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Contabilidade para Juntas de

Freguesia
(regime simplificado)

Formação à Distância

CURSO DIS0109

1
Índice
Nota prévia .................................................................................................................................................... 4

CAPÍTULO 1 – A CONTABILIDADE DAS JUNTAS DE FREGUESIA ................................. 6

1.1. O POCAL e a nova Contabilidade Autárquica .......................................................................................... 6

1.2. O regime simplificado do POCAL (Juntas de Freguesia) .......................................................................... 8

1.3. Organização contabilística .................................................................................................................... 11

CAPÍTULO 2 - DOCUMENTOS PREVISIONAIS .......................................................... 12

2.1. Documentos previsionais ...................................................................................................................... 12

2.2. As Grandes Opções do Plano e o PPI .................................................................................................... 14

2.3. O Orçamento ......................................................................................................................................... 20

2.4. Modificações ao Orçamento e ao PPI .................................................................................................... 26

2.5. Modificações ao Plano Plurianual de Investimentos .............................................................................. 31

CAPÍTULO 3 – EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO ........................................................... 32

3.1.Execução Orçamental da Receita ........................................................................................................... 32

3.1.1. Regras de execução orçamental da receita ......................................................................................... 32

3.1.2. Fases da arrecadação da receita......................................................................................................... 33

3.1.3. Registos contabilísticos da Receita .................................................................................................... 35

3.1.4. Documentos de suporte ao registo da receita ..................................................................................... 35

3.2. Execução Orçamental da Despesa ........................................................................................................ 39

3.2.1. Regras de execução orçamental da despesa ...................................................................................... 39

3.2.2. Fases de registo contabilístico da despesa......................................................................................... 41

3.3. Operações de tesouraria ....................................................................................................................... 45

3.3.1. As retenções de Impostos e as cauções ............................................................................................ 45

3.3.2. Reposições abatidas nos pagamentos................................................................................................ 45

3.3.3. Classificador Económico .................................................................................................................... 47

3.3.4. Movimentos contabilísticos com Operações de Tesouraria ................................................................ 48

CAPÍTULO 4 - O SISTEMA DE CONTROLO INTERNO NO POCAL ................................ 50

2
4.1. Introdução............................................................................................................................................. 50

4.2. Elementos do Sistema de Controlo Interno............................................................................................ 51

4.2.1. A Norma de Controlo Interno .............................................................................................................. 51

4.2.2. Regulamento de Inventário ................................................................................................................. 53

4.2.3. Manual de Procedimentos Contabilísticos .......................................................................................... 53

4.2.4. Conjunto de Regulamentos das diversas actividades autárquicas ...................................................... 53

4.3. Os métodos e procedimentos de controlo ............................................................................................. 54

4.3.1 Disponibilidades.................................................................................................................................. 54

4.3.3. Medidas de controlo de Existências.................................................................................................... 60

4.3.4. Medidas de controlo do Imobilizado ................................................................................................... 61

CAPÍTULO 5 - PRESTAÇÃO DE CONTAS ................................................................. 63

5.1. Documentos de Prestação de Contas .................................................................................................... 63

5.2 Documentos de prestação de contas previstos no POCAL e pelo Tribunal de Contas ............................ 64

5.3. Prazo e enquadramento legal para a apresentação das Contas ............................................................. 65

5.4. Efectivação das responsabilidades financeiras ..................................................................................... 66

5.5. Documentos de Prestação de Contas ................................................................................................... 67

5.5.1.Nota ao mapa do controlo orçamental ................................................................................................. 67

5.5.1.1. Despesa........................................................................................................................................... 67

5.5.1.2. Receita ............................................................................................................................................ 68

5.5.1.3. Execução anual do plano plurianual de investimentos ..................................................................... 69

5.5.1.4. Operações de Tesouraria ................................................................................................................. 70

5.5.1.5. Contas de ordem ............................................................................................................................. 70

5.5.1.6. Fluxos de Caixa ............................................................................................................................... 71

5.1.6. Empréstimos ...................................................................................................................................... 72

5.5.1.7.Outras Dívidas de Terceiros .............................................................................................................. 74

5.5.1.8. Relatório de Gestão ......................................................................................................................... 74

3
Nota prévia

O regime relativo à contabilidade das autarquias locais visa a sua uniformização, normalização e
simplificação, de modo a constituir um instrumento de gestão económico-financeira, permitir o
conhecimento completo do valor contabilístico do respectivo património, bem como a apreciação e
julgamento das respectivas contas anuais.

A contabilidade das autarquias locais baseia-se no Plano Oficial de Contabilidade das Autarquias Locais
(POCAL), podendo ainda dispor de outros instrumentos necessários à boa gestão e ao controlo dos
dinheiros e outros activos públicos, nos termos previstos na lei. A diversidade e dimensão das entidades
contabilísticas que se enquadram no POCAL levou o legislador a dividi-las em dois grandes grupos:
Regime Geral e Regime Simplificado. Pertencem ao Regime Simplificado as entidades cujo Orçamento
anual seja inferior a 5000 vezes o índice 100 da escala indiciária das carreiras do Regime Geral da
Função Pública (Orçamento Anual igual ou superior (5000 * 333,61 €) = 1 668 050 €

As 4260 Freguesias existentes em Portugal enquadram-se na sua grande maioria no regime


simplificado. No entanto, mesmo designado de simplificado este regime será complexo para um número
elevado de freguesia que pela sua dimensão não justificam a implementação do mesmo. Efectivamente
há uma heterogeneidade muito grande na dimensão das 4260 Freguesia, refira--se por exemplo que
existem Freguesias com orçamentos muito reduzidos (em alguns casos com orçamentos de 10 000
euros) e por outro lado algumas Freguesias com orçamentos muito elevados (algumas mesmo
implementando o regime completo).

O sistema contabilístico a implementar, embora simplificado, em muitos casos exigirá a colaboração de


um Técnico Oficial de Contas, pelas novas exigências contabilísticas e pela responsabilidade cada vez
maior na prestação de contas.

Face a esta realidade, entendeu-se que este manual deveria cobrir todas as obrigações inerentes ao
regime simplificado (apesar de muitas não terem a necessidade de desenvolver na totalidade o
apresentado). O manual tem em atenção o legislado propondo ainda metodologias e procedimentos a
adoptar pelas freguesias com vista a enriquecer o sistema contabilístico.

4
Pretende-se nesta formação e com o apoio deste Manual que os Técnicos Oficiais de Contas que nela
participem adquiram os conhecimentos necessários para colaborarem com estas entidades
contabilísticas muitas delas carentes de Técnicos especializados em Contabilidade Pública. Assim,
pretende-se que os leitores deste Manual e participantes na formação em sala, sejam capazes de:
− Conhecer o processo da aprovação do Orçamento Anual;
− Conhecer as regras e princípios que estruturam o Orçamento;
− Estabelecer uma metodologia para a elaboração do Orçamento;
− Conhecer o tipo de modificações orçamentais e respectivas funções;
− Conhecer as diferentes funcionalidades das alterações orçamentais e das revisões orçamentais;
− Conhecer as regras da execução orçamental da despesa;
− Identificar as fases orçamentais da despesa;
− Identificar as fases de registo contabilístico da despesa;
− Conhecer as regras e procedimentos para a atribuição de fundo de maneio;
− Conhecer o tipo de operações extra-orçamentais;
− Conhecer o registo das operações extra-orçamentais;
− Identificar e analisar o mapa de operações de tesouraria.
− Conhecer os métodos e procedimentos de controlo interno
− Identificar os diferentes mapas de prestação de contas.
Para a elaboração deste manual recorreu-se a vária legislação e ao POCAL comentado (Rei dos Livros).
de autoria de João Carvalho, Ana Teixeira e Maria José Fernandes.

5
Capítulo 1 – A Contabilidade das Juntas de Freguesia

1.1. O POCAL e a nova Contabilidade Autárquica


A anterior Lei das Finanças Locais, publicada em 1998, ou seja, entre o POCP (1997) e o POCAL (1999)
já referia a necessidade de um novo sistema contabilístico para as autarquias locais, como se pode
verificar no artigo 6.º, remetendo o modelo contabilísticos para a POCP, uma vez ainda não existente o
POCAL.
Lei das Finanças Locais
(Lei n.º 42/98, de 6 de Agosto)
1. O regime relativo à contabilidade das autarquias locais visa a sua uniformização,
normalização e simplificação1, de modo a constituir um instrumento de gestão
económico-financeira, permitir o conhecimento completo do valor contabilístico do
respectivo património, bem como a apreciação e julgamento do resultado anual
Artigo 6.º da actividade autárquica.
2. A contabilidade das Autarquias Locais baseia-se no Plano Oficial de
Contabilidade Pública2, com as necessárias adaptações, podendo prever um
regime simplificado para as freguesias cujas as contas não sejam
obrigatoriamente submetidas a julgamento, em conformidade com a Lei de
Organização e Processo do Tribunal de Contas.

A nova Lei das Finanças Locais, publicada em 2007, ou seja, já depois da aprovação do POCAL (1999)
refere a obrigatoriedade da aplicação do POCAL.
Lei das Finanças Locais
(Lei n.º 2/2007, de 15 de Janeiro de 2007)
2. O regime relativo à contabilidade das autarquias locais visa a sua uniformização,
normalização e simplificação, de modo a constituir um instrumento de gestão
económico-financeira, permitir o conhecimento completo do valor contabilístico do
respectivo património, bem como a apreciação e julgamento das respectivas
Artigo 45.º
contas anuais.
3. A contabilidade das Autarquias Locais respeita o Plano Oficial de Contabilidade
das Autarquias Locais (POCAL), podendo ainda dispor de outros instrumentos
necessários à boa gestão e ao controlo dos dinheiros e outros activos públicos,
nos termos previstos na Lei.

O POCAL define os grandes objectivos deste novo sistema contabilístico: uniformização, normalização e
simplificação de modo a constituírem um instrumento de gestão, económico e financeiro e permite
apreciar e julgar a execução orçamental e patrimonial.

1
Sublinhado nosso
2
Sublinhado nosso

6
PLANO OFICIAL DE CONTABILIDADE DAS AUTARQUIAS LOCAIS (POCAL)
(Decreto de Lei n.º 54-A/99, de 22 de Fevereiro)
Trata-se de uma importante medida no plano da gestão financeira das autarquias locais e, por se basear
Introdução na aplicação dos princípios do POCP, permite dar uma visão de conjunto dos entes estaduais. Tal como
é afirmado na Lei n.º 42/98, visa-se a uniformização, normalização e simplificação da contabilidade.

PLANO OFICIAL DE CONTABILIDADE DAS AUTARQUIAS LOCAIS (POCAL)


(Decreto de Lei n.º 54-A/99, de 22 de Fevereiro)
….
Assim, o principal objectivo do POCAL, aprovado pelo presente diploma, é a criação de condições para
a integração consistente da contabilidade orçamental, patrimonial e de custos numa contabilidade
pública moderna, que constitua um instrumento fundamental de apoio à gestão das autarquias locais e
Introdução
permita:
a) O controlo financeiro e a disponibilização de informação para os órgãos autárquicos,
concretamente o acompanhamento da execução orçamental numa perspectiva de caixa e
de compromissos;3

g) A disponibilização de informação sobre a situação patrimonial de cada autarquia local.

O POCAL prevê a existência de três sistemas de contabilidade:

a) Contabilidade Orçamental;

b) Contabilidade Patrimonial;

c) Contabilidade de Custos.

A Contabilidade Orçamental regista o orçamento por classificação económica, revisões a alterações


orçamentais, a execução da despesa e a execução da receita.

A Contabilidade Patrimonial representando um sistema novo nas autarquias em termos de estrutura e


de mapas finais é muito similar à Contabilidade das Empresas privadas, normalmente designada por
Contabilidade Geral ou Contabilidade Financeira. Os dois mapas finais mais importantes são o Balanço
(com a apresentação das contas do Activo, do Passivo e do Património Líquido) e a Demonstração de
Resultados (com a apresentação dos Proveitos, Custos e Resultados).

A Contabilidade de Custos tem como objectivo o tratamento e informação dos custos das tarifas, dos
serviços e das actividades.

O sistema de Contabilidade Patrimonial não é obrigatório para as Juntas de Freguesia integradas no regime
simplificado, entidades para quem é destinado este manual.

3
Sublinhado nosso

7
1.2. O regime simplificado do POCAL (Juntas de Freguesia)

A diversidade e dimensão das entidades contabilísticas que se enquadram no POCAL levou o legislador
a dividi-las em dois grandes grupos: Regime Geral e Regime simplificado.

⇒ A Lei n.º 42/98 (Lei das Finanças Locais, recentemente revogada) de 6 de Agosto, referia no
seu artigo 6.º n.º 2 que “A Contabilidade das Autarquias Locais baseia-se no Plano Oficial de
Contabilidade Pública, com as necessárias adaptações, podendo prever-se um sistema
simplificado para as freguesias, cujas contas não sejam obrigatoriamente submetidas a
julgamento, em conformidade com a Lei de Organização e Processo do Tribunal de
Contas”.
⇒ Em 22 de Fevereiro de 1999, o Decreto-Lei n.º 54-A/99 aprova o Plano Oficial de Contabilidade
das Autarquias Locais (POCAL) definia também um regime simplificado para as Juntas de
Freguesia dispensadas de remeter as contas ao Tribunal de Contas.
⇒ A nova Lei das Finanças Locais no artigo 45.º n.º 2 remete para o POCAL e “outros instrumentos
necessários à boa gestão e ao controlo dos dinheiros e outros activos públicos, nos termos
previstos na Lei”.

Relativamente às entidades contabilísticas do POCAL refere o artigo 2.º:

PLANO OFICIAL DE CONTABILIDADE DAS AUTARQUIAS LOCAIS (POCAL)


(Decreto de Lei n.º 54-A/99, de 22 de Fevereiro)
O presente diploma define o regime de contabilidade autárquica a que passam a ficar sujeitos os municípios, as
freguesias4, as associações de municípios e de freguesias de direito público e ainda as áreas metropolitanas e
todas as entidades que, por lei, estão sujeitas ao regime de contabilidade das autarquias locais.

Contudo, as atribuições das freguesias e as competências dos seus órgãos, bem como a diversidade de dimensão
populacional das cerca de 4300 existentes, levaram a considerar sistemas contabilísticos distintos, ajustados5 às
realidades próprias destas autarquias locais.

De acordo com o POCAL, pertencem ao Regime Simplificado as entidades cujo Orçamento anual seja
inferior a 5000 vezes o índice 100 da escala indiciaria das carreiras do Regime Geral da Função Pública
(Orçamento Anual igual ou superior 1.668.050,00 € ou 327.537 contos - Portaria nº 30-A/2008 de 10 de
Janeiro). Estas entidades são obrigadas a apresentar os seguintes documentos de prestação de contas,
conforme o POCAL:

4
Sublinhado nosso
5
Que se traduz na criação de um designado regime simplificado, aplicado à quase totalidade das freguesias

8
PLANO OFICIAL DE CONTABILIDADE DAS AUTARQUIAS LOCAIS (POCAL)
(Decreto de Lei n.º 54-A/99, de 22 de Fevereiro)
Considerações técnicas:

3 - A informação relativa à prestação de contas das autarquias locais cujo movimento de receita seja inferior a 5000
vezes o índice 100 da escala indiciária das carreiras do regime geral da função pública, arredondado para o milhar
de escudos mais próximo, é apresentada nos seguintes mapas:
− Controlo orçamental - Despesa;
− Controlo orçamental - Receita;
− Execução anual do plano plurianual de investimentos;
− Operações de tesouraria;
− Contas de ordem;
− Fluxos de caixa;
− Empréstimos;
− Outras dívidas a terceiros;
− Caracterização da entidade;
− Relatório de gestão..

Em resumo, são obrigações contabilísticas das Juntas de Freguesia pertencentes ao regime simplificado:

Documentos Execução Prestação de contas


previsionais
Elaborar e aprovar o Registar as seguintes Mapa de execução
Orçamento da receita fases da despesa: orçamental da Receita
• Liquidação
• Cobrança Fluxos de caixa
Elaborar e aprovar o Registar as seguintes Mapa de execução
Orçamento da despesa fases da despesa: orçamental da Despesa Empréstimos
• Cabimento
• Compromisso Outras dívidas a
• Autorização de terceiros
pagamento
• Pagamento Relatório de gestão
Elaborar e aprovar o Registar as receitas e Execução anual do
Plano Plurianual de as despesas por plano plurianual de
Investimentos investimentos investimentos
Registar as operações Mapa das operações de
de tesouraria tesouraria

A diferenciação dos documentos a apresentar, em prestação de contas, relativamente às autarquias


integradas ou no regime geral ou no regime simplificado do POCAL advém de facto de ser não exigível
aplicação do sistema de contabilidade patrimonial. No quadro que a seguir apresenta-se de forma
resumida essas diferenças.

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Obrigações contabilísticas Regime geral Regime simplificado

Inventário e valorização SIM SIM

Norma de controlo interno SIM SIM


Documentos previsionais:
- PPI SIM SIM
- Orçamento
Contabilidade orçamental SIM SIM

Contabilidade patrimonial SIM NÃO

Contabilidade de custos SIM SIM

De referir que, quase todas as freguesias a nível nacional não estão sujeitas ao regime geral, isto é não
são obrigadas a implementar a contabilidade patrimonial, nem a utilização do método digráfico para a
execução do orçamento. No entanto, o POCAL não impede que as freguesias optem pelo regime geral,
tendo como objectivo o aumento da informação contabilística.

A Resolução n.º 4/2001 – II Secção do Tribunal de Contas , estabelece da seguinte forma, os


documentos de prestação de contas que autarquias locais e entidades equiparadas deverão enviar ao
tribunal de contas:

Entidades do Regime Simplificado


Regime Geral Regime Simplificado
dispensadas da remessa da contas
Balanço --- ---
Demonstração de Resultados --- ---
Controlo Orçamental da Despesa Controlo orçamental da despesa ---
Controlo Orçamental da Receita Controlo orçamental da receita ---
Fluxos de Caixa Fluxos de caixa Conta de Gerência e Mapa de Fluxos de caixa
Contas de Ordem Contas de ordem ---
Operações de Tesouraria Operações de tesouraria ---
Caracterização da entidade Caracterização da entidade ---
Contratação administrativa --- ---
Empréstimos Empréstimos ---
Relatório de Gestão Relatório de gestão ---
Acta da Reunião em que foi discutida e votada a conta Acta da reunião em que foi discutida e votada a conta Acta da reunião em que foi discutida e votada a conta
Norma de Controlo Interno e suas Alterações Norma de controlo interno e suas alterações ---
Síntese das reconciliações bancárias Síntese das reconciliações bancárias ---
Relação nominal de responsáveis. Relação nominal de responsáveis Relação nominal de responsáveis.

As entidades sujeitas ao regime simplificado têm as seguintes obrigações contabilísticas:

Elaborar e
Elaborar e aprovar o Elaborar, aprovar e apresentar a
Ter uma Elaborar e aprovar
inventário e executar Prestação de
contabilidade uma Norma de
proceder à Documentos Contas aos
organizada Controlo Interno
respectiva avaliação Previsionais diferentes
destinatários

10
1.3. Organização contabilística
No ponto sobre Sistema Contabilístico – Documentos e Registos, o POCAL define uma série de
documentos contabilísticos que servirão de suporte à organização contabilística, bem como à definição
de procedimentos contabilísticos a implementar. No quadro seguinte são referenciados os documentos
inerentes ao regime simplificado.

