obtenção de mais conhecimento com o objetivo focado sempre na melhoria destes
estudos.
Este projeto pretende uma relevância cientifica tentado projetar o tema fracasso
escolar para o campo dos debates mais relevantes, para, quem sabe, desenvolver outros
projetos de pesquisa, buscando mais conhecimento existente na área, formular o problema e o
modo de enfrentá-lo, coletar informações e analisar dados, formulando, a cada dia, ainda mais
soluções para enfrentar o fracasso escolar.
10

2. MÉTODO

A partir do tema proposto, nossa pesquisa foi realizada através de pesquisa qualitativa.
A pesquisa qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças,
valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos
e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a operacionalização de variáveis. (MINAYO
2002).
Para entendermos a construção e os fatores que contribuem para que o fracasso escolar
se mantenha, optamos em termos como referência a psicologia histórico-cultural descrita por
Lev Semionovitch Vygotsky (1987), que entende estudar como algo historicamente é
considerá-lo em movimento. Portanto é de suma importância verificar como foi e continua
sendo feita esta construção, levando em conta as crenças e valores temporais existentes nos
diversos atores da rede, e em nosso caso especialmente, colocando nosso foco na família.
Abarcar na investigação o processo de desenvolvimento de alguma coisa em
todas as suas fases e mudanças – desde que surge até que desapareça – é o
que significa em essência descobrir sua natureza, descobrir sua essência, já
que “só em movimento, o corpo mostra o que é” (VYGOTSKI, 1987, p. 74).

Portanto, para ampliarmos esta compreensão fez-se também necessário entendermos o


processo da constituição de um fenômeno, estando atentos ao contexto em que é produzido, as
suas condições de possibilidades e o modo como participa, se apropriando ou se inserindo
neste contexto, assim como o entendimento da relação dialética existente entre sujeito e
realidade. (ZANELLA, 2006)

2.1 PARTICIPANTES
Os sujeitos desta pesquisa foram cinco mães, de classe média, que tem seus filhos
matriculados em escola particular de ensino fundamental II, da zona norte de São Paulo, como
caracterizado no quadro a seguir:

Quadro 1: Caracterização dos participantes da pesquisa


Participante Quantidade de Idade dos filhos Série que está Período que
filhos matriculado estuda
P1 2 13-13 (gêmeos) 8º ano fund. II Manhã
P2 1 12 7º ano fund. II Manhã
P3 1 12 7º ano fund.II Manhã
P4 2 07 e 12 2º ano fund.I e 7º Manhã
ano fund. II
P5 2 09 e 12 4º ano fund. I e 7º Manhã
ano fund. II
11

2.2 LOCAL
As entrevistas foram todas realizadas no início do segundo semestre de 2018, a
primeira entrevista foi realizada em uma escola de inglês que os filhos da participante fazem
curso, foi nos disponibilizado uma sala da recepção; tanto a segunda entrevista quanto a
quarta foram realizadas na casa dos entrevistadores em uma sala de estar; já a terceira e quinta
entrevista foram realizadas na casa do entrevistado também em uma sala de estar.

2.3 INSTRUMENTOS
O instrumento utilizado para a pesquisa foi entrevista, conforme Anexo A.

2.4 APARATOS
Foram utilizados papéis, caneta e telefones celulares.

2.5 PROCEDIMENTOS
Nos procedimentos apresentaremos os passos que realizamos para a coleta e análise
dos dados.

2.5.1 COLETA DE DADOS


Após parecer favorável do projeto pelo CEPPE, demos início aos contatos com os
entrevistados para agendarmos as entrevistas, que foram entre a segunda quinzena do mês de
agosto à primeira semana de outubro.
A primeira entrevista P1 foi realizada na escola de inglês dos filhos da entrevistada. A
entrevista foi realizada na recepção do local, o que ocorreu interferência de ruídos. Já a
segunda entrevista P2 foi realizada em um domingo à tarde, no escritório da casa do
entrevistador, sem interferência externa. As entrevistas P3 e P5 foram realizadas na casa do
entrevistado, sem ocorrer interferência externa ou ruídos relevantes. A entrevista P4 foi
realizada na casa do entrevistador, a entrevistada levou os filhos que interromperam por três
vezes a entrevista, podendo ser retomada em seguida.

2.5.2 ANÁLISE DE DADOS


Após a realização da transcrição integral e sequenciada dos áudios, realizamos a
identificação dos temas comuns encontrados nas falas dos entrevistados.
Os dados foram analisados a luz da teoria de Vygotsky, principalmente no processo
denominado por ele de mediação, onde o despertar dos processos internos de
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desenvolvimento está intimamente ligado ao ambiente cultural, já que para ele o ambiente é
interativo, pois adquire conhecimentos a partir de relações intra e interpessoais de troca com o
meio. (VYGOTSKY, 1987)
Abaixo segue modelo de uma transcrição sequencial do P1, dividida em: “Quem fala”,
“Sobre o que fala” e “Tema”.

Quadro 2: Tabela Sequencial P1


Quem fala Sobre o que fala Tema/categoria
E1 Pergunta se a escolha da escola influência no Escolha da escola e a
desenvolvimento escolar Influencia no
desenvolvimento escolar
P1 Responde que sim, a opinião dos pais acaba Escolha da escola e a
influenciando o criança, podendo atingir até seu Influencia no
desempenho desenvolvimento escolar
E1 Pergunta sobre a participação da família nas atividades Participação da família
escolares nas atividades escolares
P1 Responde que eles participam, o pai menos por causa do Participação da família
tempo, mas participam da lição de casa, reunião de pais, nas atividades escolares
feira cultural, por exemplo. Alguma atividade mais
focada, recorte, pesquisa, pra ver um trabalho bonito, bem
feito
E1 Pergunta como a família pode contribuir e de que forma, Contribuição da família
além das atividades escolares além das atividades
escolares
P1 Responde que a família é a base de tudo, não só na Contribuição da família
escola, mas no lazer, diálogo, comportamento uma além das atividades
parceria constante que vai fortalecendo os laços. escolares
E1 Pergunta o que entende por fracasso escolar Entendimento sobre
Fracasso Escolar
P1 Responde que seria não atingir os objetivos da educação, Possíveis causas do
as vezes a pessoa conclui o ensino fundamental, mas tem fracasso escolar
dificuldade de ler e interpretar textos, fazer um
curriculum, um formulário por exemplo, vira um
analfabeto funcional. Este baixo desempeno é um
fracasso escolar. O fracasso se constitui, a escola também
não conseguiu transmitir o conhecimento. Tem outras
formas, a evasão por exemplo.
E1 Pergunta se acredita ser importante o papel do psicólogo Importância do papel do
nas escolas psicólogo nas escolas
P1 Responde que sim, pelas questões familiares que os Importância do papel do
alunos carregam ao longo da vida e interferem no dia a psicólogo nas escolas
dia. As vezes outras pessoas fazem o papel do psicólogo,
o professor o coordenador, mas não são preparados para
isso, não tem o conhecimento necessário.

Identificados os temas nas transcrições sequenciais elencamos como temas mais


recorrentes de nosso trabalho: a escolha da escola, a participação da família nas atividades
escolares, o entendimento sobre o fracasso escolar e a importância da psicologia no ambiente
13

escolar. Esses temas conversam diretamente com os autores que nos orientaram em nossa
pesquisa e que serão apresentados no capítulo de discussão. Segue exemplo:

Quadro 03: Tabela com principais temas na íntegra


Tema P2 P3 Autores
Participação da Família “[...]Ele faz a lição “[...]Ela tem alguns
sozinho, mais eu estou trabalhos que exigem a
sempre auxiliando né, participação dos pais, né,
tem lição, tem trabalho e quando ela tem alguma
é, muitas vezes eu dou duvida, alguma
um auxilio, [...]”. necessidade de ajuda ela
sempre recorre aos pais,
“Acho importante [...], nós eu e o meu marido
não é só somos bem
responsabilidade da participativos com
escola, é relação a isso, mas ela Oliveira (2010);
responsabilidade dos dá conta, ela tem a Patto (1992);
pais também de educar autonomia dela de saber Vygostsky (1987)
[...], essa coisa em quando que é os dias do
conjunto é importante trabalho, eu não me
para o desenvolvimento envolvo nisso, eu deixo
futuro dele”. ela ter essa
responsabilidade dos
“[...] O que acontece dias dos trabalhos que
dentro do lar isso é um ela tem que fazer, é só
reflexo pra os estudos realmente quando ela
sim”. tem alguma duvida
mesmo que ela pergunta
pra nós[...]”
Entendimento de Olha, é, eu não posso [...]acho que é um
Fracasso Escolar que é culpa daqui de conjunto de coisas, é, o
mim e do meu marido desinteresse do aluno,
ou culpa só da escola, é, né, as vezes até pela
eu acho que, é um metodologia das escolas,
conjunto, as vezes o as vezes as escolas
professor, o profissional deixam muito a desejar,
da educação, ele o ensino é muito antigo,
também tem seus né, eu acho que eles
problemas e as vezes ele tinham que modernizar
num tá preparado pra ir este ensino[...], eu acho
junto com o problema que essa coisa de vai lá Patto (1992); Paula
da sala, então eu acho decora e faz a prova, é (2002); Souza (2010)
que não é só a família, avaliação o tempo todo,
né, eu acho que é um avaliação tem que ser
pouco de tudo. Mais a continua, não só na folha
criança também né, do papel, eu acho que
porque se ela não quer deveria ensinar o aluno a
ela não vai pra lugar trabalhar mais em
nenhum, né, ela tem que equipe, é, trabalhos em
ter incentivo da família, conjuntos mesmo,
ela tem que encontrar apresentação de projetos
segurança no professor, eu acho que seria muito
14

né, o equilíbrio também mais motivado para o


com as amizades, tudo aluno[...]
isso faz o bolo crescer,
são vários ingredientes”.

2.6 RESSALVAS ÉTICAS


A presente pesquisa seguiu as diretrizes das Resoluções do Conselho Nacional de
Saúde nº 466/12 (BRASIL, 2012) e nº 510/16 (BRASIL, 2016), que trazem termos e
condições que garantiram a proteção dos participantes de pesquisas, visando autonomia, não
maleficência, beneficência, justiça e equidade. Ainda esclarecemos a importância de o
pesquisador não causar danos físicos e psicológicos aos participantes de pesquisa garantindo a
integridade e dignidade das mesmas. Dentre as exigências das Resoluções a pesquisa também
contou com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) que foi apresentado ao
participante em linguagem clara e objetiva para o melhor entendimento possível, e assim
puderam se manifestar de forma clara autônoma, consciente, livre e esclarecida, promovendo
desta forma a “garantia de plena liberdade ao participante de recusar-se a participar ou retirar-
se seu consentimento em qualquer fase da pesquisa, sem penalização alguma” (Brasil, 2013,
p.5). Além desses e outros o TCLE ainda traz a garantia de sigilo e privacidade durante todas
as etapas da pesquisa.
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3. RESULTADOS

Nesse capítulo serão apresentados os resultados com os temas mais relevantes que
foram: a participação da família nas atividades escolares dos filhos e no seu cotidiano; o
comportamento da criança; o papel da escola e de seu corpo docente; o ambiente escolar;
questões de nível socioeconômico; além do papel da psicologia como contribuição da
formação escolar.
Durante as entrevistas os participantes falaram sobre questões do fracasso escolar de
uma forma que demostrou que já tiveram contato com o tema; por vezes de forma com amplo
conhecimento e alguns de uma forma mais sucinta.
Os entrevistados acreditam que a escolha da escola influencia no desenvolvimento
escolar de seus filhos, utilizam-se de critérios para escolherem as escolas como a proposta
pedagógica apresentada pela escola e sua infraestrutura. Foram unânimes em dizer que seus
filhos apresentam rotina de estudo em casa com horários definidos para a realização das
tarefas escolares.
Os entrevistados, ao serem perguntados sobre a participação da família nas atividades
escolares dos filhos consideraram que têm participação ativa na vida escolar dos mesmos,
ajuda-os nas atividades de casa, com trabalhos, pesquisas, comparecem a reuniões e
participam dos eventos escolares. Consideram a participação da família importante na vida
escolar das crianças, porque acreditam que a parceria com a escola é essencial para o
desempenho escolar e a responsabilidade de educar não é só papel da escola, mas também dos
pais.
Sobre contribuições para o desenvolvimento de seus filhos além da participação em
atividades escolares, os pais trouxeram como fundamental a prática de esportes, o lazer, o
diálogo e orientação.
No que se refere à influência do aspecto emocional da família sobre o
desenvolvimento escolar de seus filhos, embora com palavras diferentes, os pais foram
unanimes em responder que as experiências vivenciadas dentro de casa, vai refletir lá fora,
inclusive no desempenho escolar das crianças.
Quanto ao principal papel na construção educacional dos filhos os pesquisados se
dividiram, alguns disseram que a família educa e a escola transmite o conhecimento, enquanto
que outros entendem que a construção educacional dos filhos é um trabalho de parceria entre
família e escola.
16

Todos os participantes da pesquisa disseram ser convidados a participar de atividades


extracurriculares nas escolas de seus filhos, como festas para a família, esportes, feira cultural
com exposição de trabalhos feitos pelos alunos e reuniões de pais. Consideraram esses
eventos importantes para interação entre alunos e seus familiares.
Quando questionados se seus filhos já lhes trouxeram alguma queixa ou dificuldade
escolar, todos os entrevistados responderam que sim. Os participantes referiram-se a queixas
como: conteúdos que vão além do entendimento dos filhos, comentários sobre provas com
poucas questões e que têm muito peso na nota, dificuldade de resolver problemas de
matemática ou alguma outra atividade complementar. Vale salientar que um dos entrevistados
P3 disse complementar o auxílio com o Kumom, para treinar o raciocínio mental,
concentração e agilidade. A reação dos entrevistados foi a de ajudar com as queixas, tentando
solucionar a dificuldade com o filho, mas, alguns relatam que, em alguns casos, não
conseguem dar essa ajuda e recorrem à escola levando a queixa.
Quando questionados se seus filhos lhes contam o que acontece no ambiente escolar
todos os entrevistados responderam que os filhos contam tudo o que acontece no ambiente
escolar. Alguns disseram que, ao chegarem da escola, conversam sobre a aula daquele dia e
que a escola também comunica todas as situações adversas ao cotidiano escolar. Outros
entrevistados dizem, também, que os filhos relatam coisas que os entristeceram ou os
deixaram alegres. Tentam trabalhar suas autonomias pedindo que conversem com os
envolvidos no assunto para resolver.
Em relação ao comportamento das crianças ter relação com o desempenho escolar
todos os entrevistados responderam que sim, o comportamento interfere no desempenho
escolar. Disseram que um interfere no outro: comportamento x desempenho. Que a inteiração
dos filhos com os professores (em se tratando de comportamento) interferem de forma
positiva ou negativa no desempenho escolar.
Os responsáveis entrevistados referiram como fracasso escolar quando a escola não
transmite o conhecimento ao aluno, afetando o futuro do aluno. No entanto, segundo eles a
falta do acompanhamento da família também é um fator significativo para o fracasso escolar.
Dessa forma, os entrevistados apontaram a importância de uma parceria entre escola e família.
Os entrevistados não veem como uma influência a escolaridade dos pais no que diz
respeito ao fracasso escolar, mas acreditam que os pais podem incentivar e mostrar aos filhos
a importância dos estudos, mesmo sem, necessariamente, terem uma escolaridade formal.
Questionados a respeito de serem apenas os alunos a sofrerem com o fracasso escolar,
os responsáveis entrevistados disseram que não é só a criança, mas também todos os
17

envolvidos com a formação acadêmica, uma vez que problemas e soluções educacionais não
estão restritos ao ambiente escolar, envolvendo também o âmbito familiar. Referente ao nível
socioeconômico do aluno, os entrevistados acreditam que isso possa ter uma relevância no
desempenho escolar da criança, já que eles acreditam que estrutura e atividades
extracurriculares podem ser significativas para um bom desenvolvimento educacional.
Questionados se conhecem alguém que teve fracasso escolar e como foi percebido,
uma entrevistada apontou o ponto de vista como professora, afirmando que não alcançar o
resultado esperado após o ano é um fracasso para o professor. Duas entrevistadas perceberam
o fracasso dentro de seu círculo mais próximo, entre a família e amigos, alguns por questão de
opção mesmo com o apoio familiar e outros, no envolvimento com drogas, ambos
ocasionando o abandono da escola. Foi observada também a falta de preparo do docente em
lidar com alguma dificuldade específica e até mesmo a falta de atenção dos alunos.
Em relação ao futuro acadêmico, a maioria não consegue vislumbrar nenhum futuro,
percebendo-o como quase impossível. Houve também a percepção de que o fracasso presente
pode não ser determinante para o futuro, pois podem ainda melhorar durante o processo,
como citado por outra entrevistada, comparando o fracasso do passado ao sucesso financeiro
do presente, vinculando ao fazer o que gosta, independente da questão acadêmica.
Todas as entrevistadas responderam não haver psicólogo na escola que os filhos
estudam, em alguns casos afirmam a prática do encaminhamento a serviço público no caso de
necessidade, mas na prática afirmam que outros profissionais, como por exemplo, a
coordenadora pedagógica, acaba ocupando este espaço mesmo sem preparo para tal.
Ao serem perguntados se considera importante o papel do psicólogo nas escolas, a
resposta foi unânime ao considerar que é muito importante, por ser um profissional com
preparo específico, que vai lidar de forma adequada e profissional com os alunos,
considerando eventuais questões familiares que os alunos carregam ao longo da vida e
interferem no dia a dia. Podem também ser um canal de escuta e fazer a ponte com a família,
ajudando os pais a compreender o comportamento dos filhos diante de situações de
sofrimento psíquico, como por exemplo, o bullying.
Diante da pergunta de como a psicologia pode contribuir no ambiente escolar, ficou
evidente a questão de orientação ao aluno e pais, e todos mais uma vez trouxeram a questão
deste espaço sendo ocupado por profissionais não preparados, principalmente pela
coordenação e psicopedagogos, que não tem qualificação para isso. Surgiram ainda algumas
expectativas desta atuação, tais como psicólogo clínico e auxiliar no autoconhecimento dos
alunos.
18

Ao final da entrevista, deixamos um espaço para eventuais dúvidas ou informações


adicionais, com manifestação de apenas uma das entrevistadas, que chamou a atenção para a
necessidade dos pais em estarem atentos a tudo, nas questões escolares e pessoais dos filhos,
sendo mais parceiros da escola.
19

4. DISCUSSÃO

A – Eixo A participação das famílias nas atividades escolares

Antes de discorrer sobre a participação da família nas atividades escolares é


importante conhecer a evolução da interação entre adultos e as crianças, dos pais com os
filhos e como se dava a educação das crianças, isto da Idade Média a Idade Contemporânea.
Na família da Idade Média os pais, como também a sociedade no geral não enxergava
as crianças como tal. Para esta época Rocha (2002) traz que as crianças até os sete anos eram
vistas como irracionais, por não expressar racionalidade e por seus comportamentos
inadequados. A autora ainda afirma que somente ao completar sete anos de idade a criança era
vista como apta a vida social, sendo considerada como um adulto em miniatura.
Cavalcante (2014) nos acrescenta que a educação das crianças nesta época era
realizada por outra família e só retornavam aos seus familiares quando completavam sete anos
de idade, pois nesta idade entendia-se que a criança estava pronta para se integrar a vida
familiar e ao trabalho.
Rocha (2002, p.54) contribui ao informar que a criança:
“A partir dos sete anos de idade era inserida na vida adulta e tornava-se útil
na economia familiar, realizando tarefas, imitando seus pais e suas mães,
acompanhando-os em seus ofícios, cumprindo, assim, seu papel perante a
coletividade”.

Na Idade Moderna a família e a sociedade possuem traços diferentes em relação à


Idade Média, a criança começa a ser considerada de forma diferente pela sociedade. Segundo
Rocha (2002, p.57) “a criança passa a ter um papel central nas preocupações da família e da
sociedade”, com isso foi fortalecido os laços entre os adultos e as crianças e dos pais com os
filhos. A autora segue informando que “a partir deste momento, a criança começa a ser vista
como indivíduo social, dentro da coletividade, e a família tem grande preocupação com sua
saúde e sua educação. [...]”. Sendo assim os pais começam a se encarregar mais de seus
próprios filhos.
A sociedade é despertada a melhorar as condições de vida das crianças, incluindo
dessa forma a organização das instituições adequadas para o cuidado e o preparo delas
objetivando o controle e a formação do futuro adulto.
20

A Idade Contemporânea conforme Cavalcante (2014) é marcada pela criação das


escolas e o desenvolvimento específico de uma pedagogia infantil para que as mesmas
pudessem ser escolarizadas.
A sociedade agora é dividida em vários espaços, espaços estes que os indivíduos são
separados por faixa etária (crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos), não há mais a
mesma interação social de gerações diferentes que havia na idade Média e Idade Moderna. A
criança só passa a ter contato com outra geração quando está com sua família (Muller, 2006).
Nesta época, Idade Contemporânea, segundo Cavalcante (2014, p.40) a criança
“Desde muito cedo, é encaminhada à escolarização. [...], muitas vezes, para
que os pais trabalhadores possam realizar suas atividades. Outras vezes, por
outros motivos. O fato é que as crianças desde muito cedo são internadas em
instituições de ensino e ali estabelecem contato com adultos, que têm a
função de cuidar e, teoricamente, educá-las. Dessa forma, as relações sociais
de outrora são agora substituídas pelas relações profissionais e familiares”.

