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Caderno Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região

DIÁRIO ELETRÔNICO DA JUSTIÇA DO TRABALHO


PODER JUDICIÁRIO REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

Nº3079/2020 Data da disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020. DEJT Nacional

Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região RECURSO DE REVISTA

Tramitação Preferencial
BRASILINO SANTOS RAMOS
Desembargador Presidente

ALEXANDRE NERY DE OLIVEIRA


Desembargador Vice-Presidente e Corregedor

SAS, Quadra 01, Bloco D


Praça dos Tribunais Superiores
Brasília/DF
Recorrente(s): 1.RAIMUNDO REMIR
CEP: 70097900
RODRIGUES SILVA

Telefone(s) : 3348-1100
Advogado(a)(s): 1.MARCELISE DE MIRANDA

AZEVEDO (DF - 13811)

PRESIDÊNCIA
Recorrido(a)(s): 1.EMPRESA BRASILEIRA DE
Decisão Monocrática
Decisão CORREIOS E TELEGRAFOS
Processo Nº ROT-0000766-14.2017.5.10.0015
Relator LUIZ HENRIQUE MARQUES DA
ROCHA Advogado(a)(s): 1.ANA CAROLINA SOARES
RECORRENTE RAIMUNDO REMIR RODRIGUES DE MESQUITA (DF - 25493)
SILVA
ADVOGADO ANNA CLARA GONTIJO
BALZACCHI(OAB: 58744/DF)
ADVOGADO RAQUEL DE CASTILHO(OAB:
29301/DF) Recurso de:RAIMUNDO REMIR RODRIGUES SILVA
ADVOGADO NOHARA DOS SANTOS PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
COELHO(OAB: 53108/DF)
ADVOGADO ELVISSON PEREIRA JACOBINA Tempestivo o recurso (publicação em 23/06/2020 - fls. VIA
JUNIOR(OAB: 49088/DF)
SISTEMA; recurso apresentado em 24/06/2020 - fls. via sistema).
ADVOGADO RAQUEL CRISTINA RIEGER(OAB:
15558/DF) Regular a representação processual (fls. 320).
ADVOGADO MARCELISE DE MIRANDA
AZEVEDO(OAB: 13811/DF) Dispensado o preparo (fls. 276).
RECORRIDO EMPRESA BRASILEIRA DE PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
CORREIOS E TELEGRAFOS
ADVOGADO ANA CAROLINA SOARES DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Atos
MESQUITA(OAB: 25493/DF)
Processuais/Nulidade/Negativa de Prestação Jurisdicional.

Intimado(s)/Citado(s): Alegação(ões):

- EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS - violação do(s) inciso IX do artigo 93 da Constituição Federal.
- RAIMUNDO REMIR RODRIGUES SILVA - violação da (o) artigo 832 da Consolidação das Leis do

Trabalho;inciso II do artigo 489 do Código de Processo Civil de

2015;inciso IV do §1º do artigo 489 do Código de Processo Civil de

PODER JUDICIÁRIO 2015.

JUSTIÇA DO TRABALHO Argumenta o recorrente que, embora instada por meio de embargos

declaratórios, a egr. Turma remanesceu omissa em relação aos


Fundamentação
honorários advocatícios sucumbenciais.

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Verifica-se que o egr. Colegiado, de forma fundamentada, apreciou MANUTENÇÃO DO VALOR ARBITRADO. No caso, o perito

o tema debatido no recurso ordinário e revolvido nos aclaratórios, concluiu haver nexo causal entre o acidente sofrido pelo autor e a

havendo pronunciamento expresso e específico a respeito, com lesão em sua perna esquerda, razão pela qual surge o dever de

indicação dos fundamentos de fato e de direito que ampararam o reparar o dano.

convencimento jurídico turmário. Recorre de revista o demandante.Sustenta, em resumo, que o valor

Vale gizar que o julgador não está obrigado a responder a todas as arbitradomostra-semodesto, não se revelando capaz de

alegações das partes se já tiver exposto motivo suficiente para compensar os danos por ele suportados,uma vez que 'os

fundamentar a decisão, tampouco há obrigação de se ater aos transtornos e angústiasque envolvem uma cirurgia de tal magnitude

fundamentos indicados pelos litigantes e a responder um a um certamente são de grande proporção e, por certo, merecem a

todos os seus argumentos. Isso mesmo na vigência do atual CPC devida reparação', além de que se revela desproporcional em

2015. Nessa trilha, o exc. Supremo Tribunal Federal (AGAIRR relação à condição sócio econômica do ofensor e, por isso mesmo,

215.976-2/PE; Rel. Min. Maurício Corrêa; DJ de 2.10.1998, seção 1, incapaz de impedir a reincidência do comportamento lesivo.

pág. 008); o STJ (EDcl no MS 21.315-DF, Relatora Ministra Diva Entretanto, a pretensão recursal não se viabiliza, uma vez que, para

Malerbi Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região, Ac. 1ª se rever o patamar da reparação, seria necessário realizar-se nova

Seção. Julgado em 8/6/2016); bem como col. TST (AIRR-1001070- análise da adequação daquele valor à extensão dos danos, o que

86.2014.5.02.0382, Relator Ministro Alberto Luiz Bresciani de implicaria inevitavelmente no reexame das provas, o que é defeso

Fontan Pereira, Ac. 3ª T., Data de Publicação: DEJT 28/10/2016). no atual estágio, ante o que expressa a Súmula nº 126 do TST.

Acrescente-se que 'Havendo tese explícita sobre a matéria, na Ademais, é oportuno salientar que a jurisprudência do col. TSTé no

decisão recorrida, desnecessário contenha nela referência expressa sentido deque a revisão do valor fixado nas instâncias ordinárias a

do dispositivo legal para ter-se como prequestionado este', título de reparação por dano moral apenas se autoriza para reprimir

consoante dicção da OJ118SDI1TST. valores estratosféricos ou excessivamente módicos. No caso

Portanto, resta evidente que a pretensão do embargante, ao vertente, a quantia fixada, R$15.000,00 (quinze mil reais), aparenta,

manejar seus aclaratórios, foi o de revolver a matéria, provocar a como registra o v. acórdão, razoabilidade e proporcionalidade.

reapreciação das provas produzidas e a emissão de novas A tal modo, afastam-se as alegações deduzidas.

considerações de mérito, finalidades para as quais não se prestam

a estreita via escolhida. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Partes e

Nesse passo, reafirma-se que a prestação jurisdicional foi entregue, Procuradores/Sucumbência/Honorários Advocatícios.

na sua inteireza, ainda que contrária aos desígnios almejados pela Alegação(ões):

vindicante. -divergência jurisprudencial.

Decisão desfavorável não pode ser confundida com decisão A Turma indeferiu o pagamento de honorários advocatícios

insuficiente ou omissa. sucumbenciais, ao fundamento de se tratar de ação, cujo

Em tal cenário, não se evidencia mácula aos dispositivos ingressoem juízoocorreuantes da denominada 'reforma

constitucional e legais invocados. trabalhista'.

Nego seguimento ao recurso no particular. Oreclamamte pedeque a reclamadapaguehonorários

sucumbenciais no importe de 20% (vinte por cento) sobre o valor da

VALOR DA REPARAÇÃO DO DANO MORAL condenação.

Alegação(ões): Contudo, consoante delineado no acórdão vergastado, o

- violação dos artigos1º, inciso III;5º, incisos V e X, e 6º, todos da ajuizamento da presente demanda ocorreu antes da entrada em

Constituição Federal. vigor da reforma trabalhista, período em que não havia a

- violação do Código Civil, artigo 186. possibilidade de pagamento dos honorários advocatícios em caso

O egr. Colegiado manteve a sentença queconcluiu que a patologia de insucesso no pleito sob a análise do Poder Judiciário.

desenvolvida pela parte obreira equipara-se a acidente de trabalho De acordo como artigo 6º da Instrução Normativa nº 41/2018 da

e, ante os demais elementos configuradores, condenou o polo col. Corte Superior trabalhista, que dispõe acerca da aplicação das

patronal a pagar reparação por dano moral no importe R$15.000,00 normas processuais atinentes à Lei nº 13.467/2017, a nova redação

(quinzemil reais), nos seguintes termos: do artigo 791-A da CLT, e seus parágrafos, deve ser aplicada, tão

ACIDENTE DO TRABALHO. DANO MORAL. CONFIGURAÇÃO. somente, aos processos iniciados após 11/11/2017.

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No sentido da decisão turmária recorrida, os seguintes precedentes: possível sua aplicação aos processos que foram decididos nas

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA instâncias ordinárias sob o pálio da legislação anterior e sob a qual

INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DAS LEIS Nos 13.015/2014, se analisa a existência de violação literal de dispositivo de lei

13.105/2015 E Nº 13.467/2017 - DESCABIMENTO. HONORÁRIOS federal. No mesmo sentido, é o art. 6º da Instrução Normativa nº41

ADVOCATÍCIOS. AÇÃO AJUIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI do c. TST, no sentido de que a condenação aos honorários

Nº 13.467/2017. O Pleno desta Corte, diante das alterações das sucumbenciais, nos moldes do art. 791-A da CLT, estará limitada às

normas processuais da Consolidação das Leis do Trabalho ações propostas após 11/11/2017. Verificada contrariedade ao

conferidas pela Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017, editou a entendimento consagrado na Súmula n.º 219, I, do TST.

Instrução Normativa nº 41/TST, que, em seu art. 6º, dispõe: 'Na Transcendência política reconhecida, recurso de revista de que se

Justiça do Trabalho, a condenação em honorários advocatícios conhece e a que se dá provimento. ' (RR-1031-55.2017.5.08.0117 ,

sucumbenciais, prevista no art. 791-A, e parágrafos, da CLT, será Relatora Desembargadora Convocada: Cilene Ferreira Amaro

aplicável apenas às ações propostas após 11 de novembro de 2017 Santos, Data de Julgamento: 07/11/2018, 6ª Turma, Data de

(Lei nº 13.467/2017). Nas ações propostas anteriormente, Publicação: DEJT 09/11/2018)

subsistem as diretrizes do art. 14 da Lei nº 5.584/1970 e das AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. 1.

Súmulas nos 219 e 329 do TST'. Ajuizada a presente ação em JUSTIÇA GRATUITA. CONCESSÃO AO RECLAMANTE. Consta do

13.12.2016, correto o indeferimento dos honorários sucumbenciais. acórdão recorrido que a demanda foi ajuizada anteriormente ao

Agravo de instrumento conhecido e desprovido. ' (AIRR - 21792- advento da Lei nº 13.467/17, havendo pedido de concessão da

92.2016.5.04.0234 , Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Justiça Gratuita desde a petição inicial, na qual o reclamante

Fontan Pereira, Data de Julgamento: 07/11/2018, 3ª Turma, Data de declara sua hipossuficiência econômica. A sentença, transcrita no

Publicação: DEJT 09/11/2018) acórdão recorrido, externou que o reclamante se encontra

RECURSO DE REVISTA. LEI Nº 13.467/2017. HONORÁRIOS atualmente desempregado. O TRT de origem destacou que o fato

ADVOCATÍCIOS. DEFERIMENTO A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO de o reclamante ter auferido renda, por si só, não afasta a

PELA CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO. AÇÃO PROPOSTA presunção de hipossuficiência. Nesse contexto, restou mantido o

ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. deferimento dos benefícios da Justiça Gratuita. O entendimento do

INAPLICABILIDADE. ARTIGO 6º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA Regional se harmoniza com a atual, iterativa e notória jurisprudência

41/2048 DO TST. TRANSCENDÊNCIA. O processamento do do TST, sedimentada na Súmula nº 463, I, do TST, a qual dispõe

recurso de revista na vigência da Lei 13.467/2017 exige que a que, para a concessão da assistência judiciária gratuita à pessoa

causa ofereça transcendência com relação aos reflexos gerais de natural, basta a declaração de hipossuficiência econômica firmada

natureza econômica, política, social ou jurídica, a qual deve ser pela parte ou por seu advogado, desde que munido de procuração

analisada de ofício e previamente pelo Relator (artigos 896-A, da com poderes específicos para esse fim (art. 105 do CPC de 2015).

CLT, 246 e 247 do RITST). A decisão do eg. TRT que condena a 2. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. LEI Nº

reclamada ao pagamento de honorários advocatícios, a título de 13.467/17. Extrai-se do acórdão recorrido que a ação trabalhista foi

indenização pela contratação de advogado, contraria a Súmula 219, ajuizada antes do advento da Lei nº 13.467/17. Com efeito, a Corte

I, do c. TST, bem como a jurisprudência pacifica desta Corte de origem concluiu que o novo regramento atinente aos honorários

Superior e determina o reconhecimento de transcendência política advocatícios não se aplica às demandas ajuizadas antes da

da causa, nos termos do inciso II do §1º, do art. 896 da CLT. Até a vigência da norma jurídica. O Tribunal Superior do Trabalho,

edição da Lei 13.467/2017, o deferimento dos honorários visando conferir segurança jurídica e uniformidade na aplicação e

advocatícios na Justiça do Trabalho estava condicionado ao interpretação das normas processuais previstas na Lei nº 13.467/17,

preenchimento cumulativo dos requisitos previstos no art. 14 da Lei editou a Instrução Normativa nº 41 (resolução nº 221, de 21 de

5.584/70 e sintetizados na Súmula nº 219, I, desta Corte junho de 2018). Segundo o art. 6º da IN nº 41, na Justiça do

(sucumbência do empregador, comprovação do estado de Trabalho, a condenação em honorários advocatícios

miserabilidade jurídica do empregado e assistência do trabalhador sucumbenciais, prevista no art. 791- A, e parágrafos, da CLT, será

pelo sindicato da categoria). A Lei 13.467/2017 possui aplicação aplicável apenas às ações propostas após 11 de novembro de 2017

imediata no que concerne às regras de natureza processual, (Lei nº 13.467/2017). Nas ações propostas anteriormente,

contudo, a alteração em relação ao princípio da sucumbência só subsistem as diretrizes do art. 14 da Lei nº 5.584/1970 e das

tem aplicabilidade aos processos novos, uma vez que não é Súmulas nos 219 e 329 do TST. Nesse contexto, não há falar em

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violação literal dos artigos 14 do CPC/15, 8º, § 3º, e 791-A da CLT. Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV).

Agravo de instrumento conhecido e não provido. ' (AIRR - 354- PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS

33.2017.5.14.0416 , Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Data Responsabilidade Civil do Empregador/Indenização por Dano Moral.

de Julgamento: 17/10/2018, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT Alegação(ões):

19/10/2018) - violação do(s) incisos XXII e XXVIII do artigo 7º da Constituição

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. Federal.

ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. - violação da (o) artigo 950 do Código Civil;alínea 'a' do §1º do artigo

TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA. MATÉRIA NOVA 20 da Lei nº 8213/1991;artigo 62 da Lei nº 8213/1991;artigo 818 da

NO ÂMBITO DESTA CORTE. Verifico que o recurso de revista Consolidação das Leis do Trabalho;inciso I do artigo 333 do Código

versa sobre o tema 'Honorários sucumbenciais. Aplicação da Lei nº de Processo Civil de 1973.

13.467/2017', sendo matéria nova no âmbito desta Corte. Nesse - divergência jurisprudencial: .

contexto, verifica-se a existência de transcendência jurídica apta à - violação dos artigos77,78, §§1º, 2º e 3º, 79 e 136, §§1º e 2º, do

autorizar o exame dos pressupostos intrínsecos do recurso de Decreto 3.048/1999.

revista. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. AJUIZAMENTO DE - contrariedade à Súmula 229/STF

AÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. O e. TRT Conforme visto em capítulo próprio do recurso de revista interposto

registrou que 'não é dado ao magistrado surpreender a parte no pelo obreiro, o egr. Colegiadoconsiderouconfigurado acidente de

momento da prolação da sentença, considerando que é no trabalho e, porque existentes os demais elementos que autorizam a

momento do ajuizamento da ação que a parte analisa os eventuais responsabilidade civil do empregador, condenou o polopatronal a

riscos processuais decorrentes do ajuizamento desta.', pelo que pagar reparação por dano moral.

concluiu pela exclusão da condenação ao pagamento de honorários Areclamada interpõe recurso de revista, deduzindo razões de

sucumbenciais. O art. 6º da Instrução Normativa nº 41 de 2018 insurgência.

desta Corte dispõe que a condenação aos honorários Registre-se, de início, que o recurso de revista em exame está

sucumbenciais, na forma do artigo 791-A da CLT, estará limitada às submetido à Lei nº 13.015/2014, que dá nova redação ao artigo 896

ações propostas após 11/11/2017. Nesse sentido, não se vislumbra da CLT. Nesse contexto, a referida Lei acresceu a a esse

violação aos arts. 791-A, caput, §§ 3º e 4º, da CLT e 14, 1.046, do dispositivo, dentre outros, o § 1.º-A, que, em seus incisos I a III, e §

CPC. Agravo de instrumento não provido. ' (AIRR-AIRR - 1263- 8.º, determinam novas exigências de cunho formal para a

45.2017.5.06.0401 , Relator Ministro: Breno Medeiros, Data de interposição do recurso de revista.

Julgamento: 10/10/2018, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT Referidos preceitos possuem a seguinte redação:

19/10/2018) § 1.º-A. Sob pena de não conhecimento, é ônus da parte:

Assim, como a presente ação foi ajuizada em 19/6/2017 (id I - indicar o trecho da decisão recorrida que consubstancia o

635f07e), ou seja, antes da vigência da Lei nº 13.467/2017, não há prequestionamento da controvérsia objeto do recurso de revista;

falar em honorários advocatícios sucumbenciais, subsistindo as II - indicar, de forma explícita e fundamentada , contrariedade a

diretrizes do artigo 14 da Lei nº 5.584/70 e das Súmulas nºs 219 e dispositivo de lei, súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal

329. Superior do Trabalho que conflite com a decisão regional;

Saliente-se que os arestos transcritos no bojo do apelo se III - expor as razões do pedido de reforma, impugnando todos os

submetem às diretrizes das Súmulas 23 e 296 do col. TST, por se fundamentos jurídicos da decisão recorrida , inclusive mediante

revelarem inespecíficos ao debate produzidos nestes autos. demonstração analítica de cada dispositivo de lei, da Constituição

Em tal cenário, inviável o processamento do recurso de revista. Federal, de súmula ou orientação jurisprudencial cuja contrariedade

CONCLUSÃO aponte.

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista. (...)

Recurso de:EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E §8º. Quando o recurso fundar-se em dissenso de julgados, incumbe

TELEGRAFOS ao recorrente o ônus de produzir prova da divergência

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS jurisprudencial, mediante certidão, cópia ou citação do repositório

Tempestivo o recurso (publicação em 08/09/2020 - fls. ; recurso de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia

apresentado em 10/09/2020 - fls. ). eletrônica, em que houver sido publicada a decisão divergente, ou

Regular a representação processual (fls. 119/122). ainda pela reprodução de julgado disponível na internet, com

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indicação da respectiva fonte, mencionando, em qualquer caso, as REVISTA. DIFERENÇAS DE ADICIONAL NOTURNO. RECURSO

circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos DE REVISTA QUE NÃO ATENDE AOS REQUISITOS DISPOSTOS

confrontados . NO ARTIGO 896, §§ 1º-A, INCISO III, E 8º, DA CLT. AUSÊNCIA DE

O presente apelo não preenche o requisito do inciso I. A omissão IMPUGNAÇÃO ANALÍTICA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO

quanto aos trechos do acórdão impugnado ou a mera transcrição, CIRCUNSTANCIAL DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não

de forma integral, no início do recurso e sem a indicação precisa do merece provimento o agravo que não desconstitui os fundamentos

trecho objeto da insurgência, bem como a evidente lacuna quanto à da decisão monocrática, pela qual foi denegado seguimento ao

demonstração analítica dos motivos pelos quais cada disposição agravo de instrumento em face da ausência de preenchimento dos

legal ou jurisprudência reiterada e ementada teria sido motivo de requisitos previstos no artigo 896, §§ 1º-A e 8º, da CLT. Verifica-se,

afronta pela decisão recorrida, revelam desconsideração às da análise das razões do recurso de revista, que a parte, de fato,

disposições legais acima declinadas. não cuidou em demonstrar, analiticamente, a ofensa aos

Além disso, a parte não procedeu ao cotejo analítico entre os dispositivos por ela indicados, como ordena o art. 896, § 1º-A, inciso

fundamentos do v. acórdão recorrido e a divergência jurisprudencial III, da CLT, tampouco procedeu à indicação circunstancial da

apontada. Com efeito, cingiu-se a transcrever arestos paradigmas, divergência jurisprudencial na forma ordenada no § 8º do

sem, contudo, expor as razões do pedido de reforma, nem apontar mencionado artigo, de forma que as exigências processuais

nenhum fundamento jurídico a respeito da questão, além de não contidas nos referidos dispositivos, na hipótese, assim como

esclarecer em que medida a d. decisão Colegiada teria divergido consignado na decisão agravada, não foram satisfeitas. (Ag-AIRR-

dos casos confrontados. 11346-55.2017.5.15.0083, Relator Ministro Jose Roberto Freire

Ao assim proceder, a parte deixou de observar o disposto no art. Pimenta, 2ª Turma, DEJT 28/08/2020).

896, § 1.º-A, II, III, e § 8.º, da CLT, o que obsta o conhecimento do AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM

recurso de revista. RECURSO DE REVISTA. NÃO OBSERVÂNCIA DO REQUISITO

Nesse sentido, é a iterativa e atual jurisprudência do col. TST: DE ADMISSIBILIDADE DO ART. 896, § 1.º-A, DA CLT. A despeito

[[...] Recursos baseados em meros apontamentos de dispositivos das razões expostas pela agravante, deve ser mantida a decisão

tidos como violados ou na mera transcrição de arestos paradigmas, pela qual foi negado seguimento ao Agravo de Instrumento, pois

sem a indicação, ponto a ponto, do trecho da decisão recorrida que não observados os requisitos elencados no art. 896, § 1.º-A, da

a Parte entende ser ofensivo à ordem legal ou divergente de outro CLT. Dentre os pressupostos intrínsecos de admissibilidade do

julgado, de fato, não merecem seguimento. O propósito do art. 896, Recurso de Revista, acrescidos pela Lei n.º 13.015/2014, consta a

§ 1º-A, da CLT, é impor ao recorrente objetividade, de modo a exigência de que o recorrente faça o cotejo analítico entre o trecho

indicar assertivamente as teses adotadas pelo Tribunal Regional e da decisão recorrida que abarca a tese jurídica impugnada e as

por quais razões o acórdão estaria em desacordo normativo ou afrontas legais e/ou constitucionais ou dissenso de teses indicados

jurisprudencial. Este Colegiado tem interpretado a norma de acordo (art. 896, § 1.º-A, III, da CLT). Uma vez não observado o comando

com a sua finalidade, qual seja, a de tornar a análise dos recursos legal, o Recurso não deve ser admitido. Agravo conhecido e não

de competência deste Tribunal Superior mais objetiva, célere e provido. (Ag-AIRR - 11664-92.2015.5.01.0052 , Relator Ministro Luiz

precisa, eliminando a antiga prática de se interpor o recurso com José Dezena da Silva, 1ª Turma, DEJT 16/08/2019)

alegações genéricas e abstratas, sem o cotejo com a decisão AGRAVO DE INSTRUMENTO. EQUIPARAÇÃO SALARIAL.

proferida pela Corte a quo . Nesse sentido, incumbia ao recorrente INTERVALO DO ARTIGO 384 DA CLT. INOBSERVÂNCIA DO

indicar a parte específica dessa decisão em que se encontrava a ART. 896, § 1º-A, I E III, DA CLT. A parte recorrente não atende ao

tese jurídica combatida (art. 896, § 1.º-A, I), realizando o confronto requisito descrito no art. 896, § 1º-A, I, da CLT, na medida em que

com os dispositivos legais apontados (art. 896, § 1.º-A, II e III) e/ou efetua apenas a transcrição integral da decisão recorrida, sem

com a divergência jurisprudencial (art. 896, § 8.º, da CLT). Não qualquer destaque dos trechos que consubstanciam o

merece prosperar, portanto, agravo de instrumento que visa a prequestionamento da tese que pretende debater; logo, trata-se de

destrancar recurso de revista que não preenche os pressupostos transcrição genérica que não atende ao aludido requisito. Do

formais de admissibilidade. (AIRR-1602-33.2016.5.10.0011, mesmo modo, não logrou atender à exigência contida no art. 896, §

Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, 2ª Turma, DEJT: 1º-A, III, da CLT. Isso porque não há nas razões recursais cotejo

04/09/2020) analítico por meio do qual o recorrente tenha demonstrado que a

AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE decisão impugnada ofendeu especificamente a literalidade dos

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dispositivos indicados . Agravo de instrumento de que se conhece e analítico, demonstrando os requisitos do art. 896 da CLT, com o fim

a que se nega provimento. (AIRR- 21233-71.2015.5.04.0008, maior de racionalizar e efetivar a jurisdição. Recurso de revista não

Relatora Desembargadora Convocada Cilene Ferreira Amaro conhecido.' (RR-2007-71.2013.5.05.0251, Relator Ministro: Aloysio

Santos, 6.ª Turma, DEJT 16/8/2019) Corrêa da Veiga, 6ª Turma, DEJT 04/05/2015)

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. Assim, à míngua de pressuposto intrínseco de admissibilidade,

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. INDICAÇÃO DO INTEIRO orecurso de revistanão merece impulso.

TEOR DO ACÓRDÃO REGIONAL DISSOCIADO DAS RAZÕES DE Remate-se que,consoante se verifica, não houve condenação em

REFORMA. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS compensação de ordem material. Sob esse viés, o apelo se

ELENCADOS NO ARTIGO 896, § 1.º-A, I E III, E § 8.º DA CLT. A submete à Súmula 297/TST.

indicação do inteiro teor do acórdão regional no início do Recurso CONCLUSÃO

de Revista, totalmente dissociada das razões de reforma, não Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

atende às determinações da Lei n.º 13.015/2014 . Apesar de Publique-se.

parecer, num primeiro momento, que foram cumpridas as Assinatura

determinações do inciso I do § 1.º-A do artigo 896 da CLT, o fato é Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.

que o Recorrente não só não demonstra o prequestionamento da BRASILINO SANTOS RAMOS

controvérsia como também não obedece à determinação do inciso Desembargador do Trabalho

III do referido dispositivo legal, desse modo não houve delimitação Decisão
Processo Nº ROT-0001572-98.2016.5.10.0010
da tese jurídica e, por conseguinte, a demonstração analítica do Relator DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO
dispositivo de lei supostamente ofendido e do fundamento jurídico RECORRENTE EMPRESA BRASILEIRA DE
SERVICOS HOSPITALARES -
adotado pelo Regional. O § 8.º, parte final, do art. 896, da CLT, é EBSERH
ADVOGADO BRUNO WURMBAUER JUNIOR(OAB:
claro ao dispor que o Recorrente deverá mencionar, 'em qualquer 13488/DF)
caso, as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos RECORRENTE MARCUS VINICIUS OLIVEIRA DE
GENARO
confrontados'. Logo, não basta para que seja conhecido o Apelo por ADVOGADO SOLANGE SAMPAIO CLEMENTE
FRANCA(OAB: 16957/DF)
divergência jurisprudencial unicamente a transcrição do aresto,
ADVOGADO EDUARDO HENRIQUE DE OLIVEIRA
sendo necessário, repise-se, que a parte recorrente especifique o BRAGA(OAB: 44708/DF)
ADVOGADO RENATO RIBEIRO DE
cenário que iguale ou aproxime os casos analisados . Agravo de OLIVEIRA(OAB: 40672/DF)
Instrumento conhecido e não provido. (AIRR-831- ADVOGADO ERYKA FARIAS DE NEGRI(OAB:
13372/DF)
09.2016.5.08.0206, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, 4.ª ADVOGADO ALEXANDRE SIMOES
LINDOSO(OAB: 12067/DF)
Turma, DEJT 23/3/2018)
RECORRIDO EMPRESA BRASILEIRA DE
RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI SERVICOS HOSPITALARES -
EBSERH
13015/2014. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. ADVOGADO BRUNO WURMBAUER JUNIOR(OAB:
13488/DF)
PRESCRIÇÃO BIENAL. INDICAÇÃO DE VIOLAÇÃO A
RECORRIDO MARCUS VINICIUS OLIVEIRA DE
DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL E DE CONFLITO GENARO
ADVOGADO ALEXANDRE SIMOES
JURISPRUDENCIAL SEM DEFINIÇÃO DO TRECHO DA DECISÃO LINDOSO(OAB: 12067/DF)
RECORRIDA E SEM CONFRONTO ANALÍTICO. ADVOGADO EDUARDO HENRIQUE DE OLIVEIRA
BRAGA(OAB: 44708/DF)
IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. A recorrente se ADVOGADO ERYKA FARIAS DE NEGRI(OAB:
13372/DF)
descuidou de cumprir requisito essencial a viabilizar a apreciação
ADVOGADO RENATO RIBEIRO DE
do recurso de revista. A ausência de indicação do trecho da v. OLIVEIRA(OAB: 40672/DF)
ADVOGADO SOLANGE SAMPAIO CLEMENTE
decisão que consubstancia o prequestionamento da matéria e o FRANCA(OAB: 16957/DF)
confronto analítico entre a tese recorrida e a violação constitucional
Intimado(s)/Citado(s):
e mesmo o conflito jurisprudencial indicado inviabiliza o
- EMPRESA BRASILEIRA DE SERVICOS HOSPITALARES -
conhecimento do recurso de revista, nos termos do §1º-A, I e III, do EBSERH
- MARCUS VINICIUS OLIVEIRA DE GENARO
art. 896 da CLT. Ressalte-se que a alteração legislativa contida na

norma traduz a obrigação das partes levar ao Tribunal Superior a

matéria recursal de modo a viabilizar o reconhecimento da tese

jurídica que se pretende colocar em debate, com o devido confronto

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 7
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

embargos de declaração para o órgão prolator da decisão


PODER JUDICIÁRIO
embargada supri-la (CPC, art. 1024, § 2º), sob pena de preclusão.
JUSTIÇA DO TRABALHO
§ 2º Incorre em nulidade a decisão regional que se abstiver de
Fundamentação exercer controle de admissibilidade sobre qualquer tema objeto de

recurso de revista, não obstante interpostos embargos de

declaração (CF/88, art. 93, inciso IX e § 1º do art. 489 do CPC de

2015).'

Conforme se depreende da referida instrução, apenas caberão


EMBARGOS DECLARATÓRIOS embargos de declaração quando o despacho de admissibilidade do

recurso de revista deixar de examinar tema objeto do apelo, o que

não ocorreu.

Malgrado os argumentos articulados pela recorrente, é cediço o

entendimento sedimentado na jurisprudência pátria no sentido de

que o órgão julgador, para expressar o seu convencimento, não

precisa tecer considerações sobre todos os argumentos trazidos

pelas partes. É suficiente a fundamentação concisa acerca do

motivo que serviu de supedâneo para a solução da lide.


Embargante(s): 1.MARCUS VINICIUS Em tal cenário, nego provimento aos embargos de declaração.
OLIVEIRA DE GENARO CONCLUSÃO

Ante o exposto,conheço dos embargos de declaração e, no mérito,


Advogado(a)(s): 1.ALEXANDRE SIMOES
nego-lhes provimento.
LINDOSO (DF - 12067)

Recurso de:EMPRESA BRASILEIRA DE SERVICOS


Embargado(a)(s): 1.EMPRESA BRASILEIRA DE
HOSPITALARES - EBSERH
SERVICOS HOSPITALARES -
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS

Tempestivo o recurso (publicação em 25/08/2020; recurso


Advogado(a)(s): 1.BRUNO WURMBAUER
apresentado em 31/08/2020 - fls. ce21bc8).
JUNIOR (DF - 13488)
Regular a representação processual (fls.3dc5967 ).

Inexigível opreparo.

Recurso de:MARCUS VINICIUS OLIVEIRA DE GENARO 1- Cuidam-se de embargos de declaração opostos pela Reclamada

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS contra o despacho de admissibilidade que denegou seguimento ao

Tempestivo o recurso (publicação em 25/08/2020 ; recurso recurso de revista. Aduz que há erro material e omissão de

apresentado em 01/09/2020 - fls. b28d504). apreciação da peça, até porque não existe o referido dispositivo na

Regular a representação processual (fls. 4df0410). CLT: incisos II e III do art. 896, § 1º-A, I, da CLT'.

Inexigível opreparo. O artigo 1º, parágrafos 1º e 2º, da Instrução Normativa nº 14/2016

Cuidam-se de embargos de declaração opostos pelo Reclamante do TST estabelece que:

contra o despacho de admissibilidade que denegou seguimento ao 'Art. 1º - (...).

recurso de revista. Aduz que há omissão na decisão, porquanto não § 1º Se houver omissão no juízo de admissibilidade do recurso de

há manifestação quanto ao 'pedido de letra 'b', não obstante o seu revista quanto a um ou mais temas, é ônus da parte interpor

enfrentamento deva ocorrer antes de ser apreciado o pedido de embargos de declaração para o órgão prolator da decisão

letra 'c'.' embargada supri-la (CPC, art. 1024, § 2º), sob pena de preclusão.

O artigo 1º, parágrafos 1º e 2º, da Instrução Normativa nº 14/2016 § 2º Incorre em nulidade a decisão regional que se abstiver de

do TST estabelece que: exercer controle de admissibilidade sobre qualquer tema objeto de

'Art. 1º - (...). recurso de revista, não obstante interpostos embargos de

§ 1º Se houver omissão no juízo de admissibilidade do recurso de declaração (CF/88, art. 93, inciso IX e § 1º do art. 489 do CPC de

revista quanto a um ou mais temas, é ônus da parte interpor 2015).'

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Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

Conforme se depreende da referida instrução, apenas caberão especificamente às atribuições do cargo ocupado na Recorrente'

embargos de declaração quando o despacho de admissibilidade do (fls.555/556).

recurso de revista deixar de examinar tema objeto do apelo, o que Ainda que se admita a recusa reflexa de exame, os pontos citados

não ocorreu. foram devolvidos e serão reexaminados pelo Tribunal em razão do

Malgrado os argumentos articulados pela recorrente, é cediço o princípio da ampla devolutividade (Súmula 393 do TST).

entendimento sedimentado na jurisprudência pátria no sentido de Consequentemente, não há prejuízo à parte.'

que o órgão julgador, para expressar o seu convencimento, não Não se reconhece a alegada violação do art. 5º, inc. LV, da Carta

precisa tecer considerações sobre todos os argumentos trazidos Política, pois, como se percebe, foi assegurado à recorrente o

pelas partes. É suficiente a fundamentação concisa acerca do contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela

motivo que serviu de supedâneo para a solução da lide. inerentes. Com efeito, foram oportunizados todos os meios de

No particular, nego acolhimento aos embargos declaratórios. defesa admitidos na espécie, bem como o acesso ao duplo grau de

jurisdição, opção adotada pela parte. O fato de o Juízo

2- A Reclamada também alega que a decisão de admissibilidade supostamente não ter apreciado a controvérsia tal como gostaria a

incorreu em omissão ao deixar de examinar a alegação de parte em nada se confunde com o devido processo legal, que

supressão de instância que foi formulada no Recurso de Revista, claramente foi respeitado

que se refere às violações aos princípios do duplo grau de jurisdição Ademais, como se nota, restou assegurado às demandadas o

e do devido processo legal. Art.5º,II e 92,CF/88. contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela

Razão assiste à embargante. inerentes. Foram oportunizados, ainda, todos os meios de defesa

Passo à análise. admitidos na espécie, bem como o acesso ao duplo grau de

Sobre o tema, a Eg. Turma assim declarou: jurisdição.

'PRELIMINAR. NULIDADE. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO O fato de o Juízo supostamente não ter apreciado a controvérsia tal

JURISDICIONAL. como gostaria a Parte em nada se confunde com o devido processo

A reclamada suscita nulidade por negativa de prestação legal, que claramente foi respeitado.

jurisdicional, pois o juízo sentenciante não apreciou questões Incólumes os dispositivos legais tidos por violados.

relevantes apresentadas nos embargos declaratórios. Alega a Em tal cenário, conheço dos embargos de declaração para sanar a

recorrente que 'o d. magistrado considerou que a hipótese dos omissão,e dar-lhes provimento, não concedendo efeito modificativo

autos é análoga à do processo nº 0000287-91.2016.5.10.0003, ao julgado.

tendo transcrevido a sentença prolatada naquele processo' (fl. 555). CONCLUSÃO

Aduz que 'o d. Magistrado sentenciante não teve nem o trabalho de Ante o exposto,conheço dos embargos de declaração para sanar a

recortar as partes em que a r. sentença transcrita faz menção às omissão,e, no mérito, dar-lhe provimento, sem conceder efeito

provas produzidas no caso de referência. modificativo ao julgado.

Não referiu nada além 'da extensa prova documental juntada e aos Publique-se.

depoimentos das testemunhas ouvidas'' (fl. 555).

Diz que 'opôs Embargos de Declaração apontando como ponto

omisso a falta de indicação dos elementos probantes colhidos ao

longo da instrução processual, inclusive os que Assinatura

levaram o magistrado a considerar que os casos são análogos. Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.

Ademais, foi apontado nos embargos opostos que seria impossível BRASILINO SANTOS RAMOS

à Recorrente rebater argumentos como a 'extensa prova Desembargador do Trabalho

documental juntada' ou 'depoimentos das testemunhas ouvidas'' (fl. Decisão


Processo Nº ROT-0000327-20.2019.5.10.0019
555). Relator DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO
Por fim, assevera que em 'adição, a r. sentença não se manifestou RECORRENTE PLANSUL PLANEJAMENTO E
CONSULTORIA EIRELI
sobre o período em que o Embargado trabalhou como gestor de ADVOGADO ALESSANDRA VIEIRA DE
ALMEIDA(OAB: 11688/SC)
divisão, para o qual foi alegado em contestação que não seria
ADVOGADO FLAVIA HELISE DA SILVA
possível a condenação, por não haver aí desvio algum de função, já GUALDA(OAB: 11838/SC)
RECORRIDO SIND TRAB EMPRESAS E ORGAOS
que o exercício de cargo de chefia não está vinculado PUBL PROC DAD S I S DO DF

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 9
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

ADVOGADO DIOGO FONSECA SANTOS


KUTIANSKI(OAB: 23165/DF) Constituição Federal.
ADVOGADO DELIANA MACHADO VALENTE(OAB: - violação da (o) artigo 579 da Consolidação das Leis do Trabalho;
28648/DF)
inciso XXVI do artigo 611-B da Consolidação das Leis do Trabalho.
Intimado(s)/Citado(s):
- divergência jurisprudencial.
- PLANSUL PLANEJAMENTO E CONSULTORIA EIRELI
- contrariedade à Súmula 666/STF
- SIND TRAB EMPRESAS E ORGAOS PUBL PROC DAD S I S
DO DF A egr. Turma manteve a condenação da reclamada ao pagamento

de multa normativa, porquanto configuradaa violaçãoda 21ª

cláusula normativa da CCT. Esta a ementa relativa à fração de

PODER JUDICIÁRIO interesse:

JUSTIÇA DO TRABALHO RESCISÕES. EMPREGADOS COM MAIS DE UM ANO DE

SERVIÇO. CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA


Fundamentação
ASSEGURANDO A HOMOLOGAÇÃO DAS RESCISÕES DE

CONTRATO INDIVIDUAL DE TRABALHO NO ÂMBITO DO


RECURSO DE REVISTA
SINDICATO DA CATEGORIA. EXIGÊNCIA NÃO CUMPRIDA PELO

EMPREGADOR. MULTA NORMATIVA DEVIDA. A convenção

coletiva de trabalho é ato jurídico celebrado entre os sindicatos

representativos de categorias profissionais e econômicas. Tem

como objetivo estipular as condições de trabalho - incluindo deveres

e direitos de todas as partes envolvidas , as quais terão força no

âmbito das respectivas representações, nos termos do caput do art.

611 da CLT. No caso em exame, a cláusula normativa em questão

foi confeccionada e celebrada de forma harmônica e consensual,


Recorrente(s): PLANSUL PLANEJAMENTO E
respeitando a autonomia de vontades entre as partes. E, apesar da
CONSULTORIA EIRELI
norma da CCT trazer a condição de pagamento da contribuição

sindical para efetuar as homologações, observou-se no caso


Advogado(a)(s): FLAVIA HELISE DA SILVA
concreto que o Sindicato em momento algum cobrou tal condição,
GUALDA (SC - 11838)
realizando assim, o objetivo dos entes sindicais de proteção máxima

Recorrido(a)(s): do trabalhador. Portanto, como a empresa reclamada efetuou as


SIND TRAB EMPRESAS E
homologações das rescisões de seus empregados, com mais de um
ORGAOS PUBL PROC DAD S
ano de serviço, sem a participação do Sindicato, configurada está a

Advogado(a)(s): DELIANA MACHADO violação à 21ª cláusula normativa da CCT, o que enseja a

VALENTE (DF - 28648) manutenção do pagamento da multa normativa.

Argumenta a recorrente que a d.decisão carecede reforma, uma

vez queas contribuições previstas em norma coletiva em favor de


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS entidade sindical não podem ser exigidas dos trabalhadores não
Tempestivo o recurso (publicação em 17/09/2020 - fls. VIA sindicalizados, uma vez que a Constituição Federal assegura o
SISTEMA; recurso apresentado em 29/09/2020 - fls. via sistema). direito de livre associação e sindicalização. Ressalta que a CCT da
Regular a representação processual (fls. 153). categoria representada pelo autor não poderia condicionar a
Satisfeito o preparo (fl(s). 970/974 e 1074/1078). homologação das rescisões dos trabalhadores ao pagamento das
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS contribuições sindicais que deixaram de ser compulsórias, pois
Direito Coletivo/Acordo e Convenção Coletivos de Trabalho/Multa qualquer cláusula normativa que fixe a compulsoriedade ou a
Convencional. obrigatoriedade de recolhimento das contribuições sindicais a
Alegação(ões): empregados ou empregadores é nula de pleno direito. Pede seja
- contrariedade à (ao): Orientação Jurisprudencial nº 17 do afastada a condenação.
SDC/TST. A cláusula normativa descrita no v. acórdão não prevênenhuma
- violação do(s) inciso XX do artigo 5º;inciso V do artigo 8º da outra condição para o pagamento da multa além de seu

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 10
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

descumprimento. Assim, concluindo o egr. Colegiado que a norma Decisão


Processo Nº ROT-0001511-27.2017.5.10.0004
coletiva foi descumprida quanto àshomologações das rescisões Relator LUIZ HENRIQUE MARQUES DA
ROCHA
dos empregados da reclamada, com mais de um ano de serviço,
RECORRENTE SINDICATO DOS EMPREGADOS EM
sem a participação do sindicato, nãose divisa violação ESTAB BANCARIOS DE BRASILIA
ADVOGADO JOSE EYMARD LOGUERCIO(OAB:
dospreceitos da Constituição da República e da legislação Federal, 1441-A/DF)
nem contrariedade àorientação jurisprudencial invocados. Nesse ADVOGADO PAULO ROBERTO ALVES DA
SILVA(OAB: 106055/SP)
sentido, pode-se trazer à baila os seguintes precedentes: ADVOGADO NATALIA AGRELLO
CASTILHEIRO(OAB: 51390/DF)
RECURSO DE REVISTA DA RECLAMANTE. (...) MULTAS
ADVOGADO LEANDRO THOMAZ DA SILVA
NORMATIVAS. CONTROVÉRSIA DIRIMIDA EM JUÍZO. SOUTO MAIOR(OAB: 302778/SP)
ADVOGADO MEILLIANE PINHEIRO VILAR
APLICABILIDADE. Súmula 384 DO TST. O cerne da questão é LIMA(OAB: 29614/DF)
saber se as multas normativas são aplicáveis quando a controvérsia ADVOGADO SAMANTHA BRAGA GUEDES(OAB:
31924/DF)
existente acerca da matéria for dirimida em juízo. Da leitura da ADVOGADO LUCAS ALCANFOR BACCILE(OAB:
44799/DF)
Súmula 384do TST, tem-se que para a condenação ao pagamento
ADVOGADO SARAH CECILIA RAULINO
da multa normativa, o principal fundamento é o descumprimento da COLY(OAB: 29723/DF)
ADVOGADO VITOR SANTOS DE GODOI(OAB:
cláusula convencional. Assim sendo, o fato do cumprimento da 31656/DF)
cláusula normativa ter sido dirimido em juízo não afasta a incidência ADVOGADO ANDREY RONDON SOARES(OAB:
44879/DF)
da multa normativa . Vale destacar que a supracitada súmula de ADVOGADO Eduardo Henrique Marques
Soares(OAB: 21688/DF)
jurisprudência não prevê qualquer exceção para a aplicação da
ADVOGADO Lais Lima Muylaert Carrano(OAB:
multa convencional, apenas o não cumprimento da cláusula 31189/DF)
ADVOGADO FILIPE FREDERICO DA SILVA
normativa. Aliás, a redação do seu item I já conta com a FERRACIN(OAB: 55840/DF)
possibilidade do ajuizamento de ações para a discussão em juízo RECORRENTE BANCO DO BRASIL SA
ADVOGADO DAVID CORREA DORIA(OAB:
do não cumprimento das cláusulas constantes dos instrumentos 73515/RS)
coletivos. Há precedentes. Recurso de revista conhecido e provido. ADVOGADO MARLON RODRIGUES
BARROSO(OAB: 7236/DF)
(RR - 19200-40.2009.5.02.0052, Relator Ministro: Augusto César ADVOGADO RAFAEL LEANDRO VIRMOND
PERDIGAO NOGUEIRA(OAB:
Leite de Carvalho, 6ª Turma, DEJT 10/10/2014) 19339/DF)
(...) MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE CLÁUSULA RECORRIDO SINDICATO DOS EMPREGADOS EM
ESTAB BANCARIOS DE BRASILIA
CONVENCIONAL. A constatação, em juízo, do descumprimento de ADVOGADO JOSE EYMARD LOGUERCIO(OAB:
1441-A/DF)
cláusula convencional não afasta a aplicação da multa ajustada, sob
ADVOGADO PAULO ROBERTO ALVES DA
pena de torná-la inócua todas as vezes que a reclamada questionar SILVA(OAB: 106055/SP)
ADVOGADO NATALIA AGRELLO
a sua inobservância. Agravo de instrumento não provido. (...)' (AIRR CASTILHEIRO(OAB: 51390/DF)
- 79240-37.2008.5.03.0038, Relator Ministro: Cláudio Mascarenhas ADVOGADO LEANDRO THOMAZ DA SILVA
SOUTO MAIOR(OAB: 302778/SP)
Brandão, 7ª Turma, DEJT 25/04/2014) ADVOGADO MEILLIANE PINHEIRO VILAR
LIMA(OAB: 29614/DF)
Assente-se que, diante do contexto fático delineado no v. acórdão,
ADVOGADO SAMANTHA BRAGA GUEDES(OAB:
revelam-se inespecíficos os arestos colacionados (Súmulas 23 31924/DF)
ADVOGADO LUCAS ALCANFOR BACCILE(OAB:
e296 do col. TST). 44799/DF)
Registre-se, ainda,que eventual contrariedade a Súmula do ADVOGADO SARAH CECILIA RAULINO
COLY(OAB: 29723/DF)
Supremo Tribunal Federal não se encontra entre as hipóteses de ADVOGADO VITOR SANTOS DE GODOI(OAB:
31656/DF)
cabimento do recurso de revista previstas no artigo 896, alínea 'a',
ADVOGADO ANDREY RONDON SOARES(OAB:
da Consolidação das Leis do Trabalho. 44879/DF)
ADVOGADO Eduardo Henrique Marques
CONCLUSÃO Soares(OAB: 21688/DF)
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista. ADVOGADO Lais Lima Muylaert Carrano(OAB:
31189/DF)
Publique-se. ADVOGADO FILIPE FREDERICO DA SILVA
FERRACIN(OAB: 55840/DF)
Assinatura
RECORRIDO BANCO DO BRASIL SA
Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020. ADVOGADO DAVID CORREA DORIA(OAB:
73515/RS)
BRASILINO SANTOS RAMOS
ADVOGADO MARLON RODRIGUES
Desembargador do Trabalho BARROSO(OAB: 7236/DF)

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 11
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

ADVOGADO RAFAEL LEANDRO VIRMOND


PERDIGAO NOGUEIRA(OAB: Inicialmente, registre-se que o § 1º da Instrução Normativa n.º 40 do
19339/DF)
TST autoriza a oposição de embargos de declaração ao despacho
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho
de admissibilidade do recurso de revista somente quando há
Intimado(s)/Citado(s):
omissão quanto a um ou mais temas tratados (e não alegações)no
- BANCO DO BRASIL SA
recurso de revista. Vejamos:
- SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTAB BANCARIOS DE
BRASILIA 'Art. 1° Admitido apenas parcialmente o recurso de revista, constitui

ônus da parte impugnar, mediante agravo de instrumento, o capítulo

denegatório da decisão, sob pena de preclusão.

PODER JUDICIÁRIO § 1º Se houver omissão no juízo de admissibilidade do recurso de

JUSTIÇA DO TRABALHO revista quanto a um ou mais temas, é ônus da parte interpor

embargos de declaração para o órgão prolator da decisão


Fundamentação
embargada supri-la (CPC, art. 1024, § 2º), sob pena de preclusão

§ 2º Incorre em nulidade a decisão regional que se abstiver de


EMBARGOS DECLARATÓRIOS
exercer controle de admissibilidade sobre qualquer tema objeto de
Lei 13.015/2014
recurso de revista, não obstante interpostos embargos de

declaração (CF/88, art. 93, inciso IX e § 1º do art. 489 do CPC de

2015).'

Conforme se depreende da referida instrução, apenas caberão

embargos de declaração quando o despacho de admissibilidade do

recurso de revista deixar de examinar tema objeto do apelo, o que

não ocorreu.

Malgrado os argumentos articulados pelo recorrente, é cediço o

entendimento sedimentado na jurisprudência pátria no sentido de


Embargante(s): SINDICATO DOS
que o órgão julgador, para expressar o seu convencimento, não
EMPREGADOS EM ESTAB
precisa tecer considerações sobre todos os argumentos trazidos

pelas partes. É suficiente a fundamentação concisa acerca do


Advogado(a)(s): FILIPE FREDERICO DA SILVA
motivo que serviu de supedâneo para a solução da lide.
FERRACIN (DF - 55840)
Em tal cenário, dou provimento parcial aos embargos tão somente

para prestar esclarecimentos.


Embargado(a)(s): BANCO DO BRASIL SA
CONCLUSÃO

Ante o exposto, conheço dos embargos de declaração e, no mérito,

Advogado(a)(s): dou-lhes parcial provimento apenas para prestar esclarecimentos.


RAFAEL LEANDRO VIRMOND
Publique-se.
PERDIGÃO NOGUEIRA (DF -
Assinatura

Interessado(a)(s): Ministério Público do Trabalho Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.

BRASILINO SANTOS RAMOS

Desembargador do Trabalho
Decisão
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS Processo Nº ROT-0001059-46.2019.5.10.0004
Relator RICARDO ALENCAR MACHADO
Tempestivo o recurso (publicação em 28/09/2020 - via sistema; RECORRENTE MARCONDES FERREIRA XAVIER
recurso apresentado em 05/10/2020 - ID. 7ee7acd). ADVOGADO GILPETRON DOURADO DE
MORAES(OAB: 15204/BA)
Regular a representação processual (ID. 025dfb7). RECORRENTE UNIÃO FEDERAL (AGU) - DF
Cuidam-se de embargos de declaração opostos pelo RECORRIDO MARCONDES FERREIRA XAVIER
ADVOGADO GILPETRON DOURADO DE
reclamantecontra o despacho de admissibilidade ID. 98da4a9 que MORAES(OAB: 15204/BA)
deu seguimento ao seu recurso de revista, sustentando a ocorrência RECORRIDO UNIÃO FEDERAL (AGU) - DF
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho
de omissões.

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 12
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

Intimado(s)/Citado(s):
FGTS. TRANSMUDAÇÃO DO REGIME CELETISTA PARA O
- MARCONDES FERREIRA XAVIER
ESTATUTÁRIO. INÍCIO DO VÍNCULO ANTERIOR A 5/10/1983.

EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA

PRESCRIÇÃO BIENAL DA PRETENSÃO. A conversão do regime


PODER JUDICIÁRIO
celetista para o estatutário implicou a extinção do contrato de
JUSTIÇA DO TRABALHO
trabalho para os empregados admitidos anteriormente a 05/10/1983

Fundamentação (cinco anos antes da CF/88), fluindo daí a prescrição bienal,

consoante entendimento traçado pela Súmula de nº 382/TST.

Repisa a parte recorrente a tese de que foi admitida sem concurso

público, antes do advento da Constituição Federal de

1988,permanecendo vinculada ao regime da CLT e

RECURSO DE REVISTA vindicandonesta reclamação judicialprestação decorrente da

relação de trabalho, qual seja FGTS. Insiste-se, assim,na

declaração da competência desta Justiça Especializada.

Extrai-se do contexto fático delimitado no v. acórdão e intagível

(Súmula 126/TST), quea reclamante foi admitidaem 1980

pelaFundação Serviço de Saúde Pública - FSEP,sem prévia

submissão a concurso público;foi beneficiada pela estabilidade

prevista no art. 19 ADCT; e tevea conversão automática para o


Recorrente(s): 1.MARCONDES FERREIRA regime estatutário em dezembro de 1990, quando deixou de contar
XAVIER com o recolhimento do FGTS em sua conta vinculada.

Em tal cenário, não se evidencia violação do artigo 114, I, da


Advogado(a)(s): 1.GILPETRON DOURADO Constituição Federal, porquanto a Justiça do Trabalho possui
DE MORAES (BA - 15204) competência residual para apreciar os pedidos concernentes ao

período em que o empregado se submetia ao regime celetista,


Recorrido(a)(s): 1.UNIÃO FEDERAL (AGU) -
conforme as disposições da OJ 138 da SDI-1 do col. TST, que se
DF
aplica ao caso, e que, assim, dispõe:

COMPETÊNCIA RESIDUAL. REGIME JURÍDICO ÚNICO.

LIMITAÇÃO DA EXECUÇÃO (nova redação em decorrência da


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
incorporação da Orientação Jurisprudencial nº 249 da SBDI-1) - DJ
Tempestivo o recurso (publicação em 24/08/2020 ; recurso
20.04.2005 Compete à Justiça do Trabalho julgar pedidos de
apresentado em 03/09/2020 - fls.037388d ).
direitos e vantagens previstos na legislação trabalhista referente a
Regular a representação processual (fls. b5c3062).
período anterior à Lei nº 8.112/90, mesmo que a ação tenha sido
Dispensado o preparo (fls. f65b514).
ajuizada após a edição da referida lei. A superveniência de regime
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
estatutário em substituição ao celetista, mesmo após a sentença,
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Jurisdição e
limita a execução ao período celetista.
Competência.
Segundoconsignado pelo Colegiado,'sendo válida a mudança do
Alegação(ões):
regime jurídico, a Justiça do Trabalho é incompetente para
- contrariedade à Súmula Vinculante nº 43 do Supremo Tribunal
processar e julgar a pretensão alusiva ao período posterior à
Federal.
vigência da lei que promoveu a alteração do regime jurídico de
- violação do inciso II do artigo 37;inciso I do artigo 114, da
celetista para estatutário'.
Constituição Federal.
Tal entendimento se coaduna coma jurisprudência pacífica do col.
- violação do artigo 243 da Lei nº 8112/1990.
Tribunal Superior do Trabalho. Nesse sentido,precedentes em
- divergência jurisprudencial: .
casos análogos:
A egr. Turma manteve a sentença que declarou a incompetência da
[...] COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO RECONHECIDA
Justiça do Trabalho para processar e julgar a presente demanda. O
NO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONTRATAÇÃO ANTERIOR À
acórdão foi assim ementado:

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 13
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

VIGÊNCIA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. REGIME JURÍDICO CELETISTA PARA O REGIME JURÍDICO

ESTABILIDADE DO ART. 19 DO ADCT APLICÁVEL APENAS A ESTATUTÁRIO POR MEIO DE LEI ESTADUAL. PEDIDO DE FGTS

UM DOS RECLAMANTES. VALIDADE DA TRANSMUDAÇÃO DO REFERENTE AO PERÍODO POSTERIOR A TRANSMUDAÇÃO DE

REGIME CELETISTA PARA O REGIME ESTATUTÁRIO. LEI REGIME. Na linha do entendimento firmado pelo e. STF, no

8.112/90. No caso dos autos, o TRT rejeitou a preliminar de julgamento da ADI n° 1.150 RS, e do Pleno deste Tribunal Superior

incompetência da Justiça do Trabalho, por entender que a do Trabalho, proferido na Arguição de Inconstitucionalidade - ArgInc

conversão do regime jurídico celetista para estatutário não afeta os - 105100- 93.1996.5.04.0018, admite-se a transmudação do regime

contratos de trabalho dos reclamantes, os quais foram admitidos jurídico de empregados estabilizados, nos termos do art. 19, caput,

antes da promulgação da Constituição Federal de 1988 do ADCT, não havendo o óbice da ausência de concurso público. A

(respectivamente, em 23/5/1983 e 29/11/1985), sem a observância par disso, é incompetente a Justiça do Trabalho para julgar

do concurso público (art. 37, II, da CF). À vista disso, a Corte demanda em que pretende o pagamento do FGTS em relação ao

regional afastou a tese de extinção do contrato de trabalho dos período posterior a transmudação do seu regime jurídico. Recurso

reclamantes e, por conseguinte, considerou prejudicado o pedido de de revista de que se conhece e a que se dá provimento. (RR-1190-

aplicação da prescrição bienal. 85.2017.5.05.0018, Relator MinistroAloysioCorrêada Veiga, Ac.6ª

Eis a disposição do art. 19 do ADCT: 'Os servidores públicos civis T., Publicação: 13/03/2020)

da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA.

administração direta, autárquica e das fundações públicas, em PROCESSO SOB A ÉGIDE DA LEI 13.015/2014. COMPETÊNCIA

exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos MATERIAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO. ADMINISTRAÇÃO

cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma PÚBLICA DIRETA. AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE.

regulada no art. 37 da Constituição, são considerados estáveis no INGRESSO MEDIANTE PROCESSO SELETIVO. SUBMISSÃO AO

serviço público.' REGIME CELETISTA. POSTERIOR INSTITUIÇÃO DO REGIME

O entendimento do Tribunal Pleno do TST (ArgInc-105100- JURÍDICO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA RESIDUAL.

93.1996.5.04.0018) é de que não há óbice para que o trabalhador PERÍODO REFERENTE AO REGIME CELETISTA. OJ 138 DA

contratado sem concurso público antes da vigência da Constituição SBDI-1/TST. O Pleno do STF referendou liminar concedida pelo

Federal de 1988, com estabilidade do art. 19 do ADCT , entre no Ministro Nelson Jobim no julgamento da Medida Cautelar na ADI

regime estatutário, não havendo nesse caso somente a investidura 3.395-6/DF, no sentido de que, mesmo após a EC nº 45/2004, a

em cargo público para o qual se exige concurso público. A contrario Justiça do Trabalho não tem competência para processar e julgar

sensu , nos casos em que o empregado não é detentor da causas instauradas entre o Poder Público e o servidor que a ele

estabilidade do art. 19 do ADCT , não há falar em transmudação do seja vinculado por relação jurídico-administrativa. Contudo, a Lei

regime celetista para o estatutário, permanecendo com a Justiça do Federal nº 11.350/06, no seu art. 8°, dispôs que os 'Agentes

Trabalho a competência para processar e julgar demanda cuja Comunitários de Saúde e os Agentes de Combate às Endemias

controvérsia decorra da relação de trabalho. admitidos pelos gestores locais do SUS e pela Fundação Nacional

No caso concreto, conforme se extrai do acórdão recorrido, um dos de Saúde - FUNASA, na forma do disposto no § 4º do art. 198 da

reclamantes (Josafá Marinho Monteiro) foi admitido há mais cinco Constituição, submetem-se ao regime jurídico estabelecido pela

anos da vigência da promulgação da Constituição Federal (em Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, salvo se, no caso dos

23/5/1983), logo trata-se de servidor estável, nos termos do art. 19 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, lei local dispuser de

do ADCT, não havendo óbice à transmudação do regime jurídico forma diversa'. Nesse sentido, esta Corte Superior firmou

celetista para o estatutário. À vista disso, emerge a incompetência jurisprudência de que a competência da Justiça do Trabalho, nos

da Justiça do Trabalho para processar e julgar a ação no período casos de transposição de regime jurídico, limita-se ao período em

estatutário (a partir de 1990), quando houve a mudança do regime que o empregado esteve regido pela CLT. (OJ 138 da SBDI-1/TST).

jurídico e a extinção do contrato anteriormente regido pela CLT [...] No caso concreto, o TRT registra que o Reclamante foi admitido em

(ARR-1205-86.2016.5.05.0342, Relatora Ministra Kátia Magalhães 1º.8.1994, após aprovação em processo seletivo, para o cargo de

Arruda, Ac.T., Publicação: 30/04/2020) agente comunitário de saúde, sendo, somente a partir da vigência

RECURSO DE REVISTA. LEI 13.467/2017. COMPETÊNCIA DA da Lei Municipal nº 610/2012, enquadrado no regime jurídico

JUSTIÇA DO TRABALHO. CONTRATAÇÃO ANTERIOR À estatutário municipal. Nesse contexto, correta a decisão regional,

CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. TRANSMUDAÇÃO DO que manteve a competência desta Justiça Especializada para julgar

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 14
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

a presente lide, no que se refere ao período abrangido pelo regime conhecido por violação do art. 114, I, da CF/88 e provido. (RR-

celetista. Incólume o art. 114, I, da Constituição Federal. Agravo de 164800-06.2012.5.21.0005, Relator Ministro Alexandre de Souza

instrumento desprovido. (AIRR - 1779-25.2015.5.22.0002, Relator Agra Belmonte, Ac. 3ª T., DEJT 24/06/2016).

Ministro Mauricio Godinho Delgado, Ac. 3ª T., DEJT 19/12/2016). Nesse contexto, não merece impulso o apelo, conforme

(...)COMPETÊNCIA RESIDUAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO. entendimento consubstanciado no artigo 896, §7º, da CLT e

PERÍODO CELETISTA. No caso, o Tribunal Regional manteve a Súmulas nºs 333/TST e 401/STF.

sentença que reconheceu a competência desta Justiça CONCLUSÃO

Especializada para apreciar a pretensão referente ao período Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

anterior à publicação da lei municipal instituidora do regime jurídico Publique-se.

administrativo. O entendimento desta Corte Superior é no sentido

de que esta Justiça Especializada é competente dirimir as

controvérsias resultantes do período em que a reclamante

permaneceu sob a égide do regime celetista até a data da Assinatura

publicação da lei que instituiu o regime estatutário, conforme Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.

Orientação Jurisprudencial nº 138 da SBDI-1. Agravo de BRASILINO SANTOS RAMOS

instrumento a que se nega provimento.(...)'(AIRR-1564- Desembargador do Trabalho

21.2011.5.07.0030, Relator Ministro Cláudio Mascarenhas Brandão, Decisão


Processo Nº RORSum-0001224-27.2018.5.10.0005
Ac. 7ª T., DEJT 01/07/2016). Relator GRIJALBO FERNANDES COUTINHO
RECURSO DE REVISTA. COMPETÊNCIA RESIDUAL DA RECORRENTE ISRAEL PEREIRA RODRIGUES
ADVOGADO ANA LAURA SKAF VIEIRA(OAB:
JUSTIÇA DO TRABALHO. AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE. 46113/GO)
Cinge-se a controvérsia destes autos a se definir se tem ADVOGADO ALESSANDRA CAMARANO
MARTINS(OAB: 13750/DF)
competência a Justiça do Trabalho para processar e julgar ADVOGADO FABIO DIAS GRANDIZOLI(OAB:
47111/DF)
demanda referente ao período no qual ocorreu prestação de
RECORRIDO VIACAO PIRACICABANA S.A.
serviços como agente comunitário de saúde sob o vínculo celetista, ADVOGADO LEANDRO ARTIAGA E VIEIRA(OAB:
16733/DF)
ou seja, antes da transmutação de regime jurídico para o

estatutário. Restou incontroverso nos autos que os autores Intimado(s)/Citado(s):


ingressaram no serviço público municipal para exercerem a função - ISRAEL PEREIRA RODRIGUES
- VIACAO PIRACICABANA S.A.
de agentes comunitários de saúde, após processo seletivo, pelo

regime celetista, em 2001 e 2005. Constata-se, ainda, que em

conformidade com a Lei Complementar Municipal 52/2011, houve a

mudança do regime celetista para o estatutário, sendo que os PODER JUDICIÁRIO


autores passaram a ter um vínculo estatutário com o Município a JUSTIÇA DO TRABALHO
partir desta data. A Lei n.º 11.350/2006, em seu artigo 8º, que
Fundamentação
regulamenta o artigo 198, § 5º, da Constituição Federal, estabelece

a submissão dos agentes comunitários desaúdeao regime da


RECURSO DE REVISTA
Consolidação das Leis do Trabalho - ressalvada a hipótese da

existência de disposição em sentido contrário em lei local,

dacompetênciados Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.

Nos termos da jurisprudência desta Corte, a Justiça do Trabalho é

competente para o julgamento em relação ao período anterior à

instituição do regime estatutário, conforme disposto na Orientação

Jurisprudencial 138 da SBDI-1 do TST. Nesse contexto, tendo os

autores permanecido sob a égide do regime celetista até a data da

publicação da referida lei de transmutação de regime jurídico, cabe


Recorrente(s): VIACAO PIRACICABANA S.A.
a esta Justiça Especializada dirimir as controvérsias resultantes

desse período. Precedentes específicos. Recurso de revista

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 15
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

Advogado(a)(s): Assinatura
LEANDRO ARTIAGA E VIEIRA
Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.
(DF - 16733)
BRASILINO SANTOS RAMOS

Recorrido(a)(s): ISRAEL PEREIRA Desembargador do Trabalho

RODRIGUES Decisão
Processo Nº ROT-0001344-74.2017.5.10.0015
Relator ELAINE MACHADO VASCONCELOS
Advogado(a)(s): FABIO DIAS GRANDIZOLI (DF RECORRENTE GILSON BORGES SOARES
ADVOGADO VICKI ARAUJO PASSOS
- 47111) ARDILES(OAB: 28547/DF)
RECORRENTE BRASIL BROKERS PARTICIPACOES
S.A.
ADVOGADO ANTONIO CHAVES ABDALLA(OAB:
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS 66493/MG)
Tempestivo o recurso (publicação em 18/09/2020 - fls. VIA ADVOGADO DENISE SILVA DIAS(OAB: 22437/GO)
RECORRIDO GILSON BORGES SOARES
SISTEMA; recurso apresentado em 30/09/2020 - fls. via sistema).
ADVOGADO VICKI ARAUJO PASSOS
Regular a representação processual ( id. 5cca19f). ARDILES(OAB: 28547/DF)
RECORRIDO BRASIL BROKERS PARTICIPACOES
Satisfeito o preparo (ids. fd5f008, f2d4256, o9cc055 e ea31a46). S.A.
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS ADVOGADO ANTONIO CHAVES ABDALLA(OAB:
66493/MG)
Rescisão do Contrato de Trabalho/Justa Causa / Falta Grave. ADVOGADO DENISE SILVA DIAS(OAB: 22437/GO)
Alegação(ões):
Intimado(s)/Citado(s):
- violação dos ARTS.29, II, DO CTB; 482 DA CLT; 5º, LV E 93, IX,
- BRASIL BROKERS PARTICIPACOES S.A.
DA CF/88; - GILSON BORGES SOARES
- divergência jurisprudencial;

No aspecto, o Colegiado assim consignou na ementa:


PODER JUDICIÁRIO
'JUSTA CAUSA. DESÍDIA. AUSÊNCIA DE PROVA ROBUSTA. A
JUSTIÇA DO TRABALHO
justa causa é a penalidade mais severa aplicada ao empregado, em

virtude das drásticas consequências que acarreta à sua vida Fundamentação

profissional. Portanto, o reconhecimento dessa modalidade de

rescisão contratual exige prova robusta por parte da empregadora RECURSO DE REVISTA

que a alega, de acordo com o artigo 818, da CLT. Assim, quando a Tramitação Preferencial

prova dos autos revela que a justa causa foi decretada, pela

empregadora, com base em elementos por demais frágeis, impõe-

se o reconhecimento da dispensa imotivada, com todas as

consequências daí decorrentes.'

Nas razões do recurso de revista, o reclamado, mediante as

alegações alhures destacadas, insiste na validade da justa causa

aplicada ao obreiro.
Recorrente(s): BRASIL BROKERS
Do contexto dos autos, exsurge claro que a questão notadamente

encontra-se inserida na seara fática. Nesse sentido, a decisão foi PARTICIPACOES S.A.e

baseada na análise do contexto fático-probatório dos autos, que


Advogado(a)(s): DENISE SILVA DIAS (GO -
entendeu pelainexistência de atodo reclamante, justificador da
22437)
ruptura contratual porjusta causa.

Ora, infirmar tal entendimento implicaria o revolvimento de fatos e


Recorrido(a)(s): GILSON BORGES SOARES
provas, conduta vedada na instância extraordinária a teor da

Súmula nº 126 do TST. Daí a impossibilidade de aferição das

apontadas violações aos dispositivos legais citados.

CONCLUSÃO

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 16
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

Advogado(a)(s): de aposentadoria ora postuladas. Logo, ao reputá-las partes


VICKI ARAUJO PASSOS
legítimas para figurar no polo passivo da relação processual, o
ARDILES (DF - 28547)
Tribunal Regional não violou os dispositivos indicados. Ao revés,

aplicou escorreitamente os seus termos. (...)' (AIRR - 437-


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS 35.2011.5.03.0135 Data de Julgamento: 22/11/2016, Relator
Tempestivo o recurso (publicação em 23/09/2020 - fls. VIA Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte, 3ª Turma, Data de
SISTEMA; recurso apresentado em 02/10/2020 - fls. via sistema). Publicação: DEJT 25/11/2016).
Regular a representação processual (fls. id 04aae69). 'RECURSO DE REVISTA. 1 - ILEGITIMIDADE PASSIVA. A
Satisfeito o preparo (ids. 2f19c8b e 0b1caaf). legitimidade é conferida àqueles sujeitos da relação jurídica de
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS direito material afirmada em juízo, uma vez que decorre da
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Formação, pertinência subjetiva da ação, a qual se caracteriza pelo exato
Suspensão e Extinção do Processo/Condições da Ação. enquadramento entre as partes integrantes do processo e os
Alegação(ões): participantes da relação jurídica material afirmada em juízo, como
- violação do(s)art. 337, XI do Código de Processo Civil. ocorreu no presente caso. Recurso de revista não conhecido. (...)'
- divergência jurisprudencial. (RR - 59-52.2010.5.04.0211 Data de Julgamento: 09/11/2016,
- violação do(s) Lei nº 13105/2015, artigo 485, inciso VI;artigo 373, Relatora Ministra: Delaíde Miranda Arantes, 2ª Turma, Data de
inciso II. Publicação: DEJT 18/11/2016).

'(...) 2. ILEGITIMIDADE PASSIVA 'AD CAUSAM'. A legitimidade 'ad


A recorrente busca a reforma do acórdão da Egr. Turma que causam' se constata a partir da relação jurídica material, sendo que,
rejeitou a preliminar de ilegitimidade passsiva, sob os seguintes em regra, a legitimidade ativa pertence ao pretenso titular do direito
fundamentos: postulado, ao passo que a legitimidade passiva é atribuída àquele
'A legitimidade a reclamada para figurar no polo passivo da que, em tese, tem o dever de reparar o direito violado. (...)' (AIRR -
demanda decorre das alegações exordiais acerca da 1061-90.2014.5.03.0002 Data de Julgamento: 16/11/2016, Relator
responsabilidade da ré quanto aos créditos trabalhistas do autor, Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª Turma, Data
por ter prestado serviços na condição de empregado, sendo a de Publicação: DEJT 18/11/2016).
análise meramente formal, sem adentrar no mérito propriamente Desse modo, o recursonão merece seguimento.
dito. Nego provimento'. Contrato Individual de Trabalho/Reconhecimento de Relação de
No recurso, a ré repisa a alegação de que deve ser excluído da lide, Emprego.
uma vez que não manteve com o reclamante qualquer relação de Alegação(ões):
trabalho. - violação do(s) ARTIGOS 2º, 3º, 442-B E 818 DA CLT.
Todavia,como consignado no acórdão da Egr.Turma, a - divergência jurisprudencial.
ilegitimidade passiva para a causa é condição da ação a ser

analisada em plano abstrato, ou seja, de quemo reclamante busca A Egr. Turma negou provimento ao recurso da ré, mantendo a
obter a condenação.A legitimidade é constatada mediante as sentença que reconheceu a existência devínculo empregatício e da
alegações da exordial, enquanto a improcedência da pretensão, existênciadegrupo econômico e declarou a responsabilidade
como assinalado no julgado, é questão de mérito. solidária da recorrente. Eis a fundamentação do julgado:
Aconclusão do Colegiado está em conformidade com os julgados 'Diversamente do alegado pela reclamada, os depoimentos acima
do C. TST. Vejamos: transcritos atestam que o reclamante trabalhou na reclamada
'(...) ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. Segundo a Teoria da durante anos na atividade-fim da empresa, ou seja, na
Asserção, a legitimidade a que se refere o art. 267, VI, do CPC/73 comercialização de imóveis, auferindo comissões pelas vendas. O
(correspondente ao art. 485, VI, do NCPC), cuja ausência acarreta a laborista entrou como corretor de imóveis, vindo a galgar ao longo
extinção do feito sem resolução de mérito, por falta de condição da do período de trabalho as funções de gerente, comandando equipes
ação, é aferida levando-se em conta as argumentações veiculadas de corretores, e posteriormente de diretor, conforme se extrai dos
na petição inicial. Nesse diapasão, as rés legitimamente compõem o depoimentos da testemunha Gisele Lopes ao afirmar que 'o
polo da relação processual, porque indicadas pelo autor como reclamante trabalhava nessa loja, ao chegar lá o reclamante já
responsáveis pelo pagamento das diferenças de complementação trabalhava lá; o reclamante era gerente e depois diretor; ele

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coordenava uma equipe de corretores', e da testemunha Mariana CLT.