Tipos de documentos Regime simplificado do POCAL

• Guia de recebimento (SC-1)


De suporte ao registo da receita, despesa • Guia de débito ao tesoureiro (SC-2)
e operações de tesouraria • Guia de anulação da receita Virtual
• Requisição Interna (SC-3)
• Requisição externa (SC-4)
• Ordem de Pagamento (SC-5)
• Folha de Remunerações (SC-6)
• Guia de reposições abatidas aos
pagamentos (SC-7)

De escrituração permanente • Folha de caixa (SC-8)


• Resumo diário de tesouraria (SC9)
• Conta corrente da receita (SC-10)
• Conta corrente da despesa (SC-11)
• Conta corrente com instituições de crédito
(SC-12)
• Conta-corrente de entidades (SC-13)
• Diários de entidades (SC-14)
• Conta-corrente de operações de
tesouraria (SC-15)
• Conta-corrente de contas de ordem (SC-
16)

11
Capítulo 2 - Documentos Previsionais

2.1. Documentos previsionais


No âmbito do planeamento da respectiva actividade e no da gestão financeira compete à Junta de
freguesia (artigo 33.º da Lei n.º 169/99, de 14 de Setembro, republicada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de
Janeiro), elaborar e submeter à aprovação da Assembleia de Freguesia ou do plenário de cidadãos
eleitores as Opções do Plano e a proposta do Orçamento.

Nos artigos 13.º e 49.º determina-se que a Assembleia de Freguesia aprovará as opções do plano e a
proposta de orçamento na reunião ordinária de Dezembro, salvo no ano da realização de eleições gerais
em que a aprovação terá lugar no final do mês de Abril.

A estrutura da proposta de aprovação dos documentos previsionais a enviar à Assembleia de Freguesia


deverá conter:
a) Documento de apresentação e justificação dos valores orçamentais propostos devendo incluir a
apreciação dos seguintes aspectos:

− Linhas gerais da política orçamental;


− Evolução dos principais agregados de receita, por classificação económica;
− Evolução dos principais agregados de despesa, por classificação económica, e
funcional;
− Evolução das despesas por objectivos, programas, projectos/acções, considerando o
plano plurianual de investimento;
− Discriminação dos investimentos, por capítulo económico, num horizonte móvel de
quatro anos;
− Evolução das despesas previstas, comparando o proposto para o ano com as
despesas propostas para o ano n-1, por classificação económica;
− Evolução das despesas com pessoal;
− Mapas resumo das despesas segundo a classificação económica;
− Especificação das transferências financeiras da autarquia para o exterior;
− Memória descritiva da transferência de competências por parte do município;
− Transferências orçamentais do município;
− Outros elementos informativos relevantes justificativos das principais decisões
orçamentais propostas que constituam anexos ao relatório.

b) Mapas orçamentais (ponto 7.2 do POCAL):


− Resumo das receitas e das despesa;
− Orçamento das Receitas e Despesas por classificação económica, devendo obedecer
às seguintes regras:

12
• O valor dos pagamentos nunca pode ser superior ao valor dos
recebimentos
• As receitas de capital não podem ser superiores às despesas de capital (ou
seja, parte das despesas correntes devem ser utilizadas em investimentos);

c) Plano Plurianual de Investimentos – PPI;

d) Proposta (texto) em que se solicita à Assembleia de Freguesia o seguinte:

− a aprovação dos mapas orçamentais e grandes opções do plano;


− a aprovação dos montantes totais das receitas e despesas por natureza económica;
− a aprovação da tabela de taxas, de tarifas e preços (se a mesma for apresentada com
o orçamento);
− a aprovação das normas regulamentares à execução orçamental;
− a autorização ao executivo, por parte da assembleia de freguesia, para contrair
empréstimos a curto prazo até ao montante legalmente estabelecido.

e) Norma de Controlo Interno – NCI.

Sobre este assunto sugere-se a consulta do Manual de Controlo Interno na Administração Pública,
distribuído pela CTOC em formação anterior.

Numa Junta de Freguesia a NCI é sobretudo uma norma regulamentar de controlo e execução do
orçamento. Assim:

− Deve conter disposições gerais relativas às operações respeitantes à arrecadação de


receita, e à realização das despesas, ao movimento das operações de tesouraria, às
respectivas operações de controlo e responsabilidade da autarquia;

− Poderá estabelecer os procedimentos contabilísticos relativos àquelas operações bem


como definir os responsáveis pela sua execução;

− Deve ser aprovado anualmente uma vez que, na nossa opinião, deve definir as regras
e as condições específicas à execução do orçamento, nomeadamente:

• A eventual utilização de rubricas inscritas no orçamento que ficam cativas


até ao executivo autorizar a sua utilização6;
• A determinação do limite máximo de eventuais compromissos a assumir em
regime de parcerias com outras entidades públicas ou privadas;
• Outras indicações que se revelem indispensáveis à correcta gestão
financeira dos serviços.

6
As verbas ficam cativas quando há uma deliberação por parte da Junta explicitando que rubricas orçamentais da despesas ficam
cativas e em que montante. Assim, as verbas cativas não poderão ser consideradas em sede de execução orçamental até que haja
nova deliberação indicando em que condições estas verbas poderão ser gastas.

13
No regime simplificado de contabilidade para as freguesias nos moldes definidos no POCAL, apenas se
exige que os documentos previsionais contemplem informação do ponto de vista orçamental.

Plano Plurianual de Investimentos


Grandes Opções do Plano Outras actividades relevantes, não de
investimento
Documentos previsionais
(Regime simplificado)
- Resumo do Orçamento,
Orçamento - Orçamento de despesa
- Orçamento de receita

2.2. As Grandes Opções do Plano e o PPI

As Grandes Opções do Plano (GOP’s) são apresentadas num horizonte móvel de 4 anos, e deverão
constituir o elemento primordial e estruturante das políticas definidas pela freguesia, a desenvolver para o
ano a que se refere o orçamento. É um documento onde o executivo apresenta e define as suas linhas
estratégicas de intervenção. Deverá revestir uma natureza programática e ser organizado por acções,
reflectindo obrigatoriamente todas as actividades de investimento (Plano Plurianual de Investimento), e
facultando outras acções relevantes (Plano de Actividades mais relevantes).

O Plano Plurianual de Investimentos (PPI) deve ser elaborado num horizonte móvel de quatro anos. Deve
incluir todos os projectos e acções de investimentos a realizar no âmbito dos objectivos estabelecidos
pela freguesia e deve explicitar a respectiva previsão da despesa.

A elaboração do Plano Plurianual de Investimento exige a apreensão da actividade global da Freguesia,


respeitando-se a delimitação das atribuições definidas no capítulo II da Lei n.º 159/99, de 14 de
Setembro, as quais abrangem um leque de domínios de intervenção, bastante alargado, sem contudo
delimitarem os níveis de acção dos mesmos. Estes apenas se percepcionam pela reduzida dotação
orçamental proveniente da repartição das receitas do Estado e das escassas meios de obtenção de
receitas próprias.

O PPI deve incluir todos os projectos de investimentos a realizar pela freguesia, podendo apenas nele
serem inscritos, projectos relativos aos investimentos relacionados com as atribuições taxativamente
referidas na lei, nos termos já explicitados.

As despesas realizadas em investimentos que extravasem aquelas atribuições são ilegais, sendo-as,
também, as que se reportam a projectos não inscritos no plano plurianual de investimento, embora no
âmbito das atribuições das autarquias. Contudo, a adequação das necessidades emergentes ou até

14
subsequentes ao desenrolar das actividades podem ser objecto de alterações do PPI inicialmente
aprovado com a criação até de novas actividades.

O PPI deverá ainda considerar os investimentos que forem delegados às freguesias pelos municípios nos
termos da lei.

Com o objectivo de racionalizar e reforçar o controlo de gestão e de execução orçamental, as despesas


de investimento (despesas cuja classificação económica se reporta ao capítulo 07- «Aquisição de bens
de investimento»), serão inscritas por projectos, podendo cada um destes desdobrar-se em acções. Os
projectos são agrupados em programas, e estes integram-se em (Objectivos).

Contudo, para melhor uniformização e compreensão dos investimentos realizados defende-se que os
Objectivos (unidade macro do Plano) correspondam e sejam por isso identificados pela classificação
funcional apresentada no ponto 10.1 do POCAL.

O Projecto (PRJ) é indicativo do ano em que se inscreve pela primeira vez a acções afins do Programa,
sendo as mesmas agrupadas por um número sequencial dentro do Plano Plurianual de Investimentos
(PPI).

A acção/actividade concreta a realizar distingue-se pela sua natureza e tem uma numeração sequencial
no Projecto para o qual contribui isoladamente ou com outras acções. A organização do PPI, nesta
estrutura é da responsabilidade de cada autarquia.

Apresenta-se, a seguir, um extracto da estrutura de um possível plano plurianual de investimentos, para


2006, por objectivos/funções (OB), programas/subfunções (PR), projectos (PRJ) e acções (AC), conforme
preceituado no POCAL

PRJ
Objectivo PR AC Descrição
Ano N.

02 Função Social
211 ENSINO NÃO SUPERIOR
2004 5 Manutenção das instalações escolares
1 Remodelação da caixilharia das escolas
2 Remodelação das instalações sanitárias das escolas e das
caleiras
2005 7 Manutenção das instalações escolares
1 Remodelação dos recreios escolares
2006 8 1 Aquisição de equipamento escolar

252 Serviços culturais, recreativos e religiosos

2006 1 Remodelação dos parques infantis

1 Remodelação dos parques infantis

15
10.1. – Classificação funcional
Código Rubricas
1 Funções gerais
1.1.0. Serviços gerais de administração pública
1.1.1. Administração geral
1.2.0. Segurança e ordem públicas
1.2.1. Protecção civil e luta contra incêndios
1.2.2. Polícia municipal
2. Funções sociais
2.1.0. Educação
2.1.1. Ensino não superior
2.1.2. Serviços auxiliares de ensino
2.2.0. Saúde
2.2.1. Serviços individuais de saúde
2.3.0. Segurança e acções sociais
2.3.1. Segurança social
2.3.2. Acção social
2.4.0. Habitação e serviços colectivos
2.4.1. Habitação
2.4.2. Ordenamento do território
2.4.3. Saneamento
2.4.4. Abastecimento de água
2.4.5. Resíduos sólidos
2.4.6. Protecção do meio Ambiente e conservação da natureza
2.5.0. Serviços culturais, recreativos e religiosos
2.5.1. Cultura
2.5.2. Desporto, recreio e lazer
2.5.3. Outras actividades cívicas e religiosas
3. Funções económicas
3.1.0. Agricultura, pecuária, silvicultura, caça e pesca
3.2.0. Indústria e energia
3.3.0. Transportes e comunicações
3.3.1. Transportes rodoviários
3.3.2. Transportes aéreos
3.3.3. Transportes fluviais
3.4.0. Comércio e turismo
3.4.1. Mercados e Feiras
3.4.2. Turismo
3.5.0. Outras funções económicas
4. Outras funções
4.1.0. Operações da dívida autárquica
4.2.0. Transferências entre administrações
4.3.0. Diversas não especificadas

16
7.1 – Plano Plurianual de Investimentos

(designação da autarquia local)


(unidade: €uros3)
Código da N.º do Designação Forma Fonte de Datas Fase de Realizado Despesas Total
classificação projecto/acç do programa de financiamento execução © previsto

Responsável
Objectivo

económica ão e realizaçã AC AA FC 20... Anos seguintes (g)


(a) projecto/acç o Total Financia Financia 20.. ... ... Outros
ão

Início
d)=(e)+(f) mento mento

Fim
(b) definido não
(e) definido
(f)

Total geral

a) O número atribuído a cada projecto é sequencial em cada ano e acompanhada o projecto até à sua conclusão
b) Designação de todos os projectos e acções dentro de cada programa
c) Deve considerar-se o montante das despesas realizadas por projecto a 1 de Outubro do ano em curso
d) Devem considerar-se todas as despesas a suportar coma realização do projecto/acção no respectivo curso
e) Deve considerar-se o montante das despesas a suportar com a realização do projecto/acção no respectivo ano
f) Deve considerar-se o montante das despesas do projecto/acção, cujo financiamento se encontra em negociação
g) O “Total previsto” é igual à importância na coluna © adicionado da importância da coluna (d) e dos montantes de cada das colunas de “Anos seguintes”.

Metodologia para a elaboração do Plano Plurianual de Investimentos

O Plano Plurianual de Investimentos (PPI) deve ser elaborado num horizonte móvel de quatro anos. Deve
incluir todos os projectos e acções de investimentos a realizar no âmbito dos objectivos estabelecidos
pela freguesia e deve explicitar a respectiva previsão da despesa.
A elaboração do plano plurianual de investimento exige o conhecimento da actividade global da freguesia,
respeitando-se a delimitação das atribuições definidas no capítulo II da Lei n.º 159/99 de 14 de Setembro

Fase 1 – Recolha de Informação sobre os


compromissos e responsabilidades em curso
ou a iniciarem-se e inadiáveis
Para a elaboração do Plano Plurianual de
Fase 2 – Diagnóstico de novas necessidades e
Investimentos aconselha-se o cumprimento
priorização das acções a desenvolver
destas três fases distintas e sequenciais:
Fase 3 – Selecção do pacote de investimentos
a desenvolver e adequação as disponibilidades
financeiras

1ª Fase:

17
A elaboração de um pré-documento nos termos do exigido no modelo 7.1 do POCAL prioritariamente
para as seguintes situações:

a) Para todas as iniciativas em curso, dotando-se as correspondentes rubricas orçamentais de


montantes suficientes para a cabimentação dos respectivos cronogramas financeiros
actualizados à data de elaboração do documento (Outubro de cada ano económico em curso).
A esta previsão dever-se-á acrescentar a previsão relativa à despesa realizada e se presume
não ser paga no ano em curso (ano em que se elabora o orçamento). Será aconselhável
estimar-se uma dívida para o ano seguinte correspondente a uma média de pagamentos a
fornecedores, a 90 dias.

Os encargos a transitar referidos anteriormente deverão ter em conta a realização estimada para os
últimos três meses do ano rectificada com a avaliação do cronograma de execução em curso (ver
instruções ao mapa 7.1. do POCAL).

Cálculo do valor das iniciativas que embora não estando ainda contratualizadas se reportam a
actividades com carácter de continuidade, cuja não execução poderão por em causa a
segurança e preservação dos activos patrimoniais da autarquia (são exemplo, as despesas de
manutenção e conservação).

2ª Fase: Esta fase exige um rigoroso processo de planeamento que está subordinado ao projecto
politico que é lhe subjacente. Os momentos de implementação poderão ser os seguintes:

a) Identificação das situações sócio-económicas que exigem investimento;


Esta programação poderá decorrer naturalmente de uma lógica de continuidade de um
mandato, e/ou de uma preocupação contínua de adaptação aos sempre novos desafios
exigidos, tanto pela progressiva desconcentração (e por vezes descentralização de poderes),
como da normal evolução dos territórios da intervenção autárquica, através da identificação de
situações críticas a ultrapassar. Cabe ainda nesta fase a identificação das competências
transferidas do município para a freguesia.

b) Correlacionamento dessas situações com os objectivos/funções definidos ou a definir, se for


o caso disso;
Este correlacionamento poderá servir de guia à definição e elenco das acções que
concretizarão os objectivos, e os programas já definidos e hierarquizados, que compõem a
estrutura do Plano Plurianual de Investimentos, conforme sugerido no ponto anterior.

c) Definição dos projectos a realizar para satisfazer aqueles objectivos/funções;


Fixados os grandes objectivos/funções e os programas a desenvolver, ter-se-á que identificar
os projectos e as acções que serão necessárias executar para atingir esses objectivos. Este

18
momento de programação do plano plurianual de investimentos obriga à previsão das
despesas por cada acção. Para o efeito, cada responsável pela sua eventual execução,
recolherá os elementos e informação de forma o mais fiável possível.
Isto é, o cálculo do valor a afectar deve ser determinado avaliando-se directamente os custos
previsíveis, numa lógica de economia, eficácia e eficiência. A finalidade será, obter-se a
melhor satisfação das necessidades públicas com o menor custo. Para o efeito o caminho a
seguir após a identificação das diferentes alternativas para a execução do serviço ou da obra
ou para o fornecimento dos bens necessários, deverá ser o que permite a melhor relação
custo/benefício.

d) Definição de prioridades e selecção dos projectos possíveis de executar em face dos


recursos financeiros disponíveis.

Só se poderá avançar no processo de construção do PPI, se se souber quais são os recursos


financeiros de que a autarquia poderá dispor para as novas acções. A priorização e
hierarquização das acções a desenvolver, depois de se assegurar os meios financeiros para
as acções em curso e para aquelas cuja continuidade é imprescindível, deve obedecer ao
programa de resolução das necessidades públicas, também elas hierarquizadas tendo em
conta o impacto que a sua satisfação tem na melhoria da qualidade de vida do cidadão.

A escolha das acções a realizar, devido à crónica escassez de fundos, será a fase posterior
aquela hierarquização e exigirá ainda o levantamento exaustivo das fontes de financiamento
gerais ou as particularmente afectas a acções (isto é as receitas consignadas a projectos)
provenientes de financiamentos apropriados às mesmas.

Deverá ser uma prioridade imediata, a execução de acções delegadas pelo município, através
de Contratos-Programa, ou outras acções em desenvolvimento ou a desenvolver através de
programas de apoio da Administração Central. Estas acções têm que ser suficientemente
pormenorizadas para de avaliar o nível de execução dos contratos-programa, e para se
estimar a contrapartida financeira exigida à freguesia e paga com recursos próprios. Esta
exigência poderá pôr em risco a concretização de protocolos de cooperação se não forem
devidamente aprovisionadas as dotações necessárias à cobertura das mesmas.

Actividades mais Relevantes

Apesar de apenas o PPI ser definido como um elemento constitutivo das Grandes Opções do Plano
(GOP’s), e não ser apresentado um modelo para as actividades relevantes, que não sejam de
investimentos, tal como as transferências, despesas correntes plurianuais, entre outras, com os mesmos

19
elementos exigidos no PPI, sugere-se que seja elaborado pela freguesia um documento com os mesmos
elementos exigidos no PPI.

Este mapa das Actividades Relevantes no nosso entender deveria no possível considerar distribuído por
acções e funções a maior parte de despesas correntes e despesas de capital que não estejam no
capítulo económico 07- Aquisição de Bens de Investimento.

Propõe-se para o efeito, a seguinte estrutura de informação:

1- Quadro de Referência de intervenção da freguesia:


− Objectivos e intervenções estratégicas num quadro de hierarquização para o ano a que
se refere o documento não esquecendo o reflexo nos anos subsequentes;
− Intervenções sectoriais prioritariamente seleccionadas organizadas a desenvolver por
funções e por objectivos conforme plano pré definido;
− Elenco das acções delegadas na freguesia pelo município;

2- Plano plurianual de investimentos (PPI):


− Mapa discriminativo de todas as acções por funções;
− Mapa identificativo das acções com financiamento externo;
− Mapa identificativo das acções a desenvolver através da delegação de competências
por parte do município e respectiva comparticipação financeira;

3- Plano plurianual das actividades mais relevantes:


− Mapa discriminativo das actividades definidas como relevantes organizadas por
funções;
− Quadro identificativo das acções com financiamento externo;
− Mapa identificativo das acções a desenvolver através da delegação de competências
por parte do município, que não sejam de investimento;

4- Fontes de financiamento:
− Mapa dos contratos programa celebrados com outras entidades com identificação das
acções a que se destinam e respeitem o cronograma de execução;
− Apresentação de eventuais contratos programa a celebrar, identificando as acções a
que se destinam as quais se inscrevem como acções com financiamentos não
definidos.

2.3. O Orçamento
O orçamento é uma previsão de recebimentos e de pagamentos para um determinado ano civil. Na
previsão de pagamentos é importante fundamentar-se numa previsão de receitas não optimista. Assim, o
POCAL estabelece princípios e regras para a elaboração do Orçamento, procurando-se acautelar o

20
melhor possível as previsões das receitas a cobrar sustentando-as em dados com elevado grau de
fiabilidade orçamental que nas freguesias atingem normalmente uma percentagem elevada de
conformidade.

