Você está na página 1de 93

www.ResumosConcursos.

com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Resumo de Direito Constitucional

Assunto:

DIREITO CONSTITUCIONAL

Autor:

GRAZIELA CARRARO

2
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

DIREITO CONSTITUCIONAL
Conceito: é o ramo do direito público interno que disciplina a organização do Estado, define e
limita a competência de seus poderes, suas atividades e suas relações com os indivíduos, aos
quais atribui e assegura direitos fundamentais de ordem pessoal e social.

Do conceito, inferem-se suas metas:


a) estabelecer a estrutura básica, a organização do Estado (forma do Estado e do Governo, o
regime governamental, os poderes do Estado, etc).
b) resguardar os direitos fundamentais da pessoa humana (não só os individuais, mas
também os direitos sociais).

- Direito Constitucional Positivo ou Particular: é o que tem por objeto o estudo dos
princípios e normas de uma constituição concreta, de um Estado determinado; compreende a
interpretação, sistematização e crítica das normas jurídico-constitucionais desse Estado,
configuradas na constituição vigente, nos seus legados históricos e sua conexão com a realidade
sócio-cultural.
- Direito Constitucional Comparado: é o estudo teórico das normas jurídico-constitucionais
positivas (não necessariamente vigentes) de vários Estados, preocupando-se em destacar as
singularidades e os contrastes entre eles ou entre grupo deles.
- Direito Constitucional Geral: delineia uma série de princípios, de conceitos e de
instituições que se acham em vários direitos positivos ou em grupos deles para classificá-los e
sistematizá-los numa visão unitária; é uma ciência, que visa generalizar os princípios teóricos do
Direito Constitucional particular e, ao mesmo tempo, constatar pontos de contato e independência
do Direito Constitucional Positivo dos vários Estados que adotam formas semelhantes do
Governo.

CONSTITUIÇÃO
É um conjunto de normas, escritas ou costumeiras, que regem a organização política de um
país.

Objeto: estabelecer a estrutura do Estado, a organização de seus órgãos, o modo de


aquisição do poder e a forma de seu exercício, limites de sua atuação, assegurar os direitos e
garantias dos indivíduos, fixar o regime político e disciplinar os fins sócio-econômicos do Estado,
bem como os fundamentos dos direitos econômicos, sociais e culturais.

Elementos: por sua generalidade, revela em sua estrutura normativa as seguintes categorias:
a) elementos orgânicos: que se contêm nas normas que regulam a estrutura do Estado e do
poder; b) limitativos: que se manifestam nas normas que consubstanciam o elenco dos direitos e
garantias fundamentais; limitam a ação dos poderes estatais e dão a tônica do Estado de Direito
(individuais e suas garantias, de nacionalidade, políticos); c) sócio-ideológicos: consubstanciados
nas normas sócio-ideológicas, que revelam a caráter de compromisso das constituições modernas
entre o Estado individualista e o social intervencionista; d) de estabilização constitucional:
consagrados nas normas destinadas a assegurar a solução dos conflitos constitucionais, a defesa
da constituição, do Estado e das instituições democráticas; e) formais de aplicabilidade: são os
que se acham consubstanciados nas normas que estatuem regras de aplicação das constituições,
assim, o preâmbulo, o dispositivo que contém as claúsulas de promulgação e as disposições
transitórias, assim, as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação
imediata.

3
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Podem ter sentido:


a) Sentido Sociológico: Os que vêem o Direito sob esse prisma sociológico distinguem o
instrumento formal, consubstanciado na Constituição, e o instrumento real, consubstanciado na
efetiva detenção e exercício do poder.
b) Sentido Político: A Constituição, segundo esse entender, encontra seu fundamento de
validade, extrai o seu ser, de uma decisão política que a antecede. Não da forma jurídica. Em
dado instante, verifica-se a manifestação de um poder (o constituinte) que decida a respeito da
forma de ser do Estado, de seus alicerces, de sua estrutura básica, de sua conformação
fundamental. Tudo como fruto da decisão política que é tomada em certo momento.
c) Sentido Jurídico: Aí, diz que o jurista não precisa socorrer-se da Sociologia ou da Política
para sustentar a Constituição. A sua sustentação encontra-se no plano jurídico. Buscará suporte
para a Constituição num plano puramente jurídico.

Conteúdo: é variável no espaço e no tempo, integrando a multiplicidade no “uno”das


instituições econômicas, jurídicas, políticas e sociais na unidade múltipla da lei fundamental do
Estado.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
São idéias básicas que devem estar presidindo toda a Constituição.
1. Igualdade: todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (Const., art.
5, I).
2. Legalidade: ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma senão em virtude da
lei (Const., art. 5, II).
3. Irretroatividade: as leis não podem retroagir alcançando o direito adquirido, o ato jurídico
perfeito e a coisa julgada (Const., art. 5, XXXVI).
4. Ampla defesa: aos implicados em algum litígio legal é assegurada a ampla defesa.
5. Isonomia: não deve haver desigualdade entre as unidades que compõe o Estado.

DIVISÃO: A nossa Constituição se divide em nove títulos:


1. DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS: O título estabelece que o Brasil é uma República
Federativa e se define como estado democrático de direito. Aborda então o problema social, cujo
objetivo fundamental é a redução da desigualdade social.
2. DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS: O título vem dividido em cinco capítulos
e especifica em que consiste o direito à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade frente ao
princípio de que todos são iguais perante a lei. Em 34 itens registra os direitos do trabalhador.
3. DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO: O título traça as linhas básicas da FEDERAÇÃO:
UNIÃO, ESTADOS, DISTRITO FEDERAL e MUNICÍPIOS, autônomos, porém com certa
dependência do PODER CENTRAL. Os Estados regem-se por Constituições Estaduais e os
Municípios e o Distrito Federal, por LEI ORGÂNICA.
4. DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES: O título versa sobre os três poderes:
a) PODER LEGISLATIVO: Exercido pelo Congresso Nacional composto pela Câmara dos
Deputados e Senado Federal. O número de deputados é proporcional à população do Estado e o
mandato é de quatro anos. O número de senadores é de três, com mandato de oito anos havendo
revezamento de quatro em quatro anos;
b) PODER EXECUTIVO: É exercido pelo Presidente, auxiliado pelos Ministros de Estado, pelo
Conselho da República e pelo Conselho de Defesa Nacional. Seu mandato é de quatro anos e
pode ser reeleito uma vez;
c) PODER JUDICIÁRIO: É ele que assegura a aplicação das leis que garantem os direitos
individuais. É constituído pelos:
- Tribunais e Juízes dos Estados e Distrito Federal;

4
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

- Tribunais e Juízes Militares;


- Tribunais e Juízes do Trabalho;
- Tribunais e Juízes Eleitorais;
- Tribunais Regionais e Juízes Federais;
- Superior Tribunal de Justiça (STJ);
- Superior Tribunal Federal (STF).
O mais importante é o Tribunal Eleitoral. Sua sede é em Brasília e é composto por onze
Ministros. O Superior Tribunal de Justiça julga o que é conferido pelo item I do artigo 105 da
Constituição. É composto de 33 Ministros. Os Tribunais Regionais Federais julgam as causas em
que a União for interessada.
A JUSTIÇA COMUM é composta pelo TRIBUNAIS DE JUSTIÇA e TRIBUNAIS DE ALÇADA
subordinado ao primeiro. O de ALÇADA julga as causas de até certo limite estabelecido. Seus
juízes são chamados de TOGADOS ou de DIREITO.
A JUSTIÇA ESPECIAL abrange os Tribunais:
a) Militares, que julgam os crimes militares. São o Tribunal Militar com seus juízes e o Superior
Tribunal Militar;
b) Eleitorais que tratam das eleições. Apresentam as Juntas Eleitorais, Tribunais Regionais e
Tribunal Superior Eleitoral;
c) Do Trabalho que possui as Juntas de Conciliação e Julgamento, os Tribunais Regionais do
Trabalho e o Tribunal Superior do Trabalho com sede em Brasília e composto de 17 juízes, sendo
11 togados e 6 classistas não formados em Direito, e que temporariamente atuam, na Justiça do
Trabalho, representando empregados e empregadores.
5. DA DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS: Trata inicialmente do
“estado de defesa” que estabelece em locais determinados a ordem pública e o “estado de sítio”
que toma medidas em que o estado de defesa é ineficaz. Ambos duram até 30 dias e são
decretados pelo Presidente da República. As Forças Armadas são regidas por lei complementar e
as forças policiais encarregadas pela segurança pública estão definidas no artigo 144.
6. DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO: Divide-se em Sistema Tributário e Finanças
Públicas. Vêm especificados no Direito Tributário.
7. DA ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA: Refere-se às atividades econômicas, urbanas,
agrícolas, fundiárias e de consumo. Ressalta a responsabilidade do Estado pelas questões
sociais. Define o que seja empresa brasileira e empresa de capital nacional.
8. DA ORDEM SOCIAL: Trata da ordem social que tem por base a valorização do trabalho
para atingir a justiça social. Refere-se à seguridade social, à educação, à cultura, à ciência e
tecnologia, à família, à criança, ao adolescente, ao idoso, ao índio, ao desporto, ao lazer, à
comunicação e ao ambiente.
9. DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS GERAIS: Abrange os artigos 233 a 245 e fala do
empregador rural, da criação de novos estados, da fiscalização do comércio exterior, da venda de
combustíveis, do plantio de vegetais psicotrópicos e do tráfico de drogas.
Além dos nove títulos referidos a Constituição apresenta o ATO DAS DISPOSIÇÕES
CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS que trata do plebiscito de 7/9/93 que define o sistema de
governo, a revisão constitucional que deveria ter sido feita cinco anos após a promulgação da
Constituição de 5/10/88, a criação do Estado de Tocantis, da extinção dos Territórios Federais, da
defesa do consumidor, da política agrícola, dos ex-combatentes da II Guerra Mundial, da
aposentadoria e outros.

OBS: A Constituição é material quando designa as normas escritas ou costumeiras, inseridas


ou não num documento escrito. A Constituição é formal, quando está sob a forma de um
documento.

5
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

OBS1: A Constituição é dogmática quando é elaborada por um órgão constituinte e é


histórica ou costumeira quando é resultante de lenta formação histórica.

OBS2: O art. 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias estabeleceu a


possibilidade de revisão constitucional após 5 anos contados da promulgação da Constituição.
Portanto, após 5 de outubro de 1993.

CLASSIFICAÇÃO:
a) Quanto à forma: escritas ou costumeiras.
- escritas – são aquelas cujos dispositivos estão reunidos num instrumento. Ex: a
Constituição Brasileira.
- costumeiras – aquelas que vão se formando aos poucos, pela reiterada prática de certos
atos. Ex: a Constituição da Inglaterra.

b) Quanto à consistência: rígidas ou flexíveis.


- rígidas – aquelas que só se alteram mediante processos especiais, caracterizando-se pela
prevalência de seus preceitos aos das leis ordinárias. Ex: a atual Constituição Brasileira.
- flexíveis – aquelas que se alteram mais facilmente, através de processo legislativo
ordinário, e que se caracterizam pela inexistência de qualquer hierarquia entre a Constituição e a
lei ordinária. Ex: o estatuto Albertino, Constituição do Reino da Itália.

c) Quanto à origem: promulgadas ou outorgadas.


- promulgadas – são as elaboradas por uma Assembléia Constituinte, eleita pelo povo
especialmente para esse fim. Ex: a Constituição Brasileira de 1946.
- outorgadas – são as impostas à coletividade por determinada pessoa ou determinado
grupo de pessoas. Ex: a Constituição do Império, de 1824.

INTERPRETAÇÃO
É o processo lógico pelo qual se determina o sentido da lei.

 Sentido Estrito (parte-se da lei existente): em síntese, podemos dizer que há


interpretação, em sentido estrito, quando existe uma norma, prevendo o caso; recorre-se à
integração, quando não existe essa norma explícita.

a) Quanto às fontes:
- autêntica: se emanada do próprio poder que elaborou a norma.
- doutrinária: a que provém dos doutrinadores.
- jurisprudencial: ministrada pelos tribunais, mercê da reiteração uniforme de seus
julgamentos.

b) Quanto aos meios:


- gramatical: se funda nas regras da lingüística, procurando analisar o sentido das palavras e
das frases pela aplicação das regras da linguagem.
- lógica: visa a reconstruir o pensamento e a vontade do legislador, mediante exame da lei
em seu conjunto orgânico, no sistema jurídico em geral, de molde a resultar perfeita harmonia e
coerência.
- histórica: se atém às necessidades jurídicas e emergentes no instante da elaboração da lei,
às circunstâncias eventuais e contingentes que provocam a expedição da norma.

6
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

- sistemática: o intérprete compara a lei com a anterior que regulava a mesma matéria,
confrontando-a com outros textos, de sorte a harmonizá-la com o sistema jurídico.

c) Quanto aos resultados:


- declarativa: quando a letra da lei corresponde precisamente ao pensamento do legislador.
- extensiva: quando se afirma que a fórmula legislativa é menos ampla que a vontade do
legislador.
- restritiva: quando se afirma que a fórmula legislativa é mais ampla que o pensamento do
legislador.

 Integrativa (parte-se da inexistência da lei): o processo com o qual o magistrado recorre


a critério de típica criação do Direito para o caso concreto, à falta de norma jurídica regulando a
espécie.

- analogia: consiste em aplicar a um caso não previsto a norma que rege caso análogo, pois
fatos semelhantes exigem regras disciplinadoras semelhantes.
- eqüidade: do latim aequitate, vem a ser a justiça do caso concreto. Por vezes o juiz se
encontra face a um caso que a lei lhe impõe determinada decisão, quando a consciência lhe dita
uma solução contrária.
- princípios gerais do Direito: são enunciações normativas de valor genérico, que
condicionam e orientam a compreensão do ordenamento jurídico, quer para sua aplicação e
integração, quer para a elaboração de novas normas. Ex: no Direito do Trabalho o princípio
dominante é a proteção ao empregado.

APLICABILIDADE DA NORMA CONSTITUCIONAL


São aplicáveis todas as normas constitucionais, pois todas são dotadas de eficácia jurídica.
Eficácia social se verifica na hipótese de a norma vigente, isto é, com potencialidade para
regular determinadas relações, ser efetivamente aplicada a casos concretos. Eficácia jurídica, por
sua vez, significa que a norma está apta a produzir efeitos na ocorrência de relações concretas;
mas já produz efeitos jurídicos na medida em que a sua simples edição resulta na revogação de
todas as normas anteriores que com ela conflitam. Embora não aplicada a casos concretos, é
aplicável juridicamente no sentido negativo antes apontado. Isto é: retira a eficácia da
normatividade anterior. É eficaz juridicamente, embora não tenha sido aplicada concretamente.
Normas constitucionais quanto à sua eficácia:
a) Normas constitucionais de eficácia plena: são aquelas de aplicabilidade imediata, direta,
integral, independendo de legislação posterior para a sua inteira operatividade. Ex: arts. 1º e 2º da
CF.
b) Normas constitucionais de eficácia contida: são aquelas de aplicabilidade imediata, integral,
plena, mas que podem ter reduzido seu alcance pela atividade do legislador infraconstitucional.
São também chamadas normas constitucionais de eficácia redutível ou restringível. A
aplicabilidade é plena, mas pode ser restringida, reduzida, nos casos e na forma que a lei
estabelecer. Ex: art. 5º, XIII da CF.
c) Normas constitucionais de eficácia limitada: são aquelas que dependem “da emissão de
uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrando-lhes a eficácia, mediante lei
ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses
visados”.
São divididas em normas de princípio institutivo e normas de princípio programático. As
primeiras são as que dependem de lei para dar corpo a instituições, pessoas, órgão, previstos na
norma constitucional. Ex: art. 18, § 3º, da CF. As últimas (programáticas) são as que estabelecem

7
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

um programa constitucional a ser desenvolvido mediante legislação integrativa da vontade


constituinte. Ex: art. 205.
São normas dotadas de eficácia jurídica porque têm o efeito de impedir que o legislador
comum edite normas em sentido oposto ao direito assegurado pelo constituinte, antes mesmo da
possível legislação integrativa que lhes dê plena aplicabilidade.
É interessante notar que as normas constitucionais de eficácia limitada de princípio
programático trazem consigo, algumas, a idéia de instituição.
Com efeito, não se pode pensar em educação senão mediante a instituição, a organização, a
formação de organismos ou órgãos que realizem tais misteres.

PODER CONSTITUINTE
É aquele que tem por missão traçar as regras jurídicas fundamentais da nação, através da
Constituição. Compete a esse poder dar um novo ordenamento jurídico-institucional ao país. É
formado por representantes do povo, especialmente eleitos para editar uma nova Constituição, ou
através da investidura de Poder Constituinte pleno nos deputados federais e senadores
escolhidos pelo sufrágio do povo. Votada a Constituição, extingue-se o Poder Constituinte, ficando
como seu remanescente o Poder Legislativo ordinário, que pode propor emendas à Constituição,
segundo condições nela previstas.
O Poder Constituinte será originário (quando edita Constituição nova em substituição à
anterior) ou derivado (quando se destina à revisão da Constituição, modificando parcialmente o
seu texto). O primeiro é original, na medida em que pertence ao povo e à Assembléia Constituinte,
o segundo é derivado, porque constituído por determinação do primeiro e pertencente ao
Congresso Nacional.

EMENDA À CONSTITUIÇÃO

Emenda é o processo formal de mudanças das constituições rígidas, por meio de atuação de
certos órgãos, mediante determinadas formalidades, estabelecidas nas próprias constituições
para o exercício do poder reformador; é a modificação de certos pontos, cuja estabilidade o
legislador constituinte não considerou tão grande como outros mais valiosos, se bem que
submetida a obstáculos e formalidades mais difíceis que os exigidos para a alteração das leis
ordinárias; é o único sistema de mudança formal da Constituição.
O Congresso Nacional é quem elabora emendas à Constituição. Localizamos três litações
condicionadoras: procedimental, material e circunstancial.
O procedimento de elaboração de Emenda à Constituição obedece aos seguintes
pressupostos: a) a iniciativa é conferida ao Presidente da República ou a um terço de deputados
federais, ou a um terço de senadores e, ainda, por proposta de mais da metade das Assembléias
Legislativas estaduais (art. 60); b) a proposta é discutida e votada em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois momentos distintos (chamados turnos de votação); discutida e aprovada em um
turno, volta a sê-lo em outro turno de discussão e votação (art. 60, § 2º); c) sua aprovação
demanda 3/5 dos membros de cada uma das Casas do Congresso Nacional (art. 60, § 2º); d) não
há sanção; há promulgação efetivada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal (art. 60, § 3º).
Este procedimento deve ser rigorosamente obedecido, sob pena de inconstitucionalidade em
razão de desobediência à forma.
Há condicionantes relativos ao conteúdo, à matéria. São explícitas as que impedem a
alteração da Federação; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; os
direitos e garantias individuais. Não se permite nem mesmo a deliberação sobre proposta e
emenda tendente a aboli-las. “Na verdade, qualquer proposta que indiretamente, remotamente ou
por conseqüência tenda a abolir a Federação é igualmente proibida, inviável e insuscetível de
sequer ser posta como objeto de deliberação.” São implícitas as vedações atinentes à supressão

8
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

do próprio artigo que impõe expressamente aquelas proibições. Não teria sentido emenda que
suprimisse o disposto no § 4º do art. 60 da CF. Outra vedação implícita é a impediente de reforma
constitucional que reduza as competências dos Estados Federados.
Também se veda, implicitamente, alteração constitucional que permita a perpetuidade de
mandatos, dado que a temporariedade daqueles é assento do princípio republicano. Outro é que
não pode o órgão a quem se atribui a competência reformadora modificar o critério de rigidez
estabelecido pelo legislador constituinte.
Há também as limitações circunstanciais onde, desde 1934 estatui-se um tipo de limitação ao
poder de reforma, qual seja a de que não se procederá à reforma na vigência do estado de sítio; a
CF vigente veda emendas na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou estado de
sítio (art. 60, § 1º).

Controle de constitucionalidade da reforma constitucional: toda modificação, feita com


desrespeito de procedimento especial estabelecido ou de preceito que não possa ser objeto de
emenda, padecerá de vício de inconstitucionalidade formal ou material, e assim ficará sujeita ao
controle de constitucionalidade pelo Judiciário, tal como se dá com as leis ordinárias.
OBS: - consultar art. 60 da CF.

HIERARQUIA DAS NORMAS JURÍDICAS


Constituição Federal  leis complementares à Constituição Federal  leis Federais 
Constituição Estadual  leis complementares à Constituição Estadual  leis Estaduais  leis
Municipais.
A Constituição Federal está no alto da hierarquia legislativa. Entretanto, cada uma das
pessoas jurídicas de direito público interno é competente e tem legitimidade para legislar sobre
determinadas matérias – as matérias de seu domínio privativo de competência. É o que ocorre,
p.e., com a questão dos transportes coletivos urbanos, reservada à competência dos municípios
pela Constituição Federal (art..30, V), que não pode sofrer interferência de qualquer outra lei, seja
federal ou estadual.

SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO

Rigidez e supremacia constitucional: A rigidez decorre da maior dificuldade para sua


modificação do que as demais; dela emana o princípio da supremacia da constituição, colocando-
a no vértice do sistema jurídico.

Supremacia da Constituição Federal: por ser rígida, toda autoridade só nela encontra
fundamento e só ela confere poderes e competências governamentais; exerce, suas atribuições
nos termos dela; sendo que todas as normas que integram a ordenação jurídica nacional só serão
válidas se se conformarem com as normas constitucionais federais.

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS


Toda lei deve ser conforme aos preceitos da Constituição, se é contra, diz-se que é
inconstitucional, tem um vício que a anula e deve ser declarada tal pelo poder competente, que é
o Judiciário. O efeito da inconstitucionalidade é, portanto, a não aplicação da lei ao caso concreto.
Formas:
- Por ação: ocorre com a produção de atos legislativos ou administrativos que contrariem
normas ou princípios da constituição; seu fundamento resulta da compatibilidade vertical das
normas (as inferiores só valem se compatíveis com as superiores); essa incompatibilidade é que
se chama de inconstitucionalidades da lei ou dos atos do Poder Público; - Por omissão: verifica-
se nos casos em que não sejam praticados atos requeridos para tornar plenamente aplicáveis
normas constitucionais; não realizado um direito por omissão do legislador, caracteriza-se como

9
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

inconstitucional; pressuposto para a propositura de uma ação de inconstitucionalidade por


omissão.

Sistema de controle de constitucionalidade: se estabelece, tecnicamente, para defender a


supremacia constitucional contra as inconstitucionalidades.
- Controle político: entrega a verificação de inconstitucionalidade a órgãos de natureza
política; - Jurisdicional: é a faculdade qua as constituições outorga ao Judiciário de declarar a
insconstitucionalidade de lei ou outros atos de Poder Público; Misto: realiza-se quando a
constituição submete certas categorias de lei ao controle político e outras ao controle jurisdicional.

Critérios e modos de exercício do controle jurisdicional: são conhecidos dois critérios de


controle: Controle difuso: verifica-se quando se reconhece o seu exercício a todos os
componentes do Judiciário, é aquele realizado pelo juiz incidentalmente no processo; controle
concentrado: se só for deferido ao tribunal de cúpula do Judiciário; subordina-se ao princípio geral
de que não há juízo sem autor, rigorosamente seguido no sistema brasileiro, como na maioria que
possui controle difuso. controle misto: realiza-se quando a Constituição submete certas categorias
de leis ao controle político e outras ao controle jurisdicional. Ex: Suíça.

Sistema brasileiro de controle de constitucionalidade: é jurisdicional introduzido com a


Constituição de 1891, acolhendo o controle difuso por via de exceção ( cabe ao demandado argüir
a inconstitucionalidade, apresentando sua defesa num caso concreto), perdurando até a vigente;
em vista da atual constituição, temos a inconstitucionalidade por ação ou omissão; o controle é
jurisdicional, combinando os critérios difuso e concentrado, este de competência do STF; portanto,
temos o exercício do controle por via de exceção e por ação direta de insconstitucionalidade e
ainda a ação declaratória de constitucionalidade; a ação direta de inconstitucionalidade
compreende três modalidades: Interventiva, genérica e a supridora de omissão. A constituição
mantém a regra segundo a qual somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos
membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a insconstitucionalidade de
lei ou ato normativo do Poder Público. (art. 97)

Efeitos da declaração de inconstitucionalidade: a declaração de insconstitucionalidade, na


via indireta, não anula a lei nem a revoga; teoricamente a lei continua em vigor, eficaz e aplicável,
até que o Senado Federal suspenda sua executoriedade (art. 52, X). A declaração na via direta
tem efeito diverso, importa suprimir a eficácia e aplicabilidade da lei ou ato; distinções a seguir:

- Qual a eficácia da sentença que decide a inconstitucionalidade na via de exceção: há a


simples verificação da existência ou do vício alegado; a sentença é declaratória; no entanto a lei
contínua eficaz e aplicável, até que seja suspensa sua executoriedade pelo Senado; ato que não
revoga nem anula a lei, apenas lhe retira a eficácia.

- Qual a eficácia da sentença proferida no processo de ação direta de inconstitucionalidade


genérica?: a declaração de insconstitucionalidade em tese visa precisamente atingir o efeito
imediato de retirar a aplicabilidade da lei, a execução não acontece sob pena de arrostar a
eficácia da coisa julgada.

- Efeito da sentença proferida no processo de ação de inconstitucionalidade interventiva:


visa não apenas obter a declaração de inconstitucionalidade, mas também restabelecer a ordem
constitucional no Estado, ou Município, mediante a intervenção.

10
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

- Efeito da declaração de inconstitucionalidade por omissão: o efeito está no art. 103, § 2º


da Constituição, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências
necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em 30 dias.

AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE

É uma ação que tem a característica de um meio paralisante de debates em torno de


questões jurídicas fundamentais de interesse coletivo; terá como pressuposto fático a existência
de decisões de constitucionalidade, em processos concretos, contrárias à posição governamental;
seu exercício gera um processo constitucional contencioso, de fato, porque visa desfazer decisões
proferidas entre as partes, mediante sua propositura por uma delas; tem natureza de meio de
impugnação antes que de ação, com o mesmo objeto das contestações, sustentando a
constitucionalidade da lei ou ato normativo.
(v. art. 103, CF)

Finalidade o objeto da ação declaratória de constitucionalidade: essa ação pressupõe


controvérsia a respeito da constitucionalidade da lei, o que é aferido diante da existência de um
grande número de ações onde a constitucionalidade da lei é impugnada, sua finalidade imediata
consiste na rápida solução dessas pendências; visa solucionar isso, por via de coisa julgada
vinculante, que declara ou não a constitucionalidade da lei.
O objeto da ação é a verificação da constitucionalidade da lei ou ato normativo federal
impugnado em processos concretos; não tem por objeto a verificação da constitucionalidade de lei
ou ato estadual ou municipal, não há previsão dessa possibilidade.

Legitimação e competência para a ação: segundo o art. 103,§ 4º, poderão propô-la o
Presidente da República, a Mesa do Senado Federal, a Mesa da Câmara dos Deputados e o
Procurador-Geral da República, e o STF já decidiu que não cabe a intervenção do Advogado-
Geral da União no processo dessa ação.
A competência para processar e julgar a ação declaratória de constitucionalidade é
exclusivamente do STF.

Efeitos da decisão da ação declaratória de constitucionalidade: segundo a art. 102, § 2º,


as decisões definitivas de mérito nessas ações, produzirão eficácia contra todos e efeito
vinculante aos demais órgãos do Judiciário e do Executivo; terá efeito erga omnes, se estendendo
a todos os feitos em andamento, paralisando-os com o desfazimento dos efeitos das decisões
neles proferidas no primeiro caso ou a confirmação desses efeitos no segundo caso; o ato, dali
por diante, é constitucional, sem possibilidade de qualquer outra declaração em contrário; pelo
efeito vinculante à função jurisdicional dos demais órgãos do Judiciário, nenhum juízo ou Tribunal
poderá conhecer de ação ou processo em que se postule uma decisão contrária à declaração
emitida no processo de ação declaratória de constitucionalidade pelo STF nem produzir
validamente ato normativo em sentido contrário àquela decisão.

ESTADO E NAÇÃO
Estado: é a pessoa jurídica formada por uma sociedade que vive num determinado território e
subordinada a uma autoridade soberana. É o conjunto de poderes políticos e administrativos de
uma nação.
Nação: agrupamento humano cujos membros, fixados em um território, são ligados por laços
históricos, culturais, econômicos e lingüísticos.

FINALIDADES DO ESTADO

11
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

- no plano externo – defender sua independência e o território nacional


- no plano interno – manter a ordem pública, dizer o direito e distribuir justiça.
- no plano social – promover o bem público.

ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO


a) Povo: é o conjunto dos nacionais. Não se confunde com população, que exprime um
conceito aritmético, de caráter quantitativo, compreendendo tanto os nacionais como ainda os
estrangeiros e apátridas.
b) Território: é a parte delimitada da superfície terrestre, sobre a qual vigora a ordem jurídica
do Estado. Compreende o subsolo, o espaço aéreo correspondente à superfície (12 milhas
marítimas – Divisão: A nossa Constituição lei 8.617, de 04.01.1993). O alto-mar é de uso
comum, pois Estado algum tem jurisdição sobre ele. Ainda se consideram território nacional os
navios e aviões de guerra, navios e aviões de passageiros ou carga (quando no mar territorial do
Estado ou em alto-mar), sede das embaixadas e repartições diplomáticas.
c) Poder soberano: É o poder que tem o Governo de efetivar a sua ordem jurídica, sem
qualquer subordinação a outra ordem.

FORMAS DE ESTADO
a) Estado simples ou unitário:
É o formado por um todo indivisível e soberano perante o povo e também em relação aos
outros estados (no sentido de País ou Nação), diante dos quais mantém a sua independência.
Nele, o governo nacional assume a direção exclusiva de todos os negócios públicos. Não é
divisível internamente em partes que mereçam o nome de Estado. Somente existe um Poder
Executivo, um Poder Legislativo e um Poder Judiciário, todos centrais, com sede na capital. Todas
as autoridades executivas ou judiciárias que existem no território são delegações do Poder
Central, tiram dele sua força. É ele que as nomeia e lhes fixa as atribuições. O Poder Legislativo
de um Estado Simples é único, nenhum outro órgão existindo com atribuições de fazer leis nesta
ou naquela parte do território. Exemplos: França, Espanha, Itália e Portugal.
b) Estado composto:
Os Estados Compostos, como a própria expressão indica, são aqueles formados por dois ou
mais Estados que se unem por motivos diversos.
Conhecem-se duas espécies de Estados Compostos: a Federação e a Confederação.
Federação – é formada pela união de várias unidades territoriais (Estados-membros), que
perdem a soberania em favor da União Federal. Exemplos: Brasil, EUA, Canadá, Índia, Argentina,
México, etc.
Confederação – é formada por Estados soberanos, com base em tratados internacionais,
tendo por objetivo defender o território e assegurar a paz interior, além de outras finalidades que
podem ser pactuadas.
Por resultar de tratados internacionais, têm as confederações vida passageira, já que cada
Estado dela pode retirar-se a qualquer momento.
Concluindo: na federação os estados-membros estão unidos não por um tratado, mas por uma
Constituição, de modo que o Estado Federal é regulado pelo Direito Constitucional. Na
confederação os Estados estão ligados por um tratado internacional, do domínio do Direito
Internacional.

FORMAS DE GOVERNO
O governo, representa um dos elementos essenciais do estado. Vem a ser o conjunto de
funções por meio das quais o Estado realiza os seus objetivos.
1. Antiga
Legítimas – tem o bem geral como meta a ser alcançada.

12
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

- monarquia: governo de um só.


- aristocracia: governo de uma classe.
- democracia: governo de todos, do povo.
Ilegítimas – o bem da coletividade figura em plano secundário.
- tirania: governo sem lei.
- oligarquia: governo de uma minoria poderosa.
- demagogia: governo com predomínio de facções populares.

2. Moderna
Monarquia – de acordo com a limitação dos poderes do rei.
- absoluta: condenada pelos povos civilizados.
- limitada: plenamente aceita, a constituição delimita o poder do soberano. Ex: Inglaterra,
Bélgica.
República
- parlamentar: o governo é exercido por um conselho de ministros chefiado pelo Primeiro-
Ministro.
- presidencial: o governo é exercido pelo presidente da República, auxiliado pelos ministros,
escolhidos livremente por ele.
- colegiada: o governo é exercido por um grupo de pessoas.

DEMOCRACIA
Conceito: é a forma de governo em que se reconhece que o poder emana do povo e em seu
nome é exercido, repelindo o predomínio de classes ou grupos.
Valores fundamentais: a liberdade, isto é; liberdade social, o direito de cada um fazer tudo o
que não prejudique a liberdade dos outros; a igualdade, onde a lei deve ser a mesma para todos,
quer quando protege, quer quando pune.
Pressuposto e condições da democracia:
- social – difusão da cultura, para que o indivíduo julgue o que lhe pareça melhor.
- econômico – para que o indivíduo tenha lazer e instrução e não se preocupe só com o pão
de cada dia.
- informação abundante – para se evitar a doutrinação.
- amplas liberdades públicas – para que haja livre participação nos assuntos de interesse
do povo.
- sistema de partidos – a fim de que o povo seja orientado no que diz respeito a solução dos
problemas do estado, e tenha um mecanismo que receba e transmita sua vontade.

AS FORMAS DE DEMOCRACIA
a) Direta: é aquela em que as decisões são tomadas diretamente pelos cidadãos em
assembléias.
b) Indireta: é aquela onde o povo governa por intermédio de representantes, daí ser ela
conhecida como democracia representativa.
c) Semidireta: trata-se de uma aproximação da democracia direta, porque o povo, embora
não se governando diretamente, tem o poder de intervir, às vezes, em certas decisões. Em geral,
essa participação se dá pela iniciativa popular (quando determinado número de eleitores se
manifesta pela necessidade de uma certa lei, o Parlamento fica juridicamente obrigado a discuti-la
e votá-la), pelo referendum (consiste em que a lei, depois de elaborada, somente se torna
obrigatória quando o corpo eleitoral, expressamente convocado, a aprova) e pelo veto popular
(pressupõe uma lei já feita, e que é repudiada por certo número de cidadãos.).

