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Eurocódigo 3 – Projecto de Estruturas de aço
Partes 1-1, 1-5 e 1-8
Aulas práticas

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL


Departamento de Ciências Tecnológicas e Engenharias
Estruturas Metálicas e Mistas
Ano lectivo 2020/2021
LEC4M
Por: Amaro Catumbaiala
Email: amarocatumbaiala@hotmail.com
a.catumbaiala@campus.fct.unl.pt

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Classificação de Secções Transversais

Segundo o EC3-1-1, consoante a sua capacidade de rotação e


capacidade para formar uma rótula plástica, as secções
classificam-se em: Classe 1, Classe 2, Classe 3 e Classe 4.
O comportamento à flexão de secções das classes 1 a 4 é
ilustrado na Figura a seguir: M
Classe 1
M M Mpl
Classe 2
Mel
Classe 3
Fig. Comportamento Classe 4 s
de secções à flexão
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Classificação de Secções Transversais

A classificação de uma secção é efectuada com base na relação


entre o comprimento, c, e a espessura, t, ou seja c/t, dos
elementos total ou parcial comprimidos, alma e banzo, nos
esforços actuantes, esforço axial e momento flector e na classe
de aço, segundo os procedimentos do EC3-1-1, 5.5.
Os valores limite das relações c/t dos elementos comprimidos,
para a maioria das secções correntes, são indicados nos
quadros 5.2 das páginas 1, 2, e 3, do EC3-1-1

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Classificação de Secções Transversais
A classe do aço é tida Quadro 1: Limites máximos de c/t, compressão
em conta através do
parâmetro, :
  235 f y
Secções em I ou H
submetidas à flexão
composta plana, NEd e
MEd, para classificação
da alma em secções que
possam pertencer às
classe 1 ou 2, o
parâmetro,  pode ser
estimado através da
expressão seguinte:
1  h 1 N Ed 
    t  r   1
c  2 2 tw f y 
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Classificação de Secções Transversais
Quadro 2: Limites máximos de c/t, compressão
Secções Transversais
Submetidas a esforço
axial de compressão
Classe 4

G
Secção Transversal total

G

Secção Transversal efectiva

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Classificação de Secções Transversais
Quadro 3: Limites máximos de c/t, compressão
Secções Transversais
Submetidas a
momento flector
Classe 4

Secção Transversal total

Secção Transversal efectiva

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Classificação de Secções Transversais
Exercício 1: Classifique as secções indicadas nas Figuras 1 e
2, segundo o EC3-1-1.

a) Perfil IPE 300 em aço S275, i) submetido a flexão simples,


ii) submetido a compressão pura.

b) Secção rectangular oca RHS 250x150x6.3mm em aço


S355, submetida a compressão pura.
G

Fig. 1: Secção Transversal, IPE300 Fig. 2: Secção Transversal, RHS250x150x6.3

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Classificação de Secções Transversais
Resolução do Exercício 1: de acordo com o EC3-1-1.

a) Perfil IPE 300 em aço S275, i) submetido a flexão simples,


Alma do perfil à flexão (Quadro 1, Pág. 4)
c / t w  248.6 / 7.1  35.01  72  72  0,92  69,24  Classe 1
Banzo do perfil à compressão (Quadro 2, Pág. 5)

c / t f  (150 / 2  7.1 / 2  15) / 10.7  5.276  9  9  0,92  8,28  Classe 1

a) À Flexão, Logo a Secção


Transversal IPE300 é de classe 1

Fig. 1: Secção Transversal, IPE300

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Classificação de Secções Transversais
Resolução do Exercício 1: de acordo com o EC3-1-1.
a) Perfil IPE 300 em aço S275, i) submetido a compressão
pura,
Alma do perfil à compressão (Quadro 1, Pág. 4)
c / t w  248.6 / 7.1  35.01  33  33  0,92  30,36  35.01  Classe 1
c / t w  248.6 / 7.1  35.01  38  38  0,92  34,96  35.01  Classe 2
Banzo do perfil à compressão (Quadro 2, Pág. 5)
c / t f  (150 / 2  7.1 / 2  15) / 10.7  5.276  9  9  0,92  8,28  Classe 1

a) À Compressão, Logo a Secção


Transversal IPE300 é de classe 2

Fig. 1: Secção Transversal, IPE300

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Classificação de Secções Transversais
b) Secção rectangular oca RHS 250x150x6.3mm em aço S355,
submetida a compressão pura.
Aba do perfil à compressão (Quadro 1, Pág. 4)
Numa secção rectangular ou quadrada oca o comprimento útil de uma
aba pode ser estimado por c  b - 3t.

