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RESUMO

Bem-vindos à City, os mais prestigiados metros quadrados de Londres, onde


reina as finanças e Oliver King é um príncipe em ascensão.

Eu costumava dominar o mundo.

Pode haver lobos em Wall Street, mas havia crocodilos em Canary Wharf.
Alguns de nós desejam dinheiro. Alguns de nós desejam poder.

Eu gostava de dinheiro, e poder tinha suas vantagens, mas o que eu realmente


queria era me sobressair, superar os homens que vieram antes de mim. Eu nunca me
importei muito com o amor e romance até que eu conheci Alexis.

Eu podia sentir isso no momento em que ela entrou para a entrevista, com seu
charme franco e personalidade vivaz. Ela lançou todos os outros na sombra, me fez rir
quando a vida não tinha nenhum humor. Nossa amizade deveria ter permanecido
profissional, mas não demorou muito para que as linhas começassem a se confundir.

Você sabe o que dizem sobre quanto tudo dá errado? Bem, eu nunca previ onde
meus planos levariam, e só na minha hora mais escura eu finalmente vi a luz...

Você pode ter todo o dinheiro e prestígio no mundo e ainda ser o homem mais
pobre na terra. E o amor, bem, eu odeio usar um clichê velho e cansado, mas o amor
pode ser a coisa que realmente te liberta.

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Marie você é o céu azul selvagem
E os homens fazem coisas tolas

Você transforma reis em mendigos


E mendigos em reis
‘All the World is Green’, por Tom Waits.

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Parte um
Antes

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Um
Banco Johnson-Pearse, Canary Wharf, Londres, 2009.

Eu estava nervosa.
Eu também estava adiando enquanto eu estava sentada em um banco e observava
os homens e as mulheres correrem, um desfile interminável de pessoas com ‘coisas para
fazer’. Eu tinha mais de dez minutos antes de ir para dentro para minha entrevista, e eu
estava drenando cada um desses bad boys da mesma maneira que eu estava drenando a
última gota do meu café.
Apesar de ter vivido em Londres toda a minha vida, eu nunca tinha sido
efetivamente uma Canary Wharf. Nunca tinha tido realmente uma razão - até agora. Era
um lugar estranho, tão profissional, o cheiro de dinheiro no ar, e, no entanto, apenas um
par de metros longe de mim, o cara da banca era muito obviamente um
traficante. Crescer onde cresci, me fazia reparar nesse tipo de coisa. Um cara de terno
iria caminhar até ele, comprar um jornal, e ele escorregaria algo extra. Em seguida, o
cara sairia de fininho para seu prédio de escritórios para começar seu dia, tão casual
como poderia ser.
Era uma espécie de deprimente saber que, mesmo em um lugar como este, as
drogas ainda eram predominantes. A única diferença era que as pessoas aqui realmente
podiam pagar por elas.
Ok, hora de encarar a música. Levantando do banco, alisei minhas mãos no meu
vestido, respirei fundo e coloquei minha cara de profissional. Eu estava determinada a
fazer meu caminho firme através da entrevista, e fingir confiança era um dos meus
verdadeiros talentos. Hoje eu estava competindo por um trabalho como um assistente
executiva em um dos maiores bancos de investimento no país, com apenas um diploma
em administração e experiência de muitos anos como garçonete.
Eu ainda estava um pouco espantada de como eu sequer consegui marcar a
entrevista. Meu perfil estava online e funcionando, e eu tinha a sensação de que o Banco
Johnson-Pearse tinha feito um total de zero espreitadelas lá.
Cheguei na área de recepção e sorri para a senhora na recepção. – Oi, eu estou
aqui para entrevista para a posição de assistente executiva com o Sr. King.

Ela levantou uma sobrancelha especulativa, seu olhar me dando uma varredura
rápida para cima e para baixo. Não precisava ser um gênio para descobrir o que ela
estava pensando. Ela ouviu meu sotaque do Leste e imediatamente se perguntou o que
diabos eu estava fazendo ali. Ela não era a única, porque apesar da minha calma
exterior, eu estava sofrendo de um caso distinto da síndrome do impostor.
Apertando os lábios, ela finalmente concordou e me dirigiu a um grande
escritório no final do corredor, me dizendo para sentar e esperar lá fora até que fosse
chamada. Várias outras pessoas estavam sentadas esperando calmamente. Algumas
delas pareciam tão nervosas quanto eu me senti, enquanto outros pareciam frias, calmas
e recolhidas. Talvez elas estivessem fingindo, também.
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Minutos passaram. Um par de outros candidatos foram chamados para o
escritório, alguns saindo com sorrisos presunçosos, e outros parecendo que queriam ir
para casa e gritar. Eu poderia me ver no mesmo barco em um futuro não muito distante.
A porta se abriu e um homem mais velho surgiu.

– Alexis Clark? – Ele chamou, examinando aqueles de nós esperando.


Levantei imediatamente, novamente limpando minhas mãos suadas no meu
vestido e dei um passo à frente. Eu senti como se tudo fora do meu corpo estivesse em
câmera lenta, enquanto no interior o meu coração batia a mil por hora. Tendo
recentemente separado do meu namorado, Stu e, posteriormente, deixado o meu
emprego no pub que ele frequentava diariamente, eu precisava do emprego.
Entrando na sala, eu descobri que eu estava sendo entrevistada não só pelo cara
que tinha me chamado, mas por um júri incluindo outros dois, um homem e uma
mulher. Meus olhos brevemente digitalizaram a mulher, que parecia estar em seus anos
sessenta e que estava me avaliando astutamente. Minha atenção então apareceu para o
cara loiro sentado no final da mesa mais próxima da janela. Ele segurou o telefone ao
ouvido e usava um sorriso preguiçoso, enquanto olhava para a vista além. Ele era muito
bonito para um banqueiro, se eu estava sendo honesta. Ele não tinha o olhar desonesto
dos jovens da cidade, nem tinha os olhos frios e com fome dos banqueiros mais
velhos. Não, ele tinha a beleza despreocupada de um modelo masculino ou um galã de
Hollywood.
Seus olhos vieram a mim por um breve segundo, desviou o olhar, depois voltou
novamente no que parecia ser uma olhada dupla. Quando ele fez uma leitura lenta do
meu corpo, uma mistura de diversão e intriga passou sobre suas feições antes de sua
atenção voltar para o seu telefonema. Ok, isso não me deixou fraca dos joelhos, não
mesmo.

– Sim, certo, Greg, eu vou acreditar que o seu lixo e dinheiro assim que eu
começar a começar as aulas de dança do ventre e colocar brinco em ambos as minhas
orelhas. – Ele riu cinicamente, e eu me arrepiei ao som do seu profundo riso. – Me
lembro de você puxar um golpe como este em 2006. Depois de todo mundo evitar O
Grupo Phillips, uma semana depois você estava passeando ao redor em uma BMW
nova.
Os outros dois se sentaram e esperaram em silêncio enquanto ele se envolvia em
seu telefonema, o que me levou a acreditar que apesar de ser mais jovem, Loiro era o
encarregado. Hã. Depois de apenas um minuto, ele terminou a sua chamada, deslizando
seu celular sobre a mesa e apertando as mãos. Então ele atirou no cara mais velho um
olhar que dizia que ele poderia começar a entrevista.
– É um prazer conhecê-la, Alexis. Meu nome é Daniel James, diretor sênior aqui
na Johnson-Pearse, – ele começou, e eu apertei sua mão. – Esta é Eleanor Price, atual
assistente do Sr. King, que vai se aposentar em breve e cuja posição nós estamos
querendo encher.
Eu apertei a mão de Eleanor. Ela parecia rigorosa, mas legal, de um jeito meio
maduro. Agora eu podia supor que o Loiro era o Sr. King, e eu imaginei que ele
precisava de alguém como Eleanor para mantê-lo sob controle. Se eu conseguisse esse
trabalho, eu imaginava que ficar perto do Sr. Sorriso Sexy me manteria motivada.
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Quando o Sr. James foi finalmente me apresentar para Oliver King, diretor-
gerente, senti minha bravata chutar. Eu não ia a murchar e corar em sua atenção. Não,
eu iria manter minha cabeça erguida e ser como Eleanor, resistente como pregos, sem
tolices.
– Sr. King, – Eu disse enquanto seus dedos quentes deslizaram contra os meus e
nós rapidamente apertamos as mãos. Sim, muito formigamento, mas me recusei a
demonstrar.
– Alexis, – ele respondeu, me olhando atentamente antes de se sentar. –
Obrigado por ter vindo.
Sentei-me na frente dos três e descansei as mãos no meu colo.
– Então, para começar, por favor, nos conte um pouco sobre si mesma, – disse
James.
Ok, bom. Eles estavam começando com o material padrão. Eu poderia fazer
isso. Limpando a garganta, eu comecei o meu lengalenga. Eu disse a eles sobre meus
resultados elevados, especialmente em computação e matemática, em seguida, mudei
para a minha experiência de bartender, durante o qual eu decidi voltar ao ensino e
buscar o meu diploma. Eu disse a eles que a minha principal razão para não ir
diretamente para a universidade depois da escola foi devido a uma falta de recursos, e
como eu estava ansiosa para ganhar experiência agora que eu tinha a minha
qualificação.
– Você entende que a maioria do pessoal que entra aqui têm diplomas
universitários, mesmo em nossos departamentos de administração, – disse James. – O
que você acha que pode trazer para o papel, uma vez que você ainda não teve o mesmo
nível de educação?
– Eu acho que posso trazer as habilidades das pessoas, – eu respondi
prontamente. – Trabalhar em um bar pode parecer que não é preciso muito, mas acredite
em mim, você tem boa experiência em lidar com todos os tipos de conflitos. Eu acho
que a educação é importante, sim, mas eu também sinto que eu posso trazer muito mais
para o papel, em comparação com alguém que está entrando com um grau, mas
experiência zero.
– E se você vir contra um problema que requer técnica ao invés de habilidades
interpessoais, algo que um graduado da universidade seria mais bem equipado para lidar
com isso? – James continuou. Olhei rapidamente para o Sr. King para encontrá-lo me
estudando de perto, e de repente senti um pouco mais quente debaixo do meu vestido.
– Então eu vou pedir orientação. Se há um problema que não posso lidar
sozinha, eu sempre peço a alguém para me ensinar. Eu sou tudo sobre a expansão de
minha aprendizagem, e eu mantenho a crença de que devemos estar continuamente
ganhando novas habilidades.
King se inclinou sobre a mesa para dar a James um sorriso. Ele disse: – Eu gosto
dela, – e eu me senti um pequeno triunfo na minha barriga. James era muito mais difícil
de ler, e Eleanor parecia apenas estar sentada na entrevista como uma observadora
silenciosa. Imaginei que ela estaria dando sua opinião depois que eu saísse, informando
os outros dois se ela achava que eu estava apta para substituí-la.
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– Ok, muito bom. – Disse James. – Então, por que é que você gostaria de
trabalhar aqui no Johnson-Pearse?
Alívio me inundou e eu estava contente que ele fez esta pergunta. Eu tinha
passado horas pesquisando o banco, então eu sabia minhas coisas. Até o momento que
eu acabei de falar todas as razões pelas quais eu pensei que era o lugar ideal para eu
trabalhar, todos os três entrevistadores pareciam impressionados.

Em seguida, Sr. King cruzou as mãos juntas, finalmente decidindo falar. – Você
parece saber muito sobre este banco, senhorita Clark, mas me diga, se você fosse
implementar uma mudança para melhorar a forma como executar as coisas, o que seria?
Sua pergunta me pegou de surpresa, e eu imaginei um branco total e
completo. Minha mente correu por uma resposta, qualquer resposta, e antes que eu
pudesse ter um segundo para pensar corretamente as coisas, eu soltei: – Bem, para
começar, eu chamaria a polícia sobre o traficante trabalhando na banca do lado de
fora. Eu estou supondo que funcionários drogados não fazem são muito produtivos.
As sobrancelhas de James se atiraram para cima em sua testa. Eleanor franziu os
lábios, me avaliando mais de perto, e King não mostrou quaisquer sinais exteriores de
uma reação que não seja a menor curva dos lábios. Ele olhou para fora da janela, onde
havia uma visão direto da banca de jornal, escreveu alguma coisa, em seguida, disparou
a James um olhar para continuar com a entrevista. Eu o vi olhando para mim de novo,
de forma diferente agora, como se estivesse vendo algo interessante que ele não tinha
notado antes. O fato de que nenhum deles tinha comentado sobre a minha resposta me
fez sentir suada e envergonhada, e minha necessidade de fugir da sala era palpável. Eu e
minha boca grande.
James jogou mais algumas perguntas para mim, perguntando como eu iria lidar
com um número de cenários. Infelizmente, porém, depois do meu comentário sobre o
traficante, seu desgosto por mim começou a brilhar, e ele rapidamente envolveu as
coisas.

– Muito obrigado, senhorita Clark. Como eu disse, estes postos de trabalho


normalmente vão para graduados universitários, mas muito obrigado por ter
vindo. Você tem perguntas para nós?
Eu olhei para ele, me sentindo como se o que ele disse foi um pouco
paternalista. Eu tinha passado dias me preparando para esta entrevista, e o fato de que
ele era tão rápido para me dispensar fez o meu sangue ferver. Foi por isso que, apesar de
ter toda uma série de perguntas preparadas para fazer, eu disse bruscamente, – Se eu não
sou a candidata qualificada, então por que vocês me chamaram para uma entrevista?
O rosto de James brilhou com surpresa pela minha pergunta, e eu gemi
interiormente. Tecnicamente, porém, eu já tinha estragado as coisas, então eu poderia
muito bem dizer o que pensava.
Ele olhou para Oliver King. – Cada um de nós apresentou um número de
currículos. Creio que foi o Sr. King, que pensou que o seu tinha... potencial.
Eleanor franziu a testa, e King lhe lançou um olhar que dizia que ele falaria disso
mais tarde, antes de se virar para me encarar. Fiquei com a impressão de que James era
o meu maior inimigo nesta situação, mas, em seguida, King falou e virou tudo.
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Nivelando os olhos em mim, ele disse simplesmente: – Você incluiu uma foto,
Helen Clark, e eu gostei da sua aparência.
Eu juro, meu queixo praticamente caiu no chão. Eu tive muitas entrevistas no
meu tempo, mas esta foi de longe a mais estranha. Ele era até mesmo autorizado a dizer
algo assim? Desde que parecia que ele era o único que dava as ordens por aqui, achei
que ele era. Eriçada, me levantei da minha cadeira. Eu sabia que deveria ter esperado até
que fosse dispensada, mas eu estava tão chateada que eu tinha que sair de lá. Ainda
assim, eu não deixei meu temperamento obter o melhor de mim. Eu estabeleci meu
olhar sobre ele e calmamente lhe dei a minha melhor fala.
– Bem, então, Sr. King, se eu for escolhida para a posição, eu vou ter que provar
a você que minha aparência é mínima em comparação com o que meu cérebro pode
conseguir.
King sorriu.
Virei-me e deixei o escritório.
No dia seguinte, recebi um telefonema de Eleanor me dizendo que eu tinha
conseguido o trabalho.

***

Engolindo o último do meu café, eu escorreguei meus fones nos ouvidos, cliquei
em ‘play’ no meu álbum favorito de MIA, e parti para o metrô. Eu vivia no décimo
andar de um grande bloco de torre cinzenta em Bethnal Green com minha melhor
amiga, Karla. As escadas eram um aborrecimento, mas eu tinha que admitir que puxar
minha bunda para cima e para baixo todos os dias fez maravilhas para meus
glúteos. Pena que a minha propensão para comer bolo desfez todo o bom trabalho.
Era o meu primeiro dia de trabalho no Banco Johnson-Pearse. Após a natureza
bizarra da minha entrevista, e o fato ainda mais bizarro que eles realmente me
escolheram para o cargo, eu estava colocando as minhas melhores músicas. As músicas
de MIA sempre me fez sentir pronta para assumir um desafio; era como minha música
de luta.
Eu usava meu vestido lápis sob meu casado de lona. Eu também usava luvas e
um lenço, que eu enterrei meu nariz para afastar o frio. Era janeiro em Londres, o que
significava que estava frio suficiente para congelar seus mamilos.

Uma vez que cheguei ao metrô, eu saboreei o calor interno e fiz minha viagem
de pé porque era hora do rush, e eu não iria conseguir um assento. Finalmente chegando
em Canary Wharf, eu saí da estação de metrô gigantesco e completei a caminhada até a
torre de vidro e aço, onde Johnson-Pearse estava localizado.
Esta área era referida como The City, uma única milha quadrada que abrigava as
mais poderosas instituições financeiras no Reino Unido. Alguns dos edifícios tinham
apelidos engraçados. Por exemplo, você tinha o Gherkin, que eu pessoalmente achei que
parecia um ovo gigante.
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Você poderia dividir o distrito em três seções. Canary Wharf era moderna, se
elevando, sem alma, e onde você poderia encontrar os bancos de investimento todo-
poderosos. A Cidade Velha era histórica, peculiar, e principalmente casa das
seguradoras e corretores. E, finalmente, você tinha o elegante e cosmopolita Mayfair,
onde você poderia encontrar os fundos especulativos e empresas de capital privado. Eu
só tinha me tornado tão bem informada sobre tudo isso desde que eu comecei a minha
busca de emprego. Antes, era apenas outra parte de Londres para mim. Mas agora que
eu tinha descoberto esta cidade dentro da cidade, eu me tornei fascinada. Com apenas
um olhar, você sabia que este era um lugar onde havia um só Deus, e seu nome era
dinheiro.
Eu desapareci entre a multidão de gente profissional entrando no prédio. Eu tive
que assinar entrada no balcão da segurança, já que eu ainda não tinha recebido meu
crachá. Uma vez eu terminei, eu entrei no elevador. Eu ainda estava escutando a minha
música, de pé no canto do elevador lotado, quando eu senti os olhos de alguém em mim.
Rapidamente olhando para cima, vi Oliver King alguns centímetros de distância,
usando um terno e um sorriso, um jornal debaixo do braço. Puxando meus fones de
ouvido e os deixei descansar em volta do meu pescoço, dei a ele um aceno
educado. Meu primeiro instinto foi o de ficar constrangida que ele tinha me pego
balançando minha cabeça, afastada em meu próprio mundo pequeno, mas eu soquei a
cadela para baixo. Se qualquer coisa que eu aprendi crescendo em uma pequena casa de
conselho com três irmãos arrogantes e com recursos limitados, era de que você tinha
que manter sua cabeça erguida nesta vida. Tomar o que era seu e nunca deixar ninguém
fazer você se sentir desconfortável ou inferior.

Quando o elevador parou no nosso andar, tanto Oliver e eu saímos, deixando o


lugar lotado atrás de nós.
– Bom dia, Alexis, – disse ele naquele sotaque refinado dele que gritava
Cambridge e Eton, e todos os outros lugares elegantes onde as classes superiores
receberam sua educação. Ele colocou a mão na parte inferior das minhas costas por um
segundo, como se me conduzindo para fora.
– Sr. King, – eu respondi, me certificando de afastar e pôr fim ao toque. Eu não
tinha certeza se isso era normal ou o quê. Eu comecei a tirar as luvas e desembrulhar
meu cachecol do meu pescoço.
– Está frio lá fora hoje, – continuou ele, os olhos me digitalizando, e eu
assenti. Logo cheguei ao seu escritório, que tinha um grande átrio com duas mesas, uma
para Eleanor e uma para a outra assistente, Gillian. Eleanor tinha me falado sobre ela no
telefone, mas não tinha me encontrado ainda. A assistente mais velha já estava em sua
mesa, digitando em seu computador, assim como Gillian, tinha cabelo loiro curto e uma
compilação magra. Ela parecia ser a minha idade. Quando ela viu King, ela
imediatamente se levantou de seu assento, reuniu um grupo de pastas, e caminhou ao
lado dele. Ela mal me deu uma segunda olhada.
– Estas são as pastas para reuniões desta manhã, o café está lá dentro, e Kenneth
Green ligou para agendar uma reunião de almoço na quarta-feira. – A voz dela sumiu
enquanto iam para o escritório de King, e eu olhei para Eleanor, que me deu um
caloroso sorriso.
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– Bom dia, amor, venha se sentar. Você vai estar me seguindo pela semana,
então, na próxima semana, vamos ver como você vai sozinha. Eu vou estar aqui por
mais um mês para garantir que a transição seja executada sem problemas.
Havia algo sobre Eleanor que me deixava à vontade, e eu comecei a me
perguntar se ela era a razão pela qual eu consegui esse trabalho. Quando tinha falado
por telefone, ela realmente pediu desculpas pelo que o Sr. King me tinha dito na
entrevista, e declarou abertamente que era o tipo que participou do movimento feminista
há cinquenta anos. Nem precisava dizer que eu já gostava dela.

Depois de eu ter ficado confortável, ela percorreu a rotina matinal do Sr. King
comigo. Eu seria responsável por ordenar o seu café da manhã e dar a ele um resumo
das manchetes em cada um dos principais jornais dos países, enquanto Gillian cuidava
do calendário de reuniões de manhã e à tarde. Aparentemente, o Sr. King tinha um
talento especial para absorver as notícias e fazer previsões sobre qual caminho os
mercados se transformavam. Eu era cética em relação a isso, mas nós veríamos.
As horas escorreram, e meu novo patrão saía e entrava do seu escritório várias
vezes. Por instinto, eu me encontrei observando como ele interagia com as pessoas. Ele
deve ter estado apenas nos seus trinta anos, ainda tinha essa confiança que deixava as
pessoas ansiosas para fazer o seu lance, para impressioná-lo. Era um pouco viciante de
assistir.
Era quase almoço quando Gillian apareceu na minha mesa e me disse que o Sr.
King queria ter uma conversa rápida. Engoli em seco e me levantei, hesitantemente
fazendo o meu caminho para o escritório. Foi muito impressionante. Dois lados da sala
eram todas janelas, com vista para a agitação de Canary Wharf. A atenção de King
estava fixada na tela de um de seus computadores (havia vários em torno de sua mesa)
enquanto seus dedos digitavam rapidamente. Eu não tinha certeza se ele até mesmo
percebeu que eu estava lá até que ele começou a falar.
– Como está indo o seu primeiro dia, Alexis?

Foi um pouco desconcertante que ele não estava olhando para mim, mas eu
respondi de qualquer maneira. – Muito bem. Eleanor está me dando uma boa educação.
Um sorriso enfeitou seus lábios. – Ela é ótima, não é? Eu vou ficar triste de vê-la
ir, mas ela e seu marido estão indo para o sul da França, e nenhuma quantidade de
dinheiro que eu tenho oferecido vai convencê-la a ficar.
– Bem, se dada a escolha entre apanhar banhos de sol em St. Tropez ou ficar
enfiado em um escritório durante todo o dia, eu sei o que a maioria das pessoas iriam
escolher.

Assim que a declaração estava fora, me arrependi. Ele fez uma pausa na
digitação e finalmente olhou para mim. Um longo momento decorreu, e eu me
perguntava se eu tinha sido muito livre com minha boca novamente. Este não era um
pub. Era um escritório. Este homem era o meu patrão, e eu realmente precisava
aprender certas brincadeiras que não eram apropriadas.
– Você já esteve? – Ele finalmente perguntou.
– Hã?
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– Em St. Tropez.
– Oh, não, nunca, – eu disse, os olhos olhando para fora da janela e, em seguida,
de volta para ele.
– Então, como você pode saber que é a melhor opção? Precisamos de evidências
para provar um ponto, senhorita Clark. Eu achismos são um desperdício de tempo.
– Não foi um achismo, – eu respondi, usando a sua palavra, o que
definitivamente não estava no dicionário. – Eu estava simplesmente usando
minha imaginação. – Além disso, a carreira dele não era em torno de suposições e
riscos?
Me ponderando um momento, ele perguntou: – Alguém já te disse que você é
muito direta? – Ele sorriu e bateu um dedo em seu queixo enquanto ele me estudava. –
Eu gosto disso. Eu sou direto também. Dito isto, às vezes a minha franqueza pode vir
através da maneira errada. O que me traz a razão pela qual eu te chamei aqui. Eu tenho
dito que seria sensato te pedir desculpas por meu comportamento na sua entrevista. Às
vezes tenho um problema com tato, e parece que o que eu disse a você poderia ser
considerado ofensivo.
Uau, ele estava se desculpando? Eu não queria mostrar qualquer fraqueza, então
eu simplesmente olhei para ele de frente e respondi calmamente: – Você vai ter que se
levantar muito mais cedo de manhã para me ofender, o Sr. King.

Seus lábios apertaram. – Sério? Quão cedo estamos falando?


Eu reprimi uma risada e sorriu. – O raiar do dia, praticamente.
Ele soltou um suspiro brincalhão. – É uma pena que eu valorizo meu sono de
beleza.

Eu não respondi, só levantou uma sobrancelha. Na minha opinião, sua beleza


não precisava de nenhum reforço.
– De qualquer forma, ainda bem que você não se ofende facilmente, porque
assistentes com lágrimas nos olhos são um incômodo. – Ele fez uma pausa, me olhando
atentamente, a voz ficando séria. – Eu valorizo a honestidade, senhorita Clark. Muitas
pessoas neste mundo se escondem atrás de mentiras e duplicidade. Nem preciso dizer
que a maneira que você tão abertamente me respondeu em sua entrevista me deixou
verdadeiramente impressionado.
Seu elogio me surpreendeu. Eu estava em uma perda de palavras, e quando eu
não conseguia pensar em nada para dizer, eu normalmente fazia uma piada. E isso é
exatamente o que eu fiz.
– Nesse caso, talvez eu devesse ter dito a você que tenho um instinto para
negócios e um cérebro para o pecado, – Eu brinquei, humoristicamente falando a linha
do filme Working Girl. Afinal de contas, era um tema apropriado. – Ou é o contrário?
A atenção de King, que tinha momentaneamente vagado para sua tela de
computador, bateu de volta para mim, e por um segundo ele pareceu meio divertido e
perplexo. Não é o riso que eu estava buscando, mas não a pior reação possível também.
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Limpei a garganta, de repente precisando sair de lá. – Bem, se não há mais nada?
– Isso é tudo, Alexis. Você pode voltar para Eleanor, – ele respondeu.

Foi só quando eu estava a meio caminho da porta que ele murmurou baixinho,
brincando, – O instinto para o negócio parece interessante.
Virei-me, e ele olhei para mim, me lançando um sorriso de fazer o coração
vibrar. Eu sorri de volta, e sua atenção voltou para sua tela de computador. Tudo de uma
vez, minha incerteza e embaraço desapareceu. Meu peito estava mais cheio, e enquanto
eu continuava meu caminho para fora da sala, eu jurei que senti seus olhos voltarem
para mim mais uma vez.

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Dois

Peguei alguns mantimentos para o jantar no caminho de casa, os meus


pensamentos centrados em meu novo emprego, mas, mais importante, meu novo
chefe. Sim, ele era atraente de olhar, mas havia algo mais sobre ele. Algo abaixo da
superfície que me deixou curiosa. Eu tinha uma sensação de que havia muito mais em
Oliver King do que os olhos.
Contando os lances de escadas enquanto eu subia meu caminho até o nosso
apartamento, eu tentei lembrar se Karla estava trabalhando de dia ou de noite esta
semana. Sendo uma policial da Polícia Metropolitana significava que ela nem sempre
trabalhava no horário comercial.

Quando ouvi o chuveiro ligado, eu sabia que ela tinha estado no turno
diurno. Quando eu liguei a TV e comecei o jantar, ouvi o chuveiro desligar. Poucos
minutos depois, ela saiu envolta em uma toalha e me deu um sorriso cansado. Seu
cabelo vermelho brilhante e molhado caiu sobre sua testa, e seus olhos azuis claros
pareciam cansados.
– Hey, – ela disse, a voz suave. – Como foi seu primeiro dia?
– Foi bom, – eu respondi. – Bom, mas estranho. Eu juro, é outro mundo inteiro
lá.

Ela suspirou e se sentou em um tamborete pelo contador me observando cortar


cenouras. – Me diga sobre isso. Alguns dias eu sinto vontade de arremessar tudo e
encontrar um homem rico para me casar. Tornaria a vida muito mais fácil.
Eu bufei. – Sim.
Apesar de sua profissão, Karla poderia realmente ser uma pessoa muito
sensível. Alguns poderiam até mesmo ir tão longe como dizer tímida. Ela era muito
trabalhadora e resistente como pregos em sua própria maneira, mas ela também era
quieta. Ela caiu no trabalho da polícia devido a seu pai estar na força, mas eu sempre me
perguntei se isso era o que ela realmente queria fazer.
– Aconteceu alguma coisa hoje? – Perguntei enquanto cozinhava. Ela parecia
mais cansada do que o habitual.
Esfregando o vinco entre as sobrancelhas, ela respondeu: – Eu tive que acabar
com uma luta muito viciosa entre duas crianças hoje. Um deles foi terrivelmente ferido
e teve que ser hospitalizado. Ele tinha apenas quatorze anos. Eu ainda estou me
recuperando.
– Oh, meu Deus, – Eu exclamei, baixando a faca e indo para ela. Eu joguei meu
braço em volta dos seus ombros. – Você está bem?
– Eu estou bem, – disse ela, aceitando o meu abraço. – É tão difícil às
vezes. Você tenta o seu melhor para ajudar as pessoas e mantê-los seguros, mas as
crianças ainda estão por aí, matando, roubando, fazendo todos os tipos de coisas. Você
acaba se sentindo como se não houvesse nenhum jeito do sistema funcionar sempre.
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Eu não disse nada, apenas apertou mais apertado. Finalmente, ela deixou escapar
um longo suspiro e se afastou. – Não me importo. Eu só estou sendo melancólica. Uma
boa noite de sono e eu vou me sentir melhor.
Eu dei a ela um olhar de compreensão e voltei para as cenouras. Tentando tirar
sua mente disso, eu disse: – Eu acho que nós devemos sair neste fim de semana. Eu sei
que o dinheiro está apertado, mas precisamos deixar sair algum vapor.

Seus olhos se iluminaram com as minhas palavras. Uma coisa que nós duas
amamos estava dançar, e cada par de semanas a gente ia em um clube.
– A Bala de Prata está dando uma noite de ska1 na sexta-feira, – disse ela. – Eu
vi o cartaz no meu caminho para casa do trabalho.
Eu sorri para ela. – Uma noite de ska então. Vamos pintar a cidade de bege, uma
vez que o vermelho está reservada estritamente para menores de idade.
Isso tirou uma risada dela, e eu me senti bem que eu tinha a feito rir. Ela pegou
uma cenoura e deu uma mordida. – Bem, claro.

***

Na manhã seguinte, cheguei cedo ao trabalho. Desta vez, eu não vi King no


elevador, que eu achei curiosamente decepcionante. Ok, tudo bem, cale-se. Meu interior
achou isso desapontante, porque ele era gostoso. Além disso, lembrando do sorriso que
tínhamos ontem compartilhado fez minha barriga vibrar.
Eu estava sentada em frente ao computador, completando alguma entrada de
dados que Eleanor tinha me incumbido de fazer, enquanto examinava documentos da
manhã. Os dedos relâmpagos de Gillian dançaram sobre seu teclado como um retrato
de ocupado, ocupado, trabalho a fazer. Sua mesa estava do outro lado do nosso átrio
que levava ao grande escritório de King. Quando ele chegou por volta das oito e meia,
ele deu a cada um de nós um aceno quando Gillian pulou de seu assento, o mesmo de
ontem.
– Bom dia, Eleanor, dia, Gillian, dia, Alexis, – King disse. Ele deu a Eleanor um
olhar brilhante. – Ouviu as notícias?
Ela olhou para ele, lambendo o dedo antes de casualmente virar outra página. –
Eu não participo de fofocas picantes, o Sr. King. Você sabe disso.
Eu quase bufei em sua resposta desdenhosa, mas consegui segurá-la. Eleanor
estava rapidamente se tornando a minha heroína, porque eu sabia de fato que ela era a
única pessoa que podia falar com King assim. Eu também tinha um palpite de que ela
era a pessoa que tinha sugerido que ele se desculpasse por dizer o que ele disse para
mim na minha entrevista. Eu estava seriamente ansiosa para estar sua idade e se ganhar
de ter essa vibração de senhorita Trunchbull toda animada.

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Estilo da música. (N.T)
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King soltou um bufo divertido e se voltou para Gillian. – E você?
Gillian parecia alheia enquanto ela nervosamente limpou a garganta e apertou as
pastas que estava segurando. – Oh, hum, não, desculpe, não. – Ela pareceu desapontada
por si mesma, como se decepcionar o King Oliver de qualquer forma fosse uma falha da
parte dela. Eu senti vontade de dizer isso para animá-la e ser uma mulher, não uma
menina desesperada para agradar seu chefe.

Finalmente, ele olhou para mim. – Bem, você obviamente deve ter ouvido,
novata. Deus, é pedir muito para ter algumas senhoras que gostam de fofocar por
aqui? Estou praticamente rebentando pelas costuras.
Eleanor sacudiu a cabeça, mas eu vi seus lábios se contraírem com uma sugestão
de um sorriso. Sr. King estava, obviamente, em um clima excepcionalmente agradável
esta manhã. Enquanto conversava com ela ontem, ela me disse que seu humor poderia
ser um pouco imprevisível, então era sempre melhor estar do lado da cautela.
– Bem, nos diga o que você sabe, e eu vou estar feliz em contar, – eu disse. –
Bisbilhotice é o meu forte.
– Oh, graças a Deus. – King exalou com falsa dramática quando ele se
aproximou da mesa e me olhou maliciosamente. – George Bacon, um dos melhores
caras lá na Citibank, morreu na noite passada.
Deixei escapar um suspiro. – Isso é terrível.
– A-ha! Mas você ainda não ouviu o pior de tudo. O pobre Georgie estalou seus
tamancos durante uma sessão bastante intensa com uma senhora da noite. Seu velho
coração não estava à altura do desafio. – Ele balançou a cabeça, mas ele não sentia
claramente nenhuma simpatia pelo homem. Bem, já que tínhamos acabado de apanhar
por uma recessão desgraçada, muito poucas pessoas sentiam pena daqueles que
trabalham na indústria de serviços financeiros nos dias de hoje. No entanto, sendo um
banqueiro ele mesmo, pensei que o Sr. King pudesse ser capaz de sentir empatia.
Olhei para ele, encontrando sua escolha de tópico de conversação surreal. Oliver
King realmente não tem qualquer tato, mas estranhamente, eu não me importava. Na
verdade, eu meio que gostei. Quando eu tinha aceito este trabalho, eu pensei que eu ia
ser presa trabalhando com um monte de cadáveres.
Eu não tinha certeza porque eu disse o que eu disse em seguida. Era uma mistura
de ser uma espertinha e não ter nenhum filtro. Eu sorri para King e brinquei: – Então, o
que você está dizendo é que ele veio e se foi2?
Houve um momento de silêncio antes de King soltar uma gargalhada. Sorrindo
amplamente, ele se inclinou e descansou as mãos sobre a mesa, quando ele respondeu
com uma piscadela: – Eu prefiro dizer que chegou antes de partir.
Eu ri. – Bem ok, então, se você quiser ser todo sofisticado sobre o assunto.

Nós ainda estávamos sorrindo um para o outro quando Eleanor cortou, – Sr.
King, eu acredito que você tem uma reunião em vinte minutos que você precisa se
preparar.
2
Esse veio se refere a gozar. Gozou e se foi. Pois lá eles usam come para gozar e vir. (N.T.)
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King não olhou para longe de mim por um momento, enquanto seu sorriso
começava a desaparecer. Ter os olhos em mim me fez sentir um pouco
arrepiada. Finalmente, ele balançou a cabeça e virou-se, caminhando para dentro de seu
escritório com Gillian seguindo atrás. Voltei para a minha entrada de dados, e um ou
dois minutos de silêncio se passaram antes que Eleanor dissesse, – Eu acho que vocês
dois podem ser um pouco parecidos demais. – Ela fez uma pausa, e havia um sorriso em
sua voz. – Depois que eu me for, talvez Gillian deixe você acompanhar o Sr. King em
viagens. Tremo só de pensar o que o dois desencadeariam com clientes potenciais.
Eu atirei a ela um olhar interrogativo. – Viagens?
– Às vezes, ele nos obriga a acompanhá-lo em viagens de negócios. É realmente
apenas uma ou duas vezes por ano.

– Ah, certo, – eu disse, franzindo a testa um pouco. Devo ter apagado sobre essa
parte da descrição do trabalho, muito cheia de alegria quando vi o tamanho do meu
salário anual. Ah sim. Este ano iria haver um monte de compra de bolos uma vez que o
dinheiro começasse a rolar.
A manhã passou depressa. Quando chegou a hora do almoço, eu não quis
acompanhar Eleanor e Gillian a um restaurante de sushi e preferi pegar um sanduíche
nas proximidades. Eu precisava dos carboidratos, e nunca me sentia cheia depois de
sushi. E tudo bem, talvez eu devesse ter estado comendo mais do que sushi do que
sanduíches, porque eu estava carregando um pouco de peso extra, mas eu simplesmente
não conseguia reunir a vontade de me preocupar. Meu corpo era o que era. Eu tinha
herdado da minha mãe grega curvilínea, e a vida era muito curta para ficar comendo
pacotes de geleia de zero caloria do Japão.
Eu trouxe a minha comida de volta para o escritório e encontrei um lugar
relativamente calmo, uma vez que a maioria das pessoas estavam ou comendo fora, ou
estavam no refeitório almoçando. Eu tinha planejado comer na minha mesa, em seguida,
começar sobre o restante do trabalho que tinha para completar, quando minha atenção se
dirigiu para a porta do escritório de King.
Meu sordidez estava me pedindo para entrar e dar uma olhada ao redor, e eu
sabia pela sua programação que ele não deveria voltar de sua reunião da tarde até as
três. Trazendo meu almoço comigo, eu entrei em seu escritório e fiquei maravilhada
com a vista. Sua mesa era grande e imponente, e houve uma série de molduras na
parede. Dois deles mostravam seus certificados universitários. Ele tinha uma
licenciatura de primeira classe em finanças e contabilidade pela Escola de Economia de
Londres, e um mestrado em finanças de Cambridge. Eu assobiei enquanto eu olhava.
Uma educação como essa deveria ter custado um bocado. Mas então eu percebi que a
família de King provavelmente não estava sofrendo por dinheiro quando eu olhei o
próximo quadro.
Ele mostrava um poster do concerto antigo de Elaine King, uma mundialmente
renomada pianista de concerto que teve seu auge no final dos anos oitenta/início dos
anos noventa. Ela era agora uma renomada acho que em Agnetha do ABBA. Não
demorou muito para eu colocar dois e dois juntos e descobrir que ela estava relacionada
com King de algum modo, e vendo seu cabelo louro e características refinadas
familiarmente, eu colocaria meu dinheiro que ela era sua mãe. Uau.
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Eu vi uma porta que conduzia a um banheiro e dei um passo para dentro,
deixando escapar alguns palavrões quando vi o tamanho do lugar. Era provavelmente
maior do que toda a minha casa e a de Karla. Ele ostentava um grande chuveiro, um
armário e janelas do chão ao teto com esse vidro especial que era claro ou fosco com o
toque de um botão. A peça mais chamativa, no entanto, era o sofá ao longo de um lado
da sala. Quer dizer, um sofá como esse em um banheiro como esse apenas gritava
extravagância, e desde que eu só tinha um de baixa qualidade em casa que
definitivamente tinha visto melhores dias, eu não podia evitar me jogar sobre ele e cavar
o meu sanduíche.
Sim, eu estava almoçando no banheiro do meu chefe, enquanto aprecia a vista da
cidade. Provavelmente não o mais inteligente dos movimentos. E sim, isso era estranho,
mas eu não pude resistir de aproveitar o luxo. Quem sabia quando eu teria essa chance?
Retirando meu telefone, eu consultei o Facebook, intermitentemente rindo de
postagens engraçadas ou balançando a cabeça cinicamente pelas coisas habituais. Me
deparei com uma coleção de fotos a partir de um primo distante meu, tirado em seu
casamento de renovação de votos.
Hmm, a cadela nunca me convidou. Eu juro por Deus, deveria ter umas 350
fotos do mesmo evento, mas como a esquisitona que eu era (e, vamos enfrentar, todos
nós éramos) eu não poderia evitar continuar a clicar, como se eu precisasse ver dez
variações da mesma cena como um viciado em crack precisava da próxima dose.
Eu estava perdida no Facebook quando o ruído distinto de uma garganta do sexo
masculino me fez pular e deixar cair meu telefone no susto. Olhando para cima, eu
achei King de pé na porta, braços cruzados e um olhar curioso no rosto. Ele estava de
volta mais cedo. Claro que ele ia voltar mais cedo.
– Apreciando o seu almoço? – Ele disse, levantando uma sobrancelha.

O que foi esse som que você acabou de ouvir? Ora, era meu coração se jogando
no chão e rastejando em mortificação.
– Eu, eh, uh... – Eu tentei pensar em uma desculpa, mas tive um branco total e
completo. Finalmente eu falei, – Você tem um sofá em seu banheiro. – Sim, eu era uma
joia assim.
– Sim. E você está aqui, por quê?
Deixei escapar uma risada envergonhada e pendurei a cabeça de vergonha. Não
havia realmente desculpa para isso. Era como se, quando você vê uma girafa de
passagem, você é mais do que provável estar no jardim zoológico. Esta era eu tomando
liberdades claro como o dia. Estremecendo, eu decidi ser honesta e enfrentar as
consequências. – Eu realmente sinto muito. Eu estava olhando seu escritório e vi que
você tinha um sofá em seu banheiro e que seu banheiro é mais luxuosa do que qualquer
banheiro que eu já estive, e eu não pude evitar.
Oh, Deus, alguém amordaça a minha diarreia verbal, por favor.
Olhei para King. King olhou para mim. Sua expressão era indecifrável até que
ele balançou a cabeça e soltou uma risada suave. Em seguida, ele me surpreendeu
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quando ele fechou a porta, entrou e caiu ao meu lado. Ele jogou os braços para cima e
descansou a cabeça em suas mãos, chutando as pernas para fora.
– É bastante ostentoso aqui, – ele permitiu.
Um momento de silêncio se passou antes de eu perguntar: – Eu estou demitida?
Os olhos de King escorregaram para os meus quando ele deixou escapar um
longo suspiro. Eu pensei que ele poderia estar desfrutando de me fazer suar antes de ele
finalmente responder: – Felizmente para você, eu estou em um muito bom humor hoje,
portanto, não, você não está despedida. Eu apreciaria, porém, se você me avisasse da
próxima vez que sentir vontade de comer o almoço no meu banheiro. Eu poderia ter
estado aqui tomando um banho. – Ele sorriu para mim antes de colocar uma cara de
horror fingido. – Ou, Deus me livre, imagine o número dois.
Ele sussurrou as palavras ‘número dois’, e comecei a rir. Eu juro que era a última
coisa que eu esperava que ele dissesse. Ele era muito engraçado quando queria ser.
Eu bati os dedos sobre o meu coração. – Ok, eu juro que vou te falar da próxima
vez. Número dois não é algo que eu quero testemunhar.

