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PARÁ ESTADO PRESIDENTE
EUR I CO DE FRE VIAS VALLE )

MENSAGEM . . * 07 DE SETEMBRO DE 1929;

INCLUI ANEXOS
MENSAGEM APRESENTADA

AO CONGRESSO LEGISLATIVO DO PARA,


EM SESSA0 SOLENNE DE ABERTURA DA
3.A REUNIAO DE SUA 132 LEGISLATURA, A
-2 DE SETEMBRO DE -V7)2P , PELO GOVERNADOR

DO ESTADO, DR. EURICO DE FREITAS VALLE.

Dospia de Mini:kids
elas
Relapses Ertelielms-

E L 1.: PAR
MMus graphicas do Insdtplo Lauro Sant
ESCOLA PROFISSIONAL DO ESTADO)

1929
Serzliores Congressistas

No é diminuta a nossa satisfacção ao termos


0 primeiro contacto
com o Congresso Les!ativo do Estado. Cumprindo
ditado pela Constituição,
o dever que nos é
vimos dar contas -dos actos administrativos do
anno, entre os quaes os do curto period() de iilguns
mezes do nosso go
verno. Se esse imperativo coistittHonal não existisse na contextura da
Lei Fundamental, nem por isto nos considerariams
dispensados de fazei-o.
tão imperioso se nos afigura o dever moral que assiste
a todo homem pu-
blico de relatar os actos funccionaes praticados
em virtude de um mandato
popular. AquelleS que trri a devida comprehensão de seus deveres
repu-
blicanos não podem ignorar que a principal obrigação de
um governo de-
mocratic° 6. prestar contas de toda a administração com rigorosa minucia.
exactidão e sinceridade.
O que ora fazemos no é mais do que have:nos feito destie
oprimeiro
dia de governo. Ainda não estavamos eleito, já diziamos
em a nossa plata-
forma Darei ao publico as mais completas informações sobre
os actos do
governo, fornecendo-lhe continua e rigorosamente veridica publicidade dos
acontecimentos administrativos, para que possa formar uma opinião
segura
sobre elles e julgal-os pelo seu prop. rio espirito de justiça. Manterei
um re-
gimen de ampla publicidade, porque não me arreceiarei da critica:
antes
estimal-a-ei educada, imparcial, polida, honesta e verdadeira ã margem da
minha administração
Para nós essa obrigação constitue motivo de vivas
emoções porque vem
ao encontro de normas de conducta publica adoptadas diuturnatnente.
Con-
fessando-vos esse nosso intenso jubilo por este ensejo de mais
intima ap-
proximação comvosco, Senhores Congressistas, deixamos bern expresso o
nosso maior apreço a urn dos minis altos poderes politicos do Estado,
que
é o' Congresso, cujas tradições de operosidade efficiente, posta ao serviço
da causa publica, demoram na consciencia do povo paraense.
Sejam, pois, as nossas primeiras palavras uma homenagem ao Con-
gresso Legislativo do Pará.
Permitti que ao mesmo tempo solicitemos a vossa valiosissima
collabo-
ração na obra ingente e patriotica que nos coube, pela confiança dos
nos-
sos concidadãos, na partilha dos grandes encargos da nossa terra.
Devemos confessar que sempre nos ufanamos de haver
annos atraz
pertencido á communhão legislativa do nosso Estado e ainda agora. tempo
decorrido, motivos de sobra temos para recordar com carinho as grandes
horas intensas de labor fecundo, vividas no vosso seio amigo, onde
conta-
mos com affeicões muito caras de velhos companheiros de prelios memo-
raveis. Testemunha que somos da dedicaçâo do Congresso pela
causa col-
lectiva, a nossa confisstio, neste momento em que a bondade da Providen-
cia nos alçou ao ponto culminante da administração, vale por um esponta-
neo e jugto tributo de nossa admiraça6 aos que vêm servindo com firmeza
e lealdade a comminhao collectiva. Muito confiamos nesse concurso, pois,
nas phases percucientes da nossa trajectoria politica, jamais o Congresso
descurou de seus deveres para com o Estado. Ao contrario. o Senado e a
Camara, tendo em mais elevado grao a comprehensao de sua finalidade
politica, enfrentaram serenamente as situações extremas por que tem
pas-
sado o Estado, dando em bem dos interesses regionaes o melhor do seu esfor-
ço intelligente e tenaz na obra quasi herculea de preservar o Para de maio-
res provações e de reparar os damnos causados As suas finanças pelas cri-
ses successivas. cujas consequencias perniciosas pairam por sobre
os nos-
sos destinos, até agora, como uma seria ameaça ao reajustamento econo-
mico e, por consequencia, á nossa combalida vida financeira.
Bem sabeis quaes sàoos intuitos que trazemos para o governo. Elles
estão delineados no programma que nos traçamos naquelle documento
po-
litico que lemos no inemoravel Congresso de Delegados do pujante Parti-
do Republicano Federal, ao qual nos orgulhecemos de
pertencer, realizado
em Outubro do anno findo.
Permitti que traslademos para esta Mensagem os dois principaes
to-
picos da nossa plataforma. que se referem as difficuldades
economicas do
Estado e á sua situação financeira em face da mais flagrante realidade.
São os dois maximos pólos dentro dos quaes se desdobram os demais as-
sumptos da administração. Nelles encontrareis, na sua mais real e impres-
sionante tonalidade, sem quebra da nossa fé em os nossos destinos, a nossa
opinião sincera sobre esses dois magnos problemas regionaes.

A SITUA(:-"i0 DO PAld EM FACE DAS SUAS DIFFICULDADES

Ante uma situação como a do nosso Estado, esta asser-


ção cresce de importancia e verdade.
Numa Inanifestaçfio de sadia sinceridade, sem preoccu-
pação de originalidade e alarde pride-se affirmar a quasi inu-
tilidade para o caso concreto de- uma platafórina politica.
Conhecedor que sou minucioso, desde ha muito, das
finanças do nosso Thesouro, oneradas com uma velha e gran-
de divida consolidada externa e interna, cujos totaes
serviços
de juros e arnortisação inio temos podido e devemos con-
fessal-o, sinceramente manter, em n dia, e ainda por uma
antiga divida impropriamente chamada fluctuante, pois que
verdadeiramente quasi toda corrente, constituida por lon-
gos e antigos atrazos ao funccionalismo e i; um constante
atropelo para os governos; sabedor dos attentos cuidados com
que é necessario dirigir a nossa vida propriamente adminis-
trativa, afim de evitar retardamento nos nossos menores e
ordinarios pagamentos; bern ao par das depressiies orçamen-
tarias, que, de quando ern quando, têm
desorganisado a
nossa fazenda publica; consciente, ernfim, de tudo isso, no
posso embair a minha propria consciencia com a elaboração

4
de uma platafórma dourada de perspectivas fallazes, que seria
para os ineus eleitores a prova mais flagrante da minha in-
sinceridade ou do meu desconhecimento das nossas cousas.
O Governo do Pará teto sido obrigado, nestes ultimos
tempos, conto e de todo: sabido, antes de tudo e acima de
tudo, a não se despreoccupar uni Sit momento coin o seu
problema tinanceiru.
Temos esperado tan vie, e e natural que para isso con-
tinuemos a alimentar as nossas inelhores esperanças, por Iona
subita transformaãoda nossa vida economica, coin surpre-
hendentes elevações das cotações da nossa principal riqueza
exportavel, produzindo augmentos de receitas capazes de nos
liberarem dos nossos compromissos relativos ás dividas con-
solidada e fluctuante.
Por vezes, em verdade, por fortuna nossa, esses anceios
Van tido umas animadoras realisações: liras n'In sido rapidos
os dias de fartura, que logo se. vio, perturbando e aggra-
vando ainda tnais as nossas condi,-ões, porque nos arrastam,
na enganosa salisfacção da sua permanencia, a despesas ex-
traordinarias e a novos compromissos.
A verdade é que as nossas sTises econotnicas se tem
succedido com intervallos tão breves, que não devemos tomar
como ponto de referencia para as nossas medidas adminis-
trativas o alto nivel destes, was sim a relatividade dos re-
cursos que nos permittem a escassez e a dureza daquellas.
Não sou um pessimista, nem uni sceptic°. Ao contrario,
conto homem de grande e profunda fé, sou optimista e muito
crente.
Tenho confiança na grandeza do nosso futuro, creio que
estas difficuldades silo todas passageiras e que, dentro em
breve, transformando-se em utilidades e valores economicos
todas as immensas riquezas do nosso seta e sub-selo, vive-
remos em confortante prosperidade, para podermos realisar
a obra de progresso e civilização a que Deus predestinou esta
maravilhosa regido amazonica.
Mas, nos difficeis instantes que temos atravessado nes-
tes ultimos quatriennios, é mister encaral-os com o senso da
realidade e com decidida e forte deliberação de conjural-os
custa dos mais ingentes trabalhos.
A nossa vida de outr'ora, tio facil e abundante de re-
cursos, habituou-nos a uma situação que hoje difficultosamen-
te podemos manter.
Crerimos urn apparelhamento politico-administrativo e
fundimos grandiosas e dispendiosas instituições para as quaes
os recursos de agora tem sido, em dados momentos, irre-
mediavelmente insu fficientes.
Podemos assegurar que em outros tempos assumimos
aqui responsabilidades administrativas que, ainda hoje, outras
unidades da nossa Federação Republicana, com orçamentos
muito mais altos do que os nossos daquella feliz época,
não se atrevein a contrahir.
Adeantamo-nos, assim, muitissimo,' estimulados pelo
nosso optimismo, pelo nosso bello e ardente desejo de pro-

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gresso e pela prodigiosa e crescente riqueza, da nossa expor-
tação.
Mas esse rapido e impressionante avanço tornou-se
depois cansa dos maiores embaraços para o Thesouro do
nosso Estado.
Minguaram-se-nos as rendas, subitamente, com a tragedia
economica da industria extractiva da horm.cha nativa, sem a
immediata compensação de outras fontes de recursos, e temos
de manter hoje mais ou menos a grandeza do -que construi-
mos na t:poca da fartura.
O Para, nestes ultimos quatriennios, com uma receita
muito instavel, temse visto, em alguns exercicios, na contin-
gencia de sustentar uma organisaciio administrativa calculada
para previsões orçamentarias muito acima das rendas reali-
sadas.
Dahi os seus constantes e irremoviveis embaraços, fin-
pedindo uma maior efficiencia na gestão publica.
Estado g da União ha que, coin receitas eg,ames ou mes-
mo inferiores As nossas e com populações tão numerosas como
a nossa, vivem mais ou menos ern equilihrio financeiro. sem
atrazos e progridem sem sobresaltos e precipitações.
E' que não tC.In os nossos encargos, quer em dividas
fundadas, quer em responsabilidades de serviços publicos, e,
al6m disso, não tendo conhecido as facilidades e os naturaes
enthusiasmos da abundancia, limitam-se a fazer o que a exi-
guidade dos recursos lhes permitte.
Toda a preoccupação da politica paraense deve concen-
trar-se na solução do seu problema financeiro. E é a este que
dedicarei a minha. maior attenção.

.013RA DE FE E SINCERIDA DE A NOSSA QUEST:i0


FINANCEII1A

Não me posso einbair, nem illudir os outros, ao elabo-


rar o programma le governo coin que me apresento
ao nosso
eleitorado.
Sou uin homem de fí! e sinceridade.
Quero fazer urna obra de ft" e sinceridade.
Jamais disfarçarei uma realidade, ainda que entrando
ini lucta a humana vaidade cem a sinceridado, seja esta
ceitadora do renome por aquella naturalmente almejado a
Os meus actos. para
Julgo-me, pois, no dever de não Nzer promessas de
obras, melhoramentos e engrandecimento material, sem 16go
dizer que ellas serão lettra morta se nao . lograr o principal
objectivo. da minter administração: - bõas finanças, com a
integral manutenção do nosso credito no exterior e interior.
Não repito simplesmente um togar cornmum de pro-
gramma de governo, dizendo que farei da compressão das
despesas. superfluas uma preoccupação constante,
evitando
todos os gastos desnecessarios e adiaveis, e que zelarei, vi-
gilante e rigorosamente, pela arrecadação e
util applicação
das nossas receitas.
Sei ben) que da tendencia que apresentam os Estados
modernos, por causas econonneas e politicas, para
o augmen-
to das despesas publicas, resulta, como diz Marnoco
e Sousa,
a difficuldade da politica de economias.
hoje muito difticil, como hem accentila o grande fi-
nancista Anselmo de Andrade, a politica de economias. An-
tigainente eram os governos obrigados a ser economicos. A
opinião publica condemnava-os a isso. Hoje, rub ê assim. O
proprio espirito public() mostra-se contrariò a economias.
De
toda parte se pedem melhorainentos. beneticios, subveneões
e
favores pessoaes.
A Mt.IC:100 politica e.os costumes estilo produzindo
estes
elreilos perturbadores das finanças publicas.
Pela mesma razão e quasi inipossivel a politica de sup-
pressão de dispendios, einbora se reconheça a sua improdu-
ctividade.
Procurarei, pois, mantel. o floss() equilibrio oreamentario,
e, ao mesino passo, attender á situação do nosso funeciona-
lisino, dos nossos emprestiinos e da divida tluctuante.
Quanto á divida externa, dada a reconhecida impossibi-
lidade de com os actuaes recursos da nossa receita manter-se
can dia o respectivo serviço de juros e amortisação, envidarei
esforços no sentido de fechar um conyenio com os nossos cre-
dores, de modo que nos permitta satisfazer com
pontualidade
as novas responsabilidades a que nos obrigarmos.
Esta Operação ê de todo ponto necessaria e inadiavel.
para saldrinos da conjunctura que nos resultou, ineluctavel-
mente, da desvalorisação da borracha e de outras causas.
Para realisal-a aproveitar-imit-ei dos trabalhos iniciados
e ein parte das bases assentadas cm bi'et hora nesse sentido
pelo actual Governo do Estado, que coin patriotica visão sem-
pre attentou para este capital problema, desde os primeiros
dias da sua proba, fructuosissima e feliz gestão.
Quanto A divida fumlada interna, que monta ao valor
da circulario dos titulos emittidos en' tHla e 1915, com taxas
de juros diversas, tambein será objeele da minim maiorattenedo.
E' evidente que não poderemos ter credito para recor-
Ter aos novos capitaes tão impresciniliveis á creaeão de novas
fontes de renda e A expansão ile noso. protiuct:Ao emquanto
não mantivermos ein ilia os serviços ilos nossas consolidados
externos e internos.
No que concerne A nossa vIlia e vultosa divida nu-
ctuante, a mais incommoda para os governos, liatendo A porta
a cada inomento, urgida pelas prementes necessidades dos
seus titulares, farei o possivel para resgatal-a, se houver re-
cursos, ou, A Ufa destes, para fundai-a. se de espaço lograra
realisação de uni plano capaz de valorisar os respectivos titulos.
Sei bem quanto tudo isto é difficil e conheço de ante-
mão todos os embaraços que se inc antolharão.
E' de notar que os nossos governos não se têm despre-
oecupado da face financeira da administração, procurando
remedial-a com os mesmos sinceros propositos com que me
apresento agora ao eleitorado paraense.

7
As nossas relaçties com os altos poderes da
O'Governo da Republica Republica são de perfeita cordialidade, o que
constilue para nós uma constante preoccupa-
ção, como deve acontecer com todos os governos dos Estados, tão neces-
sario se nos afigura esse cordial entendimento para a conservação do rith-
mo da politica economica e financeira do paiz. E nem se pode compre-
hender outra directriz num regimen republicano federativo, tanto mais se
impõe a mais rigorosa communhito de vistas entre os poderes centraes da
União com os demais poderes das cellulas federativas.
Nesta phase de execução do grande plano adoptado pelo Chefe da
Nação para o saneamento do nosso meio circulante e estabilisaçâo cam-
bial, donde decorrem as soluções dos maximos e visceraes problemas da
economia nocional, o nosso Estado, por intermedio de sua bancada no
Congresso Nacional, tem agido dando todo o seu valimento ao exito da
grandiosa obra iniciada sob os melhores auspicios, cujos fructos a Repu-
blica vem colhendo num ambiente de confiança geral.
A bôa impressão que vem dando em todo o paiz a sabia, firme e clari-
vidente administração do Exm. Snr. Dr. Washington Luis, eminente Presi-
dente da Republica, justifica A saciedade os nossos calorosos applausos ao
seu benemerito governo. Ao assumir S. Exc. as funcções de Presidente da
Republica, trazia como credenciaes os inestimaveis serviços prestados ao
Estado de São Paulo, a quando de sua actuação na presidencia daquelle
prospero Estado do sul. Figura de notavel relevo no scenario da politica na-
cional, S. Exc. augmenta o seu prestigio com a firmeza com que vem exe-
cutando o seu vasto plano economico-financeiro.
A ultima Mensagem que apresentou ao Congresso Nacional é um
documento de grande valor. A sua repercussão, quer dentro do paiz, quer
nos circulos financeiros da Europa e da America, foi surprehen dente, as-
signalando novos horisontes para o Brasil. A face verdadeiramente exaltan-
te da Mensagem é aquella em que S. Exc. synthetisou, num golpe de con-
juncto e num termo simplesa estabilisação cambial , os mais complexos
problemas nacionaes. Ninguem ignora a serie de tentativas feitas por to-
dos os nossos estadistas e pelo Congresso Nacional, em varias
legisla-
turas, para o reajustamento da nossa vida economica e equilibrio das nos-
sas finanças combalidas. O mallogro de muitas dessas tentativas e a ineffi-
cacia de outras medidas adoptadas iam deixando o Brasil, paiz de immen-
suraveis disponibilidades economicas, cada vez mais debilitado. Todas as
nossas forças productoras, a nossa lavoura, o nosso commercio, emfim, a
intensa vida nacional, tudo succumbia na voragem da especulação cambial.
Os mais notaveis appareihamentos acceitos com pleno exito em
outros paizes
não davam os resultados colhidos alli e nessa lucta ingente em busca duma
situação estavel o paiz jamais conseguia equilibrar os seus orçamentos
e normalisar as suas forças propulsoras. E' que não havia ainda alguem
procurado a solução dos males quasi chronicos na desvalorisação da nossa
moeda circulante, decorrente da instabilidade cambial. Viu-a o preclaro
Presidente da Republica num golpe de clarividencia. As suas idéas, expos-
tas com uma clareza admiraVel na sua plataforma de governo, como era
natural, soffreram contestações, mas, nem por isso, deixou S. Exc. de
-le-

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valas para o governo da Republica
com o animo sereno de p01-as em
execução, e fel-o com uma rara tenacidade. Nada modificou S. Exc. no plana
geral previamente estudado. Da concepção
medeia um peeiueno espaço de tempo, que não
execução do plano financeiro
de haver S. Exc. alterado sua linha de conducta.permittiu siquer a supposição
Dill) flagrantemente a
Mensagem O programma governamental do quatriennio
contintla a desenvolver.se com prudencia, com em curso
segurança, com tenacidade,
sem que nelle nada tivesse sido abandonado
ou substituido, o que se re-
conhece immediatamente, conferindo-se sua acção
plataforma inicial. Nas informações por com as palavras da
prestar agora só haveria repetições
das anteriores, se as de hoje não estivessem
corroboradas por circum-
stancias mais promissoras, robustecidas por algarismos
fortalecidas por algarismos mais favoraveis,. mais volumosos,
A nação inteira agora caminha mais
serena na confiança de que a ri-
queza nacional deixou de ter um valor nominal para possuir
sação real. Desappareceram as bruscas e injustificaveis uma valori-
biaes e todas as actividades propulsoras oscillacões cam-
se exercitam num terreno mais
solido, onde não medram mais as
surpresas ãs fortunas e os desbra-
gamentos do jogo da bolsa. E como o ponto primarcial da politica eco-
nomico-financeira ora em execução plena foi
a estabilisação do cambio,
com o seu cortejo de beneficios para o equilibrio
saldos incontestaveis, os saldos da balança orçamentario, com
cotnmercial e outros beneficios
vem a pêlo citarmos o seguinte topico da Mensagem
: ,z.A ordem cambial
da moeda se conservou e se manifestou durante
estes dois annos entre
o minimo de 5 27 32 e 5 maximo de 531 32, extremos
chegam a valer o transporte ouro, em especie de paiz diminutos que não
a paiz (gold point)
o que constitue indice irrecusavel de bôa balança de
vas em ouro se duplicam na Caixa de Estabilisação,. contas. Nossas reser
Constitue um acontecimento invulgar na Republica
serena de um programma de a execução fiel e
governo. O actual Presidente da Republica
vae executando o seu com rara tenacidade zsem
que nelle nada livesse sido
abandonado ou substituido».
Grande satisfacção temos em enviar neste
momento ao preclaro dr.
Washington Luis. digno Presidente da Republica, a segurança do nosso
alto apreço e os protestos da nossa solidariedade.

General Rondou Nos primeiros mezes do


Visitas officiaes nosso governo, tivemos a honra de hospedar
o Exrn. Snr. General Candid() Rondon, que
em missão do governo federal esteve nesta capital, em demanda das fron-
teiras septentrionaes, cuja inspecção minuciosa realizava.
Ao digno hospede o nosso Estado acolheu com as
provas de maior
apreço, rendendo-lhe as homenagens a que fez jas pelo posto de des-
taque que occupa no seio do Exercito Nacional e pelo renome que des-
fructa, correspondente aos inestimaveis serviços que vem ha longos annos
prestando ao paiz. No regresso de sua patriotica missão ouvimos de
S. Exc.
noticias muito alviçareiras sobre as grandes
reservas de riquezas do solo
paraense, entre as quaes mencionou o illustre e arrojado sertanista
o explen-
9
dor exaltante e o valor economic° dos chamados campos genes e dos
.balataes existentes numa extensa e incalculavel area, que, uma vez incor-
porados ao patrimonio do Estado, atravez de uhla exploração methodica e
um aproVeitamento perseverante, poderão arriniar tódo o peso do nosso
resurglmento economic°.
Acriditamos que advirao resultados praticos para o nosso Estado das
incursões do emerito sertanista pelo territorio paraense. O governo da Re-
publica certamente emprehenderd serviços importantes destinados ti defesa
nacional no extremo norte, vindo dahi o Pará participar das vantagens des-
ses emprehendimentos, entre o quaes, estamos convictos, figurará um sys-
terna rodoviario de penetração até aos pontos mais afastados das nossas
fronteiras com os nossos vizinhos.

A Divisão Gomensoro. No principio do 'arum hospedámos a dis-


tincta officialidade das naves da Marinha de Guerra do paiz (Rio Gran-
de do Sul' e (Bahia', sob o commandá do contra-almirante Tancredo
Gomensoro. Essas bellonaves realisavam naquella época uma viagem de
instrucção para uma turma de guardas-marinha.
Prestámos á briosa officialidade da marinha todas as honras a que tinha
direito. Hospedes do Estado, o governo deu-lhes as provas mais captivantes
de alto apreço em que o Pará tem os dignos representantes da Armada
Nacional. -

A sociedade paraense, associada ao governo nas manifestações offi


ciaes, realizou elegantes recepções em as quaes os nossos illustres hospedes
poderam avaliar a satisfacção de todas as classes por tão honrosa visita.
Não desconhecerrios o valor real desses cruzeiros maritimos de in-
strucção, tanto mais quanto a nossa região muito tem a lucrar com as vi-
sitas das nossas auctoridades navaes, sabido como é que o desenvolvi-
mento da vida economica da Amazonia depende da solução de problemas
que se- enquadram nas altas funcções da pasta da Marinha.
Em retribuição ás justas e merecidas provas de apreço que demos á
officialidade do (Rio Grande do Sul " e do e Bahia ), o contra-almirante
Tancredo Gomensoro offereceu-nos a bordo de urna destas unidades da
Divisão uma festa que teve um cunho de grande distincçâo.

Grande honra e não menor distincção fez


Ministro Pinto da Luz S. Exc. o Sr. Almirante Arnaldo Pinto da
Luz, Ministro da Marinha, ao nosso Estado,
vindo officialmente, a bordo do encouraçado Minas Geraes',. fazer uma
visita á terra paraense. Demos alta significação á visita de S. Exc. para a
solução de varios problemas desta região;
O governo do Estado rendeu ao illustre hospede e á sua comitiva,
composta de altas patentes da nossa Marinha e do Almirante Noble Irwin,
chefe da missão de instrucção norte americana da'Armada brasileira,
acom-
panhado de seu ajudante, commandante Attkins, todas as homenagens
que revelassem a nossa satisfacçâo pelo cunho da captivante distincOo
que nos era feita.

10
Os illustres visitantes foram hospedes do Estado durante a sua curta
permanencia nesta capital e receberam as provas mais inequivocas da
nossa respeitosa admiração. Não passou despercebido ao Sr. Ministro da
Marinha o jubilo da nossa população, que enthusiasticamente se associou
As manifestações of ficiaes. Tivemos nessa occasião a solidariedade de
todas as autoridades federaes, estaduaes e municipaes, como tambem de
todas as classes sociaes e conservadoras, figurando em destaque pela sua
collaboração para o brilho e distincção de tão significativo acontecimento,
o Municipio de Belem, o alto commercio bancario, exportador, armador e
industrial, varias associações, classe operaria, classe maritima, o corpo
consular, companhias de navegação e a sociedade paraense no que ella
possue de mais elegante.
A visita do Sr. Ministro da Marinha se nos afigurou de uma impor-
tancia capital para esta zona do extremo norte, porque S. Exc., vulto de
grande valor na administraçlo da Republica, conhecendo as necessidades
da região amazonica no tocante ás particularidades do seu ministerio, cer-
tamente vindo observar in loco os vanos problemas navaes da Planicie,
solucionara todos os nossos justos anceios sobre a navegação fluvial e
maritima, apparelhamento dos missos estabelecimentos navaes, balisamento
da barra, obras do porto e remodelação do nosso tradicional Arsenal de
Marinha, concorrendo, assim, para uma nova phase do nosso intercambio
commercial com o resto do paiz, com a Europa e a America.
A ninguem escapa que a Amazonia não logrará promover o seu
engrandecimento economico sem resolver previamente o maxim° proble-
ma do transporte e as soluções jamais poderão ser procuradas fóra do
ambito das cogitações officiaes do Ministerio da Marinha. Por outro lado,
a defesa nacional está a exigir que o Pari, ponto de concentração de vul-
tosos interesses nacionaes e collocado ás portas da portentosa região ama-
zonica, por sua situação geographica e pelo seu systema potamographico,
está fadado a ser de futuro uma base naval destinada a estas duas men -
cionadas funcções.
No grande banquete que o governo offereceu a S. Exc. e á sua
comitiva no Theatro da Paz, por occasião de dirigirmos as nossas saudações
ao digno marinheiro brasileiro, fizemos allusões á significação de sua visita,
demonstrando os proveitos que a Nação e o nosso Estado vão colher de
tão auspicioso acontecimento.
Transcrevemos abaixo alguns trechos do discurso que então profe-
rimos e que nos parece traduzem as aspirações do nosso Estado :

Mas, nós outros paraenses. nós outros habitantes deste rincão


miraculoso do Brasil, com possuirmos esse sentimento ancestral,
temol-o cada vez mais apurado pela influencia de um segundo factor,
que bem poderemos denominal-o de geographico, se me permittem a
expressão. Culminou em nós o trato acolhedor pela nossa finalidade
historica, decorrente da circumstancia de estarmos plantados á porta
da portentosa Amazonia, por uma predestinação, talvez, para defen-
del-a no passado contra as incursões de invasores avidos de riquezas

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e abril-as aos que em nome do interesse scientifico universal, ou de
origem commercial, ou movidos por sentimentos estheticos, nos pro-
curam e visitam.
NAo á a primeira vez que alludn essa feicAo caracteristica do
nosso povo e Li circumstancia de ser Belem o primeiro ponto de con-
tacto com os que buscam esta maravilhoga planicie. Belem, por estar
equidistante de nossas varias fronteiras, por sua situaclo geogra-
phica, collocada como foi o ponto inicial do regimen hydrographico do
grande valle amazonico, por seu intercambio commercial com todos
os portos da Europa e da America, foi fadada a ser um nucleo com-
mercial do continente. Vem dahi a necessidade imperiosa de a poli-
tica naval do paiz irradiar-se entre nós de modo efficiente, contri-
buindo, assim, para a solução de nossos vitaes problemas economi-
cos, que slit) verdadeiros problemas brasileiros, Correlatos com o
nosso regimen potamographico.

Aqui, exmo. sr. ministro, foi o scenario onde os arrojados pio-


neiros da civilização deste valle brasileiro fizeram os seus aprestos para
as «caravanas fluviaes», para percorrerem os meandros da terra virgem;
aqui foram armadas as primeiras tendas, de trabalho fecundo que hau-
ria do seio da floresta secular as riquezas naturaes; de Belem par-
tiam os defensores da nossa terra para expulsar os invasores e com-
bater o gentio indomito que se oppunha, na defesa do solo nativo,
á penetração civilizadora. E foi em Belem que se armaram as naus
que deviam incursionar os sertões, como de Sagres, ninho das gaivo-
tas marinhas e patria dos navegadores, partiam os nautas portuguezes
pelo mar tenebroso...
Disse Lamartine que as nuvens assumem a configuração dos
paizes por onde passam, e Oliveira Martins demonstra que o local, a
situação geographica das nações, cria as profissões dos habitantes.
Pois bem, a nossa situação geographica. como aconteceu
aos habi-
tantes das cidades collocadas no fundo do Mediterraneo, fez de rids
paraenses homens destinados ao mar. O nativo. o verdadeiro caboclo
paraense é um marinheiro por atavismo, por influencias ancestraes,
e a contingencia da vida regional, trazendo-o sempre sobre a grande
massa liquida, fel-o mareante nato. Vale a pena vél-o nas suas fra-
geis embarcações, cavalgando o dorso azul do mar das costas, ou das
águas barrentas dos nossos lagos, tendo por gula as constellações em
noites limpidas, ou o seu faro de navegante apaixonado nas sombras
brumosas.
Dil-o, eloqu2ntemente, a valiosa contribuição que a nossa Ma-
rinha de Guerra recebe annualmente do Pará em jovens destemidos.
Ahi está a attestar a sua efficiencia a nossa bem apparelhada marinha
mercante, no seio da qual contamos com marinheiros competentes,
muitos dos quaes figuram nos quadros das guarnições dos navios
de
cabotagem. As classes maritimas do nosso Estado são poderosas pela
sua excellente organisação e representam um forte elemento de pro-
gresso economico deste inegualavel labyrintho liquido.
No Imperio, o nosso tradicional Arsenal de Marinha teve
dias.
de grande renome pela sua efficiencia no apresto de navios
para a
nossa Armada de Guerra, e ainda agora, pezar das remodelações
que carece, é um estabelecimento naval de de
valor. Emfim a situação
de Belem indica ás nossas autoridades da Marinha
.que o nosso porto,
por suas excellentes vantagens, ha de ser um dia ponto de
traçãci de forças concen-
navaes.

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A visita de v. exc. ao norte, e principalmente ao extremo norte,
rasga para nós uma segura visa() da realizaçlio dos nossos destinos
maritimos .e navaes.
Ao gpirito arguto, ti intelligencia, ao patriotismo e ti clarivi-
dencia de v. exc. tub passard, de certo, despercebido, que este por-
to do nosso paiz esta destinado a ser no futuro uma excellente base
naval para a defesa do norte e para desenvolver cada vez mais o
nosso intercambio commercial com a Europa e a America.
Este pedaço da communhâo brasileira foi predestinado a ser
um grande emporio da civilizaçâo mundial.
Entre os grandes sabios que percorreram o ubertoso valle
arilazonico, o naturalista Humboldt, num desses momentos de extase
e clarividencia illuminada, ante o espectaculo maravilhoso que des-
lumbrou o seu espirito de artista, disse :
E' ali que mais cedo ou mais tarde se ha de concentrar um
dia a civilização do globo».
E a prophecia do sabio vem aos poucos realizando-se. Enche-
mo-nos cada vez mais de fé inabalavel nos nossos grandes destinos e
nunca duvidamos da objectivação deste ideal alcandorado, que é
muito nosso, muito dos habitantes destas margens verdes, como deve
ser de todo o Brasil, pois, na vibração dos nossos anceios, na nossa
heroica lucta com a resistencia do nosso meio e das nossas florestas,
nós nos sentimos cada vez mais brasileiros, cada vez mais felizes e
orgulhosos de pertencer a esta immensa patria, onde, no seio de qua-
renta milhões de homens, esparsos sobre mais de oito milhões de
kilometros quadrados, nada nos distingue, nada nos differencia.
O Brasil, por uma acção cada vez mais directa e efficaz. pre-
cisa, pois, continuar a desenvolver todas as nossas disponibilidades
economicas e estas disponibilidades, para serem aproveitadas, recla-
mam uma orientação segura no transporte, correlato aos demais pro-
blemas da navegação fluvial e maritima.

Não é a primeira vez que entre nós surge


Successão Presidencial discrepancia de opiniões em derredor da suc-
cessão presidencial. Entretanto, numa demon-
stração salutar das bôas praticas republicanas, temos a impressão que o cho-
que das opiniões partidarias se dará agora com uma feição mais elevada,
mais compativel, pois, com o nivel da nossa educação democratica. abe-
berada na licção dos factos e na pratica do regimen.
E' indispensavel num pleito dessa natureza. neste momento mais do
que nunca ligado aos maiores interesses financeiros da nação, que a lucta
que se esboça no scenario da politica nacional.se realize dentro do campo
vastissimo das idéas, da vastidão dos programmas politicos, visando pre-
cipuarnente os mais sagrados interesses da Patria. Para esse fim é neces-
satio que as correntes partidarias arregimentem as suas forças eleitoraes
dentro das normas salutares da verdadeira democracia, tendo como directriz
primordial da verdade do pleito a manutenção da ordem, ineluctavel con-
dição da felicidade social e politica de uma nacionalidade.
Cabe a todo cidadão brasileiro levar o seu contingente á grande obra
de paz e de concordia nacional, dando o melhor de seu esforço para que o
problema presidencial receba na liberdade dos suffragios, assegurada em
toda a parte, a verdadeira consagração.

13
A situação financeira do nosso Estado é muito
A situaçAo financeira instavel pelas causas de sobejo ditas e conhecidas.
Dissenaol-o,.tambem, neste trecho da nossa
platafórma
Sabemos quão accidentada Lem sido a sorte dos nossos
ultimos governos, atravez de altos e baixos, de desanirnadoras
crises em que sito ineluetaveltnente apanhados.
O equilibrio do nosso orçamento, os serviços respeitan-
tes á nossa grande divida, os recursos indispensaveis para as
nossas menores necessidades e para os mais prementes paga-
tentos do Thesouro, tudo isto está, só e só, it !tierce. das
bruscas oscillações das cotações de dois productos da nossa
industria extractiva.
Não se pode conceber organisação financeira ma is ins-
tavel e incerta.
Effectivamente, aliml dos impostos de export:D:5o sobre
a borracha e a castanha, e já lambem n sobre a madeira, ainda
duvidoso contar com as demais fontes, umas porque estfio
naturalmente cm funcção da alta ou depressão daquelles
dois productos, outras porque de si mesmo pouco ainda ren-
dem, sendo ainda hoje a maior parte da nossa vida erono-
mica representada pela exploracilo daquellas riquezas nativas.
Desta instabilidade e incerteza ú que decorrem, princi-
palmente, todos os nossos males as difficuldades de paga-
mentos, a impontualidade no satisfazer os compromissos dos
nossos consolidados externos e internos, a compressão da
nossa antiga e berranle divida fluctuante males cuja culpa
Mio se pode increpar A politica, , este ou tiquelle governo,
mas sim A fatalidade econotnica, que nos junge numa lucta
desegual para a qual, ainda nos começos da nossa formaç:Tio
economico-financeira, sem capitaes, sem grande população,
sem braços, sobre lima immensa extensrio territorial, quasi
toda ainda devoluta, não estavamos, não estamos e pot algum
tempo ainda não estaremos apercebidos.
AF,grava sobremodo a nossa vida financeira o vulto extraordinario da nossa
despesa com o pessoal inactivo, cujas cifras collocam o Pará na posição de ser,
relativamente, uma das nossas unidades federativas que mais despendem com a
inactividade.
Os sacrificios exigidos, annualmente, pelos pagamentos relativos á verba dos
inactivos estão entravando, sensivelmente, o progresso do Estado, pois
urna bôa
parte das importancias gastas sob este titulo poderia ser applicada em obras re-
productivas, como construcção de estradas de rodagem, fomento de riqueza agri-
cola, etc. etc.
O Estado despende, hoje, mensalmente, cotn os inactivos a quantia de
79:390)97o, ou seja, por anno, a importancia de 952:7o3S64o.
Accrescida esta cifra á verba referente cos pensionistas do
montepio, que
monta mensalmente a 69:946$too, ou por anno a 839:3;3$2oo,
obtem-se a
impressionante somma annual de 1.792:o56$840, sem duvida verdadeiramente
esmagadora num orçamento Cuja receita total realizada poucas vezes vae acima
de treze mil contos.

14
Ao tomar posse do Governo, tinhamos a pagar os vencimentos do functio-
nalism° do interior em atrazo, a contar de Outubro a Dezembro, na importancia
de 151:210000 e tatnbem os do da capital relativos a Dezembro de 1928, no
valor 424:342$177, sem incluir um said° em atrazo dos pensionistas do montepio.
Podiamos iniciar os pagamentos dos referidos vencimentos a contar de
Fevereiro, isto 6., a contar da nossa gestão, pondo tambein de parte os relati-
vos a Janeiro, como o fizeram os nossos antecessores, em face dos maiores atra-
zos que tambena se lhes .1.epararam; mas preferimos, apesar da crise econornica
que atravessamos, arcando com muitas dificuldades e não nos intimidando com
as incertezas do dia seguinte, começaos pelos mezes atrazados; não só para me-
lhor attender aos interesses do functionalism°, corno para não seccionar a con-
tinuidade da vida administrativa do Estado.
No dia 9 de Fevereiro, após breve suspensão para pormenorisado conheci-
-mento da situação das nossas finanças. retomámos, sem descontinuidade, o pa-
gamento aos nossos serventuarios publicos.
Além disso, logo no dia 20 de Fevereiro, vinte dias após a nossa posse, fo-
mos obrigados a depositar na Delegacia Fiscal desta cidade, a quantia de 28S:155$,
para fazer face aos sete inevs em atraio da nossa contribuição, relativa ao anno
de 1928, para o serviço da Prophylaxia Rural e da Lepra.
Para tie) vultoso deposito, que urgia ser effectuado, sob pena da caducidade
do nosso contracto com a União para a realização de tão uteis serviços, concor-
reu a Intendencia de Belem com a metade, como ;a o vinha fazendo no quatri-
ennio anterior, cumprindo notar que para perfazer a importaneia relativa á sua
parte naquelle deposito entrou essa edilidade exclusivamente com recursos pro-
venientes da sua renda arrecadada no primeiro semestre do anno corrente.
O actual governo do Estado, logo nos primeiros dias da sua administração,
teve que contrabir um emprestimo para °later a quantia total correspondente
iquelle deposito, o qual já se acha inteiramente resgata do. tendo contribuido para
este resgate, em partes eguaes, o Estado e a Intendencia de Belem.
A' medida que procedemos á arrecadação das rendas do corrente exercicio,
fizemos os pagamentos ao funccionalismo, com a maior attenção, sendo-nos
licito affirmar estar hoje o Thesouro em dia, rigorosamente, com os da capital
e ter apenas o atraio de um mez em relação aos do interior.
Cumpre-nos dizer que taes pagamentos tèm sido feitos, exclusivamente,
até agora, com a receita arrecadada.
Quanto aos pagamentos referentes aos fornecimentos feitos durante a nossa
administração, estão sendo effectuados tom regularidade, sendo pequena a quantia
clue nos resta a liquidar, como se vê da nota que publicamos CO) annexo a esta
mensagem e na qual são citados, nominalmente, todos os credores fornecedores
durante o nosso governo
divida por fornecimentos deixada pela adminstração anterior, relativa,
exclusivamente, ao seu quatriennio, montava, em 31 de Dezembro de 192S, a
S16:08483°2, como se vê de um dos nossos annexos.
A mesma divida referente sómente ao exercicio de 1928 montava a
434:7o5$6o7, sem incluir a referente á Navegação do Mosqueiro que, por sua
vez, orça em S2:512$900.
E' ainda de notar que, além dos encargos de dividas por fornecimentos e
dos atrazos ao funccionalismo, encontrámos a divida do Estado majorada com

15
os seguintes debitos contrahidos pelo nosso antecessor : 526:747$25r, importan-
cia relativa a um emprestimo levantado em conta corrente garantida no Banco
do Brasil, a juros de '0% ao anno; 35o;o3o$15o, quantia referente a retiradas
dos réditos dos diversos municipios arrecadados pela' Recebedoria do Estado e
representada em vales do Thesouro, emittidos em 1938 e existentes naquella
repartição; e 198:1o5$427, importancia pertencente ao fundo especial do Banco
do Estado, a qual o Governo anterior, até 3t de Janeiro do anno corrente, teve
necessidade de applicar aos pagamentos ordinarios do Thcsouro(Vide annexos).
Encontrámos no Thesouro os seguintes valores pertencentes ao fundo espe-
cial do Banco do 'Estado
Escriptura do edificio do Banco 300:0008000
775 apolices federaes, escripturadas ao par 775:0008000
23.473 grammas de ouro 94:1018000
Destes valores, porém, não nos era possivel lançar mão, como não o fize-
mos, absolutamente, até hoje, para effectuar os pagamentos da nossa vida admi-
nistrativa, não só porque pertencem a um patrimonio especial, como tambem
porque era impossivel convertel-os immediatamente em numerario, sem grande
prejuiso, principalmente os relativos ás apolices federaes.
VALORES DO BANCO
Edi ficio . 300:0008000
775 apolices ao par. ......... ............ ...... ...... 775:0008000
23.473 grammas de ouro...... . 94:1018000
Total. 1.169:1018000
Dividas contrahidas em dinheiro
Emprestimo em c/c do Banco do Brasil 526:7478251
Importancia retirada dos réditos municipaes e re-
presentada em vales do Thesouro existentes na
Recebedoria 350:0308150
Saldo da arrecadação para o Banco do Estado e que
o governo empregou em pagamentos ordinarios
do Thesouro 198:1058427
Total ............. .......... ........... .......... 1.074:8828828
Temos a intenção de vender o ouro em deposito no Thesouro, ou de en-
tregai-o ao Banco do Brasil, para convertel-o em cedulas da Caixa de Estabilisa-
ção, afim de ser levado o respectivo valor a credito da nossa divida em conta
corrente garantida. Dessa fórma, esse ouro, representativo de urna quantia até
agora sem nenhum rendimento, poderá passar a render Io% ao anno, urna vez
que seja creditado o respectivo valor naquella conta, que rende os mesmos juros
contra o Estado.
Diminuir-se-ão, assim, os nossos encargos relativos ao nosso saldo devedor
nessa conta em mais de nove contos, annualmente.
Temos economisado em varias verbas e fomos obrigados a fazer compressão
nos gastos administrativos, porque encontrámos algumas verbas muito majora-
das em relação ás do exercicio passado.
Ao assumir o governo do Estado, no dia i de Fevereiro, mandámos
proceder a balanço no cofres do Thesouro, tendo a respectiva commissão, com-
posta dos funccionarios Homero Cunha, chefe da 3' secção, servindo de conta-
dor, e Crysanthemo Sousa, 1.0 escripturario, ambos do Thesouro, e Fausto Ba-
talha, chefe da ta secção da Secretaria Geral, sob a presidencia do dr. Antonino
de Oliveira Mello,, procurador fiscal, apresentado minucioso relatorio, que de-
pois nos foi presente.
Foi, então, encontrado em numerario existente em cofre o seguinte :
Em moeda papel. 930$000
idem divisionaria 114$809
1:0445809
Saldos em cadernetas
Agencia do Banco do Brasil 23:632$.700
Caixa Rural de Bragança. 20:292$000
Bank of London and South America Li-
mited 6:570$980
Idem, idem clespecial ...... 8:7055920
A primeira dessas cifras, isto 6, a relativa á caderneta do Banco do Brasil,
representa .o resultado de depositos feitos no Thesouro, a destacar :
Deposito Judiciario Companhia Paraense
de Plantação de Borracha 15:000$000
Deposito com mum Importancia appre-
hendida pela Policia Civil na casa de
jogo de João Pinto Nunes e José Ribeiro 7:559400
A segunda refere-se a depositos feitos pela Collectoria de Bragança, na
Caixa Rural do mesmo municipio, por ordem do governo, correspondente a
20 % da arrecadação daquella exactoria.
As duas ultimas, finalmente, representam saldos em cadernetas á disposição
do governo.
Foram encontradas mais: 2 apolices do emprestimo interno do Estado, de
1913, no valor de x000000 cada uma; xdita no valor de 300$000 e 2 ditas
de 200$000 cada uma, resgatadas a Joaquina Lima da Silva, viuva do ex-colle-
ctor de Irituia, Manoel José da Silva e S. Marques & Companhia, apolices essas
que serio opportunamente incineradas.
Examinada a conta «Estampilhas», foi verificada a quantidade existente em
confronto CO:13 as registadas nos livros respectivos, accusando um total de
4.931:364870.
Mereceu cuidadoso exame a conta «Valores de Terceiros», onde. estio es-
cripturados os depositos judiciarios e communs em titulas. conferidos todos os
valores encontrados com o respectivo livro de registe, que accusou:
Collectores e escrivães 213:5505000
Diversos exactores 74:0105000
Despachantes da Recebedoria 60:1005000
Leiloeiros e corretores ...... ....... 290:0005000
Casas de penhores . 22:005$000
Depositos judiciarios e communs 299:9903532
959:655$832

_17
CAUCIONADOS

A' agencia do Banco do Brasil '28o apoli-


ces federaes do valor nominal de...
1:000/i000 c/uma pertencentes ao mon-
tepio dos funccionarios do Estado 2S0:000$000

1.239:6558832

Foram registados os titulos do Estado caucionados aos differentes estabeleci-


mentos bancarios da capital, nos seguintes valores

Na Agencia do Banco. do Brasil. 13.820:0008000


A Seligmann Brothers, de Londres 5.000:0008000
No Banco Nacional Ultramarino 4.800:0008000
No Banco Commercial do Pará 1.895:8628400

25.515:8628400

SITUAÇÃO FINANCEIRA EM 31 DE JANEIRO DE 1929

Em 31 de janeiro ultimo, os compromissos do Thesouro relativos sómente


ao exercicio de 1928 e que passaram para a nossa administração, sommavan
1-902:997$49o, assim distribuidos:

Funccionalismo da capital 424:3428177


Funccionalismo do interior 151:2138000
Pensionistas do montepio ..... 21:973$800
Alugueis de casas 25:413$000
Fornecedores 434:7058607
Navegação do Mosqueiro 82:5128900
Auxilios 118:1008000
Serviço de Saneamento Rural. 144:0778500
Banco do Estado, saldo applicado err, pa-
gamentos dó Thesouro . 150:6298356
Recebedoria de Rendas c/vales cmittidos
pelo Thesouro por conta dos réditos
municipaes 350:0308150

Até 30 de Junho ultimo o Thesouro pagou por conta da importancia totar


desses debitos a avultada somma de 796:13o$227, sendo o restante transferido,
ao finalizar o oeriodo addicional, it Divida Fluctuante, permanecendo sem altera
cão o saldo credor do Banco do Estado e a conta Recebedoria c/Receita em
transito, que é representada pelos vales do Thesouro emittidos em 1928, por
conta dos réditos municipaes arrecadados por aquella repartição.

Notas. O total dos compromissos para com os fornecedores, relativos a todo o quatrierb-
nio passado, consta de um dos annexos desta menstgem.
Não está incluido o compromisso da divida cm c/c con, o Banco do Brasil.

18
DISCRIMINAÇÃO DOS COMPROMISSOS REFERENTES A 1928, QUE PASSARAM
PARA A ACTUAL ADMINISTRAÇÃO ( * )
Funccionalismo:
Governo e Administração. .. 21:144$800
Poder Legislativo 17:4018700
Puder Judiciario :
Capital 35:614$400
Interior 70:840$000 106:4543400
Instrucção Publica
Capital 118:590$300
Interior 80:373$000 198:963$301
Saúde Publica 21:6468400
Policia Civil e Militar 149:0268277
Diversas despesas 77:358$300 592:1938177
Alugueis :
Instrucção Publica 7:1138000
Policia Civil e Militar. ....... 1:6603000 8:7738000
Pensionistas do Montepio:
Saldo relativo ao mez de Dezem-
bro de 1928 21:0735800
Fornecedores :
Saldo verificado em 31 de Janeiro
ultimo 434:705$607
Navegação do Mosqueiro :
Idem, idem 89:5123900
Auxilios
A' egreja da Sé 5:000$000
Serviço do Algodão 35:000$000
Estação de Sementes Tocantins.. 4:00W00
Campo de Sementes da Escola de
Agronomia 14:100$(100
Rodovia Lauro Sodré, em Alem-
(pier 60:000$'000 118:1003000
Banco do Estado :
Saldo credor em 31 de Dezembro
de 1928 ........... 150:6293356
Serviço de Saneamento Rural :
Parte do Estado na quota relativa
ao segundo semestre de 1928 144:0778500
Recebedoria clReceita em transito :
Saldo credor desta conta em 31
de janeiro passado, relativa
aos vales do Thesouro, re-
presentativos de retiradas por
conta dos réditos municipaes 350:0308150
1.902:9973490
(*) Na'a esta incluido o compromisso da divida em c..0 com o Banco do Brasil.

19
DISCRIMINACIO DO PAQAMENTO DOS COMPROMISSOS REFERENTES 1928 PAGOS
PELA ACTUAL ADMINISTRACX0

Funecionalismo :
Governo e .......... ..... 21:144$800
Poder Legislativo 17:401$700
Poder Judiciario :
Capital 35:614400
Interior. 70:810$000 106:454$400
.11
Instrucção Publica :
Capital 118:5901000
Interior 80:373$000 198:9631;300
_
Saúde publica 21:646$400
Policia Civil e Militar. 149:026$277
Diversas despesas. 76:418$200 591:05407.7
. Alugueis :
Instrucção publica 7:113$000
Policia Civil e Militar 1:660$000 8:7738000
Pensionistas do montepio :
Saldo relativo ao mez de Dezembro de 1928 21:973$800
Fornecedores:
Pagamentos realizados.. 28:25015850

Idem 2:000$000
Serviço de Saneamento Rural :
Pago a quota referente ao segundo semestre de
1928 144:077$500
796:130$227
EX ERCICIO DE 1928
RECEITA

A receita do Estado para o exercicio de 1928 foi prevista pela lei n. 2.635,
de 9 de Novembro de 1927, em 15.78o:000$000, assim detalhada
Renda ordinaria:
Exportação 6.400:000$000
Industrias e prófissões......... ....... ....:.. 1.200:000$000
Serviço de Aguas ... . .. .......... .... 900:0008000
Transmissão de propriedade. 900000$000
Imposto do sello... .......... ... . .. 200:000$000
Consumo de diversos 500:000$000
Renda do'patrimonio.... ...... ... 100:000$000
Divida activa. 100:0008000
Matadouro do Maguary .. .. ...... ... 700000$000
Navegação ... ... .. ............. .. .. ...... 100:000$000 11.200:000$000

20
Renda extraordinaria
Eventuaes:.. ......, . *4 350:0005000
Indemnisações 50000$000 400:0005000
Renda cl Applicatao especial:
E. F. de Bragança 1.700:004000
Impostos s/fumo e alcool 700:0005000
Addicionaes .......... . ......... 270:0005000
Taxa sanitaria OOOOOOO 250:000$000
Imposto da Bolsa 400000$000
Imposto Territorial 300:0005000
Imposto para o Banco do Estado 500:000$000
Imposto para o Asylo de S. Francisco de
Assis 60:0003000 4.180:0005000
15.780:0005000

A receita effectivamente arrecadada attingiu á somma de 3.356:694$920,


assim discriminada :
Renda ordinaria :
Exportação...... . ...... 5.860:8295590
Industria e profissão 1.140:7725787
Serviço de Aguas 1.035:7025626
Transmissão de propriedade 608:1433155
Imposto do sello 264:857$713
Consumo de diversos.. 312:5843908
Renda do patrimonio 222:8663101
Divida activa 51:6003667
Matadouro do Maguary 822:3143400.
Serviço de navegação 161:2453190 10.480:9173137
Renda erlraordinaria :
Eventules 271.7613512
Indemnisações 29:7593055 301:5205567
Renda cl Applicação especial :
Imposto territorial 294:6925236
Consumo de bebidas e fumo 852:5385786

Taxa.....
Addicionaes.

Imposto da Bolsa
......... ......
200:6105459
222:0463326
413:3315386
Banco do Estado 529:9155366
Asylo S. Francisco de Assis 61:1225157 2.574:257$216
13.356:6943920
Descontada da previsão orçamentaria a quantia de 1.700:004000 consi-
gnada para a E. F. de Bragança, a receita orçada foi de 14.o8o:000$000, haven-
do uma differena para menos na arrecadação das rendas ordinaria e extraordina-
ria de 719:084863 e 98:4795433, respectivamente, e uma cobrança a mais na
renda com applicação especial de 94:2575216, comd se verifica do quadro abaixo.

21
QUADRO COMPARATIVO ENTRE A RECEITA ORÇADA E A ARRECADADA PELO .THESOURO
DO ESTADO NO EXERCICIO DE 1928

RECEITA DIFFERENÇA
ORÇADA ARRECADADA PARA MAIS PARA MENOS
Renda ordinaria:
Exportaeito 6.400:0003000 5.860:8293590 539:170$410
Industria e profissilo 1.200:0003000 1.110:7723787 59:2273213
Serviço de Aguas 900:0003000 1.035:7023626 135:7023626
Transmissilo de proprie-
dade 900:0003000 608:1433155 291:8563845
Imposto do sello . 300:0003000 264:8573713 35:1423287
Consumo de diversos 500:0003000 312:5843908 187:4153092
Renda do patrimonio 100:0003000 222:8663101 122:8663101
Divida activa
Matadouro do Maguary
Serviço de navegação
100:0003000
700:0003000
100:0003000
51:6003667
822:3143400
161:2453190
i22:314$400
61:2453190
--
48:3993333

Renda extraordirzaria:
Eventuaes 350:0003000 271:7613512 78 2383188
Indemnisaçbes 50.0003000 .29:7593055 20:2405915

Renda clapplicaccio es-


pecial:
Consumo de bebidas e
fumos 700:0003000 852:5383786 152:5383786
Addicionaes 270:0003000 200:6103459 69:3893541
Taxa Sanitaria. 250:0003000 222:0163826 27:9533174
Imposto, da Bolsa 400:0003000 413:3313386 13:3313386
Imposto territorial 300:0003000 294:6923236 5:3073764
Banco do Estado. ..... 500:0005000 529:9153366 29:9153366
Asylo S. Francisco de
Assis 60:0003000 61:1223157 1:1223157

Total.. 14.080:0003000 13.356:6943920 639:0363012 1.362:3413092

Além d importancia de 13.356:694$92o, proveniente da arrecadação de ren-


das propriamente orçamentarias, pelo balanço verifica-sc ter o Thesouro disposto
dos seguintes creditos:

Depositos diversos 51:736$903


Imendencia Municipal de Belem. ..... 227:16815226
Recebedoria c/receita em transito 350:030$150
Amazon River c/navegação Mosqueiro. 1:729$490

num total de.... . ..... ....... ....... ........ 690:664769


num movimento geral de 14.047:359$689.

Comparando-se a receita orçamentaria do exercicio de 1928 com a de 1927,


que foi de 13.408:496$593, veritica-se uma diffe:ença para menos n2quelle exer-
cício na quantia de 51:801$673.

.22
EXERCICIO DE 1929-1.0 SEMESTRE
RECEITA

Pela lei n. 2.735, de 8 de Novembro de 1928, foi orçada em 15.960:004000


a receita para o exercicio corrente, tendo sido arrecadada a importancia de
7.468:9985485 no periodo de Janeiro a Junho, sendo:
Renda ordinaria. 5.853:661$881
Renda extraordinaria 31:0385209
Renda c/applicação especial. ..... 1.584:2985395 7.468:9985485
Detalhando:
Renda ordinaria :
Exportação 3.546:3615437
Industria e profissão ....... 511:9835639
Serviço de Aguas 513:0135428
Trasmissão de propriedade. 291883$018
Taxa judiciaria ....... ....... 13:0385921
Imposto do sello 111:9095004
Consumo de diversos .. ....... ..... 169:244090
Renda do patrimonio 98:1795165
Matadouro do Maguary 473:2255240
Divida activa 83:3675949
Serviço de navegação... ........ 41:4535990 5.853:6615881
Renda exlraordinaria:
Eventuaes. ........ 11:6595129
Indemnisações 19:3795080 31:0385209
Renda ciapplicação especial:
Consumo de bebidas e fumo 450:4445942
Addicional 119:9145856
Taxa sanitaria 159:594427
Imposto da Bolsa...... ....... 238:5715510
Imposto territorial ....... ....... 246:0295814
Banco do Estado 336:8025597
Asylo S. Francisco de Assis .. 32:9445219 1.584:2985395
7.468:9985485

A renda do Estado no primeiro semestre de 1928 attingiu á somma de


6.765:4278809, assim discriminada :
Renda ordiaaria 5.352:2538195
Renda extraordinaria 190:6918922
Renda c/applicação especial 1.222:4828692 6.765:4278809

Confrontando-se a receita do primeiro semestre do corrente exercicio com a


de egual period° de 1928, encontramos uma diferença para mais naquelle exerci
cio de 703:5708676, como se demonstra :

,23
Renda do Estado: 1.° sem. 1928 1.° sem. 1929
Renda ordnaa. 5.352253$195 5.853:861$881
Renda extraordinaria . 190:691$922 31:0383;209
Renda dapplicaçâo especial 1.222:4824392 1.5842985395

6.765:4274;809 7.468:998$485

Ou melhor:
Renda no primeiro semestre de
1929 ....... . , 7.468:9983485
Renda no primeiro semestre de
1928 6.765:427$809
Diferença para mais em 1929

EXERCICIO DE 1928
DESPESA

A lei n. 2.654, de 9 de Novembro de £927, fixou em 21.170:160624 a


despesa ordinaria para o exercicio de 1928.
Excluidi dessa cifra a quantia de 1.841:.£8o$000, consignada para a Estrada
de Ferro de Bragança, em virtude da situação dessa via ferrea perante o Governo
Federal, a despesa orçada fica reduzida a 19.328:9898624, á qual devemos ac-
crescentar os creditos extraordinarios abertos durante o exercicio no total de
150:004000, sendo roo:000li000 para occorrer is despesas com melhoramentos
publicos e 5o:000$000 com o serviço de radio-telephonia no Estado, sommando,
portanto, a despesa prevista 19.478:980624.
No exercicio de 1928 a despesa effectuada, de accôrdo com as verbas orça-
mentarias e creditos extraordinarios, attiogin a 14.273:897$428, havendo,
pois, uma diferença para menos entre a despesa orçada e a effectuada de
5.205:094196, como se demonstra com o quadro abaixo:

24
QUADRO COMPARATIVO DA DESPESA PREVISTA E A EPPECTUADA NO
EXERCICIO DE 1928

RUBRICAS DESPESA DIFFERENÇA


ORÇADA DESPENDIDA PARA MAIS PARA MENOS
Governo e Adminis-
tração
Governo do Estado 40:0008000 40:0008000
Gabinete do Governador 47:4405000 43:014125 4:4238875
Secretaria Geral 95:3205000 91:2365800 4:034200
Thesoura Publico do Es-
tado 177:1608000 179:9248000 2:7648000
Directoria de Obras Pu-
blicas, Terras e Viação 123:3608030 112:3038400 11:0518600
Recebedoria de Rendas 111:4378500 132:3018600 20:8648100
Directoria do Serviço de
Aguas 515:8908000 761:0418645 245:1518645
Matadouro do Maguary 301:0208500 436:2665122 135:2458622
Superintendencia- da Via-
ção Ferrea 33:0008000 33:0008000
Marchanteria do Estado 400:0335000 556:8378030 156:8878030
Estrada de Ferro do To-
cantins.
Theatro da Paz
Junta Cominercial.
300:0038000
4:7038030
17:9008000
209:3535860
5:2548000
16:8335900
5648000 --
906468140

141$1130
Bibliotheca e Archivo Pu-
blico 30:0708000 29:7035200 3668800
Museu Gceldi. 40:3508000 40:9308200 5808200
Navegação. 218:0008000 204:8618300 13:1388700
Mesa de Rendas e Collec-
torias 305:2008000 304:5008437 (3998563

Poder Legislativo
Senado e Secretaria 87:8038000 82:3038700 5:4998300
Camara e Secretaria 123:5208000 128:7938700 2735700

Poder Judiciario
Tribunal Superior de Jus-
tiça 169:9208003 171:5698030 1:6495000
Juizes da Capital e do In-
terior 546:0008003 523:364500 22:6318500
Secretaria do Tribunal Su-
perior 23:6218000 24:1486603 5275600
Ministerio Publico. 30:4808000 39:3958400 8:9158400
Promotores da Capital e
do Interior__ 123:0008030 116:0778303 6.9228700
Secretaria do Ministerio
Publico 9:7833033 8:5308000 1:2008000
Ajuda de custo
Repartição Criminal
Forum
10:0338000
28:2308033
9:4808033
2:4728600
29:4305503
8:4738300
1:2038500 --
7:52784,00

1:0038700

- Policia Civil e Militar


Chefatura de Policia 579:4408003 460:9038374 118:5368626
Força Publica Militar 1.920:32'28000 1.578:1018536 342:2205464

25
RUBRICAS DESPESA DIFFERENÇA
ORÇADA DESPENDIDA PARA MAIS
.
PARA MENOS
Divida Publica
Serviço di Divida Externa 5.829:827$660 880:007$634 4.948:820$026
Serviço dos Emprestimos
Internos... 444:160$000 61:942$000 382:2183000
Instrucção Publica
Faculdade de Direito.. 77:7603000 76:4103000 1:350:3000
Escola de Agronomia e
Veterinaria 30:000$000 47:6195990 17:6193990
Escola de Pharmacia 28:1005000 27:3005000 8003000
Gymnasio Paes de Car-
valho 216:9005000 216:7563500
Escola Normal ....... 1435500
109:9403000 107:734$400 2:2053600
Instituto Gentil Bitten-
court 111:2503000 101:5233900 9:7263100
Instituto Lauro Sodré..... 380:5223500 372:1623086 8:3603414
Ensino Priniario. 1.146:4195964 1.217:4905288 71:0703324
Saúde Publica
Serviço de Saneamento
Rural 457:5405000 383:1553000 74:3853000
Directoria do Serviço Sa-
nitario 206:4103000 236:3333860 29:923$860
Hospital Domingos Freire 42:3605000 48:278$140 5:9183140
Hospicio de Alienados 117:1355000 120:0783000 2:943$000
Diversas Contas
Pessoal Inactivo. 952:703$540 895:7603099 56:9433441
Obras Publicas 200:0003000 328:9303020 128:9303020
Telegrammas, Luz e Te-
lephones 100:0003000 103:403$570 3:4033570
Santa Casa de Misericor-
dia 267:0003000 350:2313521 83:2313521
Associação Commercial 135:4003000 187:4083527 52:008$527
Pensionistas do Montepio 485:0003000 526:778$869 41:7783869
Divida Fluctuante, 500:0003000 554:250$528 54:2503528
Commissbes, Percents -
gens e Gratificacbes 64:4503000 63:5753344
Receita a annullar
Contabilidade Pilblica
255:6393960
108:0005000
329:5413709
53:6503000
73:9013749 --
8743656

54:3503000
Substituições.. ... 150:0003000 42:4703400
Eventuaes c/despesa
Recepçbes Officiaes
400:0303000
80:0003000
452:9383824
24:3003000 --
52:9383824 --
107:5293600

55:7003000
Automoveis 6:0003000 26:9863100 20:9863100
Creditos Extraordinarios
Melhoramentos Publicos 100.0003000 43:2813990 56:7183010
Radio Telephonia do Es-
tado. 50:000$000 55:5003000 5:5003000

TOTAL 19.478:9893624 14.273:8973428 1.219:0273819 6.424:1203015

26
Além das despesas feitas pelas verbas orçamentarias e creditos extraordinarios,
na somma de 14.273:897$428, o Estado despendeu mais 442:794$613, distri-
buidos pelas seguintes contas constantes do balanço :
Depositos diversos 136:056$837
Asylo S. Francisco de Assis 86:112$409
Agencia do Banco do Brasil c/c garantida.... .......... 6:930$000
Supprimento ao exercicio de 1927 186:104$476
Banco do Estado c/fundo ouro 27:590$900
elevando, assim, a despesa geral do exercicio a 14.716:692$o4r.
Confrontando-se a receita geral do exercido em estudo, que foi de
14.047:350689, con) a despesa geral no total de 14.716:6928o41, resalta um
deficit de 669:3328332, que foi coberto pelos recursos de que dispoz o governo,
no primeiro semestre de 1929.
EXERCICIO DE 1929-1.° SEMESTRE
DESPESA

A lei n. 2.737, de 8 de Novembro de 1928, fixou a despesa do Estado em


16.923:3298358 para o exercicio financeiro corrente.
No primeiro semestre deste anno a despesa effectuada importou cru
7.347:332842o, assim discriminada :
Governo e Administração. .......... 1.400:2f0j036
Poder Legislativo ..... ....... .
29:677$600
Poder Judiciario 358:160$74
Policia Civil e Militar 911:6118658
Instrucção Publica 860:946$650
Saúde Publica 23 1:073$600
Divida Publica 409:043$092
Diversas despesas .......... ....... 3.143:5295.5040

7.347:332$420
Convém notar que neste total estão incluidas as seguintes importancias:
669:332$332 reierente 20 supprimento feito ao exercicio de :928 e 774:3278500
concernente á amortisação feita pelo governo,, no period° de Janeiro a Junho, na
conta corrente garantida com a Agencia do Banco do Brasil.
Em egual period° de 1928, a despesa do Estado attingiu a somtna de
6.635:348$9o5, assim discriminada :
Governo e Administração. 1.211:039$776
Poder Legislativo 22 465$200
Poder Judiciario 369:599%00
Pclicia Civil e Militar 827:685$398
Instrucção Publica 866:616$900
Saúde Publica 554:574$160
Divida Publica 478:8719;714
Diversas despesas 2.304:696$157
6.635:548,5905

=27=
Resumindo
I.° senieStre. de 1929 7.347:33211420
1.0 semestre
,
de t928- O
6.635:5488905
Diferença para mais em 1929 GOO'
71177838515
. .
Adeante transcrevemos o 'quadro demonstrativo do movimento relativo ao
primeiro semestre de 1929, pelo qual se verifica dispor o Estado dos seguintes
saldos em numerado,.em 30 de Junho
Nos cofres do Thesouro 7:2988906
Na Recebedoria de Rendas 136:6848525
Nas ÇoIlectorjas 343478300
No Matadouro do Maguary. 16:1328338
Na Directoria do Serviço de Aguas 29:762$655
Na Agencia do Banco do Brasilc/c com juros 19:2348500
Na Agencia do Banco do Brasilc/c garantida 72:85696900
Na Caixa Rurál de Bragança 34:534500
350:84996624
Das despesas feitas. no primeiro semestre de 1929, pela verba Eventuaes »,
dainos abaixo a seguinte demonstração :
Despendido em Janeiro 49:540$500
Despendido de t° de Fevereiro a 30 de Junho :
Despachos alfandegarios o 0000000 7296500
Diversos fornecimentos 3:6768400
Auxilio á Estação de Sementes Tocantins I :500$000
Serviços de tabellião 250$000
Encadernação de livros da Bibliotheea. ....... 3:759$000
Quota de fiscalisação federal da Escola de Phar-
macia e Gymnasio Paes de Carvalho 12:000$000
Commissões bancarias 5:114$000
Pagamento por folha a funccionarios extranu-
- rnerarios 22:907$000
Representação do Estado no Museu Commer-
cial do Rio de Janeiro. 5:175$000
Fornecimento de passagens 2:962$020
Serviços typographicos e. outros p/c do Estado
nas officinas do Instituto Lauro Sodré 4:726$300
Auxilioá folha de collaboradores da Recebedoria 7:200$000
Compra de sellos federaes 260$000
Organisação da Historia Geral do Pará 300$000
Installações electricas 958$200
Folhas do pessoal contractado do Hospicio 11:35'3500
Alugueis da residencia do chefe. de Policia... 1:250$000
Publicações 63$000
Assignaturas de jornaes . ...... ......... 220$000
Meia duzia de cadeiras para o grupo escolar Ar-
thur Bernardes 75$000

28
Festas escolares.... . . 100$000
Ajuda de custo para commissões de funccio-
narios.... 450$000
Diarias de ftmccionarios com missionados 1:6955200
Despesas meúdas ......... . . 8505000
Um retrato a oleo do dr. Dionysio Bentes 1:5005000
P/conta da compra de um automovel Ford»
para a Directoria do Serviço.Sanitario. 3:0005000
Idem, idem para a Força Publica Militar ...... 5005000
Alugueis do predio occupado pelo Hospital
S. Rocque 200$000
Despesas feitas por Collecrorias 5:8275038
Dois cavallos para a Directoria do Serviço Sani-
. tario 700$000
Gratificações pagas
Ao guarda da penitenciaria. 500$000
A diversos por serviços extraordi-
narios 3:1108000
A um encarregado da metragem
de madeiras. ............... 5258000
Ao chefe do Estado Maior e Com-.
mandante da Força Publica
Militar 1:6008000 5:735$000 104:383$158
153:9235658

VERBAS ORÇAMENTARIAS DOS IMPOSTOS EM GERAL

Foi sensivel a desvalorisação dos nossos productos no anno de 1928.