Com a crescente importância da escolarização, surgem novos problemas e desafios, e


hoje não há mais dúvida da importância da interação positiva entre a escola e a família.
Para Maioni e Ribeiro (2006) a família e a escola são elementos fundamentais para o
desenvolvimento da criança, porque tanto a escola como a família podem dar suporte e traçar
estratégias de aprendizagem adequadas à criança. Porém Polônia e Dessen (2005) pontua que
uma parte da concretização do que se aprende com estas estratégias ocorre quando a criança
está em vivencia social com sua família. “Por isso, cabe novamente dizer que é importante
que a família esteja próxima à escola para acompanhar possíveis mudanças, a fim de seguir na
mesma direção para o progresso dos alunos” (DEUS, COGNETTI e BOCCATO, 2016, p.
18).
Dessa forma, neste capítulo tentaremos por meio de entrevistas realizadas com as
mães de alunos de escola particular cursando o ensino fundamental II, compreender como se
dá a participação das famílias nas atividades escolares de seus filhos.
Quando fizemos a pergunta aos entrevistados se eles consideram importante a
participação da família na vida escolar, embora com palavras diferentes, todos afirmaram que
sim.
P1 trouxe a importância de estar sempre presente na vida escolar, pois isso influencia
no desenvolvimento da criança e também facilita o processo de aprendizagem, considerando a
atitude contrária prejudicial para o desempenho.
“[...]cujos pais estão sempre nas reuniões, acompanham lições, mandam bilhetes,
você vê que este aluno tem um desempenho melhor do que aquele aluno que o pai nunca
aparece, né. Nunca aparece na reunião, você tem que às vezes convocar este pai, e você
21

percebe que a criança fica meio desorientada né, então acho que o estudo é uma rotina, você
mostrar importância, então se a família não caminha junto neste processo, fica mais difícil”.

P2 nos pontua a responsabilidade de ambas as partes, escola e família, no processo de


aprendizagem.
“Acho importante [...], não é só responsabilidade da escola, é responsabilidade dos
pais também de educar [...], essa coisa em conjunto é importante para o desenvolvimento
futuro dele”.

De acordo com Deus, Cognetti e Boccatto (2016) existe uma parceria entre a escola e
a família e para que esta parceria funcione é importante que a família esteja próxima à escola
para acompanhar possíveis mudanças, a fim de seguir na mesma direção para o progresso dos
alunos.
Para P3 o fato de participar da vida escolar é uma demonstração de interesse dos pais
para com o desenvolvimento da criança, sendo isso um fator motivacional e fundamental para
a própria criança.
“Há muito, porque eu acho que a criança também precisa perceber que os pais têm
interesse na vida escolar dela né, ela chega motivada as vezes para contar o que tá
acontecendo na escola, [...], e eu percebo que ela fica feliz em falar e a gente prestar
atenção, a gente motivar, então eu acho que a participação dos pais é fundamental”.

P4 considera essencial a participação da família na vida escolar, porém acrescenta que


esta participação não deve ser somente na vida escolar e sim em todas as áreas da vida da
criança
“É essencial, não só na vida escolar, por que na idade do (Nome do filho), agora já
tem a vida pessoal começando a florar. Os pais estão em tudo, acho que quanto mais simples
se tornar o relacionamento, você está incluso, sem sofrimento... Sem constrangimento.”

P5 considerou que só cobrar o filho não ajuda em seu desempenho escolar, o que faz a
diferença é a participação dos pais na vida escolar dos mesmos.
“Há eu acho importante porque não adianta a gente apenas cobrar, tem que
participar da vida deles, [...]”.

Continuando a entrevista realizamos a pergunta: como a família pode contribuir e de


que forma além da ajuda nas atividades escolares?
Segundo Jacobucci (2006) o processo de aprendizagem possui dois tipos de ambientes,
aquele que acontece na escola, instituições de ensino, denominado formal e aquele que ocorre
fora da escola chamado de não-formal, instituições (museu, centro de ciências) e não-
instituições (praça, praia, parque, rua). Segundo Deus, Cognetti e Boccato (2016) a
22

participação da família se dá neste ambiente não-formal, contribuindo e ampliando os meios


de aprendizagem da criança. A partir disso percebe- se a importância de frisar tanto a
educação formal como a participação da família, o que destaca a relevância em dizer que
“tudo que está dentro dos muros escolares também está fora dele, ou seja, para se entender o
que passa dentro da escola, é necessário ter compreensão do que se passa fora dela”
(BARROCO, 2007).
Diante dessa pergunta P1 nos traz que a família é a base de tudo, e que a participação
dos pais não deve ser apenas nas atividades escolares, mas em toda a vivencia da criança
sempre conversando e orientando a criança fortalecendo os laços de união.
“Acho que a família é a base de tudo, né, então acho que desde seu acompanhamento
diária, ele, não só na escola, mas no lazer, você ter o momento do diálogo, essa parceria aí,
ela é constante, não só nas atividades escolar, então você está sempre conversando,
orientando, na vida escolar, no comportamento, conforme eles vão crescendo, tudo aquilo
que eles vão enfrentar, então, o lazer, acho que isso, estas atividades também fortalecem né,
os laços de união”.

P2 pontua a importância da família interagindo com os filhos dentro da escola e


acrescenta informando que a escola de seu filho tem essa preocupação, por isso proporcionam
eventos, dos quais pais e filhos possam participar, como uma proposta do programa de ensino.
“[...] talvez a participação dos pais mais dentro da escola né, é (...) isso é uma
proposta da escola dele também, estar inserido dentro dum (...), duma didática, dentro dum
programa [...], semana passada a gente participou da festa da família, né, então foi
interação da família junto com as crianças brincando né, eu acho isso importante né”.

P3 pontua que a maneira de contribuir além das atividades escolares é incentivando


sua filha por meio de orientação para que assim possa desenvolver autonomia. Diante da
resposta da entrevistada, Oliveira (1997) contribui ao citar Vygotsky e sua teoria de
aprendizagem, quando diz que para ocorrer a aprendizagem a interação social deve ser
produzida e estimulada, abarcada e ancorada na zona de desenvolvimento proximal (ZDP)
que é a distância entre aquilo que o indivíduo já conhece, seu conhecimento real e aquilo que
o indivíduo tem potencialidade para aprender, seu conhecimento potencial. Este último é a
capacidade de a criança realizar tarefas com a ajuda de adultos ou de companheiros mais
capazes. Neste caso temos uma mãe trabalhando as potencialidades de sua filha com o
objetivo de que ela se torne autônoma, de forma que esse desenvolvimento possa refletir-se no
ambiente escolar.
“[...]só que eu acho a criança tem que ter autonomia também, é se ela tem vontade, é,
minha filha já chegou em casa e falou assim: mãe gostaria que tivesse mais aulas de arte, ou
23

de educação física, queria que a escola fizesse tal passeio. Eu incentivo ela a ir até
coordenador ou alguém responsável pra conversar, [...]”.

P4 entende que o estar presente na vida de seu filho contribui para o seu
desenvolvimento e praticar esportes com ele é um modo de ser presente, tendo esses
momentos como único.
“Eu acho[...]. Bom, uma coisa que a gente consegui fazer, é que agora a gente faz
luta junto. É um momento que a gente consegue tirar para a gente, eu e ele. [...]”.

P5 considera as atividades como lazer, esportes, passeios importantes para que as


crianças não fiquem sobrecarregadas e possam aprender se divertindo. Em sua resposta nota-
se por parte de P5 uma preocupação com a saúde emocional da criança.
“Eu acho que ocupar essas crianças com atividades, não só estudar, que eles têm que
ter um pouquinho de lazer, então fazer um esporte, sair para passear um pouco, acho que
isso tudo ajuda senão eles ficam muito sobrecarregados”.

Este aspecto citado pela P5 das crianças estarem sobrecarregadas está ligado
diretamente com a nossa próxima pergunta feita as mães, sobre a influência do aspecto
emocional familiar interferir no desenvolvimento da criança. Entendendo que a criança não se
desenvolve sozinha e que possui um meio de convívio, e que este meio tem um papel
importantíssimo no desenvolvimento da criança (Vygotsky, 2010) traz que se este meio não a
sustenta psicologicamente, a mesma pode ficar sobrecarregada e não somente de atividades
escolares, mas também emocionalmente. Deus, Cognetti e Boccato (2016) consideram
importante os recursos e as habilidades tanto sociais como psicológicas dos pais, pois estas
habilidades farão a diferença no desenvolvimento da criança como também na interação da
família com escola.
P1 considera que o meio influência uns aos outros, assim sendo se os problemas ou as
dificuldades afetarem a família as crianças também serão afetadas, refletindo em todo o meio
de convívio, inclusive a escola.
“Sim, a partir do momento que a família está passando por um problema, uma
situação difícil acaba afetando, acho que não só o filho, aquele que está na escola, todos
acabam ficando afetados, e isso reflete na criança também”.

Para P2, P3 e P4 não é somente os problemas ou dificuldades como descreveu P1, mas
tudo o que acontece dentro do lar possui a possibilidade de afetar tanto negativamente como
positivamente o emocional da criança e logo interfere na vida escolar do aluno, pois as
crianças são o reflexo de suas famílias.
24

“[...] O que acontece dentro do lar isso é um reflexo pra os estudos sim”.

“[...]. Eu acho que si a criança tiver num ambiente tranquilo ela vai ser tranquila na
escola, se ela tiver num ambiente agressivo ou mais agitado dentro de casa ela vai passar tudo
para a escola, [...], e o respeito né, o respeito que ela tem em casa é o que ela vai passar na escola
também?”

“Influencia, aliás influencia na nossa vida, você está brigada com alguém, você está
chateado com alguém, nosso trabalho não anda, então com a criança é a mesma coisa, é um
reflexo nosso”.

Para a entrevistada P5 a família precisa ter uma estrutura e que sem esta estrutura a
criança fica perdida, sem organização e assim seu desenvolvimento escolar é afetado.
“Se a família não e muito estruturada acho que influencia muito na educação da
criança também, ele acaba se perdendo um pouquinho principalmente na parte
organizacional, porque se dentro de casa eles já não tem aquela rotina e tudo mais, na
escola ele não consegue se organizar”.

Segundo Casarin e Ramos (2007) a família precisa prover muito mais do que alimento
e moradia, pois sobre a família está a responsabilidade do amadurecimento psíquico e
sustentação emocional dos filhos, este sustento emocional que os pais dão aos filhos faz com
que os mesmos tenham sucesso na vida escolar.
Casarin e Ramos (2007, p.184) acrescentam ao pontuar que:
“A criança precisa de segurança, estabilidade, afetividade e compreensão
para sentir-se adequada diante dos processos de aprendizagem. Um ambiente
desfavorável incrementa a agressividade, o sentimento de incapacidade e,
consequentemente, o comportamento antissocial”.

Como podemos perceber nas perguntas anteriores as mães de crianças de escola


particular possuem consciência de que a família é importante para o desenvolvimento social,
psíquico e escolar das crianças. Com base nesta importância, indagamos as entrevistadas
sobre a quem pertence o principal papel na construção educacional da criança.
Deus, Cognetto e Bocatto (2016, p. 15) entendem que a família e a escola possuem
papeis importantes e cooperam ao afirmar:
“A escola é um dos principais ambientes que possibilitam à criança a
apropriação da cultura e de instrumentos desenvolvidos historicamente,
dentre estes, a linguagem. Dessa forma, no que tange à família, os pais
também possuem papel relevante no processo de humanização, iniciado,
inclusive, no ensino da língua materna, sendo esta uma relação de introdução
da criança à cultura; englobando também a aprendizagem com símbolos e
regras sociais”.
25

Avaliando esta questão Casarin e Ramos (2007) percebe a família como uma estrutura
protetora, que está incumbida de orientar a criança favorecendo o seu desenvolver físico e
social, porém esta função foi atribuída a escola com o passar dos anos, porém a escola tem o
papel de auxiliar a família na construção do conhecimento e formação social.
Contrariando a teoria de que o ensino/aprendizagem é um trabalho de parceria entre
escola e pais, P1 declara que às vezes os pais acabam transferindo para a escola algumas
responsabilidades de caráter da família e divide as tarefas expondo que, sobre a escola está a
responsabilidade de transmitir conhecimentos, ficando para a família as questões de educação.
Fica evidente que a entrevistada reproduz a visão tradicional dotado de individualismo e
culpabilização, visão essa a qual ainda lutamos para romper. Da mesma forma P3, P4 e P5
considera o principal papel da construção educacional da criança como sendo dos pais ou dos
responsáveis, dando margem para a individualização do fracasso escolar.
“[...]eu acho que, que é tanto o pai quanto a mãe ou o responsável que ela tiver em
casa né, a quem ela recorra[...]”.

“Do meu? Dos meus filhos, sou eu e o (Nome do esposo), diretamente eu e meu
marido, diretamente em tudo”.

“...a base a criança tem que ter em casa, organizacional né, tudo, toda a base é a
família. Na escola o professor vai colocar limites, vai ensinar alguma coisa específica de
alguma matéria, mas acho que é a família que dá essa base”

Casarin e Ramos (2007) e Almeida (2014) compartilham da mesma opinião, ambos


autores acreditam que a instituição família e a instituição escolar realizam um trabalho
educacional como mesmo nível de importância.
Conforme Silva e Cavalcante (2015) esta parceria escola e família e a contribuição
existente entre ambas as partes deve se manter, a ponto de se comunicarem e buscarem
informações e orientações entre elas, pois assim haverá um favorecimento da criança e de seu
desenvolvimento.
De acordo com uma percepção crítica P2 traz que não existe uma instituição mais
importante que a outra, tanto a família como a escola possuem sua relevância, é este trabalho
coletivo que fortifica o desenvolvimento da criança. P2 ainda inclui os amigos deste convivo
social proporcionado pela escola como ajuda no desenvolvimento da criança.
“(silêncio) eu acredito que é um trabalho coletivo né, os pais juntamente com a
escola, né, eu acho que fortifica né o desenvolvimento da criança [...], acho que é importante
essa, esse convívio família, escola, é, os colegas acho que é um ciclo é, muito bem aceito e
isso ajuda no desenvolvimento da criança”.
26

Diante desta importante integração da escola e família perguntamos aos entrevistados


se a escola convida a família para atividades extracurriculares. Todos os participantes
responderam que a escola faz este tipo de convite.
“os pais podem participar, inclusive eles tem dia que é o futebol dos pais, aula de
natação para as mães e os pais podem participar gratuitamente”

“[...] A escola sempre que possível, eles incluem também os pais, tem palestra,
semana passada a gente participou da festa da família junto com as crianças brincando né,
tendo lazer né, eu acho isso importante né”.

“na escola da minha filha sim, [...], por exemplo: feira cultural, festa da família,
como é uma escola religiosa fazem missa, terço, peça teatral religiosa, [...], tem a
participação dos pais eles são convidados”

“convidam. A gente participa bastante”

“...uma campanha que é para arrecadar produtos de higiene pessoal e cabelo, para
uma ONG fazer perucas para pessoas em tratamento do câncer...”

Como vimos nas respostas acima cada escola adota um tipo de estratégia procurando
de alguma forma criar vínculo com os pais e estimular a interação entre pais e filhos, o que
indica que as escolas particulares, reconhece a importância do tralho coletivo para que assim
possam fazer um trabalho de parceria e consequentemente contribuir melhor com o
desenvolvimento escolar dos alunos.
Deus, Cognetti e Boccato (2016, p.17) dizem que “o projeto pedagógico pode trazer
em seu conteúdo estrutura para integração com a família, buscando como consequência
estimulação para processo de aprendizagem e desenvolvimento”. No entanto se não houver
interesse da família em se aproximar da escola o desempenho das crianças pode ser
prejudicado. Por isso existe a necessidade da escola organizar encontros individuais com os
pais, reuniões temáticas, festas, teatro, visitas de estudo, entre outros para que os pais se
sintam motivados a interagir com a escola e também se envolverem com a vida educacional
da criança.

B – Eixo O entendimento sobre o fracasso escolar

Antes de partir, para o entendimento sobre o fracasso escolar sobre a ótica dos nossos
entrevistados é preciso voltar a era das revoluções e do capital, precisamente para o final do
27

século XVIII, onde a revolução francesa e revolução industrial inglesa são responsáveis para
uma nova organização da sociedade.
Patto (1990, p 42) falo sobre esse período: “Durante o século XVIII e as primeiras
décadas do século seguinte, a burguesia foi porta-voz do sonho de um mundo igualitário,
fraterno e livre...”
A sociedade do final do século XVIII não queria mais os privilégios adquirido através
nascimento e sim, por mérito pessoal, com isso surge os sistemas nacionais de ensino onde
visava os seguintes interesses que segundo Patto foram (1990, p 47) “... a crença no poder da
razão e da ciência, legado Iluminismo; de outro, o projeto liberal de um mundo onde a
igualdade de oportunidade viesse a substituir a indesejável desigualdade baseada na herança
familiar...” só que esse sistema de ensino não passa de um intuito da burguesia, já que não
existia na época uma política efetiva educacional, pelo fato de algumas conjunturas trazida
por Patto (1990, p 47 – 48):
1) a pequena demanda de qualificação de mão de obra no advento do
capitalismo e as maneiras alternativas de supri-la; 2) a necessidade de
acionar a escola enquanto aparato ideológico nos anos que se seguem à
Revolução Francesa, até pelo menos o final da primeira metade dos
oitocentos; 3) as pressões inexpressivas das classes populares por
escolarização, nos primeiros anos da nova ordem social; 4) a própria marcha
do nacionalismo e suas contradições. ”

É importante ressaltar que a maior escola profissionalizante dessa época era sem
dúvida a fábrica, já que a preparação técnica era feita no próprio trabalho. Por volta de 1848
começa-se a ter um outro pensamento de escola, no qual, passa a ser um instrumento efetivo
para ascensão social tanto almejada pela classe trabalhadora.
Além disso, a Primeira Guerra Mundial e o racismo, teve grande influência no pensar
escola, uma vez que o primeiro falseia as ideias de um homem livre da dominação e da
diferença social, com isso se dá uma onde de pensamentos, onde o papel da escola era formar
democratas, que segundo Patto ( 1990, p 52):
“... se a escola não estava formando democratas, isto se devia ao fato
de ela mesma não ser democrática. À pedagogia da imposição deveria se
opor uma pedagogia calcada nos conhecimentos acumulados pela psicologia
nascente a respeito da natureza do desenvolvimento infantil, que substituísse
o verbalismo do professor pela participação ativa do aluno no processo de
aprendizagem.”

Como isso se acreditou inocentemente que de fato no mérito pessoal e em uma classe
social igualitária seria produzida pelas escolas, mas nesse mesmo momento surgia teorias
racista, asseguradas pelo cientificismo. Onde a Frenologia ciência essa que dizia ser capas de
28

determinar o caráter através da cabeça, tinha o apoio da nobreza francesa, pois assim
poderiam explicar a soberania e inferioridade dos povos, consequentemente houve a tentativa
de comprovação da inferioridade dos pobres e não brancos.
Essa contextualização é importante para poder entender as falas dos entrevistados, pois
quando é questionado a elas sobre o seu entendimento em relação ao fracasso escolar,
identificamos o quanto ainda é perceptivo dessa escola Capital, no qual, a escola é uma
preparação para um reconhecimento futuro, podemos verificar isso nas falas de P1, P3, P4 e
P5:

“[...] Ele concluiu, as vezes ele concluiu o ensino fundamental, mas ele não consegue
ler, interpretar um texto, produzir, preencher um curriculum, um questionário enfim, é uma
espécie de fracasso escolar... Acho que o baixo desempenho é um fracasso escolar. Você não
está conseguindo acompanhar. Se a pessoa pretende fazer um concurso, um vestibular, não
consegue, aquilo pra ela é (pausa) pra mim, um fracasso escolar. A escola não conseguiu
transmitir o conhecimento a essa pessoa, pra ela dar continuidade...”

“[...]as vezes até pela metodologia das escolas, as vezes as escolas deixam muito a
desejar, o ensino é muito antigo, né, eu acho que eles tinham que modernizar este ensino,[...]
tem essa questão da tecnologia que ele preferem ficar na internet, preferem celular, ele
preferem tudo ao invés de ficar no, naquele ensino tradicional que ele já, já se sentem bem
cansados em relação a isso, então eu acho que são duas coisas a escola tem culpa porque as
veze ela não moderniza o ensino dela, e o aluno por sua vez ele tem a tecnologia toda em
suas mãos, então ele prefere a tecnologia da internet do que na escola, no livro, na apostila.”

“Acho que 90 por cento dos “fracassos escolares” que presencie, foi pela escola...”

“Fracasso escolar é quando a escola não consegue atingir o aluno. Cada aluno é um
aluno, cada aluno é um ser individual e as vezes a escola não consegue alcançar um aluno
específico, como alguma necessidade especial. Isso para mim é fracasso escolar”

Com isso percebemos que há ainda um pensamento de trinta anos atrás referente ao
tema, pois a Patto em 1990, faz um levantamento dos artigos dos assuntos relativos à
educação escolar no país dos anos (1944 -1984) no qual, a mesma faz uma crítica, conforme a
Patto (1990, p 111) diz: Como vimos, a proposta da nova pedagogia assenta-se na afirmação
de que somente um ensino de boa qualidade -no qual um professor interessado e bem formado
maneje o conteúdo do ensino levando em conta as especialidades do alunado.
Novamente esse pensamento aparece na pergunta sobre o quanto a escola seria
responsável pelo fracasso escolar, no qual P1, P2 e P3 acreditam que a maior importância
esteja na escola:

“Acho que a escola tem que oferecer o apoio né, a partir do momento que ela percebe
que o aluno tem alguma dificuldade não posso deixar pra trabalhar isso no fim do ano como
29

uma recuperação. Tem que ter alguma forma de acompanhamento continuo né, uma aula
extra, uma atividade de recuperação, uma forma diferenciada de acompanhar esse aluno aí
[...]”

[...] é um conjunto, as vezes o professor, o profissional da educação, ele também tem


seus problemas e as vezes ele não tá preparado pra ir junto com o problema da sala, então
eu acho que não é só a família, né, eu acho que é um pouco de tudo. Mais a criança também
né, porque se ela não quer ela não vai pra lugar nenhum, né, ela tem que ter incentivo da
família, ela tem que encontrar segurança no professor, né, o equilíbrio também com as
amizades, tudo isso faz o bolo crescer, são vários ingredientes”.

“[...], essa questão de prova, avaliação em prova em folha, essa questão que me pega
mais, porque eu acho que a vezes o aluno tanto mais naquele momento, naquele dia não tá
bem ele é avaliado daquela forma, né, eu acho que as avaliações tinham que ser
diferentes[...]”

