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26/10/2020 Unidade 3

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Unidade 3

Teoria dos Mercados

Prezado(a) aluno(a): chegamos à última unidade de nosso livro, em que estudaremos


as estruturas de mercado ou, ainda, algumas formas como os diversos mercados se
organizam.

É importante ter em mente que as características dessas estruturas de mercado que


você estudará aqui nem sempre serão absolutamente compatíveis com a realidade
das rmas ou indústrias. Entende-se que, na prática, é importante considerar que os
conteúdos aqui apresentados são modelos estilizados e que, naturalmente, podem
sofrer adaptações para que se compreenda adequadamente a situação especí ca de
um dado mercado.Prezado(a) aluno(a)

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26/10/2020 Unidade 3

Chegamos à última unidade de nosso livro, em que estudaremos as estruturas de


mercado ou, ainda, algumas formas como os diversos mercados se organizam.

É importante ter em mente que as características dessas estruturas de mercado que


você estudará aqui nem sempre serão absolutamente compatíveis com a realidade
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das rmas ou indústrias. Entende-se que, na prática, é importante considerar que os
conteúdos aqui apresentados são modelos estilizados e que, naturalmente, podem
sofrer adaptações para que se compreenda adequadamente a situação especí ca de A-
um dado mercado.

Modelo de Concorrência Perfeita


Esta seção destina-se a analisar o modelo da concorrência perfeita, e você
provavelmente perceberá que se trata de uma estrutura de mercado abstrata e rara,
pois é extremamente difícil encontrar em nosso cotidiano um exemplo na realidade
dos mercados que seja el às características desse modelo.

No estudo da Unidade II, você conseguiu observar que a discussão sobre produção e
custos é aplicável a todos os tipos de empresas, independentemente de qual
estrutura elas estejam inseridas.

Todos os agentes que estão envolvidos nesse tipo de estrutura de mercado


notadamente não apresentam, ou ainda é muito baixo, o poder de in uenciar
qualquer resultado no mercado. Em breve, você verá as razões para essa a rmação.

Inicia-se o estudo da estrutura perfeitamente competitiva versando sobre essa


questão dos agentes que atuam serem classi cados como "tomadores de preços",
pois consiste em uma das hipóteses do modelo e que acaba "in uenciando" as
demais características. O termo tomadores de preços signi ca que tanto os
produtores quanto os consumidores aceitam o preço que vigora no mercado, de
forma que nenhum deles possui a capacidade, sozinho ou fazendo um conluio com os
outros, de alterar os preços que vigoram nos mercados, determinados pelo resultado
da interação entre oferta e demanda.

Você consegue, com facilidade, visualizar essa característica de ser um agente,


consumidor "tomador de preços", vai a um hipermercado ou a uma loja  de
departamentos (C&A, Riachuelo, Renner etc.). Certamente, você já se deparou com a
necessidade de elencar as quantidades de cada item que precisava e formar sua
"cesta de consumo" ou "cesta de mercado". Percebeu que os preços estavam nas
etiquetas, já de nidos. Na medida em que já se tinha tal de nição, nada do que você

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zesse dentro da "legalidade" poderia alterar o preço já determinado - na prática,


você não tinha o que chamamos de "poder de barganha", por exemplo.

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Agora, vamos dar continuidade à apresentação das principais hipóteses que


formulam o modelo de concorrência perfeita, de forma a justi car o fato da
incapacidade revelada dos agentes atuantes nesse mercado, a de interferir nos
preços dos produtos que transacionam.

Um dado importante e fundamental para a caracterização de um mercado


perfeitamente competitivo consiste na ausência de barreiras à entrada e à saída do
mercado. Tal característica está diretamente relacionada e implicará o número
quantitativo de empresários, produtores que atuam nesse mercado.  

Você observará que, no tópico 2, destinado a estudar sobre os monopólios, que é


uma outra forma de organizar um dado mercado, será discutida essa questão das
barreiras à entrada e à saída de empresas no mercado.

As barreiras à entrada de novas rmas em um mercado são elementos que, como a


própria nomenclatura expressa, impedem que novos empresários façam parte
daquele mercado, ou seja, consigam iniciar sua atividade produtiva. Um bom
exemplo de barreiras à entrada de novas empresas em um mercado é a propriedade

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de uma patente e ou técnica exclusiva a uma determinada empresa. A esse respeito,


observe atentamente o "Fique por dentro" a seguir.

