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EXECELENTISSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DA ____ VARA

CRIMINAL DA COMARCA DE CONCEIÇÃO DO AGRESTE ESTADO


DO CEARÁ

Autos n.__________

JOSÉ PERCIVAL DA SILVA “Zé da Farmácia”, brasileiro, solteiro,


portador da cédula de identidade (RG) n.º_____________ , expedida
pela SSP/CE, inscrito no CPF/MF sob o n.º_______________, residente
e domiciliado na Rua________ nº. _____, Bairro__________, Conceição
do Agreste /CE, CEP: ___________, telefone n.º _____________,
endereço eletrônico__________, por intermédio de seu procurador
constituído vem respeitosamente nessa ação penal promovida pelo
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁ, apresentar:

RESPOSTA À ACUSAÇÃO

com supedâneo nos artigos 396 e 396-A do Código de Processo


Penal(CPP) e nos demais normas correlacionadas, pelas razões a
seguir mencionadas.

DOS FATOS

JOSÉ PERCIVAL DA SILVA “Zé da Farmácia” no 03 de fevereiro


de 2018 foi autuado em flagrante delito , por infração ao disposto no
artigo 317 do Código Penal (CP), por em tese, segundo a denúncia de
Sr. Paulo Matos, empresário, sócio de uma empresa interessada em
participar das contratações efetuadas pela Câmara de Vereadores,
exigido o pagamento de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para que sua
empresa do denunciante pudesse participar de procedimento
licitatório.

Primeiramente a Autoridade Policial visando prender todos


os envolvidos em flagrante delito, orientou Paulo a sacar o dinheiro e
combinar com os vereadores a entrega da quantia na própria sessão
de realização da licitação, oportunidade em que uma equipe de
policiais disfarçados estaria presente para efetuar a prisão dos
envolvidos.

Foram presos em flagrante delito, na referida sessão, o


Vereador João Santos, o João do Açougue, que exerce, atualmente, a
função de Presidente da Comissão de Finanças e Contratos da
Câmara de Vereadores do Município de Conceição do Agreste/CE, e
demais membros vereadores Fernando Caetano e Maria do Rosário,
por fim JOSÉ PERCIVAL DA SILVA “Zé da Farmácia” todos indiciados
pelo crime de corrupção passiva.

Por conseguinte, foi designada audiência de custódia sendo


decretada a prisão preventiva a pedido do Ministério Público nos
termos do art. 310, II, c/c art. 312, c/c art. 313, I, todos do CPP,
para garantia da ordem pública, tendo em vista a gravidade e a
repercussão do crime.

Assim, inconformado com a decisão, o paciente (JOSÉ


PERCIVAL DA SILVA “Zé da Farmácia” ) impetrou Habeas Corpus
perante o Tribunal de Justiça do Ceará que relaxou a sua prisão.

O acusado fora citado da denuncia logo se apresenta a


presente resposta à acusação referente aos delitos descritos nos
art.288 e 317 na forma do art. 69, todos do Código Penal (CP).
DA TEMPESTIVIDADE

Os artigos 396 e 396-A do CPP preveem prazo de 10 dias


para o acusado responder a acusação:

“Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário,


oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar
liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do
acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo
de 10 (dez) dias.

[...]

Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá argüir


preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa,
oferecer documentos e justificações, especificar as provas
pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e
requerendo sua intimação, quando necessário.”

Tendo em vista que o réu foi citado no dia ____ de _____ de


2018 e que a peça fora protocolada no dia _____ de ____ de 2018, a
presente resposta à acusação é tempestiva.

DO DIREITO

O acusado está sendo processado pelo cometimento do


delito estampado no artigo 288 e artigo 317 do Código Penal
(associação criminosa e corrupção passiva).
DA AUTORIA E MATERIALIDADE EM RELAÇÃO AOS
DELITOS

Na denúncia não há provas de autoria nem materialidade


do crime em relação ao réu as informações que ensejaram a prisão
são de uma denúncia feita contra os outros réus, sendo que em
nenhum momento houve menção ao nome do acusado durante a
narrativa do Boletim de Ocorrência por tal motivo necessária é a
absolvição sumária do acusado, com supedâneo no artigo 397 do
CPP:

Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art.