13
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

REGIMES DE GOVERNO
a) Presidencialismo – Juridicamente, o presidencialismo se caracteriza, em primeiro lugar,
por ser um regime de separação de poderes (executivo, legislativo e judiciário), harmônicos e
independentes. Em segundo lugar, por conferir a chefia do estado e do governo a um órgão
unipessoal, a Presidência da República, certo que os chefes dos grandes departamentos da
administração são meros auxiliares do Presidente, que os escolhe e demite quando bem entende.
Exemplo: Brasil, EUA, etc.
Características:
 O chefe de Estado (o representante da nação) e o chefe de governo (chefe do Poder
Executivo) confundem-se na mesma pessoa. Não é obrigatório que tenha maioria no Congresso.
 O Executivo é poder completamente autônomo com relação ao Legislativo.
 A duração dos mandatos é fixa.
 O presidente é legitimado pela votação direta do povo.
 O presidente pode vetar leis aprovadas pelo Legislativo.
 Os ministros são meros auxiliares do presidente e só responsáveis perante ele.

b) Parlamentarismo – Também é um regime de divisão de poderes (legislativo, executivo e


judiciário), mas o executivo e legislativo são interdependentes, pois o governo depende para
manter-se no poder do apoio da maioria parlamentar. Em segundo lugar, o executivo tem
estrutura dualista. O rei, ou Presidente da República, é o chefe de Estado, com funções de
representação, de cerimonial, enquanto o governo é exercido por um órgão coletivo, o conselho
de ministros ou gabinete, à testa do qual está um chefe, o primeiro-ministro, verdadeiro chefe de
governo. O Parlamento tem poderes de aprovar o Conselho ou Gabinete, ou de o desfazer se
obtiver um voto de desconfiança. Exemplo: Inglaterra, Itália, França, etc.
Características:
 O chefe de Estado é o presidente (ou o rei, nas monarquias) e o chefe de governo é o
primeiro-ministro.
 O Poder Executivo depende da confiança do Legislativo.
 A duração dos mandatos é flexível. O Legislativo pode depor o gabinete, mediante votação
de moção de censura. Em contrapartida, o presidente pode dissolver o Parlamento, em casos de
impasse.
 O regime é essencialmente representativo. Vale menos a legitimação direta pelo povo que
as composições políticas obtidas no Parlamento.

c) Governo de assembléia – Caracteriza-se pela inseparabilidade dos poderes, com exceção


do Judiciário. Este é independente e especializado. Todavia, as decisões sobre a elaboração das
leis e sua aplicação estão concentradas nas mãos do mesmo órgão, no caso, a Assembléia. O
único exemplo conhecido é o da Suíça.

EVOLUÇÃO CONSTITUCIONAL DO BRASIL – CONSTITUIÇÕES DO BRASIL


O Brasil teve oito Constituições. Destas, quatro foram de outorga (Constituições de 1824,
1937, 1967 e 1969).
Foram impostas pelo chefe de Estado.
As outras quatro (Constituições de 1891, 1934, 1946 e 1988) resultaram de um processo
democrático, sendo votadas e promulgadas por Asembléias Constituintes.

Constituição de 1824
Outorgada pelo Imperador D. Pedro I. É a primeira Constituição do Brasil. Permaneceu mais
tempo em vigor.

14
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

- Forma de Governo: monarquia constitucional.


- Estado Unitário: sem autonomia para as províncias.
- Quatro poderes: Moderador, Executivo, Legislativo e Judiciário.

Constituição de 1891
Votada.
1ª Constituição do Brasil Republicano.
- Forma de Governo: República Federalista.
- Três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Constituição de 1934
Votada.
- Mantém a Federação, mas limita a autonomia dos Estados-Membros.
- Estabelece leis econômicas e sociais.

Constituição de 1937
Outorgada por Getúlio Vargas.
Constituição do Estado Novo.
- Fortalece o poder do Executivo Federal. Os Estados-Membros são governados por
interventores nomeados pelo Presidente da República. Instituiu a legislação trabalhista.

Constituição de 1946
Votada.
- Legaliza o pluralismo. Proclama os direitos humanos.
- Restaura o federalismo: autonomia aos Estados-Membros.

Constituição de 1967
Outorgada pelo Marechal Castelo Branco, embora formalmente votada pelo Congresso
Nacional.
- Tem em vista as exigências do Movimento Militar de 1964.
- Diligencia a centralização dos poderes no Executivo Federal.
- Institui as eleições indiretas para Presidente da República pelo Colégio Eleitoral.

Constituição de 1969
Outorgada por três Ministros Militares, considerada uma emenda à Carta de 1967.
- Promoveu uma maior centralização do poder político nas mãos do Executivo Federal.
- Comprometeu o Federalismo, privilegiando a União em detrimento dos Estados-Membros e
Municípios.

Constituição de 1988
Votada.
- Institui o Estado Democrático de Direito, limitando o poder do Estado ao cumprimento das
leis que a todos subordinam.
- Assegura a livre participação dos cidadãos, vida política e o pluripartidarismo.
- Fortalece o federalismo, conferindo maior autonomia aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios.
- Afasta as instituições autoritárias legadas pelo regime militar.

15
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
a) O Brasil é uma República: o País é dirigido por um Presidente, eleito por período certo (4
anos), com possibilidade de apenas uma reeleição. O Poder é exercido por três órgãos distintos,
com funções especificadas: o Legislativo, que é incumbido de fazer as leis; o Executivo, a quem
cabe a administração do País; e o Judiciário, encarregadode aplicar as leis aos casos concretos.
b) O Brasil é uma Federação: temos a União que abrange todo o território nacional, os
Estados-membros, que são circunscrições regionais e os Municípios, que constituem divisões dos
Estados-Membros. Devemos considerar ainda, o Distrito Federal, que é a capital da União, e que,
como as demais entidades estatais, desfruta de autonomia em sentido amplo.
(ver anexo 2)
c) O Brasil é um Estado Democrático de Direito: vale dizer, admite o pressuposto de que o
poder emana do povo e em seu nome é exercido (art. 1º, parágrafo único, CF), refletindo as
propostas democráticas de exercício do poder, no regime democrático da representatividade
popular, mediante a eletividade dos governantes, e, em alguns casos, através da participação
direta.
(ver anexo 1)

DIVISÃO ESPACIAL DO PODER

ESTADO FEDERAL – CONCEITOS:


Legislador Ordinário: nível constitucional
Legislador Constituinte: nível infraconstitucional
Centralização Administrativa: tem-se um só centro titular das prerrogativas, competências e
deveres públicos de natureza administrativa.
Descentralização Administrativa: têm-se vários centros senhores de tais prerrogativas,
competências e deveres.
Centralização Política: um único centro tem capacidade legislativa.
Descentralização Política: vários núcleos têm tal capacidade.
Dizemos que o Estado é unitário. Face à descentralização política temos outro Estado ? Não,
a descentralização política não é suficiente para mudar a fisionomia do Estado unitário. O poder
central atribui capacidade legislativa aos diferentes territórios, mas ainda é um Estado unitário, só
que fortemente descentralizado.
Soberania: é fenômeno ligado à idéia de “poder”, de autoridade suprema. O Estado é uma
unidade jurídica. Fornece-a a soberania.
Autonomia: jurídica, quando são capazes de inovar a ordem jurídica sobre aquela matéria –
grau máximo de autonomia. Administrativa, o novo centro pode apenas executar o estabelecido
por outro núcleo – grau mínimo de autonomia.
Em síntese: a descentralização política fixada na Constituição é fator indicativo da existência
de Estado Federal. O Estado Federal também provém da participação das vontades parciais na
vontade geral, representada pelo Senado Federal.
Câmara dos Deputados: são os representantes do povo e tem sua representação vinculada
ao critério populacional, ou ao do número de eleitores.
Senado Federal: cada unidade da federação elege o mesmo número de representantes. Os
membros dessa casa participam do processo de elaboração das leis (decisões da federação para
o todo estatal).
Outra característica importantíssima é a circunstância de os Estados-membros se auto-
organizarem por meio de Constituições próprias. Sobre os negócios locais há texto legal supremo
no Estado (a Constituição Estadual) ao qual deve prestar obediência a legislação ordinária.
Três notas são essenciais à caracterização federal:

16
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

a) descentralização política fixada na Constituição (ou, então, repartição constitucional de


competências);
b) participação da vontade das ordens jurídicas parciais na vontade criadora da ordem jurídica
nacional; e
c) possibilidade de autoconstituição; existência de Constituições locais.
Dois requisitos para a manutenção dos Estados:
a) a rigidez constitucional.
b) a existência de um órgão constitucional incumbido do controle da constitucionalidade das
leis – o Poder Judiciário.
A Confederação surge de convênio entre Estados soberanos que não abdicam de sua
soberania. A Federação leva os Estados contratantes a abrirem mão da soberania que lhes é
peculiar. Entregam seu exercício à União. Despojam-se da soberania, mas conservam a
autonomia política.

A Federação Brasileira
Elementos tipificadores:
a) descentralização política ou repartição constitucional de competências.
Competências expressas e enumeradas: União.
Residuais ou Remanescentes: Estados.
ver arts. 21, 22, 25 § 1º, 30 ( I a IX ) da CF e arts. 153, 154 ( I e II ), 155 da CF (competências
para tributos).
b) participação da vontade dos Estados (ordens jurídicas parciais) na vontade nacional (ordem
jurídica central) – ver arts. 45 e 46.
c) possibilidade da autoconstituição – ver art. 25.
Elementos mantenedores da Federação:
a) Rigidez constitucional – ver arts. 59, 60 e 61.
b) A existência de um órgão constitucional incumbido do controle de constitucionalidade das
leis.
O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Carta Magna (art. 102).

Origem da Federação
Entende-se como federal o Estado em que a Constituição repartia as competências entre
pessoas distintas (União e Estados ou Províncias), mantendo, estas, representantes no órgão
legislativo nacional (Senado Federal).

A UNIÃO
A União é a pessoa jurídica de capacidade política e só cogitável em Estado do tipo federal. É
fruto da união de Estados. Da aliança destes, sob o império de uma única Constituição, nasce a
União – art. 1º da CF.

Competências da União
a) expressas e enumeradas.
b) expressas, não enumeradas.
c) residual.
d) em comum (com Estados, Municípios e Distrito Federal).
e) concorrente (com Estados e Distrito Federal).
ver arts. 21, 22, 23, 24, 153 e 154 da CF.

17
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

A União, por si e em nome da Federação


A União age em nome próprio como em nome da Federação. Ora se manifesta por si, como
pessoa jurídica de capacidade política, ora em nome do Estado Federal.
Isso ocorre no plano interno como no internacional.
No plano interno, revela a vontade da Federação quando edita leis nacionais e demonstra a
sua vontade (da União) quando edita leis federais.
No plano internacional, representa a Federação quando mantém relações com Estados
estrangeiros, participa de convenções internacionais, declara guerra e faz a paz. Revela, dessa
forma, a soberania nacional. Exerce-a. Não a titulariza, dado que a soberania é nota tipificadora
do Estado.

Intervenção Federal nos Estados


A intervenção federal nos Estados é da essência do sistema federativo. Visa a manter a
integridade dos princípios basilares da Constituição. De um lado, objetiva a proteção do território e
da divisão territorial: é autorizada para manter a integridade nacional (art. 34, I) e para repelir
invasão estrangeira ou a de um Estado em outro (art. 34, II). De outro lado, pretende paz social e
moralidade administrativa bem como o adequado cuidado com as finanças do Estado: é
autorizada para pôr termo a grave perturbação da ordem (art. 34, III), reorganizar as finanças do
Estado se este suspender o pagamento de sua dívida fundada durante dois anos consecutivos
(art. 34, V, “a”). Visa ainda a garantir a tripartição do poder no plano estadual (art. 34, IV).
Em outro passo garante a observância da forma republicana, do sistema representativo e do
regime democrático; dos direitos da pessoa humana; da autonomia municipal; e da prestação de
contas da Administração pública; direta e indireta (art. 34, VII, “a” a “d”).
Deve-se notar que a intervenção federal afasta, temporariamente, a autonomia estadual ou
parcela desta. Na verdade, quando a União intervém em dado Estado, todos os Estados estão
intervindo conjuntamente; a União age, no caso, em nome da Federação.
Ver também arts. 34, 35 e 36 da CF.

O processo da intervenção federal


O Presidente da República decreta a intervenção. Mas não nos seguintes casos:
a) de coação exercida contra o Poder Legislativo, o Poder Executivo e o Poder Judiciário;
b) da execução de lei federal, ordem ou decisão judiciária.
De fato, tratando-se de coação contra o Poder Legislativo ou o Poder Executivo estaduais o
processo se inicia mediante sua solicitação. Se a coação for exercida contra o Poder Judiciário,
mediante requisição do Supremo Tribunal Federal.
Também quando se verifica descumprimento de ordem ou decisão judiciária o processo
interventivo se inicia por meio de requisição do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior
Eleitoral (se a matéria for dessa natureza), ou do Superior Tribunal de Justiça.
Quando se trate de prover à execução de lei federal, o processo interventivo tem seu início
mediante representação do Procurador-Geral da República ao Superior Tribunal de Justiça.
Compete ao Congresso Nacional examinar os aspectos formal e material do decreto
interventivo. Examina a forma para verificar se foram preenchidos todos os requisitos
procedimentais. É preliminar de conhecimento. Vencida esta, examinará o conteúdo (as razões,
os motivos) para aprová-lo ou não.
Um dos eventuais efeitos da intervenção é o afastamento de autoridades estaduais de seus
cargos. Cessados os motivos da intervenção, deverão elas retornar a seus cargos, salvo
impedimento legal (art. 36, § 4º).
O impedimento a que alude o constituinte há de estar relacionado com os motivos da
intervenção. Há de ser a prática de ato ou atos que ensejaram a ingerência da União nos
negócios do Estado, que fizeram nascer a hipótese excepcional.

18
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Se cometeu crime comum, também estará impedido legalmente, só que o próprio Estado
federado decidirá sobre ele e não eventual interventor.
A intervenção não é carta branca conferida à União para que esta, por meio de seus agentes,
a exercite com poderes ilimitados. Ao contrário, estarão limitados pelo decreto aprovado pelo
Congresso Nacional. Não é sem razão que o constituinte determina a fixação de sua amplitude
(âmbito territorial de sua abrangência), prazo (lapso temporal de sua duração) e condições de
execução (limites de atuação do interventor ou, se não houver nomeação deste, daqueles que
executarão o decreto).
O princípio federativo recomenda estas afirmações.

Bens da União
art. 20, CF.
art. 66, CC.

OS ESTADOS FEDERADOS
Um dos pressupostos da Federação é a autonomia estadual, de grau político, mediante a
possibilidade de os Estados editarem suas próprias Constituições.

A autonomia Estatal
A necessidade de previsão constitucional para a União intervir significa a igualdade entre ela e
os Estados. Fossem desiguais, existisse a subordinação dos Estados à União, não se cogitaria de
autorização constitucional expressa. Essa previsão constitucional é demonstração inequívoca da
autonomia estadual – ver arts. 25 ( § 1º ), 27, 28, 34, 125 e 155 da CF.

Competência dos Estados


O art. 25, § 1º, confere aos Estados “as competências que não lhes sejam vedadas por esta
Constituição”. Desse dispositivo se extrai a idéia de que as competências dos Estados não estão
enumeradas no texto constitucional. Para identificá-las é preciso saber quais os poderes que
explicitamente ou implicitamente não lhes são vedados.
Em primeiro lugar fica-lhes proibido dispor sobre as competências da União (arts. 21 e 22) e
as dos Municípios (art. 30). Nada podem dispor, também, a respeito das competências tributárias
da União e dos Municípios. A tais competências o Estado não tem acesso. É o que dispõe
implicitamente a Constituição.
Explicitamente se lhes nega a possibilidade de organizar-se e reger-se por normas que
vulnerem os princípios mencionados no inc. VII do art. 34.
Ainda se lhes proíbe, explicitamente, criar distinções entre brasileiros ou preferências em favor
de uma das pessoas de direito público interno (art. 19, III).
Os Estados terão competência residual. Verifica-se que aos Estados compete, residualmente,
dispor sobre matéria administrativa (seus servidores e a organização da Administração Pública
local). Entre essa matéria elenca-se a financeira. Também compete aos Estados a disposição
sobre os seus agentes políticos (definição de responsabilidades, etc.).
Mas, ao lado das residuais, o Estado ainda é senhor de competências expressas,
competências em comum, competências concorrentes e competências suplementares.
São expressamente conferidas aos Estados as competências tributárias, como a do art. 145
(instituição de impostos, taxas e contribuição de melhoria) e as do art. 155 (instituição de impostos
sobre transmissão causa mortis e doação de bens ou direitos, operações relativas ao ICMS e o
IPVA).
Em síntese, o Estado federado titulariza competências residuais, expressas, em comum,
concorrente e suplementar.

19
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Em comum são as competências que o Estado titulariza juntamente com a União, o Distrito
Federal e os Municípios (art. 23). São, no geral, competências de natureza programática.
Concorrente é a competência do Estado exercida ao lado da União e do Distrito Federal. É
competência que visa à edição de leis sobre as questões elaboradas no art. 24. Diferentemente
daquelas em comum, que podem cingir-se a atos concretos da Administração.
Finalmente, a competência suplementar, que decorre da concorrente. O Estado pode – em
atenção, naturalmente, às suas peculiaridades locais – legislar sobre normas gerais nos claros
deixados pelo legislador federal. E, inexistindo lei federal sobre tais normas, o Estado as expedirá
sem limitação, plenamente.

Autoridades próprias dos Estados


Os deputados compõem a Assembléia Legislativa, órgão do Poder Legislativo estadual. São
representantes do povo domiciliado eleitoralmente naquele Estado. Sua função é satisfazer, nos
limites da competência do Estado federado, as aspirações daquele povo.
O governador e o vice-governador compõem o Poder Executivo estadual, cujo objetivo é
executar, administrar, dar, o que formulou o legislativo estadual, seja o constituinte, seja o
ordinário.
Os magistrados, integrantes de órgãos da Justiça estadual, compõem o Poder Judiciário
estadual.
O órgão de cúpula do Judiciário estadual é o Tribunal de Justiça, a ele cabendo a iniciativa da
lei de organização judiciária local. Nada impede, assim, que essa lei crie tribunais de alçada em
função do valor ou da natureza da causa, tanto mais que a eles se refere o art. 93, III.
É função do Judiciário local aplicar a lei para solucionar litígios, buscando soluções definidas,
ou, ainda, validar uniões relativas ao matrimônio (como é o caso dos juízes de paz).

O Poder Constituinte dos Estados


A atividade do constituinte estadual é subordinada e condicionada às limitações impostas pelo
constituinte nacional.

Intervenção do Estado no Município


Essa interferência do Estado nos negócios municipais, prevista no art. 35 da CF, destina-se a:
a) manter intatos os princípios indicados na Constituição Estadual, bem como garantir o respeito à
tripartição do Poder (especialmente quando alude a execução de lei ou de ordem ou decisão
judiciária); b) preservar a moralidade e a lisura na aplicação do dinheiro público e na condução
dos negócios públicos; c) prestigiar o ensino primário.
O processo interventivo é previsto na Constituição de cada Estado, que sobre ele dispõe da
forma que o constituinte estadual entender. Somente não poderá deixar de submeter o ato
veiculador da intervenção à Assembléia Legislativa, uma vez que ali se encontram os
representantes do povo do Estado. Há de prestar obediência, sempre, ao princípio da
representação popular. Ver também art. 29 da CF.

TERRITÓRIOS FEDERAIS
O Território do Acre foi o primeiro do Brasil – Lei 1.181, de 24.2.1904. Foi na constituição de
1934 que o Território ganhou estatura constitucional e assim se manteve nas constituições que se
seguiram.

A natureza jurídica dos Territórios Federais


Para responder a isso é preciso questionar sobre a concentração e desconcentração, bem
como acerca de centralização, administrativas e políticas.
1. Centralização administrativa

20
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

O Estado busca a satisfação do interesse público por meio do desempenho de funções


administrativas, incumbindo-lhe aparelhar-se para tanto.
Uma das formas de desempenho dessas atividades é a que se identifica com a maneira direta
de prestar serviços, sem que a atividade se desloque para outro centro de capacidades. Há um
único centro capaz de desenvolver a atividade administrativa. Esta forma direta de administrar é
denominada administração centralizada. Nesta, o cumprimento da missão administrativa se
verifica pela atuação de uma só pessoa. Tem-se, na verdade, um só centro, titular das
prerrogativas, competências e deveres públicos de natureza administrativa. Tem-se a
centralização administrativa.
2. Concentração e Desconcentração
Concentração administrativa é quando toda a atividade é exercida por um só centro, onde não
se opera a distribuição do poder decisório, estamos diante da centralização concentrada.
Evidentemente, tal forma de administrar é, na prática, impossível de encontrar, diante da
crescente complexidade dos assuntos administrativos.
Tem-se, pois, um só centro que é titular das prerrogativas e competências administrativas.
Mas são atribuídas funções a órgãos subordinados. Este fenômeno é a centralização
desconcentrada.
Fica claro, pois, que na administração desconcentrada os órgãos se manifestam em nome e
por conta de um único centro de capacidades, ou seja, em nome de uma pessoa jurídica, isto é,
de um centro ao qual se imputam direitos e obrigações.
3. Descentralização
Descentralizar – já o dissemos – implica a retirada de competências de um centro para
transferi-las a outro, passando essas competências a ser próprias do novo centro, que age em
nome próprio, e não mais em nome do centro original.
A descentralização pode-se operar tanto em nível de atividade política como em nível de
atividade administrativa.
Examinemos tais formas.
3.1. Descentralização política
Em determinado sistema jurídico várias pessoas jurídicas podem estar investidas de funções
políticas, o que lhes confere capacidade política. Ser capaz, politicamente, é ter a possibilidade de
estabelecer comandos sobre assuntos de sua competência.
Desde que isto se verifique, encontramo-nos diante da descentralização política.
Constituem expressão de descentralização política a Federação e a autonomia municipal.
3.2. Descentralização administrativa
O Estado pode, ao invés de centralizar toda a atividade administrativa, descentralizá-la,
criando novos centros de capacidade, novos entes sujeitos de direitos e deveres, novas pessoas,
as quais haverão de atuar buscando cumprir a missão administrativa.
Não há, pois, como confundir descentralização administrativa com desconcentração. Nesta
não se verifica a criação de pessoas. Naquela, a personalidade é seu elemento definidor, pois o
organismo criado pode manifestar a sua vontade, agindo em nome próprio e não em nome de
outrem.
Mas, embora dotados de personalidade própria, diferem daqueles centros dotados de
capacidade política. É que a sua capacidade é meramente administrativa, ou seja, embora
possuindo negócios próprios, interesses seus, não têm o poder de dizer sobre tais competências.
Não podem legislar sobre aqueles interesses. Inserem-se, em conseqüência, na própria pessoa
de capacidade política que os criou. Por isso que, operada a descentralização, a pessoa surgida
será federal, estadual ou municipal, conforme a sua origem se deva à vontade da União, do
Estado ou do Município.
As pessoas assim nascidas são chamadas autarquias.
3.2.1. Autarquias

21
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

São pessoas jurídicas de direito público de capacidade exclusivamente administrativa. São


fruto da descentralização administrativa. Classificam-se de acordo com os seguintes critérios:
a) critério da pessoa jurídica criadora da autarquia;
b) critério da estrutura jurídica da autarquia;
c) critério do fator demarcatório da competência da autarquia.
O primeiro deles conduz à afirmação de que as autarquias serão federais, estaduais ou
municipais, conforme tenham sido criadas pela União, pelos Estados ou pelos Municípios.
De acordo com o segundo critério, a divisão é feita em corporações e fundações, distinção
que é comum tanto ao direito privado como ao público. Ao fazer-se esta diferenciação quer-se
indagar do seu substrato para se saber se se trata de agremiação de indivíduos que se reúnem
para atingir dada finalidade ou se se trata de patrimônio afetado a uma finalidade. No primeiro
caso encontramos a corporação; no segundo, a fundação. Na primeira hipótese, os indivíduos que
a compõem são internos à pessoa; na segunda, são externos a ela.
Pelo último dos critérios indicados (o do fator demarcatório da competência), as autarquias
podem ser territoriais ou não-territoriais.
As autarquias territoriais são aquelas que têm suas competências definidas em função de um
território, e as não-territoriais têm sua competência estabelecida em função de dada matéria.
Conclusões
O Território não é parte integrante da Federação, porque não possui capacidade de dispor
regras sobre negócios seus por meio de autoridades próprias. Não sendo pessoas dotadas de
autonomia política, a existência ou não de territórios não implica na existência ou não da
Federação ( ver art. 18, § 2º da CF).
Não é o Território, contudo, mero órgão da União. É ser personalizado. É centro para onde
convergem direitos e obrigações. Como ser personalizado que é, integra a administração
descentralizada da União. É pessoa de direito público, de capacidade administrativa e de nível
constitucional, ligada à União, tendo nesta a fonte de seu regime jurídico infraconstitucional.
Ver também art. 33 da CF.

DISTRITO FEDERAL
É nesse local que são formuladas as diretrizes governamentais pertinentes à Federação. No
nosso sistema, Brasília, que integra o Distrito Federal, é a Capital Federal (art. 18, § 1º). É o
centro político-administrativo, que foi criado em 1961.
Natureza jurídica do Distrito Federal
O Distrito Federal é a pessoa jurídica de direito público, com capacidade legislativa,
administrativa e judiciária. É hoje, tal como a União, Estados e Municípios, autônomo
politicamente. Titulariza competências próprias, legisla sobre elas e as administra por meio de
autoridades próprias. Com efeito, o Distrito Federal tem uma Câmara Legislativa onde estão os
deputados distritais (art. 32, §§ 2º e 3º); é dirigido pelo Governador e pelo Vice-Governador (art.
32, § 2º); a ele são atribuídas as competências legislativas nomeadas aos Estados e Municípios
(art. 32, § 1º).
Os tributos no Distrito Federal
O art. 145 da CF autoriza o Distrito Federal a criar taxas e contribuições de melhoria, além dos
impostos nela previstos. No art. 155 alude aos impostos que podem ser instituídos para o Distrito
Federal: o de transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos; o de operações
relativas à circulação de mercadorias e serviços e sobre propriedade de veículos automotores.
Tais tributos são:
a) Estaduais, quando instituídos e arrecadados no Estado e;
b) Distritais, quando instituídos e arrecadados no Distrito Federal.
Essa é a posição que melhor atende, no particular, ao sistema constitucional tributário.

22
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

O MUNICÍPIO – REGIÕES METROPOLITANAS


A autonomia municipal no Brasil, é realidade natural anterior à própria autonomia política dos
Estados Federados.

Autonomia municipal
Autonomia política é a capacidade conferida a certos entes para:
a) legislarem sobre;
b) negócios seus;
c) por meio de autoridades próprias.
Examinemos, no caso do Município, se a Constituição lhe atribui esse suporte caracterizador.
O art. 29 do Texto Magno estabelece que o Município “reger-se-á por lei orgânica...”, uma
espécie de Constituição municipal, o que indica, por si, a sua autonomia, mas ainda acrescenta a
previsão de Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores (autoridades próprias), escolhidos em eleições
diretas (art. 29, I e II), de competências próprias, tais como “legislar sobre assuntos de interesse
local”, “suplementar a legislação federal e estadual no que couber” (ver art. 30 e seus incisos), o
que caracteriza os negócios seus. Sobre tais negócios disporá a Câmara dos Vereadores
(legislação própria).

Competência dos Municípios


Será de competência do município tudo o que for de seu interesse local (art. 30 da CF – é a
competência suplementar). Podemos dizer que as competências dos municípios são expressas,
sendo algumas enumeradas.

a) os Municípios não concorrem com a União e os Estados na regulação das matérias


enumeradas no art. 24 da Constituição Federal;

b) os Municípios, porém, podem SUPLEMENTAR a lei federal ou estadual resultante da


competência legislativa concorrente, no que couber, para o atendimento de seus interesses locais
(na verdade, pode o Município, no que couber, suplementar a legislação federal ou estadual
oriunda de qualquer competência, seja exclusiva, privativa, comum ou concorrente);

c) o Município só poderá SUPLEMENTAR, isto é, só atuará se houver prévia legislação federal ou


estadual.

Organização política e administrativa


A política diz respeito aos poderes municipais: prefeito, vice-prefeito, vereadores, número de
sessões, etc. A administrativa toca aos serviços públicos locais, aos servidores do município, à
administração em geral. No art. 29, a Constituição refere-se à lei orgânica municipal, à sua
organização política.

Competência para edição das leis orgânicas municipais


Para a criação de municípios, a lei era estadual. Ou federal, se se tratar de município no
Território Federal. Entretanto, para a sua organização, a lei é a municipal. De igual maneira, será
municipal a lei criadora dos distritos.
O constituinte de 1988 deixou clara a competência para o Município auto-organizar-se. Fixou
no art. 29: “O Município reger-se-á por lei orgância, votada em dois turnos, com o interstício
mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a
promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do
respectivo Estado e os seguintes preceitos:...”.

23
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Intervenção estadual nos Municípios


A intervenção de uma pessoa política em outra é, sempre, excepcional. Já dissemos que a
regra é a não intervenção. Por isso que só é possível a intervenção em casos expressamente
previstos no texto constitucional.
A intervenção ocorre após a manifestação do Ministério Público, e do Tribunal de Justiça, que
dá provimento à representação.
Tal como na intervenção federal no Estado, o chefe do Executivo estadual decreta a
intervenção mas é obrigado a submeter o seu ato, com a respectiva justificação, em 24 horas, à
apreciação da Assembléia Legislativa.
Com a intervenção fica paralisada, momentaneamente, a autonomia municipal. Esta
paralisação poderá ser em maior ou menor extensão. Tudo dependerá das limitações impostas no
decreto interventivo.
Se, apesar da intervenção, a Câmara Municipal não for atingida na sua atividade legiferante, a
redução autonômica será menor: cinge-se à interferência no Executivo, com o afastamento de
suas autoridades, podendo, então, falar-se na ocorrência da autonomia limitada.

A fiscalização financeira e orçamentária


art. 31 da CF

As regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões


A idéia de Região Metropolitana deriva da conurbação. As áreas urbanas vão-se aglomerando
em torno de um Município maior, eliminando as áreas rurais e fazendo surgir, entre os Municípios,
área urbana única, o que passa a exigir a integração dos serviços municipais. Não é pessoa
política nem administrativa. Não é centro personalizado. Não é organismo. É orgão.
Para encontrar a natureza desse órgão é preciso verificar qual a sua fonte criadora. É a lei
complementar estadual, di-lo o art. 25, § 3º, da CF.
É preciso, ainda, examinar sua composição: é composto por Municípios.
Embora composto por Municípios, as suas decisões não obrigam àqueles, tendo em vista a
autonomia muncipal.
A agremiação municipal é feita pela lei complementar.
A boa exegese do texto constitucional leva à convicção de que a Região Metropolitana nada
mais é do que órgão de planejamento, dele derivando a execução de funções públicas de
interesse comum.
Tanto quanto foi dito aplica-se às aglomerações urbanas e às microrregiões, figuras criadas
pela Constituição de 1988.
Somente a adesão voluntária dos Municípios poderá viabilizar o seu funcionamento, o que
deverá ser feito por meio de convênio ou consórcio.

SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL


ver arts. 145 a 162
Seção I – estão descritas as disposições gerais sobre a tributação (art. 145, § 1º).
Seção II – estão os princípios constitucionais da tributação, como expressão das limitações do
poder de tributos.
Componentes do STN: - Tributos (impostos, taxas e contribuições de melhoria).

Tributos: - toda prestação pecuniária compulsória instituída em lei e cobrada mediante


atividade administrativa vinculada, que não constitua sanção de ato ilícito (CTN, art. 3º).

24
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Fato Gerador: - é a situação que faz nascer a obrigação de pagar a importância pecuniária
correspondente.
Imposto: - é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de
qualquer atividade estatal específica em favor do contribuinte ou relativa a ele (arts. 153, 155 e
156 da CF).
Taxas: - são tributos cuja obrigação tem por fato gerador o exercício do poder de polícia ou a
utilização efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao
contribuinte ou postos à sua disposição.
Contribuição de Melhoria: é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador a valorização de
imóveis do contribuinte em decorrência da execução de obras públicas pela União, Estados,
Distrito Federal ou Município.

Empréstimo Compulsório (art. 148) – um dos requisitos de legitimidade deste empréstimo é


a urgência do investimento que financiará, mas a Constituição, impede sua arrecadação imediata,
ao vedar sua cobrança no mesmo exercício de sua instituição. O empréstimo para fins do art. 148,
I, não está sujeito a essa limitação.

Contribuições Sociais
Também é de competência exclusiva da União instituir contribuições sociais, de intervenção
no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como
instrumento das respectivas áreas. Temos aí, portanto: (a) contribuições sociais, como as da
seguridade social e previdenciária (arts. 195, I a III, e 201), as do PIS-PASEP (art. 239), as do
seguro-desemprego (art. 239, § 4º), entre outras que a União poderá instituir por lei; (b)
contribuições de intervenção no domínio econômico, como o chamado confisco do café etc; (c)
contribuições de interesse das categorias profissionais, assim as contribuições às entidades dos
profissionais liberais, as contribuições sindicais previstas no final do inc. IV do art. 8º, não, porém,
a que cabe à assembléia geral para custeio do sistema confederativo da representação sindical
referida no mesmo inciso que, por isso, não é instituída pela União.
Essas contribuições submetem-se ao regime das normas gerais tributárias, ao princípio da
reserva de lei e ao princípio da anualidade (lei prévia ao exercício em que serão cobradas).
Significa dizer: não podem ser instituídas nem aumentadas senão por lei e não podem incidir
senão sobre fatos geradores e exercício financeiro posteriores à sua instituição (arts. 146, III, e
150, I e III). Contudo, as contribuições da seguridade social (art. 195, I a III) não se subsumem ao
disposto no art. 150, III, b, porque o art. 195, § 6º, lhes dá outro regime, prevendo que poderão
ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído.
A Constituição autoriza os Estados, Distrito Federal e Municípios a instituir contribuição,
cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, de sistema de previdência e
assistência social. São contribuições previdenciárias de competência dessas entidades.
A doutrina entende que todas essas contribuições compulsórias têm natureza tributária,
reputadas como tributos parafiscais, ou seja, tributos cuja arrecadação é da competência de
entidades paraestatais ou autárquicas.

Normas de prevenção de conflitos tributários


É, pois, função da lei complementar tributária: (1) dispor sobre conflitos de competência, em
matéria tributária, entre a União, os Estados, Distrito Federal e Municípios; (2) regular as
limitações constitucionais do poder de tributar; (3) estabelecer normas gerais de direito tributário
sobre: (a) definição de tributos e de suas espécies, bem como em relação aos impostos
discriminados na Constituição, aos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes;
(b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; (c) adequado tratamento
tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas (art. 146); (4) instituir outros
impostos da União, desde que sejam não cumulativos e não tenham nem fato gerador nem base

25
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

de cálculo idênticos aos discriminados nos arts. 153, 155 e 156; (5) definir produtos
industrializados semi-elaborados a serem excluídos da não incidência do imposto de circulação de
mercadorias e prestação de serviços: (a) definir seus contribuintes; (b) dispor sobre a substituição
tributária; (c) disciplinar o regime de compensação do imposto; (d) fixar, para efeito de sua
cobrança e definição do estabelecimento responsável, o local das operações relativas à circulação
de mercadorias e das prestações de serviços; (e) excluir da incidência do imposto, nas
exportações para o exterior, serviços e outros produtos além dos semi-elaborados mencionados
no art. 155, § 2º, X, a; (f) prever casos de manutenção de crédito, relativamente à remessa para
outro Estado e exportação para o exterior, de serviços e mercadorias; (g) regular a forma como,
mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais
serão concedidos e revogados; (7) definir serviços de qualquer natureza para efeito do imposto
municipal respectivo; (8) fixar as alíquotas máximas do imposto municipal sobre serviços de
qualquer natureza e excluir da incidência desse imposto exportações de serviços para o exterior;
(9) em relação à repartição de receitas tributárias: (a) definir valor adicionado nas operações
relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, para o fim de fixar a quota dos
Municípios, tendo em vista as operações tributadas nos respectivos territórios, na forma prevista
no art. 158, parágrafo único, I; (b) estabelecer normas sobre a entrega dos recursos de que trata o
art. 159, especialmente sobre os critérios de rateio dos fundos previstos em seu inc. I, objetivando
promover o equilíbrio sócio-econômico entre Estados e entre Municípios; (c) dispor sobre o
acompanhamento, pelos beneficiários (Estados, Distrito Federal ou Municípios), do cáluclo das
quotas e da liberação das participações previstas nos arts. 157, 158 e 159.