Os P4 e P5 além de acreditar na responsabilidade da escola, também responsabiliza a


família:

“É, eles são fundamentais, escola e os pais. Acho que o único problema é quando
todo mundo começa a se eximir daquilo, fingir que não é comigo. A escola finge, os pais
fingem... Não... Aí fica esse jogo de empurra-empurra, criança é fatalmente atingida.”

“Não, da família também, pois a família deve saber o que está acontecendo para
saber se aquilo que está levando a criança ter dificuldade é culpa dela ou da escola. Mas é
muito ruim quando a escola não consegue atingir um aluno”

Além desse ponto, em outras perguntas a relação da família se mostra como um fator
de grande importância que Patto (1990, p 112) chama de “fatores sociais”, encontramos esse
fator social quando questionamos se a escolaridade dos pais tem uma influência no
desempenho escolar dos filhos. P1 e P2 acreditam que sim e P4 e P5 não acreditam, mas eles
tiveram experiências particulares:

“Eu acho que isso é relativo. Acho que a maioria pensa que sim né? Mas, acho que
tudo leva a indicar sim, se o pai tem, ele vai oferecer melhores escolas, cobrar, colocar um
professor pra acompanhar esse filho, mas não sei te dizer em nível de número”

“Eu acho [...], os pais com esse, com o nível de escolaridade acima, eu acho que eles
ajudam bastante [...]”.

“Eu acho que não, sabe o porquê? Por que minha avó e meu avó foram analfabetos e
nem por isso cortou o fato da minha tia se tornado médica e meu pai se tornado engenheiro.
Eu acho assim... Tem o incentivo dos pais, independentemente do nível escolaridade...”

“Porque tem pais que não tiveram condições e eles querem o melhor para o filho,
então não é por que eles não tiveram escolaridade que eles não irão incentivar o filho a ter, o
30

pai não precisa apenas ajudar ensinando, ele pode ajudar incentivando a criança, ele precisa
participar”

Um outro ponto da entrevista é que esse fator social fica evidente é no que se pode ser
feito para reverter um quadro de fracasso escolar e novamente a questão da participação da
família aparece principalmente nas falas de P1, P4 e P5:

“[...]Eu acho que tudo aí tem a questão familiar, esse acompanhamento, se não
tiver.... eu comento isso muito com os pais, tem aquela criança que ela é autodidata, não tem
que estar falando, tem que estudar e tal, ela já vai, você ensina um pouquinho e depois ela
vai sozinha. Mas há aquelas crianças que você precisa ficar cobrando, olha, vamos estudar,
então principalmente a criança chega no sexto ano e o pai fala, ah! tá no sexto ano agora
não precisa, e olha, é a serie que tem mais problema.”

“Aí, acho que a disponibilidade de tempo é essencial assim... Acho que realmente os
pais... Foi o que eu falei, não acredito no fracasso da criança, é o fracasso do pai, é o
fracasso do colégio, é o fracasso do professor, mas a criança não. Acho que só realmente
todo mundo estando disposto, estando muito disposto para poder mudar esse quadro da
criança e muda dependendo da disponibilidade, do tempo, o quanto você olha para aquele
serzinho, muda.”

“O acompanhamento, a família deve acompanha seus filhos e a escola deve saber


acompanhar cada aluno, mas na sala de aula é muito complicado atingir cada aluno”

O questionamento se só o aluno sofre com o fracasso escolar, aparece novamente a


família, esse fator social também foi comentado por Souza (2007, 245) estes continuam
hegemonicamente focados nos acontecimentos intrapsíquicos dos alunos e suas famílias,
deixando de fora os acontecimentos escolares.
Os P1, P4 e P5 acreditam que todos sofram, mas principalmente a família:

“A família acho que as vezes acaba...(pausa), dependendo da família né, a gente que
acompanha, você não quer ver uma nota mais baixa, você já fica, olha, não estudou
adequadamente, eu comento isso com a (nome da criança), uma nota sete é diferente de uma
nota nove né, porque ela demonstra se você conseguiu compreender mais ou menos
determinados conteúdos né”

“Eu acredito que ele é o único que não sofra, eu acho que todo mundo que está
envolvido... Ele é uma consequência, pois isso acontece muito cedo, não adianta você olhar
para o adolescente: “Nossa! Olha, ele fracassou”, não, alguma coisa no meio do caminho
deu errado. Tudo bem! Eu concordo, que eles vão se tornando mais... essa puberdade aí, vai
ficando mais complicado de administrar o tempo de atenção para o estudo, mas acho que
tudo muito na conversa, não gosto do tanto de liberdade que eles estão tendo, isso está
atrapalhando cem por cento. Você vem sendo rígido, rígido e pronto entrou na puberdade:
“toma se vira, você já é adulto, tchau”. E a gente está vendo, isso acontecer muito, criança
pega Uber, vai para onde bem entender, vai para festa, isso sim é um fracasso pessoal e não
escolar.”
31

“Não, no caso de uma retenção, a família também passa por um fracasso, onde errou,
onde falhou, o que fez, e a escola também passa, pois não consegue atingir o objetivo, então
os três passam, o aluno, a família e a escola”

Os P2 e P3 acreditam que os maiores responsáveis são a escola:

Eu acho assim, do ponto de vista da escola [...], quando vamos supor: uma classe
inteira tirou nota baixa em uma determinada disciplina [...], é preocupante pra escola
também [...]. Eu acho que a escola, pelo menos a escola privada, eu acho que ela prima por
uma boa, uma boa nota, hoje tem o ENEM, o PROUNE, tem essas provas, aí eu acho que o
colégio tem que correr atrás também, para te um público dele de alunos com avaliações boas
né”.

“[...], todos sofrem, né, a escola sofre porque ela acha que não conseguiu atingir o
aluno, o professor muito mais, né, porque o professor também se sente fracassado, o aluno e
os pais também porque não conseguiram ajudar então eu acho que é círculo mesmo né, um
círculo que, um círculo vicioso, um não conseguiu ajudar o outro e todo mundo fica frustrado.”

O nível sócio econômico também foi uma pergunta em que o fator social que
novamente temos a família como base principal, no qual o P1, P2, P3 e P4:

“Em certos casos sim, outros não. Família pode ter um nível social bom, né, boa
situação econômica, pagar ótimos professores, e às vezes não vai conseguir...”

“Sim, sim, eu acredito”

[...]acredito, porque quando o pai tem um pouco mais de posse, de condições, ele
coloca o filho numa escola particular, né, no kumom, como eu coloquei a minha, que eu acho
que vai ajudar. Então quando o pai não tem essas condições fica muito limitado, só
dependendo da escola fica complicado...”

“Pode influenciar, e voltamos ao fato do meio em que eles vivem. Pode influenciar,
mas não acho que seja indiretamente não. Continua acreditando na família.”

Nessas últimas sequências de pergunta podemos verificar claramente o chamado


fatores sociais, também podemos percebe o quanto essa crença é culturalmente criada, pois há
trinta anos temos o mesmo discurso, pois segundo Patto (1990, p 112) diz: ao passar a atribuir
as principais dificuldades da escola pública a característica externa à escola e localizada no
aluno e em seu ambiente familiar e cultural.
Então, de fato há incoerência, onde em certo momento a culpa é da escola e certos
momentos do aluno e família, essa incoerência parte dessa crença inicial, onde precisamos de
uma ascensão social e a escola é principal meio de conseguir através do mérito pessoal.
32

Podemos identificar isso através das falas do P1 e P4 ao perguntar se conhece alguém que
teve um fracasso escolar:

“Tem vários irmãos que, dois irmãos que tentaram, meu pai pagou escola particular,
ofereceu e não gostavam mesmo. Eram de cabular aula, e até desistir mesmo. Parou de
estudar. Não concluiu nem o ensino médio. Ele gostava de moto, daí ele foi fazer um curso de
moto, trabalhou em uma oficina, hoje em dia tem a oficina dele, então assim, teve um
fracasso escolar, mas fez aquilo que ele gostava e conseguiu vencer na vida, porque se
sustentar, tem uma condição econômica boa, talvez até melhor de que alguém que tenha
estudado e não conseguiu se colocar no mercado”

“Fracasso escolar alguém que eu conheça? Na adolescência já presenciou muita


coisa assim, né? Um amigo que era muito estudioso e quando chegou na adolescência, o
cara virou um drogado, um “Nóia”. Não sei em que período e nem posso jugar, mas a gente
presenciou, eu presenciei muitos. Bastante, na praia a gente tinha... Por ser praia, então não
tinha tanto perigo, a gente ia e volta da escola sozinho, essa libertada foi quem prejudicou
diretamente esses colegas.”

Ao questionar como eles vem o futuro acadêmico dessas pessoas os P1 e P4 não


acreditam que não tem um futuro acadêmico:

“não teve. Talvez ela tenha o fracasso, dependendo do incentivo, se o pai realmente
cobra, quer que continue, talvez ele não vai conseguir trabalhar naquilo que ela formou,
porque ela não gosta, vai fazer por obrigação”

“O futuro acadêmico da pessoa no fracasso escolar? Provavelmente nem tem, por


que se não consegui... Se fracassou na escola, se não impulsionou no colégio que é a base,
quando chegar no terceiro ano, se chegar, se ver livre, nem vai. ”

Isso se complementa na crença em uma escola Capital.

C. A importância da psicologia no ambiente escolar

A entrada da psicologia no ambiente escolar se deu em meados dos anos 80, embora já
fizesse parte do currículo do curso de psicologia desde a década de 60, era vista como uma
disciplina relacionada aos problemas de aprendizagem. Pensava-se o aluno como o problema,
tinha-se a ideia de que o trabalho devia se focar no aluno apenas, desconsiderando todo o seu
contexto. A ideia inicial era trabalhada no modelo individualizado em consultório e a
medicalização era uma das possíveis saídas para se “curar” os problemas da criança. Surge
uma série de diagnósticos de síndromes e transtornos que sugestionavam que o problema de
aprendizado era de deficiência intelectual (Patto, 1995).
33

Segundo Patto (1995), entender as dificuldades escolares para os profissionais que


praticavam a psicologia educacional, era medir as habilidades e capacidades com a aplicação
e utilização de testes e ferramentas.
Embora a psicologia escolar venha trabalhando para quebrar com o paradigma de que
o problema seja o aluno, o que vemos ainda é a repetição com o que tenta se romper há anos,
a patologização do aluno. Foi possível verificar nas falas das mães que o que ainda acontece é
um modelo tradicional da psicologia, levando em consideração somente o aluno como o
protagonista do seu fracasso e fazendo um trabalho individualizado. Vemos isso nas falas de
P1 e P3:

“Normalmente as escolas encaminham né, o aluno pra.(pausa).. Escola pública


também dá um encaminhamento, acho que para o SUS, pra passar né, mas na deles também
não tem”

“[...] na verdade o psicólogo eles encaminham né, eles têm uma coordenadora, eu
acho que o dia a dia acaba até tornando cada um, um psicólogo, mas não assim um
profissional da área mesmo, eles acabam encaminhando, ”

Foi possível identificar que nas escolas dos cinco entrevistados, nenhuma têm o
profissional da área da psicologia em seu quadro de funcionários. Pelas falas de P1, P3 e
P4nos pareceu que os pais sabiam que não existia o profissional, parecendo que queriam se
justificar por isso, sempre dando um complemento à resposta como se parecessem justificar,
como segue:

“Eu acho que não, com psicólogo não. Acho que não tem, tem coordenador, tal.
Normalmente as escolas encaminham né, o aluno pra.(pausa).. escola pública também dá um
encaminhamento, acho que para o SUS, pra passar né, mas na deles também não tem[...]”

“[...] na verdade o psicológico eles encaminham né, eles tem uma coordenadora, eu
acho que o dia a dia acaba até tornando cada um, um psicólogo, mas não assim um
profissional da área mesmo, eles acabam encaminhando, mas eu percebo assim que eles
sabem lidar bem com as situações de, de, já aconteceu da minha filha precisar conversar
com a coordenadora, expor algumas insatisfações dela e a coordenadora da conta do
recado, conseguiu atingir o que ela precisava.”

“Eu não sei se tem acompanhamento psicológico, acho que não tem. Esses dias eu
peguei uma situação, que eu vi um belo despreparo para ajudar um adolescente, um colega
dele, e ele veio com a história: “Mãe, o amigo meu tem um soco inglês e um punhal”. “Ah!
(Nome do filho), para ele tem doze anos”. Ele entrou no Instagram e mostrou. Então um dia,
ele informou que fulano tinha vendido a faca para outro fulano... Espera, então a faca está
dentro da escola? Foi e liguei para escola e não tinha ninguém preparado para receber uma
34

situação dessa, isso eu senti, não tinha ninguém, peguei todo mundo desprevenido com a
história. Falei vem cá, está passando em baixo do seu nariz e não tive a resposta que eu
queria.”

Segundo Patto (1995, p.12):


Os discursos institucionais tendem a produzir repetições, mesmice, na
tentativa de preservar o igual e garantir sua permanência. Contra isso
emergem, vez por outra, falas de sujeitos, que buscam operar rachaduras no
que está cristalizado. É exatamente como “auxiliar de produção” de tais
emergências que um psicólogo pode encontrar o seu lugar. ”

Proença (2010) questiona quais práticas de atendimento psicológicas vem sendo


utilizadas no combate a queixa do fracasso escolar e por quem são atendidas. Na pergunta
sobre a importância do papel do psicólogo na escola, à resposta foi unanime e todos
concordam que é importante. O que temos visto é uma intensa movimentação de profissionais
da área educacional e psicológica para que se torne uma prática ações psicológicas dentro do
espaço educacional.
As falas de P1 e P4 trazem a importância do papel do psicólogo na escola
principalmente para se trabalhar com os aspectos familiares, pela fala nos parece que
acreditam que as crianças que tem problemas relacionados no âmbito escolar, estão
diretamente relacionados com o cotidiano familiar:

“Tem muitas questões familiares, né, que os alunos carregam ao longo de sua vida
pessoal que acabam interferindo o seu dia a dia. [...]ela não sabe o que está criança está
trazendo seu dia a dia, do seu meio e isso acaba influenciando, [...]e aí o psicólogo as vezes
consegue trazer isso né, as vezes o professor faz esse papel né, a escola faz, o que a gente
tava falando antes né, não é função da escola, vai o professor, vai o coordenador numa
reunião de pais, o pai vai, conta todo aquele problema para o professor que não é preparado
para aquilo e as vezes entra em choque pelo que aconteceu.”

“Fundamental, fundamental. Perto das famílias, das pessoas que estão com
desequilíbrio é fundamental. Para pelo menos uma criança, um adolescente que não tem um
apoio em casa, para que ele tem um psicólogo, um professor, alguém que ele veja que ele
possa contar, confiar, se abrir, pois nessa fase é onde se precisa mais conversar.”

No decorrer dos anos e pela presente pesquisa, observamos que ainda se questiona o
papel da psicologia no ambiente escolar, a que veio e quais suas possíveis contribuições,
pensou-se em uma psicologia que elegia como principal atuação a se ocupar de trabalhos para
resolver problemas de aprendizado esse por muitas vezes era o espaço que o profissional
encontrava para ser participante do processo educacional; o que lhe dava uma identidade e
uma existência nesse contexto (Kupfer, 2010).
35

Ao serem questionados sobre como a psicologia poderia contribuir no ambiente


escolar, o que pudemos observar é que ainda se coloca no aluno o principal papel da
intervenção como se observou nas falas de P2, P3 e P5:

“Ás vezes se autoconhecer é, a gente conhecer até onde nossos filhos consegue ir, né,
quais as dificuldades que ele enfrenta [...]”.

“[...]orientando o aluno da melhor maneira, as vezes uma palavra certa na hora certa
né, é sanando o problema de um individualmente ou do grupo, o preparo é maior dele[...]”

“[...]a orientadora vai trabalhar o aluno como pessoa não apenas no ambiente
escolar, ela trabalha o outro lado do ser humano, eu vejo assim”

Já P1 coloca o trabalho da psicologia com intervenções nos professores também,


observamos que foi além do aluno como protagonista de possível intervenção:

“Acho que no sentido de orientar né, como profissional daquela área, o professor,
hoje em dia o professor ele é médico, é enfermeiro, é psicólogo, acaba fazendo várias
funções, que não é transmitir o conhecimento né. Então o psicólogo é nesse sentido, não só
na escola pra gente né. É diferente você estar conversando com alguém, que te orienta como
amigo e alguém que é um profissional dizendo, se você fizesse assim né... Acho que seria,
seria não, é importante esse trabalho de estar fazendo esse acompanhamento quando
necessário. ”

Muitas ações estão sendo praticadas e mudanças ocorrendo, a psicologia escolar vem
se aproximando do cotidiano escolar não apenas como o psicólogo o detentor do saber, do
conhecimento, mas sim como parceiro em uma construção que seja horizontal e que envolva
todos os participantes da construção do processo educacional, desde funcionários, professores,
direção, família, comunidade e Estado. É preciso pensar e refletir, enquanto psicólogos
educacionais, qual o papel contribuinte para a sociedade. Fazer parte efetiva de questões
políticas-pedagógicas, promover reflexão junto à comunidade, junto a família.
36

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Hoje, depois de uma longa jornada e um aprofundamento que consideramos de


fundamental importância, buscamos entender um pouco mais sobre o fenômeno do fracasso
escolar. Sendo assim, não poderíamos deixar de finalizar o nosso projeto objetivando o
percurso da nossa investigação e sobre os significados atribuídos aos alunos, professores e
pais, bem como suas correlações com esse fenômeno investigado por nós. Pretendemos, com
nossas considerações finais, arrematar de forma lucida, talvez, não respostas, mas reflexões
que apontem para um olhar mais ampliado sobre o tema.
Sobre esse tema, três eixos que nos chamaram a atenção mereceram um olhar mais
apurado. Questões que se confirmaram nas pesquisas bibliográficas e nas pesquisas
(entrevistas) de campo. Uma dessas questões (e aqui chamamos de questões porque, como
dissemos, construímos mais reflexões do que respostas) é a participação das famílias nas
atividades escolares dos alunos (seus filhos).
As evidencias que emergiram em nossas pesquisas em relação ao primeiro eixo
abordado apontaram para um fenômeno intrafamiliar interessante: a de que é fundamental a
cumplicidade mais ajustada e, por que não dizer, intimamente social, entre a escola e a
família. Deve-se considerar que é através da instituição dita família, que o indivíduo
desenvolve as identificações primárias que serão base para o seu desenvolvimento, já que para
a criança a internalização deste mundo apresentado pela família é tido como o único mundo
existente. Mesmo depois de adultos a ancoragem é baseada neste mundo infantil e nas
primeiras relações familiares. Diante disto, percebemos o quanto pode ser determinante a
qualidade do vinculo escola/aluno, já que se torna praticamente mandatório que a família (ou
a representação que esse aluno tenha de família) esteja, também, vinculada de forma adequada
(proximidade física, afetuosa e produtiva) à escola para, assim, acompanhar de forma
colaborativa, participativa e acolhedora às mudanças inerentes à dinâmica dos currículos
escolares. Podemos observar que, dessa maneira, família e aluno caminhem na mesma direção
na escolarização dessa criança. Mesmo por que, a família participar do cotidiano, da rotina
escolar do aluno, se torna esteio de afeto qualitativo e que é uma demonstração (mais do que
um discurso) do interesse desses pais com no desenvolvimento escolar de suas crianças. Creio
que podemos acrescentar a esta reflexão outro fator que, podemos dizer, fundamenta toda a
importância desse movimento família/aluno: gerar um fator motivacional, com aportes
afetivos nessa escolarização. Uma força motriz que nem precisamos dizer o quão fundamental
é para a própria criança.
37

