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Publicado em 18.10.

2019
24.08.2020



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▪ Recentemente, a Rumo, empresa que está presente em nossa
carteira Suno Valor através do ativo RLOG3 (Cosan Logística),
também divulgou os resultados do 2T20.

▪ O volume de carga transportada aumentou 13,9% no período,


chegando a atingir 16,4 bilhões de TKU. Devido ao aumento do
volume, impactado parcialmente pela tarifa menor, a receita da
companhia teve uma alta de 5,7%, atingindo R$ 1,12 bilhão.

▪ O EBITDA teve um avanço de 6,3% no período, chegando a atingir R$


1,21 bilhão. Destaque positivo vindo de um menor aumento dos
custos fixos, devido à alavancagem operacional da empresa.

▪ O Lucro Líquido totalizou R$ 404,4 milhões no 2T20, um salto de


118% em relação ao reportado no 2T19. A companhia terminou o
trimestre com uma alavancagem equilibrada de 2,0x o Dívida
Líquida/EBITDA.

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▪ Vemos uma ótima tendência de longo prazo para a empresa,
respaldada em 4 fatores: (i) Maior incentivo do Governo ao
crescimento da malha ferroviária (ii) Resiliência e crescimento do
setor agro. (iii) Oportunidades de ganho de market share. (iv) Foco
contínuo em ganhos de eficiência e aumento de capacidade.
Nossa recomendação está mantida com preço-teto em R$ 23,00.

▪ A Suzano apresentou um aumento de 25% do volume de celulose


vendido no trimestre em relação ao 2T19, o que colaborou para o
movimento de desestocagem da companhia.

▪ O custo caixa de celulose (principal indicador de competitividade) foi


de R$ 599 por tonelada, patamar 14% inferior ao registrado no 2T19.
Esse patamar de custo caixa é um dos mais baixos do mundo.

▪ A companhia apresentou uma sólida geração de caixa operacional de


R$ 3,3 bilhões, aumento de 51% em relação ao 2T19, puxada pelo
efeito cambial e por um maior volume de celulose vendido.

▪ O nível de alavancagem da companhia foi de 5,6x o Dívida


Líquida/EBITDA ajustado em BRL. O CFO da companhia acredita que,
dada à geração de caixa da companhia, é possível vermos uma
redução da alavancagem para cerca de 3x até o final de 2021.

▪ A redução da oferta observada no curto prazo, junto da ausência de


grandes adições de capacidades no curto prazo e a manutenção de
um considerável ritmo do crescimento da demanda da China, devem
ser fatores que ajudarão a segurar a continuidade de movimento de
retração nos preços da celulose.

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▪ Levando em conta o patamar de câmbio atual, que deve seguir
potencializando a geração de caixa da Suzano, especialmente por
conta do seu custo caixa altamente competitivo, optamos por
elevar o preço-teto para R$ 45,00. Neste preço a empresa deve
negociar em torno de 7,5 vezes EV/EBITDA para 2021.

▪ A Equatorial registrou um Lucro Líquido de R$ 406 milhões no 2T20,


uma alta de 18,6% em relação ao 2T19.

▪ O EBITDA atingiu R$ 873 milhões no trimestre, queda de 11,1%


sobre os R$ 982 milhões registrados no 2T19. Esse resultado
ocorreu, principalmente, pelo menor resultado das distribuidoras
Equatorial Maranhão, Piauí e Intensa, que reportaram um EBITDA
menor no período.

▪ A companhia segue desalavancando o seu balanço devido à menor


necessidade de investimentos e terminou o 2T20 com uma relação
Dívida Líquida/EBITDA de 2,3x, contra 3,6x no final do 2T19.

▪ A Equatorial investiu R$ 601 milhões no trimestre, contra R$ 1,2


bilhão no mesmo trimestre de 2019 (em função dos menores
aportes em seu negócio de transmissão, o qual já se encontra em
fase avançada de entrega dos projetos).