Ele balançou a testa e se inclinou em uma fração mais perto, batendo no meu
ombro com o seu. – Ah, mas você não seria adversa a um chuveiro?
Sua pergunta me pegou de surpresa, e eu estava duplamente surpreendida pelo
olhar levemente aquecido que ele me deu. Minha surpresa, combinada com a minha
personalidade, me fez deixar escapar uma mentira. – Oh, bem, sendo lésbica e tudo, vê-
lo nu não iria realmente me incomodar.
Por que, por que, por que, Alexis? Porque você disse isso?
King me olhou com astúcia, sua expressão incrédula. – Você é gay... sério?
Apertei os lábios juntos e suspirei. Agora que a mentira estava fora, não havia
como levá-la de volta. Então eu teria que vir com uma razão para mentir, e isso
significaria dizer a ele da maneira como ele olhou para mim me dez ter alguns
pensamentos muito pouco profissionais sobre ele. E sim, de jeito nenhum iria fazer
isso. De jeito nenhum.
– Sim. Gay como um... dia de primavera no dia primeiro de maio.

Jesus. Eu não tinha ideia de onde essa estranheza que tinha acabado de vomitar
veio. Ele estudou as minhas feições, e eu não sabia o que ele iria dizer em
seguida. Então ele me deu um sorriso brincalhão antes de perguntar descaradamente, –
Sempre ou quase?
Pequeno insolente... Olhei para ele e continuei mentindo. – Sempre.
Eu não tinha certeza, mas eu pensei que eu vi um lampejo de decepção em seus
olhos. – Oh, bem, pelo menos isso significa que estamos assinalando uma caixa na parte
antiga da pesquisa de igualdade de oportunidades. – Eu poderia dizer pelo seu tom que
ele estava brincando. Mas ainda assim, eu precisava mudar de assunto. Talvez ele fosse
esquecer sobre a mentira. Afinal de contas, ele era um homem ocupado e certamente
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levava em um monte de novas informações em uma base diária. Talvez o ‘Alexis ser
lésbica’ iria se perder no meio das massas.
– Você tem uma foto de Elaine King em seu escritório, – eu disse. – Qualquer
relação?

Sua expressão se tornou nublada, seu comportamento mais sério agora quando
ele respondeu sobriamente: – Sim, ela é minha mãe.
– Uau. Isso é um conjunto de genes talentosos de onde você vem. Você toca
piano, também?
Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. – Sim, na
verdade. Mamãe começou a ensinar-me quando menino. É claro, eu toco
exclusivamente para a recreação. Mãe é a estrela.
– Ela é muito bonita, – acrescentei.
– Sim, – King concordou, franzindo a testa. – Ela é. É uma pena que o mundo
não consegue mais vê-lo.
Eu queria perguntar a ele por que, mas eu não queria intrometer. Além disso, eu
tinha conseguido mudar o assunto, e isso era bom o suficiente para mim. Eu comi o
último do meu sanduíche, levantei do sofá, e dei a ele um sorriso amigável. – Bem,
Cambridge, é melhor eu voltar ao trabalho. Não há descanso para os ímpios.
Ele estreitou seu olhar de brincadeira, e fiquei aliviada ao ver o humor retornar
às suas características. Eu não gostava dele triste e sério. – Vamos deixar Cambridge
fora disso. É Sr. King para você, Oliver em um impulso.

– Como você se sente sobre Cambo?


Uma sobrancelha se elevou quando ele brincou: – Cambo como no Camboja?
– Nah, Cambo como em, eu vim toda sobre seus peitos.
O que eu disse estava, provavelmente, empurrando os limites de um bate papo
apropriado de patrão/empregado, mas ele estava ultrapassando os limites, tanto quanto
eu durante o nosso curto espaço de tempo no banheiro. Portanto, eu não estava tão
preocupada com a reação dele como eu poderia ter estado.
Vou dar crédito a ele - King não perder uma batida quando ele riu alto e
balançou a cabeça. – Oh, meu Deus, você realmente é lésbica.
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Página
Três

O resto da minha primeira semana se passou, e eu não vi King muito. O homem


era um banqueiro ocupado. No entanto, na quarta-feira, um dia após a nossa conversa
no banheiro, eu cheguei de volta da minha pausa manhã para encontrar uma nota de
post-it preso ao meu teclado. Era do meu chefe. Ele tinha uma letra realmente confusa,
mas eu consegui ler, no entanto. Lia-se:
Alexis,
Eu tenho reuniões de almoço toda esta semana, então meu banheiro ostentoso
está livre e à sua disposição, caso deseje tirar proveito disso. Basta limpar as migalhas
quando você terminar.
Sr. King
Fiquei positivamente alegre que ele estivesse me dando permissão para usar seu
banheiro como minha própria sala de jantar pessoal e aproveitei a oferta. Além disso,
era bom ter um pequeno santuário longe dos meus colegas de trabalho. Eu gostava de
Eleanor, e Gillian era bom o suficiente, apesar de seu hábito de flertar com todo e
qualquer homem que entrava no escritório. Mas ainda assim, eu aproveitei minha hora
no banheiro de King. Era o meu tempo para pensar, comer e relaxar sem a necessidade
constante de estar de conversação.

Eu balançava no meu passo enquanto caminhava para casa da estação de metrô


de sexta-feira. Karla e eu estávamos indo para a nossa noite de ska, e eu não podia
esperar para ficar arrumada e ir para a cidade. Depois de uma semana presa no
escritório, eu estava mais do que pronta para deixar meu cabelo solto. Talvez eu até
encontrasse um homem. Desde que o meu rompimento com Stu tinha passado apenas
um par de meses, eu realmente não tinha pensado muito em mergulhar meus pés de
volta no namoro. Mas agora que eu tinha este novo trabalho, eu também tinha um
impulso recente de confiança. Sim, eu definitivamente poderia puxar esta noite se
colocar minha mente nisso.
Eu comi um jantar rápido que Karla preparou para nós, em seguida, pulei no
chuveiro. Fresca, limpa e envolta em uma toalha, eu parei ao meu armário e fiz um
inventário das minhas roupas, tentando decidir o que vestir. Meu guarda-roupa tinha
pouca variação de estilos; Eu gostava de usar padrões atraentes. No final, eu escolhi um
par de leggings de leopardo, um top preto que cobria meus seios muito bem, um colar
dourado, grandes brincos de argola, e um par de saltos verde e preto.
Cale a boca, eu estava fabulosa.

De pé no meu espelho de corpo inteiro, comecei endireitar o meu cabelo


ondulado e olhei minha aparência. Os padrões incompatíveis foram propositais. Além
disso, você tinha que vestir toda funky para uma noite de ska. Esperava-se.
– Ótimo, – disse Karla quando ela entrou no meu quarto. – E essas calças fazem
sua bunda parecer fantástica.
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– Obrigada, – eu disse, sorrindo e desliguei o alisador de cabelo. – Você não está
nada mal.
Karla usava uma saia lápis vermelha apertada e um top preto e branco. Ela tinha
a pele pálida, cabelo vermelho e olhos azuis de alguém com uma dica definitiva de
descendência irlandesa em sua linhagem. Eu, por outro lado, herdei meu olhos da minha
mãe grega louca já mencionada (louca da melhor maneira) e tinha cabelo castanho
escuro, olhos quase pretos, e uma pele de oliva. Eu também tinha um amplo peito e uma
bunda definida acontecendo.

Depois eu apliquei um pouco de maquiagem, nós compartilhamos uma rápida


taça de vinho antes de sair. Aos vinte e sete anos, e Karla tendo vinte e oito anos,
estávamos provavelmente um pouco velhas para vir aqui. Mas fomos de qualquer
forma. O dia que eu parasse de ir dançar seria o dia em que me colocassem no meu
túmulo.

A noite ska estava em pleno andamento quando nós caminhamos para a música
tocada no saxofone ‘One Step Beyond’ por Madness. Eu nem sequer me incomodei em
ir para o bar para pegar uma bebida. Em vez disso, agarrei a mão de Karla e a levei para
a pista de dança, onde começamos a saltar para cima e para baixo como um par de
crianças super entusiasmadas.
Eu estava perdida no céu de ska quando senti um par de braços ao redor da
minha cintura. Virando, eu encontrei o meu amigo Bradley sorrindo para mim, usando
um colete e um par de jeans amarelo-canário. Bradley era meu irmão de outra mãe que
amava pau. E sim, um fileira de paus. Ele tinha ido para a escola Karla e eu, e agora
trabalhava como fotógrafo de moda muito bem sucedido.
– Lexie! Eu não vi você em anos, – ele gritou no meu ouvido. – O que você tem
feito?

Vibrando meus cílios, eu respondi brincando: – Oh, você sabe, o de sempre. Leo
Di Caprio ofereceu para me dar um fim de semana sujo e não aceitaria um não como
resposta.
Ele soltou um latido de riso e pegou a minha mão na sua, levando-me para o
bar. Karla seguiu, e Bradley virou-se para dar-lhe um abraço e um beijo. Ele acenou
para o barman, encomendando uma rodada de doses antes de voltar para mim.
– Estou contente por ter esbarrado em você, – disse ele. – Na verdade, eu tenho
sentido que precisava te ligar, porque eu tenho uma proposta.

Eu sorri e tomei a dose; queimou quando engoli. Eu gostava das propostas de


Bradley. Elas eram quase sempre garantidas para ter ‘diversão’ carimbada em cima
delas.
– Oh sim?
– Simmm, – disse ele. Eu podia dizer pelo brilho nos seus olhos que ele estava
mais do que um pouco tonto. – Eu apenas comecei a trabalhar para Baha. Você já ouviu
falar deles?
– Não posso dizer que sim, – eu respondi quando o cotovelo de Karla bateu
contra o meu enquanto ela bebia sua dose.
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– Bemmm, eles são uma marca de moda muito popular, e eu vou estar
trabalhando com eles em uma próxima sessão de fotos para a sua linha plus-size. Eles
estão procurando por algumas caras novas, e eu imediatamente pensei em você.
Eu estalei uma gargalhada. – Eu? O que, como, você quer que eu modele?

Bradley me bateu de brincadeira no braço. – Não, eu quero que você faça o


chá. Claro, eu quero que você modele. Você vai ser perfeita.
Fingi jogar com calma e brinquei: – Oh, bem, eu diria que sim e tudo, mas se eu
aparecesse, eles provavelmente me diriam para pegar meu look Kate Moss e voltar de
onde eu saí.
– Ha! Boa, – Bradley brincou. – Você está pronta para isso ou o quê?
– Eh, sim, eu estou dentro. Quando, onde, e eu posso ficar com as roupas
depois? Mas, mais importante, o quanto eu vou ser paga?
Ele me deu uma pequena careta. – Você vai ser muito bem compensada, vamos
ver sobre as roupas, e eu vou chamá-la quando eu souber mais detalhes.
– Coolio, – eu disse, e virei para tentar chamar a atenção do barman. Eu
precisava de uma bebida para comemorar. Essa realmente estava se transformando em
minha semana de sorte. Eu tinha novas ofertas de emprego. Antes que eu percebesse, eu
tinha tomado rum e Coca-Cola, e Bradley estava arrastando Karla e eu de volta para a
pista de dança. Em um ponto, uma morena vestindo uma blusa apertada aproximou-se
de Bradley e começou o que só poderia ser descrito como remexer os peitos para
ele. Ele continuou dançando e arqueou uma sobrancelha quando ela se virou para ele,
rebolando seus peitos.
– Oh, você está latindo para a árvore errada, amor, – ele suspirou, e sorriu.

Eu não acho que ela ouviu, porque ela já estava no cio contra ele. Eu ri e agarrei
as mãos de Karla, balançando-a para a música. Eu estava feliz, suada, dançando quando
senti meu telefone começar a vibrar dentro da minha bolsa. Me afastando por um
momento, porque a música era alta demais para escutar ao telefone, eu olhei para a tela
e reconheci o número de King. Eleanor tinha programado todos os números necessários
para o meu telefone na segunda-feira, e da mesma forma, ela tinha passado o meu
número para King se ele precisasse de mim.
Eu estava curiosa, e sim, muito embriagada para atender uma chamada do meu
chefe, quando eu bati em ‘aceitar’. – Sim.
A voz de King entrou na linha. – Alexis? É você?

Eu sorri e me encostei na parede do edifício. – A primeira e única. O que posso


fazer por você, chefe?
Ele limpou a garganta, e houve um momento de silêncio, como se estivesse
considerando a possibilidade de continuar a conversa. Por fim, ele continuou, – Eu peço
desculpas por perturbá-la fora do horário comercial, mas eu preciso de alguém para ir
recolher algumas pastas de Monty e Eleanor e Gillian estão ocupados.
– Monty como em Burns? – Sim, definitivamente embriagada.
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Eu ouvi o sorriso em sua voz quando ele respondeu. – Não, Monty como em
Montgomery Charles. Ele trabalha para mim no banco. Ele está redigindo alguns
certificados, e eu preciso dos originais. Você está livre para buscá-los para mim?
Suspirei internamente, sabendo que minha noite de diversão estava no seu
final. – Não exatamente, mas desde que você me permitiu usar seu banheiro esta
semana, suponho que eu te devo uma.

– Ótimo, – disse King antes de despejar onde eu tinha que ir, ao lado do seu
endereço de casa, e me disse que iria deixar a chave com o porteiro. Ele também me
disse para manter meus recibos de viagem para reembolso. Voltei para dentro, disse a
Karla que havia uma coisa de trabalho, e rapidamente fiz sinal para um táxi. Monty
acabou por ser um cara de vinte e poucos anos com um grande sorriso e uma ânsia
distinta para impressionar. Ele foi inflexível sobre eu entregar os documentos
diretamente para o Sr. King, sem desvios. Foi provavelmente a forma como eu estava
vestida que lhe tinha preocupado, como se eu fosse uma senhora louca de estampa de
leopardo fingindo ser a assistente de Oliver King.

O táxi estava em marcha lenta pela beira da estrada, esperando por mim, quando
voltei e continuamos para o lugar de King. Descobriu-se que seu apartamento era
localizado perto do Tamisa, em um edifício que gritava dinheiro.
O porteiro estava me esperando e me entregou um cartão-chave quando olhei ao
redor do interior moderno e elegante. Havia cerca de dez andares, e apartamento de
King estava no topo. Escolhendo tomar o elevador, desde que eu tinha escadas
suficientes para enfrentar no meu próprio prédio, eu cliquei no botão para o seu andar.
Eu estava totalmente sóbria enquanto eu caminhava pelo corredor para o
apartamento dele e entrei. A princípio, o lugar parecia tranquilo, mas então eu ouvi a
música. Alguém estava tocando um piano.

Quando eu pisei em torno de uma coluna alta e entrei no salão espaçoso, eu o


vi. Estava de costas para mim quando ele se sentou na frente de um grande piano negro,
seus dedos deslizando nas teclas enquanto ele tocava algo clássico. A música era suave
e dura ao mesmo tempo, tão intrincada e bonita. Eu sabia que tinha ouvido isso antes,
talvez em um filme, mas eu não conseguia identificar onde.
Fez meus poros ficarem apertados e meus pulmões se sentirem um pouco
desprovido de ar.
Havia algo que era tão inesperado sobre vê-lo assim, e isso me bateu em
cheio. No escritório eu o vi profissional, eficiente, confiante e no controle. Mas naquele
momento ele estava vulnerável, artístico e totalmente absorvido na música. E ele era
bom, loucamente, tão bom que eu não entendia por que ele era um banqueiro, quando
ele poderia estar tocando música como essa para a vida.

A canção tornou-se apaixonada, e seus dedos bateram nas teclas direitas antes do
meu telefone apitar com uma mensagem. Eu não tinha ideia de quem era, mas eu parei
quando King imediatamente parou de tocar e virou o rosto para mim. Ele pareceu pego
de surpresa, surpreso ao me ver lá, mesmo que ele sabia que eu estava vindo. Ficou
claro que ele estava completamente perdido na música.
Um momento de forte tensão, inexplicável caiu entre nós.
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Então ele fez uma leitura lenta do meu corpo, e eu juro que ele estava segurando
um sorriso. Em um instante, a tensão se foi, e ele usava uma expressão bem-humorada.
– Oh, vá em frente, diga. Você sabe que você quer, – eu suspirei.
King soltou um suspiro como se tivesse estado segurando, e sua voz estava cheia
de diversão. – O que diabos você está vestindo?
– Ei, o que eu visto fora do escritório é minha prerrogativa. – Eu fiz uma careta
para ele, brincando. – Mas se você quer saber, eu estava em uma boate com alguns
amigos quando recebi a chamada, daí o meu traje fantástico.
Ele franziu os lábios em um esforço para manter o seu sorriso. – Bem, nesse
caso, peço desculpa por interromper sua noite. Por favor, venha e se sente. Você tem o
recibo para o seu táxi e os certificados de Monty?
– Sim e sim, – eu respondi, caminhando para seu sofá, colocando as pastas na
mesa de café, e tomando um assento. – A propósito, você toca muito bem. Sua mãe te
ensinou bem. – Minhas palavras foram contidas. O que eu realmente queria fazer era
jorrar sobre o quão incrível ele era, como a música tinha me dado sentimentos que eu
nunca tinha antes, como ele me fez vê-lo sob uma luz completamente diferente. E eu
realmente gostei dessa luz.

King parecia ficar autoconsciente quando ele passou a mão pelo cabelo. – Sim,
bem, é apenas um hobby. – Ele fez uma pausa e olhou para a minha bolsa. – O recibo?
– Oh, sim, desculpe, – eu disse, e comecei a procurar por ele enquanto ele
esperava.
Quando eu entreguei a ele, eu fiz uma verificação rápida do seu lugar. A
Steinway estava ao lado da janela com vista para o rio, e notei pilhas e pilhas de papéis
empilhados ordenadamente em todo o chão da sala. Ele deve ter estado trabalhando esta
noite. Uma garrafa de vinho tinto estava aberta na mesa de café, um copo meio-acabado
ao lado dele. Houve um tabuleiro de xadrez de aparência cara na mesa, e me perguntei
se ele jogou ou se era apenas decoração.

Eu permaneci sentada quando King desapareceu em outro quarto antes de


retornar com sua carteira. Recuperando algumas notas, ele entregou para mim. Aceitei e
as coloquei na minha bolsa.
– Mais uma vez, obrigado por fazer isso em tão pouco tempo. Eu tento não
perturbar meus funcionários fora do escritório.
– Não é um problema, – eu respondi, e nossos olhos se encontraram. Nós dois
nos encaramos por um momento, e minha pele começou a ficar quente. King tomou
uma respiração profunda. Ele não parecia querer me deixar ainda, então eu apontei para
a mesa de café. – Tabuleiro de xadrez legal. Você joga?
Ele olhou para lá antes que ele trouxesse seus olhos de volta para os meus. Eram
olhos bonitos, intensos, e azuis tão glaciais que quase poderia assustar às
vezes. Gostaria de saber se meu corar era da minha dança de mais cedo ou mais da
atenção irritante de King.
– Jogo. Você?
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– Sim. Meu pai me ensinou. Passávamos horas jogando quando eu estava
crescendo.
– Hmm, meu avô foi o único a me ensinar. – Ele fez uma pausa, estudando-me
por um momento, antes de dizer: – Se você não está com pressa para voltar para os seus
amigos, que gostaria de ficar e jogar?
Dei de ombros, tentando banca a indiferente quando na verdade eu estava muito
satisfeita com a oferta. Meu novo chefe era interessante (e sexy), e eu não iria recusar
uma oportunidade de conhecê-lo melhor.
– Não, eu não estou com pressa, – eu disse, encolhendo os ombros do meu
casaco e colocando-o sobre o encosto do sofá. O olhar de King se dirigiu para o meu
peito por um momento quando ele me olhou, antes de balançar a cabeça e resmungar, –
Uma pena.
– Hã?
– Você gostaria de um copo de vinho? Eu já abri uma garrafa.
– Claro, – eu respondi, ainda me perguntando sobre o seu comentário. Ele estava
se referindo a eu ser ‘lésbica’? Não podia ser. Bem, ele poderia, mas eu estava
escolhendo acreditar que não foi por causa do meu emprego. Eu não precisava estar
tendo pensamentos não profissionais sobre meu chefe curiosamente talentoso e bonito
mais do que eu já estava.
King foi até a cozinha para pegar mais um copo. Quando ele voltou, ele
entregou-me antes de pegar uma garrafa de aparência cara. Eu considerei perguntar
quanto custou, mas me contive. Coisas caras sempre fizeram parecer um desperdício, e
eu só queria me divertir.
Depois de derramar o vinho, King começou a montar o tabuleiro de xadrez
quando eu tomei vários goles, e cara, era delicioso. O resto da garrafa estava em sério
perigo de ser esgotada por mim se eu continuasse com isso. A atenção de King estava
na mesa quando ele começou a falar, segurando um peão entre os dedos, – Você sabe –
uma pause – você não é o tipo comum de pessoa que vem trabalhar para mim.
Eu não tinha certeza de como responder a isso. Finalmente eu fui na dele, – Isso
é uma coisa boa ou uma coisa ruim?
– Nem. É apenas um fato. Eleanor é rigorosa. Ela me orienta na direção certa
quando eu poderia estar prestes a fazer uma má decisão. Gillian é uma organizadora
maravilhosa, e ela nunca deixa de me cumprimentar, de alguma forma, quando ela me
vê na parte da manhã. É um pequeno impulso de confiança.
Eu sorri para ele, me inclinei, e sussurrei, – Sr. King, você tem uma queda por
Gillian?
Ele riu, e foi uma espécie de atraente e masculino de som. – Não seja
ridícula. Eu simplesmente desfruto de seus elogios.
Eu não podia deixar de provocá-lo. – Bem, eu não iria me importar muito sobre
isso. Aquela mulher se casaria com um copo se mostrasse atenção o suficiente.
26
Página
– Alexis. – Agora era a vez de King sussurra. – Que coisa horrível de se dizer.
Rindo, eu respondi, – Não é horrível. É apenas a verdade, e eu não estou
julgando, mas que Gillian é uma flertadora ela é. Você esquece que eu sou a única que
tem de ouvir o seu risinho aos homens através do telefone durante todo o dia.

King fez uma careta. – Giggle? Sério?


Eu balancei a cabeça. – Uh-huh. Você não é o único que recebe os elogios. Com
ciúmes?
King balançou a cabeça e fez o seu primeiro movimento no tabuleiro. – Não. E
pare de interromper minha linha de pensamento. Eu estava dizendo algo, agora, onde eu
estava? Oh, sim, Eleanor é a minha bússola e Gillian é a minha confiança. Agora que
Eleanor está prestes a sair, você acha que você pode preencher seus sapatos?
Inclinei-me para frente para olhar o jogo, em seguida, fiz um movimento. – Ser a
sua bússola? Vou tentar o meu melhor, – eu respondi, considerando a minha estratégia
para o jogo.
– Seu melhor é tudo que eu nunca iria pedir, – disse King, uma linha de
seriedade entrando em sua voz. Olhei para ele por um momento, meus olhos pegando
um quadro de imagem atrás da sua cabeça. Estava em uma prateleira ao lado de uma
série de outras imagens, e mostrava King, com o braço em torno de uma mulher bonita
com o cabelo castanho claro. Desde que ele pensou que eu era gay, me senti
relativamente confortável de perguntar sobre ela.
Eu balancei a cabeça para a imagem. – Sua namorada?
King virou-se para ver o que eu estava se referindo. – Minha ex, na
verdade. Mila e eu terminamos cerca de três meses atrás. – Ele deu de ombros como se
não fosse grande coisa.
– Sinto muito por ouvir isso. Rompimentos são difíceis.
– Eles podem ser, mas não este. Nossa separação foi amigável. Ela queria se
casar e começar uma família, e agora eu estou casado com meu trabalho. Há coisas que
desejo alcançar, e eu sou muito sincero sobre elas. Mila é uma mulher de carreira,
também, então ela não foi ferida por minha decisão.
– Eu posso entender isso, – eu disse. Eu poderia entender, mas eu não acredito
por um segundo nesta mulher Mila tinha sido ferida. Ela provavelmente só escondia
muito bem. Eu senti um pouco de pena por King que ele não podia ver isso, ou talvez
ele simplesmente se recusasse a ver.

Olhando seu lado do tabuleiro de xadrez, eu já poderia dizer que ele ia ser um
adversário difícil e eu provavelmente iria perder o jogo. Jogamos por um par de minutos
em silêncio pensativo antes de King falar.
– E você? Qualquer garota especial em sua vida agora?
Sua pergunta e o tom curioso me pegou desprevenida, e eu estava respondendo
antes que eu tivesse tempo para pensar sobre isso. – Sim.
27
Página
King levantou uma sobrancelha. – Sério? Há quanto tempo vocês duas estão
juntas?
– Não muito. É muito novo.
– Você acha que ela é pra casar?
Jesus, qual é dessas perguntas todas? Eu senti como se estivesse sob
interrogatório. Precisando aliviar o clima, eu respondi, – Quem sabe. Por agora eu estou
mantendo minhas opções abertas. Quer dizer, só porque eu estou amarrada à cerca, não
significa que eu não possa latir para os carros.
Ele riu suavemente. – Eu nunca tive uma lésbica como amiga antes. Eu gosto
bastante disso. É agradável conversar com uma mulher que é, essencialmente, um
homem.
– Hey! – Eu protestei.
Ele ergueu as mãos. – Eu não quis dizer isso de uma maneira ruim.
Fiz uma careta para ele. – Tanto faz. Além disso, eu não sou exatamente a sua
amiga. Eu sou sua empregada.
King fingiu uma expressão triste, como se eu tivesse acabado de ferir seus
sentimentos. – Você pode ser ambos.

Eu atirei a ele um sorriso. – Bem, tudo bem, então. Vamos tentar isso. E já que
estamos sendo amigos, você não vai se importar se eu abertamente chutar o seu traseiro
no xadrez.
Seu sorriso de resposta foi mau, e combinado com seu belo rosto e cabelos loiros
despenteados, me deu alguns sentimentos muito diferentes da coisa de lésbica. Oh, onde
eu estava me metendo?
– Dê o seu melhor, – disse King.

28
Página
Quatro

Minha mente estava em meu chefe novamente enquanto Karla e eu


caminhávamos para o supermercado nas proximidades para fazer a nossa compra
semanal. Fiquei no apartamento de King por mais uma hora na noite anterior, bebendo
vinho e terminando o nosso jogo de xadrez. Eu realmente gostei de falar com ele. Quero
dizer, ele era tão diferente do tipo comum de homens que eu tinha crescido. King era
sofisticado e urbano, e representou um mundo que eu sabia quase nada. E, como
esperado, ele foi o único a chutar a minha bunda no xadrez. Eu tive que dar isso a ele -
ele era um excelente jogador.
A fim de preservar o meu trabalho, eu saí antes que eu tivesse muito bêbada, e
disse a ele que iria vê-lo na segunda-feira. Era somente sábado, e segunda-feira já
parecia estar muito longe. Havia algo sobre estar em sua presença e falar com ele que eu
desejava.
– Oi oi, – eu ouvi alguém chamar quando Karla e eu estávamos passando por
uma loja de apostas.
Por falar sobre o tipo de homens que eu estava acostumada. Virei a cabeça para
ver Lee Cross, o irmão mais novo do meu ex, Stu, de pé na porta, com um sorriso
arrogante. Lee era um merdinha bonito, e ele sabia disso. Ele tinha cerca de vinte e
cinco anos, e era um dos quatro irmãos que compunham a notória família da
Cross. Apesar de ser mais jovem do que Stu, Lee era o cérebro da operação, e eu tinha
certeza que a oficina que ele geria também era um desmanche. Ele segurou um palito na
boca, ainda sorrindo, enquanto olhava para mim e Karla.
– Ainda não vi você por aí em um tempo, Clarky, – disse ele, dando um passo
para fora e caminhando em direção a nós. – O que aconteceu?

– Stu e eu terminamos, – eu disse, e lembrança ascendeu em seus olhos.


– Oh, sim, eu acho que eu ouvi algo sobre isso, – ele disse, olhando por cima do
ombro e de olho nos bicheiros. Esse olhar me disse tudo o que eu precisava saber. Stu
estava lá dentro, e eu tive a súbita vontade de fugir. Eu definitivamente não queria um
encontro com o meu ex agora, especialmente desde que a última vez que eu o vi, ele
estava sendo preso por roubar carros. Então, sim, sua garagem era definitivamente da
variedade desonesta. A atenção de Lee se dirigiu para Karla, seu olhar deslizando
preguiçosamente sobre seu corpo e, em seguida, de volta até seu rosto. Pelo brilho em
seus olhos, eu pensei que ele definitivamente gostou do que viu.
– Tudo bem, Ruivinha, – disse ele, dando a ela uma piscadela de flerte.

Karla franziu a testa e tentou esconder um corar antes de olhar para


mim. Embora ela tenha encontrado Stu algumas vezes antes, ela nunca conheceu Lee. E
como eu disse, Lee era atraente de um tipo ruim de forma. Ele tinha cabelo castanho
claro, olhos azuis, um físico musculoso e um sorriso insolente perenemente que
prometia maldade pura.
O supermercado era ao lado dos bicheiros e Karla soou um pouco perplexa
quando ela disse: – Eu estou, uh, vou entrar e começar. Vejo você em um minuto.
29
Página
E então ela saiu, deixando-me sozinha com a versão mais sexy e crescido da
Artful Dodger. Lee nem sequer tentou esconder o fato de que ele estava verificando a
bunda dela enquanto ela ia. Ele também não desviou o olhar até que ela desapareceu
completamente dentro do supermercado, e foi quando sua atenção voltou para mim.
– Ela é solteira?
Eu não poderia evitar; eu estalei uma gargalhada. As sobrancelhas de Lee se
juntaram enquanto ele mordia o palito. – O que é tão engraçado?
– O nome da minha amiga é Karla. Minha amiga também é uma policial.
Agora as sobrancelhas de Lee praticamente se atiraram para sua testa. –
Sério? Ela é da polícia?
– Uh-huh.

Ele soltou um assobio. – Bem, puta que pariu.


– Sim. Ela também é velha demais para você.
Ele me deu um sorriso perigoso. – Melhor ainda. Gosto de uma mulher com
experiência. – Bem, essa afirmação foi definitivamente errada, porque se o que eu tinha
ouvido falar sobre ela era verdade, Lee tinha muito mais experiência do que Karla,
mesmo que ela era três anos mais velha. Ele olhou para dentro do supermercado, e eu
poderia dizer pela sua expressão que o seu interesse tinha sido despertado. Eu cliquei
meus dedos na cara dele.

– Ei, não vá obter quaisquer ideias.


Ele se virou para mim, sorrindo novamente. – O quê? Eu não disse nada.
– Seu rosto dizia tudo.
O olhar que ele me deu tinha mal escrito tudo sobre ele. Remexeu no bolso,
chegando vazio. – Oh, olha isso, eu estou sem cigarros. Acho que vou entrar de fininho
e comprar um pacote.
Tentei agarrar seu braço, minha voz baixa e ameaçadora quando eu assobiei, –
Não se atreva, – mas ele já tinha ido. Eu estava prestes a correr atrás dele quando outra
voz me chamou a atenção.
– Lex, – disse Stu, aparecendo. Ele sempre me chamava de Lex, e, embora foi
bom receber um apelido carinhoso, isso realmente me fez pensar no velho Lex Luther.
Respirando fundo, eu virei para Stu. Eu poderia fazer isso. Trazendo lentamente
o meu olhar para o seu, eu verifiquei sua aparência. Alto, construído, com cabelo e
olhos castanhos marrons, a aparência de Stu nunca tinha sido um problema em nosso
relacionamento. Na verdade, sua aparência, combinada com a sua postura no quarto, era
a base sobre a qual a nossa relação foi construída. Ele não poderia ter tido muito
acontecendo lá em cima, mas essa boca suja sempre conseguia me fazer esquecer meus
sentidos. Na noite em que foi preso foi o pontapé na bunda que eu precisava para
finalmente terminar as coisas.
30
Página
– Stuart, – eu disse, dando a ele um aceno de cabeça. Ele sorriu para o meu uso
de seu nome completo e deu um passo em minha direção. Apertando uma mão em um
punho, eu chamei a minha força de vontade reserva. Se o olhar que ele estava me dando
era qualquer coisa perto disso, ele estava prestes a dar encima de mim, e eu não tinha
nenhuma intenção de sucumbir a elas.
– Senti sua falta, – disse ele, agora de pé diretamente diante de mim e olhando
para baixo. Sua respiração atingiu meu rosto, cheirando a cigarro e cerveja, que acabou
de dizer tudo isso, dado que era apenas onze e meia da manhã.

– Hmm, roubando carros ultimamente? – Eu perguntei, minha voz saindo


cortada.
Ele riu antes de sua boca formar uma linha dura. – Isso foi tudo um grande mal-
entendido. Eu te disse. Meu companheiro esqueceu que ele me emprestar seu carro.
Eu cruzei os braços e revirei os olhos. Será que ele pensa que eu nasci
ontem? Um momento de silêncio se passou, depois, um murmúrio sedutor baixo, –
Você parece bem.
Dei um passo para trás para colocar algum espaço entre nós, mas ele só avançou
para mim. Minhas costas bateram na parede, e Stu se aproximou. Inclinando-se, seus
lábios roçaram meu ouvido. – Porra, mas eu tenho sonhado com a sua boceta. Volte
para mim, Lex.

Ok, então eu estaria mentindo se eu dissesse que eu não me senti um pouco


ruborizada logo em seguida. Sexo com Stu tinha sido espetacular, e a vida no meu
quarto era decididamente aborrecida desde que eu o deixei. Ainda assim, fazer isso não
seria uma boa ideia. Reacender um relacionamento com um criminoso não era algo que
as mulheres inteligentes faziam. E reacender um relacionamento com um criminoso
idiota definitivamente não é algo que as mulheres inteligentes faziam. Eu gostava de
pensar que era uma mulher inteligente. Minha vagina, por outro lado, era o equivalente
a uma loira burra. E aquela a loira queria que ela queria.
– Cai fora, – eu disse, colocando minhas mãos em seu peito e empurrando-o para
trás. Ele não foi afetado, e em vez disso riu, dando-me um sorriso lascivo enquanto me
afastava.
Ele imitou segurar um telefone ao ouvido. – Eu estou sempre disponível para
chamadas de sexo. Não se esqueça.
Me virei, o que só o fez rir mais, e entrei no supermercado. Eu procurei pelos
corredores por Karla e, finalmente, encontrou-a em marcha lenta pelas cereais. Havia
um carrinho na frente dela contendo um par de itens.
Havia também um Lee Cross na frente dela, e ele parecia determinado. Eu
peguei o fim da conversa do que ele estava dizendo.
–... amo este cabelo. Você é linda. Deixe-me levá-la para sair.
– Não, obrigada, – Karla respondeu com firmeza quando seus olhos subiram
para os meus e alívio gravou sobre suas características.
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Página
– Hey, hora de se mandar, – eu disse, e dei um tapa em Lee insolente na
bunda. Sua postura ficou mais ereta, e eu imediatamente me perguntei se isso tinha sido
uma boa ideia. Eu e minha mão boba. Quando ele olhou para mim, ele não estava
usando seu sorriso insolente mais, e ele estava claramente chateado que eu estava
interrompendo sua tentativa de conquistar minha melhor amiga... também pelo tapa na
bunda. Sim, eu já sabia que, apesar de sua despreocupada atitude, abaixo da superfície,
jazia um homem que não gostava dessas coisas. Foi preocupante que ele voltou suas
atenções para Karla. Nada sobre isso levaria a qualquer lugar bom, e isso foi antes
mesmo de contar sobre a profissão dela.
Ele levantou um dedo para mim, em seguida, virou-se para o objeto de suas
afeições. – Um encontro. Vamos. Qual é o pior que poderia acontecer?
Eu resisti à vontade de bufar. Então Karla soltou uma pequena risada. – Sinto
muito, mas não. Agora, você poderia se afastar? Eu tenho mantimentos para comprar.

Lee olhou para ela por alguns segundos antes de se inclinar e sussurrar algo em
seu ouvido. Eu não podia ouvir o que ele disse de onde eu estava de pé, mas eu vi Karla
engolir nervosamente. Dando a ele um último sorriso aquecido, ele se afastou com essa
arrogância confiante.
Deixei escapar um longo suspiro. – Me desculpe por isso.
Ela me ignorou. – Não é nenhum problema. Stu está lá fora?

– Uh-huh. – Eu deixei meus olhos vaguearem para as prateleiras enquanto


examinava os itens.
– Como foi?
– Agravante conforme o esperado. O que Lee sussurrou para você?

Karla desviou o olhar, constrangida, antes de responder em voz baixa, – Algo


um pouco picante para esta hora da manhã.
Eu finalmente decidi sobre uma caixa de cereal e peguei antes de jogá-la no
carrinho. – Sim. Esses rapazes Cross tem umas bocas sujas.
– Hmm, – disse Karla, e eu não gostava do olhar contemplativo em seu rosto.
– Nem pense nisso, – eu avisei, balançando o dedo para ela. – Lee pode ser
gostoso, mas acredite em mim, ele não vale a pena. – Eu não mencionei que eu tinha
noventa e nove por cento de certeza que ele estava envolvido em algumas negociações
muito duvidosas. Eu não precisava. Karla tinha estado em sua linha de trabalho por
tempo suficiente para reconhecer um criminoso quando via um. Não me interpretem
mal, Lee tinha um coração de ouro. Na verdade, Stu cuidou de seus irmãos mais novos a
partir do momento que ele tinha quatorze anos e seus pais morreram. Então, sim, ele
tinha uma boa cabeça em seus ombros. Infelizmente, suas circunstâncias na vida o tinha
empurrado para canalizar seus cérebros na direção errada.
Karla zombou, mas eu poderia dizer pela breve expressão que atravessou seu
rosto que ela tinha estado tentada, mesmo se ela nunca se permitisse admitir isso. – Eu
não sou estúpida, Lexie. Eu não tocaria naquele menino nem de longe. E eu tremo só de
pensar que meu pai diria se eu fizesse.
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Dei ao ombro dela um aperto reconfortante. O pai de Karla era um
superintendente. Era onde ela herdou seu lado duro. De qualquer forma, ela estava certa
quando disse que ele iria desaprovar. Na verdade, ele veria através de Lee no segundo
em que o conhecesse. Não que isso sempre fosse acontecer. A menos, é claro que ele
fosse prendê-lo para alguma coisa.
O resto do fim de semana passou, e antes que eu percebesse, eu estava
acordando na segunda-feira de manhã para o trabalho. Eu tinha acabado de por uma saia
lápis preta e uma blusa roxa quando meu telefone começou a tocar. Vendo que era
Eleanor, eu atendi.
– Alexis, eu estou feliz que eu peguei você antes de sair para o escritório. Eu não
estarei trabalhando hoje. Keith e eu estamos vendo o nosso agente imobiliário sobre a
casa que estamos comprando na França. Você conhece o horário da manhã do Sr. King
suficientemente bem até agora, não é?

– Sim, – eu disse, acenando com a cabeça, embora ela não pudesse me ver. – Eu
tenho isto. Não se preocupe comigo. – Eu tive que usar um pouco das minhas
habilidades de fingir confiança para isso. Claro, eu sabia a rotina de King, mas isso não
significava que eu não ia estragar tudo.
Eleanor soltou um suspiro aliviado. – Ótimo. Vejo você amanhã, então.
– Vejo você amanhã, – eu disse, e desliguei.

Esfregando as palmas das mãos suadas de repente na minha saia, eu rapidamente


comecei a jogar tudo que eu precisava na minha bolsa. Meu cabelo parecia um pouco
selvagem, então eu torci em um coque e lá fui eu. Consegui chegar no escritório meia
hora mais cedo, peguei o cartão de crédito que Eleanor usava para despesas de
escritório, em seguida, saí para a banca de jornal mais próxima. E, tudo bem, eu poderia
ter ficado um pouco distraída conversando com o velho companheiro corpulento que
estava trabalhando no balcão. É um problema. Quando as pessoas começam a falar
comigo, eu tendo a entrar na conversa. Foi por isso que demorou mais tempo do que o
planejado para buscar os jornais. Eu tinha dez deles debaixo do meu braço quando eu
corri para o elevador, apenas para dar de cara com o olhar azul gelado de Oliver King.
– Alexis, bom dia, – disse ele, acenando em saudação e sorrindo um pouco pelos
meus esforços para manter todos os jornais. Em seguida, ele fez um gesto para eu
entregar a ele alguns. – Aqui, deixe-me ajudar.
Eu silenciosamente lhe permiti levar metade da carga, os nossos dedos pastando
quando expliquei, – Eleanor não virá hoje. Além disso, eu tenho que confessar, eu não
tive a oportunidade de ler qualquer um destes.

Os lábios de King se contraíram. – Bem, já que você é nova, eu vou pegar leve
com você. E não se preocupe, eu já tinha sido informado da ausência de Eleanor.
– Eu sinto muito. Eu teria começado mais cedo, se eu soubesse, mas eu vou
tentar o meu melhor para não estragar o seu dia. – Oh, Deus, se minhas mãos estivessem
livres, eu teria me dado um tapa por isso. A maneira de mostrar a ele que eu estava uma
pilha de nervos.
A expressão de King aqueceu. – Tenho toda a fé que você não vai.
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Alguns segundos de silêncio se passaram antes que as portas abrissem. Enquanto
eu caminhava ao lado dele, ele comentou: – Você sabe, eu quase não reconheci você
hoje sem a estampa de leopardo.
Eu atirei a ele uma careta divertida, mas estranhamente, sua provocação
amigável conseguiu aliviar um pouco os meus nervos. – Muito engraçado, Sr. King.
Foi bom saber que só porque ele era meu chefe, não queria dizer que ele nos
escravizasse. Eu tinha certeza se eu cometesse um erro hoje, ele não iria censurar-me
por isso. E Deus, nem me fale em nervos. Nós caminhamos para o escritório, e Gillian
saltou de seu assento.
– Bom dia, Sr. King, – ela cumprimentou seu chefe brilhantemente antes de seu
olhar vir até mim e seus olhos queimarem significativamente. King continuou em seu
escritório. – Alexis, – ela sussurrou, – você esqueceu o café da manhã. – Eu juro, pelo
olhar em seus olhos que você pensaria que ela estava prestes a ter um ataque cardíaco
no horror de ter esquecido o café da manhã de Oliver King.
– Merda, desculpe! Vou cuidar disso imediatamente.
– É suposto estar esperando por ele quando ele chega.
– Eu sei. Foi mal. Vou entrar agora e pedir desculpas.
Saí antes que ela pudesse me forçar mais e deslizei para dentro do escritório de
King. Eu segurei minhas mãos para cima. – Mea culpa - eu esqueci o seu café da
manhã, mas estou remediando o assunto no momento. O que você está desejando?
Calma aí, Alexis, realmente? Por alguma razão o meu cérebro pensava ser
engraçado se a confusão tornasse isso menos grandes coisas.
King levantou uma sobrancelha quando ele olhou para mim do jornal que estava
olhando. – Te absolvo. Ovos Benedict e um expresso duplo. Você fala latim?
Tentei não rir silenciosamente. – Não, eu sou apenas esperta assim. E já trarei os
ovos Benedict e um expresso duplo. Eu estarei de volta mais rápido do que John
Travolta em uma jaqueta de couro.
King me lançou um olhar confuso, mas apenas balançou a cabeça. Ele
claramente não entendeu a minha piada, mas que seja. Fui para o café mais próximo e
comprei seu café. Quando voltei, ele estava no meio do que parecia ser uma chamada
séria, então eu calmamente coloquei sua comida em sua mesa. Ele deu meu pulso um
toque rápido e declamou um agradecimento antes de voltar ao seu telefonema
novamente.