No entanto, em muitas Freguesias a principal fonte de receita é o FFF (Fundo de Financiamento das
Freguesias) cujo valor a transferir é definido anualmente com base nos critérios estabelecidos na Lei das
Finanças Locais (ver capítulo 1). Tal situação deve-se essencialmente ao facto de dependerem em quase
100% de receitas certas que não dependem de factores externos, como a evolução da própria economia.
Outra fontes de receita normalmente já identificada no momento da elaboração do Orçamento são as
transferências dos municípios, sejam como simples apoios sejam como sustentação financeira de
contratos-programa de delegação de competências.

Por outro lado, a aplicação dos fundos previstos em determinadas despesas de investimento e despesas
correntes dependerá de uma rigorosa escolha de objectivos e finalidades a desenvolver pelo executivo,
hierarquizadas com vista à sua adequação aos recursos materiais identificados.

Ainda quanto aos princípios e regras é de salientar o seguinte:

a) De acordo com o princípio da independência o Orçamento de um freguesia é independente do


Orçamento de Estado e do Município;

b) Conforme os princípios da universalidade e da unidade existe um modelo do orçamento (alíneas


a) c) e d) do ponto 3.1.1. do POCAL), e um conjunto de oito regras que são imprescindíveis ao
modelo e estrutura do orçamento. Por outro lado, pressupõe-se que o orçamento é único e
deverá conter todas as receitas e todas as despesas que se prevêem cobrar e realizar no
período financeiro devidamente especificadas e escritas pelo seu valor integrar sem deduções
de qualquer natureza.

Anualidade – O Orçamento da Autarquia é anual, coincidindo com o ano civil. Deve, no


entanto, ser enquadrado na perspectiva plurianual, permitindo não só evidenciar as
despesas previstas no plano plurianual de investimento, para um horizonte de quatro anos,
bem como outras despesas obrigatórias decorrentes de contratos preestabelecidos com
vinculação para anos futuros.
Unidade e Universalidade – O orçamento da freguesia é unitário e compreende todas as
receitas e despesas autárquicas.

c) Com base no princípio da não consignação o produto de quaisquer receitas não pode ser afecto
à cobertura de determinadas despesas salvo em situações previstas na lei, como é o caso do
financiamento específico para uma Obra.

d) O princípio da especificação (alínea f) do ponto 3.1 do POCAL) obriga , ainda, que as despesas
sejam fixadas de acordo com a classificação funcional, no sistema de contabilidade de custos e

21
na elaboração do Plano Plurianual de Investimentos. Por outro lado, e sem prejuízo da sua
especificação de acordo com a classificação funcional e económica, as despesas inscritas no
Plano Plurianual de Investimentos podem estruturar-se por programas, projectos e acções
integrando desta forma as grandes opções do plano.
Não consignação – São excepção a esta regra, e nos termos do n.º 3 do artigo 3º da Lei n.º 42/98,
de 6 Agosto:
− Receitas provenientes de comparticipações dos fundos comunitários ou de
contratos programa estabelecidos com a administração central, e que se destinam
a financiar total ou parcialmente determinadas despesas;

− As receitas que correspondem a donativos ou legados de particulares, que, por


vontade deste, devem ser afectos à cobertura de determinadas despesas.

e) As importâncias relativas aos impostos, taxas e tarifas a inscrever no orçamento não podem ser
superiores a metade das cobranças efectuadas nos últimos 24 meses que precedem o mês da
sua elaboração, excepto no que diz respeito a receitas novas ou a actualizações dos impostos,
bem como dos regulamentos das taxas e tarifas que já tenham sido objecto de deliberação,
devendo-se, então juntar ao orçamento os estudos ou análises técnicas elaborados para
determinação dos seus montantes;

f) As importâncias relativas às transferências correntes e de capital só podem ser consideradas no


orçamento desde que estejam em conformidade com a efectiva atribuição ou aprovação pela
entidade competente, excepto quando se trate de receitas provenientes de fundos comunitários,
em que os momentos das correspondentes dotações de despesa, resultantes de uma previsão
de valor superior ao da receita de fundo comunitário aprovado, não podem ser utilizadas como
contrapartida de alterações orçamentais para outras dotações;

g) As importâncias previstas para despesas com pessoal devem considerar apenas o pessoal que
ocupe lugares de quadro, requisitado e em comissão de serviço, tendo em conta o índice salarial
que o funcionário atinge no ano a que o orçamento respeita, por efeitos da progressão de
escalão na mesma categoria, e aquele pessoal com contratos a termo certo ou cujos contratos
ou abertura de concurso para ingresso ou acesso estejam devidamente aprovados no momento
da elaboração do orçamento;

h) No orçamento inicial, as importâncias a considerar nas rubricas “Remunerações de pessoal”


devem corresponder à da tabela de vencimentos em vigor, sendo actualizada com base na taxa
de inflação prevista, se ainda não tiver sido publicada a tabela correspondente ao ano a que o
orçamento respeita.

A conjugação da lei que define as competências dos órgãos autárquicos (Lei n.º 169/99, de 18 de
Setembro, republicada pela Lei n.º 5-A/2001, de 11 de Janeiro, com o definido no ponto 3.1.1 do POCAL-

22
princípios orçamentais obriga à elaboração, aprovação e execução de um orçamento anual coincidente
com o ano civil. A sua inexistência nos prazos determinados na lei supra mencionada, poderá provocar a
dissolução dos órgãos da autarquia.

Para a elaboração do orçamento autárquico deverão ser dados os seguintes passos:

1. Previsão de todos os recursos financeiros possíveis de obter :


Esta fase de elaboração do orçamento reveste-se de uma enorme importância, uma vez que a avaliação
das receitas é factor condicionante do orçamento da despesa. Efectivamente, uma sobreavaliação das
receitas ocasionará uma ilusão de suficiência que estimulará a realização de despesas relativamente às
quais a autarquia não disporá efectivamente de fundos financeiros suficientes.

Para evitar esta situação de cálculo por excesso, as regras previsionais apresentadas no ponto 3.3. do
POCAL condicionam a avaliação das receitas, permitindo que o ajustamento das previsões se reflictam
ao longo da execução do orçamento através de alterações e revisões.

A vontade dos decisores políticos, em inscrever nas grandes opções do plano todos os projectos que se
pretende executar, poderá ser satisfeita de forma a eliminar os riscos mencionados.

A forma de o fazer será a de se identificar as diferentes fontes de financiamento, apresentando as


correspondentes despesas como "despesas a definir".

Nesta consonância, dever-se-á tornar obrigatório, como bom método previsional, que seja anexo ao
orçamento a apresentar à assembleia de freguesia, um memorando com a justificação técnica
convincente, das receitas que sustentam tanto as despesas inscritas em “financiamento definido” como
as despesas inscritas em “financiamento não definido”.

Surge assim, a par com as regras previsionais supra mencionadas, as regras do “bom senso” e da
“prudência”.

A observância destas regras conduz à prática de dois métodos conhecidos e, tradicionalmente usados na
previsão das receitas

i) Média dos últimos exercícios:


O critério da média dos últimos exercícios, assenta na média aritmética dos resultados
registados nos últimos anos económicos. O POCAL exige a sua aplicação a receitas de
variação irregular, como são as importâncias provenientes das taxas e tarifas,
estabelecendo-se como medida de avaliação, “a média aritmética simples das
cobranças efectuadas nos últimos 24 meses que precedem o mês da sua elaboração”
(alínea a) do ponto 3.3.). 7

7
Há, no entanto, excepções a esta regra, se por exemplo uma nova taxa for criada pela autarquia. Nestes casos, a previsão da
respectiva arrecadação ter-se-á que fazer por avaliação directa, ponderando-se os factores ocasionadores da correspondente
cobrança, de modo a poder-se efectuar o cálculo de valor estimado para o mesmo.

23
ii) Avaliação directa:
No método da avaliação directa a previsão de receitas é fundamentada em documentos
fiáveis, certos e finais devendo apresentar algum grau de certeza. Por exemplo em
relação a receitas novas e certas, ou seja aquelas que resultam da lei ou de contratos
celebrados, sejam de arrendamento, contratos-programa de cooperação técnica com a
Administração Central, ou fundos provenientes de programas operacionais ou fundos
estruturais no âmbito do FSE e FEDER, optar-se-á pela avaliação directa, dado que
estes projectos /programas estão previstos e assente em documentos suficientemente
fiáveis, certos e finais.

Estes dois métodos aplicam-se conforme a caracterização das receitas em:

− Receitas certas;

− Receitas de variação regular, ou seja, com algum nível de certeza;

− Receitas de variação irregular, ou seja, com elevado grau de variabilidade;

− Receitas novas.

2. Identificação de todas as despesas obrigatórias e respectiva cobertura orçamental :


São consideradas despesas obrigatórias:

− As dotações necessárias para o cumprimento das obrigações decorrentes da Lei: obrigações


fiscais, contribuições para a Caixa Geral de Aposentações;

− As dotações destinadas às remunerações certas e permanentes;

− As dotações para despesas que resultem de contratos de empreitadas, fornecimento de bens ou


de prestação de serviços em execução;

− As dotações destinadas aos pagamentos de encargos resultantes de sentenças de quaisquer


tribunais.

De referir que, se durante a execução orçamental se verificar insuficiência de dotações para pagamento
de despesas obrigatórias, dever-se-á promover, de imediato, as correspondentes rectificações ou
alterações orçamentais, prejudicando, se assim for, possíveis utilizações de dotações, dando-se
prioridade absoluta às despesas destinadas ao cumprimento das obrigações autárquicas.

3. Identificação de todas as receitas consignadas:


São despesas com receitas consignadas, todas aquelas que são suportadas por recursos financeiros
provenientes de contratos-programas ou programas comunitários, já contratualizados, e por isso cujas
contrapartidas foram contabilizadas para o efeito da obtenção das receitas orçamentais.

24
4. Identificação de novos projectos e actividades devidamente hierarquizadas:
Após a obtenção do montante das receitas previstas nos termos apresentados, e identificados os
compromissos a assumir como despesas obrigatórias, bem como as despesas com receitas consignadas
será possível determinar o montante de receitas a inscrever no orçamento, disponível para sustentar
despesas com novas acções, novos projectos ou alargamento de actividades, ou seja, o que poderemos
chamar “novos encargos”, resumidos na seguinte fórmula:

Total das receitas previstas



despesas obrigatórias

despesas com receitas consignadas
=
receitas disponíveis para novos encargos

O cálculo do valor das novas actividades ou das actividades que exigem continuidade deverá ser obtido
em obediência aos princípios de economia, eficácia e eficiência. Isto é calcular os encargos acções a
desenvolver segundo uma hierarquização de interesse público, numa lógica de prestar melhor serviço
com o menor custo.

Ter-se-á ainda de equacionar a hipótese de com os mesmos recursos obter mais e melhor resultados.
Isto pressupõe formas alternativas de resolver problemas e obter soluções. A esta forma de avaliar os
encargos chamamos avaliação directa das despesas. À forma simples de as obter pelos dados históricos
chamamos método incrementalista da elaboração do orçamento autárquico.

Documentos
Considerando o princípio da especificação, o qual obriga à discriminação de todas as receitas e despesas
previstas, o orçamento deverá ser constituído por duas peças distintas:

− O Orçamento da Receita com a descrição por classificação económica que se prevêem


arrecadar;

− Orçamento da Despesa, com a descrição das despesas por classificação económica e


facultativamente por orgânica (esta só se a dimensão da freguesia o justificar).

No ponto 7.2 do POCAL estão definidos os mapas de apresentação do orçamento os quais deverão ser
extensivos às freguesias:

− Mapa resumo das despesas e receitas;

− Mapa discriminativo de toda a despesa e receita.

25
A classificação económica a considerar, deverá respeitar o Decreto-Lei n º 26/2002, de 14 de Fevereiro, e
a sua adaptação às autarquias locais efectuada pelo SATAPOCAL.

(Designação da autarquia local) Ano


RESUMO
(Unidade: €uros3)
Receitas Montante Despesas Montante

Correntes........................... Correntes...........................
Capital............................... Capital................................

Total Total
Total Geral Total Geral

Órgão executivo Órgão deliberativo


Em ____de________de 20__ Em ___de ________ de 20__

Orçamento
(Designação da autarquia local) Ano
(Unidade: €uros3)
Receitas (a) Despesas (b)
Código Designação Montante Código Designação Montante
Receitas Correntes Despesas Correntes

Total das receitas correntes Total das despesas correntes


Receitas de Capital Despesas de Capital

Total das receitas de Capital Total das despesas de capital


Total Geral Total Geral
(a) Desagregar de acordo com a classificação económica das receitas
(b) Desagregar de acordo com a classificação económica das despesas e em conformidade com a classificação orgânica das
despesas caso esta seja adoptada pela Autarquia.

2.4. Modificações ao Orçamento e ao PPI


As modificações orçamentais são um instrumento que visa a adequação do Orçamento e do PPI a novas
necessidades, a novas acções ou actividades não previstas no Orçamento inicial ou em orçamentos já
modificados.

Uma modificação serve também para reajustar financeiramente acções ou actividades já existentes, com
dotações, no Orçamento e/ou PPI reforçando-as ou diminuindo-lhes o valor disponível da dotação,
aquela data, de modo a que as duas situações de sinal contrário se equilibrem financeiramente.

As modificações orçamentais podem ser de dois tipos:

− alterações orçamentais:

− revisões orçamentais.

A distinção entre alterações orçamentais e revisões orçamentais é fundamental face ao carácter


deliberativo de cada uma, as quais dependerão de órgãos distintos e por isso mesmo de diferente
influência quanto à sua eficácia prática e jurídica.

26
As alterações orçamentais dependerão exclusivamente da Junta de Freguesia e são aplicáveis quando
não exigem aumento da totalidade da receita, ou quando este aumento acontece derivado da afectação
directa e exclusiva de recursos financeiros consignados a obras já previstas ou não no Plano de
Investimentos ou outras acções já existentes ou não nas Grandes Opções do Plano. Trata-se da inclusão
das chamadas receitas consignadas a determinadas despesas, decorrendo a maior parte delas da
contratualização de protocolos entre a freguesia e o município ou com a Administração Central.

Quando se torna necessário incluir novas acções de investimento ou novas acções de carácter plurianual
tanto de carácter corrente como relacionadas com transferências de capital, então, ter-se-á que efectuar
uma revisão orçamental, se as mesmas não dependerem de receitas que lhe estão consignadas por
Contrato-Programa ou outros financiamento específicos para aqueles fins. Isto é, uma revisão pressupõe
uma nova alocação das dotações orçamentais existentes, redistribuindo-as por acções novas a inscrever
no PPI ou pela afectação às mesmas (novas ou existentes) do saldo da gerência transitado do ano
anterior.

Anota-se contudo que tanto de uma alteração como de uma revisão orçamental não poderão resultar
reforços ou acções já existentes ou novas provenientes da diminuição de acções com financiamento
consignado. A não realização de uma acção protocolada com fundos que lhe são consignados não liberta
dotações orçamentais.

A inclusão do Saldo Orçamental do ano anterior poderá, caso a autarquia o queira afectar a despesas já
existentes ou a novas despesas originar uma revisão orçamental. Poderá ainda, a proposta do executivo
propor que se integre o saldo, mas não distribui-lo por qualquer rubrica da despesa, o que lhe permitirá
garantir uma melhor execução da receita, e não agravar o deficit orçamental, com o correspondente
aumento da despesa. Neste caso, o orçamento fica superavit, com a receita superior à despesa, em
termos previsionais, mas não em termos de execução orçamental, embora isso possa acontecer, no caso
de uma execução da receita prevista a 100%

Qualquer que seja o tipo de modificação efectuada e nos procedimentos a adoptar, deverá sempre
considerar-se:

a) Documentação de suporte à modificação orçamental:

Esta questão coloca-se pela necessidade de se fundamentar todas as modificações orçamentais,


explicando-se quais as necessidades públicas que se propõem a realizar, onde e porquê se reflectem
estas modificações, e as novas origens de fundos, se as mesmas existirem, ou a razão da diminuição de
dotações de acções inicialmente previstas por um maior valor.

b) Manutenção dos princípios e regras orçamentais, nomeadamente equilíbrio orçamental corrente,


nomeadamente:

27
− Não considerar como contrapartida orçamental de reforços de outras acções, dotações cobertas
por receitas consignadas;

− Preservar, o equilíbrio orçamental corrente. Isto é, o total das despesas correntes não poderá ser
superiores ao total das receitas correntes.

− Manter as restrições das dotações orçamentais, não incrementando os créditos para a despesa
inicialmente previstas sem a necessária e fundamentada explicação, por avaliação directa do
novo encargo.

As modificações orçamentais podem ser de diversas formas:

1.1.Abertura de dotações de rubricas e/ou


1. Aumento global da despesa acções dotações inexistentes
1.2.Aumento de dotações existentes
2. Manutenção da despesa global com redistribuição de dotações
3. Diminuição ou anulação de receitas

1.1.Abertura de dotações de rubricas e/ou acções dotações inexistentes


Requisitos Características Procedimento

− Necessidade da realização de − Incorporação de receita − Alteração orçamental (ponto


despesas concretas legalmente consignada 8.3.1.5 do POCAL): Registos
− Manutenção do equilíbrio − Incorporação do saldo do utilizando os mapas 8.3.1.1 e
corrente (volume de receita exercício anterior 8.3.1.2
corrente maior ou igual ao − Incorporação de novas receitas − Revisão orçamental (ponto
volume de despesa corrente que a freguesia esteja 8.3.1.4 do POCAL): Registos
autorizada a arrecadar (por ex. utilizando os mapas 8.3.1.1) e
provenientes de mercados e 8.3.1.2
feiras antes não cobradas, etc.

28
1.2. Aumento de dotações existentes
Requisitos Características Procedimento

− Despesa inicialmente prevista − Incorporação de receita − Alteração orçamental (ponto


com dotação insuficiente legalmente consignada a 8.3.1.5 do POCAL) Registos
− Justificação da insuficiência de determinadas despesas utilizando os mapas 8.3.1.1 e
dotação − Incorporação do saldo do 8.3.1.2
− Antecipação de parte de exercício anterior − Revisão orçamental (ponto
acções plurianauais previstas − Incorporação de novas receitas 8.3.1.4 do POCAL): Registos
para anos posteriores que a freguesia esteja utilizando os mapas 8.3.1.1
autorizada a arrecadar (por ex. 8.3.1.2
provenientes de mercados e
feiras antes não cobradas, etc.,
− Incorporação de eventual
excesso de cobrança de
receita, relativamente à
totalidade de receitas previstas
e já arrecadadas

2. Manutenção da despesa global com a redistribuição de dotações

Requisitos Características Procedimento

− Dotações insuficientes − Transferência de dotações − Alteração orçamental (ponto


− Dotações inexistentes inter-rubricas orçamentais e ou 8.3.1.5 do POCAL): Registos
− Dotações em excesso, em inter-acções das GOP’s utilizando os mapas 8.3.1.1 e
montante igual ou superior aos − Abertura de novas rubricas 8.3.1.2
créditos insuficientes orçamentais e ou novas − Revisão orçamental (ponto
− Justificação da necessidade da acções 8.3.1.4 do POCAL): Registos
ampliação de dotações (ex: utilizando os mapas 8.3.1.1 e
fraca execução das acções 8.3.1.2
transferindo-se para o ano
seguinte despesas previstas
do ano N; não realização de
actividades previstas
inicialmente; diminuição dos
custos previstos no
orçamento….)
− Justificação da possibilidade
da diminuição de dotações
− Manutenção do Equilíbrio
Corrente

29
3. Diminuição ou anulação de receitas

Requisitos Características Procedimento

− Alterações negativas, − Diminuição do orçamento da − Revisão orçamental (ponto


substâncias aos contratos que receita 8.3.1.4 do POCAL):
vinculam as previsões − Diminuições às dotações Registos utilizando os
orçamentais orçamentais da despesa, ainda mapas 8.3.1.1 e 8.3.1.2
− Alterações negativas disponíveis, com diminuição ou
substanciais das deliberações anulação das mesmas
ou de lei que fundamentem o − Diminuição ou anulação de
cálculo das previsões dotações de acções do PPI
reajustando-as à diminuição
das receitas

8.3.1.1 – Receita
Alteração n.º
Revisão n.º.
(designação da entidade)
(Unidade: €uros3)
Classificação económica Receita

Modificações orçamentais
Código Descrição Previsões iniciais Previsões corrigidas Observações
Inscrições/ Diminuições/
reforços anulações
(1) (2) (3) (4) (5) (6)=(3)+(4)-(5) (7)

Total
3) Previsões iniciais – importâncias ao orçamento inicial;
6) Previsões corrigidas – valores finais relativos à previsão das receitas a cobrar, inclui o saldo da gerência anterior após a sua aprovação.

