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Fernando de Aguiar A d v o g a d o
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DE UMA DAS VARAS


DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE SANTOS – SP.

JOÃO MARQUES DE ARAUJO, brasileiro, casado, comerciante, portador do RG:

Este documento foi assinado digitalmente por Tribunal de Justica de Sao Paulo e FERNANDO DE AGUIAR. Protocolado em 17/01/2015 às 20:17:58.
9.836.354-2, CPF:883.043.888-04, com endereço na Rua Djalma da Silva Coimbra n.º 33,
Jardim Rio da Praia, Bertioga – SP CEP: 11.250-000, vem respeitosamente perante Vossa
Excelência, propor a presente

Se impresso, para conferência acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/esaj, informe o processo 1000702-67.2015.8.26.0562 e o código 2EA5A2.
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS

em face de BANCO DO BRASIL S/A, cadastrado no CNPJ: 00.000.000/5163-25, com


endereço na Av. Anchieta, nº 1786, CEP:11.250-000, pelos motivos de fato e de direito que
passa a expor:

DOS FATOS

O Requerente se dirigiu até a agência do banco Requerido no dia 08/12/2014, e retirou a


senha manual, pois os funcionários desligaram o equipamento que gerava senhas, para ser
atendido às 15h30min, com intuito de fazer um pagamento de um título conforme se
comprova em anexo pela juntada da senha manual e do comprovante de pagamento do
boleto bancário.

O Requerente somente foi chamado pela funcionária do caixa para ser atendido as
17h42min.

O Requerente teve seu anseio postergado em razão de um ato arbitrário do Requerido,


permanecendo na fila por 134 minutos até que fosse realizado o atendimento
pessoal do Requerente.

A prática do réu BANCO DO BRASIL, se tornou costumeira, ou seja, todos os dias que
qualquer cidadão vai até a agência possui apenas 01 caixa para atendimento normal dos
clientes, e 01 caixa para atendimento prioritário.

Já extrapolando o que podemos enquadrar como mero aborrecimento, o que seria comum se
algum determinado dia do mês o banco estivesse com aumento na demanda, até sendo
razoável em qualquer situação uma espera maior em determinados dias como pagamentos e
feriados.

Rua Antônio Rodrigues de Almeida, n.190, Jardim Lido, Bertioga, SP


CEP: 11250-000. Escritório: 55-13-33171785 Cel: 55-13- 992069499
e-mail: fernandoaguiar@adv.oabsp.org.br
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Ocorre que a agência de Bertioga já extrapolou em muito o âmbito do mero aborrecimento e


já causando danos de ordem moral aos cliente desta cidade.

Veja Exa. pelo IBGE o cidade de Bertioga, já conta com mais de 60 mil habitantes divididos
em uma área territorial de aproximadamente 492,2 km2 resultando em mais de 100
habitantes por km2.

A cidade de Bertioga movimenta uma economia de quase R$200 milhões de acordo com
dados fornecido pelo IBGE, e pasme, possui apenas 1 agência de atendimento público na

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cidade de Bertioga, com apenas 1 caixa de atendimento normal.

Portanto Exa. extrapola o que vem a ser caracterizado mero aborrecimento, tratando a ser

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considerado puro martírio a qualquer cidadão ter que ir a Agência Bancária Ré para efetuar
qualquer operação bancária.

Praticamente todos os dias não se consegue nem ao menos entrar na área externa da agência
compreendida apenas por caixas eletrônicos, que dirá chegar ao caixa para atendimento
pessoal.

Como demonstram as fotos, são idosos, clientes jogados no chão, quase todos reclamando
do péssimo atendimento e o descaso com os clientes desta cidade.

O único jeito de haver solução é a penalidade da indenização para que o Banco sentindo o
peso da LEI em seu bolso decida que compensa investir em outra agência bancária na
cidade.

Exa. em alguns bairros, nem tão grandes como a cidade inteira de Bertioga, encontramos
mais de 2 ou 3 agências deste Banco, veja, em apenas alguns Bairros de outras cidades.

Desta feita, tem-se que o desprezo do banco Requerido com os consumidores que utilizam
dos seus serviços, causou muitos transtornos ao Requerente, que necessita ser amparado pelo
judiciário.

DO DIREITO

Trata-se puramente de relação de consumo, devendo, portanto, a matéria ser apreciada com
fulcro na Lei nº 8.078/90.

O CDC define consumidor e fornecedor:

"Art. 2º: Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza
produto ou serviço como destinatário final."

Rua Antônio Rodrigues de Almeida, n.190, Jardim Lido, Bertioga, SP


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"Art. 3º: Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada,


nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que
desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de
produtos ou prestação de serviços."

Portanto, é evidente o dever do requerido em indenizar o requerente, independentemente de


culpa.