Voltei para minha mesa e comecei a trabalhar, tentando não deixar que meus
pensamentos permanecessem no caminho ocasional que ele tinha me tocado. Foi um
toque de familiaridade, e não estava familiarizada. Bem, na verdade não. Talvez a
maneira que eu brinquei o fez pensar que estávamos, mas isso era apenas o meu
jeito. Eu era incapaz de não fazer palhaçada, e tendia a agir da mesma se eu estivesse
conversando com minha avó ou a rainha da Inglaterra. Não que eu já tivesse conhecido
a rainha, mas você sabe o que quero dizer.
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Página
A metade da manhã veio e foi, em seguida, havia um sujeito de pele escura
considerável em um terno chegando ao escritório para ver King. Sua aparência era
exótica, no entanto, não combinava com seu sotaque colegial. Na verdade, ele parecia
muito com o meu chefe.
– Ah, Sr. Batage, é bom vê-lo novamente, – disse Gillian. – Isso é um terno
novo?

Sr. Batage sorriu e olhou para o que ele estava vestindo. – É bom ver você,
também, Gill. E sim, ele é novo. Que bom que você notou.
Gillian pareceu gostar de ele encurtar seu nome para ‘Gill’ e deu a ele um
recatado, – Bem, parece realmente bom em você, e eu amo o jeito que você está
cortando seu cabelo nos dias de hoje. Siga-me - Sr. King é apenas dentro de seu
escritório.
Sr. Batage me deu um aceno antes de seguir Gillian. Eu continuei trabalhando
até que ela voltou e fechou a porta atrás dela. Ela verificou se estava realmente fechado
antes de andar até minha mesa e me dar um olhar de cima.
– Esse é Dilvan Batage. Ele é um bom amigo do Sr. King. Eles foram para a
escola juntos. Dilvan é um comerciante do The Ring, mas ele vem de dinheiro
realmente velho. Sua família é exportadora de chá ricos do Sri Lanka.
Olhei para ela. – Hã. O que é The Ring?
Ela olhou para mim como se eu fosse lenta. – É a indústria de metal de
Londres. Lugar ocupado. Sr. King me levou junto para uma visita uma vez. É o único
mercado que ainda comercializa exclusivamente em dinheiro.
– Ah. Entendi. Então, ele é uma espécie de manda chuva?

– Bastante. Ele é muito bem sucedido. – Eu não estava enganada quando vi o


flash de um olhar sonhador em seu rosto.
– E bom para os olhos, também, – eu acrescentei, dando a ela uma piscadela.
Gillian firmou os lábios e se endireitou. – Isso é nem aqui nem lá.

– Mas você não se importaria seu fosse lá e cá, não é?


Sua expressão pinçada aumentou ainda mais, e eu tive que rir. – Eu estou
brincando com você, Gill. Relaxe.
Sem outra palavra, ela voltou para a sua estação de trabalho, e eu pensei que eu
poderia ter constrangido ela. Embora eu achasse difícil acreditar que uma mulher que
flertava tanto como ela poderia ficar constrangida por uma pequena provocação
amigável, mas hey, o que eu sabia. Eu teria que cuidar da minha boca com Gillian, no
futuro, de modo a não causar ofensa.

Eu atendi o telefone em seguida, e rabisquei uma mensagem para repassar a


King. A mulher parecia inflexível que eu passasse o mais rápido possível, então eu me
levantei e fui bater em sua porta.
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Página
– Entre, – ouvi ele chamar antes de eu girar a maçaneta e entrar. King estava
sentado em sua cadeira habitual, enquanto Dilvan estava empoleirado na borda de sua
mesa. Ambos os homens estavam compartilhando o que parecia ser um copo de
uísque. Eu juro, era uma cena tirada diretamente de Mad Men. Eu tive que resistir à
vontade de contar uma piada sobre damas loucas.
– Ah, Dilvan, deixe-me te apresentar a substituta de Eleanor, – disse King
enquanto eu caminhava para a sala e passava a nota. – Este é Alexis.
Virei-me e dei ao homem um sorriso educado.
– É um prazer conhecê-la, Alexis, – disse Dilvan.
– Você também.
Dilvan deu a King um sorriso. – Eu acho que o sua outra assistente tem uma
queda por mim.
King sorriu. – Sério? Gillian?
– A única.
Quando a atenção de King deslizou para mim e eu vi o lúdico em seus olhos, eu
tenho um sentimento que eu não ia gostar do que ele estava prestes a dizer.
– Alexis tem uma espécie de teoria sobre Gillian, não é mesmo?
– Oh? – Dilvan perguntou. Agora, ambas suas atenções foram niveladas em
mim, e eu senti um pouco quente sob minha blusa.
– Eu acho que você está me confundido com outra pessoa, Sr. King, – Eu disse,
calma, mas firme, prestes a sair quando ele continuou,

– Não, eu não estou. Se bem me lembro, você disse que Gillian se casaria com
um copo se-
Antes que eu percebesse, eu estava dando um passo para trás para que eu
pudesse por a minha mão sobre sua boca para calá-lo. Eu tinha deixado a porta
entreaberta, e havia uma pequena chance de que Gillian iria ouvir. Eu estava tão em
pânico por um momento que eu quase não percebi o que eu tinha acabado de fazer. A
palma da minha mão estava contra os lábios esculpidos de King, que, como aconteceu,
parecia realmente bom. Ele olhou para mim, os olhos brilhantes ficando escuros, antes
de eu puxar minha mão como se eu tivesse acabado de ser queimada. O silêncio encheu
a sala.
– Oh, meu Deus, eu sinto muito, eu não deveria ter...
E então ele e Dilvan começaram a rir.
– Você sabe, eu sinto pena de você, trabalhando com esta besta, – Dilvan me
disse.
– Eu só não queria que Gillian ouvisse, – eu sussurrei. – Eu não queria...
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Página
King acenou minhas explicações. – Está bem. Não se preocupe com isso, – disse
ele.
Engoli em seco e acenei com a cabeça, virando e saindo mesmo que eu não
tivesse sido dispensada. Eu precisava sair de lá antes que eu começasse a tirar a roupa e
desse a ele um lap dance. Eu juro, eu fazia as coisas mais estúpidas às vezes. Eu não
ficaria surpresa se de alguma forma acontecesse.

Quando a hora do almoço chegou, eu não tinha certeza se o convite de King para
eu usar seu banheiro ainda estava aberto. Ele estava fora do escritório, embora, e Gillian
foi comer fora, como de costume, então eu decidi arriscar. Eu trouxe um almoço
embalado, porque eu precisava guardar economias até que eu tivesse o salário do meu
primeiro mês.

Abrindo a porta do escritório e depois para o banheiro, eu franzi a testa em


confusão. O banheiro estava exatamente como ele normalmente estava, só que agora
havia uma mesa e duas cadeiras no meio, e sobre a mesa havia um tabuleiro de
xadrez. Mas não era apenas qualquer tabuleiro de xadrez, que era o de King. A que
tínhamos jogado em seu apartamento.
Eu não tive a oportunidade de refletir sobre isso ainda, porque a próxima coisa
que eu sabia era que alguém estava entrando atrás de mim.
– Ah, você está aqui. Perfeito. Quer jogar? – Perguntou King, passando por mim
e puxando uma cadeira.

37
Página
Cinco

– Bem, você vai ficar aí o dia todo, ou você vai vir e jogar comigo? Eu tenho
certeza que você está ansiosa para uma revanche, – King passou enquanto eu estava ao
lado da porta. Eu tinha que admitir, eu estava nervosa.
– Hum, eu...
– Sente-se, Alexis, – ele me pediu, mas também soou um pouco como um
comando. Quem sabia que meu chefe tinha um lado mandão?
Tentei me concentrar sobre a situação do tabuleiro de xadrez, mas eu tive que
pedir desculpas sobre a ‘minha mão sobre sua boca’ primeiro.
– Sinto muito por mais cedo, – eu soltei. King olhou para mim por um longo
momento e arqueou uma sobrancelha. – Em seu escritório, enquanto seu amigo estava
visitando. Eu coloquei minha mão sobre sua boca, e foi tão inadequado que eu nem sei
por onde começar. – Eu olhei para o lado e mexi com as mãos.
– Sente-se, Alexis, – King repetiu, desta vez com mais força.
Incapaz de resistir uma ordem como essa, eu finalmente vim para frente e tomei
o lugar que ele estava oferecendo. Seus dedos escovaram meu ombro enquanto ele
empurrou minha cadeira, e eu instintivamente respirei no contato. Não que ele
percebeu. Caminhando ao redor para o lado oposto da mesa, desabotoou o paletó e
sentou-se.
– O que você fez está tudo bem. Dilvan é um amigo. Se tivesse acontecido na
frente de qualquer outra pessoa, essa poderia ter sido uma questão diferente. Talvez
tente resistir ao impulso de me acariciar durante o horário de trabalho no futuro. – Sua
voz estava levemente brincando, mas havia também uma rigidez que me colocou em
alerta.

Ele começou a organizar as peças do seu jeito no tabuleiro, e eu não sabia como
me sentir. ele estava realmente bem com ele, ou ele estava apenas fingindo? Nah, um
homem como King não finge. Ele não precisa.
– Bem, eu vou ter mais cuidado da próxima vez. Eu não gostaria de constrangê-
lo.
Ele tocou seu bispo e acendeu os olhos para mim. – Me constranger?

– Na frente de seus colegas. Eu sei que este negócio pode ser tudo sobre
aparências.
– Você acha?
Alisei minha saia sobre minhas coxas e vi seus olhos seguirem o
movimento. Hã.
– Oh, eu sei que sim. – Fiz uma pausa, hesitante antes de perguntar: – Você quer
a honestidade ou a resposta educada?
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– A honestidade, sempre, – disse King sem pestanejar.
Engoli em seco e fui direta com ele. – Eu só trabalhei aqui uma semana, e já
posso dizer o ambiente é tudo sobre parecer ser bem sucedido e agir como se você
estivesse indo bem, mesmo quando você pode estar falhando miseravelmente. E, vamos
enfrentar isso, mais pessoas estão a perder do que ganhar, especialmente no clima de
hoje, mas você não pensaria isso olhando para eles.

Era verdade. Eu não poderia ter vindo a trabalhar bem no meio de tudo isso, mas
eu tinha passado através dos principais escritórios vezes o suficiente para ser capaz de
obter a configuração da terra. E a terra por aqui era altamente competitiva. Era uma
espécie de alívio não ser uma parte dela. Eu não tinha ideia por que alguém iria
realmente escolher isso para uma carreira. Bem, ok, eu sabia. Eles escolheram isso pelo
dinheiro. Embora, pessoalmente, eu achasse que a quantidade de estresse que
acompanhava o dinheiro não valesse a pena.

King parecia intrigado quando ele se inclinou para frente e apoiou um cotovelo
no joelho. – E eu sou um dos vencedores, ou um dos perdedores?
– Eu tenho trabalhado em suas planilhas. Eu acho que nós dois sabemos a
resposta para essa pergunta. – King estava ganhando a rodo.
Sua boca se moveu em algo semelhante a satisfação. – Você tem uma vista
muito cínica da minha indústria, senhorita Clark.

Meus olhos se arregalaram. – Você pode me culpar? As pessoas perderam suas


casas, seus empregos, por causa de banqueiros especulando com seu dinheiro e
distribuindo empréstimos como doces em uma feira. Mas, realmente, eu só vi isso pelo
que ele é. Se alguém está ganhando dinheiro neste escritório, nem precisa ser dito que
alguém em outro escritório se ferrou. Há dinheiro em todos os lugares, mas
aparentemente nunca o suficiente para ir ao redor. E definitivamente nunca o suficiente
para satisfazer o desejo de uma pessoa para isso.
Vou dar-lhe crédito, King não apresentou um único sinal de irritação com o que
eu disse. Na verdade, eu iria tão longe a ponto de dizer que ele estava realmente
gostando da conversa. Eu era grata que minhas opiniões não tinham o ofendido.
– Se esta é a forma como você vê as coisas, então por que vir trabalhar aqui?
Deixei escapar uma risada e decidi dar o primeiro passo em nosso jogo. Peguei
um peão. – Porque eu não vivo em uma torre de marfim, Sr. King. Eu vivo em um bloco
de torre. E eu não posso me dar ao luxo de ser exigente. A forma como eu vejo, as
pessoas mesmo estando longe que vivem por elevados ideais são aqueles que têm o
dinheiro para fazer isso. O resto de nós só estão ocupados demais tentando manter a
cabeça acima da água para ter tempo para brincar com os códigos morais. Então, sim, eu
não acredito que a forma como a indústria financeira funciona é certo ou bom, mas se
essa indústria vai me fornecer uma maneira de pagar minhas contas e manter um teto
sobre minha cabeça, então eu não estou em posição de recusar.
– Você está certa, – disse King, olhando e aparentemente deliberando sobre seu
próximo movimento.
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– Obrigada, – eu disse, sentindo uma pequena explosão de orgulho que foi
rapidamente esvaziado.
– Mas você também está errada.
Olhei para ele, surpresa. – Como estou errada?
– Você disse que nós todos desejamos dinheiro, mas eu não. Minha família é
muito rica, e eu poderia viver dessa riqueza com bastante conforto para o resto da minha
vida se eu quisesse, mas eu não escolhi isso. Quero me destacar, fazer melhor do que
todos os outros. Quebrar recordes com meu próprio mérito, sem passar a perna, sem
atalhos, sem vantagens indevidas. Isso é o que me motiva. O dinheiro que eu faço na
superação poderia muito bem ser peças vazias de papel para tudo que me importa.
– A-ha, mas você não vê, não se importar com o dinheiro, apenas cuidar do
vencimento, é um luxo. Você vem de dinheiro, então você tem o luxo de apenas se
preocupar com suas realizações. Se você não tivesse nada para voltar a cair, se a ameaça
de pobreza fosse algo que você realmente tivesse medo, você se preocuparia com o
dinheiro então. O dinheiro seria tudo o que você se preocuparia, porque iria significar a
diferença entre ter comida no seu prato ou passar fome.
Nosso jogo de xadrez pareceu muito esquecido quando King olhou para mim
pelo que pareceu uma eternidade. Ele não disse uma palavra, mas ele não tinha. Ele
sabia que eu estava certa. E por falar em fome, eu ainda não tinha tido a chance de tocar
no meu almoço, então peguei meu sanduíche e comecei a desembrulhá-lo. Eu dei uma
mordida, mastiguei, e ao mesmo tempo King não disse uma palavra.

Finalmente, ele falou. – Você já pensou em aderir a um clube de debate? Você


seria uma competidora formidável.
Eu ri. – Talvez eu vá.
King me observou comer por um momento (o que me deixou
extraordinariamente autoconsciente) antes de abrir o pequeno recipiente de comida que
ele tinha trazido com ele. Parecia algum tipo de salada asiática saudável.

– Por que você trazer o seu tabuleiro de xadrez aqui? Esta é a mesma que
jogamos em seu apartamento, certo? – Eu perguntei enquanto ambos comiam.
Ele limpou a garganta. – É. E para responder a sua pergunta, eu gostei de jogar
com você. Pensei que poderia tornar isso uma coisa regular.
Sua resposta me pegou de surpresa, e sim, eu também estava um pouco
lisonjeada que ele queria jogar xadrez comigo regularmente. – E você colocou isso em
seu banheiro porque...?
Ele me deu uma dica de um sorriso. – Você está estranhamente atada ao meu
banheiro. Eu pensei que você seria mais receptiva jogando se eu colocasse aqui.
Eu ri alto, porque mesmo que ele fosse tão estranho, ele também estava tão
certo. – Oh, meu Deus, você me conhece muito bem. É meio assustador. – Eu balancei
minha sobrancelha.
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– Eu queria fazer um esforço para a minha primeira amiga lésbica, – ele
respondeu.
Cristo, se alguma vez houve uma mentira que voltaria para me assombrar, foi
dizer a Oliver King que eu jogava no outro time. Ainda assim, foi um pouco engraçado
que ele acreditava que eu era gay, e foi agradável jogar junto. Quer dizer, mesmo que eu
o achasse atraente, eu não tinha intenção de deixá-lo ir em qualquer lugar, então que
mal faria deixar ele acreditar que eu gostava de meninas?
– Se você realmente queria fazer o esforço, você poderia ter instalado algumas
fotos de meninas de topless na parede. Você sabe, então eu teria um lugar agradável
para descansar o meu olhar.
King riu. – Me desculpe. Vou me lembrar disso para a próxima vez que eu
precisar puxar seu saco.

***

Mamãe: O jantar está na mesa as 7h00. Não se atrase.


Eu recebi a mensagem logo depois do almoço, e lembrei que tinha prometido aos
meus pais que eu apareceria para jantar naquela noite. King e eu não tínhamos
conseguido terminar o nosso jogo dentro de uma hora, de modo que tínhamos deixado o
tabuleiro como estava com um acordo para retomar de onde tínhamos parado amanhã.
Ele iria gastar todas as suas horas de almoço jogando xadrez comigo em seu
banheiro?
A questão me deixou com um friozinho na barriga, e eu não podia negar que
estava lisonjeada com quanta atenção que ele estava me mostrando. Tive a sensação de
que Oliver King não mostra atenção para novas pessoas facilmente, então eu sabia que
deve haver algo sobre mim que lhe interessava. Eu não tinha ilusões de que eu era
especial, mas eu adivinhei que eu deveria ser diferente das mulheres normais que
trabalharam na Johnson Pearse. Eu não media as minhas palavras, eu dizia porcarias, eu
agia de forma inadequada, e aparentemente King achou tudo isso cativante por qualquer
motivo.
Tudo que eu sabia era que ele não estava convidando Gillian para passar suas
horas de almoço com ele jogando xadrez.
Era 07h05 quando eu cheguei na mamãe e papai. Eles viviam em Hackney, na
mesma casa pequena que eu tinha crescido. Ela estava longe de ser um lugar perfeito. A
casa era velha e desgastada e precisava de uma pintura, mas era lar, ainda mais quando
ela estava cheia com o aroma da comida da minha mãe. Minha boca estava praticamente
aguando ao sentir o cheiro de sua Mussaca especial receita.
– Você está atrasada! – Disse minha mãe, uma mão em seu quadril, seus lábios
normalmente cheios em uma linha fina. – Todos nós temos esperado.
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Por ‘todos’ ela queria dizer a ela, meu pai e meu irmão mais novo Kain, que
tinha acabado de completar vinte e um anos e ainda vivia em casa. Meus irmãos mais
velhos, Leon e Matt, se casaram e há muito se mudaram.
– Desculpe, desculpe, hoje foi meu primeiro dia sozinha, e levei um pouco mais
de tempo para terminar do que o habitual, – eu disse, levantando as mãos no ar. Eu
amava a minha mãe, mas ela tinha um temperamento explosivo e ficava com raiva
facilmente. Atraso era uma das suas muitas irritabilidades, especialmente quando ela
tinha se dado ao trabalho de cozinhar.

Eu quase ri quando tirei meu casaco e vi que ela estava segurando uma
espátula. Ela apontou para mim como se ela pudesse ter sido usada como uma arma
letal. – A próxima vez eu vou fazer palito de peixe! Então você vai aprender a chegar na
hora.
Agora eu ri. Mamãe tinha se mudou para o Reino Unido quando tinha vinte e
três anos, de modo que ela ainda tinha um sotaque, e ‘palito de peixe’ soava hilariante
quando vindo dela. Dei um passo para frente e deu a ela um abraço, o que pareceu
acalmá-la.
– Sinto muito, mamãe, isso não vai acontecer novamente.
Ela fungou. – Sim, bem, espero que isso não aconteça. Agora vamos lá, você
parece com fome.

A segui para dentro da cozinha, dizendo olá para papai e Kain quando eu tomei
um assento na mesa. Atualizei a todos em sobre os detalhes do meu novo trabalho, e eu
não deixei de notar o olhar de orgulho nos olhos do meu pai quando eu falei. Eu sabia
que o fato de eu ter ido para a faculdade significava muito para ele. Ele sempre me disse
que eu tinha cérebro para queimar, e que eu estava perdendo meu tempo trabalhando em
um bar. Eu não tinha certeza se eu iria muito mais longe na minha carreira do que
trabalhar na Johnson Pearse, mas pelo menos era algo.
Nós tínhamos acabado o jantar quando meu telefone começou a vibrar. Desde
que mensagens de texto à mesa era outra coisa que irritava minha mãe, eu me desculpei
e fui para a sala verificar a minha mensagem.
Oliver King: Você está ocupada?
Alexis: Acabei de jantar. O que você precisa?
Oliver King: Eu estou em uma reunião que está atrasada. Eu estou atrasado para
me encontrar com minha mãe uma hora, mas parece que eu não vou conseguir ir. Você
pode pegar algumas flores e entregá-las a ela?
Eu fiz uma careta por sua mensagem. Eu não queria deixar a minha família,
desde que eu normalmente ficava e assistia TV com eles após o jantar, mas eu estava
muito curiosa para conhecer a evasiva Elaine King. Ok, então eu estava morbidamente
curiosa. Ela não tinha sido vista em público há mais de uma década, e tinha que haver
uma razão para isso. Além disso, ela tinha sido a única a ensinar King como tocar piano
tão bem, e eu estava com um pouco de medo dela por isso. Finalmente, eu respondi.
Alexis: Claro. Envie-me os detalhes.
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Nem é necessário dizer que mamãe não ficou nada satisfeita quando eu falei que
tinha que ir. Saí com a promessa de visitar novamente no fim de semana, e isso a
manteve feliz. Quando eu cheguei na floricultura, houve um enorme buquê de lírios
vermelhos e amarelos à espera de ser recolhido. Eu os recolhi, tomando cuidado para
não danificar as pétalas, e sai para pegar um táxi.
Elaine King vivia em uma casa de quatro andares em Bloomsbury, uma área
muito exclusiva e cara de Londres. Eu fiquei lá fora por um momento, tentando me
recompor. Eu nunca tinha pisado em uma casa como esta na minha vida, e era um pouco
intimidante. Finalmente indo até ela, apertei a campainha, e um momento depois uma
voz feminina veio pelo alto-falante.
– Olá, é você, Oliver?

– Sra. King, meu nome é Alexis. Sou assistente do seu filho. Ele teve uma
reunião esta tarde que atrasou e me pediu para entregar algumas flores. Espero que
esteja tudo bem?
– Flores? Oh, sim, flores. Ok, só um minuto. – Havia algo maníaco e arejado
sobre sua voz que soava meio distante. Eu fiquei lá por uns bons cinco minutos antes de
eu finalmente ouvir a porta sendo destrancada. Abriu-se lentamente, e eu dei de cara
com um par mais velho de olhos azul-gelo que eram quase idênticos ao de King.
Ela me estudou por um momento, depois esticou o pescoço em torno do batente
da porta para garantir que eu estava sozinha.
– Você... você tem alguma identificação? – Ela perguntou, um tremor em sua
voz. Jesus, ela estava bem? Descansando o buquê no meu quadril, eu vasculhei minha
bolsa para o meu crachá de trabalho antes de puxá-lo para fora e mostrar. Ela levou o
seu tempo examinando os detalhes, em seguida, antes que eu percebesse, ela estendeu a
mão e agarrou meu pulso, me puxando para dentro. Sua mão estava fria. Tudo
aconteceu tão rápido que eu mal tive tempo para reagir. Eu estava em pé no hall de
entrada, ainda segurando as flores e meu crachá quando ela começou a passar
rapidamente as fechaduras e puxar em trancas.
Uau. Essa porta tinha um monte de bloqueios nela.
Quando ela finalmente se virou para mim, eu tive a oportunidade adequada para
olhar sua aparência. Leu cabelo loiro era longo e esfarrapado, e ela usava um robe de
seda cor creme sobre um pijama cor de pêssego, chinelos nos pés. Sua pele estava
pálida, e havia um nervosismo em sua expressão que era difícil ficar à vontade. Ela era
como uma mulher Havisham do século vinte, trancado em sua grande casa velha. Eu já
podia ver que a mobília estava poeirenta e sem cuidados, o que significava que ela
provavelmente não tinha qualquer pessoal doméstico.
– Oi, – eu disse, limpando a garganta. – Sinto muito por me intrometer, mas
como eu disse, o Sr. King queria que você recebesse isso.
Ela olhou para mim, parecendo se debater por um momento, e eu tive a sensação
de que ela não falava com novas pessoas muito frequentemente. Então seus olhos foram
para as flores, e seu rosto se iluminou num sorriso.
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– Oh, elas são lindas, – disse ela, se aproximando e pegando-as de mim. Sem
outra palavra, ela levou-as para a sala e colocou-as no parapeito da janela. Notei que ela
precisava espremê-las, porque já havia um monte de outros vasos. Algumas das flores
estavam frescas, e outras pareciam ter morrido há muito tempo. Eu me senti um
pequeno calafrio na espinha. Havia definitivamente algo errado sobre esta mulher.
– Muito obrigada por trazer. Oliver sabe que eu amo minhas flores. Lembro-me
de quando eu ainda estava me apresentando, eu voltava para o meu camarim, e sempre
estava cheio com buquês. Oh, o cheiro era divino. – Ela fez uma pausa, e engoliu, seus
olhos azuis me considerando timidamente. – Gostaria de... ficar para uma xícara de chá?
Eu não tinha certeza se eu queria, mas não havia nenhuma maneira que eu
poderia dizer não para ela. Ela parecia tão solitária, e ela claramente tinha se trancado
longe do mundo exterior. Queria saber se King era a única pessoa que chegava a visitá-
la.

– Claro, – respondi. – Isso seria bom.


Ela sorriu novamente e fez sinal para eu a seguir. Um momento depois,
estávamos entrando em uma grande cozinha, bagunçada. A pia estava cheia de pratos
sujos, mas felizmente ela colocou uma caneca que parecia limpa na minha frente para o
chá. Enquanto ela se ocupava, senti meu telefone zumbir no meu bolso e puxei para
fora.
Oliver King: Você entregou as flores?
Alexis: Sim.
Oliver King: Como ela parece?
Alexis: Ela parece bem. Ainda estou aqui. Ela me convidou para tomar chá.

Eu sabia que dizer que ela estava bem era uma mentira, porque não havia nada
bem sobre esta situação, mas eu não me senti à vontade para perguntar a King sobre o
estado de saúde mental de sua mãe em uma mensagem de texto. Houve um longo trecho
entre me enviar o texto e King responder. Elaine tinha feito o chá e foi despejando um
pouco em meu copo com uma mão instável quando senti meu telefone zumbir
novamente.
Oliver King: Eu ainda estou na reunião. Eu te ligo mais tarde. Seja tão sensível
quanto você puder com ela.
Bem, era óbvio pela sua resposta que, quando King tinha me pedido para
entregar flores, ele não esperava que a mãe dele me convidasse para entrar.

Alexis: Eu vou. Não se preocupe. Falo com você mais tarde.


Elaine se sentou na minha frente, sua mão ainda trêmula enquanto ela ergueu o
copo à boca. Ela tomou um gole, em seguida, colocou de volta para baixo. Eu apertei
minhas mãos no meu colo. Este foi um dos mais estranhos momentos da minha vida,
sentada em uma cozinha tomando chá com uma mulher que já foi uma estrela global. Eu
bebi um pouco de chá.
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– Meu Deus, você deve pensar que tudo isso é terrivelmente peculiar, – disse
Elaine, gesticulando ao redor da sala.
Eu não queria que ela se sentisse mal, então eu disse: – Oh, me dê uma palestra
sobre peculiaridade qualquer dia. É muito mais interessante.

Algo sobre a minha resposta fez um pequeno sorriso aparecer em seus lábios. –
Eu teria vestido se eu soubesse que eu estaria tendo companhia.
Assenti, embora. – Não se preocupe. Eu e minha companheira de quarto Karla
praticamente vivemos em nossos pijamas quando estamos em casa. Na verdade, é o
auge do meu dia, chegar em casa e escorregar em um pijama. E nem sequer me fale
sobre sutiã. Tirar essas engenhocas de tortura depois de um dia de trabalho é puro céu.
Me surpreendendo que Elaine ri, um som iluminado. Ela se acomodou em seu
assento, parecendo um pouco mais à vontade agora. – Há quanto tempo você vem
trabalhando para Oliver?
– Não muito. Sua outra assistente, Eleanor, está se aposentando em breve, então
ele me contratou para substituí-la.

– Eu não conheço Eleanor, – disse Elaine. – Mas nós falamos uma ou duas vezes
por telefone. Ela parecia muito agradável.
– Ela é. Vou sentir falta dela quando ela sair.
Então, até mesmo Eleanor, a mulher que King mais confiava, não tinha
conhecido sua mãe? O fato de que ele tinha confiado em mim para vir aqui me fez
sentir... eu não sei, especial.

Elaine se aproximou em seu assento. – Alexis... o que é que ele gosta, no


escritório, eu quero dizer?
– O Sr. King?
Ela assentiu com a cabeça. Eu escolhi as minhas palavras sabiamente quando
respondi. – Ele é... extremamente bom. As pessoas realmente o respeita, e ele é um bom
chefe. Ele não fica louco se eu cometer um erro ou qualquer coisa.

Ela parecia feliz com essa resposta, e agora eu sabia outra coisa. Elaine King
nunca tinha visto seu filho trabalhar, nunca tinha visitado ele no escritório. Ela era um
eremita de pleno direito. Nós conversamos por mais alguns minutos, e então eu tive a
sensação de que ela queria me deixar. Não porque eu tinha feito qualquer coisa para
fazê-la sentir-se desconfortável, mas apenas porque estar perto de alguém novo parecia
se estranho para ela. Eu me despedi, e ela me acompanhou até a porta. Quando eu saí,
eu imediatamente ouvi ela re-fazer as fechaduras.
O que na terra tinha acontecido com Elaine King?
Eu peguei o táxi para casa e estava apenas me acomodando na cama para a noite,
quando meu telefone começou a tocar. Era King.

– Olá?
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Ele exalou um longo suspiro. – Alexis, eu... eu sinto muito. Eu não sabia que ela
ia te pedir. Ela nunca pede a qualquer um. Ela vem até a porta para recolher as entregas,
mas ela não deixa as pessoas entrarem, com exceção de mim e seu terapeuta. Ela nem
mesmo me permite contratar qualquer pessoal doméstico. – Uau, ele quase parecia
chateado. Foi um pouco chocante, já que ele sempre foi tão suave e recomposto no
escritório.
– Olha, King, isso não é da minha conta. Eu sei que deve ser difícil ter um
membro da família que...

– Você acabou de me chamar de King? – Ele disse, me cortando.


– Oh, sim, desculpe, eu...
– Não se desculpe. Eu gosto disso.
Um silêncio decorreu, e então ele disse: – Alexis, eu realmente apreciaria se
você mantivesse a condição atual da minha mãe para si mesma. De vez em quando, os
jornalistas vêm farejar. É um trabalho difícil mantê-los longe dela.
– Eu posso imaginar. Mas não se preocupe, você não tem nada a temer de
mim. Não vou contar a ninguém.
Ele parecia curioso agora. – Eu espero que isso não soe como um pedido
estranho, mas você poderia me dizer o que aconteceu? O fato de ela deixá-la entrar é um
grande negócio.
– Claro, – respondi, e então comecei a detalhar o encontro do início ao fim.
Quando terminei, King disse: – Ela deve ter visto algo de confiança em você. Eu
não estou surpreso. Eu me senti da mesma forma como o primeiro dia em que chegou a
ser entrevistada.
O que ele disse me fez recuperar o fôlego. Eu só esperava que ele não ouvisse
isso. – É mesmo?
– Sim, você tem um calor sobre você, Alexis. Senti isso mesmo depois que você
ficou toda espinhosa quando eu lhe disse que eu gostei da sua foto. Você encontra
quantas pessoas que você não conhece muito bem abriria a porta para você? – Ele
perguntou, e a precisão da sua pergunta me surpreendeu.

Eu achei que isso acontecia muito. Se eu estava sentada em um táxi ou tomando


um rápido café em um café, eu me encontrava tendo conversas com estranhos, onde eles
me diziam coisas sobre si que você normalmente não diz a alguém que você não
conhece. Tinha acontecido apenas esta manhã, quando eu tinha me pego conversando
com o homem nas bancas de jornal, me atrasando com os jornais de King.
– Sim, na verdade, sei sim.
– Entende. As pessoas devem se sentir como se elas pudessem dizer coisas sem
ser julgadas.

Ha! Essa foi uma risada. Eu estava um pouco julgadora às vezes. Basta perguntar
a Karla.
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– Huh, – foi a minha única resposta.
– Bem, – disse King, limpando a garganta. – É melhor eu deixar você ir. Vejo
você na parte da manhã.
– Sim, vejo você, – eu disse, e então desliguei.
Deixando cair meu telefone na minha mesa de cabeceira e certificando-me de
acionar o meu alarme, eu pensei que hoje tinha sido algo para os livros. Eu estava
exausta, e assim que eu fechei meus olhos, eu estava fora. No entanto, em meus sonhos,
as palavras de King pareciam ecoar: Você tem um calor sobre você, Alexis.
Eu descobri que eu meio que gostava do som disso.

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Seis
Na manhã seguinte, recebi outro telefonema de Eleanor informando-me que ela
não viria até depois do almoço, então eu era responsável pela rotina matinal
novamente. Desta vez, eu me senti mais preparada. Eu tinha o café da manhã de King e
seus jornais em sua mesa quando ele chegou. Uma vez que Gillian tinha lhe falado
através das próximas reuniões do dia, ele muito sutilmente sinalizou para eu vir para o
escritório. Isso despertou minha curiosidade.
Fechando a porta atrás de mim, eu andei até a janela enquanto King olhava o
jornal. Eu não tinha ideia do que ele queria falar, e ele não começou a falar
imediatamente.
Talvez ele se sentisse estranho sobre a coisa de ontem à noite com a mãe dele.

Olhando para fora e para a grande praça aberta além do prédio de escritórios, vi
um cara novo que trabalhava na banca que eu estava observando na manhã da minha
entrevista. Um par de clientes iam e vinham, mas era óbvio que já não havia qualquer
negociação em curso.
King ainda estava lendo quando eu disse: – Você sabe que há um novo rapaz
trabalhando na banca lá fora?
O canto de sua boca formou um sorriso antes de ele se virar em sua cadeira,
segurando uma caneta na boca enquanto me considerava. – Alguma coisa passa por
você?
Dei-lhe um sorriso cheio de dentes. – Muito pouco.
Ele meio que suspirei, meio que ri quando ele voltou para sua mesa. – Eu
procurei por o outro cara depois que você o mencionou. Acontece que você estava certa.
Ele estava vendendo droga, então eu me livrei dele – Ele fez uma pausa, deixando
escapar uma risada irônica. – Aparentemente, ele era bem conhecido pelos comerciantes
por aqui, passava pelo nome de Bernie Black.
Fiquei impressionada que King tinha o tipo de atração que ele poderia conseguir
afastar o cara com essa facilidade. Quero dizer, ele estava lidando obviamente com
alguém de cima, e esta área teria sido altamente rentável. Finalmente, respondi: – Ele
disse às pessoas o seu nome? Isso é meio bobo.
Ele me olhou bruscamente. – Pense nisso, Alexis.
Eu pensei. Então percebi, e ri. – Ah, então Bernie como em cocaína, e Black
como em haxixe.
– Agora ela entendeu, – disse King com o tom de um professor paciente.
Eu estreitei meu olhar para ele. – Você conhece alguém no escritório que
comprou dele? Porque eles vão ficar putos quando descobrirem que ele se foi.
Os olhos glaciais dele se acenderam. – Há alguns que eu suspeito, mas vou ter
que lidar com isso. É um estilo de vida de um grande número de pessoas que vêm
trabalhar aqui. Se você é bom no que faz, você pode fazer uma enorme quantidade de
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dinheiro em um piscar de olhos. Essas pessoas fazem esse dinheiro, e, de repente, eles
estão comprando carros caros, casas de luxo, e saindo todas as noites para comer
comida de preços exorbitantes. No entanto, como você disse ontem, manter-se com esse
estilo de vida e competir por todo este dinheiro é também uma grande parte
disso. Competição é igual a stress, e quando se está estressado, os seres humanos
procuram uma maneira de resolvê-lo. Uma das principais saídas para o alívio do
estresse são drogas. Portanto, a cidade é um grande mercado para os revendedores,
especialmente desde que as pessoas aqui têm mais do que dinheiro suficiente para pagar
o que eles querem. É um trabalho difícil manter o controle sobre quem está comprando
e onde, especialmente desde que eu estou sempre tão ocupado, então eu tenho que tenho
que te agradecer.
O calor em seu olhar me fez corar. – Não há de que. – O que ele disse me deixou
curiosa, e então eu continuei, – O que você faz para lidar com o stress?
Ele me deu um sorriso pálido, e havia algo em sua expressão que me pareceu
triste de alguma forma. Esfregando o queixo, ele respondeu: – Hmmm, quando estou
estressado... um bom copo de uísque normalmente faz o truque.
– Isso faz sentido, – eu disse, e andei em torno de sua mesa antes de me sentar na
frente dele. – Você sabe, eu sempre pensei que era gente pobre que usava drogas, para
escapar da desolação de suas realidades. Agora estou pensando que talvez a prática seja
mais comum na parte superior e na parte inferior da escada. Talvez o melhor lugar para
se estar é em algum lugar no meio.
– Não necessariamente. Eu estou no topo. Pareço drogado para você?
A maneira inexpressiva em que ele disse isso me fez rir. Eu me inclinei para
frente e brinquei: – Eu não tenho certeza. Deixe-me olhar suas pupilas. –
Surpreendendo-me, King levantou-se, caminhou ao redor da mesa, e chegou a se
ajoelhar na minha frente. Antes que eu percebesse, seu rosto estava a meras polegadas
do meu.

– Vá em frente, – disse ele, a voz baixa.


Whoa, com o rosto de Oliver King bem de perto... eu não tinha certeza do que
fazer com isso. Eu acho que ele não percebeu o efeito que tinha sobre esta senhora
muito não-gay, porque ele parecia inteiramente inconsciente. Seus olhos eram bonitos,
seus cílios longos e dourados, sua pele suave com um toque de barba ao redor de sua
mandíbula e seus lábios eram apenas... eu não tinha palavras. Esculpido e masculino,
provavelmente, a única maneira que eu poderia pensar para descrevê-los.
Eu percebi que eu estava olhando para seus lábios um pouco perto demais
quando meus olhos voltaram para os seus. Um momento atrás, ele estava sorrindo, mas
agora aquele sorriso foi transformado em uma carranca pensativa.

Limpei a garganta. – Suas pupilas parecem bem.


King exalou um pequeno suspiro, e vi como sua atenção passou de meus olhos
para as minha bochechas, nariz, queixo, e, finalmente, para os meus lábios. Parecia que
ele estava prestes a dizer algo quando de repente a voz de Gillian encheu a sala.
– Sr. King, Jenson Gellar está no telefone. Vai atender?
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Meu coração batia descontroladamente antes de perceber que ela não estava
realmente lá. Ela estava falando através do intercomunicador. Eu assisti King engolir,
alisar a camisa, e depois subir para uma posição ereta. Caminhando para sua mesa, ele
apertou o botão para responder a Gillian.
– Mantenha ele em espera. Eu vou atender em um momento.
– Sem problema, – respondeu ela, em seguida, a sala ficou em silêncio
novamente. O que quer que tinha passado entre King e eu, ele parecia estar tentando
empurrá-lo de sua mente.
Incapaz de suportar o silêncio, perguntei: – Então o que você quer me falar?
Corri minhas mãos sobre minha saia, observando como os olhos de King
permaneceram sobre o movimento por um segundo antes que ele trouxesse seu olhar
para o meu. Outro momento de silêncio se passou, e minha garganta ficou seca. Se ele
tivesse...? Eu senti como se talvez ele tivesse uma coisa para as minhas coxas, porque
eu o peguei olhando para elas um monte de vezes agora. Um momento depois, ele
habilmente coloca dois jornais na minha frente, cada um aberto em uma história
diferente. – Leia ambos.
Eu levantei uma sobrancelha. – Por quê?

– Basta lê-los, e então eu vou lhe dizer por quê.


– Sim, sim, capitão.
Ele balançou a cabeça com a minha resposta e trouxe a sua atenção para o
telefone. Atendendo, ele imediatamente começou a conversar sobre um monte de
números com o cara do outro lado, enquanto eu tentava me concentrar nos artigos do
jornal. Ambos eram cerca de diferentes empresas. Um deles era um fabricante de
silicone que tinha acabado de anunciar uma expansão para suas instalações de
produção. O outro era sobre abrir um novo site de mídia social. Eu li cada uma delas até
o fim. Olhando para cima, ele percebeu que eu tinha acabado de ler, e pegou um bloco e
caneta. Ainda segurando o telefone ao ouvido, ele escreveu alguma coisa, em seguida,
passou para mim. Lia-se: Qual das duas empresas você iria investir?
Eu ponderei a questão, sem saber por que ele estava me perguntando isso. Será
que ele precisava de conselhos, ou era algum tipo de teste? Olhando para os artigos, eu
tentei chegar a uma resposta. Agarrando a caneta e papel de King, eu comecei a
escrever uma lista de prós e contras, e notei que seus lábios se contorceram quando viu
o que eu estava fazendo. De repente, comecei a me perguntar se eu era algum tipo de
diversão para ele, ou talvez um projeto de estimação. O pensamento me desapontou,
mas eu estava determinada a não deixá-lo ver isso. Eu disse a ele no final da minha
entrevista que eu iria mostrar a ele que eu tinha cérebro, e agora eu precisava provar
isso.
Cinco minutos depois, ele desligou o telefone e se virou para mim. Apertando as
mãos, perguntou ele. – Bem, você já decidiu?
Sentei-me com exatidão. – Sim.
– E?
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Página
– Eu escolheria a mídia social.
– Elabore.

Tinha ficado mais quente aqui, de repente? Minha garganta estava se sentindo
anormalmente seca. – Bem, silicone é claramente um bom investimento, porque
convenhamos, a cirurgia plástica se torna mais e mais popular de ano para ano, e não
parece que vai desaparecer tão cedo. É a escolha segura, se você não levar em
consideração a possibilidade de uma substituição que está sendo criada que funcione
melhor. No entanto, o céu é o limite com a coisa de mídia social. Ele tem o potencial
para ir em qualquer lugar. E sim, é mais uma aposta, mas se for bem sucedido, as
recompensas podem ser enormes.
King se inclinou para frente, parecendo satisfeito. – Então, vamos dizer que você
é eu e eu sou o meu cliente. Entro e quero investir ou na mídia social ou no fabricante
do silicone. Você iria me aconselhar a ir para os meios de comunicação social?
Estreitando o meu olhar, eu assenti.
Ele sorriu. – Certo. Isso é tudo.

– É só isso?
– Eu tenho um dia muito agitado à frente, Alexis, mas eu espero vê-la na hora do
almoço para o nosso jogo de xadrez. – Sua demissão fácil me irritou, e eu senti como
ele estivesse sendo sorrateiro.
– King, isso era tudo hipotético, certo?
O olhar que ele me deu quando eu o chamava de ‘King’ deixou meus joelhos um
pouco fracos. Ele gostou claramente, e eu não tinha certeza se era porque eu
essencialmente lhe dei um apelido carinhoso, ou se ele só gostava de ser referido como
um governante todo-poderoso.
– E se não fosse?
– Sou apenas uma assistente. Eu sei praticamente nada sobre investimento. Você
não deveria estar usando o meu conselho em qualquer tipo de relações da vida real.