8.3.1.2 – Despesa
Alteração n.º
Revisão n.º.
(designação da entidade)
(Unidade: €uros3)
Classificação económica Despesa

Modificações orçamentais Reposições Observações


Dotações
Código Descrição Dotações iniciais abatidas aos
Inscrições/ Diminuições/ corrigidas
pagamentos
reforços anulações
(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7)=(3)+(4)-(5)+(6) (8)

Total
3) Previsões iniciais – importâncias ao orçamento inicial;
7) Dotações corrigidas – Importâncias correspondentes aos valores finais das despesas previstas no orçamento..

30
2.5. Modificações ao Plano Plurianual de Investimentos
O órgão executivo deliberará sobre as modificações ao financiamento, sempre que se torne necessário
por:
− Transferência de valor do financiamento não definido, para definido com a concretização das
receitas previstas, como não definidas;
− Diminuição de dotações de novas acções com incremento de outras;
− Decisão de não execução de acções que permite o reforço de outras ou mesmo a inclusão de
novas;
− Inclusão do saldo da gerência, como reforço de acções existentes ou inclusão de novas acções.

Por outro lado, sempre que se antecipe a realização de acções previstas para anos posteriores ou se
altere o custo total previsto para uma acção, as modificações incidem não só no financiamento do ano,
como ainda nos valores dos anos seguintes. Dado que na coluna das modificações não se consideram as
modificações dos anos seguintes, na coluna reportada a estas, constarão sempre, neste mapa, os
valores finais resultantes das modificações realizadas.

POCAL
8.3.2 – Modificações ao plano plurianual de investimentos
8.3.2.1 – As modificações do plano plurianual de investimentos consubstanciam-se em revisões e alterações.
8.3.2.2 – As revisões do plano plurianual de investimentos têm lugar sempre que se torne necessário incluir e ou
anular projectos nele considerados, implicando as adequadas modificações no orçamento, quando for o caso.
8.3.2.3 – A realização antecipada de acções previstas para anos posteriores ou a modificação do montante das
despesas de qualquer projecto constante do plano plurianual de investimentos aprovado devem ser precedidas de
uma alteração ao plano, sem prejuízo das adequadas modificações no orçamento, quando for o caso. Modificações
ao plano plurianual de investimentos

Alteração n.º
Revisão n.º.
(designação da entidade)
(Unidade: €uros3)
Despesas
Datas
2000 Modificação
Responsável
Objectivo

Código da Número do Designação do


Anos seguintes (+/-)
classificação projecto/ programa e Financiamento
económica acção projecto/acção Total
definido Financiamento não (f)=(d)-©
Início Fim definido
Outro

Dotação Dotação Dotação Dotação


2001
2002
2002

actual corrigida actual corrigida

31
Capítulo 3 – Execução do Orçamento
3.1.Execução Orçamental da Receita

3.1.1. Regras de execução orçamental da receita


O POCAL no ponto 2.3.4 define as seguintes regras de execução orçamental para a receita:

a) As receitas só podem ser liquidadas e arrecadadas se tiverem sido objecto de


inscrição orçamental adequada.

Esta regra aplica-se às situações em que a cobrança é precedida de uma liquidação sustentada num
fundamento legal. Isto é, aplica-se às situações de cobrança de taxas e tarifas às quais exigem prévia
aprovação pelo órgão deliberativo, em documentos próprios como sejam:

− Tabela de taxas;

− Preçários;

− Regulamentos de licenciamentos.

Assim, tecnicamente nada impede que a autarquia receba uma determinada receita cuja origem não está
especificada no orçamento da receita, desde que não se trate de produto de taxas ou tarifas.

Exemplo:

− Numa determinada autarquia, não estava prevista a receita proveniente de patrocínios de


empresas. Entretanto, uma determinada actividade é desenvolvida no âmbito de uma parceria
público-privada, de interesse público para o município e, pressupõe o apoio financeiro de
privados à acção em causa, pelo impacto social e económico da mesma para a localidade
(exemplo: exposição de produtos locais)

− Deverá ou não a freguesia receber os patrocínios?

− Em caso afirmativo como se registam contabilisticamente?


Resposta:
Não podendo inscrever esta receita numa rubrica especificamente adequada, sem a necessária revisão
orçamental, como por exemplo «Transferências Correntes – Sociedades e quase sociedades não
financeiras – Privadas», registá-la-á na rubrica «outras receitas correntes», a qual deverá ser sempre
considerada em qualquer orçamento de receita. O facto é que esta receita deverá ser sempre cobrada e
contabilizada e para tal deverá ser preenchida a respectiva guia de recebimento e conta corrente da
receita.

b) A cobrança de receitas pode no entanto ser efectuada para além dos valores inscritos no
orçamento.

A cobrança de receitas que excedem os valores inscritos no orçamento devem ser contabilizadas, e não poderão
ocasionar reforço orçamental salvo nas seguintes situações:

32
− Representarem excesso de cobrança em relação à totalidade das receitas previstas no orçamento, ou
seja, em situação de eventual excedente orçamental – situação de superavit (alínea b) do ponto 8.3.1.4 do
POCAL
8.3.1.4 – Na revisão do orçamento podem ser utilizadas as seguintes contrapartidas, para além das
referidas no número anterior:
-….
-O excesso de cobrança em relação à totalidade das receitas previstas no orçamento;
-….

− Se tratar de novas receitas legalmente consignadas a determinadas despesas, (ponto 8.3.1.3 do


POCAL
8.3.1.3 – O aumento global da despesa prevista dá sempre lugar a revisão do orçamento, salvo quando se
trata da aplicação de:
Receitas legalmente consignadas;
…….

c) As receitas liquidadas e não cobradas até 31 de Dezembro devem ser contabilizadas


pelas correspondentes rubricas do orçamento do ano em que a cobrança se efectuar

Este preceito estabelece a regra da anualidade aplicada à receita. Isto é, as receitas deverão ser
contabilizadas como origem de fundos, no ano económico em que são arrecadadas (cobradas). Assim,
todas as receitas liquidadas e não cobradas num determinado ano económico, deverão ser considerada,
em termos previsionais incluídas no orçamento do ano seguinte, ou seja naquele em que se prevê sejam
efectivamente arrecadadas.

3.1.2. Fases da arrecadação da receita


Os momentos distintos do processo de contabilização da receita são:

a) A liquidação ou reconhecimento do direito a favor da autarquia

b) a sua respectiva cobrança orçamentais,

a) Liquidação:

O momento da liquidação pode apresentar diferentes procedimentos em função da sua origem (impostos,
taxas, tarifas, outras transferências ou receitas provenientes de vendas de bens e serviços, entre outros),
implicando um reconhecimento diferenciado desse mesmo direito a receber.

O reconhecimento contabilístico de um direito a cobrar impõe o cumprimento em simultâneo dos


seguintes requisitos:

− Que se tenha produzido um facto que tenha dado origem ao nascimento de um direito a cobrar;

33
− Que o direito a cobrar tenha um valor certo e determinado;

− Que o devedor possa ser individualizado e determinado e lhe seja dado conhecimento
fundamentado do débito criado.

b) Cobrança

Com a cobrança extingue-se o direito da freguesia, sobre o terceiro, e é coincidente com a entrada de
fundo em tesouraria

O mapa seguinte associa o momento do reconhecimento do direito a receber, com a origem das
respectivas receitas orçamentais.

Momentos de reconhecimento da receita


Origem do direito a receber Momento do reconhecimento do direito a receber

Impostos indirectos, taxas, multas O reconhecimento do direito concretiza-se com o acto de liquidação o qual poderá
e outras penalidades ocorrer das três seguintes formas:
a) Com a emissão de notificação expressa ao sujeito passivo como consequência da
sua inclusão numa lista cobratória que se realiza de forma periódica e renovável,
através da emissão de um aviso/recibo dirigido a cada devedor. Esta notificação
assume um carácter colectivo mediante anúncios e editais que fixam prazos de
pagamento de acordo com o estabelecido em Regulamentos de liquidação e
cobrança de taxas e outras receitas tributárias.
b) Com a emissão directa e individualizada da guia de recebimento, resultante de
uma prévia notificação ao utente, devendo ajustar-se a respectiva cobrança aos
prazos legalmente estabelecidos no regulamento de liquidação e cobranças de taxas
e outras receitas municipais. Esta situação é a que ocorre com mais frequência;

Este grupo compreende receitas orçamentais, geralmente de carácter não tributário,


Vendas de bens e serviços que não precisam de prévia liquidação administrativa. O reconhecimento do direito
ocorre no momento em que se efectua a venda ou se efectiva a prestação de serviços.
Transferências do Orçamento de O registo destas receitas orçamentais ocorre após a confirmação do valor
Estado para a autarquia, a título de efectivamente transferido. A liquidação e a cobrança, na contabilidade da autarquia
comparticipação nos impostos do verificam-se em simultâneo, através de um documento único que será a guia de
Estado ( FFF). recebimento.
O reconhecimento do direito dá-se com o recebimento do valor do subsídio transferido
pela entidade financiadora. Pode-se, conhecendo-se o valor certo a receber,
Outras Transferências e Subsídios
sustentado em protocolo com prazos de recebimento, emitir notas de débito (notas de
liquidação)

34
3.1.3. Registos contabilísticos da Receita

A contabilização da receita envolve diferentes registos contabilísticos, e momentos distintos.


Movimentos contabilísticos da receita

Descrição Momentos Documentos de Suporte

Aprovação do orçamento da receita Mapas previsionais


Previsões iniciais
7.2- Orçamento

Descrição Momentos Documentos de Suporte

Aprovação dos reforços ou anulações de previsões Mapa 8.3.1.1 (modificações à


relativamente, que se sabe que não se vão executar receita)

Modificações às previsões
Inclusão do saldo da gerência anterior Mapa 8.3.1.1 (modificações à
receita) e Mapa de fluxos de caixa
da gerência anterior

Descrição Momentos Documentos de Suporte

Emissão da guia de recebimento Guia de recebimento (modelo SC


Reconhecimento e liquidação de 1) ou documento similar
direitos (factura/recibo; notificação para
pagamento...)

Descrição Momentos Documentos de Suporte

Guia de recebimento com


Recebimento ou cobrança de
Efectivação da cobrança confirmação do tesoureiro da
direitos
cobrança efectuada

3.1.4. Documentos de suporte ao registo da receita


Os documentos de suporte à execução da receita são a Guia de recebimento (SC-1) e a Conta corrente
da receita (SC-10):

Guia de recebimento (SC-1)

A Guia de Recebimento é o documento contabilístico, a emitir informaticamente, ou pré-impresso, que


serve de registo à receita e entrada de fundos por operações de tesouraria:

35
Guia de Recebimento
Designação da autarquia:
Morada Serv.
Emisso N.º da Guia Ano
r
Código Postal:
N.º Contribuinte: |__|__|__|__|__|__|__|__|__|

Data de
emissão

Exmo Sr.
Nome:
Morada:
Código Postal:
N.º Contribuinte:

Texto: Data limite


de
pagamento

Operações de
Código do POCAL Descrição da receita Tipo (b) Receita Orçamental
Tesouraria

Subtotal
Total sem IVA

Base Valor do Valor


Taxa
tributável IVA Total

Total a pagar com IVA

Montante por extenso:

Observações:

Meio de Pagamento:
Tipo: N.º: _______________
_______________________
Instituição bancária:
0 serviço emissor
______________ Data: ___/___/___
O Tesoureiro
Processada por computador
Válido como recibo após boa cobrança (c)
SC-1
(a) Ou factura /recibo, se for caso disso;
(b) Preenchimento com os seguintes símbolos:
- V, se se tratar de receita virtual;
- E, no caso se tratar de receita eventual;
(c) Desagregar a base tributável pelas diferentes taxas de IVA. Indicação quando aplicável do valor não sujeito e ou dos valores isentos de IVA.
(d) Quando se trate de factura recibo.

36
Notas adicionais:
− Deve constar, deste documento, para além da designação da autarquia, a morada e o seu
número de contribuinte;
− O código do POCAL, apresentado no documento, refere-se à classificação económica;
− Caso a guia de recebimento se refere à cobrança de taxas ou impostos indirectos, não há lugar
a liquidação de IVA, nos termos do n.º 2 do artigo 2º do código do IVA;
− Caso a guia de recebimento se refira a cobranças sujeitas IVA, tarifas e preços por prestações
de serviços a mesma deverá incluir os campos para o respectivo registo;
− Na descrição da receita, deve ser referido, o facto que lhe deu origem, e dever-se-á fazer
referência à alínea e artigo que deu origem à cobrança, se o valor que se pretende cobrar
constar da tabela de taxas e licenças, da autarquia.

Conta corrente de receita (SC-10)

A conta Corrente de Receita, destina-se ao registo das receitas liquidadas e cobradas e deverá ser
emitida informaticamente. Permite controlar cada rubrica orçamental da classificação económica das
receitas e fornecer a seguinte informação:

a) O volume de receitas arrecadadas até ao momento;

b) A diferença entre o valor da receita arrecadada e o valor actualizado da receita orçamentada;

c) O total das modificações efectuadas à receita, durante a execução orçamental;

37
Conta Corrente da Receita

Designação da autarquia: Ano N.º


Pag.

Designação da rubrica Montantes das Dotação


Dotação Inicial Código POCAL R/A +/-
alterações/revisões Orçamental

Receita em
Data Documento Saldo Folha de Caixa
numerário

N.º Tipo Inicial Acumulado Data N.º

A transportar
Total

Data de emissão: ___/___/___

Notas adicionais:
− A natureza da modificação será indicada por R ou A conforme se trate de Revisão ou de
Alteração.
− A “Dotação orçamental” será o valor actualizado da previsão constante na rubrica
orçamental em questão (previsão inicial +/- total das modificações efectuadas até ao
momento).
− No campo “Documento” indica-se o tipo e o nº de documento a registar.

Exemplo:
O Sr. José Silva foi à Junta tirar fotocópias autenticadas do seu bilhete de identidade bem como das suas
duas filhas.

No final o Presidente da Junta cobrou o valor fixado na “Tabela de Taxas e preços” aprovada pelo
executivo e publicada no Boletim da Freguesia por cada fotocópia autenticada, tendo a receber do senhor
José 15€ pelas três cópias e autenticações. Como prova de cobrança a junta tem de preencher uma Guia
de recebimento.

38
Guia de Recebimento
Designação da autarquia:
Morada: freguesia ………… Serv.
Emisso N.º da Guia Ano
r
Código Postal: …. 1 10 2008
N.º Contribuinte: |__|__|__|__|__|__|__|__|__|

Data de
emissão
29-09-2008
Exmo Sr.
Nome: Sr.José Silva
Morada: ……….
Código Postal:
N.º Contribuinte:
Texto: Serviço de cópia e autenticação de documentos Data limite
de
pagamento
imediato

Operações de
Código do POCAL Descrição da receita Tipo (b) Receita Orçamental
Tesouraria
07.02.09.99: Prestação de serviços-Outros- Cópias Eventual 15,00 3,00
e autenticação de documentos

Subtotal 15,00 3,00


Total sem IVA 15,00

Base Valor do Valor


Taxa
tributável IVA Total
15 20% 3,00 18,00

Total a pagar com IVA 18,00


Montante por extenso: Dezoito euros

Observações:

Meio de Pagamento:
Tipo: N.º: _______________
___________A tesouraria____________
Instituição bancária:
0 serviço emissor
______________ Data: ___/___/___
O Tesoureiro

3.2. Execução Orçamental da Despesa

3.2.1. Regras de execução orçamental da despesa


O POCAL no ponto 2.3.4.2 define um conjunto de regras de execução ao orçamento da despesa

39
As despesas só podem ser cativadas, assumidas, autorizadas e pagas se, para além de serem legais,
estiverem inscritas no orçamento e com dotação igual ou superior ao cabimento e ao compromisso,
respectivamente

Esta alínea estabelece a sequencialidade dos actos financeiros necessários à realização das despesas.
Estes deverão merecer especial atenção pois a omissão de qualquer um deles, poderá originar
responsabilidades sancionatórias (aplicação de multas, que têm como limite mínimo metade do seu
vencimento liquido mensal e limite máximo metade do vencimento liquido anual dos responsáveis)e até
reintegratórias (reposição das importâncias abrangidas pela infracção, incluindo os juros de mora). Esta
responsabilidade, só ocorre se acção for praticada com culpa por parte de todos os responsáveis pela
execução do orçamento da freguesia.

A expressão apresentada “para além de serem legais” significa que, relativamente às despesas a realizar,
o princípio da legalidade prevalece sobre o princípio da substância e da necessidade e utilidade pública.
A legalidade impõe não só o necessário enquadramento jurídico e habilitante do acto previamente
definido, sem interpretações para eventuais omissões e sem permitir aplicações analógicas.

As bases fundamentais da legalidade são o quadro de atribuições da autarquia, a delimitação das


competências dos seus órgãos e o normativo jurídico que regula a assumpção das despesas públicas
Estas disposições estão estabelecidas no Decreto-Lei n.º 18/2008, de 29 de Janeiro, o qual regulamenta
a realização das despesas e respectiva contratação relativa à locação e aquisição de bens e serviços, e o
regime jurídico das empreitadas de obras públicas.

O processo de realização de despesas envolve um conjunto de actos e procedimentos de natureza


administrativa financeira, objecto de tratamento contabilístico, e com a sequência que a seguir.

FASES ORÇAMENTAIS DA
FORMA DE DESENVOLVIMENTO DO PROCESSO DE DESPESA
DESPESA
Cativação Elaboração de uma proposta de despesa onde se justifica a sua
necessidade e utilidade e respectiva autorização. Cativação da dotação
orçamental necessária ou presumida de necessária para o ano económico
em exercício seguida de autorização expressa do órgão competente. Só
após estes dois momentos se poderá desencadear o processo aquisitivo.
Compromissada (assumida) Elaboração de uma proposta de adjudicação, após cumprimento dos
procedimentos legais de concurso nos termos dos normativos em vigor
Autorizado o pagamento Após a recepção da factura, a mesma é verificada e registada na conta
corrente das entidades. A ordem de pagamento é emitida e autorizada
após indicação da disponibilidade de tesouraria.
Pagamento Registo do pagamento com comprovativo do respectivo fluxo de caixa

40
As dotações orçamentais da despesa constituem o limite máximo a utilizar na sua realização

Este preceito traduz a característica fundamental do Orçamento como documento não só fundamental à
explicação da política da autarquia que lhe está subjacente, como documento autorizador da despesa.

Isto é, por muito significativa que socialmente se torne necessária a despesa pública, ela só poderá ser
assumida se houver dotação disponível para ser cabimentada, no orçamento em vigor. Claro que existe
um instrumento, a Alteração Orçamental que permite a realização de despesas para as quais não
estavam previstas inicialmente dotações financeiras através do seu respectivo reforço orçamental, obtido
pela diminuição de dotações de outras acções, que, ou não se realizaram ou se concretizarão em menor
escala.