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Informações coletadas no dia 21.08.2020 / Fonte: Suno Analítica (https://www.sunoresearch.com.br/acoes/rlog3/)

A Rumo, representada em nossa carteira Suno Valor pela ação RLOG3, que
detém participação na empresa próxima de 30%, apresentou uma boa
performance no segundo trimestre de 2020, reportando um aumento de
13,9% no volume transportado, atingindo 16,4 bilhões de TKU.

Grande parte desse aumento no volume transportado se deve à safra


recorde de soja bem como uma boa performance operacional.

O market share da companhia no Porto de Santos apresentou uma queda


de 9 p.p., muito embora os volumes transportados pela companhia para
esse porto tenham crescido 17%.

Segundo a Rumo, isso ocorreu devido aos maiores volumes transportados


por terceiros, o que já era esperado tendo em vista a desvalorização
cambial e a maior competitividade brasileira nas exportações.

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Fonte: Rumo / elaboração Suno Research

Nos resultados econômico-financeiros, a Receita Líquida da Rumo totalizou


R$ 1,8 bilhão (5,7% superior ao registrado no 2T19). Esse resultado é
reflexo do aumento do volume transportado, que foi parcialmente
compensado por uma queda de 8,5% na tarifa. Segundo a companhia, o
impacto na tarifa se deve à queda de 25,3% no preço do combustível em
relação ao 2T19, pois os contratos comerciais vigentes estipulam um
repasse de 25% da variação do combustível para o preço do frete.

Fonte: Rumo

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Os custos e despesas gerais e administrativas performaram bem nesse
trimestre. Os custos variáveis totalizaram R$ 436 milhões no 2T20, 7,8%
acima do 2T19, reflexo dos maiores volumes transportados no período.

Os custos fixos e despesas gerais e administrativas atingiram R$ 411


milhões. Desconsiderando R$ 7 milhões em custos relacionados à Malha
Central, o aumento foi de 1% frente ao mesmo período do ano passado.
Esse resultado evidencia a boa alavancagem operacional da companhia.

Tendo em vista esses fatores, o EBITDA Ajustado teve um aumento de 6,3%


em relação ao 2T19, totalizando R$ 982 milhões, aumento superior ao da
receita devido ao menor crescimento dos custos fixos. Usamos o EBITDA
ajustado, pois ele desconsidera os efeitos da Malha Central, os impactos
associados ao processo de renovação da Malha Paulista e a provisão para a
deterioração da Malha Central.

Em relação aos resultados puramente financeiros – oriundos da diferença


dos juros recebidos de aplicações financeiras e os valores desembolsados
com juros do endividamento – a Rumo apresentou um desembolso de R$
201 milhões, queda de 22,3% frente à despesa financeira do 2T19.

Portanto, a Rumo apresentou um Lucro Líquido de R$ 405 milhões, contra


R$ 185 milhões registrados no 2T19. Esse resultado demonstra a resiliência
do negócio da empresa diante da crise enfrentada pela grande maioria dos
negócios no país.

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Por ser uma companhia intensiva em capital, a Rumo tem investido muito
na expansão de suas operações. Apenas o CAPEX aportado nesse trimestre
foi de R$ 722 milhões (desse montante, R$ 163 milhões foram direcionados
para a construção da Malha Central), 64,6% superior ao verificado no 2T19.

Como podemos ver, a maior parte dos investimentos da Rumo está sendo
direcionada para a sua expansão, como a revitalização da Via Permanente,
substituição de trilhos e dormentes, construção de novos armazéns,
expansão de pátios para adequação ao trem de 120 vagões, além de outros
projetos que continuarão entregando ganhos de eficiência e reduções no
consumo de combustível por parte da companhia.