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Em um mercado perfeitamente competitivo, não existem barreiras à entrada de


novas rmas. Em outras palavras, qualquer empresário pode iniciar sua atividade
produtiva sem enfrentar limitações e ou impedimentos, já que, à medida que novas
rmas ingressam nesse mercado, qualquer tentativa abusiva do poder de mercado,
com estratégias de alterar preços ou quantidades em benefício próprio, tende a ser
extinta.

Essa lógica é fácil de ser compreendida, pois, como existe um grande número de
empresários atuando no mercado, todos são considerados pequenos e nenhum se
destaca com maior fatia de mercado. Assim, justamente por serem pequenos, não
conseguem in uenciar nos resultados desse mercado.

Outra hipótese que fundamenta o modelo da concorrência perfeita é a variável


informação. Nesse modelo, considera-se que a informação é simétrica ou perfeita, o

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que signi ca dizer que todos os empresários, sem distinção, possuem acesso aos
mesmos tipos de informação relacionada ao sistema produtivo.

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Com o intuito de fazer um contraste com as demais estruturas de mercado


existentes, objetos de estudo das próximas seções, torna-se útil destacar uma
característica relativa à qualidade dos produtos comercializados em mercados
perfeitamente competitivos.

Por hipótese, os produtos transacionados nos mercados competitivos são


classi cados como homogêneos, o que signi ca que são perfeitamente substituíveis
entre si, conforme o conteúdo estudado na primeira unidade de nosso livro. Ou
ainda, para serem considerados homogêneos, pressupõe-se que não exista nenhum
atributo ou quali cação que os façam se diferenciar entre si.

Note que, também por essa hipótese, você consegue compreender por que o
empresário não consegue in uenciar o preço que é cobrado, vigora no setor, em
benefício próprio, uma vez que ele oferta um produto sem diferenciação e ca
inapto a cobrar um preço maior justamente porque não oferta nada diferente "em
troca".

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Assim, uma vez ofertadas aos consumidores quantidades iguais de bens produzidos
pelos diferentes empresários perfeitamente competitivos, por meio da hipótese de
homogeneidade, aqueles serão indiferentes em relação à origem dos bens.

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A-

Para encerrar esta seção, estudarmos as demais estruturas de mercado é importante


para discutir um ponto fundamental do modelo de competição perfeita, que é a
situação de equilíbrio, ou ainda de como a rma perfeitamente competitiva
maximiza seus lucros. A Figura 3.1 a seguir ilustra como se dá o equilíbrio da rma
perfeitamente competitiva:

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Por meio do grá co (a), observe que a rma aufere um lucro positivo, pois $30
(associado à q2 ) é o custo médio a longo prazo. Uma vez que há o lucro positivo, este
faz com que novas empresas se sintam estimuladas a entrar nesse mercado, o que
ocasiona um deslocamento da curva de oferta de S1 para S2 ; $40 é o preço de um
bem por unidade que consiste no preço de equilíbrio a longo prazo, tal qual ilustra o
grá co (b) ao visualizar o ponto Q1P1, em que se tem o intercepto entre a curva de
demanda D e a curva de oferta S1.

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REFLITA

Lucro econômico, o que é? A+

Aqui, é muito importante lembrar a relação entre custo de ordem contábil e


custo na ótica econômica, conforme estudado na Unidade I. A-

Você se recorda que, quando falamos sobre custos contábeis, consideramos


somente os custos que, efetivamente, exigem o desembolso de dinheiro? No
entanto, temos o custo de oportunidade, que é considerado no planejamento
econômico.

Assim, no momento em que nos deparamos com o equilíbrio a longo prazo de


uma empresa perfeitamente competitiva, que é a situação em que ela aufere
lucro econômico = 0 (zero), surge a grande dúvida:

"Como pode uma empresa estar em equilíbrio tendo lucro econômico = 0?"

Observe que é exatamente a partir da diferenciação entre custos contábeis e


custos econômicos e, consequentemente, o agregado "lucro" que se formula a
conclusão de que, no momento em que o lucro econômico é igual a zero, o lucro
contábil será positivo, já que o lucro contábil sempre é maior do que o lucro
econômico, pois a ótica contábil não considera o custo de oportunidade como
um verdadeiro custo (tendo, em outras palavras, um "custo a menos").

Fonte: Elaborado pela autora.