As despesas a realizar com a compensação em receitas legalmente consignadas podem ser autorizadas até
à concorrência das importâncias arrecadadas

Esta alínea apresenta-se como uma restrição pois faz depender a realização da despesa da existência
simultânea de dotação orçamental e da cobrança efectiva das receitas que lhe estão consignadas,
representando uma condicionante desadequada à execução orçamental. De facto, as importâncias
arrecadadas relativas a receitas consignadas (empréstimos ou financiamentos externos, sejam eles da
administração central ou dos fundos comunitários) decorrem da formalização de pedidos de pagamento,
sustentados em comprovativos de despesa, os quais exigem previamente as necessárias autorizações
para a sua realização.

3.2.2. Fases de registo contabilístico da despesa


As fases de registo contabilístico de qualquer despesa são:

1 - Cabimento 2 - Compromisso 3 - Registo da 4 - Liquidação da 5 - Pagamento


(cativação da verba) (registo das Factura (obrigação) despesa
despesas (autorização de
assumidas) pagamento)

Cabimento
A fase do cabimento deverá preceder qualquer acto de vinculação externa da freguesia, e quem tem
competência para autorizar a despesa deverá fundamentar a sua decisão, não só numa informação dos
serviços (informação/proposta) que justifique a necessidade e pertinência dos encargos em causa, para a
persecução das atribuições da freguesia, como no prévio conhecimento e registo da existência de
dotação orçamental suficiente (princípio do equilíbrio), na rubrica económica adequada (classificador
económico da despesa).

As dotações orçamentais constituem por natureza económica, o limite máximo a utilizar na realização das
correspondentes despesas.

41
A cativação da verba significa que a despesa, a efectivar-se, cabe na dotação orçamental em rubrica
apropriada à sua tipologia económica

Se a despesa a cabimentar exceder a dotação inscrita na respectiva rubrica orçamental, ou a autarquia


desiste da referida aquisição ou recorre ao dispositivo legal de alteração ou revisão orçamental, para
providenciar a necessária dotação à assumpção da despesa.

Verificada a legalidade e o cabimento da despesa, é obtida a autorização do órgão competente,


procedendo de seguida, o respectivo serviço, às diligências necessárias para a sua realização.

Compromisso

Depois de definido o fornecedor de bens e serviços ou o empreiteiro da obra, bem como as respectivas
condições prestativas, a freguesia assumirá o compromisso de pagar, desde que, a outra parte cumpra
as condições que declarou aceitar. A assunção do compromisso efectuar-se-á através da requisição,
contrato ou outra forma similar que seja válida jurídica e fiscalmente, devendo a freguesia limitar, ao
máximo, os compromissos não reduzidos a escrito.

O registo do compromisso, exige a confirmação da verba cabimentada (cativação efectuada com base
em estimativa), procedendo-se, se necessário, ao reforço do cabimento ou à anulação dos valores
excedentários quando do concurso resulta uma proposta de adjudicação de valor inferior ao previsto. O
registo contabilístico do compromisso é efectuado, pelo valor exacto do montante a adjudicar reflectido
pelos anos durante os quais a adjudicação se concretizará. Se a aquisição em causa se prolongar por
mais que um ano económico (encargo plurianual), então ter-se-á que considerar, também, os
compromissos em anos futuros.

Obrigação

No momento de recepção da factura a mesma deverá ser validada com a verificação da realização da
correspondente prestação pelo técnico ou serviço responsável. Após a sua validação deverá ser
registada nas respectivas contas de correntes e no diário de despesa.

Autorização de Pagamento

No momento da liquidação ou autorização de pagamento deverá ser emitida a ordem de pagamento e


registada nas contas correntes e diário de despesa. A ordem de pagamento será autorizada pelo órgão
ou dirigente com competência para o efeito.

Pagamento

42
O pagamento implica a verificação das condições necessárias para a sua realização, nomeadamente
disponibilidade na tesouraria. O pagamento deverá ser registado no diário de tesouraria, conta corrente
da despesa e diário da despesa.

Cabimento
A Informação/Proposta será o documento de suporte ao cabimento, onde se traduz as necessidades
aquisitivas de um determinado serviço de uma autarquia, com vista a consecução dos seus objectivos, e
ao exercício das suas competências.

Compromisso

O compromisso terá por base a requisição, nota de encomenda, ou um contrato celebrado decorrente da
execução da Informação/Proposta.

Obrigação

A obrigação tem como documento de suporte a factura ou documento equivalente

Autorização de Pagamento

A Ordem de pagamento cujo modelo é apresentado no POCAL é o documento de suporte da fase da


autorização de pagamento.

43
Modelo Informação/proposta

Informação/ Proposta
Designação da autarquia:
N.º da
Ano
Informação

Data

Código das Grandes Opções do Plano


Informação de cabimento: (a)

Classificação económica: |__|__|__|__|__|__|__|__|__|


N.º de cabimento: |__|__|__|__|

__________________________ ___/___/___
O funcionário da Contabilidade

___________________________ ___/___/___
(Responsável pela Contabilidade)

Identificação do
bem ou serviço Natureza da aquisição: _________________________________________________Quantidade:
___________

Data prevista de inicio: ___/___/___ Data prevista para a execução: ___/___/___


Total do encargo previsível: Encargo previsível do ano:

Procedimento a Ajuste directo Concurso limitado por prévia qualificação


adoptar
Concurso público Por negociação com ou sem publicação prévia de anúncio

Com consulta prévia


Justificação:

Entidades a Convites às seguintes entidades:


consultar A:
B:
C:
D:
E:

Ou
Anexo à proposta:
- Programa de concurso e caderno de encargos
- Indicação do júri de concurso

__________________________________________
O técnico que elabora a informação/proposta

O órgão com competência para autorizar a despesa

(a) Em alternativa a esta informação, poderá ser apensa à informação/proposta uma folha de cabimento emitida
através do programa informático.

44
3.3. Operações de tesouraria
3.3.1. As retenções de Impostos e as cauções

As operações de Tesouraria são entradas ou saídas de dinheiro que não se repercutem na execução do
Orçamento da receita e da despesa. As principais operações de tesouraria são:
− as retenções efectuadas a favor do Estado, tais como IVA, IRS,… .São as verbas que a
autarquia retém nos pagamentos a terceiros, seus prestadores de bens e serviços, a
favor do Estado. Estas verbas representam impostos, taxas e outras obrigações dos
credores da autarquia perante o Estado;
− as cauções prestadas em dinheiro pelos empreiteiros. As cauções são verbas
depositadas na autarquia para garantia de uma boa prestação ou execução do serviço
por parte do fornecedor. Há ainda cauções que resultam do depósito prévio em
numerário, para garantir o cumprimento por parte do cidadão de regras exigidas para o
exercício de um direito atribuído através de um licenciamento com condições impostas. O
registo de uma caução em dinheiro exigirá contas bancárias próprias para depósito do
fundo e conta corrente de terceiros – (Fornecedores), onde se registará o débito da
autarquia para com os donos do fundo entregue. Assim, a partir daquele momento a
freguesia torna-se devedora perante o prestador da caução durante o período em que o
montante não for entregue, acrescido de juros bancários produzidos até à data. Caso
haja incumprimento do fornecedor procede-se ao accionamento da caução, sendo a
mesma transferida da conta de depósitos de caução para uma conta de depósitos à
ordem da autarquia e reconhecido aquele valor como receita orçamental

3.3.2. Reposições abatidas nos pagamentos


As reposições abatidas aos pagamentos são operações que se realizam durante a execução orçamental,
durante cada ano económico. No POCAL refere-se deste modo a esta tipologia de operação:
«Reposições abatidas aos pagamentos». – Nos termos da lei, as operações desta natureza abatem
aos pagamentos realizados, libertando as dotações correspondentes. Trata-se da situação que ocorre
com as entregas de fundos nos cofres da autarquia relativas a pagamentos, ocorridos no ano em
curso.
Se as reposições não têm qualquer efeito sobre as dotações da despesa, o que ocorre com as
reposições relativas a despesas pagas em exercícios anteriores, classificam-se como reposições não
abatidas aos pagamentos e vão acrescer ao valor das receitas, não dando lugar a movimentos nesta
conta.

Assim, quando durante o exercício se verificarem reposições de pagamentos indevidamente efectuados,


duas situações e consequentes registos se poderão verificar:

45
a)O pagamento foi efectuado neste exercício e a reposição é também realizada neste exercício
− Anulação de uma despesa e considerada uma operação extra-orçamental. Estas
movimentações serão sustentadas com o preenchimento da Guia de Reposições
Abatidas aos Pagamentos

b) O pagamento foi efectuado em exercício(s) anteriore(s) e a reposição é realizada neste exercício


− Receita do exercício (a considerar na elaboração do Orçamento da Receita)

Guia de reposições abatidas nos pagamentos

Designação da autarquia: Serv. N.º da Ano


Emissor Guia
Morada
Código - Postal: -
N.º Contribuinte: |__|__|__|__|__|__|__|__|__| Data

Exmo Sr.
Nome:
Morada:
Código Postal: -
Código da entidade: |__|__|__|__|__|__|
N.º de contribuinte: |__|__|__|__|__|__|__|__|__|
Classificação Ordem de pagamento Montante a repor
N.º do Recibo
económica N.º Data Ilíquido Descontos Líquido

Total

Montante da Guia de Reposições por extenso:

_______________________________ ______________________________
O Responsável do serviço emissor O Tesoureiro

Notas:
− É o documento de registo das importâncias repostas no mesmo ano financeiro relativas a
pagamentos que, em todo ou em parte tenham sido indevidamente efectuados;
− A numeração das guias é sequencial, podendo coincidir nos vários serviços emissores
(caso existam). Neste caso a distinção será feita através do código do serviço emissor;
− A classificação económica, refere-se à classificação económica definido no Decreto-Lei
nº 26/2001, de 14 de Fevereiro para as Reposições Abatidas nos pagamentos (17.03.00);
− Neste documento, identificar-se-á o número e a data da ordem de pagamento pela qual a
referida despesa foi anteriormente paga. No campo “nº de recibo”, inscreve-se o número

46
do recibo que justificou o pagamento da despesa em relação à qual se procede à
reposição.

3.3.3. Classificador Económico


O classificador económico, aprovado pelo Decreto-Lei nº 26/2002 de 14 de Fevereiro cria contas próprias
para o registo de entradas e saídas de fundos extra- orçamentais
Entrada de Fundos:
17.00.00 – Operações Extraorçamentais

17.00.00 - «Operações extra orçamentais». - Neste agrupamento englobam-se as


operações que não são consideradas receita orçamental, mas com expressão na
tesouraria.

Este capítulo desagrega-se em quatro grupos, que a seguir se apresentam:

17.01.00 - «Operações de tesouraria – Retenção de receitas do Estado»;


17.02.00 - «Outras operações de tesouraria»;
17.03.00 - «Reposições abatidas nos pagamentos»;
17.04.00 - «Contas de ordem».

Destes quatro grupos apenas os três primeiros 17.01, 17.02 e 17.03, se aplicam às autarquias locais. A
outra rubrica 17.04 aplica-se exclusivamente as instituições com autonomia financeira pertencentes à
Administração Central.
17.01.00 – Operações de Tesouraria – Retenção de Receitas do Estado

Engloba os montantes provenientes de impostos, contribuições e outros que tenham ficado


por entregar nos cofres públicos, como, por exemplo, o IRS, o imposto do selo, a ADSE,
etc.

17.02.00 – Outras Operações de Tesouraria

Incluem-se os montantes provenientes de retenção de fundos alheios que deverão


constituir posteriormente fluxos de entrega às entidades a quem respeitam, como, por
exemplo, os descontos em vencimentos que não sejam receitas do Estado, as cauções e
garantias de fornecedores, as quotas de sindicatos, emolumentos, etc.

17.03.00 – Reposições abatidas nos pagamentos

Abrange as receitas resultantes das entradas de fundos na tesouraria em resultado de pagamentos


orçamentais indevidos.

Na óptica de saída de fundos

12.00.00 - «Operações extra-orçamentais».

47
Neste agrupamento englobam-se as operações que não são consideradas despesa orçamental mas com
expressão na tesouraria

Este agrupamento divide-se em três sub agrupamentos :


12.01.00 - Operações de tesouraria – entrega de receitas do Estado

Incluem-se os montantes provenientes de impostos, contribuições e outros, que tenham ficado por
entregar nos cofres do públicos, como por exemplo o IRS, o imposto de selo, a ADSE, etc.

12.02.00 - Outras Operações de tesouraria

Incluem-se os montantes relativos a fundos alheios, entregues às entidades competentes e que


constituem fluxos de caixa relativos a descontos em vencimentos, que não sejam receitas do Estado,
a cauções e garantias de fornecedores, a quotas de sindicatos, a emolumentos, etc.

12.03.00 - Conta de ordem

Destes três sub agrupamentos apenas dois se aplicam as autarquias locais dado que o sub agrupamento
12.03.00 - «Contas de ordem» se aplica exclusivamente as instituições com autonomia financeira
pertencentes à Administração Central.

3.3.4. Movimentos contabilísticos com Operações de Tesouraria


Os movimentos contabilísticos das situações relacionadas com operações de tesouraria são os
seguintes:
1) Cobrança para terceiros:
1) Quando se processam vencimentos há lugar à retenção do IRS dos funcionários. Assim,
aquando do pagamento aos funcionários dever-se-á reter o imposto e para tal preencher uma
guia de recebimento com o montante do valor retido (classificada na rubrica 17.01.00): e reflectir
este facto na conta-corrente da receita;
2) Na data de entrega do imposto retido ao Estado dever-se-á preencher uma ordem de pagamento
(classificada no sub agrupamento 12.01.00) com o movimento associado à saída do banco, pelo
que é registado na conta corrente com instituições de crédito;
3) O movimento, quer na entrada de fundo extra orçamental, quer da saída de fundos extra
orçamental deverá ser simultaneamente registado na conta corrente de operações de tesouraria;
4) A conta corrente de operações de tesouraria deverá estar reflectida no Mapa de Operações de
Tesouraria a apresentar em sede de prestação de contas.

2) Cauções em dinheiro e devolução ao fornecedor da mesma:


1) Quando um fornecedor presta uma caução em dinheiro (classificada na rubrica 17.02.00) deve a
freguesia depositar o valor entregue e para tal preencher uma guia de recebimento e em

48
simultâneo registar na conta corrente com instituições de crédito (o valor do depósito. De
referir que deve ser aberta uma conta bancária específica para depósitos de caução e por
fornecedor;
2) Na data de devolução da caução, dado que o fornecedor cumpriu com as obrigações
contratuais, dever-se-à emitir uma ordem de pagamento (classificada no sub agrupamento
12.02.00) com o movimento associado à saída do banco, pelo que registado na conta corrente
com instituições de crédito;
3) O movimento quer na entrada da receita extra orçamental, quer da saída da despesa extra
orçamental deverá ser simultaneamente registado na conta corrente de operações de
tesouraria montante retido e devolvido;
4) A conta corrente de operações de tesouraria deverá está reflectida no Mapa de Operações de
Tesouraria.

3) Cauções em dinheiro e não devolução ao fornecedor por incumprimento contratual:


1) Quando um fornecedor presta uma caução em dinheiro deve a freguesia depositar o valor
entregue e para tal preencher uma guia de recebimento (classificada na rubrica 17.02.00) e em
simultâneo registar na conta corrente com instituições de crédito o valor do depósito. De
referir que deve ser aberta uma conta específica no banco para depósitos de caução e por
fornecedor;
2) Caso o fornecedor não cumpra com as obrigações contratuais, deverá a freguesia accionar a
caução, isto é transformar a operação não orçamental (OT) em operação orçamental,
reconhecendo a receita como receita orçamental. A receita orçamental deverá ser classificada
na rubrica 13.01.99 – «Outras receitas de capital- Outras»;
3) Assim, deverá preencher a guia de recebimento e transferir da conta de banco depósitos de
caução para bancos conta corrente. O movimento associado a bancos deverá ser registado
nas contas correntes com instituições de crédito envolvidas. Deverá também ser
movimentada a conta corrente da receita, dado o valor da caução ser reconhecido como tal;
4) O movimento deverá ser simultaneamente registado na conta corrente de operações de
tesouraria pela entrada e pela saída o montante retido;
5) A conta corrente de operações de tesouraria deverá estar reflectida no Mapa de Operações
de Tesouraria.

49
Capítulo 4 - O Sistema de Controlo Interno no POCAL

4.1. Introdução

A aprovação de um Sistema de Controlo Interno (SCI), definido nas condições apresentadas nos pontos
2.9.1 é de carácter obrigatório e tem por base as leis e regulamentos vigentes, de modo a garantir a
fiabilidade das informações produzidas e a realização e optimização das operações, necessárias à
execução da missão da cada serviço ou função.

O Sistema de Controlo Interno a adoptar pelas autarquias locais engloba (nos termos do POCAL),
designadamente: o plano de organização; políticas; métodos e procedimentos de controlo, bem como
todos os outros métodos e procedimentos definidos pelos responsáveis autárquicos que contribuam para
assegurar o desenvolvimento das actividades de forma ordenada e eficiente, incluindo: a salvaguarda dos
activos; a prevenção e detecção de situações de ilegalidade; as fraudes e erros; a exactidão e a
integridade dos registos contabilísticos e a preparação oportuna de informação financeira fiável. Ponto
2.9.1do POCAL

Para uma eficaz implementação do Sistema de Controlo Interno, cuja decisão compete à Junta de
Freguesia, dever-se-á considerar como fundamental a elaboração de uma Norma de Controlo Interno; o
Regulamento de Inventário, Manual de Procedimentos Contabilísticos e um conjunto de Regulamentos
Procedimentais que determinem a forma e sequência dos actos administrativos realizados na missão da
cada serviço.
A Junta de Freguesia deve:
− Aprovar o Sistema de Controlo Interno;
− Assegurar o seu funcionamento;
− Assegurar o acompanhamento e a avaliação do sistema;
− Estabelecer, em conjunto com o órgão deliberativo (Assembleia de Freguesia),
procedimentos de controlo específicos.
O Sistema de Controlo Interno, deverá integrar:
− Norma de Controlo Interno;
− Regulamento de Inventário;
− Manual de Procedimentos Contabilísticos;
− Outros regulamentos da actividade autárquica.

50
4.2. Elementos do Sistema de Controlo Interno

4.2.1. A Norma de Controlo Interno


A Norma de Controlo Interno (NCI) a elaborar por cada autarquia, deverá adequar-se à respectiva
estrutura organizativa e atender aos serviços existentes. Reflectirá e ajustar-se-á às competências e
atribuições, conforme o arrolamento das funções apresentadas em sede das correspondentes micro-
estruturas, bem como as respectivas responsabilidades funcionais.
A Norma de Controlo Interno é aprovada pelo executivo conforme estipulado na Lei n.º 5-A/2001, de 11
de Janeiro, e ponto 2.9.3 do POCAL.

Presidente da Junta de
Freguesia

Remete NCI e alterações ao TC e Submete a NCI à aprovação da


IGAT Junta

Ponto 2.9.9 do POCAL Artigo 38º nº 1 alínea l) da Lei 5-A/2002,


de 11 de Janeiro

Junta de freguesia

Elabora e aprova a NCI

Artigo 34º nº 2 alínea d) da Lei


5-A/2002 de 11 de Janeiro

Os órgãos executivos das autarquias locais cujas contas são enviadas a julgamento do Tribunal de
Contas remetem à Inspecção-Geral de Finanças e à Inspecção-Geral da Administração do Território
cópia da norma de controlo interno, bem como todas as suas alterações, no prazo de 30 dias após a sua
aprovação
O órgão executivo aprova e mantém em funcionamento o Sistema de Controlo Interno adequado às
actividades da Autarquia, assegurando o seu acompanhamento e avaliação permanente.
A Norma de Controlo Interno deverá conter os seguintes elementos:
1. Instruções relativas aos procedimentos de gestão financeira;
2. Métodos de controlo:

51
− Definição das funções de controlo;
− Identificação das responsabilidades funcionais;
− Circuitos documentais e definição dos correspondentes pontos ou verificação de controlo.