Fonte: Rumo

Para suprir a necessidade de investimento, a Cosan Logística divulgou na


última sexta feita (14) que a Rumo realizará uma distribuição de oferta
primária de ações. Serão lançadas 235 milhões de ações em distribuição
com esforços restritos e de colocação no exterior. Além disso, poderão ser
ofertadas mais 82,5 milhões de ações ordinárias em um lote adicional de
até 35%. Portanto, o montante envolvido pode alcançar R$ 6,9 bilhões ao
preço de fechamento do dia anterior à divulgação.

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A gestão da Cosan Logística informou que não pretende ter a sua
participação diluída. Inclusive, a companhia anunciou nesta semana que
está realizando a emissão de R$ 1,7 bilhão em debêntures a um custo de
2,65%, o que, com o CDI atual, deve resultar em algo inferior a 5% ao ano.
Os recursos desta emissão devem ser destinados integralmente para a
Cosan Logística manter a sua participação acionária na empresa.

Segundo a Rumo, os recursos da captação serão destinados a: (i) Executar


diversos projetos estratégicos que foram impulsionados pela renovação da
concessão da Malha Paulista. (ii) Pré-pagar outorgas devidas, em virtude
dos contratos de concessão da companhia. (iii) Dar mais fôlego financeiro
para participar de novas concessões.

O endividamento abrangente bruto ao final do 2T20 totalizou 18,3 milhões.


Portanto, a alavancagem atingiu 2,0x o Dívida Líquida/EBITDA, caso
consideremos o EBITDA ajustado de R$ 4 bilhões dos últimos 12 meses. A
Dívida Líquida atingiu R$ 7,8 bilhões, patamar 2,6% superior ao do 1T20.

Fonte: Rumo / elaboração Suno Research

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Tendo em vista a sua elevada e estável capacidade de gerar caixa,
consideramos esse nível de alavancagem equilibrado. Além disso, com a
expectativa da entrada dos recursos do follow-on, enxergamos que a
companhia manterá uma sólida posição de balanço, ficando preparada
para eventuais oportunidades que podem surgir nos próximos anos.

Pelos números divulgados nos primeiros seis meses de 2020, estamos


bastante confiantes com a capacidade de entrega de resultados da
companhia para os próximos anos. Para nós, os fundamentos de longo
prazo da empresa continuam intactos.

A Rumo tem uma sólida expectativa de crescimento orgânico, em linha


com a trajetória de crescimento do agronegócio brasileiro. O crescimento e
investimento na malha ferroviária brasileira são fundamentais para o país
seguir crescendo em termos de produtividade e competitividade.

Apesar dos desafios fiscais e políticos enfrentados pelo Brasil, o Ministério


da Infraestrutura aposta na participação da iniciativa privada como pilar
fundamental do crescimento da malha ferroviária e da infraestrutura de
transporte brasileira. Atualmente, o modo ferroviário corresponde a
apenas 15% da matriz de transporte brasileira, sendo que o objetivo do
Governo é que esta modalidade passe a representar algo próximo de 30%
em até 10 anos (duplicando a malha ferroviária brasileira).

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Para se ter ideia da baixa representatividade das ferrovias no transporte
brasileiro, na Rússia, a representatividade das ferrovias chega a 81%, no
Canadá a 46%, na Austrália e nos EUA esse número fica próximo dos 43% e
na China de 37%. Ou seja, todos muito acima do Brasil.

A expansão da malha ferroviária brasileira naturalmente traria reduções


consideráveis de custos e ganhos de eficiência na logística do agronegócio,
que atualmente responde por mais de 21% do PIB do país. A dependência
do transporte rodoviário (que responde por cerca de 65%) gera bastante
gargalos à logística brasileira.

Em nossa visão, por ser a maior operadora de ferrovias do Brasil e estar


na vanguarda deste segmento, a Rumo tende a continuar capturando
esse crescimento com expansões de malha e investimentos ao longo do
tempo também em capacidade.

Atualmente, a Rumo é responsável por cerca de 26% das exportações de


grãos no Brasil e empresa espera expandir essa participação para algo
próximo de 35% no médio e longo prazo.