Elementos do Sistema Tributário Nacional


Distinguem-se no sistema tributário nacional os seguintes elementos fundamentais, além das
disposições gerais (arts. 145 a 149): (a) as limitações constitucionais do poder de tributar (arts.
150 a 152); (b) a discriminação da competência tributária, por fontes (arts. 153 a 156); (c) as
normas do federalismo cooperativo, consubstanciadas nas disposições sobre a repartição das
receitas tributárias, discriminação pelo produto (arts. 157 a 162).

LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR


Embora a Constituição diga que cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais
do poder de tributar (art. 146, II), ela própria já as estabelece mediante a enunciação de princípios
constitucionais da tributação.

Princípios constitucionais da tributação e sua classificação


a) Princípios Gerais: - são expressos ou decorrentes.
São expressos:
a.1 – princípio da reserva de lei ou da legalidade estrita, segundo o qual é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir ou aumentar tributos sem que a lei o
estabeleça (art. 150, I), mas a Constituição admite a alteração, por decreto, das alíquotas dos
impostos sobre importação, exportação, produtos industrializados e operações financeiras,
atendidas as condições e limites estabelecidos em lei (art. 153, § 1º), o que vale dizer, ainda,
respeito ao princípio da legalidade genérica;
a.2 – princípio da igualdade tributária, estabelecido no art. 150, II, veda às referidas entidades
tributantes instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação
equivalente.
a.3 – princípio da personalizaçãp dos impostos e da capacidade contributiva, segundo o qual o
ônus tributário deve ser distribuído na medida da capacidade econômica dos contribuintes,
implica: (a) uma base impositiva que seja capaz de medir a capacidade para suportar o encargo;
(b) alíquotas que igualem verdadeiramente esses ônus.

26
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

a.4 – princípio da prévia definição legal do fato gerador ou princípio da irretroatividade


tributária, de acordo com o qual é vedado cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos
antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado (art. 150, III, a); isso,
combinado com o princípio da anualidade comentado em seguida, significa que o tributo ou seus
aumentos somente incidem sobre fatos geradores que ocorrerem no exercício financeiro seguinte
ao de sua instituição ou majoração;
a.5 – princípio da anualidade do lançamento do tributo, segundo o qual o lançamento dos
tributos está vinculado a cada exercício financeiro (1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano).
a.6 – princípio da proporcionalidade razoável, regra que veda utilizar tributo com efeito de
confisco. Isso, na verdade, significa que o tributo não deve subtrair mais do que uma parte
razoável do patrimônio ou da renda do contribuinte.
a.7 – princípio da ilimitabilidade do tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos
interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias
conservadas pelo Poder Público (art. 150, V).
São princípios gerais decorrentes:
a.8 – princípio da universalidade, decorrente da norma do art. 19, III, significa que todo aquele
que praticar o fato gerador da obrigação tributária deverá pagar o tributo respectivo, salvo casos
expressos de isenção fiscal outorgada em lei.
a.9 – princípio da destinação pública dos tributos ou princípio implícito, só o Estado tributa,
não há tributo privado.
b) Princípios especiais, constituem-se das vedações constantes dos arts. 151 e 152, que
assim se discriminam:
b.1 – princípio da uniformidade tributária, segundo o qual é vedado à União instituir tributo que
não seja uniforme em todo território nacional ou que implique distinção ou preferência.
b.2 – princípio da limitabilidade da tributação da renda das obrigações da dívida pública
estadual ou municipal e dos proventos de agentes dos Estados e Municípios, contido no art. 151,
III, que veda à União tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos agentes
públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações. Com a regra de que o imposto
sobre a renda há de atender os critérios da generalidade e da universalidade (art. 153, § 2º, I),
praticamente seria dispensável a reafirmação do princípio ora em exame;
b.3 – princípio de que o poder de isentar é ínsito ao poder de tributar, segundo o qual quem
tem o poder de impor determinado tributo é que tem o poder de estabelecer isenções.
b.4 – princípio da não-diferenciação tributária, de acordo com o qual é vedado aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios estabelecer a diferença tributária entre bens e serviços, de
qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino (art. 152).
c) Princípios específicos, referem-se a determinados impostos especificamente, e assim se
apresentam:
c.1 – princípio da progressividade, referido expressamente ao imposto sobre a renda (art. 153,
§ 2º, I) e ao imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (arts. 156, § 1º, e 182, § 4º, II).
Imposto progressivo é aquele cuja alíquota aumenta à medida que aumenta o ingresso ou a base
imponível.
c.2 – princípio da não-cumulatividade do imposto, aplicável aos impostos sobre produtos
industrializados e sobre operações relativas à circulação de mercadorias e prestação de serviços
(arts. 153, IV, § 3º, II, e 155, II, e § 2º, I), segundo o qual será compensado o que for devido em
cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores. Na prática, isso se faz
mediante um sistema de crédito, pelo qual o contribuinte se credita de todo o imposto que pagou
ao adquirir os produtos (ou matéria-prima, no caso do IPI) ou mercadorias ou serviços (no caso do
ICMS) em dado espaço de tempo (um mês, p.ex.) fixado em lei, ao mesmo tempo em que debita
todo o imposto incidente sobre as saídas dos produtos ou mercadorias do seu estabelecimento no
mesmo período, e no momento de recolher os impostos do período é feita a compensação entre o

27
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

crédito e o débito, recolhendo ele a diferença a mais ou continuando com crédito para o período
seguinte se o crédito or maior. Vale dizer, em cada operação o imposto incide efetivamente sobre
o valor adicionado;
c.3 – princípio da seletividade do imposto, aplicável obrigatoriamente ao imposto sobre
produtos industrializados, nos termos do art. 153, IV, e § 3º, I, segundo o qual esse imposto será
seletivo em função da essencialidade do produto, sendo facultada a sua aplicação ao imposto
sobre circulação de mercadorias e prestação de serviços, em função da essencialidade desses
objetos (art. 155, § 2º, III).
d) Imunidades, nas hipóteses imunes de tributação, inocorre fato gerador da obrigação
tributária. Nisso diferem imunidades e isenções, pois, relativamente a estas, dá-se o fato gerador
da obrigação tributária, mas o contribuinte fica apenas isento do pagamento do tributo.
As imunidades configuram privilégios de natureza constitucional e não podem estender-se
além das hipóteses expressamente previstas na Constituição, que, em seu art. 150, VI, veda à
União, Estados, Distrito Federal e Municípios instituir impostos sobre: (a) patrimônio, renda ou
serviços, uns dos outros (é a chamada imunidade recíproca); (b) templos de qualquer culto; (c)
patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive de suas fundações, das entidades
sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins
lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua
impressão. Note-se que só existe imunidade quanto aos impostos. Quando a Constituição diz
“não incidirá”, quer dizer que sempre aí, haverá uma imunidade (arts. 153 e 156).

DISCRIMINAÇÃO CONSTITUCIONAL DAS RENDAS TRIBUTÁRIAS

Natureza e Conceito
A Constituição adotou, como nas anteriores, uma discriminação exaustiva, integral e completa.
Contemplou, rígida e taxativamente, as quatro entidades autônomas da Federação: União,
Estados, Distrito Federal e Municípios.

Sistema discriminatório brasileiro


Aí temos os dois aspectos da discriminação das rendas: a discriminação pela fonte, pela qual
a Constituição indica o tributo que a cada entidade compete instituir (arts. 153, 155 e 156), e a
discriminação pelo produto, pela qual umas entidades repartem sua receita com outras, ou, vendo
do outro lado, estas participam na receita daquelas (arts. 157 a 162).
A discriminação pela fonte realiza-se em três planos: (a) competência exclusiva; (b)
competência nominalmente comum; (c) competência residual, enquanto a discriminação pelo
produto comporta as seguintes modalidades: (a) a participação em impostos de decretação de
uma entidade e percepção por outras; (b) a participação em impostos de receita partilhada
segundo a capacidade da entidade beneficiada; (c) participação em fundos.

DISCRIMINAÇÃO DAS RENDAS POR FONTES

Competência tributária da União


(a) Tributos de competência exclusiva da União.
(1) Impostos sobre o comércio exterior: (art. 153, I e II), que compreende o imposto sobre a
importação de produtos estrangeiros e o imposto sobre a exportação, para o exterior, de produtos
nacionais ou nacionalizados.
(2) Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (art. 153, III). É o imposto mais
importante e mais rentável do sistema tributário nacional; na sua concepção entram toda
disponibilidade econômica ou jurídica proveniente do rendimento do capital, do trabalho ou da
combinação de ambos, assim como todo acréscimo ao patrimônio das pessoas físicas ou
jurídicas.

28
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

É informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, nos


termos da lei, e não incidirá, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes
de aposentadoria e pensão, pagos pela previdência social da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, a pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos, cuja renda seja
constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho.
(3) Imposto sobre produtos industrializados. É um importante imposto de competência federal;
é tributação da produção industrial, no sentido de que recai sobre o resultado do processo
produtivo industrial, mas o é também sobre o consumo, porque só alcança o produto no momento
em que sai do estabelecimento industrial ou equiparado para integrar o processo consuntivo,
embora não seja o ato de consumo a situação geradora da obrigação tributária. Faculta-se ao
Poder Executivo alterar suas alíquotas por decreto (art. 153, §1º).
(4) Imposto sobre operações financeiras. O campo de incidência, abrange: operações de
crédito, operações de câmbio, operações de seguros e operações relativas a títulos e valores
mobiliários. São utilizados como instrumentos de política monetária, daí por que também está
prevista a faculdade de o Poder Executivo alterar suas alíquotas.
(5) Imposto sobre a propriedade territorial rural. É um dos impostos sobre o patrimônio. É de
competência da União para funcionar como instrumento auxiliar da política agrária. Deles estão
imunes ( porque nelas não incidirá) as pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as
explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º).
(6) Tributação de grandes fortunas. O art. 153, VII, confere um imposto novo à competência
exclusiva da União: o imposto sobre grandes fortunas, que depende de definição por lei
complementar.
(b) Tributos de competência comum à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios.
Taxas. Entram no conceito de tributo comum, porque todas as entidades tributantes podem
instituí-las e arrecadá-las: (a) em razão do exercício do poder de política; e (b) pela utilização
efetiva ou potencial de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou
postos à sua disposição (art. 145, II), e não podem ter base de cálculo própria de impostos.
Contribuição de melhoria. Também é da competência da União instituí-la e cobrá-la em razão
da valorização da propriedade imóvel decorrente de obras públicas por ela executadas (art. 145,
III).
(c) Tributos de competência residual. Pertine, com exclusividade, à União instituir, mediante lei
complementar, outros impostos que não tenham fato gerador nem base de cálculo idênticos aos
impostos expressamente discriminados na Constituição, consoante vimos antes, e não podem ser
cumulativos (art. 154, I).

Competência tributária dos Estados


(a) Tributos de competência exclusiva dos Estados e do Distrito Federal.
(1) Tributos da herança e das doações (art. 155, I). São dois os modos de transmissão da
propriedade. O primeiro pela morte do titular do bem; é a transmissão causa mortis. O segundo
pela liberalidade do dono do bem que o transmite a outrem gratuitamente, ato que também sofre a
tributação, como forma de transmissão da propriedade móvel ou imóvel inter vivos. É garantido o
direito de herança (art. 50, XXX). O imposto comporta dois tipos de progressividade: uma em
relação ao monte da herança, quanto maior mais graduada a alíquota, outra em relação à
distância das vocações hereditárias de modo que, quanto mais distante, mais gravosa a
tributação.
(2) Tributação da circulação das mercadorias. É o agora conhecido ICMS, previsto no art. 155,
II, segundo o qual compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir o imposto sobre operações
relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior.

29
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

A Constituição determina que o ICMS incida sobre: (a) a entrada de mercadoria importada do
exterior, ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo fixo do estabelecimento,
assim como sobre serviço prestado no exterior, cabendo ao Estado onde estiver situado o
estabelecimento destinatário da mercadoria ou do serviço; resolver controvérsia que deu origem a
uma jurisprudência distorcida contra o interesse dos Estados; (b) o valor total da operação,
quando mercadorias forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência dos
Municípios; se o serviço for compreendido na competência municipal, o ICMS incide sobre a
operação de circulação da mercadoria, e o imposto municipal sobre serviços; (c) operações
relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e
minerais do País, objetos estes que só eram tributados, no regime constitucional anterior, pela
União, mediante os chamados impostos únicos.
Finalmente, vêm as regras de não incidência, por força do disposto no art. 155, § 2º X, sobre:
(a) operações que destinem ao exterior produtos industrializados, excluídos os semi-elaborados
definidos em lei complementar; (b) operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive
lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica; (c) o ouro, nas
hipóteses definidas no art. 153, § 5º.
Além de tudo isso, ainda se comete à lei complementar regular, definir, prever, fixar, excluir,
dispor a respeito de situações relativas ao ICMS, que indicamos antes.
(3) Tributação de veículo automotor. É o imposto que está previsto no art. 155, III, segundo o
qual compete aos Estados instituir imposto sobre a propriedade de veículos automotores.
(b) Tributos comuns. São as taxas e contribuições de melhoria que, podem ser cobradas pelos
Estados e Distrito Federal, tal como a União e os Municípios (art. 145, II e III).

Competência tributária dos Municípios


(a) Compete exclusivamente aos Municípios instituir os impostos adiante nomeados.
(1) Tributação da propriedade urbana. É o imposto sobre a propriedade predial e territorial
urbana (art. 156, I), que representa o gravame fiscal da propriedade imóvel, com ou sem
edificação, localizada na zona urbana ou com destinação urbana.
O imposto sobre a propriedade urbana poderá ser progressivo em razão do valor do imóvel,
assim como poderá ter alíquota diferenciada de acordo com a localização e o imóvel,
possibilitando, assim, a aplicação de política fiscal e interesse urbanístico.
(2) Tributação das transmissões de bens imóveis. Temos o imposto sobre a transmissão de
bens inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso (o que exclui as doações, tributadas pelos
Estados), de bens imóveis (terrenos, casas, fazendas, etc.), por natureza ou acessão física, e de
direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia (hipoteca), bem como cessão de direitos a sua
aquisição, que compete ao Município da situação do bem, mas que, no entanto, não incide sobre
a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de
capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão, incorporação, cisão ou
extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for
a compra e venda desses bens ou direitos, locação e bens imóveis ou arrendamento mercantil.
(3) Tributação dos serviços. Trata-se aqui do ISS, a Constituição remeteu à lei complementar,
que já existe, e faz a definição mediante uma lista de serviços. À lei complementar também é que
cabe fixar suas alíquotas máximas e excluir de sua incidência as exportações de serviços para o
exterior.
(b) Tributos comuns. São as taxas e contribuições de melhoriam que os Municípios podem
instituir e cobrar do mesmo que a União e os Estados (art. 145, II e III).

Discriminação das rendas pelo produto


ver arts. 157, 158 e 159 da CF.

DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – art. 37

30
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Princípio da Legalidade e da Finalidade


O ato administrativo só é válido quando atende o seu fim legal, ou seja, o fim submetido à lei.

Princípio da Impessoalidade
Significa que os atos e provimentos administrativos são imputáveis não ao funcionário que os
pratica mas ao órgão ou entidade administrativa em nome do qual age o funcionário.

Princípio da moralidade e da probidade administrativas


Pode-se estar cumprindo legalmente um ato e este estar cheio de imoralidade. Ex: promoção
com o intuito de favorecer alguém. Na probidade administrativa, o funcionário deve servir à
Administração com honestidade, procedendo no exercício das suas funções, sem aproveitar os
poderes ou facilidades delas decorrentes em proveito pessoal ou de outrem a quem queira
favorecer. A improbidade administrativa é uma imoralidade qualificada pelo dano ao erário e
correspondente vantagem ao ímprobo ou a outrem.
O ímprobo perde os direitos constitucionais (art. 37, § 4º) e isto pode ser aplicado
independentemente de um processo criminal.

Princípio da Publicidade
Todos os atos administrativos devem ser publicados. Mas a própria Constituição admite
informações “sigilosas imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado” (art. 5º, XXXIII), o
que porém, há de ser excepcional, sob pena de infringir o princípio que é o da publicidade. A
publicidade se faz por divulgação em jornal oficial ou edital afixado no lugar da divulgação de atos
públicos.
Essa publicidade atinge, assim, os atos concluídos e em formação, os processos em
andamento, os pareceres dos órgãos técnicos e jurídicos, os despachos intermediários e finais, as
atas de julgamentos das licitações e os contratos com quaisquer interessados, bem como os
comprovantes de despesas e as prestações de contas submetidas aos órgãos competentes. Tudo
isto é papel ou documento público que pode ser examinado na repartição por qualquer
interessado e dele obter certidão ou fotocópia autenticada para fins constitucionais. Os pareceres
só se tornam públicos após sua aprovação final pela autoridade competente.

Princípio da Eficiência
É um conceito econômico que orienta a atividade administrativa no sentido de conseguir os
melhores resultados com os meios escassos de que se dipõe e a menor custo. Consiste na
organização racional dos meios e recursos humanos, materiais e institucionais para a prestação
de serviços públicos de qualidade em condições econômicas de igualdade dos consumidores.
ver também Emenda Constitucional 19/98.

Princípio da Licitação Pública


Licitação é um procedimento administrativo destinado a provocar propostas e a escolher
proponentes de contratos de execução de obras, serviços, compras ou de alienações do Poder
Público. O princípio da licitação significa que essas contratações ficam sujeitas, como regra, ao
procedimento de seleção de propostas mais vantajosas para a Administração Pública. Constitui
um princípio instrumental de realização dos princípios da moralidade administrativa e do
tratamento isonômico dos eventuais contratantes com o Poder Público.
A licitação é um procedimento formalmente regulado em lei. Portanto, aos Estados, Distrito
Federal e Municípios compete legislar suplementarmente sobre a matéria no que tange ao
interesse peculiar de suas administrações. ver art. 37, XXI da CF.

31
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Princípio da prescritibilidade dos ilícitos administrativos


Prescrevem a apuração e a punição do ilícito, mas não o direito da Administração ao
ressarcimento, à indenização, do prejuízo causado ao erário. ver art. 37, § 5º da CF.

Princípio da responsabilidade civil da Administração


Responsabilidade civil significa a obrigação de reparar os danos ou prejuízos de natureza
patrimonial (e, às vezes, moral) que uma pessoa cause a outrem. A obrigação de indenizar é da
pessoa jurídica a que pertencer o agente. O prejudicado há que mover a ação de indenização
contra a Fazenda Pública respectiva ou contra a pessoa jurídica privada prestadora de serviço
público, não contra o agente causador do dano. O princípio da impessoalidade vale aqui também.
ver art. 37, § 6º da CF.

Princípio da participação
O princípio da participação do usuário na Administração Pública foi agora introduzido pela EC-
19/98, com o novo enunciado do § 3º do art. 37, que vamos apenas reproduzir, porque a
efetivação do princípio depende de lei. Diz o texto: “A lei disciplinará as formas de participação do
usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente: I – as reclamações
relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de
atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; II –
o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo,
observado o disposto no art. 5º, X [ respeito à privacidade ] e XXXIII [ direito de receber dos
órgãos públicos informações de seu interesse ou de interesse coletivo ou geral ]; III – a disciplina
da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na
administração pública”.

Princípio da autonomia gerencial


A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da Administração
direta e indireta [ diz o § 8º do art. 37, introduzido pela EC-19/98 ] poderá ser ampliada mediante
contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto a
fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre: I – o
prazo de duração do contrato; II – os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos,
obrigações e responsabilidade dos dirigentes; III – a remuneração do pessoal. A lei outorga aos
administradores dos órgãos públicos, competências especiais.

DOS SERVIDORES PÚBLICOS

Agentes Administrativos

Agentes públicos e administrativos


Nele distinguem-se dois elementos: (a) um: subjetivo, pessoa e variável, que é a pessoa ou
conjunto de pessoas que, em última análise, expressa a vontade da entidade pública (União,
Estados, Distrito Federal ou Município); (b) outro: objetivo, abstrato, institucional e contínuo, que é
um centro de competência ou complexo de atribuições. O órgão é, assim, uma unidade jurídica,
que compreende seu titular (elemento subjetivo) e suas competências, atribuições e seus meios
técnicos, informativos, coativos, etc., que caracterizam o cargo, emprego ou função.
Agente público – 1) agente político e 2) agente administrativo.
Os agentes administrativos, que se repartem em dois grandes grupos: (1) os servidores
públicos, que compreendem quatro categorias (art. 37, I e IX): (a) servidores investidos em cargos
(funcionários públicos), (b) servidores públicos investidos em empregos (empregados públicos),
(c) servidores admitidos em funções públicas (servidores públicos em sentido estrito) e (d)
servidores contratados por tempo determinado (prestacionistas de serviço público temporário); (2)

32
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

os militares, que compreendem os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros


Militares (art. 42) e os das Forças Armadas (art. 142, § 3º).

Acessibilidade à função administrativa: a CF estatui que os cargos, empregos e funções


são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos
estrangeiros, na forma da lei (art. 37, I, cf. EC-19/98).

Investidura em cargo ou emprego: a exigência de aprovação prévia em concurso público


implica a classificação dos candidatos e nomeação na ordem dessa classificação; não basta, pois,
estar aprovado em concurso para ter direito à investidura; necessária também é que esteja
classificado e na posição correspondente às vagas existentes, durante o período de validade do
concurso, que é de 2 anos (37, III); independem de concurso as nomeações para cargo em
comissão (37, II).

Contratação de pessoal temporário: será estabelecido por lei, para atender a necessidade
temporária de excepcional interesse público (art. 37, IX).

Sistema remuneratório dos agentes públicos: Espécies; a EC-19/98 modificou o sistema


remuneratório dos agentes, com a criação do subsídio, como forma de remunerar agentes
políticos e certas categorias de agentes administrativos civis e militares; é usada a expressão
espécie remuneratória como gênero, que compreende: o subsídio, o vencimento, os vencimentos
e a remuneração.

Isonomia, paridade, vinculação e equiparação de vencimentos: isonomia é igualdade de


espécies remuneratórias entre cargos de atribuições iguais ou assemelhados; paridade é um tipo
especial de isonomia, é igualdade de vencimentos a cargos e atribuições iguais ou assemelhadas
pertencentes a quadros de poderes diferentes; equiparação é a comparação de cargos de
denominação e atribuições diversas, considerando-os iguais para fins de lhes conferirem os
mesmos vencimentos; vinculação é relação de comparação vertical, vincula-se um cargo inferior,
com outro superior, para efeito de retribuição, mantendo-se certa diferença, aumentando-se um,
aumenta-se o outro.

Vedação de acumulações remuneradas: ressalvadas as exceções expressas, não é


permitido a um mesmo servidor acumular dois ou mais cargos ou funções ou empregos, seja da
Administração direta ou indireta (37, XVI e XXVII).

Servidor investido em mandato eletivo: o exercerá observando as seguintes regras: 1) se


se tratar de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado da sua atribuição (38, I);
o afastamento é automático; 2) mandato de prefeito, será afastado do cargo, sendo-lhe facultado
optar pela remuneração; o afastamento se verifica com a posse; 3) mandato de vereador;
havendo compatibilidade de horário, exercerá ambas. Em qualquer das hipóteses, seu tempo de
serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento.

SERVIDORES PÚBLICOS

Aposentadoria, pensão e seus proventos: a aposentadoria dos servidores abrangidos pelo


regime previdenciário de caráter contributivo (art. 40, cf. EC-20/98) se dará: por invalidez
permanente, compulsoriamente aos 70 anos com provento proporcionais ao tempo de
contribuição e, voluntariamente (desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo
exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria,
observadas as seguintes condições:

33
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se homem, e cinqüenta e cinco


anos de idade e trinta de contribuição, se mulher;
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, com
proventos proporcionais ao tempo de contribuição); sobre a pensão, é determinado que os
benefícios da pensão por morte será igual ao valor dos proventos do falecido ou ao valor dos
proventos a que teria direito em atividade na data de seu falecimento, observado o disposto no §
3º do art. 40.
ver o arquivo C:/Meus Documentos/Workgroup/Inss/Constituição Dispositivos.zip

Efetividade e estabilidade: o art. 41, cf. a EC-19/98 diz que são estáveis após 3 anos de
efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de
concurso público; cargo de provimento efetivo é aquele que deve ser preenchido de caráter
definitivo; são requisitos para adquirir a estabilidade: a nomeação por concurso e o exercício
efetivo após 3 anos.

Vitaliciedade: é assegurada pela CF a magistrados, membros do Tribunal de Contas e


membros do MP; essa garantia não impede a perda do cargo pelo vitalício em 2 hipóteses:
extinção do cargo, caso em que o titular ficará em disponibilidade com vencimentos integrais; e
demissão, o que só poderá ocorrer em virtude de sentença judicial.

Sindicalização e greve dos servidores públicos: é expressamente proibida aos militares,


cabível só aos civis; quanto à sindicalização, não há restrições (37, VI); quanto à greve, o texto
constitucional estabelece que o direito de greve dos servidores será exercido nos termos e nos
limites definidos em lei específica, o que, na prática, é quase o mesmo que recusar o direito
prometido.

TRIPARTIÇÃO DO PODER
Poder: trata-se do conjunto de preceitos imperativos incidentes sobre certos seres fixados em
determinado território.
O sentido constitucional do poder é dados pelas três seguintes acepções:
a) poder enquanto revelação da soberania (art. 1º, parágrafo único, da CF);
b) poder enquanto órgão do Estado (art. 2º, da CF);
c) poder enquanto função (arts. 44, 76 e 92 da CF).
Equivocam-se os que utilizam a expressão “tripartição dos poderes.” É que o poder é uma
unidade. Como já vimos, é atributo do Estado. A distinção é entre os órgãos desempenhantes de
funções.

PODER LEGISLATIVO: SUA ESTRUTURA


A forma de Estado é federal. O Legislativo nacional é bicameral. São duas casas legislativas
do Congresso Nacional, órgão que desempenha a função legislativa:
 Câmara dos Deputados (art. 45), onde se encontram os representantes do povo brasileiro
e;
 Senado Federal (art. 46), onde se encontram os representantes dos Estados e do Distrito
Federal.
Dentre as funções do Legislativo encontra-se a de ditar normas nacionais, isto é, preceitos
que obrigam a todos os que se achem no território nacional. As casas podem reunir-se
separadamente ou conjuntamente.
Legislatura: período de mandato do parlamentar.

34
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Sessão Legislativa: reuniões semestrais do Congresso Nacional, que se verificam de 15 de


fevereiro a 30 de junho e de 1º de agosto a 15 de dezembro, tal como prescreve o art. 57.
- sessão ordinária – são aquelas ocorrentes nos períodos já mencionados (art. 57).
- sessão extraordinária – são as que se realizam fora daquele período (em caso de estado
de sítio, estado de defesa ou intervenção federal e para o compromisso e a posse do Presidente e
Vice-Presidente da República – pode ser feita pelo Presidente do Senado Federal).
Quando a convocação baseia-se na urgência ou interesse público relevante, ela pode ser feita
pelo Presidente da República ou pelos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal ou mediante requerimento da maioria dos membros de ambas as casas.

Câmara dos Deputados


O número total de deputados será estabelecido por lei complementar. Para candidatar-se é
preciso: a) ser brasileiro nato ou naturalizado (art. 14, § 3º, I); b) ser maior de 21 anos de idade
(art. 14, § 3º, VI, “c”); c) estar no exercício dos direitos políticos (art. 14, § 3º, II).
Para estabelecer o número de deputados a serem eleitos por Estado, tomou-se como
referência a população1, como se verifica no art. 45, § 1º, da CF. Nenhum Estado terá mais de
setenta ou menos de oito deputados. A legislatura é de quatro anos.

Senado Federal
No Senado estão os representantes dos Estados e do Distrito Federal. A paritariedade da
representação visa a manter o equilíbrio das unidades federadas por força da participação
parificada de todos os Estados nas decisões nacionais.
São condições para a candidatura ao Senado: a) ter nacionalidade brasileira (art. 14, § 3º, I);
b) ser maior de 35 anos de idade (art. 14, § 3º, VI, “a”); c) estar no exercício dos direitos políticos
(art. 14, § 3º, II). O mandato de senador é de oito anos, havendo renovação de quatro em quatro
anos, alternadamente, por um e por dois terços (art. 46, § § 1º e 2º, da CF).
Cada senador será eleito com dois suplentes, que o substituirão segundo a ordem em que
foram eleitos.

As Mesas Diretoras e as Comissões


Temos as seguintes Mesas dirigentes: a) da Câmara dos Deputados; b) do Senado Federal; c)
do Congresso Nacional. Nas hipóteses “b”e “c”, a Mesa dirigente dos trabalhos é a do Senado. Os
dirigentes das mesas não podem candidatar-se ao mesmo cargo na mesa, findo o prazo de
mandato de dois anos. Podem candidatar-se a outro cargo, em eleição imediatamente
subseqüente. (art. 57, § 4º).

Garantias dos parlamentares


Garante-se a atividade do parlamentar para garantir a instituição. Conferem-se a deputados e
senadores prerrogativas com o objetivo de lhes permitir desempenho livre, de molde a assegurar
a independência do Poder que integram. Daí as garantias constitucionais de inviolabilidade no
exercício do mandato e imunidade processual.
A inviolabilidade diz respeito à emissão de opiniões, palavras e votos.
Opiniões e palavras que, ditas por qualquer pessoa, podem caracterizar atitude delituosa, mas
que assim não se configuram quando pronunciados por parlamentar. Sempre, porém, quando tal
pronunciamento se der no exercício do mandato. Quer dizer: o parlamentar, diante do Direito,
pode agir como cidadão comum ou como titular de mandato. Agindo na primeira qualidade não é
coberto pela inviolabilidade. A inviolabilidade está ligada à idéia de exercício de mandato.
Opiniões, palavras e votos proferidos sem nenhuma relação com o desempenho do mandato
representativo não são alcançados pela inviolabilidade.

1
População equivale à soma de brasileiros, estrangeiros e apátridas.

35
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Para viabilizar essa inviolabilidade o § 1º do art. 53 determina que, a partir da expedição do


diploma até a inauguração da legislatura seguinte, os membros do Congresso Nacional não
poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, nem processados criminalmente,
sem prévia licença da Casa a que pertencerem. É certo, porém, que o indeferimento do pedido de
licença ou mesmo a ausência de deliberação sobre a matéria suspende a prescrição enquanto
não deixar o mandato. Significa que, findo o mandato, sem reeleição, o parlamentar sujeita-se ao
processo criminal.
A Casa legislativa, ao tomar conhecimento do flagrante de crime inafiançável, não procede a
julgamento técnico-jurídico, mas simplesmente decide sobre a prisão e sobre a oportunidade do
processo-crime.
Ao decidir, a Câmara estará implicitamente definindo se aquele ato concreto foi praticado
como extensão ou implicação do exercício da função parlamentar, ou não.
Tem-se discutido se continua inviolável o parlamentar que se licencia para exercer cargo
executivo (Secretário de Estado, Ministro de Estado). Se continua, ou não, exercendo o mandato.
O Supremo Tribunal Federal decidiu que o licenciado não está no exercício do mandato e, por
isso, dispensa-se a licença aqui referida. Parece-nos que o art. 56 da CF responde a essa
indagação ao prescrever que: não perderá o mandato o deputado ou senador investido no cargo
de Ministro de Estado, Governador de Território, Secretário de Estado, do Distrito Federal, de
Território, etc.
“Não perderá o mandato.” Significa: quando cessarem suas funções executivas, o
parlamentar, que não perdeu o mandato, pode voltar a exercê-lo. O que demonstra que, enquanto
afastado, não se encontrava no exercício do mandato. Este, sim, coberto pela imunidade. O
preceito do art. 56 teve o efeito de fixar que o afastamento temporário não importa a cessação do
mandato, senão que interrupção de exercício. Harmoniza-se com a prescrição da impossibilidade
de exercício simultâneo de funções em Poderes diversos.

PODER LEGISLATIVO: SUAS FUNÇÕES


Funções típicas: produzir normas infraconstitucionais geradores de direitos e obrigações,
legislar (art. 59 da CF) – à exceção das medidas provisórias e leis delegadas, produzidas pelo
Presidente da República sem aprovação posterior do Legislativo. A ele compete exercer a
fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do poder executivo. (art.
70).
Funções atípicas: administrar e julgar. O Legislativo administra quando dispõe sobre sua
organização, polícia e provimento de cargos de seus serviços. Julga quando decide a respeito dos
crimes de responsabilidade do Presidente da República, dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal e do Procurador-Geral da República, bem como dos Ministros de Estado nos crimes de
responsabilidade conexos com aqueles praticados pelo Chefe do Executivo.

A função fiscalizadora
Duas competências fiscalizadoras são atribuídas ao Legislativo: uma, ampla e geral, que lhe
permite indagar e questionar a respeito de todos os atos do Poder Executivo, inclusive os da
administração indireta. É competência derivada da idéia segundo a qual os atos da administração
devem ser acompanhados e fiscalizados pelo povo.
Outra competência fiscalizadora é a prevista no art. 70 do Texto Constitucional. Cuida-se da
fiscalização financeira e orçamentária. Nesse mister o Congresso Nacional é auxiliado pelo
Tribunal de Contas da União.
Esclareça-se que todas as unidades administrativas estão sujeitas a esse controle. Assim a do
Executivo, a do Legislativo e a do Judiciário. Também deverá prestar contas qualquer pessoa,
física ou jurídica, pública ou privada, que “utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre
dinheiros, bens e valores públicos...”. É o que se extrai do parágrafo único do art. 70.