Pela Recebedoria de Rendas, nesse exercicio, a arrecadação geral dos im-
postos importou em 8.645:5288738.
No anno de 1927, essa arrecadação attingiu a 8.78S:522$172, constatan-
do-se, assim, um decrescimo em 1928 de 142:993$434.
No primeiro semestre do corrente exercicio, os impostos contribuiram para
o erario com a somma de 5.156:515$868, sendo que, em egual periodo de 1928,
a arrecadação foi de 5.054:447$012.
Exportação
O imposto de exportação contribue com a maior somma para a receita or-
çamentaria e foi cobrado de accord() com a lei n. 2.629, de 5 de Novembro
de 1927.
Pela Recebedoria de Rendas foi cobrada a quantia de 5.723:958$528, du-
rante o exercicio de 1928, sendo :
No t.0 semestre 3.395:1868739
No 2.° semestre. . 2.328:774789
5.723:958$528
A arrecadação geral desse imposto, no anno de 1928, importou em
5.860:829$95o.

29
No primeiro semestre do corrente exercicio, a arrecadação desse imposto foi
de 3.5463618437, tendo a Recebedoria de Rendas arrecadado a quantia de
3.499:9348742.
Em .egual periodo de 19283 a arrecadação geral desse imposto attingiu a
3.407:4078336, havendo, pois, uma diferença para mais no semestre de 1929
DO total de 138:95481o1, como se 0:
r.° semestre de 1929 3.546:3611;437
10 semestre de 1928 3.407:1071;336
Diferença para mais em 1929 138:954$101
Dos quatro principaes productos do Estado, que contribuiratn com maior
somma para a arrecadação do imposto de exportação destaca-se a castanha, cujos
direitos attingiram, em 1928, a 2.202:0508274, havendo um accrescimo nos
impostos pagos nesse exercicio sobre o de 1927, que sommaratn 1.259:58z,g74.
de 902:065$400, como se verifica do quadro comparativo:
PRODUCTOS IMPOSTOS
1927 1 928
Borracha 1.937:543$224 942:2(51412
Castanha 1.299:984$874 2.202:050$274
Madeira 1.0,)9:571$565 1.05.):709$956
Cacio 127:641$200 94:3M$400
A exportação desses productos no primeiro semestre deste exercido importou
em 2.839:4638882, sendo :
Borracha 418:324$061
Castanha 1.657:A8$026
Madeira. 648:998$895
Carlo 114:192$900
Industria e profissão
O imposto de industria e profissão rendeu, no exercido de 1928, o total de
rn4o:772$787, tendo a Recebedoria de Rendas cobrado 707:394891 1.
Em 1927, a arrecadação geral deste imposto foi de 1.187:6808819 havendo,
pois, um decrescimo, em 1928, de 46:9088032.
No primeiro semestre do corrente exercicio, essa arrecadação foi de ..........
511:9838639.
Em egual period() de 5928 importou essa arrecadação em 441:Sor8189, ve-
rificando-se, assim, um augment° no semestre de 1929 de 70:1828450.
A evolução do commercio, com as suas noivas industrias e novos ramos em
que a actividade humana se manifesta, tem alterado o regitnen das tabellas em
vigor, tcrnando-se inapplicaveis em alguns casos e omissis em outros.
Transmissão de propriedade
Foi sensivel a diminuição da cobrança deste imposto em 1928.
Importou em 6o8:143155; em 1927 attipgiu a 621:7928567, constatan-
do-se uma diferença a menos na arrecadação de 1928 de 13:6498412.
Pela Recebedoria de Rendas essa arrecadação attingiu a too:989$65o, ha-
vebdo uma diferença de 140:5848473 sobre a arrecadação respectiva no exercicio
de 1927, que attingiu a 241:-5748123.

'30
No primeiro semestre deste anno, a arrecadação do imposto em apreço subiu
a 291:883$018. Em egual periodo de 1928, esse imposto contribuiu para o erario
publico com a somma de 276:677$871, verificando-se uma diferença para mais
no semestre de 1929 de 15:2054):47.
Consumo de diversos
Regula a cobrança deste imposto, que incide sobre artigos chamados de luxo,
a lei n. 2.633, de 8 de Novembro de 1927.
A arrecadação desse imposto é feita com certa reluctancia por parte dos con-
tribuintes que procuram fugir ao tributo. Algumas reclamações foram dirigidas
ao governo sobre o pagamento desse imposto, as quaes, depois de estudadas,
foram julgadas improcedentes por faltar-lhes fundamento ou apoio legal.
Felizmente, de certo tempo para cá, o pagamento do dito imposto vae sendo
feito com tnais facilidade.
Durante o exercicio de 1928, a arrecadação importou em 312138490S.
Em 1927, essa arrecadação foi de 33S:o89$334. Do confronto, resulta um
decrescimo naquelle exercido de 25:504426.
No primeiro semestre de 1929, a arrecadação importou em 169:246$o90 e
no mesmo semestre de 1928 foi de 162:o46$97o, havendo um augmento naquel-
le pefiodo de 7:199$120.
Imposto do sello
Attingiu a s. omtna de 264:S57$713 a arrecadação deste imposto no exercicio
de 1928, tendo sido de 273:410076 a de 1927, havendo, pois, um decrescimo de
8:552$363 naquelle exercicio.
No primeiro semestre deste anno, arrecadação deste imposto subiu a
ti:909$o04 tendo sido, em egual period() de 1928, arrecadada a quantia de
zo4:237$90o, salientando-se um augment° naquelle semestre de 7:67t$104.
Imposto sobre consumo de bebidas e fumo
Durante o exercicio de 1928, a arrecadação deste imposto importou em
852.538$786 e no de 1927 em S30:190186, resultando uma maior arrecadação
em 1928 de 22:339$600.
No primeiro semestre de 1929, a arrecadação deste imposto attingiu a
450-444942 e em egual period° de 1928 a 377.00S$65o, verificando-se uma
diferença a menos neste semestre de 73:436$292.
Imposto da Bolsa
P. receita proveniente deste imposto é entregue em partes egnaes á Santa
Casa de Misericordia e á Associação Commercial, consoante determinam as leis
ns. 1.255-A, de g de Novembro de 1912 e 1.516, de 6 de Novembro de 1916.
Sua receita, em 1928, foi de 413:331$386 e em 1927 de 339:315$86S, veri-
ficando-se uma maior arrecadação naquelle exercicio- de 74:015$518.
Em 1929, de Janeiro a Junho, essa arrecadação foi de 238:571$510 e em egual
periodo de 1928 de 226:024113, constatandose uma diferença a mais naquelle
semestre de 12:550397.
Imposto Territorial
. O imposto territorial contribuiu para a receita do exercicio de 1928, com
a somma de 294692$236, tendo sido a arrecadação orçada pela lei n. 2.653, de
9 de Novembro de 1927, em 300:000$000.

31
Em 1929, de Janeiro a Junho, a arrecadação deste imposto attingiu a
246:028$844, tendo essa arrecadação importado em egual periodo de 1928 em
56:2o9Wo.
Imposto de 5 0/, para o Asylo de S. Francisco de Assis

Este imposto foi creado pela lei n. 2.653, de 9 de Novembro de 1927 para
custear o Asylo de S. Francisco. A sua cobrança é feita juntamente com a do
imposto de industria profissão.
A sua arrecadação foi prevista pela dita lei, em 6o:000$000, tendo sido effe-
ctivamente arrecadada a quantia de 61::22$157.
Em 1929, de Janeiro a Junho, a receita desse imposto foi de 32:944219.
Addicional

A cobrança deste imposto vem sendo feita de accôrdo com a lei n. 2.066
de 14 de Novembro de 1921, que elevou para 3 % a primitiva taxa de 2,5 .4%, a
qual recahe sobre os impostos de exportação, transmissão de propriedade e in-
dustria e profissão. A sua receita pertence á Santa Casa de Misericordia, que a
recebe regularmente.
A arrecadação deste imposto em 1928 foi de 200:61:4459 e em 1927 de
215:166$493, havendo, pois, um decrescimo naquelle exercido de 14:556$o34.
No primeiro semestre deste exercido, a arrecadação foi Se 119:914856.
Em eg,ual period() de 1928, importou a arrecadação em to9:768$693, verifican-
do-se um augmento naquelle semestre de to:146$163.
Taxa San itaria

Foi de 222:0465826, a arrecadação deste imposto em 1925 e em 1927 de


226:0°51156, vetificando-se uma diminuição naquelle exercicio de 3:9565330.
No primeiro semestre de 1929, essa arrecadação foi de 159:5905427 e em
egual periodo de 1928 de 119:4805977, havendo um excesso de cobrança na-
quelle semestre de 40:1095450.
Banco do Estado
Pela lei n. 2.535, de To de Novembro de 1925, foram !creadas as sobre-
taxas de r e 2 %, respectivamente, sobre a balata e castanha e o imposto an-
nual de 55oo por cabeça de gado vaccum, cavallar e asinino.
As sobretaxas são cobradas no acto da exportação daquelles productos e pe-
los arrendamentos dos castanhaes e balataes, de modo que nenhuma diffizul-
dade apresenta sua arrecadação.
Quanto, porém, ao imposto de $500, que recahe sobre o gado, sua arreca-
dação tem sido dtfficultosa por diversas circumstancias.
O lançamento desse imposto torna-se difficil, pois, negados os esclarecimen-
tos que a lei exige, os funccionarios da Fazenda são obrigados a fazei-o in loco,
o que exige grande dispendio e perda de tempo. Alem disto, pelo serviço de co-
brança desse imposto os exactores nenhuma percentagem têm.
Para facilitar o pagamento deste imposto, nos annos atrazados, temos con-
cedido aos contribuintes prorogação de prasos para effectual-o sem multa.

32
O THESOURO PU111.1C0 DO ESTADO EM CONTA CORRENTE COM O BANCO 1)0 ESTADO

Morimentorekrente ao period° de 1 de Janeiro de 'MI;


.1) de Junho de 1929

DEVE HAVER
Atrecadação effectuada nos seguintes exercicios
1926 ..... 465:8225193
1927 346:2h0$239
1928 536:31. )45252
1929 (t.° semestre)... ........ -336:8778707
Commissões de t 5% pagas ao solicitador da
Fazenda, coronel Augusto Thiago de Sousa
sobre a cobrança executiva e arnigavel 17:1515568
Pago á Serraria Claudio pela confecção de mo-
biliario ...... ........ ....... 11:2505000
Commissões pagas aos tunccionarios da Rece-
bedoria sobre a cobrança efiectuada por
esta Repartição 1:345S9S3
Despesas judiciaes e outras feitas com a co-
brança executiva e amigavel 282$495
Pago pela acquisição de uma placa de metal
inclusivè despesas de transporte do Rio
para Belem 220$000
Restituições feitas pela Recebedoria .. . 195$782
Despesas COLD a limpeza do predio...... . 16050C 0
Pago pela compra feita pelo Estado ao Banco
Portuguez no Brasil do predio para séde
do Banco 300:0005000
Despesas com o traspasse supra 1:0005000
Pago pela acquisição de 775 apolices federaes
do valor nominal de 1:000$000 c/uma
compradas pelo Estado para formação do
capital do Banco. 7750005000
Pago pela acquisição de 23.575 grammas de
ouro compradas pelo Estado para fundo
especial do Banco 94:101$000

1.685:28 t$391 1.200:706$828


Balanço 484:577$563
1.685:28-1$391 1.685:284$391

Saldo 484:577$563 (*)

(') Neste salda estd incluida a importanciz. de 198:105$427 que se refere ao saldo até 3t de
Janeiro de 1929, o qua! foi applicado pela administração anterior nos pagamentos ordinarios do
Thesouro.

33
-=-
OUTRAS VERBAS ORÇAMENTARIAS
Divida activa:
No exercicio financeiro de 1928, a cobrança da divida activa importou em
51:604667, e de Janeiro a Junho do corrente em 83:367$949.
Em 1927, essa cobrança subiu a 133:715$626 e no primeiro semestre de
1928 importou em 13:390599.
A cobrança da divida activa do Estado ë utn assumpto para o qual temos
voltada a nossa attenção, não só para fazei-a com efficiencia corno para evitar
que as dividas não pagas nos prasos regulamentares se accumulem de atino para
atino.
O dr. procurador fiscal, referindo-se ao assumpto, propõe:
« A media mais urgente que me cumpre lembrar ë a revi-
sio e consoliiação das leis fiscaes, mediante auctorização do Poder
Legislativo ao Executivo, e a aboliçio da pratica adoptada das dis-
tribuições das acções pelos juizes de direito das varias comarcas do
Estado, de moio a concorrerem todas as causas em que a Fazen-
da fôr parte perante o Juizo de Direito dos Feitos da Fazenda (2a
vara da capital) cuja competencia se acha firmada no art. 323 e
seu paragraph° da lei n. 930, de 25 de outubro de 1904. Apenas
as precatorias seriam executadas nas outras comarcas, ex-officio,
pelos juizes de direito, sem necessidade das viagens dispendiosas e
improductivas dos solicitadores da Fazenda ».
Renda do patrirnonio
Foi esta a receita arrecadada pelo titulo c Renda do Patrimonio» no exerci-
cio de 1928:
Renda de proprios do Estado 600$000
Juros de apolices pertencentes ao
pa:rimonio do Instituto Gentil
Bittencourt, no segundo semestre
de 1915 ao primeiro de 1928 51:280$000
Venda de terras 60:885$788
Arrendamento de castanhaes e ba-
lataes ...... 110:100$313 222:86(;$101
De Janeiro a Junho de 1929, a renda do patritnonio importou em t00:374165,
como se vê:
Renda de proprios do Estado 600$000
Venda de terras 34:950/5745
Arrendamento de castanhaes e ba-
lataes 64:819$420 100:370$165
SERVIÇO DE NAVEGAÇÃO
A receita arrecadada sob o titulo Serviço de Navegação attingiu, no exer-
cicio financeiro de 1928, á somma de 161:245$19o.
De Janeiro a Junho do corrente anno, essa arrecadação importou em
41:450990.

34_
Navegação do Pinheiro e Mosqueiro :
Esse serviço é feito regularmente pelo vapor denominado 'Almirante Ale-
xandrino», de propriedade do Estado.
Por conveniencia, o governo entregou-o A gerencia da Amazon River Steam
Nivigation Company (1911) Limited, o qual está sendo feito satisfactoriamente.
Por accordo com a Intendencia Municipal de Belem, resalvemos que a res-
ponsabilidade desse serviço de navegação ficasse distribuida por aquella Munici-
palidade e o Estado, continuando, porem, sob a administração daquella com-
panhia.
Despendemos, neste primeiro semestre, a importancia de 6:59o$000 com o
seguro do vapor «Almirante Alexandrino», pela apolice n. 1.545 da Companhia
Commercial do Para.
Navegação de &mire:
Com este serviço de navegação, explorado pelo Sr. Alberto Engelhard, o Es-
tado gastou, no primeiro semestre deste exercicio, a importancia de 4:500$000,
correspondente ás subvenções dos mezes de Fevereiro, Março e Abril do corren-
te anno.
DIVIDA EXTERNA
Muitas preoccupações têm causado aos governos paraenses nestes ultimos
annos de crise financeira a nossa divida externa. A diminuição das rendas,
tornando impontual o serviço dos juros e amortisações, mais tem aggravado a
nossa situação.
O nosso antecessor, no decurso de 1927, tentou reorganisar a nossa divida
externa com os credores extrangeiros. Para esse fim cornmetteu ao dr. J. J. Aben-
Athar, funccionario do Bank of London & South America Limited a incumbencia
de se entender com os credores externos do Pará. Durante os primeiros mezes
daquelle anuo, por cartas e telep,rammas, foram trocadas ideas sobre este assum-
pto com os banqueiros Seligman Brothers Limited, representantes dos credores
londrinos, ate que a 16 de Agosto os mesmos banqueiros enviaram uma propos-
ta com as seguintes bases : a) Venda das apolices federaes no valor nominal de
5.000 contos de réis, provenientes da encampação da E. F. de Bragança, em
caução no London Bank, do Rio; b) EMissão de duas series de apolices para serem
trocadas em quitação da divida externa, capital e juros, pela maneira seguinte:
a) Apolices de 6 % E 420.000 --;,) A polices de Renda de 5 % E S7o.000. O
producto d. venda das referidas apolices federaes seria dividido pm-rata pelos
portadores de titulos do emprestimo de 1901, em cuja garantia estão as mesmas
caucionadas, na proporção de E S ou E lo, dinheiro, por cada E too.o o em ti-
tulos. As emissões de apolices de Renda de 6 %, (Bonds and Income Bonds) se-
riam applicadas no resgate de todas as apolices existentes em circulação e consti-
tutivas do valor global, principal e juros, da nossa divida, estabelecida uma pro-
porção para os tres emprestimos externos.
O serviço annual das apolices de 6 % e de Renda, por parte do Estado, seria rea-
lisado: a)o Estado se obrigando a pagar an nualmente E 32.000 para o serviço das apo-
lices de 6 % e respectiva amortisação de cerca de i e 1/2 b) o serviço das apolice3
de Renda ficava subordinado ás possibilidades do Thesouro, em conformidade com a
sua receita, e quando esta excedesse de 15.000 contos de réis, todo o excesso de cada

35
exercicio seria entregue iquelles banqueiros para o serviço das ditas apolices de
Renda. Outrosim, logo que o Estado tivesse resgatado todas as apolices de 6 %
a SOMMI de 32.000 da condição a seria continuadamente provida pelo The-
souro para o serviço das apolices de Renda. Estabelecia-se ainda como condição
precipua o endosso do Governo Federal.
Esse endosso e o pagamento annual das E 32.000 eram duas condições que
ó Estado não podia satisfazer. Discutida em Londres essa
proposta, entre o dr.
Aben-Athar e os banqueiros, surgiu outro embaraço qual o do pagamento inl-
mediato de £ 25.800 de sello devido ao governo inglez, além das commissões
dos banqueiros. Ainda assim e a titulo provisorio o Estado começou a depositar,
mensalmente, no London Bank, desta praça, de i de Janeiro de 1928 em deante,
to% de sua renda ordinaria, afim de verificar-se no tim do armo se o Estado po-
deria satisfazer a condição das E 32.000. 0 governo, porém, só conseguiu, du-
rante todo o anno de 1928, remetter para Londres 2 1.600 libras.
A situação da nossa divida externa não soffreu, portanto, nenhuma modifi-
cação. Nit) existe nenhum convenio novo. O contracto exactamente
em vigor é
ó antigo, sem nenhuma alteração. Continuamos obrigados is remessa i
mensaes
estabelecidas por este, 45% do valor do imposto de exportação, e se não as cum-
primos exactamente, é porque não nol-o permitte, conto de ha muitos
annos,
a escassez de nossas rendas.-
Fiel ás nossas promessas na plataforma não descuraremos desse problema
pri-
macial da nossa vida. Temos em estudo novas propostas de accordo feitas pelos
re-
feridos banqueiros. Tudo envidaremos por uma solução favoravel is nossas finan-
ças e ao nosso credito externo, sem aggravar mais o nosso estado actual,
assu-
mindo obrigações que não possamos cumprir fielmente.
A divida externa do Estado resulta de tres emprestimos com banqueiros in-
glezes realisados nos annos de 1901, 1907 e 1915.
A sua situação em 31 de Dezembro de 1928 é a seguinte :

Capital:
Emprestimo 19ot E 1.270.000. 0. 0
Emprestitno 1907.. 568.960. .0. 0
Funding 1915. 1.036.679. 5. 0 E 2.875.639. 5. 0
Juros :

Emprestimo 19o1 E. 285.873. 0. 0


prestitE0 1907 213.594. 0. 0
Funding 1915. 388.764. 15. 0 E 888.221. 15. 0
E 3.763.861. 0. 0
Pelo governo, de 1925 a 1928, foram feitas para Londres,
as seguintes re-
messas, para o serviço de juros, de accôrdo com as remessas feitas pelo Thesouro
e provenientes de percentagens sobre a receita arrecadada.

Exercido 1925. E 26.000. 0. 0


1926......... 13.000. ().
1927 3.500. 0. 0 E 44.500. 0. 0

36
Exercicio de 1928
Janeiro. E 1.124. 13. 6
Fevereiro 1.385. 13. 10
Março 1.801. 17. 9
Abril 2.338. 4. 0
Maio ............. 2.717. 9. 9
Jun ho . . ..... . 2.312. 9. 1
Julho... ...... ...... . 2.207. 16. 9
Agosto 1.961. 2. 1
Setembro 1.501. 4. 9
Outubro.. ....... 1.925. 12. 1
Novembro. ...... . 1.109. 9, 9
Dezembro. 1.228. 10.3 .4: 21.606. 16. 0
'; 66.106. 16. 0
O total das remessas feitas em 1928 corresponde, em nossa moeda, a.
874:6°3893o.
Ew 30 de Junho de 1929 era esta a situação da divida/externa do Estado :

Capital
-Emprestimo 1901 E 1.270.000. 0. 0
Emptesticno 1907 568.960. 0. 0
Funding 1915 1.036.679. 5. 0 E 2.875.639. 5. o
Juros :
Emprestimo 190I E 349.373. O.
Emprestimo 19o7 242.042. 0. 0
Funding, 1915 440.588. 14. 4 E 1.032.003. 14. 4
E 3.907.642. 19. 4

O serviço semestral de juros exigido pelos rres etnprestimos externos é o


seguinte
Emprestimo de 1901 .5.:. 31.750. 0. 0
Emprestimo de 1907 14.224. 0. 0
Funding de 1915 25.916. 19. 8 E 71.890. 19. 8
as quaes á taxa cambial de 5 t 15/128 d. correst)oniena em nossa moeda
a 2.925:153$200, ou sejam, annualmente. E 143.781. 19. .1, eguaes a
5.85o:3o6$400.
E' este o atrazo no pagamento de coapons dos emprestimos externos
Emprestirno 1901, a partir de Julho de 1024. inclusive, ate r de Janeiro de
de 1929 To coupons.
Emprestimo 1907, a partir de Julho de 1921, inclusive, até i de Janeiro de
1929-16 coupons.
Funding 1915, a partir de Julho de 1921, inclusivê, ate i de Janeiro de
1929-16 coupons.

37
Temos retnettido por intermedio do London Bank, desta praça, para o ser-
viço da nossa divida externa, o que nos tem sido possivel enviar.
Essas remessas representam o indice do empenho em manter, de accord° com
as nossas disponibilidades financeiras, o nosso credito no extrangeiro.
Damos abaixo o quadro das remessas feitas em 1925, 1926, 1927, 1928 e
primeiro semestre 1929:
REMESSAS REALIZADAS 1925 1929
Valor etn esterllno
Pelo resultado doa
auferidos sobre 5.000 con
EXERCÍCIOS Pelo Thesouro tos em apolices da Divida Valor em moeda
Federal. caucionadas
garantia do empres-
nacional
timo 1901
1925. E 26.000. 0. U E 6.703. 6. 3 Rs. 1.361:713$694
1926. 15.000. 0. 0 7.726.11. 2 7113:4815662
1927 3.500. 0. 0 6.020. 8. 6 388:9165607
1928 21.606.16.10 6.118. 7. 4 1.075:872$470
1929 (Janeiro-Julho) 10.984.15. 9 6:104. 9.10 694:082:$990
DEMONSTRAÇÃO DAS REMESSAS
nos mezes de Janeiro a Julho de 1929
Janeiro E 1.100. 9. 3 E 3.052. 4.11 Rs. 169:4295600
Fevereiro a Julho 9.884. 6. 6 3.052. 4.1.1 524:653$390
Nota.Neste quadro estão incluidas as remessas correspondentes aos juros das 5.000 apo-
lices federaes, provenientes da encampaçáo da E. F. de Bragança, caucionadas no Loridon Bank,
do Rio,"em garantia do empiestimo de 1901.

DIVIDA INTERNA FUNDADA


A situação desta conta em 31 de Dezembro de 1928 era a seguinte:
Apolices caucionadas :
Empr. .791g Empr.1915
Blrico do Brasil 9 600:C001;000 11.220:0008000
Banco Nacional Ultramarino 2.000:000$000 2.800:0008000
Band:, Commercial do Pará 125:00015000 667:0008000
4.725:000000 14.687:0008000
Apolices em circul.10c..... 4.707:600$000 1.180:9001;000
9.432:600$000 15.867:9001;000
Resumindo :
Emissào. de 1913 9.4326001;000
Emissão de 1915 . ..... 15.867:900$000
25.300:50041,000

O Estado gastou cow este serviço em 1928 a import:mcia de 61:942S000,


assim applicada :
Empi.. 191; Einpr. 191;
Resgate de apolices. 7:000$000 35:4008000
Juros de apolices 2:5508000 16:992$000
9:5508000 52:392;000
Eis o estado desta conta em 30 de Junho de 1929
A polices caucionadas
En/pr./913 Emp, 191f
Banco do Brasil 2.600:000$000 11.220:0005000
Banco Nacional Ultramarino..... 2.000:0005000 2.800:0005000
Banco Commercial do Pari 126:0005000 667:0005000
4:725:0005000 14.687:0005000
Apolices em circulação ..... 4.697:5005000 1.180:9005000
9.422:5005000 15.867:900$000
Resumindo :
Emissão de 1913 9.422:5005000
Emissão de 19 t 5 15.867:9005000
25.290:4005000
No primeiro semestre de 1929 o Estado despendeu coin o serviço de em-
prestimos internos a itnportancia de r 1:752$300, assim applicada
Resgate de apolices:
2 apolices estaduaes de 1:000$,
emissão de 1913, numeros
20.465 e 23.000 2:0005000
ii ditas de socli, idem, idem
numeros 16.082, 16.44o/5.
18.oto, 18.t to/it e 18.454... 5:5005000
13 ditas de 200$, idem, idem
numeros 02.660/I, 07.374/6,
07.546, 07.807, o 7.8 09,
07.811/2, 07.848, 07.866 e
07.871 ......... ....... 2:6005000 10:1005000
Coupons:
59 coupons estaduaes de 121;500,
emissão de 1913 7375500
183 ditos de 5S000, idem, idem 9155000 1:6528500
11:752500
DIVIDA FLUCTUANTE
O movimento desta conta, em 1928, foi o seguinte:
Saldo em I de Janeiro de 1928 20.001:3605354
Importancia devida a funccionarios, fornecedores e
outros creditada a este titulo ........... ..... ....... 1.437:3495225
21.438:7095579
Amortisações.feit.ts em 1928 554:2505528
Saldo que passa para 1929 . ....... ...... 20.884:4595051.
A cifra acima não é o resultado exacto da apuração dessa divida, pois, diffi-
culdades de toda ordem tena embaraçado o conhecimento verdadeiro do valor
dessa conta.

39
OPERAÇÕES BANCARIAS
AGENCIA DO BANCO DO BRASIL-C/C GARANTIDA
Em r de Fevereiro do corrente anno, o Estado era devedor
ao Banco do Bra-
sil da importancia de 735:188$5oo, provinda dos dois
ultimas quatriennios,
sendo 208:444449, debito do quatriennio do dr. Antonino Emiliano de Sousa
Castro, e 526:747$251, importancia do debito correspondente
ao periodo gover-
namental do dr. Dionysio Ausier Bentes.
Durante o periodo que decorreu de z de Fevereiro a 30 de Junho do anno
corrente, o Thesouro recolheu ao mencionado instituto de credito
um total de
1.125:4548400, resarcindo, portanto, o saldo devedor acima referido
e fechando
o semestre com o saldo credor liquido de 72:856$9oo, tendo sido
as despesas ordinarias do Thesouro retirada para
apenas a importancia de 28o:000S000.
Foram ainda levadas a debito as seguintes quantias :
5:000$000commissão
bancaria de 1/2% sobre o augment° do credito da mesma conta; 86$800des-
pesas telegraphicas, e 32:322$200, juros nos dois trimestres deste exercicio.
Não ha negar que representou essa operação apreciavel
vantagem para o
erario publico, transformando o governo o saldo devedor
em saldo credor, ape.
sar das dificuldades financeiras com que vem luctando a administração.
Releva accrescentar que, além da manutenção do credito do
Estado nesse
Banco, resultou para o Thesouro uma diminuição de despesas
representada pelos
juros avultados que exigia o referido saldo devedor (ro %
ao atino).
Essa conta está em movimento e é garantida com
o penhor de 280 apolices
federaes do valor nominal de 1;000$000 cada uma e
valor estimativo de 30%
da renda geral do Estado avaliada em 1.720:000$000.
BANCO NACIONAL ULTRAMARINO - C/C GARANTIDA

Estas contas são garantidas por 5.799 apolices do Estado,


sendo 2.800 do
emprestimo de 1915, no total de 2.800:000$000, e 2.999 ditas, do
interno de 1913, no total de 2.000:000S000, emprestimo
ou seja, uma caução global de
4.800:000$.
De ha muito tempo foram as transacções paralysadas, exigindo,
saldo devedor juros no valor de cerca de entretanto, o
roo:000S000 annuaes.
Em 31 de Dezembro de 1928 o saldo devedor
sommava 1-459:1998300,
elevando-se em 30 de Junho do corrente anno a 1.5r
8:4811)50o, o que evidencia
a assertiva acima.
BANCO COMMERCIAL DO PARA - C/C GARANTIDA

O Thesouro mantem ainda coin o Banco Commercial do Para


uma conta cor-
rente caucionada por 667 apalices do Estado, emissão 1915, 513 do
de 1901 externo, 251 ditas do Funding Loan 1915, e r certificado emprestimo
do mesmo,
250 apolices do emprestimo interno de 1913 e 330 ditas federaes,
minal, respectivamente, de 667:000g000 no valor no-
613:1208000 160:7428400
125:-00o800o e 33o:000S0001 sommando 1.895:8628400.
O movimento dessa conta está tambem paralysado.
Em 31 de Dezembro o saldo devedor elevava-se
o semestre do corrente exercicio em 1.996:37*000, ao 1.901:3118000, fechando
que importa dizer que
essa conta absorve de juros annuaes a vultosa somma de cerca de
r9o:0003000.
40
DEPOSITOS DIVERSOS
O movimento dos depositos diversos foi o seguinte:
1928
Recolhimentos ...... 51:736003
Restituições .......... ...... . ..... .
Depositos feitos em 1928 ....... 15:291$790
Idem de exercicios anteriores .. 120:7640-17 136:050837
84:3198934
1.0 semestre de 1929
Recolhimentos 59:0265573
Restituições
Depositos feitos em 1929 3:077$559
Idem de exercidos anteriores..... 11:9105900 14:9888459

41038!.3114
MONTEPIO DO ESTADO
Eis o movimento da conta do montepio de i de Janeiro a 31 de Dezembro
de 1928
RECEITA
joias e contribuições:
Recebido durante o exercido. 274.377931
Devedores diversos :
Recebido para amortização de ernprestimos 550$000
Thesouro do Estado :
Supprimentos no exercicio . 476:7788869
Auxilios :
Pela importancia consignada na lei orçamen-
taria para este exercicio ....... ........... 50:0008000 S01 :706z)800
DESPESA
Restituições:
Liquidação de contribuições com ex-funcdo-
narios 7:966:$700
Pensões:
Pagamentos a pensionistas no exercicio. 793:7405100 801:7068800

BALANÇO ECONOMIC°
ACTIVO
Apolices :
Pelo valor nominal de 280 apolices da divida
publica federal 280:000$000
Devedores diversos :
Saldo desta conta em 31 de Dezembro de 1927 90:091$376
MenosA mrtização do exercicio 5508000 89:541$376
Passivo descoberto:
Diferença entre o Activo e Passivo. 3.391:807$535
3.761:3481;911

41 -
PASSIVO
Thesouro do Estado :
Saldo desta conta em 31 de Dezembro de 1927 1.827:9863866
Maissupprimento feito no exercicio 476:778069 2.301:764735
Pensões a pagar:
Saldo d/c em 31 de Dezembro de 1927 1.4S2:091$676
Menospagamentos de pensões atrazadas 25:508$500 1.456:583$176
3.761:349$911

Conforme facilmente se verifica dos balanços que precederam, a situação do


montepio dos funccionarios do Estado é cada vez mais precaria e, a nosso ver, de
difficil solução.
As contribuições recebidas sio insufficientes para attender ao pagamento das
pensões, obrigando o Thesouro a completar com somma avultada esse pagamento.
O regulamento da montepio, coa ) sua ultima reforma, onerou demasiada-
mente a instituição, merecendo especial reparo a faculdade que deu aos inactivos
de continuarem a contribuir, augmentando assim o numero de pensões que com
a morte desses contribuintes vêm auguaentar os encargos da instituição do mon-
tepio.
Urge uma solução para este grave problema do Estado.
NOVOS PADRÕES DE ESTAMPILHAS E CINTAS
A experiencia tem demonstrado que a substituição periodica de estampilhas
e cintas se impõe como medida providencial, para evitar as falsificações, tão pre-
judiciaes aos interesses do fisco.
Estão em vigor estampilhas que vêm servindo desde muitos annos.
No conhecimento deste facto, determinamos que fossem impressos, o mais
breve possivel, novos padrões. Essa providencia já está tomada e os novas sellos
e cintas estão sendo confeccionados na conhecida e acreditada officina denominada
Empresa Graphica Amazonia.
Foram limpas, por nossa ordem, as pedras lithographicas que continham os
originaes de sellos de consumo e emolumentos do Estado, de diversos valores e
padrões, com a assistencia do funccionario do Thesouro, Martinho Figueiredo,
especialmente designado para fiscalisar essa limpeza e gravação.
Desse acto lavrou-se a seguinte acta :
alkos onze dias do rnez corrente, com a assistencia do sr. Mar-
tinho Figueiredo, designado pela Directoria Geral da Fazenda Pu-
blica do Estado, em officio que me fôra dirigido em 5 do corrente,
foram limpas as pedras lithoaraphicas de numeros abaixo descrimi-
nados, que continham originaes de sellos de consumo e de emo-
umentos do Estado, de diversos valores e padrões, que vinham
sendo fornecidos até esta data, cessando, por esta fórma, toda e
qualquer responsabilidade que me cabia na impressão de sellos
constantes dos referidos originaes. E, por assim ser, lavrou-se o
presente termo, em duplicata, que vae por mim assignado em con-
juncto com o funccionario referido acima e authenticado pela Di-
rectoria Geral da Fazenda Publica do Estado.

42
Nurneros ,Ias pedras -384, 477, 806, (>64, 989, 991, 1.122
1.155, 1.308, 1.508, 1.515, 1.558, 1.626, 1.701, 1.855, 1.861,
1.920, 1.922, 1.929, 1.930, 2.177, 2.373, 2.489, 2.490, 4.086,
4.260, 4.336 e 5.504. Pari, It de Junho de 1929. (aa) F. B. Oli-
veira, Martinho Figueiredo.

No dia 22 de Março ultimo tivemos informação de que uma quantidade de


sellos adhesivos estava sendo negociada na praça por preço inferior ao valor das
mesmas estampilhas.
Como lhe cumpria, immediatamente a Directoria da Fazenda designou os
funccionarios Homero Cunha, Crysanthemo Sousa e Jorge Ferreira Lopes para
procederem a rigoroso balanço na caixa de estamoilhas e papel sellado a cargo
da Thesouraria, hem como nos postos revendedores.
Essa commissão desempenhou-se de sua in:umbencia, apresentando minu-
cioso reiatorio do resultado das investigações a que procedera. achando na The-
souraria, em valores, o saldo accusado pela escripturação respectiva, o mesmo
acontecendo nos referidos postos.
A Policia, a quem foi affecto o caso, descobriu que ditas estampilhas foram
retiradas, clandestinamente, das officinas da Empresa Graphica Amazonia, de F.
B. Oliveira, por uni empregado infiel.
Sendo-nos rernettidas pelo Chefe de Policia, foram entregues á Directoria
da Fazenda, que, em sessão do Conselho, realizada a 30 de Abril do corrente
anno, incinerou as estampilhas apprehendidas.
CONSELHO DE FAZENDA
O Conselho de Fazenda do Estado tem-se reunido regularmente, uma vez
por mez para tratar de assumptos de sua competencia.
Durante o period° de Julho de 1923 a Junho deste anno realizou 12 sessões,
resolvendo: 85 processos de collectores quites; 20 ditos de alcançados, 43 pen-
sões e 122 inscripções de montepio.
Incineração de apolices-Em sessão do Conselho de Fazenda, realizada no
dia 16 de Janeiro do corrente anno, foi procedida á incineração de todas as apoli-
ces e respectivos coupons vencidos, abaixo mencionados, das emissões de 1913 e
1915, retiradas da circulação ein virtude do resgate feito pelo Governo do Estado
no periodo de Janeiro de 1925 a Dezembro de 1928.
Este acto, effectuado em sessão extraordinaria, foi assistido pelo exm. sr.
dr. Dionysio Bentes, então Governador do Estado, e pelas autoridades : Jose
Maria Camisio, intendente de Belem; Fausto Augusto Batalha, Secretario Geral
interino; coronel Alberto alorico de Mesquita, commandante da Força Publica
Militar, além de outras pessôas, que o testemunharam.
As apolices incineradas foram :-Emissão de 1913-5o apolices do valor
nominal de 200S000, de nurneros : 00737, 00733, co772, 00864, 00872, 00931,
otot8, 01073, 01649, 01677, 01678, 01737, 01930, org60, 01997, 02047,
02033, 02137, 02138, 02140, 02166, 02247, 02248, 02594, 02729, 02730,
02983, 03156, 03161, 03918, 03962, 03963, 04053, 04224, 04690, 05989,
06207, 06209, 06215, 07220, 07221, 07297, 07753, 07867, 07363, 07369,
07870, 08874, 09869, 09986; iS apolices do valor rominal de 500$00o, de nu-
meros: 14302, 14612, 14636, 14637, 15444, 15703, 15713, 15714. 16631,.

43
16632, 16633, 16634, 16635, 16636, 16637, 16638; 16639, 18288; e urna apo-
lice do valor nominal de 1:000$000 de numero 23344, perfazendo todas o total
nominal de 20:000$000, e coupons desses mesmos titulos, vencidos nos annos de
1925, 1926, 1927 e 1928, numa somma total nominal de 60:055S000, inclusivè
de outros titulas de annos anteriores.
Emissdo de 1915 - 638 apolices do valor nominal de 200$000 de nume-
fos: 02002, 00003, ootot a oo600, 00665 a 00739, 00740 a 00766, 00824 a
00854, 00898 a 00900; 2.681 apolices do valor nominal de sooS000, de nu-
meros : 10021 a 10071, 10138 a 10309, 10351 a 10956, 1099! a 11200, 11201
a 12000, 12002 a 12421, 12427 a 12444, 12501 a 12870, 13079 a 13088, 13089
a 13118; 384 apolices do valor nominal de 1:000$000, de numeros: 20168 e
20169, 20253 a 20282, 20298 a 20337, 20350 a 20355, 20471, 20486, 20487 a
20492, 20516 e 20517, 20656 e 20657, .20667 a 20700, 21701 a 21800, 21801 2
'21866, 22031 a 22058, 22059 a 22108, 22146, 22206 a 22220, perfazendo a
sornma total nominal de 1.852:1008000, e coupons vencidos desses mesmos ti-
tulos ate a data do seu resgate, num total nominal de 531:oo4.0o0.
Incineração de sellos - Eui sessão ordinaria do Conselho de Fazenda, rea-
lizada no dia 30 de Abril do corrente anno, estando presente o sr. dr. Chefe de
Policia, foram incineradas as seguintes estampilhas do Estado : 200 estampilhas
do valor de 500$000; 15o ditas de 2oS000 e 400 ditas de 58000, perfazendo o
total de 15:000$000.
Essas estampilhas foram subtmhidas por empregado da Empresa Graphica
Amazonia e negociadas na praça, onde foram apprehendidas pela Policia, que
descobriu o auctor desse acto, o qual está sendo processado pela Justiça com-
petente.
PROCURADORIA FISCAL
Por essa Repartição, no periodo de Julho de 1928 a Junho ultimo, foi co-
brada a quantia de 171:999$9o5 de divida activa, existindo em cartorio do escri-
vão dos Feitos da Fazenda 320 processos executivos.
Naquelle periodo foram registados 29 testamentos, estando todas as inscri-
pções em perfeita ordem e regularida de.
Foi promovido o andamento de todos os inventarios que se achavam para-
lysados, bem como o inicio de todos os que, no praso legal, não ingressaram no
juizo competente.
Foram julgados 44 desses p roc essos e se acham, actualmente, em anda-
mento 20.
Na Procuradoria Fiscal foram lavrados os seguintes contractos entre a Fa-
zenda c diversas outras partes e perante o tabellião Antonio DiMz (Cartorio Dr.
Fraga de Castro) uma escriptura de doação que o governo do Estado fz á União
de um immovel destinado á Escola de Aprendizes Artifices.
-Termo additivo de contracto que com o Estado assigna
Jose Arruda, industrial nesta cidade, proprietario da «Fabrica Pro-
ença»,- assignado em 14 de Agosto de 1928.
-Prorogação do contracto que assignou Adolpho dei Aguila
com o Estado, em 7 de Outubro de 1927,-assignado em 16 de
Agosto de 1928, por um anuo.

44_
---Termo de transfer:.ncia de contractos que faz José Ar-
ruda, proprietario da «Fabrica Pioença», a Antonio de Albuquer-
que,assignado em 8 de Outubro de 1928,contracto de 4 de
Janeiro de 1919-18 de Novembro de 1924 e 4 de Agosto de 1928.
----Termo de prorogação de contracto de abertura de cre-
dito em conta corrente com garantia especial, entre o Estado e a
Agencia do Banco do Brasil no Pará,assignado em 18 de No-
vembro de 1928.
-Contracto entre o Estado do Pará e o dr. Manoel Leo-
nidas de Albuquerque para a construcção, uso e goso de uma
estiada de term á margem esquerda do rio Pacaji, em direcção
dos rios Xingú e Taantins, a:é o limite do Pará corn o Estado
de Mano Grosso, nos termos das leis ns. 1.744, de 18 de Novem-
bro de 19 e 2.677, de 24 de Outubro de 1918,assignado em
17 de Dezembro de 1928.
-Contracto firmado entre o governo do Estado e Lobo
Ar Ca, para construcção, montagem e esploração de urna fabrica
de algodão hydrophilo,assignado em 5 de Janeiro de 1929.
--Contracto assignado pelo professor João de Deus da Silva
Junior para o arrendamento ao governo do Estado de um predio
de sua propriedade, situado na cidade de Faro, para alli funccio-
narem as escolas agremiadas da mesma cidade,--assignado em 26
Janeiro de 1929.
-Contracto de abertura de creditos em conta corrente coto
garantias especiaes, entre o Estado do Pará e a Agencia do Banco
do Brasil no Pará,assignado em 8 de Fevereiro de 1929.
-Contracto de serviços profissonaes de Veterinario entre
partesa Fazenda Publica do Estado e o dr. Antonio Botina
assignado em ii de Março de 1929.
-Contracto relativo ao custeio dos serviços de saneamento
e Prophylaxia Rural, da navegação entre esta cidade e a villa do
Mosqueiro e do Asylo de Leprosos do Tocunduba entre panes
de um lado, a Fazenda Publica do Estado e, do outro, a Fazenda
Publica do Municipio de Belem,assignado em to de Abril de
1929.
--Contracto de cessão de direitos, a praso limitado, com
obrigações reciprocas, entre partesO governo do E-tado e a Com-
panhia Nipponica de Plantação do Brasil, em relação ao terreno
destinado á Hospedaria dos Immigrantes Japonezes,assignado em
6 de Junho de 1929.
Foram em numero de vinte as fianças tornadas por termo nos livros compe-
tentes, procedendo-se á baixa em seis, mediante o cumprimento das exigencias
legaes e regulamentares.
A Procuradoria Fiscal, durante o mencionado periodo, emittiu 1.536 pare-
ceres sobre diversas relações juridicas pendentes de solução.
Lembra o dr. Procurador Fiscal a necessidade de uma autorisação legisla-
tiva para revisão e consolidação das leis fiscacs, bem como a reforma dos respe--
ctivos regulamentos.

45
ESTAÇÕES F1SCAES
E' animadora a arr'ecadação das rendas pub:ins a cargo das Collectorias do
Estado e Mesa de Rendas de Obidos.
No exercicio de 1928 essa arrecadação iml)ortou em 1.389:654924, tendo
sido recolhidos saldos na somma de 1.o22:193$048, como se vê do quadro que
se segue.
FISCALISAÇÃO
Temos mantido um serviço de fiscalisação is estações fiscaes, tanto perfeito
quanto permittem os recursos financeiros do Thesouro.
As exactorias são visitadas por funccionarios do Thesouro especialmente de-
signados para procederem á fiscalisação de todos os assutnptos fiscaes a cargo das
Collectorias e Mesa de Rendas de Obidos, os quaes deixam em livro proprio
existente nas mesmas estações suas impressões com menção das falhas e defeitos
encontrados, para serem futuramente corrigidos, uma vez approvados por esta Di-
rectoria.
Desse modo muito têm lucrado as rendas publicas.
AGENCIAS F1SCAES
Por decreto do governo de n. 4.526, de 6 de Junho ultimo, foram creadas,
no municipio de Monte-Alegre agencias fiscaes nos logares denominados Curuá,
Maycurú e Cuçary, subordinadas directamente á estação fiscal daçuella cidade.
O decreton. 4.522, de 25 de Abril de 1929, dividiu em duas a Inspecto-
ria do Consumo com séde na comarca de Igarapé-miry, a primeira abrangendo
todo o muinicipio do Mojú, desde os limites com Igarapé-miry, comprehendendo
todo o tertitorio limitado pelos rios Igarapé-miry e Meruhú-assú, margem direita,
até os limites com o municipio de Abaeté.
A segunda, abrangendo parte de Igarapé-miry, desde os limites do de Mojú,
pelos rios Igarapé.miry e Meruhú-assú, margem esquerda, até os limites naturaes
com os municipios de Abacté e Cametá.

Logo que procedemos ao exame .da divida


Imposto territorial activa do Estado nos impressionou a somma
consideravel a cobrar, relativa ao imposto
territorial. Chegámos á conclusão de que o referido imposto. ha muito
cogitado para substituir o de exportação, e considerado uma promissora
fonte de renda, attenta á circumstancia de ser o Pará a terceira unidade
federativa, em grandeza territorial, muito longe está de sua finalidade.
Basta dizer que, datando de dez annos a remoção dos primeiros ob-
staculos na applicaçâo da lei que o creou, iniciada a cobrança, deveria o
imposto alludido, segundo os calculos feitos pela Directoria da Fazenda,
ter produzido renda superior a 11.500:000$000. No emtanto, a arrecadação
accusa apenas, no citado periodo, uma renda que não attingiu a 2.200:000$,
resultando, assim, urna divida activa de 9.300:000$000.
O Poder Legislativo, na lei orçamentaria da despesa votada para o
presente exercicio, prevendo á necessidade de umas alterações na lei vi-
gente, que regula a cobrança desse imposto, e de precisar o Estado entrar
46
em accordo com os devedores em atrazo, transigindo livremente com elles
sobre o valor das dividas, o tempo e modo de liquidação das mesmas, nos
deu, no seu art. 24, a necessaria autorisação. Lançando mão della pelos
motivos expostos no decreto que se segue, e attendendo ainda, por ser
admissivel como explicação no retardamento da solução dos debitos,
situação economica em que se tem debatido a Amazonia nestes ultimos
annos, deliberamos abater 700 0 do debito relativo aos exercicios anterio-
res até o de 1928, inclusive, marcando .um justo praso, que terminará a
30 de Outubro vindouro.

O Governador do Estado, usando da auctorização que lhe e conferida


pelo art. 24 da lei n. 2.737, de 8 de Novembro de 1928, que fixou a despesa
para o vigente exercicio financeiro, e
attendendo a que a divida activa do Estado, decorrente do impost° ter-
ritorial, monta a unia cifra consideravel;
attendendo a que do não pagamento regular do imposto territorial
decorreu a paralysação de um grande numero de inventarios. cujo julgamen-
to esta dependente da liquidação deste imposto, em virtude de determinaçdo
legal;
attendendo a que dessa demora do julgamento das partilhas resulta o
retardamento da cobrança do imposto de trasmissão «causa mortis», tambem
exigido, como medida fiscal, para a ultimação dcs inventarios:
attendendo a que augmenta annual,rente a diminuição do imposto
transmissão;
attendendo a que ha toda conveniencia para o Estado em dar uma
prompta solução a essa situação, sobremodo prejudicial aos interesses da
Fazenda Publica, e, existindo ainda vantagem de o Estado aproveitar o ensejo
para dar unia melhor organisação ao levantamento do cadastro da proprieda-
de territorial, alein de outros beneficios que advém para o erario e para os pro-
prios contribuintes em atrazo, decreta
Art. i.°Fica concedido aos devedores do imposto territorial relativo
aos exercicios anteriores, at o de 1928, inclusive, que saldarem os seus de-
bite's at 3o de Outubro do corrente anno. o abatimento de 70 "{ dispensi-
das tambem todas as multas em que incorreram.
unico. O director da Fazenda publicará os editaes necessarios e, tin-
do o prazo concedido no art. r.o, mandará proceder á cobrança judicial dos
impostos e multas correspondentes, dando instrucç6es aos funccionarios fis-
caes para a execução integral do presente decreto.
O Secretario Geral do Estado assim o faça exe:utar.
Palacio do Governo do Estado do Para, 16 de julho de l92,

Et !Ili FREIT.s VALLE


()sca r Barre!.

Pensamos que com o favor outorgado no precitado decreto temos


legalmente auxiliado, na extrema medida de quanto nos era licito fazei-o,
a todos quanto se acham em divida com o Estado relativamente ao imposto
territorial, com a vantagem de aproveitarmos a opportunidade para, pro-
movendo o recebimento de outros impostos, demorado pela paralysaçao
dos inventarios, dar melhor organisação ao cadastro territorial que contém,
certamente, os defeitos inevitaveis numa nova incidencia tributaria da
natureza da que nos vimos referindo.

47
As nossas riquezas economicas, em grande nu-
Situação Economica mero, uma vez aproveitadas, poderio restabelecer
.
o equilibrio da nossa vida.
Temos um erro a reparar. Quando a borracha era bem cotada não curámos
de outras fontes de riqueza, incidindo na perigosa politica de arrimar.toda a
nossa economia ia renda de um unico product°. Não passa despercebido a nin-
guem que isso decorreu de um phenomeno de ordem economica perfeitamente
expficavel, qual o de se applierarem todas as actividades na exploração da indus-
tria extractiva que fornecia aos capitaes e braços nella empregados
compensações
extraordinarias. Mas, não se pode negar tambetn que esse systema de trabalho,
embora lucrativo, concorreu para a desorganisação da economia do Estado,
quando a concorrencia da borracha das Indias deslocou o nosso product° dos
mercados, na quantidade e no preços. Está demonstrado que no paiz os Estados
mais prosperos sir) justamente aquelles que assentam a sua politica economica
em varios productos commerc.iaes e industriaes. Tomemos para exemplo São
Pau.lo. Essa cellula federativa, com ser o emporio do café, a maior riqueza nacio-
nal, nunca se descuidou de desenvolver outras fontes de producção. Vircol o em
poucos.annos galgar o.terceiro logar na exportação de algodão e estamos pres-
tes-a vel-o subindo no quadro da exportação nacional em outros productcs. As
suas industrias crescem dia a dia, entretanto, o café ainda é a maior fonte de
renda nacional. Nós, Como até certo ponto era natural, empregamos toda a nossa
actividade na exploração da borracha e somente quando, apezar dos factos irre-
tórqUiveis denunciadores do deslocamento deste product° pelas plantações das
Indias, o indice da nossa exportação desceu ao mais infirno nivel, volvemos os-
olhos para outras fontes de producção.
Não ficamos inactivos, mas, a nossa lucta na substituição dos nossos produ-
ctos foi mais crúa porque então nos faltaram condições felizes que antes nos-.
accenaram com exito seguro.
Quem "tem perfeita comprehensão do que representa uma mutação dessa
natureza, pode calcular o valor de nosso trabalho e da nossa fé nestes ulrimos
vinte annos. O extremo norte se debate ainda era dificuldades porque o trabalho
da nova orientação %le commercio local é uma obra que demania tempo e per-
severança.
E, nesse afan de melhores dias para a Amazonia, não é raro ouvir-se em-
cada canto censuras ao; governos, coma se o mal que nos surprehendeu
nos ul-
timos dias de prosperidade fosse obra de incuria dos governantes. FaIle-se em
medidas tendentes a curar males chronicos e entre estas surge logo na bocca
dos mais incontidos a hit:a de urna reforma de regimen tributario,
como se á in-
cidencia dos impostos tivesse concorrido com vultoso coefficiente para a deba-
cle ou como se frira possivel, num rapido golpe, deslocar a engrenagem admi-
nistrativa, moldada para urni epoca de prosperidade, reduzir ainda mais
os im-
postos que recahern sobre a nossa produção. E' verdade que o regimen tributa-
rio algumas vezes leva o seu contingente ao insuccesso commercial e industrial,
mas, no nosso caso, quem se der ao trabalho de estudar as causas DrOX:Mas
remotas de nosso fracasFo economic°, chegará á conclusão de que o fisco para-
ense em nada difere do de outros Estados, sendo, em relação a muitos produ--
ctos, muito mais parcimonioso na taxação.

48
Sio conhecidas as idéas expendidas em a
nossa plataforma de governo. Nada
temos a adeantar a nao ser que estamos
empenhados no estudo meticuloso de
nossas necessidades economicas, auscultando-as
com desvelo e serenidade, co-
.1hendo aqui e acolá os elementos seguros
para uma orientação a seguir no go-
verno de nosso Esta do.
Já tornamos algumas medidas que se
nos depararam urgentes em defesa
nosso commercio, das nossas industrias, do nosso-fisco.
ção de impostos para productos novos e Temos facilitado a isen-
que partem em propaganda. Ajudamos
essa propaganda fóra do Estado. Temos animado
os novos surtos industriaes e
estamos estudando a momentosa questão de transporte.
Pesando as reclamações que. nos chegaram dos fazendeiros
paraenses e dos
exploradores de curturoes, cujos interesses se collidiam,
demos uma solução que
os concilia, amparando aquelles com uma taxa mais favoravei
ao com mercio de
couros seccos e salgados, fnilitando maior concorrencia
nas respectivas cotações,
ao. mesmo tempo que conservamos as taxas minim:is
aos productos industriaes
dos curtumes que sic, exportados.
São notorios os nossos trabalhos tendentes
a restturar a nossa riqueza ca-
caueira, que poderá vir a ser, como já foi em outros
tempos e o é na Bahia, uma
valiosa fonte de renda para o Estado. Temos segura
promessa da installação de
uma estação experimental de cultura cacaueira, indtspensavel
ao resurgimento
deste product° vegetal. Por outro lado estamos interessando
nessa obra grandiosa
os nossos tnunicipios, muitos dos quaes já iniciaram urn trabalho
restaurador.
O nosso commercio de madeiras vae ratnbem receber
a nossa intervenção no
sentido de amplial-o o mais possivel. Varias reuniões
temos realizado com a pre-
sença dos maiores interessados neste commercio. Estudamos algumas
idéas que
nos foram suggeridas nessas reuniões. Defendemos os interesses
fiscaes sobre a
exportacão de dormentes de modo a collocar num plano equitativo de
egualdade
os exportadores de madeiras.
Ante o vulto da divida activa attinente ao imposto territorial e tomando em
considtrações as condições difficeis por que atravessam os proprietarios
além do desejo de dar tpelhor organisação cadastral á propriedade ruraes,
territorial, de-
cretamos, nos limites da autorisação legislativa,
um desconto de 70 % na divida
activa deste imposto.
O assumpto de artefacto de borracha foi por nós apreciado
de modo a faci-
litar as fabricas estabelecidas entre nós, que não poderiam
se roamer sem as pro-
videncias que tornamos para estas enfrentarem as concorrencias dos
productos si.
milares extrangeiros.
Regularisamos melhor a tributação sobre a borracha crLpe,
que rinha de.
feitos a corrigir em beneficio do fisco estadual,
sem aggravar o systema de be-
neficiamento deste product° de exportação desde que agimos dando
justa e legal
interpretação is leis que regulam o caso em questão.
O pouco que temos feito no limitado espaco de seis mezes de
governo póde
servir de medida ao nosso empenho em prol do Estido
e ao que pretendemos
realizar serenamente no cumprimento de nossos deveres.
Passamos a dar minuciosos detalhes dos principaes productos da
nossa ex-
portação.
Desde o segundo semestre de 1926, quando o preço da borracha, o producto-
clue ha longos annos influiu sobre A maioria dos negocios da Amazonia, baixou;
em sua cotação média, na qualidade fina das Ilhas, para pouco mais de Woo,
por kilo, depois de já ter alcançado 88272 no segundo semestre de 1925 (e até.
12$000, por kilo, no dia 20 de Julho), baixa essa que continuou até o primeiro
semestre deste anno, quando a média accusa sómente 28285, a vida' economica
do Pará soffreu um desequilibrio commercial e financeiro que, felizmente, agora
vae lentamente desapparecendo. E' que muitas outras fontes de riqueza, em cujo
primeiro plano figura a castanha, e que substituem o valor da borracha, estão
sendo exploradas e a industria manufactureira vae crescendo de anno para
anno.
Assim, o valor official dos artigos fabricados e preparados e que foram ex-
portados, tem subido, como se verifica no ultimo quatriennio. Em 1925 esse
valor foi de to.861 contos, subindo para 12.030, em 1926; 12.255, em 1927 e
13.185, em 1928.

MEDIA DAS COTAÇÕES E PREÇOS DA BORRACHA FINA DAS 'ILHAS

Annos 1.0 semestre 2.0 semestre Total do anno

1921 1$398 1$905 1$651


1922 1$599 1$965 18782
1923 38539 38242 38390
1924 . 28155 38407 28781
1925 ....... 58144 88272 68708
1926 4$409 38130 3S769
1927 38588 3$274 3$431
1928 28580 28112 2$346
1929 28285

A prova evidente de que, actualmente, a borracha nio mais constitue grande


ameaça de desorganisação á vida econornica particular e publica do Estado, está
no facto de, ilk) obstante o valor desse prcducto exportado durante o anno pas-
sado ter sido són3ente de 8.259 contos de reis, em contraposição a 18.747 contos
-de 1927, apresentando menos naquelle anno 10.488 contos, o valor de todos os
producros exportados err: 1928 foi de 93.912 contos, ao contrario de 1927,
quando o valor foi de 90.510 contos, tendo, assim, um augmento de 3.402
contos de reis.
Comparando o valor official do 1.0 semestre de 1929 com o mesmo periodo
de 5928, chega-se á mesma conclusão do acima alludido, isto é, de a borracha
já não pesar tanto na vida economica do Pará, quanto outrora pesava. O valor da
exportação desse producto, no r.° semestre de 1928, foi de 4.846:3751.000 e
no mesmo periodo do corrente armo, 3.793:512$000, ou 1.052:863$000 a
menos, o que dá, na percentagem, 21,72 por cento contra. Entretanto, o valor
official de todos os productos do Estado, que foram exportados, constou de
40.741:634000 no r.° semestre de 1928 e de 44.613:49o$000 em egual periodo
de 1929. Houve, por conseguinte, um accrescimo de 3.871:851$000 ou de 8,68%.,
a mais.
Vae a seguir o quadro do valor, em libras esterlinas, da importação e ex-
portação extrangeira do Estado do Pará, desde 1915 até 1928.
ANNOS IMPORTAÇÃO F.XPORTACÃO.
SALDO EM FAVOR MEDIAS DO
DA EXPORTAÇA0 CAMBIO
1915 E 1.163.669 E 3.617.783 + E 2.454.114 12 13/32
1916 1.808.191 3.909.906 + 2.101.715 11 59/64
1917 1.803.214 4.176.790 + 2.373.576 12 23/32
1918 1.403.006 3.226.033 1.833.027 12 55/61
1919 1.826.059 4.569.573 -i-- 2.743.514 14 15/64
1920 2.258.914 3.053.024 + 794.110 14 33/64
1921 754.610 1.293.763 19.1t3 8 13/32
1929 676.M3 1.470.699 793.816 7 1,16
1923 766.002 1.668.043 ',2.041 5 11/32
1924. 911.410
1925
1.961.675 1K0.265 5 574
1.228.728 2.476.395 1.247.667
1926 1.242.254 1.756.087 513.833 7 3/16
1927 1.108.517 1.660.269 -2,- 551.&52 5 2732
1928 1.244.636 1.385.963 + 141.327 5 57;64
0 intercambio commercial com o extrangriro vae melhorando, mail grado
os preços baixos da borracha.
Segue o quadro estatistico do valor da importação e exportação extraNeira,
comparativamenté, dos primeiros trimestres do quinquennio 1925-1929, em libras
esterlinas e contos de reis
EM LIBRAS ESTERLINAS
JANEIRO A MARV) IMP01:1A(.:',0 SAI.1)0 EM FAVOR
EXP0RTA00
1)A I.XPokTA(;:k0
de 1925 E 235.080 455.671 920.575
de 1926 340.134 453.999 .2_ 143.855
de 1997 314.193 474.016 159.823
de 1928 250.575 339.707 59.129
de 1999 :308.453 403.695 97.242
EM CONTOS DE REIS
de 1925
de 1926
de 1927
JANF.IRO A MARÇO

9.8989.431
11.283 1:1)1.U2U 4.757
.41
129 19.513
de 1928 10.209 13.s40 .;.1.G
1

de 1929. 12.502 16.4s2 3.950


Nos «Annexos» vae publicado o quadro comoleto do valor em libras ester-
linas e em contos de réis, com os respectivos numeros indices. até março do cor-
rente anuo.
Depois da debacle dii. borracha, que data do 2' sc.:rriest%. de 192 ), tenda-se
prolongado até o fim de 1922, com os preços menores de 2$o)o para a qualidade
Fina das Ilhas, sendo que a media do 10 semestre de 1921 era de ;$39S (vac
nos (cAnnexosz- o mappa das cotações e preços rnedios), debacle essa prevista,
muito antes, por alguns previdentes, voltaram 03 interessados suas vistas rara a
lavoura. Foi assim que o assucar, que havia desapparecido desde o anno de 1899,
depois de já ter produzido 1.375 toneladas em 183r, reappareceu com uma pro-
ducção de 44 toneladas, em 1918, subindo para 662 no anno passado. Igualmente
o algodão, que tambem produzia em pequenas quantidades e certas intertniten-
cias, desde 1892 até 1903, cessou completamente sua producção neste anRo. Em
1917, entretanto, recomeçou esse product° a ser explorado, tendo-se apresentado

51
no mercado com 82 toneladas de algodão com caroço. Em 1928 a producçâo foi
de 726 toneladas de algodão com caroço e 628 ditas de algodão em pluma. A
. mesma sorte teve o arroz. Desapparecida quasi totalmente a sua producção, desde
1900 até 1915, quando essa não passou de Ioo toneladas, tendo mesmo pro-
duzidua insignificante quantidade de 43 kilos em 1913, começou a augmdntar
a sua producçao em 1916, com 522 toneladas, tendo esse augment° continuado
até o anuo passado, quando foram produzidas 13.875 toneladas com casca e 732
beneficiadas.
Eis o valor official dos productos e mercadorias pertencentes ao Estado e
que foram exportadas em 1928, discriminadamente
Industria extractiva Valor Coefficiente
Castanha 14.681:135$000 15,64 %
Madeira 8.609:2688000 9,17 %
Bcirracha . ...
OOOOOO g.. 8.259:2801000 8,79 %
Caroços e sementes ........ 2.171:2118000 2,31 ',94
Peixe e camarão 950:521$00C 1,01 %
Pelles .
...... . . . 793:8768000 0.85 %
Oleos e azeites 583:601$000 0,63 %
Essencia de pau rosa 298:3088000 0.32 %
Productos vegetaes. 207.4038000 0,22 %
Grude de peixe 191:5738000 0,20 .%
Cumarú e guarani 113:955$060 0,12 %
36.860:16115000 39.26 %
Industria
Arroz ....... - 10.009:8$348000 10.66 %
Algodão ........ 3.796:4218000 4,04 %
Cacau 2.009:1968000 2,14 %
Tabaco .. . ..... ...... . 1.690:3798000 1,80 ',;%
Milho e feijão 329:4168000 0,36 %
17.835:2998000 19,00 %
Industria agricola fabril
Farinha 5.768:1788000 6.14 %
Alcool e cachaça 23:7358000 0,03 %
5.791:9138000 6,17 %
Industria pecuaria
Couros de boi em geral. 1.301:9128000 1,39 %
Gado 15.2008000 0,02 %
Varios ....... ............. 996:5948000 1,06 %
2.313:7068000 2,47 %
Industria e commercio
Artigos fabricados e conservas ..... 13.184:6858000 14,01 %
Oleos ....... ......... ....... ..... 391:0038000 0,42 %
Diversos .
127:9878000 0,14 %
13.703:6758000 .14,57 %
Generos não especificadps.,................ .... . .. 17.397:2538000 18,53 %
Total 93.902:0078000 100 %

52
BORRACHA Este producto, que até o anno de 1927 vinha mantendo a
vantagem do 1.° logar sobre os demais productos exportados pelo Estado, passou
em 1928, a occupar o 3.0 logar, com 8.259:280$000, ou sejam 8,79% do valor
official dos generos. Contribuiu com 942:262$412 para o Estflo, ou 16,47% da
contribuição global e que corresponde tambem ao 3.0 logar na renda para os co-
fres do Thesouro.
Noutras épocas, quando se tratava da situação economica do Pará, a primeira
idéa que occorria era a da borracha, o expoente maximo da renda do
Estado, o
seu principal producto de exportação. De facto, era esse o producto mais impor.
tante da nossa exportação.
Todo o commercio, a industria, a lavoura e c erario publico dependiam
do
maior ou menor preço da borracha.
Como se verifica no quadro da exportação, nos gAnnexos». a producção.e
consequente exportação baixou de 7.891 toneladas, em 1919, para 5.628 tonela-
das, no anno seguinte, e para 3.292, em 1921, quando os preços cada vez baixa-
vam mais.
Entretanto, em 1925, quando os preços estiveram em alta, a exportação
subiu para 5.112 toneladas, ou sejam 531 tonelaIlas a mais da produzida
em
1924, quando foram exportadas 4.581 toneladas.
Antes da crise da borracha, não se cogitava do desenvolvimento de outras
industrias, fossem extractivas, fabrís ou agricolas. A riqueza do interior do Es-
tado era constituida, principalmente, de seringaes. Por essa occasik, foram ad-
quiridos grandes latifundios sue, sem serem demarcados, eram explorados.
Mc) ha razões para esmorecer deante da queda do prego da borracha. De-
vemos volver nossos olhos para os varios outros productos exuactivos em que é
rica e fertil a Amazonia.