Até 2028, os dados do setor apontam para um crescimento de 37% nos


volumes de exportação de grãos no Mato Grosso, onde a Rumo detém a
liderança do mercado. Recentemente, a companhia concluiu a expansão
do terminal de Rondonópolis/MT, aumentando em 50% a capacidade de
armazenamento e reforçando sua competitividade nesta região.

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Existem ainda óbvias oportunidades de ganhos de participação de mercado
em exportação de açúcar, celulose e importação de fertilizantes.

Em fertilizantes, por exemplo, a Rumo opera atualmente um volume


próximo de 2,8 milhões de toneladas enquanto a área engloba um volume
de até 19,8 milhões, ou seja, estamos falando de um potencial de adição
próximo de 17 milhões de toneladas.

Por fim, não podemos deixar de destacar as iniciativas da empresa em


relação ao aumento da capacidade e eficiência através da implementação
de vagões ‘double stack’, trens mais longos e eficientes, além da adoção de
tecnologia e inteligência artificial.

De 2018 para 2019, a Rumo elevou sua Margem EBITDA na operação de


containers de 5,2% para mais de 17% ao final do ano passado.

Essas medidas continuarão sendo implementadas de forma contínua na


operação da empresa de forma a permitir a manutenção de ganhos de
eficiência e rentabilidade.

Para 2023, o guidance da companhia continua em atingir um EBITDA


próximo de R$ 6,5 bilhões, expandindo em um média de 15% a.a,
enquanto os volumes devem crescer 10% a.a.

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Fonte: Rumo / elaboração Suno Research

Portanto, reforçamos a nossa recomendação de compra para as ações da


Cosan Logística até o preço-teto de R$ 23,00 e seguimos de olho no
crescimento que a companhia pode apresentar no longo prazo.

Atualmente, as ações da Rumo negociam a um múltiplo EV/EBITDA


projetado para 2022 de 10,9 vezes, contra 13,2 vezes da Canadian National
Railway Company e 11,3 vezes da CSX Corp.

Portanto, a Rumo hoje é mais barata e deve apresentar um crescimento


composto maior que esses players internacionais.

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Informações coletadas no dia 21.08.2020 / Fonte: Suno Analítica (https://www.sunoresearch.com.br/acoes/suzb3/)

A Suzano apresentou sólidos resultados no 2T20, materializados por uma


forte geração de caixa, que foi puxada por maiores volumes de vendas de
celulose e pela desvalorização cambial, o que proporcionou uma nova
queda dos seus estoques nesse trimestre.

A maior produtora de celulose do mundo também alegou que continua


obtendo ganhos estruturais de competitividade e entregou um dos mais
baixos custos caixa de produção de celulose do mundo. No quadro abaixo,
podemos ver os principais destaques do trimestre:

Para a companhia, as vendas de celulose se mostraram fortes ao longo do


2T20, mesmo diante dos desafios enfrentados por quase todos os países.

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O preço médio em USD da celulose comercializada pela Suzano foi de US$
466/ton., uma queda de 26% em relação ao preço médio do 2T19. Porém,
em BRL, o preço médio líquido da celulose vendida foi de R$ 2.512/ton.,
um aumento de 2% em relação ao preço do 2T19, devido à desvalorização
cambial do período.

O custo caixa sem paradas para a produção de celulose ficou em R$ 599/t,


uma redução de 14% em relação ao mesmo trimestre de 2019. A redução
foi puxada, principalmente, pelo menor custo com madeira, devido à maior
produtividade nas operações e menor custo do diesel. Além disso, Suzano
obteve um menor custo fixo relativo, em função de menores gastos com
manutenção e maior diluição com aumento de produção.

Custo Caixa Celulose 2T20 vs. 2T19 (sem paradas - R$/ton.) Fonte: Suzano

A Suzano vem melhorando consistentemente a sua competividade nos


últimos 12 meses, como podemos ver na imagem da página a seguir.