36
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Os Tribunais de Contas
O controle de contas do Executivo por órgão distinto dele é da tradição do nosso direito
constitucional. O controle de contas, mediante ação fiscalizadora, foi, pois, desde o nascimento do
Estado brasileiro, exercido pelo Poder Legislativo.
A Constituição de 1988 dispõe: Art. 71. “O controle externo, a cargo do Congresso Nacional,
será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União (...)”.
Tribunal de Contas: - É órgão do Legislativo e desempenha funções administrativas de
controle como instrumento auxiliar daquele Poder. É órgão auxiliar do Congresso Nacional e
pratica somente atos de natureza administrativa.
Resulta do exposto que o Tribunal de Contas é parte componente do Poder Legislativo, na
qualidade de órgão auxiliar, e os atos que pratica são de natureza administrativa.
Ver arts. 70 a 75.

O PROCESSO DE CRIAÇÃO DA LEI

Conceito de lei
Lei é ato normativo produzido pelo Poder Legislativo segundo forma prescrita na Constituição,
gerando direitos e deveres em nível imediatamente infraconstitucional. As leis de efeitos
concretos, se qualificam como atos administrativos. Lei auto-executável é a que atinge o resultado
desejado pelo legislador mediante dois procedimentos que se sucedem no tempo – a
promulgação e o ato de execução, distinguindo-se por isso da lei que não é auto-executável, a
qual exige, para exaurir-se, três etapas sucessivas – a promulgação, a regulamentação e o ato de
execução. Já as leis de efeitos concretos são, como o nome indica, as que concretizam em si
mesmas o objetivo do legislador, que se consumam no ato instantâneo da promulgação.
As outras leis estatuem um comando impessoal e abstrato, que só mediante o ato de
execução, em fase subseqüente à promulgação, pode incidir sobre o direito individual, realizando
o efeito previsto e desejado pelo legislador; ao passo que a lei de efeito concreto é o próprio ato
administrativo revestido da roupagem formal da lei, consubstanciando num só corpo e num só
momento a norma e a sua execução, uma e outra aperfeiçoadas no mesmo e único instante da
promulgação, de tal forma que, publicada a lei, nada mais resta fazer-se para a sua efetiva
aplicação.

FASES DO PROCESSO DE CRIAÇÃO DA LEI


a) Iniciativa: é o ato que deflagra o processo de criação da lei.
Podem iniciar esse processo: o Presidente da República, Deputado, Senador, Comissão da
Câmara dos Deputados, Comissão do Senado Federal, Comissão do Congresso Nacional, o
Supremo Tribunal Federal, os Tribunais Superiores (quando tratar-se de normas atinentes ao
Judiciário) e o Procurador-Geral da República (quando tratar-se de normas referentes ao
Ministério Público Federal). Também os cidadãos (iniciativa popular). É o disposto no art. 61 da
CF, que prevê a iniciativa geral. Ao lado desta, verifica-se a iniciativa reservada, à Câmara dos
Deputados, Senado Federal e Tribunais sobre a criação e extinção de cargos e fixação de
vencimentos. (art. 96, II, “b”).
Se o projeto é de iniciativa do Presidente da República e dos Tribunais Federais, será
apresentado à Câmara dos Deputados, assim como se apresentado por Deputado; se oferecido
por Senador, a discussão se inicia no Senado Federal.
b) Discussão: apresentado o projeto à Casa legislativa competente, passa-se à sua
discussão. Esta se opera tanto nas comissões permanentes (a previsão das comissões encontra-
se no art. 58) como, posteriormente, em plenário.
As comissões permanentes examinarão a constitucionalidade (aspecto formal) e o conteúdo
(aspecto material).
Discutido o projeto nas comissões, é remetido ao plenário para final discussão e votação.

37
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Essa tramitação se opera tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Se a
segunda Câmara, incumbida de apreciar o projeto (chamada revisora do Texto Constitucional),
aprovar o projeto, será enviado para sanção ou promulgação; se o emendar, deverá devolvê-lo à
Casa iniciadora para que aprecie a emenda; se o rejeitar, será arquivado (art. 65 e parágrafo
único).
A matéria constante de projeto de lei arquivado ou não sancionado somente poderá constituir
objeto de novo projeto na mesma sessão legislativa (refere-se à sessão anual) mediante proposta
da maioria absoluta dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. É, este, mais
um caso de iniciativa conferida à maioria absoluta das Casas do Congresso Nacional: só esta
pode propor projeto de lei que abrigue matéria contida em anterior projeto rejeitado ou não
sancionado.
OBS: - Não serão aprovadas emendas aos projetos de lei, que aumentem as despesas
previstas no projeto. (art. 63, I e II).
c) Votação: discutido o projeto, passa-se à votação. Tratando-se de lei ordinária, a aprovação
se verifica por maioria simples. Só se instala a sessão deliberativa com a presença da maioria dos
integrantes da Casa Legislativa. Esta é a maioria absoluta. Presente essa maioria, delibera-se.
Aprova-se mediante voto favorável da maioria dos presentes à sessão. Trata-se da maioria
simples.
Exemplificadamente, sendo 100 os integrantes da Casa Legislativa, a maioria absoluta é a de
51 membros. Presentes os 51, há quorum. A maioria simples equivale a 26 membros. Alerta-se
para as hipóteses dos colegiados de números ímpares. Se é de 27 membros, a maioria absoluta é
de 14 membros, ou seja, o primeiro número inteiro subseqüente ao número obtido da divisão.
A votação, em certos casos, há de ser feita dentro do prazo fixado pelo Presidente da
República. É que o art. 64, § 1º, autoriza o Presidente da República a remeter projetos de lei
solicitando sua apreciação em prazo de 90 dias, sendo 45 em cada Câmara.
A inapreciação, nesse prazo, importa a inclusão do projeto na ordem do dia, sobrestando-se a
deliberação dos demais assuntos até que se ultime a votação (art. 64, § 2º).
Não há, como se vê, aprovação por decurso de prazo. Há, isto sim, mecanismo constitucional
que acaba por obrigar as Casas legislativas a aprovarem projeto remetido com solicitação de
urgência. Esta norma, por caracterizar-se como “princípio” atinente ao processo legislativo,
permite a conclusão segundo a qual Estados, Distrito Federal e Municípios não podem adotar o
regime de aprovação de projetos por decurso de prazo.
Temos, assim, que os projetos de lei podem tramitar: a) sem fixação de prazo; b) com fixação
de prazo, em regime de urgência.
Assinale-se que o prazo de 90 dias pode dilatar-se para 100 dias. Se houver emenda ao
projeto no Senado Federal, retorna ele à Câmara dos Deputados para sua apreciação no prazo de
10 dias. Somados com os 90 dias, fazem 100.
d) Sanção ou veto: Sanção é a aquiescência do Presidente da República aos termos de um
projeto de lei. A sanção pode ser expressa ou tácita. Será expressa quando o Presidente
manifestar-se, concordando, no prazo de 15 dias. Tácita, quando silencia naquele prazo. A
sanção também pode ser total ou parcial conforme concorde, ou não, com a totalidade do projeto.
Vetar, na significação constitucional, é discordar dos termos de um projeto de lei. Para tanto, o
Chefe do Executivo examina dois aspectos: constitucionalidade e interesse público. Verifica, pois,
a forma e o mérito. O primeiro é prejudicial do segundo e, por isso, constitui preliminar de
conhecimento do projeto. Antes de entrar no mérito, o Chefe do Executivo verifica se o projeto é
consonante com a Constituição, se não a vulnera. Concluindo pela conformidade, examinará o
mérito, o interesse público. Por isso, o veto há de ser, sempre, motivado, a fim de que se
conheçam as razões que conduziram à discordância, se referentes à inconstitucionalidade ou à
falta de interesse público ou, até, se por ambos os motivos. É o que se extrai da leitura do art. 66,
§ 1º, da CF.

38
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

O mesmo juízo deverá ser feito para sancionar o projeto, ou seja, para aquiescer aos termos
do projeto. Assim, o que Presidente da República recebe para sancionar ou vetar é um projeto de
lei que ganhou forma no Poder competente: o Legislativo.
Não pode impressionar o argumento da iniciativa: o Presidente pode, como visto, iniciar o
procedimento de elaboração da lei, mas quem dá corpo ao projeto é o Legislativo. Acrescente-se
– para reforçar – a idéia segundo a qual a manifestação constitucionalmente mais expressiva na
formação da lei é a “vontade geral”, derivada dos representantes do povo – que têm assento na
Câmara dos Deputados – e dos Estados – que têm assento no Senado Federal.
O Presidente da República participa do projeto legislativo numa medida salutar e
enriquecedora do princípio da independência e harmonia dos Poderes. Mas, indubitavelmente, o
momento principal da elaboração legislativa ocorre nas Casas do Congresso Nacional, centros
auscultadores da opinião pública e filtros da fermentação social.
Por tudo isto, é impossível o veto aditivo ou restabelecedor, isto é, o veto que adicione algo ao
projeto de lei ou restabeleça artigos, parágrafos, incisos ou alíneas suprimidos pelo Congresso
Nacional.
O veto parcial surgiu para impedir o que a doutrina chama de riders, de “caudas legais”, que
os membros do Legislativo faziam aderir aos projetos de lei de interesse do Executivo, por meio
de emendas. Subsistente apenas o veto total, o Chefe do Executivo era obrigado, muitas vezes, a
sancionar o projeto de lei com emendas indesejáveis. Ocorria, com freqüência, no caso da lei
orçamentária. A Constituição de 1988 dele cuida no art. 66, § 2º.
Qual é, no sistema vigente, o seu alcance ? O Chefe do Executivo federal pode vetar
palavras ? Há presentemente a impossibilidade do veto de palavras.
e) Promulgação: Promulgar é atestar que a ordem jurídica foi inovada. A promulgação é o ato
pelo qual o Executivo autentica a lei, isto é, atesta a sua existência, ordenando-lhe a aplicação e
conseqüente cumprimento, por parte de terceiros, depois dessa providência.
Em regra, o Presidente da República é quem promulga a lei. Entretanto, na hipótese de
rejeição de veto e, também, no caso de sanção tácita, se o Presidente não promulgar a lei dentro
de 48 horas, a competência passa ao Presidente do Senado Federal e, se este não promulgá-la
no mesmo prazo, fá-lo-á o Vice-Presidente do Senado Federal.
O que se poderia perguntar é se, passadas as 48 horas, o Presidente da República poderia
promulgar o projeto de lei. Respondemos afirmativamente, pois o objetivo da prescrição do § 7º do
art. 66 não é transferir a competência, mas autorizar outras autoridades a atestarem a existência
da lei na omissão do Presidente. O objetivo é suprir e não impedir a manifestação do Chefe do
Executivo.
f) Publicação: a publicação visa a dar conhecimento a todos de que a ordem jurídica recebeu
normação nova. Visa a impedir que se alegue ignorância da lei.
Busca, também, marcar o momento em que o cumprimento da lei passa a ser exigido (mesmo
quando a lei indique o início de sua vigência).
Há de ser publicada em órgão oficial. Naquele que veicula, oficialmente, os atos do Poder
Público. Nos locais onde não haja jornal oficial, considera-se publicado o ato governamental pelos
meios em que rotineiramente se os veiculam no local (afixação de texto no quadro próprio da
Câmara Municipal ou da Prefeitura, por exemplo).
Se o texto da lei for parcialmente publicado, far-se-á nova publicação do texto integral. Mas o
que foi publicado parcialmente gera direitos e deveres ?
A resposta é afirmativa.
É que o texto levado a conhecimento público retrata a decretação, a sanção e a promulgação
anteriormente feitas.

AS ESPÉCIES NORMATIVAS – art. 59 da CF

Emendas à Constituição

39
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

A emenda à Constituição é, enquanto projeto, um ato infraconstitucional: só ingressando no


sistema normativo é que passa a ser preceito constitucional e, daí, sim, da mesma estatura
daquelas normas anteriormente postas pelo constituinte. Há as vedações de natureza
circunstancial e vedações de natureza material.
Com efeito, no § 4º do art. 60 encontramos a expressão: “não será objeto de deliberação a
proposta de emenda tendente a abolir a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto,
universal e periódico; a separação de Poderes e os direitos e garantias individuais”. São matérias
intocáveis pelo legislador constituinte. Em outras palavras, a rigidez constitucional, nessas
matérias, ocupa grau máximo.
De outro lado, no § 1º, encontram-se as vedações circunstanciais. Na circunstância do estado
de sítio ou na circunstância do estado de defesa ou, ainda, na intervenção federal, não se pode
modificar a Constituição Federal. Em outras palavras: o legislador reformador, que tem assento no
Congresso Nacional, submete-se aos ditames constitucionais; submete-se àquilo que antes
positivou o legislador constituinte ordinário, aquele que criou o Estado, aquele que estabeleceu a
Constituição.
A emenda constitucional, por sua vez, só pode ingressar no sistema se obedecer a processo
determinado, o qual vem arrolado no art. 60, I a III, e § § 2º e 3º.
Evidentemente, se uma emenda constitucional trouxer modificação, p.e., do sistema tributário,
vulnerando princípios, ou em desobediência à forma determinada para sua produção, não se
admite sua introdução na Constituição. Se vier a introduzir-se, é passível de declaração de
inconstitucionalidade.
Convém notar que o texto constitucional abriga vedações explícitas e implícitas.
As explícitas são aquelas já mencionadas.
As implícitas são as que dizem respeito à forma de criação de norma constitucional bem como
as que impedem a pura e simples supressão dos dispositivos atinentes à intocabilidade dos temas
já elencados (art. 60, § 4º, da CF).

Processo de criação da Emenda à Constituição


Têm a iniciativa do projeto de emenda à Constituição: o Presidente da República (art. 60, II);
os Deputados e Senadores, devendo a proposta, neste caso, ter assinatura de 1/3 dos membros
da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal (art. 60, I) ou mais da metade das Assembléias
Legislativas das unidades da Federação, cada uma manifestando-se pela maioria relativa de seus
membros (art. 60, III).
A proposta de emenda é discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois
turnos. Considera-se aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos membros de cada uma
das Casas (art. 60, § 2º).
Inexiste sanção no caso de Emendas Constitucionais. A decisão é, soberanamente, do
Congresso Nacional, que exerce a representação popular e dos Estados, na reformulação da
estrutura estatal.
Votado e aprovado o projeto, passa-se à promulgação, efetivada pelas Mesas da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal, com o número de ordem seqüente a anteriores emendas.
Sobre a publicação o Texto Constitucional silencia. Há de entender-se, entretanto, que essa
competência é do Congresso Nacional.

Lei Complementar e Lei Ordinária


Não há hierarquia entre a lei complementar e a lei ordinária. O fundamento de validade destes
tipos estão no próprio Texto Constitucional.
Lei Complementar: Complementam a Constituição, regulamentando assunto nela contido.
Não se pode atribuir a qualquer espécie normativa o caráter de lei complementar. A própria
Constituição estabelece os casos em que deve haver a complementação. Ex: A Lei Complementar

40
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

75/93 estabeleceu o ESTATUTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO, em obediência ao


preceituado no art. 128, § 5º.
Lei Ordinária: É o tipo mais freqüente e são assim denominadas para distinguirem-se das leis
complementares ou delegadas. Na prática, recebem a denominação pura e simples de lei.
As leis ordinárias são as leis reguladoras das relações comuns entre os homens, em sua vida
cotidiana. São as leis que determinam o que é permitido e o que é proibido, em atenção às
conjunturas de cada tempo, de cada lugar, de cada grupo social. Estas leis, sendo conjunturais,
podem ser revogadas e substituídas por outras leis ordinárias, de acordo com as mutáveis
exigências da vida.
Diferença: as leis ordinárias distanciam-se das complementares no tocante ao quorum de sua
aprovação. As leis complementares carecem da maioria absoluta dos votos dos membros das
duas Casas do Congresso Nacional, enquanto as leis ordinárias, de acordo com o Texto
Constitucional, estão sujeitas a aprovação por maioria simples, presente a maioria absoluta dos
membros daquelas casas (art. 47 da CF).
ver também arts. 61 a 69 da CF.

Processo de criação da lei complementar e da lei ordinária


Têm iniciativa dos projetos de lei complementar e de lei ordinária: o Deputado, o Senador,
Comissão da Câmara dos Deputados, Comissão do Senado Federal, Comissão do Congresso
Nacional, o Presidente da República, o Supremo Tribunal Federal e Tribunais Superiores, o
Procurador-Geral da República e os cidadãos (iniciativa popular) (art. 61).
A discussão se opera na Câmara dos Deputados e no Senado Federal (arts. 64 e 65).
A votação, visando à aprovação, no caso da lei ordinária, se dá por maioria simples (art. 47);
no caso de lei complementar, por maioria absoluta (art. 69).
A sanção é da competência do Presidente da República (art. 66) tanto no caso da lei
complementar como da lei ordinária.
A promulgação cabe ao Presidente da República. Ressalva-se a hipótese em que haja veto
com sua subseqüente rejeição. Nesse caso, se a lei não for promulgada dentro de 48 horas pelo
Presidente da República, o Presidente do Senado a promulgará e, se este não o fizer no prazo de
48 horas (contadas a partir do escoamento do prazo de 48 horas conferido ao Presidente da
República), a promulgação competirá ao Vice-Presidente do Senado (art. 66, § 7º). O mesmo
procedimento será seguido no caso de sanção tácita, se, após 48 horas, o Presidente não
promulgar a lei.
A publicação, tanto da lei complementar quanto da lei ordinária, caberá a quem a tenha
promulgado.

Peculiaridades do processo de criação da lei ordinária


São eles: a) leis de tramitação sem prazo; b) leis de tramitação com prazo, em regime de
urgência.
Quanto aos projetos de leis de tramitação sem prazo, o processo legislativo aplicável é aquele
já escrito no tópico anterior.
Quanto aos projetos de lei ordinária de tramitação com prazo a iniciativa é do Presidente da
República, pois é este que pode enviar ao Congresso Nacional projetos de lei fixando prazo para
sua apreciação: 45 dias pela Câmara dos Deputados mais 45 dias pelo Senado Federal. Estes os
termos em que se processa a discussão, sendo certo que, se houver emendas no Senado, a sua
apreciação se fará no prazo de 10 dias pela Câmara dos Deputados. Esse prazo de 10 dias
significa que o prazo fixado em 90 dias pode dilatar-se a 100. Esses prazos, por sua vez, não
correm nos períodos de recesso do Congresso Nacional. Significa que se interrompem para
prosseguir a contagem após o recesso.
Quando há fixação de prazo a votação há de ser feita naquele período. Caso contrário, o
projeto será incluído na ordem do dia, sobrestando-se a deliberação quanto aos demais assuntos

41
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

até que se ultime a votação. É fórmula coercitiva estabelecida para obrigar o Congresso a apreciar
expressamente o projeto de lei.

Leis delegadas
Delegar atribuições, para o constituinte, significa retirar parcela de atribuições de um Poder
para entregá-lo a outro Poder.
Delegação de atribuição, segundo o Texto Constitucional, se verifica com o deslocamento de
parcela de atribuição do Legislativo, por vontade deste, para outro Poder, o que se dá na
delegação externa corporis. Na que autoriza o Presidente da República a editar lei. Delegação de
atribuições é, efetivamente, a transferência de parte da atividade legislativa ao Presidente da
República.
A delegação ao Presidente da República se faz por meio de resolução do Congresso Nacional
(art. 68, § 2º).
Por outra parte, só é possível delegar ao Presidente da República se este solicitar. Em outras
palavras: o Legislativo não pode obrigar o Presidente da República a legislar.
Ainda são indelegáveis os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional (aqueles
arrolados no art. 49); os de competência exclusiva da Câmara dos Deputados (arrolados no art.
51); os de competência exclusiva do Senado Federal (arrolados no art. 52) e as leis sobre
organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a legislação sobre nacionalidade,
cidadania, direitos individuais, políticos, eleitoral e sobre planos plurianuais, diretrizes
orçamentárias e orçamento. São indelegáveis, também, as matérias reservadas à lei
complementar.

Processo de criação da lei delegada


Somente mediante a iniciativa solicitadora do Presidente da República é que se pode deflagrar
o processo de criação da lei delegada mediante expedição de resolução autorizadora por parte do
Congresso Nacional.
Dependendo do estabelecido na resolução autorizadora, que especificará seu conteúdo e os
termos de seu exercício, haverá ou não apreciação do projeto pelo Congresso Nacional. Se a
resolução não determinar essa apreciação, dispensa-se a sanção, passando-se à promulgação.
Mesmo que a resolução determine a apreciação pelo Congresso Nacional, parece-nos
dispensável a sanção, porque o conteúdo do projeto de lei delegada não se alterará, visto que se
fará em votação única, vedada qualquer emenda (art. 68, § 3º).
Não se veta, em conseqüência, projeto de lei delegada. É ilógico pensar-se que o Presidente
vetaria aquilo que ele próprio elaborou.

Medida Provisória
Não é lei, porque não é ato nascido no Poder Legislativo, mas tem a força da lei, porque cria
direitos e obrigações. É unipessoal.
A medida provisória pouco difere do decreto-lei previsto na Constituição anterior. E com uma
agravante: o decreto-lei somente poderia versar sobre matérias determinadas: segurança
nacional, criação de cargos públicos, inclusive fixação de vencimentos, finanças públicas e
normas tributárias. Para as medidas provisórias não há essa limitação. Podem versar, portanto,
sobre todos os temas que possam ser objeto de lei, à exceção, naturalmente, das seguintes
matérias: a) aquelas entregues à lei complementar; b) as que não podem ser objeto de delegação
legislativa; c) a legislação em matéria penal; d) a legislação em matéria tributária.
As medidas provisórias só podem ser editadas pelo Presidente da República. Não podem
adotá-las os Estados e os Municípios. É que a medida provisória é exceção ao princípio segundo
o qual legislar compete ao Poder Legislativo. Sendo exceção, a sua interpretação há de ser
restritiva, nunca ampliativa.

42
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Questão interessante a ser enfrentada é a seguinte: o que ocorre com a lei anterior, que
cuidava de matéria que venha a ser veiculada por medida provisória ?
A edição da medida provisória paralisa temporariamente a eficácia da lei que versava a
mesma matéria. Se a medida provisória for aprovada, se opera a revogação. Se, entretanto, a
medida provisória for rejeitada, restaura-se a eficácia da norma anterior. Isto porque, com a
rejeição, o Legislativo expediu ato volitivo consistente em repudiar o conteúdo daquela medida
provisória, tornando subsistente anterior vontade manifestada de que resultou a lei antes editada.

O processo de criação da medida provisória


A medida provisória tem a particularidade de nascer como diploma normativo pela tão-só
manifestação do Chefe do Executivo.
A discussão é posterior. Já em vigor, produzindo efeitos, é submetida ao Congresso Nacional,
que deverá apreciá-la para aprová-la ou rejeitá-la no prazo de 30 dias a contar de sua publicação.
Se o Congresso Nacional estiver em recesso, deverá ser convocado extraordinariamente no
prazo de cinco dias para o exame da medida provisória.
A aprovação há de ser expressa, no prazo aludido.
A aprovação converte medida provisória em lei. A não-apreciação importa rejeição. Rejeitada,
o Congresso Nacional deve regulamentar as relações jurídicas que dela decorram. E o
instrumento para essa regulamentação é a lei. Não há, pensamos, outra forma de corporificar a
regulamentação.
Não há sanção, visto que não há projeto. O diploma já nasce enformado.
De igual maneira, não se cogita da promulgação. Cuida-se, apenas, de publicação, ato que,
na verdade, dá nascimento à medida provisória, porque veicula a vontade do Presidente da
República. E a conversão da medida em lei também dispensa a sanção.

Decreto legislativo
Essa espécie normativa tem como conteúdo, basicamente, as matérias de competência
exclusiva do Congresso Nacional (art. 49). A leitura do art. 49 evidencia que, por decreto
legislativo, se referendam atos do Presidente da República, aprovam-se os que dependem de sua
prévia autorização, que digam respeito aos seus itneresses, que apreciem contas do Presidente
da República.

O processo de criação do decreto legislativo


Há hipóteses em que a deflagração do processo formativo depende do Presidente da
República, em outras depende da iniciativa de membro ou comissão do Congresso Nacional.
A discussão se passa no Congresso Nacional.
A aprovação se dá por maioria simples (art. 47).
Sendo de competência exclusiva do Congresso Nacional, não há sanção.
A promulgação é feita pelo Presidente do Senado Federal, que o manda publicar.

Resoluções
Os atos normativos veiculados por resoluções são, em regra, definidos pelos regimentos das
Casas Legislativas e pelo Regimento do Congresso Nacional. O constituinte não definiu quais os
atos que serão veiculados por resoluções. Uma única menção: no caso da delegação ao
Presidente da República para que elabore a lei. É o art. 68, § 2º, da CF: “A delegação ao
Presidente da República terá a forma de resolução do Congresso Nacional, que especificará seu
conteúdo e os termos de seu exercício.”

Processo de criação das resoluções

43
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

A iniciativa cabe aos membros do Congresso Nacional, na forma estabelecida


regimentalmente.
A discussão das resoluções se dá no interior da Casa Legislativa que deve expedi-las.
A votação levará em conta, para aprovação, manifestação favorável da maioria simples.
Não há sanção, por tratar-se de matéria privativa, ora do Senado, ora do Congresso Nacional.
A promulgação é efetivada pela Mesa da Casa Legislativa que a expedir ou, quando se tratar
de resolução do Congresso Nacional, pela Mesa do Senado Federal.
Publica-a a Casa Legislativa de onde emanou.

O PODER EXECUTIVO
Funções: administrar, elaborar atos com força de lei (medidas provisórias), participar do
processo legislativo (pela iniciativa, sanção, veto e promulgação das leis, bem como de
deflagrador do processo de emenda à Constituição).
O art. 84 da CF revela que o Presidente da República acumula as funções de:
- Chefe de Estado: o representa nas suas relações internacionais.
- Chefe de Governo: representa o Estado nos seus negócios internos, tanto os de natureza
política, como os de natureza eminentemente administrativa.

Parlamentarismo e Presidencialismo
Presidencialismo: o Chefe de Estado e o Chefe de Governo é o Presidente.
Parlamentarismo: o Chefe de Estado é o Presidente ou Monarca e o Chefe de Governo é o
Primeiro-Ministro. Verifica-se o deslocamento de uma parcela da atividade executiva para o
Legislativo, fortalecendo-se, assim; a figura do Parlamento.

Decreto e Regulamento
ver art. 84, IV da CF.
O veículo de manifestação do Presidente da República é o decreto. Por meio desse
instrumento é que o Chefe do Executivo exercita suas principais funções jurídicas.
A lei inova a ordem jurídica infraconstitucional; o regulamento não altera. A lei depende da
Constituição; nela encontra seu fundamento de validade. O regulamento depende da lei; nela
encontra seu fundamento de validade. Regulamento se prende ao texto legal e seu objetivo é
facilitar o processo de execução da lei. É o regulamento também norma abstrata e geral, mas
difere da lei por não importar modificação na ordem jurídica. O regulamento, por sua vez, é ato
administrativo produzido pelo Chefe do Poder Executivo (tanto no plano federal, como no estadual
e municipal). Por isso vincula toda a Administração, em razão do princípio hierárquico, pois o
Chefe do Executivo é o comandante supremo de todos os agentes públicos.
A obrigação, para o particular, deriva, portanto, da lei. O modo de cumprir a obrigação é que
deriva do regulamento. Lei: o que fazer / Regulamento: como fazer.
Todas as leis são regulamentáveis ?
A resposta é negativa. Só serão regulamentáveis aquelas que hajam de ser executadas pelo
Poder Executivo. Tanto faz que a lei tenha determinado a regulamentação, ou não. Importa que,
para sua aplicação, demande-se atividade executiva.
As leis auto-executáveis inexigem regulamentação. Leis processuais, civis, penais,
trabalhistas, independem de regulamentação porque se destinam diretamente aos particulares e
ao órgão judiciário que, interpretando-as, irão aplicá-las.
O Presidente da República poderia delegar a atribuição regulamentar ? Não as competências
do art. 84, IV.
Os regulamentos expedidos por autorização do art. 84, IV, são chamados de execução. São
aqueles que se destinam a dar fiel cumprimento às leis.

44
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

A Constituição não acolhe os regulamentos delegados. São normas com as mesmas


características da lei (generalidade e abstração) editadas por força de autorização legal.
Inadmite-se o regulamento delegado diante da vedação constitucional atinente à
indelegabilidade de atribuições.
Registre-se, finalmente, que o Congresso Nacional pode “sustar os atos normativos do Poder
Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.”(art. 49,
V). O ato de sustação é de competência exclusiva do Congresso Nacional. Mas isto não significa
que o Judiciário não possa examinar essa questão. Se o Executivo insurgir-se, sustentando a
conformidade do regulamento à lei, estabelece-se litígio que deve ser solucionado pelo Poder
Judiciário, em atenção ao princípio da plenitude da jurisdição (art. 5º, XXXV).
Nem poderia ser de outra forma. Se o maior dos litígios, que é derivado do confronto da lei
com a Constituição, pode ser examinado pelo Judiciário, não teria sentido dele subtrair a
apreciação da legalidade de ato do Poder Executivo (o confronto do regulamento com a lei).
A exceção ao princípio da indelegabilidade gera a lei delegada, não o regulamento delegado.
Mas essa delegação, escancara para o Executivo larga porta pela qual legisla
inconstitucionalmente por via de regulamentos, abrigado no conforto de dispositivos nulos.

O Presidente da República e os Ministros de Estado


O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República auxiliado pelos Ministros de
Estado.
Também auxilia o Presidente da República o Vice-Presidente, sempre que por ele convocado
para missões especiais. Exerce também o Vice-Presidente outras atribuições que lhe forem
conferidas em lei complementar.
Eleição do Presidente e Vice-Presidente – A eleição é direta por sufrágio universal e secreto,
eleito o candidato que obtiver maioria absoluta de votos.
Se na primeira votação nenhum candidato obtiver maioria absoluta, far-se-á nova eleição,
concorrendo apenas os dois candidatos mais votados na primeira. Já, agora, será eleito o
candidato que obtiver a maioria simples de votos.
O Presidente da República, juntamente com o Vice, é eleito para mandato de quatro anos (art.
82). Só podem candidatar-se os brasileiros natos maiores de 35 anos e no exercício dos direitos
políticos (art. 12, § 3º, I, c/c art. 14, § 3º, I, II e VI, “a”).
É permitida a reeleição do Presidente da República, dos Governadores de Estado e do Distrito
Federal, dos Prefeitos ou de quem os haja sucedido ou substituído, por um único período
subseqüente (art. 14, § 5º).
O Vice-Presidente auxilia o Presidente no desempenho de suas funções e ainda tem a missão
de substituí-lo, no caso de impedimento, e de sucedê-lo, no caso de vaga. Em caso de
impedimento de ambos ou de vacância dos respectivos cargos sucedem-nos, pela ordem: o
Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do STF.
Na hipótese de vacância a autoridade que estiver no exercício do cargo exercê-lo-á
provisoriamente, dado que se fará eleição 90 dias depois de aberta a vaga de Vice-Presidente,
para que os eleitos completem os períodos de seus antecessores. Se a vacância verificar-se nos
últimos dois anos de mandato presidencial, a eleição para os cargos de Presidente e Vice será
feita 30 dias após a última vaga, pelo Congresso Nacional.
Os Ministros de Estado são auxiliares do Presidente da República.
Compete-lhes: exercer a orientação, coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da
administração federal na área de sua competência e referendar atos e decretos assinados pelo
Presidente; expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; apresentar ao
Presidente da República relatório anual de sua gestão no Ministério; e praticar os atos pertinentes
às atribuições que lhes forem outorgadas ou delegadas pelo Presidente da República.
Sua atribuição é constitucional. Não deriva da vontade do Presidente da República. Têm
funções delimitadas pelo Texto Constitucional. Por isso, serão nulos atos e decretos assinados

45
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

pelo Presidente da República, na área de competência de um Ministro, que não tenham sido por
ele referendados.
Também lhes cabe expedir instruções para execução das leis, decretos e regulamentos. Não
expedem decretos, nem os regulamentares. Expedem instruções, as quais se destinam a
viabilizar a execução das leis, dos decretos e regulamentos atinentes à sua Pasta.
As instruções são normas inferiores ao decreto e regulamento. Algumas se destinam a
promover a execução das leis. Assemelham-se, nesse caso, aos regulamentos, tendo, porém,
âmbito de validade restrito ao Ministério. Nada impede, porém, que lei, cujo conteúdo se refira à
área de competência de um Ministério, seja regulamentada pelo Presidente da República.
Nesta hipótese, pergunta-se: existindo regulamento daquela lei, pode o Ministro expedir
instrução para sua execução ?
Respondemos afirmativamente, mas ressalvamos que esta instrução limitar-se-á aos pontos
deixados em claro pelo regulamento.
A autorização para o Ministro expedir instruções para execução das leis (art. 87, parágrafo
único, II) não pode ignorar a privatividade da competência conferida ao Presidente da República
para expedir regulamentos para fiel execução das leis (art. 84, IV, segunda parte).
Também não se pode deixar de levar em conta a idéia de subordinação dos Ministros ao
Presidente da República, dado que são seus auxiliares.
Assim, a instrução ministerial para execução das leis é permitida quando inexistir “instrução
superior” (o regulamento).
Se existir regulamento, o Ministro expedirá instruções nos claros deixados pelo regulamento
ou, então, para execução do próprio regulamento.
Só poderão ser Ministros de Estado os brasileiros maiores de 21 anos e no exercício dos
direitos políticos (art. 87 da CF).

Os funcionários públicos e as Forças Armadas


O Chefe do Executivo desenvolve suas atividades auxiliado pelos Ministros de Estado.
A competência de cada Ministério, por sua vez, é desempenhada por servidores públicos.
Essa atividade pode ser desenvolvida pela via direta ou indireta, de que resultam a
Administração centralizada e a descentralizada.
Quando a Administração descentraliza sua atividade criam-se pessoas (centros de imputação
de direitos e deveres). No desenvolvimento em forma de administração centralizada não se
verifica surgimento de pessoas. Entretanto, um único agente não consegue cumprir todos os
misteres administrativos. Daí por que – mesmo na administração centralizada – desconcentra-se o
poder decisório da administração, sem quebra do vínculo hierárquico. Delegacias regionais se
subordinam ao Ministro, divisões estão hierarquicamente ligadas às delegacias, e, assim,
diretorias, chefias de seção etc., formando uma pirâmide em cujo ápice se encontra o Presidente
da República.
A seção II do capítulo VII do Título III da CF traz a denominação “Dos Servidores Públicos”,
uma vez que fixa as normas básicas disciplinadoras dos direitos e deveres de todos os integrantes
da administração direta ou indireta. Funcionário é espécie de servidor público, que é gênero. Ao
lado dos servidores públicos estão os militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios
(seção III do capítulo VII do mesmo Título, art. 42) e os membros das Forças Armadas (capítulo II
do Título V).
Uns e outros têm como chefe supremo o Presidente da República, tal como se vê do art. 84, II
e XIII.
Finalmente, são órgãos de consulta do Presidente da República o Conselho da República e o
Conselho de Defesa Nacional.
Ao Conselho da República (ver sua composição no art. 89 da CF) compete pronunciar-se
sobre intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio, assim como sobre “as questões
relevantes para a estabilidade das instituições democráticas”.