Do quadro estatistico que vae nos eAnnexos» se evidencia que a maior ex-
portação da borracha do Pará foi em 1906, quando attingiu a 11.748 toneladas.
Desse anno para cá, a nossa hevea tau, alcançou mais aquelle algarismo e, na
proporção decrescente, com algumas alternativas, vciu declinando até o anno
passado, quando a exportação foi, apenas, de 3.394 toneladas.
A seguinte resenha da exportação durante os ultimos trinta e cinco annos,
divididos em quinquennios, mostra bem claro o decrescimo a que alludtmos

Quinquennio de 1894 a 1898 44.238.501 kilos


» 1899 » 1O3 50-958-593
1904 » 1908 55-941.796
» 1909 1913
1914 » .1918
» 1919 » 1923 --- 245641.3629219%8765
» 1924 1923 22.827.855

Comparando os primeiros semestres de 1928 e 1929, verifica-se haver uma


diferença de 336.751 kilos, para menos, deste para aquelle. No primeiro semes-
tre de 1928 a exportação foi de 1.669.070 kilos e no primeiro deste atino, actual
administração, não attingiu senão 1.332.319 kilos.

53
Da Amazonia foi o seguinte o movimento geral de exportação da borracha
no ultimo decennio :
A NNOS
PARA Coefficienk Outras proc. Coeficiente TOTAL
ao total da Anta.zonia ao total Amazonia
1919.... 7.890.929 20,51% 30.569.451 79,49% 38.460.380
1920.... 5.628.462 19,59% 23.097.112 80,41% , 28.725.574
1921.... 3.291.856 17.23% 15.805.410 82,77% 19.097.266
1922 . . 5.372.557 23,33% 177653.438 76,67% 23.025.995
1923.... 4.136.032 18,80% 17.849.006 81,20% 21.985 038
1924.... 4.581.418 16,98% 22.381.934 83,02% 26.963 352
7925 .. .. 5.112.462 18,42% 22.639.358 81,58% 27.75 1 .82o
1926.... 4.387.109 o/ 24.045.331
15,43/o 8.4,57% 28.432.440
1927.... 5.352.801 77.25% 25.681.543 82,75% 31.034 344
1928.... 3.394.065 14,35% 20.247.790 85.65% 23.641.855
Como se verifica do quadro acima, a exportação do Pará, em relação com as
de outras procedencias da Amazonia, declinou de 20,51%, em 1919, para 14,35%
no anno proximo findo.

Em 7928, a producção mundial da borracha exportada foi de 646.805 to-


neladas, das quaes 23.642 couberam á Amazonia, em geral, sendo do Pari
3.394, e que correspondem a 3,65 % para aquella e 0,52 % para este. Entre-
tanto, em 1909 ou ha 20 annos passados, o Brasil contribuiu com uma qunta
de 58,8 %, sendo a percentagem das plantações somente de 5,1 %, cabendo as
outras procedencias 36,1
As causas. determinantes do decrescimo da percentagem da producção da
borracha brasileira silo já de sobejo, conhecidas.
As plantações do Oriente, com seus enormes capitaes bem organisados, não
podiam deixar de influenciar na grande producção que veiu supplantar a da
Amazonia.
Não obstante a superioridade da nossa borracha, quer em qualidade como
em resistencia e durabilidade, especialmente a fina, a sua contribuição em cer-
tos e determinados productos é hem diminuta, sendo ás vezes, substituida por
qualidade de borracha de outras prccedencias.
Quando, em principios de 1925, se propalava a falta da borracha, do que
resultou, nesse anno, a alta do producto, foram tentadas as primeiras experien-
cias com a borracha reconstituida de artefactos já usados, na confecção de ar-
tigos de certa responsabilidade. Como os resultados obtidos fossem satisfacto-
rios, até nos pncumaticos e camaras de ar, nos quaes, segundo certas opiniões,
o emprego dessa borracha seria prejudicial, passou-se a empregar essa qualidade
daquelle artigo.
A revista de maior cotação no que diz respeito á borracha, a «India Rubber
World», de New-.York, em seu numero de Maio deste anno, diz que os arte-
factos feitos com borracha reconstituidd de artigos onde já uma vez entrou esta
especie de borracha', dão ainda bons resultados.
O «American Quarterly Questionnaire», que se edita nos Estados Unidos,
dá o seguinte consumo da borracha, naquelle paiz, no primeiro trimestre de
1929:Borracha bruta (crúa) 128.565 toneladas; borracha reconstituida-
60.121 toneladas, ou sejam 46,76 % do rateio da reconstituida para a brwa.

54'
Maior doque em 1929 foi o rateio em 1928, como se Ode verificar da
seguinte demonstração:
10 trimestre, 52,83 %; 2°, 51,05 %; 3°, 16,91 % e 40, 43,95 %.,
Como se v,, na manufactura de artefactos de nu.,..,1.11, nos Estados Uni-
dos, em 1928, entraram cerca de 50 (7'0' de borracha reconstituida de artigos ve-
lhos, já usados uma ou mais vezes.
Os fabricantes de artefactos, empregando na confecção destes, borracha de
qualidade inferior ou reconstituida de artigos já usados, têm. principalmente,
em mira obtel os por preços baratos, não lhes preocupando a sua maior ou
menor resistencia ou durabilidade.
MOVIMENTO DA EXPORTAÇÀO DA BORRACHA NO QUINQUENNIO
1924 a 1928
Qu.axitid.ade
Borracha: 1924 1925 1927 1997 1928
lon, Tons. Tons. Tons.
Fina defumada 1.730 1.993 1.758 1.692 835
Entre-fina defumada 49 58 91 31 3
Fina beneficiada 31 93 266 632 411
Total 1.810 2.144 2.115 2.355 1.249
Sernamhy:
Lavado commum 506 587 461 566 105
Sujo 387 :359 167 155 149
Beneficiado 576 577 :371 776 522
Total 1.469 1.523 999 1.497 776
Gaucho :
Commum 1.302 1.446
Beneficiado - - 1.230
- -
1.197 808
338
Total.. 1.302 1.416 1.230 1.197 1.246
Balata - - 37 301 223
Total geral 4.581 5. 113 4.381 5.353 3.394
Percexa.ta.gex-xa.
Borracha : 1924 1995 1.92(5 1927 1928
Fina defumada 37.76 " 38,98 " 40,13 " 31,65 " 21.60
Entre-fina defumada 1.07 ",, 1.13 " 2.08 " 0,58 " 0,07
Fina beneficiada 0.68 " - 1,82 " 6.07 " 11.81 ",; 12.12
Total 39,51 " 41.39 " 48S" 13,99 " 36,79 ",,
Sernamby :
Lavado commum 11,03 " 11.48 " 10.53',, 10,57 ",, 3.10
Sujo
Beneficiado
Total.
Caucho:
,.

- 8,16 "
12,56 "
32,07 "
7.02
11,29 ",,

29,79
",,

",;
3.81 ",,
8,47 0
-22.81 ",,
2,89

27,93 ",;
",,
",;

.
4,40
15,37
--
22.87 0,;

Commum 28,42 " 28,48 " 28,03 ",, 22,37 ",; 23,82 ",,
Beneficiado..... ........ - . - - - 9,95 '.1,;

Total 28,42 28,28 " 28,03 ",, 22,37 " 33,77


Balata 0,85 5,68 ",; 6,57 %
Total geral. 100 100 ";', 100 (,),; 100 0

55
Examinando a tabella acima, verifica -se que a borracha fina defumada, que
em 1924 contribuia com a percentagem de 37,76%, diminuiu, em 1928, para
24,64. Por seu lado, a borracha crepe augmenta de anno para anno, come 6
facil ver que de o,68%, em 1924, subiu para 12,12%), em 1928.
A entrefina, na proporção decrescente em que vae, tende a desapparecer do
quadro da exportação. Em 1924, a sua contribui io era de 1,07% e em 1926 de
2,08%. No anno proximo findo, essa qualidade da nossa hevea só entrou na ex-
portação com a insignificante parcella de 3 toneladas, que apresentam, apenas,
0,07% da exportação geral. Este facto é muito natural, attendendo a que essa
qualidade, feita crépe, passa a ser classificada por fina».
Durante o ultimo quatriennio, foi o seguinte o destino da borracha expor-
.tada por este Estado:
EM QUANTIDADE ( Kilos )
1925 1926 1927 1928
PARA A AMERICA do NORTE 3.581.012 3.050 030 3.487.621 1.912.488
Para a Europa
Allemanha ........... . 475.761 482.157 817.617 291.895
Inglaterra. 407.458 315.884 291.485 333.512
França 460.444 314.589 299.797 118.560
Italia 7.650 150 2.210
Belgica 480 1.190 32.103 6,3110
Hollanda .... 93.475 59.602
. Hespanha 8.030 13.300
Total Europa 1.351.793 1.112.970 1.544.717 823.279
PARA O SUL DO PAIZ 179.657 217.1C9 320.463 658.378
.GRANDE TOTAL 5.112.462 4.381.109 5.352.801 3.394.065
Em percentagem
1925 - 1926 1027 .1928
PARA A AMERICA DO -NORTE 70,04 % 69,62 -% 65,16 96 56,34 %
Para a Europa
Allemanha 9,31 % 11,01 "(1) 15,27 (,)6 8,60 %
Inglaterra 7,97 % 7,21. % 5,45 % 9,82 %
Franca 9,01. % 7,18 % 5,60 (,Y, 3,50 %
Italia 0,15 % .... 0,04 % ....
Belgica 0,01 %, 0,03 % 0,60 % 0,18 %
Hollanda .... 1,74 % 1,76 (X,
Hespanha 0,15 (X, 0,40 %
Total Europa 26,45 % 25.43 % 28,85 % 24,26 %
PARA O SUL do PA1Z 3,51 % 4,95 % 5,90 % 19,40 %

100% 100% 100% 100%


Fica demonstrado no quadro acima que no anno findo o destino da borra-
cha exportada se expressa nas seguintes percentagens: -56,34 % para a Ameri-
ca do Norte, 24.26 % para a Europa e 19,40% para o sul do paiz.
No quatriennio referido no mappa, a Europa conserva quasi o mesmo coei.
ficiente na importação da borracha, como seja-26,45 % em 1925; 25,43 %
em 1926; 28,85 % em 1927 e 24,26 % em 1928.

56
A maior parte da borracha embarcada para a Allemanha, Inglaterra e Fran-
ça é destinada a outros paizes da Europa, notadanaente para a Russia.
E' prazeiroramente que observamos o augmento da exportação da nossa
borracha para o sul do paiz, de anno para atino. Em 1925 ella constou, apenas,
de 18o toneladas, tendo augmentado para 217 em 1926, 320 em 1927 e 658 em
1928.
Grande parte da borracha exportada para o sul, em 1923 (mais de 42%),
consistiu da beneficiada (crépe), como se Póde verificar da seguinte exposição:
Da borracha fina, ilhas . 57.580 kilos
» borracha sernamby, idem
3.150
» borracha sernarnby, Cametá
177.195
DoCaucho ................................. 41.300 )1

Total.......... 279.225 »

A melhor prova do incremento que vae tomando, neste Estado, a borra-


cha beneficiada, é que, das 3.394 toneladas exportadas era 1923. aquella especie
da hevea foi computada em 1.271 toneladas, quando em 1925 sahiram daqui
apenas 670 toneladas, ou sejam quasi 5o % menos.
Essa é a principal razão de parecer, á primeira vista, diminuta a nossa ex-
portação de ;.394 toneladas, em 1928, comparada com as dos outros annos. En-
tretanto, a nossa capacidade de exportação não soffreu tanto quanto parece, pois
sendo a nossa producção 1928, de 4.355 toneladas, e como nos annos ante-
riores a exportação era sempre superior á producção, comprehende-se que a dif-
ferença entre producção e exportação naquelle anno, foi devido á grande
parte
de borracha beneficiada, á qual devem ser accrescidos mais 30 para a quebra
soffrka com a lavagem e seccagem, o que a tornaria naturalmente superior
se
não fosse beneficiada.
VALOR DOS IMPOSTOS

BORRACHA
1928 1929 Diferenças em
1.0 semestre 1.0 semestre 1929
Fina defumada (Ilhas) 10 9 95:9625939 63:6185730 32:3445209
(Caviana) 10 9i; 495810 31:783s030 -.- 31:7335220
(Tapajós) -10 9 4:3955560 16:1665677 11:7115117
)1 (Xingú) 10 9» 3935900 6:5005601 6:1065701
(Anapú) 10 " 10:9435170 2:9728280 7:9755390
beneficiada (Crepe) 10 "» 109:73-W00 53:5335476 56:2005524
E. fina defumada (Caviana; 10 9 149$430 1495430
» (Ilhas) 10 9» 2681.090 2683090
Sby. beneficiado (Ilhas) 15 '14; 18:5205530}
» (Cametii) 15 126:9175460 79:665ç5741 65:7723416
lavado comm. (Ilhas) 18 "» 32:1545408 9:2605138 22:8935970
» 0 (Cameta) 18 " 1:0815080 2:3655272 1:2845192
» » (Tapajós) 18 "» 2345306 275735 2065571
» (Xingu)
» 18 9» 358$812 + 3585812
sujo (Canta) 22 9,; 5984$4181
(Ilhas) 22 % 16:41955051 + 10:4355087
Caucho commum 12 9 117:1305219 33:5508520 83:5795899
beneficiado 12 9» 14:6055190 81:1655134 -H 66:5595944
Balata 5 9» 17:341$502 20:9965477 + 3:6545975
Total 555:8715012. 418:324$061 137:0465941

57
O valor official da borracha exportada soffreu uma diferença para menos,
entre 1925 e 1928, que attingiu á consideravel sornma de 21.197:000$000, visto
como, em 1925 foi de 29.456:000$000 contra 8.259:004000, em 1928, como
se verifica do quadro a seguir, relativo ao ultimo quatriennio :
VALOR OFFICIAL DA BORRACHA EXPORTADA (EM CONTOS DE Rtis)

Dilletap tia19213
/92.5. 1926 1927 1928 nab:1925
Borracha
Fina defunmda.
Fina beneficiada
Effina defunaada.
. 14.629
782
378
7.926
1.005
410
6.492
2.389
115
2.399
1.319
7
--
-17

--
12.230
537
371
Sernamby
Beneficiado 2.114 984 1.734 1.122 -- 992
Cominum 2.166 1.176 1.273 938 1.928
Sujo 1.394 398 366 218 -- 1.176
Ca ucho :
Commum _ 7.993 3.694 5.561 1.76/ 6.232
Beneficiado
Bahaa
.. 121
..
817
564
631
-1- 564
631
_ ,

Total 29.456 15.714 18.747 8.259 -- 21.197

BORRACHA CRÉPEQuando se fez sentir no mundo a .concor-


rencia oriental e a borracha appareceu em quantidade superior As ne-
cessidades communs, a depreciação consequente. determinou nos cen-
tros de producção, não só uma legislação estimulante de industrialisa-
ção local do producto, como a creação de estabelecimentos industriaes
destinados a beneficial-o para effeito de exportação.
Esse movimento de defesa economica e commercial foi incenti-
vado entre nós por varias leis da União e do Estado, concedendo fa-
vores e. vantagens aos fundadores das uzinas de refinação ou benefi-
ciamento, ou, ainda, de producção de artefactos. Dc sorte que varias
empresas, com esta finalidade, se organisarain no Estado, e, desde
guns annos, tres importantes uzinas vc^:m exportando em larga escala
borracha crepe e usufruindo os resultados de melhores cotações.
Não obstante continuou, parallelamente, a exportação de borracha
em bruto, sujeita esta, como o typo crépe, á Mesma taxa de exporta-
ção. Ao assumirmos o governo, procurando estudar a situação dessas
empresas em suas relações com a Fazenda Publica, encontrArnol-as
todas florescentes e logrAmos constatar que se não estudara a questtio
das pautas convenientemente e de modo a que, a par dos favores A
expansão desse surto de trabalho industrial, fossem consultados de mais
perto os interesses fiscaes do Estado. Dessa verificação veiu-nos a
certeza de que a pauta de exportação sobre .a borracha era calculada
sobre o valor das cotações da borracha em bruto no nosso mercado
de venda, onde a borracha crépe não encontra compradores, não é
offerecida ou cotada; de maneira que, se, em -relação A borracha em
bruto o calculo era verdadeiro e baseadc nas cotações da nossa praça,
ern relação á bcrracha cr;:pe era fictício, abrindo margem ao arbitrio
58
na organisação das pautas, perigoso systema fiscal, o que aconteceu, pri-
meiramente, creando-se urna pauta exorbitante, verdadeiramente pro-
hibitiva e que por isso nunca foi, posta ,em execução, e, posteriormente,
baixando-se a pauta a uma taxa minima, de excepcional favor, á som-
bra da qual podiam as empiesas prosperar, vertiginosamente, ao passo
que o erario publico empobrecia. Na primeira hypothese, isto 6, o Es-
tado negava ás empresas os favores concedidos em leis especiaes de
protecção, cobrando uma taxa prohibitiva, o que não devia prevalecer,
e na segunda, creando uma taxa sobremodo baixa, prejudicava-se
grandemente. Urgiam, portanto, medidas remediadoras de semelhantes
anomalias.
As medidas que tomámos nesse sentido basearam-se em observa-
ções que passamos a expor. A borrachá que vem ao nosso mercado
varia de cotação, segundo procede deste ou daquelle ponto do Estado,
ou affecta este ou aquelle typo de producção. Dessa dualidade de cir-
cumstancias, influindo decisivamente sobre o valor de um mesmo pro-
ducto, decorre que ha preços diversos para uin só e mesmo typo de
borracha, conforme deriva esta as ilhas do delta amazonico, ou pro-
cede dos rios Xing6, Tapajós, etc. No barometro das cotações, o preço
do product° soffre, ainda, uma interessante variação em relação ao
proprio centro productor, conforme 6 extrahido nas terras marginaes
ao curso inferior ou médio dos rios ou das ilhas.
Apesar dessa complexidade de cotações e de typos de producção,
nenhuma difficuldade havia na organisação das pautas quando só se
exportava borracha em.-bruto. Quando, porém, se organisaram as uzi-
nas de beneficiamento e começou a ser reduzida a crépe toda aquella
variedade de typos de borracha, difficil tornou-se determinar com pre-
cisão quaes os typos e as procedencias exactas das diferentes quali-
dades de borracha, depois de transformadas e unificadas no typo crépe,
e, não raro, misturadas na transformação. As operações de lavagem,
mistura, reducção, estufagem, seccagem, classificação, impossibifftavam
a acção fiscal para verificar qual o valor exacto do producto assim.
transformado e poder, em consequencia, organisar a pauta sem possi-
bilidade de enganos. Além disso é importante notar que a borracha
bruta, sendo lavada e secca, isto 6, transformada pelos diferentes pro-
cessos adoptados em borracha Crépe, sofre quebras variaveis segundo
a sua especie, como indicamos em seguida, baseando-nos nas analyses
feitas nas uzinas americanas e relativas aos productos do Pará.
QUEBRA o,
Borracha fina das ilhas 18-20 media 18,5 %
Borracha fina do Tapajós 17-18
Borracha entrefina das ilhas 18-20 » 20,5 %
Borracha entrefina do Tapajós 18-19
Sernamby das ilhas 25-35 » 27,5 %
Sernamby de Cametá. 30-35
Sernamby do Tapajós 20-25
Caucho. 30 %
Borracha fina sertão. 16 %
59
' Ainda assim, a borracha, lavada e secca, não é borracha pura; sua
composição é:
Borracha pura 94 ¡)(Ç
Impurezas 6 jo
Nessas condições, mantidos todos os favores e vantagens conce-
didos ás empresas pela legislação e pelos governos anteriores, impu-
nha-se uma medida iendente á creação de urna pauta especial para a
nrracha crépe. Assim fizemos. Dessa resolução tiveram conhecimento
a Associação Commercial e as empresas interessadas no assumpto, que,
reunidas perante nós, em Palacio, foram ouvidas e concordaram com
as alludidas medidas de interesse publico, que não attingiram sequer
os interesses dos industriaes. Alias, sempre esteve no empenho do
governo contribuir quanto possivel para desenvolver estas e outras
industrias que venham a se estabelecer no Estado.
Completando as providencias alludidas, entendeu o governo, desde
que longe vinha, ainda, a época constitucional prefixada para a reunião
do Congresso, expedir o decreto n. 4.520, de 30 de Marco de 1929,
creando a pauta especial sobre borracha crépe e dispondo sobre o modo
de ser a mesma :organisada pela Recebedoria.
DECRETO N. 4.520DE 30 DE MARÇO DE 1929
Manda organisar uma pauta especial para
os diversos tgpos de borracha crépe
O Governador do Est tdo, considerando que a pauta em vigor para os
varins typos de borracha crépe não póde ser executada tomando-se por base
a mesma observada para os diversos typos de borracha em bruto, uma vez
que se torna difficil á fiscalização distinguir, depois desta ser submettida aos
processos de beneficiamento ou refinação nas fabricas, se a crépe provém de
borracha fina, sernamby ou caucho ou, pelo menos, verificar qual a quota
com que contribuiu qualquer destes typos conhecidos no mercado para o pro-
ducto beneficiado;
Considerando que a borracha crépe não negociavel nesta praça e,
por isso, não offerece base segura para, sob a sua cotação, ser organisada a
respectiva pauta;
Considerando que a organisação de uma pauta espcci tl para varios
typos de borracha crépe consulta melhor não só aos interesses do crario pu-
blico, porque evita misturas prejudiciats aos interesses do fisco, como aos dos
commerciantes exportadores do proiucto, porque a pauta em vigor, com ser
verdadeiramente prohibitiv, i arbitraria por falta de cotação segura, tanto
assim que nunca foi possivel pol-a em execução;
Considerando que essas judiciosas ponderações do governo, submetti-
das ao conhecimento e discussão dos interessados no beneficiamento da bor-
racha, com a assistencia do presidente da Associação Commercial do Para,
mereceram franca approvação, ficando nessa occasião estabelecido um prazo
razoavel para começar a ter execução a nova pauta especial, em obediencia is
justas allegações do commerzio exportador, amparadas pelo referido presidente
da Associação e acceitas pelo governo.
Resolve, usando das attribuições que lhe são conferidas por lei,
decretar
Art. 1.0A partir de 17 de abril proximo a pauta para os diversos
typos de borracha crépe será organisada tomando-se por base a pauta mais
elevada de cada especie de borracha bruta, com classificação de crépe fina,
crêpe sernamby e crépe caucho.

60
An. 2.A Directoria Gera' da Fazenda Publica baixara as necessarias
instrucções sobre o modo de organisar a referida pauta.
Art. 3.0Revogam-se as disposições em contrario.
O Secretario Geral do Estado assim o faça executar.
I'alacio do Governo do Estado do Para, 30 de março de 1929.

ECRICO DE FREITAS VALLE


Oscar Barrel°
Esse decreto fui publicado no gDiario Official, do Estado, de 4 de
Abril ultimo, e começou a vigorar no dia 17 em deante. De accôrdo com
as suas prescripções a pauta da borracha crépe passou a ser urgani-
sada mensalmente pela Recebedoria, obedecendo instrucOes baixa-
das pelo director geral da Fazenda Publica, no officic abaixo dirigido
ao director da Recebedoria
I!Imo. Sr. coronel director da Recebedoria de Rendas do Estado

O Sr. dr. Eurico Valle, governador do Estado, com o intuito de mt-


lhor saval6uardar os interesses da Fazenda, deliberou alterar a forma de co-
brança dos impostos de exportação que incidem sobre a borracha crépe, be-
neficiada nas diversas fabricas deste Estado, não só por considtrar arbitraria
e prohibitiva a pauta até então em vigor, tanto assim que nunca foi possivel
executal-a rigorosamente, como tambem porque, não sendo a borracha crépe
negociável nestl praça, onde no existe cotação, seria ornesmo difficil, a não
ser a technicos, distinguir, depois de preparada ou refinada, a crépe provinda
de borracha fina, da de sernarnby ou de caucho.
Nessas condições, s. exc., verificando as desvantagens decorrentes
pauta que tem por base os preços dos diversos typos d borracha em bruto,
quer para a Fazenda, quer para os commerciantes e exportadores, que ficam.
aquella de prejuizos na sua arrecadação e estes de urna pauta verda-
deiramente arbitraria que a creou, resolveu organisar urna pauta especial para
a borracha crepe, classificando-a em seus tres principaes typoscrépe fina,
crépe-sernamby e crépe-caucho.
Para que essa alteração da pauta obedecesse ao criterio das vantagens
mutuas e fossem:a respeito ouvidos os interessados, que são beneficiadore
de borracha crépe, s. exc. reuniu mais de uma vez seus auxiliares e
os
referidos exportadores, com os quaes estabeleceu o criteria da pauta especial
para a borracha crépe, a que se refere o decreto desta data.
Para maior clareza e comprehensão do assumpto, como para maior
orientação de v. s., passo a expor a maneira pratica da organisação da pauta
especial.
Tomando por base o exemplo :
Crépe de borracha fina do Tapa-
jós e Xinga (que representa 3.320 (pau:a)
a maior pauta (to %) sobre
3$320 $332 (10 %)
Crépe de sernarnby de Cameta,
X ingú e Tapajós.... 3.320 I 15 %
- 32 2.213
20
5 5 fracção
2.218
15

11.090
22.18
Paga 332.7

61
Crepe de caucho 3.320 12 0/0
92 2.766
80
8 8
2774
12
5.548
2.774
Paga 332.88
Attendendo-se para a opera* acima verifica-se : um kilo de borracha
cripe fina Tapajós pela pauta de ;Sam (to %) paga 332. Um kilo de crépe
sernamby ameta, Tapajós e Xingti a pauta de 4218 %) paga 332. Um
kilo de crêpe caucho pauta de 4774 % paga 332. (a) Manoel fran-
ciao Sant'Anna.
Podemos assegurar que dessa fórma ficaram devidamente assegu-
rados os interesses fiscaes do Estado.
CASTANHA.Um dos mais importantes factores da riqueza, na vida econo-
Mica do Estado, é, incontestavelmente, desde muitos annos, a castanha, O seu valor
official, na exportação destes ultimos annos, occupava sempre o segundo logar,
até que, em 1928. sobrepujando o da borracha, que foi sómente de 8.259:280$,
conquistou o primeiro logar com uma exportação no valor de 14.681:135$000.
.Este producto extractivo rendeu para o Estado, no anno proximo findo,
2.202:05(400o, ou sejam 38,47 % do total dos impostos pagos á Recebedoria
pelos varios productos exportados. No primeiro semestre d3 corrente anno essa
percentagem foi ainda maior-47,37 %, sendo a renda de 1.657:48S000.
No ultimo quatriennio, foram os seguintes algarismos com que st apresen-
tou o valor official :Em 1925, '14.681:344$000; em r926, 15.240:072000; em
1927, 8.671:195$000 e em 1)28, 14.681:135$000.
Convem observar que sendo a quantidade, em contos de réis, egual entre
os annos de 1925 e 1928, a quantidade da castanha exportada não corresponde,
en-
tivtanto,. á proporção.Em 1925 a exportação foi de 169.348 hectolitros,
emquan-
td qne, em 1928, foi de 2o5.3895, havendo, por conseguinte, um augmento de
36.041,5 para este anno. Essa desproporção, entretanto, fica plenamente justifica-
da pela diferença dos preços do producto entre os annos de
1925 e 1928, como
se verifica abaixo:
1925
Maximo Minimo Maximo
I9 28 Minimo
Janeiro 56$500 51$300 80$000 67$000
Fevereiro 66$000 45$000 74$000 64$000
Março. -- 861;000 60$000 ............ .... 754000 50$000
Abril 111$000 73$500 758000 508000
Maio -7 1278500 858000 758000 604;000
Junho 1558000 458000.... ...... .. 868000
Julho' 668000
1308000 708000 988000 778000
Agosto .-- 1308000 988000 778000
Setembro -- 75$000 758000 1068000 848000
Outubro 704000 608000 1064000
Novembro 704000 36$000 .......... ...... 708000 688000
Dezembro 6 000 49$000
62
Do arm de 1921 para ci, foram estes os preços mais altos e mais baixos,
nos respectivos mezes, do hectolitro da castanha commum :
1921Maximo 57$ (Janeiro) Minim° 15$000 (Julho)
1922 4 55$ (Janeiro) ) » 18$000 (Março)
1923 » 101$ (Outubro) » 30500 (Fevereiro)
1924 1) 80$ (Setembro) » 20$000 (Outubro)
1925 » 155$ (Junho) » 36$000 (Novembro)
1926 » 63$ (Março) -- » 7$000 (Agosto)
1927 » 120$ (Julho) » 50$000 (Fevereiro)
1928 » 106$ (Set.° e Out.°) » 49$000 ( Dezembro)
1929 » 68$ (Maio/Junho) » 28$000 (Maio/Junho)
1.0 sem.)
Como se vê do exposto, os preços da castanha variam muito no decorrer
de cada anno. Em 1925, por exemplo, o preço maxim° do hectolitro foi de
155S000, em Junho, sendo o minimo em Novembro, quando deu sórnente
36$000. Maior differenca de preços houve ainda em 1926, quando o minimo
foi de 7$000 o hectolitro, em Agosto, e o maximo 638000, em Março, constan-
do mesmo ter havido vendas, nesse anno, até a 5$000 o hectolitro. A razão des-
ses preços baixos foi motivada pelo facto de apparecer, por essa occal.ião, grande
quantidade desse producto, vindo do Baixo Amazonas, de má qualidade e, além
disso, completamente estragado, devido á força do verão.
A grande variação dos preços da castanha é, principalmente, devido á maior
ou menor procura. Outras causas existem ainda que precisam ser estudadas,
parecendo mesmo haver um jogo cotnmercial entre os compradores, que são em
pequeno numero, na America e Europa.
O que occorre com os preços, verifica-se egualmente com a producção e
consequente exportação. E' muito irregular a producção da castanha. Em
1890, o Estado produziu 13.467 hectolitros, contra r45.890 logo no anno im-
mediato. Em 1919 foram produzidos T57.996 hectolitros, baixando, no anno se-
guinte, para menos da metade, isto é, 78.280 hects. e subindo, em 192r, para
184.165 ditos.
A demonstração abaixo, da producção da castanha nos ultimos sere annos,
prova bem claramente o que alludimos:
Em 1922 310.278 hectolitros
Em 1923 256.903 p

Em 1924 314.1695 3

Em 1925 169.532 ,
Em 1926 411.411 3

Em 1927 128.4675
Em 1928 215.5025
A causa determinante dessa irregularidade provém do fac:o de ser o produ-
ct° originario de uma arvore não cultivada. As plantas sylvestres caracterizam-se
por não guardar certa uniformidade na fructificação.
Não eibstante ser um dos principaes elementos na producção do Estado,
não se Ode, como expuzemos, ter base solida para contar com uma renda
certa da castanha. Para isso seriam necessarios um preço menos variavel e uma
quantidade regular. O que occorre, entretanto, é precisamente, o contrario os

63
preços são muito variaveis e a quantidade incerta. Não se Ode,
por grandes co-
nhecimentos que tenhamos sobre o assumpto, predizer, com precisão, qual
será
uma safra que ha de vir, como quaes os preços de sua cotação: aquella
jeita is intemperies e estes i maior ou menor producção. Quanto está su-
menor é esta,
mais altos são os preços.
Precisamos fazer propaganda em pról dette producto, o que é
necessario
para augmentar o seu consumo, que, como dissemos, ainda é muito
no paiz. limitado
Emquanto no extrangeiro é muito apreciavel essa arnendoa, quer como fructo,
quer transformada em confeitos, dentro do Brasil é quasi desconhecida a sua utili-
dade. E isso se deduz da insignificante percentagem exportada
annualmente para
o sul do pai; a qual é de menos de 1 N, como prova o quadro a seguir,
repro-
duzindo o destino das safras no ultimo quatriennio:

1925 1928
HECTS. PERCT. HECTS. PERCT.
America do Norte.. ...... 89.264 52,71 % 189.212 51,20 %
Inglaterra 73.487, 5 43,39 % 169.520, 5 45,89 %
Allemanha 5.883 3,48 % 7.968 2,15 %
Italia 21 0,01 %
Portugal 2
Hespanha
França.
9 - 7

1
Brasil 688,5 0,41 % 2.803 0,76 %
169.248 100 % 369.511, 5 100%
1827 1828
HECTS. PERCT. HECTS. PERCT.
America do Norte 82.301 66,66 % 86.254, 5 41,99 %
Inglaterra 40.404, 5 32,72 % 111.043 54,07 %
Allemanha 369,5 0,30 % 7.383, 5 3,60 %
Portugal 4 18, 5 0,01 %
Brasil . 393 0,32 % 670 0,33 %
123.472 100 % 205.369, 5 100 %,
Ultimamente, foi iaiciada uma nova industria para este genero, a industria
do beneficiamento da castanha, que consiste em descascal-a. Nova
entre nós, ha
mais de seis annos vem ella sendo exercida na America do Norte,
onde um in-
ventor tirou patente para uma machina de tirar a amendoa intacta da casca. Essa
machina é alugada por seu inventor, que usufrúe, dessa fórma,
maiores pro-
ventos.
O (Jornal do Commercio), de New-York, em seu numero de 19 de julho
do corrente anno, dá as seguintes cotações para a castanha :
Castanha.
... ..
da terra (Brasil Nuts) media, lavada 8 1/2 centivos por libra
, graúda lavada .... .. ..... .. . . 10 1/2 11 » » »
extra graúda, lavada 11 12 » 2 2
descascada, inteira 45 48 » » cubota
1 1 partida... .. .. ... .. 40 42 » 1 »
No primeiro semestre do corrente anno, foram exportados
castanha descascada, que produziram para o Estado, á 173.976 kilos de
razão de $400 por kilo,
69:59o$400. De mez para mez, vae essa industria
do, em começo, apenas uma firma commercial augmentando, visto como, sen-
a empregar esse processo de bene-
ficiamento da castanha, hoje já cerca de meia duzia
cesso.
dellas explora o referido pro-

MADEIRA.De todas as riquezas naturaes existentes no Estado do Pará,


não ha nenhuma que se possa comparar com
a madeira. Florestas immensas que
acompanham o curso dos rios e cobrem vastas areas, ao
norte e ao sul da cor-
rente amazonica, sic) viveiros inexgottaveis, pode-se assim dizer,
mais variadas em qualidade e valor. de madeiras as
Cerca de duzentas variedades de madeiras foram já
devidamente classificadas
pelo Museu Commercial do Pará, quanto á côr,
applicação, peso especifico ou
densidade media.
Antigamente era bem regular a exportação de madeira deste Estado,
Portugal o seu maior consumidor. Tarnbem seguia sendo
regular quantidade para a
America do Norte, Inglaterra e para o sul do Brasil.
Pelas estatisticas dos Relatorios da Associação Commercial,
verifica-se que
em 1874, foram exportados para o extrangeiro 23.204 palmos de
madeira. Em
1879, o valor official alcançou a importancia de
25:552$200. Dessa data em
deante, tendo augmentado o interesse pela exploração da
borracha, no interior
do Estado, começou a declinar a exportação da madeira
e a elevar-se a da bor-
racha, como se verifica da seguinte exrosição

VALOR OFFICIAL
Madeira Borracha
1880 7:165$900 17.559:079$954
1881.... ...... 5:001$950 20.148:578$986
1883. 2:459$980 31.377:567$581
6:401$500 19.996:984$048
1885 4:326$780 24.600:443$744
1886 5:802$000 28.514:289$718
1887 1:703$-160 28.314:538$871
Paralysada, ha 25 annos, a exportação de madeiras para o extrangeiro,
du-
rante esse tempo não era explorado outro qualquer producto natural cos que o
Estado possue em grande quantidade, a não ser a borracha, em que eram em-
pregadas todas as actividades da população rural, que,
por diminuta, não se
podia dedicar a outro mester. Em 1911-1912, entretanto, foi recomeçada a ex-
ploração da madeira, visto como a borracha não proporcionava os lucros com-
pensadores de outros tempos.
A principio a exportação da madeira foi muito pequena, isto é, em 1912,
quando ella recomeçou a ser exportada. Neste anno sahirarn, apenas, 309 tone-
ladas deste Estado, sendo 188 para o sul do paiz e 121 para o extrangeito.
Num
crescente animador, chegámos a exportar, em 1928, 112.147 toneladas, sendo
66.966 para o extrangeiro e 45.181 para outros Estados do Brasil.
O quadro que segue mostra a proporção crescente, com algumas alternati-
vas, da exportação da madeira do Pará:
Brasil Extrangeiro Total
1912 Tons. 188 121 309
1913 x 397 137 534
1914 D 433 163 596
1915 » 1.130 867 1.997
1916 A 1.614 3.881 5.495
1917 a 2.745 6.067 8.812
1918 » 7.934 4.408 12.342
1919 » 7.924 13.256 21.180
1920 » 15.262 25.693 40.955
1921 » 11.788 15.096 26.884
1922 » 12.674 10.226 22.900
1923 » ... .... ...... 36.477 21.410 57.887
1924 D 60.078 17.134 77.212
1925 » 55.338 29.186 84.524
1926 » 53.625 15.617 69.242
1927 D 43.381 66.919 110,300
1928 » 45.181 66.966 112.147
1929 » (1.0 semestre) 21.765 48.825 70.590
Do anno de 1927 para cá, o maior volume da exportação de madeira é con-
stituido por dormentes que, emgrande quantidade, são importados pela Hespanha,
que os emprega em constracções e reconstrucções de estradas de
exportação de madeiras, desde 1925, como vae expostoferro.Pela
abaixo, a por.
55o maior desse producto é destinada á Hespanha e Portugal.
1925
Para Hespanha. 8.537 toneladas
D Portugal 7.723 »
» America 1.945 D
D outros paizes 10.981 »

Total 29.186
1926
Para Hespanha 6.282 »
» Portugal. 7.042 D
» America
1.840 »
» outros paizes 453 »

Total. 15.617 D

1927
Para Hespanha . 51.934 A
s Portugal ... ... .. ............ .. ... 13.712 D
, America ... . .. .. ....... .... .. .... 234 »
» outros paizes 1.039 »

Total 66.919

66
1928
Para Hespanha 55.905 2
9 Portugal 8.807 D

America . 434 2
outros paizes 1.820 9

Total. 66.966 2

1.0 semestre de 1929


Para Hespanha 42.876 toneladas
Portugal 4.932 a
America . 475 »
França 269 2
Allemanha 141
Argentina 42 D
Belgica ...... ...... .. .................... 40 a
a Inglaterra 25 D
Hollanda 24
» Japão 1 tonelada
Total 48.825 2.

Apesar da quantidade de madeiras .exportada, em toneladas, segundo os da-


dos da Port.of-Pará, ter augmentado em mais do dobro, do
anno de 1925 para
1928, o valor official, talvez em razão da diferença de pesos nas especies de
madeiras, não obedeceu a tnesma proporção, como attesta a estatistica abaixo,
extrahida dos mappas da Recebedoria de Rendas do Estado. Além disso, deve-se
considerar que, como alludimos antes, o volume maior da exportação nos ulti-.
mos annos coube a dormentes, cujo preço não corresponde ao peso. em virtude
de serem os mesmos vendidos por unidade.
Valor em contos de reis
1925 1928
Madeira beneficiada ) 3.896
» apparelhada) 5.194
48
Táros esquadriados). 869
» em bruto ) 1. 454
301
Dormentes 988 2.123
Andiroba 142 71
7.75-8 7.243
1927 1828
Madeira beneficiada . 3.925 4.719
, apparelhada 109 68
Tóros esquadriados 1.014 818
» em bruto 334 343
Dormentes.. ...... .... .. .. 2 539 2.580
Andiroba 89 68
Paus de jangada .. .... .. .... ............ 20 13
8.030 8.60-9-

67
Dos productos extractivos, a madeira 'figura em segundo logar, quer no seu
valor official, quer na renda para o Estado, no anno de 1928. 0 valor oficial
foi computado em 8.60926880m, que representam 9,17% da renda total dos
productos do Estado, que form exportados, tendo os impostos. pagos na Recebe-
doria de Rendas attingido a somtna de 'i .114:3998574, ou sejam 25,14% do total
dos impostos cobrados dos diversos productos exportados. ,Os ma ppas estatisticos
dos gAnnexosu contêm informações completas sobre o assumpto.
Comparando o I.° semestre de 1929 com o mesmo de 1928, verifica-se
ter havido um augment° de renda para o Estado, relativamente á niadeim. de
159:2398965, como segue :
1.0 SEMESTRE 1.0 SEMESTRE DIFFERENÇAS
1928 1929 Em 1929
Madeira beneficiada 217:4905198 294:834$U98 + 77:3438900
» apparel hada 4:0418772 4:2138846 + 172$074
Andiroba... . ...... 23:6528225 32:816$200 + 9:163$975
Toros em bruto 30:711-8740 39:3818480 + 8:6698740
esquadriados: 87:9978104 84:1938371 3:803$793
Dormentes 133:5318000 193:559$900 + 60:0281000
Paus de jangada 2:134$500 2:221$000 + 8615500
Caixas de borracha 29:698$341 37:277$010 + 7:578$669
Total 688:4965905 + 159:2395965
529:256$940
.A evolução e o progresso da industria da madeira caminharão a largos pas-
sos, desde.que seja frito a regulamentação do serviço florestal, creando uma fisca-
lisação propria para examinar as qualidades exportadas, garantindo, dosa forma,
as encommendas ou ordens do comprador e, disseminando, por todos os munici-
pios onde se explora esse droducto, serrarias para beneficiamento da madeira,
evitando, assim, venha ella em bruto para 'esta capital.
Isto traria as vantagens de proporcionar trabalho á população rural. de au-
gmentar a producção e facilitar a fiscalisação, sendo a madeira apparelhada, bene-
ficiada ou mesmo em Oros esquadriados.

EXPORTAÇÃO DE DORMENTESDe accordo com a lei n. 2.683, de


.5 de Novembro de 1928, que dispõe sobre a cobrança dos impostos de expor-
tação, a Recebedoria vinha, assim, fazendo a percepção dos respectivos direitos
Dormentes até 21n,4o, um 300
excedentes a 2mgo, metro ou fracgii:: de metro. $150
Sucedeu, porém, que em Março do corrente atino, se pretendeu exportar
para Hespanha grande quantidade de dormentes com 40rn,-4m,50 e 5m, a titulo
de largueiros, o que resultaria em prejuiso para a Fazenda.
Deliberamos, interpretando a lei e de accôrdo cum as informações da Rece-
bedoria, affectando-nos o caso, resolver que, a contar deste embarque, ficasse
estabelecido para os dormentes as seguintes dimensões:
Dormentes até 2,m4o, um $300
Excedendo de zmoo até 3m,50, metro ou fracção de metro $150
D'ahi por deante, o exCedenu seria cobrado por decimetro cubico, como
madeira beneficiada.
Com essa providencia evitamos que sahissem vigamentos com a discrimina-
ção de dormentes, pagando uma taxa insignificante, em prejuiso do fisCó.

DEMONSTRAÇÃO DO MODO DE PERCEPÇÃO DE DIREITOS


DE DORMENTES PARA O ESTADO
Comprimentos Taxas Obserraoies
de 2111,40 1,300 Por unidade.
maiores $150 Por metro ou fracção de metro.
Tendo-se verificado do carregamento do vapor «Gast-
ICI», no mez de Março, que do total de 3o.74q, so-
mente 3.234 estavam sujeitos a taxa de S300, sendo
os demais de 2111,73 at 51" de comprimento, com
maiores dimensots, ficou estabelecidc pelo governo,
a partir desse embarque que
At 2111,4o pagariam $301 Por unidade.
At 3111,5o3150 Por metro ou fracção metro.
maiores $016 Por decimetro cubico, corno madeira beneficiada.

COMPARAÇÃO DE DIREITOS

Cm dormente de 21",73 x 01.1,23 x pagara:


Pela taxa de St50-3m,00 X 5130 S450
Como madeira beneficiada
2).1,75 x 0111,23 x 0,114-96 dec. cubicos x Soi6. 1Ç534l
Conclue-se que do r.0 para o 2.° a differença para menos de I5o86.
Mais ainda, que :o dormentes correspondem a um metro cubico.

MAPPA DA EXPORTAÇÃO DE DORMENTES

Cuidades Valor official hupostos


1928 .0 semestre) 413.545 1.28:569S67Ø 133:5311,000
1929 (i.0 se:restre) 441.399 2.041:034$000 193:55l.i$000

Ein 1929 : a mais 27.854 745:464$33u 60:0285900

CA C.40.Ninguein ignora que depois do café, o cacáo representa na


exportação vegetal, a maior somrna em volume e ouro, o que nos leva a
reflectir sobre a nossa situação, que seria outra se tivessemos preservado
os nossos cacauaes da decadencia em que se acham. A producção mun-
dial de C3CCIG é calculada em cerca de 8.500.000 saccos, e quando a pro-
ducção bahiana em 1926 attingia a quasi 1.200.000, a da Amazonia, com-
prehendendo o nosso Estado e do Amazonas, não foi alem de 818 toneladas !
A grandiosa obra que realizou em poucos annos a Bahia, desenvol-
vendo de modo vertiginoso a industria cacaueira, é digna de imitação,
constituindo agora o caul() a mais solida de suas columnas economicas.
E o que é mais interessante é que essa obra foi feita com o trabalhador
nacional exclusivamente, num espaço de tempo relativamente pequeno, o
que muito honra a nós brasileiros. Ao passo que alli se deu tão admiravel
phenomeno, tão animador movimento economico por uma riqueza, que,
pode-se dizer, era quasi nossa exclusivamente, no Pará a industria cacaueira
vem decahindo anno a anno, o que se. pode verificar correndo os olhos
69_
por sobre as cifras estatisticas que temos sob os nossos, no momento em
que tragamos estas linhas cheias de sinceridade e de encorajamento.
Em 1881, data em que começa entre nós a estatística industrial,
tinhamos .uma produglio que no ia alem de 5 milhões de kilos. Dahl por
deante, só excepcionalmente, como aconteceu em 1888, quando tivemos
quasi sete milhões de kilos de cacti°, cahimos para a casa dos 3 milhões,
baixando sempre o índice até irmos a 531.000 kilos em 1926 e 943.000
'em 1928. -

Esse quadro é verdadeiramente impressionante ante o progressista


(pie a Bahia nos pode apresentar, relativamente á sua industria cacaueira.
Pode-se dizer que depois de Acra (Gold-Coast) está collócada a Bahia,
que em poucos anno§ deslocou o Equador e mais alguns paizes producto
res do continente. A safra bahiana para 1928 1929 é calculada em 1.300.000
saccos !
Temos grande confiança no resurgimento da nossa industria ca-
caueira e contamos dentro do quatriennio iniciado elevar o nivel da
nossa exportação, o que será um exemplo eloquente a seguir pelos go-
vernos futuros para a propaganda que desde já começamos a fazer entre
os nossos agricultores Os primeiros passos -estão dados e os resultados
da acção vigorosa do governo, collaborada com a de quantos se interessam
pela nossa grandeza economica, colherão os melhores fructos.
Em dias de Maio do corrente anno reunimos, sob a presidencia do
Secretario Geral do Estado, varias personalidades e alguns technicos no
assumpto, aos quaes commettemos a incumbencia de nos apresentar um
trabalho sobre a maneira de agitarmos com proveito o soerguimento da
industria cacaueira no Pará. O relatorio que nos foi enviado por essa
commissao encarregada dos alludidos estudos. é um trabalho valioso e por
isso mesmo o transcrevemos na integra, para vos servir de guia nas me-
didas que julgardes necessarias á nossa acção neste problema edonomico.
Podemos assegurar-vos que contamos com o auxilio do Governo
Federal para a installaçâo de uma estação de cultura de cacáo, condição
indispensavel, como ponto de partida, para o exito da grande obra em
que estamos todos empenhados.
RELATORIO
«A Commissdo nomeada para estudar os meios de promover o au-
gment° da produced° do cacio neste Estado, tendo em vista a escassez dos
recursos disponiveis e a necessidade de uma intervenção immediata e efficaz,
tem a honra de apresentar o seguinte projecto de creação e organisação de
um «Serviço de Fomento á Industria Cacaueiran.
O auxilio á industria cacaueira no Estado do Pará será dado por inter-
medio de uma «Estação Experimental para a Cultura do CacAon e de quatro
grupos de turmas de ensino agricola ambulante trabalhando sob a direcção
technica da dita Estação e distribuidos nas diversas zonas do Estado.
A «Estação Experimental para a Cultura do Cacao» será estabelecida
na vizinhança desta capital, dc preferencia em terrenos contendo já um certo
numero de cacaueiros fructiferos, tendo em vista, na localisação da dita Esta-
ção, que, si a cultura docacáo é, em geral, mais facil e mais rapidamente
rendosa nas «varzeas altas», encontram-se tambem «terras firmes» que pro-
duzem cacáo de qualidade superior, com a vantagem de não serem expostas
ao perigo de desastrosas inundações.

70
Para o Ensino Ambulante, o territorio do Estado será dividido em
quatro zonas
la- Tocantins, 63%, da producção total.
2'Baixo Amazonas e Tapajós (de Gurupi a Faro), 16 % da produc-
ião total.
3.Belem (com o Salgado, a Estrada de Ferro de Bragança, Guatni,
Mojt1 e Fóz do Tocantins), 13 producção total.
42Ilhas, sul e norte das ilhas e Guyana, a leste de Gurupá, 8 % da
producção. total, achando.se as sides dos quatro grupos de turmas localisadas
respectivamente nas cidades de Blem, Cametá, Curralinho e Obidos.

A ESTAÇAO EXPERIMENTAL PARA A CULTURA


DO CACA'0
I.Da Estação Experimental e seus fins.
I.0A Estação Experimental para a Cultura do acão no Estado do
Pará tem por objecto o estudo systematic°, experimental e demonstrativo de
todos os factores relacionados com a cultura do cacaueiro, de modo a forne-
cer aos agricultores e interessados dados completos e precisos para a adopção
dos methodos e processos que tornem possivel na região a producção econo-
mica, intensiva e aperfeigeada do eacio.
2.0Para preencher os fins a que se destina, deve a Estação Experi-
mental
a) Possuir terrenos apropriados e de area sufficiente (lc hectares pelo
menos) para nelles preparar campos de experiencias e demonstração.
Crear nestes campos pequenas plantações das diversas variedades
de cacaueiros actualmente cultivados na Amazonia e proceder a estudos com-
parativos relativamente a seu desenvolvimento e sua fructificação, procurando
os meios de elevar o seu rendimento em quantidade e qualidade.
DispOr de uma bibliotheca agricola, laboratorios e mais installações
technicas necessarias para a bem marcha dos seus trabalhos e das suas pesqui-
zas e organisar um pequeno museu agricola relativo á sua especialidade.
Fazer estudos experimentaes para o aperfeiçoamento dos methodos
de colheita, preparo e beneficiamento do cacio.
Fazer pesquizas sobre as condições cru que se desenvolvem nos ca-
cauaes as molestias.produzidas por invasões de cryptogamos e insectos, a fim
de poder indicar aos interessados os meios proprios para evital-as ou comba-
tei-as.
.1) Estudar os terrenos das varias zonas, quer para determinar os me-
lhoramentos possiveis, por adubação apropriada, dos que já se acham occu-
pados por cacauaes, quer para assignalar os que melhor se prestariam á seme-
lhante cultura.
Attender gratuitamente is consultvs que lhe forem dirigidas sobre
qualquer questão technica, agricola ou industrial da sua competencia.
Promover a vulgarização dos resultados dos seus estudos, e, em
geral, de conhecimentos uteis relativos aos seus serviços, por todos os meios
convenientes, conferencias e liege:es demonstrativas, publicação periodica e dis-
tt ibuição gratuita de um boletim, communicados aos jornaes de maior circu-
lação, etc.
1) Formar um corpo de capatazes devidamente habilitados para dirigir
as turmas de ensino ambulante ele modo a fazer, nos cacauaes do interior, a
aemonstração pratica dos conhecimentos adquiridos na Estação.
NOTAMais tarde, podendo-se dar A Estação maior desenvolvimento,
tendo-se adquirido melhor conhecimento dos nossos cacaueiros e introduzido
nova's variedades, organizar-se-á distribuição de sementes e mudas de plan-
tas rigorosamente seleccionadas, acompanhadas das necessarias instrucções
para a 'sna ntilização, esforçando-se assim em reduzir os typos de cacáo a um
pequeno numero, apresentando cada um caracteres bem determinados e
constantes.

71
11.Pessoal da Estaçdo :
O director será chefe. immediato .de todos os serviços e, como tal,
unico responsavel perante o governo do Estado pela Ma. ordem e pelo des..
envolviMento da Estaçdo, tendo sob a sua fiscalisaç3o todo o pessoal da
mesma t das turmas de 'ensino agricola ambulante.
O director deverá ser especialista na cultura do cad°, de notoria
competencia no assumpto, tendo preparo theorico e sufficiente tirocinio pra-
tico.
O pessoal da Estação compor-se.i, aUm do director, dos seguintes
funccionarios :
Serviços technicos :
Dois ajudantes (biologista e chimico)
Um chefe de cultura
Dois jardineiros
Um chefe de officinas
Serviços administrativos
Um escripturario-bibliothecario
Um almoxarife
Um dactylographo
Urn porteiro-continuo
S 1.0 Haverá, além de um feitor, o numero de serventes, trabalha-
dores e operarios que fór necessario, de accordo com o orçamento crgani-
sado pelo director e approvado pelo governo.
B-ENSINO AGRICOLA AMBULANTE
Serão creados quatro grupos de turmas de ensino agricola ambulante
chefiados, cada um, por um Inspector regional da industria cacaueirax), que
terá sob suas ordens os capatazes e os auxiliares trabalhadores cujo numero
será fixado pelo director da Estação de Belem, conforme as necessidades do
serviço e os recursos disponivcis.
Estes grupos de turmas ambulantes, delegados nas diversas zonas pela
Estação de Belem, ministrarão aos cacaualistas ensinamentos praticos rela-
tivos á cultura e á preparação do cacao por meio de visitas mais ou menos
demoradas aos cacauacs da região, fazendo-se nestes, conforme a época do
anno, demonstrações de limpeza e renovação das plantações antigas em es-
tado dr semi-abandono, de limpeza e podagem das arvores cultivadas, do
apanho do cacao e do tratamento das fructas, da preparação, fermentação,
seccagt m e conservação do cacao.
Na occasião das visitas is principaes propriedades e de accordo com
es propri..tarios, serão convidados os lavradores vizinhos para assistir aos
tr italhos da turma e a palestras agricolas em que serão dados conSelhos effici-
entes para a obtenção de methores colheitas, selecção das especies mais pro-
ditclivas, lucta contra a invasão de pragas nocivas (animacs roedores, in-
sLcres, p:antas parasitas, molestias, etc.), noções sobre a escolha dos terrenos,
-a adubação, a plantação, as culturas intercalares ou para abrigos, os processos
de ferm,ntacán e o modo de installar sem grande despesa os apparelhos ne-
cessari)s, sobre os diversos systernas de seccaiem natural ou artificial, etc.
Às turmas ambulantes caberá colher dados estatisticos sobre a area
plantada, o numero de pés, a producção annual, methodos de cultura usa-
dos, qualidade dos terrenos, clima, meios de .transporte, etc , afim de for-
necer ã Estação os elementos indispensaveis ao constante aperfeiçoamento do
plano de desenvolvimento deste gencro de cultura.
Tcdas estas notas serão registadas cm livros especiaes que serão re-
mettidos periodicamente ao director da Estação de Belem: Pelas informações
assim recebidas, poderá o director da Estação propdr ao governo a attribuição
aos cacatiaes melhor tratados de premios que serão instituidos por lei espe-
cial. 03 iqspectores regionacs, chefes de grupos de turmas, serão encarre-
gados de fiscalisar a observação das leis que forem creadas para combater o

72
roubo nos cacauaes, a commercio de cacao verde -ou mal preparado
e todas
as fraudes que podem alterar a qualidade deste product°.
Nas !Edes dos grupos de turmas serão-installados pequenos escriptorios
onde estará, em permanencia, um aux-iliar do inspeciOr regional tendo
a seu
cargo encaminhar as informações, receber e expedir a correspondencia, guar-
dar e conservar o material.

CDisPosicõEs G ERA ES

director da Estação de Belem, nomeado ou coutractado, será sem-


pre da livre escolha do governador.
pessoal dos serviços technicos da Estacão, os inspectores regionaes
e os capatazes chefes das turmas de ensino ambulante serão nomeados pelo
governador, mediante proposta do director di Estação, sendo preferidos,
quando apresentarem as condições de competencia, iniciativa e moralidade
indispensaveis para o bom desempenho do cargo, os agronomos e os chi-
micos formados pelas escolas de agronomia e de chimica industrial do Para
e
os alunmos do Instituto Lauro Sodri% e congencres, que desejarem dedicar-se
a este serviço, iaienclo todos um estagio pio el... seis rnezes na Estação
Experimental de Belem.
director, loge apôs a sua nomeação, submettera á approvação do
governo o regulamento determinando os dc:allies da organisação da Estação
e das inspectorias regionaes, sob as bases acima

I) ORÇAMENTO)
1Creação da Estação Experimental de Belem
a)comPitA TEitisExo (Esta despesa poderá talvez ser evitada. O
Exmo. Snr. Dr. Alvaro Adolphe/ já offerectu parte da sua propriedade
«Murutucú; para nella ser installada a Estação, case o terreno apresente as
condições requeridas para este fim).
/9--INSTA MAO:5ES Fl X :
Casas de moradia (para o Director e para os au-
xiliares technicos, para o chefe de cultura c
empregados diversos) 60:00C $000
Armazem (material, viveres, e..c.), cozinha e re-
feitorio dos operarios 13.0005000
Casa para escriptorio, bibliotheca, museu e labc-
ratorio 12:0005000
Usina de cacao : Tanques de fermentação, ;en-
daes para seccar, telheiro e armazern 15:0005000
Laboratorio, installações, apparelhos, productos
instrumentos. 20:0005000
13ibliotheca e Museu (Livros e Es.antes) Escri-
Florio (Carteiras, estantes e material) 6:0005000
Ferramentas e utensilios 4:0005000 130:0005000
11Despesas annuves de manutenção d
Estação
:ssoi.:
I Director 18:0005000
9 auxiliares a 12:000 24:1005000
chefe de cultura (5005000 por mez) 6:0005'000
jardineiros (4005000 por niez) 9:6005000
chefe de officinas (4005000 por mez) 4:8005000
1 secretario (500$000 por mez) .
..... 6:0005000
1 almosaritse (3005000 por mez) 3:6005000
1 dactylographo (180$000.por tnez) 2:1605000
1 Porteiro-guarda (2003000 por-mei) 2:4003000 76:5605000

73
1 feitor (3005000 por mez) 3:6005000
10 trabalhadores diaristas (a 45000 para 300 dias) 12:0005000
Rancho 6:0005000
Transportes .2:600000 23:6005000
d)DESPESAS GERAES :
Custeio arinual e wquenas installações ....... .10:0005000
Expediente e eventuacs - 4:840$000 14:840$000

245:0005000
III Despesas e manutenção dos grupos
de ensino ambulante
e)PARA CADA GRUPO:
casa alugada para escriptorio 1:2005000
Material 2:000$000 3:2005000
1 inspector (1:000$000 por mez) 12:0005000
1 escripturario (4005000 por mez) 4:8005000
1 servente (1205000 por mez) 1:4405000 18:2405000
Expediente 1:5605000
J)PARA O MINIMO DE 2 TURMAS EM
CADA GRUPO:
2 capatazes (3505000 por mez) 8:4005000
10 trabalhadores 12:0005000
Rancho 6:0005000
Transportes 8.0005000
Eventuaes 61)05000 35:0005000

58:0005000
Para 4 grupos:
58:000$000 x 4 232:0005000
NOTAAlém dos vencimentos fixos, serão attribuidos ao Inspector
de cada região, a titulo de gratificação, 10% das quantias arrecadadas pelos
-municipios sobre o =At) produzido na respectiva região.
EM RESUMO:
Despesas fixas de installação da Estação de Belem 130:0005000
Despesas annuaes para a manutenção da Estação.
115:0005000
Despesas annuaes para a manutenção de coda grupo de ensino
ambulante
58:0005000
apresentando-se quatro modos de realizar mais ou meno5 semelhante orga-
n isação :
1.0Estação de Belem e os 4 grupos ambulantes creados e mantidos
pelo Estado :
Despesa de installação 130:0005000
Despesa de manutenção annuaesrninimo.... 340:0005000
2.0Estação de Belem e I grupo ambulante de duas tur-
mas, creadas e mantidas pelo Estado
Despesas de installação 130:0005000
Despeças annuaes de manutenção (mi-
nimo) 165:0005000
3.0 Estação de Belem creada pelo Estado com um au-
xilio de 130:0005000 dado pelo Governo Fe-
deral.
Estação de Belem e turmas de ensino ambulante
mantidas pelo Estado do Pará com uma sub-
venção animal de 120:0005000 do Governo
Federal

74
As despesas annuaes do Estado serão, neste caso,
conforme o numero de grupos ambubntes or-
ganisados de 50 a 250:00(401)0
40- Estação de Belem e grupos de turmas creados e
mantidos pelo Estado com o auxilio de uma
subvenção annual do Governo Federal

A Commissão pensa que o terceiro alvitre apontado é o mais txequi-


vel, convencida de que um appello dirigido ao Exmo. Snr. Ministro da Agri-
cultura seria immediatamente attendido pelo eminente paraense que tanto se
tem esforçado em auxiliar o levantamento economic° do seu Estado.
A industria cacaueira do Brasil teve por berço o Pari e seria somente
um acto de justiça dar-lhe aqui o mesmo amparo que se lhe está dispen-
sando em outros Estados onde o cacdo nunca poderá riw.liSar, em qualidade,
com o cacão paraense.
Os recursos financeiros para manter as turmas de ensino ambulante
no interior do Estado se poderão obter Fela cessão de uma certa percentagem
dos impostos pagos pelo cacao na occasião da sua exportaçao, ou sejam 25 %
sobre estes impostos cobrados por todos os nrunicipios interessados (36) e
50 % sobre o imposto estadual.
Calculada para uma safra de 1.500.000 kilos, a 1$400 o kilo, est3 per-
centagem representaria

27 contos para os municipios


75 para o Estado

Total 102 contos por anno.

Com o desenvolvimento da producção se chegaria rapidamente a ¡lis-


p& de verba sufficienze para manter os 4 grupos de turmas ambulantes, indo
ao mesmo tempo em constante augment° a receita dos municipios producto-
res e a do Estado.
Belem, 10 de Junho de 1929.(a 31 Oscar de Gouvéa Cunha Barreto,
Paul Le Cointe, José A. Picanço Diniz, José Ferreira Teixeira, Agostinho
Monteiro, Alvaro Adolph°, J. J. Guimarães Vieira, Philippe Schlee, Ja,:ob
Cohen, Miguel P. Shelley, Albert Suter e Ricardo Borges,).