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Custo Caixa Celulose (sem paradas - R$/ton.) Fonte: Suzano

Portanto, a receita líquida de celulose apresentou um aumento de 28% em


relação ao 2T19, totalizando R$ 6,9 bilhões, em função principalmente da
valorização do USD frente ao BRL e do maior volume vendido, parcialmente
compensado pelo menor preço líquido médio em Dólar. No trimestre, o
negócio de Celulose representou 87% da receita líquida da Suzano.

Em relação ao negócio de Papel, as vendas domésticas tiveram uma


redução de 36% no 2T20 em relação ao 2T19. Essa queda expressiva nas
vendas ocorreu em função das medidas restritivas durante a pandemia.

Fonte: Suzano

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Assim, a receita líquida do negócio de Papel totalizou R$ 1.019 bilhão no
2T20, 16% menor em relação ao 2T19 devido ao menor volume de vendas
e parcialmente compensado por um aumento do preço líquido médio.

Olhando para o EBITDA consolidado ajustado da Suzano, vemos que a


companhia apresentou um sólido crescimento de 38%, puxado pelos
seguintes fatores: (i) Valorização do USD. (ii) Maior volume de celulose
vendido. (iii) Redução do CPV base caixa.

O Resultado Líquido da empresa foi um prejuízo de R$ 2,05 bilhões, contra


um Lucro Líquido de R$ 700 milhões no 2T19. A companhia ressaltou que
esse resultado é decorrente da variação cambial sobre a dívida e do
resultado de operações com derivativos. Além disso, esses efeitos
contábeis da variação cambial na dívida e operações com derivativos só
têm efeito caixa em seus respectivos vencimentos.

Mais uma vez, a Suzano ressaltou em seu relatório que só faz operações
com derivativos exclusivamente com a finalidade de proteção (hedge) e
que nenhuma operação de hedge possui chamada de margem. Essa
política financeira serve para minimizar a volatilidade da geração de caixa
da Suzano e dar maior flexibilidade na gestão do Fluxo de Caixa.

A Suzano apresentou um Fluxo de Caixa Operacional de R$ 3.372 bilhões


no 2T20, aumento de 51% em relação ao reportado no 2T19. Já o Fluxo de
Caixa Livre foi de R$ 1.720 bilhão, expandindo o resultado em comparação
com o R$ 1.449 bilhão relatado no 2T19.

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No final do 2T20, a Dívida Bruta da Suzano foi de R$ 80,6 bilhões, sendo
que 93% dos vencimentos estão voltados para o longo prazo e 7% para o
curto prazo. A posição de caixa e equivalentes era de R$ 12.687 bilhões.
Desse modo, a alavancagem da companhia, medida pela relação Dívida
Líquida/EBITDA ajustado em BRL ficou em 5,6x no final do 2T20, contra 6x
reportados no 1T20.

É importante ressaltar que o CFO da companhia espera reduzir o nível de


alavancagem para 3x a Dívida Líquida/EBITDA até o fim de 2021. Além
disso, o executivo afirmou que a empresa não tem covenants financeiros,
que a obrigariam a manter certos níveis de liquidez, sob pena de sansões.

Os resultados da Suzano continuam sendo favorecidos pela desvalorização


cambial, o que tem auxiliado as margens da empresa e deve continuar
beneficiando a geração de caixa, especialmente porque a companhia deve
otimizar o seu custo caixa de forma contínua nos próximos trimestres.

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A tendência secular para o mercado de celulose permanece razoavelmente
positiva no médio e longo prazo e o crescimento da demanda, liderado
pela Ásia e por outras regiões (exceto Europa e América do Norte), aliado à
ausência de aumento relevante de capacidade no curto e médio prazo,
devem continuar permitindo uma certa estabilidade no preço da celulose.

Apenas o mercado chinês deve expandir a demanda por papel em quase 1


milhão de toneladas/ano. A situação da pandemia traz naturalmente
efeitos negativos no curto prazo em relação à demanda, mas com todas as
incertezas do cenário econômico global, a oferta também tem sido
reduzida e no primeiro semestre já houve a redução de 1,3 milhão de
toneladas, o que ajuda a segurar o preço da celulose.