Agora eu tinha toda a sua atenção, e ele parecia irritado comigo. – Alexis, eu
ouvi mais inteligência de você em duas semanas do que eu tenho de algumas das
pessoas com quem trabalho em um ano inteiro. Nunca subestime o valor de suas
decisões.
Engoli em seco. Pisquei. Não podia acreditar no que estava ouvindo. Nunca em
um milhão de anos eu esperava que ele dissesse algo parecido. E então eu senti lágrimas
picarem meus olhos. Foi um grande elogio, e eu não estava acostumada a isso. Eu
precisava sair de lá antes que eu me envergonhasse. Não dizendo uma palavra, dei a ele
um aceno de cabeça, virou-me e sai da sala. Apesar do que eu tinha proclamado sobre
ter cérebros no final da minha entrevista, de repente eu percebi que quando era
relacionado a ele, eu realmente não acreditava que eu poderia fazer muito. O elogio de
King me mostrou que eu precisava religar seriamente a maneira que eu pensava de mim.
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Página
Para as próximas duas horas, Gillian continuou me dando olhares furtivos. Ela
claramente queria saber o que King tinha falado comigo. Não contei nada. Não só a
mulher era uma flertadora, ela também era uma fofoqueira, e eu não queria ela se
espalhando rumores de mim recebendo tratamento preferencial do meu chefe. Não que
isso tinha sido particularmente preferencial, mas eu tenho a sensação de que ele não
costuma pedir à seus assistentes aconselhamento empresariais.
Era quase hora do almoço quando Gillian veio à minha mesa e colocou um
pequeno envelope branco na minha frente.

– Isso veio para você, – disse ela, parecendo curiosa.


Olhei para o envelope e vi que tinha sido dirigida a mim em uma caligrafia
bonita e cursiva. Abri, eu achei uma nota de Elaine King me dizendo que ela tinha
gostado muito da minha companhia ontem, e que ela esperava que ela me visse de novo
algum dia. Uau. Eu definitivamente não estava esperando isso. Eu tinha acabado de ler
quando percebi que Gillian tinha estado esticando o pescoço e lendo sobre o meu
ombro.
– Você conheceu Elaine? – Ela perguntou em voz sussurrada, boquiaberta.
Eu atirei a ela olhar irritado antes de responder: – Sim. Sr. King teve de cancelar
uma visita e me pediu para entregar algumas flores para a casa dela.
Os olhos de Gillian se ampliaram quando ela deu um rápido olhar para a porta
do escritório de King para se certificar de que estava fechada. Sua voz tornou-se
silenciosa. – Ninguém por aqui já conheceu Elaine. Rumores dizem que ela ficou louca
com a paranoia depois que algo aconteceu com um stalker, e o Sr. King a mantém
trancada para esconder o segredo.
Por alguma estranha razão, eu senti o desejo de cobrir tanto para King quanto
para sua mãe. – Bem, ela parecia bastante normal quando a conheci.
– Oh, – disse Gillian, obviamente desapontada. Ela estava atrás de um escândalo,
e eu não iria lhe dar um. Finalmente aceitando que não havia nenhuma história para
contar, ela voltou para sua mesa e voltou a trabalhar. Eu li a nota de Elaine mais uma
vez, a sensação de calor na minha barriga de saber que ela gostava de mim. Era bom
pensar que eu tinha iluminado seu dia. Então eu comecei a pensar sobre o perseguidor
que Gillian tinha mencionado. Este boato definitivamente não era de conhecimento
comum, uma vez que eu li sobre isso na mídia. Dado o estado da Elaine hoje em dia,
poderia facilmente ser verdade, mas poderia ser um rumor.

Quando minha hora de almoço veio, eu esperei até que Gillian tivesse deixado o
escritório para me dirigir para o banheiro de King. Ele não estava por perto, então eu
peguei meu sanduíche embalado e li meus e-mails pessoais, enquanto eu
esperava. Como eu fiz isso, um texto veio de Bradley. Ele tinha notícias sobre a sessão
de fotos, ele queria que eu fizesse. Em poucas palavras, ele tinha mostrado na casa de
moda algumas fotos minhas da minha página do Facebook. Eles gostaram do meu olhar
e me queriam para modelar. Tudo parecia tão glamoroso e emocionante. Eu estava
lendo através dos detalhes para a filmagem, que seria no sábado, quando a porta do
banheiro se abriu e King entrou.
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Página
– Começou sem mim? – Ele perguntou, tirando o paletó para revelar uma camisa
branca perfeitamente passada por baixo. Eu realmente precisava parar de perceber essas
coisas sobre ele.
– Uh, sim, – eu disse, engolindo uma mordida enquanto ele cuidadosamente
colocava sua jaqueta sobre as costas da cadeira. – Eu não tinha certeza se você iria vir.
Ele arqueou uma sobrancelha e, em seguida, começou a desabotoar os punhos
das mangas da camisa antes de serem enroladas até seus braços. Eu não sabia por que
ele estava fazendo isso, uma vez que não estava particularmente quente aqui. E
realmente, eu desejava que ele não tivesse feito, porque eu não conseguia tirar os olhos
de seus antebraços. Eles eram... sim, muito agradáveis para se olhar. Ele parecia estar
escondendo algum tipo de satisfação quando ele acenou para o meu telefone.

– Alguma coisa interessante?


– O quê? – Eu olhei para baixo, tomada de surpresa que ele me pegou olhando. –
Ah, certo, sim, na verdade. Eu recebi mensagens de texto do meu amigo, Bradley. Ele
está marcando um trabalho de fim de semana pra mim.
A expressão de King foi irônica. – Nós não pagamos o suficiente aqui?
Eu balancei minha cabeça. – Não é isso. É mais um favor. Ele é fotógrafo de
moda, você vê, e no trabalho que ele está fazendo no momento precisa de modelos
gordinhas. – Fiz uma pausa e apontei para mim. – Por isso, o meu envolvimento.
Ele parecia tanto interessado e divertido quando ele se inclinou. – Você vai
modelar?
– Eh, sim, não há necessidade de soar tão cínico.
Uma pequena careta. – Eu não estava sendo cínico. Eu acho que você faria uma
grande modelo, – disse ele, e, em seguida, seus olhos pareciam viajar pelo meu corpo,
demorando-se no alargamento dos meus quadris enfatizados pela saia lápis que eu
estava vestindo. – Porra, você faria uma modelo perfeita. – Esta última parte foi dita em
voz baixa, e minha pele começou a formigar. Ele realmente disse isso, ou eu estava
tendo um pequeno mini devaneio por um segundo? Eu precisava aliviar a tensão criado
pelo comentário, então eu coloquei uma voz altiva.
– Sr. King, nada dessas palavras com O no escritório, por favor.
Ele riu. – Me desculpe. Eu às vezes esqueço que você trabalha para mim. Você é
tão fácil de ficar perto que você parece mais como uma amiga.
– Aw, credo, obrigada. – Eu sorri para ele e dei outra mordida do meu
sanduíche. Bem, isso era meio doce. Ele parecia estranhamente tímido sobre sua
admissão, e pegou o almoço que eu pedi para ele. Era agora o meu trabalho encomendar
as suas refeições no café local de saúde alimentar todas as manhãs e programá-las para
chegar a uma. Eu juro, o homem comia uma dieta da revista Saúde Masculina, todos os
ovos, carne magra e legumes frescos. E achando que banqueiros viviam de um regime
estrito de café, carnes, e uísque. Talvez esse fosse o estereótipo da Wall Street falando.
– Então, você está trabalhando em uma sessão neste fim de semana? – Perguntou
King.
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Página
– Uh-huh.
– Posso ir ver?

Eu fiquei boquiaberta. – Você está falando sério?


– É claro, – ele disse, e pegou seu telefone, os dedos deslizando sobre a tela.
– O que você está fazendo?
– Cancelar uma festa que eu deveria participar de modo que eu possa
acompanhá-la para a sua sessão de fotos.
– Você não vai vir.
Ele franziu a testa e me deu esse olhar de cachorrinho triste que eu juro que fez
meus ovários acordarem e dizer olá. O homem era injustamente lindo.
– Qual é, – eu disse, – você tem que admitir que é estranho ir.

Agora ele parecia cético. – Haverá outras mulheres por lá que se parecem com
você?
– Eu acho que sim...
– Acha? Não é estranho. Eu gosto de olhar para as mulheres, especialmente as
que estão interessadas em pênis, em vez de vaginas.
Eu não podia acreditar que ele apenas tinha dito isso. Eu também não poderia
resistir ao impulso de dar-lhe um susto. Olhando por cima do seu ombro, eu disse: – Oh,
oi, Gillian. Estava procurando por mim?
King instantaneamente empalideceu, e ele ficou completamente
imóvel. Comecei a rir quando ele se virou e encontrou a porta vazia. – Oh, meu Deus, o
olhar em seu rosto. Isso foi impagável!
– Foi cruel. – Ele fez uma careta para mim, mas eu podia ver o sorriso que ele
estava tentando de tudo para segurar.
– Bem feito por falar de pintos e vaginas no escritório. Eu aposto que você não
diz coisas desse tipo para Eleanor.
– Eleanor é velha o suficiente para ser minha mãe.
– E o que sou eu? Sem valor?
– Você, – disse King, voz baixa e rouca, – tem a idade perfeita para ouvir
palavras como essa.
Por instinto, eu lambi meus lábios, e seus olhos pararam sobre eles. Por que ele
dá tanta atenção aos pequenos detalhes? Era demais, e a fachada lésbica que eu estava
segurando estava lentamente começando a desmoronar. Se ele continuasse me dando
olharem assim, ele iria descobrir mais cedo ou mais tarde que eu estava mentindo,
porque a minha linguagem corporal praticamente gritava minha atração.
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Página
Ele continuou olhando para mim, e eu sabia que ele estava esperando que eu
cedesse.
– Tudo bem, você pode vir, mas não incomode as outras modelos. Eu conheço
vocês dos tipos Cambridge. Cheio de fogo.

Ele riu. – Se por ‘cheio de fogo’ você quer dizer tenso e socialmente desajeitado,
então você nos conhece muito bem.
– Você está seriamente usando as palavras ‘tenso’ e ‘socialmente desajeitado’
para descrever a si mesmo? Porque se você for, você não está enganando ninguém.
King estalou. – Eu não estou falando de mim. Eu estou falando sobre o tipo de
pessoas com quem eu fui para a faculdade. Tive a sorte de nascer com o charme natural.
– Ele me deu um sorriso arrogante.
– Charme auto professado não é charme.
– Você me acha encantador.
– Isso é verdade. Eu acho quase tão encantador como uma comédia dos anos 80.
King riu alto em minhas palavras, estranhamente parecendo se divertir, e
começou a comer seu almoço enquanto olhava para o tabuleiro de xadrez.
– Então, vamos terminar este jogo ou o quê?
Nós terminamos.
E, desta vez, eu sai como vencedor. Nós estávamos em um empate.

Oliver King: 1. Alexis Clark: 1.

55
Página
Sete
Na manhã seguinte, entrei no escritório sentindo uma vibração estranha no
ar. Não demorou muito antes que eu descobri o motivo. Era aniversário de Johnson-
Pearse.
E não, isso não era aniversário como em aniversário. Isso era aniversário como
um Dia Bonus. Aparentemente, a banca de investimento, juntamente com a grande
maioria dos empregados no setor financeiro, orbitava em torno dos bônus anuais. E os
bônus eram anunciados no início de cada ano. Eu sempre li sobre esse tipo de coisa nos
jornais, onde os jornalistas de esquerda criticam os bancos para dar bônus exorbitantes
aos seus empregados, enquanto o resto do país sofria uma das piores recessões em
décadas. Eu tive que concordar com os jornalistas; era muito fodido. Isso ainda não
impediu que isso acontecesse, porém, e agora eu estava lá para testemunhar tudo isso
em primeira mão.
Logo se tornou evidente que todo mundo queria alcançar um bônus maior do que
aquele que tiveram no ano anterior, que foi responsável pela tensão nervosa. Ninguém
queria ter um bônus pequeno, porque isso significava que eles estavam perdendo no
jogo de fazer mais dinheiro do que todos os outros.

Eu aprendi tudo isso de Eleanor enquanto nós trabalhávamos juntas para


completar as nossas tarefas matinais. Ela tinha sido muito feliz com a maneira que eu
lidou com as coisas durante a sua ausência, e estava confiante de que eu estava indo
fazer um excelente substituto depois que ela saiu. Sua confiança em mim me deu um
impulso.
As horas até o almoço passaram rápidas. A forma como as coisas trabalhavam
no dia-B foram as seguintes. Cada funcionário foi chamado ao escritório de King, ou o
escritório de Daniel James, diretor sênior. Os bônus não foram anunciados
publicamente. Em vez disso, cada funcionário foi informado que seu bônus em
privado. E a coisa absolutamente bizarra sobre tudo foi que cada um desses funcionários
saiu do escritório de King parecendo confiante e satisfeito.
Eu sabia que alguns deles tiveram que estar blefando, porque nem todo mundo
tinha bônus maior do que no ano passado. E aqui estava a natureza competitiva do
negócio. Não importa o número desses banqueiros que entraram no escritório de King,
eles nunca deixariam seus colegas veem a sua decepção.
Como eu disse, era tudo sobre aparências.
Era meio da manhã, e outro empregado de aparência ‘satisfeita’ tinha acabado de
sair do escritório de King quando eu entrei para trazer seu café.
– Ei. Como vão as coisas? – Perguntei, colocando o copo sobre a mesa.
– Monótono, – ele respondeu, passando a mão pelo cabelo loiro curto.
– Você não gosta de dizer às pessoas os seus bônus? Quer dizer, os que foram
bem, pelo menos? – Perguntei, curioso.
King só me lançou um olhar que disse tudo. Então ele não gostava do dia-
B. Devidamente anotado.
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Página
– Você vai agradecer a sua mãe pelo bilhete que ela enviou ontem? – Eu disse
antes que eu estivesse prestes a sair.
King olhou para cima dos papéis em sua mesa. – Bilhete?
– Sim, – eu respondi. – Recebi ontem. Ela me escreveu dizendo que ela gostou
da minha companhia quando eu tinha ficado para o chá.
Um olhar atravessou o rosto de King. – Você ainda o tem?
– Sim, está na minha gaveta.
– Vai buscá-lo, – ele cortou.
Franzindo a testa, eu me virei e fui buscar o bilhete. Quando voltei, eu entreguei
a King, e ele correu para tirá-lo do envelope. Seus olhos percorreram as palavras, e
depois um suspiro de alívio escapou dele.
– Sim, esta é definitivamente a letra dela.
Deixei escapar uma risada nervosa. – Quem mais seria?

King me encarou e ele ficou de pé, caminhando até mim e me devolvendo o


bilhete. Peguei e vi como ele foi para o armário de bebidas na parte de trás do escritório
e tirou uma garrafa de uísque caro. Em menos de alguns segundos, ele derramou um
pouco em um copo e tomou. Lembrei-me de suas palavras de ontem.
Quando estou estressado, um bom copo de uísque normalmente faz o truque.
Por que sua mãe me enviaria um bilhete? E por que ele pensou que alguém tinha
enviado?
– King, está tudo bem? – Perguntei, preocupada.
Ele fechou o armário de bebidas e se virou, a expressão dura. Uau. Eu nunca
tinha visto ele olhar para mim assim antes.
– Tudo está bem, Alexis. Agora eu acredito que você tem trabalho para fazer.
Com a testa franzida, dei a ele uma resposta calma: – Sim, eu tenho, – em
seguida, virei e sai do escritório.

***

Eu não fui para o banheiro para o almoço naquele dia, nem eu no dia
seguinte. Em vez disso, eu comi meu sanduíche em um banco no exterior, de forma
intermitente olhando minhas mensagens e jogando pedaços de pão aos pombos. Eu
tinha quase esquecido que King e eu tivemos qualquer coisa que se assemelhava a uma
amizade até que ele se esgueirou para dentro do escritório na sexta-feira de manhã à
minha procura. E todo seu deleite presunçoso estava sendo firmemente dirigido a
57
Página
mim. Ele disse que seus olás habituais tanto para Gillian e Eleanor, em seguida, veio
parar na minha frente, braços cruzados, um sorriso gigantesco no rosto.
– Você está parecendo particularmente adorável hoje, senhorita Clark, – disse ele
com um floreio.

Olhei para ele por um segundo, franzi a testa, e depois continuei a escrever. Qual
era o seu jogo? Eleanor se levantou de seu assento e foi usar o banheiro, e ainda assim
ele permaneceu de pé ali como um excêntrico completo e total, enquanto a voz de
Gillian falando ao telefone encheu a sala. Finalmente, eu cedi.
– Posso ajudar com alguma coisa?
– Eu poderia te beijar agora, – ele sorriu, e eu suspirou.
Ok. Tentando bancar a indiferente, eu respondi: – Por que exatamente?

– A coisa da mídia social que discutimos no outro dia? Bem, imediatamente


depois que conversamos, eu marquei com um de meus clientes como um investidor, e
adivinhem?
Olhei para ele. – O quê?
– O site tem sido viral. Aparentemente, um casal de celebridades começou a
usar, e agora eles estão recebendo novas inscrições. – Ele se inclinou para frente e
apoiou as duas mãos na borda da minha mesa. – Esse cliente era um importante, e ele
atualmente acha que eu cago margaridas. E eu tenho que te agradecer por isso,
Alexis. Você é uma gênia!
Eu não poderia evitar o meu sorriso. Ele realmente estava feliz. – Devo sacar
meu pau para você chupar agora ou mais tarde? Puxa, Ollie, calma aí.
Ele piscou para mim, e, em seguida, um segundo depois, ele estava rindo. Ainda
bem que Eleanor não estava por perto e que Gillian estava muito preocupado com o seu
telefonema para ouvir o que eu tinha dito.
– Você acabou de me chamar de Ollie?
Suprimindo um sorriso, eu concordei, ainda digitando. Um momento de silêncio
se passou.
– Você também acaba de referir a eu chupar seu pau?
– Bem, você já abriu o botão e puxou o fecho. Você pode muito bem terminar o
trabalho, – Eu brinquei, e diversão iluminou seus olhos.

Ele olhou para mim por tanto tempo que comecei a ficar desconfortável. Seu
sorriso, naturalmente desbotou, e agora sua expressão ficou séria. – Eu vou colocar um
bônus no pagamento do seu primeiro mês. Pense nisso como taxa de um consultor.
Agora eu estava franzindo a testa novamente. – Você não tem que fazer
isso. Sério, escolher a mídia em vez da outra empresa era apenas eu pensando em voz
alta. Arriscando uma suposição. Eu não fiz qualquer investigação. Eu poderia ter sido
completamente errada por tudo o que sabia.
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Página
King se aproximou mais. – Alexis, não me insulte. Eu conheço uma merda real
quando eu ouço uma. E o que você me deu foi ótimo.
Agora eu era a única a olhar para baixo. Eu decidi que não ia protestar mais,
porque, hey, se ele queria me dar um monte de dinheiro para o meu conselho, eu não
iria enrugar o meu nariz para ele. Talvez eu pudesse usar isso para eu e Karla darmos
uma pequena pausa de fim de semana ou algo assim.

– Tudo bem, – eu disse. – Me dê o bônus.


– Não dar a você nunca foi uma opção, – ele respondeu antes de ir na direção de
seu escritório. Uma vez que ele chegou à porta, se virou. – Oh, e não ache que eu
esqueci do sábado. E é melhor eu vê-la na hora do almoço hoje. Não me deixe
esperando.
Jesus, ele disse isso na frente de Gillian. Ainda bem que ela ainda estava
ocupada com seu telefonema. Eu podia imaginar a fofoca se espalhando como fogo se
ela soubesse que estávamos tendo todos estes pequenos almoços íntimos juntos. Antes
que eu pudesse matá-lo uma carranca para, ele desapareceu dentro de seu escritório.
Eu não iria fazê-lo esperar para o almoço. E desta vez King ganhou o
jogo. Droga, ele estava começando a ter vantagem sobre mim.

Oliver King: 2. Alexis Clark: 1.

***

Bradley: Não use qualquer maquiagem. Vai ser feito na sessão. Mal posso
esperar para vê-la. Beijos <3
Alexis: Está tudo bem se eu trouxer um amigo?
Bradley: Karla quer vir?
Alexis: Não, ela está trabalhando. Alguém.
Bradley: Um menino?

Alexis: Talvez.
Bradley: Envie-me uma foto e então eu vou decidir :-D
Alexis: Cai fora.
Bradley: Tá bom. Eu só vou ter que esperar e admirar. Se ele parecer qualquer
coisa como o último, então eu prevejo que vou me surpreender.
Alexis: Ele não é um namorado. Apenas um amigo.
Bradley: Ooooh. Entendo. Cavalheiro de um cavalheiro?
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Página
Alexis: Desculpe desapontá-lo, mas não. Cavalheiro de uma senhora por
completo.
Bradley: Às vezes eu acho que você pode me odiar.
Alexis: Lol. Até logo.
Bradley: Tanto faz.
Na manhã de sábado, King insistiu me levar com o seu carro para a sessão de
fotos. Eu lhe disse que iria pegar o táxi e encontrá-lo lá, mas ele não aceitou um não
como resposta. Para ser honesta, eu realmente não queria que ele me buscasse. Eu
odiava admitir isso, mas eu estava envergonhada por onde eu morava. Sim, ele estava
ciente de que eu não tinha exatamente nascido em um berço de ouro, mas o pensamento
de King realmente vendo a realidade da minha vida me fez suar frio. Eu duvidava que
ele já tinha posto os pés em um edifício como o meu em sua vida. Isso ia ser um
despertar rude quando visse o graffiti, o bloco cinza de desespero em que eu morava.
Cedendo, eu mandei uma mensagem para ele com o meu endereço, esperando
que ele ligasse quando ele estivesse lá embaixo. Isso não foi o que aconteceu. Oh, não,
Oliver King subiu os muitos lances de escada até meu apartamento e bateu bem na
minha porta. Karla estava no trabalho, e eu estava apenas puxando uma blusa quando
ouvi o bater. Orando para que fosse um dos meus vizinhos vindo pedir um favor, eu fiz
o meu caminho até a porta e espiei pelo olho mágico. E há em toda a sua glória sexy
estava meu chefe. Deixei escapar um longo suspiro e bati minha cabeça contra o painel
de metal.

Bem, ele já tinha visto o pior de tudo agora. Não havia nenhum ponto em recusar
a deixá-lo entrar. Abri a porta e dei um passo para trás, olhando sua
aparência. Ele teve um grande efeito em mim. Ele não estava usando seu habitual terno
equipado. Não, hoje ele usava uma jaqueta casual preta, uma camiseta cinza por baixo,
jeans e um par de botas Caterpillar. Eu juro que tive que resistir conscientemente a
vontade de desmaiar. Seu cabelo estava desgrenhado casualmente com um pouco de gel,
e vendo-o vestido como um cara normal, me chamou atenção. Ele se parecia com
alguém que eu pudesse conversar em um bar.
Recuperando o fôlego, eu o cumprimentei. – Ei, você não tinha que vir todo o
caminho até aqui, mas entre.
Passando pelo limiar, King olhou para o meu pequeno, mas arrumado lugar antes
de trazer sua atenção para mim. – Bom dia, Alexis. Eu encontrei um casal de jovens na
escada. – Ele parecia um pouco nervoso, e isso me fez sorrir.
– Oh, sim, o que eles disseram?
Com a testa franzida. – Eu não tenho certeza se vale a pena repetir.
Eu bufei. – Sim, eu posso imaginar. Eu só tenho que jogar algumas coisas na
minha bolsa, mas fique à vontade. Volto em um minuto, – eu disse, e entrei no meu
quarto para empurrar o meu telefone e carteira na minha bolsa. Eu estava usando um par
de calças pretas, uma velha camiseta, e um casaco roxo longo. Oh, e sem maquiagem,
como solicitado pelo Bradley. Eu não me preocupei em me vestir muito bem por duas
razões. Um: eu seria arrumada na sessão. E dois: eu não queria King olhando para mim
60
Página
mais do que ele já fazia. Quer dizer, o homem achava que eu era lésbica, e ele ainda
queria sair.
Talvez fosse minha personalidade brilhante.
Heh.
Voltando à sala de estar, eu encontrei King sentado no sofá, folheando uma
imagem de mim e minha família. A visão de toda a sua beleza masculina na minha sala
muito comum me atingiu como uma pancada no peito. Ele era um homem
impressionante, porra, e eu estava praticamente condenada a cobiçá-lo para o futuro
previsível.
– Eu estou pronta. Vamos pegar a estrada, Jack.
Seus olhos vieram aos meus. – Sua família?

– Sim. Cachos bonitos, não é? – Eu brinquei, e ele riu suavemente, colocando o


quadro de volta na prateleira. Deixamos o meu apartamento e descemos as escadas. O
grupo de meninas que King tinha mencionado não estava lá, então ele foi salvo de um
segundo encontro com elas olhando de soslaio para ele. Meninas por aqui poderiam
cheiram dinheiro a uma milha de distância, e cada movimento de King gritava privilégio
e riqueza.
Havia um casal de jovens crianças e adolescentes quando chegamos lá fora,
cobiçando o carro de King. Era um Mercedes preto e veio equipado com o seu próprio
motorista. Foi uma coisa boa, também, porque da forma como as crianças locais
estavam de olho, eu imaginava que teria sido roubado em um segundo se deixado sem
vigilância.
Em um movimento muito cavalheiresco, King abriu a porta e fez um gesto para
eu entrar. Quando eu passei por ele, ele olhou para mim, olhos atentos no meu rosto.
– Você não está usando maquiagem, – disse ele, o foco move-se sobre meu rosto
e para os meus lábios.
Não me surpreende que ele percebeu a mudança, porque eu sempre usava
maquiagem para o escritório.
– Sim, eles vão fazer isso na sessão.

Ele exalou. – Eu gosto bastante o seu rosto sem ele.


Bem, tudo bem então. Eu não sabia o que dizer sobre isso, então eu
simplesmente continuei meu caminho para dentro do Merc. King deslizou depois de
mim, e, depois, fomos embora. A viagem foi tranquila enquanto eu mexia com as mãos,
um pouco de autoconsciente agora que ele tinha visto onde eu morava. Uma coisa era
mencionar casualmente na conversa, mas era outra por tê-lo realmente indo lá em
pessoa. Eu podia sentir ele me olhando com o canto do meu olho, mas eu não olhei para
ele.
Ele deve ter percebido que algo estava acontecendo comigo quando ele
perguntou: – O que está errado, Alexis?
61
Página
Havia algo sobre ele dizendo meu nome nos pequenos limites do banco de trás
que fez a pele na parte de trás do meu pescoço formigar. Liguei meus olhos nos dele por
um segundo antes de olhar para fora da janela. – Nada.
– Não me venha com essa. Você não está no seu habitual auto falante. Pare com
isso.
Suspirei e cruzei uma perna sobre a outra, fazendo com que a atenção de King
vagasse para minhas coxas por um momento. Eu estava começando a perder a conta de
quantas vezes ele tinha feito isso, e isso me fez engolir, duro. Ele era um daqueles tipos
realmente atentos que entendia da linguagem corporal. Eu poderia dizer. Eu também
queria saber o que ele podia ler de mim. Eu era bem sucedida em esconder minha
atração?

– Eu estou... – Eu comecei e depois parei, sentindo-me ridícula. – Isso é


estúpido. Eu nunca pedi desculpas por quem eu sou ou de onde eu vim, mas eu me sinto
um pouco envergonhada com o meu apartamento.
– Seu apartamento é adorável, Alexis.
Eu puxei meus lábios entre os dentes. – Obrigada, mas eu quero dizer do lado de
fora, não de dentro. É provavelmente porque eu estive na sua casa, e viu como ela é
linda. Aposto que você nunca pôs os pés em um edifício como o meu antes em sua vida.
Ele me estudou, o rosto desenhado em uma expressão séria. Senti seu ombro
escovar o meu quando ele disse: – Não, mas o que isso importa? Você nem sempre tem
que ser preso onde você está. Você pode melhorar sua vida indefinidamente, desde que
você tenha a capacidade de fazer isso, e você, Alexis, têm essa capacidade. Nunca deixe
ninguém te dizer o contrário. Mas voltando ao assunto em questão. Você é minha amiga
- portanto, não me importa onde você mora.
Olhei para ele, aturdida e meio lisonjeada com todas as coisas que ele disse sobre
as minhas capacidades. Eu não queria que ele soubesse que eu estava lisonjeada,
embora, então eu ignorei o elogio e continuei. – E isso é outra coisa. Não é um pouco
estranho que eu seja sua amiga e eu também trabalhe para você? Você normalmente faz
amizade com seus assistentes? Isso tudo o que está fazendo, não é contra as regras?
– Isso é um monte de perguntas.
– Eu preciso de um monte de respostas.
Ele estava perto o suficiente para que eu pudesse sentir sua respiração em meu
ouvido. – Ok, eu vou procurar te dar algumas. Em primeiro lugar, eu não diria que é
estranho que nós somos amigos. É mais fora do comum.
– Mesma diferença.

– Me deixe terminar.
– Tudo bem, – Eu bufei.
– Em segundo lugar, não, eu normalmente não faço amizade com meus
assistentes. Na verdade, eu nunca tinha planejado fazer amizade com você. Isso
simplesmente aconteceu. Eu gosto de você. Você me faz rir. E você é diferente das
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outras pessoas que eu conheço. Ter você por perto faz o dia um pouco mais
interessante. Gosto da espontaneidade de não saber muito bem o que você vai fazer. –
Ele parou de rir suavemente. – E em terceiro lugar, não, não é contra as regras. Eu sou
livre para ser amigo de quem eu escolher, empregado ou não. – Ele ficou em silêncio,
em seguida, e eu me virei para ver por que ele parou de falar.
Seus olhos pareciam... aquecidos.

Agora, ele sussurrou, sua respiração beijando meu ouvido: – Se eu fosse transar
com você, seria desaprovado, mas ainda não estaria quebrando as regras. Eu não sou seu
professor ou professor universitário, Alexis.

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Oito
Oh. Meu. Deus. Eu senti como se tivesse perdido momentaneamente a
capacidade de falar. Que diabos ele estava fazendo? Quer dizer, o motorista estava
sentado em frente de nós. Ele não mostrou quaisquer sinais de ter ouvido King, mas
mesmo assim. Eu acho que eu me tornei meio histérica quando eu sacudiu um dedo para
ele. – Você tem o equipamento errado para mim, lembra?
Jesus, era mesmo a minha voz? Eu parecia estridente demais.
Ele ficou em silêncio por um momento, e quando ele respondeu, sua voz era
baixa e calma: – Oh, sim, como eu poderia esquecer?

Agora, ele olhou pela janela, braços cruzados sobre o peito. Esta foi a viagem de
carro mais estranha e frustamente sexual da minha vida. Foi um alívio quando
finalmente chegamos ao local da sessão de fotos, um edifício de armazém em
Shoreditch. King saiu primeiro e deu a volta para a frente do carro, inclinando-se e
falando com o motorista através da janela. O homem concordou e foi embora depois de
eu ter saído também.
King olhou para mim e fez um gesto que eu deveria seguir. Eu dei alguns passos
até o interfone e apertei o botão para entrar. Uma voz feminina respondeu, e um
segundo depois estávamos entrando. King estava quieto enquanto nós subimos as
escadas para o estúdio. Eu estava morrendo de vontade de saber o que ele estava
pensando. Ele ia falar sobre o que aconteceu no carro? Quero dizer, ele muitas vezes
flertou, mas nunca foi lascivo, a não ser é claro quando estávamos trocando piadas
sujas. Mas não havia nada bem-humorado sobre o que ele me disse no caminho.
Quando chegamos ao primeiro andar, encontramos o lugar uma enxurrada de
atividades. Havia estações de maquiagem de um lado da sala grande e aberta, e, do
outro lado, estavam prateleiras sobre prateleiras de roupas. Algumas garotas tinham
seus rostos feitos por artistas de maquiagem, e outras estavam com estilistas lhe
entregando roupas para vestir. Música tocava nos alto-falantes postos nos cantos do
teto, e perto das janelas estavam panos brancos, pretos e vermelhos, onde as fotos
estavam sendo tiradas.

Era tudo muito caótico e emocionante.


King colocou a mão nas minhas costas, e eu estava prestes a perguntar a uma
menina que passava aonde eu poderia encontrar Bradley quando meu amigo apareceu de
repente.
– Aí está você, – disse ele, agarrando o meu pulso. – Eu preciso de você na
maquiagem o mais rápido possível. – Olhando por cima do meu ombro, ele viu King e
lhe deu uma leitura rápida. Ele estendeu a outra mão sobre o meu chefe para checar. –
Bem, olá, eu sou Bradley. E você é?

Eu resisti à vontade de rir silenciosamente pela doce melodia em sua voz. Ao


contrário da última vez que eu o vi, quando essa menina tinha estado no cio em cima
dele na pista de dança, agora Bradley estava latindo para a árvore errada.
– Oliver, – disse King, apertando a mão de Bradley. – Obrigado por deixar
Alexis me trazer junto.
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– Oh, o prazer é meu. Alexis é uma das minhas amigas mais queridas. – Ele
estava brincando agora, porque Bradley nunca me chama pelo meu nome completo; eu
sempre tinha sido apenas Lexie para ele. Ele pegou minha bolsa e casaco de mim, então
me levou até o cabelo e maquiagem. Uma menina curvilínea, de cabelos claros veio e
começou a me falar através do ‘look’ que eles estavam fazendo, enquanto Bradley
perguntava à King se ele gostaria de chá ou café.
– Um café seria ótimo, – disse King, emitindo sua voz habitual de confiança. Ele
poderia ter sido um pato fora d’água nesta situação, mas não mostrou isso nem por um
segundo.
– Café. Venha comigo enquanto Alexis faz a maquiagem.
Eles já estavam indo embora quando de repente eu percebi que Bradley não
sabia sobre a minha mentira. E ele era fofoqueiro - muito falador. Isso significava que
ele iria começar a grelhar King sobre a natureza da nossa relação. E durante esse grelhar
se tornaria bastante óbvio que eu, na verdade, não jogava no outro time. A maquiadora
estava passando base quando comecei a vasculhar a minha bolsa para o meu
telefone. Meus dedos deslizaram rapidamente sobre a tela enquanto eu digitava uma
mensagem para Bradley.
Alexis: Ele acha que eu sou lésbica. Colabore.
Sua resposta foi quase instantânea.

Bradley: E ele acha que isso por que...?


Alexis: Nós somos amigos. Se ele acha que eu sou gay, elimina a possibilidade
de ele dar encima de mim.
Bradley: E você não quer que ele dê encima de você por que...?

Eu soltei uma risada, a maquiadora ficando irritada quando eu ficava olhando


para o meu telefone. Eu lhe disse que só tinha de enviar mais uma mensagem e, em
seguida, ela teria toda a minha atenção.
Alexis: Porque ele também é meu chefe.
Bradley: Não brinca! :O
Sorrindo, eu finalmente guardei meu telefone e deixei a menina fazer minha
maquiagem. Ela foi para os meus olhos quando King reapareceu, segurando uma
caneca. Ele tomou um gole, me observando, demorando na curva do meu peito. Aqueles
olhos eram tão... excitantes. Então sua atenção vagou para outra das modelos que estava
passando. Eu juro que nunca tinha visto ninguém tão perfeitamente proporcionada. King
tinha notado também. A mulher o pegou olhando para ela e lhe deu um pequeno sorriso
audacioso.
Cadela.
Ok, eu sabia que não tinha direito de ficar com ciúmes. Esta foi uma situação
difícil da minha própria concepção. Eu tive a atenção de King, desde o início, e tinha
sido minha decisão desviar a atenção com uma mentira. Sim, eu tinha feito minha cama,
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mas parecia que eu não queria mais deitar nela. Eu odiava me sentir assim, então eu
tentei fazer uma piada.
– Eu vi primeiro, – Eu falo baixinho para ele, permitindo que os meus olhos
passassem rapidamente para a modelo pouco antes de ela desaparecer atrás de um rack
de roupas.
Ele deu um passo para mais perto e se inclinou para sussurrar no meu ouvido. –
Vou te agradecer pelo lindo visual, mas como você sabe que ela é?
Suas palavras me fizeram tremer. Virei o rosto para ele, surpresa quando
descobri nossos lábios a uma mera polegada de distância, e bati na lateral da minha
cabeça. – Gaydar de alto nível.
King riu e se levantou novamente. – Você que sabe.
Pelos próximos minutos estávamos ambos quietos enquanto King olhava ao
redor, ou seja, para as outras modelos. O lugar estava lotado com mulheres
peitudas. Quando minha maquiagem foi feita, eu olhei para mim mesma no espelho,
gostando dos resultados. Ela tinha delineado minhas pálpebras superiores com
delineador líquido preto, e usou uma sombra meus olhos com castanho dourado para
criar um efeito esfumaçado. Isso fez meus olhos geralmente negros parecerem mais
brilhantes, como um castanho chocolate profundo. Meus lábios eram de uma cor de
pêssego brilhante, e minhas bochechas tinham sido destacadas com um blush brilhante.

Um momento depois, um cara loiro magro veio e usou um babyliss no meu


cabelo, deixando-o em ondas brilhantes. Levou menos de cinco minutos, e logo após ele
me sufocar com spray de cabelo, ele saiu, começando a trabalhar na próxima modelo.
Virei a cabeça de lado a lado, me admirando, em seguida, olhou para cima para
ver King em pé atrás de mim. Seu foco estava completamente no meu rosto. Eu estava
tão preocupada estudando meu reflexo que eu não tinha notado ele me observando.
– Você parece... – Ele começou, mas depois parou, balançando a cabeça. – Não
importa. – Ele olhou para o relógio. – Quando você acha que eles vão começar a tirar
fotos?
Antes que eu pudesse responder, Bradley apareceu, carregando um cabide. –
Logo. Aqui, Lexie, coloque isso. – Eu peguei a roupa e fui atrás de uma das telas de
privacidade próximas para me trocar. King seguiu, mas manteve-se de pé sobre o outro
lado da tela.
– Alguma vez você já modelou antes? – Ele perguntou, curioso.
– Não. Primeira vez, – eu respondi, e tirei minha camisa, tentando ignorar a
forma como a minha pele formigava de tê-lo tão perto enquanto eu me despia.

– Você é virgem de foto, – continuou ele, com um sorriso na voz.


– Ah, eu não sei disfarçar, – eu disse, sorrindo e escorregando de minhas
leggings e botas. Eu me virei para pegar a roupa que Bradley tinha me dado. Ela
consistia de um vestido sem mangas preto apertado com um decote e um par de saltos
vermelhos brilhantes. Eu tive um pouco de dificuldade para encaixar meus seios no
vestido, uma vez que o tecido não esticava. Em pé na frente de um espelho de corpo
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inteiro, eu tentei algumas manobras, deixando escapar um gemido silencioso. Ugh, eu
pensei que essas roupas deveriam ser plus-size. Eu senti como se eu tivesse sido
costurada na coisa, como Sandy D e suas calças pretas furtivas.
– Precisa de ajuda? – King perguntou, sua voz um lembrete de que ele estava por
perto.
– Hum, – eu disse, – você poderia ir buscar Bradley?
Antes que eu percebesse, King tinha vindo atrás da tela, e eu o ouvi inalar uma
respiração afiada quando me viu. Mais uma vez, eu tentei desviar a tensão com
humor. – Parece que eu comi muitos dos bhajis de cebola. Este vestido é muito
apertado.
King deu um passo adiante, e quase por conta própria sua mão foi para a minha
nuca antes de correr pelo comprimento da minha espinha. Minha respiração engatou.
– Não, – ele murmurou. – Está perfeito.

– King.
– Sim, Alexis?
– Isso é o suficiente de tocar.
Sua mão parou quando aterrou logo acima da minha bunda. Ele ignorou o meu
comentário e perguntou: – Para que você queria Bradley?
Virei-me, quebrando o contato, e fiz um gesto para a minha região torácica. – As
meninas não podem respirar nessa geringonça infernal.
King riu com ternura. – Bem, elas parecem fantásticas.

Fiz uma careta para ele. – Você não está ajudando.


– Sinto muito, – disse ele e deu um passo mais perto, sua voz baixando. – O que
posso fazer para ajudar? – Seus olhos estavam nem perto de meu rosto. Não, eles
estavam colados ao meu palpitante seio.
– Você pode parar de me admirar, para começar.
– Desculpa, não posso fazer isso. De qualquer forma, por que você se importa? –
Ele inclinou a cabeça e arqueou uma sobrancelha.
A pergunta dele me irritou. – Misoginia. É por isso que eu me importo. – Oh,
Deus, eu estava desesperada. – Todos vocês homens estão interessados em peitos e
bundas.
King deu um passo à frente novamente, e agora ele tinha me apoiado em um
canto. – Você esqueceu a terceiro palavra com c.

– O quê?
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– Cérebros3.
Eu bufei.

– Não acredita em mim?


– Vindo do homem que me deu uma entrevista com base em minha aparência. –
Eu olhei para longe, já sentindo que este era um argumento que eu não iria ganhar.
– Ah, mas eu te dei o trabalho com base no seu raciocínio rápido. E eu já te disse
quão inteligente eu acho que você é.
– Por que você está tentando me amaciar? – Perguntei, desconfiada. Seu peito
estava perigosamente perto de se escovar contra o meu.
– Isso não é o que estou fazendo. – Uma pausa, seguida por uma expressão
pensativa. – Posso fazer uma pergunta?
Eu hesitei um segundo. – Sim.
Agora, ele fechou a distância restante entre nós. Seu hálito quente e úmido no
meu rosto quando ele sussurrou: – Você já teve um pau antes?
Meu coração gaguejou quando engoli, incapaz de encontrar seu olhar. Ele
continuou falando. – Você deve tentar, só para ter certeza. Quem sabe - você pode até
gostar disso.
Eu ainda não conseguia olhar para ele, e um pesado silêncio caiu entre
nós. Minha cabeça nadou com visões dele erguendo minhas pernas e entrando dentro de
mim. Meus joelhos ficaram fracos só de pensar. Sua voz soava diferente quando ele
finalmente disse: – Alexis, você está...?
– Lexie, aí está você, – Bradley chamou, interrompendo tudo que King estava
prestes a dizer. Agindo por instinto, eu deslizei para longe dele e corri para Bradley,
precisando de uma fuga. Eu fui ficar com o resto das modelos que estavam
aguardando. Dando à minha aparência um último olhar em um espelho de corpo inteiro,
tentei me acalmar. Oh, King tinha razão - meus seios pareciam fantásticos, mesmo se
eles estavam sendo sufocados até a morte. O corte do vestido e o sutiã que me foi dado
trabalhava maravilhosamente juntos.
Eu estava sendo levada para o set para estar ao lado de duas ruivas quando
avistei King novamente. Ele estava de pé discretamente, observando a atividade, mas
quando seu olhar pegou o meu, queimou. Ele estava olhando na região do meu decote
como se ele tivesse descoberto o Santo Graal.
Deus, homens. Tão facilmente distraídos por um par de peitos. Talvez eles
também causassem insanidade momentânea, e essa foi a razão pela maneira como ele
falou comigo.
Pela primeira meia hora de fotos, Bradley focou em fotos de grupo. Eu gostava
de vê-lo trabalhar, porque ele ficava todo sério e concentrado. Ele ainda mantinha seu

3
Aqui ele tinha falado a palavra com B (que pra gente pode ser boceta), mas ele brincou, porque
cérebro é brain, que começa com B, e ela ficou confusa por um instante. (N.T)
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senso de humor, e eu ri quando ele começou a tentar explicar a uma modelo a diferença
entre feroz e ardente.
– Para arder, você tem que combinar um olhar sutil com um olhar estreito. Para
parecer feroz, você precisa colocar as mãos nos quadris e olhar para mim como se você
quisesse me foder e ser a única por cima.
Eu não tinha certeza do que era mais engraçado, o olhar de choque no rosto da
modelo ou a ideia de Bradley deixando uma mulher montá-lo. Ele me pegou rindo e me
deu uma carranca brincalhona, antes de ir para trás da câmera, tirando fotos e dando
ordens para as pessoas. Duas mudanças de roupas depois, avistei King novamente. Eu
estava meio que surpresa que ele ainda estava lá, porque, mesmo se houvesse mulher
atraente e tal, isso não poderia ter sido muito divertido para ele.