SEMENTES OLEAGINOSASE' riquissimo o Estado do Pará no que


diz respeito a semeutes oleaginosas, existindo á no Museu Commercial, devida-
mente classificadas, cerca de 6o qualidades dessa industria extractiva, cada uma
com a respectiva percentagem da gordura que contem:
Como aconteceu com outros productos, que só começaram a ser explorados
depois da queda dos preços da borracha, em 1921-1922 (a cotação da qualidade fina
das Ilhas, baixou até 1.250 réis por kilo, em Janeiro e Fevereiro do primeiro daquel-
les annos), as sementes oleaginosas, em geral, só foram procuradas pelos interessa-
dos, como fonte de riqueza, quando a nossa haw deixou de constituir a garantia
para todos os ramos de negocio. E a exploração das sementes tornouse, poralgutu
tempo, cada vez maior devido ao estabelecimento de usivas para beneficiamento e
extracção de sementes dos caroços, cujo numero ia augmentando pouco a pouco.
Para se fazer uma idéa dos progressos desta industria, basta saber-se que em
1.917 a sua producção geral não foi além de 132 toneladas, tendo estas baixado,
em 1921, para 122 1/2 e subido, no anno seguinte, para 569. Em 1923,
porém, quando appareceram canos compradores desse producto, que era expor-
tado, depois de beneficiado, principalmente para a Italia e Inglaterra, começou a
augmentar a producção de sementes. Assim foi que nesse anno entraram na cap:-

75
tal 3.035 toneladas de varias especies de sementes, excepto as de ucuhúba, elevan-
do-se esse numero para 9.139 em 1924 e attingindo o maximo da producçáo em
1925, quando alcançou o total de 11.932 toneladas. Nos annos itnmediatos foi
bem sensivel a baixa da quantidades de sementes, sendo que ag suas entradas,
aqui, foram de 6.847, 7.871 e 8.399 toneladas, respectivamente, nos annos de
1926, 1927 e 1928.
A razão dessa baixa na producção das sementes oleaginosas não foi devido
somente á subida dos preços da borracha, em 1925, subida essa que attrahiu no-
vamente grande parte da população rural para a exploração desta industria, que
lhe proporcionaria melhores proventos, mas tambetn, a nosso ver, pela falta de
divulgação e propaganda entre muitos outros novos compradores de varios paizes,
sobretudo na America do Norte, onde é bem grande o mercado de sementes, e
com os quaes deveriamos procurar entrar em melhores relações commerciaes.
O babassú, que existe neste Estado em quantidade talvez não inferior ás do
Maranhão e Piauhy e que representa, actualmente, a fortuna desses dois Esta-
dos, podia ser explorado por nós, em tempo de safra, sem prejuizo dos outros
productos naturaes, resultando disso vantagens econotnicas para o Pará.
Entre as sementes de facil cultivo, que existem no Pará em grande quanti-
dade, figura o urucú, que antigamente dava bastante lucro. Em 1868, foram
exportadas 10.433 arrobas, no valor official de 127:949$489, como consta do re-
!atorio da Associação Commercial daquelle anno.
Presentemente, essa semente constitue grande negocio nos Estados-Unidos,
que a importa das pcssessões inglezas nas Indias, em centenas de toneladas, com
o nome de aAnnato seeds). Naquelle paiz é empregada commumente na confec-
ção de côres para dôces, como vegetal inoffensivo á saúde, e bem assim no pre-
paro do carmim.
E' muito promissor o estabelecimento de usinas para a fabricação xle oleos
neste Estado. Ainda mesmo sendo pequena a quantidade de sementes utilizadas
nesse ramo de negocio e o oleo extrahido, exportado sómente para o sul, pó-ie se
considerar isso rn grande passo dado no emprego das materias primas do Pará.
Vae num crescente muito animador a exportação de oleos extralndos das se-
mentes regionaes, quer na quantidade, quer no valor official, como se verifica do
quadro abaixo, relativo ao ultimo quatriennio
OLEO DE ANIENDOAS DE BABASSU'
Annos Litros Valor of ficial
1925 27.403 52:0018000
1926 59.244 . 91:078$000
1927 66.374 112:5758000
1928 139.104 274:1608000
OLEO DE OUTRAS QUALIDADES
Anizos Litros Valor official
1925 3.222 7:3628000
1926 7.841 14:3968000
1927 11.180 22:1124000
1928
''''''
42.276 81:673$000
O primeiro semestre deste anno, comparado com o do anno passado, de-
monstra a continuação do augmento da exportação :

76
semestre de 1928 semestre de 1929 DitTerem;.is
Oleo de babassú ...... 65.606
.
136.451 70.845
» outras qualidades. 31.102 61.854
-I- 30.752
A exportação de caroços e sementes beneficiados
ou em bruto, durante o ui-
limo qnatriennio, tendo baixado de 1925 para 1926,
em quasi 50%, no anno
seguinte começou a subir, como se vé do seguinte quadro
QUANTIDADE VALOR OFFICIAL
1925 Toneladas (Mil 7eis)
Sementes beneficiadas... ..... . ........ . 6.184 3.100:3651;000
» em bruto. ....... 421 206:495$000
Total 6.605 3.306:8608000
1926
Sementes beneficiadas 3.512 1.645:4378000
).) em bruto .
91 45:1295000
Total 3.603 1.690:5668000
1927
Sementes beneficiadas 3.695 1.682:6988000
» em bruto 922 377:555$000
Total 1.617 2.060:253$000
1928
Sementes beneficiadas 5.041 2.124:865$00()
em bruto 104 46:3765000
Total .... 5.145 2.171:2418000
O que dá motivo á exportação de sementes não alcançar
mais a quantidade
de 1925 6, naturalmenre, a utilização de uma grande
parte desse product° ser
consumida pelas usinas deste Estado, que as transformam em oleos,
como ficou
dito acima.
No primeiro semestre deste anno, a quantidade exportada foi
menor do que a
em igual periodo do anno passado. E' assim que, de Janeiro
a Junho de 1929, a
exportação de caroços e setnentes em bruto e beneficiados foi de
I.250 toneladas,
que renderam para o Estado 3:632$557, e no mesmo periodo de 1928. a txpor-
tação foi de 7.41 L toneladas e a renda para o Estado de 4:326$335.

ARROZVero dos tempos coloniaes o cultivo de arroz neste Estado, tendo


sido o periodo de maior florescimento para esta industria
agricola o decorrido de
1877 a 1889. Neste anuo a producção elevou-se a 940.842
kilos, tendo, entre-
tanto, baixado, logo no anno seguinte, para 89.288 kilos. De 1900 até 1913,
quando não foi além de 42 kilos, a producção dessa industria veiu
sempre baixan-
do, com pequenas alternativas'. Do anno immediato,
porém, até 1919, dentro
de cujo 'tempo transcorreu a grande guerra, a producção do
arroz recomeçou
com grande incremento, augmemando sempre. De 9 toneladas, produzidas em
1914, augmentou para 129, em 1915 e, assim, sempre com
a producção cres-
cente, elevou-se até 14.160, em 1924. Com pequena alternativa de
1925 para
1928, a producção do arroz foi crescendo de anuo
para anno, particularmente o
beneficiado, como se evidencia da seguinte estatistica,
relativa ao ultimo qua-
triennio, das entradas na capital.
1925
Arroz com casts ..... . 11.923 toneladas
beneficiado
&!()
Total .
1026
Arroz COM Casa 9.998 toneladas
beneficiado 347 D

Total .... ... 10.345 D


1927
Arroz com casca 10.108 toneladas
beneficiaio 673 D

Total 10.781
1928
Arroz com casca. 13.875 toneladas
» beneficiado 732 »

Total 14.607 »
Para avaliar da importancia'do arroz na vida economica do Estado, basta
referir que, dentre os productos exportados, no seu valor official, esse artigo está
classificado em 20 logar (a castanha occupa o 1 o),em 1928, .com 10.009:884,
sendo 9.839:554000 de arroz beneficiado, 4006000 de arroz com cosca e.
169:930$000 de residuos ou farello de arroz.
Foi a seguinte a exportação do arroz beneficiado, em toneladas, e seu valor
official no ultimo quatriennio :
Annos Toneladas Valor of ficial
1925 7.708 8.324:069$
1026 5.221 3.652:551$
1927 6.231 4.386:661$
1928 10.238 9.839:554$
Si o arroz exportado rendeu, para particulares, importancia sufficiente para
ficar collocado em 2° logar, em 1928, o mesmo não aconteceu com relação
renda para o Estado. Quatro productos, cujo valor official é inferior ao do arroz,
contribuiram com maiores quantias. para o EstadoMadeira, Borracha, Algodão
e Farinha.
A seguinte exposição demonstra o enunciado: 1

Productos Impostos pagos ao Estado Valor official


Castanha 2.202:050$. 14.681:135$
Mideira 1.114:400$ 8.609:268$
Borracba 942:262$ 8.259 280$
Algodão 253:363$ 3.796:424$
Farinha............. 239:457$ 5.768:178$
Arroz 209:088$ 10.009:884$
Evidencia-se do exposto que os cereaes, como arroz e farinha, não sic) so-
brecarregados com impostos.
Pela demonstração comparativa a seguir, entre os primeiros semestres de
1928 e 1929, verifica-se ter havido sensivel diminuição
quer na quantidade quer
nos impostos pagos ao Estado pelo arroz e seus residuos

QUANTIDADE EXPORTADA

1 o semestre de 1928 1.0 semestre de 1929 Differenças


A rt.oz beneficiado... kilos 3.242.219 1.646.795 1.595.24
» com casca 180 -I- 180
Residuos de arroz

Total .....
306.636

3.518.855
45.000
------
1.691.975
-- 261.636

1.856.880

IMP3STOS ARRECADADOS

1.- semestre de 1928 1.0 semestre de 1929 Diferenças


Arroz beneficiado 64:844$380 32:935$900 31:90S$480
» com casca 7$200 7$200
Residuos de arroz 1:533$180 225$000 1:308$ 180.
Total 66:377$560 33:1684000 33:209:)460
O arroz beneficiacto é exportado, quasi em sua totalidade, para varics Esta-
dos do Brasil. No ultimo quatriennio constaram sómente as seguintes exporta-
ções para o extrangeiro :Para Portugal, 26 kilos em 1026 e 342 ditos em 1927;
para a Bolivia, 4.650 kilos em '926.

FARINHA DE MANDIOCAEm se tratando de cereaes, não é demais


.

fazer algumas refereacias â farinha de mandióca e, unit) especialmente, á sua


exportação.
Sendo a farinha um dos productos basicos da alimentação, especialmente da
população do interior da Amazonia, a cultura da mandióca vae-se desenvolvendo
em todos os terrenos do Estado.
Até o anno de 1915 não era exportado este product°. Em 19(6, entretanto,
em consequencia da grande guerra, foi elk procur tdo intensamente, tendo sabido
de Belem, com destino ao sul da Republica, de onde foram reexportadas para a
Europa, 1.3.136 toneladas da nossa farinha de mandióca, quantidade essa que,
-em virtude do crescente consumo fóra do Estado, foi elevada, em 1920, para
22.224 toneladas.
A exportação da farinha em geral, ou sejatn as qualidadessecca, dagua, de
tapiena, etc., nos ultimos quatro annos, foi a seguinte :

Toneladas Valor official


1925
Farinha secca 9.577 4.666.181$
» dagua 8.993 3.427.486$
» de tapióca 94 85.4S2$
a out. qualidades....... ...... 7 9.172$
Total . 18.671 8.188.321$

79
1926
Farinha secca ....... ............. .... 5.154 1.419.011$
o dagua ... .... .. ..... ...... .. .. 8.570 3.067.736$
D de tapióca ..... 94 73.045$
» out. qualidades .... ..... 10 9.523$
. Total ...11 13.828 4.569.315$
1927
Farinha secca 3.088 1.309.537$
». dagua 7.182 3.202.965$
» de tapióca ... .. C4 ' 60.253$
» out. qualidades... ..... 38 16.645$
Total... 10.372 4..589.400$
1928
Farinha secca , 7.424 2.680.273$
D dagua 8.393 2.986.480$
» de tapióca . 95 84.121$
D out. qualidades ............. Si 17.304$
Total 15.943 5.768.178$
No total da renda arrecadada pelo Estado, dos seus productos exportados,
em 1928, a farinha figura em 50 logar, com a importancia de 239:457$000, que
correspondem a 4,19% daquelle total.
Comparando-se os primeiros semestres de 1928 e 1929, verifica-se um ac-
crescimo de 35:344$o76 nas rendas do Estado, este anno. E' assim que :

Kilos Impostos pagos


Em 1928 (12 semestre) 8.505.515 127.64744860
Em 1929 (t.. semestre) 10.851.096 162.991$936
Diferença em 1929 + 2.345$581 -I- 35.344076

A maior parte da farinha produzida, seja secca ou dagua, 6 destinada a


'outros Estados da Uno, sendo urna bôa quantidade exportada para Portugal. A
Inglaterra tambem importa este producto. Em 1926 foram exportadas 755 tone-
ladas de farinha secca para Portugal e 186 ditas para a Inglaterra.
Da producção de 1928 foi exportada a seguinte quantidade de farinha secca:
Para varios Estados 6.235.998 Kilos 84.00%
o Portugal 1.128.800 » 13,21%
D Inglaterra 41.000 » 0,35%
o Belgica 18.000 o (1,24%
' Total 7.423.798 o 100%

80
ALGODÃOA producçâo do algodão, cujo cultivo foi reiniciado em 1917,
depois de ter sido abandonado desde 1891, tem baixado, com pequena alterna-
tiva, do anno de 1925 para cá, sendo o seguinte o movimento de entradas desse
producto, em caroço e em rama, na capital, durante o ultimo quinquennio
/924
Algodão com caroço 415 toneladas
em rama 657
Total ...... ....... 1.072
/925
Algodão coin caroço 1.048 toneladas
.em rama 1 . 088 ),

Total 2.136
1920
Algodão cOni caroço ........ ........ . 980 toneladas
em rama 670
Total 1.650
/927
Algodão com caroço 833 toneladas
em rama 885 3)

Total ...... 1.718


/928
Algodão com caroço 726 tonel tdas
em rama. 628
Total 1.34

O valor official da exportação do algodão em rama augmenta de anno para


atino, desde 1925 a 1928. como se vê
Exporlao7o calorotA-Nd
Em 1925Kilos . 910.519 1.767:320$
1926-- .... 899.699 1.991:895$
1927-- )) 1.114.755 3.118:059$
1928- 1.006.442 3.782:279$

O algodão exportado em rama bem como os seus productos, taes como


caroços e linter. renderam para o Estado menos no I.° semestre de 1929 do
lue no mesmo periodo de 1928 a quantia de 3:6.56$5yo.
As rendas comparadas dos dois semestres foram as seguintes:
to. semestre de 1928 1.° semestre de 1929 DI:forma
116:979$490 113:322$890 3:656$590
(A descripção completa do movimento da renda do algodão vae no Mappa.
da Renda Geral arrecadada pela Recebedoria do Estado, nos Annexos).

81
Pelo quadro estatistico da Cultura do Algodão no Brasil, organisado pela
Secção Technici do Serviço do Algodão, do Ministerio da Agricultura, relativo
i safra de 1927/1928, verifica-se que, não obstante estarmos collocados acima do
to.° logar dos Estados da Federação, a nossa product* é ainda muito pequena.
ESTADOS Área em hectares Prod. em ránta Produced° media
(Tons.) par hectare
1 Parahyba 84.000 19.900 236,9
2 Pernambuco .. ... ......... 80.000 19.004
_
237,3
3 Ceará 96.000 17.000 177,0
4 Rio Grande do Norte... ...... 58.000 13.500 232,7
5 Maranhio .... .... . .. ... .. 1. 7.176 9.980 211,5
6 Sic) Paulo 42.400 9.459 223,0
7 Minas Geraes. ........ ... .. .. 23.236 4.667 200,8
8 Sergipe. ...... . ..: ....... . 29.997 4.590 153,0
9 Alag6as 23.133 4.372 189,0
10 Bahia ...... .. ... ... ...... .... 20.000 3.000 150,0
11 PARA' ...... ..... 8658
. 1450
. 167,4
12 Piauhy ... ..... ... ... . 5.000. 1.238 297,5
13 Rio de Janeiro.. ..... 2.521 504 200,0
14 Govaz. 1.500 250 166,7
15 Espirito Santo ...... ... 900 240 266,7
16 Amazonas .. .. ... ..... 1.015 100 98,5
Outros 1.230 250 203,2
524.766 109.504 208,6
Pela seguinte demonstração entra-se no conhecimento do destino
que toma
o algodão que exportamos, convindo frizar a irregularidade da exportação
para o
extrangeiro. Umas vezes segue maior quantidade para Inglaterra e menor para
Portugal, acontecendo o contrario outras vezes. Para o Sul do Paiz é destinada
sempre maior quantidade da producção exportada :
1925 1926
Kilos Perct. Kilos Perct.
Para Inglaterra. 393.981 43,27 % 41.161 4,57 y,
» Portugal 16.127 1,77 %
h Italia
259.124 480 %
» o Sul do Paiz
170
500.271
0,02 %
54,94 %
'"
599.414
....
66.63
Total 910.549 100 % - 8-99 . 6 99 100%7,
1927 1928
Kilos Pera. Kilos . Perct.
Para Inglaterra 94.3511 8,47 % 1.252 0,12 %
Portugal. ...... .... ... ........ 80.336 7,20 % 227.358 22,59 %
» o Sul do Paiz 940.069 84,33% 777.832 77,29 %
Total 1.114.755 100 % 1.006.442 100%
Os caroços de algodão só têm sido exportados para a Ingl2terra e para o Sul
do Paiz, como se vê :
192.5-kilos I926-kilos 1927-kilos 1928-ktios
Para Inghterra. 224.160 142.300
i o Sul do Paiz. 44.550 50.016
2.580 520.253 287.556 3.814
Total 226.740 662.553 ' .332.106 53.830

82
INDUSTRIA PECUARIAA industria pecuaria do Para ha de.co.nsti-
tuir no futuro a mais solida columna de sua economia. No presente momen-
to devemos affirmar que .sao inadiaveis os problemas que dizem respeita
pecuaria paraense. Descuramos durante um longo periodo de annos es-
ses problemas visceraes e, sátnente de algum tempo a esta parte, vamos,
embora tardiamente, buscando uma nova orientaçao para as soluções das
questões pertinentes á industria pastoril.
O Estado possue vastissimos campos naturaes, ferteis e excellentes,
rica collecção de plantas forrageiras, um clima apropriado e uma infinidade
de condições favoraveis á criaçao de animaes bovinos, no exaggerando a
possibilidade de vir a ter, uma vez incorporados ao nosso patrimonio econo-
mico, por uma intensiva exploraçao desta industria, os chamados (campos
geraes, da nossa Guyana, um rebanho bovino de 10.000.000 de cabeças,
além de outras especies.
Houve quem dissesse, com muito acerto, que o regimen pastoril,
quer do sul, quer do norte do Brasil, se constituiu como industria e modo
de conquista e povoamento,. Dissemol-o já, em outras palavras, no se-
guinte trecho da nossa plataforma de governo :
Sou um grande enthusiasta pelas perspectivas da nossa industria pas-
toril, que deve ser attendida com o maxim° de consideração, perseverança e
apoio, pois nella teremos, de futuro, a meu parecer; a nossi. fundamental
riqueza.
Urge extender a criação de gado vaccum da ilha de Marajó, optiruo
centro cujas maravilhas tanto tém empolgado os sabios naturalistas, e dos
baixos inundaveis do Rio Amazonas, para os immensos campos da nossa
Guyana, campos altos e excellentes, onde, conforme o tecternunho de inves-
tigadores dignos de toda fé, as nossas manada i bovinas poderão attingir a um
elevadissimo numero.
A estrada de rodagem que o Governo da União, sob a insplração do
General Candid° Rondon e do Ministro Lyra Castro, pretende a breve trecho
construir, ligando Macapá a Cevelandia, obra merecedo:a de todo nosso
apoio, virá muitissimo facilitar a execução deste objectivo.
Preciso 6, porem, transformar a nossa empirica criaçãi na verdadeira
industria agro-pecuaria, arte de criação e tratamento do gado, alhada :Is in-
dustrias de lacticinios, aproveitamento de residuos e sub-productos, e, final-
mente, As lavouras correlatas.
Quem conhece o trabalho do nosso economista sr. Luiz Cordeiro sobre
a mortandade annual .de bezerros nas nossas fazendas e sobre os damnos
disso decõrrentts não rode esquecer a dolorosa impressão Jesse desfalque
na nossa economia.
Esta mortandade é calculada Por ele, annualmente, cm 16 a 32%.
ou mais, quando ha rigoroso verão. Tomando-se urna média de 24 %, pódt:-
se avaliar a perda em cerca de 48.000 bezerros, ou sejam 5.800 contos, esti-
mada a unidade em 120$000. Se melhorarmos o gado e elevarmos o seu
peso, por bom e abundante cruzamento, teremos, affirma o mesmo escriptor,
unta media tres ou quatro yens maior, ou sejam 22.200 contos d: producção
annual, que dobrará em cada quatro annos,se cessar aquella mortalidade,
ou sejam duas vezes e meia mais cm cada dez annos, a 55.000 contos
de réis.

A industria pecuaria soffre no Mundo inteiro. uma crise, pelo intenso


vulto que toma o commercio de carnes frigorificadas, ao mesmo tempo
que, por phenomenos diversos, taes como o augmento da populaçao nos

83
centros productores, o aproveitamento ,dos campos ite criação, para van-
tajosas explorações agricolas, os rebanhos se tornam insuffilentes para
attender /Is necessidades solicitantes dos principaes centros consumidores.
A exportação de carnes no Brasil em 1928 attingiu quasi o dobro do
anno anterior, indo á cifra de 65.000.000 kilos. Os couros têm tambem b6a
cotação nos mercados extrangeiros. Embora a Argentina detenha ainda
o primeiro logar no-continente, o Brasil conserva o segundo e em seguida
vêm a Colombia, Uruguay e a Venezuela. A nossa exportação geral foi,
como dissemos, de 65 milhões de kilos em 1928, sendo que 60 % della foi
destinada ti Europa.
Deante das bellas perspectivas que se deparam aos nossos olhos, não
Precisamos grande esforço para mostrar quanto é urgente, reparar a de-
mora que temos tido no aproveitamento da riqueza pastoril, ganhando, em
trabalho proficuo e em providencias sabias, o tempo perdido.
Somos dos que muito confiam na força formidavel dessa industria pa-
raense, a mais promissora, talvez, de quantas possuimos.
Pouco tempo depois de assumirmos o governo convocámos os princi-
paes fazendeiros deste Estado para successivas reuniões em Palacio e fi-
zemo-lhes ver a necessidade de attentar-se com urgencia para o estudo
das questões .relacionadas com o desenvolvimento da nossa producção
pastoril.
Externámos a todos os interessados a intenção do governo de fo
mentar esta nossa riqueza e auxiliar a sua expansão, removendo se os
embaraços que retardam o progresso da nossa pecuaria. Ventilados,
assim,
os assumptos-pertinentes a este problema, em amplas e demoradas dis-
cussões, foram assentadas naquellas reuniões deliberações sobre
as diffe-
rentes theses, então suggeridas e formuladas, cujas conclusões,
uma vez
approvadas definitivamente, poderão servir de base ás vossas medidas le-
gislativas sobre a materia em debate.
Damos abaixo as principaes theses em discussão:

Primeira 0 aperfeiçoamento physico das manadas creoulps pela


selecção, cruzamento, alimentação e gymnastica funccional.
SegundaQue raças devemos importar para melhorar os nossos
rebanhos? Qualidade dos reproductores ? Como devemos
effectuar a acquisiçâo ? E' conveniente uma fazenda do
governo para criar reproductores do Estado ?
TerceiraAs estações de monta do governo e sua efficiencia na
solução do problema de melhoramento dos rebanhos. As
estações de monta nas fazendas constituem factor indis -
pensavel na solução do aperfeiçoamento physico dos
anirnaes? -
Quarta e quinta 0 problema forrageiro, visando a cultura das
gramineas
e leguminosas de maior valor nutritivo, é fundamenta
np criação aperfeiçoada? Quaes as vantagens dos pra-
dos artificiaes? Como solucionar o problema forrageiro?
Sexta Outros appareihamentos das fazendas: a) abrigo para o
gado; b) galpões, curraes e cercados; c) aguadas natu-

84
raes e artificiaes; d) desaguamentos e desobStrucções;
os aramados; f) tapumes divisionarios) no perimetro das
fazendas.
SetimaDefesa sanitaria dos animaes. Como organisar e custear
o serviço sanitario animal nos centros pastoris do Estado?
Prophylaxia contra os carrapatos. E' problema urgente e
necessario ?
OitavaIndustria de lacticinios. Possibilidade de sua installaçâo em
nosso Estado.
Nona Transportes de gado e passageiros. Meios de resolver
este problema.
DecimaDefesa da propriedade. Marcas. Codigo de policia rural.
Necessidade de uma nova regulamentação. A Policia Rural
nos municipios é necessaria ? Sua melhor organisação.
Decima primeira 0 pessoal das fazendas. Necessidade de ensino profis-
sional para a formação dos feitores, administradores e
capatazes.
Decima segundaFrigorificos e xarqueadas. Vantagens. E' necessario criar
o gado aperfeiçoado em peso e qualidade de carnes para
assegurar o commercio nacional e internacional pela re-
frigeração?
Decima terceiraDefesa economica e commercial.-- a) credito agricola;
b) banco agricola; associações ruraes de fomento e de
creditos; c) cooperativas de producção e venda.
Decima q u a rt aConperação indispensavel dos poderes publicos da
União,
do Estado. dos Municipios e das classes productoras asso-
ciadas, na solução dos problemas economicos do Pará.
Ao vosso esclarecido espirito deixamos aqui expresso o nosso grande
desejo de vermos realizada a grande obra de organisaçâo da poderosa in-
dustria pecuaria do Pará, para a qual podeis contar com o nosso decidido
apoio e collaboraçâo.

COMMERCIO DE COUROSData de 1924 uma pendencia entre


os proprietarios de curtumes e os fazendeiros paraenses, aquelles de-
fendendo o seu ponto de vista sobre a necessidade de serem mantidos
certos favores concedidos por leis do Congresso, entre os quaes a res-
tricção da exportaçãO dos couros salgados ou seccos, obtida por uma
taxa de exportação mais ou menos elevada, e estes, reclamando o mi-
nim° da taxa creada para a exportação deste product° estadual, sob o
fundamento de viverem coagidos por aquelles favores, entre os qtiaes
destacam a referida taxa de exportação, que consideram exorbitante e
attentatoria da liberdade de commercio de couros.
Depois, de ouvirmos pessoalmente as duas classes. interessadas, rece-
bendo de ambas longos memoriaes sobre o assumpto em f6co, dedi-
cámos grande parte de tempo ao estudo das allegações feitas. Chegá-
mos á conclusão de que o melhor caminho a seguir no caso concreto
era conciliar os interesses em collisão, desde que de parte á parte exis-
tiam razões dignas de serem attendidas. Foi por isso que nern mantive-

85
mos a. maior taxa de exportação crendo pela lei .orçamentaria vigente,
equivalente a xS000 por cada unidade exportada ou a so% ad valorem,
nem attendemos aos fazendeiros na pretençâo que tinham de só pagar
o minim° da taxa, que é de 15 % ad valorem. Ordenámos á Re.
cebedoria de Rendas para cobrar 20 % ad valorem, termo medio da
pretenção. Ternos o dever de amparar as industrias de cortumes, como
não negamos este dever relativamente á industria recuaria, que repre-
senta vina das mais solidas riquezas regionaes. Nessas condições, se em
virtude de nossa resolução os curtumes têm de enfrentar maior concor-
rencia na praça para a acquisição de materia prima destinada ás indus-
trias de .sola, por outro lado continuam a gosar da grande vantagem
de só pagar i % ad valorem pela sola que exportam, taxa insigni-
ficante, quê traduz bem a protecção e o amparo que o Estado dispensa
aos curtumes esbelecidos eatre nós. Os fazendeiros, por sua vez, dei-
xando de pagar lSS000 por unidade ou o equivalente, que era de 50%
ad valorem, passam a pagar somente 20%, o que constitue segura ga-
rantia de melhores cotações para o couro salgado ou secco no mercado,
obrigando os industriaes de couro a pagar por melhor preço o couro ou
sujeitar-se, o que não é provavel, tão significativos são os lucros dessa
industria, ás contingencias de uma diminuição de seu trabalho indus-
trial.
Se por um lado a pretenção dos fazendeiros 6 attendivel porque
allegam que em outras partes as cotações dos couros são mais elevadas,
constituindo a pecuaria paraense uma das mais solidas riquezas, mere-
cendo todo amparo, por outro lado não era rogular que o governo,
deante de favores anteriormente feitos como incentivo á industria de
couros, cujo valor economibo lambem énotavel, deixasse sem nenhum
amparo, os curtumes. E' assim que a industrialisação dos couros traz
para o erario publico varias vantagens, entre as qnaes avulta logo o,
imposto de consumo e o de exportação cobrados sobre a fabricação de
calçados. Além dessas vantagens outras existem, taes como os lucros
que deixam, dando trabalho a centenas de operarios e activando outras
fontes de riqueza.
Não ha exaggerado proteccionismo nos curtumes porque, coin a
reducção feita agora pelo governo, da taxa de exportação, ainda o Pará
é um dos Estados que mais cobram pala sabida dos couros seccos e sal-
gados, como chegámos á evidencia, colhendo cm fonte official conhe-
cimento das taxas cobradas por Outros Estados, entre Os quaes Rio
Grande do Sul, Pernambuco, Ceará e Bahia.

O Serviço de Algodão mantido pela União e


Serviço de Algodão e pelo Estado, conforme o accord° firmado
no Pará em 1924, com additamentos em 1926, repre-
senta para o nosso Estado um valioso contin-
gente para o desenvolvimento da industria -algodoeira regional. Confiado á
direcção do Governo Federal, este departamento publicov ae exercendo os
seus intuitos com reaes aproveitamentos. E' assim que não somente as
duas Fazendas de Sementes installadas no Estado, uma na Estrada de Fer-

86
ro de Bragança, kilometro 156, e a outra na parte sul da cidade de Santa.
rem, distribuem sementes de algodão seleccionadas, gratuitamente, aos la-
vradores, como fazem combate intensivo á lagarta rosada e outras pragas,
fiscalisa.m o funecionamento das usinas de beneficiamento, exercem repres-
são contra as fraudes, divulgam os padrões officiaes de classificação e or-
ganisam excellente estatistica industrial e commercial do producto e sub-
productos.
A fazenda c Augusto Montenegro » dispõe de 1.600 hectares de terra
e a de c Uaratinga ». em Santarem, abrange apenas 517 hectares.
Na safra de 1928-1929 a primeira produziu 9.5,j5 kilos de sementes e
3.530 kilos de algodão em pluma.
As culturas de algodão nas safras de 1929-1930 abrangem nesse esta-
belecimento 5 I1.590 mq. A variedade ahi em produccão é o Novo Paulista,
introduzido, em 1927, da fazenda de Sementes de Coroatá, no Maranhão.
Os trabalhos de augrnento da producção de sementes e melhoramento
constante dessa produccao constituem a finalidade principal dessa repartição.
Os lavradores a principio mostraram-se desinteressados por esLi variedade
de typos de algodão, por não consentir o Serviço que os plantios se effe-
ctuassem, erroneamente, segundo a rotina local. Hoie, porém, convencen-
do-se pela pratica da inanidade das razões agrologicas invocadas para per-
sistirem nos seus velhos habitos agricolas, seguem os novos ensinamentos
com evidentes proveitos.
Essa firmeza de proposito da orientação technica do Serviço de Algo-
dão está contribuindo incontestavelmente para o estabelecimento de algo-
doaes mais uniformes e productivos, menos attingidos pelos maleficios da
lagarta rosada e do c curuquerè».
A Fazenda de Sementes Augusto Montenegro está destinada a sup-
prir uma das zonas algodoeiras mais importantes do Estado, precisando de
maiores recursos financeiros para o desdobramento do fim a que foi des-
tinada.
A Fazenda de Sementes c Uaratinga situada no planalto de Santa-
rem, numa zona fertil e vasta, centro de uma grande colcnisação de agri-
cultores cearenses, alli domiciliados, precisa de melhores apparelhamentos
para contribuir com um contingente maior em beneficio de tão rica in-
dustria.
Essas Fazendas são dirigidas pelos competentes agronomos Leopoldo
Penna TeixcH e Jair Sant'Anna, respectivamente.
A produ ;')o algodoeira paraense na safra 1928-29 foi de 3.525.936
kilos em car-7o, tendo havido em relação á de 1927-28 uma differença para
menos de 819.328 kilos. justificada pela crise commercial e industrial que
a respectiva producção nacional vem desde aquelle anno atravessando, com
desanimo das culturas e dos pregos do.producto.
Vinte !n inicipios do Estado contribuiratn para esse volume global, en-
tre todos destacando-se mais o de Igarapé-assú. vindo depois o de Quati--
purú.
O Para xportou de Julho a Dezembro de 1928 e de Janeiro a Junho
de 192) o total de 1.472.805 kilos de algodão em pluma, representando
um valor official de 4.370:768$800, a que corresponderam 264:666$290 de

87
Impostos pagos. Essa exportaçao dirigiu-se aos portos do Rio de
Janeiro,
Santos, Rio Grande do Sul, no paiz, bem como para o Porto e Liverpool,
no extrangeiro.
A ,exportação para o extrangeiro regulou quasi 48 % da
qúantidade
global que sahiu, segundo as informações prestadas pelo chefe do
Serviço
nesta capital.
No territorio paraense acham-se situadas dezeseis usinas destinadas
ao beneficiamento de algodão, dispondo de machinarias necessarias para
este fim. Destas, quatorze estâo situadas na zona da ferrovia
bragantina e
duas apenas no Baixo-Amazonas.
Damos abaixo um interessante mappa da safra de algodão 1928-29
por
municípios:
ESTADO DO PARA

111 zona algodoeira


Igarapé-assd 1.771.535
Quatipurtí
Bragança.314.250
Belem
600.069

328.183
S. Miguel do Guamd 144.304
Vizeu. 66.087
Ourem 33.012
Maracand 21.225
Salinas. 1.993
Marapanim 100
Vigia 4.065
Marabd
1.320 3.286.143 ks.
21a zona algodoeira
Santarem 133.823
Monte Alegre. 103.480
Portel
350
Mojd
90
Irituia. 85
Gurupd .
200
Altam ira.
1.200
Mocajuba 765 239.793 ks.
3.5-25.936
Safra anterior-1927-1928
4.345,264
Diferença para menos
819.328 )
Pelos dados que vimos de expor, chegamos 6
evidencia de que o
Pará, apezar de nossos esforços e da propaganda feita,
ainda não attin-
giu nem á media de suas possibilidades productoras,
o que é deveras la-
mentavel, porque, quando chegarmos a galgar um logar honroso
no quadro
estatistico algodoeiro, bem poderemos confiar em
melhores .dias para a
nossa vida economica.
Haja vista o que acontece no meio norte, onde existe intensiva cultura
algodoeira, dando ao erario publico, sommas verdadeiramente animadoras e
enriquecendo os agricultores e industriaes de um modo miraculoso. Que
a nossa população rural assim comprehenda e venha ao encontro dos nos.
sos anceios, tanto mais significativos quanto é certo que a União e o nosso
Estado vêm proporcionando a verdadeira orientação technica 6 tão valiosa
cultura.

São muito amistosas as nossas relações com


Corpo consular o illustrado corpo consular acreditado neste
Estado, não perdendo o governo nenhum en-
sejo para demonstrar o alto apreço em que o Brasil tem os representantes
consulares das nações amigas.
Mais de uma vez temos ido pessoalmente levar-lhes os nossos cumpri-
mentos nas datas festivas, dando o maior destaque a todo o corpo consular,
sempre que se nos offerece ensejo, para approximar cada vez mais o nosso
paiz das nacionalidades que nos honram com a sua representação diploma-
tica e consular.
Por sua vez o corpo consular tem dado as mais inequivocas provas de
consideração ao governo, dispensando, assim, á sua valiosa cooperação na
grande obra de confraternisação, atravez de uma incessante permuta de
bons serviços e de interesses commerciaes de toda a sorte importantes para
o Brasil e para as nações amigas.
Durante o nosso governo e de accordo com as recommendações do
Ministerio do Exterior, foram acreditados neste Estado as seguintes au-
ctoridades consulares : Affonso Just° Chermont, consul do Chi; Manoel
Elizio Gonzaga de-Araujo, vice-consul de Portugal em Altamira e o Sr. Gus-
tave Alfonse Nfarie Louis, conde de Laigue, consul da França.
De Junho a Dezembro de 1928 foram acreditados os seguintes consu-
les : dr. Henrique Cardita, de Portugal, Cay. Gino Pasqualucci. d? Italia, Sr.
Luiz Medina Barron, do Mexico com jurisdicção em todo o paiz, Cay. Ma-
rio Vattani, do Reino da Italia, e Sr. Antonio Mindan, consul provisorio da
França.
E' a primeira vez que o serviço da fiscali-
Fiscalisaçâo bancaria sação bancaria tem urna referencia no rela-
to das occorrencias administrativas do Es-
tado, lacuna .que precisamos preencher, tão importante se nos apre-
senta a natureza de suas funcções. O ecoiltrole» bancario na actualidade
existe em todas as nações, e, entre tantos paizes, é o Brasil o que pos-
sue uma fiscalisação bancaria mais benevola, o que, aliás, se justifica
pelos moldes amplos assegurados as actividades de toda especie pela
Constituição Federal.
Não se Ode com prehender um paiz corno o nosso sem a fiscali-
sação dos Bancos. A nossa, embora isentando o Banco do Brasil de sua
acção fiscalisadora, creou um regimen egual para todos os demais, na-
cionaes ou extrangeiros. Entre outros serviços de valor gm?, estão a
cargo da fiscalisação bancaria, muitos dos quaes são hoje considerados
indispensaveis, devemos enaltecer a sua valiosa estatistica bancaria.
89
que, diga.se de passagem, ainda tem defeitos. Ninguem ignora quanto
é necessario conhecer o movimento bancario. As transacções dos Ban-
cos representam um indice seguro das condições de uma praça e por
ellas bem se pode aquilatar do estado do meio commercial. Annos atraz.
a. fiscalisação bancaria realisava uma estatistica minuciosa pela qual
tinhamos conhecimento detalhado das emissões, suas origens, qualidade
e quantidade dos productos exportados, média cambial e destino dos
productos exportados. A exiguidade das verbas nestes ultimos annos
desarticulou esse serviço. Ainda assim a fiscalisação bancaria exerce
sua acçâo com proveito. No logar competente damos interessante
anneio das compras e vendas de cambiaes realisadas nesta praça
durante sete annose bem assim no espaço do primeiro semestre
deste anuo.
A Inspectoria Geral de Bancos, coin .séde na Capital Federal, está
sob a direcção do sr. Ramalho Perdigão, urna das maiores auctoridades
financeiras do Rio, e emerito organisador da fiscalisaçáo bancaria,
quem esta instituição deve reaes serviços.
No Pará dirige a fiscalisação dos Bancos o deputado estadual dr.
Luiz Barreiros.
A escolha que fizemos do senador Anto.-
Intendencia Municipal nio Facióla para dirigir a Municipalidade
de Belem de Belem tem-nos proporcionado motivos
de satisfacção por vermos, cada dia que se
passa, confirmados os conceitos que faziamos deste distinct° collabo-
rad.or do governo.
A sua acção fecunda e intelligente na direcção dos serviços mu-
nicipaes comprova á saciedade que o Município da capital tem á sua
frente um homem activo, honesto e, sobretudo, profundo conhecedor
dos segredos administrativos, na sua mais vasta expressão. Os seus
poucos mezes de actividade revelam a todos os instantes que o senador
Antonio Facióla desdobrará um vasto programma de trabalho, em bene-
ficio da nossa cidade. Quem a percorre neste momento vê em cada
canto turmas de trabalhadores embellezando, hygienisando e recons-
truindo as vias publicas e passeios. Uma actividade ininterrupta
nota-
se desde os primeiros dias de sua administração e tudo isto realiza
s. exc. sem ruidos, serenamente, emprestando um aspecto
encantador a todos os recantos de Belem.
novo e
Em meio ás aperturas da quadra que atravessamos s. exc. realiza
ainda severas economias, expurgando a administração das despesas
supertluas e attendenclo aos principaes interesses do
Municipio.
Do seu prim..liro relatorio, dirigido ao Conselho Municipal de Be-
lem em Maio deste anno e após tres mezes de administração,
consta o
seguinte trecho relativo As finanças da Municipalidade
Ao assumir o cargo, foi-me entregue pelo meu. digno antecessor,
como
valores existentes, a importancia de Rs. 364:034981, distribuída do se-
guinte modo:
Dinheiro em especie
11.656$675
Em vales
54:113$784 54:770$4.5f)

90
No Banco do Parti 1488900
No Banco do'Brasil ... 13:9238960 14:0728860
Na Recebedoria do Estado
284:1918662

364:0348981

Com a resoluçao altamente sabia e equitativa que, tomastes na -vossa


reuniao extraordinaria de 5 de Março, em virtude da qual fui auctorisado a
recolher, sem multa, dentro de certo praso, as decimas atrazadas, Os rece-
bimentos melhoraram sensivelmente, pois grande numero de contribuintes,
alguns cum atrazos de decennios, aproveitaram-se da liberalidade da lei
para saldar os seus debitos.
A arrecadaçilo, por effeito de diversas verbas de receita, produziu, até
:.;0 de Abril, a importancia de 2.770:1818679, montando a despesa efe-
ctuada, ate a mesma data, a 1.589:8558579, evidenciando-se,
portanto,
o saldo de 1.1SO:3298101), que existe da seguinte f(Irma
Em caixa
S3.5898329
Em C/c do Banco do Brasil
515:0008000
Em c,.'c do Banco do Para
170:0008006
Na Recebedoria do Estado
233:7298771
No Thesouro do Estado
178:0008000

1.180:3298100

Convem notar que na citada verba de despesa se acham incluidos os


pagamentos das folhas de Dezembro e Janeiro, que se elevaram a mais de
quatrocentos contos.
Nao é minha inten0o cançar-vos com a exhibiOo de cifras que, alias,
encontrareis de modo exhaustivo no relatorio da 2. Directoria, a este an-
nexo; quiz apenas dar-vos em synthese uma idea do estado das nossas fi-
nanças no momento actual.

Ao assumirmos a direcção do Estado todos


Intendentes municipaes os intendentes municipaes solicitarnm suas
exonerações, sob o fundamento de se tra-
tar de um posto de confiança immediata do governo.
Anteriormente logares electivos, essas funcções municipaes, pela
penultima reforma da Constituição do Estado, passaram a ser de no-
meação do governador. Registamos esse gesto dos chefes municipaes
como um indice clevado de sua educação republicana. Essa attitude
incontestavelmente nos deixou em situação de podermos escolher os
novos intendentes. embora com maiores responsabilidades pela inter-
venção directa que agora tem o governador na escolha dos chefes com-
munaes.
Como era natural que acontecesse nos primeircs dias de adiiiinis-
tração, fornos obrigados o pedir aos intendentes que se mantivessem
nos seus postos at6 que podessemos deliberar sobre as substituições,
consultando coni vagar os interesses locaes, ao que todos correspon-
deram, num nobre gesto de solidariedade, que muito nos penhorou.
Taes excusas nos apresentaram certos intendentes, que forçados fomos
a lhes satisfazer os desejos, nomeando logo seus substitutos. Outros,
em condições menos prementes, aguardam que o governo estude melhor
os reclamos locaes e as condições de cada zona para Õ acerto das novas

91
nomeações,e ainda alguns, numa attitude, de solidariedade com o gover-
no, cederam ás nossas solicitações para continuar nos, respectivos pos-
tos de confiança. Anima-nos em relação As nomeações de intenden-
tes unicamente o nosso grande anceio de irmos ao encontro das aspira-
ções communaes, provendo os cargos sempre com personalidade de
reconhecida probidade,moralidade e capacidade de trabalho, de modo
a constituir cada um segura garantia de exito da administração mu-
nicipal, tão importante se nos depara a influencia da vida municipal,
bem organisada, no reajustamento da vida economica de todo o Estado.
A todos os nomeados e aos que nos procuram, avidos de uma
politica e administrativa, temos recommendado invariavelmen-
orientação

te uma politica de tolerancia, dentro da qual todas as actividades,


politicas ou não, encontrem garantias para o trabalho honesto e para
o direito de quem quer que seja, franca publicidade dos actos publicos
e rigorosa applicação dos dinheiros municipaes em obras de vulto, que
demonstrem aos municipes as bôas e honestas intenções dos governos
communaes.
LISTA DOS INTENDENTES MIINICIPAES

Abaeté, Garibaldi Parente


Acará, Epaminondas da Silva Cunha
Afuá, Euclydes Cumarú
Alemquer, Bacharel Arrfaldo Pereira de Moraes
Almeirim, Alberto Pessoa de Lima
Altamira, Bacharel José Porphirio de M. Netto
Anajás, Vicente Ferreira Brabo
Aveiro, Francisco Corrêa Franco
BELEM, Senador Antonio Facióla
Baião, Jacyntho Lemos de Sousa
Bragança, Bacharel José Severiano Lopes de Queiroz
Breves, Sebastião Amado da Silva
Bagre, Antonio Veiga Ferreira da Silva
Cachoeira, Dr. Ilomero Taveira Lobato
Carnetá, Cantidiano Machado de Mendonça
Chaves, Edmundo Chermont
Conceição do Araguaya, Benedicto Rocha
Curralinho, Dr. José Theodorico de Macedo
Curuçá, Cantidiano Alves Guimarães
Faro, José Edelmiro Paes de Andrade
Gurupá, Cesar Carvalho de Moura Serra
Igarapé-assú, Francisco de Assis Rios
Igarapé-miry, João Pinto Longuinhos Braga
Irituia, Julio Ribeiro Tavares
ltaituba, Adrião Pereira Caldas
furuty, Joaquim Gomes do Amaral
Macapá, Octaviano Accioly Santiago Ramos
Marabá, João Anastacio- de Queiroz

92
Maracana, Antonio Rodrigues Pinheiro
Marapanim, Alipio Malcher Palheta
Mango, Alfredo Pinto
Melgaço, Adelino Cruz de Macedo
Mocajuba, Raymundo Henrique Barroso Vergolino
José Marques da Silva
Monte-Alegre, Dr. Carlos Arnobio Franco
Montenegro, Julio Benicio Pontes
Muaná, Dr. Canuto da Costa Azevedo
Obidos, Senador Augusto Correa Pinto
Ourem, Orlando Guilhon de Oliveira
Ponta de Pedras, Henrique Lobato
Portei, Francisco Severiano de Moura
Porto de Moz, João Pereira da Silva Carmo
Prainha, Alcides Santos
Quatipurii, Leandro Antonio Pinheiro
Salinas, Bacharel Alberto Ribeiro Pinheiro
Santprem, Joaquim Vasconcellos Braga
S. Caetano d'Odivellas, Honorio Francisco da Rocha
S. Domingos da Bôa-ViSta, Bacharel Heraclito Pinheiro
S. Miguel do Guamá, Licurgo de Freitas Peixoto
Soure, Victor Engelhard
Vigia, dr. Manoel Manços Villaça
Vizeu, Januario Antunes de Sousa

A nossa pendencia de limites com o Estado


Limites Pará-Amazonas do Amazonas ainda não foi decidida pelo
Supremo Tribunal Federal. Nada obstante,
continuam amistosas as nossas relações com o governo do vizinho Estado.
No dia 5 do mez de Abril do corrente anno fomos surprehendidos
com o seguinte telegramma do dr. Ephigenio de Salles, governador do
Amazonas, em o qual s. exc. nos communicava factos de certa gravidade
attribuidos a auctoridades paraenses em relação a uma parte das terras
em litigio :
MAN/WS, 5 Governador Eurico Valle Belem Cumpro o
dever de levar ao conhecimento de v. exc., afim de que tome as
providencias que julgar necessarias e opportunas, as noticias trans-
mittidas ao meu Governo pelo Prefeito e Delegado de Policia de
Parintins, de estar a ilha Affonso de Carvalho, antiga Cotias, amea-
çada de ataque e occupação por parte de elementos idos de Faro,
sob a chefia de um irmão do intendente daquella cidade. Bem sabe
v. exc. que sempre o Amazonas teve a posse da referida Ma, man-
tendo os nossos dois Estados a maior harmonia.na alludida zona,
aguardando ambos confiantes o veredictum do Supremo Tribunal
sobre as verdadeiras, claras linhas dos respectivos limites. Espero,
portanto, de v. exc. que saberá agir com seu clarividente patriotis-
mo no sentido de evitar desavenças que só poderão acarretar no-
vas e sérias preoccupaçóes aos nossos governos, já a braços com
tantas outras quasi insuperaveis dificuldades. Cordiaes e affectuo-
sas saudagdes. EpIdgenio de Saltes, Presidente do Estado.

93
Immediatamente tomamos todas as providencias no sentido de dirimir
quaesquer motivos de perturbações da ordem, embora convicto de que as
auctoridades paraenses e a nossa populaçao jamais quebrariam as relações
de bOa amizade entao existentes. Em seguida trasmittimos ao Governador.
do Amazonas os seguintes cabogrammas :
PARA', .7 Presidente Ephigenio de Saltes Maralos Res-
pondendo o telegramma de v. exc. informando estar a ilha das Co-
tias ameaçada de ataque e occttpação por elementos idos de Faro,
apresso-me em communicar a v. exc. que me dirigi és auctoridades
locaes, solicitando providencias necessarias afim de evitar quaesquer
motivos de perturbação das excellentes relações entre os nossos Es-
tados. Lamento deveras que, devido ti impossibilidade de telegra-
phar, demorem as providencias ordenadas a chegar ao: seu destino.
Tenho o maior interesse em manter absoluta harmonia na referida
zona, até o pronunciamento final do Poder Judiciario, ao qual os Es-
tados do Amazonas e Pará confiaram decidir o litigio cm qtie ambas
se empenham sobre a alludida zona. Nossas difficuldades communs
já são de facto insuperaveis, sendo nosso clever fazer tudo por di-
minuil-as. Affectuosos abraços. Eurieo Vai/e.
PARA', 8 - Presidente Ephigenio de Salles Mangos Coin-
munico a v. exc. que o intendente de Faro telegraphou pedindo pro-
videncias contra actos de hostilidade por parte das auctoric1.1.1e3
amazonenses,. pppulação de Faro. Confir.nan:L) os intuitos eleva-
dos dos nossos Governos de manter amistosas relações, deliberei
fazer embarcar amanha com destino tiquelle municiaio o desembar-
gador Avertano Rocha, Procurador Geral do estado, afim de syndi-
car das occorrencias e providenciar para que no haja nenhuma so-
lução de continuidade entre os dois Estados. aguardando serena-
mente a decisão da questão de limites. Cordiaes saudações. Eu-
rico Valle.
PARA', 9 Przsidente Ephigenio de Salles Mandos Em
face dos telegrammas de v. exc. relatando a imminencia dos factos
em Faro, deliberei, além de telegraphar ás auctoridacies de Faro,
via Obidos, exigindo se abstivessem de :quaesquer attitudes hostis,
enviar para a mesma região uma attctoridade puramente civil. qual
o Procurador Geral do Estado, desembargador Avertano Ro-
cha, sem nenhum sequito militar, afim de evitar o doloroso aspecto
da força armada. Acabo, porém, de ler telegrammas nos jornaes,
aqui, noticiando ter o governo amazonense remettido regular tropa
para a região contestada. Rogo a v. exc. o obsequio de informar
a respeito da veracidade de tal noticia, para meu governo. Cordiaes
saudações. Eurico Valle.
. No dia 10 recebemos do dr. Ephigenio de Salles os seguintes des-
pachos telegraphicos:
mAN.k0S, 9 Governador Eurico Valle Belem Accuso re-
cebidos os despachos de v. exc., de hontem e de hoje datados, a
proposito das acertadas medidas tomadas por v. exc., diante da mi-
nha communicação telegraphica, referente it ameaça de ataque e oc-
cupaçâo a ilha Affonso de Carvalho, por elementos chedos pelo
irmão do intendente de Faro, conforme informação das aiRoridades
amazonenses naquella região. Muito agradeço a amistosa attitude
assumida por v. exc., enviando sem clêniOra com destino a Faro o
Procurador Geral, desembargador Avertano Rocha, leva ndo a in-
cumbencia de tomar todas as providencias no sentido de evitar

94
qualquer perturbaçao da ordem na zona limitrophe e assim consoli
dar, cada vez mais, a absoluta harmonia que os nossos Estados vêm
mantendo desde que assumi o governo do Amazonas. Communico
egualmente a v. exc. que apenas tive conhecimento da partida do
desembargador Avertano, commissionei ao doutor Raymundo Vidal
Pessõa, juiz de direito desta capital, para ir encontrar aquella alta
auctoridade paraense e combinar em acçõo conjuncta as medidas as-
secttratorias de completa paz na mencionada regido. Quanto ao en-
vio da força de policia amazonense, dfirmo a v. exc. de facto ter
seguido um destacamento, nõo para a ilha Affonso de Carvalho,
mas para o muhicipio de Parintins, afim de garantir a diligencia que
o governo mandou effectuar para apprehensilo de grande quantidade
de mudas de seringueiras desviadas do Campo Experimental deste
Estado e actualmente em viveiros feitos em terras devolutas,
em
pleno territorio do Amazonas, muiio aquem da serra de Parintins,
viveiros estes confiados á guarda de Manfredo Prestes, cunhado
do coronel Raymund° Monteiro da Costa, ex-director do alludido
Campo e actual director da Empreza Ford. Ptide v. exc. ficar certo
de que, em coherencia com o meu passado, tu'io concorrerei jamais,
justamente no fim do meu governo, para crear a mim proprio situa-
çao que nil° se compadeceria com os dictames do bom senso e do
patriotismo, tanto mais quanto venho encontrando de parte de
v. exc. a mais segura garantia da soluçõo amistosa e cordial do
assumpto de que nos occupamos. Peço transmittir ao desembarga-
dor Avertano suas instrucções no sentido do entendimento pessoal
com o enviado do meu governo. Affectuoso abraço.EpNgenio
de Sal/es.
MANAOS, Governador Eurico Valle -- Belem Em addi-
tamento ao mau cabogramma de hoje, commttnico a v. exc., que o
doutor Vidal Pessõa, juiz de direito da capital, seguirá a bordo do
vapor Victoria, com destino a Obidos, onde pretende encontrar-se
com o desembargador Avertano Rocha, Procurador Geral desce
Estado. Saudações cordiaes. Ephigenio de SaMes
MANAOS, 10 Governador Eurico Valle Belem Para que
o 'nett presado e velho amigo tome as precauções que lhe parecerem
convenientes, informo que. com surpreza minha, jornal daqui publi-
ca hoje, quasi na integra, os despachos, por sua natureza reserva-
dos. que temos trocado sobre o caso da ilha Affonso de Carvalho.
Cordial abraço. Ephi,s.eerzio de Salles.

A esses despachos demos as seguintes respostas :


PARA', I() Presidente Ephigenio de Sallet-z Manaus Com-
munico ao meu caro amigo que mantive em referencia ao assumpto
da ilha das Cotias absoluta reserva, mas devido ao vulto do alarme
publico que tomou aqui. á vista de tendencioso telegramma dahi,
publicado no orgào da opposiçõo aqui, sobre a remessa de força
para Parintins, explorada por elementos exaltados, fui obrigado a
fornecer aos jornaes os termos de cordialidade e harmonia com que
temos sempre tratado o caso, felizmente já resolvido. Mandei hoje
publicar na integra setts optimos e cordiaes cabogrammas. Abra-
ços. Enrico Kalle.
PARA', 10 Presidente Ephigenio de Salles Manilos Ac-
caso recebidos os telegrammas de v. exc., agradecendo a attitude
amistosa como somente poderia ser a de meu governo a proposito
das providencias que tomei, de fazer seguir para Fáro o Procurador
Geral do Estado com a incumbencia de agir no sentido de evitar

95
qualquer perturbaclio na zona limitrophe. Agradeço a communicaçAo
de v. exc. de haver deliberado fazer seguir para a zona limitrophe
o doutor Raymundo Vidal Peas8a, juiz de direito dessa capital, com
a incumbencia de encoptrar-se em Midas com aquella auctoridade
paraense afim de conjunctamente combinarem as medidas assecura-
torias da absoluta paz e harmonia na regillo litigiosa. Fico sciente
de quanta me conununica v. exc. a proposito da remessa do desta-
camento para o municipio de Pa rintins. Como scientifiquei lego a
v. exc. nunca dei credito á remessa de força para a regido litigiosa.
Alegro-me de .reconhecer terminado o incidente tilo satisfactoria-
mente para os nossos anhelos de sempre crescente harmonia dos
dois Estados, de accordo com os louvaveis sentimentos de patrio-
tismo e cordura de v. exc. Apraz-me agradecer o grande interesse
e maxima solicitude que tenho observado da parte de v. exc. para
as negociaçOes amistosas em torno do incidente. Affectuoso abraço.
Eurico Valle.
A ida desses dois magistrados ao local das
terras contestadas, onde
se dizia que havia aprestos. para uma lucta sangrenta
vasões e quebra do statu quo mantido durante tanto motivada por in-
tempo, deu excellente
resultado, chegando os dois governos interessados na pendencia
são da inverdade dos boatos alarmantes que tiveram á conclu-
que, graças A criteriosa serenidade dos governos do Pará e do Amazo-e
ampla divulgação
nas, não tiveram dolorosas consequencias. Nem sequer, pois,
menor quebra da harmonia que nos vem unindo sempre. houve a
Isso se verifica dos extensos relatorios apresentadqs pelo
desembar-
gador procurador geral do Estado do Pará e pelo juiz de Direito da Ca-
pital do Amazonas, emissarios dos governos interessados no caso em
questão. Eli-os na integra :
MINISTERIO PUBLICO. Gabinete do desembargador
Geral do Estado, Belem, 24 de abril de 1929. Exm. sr. dr. Procurador
Estado. Governador do
Consoante o honroso officio de v. exc., datado de 9 do
corrente, au-
ctorizando-me a agir, em nome do Governo paraense, no sentido de não ser
alterado o statu quo, na pendencia inter-estadual que o Estado do
Amazonas
mantem, por questão de limites, com o Estado do Pará, cumpre-me o dever
de communicar a v. exc. que, no dia seguinte ao do alludido officio
tornei passagem no vapor alvfoacyr», da firma Ferreira de Oliveira & (to),
nho, desta praça commercial, com destino á cidade de Fáro, onde Sobri-
se presu-
mia estivessem desenrolando graves acontecimentos, que tinham
ctivo o assalto á ilha das Cotias, por obje-
actualmente denominada (cAfibiso de Car.
valho», com o fim de perturbar a acção fiscal das auctoridades
amazonenses.
Para alli me encaminhei, entretanto, ja sciente das sabias providencias
telegraphicas que v. exc. havia tomado, para conservar a ordem
tigiosa e na cidade de Faro, cumprindo-me, em consequencia, ir na zona li-
ao encontro
do ernissario do governo amazonense, dr. Raymundo Vidal Pessda, juiz
direito na cidade de Manic's, a fim de combinar, em acção conjuncta de
corn
aquella auctoridade, os meios assecuratorios da bda harmonia
que deve exis-
tir entre os Estados litigantes, «Ate a solução do litigio em
que estão os
mesmos empenhados».
Com effeito, a i6 do corrente, depois duma viagem decorrida
sem in-
edente digno de nota, aportei á cidade de Obidos, cerca das 8 horas
da noite,
tendo prévio conhecimento telegraphic° em Alemquer de que na primeira
daquelas cidades me aguardava o emissario do governo
amazonense, dr. Vi-
dal Pessba.

96
Dirigi-me immediatamente á sua eventual residencia, com o intuito
de parlamentar sobre o assumpto de que estavamos incumbidos, ficando com-
binado, em conferencia, que seguiriamos ambos pelo vapor abloacyr«, ainda
no porto de Obidos, ate a cidade de Faro, theatro e sede dos acontecimentos
que estavam em fi5co e constituiam objecto de nossas investigações, para alli,
de visu, syndicarmos, com serenidade e imparcialidade, dos factos occorridos,
cabendo-me o mister de, conforme os termos do officio de v. exc. «instruir
as auctoridades paraenses dos intuitos conciliatorios do Governo do Para, no
tocante á questão de limites com o Estado do Amazonas,.
Entrementes, faziamos uma ligeira estação em frente á ilha das Cotias,
onde seria igualmente ouvida, naquelle departamento fiscal, ora occupado
pelo Estado do Amazonas, a palavra do governo amazonense, pelo orgio de
seu digno emissario, no sentido de, svndicando do occorrido, ser ainda
mantida a aspiração de concordia que e a condição de exito para o progresso
e desenvolvimento da Amazonia actual.
Alli chegados, em as primeiras horas da noite de 17 do corrente, e
poucos minutos der:is á cidade de Faro, ouvimos, em conjunct°, varias pes-
soas de destaque na localidade, verificando-se que, de facto, nos primeiros
dias do mez corrente, um gruno numeroso de homens, duzentos e cincoenta
mais ou menos, havia penetrado a cidade de Fáro em attitude hostil a indi-
viduos que se diziam concessionarios de castanhaes obtidos do governo ama-
zonense, terrenos já occupados por velhos posseiros e proprietarios an-
tiquissimos».
De ameaças aos alludidos concessionarios, «Fora que effectiva não tor-
nem a occupação que pretendem», não passou a hostilidade do grupo a que
me refiro, o qual por fim dissolveu, na ordem precisa, sem que houvesse dahi
decorrido qualquer damno aos habitantes da cidade e circurnvizinhanças. Este
entretanto, ao ponto culminante da questão«.
Na zona litigiosa que o Estado do Amazonas contende com o do Para
estão collocados velhos posseiros e antiquissimos proprietarios de terras, cujos
direitos sempre foram respeitados pelo Governo do Pará.
A questão de limites, porém, tem servido de pretexto para uma ten-
tativa de usurpação que felizmente não se tem realizado, ou por interferencia
opportuna do Governo paraense, junto ao governo amazonense, ou pela reac-
ção immediata dos prejudicados que não estão dispostos a se deixar usurpar.
De qualquer maneira, a questão de limites é relegada no caso a um
plano secundario; o tumulto que, de subito, tomou proporções na zona liti-
giosa, teria iguacs consequen:ias em qualquer das cidades do Para ou do
Amazonas situadas na zona castanheira, maximé na época da safra, onde
estão accesas as ambições do ganho. Alias, alguns dos referidos proprietarios,
v. g. o de nome Joaquim Paes de Andrade, irmão do actual intendente de
Faro, já fizeram o seu protesto judicia/ perante o juiz federal da secção deste
Estado.
O protesto do cidadão Paes de Andrade *data de 6 de outubro de
1925»; e, nada obstante, em 'fevereiro de 1926» surgiu um incidente, cal-
cado na mesma tonalidade do actual, que obrigou o então governador dr.
Dionysio Sentes a explicar ao presidente, dr. Ephigenio de Salles, nos ter-
mos que seguem : «Dr. Ephigenio de Salles. Presidente. Manaos. Regresso
m'nha vlsita interior Estado, recebi telegramma vossencia sobre caso Paes
Andrade. Devo informar vossencia tratar-se velhas propriedades meus paren-
tes e amigos com titulos definitivos Kmoio que questão limites não pôde
affectar seu direito em face leis civis Republica*. Conhecida essa circum-
stanch tenho plena certeza espirito justo vossencia modificará impressão sobre
occorrencias se teriam dado territorio contestado. Saudações muito cordiaes.
Dionysio Denies».
Diante da explicação cabal então dada pelo governador paraerese ficou
o incidente solucionado até que, «de novo surge*, com mais intensidade e
provocando graves consequencias, se não fossem tomadas as medidas que o

97
patriotismo dos dois Estados, litigantes tão bem soube inspirar, atravez das
decisãesdos.seus digneakdirigentes:
O que é facto, e «disso teve exacto conhecimento o emissario do Ama.
zonas», 6 que os proprietarios residentes e domiciliados na zona chamada
litigiosa, «querem os seus direitos garantidos» e, nesta conformidade,
«ja
reclamaram. ao proprio governo amazonense», não tendo.chegado a sua recta.
maço ao seu legitimo destino.
Acredito mesmo que pouco lhes importa, «quanto aos seus interesses
privados» o resultado do pleito; entendem elles e a meu vir «entendem juri-
dicaruen:e», que os seus direitos estão garantidos pela propria Constituição
republicana; são direitos de proprietarios, amplo na mais vasta latitude do
vocabula.
Não creio nem posso crér que as autoridades administrativas
do Ama-
zonas façam concessão de terras na zona litigiosa »sabendo de antemão
que
as mesmas pertencem a outros»; as informações prestadas pelos interessados,
e que em regra, silo falsas, são incompletas,
não contem a verdade integral.
Dali é que se originam essas explicações de ntulos que são
outras
tantas fontes de conflictos onde quer que sejam os mesmos expedidos,
Para, no Amazonas ou em qualquer Estado da Republica, sabido no
como e que
a propriedade e um desdobramento da propria personalidade.
As mesmas auctoridades do Amazonas comprehendem muito
bem o
que venho de expõr e e assim que, a 5 do corrtme o prefeito de Parintins,
communicando as occorrencias que se estavam passando ao presidente
genio, assim se expressava : «Parintins, 5. Exmo. Ephi-
sr. presidente do Estado.
Tenente Hollanda delegado avisa ameaçada ataque tomada
ilha «Affonso
Carvalho» gcausa concessão astanhaes». Pede telegraphe
tando providencias urgentes. Penso evitando concessões ate
vossencia solici-
terminação pleito
Amazonas-Pará tudo ficará normalizado». Ao sr. prefeito de Parintins
assim
respondeu o sr. presidente Ephigenio
de &Iles : «Manios 6. Estadoal. Pre-
feito Francisco Araujo. Parintins. Respondendo
seu despacho transmittindo
aviso tenente Hollanda relativo ameaça ataque ilha «Affonso» elementos
fiados irmãos intendente Faro che-
communico telegraphci Governador Pará soli-
citando providencias assecuratorias, nossos direitos.
Governo não fez nem fati ahi concessões castanhaes quem «Pode affirmar meu
quer que seja.
Saudações. Eplligenio de Salles, presidente do Estado».
Como se vé,.pois, o ponto de vista E o mesmoa não
castanhaes na zona litigiosa ou melhor, a não concessão de concessão de
terras na zona
referida, «mesmo sob o pretexto de terras devolutas»,
até que, solucionada
definitivamente a questão de limites, possam os cidadãos,
regular a sua porventura nova situação pelos meios juridicos ali habitantes,
a seu alcance.
«Neste proposito, alias, encontrei o etnissario
do Governo do Amazonas,
ficando assegurado, de minha parte, o proposito firme em
(WC se mantem
o Governo do Pará de conservar o «rnodus vivendi» resultante da situação
em que se encontram os dois Estados em litigio».
NeSLIS duas bases assentimos
o nosso pacto verbal e sern fórma ju-
ridica, posto que consciente e cheio de zelo pelos interesses dos Estados
que
representava mos, depois do que regressamos pelo mesmo vapor «Moacyr»
ate Obidos,,onde se nos foi proporcionada opportunidade de
transporte para
os respectivos lares.
Volvendo pelo vapor »Aymore, da Amazon River, aqui cheguei
6 horas da tarde de 20 do corrente depois de bõa pelas
travessia e generosa hospi-
talidade conforme se havia dado anteriormente no cMoacyr»),
me feliz por me parecer sentindo-
convenientemente interpretado o sentir de v. exc..
na justa aspiração de manter integras
as relações de cordialidade que de ha
muito vem sendo mantidas com os nossos irmãos do Amazonas.
Concluindo, porem, tenho ainda a accrescentar que o destacamento
:..nviado pelo governo do Amazonas para
o municipio de Pariutins não
levou o proposito de hostilizar as
auctoridades paraenses, por isso que os

98
motivos que os levaram aquella cidade foram os mesmos já explicados pelo
presidente Ephigettio de SaIles por telegramma
corroborado pelas peças pu-
blicadas pelo «Diario Official», do -Amazonas, em sua edição de ii do cor-
rente, a qual peço permissão para com o exemplar junto
do «Estado do
Amazonas», fazer parte integrante deste relatorio.
Outrosimnão ne pareceu justificado o assalto A ilha das Cotias. seria
antes fundado o «receio de assalto», dadas as circumstancias mithiplas que
acabo de referir; entretanto, e sem embarga- de qualquer medida 'preventiva
que entenda v. exc. tomar, nutro a convicção de que isso não se- tiara, visi-
veis como ficaram os propositos dos dois governos dos Estados referidos, de
batalhar pelo mesmo ideal republicano, defendendo cada qual os seus direi-
os dentro das normas juridicas sob cuja egide foi collocada a questão de limi-
tes. Agradecendo, em summa, a honrosa incumbencia coin que fui distingui-
do, rogo a v. exc. que faça supprir con] as luzes necessarias as falhas que en-
contrar na exposição dos factos contidos neste despreocupado trabalho, certo
que v. exc. me encontrará sempre prompt() a acatar as razões do Estado
que determinarem as deliberações que tomar em pról dos destinos do Para.
Aproveito o ensejo para reiterar a v. exc. os meus protestos de
mais alta estima e consideração. Sande e fraternidade.
Ao exm. Sr. dr. Enrico de Freitas Valle, d. d. Governador do Estado,
(a) Raymund° A verlano Barrel° da Rocha, procurador geral.
Excellentissimo senhor doutor Ephigenio Ferreira de Salles, M. D.
Presidente do Estado.
ICommissionado por v. exc. pa a ir ao Municipio de Faro, no visi-
nho Estado do Para, entender-me, pessoalmente, cons o van. sr. deseinbar-
gador Procurador Geral daquelle Estado, em missão especial do seu Governo,
afim de verificar da veracidade de unt pretendido movimento
contra a Ilha
Affonso de Carvalho, do territorio amazonense,cumpre-rne, ao dar por
finda a. honrosa investidura que me foi deferida, fixar os verdadeiros limites
do incidente, esclarecendo sua origem e extensão.
E' de pôr-se em relevo, desde logo. que, em torno do caso fronteiriço,
se estabeleceu, sem razão de ser, uma atmosphera de apprehensões, de
prompto, porém, dissipada pela acção eficaz e patriotica do Governo de v.
exc. e do Estado do Para, os quaes bens perceberam sua verdadeira signiti-
cação e numa perfeita communhão de elevados principios, animados da mais
sincera bcia-fé, souberam conservar indeleveis as tradições de fraternidade
que ligam os dois grandes Estados.
II-0 incidente prende-se, exclusivamente, a uns requerimentos de
terras situadas no igarapé do «Mowry», afluente da margem esquerda do
rio Nhamundá, feitos por Isaac, David e Raphael Assayag, commerciantes
no rnunicipio de Parintins, e por estes pretendidas.
Nas terras em questão existem castanhaes de ha muito occurados e
explorados por elevado numero de habitantes da regido. muitos dos quaes,
por signal, freguezes dos requerentes.
Consoante informações colhidas, tars requerimentos haviam sido lei-
tos na ignorancia dos occupantes; todavia, um delles, interessado nos casta-
nhaes, Xisto Pereira Pinheiro, encontrando-se, casualmente, na Collectoria
da Ilha Affonso de Csrvalhoonde alias nenhum edital ou aviso fóra affi-
xado, léra uma publicação feita no «Diario Official», do Estado, a propo-
sito da pretenção dos requerentes. Immediatamente formulou seu protesto,
sobre o qual, antes de o fazer, se entendeu com o tenente delegado de poli-
cia da Ilha e de quem obteve elucidaçaes, e, no mez de Janeiro, proximo
findo, por intermedio da agencia postal de Faro, enviou-o a v. exc., ao
mesmo tempo que, para mais de duzentos prejudicados com os requerimen-
tos, trabalhadores nas zonas dos castanhaes, aos quaes se fizera chegar o que
occorria, encaminhavam uns abaixo assignado, tambem dirigido a v. exc.,
contra as pretenções dos senhores Assayag.