Aparecida, que trabalhou junto com o autor na função de corretora, O quadro fático delineado no acórdão, intangível no presente

ao declarar que 'o reclamante foi promovido a gerente, quando a momento processual, foi no sentido de que o conjunto fático

depoente era corretora, ele foi promovido a diretor e por sua vez, probatório demonstrou aexistência de vínculo contratual entre o

promoveu a depoente a gerente'. reclamante e a empresa.

O laborista estava subordinado às diretivas da reclamada, pois A verificação das alegações recursais, na forma como posta pela

cumpria escalas de plantões e de trabalho. Recebia as listas de recorrente, exige o revolvimento de fatos e provas, o que é defeso

clientes, sendo que, após assumir a função de diretor, passou a ser no presente momento processual pela Súmula nº 126 do C. TST.

responsável pela elaboração das referidas escalas e pela Remuneração, Verbas Indenizatórias e Benefícios.

coordenação dos demais corretores, bem como pelas questões Alegação(ões):

administrativas. É o que se extrai do depoimento da testemunha - violação do(s) Consolidação das Leis do Trabalho, artigo 818;Lei

Mariana Aparecida ao afirmar que o diretor era quem organizava o nº 13105/2015, artigo 373, inciso I.

plantão, tendo o reclamante feito isso como diretor e quando era A Egr.Turma fixou a remuneração do empregado em R$3.500,00

gerente, pois recebia a organização do plantão e a cumpria, sendo no primeiro mês, R$4.000,00 no segundo mês e R$7.000,00 até o

a lista de clientes para ligação fornecida pela ré. fim do pacto laboral. Eis os fundamentos do julgado:

No referente à pessoalidade e não eventualidade, a testemunha '...levando em conta os parâmetros definidos na presente lide e à

Mariana Aparecida afirmou que a ré exigia exclusividade do pessoal luz do depoimento da testemunha Mariana Aparecida, que

da área de vendas, inclusive o reclamante, sendo que nem ela nem inicialmente laborou com o reclamante na função de corretora e

o laborista podiam se fazer substituir e isso nunca aconteceu, pois auferia nessa função remuneração média de R$7.000,00, entendo

era necessária a presença física e constante tanto dela quanto do correta a fixação da média remuneratória de R$3.500,00 no primeiro

autor. Tal exclusividade também foi confirmada pela testemunha mês, R$4.000,00 no segundo mês e R$7.000,00 até o fim do pacto

Gisele Lopes ao afirmar que essa era exigida do reclamante e laboral, nos termos e datas definidos na sentença, a qual mantenho

outros profissionais da área comercial. por seus próprios fundamentos. Nego provimento a ambos os

Por fim, cumpre destacar que a alegação da recorrente acerca do recurso'

contrato de parceria de corretagem firmado pelo reclamante com a A reclamada busca a reforma do julgado sob a tese de que o

empresa Tropical a atestar a autonomia obreira, até porque não patamar salarial do demandante nunca atingiu o valor fixado pelo

formaria grupo econômico com a Tropical, apesar de ser sócia da Colegiado, não havendo provas nos autos das comissões recebidas

referida empresa, não aproveita à recorrente. A prova documental, a dos clientes.

exemplo do CNPJ da reclamada, do Quadro de Sócios e O acolhimento da tese patronal, contudo, encontra óbice na Súmula

Administradores e a Alteração do Contrato Social, bem como do n.º 126 do C. TST, uma vez que exige a reanálise das provas

próprio contrato de parceria, colacionados aos autos (ID1112408, produzidas nos autos.

ID51c0144, IDd496854, ID42fbec6), analisada em consonância com Nego seguimento.

a prova oral, é suficiente para se concluir, conforme bem Responsabilidade Solidária / Subsidiária/Grupo Econômico.

consignado na origem, que para os corretores/gerentes/diretores as Responsabilidade Solidária / Subsidiária.

empresas Brasil Brokers, JGM e Tropical eram na prática uma só Alegação(ões):

empresa. - violação do(s)ART. 2º §2º DA CLT.

Portanto, no caso dos autos, restaram demonstrados os requisitos - divergência jurisprudencial: .

dos artigos 2º e 3º da CLT, razão pela qual impõe-se a manutenção Aeg. Turma reconheceua existência de grupo econômico,

da decisão que reconheceu o vínculo empregatício no período entre condenando a recorrente solidariamente às obrigações deferidas.

1º/06/2011 a 30/10/2015 e condenou a reclamada a anotar a CTPS Recorre areclamada aduzindo afronta aos dispositivos legais

obreira, bem como no pagamento das verbas rescisórias supracitados. Sustenta que 'não há nos autos e na decisão que se

postuladas. ataca, o fundamento de que formaria a Recorrente hierarquia de

Nego provimento.' controle e administração que justificasse a responsabilidade

No recurso, a reclamadasustenta, em síntese, que não existem, solidária'.

nos autos, elementos a demonstrar o labor com a presença dos Ocorre, contudo, que a decisão se baseia no lastro probatório

elementos caracterizadores da relação laboral, na forma exigida na reunido nos autos, ao passo que os argumentos deduzidos em sede

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recursal pretendem, em síntese,o reexame de fatos e provas, PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS

circunstância obstada por inteligência da súmula 126/TST. Tempestivo o recurso (publicação em 31/08/2020 - via sistema;

Inviável o processamento do apelo. recurso apresentado em 08/09/2020 - ID. 0bd43d1).

CONCLUSÃO Regular a representação processual (ID. eedd1ed).

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista. Dispensado o preparo (ID. bb7b651).

Assinatura PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS

Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Atos

BRASILINO SANTOS RAMOS Processuais/Nulidade/Negativa de Prestação Jurisdicional.

Desembargador do Trabalho Alegação(ões):


Decisão - violaçãoaos artigos 832 da CLT, 489, § 1º, IV, do CPC e 93, IX, da
Processo Nº ROT-0000736-29.2019.5.10.0008
Relator JOSE LEONE CORDEIRO LEITE CF.
RECORRENTE MARIA JOSE DE LIMA TRANNIN A recorrente aduz que o acórdão prolatado pela egrégia Turma
ADVOGADO JANINE MALTA MASSUDA(OAB:
15807/DF) deve ser anulado por negativa de prestação jurisdicional, sob o
ADVOGADO SHIGUERU SUMIDA(OAB: 14870/DF) argumento de que o Colegiado, apesar de devidamente instado a se
RECORRIDO UNIÃO FEDERAL (AGU) - DF
manifestar por meio de embargos de declaração, deixou de se
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho
pronunciar adequadamente sobre todas as teses apresentadas nas
Intimado(s)/Citado(s): razões recursais.
- MARIA JOSE DE LIMA TRANNIN Colho do decisum que apreciou os embargos declaratórios o

seguinte excerto:

'(...)

PODER JUDICIÁRIO A prescrição foi pronunciada citando-se expressamente a Lei

JUSTIÇA DO TRABALHO 8.878/94, não havendo falar em omissão a respeito de tal normativo

ou, ainda, de sobreposição de decreto sobre lei, mormente


Fundamentação
considerando que o fundamento para se ter por prescritas as

pretensões é constitucional, in verbis: 'A prescrição no curso do


RECURSO DE REVISTA
contrato de trabalho é de cinco anos, mas isso não significa que ela
Lei 13.015/2014
é sempre parcial. Com efeito, a prescrição referente ao

enquadramento do empregado conta-se do retorno da empregada

ao serviço. Decorridos mais de cinco anos, entendo que a

prescrição é total na forma do art. 7º, XXIX, da CR e Súmula 275, II,

do TST.' (Desembargadora Cilene Ferreira Amaro Santos)

Também não houve omissão em relação ao pedido sucessivo: 'Ao

contrário do pretendido pela reclamante, o pedido subsidiário diz

respeito a diferenças salariais devidas em decorrência de eventual


Recorrente(s): MARIA JOSÉ DE LIMA
reenquadramento ocorrido após o retorno da reclamante ao serviço
TRANNIN
e não a progressões salariais, logo, não há falar em prescrição

Advogado(a)(s): parcial.' (Desembargadora Cilene Ferreira Amaro Santos).


SHIGUERU SUMIDA (DF -
A tese prevalecente foi de que a pretensão vertida na presente
14870)
lide está abarcada pela prescrição, por força do art. 7º, XXIX, da

Recorrido(a)(s): UNIÃO FEDERAL (AGU) - DF CF e Súmula 275, II, do TST, não havendo falar em omissão a

respeito dos termos do Decreto 6.657/2008 ou mesmo das Leis

8.878/94 e 8.691/93. Se a parte não está satisfeita com essa


Interessado(a)(s): Ministério Público do Trabalho decisão, que lance mão do remédio processual adequado, que

não os Embargos de Declaração.

A adoção de teses diferentes daquelas propugnadas pela parte não

configura omissão, contradição ou obscuridade. (ID. f990030 - Pág.

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3 - destaques do original) totalmente prescrito, as progressões seguem a mesma sorte.

Nesse contexto, ao que se depreende da sumária leitura da decisão Observo, por oportuno, que o presente caso não se enquadra na

recorrida, efetivamente, a prestação jurisdicional foi entregue, na hipótese da Súmula 452 do TST.' (RO 0000832-20.2019.5.10.0016;

sua inteireza, ainda que contrária aos desígnios almejados pela Relatora: Desembargadora Cilene Ferreira Amaro Santos; Terceira

recorrente, estando a decisão satisfatoriamente fundamentada. Turma; Julgado em 20/05/2020). Recurso conhecido e desprovido.'

Vale gizar que o julgador não está obrigado a responder a todas as No recurso,a autora defende incidir na espécie a prescrição parcial,

alegações das partes se já tiver exposto motivo suficiente para de acordo com a jurisprudência do TST.

fundamentar a decisão, tampouco há obrigação de se ater aos Com efeito, a pretensão da reclamante está voltada à correção da

fundamentos indicados pelos litigantes e a responder um a um remuneração que lhe foi atribuída quando de seu reingresso nos

todos os seus argumentos. Isso mesmo na vigência do atual CPC quadros da Administração, motivo pelo qual deve ser observada a

2015. prescrição parcial de que trata o artigo 7º, XXIX, da Constituição

Nessa trilha, o exc. Supremo Tribunal Federal (AGAIRR 215.976- Federal.

2/PE; Rel. Min. Maurício Corrêa; DJ de 2.10.1998, seção 1, pág. Nesse sentido, os seguintes julgados do Col. TST:

008); o STJ (EDcl no MS 21.315-DF, Relatora Ministra Diva Malerbi RECURSO DE REVISTA. 1. PRESCRIÇÃO TOTAL. MARCO

Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região, Ac. 1ª Seção. INICIAL. LEI Nº 8.878/94. ANISTIA. READMISSÃO. OFENSA AO

Julgado em 8/6/2016); bem como col. TST (AIRR-1001070- ARTIGO 7º, XXIX, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. NÃO

86.2014.5.02.0382, Relator Ministro Alberto Luiz Bresciani de CONFIGURAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Na hipótese, não há

Fontan Pereira, Ac. 3ª T., Data de Publicação: DEJT 28/10/2016). falar em prescrição, porquanto o reclamante foi readmitido na

Decisão desfavorável não pode ser confundida com decisão reclamada em 01.03.2004 e a reclamação trabalhista foi ajuizada

insuficiente ou omissa. em 01.10.2007. Ademais, segundo a jurisprudência desta colenda

Em tal cenário, não se evidencia mácula ao dispositivo Corte Superior, o marco inicial da prescrição é a data da

constitucional invocado, observada a limitação imposta pela Súmula readmissão do empregado anistiado. Recurso de revista não

nº 459/TST. conhecido. 2. (...) (RR - 4800-44.2008.5.11.0007 , Relator Ministro:

Nego, pois, seguimento ao apelo. Guilherme Augusto Caputo Bastos, Data de Julgamento:

DIREITO CIVIL/Fatos Jurídicos/Prescrição e Decadência. 25/02/2015, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 06/03/2015)

Alegação(ões): (...) ANISTIA. PRESCRIÇÃO. O e. TRT registra expressamente que

- contrariedade à(ao) : item II da Súmula nº 275;Súmula nº o contrato do autor com a empresa está em curso, sendo certo que

294;Súmula nº 452 do Tribunal Superior do Trabalho. a readmissão ocorreu em 1º/4/2004 e a ação foi ajuizada em

- violação do(s) inciso XXIX do artigo 7º da Constituição Federal. 17/10/2008. No caso do prazo prescricional relativo à anistia, a

- violação da (o) artigo 11 da Consolidação das Leis do Trabalho. jurisprudência desta C. Corte Superior é no sentido de que o marco

- divergência jurisprudencial. inicial da prescrição é a data da readmissão do empregado

A Egr. Turma declarou a prescrição total do feito, sob os seguintes anistiado. Precedentes. Nesse contexto, não há prescrição a ser

fundamentos: declarada, pois o contrato do empregado ainda está em curso e a

'EMENTA: 'PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO DO ação foi ajuizada há menos de cinco anos da readmissão. Recurso

REENQUADRAMENTO DO EMPREGADO ANISTIADO NA de revista não conhecido. (...) (RR - 196400-74.2008.5.18.0003 ,

FORMA DA LEI Nº 8.878/1994. PROGRESSÕES SALARIAIS Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte, Data de

RESPECTIVAS. AÇÃO AJUIZADA MAIS DE CINCO ANOS Julgamento: 04/02/2015, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT

DEPOIS DO RETORNO AO SERVIÇO. PRESCRIÇÃO PARCIAL. A 20/02/2015)

prescrição no curso do contrato de trabalho é de cinco anos e, (...) ANISTIA - LEI Nº 8.787/94 - PRESCRIÇÃO - MARCO INICIAL

tratando-se de pedido de reenquadramento de empregado anistiado Em acatamento à teoria da actio nata, a jurisprudência desta Corte

pela Lei nº 8.878/1994, conta-se do retorno do empregado ao firmou-se no sentido de que o marco inicial para contagem do prazo

serviço. Tendo a reclamante retornado ao serviço em 30/12/2009 e prescricional para a propositura de ação judicial em que se busca o

ajuizado a ação em 16/9/2019 o pleito de correção do reconhecimento de benefícios assegurados pela Lei nº 8.878/94 é o

enquadramento (reenquadramento) está totalmente prescrito. O reconhecimento formal da condição de anistiado pela Administração

pleito de progressões salariais decorre do deferimento do Pública. No caso, conforme se extrai do acórdão regional, tal fato se

reenquadramento. Como o pedido de reenquadramento está deu com a readmissão do Reclamante, em 8/1/2009. O Eg. TRT

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registrou que a Reclamação trabalhista foi ajuizada em 24/4/2010; desprovido. ( AIRR - 1617-45.2010.5.09.0009 , Relator Ministro:

logo, não se verifica a alegada prescrição. (...) (RR - 664- Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, Data de Julgamento: 03/10/2012,

92.2010.5.04.0018 , Relator Desembargador Convocado: João 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 11/10/2012)

Pedro Silvestrin, Data de Julgamento: 04/02/2015, 8ª Turma, Data Conforme destacado no acórdão, os efeitos financeiros da

de Publicação: DEJT 06/02/2015) readmissão decorrente da anistia contam-se a partir do reingresso

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. do empregado no seu trabalho. Assim, considerando que entre a

PRESCRIÇÃO. ENQUADRAMENTO. ANISTIA. A pretensão do data de readmissão (30/12/2009) e o ajuizamento da presente

recorrente objetiva o seu reenquadramento funcional quando da sua reclamação trabalhista (16/09/2019) transcorreram mais de 5 anos,

readmissão ao emprego, considerando, em suas razões, que incide o disposto na Súmula 275, II, do C. TST.

deveria ter sido readmitido no mesmo nível funcional que ocupava O julgado, pois, está em conformidade com a jurisprudência do C.

no momento do término do contrato de trabalho inicial. Nos termos TST, resultando obstaculizado o processamento do recurso (artigo

da Súmula 275, item II do C. TST, a prescrição aplicável aos 896, § 7º, da CLT e Súmulas n.º 333 do C. TST e n.º 401 do Exc.

pedidos de reenquadramento funcional é total, sendo o termo inicial STF).

contado a partir da data do enquadramento do obreiro. Assim, Assim, considerandoque a presente ação foi ajuizada em2019,

considerando que a readmissão da reclamante ao emprego ocorreu mais de 5 anos após a readmissão, a decisão do Colegiado que

em 01/11/2005, data em que se deu a suposta lesão ao seu direito, declarou a prescrição total está em conformidade com a

nessa ocasião iniciou-se o prazo da prescrição, de modo que jurisprudência do C. TST, resultando obstaculizado o

poderia ter ajuizado a sua reclamação até 01/11/2010. Tendo a processamento do recurso (artigo 896, § 7º, da CLT e Súmulas n.º

presente demanda sido ajuizada em 09/09/2011, correto o Acórdão 333 do C. TST e n.º 401 do Exc. STF).

Regional que aplicou a prescrição em consonância com a Súmula CONCLUSÃO

275, II, desta Corte . Óbice para processamento da revista na Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

Súmula 333 do TST art. 896, º§ 4º da CLT. (...) (AIRR - 2148- Publique-se.

29.2011.5.02.0030 , Relator Desembargador Convocado: Paulo Assinatura

Américo Maia de Vasconcelos Filho, Data de Julgamento: Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.

03/09/2014, 6ª Turma, Data de Publicação: DEJT 05/09/2014) BRASILINO SANTOS RAMOS

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA- Desembargador do Trabalho

TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO - EMPREGADO ANISTIADO - Decisão


Processo Nº ROT-0001184-11.2019.5.10.0102
READMISSÃO - LEI Nº 8.878/94 - ORIENTAÇÃO Relator DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO
JURISPRUDENCIAL TRANSITÓRIA Nº 56 DA SBDI-1 DO TST. A RECORRENTE MARIA DO ROSARIO DOS SANTOS
ADVOGADO PEDRO RAMOS PIRES NETO(OAB:
Lei nº 8.878/94 estabelece que os efeitos financeiros da 34218/DF)
readmissão, em virtude da anistia, contam-se a partir do reingresso RECORRENTE VIA VAREJO S/A
ADVOGADO TATIANE DE CICCO NASCIMBEM
do empregado ao seu trabalho. Nesse mesmo sentido pacificou-se CHADID(OAB: 201296/SP)
a jurisprudência desta Corte, consubstanciada na Orientação ADVOGADO DENNER DE BARROS E
MASCARENHAS BARBOSA(OAB:
Jurisprudencial Transitória nº 56 da SBDI-1. Dessa forma, 6835/MS)
RECORRIDO MARIA DO ROSARIO DOS SANTOS
depreende-se que o marco inicial do prazo prescricional consiste no
ADVOGADO PEDRO RAMOS PIRES NETO(OAB:
reingresso do empregado anistiado ao serviço público, pois a lesão 34218/DF)
RECORRIDO VIA VAREJO S/A
ao direito do autor somente se perpetrou após o seu retorno, uma
ADVOGADO TATIANE DE CICCO NASCIMBEM
vez que não foram observadas as obrigações contratuais vigentes CHADID(OAB: 201296/SP)
ADVOGADO DENNER DE BARROS E
no período anterior à dispensa arbitrária do trabalhador, conforme MASCARENHAS BARBOSA(OAB:
6835/MS)
entendimento jurisprudencial uniforme desta Corte. No caso

vertente, incontroverso nos autos que a readmissão do reclamante Intimado(s)/Citado(s):


data de 2/1/2009, sendo que neste momento deflagrou-se o prazo - MARIA DO ROSARIO DOS SANTOS
- VIA VAREJO S/A
prescricional para postular suas pretensões de direito, e o

ajuizamento da ação ocorrera em 13/12/2010, portanto, inexiste

prescrição a ser declarada. Incidência do óbice do art. 896, § 4º, da

CLT e da Súmula nº 333 do TST. Agravo de instrumento

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 21
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aopagamento, como extra, pelo labor além da jornada contratual,


PODER JUDICIÁRIO
bem comodo intervalo intrajornada não usufruído. Estas as
JUSTIÇA DO TRABALHO
ementas:
Fundamentação VIA VAREJO. CONTROLES DE PONTO ELETRÔNICOS.

INTERFERÊNCIA DOS GESTORES DA RECLAMADA QUANTO


RECURSO DE REVISTA AOS HORÁRIOS DOS REGISTROS. Havendo discordância entre a

jornada de trabalho consignada na prova documental e a revelada

pela prova testemunhal, prevalece a desta última, diante do

princípio da primazia da realidade, que dá preferência à realidade

fática verificada na prática da prestação de serviços (contrato-

realidade) em detrimento do que emerge dos documentos que

expressam a forma contratual. No caso, a prova testemunhal

demonstrou, de forma contundente e firme, a veracidade da

alegação inicial de que a autora trabalhou, habitualmente, em


Recorrente(s): VIA VAREJO S/A jornada suplementar em quantidade muito superior à registrada na

prova documental. Evidenciou também que os registros de ponto

eletrônico biométrico REP eram anotados segundo os horários


Advogado(a)(s): DENNER DE BARROS E
determinados pelo gerente da reclamada, situação que os invalida
MASCARENHAS BARBOSA
para fins de prova. Além disso, aplica-se ao caso a diretriz do item

IV da Súmula 85 do TST, segundo a qual a prestação de horas


Recorrido(a)(s): MARIA DO ROSARIO DOS
extras habituais descaracteriza o acordo de compensação de
SANTOS
jornada. Nesse cenário, não há fundamento para alterar o julgado

de origem, razão pela qual mantenho a condenação da reclamada


Advogado(a)(s): PEDRO RAMOS PIRES NETO
ao pagamento de horas extras e reflexos. INTERVALO
(DF - 34218)
INTRAJORNADA. NATUREZA JURÍDICA. APLICAÇÃO DA LEI

13.467/2017 A CASOS PRETÉRITOS. IMPOSSIBILIDADE.

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. A lacuna

Tempestivo o recurso (publicação em 17/09/2020 - fls. ; recurso legislativa em torno na natureza jurídica do intervalo intrajornada -

apresentado em 29/09/2020 - fls. ). se salarial ou indenizatória - não autoriza a aplicação retroativa da

Regular a representação processual (fls. 1348/1360). lei nova que a definiu como indenizatória. A regra geral na ordem

Satisfeito o preparo (fl(s). 1388, 1392/1410 e 1618/1627). constitucional vigente é a irretroatividade da lei, salvo se

PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS estabelecer condição mais benéfica. Outrossim, o artigo 8º da CLT

Duração do Trabalho/Horas Extras. autoriza o juiz a decidir com base na jurisprudência, por analogia,

Duração do Trabalho/Intervalo Intrajornada. equidade e outros princípios e normas gerais do direito. Este é o

Duração do Trabalho/Horas Extras/Reflexos. amparo da Súmula 437 do TST, que definiu a natureza salarial do

Alegação(ões): intervalo intrajornada até o novo regramento imposto pelo legislador

- contrariedade à(ao) : item I da Súmula nº 338 do Tribunal Superior ordinário. Assim entendido, reforma-se a sentença para definir a

do Trabalho. natureza salarial do intervalo intrajornada no período anterior a

- violação do(s) inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal. 11/11/2017 (Súmula 437/TST), e indenizatória a partir desta data,

- violação da (o) inciso I do artigo 373 do Código de Processo Civil em face da nova redação do § 4º do artigo 71 da CLT, dada pela Lei

de 2015; §4º do artigo 71 da Consolidação das Leis do 13.467/2017.

Trabalho;inciso I do artigo 818 da Consolidação das Leis do Areclamadainterpõerecurso de revista, ao argumento de que as

Trabalho. horas extras efetuadas pela reclamante foram corretamente

- divergência jurisprudencial. registradas e regularmente pagas ou compensadas. Sustenta que

caberiaà reclamante o ônus da prova para desconstituir a validade

A egr. Turma manteve a sentença quecondenou areclamada dos registros de horários efetuados e comprovar a realização de

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 22
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sobrejornada, encargo do qual não se desonerou.Aduz que Trata-se de proteção ao trabalho da mulher, recepcionada pela

opagamento relativo ao intervalo intrajornada deve incidir somente Constituição Federal (TST-IIN-RR-1540/2005-046-12-00.5).

sobre o período efetivamente não fruído, além de que se trata de De outra forma, a Lei 13.467/2017 modificou a natureza jurídica e a

parcela de natureza indenizatória. forma de cálculo do intervalo intrajornada previsto no art. 71, § 4º,

Conforme delimitação fática contida no v. acórdão, as provas da CLT e revogou o art. 384 do mesmo diploma legal, a CLT,

produzidas demonstraram a invalidade dos cartões de ponto fulminando as pretensões formuladas sob este último título após 11

apresentados, o que implicou a presunção de veracidade da jornada de novembro de 2017.

declinada na inicial. Infere-se, ainda, que a egr. Turma, com fulcro No Direito do Trabalho, aplica-se a legislação vigente à época da

no contexto probatório dos autos, concluiu quea autora gozava de ocorrência dos fatos.

intervalo de apenas 30 minutos diários, não usufruindo de pausa A Lei 13.467/2017, por ser norma de efeito concreto, aplica-se de

aos domingos. Concluiu, ainda, pelo teor da prova oral produzida forma imediata e geral a todos os contratos vigentes a partir de 11

que houve labor aos domingos e feriados que não foram de novembro de 2017, consoante art. 6º da Lei de Introdução às

corretamente pagos nem compensados. Normas de Direito Brasileiro.

Desse modo, rever o entendimento manifestado pelo egr. Assim, não há fundamento para a reforma da sentença que

Colegiado, nos termos em que proposta a pretensão, implicaria, observou a aplicação da Lei 13.467/2017.

inevitavelmente, o revolvimento de fatos e provas, o que é defeso, Pretende a demandadaa exclusão da condenação. Alega,em

conforme entendimento preconizado pela Súmula nº 126 do col. suma,que o artigo 384 da CLT não foi recepcionado pela Carta

TST. Magna de 1988, pois o dispositivo legal conflita com o tratamento

Acrescente-se quea tese de equívoco na distribuição do ônus isonômico de gêneros garantido pelo inciso I do artigo 5º da

probatório não se sustenta, uma vez que a egr. Turma observou as Constituição.

regras ditadas pelos artigos 818 da CLT e 373, I e II, do CPC, Registre-se que, de acordo com o artigo 896, § 1º-A, inciso II, da

aplicando-se a exata dicção da Súmula 338/TST. CLT, incluído pela Lei 13.015/2014, a parte que recorre deve

No que concerne, especificamente, às alegações de que é devida 'indicar, de forma explícita e fundamentada, contrariedade a

apenas a fração não usufruída do intervalo intrajornada e que o dispositivo de lei, súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal

adicionalrespectivo possui natureza indenizatória, seu Superior do Trabalho que conflite com a decisão regional'.

acolhimentoconfrontaria o disposto nos itens I e III da Súmula n.º Na hipótese, a parte recorrente não observou o inciso, o que torna

437 do C. TST. inviável o processamento do recurso de revista.

Inviável, pois, o processamento do recurso de revista, a teor das Remuneração, Verbas Indenizatórias e Benefícios/Salário /

Súmulas 126 e333do col.TST. Diferença Salarial/Salário por Equiparação / Isonomia.

Alegação(ões):

Duração do Trabalho/Intervalo Intrajornada/Intervalo 15 Minutos - violação do(s) artigo 461 da Consolidação das Leis do Trabalho;

Mulher. artigo 818 da Consolidação das Leis do Trabalho; artigo 373 do

A egr.Turma manteve a d. decisão de origemquedeferiu à Código de Processo Civil de 2015.

reclamante o pedido de pagamento de horas extras pela não - divergência jurisprudencial.

concessão do intervalo previsto no artigo 384 da CLT, consignando Em prosseguimento, a egr. Turma manteve a d. decisão que deferiu

o seguinte: o pedido de pagamento de diferenças de comissão correspondentes

O TST, na sua composição Plena e nos autos do IIN-RR 1540/2005 a dois vírgula cinco vezes o valor das comissões pagas.Ov.

-046-12-00.5, entendeu, em julgamento datado de 17/11/2008, que acórdãoadotou os seguintes fundamentos:

a norma do art. 384 da CLT não viola o princípio da isonomia e, O preposto da reclamada em depoimento não soube dizer se a

portanto, a Constituição da República. reclamante trabalhou no mesmo local que o paradigma Pedro

Preceitua o artigo 373 da CLT: 'A duração normal de trabalho da Henrique Barbosa Felix e esclareceu que não há diferença na forma

mulher será de oito horas diárias, exceto nos casos para os quais de trabalhar dos vendedores paradigmas e a reclamante, nesses

for fixada duração inferior'. termos (fls.1.222):

Nos termos do artigo 384 da CLT, em caso de prorrogação do 'Depoimento pessoal do preposto do(s) reclamado(s)(s): 'Não sabe

horário normal, a trabalhadora tem direito a 15 (quinze) minutos de se a reclamante trabalhou na mesma loja que o sr. Pedro Henrique

intervalo antes do período extraordinário de trabalho. Barbosa. O reclamante sempre recebeu comissões de 1%, o que

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ocorre com todos os vendedores'. A afronta a dispositivo da Constituição Federal, autorizadora do

Logo, é inequívoca a identidade de funções da autora com os conhecimento do recurso de revista, é a que se verifica de forma

paradigmas indicados por ela. direta e literal, nos termos do art. 896, 'c', da Consolidação das Leis

Dispõe o artigo 461 da CLT: 'Sendo idêntica a função, a todo do Trabalho.

trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, na mesma No caso, o posicionamento adotado no v. acórdão recorrido reflete a

localidade, corresponderá igual salário, sem distinção de sexo, interpretação dada pelo egr. Colegiado aos preceitos legais que

nacionalidade ou idade'. regem a matéria. Nesse contexto, ofensa, ainda que fosse possível

Como os pressupostos do artigo 461 da CLT foram atendidos, é admiti-la, seria meramente reflexa, insuficiente, portanto, para

irrelevante que a circunstância do desnível salarial tenha origem em autorizar o trânsito regular do recurso de revista.

decisão judicial que beneficiou os paradigmas (item VI da Súmula 6 É indispensável, ademais, que se trate especificamente da matéria

do TST). discutida.

E, nos termos do item VIII da mencionada súmula, 'é do Portanto, não procede a invocação ao art. 5º, II, da Lei Maior,

empregador o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou preceito genérico que não se relaciona especificamente com o tema

extintivo da equiparação salarial'. sobre o qual a parte recorrente manifesta seu inconformismo.

Esclareço que a reclamante e os paradigmas atuavam como Remuneração, Verbas Indenizatórias e Benefícios/Participação nos

vendedores de forma contemporânea, de acordo com a Lucros ou Resultados - PLR.

documentação acostada aos autos. Alegação(ões):

Ressalto que a equiparação se evidencia desde o início do contrato - violação do(s) artigo 818 da Consolidação das Leis do Trabalho;

na vigência da Lei anterior. Por essa razão a modificação inciso I do artigo 373 do Código de Processo Civil de 2015.

introduzida pela Lei 13.467/2017 no § 5º do art. 461 da CLT não Restou mantida a sentença quanto à condenação da reclamadaao

gera efeitos no presente caso, em face da incidência do princípio pagamento proporcional daParticipação nos Lucros e Resultados -

constitucional da irredutibilidade salarial (art. 7º, VI, da PLR relativaao ano de 2019, com a seguinte fundamentação

Constituição). sintetizada na ementa:

Assim, não tendo a reclamada se desvencilhado do ônus que lhe PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. PAGAMENTO PROPORCIONAL.

competia, entendo que a autora faz jus à equiparação pretendida, Demonstrado pela reclamada o pagamento de PLR aos

com a percepção das diferenças salariais decorrentes do recálculo empregados e não comprovada a quitação da parcela, é devida a

das comissões recebidas, considerando-se o índice de 3,5%. PLR proporcional de 2019.

Insurge-sea reclamada, sob a alegação, em síntese, de quenão Insistea reclamada na tese de quea reclamante não se

foram preenchidos os requisitos previstos no art. 461 da CLT. desincumbiu do ônus de provar o seu direito aorecebimento da

No entanto, a discussão da matéria brandida em sede de jurisdição parcela, conforme os termos dos artigos 818 da CLT e 373, inciso I,

extraordinária, na forma como articulada, desafia o revolvimento de do CPC.

fatos e provas, o que é defeso, a teor da Súmula nº 126/TST. De acordo com o artigo 896, § 1º-A, inciso II, da CLT, incluído pela

Inviável, pois,o processamento do apelo. Lei 13.015/2014, a parte que recorre deve 'indicar, de forma

explícita e fundamentada, contrariedade a dispositivo de lei, súmula

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Honorários ou orientação jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho que

Advocatícios conflite com a decisão regional'.

Alegação(ões): Na hipótese, a parte recorrente não observou o inciso, o que torna

- violação do(s) inciso II do artigo 5º da Constituição Federal. inviável o processamento do recurso de revista.

O egr. Colegiado, na forma do artigo 791-A, § 4º, da CLT e do CONCLUSÃO

Verbete 75/2019 do TRT 10, manteve a suspensão da exigibilidade Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

dos honorários advocatícios, assim como afastada a sua Publique-se.

compensação com outros créditos trabalhistas da parte Assinatura

hipossuficiente. Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.

A reclamada argumenta que o deferimento da justiça gratuita não BRASILINO SANTOS RAMOS

afasta a exigibilidade dos honorários advocatícios previstos no Desembargador do Trabalho

artigo 791-A da CLT. Decisão

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Processo Nº ROT-0000620-39.2019.5.10.0811
Regular a representação processual (fls. 109).
Relator CILENE FERREIRA AMARO SANTOS
RECORRENTE MUNICIPIO DE XAMBIOA Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV).
ADVOGADO RICARDO FRANCISCO RIBEIRO DE PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
DEUS(OAB: 45463/GO)
RECORRIDO MARCOS DIVINO DOS SANTOS Responsabilidade Solidária / Subsidiária/Tomador de Serviços /
ALVES
Terceirização/Ente Público.
ADVOGADO FRANCISCO CHAGAS FERNANDES
ARAUJO(OAB: 6358/TO) Alegação(ões):
RECORRIDO LC DA LUZ CONSTRUCAO, LIMPEZA
E LOCACAO LTDA - ME - violação da (o)§1º do artigo 71 da Lei nº 8666/1991.
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho - divergência jurisprudencial.

Intimado(s)/Citado(s): No particular, a egr. Turma manteve a r. sentença quecondenou o

- MARCOS DIVINO DOS SANTOS ALVES segundo reclamado como responsável subsidiário pelo
- MUNICIPIO DE XAMBIOA adimplemento das verbas trabalhistas, inclusive multas e honorários

assistenciais. esta a ementa:

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. É entendimento da Terceira

PODER JUDICIÁRIO Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região que os

JUSTIÇA DO TRABALHO arts. 58, III e 67 da Lei 8.666/1993 impõe à Administração Pública o

dever de fiscalizar a execução do contrato, logo, o ônus de


Fundamentação
comprovar que efetivamente cumpriu essa obrigação é da tomadora

dos serviços, nos exatos termos dos arts. 818, II, da CLT e 373, II,
RECURSO DE REVISTA
do CPC. Como se vê, não se trata de inversão de ônus de prova,

mas de atribuir à Administração Pública o ônus de comprovar os

fatos impeditivos e extintivos do direito pleiteado pela parte autora.

A recorrente, em seu recurso de revista,deduzque 'sea contratante

é pessoa jurídica de direito público e contrata empresa mediante

processo licitatório, em estrita observância ao artigo 37, XXI da

Constituição Federal e legislação pertinente (contratação de obras,

serviços, compras e alienações) não há razão para a

responsabilização subsidiária da Administração Pública, mormente

se os serviços contratados constituírem partes integrantes da sua


Recorrente(s): 1.MUNICIPIO DE XAMBIOA
atividade-meio e não atividade-fim. Outrossim, o Município, de boa-

fé, fez os pagamentos dos direitos rescisórios dos trabalhadores de

acordo com as informações e TRCT's enviados pela empresa,


Advogado(a)(s): 1.RICARDO FRANCISCO
sendo injusta qualquer condenação subsidiária'.
RIBEIRO DE DEUS (GO -
Registre-se que o recurso de revista em exame está submetido à

Lei nº 13.015/2014, que dá nova redação ao artigo 896 da CLT.


Recorrido(a)(s): 1.MARCOS DIVINO DOS
Nesse contexto, a referida Lei acresceu a a esse dispositivo, dentre
SANTOS ALVES
outros, o § 1.º-A, que, em seus incisos I a III, e § 8.º, determinam

Advogado(a)(s): novas exigências de cunho formal para a interposição do recurso de


1.FRANCISCO CHAGAS
revista.
FERNANDES ARAUJO (TO -
Referidos preceitos possuem a seguinte redação:

Interessado(a)(s): 1.Ministério Público do § 1.º-A. Sob pena de não conhecimento, é ônus da parte:

Trabalho I - indicar o trecho da decisão recorrida que consubstancia o

prequestionamento da controvérsia objeto do recurso de revista;

II - indicar, de forma explícita e fundamentada , contrariedade a


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS dispositivo de lei, súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal
Tempestivo o recurso (publicação em 31/08/2020 - fls. ; recurso Superior do Trabalho que conflite com a decisão regional;
apresentado em 23/09/2020 - fls. ). III - expor as razões do pedido de reforma, impugnando todos os

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fundamentos jurídicos da decisão recorrida , inclusive mediante proferida pela Corte a quo . Nesse sentido, incumbia ao recorrente

demonstração analítica de cada dispositivo de lei, da Constituição indicar a parte específica dessa decisão em que se encontrava a

Federal, de súmula ou orientação jurisprudencial cuja contrariedade tese jurídica combatida (art. 896, § 1.º-A, I), realizando o confronto

aponte. com os dispositivos legais apontados (art. 896, § 1.º-A, II e III) e/ou

(...) com a divergência jurisprudencial (art. 896, § 8.º, da CLT). Não

§ 8º. Quando o recurso fundar-se em dissenso de julgados, incumbe merece prosperar, portanto, agravo de instrumento que visa a

ao recorrente o ônus de produzir prova da divergência destrancar recurso de revista que não preenche os pressupostos

jurisprudencial, mediante certidão, cópia ou citação do repositório formais de admissibilidade. (AIRR-1602-33.2016.5.10.0011,

de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, 2ª Turma, DEJT:

eletrônica, em que houver sido publicada a decisão divergente, ou 04/09/2020)

ainda pela reprodução de julgado disponível na internet, com AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE

indicação da respectiva fonte, mencionando, em qualquer caso, as REVISTA. DIFERENÇAS DE ADICIONAL NOTURNO. RECURSO

circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos DE REVISTA QUE NÃO ATENDE AOS REQUISITOS DISPOSTOS

confrontados . NO ARTIGO 896, §§ 1º-A, INCISO III, E 8º, DA CLT. AUSÊNCIA DE

O apelo não preenche o requisito do inciso I. A omissão quanto aos IMPUGNAÇÃO ANALÍTICA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO

trechos do acórdão impugnado ou a mera transcrição, de forma CIRCUNSTANCIAL DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não

integral, no início do recurso e sem a indicação precisa do trecho merece provimento o agravo que não desconstitui os fundamentos

objeto da insurgência, bem como a evidente lacuna quanto à da decisão monocrática, pela qual foi denegado seguimento ao

demonstração analítica dos motivos pelos quais cada disposição agravo de instrumento em face da ausência de preenchimento dos

legal ou jurisprudência reiterada e ementada teria sido motivo de requisitos previstos no artigo 896, §§ 1º-A e 8º, da CLT. Verifica-se,

afronta pela decisão recorrida, revelam desconsideração às da análise das razões do recurso de revista, que a parte, de fato,

disposições legais acima declinadas. não cuidou em demonstrar, analiticamente, a ofensa aos

Além disso, a parte não procedeu ao cotejo analítico entre os dispositivos por ela indicados, como ordena o art. 896, § 1º-A, inciso

fundamentos do v. acórdão recorrido e a divergência jurisprudencial III, da CLT, tampouco procedeu à indicação circunstancial da

apontada. Com efeito, cingiu-se a transcrever arestos paradigmas, divergência jurisprudencial na forma ordenada no § 8º do

sem, contudo, expor as razões do pedido de reforma, nem apontar mencionado artigo, de forma que as exigências processuais

nenhum fundamento jurídico a respeito da questão, além de não contidas nos referidos dispositivos, na hipótese, assim como

esclarecer em que medida a d. decisão Colegiada teria divergido consignado na decisão agravada, não foram satisfeitas. (Ag-AIRR-

dos casos confrontados. 11346-55.2017.5.15.0083, Relator Ministro Jose Roberto Freire

Ao assim proceder, a parte deixou de observar o disposto no art. Pimenta, 2ª Turma, DEJT 28/08/2020).

896, § 1.º-A, II, III, e § 8.º, da CLT, o que obsta o conhecimento do AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM

recurso de revista. RECURSO DE REVISTA. NÃO OBSERVÂNCIA DO REQUISITO

Nesse sentido, é a iterativa e atual jurisprudência do col. TST: DE ADMISSIBILIDADE DO ART. 896, § 1.º-A, DA CLT. A despeito

[[...] Recursos baseados em meros apontamentos de dispositivos das razões expostas pela agravante, deve ser mantida a decisão

tidos como violados ou na mera transcrição de arestos paradigmas, pela qual foi negado seguimento ao Agravo de Instrumento, pois

sem a indicação, ponto a ponto, do trecho da decisão recorrida que não observados os requisitos elencados no art. 896, § 1.º-A, da

a Parte entende ser ofensivo à ordem legal ou divergente de outro CLT. Dentre os pressupostos intrínsecos de admissibilidade do

julgado, de fato, não merecem seguimento. O propósito do art. 896, Recurso de Revista, acrescidos pela Lei n.º 13.015/2014, consta a

§ 1º-A, da CLT, é impor ao recorrente objetividade, de modo a exigência de que o recorrente faça o cotejo analítico entre o trecho

indicar assertivamente as teses adotadas pelo Tribunal Regional e da decisão recorrida que abarca a tese jurídica impugnada e as

por quais razões o acórdão estaria em desacordo normativo ou afrontas legais e/ou constitucionais ou dissenso de teses indicados

jurisprudencial. Este Colegiado tem interpretado a norma de acordo (art. 896, § 1.º-A, III, da CLT). Uma vez não observado o comando

com a sua finalidade, qual seja, a de tornar a análise dos recursos legal, o Recurso não deve ser admitido. Agravo conhecido e não

de competência deste Tribunal Superior mais objetiva, célere e provido. (Ag-AIRR - 11664-92.2015.5.01.0052 , Relator Ministro Luiz

precisa, eliminando a antiga prática de se interpor o recurso com José Dezena da Silva, 1ª Turma, DEJT 16/08/2019)

alegações genéricas e abstratas, sem o cotejo com a decisão AGRAVO DE INSTRUMENTO. EQUIPARAÇÃO SALARIAL.

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INTERVALO DO ARTIGO 384 DA CLT. INOBSERVÂNCIA DO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. A recorrente se

ART. 896, § 1º-A, I E III, DA CLT. A parte recorrente não atende ao descuidou de cumprir requisito essencial a viabilizar a apreciação

requisito descrito no art. 896, § 1º-A, I, da CLT, na medida em que do recurso de revista. A ausência de indicação do trecho da v.

efetua apenas a transcrição integral da decisão recorrida, sem decisão que consubstancia o prequestionamento da matéria e o

qualquer destaque dos trechos que consubstanciam o confronto analítico entre a tese recorrida e a violação constitucional

prequestionamento da tese que pretende debater; logo, trata-se de e mesmo o conflito jurisprudencial indicado inviabiliza o

transcrição genérica que não atende ao aludido requisito. Do conhecimento do recurso de revista, nos termos do §1º-A, I e III, do

mesmo modo, não logrou atender à exigência contida no art. 896, § art. 896 da CLT. Ressalte-se que a alteração legislativa contida na

1º-A, III, da CLT. Isso porque não há nas razões recursais cotejo norma traduz a obrigação das partes levar ao Tribunal Superior a

analítico por meio do qual o recorrente tenha demonstrado que a matéria recursal de modo a viabilizar o reconhecimento da tese

decisão impugnada ofendeu especificamente a literalidade dos jurídica que se pretende colocar em debate, com o devido confronto

dispositivos indicados . Agravo de instrumento de que se conhece e analítico, demonstrando os requisitos do art. 896 da CLT, com o fim

a que se nega provimento. (AIRR- 21233-71.2015.5.04.0008, maior de racionalizar e efetivar a jurisdição. Recurso de revista não

Relatora Desembargadora Convocada Cilene Ferreira Amaro conhecido.' (RR-2007-71.2013.5.05.0251, Relator Ministro: Aloysio

Santos, 6.ª Turma, DEJT 16/8/2019) Corrêa da Veiga, 6ª Turma, DEJT 04/05/2015)

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. Assim, à míngua de pressuposto intrínseco de admissibilidade, o

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. INDICAÇÃO DO INTEIRO apelo não merece impulso.

TEOR DO ACÓRDÃO REGIONAL DISSOCIADO DAS RAZÕES DE CONCLUSÃO

REFORMA. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

ELENCADOS NO ARTIGO 896, § 1.º-A, I E III, E § 8.º DA CLT. A Publique-se.

indicação do inteiro teor do acórdão regional no início do Recurso Assinatura

de Revista, totalmente dissociada das razões de reforma, não Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.

atende às determinações da Lei n.º 13.015/2014 . Apesar de BRASILINO SANTOS RAMOS

parecer, num primeiro momento, que foram cumpridas as Desembargador do Trabalho

determinações do inciso I do § 1.º-A do artigo 896 da CLT, o fato é Decisão


Processo Nº ROT-0000495-61.2019.5.10.0006
que o Recorrente não só não demonstra o prequestionamento da Relator LUIZ HENRIQUE MARQUES DA
ROCHA
controvérsia como também não obedece à determinação do inciso
RECORRENTE UNIÃO FEDERAL (AGU) - DF
III do referido dispositivo legal, desse modo não houve delimitação RECORRIDO FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME
da tese jurídica e, por conseguinte, a demonstração analítica do RECORRIDO AUSENI DOS SANTOS SILVA
TEIXEIRA
dispositivo de lei supostamente ofendido e do fundamento jurídico ADVOGADO VICTOR HUGO DE OLIVEIRA
ABREU(OAB: 38279/DF)
adotado pelo Regional. O § 8.º, parte final, do art. 896, da CLT, é
PERITO LEONARDO CRUZ ARANTES
claro ao dispor que o Recorrente deverá mencionar, 'em qualquer CAMPOS
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho
caso, as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos

confrontados'. Logo, não basta para que seja conhecido o Apelo por Intimado(s)/Citado(s):
divergência jurisprudencial unicamente a transcrição do aresto, - AUSENI DOS SANTOS SILVA TEIXEIRA

sendo necessário, repise-se, que a parte recorrente especifique o

cenário que iguale ou aproxime os casos analisados . Agravo de

Instrumento conhecido e não provido. (AIRR-831-


PODER JUDICIÁRIO
09.2016.5.08.0206, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, 4.ª
JUSTIÇA DO TRABALHO
Turma, DEJT 23/3/2018)

'RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI Fundamentação

13015/2014. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.

PRESCRIÇÃO BIENAL. INDICAÇÃO DE VIOLAÇÃO A RECURSO DE REVISTA

DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL E DE CONFLITO Lei 13.015/2014

JURISPRUDENCIAL SEM DEFINIÇÃO DO TRECHO DA DECISÃO

RECORRIDA E SEM CONFRONTO ANALÍTICO.

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Jurisprudenciais, motivo pelo qual encontra-se atendida a exigência

relacionada à reserva de plenário.

Dessa forma, afastam-se as alegações.

Responsabilidade Solidária / Subsidiária.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Processo e


Recorrente(s): 1.UNIÃO FEDERAL (AGU) - Procedimento/Provas/Ônus da Prova.
DF Alegação(ões):

- contrariedade à(s) Súmula(s) nº 331, item V do colendo Tribunal


Recorrido(a)(s): 1.AUSENI DOS SANTOS
Superior do Trabalho.
SILVA TEIXEIRA
- violação do(s) artigo 5º, inciso II;artigo 5º, inciso LIV;artigo 5º,

inciso LV;artigo 5º, inciso XXXV;artigo 37;artigo 37, §6º;artigo 102,


Advogado(a)(s): 1.VICTOR HUGO DE
§2º, da Constituição Federal.
OLIVEIRA ABREU (DF -
- violação do(s) Lei nº 8666/93, artigo 71, §1º;Consolidação das Leis

do Trabalho, artigo 818;artigo 373, inciso I e II.


Interessado(a)(s): 1.Ministério Público do
- divergência jurisprudencial.
Trabalho
A eg. Turma manteve a decisão que reconheceu a responsabilidade

subsidiária do ente público, nos termos da Súmula nº 331 do TST. O

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS acórdão foi assim ementado:

Tempestivo o recurso (publicação em 08/09/2020 - via sistema; '1. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. Demonstrada a culpa da

recurso apresentado em 14/09/2020 - ID. 2c5e799). Administração Pública nos termos da Súmula 331/TST, item V, pela

Regular a representação processual (nos termos da Súmula nº falta de adequada fiscalização, é cabível a responsabilidade

436/TST). subsidiária do tomador dos serviços pelas obrigações trabalhistas

Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV). devidas nesta ação.'

PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS Insurge-sea União contra a decisão pertinente à responsabilidade

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Atos subsidiária imposta, mediante as alegações alhures destacadas,

Processuais/Nulidade. objetivando afastar a condenação subsidiária. Alega, inicialmente,

Alegação(ões): que não pode ser responsabilizada subsidiariamente pelo

- contrariedade à(s) Súmula(s) nº 331, item V do colendo Tribunal pagamento das verbas deferidasà partereclamante, pois esta não

Superior do Trabalho. se desincumbiu do ônus de comprovar a ausência de fiscalização

- contrariedade à(s) Súmula(s) vinculante(s) nº 10 do excelso do contrato de terceirização, encargo que lhe pertencia. Sustenta,

Supremo Tribunal Federal. outrossim, não evidenciada sua conduta culposa na fiscalização das

- violação do(s) artigo 97, da Constituição Federal. obrigações da prestadora de serviços.

- violação do(s) Lei nº 8666/1993, artigo 71, §1º. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 760.931/DF,

A União insurge-se contra a aplicação da Súmula 331, IV, do Col. com repercussão geral, decidiu que o ônus de provar a ausência de

TST, sob a alegação de que não foi observada a cláusula da fiscalização da execução do contrato com a empresa prestadora é

reserva de plenário, prevista no art. 97 da Constituição da do empregado. Todavia, tal entendimento não modifica a conclusão

República, bem como na Súmula Vinculante nº 10 do Exc. Supremo alcançada pela Turma, pois a condenação imposta está

Tribunal Federal. fundamentada na prova de que o ente público incorreu em culpa 'in

No entanto, conforme ressaltado na decisão recorrida, o vigilando ', legitimando a imputação da responsabilidade subsidiária.

reconhecimento da responsabilidade subsidiária do tomador de Em tal cenário, o acórdão está em perfeita harmonia com a

serviços não implica a declaração de inconstitucionalidade do art. jurisprudência cristalizada na Súmula nº 331, V, do TST.

71 da Lei nº 8.666/93, mas apenas a definição do real alcance da De outra parte, decidida a matéria com arrimo no contexto fático-

norma inscrita no citado dispositivo com base na interpretação probatório produzido nos autos, o processamento do recurso de

sistemática. revista fica obstado, na medida em que seria necessário o

De toda sorte, cumpre registrar que o Col. TST, em sua composição revolvimento de fatos e provas, o que é defeso (Súmula nº126/TST).

plena, decide pela edição de suas Súmulas e Orientações A propósito, nesse sentido, transcrevo os seguintes precedentes do

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TST: Administração Pública direta e indireta responderão

'AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE subsidiariamente pelas dívidas trabalhistas das empresas

REVISTA. ENTE PÚBLICO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. prestadoras, quando forem negligentes em relação ao dever de

CARACTERIZAÇÃO DE CULPA IN VIGILANDO. INCIDÊNCIA DA fiscalizar o cumprimento das obrigações contratuais e legais da

SÚMULA 331, V, DO TST. Do quadro fático registrado no acórdão contratada. Na presente demanda, o Tribunal Regional, soberano

recorrido extrai-se que a condenação decorre da culpa do tomador na análise do conjunto probatório, registrou que o ente público não

dos serviços. Com efeito, o TRT destacou que: 'Na seqüência, o se desincumbiu do ônus de comprovar a correta fiscalização do

que deve ser aferido é se houve culpa ' in vigilando' do Estado do cumprimento do contrato com a empresa prestadora. Assim, ao

RN, ora recorrente, quanto à fiscalização da reclamada SALUTE, no atribuir-lhe a responsabilidade subsidiária, decidiu em plena sintonia

que se refere ao adimplemento das obrigações trabalhistas geradas com o verbete acima mencionado. Acrescente-se que não se

durante o período de vigência do contrato mantido entre os verifica desrespeito à tese de repercussão geral, firmada no

litisconsortes passivos. Neste ponto, o recorrente afirma que ' o ente julgamento do RE-760931, pelo Supremo Tribunal Federal, tendo

público, no decorrer da execução do contrato administrativo, não em vista que não houve, no caso, a transferência automática da

tem a obrigação legal de fiscalizar se a empresa contratada honra responsabilidade decorrente do inadimplemento da obrigação pelo

os demais contratos, firmados com outras pessoas, físicas ou empregador. Ficou evidenciada a culpa in vigilando do ente público.

jurídicas, ainda mais quando detêm natureza privada' e que o único Tal conclusão se baseia apenas nas informações disponibilizadas

objeto de fiscalização era a prestação de serviços (ID. 2be5609 - no sítio daquela Corte na internet, pois a decisão ainda aguarda a

pág. 10). Noutras palavras, o litisconsorte admite que não redação do acórdão e a respectiva publicação no órgão oficial.

fiscalizava as empresas contratadas no que diz respeito ao Agravo de instrumento a que se nega provimento.' (AIRR - 10054-

cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias e tenta 69.2013.5.01.0049, Data de Julgamento: 30/08/2017, Relator

justificar-se, daí porque assume a sua culpa in vigilando'. Registre- Ministro: Cláudio Mascarenhas Brandão, 7ª Turma, Data de

se, por oportuno, que a recente decisão do STF no RE nº 760.931, Publicação: DEJT 08/09/2017)

com repercussão geral, que atribuiu o ônus da prova da ausência 'AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA.

de fiscalização ao trabalhador, em nada altera a conclusão destes PROCESSO SOB A ÉGIDE DA LEI 13.015/2014. 1.

autos, uma vez que a condenação subsidiária da entidade pública TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA. ENTIDADES ESTATAIS.

está amparada na prova de que incorreu em culpa in vigilando, ante ENTENDIMENTO FIXADO PELO STF NA ADC Nº 16-DF. SÚMULA

a ausência de fiscalização dos direitos trabalhistas dos empregados 331, V/TST. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. NECESSIDADE

da empresa prestadora de serviços. Nesse contexto, é inviável a DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA CULPOSA NO

admissibilidade do recurso de revista, pois a decisão recorrida CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES DA LEI 8.666/93

encontra-se em consonância com o item V da Súmula 331 do TST. EXPLICITADA NO ACÓRDÃO REGIONAL. Registre-se que o

Assim, tendo em vista que a parte não trouxe, nas razões de Supremo Tribunal Federal, ao decidir a ADC nº 16-DF, reverteu a

agravo, nenhum argumento capaz de infirmar a decisão denegatória interpretação sedimentada há duas décadas na jurisprudência

do agravo de instrumento, há que ser mantida a decisão. Agravo trabalhista no sentido de que as entidades estatais - a exemplo das

conhecido e desprovido.' (Ag-AIRR - 672-08.2013.5.21.0013, Data demais pessoas físicas e jurídicas - eram firmemente responsáveis

de Julgamento: 13/09/2017, Relator Ministro: Alexandre de Souza por verbas contratuais e legais trabalhistas dos trabalhadores

Agra Belmonte, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 15/09/2017) terceirizados na área estatal, caso houvesse o inadimplemento por

'AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA EM parte do empregador terceirizante (Súmula 331, antigo item IV,

FACE DE DECISÃO PUBLICADA A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI TST). Para o STF, é necessária a efetiva presença de culpa in

Nº 13.015/2014. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. vigilando da entidade estatal ao longo da prestação de serviços

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. CONTRATO DE (STF, ADC nº 16-DF). Observados tais parâmetros, é preciso

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ÔNUS DA PROVA. A contratação de perceber, no caso concreto, se o ente público agiu com culpa para a

empresa prestadora de serviços, por meio de regular licitação, não ocorrência do inadimplemento dos débitos trabalhistas. Se não

basta para excluir a responsabilidade do ente público. Nos termos resultar claramente evidenciada a ação ou omissão, direta ou

do item V da Súmula nº 331 do TST, editado à luz da decisão indireta, na modalidade culposa, do agente público em detrimento

proferida pelo Supremo Tribunal Federal na ADC nº 16/DF, em se do contrato administrativo para a prestação de serviços

tratando de terceirização de serviços, os entes integrantes da terceirizados, não há como identificar a responsabilidade da

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Administração Pública em relação às obrigações trabalhistas da PÚBLICA. CULPA IN VIGILANDO CARACTERIZADA. I - Para

prestadora de serviços, à luz do art. 71, § 1º, da Lei 8.666/1993. equacionar a controvérsia em torno da existência ou inexistência de

Insista-se que essa é a linha do entendimento atual do Supremo responsabilidade subsidiária da Administração Pública pelas

Tribunal Federal na ADC nº 16-DF. Em observância a esse obrigações trabalhistas não honradas pela empresa prestadora de

entendimento da Corte Máxima, o TST alinhou-se à tese de que a serviço é imprescindível trazer a lume a decisão proferida pelo STF

responsabilidade subsidiária dos entes integrantes da na ADC 16/2007. II - Nela, apesar de ter sido reconhecida a

Administração Pública direta e indireta não decorre de mero constitucionalidade do artigo 71, § 1º, da Lei 8.666/93, os eminentes

inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela Ministros daquela Corte permitiram-se alertar os tribunais do

empresa regularmente contratada, mas apenas quando trabalho para não generalizar as hipóteses de responsabilização

comprovada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações subsidiária da Administração Pública. III - Na ocasião, traçaram

da Lei 8.666, de 21.6.1993, especialmente na fiscalização do inclusive regra de conduta a ser observada pelos tribunais do

cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de trabalho, de se proceder, com mais rigor, à investigação se a

serviço como empregadora (artigos 58 e 67, Lei 8.666/93) - novo inadimplência da empresa contratada por meio de licitação pública

texto da Súmula 331, V, do TST. Nesse quadro, a mera culpa in teve como causa principal a falha ou a falta de fiscalização pelo

eligendo não autoriza, por si só, deduzir a responsabilidade do órgão público contratante. IV - A partir dessa quase admoestação

Poder Público pelos débitos inadimplidos pela empregadora, da Suprema Corte, o Tribunal Superior do Trabalho houve por bem

segundo o STF. A propósito, para a Corte Máxima, tendo sido a transferir a redação do item IV da Súmula 331 para o item V desse

terceirização resultado de processo licitatório, não há que se falar precedente, dando-lhe redação que refletisse o posicionamento dos

em culpa in eligendo. Também não há que se falar, em tais casos Ministros do STF. V - Compulsando o verbete, percebe-se, sem

de terceirização, em responsabilidade objetiva, a teor da desusada perspicácia, que a responsabilização subsidiária da

jurisprudência advinda da Corte Máxima. Porém, naturalmente, se Administração Pública tem por pressuposto a comprovação da sua

houver clara, inquestionável culpa da entidade estatal tomadora de conduta culposa ao se demitir do dever de fiscalizar o cumprimento

serviços quanto à fiscalização da conduta da empresa terceirizada das obrigações trabalhistas da empresa prestadora de serviços. VI -

relativamente ao cumprimento de suas obrigações trabalhistas, Em outras palavras, impõe-se extrair da decisão do Regional

incidirá a responsabilidade subsidiária, por força de outros preceitos elementos de prova de que a Administração Pública observou ou

legais, além do art. 71, caput e § 1º, da Lei de Licitações. Havendo não o dever de fiscalização dos direitos trabalhistas devidos aos

manifesta ou demonstrada culpa in vigilando, incidem preceitos empregados da empresa prestadora de serviços, uma vez que o

responsabilizatórios concorrentes, tais como os artigos 58, III, 67, seu chamamento à responsabilização subsidiária repousa na sua

caput e §1º, da Lei 8.666/93 e os artigos 186 e 927, do Código Civil. responsabilidade subjetiva e não objetiva. VII - Mediante exame do

Nesse contexto, o STF, ao julgar com repercussão geral o RE nº acórdão recorrido, verifica-se que o Colegiado de origem fora

760.931, confirmou a tese já explicitada na anterior ADC nº 16-DF, incisivo e minudente ao extrair do contexto factual a

no sentido de que a responsabilidade da Administração Pública não responsabilidade subsidiária do agravante. VIII - O acórdão

pode ser automática, cabendo a sua condenação apenas se houver recorrido, com riqueza de detalhes probatórios em torno da culpa in

prova inequívoca de sua conduta omissiva ou comissiva na vigilando do agravante, por ter se demitido do dever de fiscalizar o

fiscalização dos contratos, bem como atribuiu o ônus de provar o cumprimento das obrigações trabalhistas da empresa prestadora de

descumprimento desse dever legal ao trabalhador. Assim, em que serviços, premissa, aliás, insuscetível de modificação no TST, a teor

pese a decisão do RE nº 760.931 atribua ao trabalhador o ônus da Súmula 126, guarda absoluta sintonia com entendimento contido

processual, no caso dos autos, enfatize-se que houve a conduta na Reclamação nº 23151/DF - Distrito Federal, em que fora Relator

omissiva do Estado Recorrente no tocante ao pagamento das o Ministro Luiz Fux, cuja decisão foi publicada no DJe de 3/3/2016.

faturas do contrato de prestação de serviços, sendo condição mais IX - Sobrevém, assim, a certeza de o Regional ter-se valido do

grave que a simples ausência do dever de fiscalização pelo ente princípio da persuasão racional do artigo 131 do CPC de 73, no qual

público, o que autoriza sua responsabilização subsidiária. Agravo de se acha subentendido o princípio da despersonalização da prova

instrumento desprovido.' (AIRR - 1443-14.2015.5.06.0019, Data de oral, consagrado, a propósito, no artigo 371 do CPC de 2015, para

Julgamento: 09/08/2017, Relator Ministro: Mauricio Godinho extrair a culpa in vigilando do agravante, nos termos da ADC

Delgado, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 18/08/2017) 16/2010. X - Desse modo, cai por terra a arguição de infringência

'RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. DA ADMINISTRAÇÃO aos artigos 818 da CLT e 333, I, do CPC de 73, pois o Regional não

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dirimira a controvérsia pelo critério do ônus subjetivo da prova. XI - OJBSDI-1 nº 382/TST, inviável o processamento da revista, nos

Por outro lado, não se vislumbra ofensa literal e direta ao artigo 71, termos da Súmula nº 333 e da OJSBDI-1 nº 336, ambas do colendo

§ 1º, da Lei 8.666/93, pois a decisão impugnada encontra-se, ao fim TST.

e ao cabo, em consonância com a Súmula 331, item V, do TST, CONCLUSÃO

erigida em requisito negativo de admissibilidade do recurso revista. Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

XII - A divergência jurisprudencial, a seu turno, não se credencia à Publique-se.

cognição do TST, não só por se reportar a arestos que não Assinatura

guardam similitude factual com a decisão recorrida, mas, sobretudo, Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.

por estarem superados no caso concreto. XIII - Com isso, avulta a BRASILINO SANTOS RAMOS

convicção de que o recurso de revista efetivamente não lograva Desembargador do Trabalho

processamento, quer à guisa de violação legal ou constitucional, Edital


quer por dissenso pretoriano, na esteira do artigo 896, § 7º, da CLT
Processo Nº ROT-0000495-61.2019.5.10.0006
e da Súmula nº 333/TST. XIV - Agravo de instrumento a que se Relator LUIZ HENRIQUE MARQUES DA
ROCHA
nega provimento.' (AIRR - 10235-65.2014.5.03.0086, Data de
RECORRENTE UNIÃO FEDERAL (AGU) - DF
Julgamento: 19/04/2017, Relator Ministro: Antonio José de Barros RECORRIDO FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME
Levenhagen, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 28/04/2017) RECORRIDO AUSENI DOS SANTOS SILVA
TEIXEIRA
A tal modo, inviável a prossecução do feito, nos termosdas ADVOGADO VICTOR HUGO DE OLIVEIRA
ABREU(OAB: 38279/DF)
Súmulas nºs 126, 297e 333 do TST e do artigo 896, § 7º, da CLT.
PERITO LEONARDO CRUZ ARANTES
Responsabilidade Solidária / Subsidiária/Tomador de Serviços / CAMPOS
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho
Terceirização/Ente Público/Abrangência da Condenação.

Alegação(ões): Intimado(s)/Citado(s):
- violação do(s) artigo 5º, caput;artigo 5º, inciso II;artigo 5º, inciso - FLEX SERVICOS GERAIS LTDA - ME

LV;artigo 5º, inciso XLVI;artigo 37;artigo 100, da Constituição

Federal.

- violação do(s) Consolidação das Leis do Trabalho, artigo 613,


PODER JUDICIÁRIO
inciso VIII.
JUSTIÇA DO TRABALHO
A despeito dos argumentos lançados no arrazoado, relativamente

ao tópico em destaque, o fato é que a responsabilidade subsidiária


RECURSO DE REVISTA
do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da
Lei 13.015/2014
condenação referentes ao período da prestação laboral.

Incidem, portanto, a Súmula nº 333 do TST e o art. 896, § 7º, da

CLT como óbice ao processamento do recurso de revista, não se

divisando maltrato aos dispositivos invocados.

Descontos Fiscais/Juros de Mora.


1.UNIÃO FEDERAL (AGU) -
Alegação(ões): Recorrente(s):
DF
- contrariedade à Orientação Jurisprudencial Tribunal Pleno/Órgão

Especial, do TST, nº 7. 1.AUSENI DOS SANTOS


Recorrido(a)(s):
- violação do(s) artigo 5º, caput;artigo 5º, inciso II;artigo 5º, inciso SILVA TEIXEIRA
LIV, da Constituição Federal.

- violação do(s) Lei nº 9494/1997, artigo 1º-F. 1.VICTOR HUGO DE


Advogado(a)(s):
- divergência jurisprudencial. OLIVEIRA ABREU (DF - 38279)
Em prosseguimento, aTurma manteve a decisão quedeterminou a

incidência dos juros de mora no percentual de 1% ao mês. 1.Ministério Público do


Interessado(a)(s):
Inconformado, insurge-se o ente público contra essa decisão, Trabalho

sustentando a incidência dos juros reduzidos.

Contudo, por estar o acórdão em harmonia com a diretriz traçada na


PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS

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Tempestivo o recurso (publicação em 08/09/2020 - via sistema; acórdão foi assim ementado:

recurso apresentado em 14/09/2020 - ID. 2c5e799). '1. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. Demonstrada a culpa da

Regular a representação processual (nos termos da Súmula nº Administração Pública nos termos da Súmula 331/TST, item V, pela

436/TST). falta de adequada fiscalização, é cabível a responsabilidade

Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV). subsidiária do tomador dos serviços pelas obrigações trabalhistas

PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS devidas nesta ação.'

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Atos Insurge-sea União contra a decisão pertinente à responsabilidade

Processuais/Nulidade. subsidiária imposta, mediante as alegações alhures destacadas,

Alegação(ões): objetivando afastar a condenação subsidiária. Alega, inicialmente,

- contrariedade à(s) Súmula(s) nº 331, item V do colendo Tribunal que não pode ser responsabilizada subsidiariamente pelo

Superior do Trabalho. pagamento das verbas deferidasà partereclamante, pois esta não

- contrariedade à(s) Súmula(s) vinculante(s) nº 10 do excelso se desincumbiu do ônus de comprovar a ausência de fiscalização

Supremo Tribunal Federal. do contrato de terceirização, encargo que lhe pertencia. Sustenta,

- violação do(s) artigo 97, da Constituição Federal. outrossim, não evidenciada sua conduta culposa na fiscalização das

- violação do(s) Lei nº 8666/1993, artigo 71, §1º. obrigações da prestadora de serviços.

A União insurge-se contra a aplicação da Súmula 331, IV, do Col. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 760.931/DF,

TST, sob a alegação de que não foi observada a cláusula da com repercussão geral, decidiu que o ônus de provar a ausência de

reserva de plenário, prevista no art. 97 da Constituição da fiscalização da execução do contrato com a empresa prestadora é

República, bem como na Súmula Vinculante nº 10 do Exc. Supremo do empregado. Todavia, tal entendimento não modifica a conclusão

Tribunal Federal. alcançada pela Turma, pois a condenação imposta está

No entanto, conforme ressaltado na decisão recorrida, o fundamentada na prova de que o ente público incorreu em culpa 'in

reconhecimento da responsabilidade subsidiária do tomador de vigilando ', legitimando a imputação da responsabilidade subsidiária.

serviços não implica a declaração de inconstitucionalidade do art. Em tal cenário, o acórdão está em perfeita harmonia com a

71 da Lei nº 8.666/93, mas apenas a definição do real alcance da jurisprudência cristalizada na Súmula nº 331, V, do TST.

norma inscrita no citado dispositivo com base na interpretação De outra parte, decidida a matéria com arrimo no contexto fático-

sistemática. probatório produzido nos autos, o processamento do recurso de

De toda sorte, cumpre registrar que o Col. TST, em sua composição revista fica obstado, na medida em que seria necessário o

plena, decide pela edição de suas Súmulas e Orientações revolvimento de fatos e provas, o que é defeso (Súmula nº126/TST).

Jurisprudenciais, motivo pelo qual encontra-se atendida a exigência A propósito, nesse sentido, transcrevo os seguintes precedentes do

relacionada à reserva de plenário. TST:

Dessa forma, afastam-se as alegações. 'AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE

REVISTA. ENTE PÚBLICO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA.