E tudo bem, talvez eu tivesse estado desejando que ele se cansasse e fosse
embora. Isso significaria que eu iria ficar para evitar a volta pra casa e a possibilidade
de ele trazer a tona o que ele tinha dito anteriormente. Ele realmente estava em uma
missão para empurrar meus limites hoje.
A roupa que eu atualmente usava era muito mais confortável do que a
primeira. Era um colete branco liso sob uma camisa creme com um par de jeans rasgado
pálido. Estilo casual. Bradley anunciou que estávamos tendo um intervalo de quinze
minutos, o que foi um alívio, porque eu estava morrendo de fome. Evitei procurar King
e fui comer. Pegando um prato, eu carreguei com sanduíches e peguei uma garrafa de
água. Então eu vaguei para o canto do estúdio, me sentei no parapeito da janela e
comecei a comer.
– Alexis. – Eu ouvi King dizer o meu nome antes de ele vir e sentar na minha
frente, perto o suficiente para que eu pudesse cheirar seu perfume.
– Oh, oi, – eu disse, recusando-me a fazer contato visual. Ainda bem que eu
tinha a janela para olhar.
Eu estava prestes a começar o meu segundo sanduíche quando ele pegou meu
pulso. – Eu preciso me desculpar por como falei antes? Se sim, diga-me, e eu vou. Eu
não quero colocar em risco a nossa amizade.
Agora eu finalmente olhei para ele, inclinando minha cabeça enquanto eu
considerava suas palavras. – Você sente como se você devesse pedir desculpas?
Ele se aproximou, o joelho batendo contra o meu. – Eu só disse o que eu estava
pensando. Eu te disse antes que tato não era o meu forte.
Deixei escapar um suspiro. – Está bem. Apenas tente não ser tão... insistente no
futuro.
– Como quiser, – disse King, estendendo a mão para mim. Ele era tão estranho,
mas eu aceitei de qualquer maneira, tentando ignorar o quanto eu gostava da sensação
de sua mão na minha. Um silêncio decorreu, e eu percebi que ele não tinha pego nada
para comer.

– Você quer compartilhar isso? – Perguntei, apontando para o meu prato, no que
consegui colocar muitos sanduíches. – Eu não vou comer todos. Meus olhos são
maiores do que a minha barriga.
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King me deu um sorriso lento, em seguida, estendeu a mão para um. –
Obrigado. É muito generoso de sua parte oferecer.
Deus, eu amava como ele falava algumas vezes. Era como se eu fechasse meus
olhos, eu quase podia fingir que estava com Mr. Darcy. Nós sentamos e conversamos
enquanto comíamos até que me dei conta de uma terceira presença. Virando a cabeça, vi
Bradley de pé a poucos metros de distância, uma câmera em seu rosto enquanto ele
tirava fotos de King e eu.
– O que você está fazendo? – Eu chamei, e ele parou de tirar fotos, baixando a
câmera e caminhando em nossa direção. King sentou ao meu lado, observando
silenciosamente.
– Vocês dois são ótimos juntos, – Bradley jorrou antes de empurrar a câmera
para mim. – Aqui, dê uma olhada. – Fiz o que ele disse e folheei as fotos mais
recentes. Era eu e King de vários ângulos, conversando e rindo. Nós parecíamos tão... à
vontade um com o outro. E wow, King realmente ficava bem em fotos. Ele poderia
passar como um modelo. E depois Bradley quase ecoou meus pensamentos quando ele
olhou para King.
– Como você se sente sobre estar em algumas fotos? Podemos pagar pelo seu
tempo, é claro. Vamos fazer uma linha masculina, e ainda existem algumas roupas que
sobraram do set de ontem.
King olhou para ele, em silêncio por um longo momento antes de perguntar: –
Alexis vai estar nas fotos comigo?

– Claro! – Exclamou Bradley. – Essa é a principal razão pela qual eu quero que
você faça isso. Vocês dois ficam surpreendentes em fotos. – Agora ele pegou a câmera
de mim e entregou para King, que imediatamente passou através das fotos. Ele não
disse nada por um minuto, sua expressão pensativa enquanto ele olhava. Eu não tinha
ideia do que ele ia dizer quando ele finalmente entregou a câmera de volta para Bradley.
– Eu vou fazer isso.
– O que?! – Eu gritei.
– Ótimo! – Exclamou Bradley. Ele já estava correndo para encontrar uma roupa
para King quando me virei para o meu patrão. – Você vai modelar? Sério? E se alguém
que você conhece acabar vendo as fotos?
Ele deu um pequeno encolher de ombros e olhou para mim. – O que eu faço no
meu tempo livre é da minha conta.
Eu estreitei meu olhar para ele, sentindo como se ele estivesse aprontando
alguma coisa, mas eu não tinha certeza do que. Um minuto depois, Bradley estava de
volta, segurando nada além de um par de jeans azul pálido. Eles tinham rasgos nos
joelhos e eram quase uma réplica exata da minha, exceto que eles eram uma versão
masculina.
– Aqui está, – ele chiou, e entregou o jeans a King.
Eu fiquei boquiaberta e apontei. – Isso não é um conjunto. Esse é um item. Onde
está a camisa?
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Agora Bradley balançou a testa. – Ele não vai estar vestindo uma.
Para seu crédito, King não abriu a boca. Na verdade, ele riu enquanto balançava
a cabeça.
– Oh, vamos lá, – eu protestei. – Você não pode estar falando sério. Isso é sessão
de moda, e não uma... uma sessão de sexo.
– Oooh, – Bradley cantarolou precocemente, – quero me inscrever para um
desses. E você esqueceu, minha querida Lexie, que o sexo vende. – Ele me beliscou no
nariz, e eu fiz uma carranca.
Bradley me lançou um olhar confuso, obviamente, não entendendo porque
estava descontente. De repente percebi que eu estava discutindo sobre ter que ver Oliver
King sem camisa. Sim, eu não entendia, tampouco. Apertando minha boca fechada, eu
deixei o meu amigo dar as instruções.
Antes que eu percebesse, o resto dos modelos estavam tomando uma pausa
prolongada e era só eu, King, Bradley, e um punhado de outras pessoas que ficaram no
estúdio. King foi atrás de uma das telas de privacidade acima mencionada para se trocar,
Bradley dizendo a ele para tirar os sapatos e as meias também. Então ele disse-me para
fazer o mesmo.

Bom Deus.
No que eu estava me metendo? Não demorou muito para que uma fantasia
tivesse tomado conta. King surgiu em jeans e nada mais, e eu praticamente me
engasguei com a minha própria língua. Meu chefe era tonificado. Até mesmo seus pés
descalços eram bonitos. Tinha ombros largos, lindos gominhos e abs definido, e um ‘V’
de morrer. Para não mencionar sua cor natural. Ele tinha um corpo ainda melhor do que
o meu ex, Stu, e eu sabia que ele tinha que ser um daqueles malucos por saúde
irritantemente presunçoso que se levantava às quatro da manhã apenas para se exercitar.
Sim, era isso. Eu precisava manter o foco na presunção vã de alguém que
malhava tão duro, em vez do fato de que isso me fez querer rastejar em cima dele. O
problema era que ele não parecia convencido. King usava uma expressão que era
tudo, Aqui estou, me leve ou me deixe, que só funcionou para deixá-lo ainda mais
irresistível.
Pegue ele, alguma parte profunda e feminina me implorou.
Notei Bradley olhando para King com quase exatamente a mesma maneira que
eu estava. Mordendo o lábio, ele murmurou baixinho, – Oh, nós vamos vender uma
quantidade séria de jeans depois disso.
Eu atirei a ele um olhar cínico. Me ajeitei um pouco e eu fui para ficar ao lado de
meu chefe, silenciosa e à espera de novas instruções.
– Oliver, – disse Bradley, – sente-se na cadeira. Alexis, eu quero você em seu
colo. Aja naturalmente. Tente me dar essa vibe que ambos tiveram anteriormente
quando você não sabia que eu estava tirando fotos. Eu quero que vocês parecendo um
casal real. Completamente apaixonados. Entenderam?
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Whoa, eh, ok. Eu estava apaixonada pelo abs do homem, se isso ajudava. King
caminhou até a cadeira como se fosse dono do lugar e sentou-se enquanto seus olhos
encontravam os meus. Aqueles olhos estavam comandando, sua cor gelada capturou a
luz enquanto ela brilhava através da janela. Esses era olhos pecaminosos, e eu tinha a
sensação de que ele iria apreciar isso. Ele iria apreciar muito. Reunindo minha falsa
confiança, eu andei até a cadeira e timidamente me abaixei em seu colo. Minhas mãos
instintivamente foram para seus ombros para me equilibrar, e sua mão roçou meu
quadril.
Nossos olhos se encontraram, e eu respirei fundo. Eu estava muito perto do rosto
de Oliver King mais uma vez, e eu não podia desviar o olhar.
– Oi, – eu disse, tentando o meu melhor para não soar estranha.

Ele me deu um sorriso que iluminou seus olhos. – Ei.


– Você está lamentando ter vindo comigo agora? – Perguntei, a voz
tranquila. Bradley já tinha começado a tirar fotos.
King trouxe sua boca sobre a minha orelha. – Nunca. É a melhor ideia que eu
tive em anos.
Engoli em seco e olhei para baixo, meus cílios protegendo meus
olhos. Infelizmente, olhando para baixo também significava olhar para abs de King, e
agora eu não conseguia desviar o olhar.
– Perfeito. Eu amo isso. Vocês dois estão indo de forma brilhante, – Bradley nos
encorajou. Ele estava perto, mas ele parecia muito distante. King havia capturado toda a
minha atenção.
– Oliver, traga suas mãos até as omoplatas de Lexie. Lexie, você pode mover
para que você esteja montada nele? Eu já tirei bastante foto de lado agora.
Eu estalei uma gargalhada. Sério? Deixando escapar um pequeno suspiro, eu
movi minhas pernas para que eu estivesse montada nele e senti uma pequena respiração
sair. Quando meu olhar foi para a garganta, eu o vi engolir. Ele estava tendo dificuldade
como eu estava? Eu estava dolorosamente ciente dos meus mamilos endurecidos e a
facilidade com que King iria vê-los através do sutiã fino e colete branco que eu estava
vestindo. Bradley tinha me dito para tirar a camisa, então eu não tinha qualquer
cobertura. Felizmente, porém, a atenção de King estava em mim, alternando entre meus
olhos e meus lábios. Um ou dois minutos passaram enquanto Bradley continuava a nos
fornecer com direções.
– Coloque a mão no rosto dela, Oliver. Eu quero muito contato com os olhos.
King não hesitou por um momento, a mão suavemente cobrindo meu rosto. O
calor de sua palma enviou formigamento bem entre as minhas pernas. Eu tentei olhar
em qualquer lugar diferente do seu rosto até que Bradley chamou atenção.

– Isso não funciona, a menos que você esteja olhando para ele, Lexie.
Sem outra escolha, eu levantei meu olhar. Meus olhos se encontraram com King,
e seu profundo olhar me segurou. Um dos meus joelhos estava doendo um pouco
quando eu levantei meu peso. Eu me ajustei e foi aí que eu o senti.
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Ele estava duro.
Eu engasguei em voz baixa, mas King foi o único a ouvir. Eu não sabia o que
dizer. Quer dizer, como é que uma lésbica reagiria tendo um pau duro contra
ela? Talvez ela não se importaria. O problema era que eu me importava, e embora eu
tenha tentado de tudo para ignorá-lo, meu corpo traidor tinha outras ideias. O ponto
entre as minhas coxas doíam, e involuntariamente meu tronco moveu pela menor
fração. Uma deliciosa pressão seguiu. Deus, isso era bom. E então eu estava
molhada. Tão molhada.

King não deixou de notar. Com a testa franzida, seu olhar concentrado enquanto
eu tentava não deixá-lo ver o tumulto dentro de mim. Parecia que uma eternidade tinha
passado, um milhão de perguntas em seus olhos que eu não sabia como
responder. Então aqueles olhos me deixaram, e eu senti um lampejo de alívio. Não
durou muito tempo, porque quando vi onde sua atenção havia se mudado, meu coração
queria bater para fora do meu peito. Ele estava olhando para os meus mamilos, meus
mamilos que estavam quase tão duros como seu pau.

Ele se aproximou, seus lábios na minha orelha de novo, enquanto eu sentia cada
músculo do seu corpo ficar tenso. Suas palavras foram letais. Elas mantinham partes
iguais de raiva, triunfo e satisfação quando ele sussurrou, – Porra eu sabia.

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Página
Nove
Sutilmente, ele moveu seus quadris, seu pau duro levemente empurrando contra
mim quando ele soltou o mais ínfimo grunhido masculino. Isso era delicioso, e por um
momento eu esqueci que eu sem mesmo eu ter dito uma palavra, meu corpo tinha me
traído.
O gato estava muito fora do saco... ou devo dizer, a lésbica falsa estava fora do
armário.
– Oh, isso é fabuloso! Ok, vocês podem se levantar. Quero algumas fotos de
vocês em pé ao lado da janela. Oliver, você fica atrás de Lexie. Coloque seus braços em
torno dela e, não sei, acaricie sua orelha ou algo assim.

Primeiro de tudo, ele estava me zoando?


E em segundo lugar, eu senti como se estivesse tendo uma experiência fora-do-
corpo, quando me mexi para sair decima de King. Pouco antes de ele me soltar, ele
agarrou meu pulso, dando a ele um aperto duro que disse: Isto não acabou.
Fui até a janela, sentindo-o seguir logo atrás. Eu me senti como um pequeno
animal sendo predado por um caçador especialista. Ele me pegou, e eu não tinha ilusões
de que ele ia facilitar para mim.
Mas ainda assim, ele era meu chefe. Ele não deveria ter agido da maneira como
ele estava agindo. Mesmo que não estávamos no local de trabalho agora, eu precisava
lembrá-lo disso. Um momento depois, o calor de King estava em mim novamente, desta
vez quando ele passou os braços em volta de mim por trás. E oh, meu Deus, apesar de
tudo, me senti tão bem, realizada.
– Você está atraída por mim, – ele sussurrou com um toque de curiosidade.
Eu deixei escapar um suspiro. – Podemos falar sobre isso depois?

– Você não é gay, não é? Você sabe que eu valorizo a honestidade, então por que
você mentiu?
Eu senti a ponta do seu nariz contra a parte de trás da minha orelha, me
aninhando como Bradley lhe pediu para fazer. Minha respiração gaguejou; meu coração
martelando. Uau. Sua mão foi para minha barriga, seus dedos apenas mal deslizando
sob a barra do meu colete. Eu tive arrepios em todos os lugares.
– Eu não estava tentando intencionalmente ser desonesta com você. Era para ser
uma piada, mas depois você pensou que eu estava falando sério, e meio que ficou fora
de controle. Eu não sabia como contar a verdade.
Sua mão moveu uma fração para baixo, seus dedos cavando com força na parte
macia do meu ventre. – Você aceitar algo tipo assim: eu menti, King. Na verdade, não
só não sou uma lésbica, mas eu também acho você gostoso.
– Pouco arrogante? – Minhas palavras saíram estranhas e agitadas.
Ele não disse nada, mas eu poderia dizer que ele estava sorrindo.
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Página
– Ok, – disse Bradley. – Vire-se, Lexie. Coloque seus braços em volta do
pescoço de Oliver e olhe para ele. Faça-me acreditar que você está apaixonada.
Oh, caramba.
Quando me virei, meus seios escovaram o torso de King e ouvi sua respiração se
aprofundar. Como diabos os modelos profissionais fazem isso todos os dias? Talvez eu
fosse mais sexual que a pessoa média, porque cada toque deixava minha mente correndo
para coisas sujas e lugares proibidos.
Estendi a mão, deslizei os braços em volta do seu pescoço, e enganchei os dedos
juntos. Meu peito estava alinhado com o dele, mas desta forma eu não conseguia dizer
se ele ainda tinha uma ereção. Talvez fosse melhor.
– Você realmente me fez acreditar em você por um tempo, – disse ele
calmamente.
– Você está bravo? – Perguntei, desesperada para saber.

– Um pouco. Eu pensei que nós éramos amigos.


– Nós éramos. Nós somos.
– Então por que mentir?
– Porque eu queria manter isso assim.
Compreensão ascende nos olhos de King, sua expressão suavizando enquanto
sua boca endurece. – Entendo.
Ele ficou em silêncio, e não disse mais nada para o resto das fotos. Os outros
modelos foram chamados de volta, e eu ainda precisava tirar mais algumas fotos de
grupos. Eu juro que eu estava doente de sorrir e fingir estar ‘me divertindo com as
meninas’ até o final disso. Quando Bradley chamou, fui colocar minhas próprias
roupas. Como eu já sabia, eu não tinha permissão para ficar com as que eu tinha usado
durante as fotos.

Não como eu se estivesse morrendo de vontade de me apertar de volta naquela


coisa preta de qualquer maneira.
Incapaz de achar King, eu decidi que ele deve ter ido para casa. Eu disse adeus a
Bradley e as outras meninas, e saí do edifício quando eu vi o Merc em marcha lenta ao
lado da estrada. Eu baixei a minha bolsa no meu ombro, tendo toda a intenção de
continuar a andar, quando a porta se abriu. King surgiu, e antes que eu percebesse, sua
mão estava no meu cotovelo, me guiando de volta para o carro.
– Nós precisamos conversar, – disse ele, a voz firme.

– Ah, certo, sim está bem, – eu murmurei, entrando, a pele formigando onde sua
mão segurou meu cotovelo.
Já estava escuro lá fora, e eu estava exausta depois de passar o dia inteiro no
estúdio. Eu acho que King deve ter me visto piscando os olhos para tentar ficar
acordada, porque ele murmurou: – Venha aqui. – Sua voz tinha ficado macio, macia. E
enquanto ele segurava o braço para fora, eu não pude resistir em me lançar sobre ele e
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descansar minha cabeça em seu ombro. Ele acariciou meu braço enquanto o motorista
ligava o motor e ia embora do estúdio.
– Você está exausta, – disse King, e meu Deus, eu nunca tinha ouvido soar assim
antes. Eu tinha o ouvido ser rigoroso. Eu tinha ouvido ele brincar. Eu o ouvi
profissional de negócios. Mas eu nunca tinha ouvido ele assim. Eu realmente gostei de
ouvi-lo sexy assim. Era quase como se agora que ele sabia que eu estava em jogo,
algum tipo de parede tinha descido entre nós.
Um longo suspiro escapou antes de ele dizer, – Nós estamos em uma espécie de
contrariedade, amor.
Virei o rosto para olhar para ele. – Estamos?
Estendendo a mão, ele acariciou minha bochecha com as costas da mão. – Sim,
minha querida, porque eu quero muito te foder.
Eu inalei bruscamente à sua admissão, mas ele continuou falando antes que eu
pudesse dizer qualquer coisa.
– Na verdade, eu me pego pensando muito sobre isso. Mas eu não fodo minhas
assistentes. Eu nunca quis. E o problema é que eu te valorizo muito mais como uma
empregada e uma amiga que eu nunca verei isso como uma conquista.
Eu fiquei um pouco rígida enquanto eu o ouvia falar, mas não podia deixar de
soltar uma risada. – Conquista?
– Amor e romance não são coisas que entram em minha mente muito
frequentemente. Eles são muito... demorados, e eu já tenho tão pouco tempo. Eu
desfruto da companhia das mulheres em muitas maneiras diferentes, mas eu não tenho
espaço na minha vida para um parceiro real. Isso tem me segurado.

– Ok.
– Quando você me disse que era gay, eu fiquei reconhecidamente
decepcionada. No entanto, eu também estava aliviado, porque significava que nada
poderia acontecer entre nós. Mas agora que eu descobri que você não é, eu comecei a
querer coisas que eu não deveria. – Ele parou para me dar um olhar ardente. – Tocar
você hoje, estar perto de você, tem sido mais excitante do que qualquer outra coisa que
me lembro. É uma sensação inebriante encontrar alguém que você é altamente
sintonizado, não é?
Tudo o que eu podia fazer era engolir e acenar.
– E então, – ele continuou, – aqui está a nossa situação. Se eu te foder, eu vou
querer continuar fazendo isso, e eu não tenho tempo para continuar fazendo isso. Cristo,
até mesmo vir aqui hoje foi um pedaço enorme de tempo que eu normalmente gasto
trabalhando. – Ele parou e correu os dedos pelos cabelos. – Eu poderia me perder dentro
de uma mulher como você, Alexis. – Ele fez uma pausa antes de resmungar em voz
baixa, quase distraidamente, – E eu temo, que se eu te fizesse minha rainha, eu já não
vou poder ser um rei.
Eu fiz uma careta para ele, sussurrando: – Há muitas maneiras diferentes de ser
um rei, Oliver. – Foi uma das poucas vezes que eu o chamei pelo seu nome, e
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acrescentou uma ternura para o momento que eu sabia que ele não esperava. O olhar
que ele me deu me disse isso. Mas, realmente, eu me senti um pouco triste por ele. Ele
estava tão concentrado em conseguir, no vencimento, que ele nunca teria tempo para o
amor. Isso foi triste.
– Isso é verdade, mas a minha vida, é, bem, ela sempre foi de uma certa maneira,
e eu tenho medo de que essa possa ser a única maneira que eu sei de como ter sucesso.

Eu não sabia o que dizer, então eu não disse nada. Nossa jornada progredia, e
nós só estávamos a um par de minutos do meu apartamento quando King começou a
falar novamente.
– Você tem uma presença viciante que eu não quero desistir, então eu proponho
que é melhor tentarmos não nos tocar. Eu acho que o toque, para nós, é o lugar onde a
tentação se encontra.
Eu gemi e rolei para longe dele, cobrindo o rosto com a mão. – O que é tentador
é quando você fala assim.
Olhando para ele através dos meus dedos, eu o vi morder os lábios e me lançar
um olhar. – Talvez só uma vez... – Ele parou, afastando o pensamento. – Não, isso é
uma má ideia.

– Uh-huh, – eu concordei com ele rigidamente.


Este foi o trabalho melhor remunerado que eu já tive, e era difícil conseguir. Eu
não poderia deixar um caso com meu chefe tirar isso de mim. Quer dizer, eu passei
metade da minha vida trabalhando com salário mínimo em pubs e bares ofensivos. Eu
reconhecia uma coisa boa quando eu via, e eu não tinha a intenção de deixar isso
escapar por entre os dedos. Meu sonho era um dia possuir uma casa própria, em algum
lugar agradável, onde havia baixos índices de criminalidade e não viciados pendurados
em cada esquina, esperando para te assaltar para pagar a sua próxima dose.
Eu sabia de tudo isso como um fato. Eu sabia disso, mas não havia nenhuma
dúvida na decepção no meu intestino de pensar que nunca iria explorar as possibilidades
que havia entre nós.
– Então, nós temos um entendimento, – disse King. – Sem toques.
– Sim. Entendido. – Eu balancei a cabeça, um constrangimento estranho
tomando conta. O carro parou, e eu vi que estávamos bem na frente do meu prédio. Eu
saí em silêncio, enquanto King insistia em me acompanhar até meu apartamento. Eu
disse que ele não precisava, mas ele insistiu. Eu não acho que ele gostou da aparência da
gangue de adolescentes rondando pela entrada.
Eu queria dizer a ele que ele estava fazendo mais mal do que bem, porque uma
vez que os moradores me vissem com um homem como King, eles pensariam que eu
tinha algo que valia a pena roubar. Eu não tinha. Nem Karla. Isso não significava que
não iriam nos perturbar e encontrar o nosso lugar arrombado. Minhas coisas não tinham
nenhum valor monetário, mas significaram algo para mim.

Quando chegamos à minha porta, eu encaixei minha chave na fechadura e virei


para King. Ele estava olhando para mim com uma intensidade que me pegou
desprevenida, e meu coração acelerou.
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Um momento se passou.
Eu molhei meus lábios.

Ele olhou.
Eu inalei.
Ele apertou a mandíbula.
– Vejo você na segunda-feira então, – ele disse com esforço.
– Sim. – Eu assenti. – Segunda-feira. Certo.
Sua mão subiu para a minha bochecha em um tipo macio e desesperado de
carícia. – Durma bem, Alexis.
Finalmente ele se virou e saiu, e eu senti cada metro de distância, como se um
cabo fosse estirado entre nós. Abrindo a porta, ouvi Karla proferir um tranquilo ‘porra’
e a encontrei com uma mão na testa.
– Dê a sua colega de apartamento intrometida algum aviso antes de abrir a porta
da próxima vez, – ela reclamou. Ela claramente tinha estado nos espionando através do
olho mágico e levou uma portada na testa no processo. Eu ri, e ela me atirou uma
carranca.
– Aquele homem é bonito, Lexie, – ela suspirou, como se fosse uma coisa
ruim. Eu definitivamente sabia onde ela estava querendo chegar. Belos chefes que
queriam ser seu amigo eram uma coisa muito ruim.
– Diga-me tudo o que aconteceu hoje, – insistiu ela, estatelando-se no sofá,
parecendo acolhedora em seus pijamas azuis. Eu sorri e fui me juntar a ela.

– Ok, então em primeiro lugar, eu não tenho certeza se quero matar Bradley ou
enviar a ele um presente de aniversário antecipado.
Karla riu. – Oh, meu Deus, isso vai ser bom. Eu já posso dizer.
Eu já tinha mencionado o quanto eu realmente, realmente amava essa
garota? Ficando confortável, eu contei tudo a ela. E quando eu terminei, ela jogou um
cobertor sobre mim, porque eu já tinha adormecido.

* **

Na segunda-feira de manhã, King precisava de mim para ajudá-lo com uma


pequena reunião em uma das salas de conferência. Era com a empresa cujas ações ele
deveria ajudar para que pudessem ser vendidas a investidores. Pelo menos, essa era a
essência que eu recebi dele. Eu tinha uma pasta cheia de planilhas que Eleanor tinha
preparado, então tudo que eu precisava fazer era entregá-los, fazer chá e café, e tomar
notas do que foi discutido durante a reunião.
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Ah, e eu fiz menção de que King estava sendo estranho comigo?
Eu não poderia dizer se era por causa da nossa conversa de volta para casa
depois das fotos, ou qualquer outra coisa. Para ser honesta, eu pensei que poderia ser
um pouco dos dois. Ele parecia preocupado, e isso não poderia ter sido por causa de
mim.
Os clientes ainda não tinham chegado, e King tinha acabado de ter uma conversa
com Daniel James, que tinha caído na sala de conferências por um minuto, quando
toquei levemente minha mão em seu cotovelo. Eu sei que nós tínhamos entrado em
acordo de nada de tocar, mas me senti obrigada a fazer isso de qualquer maneira.
– Você está bem, chefe? – Perguntei em voz baixa.
Sua postura mostrou que ele estava definitivamente estressado, e todo o ar
parecia correr para fora dele. – Alexis, – disse ele, e virou o corpo ao meu rosto. Seus
olhos brilhantes pareciam cansados, e ele parecia não ter conseguido dormir. Ele falou
baixo, como se ele não quisesse que ninguém mais ouvisse. – Minha mãe teve um
episódio ruim na noite passada. Ela... eu tive que levá-la para o hospital.
Chocada com a admissão, eu dei ao seu cotovelo um aperto. – Oh, meu Deus, ela
está bem?

– Ela está estável agora.


Eu queria perguntar o que tinha acontecido, mas um momento depois, os clientes
chegaram. King se dirigiu para cumprimentá-los, e eu me ocupei com os
documentos. Demorou um ou dois minutos antes de eu reconhecer um deles. O nome
dela era Mila Rhodes, e eu a tinha visto antes em uma imagem no apartamento de
King. Ela era sua ex-namorada, a que ele rompeu com porque ela queria mais do que ele
podia dar.
Bem, isso foi interessante.
Eu me perguntei se eles continuavam a fazer negócios juntos. King não parecia
afetado por sua presença. Na verdade, ele ainda parecia preocupado, provavelmente
preocupado com sua mãe. Ele apertou a mão de Mila e disse olá a ela exatamente como
ele fez com os três homens com quem ela chegou. Após as brincadeiras terminarem,
todos nós sentamos e fomos direto ao assunto. Sentei-me em um lado de King, meu
laptop de trabalho aberto na minha frente para digitar as notas. A coisa toda teria sido
uma festa de pijama completa se não fosse a tensão subjacente que emanava tanto de
Mila como de seu colega, um homem de meia idade chamado Vincent Jones.
Eu era boa em ler as pessoas. Principalmente devido aos meus anos de trabalho
bar, observando como os outros interagiram em ambientes sociais. E estava claro que
algo estava acontecendo entre Mila e Vincent. Eu o vi tocar sua mão em um ponto
durante a reunião, mas ela tinha muito sutilmente empurrado seus dedos para longe,
olhando disfarçadamente para King, que estava totalmente alheio. Eu não, embora. Eu
tinha visto tudo isso, e supôs que Mila estava tendo um relacionamento com Vincent
que ela não queria que King estivesse ciente. Talvez ela tinha esperança de que ele iria
mudar de ideia sobre se estabelecer e voltar para ela. Ela não queria que ele soubesse
sobre Vincent, isso era certo.
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Meu lugar era bem próximo a King, e o meu laptop estava aberto enquanto eu
olhava os minutos para a reunião. Em um ponto King se inclinou para olhar para a tela
do computador, o ombro escovando os meus quando ele balançou a cabeça. Ele queria
corrigir algo que eu tinha escrito, mas em vez de me dizer para fazer, ele se aproximou e
fez ele mesmo. Praticamente se inclinando sobre mim, ele excluiu uma seção de minhas
notas antes de corrigi-los. Eu não tinha ideia do que fazer com minhas mãos enquanto
ele digitava, e senti um rubor quente marcar meu rosto pela sua familiaridade e
proximidade. Sua colônia cheirava bem demais.
Mesmo que Vincent tinha estado falando o tempo todo, sua voz enchendo a sala,
Mila não tinha deixado de notar. Eu vi suas sobrancelhas estreitarem com desconfiança,
e ela me lançou um olhar. E sim, tal como antes, King estava completamente alheio a
tudo isso, sua mente focada completamente no trabalho.
A coisa toda só me fez sentir um pouco estranho.

Eu não sabia como lidar com o drama de pessoas elegantes. Se algo assim fosse
acontecer em casa, por exemplo, se uma mulher estava com ciúmes de outra, seria
bolsas para o lado, brincos para fora, e uma sessão de puxar cabelo. Mas aqui, neste
ambiente profissional habitada pelos ricos e privilegiados, era tudo olhares estreitos,
comentários passivo-agressivos e raiva reprimida.
Eu estava praticamente estourando com a necessidade de simplesmente
gritar: Não há nada acontecendo! Porque isso é o que eu faria em qualquer outro
ambiente, mas não aqui. Aqui o meu emprego estava em jogo. Logo a reunião chegou
ao fim, e eu pedi licença para ir ao banheiro. Eu tinha acabado de deixar o box e fui
lavar as mãos quando a porta se abriu e Mila Rhodes entrou.
Oh, puta que...
– Olá, Alexis, – disse ela, se aproximando e colocando sua bolsa ao lado da
pia. Eu balancei a cabeça em olá para ela e desliguei a torneira, ela tirou um tubo de
brilho labial e começou a passar em toda a sua boca em forma de coração. Ela era uma
coisinha pequena, pelo menos alguns centímetros mais baixa do que eu, e extremamente
bonita. Ela tinha um daqueles rostos de bonecas, que sempre parecia jovem, não importa
a idade da pessoa.
Eu tinha acabado de sair quando Mila perguntou descaradamente: – Você está
trepando com ele?
Uai. Talvez esses tipos finos não fazem rodeios, afinal.

Me virei. – Com licença?


– Não se faça de tímida. Eu nunca o vi tão confortável com uma assistente.
Qualquer pedaço de polidez que eu tinha em mim rapidamente fugiu quando eu
lhe dei um olhar irônico. – Ah, bem, isso significa que temos de estar trepando, então.

– Então vocês estão dormindo juntos?


– Oh, meu Deus, isso foi sarcasmo. Mas se você precisa que eu soletre para
você, aqui está: Não, nós não estamos dormindo juntos.
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Ela bufou como se ela não acreditasse em mim, mas eu vi um lampejo de dor
nos olhos dela que disse que mil palavras.
– Você ainda o ama, não é?
Seu rosto endureceu enquanto engolia o que parecia ser um nó na
garganta. Deus, eu estava certa. Às vezes eu odiava quando eu estava certa. Arrumando
minha voz, eu dei um passo para frente e coloquei uma mão em seu ombro.
– Aceite isso de alguém que esteve em muitas relações impossíveis. Vá em
frente. Se ele não pode ver o quem é bom para ele, então ele não vale a pena. Encontre
alguém que é. – Fiz uma pausa, e Mila olhou para mim, como se a minha bondade fosse
a última coisa que ela esperava. – Vincent parece bom.
Um longo suspiro escapou dela, e seu corpo inteiro pareceu ceder. – Ele é legal.
– Viu? Sr. King é um idiota por não ver o que está bem na frente
dele. Infelizmente, tolos nunca podem ser ensinados. Eles têm de aprender por conta
própria.
Absorvendo minhas palavras, ela balançou a cabeça e parecia sincera quando ela
disse, – Você está certa. Sinto muito pelo jeito que eu falei com você.
Eu sorri. – Ah, não se preocupe com isso. Sem problema.
Ela se afastou e colocou o gloss de volta em sua bolsa. Eu estava prestes a sair
quando ela me olhou seriamente através do espelho. – Ele está na sua, você sabe. Você
começa a pensar que a bola está do seu lado, mas nunca está. Antes que você perceba,
você se apaixonou por ele, e já é tarde demais para voltar à forma como as coisas eram.

Absorvendo suas palavras, eu não podia dizer se isso foi um alerta ou se ela
estava pensando em voz alta. No entanto, eu dei a ela um aceno sóbrio. Deixando Mila
no banheiro feminino, eu fiz o meu caminho de volta para o escritório de King, com a
intenção de ter uma conversa séria com ele sobre sua ex. No entanto, quando cheguei na
porta do escritório eu parei, porque uma mulher de aparência estranha estava de
saída. Ela provavelmente estava na casa dos cinquenta, tinha tingido o cabelo de
vermelho, e roupas que me fizeram lembrar de uma cigana.
– Oh, oi, – eu disse, dando um passo para trás para deixá-la passar.
Ela só me deu um sorriso ambíguo antes de continuar seu caminho. ‘Estranha’
não chegava nem perto. Eu nunca tinha visto uma mulher assim por aqui
antes. Sacudindo a estranheza, fiquei cheia de determinação para enfrentar King sobre
Mila. Isso foi até que eu entrei na sala e o vi sentado no sofá perto da janela, uma
garrafa aberta de Macallan na frente dele. Ele derramou um pouco em um copo, bebeu
de uma só vez, e depois repetiu o processo. Tudo o que eu tinha planejado dizer
imediatamente fugiu da minha mente quando preocupação tomou o seu lugar. Eu o vi
beber no trabalho antes, mas não assim. A garrafa estava mais do que meio vazia, e eu
sabia que tinha estado cheia quando eu tinha visto ela no gabinete naquela manhã.
Música de piano estava tocando, algo clássico, mas era baixo o suficiente para
que você não fosse capaz de ouvi-lo do lado de fora do escritório. Eu reconheci-o como
a mesma peça que ele tinha colocado para tocar quando eu tinha visitado seu
apartamento. Lembranças daquela noite entraram em minha mente, o quão absorto ele
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Página
tinha sido, completamente inconsciente da minha presença, e quão bela sua música soou
aos meus ouvidos. Silenciosamente, eu sentei do outro lado do sofá e olhei para ele. Ele
não olhou para mim, apenas focou na bebida em seu copo.
– Aconteceu alguma coisa? – Eu perguntei hesitante.

King olhou para mim, depois sacudiu a cabeça.


– Então por que você está bebendo?
Ele arqueou uma sobrancelha. – Porque eu posso.
Havia algo em sua expressão que me fez pensar que eu não deveria empurrar o
assunto. Ainda assim, eu não podia deixar de perguntar: – Quem era aquela mulher que
eu acabei de ver indo embora?
Houve um longo silêncio antes de ele falar. – Apenas um parente perguntando
sobre mamãe.
Claramente, ele não tinha intenção de me contar mais detalhes e não parecia com
vontade de falar. Levantei-me e me virei para sair. Antes que eu pudesse fazer isso,
King agarrou meu pulso.
– Não vá, – suplicou ele, aqueles olhos me segurando.
Sentei-me de volta. Trocamos um olhar significativo antes de ele falar
novamente. – Eu sinto muito. Eu sou um pouco fora hoje. Eu só estou preocupado com
mamãe.
Estendendo a mão, eu coloquei a mão na sua. – Isso é compreensível. Talvez
você deva tirar o dia. Ficar com ela. Ela ainda está no hospital?
King acenou com a cabeça, e em seguida, lançou os olhos para mim; seu olhar
parecia... desesperado. – Você faria isso? Ela gosta da sua companhia. – Ele parou,
passou a mão pelo cabelo, bagunçando-o. – Eu apenas não estou no estado de espírito
certo para vê-la no momento.

Olhei para ele, este homem que a princípio parecia tão recomposto e no
controle. Quando eu olhei para ele agora, ele pareceu vulnerável. Ele mostrou o quanto
ele se importava com sua mãe. Imaginei que talvez ela fosse a única família que ele
tinha. Ele definitivamente nunca tinha mencionado um pai ou irmãos ou irmãs.
Eu estava tão perdida em estudá-lo que eu quase não percebi quando sua mão foi
para o meu joelho. Olhei para baixo, em seguida, de volta para seus olhos, que pareciam
estar me implorando para o conforto. Deus, como aqueles olhos me deixavam
fraca. Eles me fizeram querer dar a ele qualquer coisa que ele poderia pensar em pedir.
– King, – eu disse, um aviso silencioso.
Ele não respirava uma palavra, apenas apertou meu joelho e se inclinou para
mais perto. Sua mão começou a se mover para cima da minha coxa, lento e
tortuoso. Cada cabelo no meu corpo ficou em pé quando eu inalei seu perfume fresco
misturado com o cheiro forte de uísque. Era uma mistura inebriante, e eu não tinha
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Página
palavras. Não havia frases engraçadas ou comentários sarcásticos para acalmar a
situação.
Eu não tinha nada, e Oliver King estava empurrando um limite que eu era
impotente para defender.

– Oliver, – disse eu, em seguida, engoli seu nome.


Ele se inclinou mais perto, me inspirando, e antes que eu percebesse, sua boca
estava no meu ouvido, sua língua passando rapidamente sobre a pele suave e
sensível. Ele sugou minha orelha em sua boca, e senti ficar molhada e dolorido em um
instante. Eu deixei escapar um suspiro, tremia, e cerrei a mão em sua camisa para
afastá-lo, mas em vez disso só conseguiu puxá-lo mais perto. Ele gemeu e segurou meu
queixo em sua mão, virando meu rosto para o dele. Sua boca estava quase na minha
quando eu rapidamente me virei, seus lábios colidindo com a minha mandíbula. O
aroma de álcool foi o lembrete austero que eu precisava ser forte e colocar um fim a
isso.
King estava bêbado e chateado com sua mãe, embora eu ainda não tivesse
certeza exatamente o que tinha acontecido com ela. Ele nunca estaria agindo assim se
não fosse por seu estado atual. Eu precisava ser fria. Além disso, Eleanor e Gillian
estavam do outro lado da porta. Elas poderiam entrar a qualquer momento.
Me afastando dele, me levantei, ainda sentindo seus lábios na minha orelha e
meu queixo, a memória me dando borboletas indesejadas no meu estômago. Deus, ele
era lindo. Seria tão fácil ceder, mas o prazer momentâneo não valia o desemprego de
longa duração. E desempregada era exatamente o que eu seria se eu deixasse qualquer
coisa desagradável acontecer com King. Talvez não imediatamente, mas eu perderia o
meu emprego, eventualmente. Era inevitável.
– Você deveria ir para casa e descansar. Você não é você mesmo hoje.
– Alexis, venha aqui, – respondeu ele, ignorando completamente o que eu
disse. Ele fazia sexo com seus olhos, e era praticamente impossível não derreter pela
maneira como ele estava olhando para mim. Havia algo sobre ter um homem forte e
poderoso olhando para mim com tal necessidade que simplesmente derretia meus
ossos. E foi para mostrar o quanto autocontrole que eu realmente tinha, porque eu não
me permitiria ceder.
Eu já estava andando para trás quando eu disse: – Vou voltar a trabalhar agora.
Eu não lhe permiti dizer outra palavra quando eu me virei e rapidamente saí de
seu escritório.
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Página
Dez

Cinco minutos depois eu estava sentada ao lado de Eleanor, que estava


diligentemente digitando quando King finalmente emergiu. Eu me senti segura no fato
de que minhas colegas estavam lá. Isso significava que ele não poderia dizer nada sobre
o que tinha acontecido entre nós. Ele parou na porta por um minuto inteiro, e eu podia
praticamente senti-lo furando um buraco na minha cabeça antes de falar.
– Gillian, cancele as minhas reuniões da tarde. Eu tenho uma emergência de
família que eu preciso atender.

– Claro, – disse Gillian, uma mistura de preocupação e maldade marcando suas


feições. – Está tudo bem?
– Vai estar, – King respondeu com firmeza antes de passar a passos largos por
ela e para fora do escritório. Uma vez que ele se foi, eu senti como se eu pudesse
respirar novamente. Meu cérebro era uma mistura de pensamentos enquanto eu tentava
fazer o sentido da manhã. King estava obviamente passando por um momento difícil, e
seu comportamento foi pelo um momento de fraqueza. Eu estava feliz que eu tinha a
força para não deixá-lo ir mais longe do que ele fez.
Nas próximas horas mergulhei no trabalho, mantendo a minha cabeça cheia de
números e compromissos de modo a não pensar sobre o meu chefe. Toda vez que eu
encontrava a minha mente vagando ao que senti quando ele me tocou, ou como
intoxicante era ter sua boca na minha pele, seus lábios, eu me forcei a me concentrar em
dados. Dados não era sexy. Era aborrecido e chato e bidimensional, e o balde perfeito de
água fria para a minha imaginação errante.