99
A ttribuem todos que suas reclamações não hajam chegado as mãos de
v. exc., por isso que nenhuma solu;ão obtiveram.
Dahi a resolução de alguns, em beneficio de todos, de se dirigirem
cidade de Faro,, onde têm negocios e ligações de amizade, e de commum
acc6rdo incumbirem o ar. Joaquim Paes de Andrade, membro de importante
e tradicional familia daquelle municipio, actualmente no exercicio do cargo
de juiz de direito da comarca, na qualidade de primeiro supplente, de tratar
do assumpto junto ao Governo do Para, em razão de ficarem ditos castanhaes
na parte litigiosa, ao que allegam. Esse emissario, pess6a de destaque no
logar, defensor da causa paraense, promptamente seguiu para Belem, onde
s t achava quando se deram os factos determinantes do entendimento de que
fui incumbido.
III No dia oito do corrente mez, cerca de duzentos homens, em
grande parte armados e municiados, tendo á frente Pedro Fonseca, Miguel
Marcelino e João Raymundo, aos quaes se aliaram João Felix, vulgo alary»,
e Raymnndo Veado, vindos dos castanhaes de Daquary», onde vivem e traba-
lham, desembarcaram na cidade de Faro conduzindo Raphael Assayag, um
dos requerentes dos mencionados castanhaes. Embora nenhuma violencia
physica soffresse Raphael, todavia para ali fóra levado por aquella gente que
delle pretendia obter um documento publico de desistencia de quaesquer pre-
tenções as terras que requerem. Logo ao desembarcarem se encaminharam
ao tabelião de Faro afim de que este lavrasse em suas notas uma escriptura
nesse sentido. Comprehendendo, perém, do que se tratava, o serventuario
negou-se a satisfazer-lhes o pedido, allegando que nenhum valor teria seme-
lhante acto; aconselhou-os, então, que melhor'seria entenderem-se Com as
auctoridades da ilha Affonso de Carvalho, uma vez que as terras do aDaqua-
rya estio na posse do Estado do Amazonas. Assim aconselhados, pretende-
ram ir ao ponto indicado, no intuito acima aludido; ilk) levaram, porém, a
effeito esse intento porque obtiveram, mesmo cru Faro, que Raphael lhes
desse um documento particular no sentido desejado.
IV Nesse interim, chegaram ao conhecimemo do tenente Hollanda
Cavalcanti, delegado de policia da ilha, noticias tendenciosas, evidentemente
adulteradas, de que os «paraenses» iam atacar a ilha e as auctoridades amazo-
nenses, por causa de concessão de castanhaes. O delegado, em virtude de
taes informes, não dispondo de elementos de defesa, capazes de resistir ao
ataque de que se julgava ameaçado, auxiliado pelo coronel Antonio Rufino
Teixeira, morador no parani do Aduacá, conseguiu reunir pouco mais de
vinte homens, competentemente armados e municiados, communicando o fa-
cto is auctoridades de Parintin3 e ao dr. Chefe de Policia.
Era esta a situação, quando chegaram a Faro as primeiras noticias de
Iklem, regeladoras das medidas tomadas pelos Governos, patenteando o mais
sincero desejo de, em acção conjuncra, solucionarem o incidente, e ao mesmo
tempo de desaprovação formal a qualquer violencia. de onde quer que par-
tIsse. Operou-se, então, a debandada dos exaltados, internando-se na floresta,
em direcção des:onhecida, até o momento de minha passagem por Faro.
V Ern traços geraes foi o que se deu, não se podendo ligar tees fa-
ctos, directamente, á questão de limites.
Tmta-se, como de prompto se comprehende, de um choque de interes-
ses puramente privados, de individuos que, reclamando para si a qualidade
de antigos possuidores dos castanhaes, objecto da compra pretendida pelos
commerciantes Assayag, chegaram ao extremo de unia manifestação collecti-
ve, ante a perspectiva de serena dos mesmos desalojados.

VII O fallado ataque á ilha Affonso de Carvalho e ás auctoridades


amazonenses, conforme se pretendeu fazer et*, na realidade não existiu.
Essa versa° nasceu certamente da suggestio do tabellilo de Firo
quando aconselhou a ida iquella ilha. conforme esti explicado. Se desejo ti-
veram não o levaram, porCm, a effeito, no só porque obtiveram de Raphael
o que pretendiam como tambem porque, de certo, souberam da resolução
em que estava o.tenente HoBanda de não os deixar desembarcar, na attitude
em que se encontravam.
Devo assignalar que esta auctoridade (alids a unica que encontrei no
seu posto e veiu á minha presença em companhia de um guarda. da CoIlecto-
ria), vive em inteira harmonia com as auctoridades de Firo e me deixou a
de haver cumprido o seu dever. impressão

Tambem não exacto que o sr. Joaquim Paes de Andrade, irmão do


intendente, haja chefiado quaesquer movintentcs contra a ilha e suas auctori-
dades. Este senhor encontrava-se em Belem, conforme referi.
VIII A respeito dos factos relatados foram ouvidas diversas pessõas.
por mim e pelo exm. sr. desembargador Procurador Geral, residentes umas
r.o territorio do Amazonas e outras em FAro. Tambem em nossa presença
estiveram o delegado da ilha Affonso de Carvalho e as auctoridades de Firo
e a todos ouvimos.
Estou convencido de que a ida do exm. Sr. desembargador Raymun-
do Avertano Rocha foi de grande alcance, dada a SUA intelligencia e crite-
riosa maneira de agir, sua actuação cfficaz e notavel prudencia, resolvendo
de prompto quaesquer difti:uldades, ao mesmo tempo que, evidenciando a
necessidade de uma vida harmonica, fazil certo que era intenção do seu Go-
verno respeitar o slatu quo existente entre os dois Estados, emquanto o Su-
premo Tribunal Federal não decidisse o pleito judicial que lhe está affect°.

Antes de concluir scientific° a v. exc. que transmitti ao tr. administra-


dor da Mesa de Rendas de Parintins 35 instrucções reservadas a respeito da ap-
prehensão de sementes e mudas de seringueira existentes em viveiros, feitos
em terras devolutas do Estado, naquzlle Municipio, conforme consta do res-
pectivo processo administrativo. Fiz entrega de todos os documentos de que
fui portador, adiantando ao mesmo administrador que procedesse com toda
urgencia a diligencia ordenada, instaurando, por portaria devidamente ins-
truida, o respectivo processo. Encarei a necessidade de se proceder com as
necessarias cautelas, entregando-se os objectos apprehendidos a um deposi-
urio, mediante termo especificado, no caso de impossibilidade de remoção
dos mesmos, e que se garantisse a defesa aos interessados.
Ao coronel Manoel Antonio Carvalho, que se acha em Parintins para
auxiliar a realização da diligencia, fiz chegar as ordens de v. exc..

No dia 3 de Dezembro do armo passado re-


Eleições alizaram-se as eleições para Governador do
Estado e preenchimento de duas vagas aber-
tas com os fallecimentos dos saudosos senadores estaduaes, dr. Cyriaco
Gurjâo e José Alves da Cunha. Na primeira como candidato, obtivemos
50.218 votos e nas outras os candidatos drs. Sulpicio Au sier Bentes e Elias
Tavares Vianna obtiveram, respectivamente,. 59.164 e 50.110 votos.
No dia 27 de Janeiro date anno houve a eleição para preenchimento
da vaga aberta na Camarade Deputados Federal com o fallecimento
do digno representante paraense no Congresso Nacional, dr. Bento Miran-
da, tendo o candidato dr. Deodoro Machado de Mendonça alcançado
101
49.477 votos. No dia 1 de Maio deste anno realizou-se a eleição para pre-
enchimento de uma vaga aberta no Senado Federal com a nossa eleklio
para o cargo de Governador do Estado, sendo votado por 53.102 eleitores
o candidato dr. Dionysio Ausier Bentes.
Os pleitos correram normalmente.

No period() de nossa administração man-


Vetos tivemos, pelos seus justos fundamentos,
os vetos oppostos pelos Intendentes de
Belem e de MonteAlegre As seguintes resoluções legislativas votadas
pelos respectivos Conselhos Municipaes:
BELEM.Projecto n. r , de 20 de Junho de 1928, substituindo Os
dizeres do parag. 4.? do art. 6.0 do Regulamento do Imposto Predial.
N. r, de 5 de Dezembro de 1928, permittindo a installação e aber-
tura de talhos ou açougues á travessa 3 de Maio nesta capital;
N. 66, de 2Q de Janeiro do nono corrente, concedendc á Compa-
nhia Paraense de Plantações de Borracha isenção de todos os impos-
tos municipaes, creados e por crear, para sua fabrica de beneficiamen-
to e artefactos de borracha pelo prazo de ro annos;
N. 6S, de IS de Janeiro de 1929, auctorisando o Intendente a rece-
ber em paganiento da divida activa do municipio, até o exercicio de
1926, apolice-s municipaes internas, sorteadas, e coupons vencidos, na
proporção de 50 % dos debitos verificados;
N. 20, de r de Julho de 1929, isentando pelo praso de seis annos
das taxas a que estiver ou venha a ficar sujeito o club de serviço de pre-
dios ou firma industrial desta praça, J. S. de Freitas & Cia.;
N. 6, de 27 de Junho ultimo, augmentando de trinta mil réis men-
saes os vencimentos do professor municipal em disponibilidade Antonio
Cavalcante .de Lima.
MONTE ALEGRE.Projecto do orçamento da receita e despesa
do municipio para o exercicio vigente.

Para os trabalhos da 2.a reunião ordinaria


Congresso Legislativo da 13.0 legislatura installou-se, solenne-
do Estado mente, o Congresso Legislativo do Egtado,
nos termos do dispositivo constitucional,
a 7 de Setembro do anno passado, tendo encerrado os respectivos tra-
balhos a 7 de Novembro seguinte.
Dentro desse periodo foram elaborados cento e quatro (ro.i.) pro-
jectos que, sanccionados pelo Poder Executivo e transformados en. leis,
receberam a numeração que vae do n. 2.673 a 2.777, com excepção
do primeiro, o de n. 2.673, que foi promulgado pelo presidente do Se-
nado e que approvou todos os actos administrativos do quatriennio
governamental terminado em r de Fevereiro do anno corrente, nos
termos das leis ns. 2.53S, de 6 de Outubro de 1926 e 2.593, de ti de
Outubro de 1927, ate a data da citada lei.
Extraordinariamente, reuniu o mesmo Congresso a 2 de Janeiro
102
ultimo para, proceder á apuração da eleição effectuada a 3 de Dezem-
bro do anno findo para governador do Estado, no quatriennio de 1929
a 1933, e reconhecimento e proclamação do candidato eleito. Essa
eleição foi marcada por decreto n. 4.438, de 29 de Setembro de 1928.

Nenhum governo pode fazer bôa adminis-


Revisão de Despachos tração sem um regimen fiscal rigoroso.
Convencido dessa verdade, ao iniciarmos
.as funcções do cargo,-ordenámos um balanço em todas as repartições
fiscaes do Estado, começando pelas da capital. Essa fiscalisação, commet-
tida a uma commissão de probidosos funccionarios publicos, tem sido
feita com criterio e rigor. Reconhecemos que os processos por nós em-
pregados na fiscalisação, principalmente na revisão dos despachos fei-
tos perante a Recebedoria de Rendas do Estado, muito deixam a dese-
jar e demandam muito esforço por parte da commissão. Não contamos
com os elementos de que dispõe o Governo Federal para esse fim; nada
obstante, o que temos feito de alguma forma toin dado excellentes
resultados para o fim collitnado.
Já entrámos em entendimento com a empresa lIollerith, que
contractou o serviço de revisão de despachos aduaneiros com o Go-
verno Federal, para installar no Estado um apparelhamento identico.
Temos em estudo duas propostas: numa, a empresa «I lollerith» propõe
a installar por sua conta o apporelhamento fiscal e custeal-o, agindo com
seus funccionarios de confiança, mediante uma importancia determina-
da, e na outra se compromette a vender todas as machinas necessarias
f.I O serviço, montal-as convenientemente para o Estado nomear os func-
cionarios, custear o serviço por sua custa, pagando o valor global dos
machinismos e utensilios apropriados no acto da installação.
Ao nosso ver, a primeira proposta é mais vantajosa e talvez mais
segura de exito pela longa pratica que tem a empresa em trabalhos
dessa natureza. O que é indispensavel éque o Congresso nos dê o seu
concurso dotando o governo com as verbas necessarias para a creação
da repartição destinada á revisão dos despachos fiscaes da Recebedoria
de Rendas e outras repartições, o que reputamos de urna importan-
cia capital para uma efficiente fiscalisação das rendas publicas.

Data de pouco tempo, no Estado, a industria de


Artefactos de borracha artefactos de borracha; surgiu como um desdo-
bramento logico da actividade das empresas be-
nefi:iadóras do producto, para effeito de exportação. Essas empresas foram orga-
nisadas, por sua vez, cedendo a necessidade de oppôr uma defesa ás desastrosas
consequencias da super-producção da borracha asiatica.
Entretanto. nem pelo facto da creação das industrias de artefactos e de be-
neficiamento de borracha, deixou a exportação de borracha em bruto de constituir
urna notavel percentagem das receitas fiscaes do Estado.
Se, portanto, a producção dos seringaes, em vez de ser exportada como ma-
teria prima, é transformada em artefactos, justo é que sejam dispensados ao in-
-dustrial todas as vantagens e compensações possiveis, sem comtudo deixar de

103
taxar a producolo assim transformada, com o criterio e a medida que o exame da
questão tem merecido to governo.
' Em lei orcamen4ria anterior, fixará o Congresso em 5% ad-valorem a taxa
de exportação sobre artefactos de borracha.
Esta percentagem era cobrada sobre o valor da factura, de modo que sobre-
carregava demasiado a mercadoria, visto que na sua preparação a borracha não
entra como materia prima senão em proporção que varia de 25 a 70%, anais ou
menos, cabendo aos demais ingredientes, considerados como carga, e necessarios
a que o product° adquira resistencia, peso e ctôr exigidos, uma proporção, tambem,
variavel de 30 a 75%, mais ou menos.
E' o que se sabia de um modo geral e, fundados nesta circumstancia, im- .
petraram-nos os interessados uma equitativa taxação do producto, até que fosse
examinada a questão nos seus devidos termos.
Em tal situação e na falta de um exame em condições, certo, por outro lado,
dalegitimidade da pretenção dos interessados, determinamos desde logo, e Muito
_prudentemente, ã Recebedoria de Rendas que a taxa de exportação sobre artefa-
ctos de borracha fosse calculada sobre 6o% do valor da factura, attribuindo 40%
aos demais elementos constitutivos do artigo.
Em complemento á resolução do governo, baixou a Recebedoria de Rendas
do Estado as necessarias instrucções, até que, baseado num cuidadoso escudo do
caso, podesse o Congresso, na sua actual reunião, resolver como julgar mais con-
veniente.
PORTARIA N. 645
Para conhecimento da t. secção e devidos fins, transcrevo, em seguida, o
officio n. 388, de 28 do corrente, que o sr. director geral da Fazenda Publica
dirigiu a esta Directoria
No interesse do fisco e de ordem de s. exc. o sr. dr. Governador do Es-
tado, scientifico a v. s. que os productos de borracha (chapa e sola) estão sujei-
tos ao imposto de 5% ad-valorem no acto de exportação., ficando estabelecido
o preço de roS000 por kilo, para sola e 6S000 para a chapa. Da importancia da
factura far-se-á o desconto de 44, fazendo-se o calculo pela fórma seguinte,
exemplificadamente :
Sola, kilo roS000, c/ 40% de abatimento, 6S000.
Chapa-, kilo, 6S000, c/ 40% de abatimento, 38600.
Saúde e Fraternidade.
O director geral (a) Manoel Francisco de Santanna».
Dê-se sciencia e cumpra-se.
O director, José Maria Camisào.
industria nascente e com tendencia a crescer e assumir a expansão que
lhe permitte a utilização de uma das nossas mais importantes materias primas,
estava a industria de artefactos a merecer toda =en* e solicitude do poder
publico, como nova e apreciavel fonte de receita.
Todavia, não é facil satisfazer de modo absoluto o interesse das empresas,
calculando uma tributação de molde a não lesar os interesses fiscaes do Estado.
Utilizam estasna sua industriaos mais diversos typ-o-s de borracha, cada um
delles contendo uma proporção diferente de impurezas a desprezar, de humidade
a eliminar. De sorte que, consideradas as perdas. resultantes destas operações,* e

104
tendo em vista que são todos importados e já soffreram tributação os elementos
outros que entram na composição do artefacto, é evidente que a borracha assim
industrialisada fica reduzida a maior ou menor proporção, conforme, tambem, a
qualidade e o destino que o producto traz das usinas.
O quadro a seguir mostra de modo inequivoco as diferentes proporções de
quebra da borracha destinada á producção de artefactos depois de lavada e secca,
como se vê das analyses feitas nas usinas americanas e relativas á borracha do Pará.
TA BELLA A Quebra
Borracha fina das Ilhas 18-20 1
media 18,5 %
Borracha fina Tapajoz 17- 18 j
Borracha entrefina Ilhas ......... . 18-22 1
Borracha entrefina Tapajoz ........ 18-19 J 90
Sernamby das Ilhas. 95 -35
Sernamby de Cametá 30 - 35 Y. 27,5 »
Sernamby do Tapajoz 20-25
Caucho 30
Ainda assim, a borracha lavada e secca não borracha pura; sua composição é:
Borracha pura 94%
Impurezas 6»
Portanto :
TABELLA B
1k de borracha fina bruta (Tapajoz) representa ( woo- 185 )o,94=-766 gr. i de
borracha pura.
..... entrefina... ( 1000-200 )0194=752 7,1
sernamby . ( 1000-275 )0,94-681,5 gr
.caucho ( 1000-300 )0,94=658 gr....
fina sertio.. ...... ..... ( l000-i6o )°,94.789 gr
Se tomarmos como exemplo, uma safra de 5.boo toneladas de gomma,
comprehendendo todos os typos da producção do Estado e uma cotação de 3.400
réis o kilo para a borracha fina sertão (pauta federal), tomando-se este typo por
ser o mais fixoconsiderando a proporção relativa media das diversas variedades
da dita gomma que compõem esta safra, teremos os resultados seguintes
TABELLA C

o 6 o
a... .
..0 C.C., L. t
.
....
'1
,..!
Li
M

o o C.-0 C
o- -0
ESPECIE DA
BORRACHA
o :7;
U O u
.... ttl...O
0 vs
.
E .:44
t., C.,
- oc--=-
o U "C O T.:
1.- c nu
9 8 `- 7
- rrs
s...

v.s
,..
O =0 >c o
_
Borracha fina... A- 3 (,),; 400 3$000 1.200 10 120 326 306.440
(Xingu- Tapa joz
e Ilhas) ..... B-31 1.700 700 4.590 10 % 459 1.360 1.272.400
B. sernamby.... A- 4 % 200 13400 280 181 452 1.232,500 1.158.550
(Xinga -Tapajoz 20
e Ilhas)...... B-30 % 1.500 13320 1.980 991
Caucho.. ...... 24% 1.200 13650 1.980 12 %' 237:600 840 789.600
5.000 10.030 1.268:600 3.758,500 3.526.990

105
Póde-se dizer que, em termo médio
kilo de borracha pura exportada provém de :2521=1k,417 de borracha bru-
ta e, reciprocamente, V' de borracha bruta corresponde a3&----:502070=705 gr, de borra-
cha pura.
Admittindo que toda a safra fosse aproveitada nas manufacturas e applican-
do á borracha pura a taxa de to %, a sua cotação deveria ser, neste caso, pelo
menos .cle 3.597 réis o kilo, afim de não haver alteração na somma dos direitos
arrecadados :
3.526'.990><3$597><0, o=1.268:592$000
ou então, cotando-se a borracha pura ao mesmo preço, 35400 da borracha fina
sertão (pauta federal), deveria ser-lhe applicada a taxa de 10,6 %
3.526'.990x3$400xo,106=1.271:1275000
Mas, seria illogico que o Estado não tivesse nenhum interesse na conside-
ravel valorisação de um dos seus primeiros generos de exportação e parece que
poderia ser adoptada uma tributação de 16 % ad-valorem sobre a borracha pura
contida nos .artefactos, sendo o dito valor calculado pela cotação da borracha
fina sertão (pauta federal).
A renda arrecadada no exemplo anterior seria de
3.556.725><3$400>7<o,16.1.918:682$0oo

Comparando esta taxação pela qual seria augnientada de mais de 509 a


renda proveniente da exportação de borracha em bruto, com a que resulta da
medida transitoria posta em execução ultimamente pelo governo, de accord() com
os industriaes, verifica-se que ainda vem favorecel-os
k. de artefacto de borracha contendo 6o% de borracha pura é vendido por
12$000 e paga:
125000 o,6o 0,05=36o réis.
O mesmo, taxado a 16% sobre as 600 gr. de borracha avaliadas a 3$200
(cotação actual da borracha fina sertão) o kilogramma pagaria quantia notavel-
mente inferior:
35200 0,600 0,16=317 réis=2,55% ad-valorem.
Ao contrario, i k. de artefacto de borracha contendo sómente 30% de bor-
racha pura, e, portanto, composto de forte proporção de carga importada, ven-
dido de 8 a ioS000 o kilo teria de mar hoje de 240 a 300 réis e pagará só-
mente 153 réis=--de 1,5-1,9% advalorem.
Em particular, para os enveloppes de pneumaticos cujo preço de venda não
está em relação com a quantidade de gomma empregada em vista da sua fabricação
exigir longas manipulações e a importação de custosa carga (algodão especial),
não haverá mais, com esta fórma de cobrança, desproporção na tributação, com-
parada com a dos outros artefactos.
Em resumo, para 0; artefactos de borracha, calcu!ar-se-ia a quantidade de
borracha pura nelles contida e dando-se-lhe cotação igual á da borracha fina
sertão (pauta federal), por ser o typo mais fixo, applicar.se-ia a taxa de 16 %
advalorem.
A' imitação do que se faz nas Alfandegas para determinar o grit' das bebidas
alcoolicas ou a proporção de seda num tecido misto, os industriaes declarariam á

_106
Recebedoria a proporção de borracha lavada e sccca empregada nos artefactos a
exportar; o peso da referida borracha seria, então, convertido, multiplicando-se
pelo coefficiente, 0,94, em peso de borracha pura sobre o qual teria de recahir a
axa. Esta declaração, considerada como exacta, seria verificada de vez em quando
por meio da analyse chimica, tolerando-se uma diferença de 2 % entre a pro-
porção de borracha declarada e a proporção assim determinada. Qualquer decla-
ração reconhecida falsa deveria expor o fabricante a uma multa elevada que teria
por base a diferença encontrada (menos os 2 % tolerados).
O systema de taxação baseada na quantidade de borracha incluida nos arte-
factos exportados tem a vantagem de apresentar uma solução definitiva do pro-
blema (podendo variar o coeffic-ente ad-valorem) e tambem é o mais justo porque
recahe directamente sobre a materia prima.
A taxação baseada nos pregos de facturas é incerta, variavel á vontade do
proprio exportador que determina os seus pregos de venda; não é ella sóm ente um
imposto de exportação, mas representa tambem um verdadeiro imposto sobre
os lucros, já que varia conforme o beneficio que se reserva o fabricante no prego
de venda dos seus artigos.
Para a fiscalisação, parece mais facil verificar a composição dos artefactos do
que a declaração das facturas apresentadas.
Se, cm vista das dificuldades em adoptar-se o processo acima, que exigiria
um apparelhamento custoso para os exames chimicos, o Congresso deliberar
manter a taxação baseada -nos preços da factura, parece que será então necessario
diminuir a taxa de 5%, pois esta, applicada ad-valorem em certos artefactos,
incide no absurdo de tributar mais a borracha manufacturada do que a bruta.

O problema da instrucção publica é, por excel-


Instrucção Publica lenda, o que maiores preoccupações exige dos
governos. De uma bôa organisação pedagogica
depende um sem numero de soluções parciaes de outros assumptos vitaes do in-
teresse collectivo, todos, por assim dizer, dependentes do nivel geral da educação
popular. Os destinos das nacionalidades resultam principalmente do modo por
que é ministrado o ensino. E, como a feição moderna da educação, ligando a
escola á pequena oficina onde o alumno recebe os primeiros rudimentos prati-
cos das cousas mais uteis á vida diuturna, augmentando.os depois nas escolas
profissionaes e technicas, como já se faz com successo nos grandes centros civiliza-
dos, os governos actuaes têm sobre os hombros mais pesadas tarefas a exigirem
maiores verbas orçamentarias. Infelizmente não estamos munidos dos recursos
necessarios para tão grandiosa obra educativa, mas, dentro de nossas posses, de-
vemos desde já nos aprestar para a realisação deste grande ideal, cuja base é alliar
ao ensino intellectual o profissional, preparando o homem para ser um factor eco-
nomic° apreciavel na somma imtnensuravel dos interesses da communhão social.
Nas quadras felizes de nossa vida economica avançámos tanto em materia
de ensino que agora, decorridos annos, as reformas impostas pelo progresso hu-
mano nestes ultimos lustros, nos encontraram ainda na vanguarda, embora sem
todo o apparelhamento que o ensino moderno exige.
Grande honra se nos afigura essa circumstancia feliz a que vimos de alludir.
Possuitnos um estabelecimento de ensino profissional e outro de prendas
domesticas, os institutos «Lauro Sodré» e «Gentil Bittencourt», que são verda-

. 107
deiramente tiodelares, revelandoo nosso avanço em materia de ensino, ¡nand°
ainal'ifenhuti tstaqo havia pensado sequer realizar tão uteis obras.
Tudo envidareMos Pelo ensino publico do Estado.
Encontramol o numa
carencia geral, apesar do qúe por elle fizeram os que nos
precederam na admi-
nistração. Nas visitas que fizemos aos grupos escolares
verificámos que, a come-
çar pelos predlos em que estio installados alguns
grupos, sem condições pedago
rkgicas, até ao apparelhamento das escolas, onde ha falta
de moveis e utensilios
escolares. e de elementos para o desdobramento dos
programmas, tudo exige
quanto antes a nossa intervenção, senão para crear, para edificar,
melhorar, supprir e conservar a grande obra ao menos para
que nos veiu do passado.
Não nos foi possivel adquirir um predio com capacidade
para ser adaptado
ao grupo «Florian° Peixoto», transferido par; o bairro de S. João.
Alli preten-
demos edificar um grupo escolar modelo num
terreno do Estado.
O fornecimento de material escolar foi feito com todi a regularidade,
ria capital, quer no interior. Varias reparações ternos ordenado quer
em predios esco-
lares da capital. O mesmo não logramos fazer
em relação aos do interior, por
falta de dotações orçamentarias e pela diminuição d.1 rendas.
Temos procurado estimular nos municipios maior interesse pelo
blico. Vamos auxilial-os na construcção de predios escolares. ensino pu-
A primeira pedra
do grupo da cidade de Bragança já foi lançada
e pretendemos auxiliar o muni-
cipio de Santaretn na construcção de um grupo,
nada justificando que uma
cidade tic) importante ainda não possua um prediò
escolar compativel corn o
seu desenvolvimento.
Por nossa solicitação recebemos valiosas dadivas de
mappas muraes enviados
peloClub de Engenharia e pelo encl. sr. Ministro da
Agricultura, o eminente
dr. Lyra Castro.
0.ensino publico estadual vae sendo ministrado com regularidade.
A sua
fiscalisação, confiada ao zelo e competencia do inspector
geral e inspector escolar
srs. Pereira de Castro e Edgar Porto, concorre para este resultado.
A falta de moveis escolares é tio premente que, desde já, chamámos
concor
rentes para o fornecimento de 500 carteiras escolares.
O vencimento do professorado é diminuto e
em despropo-çào com a cares-
tia actual da vida, como acontece com todo o funccionalismo
demos prometter com segurança sobre o
estadual. Nada Do
augcnento dos vencimentos do ftinccio-
nalismo; entretanto, está em as nossas cogitações fazel-o,
se a. Providencia nos
amparar, dando-nos os meios necessarios para irmos ao encontro de tic)
inadia-
veis necessidades dos honrados servidores do Estado.
Um piano geral de reforma do ensino publico temos
em estudo, achando-se
dependente sua realisação de uma situação financeira mais favoravel.
Temos satisfacção em declarar-vos que, Jecorridos
cantos annos, o Pará é
ainda um dos Estados da Federação que mais têm
realisado em materia de ins
irucção.
Não devemos concluir este capitulo sem uma referencia á
dedicação e com-
petencia dos corpos docentes dos
nossos estabelecimentos de ensino superior,
secundario, profissional e primario. Podemos affirmar
que possuimos professores
que rivalisam com os melhores existentes em outros Estados.
E. um dever particularisar este elogio ao professorado
que tem a responsa-
bilidade do ensino primario. A par de sua comprovada
coa:petencia e zelo, no-

108
tavel se nós affigura sua carinhosa dedicação,
por um bello exemplo de sacrificio pessoal. que culmina, á maii:Tia. das vezes,
interesse dessas creaturas admiraveis na Realmente somos testemunhas.do
sua missão eminentemente santa pela
sua finalidade social, dando-se em holocausto, numa attitude
sacrificio de sua saude, muitas vezes, pelo bem serena e meiga, com
fdra sobrehumano repartir os carinhos
dos seus alumnos, como se não
entre os proprios filhos e os filhos alheios,
confiados á sua guarda na escola.
Tão vivas foram as emoções que sentimos
nos primeiros contactos que tive-
mos com os corpos docentes dos nossos estabelecimentos
perduram as horas vividas alli, auscultando de ensino que ainda
o preparo intellectual e o esforço
ingente dessa geração de professoras,
tos em prol do cumprimento de seusesquecidas da exiguidade de seus vencimen-
deveres, numa quadra difficil para todos,
pelas exigencias do reajustamento da vida
economica, a solicitar maiores som- -
mas de valores. Negar-se-Ilies
essa compensação moral seria uma injustiça. Da-
mol-a com prazer lastimando que o elogio expresso
não comporte a extensão
immensuravc1 da abnegação do professorado
paraense.

O ensino primado a cargo do Estado é dado em


Ensino Primario grupos escolares, escolas agremiadas e isoladas,
diurnas e nocturnas.
Existem, actualmente, em todo o territorio do Estado
22 grupos escolares,
9 escolas agremiadas diurnas, 4 ditas nocturnas, 5
escolas isoladas nocturnas e
209 ditas diurnas, assim distribuidas : Na área urbana da Capital funccionain
gularmente to grupos escolares com 87 escolas (7 re-
19 complementares e i infantilJardim da Infancia, preliminares,.6o'elementares,
annex° aõ grupo escolar
«Arthur Bernardes»), dando a matricula o numero total de 5.3.61
aluMnos e
frequencia média diaria de 3.755; 4 escolas agremiadas
nocturnas com ir esco-
las elementares, onde se acham matriculados 710 aluntnos
e frequencia média de
302; mais 8 escolas isoladas diurnas, inclusive a da cadeia de S.
Jose, com a ma-
tricula de 498 alumnos e frequencia media de 375; e 3 ditas nocturnasuma
Arsenal de Marinha, urna no grupo escolar «Epitazio Pessoa»
e outra no Insti-
tuto «Lauro Sodré», com 150 alumnos m itriculados e 82 de frequencia media.
São ao todo na capital do Estado 109 escolas
com 6.719 meninos matricula-
dos, que as frequentam na razão media de 4.514 diariamente.
Funccion-un tambein na Capital 2 internatos de ensino
proftssionalInsti-
nato .Lauro So-ire» (masculino) e «Gentil Bittencourt» (feminino),
com 475
cream-As matriculadas, 300 do sexo masculino e 17; do
sexo feminino, e que
comprehendem, este, uma escola complementar
e 4 elementares, e iquelle, 2
complementares e 4 elementares.
No interior da Capital ha os grupos das villas do Pinheiro,.do
de Santa Izabel e de Castanhal, contando vinte escolas (4 Mosqueiro,
complecopnares e 16
elementares) com 1.207 alumnos e 834 de frequencia media.
Contam-se ainda 28 escolas isoladas diurnas,
reptesentando 1.503 alumnos
de matricula e 1.025 de frequencia media e duas ditas
nocturnas, uma na villa
operaria de Marituba e outra no Mosqueiro, com 82 estudantes
56 de frequencia media. matriculados e
Existem, pois, no municipio de Belem, 170 escolas publicas estaduaes,
em
que se acham matriculados to 147 alumnos, dos quaes as frequentam,
regular-
109
meate, .7.o65, inc1usiv ir escolas existentes nos Instit'utos «Lauro
Sodréa e
«Giatil AiitinCouris, com a matricula de 475 educandos e t61 alumna
do
Pensionato.
Os outros municipios do Estado contam 8 grupos escolares localisados em
Abaeté, Alemquer, Bragança, Curti* Igarapé-assú, Santarem, Soure e Vigia, e
9 escolas agremiadas, em Cameti, Faro, Mara* Mocajuba, Marapanim, Mara-
card, Obidos, Sic) Caetano e Vizeu.
Esses estabelecimentos de ensino compõem-se de 76 escolas.-r7 comple-
mentares e 59 elementares, que, reunidas ás 173 escolas isoladas de outras loca-
lidades, sommam 249 nucleos de instrucção primaria, em que se acham inscri-
ptos 11.254 alumnos, cuja frequencia média diaria é de 7.639.
Estes algarismos, addicionados aos precedentes, indicam para todo
o Estado.,
em materia de instrucção, 419 escolas em 1928, com a matricula de 21.41)1
e
frequencia média diaria de 14.704 estudantes.
Comparada a matricula desse anno com a do anterior verifica-se um
au-
gmento de 1.025 escolares no anno de 1923 proximo findo, como tudo consta
dos respectivos quadros annexos.
Existem, tambem, na Capital 95 collegios particulares de instrucção primaria,
nos quaes foram inscriptos 6.707 alumnos, com 5.7uo de frequencia média.
Mantidas pela Intendencia de Belem, funccionam 48
escolas, inclusivè 4
do Orphanato Antonio Lemos, nas quaes foram matriculados, em 1928, 3.491
alumnos de ambos os sexos, com a frequencia média de 2..549.
Por não terem sido recebidos os dados completos solicitados ás Intendencias
do interior relativos á matricula e frequencia das escolas mantidas pelas
Munici-
palidades, não foi possivel organisar o respectivo quadro estatistico,
o que tam-
beco'occorre quanto ás escolas e collegios particulares que funccionarn
no inte-
rior do Estado.
Calcula-se em 20.000 o numero de cream:as que frequentam as escolas
municipaes do interior.
ESTATISTICA ESCOLAR
Pelos mappas annexos vêse o movimento da matricula de cada
um dos
estabelecimentos publicos e particulares de ensino superior, secundario,
profissio-
nal e primaria, existentes no Estado.
E' lisongeira a situação do ensino em o nosso,Estado, conforme
consta do
quadro comparativo seguinte, relativo aos annos de 1927 e 1928
Instrucção Superior 1927 1928
Faculdade de Direito .... ............ .. 72 73
» » Medicina... ...... ........ ...
120 115
o » Pharmacia ...... .... ...... 24 1"6
» » Odontologia... ...... ... .. 96 66
Escola de Agronomia e Veterinaria.. ... 79 89

321 359
Instrucção Secundaria
Gymnasio Paes de Carvalho . 399 534
Escola Normal ..... 332 387

731 921

no
Instrucção Profissional
Instituto Gentil Bittencourt...... .. ... .. 141 175
» Lauro Sodré ... . .... ...... .. 300 300
Pensionato do Instituto Gentil Bittencourt 134 161

575 636
Instrucção Primaria
(Capital))
Foram crradus
10 Grupos escolares... ...... ... .... . 4534 5,..sol. doisgruposem
19214.
4 Escolas agremiadas nocturnas... .. ... 758 710
Paysal Jti
10 » isoladas (diurnas) .. .... ..... 889
a
456funccionl., 2,-

1 »
,, colas Isolada.
nocturna na Cadeia de S. José 38 41.' no grupo Epl
taz,o Pe,...),
1 » » no A. de Marinha... 67 41
.,,
- » nocturnas (grupo E. PessCia e
Instituto Lauro Sodré)....... 109 cr,J., ern
Interior da Capital 192.S.

4 Grupos escolares.... .. ......... .. .. 1.322 1.207


98 Escolas isoladas diurnas .. ....... .... 1.390 1.503
9 » nocturnas .. ....... .. ... .. 106 89
Interior do Estado
8 Grupos escolares e 9 escolas agre- Foram :read,
miadas 3.8362mi,...L.,, JfiC,...
3.251
173 Escolas isoladas...... ... .. .. . ... 7 .113 7 .403 ..,.t.,,,u,,.i.x...r.1.-.
!;': F.'",¡°"-

20.376 20.765
Instrucção Municipal
38 Escolas mantidas ¡vela Intendencia de
....... ............. ...... 2.558 3.491
Municipios do interior (estatistica incom-
pleta .. 12.415 13.529 c,j
I. C.11 1924.
14.973 17.026
Instrucção Particular
(Secundaria)
14 Collegios . ........ 935 1.163
Primaria)
90 Collegios e escolas. ..... ....... 6.265 6.707
.Instrucção Profissional .

Secundaria (particular)
Curso de Chimica Industrial 14 12
Primaria (federal)
Escola de Apprendizes Artifices .... 240 584
» » Marinheiros... 100 128
Patronato Manoel Barata 190 120
M. 1927.
460 844
67 Escolas mantidas pela Confederação
de Pescadores 2.755 3.076 Creadas 9 e,
colas cm
192R.

11I
RESUMO 1927 A928
lnstrucção Superior . .... ...... .. .... .. 321 359
» Secundaria ....... .... .. .. .. 731 921
o Primaria . 20 376 21.401
o Municipal ..... ... ..... .. ... ... 14.973 17.020
.1.,
Particular (secundaria) .. ... ... 935 1.163
» u (primaria) ... ...... 6.265 6.707
D. profissional (particular secun-
daria) . ...... ...., 14 12
profissional federal (primaria) 460 844
» (Confederação dos
Pescadores)... ..... 2.755 3.076
46.830 51.503
Do mappa comparativo annex°, relativo aos annos de 1921 a 1928, verifi-
cose que tem augmentado consideravelmente o numero de creanas matricula-
das nos estabelecimentos de ensino primario. do Estado, em rpm', proporção mé-
dia de 30 % mais ou menos.

MAPPA. comparativo da matricula dos Grupos Escolares, Escolas


Agremiadas e Isoladas do Estado do Pará, no period° de 1921 a 1928
TOTAL DIFFERENÇA
Anuas da
Observações
matricula A mais A menos

1921 14.442
1922 14.767 325
1923 10.406 4.361
1924
Das 153 escolas isoladas do Estado, existen-
11.908 1.502 tes em 1923, apenas 92 enviaram mappas,
1925 15.698 3.990 razão do decrescimo verificado na respe-
1926 17.775 1.877 ctiva matricula.
1927 19.801 2.026
1928 20.765 ' 964

MAPPA comparativo da matricula dos collegios particulares de instru-


cção primaria e secundaria, existentes em Belem, relativo aos
annos de 1 924 a 1928.

ENSINO PRIMARIO DIFFERENÇA ENSINO SKUNDARIO DIFFERENÇA


Anus
N.° de Matri- ' Matri-
collegios cula A mais A menos N'0 d.e A mais A menos
colleglos cula
-
1924 49 3.379 --
1925 80 5.201 1.822
4 434 --
4 686 252
3926 86 6.384 1.183 14 1.139 453
1927 90 6.265 119
1928 59 6.707 442
14 935 -- 204
14 1.163 ' 228

Sobe a 109 o numero de collegios e escolas particulares existentes


capital e que se acham devidamente registadas na 2a secção da Secretaria nesta
Geral.
Desses collegios, 14, alem do ensino primario, mantêm
um curso secundario, ac-
cusando a matricula geral 7.870 alumnos de ambos
os sexos, 7.707 do curso pri-
mario e 1.163 do secundado.

112
Faculdade de Direito -Este estabelecimento de
Ensino Superior ensino, obra verdadeiramente heroica na época
em que foi creada, á qual estão ligados tantos
nomes de homens de lettras juridicas, vae, cada anno que se passa, ganhando
maior renome, proporcionado á abncgação de quantos te n sobre os hombros a
tarefa de conservar, augmentando mais e mais, as suas velhas tradições. O esforço
da actual Directoria, collaborado pelo competente corpo docente, nada deixa a
desejar em encorajamento, num confronto com a forca propulsora dos primeiros
dias de vida desse centro de cultura juridica.
A Faculdade de Direito do Para atravessou as grandes horas das crises eco-
nomicas sem soffrer o menor abalo. O corpo docente nunca desertou o seu posto
de honra, dando, assim, uma prova evidente do empenho com que todos alli traba-
lham pelo alevantamento de tio util instituição, cujos fructos ahi estio a attestar
os creditos do ensino juridico-social no nosso Estado.
Muitos dos diplomados pela Faculdade de Direito estão occupando com
brilho e destaque cargos publicos e outros tem.se tornado notaveis na profissio
de advogados. Não temos a invejar o ensino juridic° dos outros estabeleci-
mentos congeneres.
Um pequeno decrescimo notado nestes ultimos annos na matricula resulta
da equiparação das escolas jurídicas fundadas no Maranhão e no Amazonas, donde
nos vinham varios discipulos. Ainda assim foram approvados nos exames vesti-
bulares do anno passado 20 estudantes e a matricula deste anno corrente attingiu
a 73 alumnos, tendo coliado grão 4 bachareis.
O Estado paga o corpo docente, o que representa um valioso auxilio, dei-
xando toda a renda de inscripções e mais serviços, destinada ao expediente, ao
funccionalismo auxiliar, reparos e conservação do predio e bem assim ao paga.
mento da taxa de fiscalisa4o, que monta a 12 contos annuaes.
Pelo bem elaborado relatorio apresentado pelo actual director, desembarga-
dor Ernesto de Vasconcellos Chaves, a quem muito deve a Faculdade de Direito,
va.se achar-se o predio da Faculdade soffrendo reparos e pintura, que estio sendo
realisados com os saldos em dinheiro existentes nos Bancos.
Segundo informa a Directoria, o predio não comporta todos os departa-
mentos necessarios. E' assim que ha necessidade de uma ampliação para aulas e
bibliotheca.

Faculdade de MedicinaEla dez annos foi fundada a nossa Faculdade de


Medicina. O ensino superior das materias que constituem o curso medico-ci-
rurgico é feito entre nós com rigor e cocupetencia. O corpo docente da Facul-
dade comprehende as maiores auctoriiades medicas do nosso meio, vindo dahi o
prestigio deste centro de cultura medica, já muito acreditado em todo o paiz. O
seu actual director, dr. Camillo Salgado, nome dos mais reputados nos circulos
scientificos do Pará, foi a força prrpulsora do movimento que creou a Faculdade
de Medicina e ainda agora, incançavel e prestigiado, é o animador de do util
centro de estudo.
A Faculdade de Medicina é auxiliada pela União, que annualmente regista
em seus orçamentos uma verba destinada á Faculdade, subvencionando-a tambem
o Estado e o Municipio de Belem. As municipalidades do interior, por sua vez,
prestam-lhe seu concurso.

113
O corpo docente 6 composto de 34 professores cathedraticos e 5 substitutos.
Possue a Faculdade de Medicina varios laboratorios, bem apparelhados,
onde os
Cursos praticos são feitos com proficiencia.
Em cinco annos de existencia a Faculdade de Medicina já
deu 34 medicos,
tendo cerca de 58 alumnos pedido transferencia para
identicos cursos medicos
da Bahia e Rio.
São incontestaveis os serviços que esse estabelecimento de ensino
superior
vem prestando á nossa terra.

Escola de Agronomia. A Escola de Agronomia e Veterinaria do Pará


é um estabelecimento de fins incontestavelmente praticos
e vem prestando ao
Estado relevantes serviços no preparo dos jovens agronomos
que se destinam a
orientar, por novos moldes scientificos, a incrementação da
nossa lavoura. Com
poucos annos de funccionarnento e luctando com uma serie de
naturaes dificul-
dades para consolidar a sua grande e patriotica obra,
a Escola já conta com um
acervo de bons serviços prestados á terra paraense, naquillo que constitue
um
dos seus problemas mais percucientes o desenvolvimento da agricultura regio-
nal, até então feita amorphamente e por methodos
antiquados. Cada anno a Es-
cola de Agronomia entrega á vida pratica um
numero regular de diplomados,
que partem para o campo fecundo com uma somma estimarei de conhecimentos
uteis. Alguns dos nossos agronomos já occupam em importantes
serviços manti-
dos pelo Ministerio da Agricultura logares de destaque,
enaltecendo, assim, os
creditas da Escola e o herculeo esforço de quantos têm
concorrido com a sua fé
inabalavel para o soerguitnento de tio proveitoso ensino
technico.
Temos sob as vistas o excellente relatorio apresentado pelo
seu competente
e esforçado director, dr. José Ferreira Teixeira, em o qual chegam
ao nosso co-
nhecimento, numa synthese digna de encomios, os resultados dos trabalhos
ultimo anno Lectivo. no
A Escola mantem dois cursos distinctos, um de Agronomia
e outro de Me-
decina Veterinaria. Em ambos os cursos existem
matriculados ao todo 64 alu-
mnos, o que demonstra o interesse que essas especialidades vão despertando
o nosso melo. em
0 Estado auxilia presentemente coo] 30:000S000 e
a União dá o auxilio
de 5o:000S000, já recebidos, destinados ao augmento do Pavilhão
«Lyra Castro»,
acquisição de mobiliarios, installação dos gabinetes de Microbiologia
e Parasito-
logia, Anatomia Pathologica, Physica experimental
e Meteorologia. Os munici-
pios paraenses concorrem com o auxilio de r6:280$000,
em troca do qual lhes
são concedidas vagas para alunanos par elles indicados. A Escola
de Agronomia
mantem um Campo de Cultura de sementes e plantas seleccionadas.
Pelo annexo que acompanhou o relatorio deste anno verificámos
Campo de Cultura, entre outras plantas, que o
produziu no correr deste primeiro
semestre 6.600 mudas de plantas forrageiras. 251 kilos de productos
vegetaes,
1.453 fructos alimentares diversos, 30 touças de plantas industriaes
e 900 mudas
de plantas estimulantes.
A Directoria está.animada dos melhores intuitos
no sentido de fundar um
curso para capatazes ruraes.
Faculdade de PhahnaciaA Faculdade de Pharmacia, apesar da caren-
cia de certos apparelhamentos, no começo, e de sua exigua
matricula, vae pre-
enchendo o seu fim primordial, que é preparar a classe de pharmaceuticos, cada
vez mais imperiosa num Estado como o nosso, cujo corpo clinico não suffi
ciente para attender á extensão territorial e quantidade de cidades disseminadas
pelo interior. Ninguem ignora a facilidade com que certas pessoas, sem nrnhurn
estagio pelas nossas principaes pharmacias, exerciam as funcções pharmaceuti-
cas, que, nas cidades e villa; mais longinquas, são quasi equivalentes ás de medi-
cos. Com o funccionamento da nossa Faculdade de Pharmacia esse mal vae sendo
aos poucos remediado. Acreditamos que esse departamento de ensino ha de ter
seus dias de prosperidade.
O corpo docente, embora mal remunerado, vae cumprindo severamente os
seus deveres, procurando todos os lentes auxiliar a dedicação da Directorin.
A fiscalisação é exercida pelo dr. Bacellar Junior.
Em Janeiro deste anuo foi inaugurada a sala de Congregação, o que repre-
senta um grande esforço em pról do melhoramento material da Faculdade.
Uma grande lacuna havia allia falta de uma pharmacia que servisse de es-
cola pratica da arte de manipulação. Pesar dos parcos recursos financeiros, a Di-
rectoria já providenciou paia preencher tio sensivel lacuna, sendo adquiridos
novos apparelhos para o laboratorio pharmaceutic° e gabinete, destinados is aulas
praticas.
O governo passado realizou obras de melhoramento no predio onde func-
ciona a Faculdade de Pharmacia, pertencente ao seu patrimonio.
Conforme consta do relatorio do dr. Joaquim Vianna, dedicado director; a
renda de Janeiro a Junho do corrente anno attingiu a 4:o aS000, tendo a des-
pesa sommado 1:61o3600, donde se verifica um saldo de 2:41o8400, que,
sommado ao de 2:752$400, vindo do anno de 1928, perfaz o total de 5:162$800,
em deposito no Banco Ultramarino.

Faculdade de Odontologia. Um outro esforço não menos di.k.;no de applau-


sos foi o que creou, entre nós, a Faculdade Livre de Odontologia do Para. Fundada
em 1914, logrou ver seus diplomas reconhecidos no nossoEstado pelo Dec. n.
1.45 t, de 21 de Outubro de 1914 e no Estado do Maranhão pela Lei n. 764, de.
23 de Abril de 1917. Fiscalisada pelo Governo Federal, foi equiparada pelo
voto unanime do Conselho Superior de Ensino, em sessão de 3 de Agosto
1923. Devido á situação financeira premente, aggravada com o não recebimento
de subvenções dadas pelo Estado e Municipio de Belem durante tres annos, a
Congregação renunciou, em 1927, perante o Ministro da Justiça e Negocio;
Interiores a mesma equiparação, pela impossibilidade em que se viu de não po-
der pagar as quotas de fiscalisação. Desde os seus primeiros dias a Faculdade de
Odontologia mantem um serviço permanente de assistencia dentaria para os po-
bres, que serve de aprendizado aos alumnos. Essa escola pratica tem prestado
bons serviços aos presos da Cadeia de S. Jose, escolas publicas do Estado e do
Municipio e alumnos da Escola de Apprendizes Marinheiros.
A matricula do anno corrente accusa o total de 125 alumnos, assim distri-
buidos : primeiro anno 82 alumnos, segundo anuo 37, terceiro anuo 6, dos
quaes 17 pertencem ao sexo feminino.
O corpo docente deste estabelecimento de ensino odontologico, que muito
nos honra, é composto de clinicos e de cirurgiões dentistas de reconhecida capa-
cidade profissional, sendo director o dr. Antonio Magno e Silva.

115
Gymnasio Paes de CarvalhoSob a direcção
Ensino Secundarlo competente do respectivo director, dr. Ama-
zonas de Figueiredo, continda o Gytnnasio Paes
de Carvalho prestando os mais relevantes serviços á
mocidade estudiosa do Pará.
Data da direcção do dr. Amazonas de Figueiredo
o grande reldvo do nosso Gym-
nasio. E' um nucleo de instrucção modelar pelo zdlo
e competencia, não só do
seu director, como do corpo docente.
O augment° da matricula em cada anno que passa deixa
Gymnasio nit) comportará no proximo anno o numero provavel deprever que o
A situação é de verdadeira angustia. Pelo relatório do director candidatos.
chegámos á evi-
dencia de que as aulas funccionam com muita regularidade, sendo grande
a fre-
quencia. Allude ainda o dr. Amazonas de Figueiredo á
facilidade com que os
paes mandam, para o Gymnasio alumnos que nit) prestaram ainda os
exames de
certificado, sacrificando-os a um inevitavel insuccesso
por falta de preparo para o
curso secundario.
Lamentavelmente o Regulamento em vigor não exige para
exame de certificado complementar.
a matricula o
Concluiram o curso em 1928 ao alumnos de ambos
os sexos. O serviço de
instrucção militar é ministrado com regularidade, tendo prestado
bandeira um grande numero de reservistas. exames e jurado
Perfeitamente em. harmonia coal as determinações contidas
no decreto legis-
lativo federal n. 16.782-A, de 13 de Janeiro de 1925,
o ensino no Gymnasio
continúa a ser ministrado de modo a proporcionar resultados
quanto possivel
efficientes. Estabelecimento que tem. como padrão o Collegio Pedro
é a seguir, em tudo, o alludido decreto, mais as alterações II, obrigado
que constantemente
são recommendadas.
Temos ery2 o nosso estabelecimento, actualmente, o regimen seriado,
buido por cinco annos de curso, innegavelmente, distri-
quando bem comprehend ido,
o melhor dos systemas: A affluencia de matriculados faz-se obice, é
certo, á bôa
applicação dos methodos aconselhados. Entretanto; graças á bôa
vontade de todos,
vamos, á medida que nos permitte a situação financeira, vencendo
os entraves á
feliz execução dos program mas.
Sobre as matriculas deste anno diz o director do Gymnasio

a/slio sei dizer de época em que tão numerosa tenha sido a


matricula no Gymnasio. Creio mesmo que, desde sua fundação,
em 1841, jamais qualquer movimento de estudantes se avantajou
ao actual, e esse crescendo se faz sentir a cada periodo lectivo, de
tal fórrna a crear a esta Directoria franca
preoccupação, olhada
como deve ser a falta de espaço para conter a communidade escolar.
Bem observou s. exc. o Sr. dr. Governador do Estado, bem
verificou
v. exc., pessoalmente, quanto ha de verdade na minha exposição.
Qual, pois, a solução para tic) melindroso problema ? Sim-
plificar a matricula ? Cancellal-a Mc) me seria dado apreciar a
medida. Tamanha é a população escolar, e nessa do elevada a per-
centagena de desprotegidos da fortuna, de pobres, que, francamente,
exc., tal resolução importaria o clamor dos que se não podem ma-
tricular em coilegios particulares de remuneração fixa.
Parece-me
116
tudo estaria resolvido se, a par do numero capaz de salas, a si-
tuação do erario publico estivesse em condiçaes de compensar o
trabalho do professor, actualmente, pela reforma vigente, obrigado
a horas determinadas de serviço, percebendo mais, portanto, por
qualquer excesso. Entretanto, esta Directoria, sem outra solução,
espera dessa Secretaria a suggestão que melhor harmonise o as-
SUM pto».
-----
A r de Abril do anno corrente, is 8 horas do dia, na fórma da lei, fizemos
reabrir as aulas desse educandario com um total de 534 alumnos matriculados. Po-
demos mesmo dizer que o Pará tem dois cursos gymnasiaes otEciaes, um func-
cionando pela manhã, com 269 alumnos, outro á tarde, com 265.
Uma ligeira revista á matricula de annos anteriores, a partir de 1925,
mostra-nos, claramente o quanto ha progredido o numero de discentes
1925 ALUMNOS ALUMN1S TOT XL
1.0 anno 53 90
9.' » 31 17
3° 19 93
4.0 15 10
5. »
13 5

131 7;i 2116


1926
1.0 anno ....... .. 102 91
9.0 »
55 90
3.0 » 99 16
4.° »
18 16
5.' »
14 7

211 80 991
1927
1.0 arm° 119 94
9.° » 113 23
3.0 0 38 18
4." » 91 13
5.0 » ..... . ..... ...... . LI 16

305 94 399
1928
1.° anno ........ 129 90
9.0 »
124 29
3.° » 77 19
4.° » 39 13
5.° » 17 13

379 87 -166
1929
1.0 anno 142 98
2.0 » 104 21
3.0 » ......... 91 19
4.0 72 16
5,0» .

29 19

438 96 534
Accusa o calculo uma diferença, para mais, no anno corrente, de 68 edu-
candos,. e dentro de cinco annos, isto é, em compargin com a matricula de
1925, o augmento é de 328 estudantes. Sem duvida nenhuma esse movimento
animador e deixa em evidencia o conceito que os paes continuam a dispensar
a esse estabelecimento de ensino secundario.
Com o fallecimento do cathedratico de inglez, dr. Francisco Peregrino dos
Santos Tocantins, foi aberto o concurso dessa disciplina, que será realizado ainda
este anuo, concluido o praso do respectivo edital.
Como é de costume, todos os annos, a Directoria, com a verba de que dis-
põe, isto é, producto de taxas de matricula e parte das de inscripções em exa-
mes, manda proceder a melhoramentos imprescindiveis á bõl conservação do
estabelecimento. Assim, no period° de ferias, tem sido feito, de modo geral,
serviço de caiação e pintura, extensivo mesmo á sala de congregação. Reparos
inadiaveis soffreram tambem os mcveis e utensilios escolares, ora auguientado
de quarenta carteiras, de quatro logares cada uma. No salão de alumnos foram
substituidos o taboado e o vigamento, subst;tuição feita, egualrnente, na sala de
instrucção militar. Mesas diversas foram confeccionadas, quasi todas para uso
de professores. A Directoria importou para o gabinete de Physica e Chimica
regular copia de material, como provetes, retortas, cadinhos, balões e peças ou-
tras diversas. O gabinete de Historia Natural está augmentado de tres armarios
proprios, obra de marcenaria, além de varios animaes preparados e empalhados
nesta capital. Para a sala de congregação foram adquiridas duas duzias e meia de
cadeiras. A par desses e de varios outros melhoramentos, a Directoria, attendendo
á situação do Thesouro do Estado, fez aviar, com a referida verba, todo o ma-
terial de expediente do Gymnasia constante de papel, livros de ponto, de ma-
tricula, protocollo, tinteiros, esponjas, giz, mappas diversos e muitos outros
absolutamente indispensaveis. Convém dizer que, para os reparos constantes do
material escolar, das calhas, gotteiras, etc., a Directoria tem em serviço quasi
permanente carpinas, pedreiros e marceneiros.

Escola NormalNa direcção da Escola Normal vem servindo ha annos o


dr. Elias Vianna, competente pedagogo, a quem o ensino normal deve uma som -
ma incalculavel de beneficios pela dedicação inimitavel com que dirige esse esta-
belecimento de ensino secundario. O nosso curso normal, bem organisado e
servido por um coroo docente composto de professores de renome, é muito re-
putado quer no Estado, quer fóra delle. Tanto isso é uma verdade que varias
alumnas do curso normal do Pará têm sido matriculadas em identicos cursos
mantidos em outros Estados da Federação sem prévio eiarne ou outra formali-
dade, que pudesse fazer diminuir os creditos da Escola Normal paraense.
Esse prestigio decorre do interesse que a Directoria e o corpo docente têm
pela manutenção do bom nome que a Escola Normal desfructa. A disciplina alli
é rigorosa e o ensino é ministrado pelos methodos mais modernos, de modo a
assegurar completo exito á finalidade do referido curso.
A' matricula concorreram 435 alumnos, sendo 433 do sexo feminino e 2 do
sexo masculino, sendo no primeiro anno 56, no segundo 131, no terceiro 109,
no quarto 82 e no quinto 55.
Em Janeiro deste anno collaram gráo solennemente no Theatro da Paz 46
alumnos, sendo um do sexo masculino.

118
Foram distribuidos varios premios aos alumnos que mais se destacaram du-
rante o anno lectivo, cabendo o premio de pedagogia á alumna Eugenia de Sousa
Rodrigues, que tambem recebeu o premio 'Lauto Sodréa.
No correr de 1928 foram feitas diversas nomeações effectivas de professores
concedidas duas disponibilidades.
A Directoria mandou fazer 20 bancas-carteiras para as aulas.
Gabinete de Historia Natural, cuidado com o carinho que se nota ao pe-
netrar nelle, é um departamento que nos honra, pelo material que possue, tendo
sido inaugurado a quando de uma das nossas visitas a esse estabelecimento de
instrucção.
Embora em inicio, já possue a Bibliotheca da Escola obras de grande
valor.
GaSinete de Physica e Chimica é outro departamento de proveito util para
estudo pratico dessas tnaterias e está muito bem appareihado de todo o material
necessario ao ensino.
Alhade o Director 5 falta de um preparador, que o conserve devidamente.
problema mais urgente que está a exigir uma prompta medida é a angustia
do espaço, visto ser necessario augmentar o numero das matriculas, que crescem
de anno a anno. E' doloroso limitar o numero destas, mas, se as nossas condições
financeiras não perrnittirem tomar outros alvitres capazes de dirimirem essas diffi-
culdades. ou seremos obrigados a ordenar esta providencia ou teremos que fazer
uma remodelação no ensino normal, a fini de desangustiar aquelle departamento
de ensino.
Escola Pratica A Escola Pratica, mantida pela Associação Commercial
para a formação de guarda-livros, é uma instituição de fins uteis e praticos.
A sua Directoria tem se esforçado para dar um cunho de real destaque á
Escola Pratica, o que tem conseguido sobejamente.
De anno para anno a matricula aumenta, tendo sido em 1927 de 27S
alumnos, cOncluindo o curso 12, em 1928, 286, concluindo o curso 17, e em
1929 attingiu a matricula a 303 alumnos, sendo digno de nota que o contin-
gente feminino é sempre grande.
Se o numero de candidatos crescer nessa proporção, a Escola será obrigada
a restringir a inscripção.
Escola de Chimica Industrial.Por accôrdo celebrado em 24 de Junho
de I920 entre o Governo Federal e o Museu Commercial, creado e mantido
pela Associação Commercial do Pará, foi concedida ao dito Museu uma subven-
ção annual de cem contos de réis para fundar urna Escola annexa de Chimica
Industrial, devendo o programma deste estabelecimento superior de ensino obe-
decer ao piano adoptado pelo Ministerio da Agricultura em todos os outros
cursos similares, organisados em execução da lei orçamentaria de despesa, n. 3.991,
de 5 de Janeiro de 1920 (art. 27).
A Escola de Chimica Industrial do Pará, com os seus laboratorios devida-
mente montados e munidos de apparelharnento necessario, foi inaugurada em 16
de Novembro de 1921; funcciona sob a direcção do sr. Paul Le Cointe, director
do Museu Commercial, secretariado pelo dr. Renato Franco; o seu corpo docente
está constituido pelos drs. Georges Bret e André Callier, engenheiros chimicos

119
francezes contractados, Paul Le Cointe, Antonio Marçal e Renato Franco, havendo
mais dois preparadores, os srs. Luiz Augusto de Oliveira e Arthur de Miranda
Bastos, ambos chimicos formados e diplomados pela propria Escola.
Além do ensino technico, theorico e pratico, ministrado nas suas aulas e nos
seus laboratorios, os especialistas da Escola têm-se esforçado em auxiliar as indus
trias incipientes na região, encarregando-se de analysar as materias primas trazidas
do interior, respondendo promptamente a todos os pedidos de informações e
fazendo, quando preciso, demonstrações praticas nos laboratorios.
Desde a sua fundação até o presente anno foram realisadas nos laborato-
rios da Escola 533 analyses, sendo 199 requisitadas pela Alfandega, 7 para o
Apprendizado Agricola do Acre, a Inspectoria Agricola e a Estação Experimen-
tal de Fumo, e as restantes (329) para particulares.
O ensino é gratuito; a matricula tem variado de 8 a 12 alumnos, não at-
tingindo ainda o numero de dezeseis, que permitte a lotação dos laboratorios.
No fim do presente anno lectivo devem apresentar suas theses tres candi-
datos ao diploma de chimico.
A direcção está preparando o primeiro numero de um Boletim onde serão,
periodicamente, dados á publicidade as pesquizas e os estudos originaes dos
professores da Escola e dos seus alumnos.