Responsabilidade Solidária / Subsidiária. CARACTERIZAÇÃO DE CULPA IN VIGILANDO. INCIDÊNCIA DA

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Processo e SÚMULA 331, V, DO TST. Do quadro fático registrado no acórdão

Procedimento/Provas/Ônus da Prova. recorrido extrai-se que a condenação decorre da culpa do tomador

Alegação(ões): dos serviços. Com efeito, o TRT destacou que: 'Na seqüência, o

- contrariedade à(s) Súmula(s) nº 331, item V do colendo Tribunal que deve ser aferido é se houve culpa ' in vigilando' do Estado do

Superior do Trabalho. RN, ora recorrente, quanto à fiscalização da reclamada SALUTE, no

- violação do(s) artigo 5º, inciso II;artigo 5º, inciso LIV;artigo 5º, que se refere ao adimplemento das obrigações trabalhistas geradas

inciso LV;artigo 5º, inciso XXXV;artigo 37;artigo 37, §6º;artigo 102, durante o período de vigência do contrato mantido entre os

§2º, da Constituição Federal. litisconsortes passivos. Neste ponto, o recorrente afirma que ' o ente

- violação do(s) Lei nº 8666/93, artigo 71, §1º;Consolidação das Leis público, no decorrer da execução do contrato administrativo, não

do Trabalho, artigo 818;artigo 373, inciso I e II. tem a obrigação legal de fiscalizar se a empresa contratada honra

- divergência jurisprudencial. os demais contratos, firmados com outras pessoas, físicas ou

A eg. Turma manteve a decisão que reconheceu a responsabilidade jurídicas, ainda mais quando detêm natureza privada' e que o único

subsidiária do ente público, nos termos da Súmula nº 331 do TST. O objeto de fiscalização era a prestação de serviços (ID. 2be5609 -

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pág. 10). Noutras palavras, o litisconsorte admite que não redação do acórdão e a respectiva publicação no órgão oficial.

fiscalizava as empresas contratadas no que diz respeito ao Agravo de instrumento a que se nega provimento.' (AIRR - 10054-

cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias e tenta 69.2013.5.01.0049, Data de Julgamento: 30/08/2017, Relator

justificar-se, daí porque assume a sua culpa in vigilando'. Registre- Ministro: Cláudio Mascarenhas Brandão, 7ª Turma, Data de

se, por oportuno, que a recente decisão do STF no RE nº 760.931, Publicação: DEJT 08/09/2017)

com repercussão geral, que atribuiu o ônus da prova da ausência 'AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA.

de fiscalização ao trabalhador, em nada altera a conclusão destes PROCESSO SOB A ÉGIDE DA LEI 13.015/2014. 1.

autos, uma vez que a condenação subsidiária da entidade pública TERCEIRIZAÇÃO TRABALHISTA. ENTIDADES ESTATAIS.

está amparada na prova de que incorreu em culpa in vigilando, ante ENTENDIMENTO FIXADO PELO STF NA ADC Nº 16-DF. SÚMULA

a ausência de fiscalização dos direitos trabalhistas dos empregados 331, V/TST. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. NECESSIDADE

da empresa prestadora de serviços. Nesse contexto, é inviável a DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA CULPOSA NO

admissibilidade do recurso de revista, pois a decisão recorrida CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES DA LEI 8.666/93

encontra-se em consonância com o item V da Súmula 331 do TST. EXPLICITADA NO ACÓRDÃO REGIONAL. Registre-se que o

Assim, tendo em vista que a parte não trouxe, nas razões de Supremo Tribunal Federal, ao decidir a ADC nº 16-DF, reverteu a

agravo, nenhum argumento capaz de infirmar a decisão denegatória interpretação sedimentada há duas décadas na jurisprudência

do agravo de instrumento, há que ser mantida a decisão. Agravo trabalhista no sentido de que as entidades estatais - a exemplo das

conhecido e desprovido.' (Ag-AIRR - 672-08.2013.5.21.0013, Data demais pessoas físicas e jurídicas - eram firmemente responsáveis

de Julgamento: 13/09/2017, Relator Ministro: Alexandre de Souza por verbas contratuais e legais trabalhistas dos trabalhadores

Agra Belmonte, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 15/09/2017) terceirizados na área estatal, caso houvesse o inadimplemento por

'AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA EM parte do empregador terceirizante (Súmula 331, antigo item IV,

FACE DE DECISÃO PUBLICADA A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI TST). Para o STF, é necessária a efetiva presença de culpa in

Nº 13.015/2014. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. vigilando da entidade estatal ao longo da prestação de serviços

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. CONTRATO DE (STF, ADC nº 16-DF). Observados tais parâmetros, é preciso

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ÔNUS DA PROVA. A contratação de perceber, no caso concreto, se o ente público agiu com culpa para a

empresa prestadora de serviços, por meio de regular licitação, não ocorrência do inadimplemento dos débitos trabalhistas. Se não

basta para excluir a responsabilidade do ente público. Nos termos resultar claramente evidenciada a ação ou omissão, direta ou

do item V da Súmula nº 331 do TST, editado à luz da decisão indireta, na modalidade culposa, do agente público em detrimento

proferida pelo Supremo Tribunal Federal na ADC nº 16/DF, em se do contrato administrativo para a prestação de serviços

tratando de terceirização de serviços, os entes integrantes da terceirizados, não há como identificar a responsabilidade da

Administração Pública direta e indireta responderão Administração Pública em relação às obrigações trabalhistas da

subsidiariamente pelas dívidas trabalhistas das empresas prestadora de serviços, à luz do art. 71, § 1º, da Lei 8.666/1993.

prestadoras, quando forem negligentes em relação ao dever de Insista-se que essa é a linha do entendimento atual do Supremo

fiscalizar o cumprimento das obrigações contratuais e legais da Tribunal Federal na ADC nº 16-DF. Em observância a esse

contratada. Na presente demanda, o Tribunal Regional, soberano entendimento da Corte Máxima, o TST alinhou-se à tese de que a

na análise do conjunto probatório, registrou que o ente público não responsabilidade subsidiária dos entes integrantes da

se desincumbiu do ônus de comprovar a correta fiscalização do Administração Pública direta e indireta não decorre de mero

cumprimento do contrato com a empresa prestadora. Assim, ao inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela

atribuir-lhe a responsabilidade subsidiária, decidiu em plena sintonia empresa regularmente contratada, mas apenas quando

com o verbete acima mencionado. Acrescente-se que não se comprovada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações

verifica desrespeito à tese de repercussão geral, firmada no da Lei 8.666, de 21.6.1993, especialmente na fiscalização do

julgamento do RE-760931, pelo Supremo Tribunal Federal, tendo cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de

em vista que não houve, no caso, a transferência automática da serviço como empregadora (artigos 58 e 67, Lei 8.666/93) - novo

responsabilidade decorrente do inadimplemento da obrigação pelo texto da Súmula 331, V, do TST. Nesse quadro, a mera culpa in

empregador. Ficou evidenciada a culpa in vigilando do ente público. eligendo não autoriza, por si só, deduzir a responsabilidade do

Tal conclusão se baseia apenas nas informações disponibilizadas Poder Público pelos débitos inadimplidos pela empregadora,

no sítio daquela Corte na internet, pois a decisão ainda aguarda a segundo o STF. A propósito, para a Corte Máxima, tendo sido a

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terceirização resultado de processo licitatório, não há que se falar precedente, dando-lhe redação que refletisse o posicionamento dos

em culpa in eligendo. Também não há que se falar, em tais casos Ministros do STF. V - Compulsando o verbete, percebe-se, sem

de terceirização, em responsabilidade objetiva, a teor da desusada perspicácia, que a responsabilização subsidiária da

jurisprudência advinda da Corte Máxima. Porém, naturalmente, se Administração Pública tem por pressuposto a comprovação da sua

houver clara, inquestionável culpa da entidade estatal tomadora de conduta culposa ao se demitir do dever de fiscalizar o cumprimento

serviços quanto à fiscalização da conduta da empresa terceirizada das obrigações trabalhistas da empresa prestadora de serviços. VI -

relativamente ao cumprimento de suas obrigações trabalhistas, Em outras palavras, impõe-se extrair da decisão do Regional

incidirá a responsabilidade subsidiária, por força de outros preceitos elementos de prova de que a Administração Pública observou ou

legais, além do art. 71, caput e § 1º, da Lei de Licitações. Havendo não o dever de fiscalização dos direitos trabalhistas devidos aos

manifesta ou demonstrada culpa in vigilando, incidem preceitos empregados da empresa prestadora de serviços, uma vez que o

responsabilizatórios concorrentes, tais como os artigos 58, III, 67, seu chamamento à responsabilização subsidiária repousa na sua

caput e §1º, da Lei 8.666/93 e os artigos 186 e 927, do Código Civil. responsabilidade subjetiva e não objetiva. VII - Mediante exame do

Nesse contexto, o STF, ao julgar com repercussão geral o RE nº acórdão recorrido, verifica-se que o Colegiado de origem fora

760.931, confirmou a tese já explicitada na anterior ADC nº 16-DF, incisivo e minudente ao extrair do contexto factual a

no sentido de que a responsabilidade da Administração Pública não responsabilidade subsidiária do agravante. VIII - O acórdão

pode ser automática, cabendo a sua condenação apenas se houver recorrido, com riqueza de detalhes probatórios em torno da culpa in

prova inequívoca de sua conduta omissiva ou comissiva na vigilando do agravante, por ter se demitido do dever de fiscalizar o

fiscalização dos contratos, bem como atribuiu o ônus de provar o cumprimento das obrigações trabalhistas da empresa prestadora de

descumprimento desse dever legal ao trabalhador. Assim, em que serviços, premissa, aliás, insuscetível de modificação no TST, a teor

pese a decisão do RE nº 760.931 atribua ao trabalhador o ônus da Súmula 126, guarda absoluta sintonia com entendimento contido

processual, no caso dos autos, enfatize-se que houve a conduta na Reclamação nº 23151/DF - Distrito Federal, em que fora Relator

omissiva do Estado Recorrente no tocante ao pagamento das o Ministro Luiz Fux, cuja decisão foi publicada no DJe de 3/3/2016.

faturas do contrato de prestação de serviços, sendo condição mais IX - Sobrevém, assim, a certeza de o Regional ter-se valido do

grave que a simples ausência do dever de fiscalização pelo ente princípio da persuasão racional do artigo 131 do CPC de 73, no qual

público, o que autoriza sua responsabilização subsidiária. Agravo de se acha subentendido o princípio da despersonalização da prova

instrumento desprovido.' (AIRR - 1443-14.2015.5.06.0019, Data de oral, consagrado, a propósito, no artigo 371 do CPC de 2015, para

Julgamento: 09/08/2017, Relator Ministro: Mauricio Godinho extrair a culpa in vigilando do agravante, nos termos da ADC

Delgado, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 18/08/2017) 16/2010. X - Desse modo, cai por terra a arguição de infringência

'RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. DA ADMINISTRAÇÃO aos artigos 818 da CLT e 333, I, do CPC de 73, pois o Regional não

PÚBLICA. CULPA IN VIGILANDO CARACTERIZADA. I - Para dirimira a controvérsia pelo critério do ônus subjetivo da prova. XI -

equacionar a controvérsia em torno da existência ou inexistência de Por outro lado, não se vislumbra ofensa literal e direta ao artigo 71,

responsabilidade subsidiária da Administração Pública pelas § 1º, da Lei 8.666/93, pois a decisão impugnada encontra-se, ao fim

obrigações trabalhistas não honradas pela empresa prestadora de e ao cabo, em consonância com a Súmula 331, item V, do TST,

serviço é imprescindível trazer a lume a decisão proferida pelo STF erigida em requisito negativo de admissibilidade do recurso revista.

na ADC 16/2007. II - Nela, apesar de ter sido reconhecida a XII - A divergência jurisprudencial, a seu turno, não se credencia à

constitucionalidade do artigo 71, § 1º, da Lei 8.666/93, os eminentes cognição do TST, não só por se reportar a arestos que não

Ministros daquela Corte permitiram-se alertar os tribunais do guardam similitude factual com a decisão recorrida, mas, sobretudo,

trabalho para não generalizar as hipóteses de responsabilização por estarem superados no caso concreto. XIII - Com isso, avulta a

subsidiária da Administração Pública. III - Na ocasião, traçaram convicção de que o recurso de revista efetivamente não lograva

inclusive regra de conduta a ser observada pelos tribunais do processamento, quer à guisa de violação legal ou constitucional,

trabalho, de se proceder, com mais rigor, à investigação se a quer por dissenso pretoriano, na esteira do artigo 896, § 7º, da CLT

inadimplência da empresa contratada por meio de licitação pública e da Súmula nº 333/TST. XIV - Agravo de instrumento a que se

teve como causa principal a falha ou a falta de fiscalização pelo nega provimento.' (AIRR - 10235-65.2014.5.03.0086, Data de

órgão público contratante. IV - A partir dessa quase admoestação Julgamento: 19/04/2017, Relator Ministro: Antonio José de Barros

da Suprema Corte, o Tribunal Superior do Trabalho houve por bem Levenhagen, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 28/04/2017)

transferir a redação do item IV da Súmula 331 para o item V desse A tal modo, inviável a prossecução do feito, nos termosdas

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 34
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

Súmulas nºs 126, 297e 333 do TST e do artigo 896, § 7º, da CLT. Assessor

Processo Nº ROT-0000620-39.2019.5.10.0811
Responsabilidade Solidária / Subsidiária/Tomador de Serviços / Relator CILENE FERREIRA AMARO SANTOS
Terceirização/Ente Público/Abrangência da Condenação. RECORRENTE MUNICIPIO DE XAMBIOA
ADVOGADO RICARDO FRANCISCO RIBEIRO DE
Alegação(ões): DEUS(OAB: 45463/GO)
- violação do(s) artigo 5º, caput;artigo 5º, inciso II;artigo 5º, inciso RECORRIDO MARCOS DIVINO DOS SANTOS
ALVES
LV;artigo 5º, inciso XLVI;artigo 37;artigo 100, da Constituição ADVOGADO FRANCISCO CHAGAS FERNANDES
ARAUJO(OAB: 6358/TO)
Federal.
RECORRIDO LC DA LUZ CONSTRUCAO, LIMPEZA
- violação do(s) Consolidação das Leis do Trabalho, artigo 613, E LOCACAO LTDA - ME
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho
inciso VIII.

A despeito dos argumentos lançados no arrazoado, relativamente Intimado(s)/Citado(s):


ao tópico em destaque, o fato é que a responsabilidade subsidiária - LC DA LUZ CONSTRUCAO, LIMPEZA E LOCACAO LTDA - ME

do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da

condenação referentes ao período da prestação laboral.

Incidem, portanto, a Súmula nº 333 do TST e o art. 896, § 7º, da


PODER JUDICIÁRIO
CLT como óbice ao processamento do recurso de revista, não se
JUSTIÇA DO TRABALHO
divisando maltrato aos dispositivos invocados.

Descontos Fiscais/Juros de Mora. RECURSO DE REVISTA

Alegação(ões):

- contrariedade à Orientação Jurisprudencial Tribunal Pleno/Órgão

Especial, do TST, nº 7.

- violação do(s) artigo 5º, caput;artigo 5º, inciso II;artigo 5º, inciso

LIV, da Constituição Federal.


1.MUNICIPIO DE XAMBIOA
- violação do(s) Lei nº 9494/1997, artigo 1º-F. Recorrente(s):

- divergência jurisprudencial.

Em prosseguimento, aTurma manteve a decisão quedeterminou a 1.RICARDO FRANCISCO


Advogado(a)(s):
incidência dos juros de mora no percentual de 1% ao mês. RIBEIRO DE DEUS (GO -
Inconformado, insurge-se o ente público contra essa decisão,

sustentando a incidência dos juros reduzidos. 1.MARCOS DIVINO DOS


Recorrido(a)(s):
Contudo, por estar o acórdão em harmonia com a diretriz traçada na SANTOS ALVES
OJBSDI-1 nº 382/TST, inviável o processamento da revista, nos

termos da Súmula nº 333 e da OJSBDI-1 nº 336, ambas do colendo 1.FRANCISCO CHAGAS


Advogado(a)(s):
TST. FERNANDES ARAUJO (TO -

CONCLUSÃO 1.Ministério Público do


Interessado(a)(s):
Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista. Trabalho

Publique-se.
PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS

Tempestivo o recurso (publicação em 31/08/2020 - fls. ; recurso


Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.
apresentado em 23/09/2020 - fls. ).
BRASILINO SANTOS RAMOS
Regular a representação processual (fls. 109).
Desembargador do Trabalho
Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV).
Brasília-DF, 13 de outubro de 2020.
PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS

Responsabilidade Solidária / Subsidiária/Tomador de Serviços /


CESAR DA SILVA AGUIAR
Terceirização/Ente Público.

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 35
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

Alegação(ões): § 8º. Quando o recurso fundar-se em dissenso de julgados, incumbe

- violação da (o)§1º do artigo 71 da Lei nº 8666/1991. ao recorrente o ônus de produzir prova da divergência

- divergência jurisprudencial. jurisprudencial, mediante certidão, cópia ou citação do repositório

No particular, a egr. Turma manteve a r. sentença quecondenou o de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia

segundo reclamado como responsável subsidiário pelo eletrônica, em que houver sido publicada a decisão divergente, ou

adimplemento das verbas trabalhistas, inclusive multas e honorários ainda pela reprodução de julgado disponível na internet, com

assistenciais. esta a ementa: indicação da respectiva fonte, mencionando, em qualquer caso, as

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. É entendimento da Terceira circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos

Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região que os confrontados .

arts. 58, III e 67 da Lei 8.666/1993 impõe à Administração Pública o O apelo não preenche o requisito do inciso I. A omissão quanto aos

dever de fiscalizar a execução do contrato, logo, o ônus de trechos do acórdão impugnado ou a mera transcrição, de forma

comprovar que efetivamente cumpriu essa obrigação é da tomadora integral, no início do recurso e sem a indicação precisa do trecho

dos serviços, nos exatos termos dos arts. 818, II, da CLT e 373, II, objeto da insurgência, bem como a evidente lacuna quanto à

do CPC. Como se vê, não se trata de inversão de ônus de prova, demonstração analítica dos motivos pelos quais cada disposição

mas de atribuir à Administração Pública o ônus de comprovar os legal ou jurisprudência reiterada e ementada teria sido motivo de

fatos impeditivos e extintivos do direito pleiteado pela parte autora. afronta pela decisão recorrida, revelam desconsideração às

A recorrente, em seu recurso de revista,deduzque 'sea contratante disposições legais acima declinadas.

é pessoa jurídica de direito público e contrata empresa mediante Além disso, a parte não procedeu ao cotejo analítico entre os

processo licitatório, em estrita observância ao artigo 37, XXI da fundamentos do v. acórdão recorrido e a divergência jurisprudencial

Constituição Federal e legislação pertinente (contratação de obras, apontada. Com efeito, cingiu-se a transcrever arestos paradigmas,

serviços, compras e alienações) não há razão para a sem, contudo, expor as razões do pedido de reforma, nem apontar

responsabilização subsidiária da Administração Pública, mormente nenhum fundamento jurídico a respeito da questão, além de não

se os serviços contratados constituírem partes integrantes da sua esclarecer em que medida a d. decisão Colegiada teria divergido

atividade-meio e não atividade-fim. Outrossim, o Município, de boa- dos casos confrontados.

fé, fez os pagamentos dos direitos rescisórios dos trabalhadores de Ao assim proceder, a parte deixou de observar o disposto no art.

acordo com as informações e TRCT's enviados pela empresa, 896, § 1.º-A, II, III, e § 8.º, da CLT, o que obsta o conhecimento do

sendo injusta qualquer condenação subsidiária'. recurso de revista.

Registre-se que o recurso de revista em exame está submetido à Nesse sentido, é a iterativa e atual jurisprudência do col. TST:

Lei nº 13.015/2014, que dá nova redação ao artigo 896 da CLT. [[...] Recursos baseados em meros apontamentos de dispositivos

Nesse contexto, a referida Lei acresceu a a esse dispositivo, dentre tidos como violados ou na mera transcrição de arestos paradigmas,

outros, o § 1.º-A, que, em seus incisos I a III, e § 8.º, determinam sem a indicação, ponto a ponto, do trecho da decisão recorrida que

novas exigências de cunho formal para a interposição do recurso de a Parte entende ser ofensivo à ordem legal ou divergente de outro

revista. julgado, de fato, não merecem seguimento. O propósito do art. 896,

Referidos preceitos possuem a seguinte redação: § 1º-A, da CLT, é impor ao recorrente objetividade, de modo a

§ 1.º-A. Sob pena de não conhecimento, é ônus da parte: indicar assertivamente as teses adotadas pelo Tribunal Regional e

I - indicar o trecho da decisão recorrida que consubstancia o por quais razões o acórdão estaria em desacordo normativo ou

prequestionamento da controvérsia objeto do recurso de revista; jurisprudencial. Este Colegiado tem interpretado a norma de acordo

II - indicar, de forma explícita e fundamentada , contrariedade a com a sua finalidade, qual seja, a de tornar a análise dos recursos

dispositivo de lei, súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal de competência deste Tribunal Superior mais objetiva, célere e

Superior do Trabalho que conflite com a decisão regional; precisa, eliminando a antiga prática de se interpor o recurso com

III - expor as razões do pedido de reforma, impugnando todos os alegações genéricas e abstratas, sem o cotejo com a decisão

fundamentos jurídicos da decisão recorrida , inclusive mediante proferida pela Corte a quo . Nesse sentido, incumbia ao recorrente

demonstração analítica de cada dispositivo de lei, da Constituição indicar a parte específica dessa decisão em que se encontrava a

Federal, de súmula ou orientação jurisprudencial cuja contrariedade tese jurídica combatida (art. 896, § 1.º-A, I), realizando o confronto

aponte. com os dispositivos legais apontados (art. 896, § 1.º-A, II e III) e/ou

(...) com a divergência jurisprudencial (art. 896, § 8.º, da CLT). Não

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 36
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

merece prosperar, portanto, agravo de instrumento que visa a prequestionamento da tese que pretende debater; logo, trata-se de

destrancar recurso de revista que não preenche os pressupostos transcrição genérica que não atende ao aludido requisito. Do

formais de admissibilidade. (AIRR-1602-33.2016.5.10.0011, mesmo modo, não logrou atender à exigência contida no art. 896, §

Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, 2ª Turma, DEJT: 1º-A, III, da CLT. Isso porque não há nas razões recursais cotejo

04/09/2020) analítico por meio do qual o recorrente tenha demonstrado que a

AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE decisão impugnada ofendeu especificamente a literalidade dos

REVISTA. DIFERENÇAS DE ADICIONAL NOTURNO. RECURSO dispositivos indicados . Agravo de instrumento de que se conhece e

DE REVISTA QUE NÃO ATENDE AOS REQUISITOS DISPOSTOS a que se nega provimento. (AIRR- 21233-71.2015.5.04.0008,

NO ARTIGO 896, §§ 1º-A, INCISO III, E 8º, DA CLT. AUSÊNCIA DE Relatora Desembargadora Convocada Cilene Ferreira Amaro

IMPUGNAÇÃO ANALÍTICA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO Santos, 6.ª Turma, DEJT 16/8/2019)

CIRCUNSTANCIAL DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA.

merece provimento o agravo que não desconstitui os fundamentos RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. INDICAÇÃO DO INTEIRO

da decisão monocrática, pela qual foi denegado seguimento ao TEOR DO ACÓRDÃO REGIONAL DISSOCIADO DAS RAZÕES DE

agravo de instrumento em face da ausência de preenchimento dos REFORMA. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS

requisitos previstos no artigo 896, §§ 1º-A e 8º, da CLT. Verifica-se, ELENCADOS NO ARTIGO 896, § 1.º-A, I E III, E § 8.º DA CLT. A

da análise das razões do recurso de revista, que a parte, de fato, indicação do inteiro teor do acórdão regional no início do Recurso

não cuidou em demonstrar, analiticamente, a ofensa aos de Revista, totalmente dissociada das razões de reforma, não

dispositivos por ela indicados, como ordena o art. 896, § 1º-A, inciso atende às determinações da Lei n.º 13.015/2014 . Apesar de

III, da CLT, tampouco procedeu à indicação circunstancial da parecer, num primeiro momento, que foram cumpridas as

divergência jurisprudencial na forma ordenada no § 8º do determinações do inciso I do § 1.º-A do artigo 896 da CLT, o fato é

mencionado artigo, de forma que as exigências processuais que o Recorrente não só não demonstra o prequestionamento da

contidas nos referidos dispositivos, na hipótese, assim como controvérsia como também não obedece à determinação do inciso

consignado na decisão agravada, não foram satisfeitas. (Ag-AIRR- III do referido dispositivo legal, desse modo não houve delimitação

11346-55.2017.5.15.0083, Relator Ministro Jose Roberto Freire da tese jurídica e, por conseguinte, a demonstração analítica do

Pimenta, 2ª Turma, DEJT 28/08/2020). dispositivo de lei supostamente ofendido e do fundamento jurídico

AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM adotado pelo Regional. O § 8.º, parte final, do art. 896, da CLT, é

RECURSO DE REVISTA. NÃO OBSERVÂNCIA DO REQUISITO claro ao dispor que o Recorrente deverá mencionar, 'em qualquer

DE ADMISSIBILIDADE DO ART. 896, § 1.º-A, DA CLT. A despeito caso, as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos

das razões expostas pela agravante, deve ser mantida a decisão confrontados'. Logo, não basta para que seja conhecido o Apelo por

pela qual foi negado seguimento ao Agravo de Instrumento, pois divergência jurisprudencial unicamente a transcrição do aresto,

não observados os requisitos elencados no art. 896, § 1.º-A, da sendo necessário, repise-se, que a parte recorrente especifique o

CLT. Dentre os pressupostos intrínsecos de admissibilidade do cenário que iguale ou aproxime os casos analisados . Agravo de

Recurso de Revista, acrescidos pela Lei n.º 13.015/2014, consta a Instrumento conhecido e não provido. (AIRR-831-

exigência de que o recorrente faça o cotejo analítico entre o trecho 09.2016.5.08.0206, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, 4.ª

da decisão recorrida que abarca a tese jurídica impugnada e as Turma, DEJT 23/3/2018)

afrontas legais e/ou constitucionais ou dissenso de teses indicados 'RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI

(art. 896, § 1.º-A, III, da CLT). Uma vez não observado o comando 13015/2014. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.

legal, o Recurso não deve ser admitido. Agravo conhecido e não PRESCRIÇÃO BIENAL. INDICAÇÃO DE VIOLAÇÃO A

provido. (Ag-AIRR - 11664-92.2015.5.01.0052 , Relator Ministro Luiz DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL E DE CONFLITO

José Dezena da Silva, 1ª Turma, DEJT 16/08/2019) JURISPRUDENCIAL SEM DEFINIÇÃO DO TRECHO DA DECISÃO

AGRAVO DE INSTRUMENTO. EQUIPARAÇÃO SALARIAL. RECORRIDA E SEM CONFRONTO ANALÍTICO.

INTERVALO DO ARTIGO 384 DA CLT. INOBSERVÂNCIA DO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. A recorrente se

ART. 896, § 1º-A, I E III, DA CLT. A parte recorrente não atende ao descuidou de cumprir requisito essencial a viabilizar a apreciação

requisito descrito no art. 896, § 1º-A, I, da CLT, na medida em que do recurso de revista. A ausência de indicação do trecho da v.

efetua apenas a transcrição integral da decisão recorrida, sem decisão que consubstancia o prequestionamento da matéria e o

qualquer destaque dos trechos que consubstanciam o confronto analítico entre a tese recorrida e a violação constitucional

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 37
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

e mesmo o conflito jurisprudencial indicado inviabiliza o

conhecimento do recurso de revista, nos termos do §1º-A, I e III, do


1.MUNICIPIO DE XAMBIOA
art. 896 da CLT. Ressalte-se que a alteração legislativa contida na Recorrente(s):
norma traduz a obrigação das partes levar ao Tribunal Superior a

matéria recursal de modo a viabilizar o reconhecimento da tese


1.RICARDO FRANCISCO
jurídica que se pretende colocar em debate, com o devido confronto Advogado(a)(s):
RIBEIRO DE DEUS (GO -
analítico, demonstrando os requisitos do art. 896 da CLT, com o fim

maior de racionalizar e efetivar a jurisdição. Recurso de revista não


1.MARCOS DIVINO DOS
conhecido.' (RR-2007-71.2013.5.05.0251, Relator Ministro: Aloysio Recorrido(a)(s):
SANTOS ALVES
Corrêa da Veiga, 6ª Turma, DEJT 04/05/2015)

Assim, à míngua de pressuposto intrínseco de admissibilidade, o 1.FRANCISCO CHAGAS


Advogado(a)(s):
apelo não merece impulso. FERNANDES ARAUJO (TO -
CONCLUSÃO

Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista. 1.Ministério Público do


Interessado(a)(s):
Trabalho
Publique-se.

PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS
Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.
Tempestivo o recurso (publicação em 31/08/2020 - fls. ; recurso
BRASILINO SANTOS RAMOS
apresentado em 23/09/2020 - fls. ).
Desembargador do Trabalho
Regular a representação processual (fls. 109).
Brasília-DF, 13 de outubro de 2020.
Isento de preparo (CLT, art. 790-A e DL 779/69, art. 1º, IV).

PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS
CESAR DA SILVA AGUIAR
Responsabilidade Solidária / Subsidiária/Tomador de Serviços /
Assessor
Terceirização/Ente Público.
Notificação
Alegação(ões):

Processo Nº ROT-0000620-39.2019.5.10.0811 - violação da (o)§1º do artigo 71 da Lei nº 8666/1991.


Relator CILENE FERREIRA AMARO SANTOS
- divergência jurisprudencial.
RECORRENTE MUNICIPIO DE XAMBIOA
ADVOGADO RICARDO FRANCISCO RIBEIRO DE No particular, a egr. Turma manteve a r. sentença quecondenou o
DEUS(OAB: 45463/GO)
segundo reclamado como responsável subsidiário pelo
RECORRIDO MARCOS DIVINO DOS SANTOS
ALVES adimplemento das verbas trabalhistas, inclusive multas e honorários
ADVOGADO FRANCISCO CHAGAS FERNANDES
ARAUJO(OAB: 6358/TO) assistenciais. esta a ementa:
RECORRIDO LC DA LUZ CONSTRUCAO, LIMPEZA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. É entendimento da Terceira
E LOCACAO LTDA - ME
CUSTOS LEGIS Ministério Público do Trabalho Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região que os

arts. 58, III e 67 da Lei 8.666/1993 impõe à Administração Pública o


Intimado(s)/Citado(s):
dever de fiscalizar a execução do contrato, logo, o ônus de
- MUNICIPIO DE XAMBIOA
comprovar que efetivamente cumpriu essa obrigação é da tomadora

dos serviços, nos exatos termos dos arts. 818, II, da CLT e 373, II,

do CPC. Como se vê, não se trata de inversão de ônus de prova,


PODER JUDICIÁRIO mas de atribuir à Administração Pública o ônus de comprovar os
JUSTIÇA DO TRABALHO fatos impeditivos e extintivos do direito pleiteado pela parte autora.

A recorrente, em seu recurso de revista,deduzque 'sea contratante

é pessoa jurídica de direito público e contrata empresa mediante


RECURSO DE REVISTA
processo licitatório, em estrita observância ao artigo 37, XXI da

Constituição Federal e legislação pertinente (contratação de obras,

serviços, compras e alienações) não há razão para a

responsabilização subsidiária da Administração Pública, mormente

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Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

se os serviços contratados constituírem partes integrantes da sua esclarecer em que medida a d. decisão Colegiada teria divergido

atividade-meio e não atividade-fim. Outrossim, o Município, de boa- dos casos confrontados.

fé, fez os pagamentos dos direitos rescisórios dos trabalhadores de Ao assim proceder, a parte deixou de observar o disposto no art.

acordo com as informações e TRCT's enviados pela empresa, 896, § 1.º-A, II, III, e § 8.º, da CLT, o que obsta o conhecimento do

sendo injusta qualquer condenação subsidiária'. recurso de revista.

Registre-se que o recurso de revista em exame está submetido à Nesse sentido, é a iterativa e atual jurisprudência do col. TST:

Lei nº 13.015/2014, que dá nova redação ao artigo 896 da CLT. [[...] Recursos baseados em meros apontamentos de dispositivos

Nesse contexto, a referida Lei acresceu a a esse dispositivo, dentre tidos como violados ou na mera transcrição de arestos paradigmas,

outros, o § 1.º-A, que, em seus incisos I a III, e § 8.º, determinam sem a indicação, ponto a ponto, do trecho da decisão recorrida que

novas exigências de cunho formal para a interposição do recurso de a Parte entende ser ofensivo à ordem legal ou divergente de outro

revista. julgado, de fato, não merecem seguimento. O propósito do art. 896,

Referidos preceitos possuem a seguinte redação: § 1º-A, da CLT, é impor ao recorrente objetividade, de modo a

§ 1.º-A. Sob pena de não conhecimento, é ônus da parte: indicar assertivamente as teses adotadas pelo Tribunal Regional e

I - indicar o trecho da decisão recorrida que consubstancia o por quais razões o acórdão estaria em desacordo normativo ou

prequestionamento da controvérsia objeto do recurso de revista; jurisprudencial. Este Colegiado tem interpretado a norma de acordo

II - indicar, de forma explícita e fundamentada , contrariedade a com a sua finalidade, qual seja, a de tornar a análise dos recursos

dispositivo de lei, súmula ou orientação jurisprudencial do Tribunal de competência deste Tribunal Superior mais objetiva, célere e

Superior do Trabalho que conflite com a decisão regional; precisa, eliminando a antiga prática de se interpor o recurso com

III - expor as razões do pedido de reforma, impugnando todos os alegações genéricas e abstratas, sem o cotejo com a decisão

fundamentos jurídicos da decisão recorrida , inclusive mediante proferida pela Corte a quo . Nesse sentido, incumbia ao recorrente

demonstração analítica de cada dispositivo de lei, da Constituição indicar a parte específica dessa decisão em que se encontrava a

Federal, de súmula ou orientação jurisprudencial cuja contrariedade tese jurídica combatida (art. 896, § 1.º-A, I), realizando o confronto

aponte. com os dispositivos legais apontados (art. 896, § 1.º-A, II e III) e/ou

(...) com a divergência jurisprudencial (art. 896, § 8.º, da CLT). Não

§ 8º. Quando o recurso fundar-se em dissenso de julgados, incumbe merece prosperar, portanto, agravo de instrumento que visa a

ao recorrente o ônus de produzir prova da divergência destrancar recurso de revista que não preenche os pressupostos

jurisprudencial, mediante certidão, cópia ou citação do repositório formais de admissibilidade. (AIRR-1602-33.2016.5.10.0011,

de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia Relatora Ministra Delaide Miranda Arantes, 2ª Turma, DEJT:

eletrônica, em que houver sido publicada a decisão divergente, ou 04/09/2020)

ainda pela reprodução de julgado disponível na internet, com AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE

indicação da respectiva fonte, mencionando, em qualquer caso, as REVISTA. DIFERENÇAS DE ADICIONAL NOTURNO. RECURSO

circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos DE REVISTA QUE NÃO ATENDE AOS REQUISITOS DISPOSTOS

confrontados . NO ARTIGO 896, §§ 1º-A, INCISO III, E 8º, DA CLT. AUSÊNCIA DE

O apelo não preenche o requisito do inciso I. A omissão quanto aos IMPUGNAÇÃO ANALÍTICA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO

trechos do acórdão impugnado ou a mera transcrição, de forma CIRCUNSTANCIAL DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não

integral, no início do recurso e sem a indicação precisa do trecho merece provimento o agravo que não desconstitui os fundamentos

objeto da insurgência, bem como a evidente lacuna quanto à da decisão monocrática, pela qual foi denegado seguimento ao

demonstração analítica dos motivos pelos quais cada disposição agravo de instrumento em face da ausência de preenchimento dos

legal ou jurisprudência reiterada e ementada teria sido motivo de requisitos previstos no artigo 896, §§ 1º-A e 8º, da CLT. Verifica-se,

afronta pela decisão recorrida, revelam desconsideração às da análise das razões do recurso de revista, que a parte, de fato,

disposições legais acima declinadas. não cuidou em demonstrar, analiticamente, a ofensa aos

Além disso, a parte não procedeu ao cotejo analítico entre os dispositivos por ela indicados, como ordena o art. 896, § 1º-A, inciso

fundamentos do v. acórdão recorrido e a divergência jurisprudencial III, da CLT, tampouco procedeu à indicação circunstancial da

apontada. Com efeito, cingiu-se a transcrever arestos paradigmas, divergência jurisprudencial na forma ordenada no § 8º do

sem, contudo, expor as razões do pedido de reforma, nem apontar mencionado artigo, de forma que as exigências processuais

nenhum fundamento jurídico a respeito da questão, além de não contidas nos referidos dispositivos, na hipótese, assim como

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 39
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

consignado na decisão agravada, não foram satisfeitas. (Ag-AIRR- III do referido dispositivo legal, desse modo não houve delimitação

11346-55.2017.5.15.0083, Relator Ministro Jose Roberto Freire da tese jurídica e, por conseguinte, a demonstração analítica do

Pimenta, 2ª Turma, DEJT 28/08/2020). dispositivo de lei supostamente ofendido e do fundamento jurídico

AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM adotado pelo Regional. O § 8.º, parte final, do art. 896, da CLT, é

RECURSO DE REVISTA. NÃO OBSERVÂNCIA DO REQUISITO claro ao dispor que o Recorrente deverá mencionar, 'em qualquer

DE ADMISSIBILIDADE DO ART. 896, § 1.º-A, DA CLT. A despeito caso, as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos

das razões expostas pela agravante, deve ser mantida a decisão confrontados'. Logo, não basta para que seja conhecido o Apelo por

pela qual foi negado seguimento ao Agravo de Instrumento, pois divergência jurisprudencial unicamente a transcrição do aresto,

não observados os requisitos elencados no art. 896, § 1.º-A, da sendo necessário, repise-se, que a parte recorrente especifique o

CLT. Dentre os pressupostos intrínsecos de admissibilidade do cenário que iguale ou aproxime os casos analisados . Agravo de

Recurso de Revista, acrescidos pela Lei n.º 13.015/2014, consta a Instrumento conhecido e não provido. (AIRR-831-

exigência de que o recorrente faça o cotejo analítico entre o trecho 09.2016.5.08.0206, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, 4.ª

da decisão recorrida que abarca a tese jurídica impugnada e as Turma, DEJT 23/3/2018)

afrontas legais e/ou constitucionais ou dissenso de teses indicados 'RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI

(art. 896, § 1.º-A, III, da CLT). Uma vez não observado o comando 13015/2014. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.

legal, o Recurso não deve ser admitido. Agravo conhecido e não PRESCRIÇÃO BIENAL. INDICAÇÃO DE VIOLAÇÃO A

provido. (Ag-AIRR - 11664-92.2015.5.01.0052 , Relator Ministro Luiz DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL E DE CONFLITO

José Dezena da Silva, 1ª Turma, DEJT 16/08/2019) JURISPRUDENCIAL SEM DEFINIÇÃO DO TRECHO DA DECISÃO

AGRAVO DE INSTRUMENTO. EQUIPARAÇÃO SALARIAL. RECORRIDA E SEM CONFRONTO ANALÍTICO.

INTERVALO DO ARTIGO 384 DA CLT. INOBSERVÂNCIA DO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. A recorrente se

ART. 896, § 1º-A, I E III, DA CLT. A parte recorrente não atende ao descuidou de cumprir requisito essencial a viabilizar a apreciação

requisito descrito no art. 896, § 1º-A, I, da CLT, na medida em que do recurso de revista. A ausência de indicação do trecho da v.

efetua apenas a transcrição integral da decisão recorrida, sem decisão que consubstancia o prequestionamento da matéria e o

qualquer destaque dos trechos que consubstanciam o confronto analítico entre a tese recorrida e a violação constitucional

prequestionamento da tese que pretende debater; logo, trata-se de e mesmo o conflito jurisprudencial indicado inviabiliza o

transcrição genérica que não atende ao aludido requisito. Do conhecimento do recurso de revista, nos termos do §1º-A, I e III, do

mesmo modo, não logrou atender à exigência contida no art. 896, § art. 896 da CLT. Ressalte-se que a alteração legislativa contida na

1º-A, III, da CLT. Isso porque não há nas razões recursais cotejo norma traduz a obrigação das partes levar ao Tribunal Superior a

analítico por meio do qual o recorrente tenha demonstrado que a matéria recursal de modo a viabilizar o reconhecimento da tese

decisão impugnada ofendeu especificamente a literalidade dos jurídica que se pretende colocar em debate, com o devido confronto

dispositivos indicados . Agravo de instrumento de que se conhece e analítico, demonstrando os requisitos do art. 896 da CLT, com o fim

a que se nega provimento. (AIRR- 21233-71.2015.5.04.0008, maior de racionalizar e efetivar a jurisdição. Recurso de revista não

Relatora Desembargadora Convocada Cilene Ferreira Amaro conhecido.' (RR-2007-71.2013.5.05.0251, Relator Ministro: Aloysio

Santos, 6.ª Turma, DEJT 16/8/2019) Corrêa da Veiga, 6ª Turma, DEJT 04/05/2015)

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. Assim, à míngua de pressuposto intrínseco de admissibilidade, o

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. INDICAÇÃO DO INTEIRO apelo não merece impulso.

TEOR DO ACÓRDÃO REGIONAL DISSOCIADO DAS RAZÕES DE CONCLUSÃO

REFORMA. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS Ante o exposto, DENEGO seguimento ao recurso de revista.

ELENCADOS NO ARTIGO 896, § 1.º-A, I E III, E § 8.º DA CLT. A

indicação do inteiro teor do acórdão regional no início do Recurso Publique-se.

de Revista, totalmente dissociada das razões de reforma, não

atende às determinações da Lei n.º 13.015/2014 . Apesar de Brasília-DF, 13 de Outubro de 2020.

parecer, num primeiro momento, que foram cumpridas as BRASILINO SANTOS RAMOS

determinações do inciso I do § 1.º-A do artigo 896 da CLT, o fato é Desembargador do Trabalho

que o Recorrente não só não demonstra o prequestionamento da Brasília-DF, 13 de outubro de 2020.

controvérsia como também não obedece à determinação do inciso

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 40
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

CESAR DA SILVA AGUIAR Coordenadoria de Apoio ao Juízo de Execuções e ao Juízo da

Assessor Infância e da Juventude - CDJEX,

SECRETARIA DA CORREGEDORIA REGIONAL RESOLVE

Portaria
Art. 1º Designar a Juíza do Trabalho Titular NAIANA CARAPEBA
PORTARIA DA CORREGEDORIA Nº 65/2020, NERY DE OLIVEIRA e a Juíza do Trabalho Substituta FRANCISCA
DE 14 DE OUTUBRO DE 2020 BRENNA VIEIRA NEPOMUCENO para atuarem como Gestoras da
O CORREGEDOR REGIONAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO DA Execução Trabalhista no âmbito doTribunal Regional do Trabalho
DÉCIMA REGIÃO, no exercício de suas atribuições legais e da 10.ª Região, na condição de titular e suplente, respectivamente.
regimentais, Parágrafo único. As funções em referência serão exercidas sem
considerando as férias da Juíza Titular da 2ª Vara do Trabalho de prejuízo das atribuições relativas ao exercício dos cargos.
Taguatinga/DF em período parcialmente concomitante com

afastamento do respectivo Juiz Auxiliar; Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação,
considerando a indisponibilidade de Juiz sem vinculação para o ficando revogada a Portaria da Presidência nº 13, de 10 de junho de
período pertinente e 2019.
considerando não ser razoável a vacância de Juízo,

resolve: BRASILINO SANTOS RAMOS


DESIGNAR o Exmo. Sr. Juiz do Trabalho Substituto JOÃO

BATISTA CRUZ DE ALMEIDA para, sem prejuízo da designação

atual, cumulativamente substituir no MM. Juízo da 2ª Vara do SECRETARIA DO TRIBUNAL PLENO


Trabalho de Taguatinga/DF, no período de 19 a 27 de outubro de Resolução
2020. Resoluções Administrativas
A presente Portaria tem efeitos imediatos, sem prejuízo da Resolução Administrativa Nº 37/2020

publicação regular, ciente o magistrado designado. O egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região, na 3ª

DESEMBARGADOR ALEXANDRE NERY DE OLIVEIRA Sessão Plenária Extraordinária Administrativa, realizada no dia 13

CORREGEDOR REGIONAL de outubro de 2020, às 15h30min, na forma telepresencial, sob a

Presidência do Desembargador BRASILINO SANTOS RAMOS,

SECRETARIA-GERAL JUDICIÁRIA presentes os Desembargadores ALEXANDRE NERY DE

Portaria OLIVEIRA – Vice-Presidente, JOÃO AMÍLCAR PAVAN, FLÁVIA


PORTARIA PRE-SGJUD Nº 21, DE 14 DE SIMÕES FALCÃO, MÁRIO MACEDO FERNANDES CARON,
OUTUBRO DE 2020. RICARDO ALENCAR MACHADO, ANDRÉ R. P. V. DAMASCENO,

mesmo em período de férias, MARIA REGINA MACHADO

GUIMARÃES, RIBAMAR LIMA JÚNIOR, JOSÉ LEONE


Designa Gestor Regional da Execução Trabalhista e Suplente. CORDEIRO LEITE, DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO, ELKE

DORIS JUST, GRIJALBO FERNANDES COUTINHO e JOÃO LUIS

ROCHA SAMPAIO; e a representante da d. Procuradoria Regional


O PRESIDENTE DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA do Trabalho, Procuradora GENY HELENA FERNANDES
10ª REGIÃO, no uso de suas atribuições legais e regimentais,em BARROSO MARQUES; ausentes os Desembargadores ELAINE
face do que consta doProcesso SEI 0005130-62.2019.5.10.8000, e, MACHADO VASCONCELOS, em licença médica, e PEDRO LUÍS
CONSIDERANDO o disposto no Ato CSJT.GP.SG.nº 107, de 27 de VICENTIN FOLTRAN e CILENE FERREIRA AMARO SANTOS,
maio de 2019, ambos em período de férias,
CONSIDERANDO o disposto na Portaria da Presidência nº 13, de CONSIDERANDO o contido na Resolução CNJ-322/2020, de 1º de
10 de junho de 2019, e, junho de 2020, que define critérios gerais para a retomada gradual
CONSIDERANDO o teor da Portaria PRE-SGJUD nº 9, de 26 de dos serviços presenciais no âmbito do Poder Judiciário, observadas
março de 2020, a qual designa membros para compor a as ações necessárias à prevenção de contágio pelo coronavírus

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 41
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

(covid-19); ROCHA SAMPAIO; e a representante da d. Procuradoria Regional

CONSIDERANDO a orientação no sentido de que cada Tribunal do Trabalho, Procuradora GENY HELENA FERNANDES

Regional deva normatizar o modo de retorno gradual ao trabalho BARROSO MARQUES; ausentes os Desembargadores ELAINE

presencial, conforme Ofício-Circular CSJT.GP.SG-26/2020, de 14 MACHADO VASCONCELOS, em licença médica, e PEDRO LUÍS

de julho de 2020, encaminhado pela Exma. Sra. Ministra Maria VICENTIN FOLTRAN e CILENE FERREIRA AMARO SANTOS,

Cristina Irigoyen Peduzzi, Presidente do Conselho Superior da ambos em período de férias,

Justiça do Trabalho; e CONSIDERANDO o contido na Resolução CNJ-322/2020, de 1º de

CONSIDERANDO o relatório do Grupo de Trabalho instituído pela junho de 2020, que define critérios gerais para a retomada gradual

Portaria da Presidência nº 12/2020, de 17 de abril de 2020, para dos serviços presenciais no âmbito do Poder Judiciário, observadas

elaboração de estudos para o retorno do trabalho presencial no as ações necessárias à prevenção de contágio pelo coronavírus

âmbito do Tribunal, após a quarentena em razão da pandemia da (covid-19);

covid-19, apresentado nos autos do Processo SEI-0003514- CONSIDERANDO a orientação no sentido de que cada Tribunal

18.2020.5.10.8000, Regional deva normatizar o modo de retorno gradual ao trabalho

DECIDIU, por unanimidade, com ressalvas do Desembargador presencial, conforme Ofício-Circular CSJT.GP.SG-26/2020, de 14

Ricardo Alencar Machado, apreciando o contido no PA-SEI de julho de 2020, encaminhado pela Exma. Sra. Ministra Maria

0008733-12.2020.5.10.8000 - MA 109/2020, aprovar a indicação da Cristina Irigoyen Peduzzi, Presidente do Conselho Superior da

data de 19 de outubro de 2020 (segunda-feira) como marco da Justiça do Trabalho; e

etapa inicial da retomada gradual dos trabalhos presenciais na CONSIDERANDO o relatório do Grupo de Trabalho instituído pela

Vara do Trabalho de Dianópolis/TO, na forma proposta pela Portaria da Presidência nº 12/2020, de 17 de abril de 2020, para

Administração, baixando a Resolução Administrativa n.º 37/2020 – elaboração de estudos para o retorno do trabalho presencial no

(2104): âmbito do Tribunal, após a quarentena em razão da pandemia da

"Art. 1.º Fica autorizado o início das Atividades da Primeira Etapa covid-19, apresentado nos autos do Processo SEI-0003514-

do Trabalho Presencial na Vara do Trabalho de Dianópolis/TO a 18.2020.5.10.8000,

partir do dia 19 de outubro de 2020, nos termos da Resolução DECIDIU, por unanimidade, com ressalvas do Desembargador

Administrativa n.º 34/2020. Ricardo Alencar Machado, apreciando o contido no PA-SEI –

Art. 2.º Fica vedado o atendimento presencial ao público em geral, 0008863-02.2020.5.10.8000 - MA 113/2020, aprovar a indicação da

nos termos do art. 9.º Inciso IV, da RA 34/2020. data de 19 de outubro de 2020 (segunda-feira) como marco da

Art. 3.º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação." etapa inicial da retomada gradual dos trabalhos presenciais no Foro

Brasília, 13 de outubro de 2020. (DATA DA APROVAÇÃO). Trabalhista de Palmas/TO, na forma proposta pela Administração,

baixando a Resolução Administrativa n.º 38/2020 – (2105):

BRASILINO SANTOS RAMOS "Art. 1.º Fica autorizado o início das Atividades da Primeira Etapa

Desembargador Presidente do TRT da 10ª Região do Trabalho Presencial no Foro Trabalhista de Palmas/TO a partir

do dia 19 de outubro de 2020, nos termos da Resolução

Resolução Administrativa Nº 38/2020 Administrativa n.º 34/2020.

O egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região, na 3ª Art. 2.º Fica vedado o atendimento presencial ao público em geral,

Sessão Plenária Extraordinária Administrativa, realizada no dia 13 nos termos do art. 9.º Inciso IV, da RA 34/2020.

de outubro de 2020, às 15h30min, na forma telepresencial, sob a Art. 3.º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação."

Presidência do Desembargador BRASILINO SANTOS RAMOS, Brasília, 13 de outubro de 2020. (DATA DA APROVAÇÃO).

presentes os Desembargadores ALEXANDRE NERY DE BRASILINO SANTOS RAMOS

OLIVEIRA – Vice-Presidente, JOÃO AMÍLCAR PAVAN, FLÁVIA Desembargador Presidente do TRT da 10ª Região

SIMÕES FALCÃO, MÁRIO MACEDO FERNANDES CARON,

RICARDO ALENCAR MACHADO, ANDRÉ R. P. V. DAMASCENO, Resolução Administrativa Nº 39/2020

mesmo em período de férias, MARIA REGINA MACHADO O egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região, na 3ª

GUIMARÃES, RIBAMAR LIMA JÚNIOR, JOSÉ LEONE Sessão Plenária Extraordinária Administrativa, realizada no dia 13

CORDEIRO LEITE, DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO, ELKE de outubro de 2020, às 15h30min, na forma telepresencial, sob a

DORIS JUST, GRIJALBO FERNANDES COUTINHO e JOÃO LUIS Presidência do Desembargador BRASILINO SANTOS RAMOS,

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 42
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

presentes os Desembargadores ALEXANDRE NERY DE Brasília, 13 de outubro de 2020. (DATA DA APROVAÇÃO).

OLIVEIRA – Vice-Presidente, JOÃO AMÍLCAR PAVAN, FLÁVIA BRASILINO SANTOS RAMOS

SIMÕES FALCÃO, MÁRIO MACEDO FERNANDES CARON, Desembargador Presidente do TRT da 10ª Região

RICARDO ALENCAR MACHADO, ANDRÉ R. P. V. DAMASCENO,

mesmo em período de férias, MARIA REGINA MACHADO Resolução Administrativa Nº 40/2020

GUIMARÃES, RIBAMAR LIMA JÚNIOR, JOSÉ LEONE O egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região, na 3ª

CORDEIRO LEITE, DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO, ELKE Sessão Plenária Extraordinária Administrativa, realizada no dia 13

DORIS JUST, GRIJALBO FERNANDES COUTINHO e JOÃO LUIS de outubro de 2020, às 15h30min, na forma telepresencial, sob a

ROCHA SAMPAIO; e a representante da d. Procuradoria Regional Presidência do Desembargador BRASILINO SANTOS RAMOS,

do Trabalho, Procuradora GENY HELENA FERNANDES presentes os Desembargadores ALEXANDRE NERY DE

BARROSO MARQUES; ausentes os Desembargadores ELAINE OLIVEIRA – Vice-Presidente, JOÃO AMÍLCAR PAVAN, FLÁVIA

MACHADO VASCONCELOS, em licença médica, e PEDRO LUÍS SIMÕES FALCÃO, MÁRIO MACEDO FERNANDES CARON,

VICENTIN FOLTRAN e CILENE FERREIRA AMARO SANTOS, RICARDO ALENCAR MACHADO, ANDRÉ R. P. V. DAMASCENO,

ambos em período de férias, mesmo em período de férias, MARIA REGINA MACHADO

CONSIDERANDO o contido na Resolução CNJ-322/2020, de 1º de GUIMARÃES, RIBAMAR LIMA JÚNIOR, JOSÉ LEONE

junho de 2020, que define critérios gerais para a retomada gradual CORDEIRO LEITE, DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO, ELKE

dos serviços presenciais no âmbito do Poder Judiciário, observadas DORIS JUST, GRIJALBO FERNANDES COUTINHO e JOÃO LUIS

as ações necessárias à prevenção de contágio pelo coronavírus ROCHA SAMPAIO; e a representante da d. Procuradoria Regional

(covid-19); do Trabalho, Procuradora GENY HELENA FERNANDES

CONSIDERANDO a orientação no sentido de que cada Tribunal BARROSO MARQUES; ausentes os Desembargadores ELAINE

Regional deva normatizar o modo de retorno gradual ao trabalho MACHADO VASCONCELOS, em licença médica, e PEDRO LUÍS

presencial, conforme Ofício-Circular CSJT.GP.SG-26/2020, de 14 VICENTIN FOLTRAN e CILENE FERREIRA AMARO SANTOS,

de julho de 2020, encaminhado pela Exma. Sra. Ministra Maria ambos em período de férias,

Cristina Irigoyen Peduzzi, Presidente do Conselho Superior da CONSIDERANDO o contido na Resolução CNJ-322/2020, de 1º de

Justiça do Trabalho; e junho de 2020, que define critérios gerais para a retomada gradual

CONSIDERANDO o relatório do Grupo de Trabalho instituído pela dos serviços presenciais no âmbito do Poder Judiciário, observadas

Portaria da Presidência nº 12/2020, de 17 de abril de 2020, para as ações necessárias à prevenção de contágio pelo coronavírus

elaboração de estudos para o retorno do trabalho presencial no (covid-19);

âmbito do Tribunal, após a quarentena em razão da pandemia da CONSIDERANDO a orientação no sentido de que cada Tribunal

covid-19, apresentado nos autos do Processo SEI-0003514- Regional deva normatizar o modo de retorno gradual ao trabalho

18.2020.5.10.8000, presencial, conforme Ofício-Circular CSJT.GP.SG-26/2020, de 14

DECIDIU, por unanimidade, com ressalvas do Desembargador de julho de 2020, encaminhado pela Exma. Sra. Ministra Maria

Ricardo Alencar Machado, apreciando o contido no PA-SEI Cristina Irigoyen Peduzzi, Presidente do Conselho Superior da

0008865-69.2020.5.10.8000 - MA 111/2020, aprovar a indicação da Justiça do Trabalho; e

data de 19 de outubro de 2020 (segunda-feira) como marco da CONSIDERANDO o relatório do Grupo de Trabalho instituído pela

etapa inicial da retomada gradual dos trabalhos presenciais no Foro Portaria da Presidência nº 12/2020, de 17 de abril de 2020, para

Trabalhista de Araguaína/TO, na forma proposta pela elaboração de estudos para o retorno do trabalho presencial no

Administração, baixando a Resolução Administrativa n.º 39/2020 âmbito do Tribunal, após a quarentena em razão da pandemia da

–(2106): covid-19, apresentado nos autos do Processo SEI-0003514-

"Art. 1.º Fica autorizado o início das Atividades da Primeira Etapa 18.2020.5.10.8000,

do Trabalho Presencial no Foro Trabalhista de Araguaína/TO a DECIDIU, por unanimidade, com ressalvas do Desembargador

partir do dia 19 de outubro de 2020, nos termos da Resolução Ricardo Alencar Machado, apreciando o contido no PA-SEI -

Administrativa n.º 34/2020. 0008868-24.2020.5.10.8000 - MA 112/2020, aprovar a indicação da

Art. 2.º Fica vedado o atendimento presencial ao público em geral, data de 19 de outubro de 2020 (segunda-feira) como marco da

nos termos do art. 9.º Inciso IV, da RA 34/2020. etapa inicial da retomada gradual dos trabalhos presenciais na

Art. 3.º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação." Vara do Trabalho de Gurupi/TO, na forma proposta pela

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 43
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

Administração, baixando a Resolução Administrativa n.º 40/2020 – âmbito do Tribunal, após a quarentena em razão da pandemia da

(2107): covid-19, apresentado nos autos do Processo SEI-0003514-

"Art. 1.º Fica autorizado o início das Atividades da Primeira Etapa 18.2020.5.10.8000,

do Trabalho Presencial na Vara do Trabalho de Gurupi/TO, a partir DECIDIU, por unanimidade, com ressalvas do Desembargador

do dia 19 de outubro de 2020, nos termos da Resolução Ricardo Alencar Machado, apreciando o contido no PA-SEI

Administrativa n.º 34/2020. 0008869-09.2020.5.10.8000 - MA 110/2020, aprovar a indicação da

Art. 2.º Fica vedado o atendimento presencial ao público em geral, data de 26 de outubro de 2020 (segunda-feira) como marco da

nos termos do art. 9.º Inciso IV, da RA 34/2020. etapa inicial da retomada gradual dos trabalhos presenciais nas

Art. 3.º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação." unidades do Distrito Federal, na forma proposta pela

Brasília, 13 de outubro de 2020. (DATA DA APROVAÇÃO). Administração, baixando a Resolução Administrativa n.º 41/2020 –

BRASILINO SANTOS RAMOS (2108):

Desembargador Presidente do TRT da 10ª Região "Art. 1.º Fica autorizado o início das Atividades da Primeira Etapa

do Trabalho Presencial no Distrito Federal a partir do dia 26 de

Resolução Administrativa Nº 41/2020 outubro de 2020, nos termos da Resolução Administrativa n.º

O egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região, na 3ª 34/2020.

Sessão Plenária Extraordinária Administrativa, realizada no dia 13 Art. 2.º Fica vedado o atendimento presencial ao público em geral,

de outubro de 2020, às 15h30min, na forma telepresencial, sob a nos termos do art. 9.º Inciso IV, da RA 34/2020.

Presidência do Desembargador BRASILINO SANTOS RAMOS, Art. 3.º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação."

presentes os Desembargadores ALEXANDRE NERY DE Brasília, 13 de outubro de 2020. (DATA DA APROVAÇÃO).

OLIVEIRA – Vice-Presidente, JOÃO AMÍLCAR PAVAN, FLÁVIA BRASILINO SANTOS RAMOS

SIMÕES FALCÃO, MÁRIO MACEDO FERNANDES CARON, Desembargador Presidente do TRT da 10ª Região

RICARDO ALENCAR MACHADO, ANDRÉ R. P. V. DAMASCENO,

mesmo em período de férias, MARIA REGINA MACHADO

GUIMARÃES, RIBAMAR LIMA JÚNIOR, JOSÉ LEONE

CORDEIRO LEITE, DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO, ELKE SECRETARIA DA 2ª SEÇÃO ESPECIALIZADA
DORIS JUST, GRIJALBO FERNANDES COUTINHO e JOÃO LUIS Ata
ROCHA SAMPAIO; e a representante da d. Procuradoria Regional Ata de Julgamento
do Trabalho, Procuradora GENY HELENA FERNANDES A 2.ª Seção EspecializadaAta da 2.ª Seção Especializada do

BARROSO MARQUES; ausentes os Desembargadores ELAINE egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 10.ª Região, na 13.ª

MACHADO VASCONCELOS, em licença médica, e PEDRO LUÍS Sessão Ordinária de Julgamentos, realizada em 22 de setembro de

VICENTIN FOLTRAN e CILENE FERREIRA AMARO SANTOS, 2020, às 14h, na forma da PORTARIA CONJUNTA N.º 2/2020, sob

ambos em período de férias, a Presidência do Desembargador BRASILINO SANTOS RAMOS,

CONSIDERANDO o contido na Resolução CNJ-322/2020, de 1º de com a participação dos Desembargadores ALEXANDRE NERY DE

junho de 2020, que define critérios gerais para a retomada gradual OLIVEIRA – Vice-Presidente, MÁRIO MACEDO FERNANDES

dos serviços presenciais no âmbito do Poder Judiciário, observadas CARON, RICARDO ALENCAR MACHADO, RIBAMAR LIMA

as ações necessárias à prevenção de contágio pelo coronavírus JÚNIOR, JOSÉ LEONE CORDEIRO LEITE, DORIVAL BORGES

(covid-19); DE SOUZA NETO e GRIJALBO FERNANDES COUTINHO; o Juiz

CONSIDERANDO a orientação no sentido de que cada Tribunal Convocado DENILSON BANDEIRA COÊLHO; e a representante da

Regional deva normatizar o modo de retorno gradual ao trabalho Procuradoria Regional do Trabalho, Procuradora-Chefe VALESCA

presencial, conforme Ofício-Circular CSJT.GP.SG-26/2020, de 14 DE MORAES DO MONTE; ausentes os Desembargadores FLÁVIA

de julho de 2020, encaminhado pela Exma. Sra. Ministra Maria SIMÕES FALCÃO, afastada de suas funções judicantes (Certidão

Cristina Irigoyen Peduzzi, Presidente do Conselho Superior da do Tribunal Pleno n.º 3/2020) e PEDRO LUÍS VICENTIN

Justiça do Trabalho; e FOLTRAN, em período de férias,

CONSIDERANDO o relatório do Grupo de Trabalho instituído pela Secretariou a Sessão a senhora Rosimar Costa Palhano.

Portaria da Presidência nº 12/2020, de 17 de abril de 2020, para Houvequorumregimental. A Presidência cumprimentou os

elaboração de estudos para o retorno do trabalho presencial no magistrados, o representante do Ministério Público do Trabalho, os

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 44
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

advogados, os servidores da Casa e demais presentes e declarou Judicial (EJUD-10). Não é necessária inscrição prévia. A EJUD10

aberta a Sessão. está com inscrições abertas até 23 de setembro para o curso a

Submetidas à apreciação, a Ata da 12.ª Sessão Ordinária distância “Lógica informal e argumentação jurídica”.Link para

Telepresencial, realizada em 8/9/2020, foi aprovada por inscrições disponível no portal da Escola Judicial. Sobre os

unanimidade, nos termos do art. 132, inciso II, do Regimento assuntos relevantes ao Tribunal ocorridos na semana, destacou: O

Interno e seguiu-se à publicação. ato de plantar, por si só, é bastante emblemático, porque diz muito

O Desembargador Presidente fez os seguintes registros: Felicitou sobre esperança no futuro. E foi exatamente esse sentimento que

os aniversariantes: (24/9) Juiz Marcos Alberto dos Reis,?(27/9) motivou o plantio de mudas de ipês e flamboyants na avenida

Juízes Aposentados Carlos Alberto Oliveira Senna?e Alexandre principal na qual está situada a Vara do Trabalho de Dianópolis, no

Isaac Borges,?(28/9) Desembargadora Cilene Ferreira Amaro Tocantins, na inauguração das novas instalações, em 2018.

Santos? e os Juízes Ricardo Machado Lourenço Filho?e Renato Naquela ocasião, a Justiça do Trabalho novamente “plantava” a

Vieira de Faria?. Sobre as comemorações da semana o sua missão de levar paz social à comunidade da região. Dois anos

Desembargador Presidente fez breves comentários sobre (21/9) Dia depois, o ipê amarelo surpreendeu magistrados e servidores com

Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, Dia da Árvore e Dia sua primeira florada, modesta, mas repleta de significado,

Internacional da Paz; (23/9) Dia Internacional das Línguas de Sinais principalmente, neste Dia da Árvore (21/9) em que Cerrado e

e Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Pantanal – importantes e ricos biomas brasileiros – vivenciam

Mulheres e Crianças; (26/9) Dia Nacional dos Surdos. Destacou os queimadas históricas. Criada em 2002 com a finalidade precípua

eventos: A EJUD10 promove nesta segunda-feira (21/9), às 17h30, de promover o pleno exercício dos direitos da pessoa com

pelo canal do YouTube, a live “Planejamento da retomada gradual deficiência na Décima Região, a Comissão Inclusão 10 é

das atividades presenciais do TRT10”. O evento contará com a responsável por propor, desde então, políticas de acessibilidade

presença do desembargador Brasilino Santos Ramos, presidente para eliminação de barreiras atitudinais, psicológicas, físicas e de

do Tribunal, e do desembargador Alexandre Nery de Oliveira, vice- comunicação. No Dia Nacional da Luta de Pessoa com Deficiência,

presidente e corregedor, que farão uma breve exposição da o grupo lembra algumas das mais recentes ações voltadas para

Portaria Conjunta n.º 5/2020, que regula os protocolos de essa temática e ainda anuncia alguns planos de iniciativas futuras.

segurança a saúde para a retomada gradual dos trabalhos Com muito pesar destacou suas condolências sobre os

presenciais no regional. A LIVE ficará disponível no Canal da falecimentos da senhora Eliete Coutinho dos Santos, mãe do

EDJUD10 no Youtube. A Semana da Memória na Justiça do servidor Márcio José Coutinho dos Santos, ocorrido no último dia

Trabalho será realizada nos dias 21 a 25 de setembro. O evento 16/9 e do servidor aposentado Antônio Gomes de Souza, ocorrido

anual está previsto no calendário do TST e tem o objetivo de no último dia 18/9, além do Senhor Arnaldo Souza Passos, pai da

lembrar acontecimentos marcantes ligados ao mundo do trabalho e servidora Graciela Maria Souza Passos Gonzaga, lotada na Vara

do direito. Em 2020, por conta da pandemia, a data será celebrada do Trabalho de Guaraí (TO), ocorrido na dia 21/9.

por meio de dois eventos: um seminário telepresencial e uma O DesembargadorPresidente, os demais Desembargadores e a

exposição virtual. Os links da programação e de inscrição estão representante do Ministério Público registraram suas impressões

disponíveis na Intranet. A programação tem início na sexta-feira pessoais e homenagens bem como aderiram aos registros

(25/9), das 17h às 18h30, com a Palestra Magna “Prevenção ao anteriormente feitos. ?

Suicídio e Saúde no mental no trabalho”. A palestrante é a SALA: Sessão Ordinária Telepresencial

presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr), Renata 1) AG-MSCiv 0000079-77.2020.5.10.0000

Nayara da Silva Figueiredo. Haverá, também, uma sessão de Relator: Desembargador MÁRIO MACEDO FERNANDES CARON

perguntas aberta ao público. Na última segunda-feira do mês (28), Agravante/Impetrante: MARIA DO AMPARO FARIAS VAZ

o Painel “É preciso agir - diálogos e reflexões sobre a Covid-19 e a Advogados: MEILLIANE PINHEIRO VILAR LIMA, SARAH CECILIA

Saúde Mental no trabalho”, será realizado das 16h às 17h30. Os RAULINO COLY E OUTROS

palestrantes são Gustavo Carvalho de Oliveira, médico psiquiatra Agravada/Terceira Interessada: EMPRESA BRASILEIRA DE

da Secretaria de Saúde (SES/DF) e SAMU e Sarah Sammy CORREIOS E TELÉGRAFOS

Moreira Sampaio, neuropsicóloga do Instituto de Medicina e Autoridade Coatora: JUÍZO DA 15ª VARA DO TRABALHO DE

Neuropsicologia Integrados (IMPI). Ambas as exposições serão BRASÍLIA-DF

transmitidas em tempo real, pelo canal do YouTube da Escola A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 45
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

relatório, conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento, 4) MSCiv 0000196-68.2020.5.10.0000

nos termos do voto do Desembargador Relator. Sustentação oral: Relator: Desembargador MÁRIO MACEDO FERNANDES CARON

Meilliane Vilar, OAB/DF 29614, pelo Agravante/Impetrante. Impetrante: EDUARDO BATISTA AMARAL

Advogado: EIJI JHOANNES YAMASAKI

2) MSCiv 0000141-20.2020.5.10.0000 Terceiro Interessado: JEOVANE ALVES DA SILVA

Relator: Juiz DENILSON BANDEIRA COELHO Advogado: DARLAN ALVES FERREIRA HONORIO

Impetrante: EDILSON CACIANO DA COSTA Autoridade Coatora: JUÍZO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE

Advogado: JOÃO JOSÉ DUTRA NETO TAGUATINGA-DF.

Terceiro Interessado:PREMIERE CONSULTORIA E A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o

TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA - ME,EMPRESA relatório, admitir o mandado segurança e denegar a ordem, nos

BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES - EBSERH, JONAS termos do voto do Desembargador Relator. Custas no importe de

DA SILVA NASCIMENTO, SEBASTIANA ALINE FERREIRA DE R$20,00, calculadas sobre o valor dado à causa de R$1.000, a

AMORIM E RODRIGO LOPES DOS SANTOS cargo do impetrante.

Autoridade Coatora: JUÍZO DA 2.ª VARA DO TRABALHO DE

ARAGUAÍNA-TO. 5) MSCIV 0000244-27.2020.5.10.0000

A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, provar o Relator: Desembargador MÁRIO MACEDO FERNANDES CARON

relatório. Por maioria, admitir o "Writ" e, no mérito, também por Impetrante: ABILITY TECNOLOGIA E SERVICOS S/A

maioria, conceder a segurança para determinar que seja procedida Advogado: RODRIGO DE SOUZA ROSSANEZI

a reserva de crédito referente aos valores depositados pela Terceiro Interessado: SINDICATO DOS TRABALHADORES EM

EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES - TELECOMUNICAÇÕES DO DF

EBSERH no processo nº 0001353-70.2017.5.10.0812 e Advogado: RODRIGO DE SOUZA ROSSANEZI

posteriormente transferidos para os autos nº 0000948- Autoridade Coatora: JUÍZO DA 21ª VARA DO TRABALHO DE

34.2017.5.10.0812, suficiente para garantir o pagamento do crédito BRASÍLIA-DF.

perseguido na execução relativa ao autor EDILSON CACIANO DA A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o

COSTA (R$ 16.411,42), ressaltando que os valores retidos sejam relatório, admitir o mandado segurança e denegar a ordem, nos

depositados em conta judicial vinculado na ExProvAS 0000324- termos do voto do Desembargador Relator. Custas no importe de

17.2019.5.10.0811. Tudo nos termos do voto do Relator, com R$20,00, calculadas sobre o valor dado à causa de R$1.000, a

ressalvas. Vencido o Desembargador Alexandre Nery de Oliveira. cargo da impetrante.

Custas pela União no valor de R$ 328,22 em face do importe dado

à causa, estando isenta na forma da lei. Dar ciência desta decisão 6) MSCiv 0000250-34.2020.5.10.0000

ao Juízo de origem. Relator: Juiz DENILSON BANDEIRA COELHO

Impetrante: FÁBIO DO NASCIMENTO

3) MSCiv 0000182-84.2020.5.10.0000 Advogado: ARY PINHEIRO MOREIRA NETO

Relator: Desembargador ALEXANDRE NERY DE OLIVEIRA Terceiro Interessado: BARU RESTAURANTE LTDA - EPP

Impetrante: JOSÉ LUÍS SEVERINO DE ARAÚJO Autoridade Coatora: JUÍZO DA 15ª VARA DO TRABALHO DE

Advogados: GENESCO RESENDE SANTIAGO E RÉGIS CAJATY BRASÍLIA-DF.

BARBOSA BRAGA A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, retirar de

Terceiro Interessado: COMPANHIA DO METROPOLITANO DO pauta o processo a pedido do Juiz Convocado Relator.

DISTRITO FEDERAL METRÔ-DF

Autoridade Coatora: JUÍZO DA 22.ª VARA DO TRABALHO DE 7) AG-MSCiv 0000355-11.2020.5.10.0000

BRASÍLIA-DF. Relator: Juiz DENILSON BANDEIRA COELHO

A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o Agravante/Impetrante: PROSPERITY COMÉRCIO DE

relatório, admitir em parte a ação mandamental, com a concessão CONFECÇÕES LTDA.

da segurança postulada, nos termos do voto do Desembargador Advogado: GILBERTO AMADO DA SILVA.

Relator. Agravado/Terceiro Interessado: FERNANDO RANGEL

RODRIGUES.

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 46
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

Advogados: ANA CAROLINE FARIAS GOMES E FABIO SILVA sociais e econômicos, sem assim descrever qualquer linha no

FERRAZ DOS PASSOS. sentido de medida obstativa a demissão coletiva, como no caso.

Autoridade Coatora: JUÍZO DA 3.ª VARA DO TRABALHO DE Igualmente não cabe invocar mera recomendação da OIT que, pelo

BRASÍLIA-DF. caráter programático apenas, não resulta no efeito de constituir-se

A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o em norma de eficácia plena, por dependente de medida própria

relatório, conhecer do agravo interno e, no mérito, negar-lhe pelo Estado-membro a observar a recomendação havida na

provimento, nos termos do voto do Relator. conformação de norma legal, enquanto isso não havendo

constituição de normativo no plano do Direito Privado, mas apenas

8) AG-MSCiv 0000441-79.2020.5.10.0000 como questão de ordem estatal. Não bastasse isso, sequer há em

Relator: Desembargador GRIJALBO FERNANDES COUTINHO recomendação da OIT disposição pertinente à interpretação

Agravante/Terceira Interessada: CHURRASCARIA FOGO DE alcançada pelo eminente Relator, com a devida vênia.

CHÃO LTDA. Também a consideração de progressividade dos direitos sociais e

Advogado: MAURÍCIO DE SOUSA PESSOA econômicos, à luz da Constituição, não permite vislumbrar a

Agravada/Impetrante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO interpretação havida para alcançar o efeito de estabilidade coletiva

Autoridade Coatora: JUÍZO DA 5.ª VARA DO TRABALHO DE de trabalhadores, sequer sob o manto de necessária intervenção

BRASÍLIA-DF. sindical ou ministerial, se assim não contida a exigência em norma

Apregoado o processo, declararam-se suspeitos os trabalhista ou sequer em norma coletiva pertinente à categoria

Desembargadores Dorival Borges de Souza Neto e Ricardo Alencar envolvida.

Machado. Nesse sentido, mais ainda em seara estreita como a do mandado

A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o de segurança, não emerge o direito líquido e certo exigido para a

relatório, conhecer do Agravo Interno e, no mérito, por maioria, dar- concessão da ordem obstativa pretendida pelo Ministério Público,

lhe provimento, nos termos do voto divergente do Desembargador emergindo razão ao agravo interno interposto pelo litisconsorte

Alexandre Nery de Oliveira, a saber: necessário, a empresa alcançada pela segurança deferida

"Com a devida vênia, para a segurança pretendida há que se liminarmente pelo Relator.

configurar manifesta afronta à legalidade para viabilizar o requisito Dou provimento ao agravo interno para cassar a liminar antes

do direito líquido e certo. deferida pelo Relator."

Conquanto se possa considerar a gravidade de demissões em Vencidos o Desembargador Relator e o Desembargador Mário

massa, não há preceito legal a exigir participação sindical ou do Macedo Fernandes Caron.

Ministério Público, nem ainda situação de desqualificar as Sustentação oral: 1) Dr. Otávio Brito Lopes, OAB/SP 4893, pela

rescisões contratuais para restabelecer os vínculos rompidos, como Agravante/Terceira Interessada. 2) Dra. Valesca Moraes do Monte,

se houvesse estabilidade dos empregados assim demitidos. pelo Ministério Público do Trabalho.