Determina ainda o POCAL que os órgãos executivos das Autarquias locais cujas contas são enviadas a
julgamento do Tribunal de Contas remetem à Inspecção Geral de Finanças (IGF) e à Inspecção Geral da
Administração do Território (IGAT) cópia da Norma de Controlo Interno, bem como todas as suas
alterações, no prazo de 30 dias após a sua aprovação 2.99 do POCAL.
Os objectivos fundamentais da Norma de Controlo Interno (NCI), poder-se-ão condensar no seguinte
esquema:

Imagem fiel das


Demonstrações
Financeiras
Eficácia da gestão
Registo metódico
e qualidade da
dos factos
informação

Execução dos
Definição de planos e políticas
autoridade e de superiormente
responsabilidade definidas

Objectivos
da NCI Integralidade e
exactidão dos
Controlo das registos
operações contabilísticos

Segregação de
funções Salvaguarda dos
activos

Legalidade e a Registo e
regularidade das actualização do
operações Imobilizado

52
A segregação de funções evita a atribuição à mesma pessoa de duas ou mais funções concomitantes,
impedindo ou dificultando a prática de erros ou irregularidades, e ainda a sua dissimulação.
Exemplificando, a mesma pessoa não pode ter simultaneamente a responsabilidade pelo controlo físico
dos activos e pelo seu registo contabilístico.
O Princípio da Segregação de Funções implica a diferenciação das operações de execução orçamental e
a sua realização por funcionários distintos e ou serviços.
Exemplos de segregação de funções:
− Tesouraria versus contabilidade - o tesoureiro nunca poderá ter funções na área da
contabilidade;
− Depósitos versus reconciliações bancárias – o funcionário que tem a responsabilidade
dos registos contabilísticos da receita não deverá conferir nem realizar as reconciliações
bancárias;
− Manuseamento das existências em armazém versus registo dos bens – o funcionário que
manuseia as requisições e recepciona as matérias e bens não poderá ser o responsável
pelo registo e inventário físico das mesma.

4.2.2. Regulamento de Inventário


O Sistema de Controlo Interno deve ter em conta a necessidade de se estabelecerem métodos e
procedimentos conducentes, à permanente actualização do Inventário dos Bens Móveis, Imóveis e
Veículos, daí a inclusão do Regulamento de Inventário.

4.2.3. Manual de Procedimentos Contabilísticos


O Manual de Procedimentos Contabilísticos deve fazer referência às instruções relativas aos
procedimentos contabilísticos, com definição dos circuitos obrigatórios dos documentos e enumeração de
modelos de documentos contabilísticos.

4.2.4. Conjunto de Regulamentos das diversas actividades autárquicas


Trata-se da necessidade de se proceder à elaboração de regulamentos específicos para as diferentes
áreas de intervenção autárquica, no âmbito, ainda que restrito, das freguesias. Não deve haver qualquer
área de intervenção autárquica sem um regulamento que estabeleça as regras, circuitos, procedimentos,
responsabilidades, prazos de execução e sanções a aplicar quando as mesmas não forem cumpridas.
São exemplo o Regulamentos de Taxas e Licenças, Regulamento de Feiras e Mercado e Regulamento
dos Cemitérios, etc…
Estes regulamentos são estabelecidos para proporcionar a segurança necessária ao cumprimento das
atribuições cometidas às freguesias. Devem abranger o maior número possível de actividades da
Autarquia e consagrarem os objectivos apontados no ponto 2.9.2 do POCAL.

53
4.3. Os métodos e procedimentos de controlo

Tendo em conta que na definição dos objectivos do SCI, os métodos e procedimentos estabelecidos no
ponto 2.9.10 do POCAL são os mínimos aos quais deverá obedecer a Norma de Controlo Interno a
aprovar pela autarquia, nesta sessão fazer-se-à uma referência a cada uma delas através de Tópicos
Específicos a desenvolver de seguida.
Os métodos e procedimentos de controlo devem visar os seguintes objectivos:
a) A salvaguarda da legalidade e regularidade no que respeita à elaboração, execução e
modificação dos documentos previsionais, à elaboração das demonstrações financeiras
e ao sistema contabilístico;
b) O cumprimento das deliberações dos órgãos e decisões dos respectivos titulares;
c) A salvaguarda do património;
d) A aprovação e controlo de documentos;
e) A exactidão e integridade dos registos contabilísticos, bem como, a garantia da
fiabilidade da informação produzida;
f) O incremento da eficiência das operações;
g) A adequada utilização dos fundos e o cumprimento dos limites legais na assunção de
encargos;
h) O controlo das aplicações e do ambiente informáticos;
i) A transparência e a concorrência no âmbito dos mercados públicos;
j) O registo oportuno das operações pela quantia correcta, nos documentos e livros
apropriados e no período contabilístico a que respeitam, de acordo com as decisões de
gestão e no respeito das normas legais. Ponto 2.9.2.

Anota-se que estes métodos e procedimentos apresentados, bem como os objectivos que os
determinaram (2.9.2 do POCAL), conduzem à elaboração de um normativo de carácter operacional
essencialmente destinado à verificação, acompanhamento e avaliação dos métodos e procedimentos
desenvolvidos pela contabilidade
Porque a Norma de Controlo Interno deve ser um instrumento regulador de todos os procedimentos
desenvolvidos pela contabilidade deverá, conter regras definidoras para todas as áreas de intervenção
contabilística.

4.3.1 Disponibilidades
As disponibilidades (sobretudo a nível dos meios monetários) são um dos meios financeiros mais
vulneráveis e objecto de utilização não apropriada por parte das pessoas que, a qualquer nível, trabalhem
na freguesia. Por tal vulnerabilidade é mais que perceptível a importância de um Sistema de Controlo
Interno, para de certa forma permitir um maior controlo sobre as mesmas. No âmbito das disponibilidades
é ainda muito importante a segregação de funções, que estabelece que as diferentes funções não sejam

54
realizadas apenas por uma única pessoa (nas freguesias de menor dimensão, que contem apenas com
os eleitos locais, há maior dificuldade no cumprimento destes procedimentos).

A NCI deve definir:


− O montante máximo de numerário em caixa;
− A constituição e regularização de um fundo de maneio e definição das despesas a pagar
pelo fundo e do seu limite
− Como e quando é efectuada a entrega das importâncias recebidas pelos cobradores
distintos do tesoureiro;
− Qual a periodicidade da contagem física do numerário e quais os documentos sob a
responsabilidade do tesoureiro;
− Como é efectuada a abertura de contas bancárias, (Lei: tituladas pelas autarquias,
sujeitas a deliberação do órgão executivo, e movimentadas simultaneamente pelo
tesoureiro e presidente da Junta);
− A guarda dos cheques por emitir;
− O depósito dos recebimentos (Lei: depósito diário e integral dos recebimentos);
− Quem é o responsável e qual a periodicidade da elaboração das reconciliações bancárias
(por exemplo: estas devem ser realizadas por funcionário não afecto à tesouraria e
mensalmente).

Exemplo de procedimentos de auto-controlo a adoptar relativamente à emissão de cheques:


− A emissão destes deverá estar a cargo de um funcionário responsável;
− Devem ser emitidos nominativamente e cruzados;
− Devem ser assinados por duas pessoas (com funções independentes);
− Devem apenas ser emitidos na presença de documentos justificativos;
− Qualquer cheque anulado deve ser arquivado depois de lhe inutilizarem as assinaturas;
− Deverá ser alvo de aposição de carimbo ou indicação da validade do cheque (por ex.
“Válido por 6 meses).

O que o POCAL exige, para as freguesias, como métodos e procedimentos, nesta matéria:
2.9.10.1.1 – A importância em numerário existente em caixa não ultrapasse o montante adequado às necessidades
diárias da Autarquia, sendo este montante definido pelo órgão executivo;
2.9.10.1.2 – A abertura de contas bancárias é sujeita a prévia deliberação do órgão executivo, devendo as mesmas
ser tituladas pela Autarquia e movimentadas simultaneamente pelo tesoureiro e pelo presidente do órgão executivo
ou por outro membro deste órgão em quem ele delegue;
2.9.10.1.3 – Os cheques não preenchidos estão à guarda do responsável designado para o efeito, bem como os
que já emitidos tenham sido anulados, inutilizando-se neste caso as assinaturas, quando as houver, e arquivando-
se sequencialmente;

55
2.9.10.1.4 – A entrega dos montantes das receitas cobradas por entidades diversas do tesoureiro seja feita
diariamente, utilizando para o efeito os meios definidos pelo órgão executivo;
2.9.10.1.5 – As reconciliações bancárias se fazem mensalmente e são confrontadas com os registos da
contabilidade, pelo responsável designado para o efeito, que não se encontre afecto à tesouraria nem tenha
acesso às respectivas contas correntes;
2.9.10.1.6 – Quando se verifiquem diferenças nas reconciliações bancárias, estas são averiguadas e prontamente
regularizadas, se tal se justificar;
2.9.10.1.7 – Findo o período de validade dos cheques em trânsito, se procede ao respectivo cancelamento junto da
instituição bancária, efectuando-se os necessários registos contabilísticos de regularização;
2.9.10.1.9 – O estado de responsabilidade do tesoureiro pelos fundos, montantes e documentos entregues à sua
guarda é verificado, na presença daquele ou seu substituto, através de contagem física do numerário e
documentos sob a sua responsabilidade, a realizar pelos responsáveis designados para o efeito, nas seguintes
situações:
a) Trimestralmente e sem prévio aviso;
b) No encerramento das contas de cada exercício económico;
c) No final e no início do mandato do órgão executivo eleito ou do órgão que o substituiu, no caso de
aquele ter sido dissolvido;
d) Quando for substituído o tesoureiro;
2.9.10.1.10 – São lavrados termos da contagem dos montantes sob a responsabilidade do tesoureiro, assinados
pelos seus intervenientes e, obrigatoriamente, pelo presidente do órgão executivo, pelo dirigente para o efeito
designado e pelo tesoureiro, nos casos referidos na alínea c) do número anterior, e ainda pelo tesoureiro cessante,
nos casos referidos na alínea d) do mesmo número;
2.9.10.1.11 – Para efeitos de controlo dos fundos de maneio o órgão executivo deve aprovar um regulamento que
estabeleça a sua constituição e regularização, devendo definir a natureza da despesa a pagar pelo fundo, bem
como o seu limite máximo, e ainda:
a) A afectação, segundo a sua natureza, das correspondentes rubricas da classificação económica;
b) A sua reconstituição mensal contra a entrega dos documentos justificativos das despesas;
c) A sua reposição até 31 de Dezembro;
2.9.10.1.13 – O tesoureiro responde directamente perante o órgão executivo pelo conjunto das importâncias que
lhe são confiadas e os outros funcionários e agentes em serviço na tesouraria respondem perante o respectivo
tesoureiro pelos seus actos e omissões que se traduzam em situações de alcance, qualquer que seja a sua
natureza, para o que o tesoureiro deve estabelecer um sistema de apuramento diário de contas relativo a cada
caixa, segundo o que se encontre em vigor nas tesourarias da Fazenda Pública, com as necessárias adaptações;
2.9.10.1.14 – A responsabilidade por situações de alcance não são imputáveis ao tesoureiro estranho aos factos
que as originaram ou mantêm, excepto se, no desempenho das suas funções de gestão, controlo e apuramento
de importâncias, houver procedido com culpa;
2.9.10.1.16 – Sempre que, no âmbito das acções inspectivas, se realize a contagem dos montantes sob
responsabilidade do tesoureiro, o presidente do órgão executivo, mediante requisição do inspector ou do inquiridor,
deve dar instruções às instituições de crédito para que forneçam directamente àquele todos os elementos de que
necessite para o exercício das suas funções.

56
Um dos instrumentos de verificação das regras da NCI na área das disponibilidades como meio de
prevenção ao não cumprimento dessas mesmas regras, se necessário, será a implementação de um
questionário (check-list), com periodicidade anual, para a avaliação das regras estabelecidas. Este
procedimento é também uma forma da autarquia se preparar para as eventuais auditorias externas e
melhorar o seu desempenho. Assim, apresenta-se uma proposta de check-list a usar para este fim.

Questionário para avaliação do Controlo Interno (Área/sector: Disponibilidades)


Não
Descrição dos procedimentos contabilísticos e/ou medidas de controlo interno Sim Não Observações
Aplicável
1. Está definido pelo executivo o montante máximo de numerário existente em caixa?
2. Qual o seu valor?
3. Identificação de todas as contas bancárias por onde se movimentam recebimentos e pagamentos da autarquia:


4. Relação das datas de deliberação do órgão executivo para a abertura de cada conta supramencionada.
5. Há alguma conta movimentada na tesouraria não titulada pela Autarquia? Se sim qual:
6. Os pagamentos são concretizados com base em ordens de pagamento devidamente autorizadas?
7. Confere-se diariamente o total das ordens de pagamentos com os pagamentos efectuados?
8. Os cheques são assinados por duas pessoas e na presença dos respectivos documentos de suporte previamente
conferidos?
9. É conferido pelo responsável da contabilidade o NIB registado na ficha do credor com base em informação emitida
pela própria da entidade?
10. Está protegido em termos informáticos com código de permissão o campo relativo ao registo do NIB na ficha da
entidade credora?
11. Existe responsável designado para o controlo dos cheques não preenchidos ou cheques emitidos e anulados?
12. São inutilizadas as assinaturas de cheques anulados?
13. Procede-se a reconciliação bancária mensal?
14. As reconciliações bancárias são feitas por algum funcionário que manuseia numerário ou cheque?
15. Procede-se ao cancelamento de cheques em trânsito findo o seu período de validade?
16. Os itens que aparecem nas reconciliações bancárias, por um período de tempo anormal, são objecto de adequada
investigação?
17. Os valores recebidos são diários e integralmente depositados nos bancos?
18. Confere-se diariamente o total dos valores recebidos com o somatório dos recibos emitidos?
19. Há controlo específico sobre os cheques devolvidos pelo banco?
20. Em que momento se procede à contagem física do numerário e documentos que estão sob a responsabilidade do
tesoureiro?
21. Existem responsáveis pela contagem física das disponibilidades à guarda do tesoureiro?
22. Existe regulamento para a constituição e regularização dos fundos de maneio?
23. Qual o órgão que aprovou o regulamento dos fundos de maneio?
24. Qual é o limite máximo do fundo de maneio?
25. Existem fundos de maneio sem reposição até 31 de Dezembro?
26. Existem mapas de controlo das contas bancárias afectas a empréstimos de curto e médio prazo?
27. Procede-se à verificação de cálculo dos juros líquidos pelas entidades de crédito, resultantes de créditos obtidos?
28. Existe mapa de controlo, na tesouraria, relativo a prazos de pagamento relacionadas com:
• encargos de dívida de curto prazo?
• locação financeira?
• obrigações fiscais?
• segurança social?
• outras situações com débitos em conta?
29. Existe mapa de controlo”, na contabilidade, relativo a prazos de pagamento com:
• encargos de dívida?
• outros encargos com fornecedores?
• obrigações fiscais?
• obrigações com a Segurança Social?
30. São objecto de imediata investigação todas as receitas identificadas nos extractos de conta bancária para os quais
não existe a respectiva guia de recebimento?
31. Qual o prazo médio para a identificação das diferenças verificadas entre os depósitos bancários e as guias de
recebimento?
32. É confrontado diariamente o montante de pagamento e de recebimento registado na tesouraria com a respectiva
receita e despesa registada na contabilidade?
33. Existe mapa previsional de tesouraria?

57
4.3.2 Terceiros

Embora subordinado ao Plano Plurianual de Investimentos e ao Plano de Actividades, o controlo da


actividade da autarquia, nesta área de relevante interesse financeiro, é necessário para salvaguardar o
bom funcionamento da autarquia, conforme condicionalismos impostos no ponto 2.9.10.2 do POCAL.
2.9.10.2.1 – As compras são feitas pelos responsáveis do sector designado para a realização de compras, com
base em requisição externa ou contrato, após verificação do cumprimento das normas legais aplicáveis,
nomeadamente, em matéria de assunção de compromissos, de concurso e de contratos;
2.9.10.2.2 – A entrega de bens é feita no sector designado para o efeito, obrigatoriamente distinto do sector
referido na alínea anterior, onde se procede à conferência física, qualitativa e quantitativa, e se confronta com a
respectiva guia de remessa, onde é aposto um carimbo de “Conferido” e “Recebido”, se for o caso;
2.9.10.2.3 – Periodicamente, o funcionário para tal designado faz a reconciliação entre os extractos de conta
corrente dos clientes e dos fornecedores com as respectivas contas da Autarquia local;
2.9.10.2.4 – Na contabilidade são conferidas as facturas com a guia de remessa e a requisição externa, após o
que são emitidas as ordens de pagamento e enviadas cópias dos documentos ao sector responsável pelo
aprovisionamento;
2.9.10.2.5 – Caso existam facturas recebidas com mais de uma via, é aposto nas cópias, de forma clara e evidente,
um carimbo de “Duplicado”;
2.9.10.2.6 – Se efectuem reconciliações na conta de devedores e credores;
2.9.10.2.7 – Se efectuem reconciliações nas contas de empréstimos bancários com instituições de crédito e se
controlem os cálculos dos juros;
2.9.10.2.8 – Se efectuem reconciliações nas contas “Estado e outros entes públicos”

Reveste-se de grande importância o seu cumprimento pelo impacto organizativo que as mesmas impõem à
Freguesia. Uma mais eficiente resposta a estes itens exige que se repense a organização da informação
relacionada com os processos aquisitivos.

A NCI deve definir:


− No que respeita às aquisições:
• Por quem são feitas; quem preenche e assina a requisição externa ou nota de
encomenda;
• Onde devem ser entregues os bens e quem efectua a conferência física com a guia de
remessa e recepção qualitativa (deve ser pessoa diferente de quem encomenda);
− No que respeita à contabilidade: quem confere a factura do fornecedor com a guia de
remessa e requisição externa;
− No que respeita ao controlo das dívidas a pagar: quem efectua e periodicidade da
reconciliação entre extractos de conta corrente dos fornecedores e as contas da autarquia.
− No que respeita ao Pagamento: quem emite e verifica a conformidade legal das ordens de
pagamento e cheques, ou ordem de transferência bancária.

58
Porque a NCI é um documento com os condicionalismos mínimos a considerar impostos pelo POCAL já
referidos, apresenta-se a título de complemento da informação um check-list relativo a esta área de
intervenção financeira. Mantêm-se contudo, o que foi dito sobre a razoabilidade da sua aplicação a todo o
universo destas entidades face ao grande leque de diferenças existentes entre freguesias de pequenas
dimensão e freguesias de grande dimensão.

Questionário para avaliação do Controlo Interno (Área/sector: Terceiros)


Não
Descrição dos procedimentos contabilísticos e/ou medidas de controlo interno Sim Não Observações
Aplicável
1. A função compra está centralizada num único serviço, se não qual o organograma explicativo desta função?
2. Serviço de compras, se existe, está separado dos serviços de:
• Contabilidade?
• Armazém?