Por m, no grá co (a), ao preço de $30, temos o equilíbrio a longo prazo e, neste
ponto, cada empresa obtém lucro econômico zero (LE = 0), não ofertando estímulo
para entrada ou saída de rmas no setor.

De acordo com Pindyck (2006, p. 40), uma empresa perfeitamente competitiva vai
incorrer em um equilíbrio a longo prazo na medida em que existam três condições:

1. Todas as empresas do setor estão maximizando os lucros.


2. Inexistência de estímulo por parte de qualquer empresa para entrar ou sair
do mercado, pois todas estão auferindo lucro econômico igual a zero.

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3. O preço do produto é tal que a quantidade ofertada pelas empresas do


setor se iguala ao volume demandado pelos consumidores.

Realizada a discussão da questão do equilíbrio, é possível estudarmos a próxima A+


estrutura de mercado, que é o monopólio. Você observará que a sistemática de
apresentação é a mesma realizada para a estrutura perfeitamente competitiva.
A-

08:39

Monopólio
Na seção anterior, você estudou que, em um mercado perfeitamente competitivo,
temos um grande número de agentes (empresários/consumidores) e todos são
considerados "tomadores de preços", ou seja, por serem "pequenos", não conseguem
in uenciar o preço determinado pela interação entre as forças de oferta e demanda
no mercado.

Mas agora, ao estudar a estrutura de mercado organizada sob a forma de um


monopólio, verás que esta é o oposto da estrutura perfeitamente competitiva.

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Iniciemos pelo fato de que, como a própria nomenclatura nos mostra, em um


monopólio, temos somente um empresário/vendedor que possui um alto poder de
mercado (mark up), de forma a dominá-lo e, paralelamente, há um grande número de
consumidores. Esse alto poder de mercado que o empresário monopolista possui é
decorrente da alta capacidade de formular os preços que irá vigorar no mercado em
A+
que atua.

Nesse sentido, por ser o único empresário a determinar o preço do bem no mercado A-
em que atua, ele, ao optar por aumentar o preço do bem, certamente não enfrenta
nenhum obstáculo, já que não possui grandes concorrentes. Compreenda que o
empresário monopolista, por si só, é o mercado, e dispõe plenamente do controle do
nível de produto (quantidade) que irá ofertar em um dado mercado, bem como da
capacidade de formular o seu preço.

No momento em que o empresário monopolista conhece sua estrutura de custos e


as características do mercado em que vai atuar, ele precisa decidir o nível de produto

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(quantidade) que vai ofertar. Então, note que esse conhecimento, tanto de sua
estrutura de custos quanto dos aspectos do mercado em que vai atuar, são
instrumentais essenciais frente a sua decisão de quanto produzir e ofertar e,
consequentemente, formular um preço.  
A+
Pelo fato de o empresário ser único no mercado, ao visualizar gra camente sua
situação, compreenda que ele representa a própria curva de demanda do mercado e
o preço unitário a vigorar nesse mercado, e a quantidade que ele venderá seu A-
produto, oriundo diretamente da curva de demanda de mercado.

Ao considerarmos todas essas características abordadas e a necessidade de


compreender gra camente como se dá a maximização dos lucros de um empresário
monopolista, atente-se à Figura 3.2.

Figura 3.2 - Maximização dos lucros em um monopólio


Fonte: Pindyck (2006, p. 90).

O nível de produto ótimo, ou seja, a quantidade ofertada pelo empresário


monopolista em que ele maximiza o lucro, é representado por Q*, exatamente o nível
de produção em que a Receita Marginal (RMg) é igual ao Custo Marginal (CMg),
ponto em que as respectivas curvas se interceptam.

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Se porventura o empresário monopolista ofertar uma quantidade menor, ao nível


Q1, então ele incorrerá em sacrifício de parte dos lucros, já que deixa de auferir a
receita extra oriunda da oferta e venda de quantidades que se situam entre Q1 e Q*,
e excedem o custo de produção. Outra situação semelhante seria elevar o nível de
produção de Q* para Q2 ,  o que ocasionaria uma redução dos lucros, pois o custo
A+
adicional seria maior do que a receita adicional (marginal).

A-

REFLITA

O mundo é um monopólio gigante?