Ao contrário, no particular há o expresso comando do artigo 477-A

da CLT que estabelece que “As dispensas imotivadas individuais, 9) MSCIV 0000466-92.2020.5.10.0000

plúrimas ou coletivas equiparam-se para todos os fins, não Relator: Desembargador GRIJALBO FERNANDES COUTINHO

havendo necessidade de autorização prévia de entidade sindical ou Impetrante: FEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES EM

de celebração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho EMPRESAS DE CORREIOS E TELÉGRAFOS E SIMILARES –

para sua efetivação”, pelo que considerar o contrário exigiria, FENTECT

quando menos, a prévia declaração de inconstitucionalidade do Advogado: ALEXANDRE SIMÕES LINDOSO

preceito legal referido, o que não se vislumbra. Terceiro Interessado: EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E

Observo ainda, com a devida vênia ao Relator, a imprópria TELÉGRAFOS

invocação do Pacto de Costa Rica como inibidor à medida adotada, Autoridade Coatora: JUÍZO DA 11.ª VARA DO TRABALHO DE

já que a referida norma internacional envolve, no aspecto, mera BRASÍLIA-DF.

recomendação aos Estados aderentes, sem estipular, por si A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o

própria, medida efetiva descrita que iniba a situação descrita no relatório, admitir o mandado de segurança e, no mérito, por

caso concreto, limitando-se a provocar os Estados aderentes à maioria, denegar a segurança pretendida para cassar a liminar

estipulação de medidas progressivas para a efetivação de direitos deferida nesta ação mandamental, nos termos do voto divergente

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 47
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

do Juiz Convocado Denilson Bandeira Coêlho, que redigirá o Advogados: TARSO GONÇALVES VIEIRA

Acórdão. Vencido o Desembargador Relator, que juntará Agravada/Impetrante: EMPRESA BRASILEIRA DE

declaração de voto, e os Desembargadores Dorival Borges de INFRAESTRUTURA AEROPORTUÁRIA - INFRAERO

Souza Neto, com ressalvas, e Mário Macedo Fernandes Caron. Advogados: CLARISSA PACHECO RAMOS E POLYANA

Custas, pela impetrante, no importe de R$ 100, calculadas sobre o SANTANA MORAES

valor da causa. Autoridade Coatora: JUÍZO DA 22ª VARA DO TRABALHO DE

BRASÍLIA-DF.

10) MSCIV 0000486-83.2020.5.10.0000 Apregoado o processo, declarou-se suspeito o Desembargador

Relator: Desembargador GRIJALBO FERNANDES COUTINHO Alexandre Nery de Oliveira.A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por

Impetrante: MAURÍCIO DE NOVAES BATISTA unanimidade, retirar de pauta o processo a pedido do

Advogado: EVARISTO ORLANDO SOLDAINI Desembargador Relator.

Terceiro Interessado: YTALLO FREITAS DA SILVA

Autoridade Coatora: JUÍZO DA 4.ª VARA DO TRABALHO DE 13) MSCiv 0000526-65.2020.5.10.0000

TAGUATINGA-DF. Relator: Desembargador GRIJALBO FERNANDES COUTINHO

A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o Impetrante: EDSON SOARES DE SOUZA

relatório. Por maioria, não admitir o mandado de segurança nos Advogado: EDSON SOARES DE SOUZA

termos da divergência do Desembargador Alexandre Nery de Terceiro Interessado: JOAQUIM DAS GRAÇAS DE OLIVERIA

Oliveira, que redigirá o Acórdão. Vencidos o Desembargador Autoridade Coatora: JUÍZO DA 1ª VARA DO TRABALHO DE

Relator, que juntará declaração de voto. TAGUATINGA\DF.

A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o

11) MSCiv 0000490-23.2020.5.10.0000 relatório, admitir o mandado de segurança e, no mérito, denegar a

Relator: Desembargador DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO ordem pretendida, nos termos da fundamentação. Custas ao

Impetrante: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL impetrante os benefícios da justiça gratuita. Custas de R$176,43

Terceiro Interessado: MARLUCE DOS SANTOS ARAÚJO E UNIÃO (cento e setenta e seis reais e quarenta e três centavos) pelo

FEDERAL (AGU) - DF impetrante, fixadas com base no valor indicado na inicial, de cujo

Autoridade Coatora: JUÍZO DA 7.ª VARA DO TRABALHO DE recolhimento está isento. Intime-se o impetrante. Após o trânsito em

BRASÍLIA-DF. julgado, arquivem-se os autos eletrônicos.

A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o

relatório, admitir a ação mandamental e conceder a segurança 14) MSCIV 0000584-05.2019.5.10.0000

requerida, tornando definitiva a decisão liminar proferida nesta ação Relator: Juiz DENILSON BANDEIRA COELHO

para suspender a decisão de antecipação de tutela proferida na Impetrante: JÚLIO CÉSAR SOARES NICÉSIO

ação de alvará judicial 0000469-26.2020.5.10.000, com o Advogado: VICKI ARAÚJO PASSOS ARDILES

cancelamento do alvará expedido. Publicar este julgado para Terceiro Interessado: COMPANHIA DO METROPOLITANO DO

ciência da impetrante, litisconsorte, União e Ministério Público do DISTRITO FEDERAL METRÔ-DF

Trabalho, tudo nos termos do voto do Desembargador Relator. Autoridade Coatora: JUÍZO DA 16.ª VARA DO TRABALHO DE

Ressalvas do Juiz Convocado Denilson Bandeira Coêlho e de BRASÍLIA-DF.

todos os demais Desembargadores, sendo as do Desembargador A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o

Mário Macedo Fernandes Caron, de fundamentação. Custas relatório, admitir o "Writ" e, no mérito, conceder a segurança para

processuais pela União no valor de R$20,00, calculadas sobre determinar a revogação da decisão de fls. 22, no que determinou a

R$1.000,00, valor atribuído à causa, dispensado o pagamento, na "expedição de precatório, com o consequente envio dos autos à

forma da lei. Seção de Precatórios", nos termos do voto do Juiz Convocado

Relator. Custas, pela União, no montante de R$ 10,64, calculadas

12) AG-MSCIV 0000505-89.2020.5.10.0000 sobre o valor da causa (R$ 100,00), isenta.

Relator: Desembargador DORIVAL BORGES DE SOUZA NETO

Agravante/Terceira Interessada: LISIA MARIA ESPINOLA DA 15) ED-AG-MSCiv 0000679-35.2019.5.10.0000

SILVA PACHECO CABRAL Relator: Juiz DENILSON BANDEIRA COÊLHO

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 48
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

Embargante/Agravante/Impetrante: WAB ARTEFATOS DE COURO ADVOGADO: KETHLENE VANZELER DAWIDOVICZ - OAB:

LTDA. PA0017908

Advogados: BRUNO CRISTIAN SANTOS DE ABREU RECORRIDO: JOAO CLAUDIO SILVA DOS SANTOS

Embargada/Agravada/Terceira Interessada: SUMAIA ALVES ADVOGADO: ROBSON DA PENHA ALVES - OAB: DF0034647

CABRAL CLASSE ORIGINÁRIA: AÇÃO TRABALHISTA - Rito

Advogado: STEVÃO GANDH COSTA Sumaríssimo

Autoridade Coatora: JUÍZO DA 14.ª VARA DO TRABALHO DE ORIGEM: 10ª VARA DO TRABALHO DE BRASÍLIA - DF

BRASÍLIA-DF. (JUIZ ALCIR KENUPP CUNHA) -

A 2ª Seção Especializada DECIDIU, por unanimidade, aprovar o

relatório, conhecer dos embargos de declaração e, no mérito, negar

-lhes provimento, nos termos do voto do Relator.

Nada mais houve a ser tratado. A Presidência, às 15h30, encerrou

a sessão. E para constar, eu, Rosimar Costa Palhano, lavrei a EMENTA

presente Ata que, após lida e achada conforme pelos magistrados,

será assinada pelo Desembargador Presidente.

Brasília-DF, 13 de outubro de 2020. (Data da aprovação). 1. REVELIA. CONFISSÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS

Assinada digitalmente FATOS. A presunção de veracidade dos fatos alegados na inicial,

BRASILINO SANTOS RAMOS por aplicação da revelia e confissão é relativa, isto é, admite prova

Desembargador Presidente do TRT da 10ª Região em contrário, desde que precedentemente coligida aos autos. À

míngua de elementos concretos que possam infirmar tal presunção,

prevalecem os efeitos daquelas cominações, impondo-se, dessa

SECRETARIA DA 1ª TURMA forma, a manutenção da sentença que condenou a reclamada ao

Acórdão pagamento de saldo de salário, indenização por rescisão

antecipada, verbas rescisórias e horas extraordinárias. 2. Recurso


Processo Nº RORSum-0000999-55.2019.5.10.0010
Relator GRIJALBO FERNANDES COUTINHO da reclamada conhecido e desprovido.
RECORRENTE ROSILENE CARVALHO DA
FONSECA - ME
ADVOGADO KETHLENE VANZELER
DAWIDOVICZ(OAB: 17908/PA)
RECORRIDO JOAO CLAUDIO SILVA DOS SANTOS
ADVOGADO ROBSON DA PENHA ALVES(OAB: I - RELATÓRIO
34647/DF)

Intimado(s)/Citado(s):
- JOAO CLAUDIO SILVA DOS SANTOS Dispensado, na forma do art. 852-I, da CLT.

PODER JUDICIÁRIO

JUSTIÇA DO TRABALHO
II - V O T O

TRT 0000999-55.2019.5.10.0010 RORSum - ACÓRDÃO

1ªTURMA/2020

1- ADMISSIBILIDADE

Preenchidos os pressupostos objetivos e subjetivos de

admissibilidade, conheço do recurso interposto pela reclamada.


RELATOR: DESEMBARGADOR GRIJALBO FERNANDES

COUTINHO 2- MÉRITO
RECORRENTE: ROSILENE CARVALHO DA FONSECA - ME 2.1- RECURSO ORDINÁRIO DA RECLAMADA. REVELIA.

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 49
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

CONFISSÃO FICTA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS Ora, a confissão ficta, decorrente da revelia patronal, eleva a tese

FATOS ALEGADOS NA INICIAL. CONTRATO DE EXPERIÊNCIA. obreira ao patamar de verdade processual, sendo certo que os

PRORROGAÇÃO. VERBAS CONTRATUAIS E RESCISÓRIAS elementos acostados não elidem as alegações exordiais, ao

A instância de origem decretou a revelia e a confissão ficta da contrário, trazem uma dubiedade ainda maior à tese reclamada

reclamada, reconhecendo a rescisão antecipada do contrato de quanto à correção do contrato entabulado, o que reforça, isto sim, a

experiência (art. 479, da CLT), julgando parcialmente procedentes o tese obreira.

pleito e condenando a reclamada,por via de consequência, ao Dessa forma, inexistindo provas nos autos que contenham

pagamento de saldo de salário, indenização por rescisão elementos que atuem como limitadores da confissão patronal,

antecipada, verbas rescisórias, horas extraordinárias e honorários prevalece a condenação fixada na origem.

sucumbenciais. Nada a ser alterado na decisão recorrida.

Inconformada, a recorrente sustenta que houve equívoco na Ante o exposto, mantenho a r. sentença, por seus próprios e

avaliação probatória realizada na origem. Busca a relativização dos jurídicos fundamentos, além daqueles ora aduzidos.

efeitos da revelia e confissão, sustentando que o contrato de Nego provimento ao recurso.

experiência, acostado aos autos, explicita a realidade da rescisão

no prazo avençado, inexistindo, provas de sua prorrogação, e que III - CONCLUSÃO

todos os salários devidos foram regularmente quitados, não Ante o exposto, conheço do recurso da reclamada e no mérito, nego

havendo pagamento "por fora" e, da mesma forma, verbas -lhe provimento, nos termos da fundamentação precedente.

rescisórias a quitar. É o meu voto.

Pois bem.

Inicialmente, registro que a reclamada, devidamente notificada, não

compareceu à audiência inaugural. Nesse cenário, a ela foram ACÓRDÃO

aplicadas a revelia e confissão quanto à matéria fática, em

escorreita decisão, presumindo-se, assim, verdadeiros os fatos

narrados na exordial. Por tais fundamentos, ACORDAM os Desembargadores da Egrégia

Saliento que a presunção de veracidade dos fatos alegados na Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima

inicial, por aplicação da revelia e confissão é relativa, isto é, admite Região, em dispensar o relatório, conhecer do recurso da

prova em contrário, desde que precedentemente coligida aos autos. reclamada e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto

À míngua de elementos que possam infirmar tal presunção, do Desembargador Relator. Ementa aprovada.

prevalecem os efeitos daquelas cominações, Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação

Os pedidos formulados na exordial exigiriam a prova, pela dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), Grijalbo

reclamada, dos fatos alegados em defesa. Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique Blair. Ausentes,

Então vejamos. justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão; em licença

A reclamada embasa todas as suas questões na regularidade do médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em gozo de

contrato de experiência. férias, o Desembargador André Damasceno e o Juiz convocado

Observando atenciosamente as cópias dos contratos acostados Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra. Soraya Tabet Souto Maior

pela própria reclamada, verificamos uma série de inconsistências. A (Procuradora Regional do Trabalho).

cópia do contrato de experiência acostado ao ID. fe3c34d - Pág. 2, Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do

com assinatura e carimbo apenas na data de contratação, na parte julgamento).

referente ao termo de prorrogação, não possui o mesmo carimbo da

empresa encontrado no contrato original acostado pela parte

reclamante ao ID. cee08c3 - Pág. 2, o que revela uma cópia em GRIJALBO FERNANDES COUTINHO

desconformidade com o original. Desembargador Relator

Não bastasse isso, as cópias de acordo de banco de horas

acostadas ao ID. fe3c34d - Págs. 3/8, revelam, em seu título, a

classificação de um contrato por prazo indeterminado realizado com Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

o reclamante.

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 50
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

MARIA APARECIDA FONSECA MATOS TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA E

Servidor de Secretaria SUBSIDIÁRIA. OBSERVÂNCIA DAS DECISÕES PROFERIDAS

PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NOS AUTOS DA ADC Nº


Processo Nº RORSum-0000034-64.2020.5.10.0003
Relator GRIJALBO FERNANDES COUTINHO 16 E DO RE 760931-DF, COM REPERCUSSÃO GERAL. Segundo
RECORRENTE A C SERVICOS CORPORATIVOS compreensão do Supremo Tribunal Federal, a responsabilidade
LTDA.
ADVOGADO OSVALDO TADEU DOS subsidiária da Administração Pública, na qualidade de tomadora de
SANTOS(OAB: 44799/SP)
trabalho terceirizado, não é automática. Havendo inadimplência
RECORRENTE BB TECNOLOGIA E SERVICOS S.A
ADVOGADO MOZART VICTOR RUSSOMANO quanto ao pagamento de parcelas trabalhistas diversas ou verbas
NETO(OAB: 29340/DF)
rescisórias, por parte da prestadora de serviços, o poder público
RECORRIDO MAISA PIO ALVES DE OLIVEIRA
ADVOGADO André Santos(OAB: 33180/DF) somente responde, de forma subsidiária, quando restar
ADVOGADO CAETANO LIRA CALTABIANO(OAB: demonstrada nos autos, de maneira categórica e irrefutável, a sua
57353/DF)
culpa in vigilando, no tocante à ausência de fiscalização (conduta
Intimado(s)/Citado(s): omissiva ou negligente) do contrato administrativo celebrado com
- BB TECNOLOGIA E SERVICOS S.A empresa terceirizante. 1.2. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA DO

PODER PÚBLICO. CULPA IN VIGILANDO. PROVA DOS AUTOS.

Revelando a prova dos autos, de forma contundente e irrefutável,

PODER JUDICIÁRIO que a tomadora de serviços concorreu diretamente para a

JUSTIÇA DO TRABALHO inadimplência trabalhista, ao ser omissa e negligente quanto à

fiscalização do contrato mantido com a empresa terceirizante, a

ponto de não ter sequer coibido as irregularidades evidentes


TRT 0000034-64.2020.5.10.0003 RORSum - ACÓRDÃO 1ªTURMA
durante o seu desenvolvimento, incluindo a falta de pagamento de

parcelas básicas do liame laboral, encontra-se configurada a sua

culpa in vigilando, apta, portanto, a atrair a responsabilidade

subjetiva admitida pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal


RELATOR: DESEMBARGADOR GRIJALBO FERNANDES
Superior do Trabalho. A culpa in vigilando resta reforçada quando,
COUTINHO
além de não cumprir as suas obrigações inerentes à fiscalização, o
RECORRENTE: BB TECNOLOGIA E SERVICOS S.A - CNPJ:
poder público contratante nada faz para evitar a inadimplência em
42.318.949/0001-84
relação às verbas rescisórias, seja pela ausência da retenção de
ADVOGADO: MOZART VICTOR RUSSOMANO NETO - OAB:
valor mensal para esse fim, seja pela falta de exigência da garantia
DF0029340
de execução do contrato administrativo, a ser renovada anualmente,
RECORRIDO: MAISA PIO ALVES DE OLIVEIRA - CPF:
tudo nos termos da lei e das normas regulamentares instituídas pela
104.816.846-89
própria Administração Pública, além das determinações emitidas na
ADVOGADO: CAETANO LIRA CALTABIANO - OAB: DF0057353
mesma direção pelo órgão de controle de contas (TCU).2.
ADVOGADO: André Santos - OAB: DF0033180
BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. Independentemente dos
RECORRENTE: A C SERVICOS CORPORATIVOS LTDA. - CNPJ:
parâmetros trazidos pela Lei n.º 13.467/2017, segue plenamente
66.059.510/0001-42
possível a concessão dos benefícios da Justiça Gratuita com base
ADVOGADO: OSVALDO TADEU DOS SANTOS - OAB:
na simples declaração. Não havendo nada a infirmar a veracidade
SP0044799
da declaração de hipossuficiência expendida pela parte reclamante,
ORIGEM: 3ª VARA DO TRABALHO DE BRASÍLIA/DF
inexistem elementos concretos para o indeferimento, à parte autora,
CLASSE ORIGINÁRIA: Ação Trabalhista - Rito Sumaríssimo
da gratuidade da justiça, que, em sua acepção mais ampla, resta
(JUIZ: FRANCISCO LUCIANO DE AZEVEDO FROTA)-
assegurada pelo inc. LXXIV do art. 5.° da Constituição da República

"aos que comprovem insuficiência de recursos" e tem suas raízes

fincadas na garantia de acesso à Justiça. 3. Recurso ordinário da


EMENTA
segunda reclamada conhecido e desprovido.

1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. TOMADORA DE SERVIÇOS

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I - RELATÓRIO tendo em conta a Constituição da República e os seus princípios

fundantes, o Direito Internacional do Trabalho e a principiologia do

Direito do Trabalho.

Dispensado, na forma do artigo 852-I, c/c 895, § 1º, IV, ambos da Analisarei a questão posta no presente recurso, portanto, sob os

CLT. estreitos limites conferidos pelo Supremo Tribunal Federal e pelo

Tribunal Superior do Trabalho, muitas vezes com ressalva de

entendimento pessoal em sentido contrário à interpretação dada à

II - VOTO matéria por estes tribunais .

Em outras palavras, cinge-se a discussão presente ao tema da

responsabilidade subsidiária do poder público, com a aplicação dos

1- ADMISSIBILIDADE entendimentos manifestados pelo Supremo na ADC nº 16 e no RE-

Argüiu a reclamante, em suas contrarrazões, preliminar de não- 760931, com repercussão geral, e pelo TST, com a sua Súmula nº

conhecimento do apelo por ausência de interesse recursal (ID. 331.

dc1852f - Pág. 2).

À análise dos autos, observa-se que a recorrente (BB 2.1.1- ALEGAÇÕES DA INICIAL E DA DEFESA EM RELAÇÃO À

TECNOLOGIA E SERVICOS S.A) foi condenada subsidiariamente RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA PRETENDIDA. DA PROVA

pelo pagamento da multa do art. 477 da CLT e multa convencional DA PRESTAÇÃO LABORAL PARA O PODER PÚBLICO POR

(ID. 60b8ac3 - Pág. 3). INTERMÉDIO DE TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA

Nesse contexto, sendo certo que a pretensão de responsabilidade A reclamante alegou ter sido admitida em 21/12/2015, pela primeira

subsidiária postulada na exordial foi deferida na decisão atacada, a reclamada, para exercer a função de assistente de liderança, em

recorrente possui interesse recursal, no tocante a tal pleito, prol da segunda reclamada (BB TECNOLOGIA E SERVICOS S.A),

ensejando o conhecimento do recurso. pessoa jurídica integrante da Administração Pública indireta, tendo

Ante o exposto, preenchidos os pressupostos objetivos e subjetivos sido dispensada imotivadamente em 06/11/2019. Postulou o

de admissibilidade, conheço do recurso interposto pela segunda pagamento de verbas rescisórias.

reclamada. Invocando o conteúdo da Súmula nº 331, do Tribunal Superior do

Trabalho, a parte autora requereu a decretação da responsabilidade

2- MÉRITO subsidiária da segunda reclamada (BB TECNOLOGIA) pelo

2.1- TERCEIRIZAÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. adimplemento das parcelas deferidas ao final da tramitação do

RESPONSABILIDADE DO PODER PÚBLICO presente feito, bem como a condenação de ambas as reclamadas

O debate nuclear do presente litígio devidamente judicializado diz ao pagamento das verbas discriminadas no rol dos pedidos.

respeito à terceirização de mão de obra promovida pelo poder Dirimindo a controvérsia, o Juízo de origem decretou a

público, a sua responsabilidade (objetiva, subjetiva ou nenhuma) e o responsabilidade subsidiária da segunda reclamada, conforme

respectivo grau de tal responsabilidade no ato do pagamento fundamentos de ID. 60b8ac3 - Pág. 4.

decorrente de eventual condenação trabalhista (solidário ou Em seu recurso, a segunda reclamada insiste no afastamento da

subsidiário). responsabilidade subsidiária.

As questões serão analisadas nos tópicos temáticos a seguir Analisa-se.

relacionados. Não é difícil notar que a reclamante, com a petição inicial e com a

Ao contrário de votos anteriores sobre a matéria, por mim proferidos prova documental, ante a revelia da primeira reclamada,

aqui na 1ª Turma do TRT 10, entre novembro de 2014 e início de demonstrou ter laborado para a primeira reclamada em prol da

outubro de 2017, não mais farei, a partir de agora, uma abordagem segunda reclamada, nas condições antes relatadas.

geral sobre a terceirização, do ponto de vista histórico, econômico, Destaco que a tese de existência de contratos de prestação de

social e jurídico. serviços entre pessoas jurídicas não tem o condão de afastar a

Deixarei para fazê-lo em outra oportunidade, quando houver responsabilização subsidiária da segunda reclamada, mas, ao

necessidade de avaliar o conteúdo das novas normas legais contrário, reforça a tese de que o ente público se beneficiou da

reguladoras da terceirização nas relações de trabalho (Leis força de trabalho da reclamante via empresa interposta, não sendo

13.429/2017 e 13.467/2017), as quais precisam ser interpretadas possível afastar as responsabilidades inerentes às relações

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jurídicas das quais participou. no mínimo a culpa in vigilando (má fiscalização das obrigações

Logo, irrefutável a prova da condição de tomadora de serviços da contratuais e seus efeitos). Passa, desse modo, o ente do Estado a

segunda reclamada, ente integrante da Administração Pública. responder pelas verbas trabalhistas devidas pelo empregador

Verificada a inegável qualidade de tomadora de serviços da terceirizante no período de efetiva terceirização".1

segunda reclamada, durante todo o período de vigência do contrato

de trabalho mantido entre a parte reclamante e a primeira Impende ressaltar que o § 6.º do artigo 37, da Constituição Federal

reclamada (empresa prestadora), impõe-se analisar a matéria estabelece a responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de

relativa à responsabilidade subsidiária do ente integrante da direito público, ao prescrever que estas, assim como as de direito

Administração Pública indireta, aqui reivindicada, consigne-se, sob privado prestadoras de serviços públicos, "responderão pelos danos

o ângulo da interpretação contida no teor da Súmula n.º 331, do que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,

Colendo Tribunal Superior do Trabalho. assegurando o direito de regresso contra o responsável nos casos

de dolo e culpa".

2.1.2- RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO PODER PÚBLICO No particular, nota-se que o texto constitucional opta por expressa

NA QUALIDADE DE TOMADOR DE SERVIÇOS rejeição à teoria da irresponsabilidade do poder público em suas

TERCEIRIZADOS. ANÁLISE DA QUESTÃO SOB O ÂNGULO relações jurídicas com terceiros, sejam elas voluntárias ou

DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO SUPREMO TRIBUNAL involuntárias.

FEDERAL - ADC Nº 16 E RE-760931, COM REPERCUSSÃO Razões de natureza social ainda mais relevantes justificam o zelo e

GERAL - RESPONSABILIDADE SUBJETIVA, SEGUNDO a responsabilidade que as entidades e os órgãos da Administração

COMPREENSÃO DO STF Pública devem guardar em relação aos direitos humanos

A Súmula n.º 331, do TST, interpretando a Constituição da (econômicos, sociais e culturais) das mulheres e dos homens que

República, a legislação ordinária vigente e observando os lhes prestam serviços em condições precárias de trabalho, por força

precedentes judiciais do próprio tribunal, anuncia não ser possível a da gestão empresarial embasada na terceirização.

terceirização na atividade-fim, no âmbito da Administração Pública. É bastante comum o desaparecimento das prestadoras de serviços,

Para as terceirizações consideradas lícitas, segundo compreensão assim como a constatação relativa à inexistência de bens dessas

da súmula em debate, haveria tão somente a responsabilidade pessoas jurídicas, suficientes para garantir o pagamento das verbas

subsidiária do tomador de serviços, incluindo o poder público, devidas aos empregados.

independentemente de culpa, assim entendido pelo TST, ao menos O poder público não pode simplesmente cruzar os braços,

até o ano de 2010. desrespeitando o trabalhador que lhe presta ou prestou serviços.

O professor e magistrado Maurício Godinho Delgado, ao abordar o Não é para cumprir tão lamentável missão que existe o Estado. Se

tema da responsabilidade de entidades estatais em casos de vingasse a tese suscitada nas defesas apresentadas perante a

terceirização de mão de obra, antes da decisão proferida pelo STF Justiça do Trabalho, pela Administração Pública, os milhões de

nos autos da ADC n.º 16, declarava que: homens e mulheres empregados das empresas terceirizantes

seriam declarados como indivíduos não detentores de parte

"A entidade estatal que pratique terceirização com empresa substancial dos direitos do trabalho, durante a vigência e no ato das

inidônea (isto é, empresa que se torne inadimplente com relação a rescisões dos seus pactos laborais, restando caracterizado, por via

direitos trabalhistas) comete culpa in eligendo (má escolha do de consequência, o evidente desrespeito aos princípios

contratante) ou, no mínimo, culpa in vigilando (má fiscalização das fundamentais da República da dignidade da pessoa humana e do

obrigações contratuais e seus efeitos). Passa, desse modo, a valor social do trabalho (CRFB, artigo 1º, III e IV).

responder pelas verbas trabalhistas devidas pelo empregador O respeito à dignidade humana não deve ter como referência a

terceirizante no período de efetiva terceirização (inciso IV do posição privilegiada dos cidadãos na pirâmide social marcadamente

Enunciado 331, TST) (...) Ora, a entidade estatal que pratique injusta da estratificada sociedade brasileira. Ao contrário, no campo

terceirização com empresa inidônea (isto é, empresa que se torne das relações de trabalho, quanto mais humilde for o trabalhador,

inadimplente com relação a direitos trabalhistas) comete culpa in maior zelo o Estado deve ter com seus direitos, em nome da justiça

eligendo (má escolha do contratante) mesmo que tenha firmado a social e da manutenção do único meio de subsistência da imensa

seleção por meio de processo licitatório. Ainda que não se admita maioria da população brasileira.

essa primeira dimensão da culpa, incide, no caso, outra dimensão, É forçoso concluir que uma interpretação meramente literal,

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descontextualizada e não sistemática do artigo 71, da Lei n.º Trabalho fundamentadas na Súmula 331/TST. Entre elas estão as

8.666/1993, na prática, sem nenhuma hesitação, resultaria na RCLs 7517 e 8150. Ambas estavam na pauta de hoje e tiveram

abominável chancela do Estado ao calote oficial aos empregados suspenso seu julgamento no último dia 11, na expectativa de

de empresas terceirizantes, leitura essa, evidentemente, em julgamento da ADC 16. Juntamente com elas, foram julgadas

descompasso com os princípios da responsabilidade objetiva das procedentes todas as Reclamações com a mesma causa de

pessoas jurídicas de direito público (artigo 37, §6º, da CRFB), da pedir.Por interessar a todos os órgãos públicos, não só federais

dignidade da pessoa humana e do valor social do trabalho (artigo como também estaduais e municipais, os governos da maioria dos

1º, incisos III e IV). estados e de muitos municípios, sobretudo de grandes capitais,

Ao julgar Ação Direta de Constitucionalidade ajuizada pelo então assim como a União, pediram para aderir como amici curiae

governador do Distrito Federal2, o Supremo Tribunal Federal, em (amigos da corte) nesta ADC.

sessão plenária realizada no dia 24 de novembro de 2010, declarou Alegações

constitucional o artigo 71, da Lei n.º 8.666/93. A notícia publicada Na ação, o governo do DF alegou que o dispositivo legal em

em sua página na rede mundial de computadores, no dia 24 de questão "tem sofrido ampla retaliação por parte de órgãos do Poder

novembro de 2010, foi a seguinte: Judiciário, em especial o Tribunal Superior do Trabalho (TST), que

diuturnamente nega vigência ao comando normativo expresso no

"TST deve analisar caso a caso ações contra União que tratem artigo 71, parágrafo 1º da Lei Federal nº 8.666/1993". Observou,

de responsabilidade subsidiária, decide STF nesse sentido, que a Súmula 331 do TST prevê justamente o

Por votação majoritária, o Plenário do Supremo Tribunal Federal oposto da norma do artigo 71 e seu parágrafo 1º.

declarou, nesta quarta-feira (24), a constitucionalidade do artigo 71, A ADC foi ajuizada em março de 2007 e, em maio daquele ano, o

parágrafo 1º, da Lei 8.666, de 1993, a chamada Lei de Licitações. O relator, ministro Cezar Peluso, negou pedido de liminar, por

dispositivo prevê que a inadimplência de contratado pelo Poder entender que a matéria era complexa demais para ser decidida

Público em relação a encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não individualmente. Posta em julgamento em setembro de 2008, o

transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu ministro Menezes Direito (falecido) pediu vista dos autos, quando o

pagamento, nem pode onerar o objeto do contrato ou restringir a relator não havia conhecido da ação, e o ministro Marco Aurélio

regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o dela havia conhecido, para que fosse julgada no mérito.

Registro de Imóveis. Segundo o presidente do STF, isso "não Hoje, a matéria foi trazida de volta a Plenário pela ministra Cármen

impedirá o TST de reconhecer a responsabilidade, com base nos Lúcia Antunes Rocha, uma vez que o sucessor do ministro Direito, o

fatos de cada causa". "O STF não pode impedir o TST de, à base ministro Dias Toffoli, estava impedido de participar de seu

de outras normas, dependendo das causas, reconhecer a julgamento, pois atuou neste processo quando ainda era advogado

responsabilidade do poder público", observou o presidente do geral da União.

Supremo. Ainda conforme o ministro, o que o TST tem reconhecido Na retomada do julgamento, nesta quarta-feira, o presidente do STF

é que a omissão culposa da administração em relação à e relator da matéria, ministro Cezar Peluso, justificou o seu voto

fiscalização - se a empresa contratada é ou não idônea, se paga ou pelo arquivamento da matéria. Segundo ele, não havia controvérsia

não encargos sociais - gera responsabilidade da União. a ser julgada, uma vez que o TST, ao editar o Enunciado 331, não

A decisão foi tomada no julgamento da Ação Declaratória de declarou a inconstitucionalidade do artigo 71, parágrafo 1º, da Lei

Constitucionalidade (ADC) 16, ajuizada pelo governador do Distrito 8.666.

Federal em face do Enunciado (súmula) 331 do Tribunal Superior Em seu voto, a ministra Cármen Lúcia divergiu do ministro Cezar

do Trabalho (TST), que, contrariando o disposto no parágrafo 1º do Peluso quanto à controvérsia. Sob o ponto de vista dela, esta

mencionado artigo 71, responsabiliza subsidiariamente tanto a existia, sim, porquanto o enunciado do TST ensejou uma série de

Administração Direta quanto a indireta, em relação aos débitos decisões nos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e, diante

trabalhistas, quando atuar como contratante de qualquer serviço de delas e de decisões do próprio TST, uma série de ações, sobretudo

terceiro especializado. Reclamações (RCLs), junto ao Supremo. Assim, ela se pronunciou

Reclamações pelo conhecimento e pelo pronunciamento da Suprema Corte no

Em vista do entendimento fixado na ADC 16, o Plenário deu mérito.

provimento a uma série de Reclamações (RCLs) ajuizadas na O ministro Marco Aurélio observou que o TST sedimentou seu

Suprema Corte contra decisões do TST e de Tribunais Regionais do entendimento com base no artigo 2º da Consolidação das Leis do

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Trabalho (CLT), que define o que é empregador, e no artigo 37, de cada litígio que lhe é submetido cuidando do tema, avaliar a

parágrafo 6º da Constituição Federal (CF), que responsabiliza as presença ou não do elemento culpa in vigilando, como fator de

pessoas de direito público por danos causados por seus agentes a condenação ou absolvição do tomador de serviços integrante do

terceiros. poder público.

Decisão Coube ao Tribunal Superior do Trabalho, a partir daquela decisão

Ao decidir, a maioria dos ministros se pronunciou pela do Supremo, modificar parcialmente o conteúdo da Súmula n.º 331,

constitucionalidade do artigo 71 e seu parágrafo único, e houve do TST, o fazendo da seguinte forma:

consenso no sentido de que o TST não poderá generalizar os casos

e terá de investigar com mais rigor se a inadimplência tem como "Súmula nº 331 do TST

causa principal a falha ou falta de fiscalização pelo órgão público CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE

contratante. (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) -

O ministro Ayres Britto endossou parcialmente a decisão do Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011

Plenário. Ele lembrou que só há três formas constitucionais de I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal,

contratar pessoal: por concurso, por nomeação para cargo em formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços,

comissão e por contratação por tempo determinado, para suprir salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974).

necessidade temporária. II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa

Assim, segundo ele, a terceirização, embora amplamente praticada, interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da

não tem previsão constitucional. Por isso, no entender dele, nessa Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da

modalidade, havendo inadimplência de obrigações trabalhistas do CF/1988).

contratado, o poder público tem de responsabilizar-se por elas".3 III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de

serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de

A decisão proferida pelo STF, na ADC n.º 16, recebeu a ementa a conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados

seguir transcrita: ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a

pessoalidade e a subordinação direta.

"EMENTA. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. Subsidiária. IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do

Contrato com a administração pública. Inadimplência negocial do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos

outro contraente. Transferência consequente e automática dos seus serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da

encargos trabalhistas, fiscais e comerciais, resultantes da execução relação processual e conste também do título executivo judicial.

do contrato, à administração. Impossibilidade jurídica. V - Os entes integrantes da Administração Pública direta e

Consequência proibida pelo art., 71, § 1º, da Lei federal nº 8.666/93. indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições

Constitucionalidade reconhecida dessa norma. Ação direta de do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no

constitucionalidade julgada, nesse sentido, procedente. Voto cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993,

vencido. É constitucional a norma inscrita no art. 71, § 1º, da Lei especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações

federal nº 8.666, de 26 de junho de 1993, com a redação dada pela contratuais e legais da prestadora de serviço como

Lei nº 9.032, de 1995." 4 empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero

inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela

Da leitura do inteiro teor daquele acórdão, percebe-se, com empresa regularmente contratada.

meridiana clareza, que o Supremo Tribunal Federal, embora tenha VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange

reconhecido a constitucionalidade do artigo 71, §1º, da Lei n.º todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período

8.666/1993, não isentou, contudo, a Administração Pública de da prestação laboral." 5

qualquer responsabilidade, em caso de inadimplemento trabalhista

por parte das empresas prestadoras de serviços as quais colocam Embora represente evidente retrocesso social para os trabalhadores

trabalhadores terceirizados desenvolvendo as suas atividades em terceirizados, a decisão proferida nos autos da ADC n.º 16, pelo

prol de entidades e órgãos do Estado. STF, a ponto de determinar explícita mudança parcial do conteúdo

Adotando a teoria da responsabilidade subjetiva da Administração da Súmula nº 331, do TST, jamais pode significar o fim da proteção

Pública, o STF declarou que cabe à Justiça do Trabalho, no exame aos direitos e créditos trabalhistas dos milhares de empregados

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formais das empresas prestadoras de serviços no âmbito do poder Militar, além de Tribunal de Contas da União, Conselho Nacional de

público. Justiça, Procuradora-Geral da República, Procuradoria-Geral do

Bem sabemos e conhecemos quão dura é a realidade deste grupo Trabalho, Presidência da República, Câmara dos Deputados,

de trabalhadores, cercados de péssimas condições de labor, Senado Federal, Ministério da Justiça, Ministério do Trabalho e

incluindo salários baixíssimos, jornadas intensas e extenuantes, Emprego, Ministério da Previdência Social, Ministério da Fazenda e

altos índices de acidentes e discriminação, entre outras ofensas aos Ministério das Relações Exteriores.

seus direitos fundamentais, violações essas notadas com maior Na hipótese de ser afastada a responsabilidade da Administração

visibilidade a partir do momento em que a empregadora formal Pública pelo inadimplemento trabalhista junto ao pessoal que lhe

desaparece sem pagar salários, FGTS e verbas rescisórias, algo prestou serviços por intermédio de empresa terceirizante, na linha

bastante corriqueiro, assim visto nos corredores da Justiça do de raciocínio antes desenvolvida, registre-se, estaremos

Trabalho quando da realização de audiências na primeira instância. proclamando em alto e bom som que os direitos humanos de

É certo, ainda, que a retumbante evidência se faz presente até natureza econômica e social não se aplicam aos trabalhadores

mesmo em vários casos envolvendo o próprio Supremo Tribunal terceirizados do poder público.

Federal, na qualidade de tomador de serviços (UNIÃO). Diversos A outra face da mesma moeda será a institucionalização do calote

empregados terceirizados lotados no STF, via empresa pelo Poder Judiciário, pois tão comum tem sido o descumprimento

terceirizante, já demandaram ou ainda demandam perante a Justiça de obrigações trabalhistas por parte das prestadoras de serviços,

do Trabalho de Brasília-DF, buscando receber salários retidos e assim como o notório insucesso até mesmo no sentido de encontrá-

outros direitos não cumpridos por empresas prestadoras de serviços las com a finalidade de comparecimento à Justiça do Trabalho para

as quais desapareceram da noite para o dia, depois da perda do a tentativa conciliatória ou apresentação de defesa, muito menos

contrato mantido com a União. são localizados os seus sócios para o pagamento das dívidas

Isso ocorre porque talvez seja impossível domar o efeito devastador trabalhistas.

de direitos humanos contido em qualquer terceirização de mão de Ninguém paga a conta ou débito para com os trabalhadores

obra, que existe primordialmente para reduzir os custos com o terceirizados do serviço público? O poder público deve fingir que o

trabalho, em qualquer lugar do mundo, mediante flexibilização, problema não lhe diz respeito? O Poder Judiciário deve ignorar a

precarização e violação de direitos materiais e imateriais realidade dos contratos de prestação de serviços em nome de uma

assegurados pelo ordenamento jurídico. teoria do Direito Administrativo inequivocamente falida para dar

Não é novidade para qualquer pessoa que lida com a terceirização, conta dos graves problemas gerados pela terceirização? O direito é

direta ou indiretamente, incluindo os operadores do mundo jurídico tão insensível a ponto de não captar a dureza da vida das mulheres

laboral, os seus desatinos no serviço público e as agruras sofridas e dos homens terceirizados no âmbito da Administração Pública? O

pelos trabalhadores terceirizados, desde a prática da retenção de direito não pode interagir com a sociologia para encontrar, pelo

salários ao não pagamento de auxílio-alimentação, vale-transporte, método da interdisciplinariedade, no ramo das ciências sociais

horas extras, férias, 13º salário e verbas rescisórias. Quando se dotadas de maior investigação das origens de nossas mazelas,

encontra presente o contexto fático antes delineado, desparecem as soluções justas para os terceirizados? Afinal, os trabalhadores

prestadoras de serviços e os seus sócios, sendo que o êxito da terceirizados são ou não portadores de direitos humanos, ou seja, a

execução trabalhista contra as referidas empresas é praticamente Constituição da República e o Estado Democrático de Direito valem

nulo. ou não para a massa de seres humanos submetidos ao trabalho

É provável que não exista um órgão sequer, nos três poderes da terceirizado no poder público?

República, que não tenha se defrontado com esse grave problema As respostas a esses salutares questionamentos não podem conter

social decorrente da terceirização, com humildes trabalhadores evasivas, muito menos consagrar um obtuso padrão

desesperados pela ausência do recebimento de salários e verbas administrativista contrário à Constituição da República e aos

rescisórias, alcançados indistintamente, pois, trabalhadoras e Direitos Humanos dos trabalhadores terceirizados.

trabalhadores terceirizados de tribunais como Supremo Tribunal Ora, o Direito Administrativo como expressão da vontade exclusiva

Federal, Tribunal Superior do Trabalho, Tribunal Regional do do Estado foi revolucionário no contexto histórico de seu

Trabalho da 10ª Região, Tribunal de Justiça do Distrito Federal e nascimento, porque material e politicamente concebido em oposição

Territórios, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Superior ao poder corrompido da monarquia do Ancien Régime, oferecendo

Tribunal de Justiça, Tribunal Superior Eleitoral e Superior Tribunal a nova disciplina, por intermédio de leis editadas pelo Parlamento,

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no pós-revolução francesa e durante mais de um século a partir do trabalhadores do poder público tratamento próprio da época da

grandioso evento, elementos eficazes para limitar o exercício do inauguração da República, emprestando ao princípio da legalidade

poder dos governantes na esfera da gestão da coisa pública antes estrita do liberalismo, por exemplo, uma cega obediência sem levar

apropriada, sem nenhum pudor, por parte do soberano. em consideração os seus contrapostos. Não é para cumprir tão

Logo, o Direito Administrativo voltado para proteger apenas o lamentável missão que existe o Estado Constitucional. Ele foi

Estado é um dos traços das nações remodeladas que emergiram fundado, teoricamente, dentre outras razões, para não tolerar o

das revoluções burguesas ocorridas entre os séculos XVIII e XIX, intolerável, para dar aos cidadãos dignidade e igual respeito, para

assim como a respectiva estrutura jurídica formatada no sentido de cumprir e fazer cumprir os princípios constitucionais.

assegurar o exercício das liberdades individuais clássicas pela nova Na verdade, persegue-se, com a teoria da irresponsabilidade do

classe detentora do poder político e os limites impostos aos juízes tomador de serviços, o reconhecimento de que o interesse público é

no que se refere à tarefa de interpretar textos legais editados pelo sempre aquele decorrente da vontade estatal, diante da equivocada

Parlamento revolucionário francês (o juiz boca da lei), conforme construção jurídica fomentadora da incompatibilidade total entre

arquitetura da Constituição jacobina de 1793 (o juiz é proibido de dois segmentos cujas raízes estão fincadas na principiologia

interpretar a lei) e do Código Civil napoleônico de 1803. constitucional do Estado democrático de direito, além de relegar o

Essa concepção de arraigada defesa do Estado em detrimento de caráter público de ambos - Direito do Trabalho e Direito

interesses diversos paroquiais e particulares marcou a doutrina Administrativo. O referido posicionamento origina não apenas

brasileira durante décadas a partir da Proclamação da República no desarmonia na esfera de espaço público comum ao Direito

final do século XIX, considerando que era preciso, naquela época, Administrativo e ao Direito do Trabalho, como também reduz a

formar uma cultura apta a promover valores relegados por eficácia prática da primeira disciplina naquilo que lhe continua

governantes, embora até hoje persistam, no âmbito da sendo peculiar na era da modernidade avançada.

Administração Pública, práticas capazes de envergonhar os Sem enfrentar idênticos embaraços, os mais aquinhoados, do ponto

revolucionários franceses de 1789, normalmente implementadas à de vista econômico e político, quando são afetados por medidas

margem do sistema normativo. capazes de comprometer o exercício de algum direito seu, via de

O problema é que a ideia de supremacia absoluta do Estado por regra, logo conseguem encontrar soluções, precárias ou não, vindas

intermédio de antigos postulados do Direito Administrativo revela-se da esfera do próprio Estado, ente este demasiadamente seletivo em

incompatível com o tempo presente, o tempo do Estado suas ações, registre-se, na hora de conceder, na hora de punir, na

Democrático de Direito. hora de proteger os seus, embora a linguagem técnica rebuscada

Para coibir as malversações nas diversas esferas do poder público, se apresente como sinônimo de uma falsa neutralidade ideológica.

no entanto, a velha tônica do Direito Administrativo anunciada por Aos terceirizados, por outro lado, a resposta do Estado é a dureza

princípios constitucionais encontra-se em plena flor da idade, jovem da lei em sua interpretação mais antissocial possível, contrária

e entusiasmada em defesa da coisa de todos. O seu vigor inclusive aos postulados constitucionais que anunciam a existência

rejuvenescido pela vitamina da contemporânea modernidade não de um Estado Democrático de Direito comprometido com os Direitos

mais comporta porém o caráter rude e intolerante antes enaltecido, Humanos das trabalhadoras e dos trabalhadores.

ao reduzir particulares e servidores com os quais mantém algum Tem-se assim, portanto, que a compreensão jurídica acerca do

tipo de vínculo a vergonhoso patamar de inferioridade, resultado do julgamento proferido nos autos da ADC n.º 16 jamais

considerando-os figuras eventualmente detentoras de direitos a pode ignorar as balizas constitucionais preservadoras da dignidade

partir da vontade única e autocrática do Estado. da pessoa humana, do valor social do trabalho e da dura realidade

O Estado é fundamental para a implementação de uma série de dessa gente humilde terceirizada à disposição do poder público

princípios e garantias próprias da vida digna em todas as suas para fazê-lo funcionar, indo, por exemplo, da limpeza de banheiros

dimensões, mas está longe de ser o senhor absoluto para limitar ou de prédios públicos à elaboração de matérias jornalísticas para

mitigar direitos humanos. entidades e órgãos diversos, entre outras centenas de atividades

Ademais, estabelecer a prevalência absoluta dos interesses do humanas vitais para o conjunto da sociedade brasileira.

Estado pode redundar, na atualidade, em ofensa a princípios Quanto à Declaração de Constitucionalidade do § 1º do Art. 71 da

fundamentais da dignidade da pessoa humana e do valor social do Lei n.º 8.666/93, pelo Supremo Tribunal Federal, reitere-se, consta

trabalho (CRFB, artigo 1º, incisos III e IV). É inadmissível, sob a da própria decisão que a constitucionalidade do enunciado legal não

suposta defesa intransigente do bem público, dispensar a afasta a possibilidade de imputação de responsabilidade à

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Administração Pública por culpa in vigilando, conforme bem vedar de forma absoluta qualquer atribuição de responsabilidade ao

apontado em artigo publicado sobre a matéria ora debatida, da Poder Público, tal como a interpretação literal proposta pela Ministra

autoria dos juslaboralistas mineiros Márcio Túlio Viana, Gabriela Cármen Lúcia 57, tratou de balizar o limite dessa declaração de

Neves Delgado e Hélder Santos Amorim, como veremos adiante: constitucionalidade numa clara hermenêutica de ponderação, que

privilegia a noção expressa no § 1º do art. 71 da Lei de Licitações,

"No julgamento da ação declaratória de constitucionalidade (ADC) para impedir a imputação ao Poder Público de responsabilidade

nº 16 ajuizada pelo governo do Distrito Federal, o Supremo Tribunal automática pelo cumprimento das obrigações trabalhistas

Federal (STF) pronunciou a constitucionalidade do § 1º do art. 71 da inadimplidas - eis que esta responsabilidade trabalhista é exclusiva

Lei nº 8.666/93, vedando à Justiça do Trabalho a aplicação de da empresa contratada, empregadora -, mas, por outro lado,

responsabilidade subsidiária à Administração Pública de forma reconhecendo que a isenção de responsabilidade proposta pela

automática, pelo só fato do inadimplemento dos direitos trabalhistas, norma está condicionada por outras normas que impõem à

tal como se extraía da literalidade do inciso IV da Súmula nº 331 do Administração Pública o dever de bem licitar e de fiscalizar de forma

TST, acima transcrito. eficiente o contrato administrativo, inclusive quanto ao

Nesse julgamento, vencido o Ministro Ayres Britto que considera o § adimplemento dos direitos dos trabalhadores terceirizados". 6

1º do art. 71 da Lei de Licitações inconstitucional em relação à

terceirização de serviços, o pronunciamento de constitucionalidade Traz-se à tona agora precedente do Colendo TST na mesma

do dispositivo foi tomado do voto da maioria, sob duas noções direção, senão vejamos:

claramente retratadas nas falas do Ministro Cezar Peluso, relator da

ADC 55. "EMENTA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TERCEIRIZAÇÃO

Primeiro, entendeu-se que o verbete do inciso IV da Súmula nº 331 TRABALHISTA - ENTIDADES ESTATAIS - RESPONSABILIDADE

do Tribunal Superior do Trabalho, ao atribuir responsabilidade EM CASO DE CULPA - IN VIGILANDO - NO QUE TANGE AO

subsidiária ao ente público tomador dos serviços pelo só fato do CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA E

inadimplemento destes direitos, rejeita aplicação e efetividade ao PREVIDENCIÁRIA POR PARTE DA EMPRESA TERCEIRIZANTE

disposto no § 1º do art. 71 da Lei nº 8.666/93, sem declarar sua CONTRATADA - COMPATIBILIDADE COM O ART. 71 DA LEI DE

inconstitucionalidade, o que violaria de forma transversa a reserva LICITAÇÕES - INCIDÊNCIA DOS ARTS. 159 DO CCB/1916, 186 E

de plenário prevista no art. 97 da Constituição, afrontando a Súmula 927, - CAPUT -, DO CCB/2002.A mera inadimplência da empresa

nº 10 do STF 56. terceirizante quanto às verbas trabalhistas e previdenciárias devidas

No segundo momento, apreciando a constitucionalidade do ao trabalhador terceirizado não transfere a responsabilidade por tais

dispositivo, os Ministros concluíram que a norma do § 1º do art. 71 verbas para a entidade estatal tomadora de serviços, a teor do

da Lei nº 8.666/93 não fere a Constituição e deve ser observada disposto no art. 71 da Lei 8.666/93 (Lei de Licitações),cuja

pela Justiça do Trabalho, o que impede a aplicação de constitucionalidade foi declarada pelo Supremo Tribunal Federa na

responsabilidade subsidiária à Administração Pública de forma ADC nº 16-DF. Entretanto, a inadimplência da obrigação

automática, pela só constatação de inadimplemento dos direitos fiscalizatória da entidade estatal tomadora de serviços no tocante ao

laborais pela empresa contratada. preciso cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias

No mesmo passo concluíram que a constitucionalidade do da empresa prestadora de serviços gera sua responsabilidade

enunciado legal não afasta, no entanto, a possibilidade de sua subsidiária, em face de sua culpa in vigilando, a teor da regra

interpretação sistemática com outros dispositivos legais e responsabilizatória incidente sobre qualquer pessoa física ou

constitucionais que impõem à Administração Pública contratante o jurídica que, por ato ou omissão culposos, cause prejuízos a alguém

dever de licitar e fiscalizar de forma eficaz a execução do contrato, (art. 186, Código Civil). Evidenciando-se essa culpa in vigilando nos

inclusive quanto ao adimplemento de direitos trabalhistas, de forma autos, incide a responsabilidade subjetiva prevista no art. 159 do

que, constatada no caso concreto a violação desse dever CCB/1916, arts.186 e 927, caput, do CCB/2002, observados os

fiscalizatório, continua plenamente possível a imputação de respectivos períodos de vigência. Registre-se que, nos estritos

responsabilidade subsidiária à Administração Pública por culpa in limites do recurso de revista (art.896, CLT), não é viável reexaminar

eligendo ou in vigilando. -se a provados autos a respeito da efetiva conduta fiscalizatória do

Em suas manifestações, no curso do julgamento, o Ministro Relator ente estatal (Súmula 126/TST). Sendo assim, não há como

Cezar Peluso, refutando os viéses interpretativos que pretendiam assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo

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de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da consideravam como centrais" (ROBERTS, John. The Modern Firm:

decisão denegatória, que ora subsiste por seus próprios Organizational Design for Performance and Growth.Oxford: Oxford

fundamentos. Agravo desprovido".7 University Press, 2007).

2. A cisão de atividades entre pessoas jurídicas distintas não revela

Em síntese, na hipótese de observância, sem tréguas, da decisão qualquer intuito fraudulento, consubstanciando estratégia, garantida

proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADC - Ação pelos artigos 1º, IV, e 170 da Constituição brasileira, de

Direta de Constitucionalidade n.º 16, no sentido de que há configuração das empresas, incorporada à Administração Pública

necessidade de demonstração da presença do elemento culpa in por imperativo de eficiência (art. 37, caput, CRFB), para fazer frente

vigilando da tomadora de serviços, para assim responsabilizar a às exigências dos consumidores e cidadãos em geral, justamente

Administração Pública, alguns outros aspectos precisam ser porque a perda de eficiência representa ameaça à sobrevivência da

avaliados, especialmente quanto à responsabilidade civil e ao ônus empresa e ao emprego dos trabalhadores.

da prova. 3. Histórico científico: Ronald H. Coase, "The Nature of The Firm",

Depois do julgamento proferido em 2010 nos autos da ADC n.º 16, o Economica (new series), Vol. 4, Issue 16, p. 386-405, 1937. O

Supremo Tribunal Federal voltou a emitir pronunciamento plenário a objetivo de uma organização empresarial é o de reproduzir a

respeito da responsabilidade da Administração Pública, na distribuição de fatores sob competição atomística dentro da firma,

qualidade de tomadora de serviços terceirizados. apenas fazendo sentido a produção de um bem ou serviço

O novo veículo foi o RE-760931, com repercussão geral, com internamente em sua estrutura quando os custos disso não

julgamento ocorrido em 30/03/2017 e 26/04/2017, com acórdão ultrapassarem os custos de obtenção perante terceiros no mercado,

publicado no dia 12/09/2017, cuja ementa é transcrita a seguir: estes denominados "custos de transação", método segundo o qual

firma e sociedade desfrutam de maior produção e menor

"EMENTA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO REPRESENTATIVO desperdício.

DE CONTROVÉRSIA COM REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO 4. A Teoria da Administração qualifica a terceirização (outsourcing)

CONSTITUCIONAL. DIREITO DO TRABALHO. TERCEIRIZAÇÃO como modelo organizacional de desintegração vertical, destinado ao

NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. SÚMULA 331, IV E alcance de ganhos de performance por meio da transferência para

V, DO TST. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 71, § 1º, DA LEI outros do fornecimento de bens e serviços anteriormente providos

Nº8.666/93. TERCEIRIZAÇÃO COMO MECANISMO ESSENCIAL pela própria firma, a fim de que esta se concentre somente

PARA A PRESERVAÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO E naquelas atividades em que pode gerar o maior valor, adotando a

ATENDIMENTO DAS DEMANDAS DOS CIDADÃOS. HISTÓRICO função de "arquiteto vertical" ou "organizador da cadeia de valor".

CIENTÍFICO. LITERATURA: ECONOMIA E ADMINISTRAÇÃO. 5. A terceirização apresenta os seguintes benefícios: (i)

INEXISTÊNCIA DE PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO HUMANO. aprimoramento de tarefas pelo aprendizado especializado; (ii)

RESPEITO ÀS ESCOLHAS LEGÍTIMAS DO LEGISLADOR. economias de escala e de escopo; (iii) redução da complexidade

PRECEDENTE: ADC 16. EFEITOS VINCULANTES. RECURSO organizacional; (iv) redução de problemas de cálculo e atribuição,

PARCIALMENTE CONHECIDO E PROVIDO. FIXAÇÃO DE TESE facilitando a provisão de incentivos mais fortes a empregados; (v)

PARA APLICAÇÃO EM CASOS SEMELHANTES. precificação mais precisa de custos e maior transparência; (vi)

1. A dicotomia entre "atividade-fim" e "atividade-meio" é imprecisa, estímulo à competição de fornecedores externos; (vii) maior

artificial e ignora a dinâmica da economia moderna, caracterizada facilidade de adaptação a necessidades de modificações

pela especialização e divisão de tarefas com vistas à maior estruturais; (viii) eliminação de problemas de possíveis excessos de

eficiência possível, de modo que frequentemente o produto ou produção; (ix) maior eficiência pelo fim de subsídios cruzados entre

serviço final comercializado por uma entidade comercial é fabricado departamentos com desempenhos diferentes; (x) redução dos

ou prestado por agente distinto, sendo também comum a mutação custos iniciais de entrada no mercado, facilitando o surgimento de

constante do objeto social das empresas para atender a novos concorrentes; (xi) superação de eventuais limitações de

necessidades da sociedade, como revelam as mais valiosas acesso a tecnologias ou matérias-primas; (xii) menor alavancagem

empresas do mundo. É que a doutrina no campo econômico é operacional, diminuindo a exposição da companhia a riscos e

uníssona no sentido de que as "Firmas mudaram o escopo de suas oscilações de balanço, pela redução de seus custos fixos; (xiii)

atividades, tipicamente reconcentrando em seus negócios principais maior flexibilidade para adaptação ao mercado; (xiii) não

e terceirizando muitas das atividades que previamente comprometimento de recursos que poderiam ser utilizados em

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setores estratégicos; (xiv) diminuição da possibilidade de falhas de

um setor se comunicarem a outros; e (xv) melhor adaptação a Como se percebe da parte da ementa que interessa para a solução

diferentes requerimentos de administração, know-how e estrutura, do caso concreto ("O inadimplemento dos encargos trabalhistas

para setores e atividades distintas. dos empregados do contratado não transfere automaticamente

6. A Administração Pública, pautada pelo dever de eficiência (art. ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu

37, caput, da Constituição), deve empregar as soluções de mercado pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos

adequadas à prestação de serviços de excelência à população com termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93"), o inadimplemento por

os recursos disponíveis, mormente quando demonstrado, pela parte da empresa prestadora de serviços, por si só, é insuficiente

teoria e pela prática internacional, que a terceirização não importa para atrair a responsabilidade do poder público como tomador de

precarização às condições dos trabalhadores. serviços terceirizados.

7. O art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93, ao definir que a inadimplência Desse modo e sem discutir agora os demais tópicos da ementa do

do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, não STF, quase todos amparados em compreensões do mercado e de

transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu seus autores, especialmente quanto à afirmação de que a

pagamento, representa legítima escolha do legislador, máxime terceirização não implica em precarização do trabalho, algo que não

porque a Lei nº 9.032/95 incluiu no dispositivo exceção à regra de se sustenta frente às inúmeras pesquisas científicas capazes de

não responsabilização com referência a encargos trabalhistas. revelar a tragédia causada pelo modo de fragmentação produtiva, o

8. Constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 já certo é que o resultado do julgamento proferido em 2017 no RE

reconhecida por esta Corte em caráter erga omnes e 760931, com Repercussão Geral, está em conformidade com o

vinculante: ADC 16, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal decidido também pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADC

Pleno, julgado em 24/11/2010. n.º 16, no ano de 2010, como não poderia ser diferente, diante da

9. Recurso Extraordinário parcialmente conhecido e, na parte natureza da Reclamação apresentada em Recurso Extraordinário.

admitida, julgado procedente para fixar a seguinte tese para casos E cabe dizer, ainda, que da leitura da ementa do RE 760 931-DF,

semelhantes: "O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos percebe-se que os seus 07(sete) primeiros tópicos tratam da

empregados do contratado não transfere automaticamente ao terceirização como mecanismo do processo produtivo gerador de

Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu suposta vantagem para o conjunto da sociedade e para a

pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos Administração Pública, tudo com base em literatura especializada

termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93". de cunho administrativo-empresarial, sem relação direta com o tema

ACÓRDÃO da responsabilidade subsidiária do poder público e sem qualquer

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do deliberação das respectivas teses ali expostas por parte dos

Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência ministros, quando se examina a totalidade do acórdão publicado em

da Senhora Ministra Cármen Lúcia, na conformidade da ata de setembro de 2017.

julgamento e das notas taquigráficas, em conhecer em parte do Somente as proposições 8(oito) e 9(nove) da ementa foram, de fato,

recurso extraordinário e, na parte conhecida, a ele dar provimento, aprovadas como teses pelo STF. As demais são opiniões e não

vencidos os Ministros Rosa Weber (Relatora), Edson Fachin, teses explicitamente referendadas, o que se conclui pelos debates e

Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Redator pelas conclusões finais lançadas no acórdão.

para o acórdão o Ministro Luiz Fux. Em assentada posterior, em Para o Supremo Tribunal Federal, reitere-se, segundo entendimento

26/04/2017, o Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Ministro majoritário contido na ADC n.º 16 e no RE-760931, com

LUIZ FUX, que redigirá o acórdão, vencido, em parte, o Ministro Repercussão Geral, a responsabilidade dos entes públicos, quanto

Marco Aurélio, fixou a seguinte tese de repercussão geral: "O ao pagamento de verbas devidas aos trabalhadores terceirizados

inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do que lhes prestaram serviços, é subjetiva, exigindo, assim, a

contratado não transfere automaticamente ao Poder Público presença do elemento culpa, quanto ao inadimplemento por parte

contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em da empresa prestadora de serviços.

caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº Em outras palavras, sempre que a fiscalização a ser exercida pela

8.666/93". Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. tomadora de serviços do poder público, em relação ao contrato de

Brasília, 30 de março de 2017.LUIZ FUX - REDATOR PARA O prestação de serviços(contrato administrativo), se revelar ausente,

ACÓRDÃO Documento assinado digitalmente".8 precária ou ineficiente, haverá a responsabilidade trabalhista da

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tomadora de serviços integrante da Administração Pública, no que Lewandoswski, Luiz Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin, que

concerne ao pagamento das parcelas devidas aos trabalhadores. compreendiam estar ausente qualquer ofensa, na decisão do TST,

É de se avaliar, mais uma vez, a existência ou não de alguma ao contido na ADC n.º 16.

novidade com a decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal Os votos e debates travados e registrados em 355 (trezentos e

no RE 760931, cuja decisão foi publicada no dia 12 de setembro de cinquenta e cinco) páginas que resultaram no acórdão respectivo

2017, dotada de repercussão geral. (RE 760931-DF), segundo texto disponível na página eletrônica do

Para tanto, impõe-se destacar que as únicas teses aprovadas no STF, reafirmaram a tese de que a responsabilidade pelo

RE 760931 possuem o conteúdo a seguir destacado: adimplemento das verbas trabalhistas devidas aos empregados

terceirizados no âmbito da Administração Pública, por parte da

"O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados tomadora de serviços, jamais é automática. Tal responsabilidade é

do contratado não transfere automaticamente ao Poder Público subjetiva e depende sempre da prova da culpa in vigilando do poder

contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em público, quanto à fiscalização do contrato administrativo de

caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da prestação de serviços celebrado com empresa terceirizante.

Lei nº 8.666/93". Aliás, não é possível relegar o brilhantismo e a profundidade do voto

elaborado pela relatora originária da matéria, ministra Rosa Weber,

"Constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 já voto esse dotado de elevada percuciência humanística, social,

reconhecida por esta Corte em caráter erga omnes e histórica e jurídica, tudo a revelar do que se trata verdadeiramente a

vinculante: ADC 16, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal terceirização, bem como os seus males e os seus encantos

Pleno, julgado em 24/11/2010". evocados pelos velhos ou novos liberais amantes dos ricos

opulentos e indiferentes ao reino da miséria obreira produzida pelo

Nota-se, assim, que a tese primeira antes transcrita, é uma sistema da maximização de lucros a qualquer custo.

reiteração do decidido nos autos da ADC n.º 16, que proclamou o O parecer do Ministério Público Federal também refuta a

seguinte: possibilidade de reconhecimento da irresponsabilidade absoluta do

poder público, além de discorrer sobre o ônus da prova, da prova

"EMENTA. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. Subsidiária. impossível e da "prova diabólica para o empregado", conforme

Contrato com a administração pública. Inadimplência negocial trecho a seguir destacado:

do outro contraente. Transferência consequente e automática

dos seus encargos trabalhistas, fiscais e comerciais, '"Constitucional, direito administrativo e do trabalho. Tema 246

resultantes da execução do contrato, à administração. de Repercussão Geral. Responsabilidade subsidiária da

Impossibilidade jurídica. Consequência proibida pelo art., 71, § administração pública por encargos trabalhistas gerados pelo

1º, da Lei federal nº 8.666/93. Constitucionalidade reconhecida inadimplemento de empresa prestadora de serviço. ADC 16/DF.

dessa norma. Ação direta de constitucionalidade julgada, Decisão vinculante. Constitucionalidade do § 1º do art. 71 da

nesse sentido, procedente. Voto vencido. É constitucional a Lei 8.666/1993. Possibilidade de responsabiliza- ção subsidiária

norma inscrita no art. 71, § 1º, da Lei federal nº 8.666, de 26 de do Poder Público por omissão fiscalizatória do cumprimento

junho de 1993, com a redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995." das obrigações trabalhistas em contratos de obras e serviços.

Confirmação da tese jurídica firmada em controle concentrado

Por outro lado, inegavelmente, o Supremo Tribunal Federal, no RE de constitucionalidade. Fiscalização eficiente do adimplemento

760931-DF, reconheceu que o Tribunal Superior do Trabalho, de obrigações trabalhistas - dever jurídico do Poder Público

embora tenha feito referência ao julgado na ADC n.º 16, o violou, ao contratante. Preservação da higidez contratual. Função

decretar a responsabilidade subsidiária do poder público, naquele socioambiental do contrato administrativo - execução

caso concreto, sem a prova da culpa in vigilando da Administração conforme os interesses sociais e ambientais protegidos pela

Pública. Constituição. Omissão ou deficiência fiscalizatória.

Assim votaram os ministros Luiz Fux (redator designado), Marco Responsabilização do estado por ato ilícito. Princípio do

Aurélio, Gilmar Mendes, Carmen Lúcia, Dias Toffolli, e Alexandre de Estado de Direito. Responsabilidade estatal por ato omissivo

Moraes. Vencidos, quanto ao resultado final, os ministros Rosa danoso a direito de terceiro. Teoria da falha do serviço.

Weber (relatora originária do RE), Celso de Melo, Ricardo Responsabilidade objetiva. Constituição, art. 37, § 6º.

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Precedentes. Hipótese de responsabilidade subjetiva - Luiz Roberto Barroso de prova da fiscalização do contrato pelo

presunção relativa de culpa da administração. Demonstração método estatístico da amostragem fora expressamente rejeitada.

da omissão fiscalizatória do ente público. Prova impossível E não se mostra apropriado concluir, a partir da interpretação do

para o trabalhador demandante - teoria da "prova diabólica". acórdão do STF aqui comentado, que a exigência de prova

1. Confirmação da tese firmada na ADC 16/DF, segundo a qual, contundente da culpa in vigilando do poder público, conforme assim

o § 1º do art. 71 da Lei 8.666/1993 veda a transferência ressaltado por diversos ministros em seus votos (RE 760931-DF),

automática de responsabilidade ao Poder Público contratante significa na prática atribuir este ônus processual exclusivamente ao

de obras e serviços, pelo fato do inadimplemento das trabalhador, no sentido de demonstrar ele, seja qual for a hipótese,

obrigações trabalhistas da empresa contratada. No entanto, a negligência ou a falha na fiscalização por parte da tomadora de

isso não obsta a responsabilização civil subsidiária da serviços.

administração pública, pelo pagamento dos respectivos Assim o é também porque o próprio redator designado, ministro Luiz

encargos, em face de sua omissão ou deficiência fiscalizatória Fux, mesmo entendendo que o ônus da prova é do trabalhador,

danosa à satisfação dos direitos sociais dos trabalhadores logo em seguida discorre sobre as regras processuais de

vinculados ao contrato. distribuição do ônus probandi, segundo sistemática do Processo

2. Constitui dever jurídico do Poder Público contratante de Civil.

obras e serviços exigir e fiscalizar o cumprimento dos direitos Existem fatos constitutivos, sem nenhuma dúvida, mas os

trabalhistas, pela entidade contratada. Interpretação impeditivos, modificativos e extintivos de direito não desapareceram

sistemática e teleológica dos arts. 27, inciso IV; 29, incisos IV e do cenário jurídico da terceirização, muito menos pode se aventar a

V; 44, § 3º; 54, § 1º; 55, incisos VII e XIII; 58, inciso III; 65, § 6º; insólita hipótese de que nenhum deles jamais será deduzido pelos

66, 67; 78, incisos VII e VIII, e 87, da Lei 8.666/1993. No âmbito órgãos e entidades integrantes da Administração Pública, em suas

da administração federal, incidem os arts. 19, 19-A, § 3º; 28, 31, defesas judiciais em oposição ao decreto de responsabilidade

§§1º e 3º; 34, § 4º; 34-A; 35, § 5º e Anexo IV da IN 2/2008 do subsidiária.

Ministério do Planejamento. 3. A fiscalização contratual tem por Se ainda restasse alguma dúvida em torno da ausência de

fim imediato promover a higidez do contrato, mas também visa deliberação do STF sobre o ônus da prova da culpa in vigilando do

a preservar a função socioambiental do contrato administrativo poder público como tomador de serviços terceirizados, uma das

(Lei8.666/1993, art. 3º), que vincula sua execução à proteção de manifestações do ministro Dias Toffoli naqueles autos a dissipa por

interesses maiores da sociedade constitucional e, em completo.

particular, dos direitos sociais fundamentais (Constituição, art. Dias Toffoli, registre-se, compõe o grupo de seis ministros que

7º). sedimentou a tese vencedora. Sobre o ônus da prova, contudo, ele

4.A definição da natureza e a configuração da responsabilidade consignou o seguinte, quando a referida sessão judicial se

estatal por omissão danosa ao direito do trabalhador encaminhava para o seu término:

terceirizado, nos casos concretos, constitui matéria que

extrapola os lindes do controle de constitucionalidade do § 1º "O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI:

do art. 71 da Lei de Licitações. Fundada a responsabilidade Senhora Presidente, eu acompanho a tese formulada e a

civil na omissão fiscalizatória do Poder Público, resta afastada preocupação do Ministro Luís Roberto Barroso quanto à

a hipótese de transferência automática de responsabilidade". necessidade de obiter dictum. Eu penso que nós temos os

(Trecho do Parecer do Ministério Público Federal nos autos do RE obiter dicta, porque vários de nós, sejam os vencidos, sejam os

760931, transcrito do voto da Relatora originária da matéria, vencedores, quanto à parte dispositiva, em muito da

ministra Rosa Weber). fundamentação, colocaram-se de acordo. E uma das questões

relevantes é: a quem cabe o ônus da prova? Cabe ao

Houve intensa discussão, por parte dos ministros do STF, quanto à reclamante provar que a Administração falhou, ou à

distribuição do ônus da prova, no RE 760931-DF, mas nenhuma Administração provar que ela diligenciou na fiscalização do

tese a esse respeito restara ali assentada, muito embora se possa contrato? Eu concordo que, para a fixação da tese, procurei, a

extrair, a partir dos debates, que a prova da culpa in vigilando da partir, inicialmente, da proposta da Ministra Rosa, depois

Administração Pública, nos autos de cada feito, precisa ser adendada pelo Ministro Barroso e pelo Ministro Fux durante

contundente e irrefutável. Tanto é assim que a proposta do ministro todo julgamento, procurei construir uma tese, mas ela

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realmente ficou extremamente complexa e concordo que, contrato de prestação de serviços mantido com a empresa

quanto mais minimalista, melhor a solução. Mas as questões terceirizante, apto, por outra vertente complementar, a provocar

estão colocadas em obiter dicta e nos fundamentos dos votos. prejuízo aos trabalhadores, nos moldes dos artigos 186, e 927,

Eu mesmo acompanhei o Ministro Redator para o acórdão - caput, do Código Civil Brasileiro, aplicáveis ao Direito do Trabalho

agora Relator para o acórdão -, o Ministro Luiz Fux, divergindo por força do conteúdo do artigo 8º, da CLT.

da Ministra Relatora original, Ministra Rosa Weber, mas Em outros termos, quaisquer danos causados pelo poder público,

entendendo que é muito difícil ao reclamante fazer a prova de pela prática de conduta ilícita, devem ser por ele reparados

que a fiscalização do agente público não se operou, e que essa mediante a justa compensação monetária.

prova é uma prova da qual cabe à Administração Pública se Os artigos 58, inciso I, e 67, da Lei de Licitações e Contratos

desincumbir caso ela seja colocada no polo passivo da (8.666/1993), impõem ao poder público, na condição de ente

reclamação trabalhista, porque, muitas vezes, esse dado, o contratante pela regência deste diploma legal, o dever de realizar

reclamante não tem". rigorosa fiscalização quanto à execução e ao acompanhamento do

contrato de prestação de serviços, inclusive mediante a designação

A transcrição de fração do voto ministro Toffoli apenas serve para de representante específico da Administração, que "anotará em

revelar que um dos julgadores responsáveis pela definição da tese registro próprio todas as ocorrências relacionadas com a execução

vencedora, sobre o ônus da prova, parece ter compreensão distinta, do contrato, determinando o que for necessário à regularização das

por exemplo, daquelas manifestadas com maior ênfase por outros faltas ou defeitos observados".

ministros igualmente vencedores (tese), como foram os casos dos Não se trata de mero detalhe a ser relegado o ato de fiscalizar o

ministros Marco Aurélio e Luiz Fux. acompanhamento e a execução do contrato de prestação de

Compreendeu-se, contudo, no prosseguimento, que não era o caso serviços senão evidente obrigação fundada na defesa da res

de deliberação ou fixação de tese, pelo Supremo Tribunal Federal, publica e dos direitos sociais dos trabalhadores ligados à

no concernente ao ônus da prova da culpa in vigilando da Administração Pública por intermédio da terceirização de mão de

Administração Pública, quando atua ela na qualidade de tomadora obra, cabendo ao poder público, por conseguinte, respeitar os

de serviços terceirizados. comandos legais aos quais encontra-se vinculado, por força da

A partir dos parâmetros delineados pelo Supremo Tribunal Federal observância do princípio da legalidade consagrado no artigo 37, da

(ADC n.º 16 e RE 760931), com total ressalva de entendimento do Constituição da República, como uma das mais significativas

relator, o caso concreto será apreciado, para decretar ou não a expressões do Estado Democrático de Direito.

responsabilidade subsidiária da tomadora de serviços integrante da Sob a ótica da responsabilidade subjetiva reconhecida pelo STF no

Administração Pública, considerando inclusive que a julgamento da ADC 16, no ano de 2010, e do RE 760931-DF, em

responsabilidade solidária do poder público, segundo compreensão 2017, surgindo qualquer discussão relativa à presença ou não da

do próprio STF naqueles autos, é limitada às obrigações de caráter culpa in vigilando, em primeiro lugar, destaque-se, cabe verificar se

previdenciário, nos termos da lei correspondente. a Administração Pública cumpriu efetivamente com o seu dever de

vigilância em relação ao contrato de prestação de serviços objeto da

2.1.3- DO DEVER DE FISCALIZAÇÃO DA TOMADORA DE controvérsia judicializada.