46
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

A novidade (democrática) desse Conselho – que examina, como se viu, questões


importantíssimas – é a participação dos líderes da maioria e da minoria (oposição) da Câmara dos
Deputados e do Senado Federal e, ainda, seis cidadãos brasileiros natos, sendo dois nomeados
pelo Presidente da República, dois eleitos pelo Senado e dois eleitos pela Câmara dos Deputados
(art. 89, IV, V e VII, da CF).
Ao Conselho de Defesa Nacional (ver composição no art. 91 da CF) compete, além de opinar
sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal, manifestar-
se, sob consulta presidencial, a respeito de assuntos relacionados com a soberania nacional e a
defesa do Estado Democrático.
Aparentemente, as atribuições desses Conselhos se superpõem em alguns temas. De toda
forma, a duplicidade de opiniões pode melhor auxiliar o Presidente a formar sua convicção em
questões relevantíssimas.

Crimes de Responsabilidade
A Constituição alude a crimes de responsabilidade e a crimes comuns. Que são ?
Comuns são os crimes definidos na lei penal e cometíveis por qualquer pessoa.
São de responsabilidade aqueles capitulados no art. 85 da Constituição Federal. E praticáveis
por pessoas investidas em certas funções.
Quais as pessoas passíveis de responsabilização política ?
São: a) o Presidente da República e o Vice-Presidente da República; b) os Ministros de
Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, nos crimes conexos com
aqueles praticados pelo Presidente da República; c) os Ministros do Supremo Tribunal Federal, o
Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União. – ver arts. 52 e 85, I da CF.
Tratemos da responsabilidade do Presidente da República.
A Constituição define como tais os atos do Presidente que atentarem contra a Constituição
Federal e, em seguida, exemplifica com as seguintes hipóteses: I – a existência da União; II – o
livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes
constitucionais dos Estados; III – o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; IV – a
segurança interna do País; V – a probidade na administração; VI – a lei orçamentária; e VII – o
cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Essa enumeração é exemplificativa, pois o Presidente poderá ser responsabilizado por todos
os atos atentatórios à Constituição Federal. Na esfera estadual, a Constituição local disciplina os
crimes de responsabilidade.
As pessoas comuns não têm condições de atentar contra a existência da União, o livre
exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos Poderes constitucionais dos Estados,
etc. Mas o Presidente da República, titular do pessoal civil e militar, tem, potencialmente, a
possibilidade de praticar esse atentado.
O parágrafo único do art. 85 estabelece que esses crimes serão definidos em lei especial, que
estabelecerá as normas de processo e julgamento.
Pergunta-se: essa lei, definindo os crimes, poderá elencar outros além dos arrolados nos itens
I a VII do referido artigo ?
A resposta é afirmativa, uma vez que aquele elenco é exemplificativo, e desde que defina,
como crimes, atos que atentem contra a Constituição Federal.
Quanto às normas de processo e julgamento a serem prescritas por essa lei, serão aquelas
fixadoras do procedimento na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, dado que a
tramitação inaugural da responsabilização política já se encontra no Texto Constitucional.
Precisamente nos seus arts. 86 e § § 1º e 2º e 52, I e seu parágrafo único.
O processo de responsabilidade se inicia na Câmara dos Deputados para declarar a
procedência ou improcedência da acusação.
Se declarada procedente, far-se-á o julgamento pelo Senado Federal.

47
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Fala-se em acusação. Quem pode acusar o Presidente da República pela prática de crime de
responsabilidade ?
Todo cidadão no gozo de seus direitos políticos é parte legítima para oferecer a acusação à
Câmara dos Deputados.
Somente os cidadãos, isto é, aqueles que a Constituição define como brasileiros (art. 12). E
devem estar no gozo dos seus direitos políticos. Só quem deles goza pode exercê-los. A
acusação da prática do crime de reponsabilidade diz respeito às prerrogativas da cidadania; do
brasileiro que tem o direito de participar dos negócios políticos.
Qualquer parlamentar poderá dar início ao processo de responsabilização.
A Câmara dos Deputados haverá de autorizar a instauração do processo pela maioria
qualificada de 2/3 de seus membros.
Essa autorização significa a existência de fortes indícios da prática do delito gerador da
acusação. Não é julgamento. Este se faz no Senado Federal. Para autorizar, a Câmara dos
Deputados processará a acusação, instruindo o processo, que será remetido ao Senado Federal.
Este julgará. O processo já virá instruído da Câmara dos Deputados. Tanto que esta, em razão da
instrução probatória, em que há de assegurar-se ampla defesa, apura os fatos que levam à
autorização.
Instaurado o processo pelo Senado Federal, verifica-se a imediata suspensão do Presidente
do exercício de suas funções. Somente a idéia de apuração pormenorizada dos fatos levaria o
constituinte a determinar impedimento do Presidente. É impedimento temporário, pois o
Presidente reassumirá suas funções se o Senado deixar de condená-lo.
Se o Presidente da República renunciar ao seu cargo quando estiver em curso processo de
responsabilização política, deverá ele prosseguir ou perde o seu objeto, devendo ser arquivado ?
O art. 52, parágrafo único, fixa duas penas: a) perda do cargo; e b) inabilitação, por oito anos,
para o exercício de função pública.
A inabilitação para o exercício de função pública não decorre de perda do cargo, como à
primeira leitura pode parecer. Decorre da própria responsabilização. Não é pena acessória. É, ao
lado da perda do cargo, pena principal. O objetivo foi o de impedir o prosseguimento no exercício
das funções (perda do cargo) e o impedimento do exercício – já agora não das funções daquele
cargo de que foi afastado, mas de qualquer função pública, por um prazo determinado.
Essa a conseqüência para quem descumpriu deveres constitucionalmente fixados.
Assim, porque responsabilizado, o Presidente não só perde o cargo como deve afastar-se da
vida pública, durante oito anos, para “corrigir-se”, e só então poder a ela retornar.
A renúncia, quando já iniciado o processo de responsabilização política, tornaria inócuo o
dispositivo constitucional se fosse obstáculo ao prosseguimento da ação.
Basta supor a hipótese de um Chefe de Executivo que, próximo do final de seu mandato,
pressentisse a inevitabilidade da condenação. Renunciaria e, meses depois, poderia voltar a
exercer função pública (Ministro de Estado, Secretário de Estado, etc.), participando dos negócios
públicos dos quais o processo de responsabilização visava a afastá-lo.
Assim, havendo renúnica, o processo de responsabilização deve prosseguir para condenar ou
absolver, afastando, ou não, sua participação da vida pública pelo prazo de oito anos.
Neste tema, convém anotar que o julgamento do Senado Federal é de natureza política. É
juízo de conveniência e oportunidade. Não nos parece que, tipificada a hipótese de
responsabilização, o Senado haja de, necessariamente, impor penas. Pode ocorrer que o Senado
Federal considere mais conveniente a manutenção do Presidente no seu cargo. Para evitar, por
exemplo, a deflagração de um conflito civil; para impedir agitação interna. Para impedir
desentendimentos internos, o Senado, diante da circunstância, por exemplo, de o Presidente
achar-se em final de mandato, pode entender que nào deva responsabilizá-lo.
Foi para permitir esse juízo de valor que o constituinte conferiu essa missão à Câmara dos
Deputados (que autoriza o processo) e ao Senado Federal. Não ao Judiciário, que aplica a norma
ao caso concreto, segundo a tipificação legal.

48
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

A decisão condenatória tem a força própria da coisa julgada ? É irrevisável pelo Judiciário ?
Responde-se da seguinte forma: o Judiciário não pode reexaminar o mérito da questão que
levou o Senado a responsabilizar o Presidente. Esse juízo é feito, única e exclusivamente, pelo
órgão político.
Entretanto, nada impede que o Presidente da República sirva-se de mandado de segurança
contra a Mesa da Câmara e do Senado Federal, para demonstrar – se for o caso – que houve
irregularidade procedimental, em descumprimento ao Texto Constitucional e à lei especial referida
no parágrafo único do art. 85.
O Judiciário não examinará o mérito; examinará a forma procedimental.
Finalmente, anote-se que nos crimes comuns o Presidente da República é julgado pelo
Supremo Tribunal Federal, depois que a Câmara dos Deputados declarar procedente a acusação
(art. 86).
Há crimes de responsabilidade que caracterizam, também, crime comum. Daí por que o art.
52, parágrafo único, dispondo sobre a perda do cargo e a inabilitação para o exercício da função
pública, prescreve que a aplicação dessas penas se verifica “sem prejuízo das demais sanções
judiciais cabíveis”.
Crimes comuns, por sua vez, também podem levar à perda do cargo.
A Constituição não distingue. Tanto numa como noutra espécie de crime, a Câmara deve
autorizar o processo, abrindo espaço para o Senado Federal ou o Supremo Tribunal Federal,
conforme o caso, julgar o delito.
Em ambas as hipóteses, autorizado e instaurado o processo (e no crime comum se verifica
essa pronúncia), o Presidente ficará suspenso de suas funções (art. 86, § 1º).
Não tem sentido que o Presidente da República, nos crimes comuns, fique suspenso de suas
funções, por força da autorização e, mais tarde, quando o Supremo Tribunal Federal condená-lo,
a elas retorne. Se houve o impedimento temporário, verificar-se-á mais tarde o impedimento
definitivo.
É certo que há crimes comuns cuja gravidade não deveria ensejar a perda do cargo. Suponha-
se uma contravenção (excesso de velocidade). Se o Presidente vier a ser condenado por esse
fato, a conseqüência inafastável é a perda do cargo. Mas, para tanto, impõe-se a manifestação da
Câmara dos Deputados, cuja declaração autoriza o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. E
aqui é que mais se explica a razão pela qual o constituinte determinou essa apreciação preliminar.
É para que esta emita juízo político, verifique a conveniência ou incoveniência, oportunidade ou
inoportunidade, para o País, de se autorizar o julgamento e eventual condenação. A sua
apreciação levará em conta esses fatores e é muito provável que, no exemplo dantes formulado, a
Câmara dos Deputados conclua que a infração não é tão grave ao ponto de ensejar o
afastamento do Presidente da República. Fica, portanto, a critério da Câmara dos Deputados
autorizar o desencadeamento de procedimento que leve à vacância do cargo de Presidente da
República.
De tudo fica claro que o Presidente perderá o cargo tanto em razão da prática de crime de
responsabilidade como de crime comum. O que não há, no caso de perda do cargo por crime
comum, é a inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública. Esta pena apenas se
aplica no caso de crime de responsabilidade, como deflui do art. 52, parágrafo único, que se
reporta aos itens I e II do mesmo dispositivo.

PODER JUDICIÁRIO

Funções: a jurisdição
O Judiciário pratica atos de natureza administrativa, legislativa e jurisdicional. Por ato
jurisdicional entende-se aquele capaz de produzir a coisa julgada (art. 5º, XXXVI). É função típica,
prevalecente, do Poder Judiciário exercer a jurisdição. Esta, por sua vez, consiste no poder de

49
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

dizer o direito (juris dicere) aplicável a uma controvérsia, deduzida processualmente em caráter
definitivo e com a força institucional do Estado.
A definitividade é traço marcante da jurisdição. Deriva do preceito insculpido no art. 5º, XXXV,
da CF, segundo o qual “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito”.
Só ao Judiciário se confere tal competência de compelir o particular a fazer, a não fazer, a
pagar, a entregar ou a não entregar. A força das instituições do Estado é colocada a seu serviço
para o cumprimento de suas decisões.
Assim, se o contribuinte deixou de pagar o tributo e peticionou à Administração, sem sucesso,
vendo improvido o seu requerimento, não fica a Administração autorizada a sacar do patrimônio
do particular tantos bens quantos bastem para a cobertura de seu crédito. Haverá de servir-se do
Judiciário para atingir esse objetivo. Em síntese: a força das instituições estatais é colocada à
disposição do Judiciário para fazer valer as suas decisões.
A definitividade das suas decisões e a possibilidade de utilizar toda a força institucional do
Estado tipificam o exercício da função primordial do Poder Judiciário: a jurisdição.
Exceção a essa capacidade de “dizer o direito” é a prevista para os crimes de
responsabilidade (CF, art. 52, I e II).

Estrutura
JUSTIÇA FEDERAL COMUM
a) Justiça federal de primeiro grau de jurisdição (examinar competências e composições nos
arts. 106, II, 109 e 110 da CF).
b) Tribunais Regionais Federais – segundo grau de jurisdição (examinar composição e
competências nos arts. 107 e 108 da CF).

JUSTIÇA FEDERAL ESPECIALIZADA


a) Justiça Militar (examinar arts. 122 a 124 da CF)
1. Juízes militares (instituídos por lei).
2. Tribunal Militar (instituído por lei).
3. Superior Tribunal Militar.

b) Justiça Eleitoral (examinar arts. 118 a 121 da CF)


1. Juntas Eleitorais.
2. Juízes eleitoriais.
3. Tribunais Regionais Eleitorais.
4. Tribunal Superior Eleitoral.

c) Justiça do Trabalho (examinar arts. 111 a 117 da CF)


1. Juízes do Trabalho.
2. Tribunais Regionais do Trabalho.
3. Tribunal Superior do Trabalho.

A Justiça estadual, por sua vez, também se biparte em comum e especial:

JUSTIÇA ESTADUAL (examinar art. 125 da CF)

a) Justiça estadual comum (art. 125 da CF)

50
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

1. Juízos de primeiro grau de jurisdição, inclusive juizados especiais (art. 98, I), e justiça de
paz (art. 98, II).
2. Tribunal de Justiça ou de Alçada (tribunais de segundo grau de jurisdição).

b) Justiça estadual especializada


- Justiça Militar estadual (art. 125, § 3º, da CF) –
1. Conselho de Justiça.
2. Tribunal de Justiça ou Tribunal de Justiça Militar. Este nos Estados em que o efetivo da
Polícia Militar seja superior a vinte mil integrantes.

- São órgãos do Judiciário também o Superior Tribunal Federal e o Superior Tribunal de


Justiça.

Registre-se, como inovação do Texto Constitucional de 1988, a determinação feita à União,


Distrito Federal, Territórios e Estados para criarem Juizados Especiais com a função de conciliar,
julgar e promover a execução nas causas cíveis “de menor complexidade e infrações penais de
menor potencial ofensivo”. (art. 98, I).
A definição dessas causas, da constituição e do funcionamento desses “Juizados Especiais”
foi dada pela Lei 9.099, de 26.9.95.

Escolha dos dirigentes dos Tribunais


Importa saber o que se entende por administração e por jurisdição.
Administrar, no caso, significa fazer atuar o aparelho burocrático que permite o desempenho
de outra função: a jurisdicional. Por isso, na administração se inclui, além da regração sobre o
pessoal administrativo, a aplicação de penas disciplinares a magistrados e a remoção destes.
Exercer a jurisdição, por sua vez, significa: aplicar a lei a casos concretos, visando a dirimir
litígios, produzindo, assim, decisões definitivas que serão cumpridas coercitivamente. Para tanto,
fica a serviço do Judiciário toda a força das instituições estatais.
A eleição dos dirigentes do Tribunal não é matéria de natureza administrativa, nem
jurisdicional. Diz respeito ao arcabouço constitucional de um Poder. A estrutura mesma do Poder
Judiciário estadual. Por isso, seu substrato é diverso: é função governativa, na medida em que
tais dirigentes comandam um dos segmentos do Poder público.
Como é legislativa a prática da elaboração do regimento interno.
Uma e outra (a eleição de dirigentes e a formulação de normas regimentais) não são
alcançadas pelo disposto no art. 93, XI, que atribui ao órgão especial competência para o
exercício, tão-só, de atribuições administrativas e jurisdicionais do Tribunal Pleno.
Ainda assim, não são exercitáveis, pelo órgão especial, todas as atividades administrativas.
Identifiquemos, na Constituição e no que interessa aos Tribunais de Justiça, quais são as
funções administrativas e, em seguida, as jurisdicionais.
São administrativas: a) organizar suas secretarias e serviços auxiliares, provendo-lhes os
cargos (art. 96, I, “b” e “c”); b) conceder licença e férias a seus membros e aos juízes que lhes
forem imediatamente vinculados (art. 96, I, “f”); c) propor a criação de novas Varas judiciárias (art.
96, I, “d”).
São jurisdicionais: a) dirimir litígios, em caráter definitivo e com a força institucional do Estado
(art. 92), pois a expressão “Poder Judiciário”, nesse artigo, está usada no sentido de “função
jurisdicional”; b) declarar a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Destas funções, o “órgão especial” pode exercer aquelas administrativas. E, quanto às
jurisdicionais, poderá exercitá-las todas.

51
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

A atividade consistente na escolha do dirigente do Tribunal não é administrativa, nem


jurisdicional, é política, na medida em que está ligada à idéia de representação. Ademais, o
presidente “preside” o Tribunal, e não apenas o órgão especial.
Daí por que da eleição para os órgãos diretivos dos Tribunais todos os julgadores devem
participar.

Supremo Tribunal Federal


O Supremo Tribunal Federal é órgão de cúpula do Poder Judiciário, tendo jurisdição em todo
território nacional.
O Supremo Tribunal Federal tem competência originária e recursal. A recursal em caráter
ordinário e extraordinário.
Compete-lhe, originariamente, processar e julgar as causas e questões arroladas no art. 102,
I, “a” a “q”.
Em recurso ordinário compete-lhe julgar o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas
data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se
denegatória a decisão; assim também o crime político.
Cabe-lhe finalmente, em recurso extraordinário – tal como prescrito no art. 102, III, “a” a “c” –,
exercer a função de guardião da Constituição. Sua função é a de velar pela Constituição.
Integram o Supremo Tribunal Federal onze Ministros. São nomeados pelo Presidente da
República dentre brasileiros natos, maiores de 35 anos e com menos de 65, de notável saber
jurídico e reputação ilibada. Antecede a nomeação a aprovação, pelo Senado Federal, em
audiência pública, do nome indicado pelo Presidente da República.
A Constituição alude “a notável saber jurídico”.Haverá de ser bacharel em Direito ?
Indubitavelmente, sim. Só pode notabilizar-se na área jurídica aquele que nela desempenhar
atividade durante certo período.

Superior Tribunal de Justiça


Em relação à anterior Constituição, foi extinguido o Tribunal Federal de Recursos e criado o
Superior Tribunal de Justiça e os Tribunais Regionais Federais.
O STJ tem sede na Capital Federal e jurisdição em todo Território Nacional. Compõe-se de,
no mínimo, 33 Ministros, nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de
35 e menos de 65 anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada, depois de
aprovada a escolha pelo Senado Federal.
É dotado de competências privativas, enumeradas de forma exaustiva no art. 105 da CF,
algumas retiradas do STF e outras do extinto Tribunal Federal de Recursos.

Tribunais Regionais Federais


Funcionam como instância recursal às decisões proferidas pelos juízes federais e pelos juízes
estaduais no exercício da competência federal da área de sua jurisdição. Os Tribunais Regionais
Federais compõem-se de, no mínimo, 7 juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região
e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de 30 e menos de 65 anos.

Juízes Federais
Funcionam como juízo de primeira instância da Justiça Federal Comum. Têm por competência
o processo e o julgamento das causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública
federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de
falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho, além
das demais matérias enunciadas no art. 109 da CF.

Garantias da Magistratura

52
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Objetivando impedir ingerência externa e assegurar o desempenho soberano da Justiça, a


Constituição estabelece certas garantias à Magistratura. São elas:
a) Vitaliciedade: - garante ao juiz a permanência em seu cargo, ainda que suas decisões
venham contrariar interesses dos outros Poderes de Estado. Adquirida a vitaliciedade, após dois
anos de exercício do cargo, o juiz só a perderá por sentença judicial transitada em julgado.
b) Inamovibilidade: - garantia de permanência no cargo, salvo por motivo de interesse
público e através de decisão fundada no voto de 2/3 do tribunal a que estiver vinculado.
c) Irredutibilidade de Vencimentos: traço garantidor da independência do juiz na difícil
missão de julgar, o que não o libera da sujeição aos impostos gerais, inclusive o de renda e
extraordinário.

FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA

Ministério Público
Trata-se de uma instituição que atua junto ao Poder Judiciário, para promover a execução das
leis e velar pelo seu exato cumprimento. A Constituição Federal de 1988 deu ao Ministério Público
plena autonomia em relação aos demais Poderes do Estado, editando constituir-se ele em
“instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da
ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”. (art.
127).
Sua atuação verifica-se não só na área criminal, como na civil, onde representa e defende os
interesses do Estado e da sociedade. É o agente ativo da Justiça, no exercício de um mister que
mais destaca sua característica de promotor dos interesses globais da sociedade.
Portanto, é para a defesa da própria sociedade que nos casos criminais o Promotor de Justiça
tem a função de acusar todos os que praticam crimes, já que todo crime é um atentado contra um
dos valores fundamentais protegidos pela Lei.
Não se imagine, contudo, que o Promotor de Justiça é obrigado a acusar mesmo contra o seu
convencimento. Se ele entender, ao apurar os fatos, que a pessoa apontada como autor de um
crime é inocente, pode e deve pedir a sua absolvição. E isto tanto num processo perante o Juiz de
Direito como num julgamento perante o Tribunal do Júri.
Condenado o réu, o Ministério Público não o abandona à sua própria sorte. Tem ele o dever
de fiscalizar as condições do ambiente carcerário e o exato cumprimento da pena imposta.
Na área extrapenal, é o Ministério Público quem defendo o crédito – instituição
importantíssima no nosso sistema econômico-financeiro – nos processos de falência e
concordata. Defende ainda a exata aplicação da Lei em todos os processos referentes ao
casamento – sobre o qual se assenta a nossa organização social – desde a sua realização até os
casos de nulidade, anulabilidade, separação e desfazimento através do divórcio. O Ministério
Público garante os direitos do trabalhador.
As matérias jurídicas relevantíssimas discutidas nos mandados de segurança – que cabe para
a proteção de direito líquido e certo violado pelo Poder Público - , nos habeas corpus – onde se
discute o cerceamento da liberdade de locomoção – e nas ações populares – utilizadas pelos
particulares contra o mau uso do dinheiro público, contra os atos lesivos à moralidade
administrativa, ao meio ambiente, e ao patrimônio histórico e cultural – recebem sempre o parecer
do Ministério Público, que vela pela estrita observância da Lei.
Foi reconhecendo essa vocação do Ministério Público para a defesa do interesse público que
a nova Constituição estabeleceu como funções institucionais suas: (i) – promover, privativamente,
a ação penal pública, na forma da lei; (ii) – zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos
serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição, promovendo as medidas
necessárias a sua garantia; (iii) – promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção
do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; (iv) –
promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e

53
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição; (v) – defender judicialmente os direitos e
interesses das populações indígenas; (vi) – expedir notificações nos procedimentos
administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na
forma da lei complementar respectiva; (vii) – exercer o controle externo da atividade policial; (viii) –
requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os
fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; (ix) – exercer outras funções que lhe
forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação
judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas (art. 129).
O Ministério Público brasileiro não deve ser confundido com os modelos estrangeiros,
divulgados pela televisão e pelo cinema.
Nem deve ser confundido com a Magistratura, eis que são carreiras distintas: o Ministério
Público congregando os Promotores de Justiça, aquela congregando os Juízes de Direito. Em
todas as duas se ingressa mediante concurso público de títulos e provas, mas elas são
autônomas. Quem ingressa no Ministério Público percorrerá todos os degraus dessa carreira
(Promotor de Justiça Substituto, Promotor de Justiça de Primeira, de Segunda e de Terceira
Entrância Especial e Procurador de Justiça) e deverá se aposentar dentro dela, caso não seja
levado a um dos Tribunais, cujo quinto dos cargos, por dispositivo constitucional, é preenchido por
membros do Ministério Público e advogados.

Advocacia Geral da União


É a instituição que representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe as atividades
de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.
A Advocacia-Geral da União tem por chefe o Advogado-Geral da União, de livre nomeação
pelo Presidente da República dentre cidadãos maiores de 35 anos, de notável saber jurídico e
reputação ilibada (CF, art. 131). O ingresso nas classes iniciais das carreiras da instituição de que
trata este artigo far-se-á mediante concurso público de provas e títulos.
Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal exercerão a representação judicial e a
consultoria Jurídica das respectivas unidades federadas, organizados em carreira na qual o
ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos (CF, art. 132).

DAS FINANÇAS PÚBLICAS E DO SISTEMA ORÇAMENTÁRIO

Disciplina das instituições financeiras: o art. 163 declara que a lei complementar disporá
sobre: finanças públicas, dívida pública externa e interna, concessão de garantias da dívida
pública, emissão e resgate de títulos, fiscalização das instituições financeiras, operações de
câmbio e compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União.

Função do banco central: a competência da União para emitir moeda (21, VII), será exercida
exclusivamente pelo banco central (164).

ESTRUTURA DOS ORÇAMENTOS PÚBLICOS

Instrumentos normativos do sistema orçamentário: o sistema orçamentário encontra


fundamento constitucional nos arts. 165 a 169; o primeiro desses dispositivos indica os
instrumentos normativos do sistema: a lei complementar de caráter financeiro, a lei do plano
plurianual, a lei das diretrizes orçamentárias e a lei orçamentária.

Orçamento-programa: trata-se de planejamento estrutural; á a integração do orçamento


público com o econômico; garante a necessária coordenação entre a política fiscal e a política
econômica.

54
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS

Conteúdo dos orçamentos: orçamento é o processo e o conjunto integrado de documentos


pelos quais se elaboram, se expressam, se aprovam, se executam e se avaliam os planos e
programa de obras, serviços e encargos governamentais, com estimativa de receita e fixação das
despesas de cada exercício financeiro.

Formulação dos princípios orçamentários: foram elaborados pelas finanças clássicas,


destinados a reforçar a utilidade do orçamento como instrumento de controle parlamentar e
democrático sobre a atividade financeira do Executivo e, orientar a elaboração, aprovação e
execução do orçamento; são os seguintes: princípio da exclusividade, da programação, do
equilíbrio orçamentário, da anualidade, da unidade, da universalidade e da legalidade.

Princípio da exclusividade: O princípio deve ser entendido hoje como meio de evitar que se
incluam na lei orçamentária normas relativas a outros campos jurídicos, tais como as que
modificam ou ampliam, por exemplo, o Código Civil, o Código Comercial e a legislação de
pessoal. Esse é o objetivo do princípio da exclusividade, que não pode significar impedimento de
inclusão de conteúdo programático.

Princípio da programação: o orçamento moderno deve ter conteúdo e forma de


programação, que implica, em primeiro lugar, a formulação de objetivos e o estudo das
alternativas da ação futura para alcançar os fins da atividade governamental; importa, em
segundo lugar, na redução dessas alternativas de um número muito amplo a um pequeno e,
finalmente, na prossecução do curso da ação adotada através do programa de trabalho. ver arts.
48, II e IV, e 165, § 4º da CF.

Princípio do equilíbrio orçamentário: o desequilíbrio orçamentário verifica-se: (a) quando o


montante da despesa autorizada for superior à receita estimada, ocorrendo aí o déficit; (b) quando
a estimativa da receita supera a despesa autorizada, caso em que se tem superavit. Ambas as
formas eram e ainda são condenadas, mas a primeira é que se tinha (e se tem, ainda) como
grave. A Constituição não contempla o princípio do equilíbrio orçamentário, pelo que até se pode
dizer, hoje, que ele desapareceu.

Princípio da anualidade: O período anual tem sido preferido pela maioria das legislações
estrangeiras, e é o adotado no Brasil desde a Constituição do Império. Está consagrado na
Constituição vigente quando dá destaque e conteúdo específico à lei orçamentária anual (arts. 48,
II, 165, II, e § 5º, e 166). Não quer dizer que ele coincida com o ano civil. No Brasil, como se vê do
art. 165, § 9º, I, cabe à lei complementar dispor sobre o exercício financeiro, que, atualmente, de
acordo com a Lei 4.320/64, vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro, ano civil, portanto.

Princípio da unidade: Este foi também um dos mais caros à concepção clássica do
orçamento, e certamente o mais violado. A exigência de que o orçamento fosse uno, como
constava do art. 73 da Constituição de 1946 assentava-se em que todas as contas orçamentárias
constassem de um só documento e de uma única caixa. Consistia, pois, em apresentar o
orçamento de tal forma que fosse suficiente fazer duas somas para obterem-se o total das
despesas e o total das receitas e uma subtração entre os dois totais para saber se o mesmo
continha um equilíbrio, um excedente de receita (superávit) ou um déficit. A evolução das tarefas
estatais tornou impossível cumprir esse princípio tal como era formulado.

Princípio da universalidade: O princípio da universalidade foi sempre considerado essencial


a uma boa administração orçamentária. Ele se completa com a regra do orçamento bruto, de

55
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

acordo com a qual as parcelas da receita e das despesas devem figurar em bruto no orçamento,
isto é, sem qualquer dedução. Realiza-se, pois, o princípio da universalidade na exigência de que
todas as rendas e despesas dos Poderes, fundos , órgãos e entidades da administração direta e
indireta sejam incluídas no orçamento anual geral.

Princípio da legalidade: o princípio da legalidade em matéria orçamentária tem o mesmo


fundamento do princípio da legalidade geral, segundo o qual a Administração se subordina aos
ditames da lei. Constitui exigência constitucional expressa que leis de iniciativa do Presidente da
República estabelecerão: o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e os orçamentos anuais
(art. 165); estes são aqueles que integram a lei orçamentária anual, a saber: o orçamento fiscal, o
orçamento de investimento das empresas e o orçamento da seguridade social (art. 165, § 5º).

ELABORAÇÃO DAS LEIS ORÇAMENTÁRIAS


- Leis orçamentárias (art. 165) – são leis temporárias de INICIATIVA LEGISLATIVA
VINCULADA, cabendo ao Presidente da República (arts. 165 e 166), tomar as providências
necessárias à remessa do respectivo projeto (proposta) ao Congresso Nacional. No art. 84 (XXIII)
diz que COMPETE PRIVATIVAMENTE ao Presidente da República enviar ao Congresso Nacional
o Plano Plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento
previstos na Constituição.
- Processo de formação das leis orçamentárias – será apreciada por uma Comissão mista
permanente composta de Deputados e Senadores. As emendas aos projetos serão apreciadas na
Comissão mista que sobre elas emitirá parecer, e apreciadas no plenário das duas Casas do
Congresso Nacional.
- Propostas de emendas ao projeto de lei do orçamento anual – somente serão
aprovadas caso: (1) sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes
orçamentárias; (2) indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de
anulação de despesa, que não sejam de dotações para pessoal e seus encargos, serviço da
dívida, transferências tributárias constitucionais para Estados, Distrito Federal e Municípios; (3)
sejam relacionadas com a correção de erros ou omissões ou com os dispositivos do texto do
mesmo projeto. Se as emendas se destinarem a modificar o projeto de lei de diretrizes
orçamentárias, só poderão ser aprovadas quando compatíveis com o plano plurianual.
- Emendas ao projeto de lei do plano plurianual (art. 63, I) – não será admitido o aumento
de despesa prevista nos projetos de iniciativa do Presidente, ressalvado às emendas aos projetos
de lei do orçamento anual e de diretrizes orçamentárias. Os projetos de leis e as propostas de
emendas serão votados pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional (art. 166).
- Rejeição do projeto de orçamento anual e suas conseqüências – a Constituição não
admite a rejeição do projeto de lei de diretrizes orçamentárias, sob pena de a sessão legislativa
ser interrompida (art. 57, § 2º). No entanto, admite rejeição do projeto de lei orçamentária anual,
segundo art. 166, § 8º.
A conseqüência mais séria da rejeição do projeto de lei orçamentária anual é que a
Administração fica sem orçamento, pois não pode ser aprovado outro. Não é possível elaborar
orçamento para o mesmo exercício financeiro. A Constituição dá a solução possível e plausível
dentro da técnica do direito orçamentário: as despesas, que não podem efetivar-se senão
devidamente autorizadas pelo Legislativo, terão que ser autorizadas prévia e especificadamente,
caso a caso, mediante leis de abertura de créditos especiais.

DA FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA

Função da fiscalização: engloba os meios que se preordenam no sentido de impor à


Administração o respeito à lei, quando sua conduta contrasta com esse dever, ao qual se adiciona
o dever de boa administração, que fica também sob a vigilância dos sistemas de controle.

56
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Formas de controle: quanto à forma, o controle orçamentário dinstingue-se: a) segundo a


natureza das pessoas controladas; b) segundo à natureza dos fatos controlados; c) segundo o
momento de seu exercício; d) segundo a natureza dos organismos controladores; quanto aos
tipos, a Constituição reconhece os seguintes (70 e 74): a) controle de legalidade dos atos; b) de
legitimidade; c) de economicidade; d) de fidelidade funcional; e) de resultados, de cumprimento de
programa de trabalhos e metas.

O sistema de controle interno: a CF estabelece que os 3 Poderes manterão de forma


integrada, o controle interno; trata-se de controle de natureza administrativa; as finalidades do
controle interno estão constitucionalmente estabelecidas no art. 74; a atuação varia, admitindo-se
diversas maneiras de proceder; o mais seguro é o registro contábil.

O sistema de controle externo: é função do Poder Legislativo, nos respectivos âmbitos,


federais, estaduais e municipais com o auxílio dos respectivos Tribunais de Contas; consiste na
atuação da função fiscalizadora do povo, através de seus representantes, sobre a administração
financeira e orçamentária; é de natureza política.

TRIBUNAIS DE CONTAS

Organização a atribuições do Tribunal de Contas da União: é integrado por 9 Ministros,


tem sede no DF, quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo território nacional; lhe é conferido
a exercício das competências previstas para os Tribunais judiciários (96); suas atribuições estão
nos termos do art. 71.

Participação popular: o § 2º, do art. 74, dispõe que, qualquer cidadão, partido político,
associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou
ilegalidades perante o TCU.

Tribunais de contas estaduais e municipais: a CF não prevê diretamente sua criação; fá-lo
indiretamente nos arts. 31 e 75; neste caso sem deixar dúvidas quanto à obrigatoriedade de sua
instituição nos Estados (composto por 7 Conselheiros); no município a fiscalização será exercida
pela Câmara e pelos sistemas de controle interno do Executivo local, na forma da lei e o controle
externo será auxiliado pelos TC do Estado.
É incompreensível o Texto Constitucional, quando veda a criação de TC Municipais e depois
os autoriza (art. 31, § 1º e 4º).

Natureza do controle externo e do Tribunal de Contas: o controle externo é feito por um


órgão político que é o Congresso Nacional, seu teor político é amenizado pela participação do
Tribunal de Contas, que é órgão eminentemente técnico; isso denota que o controle externo há de
ser primordialmente de natureza técnica ou numérico-legal.

Prestação de contas: é um princípio fundamental da ordem constitucional (34, VII, d); todos
estão sujeitos à prestação e tomadas de contas pelo sistema interno, em primeiro lugar, e pelo
sistema de controle externo, depois, através do Tribunal de Contas (70 e 71).

DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

I - A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS

57
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

A declaração dos direitos nas constituições brasileiras: a Constituição do Império já os


consignava quase integralmente, havendo, nesse aspecto, pouca inovação de fundo, salvo quanto
à Constituição vigente que incorpora novidades de relevo; ela continha um título sob rubrica
confusa Das Disposições Gerais, e Garantia dos Direitos Civis e Políticos dos cidadãos
brasileiros, com disposições sobre a aplicação da Constituição, sua reforma, natureza de suas
normas e o art. 179, com 35 incisos, dedicados aos direitos e garantias individuais especialmente.
Já a Constituição de 1891 abria a Seção II do Título IV com uma Declaração de Direitos,
assegurando a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à segurança e à propriedade
nos termos dos 31 parágrafos do art. 72; basicamente, contém só os chamados direitos e
garantias individuais.
Essa metodologia modificou-se a partir da Constituição de 1934 que abriu um título especial
para a Declaração de Direitos, nela inscrevendo não só os direitos e garantias individuais, mas
também os de nacionalidade e os políticos; essa constituição durou pouco mais de 3 anos, pelo
que nem teve tempo de ter efetividade. A ela sucedeu a Carta de 1937, ditatorial na forma, no
conteúdo e na aplicação, com integral desrespeito aos direitos do homem, especialmente os
concernentes às relações políticas. A Constituição de 1946 trouxe o Título IV sobre as
Declarações dos Direitos, com 2 capítulos, um sobre a nacionalidade e a cidadania e outro sobre
os direitos e garantias individuais, incluindo no caput do art. 141, o direito à vida. Assim fixou o
enunciado que se repetiria da Constituição de 1967 (art. 151) e sua Emenda 1/69 (art. 153),
assegurando os direitos concernentes à vida, à liberdade, à segurança individual e à propriedade.
A CF/88 adota técnica mais moderna; abre-se com um título sobre os princípios fundamentais, e
logo introduz o Título II Dos Direitos e Garantias Fundamentais, matéria que nos ocupará a partir
de agora.

TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO HOMEM

Inspiração e fundamentação dos direitos fundamentais: a doutrina francesa indica o


pensamento cristão e a concepção dos direitos naturais como as principais fontes de inspiração
das declarações dos direitos; fundada na insuficiente e restrita concepção das liberdades públicas,
não atina com a necessidade de envolver nessa problemática também os direitos econômicos,
sociais e culturais, aos quais se chama brevemente direitos sociais; outras fontes de inspiração
dos direitos fundamentais são o Manifesto Comunista e as doutrinas marxistas, a doutrina social
da Igreja, a partir do Papa Leão XIII e o intervencionismo estatal.

Forma das declarações de direitos: assumiram, inicialmente, a forma de proclamações


solenes; depois, passaram a constituir o preâmbulo das constituições; atualmente, ainda que nos
documentos internacionais assumam a forma das primeiras declarações, nos ordenamentos
nacionais integram as constituições, adquirindo o caráter concreto de normas jurídicas positivas
constitucionais, por isso, subjetivando-se em direito particular de cada povo, que tem
conseqüência jurídica prática relevante.

Conceito de direitos fundamentais: direitos fundamentais do homem constitui a expressão


mais adequada a este estudo, porque, além de referir-se a princípios que resumem a concepção
do mundo e informam a ideologia política de cada ordenamento jurídico, é reservada para
designar, no nível do direito positivo, aquelas prerrogativas e instituições que ele concretiza em
garantia de uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas; no qualitativo fundamentais
acha-se a indicação de que se trata de situações jurídicas sem as quais a pessoa humana não se
realiza, não convive e, às vezes, nem mesmo sobrevive; fundamentais do homem no sentido de
que a todos, por igual, devem ser, não apenas formalmente reconhecidos, mas concreta e
materialmente efetivados; é a limitação imposta pela soberania popular aos poderes constituídos
do Estado que dela dependem.

58
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Natureza e eficácia das normas sobre direitos fundamentais: a natureza desses direitos
são situações jurídicas, objetivas e subjetivas, definidas no direito positivo, em prol da dignidade,
igualdade e liberdade da pessoa humana; a eficácia e aplicabilidade das normas que contêm os
direitos fundamentais dependem muito de seu enunciado, pois se trata de assunto que está em
função do direito positivo; a CF/88 é expressa sobre o assunto, quando estatui que as normas
definidoras dos direitos e garantias fundamentais, têm aplicação imediata.

Classificação dos direitos fundamentais: em síntese, com base na CF/88. podemos


classificar os direitos fundamentais em 5 grupos: 1 - direitos individuais (art. 5º); 2 – direitos
coletivos (art. 5º); 3 - direitos sociais (arts. 6º e 193 e ss.); 4 - direitos à nacionalidade (art. 12); 5 -
direitos políticos (arts. 14 a 17).

Integração das categorias de direitos fundamentais: a Constituição fundamenta o


entendimento de que as categorias de direitos humanos fundamentais, nela previstos, integram-se
num todo harmônico, mediante influências recíprocas, até porque os direitos individuais, estão
contaminados de dimensão social, de tal sorte que a previsão dos direitos sociais, entre eles, os
direitos de nacionalidade e políticos, lhes quebra o formalismo e o sentido abstrato; com isso,
transita-se de uma democracia de conteúdo basicamente político-formal para a democracia de
conteúdo social, se não de tendência socializante; há certamente um desequilibro entre uma
ordem social socializante e uma ordem econômica liberalizante.

Direitos e garantias dos direitos: interessam-nos apenas as garantias dos direitos


fundamentais, que distinguiremos em 2 grupos: - garantias gerais, destinadas a assegurar e
existência e a efetividade (eficácia social) daqueles direitos, as quais se referem à organização da
comunidade política, e que poderíamos chamar condições econômico-sociais, culturais e políticas
que favorecem o exercício dos direitos fundamentais; - garantias constitucionais que consistem
nas instituições, determinações e procedimentos mediante os quais a própria Constituição tutela a
observância ou, em caso de inobservância, a reintegração dos direitos fundamentais; são de 2
tipos: gerais, que são instituições constitucionais que se inserem no mecanismo de freios e
contrapesos dos poderes e, assim, impedem o arbítrio com o que constituem, ao mesmo tempo,
técnicas de garantia e respeito aos direitos fundamentais; especiais, que são prescrições
constitucionais estatuindo técnicas e mecanismos que, limitando a atuação dos órgãos estatais ou
de particulares, protegem a eficácia, a aplicabilidade e a inviolabilidade dos direitos fundamentais
de modo especial. O conjunto das garantias forma o sistema de proteção deles: proteção social,
política e jurídica; em conjunto caracterizam-se como imposições, positivas ou negativas, aos
órgãos do Poder Público, limitativas de sua conduta, para assegurar a observância ou, no caso de
violação, a reintegração dos direitos fundamentais.

II - DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS

Conceito de direito individual: são dos direitos fundamentais do homem-indivíduo, que são
aqueles que reconhecem a autonomia aos particulares, garantindo a iniciativa e independência
aos indivíduos diante dos demais membros da sociedade política e do próprio Estado.

Destinatários dos direitos e garantias individuais: são os brasileiros e os estrangeiros


residentes no País (art. 5º); quanto aos estrangeiros não residentes, é difícil delinear sua posição,
pois o artigo só menciona “brasileiros e estrangeiros residentes”.

59
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Classificação dos direitos individuais: a Constituição dá-nos um critério para a


classificação dos direitos que ela anuncia no art. 5º, quando assegura a inviolabilidade do direito à
vida, à igualdade, à liberdade, à segurança e à propriedade; preferimos no entanto, fazer uma
distinção em 3 grupos: 1) direitos individuais expressos, aqueles explicitamente enunciados nos
incisos do art. 5º; 2) direitos individuais implícitos, aqueles que estão subentendidos nas regras de
garantias, como direito à identidade pessoal, certos desdobramentos do direito à vida, o direito à
atuação geral (art. 5º, II); 3) direitos individuais decorrentes do regime e de tratados internacionais
subscritos pelo Brasil, aqueles que não são nem explícita nem implicitamente enumerados, mas
provêm ou podem vir a provir do regime adotado, como direito de resistência, entre outros de
difícil caracterização a priori.

Direitos coletivos: a rubrica do Capítulo I, do Título II anuncia uma especial categoria dos
direitos fundamentais: os coletivos, mas nada mais diz a seu respeito; onde estão, nos incisos do
art. 5º, esses direitos coletivos?; muitos desses ditos interesses coletivos sobrevivem no texto
constitucional, caracterizados, na maior parte, como direitos sociais (arts, 8º e 37, VI; 9º e 37, VII;
10; 11; 225) ou caracterizados como instituto de democracia direta nos arts. 14, I, II e III, 27, § 4º,
29, XIII, e 61, § 2º, ou ainda, como instituto de fiscalização financeira, no art. 31, § 3º; apenas as
liberdades de reunião e de associação, o direito de entidades associativas de representar seus
filiados e os direitos de receber informação de interesse coletivo e de petição restaram
subordinados à rubrica dos direitos coletivos.

Deveres individuais e coletivos: os deveres que decorrem dos incisos do art. 5º, têm como
destinatários mais o Poder Público e seus agentes em qualquer nível do que os indivíduos em
particular; a inviolabilidade dos direitos assegurados impõe deveres a todos, mas especialmente
às autoridades e detentores de poder; Ex: incisos XLIX, LXII, LXIII, LXIV, e etc.. do art. 5º.

DO DIREITO À VIDA E DO DIREITO À PRIVACIDADE

DIREITO À VIDA

A vida como objeto do direito: a vida humana, que é o objeto do direito assegurado no art.
5º, integra-se de elementos materiais e imateriais; a vida é intimidade conosco mesmo, saber-se e
dar-se conta de si mesmo, um assistir a si mesmo e um tomar posição de si mesmo; por isso é
que ela constitui a fonte primária de todos os outros bens jurídicos.

Direito à existência: consiste no direito de estar vivo, de lutar pelo viver, de defender à
própria vida, de permanecer vivo; é o direito de não ter interrompido o processo vital senão pela
morte espontânea e inevitável; tentou-se incluir na Constituição o direito a uma existência digna.

Direito à integridade física: a Constituição além de garantir o respeito à integridade física e


moral (art. 5º, XLIX), declara que ninguém será submetido à tortura ou tratamento desumano ou
degradante (art. 5º, III); a fim de dotar essas normas de eficácia, a Constituição preordena várias
garantias penais apropriadas, como o dever de comunicar, imediatamente, ao juiz competente e à
família ou pessoa indicada, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre; o dever da
autoridade policial informar ao preso seus direitos; o direito do preso à identificação dos
responsáveis por sua prisão e interrogatório policial.

Direito à integridade moral: a Constituição realçou o valor da moral individual, tornando-a


um bem indenizável (art. 5º, V e X); à integridade moral do direito assume feição de direito
fundamental; por isso é que o Direito Penal tutela a honra contra a calúnia, a difamação e a
injúria.

60
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Pena de morte: é vedada; só é admitida no caso de guerra externa declarada, nos termos do
art. 84, XIX (art. 5º, XLVII, a).

Eutanásia: é vedado pela Constituição; o desinteresse do indivíduo pela própria vida não
exclui esta da tutela; o Estado continua a protegê-la como valor social e este interesse superior
torna inválido o consentimento do particular para que dela o privem.

Aborto: a Constituição não enfrentou diretamente o tema, mas parece inadmitir o


abortamento; devendo o assunto ser decidido pela legislação ordinária, especialmente a penal.

Tortura: prática expressamente condenada pelo inciso III do art. 5º, segundo o qual ninguém
será submetido à tortura ou a tratamento desumano e degradante; a condenação é tão incisiva
que o inciso XLIII determina que a lei considerará a prática de tortura crime inafiançável e
insuscetível de graça, por ele respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-
lo, se omitirem (Lei 9.455/97).

DIREITO À PRIVACIDADE

Conceito e conteúdo: A Constituição declara invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra


e a imagem das pessoas (art. 5º, X); portanto, erigiu, expressamente, esses valores humanos à
condição de direito individual, considerando-o um direito conexo ao da vida.

Intimidade: caracteriza-se como a esfera secreta da vida do indivíduo na qual este tem o
poder legal de evitar os demais; abrangendo nesse sentido à inviolabilidade do domicílio, o sigilo
de correspondência e ao segredo profissional.

Vida privada: a tutela constitucional visa proteger as pessoas de 2 atentados particulares: ao


segredo da vida privada e à liberdade da vida privada.

Honra e imagem das pessoas: o direito à preservação da honra e da imagem, não


caracteriza propriamente um direito à privacidade e menos à intimidade; a CF reputa-os valores
humanos distintos; a honra, a imagem constituem, pois, objeto de um direito, independente, da
personalidade.

Privacidade e informática: a Constituição tutela a privacidade das pessoas, acolhendo um


instituto típico e específico para a efetividade dessa tutela, que é o habeas data, que será
estudado mais adiante.

Violação à privacidade e indenização: essa violação, em algumas hipóteses, já constitui


ilícito penal; a CF foi explícita em assegurar ao lesado, direito à indenização por dano material ou
moral decorrente da violação do direito à privacidade.

DIREITO DE IGUALDADE

Introdução ao tema: as Constituições só tem reconhecido a igualdade no seu sentido


jurídico-formal (perante a lei); a CF/88 abre o capítulo dos direitos individuais com o princípio que
todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza; reforça o princípio com muitas
outras normas sobre a igualdade ou buscando a igualização dos desiguais pela outorga de
direitos sociais substanciais.

61
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Isonomia formal e isonomia material: isonomia formal é a igualdade perante a lei; a material
são as regras que proíbem distinções fundadas em certos fatores; Ex: art. 7º, XXX e XXXI; a
Constituição procura aproximar os 2 tipos de isonomia, na medida em que não delimitara ao
simples enunciado da igualdade perante a lei; menciona também a igualdade entre homens e
mulheres e acrescenta vedações a distinção de qualquer natureza e qualquer forma de
discriminação.

O sentido da expressão “igualdade perante a lei”: o princípio tem como destinatários tanto
o legislador como os aplicadores da lei; significa para o legislador que, ao elaborar a lei, deve
reger, com iguais disposições situações idênticas, e, reciprocamente, distinguir, na repartição de
encargos e benefícios, as situações que sejam entre si distintas, de sorte a quinhoá-las ou gravá-
las em proporção às suas diversidades; isso é que permite, à legislação, tutelar pessoas que se
achem em posição econômica inferior, buscando realizar o princípio da igualização.

Igualdade de homens e mulheres: essa igualdade já se contém na norma geral da igualdade


perante a lei; também contemplada em todas as normas que vedam a discriminação de sexo (arts.
3º, IV, e 7º, XXX), sendo destacada no inciso I, do art. 5º que homens e mulheres são iguais em
direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; só valem as discriminações feitas pela
própria Constituição e sempre em favor da mulher, por exemplo, a aposentadoria da mulher com
menor tempo de serviço e de idade que o homem (arts. 40, III, e 202, I a III).

O princípio da igualdade jurisdicional: a igualdade jurisdicional ou igualdade perante o juiz


decorre, pois, da igualdade perante a lei, como garantia constitucional indissoluvelmente ligada à
democracia; apresenta-se sob 2 prismas: como interdição do juiz de fazer distinção entre
situações iguais, ao aplicar a lei; como interdição ao legislador de editar leis que possibilitem
tratamento desigual a situações iguais ou tratamento igual a situações desiguais por parte da
Justiça.

Igualdade perante a tributação: o princípio da igualdade tributária relaciona-se com a justiça


distributiva em matéria fiscal; diz respeito à repartição do ônus fiscal do modo mais justo possível;
fora disso a igualdade será puramente formal.

Igualdade perante a lei penal: essa igualdade deve significar que a mesma lei penal e seus
sistemas de sanções hão de se aplicar a todos quanto pratiquem o fato típico nela definido como
crime; devido aos fatores econômicos, as condições reais de desigualdade condicionam o
tratamento desigual perante a lei penal, apesar do princípio da isonomia assegurado a todos pela
Constituição (art. 5º).

Igualdade “sem distinção de qualquer natureza”: além da base geral em que assenta o
princípio da igualdade perante a lei, consistente no tratamento igual a situações iguais e
tratamento desigual a situações desiguais, é vedado distinções de qualquer natureza; as
discriminações são proibidas expressamente no art. 3º, IV, onde diz que:... promover o bem de
todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade, e quaisquer outras formas de
discriminação; proíbe também, diferença de salários, de exercício de funções e de critério de
admissão por motivo de sexo, idade, cor, estado civil ou posse de deficiência (art. 7º, XXX e
XXXI).

O princípio da não discriminação e sua tutela penal: a Constituição traz 2 dispositivos que
fundamentam e exigem normas penais rigorosas contra discriminações; diz-se num deles que a
lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais, e outro, mais

62
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

específico porque destaca a forma mais comum de discriminação, estabelecendo que a prática do
racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.
(art. 5º, XLI e XLII).

Discriminações e inconstitucionalidade: são inconstitucionais as discriminações não


autorizadas pela Constituição; há 2 formas de cometer essa inconstitucionalidade; uma consiste
em outorgar benefício legítimo a pessoas ou grupos, discriminando-os favoravelmente em
detrimento de outras pessoas ou grupos em igual situação; a outra forma revela-se em se impor
obrigação, dever, ônus, sanção ou qualquer sacrifício a pessoas ou grupos de pessoas,
discriminando-as em face de outros na mesma situação que, assim, permaneceram em condições
mais favoráveis.

DIREITO DE LIBERDADE

O problema da Liberdade: a liberdade tem um caráter histórico, porque depende do poder do


homem sobre a natureza, a sociedade, e sobre si mesmo em cada momento histórico; o conteúdo
da liberdade se amplia com a evolução da humanidade; fortalece-se, à medida que a atividade
humana se alarga. A liberdade opõe-se ao autoritarismo, à deformação da autoridade; não porém,
à autoridade legítima; o que é válido afirmar é que a liberdade consiste na ausência de coação
anormal, ilegítima e imoral; daí se conclui que toda a lei que limita a liberdade precisa ser lei
normal, moral e legítima, no sentido de que seja consentida por aqueles cuja liberdade restringe;
como conceito podemos dizer que liberdade consiste na possibilidade de coordenação consciente
dos meios necessários à realização da felicidade pessoal. O assinalado o aspecto histórico denota
que a liberdade consiste num processo dinâmico de liberação do homem de vários obstáculos que
se antepõem à realização de sua personalidade: obstáculos naturais, econômicos, sociais e
políticos; é hoje função do Estado promover a liberação do homem de todos esses obstáculos, e é
aqui que a autoridade e liberdade se ligam. O regime democrático é uma garantia geral da
realização dos direitos humanos fundamentais; quanto mais o processo de democratização
avança, mais o homem se vai libertando dos obstáculos que o constrangem, mais liberdade
conquista.

Liberdade e liberdades: liberdades, no plural, são formas de liberdade, que aqui, em função
do Direito Constitucional positivo, distingue-se em 5 grupos: 1) liberdade da pessoa física; 2)
liberdade de pensamento, com todas as suas liberdades; 3) liberdade de expressão coletiva; 4)
liberdade de ação profissional; 5) liberdade de conteúdo econômico. Cabe considerar aquela que
constitui a liberdade-matriz, que é a liberdade de ação em geral, que decorre do art. 5º, II,
segundo o qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
de lei.

Liberdade da pessoa física: é a possibilidade jurídica que se reconhece a todas as pessoas


de serem senhoras de sua própria vontade e de locomoverem-se desembaraçadamente dentro do
território nacional; para nós as formas de expressão dessa liberdade se revelam apenas na
liberdade de locomoção e na liberdade de circulação; mencionando também o problema da
segurança, não como forma dessa liberdade em si, mas como forma de garantir a efetividade
destas.

Liberdade de pensamento: é o direito de exprimir, por qualquer forma, o que se pense em


ciência, religião, arte, ou o que for; trata-se de liberdade de conteúdo intelectual e supõe contato
com seus semelhantes; inclui as liberdades de opinião, de comunicação, de informação, religiosa,
de expressão intelectual, artística e científica e direitos conexos, de expressão cultural e de
transmissão e recepção do conhecimento.

63
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Liberdade de ação profissional: confere liberdade de escolha de trabalho, de ofício e de


profissão, de acordo com as propensões de cada pessoa e na medida em que a sorte e o esforço
próprio possam romper as barreiras que se antepõem à maioria do povo; a liberdade anunciada
no acima (art. 5º, XIII), beneficia brasileiros e estrangeiros residentes, enquanto a acessibilidade à
função pública sofre restrições de nacionalidade (arts. 12 § 3º, e 37, I e II); A Constituição
ressalva, quanto à escolha e exercício de ofício ou profissão, que ela fica sujeita à observância
das qualificações profissionais que a lei exigir, só podendo a lei federal definir as qualificações
profissionais requeridas para o exercício das profissões. ( art. 22, XVI).

DIREITOS COLETIVOS

Direito à informação: o direito de informar, como aspecto da liberdade de manifestação de


pensamento, revela-se um direito individual, mas já contaminado no sentido coletivo, em virtude
das transformações dos meios de comunicação, que especialmente se concretiza pelos meios de
comunicação social ou de massa; a CF acolhe essa distinção, no capítulo da comunicação (220 a
224), preordena a liberdade de informar completada com a liberdade de manifestação do
pensamento (5º, IV).

Direito de representação coletiva: estabelece que as entidades associativas, quando


expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados em juízo ou fora dele
(art. 5º, XXI), legitimidade essa também reconhecida aos sindicatos em termos até mais amplos e
precisos, in verbis: ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da
categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas (art. 8, III).

Direito de participação: distinguiremos 2 tipos; um é a participação direta dos cidadãos no


processo político e decisório (arts. 14, I e II, e 61, § 2º); só se reputa coletivo porque só pode ser
exercido por um número razoável de eleitores: uma coletividade, ainda que não organizada
formalmente. Outro, é a participação orgânica, às vezes resvalando para uma forma de
participação corporativa, é a participação prevista no art. 10 e a representação assegurada no art.
11, as quais aparecem entre os direitos sociais. Coletivo, de natureza comunitária não-corporativa,
é o direito de participação da comunidade (arts. 194, VII e 198, III).

Direito dos consumidores: estabelece que o Estado proverá, na forma da lei, a defesa do
consumidor (art. 5º, XXXII), conjugando isso com a consideração do art. 170, V, que eleva a
defesa do consumidor à condição de princípio da ordem econômica.

Liberdade de reunião: está prevista no art. 5º, XVI; a liberdade de reunião está plena e
eficazmente assegurada, não mais se exige lei que determine os casos em que será necessária a
comunicação prévia à autoridade, bem como a designação, por esta, do local de reunião; nem se
autoriza mais a autoridade a intervir para manter a ordem, cabendo apenas um aviso à autoridade
que terá o dever, de ofício, de garantir a realização da reunião.

Liberdade de associação: é reconhecida e garantida pelos incisos XVII a XXI do art. 5º; há
duas restrições expressas à liberdade de associar-se: veda-se associação que não seja para fins
lícitos ou de caráter paramilitar; e é aí que se encontra a sindicabilidade que autoriza a dissolução
por via judicial; no mais têm as associações o direito de existir, permanecer, desenvolver-se e
expandir-se livremente.

Regime das Liberdades

64
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Eficácia das normas constitucionais sobre as liberdades: as normas constitucionais que


definem as liberdades são, via de regra, de eficácia plena e aplicabilidade direta e imediata; vale
dizer, não dependem de legislação nem de providência do Poder Público para serem aplicadas;
algumas normas podem caracterizar-se como de eficácia contida (quando a lei restringe a
plenitude desta, regulando os direitos subjetivos que delas decorrem); o exercício das liberdades
não depende de normas reguladoras, porque, como foi dito, as normas constitucionais que as
reconhecem são de aplicabilidade direta e imediata, sejam de eficácia plena ou eficácia contida.

Sistemas de restrições das liberdades individuais: a característica de normas de eficácia


contida tem extrema importância, porque é daí que vêm os sistemas de restrições das liberdades
públicas; algumas normas conferidoras de liberdade e garantias individuais, mencionam uma lei
limitadora (art. 5º, VI, VII, XIII, XV, XVIII); outras limitações podem provir da incidência de normas
constitucionais (art. 5º, XVI e XVII); tudo isso constitui modos de restrições de liberdades que, no
entanto, esbarram no princípio de que é liberdade, o direito, que deve prevalecer, não podendo
ser extirpado por via da atuação do Poder Legislativo nem do poder de polícia.

DIREITO DE PROPRIEDADE

Direito de Propriedade em Geral

Fundamento constitucional: O regime jurídico da propriedade tem seu fundamento na


Constituição; esta garante o direito de propriedade, desde que este atenda sua função social (art.
5º, XXII), sendo assim, não há como escapar ao sentido que só garante o direito de propriedade
que atenda sua função social; a própria Constituição dá conseqüência a isso quando autoriza a
desapropriação, como pagamento mediante título, de propriedade que não cumpra sua função
social (arts. 182, § 4º, e 184); existem outras normas que interferem com a propriedade mediante
provisões especiais (arts. 5º, XXIV a XXX, 170, II e III, 176, 177 e 178, 182, 183, 184,185, 186,
191 e 222).

Conceito e natureza: entende-se como uma relação entre um indivíduo (sujeito ativo) e um
sujeito passivo universal integrado por todas as pessoas, o qual tem o dever de respeitá-lo,
abstraindo-se de violá-lo, e assim o direito de propriedade se revela como um modo de imputação
jurídica de uma coisa a um sujeito.

Regime jurídico da propriedade privada: em verdade, a Constituição assegura o direito de


propriedade, estabelece seu regime fundamental, de tal sorte que o Direito Civil não disciplina a
propriedade, mas tão-somente as relações civis e a ela referentes; assim, só valem no âmbito das
relações civis as disposições que estabelecem as faculdades de usar, gozar e dispor de bens (art.
524), a plenitude da propriedade (525), etc.; vale dizer, que as normas de Direito Privado sobre a
propriedade hão de ser compreendidas de conformidade com a disciplina que a Constituição lhe
impõe.

Propriedade e propriedades: a Constituição consagra a tese de que a propriedade não


constitui uma instituição única, mas várias instituições diferenciadas, em correlação com os
diversos tipos de bens e de titulares, de onde ser cabível falar não em propriedade, mas em
propriedades; ela foi explícita e precisa; garante o direito de propriedade em geral (art. 5º, XXII),
mas distingue claramente a propriedade urbana (182, § 2º) e a propriedade rural (arts. 5º, XXIV, e
184, 185 e 186), com seus regimes jurídicos próprios.

Propriedade pública: a Constituição a reconhece: - ao incluir entre os bens da União aqueles


enumerados no art. 20 e, entre os dos Estados, os indicados no art. 26; - ao autorizar

65
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

desapropriação, que consiste na transferência compulsória de bens privados para o domínio


público; - ao facultar a exploração direta de atividade econômica pelo Estado (art. 173) e o
monopólio (art. 177), que importam apropriação pública de bens de produção. *ver também os
arts. 65 a 68 do CC; e 20, XI, e 231 da CF.

PROPRIEDADES ESPECIAIS

Propriedade autoral: consta no art. 5º, XXVII, que contém 2 normas: a primeira confere aos
autores o direito exclusivo de utilizar, publicar e reproduzir suas obras; a segunda declara que
esse direito é transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; o autor é, pois, titular de
direitos morais e de direitos patrimoniais sobre a obra intelectual que produzir; os direitos morais
são inalienáveis e irrenunciáveis; mas, salvo os de natureza personalíssima, são transmissíveis
por herança nos termos da lei; já os patrimoniais são alienáveis por ele ou por seus sucessores.

Propriedade de inventos, de marcas e indústrias e de nome de empresas: seu enunciado


e conteúdo denotam, quando a eficácia da norma fica dependendo de legislação ulterior: “que a
lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem
como a proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a
outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e
econômico do País” (art. 5º, XXIX); a lei, hoje, é a de nº 9279/96, que substitui a Lei 5772/71.

Propriedade-bem de família: segundo o inc. XXVI do art. 5º, a pequena propriedade rural,
desde que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamento de débitos
decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu
desenvolvimento; possui o interesse de proteger um patrimônio necessário à manutenção e
sobrevivência da família.

LIMITAÇÕES AO DIREITO DE PROPRIEDADE

Conceito: consistem nos condicionamentos que atingem os caracteres tradicionais desse


direito, pelo que era tido como direito absoluto (assegura a liberdade de dispor da coisa do modo
que melhor lhe aprouver), exclusivo e perpétuo (não desaparece com a vida do proprietário).

Restrições: limitam, em qualquer de suas faculdades, o caráter absoluto da propriedade;


existem restrições à faculdade de fruição, que condicionam o uso e a ocupação da coisa; à
faculdade de modificação coisa; à alienabilidade da coisa, quando, por exemplo, se estabelece
direito de preferência em favor de alguma pessoa.

Servidões e utilização de propriedade alheia: são formas de limitação que lhe atinge o
caráter exclusivo; constituem ônus impostos à coisa; vinculam 2 coisas: uma serviente e outra
dominante; a utilização pode ser pelo Poder Público (decorrente do art. 5º, XXV) ou por particular;
as servidões são indenizáveis, em princípio; outra forma são as requisições do Poder Público; a
CF permite as requisições civis e militares, mas tão-só em caso de iminente perigo e em tempo de
guerra (art. 22, III); são também indenizáveis.

Desapropriação: é a limitação que afeta o caráter perpétuo, porque é o meio pelo qual o
Poder Público determina a transferência compulsória da propriedade particular especialmente
para o seu patrimônio ou de seus delegados (arts. 5º XXIV, 182 e 184).

FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE

66
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Conceito: não se confunde com os sistemas de limitação da propriedade; estes dizem


respeito ao exercício do direito ao proprietário; aquela à estrutura do direito mesmo, à
propriedade; a função social se modifica com as mudanças na relação de produção; a norma que
contém o princípio da função social incide imediatamente, é de aplicabilidade imediata; a própria
jurisprudência já o reconhece; o princípio transforma a propriedade capitalista, sem socializá-la;
constitui o regime jurídico da propriedade, não de limitações, obrigações e ônus que podem
apoiar-se em outros títulos de intervenção, como a ordem pública ou a atividade de polícia;
constitui um princípio ordenador da propriedade privada; não autoriza a suprimir por via legislativa,
a instituição da propriedade privada

III - DIREITOS SOCIAIS

FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS

Ordem social e direitos sociais: a CF/88 traz um capítulo próprio dos direitos sociais e, bem
distanciado deste, um título especial sobre a ordem social, não ocorrendo uma separação radical,
como se os direitos sociais não fossem algo ínsito na ordem social; o art. 6º diz que são direitos
sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança a previdência social ......, na forma
desta Constituição; esta forma é dada precisamente no título da ordem social, onde trata dos
mecanismos e aspectos organizacionais desses direitos.

Direitos sociais e direitos econômicos: a Constituição inclui o direito dos trabalhadores


como espécie de direitos sociais, e o trabalho como primado básico da ordem social (arts. 7º e
193); o direito econômico tem uma dimensão institucional, enquanto os sociais constituem forma
de tutela pessoal; o direito econômico é a disciplina jurídica de atividades desenvolvidas nos
mercados, visando a organizá-los sob a inspiração dominante do interesse social; os sociais
disciplinam situações objetivas, pessoais ou grupais de caráter concreto.

Conceito de direitos sociais: são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou
indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de
vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais.

Classificação dos direitos sociais: à vista do Direito positivo, e com base nos arts. 6º a 11,
são agrupados em 5 classes: a) direitos sociais relativos ao trabalhador; b) relativos à seguridade,
compreendendo os direitos à saúde, à previdência e assistência social; c) relativos à educação e
cultura; d) relativos à família, criança, adolescente e idoso; e) relativos ao meio ambiente; há
porém uma classificação dos direitos sociais do homem como produtor e como consumidor.

DIREITOS SOCIAIS RELATIVOS AOS TRABALHADORES

Questão de Ordem

Espécies de direitos relativos aos trabalhadores: são de duas ordens: a) os direitos em


suas relações individuais de trabalho (art. 7º); b) direitos coletivos dos trabalhadores (arts. 9º a
11).

Direitos dos Trabalhadores

67
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Destinatários: o art. 7º relaciona os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, mas seu
parágrafo único assegura à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos indicados nos
incisos IV, VI, VIII, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV.

Direitos reconhecidos: são direitos dos trabalhadores os enumerados nos incisos do art. 7º,
além de outros que visem à melhoria de sua condição social; temos assim direitos expressamente
enumerados e direitos simplesmente previstos.

Direito ao trabalho e garantia do emprego: o art. 6º define o trabalho como direito social,
mas nem ele nem o art. 7º trazem norma expressa conferindo o direito ao trabalho; este ressai do
conjunto de normas sobre o trabalho; no art. 1º, IV, declara que o País tem como fundamento,
entre outros, os valores sociais do trabalho; o 170 estatui que a ordem econômica funda-se na
valorização do trabalho; o 193 dispõe que a ordem social tem como base o primado do trabalho. A
garantia de emprego significa o direito de o trabalhador conservar sua relação de emprego contra
despedida arbitrária ou sem justa causa , prevendo uma indenização compensatória, caso ocorra
essa hipótese (art. 7º, I).

Direitos sobre as condições de trabalho: as condições dignas de trabalho constituem


objetivos dos direitos dos trabalhadores; por meio delas é que eles alcançam a melhoria de sua
condição social (art. 7º, caput); a Constituição não é o lugar para se estabelecerem as condições
das relações de trabalho, mas ela o faz, visando proteger o trabalhador, quanto a valores mínimos
e certas condições de salários (art. 7º, IV a X), e, especialmente para assegurar a isonomia
material (XXX a XXXII e XXXIV), garantir o equilíbrio entre o trabalho e descanso (XIII a XV e XVII
a XIX).

Direitos relativos ao salário: quanto à fixação, a CF oferece várias regras e condições, tais
como: salário mínimo, piso salarial, salário nunca inferior ao mínimo, décimo-terceiro salário,
remuneração do trabalho noturno superior à do diurno, determinação que a remuneração da hora
extra seja superior no mínimo 50% a do trabalho normal, salário-família, respeito ao princípio da
isonomia salarial e o adicional de insalubridade; quanto à proteção do salário, possui 2 preceitos
específicos: irredutibilidade do salário (inciso VI), e a proteção do salário na forma da lei,
constituindo crime sua retenção dolosa (inciso X).

Direitos relativos ao repouso e à inatividade do trabalhador: a Constituição assegura o


repouso semanal remunerado, o gozo de férias anuais, a licença a gestante e a licença-
paternidade (incisos XV e XVII a XIX).

Proteção dos trabalhadores: a CF ampliou as hipóteses de proteção, a primeira na ordem


do art. 7º que aparece é a do inciso XX: proteção ao mercado de trabalho da mulher; a segunda é
a do inciso XXII, forma de segurança do trabalho; a terceira do inciso XXVII, prevê a proteção em
face da automação, na forma da lei; a quarta é a do inciso XXVIII, que estabelece o seguro contra
acidentes de trabalho; cabe observar que os dispositivos que garantem a isonomia e não
discriminação (XXX a XXXII) também possuem uma dimensão protetora do trabalhador.