Eu não vi King pelo resto do dia, nem vi muito dele nos dias seguintes. Saí com
Eleanor e Gillian para o almoço e evitei nossos jogos de xadrez estranhos no
banheiro. Ele nunca me perguntou se eu estava evitando ele, o que foi um alívio. E
depois de um tempo, se tornou mais fácil se concentrar simplesmente em ser boa no
meu trabalho, ao invés de cultivar uma amizade surreal com o meu chefe.
Quando foi finalmente o último dia de Eleanor, Gillian e eu nos juntamos para
organizar um bolo para ser entregues no escritório. Não foi uma grande festa de
despedida porque Eleanor tinha declarado firmemente que ela não queria uma, e você
não ferrava com os desejos de Eleanor. Eu pensei que o mínimo que eu podia fazer era
fazer um bolo, especialmente desde que ela tinha sido tão útil em treinar-me para o
trabalho.
Era apenas depois das cinco quando um par de outros trabalhadores
administrativos vieram para a nossa área para partilhar o bolo. Pedimos um bolo de
frutas vermelhas, uma vez que era o favorito de Eleanor. Eu estava conversando com
meus colegas de trabalho, um prato de papel na mão, quando de repente eu senti sua
presença. Ele estava me ignorando um pouco, embora eu não poderia dizer se era
porque ele estava envergonhado por seu comportamento bêbado ou com raiva de mim
por dispensá-lo.
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Página
Na minha visão periférica eu vi King vir e parar atrás de mim. Ele observou a
reunião, que foi composta principalmente de mulheres, e eu fingi que não tinha notado
ele. Então eu senti sua mão levemente tocar no meu cotovelo, seguido de sua respiração
no meu ouvido.
– Alexis, eu posso ter uma palavra em particular, por favor?
Virei a cabeça para ele um pouco e balancei a cabeça, a minha postura rígida. –
Sim.
Ele fez um gesto para eu segui-lo em seu escritório. Uma vez que eu estava lá
dentro, ele fechou a porta. Eu ainda tinha o meu bolo na mão, e encontrei-me agarrando
o prato de papel como um bote salva-vidas, nenhum indício o que era tudo isso. Eu ia
ser demitida? Não, não podia ser isso.
King parou na frente de sua mesa, recostando-se contra ela e cruzando os braços
enquanto ele me olhava. Eu usava uma saia lápis cinza e uma blusa creme modesta, um
conjunto que nunca seria pega usando fora do escritório. Era como uma fantasia, algo
que me fez sentir como uma pessoa diferente, alguém que pertencia à cidade com os
privilegiados e instruídos. King usava um terno azul-marinho com uma gravata
vermelha fina. Ele poderia ter sido um político se ele não fosse tão bonito.
Eu sempre me perguntei se os homens se sentiam como se tivessem a mão
superior quando usava um terno. Ele certamente parecia assim para mim.

– Não podemos continuar assim, – disse King.


– Como o quê? – Perguntei, me fazendo de boba.
– Você sabe o que. Você está me evitando, eu estou evitando. Há um...
constrangimento. Eu não gosto disso. Eu quero voltar para a forma como as coisas
eram. – Seu bufar de irritação quase me fez rir. Juro, às vezes ele era um comunicador
terrível, como uma criança frustrada ou algo assim.
– Seu comportamento da última vez que falamos foi preocupante. Eu estava
tentando ajudar.
– E eu queria que você ajudasse.
– Não da maneira certa, Oliver.

Seus olhos queimaram quando eu disse o nome dele, e eu não poderia dizer se
era porque ele gostou ou porque ele não gostou. Antes que eu percebesse, ele afastou-se
da mesa e veio em minha direção até que havia muito pouco espaço entre nós.
– Eu senti sua falta, – ele confessou.
Minha expressão se suavizou. – Eu senti sua falta também.
Ele nivelou os olhos em mim, sua atenção vagando pelas minhas
características. – Podemos deixar isso para trás?
Eu pensei sobre isso por um momento antes de responder, – Já está
esquecido. Somos amigos. – Eu estendi minha mão para ele, e seus lábios se contraíram
quando nós apertamos.
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Página
– Então, há bolo suficiente para mais um? – Ele perguntou, sorrindo.
– Claro, – respondi, e com isso voltamos para nos juntar aos outros.

***

Foi difícil se acostumar a não ter Eleanor ao redor no início, mas rapidamente
peguei o jeito das coisas. Em breve Gillian e eu éramos uma equipe, e embora nós não
nos dávamos tão bem como amigas, éramos perfeitas uma para a outra quando o assunto
era trabalho. Gillian era a melhor organizadora, e eu era a melhor pensadora
bilateral. Em outras palavras, eu podia ver a imagem maior e era boa em descobrir
problemas ou solucionar emergências sensíveis ao tempo. E quando era sobre esta
indústria em particular, havia um monte disso.
Foi rápido e emocionante, e há dois dias foram sempre os mesmos. Eu também
comecei a ver quão viciante o trabalho de King poderia ser. Ele sempre disse que só
tomava decisões com base em evidências e verdade, mas uma grande parte do tempo a
coisa toda pareceu como um bocado de jogo para mim. Havia uma emoção em sua
posição, sem mencionar uma grande quantidade de energia, e eu certamente poderia ver
por que ele tinha escolhido a carreira bancária ao invés de tocar piano como sua mãe.
Começamos a almoçar juntos novamente, e muitas vezes King tomava uma
bebida. Eu não tinha notado isso no início, mas agora estava claro para mim que ele
gostava muito de beber. Não de uma maneira que parecia que ele tinha um problema,
mas de uma maneira que me fez pensar que poderia facilmente se transformar em
um. Eu supunha que ele precisava de algo para lidar com o estresse de jogar com
milhões de libras em uma base diária.
Tinha sido uma longa semana, e eu estava ansiosa para um fim de semana
relaxante de não fazer nada. Eu tinha chegado em casa com comida indiana, colocado
meu pijama, e sentado na frente da TV. O garfada de frango Korma estava, literalmente,
no meio do caminho para a minha boca quando meu telefone começou a
tocar. Suspirando, eu baixei o garfo e atendi. O nome de King piscava na tela. Assim
que eu cliquei em ‘aceitar’ e segurei o telefone no meu ouvido, ele começou a falar.
– Por favor, me diga que você tem um passaporte válido.
Sua declaração me deixou curiosa. – E se eu tiver?
– Se você tiver, você pode ter um outro bônus. Gillian acabou de ligar, quase em
lágrimas, eu poderia acrescentar, dizendo que perdeu o dela e não será capaz de
conseguir outra com até menos três dias úteis. Ela está sendo emocional, e eu não gosto
disso. Você juraria que ela atropelou meu gato ou algo assim.
– Oh, – eu disse, a testa enrugando. – Você tem um gato?
– Foi só um jeito de falar.
– Certo.
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Eu não tinha certeza se eu deveria rir ou começar a entrar em pânico. Agora eu
entendia o que estava acontecendo. Durante toda a semana Gillian e eu estávamos
planejando viagem de trabalho de King para Roma. Ele deveria se encontrar com algum
empresário que era dono de uma cadeia de hotéis, e que insistiu em negócios cara a
cara. Tudo isso estava sendo feito em nome de um investidor misterioso de King, e
Gillian deveria fazer parte da viagem. A ideia de eu ir nunca tinha até mesmo passado
pela minha cabeça. Até agora.
– Eu preciso que você venha a Roma no lugar de Gillian, Alexis.

Minha voz era calma quando eu respondi: – Você acha que isso é sábio? – Nós
dois estávamos indo tão bem em manter as coisas platônicas. Ir em uma viagem e passar
muito tempo sozinhos poderia mexer com isso.

– Neste momento, eu não tenho outra escolha. Há muito trabalho para eu segurar
sozinho. Eu preciso de você.
Pareceu-me que ele não estava me dizendo que eu tinha que ir. Ele estava
deixando isso em aberto, dando-me a opção de dizer não. Eu não podia dizer não, é
claro, mas isso não significava que eu não apreciaria a sua sensibilidade. Nós dois
sabíamos que o tempo sozinho fora dos limites do escritório era um território bastante
instável para nós.
Deixei escapar um suspiro. – Eu irei. Os voos são para dez horas da manhã,
certo? Você precisa que eu entre em contato com a companhia aérea e altere o nome no
bilhete de Gillian?

Houve um alívio definitivo em sua voz na próxima vez que ele falou. –
Obrigado. E sim, isso seria muito útil.
– Certo. Vejo você na parte da manhã, então.
– Vejo você na parte da manhã, Alexis.
Nós desligamos, e eu apenas fiquei lá por um minuto, o meu apetite
momentaneamente perdido. Indiana era minha comida favorita, droga! A ideia de ir a
Roma era emocionante, não me interpretem mal, mas o esforço que eu teria que gastar
mantendo-me em cheque com o King era assustador. Não havia como negar que
tínhamos uma ligação, e isso era amplificado quando estávamos sozinhos.
Esta viagem certamente vai ser interessante.

***

Arrumei o meu maiô.

Eu não tinha certeza por que, porque eu estava bastante certa de que não ia
sequer estar muito quente em Roma nesta época do ano, mas eu embalei de qualquer
maneira. Eu não tinha ido para a praia nem sabia fazia quanto tempo. Talvez eu poderia
ir enquanto King estava reunido com os ‘de ternos’. Era assim que eu tinha começado a
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chamá-los, porque todos eles pareciam o mesmo para mim, apenas um monte de
anúncios da Hugo Boss ambulantes.
King mandou seu motorista ir me buscar do lado de fora do meu prédio naquela
manhã. Suas malas estavam no carro, que era o meu trabalho ter verificado, e,
aparentemente, ele me encontraria na sala VIP antes do embarque. Bem, eu estava
sentada naquela mesma sala, e ainda não havia sinal dele. Eu estava começando a me
preocupar, uma vez que o nosso voo era para embarcar em apenas 20 minutos.
Para passar o tempo, peguei meu telefone e verifiquei meus e-mails. Foi uma
agradável surpresa quando eu vi um de Bradley intitulado ‘algumas imagens da sessão’
;-) Abrindo ansiosamente, eu baixei rapidamente e comecei a olhar. Havia um par de
fotos do início do dia, eu com os outros modelos. Então eu vi as minhas com King, e fiz
uma pausa. Elas eram... bem, eu não tinha certeza de como descrevê-las. Tudo o que eu
sabia era que elas não eram o que eu precisava estar vendo naquele momento,
especialmente desde que eu estava tentando manter as mãos longe do cara.
A primeira me mostrava em cima dele quando ele se sentou na cadeira,
inclinando-se casualmente para trás e olhando para mim com um calor inconfundível
em seus olhos. Uau. Agora eu entendi o que Bradley quis dizer quando ele disse que
fotografávamos bem juntos. Era apenas uma imagem, e ainda assim você praticamente
podia sentir a necessidade derramando de nós dois. Ou nós éramos realmente bons
atores, ou queríamos um ao outro... tanto.
Engoli em seco e virou para a próxima, onde estávamos pela janela do estúdio,
os braços de King em torno de mim e seus lábios no meu ouvido. Sério, esta era mais
como pornô para mim do que moda. Sem perceber conscientemente, eu estava
apertando minhas coxas, minha pele ficando quente enquanto eu ficava lá,
lembrando. Havia cerca de dez fotos no total, e eu folheei mais vezes do que vale a pena
mencionar. Eu estava estudando a minha no colo de King novamente quando de repente
alguém falou baixo no meu ouvido.
– O que você está olhando?
Assustada ao ouvir a voz dele, eu pulei e me virei, agarrando meu telefone
firmemente ao meu peito. King riu e me deu um olhar divertido com desconfiança
quando ele estendeu a mão. – Deixe-me ver.
Eu bufei. Era muito elegante. – Nããão.
Um momento depois, eu olhei sua aparência corretamente, percebendo que ele
ainda estava vestindo com o mesmo terno de ontem. Ele parecia mais cansado do que eu
já o tinha visto, e ele cheirava a cerveja. Foi tão desconcertante que eu não o avistei se
lançando para o meu telefone e puxando-o do meu aperto. Eu vi quando seus dedos
cutucaram toda a tela, antes que ele devolvesse para mim. Forçando-me a olhar para
baixo, vi que ele enviou as imagens para o seu próprio e-mail.
– Isso foi uma jogada suja, – eu reclamei.
Ele me deu um olhar irônico. – Estou nessas fotos também. Eu tenho todo o
direito de vê-las.
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Bem, ele estava certa. Ainda assim, isso não tirou o meu constrangimento. Essas
fotos estavam beirando a pornografia leve, e ele era meu chefe. Era muitos níveis de
errado, eu não poderia nem mesmo começar a contar.
Foi por isso que eu precisava dizer não para as sessões de Bradley no
futuro. Nota para si mesma: Não se entregue ao travesso duende da próxima
vez. Minhas bochechas começaram a corar quando King veio e sentou ao meu lado,
puxando o seu telefone. Era ridículo, porque eu nunca fui normalmente envergonhada
com coisas sexo, mas com King tudo era apenas oposto. Eu nunca soube onde
estávamos um com o outro. Fiquei em silêncio enquanto ele se concentrava em seu
telefone, e eu nem sequer tive que olhar para saber que ele estava acessando seu e-mail
e fazendo o download das fotos que ele tinha acabado de encaminhar.
Deus, eu meio que o odiava naquele momento.
Tentei ignorá-lo, mas enquanto os minutos passavam, eu perdi a
batalha. Virando-me, eu encontrei seus lábios curvados, no que parecia ser um sorriso
de satisfação. As fotos foram exibidas na tela do seu telefone, e King estava rolando
para frente e para trás, folheando-as como se insultando-me a dizer alguma coisa.
– Só exclua isso, – eu suspirei.
Ele olhou para mim, a sobrancelha arqueada. – Porque eu faria isso?
– Porque nós parecemos estúpidos, – Eu bufei. Nós não parecíamos
estúpidos. Parecíamos insanamente querendo um ao outro, o que era exatamente o
problema. King estava prestes a falar quando a voz de uma aeromoça anunciou que o
voo estava pronto para embarcar. Eu peguei minha bagagem de mão, notando que King
não tinha trazido nada com ele que não fosse uma pasta preta fina. Todas as suas coisas
estavam em sua bagagem despachada.
Ele fez um gesto para eu ir na frente dele, e eu conscientemente alisei as minhas
mãos na parte de trás da minha saia, me perguntando se eu tinha uma linha de calcinhas
visível. Eu sempre tive esse sexto sentido para quando alguém estava olhando para
minha bunda, e logo em seguida, ele estava me dizendo que era exatamente o que King
estava fazendo. Ele estava ativamente tentando fazer esta viagem mais difícil?
Ele se inclinou, a boca no meu pescoço quando ele disse, – Eu acho que nós
parecemos fascinantes.
Fascinantes. Certo. Que diabos isso quer dizer? Uma vez que estávamos
sentados no avião, King fechou os olhos e soltou um longo suspiro. Apesar de sua
jovialidade anterior, algo estava obviamente errado com ele. Estudei-o por um
momento, então perguntei: – Quer compartilhar?
Ele abriu um olho. Ele não disse uma palavra, então eu continuei: – Você está
vestindo o mesmo terno de ontem, e você cheira como se você tivesse dado um
mergulho em uma cervejaria. Isto não é você.
Ele suspirou. – Você me conhece a um par de semanas, Alexis. Você não tem
ideia de como sou ou não sou.
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– Olha, eu não estou tentando ser intrometida. Estou apenas preocupada, isso é
tudo. Você andou bebendo muito, e vindo de alguém que costumava trabalhar em um
bar, eu conheço um problema quando vejo um.
– Não há nenhum problema, – disse King.

Olhei para ele, incrédula. Se ele queria se enganar em pensar que ele não tinha
um problema, então tudo bem, eu não iria empurrá-lo. Levantando-me do meu assento,
eu estendi a mão para o compartimento de bagagem e tirei minha bagagem de mão. Ele
continha um novo conjunto de produtos de higiene pessoal de viagem, incluindo uma
mini-escova de dentes.
– Você pode usar isso se você quiser ir se refrescar, – eu disse com firmeza,
segurando a escova para ele.
Ele olhou para mim, não aceitando. Um longo momento de silêncio se passou,
seus olhos claros se transformando em tempestuosos. Finalmente, e sem dizer uma
palavra, ele aceitou os produtos de higiene pessoal e saiu para usar o banheiro. Cerca de
dez minutos depois, ele voltou, parecendo um pouco melhor do que antes. Embora se o
cheiro dele antes era qualquer coisa ir perto, ele deve ter sido vítima de uma ressaca do
cão. O voo avançava em silêncio, enquanto eu me concentrava em ler uma revista que
eu trouxe comigo. Quando a aeromoça parou para perguntar se gostaríamos de algo para
comer ou beber, eu praticamente prendi a respiração. Havia uma variedade de bebidas
alcoólicas disponíveis para pedir, e eu sabia que King estava tentando escolher. Em vez
disso, ele sacudiu a cabeça, e a mulher se mudou para os próximos passageiros. Bem,
isso foi um alívio.
Antes que eu percebesse, estávamos pousando em Roma. Depois que partimos
do avião, fui para recolher as nossas malas na esteira, enquanto King pedia licença para
o banheiro. Pela aparência pálida no seu rosto, eu pensei que ele poderia estar indo
vomitar. Eu sabia que estava certa quando ele me encontrou vários minutos mais tarde,
um pouco da cor tendo regressado as suas bochechas. Talvez ele agora aprendeu a lição
de não exagerar no futuro.
Um carro estava esperando por nós, e nos levou para um hotel perto de um lugar
chamado Ostia. King tinha insistido em ficar lá porque era um de seus favoritos, e eu
podia ver o porquê. Tinha uma piscina exterior e jardins maravilhosos, o que me deixou
animada. Eu tinha que me lembrar que eu estava lá para trabalhar, não para férias.
Vasculhando para a pasta de documentos que Gillian tinha me enviado por e-
mail na noite passada, eu recuperei nossa reserva e apresentei a recepcionista, enquanto
King ficou para trás, seu telefone em seu ouvido enquanto ele conversava sobre
trabalho. Eu estava vagamente consciente da recepcionista me informando que tínhamos
quartos conjugados quando ela me entregou os cartões-chave. King deve ter visto o
olhar PQP no meu rosto, porque ele baixou o telefone por um segundo para explicar: –
É mais fácil dessa maneira. Gillian sempre pede quartos conjugados, de modo que não
temos para ir atravessando até o outro lado do hotel para encontrar um ao outro.
E então ele estava de volta ao telefone. Bem, isso foi... conveniente. Um
mensageiro veio para levar nossas malas, e antes que eu percebesse, eu estava sozinha
no meu quarto, se jogando na cama e me perguntando onde eu tinha me metido. Nós
não tínhamos que nos encontrar com os clientes até o jantar, e os italianos comiam
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tarde, de modo que me deu um par de horas para descansar. Fiquei ali por um tempo,
cansada, porque não importa o quão curta a viagem tinha sido, voos sempre me
pareceram drenar a energia.
No final, eu decidi me tratar e tomar um banho. Eu fiquei um bom tempo na
banheira e sai somente quando os meus dedos começaram a virar ameixas
secas. Envolvendo uma toalha macia e branca em volta do meu corpo, eu peguei outra e
torci em meu cabelo seco. Normalmente, se eu apenas deixasse uma toalha seca no meu
cabelo e não escovasse, ele ficava muito encaracolado. Assim quando eu estava
colocando na cama meu vestido preto que eu planejava usar para o jantar de negócios,
ouvi uma batida suave na porta que dava para o quarto de King.
Antes que eu tivesse a chance de reagir, a maçaneta girou, e meu chefe entrou.

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Página
Onze

Por que eu não tinha pensado em fechar a porta? Mas meu Deus, ele poderia ter
esperado eu responder antes de abrir.

Fiquei ali, paralisada na minha curta toalha e cabelo úmido. King tinha
claramente tomado um banho e vestido um terno novo. Na verdade, ele parecia um
homem totalmente novo, não mais amarrotado e de ressaca. No momento em que ele me
viu, ele desviou o olhar. Bem, não, isso não é bem o que ele fez. Seu olhar fez uma
leitura rápida do meu corpo, com especial atenção para a ondulação dos meus seios. Sua
mandíbula endureceu, e então ele desviou o olhar. Sua atenção literalmente me fez
ruborizar das minhas bochechas até as pontas dos meus dedos.

Ele limpou a garganta. – Eu sinto muito. Achei que você estaria vestida.
– Bem, eu não estou, – eu disse, afirmando o óbvio.
Havia uma tensão em sua voz quando ele repetiu a minha declaração. – Não,
você não está.

– Você poderia me dar uma meia hora? Eu só preciso ficar pronta.


King soltou um suspiro. – Não temos tempo. A assistente do Sr. Hirota acabou
de ligar para dizer que eles estão mudando a reunião para outro local. Ele é famoso por
mudar as coisas por um capricho. Infelizmente, ele é o que estamos tentando conquistar,
então temos de agradar a ele.
Olhei novamente para ele. Ele olhou para mim. Nós ficamos lá por um
momento, e nenhum de nós fez um movimento para quebrá-lo, mesmo eu estando lá
quase nua. King parecia excepcionalmente estressado, e foi curioso, porque ele nunca
foi enfatizado para se encontrar com clientes. Ao longo das duas últimas semanas eu
tinha testemunhado ele garantindo um número de negócios, mas havia algo diferente
sobre este, como se ele estivesse extra determinado para que ela fosse bem
sucedido. Me fez perguntar por quê. Gillian tinha me dito que o Sr. Hirota era o
proprietário nipo-americano de uma cadeia de hotéis com um profundo amor pela
história romana antiga, que foi por isso que ele morava aqui. Não há nada
particularmente incomum sobre ele, por isso eu estava perdida a respeito de porque
King estava no limite.

– Ok, me dê dois minutos, então, – eu disse, finalmente quebrando o silêncio e


pegando meu vestido. King acenou com a cabeça, os olhos persistentes nas minhas
coxas nuas quando me virei e entrei no banheiro.
Você não está ajudando, Oliver.
Eu não teria tempo para fazer maquiagem, então eu imaginei que um look au
naturel ia ter que servir. Eu também usava sapatilhas em vez de saltos. Eu tinha apenas
tempo suficiente para dar a minha aparência uma última leitura no espelho. Parecia
bem, definitivamente não toda negócios, mas bem. Eu percebi o quão mais alto King era
quando saí e parei diante dele, sem quaisquer saltos. Ele olhou para baixo, seus olhos
suaves, e eu perguntei se ele estava observando a mesma coisa.
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Página
Ele balançou a cabeça como se para limpar seus pensamentos, e eu me
ocupei. Agarrando os contratos que precisávamos para a reunião, eu os empurrei em
minha bolsa e permiti que King me conduzisse para fora da porta. Nós pegamos o
elevador para o lobby, King descansando a mão na parte inferior das minhas costas por
um momento. Me fez lembrar da minha primeira manhã no escritório, quando ele me
tocou de uma maneira similar. Ele tinha me confundido. Agora eu sabia que era
intencional. Eu pensei que talvez King fosse um homem que gostava de empurrar os
limites de sua própria força de vontade.
Um carro fornecido pelo Sr. Hirota estava esperando por nós do lado de fora do
hotel. King estava ocupado trabalhando em seu tablet durante a viagem, enquanto eu
olhava a paisagem que passava. Eu consegui ver algumas ruínas e até mesmo o Coliseu
antes de entrar numa zona movimentada, repleta de bares e restaurantes. Em seguida,
paramos na frente do que era claramente um clube de strip.
King olhou para fora da janela, fez uma cara quase cômica, então xingou sob sua
respiração antes de deixar cair a cabeça para trás contra o encosto de cabeça. – Você
tem que estar brincando comigo.
Um pequeno momento de silêncio decorreu, e eu não poderia evitar - eu ri. King
virou-se para mim, os olhos apertados, mas eu poderia dizer a partir do aperto de sua
boca que ele estava resistindo a um sorriso.
– Isso não é engraçado, Alexis.
– Oh, qual é, – eu disse. – Você tem que admitir, é um pouco engraçado. Eu
sinto que estou em algum filme de gangsters e estamos prestes a nos encontrar com um
chefe da máfia assustador.

Eu esperava que minha piada para fazê-lo rir. Infelizmente, parece ter o efeito
oposto. A expressão dele ficou séria e ele se virou, limpando a garganta. O motorista
saiu da frente do carro e deu a volta para abrir minha porta. O tipo de comportamento
extravagante para alguém que estava, essencialmente, nos deixando em um bar de strip.
– Ora, muito obrigada, senhor, – eu disse para o motorista em um tom bem-
humorado. Isso tirou um pequeno sorriso de King, que já era algo. Eu gostava que eu
ainda podia diverti-lo, mesmo quando ele estava em um modo decididamente
sério. Quando nos aproximamos da entrada, King deslizou o braço no meu. – Fique
perto de mim esta noite, Alexis.
– Por quê? – Perguntei, curiosa.

– Porque, – ele respondeu baixo, – se o Sr. Hirota está disposto a fazer negócios
em um lugar como este, então eu me preocupo como ele pode se comportar com uma
mulher que se parece com você.
Eu ri e brinquei: – Até parece que onde quer que eu vá eu estou constantemente
sendo aterrorizada por homens tendo ereções espontâneas em torno de mim. É difícil ser
uma bomba sexual.
Mais uma vez, King parecia estar lutando contra sua vontade de rir. No final, o
seu lado sério venceu. – Eu estou brincando. E não se preocupe - eu vou ficar com você
como cola, Oliver.
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Ele me deu um olhar quente, e, em seguida, estávamos entrando na escuridão da
caverna de peitos. Ok, eu vou parar. Nudez só me deixava tonta como uma criança de
cinco anos de idade. Uma mulher com pouca roupa nos recebeu e nos levou a uma
seção VIP na parte de trás do clube. Todo o tempo eu estava me perguntando se isso
ainda ia ser um jantar de negócio. Eu estava longe de ser arrogante, mas a ideia de
comer comida preparada em um clube de strip não me animou. Sim, eu definitivamente
iria esperar até voltarmos para o hotel, e então eu estaria fazendo um pedido de quarto
do caramba. Que com toda a viagem, eu quase não tinha a oportunidade de comer.
Foi meio engraçado que eu dei mais atenção para as mulheres em topless
dançando no palco do que King. Chame isso de fascinação mórbida. Eu sabia que King
estava um pouco incomodado sobre o local, mas provavelmente não foi a primeira vez
que algo assim tinha acontecido. Eu odeio estereotipar, mas empresários gostavam de
olhar para peito. Era um fato conhecido.
Na seção VIP havia algumas mulheres dançando e uma grande mesa onde vários
homens estavam sentados. Reconheci imediatamente o Sr. Hirota como o cara japonês
no terno branco, camisa preta e gravata branca. Um terno branco! Como eu não iria
comentar sobre isso?

Sr. Hirota imediatamente se levantou quando viu King, estendendo a mão para
cumprimentar. King tomou-a, e os dois trocaram brincadeiras habituais.
– Este é a minha assistente, Alexis Clark, – disse King, distraindo-me do brilho
do terno branco e conduzindo-me para frente.
– Alexis, é um prazer conhecê-la, – disse Hirota, enquanto me dava um rápido
olhar.

– Da mesma forma, Sr. Hirota.


Ele sorriu. – Por favor, me chame de Kei.
Sentamos, e a mulher que nos cumprimentou à porta veio e nos perguntou se
gostaríamos de quaisquer bebidas. King pediu um uísque, e eu só fui com suco de
laranja. De alguma forma, eu tive a sensação este não era um cenário que eu queria ficar
bêbada. Me conhecendo, eu ia acabar fazendo algo para me envergonhar. Mesmo que
fosse um clube de strip, eu estava lá para algo profissional, então eu precisava agir
como tal.
– Como foi o seu voo, Oliver? – Perguntou Sr. Hirota.
– Foi bom, – King respondeu suavemente.
A mulher voltou com nossas bebidas, e King escolheu a sua, trazendo-a aos
lábios para um gole. Tomei a minha, tentando não me sentir estranha pela mulher
bronzeada balançando os quadris em um palco. Ela tinha borlas douradas em seus
mamilos e batom roxo brilhante. Cara, eu não podia esperar para chegar em casa e
contar para Karla tudo sobre isso.
– Eu entendo que o seu cliente deseja permanecer anônimo, – disse Hirota.
– Correto. Ele aprecia você concordar com seus termos.
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– Sim, bem, eu não assinei nada ainda.
– Claro, – disse King, seu olhar agora viajando ao redor da sala. Ele parecia
desinteressado enquanto examinava as mulheres seminuas antes de voltar sua atenção
para Hirota. – Lugar legal. É seu?

Hirota assentiu. – Uma recente aquisição. Eu fiquei entediado com a indústria


hoteleira, que é por isso que estou interessado em vender para o seu cliente. Vai levar
um par de anos para descarregar a maioria dos meus ativos, apesar de tudo. Este clube é
apenas o começo. Estou esperando fazer a minha incursão na produção de filmes
pornográficos uma vez que eu aprender sobre tudo.
Juro por Deus, eu quase cuspi meu suco de laranja logo em seguida. King
mostrou nenhum sinal de surpresa ou julgamento, mas era algo que ele raramente
fazia. Eu, por outro lado, estava praticamente rebentando pelas costuras para fazer uma
piada.
Você quer entrar na indústria pornô. É por isso que você está vestindo um terno
de cafetão?
– Bem, te desejo a melhor sorte com todos os seus novos empreendimentos, –
disse King, e se virou para mim. – Alexis, eu posso ter os contratos?

– Claro, – eu respondi, e peguei minha bolsa antes de retirar uma pasta grossa.
Hirota acenou com as mãos no ar. – Sem contratos agora. Esta noite é para o
prazer. Amanhã vamos discutir negócios. – Eu coloquei as pastas de volta na minha
bolsa, e eu podia sentir a insatisfação de King. Ele não queria fazer mais do que ele
tinha que fazer. Infelizmente, Hirota parecia determinado a fazer exatamente isso.
– Algum de vocês com fome? – Perguntou Hirota. – Temos um menu
espetacular aqui.
– Está tudo bem. Nós comemos no hotel, – King mentiu, e eu estava feliz que ele
era tão contra comer aqui como eu.
Hirota não parecia incomodado, e ele começou a falar sobre os seus dois filhos, e
como eles estavam atualmente aprendendo a montar cavalo em sua propriedade
rural. Conversa fiada encheu a mesa, principalmente a partir de Hirota e seus
homens. King parecia no limite, como se ele preferisse apenas terminar o negócio que
tinham com ele em vez de arrastar as coisas. Normalmente, ele conversava e jantava
com seus clientes, mas não desta vez. Certo, eu podia sentir a sua agitação, como se ele
realmente só quisesse finaliza as coisas. Foi provavelmente por isso que ele continuou
bebendo, o que me preocupou.
Cerca de uma hora passou, e a maioria dos homens estavam prestando atenção à
mulher que tinha acabado de entrar no palco para uma performance especial. Uma
música lenta e sexy foi reproduzida através dos altifalantes quando ela começou seu
striptease. O humor que eu tinha originalmente encontrado na situação começou a se
dissipar. Naquele momento eu tinha visto peitos suficientes para durar uma vida.

– Eu prefiro muito mais estar olhando para você no palco, vestindo nada além
daquela toalha de mais cedo, – King sussurrou, e meu coração deu uma
cambalhota. Esta foi a primeira vez que ele comentou sobre as strippers, e foi mais um
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Página
comentário sobre mim do que elas. Meu peito se agitou e eu tentei pensar em uma
resposta engraçada, mas meu cérebro me decepcionou. Eu sabia que era o álcool que
estava fazendo ele falar tão livremente.
– Estou cansada, – eu disse. – Estaria tudo bem se eu tomasse um táxi para o
hotel?
Os olhos de King esvoaçavam entre meus enquanto ele me estudava de
perto. Foi um longo momento antes de ele finalmente concordar, puxando a carteira e
me entregando algum dinheiro para a viagem. Minha reação imediata foi dizer a ele que
estava tudo bem, que eu poderia pagar para o meu próprio táxi, mas depois me lembrei
isso era trabalho. Ele deveria estar pagando. Era tão fácil esquecer a verdadeira natureza
da nossa relação, às vezes.

Me levantei e saí do clube, enquanto Hirota e seus homens ainda estavam


fixados sobre a dançarina exótica. Levou apenas um minuto para um táxi parar. No
segundo que voltei ao meu quarto de hotel, eu senti uma enorme inundação de
alívio. Havia algo estranho com King e esta viagem, mas eu estava completamente no
escuro sobre o que poderia ser. Colocando shorts, uma camiseta, tirei meu sutiã e liguei
para serviço de quarto, em seguida, olhei que filmes estavam disponíveis no pay per
view. Resolvi colocar uma comédia romântica.
A minha comida chegou logo depois, uma tigela enorme de espaguete carbonara
e um copo igualmente massiva de vinho branco. Agora que eu estava fora do trabalho,
eu poderia dar ao luxo de beber um pouco. Cerca de meia hora do filme, enquanto eu
estava deitada na cama, sonolenta, cheia de macarrão e vinho, ouvi uma batida da minha
porta adjacente ao quarto de King.
– Sim? – Eu respondi.
– Posso entrar? – King respondeu de volta.
Eu hesitei. Por que ele queria entrar? Eu estava tentando relaxar aqui,
peloamordeDeus!
– Uh, com certeza.
– Você está decente?
Olhei para o meu pijama. – Acho que sim.
– Tô entrando.

Um segundo depois, ele estava no meu quarto, vestindo apenas a camisa e calça,
o paletó descartado. Os primeiros botões da sua camisa estavam abertos e parecia como
se tivesse estado passando as mãos pelo seu cabelo algumas vezes demais. Ele parecia...
estressado, mas ele não parecia bêbado. Ele deve ter parado de beber logo depois que
deixei o clube.
Passou um momento enquanto ele me olhava escondida na cama, o prato e o
copo de vinho vazio no chão e a comédia romântica passando na televisão de tela plana.
– Sinto muito, estou interrompendo? – Ele perguntou. Sua voz estava cansada e
segurava uma pitada de humor.
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Página
Peguei o controle remoto e apertei ‘pausa’ no filme. King sentou em uma
poltrona, e eu subiu para uma posição sentada. Lembrei-me de que eu não estava usando
um sutiã apenas quando seus olhos demoraram um pouco demais nos meus seios. Eu
não disse nada, apenas levantei uma sobrancelha em sua obviedade. Com o sorriso mais
ínfimo, ele balançou a cabeça e desviou o olhar.
– Você se importa se eu pedir um pouco de comida? – Ele perguntou então.

– Nem um pouco, vá em frente.


Ele se levantou e caminhou até o telefone, discando para o serviço de quarto. –
Eu não tive a oportunidade de comer ainda, – disse ele, enquanto esperava que eles
atendessem.
– Não estava no clima para um pouco de gonorreia no seu bife? – Perguntei,
sorrindo.
King deu um meio sorriso, meio fez uma careta para mim antes que ele
começasse a falar na linha. Pediu uma pizza, e eu meio que gostei do som disso. O
que? E daí que eu comi, eu gostava de comida italiana e de todos os lugares. Eu estava
determinada a aceita qualquer chance de provar comida que eu podia. King terminou a
sua ligação e voltou ao seu lugar.

– Você está confortável?


– Estou.
Um silêncio decorreu, King olhando para mim antes que eu dissesse: – Posso
fazer uma pergunta?

Seus olhos me perfurado. – Continue.


– O que há com este negócio? Algo sobre ele está te agitando.
Ele suspirou e passou a mão pelo cabelo de novo antes de responder: – É um
pouco difícil de explicar, mas você está certa, estou agitado. Vamos apenas dizer que eu
vou estar feliz quando tivermos os contratos assinados e estão em um avião de volta
para Londres.

– Hã.
Um silêncio decorreu enquanto eu o estudava, então, perguntei suavemente: –
Como tem estado a sua mãe?
Minha pergunta o pegou desprevenido quando ele trouxe os olhos para mim. Por
um segundo eu vi a tristeza neles, e isso fez meu coração bater mais forte. – Ela está
bem, – respondeu ele, em seguida, fez uma pausa, sacudindo a cabeça. – Bem, não, isso
não é bem verdade. Você viu como ela está vivendo - não há nada bem sobre isso. Mas
ela tem estado ruim da cabeça por um longo tempo, e às vezes parece o pior tipo de
doença. Pelo menos com uma doença física você pode encontrar a causa e tratá-
la. Doença mental é muito mais difícil de curar. Alguns dias são melhores que outros,
mas eles nunca são o que você consideraria normal.
– O que há de errado com ela? – Perguntei, minha voz macia.
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Página
– Ansiedade severa e paranoia, emparelhado com um caso grave de
agorafobia4. Ela raramente gosta de sair de casa.
Eu queria perguntar o que causou tudo isso, mas eu sabia que era da minha
conta, então eu simplesmente tomei sua mão na minha e apertei. – Isso deve ser
horrível.
Quando ele olhou para mim, sua expressão era de dor, e por um segundo parecia
que todo o tumulto dentro dele estava prestes a inundar. – É horrível. Você já desejou,
Alexis, que o seu coração fosse apenas um pouco menor, de modo que você não
precisasse se preocupar tanto?
Sua pergunta tirou o ar de dentro de mim. Quando tinha começado com esta
conversa, eu nunca esperava que iria ficar tão profunda. Apertei sua mão mais uma vez
e sussurrei: – Nunca. Quanto maiores são os nossos corações, mais bonitas nossas almas
são.
Nossos olhos se encontraram, seus olhos nos meus enquanto ele absorvia minhas
palavras, o que eu queria dizer. Eu não tinha previsto a minha resposta; só parecia vir
naturalmente. Por um longo momento nós nos sentamos lá em silêncio. Eu não queria
que ele ficasse triste e tentei animá-lo quando eu disse: – Então, o que você acha de
comédias românticas?
Ele piscou para mim, se trazendo de volta para o presente, e sem nada de
sarcasmo, respondeu: – Oh, eu adoro.
– Bem, isso não é simplesmente fabuloso, porque você vai se juntar a mim para
assistir a um, – eu disse, ignorando a sua atitude atrevida e batendo no espaço ao meu
lado. King levantou de seu assento ao lado da cama e se arrastou. Eu não sei, houve
apenas algo sobre o visual que me deu arrepios. A cama era um território novo para nós,
e, inevitavelmente, fez a minha mente vagar. Eu cliquei em ‘play’ no filme e King parou
perto de mim, nossos cotovelos se tocando. Tentei ignorar o cheiro limpo de seu gel de
banho e o cheiro familiar de sua colônia, mas era difícil.
Cara, eu poderia seriamente engarrafar essas coisas... você sabe, apenas para
levar para casa e jogar em meus travesseiros cada vez que eu quisesse me torturar.
– Que tipo de colônia que você usa? – Eu soltei, porque essa sou eu e é isso que
eu faço. Eu falo demais.
Os olhos de King vieram até os meus lentamente, e eles pareciam curiosos. –
Você gosta?
Chupei uma respiração profunda. – Uh-huh.
– É Estee Lauder Prazeres para homens.

Ei soltei uma gargalhada. – Ha! Por que eles sempre insistem em dar esses
nomes embaraçosos? É quase como se eles não quisessem que as pessoas a
comprassem.

4
Medo de lugares e situações que possam desencadear pânico, sensação de impotência ou
constrangimento. (N.T)
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King se mexeu em seu lugar e suspirou. – Jogada de marketing, eu
assumo. Nomeando-o de 'Prazeres', eles imaginam que o nosso cérebro vai fazer a
conexão de que, se comprarmos o produto, ele vai de alguma forma nos trazer
exatamente isso: prazer. Eu, por exemplo, apenas gosto de como ele cheira.
– Ah, mas alguma vez te trouxe prazer? – Eu provoquei. – Essa é a questão.
Ele me lançou um olhar preguiçoso e inclinou a cabeça. – Eu ainda estou
esperando descobrir.
– Oh, você é um canalha, – eu declarei, e lhe deu um tapa de leve no ombro.
King apenas balançou a cabeça e voltou sua atenção para a TV enquanto
murmurava baixinho, – Eu não estava brincando.
Eu atirei a ele um olhar de olhos arregalados, mas ele ainda estava olhando para
a tela. Um silêncio encheu o quarto. Teria sido pior se não fosse o filme tocando no
fundo. Senti um rubor rastejar até meu pescoço e olhei para baixo para ver King abrir e
fechar repetidamente o punho. Ele tinha enrolado as mangas de sua camisa, então eu
podia ver seus antebraços, e como de costume, eles eram uma distração. Comecei a
sentir uma sensação engraçada, tanto no meu peito e entre as minhas
pernas. Uma dor. Minha imaginação estava trabalhando horas extras, mostrando-me o
quão facilmente seria para ele rolar em cima de mim e então me faz ver estrelas.
Fiquei imaginando como ele seria durante o sexo...
Ele disse que não era de amor e romance, mas eu aposto que ele fazia uma
sessão de sexo antiquado. E realmente, se ele colocava ainda que metade do esforço
nisso do esforço que ele fazia no trabalho, então ele provavelmente era mais do que eu
poderia aguentar.
E, curiosamente, eu tinha um repentino desejo de mais do que aguentar.
A tensão quase tinha alcançado seu ponto de ebulição, quando houve uma batida
na porta. Era o serviço de quarto, e King saiu da cama para ir deixá-los entrar. Foi uma
coisa boa, porque eu precisava seriamente de um momento. Eu temia que o rubor que
tinha começado no meu pescoço havia se espalhado por todo o caminho pelo meu corpo
agora.
– Quer um pouco? – Perguntou King, colocando o prato e seu copo de vinho na
bandeja e carregando para a cama.
– Claro, – respondi. Eu nunca disse não a pizza, e esta parecia deliciosa.
King se ajeitou em seu lugar e deu uma mordida rápida, em seguida, levou a
pizza para minha boca. Normalmente eu diria algo atrevido nessa circunstância, talvez
faria uma piada, mas meu senso de humor não estava mais presente. Eu estava excitada,
e os olhos de King seguravam um jogo. Eu queria jogar. Fazendo contato visual com
ele, me inclinei e dei uma mordida bem de onde ele tinha dado uma. Suas narinas
inflaram, uma nova intensidade em seus olhos. Ele voltou a pizza para sua própria boca
antes de trazê-la de volta para a minha novamente.
Ele estava pairando sobre mim, seu corpo deleitável bem ali, e minhas mãos
coçavam para senti-lo. O filme foi esquecido, enquanto continuamos a nossa interação
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Página
estranha. Eu mal tinha roupa, e desde que King ainda estava em sua camisa e calças, eu
me senti vulnerável e um pouco nua. Sua respiração ficou pesada, e eu vi sua atenção
vagar para a minha clavícula, fixando nele.
– Nós devemos... – Ele começou, mas então vacilou.