Instituto Lauro Sodré Dois estabelecimentos


Ensinr 'roflssional de instrucção profissional mantem o Estadoo
Instituto Lauro Sodr6 e o Instituto Gentil Bitten-
cour stinados ás creanças pobres.
No primeiro o ensino profissional é distribuido de um modo que compre-
hende varias profissões, taes como a de typographo, encadernador, funileiro,
al-
faiate, sapateiro e ferreiro, além do apprendizado agricola e outros ensinamentos
uteis e praticos, que habilitam o internado, uma vez concluido o seu
curso, a ser
um operario independente.
Bem longe está o tempo em que só se cuidava de desenvolver nas creanças as
funcções intellectuaes. A questão actual sobre o ensino é verdadeiramente econo-
mica. Um povo que não instrue a sua mocidade e não a prepara para as grandes
e ineluctaveis conquistas economicas, cada vez mais necessarias, está fadado a ficar
na rectaguarda dos poros que caminham em busca do seu progresso. Cada indi-
viduo deve ser um factor da economia da nação e como tal deve ingressar na vida
com as aptidões necessarias para vencer, ser util a si proprio e á communhão a
que pertence. Foi por isso que os paizes mais avançados em civilização, após a
grande guerra, cuidaram logo de ministral-as nas escolas e despertar nas creanças
o enthusiasmo por esta nova feição da vida.
Se essa verdade se impõe como these geral, abrangendo todas as classes so-
ciaes, é irrefragavel quando defrontamos as classes pobres, sem fortuna, que pre-
cisam luctar para viver.
Muito avançados nessas idéas, somente dissemenadas com vehemencia depois
da conflagração européa, nós ha annos instituimos o ensino profissional no Insti-
tuto Lauro Sodré. Os resultados praticos não tardaram e, á medida que marchava-
mos, iamos verificando quanto de util e de proveitoso resultava dessa directriz.
No curso de alguns annos o Instituto Lauro Sodré restituiu á sociedade um
numero extraordinario de creanças pobres colhidas em toda parte, destinadas pela

121E
sua pobreza e ignorancia t vagabundagem perniciosa, transformadas,
pela acção
do ensino profissional, em operarios e elementos de progresso
da nossa eco-
nomia.
O Instituto tem passado por diversas phases, umas báas, outras de quasi
decadencia. Entretanto, podemos affirmar que actualmente, pezar de nossas diffi-
culdades financeiras, está apparelhado para os fins a que se destina.
A adminis-
tração actual, confiada ao zelo, actividade e incontestavel probidade
do professor
'e academic° Santino Ribeiro, tudo envida para restaurar os creditos de do util
quanto humanitaria instituição. Ha em tudo uma ancia de trabalho, de
restauração,
de adaptação, de progresso bem comprehendido, um verdadeiro
movimento anima-
dor de energias até então latentes, a par de uma economia moldada num
sys-
tema que redunda em expurgar o superfluo e o que é sum ptuoso.
Os primeiros passos do director Santino Ribeiro ao assumir no governo pas-
sado, as suas funcções, foram norteados pelas condições precarias de
conservação
do magestoso predio onde foi installado esse estabelecimento de
ensino. As offi-
cinas, segundo afirma a Directoria em seu relatorio, soffreram
reparos, sendo
feitas acquisições de machinas necessarias ao apprendizado e á confecção de tra-
balhos, cujos productos augmentaram a renda mensal.
A matricula attingiu ao numero de 300 educandos. Sete aulas contém o
estabelecimento, com seis annos de curso, quatro elementares e dois comple-
mentares, alem das aulas de musica e desenho. O ensino technico tambem é
bem organisado, tendo bons professores. A oficina de typographia é dirigida
pelo mestre Severinn Horacio da Costa, a de encadernação pelo mestre Gemino
Monteiro de Almeida, a de alfaiataria por Euclydes Primogenito de Cas:ro. a
de marcenaria Arthur Casemiro Borges, a de sapataria, Francisco da Silva Me-
deiros, a de funilaria, Domingos Roberto Pimentel e a de ferraria por João Hyp-
polito de Araujo, todos profissionaes competentes. Em varios desses departa-
mentos não existem operarios, pois Da sua maioria os que alli trabalham sio
ex-alumnos do educandario.
Na chefia do curso theorico contintiam a bem desempenhar suas funcções
o professor Francisco da Silva Nunes e na do curso pratico o sr. Ildefonso
Na Thesouraria funcciona a contento o sr. José Mineschy.
O Instituto mantém um campo de ensino agricola, que está em experi-
encia ainda.
Urna báa banda de musica tem o educandario e urna escola de instrucção
militar.
Pelo balanço procedido a 31 de Dezembro de 1928 o Instituto apresentou
um saldo de 14:5368448. A oficina que maior lucro dá é a de typographia,
que é conhecida pelo esmero de seus trabalhos artistizos. A de marcenaria rem
apresentado moveis de fino gosto.
O director Santino Ribeiro tem se esforçado para dar um cunho de
alto destaque ao Instituto, transformando-o economicamente numa fonte de
renda.
Do rela.torio da Directoria constam os seguintes serviços custeados Pelo
Instituto Lauro Sodré, de Fevereiro deste anno para zi
Consumo de pio (mensalmente) 1:3008000
Calçados para alumnos 8:000$000
Roupa para a enfermaria ....... ..... ........... 2:000$000
121
Machinas adquiridas
1 para a sapataria . 1:000$000
1 para a encadernação
Papel para o DIARIO OFFICIAL.
Conservação do predio
.. 1:504000
4:01101;000
5:2004000
Materiaes para o Almoxarifado .
2:46015450
E' precise, accentuar bem que isto data de nossa administração, em conse-
quencia das medidas que tomámos.
Espera a Directoria no proximo anno não recorrer ao Thesouro para a
acquisição de roupas para os educandos.
Além desses institutos profissionaes mantidos pelo Estado existem ainda
no Estado tres mantidos pela União Patronato Manoel Barata, com 120 alu-
mnos; Escola de Apprendizes Artifices com, 584; Apprendizes Marinheiros, cotn
128, e Chimica Industrial, com 12.

Instituto Gentil BittencourtO Estado mantém o Instituto Gentil Bitten-


court, estabelecimento destinado ás creanças pobres, onde estas, ao lado do ensino
ministrado por competente corpo de professoras normalistas, em numero de dez,
têm um curso de prendas domesticas, que é verdadeiramente modelar, dirigido
pelas irmãs religiosas da.Ordem de Sant'Anna. Ha tambem cursos de musica e
desenho.
A matricula actual é de 175 alumnas.
O Instituto mantém tambem um bom Pensionato, que contém 46 alumnas
internas e rio externas. O curso primario está a cargo de religiosas brasileiras
diplomadas e o se-cundario sob a direcção de competentes -professores contractados.
O Estado fornece carne e luz e. um conto de réis por semana. Com o ren-
dimento do pensionato as irmãs auxiliam outras despesas.
Annualmente o Instituto faz lima bella exposição de prendas confeccionadas
alli, cuja renda é applicada em beneficio do estabelecimento.
O Instituto Gentil Bittencourt é um educandario que muito nos envaidece
poucos existem no paiz nas suas condições, sob qualquer ponto de vista por que
se o encare em confronto com os seus congeneres. E' uma tradição que o Estado
conserva com muito carinho e por elle têm passado muitas geraçõ.s de moças
da nossa sociedade, trazendo para a vida uma somma inestimavel de uteis conhe-
cimentos e uma moral dignificante.
A direcção do educandario creou alli, a titulo de experiencia, um curso com-
mercial destinado ás pensionistas que desejem seguir a profissão de guarda-livros.
Os resultados têm sido animadores, sendo provavel que outros ensinamentos
venham a ser adoptados á medida que as condições financeiras do Pensionato o
permittirem. Tudo isso revela o largo descortino com que as irmãs relig.osas que
dirigem, tendo á frente a fi,,ura bondosa de soror Anna de Jesus, a Superiora,
vêm prestando excellentes serviços ao Estado na manutenção do instituto, para
qual temos as vistas voltadas no afan de augmentar cada vez mais a sua fina-
lidade educadora.
Corn o fallecimento do venerando Barão de Anajás, que ha muitos annos
exercia o cargo de medico do Instituto, com zelo e proficiencia, foi
preenchida
essa vaga com a nomeação do dr. Agostinho Monteiro, reputado clinic°
para-
ense e professor na nossa Faculdade de Medicina.

122
Por feliz e louvavel iniciativa dos srs. professor
Instituto Carlos Gomes João Pereira de Castro, maestros Ettore Bosio e
José Domingues Brandão e professor CincinIto
Ferreira de Sousa, acaba de ser reorganisado, em Betem, o Instituto Carlos Ga-
mes, á cuja reinauguração solenne, effectuada a II de Julho ultimo, no Theatro
da Paz, comparecemos, pessoalmente, bem como as auztoridades da União,
Estado e Municipio.
Extincto ha mais de vinte annos, o nosso antigo Conservatorio de musica,
que tanto floresceu e fructificou, conquistando justificado renome atravéz a
efficiencia de seu funccionamento, precioso para a elucação artistica de missos pa-
tricios, vimos, com satisfacção, o seu resurgimento, procurando facilitar aos seus
fundadores, dentro das possibilidades do governo, quanto necessitassem para a
realisação dessa obra de patriotismo, que as aperturas das finanças publicas, em
annos successivos, não pertnittiratn aos governos restaurar.
E' seu director o maestro Ettore Bosio, acatado profissional, tomando a di-
recção da secretaria do estabelecimento o professor Pereira de Castro, conhecido
espirito de organisação e trabalho, tendo as aulas começado a funccionar a 12 de
Julho, com a auspiciosa matricula de 95 alumnos. Compõe-se o seu corpo.do-
cente, por emquanto, de 8 habeis professores, que regem aulas de canto, piano,
violino, elementos, divisão e solfejo, devendo começar a funccionar, no anno
vindoura, as de harmonia, historia e esthetica da musica e aperfeiçoamento, além
das de instrumentos diversos.
Para seu funccionamento provisorio cedemos o edificio das Escolas Esta.
duaes Nocturnas Cypriano Santos, á avenida Arcypreste Manoel Theodoro, 142,
predio, aliás, de accornmodações insufficientes para uma instituição dessa natureza.
Modelar é a orgataisação do Instituto, que surgiu sob as sympathias unani-
mes da 'população e para o qual é licito prever prospero futuro.

Ante a necessidade imperiosa e inadiavel de uma


Poder Judiciario reforma no corpo de leis processuaes do Estado,
cada vez mais premente depois da vigencia do
Codigo Civil, deliberámos no começo da administração reunir em' Falado os
vultos de maior destaque nas lettras juridicas, incluindo membros da magistra-
tura federal e estadual, advogados mais notaveis e jurisconsultos,, professores
direito, afim de consultal-os sobre o melhor meio dessa reforma.
Tivemos a honra de presidir a essa reunião no dia 3 de Abril do corrente
anno, em Palacio, comparecendo, além do dr. Oscar Barreto, Secretario Geral
do Estado, as seguintes pessóas: desembargadores Santos Estanislau, Pires dos
Reis, Augusto de Borborema, Avertano Rocha, drs. Amazonas de Figueiredo,
Samuel Mac-Dowell, Augusto Meira, Elias Vianna, Ferreira de Sousa, Jose
Matcher, Eladio Lima, Virgilio Mello, Luiz Estevam, Cezar Coutinho, Remigio
Fernandez, Alfredo Chaves, Alfredo Lamartine, Amaral Brasil, Akin° Cacella,
Anto-nino Mello, Antonio Chazon, Maroja Netto, Mariano Antunes, Dejard de
Mendonça e Morisson Faria.
Foram discutidos diversos alvitres lembrados sobre a maneira de se reatizar
essa reorganisação processual sempre num ambiente de perfeita cordialidade,
ficando definitivamente assentado respeitar-se a continuidade da tradição, obser-
vando.se na feitura dessa obra judiciaria o Reg. 737 e as leis vigentes no .Es-

123
tado, com as alteraçaes impostas pelo novo regimen juridic° creado pelo Codigo
Civil e tomadas em consideraçaes as conquistas dos novos codigos processuaes
em .vigor em alguns Estados da Federação.
Dividimos os juristas presentes em duas grandes commissões, uma en-
carregada da parte processual civil e commercial, e a outra da parte criminal.,
Numa outra reunião as duas commissões, presididas pelos desembargadores San-
tos Estanislau e Pires dos Reis, deliberaram sortear os respectivos titulos do nosso
codigo processual pelos membros componentes das mesmas e marcaram um
praso razoavel para cada um apresentar o seu trabalho.
Temos a satisficção de affirmar que todos se desempenharam já dessa in-
cumbencia, sendo, á medida em que eram entregues os trabalhos, publicados
num jornal de grande circulação local para que a. reform judiciaria tenha a
mais ampla discussão e receba a collaboração de todo aquelle.que quizer trazel-a.
Animados estamos de iniciarmos a .vida forense nõ próximo anno com a
nossa legislação processual completamente reformada e adaptada ás exigencias
da evolução juridica que se tem operado de 1905 para cá, data em que regula-
mentámos o nosso processo civil, commercial e 'criminal.

Guarda fiel da Constituição e da execução das


Tribunal SUperior leis e supremo arbitro da justiça do Estado, o
Tribunal Superior de Justiça do Pará vem cum-
prindo a sua missão com brilho e alto senso juridic°. Devemos essa homenagem
á mais alta côrte de justiça do nosso Estado..
Na presidencia do Tribunal acha-se o desembargador Manoel Buarque Pe-
dregulho, de quem recebemos circumstanciado relatorio sobre varios assumptos
jUdiciarios.
Verificámos que ainda existem 15 districtos judiciarios nit° providos por
juizes substitutos titulados. O mesmo empenho com que temos agido para
preencher com bachareis os cargos de promotores publicos, empregaremos em
relação aos juizes substitutos. Pelos relatorios dos juizes de direito do interior
chegámos á -evidencia de que reina com pleti paz .em todo o Estado, motivo de
satisfacção para todos nós, que desejamos um regimen de liberdade e de ordem
para todos e uma justiça cercada de todo prestigio.
Allude o relatorio do presidente do Tribunal á conveniencia da mudança
da séde d.a.cpmarca de Aricary para Oyapock, Clevelandia, logar mais sadio e
com melhor conforto para as auctoridades judiciarias que Montenegro, conforme
afirma o juiz de direito dalli.
Com palavras sentidas refere o presidente a m.a causada pelo fallecimento
do desembargador Cunha Barreto, que exercia as funcções de procurador geral
do Estado.
A Revista do Tribunal contintia a ser impressa nas oficinas do Instituto
Lauro Sodré, por conta do Estado, estando na sua direcção o dr. Modesto Costa,
juiz do interior em commissão na capital.
Pelos mappas estatisticos do relatorio verificámos que durante o periodo de
um ;nno o Tribunal Superior julgou 242 feitos: habeas-corpus 42, recursos de
habeas-corpus 14, recursos criminaes 20, appellações criminaes .59, .appellações
civeis 38, aggravos 34, cartas testernunhaveis 12, embargos 16, deserções de
aggravos 2 e deserções de appellações 5.

124
Pelo bem feito relataria do juiz de direito da quarta vara criminal, o honrado
dr. Aurelian° Lima, tivemos a opportunidade de aquilatar do grande movimento
que teve esse departamento da justiça criminal, pois deram entrada 159 denun
cias, além de '283 petições Sabre varias' assumptas, sendo expedidos 539- mane
dados, 215 officios e lavrados 25 termos de fiança, reunindo em 13 sessões o
Tribunal do ' Jury, o que denota a operosidade dos juizes e dos demais func-
cionarios da Repartição. Criminal.
A nossa magistratura é composta na sua generalidade de juizes illustrados e
honrados, verdadeiros abnegados. Na vida do interior então o sacrificio do juiz
maior, porque vive num meio muitas vezes sem certo conforto. As tradições da nossa
magistratura sic) verdadeiramente nobilitantes, porque o maior titulo de nobreza
do juiz paraense é cumprir o seu dever com brilho e muito criteria, a par de
sua reconhecida cultura juridica. Será uma das nossas maiores satisfacções melhorar
a condição de vida da magistratura, augmentando seus vencimentos quando as
suas finanças o permittam. Em qualquer hypothese estaremos sempre vigilantes
para que a justiça viva acatada, respeitada, livre de quaesquer injuncções e cada
vez mais confortada com o respeito de suas prerogativas, tio necessario para quem
tem a missão elevada de fiel distribuidor da justiça.

O Procurador Geral do Estado, desembarga-


Mlnisterio Publico dor Avertano Rocha, apresentou longo rela-
torio de todas as occorrencias havidas no
peiriodo de um anno no Ministerio Publico, enviando varios e interessantes
mappas estatisticos demonstrativos dos serviços deste departamento.
Muitos assumptos de relevancia foram abordados pelo chefe do Mi-
nisterio Publico. Tratou o Procurador Geral do promissor provimento dos
cargos de promotores das comarcas do interior por titulares, o que, desde o
inicio do nosso governo, tem sido uma das nossas preoccupações. Animados
estamos ainda de enviar bachareis em direito para todas as comarcas,
quer como promotores, quer como juizes substitutos. Mereceram referen-
cias especiaes no relatorio a que vimos de nos referir o regular funcciona-
mento do Conselho Penitenciario do Estado, concessões de livramentos
condicionaes, o novo regulamento de custas do Ministerio Publico, que
precisa ser modificado, a Curadoria de bens de ausentes e de heranças ja-
centes, assim como a interferencia amistosa do Procurador Geral, por
nós commissionado para dirimir as possibilidades de mal-entendidos entre as
populações do nosso Estado e do Amazonas, na zona de terras em litigio,
aguardando-se o resultado do pleito pendente de julgamento do Supremo Tri-
bunal Federal.
Como assumptos de maior importancia contidos no relatorio do Procu-
rador Geral do Estado destatamos relativo á materia de compe-
tencia privativa do Estado nas acções em que este tem interesse immediato,
afim de serem evitadas certas anomalias verificadas pelo chefe do Minis-
terio Publico por occasiâo de julgamentos do Tribunal Superior, sobremodo
prejudiciaes aos interesses publicos, e o outro á regulamentação do instituto
de usucapião; para serem evitados abusos repetidos de concessões de ter-
ras publicas mediante simples justificações e sem a previa audiencia do
Estado, pelo seu orgâo representativo que, neste caso, é o Procurador
Gera! do Estado: Incontestavelmente ex-vi do art. 67 do Codigo Civil as

125
terras publicas do Estado sac) imprescriptiveis e estão isentas de usuca-
pião, porque scSmente nos termos expressos em lei e, excepcionalmente, os
bens publicos podem ser tirados do dominio das pessoas juridlcas do di-
reito publico. Nessas condições as terras publicas não podem ser adquiri-
das por usucapião, maximé mediante simples e graciosas justificações.
Esses assumptos podem e devem ser suppridos com a reforma do
nosso codigo processual; entretanto, consideramos valiosa a jurisprudencia
do Tribunal Superior de Justiça do Estado em um dos casos submettidos
a julgamento.

justificação para prova de dominio pela usucapião, nos


termos do art. 550 do Codigo Civil, não é uma simples .justifica-
gão Para documento, ou para prova de posse no processo adminis
trativo do registro de terras sujeitas á legitimação ou revalidação.
A sentença proferida nessa justificação declara o dominio do
justificante, ao qual fica ella servindo de titulo para a inscripçâo
e valido contra todos que nella figuram, inclusivè os ausentes e
desconhecidos, citados por .edital.
Sendo a justificação dirigida contra o Estado, por se tratar de
terras publicas do dominio deste, qualquer que seja o caracteristico
processual que a ella se queira dar, administrativo ou judiciai.
manifestamente Incompetente o juiz de direito do interior para
processal- a e julgal-a.
Affectando directamente o interesse do Estado, porque versa
sobre terras que fazem parte do seu patrimonio, essa justificação
é da competencia privativa do juizo dos Feitos da Fazenda do
Estado nos termos da letira F do art. 323 da lei n. 930.
Essa disposição não contraria, de modo algum, as dispo-
sições da Constituição do Estado, que dispõe sobre a organisacâo
do Poder Judiciario e, extendendo. a jurisdicçáo do Tribunal Su-
perior a todo o Estado, limita a dos juizes de direito á sua comarca.
Mesmo que se queira considerar administrativa a jurisdicçâo
do juiz conhecendo dessa justificação, pela opposição levantada
no processo, tornou-se ella contenciosa.
O promotor publico e o collector estadual são partes illegi-
timas para receber citação em nome do Estado e o representar
no processo de justificação de posse de terras publicas para effeito
de usucapião.
O representante legal do Estado em juizo em todas as
causas por elle ou contra elle movidas é o Procurador Geral do
Estado>.

Pelos mappas estatisticos que acompanham o relatorio -de P-Toc,tgaclor


Geral do Estado verificámos que esta repartição desenvolveu grande acti-
vidade no desempenho das suas multiplas funcções. .

126
NAo mediremos nunca sacrificios para man-
terviço Sanitarlo ter. um. bom serviço sanitario. Ainda ago-
ra, pet:1r das crises economicas que nos
flagellam, a efficiencia do nosso Serviço Sanitario é um facto incontes-
tavel. Haja vista o que ha pouco occorreu neste Estado com o ap-
parecimento da febre arnarella. A,nossa vigilancia de muitos annos e a
acção vigorosa das autoridades sanitarias, ao irromperem ha mezes os
primeiros casos daquelle mal nesta cidade, foram coroadas de ple-
no exito.
saúde publica deve constituir uma das mais serias preoccupa-
ções dos governos. A nossa cidade, tantas vezes calumniada, desfructa
de um ameno clima e o seu estado sanitario, geralmente bom, em con-
frAto com o de outras cidades populosas do paiz e do extrangeiro, accusa
um coefficiente mortuario muito mais baixo que em outros centros
adeantados, tidos como favorecidos por clima e salubridade excellentes.
Através do ultimo relatorio apresentado pelo dr. Albino Cor-
deiro, director do Serviço Sanitario .(lo Estado, verifica-se que o estado
de salubridade da nossa capital e do interior é muito bom. Poucos
pedidos de medicamentos e de outros auxilios foram feitos no peno-
do de um anno, pelos intendentes.
Os surtos paludicos, que annualmente, e de preferencia nos
Periodos de transição das estações, costumam irromper no interior do
Estado, As vezes com uma violencia extraordinaria, foram neste peno-
do muito diminuto, pois, apenas Monte-Alegre, São Miguel do Guamá,
Abaeté e ultimamente Montenegro solicitaram ambulancias de medi-
camentos para combatei-os.
O movimento de mortalidade decorrente do impaludismo, du-
rante os ultimos dez annos e o primeiro semestre deste armo, como
Se vê do quadro abaixo, demonstra a efficiencia do nosso serviço de
prophylaxia.:
1919 2r-J9
1920 345
1921 405
1922 436
1923 445
1924 575
1925 438
1926 400
1927 380
1928 445
1.0 semestre de 1929 253
Com o appaiecimento da febre amarella na capital da Republica
foi intensificado o serviço de vigilancia sobre os passageiros daquella
procedencia. O nosso antecessor, com o intuito de defender e prevenir
este Estado do mal amarillico, convocou uma reunião das auctorida-
(ies sanitarias de terra e mar, inspector da Saúde dos Portos, directo-
res dos Serviços Rural, Sanitario Municipal e Estadual, afim de tomar
.121
medidas tendentes a evitar sua possivel explosão entre nós. Desse
entendimento resultou a combinação de medidas defensivas, logo pos-
tas ein,pratica, sendo as princiPaes.: intensificação do serviço deldcos
e mais rigorosa vigilancia sobre os passageiros.
Tentavamos iniciar o serviço de expurgo quando chegou a esta
capital o dr. Hugo Muenph, chefe da (Fundação Rockefeller», nesta
região, que, por contracto com o Departamento Nacional da Saúde
Publica, vinha tomar a seu cargo a iniciativa da prophylaxia da febre
amarella. Prophylaxia das mais dispendiosas, foi de grande auxilio ao
erario publico essa interferencia, pois veiu exonerar o Thesouro da
importancia de cerca de 200 contos annuaes.
Como auxilio a essa «Fundação», trabalham 14 homens por ordem
nossa na desobstrucção de valias e remoção de latas dos domicilios.
Tem sido ambos esses serviços feitos a contento e fiscalisada a remo-
ção de latas diariamente.
A cargo da Directoria do Serviço Sanitario do Estado ficou a
vigilancia dos receptiveis nas zonas infeccionadas e que é realizada com
bastante proficiencia e rigor por um inspector sanitario.
No Hospital São Sebastião foram isolados, para effeito de obser-
vação, tres doentes suspeitos de febre amarella, felizmente não con-
firmados.
De Janeiro ate Julho deste anno o numero de casos de febre
amarella confirmados, nesta capital, elevou-se a ro, dos quaes foram seis
fataes.
Desde muito está erradicada deste Estado a variola. Felizmente
vimos colhendo os fructos da semente em tão bôa hora lançada com
abnegação a vaccinação.
A' verificação immediata, ao isolamento obrigatorio e finalmente
á vaccinação e revaccinação intensiva e ininterrupta, desde 1904, de-
vemos a erradicação de tão grande flagello.
Hoje é facto incontestado e verificado o que de proveitoso foi
e continúa a ser o serviço de vaccinação nesta capital. A lucta foi tenaz,
sem treguas. Nunca esmorecemos, mas nunca tambem empregamos
a violencia. Por meios suasorios e brandos tudo conseguimos em
longos annos e agora o povo, tão certo está de sua efficiencia, que
ao primeiro brado da existencia de um caso de variola, corre a pro-
curar com ancia o meio prophylatico por excellencia a vaccina. A
prova exuberante deste nosso asserto está em que no armo de 1926,
com o surto variolico occorrido entre nós, a vaccinação e a revaccina-
cão nesta capital ascenderam ao elevado numero de 114.113, mais de
dois terços da população. Desde '904, 18 de Outubro, data em que
foi iniciado o serviço de vacqinação intensiva e continuada ate o
presente, o numero de vaccinações e revaccinações eleva-se
de total de 524.985. Foram notificados á Directoria Sanitaria ao gran-
diversos
casos tidos como suspeitos de variola, durante este ultimo semestre,
inclusive em Barcarena, em Maio, não se confirmando,
felizmente,
nenhum caso dos denunciados, tratando-se somente de simples
ricella ou piodermites passageiras. va-

128
Todos os annos apparecem alguns casos discretos de diphteria.
Foram verificadas nesse periodo apenas 15 notificações. Essa mo-
lestia entre nós nunca, felizmente, appareceu com caracter epidemico.
O numero de victimas não foi além de 3.
Infelizmente é sempre crescente de anno para anno o numero de
affecções pulmonares e mal podemos abrigar uma infima parte dos que
procuram no nosso unico hospital de tuberculosos os recursõs de as-
sistencia aos seus soffrimentos. Funccionou regularmente o Hospital
Domingos Freire durante o periodo abrangido pelos dois ultimos se-
mestres. As importancks destinadas ao seu custeio foram pelo The-
souro rigorosamente entregues em devido tempo, sem o menor atraso
de uma unica semana. O movimento de enfermos foi o seguinte: exis-
tiam 54, entraram 152, sahiram melhorados 35, falleceram i 18 e exis-
tem 53. Grande tem sido a coadjuvação das religiosas, que trabalham
alli com tanto zelo e dedicação.
Como acontece periodicamente, nas épocas hibernaes appareceram
diversos casos de grippe, haveado nos dois ultimos semestres 39 obitos
dessa molestia. Não tivemos, porém, a grippe epidemica, mas foram
verificados alguns casos aggravados por manifestações broncho-pulmo-
flares.
Os nossos hospitaes de isolamento estão todos em bona, estado de
conservação e apenas em funcção o 'Domingos Freire». Resentese
este da desvantagem de ser insufficiente, não correspondendo, assim,
ao fim a que se destina. Com a conclusão das obras do pavilhão 'Os...
wald° Cruz», um pequeno augment° houve com a retirada para este da
pharmacia, rouparia e sala das Irmãs, conseguindo-se local para mais
seis leitos.. A construcção da capella no corpo do mesmo pavilhão,
caso possamos fazei-o, dará logar para mais seis leitos, podendo accom-
modar maior numero de doentes, tantos são os que oedem e não podem
ser attendidos de prompto.
O Hospital São Sebastião, construido de madeira, serviu por mui-
tos annos para isolamento de variolosos.
O Hospital de São Rocqueacha-se em regular estado. Casa ada-
ptada ao serviço de hospital, já com diversas modificações feitas, sem
ar, sem luz, em terreno encravado nos proprios do Estado, bem po
deria ser desapropriado com poucos onus para o Thesouro, evitando-
se, assim, o pagamento do aluguel mensal e realisando-se melhor-
adaptações.
A vi.gilancia de passageiros, medida de defesa altamente benefica
e util, tem sido ultimamente cumprida com rigor, como determinam
os regulamentos sanitarios do Estado e do Departamento Nacional
da Saúde Publica, mantendo-se esse serviço em relação aos passageiros
de todos os portos, segundo exigem as circumstancias de occasião.
Em meio ás aperturas em que temos vivido nestes ultimos annos,
o nosso serviço sanitario conserva as suas velhas tradições, realizando
a defesa da saúde da nossa população de um modo que bem merece
da nossa parte os mais francos elogios.

129
Na sua suprema direcçao está o dr. Albino Cordeiro, cujo relato-
,

rio, acompanhado de mappas estatisticos de raro interesse, nos serviu


de guia neste relato sobre to momentoso assumpto.
*
Pelo seguitIte quadro, extrahido do 4AnnuEirio Demographic° de
Sio Paulo», fica evidente que o coefticiente mortuario de Belem
muito mais baixo do que o de algumas importantes cidades do paiz e
do extrangeiro:
CIDADES POPULAÇÃO OBITOS Coefficiente por 1.000
habitantes
BELEM 194.423 3.238 16,65
São Salvador 320.000 5.522 17,25
Bello Horizonte 1.228 16,68
Ribeirão Preto 69.983 1.233 17.61
Santos ' 141.368 9.992 17,62
Rio de Janeiro.. 1.326.048 24.344 18,35
Botucatú 32.945 613 18,60
Arácajú 40.000 764 19,10
São Luiz 60.000 1.230 20,50
Recife 320.000 7.936 24,80
Florianopolis... 41.338 1.032 24,96
Manaus 59.189 1.522 25,71
Parahyba. 21.866 596 27,25
Victoria 53.000 1 .416 26,71
Fortaleza ....... 78.536 2.289 29,14
Natal 30.000 983 32,76
Veneza. 176.264 3.050 17,30
New Orleans... 412.000 7.157 17.37
Le Havre 163.374 2.901 17,75
Assumpção 83.961 1.592 18,96
Capetown 191.020 3.638 19,04
Bordeaux. 267.409 5.126 19,16
Saint Etienne .. 167.967 3.377 20,10
Montevidéo 361.849 7.584 20,95
Rouen ........ 123.7.12 2.705 21,86
Hong Kong 597.300 15.536 26,01
Santiago 534.159 15.909 29,78
Bombaim 1.220.120 37.959 31,11
Valparaizo 185.502 6 .139 :33,09
Mexico 615.637 20.488 33,27
Cairo 791.000 98.287 35,,6
De accôrdo com o contracto feito com o De-
Prophylaxia Rural partamento Nacional de Saúde Publica incumbe
á Commissão de Saneamento Rural, neste Es-:
tado, chefiada pelo dr. jayme Aben-Athar, o saneamento rural e a prophy-
laxia da lepra e doenças venereas.
Subsidiada pelo Estado, por alguns municipios do interior e pela União,
Se resumem os seus trabalhos em 1928 no seguinte:

130
Saneamento Rural -Atravez de seus postos e subpostos a acção da
commissào extendeu-se aos seguintes locaes : Belem, Carnet& Igarapé-assú.
Bragança, Cachoeira. Porte!, Melgaço, Gurupd, Prainha, Alemquer e San.
tarem, municipios estes onde tanto se attendem ás populações de suas sé
des, como ás de. seus povoados ou villas mais importantes, como se verifica
do quadro seguinte:
.7 71; CI

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T,
r.
=. C?
.5:
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tr I

to
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17. .,1 2
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7.5
E 00 !
2-:-
U
7. !
....
tl E- U Ci?.
I:I.Ei
1, U

Doentes matriculados. 14.181 6.329 2.057 3.431 2.742 2.547 1.713 2.83; 7.679 43.512
Helminthoses 6.462 5.230 1.204 1.925 1.533 1.400 1.127 1.621 1.949 22.45 i
Paludismo. ....... . 3.857 653 674 715 256 648 452 1.900 3.948 13.103
Syphilis 115 319 167 37 117 119 257 1.131
Outras doenças vene-
reas 39 80 45 90 23 65' 272
Bouba 147 -113 5 3 269
Lepra. 6 I -- 4 10
Outros serviços.... 3.690 274 544 78 909 117 1.589 6.501
Vaccinações anti-vari-
olicas 4.258 1.077 1.197 83 2841 253 426 508 1.205. 9.291
Revaccinações 2.213 165 302 88 12 9 20 940 3.751

Desse resumo constam apenas as pessôas attendidas pela primeira


vez anos referidos postos, tendo sido, portanto, muito mais extenso os
serviços pelos mesmos prestados, como deixa ver o numero de medicações
ministradas que demonstram, .tambem, que a sua actividade abrange as
especies nosologicas mais frequentes no nosso Estado.
Medicações ministradas
Contra as helminthoses 50.398
Contra o paludismo (preventivas e curativas).... 235.823
Contra a syphilis (injecções arsenicaes, mercu-
riaes, bismuthadas e ioduradas). 14.681
Contra outras doenças venereas (preventivas, ge
raes e locaes). 5.648
Contra a bouba 740
Contra a leishmaniose (geraes e locaes) 217
Contra a lepra 868
Contra outras doenças (injecções diversas, cura-
tivos, pequenas intervenções cirurgicas, po-
lyclinica) 21 .732

Total de medicações. 330.107


No tocante á acção contra a lepra e doenças venereas, deve se notar
que estes numeros não englobam o serviço produzido pelos dispensados
especialisados da Capital, cuja actividade poderá ser calculada pela verba
dispendida. Convem assignalar ainda que, dispondo sempre de sôros the-
rapeuticos mais necessarios, os postos ruraes contribuiram, tambem, para

131
a .prophylaxia e-cura do tetano, da diphteria e da intoxicaçlto
pela peçonha
ophidica. Em.Dezembro de 1928, repetindo os inqueritos feitos com os
mesmos fins no, mesmo mez dos annos de 1926 e 1927, procedeu
a Coin-
missào de Saneamento Rural ao levantamento esplenico
nos locaes em que
:vem operando, de modo a avaliar, assim, da proficuidade de
sua acçao.
O resultado desse inquerito consta do seguinte quadro :

INDICE ESPLENICO
INQUERITOS PROCEDIDOS EM DEZEMBRO DE 1926, 1927 E 1928

INDICE ESPLENICO Num. de pessoas MOMS


Muoicipias QUININA GASTA
1926 L1927 1928 1926 1927 1928 1926 1927 1928

BELEM 1.865 7.416 7.400


Souza 123,600, 241,457 181,000
5.58 3.37
10,26 575 2.651 2'.400
.Pedreira 1,60
0,76 0,65
Ladrão.
I
600 2.602 2.600
1 23,75 7,50 14,00 400 1.200 800
Usina de Cremação 29,00
Pinheiro 600
35,67 7,00 3.16 400
Mosqueiro 15,62 3,13 5,00 290 607 500
CAMETA' 407 1.778 1.390
Cameti 23,70
Juaba .3,66 307 1.112 790
38,92 10,00 167 200
-Limoeiro 14,66 12,00
Carapajó. 266 200
6,86 37,00 233 200
IGARAPE'-ASSU' 300
Igarapd-assú 1.823 1.995
;25 2,50 100 400 400
S. Luiz 4,16 1,50 100 216 400
Nova Timboteua 21,00 7,25 2,75 100 400 400
Taciateua. 12,65 4,25
Peixe Boi 79 188
5,25 8,33 .... 400 400
Velha Timboteua 38,61 25,14
Porto Seguro 145 179
38,25 13,83
.... 149 188
BRAGANÇA 200
Bragança 1.052 1.003
:3,33 .3.:50 100 600 600
Tauarv 8,09 10,83
Miraselvas 210 200
16,11 16,00 942 200
BREVES 97,00 26,00
PORTEL .... 525 510
MELCAÇO .
37,71 41,00 .... 464 253
35,36 26,001 .... 393 210;
GL7RUPA'
PRA INHA
12,00 19,00 ... 500 310
12,84 26,00 ... 400 300
SANTAREM
Santarem. 2.000 1.800
Tapará 6,60 1.000 800
10,5; 17,00 .... 200 200
Aramanally 21 00
Curuay. 30,00 .... 200 200
5,50 ....
.

-Boim 63,00 200 200


9,00 69,00 .... 200 2C0
Piquiituba 6,00 16,00 .... 200 200

1-S2.
Deprehende-se deste inquerito que o impaludismo vem sendo
zido 'a uma endemicidade que já não é a mesma de 1921, redu-
quando
queritos iniciaes demonstraram, mesmo em Belem, indice esplenico
os in-
como no Souza e na Pedreira, cujos coefficientes palustres elevado,
36,5, respectivamente. eram 51,0 e
Assim tambem a mesma não é actualmente a malignidade dessa
demia, cuja forma plasmodica, desde 1923, se inverteu, en
assim se mantendo
até agora como o demonstram os exames de sangue feitos
num total de 3.174 exames positivos em 1928 que,
em 826, apenas, revelaram a pre-
sença do Plasmodium fakiparum, o que significa que
a relação entre os
casos de terçã maligna e terçã benigna é quasi de
condiz com a diminuição da mortalidade por essa doença.para 3, facto que
1

palustre de Boim, em Setembro ultimo, e cuja extensão Todavia, o surto


no indice esplenico apurado em Dezembro, e o
está patente ainda
pequeno surto, prompta-
mente abafado, que se registrou em Abril deste anno
indicam não só a conveniencia de manter em Igarapé-assti,
a continuidade
phylaticas em vigor, mas, ainda, que aos Municipios
das medidas pro-
não cabe apenas sub-
vencional-as. mas tambem coadjuval-as, já realisando
obras de pequena
hydrographia, onde a densidade da população justifique
mentos, já, principalmente, fomentando o trabalho, taes emprehendi-
promovendo
economico da região, incentivando a agricultura, animando o surto
dessa maneira concorrendo para a modificação a pecuaria e
do solo, para a bonificação
do homem que, ganhando mais, poderá melhorar
a sua alimentação que,
parca e carente, como é a da nossa gente, constitue outro óbice, e não dos
menores, ao saneamento do nosso interior.
No Laboratorio Central da Commissão, além do avultado numéro de
exames feitos, a sua secção Pasteur attendeu durante o
anno a 213 pessôas
mordidas por animaes rabicos ou suspeitos, applicando-lhes 3.973
de vaccina antirabica e sua secção de hypodermina injecções
empolas dos medicamentos injectaveis seguintes: confeccionou 96.985

Chlorhydrato de quinina. 36.338 empolas


Cyaneto de mercurio 19. 105
Sôro-tonico 19.250
Palusan 14.671
Oleo camphorado 5.046
Agua distillada 1.111
Alepol
650
Anti-leprol 200
Tártaro emetico. 614
Lepra e Doenças Venereas
A prophylaxia dessas doenças no interior do Estado faz parte da
actividade dos postos ruraes; na Capital, porém, é esta
exercida em dis-
perls§rios especialisados e destinados, um ás doenças
venereas e o outro
lepra, exclusivamente, ambos sob a immediata fiscalisaçâo
de Lepra e Doenças Venereas. Além desses da Inspectoria
dispensarios mantem a Com-
missão o Leprosario do Prata, sito no Municipio de
Igarapé-assú.
DESPESA A Commissão de Saneamento Rural dispõe para seus
serviços dos seguintes recursos :

133
Saneamento Rural
Unlit° 175:000$000
Estado e Municipios 270:216$666 445:216$666

Lepra e Doenças Venereas


União 267:5405000
Estado 267:540$000 535:080$000

Total. 980:296$666
Este total de 980:296$666 foi applicado do seguinte modo :
SECÇÕES PESSOAL MATERIAL TOTAL
Saneamento Rural :
Administração 70:0195546 20:8225270 90:8415816
Postos ruraes :
Belém 59:5375332 68:5155690 128:0535022
Cametá 24:1145854 12:7395250 36:8545104
Igarapé-assú 21:4455003 16:0185200 37:4635200
Bragança 15:7245797 11:8925900 27:617$697
Cachoeira 7:396$666 4:2675300 11:6635966
Breves, Portel e Melgaço 18:5525428 9:173$550 27:725$978
Gurupá e Prainha 8:440$000 4:620$840 13:0605840
Alemquer. 16:4905516 8:403$450 24:893$966
Santarém 20:1295990 28:626$250 48:7565240
Baião 7005000 2:2105400 2:9105400
Alcobaça 1:1205000 2:2825700 3:402$700
Total 263:6715129 189:5725800 453:2435929
Lepra e Doenças Venereas:
Inspectoria de Lepra e D. Venereas 36:5545943 14:6275620 51:182$560
Leprosario do Prata 85:688$418 407:8655290 493:553$708
Tocunduba (até Junho) 3:0605000 7:9445600 11:0045600

Total 125:3035361 430:4375510 555:7405871

Deduz-se destes dados que para uma receita de 980:296$666, a


despesa foi de 1.008:9845800, o que, no emtanto, não indica um deficit
de 28:6885134, porque o balanço dado em 31 de Dezembro de 1927
accusa a existencia no almoxarifado da Commissao, de medicamentos
no valor de 32:2815300, medicamentos esses que foram empregados no
correr do anno de 1928.

134
O Pará pode ufanar-se de ter um serviço de as-
Hospltaes sistencia hospitalar bem regular, embora insuf-
ficiente em certas occasiões para attender ás ne-
cessidades da população.
Além dos hospitaes custeados exclusivamente pelo Estado, aos quaes já nos
referimos em outras partes, possuimos o hospital da Santa Casa de Misericordia,
o mantido pela Ver.eravel Ordem Terceira de Sio Francisco, a Casa de Saúde
Maritima, mantida pela classe maritima e a Beneficente Portugueza, que é cus-
teada pela colonia portugueza aqui domiciliada.
Santa Casa-0 valioso serviço de assistencia publica prestado pela Santa
Casa de Misericordia se faz sentir pelo Hospital de Caridade, um dos mais impor-
tantes do paiz, com amplas e hygienicas enfermarias para indigentes, accommoda-
95es confortaveis para pensionistas, com uma Maternidade modelo e um pavilhão
especial para a hospitalisação de creanças; pelo seu serviço de assistencia ao lazaro,
com o Asylo do Tocunduba, e pelo seu Serviço Funerario, realisando enterros
de indigentes e de classes.
Em 1928 a média diaria no Hospital de Caridade e Asylo do Tocunduba
elevou-se a 967 doentes, sendo 676 n'aquelle e 291 neste.
No Hospital de Caridade entraram 8.155 doentes; foram praticadas 1.668
operações e dadas na sala de Banco a doentes externos 18.589 consultas e prati-
cados 15.178 curativos.
A Pharmacia do Hospital aviou 135.304 receitas representando 181.562 for-
mulas, para os doentes internos, externos e para os do Tocunduba.
O Gabinete de Radiologia fez 497 exames e applicações, dos quaes 240 em
indigentes e o de Biologia, 935 exames, sendo 872 de indigentes.
Em 1928 a receita total da Santa Casa foi de 4.317:5978732 e a despesa
total 4.304:6778989. Para a formação da receita concorreu o governo com os
auxilios do imposto addicional de 174:866829S e da Bolsa de 193:067$096.
No corrente anno a Santa Casa fez inaugurar mais o Asylo do Bom Pastor,
á rua Dr. Assis e o Laboratorio de Biologia, na area do Hospital.
Actualmente acham-se no Asvlo do Bom Pastor it internadas.
Ordem TerceiraA Veneravel Ordem Terceira da Penitencia de Sio Fran-
cisco foi fundada em Belém do Pari a 17 de Setembro de r629, festejando, por-
tanto, no corrente anno o seu tri-centenario. Instituição simplesmente religiosa,
tem procurado, desde os seus principios, praticar a caridade, em grande escala.
A sua séde tem-se conservado sempre em predio proprio.
Actualmente está o hospital passando por concertos e pintura geral externa,
obras essas que vão ser executadas tambem no predio que é occupado pelas ou-
tras dependencias, as quaes são
Casa de Sande, installada em Julho de 1862, com a enfermaria Sic) Fran-
cisco. Hoje tem mais duas,- com os nomes de São João e Santa Clara, sendo
que as tres contem o total de 32 leitos. Existem mais 9 quartos com o total
de 20 leitos. Este departamento é situado no 1.° andar, onde tem duas salas de
operações e gabinete de esterilisação;
. Maternidade «Dr. Agostinho Monteiro», installada pelo seu patrono, em Julho
de 1920. Em 1926 foi augmentada com uma ala, á esquerda de quem sóbe,

135
*in.& no 2.° andar. Tern a infernaria Sanl'Anna, com to leitos para indi-
ntist seis quartos para 'pensionistas, . com ó total de 12 leitos. Possue mais
Proprias para .pittos, sendo uma para pensionistas e outra para indigentes.
Criche «Santa Therezina do htenino )esusa, installada em Julho de 1926, com
asssistencia do Exmo. 'Snr. Dr. Washington Luiz. Tem to leitos para creanças
até a eiladedi um anuo, ficando no andar terreo.
Existem ainda secretaria, sala de reunião do Definitcrio e outras depen-
dencias, além do necroterio.
Todos esses departamentos passaram por grandes reformas no anno de 1926.
Em 1928 a Ordem Terceira acolheu 623 doentes, sendo 387 pensionistas,
49 irmãos e 187 indigentes e no primeiro semestre deste anno 365
sendo, 264
pensionistas, x8 irmãos e 83 indigentes.
Casa de Saúde- MaritimaA classe maid= do Pará deu um bello exeni.
plo de prestigio e tenacidade inaugurando a i de Janeiro deste anno o pavilhão
Cbermont de Miranda da sua elegante casa de saúde. Justos encomios merece o
deputado Alberto Autran, o homem de fé e de coragem perseverante, que esteve
á frente dessa obra grandiosa, que, segundo affirma no seu ultimo relatorio,
éa
unica que possue a classe marititna brasileira.
Hospital dos mais modernos e que obedece aos preceitos hospitalares mais
em voga, no sentido do termo, embora de modestas proporções, a Casa de Saúde
Maritima, com prestar relevantes serviços á classe maritinia,
auxilia os poderes
publicos na assistencia prestada á indigencia, já fornecendo
medicamentos, já
acolhendo em seus leitos muitos pobres.
Para avaliar-se o esforço empregado na realisação dessa casa de saúde, basta
dizer que o edificio foi iniciado no fim de Janeiro de 1926 e sómente
concluido
o primeiro pavilhão a i de Janeiro de 1929, quando foi inaugurado.
A União, o Estado e o Municipio de Belem têm prestado
seu concurso á
Casa de Saúde Maritima.
Tivemos occasião de fazer uma visita a esse hospital e de sua
construcção,
de seu serviço hospitalar, de suas excellentes installações
trouxemos bôa im-
pressão.

O Hospício de Alienados está a reclamar,


Hospicio de Alienados entre outros trabalhos urgentes, a sua am-
pliação, pois, a sua capacidade para o interna-
mento já excedeu extraordinariamente, como se deprehende
do relatorio-
do seu digno Director, dr. Azevedo Ribeiro. O edificio
não pode continuar
com as proporções que tem actualmente. Sem cominodos sufficientes,
cerca de 300 doentes, quando sua capacidade não devia abriga
ser excedida
150 loucos. A pléthora já excedeu o possivel, vindo dahi a situação de
angus-
tiosa deste estabelecimento de assistencia publica. Com o fim de solucio-
nar esse problema, o governo passado adquiriu uma area de
gua ao edifício, onde projectara edificar um novo pavilhão terra conti-
a secção (Juliano Moreira, a mais repleta das duas, não lhepara auxiliar
vel iniciar essa edificação tão necessaria. Do lado da sendo possí-
ha annos ,começada uma construcção, que ficou secção Krepolin foi
apenas a dois metros acima
do.sóIo e cuja conclusão, ao menos parcial, desafogaria
.superlotação em que se acha. esta secção. da

136
A area de terras adquiridas pelo governo passado foi
sua parte principal, restando, porém, um numero regular deexpropriada, na
barracas nella
contidas, cujos moradores, extremamente pobres, ntio poderão
pal-as senao mediante uma pequena indemnisação, desoccu-
savel a mudança. que lhes tome reali-
Com as medidas que tomámos nà inicio do
nosso governo ficou solu-
cionado o problema de fornecimentos de roupas aos asylados,
mento de 300$000 no custeio semanal vae permittindo pois o aug-
damente, as fazendas necessarias e as rouparias, assim adquirir, parcella-
cos, deixando de exigir á vultosa importancia. que providas aos pou-
fornecida para vestir os loucos. semestralmente era
Alguns reparos temos mandado fazer alli, entre os quaes os realizados
no fogão e caldeira daquelle estabelecimento. Ha ainda
a fazer com certa
urgencía a remodelaçãb.do gabinete electrotherapico, que já tem
mais de 20 annos, precisando mesmo ser modernisado. um uso de
A administração do Hospicio de Alienados nos demonstrou a necessi-
dade de mais um medico para auxiliar o serviço.
Existiam em Julho. de 1928 251 doentes e entraram durante o
274, perfazendo um total de 525 loucos. Actualmente anno
doentes porque sahiram curados 21, melhorados 164, existem alli 288
enados 10, segundo o mappa estatistico fornecido pela mortos 42 e não ali-
belecimento. Directoria do esta-
A Secretaria Geral, tendo a seu cargo toda a en-
.
Secretaria Geral grenagem administrativa, é o departamento pu-
blico que maior somma de responsabilidade tem
na administração do Estado. Pelas Suas duas unicas secções transitam
pediente das demais directorias, exigindo todo o ex-
1.103 grande esforço e não pequena
dose de zelo por parte de seus funccionarios.
Attendendo a essa circumstancia, creámos pelo dec. 4.518, de
12 de Março
deste anuo, uma tabella de emolumentos, que são distribuidos,
ás funcções, pelos funccionarios, em fórrna de quotas. proporcionalmente
'Mc) devemos encerrar esta referencia ao trabalho da
ludir, o que fazemos com justiça, á competencia, zelo Secretaria Geral sem al-
e dedicação dos dois
velhos funccionarios Fausto Batalha e Mangos Villaça, chefes de secção,
aos quaes
as administrações muito devem em bons e leaes serviços, atravez de
A' testa desta repartição, prestando-lhe os melhores serviços, longos annos.
alce com a sua intelligencia, cultura e seu dando-lhe re-:
caracter, está o dr. Oscar de Gouveia
Cunha Barreto, a quem, em hora muito feliz,
nomeámos nosso Secretario Geral.
O Almoxarifado da Secretaria Geral, insti-
Almoxarifado tuido logo ao inicio da administração. pas-
da Secretaria Geral sada, continúa a funccionar em
do Estado mento separado da mesma Secretaria, não
tendo soffrido alteração
clo a que se refere esta resenha, em sua organisação alguma, no 'kilo-
seguinte : um.almoxarife, um auxiliar e um continuo e pessoal, queé o
servente, vencendo
as gratificaçOes constantes da tabella 2 da lei n. 2.737, de 8 de
Novem-
bro de 1928, que fixou a despesa do Estado para o exercicio vigente,

137_
No period() a que corresponde esta summula ou seja de i de Julho
de 1928 a 3o de Junho ilo corrente anno, iinontaram os fornecimentos
feitos por essa dependencia, como das contas que foram apt esentadas
11 Secretaria para a necessaria conferencia, e requisições .de paga-
mento A Directoria Gerql da Fazenda, num total de-cento e tres contos
novecentos trinta e um mil cento e trinta e quatro réis (103:9318134 )
correspondendo 41:6368200 ao segundo semestre de 1928 e 62:2948934
ao primeiro dito de 1929, como passamos a especificar :
19.28
Sabino Silva (Livraria Moderna ) 31:6278300
José A. Teixeira Pinto ( Livraria Carioca) 7:6988900
J. B. dos Santos & Cia. (Livraria Classica) I:2908000
C. de Albuquerque (Papelaria Americana ) I:0208000
41:636820o
1929
Sabino Silva ( Livraria Moderna ) 49:9948934
José A. Teixeira Pinto (Livraria Carioca) 12:3008000
62:2948934
Ainda não foi possivel ao governo attender ás constantes recla-
mações sobre mobiliario escolar de que muito carecem não somente
os grupos e escolas isoladas da capital, como tambem na sua maioria
os do interior do Estado.
A Policia Civil vem desempenhando as suas
Policia Civil multiplas funcções a contento geral.
No periodo do nosso governo não tivemos
nenhuma alteração da ordem publica, digna de menção, quer na capital,
quer no interior do Estado. Todavia, ao- assumirmos o governo, en-
contravam-se em greve pacifica os foguistas da Ama¡on River, os quaes
pleiteavam a equiparação de suas soldadas ás dos seus companheiros de
classe, que servem nos navios mercantes de propriedade de firmas
commerciaes da praga. Essa gréve foi solucionada dentro de pouco tem-
po, sem que a policia civil tivesse necessidade de empregar medidas
extraordinarias, mediante accdrdo, que, embora de caracter provisorio,
ainda vigora, aguardando-se a approvação, por parte do Governo Fe-
deral, das novas tabellas de fretes a serem adoptadas pela referida Com-
panhia de navegação.
Em seu bem elaborado relatorio, o Chefe de Policia, dr Augusto
Borborema, aborda varios e palpitantes assumptos correlatos ao servi-
ço policial, revelando o seu grande e justo desejo de augmentar cada
vez mais a efficiencia da nossa policia, dando-lhe o mais moderno ap-
parelhamento para que a missão policial possa ser exercida entre nós
como nos centros mais adeantados do paiz. Entreoutras medidas de alcan-
ce, o Chefe de Policia lembra a necessidade ,do augmento do quadro da
Guarda Civil e dos agentes de policia, aquelle para duzentos homens e
este para cem.
138
Para a corporação da Guarda Civil adquiriu a chefia de policia na
Europa, it custa dos proprius rendimentos dos cofres da policia, sessen-
ta rewolvers typo «Tanque ), calibre 38, carga dupla, modelo de 1928,
o que era reclamado ha muito pela necessidade do serviço policial.
Varias e importantes remodelações tém sido introduzidas
naquella
repartição, entre as quaes 'avultain, pela sua -maior importancia, a
acquisição de dois carros automoveis, semelhantes aos que são usados
no Rio e em São Paulo, destinados ao serviço de transporte de presos
detidos, bebedos, cadaveres, victimas de accidentes e crimes praticados,
nas Vias publicas, os quaes vieram substituir vetustas e quasi impresta-
veis carruagens de tracção animal que, na maioria das vezes. não acudiam
pontualmente ás necessidades publicas. Toes melhoramentos tambem
foram feitos pelos cofres policiaes, custeando a policia esses serviços.
Allude o Chefe de Policia á necessidade de um melhor regimen
penitenciario, já que o actual muito deixa a desejar, principalmente
quanto ás accommodações dos presos. O predio onde está installada a
cadeia publica, velho, sem condições hvgienicas, sem os requisitos das
modernas prisões, reclama ha muito a sua substituição. A nossa pre-
mencia financeira não nos permitte pensar sequer na construcção de
um predio com todos os requisitos modernos, nem mesmo na Conti-
nuação da Penitenciaria, que iniciámos ha muitos annos e que ficou
paralysada 'por falta de recursos monetarios. Resta-nos adiar, embora a
contragosto, a objectivação deste ardente desejo. até que urna nova pha-
se da nossa vida financeira nos proporcione os vultosos recursos exi-
gidos para tal fim, altamente humanitario.
Com os parcos recursos da thesouraria policial a chefia tem feito
alguns melhoramentos no velho predio da cadeia de São José.
Ha necessidade inadiavel de uma auctorisação legislativa para se
operar a reforma do dec. 8.516, que deu regulamento á policia civil,
afim de melhor adaptal-o ás necessidades actuaes da policia, cada vez
mais exigentes pelas novas feições que tomam o serviço de assistencia,
prevenção, vigilancia e defesa da tranquillidade publica. Nessa occasião
certamente serão introduzidas disposições regulamentares sobre assum-
ptos ainda não previstos pelo actual regulamento policial, entre os quaes
está a fiscalisação das empresas de diversões e locação dos serviços
theatraes.
A nossa Policia Maritima vem prestando reaes serviços á
ção da ordem, exercendo severa vigilancia no embarque e desembar- manuten-
que de pessôas suspeitas. Para ter maior extensão, necessita este departa-
mento da policia de uma lancha com capacidade e raio de acção regular.
A policia civil tem estado numa ininterrupta actividade contra os
actos attentatorios da moralidade publica e repressão do jogo, exercendo
rigorosa vigilancia em relação at uso deploravel de entorpecentes.
Varias sub-prefeituras foram creadas neste ultimo semestre.
Urn. assumpto de grande releva ncia abordado pelo relataria do digno
e illustrado Chefe de Policia 6 o pertinente á instrucção technica e
profissional, quer no corpo de agentes de pôlicia, quer da corporação
(la Guarda Civil. Incontestavelmente um agente ou guarda-civil não

139
desempenhará hem as suas delicadas funcções se não tiver recebido
Uma certa educação e tambem se não fdr instruido nos misteres põl iciaes.
A policia moderna não é mais o que era antigamente. O guarda-
.civil deve ser um homem polido, bem educado, instruido, capaz de se
'nortear Or si só em certas emergenciaS e desde que não tenha ao seu
*lado uma auctoridade superior capaz de oriental-o. Deve ter, alem da
instrucção technica, propriamente policial ou profissional, conhecimen-
tos de regulamentos sanitarios, codigo de posturas munici paes, codigo
'penal e conhecer tudo mais quanto se torne necessario ao desempenho
cabal de sua missão. .

Nesse sentido o Chefe de Policia allude á creação, que fizemos,


de uma escola profissional, com prehendendo esses conhecimentos
exigidos pelo serviço policial.
Preoccupado em que todos, indistinctamente, encontrem nos pode-
res publicos do Estado a mais segura garantia, cabe em grande parte a
objectivação desse regimen de ordem legal ao departamento policial.
A policia civil assim o tem comprehendido e neste sentido age de ac-
ceIrdo com as nossas normas bem conhecidas do povo paraense.

A Força Publica Militar do Estado é incomesta-


Força Publica velmente uma corporação que pritna em conser-
var as suas tradições de disciplina, coragem e leal-
dade. Obedecendo a uma organisação efficiente, de que tem dado innumeras provas,
prestando relevantes serviços, quer em tempo de paz, quer em tempo de guerra,
bem merece estes conceitos, que não representam mais do que quanto sobre a
nossa força militar têm dito os nossos antecessores.
Nada temos a invejar, estabelecendo um confronto entre a Força Publica pa.
raense e outras corporações estaduaeS, naquillo que constitue os maximos deveres
de uma corporação, que tem como finalidade primordial assegurar a ordem apoi-
ando os poderes publicos. Se algumas daquellas possuem maiores effectivos ou
dispõem de Melhores apparelhamentos militares, por condições mais favoraveis
das situações financeiras dos respectivos governos, a nossa, apesar de todas as
provações por que temos passado, nada lhes fica a dever em lealdade, dedicação,
disciplina e coragem, tendo, como a melhor dellas, a mais alta comprehensão do
dever militar.
Somos testemunhas da correcção do sol.lado paraense. Chamados aos postos
mais graves de sua missão, nunca desertou o seu logar. A sua deficiencia nume-
rica muitas vezes foi dirimida pela sua arrojada bravura e pelo seu preparo tech
nico. Na conservação desse alto conceito a Força Publica nada descura. Ha bem
Touco, convidada pelo Governo Federal, para tomar parte numa parada no Rio,
fel-o com tanto garbo e disciplina, que mereceu de s. exc. o sr. Presidente da
Republica e do Ministro da Guerra, além de outras auctoridades militares, os
mais calorosos elogios.
As grandes e heroicas Virtudes,apprendidas nacaserna têm sido os Paradig,mas
:de suas maims glorias em todos os tempos. Na defesa da ordem, no apoio á lei e
estacada em que tem collocado o chamamento da Patria, a nossa força policial
iamais deixou de .ser em brio e lealdade o que tem sido desde os seus primordios.

140-
_
Reduzida actualmente em seus effectivos contimia, ainda assim, a prestar,
em destacamento3 no interior e na capital, serviços muitas vezes exhaustivos.
Pela lei orçamentaria do anno passado havia urna dotação mensal de cerca de
r14:000$000 para a Força Publica, sendo para este exercido tal dotação augmen-
tada para rpt000$000 devido á majoração de despesas e promoções de officiaes.
Temos tido o maior cuidado em cercar de conforto os nossos Soldados, pa.
gando-lhes em dia e fornecendo semanalmente as quantias de 1:000lkioo para
fardamento e 500$000 para calçados, tudo isto confeccionado nas officinas da
Força, sob a direcção de competentes mestres e operarios.
O cffectivo da força publica foi fixado para este atino em 8r6 homens, con).
prehendendo officiaes e praças; sendo officiaes 62, auditor r, aspirantes a official 12
e praças 742. A composição 6 a seguinte: Cominando Geral, Batalhão de Infantaria,
Grupo Misto e Regimento de Cavallaria.
No Commando Geral da Força Publica está o coronel Alberto Odorico de Mes-
quita, official competente, energico e leal, portador de uma vida militar brilhante;
no Batalhão de Infantaria o tenentecoronel Antonio José do Nascimento, no
Grupo Misto o tenente-coronel José de Castro Medeiros e no Regimento de Ca-
vallaria o tenentecoronel Luiz Guedes de Oliveira, actualmente em uma commis-
são no interior, tendo sido substituido pelo major Marcolino Lins de Aguiar,
todos officiaes distinctos e correctos, aos quaes a Força Publica muito deve pela
sua dedicação. -
A oficialidade da nossa força policial, secu distincção de postos, bem tem me-
recido os mais francos elogios pela sua conducta durante um longo tirocinio.
Affirmamol-o com sinceridade, porque conhecemos de perto o seu valor moral e
a sua lealdade, tantas vezes comprovados, como uma homenagem aos seus reaes
serviços prestados na manutenção da ordem em todo o Estado.
Temos sob as nossas vistas o longo e minucioso relatorio que nos foi enviado
pelo Commando Geral, em o qual o coronel Alberto Mesquita dá uma noticia
completa de varias assumptos concernentes á nossa força militar. Entre eles se
resaltam os que se referem á Justiça Militar, ao estado dos quarteis, instrucção
physica e militar, saúde e veterinaria, escolas. cavalhada, oficinas, armamento e
munição, sendo digno da vossa leitura o que menciona a economia feita no seio da
nossa força em proveito do erario publico e com maiores vantagens para as praças.
Tomando em consideração as suggestões do Commando Geral, opportuna-
mente providenciaremos para dar a maior efficiencia á Força Publica, que hem
merece ser olhada com interesse pelos poderes publicos do Estado.

E' sensivel a diminuição que se observa


Obras Publicas no numero dos profissianaes engenheiros,
prestando os seus serviços ao Estado.
O facto justifica-se na attracção que provocam os centros de mais
effectivo e var lado labor, no sul dó Paiz, onde as rendas vultosas per-
mittem remunerações makimas, que as nossas actualmente não com-
portam.
Em taes casos, a persistencia dos que, por longos annos, atravez
de vicissitudes, são apontados constituindo o corpo technico dos nos-
sos trabalhos publicas, dá logar a que o govern° faça realçar a sua
141
collaboração effectiva, embora reduzido se torne o numero das obras,
a que os recursos ordinatios permittem attender.
Reclamados, alem disso, os serviços dos engenheiros e agrimensores
da Repartição do Estado para trabalhos na Estrada de Ferro de Bragan-
ça, ou na Recebedoria de Rendas, no trabalho permanente da cubagem
das madeiras destinadas a exportação, pode-se dizer que durante o
ultimo exercicio todo o encargo da Repartição tem recahido sobre o
respectivo director geral, o engenheiro Henrique A. Santa Rosa, e os
chefes interinos, engenheiro Bertino Barbosa de Lima, na secção de
obras, e o agrimensor Boanerges Cardoso, na secção de Terras e Minas.
No praso.annual de 1.0 de Julho de 1928 a 30 de Junho de 1929 as
obras executadas se limitaram a trabalhos de reparações, com o fim de
conservação, de alguns dos proprios do Estado ou de predios particula-
res occupados em serviços publicos, e taes foram os realisados nos gru-
pos escolares «Wenceslau Braz), «Epitacio Pessôa), «Pedro II>, «Barão
do Rio Branco), Ruy Barbosa, <Benjamin Constant), «Florian° Pei-
xoto», «José Verissimo», «Paulo Maranhão», e de Santa lzabel; no
Hospital «Domingos Freire», na Repartição do Serviço Sanitario do
Estado, no Tribunal Superior de Justiça, na Secretaria Geral do Estado,
no Palacio do Governo, na Camara dos Deputados, no Senado, na
Chefatura de Policia e Posto Policial do Umarizal, na Repartição das
Obras Publicas, no Banco do Estado e na Guarita do Ver-o-peso, cujas
despesas attingiram a 5:SoIS85o no 2.° semestre de 1928 e 1.4:789$000
no 1.° semestre do anno corrente, não incluidos alguns reparos na Es-
cola Normal e na Escola de Pharmacia, executados por conta da renda
desses estabelecimentos.
Referindo-se aos seus auxiliares no desempenho das respectivas
obrigações disse o referido director da Repartição de Obras Pu-
blicas, Terras e Viação, em Relatorio que brevemente será dado á
publicidade :

(A deficiencia numerica desses profissionaes é, entre-


unto, mais urna razão para dar ensejo a louvores pelo que
térn realisado não só os alludidos chefes de secções, os
auxiliares technicos, os agrimensores e desenhistas, como
tambem os officiaes das diversas secções, pela dedicação
'com que cada qual tem procurado bem servir as func-
ções que lhes compete.
E' evidente que. a remuneração dos empregados pro-
fissionaes .não corresponde absolutamente á retribuição
adequada á natureza dos seus serviços; e do mesmo modo
se faz sentir que é de toda equidade estipular em faVor
dos officiaes remuneração mais vantajosa, assim como dis-
tribuir razoavelmente entre eles, pro labore, quotas do
que deve ser arrecadado como emolumentos .sobre os
papeis que transitam pela Repartição, ad instar do que,
para a Secretaria Geral do Estado, foi resolvido em de-
creto n. 4.518, de 12 de Março ultimo».
142.
Completando informações sobre as obras reclamadas pelos proprics
do Estado, fornece ainda o citado relatorio importantes esclarecimen-
tos quanto aos estudos que serviram. de base A elaboração do projecto
da Penitenciaria, cujos trabalhos se acham paralysados desde o anno
de 1898, havendo, entretanto, ultimamente, a lei n. 2.559, de 12 de No-
vembro de 1926, conferido ao governo plena auctorisação para deliberar
sobre o seu proseguimento.
E, alludindo ao Theatro da Paz, não sem justo motivo que o
mesmo director se pronuncia nos seguintes termos:
,Como varias vezes tem esta Directoria reclamado ao
governo, é de toda conveniencia que se não deixe prose-
guir a obra do tempo prejudicando este importante pro-
pd.() do Estado, acudindo-se, ad menos parcelladamente,
a certas obras essenciaes, que podem deixar compromet-
tides as decorações artisticas, especialmente as que se
prendem á estabilidade de algumas dependencies.
Na direcção da Directoria de Obras Publicas, Terras e Viação
continúa o dr. Ilenrique de Santa Rosa, competente engenheiro e
publicista, cujos serviços ao nosso Estado são em numero incalcula-
vel. Espirito brilhante e organisador, a sua Repartição é uma das mais
importantes e em tudo alli se encontra a acção vigorosa e esclarecida
do seu chefe, ao lado da não menos operosa dos seus auxiliares
technicos.
N'um Estado cujas condições economicas
Serviço das Terras dependem exclusivamente dos productos
e Minas nativos que o solo offerece em maior ou
menor abundancia, e cuja permuta os va-
lorisa em menor ou mais alto grão, não ha porque duvidar da impor-
tancia consideravel que perante a administração publica assume tudo
quanto se relacioné á distribuição criteriosa das terras, para o desen-
volvimento da producção e a maior utilização dos seus productos.
Louvaveis são, portanto, todos os esforços empregados com -esse
intuito, e a legislação, ligeiramente compulsada, alii esta a revelar
como tem sido objecto de constante cogitação a indicação de novas
medidas com o interesse de aperfeiçoar o que antes fôra decretado.
O Director da Repartição que, desde o Decreto n. 370, de to Julho
de 1891 e por leis posteriores, tem a seu encargo os serviços geraes
das terres publicas propriamente ditas, e de outras que devam ser com-
prehendidas na mesma classificação, quiz prestar ao -governo detalha-
dos esclarecimentos sobre o regimen territorial que entre n6s tem pre-
valecido desde os tempos coloniaes, salientando o interesse que pode
despertar a assignalação dos effeitos salutares de diversas daquellas
leis, como tambem os prejuizos, ou pelo menos a improficuidade, que
a-outi.as podem ser attribuidos
Baseados como foram os primeiros decretos e leis sobre as terras.
publicas do Estado nas sabias inspirações do lei n. oor, de IS de Se-
tembro de 1850 e dos lecretos complementares dessa lei geral e do
143
S61.1 241111alrient0 de 30 Janeiro de ./854, no podiam deixar ,de ser
egualmente benefices as dispoSições legislativas que adoptámos, visando...
a continuidade de normas geraes, 'observadas em um prolongado pe-
riodo, contra as quaes, mesmo no nosso regimen, no prevalecerani as
pequenas: divergencies que se.lizeram notar entre as leis n. 82, de 15
de Setembro de 1892, n. 713, de 12 de Abril de 1900 e n. 1108, de 6 de .