Essa participação da família se dá, também, no meio não formal, fora da escola. Os
pais e alunos produzem essa vivencia em outros lócus, fora do ambiente escolar. A vivência
se dá no diálogo, nas orientações reforçadoras positivamente para, assim, fortalecer o vinculo
dessa família em torno do fenômeno da escolarização. Identificamos algumas características
dessa vivencia tais como: o acompanhamento diário (Lição de casa, trabalhos escolares,
preparação para provas e exames), observando o comportamento da criança para identificar
possíveis conflitos, diálogo respeitoso, participação nas atividades de lazer, entre outras.
Importante salientar aqui que esta vivência e o “estar presente” das famílias não se
correlaciona necessariamente com sua condição social ou do grau de escolarização dos pais,
já que estamos falando aqui de apoio e porque não o acolhimento e a participação nas
atividades do dia a dia.
O segundo eixo abordado no nosso estudo, e que nos chamou atenção, foi o próprio
entendimento que esses pais têm do que é o fracasso escolar. Percebemos durante a pesquisa a
dificuldade de elencar ou até mesmo atribuir as causas do dito fracasso escolar a qualquer um
dos “atores” deste processo. As percepções das mães em relação a qual “pano de fundo” nos
referimos, isoladamente ou como uma somatória de fatores, sempre dividida por uma linha
muito tênue. Muitos pais acreditam que o peso maior seja depositado sobre a responsabilidade
da escola. Professores mal preparados, mal remunerados, grades curriculares fracas,
repetitivas, sem criatividade e funcionários desmotivados. Outros pais também se
culpabilizam quanto ao fracasso escolar quando não participam da vida e do cotidiano escolar
dos seus filhos, não acompanham as lições de casa, estudos preparatórios para provas,
exames, atividades na escola, como festas, eventos, palestras ou, até mesmo, reuniões de pais.
Podemos reverenciar nesse estudo os aspectos relacionados às famílias das classes
econômicas mais baixas. Aquelas que contam com baixos recursos financeiros e materiais. No
entanto, não podemos deixar de fora da nossa discussão os aspectos que se referem às escolas.
Estamos nos referindo aos currículos programáticos mal, elaborados, adaptados as reais e
fundamentais necessidades dos alunos. Os aspectos relativos à disfuncionalidade de todo um
sistema de escolarização e a baixa qualificação dos conteúdos referentes a formação de
professores. Por ultimo, mas não menos importante, como se dá a mobilização desses alunos
em direção à escolarização, a aprendizagem e a formação? Nesse contexto pudemos observar
diversos conflitos que apontam para algumas divergências em relação a questão. Portanto,
quando pensamos nos determinantes do fracasso escolar, podemos destacar vários aspectos
que contribuem para esse fenômeno. Obviamente, precisamos ter um cuidado acadêmico,
teórico e balizar nossas contextualizações em critérios científicos. Precisamos levar em
38

consideração todo um contexto familiar e suas implicações como parte do problema ou


solução deste. Não menos importante é pensarmos na motivação desse aluno para a
aprendizagem. O fracasso escolar dentro do lócus, dentro da escola e todo um sistema
educacional programático e criativo. O corpo docente dessa escola, seus conflitos e limitações
impostas por um sistema governamental e social, muitas vezes, fomentador desse fracasso. E
o contexto social e econômico onde família, aluno, escola e comunidade estão inseridas.
Todos esses aspectos elencados aqui são objetos de estudo quando abordamos esse tema, tão
caro à nossa sociedade.
Finalmente, como terceiro e último eixo debatemos a importância da psicologia no
ambiente escolar. Sabemos que a psicologia do desenvolvimento nos revelou uma outra
criança, muito diferente daquela incompleta em sua constituição do saber e que deveria ser
educada como um ser mal constituído. Nós, psicólogos, devemos (Esse é o nosso papel) de
modo minuciosamente científico, observar os mais diversos estudos sobre o ensino
fundamental, para tentar achar um determinante, um paralelo que faça uma intersecção entre a
prática escolar e os objetivos que não atingidos. Precisamos salientar aqui que na história da
psicologia escolar é certo afirmar que são praticas que vêm trabalhando para modificar,
melhor dizendo, descontruir os paradigmas oriundos de uma falácia, uma narrativa construída
de que o problema da escolarização seja responsabilidade só e somente do aluno. Pior, o que
podemos observar, vai além: é a repetição do que tentamos, nós, profissionais da psicologia,
desconstruir há décadas: a patologização do aluno enquanto protagonista do fracasso escolar.
Foi possível verificar nas falas das mães que o que ainda acontece é um modelo tradicional da
psicologia, levando em consideração somente o aluno como o protagonista do seu fracasso e
fazendo um trabalho individualizado. Esta reflexão nos parece ser de fundamental relevância
para o psicólogo que atua no ambiente escolar. É de fundamental importância reconhecer, por
esse profissional da psicologia, a fina trama complexa dos problemas que interferem de forma
negativa na aprendizagem, lembrando que os aspectos concernentes ao pleno
desenvolvimento cognitivo, aos afetivos mais nobres e qualitativos, as questões todas que
envolvem a psicomotricidade, assim, com apurada e criteriosa investigação é possível
alcançar soluções que ruidosamente corroem fatores reforçadores da aprendizagem.
É percebida a necessidade de ter à disposição o profissional de psicologia atuando
junto à escola, desde que haja clareza no seu papel, de forma a não repetir construções do
passado acerca da patologização do ensino, como já citado anteriormente. Entendemos que
esta atuação, levando em conta o meio social, pode minimizar o fracasso escolar, trabalhando
tanto a prevenção como intervenção junto com o professor, o aluno, a família e a comunidade,
39

assumindo aí uma atuação em um modelo transdisciplinar, como agente da construção do


conhecimento e de mudanças, com ressignificação das práticas psicológicas dentro do
contexto escolar.
40

6. REFERÊNCIAS

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43

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senvolvimento/article/download/11847/14540>. acessos em 03 nov. 2018

7. ANEXOS:

ANEXO A:
ROTEIRO DE ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA
Quantos filhos o Sr. (a) tem?
Qual a idade deles?
Todos frequentam a escola? Desde que idade?
Seus filhos estudam em período integral ou meio período?
Qual o horário que frequentam a escola?
Como foi feita a escolha pela escola?
O Sr. (a) acha que a escolha da escola influência no desenvolvimento escolar das crianças?
Como é a rotina de estudos em casa?
A família participa das atividades escolares dos filhos? Quais? Como?
O Sr.(a) considera importante a participação da família na vida escolar de seu filho(a)? Por
quê?
Além dessas atividades escolares como o Sr.(a) acha que a família pode contribuir mais ou de
outras formas? Poderia nos dar um exemplo?
Acreditam que o aspecto emocional da família (pais, irmãos) influenciam no desenvolvimento
escolar?
De quem o Sr.(a) acredita que seria o principal papel na construção educacional do seu
filho(a)?
A escola convida a família a participar de atividades extracurriculares?
Seu filho (a) já te trouxe alguma queixa ou dificuldade escolar?
Se sim, como foi sua reação?
Seu filho (a) lhe conta o que acontece no ambiente escolar?
Acha que o comportamento da criança tenha haver com o seu desempenho escolar?
O que você entende por fracasso escolar?
Na sua opinião quais fatores que podem contribuir para que o fracasso escolar aconteça?
44

Você acredita que a escola tem alguma responsabilidade sobre o fracasso escolar? Qual? E os
pais? Qual?
O Sr. (a) acha que a escolaridade dos pais pode influenciar o desempenho dos filhos na
escola?
Na sua opinião o que seria feito para reverter um quadro de fracasso escolar?
Você acredita que é somente o aluno que sofre o fracasso escolar?
Você acredita que o nível socioeconômico pode influenciar no fracasso escolar?
Você conhece alguém que no seu entendimento tem um fracasso escolar, como isso foi
percebido?
Pela sua concepção de fracasso de escolar como você vê o futuro acadêmico dessa pessoa dita
com fracasso escolar?
Tem conhecimento se na escola do seu filho tem acompanhamento psicológico? Se sim, como
é feito esse trabalho?
Acredita ser importante o trabalho do psicólogo em escolas? Por que?
Como o Sr. (a) acredita que a psicologia possa contribuir no ambiente escolar?

ANEXO B:
TCLE - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS – CURSO DE PSICOLOGIA
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Caro Participante:
Gostaríamos de convidá-lo a participar como voluntário da pesquisa intitulada
Compreensão do Fracasso Escolar por Pais de Crianças do Ensino Fundamental e as possíveis
Contribuições da Psicologia, que se refere a um projeto de Trabalho de Conclusão de Curso
dos alunos Alberto Camps Tort, Aparecida Rosa Gago, Celia Regina C. Costa Gomes, Jarbas
Capusso Filho e Perla R. da Cruz Daniel, do curso de Psicologia da Universidade Paulista –
UNIP.
O objetivo deste estudo é entender como a família compreende o fracasso escolar. Os
resultados contribuirão para estimular a reflexão de todos os envolvidos, formar opiniões e
ampliar o campo de percepção sobre o tema fracasso escolar. Ainda auxiliará na melhoria de
estudos já existentes e na construção de novos conhecimentos que ajudarão no enfrentamento
dos problemas relacionados ao tema da pesquisa.
45

Resumidamente, a pesquisa será realizada da seguinte forma: serão realizadas


entrevistas com pais e/ou mães que tenham filhos no ensino fundamental II, em escola
privada. A entrevista terá duração de aproximadamente 40 minutos e, com sua autorização,
será gravada para que depois possamos analisar. Sua forma de participação consiste em nos
dar uma entrevista com questões sobre o fracasso escolar, suas opiniões e experiências.
Seu nome não será utilizado em qualquer fase da pesquisa, o que garante seu
anonimato, e a divulgação dos resultados será feita de forma a não identificar os voluntários.
Não será cobrado nada, não haverá gastos e não estão previstos ressarcimentos ou
indenizações.
Considerando que toda pesquisa oferece algum tipo de risco, nesta pesquisa o risco
pode ser avaliado como mínimo. Caso necessário, você poderá ser encaminhado a um Serviço
de Psicologia ou orientado sobre isso.
Gostaríamos de deixar claro que sua participação é voluntária e que poderá recusar-se
a participar ou retirar o seu consentimento, ou ainda interromper sua participação se assim o
preferir, sem penalização alguma ou sem prejuízo ao seu cuidado. Nos casos em que se
utilizar questionário ou entrevista, você poderá recusar-se a responder as perguntas que
causem eventuais constrangimentos de qualquer natureza a você.
Desde já, agradecemos sua atenção e participação e colocamo-nos à disposição para
maiores informações. Se você desejar, poderá ter acesso a este trabalho do qual participou.
Você ficará com uma cópia deste Termo e em caso de dúvidas ou necessidade de
outros esclarecimentos sobre esta pesquisa, você poderá entrar em contato com a pesquisadora
principal: Vanda Lúcia Vitoriano do Nascimento. Localizada na Av. Marquês de São Vicente,
Bairro Água Branca nª 3001. Telefone: (11) 3613-7052.
.........................................................................................................................................
Eu ____________________________________________________________ (nome
do participante e número de documento de identidade) confirmo que Alberto Camps Tort,
Aparecida Rosa Gago, Celia Regina C. Costa Gomes, Jarbas Capusso Filho e Perla R. da Cruz
Daniel, explicaram-me os objetivos desta pesquisa, bem como a forma de minha
participação. As condições que envolvem a minha participação também foram discutidas.
Autorizo a gravação em áudio da entrevista que porventura venha a dar e sua posterior
transcrição pela equipe de alunos-pesquisadores responsáveis, para fins de ensino e pesquisa.
Autorizo a publicação deste material em meios acadêmicos e científicos e estou ciente de que
serão removidos ou modificados dados de identificação pessoal, de modo a garantir minha
46

privacidade e anonimato. Eu li e compreendi este Termo de Consentimento; portanto,


concordo em dar meu consentimento para participar como voluntário desta pesquisa.

(Local e data:)

_____________________________
(Assinatura do participante)

Eu,______________________________________________________________
(nome do membro da equipe que apresentar o TCLE)
obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido do
participante da pesquisa ou seu representante legal.

ANEXO C: Caracterização dos participantes da pesquisa


Participante Quantidade de Idade dos filhos Série que está Período que
filhos matriculado estuda
P1 2 13-13 (gêmeos) 8º ano fund. II Manhã
P2 1 12 7º ano fund. II Manhã
P3 1 12 7º ano fund.II Manhã
P4 2 07 e 12 2º ano fund.I e 7º Manhã
ano fund. II
P5 2 09 e 12 4º ano fund. I e 7º Manhã
ano fund. II

ANEXO D: Transcrições Sequenciais


Tabela Sequencial
TEMA P1 P2 P3 P4 P5
Critério da Responde Respondeu Responde Responde que Responde
Escolha da que passou que a escolha que passou foi por causa que escolheu
escola por 02 foi feita pela por 03 do Sistema de uma escola
escolas, proposta escolas, Ensino. em que
primeira pedagógica e primeira trabalhava,
escolha foi estrutura escolha foi pois tinha um
feita por física da feita por ensino
afinidade escola. motivo de melhor e seus
entre eles e a trabalho a filhos
professora, segunda por gostavam
recepção mudança de mais
acolhedora. cidade e a
A segunda terceira
pela retornou a
47

infraestrutura S.P e voltou


(salas, para a
acabamento), primeira
e atividades escola
diferenciadas
(Judô, jazz,
vôlei,
basquete)
Escolha da Responde Respondeu Responde Responde que Responde
escola que sim, a que sim. que a escolha 100%. que sim,
influência no opinião dos é feita pelo pois se os
desenvolv pais acaba objetivo que filhos se
escolar influenciand se deseja e o sentem
o o criança, que se melhor na
podendo pretende e o escola, eles
atingir até que se espera acabam
seu da escola aprendendo
desempenho melhor
também
Rotina de Responde Disse que a Responde Responde que Ela ri e
estudos em que eles tem criança tem que a filha a primeira responde que
casa horário fixo, um horário vai à escola coisa a se eles fazem a
a tarde, e eles reservado pela manhã e fazer quando lição de casa
já sabem para à tarde chega da e se tem
porque está atividades realiza escola é fazer prova
combinado. escolares atividades a lição de estudam e ela
Depois do todos os dias extras como casa. os
lanche da inglês, acompanha
tarde. kumon e tem sempre no
o horário processo
para realizar
as lições de
casa
Participação Responde Responde que Responde Responde que Responde
da família que eles sim, ajuda que eles eles que sim
nas participam, o com trabalhos participam, participam, os
atividades pai menos e pesquisas os pais têm pais ajudam
escolares por causa do participação nas tarefas de
tempo, mas em casa.
participam atividades
da lição de que a filha
casa, reunião solicita ajuda
de pais, feira e que são
cultural, por bem
exemplo. participativos
Alguma . A filha dá
atividade conta das
mais focada, atividades e
recorte, tem
pesquisa, pra autonomia, a
48

ver um mãe não se


trabalho envolve e
bonito, bem deixa ela ter
feito as
responsabilid
ades sobre os
trabalhos que
precisa fazer,
só ajuda
quando
realmente ela
tem dúvidas.
Considera Responde Diz Responde Responde que Responde
importante a que é importante, que muito, é essencial, que acha,
participação fundamental, porque a que a criança pois isso pois a família
da família na porque os responsabilid precisa deixa os pais não pode
vida escolar alunos que ade de educar perceber o mais apenas
e o porque tem os pais não é só da interesse dos próximos dos cobrar, mas
que vão nas escola, mas pais na vida filhos. tem que
reuniões, dos pais escolar. A participar
acompanham também. criança chega
lições, Considera motivada
mandam trabalhar em para contar o
bilhetes tem parceria com que fez na
um a escola ser escola, os
desempenho essencial para temas de
melhor que o o mais
aluno que o desenvolvime interesse.
pai nunca nto do aluno. Percebe que
aparece. a filha fica
feliz em
contar e que
percebe que
os pais
prestam
atenção, acha
a
participação
dos pais
fundamental.
Como a Responde Responde que Responde Responde que Responde
familia pode que a família a participação que está próximo que
contribuir e é a base de dos pais desenvolvend ao filho não ocupando os
de que forma tudo, não só dentro da oa somente nas filhos com
além da na escola, escola. autonomia da atividades outras
atividades mas no lazer, Programas filha em escolares, atividade,
escolares diálogo, que inclua a buscar pelo o mas sim em como
comportame família e que se atividades esportes e
nto uma incentive a interessa. extracurricula lazer
parceria interação Cita res, como por
49

constante entre pais e exemplos da exemplo fazer


que vai filhos. filha dizendo algum esporte
fortalecendo que gostaria junto com a
os laços. de ter mais criança.
aulas
específicas e
que incentiva
a filha a ir
buscar com
os
responsáveis
como isso
poderia
acontecer. Às
vezes é
necessário a
intervenção
dos pais, mas
que é preciso
desenvolver
a autonomia
para a filha
lutar pelo que
quer.
Aspecto Responde Disse que sim Responde Responde que Responde
emocional da que sim, e acredita que que também. sim, não só que sim
família X porque se a os Se a criança da criança,
Influencia no família está aconteciment estiver num mas em
desenvolvim passando por os familiares ambiente qualquer
ento escolar um problema reflete no tranquilo ela membro da
ou uma desenvolvime vai tranquila família.
situação nto dos na escola, se
difícil todos alunos. o ambiente
acabam for agressivo
sendo ou agitado
afetados e ela vai passar
isso reflete tudo para a
na criança escola. Que o
também. ambiente em
casa
influencia no
relacionamen
to com os
amigos, que
o respeito
que ela tem
em casa é o
que vai
passar na
escola.
50

De quem é o Responde é a Responde que Responde Responde que Responde


principal família, o trabalho é que acredita acredita ser família
papel na embora coletivo, pais,
ser dos pais principalment
construção algumas escola e até ou do e dos pais.
educacional vezes amigos, responsável
do filho acabem solidifica e pela criança,
transferindo contribui paraque quando
isso para a o tem
escola. Mas a desenvolvime dificuldades
escola é a nto. em ajudar a
base do filha, a
conheciment mesma,
o, a educação recorre ao
é da família. pai. Na
escola
orienta que a
filha recorra
ao professor
e caso o
professor não
esteja
atingindo as
dificuldades
daí recorrem
ao
coordenador
Participação Responde Respondeu Responde Responde que Responde
da família que sim, tem que sim, a que sim, que sim, e eles que convida
nas dia de escola sempre são participam depara
atividades futebol dos que possível frequentemen tudo que a campanhas,
extra- pais, e os promove te escola feiras
curriculares pais e mães palestras e convidados a oferece. culturais,
podem eventos que participarem exposição de
participar estimulam em feira robótica e a
gratuitament interação cultural, festa reunião de
e de aula de entre pais e da família e pais.
natação. filhos por ser uma Responde
escola que a família
religiosa, tem deve estar
missas, teatro presente para
e são sempre conhecer as
convidados. pessoas que
interagem
com as
crianças
Os filhos já Responde Disse que Responde Responde que Responde
trouxeram que sim, várias, e que sim, que o filho que sim, ele
alguma alguma contou que a filha tem sempre traz tinha
queixa dificuldade, seu filho já se dificuldade dúvidas em problema
escolar atividade que queixou de em resolução relação as com uma
51

não um professor de problema atividades. matéria


entendeu, que falava em específica e
comentários muito alto e matemática, não sabia
sobre a apontou que não em fazer os
prova. ele tem expressão, exercícios da
Provas com dificuldade mas em prova
poucas em situações
questões que matemática. problemas.
valem muito, Como
por exemplo. algumas
crianças não
tem essa
dificuldade e
viram que a
filha não foi
atingida pelo
objetivo do
professor,
resolveram
complementa
r com o
Kumom para
treinar o
raciocínio
mental,
concentração
e agilidade.
Por ser a
única matéria
que ela
apresenta
dificuldade
eles tentam
sanar as
dificuldades
dela.
Filho conta o Responde Responde que Responde Responde que Responde
que acontece que acredita conta, mas as que a filha acredita que que muito
no ambiente que sim, todo vezes ela tem conta o que a sim. pouco, pois
escolar dia chegam e que insistir. deixa feliz e como ela é
conversam o que a professora no
sobre a aula, entristece. colégio em
e como os Nesse caso que eles
dois estudam pede para a estudam ela
na mesma filha já caba
sala um conversar sabendo das
conta sobre o diretamente coisa, e conta
outro com os uma historia
também. envolvidos do mais
Além disso, no assunto e velho
52

a escola tentar
comunica se resolver,
ocorrer algo trabalhando
mais sério sua
também. autonomia.
Caso não
surtir efeito a
mãe conversa
com ela e
com a escola,
mas
geralmente
ela mesma
resolve os
conflitos.
Comportame Responde Não Responde Responde
nto da que um respondeu de que muitas que sim
criança X interfere no acordo com a vezes sim, dá Responde
desenvolvim outro, pergunta como que se o
ento escolar falando do exemplo a aluno tem
comportame filha que tem limites vai
nto em sala, dificuldade saber a hora
mas o em de prestar
comportame matemática e atenção e vai
nto como por vezes se aprender com
timidez ou mostra mais
extroversão irritada com facilidade
acha que não isso e
afeta muito. geralmente
nunca gosta
do professor
dessa
matéria. Ela
entende que
não é o
professor que
a filha não
gosta e sim a
matéria, que
a filha acaba
tendo
dificuldade
em se
concentrar,
tem mais
dificuldades.
Vai bem nas
provas por
que acaba
estudando
53

mais, mas
considera
que a
dificuldade é
grande, que
nas duas
escolas que
passou foram
assim, ela
nunca gosta
dos
professores
de
matemática,
por isso acha
que o
comportamen
to interfere
no
desenvolvim
ento.
Entendiment Responde Não Responde Responde que Responde
o sobre que seria não respondeu de que é um não acredita que fracasso
fracasso atingir os acordo com a conjunto de em fracasso escolar
escolar objetivos da pergunta desinteresse escolar e que acontece
educação, as do aluno, é preciso quando a
vezes a metodologia haver uma escola não
pessoa das escolas, interação consegue
conclui o as escolas família e atingir o
ensino deixam a escola. aluno
fundamental, desejar, são
mas tem muito antigas
dificuldade tinham que
de ler e se
interpretar modernizar,
textos, fazer diz que tem
um algumas
curriculum, escolas que
um já trabalham
formulário assim por
por exemplo, projetos, esse
vira um padrão de
analfabeto sentar um
funcional. atrás do
Este baixo outro, ter
desempeno é provas. A
um fracasso avaliação
escolar. O deve ser
fracasso se contínua, o
constitui, a tempo todo
54

escola não só no
também não papel.
conseguiu Deveriam
transmitir o ensinar o
conheciment aluno a
o. Tem trabalhar em
outras equipe fazer
formas, a projetos para
evasão por motivar, pois
exemplo. o aluno se
desmotiva.
Preferem
ficar na
internet,
celular do
que estudar,
preferem isso
a ficar
naquele
ensino
tradicional
que se
sentem
cansados.
Acha que são
duas coisas, a
escola que
não se
moderniza e
o aluno que
prefere ficar
nas
tecnologias
do que os
livros. Acha
que o
fracasso vem
daí também.
Responsabili Responde Responde que Responde Responde que Responde
dade da que sim, que tem vários que sim, que a escola é que não, a
escola sobre precisa dar o envolvidos e a escola deve fundamental, família
o fracasso apoio, um trouxe que as se mas acredita também tem
escolar acompanham vezes o modernizar, que o participação
ento de professor não sair desse problema está no fracasso
forma está ensino quando a escolar do
continua, preparado tradicional. família e na aluno
uma aula para lidar Embora a escola
extra, uma com os escola da omitirem suas
aula de problemas da filha seja responsabilid
recuperação, sala. religiosa, a ades.
55

para coloca- anterior era


lo no nível mais
que deveria tradicional,
estar, para nessa escola
acompanhar que ela está
os demais agora eles
alunos. têm bastante
trabalho em
grupo o que
faz com que
as crianças
troquem
ideias, cada
um da
sugestão, a
ideia é de
todos e eles
pegam a
melhor, ou a
que vai ser a
melhor para
o momento;
isso é um
trabalho de
equipe; mas
ainda tem
muito do
ensino
tradicional e
acha que isso
deve mudar
sim.
Escolaridade Responde Responde que Responde Responde que Responde
dos pais X que isso é é importante que sim, pelo não, pois os que não, pois
desempenho relativo, não e ajuda pai ser avós paternos mesmo pais
dos filhos na é uma regra. bastante. engenheiro e eram que não
escola Tem dominar analfabetos e possuem
exemplo em matérias mesmo assim escolaridade
casa do como teve dois podem
irmão que matemática, filhos incentivar os
não tem química e formados. seus filhos
estudos mas física
influenciou consegue
positivament ajudar a filha
e os na
sobrinhos, dificuldade.
que hoje tem Acredita que
até mestrado. se o pai não
Ou seja, teve tivesse
apoio da escolaridade
56

família, seria uma


mesmo sem grande
grau de dificuldade
escolaridade. em ajudar.
O que pode Responde Responde Responde que Responde
ser feito para que a questão que é é que o
reverter um familiar é trazendo o disponibilida acompanham
quadro de primordial, aluno para a de de tempo ento da
fracasso se não tiver escola, para com a família,
escolar um motivando-o criança. Responde
acompanham e trabalhando que na sala
ento fica em cima do de aula é
difícil. Tem interesse do muito difícil
criança que é aluno, sendo atingir 100%
mais esse o ponto todos os
autônoma, fundamental. alunos
mas tem
outras que
não,
principalmen
te no sexto
ano, que é
uma
transição de
metodologia.
Só aluno Responde Responde que Responde Responde que Responde
sofre com o que todos quando uma que todos acredita que o que não, diz
fracasso sofrem, sala inteira sofrem, a aluno é o que é um
escolar quando seus tira nota escola único que não fracasso para
filhos vão baixa todo o porque não sofre o o aluno,
mal ela fica corpo atinge seu fracasso, mas família e
se pedagógico objetivo, o sim os pais e escola
perguntando sofre, pois professor escola.
o porque se todos estão muito mais
ela está sendo porque se
falhando em avaliados sente
algo. fracassado, o
aluno e os
pais também
que não
conseguiram
ajudar.
Acredita ser
um círculo,
um círculo
vicioso, onde
um não
conseguiu
ajudar o
outro e todos
57

se frustram.
Nível sócio Responde Responde que Responde Responde que Responde
econômico que em acredita que acredita acredita sim, que não,
influencia no certos casos que os pais por causa do pois nas
fracasso sim, outros de posse, de meio onde escolas
escolar não. Pais melhores vive, mas não particulares
com um bom condições é um fator aluno deve
nível tendem podem principal. ter uma vida
a passar isso colocar o mais
para o filho, filho em uma estabilizada
mas não é escola
determinante particular,
, as vezes em
mesmo atividades
família extras para
pagando ajudar. Quem
ótimos não tem
professores condições e
não vão depende só
conseguir. da escola,
fica limitado.
Conhece Responde Respondeu Responde Responde que Responde
alguém que que sim, tem que seu filho que trabalhou viu vários que como
teve fracasso vários ficou de com alguns amigos do mãe não, mas
escolar e irmãos, que recuperação alunos com tempo de como
como se mesmo pai em uma necessidades adolescência professora
percebe pagando matéria e os especiais que que era sim
escola outros alunos tinham estudioso,
particular, em outras algum tipo de entrar no
não queriam disciplinas e dificuldade e mundo das
estudar, depois da os drogas e
cabulavam recuperação, professores abandonar a
aula e a professora e não eram escola.
pararam de ela habilitados
estudar, nem perceberam ou mesmo
sequer como falta de sabiam o que
concluíram o atenção dos fazer. Eram
ensino alunos. feitas
médio. algumas
atividades
diferenciadas
, mas
acredita que
deveriam
profissionais
especializado
s para
trabalhar
com essas
crianças.
58