O que você imagina que seja os grandes mercados mundiais? Um monopólio
gigante? Observe algumas evidências descritas por Paulo Gala, professor da
Fundação Getúlio Vargas FGV/EESP de São Paulo, e re ita a respeito:

“O jogo do capitalismo hoje é claro: monopólios e nanças. Nos EUA, duas


empresas controlam todas as marcas de bebidas dos americanos. Quatro
companhias áreas controlam os céus. Cinco bancos controlam metade dos
ativos nanceiros dos americanos. Para acesso à internet local, 75% dos
americanos têm apenas a opção de um provedor. Quatro empresas de carne
têm o controle total do mercado americano. A Boeing comprou a MCdonell
Douglass (https://pt.wikipedia.org/wiki/McDonnell_Douglas) nos anos 90 e
virou monopolista produtor dentro dos EUA, um duopólio no mundo com
Airbus. Três empresas controlam 70% do mercado mundial de pesticidas e 80%
do mercado de sementes de milho nos EUA. O Google controla 90% das buscas
online. Facebook controla 80% das redes sociais. O iPhone da Apple e Android
da Google comandam o mercado de apps para smartphone num duopólio. E
por aí vai. Warren Buffet adora monopólios, odeia concorrência. Virou o
segundo homem mais rico dos EUA se concentrando em comprar ações de
empresas com poder de monopólio. Bill Gates tem um dos maiores monopólios
do mundo: a Microsoft. Jeff Besos também, a Amazon, e Jack Ma tem o Ali
Baba. Os dois primeiros têm patrimônio pessoal na casa de US$ 100 bilhões.”

Fonte: Adaptado de Gala (2019, on-line).

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Concluída a discussão sobre a forma de organizar um dado mercado por meio de um


monopólio, torna-se importante versar como é o mercado "do lado" dos
consumidores, quando estes são as próprias empresas de forma geral, conforme
descrito no tópico 2.1.
A+
Monopsônio
Ao estudar as estruturas de mercado perfeitamente competitiva e monopolista, A-
você notou que a apresentação centrou-se no âmbito do empresário, vendedor
dentro de um dado mercado. No entanto, é importante, nesse momento, estudar o
outro lado, o âmbito do consumidor, comprador que, inclusive, também pode ser
exclusivo e único em um mercado. Quando isso ocorre, temos uma estrutura
intitulada monopsônio, em que o comprador apresenta alto poder de mercado e
consegue utilizar essa "vantagem", de forma a in uenciar o preço que paga por um
bem, e, consequentemente, maximizar sua satisfação.

De maneira distinta do consumidor/comprador da estrutura perfeitamente


competitiva, o monopsonista paga um preço que está diretamente relacionado às
quantidades por ele adquiridas. O con ito que aí surge consiste em escolher a
quantidade de produto que irá maximizar o benefício líquido.

Tal qual fora realizada a análise grá ca do equilíbrio nas estruturas perfeitamente
competitivas e monopolistas, vejamos a Figura 3.3 a seguir, que ilustra o "equilíbrio"
do comprador/consumidor monopsonista.

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De acordo com a explicação de Pindyck (2006, p. 311), a curva de oferta de mercado


S é a própria curva DMe, a Despesa Média do comprador monopsonista. Como a
curva de despesa média é ascendente, formato positivo, a curva de despesa marginal
está situada acima dela.

A quantidade Q*m encontrada no encontro das curvas de receita marginal e de valor


marginal (demanda) é a quantidade que o comprador monopsonista adquire. P*m
representa o preço unitário pago, que é obtido pela curva de despesa média (oferta).
Em um mercado no qual existe competição, tanto o preço Pc quanto a quantidade Qc
são elevados. Eles se encontram no ponto de interseção entre as curvas de despesa
média (oferta) e de valor marginal (demanda).

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É comum nos depararmos com situações de monopsônio, especialmente em


mercados de fatores de produção (capital, terra e mão de obra). Um bom exemplo no
setor produtivo brasileiro é a Petrobrás, que possui o poder de monopsônio na
indústria de fornecimento de bens e serviços para o setor de óleo e gás.

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Concorrência Monopolística
A+

Ao estudar as estruturas de mercado, imagine um eixo no qual, em uma extremidade


"A", temos a estrutura perfeitamente competitiva e, na outra extremidade desse eixo, A-
no ponto "B", o monopólio, e, intermediando esses pontos, temos o ponto "C", que é a
estrutura de concorrência monopolística, ou concorrência imperfeita, e, por m, o
ponto "D", que será o oligopólio (estrutura a ser estudada na próxima seção).