Direitos relativos aos dependentes do trabalhador: o de maior importância social é o direito


previsto no inc. XXV, do art.7º, pelo qual se assegura assistência gratuita aos filhos e
dependentes do trabalhador desde o nascimento até 6 anos de idade em creches e pré-escolas.

Participação nos lucros e co-gestão: diz-se que é direito dos trabalhadores a participação
nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, a participação na
gestão da empresa, conforme definido em lei (art. 7º, XI); o texto fala em participação nos lucros,

68
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

ou resultados; são diferentes; resultados, consistem na equação positiva ou negativa entre todos
os ganhos e perdas; lucro bruto é a diferença entre a receita líquida e custos de produção dos
bens e serviços da empresa; a participação na gestão da empresa só ocorrerá quando a
coletividade trabalhadora da empresa, por si ou por uma comissão, um conselho, um delegado ou
um representante, fazendo parte ou não dos órgãos diretivos dela, disponha de algum poder de
co-decisão ou pelo menos de controle.

DIREITOS COLETIVOS DOS TRABALHADORES

Liberdade de associação ou sindical: são mencionados no art. 8º, 2 tipos de associação: a


profissional e a sindical; a diferença é que a sindical é uma associação profissional com
prerrogativas especiais, tais como: defender os direitos e interesses coletivos ou individuais da
categoria, participar das negociações coletivas, eleger ou designar representantes da respectiva
categoria, impor contribuições; já a associação profissional não sindical se limita a fins de estudo,
defesa e coordenação dos interesses econômicos e profissionais de seus associados. A
Constituição contempla e assegura amplamente a liberdade sindical em todos os seus aspectos; a
liberdade sindical implica efetivamente: a liberdade de fundação de sindicato, a liberdade de
adesão sindical, a liberdade de atuação e a liberdade de filiação. A participação dos sindicatos
nas negociações coletivas de trabalho é obrigatória, por força do art. 8º, VI. O inciso IV, do
referido artigo autoriza a assembléia geral a fixar a contribuição sindical que, em se tratando de
categoria profissional, será descontada em folha, independente da contribuição prevista em lei.
(arts. 578 a 610 da CLT). Sobre a pluralidade ou unicidade sindical, a CF adotou a unicidade,
conforme o art. 8º, II.

Direito de greve: a Constituição assegurou o direito de greve, por si própria (art. 9º); não o
subordinou a eventual previsão em lei; greve é o exercício de um poder de fato dos trabalhadores
com o fim de realizar uma abstenção coletiva do trabalho subordinado.

Direito de substituição processual: consiste no poder que a Constituição conferiu aos


sindicatos de ingressar em juízo na defesa de direitos e interesses coletivos e individuais da
categoria.

Direito de participação laboral: é direito coletivo de natureza social (art. 10), segundo o qual
é assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos
públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão.

Direito de representação na empresa: está consubstanciado na art. 11, segundo o qual, nas
empresas de mais de 200 empregados, é assegurada a eleição de um representante destes com
a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.

DIREITOS SOCIAIS DO HOMEM CONSUMIDOR

Direitos Sociais Relativos à Seguridade

Seguridade social: A Constituição acolheu uma concepção de seguridade social, cujos


objetivos e princípios se aproximam bastante daqueles fundamentais, ao defini-la como “um
conjunto de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social” (194).

Direito à saúde: a CF declara ser a saúde direito de todos e dever do Estado, garantindo
mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros

69
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

agravos a ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e
recuperação, serviços e ações que são de relevância pública (196 e 197).

Direito à previdência social: funda-se no princípio do seguro social, de sorte que os


benefícios e serviços se destinam a cobrir eventos de doença, invalidez, morte, velhice e reclusão,
apenas do segurado e seus dependentes. (201 e 202).

Direito à assistência social: constitui a face universalizante da seguridade social, porque


será prestada a quem dele necessitar, independentemente de contribuição (art. 203).

Direitos Sociais Relativos à Educação e à Cultura

Significação constitucional: a CF/88 deu relevante importância à cultura, formando aquilo


que se denomina ordem constitucional da cultura, ou constituição cultural, constituída pelo
conjunto de normas que contêm referências culturais e disposições consubstanciadoras dos
direitos sociais relativos à educação e à cultura. (5º, IX, 23, III a V, 24, VII a IX, 30, IX, e 205 a
2017).

Objetivos e princípios informadores da educação: os objetivos estão previstos no art. 205:


a) pleno desenvolvimento da pessoa; b) preparo da pessoa para o exercício da cidadania; c)
qualificação da pessoa para o trabalho; os princípios estão acolhidos no art. 206: universalidade,
igualdade, liberdade, pluralismo, gratuidade do ensino público, valorização dos respectivos
profissionais, gestão democrática da escola e padrão de qualidade.

Direito à educação: o art. 205 contém uma declaração fundamental, que combinada com o
art. 6º, eleva e educação ao nível dos direitos fundamentais do homem; aí se afirma que a
educação é direito de todos, realçando-lhe o valor jurídico, com a cláusula a educação é dever do
Estado e da família (art. 205 e 227).

Direito à cultura: os direitos culturais são: a) direito de criação cultural; b) direito de acesso
às fontes da cultura nacional; c) direito de difusão da cultura; d) liberdade de formas de expressão
cultural; e) liberdade de manifestações culturais; f) direito-dever estatal de formação de patrimônio
cultural e de proteção dos bens de cultura, que, assim, ficam sujeitos a um regime jurídico
especial, como forma de propriedade de interesse público (215 e 216).

DIREITO AMBIENTAL

Direito ao lazer: a Constituição menciona o lazer apenas no art. 6º e faz ligeira referência no
art. 227, e nada mais diz sobre esse direito social; como visto, ele está muito associado aos
direitos dos trabalhadores relativos ao repouso.

Direito ao meio ambiente: o art. 225 estatui que, todos têm o direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida,
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações.

DIREITOS SOCIAIS DA CRIANÇA E DOS IDOSOS

Proteção à maternidade e à infância: está prevista no art. 6º como espécie de direito social,
mas seu conteúdo há de ser buscado em mais de um dos capítulos da ordem social, onde

70
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

aparece com aspectos do direito de previdência social, de assistência social e no capítulo da


família, da criança, do adolescente e do idoso (art. 227), sendo de ter cuidado para não confundir
o direito individual da criança , com seu direito social, que aliás coincide, em boa parte, com o de
todas as pessoas, com o direito civil e com o direito tutelar do menos (art. 227, § 3º, IV a VII, e §
4º).

Direito dos idosos: além dos direitos, previdenciário (201, I) e assintenciário (203, I), o art.
230, estatui que a família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas,
assegurando a sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e
garantindo-lhes o direito à vida, bem como a gratuidade dos transportes coletivos urbanos e, tanto
quanto possível a convivência em seu lar.

IV - DIREITO DE NACIONALIDADE

Conceito de Nacionalidade: segundo Pontes de Miranda, nacionalidade é o vínculo jurídico-


político de Direito Público interno, que faz da pessoa um dos elementos componentes da
dimensão pessoal do Estado; no Direito Constitucional vigente, os termos nacionalidade e
cidadania, ou nacional e cidadão, têm sentido distinto; nacional é o brasileiro nato ou naturalizado;
cidadão qualifica o nacional no gozo dos direitos políticos e os participantes da vida do Estado.

Natureza do direito de nacionalidade: os fundamentos sobre a aquisição da nacionalidade é


matéria constitucional, mesmo naqueles casos em que ela é considerada em textos de lei
ordinária.

Nacionalidade primária e nacionalidade secundária: a primária resulta de fato natural - o


nascimento -; a secundária é a que se adquire por fato voluntário, depois do nascimento.

Modos de aquisição de nacionalidade: são 2 os critérios para a determinação da


nacionalidade primária: a) critério de sangue, se confere a nacionalidade em função do vínculo de
sangue reputando-se os nacionais ou dependentes de nacionais; b) o critério de origem territorial,
pelo qual se atribui a nacionalidade a quem nasce no território do Estado de que se trata. Os
modos de aquisição da nacionalidade secundária dependem da vontade: a) do indivíduo; b) do
Estado.

O polipátrida e o “heimatlos”: polipátrida é quem tem mais de uma nacionalidade, o que


acontece quando sua situação de nascimento se vincula aos 2 critérios de determinação de
nacionalidade primária; Heimatlos, consiste na situação da pessoa que, dada a circunstância de
nascimento, não se vincula a nenhum daqueles critérios, que lhe determinariam uma
nacionalidade; geram um conflito de nacionalidade, que pode ser positivo ou negativo. O sistema
constitucional brasileiro, oferece um mecanismo adequado para solucionar os conflitos de
nacionalidade negativa em que se vejam envolvidos filhos de brasileiros (art. 12, I, b e c).

DIREITO DE NACIONALIDADE BRASILEIRA

Fonte constitucional do direito de nacionalidade: estão previstos no art. 12 da


Constituição; só esse dispositivo diz quais são os brasileiros, distinguindo-se em 2 grupos, com
conseqüências jurídicas relevantes: os brasileiros natos (art. 12, I), e os brasileiros naturalizados
(art. 12, II).

Os brasileiros natos: o art. 12, I, dá os critérios e pressupostos para que alguém seja
considerado brasileiro nato, revelando 4 situações definidoras de nacionalidade primária no Brasil,

71
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

são elas: 1) os nascidos no Brasil, quer sejam filhos de pais brasileiros ou de pais estrangeiros, a
não ser que estejam em serviço oficial; 2) os nascidos no exterior, de pai ou mãe brasileiros,
desde que qualquer deles esteja a serviço do Brasil; 3) os nascidos no exterior, de pai ou mãe
brasileiros, desde que venham a residir no Brasil antes da maioridade e optem, em qualquer
tempo, pela nacionalidade brasileira; 4) os nascidos no exterior, registrados em repartição
brasileira competente.

Os brasileiros naturalizados: o art. 12, II, prevê o processo de naturalização, só


reconhecendo a naturalização expressa, aquela que depende de requerimento do naturalizando, e
compreende 2 classes: a) ordinária: é a concedida ao estrangeiro residente no país, que preencha
os requisitos previstos na lei de naturalização, exigida aos originários de países de língua
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral (art. 12, I, a); b)
extraordinária: é reconhecida aos estrangeiros, residente no Brasil há mais de 15 anos
ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade brasileira.

Condição jurídica do brasileiro nato: essa condição dá algumas vantagens em relação ao


naturalizado, como a possibilidade de exercer todos os direitos conferidos no ordenamento pátrio,
observados os critérios para isso, mas também ficam sujeitos aos deveres impostos a todos; as
distinções são só aquelas consignadas na Constituição (art. 12, § 2º).

Condição jurídica do brasileiro naturalizado: as limitações aos brasileiros naturalizados são


as previstas nos arts. 12, § 3º, 89, VII, 5º, LI, 222.

Perda de nacionalidade brasileira: perde a nacionalidade o brasileiro que: a) tiver cancelado


sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; b)
adquirir outra nacionalidade (art. 12, § 4º), salvo nos casos de reconhecimento de nacionalidade
originária pela lei estrangeira; e imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro
residente no Estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para
exercício de direitos civis (redação da ECR-3/94).

Reaquisição da nacionalidade brasileira: salvo se o cancelamento for feito em ação


rescisória, aquele que teve a naturalização cancelada nunca poderá recuperar a nacionalidade
brasileira perdida; o que a perdeu por naturalização voluntária poderá readquiri-la ,por decreto do
Presidente, se estiver domiciliado no Brasil (Lei 818/49, art. 36); cumpre-se notar que a
reaquisição da nacionalidade opera a partir do decreto que a conceder, não tendo efeito
retroativo, apenas recupera a condição que perdera.

CONDIÇÃO JURÍDICA DO ESTRANGEIRO NO BRASIL

O estrangeiro: reputa-se estrangeiro no Brasil, quem tenha nascido fora do território nacional
que, por qualquer forma prevista na Constituição, não adquira a nacionalidade brasileira.

Especial condição jurídica dos portugueses no Brasil: a CF favorece os portugueses


residentes no país, apesar desse dispositivo ser muito defeituoso e incompreensível, quando
declara que aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em
favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro nato, salvo os casos
previstos nesta Constituição; ora, se se ressalvam casos previstos, a constituição não tem
ressalva alguma aos direitos inerentes aos brasileiros natos.

Locomoção no território nacional: a liberdade de locomoção no território nacional é


assegurada a qualquer pessoa (art. 5º, XV); a lei condiciona o direito de qualquer pessoa entrar

72
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

no território nacional, nele permanecer ou dele sair, só ou com seus bens ( Lei 6815/80, alterada
pela Lei 6964/81). Entrada: satisfazendo as condições estabelecidas na lei, obtendo o visto de
entrada, conforme o caso, não o concedendo aos menores de 18 anos, nem a estrangeiros nas
situações enumeradas no art. 7º da referida lei; o visto não cria direito subjetivo, mas mera
expectativa de direito; Permanência: estada sem limitação de tempo, assim que obtenha o visto
para fixar-se definitivamente; Saída: pode deixar o território com o visto de saída.

Aquisição e gozo dos direitos civis: o princípio é o de que a lei não distingue entre
nacionais e estrangeiros quanto à aquisição e ao gozo dos direitos civis (CC, art. 3º); porém,
existem limitações aos estrangeiros estabelecidas na Constituição, de sorte que podermos
asseverar que eles só não gozam dos mesmos direitos assegurados aos brasileiros quando a
própria Constituição autorize a distinção. Exs: arts. 190, 172, 176,§ 1º, 222, 5º, XXXI,227, § 5)

Gozo dos direitos individuais e sociais: é assegurado aos estrangeiros residentes no País
a inviolabilidade do direito à vida, a liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, esse
com restrições; quanto aos sociais, ela não assegura, mas também não restringe.

Não aquisição de direitos políticos: os estrangeiro não adquirem direitos políticos (art. 14, §
2º).

Asilo político: a Constituição prevê a concessão do asilo político sem restrições,


considerando como um dos princípios que regem as relações internacionais do Brasil (art. 4º, X);
consiste no recebimento de estrangeiros no território nacional, a seu pedido, sem os requisitos de
ingresso, para evitar punição ou perseguição no seu país por delito de natureza política ou
ideológica.

Extradição: compete a União legislar sobre extradição (art. 22, XV), vigorando sobre ela os
arts. 76 a 94 da Lei 6815/80; mas a CF traça limites à possibilidade de extradição quanto à
pessoa acusada e quando à natureza do delito, vetando os crimes políticos ou de opinião por
estrangeiro, e de modo absoluto os brasileiros natos; cabe ao STF processar e julgar
ordinariamente a extradição solicitada por Estado estrangeiro.

Expulsão: é passível de expulsão o estrangeiro que, de qualquer forma, atentar contra a


segurança nacional, a ordem política ou social, a tranqüilidade ou moralidade pública e a
economia popular, ou cujo procedimento o torne nocivo à convivência e aos interesses nacionais,
entre outros casos previstos em lei; fundamenta-se na necessidade de defesa e conservação da
ordem interna ou das relações internacionais do Estado interessado.

Deportação: fundamenta-se no fato de o estrangeiro entrar ou permanecer irregularmente no


território nacional; decorre do não cumprimento dos requisitos.

V - DIREITO DE CIDADANIA

DIREITOS POLÍTICOS

Conceito e abrangência: Os direitos políticos consistem na disciplina dos meios necessários


ao exercício da soberania popular; a Constituição emprega a expressão direitos políticos, em seu
sentido estrito, como o conjunto de regras que regula os problemas eleitorais.

73
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Modalidades de direitos políticos: o núcleo fundamental dos direitos políticos


consubstancia-se no direito de votar e ser votado, possibilitando-se falar em direitos políticos
ativos e passivos, sem que isso constitua divisão deles, são apenas modalidades de seu exercício
ligadas à capacidade eleitoral ativa, consubstanciada nas condições do direito de votar (ativo), e à
capacidade eleitoral passiva, que assenta na elegibilidade, atributo de quem preenche as
condições do direito de ser votado (passivo).

Aquisição de cidadania: os direitos de cidadania adquirem-se mediante alistamento eleitoral


na forma da lei; a qualidade de eleitor decorre do alistamento, que é obrigatório para os maiores
de 18 anos e facultativo para os analfabetos, os maiores de 70 anos e maiores de 16 e menores
de 18 (art. 14, § 1º, I e II); pode-se dizer, então que a cidadania se adquire com a obtenção da
qualidade de eleitor, que documentalmente se manifesta na posse do título de eleitor válido.

DIREITOS POLÍTICOS POSITIVOS

Conceito: consistem no conjunto de normas que asseguram o direito subjetivo de


participação no processo político e nos órgãos governamentais, garantindo a participação do povo
no poder de dominação política por meio das diversas modalidades de sufrágio.

Instituições: as instituições fundamentais são as que configuram o direito eleitoral, tais como
o direito de sufrágio e os sistemas e procedimentos eleitorais.

Direito de Sufrágio

Conceito e funções do sufrágio: as palavras sufrágio e voto são empregadas comumente


como sinônimas; a CF, no entanto, dá-lhes sentido diferentes, especialmente no seu art. 14, por
onde se vê que sufrágio é universal e o voto é direto, secreto e tem valor igual; o sufrágio é um
direito público subjetivo de natureza política, que tem o cidadão de eleger, ser eleito e de
participar da organização e da atividade do poder estatal; nele consubstancia-se o consentimento
do povo que legitima o exercício do poder; aí estando sua função primordial, que é a seleção e
nomeação das pessoas que hão de exercer as atividades governamentais.

Forma de sufrágio: o regime político condiciona as formas de sufrágio ou, por outras
palavras, as formas de sufrágio denunciam, em princípio, o regime; se este é democrático, será
universal (quando se outorga o direito de votar a todos os nacionais de um país, sem restrições
derivadas de condições de nascimento, de fortuna e de capacidade especial). - art. 14 - ; o
sufrágio restrito (quando só é conferido a indivíduos qualificados por condições econômicas ou de
capacidade especiais) revela um regime elitista, autocrático ou oligárquico; o Direito Constitucional
brasileiro respeita o princípio da igualdade do direito de voto, adotando-se a regra de que a cada
homem vale um voto, no sentido de que cada eleitor de ambos os sexos tem direito a um voto em
cada eleição e para cada tipo de mandato.

Natureza do sufrágio: é um direito público subjetivo democrático, que cabe ao povo nos
limites técnicos do princípio da universalidade e da igualdade de voto e de elegibilidade;
fundamenta-se no princípio da soberania popular por meio de representantes.

Titulares do direito de sufrágio: diz-se ativo (direito de votar) e passivo (direito de ser
votado); aquele caracteriza o eleitor, o outro, o elegível; o primeiro é pressuposto do segundo,
pois, ninguém tem o direito de ser votado, se não for titular do direito de votar.

74
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Capacidade eleitoral ativa: depende das seguintes condições: nacionalidade brasileira, idade
mínima de 16 anos, posse de título eleitoral e não ser conscrito em serviço militar obrigatório.(art.
14)

Exercício do sufrágio: o voto: o voto é o ato fundamental do exercício do direito de sufrágio,


no que tange sua função eleitoral; é a sua manifestação no plano prático.

Natureza do voto: a questão se oferece quanto a saber se o voto é um direito, uma função ou
um dever; que é um direito já o admitimos acima; é, sim, uma função, mas função de soberania
popular, na medida em que traduz o instrumento de atuação desta; nesse sentido, é aceitável a
sua imposição como um dever; daí se conclui que o voto é um direito público subjetivo, uma
função social e um dever, ao mesmo tempo.

Caracteres do voto: eficácia, sinceridade e autenticidade são atributos que os sistemas


eleitorais democráticos procuram conferir ao voto; para tanto, hão de garantir-lhe 2 caracteres
básicos: personalidade e liberdade; a personalidade do voto é indispensável para a realização dos
atributos da sinceridade e autenticidade, significando que o eleitor deverá estar presente e votar
ele próprio, não se admitindo, os votos por correspondência ou por procuração; a liberdade de
voto é fundamental para sua autenticidade e eficácia, manifestando-se não apenas pela
preferência a um ou outro candidato, mas também pela faculdade de votar em branco ou de
anular o voto, direito esse, garantido pelo voto secreto; o sigilo do voto é assegurado mediante as
seguintes providências: 1) uso de cédulas oficiais; 2) isolamento do eleitor em cabine
indevassável; 3) verificação da autenticidade da cédula oficial; 4) emprego de urna que assegure
a inviolabilidade do sufrágio e seja suficientemente ampla para que não acumulem as cédulas na
ordem em que forem introduzidas pelo próprio eleitor, não se admitindo que outro o faça. (art. 103,
Lei 4737/65)

Organização do eleitorado: o conjunto de todos aqueles detêm o direito de sufrágio forma o


eleitorado; de acordo com o direito eleitoral vigente, o eleitorado está organizado segundo 3 tipos
de divisão territorial, que são as circunscrições eleitorais e zonas eleitorais e, nestas, os eleitores
são agrupados em seções eleitorais que não tenham mais de 400 eleitores nas capitais e de 300
nas demais localidades, nem menos de 50, salvo autorização do TRE em casos excepcionais (art.
117, Lei 4737/65).

Elegibilidade e condições de elegibilidade: consiste no direito de postular a designação


pelos eleitores a um mandado político no Legislativo ou no Executivo; as condições de
elegibilidade e as inelegibilidades variam em razão da natureza ou tipo de mandato pleiteado; a
CF arrola no art. 14, § 3º, as condições de elegibilidade, na forma da lei, isso porque algumas das
condições indicadas dependem de forma estabelecida em lei; as inelegibilidades constam nos §§
4º a 7º e 9º do mesmo artigo, além de outras que podem ser previstas em lei complementar.

SISTEMAS ELEITORAIS

As eleições: a eleição não passa de um concurso de vontades juridicamente qualificadas


visando operar a designação de um titular de mandato eletivo; as eleições são procedimentos
técnicos para a designação de pessoas para um cargo ou para a formação de assembléias; o
conjunto de técnicas e procedimentos que se empregam na realização das eleições, destinados a
organizar a representação do povo no território nacional, se designa sistema eleitoral.

Reeleição: significa a possibilidade que a Constituição reconhece ao titular de um mandato


eletivo de pleitear sua própria eleição para um mandato sucessivo ao que está desempenhando.

75
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

O sistema majoritário: por esse sistema, a representação, em dado território, cabe ao


candidato ou candidatos que obtiverem a maioria dos votos; primeiramente ele se conjuga com o
sistema de eleições distritais, nos quais o eleitor há de escolher entre candidatos individuais em
cada partido, isto é, haverá apenas um candidato por partido; em segundo lugar pode ser simples,
com maioria simples, como pode ser por maioria absoluta; o Direito Constitucional brasileiro
consagra o sistema majoritário: a) por maioria absoluta, para a eleição do Presidente (77), do
Governador (28) e do Prefeito (29, II); b) por maioria relativa, para a eleição de Senadores
Federais.

O sistema proporcional: é acolhido para a eleição dos Deputados Federais (45), se


estendendo às Assembléias Legislativas e às Câmaras de Vereadores; por ele, pretende-se que a
representação em determinado território, se distribua em proporção às correntes ideológicas ou de
interesse integrada nos partidos políticos concorrentes; o sistema suscita os problemas de saber
quem é considerado eleito e qual o número de eleitos por partido, sendo, por isso, necessário
determinar: a) votos válidos: para a determinação do quociente eleitoral contam-se, como válidos,
os votos dados à legenda partidária e os votos de todos os candidatos; os votos nulos e brancos
não entram na contagem (77, § 2º). b) Quociente eleitoral: determina-se o quociente eleitoral ,
dividindo-se o número de votos válidos pelo número de lugares a preencher na Câmara dos
Deputados, ou na Assembléia Legislativa estadual, ou na Câmara Municipal, conforme o caso,
desprezada a fração igual ou inferior a meio, arredondando-se para 1, a fração superior a meio. c)
Quociente partidário: é o número de lugares cabível a cada partido, que se obtém dividindo-se o
número de votos obtidos pela legenda pelo quociente eleitoral, desprezada a fração. d)
Distribuição de restos: para solucionar esse problema da distribuição dos restos ou das sobras, o
direito brasileiro adotou o método da maior média, que consiste no seguinte: adiciona-se mais 1
lugar aos o que foram obtidos por cada um dos partidos; depois, toma-se o número de votos
válidos atribuídos a cada partido e divide-se por aquela soma; o primeiro lugar a preencher caberá
ao partido que obtiver a maior média; repita-se a mesma operação tantas vezes quantos forem os
lugares restantes que devem ser preenchidos, até sua total distribuição entre os diversos partidos.
(Código Eleitoral, art. 109)

O sistema misto: existem 2 tipos: o alemão, denominado sistema de eleição proporcional


“personalizado”, que procura combinar o princípio decisório da eleição majoritária com o modelo
representativo da eleição proporcional; e o mexicano, que busca conservar o sistema eleitoral
misto, mas com um aumento da representação proporcional, com predomínio do sistema de
maioria. No Brasil, houve tentativa de implantar um chamado sistema misto majoritário e
proporcional por distrito, na forma que a lei dispusesse; a EC 22/82 é o que previu.

PROCEDIMENTO ELEITORAL

Apresentação de candidatos: o procedimento eleitoral visa selecionar e designar as


autoridades governamentais; portanto, há de começar pela apresentação dos candidatos ao
eleitorado; a formação das candidaturas ocorre em cada partido, segundo o processo por ele
estabelecido, pois a CF garante-lhes autonomia para definir sua estrutura interna, organização e
funcionamento (17, § 1º); o registro das candidaturas é feito após a escolha, cumpre ao partido
providenciar-lhes o registro consoante, cujo procedimento esta descrito nos arts. 87 a 102 do
Código Eleitoral; Propaganda: é regulada pelos arts. 240 a 256 do Código Eleitoral.

O escrutínio: é o modo pelo qual se recolhem e apuram os votos nas eleições; e é nesse
momento que devem concretizar-se as garantias eleitorais do sigilo e da liberdade de voto (arts.
135 a 157, e 158 a 233, Código Eleitoral).

76
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

O contencioso eleitoral: cabe a Justiça Eleitoral, e tem por objetivo fundamental assegurar a
eficácia das normas e garantias eleitorais e, especialmente, coibir a fraude, buscando a verdade e
a legitimidade eleitoral. (arts. 118 a 121).

DIREITOS POLÍTICOS NEGATIVOS

Conceito: são àquelas determinações constitucionais que, de uma forma ou de outra,


importem em privar o cidadão do direito de participação no processo político e nos órgãos
governamentais.

Conteúdo: compõe-se das regras que privam o cidadão, pela perda definitiva ou temporária,
da totalidade dos direitos políticos de votar e ser votado, bem como daquelas regras que
determinam restrições à elegibilidade do cidadão.

Interpretação: a interpretação das normas constitucionais ou complementares relativas aos


direitos políticos deve tender à maior compreensão do princípio, deve dirigir-se ao favorecimento
do direito de votar e de ser votado, enquanto as regras de privação e restrição hão de entender-se
nos limites mais estreitos de sua expressão verbal, segundo as boas regras de hermenêutica.

PRIVAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS

Modos de privação dos direitos políticos: a privação definitiva denomina-se perda dos
direitos políticos; a temporária é sua suspensão; a Constituição veda a cassação de direitos
políticos, e só admite a perda e suspensão nos casos indicados no art. 15.

Perda dos direitos políticos: consistem na privação definitiva dos direitos políticos, com o
que o indivíduo perde sua condição de eleitor e todos os direitos de cidadania nela fundados.

Suspensão dos direitos políticos: consiste na sua privação temporária; só pode ocorrer por
uma dessas três causas: incapacidade civil absoluta; condenação criminal transitada em julgado,
enquanto durarem seus efeitos; improbidade administrativa.

Competência para decidir sobre a perda e suspensão de direitos políticos: decorre de


decisão judicial, porque não se pode admitir a aplicação de penas restritivas de direito
fundamental por via que não seja a judiciária, quando a Constituição não indique outro meio; o
Poder Judiciário é o único que tem poder para dirimir a questão, em processo suscitado pelas
autoridades federais em face de caso concreto.

REAQUISIÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS

Reaquisição dos direitos políticos perdidos: é regulada no art. 40 da Lei 818/49, que
continua em vigor sobre a matéria; a regra é, quem os perdeu em razão da perda de
nacionalidade brasileira, readquirida esta, ficará obrigado a novo alistamento eleitoral, reavendo,
assim, seus direitos políticos; os perdidos em conseqüência da escusa de consciência (art. 40 da
Lei 818/49), admite-se uma analogia à Lei 8239/91, que prevê essa reaquisição, quando diz que o
inadimplente poderá a qualquer tempo, regularizar sua situação mediante cumprimento das
obrigações devidas (art. 4º, § 2º).

Reaquisição dos direitos políticos suspensos: não há norma expressa que preveja os
casos e condições dessa reaquisição; essa circunstância, contudo, não impossibilita a

77
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

recuperação desses direitos que se dará automaticamente com a cessação dos motivos que
determinaram a suspensão.

INELEGIBILIDADES

Conceito: Inelegibilidade revela impedimento à capacidade eleitoral passiva (direito de ser


votado).

Objeto e fundamento: têm por objeto proteger a probidade administrativa, a normalidade


para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e a
legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de
função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta (art. 14, § 9º); possuem um
fundamento ético evidente, tornando-se ilegítimas quando estabelecidas com fundamento político
ou para assegurarem o domínio do poder por um grupo que o venha detendo.

Eficácia das normas sobre inelegibilidades: as normas contidas nos §§ 4º a 7º, do art. 14,
são de eficácia plena e aplicabilidade imediata; para incidirem, independem de lei complementar
referida no § 9º do mesmo artigo.

Inelegibilidades absolutas e relativas: as absolutas implicam impedimento eleitoral para


qualquer cargo eletivo; as relativas constituem restrições à elegibilidade para determinados
mandatos em razão de situações especiais em que, no momento da eleição se encontre o
cidadão; podem ser por motivos funcionais, de parentesco ou de domicílio.

Desincompatibilização: dá-se também o nome de desincompatibilização ao ato pelo qual o


candidato se desvencilha da inelegibilidade a tempo de concorrer à eleição cogitada; o mesmo
termo, tanto serve para designar o ato, mediante o qual o eleito sai de uma situação de
incompatibilidade para o exercício do mandato, como para o candidato desembaraçar-se da
inelegibilidade.

DOS PARTIDOS POLÍTICOS

Noção de partido político: é uma forma de agremiação de um grupo social que se propõe
organizar, coordenar e instrumentar a vontade popular com o fim de assumir o poder para realizar
seu programa de governo.

Sistemas partidários: sistema de partido, consiste no modo de organização partidária de um


país; os diferentes modos de organização possibilitam o surgimento de 3 tipos de sistema: a) o de
partido único, ou unipartidário; b) o de dois partidos, ou bipartidarismo; c) o de 3, 4, ou mais
partidos, denominado sistema pluripartidário, ou multipartidário; neste último se inclui o sistema
brasileiro nos termos do art. 17.

Institucionalização jurídico-constitucional dos partidos. Controle: a ordenação


constitucional e legal dos partidos traduz-se num condicionamento de sua estrutura, seu programa
e suas atividades, que deu lugar a um sistema de controle, consoante se adote uma
regulamentação maximalista (maior intervenção estatal) ou minimalista (menor); a Constituição
vigente liberou a criação, organização e funcionamento de agremiações partidárias, numa
concepção minimalista, sem controle quantitativo (embora o possibilite por lei ordinária), mas com
previsão de mecanismos de controle qualitativo (ideológico), mantido o controle financeiro; o
controle financeiro impõe limites à apropriação dos recursos financeiros dos partidos, que só
podem buscá-los em fontes estritamente indicadas, sujeitando-se à fiscalização do Poder Público.

78
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Função dos partidos e partido de oposição: a doutrina, em geral, admite que os partidos
têm por função fundamental, organizar a vontade popular e exprimi-la na busca do poder, visando
à aplicação de seu programa de governo; o pluripartidarismo pressupõe maioria governante e
minoria discordante; o direito da maioria pressupõe a existência do direito da minoria e da
proteção desta, que é função essencial à existência dos direitos fundamentais do homem;
decorrem, pois, do texto constitucional (17), a necessidade e os fundamentos de partidos de
oposição.

Natureza jurídica dos partidos: se segundo o § 2º, do art. 17, adquirem personalidade na
forma da lei civil é porque são pessoas jurídicas de direito privado.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DE ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA

Liberdade partidária: afirma-se no art. 17, nos termos seguintes: é livre a criação, fusão,
incorporação e extinção dos partidos políticos, resguardados a soberania nacional¸ o regime
democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana, condicionados, no
entanto, a serem de caráter nacional, a não receberem recursos financeiros de entidade ou
governo estrangeiro ou a subordinação a estes, a prestarem contas à Justiça Eleitoral e a terem
funcionamento parlamentar de acordo com a lei.

Condicionamentos à liberdade partidária: ela é condicionada a vários princípios que


confluem, em essência, para seu compromisso com o regime democrático.

Autonomia e democracia partidária: a idéia que sai do texto constitucional (art. 17, § 1º) é a
de que os partidos hão que se organizar e funcionar em harmonia com o regime democrático e
que sua estrutura interna também fica sujeita ao mesmo princípio; a autonomia é conferida na
suposição de que cada partido busque, de acordo com suas concepções, realizar uma estrutura
interna democrática.

Disciplina e fidelidade partidária: pela CF, não são uma determinante da lei, mas uma
determinante estatutária; os estatutos dos partidos estão autorizados a prever sanções para os
atos de indisciplina e de infidelidade, que poderão ir de simples advertência até a exclusão; mas a
Constituição não permite a perda de mandato por infidelidade partidária, até o veda.

PARTIDOS E REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

Partidos e elegibilidade: os partidos destinam-se a assegurar a autenticidade do sistema


representativo, sendo assim, canais por onde se realiza a representação política do povo, não se
admitindo candidaturas avulsas, pois ninguém pode concorrer a eleições se não for registrado
num partido (14, § 3º, V).

Partidos e exercício do mandato: uma das conseqüências da função representativa dos


partidos é que o exercício do mandato político, que o povo outorga a seus representantes, faz-se
por intermédio deles, que, desse modo, estão de permeio entre o povo e o governo, mas não no
sentido de simples intermediários entre 2 pólos opostos ou alheios entre si, mas como um
instrumento por meio do qual o povo governa.

Sistema partidário e sistema eleitoral: ambos formam os dois mecanismos de expressão da


vontade popular na escolha dos governantes; a circunstância de ambos se voltarem para um

79
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

mesmo objetivo imediato (a organização da vontade popular) revela a influência mútua entre eles,
a ponto de a doutrina definir condicionamentos específicos do sistema eleitoral sobre o de
partidos.

VI - GARANTIAS CONSTITUCIONAIS

DIREITOS E SUAS GARANTIAS

Garantia dos direitos: os direitos são bens e vantagens conferidos pela norma, enquanto as
garantias são meios destinados a fazer valer esses direitos, são instrumentos pelos quais se
asseguram o exercício e gozo daqueles bens e vantagens.