SERVIÇOS INTEGRANTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. E a quem compete fazer tal prova em juízo?

NORMAS LEGAIS E REGULAMENTARES. DEVER DE Evidentemente, à tomadora de serviços como única responsável

VIGILÂNCIA E FISCALIZAÇÃO. PROVA DOS AUTOS pela vigilância do contrato, guarda dos documentos e de outros

Com a ressalva de entendimento pessoal antes anotada, passa-se registros inerentes às medidas eventualmente adotadas para

à avaliação da matéria fática trazida ao exame do Regional para preservar a integridade do pacto administrativo firmado com

verificação da presença ou não da culpa concreta (e não apenas empresa terceirizante, especialmente quanto aos direitos sociais

presumida) da tomadora de serviços, bem como o respectivo dos trabalhadores que ali desenvolvem ou desenvolveram as suas

enquadramento jurídico a ser emprestado à decisão do presente atividades.

litígio. Atribuir ao empregado este ônus significaria, na prática, na imensa

A eventual decretação da responsabilidade da Administração maioria das vezes, tornar letra morta o princípio da legalidade,

Pública, na qualidade de tomadora de serviços, decorre da esvaziando-se, por conseguinte, o conjunto das disposições legais

demonstração do ato ilícito por ela praticado no desenvolvimento do as quais obrigam o poder público contratante a realizar intensa

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fiscalização e rigoroso acompanhamento da execução do contrato pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

de prestação de serviços. Importaria, sem sombra de dúvida, na b) a garantia, qualquer que seja a modalidade escolhida,

absolvição trabalhista prematura da tomadora de serviços, uma vez assegurará o pagamento de: (Incluído pela Instrução Normativa nº

que o empregado não reúne condições materiais para produzir tal 6, de 23 de dezembro de 2013)

prova, ao contrário da reclamada, detentora da melhor aptidão para 1. prejuízos advindos do não cumprimento do objeto do contrato;

a prova a que se encontra obrigada a formalizar diariamente, (Redação dada pela Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de

mostrando em juízo, por exemplo, as ações adotadas para impedir 2015)

o inadimplemento trabalhista da empresa prestadora de serviços. 2. prejuízos diretos causados à Administração decorrentes de culpa

Ademais, à tomadora de serviços incumbe provar o atendimento ou dolo durante a execução do contrato; (Redação dada pela

aos comandos prescritos nos artigos 58 e 67 da Lei n.º 8.666/1993, Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de 2015)

concernentes à fiscalização do respectivo pacto, inclusive segundo 3. multas moratórias e punitivas aplicadas pela Administração à

o que dispõe o artigo 818 da Consolidação das Leis do Trabalho. contratada; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de

Sob a ótica do Processo Civil, no velho (art. 333,II) e no novo código dezembro de 2013)

(373, II), cuida-se de hipótese de inversão do ônus da prova (fato 4. obrigações trabalhistas e previdenciárias de qualquer natureza,

impeditivo de direito pleiteado). não adimplidas pela contratada, quando couber".

Para além ou em complemento a tais aspectos legais, a própria

Administração Pública editou atos normativos visando, em tese, Não há, nos autos, prova no sentido de revelar que a tomadora

assegurar o pagamento de salários e verbas rescisórias devidos tenha cumprido o disposto no art. 19, XIX, da Instrução

aos empregados das empresas terceirizantes prestadoras de Normativa do MPOG, muito menos realizado a efetiva

serviços ao poder público, tal o descalabro verificado nas últimas fiscalização do contrato, como estabelece o art. 19 e seguintes,

décadas. da Instrução Normativa n.º 03/2009, do Ministério do

Para tanto, editou, inicialmente, a Instrução Normativa n.º 02/2008, Planejamento, conforme rol de medidas a seguir transcritas de

do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), forma literal:

contendo inúmeras diretrizes relativas à contratação de empresas

prestadoras de serviços e à fiscalização dos contratos de trabalho. "Art. 34 A execução dos contratos deverá ser acompanhada e

Depois, no ano seguinte, também o MPOG, cuidou de editar outro fiscalizada por meio de instrumentos de controle, que compreendam

regramento a respeito da matéria, por intermédio da Instrução a mensuração dos seguintes aspectos, quando for o caso:

Normativa n.º 3, de 15 de outubro de 2009. Em tal ato regulamentar, I - os resultados alcançados em relação ao contratado, com a

registre-se, estão contidas inúmeras obrigações impostas à verificação dos prazos de execução e da qualidade demandada(...)

tomadora de serviços integrante da Administração Pública, incluindo V - o cumprimento das demais obrigações decorrentes do

a exigência do seguro garantia, em seu art. 19, senão vejamos: contrato(...)

§ 3º O representante da Administração deverá promover o registro

"(...) XIX - exigência de garantia de execução do contrato, nos das ocorrências verificadas, adotando as providências necessárias

moldes do art. 56 da Lei no 8.666, de 1993, com validade durante a ao fiel cumprimento das cláusulas contratuais, conforme o disposto

execução do contrato e 3 (três) meses após o término da vigência nos §§ 1º e 2º do art. 67 da Lei nº 8.666, de 1993.

contratual, devendo ser renovada a cada prorrogação, observados § 4º O descumprimento total ou parcial das responsabilidades

ainda os seguintes requisitos: (Redação dada pela Instrução assumidas pela contratada, sobretudo quanto às obrigações e

Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013). encargos sociais e trabalhistas, ensejará a aplicação de sanções

a) a contratada deverá apresentar, no prazo máximo de 10 (dez) administrativas, previstas no instrumento convocatório e na

dias úteis, prorrogáveis por igual período, a critério do órgão legislação vigente, podendo culminar em rescisão contratual,

contratante, contado da assinatura do contrato, comprovante de conforme disposto nos artigos 77 e 87 da Lei nº 8.666, de 1993.

prestação de garantia, podendo optar por caução em dinheiro ou § 5º Na fiscalização do cumprimento das obrigações trabalhistas e

títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança bancária, sendo sociais nas contratações continuadas com dedicação exclusiva dos

que, nos casos de contratação de serviços continuados de trabalhadores da contratada, exigir-se-á, dentre outras, as seguintes

dedicação exclusiva de mão de obra, o valor da garantia deverá comprovações:

corresponder a cinco por cento do valor total do contrato; (Incluído I - no caso de empresas regidas pela Consolidação das Leis do

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Trabalho - CLT: (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de entidade contratante; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23

23 de dezembro de 2013) de dezembro de 2013)

a) no primeiro mês da prestação dos serviços, a contratada deverá 3. cópia dos contracheques dos empregados relativos a qualquer

apresentar a seguinte documentação: (Redação dada pela mês da prestação dos serviços ou, ainda, quando necessário, cópia

Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) de recibos de depósitos bancários; (Incluído pela Instrução

1. relação dos empregados, contendo nome completo, cargo ou Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

função, horário do posto de trabalho, números da carteira de 4. comprovantes de entrega de benefícios suplementares (vale-

identidade (RG) e da inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas transporte, vale alimentação, entre outros), a que estiver obrigada

(CPF), com indicação dos responsáveis técnicos pela execução dos por força de lei ou de convenção ou acordo coletivo de trabalho,

serviços, quando for o caso; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, relativos a qualquer mês da prestação dos serviços e de qualquer

de 23 de dezembro de 2013) empregado; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de

2. Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) dos dezembro de 2013)

empregados admitidos e dos responsáveis técnicos pela execução 5. comprovantes de realização de eventuais cursos de treinamento

dos serviços, quando for o caso, devidamente assinada pela e reciclagem que forem exigidos por lei ou pelo contrato; (Incluído

contratada; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

dezembro de 2013) d) entrega da documentação abaixo relacionada, quando da

3. exames médicos admissionais dos empregados da contratada extinção ou rescisão do contrato, após o último mês de prestação

que prestarão os serviços; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, dos serviços, no prazo definido no contrato: (Redação dada pela

de 23 de dezembro de 2013) Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

b) entrega até o dia trinta do mês seguinte ao da prestação dos 1. termos de rescisão dos contratos de trabalho dos empregados

serviços ao setor responsável pela fiscalização do contrato dos prestadores de serviço, devidamente homologados, quando exigível

seguintes documentos, quando não for possível a verificação da pelo sindicato da categoria; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6,

regularidade dos mesmos no Sistema de Cadastro de Fornecedores de 23 de dezembro de 2013)

- SICAF: (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de 2. guias de recolhimento da contribuição previdenciária e do FGTS,

dezembro de 2013) referentes às rescisões contratuais; (Incluído pela Instrução

1. prova de regularidade relativa à Seguridade Social; (Incluído pela Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) 3. extratos dos depósitos efetuados nas contas vinculadas

2. certidão conjunta relativa aos tributos federais e à Dívida Ativa da individuais do FGTS de cada empregado dispensado; e (Incluído

União; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

de 2013) 4. exames médicos demissionais dos empregados dispensados.

3. certidões que comprovem a regularidade perante as Fazendas (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de

Estadual, Distrital e Municipal do domicílio ou sede do contratado; 2013)

(Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de II - No caso de cooperativas:

2013) a) recolhimento da contribuição previdenciária do INSS em relação

4. Certidão de Regularidade do FGTS - CRF; e (Incluído pela à parcela de responsabilidade do cooperado;

Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) b) recolhimento da contribuição previdenciária em relação à parcela

5. Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas - CNDT; (Incluído pela de responsabilidade da Cooperativa;

Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) c) comprovante de distribuição de sobras e produção;

c) entrega, quando solicitado pela Administração, de quaisquer dos d) comprovante da aplicação do FATES - Fundo Assistência

seguintes documentos: (Redação dada pela Instrução Normativa nº Técnica Educacional e Social;

6, de 23 de dezembro de 2013) f) comprovação de criação do fundo para pagamento do 13º salário

1. extrato da conta do INSS e do FGTS de qualquer empregado, a e férias; e

critério da Administração contratante; (Incluído pela Instrução g) eventuais obrigações decorrentes da legislação que rege as

Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) sociedades cooperativas.

2. cópia da folha de pagamento analítica de qualquer mês da III - No caso de sociedades diversas, tais como as Organizações

prestação dos serviços, em que conste como tomador o órgão ou Sociais Civis de Interesse Público - OSCIP's e as Organizações

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Sociais, será exigida a comprovação de atendimento a eventuais deverá reter a garantia prestada e os valores das faturas

obrigações decorrentes da legislação que rege as respectivas correspondentes a 1 (um) mês de serviços, podendo utilizá-los para

organizações. o pagamento direto aos trabalhadores no caso de a empresa não

§ 6o Sempre que houver admissão de novos empregados pela efetuar os pagamentos em até 2 (dois) meses do encerramento da

contratada, os documentos elencados na alínea "a" do inciso I do § vigência contratual, conforme previsto no instrumento convocatório

5o deverão ser apresentados. (Incluído pela Instrução Normativa nº e nos incisos IV e V do art. 19-A desta Instrução Normativa.

6, de 23 de dezembro de 2013) (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro

§ 7o Os documentos necessários à comprovação do cumprimento de 2013)"

das obrigações sociais trabalhistas elencados nos incisos I , II e

IIIdo § 5o poderão ser apresentados em original ou por qualquer Efetivamente, as recorrentes, pessoas jurídicas integrantes da

processo de cópia autenticada por cartório competente ou por Administração Pública, deixaram de cumprir a fiscalização de que

servidor da Administração. (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, trata a Lei n.º 8.666/1993, também objeto de especificação em ato

de 23 de dezembro de 2013) do MPOG (Instrução Normativa 03/2009), com especial destaque

§ 8o A Administração deverá analisar a documentação solicitada na para a falta de garantia do contrato, o acompanhamento dos

alínea "d" do inciso I do § 5o no prazo de 30 (trinta) dias após o contratos de trabalho e a retenção proporcional de valores

recebimento dos documentos, prorrogáveis por mais 30 (trinta) dias, suficientes para garantir o pagamento de salários e demais verbas

justificadamente. (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de devidas.

dezembro de 2013) De forma ainda mais contundente, o Tribunal de Contas da União,

§ 9o Em caso de indício de irregularidade no recolhimento das por intermédio do Acórdão 1214/2013, recomenda à Administração

contribuições previdenciárias, os fiscais ou gestores de contratos de a realização de rigorosa fiscalização, pelo poder público contratante,

serviços com dedicação exclusiva de mão de obra deverão oficiar quanto às condições e garantias oferecidas pela empresa

ao Ministério da Previdência Social e à Receita Federal do Brasil - prestadora de serviços para assinatura do respectivo contrato, bem

RFB. (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de como o acompanhamento de sua execução, de modo a evitar

2013) qualquer prejuízo financeiro ao erário, isto previsto desde o

§ 10. Em caso de indício de irregularidade no recolhimento da respectivo edital de licitação.

contribuição para o FGTS, os fiscais ou gestores de contratos de Transcreve-se, assim, parte daquela decisão do TCU:

serviços com dedicação exclusiva de mão de obra deverão oficiar

ao Ministério do Trabalho e Emprego. (Incluído pela Instrução "1. A CONTRATADA deverá apresentar à Administração da

Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) CONTRATANTE, no prazo máximo de 10 (dez) dias úteis, contado

Art. 34-A. O descumprimento das obrigações trabalhistas ou a não da data da assinatura do contrato, comprovante de prestação de

manutenção das condições de habilitação pelo contratado poderá garantia correspondente ao percentual de 5% (cinco por cento) do

dar ensejo à rescisão contratual, sem prejuízo das demais sanções. valor anual atualizado do contrato, podendo essa optar por caução

(Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro em dinheiro, títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança

de 2013) bancária.

Parágrafo único. A Administração poderá conceder um prazo para 2. A garantia assegurará, qualquer que seja a modalidade

que a contratada regularize suas obrigações trabalhistas ou suas escolhida, o pagamento de:

condições de habilitação, sob pena de rescisão contratual, quando a) prejuízo advindo do não cumprimento do objeto do contrato e do

não identificar má-fé ou a incapacidade da empresa de corrigir a não adimplemento das demais obrigações nele previstas;

situação.] b) prejuízos causados à administração ou a terceiro, decorrentes de

Art. 35. Quando da rescisão contratual, o fiscal deve verificar o culpa ou dolo durante a execução do contrato;

pagamento pela contratada das verbas rescisórias ou a c) as multas moratórias e punitivas aplicadas pela Administração à

comprovação de que os empregados serão realocados em outra contratada; e

atividade de prestação de serviços, sem que ocorra a interrupção do d) obrigações trabalhistas, fiscais e previdenciárias de qualquer

contrato de trabalho. (Redação dada pela Instrução Normativa nº 3, natureza, não honradas pela contratada.

de 16 de outubro de 2009)Parágrafo único. Até que a contratada 3. Não serão aceitas garantias em cujos temos não constem

comprove o disposto no caput, o órgão ou entidade contratante expressamente os eventos indicados nas alíneas a a d do item 2

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imediatamente anterior. aplicação de sanção pecuniária elevada e do impedimento para

4. A garantia em dinheiro deverá ser efetuada na Caixa Econômica licitar e contratar com a União, nos termos do art. 7º da Lei nº

Federal, com correção monetária, em favor do Tribunal de Contas 10.520/2002.

da União(...);. d) fixar em contrato que a contratada deve, sempre que solicitado,

10.3 não serão aceitas garantias que incluam outras isenções de apresentar extrato de FGTS dos empregados;

responsabilidade que não as previstas neste item. e) solicitar, mensalmente, Certidão de Regularidade do FGTS;

II.d - Controle de encargos previdenciários f) orientar os fiscais dos contratos que solicitem, por amostragem,

a) fixar em contrato que a contratada está obrigada a viabilizar o aos empregados terceirizados extratos da conta do FGTS e os

acesso de seus empregados, via internet, por meio de senha entregue à Administração com o objetivo de verificar se os

própria, aos sistemas da Previdência Social e da Receita Federal do depósitos foram realizados pela contratada. O objetivo é que todos

Brasil, com o objetivo de verificar se suas contribuições os empregados tenham seus extratos avaliados ao final de um ano -

previdenciárias foram recolhidas; sem que isso signifique que a análise não possa ser realizada mais

b) fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer todos de uma vez, garantindo assim o "efeito surpresa" e o benefício da

os meios necessários aos seus empregados para a obtenção de expectativa do controle;

extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela fiscalização g) comunicar ao Ministério do Trabalho qualquer irregularidade no

dos contratos; recolhimento do FGTS dos trabalhadores terceirizados.

c) fixar em contrato como falta grave, caracterizado como falha em II.f - Outros documentos

sua execução, o não recolhimento das contribuições sociais da II.g - Conta vinculada(...)

Previdência Social, que poderá dar ensejo à rescisão da avença, ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos

sem prejuízo da aplicação de sanção pecuniária elevada e do em Sessão Plenária, diante das razões expostas pelo Relator, em:

impedimento para licitar e contratar com a União, nos termos do art. 9.1 recomendar à Secretaria de Logística e Tecnologia da

7º, da Lei nº 10.520/2002. Informação do Ministério do Planejamento que incorpore os

d) reter 11% sobre o valor da fatura de serviços da contratada, nos seguintes aspectos à IN/MP 2/2008:

termos do art. 31, da Lei 8.212/91; 9.1.1 que os pagamentos às contratadas sejam condicionados,

e) exigir certidão negativa de débitos para com a previdência - CND, exclusivamente, à apresentação da documentação prevista na Lei

caso esse documento não esteja regularizado junto ao Sicaf; 8.666/93;

f) orientar os fiscais dos contratos que solicitem, por amostragem, 9.1.2 prever nos contratos, de forma expressa, que a administração

aos empregados terceirizados que verifiquem se essas está autorizada a realizar os pagamentos de salários diretamente

contribuições estão ou não sendo recolhidas em seus nomes. O aos empregados, bem como das contribuições previdenciárias e do

objetivo é que todos os empregados tenham seus extratos FGTS, quando estes não forem honrados pelas empresas;

avaliados ao final de um ano - sem que isso signifique que a análise 9.1.3 que os valores retidos cautelarmente sejam depositados junto

não possa ser realizada mais de uma vez, garantindo assim o à Justiça do Trabalho, com o objetivo de serem utilizados

"efeito surpresa" e o benefício da expectativa do controle; exclusivamente no pagamento de salários e das demais verbas

g) comunicar ao Ministério da Previdência Social e à Receita trabalhistas, bem como das contribuições sociais e FGTS, quando

Federal do Brasil qualquer irregularidade no recolhimento das não for possível a realização desses pagamentos pela própria

contribuições previdenciárias. administração, dentre outras razões, por falta da documentação

II.e - Controle do recolhimento do FGTS pertinente, tais como folha de pagamento, rescisões dos contratos e

a) fixar em contrato que a contratada é obrigada a viabilizar a guias de recolhimento;

emissão do cartão cidadão pela Caixa Econômica Federal para 9.1.4 fazer constar dos contratos cláusula de garantia que assegure

todos os empregados; o pagamento de:

b) fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer todos 9.1.4.1 prejuízos advindos do não cumprimento do contrato;

os meios necessários aos seus empregados para a obtenção de 9.1.4.2 multas punitivas aplicadas pela fiscalização à contratada;

extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela fiscalização; 9.1.4.3 prejuízos diretos causados à contratante decorrentes de

c) fixar em contrato como falta grave, caracterizado como falha em c9.1.4.4 obrigações previdenciárias e trabalhistas não honradas

sua execução, o não recolhimento do FGTS dos empregados, que pela contratada.

poderá dar ensejo à rescisão unilateral da avença, sem prejuízo da 9.1.5 quanto à fiscalização dos contratos a ser realizada pela

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administração com o objetivo de verificar o recolhimento das da aplicação de sanção pecuniária e do impedimento para licitar e

contribuições previdenciárias, observar os aspectos abaixo: contratar com a União, nos termos do art. 7

9.1.5.1 fixar em contrato que a contratada está obrigada a viabilizar 9.1.6.4 fixar em contrato que a contratada deve, sempre que

o acesso de seus empregados, via internet, por meio de senha solicitado, apresentar extrato de FGTS dos empregados;

própria, aos sistemas da Previdência Social e da Receita do Brasil, 9.1.6.5 solicitar, mensalmente, Certidão de Regularidade do FGTS;

com o objetivo de verificar se as suas contribuições previdenciárias 9.1.6.6 prever que os fiscais dos contratos solicitem, por

foram recolhidas; amostragem, aos empregados terceirizados extratos da conta do

9.1.5.2 fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer FGTS e os entregue à Administração com o objetivo de verificar se

todos os meios necessários aos seus empregados para a obtenção os depósitos foram realizados pela contratada. O objetivo é que

de extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela todos os empregados tenham tido seus extratos avaliados ao final

fiscalização; de um ano - sem que isso signifique que a análise não possa ser

9.1.5.3 fixar em contrato como falta grave, caracterizada como falha realizada mais de uma vez em um mesmo empregado, garantindo

em sua execução, o não recolhimento das contribuições sociais da assim o "efeito surpresa" e o benefício da expectativa do controle;

Previdência Social, que poderá dar ensejo à rescisão da avença, 9.1.6.7 comunicar ao Ministério do Trabalho qualquer irregularidade

sem prejuízo da aplicação de sanção pecuniária e do impedimento no recolhimento do FGTS dos trabalhadores terceirizados.

para licitar e contratar com a União, nos termos do art. 7º da Lei 9.1.7 somente sejam exigidos documentos comprobatórios da

10.520/2002. realização do pagamento de salários, vale-transporte e auxílio

9.1.5.4 reter 11% sobre o valor da fatura de serviços da contratada, alimentação, por amostragem e a critério da administração;

nos termos do art. 31, da Lei 8.212/93; 9.1.8 seja fixado em contrato como falta grave, caracterizada como

9.1.5.5 exigir certidão negativa de débitos para com a previdência - falha em sua execução, o não pagamento do salário, do vale-

CND, caso esse documento não esteja regularizado junto ao Sicaf; transporte e do auxílio alimentação no dia fixado, que poderá dar

9.1.5.6 prever que os fiscais dos contratos solicitem, por ensejo à rescisão do contrato, sem prejuízo da aplicação de sanção

amostragem, aos empregados terceirizados que verifiquem se pecuniária e da declaração de impedimento p

essas contribuições estão ou não sendo recolhidas em seus nomes. 9.1.9 a fiscalização dos contratos, no que se refere ao cumprimento

O objetivo é que todos os empregados tenham tido seus extratos das obrigações trabalhistas, deve ser realizada com base em

avaliados ao final de um ano - sem que isso signifique que a análise critérios estatísticos, levando-se em consideração falhas que

não possa ser realizada mais de uma vez para um mesmo impactem o contrato como um todo e não apenas erros e falhas

empregado, garantindo assim o "efeito surpresa" e o benefício da eventuais no pagamento de alguma vantagem a um determinado

expectativa do controle; empregado(...)

9.1.5.7 comunicar ao Ministério da Previdência Social e à Receita

do Brasil qualquer irregularidade no recolhimento das contribuições Indubitavelmente, a tomadora de serviços, no caso concreto,

previdenciárias. também ignorou as recomendações do TCU - Tribunal de Contas da

9.1.6 quanto à fiscalização dos contratos a ser realizada pela União contidas no acórdão n.º 1.214/2013, tanto em relação à

Administração com o objetivo de verificar o recolhimento do Fundo ausência de garantia do contrato, quanto na fiscalização dos

de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, observe os aspectos contratos de trabalho dos empregados da prestadora de serviços,

abaixo: incluindo a verificação dos recolhimentos legais (INSS e FGTS).

9.1.6.1 fixar em contrato que a contratada é obrigada a viabilizar a No âmbito do Poder Judiciário, a título de exemplo, destaque-se, o

emissão do cartão cidadão pela Caixa Econômica Federal para CNJ - Conselho Nacional de Justiça, editou a Resolução n.º

todos os empregados; 98/2009, dirigida aos tribunais contratantes de trabalhos

9.1.6.2 fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer terceirizados, estabelecendo procedimentos voltados para

todos os meios necessários aos seus empregados para a obtenção assegurar o pagamento de salários e verbas rescisórias aos

de extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela empregados:

fiscalização;

9.1.6.3 fixar em contrato como falta grave, caracterizado como falha "Dispõe as provisões de encargos trabalhistas a serem pagos pelos

em sua execução, o não recolhimento do FGTS dos empregados, Tribunais às empresas contratadas para prestar serviços de forma

que poderá dar ensejo à rescisão unilateral da avença, sem prejuízo contínua no âmbito do Poder Judiciário.

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O Presidente do Conselho Nacional de Justiça, no uso de suas II)

atribuições constitucionais e regimentais, e Art. 6º A assinatura do contrato de prestação de serviços entre os

Considerando a necessidade da Administração Pública, na prática Tribunais ou Conselhos e a empresa vencedora do certame será

de atos administrativos, nos termos do disposto no art. 14 do precedida dos seguintes atos:

Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, observar os I - solicitação pelo Tribunal ou Conselho contratante, mediante

princípios da racionalidade e da economicidade; ofício, de abertura de conta corrente vinculada - bloqueada para

Considerando a responsabilidade subsidiária dos Tribunais, no caso movimentação -, no nome da empresa, conforme disposto no art. 1º

de inadimplemento das obrigações trabalhistas pela empresa desta Resolução (ANEXOS III, IV, V, VI, VIII e IX);

contratada para prestar serviços terceirizados, de forma contínua, II - assinatura, pela empresa a ser contratada, no ato da

mediante locação de mão-de-obra, conforme a jurisprudência dos regularização da conta corrente vinculada - bloqueada para

Tribunais trabalhistas; movimentação, de termo específico da instituição financeira oficial

Considerando que os valores referentes às provisões de encargos que permita ao Tribunal ou Conselho ter acesso aos saldos e

trabalhistas são pagos mensalmente à empresa, a título de reserva, extratos, e que vincule a movimentação dos valores depositados à

para utilização nas situações previstas em lei; sua autorização. (ANEXO VII)

Resolve: Art. 7º Os saldos da conta vinculada - bloqueada para

Art. 1º Determinar que as provisões de encargos trabalhistas movimentação - serão remunerados pelo índice da poupança ou

relativas a férias, 13º salário e multa do FGTS por dispensa sem outro definido no acordo de cooperação, sempre escolhido o de

justa causa, a serem pagas pelos Tribunais e Conselhos às maior rentabilidade.

empresas contratadas para prestar serviços de forma contínua, Art. 8º Os valores referentes às provisões de encargos trabalhistas

sejam glosadas do valor mensal do contrato e depositadas mencionados no art. 4º, depositados na conta corrente vinculada -

exclusivamente em banco público oficial. bloqueada para movimentação - deixarão de compor o valor do

Parágrafo único. Os depósitos de que trata o caput deste artigo pagamento mensal à empresa.

devem ser efetivados em conta corrente vinculada - bloqueada para Art. 9º No âmbito dos Tribunais ou Conselhos, o setor de controle

movimentação - aberta em nome da empresa, unicamente para interno ou setor financeiro é competente para definir, inicialmente,

essa finalidade e com movimentação somente por ordem do os percentuais a serem aplicados para os descontos e depósitos,

Tribunal ou Conselho contratante. cabendo ao setor de execução orçamentária ou ao setor financeiro

Art. 2º A solicitação de abertura e a autorização para movimentar a conferir a aplicação sobre as folhas de salário mensais das

conta corrente vinculada - bloqueada para movimentação - serão empresas e realizar as demais verificações pertinentes.

providenciadas pelo setor de administração do respectivo Tribunal Art. 10. Os editais referentes às contratações de empresas para

ou Conselho. prestação de serviços contínuos aos Tribunais ou Conselhos,

Art. 3º Os depósitos de que trata o art. 1º desta Resolução serão deverão conter expressamente o disposto no art. 8º desta

efetuados, com o acréscimo do Lucro proposto pela contratada. Resolução, bem como a obrigatoriedade de observância de todos

Art. 4º O montante do depósito vinculado será igual ao somatório os seus termos.

dos valores das seguintes provisões previstas para o período de Art. 11. A empresa contratada poderá solicitar autorização do

contratação: Tribunal ou Conselho para resgatar os valores, referentes às

I - 13º salário; despesas com o pagamento de eventuais indenizações trabalhistas

II - Férias e Abono de Férias; dos empregados que prestam os serviços contratados pelo Tribunal

III - Impacto sobre férias e 13º salário; ou Conselho, ocorridas durante a vigência do contrato.

IV - multa do FGTS. § 1º Para a liberação dos recursos da conta corrente vinculada -

Parágrafo único. Os valores provisionados para o atendimento bloqueada para movimentação - a empresa deverá apresentar à

deste artigo serão obtidos pela aplicação de percentuais e valores unidade de controle interno ou setor financeiro os documentos

constantes da proposta. comprobatórios da ocorrência de indenizações trabalhistas.

Art. 5º Os Tribunais ou Conselhos deverão firmar acordo de § 2º Os Tribunais ou Conselhos, por meio dos setores competentes,

cooperação com banco público oficial, que terá efeito subsidiário à expedirão, após a confirmação da ocorrência da indenização

presente Resolução, determinando os termos para a abertura da trabalhista e a conferência dos cálculos pela unidade de auditoria, a

conta corrente vinculada - bloqueada para movimentação. (ANEXO autorização de que trata o caput deste artigo, que será

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encaminhada à instituição financeira oficial no prazo máximo de de realizar a retenção dos valores destinados a suportar o

cinco dias úteis, a contar da data da apresentação dos documentos pagamento das verbas devidas aos empregados das prestadoras

comprobatórios pela empresa. de serviços, ação a qual restou solenemente ignorada quanto à

§ 3º A empresa deverá apresentar ao Tribunal ou Conselho, no parte demandante.

prazo máximo de três dias, o comprovante de quitação das Neste caso, portanto, encontram-se preenchidos os requisitos para

indenizações trabalhistas, contados da data do pagamento ou da a decretação da responsabilidade subsidiária das duas últimas

homologação. reclamadas com base na teoria da reparação do dano pelo

Art. 12. O saldo total da conta corrente vinculada - bloqueada para cometimento de ato ilegal por parte da Administração Pública (CCB,

movimentação - será liberado à empresa, no momento do artigos 186 e 927, caput; CLT, artigo 8º), tudo em consonância com

encerramento do contrato, na presença do sindicato da categoria o resultado dos julgamentos proferidos nos autos da ADC n.º 16 e

correspondente aos serviços contratados, ocorrendo ou não o do RE 760931, pelo STF, bem como em atenção à nova redação da

desligamento dos empregados. Súmula n.º 331, do TST.

Art. 13. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação". A culpa da segunda reclamada, pela inadimplência patronal, está

suficientemente provada, conforme elementos antes expostos.

Como se percebe, os órgãos de fiscalização conhecem a realidade Sinteticamente, havendo, nos autos, demonstração de que além da

da terceirização realizada pelo poder público brasileiro, cujo péssima escolha no ato da contratação, a tomadora de serviços foi

descumprimento da legislação trabalhista por parte de empresas omissa ou negligente no seu dever de fiscalização junto à empresa

sem lastro econômico ou financeiro, pois incumbidas apenas de terceirizante, a ponto de direitos básicos dos trabalhadores terem

vender ou intermediar mão de obra, é a regra geral, bem como a sido sistematicamente desrespeitados durante e após o término do

sistemática lesão a direitos obreiros próprios do ato da rescisão pacto laboral (rescisão contratual), sem nenhuma ação ou reação

contratual. por parte da tomadora, configura-se, sob ponto de vista

Lamentavelmente, os normativos existentes e as recomendações extremamente moderado, ou seja, para dizer o mínimo, a culpa in

editadas por órgãos públicos diversos têm sido insuficientes para vigilando.

alterar o quadro de irregularidades trabalhistas verificadas nas

contratações celebradas entre a Administração Pública e as 2.1.4- ANÁLISE DO CASO CONCRETO - AGORA A PARTIR DA

empresas terceirizantes, muito provavelmente, consigne-se, porque EXISTÊNCIA OU NÃO DA PROVA CONTUNDENTE NOS AUTOS

a lógica ou a gênese da terceirização é incompatível com a DA CULPA IN VIGILANDO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

dignidade humana laboral, com o respeito aos direitos previstos na COMO TOMADORA DE SERVIÇOS

Constituição da República e na CLT- Consolidação das Leis do Para além da ausência de demonstração da fiscalização efetiva do

Trabalho. A terceirização existe, em primeiro lugar, para diminuir os contrato administrativo, como vimos na análise do tópico anterior a

custos com o trabalho. E depois, não menos relevante, para este, há, de fato, prova contundente da culpa in vigilando da

fragmentar a classe trabalhadora, do ponto de vista de sua tomadora de serviços pelo inadimplemento de verbas devidas à

organização social e política. parte reclamante, parcelas as quais deveriam ter sido

Pois bem. Aqui, de igual modo, a parte demandante deixou de pagas/depositadas no curso e quando da rescisão contratual.

receber parcelas durante o curso do pacto laboral, bem como parte Observemos, então.

das verbas básicas no ato da rescisão contratual, não tendo a A empresa prestadora de serviços deixou de honrar com obrigações

tomadora de serviços adotado qualquer medida concreta para evitar básicas do contrato de trabalho mantido com a parte obreira, a

a lesão consumada, seja no que se refere à fiscalização rigorosa do ponto de deixar de cumprir obrigações de fazer tais como baixa da

contrato de prestação de serviços quando de sua vigência, seja no CTPS, entrega das guias para percepção do seguro-desemprego e

tocante à reserva mensal de valores para assegurar o pagamento levantamento do FGTS. Além disso, deixou de pagar parcelas tais

de verbas rescisórias à parte obreira, ainda no século XXI a parte como multa de 40% do FGTS, multa estabelecida no §8° do art. 477

frágil dessa relação triangular formada à margem do ordenamento do Texto Celetista e multa convencional, segundo os termos da

jurídico (CRFB, CLT, Pactos e Convenções Internacionais), sentença condenatória ora examinada em grau de recurso.

conforme explicitado antes no presente voto. Não raro, o poder público contratante de trabalho terceirizado

Além da ausência de qualquer fiscalização, no regular exercício do sequer traz aos autos qualquer documento apto a demonstrar

poder de vigilância adequado, a tomadora de serviços não cuidou indício de fiscalização, preferindo, pois, apostar na tese frágil da

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ausência de responsabilidade pelo pagamento das verbas devidas à Tal como especificado nas normas e determinações expressamente

parte autora, decorrentes do contrato de prestação de serviços com transcritas no tópico anterior do presente voto, a tomadora de

a empresa terceirizante que cumpriu o roteiro tradicional. serviços não fez a retenção que deveria realizar para assegurar o

A fiscalização insuficiente por parte da tomadora de serviços (culpa pagamento das verbas decorrentes do período do pacto laboral em

in vigilando) é, na imensa maioria dos casos, flagrante, que a parte reclamante prestou serviços na condição de

considerando inclusive a ausência de retenção das faturas para a terceirizada.

quitação de várias parcelas inadimplidas no curso e término do Em outras palavras, a negligência da tomadora de serviços é

pacto laboral. evidente, no período do contrato de terceirização.

Não é demais lembrar que a empregadora deixou de registrar o Não fosse suficiente, a recorrente sequer juntou documentos

contrato de trabalho, além de não pagar as diversas verbas devidas capazes de demonstrar que fiscalizou adequadamente o

supracitadas. cumprimento das obrigações trabalhistas pela primeira reclamada.

Ora, não se trata da presunção de culpa. A Administração Pública, A recorrente nada fez para assegurar o pagamento das verbas

na qualidade de tomadora de serviços, segundo prova dos autos, efetivamente devidas ao recorrido, nem mesmo efetuou a retenção

não fiscalizou a regularidade do cumprimento das obrigações no mensal de valores capaz de suportar a dívida reconhecida

curso do pacto laboral. Por via de consequência, descumpriu o judicialmente, como estabelecido em normas internas da

disposto nos artigos 58 e 67, da Lei n.º 8.666/1993, quanto ao dever Administração Pública Federal.

de fiscalização rigorosa do contrato administrativo, mês a mês, dia a Para além da flagrante conduta omissiva, negligente, configuradora,

dia. de forma contundente e irrefutável, da culpa in vigilando pela

De igual modo, a omissão do poder público contratante de trabalho regularidade do cumprimento das obrigações durante o pacto

terceirizado, no caso concreto, ignorou a Instrução Normativa n.º 3, laboral, a tomadora de serviços, integrante da Administração

de 15 de outubro de 2009, do MPOG (Art. 34 A execução dos Pública, não cuidou de exigir, da empresa terceirizante, a garantia

contratos deverá ser acompanhada e fiscalizada por meio de de execução do contrato previsto no art. 56, da Lei de Licitações, e

instrumentos de controle, que compreendam a mensuração dos reiterada em normas internas do MPOG, conforme a seguir

seguintes aspectos, quando for o caso:(...) § 5º Na fiscalização do transcrito, novamente:

cumprimento das obrigações trabalhistas e sociais nas contratações

continuadas com dedicação exclusiva dos trabalhadores da "(...) XIX - exigência de garantia de execução do contrato, nos

contratada, exigir-se-á, dentre outras, as seguintes moldes do art. 56 da Lei no 8.666, de 1993, com validade durante a

comprovações:(...) 1. extrato da conta do INSS e do FGTS de execução do contrato e 3 (três) meses após o término da vigência

qualquer empregado, a critério da Administração contratante; contratual, devendo ser renovada a cada prorrogação, observados

(Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de ainda os seguintes requisitos: (Redação dada pela Instrução

2013), ao não ter adotado a mais remota providência para obrigar a Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013).

empresa terceirizante a regularizar o FGTS da parte reclamante e a) a contratada deverá apresentar, no prazo máximo de 10 (dez)

de tantos outros empregados vinculados ao mesmo contrato de dias úteis, prorrogáveis por igual período, a critério do órgão

prestação de serviços. contratante, contado da assinatura do contrato, comprovante de

Conforme transcrição realizada no item 3.2.3 deste voto, há tantas prestação de garantia, podendo optar por caução em dinheiro ou

outras normas internas editadas pelo próprio poder público, exigindo títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança bancária, sendo

a fiscalização, por parte da tomadora de serviços, quanto à que, nos casos de contratação de serviços continuados de

regularidade dos depósitos mensais do FGTS nas contas dos dedicação exclusiva de mão de obra, o valor da garantia deverá

empregados, incluindo deliberação do órgão de controle de contas corresponder a cinco por cento do valor total do contrato; (Incluído

federais, o TCU - Tribunal de Contas da União. pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

Reitere-se: a tomadora de serviços, integrante da Administração b) a garantia, qualquer que seja a modalidade escolhida,

Pública, sequer constatou as irregularidades que ensejaram a assegurará o pagamento de: (Incluído pela Instrução Normativa nº

presente condenação, relativas à ausência de pagamento da multa 6, de 23 de dezembro de 2013)

de 40% do FGTS e das obrigações de fazer (baixa na CTPS) tudo a 1. prejuízos advindos do não cumprimento do objeto do contrato;

atestar que a fiscalização ou vigilância do contrato não passava de (Redação dada pela Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de

uma ficção. 2015)

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2. prejuízos diretos causados à Administração decorrentes de culpa parcelas básicas do liame laboral, encontra-se configurada a sua

ou dolo durante a execução do contrato; (Redação dada pela culpa in vigilando, apta, portanto, a atrair a responsabilidade

Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de 2015) subjetiva admitida pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal

3. multas moratórias e punitivas aplicadas pela Administração à Superior do Trabalho. A culpa in vigilando resta reforçado quando,

contratada; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de além de não cumprir as suas obrigações inerentes à fiscalização, o

dezembro de 2013) poder público contratante nada faz para evitar a inadimplência em

4. obrigações trabalhistas e previdenciárias de qualquer natureza, relação às verbas devidas durante o curso do pacto e na rescisão

não adimplidas pela contratada, quando couber". contratual, seja pela ausência da retenção de valor mensal para

esse fim, seja pela falta de exigência da garantia de execução do

A conduta omissiva e negligente da tomadora de serviços, no contrato administrativo, a ser renovada anualmente, tudo nos

tocante à ausência de fiscalização do contrato administrativo e à termos da lei e das normas regulamentares instituídas pela própria

exigência de garantia de execução, é por demais evidente nos Administração Pública, além das determinações emitidas pelo órgão

autos, a ponto de configurar a sua culpa in vigilando, de forma de controle de contas na mesma direção (TCU).

contundente e irrefutável, pelo inadimplemento de todas as verbas a Assim sendo, mantenho a sentença que declarou a

que foi responsabilizada de forma subsidiária pelo Juízo da responsabilidade subsidiária da segunda reclamada pelas

instância primeira da causa. obrigações trabalhistas definidas nos julgados, salvo quanto

A segunda reclamada não empreendeu medidas eficazes para às obrigações de fazer próprias do empregador.

garantir à parte reclamante a efetividade de todos os seus direitos Recurso desprovido.

sociais, todos decorrentes do contrato de trabalho.

Se assim tivesse agido, poderia ter evitado o dano causado à parte 2.1.5- CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO

autora, fato devidamente reconhecido pela sentença recorrida. A condenação impostas às recorrentes (responsabilidade

A prova dos autos atesta a culpa in vigilando da tomadora de subsidiária) não decorre da declaração de inconstitucionalidade do

serviços. artigo 71, §1º, da Lei n.º 8.666/1993, senão de sua observância em

A fiscalização insuficiente por parte da segunda reclamada (culpa in conformidade com a interpretação conferida à referida norma pelo

vigilando) é flagrante, considerando inclusive a ausência de Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADC n.º 16, e do RE

retenção de faturas em valor suficiente para quitar todas as verbas 760931-DF.

deferidas na origem. Não há se falar em pronunciamento do Tribunal em sua composição

Se tivesse cumprido as suas obrigações legais e contratuais, a plenária para emitir decisão sobre matéria jamais deliberada pela

tomadora, em tese, poderia ter evitado a inadimplência em relação Turma.

às verbas antes descritas.

Segundo compreensão do Supremo Tribunal Federal, a 2.1.6- PREQUESTIONAMENTO DE DISPOSITIVOS

responsabilidade subsidiária da Administração Pública, na CONSTITUCIONAIS E LEGAIS

qualidade de tomadora de trabalho terceirizado, não é automática. A partir do enfrentamento jurídico realizado, considera-se, pois, que

Havendo inadimplência quanto ao pagamento de parcelas houve prequestionamento das normas constitucionais indicadas na

trabalhistas diversas ou verbas rescisórias, por parte da prestadora defesa e no recurso da tomadora de serviços, sem ofensa alguma a

de serviços, o poder público somente responde, de forma qualquer uma delas.

subsidiária, quando restar demonstrada nos autos, de maneira Ainda assim, precisa ser registrado que a decisão judicial

categórica e irrefutável, a sua culpa in vigilando, no tocante à condenatória do poder público contratante de trabalho terceirizado,

ausência de fiscalização (conduta omissiva ou negligente) do em caráter subsidiário, por culpa in vigilando, observa o conteúdo

contrato administrativo celebrado com empresa terceirizante. das decisões do STF sobre a matéria (ADC n.º 16 e RE 760931),

Sinteticamente, revelando a prova dos autos, de forma contundente sem qualquer ofensa a dispositivo constitucional ou legal, incluindo

e irrefutável, que a tomadora de serviços concorreu diretamente os artigos 5º, II, XLV, XLVI, 22, XXVII, 37, XXI, 37, §6º, 97, 102, §2º,

para a inadimplência trabalhista, ao ser omissa e negligente quanto da CRFB, e ao art. 71, da Lei nº 8.666/1993, bem como à Súmula

à fiscalização do contrato mantido com a empresa terceirizante, a Vinculante n.º 10, do STF.

ponto de não ter sequer coibido as irregularidades evidentes

durante o seu desenvolvimento, incluindo a falta de pagamento de 2.2. BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. ALTERAÇÕES

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PROMOVIDAS PELA LEI N.º 13.467/2017 Ademais, o estado de hipossuficiência não deve ser medido pelo

No apelo, o BB TECNOLOGIA impugna a concessão dos benefícios simples valor do salário, mas pela potencialidade de eventual

da justiça gratuita à autora. pagamento das despesas processuais, somado aos gastos

Pois bem. particulares, comprometer o sustento próprio e da família. Nesse

Cabe assinalar que trata-se de reclamação trabalhista ajuizada sentido, o informativo nº 151, do TST:

após a vigência da Lei nº 13.467/2017.

Quanto à gratuidade da justiça, assim dispõe o art. 790, §§ 3º e 4º Justiça gratuita. Declaração de pobreza. Presunção relativa de

da CLT: veracidade não elidida pelo fato de o reclamante ter recebido

verbas rescisórias e de indenização em decorrência de adesão

Art. 790 [...] a plano de demissão voluntária. O fato de o reclamante ter

§ 3o É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos recebido quantia vultosa (R$ 1.358.507,65) decorrente de verbas

tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a rescisórias e de indenização oriunda de adesão a plano de

requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, inclusive demissão voluntária não é suficiente para elidir a presunção de

quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário veracidade da declaração de pobreza por ele firmada. Sob esse

igual ou inferior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos fundamento, a SBDI-I, maioria, conheceu dos embargos por

benefícios do Regime Geral de Previdência Social. contrariedade à Orientação Jurisprudencial nº 304 da SBDI-I, e, no

§ 4o O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que mérito, deu-lhes provimento para restabelecer a sentença que

comprovar insuficiência de recursos para o pagamento das custas deferira os benefícios da justiça gratuita. Vencidos os Ministros João

do processo. Oreste Dalazen, Renato de Lacerda Paiva e Alexandre Agra

Belmonte. TST-ERR-11237-87.2014.5.18.0010, SBDI-I, rel. Min.

Depreende-se do novo texto legal (§§ 3º e 4º do Art. 790 da CLT) Hugo Carlos Scheuermann, 2.2.2017. Informativo TST nº 151.

que, para aqueles que percebem salário igual ou inferior a quarenta

por cento do limite do RGPS, há presunção de serem beneficiários Não se olvide que as benesses da Justiça Gratuita têm previsão

da Justiça gratuita e, de outro lado, para aqueles cujo salário constitucional, segundo o qual "o Estado prestará assistência

ultrapassa tal teto, resta mantida a possibilidade de comprovação jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de

da hipossuficiência, podendo esta ser firmada por mera declaração, recursos" (CF, art. 5º, LXXIV), medida que concretiza o direito de

nos termos da Lei n.º 7.115/1983, que confere à simples declaração acesso à Justiça.

presunção de veracidade, para fins de comprovação do estado de Seguindo esse norte, o Código de Processo Civil de 2015 disciplina,

pobreza. em seu art. 98, § 1º, a gratuidade de justiça, deixando expressa

Eis a regra específica em sua literalidade: tanto a inclusão de isenção do pagamento de custas judiciais, como

um dos benefícios decorrentes de tal benesse, quanto a

"Art. . 1º - A declaração destinada a fazer prova de vida, possibilidade de comprovação da hipossuficiência por simples

residência, pobreza, dependência econômica, homonímia ou declaração, cabendo à parte contrária o ônus de demonstrar que o

bons antecedentes, quando firmada pelo próprio interessado requerente não preenche os requisitos para o deferimento do

ou por procurador bastante, e sob as penas da Lei, presume-se instituto (CPC, art. 99, §3º c/c CLT, art. 769).

verdadeira. O que se depreende disso é a disparidade causada pelo legislador

Parágrafo único - O dispositivo neste artigo não se aplica para fins ordinário no tratamento do beneficiário de tal Gratuidade que litiga

de prova em processo penal. na Justiça Comum frente àquele litigante na Justiça do Trabalho.

Art. . 2º - Se comprovadamente falsa a declaração, sujeitar-se-á o Ora, o Direito do Trabalho teve origem na necessidade de proteção

declarante às sanções civis, administrativas e criminais previstas na ao empregado hipossuficiente, sendo esse princípio o próprio esteio

legislação aplicável. e razão de ser desta Justiça Especializada.

Art. . 3º - A declaração mencionará expressamente a Tornou-se necessário, portanto, trilhar uma interpretação

responsabilidade do declarante. constitucionalmente adequada dos novos preceitos trazidos pela Lei

Art. . 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. n.º 13.467/2017, com um olhar atento a todo o ordenamento

Art. . 5º - Revogam-se as disposições em contrário." jurídico.

Em síntese, independentemente dos parâmetros fixados pela

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 73
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

reforma, segue plenamente possível a concessão dos

benefícios da Justiça Gratuita com base na simples declaração.

No caso, a reclamante juntou declaração de hipossuficiência (ID. ACÓRDÃO

fc0cec2). Por tais fundamentos, ACORDAM os Desembargadores da Egrégia

Portanto, não havendo nada a infirmar a veracidade da declaração Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima

de hipossuficiência expendida pelo autor, inexistem elementos Região, à vista do contido na certidão de julgamento, em dispensar

concretos para o indeferimento, à parte autora, da gratuidade da o relatório, conhecer do recurso ordinário da segunda reclamada e,

justiça, que, em sua acepção mais ampla, resta assegurada pelo no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto do

inc. LXXIV do art. 5.° da Constituição da República "aos que Desembargador Relator. Ementa aprovada.

comprovem insuficiência de recursos" e tem suas raízes fincadas na Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação

garantia de acesso à Justiça. dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), Grijalbo

Assim sendo, nego provimento. Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique Blair. Ausentes,

justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão; em licença

III- CONCLUSÃO médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em gozo de

férias, o Desembargador André Damasceno e o Juiz convocado

Pelo exposto, conheço do recurso ordinário da segunda reclamada Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra. Soraya Tabet Souto Maior

e, no mérito, nego-lhe provimento, nos termos da fundamentação. (Procuradora Regional do Trabalho), que opinou pelo

É o voto. prosseguimento do recurso.

Presente por videoconferência: Dr. Caetano Caltabiano.

1DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 7. Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do

ed. São Paulo: LTR, 2008, p. 448, 449 e 459. julgamento).

2BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADC-Ação Direta de

Constitucionalidade nº 16. Disponível em www.stf.jus.br . Acesso

em 20.05.2015.

3TST deve analisar caso a caso ações contra União que tratem GRIJALBO FERNANDES COUTINHO

de responsabilidade subsidiária, decide STF. Disponível em Desembargador Relator

http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=

166785 . Acesso em 20.05.2015. Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

4BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADC-Ação Direta de

Constitucionalidade nº 16. Disponível em www.stf.jus.br . MARIA APARECIDA FONSECA MATOS

Acesso em 20.05.2015. Servidor de Secretaria

5BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula n. 331. Resolução


Processo Nº RORSum-0000999-55.2019.5.10.0010
n. 174, de 2011. DEJT, 27, 30 e 31 maio 2011 Relator GRIJALBO FERNANDES COUTINHO
6VIANA, Marcio Túlio; DELGADO, Gabriela Neves; AMORIM, RECORRENTE ROSILENE CARVALHO DA
FONSECA - ME
Helder Santos. Terceirização: Aspectos Gerais. A Última Decisão do ADVOGADO KETHLENE VANZELER
DAWIDOVICZ(OAB: 17908/PA)
STF e a Súmula 331 do TST. Novos Enfoques(*). Editora Magister -
RECORRIDO JOAO CLAUDIO SILVA DOS SANTOS
Porto Alegre - RS. Publicado em: 15 fev. 2011. Disponível em: ). ADVOGADO ROBSON DA PENHA ALVES(OAB:
34647/DF)
Acesso em: 03 jun. 2011.

7BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Ag-AIRR-84240- Intimado(s)/Citado(s):


16.2005.5.15.0094, Min. Mauricio Godinho Delgado, TST 6ª Turma, - ROSILENE CARVALHO DA FONSECA - ME

DEJT04/02/2011. Disponível em www.tst.jus.br . Acesso em

20.05.2015

8Brasil. STF, RE 760931, com Repercussão Geral. Redator


PODER JUDICIÁRIO
Designado Ministro Luiz Fux. Acórdão publicado em 12 de setembro
JUSTIÇA DO TRABALHO
de 2017. Disponível em www.stf.jus.br. Acesso em 28 de setembro

de 2017.

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Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

TRT 0000999-55.2019.5.10.0010 RORSum - ACÓRDÃO

1ªTURMA/2020

1- ADMISSIBILIDADE

Preenchidos os pressupostos objetivos e subjetivos de

admissibilidade, conheço do recurso interposto pela reclamada.

RELATOR: DESEMBARGADOR GRIJALBO FERNANDES

COUTINHO 2- MÉRITO

RECORRENTE: ROSILENE CARVALHO DA FONSECA - ME 2.1- RECURSO ORDINÁRIO DA RECLAMADA. REVELIA.

ADVOGADO: KETHLENE VANZELER DAWIDOVICZ - OAB: CONFISSÃO FICTA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS

PA0017908 FATOS ALEGADOS NA INICIAL. CONTRATO DE EXPERIÊNCIA.

RECORRIDO: JOAO CLAUDIO SILVA DOS SANTOS PRORROGAÇÃO. VERBAS CONTRATUAIS E RESCISÓRIAS

ADVOGADO: ROBSON DA PENHA ALVES - OAB: DF0034647 A instância de origem decretou a revelia e a confissão ficta da

CLASSE ORIGINÁRIA: AÇÃO TRABALHISTA - Rito reclamada, reconhecendo a rescisão antecipada do contrato de

Sumaríssimo experiência (art. 479, da CLT), julgando parcialmente procedentes o

ORIGEM: 10ª VARA DO TRABALHO DE BRASÍLIA - DF pleito e condenando a reclamada,por via de consequência, ao

(JUIZ ALCIR KENUPP CUNHA) - pagamento de saldo de salário, indenização por rescisão

antecipada, verbas rescisórias, horas extraordinárias e honorários

sucumbenciais.

Inconformada, a recorrente sustenta que houve equívoco na

avaliação probatória realizada na origem. Busca a relativização dos

EMENTA efeitos da revelia e confissão, sustentando que o contrato de

experiência, acostado aos autos, explicita a realidade da rescisão

no prazo avençado, inexistindo, provas de sua prorrogação, e que

1. REVELIA. CONFISSÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS todos os salários devidos foram regularmente quitados, não

FATOS. A presunção de veracidade dos fatos alegados na inicial, havendo pagamento "por fora" e, da mesma forma, verbas

por aplicação da revelia e confissão é relativa, isto é, admite prova rescisórias a quitar.

em contrário, desde que precedentemente coligida aos autos. À Pois bem.

míngua de elementos concretos que possam infirmar tal presunção, Inicialmente, registro que a reclamada, devidamente notificada, não

prevalecem os efeitos daquelas cominações, impondo-se, dessa compareceu à audiência inaugural. Nesse cenário, a ela foram

forma, a manutenção da sentença que condenou a reclamada ao aplicadas a revelia e confissão quanto à matéria fática, em

pagamento de saldo de salário, indenização por rescisão escorreita decisão, presumindo-se, assim, verdadeiros os fatos

antecipada, verbas rescisórias e horas extraordinárias. 2. Recurso narrados na exordial.

da reclamada conhecido e desprovido. Saliento que a presunção de veracidade dos fatos alegados na

inicial, por aplicação da revelia e confissão é relativa, isto é, admite

prova em contrário, desde que precedentemente coligida aos autos.

À míngua de elementos que possam infirmar tal presunção,

I - RELATÓRIO prevalecem os efeitos daquelas cominações,

Os pedidos formulados na exordial exigiriam a prova, pela

reclamada, dos fatos alegados em defesa.

Dispensado, na forma do art. 852-I, da CLT. Então vejamos.

A reclamada embasa todas as suas questões na regularidade do

contrato de experiência.

Observando atenciosamente as cópias dos contratos acostados

pela própria reclamada, verificamos uma série de inconsistências. A

II - V O T O cópia do contrato de experiência acostado ao ID. fe3c34d - Pág. 2,

com assinatura e carimbo apenas na data de contratação, na parte

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 75
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referente ao termo de prorrogação, não possui o mesmo carimbo da

empresa encontrado no contrato original acostado pela parte

reclamante ao ID. cee08c3 - Pág. 2, o que revela uma cópia em GRIJALBO FERNANDES COUTINHO

desconformidade com o original. Desembargador Relator

Não bastasse isso, as cópias de acordo de banco de horas

acostadas ao ID. fe3c34d - Págs. 3/8, revelam, em seu título, a

classificação de um contrato por prazo indeterminado realizado com Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

o reclamante.

Ora, a confissão ficta, decorrente da revelia patronal, eleva a tese MARIA APARECIDA FONSECA MATOS

obreira ao patamar de verdade processual, sendo certo que os Servidor de Secretaria

elementos acostados não elidem as alegações exordiais, ao


Processo Nº RORSum-0000034-64.2020.5.10.0003
contrário, trazem uma dubiedade ainda maior à tese reclamada Relator GRIJALBO FERNANDES COUTINHO
quanto à correção do contrato entabulado, o que reforça, isto sim, a RECORRENTE A C SERVICOS CORPORATIVOS
LTDA.
tese obreira. ADVOGADO OSVALDO TADEU DOS
SANTOS(OAB: 44799/SP)
Dessa forma, inexistindo provas nos autos que contenham
RECORRENTE BB TECNOLOGIA E SERVICOS S.A
elementos que atuem como limitadores da confissão patronal, ADVOGADO MOZART VICTOR RUSSOMANO
NETO(OAB: 29340/DF)
prevalece a condenação fixada na origem.
RECORRIDO MAISA PIO ALVES DE OLIVEIRA
Nada a ser alterado na decisão recorrida. ADVOGADO André Santos(OAB: 33180/DF)
Ante o exposto, mantenho a r. sentença, por seus próprios e ADVOGADO CAETANO LIRA CALTABIANO(OAB:
57353/DF)
jurídicos fundamentos, além daqueles ora aduzidos.

Nego provimento ao recurso. Intimado(s)/Citado(s):


- A C SERVICOS CORPORATIVOS LTDA.

III - CONCLUSÃO

Ante o exposto, conheço do recurso da reclamada e no mérito, nego

-lhe provimento, nos termos da fundamentação precedente. PODER JUDICIÁRIO


É o meu voto. JUSTIÇA DO TRABALHO

TRT 0000034-64.2020.5.10.0003 RORSum - ACÓRDÃO 1ªTURMA


ACÓRDÃO

Por tais fundamentos, ACORDAM os Desembargadores da Egrégia


RELATOR: DESEMBARGADOR GRIJALBO FERNANDES
Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima
COUTINHO
Região, em dispensar o relatório, conhecer do recurso da
RECORRENTE: BB TECNOLOGIA E SERVICOS S.A - CNPJ:
reclamada e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto
42.318.949/0001-84
do Desembargador Relator. Ementa aprovada.
ADVOGADO: MOZART VICTOR RUSSOMANO NETO - OAB:
Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação
DF0029340
dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), Grijalbo
RECORRIDO: MAISA PIO ALVES DE OLIVEIRA - CPF:
Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique Blair. Ausentes,
104.816.846-89
justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão; em licença
ADVOGADO: CAETANO LIRA CALTABIANO - OAB: DF0057353
médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em gozo de
ADVOGADO: André Santos - OAB: DF0033180
férias, o Desembargador André Damasceno e o Juiz convocado
RECORRENTE: A C SERVICOS CORPORATIVOS LTDA. - CNPJ:
Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra. Soraya Tabet Souto Maior
66.059.510/0001-42
(Procuradora Regional do Trabalho).
ADVOGADO: OSVALDO TADEU DOS SANTOS - OAB:
Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do
SP0044799
julgamento).
ORIGEM: 3ª VARA DO TRABALHO DE BRASÍLIA/DF

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 76
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

CLASSE ORIGINÁRIA: Ação Trabalhista - Rito Sumaríssimo inexistem elementos concretos para o indeferimento, à parte autora,

(JUIZ: FRANCISCO LUCIANO DE AZEVEDO FROTA)- da gratuidade da justiça, que, em sua acepção mais ampla, resta

assegurada pelo inc. LXXIV do art. 5.° da Constituição da República

"aos que comprovem insuficiência de recursos" e tem suas raízes

EMENTA fincadas na garantia de acesso à Justiça. 3. Recurso ordinário da

segunda reclamada conhecido e desprovido.

1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. TOMADORA DE SERVIÇOS

TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA E I - RELATÓRIO

SUBSIDIÁRIA. OBSERVÂNCIA DAS DECISÕES PROFERIDAS

PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NOS AUTOS DA ADC Nº

16 E DO RE 760931-DF, COM REPERCUSSÃO GERAL. Segundo Dispensado, na forma do artigo 852-I, c/c 895, § 1º, IV, ambos da

compreensão do Supremo Tribunal Federal, a responsabilidade CLT.

subsidiária da Administração Pública, na qualidade de tomadora de

trabalho terceirizado, não é automática. Havendo inadimplência

quanto ao pagamento de parcelas trabalhistas diversas ou verbas II - VOTO

rescisórias, por parte da prestadora de serviços, o poder público

somente responde, de forma subsidiária, quando restar

demonstrada nos autos, de maneira categórica e irrefutável, a sua 1- ADMISSIBILIDADE

culpa in vigilando, no tocante à ausência de fiscalização (conduta Argüiu a reclamante, em suas contrarrazões, preliminar de não-

omissiva ou negligente) do contrato administrativo celebrado com conhecimento do apelo por ausência de interesse recursal (ID.

empresa terceirizante. 1.2. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA DO dc1852f - Pág. 2).

PODER PÚBLICO. CULPA IN VIGILANDO. PROVA DOS AUTOS. À análise dos autos, observa-se que a recorrente (BB

Revelando a prova dos autos, de forma contundente e irrefutável, TECNOLOGIA E SERVICOS S.A) foi condenada subsidiariamente

que a tomadora de serviços concorreu diretamente para a pelo pagamento da multa do art. 477 da CLT e multa convencional

inadimplência trabalhista, ao ser omissa e negligente quanto à (ID. 60b8ac3 - Pág. 3).

fiscalização do contrato mantido com a empresa terceirizante, a Nesse contexto, sendo certo que a pretensão de responsabilidade

ponto de não ter sequer coibido as irregularidades evidentes subsidiária postulada na exordial foi deferida na decisão atacada, a

durante o seu desenvolvimento, incluindo a falta de pagamento de recorrente possui interesse recursal, no tocante a tal pleito,

parcelas básicas do liame laboral, encontra-se configurada a sua ensejando o conhecimento do recurso.

culpa in vigilando, apta, portanto, a atrair a responsabilidade Ante o exposto, preenchidos os pressupostos objetivos e subjetivos

subjetiva admitida pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal de admissibilidade, conheço do recurso interposto pela segunda

Superior do Trabalho. A culpa in vigilando resta reforçada quando, reclamada.

além de não cumprir as suas obrigações inerentes à fiscalização, o

poder público contratante nada faz para evitar a inadimplência em 2- MÉRITO

relação às verbas rescisórias, seja pela ausência da retenção de 2.1- TERCEIRIZAÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

valor mensal para esse fim, seja pela falta de exigência da garantia RESPONSABILIDADE DO PODER PÚBLICO

de execução do contrato administrativo, a ser renovada anualmente, O debate nuclear do presente litígio devidamente judicializado diz

tudo nos termos da lei e das normas regulamentares instituídas pela respeito à terceirização de mão de obra promovida pelo poder

própria Administração Pública, além das determinações emitidas na público, a sua responsabilidade (objetiva, subjetiva ou nenhuma) e o

mesma direção pelo órgão de controle de contas (TCU).2. respectivo grau de tal responsabilidade no ato do pagamento

BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. Independentemente dos decorrente de eventual condenação trabalhista (solidário ou

parâmetros trazidos pela Lei n.º 13.467/2017, segue plenamente subsidiário).

possível a concessão dos benefícios da Justiça Gratuita com base As questões serão analisadas nos tópicos temáticos a seguir

na simples declaração. Não havendo nada a infirmar a veracidade relacionados.

da declaração de hipossuficiência expendida pela parte reclamante, Ao contrário de votos anteriores sobre a matéria, por mim proferidos

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 77
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

aqui na 1ª Turma do TRT 10, entre novembro de 2014 e início de demonstrou ter laborado para a primeira reclamada em prol da

outubro de 2017, não mais farei, a partir de agora, uma abordagem segunda reclamada, nas condições antes relatadas.

geral sobre a terceirização, do ponto de vista histórico, econômico, Destaco que a tese de existência de contratos de prestação de

social e jurídico. serviços entre pessoas jurídicas não tem o condão de afastar a

Deixarei para fazê-lo em outra oportunidade, quando houver responsabilização subsidiária da segunda reclamada, mas, ao

necessidade de avaliar o conteúdo das novas normas legais contrário, reforça a tese de que o ente público se beneficiou da

reguladoras da terceirização nas relações de trabalho (Leis força de trabalho da reclamante via empresa interposta, não sendo

13.429/2017 e 13.467/2017), as quais precisam ser interpretadas possível afastar as responsabilidades inerentes às relações

tendo em conta a Constituição da República e os seus princípios jurídicas das quais participou.

fundantes, o Direito Internacional do Trabalho e a principiologia do Logo, irrefutável a prova da condição de tomadora de serviços da

Direito do Trabalho. segunda reclamada, ente integrante da Administração Pública.

Analisarei a questão posta no presente recurso, portanto, sob os Verificada a inegável qualidade de tomadora de serviços da

estreitos limites conferidos pelo Supremo Tribunal Federal e pelo segunda reclamada, durante todo o período de vigência do contrato

Tribunal Superior do Trabalho, muitas vezes com ressalva de de trabalho mantido entre a parte reclamante e a primeira

entendimento pessoal em sentido contrário à interpretação dada à reclamada (empresa prestadora), impõe-se analisar a matéria

matéria por estes tribunais . relativa à responsabilidade subsidiária do ente integrante da

Em outras palavras, cinge-se a discussão presente ao tema da Administração Pública indireta, aqui reivindicada, consigne-se, sob

responsabilidade subsidiária do poder público, com a aplicação dos o ângulo da interpretação contida no teor da Súmula n.º 331, do

entendimentos manifestados pelo Supremo na ADC nº 16 e no RE- Colendo Tribunal Superior do Trabalho.

760931, com repercussão geral, e pelo TST, com a sua Súmula nº

331. 2.1.2- RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO PODER PÚBLICO

NA QUALIDADE DE TOMADOR DE SERVIÇOS

2.1.1- ALEGAÇÕES DA INICIAL E DA DEFESA EM RELAÇÃO À TERCEIRIZADOS. ANÁLISE DA QUESTÃO SOB O ÂNGULO

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA PRETENDIDA. DA PROVA DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO SUPREMO TRIBUNAL

DA PRESTAÇÃO LABORAL PARA O PODER PÚBLICO POR FEDERAL - ADC Nº 16 E RE-760931, COM REPERCUSSÃO

INTERMÉDIO DE TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA GERAL - RESPONSABILIDADE SUBJETIVA, SEGUNDO

A reclamante alegou ter sido admitida em 21/12/2015, pela primeira COMPREENSÃO DO STF

reclamada, para exercer a função de assistente de liderança, em A Súmula n.º 331, do TST, interpretando a Constituição da

prol da segunda reclamada (BB TECNOLOGIA E SERVICOS S.A), República, a legislação ordinária vigente e observando os

pessoa jurídica integrante da Administração Pública indireta, tendo precedentes judiciais do próprio tribunal, anuncia não ser possível a

sido dispensada imotivadamente em 06/11/2019. Postulou o terceirização na atividade-fim, no âmbito da Administração Pública.

pagamento de verbas rescisórias. Para as terceirizações consideradas lícitas, segundo compreensão

Invocando o conteúdo da Súmula nº 331, do Tribunal Superior do da súmula em debate, haveria tão somente a responsabilidade

Trabalho, a parte autora requereu a decretação da responsabilidade subsidiária do tomador de serviços, incluindo o poder público,

subsidiária da segunda reclamada (BB TECNOLOGIA) pelo independentemente de culpa, assim entendido pelo TST, ao menos

adimplemento das parcelas deferidas ao final da tramitação do até o ano de 2010.

presente feito, bem como a condenação de ambas as reclamadas O professor e magistrado Maurício Godinho Delgado, ao abordar o

ao pagamento das verbas discriminadas no rol dos pedidos. tema da responsabilidade de entidades estatais em casos de

Dirimindo a controvérsia, o Juízo de origem decretou a terceirização de mão de obra, antes da decisão proferida pelo STF

responsabilidade subsidiária da segunda reclamada, conforme nos autos da ADC n.º 16, declarava que:

fundamentos de ID. 60b8ac3 - Pág. 4.

Em seu recurso, a segunda reclamada insiste no afastamento da "A entidade estatal que pratique terceirização com empresa

responsabilidade subsidiária. inidônea (isto é, empresa que se torne inadimplente com relação a

Analisa-se. direitos trabalhistas) comete culpa in eligendo (má escolha do

Não é difícil notar que a reclamante, com a petição inicial e com a contratante) ou, no mínimo, culpa in vigilando (má fiscalização das

prova documental, ante a revelia da primeira reclamada, obrigações contratuais e seus efeitos). Passa, desse modo, a

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 78
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

responder pelas verbas trabalhistas devidas pelo empregador O respeito à dignidade humana não deve ter como referência a

terceirizante no período de efetiva terceirização (inciso IV do posição privilegiada dos cidadãos na pirâmide social marcadamente

Enunciado 331, TST) (...) Ora, a entidade estatal que pratique injusta da estratificada sociedade brasileira. Ao contrário, no campo

terceirização com empresa inidônea (isto é, empresa que se torne das relações de trabalho, quanto mais humilde for o trabalhador,

inadimplente com relação a direitos trabalhistas) comete culpa in maior zelo o Estado deve ter com seus direitos, em nome da justiça

eligendo (má escolha do contratante) mesmo que tenha firmado a social e da manutenção do único meio de subsistência da imensa

seleção por meio de processo licitatório. Ainda que não se admita maioria da população brasileira.

essa primeira dimensão da culpa, incide, no caso, outra dimensão, É forçoso concluir que uma interpretação meramente literal,

no mínimo a culpa in vigilando (má fiscalização das obrigações descontextualizada e não sistemática do artigo 71, da Lei n.º

contratuais e seus efeitos). Passa, desse modo, o ente do Estado a 8.666/1993, na prática, sem nenhuma hesitação, resultaria na

responder pelas verbas trabalhistas devidas pelo empregador abominável chancela do Estado ao calote oficial aos empregados

terceirizante no período de efetiva terceirização".1 de empresas terceirizantes, leitura essa, evidentemente, em

descompasso com os princípios da responsabilidade objetiva das

Impende ressaltar que o § 6.º do artigo 37, da Constituição Federal pessoas jurídicas de direito público (artigo 37, §6º, da CRFB), da

estabelece a responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de dignidade da pessoa humana e do valor social do trabalho (artigo

direito público, ao prescrever que estas, assim como as de direito 1º, incisos III e IV).

privado prestadoras de serviços públicos, "responderão pelos danos Ao julgar Ação Direta de Constitucionalidade ajuizada pelo então

que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, governador do Distrito Federal2, o Supremo Tribunal Federal, em

assegurando o direito de regresso contra o responsável nos casos sessão plenária realizada no dia 24 de novembro de 2010, declarou

de dolo e culpa". constitucional o artigo 71, da Lei n.º 8.666/93. A notícia publicada

No particular, nota-se que o texto constitucional opta por expressa em sua página na rede mundial de computadores, no dia 24 de

rejeição à teoria da irresponsabilidade do poder público em suas novembro de 2010, foi a seguinte:

relações jurídicas com terceiros, sejam elas voluntárias ou

involuntárias. "TST deve analisar caso a caso ações contra União que tratem

Razões de natureza social ainda mais relevantes justificam o zelo e de responsabilidade subsidiária, decide STF

a responsabilidade que as entidades e os órgãos da Administração Por votação majoritária, o Plenário do Supremo Tribunal Federal

Pública devem guardar em relação aos direitos humanos declarou, nesta quarta-feira (24), a constitucionalidade do artigo 71,

(econômicos, sociais e culturais) das mulheres e dos homens que parágrafo 1º, da Lei 8.666, de 1993, a chamada Lei de Licitações. O

lhes prestam serviços em condições precárias de trabalho, por força dispositivo prevê que a inadimplência de contratado pelo Poder

da gestão empresarial embasada na terceirização. Público em relação a encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não

É bastante comum o desaparecimento das prestadoras de serviços, transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu

assim como a constatação relativa à inexistência de bens dessas pagamento, nem pode onerar o objeto do contrato ou restringir a

pessoas jurídicas, suficientes para garantir o pagamento das verbas regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o

devidas aos empregados. Registro de Imóveis. Segundo o presidente do STF, isso "não

O poder público não pode simplesmente cruzar os braços, impedirá o TST de reconhecer a responsabilidade, com base nos

desrespeitando o trabalhador que lhe presta ou prestou serviços. fatos de cada causa". "O STF não pode impedir o TST de, à base

Não é para cumprir tão lamentável missão que existe o Estado. Se de outras normas, dependendo das causas, reconhecer a

vingasse a tese suscitada nas defesas apresentadas perante a responsabilidade do poder público", observou o presidente do

Justiça do Trabalho, pela Administração Pública, os milhões de Supremo. Ainda conforme o ministro, o que o TST tem reconhecido

homens e mulheres empregados das empresas terceirizantes é que a omissão culposa da administração em relação à

seriam declarados como indivíduos não detentores de parte fiscalização - se a empresa contratada é ou não idônea, se paga ou

substancial dos direitos do trabalho, durante a vigência e no ato das não encargos sociais - gera responsabilidade da União.

rescisões dos seus pactos laborais, restando caracterizado, por via A decisão foi tomada no julgamento da Ação Declaratória de

de consequência, o evidente desrespeito aos princípios Constitucionalidade (ADC) 16, ajuizada pelo governador do Distrito

fundamentais da República da dignidade da pessoa humana e do Federal em face do Enunciado (súmula) 331 do Tribunal Superior

valor social do trabalho (CRFB, artigo 1º, III e IV). do Trabalho (TST), que, contrariando o disposto no parágrafo 1º do

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mencionado artigo 71, responsabiliza subsidiariamente tanto a existia, sim, porquanto o enunciado do TST ensejou uma série de

Administração Direta quanto a indireta, em relação aos débitos decisões nos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e, diante

trabalhistas, quando atuar como contratante de qualquer serviço de delas e de decisões do próprio TST, uma série de ações, sobretudo

terceiro especializado. Reclamações (RCLs), junto ao Supremo. Assim, ela se pronunciou

Reclamações pelo conhecimento e pelo pronunciamento da Suprema Corte no

Em vista do entendimento fixado na ADC 16, o Plenário deu mérito.

provimento a uma série de Reclamações (RCLs) ajuizadas na O ministro Marco Aurélio observou que o TST sedimentou seu

Suprema Corte contra decisões do TST e de Tribunais Regionais do entendimento com base no artigo 2º da Consolidação das Leis do

Trabalho fundamentadas na Súmula 331/TST. Entre elas estão as Trabalho (CLT), que define o que é empregador, e no artigo 37,

RCLs 7517 e 8150. Ambas estavam na pauta de hoje e tiveram parágrafo 6º da Constituição Federal (CF), que responsabiliza as

suspenso seu julgamento no último dia 11, na expectativa de pessoas de direito público por danos causados por seus agentes a

julgamento da ADC 16. Juntamente com elas, foram julgadas terceiros.

procedentes todas as Reclamações com a mesma causa de Decisão

pedir.Por interessar a todos os órgãos públicos, não só federais Ao decidir, a maioria dos ministros se pronunciou pela

como também estaduais e municipais, os governos da maioria dos constitucionalidade do artigo 71 e seu parágrafo único, e houve

estados e de muitos municípios, sobretudo de grandes capitais, consenso no sentido de que o TST não poderá generalizar os casos

assim como a União, pediram para aderir como amici curiae e terá de investigar com mais rigor se a inadimplência tem como

(amigos da corte) nesta ADC. causa principal a falha ou falta de fiscalização pelo órgão público

Alegações contratante.