Como vê o Responde Responde Responde que Responde


futuro com o que não tem não tem que varia,
acadêmico mesmo esperança, vê futuro tem pessoas
dessas exemplo de que o acadêmico, que levam
pessoas um dos professor não principalment isso como
irmãos, que é valorizado, e se houver lição e
não terminou que não tem ganho melhoram ou
o ensino condições de secundário. desanimam
médio, não se de estudar
gostava de especializar,
estudar mas de fazer
gostava de outros
motos, hoje cursos, que
tem a oficina em escolas
dele e está públicas e
bem privadas os
financeirame professores
nte. Talvez não são
não tenha capacitados
tido futuro para atingir
acadêmico, as
mas se dificuldades
formar e não dos alunos.
gostar do que
faz, faz\er
por
obrigação
também é
fracasso.
Tem Responde Responde que Responde Responde não Responde
psicólogo na que tem não tem que tem saber, mas que não mais
escola da psicólogo psicólogo acredita que
filha que que não.
encaminham, encaminham,
tem um que na escola
coordenador acaba cada
que lida com profissional
esses se tornado
problemas. um
Em escola psicólogo.
pública Percebe que
normalmente os
mandam para profissionais
o SUS. sabem lidar
com
situações que
acontecem e
que
demandariam
um
59

psicólogo,
que dão
conta do
recado.
Importância Responde Diz achar Responde Responde que Responde
do papel do que sim, importante, que cada é que acha
psicólogo pelas porque as escola fundamental, importante,
questões vezes os deveria ter pois as pois o
familiares filhos têm um, embora crianças e psicólogo vai
que os alunos algum outros adolescentes tratar o aluno
carregam ao problema e os profissionais precisa ser com pessoa
longo da vida pais não desempenhe ouvida. e resolve o
e interferem percebem. m esse papel, problema
no dia a dia. Disse que nada como diretamente
As vezes toda escola um com os pais
outras deveria ter profissional
pessoas um psicólogo de verdade;
fazem o para ajudar os que tem a
papel do pais a palavra certa
psicólogo, o entender e que estudou
professor o como os para isso.
coordenador, filhos se
mas não são comportam
preparados na escola, se
para isso, está sendo
não tem o humilhado,
conheciment vítima de
o necessário. bullying, se
está sofrendo
em silencio.
Como a Responde Responde que Responde Reponde que
psicologia que no no que muito, e que
contribui no sentido de autoconhecim orientando o adoraria que
ambiente orientar. É ento dos aluno, a escola de
escolar diferente alunos. sanando seus filhos
falar com problemas tivesse uma
outro individualme orientadora, e
profissional nte e do diz que o
que não é grupo. Na coordenador
qualificado escola da não faz o
para isso, filha é assim trabalho do
com um que os orientador.
amigo e com profissionais Responde
um se portam, que sim, que
psicólogo, acredita que pode até
enquanto alguns evitar em
profissional tenham certos casos,
da área e formação em e até mesmo
acompanhan psicopedagog trabalhar
do quando ia. com os
60

necessário. professores

Anexo D – Transcrição Integral

ENTREVISTA P1

Inicial Nome Entrevista Data


A Alberto Camps Tort P1 16/08/18 Entrevistador
P Perla da Cruz Daniel P1 16/08/18 Assistente
L Lygia P1 16/08/18 Entrevistada

A- Boa tarde Lygia


L- Boa tarde
A- A gente vai então fazer a entrevista para o nosso TCC, cujo tema é fracasso escolar. Eu
sou o Alberto, a Perla, e a gente vai apresentar algumas questões aqui e você responde de
acordo com aquilo que você tiver, de acordo com sua realidade, tá?
L– ok
A- Quantos filhos você tem?
L- Dois, dois filhos.
A- E qual a idade deles?
L- 13 anos.
A- 13, e o outro?
L- Os dois tem 13, são gêmeos
A- Ah, são gêmeos, são dois meninos?
L- Um casal, um menino e uma menina
A- E eles frequentam a escola desde que idade?
L- Desde dois anos e meio
A- Os dois?
L- Os dois.
A- Seus filhos estudam em período integral ou meio período?
L- Meio período
A- E que horário que eles frequentam?
L- Já estudaram no semi-integral quando eram menores, mas agora estudam meio período só,
de manhã
A- São do ensino Fundamental II né?
61

L: Fundamental II
A- E como foi feita a escolha pela escola? Como você escolheu a escola que eles estudam
hoje? Quais foram os critérios?
L- Bom, a primeira escola, visitei a escola pra (pausa) algumas escolas, e a primeira escola foi
por uma afinidade que eu percebi entre eles e a professora, a recepção, né que eles tiveram
quando chegaram comigo, eu achei bem acolhedora.
A- Isso foi na primeira escola?
L- Na primeira escola
A- Quando eram pequeno ainda
L- Isso, e era uma escola menor também, do que a que eles estão hoje. Depois eu já optei por
mudar, porque a que eles frequentam hoje tem uma infraestrutura melhor, então foram já a
partir do sexto ano, né, no fundamental II foram para essa nova escola, porque aí já cortou um
pouco esse cordão umbilical, essa dependência muito afetiva né. Então eu optei por esta nova
escola pela sua estrutura escolar, por ter atividades diferenciadas, com período....
A- A estrutura que você fala, é a estrutura física?
L- Física mesmo, assim, mais recursos, as salas de aula são mais bem estruturadas, até a
questão de acabamento mesmo, da escola, e tem aulas extras, então tem piscina, tem aulas de
natação, tem judô, jazz, vôlei, basquete, então como estavam maiores eu queria que eles
fizessem outras atividades também, né, pra ocupar o tempo, poder interagir, ter uma prática de
atividades físicas, então optei por mudar e já fui preparando a cabecinha, a partir do quarto
ano, eu falava pra eles, ó, mais dois anos só hein, depois vai mudar
A- Entendi. Você acha que a escola, a escolha da escola influencia o desenvolvimento escolar
das crianças?
L- Eu acho que sim, acho que até, a opinião dos pais, a sua visão, você acaba passando um
pouco pra eles, então se a criança está ali em uma escola, que o pai prefere, está
constantemente falando que não é tão boa, a criança acaba assimilando aquilo ali, né?. Ás
vezes acaba atingindo até seu desempenho, né, vai se acomodando mais, tem que se esforçar
mais né, então acho que de uma certa forma influencia sim.
A- Certo, E como é a rotina de estudos em casa?
L- Ah, eles tem um horário fixo de estudos, normalmente às quatro da tarde, 16:00 horas, eles
param, não preciso falar mais, já está combinado, vão, fazem um lanche, cada um vai, agora
né, que já estão maiores, cada um vai pro seu quarto, pega a atividade pra fazer, se precisar de
ajuda eu dou um auxílio, né? Dependendo da atividade, atividade de artes, o material que
62

precisa, imprimir... então já me pedem ajuda. Hoje estão mais independentes pra essa parte,
mas eu sempre acompanhei bastante.
A- A família participa das atividades escolares dos filhos?
L- Que tipo de atividades?
A- Isso que eu ia te perguntar, quais e como.
P- Por exemplo, ajuda em trabalhos escolares
L- Isso ai eu participo, o pai menos, devido ao de tempo em casa, mas a gente participa sim,
tanto na lição, reunião de pais, atividades na escola como feira cultural, né, tem sempre uma
atividade que é necessária, então a gente está sempre presente.
A- Além de estar presente, este “como” seria auxiliar mesmo, como você falou antes, alguma
atividade mais focada ou complexa que requeira alguma habilidade, sei lá
L- Sim, As vezes, algum jornal, revista pra fazer um recorte, pesquisa, montar uma
atividade...né, porque a escola sempre manda algo que a gente diz, ai, agora os pais tem que
entrar em ação, porque você quer ver um trabalho bem feito, bonito, então você acaba
tentando ajudar ali, né.
A- Você considera importante a participação da família na vida escolar de seu filho?
L- Sim, fundamental.
A- Por quê?
L- Num sei, eu vou falar como mãe, aliás, não como mãe, como professora. Eu vejo assim, os
meus alunos que tem um acompanhamento familiar, cujos pais estão sempre nas reuniões,
acompanham lições, mandam bilhetes, você vê que este aluno tem um desempenho melhor do
que aquele aluno que o pai nunca aparece, né. Nunca aparece na reunião, você tem que às
vezes convocar este pai, e você percebe que a criança fica meio desorientada né, então acho
que o estudo é uma rotina, você mostrar importância, então se a família não caminha junto
neste processo, fica mais difícil.
A- Além destas atividades escolares que você falou, como você acha que a família pode
contribuir mais, de outras formas?
L- Além das atividades?
A- Isso, além das atividades que você falou, tem outras formas que a família pode contribuir?
P- Você teria alguma sugestão, por exemplo, de como a família pode participar, fazer alguma
outra atividade...
L_ É, eu acho que a família é a base de tudo, né, então acho que desde seu acompanhamento
diária, ele, não só na escola, mas no lazer, você ter o momento do diálogo, essa parceria aí, ela
é constante, não só na atividade escolar, então você está sempre conversando, orientando, na
63

vida escolar, no comportamento, conforme eles vão crescendo, tudo aquilo que eles vão
enfrentar, então, o lazer, acho que isso, estas atividades também fortalecem né, os laços de
união.
A- Você acredita que o aspecto emocional da família, e a relação de pais, de irmãos,
influenciam o desenvolvimento escolar?
L- Eu acho que sim né, porque a partir do momento que a família está passando por um
problema, uma situação difícil acaba afetando, acho que não só o filho, aquele que está na
escola, todos acabam ficando afetados, e isso reflete na criança também.
A- De quem você acredita ser o principal papel na construção educacional do seu filho?
L- Construção? (pausa). Educacional (pausa). Bom a base é a família né? As vezes a gente
acaba transferindo pra escola algumas responsabilidades, mas ao meu ver é da família né. A
escola é responsável para transmitir o conhecimento, agora as questões de educação é da
família.
A- A escola convida a família para participar de atividades extracurriculares?
L- Sim, os pais podem participar, inclusive eles tem dia que é o futebol dos pais, aula de
natação para as mães e os pais podem participar gratuitamente. Cortesia deles.
A- Lega! Seu filho já trouxe alguma queixa ou dificuldade escolar?
L- Já. Dificuldade escolar, atividade que ele não entendeu, comentário sobre a prova. Hoje
mesmo aconteceu isto. Eles acharam que foram poucas questões, e assim, se você errou uma
questão então você já perde um ponto e meio, então eles sempre comentam as atividades da
escola.
A- Qual foi a sua reação?
L- Eu também achei meio pesado né? Acho que o professor pode diversificar mais as
questões e assim não vão ter um peso tão grande né. Alternar uma questão que é mais, que
exige mais um raciocínio (pausa) um grau de dificuldade diferenciado.
A- Você chegou a levar isso pra escola?
L- Não, Isso foi hoje né, então ainda não sei o resultado porque a prova foi hoje, mas eu acho
isso bem puxado nesse sentido.
A- Entendi. Seu filho te conta o que acontece na vida escolar?
L- (risos) Ai, eu acho que sim né, até porque a escola tem um sistema de (pausa) se algo que
acontece entre eles né, vai, uma briga, não uma briga né, mas algum desentendimento, algo
que acontece, a escola tem um sistema de comunicar com os pais. Mas normalmente eles
comentam, ah, fulano... sempre conversa, todo dia chega, desde pequeno e eu já pegava e aí,
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como foi o dia hoje? Como foi a aula, e aí já chego e pergunto, e aí? como foi a manhã, como
foi a aula? E, como são dois né, um sempre acaba contando do outro.
A- Um “dedura” o outro?
L- Um “dedura” o outro (risos)
A- Você acha que o comportamento da criança tem a ver com seu desempenho escolar?
L- Como?
A- Se você acha que o comportamento da criança tem a ver com o seu desempenho escolar?
Será que são interligados?
L- Acho que sim, disciplina aí, aprendizagem né, um acaba interferindo na outra. Ou seja, a
indisciplina, eu tô entendendo aí o comportamento aí como disciplina..
A- Comportamento em sala né
L- Isso, aí pensar comportamento também como aquele aluno que é mais fechado, tímido, ou
aquele que é mais extrovertido, aí neste sentido acho que não afeta muito.
P- Mas o comportamento como disciplina, você acredita que afeta.
L- Isso.
A- O que você entende como fracasso escolar? O que é fracasso escolar pra você?
L- Fracasso escolar (pausa). Seria não conseguir atingir os objetivos da (pausa) educação,
então se tem, como fala, analfabeto funcional né, como se chama é uma espécie de fracasso
escolar, Ele concluiu, as vezes ele concluiu o ensino fundamental, mas ele não consegue ler,
interpretar um texto, produzir, preencher um curriculum, um questionário enfim, é uma
espécie de fracasso escolar. Acho que o baixo desempenho é um fracasso escolar. Você não
está conseguindo acompanhar.
A- Desempenho baseado nas notas escolares, o que a escola determina, sei lá, por exemplo,
uma média sete, vai nessa linha, você acha?
L- Eu acho que sim.
A- Tá.
L- O fracasso escolar (pausa) se constituiu né. Se a pessoa pretende fazer um concurso, um
vestibular, não consegue, aquilo pra ela é (pausa) pra mim, um fracasso escolar. A escola não
conseguiu transmitir o conhecimento a essa pessoa, pra ela dar continuidade.... então tem
várias formas também, tem a evasão, o aluno que sai da escola, a evasão ao meu ver às vezes
é uma forma de fugir daquela realidade porque não consegue acompanhar, começa a faltar até
que ele desiste. A evasão eu acho que é um tipo de fracasso escolar também.
A- Na sua opinião, quais são os fatores que podem contribuir para que o fracasso escolar
aconteça?
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L- A falta de acompanhamento né, familiar, (inaudível) muitas vezes o aluno vai chegar neste
nível porque não houve quem estimulou, quem o auxiliou, então a falta de acompanhamento,
talvez uma dificuldade até mesmo cognitiva né? A criança começa a perceber que ela não
consegue acompanhar, então se ela não tiver um estímulo muito grande isso vai desmotiva-la.
(pausa) São esses fatores, família e a dificuldade mesmo, falta de incentivo né, até mesmo da
escola, que não tem um trabalho de apoio pra este aluno né.
A- Hum, ter a ver com a pergunta que vou te fazer agora. Você acredita que a escola tem
alguma responsabilidade sobre o fracasso escolar?
L- Sim.
A- Qual?
L- É, acho que a escola tem que oferecer o apoio né, a partir do momento que ela percebe que
o aluno tem alguma dificuldade não posso deixar pra trabalhar isso no fim do ano como uma
recuperação. Tem que ter alguma forma de acompanhamento continuo né, uma aula extra,
uma atividade de recuperação, uma forma diferenciada de acompanhar esse aluno aí, pra
tentar coloca-lo no nível, vamos dizer assim, que ele deveria estar, pra conseguir acompanhar
os demais alunos, um trabalho diferenciado.
A- Entendi. E os pais?
L- Os pais também né. Aí é maior a responsabilidade, que nem, porque os meus são gêmeos.
A (nome da criança) aprendeu a ler antes, teve uma facilidade maior, alfabetizou e lia
fluentemente e tal, já o (nome do aluno) já teve mais dificuldade, então eu pegava com
ele....não que ele estava (pausa) mas eu que queria que ele estivesse igual a ela. Então eu
pegava, sentava com ele, fazia atividades, ortografia, ele sempre teve muito problema, eu
trabalhava, pedia a professora pra mandar atividades, porque aí é a professora que tá pedindo,
não é a mãe. Então sempre acompanhei nesse sentido né.
A- São da mesma sala os dois?
L- São.
A- Normalmente eles ficam na mesma sala?
L- É, eles sempre estiveram na mesma sala.
A- Você acha que a escolaridade dos pais, pode influenciar o desenvolvimento dos filhos na
escola?
L- Ah, eu acho que isso é relativo. Acho que a maioria pensa que sim né? Mas, acho que tudo
leva a indicar sim, se o pai tem, ele vai oferecer melhores escolas, cobrar, colocar um
professor pra acompanhar esse filho, mas não sei te dizer em nível de número, mas eu tenho
isso em casa, eu mesma tenho um irmão, não estudou, não fez faculdade, só o ensino médio e
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minha cunhada também, e são pessoas assim (pausa) minha cunhada acho que nem o médio
fez, e eles sempre influenciaram muito meus sobrinhos, hoje ela tem 24, 25 anos, terminou o
Mestrado e ela foi convidada pra dar aula na instituição que ela fez o Mestrado. O sucesso
dela aí, mesmo a família não tendo o grau de escolaridade alto apoiou né, acompanhou, e ela
também tem a parte dela aí de querer né, mas a família um papel importante nesse
acompanhamento ai.
A- Na sua opinião, o que poderia ser feito para reverter o quadro de fracasso escolar?
L- Hummm, não sei, se soubesse (risos). O que é que podemos fazer para reverter esse
quadro...(pausa) como professora eu vejo né, o fracasso todo está ali, o aluno que não tem um
apoio, você vê, as vezes converso com o pai, penso, nossa essa criança está indo bem até
demais com essa família, porque a família é tão alienada, tão fora alí da “casinha”, que a
gente fala né, não acompanha, não tá nem aí a criança tão perdida e falo, gente como essa
criança ainda consegue. Eu acho que tudo aí tem a questão familiar, esse acompanhamento, se
não tiver.... eu comento isso muito com os pais, tem aquela criança que ela é autodidata, não
tem que estar falando, tem que estudar e tal, ela já vai, você ensina um pouquinho e depois ela
vai sozinha. Mas há aquelas crianças que você precisa ficar cobrando, olha, vamos estudar,
então principalmente a criança chega no sexto ano e o pai fala, ah! tá no sexto ano agora não
precisa, e olha, é a serie que tem mais problema. Até no facebook já virou piadinha né, quem
deu aula pro sexto ano dá aula pra qualquer um, porque eles saem dali onde tem uma
professora ou duas né, a mãe e o pai acompanham, levam pra escola, buscam e de repente
entrou no sexto ano. Então a criança tem sete, oito professores, vai sozinha, volta sozinha, tem
aquele monte de lição pra fazer de professores diferentes, e a família as vezes acha que....
(pausa) não tem aquele apoio mais, e eu falo para os pais, não, precisa, tá no sexto ano mas
precisa acompanhar, então eles sofrem essa mudança e causa um transtorno na cabeça deles.
A- Entendi. Você acha que é somente o aluno que sofre o fracasso escolar? Esse fracasso é só
do aluno?
L- Ah, a família acho que as vezes acaba...(pausa), dependendo da família né, a gente que
acompanha, você não quer ver uma nota mais baixa, você já fica, olha, não estudou
adequadamente, eu comento isso com a (nome da criança), uma nota sete é diferente de uma
nota nove né, porque ela demonstra se você conseguiu compreender mais ou menos
determinados conteúdos né. Então é diferente, e (pausa) perdi o que ia falar
P- A pergunta era se somente o aluno sofre fracasso escolar
L- Ah sim, da família, eu como professora fico me perguntando, quando eles vão mal numa
prova, o que aconteceu? Porque que não foram bem? Será que eu não soube trabalhar este
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conteúdo? Então quando eles vão bem na prova, nossa eu fico feliz, tem professor que tem
prazer em dar nota ruim, mas fico, olha que legal, só quatro alunos que não foram bem, quer
dizer, ele conseguiu entender o que você explicou, então se o aluno também não vai bem
então é um fracasso pra mim, quando eu não consigo fazer esse alunos motivar, ai é horrível
ne pra gente.
A- Entendi.
L- Tem certo ponto que a gente fala, olha, desisti, já tentei, já tentei mexer até com
motivação, com autoestima, valorizar, você vai tentando várias formas, mas, nem sempre
você não consegue.
A- Você acredita que o nível socioeconômico pode influenciar no fracasso escolar?
L- O nível socioeconômico? (pausa) Eu acho que (pausa), o fracasso escolar? (Pausa). Tem a
ver com aquilo que nós já falamos antes. Em certos casos sim, outros não. Família pode ter
um nível social bom, né, boa situação econômica, pagar ótimos professores, e às vezes não vai
conseguir. Tem vários fatores que influenciam né? Situação econômica, emocionais, mas eu
acho que a questão econômica, num sei, mas acho que pais que tem condições econômicas
talvez um pouco melhor, nível sociocultural melhor, ela tende a passar isso pro filho né?
A- Mas não é determinante.
L- Acho que não é determinante. Até porque as vezes você pode ter uma situação, converso
isso com meus alunos que às vezes a única condição que você tem de melhorar na sua vida é
pela educação, pelo seu estudo, né. Então, os pais que não conseguem ter uma condição
sociocultural tão boa, mas ter uma visão de que o estudo é importante, conseguir motivar
(pausa)..
A- Você conhece alguém, que no seu entendimento tem fracasso escolar?
L- Alguém? Tem vários irmãos que, dois irmãos que tentaram, meu pai pagou escola
particular, ofereceu e não gostavam mesmo. Eram de cabular aula, e até desistir mesmo.
A- Parou de estudar?
L- Parou de estudar. Não concluiu nem o ensino médio. Ele gostava de moto, daí ele foi fazer
um curso de moto, trabalhou em uma oficina, hoje em dia tem a oficina dele, então assim,
teve um fracasso escolar, mas fez aquilo que ele gostava e conseguiu vencer na vida, porque
se sustentar, tem uma condição econômica boa, talvez até melhor de que alguém que tenha
estudado e não conseguiu se colocar no mercado né.
A- Pela sua concepção de fracasso escolar, como você vê o futuro acadêmico desta pessoa
dita com fracasso escolar?
L- (pausa)
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P- É que na verdade, como você já pontuou agora pouco, acho que você já respondeu essa
pergunta. Na verdade seu irmão não teve né, futuro acadêmico
L- Isso, não teve. Talvez ela tenha o fracasso, dependendo do incentivo, se o pai realmente
cobra, quer que continue, talvez ele não vai conseguir trabalhar naquilo que ela formou,
porque ela não gosta, vai fazer por obrigação
A- Você tem conhecimento se na escola dos seus filhos tem acompanhamento psicológico?
L- Eu acho que não, com psicólogo não. Acho que não tem, tem coordenador, tal.
Normalmente as escolas encaminham né, o aluno pra.(pausa).. escola pública também dá um
encaminhamento, acho que para o SUS, pra passar né, mas na deles também não tem. Talvez
possa ter algum encaminhamento caso seja necessário né.
A- Você acredita ser importante o trabalho do psicólogo na escola?
L- Ah, eu acho que sim.
A- Por que?
L- Porque tem muitas questões familiares, né, que os alunos carregam ao longo de sua vida
pessoal que acabam interferindo o seu dia a dia. E a escola não conhece a criança, ela conhece
o aluno que está ali, que chegou naquela aula, pegou de outro professor, ela não sabe o que
esta criança está trazendo seu dia a dia, do seu meio e isso acaba influenciando, foi o que a
gente falou lá na outra pergunta, então qual é a vivencia dessa criança? O que ela (pausa) e aí
o psicólogo as vezes consegue trazer isso né, as vezes o professor faz esse papel né, a escola
faz, o que a gente tava falando antes né, não é função da escola, vai o professor, vai o
coordenador numa reunião de pais, o pai vai, conta todo aquele problema para o professor que
não é preparado para aquilo e as vezes entra em choque pelo que aconteceu, nossa! Ou até
mesmo o aluno na sala de aula, não sei se eu comentei, o outro dia, para o aluno: a sua mãe
não veio em reunião, tal, o aluno chegou este ano, responde, ah, não minha mãe não pode vir.
Ai pergunto, porque? Ela tá trabalhando? Não, minha mãe me abandonou eu tinha dois anos
professora. Nossa, mas aquilo me cortou o coração, porque ele é um fofo assim, o menino,
sabe? Ai pensei, nossa! Mas que mãe é essa? Aí me deu uma tristeza. Ele falou, meu pai pode
vir aqui? Pode. Então, vê, o pai criou né, então fiquei meio chocada. Então você não sabe o
que essa criança carrega né, a estória de vida dela, e aí acaba a escola, o professor ou um
coordenador, que não é preparado não sabe como vai orientar, não tem o conhecimento
necessário para orientar essa mãe, essa criança.
A- Entendi, bom agora é a última. Como você acredita que a psicologia pode contribuir no
ambiente escolar? Também tem muito a ver com o que já falamos
P- Acho que você respondeu já né?
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L- Acho que no sentido de orientar né, como profissional daquela área, o professor, hoje em
dia o professor ele é médico, é enfermeiro, é psicólogo, acaba fazendo varias funções, que não
é transmitir o conhecimento né. Então o psicólogo é nesse sentido, não só na escola pra gente
né. É diferente você estar conversando com alguém, que te orienta como amigo e alguém que
é um profissional dizendo, se você fizesse assim né... Acho que seria, seria não, é importante
esse trabalho de estar fazendo esse acompanhamento quando necessário.
A- A gente agradece muito a sua participação
L- Ne nada, foi um prazer
A- Essas informações serão muito úteis com certeza, obrigado.
L- De nada.

