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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA (...

) VARA
CRIMINAL COMARCA DE (...)

Bruna e outras, já qualificadas nos autos da ação penal n.


(...), que lhe move a Justiça Pública, por seu advogado que esta subscreve,
não se conformando com a respeitável decisão que a pronunciou, vem,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, interpor

RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

com fulcro no art. 581, X, do Código de Processo Penal.

Requer seja recebido e processado o presente recurso e


assim, seja reformada a digníssima sentença, caso Vossa Excelência entenda
que deva ser mantida a respeitável decisão, que seja encaminhado, com as
inclusas razões, ao Egrégio Tribunal de Justiça.

Nesses termos,
pede deferimento.
(local e data).

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advogado – OAB n. (...)
RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

RECORRENTE: Bruna e outras


RECORRIDA: Justiça Pública
PROC. N. (...)
Egrégio Tribunal de Justiça

Em que pese o indiscutível saber jurídico do Meritíssimo


Juiz “a quo”, impõe-se a reforma de respeitável sentença que pronunciou a
Recorrente, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas:

I – DOS FATOS

Por ter, supostamente, praticado Trottoir, ou seja, as


Recorrentes foram denunciadas por estarem se exibindo nas ruas , e assim sendo,
vinham sofrendo constrangimento ilegal, pois, frequentemente eram presas
pelas autoridades policiais, sob tal acusação.

As recorrentes por diversas vezes foram levadas ao


xadrez e soltas após a triagem, sem que tenham cometido qualquer crime
previsto em lei.

II – DO DIREITO

Ocorre que no Brasil, a prática da prostituição não


constitui um fato penalmente punível. Crime é explorar as pessoas que se
prostituem, mas não a prostituição em si, conforme art. 228, 229 do CP. Trata-
se, inclusive, de uma profissão descrita na Classificação Brasileira de
Ocupações, no Ministério do Trabalho.

“CBO: 5198-05 - Garota de programa 5198-05 -


Garoto de programa 5198-05 - Meretriz 5198-05 -
Messalina 5198-05 - Michê 5198-05 - Mulher da vida
5198-05 - Prostituta 5198-05 - Trabalhador do sexo.”

Se o estado deseja interferir no exercício profissional, sua


atuação somente será legítima para garantir o máximo de respeito às
prostitutas e não para prejudicar a prática da atividade. Em razão disso, não
são lícitas as ameaças de prisão feitas por autoridades policiais contra as
prostitutas, já que elas não estão cometendo nenhum crime. Como a prática da
prostituição, inclusive em espaços públicos, não é punida pelo direito penal
brasileiro, não há que se falar em prisão em flagrante nessa situação. Assim, a
ordem de prisão dada por uma autoridade policial, numa hipótese em que
sequer há delito a ser punido, é manifestamente ilegal.

Sendo desta forma um Fato atípico.


III – DO PEDIDO

Diante do exposto, requer seja conhecido e provido o


presente recurso, impronunciando-se as Recorrentes, nos termos do art. 414
do Código de Processo Penal e expedindo-se contramandado de prisão em
seu favor, como medida de inteira justiça.

(local e data).
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advogado – OAB n.