– O quê?
Ele olhou para baixo, seus grossos cílios dourados protegendo seus olhos. Sua
voz era tão calma e rouca quando ele continuou, – Eu preciso tirar isso do meu sistema,
Alexis.
– Tirar o que...
Antes que eu pudesse terminar a frase, ele estava tirando a massa de pizza da
minha mão, jogando-a no prato, e nivelamento seus olhos azuis gelados em mim. – Nós
podemos foder. – Ele fez uma pausa, seu sotaque enfatizando o ‘foder’ e fazendo meus
ossos se transformarem em geleia. – Nós podemos fazer sexo uma vez e ainda
permanecermos os mesmos. Estou certo disso.
– Bem, nós somos muito pragmáticos, – eu concordei, todo o meu corpo
apertado. Eu poderia não ter acreditado em uma palavra que eu estava dizendo, mas
naquele momento eu queria ele dentro de mim, e minha boceta estava disposta a me
deixar mentir para mim mesma, a fim de fazer isso acontecer. Suas mãos já estavam em
meus quadris, massageando.
– Somos, – ele repetiu, a voz baixando para um sussurro quando ele trouxe sua
boca para minha clavícula, até o ponto que ele estava olhando tão intensamente. Um
gemido escapou de mim, e eu inclinei minha cabeça para trás para lhe dar maior
acesso. Ele lambeu minha pele, cantarolando em aprovação quando ele arrastou seu
nariz em toda a ascensão do meu seio. Ele esfregou levemente no meu decote, em
seguida, começou a plantar beijos por todo o caminho até o centro do meu pescoço. Eu
ondulava debaixo dele, e quando ele chegou à minha mandíbula, ele mordiscou minha
pele, roubando outro gemido de mim. Seus lábios fizeram uma viagem rápida para a
minha boca. Mas uma vez que ele estava lá, ele se afastou para olhar nos meus olhos, e
levou meu fôlego por uma fração de segundo. Ele olhou para mim como se eu fosse a
coisa mais sexy que ele já tinha visto.
Inclinando-se novamente, King colocou beijos surpreendentemente macios em
ambos os lados da minha boca, e eu o beijei de volta. Esses beijos carinhosos
continuaram por um tempo, cada um de nós mordiscando um ao outro, conhecendo um
ao outro até que os beijos começaram a se aprofundar. Ele deslizou sua língua
suavemente pelos meus lábios, me provocando, me degustando. Eu estava derretendo
em uma poça na cama, agarrando seus ombros, seus peitorais duros pressionando na
suavidade dos meus seios. Não demorou muito antes de estarmos nos beijando
fervorosamente, segurando um ao outro, bebendo um do outro m como se nós não
poderíamos conseguir o suficiente.

Minhas mãos foram para os botões de sua camisa, ansiosa para tirá-lo. Ele
começou a ajudar, e assim que ele estava nu, ele estendeu a mão para a barra da minha
camiseta, puxando-a por cima da minha cabeça de uma só vez. Houve um momento em
que nós dois apenas olhamos, eu encarando os contornos perfeitos de seu peito e
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Página
abdômen, ele estudando as curvas dos meus seios, a chama de meus quadris e os picos
duros dos meus mamilos.
Eu estava tão excitava que eu me sentia vazia. Eu precisava dele dentro de mim.
– Porra, – ele xingou, todo o seu fôlego escapando dele.
Ele foi para a frente, abaixando-se sobre mim e trazendo sua boca para meu
peito. O som que fiz quando seus lábios se fecharam sobre o meu mamilo teria sido
embaraçoso se eu não estivesse tão perdida em excitação. Sua mão se arrastou sobre
minha coxa, apertando antes de correr pelo meu quadril e estômago até que ele veio ao
meu outro seio. Eu arqueei minhas costas para fora da cama, ansiosa por seu toque
enquanto massageava e lambia. Ele tirou um grito de mim quando seus dentes
pressionaram no meu mamilo em uma mordida de provocação.
Deus, isso.
Só isso.

Às vezes você não percebe o quanto você precisava de algo até que isso está
acontecendo. Eu senti como se tivesse estado inconscientemente trancando todo o
desejo por este homem desde o dia em que nos conhecemos, e agora estava escorrendo
de mim como uma cachoeira.
– King, – eu gemi, e um grunhido emanou dele enquanto ele movia seu corpo,
habilmente puxando minhas coxas e se acomodando entre as minhas pernas. As pontas
dos seus dedos escavaram desesperadamente em minha pele, me marcando com sua
necessidade. E eu podia senti-lo, o comprimento grosso dele pressionando em meu
núcleo até que eu não poderia encontrar ar suficiente. Minha respiração aumentou para
combinar com a sua e meu cérebro estava completamente fora. Eu não era nada, além
de sentimento e sensação, e tudo que eu queria era mais.
De repente, sua boca deixou meu mamilo, e eu queria lamentar em
protesto. Mas, então, ele estava no meu ouvido, e eu estava quente, tão quente que eu
não poderia proferir palavras quando ele rosnou, – Eu quero te foder tão forte, Alexis,
tão forte que você ainda vai estar me sentindo dentro de você amanhã e depois de
amanhã e depois.

Ok, ele acabou de chegar em mim como um Shakespeare de conversa suja?


Eu morri.
Eu morri mesmo.
Tudo bem, eu não morri de verdade, mas eu tive um mini orgasmo cerebral
quando ele começou a arrastar a língua ao longo da concha da minha orelha, enviando
arrepios por toda a minha espinha.
– Você sabe o quão difícil isso tem sido para mim, hein? – Ele rosnou. – Estar
em torno de você no escritório, você vestindo essas pequenas saias justas que me fazem
querer morder o meu caminho até suas coxas perfeitas e depois afundar meu rosto entre
suas pernas até que você gritasse. E a porra da sua bunda, Alexis - Jesus Cristo, metade
do tempo que estou andando com um semi ereção apenas com a visão dela.
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– Cale a boca, – Eu engasguei.
Não se cale.

Ele estava fazendo o seu caminho pelo meu corpo, lambendo e beijando a parte
macia do meu estômago até chegar aos meus shorts de dormir. Ele fez uma pausa,
esfregando minha barriga, o rosto pressionado na minha pele quando ele soltou uma
longa exalação.
– Eu adoro o seu corpo, – ele respirou, quase como se ele estivesse com dor. –
Eu estava louco por isso.
Whoa, não era como se eu tivesse uma pequena quantidade de sexo na minha
vida, mas isso foi definitivamente o mais intenso sentido que eu tinha recebido de um
homem. Foi provavelmente porque eu estava refletindo essa intensidade exata de volta
para ele.
Seus dedos brincaram com o elástico, avançando pouco a pouco até que ele foi
puxando os shorts e eu fiquei em nada além da minha calcinha preta.
King olhou para mim, respirando pesadamente enquanto eu estava lá assistindo
ele, extasiada.
– Você é tão linda, – ele disse, tão baixo que quase não ouvi. E então ele
pressionou o rosto em minha boceta, declamando-a através do tecido e milagrosamente
encontrando meu clitóris. Ele chupou em sua boca, amortecendo o material e me
enviando para a beira do desespero. Eu precisava da minha calcinha fora. Agora.
Um segundo depois, elas estavam; King as puxou suavemente antes de voltar
sua atenção para o meu sexo. Eu praticamente podia me sentir pulsando com
antecipação enquanto seu hálito quente aquecia a minha pele e seus olhos devoraram
cada polegada minha.
– Tão linda, – ele sussurrou, e depois se inclinou para me dar o mais leve dos
beijos. Estremeci, tão excitada que ele poderia ter continuado a fazer isso e eu teria
gozando em segundos. Ele não continuou fazendo isso, embora. Apenas um segundo se
passou antes que uma onda de feroz necessidade vencesse e sua boca estava chupando
duro, sua língua lambendo rápido e seus dedos arrastando as minhas coxas. Uma mão
encontrou a minha entrada, um dedo lentamente mergulhando para dentro e um rugido
feroz dele quando ele fez isso. Eu enrolei minhas mãos nos lençóis, o prazer enchendo
cada poro meu quando eu senti ele me devorar. Me possuir.
Stu tinha sido bom, mas nada como isto. King possuía habilidade, sim, mas era a
intensidade com que ele me queria que fez isso muito melhor. Foi um sexo oral de nível
surpreendente, e eu momentaneamente me perguntei se algum homem que viesse depois
de King seria bom o suficiente.
E honestamente, eu não tinha certeza se queria qualquer outro homem depois de
King. Eu estava enfeitiçada por ele, apaixonada. O pensamento deveria ter me deixado
sóbria, colocado um amortecedor sobre o que estávamos fazendo, mas isso não
aconteceu. Só me fez querer ainda mais. Eu queria que ele me consumisse; Eu queria
consumi-lo antes que a vida ficasse no caminho e arruinasse para nós dois.
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Esta pode ser a nossa única chance de esquecer tudo e apenas nos perder no
momento.
King nivelou seus olhos em mim, sua expressão escura e sexual enquanto lambia
a minha fenda, lento e forte - proposital. Todo o meu corpo tremia, e o orgasmo que
tinha rapidamente se construído me bateu de repente. Quentes arrepios espalharam pela
minha pele, e minhas mãos foram instintivamente para seu cabelo e, em seguida, seu
rosto, maravilhada com ele.
– Você... eu... nós... – Eu murmurei incoerentemente, nem mesmo tendo certeza
do que eu queria dizer a ele. Não havia palavras para descrever o que ele tinha feito
comigo, o que ele tinha acabado de me fez sentir. Me senti satisfeita, mas de alguma
forma ainda mais vazia. Sua boca era muito boa, mas não satisfez a profunda
necessidade que eu tinha para seu pau. Ele subiu na cama até que suas mãos estavam
apoiadas em cada lado da minha cabeça.

Ele respirou fundo, seus olhos viajando entre os meus enquanto ele passava a
boca em meu lábio inferior. Sua voz estava rouca quando falou. – A maneira como você
gozou foi devastador.
A maneira como ele falava era devastador. Meus olhos foram para baixo,
encontrando sua ereção em posição de sentido sob suas calças.
Eu puxei sei cinto e sussurrei: – Tire isso.

Uma das extremidades de seus lábios rosa se levantou em um sorriso, e ele se


inclinou para pressionar um beijo rápido nos meus lábios. Eu podia me provar nele, algo
que nunca tinha particular interesse para mim antes, mas com King eu queria. Algum
parte interna primal de mim queria deixar a minha marca em cima dele.
– Qual é a palavra mágica? – Ele perguntou, brincando.
Deus, ele era lindo, todo despenteado e excitado. Seus olhos claros pareciam
ainda mais brilhantes.
– Por favor, – eu gemi sem inibições.
– Assim é melhor, – ele ronronou, e sugou minha orelha em sua boca. – Você
precisa de mim dentro de você, amor? – Ele estava sussurrando agora.
– Sim, – choraminguei, esfregando meu rosto em seu pescoço, amando como ele
cheirava.

– O que você quer de mim?


Eu nem sequer precisava pensar sobre isso. Eu sabia exatamente como eu queria
porque eu tinha fantasiado sobre isso muitas vezes durante períodos de silêncio no
escritório. Uma onda de timidez tomou conta de mim de repente, e eu hesitei em dizer a
ele.
– Não, não, não, – ele me repreendeu, ainda sussurrando. – Não há espaço para o
embaraço aqui. Você já pensou sobre isso. Eu sei que sim. Descreva como você
imaginou.
103
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Oh Deus.
Finalmente, falei. – Estamos em seu banheiro, no escritório. Você me encurrala
no sofá e me joga sobre o meu estômago.
Os olhos de King brilharam com minha descrição e suas mãos foram para os
meus quadris, um braço em volta do meu estômago. – Assim? – Ele perguntou, a voz
baixa e, em seguida, me virou para a minha barriga.
– Sim, assim mesmo, – Eu gemi quando eu senti ele pressionar seu pau na minha
bunda, seu hálito quente e pesado na parte de trás do meu pescoço.
– O que vem depois? – Ele perguntou.
– Você está duro. Você desfaz a fivela do cinto e puxa sua braguilha, então você
empurra minha saia até meus quadris e empurra minha calcinha para o lado. Você me
toca, sente o quão molhada eu estou. – Ele se moveu como eu falei, as mãos
completando a descrição que eu estava dando a ele até que a braguilha estava aberta e os
seus dedos estavam correndo sobre as minhas dobras, acariciando-as.
– Você me puxa sobre os joelhos.
Ele agarrou meus quadris, me pondo de quatro.
– Então você abaixa suas calças, e você passa sua ereção sobre a minha bunda
antes de deslizar levemente sobre a minha boceta. Você me provoca com isso, encontra
a minha entrada, e empurra um pouco, me torturando até que eu estou implorando por
isso.
Eu tinha que dar o braço a torcer, King tomou direção perfeitamente. Seu pau
estava livre agora, deslizando dentro de mim um pouquinho antes de puxar para fora. A
sensação dele encheu odo o meu corpo. Sua mão foi para o meu pescoço, apertando-o
quando ele rosnou no meu ouvido.
– Eu acho que essa é a sua dica para mendigar, amor.
– Por favor, – eu gemi.
– Não está bom o suficiente.
– Eu preciso de você, por favor, estou implorando.
– Quase lá.

Minha voz ficou tensa e exigente. Eu não queria mais jogar; Eu só queria ele
dentro. – Oliver, me foda, por favor. Eu quero sentir tudo de você, – eu gritei.
– Assim é melhor, – ele ronronou, sua voz cheia de satisfação masculina quando
eu o ouvi puxar algo do bolso da calça. Houve o breve som de rasgar antes de ele
posicionar seu pau, em seguida, dirigi-lo para dentro de mim, duro e tão deliciosamente
profundo. Me senti pulsar em torno dele, como se meu corpo estivesse agradecendo-lhe,
finalmente, dando a ele o que precisava. Senti sua boca se mover por cima do meu
ombro antes de seu rosto afundar no meu cabelo.
– Jesus Cristo, – ele gemeu.
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– Oliver, eu preciso...
– Calma, eu sei, querida, eu sei.

Ele se levantou de novo, suas mãos encontrando minha bunda e apertando. Ele
rosnou e deu um tapa antes de pegar meus quadris e agarrar apertado. Meus dedos
cavaram os travesseiros enquanto eu me segurava, embora meu corpo só quisesse se
deixar. Tudo apenas muito bom e meus músculos se transformaram em geleia. King
empurrou de volta para mim, dentro e fora deliciosamente lento. Em seguida, seus
movimentos aceleraram, e eu juro que perdi a capacidade de pensar. Eu nunca tinha
sentido nada tão celestial em toda a minha vida. Minhas pequenas respirações e gemidos
encheram o quarto; Eu não fui incapaz de segurar nada de volta. King pareceu sentir
prazer em meus sons, murmurando o quanto ele os amava, o quanto ele amava meu
corpo, minha boceta, quão perfeitamente nos encaixávamos.
Eu nunca esqueci seus grunhidos masculinos enquanto ele martelava em mim, a
espessura, a sensação dura de como ele me encheu. Eu senti como se eu quisesse morrer
quando de repente ele puxou, mas antes que eu percebesse, ele estava me virando e me
empurrando para as minhas costas.
– Eu quero seus olhos, – ele rosnou, levantando minhas coxas em torno de seus
quadris e voltando para dentro de mim mais uma vez. Ele segurou meu queixo em sua
mão, esfregando o polegar no meu queixo enquanto ele me nivelava com seu olhar. Ele
era lindo naquele momento, cativante. Eu queria olhar para baixo, contemplar a vista de
seu corpo gloriosamente tonificado, mas ele não permitiria. Ele me segurou no lugar,
nunca permitindo que os meus olhos deixassem os seus, e algo agarrou meu peito e
garganta. Foi uma emoção que eu não tinha certeza de que eu poderia identificar: afiada
e mesquinha, mas quente e bonito ao mesmo tempo.
A expressão de King ficou séria. – Você sente isso? – Ele perguntou em uma
respiração ofegante.
Tudo o que eu podia fazer era acenar com a cabeça, e no segundo seguinte
ambos pareciam entender que estávamos completamente e totalmente ferrados. De jeito
nenhum isso seria uma coisa de uma vez. Eu já queria rastejar debaixo de sua pele e
nunca sair.
– Você é tão bonita, Alexis. Você é tão bonita por dentro também.
– Oliver...
– Sim, querida?
– Você vai gozar para mim? – Perguntei, minhas palavras um apelo desesperado.
– Qualquer coisa para você, – ele sussurrou, seus movimentos abrandando, mas
crescendo em intensidade. Ele parecia ficar ainda mais duro enquanto seu clímax
construía, e assim que eu vi que ele estava prestes a explodir, eu puxei seus lábios nos
meus e o beijei desesperadamente, engolindo todos os seus ruídos, deixando-os se
tornar uma parte de mim. O senti se derramamento em mim, gemendo baixinho e rouco
como ele gozou duro, seu corpo tremendo um pouco com o esforço. Uma suave camada
de suor revestia a pele dele quando seu delicioso peso caiu em cima de mim. Seus
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Página
braços foram ao redor do meu corpo, me puxando para ele apertado quando ele
descansou o rosto na curva do meu pescoço.
Eu acariciava seu cabelo, e ele nos colocou em uma posição mais confortável
para que seu corpo inteiro rodeasse o meu. O senti plantar beijos suaves no meu
pescoço e soltei um pequeno ronronar de aprovação quando sua mão foi entre as minhas
pernas.

– Você acha que poderia gozar de novo? – Ele perguntou em voz sonolenta.
– Você está exausto, Oliver. Vá dormir.
– Mas minha mão está com ciúmes da minha boca, – queixou-se ele,
brincando. – Ela quer se sentir você gozar também.
Meu riso logo se transformou em um gemido quando ele começou a me
acariciar. Seus dedos circularam meu clitóris, então mergulharam para dentro. Eu me
mexi e senti seu pau começar a endurecer novamente ao lado de minha bunda e eu já
poderia estar pronta para mais uma rodada. Meu corpo estava com sono, mas eu estava
contente que simplesmente fiquei ali e deixei que ele me acariciasse.

– Eu sabia que ia ser assim para nós, – ele ronronou. – Sem esforço. – A outra
mão veio ao redor e espalmou meu peito, moldando-o e, em seguida, beliscou meu
mamilo. Ele começou a esfregar o polegar para trás e para frente sobre o pico apertado,
o movimento combinando enquanto acariciava meu clitóris. No momento seguinte, eu
estava gozando com um grito alto. King murmurou palavras tranquilizadoras no meu
ouvido e eu me virei em seu corpo, abraçando-o com força e pressionando beijos em
seus peitorais.
Logo depois, nós dois fechamos nossos olhos, e então não demorou muito antes
do sono nos puxar para baixo.

106
Página
Doze

Eu acordei uma boca quente na minha coxa.


A cabeça de Oliver King estava entre as minhas pernas enquanto beijava e
lambia. Fiquei olhando para ele, e ele me deu o mais belo dos sorrisos.
– Bom dia, amor, – ele disse, a voz rouca de sono.
– Bom dia, – eu murmurei. – O que você está fazendo aí embaixo?
Ele soltou um gemido baixo. – Brincando com você, receio. Eu gostaria de poder
ficar aqui o dia todo, mas infelizmente eu tenho um café da manhã com Hirota em
quarenta minutos. Eu preciso de um banho.
– Nós poderíamos compartilhar um, – eu sugeri, e ele gemeu novamente.
– Compartilhar vai durar muito mais tempo do que eu tenho de sobra. Eu posso
te atrair para tomar um banho comigo mais tarde, no entanto.
– Nesse caso, eu espero ser atraída, – eu respondi, e King pressionou um beijo na
minha coxa antes de se inclinar sobre as mãos e trazer a boca para a minha. Nosso beijo
ficou mais faminto do que o esperado até que nos separamos, sem fôlego. King
cantarolou e esfregou o polegar sobre meu lábio inferior, os olhos fixos em minha boca
enquanto falava.
– Eu preciso de você mais tarde, mas tome a manhã. Há uma praia a apenas uma
curta caminhada daqui, – ele sugeriu quando se levantou da cama e começou a pegar
suas roupas descartadas da noite passada.
Meu interesse despertou. – É mesmo? Eu não fui para a praia em anos.
King voltou e deu um beijo final na minha testa. – Então vá. Divirta-se. Vejo
você mais tarde.
Ele desapareceu pela porta adjacente para o seu quarto, deixando-me um pouco
perplexa. Eu meio que esperava que ele fosse distante esta manhã, se retirando após ele
finalmente ter conseguido o que queria. Foi o que aprendi com a experiência com um
monte de encantadores de verdade no passado. Mas não, King tinha sido tenro e
carinhoso comigo; era quase como se ele tivesse esquecido completamente o acordo que
tínhamos feito antes.
Olhei para fora da janela para descobrir que era um dia ensolarado, perfeito para
uma viagem para a praia. Pulando para cima da cama, eu levantei e tomei um banho
rápido, então arrumei minha mala. Eu coloquei meu traje de banho vermelho com um
corte vintage, e coloquei um vestido floral claro sobre a parte superior com algumas
sandálias.
Eu definitivamente recebi alguns olhares estranhos dos moradores enquanto eu
fazia uma rápida caminhada do hotel até a costa, uma vez que claramente não
consideravam clima de praia. Tendo vivido toda a minha vida no frio, na Londres
chuvosa, então estava positivamente tropical para mim. Como esperado, não havia
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Página
muitas pessoas ao redor. Eu abri uma toalha sobre a areia, coloquei meus óculos de sol,
puxei meu vestido sobre a minha cabeça, e me deitei para absorver os raios.
Uma ou duas horas se passaram em paz feliz ao ouvir as ondas quebrando contra
a costa. Nunca cheguei a ouvir esses tipos de sons em casa, somente o tráfego e buzinas.

Sentindo uma presença, eu abri meus olhos e deslizei meus óculos no meu
nariz. King sentou ao meu lado na areia, com o queixo apoiado na palma da mão e uma
expressão pensativa no rosto, enquanto olhava para a água. Ele parecia um milhão de
milhas de distância, e o fato foi confirmado quando eu disse seu nome, mas não obtive
resposta.
– Oliver, – repeti, e o vi piscar.
Ele virou a cabeça. – Eu achei que você poderia estar dormindo, não queria te
acordar.
– Não seria meio perigoso adormecer em uma praia pública? – Perguntei, mas
ele só deu de ombros e voltou sua atenção de volta para o mar. Sentei-me, estendi a
mão, e coloquei uma mão suavemente em seu braço.

– Ei, você está bem?


Ou ele não ouviu a minha pergunta, ou ele preferiu ignorá-la. – Eu invejo
aqueles com consciência limpa, – ele murmurou, como se para si mesmo.
O que ele disse me fez franzir a testa. – Por que a sua consciência não está
limpa?
Os olhos dele foram para o lado quando ele percebeu que ele expressou seus
sentimentos em voz alta. Um longo suspiro lhe escapou. – Má sorte e circunstância.
– Você é uma das pessoas mais sortudas que eu conheço, – eu sussurrei. Sim,
sua mãe estava doente, mas para além disso ele tinha uma vida bastante espetacular.
Se virando, ele nivelou os olhos em mim, e eles pareciam muito mais bonitos
com o sol brilhando através deles. – Minha sorte é apenas em um lado do espelho, – ele
murmurou, e estendeu a mão para acariciar meu rosto. – Eu não tenho sido capaz de
parar de pensar em você toda a manhã. – Suas palavras e seu toque me fizeram tremer.
– Eu estive pensando sobre você, também. – O que eu disse o fez sorrir, mas
havia uma tristeza por trás dele. Eu queria encontrar sua fonte, apagá-la. Ele estava
tendo estes episódios mais e mais ultimamente, um misto de melancolia com filosofar
aleatório.
– Sr. Hirota vai assinar os contratos hoje à noite. Ele nos convidou para sua casa
para o jantar. Você trouxe um vestido?
– Claro. Eu sempre venho preparada. – Eu sorri e me arrastei até me ajoelhar na
frente dele, colocando minhas mãos em cada um dos seus ombros. Olhando para ele de
frente, eu disse: – Um problema compartilhado é um problema pela metade. O que quer
que tem estado incomodando você, você pode me dizer. Nenhum julgamento.
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Página
Um momento que parece ter se arrastado para sempre quando ele respirou dentro
e para fora. Eu não acho que eu tinha experimentado um trecho tão longo e significativo
de contato visual com outro ser humano antes. Vozes soaram de perto, uma família
tirando fotos. Os olhos de King foram para eles e, em seguida, de volta para mim.
– Fique aqui, – ele disse, e se levantou. Eu assisti enquanto caminhava até a
família e começou a falar com o pai, que tinha uma daquelas câmeras Polaroid
vintage. Palavras foram trocadas, e, em seguida, o pai entregou a câmera para King. Ele
caminhou de volta para mim, e quando eu me sentei na minha toalha, ele levantou a
câmera para o rosto.
– Sorria, Alexis, – disse ele, e eu tinha apenas tempo suficiente para gessar um
sorriso no meu rosto antes que ele disparasse. A foto saiu da frente da câmera e King
pegou, apertando-o para fora.
– Hey, um pequeno aviso na próxima vez!
– Venha aqui, – disse ele, a voz baixa.
Fui até ele. Ele jogou o braço em volta dos meus ombros e me puxou para perto,
segurando a câmera na frente de nós e tirando mais uma foto. Desta vez, eu era a única a
agarrá-la da máquina. Ele tinha conseguido nos capturar de perto. Eu estava olhando
para a lente, sorrindo, e King estava de perfil, olhando para mim, um olhar de tanto
carinho que quase me tirou o fôlego.

– Vou ficar com essa, – eu praticamente sussurrei enquanto King me observava.


– Só se eu conseguir ficar com essa.
Dei de ombros, tentando não parecer emocional. – Certo.
Ele foi, e devolveu a câmera ao seu proprietário, e uma atmosfera estranha caiu
entre nós. Arrumei minhas coisas, e nós fizemos a curta caminhada de volta para o
hotel. Eu sabia exatamente o que era responsável pela tensão, mas estava com muito
medo de expressar o que sentia.
Eu estava me apaixonando por ele, e se a maneira como ele olhou para mim
fosse uma pista, ele estava se apaixonando por mim, também.

***

Desde que King tinha um quarto maior, nós fomos lá para trabalhar pelo resto do
dia. Sentei-me em sua cama, o meu computador no meu colo, enquanto ele estava
sentado à mesa. Havia um monte de pequenos detalhes para amarrar antes de Hirota
assinar os contratos naquela noite, então nós dois ficamos enterrados no trabalho por um
par de horas. Eu falei com Gillian via Skype para que ela pudesse cuidar de tudo o que
precisava ser feito no escritório de Londres. Eu tinha acabado de falar com ela quando o
telefone de King começou a tocar. O vi olhar para a tela, e eu juro que seu rosto
instantaneamente se transformou. Ele não estava mais relaxado e concentrado. Ele agora
parecia irritado e estressado.
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De pé, ele não olhou para mim, uma vez que ele saiu do quarto e saiu para o
corredor. Ele só fechou a porta a meio caminho, então eu ainda pude escutar a conversa.
– Sim? – Ele respondeu, a voz plana.
Uma pausa.
– Claro. Está tudo caminhando como planejado. Os contratos serão assinados
hoje à noite.
Outra pausa.
– Muito bem. Basta lembrar do nosso acordo. Esta é a última vez.
Eu ouvi ele soltar um suspiro longo e frustrado, e eu podia imaginar sua
mandíbula apertando. Ele não parecia feliz.
– Bruce, eu estou falando sério. Esta é a última vez. Você vai ter o seu
formulário na parte da manhã. Adeus. – Um segundo depois, ele atacou de volta para o
quarto e eu praticamente gritei de surpresa quando ele veio direto para mim. Ele
empurrou meu laptop para longe, em seguida, começou a desfazer os botões do meu
vestido, revelando o sutiã por baixo.
– Durante toda a tarde eu tive que ver você sentada aqui, me torturando em este
pequeno vestido cobrindo seus peitos perfeitos, – ele rosnou, e trouxe sua boca para
meu decote, arrastando seus lábios sobre as ondas dos meus seios. Um gemido escapou
de mim enquanto minhas mãos foram para o seu cabelo. Ele não era o único que tinha
sido torturada. Ter Oliver King perto sempre foi um teste para minha força de vontade.
– Oliver, – eu respirei enquanto ele empurrava meu sutiã, então pegou meu
mamilo em sua boca. Sua língua circulou, e eu me contorcia embaixo dele. – Oliver,
que é Bruce?
Sua forma inteira ficou imóvel, sua boca me deixando. – Você não deveria ter
ouvido essa conversa, Alexis.
– Eu sinto muito. É que assim que recebeu a chamada, você se tornou muito
estressado. Me preocupou.

– Você não precisa se preocupar, – disse ele, e eu podia senti-lo se retrair.


– Mas eu sim.
Ele estava fora da cama agora, pegando seu casaco. – Eu vou dar um
passeio. Termine no que você está trabalhando e esteja pronto às sete. Hirota estará
enviando um carro para nós.
E assim ele se foi. Eu estava deitada na cama, excitada e confusa. Eu não
entendia por que ele estava sendo tão fechado sobre este Bruce. Meu instinto afundou, e
eu rapidamente ajeitei o meu vestido de volta no lugar. Coletando minhas coisas, voltei
para o meu quarto, e desta vez eu me lembrei de trancar as portas adjacentes.
O vestido que eu usava para o jantar era uma cor profunda de roxo, um laço em
cima e material de veludo na parte inferior. Meu telefone apitou com um texto assim
que eu estava colocando os toques finais na minha maquiagem.
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Oliver King: Eu estou esperando no saguão.
Eu digitei uma resposta rápida.

Alexis: Estarei aí em dois minutos.


Eu o vi de pé em uma coluna alta quando cheguei lá embaixo. Ele estava de
costas para mim, e ele usava um terno preto que fez seus cabelos dourados se
destacarem. Seus ombros largos e confiantes e a postura masculina me deu uma
sensação efervescente na minha barriga, e eu imediatamente quis que não estar em
condições difíceis. Por que eu tenho que ser tão intrometida perguntando sobre esse
Bruce? Não era como se eu tivesse o direito de saber.
De qualquer forma, eu ia colocar dois e dois juntos, e decidi que Bruce ou
trabalhava como investidor silencioso de King ou ele era o investidor silencioso. Eu
sabia que, por qualquer motivo, King não estava emocionado por estar trabalhando
neste negócio. Meu palpite era que ele devia ao investidor um favor, e foi assim que ele
estava pagando.
– Oi, – eu disse, e ele virou-se ao som da minha voz.

– Alexis, – disse King, seus olhos deslizando pela minha forma antes de sua mão
ir para a minha parte inferior das costas para me conduzir do átrio. Ele não disse uma
palavra sobre a minha aparência, não me deu nenhum elogio aquecido e meu intestino
afundou. Entramos numa limusine preta elegante, onde King imediatamente deslizou
pelo assento e foi abrir o mini-bar. Sentei-me e brinquei com o meu telefone, enquanto,
ao mesmo tempo, dava olhares furtivos ao meu chefe. Você poderia ter cortado a tensão
entre nós com uma faca, e pela primeira vez não era sexual. Bem, ok, era sexual. Era
sempre assim conosco, mas nesta ocasião a tensão real superando a tensão sexual.
King estudou as garrafas, decidindo sobre qual bebida ele ia tomar. Os olhos
dele foram para os meus enquanto ele segurava uma garrafa de Scotch.
– Você gostaria de um copo?
Eu balancei minha cabeça.
Outra coisa que eu estava começando a notar sobre ele é que ele era muito
específico na forma como ele fazia suas bebidas. Ele fazia isso com amor e com uma
certa finesse. Eu sabia que havia apenas três razões pelas quais uma pessoa era tão
cuidadosa sobre a sua preparação de bebidas. Uma: Eles trabalharam em um bar e era
assim que ganhavam a vida. Duas: Eles eram coletores/amadores que provavam licores
antigos e caros. Três: Eles eram alcoólatras.
Eu odiava ser tão insensível em minha rotulagem, mas era verdade. Eu só
esperava que King caísse no grupo número dois, porque eu sabia que ele não pertencia
ao grupo número um e o número três do grupo era doloroso demais para
contemplar. Lembrei-me de nossa conversa sobre Bernie Black, o revendedor que
forneceu medicamentos para aqueles que trabalhavam em empregos de alta potência no
The City. Lembrei-me de que King tinha dito, e não pela primeira vez.

Quando estou estressado, um bom copo de uísque normalmente faz o truque.


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Demorou pouco mais de trinta minutos para chegar na casa de Hirota, que era
uma villa essencialmente romano rodeado por acres de terra exuberantes e
jardins. Estava escuro; no entanto, o local estava iluminado por luzes colocadas ao redor
da entrada e gramado. Notei alguns estábulos ao lado, e havia um par de carros de luxo
estacionados em frente.
Eu estava contando as bebidas de King, e ele tomou nada menos que quatro
grandes copos de uísque. O fato de que ele não estava nem mesmo parecendo
embriagado indicou uma alta tolerância, que também era um sinal preocupante. Parecia
que quanto mais tempo passava em torno deste homem, mais claramente eu estava
começando a vê-lo. Mais eu tinha a sensação de que ele tinha segredos que ele tentava
de tudo para manter escondido.
Ele deslizou pelo assento até sua coxa encontrar com a minha, e eu o senti
inclinar-se para cheirar meu cabelo. Sua proximidade me fez tremer, e eu sabia que ele
viu.
– Sinto muito, Alexis, – foi tudo que ele disse antes do motorista dar a volta e
abrir a porta para nós. Nós dois saímos, e eu vi os olhos de King irem para a minha mão
algumas vezes, como se quisesse segurá-la. E eu tive a sensação de que ele queria fazer
isso para o conforto e não como um show social. O pensamento fez meu coração doer,
porque eu sempre quis ser capaz de confortá-lo quando ele precisava. No final, ele
nunca me tocou, e um dos empregados da casa de Hirota nos deixou entrar antes de nos
levar a uma sala de jantar espaçosa.
– Oliver, Alexis, – disse Hirota, de pé. – Que bom que vocês viram.
Desta vez, o empresário usava uma roupa ainda mais estranha do que antes; Ele
estava usando uma roupa chique rural britânica. Algo que pessoas usavam em desfiles
de moda ou fotos. Fomos apresentados à sua mulher, uma loira magra que tinha o olhar
desesperado de uma mulher que tomava medicamentos de prescrição apenas para passar
o dia. Eu me senti mal pensando isso, mas era a verdade. Ele também tinha filhos
gêmeos. Ambos estavam na fase gordinhos desajeitados da puberdade, e parecia ter uns
catorze ou quinze anos. As partes restantes na mesa foram os mesmos homens que
tinham estado no clube de strip na noite anterior. Todos os funcionários de Hirota.
Sentei-me ao lado de King quando a refeição foi servida, nossos braços se
encostando de vez em quando. King era canhoto, eu era destra, o que significava que
havia uma enorme quantidade de cotovelo se encostando. Meu coração pulou quando
estavam servindo nossa sobremesa e a mão de King desapareceu debaixo da mesa para
descansar na minha coxa.
Sua boca estava perto do meu ouvido quando ele disse: – Fique comigo esta
noite.
Eu queria dizer que sim, mas ele continuou a beber durante todo o jantar, e
minha preocupação foi superando minha luxúria logo em seguida. Então, mesmo que o
seu toque derretesse meu interior, eu empurrei a mão e respondi: – Eu não acho que é
sábio.
Eu podia senti-lo olhando para mim quando eu engoli, tentando permanecer
impassível quando eu realmente queria me levantar e exigir que ele me dissesse o que
estava acontecendo. Eu estava tão preocupada que eu não fui capaz de tomar três
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mordidas da minha sobremesa. Em seguida, a equipe veio e recolheu meu prato antes de
reencher os copos de vinho daqueles que ainda estavam bebendo.
– Laura, – disse Hirota à sua esposa. – Seja uma boa anfitriã e leve Alexis em
uma excursão pela casa. Sr. King e eu temos um ou dois assuntos para discutir antes de
assinar os contratos.
Oh, pelo amor de Deus. A última coisa que eu queria era ficar com Laura Hirota,
mas eu não tinha outra escolha. Seus filhos já tinham saído para ir jogar jogos de vídeo
game na sala de estar, e aparentemente Hirota era um macaco sexista que não achava
que as mulheres tinham qualquer lugar nos negócios.
– Claro, – disse Laura, os olhos encontrando os meus. – Eu vou te mostrar minha
coleção de porcelana.
A coleção chensa de Laura era verdadeiramente fascinante. Eu fiquei lá
enquanto ela delirava sobre os detalhes do projeto e se vangloriava sobre como tudo foi
caro, desejando que eu estivesse em qualquer outro lugar no mundo. Oh, eu também
mencionei que ela expeliu uma porrada de veneno sobre seu marido egoísta e suas
crianças mimadas ao longo do caminho? Era como, oh, sim, vá em frente e me use
como uma saída para toda a sua insatisfação. Ela me acompanhou através dos vários
quartos, e, em seguida, fizemos uma varredura rápida do jardim, antes de voltar para a
casa.
Laura bocejou. – Eu acho que vou dormir um pouco agora. Foi ótimo conhecê-
la, Alexis – Ela não soava como se ela achasse que tinha sido ótimo; parecia que tinha
sido um fardo. Fiz o meu caminho através de um salão espaçoso, tentando encontrar
King, quando o vi sentado na frente de um piano de cauda que eu tinha certeza que
Hirota tinha comprado puramente para se mostrar.
King olhava para fora da janela, um copo de vinho na mão, quando eu fechei a
distância entre nós.
– Bem, Laura Hirota odeia a sua vida, – Eu brinquei, e King lançou-me um
olhar. – Os contratos foram assinados e selados? – Eu continuei quando parei na frente
dele. Ele virou a cabeça para mim e acenou.
– Tudo foi finalizado.
Um silêncio decorreu. Inclinei-me um pouco muito contra o piano, um som fora
soando. Eu dei a King um olhar de desculpas e me lembrei novamente quão lindamente
ele tocava. Nossos olhos se encararam por vários momentos, sentimentos passando para
frente e para trás, mas sem palavras.
– Toque algo para mim, – insisti a ele.
Seus olhos foram para as chaves antes de voltar para os meus. – O que você
gostaria de ouvir?

– Qualquer coisa.
Me inclinei quando ele se virou e passou os dedos entre as teclas.
E então, só assim, ele começou a tocar.
113
Página
Treze

A música começou baixo e suave, mas rapidamente acelerou. Tornou-se mais


rápido, mais alto, até que seus dedos dançavam sobre as teclas de uma forma que tirou o
ar dos meus pulmões. Eu esperava que ele tocasse um pouco de música moderna, algo
simples, romântico, talvez. Mas isso, isso era outra estratosfera, e eu sabia pela sua
habilidade que ele tocou muitas vezes. Ao contrário o piano aqui em Hirota, aquele que
King tinha no seu apartamento definitivamente não era só enfeite.
Ele estava tocando exatamente a mesma música que ele tinha estado tocando em
seu apartamento naquela noite. Quase inconscientemente, eu me abaixei no banco ao
lado dele, os meus olhos e meus ouvidos extasiados enquanto ele continuava a
melodia. Naquele momento ele foi transformado; todo o seu corpo estava de acordo
com o instrumento enquanto ele enchia a sala com uma música doce e perfeita.

Eu me apaixonei.
Eu já tinha começado a me apaixonar, mas a forma como ele tocava terminou o
trabalho. Foi tão bonito em seu realismo que eu não poderia deixar de estar possuída por
ele. Elaine King tinha, obviamente, passado seu talento para seu filho, e foi quase uma
tragédia que este não era o que ele fazia durante todo o dia, todos os dias.
Eu não tinha certeza quanto tempo ele tinha estado tocando quando a música
finalmente chegou ao fim. Fiquei ali sentada, olhando para o piano em um silêncio
atordoada, quando ele se virou para mim.

– Por que está tão tranquila, querida? – Ele perguntou, pegando meu queixo
entre os dedos.
– Eu não sei o que dizer.
– Então não diga nada. – Sua boca foi para o meu queixo enquanto ele me dava
um beijo leve.
– Qual era a música?
King sentou-se e limpou a garganta. – É Rachmaninoff, Piano Concerto No. 2. É
a última música que minha mãe tocou para um público ao vivo.
E então, tudo fez sentido. A música era claramente muito especial para ele.
– Eu espero que você não leve a mal, mas você está perdido como um
banqueiro. Isto é o que você deve fazer, – eu disse sem rodeios.
King riu suavemente. – Eu acho que eu te disse antes que minha mãe é a
estrela. Pianistas são um centavo neste mundo5, e isso é normalmente o quanto eles
fazem para ganhar a vida, também. – Sua brincadeira caiu.

5
Não faz muito sentido em português porque ele fala: ten a penny in this world, que significa que eles
são muito comuns, pianistas são muito comuns e na frase em português não faz muito sentido. Penny é
dinheiro. (N.T.)
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Página
– Eu pensei que você não se preocupa com dinheiro.
– Não. Eu me preocupo com prestígio e minhas habilidades de piano medíocres
nunca me trariam isso.
– Medíocre? Você está falando sério?
Seu baixo riso carinhoso fez alguma coisa para a boca do meu estômago. Bem,
foi o riso combinado com a música que ele acabou de tocar. Seus dedos estavam
arrastando pela minha coxa, encontrando a barra da minha saia e mergulhando por baixo
quando falei sem pensar.
– Faça amor comigo, – eu soltei.
O olhar de King ficou aquecido, e sua boca estava no meu ouvido novamente,
sussurrando uma única palavra, – Amor? – O segundo que deixou seus lábios, seu dedo
deslizou por minha roupa de baixo e direto para dentro de mim. Minha respiração saiu
em uma corrida.

Sua voz tornou-se escura. – Um dia eu vou te espalhar no meu piano em casa e
te foder até que você esqueça o seu próprio nome.
Jesus Cristo. – Oliver.
– Você está tão molhada.

O som de passos que se aproximavam ecoou pela sala, e King instantaneamente


se retirou, deixando-me sentindo vazia. Um membro do pessoal doméstico de Hirota
limpou a garganta.
– Sr. King, o carro está esperando para levá-los de volta para o hotel.
– Sim, muito bom. Obrigado, – King respondeu suavemente, e se levantou. Eu
andei ao lado dele de volta para a mesma limusine que tínhamos chegado. Assim que a
porta se fechou, King apertou o botão para a tela de privacidade, e então ele estava
subindo em cima de mim. Ele me empurrou de volta, então eu estava estendida no
assento, seu corpo duro sobre o meu enquanto sua mão voltava para onde tinha estado
antes de sermos interrompidos. Eu joguei minha cabeça para trás e tentei não fazer
nenhum som por medo de alertar o condutor para o que estávamos fazendo. King me
lançou um sorriso diabólico. Bastardo. Ele sabia exatamente o que estava fazendo.

Seus dedos deslizaram para dentro e fora de mim rapidamente, me deixando em


um frenesi aquecido. Minhas mãos já estavam tentando encontrar suas calças,
desesperadas para tirá-las. Todo o dia minha mente tinha estado voltando para a noite
passada, meu corpo querendo mais. Em questão de segundos eu o tinha livre quando eu
corri minha mão pelo comprimento quente e sedoso dele. Era bonito, perfeito, e certo,
então eu queria toda essa beleza perfeita dentro de mim.
Todo o seu corpo estremeceu quando eu o toquei, e seu rosto caiu no meu
pescoço quando realização iluminou seus olhos.
– Eu não trouxe camisinha, – ele gemeu.
Bem, merda.
115
Página
– Oh.
– A viagem de volta para o hotel não vai demorar muito. Podemos esperar, –
disse ele, mas ele não parecia convencido. Nossos olhos se encontraram, e eu soube
imediatamente que nós dois estávamos pensando a mesma coisa.