Sugere-se essa "visualização" em função das características que cada estrutura de


mercado apresenta. Assim, a concorrência monopolística, por ser uma estrutura
intermediária, apresenta aspectos tanto mais próximos de uma estrutura
perfeitamente competitiva quanto de um monopólio, como a própria terminologia
nos induz a pensar.

Tal qual ocorre no monopólio, as empresas que integram o mercado de concorrência


monopolística possuem o poder de formular seu preço. No entanto, não apresentam
controle total sob os mesmos, pois há outros produtores nesse mercado, com a
oferta de bens similares, o que, por sua vez, a aproxima de uma estrutura
perfeitamente competitiva.

Ademais, de acordo com Pindyck (2006), a concorrência monopolística apresenta,


entre outras características:

i. Um grande número de empresários/vendedores.


ii. Produto diferenciado, pois, embora entre os concorrentes o produto é
praticamente "igual", cada empresa que integra esse mercado possui um produto
com atributos que permitem diferenciá-lo dos demais, o que, por sua vez, torna-os
similares com algum grau de diferenciação.
iii. Não há substanciais barreiras à entrada de novas rmas nesse mercado, o que faz
com que o lucro econômico de longo prazo seja zero.

No que concerne aos atributos de diferenciação do produto, nesse mercado, tem-se


a questão das empresas atuantes operarem de forma estratégica, realizando
investimentos em propaganda, por exemplo, a m de que o público consumidor
tenha a percepção de que o produto ofertado apresenta algum elemento que seja
mais atraente ao consumo.

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Por m, a "regra" de maximização dos lucros se dá no ponto em que a Receita


Marginal (RMg) se iguala ao Custo Marginal (CMg). Pelo fato de não existir
substanciais barreiras à entrada de novas rmas no mercado, os lucros
extraordinários auferidos no início do processo produtivo irão atrair e estimular a
entrada de novas rmas nesse mercado, o que ocasionará a divisão desse lucro extra,
até o ponto em que esse lucro se torna, a longo prazo, normal nesse mercado.

Oligopólio
A estrutura de mercado organizada sob um oligopólio é a forma mais comum que
nos deparamos na realidade dos diversos mercados em toda a economia mundial. A
exemplo, temos os setores da indústria automobilística, indústria farmacêutica,
aviação comercial, entre outras.

No que se refere às características relacionadas aos tipos de produtos que aqui são
comercializados, tais itens podem apresentar ou não (nesse caso, são homogêneos)
atributos que os diferenciam entre si. A esse respeito, observa-se a quantidade de

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empresas que detém maior poder de mercado, responsáveis por uma maior fatia
daquele.

Em função de existir barreiras à entrada de novas rmas nesse mercado, pois tais
barreiras consistem, a exemplo, em detenção de patentes; acesso à tecnologia;
A+
reputação da marca, entre outras, algumas ou todas as empresas que integram um
oligopólio auferem lucros substanciais a longo prazo.
A-

REFLITA

O que é um duopólio?
Trata-se de um tipo especí co de oligopólio, em que duas empresas dividem
um dado mercado, ou seja, detêm proporções semelhantes do negócio. A
matéria Os problemas do novo super duopólio formado por Airbus e Boeing traz um
bom exemplo de duopólio no setor de aviação comercial.

Saiba mais em:

https://www.gazetadopovo.com.br/economia/nova-economia/os-problemas-
do-novo-super-duopolio-formado-por-airbus-e-boeing-
dkf1btixcsejkxhtbpxv0r2ka.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Em uma estrutura organizada sob a forma de um oligopólio, é essencial, no que se


refere ao atendimento do objetivo de maximização de lucros por parte das empresas
que integram o mercado, a manutenção de um comportamento estratégico. Nesse
sentido, cada empresa observa como as suas concorrentes agem dentro do mercado
e consideram o comportamento, reações das mesmas em todos os momentos que
precisam realizar escolhas, decidirem, a exemplo sobre o nível de produção que
incorrerá, o preço que será formulado, decisões de investimentos, entre outras.

Assim, observe o quão dinâmico consiste esse processo, o qual demanda consistente
planejamento operacional e delimitação das estratégias a serem realizadas dentro
do processo produtivo.

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A-

Por m, a situação de equilíbrio em estrutura oligopolizada expressa-se na situação


em as empresas fazem o melhor que podem ao observarem as ações de suas
concorrentes e, em contrapartida, elas também. Na literatura econômica, essa
situação é denominada Equilíbrio de Nash.

