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Ficha de Trabalho – Geologia 10

Alunos em Aula não Presencial

Nome : _________________________________________________

Situado no Atlântico Norte, o arquipélago dos Açores é constituído por nove ilhas de origem
vulcânica, localizadas entre as latitudes 37° e 40° N e as longitudes 25° e 31° W, dispostas ao
longo de uma faixa de cerca de 600 km segundo a direção aproximada NW-SE. Geograficamente
encontram-se associadas em três grupos: o Grupo Ocidental - constituído pelas ilhas do Corvo e
das Flores, o Grupo Central - formado pelas ilhas Graciosa, Terceira, S. Jorge, Faial e Pico, e o
Grupo Oriental - constituído pelas ilhas de S. Miguel e Santa Maria e os ilhéus das Formigas.

As ilhas dos Açores correspondem a estruturas vulcânicas emergentes da designada


Plataforma dos Açores, uma zona de forma aproximadamente triangular onde nesta região a
crosta oceânica apresenta uma espessura anormalmente elevada, da ordem dos 14 km, facto
que aliado a um magmatismo intenso, sugerem a existência de um ponto quente sob a
Plataforma dos Açores.

Sob o ponto de vista tectónico, esta região situa-se na zona de junção tripla das placas
litosféricas Norte Americana, Eurasiática e Africana (Núbia), facto que se traduz na existência de
importantes sistemas de fraturas. Neste contexto, assumem especial relevo a Crista Média
Atlântica, a Zona de Fratura Açores-Gibraltar, que inclui o Rift da Terceira e a Falha Gloria, e a
Zona de Fratura Este dos Açores (Fig. 1).

Principais estruturas tectónicas da região dos Açores. Legenda: CMA - Crista Média Atlântica;
ZFEA - Zona de Fratura Este dos Açores; FG - Falha da Gloria; RT - Rift da Terceira. A Crista Média
Atlântica (CMA) separa a placa Norte Americana, a W, das placas Eurasiática e Africana, a E, e

Nuno Correia
atravessa a região dos Açores entre os Grupos Ocidental e Central. A CMA é uma estrutura muito
ativa do ponto de vista sísmico e vulcânico, caracterizada por um comportamento distensivo
puro, correspondente ao eixo de expansão da crosta oceânica. A velocidade de abertura deste
rift é de cerca de 23 mm/ano a N do Rift da Terceira e 20 mm/ano a S. A Zona de Fratura Açores-
Gibraltar (ZFAG) corresponde à fronteira entre as placas Eurasiática e Africana e estende-se
desde a CMA até à região de Gibraltar, incluindo três sectores principais com orientação,
expressão morfológica e regimes tectónicos distintos. O Rift da Terceira (RT) exibe uma
orientação geral WNW-ESE definida pelo alinhamento das ilhas dos grupos Central e Oriental, e
desenvolve-se desde a CMA até à Falha Gloria. Trata-se de uma estrutura caracterizada por um
comportamento distensivo e de desligamento direito, muito ativa sob o ponto de vista sísmico
e vulcânico. A Zona de Fratura Este dos Açores (ZFEA) estabelece o limite S da Plataforma dos
Açores e estende-se segundo uma direção aproximada E-W.

1. Localize tectonicamente, as diferentes ilhas açorianas.


2. Relembre o conceito de falha ativa e os tipos de movimentos associados a falhas ativas.
3. Caracterize o tipo de limite tectónico nos três troços da fronteira entre as placas
Eurosasiática e Africana (ZFAG).
4. Com base na interpretação do enquadramento tectónico dos Açores, formule uma hipótese
que explique a atividade vulcânica dos Açores.
5. Com base nos dados fornecidos, indique, justificando as ilhas de maior e menor risco
sísmico.
6. Tente explicar o mecanismo que, nos Açores, desencadeia a intensa atividade sísmica.
7. Explique por que razão se consideram os Açores um laboratório de estudo do planeta Terra.
8. Identifique as placas onde se localizam as ilhas das Flores e de Santa Maria.

A atividade eruptiva histórica no arquipélago dos Açores inclui cerca de 27 erupções, entre
eventos submarinos e subaéreos, que cobrem um grande leque de estilos eruptivos e
magnitudes. À semelhança da sismicidade, o vulcanismo ocorre ao longo do eixo de orientação
geral WNW-ESE, havendo a registar nos últimos cinco séculos erupções nas ilhas do Pico, Faial,
S. Jorge, Terceira e S. Miguel.

Da análise da localização e sequência cronológica das várias erupções históricas observadas no


arquipélago merece destaque a proporção de erupções submarinas e litorais, que ascende a
48% do total das erupções registadas, sendo este valor provavelmente subestimado, pois nem
todas as erupções submarinas se manifestam à superfície do oceano e, mesmo de entre estas,
nem todas terão sido observadas.

As erupções históricas subaéreas revelam estilos eruptivos efusivos ou moderadamente


explosivos, do tipo havaiano e estromboliano, e de natureza basáltica , normalmente associados
aos sistemas vulcânicos do tipo fissural, e erupções explosivas subplinianas e hidromagmáticas
envolvendo magmas mais evoluídos, de composição traquítica associados aos vulcões centrais.
Esta variedade de estilos eruptivos e magnitudes é encontrada também ao longo da história
eruptiva dos diversos sistemas vulcânicos existentes nas ilhas dos Açores.

Nuno Correia
1. Indica o tipo de erupções predominantes no arquipélago dos Açores.
2. O que é um vulcão?
3. Identifique zonas do globo terrestre com intensa atividade vulcânica.
4. Indique três tipos de materiais expelidos pelos vulcões.
5. Define erupções subaéreas (“abaixo do ar”; em contacto direto com o ar atmosférico).
6. Caracteriza a atividade vulcânica:
6.1. Efusiva.
6.2. Explosiva.
6.3. Subaérea.
6.4. Hidromagmática.

Nuno Correia