Na ação, o governo do DF alegou que o dispositivo legal em O ministro Ayres Britto endossou parcialmente a decisão do

questão "tem sofrido ampla retaliação por parte de órgãos do Poder Plenário. Ele lembrou que só há três formas constitucionais de

Judiciário, em especial o Tribunal Superior do Trabalho (TST), que contratar pessoal: por concurso, por nomeação para cargo em

diuturnamente nega vigência ao comando normativo expresso no comissão e por contratação por tempo determinado, para suprir

artigo 71, parágrafo 1º da Lei Federal nº 8.666/1993". Observou, necessidade temporária.

nesse sentido, que a Súmula 331 do TST prevê justamente o Assim, segundo ele, a terceirização, embora amplamente praticada,

oposto da norma do artigo 71 e seu parágrafo 1º. não tem previsão constitucional. Por isso, no entender dele, nessa

A ADC foi ajuizada em março de 2007 e, em maio daquele ano, o modalidade, havendo inadimplência de obrigações trabalhistas do

relator, ministro Cezar Peluso, negou pedido de liminar, por contratado, o poder público tem de responsabilizar-se por elas".3

entender que a matéria era complexa demais para ser decidida

individualmente. Posta em julgamento em setembro de 2008, o A decisão proferida pelo STF, na ADC n.º 16, recebeu a ementa a

ministro Menezes Direito (falecido) pediu vista dos autos, quando o seguir transcrita:

relator não havia conhecido da ação, e o ministro Marco Aurélio

dela havia conhecido, para que fosse julgada no mérito. "EMENTA. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. Subsidiária.

Hoje, a matéria foi trazida de volta a Plenário pela ministra Cármen Contrato com a administração pública. Inadimplência negocial do

Lúcia Antunes Rocha, uma vez que o sucessor do ministro Direito, o outro contraente. Transferência consequente e automática dos seus

ministro Dias Toffoli, estava impedido de participar de seu encargos trabalhistas, fiscais e comerciais, resultantes da execução

julgamento, pois atuou neste processo quando ainda era advogado do contrato, à administração. Impossibilidade jurídica.

geral da União. Consequência proibida pelo art., 71, § 1º, da Lei federal nº 8.666/93.

Na retomada do julgamento, nesta quarta-feira, o presidente do STF Constitucionalidade reconhecida dessa norma. Ação direta de

e relator da matéria, ministro Cezar Peluso, justificou o seu voto constitucionalidade julgada, nesse sentido, procedente. Voto

pelo arquivamento da matéria. Segundo ele, não havia controvérsia vencido. É constitucional a norma inscrita no art. 71, § 1º, da Lei

a ser julgada, uma vez que o TST, ao editar o Enunciado 331, não federal nº 8.666, de 26 de junho de 1993, com a redação dada pela

declarou a inconstitucionalidade do artigo 71, parágrafo 1º, da Lei Lei nº 9.032, de 1995." 4

8.666.

Em seu voto, a ministra Cármen Lúcia divergiu do ministro Cezar Da leitura do inteiro teor daquele acórdão, percebe-se, com

Peluso quanto à controvérsia. Sob o ponto de vista dela, esta meridiana clareza, que o Supremo Tribunal Federal, embora tenha

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reconhecido a constitucionalidade do artigo 71, §1º, da Lei n.º todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período

8.666/1993, não isentou, contudo, a Administração Pública de da prestação laboral." 5

qualquer responsabilidade, em caso de inadimplemento trabalhista

por parte das empresas prestadoras de serviços as quais colocam Embora represente evidente retrocesso social para os trabalhadores

trabalhadores terceirizados desenvolvendo as suas atividades em terceirizados, a decisão proferida nos autos da ADC n.º 16, pelo

prol de entidades e órgãos do Estado. STF, a ponto de determinar explícita mudança parcial do conteúdo

Adotando a teoria da responsabilidade subjetiva da Administração da Súmula nº 331, do TST, jamais pode significar o fim da proteção

Pública, o STF declarou que cabe à Justiça do Trabalho, no exame aos direitos e créditos trabalhistas dos milhares de empregados

de cada litígio que lhe é submetido cuidando do tema, avaliar a formais das empresas prestadoras de serviços no âmbito do poder

presença ou não do elemento culpa in vigilando, como fator de público.

condenação ou absolvição do tomador de serviços integrante do Bem sabemos e conhecemos quão dura é a realidade deste grupo

poder público. de trabalhadores, cercados de péssimas condições de labor,

Coube ao Tribunal Superior do Trabalho, a partir daquela decisão incluindo salários baixíssimos, jornadas intensas e extenuantes,

do Supremo, modificar parcialmente o conteúdo da Súmula n.º 331, altos índices de acidentes e discriminação, entre outras ofensas aos

do TST, o fazendo da seguinte forma: seus direitos fundamentais, violações essas notadas com maior

visibilidade a partir do momento em que a empregadora formal

"Súmula nº 331 do TST desaparece sem pagar salários, FGTS e verbas rescisórias, algo

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE bastante corriqueiro, assim visto nos corredores da Justiça do

(nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) - Trabalho quando da realização de audiências na primeira instância.

Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 É certo, ainda, que a retumbante evidência se faz presente até

I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, mesmo em vários casos envolvendo o próprio Supremo Tribunal

formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, Federal, na qualidade de tomador de serviços (UNIÃO). Diversos

salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). empregados terceirizados lotados no STF, via empresa

II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa terceirizante, já demandaram ou ainda demandam perante a Justiça

interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da do Trabalho de Brasília-DF, buscando receber salários retidos e

Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da outros direitos não cumpridos por empresas prestadoras de serviços

CF/1988). as quais desapareceram da noite para o dia, depois da perda do

III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de contrato mantido com a União.

serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de Isso ocorre porque talvez seja impossível domar o efeito devastador

conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados de direitos humanos contido em qualquer terceirização de mão de

ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a obra, que existe primordialmente para reduzir os custos com o

pessoalidade e a subordinação direta. trabalho, em qualquer lugar do mundo, mediante flexibilização,

IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do precarização e violação de direitos materiais e imateriais

empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos assegurados pelo ordenamento jurídico.

serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da Não é novidade para qualquer pessoa que lida com a terceirização,

relação processual e conste também do título executivo judicial. direta ou indiretamente, incluindo os operadores do mundo jurídico

V - Os entes integrantes da Administração Pública direta e laboral, os seus desatinos no serviço público e as agruras sofridas

indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições pelos trabalhadores terceirizados, desde a prática da retenção de

do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no salários ao não pagamento de auxílio-alimentação, vale-transporte,

cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, horas extras, férias, 13º salário e verbas rescisórias. Quando se

especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações encontra presente o contexto fático antes delineado, desparecem as

contratuais e legais da prestadora de serviço como prestadoras de serviços e os seus sócios, sendo que o êxito da

empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero execução trabalhista contra as referidas empresas é praticamente

inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela nulo.

empresa regularmente contratada. É provável que não exista um órgão sequer, nos três poderes da

VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange República, que não tenha se defrontado com esse grave problema

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social decorrente da terceirização, com humildes trabalhadores evasivas, muito menos consagrar um obtuso padrão

desesperados pela ausência do recebimento de salários e verbas administrativista contrário à Constituição da República e aos

rescisórias, alcançados indistintamente, pois, trabalhadoras e Direitos Humanos dos trabalhadores terceirizados.

trabalhadores terceirizados de tribunais como Supremo Tribunal Ora, o Direito Administrativo como expressão da vontade exclusiva

Federal, Tribunal Superior do Trabalho, Tribunal Regional do do Estado foi revolucionário no contexto histórico de seu

Trabalho da 10ª Região, Tribunal de Justiça do Distrito Federal e nascimento, porque material e politicamente concebido em oposição

Territórios, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Superior ao poder corrompido da monarquia do Ancien Régime, oferecendo

Tribunal de Justiça, Tribunal Superior Eleitoral e Superior Tribunal a nova disciplina, por intermédio de leis editadas pelo Parlamento,

Militar, além de Tribunal de Contas da União, Conselho Nacional de no pós-revolução francesa e durante mais de um século a partir do

Justiça, Procuradora-Geral da República, Procuradoria-Geral do grandioso evento, elementos eficazes para limitar o exercício do

Trabalho, Presidência da República, Câmara dos Deputados, poder dos governantes na esfera da gestão da coisa pública antes

Senado Federal, Ministério da Justiça, Ministério do Trabalho e apropriada, sem nenhum pudor, por parte do soberano.

Emprego, Ministério da Previdência Social, Ministério da Fazenda e Logo, o Direito Administrativo voltado para proteger apenas o

Ministério das Relações Exteriores. Estado é um dos traços das nações remodeladas que emergiram

Na hipótese de ser afastada a responsabilidade da Administração das revoluções burguesas ocorridas entre os séculos XVIII e XIX,

Pública pelo inadimplemento trabalhista junto ao pessoal que lhe assim como a respectiva estrutura jurídica formatada no sentido de

prestou serviços por intermédio de empresa terceirizante, na linha assegurar o exercício das liberdades individuais clássicas pela nova

de raciocínio antes desenvolvida, registre-se, estaremos classe detentora do poder político e os limites impostos aos juízes

proclamando em alto e bom som que os direitos humanos de no que se refere à tarefa de interpretar textos legais editados pelo

natureza econômica e social não se aplicam aos trabalhadores Parlamento revolucionário francês (o juiz boca da lei), conforme

terceirizados do poder público. arquitetura da Constituição jacobina de 1793 (o juiz é proibido de

A outra face da mesma moeda será a institucionalização do calote interpretar a lei) e do Código Civil napoleônico de 1803.

pelo Poder Judiciário, pois tão comum tem sido o descumprimento Essa concepção de arraigada defesa do Estado em detrimento de

de obrigações trabalhistas por parte das prestadoras de serviços, interesses diversos paroquiais e particulares marcou a doutrina

assim como o notório insucesso até mesmo no sentido de encontrá- brasileira durante décadas a partir da Proclamação da República no

las com a finalidade de comparecimento à Justiça do Trabalho para final do século XIX, considerando que era preciso, naquela época,

a tentativa conciliatória ou apresentação de defesa, muito menos formar uma cultura apta a promover valores relegados por

são localizados os seus sócios para o pagamento das dívidas governantes, embora até hoje persistam, no âmbito da

trabalhistas. Administração Pública, práticas capazes de envergonhar os

Ninguém paga a conta ou débito para com os trabalhadores revolucionários franceses de 1789, normalmente implementadas à

terceirizados do serviço público? O poder público deve fingir que o margem do sistema normativo.

problema não lhe diz respeito? O Poder Judiciário deve ignorar a O problema é que a ideia de supremacia absoluta do Estado por

realidade dos contratos de prestação de serviços em nome de uma intermédio de antigos postulados do Direito Administrativo revela-se

teoria do Direito Administrativo inequivocamente falida para dar incompatível com o tempo presente, o tempo do Estado

conta dos graves problemas gerados pela terceirização? O direito é Democrático de Direito.

tão insensível a ponto de não captar a dureza da vida das mulheres Para coibir as malversações nas diversas esferas do poder público,

e dos homens terceirizados no âmbito da Administração Pública? O no entanto, a velha tônica do Direito Administrativo anunciada por

direito não pode interagir com a sociologia para encontrar, pelo princípios constitucionais encontra-se em plena flor da idade, jovem

método da interdisciplinariedade, no ramo das ciências sociais e entusiasmada em defesa da coisa de todos. O seu vigor

dotadas de maior investigação das origens de nossas mazelas, rejuvenescido pela vitamina da contemporânea modernidade não

soluções justas para os terceirizados? Afinal, os trabalhadores mais comporta porém o caráter rude e intolerante antes enaltecido,

terceirizados são ou não portadores de direitos humanos, ou seja, a ao reduzir particulares e servidores com os quais mantém algum

Constituição da República e o Estado Democrático de Direito valem tipo de vínculo a vergonhoso patamar de inferioridade,

ou não para a massa de seres humanos submetidos ao trabalho considerando-os figuras eventualmente detentoras de direitos a

terceirizado no poder público? partir da vontade única e autocrática do Estado.

As respostas a esses salutares questionamentos não podem conter O Estado é fundamental para a implementação de uma série de

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princípios e garantias próprias da vida digna em todas as suas para fazê-lo funcionar, indo, por exemplo, da limpeza de banheiros

dimensões, mas está longe de ser o senhor absoluto para limitar ou de prédios públicos à elaboração de matérias jornalísticas para

mitigar direitos humanos. entidades e órgãos diversos, entre outras centenas de atividades

Ademais, estabelecer a prevalência absoluta dos interesses do humanas vitais para o conjunto da sociedade brasileira.

Estado pode redundar, na atualidade, em ofensa a princípios Quanto à Declaração de Constitucionalidade do § 1º do Art. 71 da

fundamentais da dignidade da pessoa humana e do valor social do Lei n.º 8.666/93, pelo Supremo Tribunal Federal, reitere-se, consta

trabalho (CRFB, artigo 1º, incisos III e IV). É inadmissível, sob a da própria decisão que a constitucionalidade do enunciado legal não

suposta defesa intransigente do bem público, dispensar a afasta a possibilidade de imputação de responsabilidade à

trabalhadores do poder público tratamento próprio da época da Administração Pública por culpa in vigilando, conforme bem

inauguração da República, emprestando ao princípio da legalidade apontado em artigo publicado sobre a matéria ora debatida, da

estrita do liberalismo, por exemplo, uma cega obediência sem levar autoria dos juslaboralistas mineiros Márcio Túlio Viana, Gabriela

em consideração os seus contrapostos. Não é para cumprir tão Neves Delgado e Hélder Santos Amorim, como veremos adiante:

lamentável missão que existe o Estado Constitucional. Ele foi

fundado, teoricamente, dentre outras razões, para não tolerar o "No julgamento da ação declaratória de constitucionalidade (ADC)

intolerável, para dar aos cidadãos dignidade e igual respeito, para nº 16 ajuizada pelo governo do Distrito Federal, o Supremo Tribunal

cumprir e fazer cumprir os princípios constitucionais. Federal (STF) pronunciou a constitucionalidade do § 1º do art. 71 da

Na verdade, persegue-se, com a teoria da irresponsabilidade do Lei nº 8.666/93, vedando à Justiça do Trabalho a aplicação de

tomador de serviços, o reconhecimento de que o interesse público é responsabilidade subsidiária à Administração Pública de forma

sempre aquele decorrente da vontade estatal, diante da equivocada automática, pelo só fato do inadimplemento dos direitos trabalhistas,

construção jurídica fomentadora da incompatibilidade total entre tal como se extraía da literalidade do inciso IV da Súmula nº 331 do

dois segmentos cujas raízes estão fincadas na principiologia TST, acima transcrito.

constitucional do Estado democrático de direito, além de relegar o Nesse julgamento, vencido o Ministro Ayres Britto que considera o §

caráter público de ambos - Direito do Trabalho e Direito 1º do art. 71 da Lei de Licitações inconstitucional em relação à

Administrativo. O referido posicionamento origina não apenas terceirização de serviços, o pronunciamento de constitucionalidade

desarmonia na esfera de espaço público comum ao Direito do dispositivo foi tomado do voto da maioria, sob duas noções

Administrativo e ao Direito do Trabalho, como também reduz a claramente retratadas nas falas do Ministro Cezar Peluso, relator da

eficácia prática da primeira disciplina naquilo que lhe continua ADC 55.

sendo peculiar na era da modernidade avançada. Primeiro, entendeu-se que o verbete do inciso IV da Súmula nº 331

Sem enfrentar idênticos embaraços, os mais aquinhoados, do ponto do Tribunal Superior do Trabalho, ao atribuir responsabilidade

de vista econômico e político, quando são afetados por medidas subsidiária ao ente público tomador dos serviços pelo só fato do

capazes de comprometer o exercício de algum direito seu, via de inadimplemento destes direitos, rejeita aplicação e efetividade ao

regra, logo conseguem encontrar soluções, precárias ou não, vindas disposto no § 1º do art. 71 da Lei nº 8.666/93, sem declarar sua

da esfera do próprio Estado, ente este demasiadamente seletivo em inconstitucionalidade, o que violaria de forma transversa a reserva

suas ações, registre-se, na hora de conceder, na hora de punir, na de plenário prevista no art. 97 da Constituição, afrontando a Súmula

hora de proteger os seus, embora a linguagem técnica rebuscada nº 10 do STF 56.

se apresente como sinônimo de uma falsa neutralidade ideológica. No segundo momento, apreciando a constitucionalidade do

Aos terceirizados, por outro lado, a resposta do Estado é a dureza dispositivo, os Ministros concluíram que a norma do § 1º do art. 71

da lei em sua interpretação mais antissocial possível, contrária da Lei nº 8.666/93 não fere a Constituição e deve ser observada

inclusive aos postulados constitucionais que anunciam a existência pela Justiça do Trabalho, o que impede a aplicação de

de um Estado Democrático de Direito comprometido com os Direitos responsabilidade subsidiária à Administração Pública de forma

Humanos das trabalhadoras e dos trabalhadores. automática, pela só constatação de inadimplemento dos direitos

Tem-se assim, portanto, que a compreensão jurídica acerca do laborais pela empresa contratada.

resultado do julgamento proferido nos autos da ADC n.º 16 jamais No mesmo passo concluíram que a constitucionalidade do

pode ignorar as balizas constitucionais preservadoras da dignidade enunciado legal não afasta, no entanto, a possibilidade de sua

da pessoa humana, do valor social do trabalho e da dura realidade interpretação sistemática com outros dispositivos legais e

dessa gente humilde terceirizada à disposição do poder público constitucionais que impõem à Administração Pública contratante o

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dever de licitar e fiscalizar de forma eficaz a execução do contrato, (art. 186, Código Civil). Evidenciando-se essa culpa in vigilando nos

inclusive quanto ao adimplemento de direitos trabalhistas, de forma autos, incide a responsabilidade subjetiva prevista no art. 159 do

que, constatada no caso concreto a violação desse dever CCB/1916, arts.186 e 927, caput, do CCB/2002, observados os

fiscalizatório, continua plenamente possível a imputação de respectivos períodos de vigência. Registre-se que, nos estritos

responsabilidade subsidiária à Administração Pública por culpa in limites do recurso de revista (art.896, CLT), não é viável reexaminar

eligendo ou in vigilando. -se a provados autos a respeito da efetiva conduta fiscalizatória do

Em suas manifestações, no curso do julgamento, o Ministro Relator ente estatal (Súmula 126/TST). Sendo assim, não há como

Cezar Peluso, refutando os viéses interpretativos que pretendiam assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo

vedar de forma absoluta qualquer atribuição de responsabilidade ao de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da

Poder Público, tal como a interpretação literal proposta pela Ministra decisão denegatória, que ora subsiste por seus próprios

Cármen Lúcia 57, tratou de balizar o limite dessa declaração de fundamentos. Agravo desprovido".7

constitucionalidade numa clara hermenêutica de ponderação, que

privilegia a noção expressa no § 1º do art. 71 da Lei de Licitações, Em síntese, na hipótese de observância, sem tréguas, da decisão

para impedir a imputação ao Poder Público de responsabilidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADC - Ação

automática pelo cumprimento das obrigações trabalhistas Direta de Constitucionalidade n.º 16, no sentido de que há

inadimplidas - eis que esta responsabilidade trabalhista é exclusiva necessidade de demonstração da presença do elemento culpa in

da empresa contratada, empregadora -, mas, por outro lado, vigilando da tomadora de serviços, para assim responsabilizar a

reconhecendo que a isenção de responsabilidade proposta pela Administração Pública, alguns outros aspectos precisam ser

norma está condicionada por outras normas que impõem à avaliados, especialmente quanto à responsabilidade civil e ao ônus

Administração Pública o dever de bem licitar e de fiscalizar de forma da prova.

eficiente o contrato administrativo, inclusive quanto ao Depois do julgamento proferido em 2010 nos autos da ADC n.º 16, o

adimplemento dos direitos dos trabalhadores terceirizados". 6 Supremo Tribunal Federal voltou a emitir pronunciamento plenário a

respeito da responsabilidade da Administração Pública, na

Traz-se à tona agora precedente do Colendo TST na mesma qualidade de tomadora de serviços terceirizados.

direção, senão vejamos: O novo veículo foi o RE-760931, com repercussão geral, com

julgamento ocorrido em 30/03/2017 e 26/04/2017, com acórdão

"EMENTA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TERCEIRIZAÇÃO publicado no dia 12/09/2017, cuja ementa é transcrita a seguir:

TRABALHISTA - ENTIDADES ESTATAIS - RESPONSABILIDADE

EM CASO DE CULPA - IN VIGILANDO - NO QUE TANGE AO "EMENTA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO REPRESENTATIVO

CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA E DE CONTROVÉRSIA COM REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO

PREVIDENCIÁRIA POR PARTE DA EMPRESA TERCEIRIZANTE CONSTITUCIONAL. DIREITO DO TRABALHO. TERCEIRIZAÇÃO

CONTRATADA - COMPATIBILIDADE COM O ART. 71 DA LEI DE NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. SÚMULA 331, IV E

LICITAÇÕES - INCIDÊNCIA DOS ARTS. 159 DO CCB/1916, 186 E V, DO TST. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 71, § 1º, DA LEI

927, - CAPUT -, DO CCB/2002.A mera inadimplência da empresa Nº8.666/93. TERCEIRIZAÇÃO COMO MECANISMO ESSENCIAL

terceirizante quanto às verbas trabalhistas e previdenciárias devidas PARA A PRESERVAÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO E

ao trabalhador terceirizado não transfere a responsabilidade por tais ATENDIMENTO DAS DEMANDAS DOS CIDADÃOS. HISTÓRICO

verbas para a entidade estatal tomadora de serviços, a teor do CIENTÍFICO. LITERATURA: ECONOMIA E ADMINISTRAÇÃO.

disposto no art. 71 da Lei 8.666/93 (Lei de Licitações),cuja INEXISTÊNCIA DE PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO HUMANO.

constitucionalidade foi declarada pelo Supremo Tribunal Federa na RESPEITO ÀS ESCOLHAS LEGÍTIMAS DO LEGISLADOR.

ADC nº 16-DF. Entretanto, a inadimplência da obrigação PRECEDENTE: ADC 16. EFEITOS VINCULANTES. RECURSO

fiscalizatória da entidade estatal tomadora de serviços no tocante ao PARCIALMENTE CONHECIDO E PROVIDO. FIXAÇÃO DE TESE

preciso cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias PARA APLICAÇÃO EM CASOS SEMELHANTES.

da empresa prestadora de serviços gera sua responsabilidade 1. A dicotomia entre "atividade-fim" e "atividade-meio" é imprecisa,

subsidiária, em face de sua culpa in vigilando, a teor da regra artificial e ignora a dinâmica da economia moderna, caracterizada

responsabilizatória incidente sobre qualquer pessoa física ou pela especialização e divisão de tarefas com vistas à maior

jurídica que, por ato ou omissão culposos, cause prejuízos a alguém eficiência possível, de modo que frequentemente o produto ou

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 84
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serviço final comercializado por uma entidade comercial é fabricado departamentos com desempenhos diferentes; (x) redução dos

ou prestado por agente distinto, sendo também comum a mutação custos iniciais de entrada no mercado, facilitando o surgimento de

constante do objeto social das empresas para atender a novos concorrentes; (xi) superação de eventuais limitações de

necessidades da sociedade, como revelam as mais valiosas acesso a tecnologias ou matérias-primas; (xii) menor alavancagem

empresas do mundo. É que a doutrina no campo econômico é operacional, diminuindo a exposição da companhia a riscos e

uníssona no sentido de que as "Firmas mudaram o escopo de suas oscilações de balanço, pela redução de seus custos fixos; (xiii)

atividades, tipicamente reconcentrando em seus negócios principais maior flexibilidade para adaptação ao mercado; (xiii) não

e terceirizando muitas das atividades que previamente comprometimento de recursos que poderiam ser utilizados em

consideravam como centrais" (ROBERTS, John. The Modern Firm: setores estratégicos; (xiv) diminuição da possibilidade de falhas de

Organizational Design for Performance and Growth.Oxford: Oxford um setor se comunicarem a outros; e (xv) melhor adaptação a

University Press, 2007). diferentes requerimentos de administração, know-how e estrutura,

2. A cisão de atividades entre pessoas jurídicas distintas não revela para setores e atividades distintas.

qualquer intuito fraudulento, consubstanciando estratégia, garantida 6. A Administração Pública, pautada pelo dever de eficiência (art.

pelos artigos 1º, IV, e 170 da Constituição brasileira, de 37, caput, da Constituição), deve empregar as soluções de mercado

configuração das empresas, incorporada à Administração Pública adequadas à prestação de serviços de excelência à população com

por imperativo de eficiência (art. 37, caput, CRFB), para fazer frente os recursos disponíveis, mormente quando demonstrado, pela

às exigências dos consumidores e cidadãos em geral, justamente teoria e pela prática internacional, que a terceirização não importa

porque a perda de eficiência representa ameaça à sobrevivência da precarização às condições dos trabalhadores.

empresa e ao emprego dos trabalhadores. 7. O art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93, ao definir que a inadimplência

3. Histórico científico: Ronald H. Coase, "The Nature of The Firm", do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, não

Economica (new series), Vol. 4, Issue 16, p. 386-405, 1937. O transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu

objetivo de uma organização empresarial é o de reproduzir a pagamento, representa legítima escolha do legislador, máxime

distribuição de fatores sob competição atomística dentro da firma, porque a Lei nº 9.032/95 incluiu no dispositivo exceção à regra de

apenas fazendo sentido a produção de um bem ou serviço não responsabilização com referência a encargos trabalhistas.

internamente em sua estrutura quando os custos disso não 8. Constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 já

ultrapassarem os custos de obtenção perante terceiros no mercado, reconhecida por esta Corte em caráter erga omnes e

estes denominados "custos de transação", método segundo o qual vinculante: ADC 16, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal

firma e sociedade desfrutam de maior produção e menor Pleno, julgado em 24/11/2010.

desperdício. 9. Recurso Extraordinário parcialmente conhecido e, na parte

4. A Teoria da Administração qualifica a terceirização (outsourcing) admitida, julgado procedente para fixar a seguinte tese para casos

como modelo organizacional de desintegração vertical, destinado ao semelhantes: "O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos

alcance de ganhos de performance por meio da transferência para empregados do contratado não transfere automaticamente ao

outros do fornecimento de bens e serviços anteriormente providos Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu

pela própria firma, a fim de que esta se concentre somente pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos

naquelas atividades em que pode gerar o maior valor, adotando a termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93".

função de "arquiteto vertical" ou "organizador da cadeia de valor". ACÓRDÃO

5. A terceirização apresenta os seguintes benefícios: (i) Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do

aprimoramento de tarefas pelo aprendizado especializado; (ii) Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência

economias de escala e de escopo; (iii) redução da complexidade da Senhora Ministra Cármen Lúcia, na conformidade da ata de

organizacional; (iv) redução de problemas de cálculo e atribuição, julgamento e das notas taquigráficas, em conhecer em parte do

facilitando a provisão de incentivos mais fortes a empregados; (v) recurso extraordinário e, na parte conhecida, a ele dar provimento,

precificação mais precisa de custos e maior transparência; (vi) vencidos os Ministros Rosa Weber (Relatora), Edson Fachin,

estímulo à competição de fornecedores externos; (vii) maior Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Redator

facilidade de adaptação a necessidades de modificações para o acórdão o Ministro Luiz Fux. Em assentada posterior, em

estruturais; (viii) eliminação de problemas de possíveis excessos de 26/04/2017, o Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Ministro

produção; (ix) maior eficiência pelo fim de subsídios cruzados entre LUIZ FUX, que redigirá o acórdão, vencido, em parte, o Ministro

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Marco Aurélio, fixou a seguinte tese de repercussão geral: "O ao pagamento de verbas devidas aos trabalhadores terceirizados

inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do que lhes prestaram serviços, é subjetiva, exigindo, assim, a

contratado não transfere automaticamente ao Poder Público presença do elemento culpa, quanto ao inadimplemento por parte

contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em da empresa prestadora de serviços.

caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº Em outras palavras, sempre que a fiscalização a ser exercida pela

8.666/93". Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. tomadora de serviços do poder público, em relação ao contrato de

Brasília, 30 de março de 2017.LUIZ FUX - REDATOR PARA O prestação de serviços(contrato administrativo), se revelar ausente,

ACÓRDÃO Documento assinado digitalmente".8 precária ou ineficiente, haverá a responsabilidade trabalhista da

tomadora de serviços integrante da Administração Pública, no que

Como se percebe da parte da ementa que interessa para a solução concerne ao pagamento das parcelas devidas aos trabalhadores.

do caso concreto ("O inadimplemento dos encargos trabalhistas É de se avaliar, mais uma vez, a existência ou não de alguma

dos empregados do contratado não transfere automaticamente novidade com a decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal

ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu no RE 760931, cuja decisão foi publicada no dia 12 de setembro de

pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos 2017, dotada de repercussão geral.

termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93"), o inadimplemento por Para tanto, impõe-se destacar que as únicas teses aprovadas no

parte da empresa prestadora de serviços, por si só, é insuficiente RE 760931 possuem o conteúdo a seguir destacado:

para atrair a responsabilidade do poder público como tomador de

serviços terceirizados. "O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados

Desse modo e sem discutir agora os demais tópicos da ementa do do contratado não transfere automaticamente ao Poder Público

STF, quase todos amparados em compreensões do mercado e de contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em

seus autores, especialmente quanto à afirmação de que a caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da

terceirização não implica em precarização do trabalho, algo que não Lei nº 8.666/93".

se sustenta frente às inúmeras pesquisas científicas capazes de

revelar a tragédia causada pelo modo de fragmentação produtiva, o "Constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 já

certo é que o resultado do julgamento proferido em 2017 no RE reconhecida por esta Corte em caráter erga omnes e

760931, com Repercussão Geral, está em conformidade com o vinculante: ADC 16, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal

decidido também pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADC Pleno, julgado em 24/11/2010".

n.º 16, no ano de 2010, como não poderia ser diferente, diante da

natureza da Reclamação apresentada em Recurso Extraordinário. Nota-se, assim, que a tese primeira antes transcrita, é uma

E cabe dizer, ainda, que da leitura da ementa do RE 760 931-DF, reiteração do decidido nos autos da ADC n.º 16, que proclamou o

percebe-se que os seus 07(sete) primeiros tópicos tratam da seguinte:

terceirização como mecanismo do processo produtivo gerador de

suposta vantagem para o conjunto da sociedade e para a "EMENTA. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. Subsidiária.

Administração Pública, tudo com base em literatura especializada Contrato com a administração pública. Inadimplência negocial

de cunho administrativo-empresarial, sem relação direta com o tema do outro contraente. Transferência consequente e automática

da responsabilidade subsidiária do poder público e sem qualquer dos seus encargos trabalhistas, fiscais e comerciais,

deliberação das respectivas teses ali expostas por parte dos resultantes da execução do contrato, à administração.

ministros, quando se examina a totalidade do acórdão publicado em Impossibilidade jurídica. Consequência proibida pelo art., 71, §

setembro de 2017. 1º, da Lei federal nº 8.666/93. Constitucionalidade reconhecida

Somente as proposições 8(oito) e 9(nove) da ementa foram, de fato, dessa norma. Ação direta de constitucionalidade julgada,

aprovadas como teses pelo STF. As demais são opiniões e não nesse sentido, procedente. Voto vencido. É constitucional a

teses explicitamente referendadas, o que se conclui pelos debates e norma inscrita no art. 71, § 1º, da Lei federal nº 8.666, de 26 de

pelas conclusões finais lançadas no acórdão. junho de 1993, com a redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995."

Para o Supremo Tribunal Federal, reitere-se, segundo entendimento

majoritário contido na ADC n.º 16 e no RE-760931, com Por outro lado, inegavelmente, o Supremo Tribunal Federal, no RE

Repercussão Geral, a responsabilidade dos entes públicos, quanto 760931-DF, reconheceu que o Tribunal Superior do Trabalho,

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embora tenha feito referência ao julgado na ADC n.º 16, o violou, ao contratante. Preservação da higidez contratual. Função

decretar a responsabilidade subsidiária do poder público, naquele socioambiental do contrato administrativo - execução

caso concreto, sem a prova da culpa in vigilando da Administração conforme os interesses sociais e ambientais protegidos pela

Pública. Constituição. Omissão ou deficiência fiscalizatória.

Assim votaram os ministros Luiz Fux (redator designado), Marco Responsabilização do estado por ato ilícito. Princípio do

Aurélio, Gilmar Mendes, Carmen Lúcia, Dias Toffolli, e Alexandre de Estado de Direito. Responsabilidade estatal por ato omissivo

Moraes. Vencidos, quanto ao resultado final, os ministros Rosa danoso a direito de terceiro. Teoria da falha do serviço.

Weber (relatora originária do RE), Celso de Melo, Ricardo Responsabilidade objetiva. Constituição, art. 37, § 6º.

Lewandoswski, Luiz Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin, que Precedentes. Hipótese de responsabilidade subjetiva -

compreendiam estar ausente qualquer ofensa, na decisão do TST, presunção relativa de culpa da administração. Demonstração

ao contido na ADC n.º 16. da omissão fiscalizatória do ente público. Prova impossível

Os votos e debates travados e registrados em 355 (trezentos e para o trabalhador demandante - teoria da "prova diabólica".

cinquenta e cinco) páginas que resultaram no acórdão respectivo 1. Confirmação da tese firmada na ADC 16/DF, segundo a qual,

(RE 760931-DF), segundo texto disponível na página eletrônica do o § 1º do art. 71 da Lei 8.666/1993 veda a transferência

STF, reafirmaram a tese de que a responsabilidade pelo automática de responsabilidade ao Poder Público contratante

adimplemento das verbas trabalhistas devidas aos empregados de obras e serviços, pelo fato do inadimplemento das

terceirizados no âmbito da Administração Pública, por parte da obrigações trabalhistas da empresa contratada. No entanto,

tomadora de serviços, jamais é automática. Tal responsabilidade é isso não obsta a responsabilização civil subsidiária da

subjetiva e depende sempre da prova da culpa in vigilando do poder administração pública, pelo pagamento dos respectivos

público, quanto à fiscalização do contrato administrativo de encargos, em face de sua omissão ou deficiência fiscalizatória

prestação de serviços celebrado com empresa terceirizante. danosa à satisfação dos direitos sociais dos trabalhadores

Aliás, não é possível relegar o brilhantismo e a profundidade do voto vinculados ao contrato.

elaborado pela relatora originária da matéria, ministra Rosa Weber, 2. Constitui dever jurídico do Poder Público contratante de

voto esse dotado de elevada percuciência humanística, social, obras e serviços exigir e fiscalizar o cumprimento dos direitos

histórica e jurídica, tudo a revelar do que se trata verdadeiramente a trabalhistas, pela entidade contratada. Interpretação

terceirização, bem como os seus males e os seus encantos sistemática e teleológica dos arts. 27, inciso IV; 29, incisos IV e

evocados pelos velhos ou novos liberais amantes dos ricos V; 44, § 3º; 54, § 1º; 55, incisos VII e XIII; 58, inciso III; 65, § 6º;

opulentos e indiferentes ao reino da miséria obreira produzida pelo 66, 67; 78, incisos VII e VIII, e 87, da Lei 8.666/1993. No âmbito

sistema da maximização de lucros a qualquer custo. da administração federal, incidem os arts. 19, 19-A, § 3º; 28, 31,

O parecer do Ministério Público Federal também refuta a §§1º e 3º; 34, § 4º; 34-A; 35, § 5º e Anexo IV da IN 2/2008 do

possibilidade de reconhecimento da irresponsabilidade absoluta do Ministério do Planejamento. 3. A fiscalização contratual tem por

poder público, além de discorrer sobre o ônus da prova, da prova fim imediato promover a higidez do contrato, mas também visa

impossível e da "prova diabólica para o empregado", conforme a preservar a função socioambiental do contrato administrativo

trecho a seguir destacado: (Lei8.666/1993, art. 3º), que vincula sua execução à proteção de

interesses maiores da sociedade constitucional e, em

'"Constitucional, direito administrativo e do trabalho. Tema 246 particular, dos direitos sociais fundamentais (Constituição, art.

de Repercussão Geral. Responsabilidade subsidiária da 7º).

administração pública por encargos trabalhistas gerados pelo 4.A definição da natureza e a configuração da responsabilidade

inadimplemento de empresa prestadora de serviço. ADC 16/DF. estatal por omissão danosa ao direito do trabalhador

Decisão vinculante. Constitucionalidade do § 1º do art. 71 da terceirizado, nos casos concretos, constitui matéria que

Lei 8.666/1993. Possibilidade de responsabiliza- ção subsidiária extrapola os lindes do controle de constitucionalidade do § 1º

do Poder Público por omissão fiscalizatória do cumprimento do art. 71 da Lei de Licitações. Fundada a responsabilidade

das obrigações trabalhistas em contratos de obras e serviços. civil na omissão fiscalizatória do Poder Público, resta afastada

Confirmação da tese jurídica firmada em controle concentrado a hipótese de transferência automática de responsabilidade".

de constitucionalidade. Fiscalização eficiente do adimplemento (Trecho do Parecer do Ministério Público Federal nos autos do RE

de obrigações trabalhistas - dever jurídico do Poder Público 760931, transcrito do voto da Relatora originária da matéria,

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ministra Rosa Weber). fundamentação, colocaram-se de acordo. E uma das questões

relevantes é: a quem cabe o ônus da prova? Cabe ao

Houve intensa discussão, por parte dos ministros do STF, quanto à reclamante provar que a Administração falhou, ou à

distribuição do ônus da prova, no RE 760931-DF, mas nenhuma Administração provar que ela diligenciou na fiscalização do

tese a esse respeito restara ali assentada, muito embora se possa contrato? Eu concordo que, para a fixação da tese, procurei, a

extrair, a partir dos debates, que a prova da culpa in vigilando da partir, inicialmente, da proposta da Ministra Rosa, depois

Administração Pública, nos autos de cada feito, precisa ser adendada pelo Ministro Barroso e pelo Ministro Fux durante

contundente e irrefutável. Tanto é assim que a proposta do ministro todo julgamento, procurei construir uma tese, mas ela

Luiz Roberto Barroso de prova da fiscalização do contrato pelo realmente ficou extremamente complexa e concordo que,

método estatístico da amostragem fora expressamente rejeitada. quanto mais minimalista, melhor a solução. Mas as questões

E não se mostra apropriado concluir, a partir da interpretação do estão colocadas em obiter dicta e nos fundamentos dos votos.

acórdão do STF aqui comentado, que a exigência de prova Eu mesmo acompanhei o Ministro Redator para o acórdão -

contundente da culpa in vigilando do poder público, conforme assim agora Relator para o acórdão -, o Ministro Luiz Fux, divergindo

ressaltado por diversos ministros em seus votos (RE 760931-DF), da Ministra Relatora original, Ministra Rosa Weber, mas

significa na prática atribuir este ônus processual exclusivamente ao entendendo que é muito difícil ao reclamante fazer a prova de

trabalhador, no sentido de demonstrar ele, seja qual for a hipótese, que a fiscalização do agente público não se operou, e que essa

a negligência ou a falha na fiscalização por parte da tomadora de prova é uma prova da qual cabe à Administração Pública se

serviços. desincumbir caso ela seja colocada no polo passivo da

Assim o é também porque o próprio redator designado, ministro Luiz reclamação trabalhista, porque, muitas vezes, esse dado, o

Fux, mesmo entendendo que o ônus da prova é do trabalhador, reclamante não tem".

logo em seguida discorre sobre as regras processuais de

distribuição do ônus probandi, segundo sistemática do Processo A transcrição de fração do voto ministro Toffoli apenas serve para

Civil. revelar que um dos julgadores responsáveis pela definição da tese

Existem fatos constitutivos, sem nenhuma dúvida, mas os vencedora, sobre o ônus da prova, parece ter compreensão distinta,

impeditivos, modificativos e extintivos de direito não desapareceram por exemplo, daquelas manifestadas com maior ênfase por outros

do cenário jurídico da terceirização, muito menos pode se aventar a ministros igualmente vencedores (tese), como foram os casos dos

insólita hipótese de que nenhum deles jamais será deduzido pelos ministros Marco Aurélio e Luiz Fux.

órgãos e entidades integrantes da Administração Pública, em suas Compreendeu-se, contudo, no prosseguimento, que não era o caso

defesas judiciais em oposição ao decreto de responsabilidade de deliberação ou fixação de tese, pelo Supremo Tribunal Federal,

subsidiária. no concernente ao ônus da prova da culpa in vigilando da

Se ainda restasse alguma dúvida em torno da ausência de Administração Pública, quando atua ela na qualidade de tomadora

deliberação do STF sobre o ônus da prova da culpa in vigilando do de serviços terceirizados.

poder público como tomador de serviços terceirizados, uma das A partir dos parâmetros delineados pelo Supremo Tribunal Federal

manifestações do ministro Dias Toffoli naqueles autos a dissipa por (ADC n.º 16 e RE 760931), com total ressalva de entendimento do

completo. relator, o caso concreto será apreciado, para decretar ou não a

Dias Toffoli, registre-se, compõe o grupo de seis ministros que responsabilidade subsidiária da tomadora de serviços integrante da

sedimentou a tese vencedora. Sobre o ônus da prova, contudo, ele Administração Pública, considerando inclusive que a

consignou o seguinte, quando a referida sessão judicial se responsabilidade solidária do poder público, segundo compreensão

encaminhava para o seu término: do próprio STF naqueles autos, é limitada às obrigações de caráter

previdenciário, nos termos da lei correspondente.

"O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI:

Senhora Presidente, eu acompanho a tese formulada e a 2.1.3- DO DEVER DE FISCALIZAÇÃO DA TOMADORA DE

preocupação do Ministro Luís Roberto Barroso quanto à SERVIÇOS INTEGRANTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

necessidade de obiter dictum. Eu penso que nós temos os NORMAS LEGAIS E REGULAMENTARES. DEVER DE

obiter dicta, porque vários de nós, sejam os vencidos, sejam os VIGILÂNCIA E FISCALIZAÇÃO. PROVA DOS AUTOS

vencedores, quanto à parte dispositiva, em muito da Com a ressalva de entendimento pessoal antes anotada, passa-se

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à avaliação da matéria fática trazida ao exame do Regional para preservar a integridade do pacto administrativo firmado com

verificação da presença ou não da culpa concreta (e não apenas empresa terceirizante, especialmente quanto aos direitos sociais

presumida) da tomadora de serviços, bem como o respectivo dos trabalhadores que ali desenvolvem ou desenvolveram as suas

enquadramento jurídico a ser emprestado à decisão do presente atividades.

litígio. Atribuir ao empregado este ônus significaria, na prática, na imensa

A eventual decretação da responsabilidade da Administração maioria das vezes, tornar letra morta o princípio da legalidade,

Pública, na qualidade de tomadora de serviços, decorre da esvaziando-se, por conseguinte, o conjunto das disposições legais

demonstração do ato ilícito por ela praticado no desenvolvimento do as quais obrigam o poder público contratante a realizar intensa

contrato de prestação de serviços mantido com a empresa fiscalização e rigoroso acompanhamento da execução do contrato

terceirizante, apto, por outra vertente complementar, a provocar de prestação de serviços. Importaria, sem sombra de dúvida, na

prejuízo aos trabalhadores, nos moldes dos artigos 186, e 927, absolvição trabalhista prematura da tomadora de serviços, uma vez

caput, do Código Civil Brasileiro, aplicáveis ao Direito do Trabalho que o empregado não reúne condições materiais para produzir tal

por força do conteúdo do artigo 8º, da CLT. prova, ao contrário da reclamada, detentora da melhor aptidão para

Em outros termos, quaisquer danos causados pelo poder público, a prova a que se encontra obrigada a formalizar diariamente,

pela prática de conduta ilícita, devem ser por ele reparados mostrando em juízo, por exemplo, as ações adotadas para impedir

mediante a justa compensação monetária. o inadimplemento trabalhista da empresa prestadora de serviços.

Os artigos 58, inciso I, e 67, da Lei de Licitações e Contratos Ademais, à tomadora de serviços incumbe provar o atendimento

(8.666/1993), impõem ao poder público, na condição de ente aos comandos prescritos nos artigos 58 e 67 da Lei n.º 8.666/1993,

contratante pela regência deste diploma legal, o dever de realizar concernentes à fiscalização do respectivo pacto, inclusive segundo

rigorosa fiscalização quanto à execução e ao acompanhamento do o que dispõe o artigo 818 da Consolidação das Leis do Trabalho.

contrato de prestação de serviços, inclusive mediante a designação Sob a ótica do Processo Civil, no velho (art. 333,II) e no novo código

de representante específico da Administração, que "anotará em (373, II), cuida-se de hipótese de inversão do ônus da prova (fato

registro próprio todas as ocorrências relacionadas com a execução impeditivo de direito pleiteado).

do contrato, determinando o que for necessário à regularização das Para além ou em complemento a tais aspectos legais, a própria

faltas ou defeitos observados". Administração Pública editou atos normativos visando, em tese,

Não se trata de mero detalhe a ser relegado o ato de fiscalizar o assegurar o pagamento de salários e verbas rescisórias devidos

acompanhamento e a execução do contrato de prestação de aos empregados das empresas terceirizantes prestadoras de

serviços senão evidente obrigação fundada na defesa da res serviços ao poder público, tal o descalabro verificado nas últimas

publica e dos direitos sociais dos trabalhadores ligados à décadas.

Administração Pública por intermédio da terceirização de mão de Para tanto, editou, inicialmente, a Instrução Normativa n.º 02/2008,

obra, cabendo ao poder público, por conseguinte, respeitar os do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG),

comandos legais aos quais encontra-se vinculado, por força da contendo inúmeras diretrizes relativas à contratação de empresas

observância do princípio da legalidade consagrado no artigo 37, da prestadoras de serviços e à fiscalização dos contratos de trabalho.

Constituição da República, como uma das mais significativas Depois, no ano seguinte, também o MPOG, cuidou de editar outro

expressões do Estado Democrático de Direito. regramento a respeito da matéria, por intermédio da Instrução

Sob a ótica da responsabilidade subjetiva reconhecida pelo STF no Normativa n.º 3, de 15 de outubro de 2009. Em tal ato regulamentar,

julgamento da ADC 16, no ano de 2010, e do RE 760931-DF, em registre-se, estão contidas inúmeras obrigações impostas à

2017, surgindo qualquer discussão relativa à presença ou não da tomadora de serviços integrante da Administração Pública, incluindo

culpa in vigilando, em primeiro lugar, destaque-se, cabe verificar se a exigência do seguro garantia, em seu art. 19, senão vejamos:

a Administração Pública cumpriu efetivamente com o seu dever de

vigilância em relação ao contrato de prestação de serviços objeto da "(...) XIX - exigência de garantia de execução do contrato, nos

controvérsia judicializada. moldes do art. 56 da Lei no 8.666, de 1993, com validade durante a

E a quem compete fazer tal prova em juízo? execução do contrato e 3 (três) meses após o término da vigência

Evidentemente, à tomadora de serviços como única responsável contratual, devendo ser renovada a cada prorrogação, observados

pela vigilância do contrato, guarda dos documentos e de outros ainda os seguintes requisitos: (Redação dada pela Instrução

registros inerentes às medidas eventualmente adotadas para Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013).

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a) a contratada deverá apresentar, no prazo máximo de 10 (dez) administrativas, previstas no instrumento convocatório e na

dias úteis, prorrogáveis por igual período, a critério do órgão legislação vigente, podendo culminar em rescisão contratual,

contratante, contado da assinatura do contrato, comprovante de conforme disposto nos artigos 77 e 87 da Lei nº 8.666, de 1993.

prestação de garantia, podendo optar por caução em dinheiro ou § 5º Na fiscalização do cumprimento das obrigações trabalhistas e

títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança bancária, sendo sociais nas contratações continuadas com dedicação exclusiva dos

que, nos casos de contratação de serviços continuados de trabalhadores da contratada, exigir-se-á, dentre outras, as seguintes

dedicação exclusiva de mão de obra, o valor da garantia deverá comprovações:

corresponder a cinco por cento do valor total do contrato; (Incluído I - no caso de empresas regidas pela Consolidação das Leis do

pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) Trabalho - CLT: (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de

b) a garantia, qualquer que seja a modalidade escolhida, 23 de dezembro de 2013)

assegurará o pagamento de: (Incluído pela Instrução Normativa nº a) no primeiro mês da prestação dos serviços, a contratada deverá

6, de 23 de dezembro de 2013) apresentar a seguinte documentação: (Redação dada pela

1. prejuízos advindos do não cumprimento do objeto do contrato; Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

(Redação dada pela Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de 1. relação dos empregados, contendo nome completo, cargo ou

2015) função, horário do posto de trabalho, números da carteira de

2. prejuízos diretos causados à Administração decorrentes de culpa identidade (RG) e da inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas

ou dolo durante a execução do contrato; (Redação dada pela (CPF), com indicação dos responsáveis técnicos pela execução dos

Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de 2015) serviços, quando for o caso; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6,

3. multas moratórias e punitivas aplicadas pela Administração à de 23 de dezembro de 2013)

contratada; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de 2. Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) dos

dezembro de 2013) empregados admitidos e dos responsáveis técnicos pela execução

4. obrigações trabalhistas e previdenciárias de qualquer natureza, dos serviços, quando for o caso, devidamente assinada pela

não adimplidas pela contratada, quando couber". contratada; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de

dezembro de 2013)

Não há, nos autos, prova no sentido de revelar que a tomadora 3. exames médicos admissionais dos empregados da contratada

tenha cumprido o disposto no art. 19, XIX, da Instrução que prestarão os serviços; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6,

Normativa do MPOG, muito menos realizado a efetiva de 23 de dezembro de 2013)

fiscalização do contrato, como estabelece o art. 19 e seguintes, b) entrega até o dia trinta do mês seguinte ao da prestação dos

da Instrução Normativa n.º 03/2009, do Ministério do serviços ao setor responsável pela fiscalização do contrato dos

Planejamento, conforme rol de medidas a seguir transcritas de seguintes documentos, quando não for possível a verificação da

forma literal: regularidade dos mesmos no Sistema de Cadastro de Fornecedores

- SICAF: (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de

"Art. 34 A execução dos contratos deverá ser acompanhada e dezembro de 2013)

fiscalizada por meio de instrumentos de controle, que compreendam 1. prova de regularidade relativa à Seguridade Social; (Incluído pela

a mensuração dos seguintes aspectos, quando for o caso: Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

I - os resultados alcançados em relação ao contratado, com a 2. certidão conjunta relativa aos tributos federais e à Dívida Ativa da

verificação dos prazos de execução e da qualidade demandada(...) União; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro

V - o cumprimento das demais obrigações decorrentes do de 2013)

contrato(...) 3. certidões que comprovem a regularidade perante as Fazendas

§ 3º O representante da Administração deverá promover o registro Estadual, Distrital e Municipal do domicílio ou sede do contratado;

das ocorrências verificadas, adotando as providências necessárias (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de

ao fiel cumprimento das cláusulas contratuais, conforme o disposto 2013)

nos §§ 1º e 2º do art. 67 da Lei nº 8.666, de 1993. 4. Certidão de Regularidade do FGTS - CRF; e (Incluído pela

§ 4º O descumprimento total ou parcial das responsabilidades Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

assumidas pela contratada, sobretudo quanto às obrigações e 5. Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas - CNDT; (Incluído pela

encargos sociais e trabalhistas, ensejará a aplicação de sanções Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

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c) entrega, quando solicitado pela Administração, de quaisquer dos d) comprovante da aplicação do FATES - Fundo Assistência

seguintes documentos: (Redação dada pela Instrução Normativa nº Técnica Educacional e Social;

6, de 23 de dezembro de 2013) f) comprovação de criação do fundo para pagamento do 13º salário

1. extrato da conta do INSS e do FGTS de qualquer empregado, a e férias; e

critério da Administração contratante; (Incluído pela Instrução g) eventuais obrigações decorrentes da legislação que rege as

Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) sociedades cooperativas.

2. cópia da folha de pagamento analítica de qualquer mês da III - No caso de sociedades diversas, tais como as Organizações

prestação dos serviços, em que conste como tomador o órgão ou Sociais Civis de Interesse Público - OSCIP's e as Organizações

entidade contratante; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 Sociais, será exigida a comprovação de atendimento a eventuais

de dezembro de 2013) obrigações decorrentes da legislação que rege as respectivas

3. cópia dos contracheques dos empregados relativos a qualquer organizações.

mês da prestação dos serviços ou, ainda, quando necessário, cópia § 6o Sempre que houver admissão de novos empregados pela

de recibos de depósitos bancários; (Incluído pela Instrução contratada, os documentos elencados na alínea "a" do inciso I do §

Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) 5o deverão ser apresentados. (Incluído pela Instrução Normativa nº

4. comprovantes de entrega de benefícios suplementares (vale- 6, de 23 de dezembro de 2013)

transporte, vale alimentação, entre outros), a que estiver obrigada § 7o Os documentos necessários à comprovação do cumprimento

por força de lei ou de convenção ou acordo coletivo de trabalho, das obrigações sociais trabalhistas elencados nos incisos I , II e

relativos a qualquer mês da prestação dos serviços e de qualquer IIIdo § 5o poderão ser apresentados em original ou por qualquer

empregado; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de processo de cópia autenticada por cartório competente ou por

dezembro de 2013) servidor da Administração. (Incluído pela Instrução Normativa nº 6,

5. comprovantes de realização de eventuais cursos de treinamento de 23 de dezembro de 2013)

e reciclagem que forem exigidos por lei ou pelo contrato; (Incluído § 8o A Administração deverá analisar a documentação solicitada na

pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) alínea "d" do inciso I do § 5o no prazo de 30 (trinta) dias após o

d) entrega da documentação abaixo relacionada, quando da recebimento dos documentos, prorrogáveis por mais 30 (trinta) dias,

extinção ou rescisão do contrato, após o último mês de prestação justificadamente. (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de

dos serviços, no prazo definido no contrato: (Redação dada pela dezembro de 2013)

Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) § 9o Em caso de indício de irregularidade no recolhimento das

1. termos de rescisão dos contratos de trabalho dos empregados contribuições previdenciárias, os fiscais ou gestores de contratos de

prestadores de serviço, devidamente homologados, quando exigível serviços com dedicação exclusiva de mão de obra deverão oficiar

pelo sindicato da categoria; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, ao Ministério da Previdência Social e à Receita Federal do Brasil -

de 23 de dezembro de 2013) RFB. (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de

2. guias de recolhimento da contribuição previdenciária e do FGTS, 2013)

referentes às rescisões contratuais; (Incluído pela Instrução § 10. Em caso de indício de irregularidade no recolhimento da

Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) contribuição para o FGTS, os fiscais ou gestores de contratos de

3. extratos dos depósitos efetuados nas contas vinculadas serviços com dedicação exclusiva de mão de obra deverão oficiar

individuais do FGTS de cada empregado dispensado; e (Incluído ao Ministério do Trabalho e Emprego. (Incluído pela Instrução

pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

4. exames médicos demissionais dos empregados dispensados. Art. 34-A. O descumprimento das obrigações trabalhistas ou a não

(Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de manutenção das condições de habilitação pelo contratado poderá

2013) dar ensejo à rescisão contratual, sem prejuízo das demais sanções.

II - No caso de cooperativas: (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro

a) recolhimento da contribuição previdenciária do INSS em relação de 2013)

à parcela de responsabilidade do cooperado; Parágrafo único. A Administração poderá conceder um prazo para

b) recolhimento da contribuição previdenciária em relação à parcela que a contratada regularize suas obrigações trabalhistas ou suas

de responsabilidade da Cooperativa; condições de habilitação, sob pena de rescisão contratual, quando

c) comprovante de distribuição de sobras e produção; não identificar má-fé ou a incapacidade da empresa de corrigir a

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situação.] b) prejuízos causados à administração ou a terceiro, decorrentes de

Art. 35. Quando da rescisão contratual, o fiscal deve verificar o culpa ou dolo durante a execução do contrato;

pagamento pela contratada das verbas rescisórias ou a c) as multas moratórias e punitivas aplicadas pela Administração à

comprovação de que os empregados serão realocados em outra contratada; e

atividade de prestação de serviços, sem que ocorra a interrupção do d) obrigações trabalhistas, fiscais e previdenciárias de qualquer

contrato de trabalho. (Redação dada pela Instrução Normativa nº 3, natureza, não honradas pela contratada.

de 16 de outubro de 2009)Parágrafo único. Até que a contratada 3. Não serão aceitas garantias em cujos temos não constem

comprove o disposto no caput, o órgão ou entidade contratante expressamente os eventos indicados nas alíneas a a d do item 2

deverá reter a garantia prestada e os valores das faturas imediatamente anterior.

correspondentes a 1 (um) mês de serviços, podendo utilizá-los para 4. A garantia em dinheiro deverá ser efetuada na Caixa Econômica

o pagamento direto aos trabalhadores no caso de a empresa não Federal, com correção monetária, em favor do Tribunal de Contas

efetuar os pagamentos em até 2 (dois) meses do encerramento da da União(...);.

vigência contratual, conforme previsto no instrumento convocatório 10.3 não serão aceitas garantias que incluam outras isenções de

e nos incisos IV e V do art. 19-A desta Instrução Normativa. responsabilidade que não as previstas neste item.

(Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro II.d - Controle de encargos previdenciários

de 2013)" a) fixar em contrato que a contratada está obrigada a viabilizar o

acesso de seus empregados, via internet, por meio de senha

Efetivamente, as recorrentes, pessoas jurídicas integrantes da própria, aos sistemas da Previdência Social e da Receita Federal do

Administração Pública, deixaram de cumprir a fiscalização de que Brasil, com o objetivo de verificar se suas contribuições

trata a Lei n.º 8.666/1993, também objeto de especificação em ato previdenciárias foram recolhidas;

do MPOG (Instrução Normativa 03/2009), com especial destaque b) fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer todos

para a falta de garantia do contrato, o acompanhamento dos os meios necessários aos seus empregados para a obtenção de

contratos de trabalho e a retenção proporcional de valores extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela fiscalização

suficientes para garantir o pagamento de salários e demais verbas dos contratos;

devidas. c) fixar em contrato como falta grave, caracterizado como falha em

De forma ainda mais contundente, o Tribunal de Contas da União, sua execução, o não recolhimento das contribuições sociais da

por intermédio do Acórdão 1214/2013, recomenda à Administração Previdência Social, que poderá dar ensejo à rescisão da avença,

a realização de rigorosa fiscalização, pelo poder público contratante, sem prejuízo da aplicação de sanção pecuniária elevada e do

quanto às condições e garantias oferecidas pela empresa impedimento para licitar e contratar com a União, nos termos do art.

prestadora de serviços para assinatura do respectivo contrato, bem 7º, da Lei nº 10.520/2002.

como o acompanhamento de sua execução, de modo a evitar d) reter 11% sobre o valor da fatura de serviços da contratada, nos

qualquer prejuízo financeiro ao erário, isto previsto desde o termos do art. 31, da Lei 8.212/91;

respectivo edital de licitação. e) exigir certidão negativa de débitos para com a previdência - CND,

Transcreve-se, assim, parte daquela decisão do TCU: caso esse documento não esteja regularizado junto ao Sicaf;

f) orientar os fiscais dos contratos que solicitem, por amostragem,

"1. A CONTRATADA deverá apresentar à Administração da aos empregados terceirizados que verifiquem se essas

CONTRATANTE, no prazo máximo de 10 (dez) dias úteis, contado contribuições estão ou não sendo recolhidas em seus nomes. O

da data da assinatura do contrato, comprovante de prestação de objetivo é que todos os empregados tenham seus extratos

garantia correspondente ao percentual de 5% (cinco por cento) do avaliados ao final de um ano - sem que isso signifique que a análise

valor anual atualizado do contrato, podendo essa optar por caução não possa ser realizada mais de uma vez, garantindo assim o

em dinheiro, títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança "efeito surpresa" e o benefício da expectativa do controle;

bancária. g) comunicar ao Ministério da Previdência Social e à Receita

2. A garantia assegurará, qualquer que seja a modalidade Federal do Brasil qualquer irregularidade no recolhimento das

escolhida, o pagamento de: contribuições previdenciárias.

a) prejuízo advindo do não cumprimento do objeto do contrato e do II.e - Controle do recolhimento do FGTS

não adimplemento das demais obrigações nele previstas; a) fixar em contrato que a contratada é obrigada a viabilizar a

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emissão do cartão cidadão pela Caixa Econômica Federal para 9.1.4 fazer constar dos contratos cláusula de garantia que assegure

todos os empregados; o pagamento de:

b) fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer todos 9.1.4.1 prejuízos advindos do não cumprimento do contrato;

os meios necessários aos seus empregados para a obtenção de 9.1.4.2 multas punitivas aplicadas pela fiscalização à contratada;

extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela fiscalização; 9.1.4.3 prejuízos diretos causados à contratante decorrentes de

c) fixar em contrato como falta grave, caracterizado como falha em c9.1.4.4 obrigações previdenciárias e trabalhistas não honradas

sua execução, o não recolhimento do FGTS dos empregados, que pela contratada.

poderá dar ensejo à rescisão unilateral da avença, sem prejuízo da 9.1.5 quanto à fiscalização dos contratos a ser realizada pela

aplicação de sanção pecuniária elevada e do impedimento para administração com o objetivo de verificar o recolhimento das

licitar e contratar com a União, nos termos do art. 7º da Lei nº contribuições previdenciárias, observar os aspectos abaixo:

10.520/2002. 9.1.5.1 fixar em contrato que a contratada está obrigada a viabilizar

d) fixar em contrato que a contratada deve, sempre que solicitado, o acesso de seus empregados, via internet, por meio de senha

apresentar extrato de FGTS dos empregados; própria, aos sistemas da Previdência Social e da Receita do Brasil,

e) solicitar, mensalmente, Certidão de Regularidade do FGTS; com o objetivo de verificar se as suas contribuições previdenciárias

f) orientar os fiscais dos contratos que solicitem, por amostragem, foram recolhidas;

aos empregados terceirizados extratos da conta do FGTS e os 9.1.5.2 fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer

entregue à Administração com o objetivo de verificar se os todos os meios necessários aos seus empregados para a obtenção

depósitos foram realizados pela contratada. O objetivo é que todos de extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela

os empregados tenham seus extratos avaliados ao final de um ano - fiscalização;

sem que isso signifique que a análise não possa ser realizada mais 9.1.5.3 fixar em contrato como falta grave, caracterizada como falha

de uma vez, garantindo assim o "efeito surpresa" e o benefício da em sua execução, o não recolhimento das contribuições sociais da

expectativa do controle; Previdência Social, que poderá dar ensejo à rescisão da avença,

g) comunicar ao Ministério do Trabalho qualquer irregularidade no sem prejuízo da aplicação de sanção pecuniária e do impedimento

recolhimento do FGTS dos trabalhadores terceirizados. para licitar e contratar com a União, nos termos do art. 7º da Lei

II.f - Outros documentos 10.520/2002.

II.g - Conta vinculada(...) 9.1.5.4 reter 11% sobre o valor da fatura de serviços da contratada,

ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos nos termos do art. 31, da Lei 8.212/93;

em Sessão Plenária, diante das razões expostas pelo Relator, em: 9.1.5.5 exigir certidão negativa de débitos para com a previdência -

9.1 recomendar à Secretaria de Logística e Tecnologia da CND, caso esse documento não esteja regularizado junto ao Sicaf;

Informação do Ministério do Planejamento que incorpore os 9.1.5.6 prever que os fiscais dos contratos solicitem, por

seguintes aspectos à IN/MP 2/2008: amostragem, aos empregados terceirizados que verifiquem se

9.1.1 que os pagamentos às contratadas sejam condicionados, essas contribuições estão ou não sendo recolhidas em seus nomes.

exclusivamente, à apresentação da documentação prevista na Lei O objetivo é que todos os empregados tenham tido seus extratos

8.666/93; avaliados ao final de um ano - sem que isso signifique que a análise

9.1.2 prever nos contratos, de forma expressa, que a administração não possa ser realizada mais de uma vez para um mesmo

está autorizada a realizar os pagamentos de salários diretamente empregado, garantindo assim o "efeito surpresa" e o benefício da

aos empregados, bem como das contribuições previdenciárias e do expectativa do controle;

FGTS, quando estes não forem honrados pelas empresas; 9.1.5.7 comunicar ao Ministério da Previdência Social e à Receita

9.1.3 que os valores retidos cautelarmente sejam depositados junto do Brasil qualquer irregularidade no recolhimento das contribuições

à Justiça do Trabalho, com o objetivo de serem utilizados previdenciárias.

exclusivamente no pagamento de salários e das demais verbas 9.1.6 quanto à fiscalização dos contratos a ser realizada pela

trabalhistas, bem como das contribuições sociais e FGTS, quando Administração com o objetivo de verificar o recolhimento do Fundo

não for possível a realização desses pagamentos pela própria de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, observe os aspectos

administração, dentre outras razões, por falta da documentação abaixo:

pertinente, tais como folha de pagamento, rescisões dos contratos e 9.1.6.1 fixar em contrato que a contratada é obrigada a viabilizar a

guias de recolhimento; emissão do cartão cidadão pela Caixa Econômica Federal para

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todos os empregados; 98/2009, dirigida aos tribunais contratantes de trabalhos

9.1.6.2 fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer terceirizados, estabelecendo procedimentos voltados para

todos os meios necessários aos seus empregados para a obtenção assegurar o pagamento de salários e verbas rescisórias aos

de extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela empregados:

fiscalização;

9.1.6.3 fixar em contrato como falta grave, caracterizado como falha "Dispõe as provisões de encargos trabalhistas a serem pagos pelos

em sua execução, o não recolhimento do FGTS dos empregados, Tribunais às empresas contratadas para prestar serviços de forma

que poderá dar ensejo à rescisão unilateral da avença, sem prejuízo contínua no âmbito do Poder Judiciário.

da aplicação de sanção pecuniária e do impedimento para licitar e O Presidente do Conselho Nacional de Justiça, no uso de suas

contratar com a União, nos termos do art. 7 atribuições constitucionais e regimentais, e

9.1.6.4 fixar em contrato que a contratada deve, sempre que Considerando a necessidade da Administração Pública, na prática

solicitado, apresentar extrato de FGTS dos empregados; de atos administrativos, nos termos do disposto no art. 14 do

9.1.6.5 solicitar, mensalmente, Certidão de Regularidade do FGTS; Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, observar os

9.1.6.6 prever que os fiscais dos contratos solicitem, por princípios da racionalidade e da economicidade;

amostragem, aos empregados terceirizados extratos da conta do Considerando a responsabilidade subsidiária dos Tribunais, no caso

FGTS e os entregue à Administração com o objetivo de verificar se de inadimplemento das obrigações trabalhistas pela empresa

os depósitos foram realizados pela contratada. O objetivo é que contratada para prestar serviços terceirizados, de forma contínua,

todos os empregados tenham tido seus extratos avaliados ao final mediante locação de mão-de-obra, conforme a jurisprudência dos

de um ano - sem que isso signifique que a análise não possa ser Tribunais trabalhistas;

realizada mais de uma vez em um mesmo empregado, garantindo Considerando que os valores referentes às provisões de encargos

assim o "efeito surpresa" e o benefício da expectativa do controle; trabalhistas são pagos mensalmente à empresa, a título de reserva,

9.1.6.7 comunicar ao Ministério do Trabalho qualquer irregularidade para utilização nas situações previstas em lei;

no recolhimento do FGTS dos trabalhadores terceirizados. Resolve:

9.1.7 somente sejam exigidos documentos comprobatórios da Art. 1º Determinar que as provisões de encargos trabalhistas

realização do pagamento de salários, vale-transporte e auxílio relativas a férias, 13º salário e multa do FGTS por dispensa sem

alimentação, por amostragem e a critério da administração; justa causa, a serem pagas pelos Tribunais e Conselhos às

9.1.8 seja fixado em contrato como falta grave, caracterizada como empresas contratadas para prestar serviços de forma contínua,

falha em sua execução, o não pagamento do salário, do vale- sejam glosadas do valor mensal do contrato e depositadas

transporte e do auxílio alimentação no dia fixado, que poderá dar exclusivamente em banco público oficial.

ensejo à rescisão do contrato, sem prejuízo da aplicação de sanção Parágrafo único. Os depósitos de que trata o caput deste artigo

pecuniária e da declaração de impedimento p devem ser efetivados em conta corrente vinculada - bloqueada para

9.1.9 a fiscalização dos contratos, no que se refere ao cumprimento movimentação - aberta em nome da empresa, unicamente para

das obrigações trabalhistas, deve ser realizada com base em essa finalidade e com movimentação somente por ordem do

critérios estatísticos, levando-se em consideração falhas que Tribunal ou Conselho contratante.

impactem o contrato como um todo e não apenas erros e falhas Art. 2º A solicitação de abertura e a autorização para movimentar a

eventuais no pagamento de alguma vantagem a um determinado conta corrente vinculada - bloqueada para movimentação - serão

empregado(...) providenciadas pelo setor de administração do respectivo Tribunal

ou Conselho.

Indubitavelmente, a tomadora de serviços, no caso concreto, Art. 3º Os depósitos de que trata o art. 1º desta Resolução serão

também ignorou as recomendações do TCU - Tribunal de Contas da efetuados, com o acréscimo do Lucro proposto pela contratada.

União contidas no acórdão n.º 1.214/2013, tanto em relação à Art. 4º O montante do depósito vinculado será igual ao somatório

ausência de garantia do contrato, quanto na fiscalização dos dos valores das seguintes provisões previstas para o período de

contratos de trabalho dos empregados da prestadora de serviços, contratação:

incluindo a verificação dos recolhimentos legais (INSS e FGTS). I - 13º salário;

No âmbito do Poder Judiciário, a título de exemplo, destaque-se, o II - Férias e Abono de Férias;

CNJ - Conselho Nacional de Justiça, editou a Resolução n.º III - Impacto sobre férias e 13º salário;

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IV - multa do FGTS. § 1º Para a liberação dos recursos da conta corrente vinculada -

Parágrafo único. Os valores provisionados para o atendimento bloqueada para movimentação - a empresa deverá apresentar à

deste artigo serão obtidos pela aplicação de percentuais e valores unidade de controle interno ou setor financeiro os documentos

constantes da proposta. comprobatórios da ocorrência de indenizações trabalhistas.