Quanto às adições de capacidade, o projeto MAPA deve ser concluído no


segundo semestre de 2021, adicionando cerca de 1,5 milhão de
toneladas/ano, enquanto o projeto UPM Uruguay, que adiciona pouco mais
de 2 milhões de toneladas, deve ser finalizado entre 2022 e 2023.

Esses players, no entanto, não têm a competitividade da Suzano e, a


depender da demanda e do crescimento econômico global, podem acabar
reduzindo a produtividade. Por ser o player mais competitivo do mundo
em celulose, os preços mais baixos e a redução da demanda afastam
players menos competitivos do mercado, mas a Suzano continua com uma
forte geração de caixa mesmo neste contexto.

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Vale destacar que, em 2021, a companhia projeta capturar sinergias
adicionais de até R$ 1,2 bilhão, referente ao processo de fusão com a
Fibria, o que representa uma adição de cerca de R$ 400 milhões em
comparação com às projeções anteriores. Para 2021, projetamos um
EV/EBITDA de 8,3 vezes (um dos menores múltiplos dos últimos anos).

Fonte: Factset / elaboração Suno Research

Portanto, seguimos com a recomendação de compra para Suzano e


decidimos reajustar o preço-teto da empresa para R$ 45,00, de forma a
refletir melhor o atual patamar do câmbio em sua capacidade de geração
de caixa. Neste preço, projetamos um EV/EBITDA em torno de 7,5 vezes
em 2021, bem abaixo das médias históricas dos últimos anos.

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Informações coletadas no dia 21.08.2020 / Fonte: Suno Analítica (https://www.sunoresearch.com.br/acoes/eqtl3/)

A Equatorial apresentou bons resultados no 2T20, mesmo inserida em um


cenário extremamente conturbado, em que as perdas com inadimplência
atingiram números bastante elevados. Segundo a Agência Nacional de
Energia Elétrica, as perdas das distribuidoras de energia elétrica (com
aumento da inadimplência) podem chegar a R$ 8,7 bilhões até dezembro.

Ainda segundo a Aneel, deve haver um desequilíbrio econômico das


concessionárias de distribuição e essa pauta dará o tom das discussões da
agência daqui para frente. Portanto, é neste cenário que os resultados da
Equatorial estão inseridos (parcialmente). No entanto, a empresa salientou
que o 2T20 foi o ápice de Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) e a
tendência é que ocorra uma diminuição a partir de agora.

Nesse trimestre, a Equatorial registrou um PDD de R$ 173 milhões através


da soma de suas quatro distribuidoras. Vale destacar que esse nível foi
totalmente atípico e bem acima do verificado historicamente.

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Fonte: Equatorial / elaboração Suno Research

No entanto, operacionalmente e financeiramente, a companhia segue


desempenhando muito bem. As perdas totais no Piauí recuaram pelo
quinto trimestre seguido, encerrando o 2T20 em 22,9%. Em Alagoas, as
perdas tiveram queda pelo terceiro trimestre consecutivo e atingiram 24%,
uma queda de 5,8 p.p. Em relação às operações do Maranhão e do Pará
(muito mais consolidadas dentro do portfólio da companhia), observamos
um valor praticamente flat em relação ao 1T20.

Fonte: Equatorial

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Na operação de transmissão, a companhia já possui o licenciamento
ambiental de instalação de 100% de todos os 8 lotes em desenvolvimento.

Como podemos ver na imagem abaixo, a companhia está na fase avançada


de conclusão das obras e já desembolsou 85% do financiamento
contratado para fazer frente ao avanço físico das SPEs.