3. Todas as compras são objecto de prévia autorização do órgão competente?


4. Que delegação ou sub-delegação de competências existem para autorizar despesas? Qual a Lei habilitante que as
sustenta?
5. Todas as autorizações de compras estão sustentadas por proposta fundamentada pelo serviço requisitante, onde
seja evidenciada a necessidade da aquisição?
6. Todas as informações propostas são cabimentadas previamente à autorização do órgão dirigente com
competência para tal?
7. A adjudicação é precedida do registo do compromisso?
8. As requisições externas são emitidas em modelo oficial?
9. Está delegado no dirigente do serviço de compras a competência para assinatura das requisições externas?
10. Existe algum controlo relativamente às requisições efectuadas e ainda não satisfeitas.
11. Existe algum controlo para efeitos de verificação da conformidade do prazo da entrega com a proposta
apresentada e o contrato celebrado?
12. As aquisições de serviço efectuam-se no cumprimento das regras impostas na Lei, relativamente ao tipo de
procedimentos a adoptar?
13. Relativamente às situações de bens em que se proceda à compra por ajuste directo faz-se consultas periódicas ao
mercado, a fim de se detectar fornecedores que ofereçam melhores condições de preço, prazo, qualidade,
descontos, etc.
14. Os bens são recepcionados num só local ou diversos locais?
15. As guias de recepção e as guias de remessa são encaminhadas para o sector de compras?
16. É actualizada a informação sobre as requisições não satisfeitas?
17. São enviadas as guias de remessa devidamente visadas pelo serviço aquisitivo, para o sector da contabilidade a
fim de serem anexadas ao respectivo processo de despesa?
18. Existe algum registo de correspondência entrada, onde se evidencie as facturas de fornecedores recebidas,
incluindo as entregas por mão própria?
19. Qual o prazo que medeia entre o processo de recepção da factura e o seu envio para a contabilidade?
20. Existe alguma regra interna a determinar este prazo máximo?
21. Na recepção das facturas, na contabilidade, é assegurada a distinção clara entre original e o duplicado das
facturas garantindo indicação, na cópia, do termo “duplicado”?
22. As facturas são objecto de apropriada conferência com base em todos os documentos de suporte: requisição, guia
de remessa, guia de recepção e incluindo a verificação aritmética?
23. Como se controlam as entregas parciais?
24. Existe segregação de funções entre o pessoal que confere os documentos e quem processa o registo e controlo
da conta corrente?
25. As contas de fornecedores são examinadas periodicamente com a identificação das facturas por pagar?
26. Com que periodicidade se procede à circularização das contas correntes de clientes e fornecedores?
27. A contabilidade, após a emissão da ordem de pagamento envia cópia dos documentos ao sector responsável pelo
aprovisionamento?
28. Há funcionários que são simultaneamente fornecedores ou prestadores de serviço directa ou indirectamente
através de empresas?
29. Aquando da emissão da ordem de pagamento é verificada a situação de regularização perante a segurança social
e fisco, das entidades credoras da Autarquia?
30. Os contratos celebrados entre a Autarquia e terceiros são numerados sequencialmente por ano civil?
31. A celebração de contratos, bem como a sua organização e arquivo encontram-se centralizados num único
serviço?
32. Existe um plano de pagamento relativo às obrigações legais?
• Fiscais?
• Segurança social?
• O cálculo de juros debitados pelas instituições de crédito é conferido pela contabilidade?
33. Com que periodicidade se efectuam as reconciliações das contas de empréstimos bancários e as relativas a
contratos de leasing com as respectivas contas correntes das Instituições de crédito?
34. Com que periodicidade se efectuam as reconciliações nas contas “Estado e Outros Entes Público”?

59
4.3.3. Medidas de controlo de Existências
As existências, tal como as disponibilidades, são muito vulneráveis a situações de fuga ou perda, pelo
que devem ser alvo de controlo intensivo. A segregação de funções é um princípio muito importante que
deverá estar presente na definição das medidas de controlo das existências.

A NCI deve definir:


− Quem é o responsável pelas saídas de armazém para venda ou consumo de materiais;
− Qual a periodicidade e quem efectua a inventariação física periódica das existências;
− Quem é o responsável pelas fichas de armazém definidas no POCAL, uma vez que estas
reflectem os bens existentes em armazém. O responsável pelo registo nestas fichas deverá
ser alguém que não contacte com as mesmas – Princípio da Segregação de Funções;
− Quais os procedimentos para salvaguarda das existências relativas a furtos, por exemplo a
importância da conferência entre a factura e a respectiva requisição externa;
− Quem, realiza as inspecções físicas e reconciliações e qual a periodicidade destas, e como.
Exemplos de medidas de controlo interno:
1. Os registos nas fichas de armazém são feitos por funcionários que não
procedam ao manuseamento físico das existências em armazém;
2. Conferir se o resultado da contagem física corresponde à realidade dos
registos contabilísticos;
3. Alterar rotativamente as equipas que efectuam as contagens físicas;
4. Ter previstas instruções sobre o armazenamento das existências, bem como o
acesso, para facilitar o seu controlo físico.

O que o POCAL exige, para as freguesias, como métodos e procedimentos, nesta matéria :
2.9.10.3.1 – A cada local de armazenagem de existências corresponde um responsável nomeado para o efeito;
2.9.10.3.2 – O armazém apenas faz entregas mediante a apresentação de requisições internas devidamente
autorizadas;
2.9.10.3.3 – As fichas de existências do armazém são movimentadas por forma que o seu saldo corresponda
permanentemente aos bens existentes no mesmo armazém;
2.9.10.3.4 – Os registos nas fichas de existências são feitos por pessoas que, sempre que possível, não procedam
ao manuseamento físico das existências em armazém;
2.9.10.3.5 – As existências são periodicamente sujeitas a inventariação física, podendo utilizar-se testes de
amostragem, procedendo-se prontamente às regularizações necessárias e ao apuramento de responsabilidades,
quando for o caso.

Será também pertinente, neste capítulo de intervenção, em que se exigem regras de controlo interno
apresentar a título exemplificativo um quadro de check-list de prevenção aos eventuais desvios ao
necessário auto-contolo.

60
Questionário para avaliação do Controlo Interno (Área/sector: Existências)
Não
Descrição dos procedimentos contabilísticos e/ou medidas de controlo interno Sim Não Observações
Aplicável
1. Existem responsáveis designados para o armazém de existências?
2. Existe segregação de funções entre quem procede ao registo de quantidades e quem procede ao armazenamento
físico das existências?
3. O acesso ao armazém de existências é condicionado?
4. O ficheiro das quantidades é revisto periodicamente com o objectivo de detectar os artigos em excesso, com
pouco movimento ou obsoletos?
5. Existe adequada cobertura de seguros de existências, nomeadamente contra roubo, incêndio e inundações?
6. No acto de recepção, os bens são inspeccionados, contados, pesados ou medidos, confrontando-se com a
informação constante na cópia da requisição?
7. Para cada um dos artigos recepcionados, emite-se uma guia de recepção, que é confrontada com a guia de
remessa do fornecedor?
8. É posto na guia de remessa, após a verificação e recepção, o carimbo de conferido e recebido se for o caso?
9. No acto de recepção, são anotados os desvios em quantidade e qualidade dos bens entregues relativamente ao
solicitado?
10. Está implementado o sistema de inventário permanente para as existências? As fichas de existências estão
permanentemente actualizadas?
11. A saída de existências de armazém é precedida da respectiva requisição interna, devidamente autorizada pelo
dirigente do serviço requisitante e pelo responsável do armazém?
12. As requisições internas são emitidas em modelo oficial visado pelo executivo da freguesia?
13. As requisições internas são numeradas sequencialmente por serviço requisitante e por ano civil?
14. As requisições internas identificam o projecto ou actividade para a qual se destinam os bens solicitados?
15. Com que periodicidade se efectuam contagens físicas periódicas às existências em armazém?
16. Procede-se à averiguação quando se detectam diferenças entre as contagens e o registo de quantidades?
17. A venda de bens obsoletos, sucatas está devidamente autorizada?
18. Os critérios de valorização das saídas de existências são os previstos no POCAL?
19. A Autarquia adopta o fornecimento contínuo como forma de aquisição para os bens de utilização contínua e
permanente?

4.3.4. Medidas de controlo do Imobilizado

O POCAL no seu ponto 2.9.10.4, exige de igual forma, a implementação de pontos e critérios de controlo:

2.9.10.4.1 – As fichas do imobilizado são mantidas permanentemente actualizadas;


2.9.10.4.2 – As aquisições de imobilizado se efectuam de acordo com o plano plurianual de investimentos e
com base em deliberações do órgão executivo, através de requisições externas ou documento equivalente,
designadamente contrato, emitido pelos responsáveis designados para o efeito, após verificação do
cumprimento das normas legais aplicáveis, nomeadamente em matéria de empreitadas e fornecimentos;
2.9.10.4.3 – A realização de reconciliações entre os registos das fichas e os registos contabilísticos quanto aos
montantes de aquisições e das amortizações acumuladas; 2.9.10.4.4 – Se efectue a verificação física periódica
dos bens do activo imobilizado, se confira com os registos, procedendo-se prontamente à regularização a que
houver lugar e ao apuramento de responsabilidades, quando for o caso.
Face ao carácter de obrigatoriedade de constar na NCI pontos e critérios de controlo, e considerando a
dimensão da actividade financeira da freguesia sugere-se como mínimos os seguintes:
− Quem autoriza a aquisição de imobilizado;
− Quem verifica os aspectos legais da aquisição de bens;
− Quem preenche e actualiza as fichas de imobilizado;
− Quais os bens considerados de domínio público e critérios de avaliação;
− Quando e quem efectua a verificação física do activo imobilizado e da sua operacionalidade,
conferindo com os registos;
− Quem preenche as fichas individuais e anuais previstas no CIBE (Cadastro e Inventário dos
Bens do Estado).

61
Exemplos de medidas de controlo interno:
1. Recepção e conferência qualitativa e quantitativa de todos os bens móveis e imóveis
que passem a integrar o património imobilizado da autarquia.
2. O serviço requisitante deverá verificar a conformidade dos bens recepcionados com
as guias de remessa, facturas ou equivalentes documentos e com as cópias das
requisições externas.
Em complemento ao referido apresenta-se um check-list que poderá servir de prevenção a desvios as
regras a estabelecer que deverá ser, pelo menos, uma vez em cada ano.

Questionário para avaliação do Controlo Interno (Área/sector: Imobilizado)


Não
Descrição dos procedimentos contabilísticos e/ou medidas de controlo interno Sim Não Observações
Aplicável
1. Cada informação/proposta, que fundamenta o pedido de aquisição de bens imobilizados é cabimentada
previamente à respectiva autorização, na rubrica orçamental e no Plano Plurianual de Investimentos?
2. Existe serviço ou funcionário designado para a verificar se aquisições de bens, e adjudicação de empreitadas se
efectuam no cumprimento das regras impostas por lei?
3. As diversas fases do processo de aquisição estão autorizadas pelo órgão ou dirigente com competência própria
ou delegada?
4. Existem fichas individuais de imobilizado permanentemente actualizadas?
5. Os valores totais das fichas são periodicamente conferidos com os saldos das correspondentes contas do razão?
6. Existe regulamento de inventário para bens móveis e imóveis?
7. Do manual de procedimentos contabilísticos constam procedimentos (de bens transferidos, abatidos, etc.),
circuitos (segregação de funções, sequencialidade dos actos administrativos) e documentos (ficha) relativos à
aquisição e gestão de imobilizado?
8. Estão definidas regras e procedimentos a seguir relativamente aos trabalhos efectuados para a própria entidade?
9. Os circuitos e procedimentos definidos asseguram o controlo físico e financeiro dos projectos de investimento em
todas as fases?
10. Existe uma contabilização por projecto ou acção que permita identificar cada uma delas como centro de custos?
11. Existe um gestor de projecto para cada projecto implementado?
12. Existe modelo processual aprovado para a organização dos dossiers técnicos-administrativos relacionados com
empreitadas e contratos de fornecimento de bens?
13. Existe modelo de relatório de acompanhamento da execução física de obras?
14. São devidamente fundamentados e fiscalizados os valores de trabalhos a mais e a menos das empreitadas?
15. Todos os trabalhos a mais ou a menos constituem adendas ao contrato inicial?
16. É verificado o cálculo da revisão de preços apresentado pelos empreiteiros?
17. Quando o imobilizado em curso é dado como concluído procede-se à sua transferência para imobilizado corpóreo?
18. Todos os bens inventariáveis estão contabilizados no imobilizado corpóreo?
19. Com que periodicidade são efectuadas verificações físicas aos bens do activo imobilizado, confrontando o
resultado com os registos contabilísticos existentes?
20. Quando não há conformidade entre as verificações físicas efectuadas e as informações constantes na
contabilidade procede-se de imediato às respectivas regularizações e ao apuramento de responsabilidades?
21. Com que periodicidade se efectuam reconciliações entre os registos das fichas e os registos contabilísticos dos
bens do activo imobilizado?
22. Existe controlo sobre as pequenas ferramentas e utensílios?
23. Existem seguros sobre os bens imobilizados?
24. Existe registo em contas de ordem das garantias bancárias apresentadas pelos fornecedores de imobilizado?
25. Existe registo individualizado nas respectivas contas das operações de tesouraria das retenções para efeitos de
caucionamento das obras?
26. No acto de recepção de equipamentos, é confirmada pelo responsável designado a qualidade e funcionamento
dos bens adquiridos?
27. Os autos de medição são confirmados pelo gestor da obra e pelo responsável do serviço? requisitante?
28. Existe regulamento para a gestão dos bens de domínio privado?
29. O início da obra é sempre precedido do auto de consignação da obra?
30. O auto de recepção provisório e auto de recepção definitivo são elaborados nos termos regulamentares?

62
Capítulo 5 - PRESTAÇÃO DE CONTAS

5.1. Documentos de Prestação de Contas


As autarquias Locais ou entidades equiparadas, cujo o movimento anual de receita seja inferior a 5 000
vezes o índice 100 da escala indiciária das carreiras do regime geral da Função Pública, (5 000 x 333,61€
= 1.668.050,00 €) são enquadradas no chamado regime simplificado do POCAL. Os documentos de
prestação de contas a elaborar e apresentar estão definidos no POCAL:

− Controlo orçamental da despesa


− Controlo orçamental da receita
− Execução Anual do Plano Plurianual de Investimentos
− Fluxos de caixa
− Contas de ordem
− Operações de tesouraria
− Mapa de outras dívidas a terceiros, relação dos encargos assumidos e não pagos
− Modificações do Orçamento da despesa
− Modificações do Orçamento da receita
− Modificações ao Plano Plurianual de Investimentos
− Empréstimos
− Relatório de gestão

O Tribunal de Contas através Resolução n.º 4/2001, de 18 de Agosto, fixou os documentos que exige as
entidades sujeitas ao POCAL, distinguindo dois grupos: grupo 1 para as entidades sujeitas ao regime
geral e grupos 2 entidades que implementem o regime simplificado.
No entanto, poderá ainda, nos termos do n.º 3 do artigo 51º da Lei n.º 98/97, de 26 de Agosto, o Tribunal
de Contas em plenário geral da 2ª secção, dispensar de remessa de contas, as entidades integradas
neste grupo, ficando para o efeito, o montante anual da receita ou despesa abaixo do qual o podem fazer.
Nesses termos a Resolução n.º 03/07 – 2ª Secção do Tribunal de Contas, define que pelas freguesias
cujo movimento de receita e despesa seja igual ou inferior a 1 000 000 € ficam dispensadas da remessa
das contas de gerência ao Tribunal de Contas.
Ainda de acordo com o definido no ponto 3 da Resolução as entidades dispensadas da remessa das
contas devem organizar e documentar as contas nos termos das Instruções aplicáveis e mantê-las em
arquivo nos prazos previstos nos artigos 51.º, n.º 5.º, e 70.º da Lei n.º 98/97, de 26 de Agosto.
Efectivamente as contas dispensadas de remessa ao Tribunal de Contas, podem ser objecto de
verificação e as respectivas entidades sujeitas a auditoria, pelo que deverão manter organizada toda a
informação nos termos indicados pelo n.º 3 do ponto 2 do POCAL.

63
A diferenciação dos documentos a apresentar, em prestação de contas, relativamente às autarquias
integradas ou no regime geral ou no regime simplificado do POCAL advém de facto de ser não exigível
aplicação do sistema de contabilidade patrimonial.
De referir que, todas ou quase todas as freguesias a nível nacional não estão sujeitas ao regime geral,
isto é não são obrigadas a implementar a contabilidade patrimonial e de custos, nem a utilização do
método digráfico para a execução do orçamento. No entanto, o POCAL não impede que as freguesias
optem pelo regime geral, tendo como objectivo o aumento da informação contabilística.

5.2 Documentos de prestação de contas previstos no POCAL e pelo Tribunal de Contas


De seguida elencamos os mapas de prestação de contas previstos pelo POCAL e pelo Tribunal de
Contas (Resolução 4/2001, de 18 de Agosto) paras as entidades sujeitas ao regime simplificado:

Código N.º do Doc.


Mapas de Prestação de Contas na Óptica Execução Orçamental: Grupo 2
POCAL T.C.

Mapa de Controlo Orçamental de Despesa; 7.3.1. 6 X


Mapa de Controlo Orçamental da Receita; 7.3.2. 7 X

Execução Anual do Plano Plurianual de Investimentos; 7.4. 8 X


Mapa dos Fluxos de Caixa; 7.5. 11 X
Demonstração das Contas de Ordem 75 9 X
Mapa de Operação de Tesouraria; 76. 10 X
Mapa de O. Dívidas a Terceiros; relação dos encargos assumidos. e não pagos 8.3.6.2. 27 X
Modificações do Orçamento – Receita 8.3.1.1. 14 X
Modificações do Orçamento – Despesa 8.3.1.2. 15 X
Modificações ao Plano Plurianual de Investimentos 8.3.2. 16 X

Relatório de Gestão 13 28 X

Outros documentos exigidos pelo Tribunal de Contas em sede de prestação de contas:


Código N.º do Doc.
Mapas de dos Documentos: Observações
POCAL T.C. Grupo 2
8.1. 12 X Anexo II
• Caracterização da Entidade
------ 29 X Anexo III
• Guia de Remessa de Conta
------ 30 X
• Acta da Reunião em que foi discutida e votada a conta
2.9. 31 X
• Norma de Controlo Interno e suas Alterações
12.2.9. 32 X
• Resumo Diário de Tesouraria
------ 33 X Anexo IV
• Síntese das Reconciliações Bancárias
------ 34 X Anexo V
• Mapa de Fundo de Maneio (podendo ser substituído pela Conta- Corrente de Entidade)
------ 35 Anexo VI
• Relação dos Emolumentos Notariais e Custos de Execução Fiscais
------ 36 X Anexo VII
• Relação de Acumulação de Funções
------ 37 X Anexo VIII
• Relação Nominal de Responsáveis

64
O Tribunal de Contas solicita, que sejam apresentados com a prestação de contas os seguintes
documentos previsionais:

N.º do
Código
Descrição dos documentos Doc. Grupo 2
POCAL
T.C.

7.1. 3 X
• Plano Plurianual de Investimentos 7.2. 4 X
7.2. 5 X
• Resumo do Orçamento

• Orçamento (Despesa e Receita)

5.3. Prazo e enquadramento legal para a apresentação das Contas


a) O órgão executivo da freguesia, apresentará os documentos de prestação de contas ao
respectivo órgão deliberativo, de modo a que este os aprecie em sessão ordinária, no mês de
Abril do ano seguinte aquele a que respeitam (nº 1 do artigo 47º da Lei n.º 2/2007, de 15 de
Janeiro - Lei das Finanças Locais).

b) As contas da freguesia serão remetidas, pelo órgão executivo, independentemente da sua


apreciação, pelo órgão deliberativo, ao Tribunal de Contas, até 30 de Abril (nº 2 do artigo 51º da
Lei n.º 2/2007, de 15 de Janeiro - Lei das Finanças Locais).
Quando dentro de um ano económico houver substituição da totalidade do executivo, as contas
serão prestadas em relação a cada gerência. A substituição parcial dos responsáveis do
executivo por motivo de presunção ou apuramento de qualquer infracção financeira, dará
também lugar a prestação de contas, que serão encerradas na data em que se fizer a
substituição (artigo 52º da Lei n.º 98/97, de 26 de Agosto). Nesta caso o prazo para
apresentação das contas será de 45 dias a contar da data de substituição dos responsáveis.

c) As contas são prestadas por anos económicos, que caso presente da aplicação do POCAL,
coincide com o ano civil, e elaboradas pelos responsáveis da respectiva gerência, salvo, se
estes tiverem cessado funções. Neste caso, serão aqueles que lhes sucederem, sem prejuízo
da obrigação de ser prestado, pelos primeiros a necessária colaboração.

d) As freguesias ficam obrigadas a remeter ao ministro que tutela as autarquias locais as


respectivas contas nos 30 dias subsequentes à data da sessão do órgão deliberativo em que
aquelas contas foram sujeitas a apreciação.