396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá
absolver sumariamente o acusado quando
verificar:

I - a existência manifesta de causa excludente da


ilicitude do fato;

II - a existência manifesta de causa excludente da


culpabilidade do agente, salvo
inimputabilidade;

III - que o fato narrado evidentemente não


constitui crime; ou

IV - extinta a punibilidade do agente.

Destaca-se que o crime imputado ao acusado, além de


inexistente, foi praticado nos termos do artigo 13 do CP, logo deve
ser atribuído a quem deu causa, cabe salientar que não há dolo ou
culpa na conduta do acusado flagrante a ausência dos elementos do
tipo penal.
DO FLAGRANTE PREPARADO

Percebe-se dos autos, que o flagrante foi arquitetado pela


autoridade policial que forçou a “ocorrência” do crime. Contudo como
explica a sumula 145 do STF quando o flagrante é preparado pela
autoridade policial impossível consumar-se o crime, estão também
ausentes as circunstância estipuladas pelo art.302 do CPP que
legitimam a prisão em flagrante.

Nesse seguimento, a autoridade policial ao receber a noticia


do crime narrada pelo Sr. Paulo astutamente elaborou a cena do
delito para garantir a prisão em flagrante do acusado, prática
rechaça pelo ordenamento jurídico.

Cabe ainda salientar, que o crime só ocorreu pela indução


da autoridade policial que orientou o denunciante a levar o dinheiro
a sessão bem como determinou a presença de policias disfarçados
durante reunião, dessa forma, imperiosa é a absolvição do acusado,
por inexistência do crime tipificado nos termos do art.317 do CP.

DA NÃO OCORRÊNCIA DO CRIME DE ASSOCIAÇÃO


CRIMINOSA

Para que ocorra a conduta ilícita descrita no artigo 288 do


CP, o fruta dessa união é a pratica de reiterados crimes com
estabilidade e permanência dos delinquentes envolvidos, no caso dos
autos há menção a apenas um ilícito penal (art.317) sendo inegável
que não houve a participação do acusado.

Nesses termos, não há nenhuma comprovação do vinculo


associativo, sendo tal ônus do Ministério Público, dessa forma não
merece prosperar as acusações imputadas ao réu no tocante ao
art.288 do CP.
DO CONCURSO MATERIAL

O concurso material de crimes estará caraterizado quando


mediante mais de uma ação ocorrer dois ou mais crimes. No
presente caso o acusado não cometeu nenhum crime estando
devidamente provada sua inocência pela narrativa do Sr. Paulo
Matos no boletim de ocorrência.

Evidente com base nas provas colacionadas aos autos que o


acusado não foi autor dos ilícitos bem como está prejudica a
imputação de materialidade ao acusado.

No mais, está demonstrada a carência dos requisitos que


constituem o crime de Associação Criminosa (art.288) assim sendo
não há mais de um crime, portanto não é caso de aplicação do art.69
do CP.

DO ROL DE TESTEMUNHAS

Tendo em vista o artigo 396-A do CPP, e sob pena de


preclusão, processado arrola testemunhas para instrução bem como
requer a intimação das mesmas.

Testemunhas:

1. -
2. -
3. -

DOS PEDIDOS

Haja vista o que foi arguido requer-se:

A. Que a presente peça seja recebida;


B. Que o réu seja absolvido por não haver evidência de sua
autoria nos termos do inciso III artigo 386 do CPP;

C. Que o réu seja absolvido sumariamente por não


constituir crime o fato narrado nos termos do inciso III artigo 397 do
CPP;

D. Que o réu seja absolvido por não estar configurado o


crime do art. 288 do CP nos termos do inciso VI artigo 386 do CPP

E. Que seja afastada a incidência do artigo 69 do CP por


não existir no caso dos autos provas que indiquem a ocorrência de
mais de um crime;

F. Requer a produção de todas as provas em direito


admitidas e aplicáveis ao caso (testemunhal, pericial, documental,
etc).

TERMOS EM QUE,

PEDE DEFERIMENTO.

de de 2018

Conceição do Agreste - CE

Advogado, OAB/CE n.___.