Art. 5º Os Tribunais ou Conselhos deverão firmar acordo de § 2º Os Tribunais ou Conselhos, por meio dos setores competentes,

cooperação com banco público oficial, que terá efeito subsidiário à expedirão, após a confirmação da ocorrência da indenização

presente Resolução, determinando os termos para a abertura da trabalhista e a conferência dos cálculos pela unidade de auditoria, a

conta corrente vinculada - bloqueada para movimentação. (ANEXO autorização de que trata o caput deste artigo, que será

II) encaminhada à instituição financeira oficial no prazo máximo de

Art. 6º A assinatura do contrato de prestação de serviços entre os cinco dias úteis, a contar da data da apresentação dos documentos

Tribunais ou Conselhos e a empresa vencedora do certame será comprobatórios pela empresa.

precedida dos seguintes atos: § 3º A empresa deverá apresentar ao Tribunal ou Conselho, no

I - solicitação pelo Tribunal ou Conselho contratante, mediante prazo máximo de três dias, o comprovante de quitação das

ofício, de abertura de conta corrente vinculada - bloqueada para indenizações trabalhistas, contados da data do pagamento ou da

movimentação -, no nome da empresa, conforme disposto no art. 1º homologação.

desta Resolução (ANEXOS III, IV, V, VI, VIII e IX); Art. 12. O saldo total da conta corrente vinculada - bloqueada para

II - assinatura, pela empresa a ser contratada, no ato da movimentação - será liberado à empresa, no momento do

regularização da conta corrente vinculada - bloqueada para encerramento do contrato, na presença do sindicato da categoria

movimentação, de termo específico da instituição financeira oficial correspondente aos serviços contratados, ocorrendo ou não o

que permita ao Tribunal ou Conselho ter acesso aos saldos e desligamento dos empregados.

extratos, e que vincule a movimentação dos valores depositados à Art. 13. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação".

sua autorização. (ANEXO VII)

Art. 7º Os saldos da conta vinculada - bloqueada para Como se percebe, os órgãos de fiscalização conhecem a realidade

movimentação - serão remunerados pelo índice da poupança ou da terceirização realizada pelo poder público brasileiro, cujo

outro definido no acordo de cooperação, sempre escolhido o de descumprimento da legislação trabalhista por parte de empresas

maior rentabilidade. sem lastro econômico ou financeiro, pois incumbidas apenas de

Art. 8º Os valores referentes às provisões de encargos trabalhistas vender ou intermediar mão de obra, é a regra geral, bem como a

mencionados no art. 4º, depositados na conta corrente vinculada - sistemática lesão a direitos obreiros próprios do ato da rescisão

bloqueada para movimentação - deixarão de compor o valor do contratual.

pagamento mensal à empresa. Lamentavelmente, os normativos existentes e as recomendações

Art. 9º No âmbito dos Tribunais ou Conselhos, o setor de controle editadas por órgãos públicos diversos têm sido insuficientes para

interno ou setor financeiro é competente para definir, inicialmente, alterar o quadro de irregularidades trabalhistas verificadas nas

os percentuais a serem aplicados para os descontos e depósitos, contratações celebradas entre a Administração Pública e as

cabendo ao setor de execução orçamentária ou ao setor financeiro empresas terceirizantes, muito provavelmente, consigne-se, porque

conferir a aplicação sobre as folhas de salário mensais das a lógica ou a gênese da terceirização é incompatível com a

empresas e realizar as demais verificações pertinentes. dignidade humana laboral, com o respeito aos direitos previstos na

Art. 10. Os editais referentes às contratações de empresas para Constituição da República e na CLT- Consolidação das Leis do

prestação de serviços contínuos aos Tribunais ou Conselhos, Trabalho. A terceirização existe, em primeiro lugar, para diminuir os

deverão conter expressamente o disposto no art. 8º desta custos com o trabalho. E depois, não menos relevante, para

Resolução, bem como a obrigatoriedade de observância de todos fragmentar a classe trabalhadora, do ponto de vista de sua

os seus termos. organização social e política.

Art. 11. A empresa contratada poderá solicitar autorização do Pois bem. Aqui, de igual modo, a parte demandante deixou de

Tribunal ou Conselho para resgatar os valores, referentes às receber parcelas durante o curso do pacto laboral, bem como parte

despesas com o pagamento de eventuais indenizações trabalhistas das verbas básicas no ato da rescisão contratual, não tendo a

dos empregados que prestam os serviços contratados pelo Tribunal tomadora de serviços adotado qualquer medida concreta para evitar

ou Conselho, ocorridas durante a vigência do contrato. a lesão consumada, seja no que se refere à fiscalização rigorosa do

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contrato de prestação de serviços quando de sua vigência, seja no CTPS, entrega das guias para percepção do seguro-desemprego e

tocante à reserva mensal de valores para assegurar o pagamento levantamento do FGTS. Além disso, deixou de pagar parcelas tais

de verbas rescisórias à parte obreira, ainda no século XXI a parte como multa de 40% do FGTS, multa estabelecida no §8° do art. 477

frágil dessa relação triangular formada à margem do ordenamento do Texto Celetista e multa convencional, segundo os termos da

jurídico (CRFB, CLT, Pactos e Convenções Internacionais), sentença condenatória ora examinada em grau de recurso.

conforme explicitado antes no presente voto. Não raro, o poder público contratante de trabalho terceirizado

Além da ausência de qualquer fiscalização, no regular exercício do sequer traz aos autos qualquer documento apto a demonstrar

poder de vigilância adequado, a tomadora de serviços não cuidou indício de fiscalização, preferindo, pois, apostar na tese frágil da

de realizar a retenção dos valores destinados a suportar o ausência de responsabilidade pelo pagamento das verbas devidas à

pagamento das verbas devidas aos empregados das prestadoras parte autora, decorrentes do contrato de prestação de serviços com

de serviços, ação a qual restou solenemente ignorada quanto à a empresa terceirizante que cumpriu o roteiro tradicional.

parte demandante. A fiscalização insuficiente por parte da tomadora de serviços (culpa

Neste caso, portanto, encontram-se preenchidos os requisitos para in vigilando) é, na imensa maioria dos casos, flagrante,

a decretação da responsabilidade subsidiária das duas últimas considerando inclusive a ausência de retenção das faturas para a

reclamadas com base na teoria da reparação do dano pelo quitação de várias parcelas inadimplidas no curso e término do

cometimento de ato ilegal por parte da Administração Pública (CCB, pacto laboral.

artigos 186 e 927, caput; CLT, artigo 8º), tudo em consonância com Não é demais lembrar que a empregadora deixou de registrar o

o resultado dos julgamentos proferidos nos autos da ADC n.º 16 e contrato de trabalho, além de não pagar as diversas verbas devidas

do RE 760931, pelo STF, bem como em atenção à nova redação da supracitadas.

Súmula n.º 331, do TST. Ora, não se trata da presunção de culpa. A Administração Pública,

A culpa da segunda reclamada, pela inadimplência patronal, está na qualidade de tomadora de serviços, segundo prova dos autos,

suficientemente provada, conforme elementos antes expostos. não fiscalizou a regularidade do cumprimento das obrigações no

Sinteticamente, havendo, nos autos, demonstração de que além da curso do pacto laboral. Por via de consequência, descumpriu o

péssima escolha no ato da contratação, a tomadora de serviços foi disposto nos artigos 58 e 67, da Lei n.º 8.666/1993, quanto ao dever

omissa ou negligente no seu dever de fiscalização junto à empresa de fiscalização rigorosa do contrato administrativo, mês a mês, dia a

terceirizante, a ponto de direitos básicos dos trabalhadores terem dia.

sido sistematicamente desrespeitados durante e após o término do De igual modo, a omissão do poder público contratante de trabalho

pacto laboral (rescisão contratual), sem nenhuma ação ou reação terceirizado, no caso concreto, ignorou a Instrução Normativa n.º 3,

por parte da tomadora, configura-se, sob ponto de vista de 15 de outubro de 2009, do MPOG (Art. 34 A execução dos

extremamente moderado, ou seja, para dizer o mínimo, a culpa in contratos deverá ser acompanhada e fiscalizada por meio de

vigilando. instrumentos de controle, que compreendam a mensuração dos

seguintes aspectos, quando for o caso:(...) § 5º Na fiscalização do

2.1.4- ANÁLISE DO CASO CONCRETO - AGORA A PARTIR DA cumprimento das obrigações trabalhistas e sociais nas contratações

EXISTÊNCIA OU NÃO DA PROVA CONTUNDENTE NOS AUTOS continuadas com dedicação exclusiva dos trabalhadores da

DA CULPA IN VIGILANDO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA contratada, exigir-se-á, dentre outras, as seguintes

COMO TOMADORA DE SERVIÇOS comprovações:(...) 1. extrato da conta do INSS e do FGTS de

Para além da ausência de demonstração da fiscalização efetiva do qualquer empregado, a critério da Administração contratante;

contrato administrativo, como vimos na análise do tópico anterior a (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de

este, há, de fato, prova contundente da culpa in vigilando da 2013), ao não ter adotado a mais remota providência para obrigar a

tomadora de serviços pelo inadimplemento de verbas devidas à empresa terceirizante a regularizar o FGTS da parte reclamante e

parte reclamante, parcelas as quais deveriam ter sido de tantos outros empregados vinculados ao mesmo contrato de

pagas/depositadas no curso e quando da rescisão contratual. prestação de serviços.

Observemos, então. Conforme transcrição realizada no item 3.2.3 deste voto, há tantas

A empresa prestadora de serviços deixou de honrar com obrigações outras normas internas editadas pelo próprio poder público, exigindo

básicas do contrato de trabalho mantido com a parte obreira, a a fiscalização, por parte da tomadora de serviços, quanto à

ponto de deixar de cumprir obrigações de fazer tais como baixa da regularidade dos depósitos mensais do FGTS nas contas dos

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 96
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empregados, incluindo deliberação do órgão de controle de contas corresponder a cinco por cento do valor total do contrato; (Incluído

federais, o TCU - Tribunal de Contas da União. pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

Reitere-se: a tomadora de serviços, integrante da Administração b) a garantia, qualquer que seja a modalidade escolhida,

Pública, sequer constatou as irregularidades que ensejaram a assegurará o pagamento de: (Incluído pela Instrução Normativa nº

presente condenação, relativas à ausência de pagamento da multa 6, de 23 de dezembro de 2013)

de 40% do FGTS e das obrigações de fazer (baixa na CTPS) tudo a 1. prejuízos advindos do não cumprimento do objeto do contrato;

atestar que a fiscalização ou vigilância do contrato não passava de (Redação dada pela Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de

uma ficção. 2015)

Tal como especificado nas normas e determinações expressamente 2. prejuízos diretos causados à Administração decorrentes de culpa

transcritas no tópico anterior do presente voto, a tomadora de ou dolo durante a execução do contrato; (Redação dada pela

serviços não fez a retenção que deveria realizar para assegurar o Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de 2015)

pagamento das verbas decorrentes do período do pacto laboral em 3. multas moratórias e punitivas aplicadas pela Administração à

que a parte reclamante prestou serviços na condição de contratada; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de

terceirizada. dezembro de 2013)

Em outras palavras, a negligência da tomadora de serviços é 4. obrigações trabalhistas e previdenciárias de qualquer natureza,

evidente, no período do contrato de terceirização. não adimplidas pela contratada, quando couber".

Não fosse suficiente, a recorrente sequer juntou documentos

capazes de demonstrar que fiscalizou adequadamente o A conduta omissiva e negligente da tomadora de serviços, no

cumprimento das obrigações trabalhistas pela primeira reclamada. tocante à ausência de fiscalização do contrato administrativo e à

A recorrente nada fez para assegurar o pagamento das verbas exigência de garantia de execução, é por demais evidente nos

efetivamente devidas ao recorrido, nem mesmo efetuou a retenção autos, a ponto de configurar a sua culpa in vigilando, de forma

mensal de valores capaz de suportar a dívida reconhecida contundente e irrefutável, pelo inadimplemento de todas as verbas a

judicialmente, como estabelecido em normas internas da que foi responsabilizada de forma subsidiária pelo Juízo da

Administração Pública Federal. instância primeira da causa.

Para além da flagrante conduta omissiva, negligente, configuradora, A segunda reclamada não empreendeu medidas eficazes para

de forma contundente e irrefutável, da culpa in vigilando pela garantir à parte reclamante a efetividade de todos os seus direitos

regularidade do cumprimento das obrigações durante o pacto sociais, todos decorrentes do contrato de trabalho.

laboral, a tomadora de serviços, integrante da Administração Se assim tivesse agido, poderia ter evitado o dano causado à parte

Pública, não cuidou de exigir, da empresa terceirizante, a garantia autora, fato devidamente reconhecido pela sentença recorrida.

de execução do contrato previsto no art. 56, da Lei de Licitações, e A prova dos autos atesta a culpa in vigilando da tomadora de

reiterada em normas internas do MPOG, conforme a seguir serviços.

transcrito, novamente: A fiscalização insuficiente por parte da segunda reclamada (culpa in

vigilando) é flagrante, considerando inclusive a ausência de

"(...) XIX - exigência de garantia de execução do contrato, nos retenção de faturas em valor suficiente para quitar todas as verbas

moldes do art. 56 da Lei no 8.666, de 1993, com validade durante a deferidas na origem.

execução do contrato e 3 (três) meses após o término da vigência Se tivesse cumprido as suas obrigações legais e contratuais, a

contratual, devendo ser renovada a cada prorrogação, observados tomadora, em tese, poderia ter evitado a inadimplência em relação

ainda os seguintes requisitos: (Redação dada pela Instrução às verbas antes descritas.

Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013). Segundo compreensão do Supremo Tribunal Federal, a

a) a contratada deverá apresentar, no prazo máximo de 10 (dez) responsabilidade subsidiária da Administração Pública, na

dias úteis, prorrogáveis por igual período, a critério do órgão qualidade de tomadora de trabalho terceirizado, não é automática.

contratante, contado da assinatura do contrato, comprovante de Havendo inadimplência quanto ao pagamento de parcelas

prestação de garantia, podendo optar por caução em dinheiro ou trabalhistas diversas ou verbas rescisórias, por parte da prestadora

títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança bancária, sendo de serviços, o poder público somente responde, de forma

que, nos casos de contratação de serviços continuados de subsidiária, quando restar demonstrada nos autos, de maneira

dedicação exclusiva de mão de obra, o valor da garantia deverá categórica e irrefutável, a sua culpa in vigilando, no tocante à

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ausência de fiscalização (conduta omissiva ou negligente) do em caráter subsidiário, por culpa in vigilando, observa o conteúdo

contrato administrativo celebrado com empresa terceirizante. das decisões do STF sobre a matéria (ADC n.º 16 e RE 760931),

Sinteticamente, revelando a prova dos autos, de forma contundente sem qualquer ofensa a dispositivo constitucional ou legal, incluindo

e irrefutável, que a tomadora de serviços concorreu diretamente os artigos 5º, II, XLV, XLVI, 22, XXVII, 37, XXI, 37, §6º, 97, 102, §2º,

para a inadimplência trabalhista, ao ser omissa e negligente quanto da CRFB, e ao art. 71, da Lei nº 8.666/1993, bem como à Súmula

à fiscalização do contrato mantido com a empresa terceirizante, a Vinculante n.º 10, do STF.

ponto de não ter sequer coibido as irregularidades evidentes

durante o seu desenvolvimento, incluindo a falta de pagamento de 2.2. BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. ALTERAÇÕES

parcelas básicas do liame laboral, encontra-se configurada a sua PROMOVIDAS PELA LEI N.º 13.467/2017

culpa in vigilando, apta, portanto, a atrair a responsabilidade No apelo, o BB TECNOLOGIA impugna a concessão dos benefícios

subjetiva admitida pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal da justiça gratuita à autora.

Superior do Trabalho. A culpa in vigilando resta reforçado quando, Pois bem.

além de não cumprir as suas obrigações inerentes à fiscalização, o Cabe assinalar que trata-se de reclamação trabalhista ajuizada

poder público contratante nada faz para evitar a inadimplência em após a vigência da Lei nº 13.467/2017.

relação às verbas devidas durante o curso do pacto e na rescisão Quanto à gratuidade da justiça, assim dispõe o art. 790, §§ 3º e 4º

contratual, seja pela ausência da retenção de valor mensal para da CLT:

esse fim, seja pela falta de exigência da garantia de execução do

contrato administrativo, a ser renovada anualmente, tudo nos Art. 790 [...]

termos da lei e das normas regulamentares instituídas pela própria § 3o É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos

Administração Pública, além das determinações emitidas pelo órgão tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a

de controle de contas na mesma direção (TCU). requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, inclusive

Assim sendo, mantenho a sentença que declarou a quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário

responsabilidade subsidiária da segunda reclamada pelas igual ou inferior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos

obrigações trabalhistas definidas nos julgados, salvo quanto benefícios do Regime Geral de Previdência Social.

às obrigações de fazer próprias do empregador. § 4o O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que

Recurso desprovido. comprovar insuficiência de recursos para o pagamento das custas

do processo.

2.1.5- CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO

A condenação impostas às recorrentes (responsabilidade Depreende-se do novo texto legal (§§ 3º e 4º do Art. 790 da CLT)

subsidiária) não decorre da declaração de inconstitucionalidade do que, para aqueles que percebem salário igual ou inferior a quarenta

artigo 71, §1º, da Lei n.º 8.666/1993, senão de sua observância em por cento do limite do RGPS, há presunção de serem beneficiários

conformidade com a interpretação conferida à referida norma pelo da Justiça gratuita e, de outro lado, para aqueles cujo salário

Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADC n.º 16, e do RE ultrapassa tal teto, resta mantida a possibilidade de comprovação

760931-DF. da hipossuficiência, podendo esta ser firmada por mera declaração,

Não há se falar em pronunciamento do Tribunal em sua composição nos termos da Lei n.º 7.115/1983, que confere à simples declaração

plenária para emitir decisão sobre matéria jamais deliberada pela presunção de veracidade, para fins de comprovação do estado de

Turma. pobreza.

Eis a regra específica em sua literalidade:

2.1.6- PREQUESTIONAMENTO DE DISPOSITIVOS

CONSTITUCIONAIS E LEGAIS "Art. . 1º - A declaração destinada a fazer prova de vida,

A partir do enfrentamento jurídico realizado, considera-se, pois, que residência, pobreza, dependência econômica, homonímia ou

houve prequestionamento das normas constitucionais indicadas na bons antecedentes, quando firmada pelo próprio interessado

defesa e no recurso da tomadora de serviços, sem ofensa alguma a ou por procurador bastante, e sob as penas da Lei, presume-se

qualquer uma delas. verdadeira.

Ainda assim, precisa ser registrado que a decisão judicial Parágrafo único - O dispositivo neste artigo não se aplica para fins

condenatória do poder público contratante de trabalho terceirizado, de prova em processo penal.

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Art. . 2º - Se comprovadamente falsa a declaração, sujeitar-se-á o Ora, o Direito do Trabalho teve origem na necessidade de proteção

declarante às sanções civis, administrativas e criminais previstas na ao empregado hipossuficiente, sendo esse princípio o próprio esteio

legislação aplicável. e razão de ser desta Justiça Especializada.

Art. . 3º - A declaração mencionará expressamente a Tornou-se necessário, portanto, trilhar uma interpretação

responsabilidade do declarante. constitucionalmente adequada dos novos preceitos trazidos pela Lei

Art. . 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. n.º 13.467/2017, com um olhar atento a todo o ordenamento

Art. . 5º - Revogam-se as disposições em contrário." jurídico.

Em síntese, independentemente dos parâmetros fixados pela

Ademais, o estado de hipossuficiência não deve ser medido pelo reforma, segue plenamente possível a concessão dos

simples valor do salário, mas pela potencialidade de eventual benefícios da Justiça Gratuita com base na simples declaração.

pagamento das despesas processuais, somado aos gastos No caso, a reclamante juntou declaração de hipossuficiência (ID.

particulares, comprometer o sustento próprio e da família. Nesse fc0cec2).

sentido, o informativo nº 151, do TST: Portanto, não havendo nada a infirmar a veracidade da declaração

de hipossuficiência expendida pelo autor, inexistem elementos

Justiça gratuita. Declaração de pobreza. Presunção relativa de concretos para o indeferimento, à parte autora, da gratuidade da

veracidade não elidida pelo fato de o reclamante ter recebido justiça, que, em sua acepção mais ampla, resta assegurada pelo

verbas rescisórias e de indenização em decorrência de adesão inc. LXXIV do art. 5.° da Constituição da República "aos que

a plano de demissão voluntária. O fato de o reclamante ter comprovem insuficiência de recursos" e tem suas raízes fincadas na

recebido quantia vultosa (R$ 1.358.507,65) decorrente de verbas garantia de acesso à Justiça.

rescisórias e de indenização oriunda de adesão a plano de Assim sendo, nego provimento.

demissão voluntária não é suficiente para elidir a presunção de

veracidade da declaração de pobreza por ele firmada. Sob esse III- CONCLUSÃO

fundamento, a SBDI-I, maioria, conheceu dos embargos por

contrariedade à Orientação Jurisprudencial nº 304 da SBDI-I, e, no Pelo exposto, conheço do recurso ordinário da segunda reclamada

mérito, deu-lhes provimento para restabelecer a sentença que e, no mérito, nego-lhe provimento, nos termos da fundamentação.

deferira os benefícios da justiça gratuita. Vencidos os Ministros João É o voto.

Oreste Dalazen, Renato de Lacerda Paiva e Alexandre Agra

Belmonte. TST-ERR-11237-87.2014.5.18.0010, SBDI-I, rel. Min. 1DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 7.

Hugo Carlos Scheuermann, 2.2.2017. Informativo TST nº 151. ed. São Paulo: LTR, 2008, p. 448, 449 e 459.

2BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADC-Ação Direta de

Não se olvide que as benesses da Justiça Gratuita têm previsão Constitucionalidade nº 16. Disponível em www.stf.jus.br . Acesso

constitucional, segundo o qual "o Estado prestará assistência em 20.05.2015.

jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de 3TST deve analisar caso a caso ações contra União que tratem

recursos" (CF, art. 5º, LXXIV), medida que concretiza o direito de de responsabilidade subsidiária, decide STF. Disponível em

acesso à Justiça. http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=

Seguindo esse norte, o Código de Processo Civil de 2015 disciplina, 166785 . Acesso em 20.05.2015.

em seu art. 98, § 1º, a gratuidade de justiça, deixando expressa 4BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADC-Ação Direta de

tanto a inclusão de isenção do pagamento de custas judiciais, como Constitucionalidade nº 16. Disponível em www.stf.jus.br .

um dos benefícios decorrentes de tal benesse, quanto a Acesso em 20.05.2015.

possibilidade de comprovação da hipossuficiência por simples 5BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula n. 331. Resolução

declaração, cabendo à parte contrária o ônus de demonstrar que o n. 174, de 2011. DEJT, 27, 30 e 31 maio 2011

requerente não preenche os requisitos para o deferimento do 6VIANA, Marcio Túlio; DELGADO, Gabriela Neves; AMORIM,

instituto (CPC, art. 99, §3º c/c CLT, art. 769). Helder Santos. Terceirização: Aspectos Gerais. A Última Decisão do

O que se depreende disso é a disparidade causada pelo legislador STF e a Súmula 331 do TST. Novos Enfoques(*). Editora Magister -

ordinário no tratamento do beneficiário de tal Gratuidade que litiga Porto Alegre - RS. Publicado em: 15 fev. 2011. Disponível em: ).

na Justiça Comum frente àquele litigante na Justiça do Trabalho. Acesso em: 03 jun. 2011.

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RECORRIDO MAISA PIO ALVES DE OLIVEIRA


7BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Ag-AIRR-84240- ADVOGADO André Santos(OAB: 33180/DF)
16.2005.5.15.0094, Min. Mauricio Godinho Delgado, TST 6ª Turma, ADVOGADO CAETANO LIRA CALTABIANO(OAB:
57353/DF)
DEJT04/02/2011. Disponível em www.tst.jus.br . Acesso em

20.05.2015 Intimado(s)/Citado(s):

8Brasil. STF, RE 760931, com Repercussão Geral. Redator - MAISA PIO ALVES DE OLIVEIRA

Designado Ministro Luiz Fux. Acórdão publicado em 12 de setembro

de 2017. Disponível em www.stf.jus.br. Acesso em 28 de setembro

de 2017. PODER JUDICIÁRIO

JUSTIÇA DO TRABALHO

ACÓRDÃO
TRT 0000034-64.2020.5.10.0003 RORSum - ACÓRDÃO 1ªTURMA
Por tais fundamentos, ACORDAM os Desembargadores da Egrégia

Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima

Região, à vista do contido na certidão de julgamento, em dispensar

o relatório, conhecer do recurso ordinário da segunda reclamada e,


RELATOR: DESEMBARGADOR GRIJALBO FERNANDES
no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto do
COUTINHO
Desembargador Relator. Ementa aprovada.
RECORRENTE: BB TECNOLOGIA E SERVICOS S.A - CNPJ:
Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação
42.318.949/0001-84
dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), Grijalbo
ADVOGADO: MOZART VICTOR RUSSOMANO NETO - OAB:
Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique Blair. Ausentes,
DF0029340
justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão; em licença
RECORRIDO: MAISA PIO ALVES DE OLIVEIRA - CPF:
médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em gozo de
104.816.846-89
férias, o Desembargador André Damasceno e o Juiz convocado
ADVOGADO: CAETANO LIRA CALTABIANO - OAB: DF0057353
Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra. Soraya Tabet Souto Maior
ADVOGADO: André Santos - OAB: DF0033180
(Procuradora Regional do Trabalho), que opinou pelo
RECORRENTE: A C SERVICOS CORPORATIVOS LTDA. - CNPJ:
prosseguimento do recurso.
66.059.510/0001-42
Presente por videoconferência: Dr. Caetano Caltabiano.
ADVOGADO: OSVALDO TADEU DOS SANTOS - OAB:
Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do
SP0044799
julgamento).
ORIGEM: 3ª VARA DO TRABALHO DE BRASÍLIA/DF

CLASSE ORIGINÁRIA: Ação Trabalhista - Rito Sumaríssimo

(JUIZ: FRANCISCO LUCIANO DE AZEVEDO FROTA)-

GRIJALBO FERNANDES COUTINHO

Desembargador Relator
EMENTA

Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

1. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. TOMADORA DE SERVIÇOS


MARIA APARECIDA FONSECA MATOS
TERCEIRIZADOS. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA E
Servidor de Secretaria
SUBSIDIÁRIA. OBSERVÂNCIA DAS DECISÕES PROFERIDAS
Processo Nº RORSum-0000034-64.2020.5.10.0003 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NOS AUTOS DA ADC Nº
Relator GRIJALBO FERNANDES COUTINHO
16 E DO RE 760931-DF, COM REPERCUSSÃO GERAL. Segundo
RECORRENTE A C SERVICOS CORPORATIVOS
LTDA. compreensão do Supremo Tribunal Federal, a responsabilidade
ADVOGADO OSVALDO TADEU DOS
SANTOS(OAB: 44799/SP) subsidiária da Administração Pública, na qualidade de tomadora de
RECORRENTE BB TECNOLOGIA E SERVICOS S.A trabalho terceirizado, não é automática. Havendo inadimplência
ADVOGADO MOZART VICTOR RUSSOMANO
NETO(OAB: 29340/DF) quanto ao pagamento de parcelas trabalhistas diversas ou verbas

rescisórias, por parte da prestadora de serviços, o poder público

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somente responde, de forma subsidiária, quando restar

demonstrada nos autos, de maneira categórica e irrefutável, a sua 1- ADMISSIBILIDADE

culpa in vigilando, no tocante à ausência de fiscalização (conduta Argüiu a reclamante, em suas contrarrazões, preliminar de não-

omissiva ou negligente) do contrato administrativo celebrado com conhecimento do apelo por ausência de interesse recursal (ID.

empresa terceirizante. 1.2. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA DO dc1852f - Pág. 2).

PODER PÚBLICO. CULPA IN VIGILANDO. PROVA DOS AUTOS. À análise dos autos, observa-se que a recorrente (BB

Revelando a prova dos autos, de forma contundente e irrefutável, TECNOLOGIA E SERVICOS S.A) foi condenada subsidiariamente

que a tomadora de serviços concorreu diretamente para a pelo pagamento da multa do art. 477 da CLT e multa convencional

inadimplência trabalhista, ao ser omissa e negligente quanto à (ID. 60b8ac3 - Pág. 3).

fiscalização do contrato mantido com a empresa terceirizante, a Nesse contexto, sendo certo que a pretensão de responsabilidade

ponto de não ter sequer coibido as irregularidades evidentes subsidiária postulada na exordial foi deferida na decisão atacada, a

durante o seu desenvolvimento, incluindo a falta de pagamento de recorrente possui interesse recursal, no tocante a tal pleito,

parcelas básicas do liame laboral, encontra-se configurada a sua ensejando o conhecimento do recurso.

culpa in vigilando, apta, portanto, a atrair a responsabilidade Ante o exposto, preenchidos os pressupostos objetivos e subjetivos

subjetiva admitida pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal de admissibilidade, conheço do recurso interposto pela segunda

Superior do Trabalho. A culpa in vigilando resta reforçada quando, reclamada.

além de não cumprir as suas obrigações inerentes à fiscalização, o

poder público contratante nada faz para evitar a inadimplência em 2- MÉRITO

relação às verbas rescisórias, seja pela ausência da retenção de 2.1- TERCEIRIZAÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

valor mensal para esse fim, seja pela falta de exigência da garantia RESPONSABILIDADE DO PODER PÚBLICO

de execução do contrato administrativo, a ser renovada anualmente, O debate nuclear do presente litígio devidamente judicializado diz

tudo nos termos da lei e das normas regulamentares instituídas pela respeito à terceirização de mão de obra promovida pelo poder

própria Administração Pública, além das determinações emitidas na público, a sua responsabilidade (objetiva, subjetiva ou nenhuma) e o

mesma direção pelo órgão de controle de contas (TCU).2. respectivo grau de tal responsabilidade no ato do pagamento

BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. Independentemente dos decorrente de eventual condenação trabalhista (solidário ou

parâmetros trazidos pela Lei n.º 13.467/2017, segue plenamente subsidiário).

possível a concessão dos benefícios da Justiça Gratuita com base As questões serão analisadas nos tópicos temáticos a seguir

na simples declaração. Não havendo nada a infirmar a veracidade relacionados.

da declaração de hipossuficiência expendida pela parte reclamante, Ao contrário de votos anteriores sobre a matéria, por mim proferidos

inexistem elementos concretos para o indeferimento, à parte autora, aqui na 1ª Turma do TRT 10, entre novembro de 2014 e início de

da gratuidade da justiça, que, em sua acepção mais ampla, resta outubro de 2017, não mais farei, a partir de agora, uma abordagem

assegurada pelo inc. LXXIV do art. 5.° da Constituição da República geral sobre a terceirização, do ponto de vista histórico, econômico,

"aos que comprovem insuficiência de recursos" e tem suas raízes social e jurídico.

fincadas na garantia de acesso à Justiça. 3. Recurso ordinário da Deixarei para fazê-lo em outra oportunidade, quando houver

segunda reclamada conhecido e desprovido. necessidade de avaliar o conteúdo das novas normas legais

reguladoras da terceirização nas relações de trabalho (Leis

13.429/2017 e 13.467/2017), as quais precisam ser interpretadas

I - RELATÓRIO tendo em conta a Constituição da República e os seus princípios

fundantes, o Direito Internacional do Trabalho e a principiologia do

Direito do Trabalho.

Dispensado, na forma do artigo 852-I, c/c 895, § 1º, IV, ambos da Analisarei a questão posta no presente recurso, portanto, sob os

CLT. estreitos limites conferidos pelo Supremo Tribunal Federal e pelo

Tribunal Superior do Trabalho, muitas vezes com ressalva de

entendimento pessoal em sentido contrário à interpretação dada à

II - VOTO matéria por estes tribunais .

Em outras palavras, cinge-se a discussão presente ao tema da

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 101
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responsabilidade subsidiária do poder público, com a aplicação dos o ângulo da interpretação contida no teor da Súmula n.º 331, do

entendimentos manifestados pelo Supremo na ADC nº 16 e no RE- Colendo Tribunal Superior do Trabalho.

760931, com repercussão geral, e pelo TST, com a sua Súmula nº

331. 2.1.2- RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO PODER PÚBLICO

NA QUALIDADE DE TOMADOR DE SERVIÇOS

2.1.1- ALEGAÇÕES DA INICIAL E DA DEFESA EM RELAÇÃO À TERCEIRIZADOS. ANÁLISE DA QUESTÃO SOB O ÂNGULO

RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA PRETENDIDA. DA PROVA DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO SUPREMO TRIBUNAL

DA PRESTAÇÃO LABORAL PARA O PODER PÚBLICO POR FEDERAL - ADC Nº 16 E RE-760931, COM REPERCUSSÃO

INTERMÉDIO DE TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA GERAL - RESPONSABILIDADE SUBJETIVA, SEGUNDO

A reclamante alegou ter sido admitida em 21/12/2015, pela primeira COMPREENSÃO DO STF

reclamada, para exercer a função de assistente de liderança, em A Súmula n.º 331, do TST, interpretando a Constituição da

prol da segunda reclamada (BB TECNOLOGIA E SERVICOS S.A), República, a legislação ordinária vigente e observando os

pessoa jurídica integrante da Administração Pública indireta, tendo precedentes judiciais do próprio tribunal, anuncia não ser possível a

sido dispensada imotivadamente em 06/11/2019. Postulou o terceirização na atividade-fim, no âmbito da Administração Pública.

pagamento de verbas rescisórias. Para as terceirizações consideradas lícitas, segundo compreensão

Invocando o conteúdo da Súmula nº 331, do Tribunal Superior do da súmula em debate, haveria tão somente a responsabilidade

Trabalho, a parte autora requereu a decretação da responsabilidade subsidiária do tomador de serviços, incluindo o poder público,

subsidiária da segunda reclamada (BB TECNOLOGIA) pelo independentemente de culpa, assim entendido pelo TST, ao menos

adimplemento das parcelas deferidas ao final da tramitação do até o ano de 2010.

presente feito, bem como a condenação de ambas as reclamadas O professor e magistrado Maurício Godinho Delgado, ao abordar o

ao pagamento das verbas discriminadas no rol dos pedidos. tema da responsabilidade de entidades estatais em casos de

Dirimindo a controvérsia, o Juízo de origem decretou a terceirização de mão de obra, antes da decisão proferida pelo STF

responsabilidade subsidiária da segunda reclamada, conforme nos autos da ADC n.º 16, declarava que:

fundamentos de ID. 60b8ac3 - Pág. 4.

Em seu recurso, a segunda reclamada insiste no afastamento da "A entidade estatal que pratique terceirização com empresa

responsabilidade subsidiária. inidônea (isto é, empresa que se torne inadimplente com relação a

Analisa-se. direitos trabalhistas) comete culpa in eligendo (má escolha do

Não é difícil notar que a reclamante, com a petição inicial e com a contratante) ou, no mínimo, culpa in vigilando (má fiscalização das

prova documental, ante a revelia da primeira reclamada, obrigações contratuais e seus efeitos). Passa, desse modo, a

demonstrou ter laborado para a primeira reclamada em prol da responder pelas verbas trabalhistas devidas pelo empregador

segunda reclamada, nas condições antes relatadas. terceirizante no período de efetiva terceirização (inciso IV do

Destaco que a tese de existência de contratos de prestação de Enunciado 331, TST) (...) Ora, a entidade estatal que pratique

serviços entre pessoas jurídicas não tem o condão de afastar a terceirização com empresa inidônea (isto é, empresa que se torne

responsabilização subsidiária da segunda reclamada, mas, ao inadimplente com relação a direitos trabalhistas) comete culpa in

contrário, reforça a tese de que o ente público se beneficiou da eligendo (má escolha do contratante) mesmo que tenha firmado a

força de trabalho da reclamante via empresa interposta, não sendo seleção por meio de processo licitatório. Ainda que não se admita

possível afastar as responsabilidades inerentes às relações essa primeira dimensão da culpa, incide, no caso, outra dimensão,

jurídicas das quais participou. no mínimo a culpa in vigilando (má fiscalização das obrigações

Logo, irrefutável a prova da condição de tomadora de serviços da contratuais e seus efeitos). Passa, desse modo, o ente do Estado a

segunda reclamada, ente integrante da Administração Pública. responder pelas verbas trabalhistas devidas pelo empregador

Verificada a inegável qualidade de tomadora de serviços da terceirizante no período de efetiva terceirização".1

segunda reclamada, durante todo o período de vigência do contrato

de trabalho mantido entre a parte reclamante e a primeira Impende ressaltar que o § 6.º do artigo 37, da Constituição Federal

reclamada (empresa prestadora), impõe-se analisar a matéria estabelece a responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de

relativa à responsabilidade subsidiária do ente integrante da direito público, ao prescrever que estas, assim como as de direito

Administração Pública indireta, aqui reivindicada, consigne-se, sob privado prestadoras de serviços públicos, "responderão pelos danos

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que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, governador do Distrito Federal2, o Supremo Tribunal Federal, em

assegurando o direito de regresso contra o responsável nos casos sessão plenária realizada no dia 24 de novembro de 2010, declarou

de dolo e culpa". constitucional o artigo 71, da Lei n.º 8.666/93. A notícia publicada

No particular, nota-se que o texto constitucional opta por expressa em sua página na rede mundial de computadores, no dia 24 de

rejeição à teoria da irresponsabilidade do poder público em suas novembro de 2010, foi a seguinte:

relações jurídicas com terceiros, sejam elas voluntárias ou

involuntárias. "TST deve analisar caso a caso ações contra União que tratem

Razões de natureza social ainda mais relevantes justificam o zelo e de responsabilidade subsidiária, decide STF

a responsabilidade que as entidades e os órgãos da Administração Por votação majoritária, o Plenário do Supremo Tribunal Federal

Pública devem guardar em relação aos direitos humanos declarou, nesta quarta-feira (24), a constitucionalidade do artigo 71,

(econômicos, sociais e culturais) das mulheres e dos homens que parágrafo 1º, da Lei 8.666, de 1993, a chamada Lei de Licitações. O

lhes prestam serviços em condições precárias de trabalho, por força dispositivo prevê que a inadimplência de contratado pelo Poder

da gestão empresarial embasada na terceirização. Público em relação a encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não

É bastante comum o desaparecimento das prestadoras de serviços, transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu

assim como a constatação relativa à inexistência de bens dessas pagamento, nem pode onerar o objeto do contrato ou restringir a

pessoas jurídicas, suficientes para garantir o pagamento das verbas regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o

devidas aos empregados. Registro de Imóveis. Segundo o presidente do STF, isso "não

O poder público não pode simplesmente cruzar os braços, impedirá o TST de reconhecer a responsabilidade, com base nos

desrespeitando o trabalhador que lhe presta ou prestou serviços. fatos de cada causa". "O STF não pode impedir o TST de, à base

Não é para cumprir tão lamentável missão que existe o Estado. Se de outras normas, dependendo das causas, reconhecer a

vingasse a tese suscitada nas defesas apresentadas perante a responsabilidade do poder público", observou o presidente do

Justiça do Trabalho, pela Administração Pública, os milhões de Supremo. Ainda conforme o ministro, o que o TST tem reconhecido

homens e mulheres empregados das empresas terceirizantes é que a omissão culposa da administração em relação à

seriam declarados como indivíduos não detentores de parte fiscalização - se a empresa contratada é ou não idônea, se paga ou

substancial dos direitos do trabalho, durante a vigência e no ato das não encargos sociais - gera responsabilidade da União.

rescisões dos seus pactos laborais, restando caracterizado, por via A decisão foi tomada no julgamento da Ação Declaratória de

de consequência, o evidente desrespeito aos princípios Constitucionalidade (ADC) 16, ajuizada pelo governador do Distrito

fundamentais da República da dignidade da pessoa humana e do Federal em face do Enunciado (súmula) 331 do Tribunal Superior

valor social do trabalho (CRFB, artigo 1º, III e IV). do Trabalho (TST), que, contrariando o disposto no parágrafo 1º do

O respeito à dignidade humana não deve ter como referência a mencionado artigo 71, responsabiliza subsidiariamente tanto a

posição privilegiada dos cidadãos na pirâmide social marcadamente Administração Direta quanto a indireta, em relação aos débitos

injusta da estratificada sociedade brasileira. Ao contrário, no campo trabalhistas, quando atuar como contratante de qualquer serviço de

das relações de trabalho, quanto mais humilde for o trabalhador, terceiro especializado.

maior zelo o Estado deve ter com seus direitos, em nome da justiça Reclamações

social e da manutenção do único meio de subsistência da imensa Em vista do entendimento fixado na ADC 16, o Plenário deu

maioria da população brasileira. provimento a uma série de Reclamações (RCLs) ajuizadas na

É forçoso concluir que uma interpretação meramente literal, Suprema Corte contra decisões do TST e de Tribunais Regionais do

descontextualizada e não sistemática do artigo 71, da Lei n.º Trabalho fundamentadas na Súmula 331/TST. Entre elas estão as

8.666/1993, na prática, sem nenhuma hesitação, resultaria na RCLs 7517 e 8150. Ambas estavam na pauta de hoje e tiveram

abominável chancela do Estado ao calote oficial aos empregados suspenso seu julgamento no último dia 11, na expectativa de

de empresas terceirizantes, leitura essa, evidentemente, em julgamento da ADC 16. Juntamente com elas, foram julgadas

descompasso com os princípios da responsabilidade objetiva das procedentes todas as Reclamações com a mesma causa de

pessoas jurídicas de direito público (artigo 37, §6º, da CRFB), da pedir.Por interessar a todos os órgãos públicos, não só federais

dignidade da pessoa humana e do valor social do trabalho (artigo como também estaduais e municipais, os governos da maioria dos

1º, incisos III e IV). estados e de muitos municípios, sobretudo de grandes capitais,

Ao julgar Ação Direta de Constitucionalidade ajuizada pelo então assim como a União, pediram para aderir como amici curiae

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(amigos da corte) nesta ADC. causa principal a falha ou falta de fiscalização pelo órgão público

Alegações contratante.

Na ação, o governo do DF alegou que o dispositivo legal em O ministro Ayres Britto endossou parcialmente a decisão do

questão "tem sofrido ampla retaliação por parte de órgãos do Poder Plenário. Ele lembrou que só há três formas constitucionais de

Judiciário, em especial o Tribunal Superior do Trabalho (TST), que contratar pessoal: por concurso, por nomeação para cargo em

diuturnamente nega vigência ao comando normativo expresso no comissão e por contratação por tempo determinado, para suprir

artigo 71, parágrafo 1º da Lei Federal nº 8.666/1993". Observou, necessidade temporária.

nesse sentido, que a Súmula 331 do TST prevê justamente o Assim, segundo ele, a terceirização, embora amplamente praticada,

oposto da norma do artigo 71 e seu parágrafo 1º. não tem previsão constitucional. Por isso, no entender dele, nessa

A ADC foi ajuizada em março de 2007 e, em maio daquele ano, o modalidade, havendo inadimplência de obrigações trabalhistas do

relator, ministro Cezar Peluso, negou pedido de liminar, por contratado, o poder público tem de responsabilizar-se por elas".3

entender que a matéria era complexa demais para ser decidida

individualmente. Posta em julgamento em setembro de 2008, o A decisão proferida pelo STF, na ADC n.º 16, recebeu a ementa a

ministro Menezes Direito (falecido) pediu vista dos autos, quando o seguir transcrita:

relator não havia conhecido da ação, e o ministro Marco Aurélio

dela havia conhecido, para que fosse julgada no mérito. "EMENTA. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. Subsidiária.

Hoje, a matéria foi trazida de volta a Plenário pela ministra Cármen Contrato com a administração pública. Inadimplência negocial do

Lúcia Antunes Rocha, uma vez que o sucessor do ministro Direito, o outro contraente. Transferência consequente e automática dos seus

ministro Dias Toffoli, estava impedido de participar de seu encargos trabalhistas, fiscais e comerciais, resultantes da execução

julgamento, pois atuou neste processo quando ainda era advogado do contrato, à administração. Impossibilidade jurídica.

geral da União. Consequência proibida pelo art., 71, § 1º, da Lei federal nº 8.666/93.

Na retomada do julgamento, nesta quarta-feira, o presidente do STF Constitucionalidade reconhecida dessa norma. Ação direta de

e relator da matéria, ministro Cezar Peluso, justificou o seu voto constitucionalidade julgada, nesse sentido, procedente. Voto

pelo arquivamento da matéria. Segundo ele, não havia controvérsia vencido. É constitucional a norma inscrita no art. 71, § 1º, da Lei

a ser julgada, uma vez que o TST, ao editar o Enunciado 331, não federal nº 8.666, de 26 de junho de 1993, com a redação dada pela

declarou a inconstitucionalidade do artigo 71, parágrafo 1º, da Lei Lei nº 9.032, de 1995." 4

8.666.

Em seu voto, a ministra Cármen Lúcia divergiu do ministro Cezar Da leitura do inteiro teor daquele acórdão, percebe-se, com

Peluso quanto à controvérsia. Sob o ponto de vista dela, esta meridiana clareza, que o Supremo Tribunal Federal, embora tenha

existia, sim, porquanto o enunciado do TST ensejou uma série de reconhecido a constitucionalidade do artigo 71, §1º, da Lei n.º

decisões nos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e, diante 8.666/1993, não isentou, contudo, a Administração Pública de

delas e de decisões do próprio TST, uma série de ações, sobretudo qualquer responsabilidade, em caso de inadimplemento trabalhista

Reclamações (RCLs), junto ao Supremo. Assim, ela se pronunciou por parte das empresas prestadoras de serviços as quais colocam

pelo conhecimento e pelo pronunciamento da Suprema Corte no trabalhadores terceirizados desenvolvendo as suas atividades em

mérito. prol de entidades e órgãos do Estado.

O ministro Marco Aurélio observou que o TST sedimentou seu Adotando a teoria da responsabilidade subjetiva da Administração

entendimento com base no artigo 2º da Consolidação das Leis do Pública, o STF declarou que cabe à Justiça do Trabalho, no exame

Trabalho (CLT), que define o que é empregador, e no artigo 37, de cada litígio que lhe é submetido cuidando do tema, avaliar a

parágrafo 6º da Constituição Federal (CF), que responsabiliza as presença ou não do elemento culpa in vigilando, como fator de

pessoas de direito público por danos causados por seus agentes a condenação ou absolvição do tomador de serviços integrante do

terceiros. poder público.

Decisão Coube ao Tribunal Superior do Trabalho, a partir daquela decisão

Ao decidir, a maioria dos ministros se pronunciou pela do Supremo, modificar parcialmente o conteúdo da Súmula n.º 331,

constitucionalidade do artigo 71 e seu parágrafo único, e houve do TST, o fazendo da seguinte forma:

consenso no sentido de que o TST não poderá generalizar os casos

e terá de investigar com mais rigor se a inadimplência tem como "Súmula nº 331 do TST

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CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE bastante corriqueiro, assim visto nos corredores da Justiça do

(nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) - Trabalho quando da realização de audiências na primeira instância.

Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 É certo, ainda, que a retumbante evidência se faz presente até

I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, mesmo em vários casos envolvendo o próprio Supremo Tribunal

formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, Federal, na qualidade de tomador de serviços (UNIÃO). Diversos

salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). empregados terceirizados lotados no STF, via empresa

II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa terceirizante, já demandaram ou ainda demandam perante a Justiça

interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da do Trabalho de Brasília-DF, buscando receber salários retidos e

Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da outros direitos não cumpridos por empresas prestadoras de serviços

CF/1988). as quais desapareceram da noite para o dia, depois da perda do

III - Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de contrato mantido com a União.

serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de Isso ocorre porque talvez seja impossível domar o efeito devastador

conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados de direitos humanos contido em qualquer terceirização de mão de

ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a obra, que existe primordialmente para reduzir os custos com o

pessoalidade e a subordinação direta. trabalho, em qualquer lugar do mundo, mediante flexibilização,

IV - O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do precarização e violação de direitos materiais e imateriais

empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos assegurados pelo ordenamento jurídico.

serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da Não é novidade para qualquer pessoa que lida com a terceirização,

relação processual e conste também do título executivo judicial. direta ou indiretamente, incluindo os operadores do mundo jurídico

V - Os entes integrantes da Administração Pública direta e laboral, os seus desatinos no serviço público e as agruras sofridas

indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições pelos trabalhadores terceirizados, desde a prática da retenção de

do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no salários ao não pagamento de auxílio-alimentação, vale-transporte,

cumprimento das obrigações da Lei n.º 8.666, de 21.06.1993, horas extras, férias, 13º salário e verbas rescisórias. Quando se

especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações encontra presente o contexto fático antes delineado, desparecem as

contratuais e legais da prestadora de serviço como prestadoras de serviços e os seus sócios, sendo que o êxito da

empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero execução trabalhista contra as referidas empresas é praticamente

inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela nulo.

empresa regularmente contratada. É provável que não exista um órgão sequer, nos três poderes da

VI - A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange República, que não tenha se defrontado com esse grave problema

todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período social decorrente da terceirização, com humildes trabalhadores

da prestação laboral." 5 desesperados pela ausência do recebimento de salários e verbas

rescisórias, alcançados indistintamente, pois, trabalhadoras e

Embora represente evidente retrocesso social para os trabalhadores trabalhadores terceirizados de tribunais como Supremo Tribunal

terceirizados, a decisão proferida nos autos da ADC n.º 16, pelo Federal, Tribunal Superior do Trabalho, Tribunal Regional do

STF, a ponto de determinar explícita mudança parcial do conteúdo Trabalho da 10ª Região, Tribunal de Justiça do Distrito Federal e

da Súmula nº 331, do TST, jamais pode significar o fim da proteção Territórios, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Superior

aos direitos e créditos trabalhistas dos milhares de empregados Tribunal de Justiça, Tribunal Superior Eleitoral e Superior Tribunal

formais das empresas prestadoras de serviços no âmbito do poder Militar, além de Tribunal de Contas da União, Conselho Nacional de

público. Justiça, Procuradora-Geral da República, Procuradoria-Geral do

Bem sabemos e conhecemos quão dura é a realidade deste grupo Trabalho, Presidência da República, Câmara dos Deputados,

de trabalhadores, cercados de péssimas condições de labor, Senado Federal, Ministério da Justiça, Ministério do Trabalho e

incluindo salários baixíssimos, jornadas intensas e extenuantes, Emprego, Ministério da Previdência Social, Ministério da Fazenda e

altos índices de acidentes e discriminação, entre outras ofensas aos Ministério das Relações Exteriores.

seus direitos fundamentais, violações essas notadas com maior Na hipótese de ser afastada a responsabilidade da Administração

visibilidade a partir do momento em que a empregadora formal Pública pelo inadimplemento trabalhista junto ao pessoal que lhe

desaparece sem pagar salários, FGTS e verbas rescisórias, algo prestou serviços por intermédio de empresa terceirizante, na linha

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de raciocínio antes desenvolvida, registre-se, estaremos classe detentora do poder político e os limites impostos aos juízes

proclamando em alto e bom som que os direitos humanos de no que se refere à tarefa de interpretar textos legais editados pelo

natureza econômica e social não se aplicam aos trabalhadores Parlamento revolucionário francês (o juiz boca da lei), conforme

terceirizados do poder público. arquitetura da Constituição jacobina de 1793 (o juiz é proibido de

A outra face da mesma moeda será a institucionalização do calote interpretar a lei) e do Código Civil napoleônico de 1803.

pelo Poder Judiciário, pois tão comum tem sido o descumprimento Essa concepção de arraigada defesa do Estado em detrimento de

de obrigações trabalhistas por parte das prestadoras de serviços, interesses diversos paroquiais e particulares marcou a doutrina

assim como o notório insucesso até mesmo no sentido de encontrá- brasileira durante décadas a partir da Proclamação da República no

las com a finalidade de comparecimento à Justiça do Trabalho para final do século XIX, considerando que era preciso, naquela época,

a tentativa conciliatória ou apresentação de defesa, muito menos formar uma cultura apta a promover valores relegados por

são localizados os seus sócios para o pagamento das dívidas governantes, embora até hoje persistam, no âmbito da

trabalhistas. Administração Pública, práticas capazes de envergonhar os

Ninguém paga a conta ou débito para com os trabalhadores revolucionários franceses de 1789, normalmente implementadas à

terceirizados do serviço público? O poder público deve fingir que o margem do sistema normativo.

problema não lhe diz respeito? O Poder Judiciário deve ignorar a O problema é que a ideia de supremacia absoluta do Estado por

realidade dos contratos de prestação de serviços em nome de uma intermédio de antigos postulados do Direito Administrativo revela-se

teoria do Direito Administrativo inequivocamente falida para dar incompatível com o tempo presente, o tempo do Estado

conta dos graves problemas gerados pela terceirização? O direito é Democrático de Direito.

tão insensível a ponto de não captar a dureza da vida das mulheres Para coibir as malversações nas diversas esferas do poder público,

e dos homens terceirizados no âmbito da Administração Pública? O no entanto, a velha tônica do Direito Administrativo anunciada por

direito não pode interagir com a sociologia para encontrar, pelo princípios constitucionais encontra-se em plena flor da idade, jovem

método da interdisciplinariedade, no ramo das ciências sociais e entusiasmada em defesa da coisa de todos. O seu vigor

dotadas de maior investigação das origens de nossas mazelas, rejuvenescido pela vitamina da contemporânea modernidade não

soluções justas para os terceirizados? Afinal, os trabalhadores mais comporta porém o caráter rude e intolerante antes enaltecido,

terceirizados são ou não portadores de direitos humanos, ou seja, a ao reduzir particulares e servidores com os quais mantém algum

Constituição da República e o Estado Democrático de Direito valem tipo de vínculo a vergonhoso patamar de inferioridade,

ou não para a massa de seres humanos submetidos ao trabalho considerando-os figuras eventualmente detentoras de direitos a

terceirizado no poder público? partir da vontade única e autocrática do Estado.

As respostas a esses salutares questionamentos não podem conter O Estado é fundamental para a implementação de uma série de

evasivas, muito menos consagrar um obtuso padrão princípios e garantias próprias da vida digna em todas as suas

administrativista contrário à Constituição da República e aos dimensões, mas está longe de ser o senhor absoluto para limitar ou

Direitos Humanos dos trabalhadores terceirizados. mitigar direitos humanos.

Ora, o Direito Administrativo como expressão da vontade exclusiva Ademais, estabelecer a prevalência absoluta dos interesses do

do Estado foi revolucionário no contexto histórico de seu Estado pode redundar, na atualidade, em ofensa a princípios

nascimento, porque material e politicamente concebido em oposição fundamentais da dignidade da pessoa humana e do valor social do

ao poder corrompido da monarquia do Ancien Régime, oferecendo trabalho (CRFB, artigo 1º, incisos III e IV). É inadmissível, sob a

a nova disciplina, por intermédio de leis editadas pelo Parlamento, suposta defesa intransigente do bem público, dispensar a

no pós-revolução francesa e durante mais de um século a partir do trabalhadores do poder público tratamento próprio da época da

grandioso evento, elementos eficazes para limitar o exercício do inauguração da República, emprestando ao princípio da legalidade

poder dos governantes na esfera da gestão da coisa pública antes estrita do liberalismo, por exemplo, uma cega obediência sem levar

apropriada, sem nenhum pudor, por parte do soberano. em consideração os seus contrapostos. Não é para cumprir tão

Logo, o Direito Administrativo voltado para proteger apenas o lamentável missão que existe o Estado Constitucional. Ele foi

Estado é um dos traços das nações remodeladas que emergiram fundado, teoricamente, dentre outras razões, para não tolerar o

das revoluções burguesas ocorridas entre os séculos XVIII e XIX, intolerável, para dar aos cidadãos dignidade e igual respeito, para

assim como a respectiva estrutura jurídica formatada no sentido de cumprir e fazer cumprir os princípios constitucionais.

assegurar o exercício das liberdades individuais clássicas pela nova Na verdade, persegue-se, com a teoria da irresponsabilidade do

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tomador de serviços, o reconhecimento de que o interesse público é responsabilidade subsidiária à Administração Pública de forma

sempre aquele decorrente da vontade estatal, diante da equivocada automática, pelo só fato do inadimplemento dos direitos trabalhistas,

construção jurídica fomentadora da incompatibilidade total entre tal como se extraía da literalidade do inciso IV da Súmula nº 331 do

dois segmentos cujas raízes estão fincadas na principiologia TST, acima transcrito.

constitucional do Estado democrático de direito, além de relegar o Nesse julgamento, vencido o Ministro Ayres Britto que considera o §

caráter público de ambos - Direito do Trabalho e Direito 1º do art. 71 da Lei de Licitações inconstitucional em relação à

Administrativo. O referido posicionamento origina não apenas terceirização de serviços, o pronunciamento de constitucionalidade

desarmonia na esfera de espaço público comum ao Direito do dispositivo foi tomado do voto da maioria, sob duas noções

Administrativo e ao Direito do Trabalho, como também reduz a claramente retratadas nas falas do Ministro Cezar Peluso, relator da

eficácia prática da primeira disciplina naquilo que lhe continua ADC 55.

sendo peculiar na era da modernidade avançada. Primeiro, entendeu-se que o verbete do inciso IV da Súmula nº 331

Sem enfrentar idênticos embaraços, os mais aquinhoados, do ponto do Tribunal Superior do Trabalho, ao atribuir responsabilidade

de vista econômico e político, quando são afetados por medidas subsidiária ao ente público tomador dos serviços pelo só fato do

capazes de comprometer o exercício de algum direito seu, via de inadimplemento destes direitos, rejeita aplicação e efetividade ao

regra, logo conseguem encontrar soluções, precárias ou não, vindas disposto no § 1º do art. 71 da Lei nº 8.666/93, sem declarar sua

da esfera do próprio Estado, ente este demasiadamente seletivo em inconstitucionalidade, o que violaria de forma transversa a reserva

suas ações, registre-se, na hora de conceder, na hora de punir, na de plenário prevista no art. 97 da Constituição, afrontando a Súmula

hora de proteger os seus, embora a linguagem técnica rebuscada nº 10 do STF 56.

se apresente como sinônimo de uma falsa neutralidade ideológica. No segundo momento, apreciando a constitucionalidade do

Aos terceirizados, por outro lado, a resposta do Estado é a dureza dispositivo, os Ministros concluíram que a norma do § 1º do art. 71

da lei em sua interpretação mais antissocial possível, contrária da Lei nº 8.666/93 não fere a Constituição e deve ser observada

inclusive aos postulados constitucionais que anunciam a existência pela Justiça do Trabalho, o que impede a aplicação de

de um Estado Democrático de Direito comprometido com os Direitos responsabilidade subsidiária à Administração Pública de forma

Humanos das trabalhadoras e dos trabalhadores. automática, pela só constatação de inadimplemento dos direitos

Tem-se assim, portanto, que a compreensão jurídica acerca do laborais pela empresa contratada.

resultado do julgamento proferido nos autos da ADC n.º 16 jamais No mesmo passo concluíram que a constitucionalidade do

pode ignorar as balizas constitucionais preservadoras da dignidade enunciado legal não afasta, no entanto, a possibilidade de sua

da pessoa humana, do valor social do trabalho e da dura realidade interpretação sistemática com outros dispositivos legais e

dessa gente humilde terceirizada à disposição do poder público constitucionais que impõem à Administração Pública contratante o

para fazê-lo funcionar, indo, por exemplo, da limpeza de banheiros dever de licitar e fiscalizar de forma eficaz a execução do contrato,

de prédios públicos à elaboração de matérias jornalísticas para inclusive quanto ao adimplemento de direitos trabalhistas, de forma

entidades e órgãos diversos, entre outras centenas de atividades que, constatada no caso concreto a violação desse dever

humanas vitais para o conjunto da sociedade brasileira. fiscalizatório, continua plenamente possível a imputação de

Quanto à Declaração de Constitucionalidade do § 1º do Art. 71 da responsabilidade subsidiária à Administração Pública por culpa in

Lei n.º 8.666/93, pelo Supremo Tribunal Federal, reitere-se, consta eligendo ou in vigilando.

da própria decisão que a constitucionalidade do enunciado legal não Em suas manifestações, no curso do julgamento, o Ministro Relator

afasta a possibilidade de imputação de responsabilidade à Cezar Peluso, refutando os viéses interpretativos que pretendiam

Administração Pública por culpa in vigilando, conforme bem vedar de forma absoluta qualquer atribuição de responsabilidade ao

apontado em artigo publicado sobre a matéria ora debatida, da Poder Público, tal como a interpretação literal proposta pela Ministra

autoria dos juslaboralistas mineiros Márcio Túlio Viana, Gabriela Cármen Lúcia 57, tratou de balizar o limite dessa declaração de

Neves Delgado e Hélder Santos Amorim, como veremos adiante: constitucionalidade numa clara hermenêutica de ponderação, que

privilegia a noção expressa no § 1º do art. 71 da Lei de Licitações,

"No julgamento da ação declaratória de constitucionalidade (ADC) para impedir a imputação ao Poder Público de responsabilidade

nº 16 ajuizada pelo governo do Distrito Federal, o Supremo Tribunal automática pelo cumprimento das obrigações trabalhistas

Federal (STF) pronunciou a constitucionalidade do § 1º do art. 71 da inadimplidas - eis que esta responsabilidade trabalhista é exclusiva

Lei nº 8.666/93, vedando à Justiça do Trabalho a aplicação de da empresa contratada, empregadora -, mas, por outro lado,

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 107
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reconhecendo que a isenção de responsabilidade proposta pela Administração Pública, alguns outros aspectos precisam ser

norma está condicionada por outras normas que impõem à avaliados, especialmente quanto à responsabilidade civil e ao ônus

Administração Pública o dever de bem licitar e de fiscalizar de forma da prova.

eficiente o contrato administrativo, inclusive quanto ao Depois do julgamento proferido em 2010 nos autos da ADC n.º 16, o

adimplemento dos direitos dos trabalhadores terceirizados". 6 Supremo Tribunal Federal voltou a emitir pronunciamento plenário a

respeito da responsabilidade da Administração Pública, na

Traz-se à tona agora precedente do Colendo TST na mesma qualidade de tomadora de serviços terceirizados.

direção, senão vejamos: O novo veículo foi o RE-760931, com repercussão geral, com

julgamento ocorrido em 30/03/2017 e 26/04/2017, com acórdão

"EMENTA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. TERCEIRIZAÇÃO publicado no dia 12/09/2017, cuja ementa é transcrita a seguir:

TRABALHISTA - ENTIDADES ESTATAIS - RESPONSABILIDADE

EM CASO DE CULPA - IN VIGILANDO - NO QUE TANGE AO "EMENTA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO REPRESENTATIVO

CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA E DE CONTROVÉRSIA COM REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO

PREVIDENCIÁRIA POR PARTE DA EMPRESA TERCEIRIZANTE CONSTITUCIONAL. DIREITO DO TRABALHO. TERCEIRIZAÇÃO

CONTRATADA - COMPATIBILIDADE COM O ART. 71 DA LEI DE NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. SÚMULA 331, IV E

LICITAÇÕES - INCIDÊNCIA DOS ARTS. 159 DO CCB/1916, 186 E V, DO TST. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 71, § 1º, DA LEI

927, - CAPUT -, DO CCB/2002.A mera inadimplência da empresa Nº8.666/93. TERCEIRIZAÇÃO COMO MECANISMO ESSENCIAL

terceirizante quanto às verbas trabalhistas e previdenciárias devidas PARA A PRESERVAÇÃO DE POSTOS DE TRABALHO E

ao trabalhador terceirizado não transfere a responsabilidade por tais ATENDIMENTO DAS DEMANDAS DOS CIDADÃOS. HISTÓRICO

verbas para a entidade estatal tomadora de serviços, a teor do CIENTÍFICO. LITERATURA: ECONOMIA E ADMINISTRAÇÃO.

disposto no art. 71 da Lei 8.666/93 (Lei de Licitações),cuja INEXISTÊNCIA DE PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO HUMANO.

constitucionalidade foi declarada pelo Supremo Tribunal Federa na RESPEITO ÀS ESCOLHAS LEGÍTIMAS DO LEGISLADOR.

ADC nº 16-DF. Entretanto, a inadimplência da obrigação PRECEDENTE: ADC 16. EFEITOS VINCULANTES. RECURSO

fiscalizatória da entidade estatal tomadora de serviços no tocante ao PARCIALMENTE CONHECIDO E PROVIDO. FIXAÇÃO DE TESE

preciso cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias PARA APLICAÇÃO EM CASOS SEMELHANTES.

da empresa prestadora de serviços gera sua responsabilidade 1. A dicotomia entre "atividade-fim" e "atividade-meio" é imprecisa,

subsidiária, em face de sua culpa in vigilando, a teor da regra artificial e ignora a dinâmica da economia moderna, caracterizada

responsabilizatória incidente sobre qualquer pessoa física ou pela especialização e divisão de tarefas com vistas à maior

jurídica que, por ato ou omissão culposos, cause prejuízos a alguém eficiência possível, de modo que frequentemente o produto ou

(art. 186, Código Civil). Evidenciando-se essa culpa in vigilando nos serviço final comercializado por uma entidade comercial é fabricado

autos, incide a responsabilidade subjetiva prevista no art. 159 do ou prestado por agente distinto, sendo também comum a mutação

CCB/1916, arts.186 e 927, caput, do CCB/2002, observados os constante do objeto social das empresas para atender a

respectivos períodos de vigência. Registre-se que, nos estritos necessidades da sociedade, como revelam as mais valiosas

limites do recurso de revista (art.896, CLT), não é viável reexaminar empresas do mundo. É que a doutrina no campo econômico é

-se a provados autos a respeito da efetiva conduta fiscalizatória do uníssona no sentido de que as "Firmas mudaram o escopo de suas

ente estatal (Súmula 126/TST). Sendo assim, não há como atividades, tipicamente reconcentrando em seus negócios principais

assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo e terceirizando muitas das atividades que previamente

de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da consideravam como centrais" (ROBERTS, John. The Modern Firm:

decisão denegatória, que ora subsiste por seus próprios Organizational Design for Performance and Growth.Oxford: Oxford

fundamentos. Agravo desprovido".7 University Press, 2007).

2. A cisão de atividades entre pessoas jurídicas distintas não revela

Em síntese, na hipótese de observância, sem tréguas, da decisão qualquer intuito fraudulento, consubstanciando estratégia, garantida

proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADC - Ação pelos artigos 1º, IV, e 170 da Constituição brasileira, de

Direta de Constitucionalidade n.º 16, no sentido de que há configuração das empresas, incorporada à Administração Pública

necessidade de demonstração da presença do elemento culpa in por imperativo de eficiência (art. 37, caput, CRFB), para fazer frente

vigilando da tomadora de serviços, para assim responsabilizar a às exigências dos consumidores e cidadãos em geral, justamente

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porque a perda de eficiência representa ameaça à sobrevivência da precarização às condições dos trabalhadores.

empresa e ao emprego dos trabalhadores. 7. O art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93, ao definir que a inadimplência

3. Histórico científico: Ronald H. Coase, "The Nature of The Firm", do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, não

Economica (new series), Vol. 4, Issue 16, p. 386-405, 1937. O transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu

objetivo de uma organização empresarial é o de reproduzir a pagamento, representa legítima escolha do legislador, máxime

distribuição de fatores sob competição atomística dentro da firma, porque a Lei nº 9.032/95 incluiu no dispositivo exceção à regra de

apenas fazendo sentido a produção de um bem ou serviço não responsabilização com referência a encargos trabalhistas.

internamente em sua estrutura quando os custos disso não 8. Constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 já

ultrapassarem os custos de obtenção perante terceiros no mercado, reconhecida por esta Corte em caráter erga omnes e

estes denominados "custos de transação", método segundo o qual vinculante: ADC 16, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal

firma e sociedade desfrutam de maior produção e menor Pleno, julgado em 24/11/2010.

desperdício. 9. Recurso Extraordinário parcialmente conhecido e, na parte

4. A Teoria da Administração qualifica a terceirização (outsourcing) admitida, julgado procedente para fixar a seguinte tese para casos

como modelo organizacional de desintegração vertical, destinado ao semelhantes: "O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos

alcance de ganhos de performance por meio da transferência para empregados do contratado não transfere automaticamente ao

outros do fornecimento de bens e serviços anteriormente providos Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu

pela própria firma, a fim de que esta se concentre somente pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos

naquelas atividades em que pode gerar o maior valor, adotando a termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93".

função de "arquiteto vertical" ou "organizador da cadeia de valor". ACÓRDÃO

5. A terceirização apresenta os seguintes benefícios: (i) Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do

aprimoramento de tarefas pelo aprendizado especializado; (ii) Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência

economias de escala e de escopo; (iii) redução da complexidade da Senhora Ministra Cármen Lúcia, na conformidade da ata de

organizacional; (iv) redução de problemas de cálculo e atribuição, julgamento e das notas taquigráficas, em conhecer em parte do

facilitando a provisão de incentivos mais fortes a empregados; (v) recurso extraordinário e, na parte conhecida, a ele dar provimento,

precificação mais precisa de custos e maior transparência; (vi) vencidos os Ministros Rosa Weber (Relatora), Edson Fachin,

estímulo à competição de fornecedores externos; (vii) maior Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Redator

facilidade de adaptação a necessidades de modificações para o acórdão o Ministro Luiz Fux. Em assentada posterior, em

estruturais; (viii) eliminação de problemas de possíveis excessos de 26/04/2017, o Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Ministro

produção; (ix) maior eficiência pelo fim de subsídios cruzados entre LUIZ FUX, que redigirá o acórdão, vencido, em parte, o Ministro

departamentos com desempenhos diferentes; (x) redução dos Marco Aurélio, fixou a seguinte tese de repercussão geral: "O

custos iniciais de entrada no mercado, facilitando o surgimento de inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do

novos concorrentes; (xi) superação de eventuais limitações de contratado não transfere automaticamente ao Poder Público

acesso a tecnologias ou matérias-primas; (xii) menor alavancagem contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em

operacional, diminuindo a exposição da companhia a riscos e caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº

oscilações de balanço, pela redução de seus custos fixos; (xiii) 8.666/93". Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello.

maior flexibilidade para adaptação ao mercado; (xiii) não Brasília, 30 de março de 2017.LUIZ FUX - REDATOR PARA O

comprometimento de recursos que poderiam ser utilizados em ACÓRDÃO Documento assinado digitalmente".8

setores estratégicos; (xiv) diminuição da possibilidade de falhas de

um setor se comunicarem a outros; e (xv) melhor adaptação a Como se percebe da parte da ementa que interessa para a solução

diferentes requerimentos de administração, know-how e estrutura, do caso concreto ("O inadimplemento dos encargos trabalhistas

para setores e atividades distintas. dos empregados do contratado não transfere automaticamente

6. A Administração Pública, pautada pelo dever de eficiência (art. ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu

37, caput, da Constituição), deve empregar as soluções de mercado pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos

adequadas à prestação de serviços de excelência à população com termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93"), o inadimplemento por

os recursos disponíveis, mormente quando demonstrado, pela parte da empresa prestadora de serviços, por si só, é insuficiente

teoria e pela prática internacional, que a terceirização não importa para atrair a responsabilidade do poder público como tomador de

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serviços terceirizados. "O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados

Desse modo e sem discutir agora os demais tópicos da ementa do do contratado não transfere automaticamente ao Poder Público

STF, quase todos amparados em compreensões do mercado e de contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em

seus autores, especialmente quanto à afirmação de que a caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da

terceirização não implica em precarização do trabalho, algo que não Lei nº 8.666/93".

se sustenta frente às inúmeras pesquisas científicas capazes de

revelar a tragédia causada pelo modo de fragmentação produtiva, o "Constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 já

certo é que o resultado do julgamento proferido em 2017 no RE reconhecida por esta Corte em caráter erga omnes e

760931, com Repercussão Geral, está em conformidade com o vinculante: ADC 16, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal

decidido também pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADC Pleno, julgado em 24/11/2010".

n.º 16, no ano de 2010, como não poderia ser diferente, diante da

natureza da Reclamação apresentada em Recurso Extraordinário. Nota-se, assim, que a tese primeira antes transcrita, é uma

E cabe dizer, ainda, que da leitura da ementa do RE 760 931-DF, reiteração do decidido nos autos da ADC n.º 16, que proclamou o

percebe-se que os seus 07(sete) primeiros tópicos tratam da seguinte:

terceirização como mecanismo do processo produtivo gerador de

suposta vantagem para o conjunto da sociedade e para a "EMENTA. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. Subsidiária.

Administração Pública, tudo com base em literatura especializada Contrato com a administração pública. Inadimplência negocial

de cunho administrativo-empresarial, sem relação direta com o tema do outro contraente. Transferência consequente e automática

da responsabilidade subsidiária do poder público e sem qualquer dos seus encargos trabalhistas, fiscais e comerciais,

deliberação das respectivas teses ali expostas por parte dos resultantes da execução do contrato, à administração.

ministros, quando se examina a totalidade do acórdão publicado em Impossibilidade jurídica. Consequência proibida pelo art., 71, §

setembro de 2017. 1º, da Lei federal nº 8.666/93. Constitucionalidade reconhecida

Somente as proposições 8(oito) e 9(nove) da ementa foram, de fato, dessa norma. Ação direta de constitucionalidade julgada,

aprovadas como teses pelo STF. As demais são opiniões e não nesse sentido, procedente. Voto vencido. É constitucional a

teses explicitamente referendadas, o que se conclui pelos debates e norma inscrita no art. 71, § 1º, da Lei federal nº 8.666, de 26 de

pelas conclusões finais lançadas no acórdão. junho de 1993, com a redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995."