ENTREVISTA P2
Inicial Nome Entrevista Data
P Perla da Cruz Daniel P2 26/08/2018 Entrevistador
A Eliana P2 26/08/2018 Entrevistada
C Celia R. C. Costa Gomes P2 26/08/2018 Assistente

P- Oi Eliana, primeiro obrigado aí pela tua participação nossa pesquisa, em nosso projeto né,
então eu vou começar a nossa entrevista e você se sinta bem à vontade para responder as
perguntas ou né caso você não queira responder alguma também fica bem na tua liberdade, ou
caso queira acrescentar algum outro comentário fique à vontade tá.
E- tá ok
P- quantos filhos você tem?
E- um
P- qual que é a idade dele?
E- 12 anos
P- é menino ou menina?
E- menino
P- menino de 12 anos, frequenta a escola?
E- sim
P- desde que idade?
E- desde do 0 ano né, 4 meses
P- ele estudo em período integral, ou meio período?
E- meio período
P- qual o horário que ele frequenta a escola?
70

E- frequenta do período da manhã


P- como que foi feita a escolha pela escola?
E- É (longo), essa que ele está agora a gente, nós fomos visitar gostamos da proposta
pedagógica né, é uma escola no Santa Lucia, é uma escola com direção de freiras né, então a
gente gostou da proposta pedagógica da escola entendeu, é uma escola que tem uma estrutura
né grande né, tava numa menor, então a gente quis avançar nesta parte de uma estrutura
maior.
P- certo, você acha que a escolha da escola influencia no desenvolvimento escolar da criança?
E- sim, sim.
P- como é a rotina de estudo em casa?
E- então no momento eu me encontro em casa né, então ele chega da escola almoça, a gente
duas horas já começa a fazer as atividades né, i eu agora eu estou mais presente nessas
atividades né, ele faz a lição sozinho mais eu estou sempre né, auxiliando né, tem lição? tem
trabalho? Né. Muitas vezes eu dou um auxilio, uma pesquisa, dicas, entendeu?
P- certo
E- eu dou sempre dando um auxilio, ele faz sozinho, mas ele faz mãe você pode me ajudar em
determinada pesquisa por exemplo.
P- tá, você considera importante a participação da família na vida escolar do seu filho?
Porque?
E- sim, eu acho importante até mesmo pra gente saber o que tá aprendendo e também pra
gente auxiliar né, porque não é só responsabilidade da escola, é responsabilidade dos pais
também de educar né, e essa, esse contato, essa coisa em conjunta é importante para
desenvolvimento futuro dele.
P- tá, é além destas atividades escolares que você citou que você participa, que né, sua família
contribui, você acha que poderia contribuir de alguma outra forma? Se sim, se você tem
algum exemplo? Você comentou que você participa das atividades, que você ajuda né, nos
trabalhos, em algumas pesquisas, fora isso você acha que você poderia contribuir ou a família
poderia contribuir de alguma outra forma?
E- (silencio) sim, mas agora não vem na minha cabeça né, é, talvez a participação dos pais
mais dentro da escola né, é (longo) isso é uma proposta da escola dele também, de ter esse
vínculo, da família também estar inserido dentro dum, duma didática, dentro dum programa,
né, e isso a escola sempre que possível eles inclui também os pais, tem palestra, semana
passada a gente participou da festa da família, né, então foi interação da família junto com as
crianças brincando né, tendo lazer né, eu acho isso importante né.
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P- certo, você acredita que o aspecto emocional da família, dos pais, irmãos que não é o caso
né, mas de repente de outros familiares influenciam no desenvolvimento escolar?
E- sim, eu acredito nisso, eu acho que isso é um ponto bem é (longo) forte, eu acredito sim.
Toda a rotina familiar, o que acontece dentro do lar isso é um reflexo pra os estudos sim.
P- certo, de quem você acredita que seria o principal papel na construção educacional do seu
filho?
E- (silencio) eu acredito que é um trabalho, é, um trabalho coletivo né, os pais juntamente
com a escola, né, você também se põe ai no círculo de amigos, acho que todas essas pessoas
envolvidas solidifica, né, eu acho que fortifica né, o desenvolvimento da criança, né, semana
passada teve um trabalho, é, com um grupinho dele, né, a gente estava presente, a gente sente
segurança de dar esta oportunidade deles é, estarem conversando e a confiança mesmo acho
que é importante essa, esse convívio família, escola, é, os colegas acho que é um ciclo é,
muito bem aceito e isso ajuda no desenvolvimento da criança.
P- certo. Seu filho já trouxe alguma queixa ou dificuldade escolar?
E- já, já trouxe várias, né, é, reclamação até de professor que fala muito alto, é, ele tem uma
certa dificuldade em matemática, então e´, a professora diz muita coisa quando ela grita,
quando ela é, ela fica é, né, como se diz assim firme, né, naquela proposta, naquela didática
dela, então o Henrique já trouxe sim, já trouxe sim.
P- de frente a essas queixas como que foi a sua reação?
E- a minha reação no caso desta que grita muito, ela fala muito alto e isso incomoda o
Henrique e, ai no ano passado ele mesmo falo com a professora. Só que ele não tinha falado
pra mim que ele tinha conversado com a professora que ela fava muito alto e isso incomodava
ele, né, daí acho que a professora é, acho que ele não soube se expressar e a professora ela, ela
foi um tanto grossa, né, ela falou que não ia deixar, eu falo assim mesmo né, depois ele falou
para a coordenadora a mesma coisa né, e daí eu falei o Henrique vamos esperar o início do
ano que vem , porque já tava no fina, pra ele trocar de lugar, porque ele já queria trocar de
lugar para ficar mais distante dessa, dos berros da professora que isso incomodava né, e esse
ano ele ainda não reclamou dela acho que ela também, a coordenadora deve tentado alguma
coisa com ela, e essa sensibilidade que ele tem é já fez ele chorar, o que eu fiz, assim foi de
prestar atenção no que meu filho está falando dentro de casa pra eu depois passar essas, essa
reclamação adiante, a gente precisar tomar cuidado o que você vai falar, né, o que a criança
fala, né, ce tem que buscar verdade até quando ele não está sendo exagerado ou a professora
no forma dela tratar a classe enfim.
P- certo, é seu filho ele conta o que acontece no ambiente escolar?
72

E- ele conta mais eu fico as vezes dando uma insistida, né, toda vez, toda vez, eu pergunto e aí
como é que foi? E tal, a foi tudo bem, aí depois em uma conversa mais intimista, né, as vezes
ele tá no banho, tá com vontade de conversar daí ele começa a falar entendeu, do
comportamento de algum outro colega, ou dele mesmo, mas ele, ele conta.
P- você acredita, acha que o comportamento da criança tem haver com o seu desempenho
escolar?
E- olha, eu já estudei a muito anos atrás, foi tudo muito diferente, mas assim que eu nunca
gostei foi de matemática, eu percebo que ele também num gosta, né, e o meu marido não
gosta que falo que não gosto de matemática perto dele, porque, pode criar aquela sabe, a
minha mãe também não gostava e minha mãe também não aprendia, a gente faz de tudo pra
não ter o mesmo problema que eu tive anos atrás, era muito diferente a educação é, né, a
disciplina, o comportamento do aluno prum professor, né, era, são coisas de eixos bem
distintos, né.
P- certo, é, o que você entende por fracasso escolar?
E- olha eu acho que fracasso escolar ele tem várias ligações, uma delas as vezes está na
família, é, as vezes a dificuldade por que laços os pais as vezes não querem saber não dá
muita atenção, educam mais sabe com aquela falta de tempo, eu acho que as vezes a
dificuldade dum a criança é, é ela mesmo, as vezes essas dificuldades, uma coisa mais difícil
da criança, ter alguma coisa com alguns coleguinhas, muitas vezes está ligado dentro do
comportamento familiar, e muitas vezes né, é da criança, dela ter o aprendizado mais lento, as
crianças não são todas iguais, o Henrique começou a ler bem depois que os colegas de classe,
né, mais eu ele, por exemplo em ciências ele é uma criança que vai bem, a professora elogia,
né, os colegas também, ele sabe conversar sobre química, sobre enfim, mais eu acho que as
vezes é só ele, a gente não tem um, a gente da força té um certo ponto depois eles tem que
caminhar sozinhos.
P- você comentou né, porque a próxima pergunta aqui seria quais os fatores que podem
contribuir pra que um fracasso escolar aconteça. Daí você comentou que você acredita no
papel da família, né, teria mais algum papel, mais alguma coisa que pode contribuir?
E- olha eu acho que é, a sociedade não é só a gente, né, ele tem numa classe você tem
diversos aspectos negativos, vários problemas que uma passa, né, influencia dessa, desses
colegas que também não estão bem, influenciam sim, não é só família, é, né, a família é um
espelho, mais acho que esse convívio com os demais também influencia e bastante.
P- você acredita que a escola tem alguma responsabilidade sobre fracasso escolar?
73

E- olha, é, eu não posso afirmar que é culpa daqui de mim e do meu marido ou culpa só da
escola, é, eu acho que, é um conjunto, as vezes o professor, o profissional da educação ele
também tem os seus problemas e as vezes ele num ta preparado pra ir junto com o problema
da sala, então eu acho que não é só família, né, eu acho que é um pouco de tudo. Mais, a
criança também né, porque se ela não quer ela não vai pra lugar nenhum, né, ela tem que ter
incentivo da família, ela tem que encontrar segurança no professor, né, o equilíbrio também
com as amizades tudo isso faz o bolo crescer, são vários ingredientes.
P- certo, você acha que a escolaridade dos pais pode influenciar no desempenho dos filhos na
escola?
E- eu acho, eu acho, é, meus pais não tinham estudos é, foram até a quarta série né, e mesmo
assim o meu se esforçava para ensinar a matemática pra gente tudo mais, hoje em dia eu acho
que o leque de informação é tão grande, né, tantas fontes que eles conseguem pesquisar e os
pais com esse, com o nível de escolaridade acima, eu acho que eles ajudam bastante, eu acho
que eles dão respaldo bom sim, é, pra essa turminha ai a gente precisa, sabe dando corda pra
eles irem, sabe, é importante e influencia bastante sim a escolaridade dos pais.
P- certo, você acredita que é somente o aluno que sofre no fracasso escolar? Por exemplo, se
tem um caso de fracasso escolar você acha que é só o aluno que sofre com isso?
E- eu acho assim, do ponto de vista da escola é isso é preocupante né, porque isso tem
reuniões, tem é, acho que os professores, a direção ficam envolvidos, quando vamos supor:
uma classe inteira tirou nota baixa em uma determinada disciplina, né, eu acho que isso é
preocupante pra escola também, eu acho que ela vai querer averiguar o que que tá havendo,
né, o que que tá acontecendo, uma classe toda, ou quase todos foram mal naquela matéria,
naquela prova, eu acho que a escola, pelo menos a escola privada, eu acho que ela prima por
uma boa, uma boa nota, hoje tem o enem, o prouni, tem essas provas ai eu acho que o colégio
tem que correr atrás também para te um público dele de alunos com avaliações boas né.
P- certo, você acredita que o nível socioeconômico pode influenciar no fracasso escolar?
E- você poderia repetir de novo?
P- você acredita que o nível socioeconômico pode influenciar no fracasso escolar?
E- sim, sim, eu acredito.
P- você conhece alguém que no seu entendimento sobre fracasso escolar teve o fracasso
escolar em si? E como isso foi percebido?
E- se eu conheço alguém que teve?
P- isso, que teve algum fracasso escolar, né, que no seu entendimento de fracasso escolar, né,
ele teve, né, se você conhece alguém e como isso você percebe?
74

E- olha é, eu tiro assim pelo meu né, semestre passado o meu filho ficou de recuperação numa
determinada disciplina né, é uma disciplina nu caso do colégio de ensino religioso por
exemplo, né, e o Henrique teve que estudar, teve uma prova e tudo mais, os outros, os
demais, né, ficaram em matérias geografia história, né, e, só que o que que foi a percepção
depois né, dessas professoras dando este reforço, foi de que eles precisam é, prestar mais
atenção, porque em prazo de uma semana, prazo de cinco dias, eles foram ótimos, não só o
Henrique mas como os demais em outras disciplinas em história, geografia, é foram bem, é, a
professora pegou e chamou a atenção; ta vendo, né, vocês tavam sabendo mas no dia da prova
não de esforçaram, não leram, né, então não é que jogou a culpa na criança, né, e até mesmo o
Henrique tendo uma aula só dessa matéria que ele ia fazer prova no outro dia, ele, comentou
comigo como é melhor só tá pouca gente, é ter poucas pessoas parece que a gente entende
melhor a matéria, então as vezes isso é uma atenção, né, talvez eu não julgue fracasso escolar,
né, mas é uma desatenção que acometeu desses alunos, foram quatro ou cinco, né.
P- certo, você tem conhecimento se na escola do seu filho tem acompanhamento psicológico?
Se sim, como que é feito este trabalho?
E- não tem.
P- não tem?
E- não tem
P- tá, você acredita ser importante o trabalho do psicólogo em escolas? Porque?
E- olha eu acho muito importante isso, tá, é, porque as vezes o filho da gente algum problema
e as vezes o pais num veem isso, não enxergam né, é, então um profissional eu acho que faz
toda a diferença, eu acho que toda escola deveria ter, até pra ajudar os pais a saber o que você,
como que teu filho se comporta na escola, perante os colegas, né, ele está sendo humilhado,
ele está sofrendo bullying , é, ele tá sofrendo calado, acho que o papel dum profissional desse
eu acho que é de suma importância nas escolas, eu acho, imprescindível.
P- certo, é a última pergunta é, seria como você acredita que a psicologia possa contribuir no
ambiente escolar? Acho que você falou um pouquinho não sei se tem mais alguma coisa que
você acha que pode acrescentar
E- Eu acho que é a psicologia ela trata o ser humano e eu acho que é importante, é, a gente as
vezes de auto conhecer é, a gente conhecer até onde nossos filhos consegue ir, né, quais as
dificuldades que ele enfrenta, né, então eu acho que o psicólogo, ele pode ajudar e bastante é
nisso, eu acho que é de suma importância.
75

P- certo, as perguntas aqui acabaram não sei se de tudo que a gente conversou com você
gostaria de acrescentar mais alguma coisa, falar mais alguma coisa sobre os assuntos que a
gente tratou?
E- não, eu acho, peço até desculpas se foi demorado, talvez as vezes num saber discernir
sobre o assunto direitinho, não sei se está bem colocado ou o que eu penso, né, ou que eu acho
tudo, mais eu acho que termino por aqui assim, não tem mais nada que possa falar, eu acho
que a gente já, já abrangeu bastante assim a proposta né, das perguntas.
P- brigada eu acho que você foi bem, acho que respondeu o que a gente precisa, e te agradeço
aí pela tua disposição, mais uma vez e muito obrigada.
E- de nada Perla obrigada você.