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A-

Uma situação especial que pode ocorrer dentro de uma estrutura oligopolizada é a
formação de conluios, e, consequentemente, eventuais cartéis. Vejamos como isso
ocorre no "Fique por Dentro" a seguir:

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A+

A-

A critério de curiosidade, faz-se interessante ter ciência dos valores das grandes
marcas, que têm, por sua vez, suas indústrias organizadas sob um oligopólio. Isso é
possível observar na Figura 3.4: as marcas mais valiosas do mundo.

Oligopsônio
Conforme estudado na seção 2.1, sobre o Monopsônio, temos também a estrutura
intitulada Oligopsônio, em que há poucos compradores que apresentam alto poder
de mercado e conseguem utilizar essa "vantagem", de forma a in uenciar o preço
que pagam por um bem. Bons exemplos na economia brasileira são constituídos
pelos mercados de celulose e comercialização de soja no cerrado.

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Estratégia
Em um ambiente no qual a concorrência entre
as empresas atuantes é forte, faz-se necessário A+
que as organizações mantenham uma postura
estratégica. Para isso, é possível considerar
A-
basicamente quatro ações inerentes ao
contexto concorrencial:

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INDICAÇÃO DE LEITURA

Microeconomia em ação: comportamento racional e estruturas de


mercado
Autores:  Alexandra Strommer de Farias Godoi, Claudia Helena Cavalieri, A+
Gustavo Andrey de Almeida Lopes Fernandes e Sergio Goldbaum

Ano: 2018 A-
Editora: Évora

ISBN: 97-885-846-116-38

A obra reúne o conteúdo de Microeconomia ministrado em diversos anos


letivos nas disciplinas de Microeconomia Intermediária direcionada aos
alunos dos cursos de Administração da Escola de Administração de Empresas
de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV). Justi ca-se, assim, a minha
sugestão de leitura desta unidade, uma vez que os conteúdos abordados no
livro são familiares aos alunos do curso de Administração e certamente será a
você, pois perceberá que a maior parte do livro é semelhante aos objetivos de
nossa disciplina. Os autores priorizaram estabelecer uma sólida relação da
teoria e seus conceitos à aplicação na realidade dos diversos mercados, com o
intuito de contribuir para a compreensão dos principais problemas
econômicos no âmbito em estudo.

Considerações Finais
Chegamos ao nal da Unidade 3, a qual considero muito útil para expandir os
conhecimentos sobre a diversidade dos mercados, bem como a forma como eles se
organizam.

Ademais, contribuiu para aproximar em muitos aspectos o estudo da Teoria


Microeconômica com a realidade dos mercados, à medida em que esclareceu
conceitos que, por vezes, você já deve ter se deparado no cotidiano, desmisti cando,
assim, o "economês".

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A+

Atividade
A-
A respeito da concorrência monopolística, assinale a alternativa correta:

A concorrência monopolística tem como principal característica o fato de ser tomadora de preços.

O mercado de concorrência monopolística é uma estrutura de mercado intermediária entre o mercado


monopolístico e o mercado de concorrência perfeita.

A concorrência monopolística difere do mercado de concorrência perfeita no que concerne ao fato de


os lucros extraordinários serem dissipados com a entrada de novas rmas na indústria.

A concorrência monopolística pratica o preço menor do que o custo marginal.

A concorrência monopolística é praticamente inexistente no âmbito dos mercados mundiais.

Atividade
Com relação às características do mercado monopolista, assinale a alternativa correta:

A rma é uma tomadora de preço de mercado dos seus produtos.

A rma é considerada um monopólio se os seus produtos não possuem substitutos próximos.

O monopólio leva a rma a uma alocação e ciente dos recursos e a uma maximização do lucro em que
o Cmg = Preço.

A rma monopolista maximiza lucros quando sua receita marginal se iguala ao custo marginal.

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A rma é considerada um monopólio se os seus produtos possuírem alguns substitutos próximos.

A+

A-

Atividade
Acerca do oligopólio, assinale a alternativa que apresente uma característica distintiva desse tipo de
mercado.

P < RMg = CMg.

Lucro extraordinário

As empresas precisam ponderar com cautela cada ação, considerando todas as possibilidades.

A empresa oligopolizada é tomadora de preços.

Em um oligopólio, é legal a prática de cartéis.

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