c / t  b  3t  / t  250  3  6.3 / 6.3  36,68  33  33  0,81  26,73  Classe 1


c / t  b  3t  / t  250  3  6.3 / 6.3  36,68  38  38  0,81  30,78  Classe 2
c / t  b  3t  / t  250  3  6.3 / 6.3  36,68  42  42  0,81  34,03  Classe 3

a) À Compressão, Logo a Secção


Transversal RHS 250x150x6,3 é de classe 4

Fig. 2: Secção Transversal, RHS250x150x6.3


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Estados Limites Últimos
1. Tracção
1.1 Elementos à Tracção
Resolução do Exercício 2: de acordo com o EC3-1-1.
Considere a tirante em uma ponte (Fig. 3), cunjos esforços de tracção
derivam da combinação fundamental de açcões permanente (NG=300kN,
G=1,35) e váriavel (NQ=250kN, Q=1,5), aço S275
a) Dimensione a barra traccionada da tirante, considerando secções com
as seguintes tipologias, RHS, SHS, CHS, HEA:

Esforço de cálculo na tirante Modelo de cálculo e esforço de cálculo

Fig. 3: Tirante em estrutura metálica

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Estados Limites Últimos
1. Tracção
1.1 Elementos à Tracção
Resolução do Exercício 2: de acordo com o EC3-1-1.
Considere a tirante em uma ponte (Fig. 3), cunjos esforços de tracção
derivam da combinação fundamental de açcões permanente (NG=300kN,
G=1,35) e váriavel (NQ=250kN, Q=1,5), aço S275
Resolução: Esforço axial de cálculo NEd

N Ed   G N G   Q N Q  1,35  300  1,5  250  780kN

Esforço de cálculo na tirante Modelo de cálculo e esforço de cálculo

Fig. 3: Tirante em estrutura metálica

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Estados Limites Últimos
1. Tracção
1.1 Elementos à Tracção
Resolução do Exercício 2: de acordo com o EC3-1-1.
O dimensionamento das barras à tracção é efectuado com base na
condição do EC3-1-1, 6.2.3:
A f y
N Ed  N t , Rd 
 M0
Sendo  M0 =1.0, fy =275N/mm2 e A a área total da secção. Considerando o
esforço axial de cálculo NEd =780kN=780000N, obtém-se:

A  275 780000  1.0


780000   A  2836,4mm 2  28.4cm 2
1 .0 275
Com base numa tabela de perfis de secções, RHS, SHS, CHS, HEA,
adoptam-se as seguintes soluções: SHS120x120x6.3mm (A=28.5cm2)

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Estados Limites Últimos
1. Momento flector
Resolução do Exercício 3: de acordo com o EC3-1-1.
1.1 Análise global elástica e dimensionamentos elástico e plástico.
Considere a viga contínua llustrada na Fig.4, em aço S275, submetida
ao carregamento indicado, já incluindo o peso próprio e considerado
como carregamento de cálculo. Efectue o pré-edimensionamento à
flexão, utilizando uma secção do tipo IPE, comsiderando:
a) Análise global elástica e dimensionamento elástico da secção.
b) Análise global elástica e dimensionamento plástico da secção
c) Análise global elástica com redistribuição de momentos flectores e
dimensionamento plástico da secção.
d) Análise global plástica e dimensionamento plástico da secção.

Fig. 4: Esforços actuantes na estrutura metálica


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Estados Limites Últimos
1. Momento flector

1.1 Análise global elástica e dimensionamentos elástico e plástico.


a) Análise global elástica e dimensionamento elástico da secção.

Procedendo a uma análise elástica da viga obtém-se reacções verticais


em A e G de 19.9kN e em C e E de 174.1kN e o diagrama de momentos
flectores representado na Fig.4 a seguir.
Resolução do Exercício 3: de acordo com o EC3-1-1.

Fig. 5: Diagrama de momentos flectores elásticos

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Estados Limites Últimos
1. Momento flector
1.1 Análise global elástica e dimensionamentos elástico e
plástico.
O Pré-dimensionamento elástico da secção implica a verificação da
seguinte condição, onde Wel,y representa o módulo elástico de flexão
em torno do eixo y :

M Ed  122.7 kNm  M el  Wel , y  f y  Wel , y  275  10 3

122.7 kNm 6
Wel , y   446 . 2  10 m 3
 446 . 2 cm 3

275  10 3 kN / m 2

Com base numa tabela de perfis de secções do tipo IPE, obtém-se a


solução: IPE 300 com Wel,y= 557.1cm3.