ENTREVISTA P3

Inicial Nome Entrevista Data


P Perla da Cruz Daniel P3 27/08/2018 Entrevistador
A Alessandra P3 27/08/2018 Entrevistada
C Celia R. C. Costa Gomes P3 27/08/2018 Assistente

P- oi [Alessandra] obrigado pela tua participação, pela tua disposição, né, na realização da
nossa pesquisa, do nosso trabalho de TCC, então vou começar algumas perguntas, né, pra
você, e gostaria que você estivesse nos respondendo. Quantos filhos você tem?
A- uma filha
P- uma filha, qual que é a idade dela?
A- 12 anos
P- ela frequenta a escola?
A- frequenta
P- frequenta desde que idade?
A- desde os dois anos e oito meses
P- ela estuda em período integral ou meio período?
A- meio período
P- que horário que ela frequenta a escola?
A- no período da manhã
P- e como que foi feita a escolha pela escola?
A- ela já passou na verdade por três escolas. A primeira escola eu estava trabalhando, então
foi lá que ela iniciou. É, depois eu me mudei para Valinhos, ela foi para uma outra escola e
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agora que eu voltei para são Paulo ela retornou para escola que também já tinha estudado
começado a estudar. Todas escolas particulares
P- é, você acha que a escolha da escola influencia no desenvolvimento escolar da criança?
A- eu acredito que sim, dependendo do seu objetivo, né, o que você pretende da escola, o que
você espera da escola é aonde você vai colocar o seu filho.
P- como que é a rotina de estudo em casa?
A- ela vai para escola de manhã, algumas atividades extras a tarde, então ela faz KUMOM,
ela faz inglês, e ela tem o horário de fazer lição também.
P- a família participa das atividades escolares dela?
A- sim, participa. Ela tem alguns trabalhos que exigem a participação dos pais, né, e quando
ela tem alguma duvida, alguma necessidade de ajuda ela sempre recorre aos pais, nós eu e o
meu marido somos bem participativos com relação a isso, mas ela dá conta, ela tem a
autonomia dela de saber quando que é os dias do trabalho, eu não me envolvo nisso, eu deixo
ela ter essa responsabilidade dos dias dos trabalhos que ela tem que fazer, é só realmente
quando ela tem alguma duvida mesmo que ela pergunta pra nós.
P- tá, você considera importante a participação da família na vida escolar dela? Por quê?
A- a muito, porque eu acho que a criança também precisa perceber que os pais tem interesse
na vida escolar dela né, ela chega motivada as vezes para contar o que tá acontecendo na
escola, o que ela fez, o quê que deixou ela interessada, o assunto que deu mais interesse na
escola ou não, e eu percebo que ela fica feliz em falar e a gente prestar atenção, agente
motivar, então eu acho que a participação dos pais é fundamental.
P- certo, além dessas atividades escolares, você acha que a família pode contribuir mais ou de
outras formas?
A- eu acredito que sim, só que eu acho a criança tem que ter autonomia também, é se ela tem
vontade, é, minha filha já chegou em casa e falou assim: mãe gostaria que tivesse mais aulas
de arte, ou de educação física, queria que a escola fizesse tal passeio. Eu incentivo ela a ir até
coordenador ou alguém responsável pra conversar, não só a mãe estar interferindo, tá
envolvendo, se envolvendo, claro que né, as vezes acontece alguma coisa que precisa da
interferência da mãe, mas eu acho que a criança deve ter autonomia de chegar e lutar pelo que
ela quer dentro da escola.
P- certo, você acredita que o aspecto emocional da família, no seu caso os pais, ou outros
parentes próximos influencia no desenvolvimento escolar?
A- também, também. Eu acho que si a criança tiver num ambiente tranquilo ela vai ser
tranquila na escola, se ela tiver num ambiente agressivo ou mais agitado dentro de casa ela vai
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passar tudo pra escola, tanto no, na, momento que ela está estudando quanto com os amigos,
no relacionamento com os amigos interfere bastante, e o respeito né, o respeito que ela tem
em casa é o que ela vai passar na escola também
P- você acredita que seria o principal papel na construção educacional do seu, a desculpa, de
quem que você acredita que seria o principal papel na construção educacional de sua filha?
A- a eu acho que, que é tanto o pai quanto a mãe ou o responsável que ela tiver em casa né, a
quem ela recorra. Tem coisa que eu já não consigo ajudar a vitória, por exemplo: eu tenho
algumas, alguns exercícios de matemática que pra mim é mais difícil ela recorre ao pai. Então
eu acho que tem que ser um trabalho em conjunto dentro de casa, né, agora na escola ela pode
perguntar as duvidas para o professor e se o professor não estiver atingindo né, as dificuldades
dela, não tá conseguindo suprir as necessidades ai sim a gente recorre a um coordenador ou
algo do tipo.
P- certo, a escola convida a família para participar de atividades extracurriculares?
A- na escola da minha filha sim, ela, por exemplo: feira cultural, festa da família, como é uma
escola religiosa fazem missa, terço, peça teatral religiosa, então tudo é, tem a participação dos
pais eles são convidados.
P- certo, sua filha já te trouxe alguma queixa ou dificuldade escolar?
A- sim, ela tem dificuldade em matemática, é, principalmente em situações problemas. Na
hora de fazer um exercício, uma expressão não tem problema nenhum, mas a situação
problema envolvendo problema mesmo de ter que montar a conta pra executar sim, então ela
traz essas dificuldades a gente tenta sanar aqui, por que a gente sabe que, que a professora
atingiu alguns alunos, mas ela não, então a gente tenta sanar as dificuldades dela aqui por isso
mesmo ela começou kumom, é treinar o raciocínio, é raciocínio mental também, né, fazer as
contas com mais agilidade, a concentração, então a gente procura, a gente sabe que não é um
problema da escola, que ela também tem as questões na matéria, que é a única matéria que ela
tem mais dificuldade né, então a gente tenta sanar essas dificuldades dela.
P- certo, ela lhe conta o que acontece no ambiente escolar?
A- conta, ela conta quando deixa alguma coisa, alguma situação que deixa ela feliz, alguma
situação que deixa ela triste, quando deixa ela triste falo pra ela tentar resolver lá, ela resolver
o. eu trabalho muito a autonomia dela, vai resolver com a professora se não der, é, se não
surtir efeito eu vou e converso mais sempre ela acaba resolvendo com a professora, com
amigo, algum problema que ela tem dentro de sala.
P- certo, você acha que o comportamento da criança tem haver com o seu desenvolvimento
escolar?
78

A- eu acho que muitas vezes sim, quando a criança tem dificuldade ela fica irritada, então, por
exemplo, é, com relação a minha filha que ela tem dificuldade na matemática, ela nunca gosta
da professora de matemática (risos), eu sei que o problema não é a professora de matemática é
a matéria que ela não gosta, então, por isso ela não se concentra, por isso ela tem a maior
dificuldade, e, assim ela vai bem nas provas? Ela vai, porque ela estuda muito pras provas,
então ela acaba indo bem nas provas. Mas a dificuldade é grande, então ela, em qualquer
escola que ela vá, ela já passou por, por duas escolas assim, no depois do fundamental, né,
então no ensino fundamental ela já passou por duas escolas, e essas duas escolas nenhuma
professora de matemática ela gostava, então eu acho que interfere sim.
P- certo, o quê que você entende por fracasso escolar?
A- eu acho que é um conjunto de coisas, é, o desinteresse do aluno, né, as vezes até pela
metodologia das escolas, as vezes as escolas deixam muito a desejar, o ensino é muito antigo,
né, eu acho que eles tinham que modernizar este ensino, tem algumas escolas fora do Brasil
que já trabalham com projetos, algumas mais modernas dentro do Brasil também com
projetos assim o tempo todo, não tem mais aquela coisa de um sentar atrás do outro, é,
matemática e português não, as matérias se envolvem então eu acho que é muito mais
motivador para o aluno, então eu acho que essa coisa de vai lá decora e faz a prova, é
avaliação o tempo todo, avaliação tem que ser continua, não só na folha do papel, eu acho que
deveria ensinar o aluno a trabalhar mais em equipe, é, trabalhos em conjuntos mesmo,
apresentação de projetos eu acho que seria muito mais motivado para o aluno e o aluno que,
que se desmotiva, desmotivados continuam mais a maioria dos alunos ou a minoria depende
da escola, eu acredito que no ensino publico é a maioria, no ensino privado já é a minoria
acaba se desmotivando acaba gerando o fracasso escolar, porque ele não quer ir a escola, tem
essa questão da tecnologia que ele preferem ficar na internet, preferem celular, ele preferem
tudo ao invés de ficar no, naquele ensino tradicional que ele já, já se sentem bem cansados em
relação a isso, então eu acho que são duas coisas a escola tem culpa porque as veze ela não
moderniza o ensino dela, e o aluno por sua vez ele tem a tecnologia toda em suas mãos, então
ele prefere a tecnologia da internet do que na escola, no livro, na apostila. Eu acho que o
fracasso escolar vem dai também.
P- certo, é, você acredita que, é acho que você já até respondeu esta próxima, né, se você
quiser acrescentar alguma coisa, é que você acredita que escola tem alguma responsabilidade
sobre o fracasso escolar?
A- é, foi o que eu falei, eu acho que eles tem que se modernizar mais sair desse, desse ensino
muito tradicional, né, que a gente ainda vê, porque por mais que a escola, a minha filha estuda
79

numa escola religiosa, escola religiosa a gente sabe que ela é mais tradicional, mas também
por outro lado ela já foi pra outra que também era muito tradicional eu achei que era mais
ainda porque não tinha a questão do trabalho em grupo, eles não, eu vejo. Quando essa escola
que ela está hoje tem muito trabalho em grupo, então eu percebo aqui em casa que eles trocam
ideias, cada um da a sua sugestão, eles procuram ver qual que a melhor opção pra, pra, pra o
trabalho, ou a sugestão, ou na hora de fazer uma maquete é a ideia de todo mundo e ele pegam
o que é melhor , ou o que vai ser melhor pra ele naquele momento, né, isso é um trabalho de
equipe e, mas ainda tem essa questão do ensino muito tradicional, então eu acho que tem que
mudar sim.
P- certo, aqui também tem uma outra pergunta que né, se você acha que contemplou tudo
bem, se teria alguma outra coisa, é que na sua opinião quais o fatores podem contribuir para o
fracasso escolar aconteça?
A- então, eu acho assim é, essa questão de prova, avaliação em prova em folha, essa questão
que me pega mais, porque eu acho que a vezes o aluno tanto mais naquele momento, naquele
dia não tá bem ele é avaliado daquela forma, né, eu acho que as avaliações tinham que ser
diferentes, é também claro o dia a dia, o ensino, o trabalho com projetos, sair de situações é,
do dia a dia, é, voltado mesmo ao mercado de trabalho eu acho que deveria ser o ensino sabe,
como solucionar problemas do dia a dia, mas a questão das avaliações eu acho a pior, eu acho
que não deveria ser assim as avaliações com prova. Trabalhos eu acho ótimo, questão de
interagir com, com o outro, mas a avaliação por si só eu acho desinteressante, eu acho que
deveria mudar, e modernizar o ensino como ti falei né. Não mais cadeira atrás de cadeira, por
mais que mude uma vez ou outra ainda é assim, né, a maioria da escola elas são.
P- você acredita que a escolaridade dos pais pode influenciar o desempenho dos filhos na
escola?
A- também, também eu vejo essa questão, já falei da matemática né, meu marido fez
engenharia a matemática pra ele é, química, física e matemática ele domina, então muitas
vezes ela tem que esperar o pai chegar em casa porque eu já não consigo ensinar algumas
coisas, acho que ajuda sim. Eu fico imaginado se ele também fosse uma pessoa que tivesse
muita escolaridade ou não tivesse nessa área de calculo como seria? Seria uma dificuldade
grande, né. Ele soluciona muitas dificuldades dela que eu não posso mais, eu acho importante
sim (risos).
P- na sua opinião o que se poderia fazer para reverter um quadro de fracasso escolar?
A- é, trazer o aluno pra escola, é, motivando e trabalhando em cima do interesse dele eu acho
que é o ponto fundamental, né.
80

P- você acredita que a motivação seria


A- sim, em cima do interesse do aluno. A escola não pergunta para os alunos o que é
interessante pra eles. Eles não querem saber, ele não fazem uma investigação. Você percebe
quando é trabalhado algo que interessa eles, eles vem tão motivados dentro de casa, pra casa,
é, coisas do cotidiano que acontece no dia a dia, é assunto que estão mais próximos a eles, eu
acho que, que chama bem atenção do aluno.
P- você acredita que é somente o aluno sofre com o fracasso escolar?
A- Não, eu acho que sofre, todos sofrem, né, a escola sofre porque ela acha que não conseguiu
atingir o aluno, o professor muito mais, né, porque o professor também se sente fracassado, o
aluno e os pais também porque não conseguiram ajudar então eu acho que é circulo mesmo
né, um circulo que, um circulo vicioso, um não conseguiu ajudar o outro e todo mundo fica
frustrado
P- certo, você acredita que o nível socioeconômico pode influenciar no fracasso escolar?
A- Acredito, acredito, porque quando o pai tem um pouco mais de posse, de condições, ele
coloca o filho numa escola particular, né, no kumom, como eu coloquei a minha, que eu acho
que vai ajudar. Então quando o pai não tem essas condições fica muito limitado, só
dependendo da escola fica complicado
P- você conhece alguém que no seu entendimento tenha tido fracasso escolar? E como você
percebeu?
A- É, eu já, já tive sim alunos com dificuldades que a escola não conseguiu acompanhar. Na
escola que eu trabalhava é, alguns alunos, eram até portadores de alguma deficiência, né, não
severa mas leve, e muitas vezes a gente não sabia como lidar. Então você dá trabalhos
individualizados, você faz um trabalho individualizado, mas mesmo assim não consegue sanar
aquelas dificuldades do aluno, porque você precisa de um profissional mesmo né, da área,
você até encaminha, mas muitas vezes o pai não vai atrás, então o professor com o
conhecimento, com o pouco conhecimento que ele tem de algumas, é, de algumas
dificuldades, de algumas limitações desse aluno ele tenta ajudar mais nem sempre ele
consegue.
P- certo, pela sua concepção né, que você trouxe sobre fracasso escolar, como que você vê o
futuro acadêmico desses exemplos que você deu? Dos que sofreram o fracasso.
A- Olha eu não tenho esperança, porque eu acho que o professor não é valorizado, né, as
vezes ele não condições de fazer um curso, um curso que ele precise, que ele queira, que ele
goste ou uma outra faculdade, é, eu acho bem, olhando no geral, né, tanto na escola, nas
escolas particulares como na, na, no ensino no geral mesmo no publico eu acho bem difícil
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com relação a capacitação do professor. Acho que o professor precisa ser bem mais
capacitado pra ele atingir todas as dificuldades de cada aluno, cada um tem a sua.
P- certo, você tem conhecimento se na escola da sua filha tem acompanhamento psicológico?
A- Tem, eles na verdade o psicológico eles encaminham né, eles tem uma coordenadora, eu
acho que o dia a dia acaba até tornando cada um, um psicólogo, mas não assim um
profissional da área mesmo, eles acabam encaminhando, mas eu percebo assim que eles
sabem lidar bem com as situações de, de, já aconteceu da minha filha precisar conversar com
a coordenadora, expor algumas insatisfações dela e a coordenadora da conta do recado,
conseguiu atingir o que ela precisava.
P- você acredita ser importante o trabalho do psicólogo em escolas?
A- Eu acredito, eu acho que cada escola deveria ter um profissional desse sim, porque por
mais que a pessoa, no caso da coordenadora ou de algum outro profissional da escola
consegue falar com o aluno, mas nada como um profissional de verdade né. Eles tem a
palavra certa, encaminhar direitinho, ele estudou pra isso então eu acho que cada escola
deveria ter o seu profissional sim, na psicologia.
P- e como que você acredita que a psicologia possa contribuir no ambiente escolar?
A- Eu acho que dessa forma orientando o aluno da melhor maneira, as vezes uma palavra
certa na hora certa né, é sanando o problemas de um individualmente ou do grupo, o preparo é
maior dele. É na escola da minha filha é assim psicólogo em si realmente, eu sei que tem
psicopedagogo né, mais eu não sei se tem, também tá na área o psicopedagogo né, mais eu
realmente não sei se a coordenadora ou os outros profissionais tem essa formação, é realmente
eu não sei se tem.
P- bem [Alessandra] nossas perguntas aqui fechadas elas encerraram né, eu queria saber se
você gostaria de falar mais alguma coisa quede repente a gente não contemplou aqui mas que
você acha que seria importante pra este tema?
A- Ah, olha eu acho que como nós falamos já, os pais tem que estar atentos a tudo né, por
mais que a minha filha no caso ela vem, ela comenta, ela fala tudo que aconteceu na escola, o
que esta deixando ela chateada, o que deixou ela feliz, e, então eu consigo conversar com ela,
a gente né, trabalhar essas questões. Agora tem muitos alunos, principalmente adolescentes
hoje em dia né, que eles não conversam com os pais, as vezes os pai nem fica em casa, as
vezes o pai trabalha, quando chega, chega cansado, também não se importa muito né, por
causa da correria mesmo do dia a dia e não percebe algumas alterações no filho tanto de
humor, as vezes de irritabilidade ou se tranca no quarto, então alguns problemas que podem
ser identificados. Eu acho que os pais tem que estar mais atentos com relação a vida escolar
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do filho. Porque tudo acaba vindo da escola né, um bullyng que sofre ou um professor que
não está interagindo com o aluno e o filho acaba apresentando alguma alteração de
comportamento dentro de casa, isso em qualquer idade eu acho. Então os pais devem tá
sempre atentos a tudo e conversar com escola, eu acho que deve sempre tá em parceria com a
escola mesmo, é parceria acho que não adianta chegar bravo, reclamar, brigar com a escola
não, eu acho que tem que conversar, pra entender o lado de cada um e como resolver o
problema.
P- certo, bem Alessandra eu agradeço a sua participação, a tua contribuição, né, pra nossa
pesquisa, e assim que a gente tiver os resultados a gente põe a disposição.
A- Ah legal eu agradeço também
P- obrigada você

ENTREVISTA P4

Inicial Nome Entrevista Data


Ap Aparecida Rosa Gago P4 30/08/18 Entrevistador
Al Alberto Camps Tort P4 30/08/18 Assistente
M Mayci P4 30/08/18 Entrevistada

Ap- Mayci, agradeço sua participação, tá? Aqui com a gente.


M- É mais simples, MAYCI
Ap- Mayci? (rsrs)
M- É! (rsrs)
Ap - Está bom! Mayci desculpa. (rsrs)
M- Imagina (rsrs)
Ap - É... Se você ficar... Achar que não quer responder alguma coisa, fica à vontade, se quiser
acrescentar alguma coisa também você pode ficar à vontade. É... Quantos filhos você tem?
M- Só os dois, (Nomes dos filhos)
Ap - Sim. A idade deles?
M- Onze quase doze e sete.
Ap - É... Todos frequentas escola desde de que idade?
M- Desde um ano e meio.
Ap - É... Seus filhos estudam em período integral ou meio período?
M- Meio período.
Ap - Qual horário que frequentam a escola?
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M- Agora no período da manhã.


Ap - Foi feita... é... Como foi feita a escolha da escola?
M- Foi pelo Ângulo (Sistema de ensino), para iniciar realmente um processo, eu não queria
troca-los no meio desse processo.
Ap - Você acha que a escolha da escola influência no desenvolvimento escolar das crianças?
Como é a rotina de estudo em casa?
M- Sem dúvida, interfere cem por cento. Em casa a gente colocou... a gente criou uma rotina,
desde que eles são...Desde que ele entrou assim... No período da manhã, a tarde era mais
complicado, pois eu estudava a noite, mas quando eles mudaram para de manhã, almoça,
escova dente e tal. Não tem tempo para fazer outra coisa, mexer no celular, não. Já faz a lição,
para ficar livre de uma vez, então faz a lição, se tiver prova estuda até a hora de terminar. As
vezes terminam quatro da tarde e as vezes terminam duas horas e está livre. Eu também não
transformo isso num... é, num massacre para a criança.
Ap - Se não complica, né?
M- Humm
Ap - Família participa das atividades escolares dos filhos? Quais? Como?
M- Sim, em tudo, em tudo, desde estudo, desde duvidas, trabalhos, né? (rsrs), Trabalho, em
tudo, a gente participa sempre.
Ap- Você considera importante a participação da família na vida escolar de seu filho? Por
quê?
M- É essencial, não só na vida escolar, por que na idade do (Nome do filho), agora já tem a
vida pessoal começando a florar. Os pais estão em tudo, acho que quanto mais simples se
tornar o relacionamento, você está incluso, sem sofrimento... Sem constrangimento.
Ap – Além dessas atividades escolares como você acha que a família pode contribuir mais ou
de outras formas? Poderia nós dar um exemplo?
M- Eu acho... Bom, uma coisa que a gente consegui fazer, é que agora a gente faz luta junto.
É um momento que gente consegue tirar para gente, eu e ele. A (Nome da filha) não vai, a
(Nome da filha), geralmente fica em casa, então é um momento nosso. Acho que tudo, a gente
consegue fazer um pouquinho de tudo.
Ap – Acredita que o aspecto emocional da família (pais, irmãos) influenciam no
desenvolvimento escolar?
M- Influencia, aliás influencia na nossa vida, você está brigada com alguém, você está
chateado com alguém, nosso trabalho não anda, então com a criança é a mesma coisa, é um
reflexo nosso.
84