Garantias constitucionais dos direitos: caracterizam-se como imposições, positivas ou


negativas, especialmente aos órgãos do Poder Público, limitativas de sua conduta, para assegurar
a observância ou, o caso, inobservância do direito violado.

Confronto entre direitos e garantias: a lição de Ruy Barbosa: convém olhar os exemplos
que estão nas páginas 414 e ss., para entender o assunto, que é muito extenso para resumir,
sendo necessário olhar na íntegra.

Classificação das garantias constitucionais especiais: nos termos do Direito


Constitucional positivo, elas se agrupam: 1) Garantias constitucionais individuais, compreendendo:
princípio da legalidade, da proteção judiciária, a estabilidade dos direitos subjetivos adquiridos,
perfeitos e julgados, à segurança, e os remédios constitucionais; 2) garantias dos direitos
coletivos; 3) dos direitos sociais; 4) dos direitos políticos.

GARANTIAS CONSTITUCIONAIS INDIVIDUAIS

Conceito: usaremos a expressão para exprimir os meios, instrumentos, procedimentos e


instituições destinados a assegurar o respeito, a efetividade do gozo e a exigibilidade dos direitos
individuais, os quais se encontram ligados a estes entre os incisos do art. 5º.

Classificação: apenas agruparemos em função de seu objeto em legalidade, proteção


judiciária, estabilidade dos direitos subjetivos, segurança jurídica e remédios constitucionais.

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

Conceito e fundamento constitucional: o princípio da legalidade sujeita-se ao império da lei,


mas da lei que realize o princípio da igualdade e da justiça não pela sua generalidade, mas pela
busca da igualização das condições dos socialmente desiguais; está consagrado no inciso II, do
art. 5º, segundo o qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
virtude de lei.

Legalidade e reserva de lei: o primeiro (genérica) significa a submissão e o respeito à lei; o


segundo (legalidade específica) consiste em estatuir que a regulamentação de determinadas
matérias há de fazer-se necessariamente por lei formal; tem-se a reserva legal quando uma
norma constitucional atribui determinada matéria exclusivamente à lei formal, subtraindo-a, com
isso. à disciplina de outras fontes, àquelas subordinadas.

80
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Legalidade e legitimidade: o princípio da legalidade de um Estado Democrático de Direito


assenta numa ordem jurídica emanada de um poder legítimo, até porque, se o poder não for
legítimo, o Estado não será Democrático de Direito, como proclama a Constituição (art. 1º); o
princípio da legalidade funda-se no princípio da legitimidade.

Legalidade e poder regulamentar: cabe ao Presidente da República o poder regulamentar


para fiel execução da lei e para dispor sobre a organização e o funcionamento da administração
federal, na forma da lei (art. 84, IV e VI); o princípio é o de que o poder regulamentar consiste num
poder administrativo no exercício de função normativa subordinada, qualquer que seja seu objeto;
significa que se trata de poder limitado; não é poder legislativo.

Legalidade e atividade administrativa: Lembra Hely Lopes Meirelles que a eficácia de toda
a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei; na Administração Pública não
há liberdade nem vontade pessoal, só é permitido fazer o que a lei autoriza; no art. 37, esta o
princípio segundo o qual a Administração Pública obedecerá aos princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade e publicidade.

Legalidade tributária: esse princípio da estrita legalidade tributária compõe-se de 2 princípios


que se complementam: o da reserva legal e o da anterioridade da lei tributária (art. 150, I e III),
havendo exceções, como a do art. 153, § 1º.

Legalidade penal: não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem cominação legal
(art. 5º, XXXIX); o princípio se contempla com outro, o que prescreve a não ultratividade da lei
penal (XL).

Princípios complementares do princípio da legalidade: a proteção constitucional do direito


adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada, constitui garantia de permanência e de
estabilidade do princípio da legalidade, junto com o da irretroatividade das leis que o
complementa.

Controle de legalidade: a submissão da Administração à legalidade fica subordinada a 3


sistemas de controle: o administrativo, o legislativo e o jurisdicional.

PRINCÍPIO DA PROTEÇÃO JUDICIÁRIA

Fundamento: fundamenta-se no princípio da separação dos poderes, reconhecido pela


doutrina como uma das garantias constitucionais; junta-se aí uma constelação de garantias. (art.
5º, XXXV, LIV e LV)

Monopólio do judiciário do controle jurisdicional: a primeira garantia que o texto revela


(art. 5º, XXXV) é a que cabe ao Judiciário o monopólio da jurisdição; a segunda consiste no direito
de invocar a a atividade jurisdicional sempre que se tenha como lesado ou simplesmente
ameaçado um direito, individual ou não.

Direito de ação e de defesa: garante-se plenitude de defesa, assegurada no inciso LV: aos
litigantes, em processo judicial e administrativo, a aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.

81
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Direito ao devido processo legal: ninguém será privado de liberdade ou de seus bens sem o
devido processo legal (art. 5º, LIV); combinado com o direito de acesso à justiça (XXXV) e o
contraditório e a plenitude de defesa (LV), fecha-se o ciclo das garantias processuais.

ESTABILIDADE DOS DIREITOS SUBJETIVOS

Segurança das relações jurídicas: a segurança jurídica consiste no conjunto de condições


que tornam possível às pessoas o conhecimento antecipado e reflexivo das conseqüências diretas
de seus atos e de seus fatos à luz da liberdade reconhecida; se vem lei nova, revogando aquela
sob cujo império se formara o direito subjetivo, prevalece o império da lei velha, consagrado na
Constituição, no art. 5º , XXXVI, a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a
coisa julgada.

Direito adquirido: a LICC declara que se consideram adquiridos os direitos que o seu titular,
ou alguém por ele, possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo prefixo, ou
condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem (art. 6º, § 2º); se o direito subjetivo não
foi exercido, vindo a lei nova, transforma-se em direito adquirido, porque era direito exercitável e
exigível à vontade de seu titular.

Ato jurídico perfeito: nos termos do art. 153, § 3º (art. 5º, XXXVI) é aquele que sob regime
da lei antiga se tornou apto para produzir os seus efeitos pela verificação de todos os requisitos a
isso indispensável; é perfeito ainda que possa estar sujeito a termo ou condição; é aquela
situação consumada ou direito consumado, direito definitivamente exercido.

Coisa julgada: a garantia, refere-se a coisa julgada material, prevalecendo hoje o conceito do
CPC, denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença,
não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário (art. 467); a lei não pode desfazer a coisa
julgada, mas pode prever licitamente, como o fez o art. 485 do CPC, sua rescindibilidade por meio
de ação rescisória.

DIREITO À SEGURANÇA

Segurança do Domicílio: o art. 5º, XI, consagra o direito do indivíduo ao aconchego do lar
com sua família ou só, quando define a casa como o asilo inviolável do indivíduo; também o direito
fundamental da privacidade, da intimidade; a proteção dirige-se basicamente contra as
autoridades, visa impedir que estar invadam o lar.

Segurança das comunicações pessoais: visa assegurar o sigilo de correspondência e das


comunicações telegráficas e telefônicas (art. 5º, XII), que são meio de comunicação
interindividual, formas de manifestação do pensamento de pessoa a pessoa, que entram no
conceito mais amplo de liberdade de pensamento em geral (IV).

Segurança em matéria penal: visam tutelar a liberdade pessoal, figuram no art. 5º, XXXVII a
XLVII, mais a hipótese do LXXV, podem ser consideradas em 2 grupos: 1) garantias jurisdicionais
penais: da inexistência de juízo ou tribunal de exceção, de julgamento pelo tribunal do júri nos
crimes dolosos contra a vida, do juiz competente; 2) garantias criminais preventivas: anterioridade
da lei penal, irretroatividade da lei penal, de legalidade e da comunicabilidade da prisão; 3)
relativas à aplicação da pena: individualização da pena, personalização da pena, proibição da
prisão civil por dívida; proibição de extradição de brasileiro e de estrangeiro por crime político,
proibição de determinadas penas; 4) garantias processuais penais: instrução penal contraditória,
garantia do devido processo legal, garantia da ação privada; 5) garantias da presunção de

82
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

inocência: LVII, LVIII e LXXV; 6) garantias da incolumidade física e moral: vedação do tratamento
desumano e degradante, vedação e punição da tortura; 7) garantias penais da não discriminação:
XLI e XLII; 8) garantia penal da ordem constitucional democrática: XLIV.

Segurança em matéria tributária: realiza-se nas garantias consubstanciadas no art. 150: a)


nenhum tributo será exigido nem aumentado senão em virtude de lei; princípio da legalidade
tributária;b) de que não se instituirá tratamento desigual entre contribuintes; c) de que nenhum
tributo será cobrado em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que
os houver instituído ou aumentado nem no mesmo exercício financeiro em que haja sido
publicada a lei que os instituiu ou aumentou; d) de que não haverá tributo com efeito confiscatório.

REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS

Direito de petição: define-se como direito que pertence a uma pessoa de invocar a atenção
dos poderes públicos sobre uma questão ou situação, seja para denunciar uma lesão concreta, e
pedir reorientação da situação, seja para solicitar uma modificação do direito em vigor do sentido
mais favorável à liberdade (art. 5º, XXXIV).

Direito a certidões: está assegurado a todos, no art. 5º, XXXIV, independentemente do


pagamento de taxas, a obtenção de certidões em repartições públicas para defesa de direito e
esclarecimentos de situações de interesse pessoal.

Habeas corpus: é um remédio destinado a tutelar o direito de liberdade de locomoção,


liberdade de ir e vir, parar e ficar; tem natureza de ação constitucional penal. (art. 5º, LXVIII)

Mandado de segurança individual: visa amparar direito pessoal líquido e certo; só o próprio
titular desse direito tem legitimidade para impetrá-lo, que é oponível contra qualquer autoridade
pública ou contra agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições públicas, com o objetivo
de corrigir ato ou omissão ilegal decorrente do abuso de poder. (art. 5º, LXIX)

Mandado de injunção: constitui um remédio ou ação constitucional posto à disposição de


quem se considere titular de qualquer daqueles direitos, liberdades ou prerrogativas inviáveis por
falta de norma regulamentadora exigida ou suposta pela Constituição; sua finalidade consiste em
conferir imediata aplicabilidade à norma constitucional portadora daqueles direitos e prerrogativas,
inerte em virtude de ausência de regulamentação (art. 5º, LXXI).

Habeas data: remédio que tem por objeto proteger a esfera íntima dos indivíduos contra usos
abusivos de registros de dados pessoais coletados por meios fraudulentos, desleais e ilícitos,
introdução nesses registros de dados sensíveis (origem racial, opinião política). etc) e
conservação de dados falsos ou com fins diversos dos autorizados em lei (art. 5º, LXXII).

GARANTIA DOS DIREITOS COLETIVOS, SOCIAIS E POLÍTICOS

GARANTIA DOS DIREITOS COLETIVOS

Mandado de segurança coletivo: instituído no art. 5º, LXX, que pode ser impetrado por
partido político ou organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída,
em defesa dos interesses de seus membros ou associados; o requisito do direito líquido e certo
será sempre exigido quando a entidade impetra o mandado de segurança coletivo na defesa de
direito subjetivo individual; quando o sindicato usá-lo na defesa do interesse coletivo de seus

83
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

membros e quando os partidos impetrarem-no na defesa do interesse coletivo difuso exigem-se


ao menos a ilegalidade e a lesão do interesse que o fundamenta.

Mandado de injunção coletivo: pode também ser um remédio coletivo, já que pode ser
impetrado por sindicato (art. 8º, III) no interesse de Direito Constitucional de categorias de
trabalhadores quando a falta de norma regulamentadora desses direitos inviabilize seu exercício.

Ação popular: consta no art. 5º, LXXIII, trata-se de um remédio constitucional pelo qual
qualquer cidadão foca investido de legitimidade para o exercício de um poder de natureza
essencialmente política, e constitui manifestação direta da soberania popular consubstanciada no
art.1º, da CF; podemos a definir como instituto processual civil, outorgado a qualquer cidadão
como garantia político-constitucional, para a defesa do interesse da coletividade, mediante a
provocação do controle jurisdicional corretivo de atos lesivos do patrimônio público, da moralidade
administrativa, do meio ambiente e do patrimônio histórico e cultural.

GARANTIA DOS DIREITOS SOCIAIS

Sindicalização e direito de greve: são os 2 instrumentos mais eficazes para a efetividade


dos direitos sociais dos trabalhadores, visto que possibilita a instituição de sindicatos autônomos e
livres e reconhece constitucionalmente o direito de greve (arts. 8º e 9º).

Decisões judiciais normativas: a importância dos sindicatos se revela na possibilidade de


celebrarem convenções coletivas de trabalho e, conseqüentemente, na legitimação que têm para
suscitar dissídio coletivo de trabalho. (114, § 2º)

Garantia de outros direitos sociais: fontes de recursos para a seguridade social, com
aplicação obrigatória nas ações e serviços de saúde e às prestações previdenciárias e
assistenciais (194 e 195); a reserva de recursos orçamentários para a educação (212); aos
direitos culturais (215); ao meio ambiente (225).

DIREITOS POLÍTICOS

Definição do tema (remissão): são aquelas que possibilitam o livre exercício da cidadania;
tais são o sigilo de voto, a igualdade de voto; inclui-se aí a determinação de que sejam gratuitos,
na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania.

Eficácia dos direitos fundamentais: a garantia das garantias consiste na eficácia e


aplicabilidade imediata das normas constitucionais; os direitos, liberdades e prerrogativas
consubstanciadas no título II, caracterizados como direitos fundamentais, só cumprem sua
finalidade se as normas que os expressem tiverem efetividade, determinando que as normas
definidoras de direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

INSTRUMENTOS ESPECIAIS PREVISTOS NA CF


(REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS)
São garantias constitucionais, isto é, medidas utilizadas para tornar efetivo o exercício dos
direitos constitucionais.

HABEAS CORPUS

84
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

(art. 5º, LXVIII) – Conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar
ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade (física) de locomoção (de ir e
vir), por ilegalidade ou abuso de poder praticado por autoridade.
Não basta que a CF estabeleça que ninguém pode ser preso senão em flagrante delito ou por
ordem de autoridade competente. Como é do conhecimento geral, há mais prisões ilegais,
abusivas, do que legais. Por tal motivo, ou seja, para proteger o indivíduo contra “autoridades” que
abusam de seu cargo e função, e prendem ilegal e abusivamente pessoas, a CF garante a
liberdade de ir e vir com um remédio que se chama “habeas corpus”, sendo ele um pedido que se
faz a um juiz noticiando-se a ele que o direito de liberdade de alguém está sofrendo
constrangimento, seja porque já o prenderam ilegal e abusivamente, seja porque pretendem
prendê-lo. O juiz, sabendo do fato, determinará à autoridade, que está constrangendo a liberdade
daquela pessoa, que preste, urgentemente, informações do que está acontecendo e, em seguida,
confirmada a ilegalidade e abusividade da prisão, determinará que a pessoa seja, imediatamente,
posta em liberdade. O procedimento é emergencial, nem precisa de advogado, podendo qualquer
pessoa pedir em seu próprio nome ou de outrem. Quando a pessoa estiver apenas ameaçada em
seu direito de liberdade, estaremos diante do “habeas corpus preventivo” (ex: prostitutas que
fazem “trottoir” nas ruas e são “molestadas” por policiais que, ilegal e abusivamente, prendem-nas
– prostituição não é crime, logo não podem prendê-las). Muitas requerem “habeas corpus
preventivo” e obtêm uma ordem judicial (salvo conduto) para que não sejam presas por aquele
motivo, se o policial descumprir aquela ordem, cometerá crime. Não cabe “habeas corpus” para
punições militares de caráter disciplinar (art. 142, § 2º). “Habeas corpus” significa “tome seu
corpo”, isto é, sua liberdade. Discute-se a respeito de sua natureza jurídica, se recurso ou ação
autônoma; hoje, domina o entendimento de que a impetração é verdadeira ação (são meios de
provocar a atividade jurisdicional), ainda que tenha por objeto impedir coação ilegal da própria
autoridade judiciária; recurso é um pedido de reexame de uma decisão, dentro de um processo;
no habeas corpus, o pedido é autônomo e originário e se desenvolve em procedimento
independente; a pretensão do paciente é a correção da violência à liberdade, que pode ou não
decorrer de um processo, mas não se submete aos seus trâmites procedimentais.

MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL

(art. 5º, LXIX) – Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito (subjetivo)
líquido e certo (ausência de dúvida quanto à situação de fato, provada documentalmente),
não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade
ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
atribuições do Poder Público (ou atua por delegação; ex: reitores, diretores de
estabelecimentos de ensino superior, concessionários e permissionários de obras ou
serviços, os serventuários, os notários e oficiais de registro público).

É mais um “remédio” contra abusos de autoridades. Como o “habeas corpus” é específico


para a proteção da liberdade de locomoção, a CF, para os outros direitos previu o “mandado de
segurança”. Tais outros direitos, porém, têm de ser líquidos (precisos em seus contornos, em seus
limites, em sua quantidade) e certos (indiscutíveis, definidos e reconhecidos sem maior
questionamento). Enquanto no “habeas corpus” o procedimento é emergencial, no “mandado de
segurança”, embora rápido, já não é tão urgente, pois o Promotor de Justiça deve sempre ser
ouvido antes da decisão. No mais é igual ao do “habeas corpus”, apenas precisando de
advogado, que no “habeas corpus” não precisa. É impetrado individualmente, pelo prejudicado.
Prazo para a impetração: 120 dias contados da ciência, pelo interessado, do ato impugnado. Não
tem cabimento contra lei, salvo se se tratar de lei de efeito concreto.

85
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Qual o direito individual havia sido ferido, se um funcionário havia solicitado certidão sobre seu
tempo de serviço, e lhe fora negada?
R. Não se trata de um simples registro ou informação (“habeas data”) sobre uma pessoa; a
questão, rigorosamente, envolvia o direito à obtenção de certidão, amparado no art. 5º, XXXIV,
CF; o remédio contra a ilegalidade de recusa de fornecimento de certidão, ou seja, para a
obtenção de certidão é o “mandado de segurança” e não o “habeas-data”.

MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO

(art. 5º, LXX) – O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em
funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou
associados.

É uma novidade constitucional, permite que pessoas jurídicas impetrem “mandado de


segurança”. Os partidos políticos têm legitimidade para impetrar “mandado de segurança”, na
defesa dos interesses coletivos, que estejam sendo prejudicados por ato ilegal ou abusivo de
poder de uma autoridade pública (ou agente desta). Mas não é a qualquer partido político que se
reconhece essa capacidade, deverá ter representação no Congresso Nacional (pelo menos um
deputado ou senador). Também os sindicatos e as associações poderão impetrar “mandado de
segurança coletivo”. Só que, para ter essa capacidade, o sindicato ou a associação deverá existir
e funcionar há pelo menos um ano. Normalmente o “mandado de segurança” protege o direito
líquido e certo de uma pessoa, que, diretamente, é prejudicada pelo ato ilegal, ou pelo abuso de
poder da autoridade. No “mandado de segurança” coletivo haverá o prejuízo de toda uma
comunidade e essa coletividade poderá pôr um fim à ilegalidade ou abuso, agindo por intermédio
de uma associação ou sindicato.

Ex: se o Governador do Estado dá ordem a seu Secretário da Fazenda para que não pague o
13º salário aos funcionários públicos estaduais, haveria uma “enxurrada” de centenas de
“mandados de segurança” para derrubar essa ordem inconstitucional. Nem o judiciário
“agüentaria” julgar todos eles, com tempo e rapidez necessários; seria muito mais simples que a
Associação ou Sindicato dos funcionários públicos impetre um único “mandado de segurança
coletivo”, que tutelará os interesses de todos os associados.

MANDADO DE INJUNÇÃO

(art. 5º, LXXI) – Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.

Ação para obter a concretização de direitos, assegurados na Constituição mas ainda não
regulamentados. O “mandado de injunção” é um remédio, que a CF nos dá, para que postulemos
junto ao Judiciário, visando ao reconhecimento desse nosso direito, e que para que possamos
exercitá-lo desde já, sem necessidade de esperarmos a leizinha que será criada. Quando
quisermos exercitar um desses nossos direitos constitucionais e alguém se recusar a reconhecer
esse nosso direito, alegando que ainda depende de lei regulamentadora, não ficaremos
“chupando o dedo” à espera da boa vontade do legislativo. Impetraremos “mandado de injunção”
para que o Judiciário declare esse nosso Direito e, desde já, possamos gozá-lo. São pressupostos
insuperáveis ao cabimento do “mandado de injunção”: a) ser o impetrante beneficiário direto do
direito, liberdade ou prerrogativa que postula em juízo”. Existe o “mandado de injunção” coletivo.

86
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Ex: para você fazer uma greve é necessário que haja o “mandado de injunção” para ver o
tempo que se pode fazer a greve, se é legal ou não.

HABEAS DATA

(art. 5º, LXXII) – Conceder-se-á habeas data:


a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante,
constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter
público (ex: partidos, universidades);
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso,
judicial ou administrativo;

Ação que garante ao interessado o acesso a informações sobre a sua pessoa, constantes de
registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público, bem como a
retificação desses dados. Se alguém tiver interesse em saber o que há registrado em seu nome,
ou retificar dados lançados com erro para não nos prejudicar, em qualquer órgão público, poderá
requerer e, caso seja negado, poderá impetrar “habeas-data”, obrigando o órgão público a dar a
informação à pessoa ou fazer a retificação. O objeto do “habeas data” é proteger a esfera íntima
dos indíviduos contra: a) usos abusivos de registros de dados pessoais coletados por meios
fraudulentos, desleais ou ilícitos; b) introdução nesses registros de dados sensíveis (de origem
racial, opinião política, filosófica ou religiosa, filiação partidária ou sindical, orientação sexual, etc.;
c) conservação de dados falsos ou com fins diversos dos autorizados em lei.

AÇÃO POPULAR

(art. 5º, inc. LXXII) – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que
vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o
autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência.

Como cidadãos, somos donos do patrimônio público. Os administradores públicos agem em


nosso nome, quando gerenciam esses interesses. Significa que têm eles o dever de agir dentro
dos parâmetros da moralidade e não causar qualquer prejuízo ao nosso patrimônio, igualmente,
devem zelar pelo meio ambiente e preservar o patrimônio histórico-cultural. Quando qualquer
governante tomar qualquer decisão, praticar ato que prejudique o patrimônio público (concorrência
fajuta, desvio de verba, construção desnecessária e prejudicial a todos, etc.) é nosso dever de
cidadão lutar para que a decisão seja anulada. Só o Judiciário terá o poder de anular esse ato
administrativo. Para isso, precisaremos propor uma ação. Como qualquer cidadão (aquele que
está no gozo de seus direitos políticos) pode promover essa ação denominada “ação popular”,
que será cabível também quando o ato administrativo ferir o meio ambiente ou o patrimônio
histórico-cultural.

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - também pode ser instrumento de tutela de


liberdade, mas a legitimação para propô-la, é restrita aos órgãos ou entidades referidas no art.
103, não se encontrando, portanto, à disposição de qualquer pessoa.

DA ORDEM ECONÔMICA E DA ORDEM SOCIAL

I - DA ORDEM ECONÔMICA

87
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

PRINCÍPIOS GERAIS DA ATIVIDADE ECONÔMICA

Fundamento e natureza da ordem econômica instituída: ela é fundada na valorização do


trabalho humano e na iniciativa privada; consagra uma economia de mercado, de natureza
capitalista; significa que a ordem econômica dá prioridade aos valores do trabalho humano sobre
todos os demais valores da economia de mercado.

Fim da ordem econômica: tem por fim assegurar a todos uma existência digna, conforme os
ditames da justiça social, observados os princípios indicados no art. 170, princípios estes que, em
essência, consubstanciam uma ordem capitalista.

CONSTITUIÇÃO ECONÔMICA E SEUS PRINCÍPIOS

Idéia de Constituição econômica: a constituição econômica formal brasileira consubstancia-


se na parte da Constituição Federal que contém os direitos que legitimam a atuação dos sujeitos
econômicos, os conteúdo e limites desses direitos e a responsabilidade que comporta o exercício
da atividade econômica.

Princípios da constituição econômica formal: estão relacionados no art. 170, antes citado:
da soberania nacional, da propriedade privada, da função social da propriedade, da livre
concorrência, da defesa do consumidor, da defesa do meio ambiente, da redução das
desigualdades regionais e sociais e da busca do pleno emprego.

ATUAÇÃO ESTATAL NO DOMÍNIO ECONÔMICO

Modos de atuação do Estado na economia: a CF reconhece duas formas de atuação do


Estado na ordem econômica: a participação e a intervenção; fala em exploração direta da
atividade econômica pelo Estado e do Estado como agente normativo e regulador da atividade
econômica.

Exploração estatal da atividade econômica: existem 2 formas; uma é o Monopólio; a outra,


embora a Constituição não o diga, é a necessária, ou seja, quando o exigir a segurança nacional
ou o interesse coletivo relevante (173); os instrumentos de participação do Estado na economia
são a empresa pública, a sociedade de economia mista e outras entidades estatais ou
paraestatais, como são as subsidiárias daquelas.

Monopólios: é reservado só para as hipóteses estritamente indicadas no art. 177.

Intervenção no domínio econômico: a participação com base nos arts. 173 a 177,
caracteriza o Estado administrador de atividades econômicas; a intervenção fundada no art. 174,
o Estado aparece como agente normativo e regulador, quem compreende as funções de
fiscalização, incentivo e planejamento, caracterizando o Estado regulador, o promotor e o
planejador da atividade econômica.

Planejamento econômico: é um processo técnico instrumentado para transformar a


realidade existente no sentido de objetivos previamente estabelecidos; consiste num processo de
intervenção estatal no domínio econômico, com o fim de organizar atividades econômicas para
obter resultados previamente colimados; se instrumente mediante a elaboração de plano ou
planos.

88
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

DAS PROPRIEDADES NA ORDEM ECONÔMICA

O princípio da propriedade privada: a CF inscreveu a propriedade privada e a sua função


social como princípios da ordem econômica (170, II e III).

Propriedade dos meios de produção e propriedade socializada: a propriedade de bens de


consumo e de uso pessoal, é essencialmente vocacionada à apropriação privada, são
imprescindíveis à própria existência digna das pessoas, e não constituem nunca instrumentos de
opressão, pois satisfazem necessidades diretamente; bens de produção são os que se aplicam na
produção de outros bens ou rendas; o sistema de apropriação privada tende a organizar-se em
empresas, sujeitas ao princípio da função social.

Função social da empresa e condicionamento à livre iniciativa: o princípio da função


social da propriedade, ganha substancialidade precisamente quando aplicado à propriedade dos
bens de produção, ou seja, na disciplina jurídica da propriedade de tais bens, implementada sob
compromisso com a sua destinação; a propriedade; é a propriedade sobre a qual em maior
intensidade refletem os efeitos do princípio; aos nos referirmos à função social dos bens de
produção em dinamismo, estamos a aludir à função social da empresa.

Propriedade de interesse público: são bens sujeitos a um regime jurídico especial e peculiar
em virtude dos interesses públicos a serem tutelados, inerente à utilidade e a valores que
possuem; exs: arts. 225 e 216.

Propriedade do solo, do subsolo e de recursos naturais: por princípio, a propriedade do


solo abrange a do subsolo em toda a profundidade útil ao seu exercício (CC, art. 526), que
prevalece na Constituição; os recursos minerais, inclusive os do subsolo, e os potenciais de
energia hidráulica, são expressamente incluídos entre os bens da União (20, VIII, IX e X).

Política urbana e propriedade urbana: a concepção de política de desenvolvimento urbano


da CF decorre da compatibilização do art. 21, XX, que dá competência a União para instituir
diretrizes para o desenvolvimento urbano, com o 182, que estabelece que a política de
desenvolvimento urbano tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da
cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes e é executada pelo Município, conforme
diretrizes gerais instituídas por lei.

Propriedade rural e reforma agrária: a propriedade rural, com sua natureza de bem de
produção, tem como utilidade natural a produção de bens necessários à sobrevivência humana,
por isso são consignadas normas que servem de base à sua peculiar disciplina jurídica (184 a
191); o regime jurídico da terra fundamenta-se na doutrina da função social da propriedade, pela
qual toda riqueza produtiva tem finalidade social e econômica, e quem a detém deve fazê-la
frutificar, em benefício próprio e da comunidade em que vive; a sanção para imóvel rural que não
esteja cumprindo sua função social é a desapropriação por interesse social, para fins de reforma
agrária, mediante pagamento da indenização em títulos da dívida agrária (84).

DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

Fundamento legal e objetivos do sistema financeiro nacional: será regulado em lei


complementar; a Lei 4595/64 o instituiu; sua alteração depende de lei formada nos termos do art.
69; a CF estabelece que ele será estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado
do País e a servir aos interesses da comunidade.

89
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Instituições do sistema financeiro: subordinam-se à sua disciplina, além das instituições


financeiras, as bolsas de valores, as seguradoras, de previdência e de capitalização, assim como
as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro,
mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer outra forma e, ainda, as pessoas
físicas ou jurídicas que exerçam atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros
títulos.

Funcionamento das instituições financeiras: depende de autorização (192, I); assegura-se


às instituições bancárias acesso a todos os instrumentos do mercado financeiro bancário, sendo,
porém, vedada a elas a participação em atividades não previstas na autorização.

Regionalização financeira: 2 dispositivos se preocupam com a questão regional; um


depende de lei complementar, que deve estabelecer os critérios restritivos de transferência de
poupança de regiões com renda inferior à média nacional para outras de maior desenvolvimento;
o outro consta do art. 192, § 2º, segundo o qual os recursos financeiros relativos a programas e
projetos de caráter regional, de responsabilidade da União, serão depositados em suas
instituições regionais de crédito e por elas aplicados.

Tabelamento dos juros e crime de usura: está previsto no § 3º, do art. 192 que as taxas de
juros reais, nelas incluídas comissões e quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente
referidas à concessão de crédito, não poderão passar de 12% ao ano; a cobrança acima desse
limite será conceituada como crime de usura, punido, em todas as suas modalidades, nos termos
que a lei determinar.

II - DA ORDEM SOCIAL

INTRODUÇÃO À ORDEM SOCIAL

Base e objetivo da ordem social: tem por base o primado do trabalho, e como objetivo o
bem-estar e a justiça social.

DA SEGURIDADE SOCIAL

Conteúdo, princípios e financiamentos da seguridade social: compreende um conjunto


integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social; rege-se pelos princípios da
universalidade de cobertura e do atendimento, da igualdade, da unidade de organização e da
solidariedade financeira; será financiada por toda a sociedade de forma direta ou indireta (195).

Saúde: por serem de relevância pública, as ações e serviços ficam inteiramente sujeitos à
regulamentação, fiscalização e controle do Poder Público, nos termos da lei; o SUS rege-se pelos
princípios da descentralização, do atendimento integral e da participação da comunidade.

Previdência social: será organizada sob forma de regime geral, de caráter contributivo e de
filiação obrigatória; compreende prestações de 2 tipos: benefícios e serviços; os benefícios são
prestações pecuniárias aos assegurados e a qualquer pessoa que contribua na forma dos planos
previdenciários, e são os seguintes: auxílios (201, I a III), seguro-desemprego (7º, II, 201, III. e
239), salário família e auxílio reclusão, pensão por morte e a aposentadoria.

90
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

Assistência social: não depende de contribuição; os benefícios e serviços serão prestados a


quem deles necessitar; é financiada com recursos do orçamento da seguridade social, além de
outras fontes.

DA ORDEM CONSTITUCIONAL DA CULTURA

Educação: a Constituição declara que ela é um direito de todo e dever do Estado (205 a 214).

Princípios básicos do ensino: a consecução prática de seus objetivos, consoante o art. 205
só se realizará num sistema educacional democrático, informado pelos princípios, acolhidos pela
CF, que são: da igualdade, da liberdade, do pluralismo, da gratuidade, da valorização dos
profissionais do ensino, da gestão democrática e do padrão de qualidade (206).

Autonomia universitária: a CF firmou a autonomia didático-científica, administrativa e de


gestão financeira das Universidades, que obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre
ensino, pesquisa e extensão (207).

Ensino público: importa em que o Poder Público organize os sistemas de ensino de modo a
cumprir o respectivo dever com a educação, mediante prestações estatais que garantam, no
mínimo, o ensino fundamental, obrigatório e gratuito (208 a 210).

Cultura e direitos culturais: a CF estatui que o Estado garantirá a todos o pleno exercício
dos direitos culturais e o acesso às fontes de cultura nacional, apoiará e incentivará a valorização
e a difusão das manifestações culturais.

Desporto: é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como
direito de cada um, observadas as diretrizes do art. 217.

Ciência e Tecnologia: é incumbência estatal promover e incentivar o desenvolvimento


científico, a pesquisa a capacitação tecnológica (219).

Meio ambiente: a Constituição o define ecologicamente equilibrado como direito de todos e


lhe dá a natureza de bem de uso comum do povo; o art. 225, § 1º, arrola as medidas e
providências que incumbem ao Poder Público tomar para assegurar a efetividade do direito
reconhecido no caput do próprio artigo.

DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DO IDOSO

A família: é afirmada como base da sociedade, tendo especial proteção do Estado; é


reconhecida a união estável; o casamento é civil e gratuita a sua celebração; a paternidade
responsável é sugerida; o dever de se ajudar é recíproco entre pais e filhos.

Tutela da criança e do adolescente: a família tem o grave dever, juntamente com a


sociedade e o Estado, de assegurar com absoluta prioridade, os direitos fundamentais da criança
e do adolescente enumerados no art. 227.

Tutela de idosos: vários dispositivos mencionam a velhice como objeto de direitos


específicos, como o previdenciário (201, I), assistencial (203, I); o art. 230 estatui que a família, a
sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas.

91
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

DOS ÍNDIOS

Fundamentos constitucionais dos direitos indígenas: as bases dos direitos dos índios
estão estabelecida nos arts. 231 e 232.

Organização social: o art. 231 reconhece a organização social, costumes, línguas, crenças e
tradições dos índios, com o que reconhece a existência de minorias nacionais e institui normas de
proteção de sua singularidade étnica, especialmente de suas línguas, costumes e usos.

Direitos sobre as terras indígenas: são terras da União vinculadas ao cumprimento dos
direitos indígenas sobre elas, reconhecidos pela Constituição, como direitos originários (231), que
assim, consagra uma relação jurídica fundada no instituto do indigenato, como fonte primária e
congênita da posse territorial, consubstanciada no § 2º, do mesmo artigo.

Defesa dos direitos e interesses dos índios: têm natureza de direito coletivo; por isso é que
a CF reconhece legitimação para defendê-los em juízo aos próprios índios; às suas comunidades
e às organizações antropológicas e pró-indios, intervindo o MP em todos os atos do processo, que
é de competência da Justiça Federal (109, XI e § 2º, e 232).

92
www.ResumosConcursos.com
Resumo: Direito Constitucional – por Graziela Carraro

93