Fig. 6: Perfil IPE300


Em aço S275
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Estados Limites Últimos
1. Momento flector
1.1 Análise global elástica e dimensionamentos elástico e
plástico.
b) Análise global elástica e dimensionamento plástico da secção

O Pré-dimensionamento plástico da secção implica a verificação da


seguinte condição, onde Wpl,y representa o módulo plástico de flexão
em torno do eixo y :
M Ed  122.7 kNm  M pl  W pl , y  f y  W pl , y  275  10 3
122.7 kNm 6
W pl , y   446 . 2  10 m 3
 446 . 2 cm 3

275  10 3 kN / m 2
Com base numa tabela de perfis de secções do tipo IPE, obtém-se a
solução: IPE 270 com Wpl,y= 484.0cm3.

Fig.7: Perfil IPE270


Em aço S275
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Estados Limites Últimos
1. Momento flector
1.1 Análise global elástica e dimensionamentos elástico e
plástico.
c) Análise global elástica com redistribuição de momentos flectores e
dimensionamento plástico da secção.
Admitindo que as secções de momento máximo negativo verificam os
requisitos estipulados na cláusula 5.4.1 do EC3-1-1, pode-se redistribuir
os momentos máximos negativos até um máximo de 15%. A
Redistribuição consiste em adicionar ao diagrama de momentos
flectores apresentando na Figura 5, os seguites diagramas
representandos na Figura 8.:

Fig. 8: Redistribuição de momentos flectores

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Estados Limites Últimos
1. Momento flector
1.1 Análise global elástica e dimensionamentos elástico e
plástico.
d) Análise global elástica com redistribuição de momentos flectores e
dimensionamento plástico da secção.
Nesse caso a minimização do momento máximo (em módulo) implica
uma redistribuição igual ao valor máximo permitido regularmente,
obtendo-se o diagrama de momentos flectores representado na Figura
9, cujos extremos tomam os seguintes valores:

M B  69.7  0.15  122.7 / 2  78.9kNm

M C  122.7  0.15  122.7  104.3kNm

M D  85.7  2  0.15  122.7 / 2  104.1kNm

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Fig. 9: Diagrama de momentos flectores elástico com redistribuição

O Pré-dimensionamento plástico da secção implica a verificação da


seguinte condição, onde Wpl,y representa o módulo plástico de flexão
em torno do eixo y :
M Ed  104.3kNm  M pl  W pl , y  f y  W pl , y  275  10 3
104.3kNm 6
W pl , y   379 . 3  10 m 3
 379 . 3cm 3

275  10 3 kN / m 2
Com base numa tabela de perfis de secções do tipo IPE, obtém-se a
solução: IPE 270 com Wpl,y= 484.0cm3.

Fig.7: Perfil IPE270


Em aço S275
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Estados Limites Últimos
d) Análise global plástica e dimensionamento plástico da secção

Admitindo que as secções da viga verificam os requisitos definidos nas


cláusulas 5.4.3 e 5.6 do EC3-1-1, procede-se a uma análise plástica de
esforço através do método dos mecanismos. Tendo em conta a
geometria da estrutura, as cargas aplicada e os diagramas elásticos
obtidos anteriormente, verifica-se que o colapso plástico corrensponde
à formação de um mecanismo parcial, com rótulas plásticas nas
secções C e E, e nas secções de aplicação das cargas concentadas, B e
F. Para este mecanismo o digrama de momentos flectores é o
representado na Figura 10, a seguir, onde Mpl representa o momento
olástico da secção em torno do eixo y.

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Fig. 10: Diagrama de momentos flectores plástico

O momento plástico pode ser obtido através da resolução do seguinte


sistema de equações de equilíbrio estático:


 B  M pl  V A  3.5
M esq
V A  25.0kN
 esq  
M C   M pl  V A  7  75  3.5
 M pl  87.5kNm

O Pré-dimensionamento plástico da secção implica a verificação da


seguinte condição, onde Wpl,y representa o módulo plástico de flexão
em torno do eixo y :

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O Pré-dimensionamento plástico da secção implica a verificação da
seguinte condição, onde Wpl,y representa o módulo plástico de flexão
em torno do eixo y :

M Ed  87.5kNm  M pl  W pl , y  f y  W pl , y  275  10 3

87.5kNm 6
W pl , y   318 . 2  10 m 3
 318 . 2 cm 3

275  10 3 kN / m 2
Com base numa tabela de perfis de secções do tipo IPE, obtém-se a
solução: IPE 240 com Wpl,y= 366.7cm3.

Fig.7: Perfil IPE240


Em aço S275

Este exemplo mostra as vantagens, em termos económicos, da


utilização de métodos plásticos de análise de esforços e de
dimensionamento de secções transversais.
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Referências

1. NP EN 1993-1-1:2010 Eurocódigo 3 – Projecto de estruturas de aço Parte 1-1:


Regras gerais e regras de edifícios.

2. Rui A.D. Simões– Manual de dimensionamento de estruturas metálicas, 2007.


Aula seguinte: Continuação dos exercícios práticos, Estados Limites últimos

7.00m
Viga metálica simplesmente apoiada

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