65
Quadro: Prestação de Contas
Documentos de de
Órgão/Entidade Suporte Legal Data Observações
Prestação de contas

Artigo nº47º nº 1 da LFL até 30 de Abril


Órgão deliberativo
Artículo 53º nº 2 Alínea c) da do ano seguinte
(Assembleia de Freguesia)
Lei 5-A/2002, de 11 de Janeiro a que respeitam

• Mapa de Controlo
Orçamental de
Despesa;
• Mapa de Controlo
Orçamental da
Receita
• Execução Anual
do Plano Plurianual
de Investimentos
• Mapa dos Fluxos Ponto 2 do POCAL-
de Caixa A resolução nº 4/2001, de 18 de
Considerações Técnicas
Agosto fixa os documentos de
• Demonstração das Artgio 64º nº 2 alínea b) da Lei
Antes de 15 de prestação de contas a remeter
Contas de Ordem 5-A/2002, de 11 de Janeiro.
Maio do ano ao Tribunal de Contas,
• Mapa de Resolução do Tribunal de
Tribunal de Contas seguinte a que distinguindo dois grupos: (a)
Operação de Contas nº 4/2001, de 18 de
respeitam das Grupo 1, para as autarquias
Tesouraria agosto
contas sujeitas ao regime geral e (b)
• Mapa de O. Lei 97/98, de 26 de Agosto, Lei
Grupo 2, para o regime
Dívidas a Terceiros da Organização do Tribunal de
simplificado.
• Modificações do Contas
Orçamento – Receita
• Modificações do
Orçamento –
Despesa
• Modificações ao
Plano Plurianual de
Investimentos
• Relatório de
Gestão
• Plano Plurianual 30 dias depois A Comissão de Coordenação
de Investimentos da sua respectiva remete-os a
aprovação pelo Direcção Geral de
• Orçamento
Comissões de órgão executivo, Administração Autárquica para
Coordenação de • Execução do Artigo 7º do Decreto-Lei nº 54- independenteme uma análise global da situação
Desenvolvimento Regional8 Plano plurianual de A/99, de 22 de Fevereiro, nte da sua financeira das autarquias locais
Investimentos POCAL aprovação pelo e um estudo prospectivo das
• Mapas de órgão finanças locais
Execução Orçamental deliberativo

Artigo 7º do Decreto-Lei nº 54- É da responsabilidade das


Instituto Nacional de A/99, de 22 de Fevereiro, Comissões de Coordenação e
Estadística POCAL remessa das contas ao Instituto
Nacional de Estatística.

5.4. Efectivação das responsabilidades financeiras


Sempre que os resultados das acções de verificação do Tribunal de Contas, seja através da verificação
dos documentos de prestação de contas (verificação interna), seja através de auditorias (verificação
externa), indiciem factos constitutivos de responsabilidade financeira, desenvolve-se o processo de
julgamento das respectivas responsabilidades, podendo, conforme os casos, dar origem ou à
responsabilidade financeira reintegratória (regulamentada na secção II da Lei n.º 98/97) ou
responsabilidade sancionatória (regulamentada na secção III desta lei).

8
Foram apenas considerados os documentos relativos ao regime simplificado, excluindo assim, os relativos à contabilidade
patrimonial (Balanço, Demonstração de Resultados e Anexos às Demonstrações financeiras) dado que este tipo de entidades não
tem a obrigatoriedade de implementar este sistema contabilístico.

66
Descrição Factos que originaram Responsáveis

Responsabilidade Financeira Reintegratória - Alcances (desvios de destino ou valores públicos) Agente ou agentes da acção que poderá incluir:
(Reposição das importâncias abrangidas pela - Pagamentos indevidos (pagamentos ilegais que a) eleitos
infracção, incluindo os juros de mora. Esta causem danos à entidade pública, por não terem
responsabilidade, só ocorre se acção for praticada com contraprestações efectiva). b) dirigentes
culpa - Não liquidação, cobrança ou natureza das receitas
c) funcionários ou agentes que nas suas
públicas, com violação das normas legais aplicáveis
informações não esclarecem os assuntos da
sua competência.
Responsabilidades sancionatória (aplicação de multas, - Não liquidação, cobrança ou entrega de receitas Agente ou agentes da acção que poderá incluir:
que têm como limite mínimo metade do seu devidas
vencimento liquido mensal e limite máximo metade do d) eleitos
- Violação das normas sobre elaboração e execução
vencimento liquido anual dos responsáveis). dos orçamentos; e) dirigentes
- Violação das normas relativas à autorização e
f) funcionários ou agentes que nas suas
pagamento de despesas;
informações não esclarecem os assuntos da
- Falta de restrição ou restrições indevidas dos sua competência
descontos legalmente obrigatórios e efectuados ao
pessoal;
- Violação das normas legais e ou regulamentos
relativos à realização das despesas públicas
autárquicas;
- Violação das normas legais ou regulamentos à gestão
do património autárquico;
- Adiantamento por conta de pagamentos nos casos
não expressamente previsto na Lei;
- Aplicação de empréstimos em finalidades diversas
das legalmente previstas;
- Ultrapassagem dos limites legais da capacidade de
endividamento;
- Aplicação de fundos de operações de tesouraria em
despesas orçamentais;
- Falta de injustificada da remessa de contas ao
Tribunal Contas;
- Falta injustificada de colaboração como o Tribunal de
Contas;
- Incumprimento dos prazos legais de remessa ao
Tribunal de Contas de processos sujeitos ao Visto
Prévio.

5.5. Documentos de Prestação de Contas

5.5.1.Nota ao mapa do controlo orçamental


5.5.1.1. Despesa

Este mapa tem como finalidade permitir o controlo da execução orçamental da despesa durante o exercício. A
coluna "Classificação económica" deve apresentar um nível de desagregação idêntico ao do orçamento.

Faculta informação designadamente sobre:


− "Dotações corrigidas" - montantes orçamentados, modificados ou não através de revisões, de
alterações orçamentais ou de reposições abatidas nos pagamentos ocorridas no decurso do
exercício;
− "Compromissos assumidos" - importâncias correspondentes às obrigações constituídas,
independentemente da concretização do seu pagamento no próprio exercício;
− "Despesas pagas" - indica os pagamentos efectuados no exercício. No final de cada ano
económico, deverá distinguir-se o montante dos pagamentos respeitantes a despesas de anos
anteriores dos que respeitam a despesas do exercício findo;
− "Diferenças" - diferenças entre os valores orçamentados corrigidos e os compromissos
assumidos no exercício e entre aqueles e as despesas pagas, bem como entre os
− compromissos assumidos no exercício e as despesas pagas;

67
− "Grau de execução orçamental" - percentagem de realização das despesas pagas em relação às
dotações do orçamento corrigido.

Controlo Orçamental – Despesa

(designação da autarquia local) (Unidade: €uros3)


Classificação económica Compromissos assumidos Diferenças Grau de execução
Dotações
Exercícios Despesas pagas Dotação não Compromissos orçamental das
corrigidas
Código Descrição Exercício Total Saldo
futuros comprometida por pagar despesas
(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8)=(3)-(4) (9)=(3)-(7) (10)=(4)-(7) (11)=(7)/(3)*100

Total

Órgão executivo Órgão deliberativo


Em___de__________de 20__ Em___de _________de 20__

5.5.1.2. Receita

Este mapa tem como finalidade permitir o controlo da execução orçamental da receita durante o exercício. A coluna
"Classificação económica" deve apresentar um nível de desagregação idêntico ao do orçamento, salvo o saldo da
gerência anterior, dada a sua natureza.
Faculta informação designadamente sobre:
− "Previsões corrigidas" - montantes orçamentados, modificados ou não através de revisões ou
alterações orçamentais. O saldo da gerência anterior, após a sua aprovação, é incluído nesta
coluna;
− "Receitas por cobrar no início do ano" - receitas já liquidadas em anos anteriores, mas ainda não
cobradas;
− "Receitas liquidadas" - receitas liquidadas no exercício;
− "Liquidações anuladas" - importâncias que, embora já tivessem sido liquidadas, foram anuladas
antes da cobrança;
− "Receitas cobradas brutas" - importâncias arrecadadas não afectadas pelo valor dos reembolsos
e restituições;
− "Reembolsos e restituições" - importâncias emergentes de recebimentos indevidos,
evidenciando o apuramento das importâncias a reembolsar emitidas e os valores efectivamente
pagos;
− "Receitas cobradas líquidas" - receitas cobradas brutas corrigidas dos reembolsos e restituições;
"Receitas por cobrar no final do ano" - importâncias liquidadas ainda não objecto de cobrança;
− "Grau de execução orçamental" - percentagem das receitas cobradas líquidas em relação às
previsões corrigidas.

68
Controlo Orçamental – Receita

(designação da autarquia local)


(unidade: €uros)
Classificação económica Reembolsos e restituições Grau de execução
Receitas por
Previsões Receitas Liquidações Receitas Receita cobrada Receitas por cobrar no
cobrar no início orçamental das
corrigidas liquidadas anuladas cobradas brutas líquida final do ano
Código Descrição do ano Emitidos Pagos
receitas
(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9) (10)=(7)-(9) (11)=(4)+(5)-(6)-(7) (12)=(10)/(3)*100

Total

O mapa orçamental do controlo da receita é apresentado com o objectivo de permitir o controlo da


execução orçamental da receita durante o exercício, registando todos os factos orçamentais ocorridos,
inclusive a absorção do saldo da gerência do exercício anterior. Efectivamente, em relação ao sistema
anterior (Decreto-Lei n.º 341/83, de 21 de Julho) em que o saldo da gerência anterior aparecia reflectido
apenas no orçamento da despesa através da incorporação nas diversas rubricas, no POCAL o saldo é
incorporado na receita através de uma revisão orçamental.
Paralelamente, classificador económico aprovado pelo Decreto-Lei n.º 26/2002, de 14 de Fevereiro prevê
uma rubrica específica da classificação económica para a incorporação saldo da gerência anterior, a
classificação:160101.
Os reembolsos e as restituições são tratados contabilisticamente como despesa, devendo utilizar-se para
o efeito as rubricas da classificação da despesa -06.01 “Outras despesas correntes – Restituições” ou
11.02 “Outras despesas de capital- Restituições”.
Em face desta situação, serão os sub-totais (corrente e de capital) apurados na coluna (7) – “Receitas
cobradas brutas”- que deverão ser considerados para efeitos de fluxos de caixa, uma vez que o montante
pago em reembolsos e restituições são incluídos nos correspondentes subtotais das despesas pagas
(coluna 7 do mapa 7.3.1), as quais serão, por sua vez, consideradas no mapa de fluxos de caixa.

5.5.1.3. Execução anual do plano plurianual de investimentos

Este mapa tem como finalidade permitir o controlo da execução anual do plano plurianual de investimentos e
faculta informação designadamente sobre:
Cada programa e projecto/acção de investimento;
Formas de realização - utilizar os códigos:
(A) para administração directa;
(E) para empreitada;
(O) para fornecimentos e outras;
Fontes de financiamento previstas, a preencher quando se trate de projectos com financiamento externo à
Autarquia local - (AC) administração central, (AA) administração autárquica, e (FC) fundos comunitários -,
devendo ser indicada a percentagem desse financiamento externo;
Financiamento da componente anual e valor global do programa/projecto;

69
Execução financeira dos anos anteriores, no exercício e exercícios futuros

(designação da autarquia local) (Unidade: €uros3)


Código da classe económica

Fonte de financiamento (percentsgem) Montante previsto Montante executado


Datas Nível de execução e Nível de execução e
Designação

realização
Forma de
Objectivo

Número do financiamento anual financiamento global


do programa
projecto Administração (percentagem) (percentagem)
e projecto
/ acção
/ acção Fundos Anos Ano
Ano Total Ano Total
central autárquica comunitários Início Fim seguintes anteriores
(a) (b)

Total Geral
a) Montante executado no ano/montante previsto do ano
b) Total do montante executado/total do montante previsto.
Órgão executivo Órgão deliberativo
Em___ de___________ de 20__ Em____de __________de 20__

Pág.

5.5.1.4. Operações de Tesouraria

São consideradas como operações de tesouraria as cobranças que os serviços autárquicos realizam para
terceiros.
Apresenta o movimento das operações de tesouraria devidamente desagregadas, devendo ser articulado com o
mapa de fluxos de caixa.
A entrada e a saída de fundos por operações de tesouraria são sempre documentadas, respectivamente por
guia de recebimento e ordem de pagamento. As operações de tesouraria serão desenvolvidas e movimentadas
em contas correntes por entidade e natureza.

Operações de tesouraria
Ano
(designação da autarquia local) (Unidade: €uros3)

Saldo da gerência anterior Movimento anual Saldo para a gerência seguinte


Código e designação das contas

Devedor Credor Débito Crédito Devedor Credor


Cobranças para terceiros

Total

Órgão executivo Órgão deliberativo


Em___ de ________ de 20__ Em ___de_________ de 20__

5.5.1.5. Contas de ordem

Descrição desagregada das responsabilidades, por garantias e cauções prestadas e recibos para cobrança
de acordo com o seguinte mapa

70
Contas de ordem
Ano
(Designação da autarquia local) (Unidade: €uros3)

Saldo para a
Saldo da gerência anterior Movimento anual
Código e designação das contas Gerência seguinte

Devedor Credor Débito Crédito Devedor Credor


Garantias e cauções
Recibos para cobrança

Total

As garantias e cauções devem ser desagregadas em fornecedores, fornecedores de imobilizado e credores


diversos.
Este mapa deve ser articulado com o mapa de fluxos de caixa.

5.5.1.6. Fluxos de Caixa

Neste mapa devem ser discriminadas as importâncias relativas a todos os recebimentos e pagamentos
ocorridos no exercício, quer se reportem à execução orçamental quer a operações de tesouraria.
Nela se evidenciam também os correspondentes saldos (da gerência anterior e para a gerência seguinte)
desagregados de acordo com a sua proveniência (execução orçamental e operações de tesouraria).
As receitas e despesas orçamentais serão desagregadas de acordo com a discriminação constante do
orçamento. Neste mapa deve ainda constar o movimento dos recibos para cobrança, garantias e cauções.

Fluxo de Caixa
(designação da autarquia local) (Unidade: €uros3)

Recebimentos Pagamentos

Saldo da gerência anterior € Despesas orçamentais €

Execução orçamental € Correntes €


Operações de tesouraria € Capital €

Receitas orçamentais € Operações de tesouraria €

Correntes € Saldo para a gerência seguinte €


Capital €
Execução orçamental €
Operações de tesouraria € Operações de tesouraria €

Total € Total €

Contas de ordem
Saldo da gerência anterior € Garantias e cauções accionadas €
Garantias e cauções € Garantias e cauções devolvidas €
Recibos para cobrança € Receita virtual cobrada €
Garantias e cauções prestadas € Receita Virtual anulada €
Receita virtual liquidada € Saldo para a gerência seguinte €
Garantias e cauções €
Recibos para cobrança €
Total € Total €
Órgão executivo Órgão deliberativo
Em___ de ________ de 20__ Em___ de________de 20__

71
5.1.6. Empréstimos

8.3.6.1 - Empréstimos (a)

72
Ano
(designação da autarquia local)
(Unidade: €uros3)

Dívida em 31 de
Dívida em 1 de
Visto do TC Capital Taxa de juro Encargos do ano

decorridos

Dezembro
Data da Data da Finalidade do Encargos do ano

Janeiro
Caracterização Prazo do

Anos
aprovação contratação do empréstimo vencidos e não Observações
do empréstimo contrato

Juros
Número de Juros de

Total
Data
pela AM empréstimo Contratado Utilizado Inicial Actual Amort, pagos
registo mora
(c)
curto prazo (b)

Total
M. e L. prazos (b)

Total

Limite de endividamento
a) As colunas serão preenchidas quando se justifique
b) A desagregar por empréstimos bancários, por obrigações, outros empréstimos e por entidade
c) Utilizar (I)- se estiver isento do limite de endividamento, indicando a legislação aplicável, e (N) no caso contrário

Órgão executivo Órgão deliberativo


Em de de 20__ Em de de 20__

73
5.5.1.7.Outras Dívidas de Terceiros

Ano
(designação da autarquia local) (unidade:
€uros)

Caracterização da dívida Dívida em 1 de Janeiro Dívida em 31 de Dezembro Observações

Curto prazo (a)


Médio e longo prazos (a)
Total

5.5.1.8. Relatório de Gestão

O relatório de gestão a apresentar pelo órgão executivo ao deliberativo deve contemplar os seguintes
aspectos:

a) A situação económica relativa ao exercício, analisando, em especial, a evolução da gestão nos


diferentes sectores de actividade da autarquia local, designadamente no que respeita ao
investimento, condições de funcionamento, custos e proveitos, quando aplicável;
b) Uma síntese da situação financeira da autarquia laca], considerando os indicadores de gestão
financeira apropriados à análise de balanços e de demonstrações de resultados
c) Evolução das dívidas de curto, médio e longo prazos de terceiros e a terceiros nos últimos três
anos, individualizando, naquele último caso, as dívidas a instituições de crédito das outras dívidas a
terceiros;
d) Proposta fundamentada da aplicação do resultado líquido do exercício;
e) Os factos relevantes ocorridos após o termo do exercício.

O regime simplificado, como anteriormente referimos apenas exige a prestação de contas em termos
orçamentais. Assim, o relatório de gestão exigido deverá versar sobre a execução orçamental, bem como
os resultados orçamentais e do Plano Plurianual de Investimentos
O relatório de gestão deverá, por isso, incluir a comparabilidade entre os objectivos traçados pela
autarquia, os meios e os métodos utilizados na execução das actividades e os resultados obtidos.
A adequabilidade dos resultados aos objectivos pré-determinados, aos meios e métodos utilizados
permite identificar respectivamente o grau de eficácia e de eficiência atingido pela actividade autárquica.
Por outro lado, os meios e os métodos aplicados deverão ser avaliados não só em termos da legalidade,
mas também em termos da oportunidade e da adequação. Para tal, torna-se necessário definir um
conjunto de indicadores de gestão, que constituirão os “tableaux de bord” capazes de fornecer

74
informações suficientes à avaliação e acompanhamento da administração financeira no domínio
orçamental
Estes “tableaux de bord” servirão essencialmente à função de supervisão de gestão, permitindo a
verificação, o acompanhamento e informação de todos os actos de decisão tomados ao longo da
actividade financeira da autarquia com vista à execução do Orçamento, e das Grandes Opções do Plano.
Em conclusão, o Relatório de Gestão deverá proporcionar uma visão clara da situação orçamental
relativa ao exercício espelhando a eficiência na utilização dos meios afectos à persecução das
actividades desenvolvidas pela autarquia e a eficácia na realização dos objectivos.
Apresenta-se de seguida uma proposta de índice para o Relatório de Gestão a ser elaborado pela
autarquia:

a- Introdução
Linhas de orientação e síntese da actividade desenvolvida.
Resumo das Principais políticas contabilísticas adoptadas.
Actividades executadas por delegação de competências do Município
b- Execução e evolução da política orçamental desenvolvida pela fregguesia
Processo orçamental:
- Modificações ao orçamento inicial
- Resumo da execução orçamental
- Orçamento da receita: estrutura e evolução
• Por natureza económica
- Orçamento da despesa: estrutura e evolução
• Por natureza económica
• Por orgânica
• Por funções
- Orçamento de Investimentos:
• Avaliação da execução do Plano Plurianual de Investimentos
• Integração dos investimentos executados por objectivo e programas
- Transferências e Subsídios obtidos
• Por natureza económica da despesa que é afectada
• Por origem de fundos: entidade, programas

c- Dívida da freguesia
- Estrutura da dívida
- Evolução da dívida

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