Para o Supremo Tribunal Federal, reitere-se, segundo entendimento

majoritário contido na ADC n.º 16 e no RE-760931, com Por outro lado, inegavelmente, o Supremo Tribunal Federal, no RE

Repercussão Geral, a responsabilidade dos entes públicos, quanto 760931-DF, reconheceu que o Tribunal Superior do Trabalho,

ao pagamento de verbas devidas aos trabalhadores terceirizados embora tenha feito referência ao julgado na ADC n.º 16, o violou, ao

que lhes prestaram serviços, é subjetiva, exigindo, assim, a decretar a responsabilidade subsidiária do poder público, naquele

presença do elemento culpa, quanto ao inadimplemento por parte caso concreto, sem a prova da culpa in vigilando da Administração

da empresa prestadora de serviços. Pública.

Em outras palavras, sempre que a fiscalização a ser exercida pela Assim votaram os ministros Luiz Fux (redator designado), Marco

tomadora de serviços do poder público, em relação ao contrato de Aurélio, Gilmar Mendes, Carmen Lúcia, Dias Toffolli, e Alexandre de

prestação de serviços(contrato administrativo), se revelar ausente, Moraes. Vencidos, quanto ao resultado final, os ministros Rosa

precária ou ineficiente, haverá a responsabilidade trabalhista da Weber (relatora originária do RE), Celso de Melo, Ricardo

tomadora de serviços integrante da Administração Pública, no que Lewandoswski, Luiz Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin, que

concerne ao pagamento das parcelas devidas aos trabalhadores. compreendiam estar ausente qualquer ofensa, na decisão do TST,

É de se avaliar, mais uma vez, a existência ou não de alguma ao contido na ADC n.º 16.

novidade com a decisão prolatada pelo Supremo Tribunal Federal Os votos e debates travados e registrados em 355 (trezentos e

no RE 760931, cuja decisão foi publicada no dia 12 de setembro de cinquenta e cinco) páginas que resultaram no acórdão respectivo

2017, dotada de repercussão geral. (RE 760931-DF), segundo texto disponível na página eletrônica do

Para tanto, impõe-se destacar que as únicas teses aprovadas no STF, reafirmaram a tese de que a responsabilidade pelo

RE 760931 possuem o conteúdo a seguir destacado: adimplemento das verbas trabalhistas devidas aos empregados

terceirizados no âmbito da Administração Pública, por parte da

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tomadora de serviços, jamais é automática. Tal responsabilidade é isso não obsta a responsabilização civil subsidiária da

subjetiva e depende sempre da prova da culpa in vigilando do poder administração pública, pelo pagamento dos respectivos

público, quanto à fiscalização do contrato administrativo de encargos, em face de sua omissão ou deficiência fiscalizatória

prestação de serviços celebrado com empresa terceirizante. danosa à satisfação dos direitos sociais dos trabalhadores

Aliás, não é possível relegar o brilhantismo e a profundidade do voto vinculados ao contrato.

elaborado pela relatora originária da matéria, ministra Rosa Weber, 2. Constitui dever jurídico do Poder Público contratante de

voto esse dotado de elevada percuciência humanística, social, obras e serviços exigir e fiscalizar o cumprimento dos direitos

histórica e jurídica, tudo a revelar do que se trata verdadeiramente a trabalhistas, pela entidade contratada. Interpretação

terceirização, bem como os seus males e os seus encantos sistemática e teleológica dos arts. 27, inciso IV; 29, incisos IV e

evocados pelos velhos ou novos liberais amantes dos ricos V; 44, § 3º; 54, § 1º; 55, incisos VII e XIII; 58, inciso III; 65, § 6º;

opulentos e indiferentes ao reino da miséria obreira produzida pelo 66, 67; 78, incisos VII e VIII, e 87, da Lei 8.666/1993. No âmbito

sistema da maximização de lucros a qualquer custo. da administração federal, incidem os arts. 19, 19-A, § 3º; 28, 31,

O parecer do Ministério Público Federal também refuta a §§1º e 3º; 34, § 4º; 34-A; 35, § 5º e Anexo IV da IN 2/2008 do

possibilidade de reconhecimento da irresponsabilidade absoluta do Ministério do Planejamento. 3. A fiscalização contratual tem por

poder público, além de discorrer sobre o ônus da prova, da prova fim imediato promover a higidez do contrato, mas também visa

impossível e da "prova diabólica para o empregado", conforme a preservar a função socioambiental do contrato administrativo

trecho a seguir destacado: (Lei8.666/1993, art. 3º), que vincula sua execução à proteção de

interesses maiores da sociedade constitucional e, em

'"Constitucional, direito administrativo e do trabalho. Tema 246 particular, dos direitos sociais fundamentais (Constituição, art.

de Repercussão Geral. Responsabilidade subsidiária da 7º).

administração pública por encargos trabalhistas gerados pelo 4.A definição da natureza e a configuração da responsabilidade

inadimplemento de empresa prestadora de serviço. ADC 16/DF. estatal por omissão danosa ao direito do trabalhador

Decisão vinculante. Constitucionalidade do § 1º do art. 71 da terceirizado, nos casos concretos, constitui matéria que

Lei 8.666/1993. Possibilidade de responsabiliza- ção subsidiária extrapola os lindes do controle de constitucionalidade do § 1º

do Poder Público por omissão fiscalizatória do cumprimento do art. 71 da Lei de Licitações. Fundada a responsabilidade

das obrigações trabalhistas em contratos de obras e serviços. civil na omissão fiscalizatória do Poder Público, resta afastada

Confirmação da tese jurídica firmada em controle concentrado a hipótese de transferência automática de responsabilidade".

de constitucionalidade. Fiscalização eficiente do adimplemento (Trecho do Parecer do Ministério Público Federal nos autos do RE

de obrigações trabalhistas - dever jurídico do Poder Público 760931, transcrito do voto da Relatora originária da matéria,

contratante. Preservação da higidez contratual. Função ministra Rosa Weber).

socioambiental do contrato administrativo - execução

conforme os interesses sociais e ambientais protegidos pela Houve intensa discussão, por parte dos ministros do STF, quanto à

Constituição. Omissão ou deficiência fiscalizatória. distribuição do ônus da prova, no RE 760931-DF, mas nenhuma

Responsabilização do estado por ato ilícito. Princípio do tese a esse respeito restara ali assentada, muito embora se possa

Estado de Direito. Responsabilidade estatal por ato omissivo extrair, a partir dos debates, que a prova da culpa in vigilando da

danoso a direito de terceiro. Teoria da falha do serviço. Administração Pública, nos autos de cada feito, precisa ser

Responsabilidade objetiva. Constituição, art. 37, § 6º. contundente e irrefutável. Tanto é assim que a proposta do ministro

Precedentes. Hipótese de responsabilidade subjetiva - Luiz Roberto Barroso de prova da fiscalização do contrato pelo

presunção relativa de culpa da administração. Demonstração método estatístico da amostragem fora expressamente rejeitada.

da omissão fiscalizatória do ente público. Prova impossível E não se mostra apropriado concluir, a partir da interpretação do

para o trabalhador demandante - teoria da "prova diabólica". acórdão do STF aqui comentado, que a exigência de prova

1. Confirmação da tese firmada na ADC 16/DF, segundo a qual, contundente da culpa in vigilando do poder público, conforme assim

o § 1º do art. 71 da Lei 8.666/1993 veda a transferência ressaltado por diversos ministros em seus votos (RE 760931-DF),

automática de responsabilidade ao Poder Público contratante significa na prática atribuir este ônus processual exclusivamente ao

de obras e serviços, pelo fato do inadimplemento das trabalhador, no sentido de demonstrar ele, seja qual for a hipótese,

obrigações trabalhistas da empresa contratada. No entanto, a negligência ou a falha na fiscalização por parte da tomadora de

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 111
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serviços. desincumbir caso ela seja colocada no polo passivo da

Assim o é também porque o próprio redator designado, ministro Luiz reclamação trabalhista, porque, muitas vezes, esse dado, o

Fux, mesmo entendendo que o ônus da prova é do trabalhador, reclamante não tem".

logo em seguida discorre sobre as regras processuais de

distribuição do ônus probandi, segundo sistemática do Processo A transcrição de fração do voto ministro Toffoli apenas serve para

Civil. revelar que um dos julgadores responsáveis pela definição da tese

Existem fatos constitutivos, sem nenhuma dúvida, mas os vencedora, sobre o ônus da prova, parece ter compreensão distinta,

impeditivos, modificativos e extintivos de direito não desapareceram por exemplo, daquelas manifestadas com maior ênfase por outros

do cenário jurídico da terceirização, muito menos pode se aventar a ministros igualmente vencedores (tese), como foram os casos dos

insólita hipótese de que nenhum deles jamais será deduzido pelos ministros Marco Aurélio e Luiz Fux.

órgãos e entidades integrantes da Administração Pública, em suas Compreendeu-se, contudo, no prosseguimento, que não era o caso

defesas judiciais em oposição ao decreto de responsabilidade de deliberação ou fixação de tese, pelo Supremo Tribunal Federal,

subsidiária. no concernente ao ônus da prova da culpa in vigilando da

Se ainda restasse alguma dúvida em torno da ausência de Administração Pública, quando atua ela na qualidade de tomadora

deliberação do STF sobre o ônus da prova da culpa in vigilando do de serviços terceirizados.

poder público como tomador de serviços terceirizados, uma das A partir dos parâmetros delineados pelo Supremo Tribunal Federal

manifestações do ministro Dias Toffoli naqueles autos a dissipa por (ADC n.º 16 e RE 760931), com total ressalva de entendimento do

completo. relator, o caso concreto será apreciado, para decretar ou não a

Dias Toffoli, registre-se, compõe o grupo de seis ministros que responsabilidade subsidiária da tomadora de serviços integrante da

sedimentou a tese vencedora. Sobre o ônus da prova, contudo, ele Administração Pública, considerando inclusive que a

consignou o seguinte, quando a referida sessão judicial se responsabilidade solidária do poder público, segundo compreensão

encaminhava para o seu término: do próprio STF naqueles autos, é limitada às obrigações de caráter

previdenciário, nos termos da lei correspondente.

"O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI:

Senhora Presidente, eu acompanho a tese formulada e a 2.1.3- DO DEVER DE FISCALIZAÇÃO DA TOMADORA DE

preocupação do Ministro Luís Roberto Barroso quanto à SERVIÇOS INTEGRANTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

necessidade de obiter dictum. Eu penso que nós temos os NORMAS LEGAIS E REGULAMENTARES. DEVER DE

obiter dicta, porque vários de nós, sejam os vencidos, sejam os VIGILÂNCIA E FISCALIZAÇÃO. PROVA DOS AUTOS

vencedores, quanto à parte dispositiva, em muito da Com a ressalva de entendimento pessoal antes anotada, passa-se

fundamentação, colocaram-se de acordo. E uma das questões à avaliação da matéria fática trazida ao exame do Regional para

relevantes é: a quem cabe o ônus da prova? Cabe ao verificação da presença ou não da culpa concreta (e não apenas

reclamante provar que a Administração falhou, ou à presumida) da tomadora de serviços, bem como o respectivo

Administração provar que ela diligenciou na fiscalização do enquadramento jurídico a ser emprestado à decisão do presente

contrato? Eu concordo que, para a fixação da tese, procurei, a litígio.

partir, inicialmente, da proposta da Ministra Rosa, depois A eventual decretação da responsabilidade da Administração

adendada pelo Ministro Barroso e pelo Ministro Fux durante Pública, na qualidade de tomadora de serviços, decorre da

todo julgamento, procurei construir uma tese, mas ela demonstração do ato ilícito por ela praticado no desenvolvimento do

realmente ficou extremamente complexa e concordo que, contrato de prestação de serviços mantido com a empresa

quanto mais minimalista, melhor a solução. Mas as questões terceirizante, apto, por outra vertente complementar, a provocar

estão colocadas em obiter dicta e nos fundamentos dos votos. prejuízo aos trabalhadores, nos moldes dos artigos 186, e 927,

Eu mesmo acompanhei o Ministro Redator para o acórdão - caput, do Código Civil Brasileiro, aplicáveis ao Direito do Trabalho

agora Relator para o acórdão -, o Ministro Luiz Fux, divergindo por força do conteúdo do artigo 8º, da CLT.

da Ministra Relatora original, Ministra Rosa Weber, mas Em outros termos, quaisquer danos causados pelo poder público,

entendendo que é muito difícil ao reclamante fazer a prova de pela prática de conduta ilícita, devem ser por ele reparados

que a fiscalização do agente público não se operou, e que essa mediante a justa compensação monetária.

prova é uma prova da qual cabe à Administração Pública se Os artigos 58, inciso I, e 67, da Lei de Licitações e Contratos

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 112
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(8.666/1993), impõem ao poder público, na condição de ente aos comandos prescritos nos artigos 58 e 67 da Lei n.º 8.666/1993,

contratante pela regência deste diploma legal, o dever de realizar concernentes à fiscalização do respectivo pacto, inclusive segundo

rigorosa fiscalização quanto à execução e ao acompanhamento do o que dispõe o artigo 818 da Consolidação das Leis do Trabalho.

contrato de prestação de serviços, inclusive mediante a designação Sob a ótica do Processo Civil, no velho (art. 333,II) e no novo código

de representante específico da Administração, que "anotará em (373, II), cuida-se de hipótese de inversão do ônus da prova (fato

registro próprio todas as ocorrências relacionadas com a execução impeditivo de direito pleiteado).

do contrato, determinando o que for necessário à regularização das Para além ou em complemento a tais aspectos legais, a própria

faltas ou defeitos observados". Administração Pública editou atos normativos visando, em tese,

Não se trata de mero detalhe a ser relegado o ato de fiscalizar o assegurar o pagamento de salários e verbas rescisórias devidos

acompanhamento e a execução do contrato de prestação de aos empregados das empresas terceirizantes prestadoras de

serviços senão evidente obrigação fundada na defesa da res serviços ao poder público, tal o descalabro verificado nas últimas

publica e dos direitos sociais dos trabalhadores ligados à décadas.

Administração Pública por intermédio da terceirização de mão de Para tanto, editou, inicialmente, a Instrução Normativa n.º 02/2008,

obra, cabendo ao poder público, por conseguinte, respeitar os do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG),

comandos legais aos quais encontra-se vinculado, por força da contendo inúmeras diretrizes relativas à contratação de empresas

observância do princípio da legalidade consagrado no artigo 37, da prestadoras de serviços e à fiscalização dos contratos de trabalho.

Constituição da República, como uma das mais significativas Depois, no ano seguinte, também o MPOG, cuidou de editar outro

expressões do Estado Democrático de Direito. regramento a respeito da matéria, por intermédio da Instrução

Sob a ótica da responsabilidade subjetiva reconhecida pelo STF no Normativa n.º 3, de 15 de outubro de 2009. Em tal ato regulamentar,

julgamento da ADC 16, no ano de 2010, e do RE 760931-DF, em registre-se, estão contidas inúmeras obrigações impostas à

2017, surgindo qualquer discussão relativa à presença ou não da tomadora de serviços integrante da Administração Pública, incluindo

culpa in vigilando, em primeiro lugar, destaque-se, cabe verificar se a exigência do seguro garantia, em seu art. 19, senão vejamos:

a Administração Pública cumpriu efetivamente com o seu dever de

vigilância em relação ao contrato de prestação de serviços objeto da "(...) XIX - exigência de garantia de execução do contrato, nos

controvérsia judicializada. moldes do art. 56 da Lei no 8.666, de 1993, com validade durante a

E a quem compete fazer tal prova em juízo? execução do contrato e 3 (três) meses após o término da vigência

Evidentemente, à tomadora de serviços como única responsável contratual, devendo ser renovada a cada prorrogação, observados

pela vigilância do contrato, guarda dos documentos e de outros ainda os seguintes requisitos: (Redação dada pela Instrução

registros inerentes às medidas eventualmente adotadas para Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013).

preservar a integridade do pacto administrativo firmado com a) a contratada deverá apresentar, no prazo máximo de 10 (dez)

empresa terceirizante, especialmente quanto aos direitos sociais dias úteis, prorrogáveis por igual período, a critério do órgão

dos trabalhadores que ali desenvolvem ou desenvolveram as suas contratante, contado da assinatura do contrato, comprovante de

atividades. prestação de garantia, podendo optar por caução em dinheiro ou

Atribuir ao empregado este ônus significaria, na prática, na imensa títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança bancária, sendo

maioria das vezes, tornar letra morta o princípio da legalidade, que, nos casos de contratação de serviços continuados de

esvaziando-se, por conseguinte, o conjunto das disposições legais dedicação exclusiva de mão de obra, o valor da garantia deverá

as quais obrigam o poder público contratante a realizar intensa corresponder a cinco por cento do valor total do contrato; (Incluído

fiscalização e rigoroso acompanhamento da execução do contrato pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

de prestação de serviços. Importaria, sem sombra de dúvida, na b) a garantia, qualquer que seja a modalidade escolhida,

absolvição trabalhista prematura da tomadora de serviços, uma vez assegurará o pagamento de: (Incluído pela Instrução Normativa nº

que o empregado não reúne condições materiais para produzir tal 6, de 23 de dezembro de 2013)

prova, ao contrário da reclamada, detentora da melhor aptidão para 1. prejuízos advindos do não cumprimento do objeto do contrato;

a prova a que se encontra obrigada a formalizar diariamente, (Redação dada pela Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de

mostrando em juízo, por exemplo, as ações adotadas para impedir 2015)

o inadimplemento trabalhista da empresa prestadora de serviços. 2. prejuízos diretos causados à Administração decorrentes de culpa

Ademais, à tomadora de serviços incumbe provar o atendimento ou dolo durante a execução do contrato; (Redação dada pela

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Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de 2015) serviços, quando for o caso; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6,

3. multas moratórias e punitivas aplicadas pela Administração à de 23 de dezembro de 2013)

contratada; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de 2. Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) dos

dezembro de 2013) empregados admitidos e dos responsáveis técnicos pela execução

4. obrigações trabalhistas e previdenciárias de qualquer natureza, dos serviços, quando for o caso, devidamente assinada pela

não adimplidas pela contratada, quando couber". contratada; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de

dezembro de 2013)

Não há, nos autos, prova no sentido de revelar que a tomadora 3. exames médicos admissionais dos empregados da contratada

tenha cumprido o disposto no art. 19, XIX, da Instrução que prestarão os serviços; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6,

Normativa do MPOG, muito menos realizado a efetiva de 23 de dezembro de 2013)

fiscalização do contrato, como estabelece o art. 19 e seguintes, b) entrega até o dia trinta do mês seguinte ao da prestação dos

da Instrução Normativa n.º 03/2009, do Ministério do serviços ao setor responsável pela fiscalização do contrato dos

Planejamento, conforme rol de medidas a seguir transcritas de seguintes documentos, quando não for possível a verificação da

forma literal: regularidade dos mesmos no Sistema de Cadastro de Fornecedores

- SICAF: (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de

"Art. 34 A execução dos contratos deverá ser acompanhada e dezembro de 2013)

fiscalizada por meio de instrumentos de controle, que compreendam 1. prova de regularidade relativa à Seguridade Social; (Incluído pela

a mensuração dos seguintes aspectos, quando for o caso: Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

I - os resultados alcançados em relação ao contratado, com a 2. certidão conjunta relativa aos tributos federais e à Dívida Ativa da

verificação dos prazos de execução e da qualidade demandada(...) União; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro

V - o cumprimento das demais obrigações decorrentes do de 2013)

contrato(...) 3. certidões que comprovem a regularidade perante as Fazendas

§ 3º O representante da Administração deverá promover o registro Estadual, Distrital e Municipal do domicílio ou sede do contratado;

das ocorrências verificadas, adotando as providências necessárias (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de

ao fiel cumprimento das cláusulas contratuais, conforme o disposto 2013)

nos §§ 1º e 2º do art. 67 da Lei nº 8.666, de 1993. 4. Certidão de Regularidade do FGTS - CRF; e (Incluído pela

§ 4º O descumprimento total ou parcial das responsabilidades Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

assumidas pela contratada, sobretudo quanto às obrigações e 5. Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas - CNDT; (Incluído pela

encargos sociais e trabalhistas, ensejará a aplicação de sanções Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

administrativas, previstas no instrumento convocatório e na c) entrega, quando solicitado pela Administração, de quaisquer dos

legislação vigente, podendo culminar em rescisão contratual, seguintes documentos: (Redação dada pela Instrução Normativa nº

conforme disposto nos artigos 77 e 87 da Lei nº 8.666, de 1993. 6, de 23 de dezembro de 2013)

§ 5º Na fiscalização do cumprimento das obrigações trabalhistas e 1. extrato da conta do INSS e do FGTS de qualquer empregado, a

sociais nas contratações continuadas com dedicação exclusiva dos critério da Administração contratante; (Incluído pela Instrução

trabalhadores da contratada, exigir-se-á, dentre outras, as seguintes Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

comprovações: 2. cópia da folha de pagamento analítica de qualquer mês da

I - no caso de empresas regidas pela Consolidação das Leis do prestação dos serviços, em que conste como tomador o órgão ou

Trabalho - CLT: (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de entidade contratante; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23

23 de dezembro de 2013) de dezembro de 2013)

a) no primeiro mês da prestação dos serviços, a contratada deverá 3. cópia dos contracheques dos empregados relativos a qualquer

apresentar a seguinte documentação: (Redação dada pela mês da prestação dos serviços ou, ainda, quando necessário, cópia

Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) de recibos de depósitos bancários; (Incluído pela Instrução

1. relação dos empregados, contendo nome completo, cargo ou Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

função, horário do posto de trabalho, números da carteira de 4. comprovantes de entrega de benefícios suplementares (vale-

identidade (RG) e da inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas transporte, vale alimentação, entre outros), a que estiver obrigada

(CPF), com indicação dos responsáveis técnicos pela execução dos por força de lei ou de convenção ou acordo coletivo de trabalho,

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relativos a qualquer mês da prestação dos serviços e de qualquer IIIdo § 5o poderão ser apresentados em original ou por qualquer

empregado; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de processo de cópia autenticada por cartório competente ou por

dezembro de 2013) servidor da Administração. (Incluído pela Instrução Normativa nº 6,

5. comprovantes de realização de eventuais cursos de treinamento de 23 de dezembro de 2013)

e reciclagem que forem exigidos por lei ou pelo contrato; (Incluído § 8o A Administração deverá analisar a documentação solicitada na

pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) alínea "d" do inciso I do § 5o no prazo de 30 (trinta) dias após o

d) entrega da documentação abaixo relacionada, quando da recebimento dos documentos, prorrogáveis por mais 30 (trinta) dias,

extinção ou rescisão do contrato, após o último mês de prestação justificadamente. (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de

dos serviços, no prazo definido no contrato: (Redação dada pela dezembro de 2013)

Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) § 9o Em caso de indício de irregularidade no recolhimento das

1. termos de rescisão dos contratos de trabalho dos empregados contribuições previdenciárias, os fiscais ou gestores de contratos de

prestadores de serviço, devidamente homologados, quando exigível serviços com dedicação exclusiva de mão de obra deverão oficiar

pelo sindicato da categoria; (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, ao Ministério da Previdência Social e à Receita Federal do Brasil -

de 23 de dezembro de 2013) RFB. (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de

2. guias de recolhimento da contribuição previdenciária e do FGTS, 2013)

referentes às rescisões contratuais; (Incluído pela Instrução § 10. Em caso de indício de irregularidade no recolhimento da

Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) contribuição para o FGTS, os fiscais ou gestores de contratos de

3. extratos dos depósitos efetuados nas contas vinculadas serviços com dedicação exclusiva de mão de obra deverão oficiar

individuais do FGTS de cada empregado dispensado; e (Incluído ao Ministério do Trabalho e Emprego. (Incluído pela Instrução

pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013)

4. exames médicos demissionais dos empregados dispensados. Art. 34-A. O descumprimento das obrigações trabalhistas ou a não

(Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de manutenção das condições de habilitação pelo contratado poderá

2013) dar ensejo à rescisão contratual, sem prejuízo das demais sanções.

II - No caso de cooperativas: (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro

a) recolhimento da contribuição previdenciária do INSS em relação de 2013)

à parcela de responsabilidade do cooperado; Parágrafo único. A Administração poderá conceder um prazo para

b) recolhimento da contribuição previdenciária em relação à parcela que a contratada regularize suas obrigações trabalhistas ou suas

de responsabilidade da Cooperativa; condições de habilitação, sob pena de rescisão contratual, quando

c) comprovante de distribuição de sobras e produção; não identificar má-fé ou a incapacidade da empresa de corrigir a

d) comprovante da aplicação do FATES - Fundo Assistência situação.]

Técnica Educacional e Social; Art. 35. Quando da rescisão contratual, o fiscal deve verificar o

f) comprovação de criação do fundo para pagamento do 13º salário pagamento pela contratada das verbas rescisórias ou a

e férias; e comprovação de que os empregados serão realocados em outra

g) eventuais obrigações decorrentes da legislação que rege as atividade de prestação de serviços, sem que ocorra a interrupção do

sociedades cooperativas. contrato de trabalho. (Redação dada pela Instrução Normativa nº 3,

III - No caso de sociedades diversas, tais como as Organizações de 16 de outubro de 2009)Parágrafo único. Até que a contratada

Sociais Civis de Interesse Público - OSCIP's e as Organizações comprove o disposto no caput, o órgão ou entidade contratante

Sociais, será exigida a comprovação de atendimento a eventuais deverá reter a garantia prestada e os valores das faturas

obrigações decorrentes da legislação que rege as respectivas correspondentes a 1 (um) mês de serviços, podendo utilizá-los para

organizações. o pagamento direto aos trabalhadores no caso de a empresa não

§ 6o Sempre que houver admissão de novos empregados pela efetuar os pagamentos em até 2 (dois) meses do encerramento da

contratada, os documentos elencados na alínea "a" do inciso I do § vigência contratual, conforme previsto no instrumento convocatório

5o deverão ser apresentados. (Incluído pela Instrução Normativa nº e nos incisos IV e V do art. 19-A desta Instrução Normativa.

6, de 23 de dezembro de 2013) (Redação dada pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro

§ 7o Os documentos necessários à comprovação do cumprimento de 2013)"

das obrigações sociais trabalhistas elencados nos incisos I , II e

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Efetivamente, as recorrentes, pessoas jurídicas integrantes da própria, aos sistemas da Previdência Social e da Receita Federal do

Administração Pública, deixaram de cumprir a fiscalização de que Brasil, com o objetivo de verificar se suas contribuições

trata a Lei n.º 8.666/1993, também objeto de especificação em ato previdenciárias foram recolhidas;

do MPOG (Instrução Normativa 03/2009), com especial destaque b) fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer todos

para a falta de garantia do contrato, o acompanhamento dos os meios necessários aos seus empregados para a obtenção de

contratos de trabalho e a retenção proporcional de valores extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela fiscalização

suficientes para garantir o pagamento de salários e demais verbas dos contratos;

devidas. c) fixar em contrato como falta grave, caracterizado como falha em

De forma ainda mais contundente, o Tribunal de Contas da União, sua execução, o não recolhimento das contribuições sociais da

por intermédio do Acórdão 1214/2013, recomenda à Administração Previdência Social, que poderá dar ensejo à rescisão da avença,

a realização de rigorosa fiscalização, pelo poder público contratante, sem prejuízo da aplicação de sanção pecuniária elevada e do

quanto às condições e garantias oferecidas pela empresa impedimento para licitar e contratar com a União, nos termos do art.

prestadora de serviços para assinatura do respectivo contrato, bem 7º, da Lei nº 10.520/2002.

como o acompanhamento de sua execução, de modo a evitar d) reter 11% sobre o valor da fatura de serviços da contratada, nos

qualquer prejuízo financeiro ao erário, isto previsto desde o termos do art. 31, da Lei 8.212/91;

respectivo edital de licitação. e) exigir certidão negativa de débitos para com a previdência - CND,

Transcreve-se, assim, parte daquela decisão do TCU: caso esse documento não esteja regularizado junto ao Sicaf;

f) orientar os fiscais dos contratos que solicitem, por amostragem,

"1. A CONTRATADA deverá apresentar à Administração da aos empregados terceirizados que verifiquem se essas

CONTRATANTE, no prazo máximo de 10 (dez) dias úteis, contado contribuições estão ou não sendo recolhidas em seus nomes. O

da data da assinatura do contrato, comprovante de prestação de objetivo é que todos os empregados tenham seus extratos

garantia correspondente ao percentual de 5% (cinco por cento) do avaliados ao final de um ano - sem que isso signifique que a análise

valor anual atualizado do contrato, podendo essa optar por caução não possa ser realizada mais de uma vez, garantindo assim o

em dinheiro, títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança "efeito surpresa" e o benefício da expectativa do controle;

bancária. g) comunicar ao Ministério da Previdência Social e à Receita

2. A garantia assegurará, qualquer que seja a modalidade Federal do Brasil qualquer irregularidade no recolhimento das

escolhida, o pagamento de: contribuições previdenciárias.

a) prejuízo advindo do não cumprimento do objeto do contrato e do II.e - Controle do recolhimento do FGTS

não adimplemento das demais obrigações nele previstas; a) fixar em contrato que a contratada é obrigada a viabilizar a

b) prejuízos causados à administração ou a terceiro, decorrentes de emissão do cartão cidadão pela Caixa Econômica Federal para

culpa ou dolo durante a execução do contrato; todos os empregados;

c) as multas moratórias e punitivas aplicadas pela Administração à b) fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer todos

contratada; e os meios necessários aos seus empregados para a obtenção de

d) obrigações trabalhistas, fiscais e previdenciárias de qualquer extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela fiscalização;

natureza, não honradas pela contratada. c) fixar em contrato como falta grave, caracterizado como falha em

3. Não serão aceitas garantias em cujos temos não constem sua execução, o não recolhimento do FGTS dos empregados, que

expressamente os eventos indicados nas alíneas a a d do item 2 poderá dar ensejo à rescisão unilateral da avença, sem prejuízo da

imediatamente anterior. aplicação de sanção pecuniária elevada e do impedimento para

4. A garantia em dinheiro deverá ser efetuada na Caixa Econômica licitar e contratar com a União, nos termos do art. 7º da Lei nº

Federal, com correção monetária, em favor do Tribunal de Contas 10.520/2002.

da União(...);. d) fixar em contrato que a contratada deve, sempre que solicitado,

10.3 não serão aceitas garantias que incluam outras isenções de apresentar extrato de FGTS dos empregados;

responsabilidade que não as previstas neste item. e) solicitar, mensalmente, Certidão de Regularidade do FGTS;

II.d - Controle de encargos previdenciários f) orientar os fiscais dos contratos que solicitem, por amostragem,

a) fixar em contrato que a contratada está obrigada a viabilizar o aos empregados terceirizados extratos da conta do FGTS e os

acesso de seus empregados, via internet, por meio de senha entregue à Administração com o objetivo de verificar se os

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depósitos foram realizados pela contratada. O objetivo é que todos de extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela

os empregados tenham seus extratos avaliados ao final de um ano - fiscalização;

sem que isso signifique que a análise não possa ser realizada mais 9.1.5.3 fixar em contrato como falta grave, caracterizada como falha

de uma vez, garantindo assim o "efeito surpresa" e o benefício da em sua execução, o não recolhimento das contribuições sociais da

expectativa do controle; Previdência Social, que poderá dar ensejo à rescisão da avença,

g) comunicar ao Ministério do Trabalho qualquer irregularidade no sem prejuízo da aplicação de sanção pecuniária e do impedimento

recolhimento do FGTS dos trabalhadores terceirizados. para licitar e contratar com a União, nos termos do art. 7º da Lei

II.f - Outros documentos 10.520/2002.

II.g - Conta vinculada(...) 9.1.5.4 reter 11% sobre o valor da fatura de serviços da contratada,

ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos nos termos do art. 31, da Lei 8.212/93;

em Sessão Plenária, diante das razões expostas pelo Relator, em: 9.1.5.5 exigir certidão negativa de débitos para com a previdência -

9.1 recomendar à Secretaria de Logística e Tecnologia da CND, caso esse documento não esteja regularizado junto ao Sicaf;

Informação do Ministério do Planejamento que incorpore os 9.1.5.6 prever que os fiscais dos contratos solicitem, por

seguintes aspectos à IN/MP 2/2008: amostragem, aos empregados terceirizados que verifiquem se

9.1.1 que os pagamentos às contratadas sejam condicionados, essas contribuições estão ou não sendo recolhidas em seus nomes.

exclusivamente, à apresentação da documentação prevista na Lei O objetivo é que todos os empregados tenham tido seus extratos

8.666/93; avaliados ao final de um ano - sem que isso signifique que a análise

9.1.2 prever nos contratos, de forma expressa, que a administração não possa ser realizada mais de uma vez para um mesmo

está autorizada a realizar os pagamentos de salários diretamente empregado, garantindo assim o "efeito surpresa" e o benefício da

aos empregados, bem como das contribuições previdenciárias e do expectativa do controle;

FGTS, quando estes não forem honrados pelas empresas; 9.1.5.7 comunicar ao Ministério da Previdência Social e à Receita

9.1.3 que os valores retidos cautelarmente sejam depositados junto do Brasil qualquer irregularidade no recolhimento das contribuições

à Justiça do Trabalho, com o objetivo de serem utilizados previdenciárias.

exclusivamente no pagamento de salários e das demais verbas 9.1.6 quanto à fiscalização dos contratos a ser realizada pela

trabalhistas, bem como das contribuições sociais e FGTS, quando Administração com o objetivo de verificar o recolhimento do Fundo

não for possível a realização desses pagamentos pela própria de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, observe os aspectos

administração, dentre outras razões, por falta da documentação abaixo:

pertinente, tais como folha de pagamento, rescisões dos contratos e 9.1.6.1 fixar em contrato que a contratada é obrigada a viabilizar a

guias de recolhimento; emissão do cartão cidadão pela Caixa Econômica Federal para

9.1.4 fazer constar dos contratos cláusula de garantia que assegure todos os empregados;

o pagamento de: 9.1.6.2 fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer

9.1.4.1 prejuízos advindos do não cumprimento do contrato; todos os meios necessários aos seus empregados para a obtenção

9.1.4.2 multas punitivas aplicadas pela fiscalização à contratada; de extratos de recolhimentos sempre que solicitado pela

9.1.4.3 prejuízos diretos causados à contratante decorrentes de fiscalização;

c9.1.4.4 obrigações previdenciárias e trabalhistas não honradas 9.1.6.3 fixar em contrato como falta grave, caracterizado como falha

pela contratada. em sua execução, o não recolhimento do FGTS dos empregados,

9.1.5 quanto à fiscalização dos contratos a ser realizada pela que poderá dar ensejo à rescisão unilateral da avença, sem prejuízo

administração com o objetivo de verificar o recolhimento das da aplicação de sanção pecuniária e do impedimento para licitar e

contribuições previdenciárias, observar os aspectos abaixo: contratar com a União, nos termos do art. 7

9.1.5.1 fixar em contrato que a contratada está obrigada a viabilizar 9.1.6.4 fixar em contrato que a contratada deve, sempre que

o acesso de seus empregados, via internet, por meio de senha solicitado, apresentar extrato de FGTS dos empregados;

própria, aos sistemas da Previdência Social e da Receita do Brasil, 9.1.6.5 solicitar, mensalmente, Certidão de Regularidade do FGTS;

com o objetivo de verificar se as suas contribuições previdenciárias 9.1.6.6 prever que os fiscais dos contratos solicitem, por

foram recolhidas; amostragem, aos empregados terceirizados extratos da conta do

9.1.5.2 fixar em contrato que a contratada está obrigada a oferecer FGTS e os entregue à Administração com o objetivo de verificar se

todos os meios necessários aos seus empregados para a obtenção os depósitos foram realizados pela contratada. O objetivo é que

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todos os empregados tenham tido seus extratos avaliados ao final mediante locação de mão-de-obra, conforme a jurisprudência dos

de um ano - sem que isso signifique que a análise não possa ser Tribunais trabalhistas;

realizada mais de uma vez em um mesmo empregado, garantindo Considerando que os valores referentes às provisões de encargos

assim o "efeito surpresa" e o benefício da expectativa do controle; trabalhistas são pagos mensalmente à empresa, a título de reserva,

9.1.6.7 comunicar ao Ministério do Trabalho qualquer irregularidade para utilização nas situações previstas em lei;

no recolhimento do FGTS dos trabalhadores terceirizados. Resolve:

9.1.7 somente sejam exigidos documentos comprobatórios da Art. 1º Determinar que as provisões de encargos trabalhistas

realização do pagamento de salários, vale-transporte e auxílio relativas a férias, 13º salário e multa do FGTS por dispensa sem

alimentação, por amostragem e a critério da administração; justa causa, a serem pagas pelos Tribunais e Conselhos às

9.1.8 seja fixado em contrato como falta grave, caracterizada como empresas contratadas para prestar serviços de forma contínua,

falha em sua execução, o não pagamento do salário, do vale- sejam glosadas do valor mensal do contrato e depositadas

transporte e do auxílio alimentação no dia fixado, que poderá dar exclusivamente em banco público oficial.

ensejo à rescisão do contrato, sem prejuízo da aplicação de sanção Parágrafo único. Os depósitos de que trata o caput deste artigo

pecuniária e da declaração de impedimento p devem ser efetivados em conta corrente vinculada - bloqueada para

9.1.9 a fiscalização dos contratos, no que se refere ao cumprimento movimentação - aberta em nome da empresa, unicamente para

das obrigações trabalhistas, deve ser realizada com base em essa finalidade e com movimentação somente por ordem do

critérios estatísticos, levando-se em consideração falhas que Tribunal ou Conselho contratante.

impactem o contrato como um todo e não apenas erros e falhas Art. 2º A solicitação de abertura e a autorização para movimentar a

eventuais no pagamento de alguma vantagem a um determinado conta corrente vinculada - bloqueada para movimentação - serão

empregado(...) providenciadas pelo setor de administração do respectivo Tribunal

ou Conselho.

Indubitavelmente, a tomadora de serviços, no caso concreto, Art. 3º Os depósitos de que trata o art. 1º desta Resolução serão

também ignorou as recomendações do TCU - Tribunal de Contas da efetuados, com o acréscimo do Lucro proposto pela contratada.

União contidas no acórdão n.º 1.214/2013, tanto em relação à Art. 4º O montante do depósito vinculado será igual ao somatório

ausência de garantia do contrato, quanto na fiscalização dos dos valores das seguintes provisões previstas para o período de

contratos de trabalho dos empregados da prestadora de serviços, contratação:

incluindo a verificação dos recolhimentos legais (INSS e FGTS). I - 13º salário;

No âmbito do Poder Judiciário, a título de exemplo, destaque-se, o II - Férias e Abono de Férias;

CNJ - Conselho Nacional de Justiça, editou a Resolução n.º III - Impacto sobre férias e 13º salário;

98/2009, dirigida aos tribunais contratantes de trabalhos IV - multa do FGTS.

terceirizados, estabelecendo procedimentos voltados para Parágrafo único. Os valores provisionados para o atendimento

assegurar o pagamento de salários e verbas rescisórias aos deste artigo serão obtidos pela aplicação de percentuais e valores

empregados: constantes da proposta.

Art. 5º Os Tribunais ou Conselhos deverão firmar acordo de

"Dispõe as provisões de encargos trabalhistas a serem pagos pelos cooperação com banco público oficial, que terá efeito subsidiário à

Tribunais às empresas contratadas para prestar serviços de forma presente Resolução, determinando os termos para a abertura da

contínua no âmbito do Poder Judiciário. conta corrente vinculada - bloqueada para movimentação. (ANEXO

O Presidente do Conselho Nacional de Justiça, no uso de suas II)

atribuições constitucionais e regimentais, e Art. 6º A assinatura do contrato de prestação de serviços entre os

Considerando a necessidade da Administração Pública, na prática Tribunais ou Conselhos e a empresa vencedora do certame será

de atos administrativos, nos termos do disposto no art. 14 do precedida dos seguintes atos:

Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, observar os I - solicitação pelo Tribunal ou Conselho contratante, mediante

princípios da racionalidade e da economicidade; ofício, de abertura de conta corrente vinculada - bloqueada para

Considerando a responsabilidade subsidiária dos Tribunais, no caso movimentação -, no nome da empresa, conforme disposto no art. 1º

de inadimplemento das obrigações trabalhistas pela empresa desta Resolução (ANEXOS III, IV, V, VI, VIII e IX);

contratada para prestar serviços terceirizados, de forma contínua, II - assinatura, pela empresa a ser contratada, no ato da

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regularização da conta corrente vinculada - bloqueada para encerramento do contrato, na presença do sindicato da categoria

movimentação, de termo específico da instituição financeira oficial correspondente aos serviços contratados, ocorrendo ou não o

que permita ao Tribunal ou Conselho ter acesso aos saldos e desligamento dos empregados.

extratos, e que vincule a movimentação dos valores depositados à Art. 13. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação".

sua autorização. (ANEXO VII)

Art. 7º Os saldos da conta vinculada - bloqueada para Como se percebe, os órgãos de fiscalização conhecem a realidade

movimentação - serão remunerados pelo índice da poupança ou da terceirização realizada pelo poder público brasileiro, cujo

outro definido no acordo de cooperação, sempre escolhido o de descumprimento da legislação trabalhista por parte de empresas

maior rentabilidade. sem lastro econômico ou financeiro, pois incumbidas apenas de

Art. 8º Os valores referentes às provisões de encargos trabalhistas vender ou intermediar mão de obra, é a regra geral, bem como a

mencionados no art. 4º, depositados na conta corrente vinculada - sistemática lesão a direitos obreiros próprios do ato da rescisão

bloqueada para movimentação - deixarão de compor o valor do contratual.

pagamento mensal à empresa. Lamentavelmente, os normativos existentes e as recomendações

Art. 9º No âmbito dos Tribunais ou Conselhos, o setor de controle editadas por órgãos públicos diversos têm sido insuficientes para

interno ou setor financeiro é competente para definir, inicialmente, alterar o quadro de irregularidades trabalhistas verificadas nas

os percentuais a serem aplicados para os descontos e depósitos, contratações celebradas entre a Administração Pública e as

cabendo ao setor de execução orçamentária ou ao setor financeiro empresas terceirizantes, muito provavelmente, consigne-se, porque

conferir a aplicação sobre as folhas de salário mensais das a lógica ou a gênese da terceirização é incompatível com a

empresas e realizar as demais verificações pertinentes. dignidade humana laboral, com o respeito aos direitos previstos na

Art. 10. Os editais referentes às contratações de empresas para Constituição da República e na CLT- Consolidação das Leis do

prestação de serviços contínuos aos Tribunais ou Conselhos, Trabalho. A terceirização existe, em primeiro lugar, para diminuir os

deverão conter expressamente o disposto no art. 8º desta custos com o trabalho. E depois, não menos relevante, para

Resolução, bem como a obrigatoriedade de observância de todos fragmentar a classe trabalhadora, do ponto de vista de sua

os seus termos. organização social e política.

Art. 11. A empresa contratada poderá solicitar autorização do Pois bem. Aqui, de igual modo, a parte demandante deixou de

Tribunal ou Conselho para resgatar os valores, referentes às receber parcelas durante o curso do pacto laboral, bem como parte

despesas com o pagamento de eventuais indenizações trabalhistas das verbas básicas no ato da rescisão contratual, não tendo a

dos empregados que prestam os serviços contratados pelo Tribunal tomadora de serviços adotado qualquer medida concreta para evitar

ou Conselho, ocorridas durante a vigência do contrato. a lesão consumada, seja no que se refere à fiscalização rigorosa do

§ 1º Para a liberação dos recursos da conta corrente vinculada - contrato de prestação de serviços quando de sua vigência, seja no

bloqueada para movimentação - a empresa deverá apresentar à tocante à reserva mensal de valores para assegurar o pagamento

unidade de controle interno ou setor financeiro os documentos de verbas rescisórias à parte obreira, ainda no século XXI a parte

comprobatórios da ocorrência de indenizações trabalhistas. frágil dessa relação triangular formada à margem do ordenamento

§ 2º Os Tribunais ou Conselhos, por meio dos setores competentes, jurídico (CRFB, CLT, Pactos e Convenções Internacionais),

expedirão, após a confirmação da ocorrência da indenização conforme explicitado antes no presente voto.

trabalhista e a conferência dos cálculos pela unidade de auditoria, a Além da ausência de qualquer fiscalização, no regular exercício do

autorização de que trata o caput deste artigo, que será poder de vigilância adequado, a tomadora de serviços não cuidou

encaminhada à instituição financeira oficial no prazo máximo de de realizar a retenção dos valores destinados a suportar o

cinco dias úteis, a contar da data da apresentação dos documentos pagamento das verbas devidas aos empregados das prestadoras

comprobatórios pela empresa. de serviços, ação a qual restou solenemente ignorada quanto à

§ 3º A empresa deverá apresentar ao Tribunal ou Conselho, no parte demandante.

prazo máximo de três dias, o comprovante de quitação das Neste caso, portanto, encontram-se preenchidos os requisitos para

indenizações trabalhistas, contados da data do pagamento ou da a decretação da responsabilidade subsidiária das duas últimas

homologação. reclamadas com base na teoria da reparação do dano pelo

Art. 12. O saldo total da conta corrente vinculada - bloqueada para cometimento de ato ilegal por parte da Administração Pública (CCB,

movimentação - será liberado à empresa, no momento do artigos 186 e 927, caput; CLT, artigo 8º), tudo em consonância com

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o resultado dos julgamentos proferidos nos autos da ADC n.º 16 e contrato de trabalho, além de não pagar as diversas verbas devidas

do RE 760931, pelo STF, bem como em atenção à nova redação da supracitadas.

Súmula n.º 331, do TST. Ora, não se trata da presunção de culpa. A Administração Pública,

A culpa da segunda reclamada, pela inadimplência patronal, está na qualidade de tomadora de serviços, segundo prova dos autos,

suficientemente provada, conforme elementos antes expostos. não fiscalizou a regularidade do cumprimento das obrigações no

Sinteticamente, havendo, nos autos, demonstração de que além da curso do pacto laboral. Por via de consequência, descumpriu o

péssima escolha no ato da contratação, a tomadora de serviços foi disposto nos artigos 58 e 67, da Lei n.º 8.666/1993, quanto ao dever

omissa ou negligente no seu dever de fiscalização junto à empresa de fiscalização rigorosa do contrato administrativo, mês a mês, dia a

terceirizante, a ponto de direitos básicos dos trabalhadores terem dia.

sido sistematicamente desrespeitados durante e após o término do De igual modo, a omissão do poder público contratante de trabalho

pacto laboral (rescisão contratual), sem nenhuma ação ou reação terceirizado, no caso concreto, ignorou a Instrução Normativa n.º 3,

por parte da tomadora, configura-se, sob ponto de vista de 15 de outubro de 2009, do MPOG (Art. 34 A execução dos

extremamente moderado, ou seja, para dizer o mínimo, a culpa in contratos deverá ser acompanhada e fiscalizada por meio de

vigilando. instrumentos de controle, que compreendam a mensuração dos

seguintes aspectos, quando for o caso:(...) § 5º Na fiscalização do

2.1.4- ANÁLISE DO CASO CONCRETO - AGORA A PARTIR DA cumprimento das obrigações trabalhistas e sociais nas contratações

EXISTÊNCIA OU NÃO DA PROVA CONTUNDENTE NOS AUTOS continuadas com dedicação exclusiva dos trabalhadores da

DA CULPA IN VIGILANDO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA contratada, exigir-se-á, dentre outras, as seguintes

COMO TOMADORA DE SERVIÇOS comprovações:(...) 1. extrato da conta do INSS e do FGTS de

Para além da ausência de demonstração da fiscalização efetiva do qualquer empregado, a critério da Administração contratante;

contrato administrativo, como vimos na análise do tópico anterior a (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de

este, há, de fato, prova contundente da culpa in vigilando da 2013), ao não ter adotado a mais remota providência para obrigar a

tomadora de serviços pelo inadimplemento de verbas devidas à empresa terceirizante a regularizar o FGTS da parte reclamante e

parte reclamante, parcelas as quais deveriam ter sido de tantos outros empregados vinculados ao mesmo contrato de

pagas/depositadas no curso e quando da rescisão contratual. prestação de serviços.

Observemos, então. Conforme transcrição realizada no item 3.2.3 deste voto, há tantas

A empresa prestadora de serviços deixou de honrar com obrigações outras normas internas editadas pelo próprio poder público, exigindo

básicas do contrato de trabalho mantido com a parte obreira, a a fiscalização, por parte da tomadora de serviços, quanto à

ponto de deixar de cumprir obrigações de fazer tais como baixa da regularidade dos depósitos mensais do FGTS nas contas dos

CTPS, entrega das guias para percepção do seguro-desemprego e empregados, incluindo deliberação do órgão de controle de contas

levantamento do FGTS. Além disso, deixou de pagar parcelas tais federais, o TCU - Tribunal de Contas da União.

como multa de 40% do FGTS, multa estabelecida no §8° do art. 477 Reitere-se: a tomadora de serviços, integrante da Administração

do Texto Celetista e multa convencional, segundo os termos da Pública, sequer constatou as irregularidades que ensejaram a

sentença condenatória ora examinada em grau de recurso. presente condenação, relativas à ausência de pagamento da multa

Não raro, o poder público contratante de trabalho terceirizado de 40% do FGTS e das obrigações de fazer (baixa na CTPS) tudo a

sequer traz aos autos qualquer documento apto a demonstrar atestar que a fiscalização ou vigilância do contrato não passava de

indício de fiscalização, preferindo, pois, apostar na tese frágil da uma ficção.

ausência de responsabilidade pelo pagamento das verbas devidas à Tal como especificado nas normas e determinações expressamente

parte autora, decorrentes do contrato de prestação de serviços com transcritas no tópico anterior do presente voto, a tomadora de

a empresa terceirizante que cumpriu o roteiro tradicional. serviços não fez a retenção que deveria realizar para assegurar o

A fiscalização insuficiente por parte da tomadora de serviços (culpa pagamento das verbas decorrentes do período do pacto laboral em

in vigilando) é, na imensa maioria dos casos, flagrante, que a parte reclamante prestou serviços na condição de

considerando inclusive a ausência de retenção das faturas para a terceirizada.

quitação de várias parcelas inadimplidas no curso e término do Em outras palavras, a negligência da tomadora de serviços é

pacto laboral. evidente, no período do contrato de terceirização.

Não é demais lembrar que a empregadora deixou de registrar o Não fosse suficiente, a recorrente sequer juntou documentos

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capazes de demonstrar que fiscalizou adequadamente o A conduta omissiva e negligente da tomadora de serviços, no

cumprimento das obrigações trabalhistas pela primeira reclamada. tocante à ausência de fiscalização do contrato administrativo e à

A recorrente nada fez para assegurar o pagamento das verbas exigência de garantia de execução, é por demais evidente nos

efetivamente devidas ao recorrido, nem mesmo efetuou a retenção autos, a ponto de configurar a sua culpa in vigilando, de forma

mensal de valores capaz de suportar a dívida reconhecida contundente e irrefutável, pelo inadimplemento de todas as verbas a

judicialmente, como estabelecido em normas internas da que foi responsabilizada de forma subsidiária pelo Juízo da

Administração Pública Federal. instância primeira da causa.

Para além da flagrante conduta omissiva, negligente, configuradora, A segunda reclamada não empreendeu medidas eficazes para

de forma contundente e irrefutável, da culpa in vigilando pela garantir à parte reclamante a efetividade de todos os seus direitos

regularidade do cumprimento das obrigações durante o pacto sociais, todos decorrentes do contrato de trabalho.

laboral, a tomadora de serviços, integrante da Administração Se assim tivesse agido, poderia ter evitado o dano causado à parte

Pública, não cuidou de exigir, da empresa terceirizante, a garantia autora, fato devidamente reconhecido pela sentença recorrida.

de execução do contrato previsto no art. 56, da Lei de Licitações, e A prova dos autos atesta a culpa in vigilando da tomadora de

reiterada em normas internas do MPOG, conforme a seguir serviços.

transcrito, novamente: A fiscalização insuficiente por parte da segunda reclamada (culpa in

vigilando) é flagrante, considerando inclusive a ausência de

"(...) XIX - exigência de garantia de execução do contrato, nos retenção de faturas em valor suficiente para quitar todas as verbas

moldes do art. 56 da Lei no 8.666, de 1993, com validade durante a deferidas na origem.

execução do contrato e 3 (três) meses após o término da vigência Se tivesse cumprido as suas obrigações legais e contratuais, a

contratual, devendo ser renovada a cada prorrogação, observados tomadora, em tese, poderia ter evitado a inadimplência em relação

ainda os seguintes requisitos: (Redação dada pela Instrução às verbas antes descritas.

Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013). Segundo compreensão do Supremo Tribunal Federal, a

a) a contratada deverá apresentar, no prazo máximo de 10 (dez) responsabilidade subsidiária da Administração Pública, na

dias úteis, prorrogáveis por igual período, a critério do órgão qualidade de tomadora de trabalho terceirizado, não é automática.

contratante, contado da assinatura do contrato, comprovante de Havendo inadimplência quanto ao pagamento de parcelas

prestação de garantia, podendo optar por caução em dinheiro ou trabalhistas diversas ou verbas rescisórias, por parte da prestadora

títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança bancária, sendo de serviços, o poder público somente responde, de forma

que, nos casos de contratação de serviços continuados de subsidiária, quando restar demonstrada nos autos, de maneira

dedicação exclusiva de mão de obra, o valor da garantia deverá categórica e irrefutável, a sua culpa in vigilando, no tocante à

corresponder a cinco por cento do valor total do contrato; (Incluído ausência de fiscalização (conduta omissiva ou negligente) do

pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de dezembro de 2013) contrato administrativo celebrado com empresa terceirizante.

b) a garantia, qualquer que seja a modalidade escolhida, Sinteticamente, revelando a prova dos autos, de forma contundente

assegurará o pagamento de: (Incluído pela Instrução Normativa nº e irrefutável, que a tomadora de serviços concorreu diretamente

6, de 23 de dezembro de 2013) para a inadimplência trabalhista, ao ser omissa e negligente quanto

1. prejuízos advindos do não cumprimento do objeto do contrato; à fiscalização do contrato mantido com a empresa terceirizante, a

(Redação dada pela Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de ponto de não ter sequer coibido as irregularidades evidentes

2015) durante o seu desenvolvimento, incluindo a falta de pagamento de

2. prejuízos diretos causados à Administração decorrentes de culpa parcelas básicas do liame laboral, encontra-se configurada a sua

ou dolo durante a execução do contrato; (Redação dada pela culpa in vigilando, apta, portanto, a atrair a responsabilidade

Instrução Normativa nº 4, de 19 de março de 2015) subjetiva admitida pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal

3. multas moratórias e punitivas aplicadas pela Administração à Superior do Trabalho. A culpa in vigilando resta reforçado quando,

contratada; e (Incluído pela Instrução Normativa nº 6, de 23 de além de não cumprir as suas obrigações inerentes à fiscalização, o

dezembro de 2013) poder público contratante nada faz para evitar a inadimplência em

4. obrigações trabalhistas e previdenciárias de qualquer natureza, relação às verbas devidas durante o curso do pacto e na rescisão

não adimplidas pela contratada, quando couber". contratual, seja pela ausência da retenção de valor mensal para

esse fim, seja pela falta de exigência da garantia de execução do

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contrato administrativo, a ser renovada anualmente, tudo nos Art. 790 [...]

termos da lei e das normas regulamentares instituídas pela própria § 3o É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos

Administração Pública, além das determinações emitidas pelo órgão tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a

de controle de contas na mesma direção (TCU). requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, inclusive

Assim sendo, mantenho a sentença que declarou a quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário

responsabilidade subsidiária da segunda reclamada pelas igual ou inferior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos

obrigações trabalhistas definidas nos julgados, salvo quanto benefícios do Regime Geral de Previdência Social.

às obrigações de fazer próprias do empregador. § 4o O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que

Recurso desprovido. comprovar insuficiência de recursos para o pagamento das custas

do processo.

2.1.5- CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO

A condenação impostas às recorrentes (responsabilidade Depreende-se do novo texto legal (§§ 3º e 4º do Art. 790 da CLT)

subsidiária) não decorre da declaração de inconstitucionalidade do que, para aqueles que percebem salário igual ou inferior a quarenta

artigo 71, §1º, da Lei n.º 8.666/1993, senão de sua observância em por cento do limite do RGPS, há presunção de serem beneficiários

conformidade com a interpretação conferida à referida norma pelo da Justiça gratuita e, de outro lado, para aqueles cujo salário

Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADC n.º 16, e do RE ultrapassa tal teto, resta mantida a possibilidade de comprovação

760931-DF. da hipossuficiência, podendo esta ser firmada por mera declaração,

Não há se falar em pronunciamento do Tribunal em sua composição nos termos da Lei n.º 7.115/1983, que confere à simples declaração

plenária para emitir decisão sobre matéria jamais deliberada pela presunção de veracidade, para fins de comprovação do estado de

Turma. pobreza.

Eis a regra específica em sua literalidade:

2.1.6- PREQUESTIONAMENTO DE DISPOSITIVOS

CONSTITUCIONAIS E LEGAIS "Art. . 1º - A declaração destinada a fazer prova de vida,

A partir do enfrentamento jurídico realizado, considera-se, pois, que residência, pobreza, dependência econômica, homonímia ou

houve prequestionamento das normas constitucionais indicadas na bons antecedentes, quando firmada pelo próprio interessado

defesa e no recurso da tomadora de serviços, sem ofensa alguma a ou por procurador bastante, e sob as penas da Lei, presume-se

qualquer uma delas. verdadeira.

Ainda assim, precisa ser registrado que a decisão judicial Parágrafo único - O dispositivo neste artigo não se aplica para fins

condenatória do poder público contratante de trabalho terceirizado, de prova em processo penal.

em caráter subsidiário, por culpa in vigilando, observa o conteúdo Art. . 2º - Se comprovadamente falsa a declaração, sujeitar-se-á o

das decisões do STF sobre a matéria (ADC n.º 16 e RE 760931), declarante às sanções civis, administrativas e criminais previstas na

sem qualquer ofensa a dispositivo constitucional ou legal, incluindo legislação aplicável.

os artigos 5º, II, XLV, XLVI, 22, XXVII, 37, XXI, 37, §6º, 97, 102, §2º, Art. . 3º - A declaração mencionará expressamente a

da CRFB, e ao art. 71, da Lei nº 8.666/1993, bem como à Súmula responsabilidade do declarante.

Vinculante n.º 10, do STF. Art. . 4º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. . 5º - Revogam-se as disposições em contrário."

2.2. BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. ALTERAÇÕES

PROMOVIDAS PELA LEI N.º 13.467/2017 Ademais, o estado de hipossuficiência não deve ser medido pelo

No apelo, o BB TECNOLOGIA impugna a concessão dos benefícios simples valor do salário, mas pela potencialidade de eventual

da justiça gratuita à autora. pagamento das despesas processuais, somado aos gastos

Pois bem. particulares, comprometer o sustento próprio e da família. Nesse

Cabe assinalar que trata-se de reclamação trabalhista ajuizada sentido, o informativo nº 151, do TST:

após a vigência da Lei nº 13.467/2017.

Quanto à gratuidade da justiça, assim dispõe o art. 790, §§ 3º e 4º Justiça gratuita. Declaração de pobreza. Presunção relativa de

da CLT: veracidade não elidida pelo fato de o reclamante ter recebido

verbas rescisórias e de indenização em decorrência de adesão

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 122
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a plano de demissão voluntária. O fato de o reclamante ter comprovem insuficiência de recursos" e tem suas raízes fincadas na

recebido quantia vultosa (R$ 1.358.507,65) decorrente de verbas garantia de acesso à Justiça.

rescisórias e de indenização oriunda de adesão a plano de Assim sendo, nego provimento.

demissão voluntária não é suficiente para elidir a presunção de

veracidade da declaração de pobreza por ele firmada. Sob esse III- CONCLUSÃO

fundamento, a SBDI-I, maioria, conheceu dos embargos por

contrariedade à Orientação Jurisprudencial nº 304 da SBDI-I, e, no Pelo exposto, conheço do recurso ordinário da segunda reclamada

mérito, deu-lhes provimento para restabelecer a sentença que e, no mérito, nego-lhe provimento, nos termos da fundamentação.

deferira os benefícios da justiça gratuita. Vencidos os Ministros João É o voto.

Oreste Dalazen, Renato de Lacerda Paiva e Alexandre Agra

Belmonte. TST-ERR-11237-87.2014.5.18.0010, SBDI-I, rel. Min. 1DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 7.

Hugo Carlos Scheuermann, 2.2.2017. Informativo TST nº 151. ed. São Paulo: LTR, 2008, p. 448, 449 e 459.

2BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADC-Ação Direta de

Não se olvide que as benesses da Justiça Gratuita têm previsão Constitucionalidade nº 16. Disponível em www.stf.jus.br . Acesso

constitucional, segundo o qual "o Estado prestará assistência em 20.05.2015.

jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de 3TST deve analisar caso a caso ações contra União que tratem

recursos" (CF, art. 5º, LXXIV), medida que concretiza o direito de de responsabilidade subsidiária, decide STF. Disponível em

acesso à Justiça. http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=

Seguindo esse norte, o Código de Processo Civil de 2015 disciplina, 166785 . Acesso em 20.05.2015.

em seu art. 98, § 1º, a gratuidade de justiça, deixando expressa 4BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADC-Ação Direta de

tanto a inclusão de isenção do pagamento de custas judiciais, como Constitucionalidade nº 16. Disponível em www.stf.jus.br .

um dos benefícios decorrentes de tal benesse, quanto a Acesso em 20.05.2015.

possibilidade de comprovação da hipossuficiência por simples 5BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula n. 331. Resolução

declaração, cabendo à parte contrária o ônus de demonstrar que o n. 174, de 2011. DEJT, 27, 30 e 31 maio 2011

requerente não preenche os requisitos para o deferimento do 6VIANA, Marcio Túlio; DELGADO, Gabriela Neves; AMORIM,

instituto (CPC, art. 99, §3º c/c CLT, art. 769). Helder Santos. Terceirização: Aspectos Gerais. A Última Decisão do

O que se depreende disso é a disparidade causada pelo legislador STF e a Súmula 331 do TST. Novos Enfoques(*). Editora Magister -

ordinário no tratamento do beneficiário de tal Gratuidade que litiga Porto Alegre - RS. Publicado em: 15 fev. 2011. Disponível em: ).

na Justiça Comum frente àquele litigante na Justiça do Trabalho. Acesso em: 03 jun. 2011.

Ora, o Direito do Trabalho teve origem na necessidade de proteção 7BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Ag-AIRR-84240-

ao empregado hipossuficiente, sendo esse princípio o próprio esteio 16.2005.5.15.0094, Min. Mauricio Godinho Delgado, TST 6ª Turma,

e razão de ser desta Justiça Especializada. DEJT04/02/2011. Disponível em www.tst.jus.br . Acesso em

Tornou-se necessário, portanto, trilhar uma interpretação 20.05.2015

constitucionalmente adequada dos novos preceitos trazidos pela Lei 8Brasil. STF, RE 760931, com Repercussão Geral. Redator

n.º 13.467/2017, com um olhar atento a todo o ordenamento Designado Ministro Luiz Fux. Acórdão publicado em 12 de setembro

jurídico. de 2017. Disponível em www.stf.jus.br. Acesso em 28 de setembro

Em síntese, independentemente dos parâmetros fixados pela de 2017.

reforma, segue plenamente possível a concessão dos

benefícios da Justiça Gratuita com base na simples declaração.

No caso, a reclamante juntou declaração de hipossuficiência (ID. ACÓRDÃO

fc0cec2). Por tais fundamentos, ACORDAM os Desembargadores da Egrégia

Portanto, não havendo nada a infirmar a veracidade da declaração Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da Décima

de hipossuficiência expendida pelo autor, inexistem elementos Região, à vista do contido na certidão de julgamento, em dispensar

concretos para o indeferimento, à parte autora, da gratuidade da o relatório, conhecer do recurso ordinário da segunda reclamada e,

justiça, que, em sua acepção mais ampla, resta assegurada pelo no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto do

inc. LXXIV do art. 5.° da Constituição da República "aos que Desembargador Relator. Ementa aprovada.

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 123
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

Julgamento ocorrido por unanimidade de votos, com a participação DF0007511

dos Desembargadores Dorival Borges (Presidente), Grijalbo

Coutinho e do Juiz convocado Paulo Henrique Blair. Ausentes, RECORRIDO: BK BRASIL OPERACAO E ASSESSORIA A

justificadamente, a Desembargadora Flávia Falcão; em licença RESTAURANTES S.A. - CNPJ: 13.574.594/0001-96

médica, a Desembargadora Elaine Vasconcelos e, em gozo de ADVOGADO: ADRIANO LORENTE FABRETTI - OAB: SP0164414

férias, o Desembargador André Damasceno e o Juiz convocado

Denilson Coêlho. Pelo MPT a Dra. Soraya Tabet Souto Maior ORIGEM: 4ª VARA DE BRASÍLIA/DF (JUIZA PATRICIA BIRCHAL

(Procuradora Regional do Trabalho), que opinou pelo BECATTINI)

prosseguimento do recurso.

Presente por videoconferência: Dr. Caetano Caltabiano.

Sessão telepresencial de 13 de outubro de 2020 (data do

julgamento). EMENTA

ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA. CONFISSÃO OBREIRA.

GRIJALBO FERNANDES COUTINHO CARÁTER DEFINITIVO DA MUDANÇA COMPROVADO.

Desembargador Relator PARCELA INDEVIDA.

Brasília-DF, 14 de outubro de 2020.

RELATÓRIO

MARIA APARECIDA FONSECA MATOS

Servidor de Secretaria

A Exma. Juíza Patricia Birchal Becattini, substituta na MM. 4ª Vara


Processo Nº ROT-0000129-28.2019.5.10.0004
Relator DENILSON BANDEIRA COELHO do Trabalho de Brasília/DF, pela sentença de fls. 272/286, julgou
RECORRENTE ROMULO ESMERALDO TORRES DE improcedentes os pedidos exordiais e deferiu os benefícios da
OLIVEIRA
ADVOGADO CARLA RODRIGUES DA CUNHA justiça gratuita ao reclamante.
LOBO(OAB: 7511/DF)
O reclamante recorre às fls. 302/321. Requer a reforma da sentença
RECORRIDO BK BRASIL OPERACAO E
ASSESSORIA A RESTAURANTES in totumda decisão de origem.
S.A.
ADVOGADO ADRIANO LORENTE FABRETTI(OAB: Contrarrazões às fls. 325/332.
164414/SP)
Os autos não foram remetidos ao Ministério Público do Trabalho em

Intimado(s)/Citado(s): face do disposto no art. 102 do Regimento Interno desta Corte.

- ROMULO ESMERALDO TORRES DE OLIVEIRA

VOTO

PODER JUDICIÁRIO

JUSTIÇA DO TRABALHO
1. ADMISSIBILIDADE

Presentes os pressupostos objetivos e subjetivos de


PROCESSO nº 0000129-28.2019.5.10.0004 - ROT (1009) admissibilidade, conheço do apelo.

2. MÉRITO
RELATOR: JUIZ CONVOCADO DENILSON BANDEIRA COÊLHO HORAS EXTRAS. INTERVALO INTRAJORNADA.

Este Juiz Convocado Relator apresentou seu voto nos seguintes

termos:
RECORRENTE: ROMULO ESMERALDO TORRES DE OLIVEIRA

- CPF: 797.010.271-91 "Narrou o reclamante, na exordial, que foi admitido em 06/06/2014,


ADVOGADO: CARLA RODRIGUES DA CUNHA LOBO - OAB: para exercer a função de Coordenador de Operações, sendo

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 124
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dispensado imotivadamente em 09/01/2018. Alegou que foi máxima dentro de cada loja era o gerente; que em caso raros o

contratado para cumprir jornada de quarenta e quatro horas depoente solicitou mercadoria quando faltava algum produto; que só

semanais, sem a devida contraprestação do labor extraordinário. entrava em câmara fria para fazer auditoria; que não fazia escala de

Alegou que laborava das 8h às 22h30, de segunda a sexta-feira e, trabalho dos gerentes; que tinha conhecimento do salários dos

aos sábados, das 8h às 15h, sempre com 30 minutos de intervalo funcionários; que trabalhava de 7:30 até 22/23 horas no fechamento

para descanso, além de 2h de labor aos domingos e feriados em das lojas; que 7:30 recebia painel, que 8 horas fazia uma

razão das teleconferências realizadas, perfazendo, assim, jornada conferência com os gerentes, que 9 horas fazia outra conferência

superior a quarenta e quatro horas semanais. Assim, requereu o com o gerente regional e passava a visitar as lojas até às 19 horas,

pagamento das horas extras 24 horas extras por semana, com mas continuava trabalhando, recebendo o WhatsApp até às 23

adicional de 50% e 8 horas extras por semana com adicional de horas; o que come um sanduíche na loja gastando 20 minutos no

100% e o pagamento da indenização parcial de 30 minutos de almoço e 20 minutos no jantar; que ninguém fiscalizavam o

intervalo intrajornada não gozado com os reflexos respectivos. horário do depoente(...) ".

A reclamada defendeu o enquadramento do autor na exceção do No caso dos autos, o exercício do cargo de gestão restou sinalizado

artigo 62, II, da CLT, por ter exercido, durante todo o contrato de na confissão obreira, no sentido de que tinha poderes de passar

trabalho, cargo de gestão, com percepção de remuneração superior ordens aos demais gerentes da reclamada para que fossem

a 40% em relação aos seus subordinados. aplicados aos demais empregado, bem como confessou a

O Juízo de origem indeferiu o pedido do autor de pagamento de inexistência de controle de sua jornada pela reclamada. Além disso,

horas extras e reflexos por entender enquadrado o reclamante na destaco que os incisos I e II do artigo 62 da CLT não são

exceção contida no inciso II, do artigo 62 da CLT. cumulativos, de modo que, o enquadramento das atividades do

Contra esta decisão se insurge o reclamante. Alega que a prova autor em cargo de gestão, por si só, já são suficientes para a

oral colhida comprova a jornada declinada na exordial. Diz que não exclusão das horas extras, independentemente se poderia haver ou

comprovado pela reclamada a exceção prevista no artigo 62, II, da não o efetivo controle da jornada.

CLT. Pontua que havia controle de jornada via GPS e que os O depoimento testemunhal foi prestado da seguinte forma:

documentos acostados aos autos comprovam o labor em domingos Primeira testemunha do reclamante: LÉIA SANTANA DE MORAES,

e feriados. identidade nº 3.367.737 SSP/DF, casada, nascida em 02/09/1994,

Pois bem. O cumprimento de jornada de trabalho além do horário Gerente administrativa, residente e domiciliado(a) na Av. Lucena

previsto em lei revela situação excepcional ao contrato de trabalho, Roriz, Quadra 225, Lote 20, Casa 03 - Jardim Ingá - Luziânia - GO.

da mesma forma a ausência de gozo do intervalo intrajornada e, por Advertida e compromissada. Depoimento: "que trabalhou na

isso, ditos pleitos demandam comprovação robusta por parte do reclamada de agosto de 2014 a junho de 2018; que trabalhou junto

trabalhador, visto revelar-se em fato constitutivo do direito por ele com o reclamante do final de 2016 até o final de 2017; que nessa

postulado, nos termos do art. 818 da CLT. Ocorre que, no caso, a época a depoente era assistente administrativa e ficava lá na loja do

reclamada alega fato impeditivo de tal direito, visto que pede a Pátio Brasil; que o reclamante seguia uma agenda comparecendo

aplicação da regra do art. 62, II, da CLT, o que atrai para si o ônus em cada loja um dia na semana; que tinha dia que o reclamante

probatório. ficava o dia inteiro na loja da depoente e outras vezes por 2/3 horas;

Os poderes de gestão a que alude o art. 62, II, da CLT comportam a que o reclamante o tempo todo estava em contato com a loja por

ideia de que o empregado tem do empregador mandato (ainda que telefone ou WhatsApp; que horário da depoente encerrava às 16

tácito) para administrar, autorização para admitir, demitir, advertir e horas, mas sabe que o reclamante mandava mensagens nos

aplicar sanções aos demais empregados, tem subordinados e não grupos até tarde da noite; que assim que o reclamante entrou

tem controle da jornada. É uma pessoa que representa o assumiu 11 lojas, pois estava sem o outro coordenador, que depois

empregador e tem padrão salarial diferenciado e elevado em ele ficou com 6 lojas não sabendo a depoente precisar data; que

relação aos demais. Enfim, os poderes de gestão referidos no tinham que mandar o horário de fechamento da loja no grupo de

dispositivo legal são aqueles mediante os quais o empregado WhatsApp; que o reclamante tinha que dar o OK dele; que no

funciona como verdadeiro alter ego do empregador. sistema o reclamante continuou como coordenador, mas ele parou

Em depoimento pessoal, assim afirmou o reclamante (fls. 266): de ir por um período, pois entrou outra pessoa em setembro de

"(...) que o depoente passava as ordens para os gerentes que 2017, mais ou menos; que o reclamante também mandava

repassavam para os demais empregados; que autoridade mensagem de WhatsApp aos sábados e domingos; que não se

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3079/2020 Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região 125
Data da Disponibilização: Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020

recorda da data certinha de quando viu o reclamante pela última vez impossível ou impraticável a submissão do empregado ao regime

em 2017" (fls. 267) da duração do trabalho por duas razões.

Pelo depoimento transcrito, máxime das declarações do próprio A primeira delas (inciso I), leva em conta o desenvolvimento de

reclamante, assim como o Juízo de origem, concluo que o autor atividades fora das instalações da empresa, havendo

estava enquadrado na função de gestão, nos termos previstos no incompatibilidade com a fixação e controle da jornada laboral.

artigo 62, II, da CLT, já que confessada a subordinação dos demais Já o inciso II, que a reclamada cogita aplicação ao presente caso,

gerentes e empregados ao reclamante, que obedeciam as ordens refere-se à relevância da função desenvolvida, grau de confiança,

emanada pelo autor, determinando, inclusive os horários de padrão salarial e amplo poder de gestão em nome da empresa.

fechamento das lojas, sendo o demandante a autoridade máxima de Portanto, em razão da excepcionalidade, o enquadramento do

cada umas das lojas coordenadas por ele.