Fonte: Equatorial / elaboração Suno Research

O EBITDA ajustado totalizou R$ 857 milhões, patamar 9,1% inferior ao


registrado no 2T19, principalmente por conta do aumento do PDD das
distribuidoras, pela atualização do ativo financeiro e pela renda não
faturada. Vale lembrar que, para a empresa, o 2T20 foi o pico de PDD. Nos
próximos trimestres, é possível que vejamos uma diminuição das provisões.

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Fonte: Equatorial

Segundo a companhia, caso esses efeitos contábeis fossem retirados, o


EBITDA teria crescido 6%, influenciado pela entrada em operação das SPEs
1,2 e 8. No entanto, apesar do resultado operacional levemente inferior no
período, do lado positivo, houve um resultado financeiro favorável à
companhia, uma vez que ele atingiu R$ 67 milhões negativos no 2T20,
contra R$ 142 milhões também negativos no 2T19.

A melhora do resultado financeiro foi responsável pelo crescimento do


Lucro Líquido da Equatorial, que totalizou R$ 406 milhões no trimestre.

No entanto, se ajustarmos pelos efeitos não recorrentes do trimestre, o


Lucro Líquido reportado seria de R$ 387 milhões, um aumento de 22,5%
em relação ao 2T19.

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Em relação aos investimentos realizados, a Equatorial informou que fez um
aporte total de R$ 601 milhões no 2T20, praticamente metade dos R$ 1,27
bilhão investidos no 2T19. Essa redução se deve à menor necessidade de
investimentos nos projetos de transmissão da companhia, que estão em
processo avançado de conclusão.

Como podemos ver na imagem abaixo, desde 2017, a companhia investiu


aproximadamente R$ 4,5 bilhões em seus projetos de transmissão. Sem
dúvida, esses investimentos tornarão a Equatorial um dos principais players
do segmento de transmissão no país.

Fonte: Equatorial

A Equatorial também salientou que os menores investimentos em


distribuição ocorreram em função da pandemia do coronavírus.

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A Dívida Bruta da Equatorial atingiu R$ 18,3 bilhões no final do 2T20,
aumentando apenas 1,8% em relação ao trimestre anterior. A Dívida
Líquida consolidada totalizou R$ 10,9 bilhões no 2T20, com uma relação
Dívida Líquida/EBITDA de 2,3x (contra 3,6x do 2T19), patamar considerado
equilibrado, tendo em vista o setor de atuação da companhia.

A queda da alavancagem em relação a 2019 se deve à forte geração de


caixa das operações e menores necessidades de investimento da empresa
no período. Para a Equatorial, é essencial a manutenção da alavancagem
em níveis mais baixos, uma vez que isso a deixará preparada para eventuais
leilões e investimentos relevantes a serem feitos nos próximos anos.

Além disso, a empresa informou que tem uma sólida posição de caixa e
capacidade financeira de realizar amortizações em seu endividamento por
um tempo superior a dois anos.

Fonte: Equatorial

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Continuamos confiantes com o modelo de negócio da Equatorial e
acreditamos que ela continuará entregando crescimento em seus
resultados, pois permanece atenta às oportunidades que estão surgindo.

Uma das possíveis vertentes de crescimento pode ser a participação da


companhia no processo de desestatização da Casal, companhia de
saneamento de Alagoas. Segundo afirmou o CEO da empresa em
teleconferência de resultados:

“É um segmento que despertou o nosso interesse. Estamos


buscando alinhar vetores para entrar neste segmento”.

Para a Equatorial, existem similaridades e sinergias entre as operações da


Casal e Equatorial Alagoas (distribuidora de energia elétrica da companhia).

Desse modo, esperamos que a companhia continue apresentando uma


boa performance e ressaltamos a nossa recomendação de compra para o
ativo, ao preço-teto de R$ 24,00.

