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Tratamentos térmicos e

Diagramas TTT I Sem.2014

Prof. Dr. Eng. Feliciano Cangue


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Tratamentos térmicos e Diagramas TTT 1
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F.CANGUE

SUMÁRIO

 Tratamentos térmicos
 Diagramas TTT isotérmicos e contínuos
 Transformação de fases em metais e microestruturas (Ferrita,
Cementita, Austenita, Perlita, Martensita, bainita)
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INTRODUÇÃO

1. Tratamento térmico, o histórico da temperatura versus tempo necessário para gerar uma
microestrutura desejada
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INTRODUÇÃO

1. Tratamento térmico, o histórico da temperatura versus tempo


necessário para gerar uma microestrutura desejada

2. A base fundamental para o tratamento térmico é a cinética


(Ciência das transformações de fase dependentes do tempo.

3. Se se adicionar uma escala de tempo aos diagramas de fases


para mostrar a aproximação do equilíbrio, um tratamento
sistemático desse tipo gera um diagrama TTT, que resume, para
determinada composição, a conclusão percentual de certa
transformação de fase nos eixos de temperatura – tempo
(gerando os três Ts de temperatura, tempo e transformação.
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INTRODUÇÃO

Têmpera e revenido - A têmpera


consiste em aquecer a peça em um
forno a uma temperatura acima do
limite superior da zona crítica (A3),
manter o tempo suficiente para que
toda a estrutura transforme-se em
austenita e resfriar muito rapidamente
(em água ou óleo, por exemplo).
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INTRODUÇÃO

O coalescimento é um tratamento um
pouco diferente dos anteriores em que não
há propriamente uma austenitização do
aço. O tratamento é aplicado em aços
hipereutetoides e consiste em aquecer e
resfriar alternadamente durante algum
tempo a peça um pouco acima e um pouco
abaixo do limite inferior da zona crítica. O
coalescimento faz com que a cementita do
aço hipereutetóide se concentre em formas
aproximadamente esféricas, provocando
um aumento na ductilidade dos aços com
alto teor de carbono em relação às
estruturas normais. O objetivo do
tratamento é, através do aumento da
ductilidade, facilitar a usinagem e a
deformação a frio de aços com alto teor de
carbono.
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INTRODUÇÃO

A austêmpera já é um tratamento isotérmico que tem como objetivo obter uma


estrutura bainítica uniforme e portanto resistência mecânica e dureza altas.
Consiste em aquecer o aço a uma temperatura acima do limite superior da zona
crítica e manter até a completa austenitização, resfriar posteriormente até uma
temperatura em que haja formação de bainita sem "cortar" o cotovelo da curva e
manter a essa temperatura até a completa transformação da austenita em bainita.

A martêmpera consiste em aquecer o aço a uma temperatura acima do limite


superior da zona crítica e manter até a completa austenitização, resfriar
posteriormente até uma temperatura pouco acima da temperatura de início da
formação de martensita (Mi), manter até que toda a peça atinja essa temperatura
e resfriar rapidamente até a temperatura ambiente para que a austenita
transforme-se em martensita. A estrutura final é composta de martensita mais
homogênea e com menos tensões internas, uma vez que a temperatura da peça
torna-se homogênea, ainda com a estrutura austenítica, a uma temperatura pouco
acima de Mi (que não é muito alta), permitindo um resfriamento menos drástico
para provocar a transformação da austenita em martensita.
O objetivo da martêmpera é também aumentar a resistência e a dureza do aço.
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INTRODUÇÃO
.O Sistema Ferro-Carbono: Bainita e Martensita

Se o aço for temperado(em vez de normalizado , duas


microestruturas, diferentes da perlita, podem ser
produzidas pela inibição da transformação eutetóide:

1. bainita é o constituinte que pode ser formado quando


a austenita é resfriada rapidamente até uma certa
temperatura, usualmente na faixa entre 200 e 400°C, e aí
mantida. A bainita é uma dispersão de carbetos
submicroscópicos em uma matriz altamente deformada e
que contém mais de 0,02% C;

2. martensita é o constituinte que pode ser formado


quando a austenita é resfriada rapidamente até
temperaturas inferiores àquelas em que se formaria a
bainita. É uma fase extremamente dura e frágil, na qual
todo o carbono fica aprisionado em solução sólida
supersaturada. O carbono em excesso distorce a
estrutura cristalina, tornando-a tetragonal de corpo
centrado (TCC) sendo a quantidade de distorção (medida
pelo valor médio da relação c/a, sendo c a altura e a o
lado da célula unitária tetragonal) aproximadamente
proporcional ao teor de carbono
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Os tratamentos térmicos mais


usuais aplicados nos aços:
- Recozimento
- Normalização
- Têmpera e revenido
- Coalescimento
- Austêmpera
- Martêmpera.
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Definições
A normalização consiste em aquecer a peça em um forno a uma temperatura acima do limite
superior da zona crítica (A3), manter o tempo suficiente para que toda a estrutura transforme-se em
austenita e resfriar ao ar (mais rapidamente que no caso do recozimento). A estrutura final obtida é
composta de perlita fina no caso do aço eutetóide, de perlita fina e ferrita primária no caso dos aços
hipoeutetoides e de perlita fina e cementita primária no caso dos aços hipereutetoides.