Novembro de 1909.
Si _alterações começaram a manifestar-se no regimen territorial,
isto se deu posteriormente, ao serem decretadas leis especiaes, pelo
menos dispensaveis pela preexistencia de attribuições definidas do Po-
der Executivo, subordinadas aos preceitos geraes já estabelecidos.
Detalhada resenha das occorrencias referentess a essas mutações
legislativas e das consequencias acarretadas pelo entrechoque de suas
applicações é exposta no Relatorio daquelle Director, não sendo de
desprezar as ponderações feitas, reclamando um exame criterioso, por
conveniencia administrativa e interesse geral.
E incontestavel o prejuizo que resultà de " disposições legislativas
contradictorias, bem como de outras em que, para os mesmos effeitos,
são consignados favores e obrigações diversos, creando dificuldades ao
Executivo, quando tenha de lhes.dar execução.
Não menos inconveniente vem a ser a consignação de favores exce.
dentes das possibilidades dos nossos recursos ou que possam mais tarde
compromettel-os, e até mesmo levar o governo á contingencia de faltar
ao cumprimento de obrigações assumidas por lei, como se tem dado com
relação aos cpremios á lavoura», ainda hoje objecto de reclamações.
Bem meditados precisam ser, portanto, os actos legislativos refe-
rentes a concessões para a organisação de empresas agricolas ou indus-
triaes, de modo a não serem absolutamente preteridas disposições ge-
raes anteriormente fixadas.
A proposito, diz o Director da Repartição de Terras no alludido
documento :
<Estabelecidas as leis geraes da concessão de uso e
goso ou de alienação de terras do Estado, formuladas leis
especiaes de siia utilização em serviços publicos, de viação
ferrea ou de rodovias, de exploração do sólo ou subsolo,'
de represamento das aguas ou de installações electricas;
reconhecidas por outro lado as obrigações geraes das con-
tribuições impostas por lei sabre a exploração de certas
industrias e profissões, sobre a importação ou exportação,
dos pR)ductos nativos ou industriacs; determinados, ainda,
por lei, os favores geraes creados em amparo do desenvol;
vimento,agricola ou industrial, ou com o fim de estimular,
a installação de novas industriaspareceevidente que den-,
tro dessas normas instituidas teriam de girar, na alçada
do Poder Executivo, as empresas que se pretendessem fun-
dar no Estado e as concessões solicitadas 'pare esse fim,
dispensando leis especiaes referentes a cada objectivo, ou,
digamos, a cada concessionario. -

144
Fundadas essas em pesas, baseandose exclusivamente
em leis preexistentes, nao se daria o inconveniente de ye.,
rificarem-se concessões contrarias ás normas geraes de ser-
viços já regulamentados e ás obrigações impostas por leis
para exploração desses serviços.
A' medida que a exploração industrial ou que o esta-
belecimento das empresas deixasse reconhecer a necessi-
dade geral de fazer modificar as leis ou de transigir tem-
porariamente quanto a obrigações onerosas, ou ainda de
protegel-as por disposições especiaes a introduzir na legis-
lação geral, seria sempre opportuna a occasião para ser
o assumpto submettido ao estudo e deliberação do Con-
gresso, de fórma mais cuidadosa do que para simples effeito
de referenda de um acto anterior, para o qual o Executivo
não tem achado apoio legal.
Se algumas das leis votados pelo Congresso têm tido
por objecto completar, por meio de favores e obrigações,
o que em leis precedentes não se acha ainda estabelecido em
relação a certas empresas, em outras, pelo contrario, se
observa a inclusão de dispositivos que por leis anteriores
seriam dispensaveis, pois que a estas teriam de ser subor-
dinados, os respectivos serviços, e, entretanto, são por
esses mesmos dispositivos muitas vezes contrariadas>.
Para mais claramente salientar o que tem exposto, accrescenta
Pretendendo talvez normalisar as concessões ás em-
presas votou o Congresso, além do que já fôra incluido
art. 80 da lei n. 1.947, de II de Novembro de 1920, a lei n.
1.050, de 17 do mesmo mez e anno, determinando, de accôr-
do com a dita lei, os favor, s que poderao ser concedidos ás
empresas nacionaes nu extrangeiras que se organisarcin
com a fim de cultivar intensivamente terras Estade.
lsto resolvido parecia estar definitivamente assentada
a norma geral das concessões a serem dadas para o desen-
volvimento industrial do Estado.
Tres annos depois, porem, tudo foi alterado com a
promulgação da lei n. 2.260, d 14 de Novembro de 1923..
.
E desde logo o exemplo foi aproveitado para dar logar a outras
concessões baseadas na mesma lei, como diversas outras foram dadas,
tendo por fundamento as leis a. 1.947, de ri de Novembro de 1920 r
1.956, de 17 do mesmo mez e nano.
De todas essas concessões, como de outras que se apoiaram nos
leis 2.455, de 27 de Outubro e n. 2.489, de 4 de Novembro de 192r1, OU
cfue foram approvadas por leis especiaes n. 2.544-A, de 3o de Outubro de
1926, n. 2.592, e n. 2.003, de 3 e 20 de Outubro de 1927 e ns. 2.72S e
2.729, de 6 e 8 de Novembro de 1928, dá o relatorio inteiras informações,
que merecem ser compulsadas.

145
Quanto A referida li n. 2.489, de auctorisação especial, que só teria
applicaçAu a casos excepcionaes e para uso e goso gratuito de terras do
Estado, por praso fixadó no interesse da industria, a que sejam desti-
nadas, faz notar, com inteira razão, o director do serviço de terras, a
discordancia entre o artigo 2.° da lei, permittindo ao concessionario
uma futura propriedade plena, quando o art. 1.0, que traduz o espirito
da lei, concede apenas o referido uso e goso temporario das terras,
sujeitas A reversão, afim de ser conservado integro o patrimonio do
Estado.
Não menos merecedora de reflexão e rectificação tem sido a indica-
da lei n. 2.165, de 8 de Novembro de 1922, pela qual, pretendendo-se fa-
vorecer o plantio e exploração de seringueiras e a exploração de semen-
tes e fructos oleaginosos, por meio de concessões gratuitas de lotes de
terras até 5.000 hectares, foi admittida como similar, para identicos fa-
vores, a exploração devastadora do córte das madeiras, sem a menor
das exigencias já impostas em lei geral anterior.
Informes detalhados são prestados no mesmo relatorio, com refe-
rencia ás occorrencias verificadas na exploração dos castanhaes, dando
motivo a serem adoptadas severas medidas de restricção, com as ordens
dadas á Directoria de Terras em 30 e 31 de Maio de 1924 e em 16 de Outu-
bro de 1925, no sentido de fazer cessar o andamento de quaesquer pro-
cessos de venda, aforamento, demarcação ou discriminação dessasterras,
que resolvera o governo utilizar por fórma mais Conveniente aos inte-
resses do Estado.
A lei n. 2.491, de 4 de Novembro de 1925, logo em seguida votada,
attendeu ao intuito do governo, auctorisando-o a «preferir, quando
julgar conveniente, á venda ou aforamento das terras devolutas, o
arrendamento apreço fixo annual ou por percentagem sobre a respe-
ctiva producção nativa, até zo % do valor desta, baixando para exe-
cução da lei o necessario regulamento» . A premencia das cir-
cumstancias teria obrigado a transigir nesta imposição final, sendo en-
saiada a applicação da lei nos territorios conhecidos de exploração de
castanhaes, por intermedio da -Directoria da Fazenda, com auxilio de
auctoridades locaes ou de zeladores especiaes, de escolha do governo
ou daquella Directoria.
«A lei, diz o relatorio citado pelos seus proprios ter-
mos, revela os melhores intuitos e interesse publico apro-
veitavel; as vantagens de sua applicação dependem, po-
rérn, essencialmente de mais honesta superintendencia e
fiscalisação, da imparcial distribuição das terras aos tra-
balhadores arrendatarios, da independencia absoluta entre
estes e os zeladores do Estado, afastados dentre estes to-
dos quantos tenham interesse directo ou indirecto na. ex-
ploração dos productos, por si, seus parentes ou seus pre-
postos, ou ainda por motivos de interesses commerciaes
locaes que elles poderão favorecer, dando preferencia a
uns para fazerem injusta exclusão de outros,.
146
«A lei, embora difficil de ser regulamenlada pana fiel
execução, precisa ser completada por instrucções severas e
especiaes que assegurem a vantagem e a normalidade de
sua a pplicação».
Outro assumpto de que se occupou o relatorio e que convém ser
tomado em consideração é o que se refere aos (Patrimonios
munici-
paesp, para os quaes não só o Decreto n. 1.318, de 30 de Janeiro de
1854, como as leis de terras do Estado e ainda o ultimo Regulamento
de 31 de Janeiro de 1921, garantiam as
Municipalidades urna extensão
de 4.356 hectares, que teriam sido geralmente
concedidas.
Apesar disto, por diversas leis especiaes outras concessões addi-
cionaes têm sido dadas, corno as de que tratam z: s leis ns. 712 e
de 2 e 7 de Abril de 1900; ns. 754 e 79r, de 26 de Fevereiro 738,
de 1901.
n. 957, de r de Novembro de 1905; ns. 2.037 e 2.038, de 9 de Novembro
de 1921; n. 2.084, de 26 de Setembro de 1922 e n. 2.528, de ro de No-
vembro de 1925, com extensões successivamente'creszentes, algumas
das climes já têm attingido o quadruplo daquella superficie normal.
Apezar de estarmos ainda agora na phase preliminar daidesen-
volvimento da construcção das estradas de rodagem, ri;d6\deixou
o nosso competentissimo director de Terras de referir-se á que o go-
verno do Estado, conjunctarnente com a Intendencia Municipal de
Iga-
rapé-assU, tem iniciado nesse Municipio. estabelecendo a communica-
cão do ramal do Prata, no kilometro IS, ao povoado de Santa
Maria.
Disse elle :
«Vae-se despertando o interesse pela abertura de es-
tradas de rodagem em diversos Municipius, ainda que de
maneira incipiente, sem a adopção dos typos aperfeiçoa-
dos que se encontram em numerosas estradas do sul do
paiz.
Com o fim de incitamento para a multiplicação dessas
vias de communicação foi inaugurada, por iniciativa do
governo do Estado e da Intendencia Municipal de Igarapé-
assú, uma pequena estrada nesse Município, entre o kilo-
metro 18 do ramal do Prata e a povoação de Santa Maria,
cuja construcção prosegue com grande avançamento».

Problema dos mais serios, que urge enca-


Serviço de Aguas rar de frente para que possamos resolvel-o
a bem dos nossos fóros de Estado progres-
sista, causas varias e que são do vosso pleno conhecimento têm .retar-
dado, senão impossibilitado, que lhe consagremos toda a attenção
que
merece. Dentro das nossas condições financeiras, precarias. podemos
e devemos, comtudo, fazer alguma cousa no proposito de attenuar a si-
tuação em que nos achamos. E na reconhecida imgossibilidade de rea-
lisar a obra em sua totalidade, é de bôa previdencia que vamos procu-
rando melhorarna esperinça de fazer mais e conservando o que
está sendo feito com todo o zelo.

147
O serviço de abastecimento d'agua contimla .a ser feito com regu
laridade, apezar dos difficuldades coal que temos de luctarobstrucção
de grande parte da rede geral que, ein sua quasi totalidade, tem mais
de 40 annos de uso; deficiencia de diametro em grande extensão da
mesma; falta de pressão e consequente ausencia de reservatorios de
distribuição em diversos pontos da cidade, e as bombas empregadas
no serviço, que, substituindo aquelles, já não são sufficientes para o
serviço de recalque. Sem embargo disso, poucas foram as reclamações
por parte dos consumidores, e a estas mesmas attendeu a Directoria
de Aguas com muita presteza e cuidado. Verificou-se, nessas occasiões,
que. quasi todas as irregularidades apontadas provinham das más con-
dições em que se encontram as derivações particulares, notadamente
aquellas que servem mais de um predio; de tal falta, portanto, não ca-
be responsabilidade alguma á Directoria de Aguas. Assim di7, em seu
relatorio, o director do Serviço de Aguas, dr. Raymundo Vianna :
Uma das principaes causas da reclamação de falta de agua é a con-
cessão que faziam, outrora, proprietarios de predios contiguos e de so-
brados de terem uma unica derivação para abastecer 2, 3 e muitas ve-
zes mais predios. Além do grande inconveniente que apresenta esse
systerna na distribuição de agua, porquanto esta não póde chegar a
todos os predios ao mesmo tempo e com egual pressão devido A defi-
ciencia, muitas vezes, do diametro da tubulação, outras causas ha mui-
to mais graves, que não só difficultam a fiscalisação do consumo como,
consequentemente, lesam a renda. Assim é que de uma derivação que
abastece duas ou mais casas podem ser extendidos, internamente, ra-
maes para outros predios vizinhos, como se tem tido occasião de consta-
tar. Por outro lado, tal concessão urge ser terminada, a bem da propria
renda da Repartição de Aguas, porquanto, por exemplo, tratando-se de
um predio de sobrado em que os altos e os baixos são alugados a in-
quilinos diferentes, ou mesmo tratando-se de urn grupo de duas ou mais
casas nas mesmas condições, sendo cada inquilino responsayel perante
a Repartição pelo consumo de sua agua, basta que um só delles deixe
de pagar dentro do praso regulametar de dois mezes para crear diffi-
culdades e embaraços á Directoria, impossibilitada como está de appli-
car a pena regulamentar de fechamento d'agua a esse consumidor re-
misso se o outro ou outros a cujo sobrado sou irupo de casas etieper-
fence estão com os seus pagamentos em dia.
Das 10.205 derivações em uso, apenas 558 não estiveram providas
de hydrometros perfeitos, funccionando as demais, ou sejam 9.647, com
torneiras livres, impossibilitada como está a Directoria de Aguas de
fornecer aos restantes consumidores hydrometros em funcciona mento,
sendo que dos existentes 5.338 estão completamente inutilizados.
Quanto á rede geral, temos procurado fazer tudo quanto é possi-
vel para melhoral-a, impossibilitados como estamos devido á grande
falta de material necessario para substituição do que se acha em mão
estado de conservação, como tambem a de maior tubulação para atten-
der ao sempre crescente desenvolvimento da cidade; não obstante tudo
isso, vamos fazendo -b que é possiiel no setitidcf sle théjhoral-a, quer.
148
substituindo a canalisação, que se encontra obstruida e em mão estado
de conservação, quer augmentando o diametro em varias zonas da ci-
dade ».
A Directoria de Aguas realisou varios e importantes trabalhos, e
pela relação que se segue verificareis, e tenho satisfacçâo em declaral-o,
que não foram poupados esforços para serem attendidos os reclamos da
população.
Do relatorio do director do Serviço de Aguas transcrevemos os
seguintes trechos
« Assim é que na Avenida Ceará e suas adjacer,cias, que consti-
tuem o bairro de Canudos, onde as reclamações de falta d'agua eram
constantes e justas, fizemos uma refórma completa da rede velha da-
quella Avenida e estabelecemos novas redes nas Travessas Guerra Pas-
sos e Primeira e na Avenida Theodomiro Martins, numa extensão de
116i,m 77; no bairro de São João, para attender uma reclamação da Em-
presa de Transporte de Carnes Verdes, Mandamos estabelecer uma rede
nova na Rua da Municipalidade entre as Travessas José Pio e do Cur-
ro, com 199,m 8o; no bairro da Travessa 22 de Junho, para attender o
pedido da Intendencia Municipal, que solicitou o fornecimento de agua
para a 'Escola São Miguel por ella creada á rua do mesmo nome,
tivemos de prolongar a rede da Travessa 9 de Janeiro entre as Ruas da
Conceição e de São Miguel e extendel-a por esta ultima até o edificio
da escola, numa extensão de t8t,m 5o; para attender solicitações de con-
sumidores particulares, tivemos de augmentar as redes geraes das Ruas
Domingos Marreiros (too metros ) e João BaIby ( 5o metros) e Tra-
vessa do Bom Jardim ( 38 metros.). Todos estes trabalhos da rede ge-
ral, na extensão de 1731,0 07, foram executados no segundo semestre
de 1928.
No primeiro semestre deste anno continuaram os trabalhos do
mesmo modo.
Afim de attender ás solicitações do Revdmo. Sr. Vigario da Basili-
ca de N. S. de Nazareth, Padre Affonso di Giorgio, para que fosse ca-
nalisada agua para a escola parochial cNossa Senhora da Divina
Pro-
videncia ), por elle acabada de construir na Travessa Antonio Baena
canto da Avenida 25 de Setembro, tivemos de fazer uma rede geral de
614,m 8o, partindo da Avenida Titu Franco pela Travessa do Curuz6,
Avenida 25 de Setembro e Travessa Antonio Baena; no bairro de Ba-
ptista Campos só de rede geral nova em ruas que não a tinham,
corno as Travessas dos Apinagés e dos Tupinamhás, fizemos
519,m75, e da reforma na Travessa dos Tamoyos 244,m92; no bairro de
São João, continuando os trabalhos iniciados, fizemos a reformada rede
geral da Avenida São João entre as Travessas Jose Pio e Magno de
Araujo, e da Travessa do Curro entre aquella Avenida e a Rua da Mu-
nicipalidade, com 379,m 50, e estabelecemos rede nova na Travessa do
Curro entre a Avenida São João e a Rua de Curuçá, com 222,m 98; e,
nesta ultima rua, com 1S-1,m 85; reformamos a rede geral da Travessa
São Matheus, entre as Ruas dos Tymbiras e da Conceição, em 178,m 83;
e prolongamos as redes das Travessas Almirante Wandenkolk, de 56

149
metrtis;'da: Rua Lauro Sodré, de az metros, e da Villa Teta de
metros. 23
Como védes, só no primeiro semestre deste anuo já fizemos,
reformas da rede geral e estabelecimento de novas redes, 2.662,in entre
Foram tambem installadas 14 boccas de incendio em varios 63 pontos
da cidade, entre as quaes, uma defronte do edificio
da Estrada de Ferro de Bragança, uma A Travessa da Estação Central
do Curuzú e duas A
Travessa dos Tupinambás.
Nos varios edificios publicos foram effectuados
diversos sei-viços,
por conta do Estado, dentre os quaes na Bibliotheca e Archivo
co, no Asy/o de Alienados, no Grupo Escolar Publi-
Secretaria Geral, nos Grupos Escolares (Benjamin
Arthur Bernardes», na
Constant»,
Rio Branco », c Paulo Maranhão » e « Wenceslau Braz », bem «Barão do
Hospital de <,São Rocque ». como no
Quanto aos trabalhos de captação em Utinga, tivemos
observalos pessoalmente, encontrando tudo cuidadosamente ocasião de
na maior ordem e asseio, toes como: barragens do Igarapé Agua tratado e
do Igarapé do CatU, com sua usina bem apparelhada Preta,
e prompta para
funccionar logo que seja necessario; a nova bacia dos
Igarapés da Ma-
rianna, do Cajueiro e dos Barris.
As officinas de João Balby, bem como as de Utinga,
ciavel reforma, o que podereis ver minuciosamente nosoffreramrelatorio
apre-
que
foi presente á Secretaria Geral pelo dr. Raymundo Vianna.
Quanto :1 parte financeira, melhor podereis avaliar do
seu movimen
to pelos annexos que este acompanha.
BALANCETE DO ANNO DE 1928

DEBITO CREDITO
Caixa, saldo 47:707$728
Combustivel ...... .... .
93:53315189
Lubrificantes
21:405$000
Materiaes
235:733$175
Expediente 13:834200
Eventuaes . ........ 133:775$337
Bens moveis 15:935$000
Banco do Pará, saldo .... 5:280$104
Bank of London, Serviço da Divida Ex-
terna . ...... .......... ..... 101:453$204
Intendencia Municipal de Belem 20:036$750
Thesouro do Estado C/Receita ...... 569:517$857
Thesouro do Estado C/Patrimonio. 206:574$918
Derivações em proprios rnunicipaes ........ 15:935zi000
Consumo 20:036$750
Multas sobre o consumo ....... 920:116$926
.
Multas por infracção do Regulamento 20:808$000
Derivações.. ..... . ............ 580$000
Diversas indemnisações. ...... 71.947$950
2:213$000
1.258:212$544 1.258:214544

150
BALANCETE DO 1.0 SEMESTRE DE 1929

DEMO CREDITO
Caixa, saldo..
Combustivel 28:643$955
Lubrificantes ..... 56:043$050
....... ....... 14:0895600
Materiaes
Expediente 86:3196110
9:638.5700
Eventuaes......... 107:8238725 -
Bens moveis 8388596
Banco do Pará, saldo. 15:9335000
1:1186700
Bank of London. Serviço da Divida Ex-
ternA (192S) . ............ 101:4135201
Bank of London, Serviço da Divida Ex-
terna (;929) 16:891000
lntendenCia Municipal de Belem... 20:0364750
Estampilhas a emittir .
2:5008000 1:2505000
Thesouro do Estado C/Receita 245:4338120
Thesouro do Estado C 'Estampilhas 73:0246582
1:250.6000 2:5008000
Thesouro do Estado C/Patrimonio .....
Thesouro do Estado, Serviço da Divida Ex- 15:9355000
terna
Consumo 101:4538204
Multas sobre o consumo .............. 468:0415566
Multas por infracção do Regulamento 11:4695916
Derivações 5805000
Diversas indetnnisagò-, 30:2188550
/4.4ateriaes vendidos (barris de oleo vazios).. 8885000
976$800
707:1765214 707:1765214

A Directoria do Serviço de Aguas vem, de alguns annos a esta


parte, sendo dirigida pelo dr. Raymund() Vianna, engenheiro compe-
tente e um dos mais antigos funccionarios do Estado, cuja
publica é attestada por bons serviços, prestados carreira
rosidade.
coin dedicação e ope-
O seu trabalho no Serviço de Aguas é dos mais
de modo eloquente a somma de proveitosas realisaçõesnotaveis. Dil-o
feitas sob sua
orientação techniea.

Por acto de 28 de Janeiro foi dispensado, a


Gabinete do Governador seu pedido, o teneite-coronel da Força Pu-
blica Militar do Estado, Antonio José do
Nascimento, da commissâo em que se achava como assistente militar
do
Governador.
A 1.0 de Fevereiro eram nomeados :
Os bachareis Antenor Cavalcanti e Mario Braga Henriques para exer-
cerem, respectivamente, os cargos de chefe e official de Gabinete do
Governador, bem corno o de ajudante de oidens, em commissão, o ca-
pitão da Força Publica Militar, Antonio de Oliveira Machado.

151
O Matadouro do Maguary vem realizando
.Matadouro do Maguary 'com regularidade os fins para que foi creado.
E' mantido pelo Estado e nao fossem as dif-
. ,

ficuldades decorrentes da falta de gado, que se assignala periodicamente,


a sua situação economica seria estavel, com uma 'renda normal. Apezar
disso o Matadouro dispõe de rendas proprias, com as quaes satisfaz os
seus pesados .encargos. Não dispondo esta repartição de um fornecimento
regular de gado para a sua marchanteria, grande parte de suas rendas é
absorvida pelas 'despesas de acquisiçâo de rezes para attender a este ser-
. viço, soffrendo, assim, as contingencias de uma concorrencia commercial
desvantajosa.
No período de Julho a Dezembro de 1928 a receita do Matadouro
do Maguary foi de 714:593$082, que, accrescida do saldo de 17:045$670
que passou para Janeiro do corrente anno, perfaz o total de 731:638$752,
e a despesa importou em 714:593$082, como se vê pelo mappa annexo.
No periodo de Janeiro a Junho deste anno, a receita importou em
646:57 530, que accrescida do saldo de 15:496$020, que passou para o se-
gundo semestre do corrente exercício, perfaz o total de 662:074$550. A
despesa importou no alludido periodo em 646:578$530, como consta do
respectivo annex°.
No periodo de Julho de 1928 a Junho deste anno entraram no Ma-
tadouro .do Maguary 48.982 rezes, sendo 33250 bois e 15.732 vaccas,
assim como 15.961 de gado de outras especies. O total do peso de carne
examinada e posta no consumo publico foi de 6.621.054 kilos de gado
bovino e 652.752 kilos de gado metido.
- 0- estado sanitario do gado alli depositado
manteve-se excellente,
não se tendo registrado nenhuma molestia. A inspecção do gado e da carne
continua a ser feita pelo veterinario Antonio Bonna. De Julho de 1928 a
Junho deste anno foram condemnados, por imprestaveis para o consumo
publico, alguns milhares de kilos de carne, vísceras e fressuras em grande
quantidade, o que revela a vigilancia da direcção do Matadouro em bene-
ficio da saúde publica.
O serviço de fornecimento de carnes aos hospitaes e departamentos
custeados pelo Estado vem sendo feito com a maxima regularidade. Por
circumstancias varias o governo tem luctado com falta de gado para atten-
der á marchanteria do Estado e algumas vezes tem sido obrigado a adqui-
rir a carne verde por preços elevados para não deixar sem fornecimentos
aquelles estabelecimentos publicos. Para supprir essas difficuldades o Di-
rector do Matadouro, auctorizado por nós, incumbiu o fazendeiro F. J.
Cardoso do fornecimento de gado para a marchanteria do Estado, depois
do que cessaram os embaraços até então verificados. Com o serviço
dessa marchanteria dispendeu o Matadouro no segundo semestre de 1928
as quantias de 235:140$480 para. o fornecimento de carne verde e 9:759$100
com o de carne de porco e vísceras e no primeiro semestre deste anno a
de 247:467$300 com carne fresca e 6:155$100 com carne de porco e vis-
ceras, assim distribuídos:

152
JULHO A DEZEMBRO DE 1928 CARNE DE PORCO
CARNE VERDE
E VISCERAS
Santa Casa de Misericordia... 65:5258760 9658000
rnstituto Lauro Sodré. 37:45815720 5998500
Asylo de Alienados. 37:7718200 4:1928600
Hospital dos Lazaros 35:7718040
Instituto Gentil Bittencourt.... 23:7098600 5558000
Cadeia de São José 15:7578920 7288400
Hospital Domingos Freire...... 7:8968960 2:6698600
Ordem 38 de são Francisco... 6:5628080 498000
Noviciado 1:5918200
Hospital São Rocque 2:6498600
Grupo Arthur Bernardes 578600
Asylo de S. Francisco. 3028400
Para eleitores 868400

JANEIRO A JUNHO DE 1929 CARNE DE PORCO


CARNE VERDE
F VPSCERAS
Santa Casa de Misericordia.. 68:2828400 1:0058600
Instituto Lauro Sodré... ... 37:3698480 688800
Asylo de Alienados. 39:6288740 9:6948500
, Hospital dos Lazaros 35:9738600
Instituto Gentil Bittencourt 27:3218180
Cadeia de São José 17:3668340
Hospital Domingos Freire.... 8:0388200 2:4568200
Ordem 3a de S. Francisco... 6:6998000
Noviciado. 1:6078760
Hospital São Rocque 2:6648600
Asylo de São Francisco 2:5358000
Com os recursos disponíveis da receita deste estabelecimento têm-se
effectuado obras de conservação de maior urgencia, entre as quaeg as da
ponte de desembarque do gado bovino, no Kaffil. secção de electricidade,
casa de residencia do machinista, jaulas, curraes e chaminé.

Convenio com os marchantes


Interesses elevados e de ordem publica têm. aconselhado a
restricção de matança corno medida salutar para melhor regula-
ridade no fornecimento de carne ao publico e evitar o seu dis-
perdicio. Essa medida, entretanto, não tem sido comprehendida
por todos, apezar de adoptada nos departamentos congeneres
existentes em outros Estados e mesmo no extrangeiro.
Tal restricção não fere a liberdade de commercio nem o
direito de commerciar, garantido no preceito constitucional; é,
apenas, uma regularisação do exercicio desse direito determinada
pelo interesse publico.
O Regulamento dessa Repartição baixado por Decreto n. 4.256,
de 15 de Dezembro de '1925 e approvado péla lei n. 2.543, de 30

153
Oittubro de 1926, em o art. 161, auctoriza
a fazer restricção na ma-
tança diaritl. Para maior garantia dos interesses
particulares ,col-
ligando cm os publicos, e no louvavel intuito de
melhor harmo-
nizal-os, os governos, com o assentimento
expresso dos marchan.
tes, firmaram tabellas, nas quaes o direito de abater
certo numero de rezes, para attender a necessidade diariamente
do commer-
cio delles, ficou perfeitamente respeitado e garantido.
Essa restricção, fixada de accordo com
a possibilidade de
cada marchante de manter, em stock, nos
curraes do Matadouro,
numero de rezes que garanta o abastecimento da carne verde
a
população consumidora, provocou, apezar de acceita
sem protesto
no momento, descontentamentos e reclamações.
Na demonstração sincera dos nossos intuitos de
harmonizar
os interesses reciprocos do Estado e dos marchantes,
em beneficio
da tranquillidade de todos, procuramos
mostrar, mais uma vez,
a necessidade imperiosa da regulamentação da matança
em be
neficio publico e dos proprios interessados.
Assim, em reuniões dos marchantes, com palavras
attencio-
sas expuzemo's o assumpto e confiamos aos
mesmos marchantes
a elaboração de um convenio e de uma tabella de
fixação do
numero de rezes que cada um poderia abater.
Nessas condições foram organisados o convenio
e tabella
que estão em vigor e cujos resultados colhidos são
notorios.

Convenio estabelecido e acceito pelos mar-


chantes e director do Matadouro do Maguary para
o serviço de matança de gado e fornecimento de
carnes verdes á população da capital do Estado>.
Para o serviço de matança de gado
e abastecimento de
carne verde á população da capital do Estado
fica estabelecido
pelo governo, representado pelo director do Matadouro
do Ma-
guary, Miguel Seabra Martins, e os marchantes abaixo
dos, o seguinte convenio, que acceitam assigna-
e se obrigam a respeitar
mediante as seguintes clausulas :
1.a-0 preço da carne verde será de 1$500 o kilogrammo.
que não poderá ser elevado ou diminuido.
2.a A matança diaria será de 130 rezes,
no maxim°.
3.aPara regularidade da matança diaria fica adoptada
a
tabella. que com este baixa, na qual se determina
rezes a serem abatidas pelos marchantes e o o numero de
numero de kilos
correspondentes, com a permissão de elevarem a 200/0
a matança
e kilogrammento aos sabbados.
4aSerá permittido a cada marchante exceder
até 30 kilos
a matança determinada na tabella acima mencionada
(clausula 3.a).
5.2-05 marchantes se obrigam a manter
Matadouro um stock em rezes, do qual a nos curraes do
matança diaria que lhes
peFmittida fazer nunca ultrapasse um terço.

154
6.a 0 fornecimento de carne verde As companhias de nave.
gação e .casas armadoras serA feito independentemente da tabella
acima referida. Para este fim os pedidos para esses fornecimentos
devem ser devidamente authenticados. Fica, egualmente, fora da
tabella, a que se refere a clausula 3.a, o abastecimento de carne
verde para a villa do Pinheiro, a cargo dos marchantes Araujo &
Irmão, sob a fiscalisaçâo do governo do Estado.
7.a Nenhum marchante poderA vender ou ceder rezes não
possuindo em stock numero sufficiente, de acciirdo com a clau-
sula 5.i.
8.a 0 governo manterá o actual numero de marchantes,
emquanto estes cumprirem as clausulas acima, que são estipula-
das em proveito do abastecimento da população desta cidade.
E como prova de assim terem acceito e convencionado as
clausulas acima, os marchantes, com exercicio no Matadouro do
Maguary, assignam o presente e se compromettem a observal-as
e respeital-as rigorosamerite, passando este a vigorar desde esta
data.
Matadouro do Maguary, 15 de abril de 1929. -(a a) Miguel
Seabra Martins, director do Matadouro; F. J. Cardoso, Mesquita
& Lobato, B. Borges Leal & C.a, Araujo & Irmão, Alvaro C. Pi
canço, p. p. de J. Pingarilho, Alberico Pereira Serra; José Leite
Chermont, Lobato de Miranda, B. L. de Miranda, A. M. Pereira,
Antonio d'Albuquerque & C.a, M. Dacier Lobato. Affonso Fon-
seca & C.a, Augusto D. Lobato, Monard & C.a e Claudio Monard.
Com muito zelo e competencia tem o director do Matadouro do Ma-
guary, sr. Miguel Seabra Martins, exercido as suas funcções.

A despesa, elevada por varios motivos, produ-


Estrada de Ferro ziu, desde 1925, constantes deficits nos primeiros
de Bragança semestres, desequilibrando, assim, as finanças
dessa via ferrea, o que reduzia a possibilidade da
realisação de todos os concertos e reparos, que se iam tornando precisos á con-
servação de seu material fixo e rodante.
Mister se fazia entrar em um regitnen de rigorosa economia e severa fisca-
lisação da renda. Resolvemos, então, de accôrdo com a Directoria, dispensar
alguns operarins e funccionarios extra-nutnerarios, desnecessarios na occasião;
reduzimos o consumo de combustive!, lubrificantes, estopa e do.materia de ex-
pediente, tudo a nosso ver excessivo, assim tambem a despesa feita com a carga
e descarga dos trens, aproveitando nesse serviço o proprio pessoal da Estrada, e
fizemos varios outros cortes.
Conseguimos, deste modd, uma reducção na despesa, que já attinge cerca
de 15 contos tnensaes.
Vimos, tambem, com prazer, a receita augrnentada de 86:736$176, compa-
rada com a de egual período do anno passado, a maior que até agora se tem veri-
ficado nos primeiros semestres, desde 1925 a 1928, como mostra a comparação
que segue : 113:43495o mais do que a de 1925; 168:477$o51 mais do que a

155
de 1926; 23:088$233 mais do que a de 1927 e 86:736$176 mais do que a de
1928, e 3S despesas respectivas, 56:492$7o4 maior que a de 1925; 7t17$437
menor do que a de 1926; 42:4198834 menor que a de 1927 e 32:049$33o me-
nor que a de 1928.
Contentam-nos os resultados dessa comparação, que betn revela quão tem
sido proficua a acção do dr. Candido Santos, a quem em bba hora reentregámos
a direcção dessa Estrada de Ferro.
Não é possivel, como racionalmente se comprehenderã, em 4 mezes apenas
de administração, obterem-se completos resultados dos esforços empregados,
mas, com satisfacção podemos já annunciar um sensivel augment° na renda, a
gradativa melhora na conservação da linha e remodelação do material, ao par de
apreciavel reducção de despesa.
E'-nos grato salientar a existencia do saldo de 23:825$477, no primeiro se-
mestre deste anno, desapparecendo, assim, os constantes deficits que, nesse peno.
do, se vinham.verificando desde 1.925, apezar do dispendio feito com serviços e
compras de material, que julgámos inadiaveis, como sejam acquisiçào de mais de
too m3 de madeira, as ferragens e o demais necessario á fundição de ferro e
bronze, tudo para concerto e reconstrucção de carros de passageiros e carga, e
machinas, que se vem realisando nas officinas de Marituba; material para pintura
e vidraça dos carros, dormentes, concertos nas pontes metallicas de Jambuassb,
Abacate e Igarapé-assti; ferro para a fabricação de grampos; compra de 2 muares
para o ramal de Bemfica; acquisição de madeira para reconstrucção de uma das
pontes do mesmo ramal, desabada em Dezembro do anno passado, avaliada em
14;000g000, pagamento de um saque no Banck of London South America Ltd.
e o respectivo despacho de r.5oo pares de talas de juncçã.o; e o despacho d'e 600
mil bilhetes de passagem, etc. etc.
Pelas notas fornecidas pela Contadoria, ao iniciar-se a nova direcção, a Es-
trada devia, de 1925, data em que entrou no regimen do contracto de arrenda-
mento, até 28 de fevereiro do corrente anno, a quantia de 429:1048558. Pelos
dados que adeante expomos, vê-se o que nos foi possivel amortisar desse debito.
Animado com os resultados já obtidos na receita e despesa, pensamos que,
com o zelo e a dedicação dos que trabalham nessa ferrovia, com um auxilio pecu-
niario do governo, calculadamente de 600 contos e com a propria renda da Estra-
da, se poderá adquirir aquillo que actualmente mais necessitamos para o reparo
do material fixo e rodante e assim veremos realisados os nossos intuitos de col-
locar a E. de F. de Bragança em situação de preencher, com mais segurança e
regularidade, os fins a que foi destinada.
Para collimar esse objectivo são icnprescindiveis as providencias abaixo succin-
tamente enumeradas no relatorio do Director:
,Nos trechps de São Braz a Castanhal e do Entroncamento ao Pinheiro, a
substituição de 200 dormentes por kilometro, numa extensão de 83.937 metros.
ou sejam 16.784 dormentes, para que esta parte da via permanente fique em
bdas condições; de Beletn a São Braz e no sub-ramal do Curro do Maguary,
numa extensão de 7.195 metros, substituir 4.317 dormentes, á razão de boo por
kilometro; de Castanhal a Bragança, além da substituição de cerca de 750 dor-
mentes por kilometro, numa extensão de 159.317 metros, com um total de
119.487 dormentes, torna-se urgente a mudança de perto de ro kilometros de

156
trilho, devendo aproveitar-se, para isso, os convenientemente escolhidos, dos
de
typo Krupp, que foram substituidos por novos, na reconstruct* e
que se acham
empilhados ao longo da linha; para os triangulos de reversão urge adquirir perto
de 3.417 dormentes. Para ter a linha em condições de satisfazer
as exigencias
do trafego, carecemos pois de 144 mil dormentes,
sco mil grampos ou tirefonds
e 20 mil pares de talas de juncção, com os respectivos parafusos».
Ainda se impõena reparos na quasi totalidade das Estações,
galpões, pontes
metallicas e e madeira, de postilhões, sem incluir a do ramal de Bemfica,
que está
em via de reconstrucção, bem como nas linhas dos ramaes do Prata, Benjamin
Constant e BemEca.
Para o material rodante é necessario adquirirem-se trucks
com os competen-
tes rodados, para carros de passageiros e cargas, madeira, vidraças, ferragens, trin-
cos, zinco para cobertura, palhinha para os assentos dos carros e
outros. Taes pro-
videncias perit:ittirao ter em circulação maior
numero de vehiculos e assim poder-
se mais efficienternente zelar pela sua conservação.
Tendo terminado a conamissão em que se
encontravam neste departamento
os engenheiros Philignesio de Carva!ho e Vicente Maués, respectivamente chefes
do Trafego e da Linha, nomeámos os distinctos engenheiros
Antonio Ferreira
Celso, para substituir o segundo, e Francisco da Cunha Coutinho,
para substi-
tuir o primeiro, ambos tambern eni commissão.

Em nosso poder se acha o relatorio dos traba-


E. de F. Tocantins lhos executados na Estrada de Ferro Tocantins
sob a direcção do engenheiro dr. .Amvntas de
Lentos. Na parte destinada aos annexos encontrareis os dados relativos
ás :mph-
cações das verbas destinadas á conservação desta via terra.
Não podemos proseguir nos trabalhos da construcção desta estrada.
que tam-
bem ficaram suspensos durante o anno de 192S, porque,
riinguena ignora,
nenhum Estado pôde construir vias ferreas com as rendas ordinarias, princi-
palmente o Pará, cuja receita é insufficiente para as despesas communs da admi-
nistração.
Durante o primeiro semestre de 1929, fizemos sómente os trabalhos de con-
servação, descriptos em um dos nossos annexos.

O governo continúa a manter a subvenção da


Navegação Mosqueiro linha de Soure, cujo coptractante, Sr. Alberto
e Soure Engelhard tem cumprido fielmente suas obri-
gações contractuaes. Attentas ás necessidades
cada vez mais crescentes, quer relativamente á segurança dos
passageiros,
quer no tocante á sua commodidade, pensamos que a linha de Soure recla-
ma um navio de maior tonelagem que o actual empregado
nessa navega -
ção. Temos empenhado todos os nossos esforços no sentido de transformar
essa aspiração numa realidade proveitosa, que virá ao encontro dos
jos de quantos se utilizam do unico meio de transporte que temos dese- para
aquelle importante municipio, que é actualmente urna reputada estação
balnear pelo seu ameno clima.

157
Pôr sua vez a linha que ogoverno mantem para o Mosqueiro, tambem
aprazivel estação balnear, para onde convergem muitas famílias,
principal-
mente na quadra estival, tem preenchido com regularidade os seus fins
sob a directa fiscallsação da Amasvn River, com a qual o governo passa-
sado fez um contracto nesse sentido.
Essa Companhia emprega na linha um navio de marcha regular e em
optimas condiçaes de navegabilidade. Como se tratasse de um serviço que
aproveita quasi que exclusivamente á população belemense deliberamos
solicitar do intendente Municipal de Belem o seu concurso para a manuten-
çâo dessa linha de navegação, visto a renda respectiva não ser sufficiente
para o seu dispendioso custeio. De bôa vontade acquiesceu o Senador
An-
tonio Facióla pela justeza do nosso appello e nessas condições
o Estado e
o Municipio concorrem, em quotas eguaes, para a manutenção da linha
do
Mosqueiro, que continúa a deixar um regular deficit mensal.

Creado pelo ex-presidente da Provincia do


Museu Gceldi Para, dr. Joaquim Pires Machado .Portella, a
25 de Março de 1871, o Museu só foi uma
instituição digna deste nome quando remodelado pelo illustre naturalista
dr. Emilio Goeldi, que no inicio de sua administração e depois de
inven-
tariar os objectos heteroclitos que encontrou, assim concluiu
: 'Pouco ha, e
ainda pouco presta. E' principiar-se de novo.,
Chamamos a vossa attenção para a necessidade que ha de se con-
tractar um geologo e um botanico que venham continuar a desvendar
as
grandes riquezas do nosso sub-solo e da nossa flora, aproveitando-se os
auxilios com que o Congresso Nacional, para este fim e por mais de
uma
vez, tem dotado o Estado. A bibliotheca do estabelecimento contem
11.000 volumes de obras escolhidas, algumas raras e verdadeiras
precio-
sidades de inestimavel valor.
Ha necessidade "do Estado adquirir o terreno situado á Avenida Gentil
Bittencourt e Travessa 22 de Junho, encravado no terreno occupado pelo
Museu, pertencente ao Sr. Joaquim Cardoso da Cunha Coimbra, o qual,
segundo affirma o Director do Museu Gceldi, pode custar 8:700000, con-
forme combinação com o proprietario, dependendo a lavratura da escri-
ptura de compra e venda do pagamento do preço.
O jardim zoologico acha-se bastante desfalcado, sobretudo de mammi-
feros, tendo sido improficuos todos os esforços do Director para obtel-os,
mesmo por compra, em virtude da concorrencia feita pelos agentes de ins-
tituições congeneres extrangeiras, que- os pagam por preços elevados,
animados pelos insignificantes impostos que lhes cobra a Recebedoria de
Rendas. Urge tomardes uma providencia efficaz para evitarmos os abusos
commettidos pelos referidos agentes, que se podem utilizar da benevolencia
tributaria para exercerem um verdadeiro commercio lucrativo, tanto
mais, prejudicial quanto é certo que sahem, com prejuizo das nossas
collecções, animaes e objectos raros de interesse ethnographico ou arche-
ologico.

158
O horto botanico bent cuidado acha-se
apparelhado para fornecer mu-
das de plantas fructiferas e de ornamentação. Os viveiros contêm grande
numero de cafeeiros, cacaueiros, seringueiras,
que têm sido distribuidos
gratuitamente e alguns vendidos.
Muitas pesslias têm feito doações de objectos e utensilios
O Museu esta procedendo a ensaios sobre ao Museu.
a plantação
que já têm grande valor no commercio. Os primeiros de urucuseiros,
madores. -
resultados são ani-
Não devemos concluir este trecho sem
nos referir aos ingentes es-
forços empregados pela administração do Museu
cada vez mais. O seu director dr. Antonio O' de no sentido de eleval-o
Almeida é um grande es-
forçado, tendo como auxiliar nesta obra
verdadeiramente herculea e pa-
triotica deste departamento publico o sub-director
drigues, a quem muito se deve pela sua intelligenteRodolpho Siqueira Ro-
actuação. e perseverante

A Associação Commercial é incontestavel-


Associação Commercial mente uma grande força
de impulsão do
nosso commercio e das nossas industrias,
achando-se em todas as occasiões na vanguarda
dos acontecimentos que
se relacionam corn os interesses das classes conservadoras.
Mais de uma
vez temos contado com o seu valimento para a solução
de problemas que
dizem respeito ao commercio paraense. A sua acção efficiente
de um modo evidente. manifesta-se
Tres valiosas instituições mantem a nossa Associação
A Escola Pratica de Commercio. Escola de Chimica Commercial:
e o Museu Commer-
cial. A primeira dá annualmente uma regular turma de
petentes e conta com um corpo docente de reconhecido guarda-livros com-
valor. As condi-
ções actuaes da vida commercial exigem cada dia
de seus auxiliares e a noset Escola Pratica, conhecimentos variados
progressista e bem orientada,
preenche rigorosamente a sua finalidade, adoptando
os methodos mais
avançados do ensino. A Escola de Chimica e o Museu Commercial.
sob
a direcção de especialistas e technicos abalisados, por outro lado,
de modo a bem servir o-nosso meio. O Museu é actuam
uma instituição que nos
honra sobremodo e presta reaes serviços á propaganda dos
nossos pro-
ductos. Todos quanto visitam este bello departamento
levam bôa impres-
são do gosto, ordem e bem comprehendida disposição de
suas secções,
organisadas pelo seu dedicado director sr. Paul Le Cointe. A im?ressão
que trouxemos de nossa visita foi francamente das melhores.
Os auxilios que o Estado dá á Associação Commercial
aproveitados. são bem

Com os intuitos de economia corn que in-


Junta Commercial gresslimos na administração, as nossas vis-
tas se voltaram logo para a Junta Commer-
cial na certeza de podermos substituir os vencimentos
dos funcciona-
rios desta l'epartição por emolumentos cobrados sobre
os actos pratica-
ilos pelos mesmos.

159_
Encontrámos a melhor Mt vontade, neste sentido, por parte do
secretario dr. Alfredo Lamartine, que com tanta dedicação e compe-
tencia vem desempenhando as suas funcções. Feito um estudo prévio,
com a preoccupação de não crear taxas exorbitantes As partes interes-
sadas e não sacrificar a justa remuneração dos funccionarios, já de si
tão exigua, decretámos esta medida de economia com as devidas se-
guranças que o acto reclamava. Colhemos os melhores resultados, pou-
pando uma verba orçamentaria no valor de 17:000t000, sendo digno
de nota que os interessados, que forar gravados com os emolumentos
pela tabella annexa ao decreto, nenhuma restricção fizeram ao acto do
governo, tão modicas foram as taxas creadas. Por outro lado, podemos
assegurar que a renda dos emolumentos é superior aos primitivos
vencimentos, havendo probabilidade de augment°, o que constituia
uma preoccupação nossa, visto como não tinhamos o intuito de preju-
dicar os servidores do Estado que, repetimos, já eram tão exiguamente
remunerados.
A Junta Commercial tem preenchido Os seus fins vantajosamente,
o que registramos com muito agrado.

O Museu Commercial, creado em 1919 pela As-


Museu Commercial sociação Commercial do Pará vem se desobrigan-
do Para do dos encargos previstos em seu Regulamento,
mantendo uma exposição permanente dos pro-
ductos das industrias locaes e das materias primas oriundas da vasta bacia arna-
zonica, fazendo a propaganda das riquezas regionaes, desenvolvendo dia a dia o
seu serviço de documentação economica, attendendo os pedidos dos consulados,
das Camaras de Commercio e dos particulares, e organisando, sempre com
successo, a representação do Estado em todas as grandes Exposições internacio-
naes onde tomou parte o Brasil.
Desde a sua fundação até á presente data, distribuiu o Museu Commercial
11.591 amostras diversas, attendeu por escripto a 537 pedidos de informações,
Sendo os seus salões visitados constantemente por pessoas não residentes
no Es-
tado e que nelles podem, em poucas horas, adquirir conhecimento dos
nossos
recursos actuaes e das nossas possibilidades economicas futuras.

Este departamento do Estado foi Confiado á dire-


.
Bibliotheca e Archivo cção do dr. Martinho Pinto, que se vem desem-
Publico penhando muito bem nesse posto de trabalho e
de confiança.
Em seu minucioso relatorio o director da Bibliotheca e Archly° Publico

larga noticia da sua repartição e lembra ao governo certas medidas de
urgencia,
como seja a abertura da Bibliotheca á noite, a fim de beneficiar a todas
as classes
sociaes.
A secção de encadernação, instituida na administração
passada e melhorada
no nosso governo, vae preenchendo seus fins, que é a preservação
e catalogação
da grande somma dos bons livros que alli existiam em brochura. Até
30 de De -
zembro de 1927, foram encadernados 4.702 volumes e daquella data
2.518. para cá

16Q
Apezar de falta da verba destinada á acquisição de livros novos para a Bi-
bliotheca, a Directoria tem feito o possivel para enriquecer a nossa collecção, já
<le si muito preciosa.
De Julho de 1928 a Junho de r929 a Bibliotheca foi frequentada por 7.274
pessoas.
Incontestavelmente a Bibliotheca e Archivo Publico do Pará é um departa-
mento que muito nos honra, pelo que possue patrimonialmente, e que a direcção
que tem tido nestes ultimos annos muito fez por conservar.

A nossa representação federal, quer no Senado,


Representação Federal quer na Camara de Deputados, tem agido com
admiravel actividade e brilho na defesa dos inte-
resses vitaes do Pará. Essa nossa affirmativa se impõe como uma merecida hocne-
nagem que devemos aos illustres congressistas paraenses que coni tanta dedicação
influem para a solução dos problemas regionaes junto aos altos poderes da Re-
publica.
Ao illustre e digno paraense dr. Geminiano de Lyra Castro, Ministro
Agricultura, devemos uma grande somma de relevantes serviços prestados ao
nosso Estado, com reaes proveitos para a nossa terra.

Muito devemos em bons e leaes serviços ao sr.


Directoria de Fazenda Manoel Sant'Anna, actual director de Fazena do
Estado e um dos seus mais amigos servidores, cuja
honradez e capacidade funccional são tradicionaes. Muito brm organisado é o
serviço dessa repartição. O excellente relatorio que nos enviou o director respe-
ctivo trouxe um grande e valioso contingente para a presente mensagem.
Em varias visitas que fizemos ápirectoria de Fazenda tivemos oportunidade
de verificar a be3a ordem da escripturação e a perfeita organisação de suas varias
dependencias de trabalho.
Funcciona na Directcria do Thesouro a Procuradoria Fiscal, cuja actividade
no interesse do fisco estadoal é de natureza a merecer o nosso elogio. As pala-
vras contidas no relatorio do director di Fazenda, relativamente cos trabalhos zxe-
cutados pela Procuradoria Fiscal, exercida com zelo e competencia pelo dr. Anto-
nino Mello, demonstram á saciedade o que vimos de aflirmar.

O director da Recebedoria de Rendas é o sr.


Recebedoria de Rendas coronel José Maria Camisao. Com muitos an
nos de trabalho naquella Repartição é um espi-
rito recto e activo, dando grande realce á organisação interna dos seus serviços.
Em urna de nossas visitas iquelle departamento publico trouxemos excellente
impressão de tudo.
O serviço de estatistica alli é feito com muito esmero.
Iniciámos na Recebedoria a revisão dos despachos, como medida fiscal,
esperando no principio do ;Irmo proximo installar alli uma secção pelo systetna
Hollerith.

161
O DIARIO OFFICIAL, impresso nas oficinas do
Diarlo Officlab (Instituto Lauro Sodrép, passou por algumas re-
formas lembradas pelo director desse estabeleci-
mento profissional, entre as quaes a nomeação de um redactor, a cargo de quem.
fica a orientação desse orgio oficial, e a diminuição de algumas
verbas de des-
pesas, que foram consideradas superfluas, sem prejuizo do serviço de publicidade
dos actos do governo.

Cum relação ás Inspectorias de Consumo


Inspectorias do Imposto e dentro do periodo a que esta Resenha
de consumo se refere occorreu o seguinte :

1928
Pelo decreto n. 4.431, de 29 de Agosto, foi creada urna Inspecto-
ria do Imposto de Consumo em Anajás, na comarca de Afuá.
Pelo decreto n. 4.442, de 24 de Outubro, foi creada uma Inspecto-
ria do Imposto de Consumo em Maracaná.
1929
Pelo decreto n. 4.517, de 7 de Março, foi creada urna Inspectoria
do Imposto de Consumo na villa do Mosqueiro.
Pelo decreto n. 4.522, de 25 de Abril, foi a Inspectoria do Imposto
de Consumo, com sécle na comarca de Igarapé-miry, creada por de-
creto n. 4.298, de 29 de Setembro de 1926, dividida em duas.
Pelo decreto n. 4.526, de 6 de Junho, foram creadas tres Inspe-
ctorias do Imposto de Consumo, com séde nos logares Curuá, May-
curú e Cuçary, da comarca de Monte-Alegre, subordinadas á respectiva
Collectoria.
A r.° de Março do anno passado e pelo dec.
Secção de Estatistica 4.394 foi creada a Secção de Estatistica e Infor-
mações, que tem estado sob a direcrão compe-
tente do Sr. Miguel Shelley, um devotado technico no assumpto.
Os seus serviços têm sido dos mais apreciaveis. Haja vista o Annuario Es-
tatistico do Estado, publicado debaixo de sua criteriosa orientação, obra de gran-
de valor para a divulgação de tudo quanto nos pertence.
Ainda agora essa secção forneceu dados preciosos para a presente mensagem,
muitos dos quaes colhidos na Recebedoria de Rendas.
Temos em mãos o bem feito relatorio apresentado pelo chefe do serviço de
estatistica, em o qual esse funccionario nos offerece interessantes suggestões, que
estio em estudos para uma verdadeira e definitiva organisação de tic) util
repar-
tição informadora.
A importancia da estatistica, como fonte de informação e de orientação, não
só para o governo como para quantos precisam conhecer, nos minimos detalhes,
a nossa vida, sob seus variados aspectós, é tit) evidente que não precisamos
grande esforço para demonstrar a necessidade imperiosa de dar maior esphera de
acção á Secção de Estatistica e Informações do Estado.
Para esse fim precisaremos de maiores verbas, afim de dotar a repartição de
um numero maior de auxiliares.
Dentro do periodo a que se refere a pre-
DIstrictos judiclarlos sente Resenha foi baixado o seguinte
decreto
N. 4.503, de 29 de Janeiro, marcando data para a installaçao do
3.0 districto judiciario (S. Domingos da Ma-Vista) da comarca da Ca-
pital, creado pela seguinte lei:
LEI N. 2.722DE 6 DE NOVEMBRO DE 1928
Constitue o municipio de S. Dominges da
136a-Vista, 30 district° judiciario da comarca da
Capital, corno abaixo vae declarado.
O Congresso Legislativo do Estado do Pará decretou e eu sanc-
cibno a seguinte lei
Art. T.°-0 municipio Li,: S. Domingos da 136.1-Vista, coin os seus
respectivos limites, constituirá o .3., district° .judiciario da comarca
Capital do Estado, devendo ser installado cru dia que o governo de-
signar.
Art. 2.°Revogam-se as disposições em contrario.
O Secretario Geral do Estado assim a faça executar.
Palacio do Governo do Estado do Pará, 6 de Novembro de 1928.
(a a) DIONYSIO BENTES.
Fausto Batalha.
Nos diversas circumscripções, em numero
Supplentes de juiz de 223, em que se as 29 c( marcas
substituto do Estado, como melhor se pode verificar
do quadro que segue, vt:fm servindo o car-
go de supplentes de juiz substituto os cidadãos nomeados para o bien-
nio iniciado a T5 de Agosto de 1927 e a terminar a 14 do citado rnez
do anno de 1929, nos termos da lei n. 93o, de 25 de Outubro de 1904.
No period() referido foram feitas 27 nomeações, concedidas c exo-
nerações e considerada sem effeito uma.
A 22.:1 circumseripção do 1.0 district° judiciado da comarca da
Capital (S. Domingos da Boa-Vista) foi constituida pela lei n. 2.722,
de o de Novernbro de 1928, em district° da mesma Capital, que
antes dessa lei tinha scímente dois districtos, comprehendendo o re)
(Capital) 32 circumscripções e o 2.0 (Igarape-assú , 6 ditas.

São os seguintes os actos referentes as


Subprefeituras de Policia subprefeituras de Policia :
1928
Pelo decreto n. 4.420, de 16 de Julho, foram creadas no perime-
tro urbano da Capital mais duas subprefeituras com as denominações:
cBaptista Campos D e (Pedreira);
Pelo decreto n. 4.425, de S de Agosto, foi creada mais uma sub-
prefeitura no i.0 district° judiciado da comarca da Capital, coin a de-
nominação de «Arapirangau;

163
Pelo decreto n. 4.427, de 21 de Agosto, foi creada mais uma sub-
prefeitura em «Aprdaga».e extincta a de cSantlAnna do Capim;
Pelo decreto n. 4.449, de 14 de Novembro, foi dividida em duas
a subprefeitura de Bujarú, no I.° district° judiciario da comarca da
Capital;
Pelo decreto n. 4.462, de 7 de Dezembro, foi creada uma subpre-
feitura em Ma-Vista, no municipio de Aveiro.
1929
Em virtude do decreto n. 4.519, de 14 de Março, foi creada Innis
uma.subprefeitura de policia em Prainha, comarca de Monte-Alegre,
com a denominação de «Rio Jauary»;
Ern virtude do decreto n. 4.523, de 8 de Maio, foi creada mais
urna subprefeitura na comarca de Vizeu, com séde em Marataúna;
Ainda pelo decreto 0. 4.524, de 17 de Maio, foi creada uma suh-
prefeitura de segurança, no 2.« district° judiciario (Ourem) da comarca
de Guamá, com sécle em Cuxiú.

Cumpridas as formalidades legaes, foram


Naturalizações entregues aos interessados vinte e tres ti-
tulos de naturalização no periods° que de-
corre de i de Julho de 1928 a 30 de junho de 1929:
A portuguezes 13
A allemães 1
A syrios 1
A: russos. 6
A italianos 1
A hespanhoes 1

23

No periodo de um anno o nosso Estado


Lucto perdeu varios cidadãos de destaque nas
lettras, na vida parlamentar e politics.
A. morte do senador estadual José Alves da Cunha deixou geral
consternação no seio da sociedade paraense, onde este illustre coesta-
dano desfructava geraes sympathias pelas suas hellos qualidades de ca-
racter. A sua actuação no scenario politico do Estado foi das mais no-
taveis pela dedicação com que sempre serviu os interesses publicos.
A nossa representação na Camara Federal viu desapparecer o dr.
Bento Miranda, que ha muitos annos defendia os interesses do Pará
n.o Congresso Nacional, onde deixou um traço refulgente de seu talen-
to e de sua vasta cultura. Homem publico de largo descortino e ora-
dor festejado dos mais pujantes, conhecedor emerito dos altos assum-
ptos economicos e financeiros, o illustre morto deixou nos Annaes do
Congresso trabalhos de grande valimento. O Pará muito deve A dedi-
cação com que o dr. Bento Miranda defendeu os interesses de sua terra
natal.

164
A morte quasi repentina do dr. Jose Cyriaco Gurjdo muito contris-
tou a quantos conheciam este illustre homem publico e podiam avaliar a
natureza dos serviços que prestou ao Estado. A sua carreira profissional
e politica foi das mais notaveis. Clinico de renome e grande espirito cari-
tativo, este nosso distinct° patricio occupava na classe medica de Belem
um logar preeminente. Politico dedicado, alma spartana, feita de dedi-
cações extremas e de lealdade inimitavel, o dr. Gurjão exerceu cru
varias legislaturas o mandato de deputado, sendo ha annos eleito se-
nador estadual. A morte encontrou-o occupando o alto posto de pre-
sidente do Senado e, portanto, de vice-presidente do Estado, tendo
algumas vezes estado provisoriamente na direcção do Estado.
O desapparecimento do velho educador e notavel engenheiro civil
dr. Ignacio Moura encheu a sociedade paraense de profunda magna,
tão ligada tinha elle a vida á terra de seu berço, á qual deu devota-
damente, como engenheiro, professor e notavel publicista, o melhor
de seu talento e de sua vasta cultura.
Não pequena somma de bons serviços prestou o Jr. Ignacio Moura
ao Pará. A sua alma moça e vigorosa, apezar de avançado em annos,
sempre estava dominada por vibrações emotivas para transmittil -as
mocidade que o idolatrava. A sua memoria e respeitada com verda-
deiro carinho por aquelles que, numa doce e fraternal convivencia,
conheceram de perto o requinte de bondade de tão illustre e querido
patricio.
Não devemos concluir este nosso trabalho
Conclusão sem registrar o valioso concurso que temos
recebido do funccionalismo estadual que,
incontestavelmente merece os mais francos elogios pela sua intelli-
gente e honesta actuação no cumprimento de seus deveres. Das visitas
que fizemos aos varios departamentos publicos trouxemos a melhor das
impressões sobre a competencia e dedicação dos servidores do Estado.
Na convicção de que vos envi:imos as principaos occorrencias ha-
vidas no decurso de um an no, a contar da vossa ultima reunião, bem
como submettemos ao vosso exame e estudo os mais importantes as-
sum ptotz relativos á nossa vida economica e financeira, cabo-nos agora
reaffirmar que muito confiamos no vosso operoso e intelligente con-
curso em oról da administração do Estado.
Recebei, assim, as homenagens da nossa alta consideração e as
nossas mais cordiaes saudações.