Plantão de Dúvidas
Envie suas dúvidas referentes a este relatório. Elas serão respondidas em uma live especial!
Acesse: https://sunoresearch.typeform.com/to/o490bk

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CARTEIRA RECOMENDADA VALOR

Preço de entrada
Ranking Suno Ticker Início Alocação Preço atual Preço-teto Recomendação Variação
ajustado*

1 ALUP11 05/01/2018 5% R$ 24,11 R$ 31,00 R$ 17,05 Comprar 41,41%

2 MYPK3 11/10/2019 5% R$ 12,24 R$ 21,00 R$ 18,54 Comprar -31,00%

3 ITSA4 18/08/2017 10% R$ 9,71 R$ 12,00 R$ 7,18 Comprar 35,24%

4 EQTL3 19/06/2020 5% R$ 23,38 R$ 24,00 R$ 22,29 Comprar 5,55%

5 RLOG3 26/07/2019 5% R$ 20,85 R$ 23,00 R$ 18,65 Comprar 11,80%

6 MDIA3 07/06/2019 5% R$ 37,30 R$ 40,00 R$ 37,52 Comprar -0,59%

7 SULA11 18/08/2017 10% R$ 46,16 R$ 48,00 R$ 16,33 Comprar 182,67%

8 CVCB3 22/11/2019 5% R$ 20,00 R$ 30,00 R$ 41,49 Comprar -48,77%

9 GEPA4 18/08/2017 10% R$ 48,10 R$ 50,00 R$ 32,08 Comprar 49,94%

10 CGRA4 18/08/2017 10% R$ 27,87 R$ 28,00 R$ 21,94 Comprar 27,03%

11 SUZB3 11/01/2019 5% R$ 52,14 R$ 45,00 R$ 38,43 Aguardar 35,68%

12 BPAC11 06/03/2020 5% R$ 82,27 R$ 67,00 R$ 57,62 Aguardar 42,78%

13 BRAP4 10/01/2020 5% R$ 45,67 R$ 43,00 R$ 38,29 Aguardar 19,27%

14 RENT3 03/04/2020 5% R$ 48,81 R$ 42,00 R$ 23,39 Aguardar 109,40%

15 KLBN11 24/05/2019 5% R$ 26,10 R$ 17,00 R$ 14,72 Aguardar 77,31%

16 Renda Fixa 5%

* Informações atualizadas no dia 21.08.2020 às 18h00. Para ver a carteira completa e atualizada, acesse: https://membros.sunoresearch.com.br/carteira-recomendada-valor/

Rentabilidade acumulada até julho de 2020. Fonte: Suno Research / Economatica

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RECOMENDAÇÕES ENCERRADAS *

Ativo Início Preço de entrada** Final Preço de saída Desempenho

WSON33 18/08/2017 R$ 31,65 21/12/2018 R$39,95 26,2%

SQIA3 20/10/2017 R$ 27,01 10/05/2019 R$40,30 49,2%

SMLS3 18/08/2017 R$ 57,52 13/12/2019 R$ 38,50 -33,07

ECOR3 23/02/2018 R$ 9,40 30/08/2019 R$ 12,40 32,0%

HAPV3 18/05/2018 R$ 29,16 10/01/2020 R$ 62,04 112,76%

COCE5 18/08/2017 R$ 46,19 19/06/2020 R$ 57,80 25,13%

B3SA3 01/06/2018 R$ 20,71 29/06/2020 R$ 53,45 158,09%

WATCHLIST **

Ticker Empresa Setor Preço atual (R$) Preço para possível entrada*

CSAN3 Cosan Diversificado R$ 83,36 Abaixo de R$ 55,00

FLRY3 Fleury Saúde R$ 24,98 Abaixo de R$ 17,00

GGBR4 Gerdau Metalúrgica R$ 19,68 Abaixo de R$ 12,50

RAPT4 Randon Bens Industriais R$ 11,47 Abaixo de R$ 7,50

SLCE3 SLC Agrícola Agricultura R$ 24,99 Abaixo de R$ 18,00

VIVA3 Vivara Bens de consumo R$ 22,10 Abaixo de R$ 17,50

*Os preços indicados não representam uma obrigação de recomendação ou indicação de compra, tendo em vista que as variáveis e as premissas podem ser modificadas.

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