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Além de violar a Lei MUNICIPAL nº 877, de 30 de Setembro de 2009:

Art. 1º. Cria o § 3º junto ao artigo 2º da Lei Municipal 618/2004 que passa a

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vigorar com a seguinte redação:
"Art. 2º. Para os efeitos desta lei entende-se como tempo
razoável para atendimento:
I.........................
II.......................
III...................
§ 1º..................
§ 2º................
§ 3º. Para o controle do tempo definido neste artigo as
agências bancárias deverão providenciar a distribuição de senha individual com
registro, impresso na senha, do dia e horário de sua distribuição.
§ 4º. As senhas citadas no § 3º serão devolvidas pelos
usuários, assim que ocorrido o atendimento na agência.
§ 5º. As senhas distribuídas com o registro do dia e horário
servirão como meio de prova caso não sejam respeitados o tempo definido neste
artigo."
Art. 2º. As agências bancárias deverão afixar em local visível aos clientes a
informação quanto ao tempo máximo de permanência estabelecido pela Lei 618/2004.
Art. 3º. As agências bancárias têm prazo de 60 (sessenta) dias, a contar da
publicação desta Lei, para adaptarem-se às suas disposições.

O tempo máximo de espera nas filas determinado por LEI é de 30 minutos em dias normais,
e 45 minutos, em vésperas ou pós-feriados prolongados.

Em 2013 o Procon, recebeu média mensal de 50 reclamações sobre espera maior para os
atendimentos.

Necessário ainda trazer a baila o disposto no artigo 186 do Código Civil de 2002, que
dispõe em sua redação:

Art. 186 – Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

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CEP: 11250-000. Escritório: 55-13-33171785 Cel: 55-13- 992069499
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As instituições financeiras estão subordinadas, por desenvolverem em seus


estabelecimentos, típicas relações de consumo, conforme o disposto no art. 3º, parágrafo
2º, do CDC, que dispõe em sua redação, sendo a mesma perfeitamente constitucional.

Art. 3° - Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica,


pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os
entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de
produção, montagem, criação, construção, transformação,
importação, exportação, distribuição ou comercialização de

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produtos ou prestação de serviços.
...
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de

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consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza
bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as
decorrentes das relações de caráter trabalhista.

DO DANO MORAL

Exa. desde 2013 os bancos da cidade de Bertioga vem desrespeitando os consumidores e os


tratando com descaso, sendo público e notório o conhecimento destes fatos.

Ocorre que pequena ou quase nenhuma parcela da sociedade busca efetivamente o respeito
de seus direitos junto ao Judiciário muitas vezes por acabarem se conformando com a
situação, ou até mesmo desacreditando que estão sofrendo dano moral a cada vez que
precisa utilizar a rede bancária.

De acordo com o dispositivo legal acima mencionado, percebe-se claramente, que o


principio constitucional da razoabilidade foi ferido em sua essência, pois, o tempo
não deve exceder a 30 (trinta minutos) conforme preconiza o inciso I a III do artigo
segundo, porém, o requerente, ficou 144 minutos na fila, o que mostra o ato ilícito
praticado pelo requerido

A moral é reconhecida como bem jurídico, recebendo dos mais diversos diplomas legais a
devida proteção, inclusive amparada pelo art. 5º, inc. V, da Carta Magna/1988:

“Art. 5º (omissis):

V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo,


além da indenização por dano material, moral ou à imagem;”

Outrossim, o art. 186 e o art. 927, do Código Civil de 2002, assim estabelecem:

Rua Antônio Rodrigues de Almeida, n.190, Jardim Lido, Bertioga, SP


CEP: 11250-000. Escritório: 55-13-33171785 Cel: 55-13- 992069499
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“Art. 186 – Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.”

“Art. 927 – Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar
dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.”

Também, o Código de Defesa do Consumidor, no seu art. 6º, protege a integridade moral
dos consumidores:

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“Art. 6º - São direitos básicos do consumidor:
(. . .)

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VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e
morais, individuais, coletivos e difusos.”

A questão suscitada apresenta entendimento pacificado no repertório jurisprudencial da


Turma Recursal Única do Paraná, inclusive tendo editado o seguinte enunciado:

Enunciado N.º 2.7– Fila de banco – dano moral: A espera em


fila de agência bancária, em tempo excessivo, caracteriza falha
na prestação de serviço e enseja reparação por danos morais.

Não se trata apenas dos danos causados ao autor, mas sim do descaso da parte requerida em
atender seus clientes.

DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Ante todo o exposto, pede-se, digne Vossa Excelência:

a)- condenar o requerido, ao pagamento de uma indenização, de cunho compensatório e


punitivo, pelos danos morais causado ao requerente, tudo conforme fundamentado, em valor
pecuniário justo e condizente com o caso apresentado em tela sendo arbitrado por V.Exa;

Para tanto, requer, digne Vossa Excelência:

b)- ordenar a citação do requerido, via postal, no endereço inicialmente indicado, quanto à
presente ação, para que, querendo, compareça à audiência designada, e apresente
oportunamente defesa, sob pena de confissão e revelia, respectivamente.

c)- Conceder a inversão do ônus da prova, ante a hipossuficiência dos requerentes perante a
requerida, nos termos do artigo 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor.

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d)- deferir a produção de provas por todos os meios admitidos em lei, principalmente, oitiva
de testemunhas, depoimento pessoal do preposto da requerida, juntada de documentos,
dentre outras que se fizerem necessárias ao deslinde da causa.

Dá-se à presente causa, o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais), para todos os efeitos de
direito e alçada.

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Termos em que;
Pede e Espera Deferimento.

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Santos, 16 de janeiro de 2015.
Fernando de Aguiar
OAB-SP 177.044

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