O recozimento consiste em aquecer a peça em um forno a uma temperatura acima do limite


superior da zona crítica (A3), manter o tempo suficiente para que toda a estrutura transforme-se em
austenita e resfriar lentamente (por exemplo desligando o forno e mantendo a peça no interior
durante o resfriamento do mesmo). A estrutura final obtida é composta de perlita grossa no caso do
aço eutetóide, de perlita grossa e ferrita primária no caso dos aços hipoeutetoides e de perlita
grossa e cementita primária no caso dos aços hipereutetoides..

A têmpera consiste em aquecer a peça em um forno a uma temperatura acima do


limite superior da zona crítica (A3), manter o tempo suficiente para que toda a estrutura
transforme-se em austenita e resfriar muito rapidamente (em água ou óleo, por
exemplo).
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Cinética das
transformações de fase
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Cinética das
transformações de
fase
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Cinética das
transformações de
fase
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Cinética das
transformações
de fase
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Transformações Multifásicas
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Transformações Multifásicas
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Introdução
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Curvas T.T.T. construção


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Características gerais dessas curvas


•Cada curva T.T.T. é específica para determinado aço de
composição conhecida.
•Nas ordenadas temos as temperaturas de aquecimento. As
temperaturas máximas de interesse vão até a região da austenita (Fe
γ-C.F.C.) que em geral é a estrutura de partida dos tratamentos
térmicos.
•Nas abscissas correspondem os tempos decorridos para a
transformação da austenita em outras estruturas em escala
logaritimica.
•Associa as estruturas formadas no aço em questão em função da
velocidade de resfriamento (considera o efeito cinético, a variável
tempo) .
•Convergem para as estruturas indicadas no diagrama de equilíbrio
sempre que as taxas de resfriamento forem lentas.
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Resfriamento rápido Aço Eutetoide


(Bainita)
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Resfriamento rápido Aço Eutetoide


(Martensita)
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Resfriamento rápido Aço Eutetoide


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Recozimento
O recozimento consiste em aquecer a peça
em um forno a uma temperatura acima do
limite superior da zona crítica (A3), manter o
tempo suficiente para que toda a estrutura
transforme-se em austenita e resfriar
lentamente (por exemplo desligando o forno e
mantendo a peça no interior durante o
resfriamento do mesmo)

A estrutura final obtida é composta de perlita


grossa no caso do aço eutetóide, de perlita
grossa e ferrita primária no caso dos aços
hipoeutetoides e de perlita grossa e cementita
primária no caso dos aços hipereutetoides..
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Recozimento

zona crítica (A3)


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Relação microestrutura-
propriedades
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Curva T.T.T. para um aço eutetoide (0,77% de “C”), mostrando a transformação isotérmica de
austenita para perlita
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Processo de resfriamento lento a partir da austenita para um aço


eutetoide: Recozimento (estrutura: perlita)
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Diversas curvas de resfriamento e as respectivas estruturas formadas para um aço eutetoide


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Curva TTT esquemática para um aço hipoeutetoide: presença da ferrita primária


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Curva T.T.T. para um aço hipereutetoide (1,13% de C)


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Fatores que afetam as curvas T.T.T.


Quanto maior o teor de carbono e de elementos de liga no aço (com
exceção do Co) mais para a direita se deslocam as curvas,
facilitando a têmpera.
Quanto maior o tamanho de grão da austenita antes do resfriamento
mais para a direita se deslocam as curvas facilitando a têmpera.As
transformações iniciam nos contornos de grão .No entanto o
aumento do tamanho de grão prejudica as propriedades do aço
Quanto mais homogênea a austenita (sem partículas de carboneto
impurezas etc...) mais para a direita se deslocam as curvas T.T.T.
facilitando a têmpera. Em geral quanto mais alta a temperatura de
aquecimento e quanto maior o tempo de permanência mais
homogênea a austenita
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Diferença de aspecto entre a perlita grossa e a perita fina


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Novas estruturas nos aços


Bainita:Se formam a partir da
decomposição isotérmica da
austenita instável entre o
cotovelo da curva T.T.T. e a
isoterma Mi de inicio de
formação de martensita
São dispersões
submicroscópicas de
carboneto de ferro e ferrita (Fe
α) com aspecto acicular.
Ao lado em cima bainita
superior
Ao lado embaixo bainita
inferior.
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Exercícios de Fixação.

Exercícios
Identifique as
microestruturas resultantes
das sequências de
resfriamento indicadas
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Exercícios de Fixação.
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Referências Bibliográficas

1.CALLISTER JÚNIOR, W.D. Ciência e Engenharia de Materiais: uma


Introdução. Rio de Janeiro: LTC, 8.ed, 2012
2.William D. Callister, Jr. Fundamentos da Ciência e Engenharia de
Materiais: uma abordagem Integrada: Rio de Janeiro: LTC, 2012,
702p.
3.VAN VLACK, L.H. Princípios de Ciência e Tecnologia dos Materiais.
Rio de Janeiro: Campus, 1984.
4.VAN VLACK, L.H. Princípios de Ciência e Tecnologia dos Materiais.
São Paulo: Editora Bl”ucher, 2012.
5.SMITH, W.F. Princípios de Ciência e Engenharia dos Materiais.
Lisboa: McGraw-Hill, 3a edição, 1998
6.JAMES F. SHACKELFORD. Ciência dos Materiais. São Paulo:
Pearson Prentice, 2008