Ap- De quem você acredita que seria o principal papel na construção educacional do seu
filho?
M- Do meu? Dos meus filhos, sou eu e o (Nome do esposo), diretamente eu e meu marido,
diretamente em tudo.
Ap- A escola convida a família a participar de atividade extracurriculares?
M- Convidam. A gente participa bastante.
Ap- Seu filho já trouxe alguma queixa ou dificuldade escolar? Se sim, como foi sua reação?
M- Trás frequentemente, coisas que passa na escola, quando chega em casa percebe que está
com dúvida. Se eu puder explicar, se eu conseguir, eu explico. Só que tem algumas coisas que
o Sistema Ângulo, sua explicação não adianta, eles não entendem. Então o que eu faço, eu
mando lá para escola, não pude ajudar, aí eles resolvem na escola
Ap- Seu filho lhe conta o que acontece no ambiente escolar?
M- Tudo, ou acho que tudo. Né? Acredito que tudo.
Ap- Acha que o comportamento da criança tenha haver com seu desempenho escolar? O que
você entende por fracasso escolar?
M- Fracasso escolar, eu... Eu não sei, não acredito no fracasso escolar, acho que é tudo uma
questão de jeito, uma questão de paciência até da escola. Não acredito muito no fracasso
escolar, há menos que a criança realmente tenha alguma deficiência ou algum problema que
impeça disso... Acho que 90 por cento dos “fracassos escolares” que presencie, foi pela
escola, foi pelo professor, foi pela família. A criança mesmo é um reflexo, ela é abatida por
isso.
Ap- Na sua opinião quais fatores que podem contribuir para que o fracasso escolar aconteça?
Acho que você já que meio respondeu.
M- É, acho que é isso mesmo. Acho que é todo mundo envolvido.
Ap- Sim. Você acredita que a escola tem alguma responsabilidade sobre o fracasso escolar?
Qual? E os pais? Qual?
M- É, eles são fundamentais, escola e os pais. Acho que o único problema é quando todo
mundo começa a se eximir daquilo, fingir que não é comigo. A escola finge, os pais fingem...
Não... Aí fica esse jogo de empurra-empurra, criança é fatalmente atingida.
Ap- Você acha que a escolaridade dos pais pode influenciar o desempenho dos filhos na
escola?
M- Eu acho que não, sabe o porquê? Por que minha avó e meu avó foram analfabetos e nem
por isso cortou o fato da minha tia se tornado médica e meu pai se tornado engenheiro. Eu
acho assim... Tem o incentivo dos pais, independentemente do nível escolaridade. Assim
85

como, os pais da minha mãe que eram professores, e um dos meus tios não quis se formar,
virou... Aí esses guarda-vidas da ru... da praia. Era o que ele queria para ele...
Ap- Salva-vidas...
M- Salva-vidas! Isso, foi isso. Então você vê? Uma família que não tinha escolaridade
nenhuma, zero, minha avó não sabia escrever o próprio nome e formou dois filhos. Agora no
lado da minha mãe formou três e um não quis, então não interfere diretamente.
Ap- Na sua opinião o que seria feito para reverter um quadro de fracasso escolar?
M- Aí, acho que a disponibilidade de tempo é essencial assim... Acho que realmente os pais...
Foi o que eu falei, não acredito no fracasso da criança, é o fracasso do pai, é o fracasso do
colégio, é o fracasso do professor, mas a criança não. Acho que só realmente todo mundo
estando disposto, estando muito disposto para poder mudar esse quadro da criança e muda
dependendo da disponibilidade, do tempo, o quanto você olha para aquele serzinho, muda.
Ap- Você acredita que é somente o aluno que sofre o fracasso escolar?
M- Eu acredito que ele é o único que não sofra, eu acho que todo mundo que está envolvido...
Ele é uma consequência, pois isso acontece muito cedo, não adianta você olhar para o
adolescente: “Nossa! Olha, ele fracassou”, não, alguma coisa no meio do caminho deu errado.
Tudo bem! Eu concordo, que eles vão se tornando mais... essa puberdade aí, vai ficando mais
complicado de administrar o tempo de atenção para o estudo, mas acho que tudo muito na
conversa, não gosto do tanto de liberdade que eles estão tendo, isso está atrapalhando cem por
cento. Você vem sendo rígido, rígido e pronto entrou na puberdade: “toma se vira, você já é
adulto, tchau”. E a gente está vendo, isso acontecer muito, criança pega Uber, vai para onde
bem entender, vai para festa, isso sim é um fracasso pessoal e não escolar.
Ap- Você acredita que o nível socioeconômico pode influenciar no fracasso escolar?
M- Pode influenciar, e voltamos ao fato do meio em que eles vivem. Pode influenciar, mas
não acho que seja indiretamente não. Continua acreditando na família.
Ap- Você conhece alguém que no seu entendimento tem um fracasso escolar, como isso foi
percebido?
M- Fracasso escolar alguém que eu conheça? Na adolescência já presenciou muita coisa
assim, né? Um amigo que era muito estudioso e quando chegou na adolescência, o cara virou
um drogado, um “Nóia”. Não sei em que período e nem posso jugar, mas a gente presenciou,
eu presenciei muitos. Bastante, na praia a gente tinha... Por ser praia, então não tinha tanto
perigo, a gente ia e volta da escola sozinho, essa libertada foi quem prejudicou diretamente
esses colegas.
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Ap- Pela sua concepção de fracasso escolar como você vê o futuro acadêmico dessa pessoa
dita como fracasso escolar?
M- O futuro acadêmico da pessoa no fracasso escolar? Provavelmente nem tem, por que se
não consegui... Se fracassou na escola, se não impulsionou no colégio que é a base, quando
chegar no terceiro ano, se chegar, se ver livre, nem vai.
Ap- Tem conhecimento se na escola do seu filho tem acompanhamento psicológico? Se sim,
como é feito esse trabalho?
M- Eu não sei se tem acompanhamento psicológico, acho que não tem. Esses dias eu peguei
uma situação, que eu vi um belo despreparo para ajudar um adolescente, um colega dele, e ele
veio com a história: “Mãe, o amigo meu tem um soco inglês e um punhal”. “Ah! (Nome do
filho), para ele tem doze anos”. Ele entrou no Instagram e mostrou. Então um dia, ele
informou que fulano tinha vendido a faca para outro fulano... Espera, então a faca está dentro
da escola? Foi e liguei para escola e não tinha ninguém preparado para receber uma situação
dessa, isso eu senti, não tinha ninguém, peguei todo mundo desprevenido com a história. Falei
vem cá, está passando em baixo do seu nariz e não tive a resposta que eu queria.
Ap- Então você acredita ser importante o trabalho do psicólogo na escola?
M- Fundamental, fundamental. Perto das famílias, das pessoas que estão com desequilíbrio é
fundamental. Para pelo menos uma criança, um adolescente que não tem um apoio em casa,
para que ele tem um psicólogo, um professor, alguém que ele veja que ele possa contar,
confiar, se abrir, pois nessa fase é onde se precisa mais conversar.
Ap- Então nisso você já responde a próxima pergunta, se você acredita que o trabalho do
psicólogo possa contribuir com o ambiente escolar?
M- Contribui, Contribui. Tem tanta gente desajustada, a gente mesmo se vê perdido em
algumas situações, é fundamental sim.
Ap- Então essas foram as perguntas, você quer contribuir com alguma coisa?
M- Não somente isso.
Ap- Está bom! Eu agradeço, muito obrigada
M- Eu que agradeço!

ENTREVISTA 5

Inicial Nome Entrevista Data


J Jarbas Capuso filho P5 01/10/2018 Entrevistador
C Aparecida Rosa Gago P5 01/10/2018 Assistente
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L Luciana P5 01/10/2018 Entrevistada

J: Luciana boa tarde, em primeiro lugar poderia me falar seu nome completo, idade e
profissão?
L: Luciana de Almeida Rusa, quarenta anos e sou professora.
J: Quantos filhos você tem e a idade deles?
L: Dois filhos um de nove e um de doze.
J: E qual o nome deles?
L: O de doze Vinícius e o de nove Matheus.
J: E os dois frequentam a escola?
L: Sim.
J: Desde que idade?
L: Dois anos.
J: Seus filhos estudam em período integral ou meio período?
L: Meio período.
J: Por que meio período?
L: Porque no período da tarde eu gosto de ficar com eles, eu gosto que eles fiquem só meio
período na escola para a gente poder aproveitar de outro jeito e para acompanha-los um
pouquinho também.
J: Você valoriza essa convivência familiar?
L: Sim, muito.
J: E qual o horário então eles frequentam a escola?
L: horário da manhã.
J: Na hora do almoço eles já estão em casa?
L: Já, a gente almoça na casa da minha mãe e ai a gente vem pra cá.
J: Como foi feita a escolha da escola?
L: Na verdade a escola onde eles estudam é onde eu trabalho, na época da escolha eu
trabalhava em duas escolas e eu escolhi onde eles estudam hoje porque acho que o ensino
seja melhor do que na outra, então valorizei onde achava que o ensino era melhor.
J: Poderia mostrar um critério de ensino melhor nesse caso?
L: Nesse caso, como eles eram apresentados a matéria, eu acho que dependia muito dos
professores, que tinha uns professores que deixavam muito a desejar na outra escola, e nessa
os professores preenchem melhor as necessidades, preparavam eles melhor para um avaliação
ou mesmo para o dia a dia e a vida.
88

J: E Luciana o que você acha que a escolha da escola influencia no desenvolvimento escolar
das crianças?
L: No desenvolvimento deles?
J: Sim, o que essa escolha influencia no desenvolvimento escolar?
L: A minha escolha? Eu também escolhi um lugar que eles gostavam, então essa escola que
eles estão hoje, eles ficaram dois anos fora e agora eles voltaram, então é uma escola que eles
se sentem bem, e com eles se sentindo bem acho que eles aprendem melhor também.
J: Eu sei que parece meio óbvio o que eu vou perguntar, mas por que você acha que eles
aprendem melhor se sentido bem na escola?
L: Porque eles conseguem focar, conseguem se sentir mais libertos e ao mesmo tempo mais
acolhidos, mais respeitados.
J: Bacana. E como é a rotina de estudos na casa?
L: ( risos) Eles chegam, almoçam e ai eles tem um tempo, um tempo de fazer lição de casa,
se tem que estudar para prova, eles geralmente tem prova no mesmo dia então estudo um
pouco com um enquanto ou outro vai lendo, ai paro estudo com o outro, sempre estou
acompanhando. Na lição de casa também gosto de sempre dar uma olhadinha, eu ou minha
mãe, as vezes estou dando aula a tarde, então minha mãe que fica com eles.
J: Então a família participa das atividades escolares dos filhos?
L: Participa.
J: Me diga, o quanto você acha isso importante?
L: A eu acho importante porque não adianta a gente apenas cobrar, tem que participar da vida
deles, então você quer que ele vá bem que se saia bem, mas como, se você não esta ali dando
um suporte. Eu cobro deles, mas porque eu sei que estou acompanhando, porque como eu vou
cobrar uma coisa deles se eu não sei o que vou cobrar.
J: Você acredita que esse suporte que você da em casa faz a diferença na educação escolar?
L: Eu acredito.
J: Por quê?
L: Porque eu vejo o resultado deles, no processo da educação e como pessoas também, e eu
consigo comparar, porque como eu estou dentro da sala de aula eu vejo aqueles alunos que os
pais não acompanham e os que os pais acompanham, esse aluno que eles não acompanham
tem mais dificuldades, não tem o mesmo desenvolvimento dos que tem o suporte da família
J: E Luciana, além dessas atividades escolares como você acha que a família pode contribuir a
mais ou de outras formas?
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L: Bom, acabei de chegar da natação. Eu acho que ocupar essas crianças com atividades, não
só estudar, que eles tem que ter um pouquinho de lazer, então fazer um esporte, sair para
passear um pouco, acho que isso tudo ajuda senão eles ficam muito sobrecarregados.
J: Você acredita que o aspecto emocional da família, pais, irmãos influenciam no
desenvolvimento escolar?
L: Acredito
J: De que maneira?
L: De uma maneira positiva e negativa né. Se a família não e muito estruturada acho que
influencia muito na educação da criança também, ele acaba se perdendo um pouquinho
principalmente na parte organizacional, porque se dentro de casa eles já não tem aquela rotina
e tudo mais, na escola ele não consegue se organizar.
J: Você acredita que eles repetem um padrão?
L: Sim ( pausa ) , tem alguns que não, que já são mais independentes e tem a própria
cabecinha, mas acredito que a maioria se espelha muito na família.
J: De quem que você acredita que seria o principal papel na construção educacional dos seus
filhos?
L: Família.
J: Eu sei que já perguntei, mas, por quê?
L: Porque eu acho que é a base né, foi o que eu falei, um professor da escola ele vai (pausa)
claro ele não é só um professor, é um educador, mas a base a criança tem que ter em casa,
organizacional né, tudo, toda a base é a família. Na escola o professor vai colocar limites, vai
ensinar alguma coisa específica de alguma matéria, mas acho que é a família que dá essa base.
J: Você sabe que esse paradigma “base familiar” ele é muito falado e cada um tem uma
intepretação, qual a sua intepretação? Essa saudável que você está falando.
L: Eu acho que a família tem que estar presente na vida das crianças, presente e auxiliando em
tudo, qualquer aspecto, emocional, principalmente emocional, hoje me dia os pais estão tão
afastados dos filhos, eles não tem mais aquele tempo, eles acabam dando muitas coisas para
suprir a falta deles, então eu acho que a família tem que fazer o papel dela, tem que estar
presente na educação de tudo, estar presente em tudo da vida das crianças.
J: A escola convida a família a participar das atividades extras curriculares?
L: Convida.
J: Quais atividades?
L: Sábado passado, antes de ontem, nós tivemos o outubro rosa, ela começou uma campanha
que é para arrecadar produtos de higiene pessoal e cabelo, pode ver até que eu cortei o cabelo,
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para uma ONG fazer perucas para pessoas em tratamento do câncer, então a escola sempre
acolhe, sempre convida os pais para participar, então tem feira cultural onde os pais são
convidados a assistir o trabalho feito pelos alunos, tem exposição de robótica, os alunos
desenvolvem os trabalhos na aula de robótica e vão mostrar para os pais, então os pais são
sempre convidados e tem a reunião também né.
J: E você como mãe, como você vê essas atividades extracurriculares com os seus filhos
como essas que você me deu exemplo agora?
L: Eu acho que tem que estar né, é uma ligação escola família, a escola tem que saber da vida
do aluno e o aluno tem que saber como é a vida dele dentro da escola, e para isso a gente tem
que ir lá, participar para ver como que é, conhecer as pessoas que estão lidando com os nossos
filhos todos os dias, as vezes as crianças passam mais tempo na escola com que com os pais
J: Algum filho seu trouxe uma queixa de dificuldade escolar?
L: ( pausa) Acho que já (risos) será que já? Já, já.
J: Você lembra alguma coisa especifica?
L: Matemática, esse ano mesmo, o mais velho.
J: E qual era a queixa?
L: Ele disse que não sabia e iria ter prova, e que não tinha entendido a matéria e nem sabia
fazer os exercícios.
J: E como você gerenciou essa crise?
L: Eu peguei o livro e fui estudar com ele (risos)
J: Resolveu?
L: Resolveu. Eu sou professora de inglês, então até o sétimo ano eu consigo acompanhar
ciências, história, geografia, matemática, mas vai ter um momento em que eu não vou mais
lembrar, matemática, química, física, eu não vou lembrar mais. Mas e os alunos que não tem
pais que podem acompanhar, que trabalham o dia inteiro e chegam 10 horas da noite em casa,
o que acontece? Os filhos não entendem a matéria e vai tirar nota ruim, era problema geral e a
sala em geral não tinha entendido, eu tentei ajudar e ele foi bem, depois eu tive contatos com
as notas e ele tinha ido bem, mas a maioria não tinha, então falta isso também, a presença dos
pais.
J: E qual foi a reação dele com essa situação?
L: O meu filho, ele defende muito as pessoas, então eu perguntei: você não prestou atenção ou
o professor não explicou? E ele respondeu nenhum dos dois, disse que o professor explicou e
que tinha prestado atenção, eu falei se ele não sabia é que alguma coisa aconteceu, mas ele
ficou neutro, não falou mal do professor e nem que não tinha prestado atenção, e eu respeitei.
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J: E seus filhos relatam para você o que acontece no ambiente escolar?


L: Pouco, pouquíssimo, acho que atrapalha muito eu estar lá presente, do mais velho mesmo
eu sou professora dele, então tudo que acontece eu sei e as vezes acontece alguma coisa com
o menor, que ele faz alguma peraltice, ai quando chega em casa eu falo: “tem alguma coisa
para me contar”? “Não mãe” (risos). “Tem certeza”? Mas eles não contam mesmo eu já
sabendo o que aconteceu, eu falo isso para eles me contarem, mas eles não relatam, acho que
é por que atrapalha eu estar lá toda hora vendo tudo. Esses dias a coordenadora me chamou, o
mais velho tinha batido em um menino na educação física, eu pensei assim: como assim, ele é
tão tranquilo, eu fui conversar com ele, á principio ele não me falou, quando ele viu que eu
sabia que foi me contar, mas eles não gostam de ficar relatando.
J: E você compreende isso?
L: Compreendo, tem que respeitar né, não é por que eles são meus filhos e eu estou lá que eles
devem ser perfeitos, eles podem cometer erros como outros alunos qualquer.
J: E você acha que o comportamento da criança tem a ver com o desempenho escolar?
L: Como assim?
J: De uma forma geral, você ache que o comportamento da criança tem a ver com o
desempenho escolar?
L: Um comportamento mais calmo, respeitoso, mais comportado? Acho que sim.
J: Você ache que interfere no desempenho? De que maneira?
L: A criança que tem limites, que sabe a hora de parar, a hora de prestar atenção ela vai
aprender com mais facilidade, do que outra que não tem limites e fica dispersa e não está
prestando atenção.
J: Luciana o que você entende por fracasso escolar?
L: Fracasso escolar é quando a escola não consegue atingir o aluno.
J: Explique-me melhor.
L: Cada aluno é um aluno, cada aluno é um ser individual e as vezes a escola não consegue
alcançar um aluno especifico, como alguma necessidade especial. Isso para mim é fracasso
escolar.
J: Então você acha que o fracasso escolar é um paradigma unilateral? Apenas do lado da
escola?
L: Não, da família também, pois a família deve saber o que está acontecendo para saber se
aquilo que está levando a criança ter dificuldade é culpa dela ou da escola. Mas é muito ruim
quando a escola não consegue atingir um aluno.
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J: Então para a gente fechar, quis são os fatores, em sua opinião, que contribuem para que o
fracasso escolar aconteça?
L: Ausência da família na escola, o distanciamento da família com a criança e a escola ser
apática com os problemas individuais de cada aluno.
J: O que é ser apático com os problemas de cada aluno?
L: Às vezes a escola toma atitudes generalizadas, e têm alunos que precisam de um
tratamento diferente, a escola não sabe a historia daquela criança, às vezes naquele dia ela
passou por um problema em casa e não está bem, e vai para escola precisando de um auxilio e
a escola não consegue enxergar isso.
J: Então em sua opinião, qual a responsabilidade da escola e dos pais nos fracasso escolar?
Qual a responsabilidade de cada um?
L: Acho que é 50 a 50, se a escola não consegue atingir é por quê ela não atingiu aquele
aluno, e a família não conseguiu enxergar que aquela pessoa estava precisando de ajuda.
J: E você ache que a escolaridade dos pais pode influenciar na escolaridade dos filhos?
L: Acredito que não.
J: Por quê?
L: Porque tem pais que não tiveram condições e eles querem o melhor para o filho, então não
é por que eles não tiveram escolaridade que eles não irão incentivar o filho a ter, o pai não
precisa apenas ajudar ensinando, ele pode ajudar incentivando a criança, ele precisa participar,
e para isso não precisa de escolaridade.
J: O que deveria ser feito para reverter o quadro de fracasso escolar?
L: O papel da escola ou da família?
J: No geral. Qual o papel deles para combater o fracasso escolar?
L: O acompanhamento, a família deve acompanha seus filhos e a escola deve saber
acompanhar cada aluno, mas na sala de aula é muito complicado atingir cada aluno.
J: Por quê?
L: Porque na sala de aula temos diferentes classes sociais, religiões, culturas. Eu sou
professora de inglês, então tenho alunos que sabem 100% e tem aluno que sabe 0%, então
para atingir todos é muito difícil, mas a escola deve saber onde está essa lacuna para poder
preencher.
J: Você acredita que só o aluno que sofre o fracasso escolar?
L: Não, no caso de uma retenção, a família também passa por um fracasso, onde errou, onde
falhou, o que fez, e a escola também passa, pois não consegue atingir o objetivo, então os três
passam, o aluno, a família e a escola.
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J: Você acredita que o nível socioeconômico pode influencia no fracasso escolar?


L: Em uma escola particular? Acho que não.
J: Por quê?
L: Porque se o aluno está na escola particular é porque o pai têm condições de pagar a
mensalidade, então o aluno deve ter uma vida mais estabilizada, e se tem mais ou menos não
aparenta nesse grau.
J: Você conhece alguém que vivencia um fracasso escolar? E como você percebeu isso?
L: Como mãe ou como professora?
J: Como mãe.
L: Como mãe acho que não, mas como professora já né, a hora que você deve reprovar um
aluno é por que foi um fracasso.
J: Como foi isso para você?
L: É horrível, não alcançar o resultado, tivemos o ano inteiro para trabalhar com aluno para no
final não alcançar o objetivo, é um fracasso para o professor, eu falo para os meus alunos, é
mais difícil para mim do que para eles.
J: E como você vê o futuro acadêmico dessa pessoa dita com um fracasso escolar?
L: Depende, a pessoa pode levar isso como uma lição, superar e no ano seguinte ser brilhante
ou influenciar negativamente na vida dessa pessoa e perder o ânimo de estudar mesmo.
J: Você tem conhecimento se na escola do seu filho tem acompanhamento psicológico?
L: Hoje não, até três anos atrás tinha uma orientadora, mas ela foi desligada do colégio e hoje
apenas coordenadora pedagógico.
J: E como você vê a presença de um psicólogo no ambiente escolar?
L: Eu acho importantíssimo.
J: Por quê?
L: Porque ele entende o aluno, não como aluno, como pessoa, então vai saber se o aluno está
passando por algum problema que está influenciando na aula. No outro colégio que dou aula
tem a Maria Helena orientadora educacional, então se o aluno está com algum problema o
mandamos para a orientadora e não para a coordenação, e ela vai conversar, chamar os pais
para resolver o problema, não é o professor que deve tomar uma decisão e entrar em contato
com o pai isso tudo passa por ela. Todas as escolas deveriam ter uma orientadora.
J: Você acredita então que a psicologia pode contribuir no ambiente escolar?
L: Muito, muito, adoraria que tivesse uma orientadora no colégio em que meus filhos
estudam, quando tinha era muito bom, ela entrava em contato direto com os pais, retirava o
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máximo possível do aluno, só para depois, entrar em contato com os pais, ela tentava achar o
problema, o coordenador pedagógico não faz o papel do orientador.
J: Não?
L: Não
J: Por quê?
L: Porque o coordenador pedagógico estudou para lidar com o professor, ele trabalha didática,
estrutura de sala de aula, ele sabe o dar aula, já a orientadora vai trabalhar o aluno como
pessoa não apenas no ambiente escolar, ela trabalha o outro lado do ser humano, eu vejo
assim.
J: Você acha que o psicólogo escolar pode contribuir de forma positivamente na questão do
fracasso escolar?
L: Sim, ele pode até evitar isso, a partir do momento que ele percebe que o aluno está com
dificuldade, ele começa a interferir chamando a família para tentar resolver, e trabalhar
também com os professores, se o aluno tem um problema e é com um professor especifico, o
orientador deve chamar o professor para conversar.
J: Luciana era só isso, muito obrigado.
L: Eu que agradeço.

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