165
Thesouro Publico do Estado
EXERCICIO DE 1928
BALANÇO GERAL
RECEITA
Renda ordinaria:
Exportação 5.860:8295590
Industria e profissao 1.140:7725767
TransmissAo de propricdade 608:14.;3155
Divida activa 51:6005667
Consumo de diversos ...... 312:5845908
Renda do patrimônio 222 8665101
Serviço de Navegação 161:2455190
Serviço dc Aguas 1.035:7023623
Matadouro do Maguary.. 8213145403
Imposto do scllo 261:8575713 10.180:9175137
Renda extraordinaria:
Eventuaes ... 271:7615512
Indemnizações 29:7595055 301:5205567
Renda c/applicacão especial:
Consumo de bebidas c fumo 852:5385786
Imposto da Bolsa. 413:3318386
Imposto territorial 294:6925216
Asylo S. Francisco dc Assis 61:1228157
Addicional 200:610$459
Taxa sanitaria 222. 0165823
Banco do Estado. 5299155366 2 574:2575216
Depositos diversos :
Effectuados n/exercicio 51:r365903
Intendencia Municipal de Belem 227:166526
Recebedoria cirecei:a em transito 350 0305150
Amazon River c/navegaçõo Mosqueiro ....... 61:7295490
Supprimento do exercício de 1929 669:332$352
14.716:6925041
DESPESA
Governo e administracizo :
Governo do Estado 40:0005003
Gabinete do Governador 43:0165125
Secretaria Geral 91:236St03
Thesouro Publico 179:921$003
Directoria de Obras Publicas, Terras e Viação 1.12:3assIc O
Directoria do Serviço dc Aguas 761:0415615
Recebedoria de Rendas 132:3015600
Matadouro do Maguary. 436:2338122
Marchanteria do Estado. 556:88750.)U
E. F. do Tocantins 209:3535860
Junta Commercial 16:8585903
Navegação 201:8615300
Mesa de Rendas e Collectorias 301:503844
Theatro da Paz 5:2618930 3.093:8205219
Poder Legislativo:
Camara e Secretaria. 128:7935700
Senado e Secretaria 82:3005700 211:0945400
Transporta. 3.304:914$619
Transporte 3.304:9141619
Poder Judiciario
Tribunal Superior de justiça 171:56911000
Secretaria do Tribunal Superior 24:148$600
Ministerio Publico 39:3951400
Secretaria do Ministerio Publico . '
8:5805000
Repartiçtlo Criminal 29:4601500
Forum 8:4731300
Ajuda de custo 2:4721600
Juizes da capital e do interior .523:3681500
Promotores da capital e do interior 116:0771300 923:545$200
Policia Civil e Militar :
Chefatura de Policia. 460:903$374
Força Publica Militar 1.578:1011536 2.039:0045910

Instrucção Publica:
Faculdade de Direito 76:4101000
Escola de Pharmacia 27:3005000
Gymnasio Paes de Carvalho 216:7565500
Escola Normal 107:7341400
instituto Gentil Bittencourt 101:52.31930
Instituto Lauro Sodré 372:162$086
Ensino Primario ....... - 1.217:4905288
Museu Gceldi.. 40:93e$200
Bibliotheca e Archivo Publico 29:7035200
Escola de Agronomia e Veterinaria 47:61.95990 2.237:.6305564

Saúde Publica :
Directoria do Serviço Sanitario - ..... 236:3335860
Saneamento Rural 383:155$000
Hospital Domingos -Freire 48:2785140
Hospicio de Alienados 120:0785000 787:8455000'
Divida Publica:
Serviço de Emprestimos Externos 880:007$634
Serviço de Emprestimos Internos 61:9425000 941:9495634
Diversas contas_:
Receita u annular 329:5415709
Divida Fluctuante c/Amortizaçõo 554:2505528
Pessoal inactivo ............... 895760$09
Pensionistas do Montepio 526:7785869
Eventuaes c/despesa 452:9385824
Santa Casa de Misericordia c/auxilio 350:2311521
Obras Publicas 328:9305020
Asspciaçao Commercial c/auxilio 187:4085527
Telegrammas, luz e telephones. 103:4035570
Automoveis 26:905100
Commissões, gratificações e percentagens... . . ... 63i5755344
Contabilidade Publica 53:6501000
Substituições 42 4705400
Recepções officiaes 24:3005000
Melhoramentos Publicos 43.2815990
Radio-telephonia do Estado 55:5005000
Asylo S. Francisco tde Assis 86:1125400
Agencia do Banco do Brasil c/c garantida 6:9305000
Banco do Estado c/Fundo Ouro -27:500$90C 4.159:6405801
Depositos Diversos :
Restituidos no Exercido 136.0565837
Supprimento ao exercicio de 1927. 186:1045476

14.716:692$041,
EXERCICIO DE 1929
DEMONSTRACX0 DO MOVIMENTO RELATIVO AO PRIMEIRO SEMESTRE

RECEITA
Renda ordinaria :
Exportação 3.546:3615437
Industria e Profissão 511:9838639
Serviço de Aguas 513:0138428
Transmissão de propriedade 291:8835018
Taxa judiciaria 13:0388921
Imposto do sello. 111:9098004
Consumo de diversos. 169:2468090
Renda do patrimonio. 98:1796165
Matadouro do Maguary 473:2255240
Divida Activa 83:3676949
Serviço de Navegação 41:4535990 5 .853:6615.881
Renda extraordinaria :
Eventuaes 11:6595129
Indemnizações 19:3795080 31:0385209
Renda cjapplicaccio especial :
-- -
Consumo de bebidas e fumo 450:4445942
Addicional 119:9148856
Taxa sanitaria 159:5905427
Imposto da Bolsa 238:5715510
Imposto territorial 246:0296844
Banco do Estado 336:8025597
Asylo S. Francisco de Assis 32:9445219 1 .584:2985395
-
Cobrança do Contencioso 9:1436981
Depositos c/fiscalização 1.5005000
Associação Commercial c/emolumentos 7:9778922
Caixa Escolar 2:4615900
Consignações 1:6065200
Sello de Caridade . ............. 435500
Amazon River c/ Navegação Mosqueiro. 15:2628980
Montepio 145:4935962
Depositos diversos 44:0385114
Fundo Escolar 6555000

7.698:1828044
DESPESA
Governo e administraçcio :
Governo do Estado 25263$400
Gabinete do Governador 208885550
Secretaria Geral 49:3655600
Thesouro Publico 89:5795200
Directoria de Obras Publicas, Terras e Viação 45:7245900
Theatro da Paz 1:9825800
Recebedoria de Rendaq 66:2275650
Directoria do Serviço de Aguas 389:6915585
Matadouro do Maguary 231:8115960
Marchanteria do Estado 261:6045310
Junta Commercial 2:1395700
Bibliotheca e Archivo Publico 13:5545860
Museu Goeldi 1.8:2375600
Navegação 68:0485930
Mesa de Rendas e Collectorias 116:1685991 1.400:2908036

Poder Legislativo :
Senado e Secretaria 14:1365600
Camara e Secretaria 15:5418000 296775600
Transporta 1.429:967:5636
Transporte.
1.429:967$636
littltclarto:
Tribunal Superior de Justiça 7.0332$004
Secretaria do Tribunal Superior de Justica 9:3055100
jukes da capital e do Interior. 195:7325700
Ministerio Publico.
Promotores da capital e do Interior. 15:875$000
39:7853400
Secretaria do Ministerio Publico. 5786$240
ReparticAo Criminal- 111553600
Forum.
Ajuda de custo -4:0485100
2:9405000 . 358:16(4744
Pollcia, Civil e Militar:
Chefatura de.Policia 197:8315566
Força Publica Militar 713:7805092 911611 $63
Instrucção Publica:
Faculdade de Direito. 32:2805000
Escola de Agronomia e Veterinaria 16:9205003
Escola de Pharmacia
Gymnasio Paes de Carvalho 12079$400
Escola Nbrmal. 882475800
Instituto Gentil Bittencourt 47867$700
Instituto Lauro Sodré 461685400
Ensino Primario 1172535950
500:129$400 860:9465650
Sonde Publica:
Serviço de Saneamento Rural 86:1555000
Directoria do Serviw Sanitario 60:3395000
Hospital Domingos Freire 24:7915100
Hospicio de Alienados 62:7885500 234:0735600
Divida Publica:
Serviço da Divida Externa 397:2905592
Serviço da Divida Interna 11:7525500 4090435092
Diversas Contas :
Pessoal Inactivo 327:4375900
Obras Publicz s 36:3145620
Telegrammas, luz e telephones 27:17636860
Associaçao Commercial c/auxilio. 98:3235177
Santa Casa de Misericordia c/auxilio 183:1805103
Pensionistas do Montepio 386:6215200
Commissões. percentagens e gratificações. 34:4215127
Divida Fluctuante c/amortizaçâo 126:190$794
Receita a annullar 150:4805949
Contabilidade Publica 55:0005000
Substituições
Eventuaes 10:1375700
Montepio c/emprestimos 1532235658
Adiantamentos 1:4205003
Automoveis 8:1045750
Prophylaxia da Febre Amarella.. 12:6655100
....... ....... 6:9375000
Instituto Lauro Sodré C/aDiario 24048$800
Agencia do Banco do Brasil - c/c garantida 774:5275500
A uxilios.
Limites Para-Amazonas.. 4:0005000
Asylo S. Francisco de Assis 7:0355450
462505000
Supprimento av exercido de 1928 669:3325352 3.143:5295040
Movinzento de Fundos:
Dinheiro em moeda corrente :
No Thesouro e nas diferentes repartições arreca-
dadoras
Nos Bancos desta praça 224225$724
Na Caixa Rural de Bragança 92:0915400
345325500 350:8495624

7.698:184044
Thesouro Publico do Estado
A arrecadaçào das verbas orçamentarias, no exercido de 1928, na
Mesa de Rendas de Obidos, Collectorias e Postos Fiscaes, attingiu
1.3883335267, assim discriminada :
Renda ordlnarla
Exportação 132:780$600
Iridustria e profissão 353:702$537
Divida activa. 20:5215186
Transmissão de propriedade 146658$961
Renda do patrimonio 3215762
Imposto do sello 58:328$290
Consumo de diversos 1:604$490
S

713:917$826
Renda extraordinaria
Eventuaes 8:977$235
Indemnisações 100$000 9:077$235
Renda clapplicação especial
Imposto da Bolsa ..... .... ........ 19:2775109
Addicional 1 :5315238
Consumo de bebidas e fumo 209:10557.6
Imposto territorial 251:948$027
Taxa sanitaria 64:343$844
Asylo S. Francisco de Assis 15:838$312
Banco do Estado. 88:2965930 665:3415206
1.388:3365267
-
No primeiro semestre deste anno foi arrecadada min Estações
Fiscaes a importancia de 644:503$359, distribuida da seguinte forma :
Renda ordinaria
Exportação 46:426$694
Industria e profissão 123:0465119
Divida activa 6:4615063
Transmissão de propriedade 36:8545764
Taxa judiciaria .
4:664$964
Renda do patrimonio 68$4'13
Imposto do selo 22:5495240
Consumo de diversos . 4645570 240:533$887
Renda extraordinaria
Eventuaes 1:071$108
Renda clapplicação especial
Imposto da Bolsa. 5:546$813
Addirional 5:549$165
Consumo de bebidas e fumo ..... 118:4255702
Imposto territorial 166:485$729
Taxa sanitaria 52:654S479
Asylo S. Francisco de Assis 6:094$089
Banco do Estado 46:307$660 401:0635657
Associação Commercial cl emolamentos 1:715$707
Sello de caridade 2$200
Montepio 116$800
644:503$359
Thesouro Publico do Estado
Movinterito dos Mesas de Rendas e Collectorias do Estado referente ao
exercicio de 1928
COLLECTORIII Wu pus o Wadi brii. e ktotnetti Um robin
Santarem 97:53'7$278 22:483$483 75:0538795
Obidos (Mesa de Rendas). 90:733$254 22:223$817 68:509$437
Igarapé-miry. ........... 77:7418070 19:2153868 58:525$202
Abaeté 56:5978978 14:4728100 42:1253878
Chaves 56:540$329 11:1615924 45:378$405
Soure 55:9998976 17:561093 38:4383583
Monte.Alegre ..... . 52:3568025 11.6068286 40:7498739
Cachoeira 52:234$704 7:5578229 44:6778475
Alcmquer. 48:2113148 10:5013793 37:709$855
Bragança. ...... 47:8618136 11:6763577 36:184 $559
Santa Izabel .
36:4983261 7:9853879 28:562$382
S. Francisco do Jararaca (Posto
Fiscal). ...... . ....... 35:1688242 12:053t:653 23:1145589.
Muaná 33:6i,98533 6:226$234 27:473$299
Cametá 33:000$744 7:9788917 25:0215827
Breves 32:852$496 7:4188195 25:434$301
Castanhal 30:8388866 9:166075 21:6723491
Santa Julia (Posto Fiscal). .. 30:437$952 15:026368 15:4018584
Igarapé-assú 30:258$449 7:063$020 23:1955429
Almeirim 27:159$352 5:051$021 22:108$331
Vigia 25:073$808 7:460$711 17:613*097
Mazaganopolis... 22:736$336 5:3908031 17:316Z;255
Macapá 22:556$433 4:384490 18:! 698943
Marabá 21:08.53386 5:0398707 16:045$679
Juruty 20:615$752 5:6678361 14:948091
Afui . ............. 19:43$489 6:1913905 13:6513584
Quatipurú 17:7128410 6:163$667 11:5488743
Vizeu 15:999$256 4:973$646 11:025$. 10
Montenegro 15:375$062 4:9478300 10:4273762
Alta mira. 15:0475989 3:59.'4312 11:4528677
Irituia 14:8933927 6:4008590 8:4935337
Maracani 13:5363028 4:4548116 9:081 912
Marapanitn 12:671$539 4:1618517 8:510$022
Guruni 12:2005509 8:3178465 3:8835044
Pi nhei ro
12:017$006 5:458$653 6:5585353
Anajás 1 1:779$323 2:642$864 9:1365459
S: Miguel do Guamá 11:5315258 3:9855907 7:5155351
S. Domingos da Eôa-Vista 11:1815258 2:4748156
Fáro 8:7(175102
10:6618760 2:3345890 8:3265870
Ponta de Pedras. 10:531$395 3:414$518 7:1165877
Ou rem. ...... 10:288$466 6:2308012 4:0585454
A'ca-á .
8:520692 1:773$'242 6:751$650
Curralinho 8:24:') $698 1:9735768 6:271$930
COLLECT OR143 Rolas ;an o Ethic Ortls. e Pertentspea Salim readts
Prainha 8:13655J7 1:8955733 6:2405771
Baião 8:135$101 3:6455128 4:4895973
Sant'Anna do CaDitn ...... 7:814054 1:8105435 6:002$619
S. Sebastião da B6a- Vista 7:5968107 1:7455723 5:850$384
Mosqueiro ....... . . . . .
7:2838814 1:72659.14 5:5585850
Mojú ...... ....... .
6:864$687 1:6033196 5:2615491
Portei 68165120 1:5448397 5:2715723
Moca¡ aba. 6:787$283 1:3515726 5:2325557
Sào Caetano de Odi vellas... 6:7103922 3:0735354 3:635$568
Itaituba 6:63/5341 2:2165016 4:4215295
Barcarena 6:024$657 3:6285957 2:3955700
Salinas 5:5888389 1:2815607 4:3035782
Oya pock ........... 5:388.3216 1:3165249 4:0713967
Curuçá ............... . 5:0298971 1:1018820 3:917$451
Melgaço 4:8218214 1:1075810 3:713$404
Porto de Moz e Souzel 4:7915957 1:1158859 3:6768098
Cara pa rú . 4:2828326 9565139 3:4265187
In hanga py ....... 4:0045612 9913846 3:0125766
Conceição do A ragua ya. . .... . 2:3585000 2:3585000
Bujarti 1:9475159 4625018 1:4855141
Bagre 1:4355449 5778996 8575453
Aveiro 1:2645165 2615063 1:0038102
Total ........... 1.389:6523924 367:4585876 1.022:1945018
O THESOUBO PUBLICO DO ESTADO BM CONTA CORREIM COM O BANCO DO ESTADO
hitiiiment6'refeltal* Mi, periods) de 1 de Janeiro de 1925 a 31 de Dezembro de 1928

DEVE HAVER
Arrecadae,.59 effectuada no exercido de 1928 485:8223193
Idem Ideia 'enil.927" ' ': : .
Ideal Ideia em 1928. .
.. 346:2601239
538:300252
Conimissões_de 15 % 'pips ao solicitador dá Fazenda,
- "Cel. Augusto Tiiiago de Sousa, sobre a cobrança exe-
cutiva e amigavel. 14:76E4848
Pago fl Serraria Claudio Ltd. pela confemilo de mobiliario. 11:2303000
Commissões pagas aos funccionarios da Recebedoria, so-
bre a cobrança effectuada por essa repartigflo 799$203
Despesas iudiciaes e outras feitas com a cobrança execu-
tiva e amigavel 2823495
Pago pela acquisidlo de tuns placa de metal, inclusivé.
despesas de transporte do Rio para esta capital 2203000
Restituições feitas pela Recebedoria 195$782
Despesas com a limpesa do predio 1603000
Preço pago pela compra feita pelo Estado ao Banco Por-
tuguez no Brasil do predio para séde do Banco... 300:000$000
Pago pela acquiskio de 775 apolices federaes compradas
pelo Estado para forrnaçâo do capital do Banco 775:0003000
Idem, idem de 23.473 grammos de ouro comprados pelo
Estado para Fundo Especial do Banco 94:101$000
Despesas com a traspasse do predio comprado ao Banco
Portuguez no Brasil - 1:0003000
1.348:4035684 1.197.7773328
Saldo a favor do Banco applicado em pagamentos do
Thesouro 150:6293356

1.348:4035684 1.348:4063684

O THESOURO PUBLICO DO ESTADO EM CONTA CORRENTE COM O BANCO DO ESTADO

1929 DEVE HAVER


Saldo em 31 de Dezembro de 1928 150:6293356
Janeiro 5Arrecadaçto effectuada pelo solicitador da
Fazenda, Augusto T. de Sousa, no munici-
pio de Chaves 7:302'3000
14- Arrecadado pela Recebedoria_ 5:273$7.i0
18Recebido da Delegacia Fiscal, de juros das
apolices federaes, referentes ao segundo
semestre de 1928 19:3753000
25Recebido de 'Francisco Jose Cardoso, impos-
to de 1928 9:0033000
28Arrecadado pela Recebedoria 5233041
31Recebido de Raul 8z Alberto Engelhard, im-
posto de 1927-1928 3:1033000
. 1dcm de herdeiros de Francisca C. B. Enge-
!hard, inirosto de 1927-1928. 4:0003000
» Pago ao solicitador da Fazenda, Augusto T.
de Sousa, s/commissAo de cobrança. 1:0953300
199:2003727 1:094300
Saldo a favor do Banco applicado em paga-
mentos do Thesouro 198:1053427

199:2003727 199:2003727
Thesouro Publico do Estado
FORNECEDORES
DISCRIMINACX0 DE SEUS CREDITOS RELATIVOS AOS EXERCIC1OS DE

1925 - 1926 - 1927- 1928


Passagens 1925 1926 1927 1928
A. Pimenta &Cia 9885300 3925400 6895600
A P Mola 305900
Aviusto D. Lob.no 341$000
-.Albino En ge l ha rd 2:045$900 1:2105900
Antonin.) Montes 9205100
..A.Moiiteiro da Silva 8085800
.Sitar; Irrnãos 1:5595800
Beto F. Coqueiro 345000
Companhia Nacional de Navegação
Costeira 12:4215810 33:695-T685
Candid° F. Costa , 605000
_ .Empresa de Sal e Navegação Ltd.. 4635500
Ezapiesa Maritirna Guantaense Ltd. 1:1055000
Empresa Agricola Ltd 905600
Ferreira d'Oltveira & Sobrinho 1:720$300 4:565300
Ferreirá Costa & Cia 415200
Ferreira & Filhos 1505000
Jose Antunes & Cia 1:41195200 1:2675500 1:4725800 2425000
Manoel da Cunha Chaves 1:51.7$40a 5365000.
.M., Castello & Cii 9155000 1:284500
Moreira Britto 82. Cia 1855400
Martins & Ci.1 84600
Pires Guerreiro & Cia. 3:7105540
Pedro Chaves 4555900
S. b1. Pinto & Cia Ltd. 3825000
The Amazon R:ver S. N. C.° Ltd.
--- --
10:0865000

11:5295200
15:1425410

20:244-5910
32:187$210

.57:314550
20:6155540

61:4124425

Mum*:
Alberto Ens,,elh trd 8:7525600 18:0005000 18:0005000 18:04107000
Jcisi Gabrit..:1 Gutrreiro. 1:6575560
8:7525600 18:00051100 18 0005000 19:6574E60
lfretamentos
.1tar, irmãos 36:5565000
Pires Guerreiro.&.Cia 6:9045380
Ilte Port of P;.rã .13335830
,,82385210 36:55'1009

Sociedade Beneficente Portugueza.. 3:346$100

Funeraes
Santa Casa de bfisericordia 68:6605188
Diversos less 1928 1027 1928
1.
Augusto D. Lobato 4&8445$40
AlbenO Taveira & Cia
51:112$70e 19:250$000
A. Faci6la
A. M . Vt. rc 4608000
C. d'Albuqiiircine 7:6535(100
Cotar Santos & Cia 700$000 2:4485500
Ernesto Arames 4375000
1:8355000 14:9795900
Empresa Teixeira Manins S. A
F. B. bli...eira 1:324S585
F. M. Moreira 3 :8405000:
P. Costa 2755000
Ferreira Gnince & Cia...... 3:3885000
21:2755100
Garibaldi Parente.
Instituto Laurii &Are. 18.0003000
;Jorge 500000 -
J. Dia.; Paes 5:4005000
josé Francisco Luiz 1 :3105060
João Farias de Andrade & Cia 61:1988000
J. B. dos Samos & Cia. 2:4008000
2:9825000 5:4435100 ::9105000
Josi A. Teixeitra Pito
Jorge Costa & Cia 30:6825700 21:1648490
4:7205000 1:0005000
J. J. Con&
Leandro'& Figueiredo 9:8583700
M. Matheus do Valle. 4375800 3:2305800
9.8108000
'Mourão Ferreira & Cia
Maia
2:01,65000
Cia. '
515000
Manoti R. Moraes
Manoel Pedro & Cia 755000
Nicolau Conte & 2:1065700
Pires da- Costa & Cia . 5:6585449
Sabitko Silva . ...... 9105000
Saunders & DavIds. 53:7135400
83-9355
: 00
Stelliano da Costa Hommem
The Pari Electric 'Co. Ltd 1:0505000
The Pon-cf-Parã. 1:2005002 38:3125950
3:2155000 1:165$310
The Amazon Telegiaph Co. Ltd
The Western Telegraph Co. Ltd 728$340
Vicenté Frfeira Wait) 3:0865860
5:32.55830
71:9725195 68:4245600 62:324$43o.-if:60833i
R ESIIMD 1925
.
.1926 1927 1928
,. . TOTAL:
........... 11:5295206 26:2118910 .57:3423550 61:4125425
Subvenções. ....... ;5052951)&5
8:7525600 :8:0005100 18:0695000
Afretamento%. ,.... 19:6575560 64:4105160
8:2385210 36:5505000
Tratamentos .5....... 44:7885210
Funeraes ........ .... . 3:31651110 3:3465100
Di versos 68:66 1188 68:6605188
. 71:9725195 68:424600 62:3245430 281:6295314 484:3505559
C : - 45193 111:907570 171216568.0- 4'7l),5 81664302
DIRECTORIA GERAL DA FAZENDA PUBLICA DO ESTADO
EXERCICIO DE 1929
Relaclio dos creditos de fornecedords, registrados até 31 de Junho de 1929 (*)

1\7' cm e Janeiro Marco Abril Maio Junho

A. M. Pereira.
Alberto Engelhard
Alberto Tavelra.
1:9311500
1:500?000
e 8011000
1:7401900
Companhia de Navegaçao Costeira 5:8013595 oikito 1:739.3100
Empresa Teixeira Mullins S. A 3:104000
oad Francisco Luiz
José 3:5083000 5:0451800
2 474T50 5:081ii00
J. S. de Freitas 5:2281000
mild Antunes 3051000
José Augusto Teixeira Pinto 06600
Joao Ferias de Andrade 3:004000 3:3171000
30(4600
Lopes & Cluimarties. . .
1:M1100 IS
Martins & C. .1"
Nicolau Conte & C. 39i1500
Pickerel! & C.4 8001 2:0001000 143000
Sabin() Silva 4:3001000
§alvador Sousu & C.
:914700 4:7233.200 6:69J1750 6.334070
The Pará Electric R. 4111r1 L. Co 8:9003000
4:1842I01 5.0131150
The Amazon River Co. Ltd 2:137$1oU 1:302ii00 1:234i00 604500 I :4:43.300
30:1713193 1:3-02$400 15 7431140 1i:7453450 33:371020
SERVIÇO DE NAVEGAÇÃO
Deficit de Abril
Idem de Maio
-3:0981800
20251570
0:1243870
(*) NOTA ; Os credites referentes .4 fornecimentos feitos du-
ratite o actual Governo sio annente os de Fevereiro, que ciao liqui
dados, a junho.
Thesouro Publico do Estado do Pará
BALANÇO ECONOMIC° ENCERRADO EM 31 DE DEXEMBRO DE 1928

ACTIVO
Bens Immoveis
Valor dos predios, terras, estancias, etc 1.079.182:291$494
Bens Moveis
Valor dos moveis, machinismos, obras de arte, etc. 2.413:497$600
Bens Semoventes
Valor dos animaes em serviço 31:070S000
Divida Activa
Valor desta conta nesta data.... 1 .033:298$037
imposto Territorial
Valor desta conta, approximadamente. 9.300:000.6000
Valores do Estado
Valor dos titulos escripturados no Thesouro 26.497:1628768
Exactores
Saldo escripturado nesta data como devido por
exactores. 129:4576%824
Fundos em Londres c, Emprestimos
Saldo desta conta nesta data.. 165:537$500
Valores em Compensação
Garantias diversas.. ........ ....... 25.795:8626400
Valores depositados 515:9906832
Valores caucionados 775:565$000
Estampilhas. ....... 5.224:355.6794 32.311:7748026

1.151.264:089'6249

PASSIVO
Patrimonio
Pelo valor constatado ate a data ....... ...... 1.118.952:3156t23
Menos :
Valor das responsabflidades 191.639:3996251 927.212:9156972

Divida Externa
Saldo desta conta. 130.554:440$200
Divida Interna Fundada
Saldo desta conta. 25.300:500$000
Governo Federal ciEmprestimo
Valor desta conta. 15.000:000;1000
Divida Fluctuante
Saldo desta conta 20.884:459.6051
Valores em Compensação
. Valores em garantia 25.795:862.6400
Valores de terceiros i.291:555$832
Estampilhas a emmittir. 5. 224:355$794 32.311:7746026

1.151.264:0896249
INSTITUTO IARURO SODRe
Balancete em 80 de Junho de 1929
SALDOS
Fplios Contas Debito Credito Devedores Credores
1Sens Immoveis. 4.0000006000 4.000:0008000
3--Bens Moveis 63:8386000 63:8386000
5Machinismos e Accesso-
rios............. ........... 355:6606400 355:6608400
.7Thesouro Publico do Es-
tado, c/c. 63:3586970 54:6006000 8:7588970
9Banco Nacional Ultrama-
rino, c/c. 4:4408100 2:3006715 2:1395385
11Thesouro Publico da Es-
tado, c/Patrimonio 4.419:4988400 4. 419:498$400
13 Receita no applicada 14:5366446 14:536$448
151Percentagens a pagar 2:3006715 2:6028800 3028;085
17- Caixa 142:0806633 136:4936970 5:586$663
19Secçâo Typographica 39:2998674 98:6866340 59:366$666
21-de Encadernacao 3:3948643 20416500 1:3531143
23. » Alfaiataria 4556698 1506000 3038598
25 Sapataria 4:1438600 1:8586900 2:2848700
27 Marcenaria 12:7716980 7:1678500 5:6041460
29 » Funilaria .. 9298400 14000 9131400
31 » Ferraria 1:084940 392f000 6948940
33 Pharmacia...... ..... 2:874900 2:8763900
35Campo Experimental-- 1:3388750 13368750
37Despesas geraes 21:2816440 21:2818440
39-:-Pessoal contractado 8:2593000 8:2598000
41Pessoal extraordinario 7:4946000 7:4941000
43Conservação.. 6:1766270 6:1768270
45Percentagens e gratifica-
ções..................... 17:5236210 17:524210
47- Acquisicdes diversas 1:4896000 1:4898000
49 Renda c/applicacki espe-
cial 22:3158200 223158200
51 Al moxarifado 2:460450 2:4601450

4.762:6598773 4.762:6398773 4.516:0381799 4.516:0388799


MAN% eomparativo dit quantidade dos produetos tio Estado
exportados tun 1928 e 1.0 semestre de 1929
( Estatistica da Recebedoria de Rendas do Estado do Pará)

DiEcrSminaçio- 1928 1929 Differenças


entre os pd.:
meiros seme,s-*
( Geseros e mercadorias ) tres de
10 Semestre 20 Semestre TOM do MO 10 Semestre
1928 e 1929

BORRACHA
Nina defumada (Ilhas)
(Carisaa)
(Tapajóz)
(King6)
Kilos 274.876
170
12.440
386.660
122.330
7.505
661.546
122.500
19.955
250.320
125.630
52.788
; 24.566
125.460
40.348
900 2.890 3.799 22.527 21.627
(Anapó) 27.030 27.030 10.540 16.490
beneficaada
Entre.fina defuni. (Caviana).
X4.880
510
88.420
1.190
411.300
1.700
188.000 - 134.8410
510
(tihos) 850 850
Sernambv benefictado (Ilhas) 850
50.540 3.010 53.550)
CCametii 358.730 109.229 467.959 1 344.105 65.165
. lav.. zominum (Ilhas

o
. (Casual
(Tapajós)
(
66.120
3.300
510
21.720
13.526
243
87.840
16.826
753
37.320
9.280
131
; 28.800
5.980
379
stile,. (Cameti) 16.1,0
1.208 -; 1.298
. 115.830 132:000)
Ilhas) 17.490 17.490) 57.750 -4- 41.560
Caucho commum 345.743 463.220
beneficiado.. 808.363 163.455 181.688
60.763 276.996 337.759 352.410 2.41.647
lat.1T4 94.736 rr2.864 119.918 8.210
Arefact°.d borracha
_ -
9.179,7 + 9.179,7
. 1.669.070 1.724.995 3.394.065 1.744.561,7 + 75.491,7
CA STANH A
Coin:mum Heels. 154.562 48.8( 7,5 205.369,5 242.880 86.318
Sapucaia 4 16 20
Descascada .
" - 31479,5 + 3.479,5
156.566 48.823,5 205.389,5 246.359,5 4 89.693
MADEIRAS
Beneficaada Dec.3 13.609.304 15.092.680 28.701.984 18.591.543 -h 4.982.239
Apparelliarla 238.698 783.645
Andiroba 1.072.343 300.989 -F 12.291
Kilos 473.044 201.126 674.170
Tõros em bruto 656.324 -E 183.280
Dec." 1.535.587 2.460.950 3.996.537 1.969.074
esquadriados. -F 433.487

- --
4.888,731 6.634.581 11.523.312 4.757.644 131.087
Dorrnentes 413.545 290.065
Pius de jangada 703.610 441.399 27.854
1.510 1..83 2.393 601 909
Total Dec." 20.=.320 24.971.856
Total Unidaires., 45.294.176 25.619.250 5.296.930
415.055 290.948 706.003 442.000 26.945
Total Kilos.... . 473.044 201.126 674.170
-1- .

656.324 -1- 183.280

ALGODÃO
En) pluma.. Kilos 461.224
Em caroço.. 545.218 1.006.442 417.905 -- 43.319
C.roços de algod.io
.... 4.637 -1- 4.637 t!
50.916 3:814 53./.69 279.430 +-
I Imo. de Ague.) 1.730 229.414
698 2.428
512.970 519.730 ,
1.062.700.
-- -701.972
--- - 1.7341

189.002 ..
TA BA CO
Entaniçado Kilos 158.121
Beneficiado
1

102.855 , 260.376 121.754 36.367


32.198 27.224 59.422 25.868
Eu e folha
.... 6.330 .
De cur 1.373 1.373 12.129 12.129
.... 450 450 ...
-1-
.."
19(1.319
VA/DNB:1
131.902 :322.221 159.751 -- 30.568

Migt1.1 E dos 4.507.015


&era 3.885.913 8.392.928 4.033.563 473.452
3.942.175 :1.481. al
De taa 34.675
7.453.798 6.763.157 + 2.820.982
De araruta 60.0.15 94.710 49.737
- 15.062
,

21.650 9.499 31 149 4.639 17.011


8.505.515 7.437.070 15.942.85 1
10.851.096 -I- 2.345.581
^
Coot:rasa
Discriminação 1928 X 929 Differenças
entre os pr.
( Gentiles e Mereldorits) neiros %ones-
Semestrd Ire!, de
SemestreFrOTAL de 11110i Semestr,
1928 c 1929

A ftlioZ
FL:ncfs.:;.Wa
Com casca
Iteiduoi de am)?
Kilo. 3.242.219
306.63G
.... .1.616.7115 I.
:
6.!195.650

553.800
71111
10.237.969
70.0
860 . -136
'

43.010080 !:
1.395.424
180
:-. 261.636
._
3.318./G5 7.:150.150 1!.1199.0('3
( HOOS E 1.6: 1.'.!13 - 1.856.880
SEMENTES
Heoefiz,adcs
I.347.2P 3.61/1.139 3.041.1:11 --
E19 !,yoto
63 1.77 40.1:11i
- - --
101.31::
1.230.:r23
20.200 - 116.969
43.677
1.111.169 3.731.375 3.116.711 1.2311.321 . ti16
til-tUDE
De
Dc .,utro rekcs 27.913 46.929 71.133 19.1419
6.190 9.924
3.179 9.31,8 1.646 1.344
._
- - _
31.123 19.399 93.521 19.633
I
11.409
OLEOS E AZEITES
e copabyba Litros 1 1.571 31.:103 75.876
lk auto babassii 65.606 17.053
Lubrificantes 73.499 139.1 el 136.451 70.843
14.142 12.963 27.010 21.000
outra qualidades. ..... 31.102 11.171
I
6.858
Amite tie andiroba 12.276 61.834 30.152
a 99.560 9S.172 197.732 251.939
outras 17.431
;
132.3'79
22.715 111.116 S .92S
269.412
- -- - - -
212.732 312.111 269.959
ALá001.. E CACHAÇA
AIoriI Iatro, r
-
I :1,17
Cschac 141 449 158 151
24.023 . 1.384 25.412 --
--
1.974
I
22.954
-
24.115 1.525 25.860 1 .532 -- 22.803
GENEAE:4

Feip o
N3o csrcZil. Jos

PELIFS
Kilos 292.719
33.014

235.721
.
284.395
207.350

491.745
487.105
240.361

727.469 .
898.465
16.215
55.000
,879.680
.

;
605.755
16.799
55.000
643.956

¡orco 9.938
veado 13.199 23.047 ; 9.111 524'
. cobra ejaCare ...... 49.008 41.510 90.518 ;! 47.174 -- 1.834
1.039 0.402 10.411 7.8:,4 ' n.s15
carivara
carnalelo
15.570
1.546
22.821
1.847
68.391
3.393
12.145 - 3.425
animaes, 5CO., espichailas 1.511 - 49
Curtidas
8.247
155
8.140
7.529
16.387 ' .... . -- 9.247
71Io cpecificadas 7.984 : 32.101' .- 32.481
_
.... 11=5,5 --:- 13.315,5
119.803 101.35/1 229.161 i
154.312.5- 35.559.5
4:013110S 0

curtidos Pis 2 668.361 599.380


seccos, salgados
*

1.268.241 7M.466 61.105


13 :1:1 I
verdes,
9.062 o 9.962
668.371 , 599.893 1.268.964 739.428 !' 71.957.
PRODUCTus
:

VEGETA ES
Plantas e raize, medicinaes Kilos 6.129
Fibras 3.302 9.431 3.476 2,653
2.055
Colla vegetal
Sebo vegetal
GOnfro.% vegetal
94.7=
684 3.120
27.069
2.055
3.904
121.792
:
2.902
373.2917
400
¡,
I - 2.902
284
258.564
30 30! -
i.5[ 30
1

If

137.112 .1.1 360.065 ' 748:499


- -
( Continita )
JIM

3118 ! p it go ,., tduirrolça,,


Discriminação II entre OS i./
meiros
( Geoeros e mercadorias )
10 Sels.estre 20 Sollestre Torn do ASNO 1 0 Semestre'
192 se1le929.
_
I NDUSTRI A
PEOUARIA
Gado vaccura e eavaltar Cabecas .1
atio especificado 38 16
9 9
Sato animal
1 I

Solas
Kihm .... 30 311
59.193 9.975 69.168 I

16.448 42.745
Raspas de sola. 202.049 214.51:1 446.562
Cascos e chifres. 210.792 8.7-13

-
26.890 80.213 33 .395
Ossos
- 113.400 113.100
_
:114.598 394 .778 709,376 227.308 87.294
l'EINE E CAMARÃO
Prise secco, salg., Is itos 222.515 357 067 379.5'12
Pira rucú 570
:-9.162
I .670 2.240 113 :53
Ca rnarao 19.982 7.801 27.783 :1.565 16.117
_
213.067 366.538 ! 609.(6 93:413 119.7.:A
A VES

De canto e luxo U-idade 506 332


Nb o especificadai 838 113 ' __
72 347 419 178 -:- 1i.);
-
378 679 i 1.257 291 i -- '..7
ARTS. FABRICADOS ! ..

Calçados Parc, 55.603 69.246


1

'
Chap6::is de palha ' Unidade 2.130
124.819 i' 6.315 . .4 29.712
7.258 9.397 6.415 '.. 2.276
Productos pharmacsulizos Nilos 92.835 90.468 183.303
; !

100.311 7.179
¡

i,
31alas 12.203
...:
.
Moveis
I

14.493 26.696 I 16.050 ; -1 3.847


MaSSA5 alimenticias
I

Ritos
. : ....
Obras lithographicas
f
61.94.5
53.9"
49.111.6
47.760
110.¡1.18 .: 50.631 - 11.314
Impressos 98.682 I 43.-3: !
--
I

1.263 2.291 3,04 4.416 ' 3.153


Refrigerante Guarani :
+
Cerveja
i 1,9
t Ga'rrafas
tf.
148 250
67.561
189.273
29.808
337.523
97.361
' 230.230
37.347
I

- 81.180
Prego Kilos -- 30.214
72.170
I

SAM)
'

! . 790.894
54.338
701.492
126.528
1.492.386
.
71.456 !
1.133.823
--, 714
Aniagem . 295.840 :1011.547 684.387
I

'. 271.499
;

2
:112.103
24.341
Telhas e tijollos .. . 51.983
I

Amidon 84.145 I 136.128 61.010 ' -I- 9.027


Kilos 10.280 6.663 16.913 7.170 r __
Bebidas espirituosas Garrafas 44.313
, 1

3.110
. gazosas. 35.108 I 79.421 I' 34.128 -- 10.175
1-2 gf.
I

5.177 2.419 , 7.596 1. 3.010 : -- 2.167

CONSEIIVAS
'

De carne e peix
-
,,

Kilos 14.349 6.331 21.1811 ', 111.413


De doees e fructa, 15.696 4". 436
18.726
30.543 25.657
-31.122
53.602
21.812
--- --',--- - ---- -- -- 9.116
--- -4-

i 33.225 1 1.680
.1
.1
CA :AU Kilo'. 654.034 219.950 943.981. ,; 1.1-11.929 187.883
ESSENC1A DE PAI.. ROSA.. Grous. 9.646.000 6.960.000 +-
PICMAS DE GARÇA 16.006.11110 :
1.3-12.4)44) 8.113.600
CUMAR Li' . . 11.000 6.000
GUÁRÁNÁ EM 1"AO... ... Kilos
..
25. i."):1
28
8 312 33 .8416
li
' 23.307 2.047
SAI. 1-078.5 1.106.5;1 1.402 1.374
. 316.955 182.100 499.035 438.285 'H- 121.330
GENEROS NÃO
ESPECI FICA DOS
Do Estado
De outros Estado, 1.303.879 1.018.322 2.322.201 r 1.738.281
1.006.710
1 434.402
lia Extrangeiro. 733.406 1.740.116 828.197 -- 178.513
1.143.579 978.216 2.121.796 I .639.670
3,434.168
--- - - -- -1 496.091
2.729.944 6.184.112 4.206.143 751.980
DIVERSOS

Garrafas vasias Un'dade 4.392 4.392 4:392


NIA P PA comparativo Venda Hera! arrecadmia pel a Reel.-
bedoria de Wallas tio Estado do Pa Ili
Primeiro sempstro de 1929 em compara0o com o mesmo de 1928
DIREITOS PAGOS

Discriminação
1928 1,929. t..ntre . 11 )
Tun -
merra11.14.4a. )
Scmc,trt. ..)" d: ANE 10 Seme, trc "es de929
1928

R011 HACH A
Fina LIN-um:AI 111Ins) I U ". o 95.9625939
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Diacrimingto 198 st e, Differcnvi
TAU entre os pri-
(Genros e Mereadorias ) melros seines-
le Semestre' 20 Semestre Tgit, do tres de
, 10 Setnestre
1928 e 1929
=

ARROZ
Beneticiado $020 i
Colts casca 64:844$380 139:9135000 204:7575380 32:93539001 - 31:904480
5040 1
Retiduos de a rroa $005 t 1:53.13i8(11
240001' 75200 + 75300
I
2:7695000 4:30251801 224000 -- 11085180
i 68:37755601. 142:7105000 209:0875560' ! 33:16115100!1 - 33:2095460
CAROÇOS E I

SEMENTES I

Beneficiaacs 2,5 rs. 3:3685180;


Em bruto
:
9:2355349 12:6035522. 3:3295557, -
5015 9583155; 6063540 3856=
303$0004 -
:

1:5645695 ' 6555155


1

425339 ,

, 14:168$524, 3:634557' - 694778


GRUDE
De gurijuba 10 0/0 6:9585500
De outros peixes 9:5615670 16:5205170, 37693803 - 3:1885697
: 10 010
-- --- -----
1:5575101

8:5154601
1:0805132
10:6415302
2:6375=3;I
6505954'; - 9065107
19:15754031 4:4205797; - 4:0945804
OLEOS E AZEITES
De copalsyba 5 0/0 10:0275598
De o5co babass5. 4:9843113 15:01157411 8:70859861 -
Varias 1:3643606 1:7675780 1:3185612
Lubrificantes $020 3:1325386! 1:2185110:1 - 4535590
2823840 2575360
De outras qualidades Varias 5195299
540520011 2105000;1 - 723840
Azeite de andiroba 845462 6035761: ' 1:00258891 ±
4:6493160 6985871
s outras qualidades a 1:3824140

18:2255643
--
4:304581.5
1:6103195

13:004575i
8:9533795:
2:992$33511

31:2345218'1
9:26656711,
357530011 -
212045016i1 -2783373
.1- 4:5...75521
5245840

ALCOOL E CACHAÇA
.1

Arcool $300 925100


l
Cachaça 44300i 13454001 137540&' ±
5100 2:4025800
2:4945900
- 1385400

1805700
2541$200: 1075400j
455300
12953400
2:67556001 244$800i - 2:2505100
CEREAES ; :

Milho
:

4:M45200 5:6875900

---- .-- -
Feijio 9:7425100: 1

16:1695300 . + 12:=1153,118000
6605280 4:1475000 4:80752801 3245300
NAG especificados
.... ... !!
1:1005000 ± 1:1005600
4:7145480 9:8345900 14:54953801
PELLES 17:5934600 t 12:8785720
;

De porco 15 "io 5:2175450 1,1

veado 6:7595600 11:9775050 3:1075400,1 -


10 *,%, 24:9905113 2:1105050
18:6505302
a cobra e jacaré ...... ... 5 "I. 7155250 7925760
43:6795475
1:5085010.!
25:10330421 +
1:0525200j
1125929
capivara 3300 13:6715000 ,...- 3365950
camaleio 6:8465300 20:51753001 12:64355001: -
5100 1545600 1845700 1:0275500
3395300..
. artimaes, seca., espichadas 15 "la
.
a
.
curtidas 1 0.10
nio especificadas 15 0;0
6:244296
25275 t
5:3745732
1053435
II:617302T;I:
150$101:i

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- ,
--:- 45200
6:24382961075710;;
2903101
..
50:9904984',
----- -
--, 38:7525889 .

89:74559731
11
10:1235191'
I--__
-r- 10:1235337
52:4725305: -;.- 1:4795321
COUROS :I
I

De boi, curtidos 1 0/., 6:2865538' 6:7155635 13:002$1731; 6:5655194 -:-


seccos, salgados 14000 1505000; 1955000
21135656
. verdes, salgados.... 3455000.1
,,*:' 7..t- 1505000
30 °/o . . 44823900 ,
,1
j
4484900
6:136$538 : 6:9105635 13:3475171; 1110485094 -,- 4:6115556
PRODUCTOS
V EGETA ES
1

Plantas e raizes medicinaes


Fibras
Colha vegetal
5030
$005
1835870!
995060
103275
2835930,'
105275'1
1045 190
143510,
- 79$680
145510
$015 iiii6o11 465800 575060,
Sebo vegetal Varias GSM!: 45260
1:624$0841 3755329 1:999E413 ¡
Gorama vegetal 35000 4:00759751 + 2:3835391
33000 35000
1:82152141 5313464 2:352$678 4:132$675; + 2:3115461

(Continba )
Discrimina ção 1 a 2 82 Differenças entre os pri-
TUC
( Generos e mercadorias )
rneiros seines-
In Semestre 20 Semestre,TOTA lo Semestre: tres de
e 1999

INDUSTRIA
PF.CUARI.%
Gado vaccurn e cnvallar
a nio especillcado
Sib° animal '
123000
45000
5080
2645000
363000
...
.... 413000±
....
36$00C
.....
4563000 1111,112

Sola s i I 0,' 2:37 5;4150: 4111.3077 ' 2,055627


Raspas de sola 1 ",' 69.752.1r0' .7.:-
.
3:2623114' 3:78.55915 7:0515029 1::64711:2;s;!4°
Cascos e chifres soli), 3:1615610
Ossos 5005
5335250
...______ 263,5'.1/0 80'4150 . ....... - 0005504
.

-- ._
6:1715014
__.__
5673000
_ ._.__
5675000

5:0345792 115055806 1 151.5748


4:3195266-.
CA(ALI I
5100
ESSENC1A DE PAU ROSA
65:103S400239955000 943980400 114i025900 -:.
8 a/ 6:26451810 14:91550.0 1:3795160 .- 48:7055304)8:6515400
PLUMAS DE GARÇA
CUMARU'
GI:ARANA EM P..0
3:833i200 1:21.1:i800 50t.t0ii100
1775600
3:5:r.5050
--:. 7:2725240
1770600
55311:(1
550 0 3115550, '3073150
SAL 3315950 4205600 : ..:- 41Z200
$010 316'45555 1:82150001 49905555 1
4:352$850 12135195
PEIXE E CAMARÃO
Peixe suco, salg , nlespecif- S300 66:754$500 107:1205100,
Pirarncil '173:8715100 26:9555900
53001715006 5015000, 6725000
39:7905600

-----
Caroar3o 5500 345500 r 1365500
9:9915000; 3:9005500 13:8915500 1:7825500 8:485500
76:9165001 111:5215600; :4355100 28:7715900
AVES 48:1435600

De canto e luxo 15000 506500f 331000, 8385014), iusaro''


X3o especificadas ...... 5500 360004 1735500
_. 393;44*
2095500 t
I 895000 -:-535u00
5425000 5055500, 1,0475560 ; 2025000
ARTs. FABRICADOS 34os000

Calçados 5100 5:5605300 6:9245600


Chapios de palha , 5100 2133901 7255840
12:484590c
9395711f
± 2:912771611110)
Productos pharmaceuticos- 1 510^ 9:2=50' 1 9:0465800
8:1"2-111.1,7S:1)11

Mala g 18:3305301 .
10:0315400 74701.00
5030 3665091 4345790
-
1

Moveis 80OFFFC 4sis.:414).


2 1155410
NIss5as al imenticias
111547,1.5009 10 0. 1:g4131: , 1:11=700 43e80
503'4 1:05876
0,1:05876'054206 1:5105930 '
Obras lithographicas .. 3: 95430
Impressos I
5030i
5030
1:527F 60
-
35890/ i
1:43254800'
66.5030
2:9.1141540 . ! 1:3125110 _ 2155550
Refrigerante Guarani 11.13:11
Cerveja
5010 1:40.5.500
'. 1:0'...$730, 3:513, '
2:31132-5412:Ç2110 -1- 894.111.g
S020 1:3515220 1:9470
Pregos
Sabio
Aniagem
5015,
5015'
1:0825555'
5965160
81::31.0
10:522SZO'
1:0975925
22:385'7' 0
7165940
1:071505'7
17:00755m '
-
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5:14146550'.:(!105
$010! 2:9585400! 3:1;05547W 6:8435870 , 2:714549.
Telhas e tijollos 5005i Z95915 2435410
Amidos
!
41911.55s9,72.1! 6,11 -564 0, .

Bebidas espirituosas
a zas.....
gaos
......
....
$030!
5060i
5030.
3003100;
1650.5780.
1555310
21(4 '.4)444
511,210
4:2276.;>sm.5261o1
32.4;5s41't5rori
0* .5250
.

--
--- 965355301350

6105500

,
41:6065610
728570.

41:S64.5,415i 83:4735305
91'530

50:2405430 - 8:633554
- ------ 655010

CONSERVAS I

De carne e peixe e...: 5010 1405490


De doces e fructas 635310 1045130 - 4-18360
$010 2_5fs $2_60 1870260 . L2 4141.5.227 T,
2405121., ± 915160
3035433 2305,570 5.565020 3525250 -:- 465800
GENEROS NÃO
ESPECIFICADOS
Do Estado Varia. 22:8915394)
De outros Estados 19:4985302 42:3895692 26:1045500 3:2125910
5020 20:1345.210 14:6605120 34:8028320
Do Estrangeiro 16:5635950 3:5703251)
5020 288715590 19:564534 42:4355910 32:7035400 -:- 0:9218810
'

65rsr.,751s) 53:734.5742. 119:6275922 . 75:4615650 9:5645470


DIVERSOS
Garrafas vasias
Sobre taxa
13t5760
75512
..
71523.4
1315760 .
1495776
.
7050.5
-- 1315761)
1 137

TOTAL
21!02. 715234 2815536 705405 - 1395897
3.395:1865739d 2328:7,15789 5.723:9585528, 3.500:0323242 - 104:8455503
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ContInila )
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I

928 I 1 fi 2 Et I)ifferenças
Discrimingio :mire os pri
.thiros settles-
( VERBAS) 1. Semestre 20 Semestre TOTAL do ANIO 10 Szntestre tres de
.11 1928 e 1999
- --
DIVERSOS 131POSTOS
Transrnissdo de propriedade 36:0193585 44:970$085
Heranças e legados 100:989$650 47:7655fl00 -- 8:253:905
1:6171;901 I:04734101
Sello de verba.
11:1114$000 27:291S000.
Taxa judicia,ia 2:254S780 17:91.11.1i104.! 1:6255161
Junta de hygiene 1:359:55% 3:614:338 1:0165761 -- 1:231S018
431S800 5119. 000' 1:028S-100 ; -:-
Terras publizas 7:119S2-12 57025S271
1124.13000 ;
19; N.:00
62:144S513
Even tuns
INDUSTRIA E PROFISFAO
1:521$000 3:6305b70 5:151S:176
19:704S188.'
1:3448000!! - 14::à .S..41i
1 '7, $01111

De lançamento 263:9105300 148:022S474 411:941:974 213:709:3111 -- 50:2111? Mill


exportador 76:l192:;120 52:505:1145 129.40:115 -;
importador 84:1150$093

306: 5905.900
- 81 .F9967:1

402:6445789
-
105:15:,$772

O0ii: 262$689
8lI:8978111i

--- ---
94:3315101

477:297523.1
-1-
1' IS
10:275011
--
29:::93:000
-
6

RENDA COM APPLICAÇAO


BANCO DO ESTADO
Imposto de exporta00 216:58:6221! F3344S151 299:6295372 218.713334 ' 2:12S$113
Arrend xmento de castanliaes e bala toes in:149:738! S:130258 24:28.S:9t0i 12:127:61l4 ' -l-
404F 13.1

Fundo eszolar
23::724S959 :
675:!;00 i
91 :4838411"1!
;60S:810 ,
321 :218; 31;8
1:435.5000
230841159:18 ;
6455000 :
-- 1e94021
Curro do Magna ry 219: 01111i 211: 00
Addicionacs 25-S.:00 ; 4,1:100 :183000 -. 1045000
102:38.r 001' 69:031S: 19 171: 11:k 925 .
Volsa 1051.6380-11 I -I- 3:570: i/:t7
224 :76:INtit'3 ; 169 86081i2 :
TANA na nit.iria
SI:152S181:
3.1::5.1..!8,85 2 r292.1.923 ' -- F :159: II:ill
46:1215.42 , 127273696 .-
Avlo de S. Francisco ...... 21.132.J151 : 14:0671.224 :
35 It.98108.
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19:4291191 -
8:14I:.: SI'
1 :703;t01.3
663:961S924 391 :0U7S..156 I 1.054.609080 479:496:757 ; -:- Ili: 1:',1 1,:llt
IMPOSTO DE CONSUMO
:

De bebidas
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117:870S6110: I r:717:000 2175875600 121:075:S100 3:204F7C0
outros
179:172$4:11 18C:3 7840 ; :165:57113211 2U7:166:2: 0 7- 28:7..1:;..i 701
162:013S" 30 : 14: :11,181! 8 ' :t11,:t1;:,N.448
patentes dc bebidas c de fumo
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28:035S000 ,
I :235$000
2:171:000 ,
I
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168:9371.0LO

....
-- 6:91:180:
28:01;50011
1 :23551,60
488:327S010 467:2463323! 955:5733338 ;
Papel sellado. . . . . 85$000
497:911E5360 9671:35Ii
Sello adhesivo li81.500 1533300 1213300 - 30F51:0
1:540:3011, 1:3.2330i 2:922..Nb00 1:674510u 134.81to
489:9523310' 68:6971.32$ ! ! 1.!.":8:649S63F. 499:7933960 11:841":6.511
I' O T . 1. 659:6055134
I

1.262:976S273 2. C22:581:107 1. G56.587'8951 - 2.6175182

RESTITIAnit
De expo rta.-,.io
203S720' 877S270 9;1,5181
addicionaes 88811 ItI6S220
Sol, 1-1:510
69833U: 41:2SO 110`d 641i 23900
--
371$861,
I

639336 1:011S197 0-1.S:325


-
1
2675:11;
da rend, do., 1.659:23:15273 1.202:1163937
dos generot e me, codorin, 2. 921570S2111 .1:1833326 2:7-198647
3.395186539; 2.338:771$789 5. 3.500:0321.212
TOTAL GERAI 5.054:4205012' :1 .591:
_ ___ __
1148t,726 8.613525S73 3.1311-31:15318 102:0955536
ReS1111111 110S I111110S(OS iie eXI10111100 1171110ti ai ) Estatio
VELA ORDE31 NUMERICA
(Contos )

T()'1.11. (la,. 1' Secautr: i 2. Seme:trs 1:orffi l Semastrt


Productos rirole rieil

1928 192S 1928 1929 I/

I (...,.!..101.1 9.202 :LS.17 I .:..,S:353.5 .


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1- 11.1,1
...... 1.1: I 979.5 ::, 1:',0-351$
rink 231' I 575 1.111 127-1115S 3,70 111 50015 1.50 1020.12$ I.10;
II r 1.0/ .; 6'; 37NS
211`.1:11SKS PM; 112 7105 0,12 :1:,1118S

ISN.111S$ 2:1 711 I 35 2.'1; 111 1.79 I5:77:15


S. Generos c,recin:A.!0. II': 125S 1.91
2.119 C.5:S1175 ;MS 2.31i 75 162$ 2.11
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10-- C.I.t..to 91:31ISS 115 10 :5 1.92 101.7 1.21 111 193S
11 Art, e SI:'`211S 1.1S II :1125 1.2); .2:
2 1'17: 1.70 1.16
12 - 51:11;25 u.S1 111 15.S5 0.59 21 :S115 o.91 II 71
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1)1185 21,201S o CA,
I Grthi.- 19,157S 0.31 5165 1140115 0.111 121$ 11.12
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17 O Semente, 1 1-112*. 0.25 0,13 0.19 3,633.s 11.12


15 -In1110.ria I :11,;S 1110 1715 11.1S
11 5'11355 11.21 11.12
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LIBRAS
DELEGACIA REGIONAL DA INSPECTORIA GERAL DE BANCOS
Transacções carnblaes effectuadds na praça de Selem do Para e

1)01.1,AIIS ESCUDOS
em Mandos (Amazonas) de. 1922 a 1929

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418.241.0.00 1.880.499.01 6.211.97540 1.012.210.05 520.650.41 155.338,81 83.771.170.65 2.573.00 2.310.67 50.00'
lit PARA 1.041.863.15.00 1.731.351.31 20.477.380.06 0.799.665.08 1.270.125.00 587.303.55 11.0211.435.520.508.00
it 113.059.65 677.972.46 2.139.3970.500.000 00
AMAZONAS 882.209.2.08 t.686.775.04 7.455.721.30
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1.804.220.52 801.019.56 137.054.15 35.741.028.80 1.750.00 61.824.i5
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- r) La mom/ de 11129
DELEGACIA REGIONAL DA INSPECTORIA GERAL DE BANCOS
.......
Transacções camblaes effectuadas na praça de Belem do Para e em Manaus (Amazonas) de 1922 a 1929
C3 X=11 2:1

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AMAZONAS 1.083.322.14.03 1.016.859.75 208.053.07 440.425.52 10.999.75 30.523.23 81.908.210.55' 2.049.45 1.173.32

11'i PARA. 1.508.300.05.08 2.315.991.20 7.140.213.42 4.007.197.24 575.222.4H 411.101.30 00.025 009.547.30 42.915.55 329.779.20 2.100.00 2.000.000.00
"( AMAZONAS 051.279.08.04 3.898.120.08 1.392.290.17 57.137.80 51.000.00 8.281.50 32.970.435.10 555.65

a( PARA 1.000 086.00.08 3.107.044.43 8.053.571.44 5.385.470.50 1.487.100.33 272.109.55 47.302.85 L8.810.00 1.860.00
AMAZONAS 1.113.802.00.03 3.932.12.1.45 1.035.403.82 3.408.45 20 000.00 3.000.00 40.00 485.03

61( ('ARA 2.525.851.17.01 0.818.755.48 4.012.481.00 11.035.407.35 1.893.420.82 297.203.23 10.705.93 200.233.77 62).00
."( AMAZONAS 1.130.717.04.07 5.2111.729.05 200.809.28 12.077.00 4.160.00

1( PARA 2.372.123.01.11 4.403.720.22 0.100.285.91 11.665.554.54 837.453.03 308.065.63 15.1910.00 50.801.201 317.427.80 708.82

*4 AMAZONAS 1.588.703.18.03 3.701.040.57 10.247.15 420.00

['ARA 1.771.810.08.00 5.008.308.09 10.007.070.73 3.188.782.0* 500.480.49 136.053.47 8.252.43 16.003.40 11.059.43 503.82 508.20

AMAZONAS 11 ,

g4( PARA .1.003.303.14.2 3.020.733.12 5.001.022.87 3.788.443.67 500.010.16 250.719.05 26.255.40 10.160.80 40.431.20 140.00 5.150.00
A51AZON%5

&"( PARA 1.000.742.3.4 2.587.082.60 4.071.027.21 1.121.370.52 68.273.20 15.103.81, I.953.28i 12.306.60 300.00 3.699.40
( AMAZONAS

() 14inemrc dc 1020
Quadro estatistico do N111101* de 'm1)01144'00 e exportitAo
exlrangeira no Estado do Parú
EM LIBRAS ESTERLINAS.
Dados da Estatistica Commercial (Ministerio da Fezende)
EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO r. -
IINALDO DAWORTAÇA0
-
-
iNT iNT SI Valor Valor
2.
'alor a
Li esterlinas = esterlinas ifesterlinas 134;
---------- %

ANTES DA GUERRA
1913 4.981.668 100 £ 2.869.203 100 111+i:2.112.465 100
DURANTE A GUERRA
1915 3.617.783; 73
1

1916
1.163.669 41 11142.454.114 116
3.909.9061 78 1.808.191 63 11+ 2.1.01.715 99
1917 4.176.7901 84 1.803.214 63 11+ 2.373.576 112
1918 3.236.033.65 1.403.006 49 .1+ 1.833.027 87
DEPOIS DA GUERRA 1

1919 4.569.5731 99
1920
1.826.059 64 + 2.743.514 130
1921
3.053.0241 61 2.258.914 79 + 794.110 38
1.293.7631 96 754.610 26 1i+ 539.153 26
1999 1.170.6991 30
1993
676.883 24 793.816 38
1.668.0131 33 766.002 27 1+ 902.041' 43
1994 1.961.675; 40 911.410, 32 1+ 1.050.263 50
1925 ..... 2.476.3951 50 1.228.728' 43 1.-!- 1.247.667'
1926 1.756.087' 35
1927
1.949.954 43 4 '
513.831 95
1.660.369 33 1.108.517 39 551.852 26
1928
.

1.385.963. 97 1 1.244.636 13 1+ 141.327 7


JANEIRO A MARÇO
-- - -

4925
/926
i 455.655 i 1,35.080 .E 920.375
,'-i-
4&3.992 310.134 ':-1- 143.858
1997 474:016
1998
314.193 H- 159.823.
3.9.707 250.578. 11+ 89.129'
1929 403.695 306.433 ii

---- h-l- 97.242.

EM CONTOS DE RÉIS
ANTESDAGUEI1RA
1913 74.725 100 43.0381 100 31.687 160
nunANTE A GUERRA
1915 69.702 99.509; 52 17.193 149
1916 79.303 106
1917 ......... .
36.979, 84 43.031 136
....... 79.829 107 33.901: 79.-4 45.928' 145
1918 60.097 80 96.190 61 -1- 33.907 107
DEPOIS DA GUERRA
1919 77.121 :03
1990 ........ .......
314.989 72 .4. 46.132 145
.......... . 48.959 66 36.4221 85 ! + 12.537 39
1921 37.524 50
1999
21.262, 49 16.969 51
48.858 65 22.8721 53 -1- 95.1186 82
1923
1924
73.897 99 31.494' 80 + 39.403 121
78.8121 105 37.1931 86 4 41.619. 131
1925 97.529 130
1996
48.116: 112 49.413 156
:19.174 79 41.7071 971H-4- 17.467 55
1997 68.257 91 45.553' 106 1'4- 29.704' 7'9
1928 56.190. 76 50.723
_
- _ 117 h4- 5.767 18
JANEIRO A :MARV)
1925 19.399
1926
9.898' 9.131
16.070 11.9831 4.787'
1927 19.513 12.9411 6.372
19'28 13.840 10.209; H- 3.631
1999 16.482 12.5021 ;,-1- 3.980;
Os nurneros indices.demonstram graphicamente a percentagem do movimento crescente
decrescente do F respectivos algarismos em relação ao primeiro rfUmero. ou
Cotações e preços médios da Borracha ( FINA DAS ILHAS)
De 1915 ao 1." semestre de 1929.
cum us NumEitus INDIcEs, DAN1,4, rAltA A m1::1)jA L ;ENIEsTR DE 1915
U 100
9,
Preens 2 . 1 in.c.s
O
,
o
Cri.1.1):1 L. a,
1 :

pn..; 2 0,1 prvi.,), E


NIEZES :-17s ,
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tiiitii:
!

X; 2Ir(iiiIu =:-. 11111106 2


X z .;
tlivolos
Z 7C
Z

R NNOS 1915
I,

,
1918 !
1

1921 ! 192t 1927


Janeiro 2$71H1 251111 1S230 3'5226
Fevereiro 25372 253301 II:2,1(5)4(4i, ,'
; 15930 ' 3$'243
Marco 25712 25177! 153'25: .5130
2 3s745
Abril .. . ..... . .. ...... ....... .. 25800 25:Cil
4 ''.5.)00 35631
Maio 25840 25430 15300
;
1
45178
Junhd 25912 25066, 15669! 725'S '2)1( :11: 35182
I
Média do L. semestre.. .. 25736 1110 2.526(01 82 ' 15398
I

30 2$155 78 35:88 130


Julho 95764 158 .).,: 2$1011! 35121
AgoNto 21 ?113141 11 Iplti1:: 257111. ' 35962
Setembro ' .3»,;').":80 25030 353311' .2,Szsei:
Outubro.. ........ ... ...... .... 352344 251301 25120 35670
Novembro 1151t
3) li : 25211:1J 25025 15021.
Dezembr o ;1:06: 2513I! 158-m 1$22(
Média Jo 2 - é::-..,::-....... ... 35238 117 251371 78 15905 69 ! 35107 124 35274 119
Média Annual ... 25997 109 2$-259; 82 1565'1 60 2$781 100 35131! 124
HNNOS
F.
:
1916 1919 :
1922 ' .. 1925 1928
1

.lanLiro ; 45870 9 110!


evereiro II 5S3733: :41$53730:111 32$584121:11i1
Março
.'

1: 49551/19111' 225..':33511 1.5312 ;: 35'.61 : 25520!


Abril : 3585 0 25230! 156511 , -15721. 9.5943!
Maio :15150 2517a 1562').
'
:16$1,111 25200
Junho I 35117 25900; 15526' : 8512 2:5927
) 35701, 154 2$2921 83 15:09' 58 55144 187 ! 2$580.
1

lédia do 1." seines: re .


94
jul 11) . 35011
1

25 116
1

. 1557(1:
! ,1
,10$661' ,' 2$2921
1-k4osto i 35353 2$601.; 15673 1 8640c ' 2S2771
5,:tembro. I 35.801i 2$828' . 1. 775 : 7561' 2$001
Outubro 135755 2!!675' 25183 7.5391 2:000603:
Novembro.. .............. .. .......: 45050 ):'.050. 8$'6-; 25037
Dézembro 145100 .:;)1'1 2531 0' 8509
' I
11

1
:

Média do 2., s:inet re. ' 35683 134 253:,7, 911 1.5965 71 8527. 300 25112, 77
Média Annual I 35692 134 2539.1. 87 I7 6:':, 657(* 243 2$340 85
Ft NNOS' !
,
19271923 1920 ; MG 'i 1929 1
Janeiro._ ................. .
,
......1 :)$St10 25287
i

35143 5$ 171
I

Fevereiro. ... ..... .. ..... .. ' 451'87. 25230. 3$8371 4$57; 22V3::
N1arço 45066 959 I ''' 356511 45 91 : 2$458
Abril 45571 91;990; 356611 , 45651 , 2S I77!
Maio 1 35612 . 25273 3S278'35511 2$184
Junho ...... .. .... .. ............ ....! 35261 35371, : 35301 25200"
252101
Nledia do 1.0 Nernest re.. 1
35899, 141 2525182 3$339¡ 128 , i 4$109 160 19$2851 83
;

I '
Julho 1 35008 , 15875i 35786; 3$250
Agosto 1 25930 ' 15833, :
45100; ' 35183
Setembro.
I

I 258 8 , 15700; 1 35w0! 35250


Outubro 95450 ' 1 :',1111' I: 2786 i$350i
I

Novembro. 25251,', ,' 1$75o 25037!


Dezembro 25'2111 ', 15 t110 258:3. ' 25850
1
1 I

Média do 2.,, seine:are ' :256181 93 Islion 60 3$242 118 I 35130 113'
Média Annual 1 3N259i 118 .11$95i
1
71 3539011231 35769 137
1
MONTI AtIC 333 /V "Z`C) alIC 31333EtCX.A.X..,
'Quadro estatistico do sano de 1.928 e, coniparativo, dos 1.0s semestres de 1928 e 1929
TONELADAS - (Peso bruto)
(OrtMolsade pea WbegIo d Est*itIeas Inteinnaoiss do Estado dts dados da Port of Par)

1928 1929 Differença


Bisecting° da carga 1928 (anno) 10 semestre 10 semestre em 1929

Inipomtaçao
1.0 LONGO :Cud( Do Eitrangeiro)
Carga geral 38.708 33.352 45.674 1- 12.322
Carvilo 27.821
Baldeação ........ 7.632 31.66 461
Transito 1.366 680 666 14
Total. 75.527 37.968 50.737 1- 12.769
2.° GRANDE CABOTAGEM (Sul do Paiz)
Carga geral." 37.136 18.504 21.092 1- 2.588
Baldeação 13.324 4.480 6.990 1- 2.510
- ----------
Total 50.460 22.984 28.082 1- 5.098
3.0 PEQUENA CABOTAGEM (Amazonia)
Carga geral.. 104.358 54.909 65.272 1- 10.363
Baldeação
Total
10.293
114.651
4.317
59.226
3.939
69.211
- - -9.985-
--
-1-
378

_
TOTAL IMPORTM:À0 240.638 120.178 148.030 1- 27.852
_
Exportação
1.° LONGO CURSO (Pai-a o Extrang.)
Borracha Estadual 3.882 1.983 2.027 44
Federal
Extrangeira
2.855
2.665
.1.416
1.497
2.647
1.452
- 1.231
45
Baldeada 6.471 2.922 1.883 -- 1.039
--
Total 15.873 7.818 8.009 1- 191
Cacao 1.119 814 1.098 1- 2413
Couros 611 358 - 410 1- 53
Castanha 11.637 9.025 13.681 1- 4.655
Farinha 1.435 835 1.195 1- 360.
Madeira 66.966 32.598 48.825 -1- 16.227
Oleo. 142 82 82
Varios generos 8.081 3.062 3.848 1- 786
---7-
Total productos 105.864 54.592 77.148 1- 22.555
Baldeação 9.803 3.745 5.610 -f- 1.865
Total 115.667 58.337 82.758 24.421
2.0 GRANDE CABOTAGEM (Para O Sul
do Paiz)
Carga geral 70.466 29.994 34.453 1- 4.459
Baldeação ......... 81 30 14 16
Total 70.547 30.024 34.467 + 4.443
3.° PEQUENA CABOTAGEM ( Para a
Amazonia )
Carga geral.. 42.406