Devemos arriscar?
– Estou tomando pílula, – eu soltei. Era a verdade. Eu tinha estado tomando por
anos e não tinha parado depois que Stu e eu terminamos.
Seu olhar segurou um aviso. – Não faça isso.

– Eu confio em você.
Ele gemeu novamente. – Inferno do caralho.
Eu me contorci debaixo dele, empurrando minha calcinha de lado e
cuidadosamente guiando seu pau para mais perto. Sua resistência rachou e seus quadris
se projetavam para frente, fechando a distância restante entre nós quando o seu duro
comprimento nu empurrou dentro de mim. Eu gemi e fechei os olhos, a sensação dele
com nada entre nós um pouco mais do que eu poderia suportar. Eu tinha vinte e sete
anos e esta foi a primeira vez que eu tinha tido relações sexuais desprotegidas com outra
pessoa. Eu nunca imaginei o quão incrível isso poderia ser, especialmente quando você
adicionava meus sentimentos continuamente crescentes à equação.
– Alexis, querida, – ele murmurou. – Você parece... incrível.

Eu passei a mão em suas costas e olhei para ele.


Apenas poucos minutos se passaram, mas parecia como se eles durassem uma
eternidade. King fez amor comigo lentamente, seus olhos nunca deixando os
meus. Certamente não era o que qualquer um de nós tinha em mente; ter relações
sexuais em uma limusine. Eu certamente não tinha pensado que seria tão...
emocional. Eu queria dizer alguma coisa, qualquer coisa, avisá-lo que eu estava
começando a gostar dele, mas eu não conseguia encontrar as palavras. E então ele
estava gozando, sua boca capturou a minha e seus sons reverberando através de mim.
E quando acabou, nós ficamos lá nos braços um do outro, uma consciência
surpreendente enchendo o espaço pequeno e tantas palavras sendo deixadas não ditas.

***

Apesar da nossa fome um do outro, estávamos exaustos. Chegando de volta ao


hotel, nós deitamos na minha cama e apenas nos beijamos por um tempo, King me
fazendo gozar com sua mão antes que ambos dormissem.
Na manhã seguinte era nosso voo de volta para Londres. A sensação de medo
encheu meu intestino enquanto eu me perguntava se as coisas permaneceriam as
mesmas quando chegássemos em casa. Era injustificado, porque King estava sendo
caloroso e carinhoso comigo. Ele não estava me dando qualquer motivo de
116
Página
preocupação, e ainda assim eu sentia. Quer dizer, quão dificilmente poderia ser um casal
no trabalho. Mesmo que não fosse contra as regras, eu não queria as pessoas pensando
que eu era alguma espertinha de classe baixa que dormiu com seu chefe.
Mesmo assim, convenhamos, é o que eu era, mas eu me recusava a aceitar essa
coisa de classe baixa. Droga, eu e minha vadia burra de vagina. Ela simplesmente não
conseguia manter suas mãos para si mesma.

Tudo foi uma corrida louca enquanto arrumávamos nossas coisas e fizemos o
nosso caminho para o aeroporto. Mal tivemos a chance de recuperar o fôlego até que
estávamos sentados no voo. Nós tínhamos acabado de desembarcar no aeroporto de
Heathrow e estávamos fazendo o nosso caminho para a esteira de bagagem quando o
telefone de King começou a tocar. Eu não prestei muita atenção à conversa, até que ouvi
o tom preocupado em sua voz.
– Mãe? Não, não, merda, fique onde está. Eu estarei aí dentro de uma hora.
Eu coloquei a mão no cotovelo de King. – Está tudo bem?
Ele virou para mim e olhou para baixo, sua agitação clara como o dia. – Não, –
ele respondeu, quase distraído. – Não, não está. Temos que ir.
Eu balancei a cabeça e agarrei nossas malas enquanto corríamos para pegar um
táxi. King mal disse uma palavra, e eu estava meio convencida de que ele tinha
esquecido que eu estava lá. Parecia que alguma coisa tinha acontecido com sua mãe
novamente. Talvez ela teve de ser levada de volta para o hospital, embora eu ainda não
sabia o que tinha acontecido na última vez. King agarrou o telefone na mão, os nós dos
dedos ficando brancos. Eu queria fazer algo para acalmá-lo, mas eu estava em
desvantagem. Ele estava apertando tanto que eu temia que ele poderia me machucar se
eu tentasse tocá-lo.
Demorou mais de uma hora para chegar a casa (culpa do tráfego de Londres), e
King quase entrou em uma briga com o motorista de táxi ao longo do caminho. Ele
estava chateado e eu sabia que a sua ira era apenas devido a tudo o que tinha acontecido
com sua mãe. Eu paguei ao motorista quando chegamos lá, pedindo desculpas pelo
comportamento de King quando meu chefe praticamente saltou do carro e correu para a
porta da frente. Remexeu no bolso antes de retirar um conjunto de chaves e, em seguida,
um segundo depois, ele desapareceu lá dentro.
Eu trouxe nossas pequenas maletas para a porta de entrada quando King gritou:
– Mãe, eu estou aqui! Mamã!

– Oliver, – veio o som de uma voz fraca, arranhada.


Segui a voz de King até que eu o encontrei em uma pequena biblioteca. Sua mãe
estava sentada no chão, os joelhos encolhidos contra o peito e lágrimas escorrendo pelo
rosto. Parecia que ela tinha acabado de passar por algo terrivelmente traumático e só
usava um robe de seda, seu longo cabelo todo emaranhado. Um pedaço de seu peito
estava exposto, mas King nem prestou atenção; ele simplesmente ajeitou o robe para
cobrir. Não havia nada de estranho ou desagradável sobre isso. Ele fez isso com amor e
carinho, e foi nesse momento, finalmente vendo os dois juntos, pela primeira vez, que
eu percebi que esta mulher significava o mundo para ele.
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Página
Eu tive o sentindo de que King estava cuidando de sua mãe por um tempo muito
longo.
Suas mãos foram para o rosto dela, enxugando as lágrimas. – O que aconteceu?
– Ele esteve aqui. Ele entrou. Não sei como, mas ele me ameaçou, Oliver. Ele
disse que estava mexendo com ele, e isso não iria ficar por isso. Ele... ele me bateu.
Todo o corpo de King ficou imóvel. – Onde?
Elaine lentamente puxou a manga de seu robe para revelar uma mancha horrível.
– Ele é o diabo, – King se irritou, e eu nunca o tinha visto tão irritado. – Eu vou
matá-lo.
– Não, – gritou Elaine. – Isso é o que ele quer. Ele quer fazer você ficar como
ele. Nunca se torne como ele.
– Mãe, não podemos continuar assim. Tem sido... Cristo, tem sido muitos anos.
– Basta ligar para ele, – Elaine pediu a King freneticamente. – Explique tudo. Eu
tenho certeza que é tudo apenas um grande mal-entendido.
King se ajoelhou na frente de sua mãe, recuou e bateu com a mão no chão. –
Você não vê, ele nunca vai nos deixar em paz. Não até que um de nós esteja morto ou
na prisão.
– Por favor, Oliver, por favor, ele disse uma última vez, talvez ele quis dizer
isso. Talvez ele vai embora depois disso.
King olhou para sua mãe e passou a mão pelo rosto. Ele parecia exausto, o tipo
de exausto que somente o cumulativo de anos de preocupação e sono perdido. Meu
coração estava martelando no meu peito, e eu me senti tão fora do lugar. Eu não deveria
ter estado ouvindo, mas eu não podia levá-la de volta agora. Eu tinha ouvido tudo, e o
que eu tinha ouvido tinha me assustado. Senti frio, mais frio que eu já tinha sentido.
Ele nunca vai nos deixar em paz. Não até que um de nós esteja morto ou na
prisão.
Um momento se passou antes de King tirar o celular do bolso e começar a
percorrer seus contatos. Levantando-se, ele se virou, e foi quando ele me viu. O olhar
assustado em seus olhos me disse que ele tinha esquecido completamente que eu estava
lá. Nunca me senti tão desconfortável em toda a minha vida. O olhar de King era duro, e
foi só depois de poucos momentos ele começou a amolecer.
– Alexis...
– Eu deveria ir.
– Não, – ele disse rapidamente. – Não vá. Eu tenho um telefonema importante a
fazer. Você poderia levar a Mãe até o quarto dela? É no segundo andar, terceira porta à
direita. Então venha me encontrar e vamos conversar.
Eu balancei a cabeça, e ele passou por mim, levantando o telefone ao ouvido. os
olhos vermelhos de Elaine encontraram os meus e ela parecia envergonhada que eu
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Página
estava vendo-a assim. Eu odiava que ela se sentia dessa forma, porque ela não tinha
absolutamente nada para se envergonhar. Indo até ela, eu gentilmente deslizei um braço
em volta da cintura dela e a ajudei a subir para uma posição ereta. Ela estava fraca e eu
tive que tomar a maior parte de seu peso, mas não era nada. Ela era leve, não
substancial, e isso a fez parecer que muito mais vulnerável.
Ela não disse nada quando eu a levei para o quarto dela, mas quando eu puxei os
lençóis e a ajudei a subir na cama, havia gratidão em seu olhar.
– Fale com ele. Faça ele ver sentido, – ela me pediu, e eu não tinha certeza do
que ela estava me pedindo.
Dei ao ombro dela um aperto reconfortante antes de murmurar baixinho: –
Durma um pouco, Elaine. Oliver e eu vamos estar lá em baixo se você precisar de nós.
Deixando seu quarto e voltando para baixo, eu achei King na biblioteca. O
armário de bebidas estava aberto e meia garrafa de Southern Comfort estava na
mesa. Seus olhos subiram para encontrar os meus.
– Quer?

Normalmente eu não aceitaria, mas a situação chamava para uma bebida, então
eu balancei a cabeça e tomei o assento ao lado dele. Ele serviu. Então me entregou o
copo, e eu tomei tudo. A sala ficou em silêncio por alguns minutos, e eu não sabia por
que, mas eu senti o impulso de abraçá-lo, de preencher a lacuna monumental que
parecia ficar entre nós. Eu joguei meus braços ao redor de seus ombros, e ele endureceu.
Eu não o soltei.
Ele resistiu ao meu abraço por tanto tempo que eu tinha certeza de que eu teria
que desistir eventualmente, mas então, ele suavizou. Tudo aconteceu ao mesmo
tempo. Seu corpo derreteu no meu enquanto seus braços foram ao redor da minha
cintura e me puxou para perto. Ele me agarrou com tanta força que senti o ar dos meus
pulmões esvaziarem. Foi nesse momento que eu sabia que eu tinha dado a ele
exatamente o que ele precisava.

Ele não precisava de palavras ou sexo ou brincadeiras. Ele só precisava de um


abraço. Conforto humano.
Suas mãos enrolaram no meu cabelo e no meu pescoço. – Eu estou aqui para
ajudar. Tudo o que você precisa, – eu sussurrei, e seu corpo caiu.
Eu não esperava que ele falasse, realmente não esperava nada diferente do que
aceitar o meu abraço, que ouvir sua voz me assustou.

– Ontem você me perguntou quem era Bruce, – disse ele, falando em meu
pescoço. – Ele é meu pai.
Eu me endireitei e King se afastou um pouco para encontrar meus olhos. – Ele
também esteve me chantageando quase toda a minha vida.
Minha testa franziu quando eu balancei a cabeça. – Eu não entendo.
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King soltou um longo suspiro, pegou o copo, e bebeu tudo de uma só vez. –
Minha mãe esteve tocando piano desde que ela podia andar. A família dela era rica, e
quando viram que ela tinha um talento natural, investiram muito em sua carreira. Uma
vez que ela chegou a adolescência, ela começou a chamar a atenção, e logo ela estava
tocando com orquestras, viajando ao redor do mundo.
Olhei para ele, absorvendo suas palavras. King derramou mais líquido no seu
copo.
– Ela estava tocando no Royal Albert Hall em uma noite quando meu pai estava
presente. Ele a viu no palco e decidiu que queria ela. Ela tinha apenas dezessete anos,
mas Bruce Mitchell era um homem que conseguia o que queria. Ele era muito mais
velho e muito rico, mas ele também era perigoso, que provavelmente foi o que atraiu
Mamãe - o perigo, a emoção. Eles eram de mundos diferentes, ainda são, e Bruce não é
um bom homem. Ele é um criminoso, muito poderoso. Todas as coisas mais
desprezíveis que você pode pensar, meu pai provavelmente tinha uma mão nelas.
– Oliver, eu...
– Silêncio. Apenas me deixe falar. Eu nunca disse a ninguém antes. – Ele fez
uma pausa para encontrar o meu olhar, inclinando a cabeça. – Eu confio em você,
Alexis. Isso não faz de mim um tolo, não é?
Eu fiz uma careta. – Claro que não. Qualquer coisa que você me diga nunca vai
sair desta sala.
Ele tomou um gole de sua bebida e bufou. – De qualquer forma, para encurtar a
história, mamãe teve um breve caso com Bruce e ficou grávida de mim. Sua carreira
realmente decolou depois disso e ela se tornou muito famosa por uma série de anos,
enquanto Bruce meio que derivava para o fundo. Então, logo depois que ela completou
dezoito anos, minha mãe começou a ter problemas com um stalker. Foi um momento
assustador para nós dois. Voltando para casa para ver que ela tinha sido assaltada, os
objetos de valor deixados, itens intocados, mas as coisas pessoais da minha mãe
roubadas. Ele escreveu ‘assustador’ em letras obsessivas, e minha mãe teve que colocar
a polícia sobre o caso. Meses se passaram, e minha mãe começou a sair menos e
menos. Ela estava com medo de encontrar seu perseguidor, e um monte de que ele tinha
escrito em suas cartas indicava que ele não era bem da cabeça. E então, uma noite
durante o verão antes de eu começar a universidade, cheguei em casa e encontrei minha
mãe espancada e amarrada, um homem se preparando para estuprá-la. Eu perdi a calma,
fui à loucura e comecei a bater nele. Eu não conseguia parar. – A voz de King engasgou
e eu vi seus olhos se encherem de emoção enquanto ele se lembrava. Eu estava tão
absorta em sua história, tão horrorizada por ela, que eu quase parei de respirar por um
momento. Peguei a mão dele na minha, apertei com força.
– Eu... eu pensei que o tinha matado. Eu não poderia encontrar um pulso, então
eu entrei em pânico. Eu juro, Alexis, achar que você matou um homem é o sentimento
mais terrível do mundo. É como se tudo acabasse e todo o seu futuro está
desaparecido. Eu não sabia se devia chamar a polícia ou começar a pensar sobre onde eu
poderia enterrar o corpo, mas, então mamãe falou. Ela me disse para chamar Bruce. Eu
só encontrei o meu pai um punhado de vezes, mal sabia sobre ele, mas eu estava em tal
estado que eu simplesmente fiz o que ela me disse.
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Página
– Um pouco mais tarde ele apareceu na casa, encontrando Mamãe ferida e
machucada, e eu coberto de sangue de outro homem. Eu pensei que ele era nosso
salvador naquela época. Ele cuidou de tudo. Levou o homem que eu tinha batido a um
hospital, pagou a ele para manter a calma, e fez com que ninguém soubesse que eu tinha
quase o matado em minha raiva e medo. A experiência sempre ficou comigo, mas pelo
menos não tinha matado ninguém. E então, vários meses depois, Bruce começou a fazer
sua presença conhecida. Ele queria conhecer seu filho, passar um tempo comigo. Eu
estava mais do que feliz em primeiro lugar. No entanto, uma vez que me tornei
familiarizado com o meu pai e seu modo de vida, eu queria absolutamente nada a ver
com ele. Bruce, infelizmente, não estava disposto a me deixar ir. Ele me disse que
nunca tinha levado o perseguidor da mamãe para um hospital naquela noite, mas em vez
disso, tinha matado e enterrado ele em uma cova rasa. Ele me disse que se eu não
começasse a fazer como ele disse, ele ia fazer com que a polícia encontrasse o corpo e
eu seria preso por assassinato.
Olhei para ele, espantado e chocado. Agarrei sua mão tão apertado que eu
estava, provavelmente, cortando sua circulação. – Então... o seu pai, eu quero dizer,
Bruce esteve te chantageando a fazer o que ele manda desde então?
King se aproximou mais. – As coisas que eu vi, Alexis, as coisas que ele me
forçou a testemunhar, sequer pense nisso. Eu construí toda a minha carreira de forma
limpa, não roubei, não fiz nada de errado com o único propósito de nunca me tornar
como ele. Mas agora.... – King suspirou, sua mandíbula apertando quando seu peito
caiu, – Agora ele está à procura de novas maneiras de limpar o seu dinheiro, e ele
decidiu fazer isso me obrigando a investir para ele. Eu disse a ele apenas uma vez que
eu faria este negócio com Hirota, e então eu nunca quis vê-lo novamente. Mas se vir
aqui hoje e ameaçar Mamãe é qualquer indício, ele não tem intenção de nos deixar em
paz. – Ele olhou para mim. – Lembra quando eu disse que a mamãe teve que ser levada
para o hospital?

Eu balancei a cabeça.
– Ela teve uma overdose de medicação de ansiedade porque ela estava tão
preocupada com o que Bruce faria conosco se o negócio não desse certo. Eu não posso
deixá-la mais viver assim. A minha mãe é a única família que me resta no mundo, e ela
passou mais de uma década como um fantasma. Ela está muito ansiosa e paranoica
sobre as ameaças de Bruce para sequer sair de casa. Eu quero vê-la viver de novo, vê-la
sair e ser como qualquer outra mulher na rua.
Meu coração corria com suas palavras, na sinceridade delas e a dor que ele tinha
tão obviamente carregado por anos. Eu queria corrigir isso para ele. Eu precisava. E eu
sabia quem podia ajudar. Eu cresci em um bairro de classe baixa, e ter sido a melhor
amiga de Karla toda a minha vida, uma policial criada por um superintendente, eu sabia
sobre como os criminosos operavam.

Sentei-me em linha reta e nivelei meus olhos no de King.


– Se Bruce é o homem que você dize que ele é, então você tem que combater
fogo com fogo. Vencê-lo em seu próprio jogo. Essa é a única maneira de se livrar
dele. Há provavelmente uma riqueza de informações lá fora, sobre coisas que ele fez
que ele não quer que ninguém descubra. Você apenas tem que conhecer as pessoas
certas para perguntar.
121
Página
– Ninguém fala sobre o negócio dele, não se querem manter suas vidas,
Alexis. Bruce é um dos senhores do crime mais notórios e poderosas em Londres. Só
alguém querendo morrer iria ir contra ele.
Eu me aproximei, tomei suas mãos nas minhas, e encontrei seus olhos. – Você
confia em mim?
Ele soltou um suspiro. – Você sabe que sim.
– Então me deixe tentar algo.

122
Página
Quatorze

No dia seguinte o trabalho estava tenso. King não conseguia se concentrar


porque ele estava preocupado com Bruce voltar para sua mãe, mesmo que ele tinha
posto um segurança para ficar lá dia e noite. Aparentemente, depois que King tinha
finalizado o acordo com Hirota, ele não tinha tido a oportunidade de transmitir os
documentos a Bruce. Então nós tivemos que pegar o voo, o que atrasou ainda mais as
coisas. Bruce tinha se precipitado e pensou que King estava lhe dando pra trás, daí a
razão para ele aparecer na casa de Elaine e fazer ameaças.
Estávamos lidando com um prêmio real.
De qualquer forma, tínhamos um plano para pôr em marcha. Quando cheguei em
casa depois do trabalho, eu encontrei Karla na sala, assistindo TV e comendo um saco
de amendoins de chocolate. Ela deve ter compreendido a minha energia nervosa porque
ela se endireitou e me olhou com curiosidade.
– O que aconteceu?
– Eu vou receber algumas pessoas hoje à noite. Espero que esteja tudo bem.
– Claro, tudo bem. Quem está vindo?
– Hum, King.
– E?

– E Lee Cross.
Karla praticamente cuspiu um amendoim para fora da boca. – Oh infernos
não. Eu não quero que ele saiba onde eu moro.
– Ele já sabe, Karla. Stu já veio aqui muitas vezes, então se ele quisesse
descobrir onde você vive, tudo o que tinha a fazer é perguntar a seu irmão.
– Sim, mas há uma grande diferença entre ele saber e convidá-lo. Isso é como
enfiar um grande sinal de ‘venha me pegar’ na minha testa, – ela gaguejou.
– Oh, não seja tão melodramática. Tenho certeza que ele vai ser capaz de resistir
a você enquanto ele estiver aqui, – eu respondi sarcasticamente, que só pareceu irritá-la
ainda mais. Foi um pouco engraçado, e eu precisava de algum alívio cômico.
– Ei! Eu não estava dizendo isso porque eu acho que sou irresistível. Eu disse
isso porque eu sei como homens como ele funcionam. Eles querem transar com uma
policial para que eles possam se gabar para seus companheiros. Eu sou apenas um
troféu para ele. – Ela caiu para trás em sua cadeira e cruzou os braços, murmurando
baixinho. – Nada a ver com a minha aparência.
Tinha tudo a ver com sua aparência. Ela era linda, ela só não sabia disso -
provavelmente porque ela tinha que usar esse uniforme preto e branco sem graça todos
os dias.
123
Página
– De qualquer forma, – eu comecei, mudando de assunto, – Eu preciso te pedir
uma coisa.
– Continue.
– O que você sabe sobre Bruce Mitchell?
As sobrancelhas de Karla se atiraram em cima de sua testa, quando ela soltou um
assobio. – Isso é um nome grave para ficar falando por aí.
– Eu sei. Então me diga o que você sabe.
– Eu sei que ele é um criminoso grande. Tem os dedos em cada torta que se
possa imaginar, mas principalmente suspeito de correr um grande anel de drogas no
centro de Londres. Ele tem estado fazendo isso por tanto tempo que é praticamente sua
própria instituição. – Ela fez uma pausa, olhando-me desconfiada. – Por que você está
me perguntando sobre Bruce Mitchell, Lexie?
E aqui foi onde eu lhe contei a mentira que eu acordado com King. Nós não
contaríamos a ninguém que Bruce era seu pai, nem sobre o passado com o perseguidor
de sua mãe. O que diria a eles foi que Bruce tinha chantageado King e ameaçado
enquadrá-lo por crimes que ele não cometeu. Então nosso plano era pedir que Lee, que
era astuto como uma raposa e sabia tudo sobre todos nesta cidade, se ele poderia jogar
alguma sujeira em Bruce. Tínhamos então de usar essa sujeira para fazer Bruce se
afastar de King e Elaine. Como eu disse, ele estava lutando fogo contra fogo. Lee era
uma opção segura, porque eu o conhecia bem o suficiente para saber que ele podia
confiar, mas ele também era alguém com seu próprio nível de energia, de modo que
Bruce não iria tentar retaliar contra ele como nosso intermediário, por assim dizer.
Depois que eu terminar de falar, Karla me encarou, chocada.
– Você está seriamente me dizendo tudo isso e esperando que eu não vá
denunciá-lo? Em que planeta você está vivendo?
Eu refleti sua indignação de volta para ela. – Você está seriamente sentada aí
achando que eu vou reportar isso? Se eu aprendi alguma coisa de viver com você, é que
o sistema de justiça criminal neste país é besteira. Bruce esteve saindo limpo de
assassinatos por décadas. O que faz você pensar que vai parar agora? Você não acha que
centenas de pessoas têm ido à polícia sobre ele ao longo dos anos? E algo disso
funcionou? Não. Nós precisamos vencê-lo no próprio jogo dele.
Karla caiu de volta no sofá, desistindo. – Às vezes eu nem sei porque me
incomodo com este trabalho.
Eu vim para frente e apertei seu ombro. – Você faz isso porque você é uma boa
pessoa que quer ajudar aqueles que precisam disso. Não é sua culpa que o sistema esteja
corrompido.
Ela balançou a cabeça. – Eu só não entendo por que você está confiando em Lee.
– Eu estou confiando nele porque ele sabe das coisas. E sim, ele pode não estar
tecnicamente vivendo a sua vida no lado direito da lei, mas ele é uma pessoa
decente. Ele tem um bom coração e ele nunca magoaria alguém. Ele não é como Bruce.
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Página
Karla me olhou especulativamente. – Você parece muito certa sobre ele.
– Passei muito tempo em torno dele quando Stu e eu estávamos juntos. Ele pode
não fazer o seu dinheiro de forma legal, mas eu o vi usá-lo para cuidar de sua
família. Ele até mesmo compra comida para as crianças dos vizinhos, cujos pais
viciados não estão aptos para cuidar deles, – eu disse a ela. – Então, sim, ele não é
perfeito, mas ele não é uma pessoa ruim.

Sua expressão se suavizou por um breve momento antes de ela me dar um aceno
sóbrio e voltar sua atenção para a TV. Eu poderia dizer que ela ainda não estava
inteiramente feliz com a situação, mas ela também não iria continuar protestando.
Eu tinha acabado de colocar uma camiseta leve e legging quando uma batida
soou na porta. Eu pedi para Karla atender, e em seguida, corri para King. Ele tinha
tirado o terno que ele estava usando mais cedo e agora usava jeans, uma camiseta e uma
jaqueta caqui. Eu juro, mesmo com as atuais circunstâncias, a visão dele fez meu
coração acelerar.
– Hey, – Cumprimentei ele em silêncio, dando-lhe um sorriso hesitante.
– Alexis, – disse ele, e se inclinou para pressionar um beijo em meus lábios. Eu
praticamente podia sentir os olhos de Karla perfurando minha cabeça, porque eu sabia
que tinha que estar nos observando. Eu ainda não tinha tido a oportunidade de explicar
completamente a minha relação com King para ela, mas eu imaginava que ela iria
colocar dois e dois juntos. Nós não tínhamos feito sexo em quase dois dias, e apesar de
tudo o que estava acontecendo, meu corpo ansiava por seu toque. Parecia que eu sempre
queria mais e mais dele.
Eu passei a mão pelo seu braço antes de laçar meus dedos com os dele. – Como
você está se sentindo?
– Preocupado, estressado. – Ele se inclinou para sussurrar a última parte no meu
ouvido, – Com tesão.
Um arrepio correu ao longo da parte de trás do meu pescoço enquanto eu tentava
resistir ao desejo de arrastá-lo para o meu quarto. Em vez disso, o levei até o sofá e o
apresentei a Karla.

– Esta é Karla, minha companheira de quarto e BFF6. Eu já falei com ela sobre a
situação. Karla, este é Oliver, meu eh, uh...
– Seu chefe? – Ela terminou para mim, arqueando uma sobrancelha.
Eu fiz uma careta para ela. – Sim, meu chefe.

Antes que a conversa pudesse continuar, houve outra batida na porta. Eu fui
atender e fui recebida por não apenas Lee, mas seu irmão também. Sim, isso mesmo,
meu ex decidiu aparecer. Às vezes eu gostaria de ter um mordomo para atender à minha
porta e informar aos visitantes em meu nome, Eu sinto muito, mas não hoje.
Por que diabos ele estava aqui? As minhas primeiras palavras expressaram esse
mesmo sentimento enquanto os dois homens entravam sem esperar ser convidados.

6
Best Friend Forever – Melhor amiga para sempre. (N.T.)
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Página
– Uh, por que Stu está aqui? – Perguntei, gesticulando.
Lee me lançou um sorriso. – Ele é meu músculo.

– Tanto quanto eu posso ver, você já tem bastante músculo em você mesmo, –
eu respondi.
– Ah, sim, mas você sabe que a sociedade é uma cadela. Você tem que ser um
bastardo alto para que as pessoas tenham medo de você estes dias. Eles não percebem
que os indivíduos pequenos são mais rápidos. – Ele fez uma pausa, os olhos correndo do
outro lado da sala para dar a Karla uma piscadela. – Além disso, temos a vantagem de
um centro de gravidade mais abaixo.
Lee não era exatamente baixo, mas eu entendi aonde ele queira chegar. Meu ex
era bem mais alto, um grande idiota burro. Eu tive que resistir à vontade de rir quando
Stu deu a seu irmão um olhar vago em sua menção de ‘um centro de gravidade mais
baixo’.
– Como vai, Lex? – Disse Stu quando sua atenção veio descansar em mim, seus
olhos fazendo uma varredura rápida do meu corpo.

– Ela vai estar muito melhor quando você der o fora daqui. Nada disso te diz
respeito.
Lee levantou a mão. – Ora, ora, não vá começar a dar piti, Clarky. Você me
ligou pedindo ajuda. Eu tive a amabilidade de atender, mas se você quer que eu fique
por perto, você vai ter que lidar com o meu irmão aqui, também. – Sua voz era dura e
abordou mais nenhuma discussão. No segundo seguinte, King estava ao meu lado,
apresentando-se.
– Nós ainda não tivemos o prazer, – disse ele urbanamente. – Meu nome é
Oliver.
Lee deu a ele um rápido olhar antes de olhar para mim, seus lábios se contraindo
em diversão. – Arrumou um bastardo fino, não é? – Ele cutucou seu irmão com o
cotovelo. – Ela está se movendo para cima no mundo.
– Não seja um idiota, – disse Karla em um tom irritado.
Lee parecia desfrutar da sua farpa. – Eu nunca vou ser um idiota para você,
esquentadinha. Na verdade, – ele continuou, sua voz baixando, – Eu vou ser tão
agradável que você nunca vai querer que eu vá embora.

Karla revirou os olhos, sem se incomodar em replicar. Notei que Stu agora
estava encarando King, e eu não gostava da inclinação irritada de sua boca. Jesus, tudo
isso teria sido mais tranquilo se Lee tivesse deixado o irmão em casa. Stu desviou seu
olhar entre mim e King.
– Vocês estão juntos?
Minha postura ficou dura. – E se nós estivermos?

Stu bufou. – Foi só uma brincadeira.


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Página
King, que estava em silêncio observando a troca, falou, parecendo intocado pela
presença de Stu. – Eu acredito que nós temos assuntos mais importantes para discutir.
– Sim, nós temos, – disse Stu. – Gosto de como você está tentando pegar o que é
meu.

Oh, pelo amor de Cristo. Eu lancei um olhar suplicante para Lee enquanto King
olhava sem emoção para o meu ex. Decidindo, Lee acenou para a porta. – Eh, Stu, vai
esperar por mim lá fora. Certifique-se de que ninguém tente entrar no flat.
Stu não parecia feliz sobre a ordem de seu irmão, mas ele fez o que lhe foi dito
mesmo assim. Entre os dois, ficou claro quem era o alfa. Assim que Stu saiu, eu
finalmente me senti como se eu pudesse respirar. Mandei a King um olhar de desculpas
quando ele se inclinou e sussurrou, – Uma antiga paixão sua?
– Infelizmente sim.
– Ele quer você de volta.

– Bem, querer não é poder.


– Eu não gosto da maneira como ele olhou para você, – ele continuou, e a nota
escura em sua voz me fez tremer. Eu dei um beijo na parte inferior de sua mandíbula.
– Não importa. – Fiz uma pausa para olhá-lo significativamente. – Ele é o meu
passado. – Deixei a segunda parte não dita. Você é o meu futuro. Se a sua expressão
satisfeita era qualquer indício, ele entendeu o significado. Virando-se, eu encontrei Lee
estatelado no sofá ao lado de Karla e estava sentado um pouco perto demais. Ela se
afastou, sendo não muito sutil sobre colocar distância entre eles.

– Oh, esquentadinha, – ele riu. – É tão engraçado quando você me quer.


Karla cerrou os olhos. – Não me chame assim.
– Você não gosta? É abreviação para Esquentadinha Ruiva. Achei que você
gostaria de receber meus esforços criativos e essas merdas.

– Bem, eu não sei. Vá concentrar sua criatividade em outro lugar. Na verdade,


finja que não existo.
Ele lançou a ela um olhar aquecido, seus olhos arrastando lentamente pelo corpo
dela.
– Desculpe, não posso fazer isso, – Lee sussurrou baixinho. Karla respirou
fundo, como se chamando a força de vontade para não esbofeteá-lo. Eu me senti mal
por sujeitar Lee a isso, mas eu precisava que ela ficasse para dar apoio moral.
Puxando King para frente, eu o levei até uma cadeira e eu sentei na beirada. Sua
mão foi para a minha coxa, e eu saboreei o calor.
– Então, o que você tem para nós? – Eu comecei, olhando para Lee. – Isso
precisa ser bom.
Lee zombou. – Não me insulte com baixas expectativas. – Fazendo uma pausa,
ele olhou para King. – Você trouxe o dinheiro?
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Página
Oh, sim, eu deixei de mencionar que Lee queria 50mil para este favor? Não era
nada para o bolso de um homem como King, mas ainda assim, Lee tinha algumas bolas
pedindo esse montante. Eu esperava isso, porém. Ele poderia ter tido um bom coração,
mas ele era um sobrevivente, e sobreviver significava ganhar dinheiro de qualquer
maneira que podia.
King deslizou uma pasta para ele e Lee deu uma olhada para dentro, deixando
escapar um assobio baixo quando viu o dinheiro. Uma sobrancelha subiu. – Merda, eu
deveria ter pedido mais?

Deve ter sido o tom de Lee que fez King rir. Karla deixou escapar um longo
suspiro e olhou para mim. – Eu não posso acreditar que você está me fazendo ser um
testemunho disso. Você seriamente me deve uma, Lexie.

Lee inclinou a cabeça para ela. – Eu vou te dever uma a qualquer dia da semana,
querida.
Ela fez uma careta para ele e ele sorriu de alegria. Ela murmurou um ‘desculpa’
para ela e pensou que talvez ela devesse parar de ser tão descontente com ele, porque
era óbvio que ele gostava. Um momento de silêncio se passou antes de Lee apertar as
mãos e começar a falar.
– Então, Sr. King, parece que você está com sorte. Já fiz algumas perguntas
discretas por aí e parece de Brucey foi ficando desleixado na sua velhice. Se você me
perguntar, deve ser todas aquelas prostitutas. Sífilis fode com o cérebro.
King ficou duro com as palavras de Lee, e eu estendi a mão para atar meus dedos
com os dele. Silêncio se seguiu. Lee riu. – O quê? Piada ruim? – Nenhuma resposta. Ele
ergueu as sobrancelhas. – Ok, eu vou manter as piadas para mim no futuro. Então, o que
fiquei sabendo é que Bruce matou um policial um par de meses atrás.
Karla engasgou. – O quê?
Lee concordou. – É sério. Mas não se preocupe, esse policial era sujo. Isso não
vai acontecer com você, esquentadinha. Você é um lírio branco. Eu posso dizer.

– Vá se foder.
Lee lançou a ele um sorriso cheio de dentes. – Briguenta. Eu gosto disso. De
qualquer forma, deu merda. O policial estava na folha de pagamento de Bruce, mas o
vendeu para a competição, um cara chamado Tiny McGee7. Irônico, já que ele é um
filho da puta gordo. Eu consegui em minhas mãos a arma que Bruce usou para disparar
no policial. Ele atirou nele no Thames, mas um de seus homens, vendo uma
oportunidade para chantagear, pegou a arma e guardou para uso futuro. Este cara
concordou em vender a arma para mim por 25mil, – ele disse, e olhou para Karla. – Viu,
eu não sou completamente desprezível. Metade do dinheiro nem é pra mim.
– Oh, sim, você é um verdadeiro santo, – Karla brincou.

Lee trouxe sua atenção de volta para King. – Então tudo que você precisa fazer é
sentar, relaxar, e me deixar cuidar do resto. Atirar em um policial é um mau negócio, e
ele não vai querer que isso vá a público. Eu vou dar a Bruce uma chamada. Dizer a ele
7
Tiny significa pequeno. (N.T).
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Página
como as coisas vão rolar e ver se ele quer ser inteligente ou estúpido. Não posso garantir
que ele vai ser inteligente. Como eu disse, é a sífilis. – Ele fez uma pausa, esperando
que nós ríssemos. – O quê? Ainda não é engraçado? Tudo bem, eu desisto.
Lee se levantou quando King se dirigiu a ele. – Quando posso esperar para ouvir
de você?
Olhando para o relógio, Lee respondeu: – Mais ou menos essa hora amanhã.
– Muito bom, – disse King, estendendo a mão e sacudindo a de Lee.
– Foi um prazer fazer negócios com você.

Lee se levantou para sair, mas antes que ele fizesse, ele se inclinou sobre o sofá,
assustando Karla, dando a ela um beijinho de surpresa na bochecha. Poderia ter sido um
gesto doce, se não fosse tão descarado. Ela imediatamente recuou, soltando punhais
para ele. Ele piscou para ela. – Algo para você se lembrar de mim, esquentadinha. Até a
próxima vez.

– Não haverá uma próxima vez, – ela revidou.


Ele lhe deu um sorriso final. – Veremos.
Quando ele abriu a porta, vi Stu ali de pé, impaciente. – Eu quero falar com Lex,
– disse seu irmão.

Lee colocou a mão no peito de Stu, empurrando-o de volta. – Nah, companheiro,


deixa pra lá.
Stu ficou irritado. – Só vai levar um minuto.
Lee se manteve firme, olhando para seu irmão bruscamente. – Se eu disser que é
pra deixar pra lá, é pra deixar pra lá. Agora vamos, ela não está interessada.
Eu sabia que Stu queria protestar, mas ele deve ter percebido que seu irmão não
ia ceder sobre o assunto. Eu me perguntava o porquê. Talvez Lee tenha visto algo na
maneira como eu interagia com King. Ele definitivamente tinha uma natureza
intuitiva; talvez ele tivesse descoberto que não havia nada que ele fosse fazer para me
fazer voltar para Stu, faça chuva ou sol.
A porta finalmente se fechou e King pediu licença para usar o banheiro.
– Sinto muito sobre Lee. Ele é um flertador, – eu disse a Karla.

– Não se preocupe. Eu posso lidar com isso. – Sua voz ficou abafada quando ela
se inclinou para frente, os olhos passando rapidamente para a porta do banheiro. – Que
diabos está acontecendo com você e o Sr. Alto, loiro, e perfeito?
Eu soltei um suspiro. – É complicado.
– Eu posso ver isso. Não é contra a política da empresa vocês estarem saindo?
– Não. Ele disse que não era. Nós realmente não temos discutido as coisas ainda
corretamente. Acho que vamos esperar até que essa coisa toda com Bruce termine antes
de falarmos sobre isso.
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Página
Eu fiquei quieta quando vi a agua do banheiro fechar, e depois King ressurgiu.
– Então, eu deveria ir. Eu preciso verificar mamãe, – começou ele.

Karla aumentou o volume na TV um pouco e se centrou na tela, discretamente


nos dando alguma privacidade. Abençoe ela. Fui até King e tomei suas mãos nas
minhas. Ele as levantou à boca e roçou os lábios em meus dedos. Eu tremi, lembrando
do nosso breve tempo juntos em Roma. Ele tinha sido apenas dois dias, e ainda parecia
uma vida atrás. Mas eu sabia que agora não era hora para sexo. Tudo estava muito
tenso.
Deus, essa vida, por que você tem que ser um empata foda às vezes?
– Venha passar a noite comigo amanhã depois do trabalho, – disse King, com a
voz abafada. – Eu coloquei alguém para ficar de olho na casa de mamãe. Você pode
trazer uma mala de noite. Vou preparar o jantar.
– Isso soa perfeito, – eu respondi calmamente, tremendo quando ele esfregou o
interior do meu pulso com o polegar.
King inclinou e apertou um beijo na minha boca. Nenhum de nós se atreveu a
aprofundá-lo por medo de tornar as coisas um pouco atrevidas. Afinal de contas, nós
tínhamos uma audiência que estava naquele momento fazendo o seu melhor para fingir
estar assistindo televisão.
– Até amanhã, então, – King murmurou, e saiu.
Assim que a porta se fechou, eu me recostei contra ela e soltou um gemido
frustrado. Com os olhos ainda na tela, Karla soltou uma risada e sacudiu a cabeça.

– Oh, Lexie, você está tão fodida.

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Página
Quinze

No dia seguinte, eu não vi King até depois do almoço. Ele teve reuniões durante
toda a manhã e ficou longe do escritório. Eu senti falta dele. Foi provavelmente por isso
que eu fui para ele assim que ele voltou, sob o pretexto de ter trabalho para ele
olhar. Gillian tinha acabado de sair para tomar um café quando eu fiz meu movimento.

– Como vai você? – Perguntei silenciosamente quando eu fechei a porta e entrei,


a impressão de uma folha de cálculo da semana passada ao meu peito.
King estava digitando um e-mail quando ele me ouviu falar. Ele parou
imediatamente e me lançou um olhar quente, seus olhos me olhando, se demorando no
alargamento dos meus quadris.
– Venha aqui.
Fui até ele. Ele pegou meu pulso e me puxou para o seu colo. Eu me mexi no
lugar, sentindo-o já endurecer. Suas mãos moldaram os meus quadris, apertando-os,
enquanto sua boca pressionava contra o meu pescoço.

– Você vai me matar com estes pequenos equipamentos.


– Oliver.
Sua mão se moveu até o meu corpo, até que chegou ao meu pescoço. Ele o
segurou, em seguida, se levantou, levando-me para o banheiro enquanto seu polegar
aplicava a quantidade ideal de pressão na minha nuca. Sua rapidez e falta de pretensão
me surpreendeu. Eu esperava que ele, pelo menos protestasse um pouco sobre o sexo no
escritório. Mas não. Um momento depois, ele estava me abaixando de cara no sofá.
Torci no lugar quando ele começou a desabotoar a braguilha.

– Espere, – eu disse, ofegante, me sentando e estendendo a mão para ele. – Me


deixe tentar algo. – King permaneceu imóvel quando eu o puxei para mim por seu cinto
e terminei o trabalho de desfazer suas calças. Eu estava ciente da ascensão e queda
pesada do seu peito, de seus olhos brilhando com o calor, quando o empurrei seus
quadris e puxei seu pau para fora. Agarrei-o, lambendo meus lábios e olhando para cima
para encontrar seu olhar. Sem mais hesitação, eu trouxe a minha boca até sua cabeça e
lambi suavemente. Ele era quente e sedoso. Eu amei a sensação dele. Ele soltou um
gemido agonizante, e eu abaixei minha boca sobre ele. O som profundo, gutural que ele
emitiu me deixou instantaneamente molhada quando eu apertei minhas coxas para
aliviar a dor.
– Alexis, – ele murmurou, a voz tensa. – Que... rida.
Eu continuei a trabalhar nele com a minha boca, meus lábios deslizantes ao
longo de seu comprimento, saboreando a sensação de controle completo. Ele poderia ter
estado em cima de mim, mas eu segurava todo o poder. Era estimulante. Apressei o
passo, e as suas palavras ficaram agitadas.
– Tire sua blusa, – disse ele, o rosto contorcido de prazer, os olhos de adoração.
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Página
Eu continuei a chupá-lo quando meus dedos percorreram minha blusa,
desfazendo os botões, um por um. Dando a ele um show. Sua respiração acelerou
quanto mais minha pele era revelada. Uma vez eu tirei a blusa completamente, eu soltei
meu sutiã, e as tiras caíram de meus ombros. King praticamente rosnou com a visão de
meus seios e estendeu a mão para pegá-los.
– Perfeita, – ele sussurrou. – Você é perfeita.

Arrastando minha língua e o levei até o fundo, observando enquanto as


pálpebras de King se fecharam, quando uma expressão agonizante atravessou seu
rosto. – Jesus Cristo, você é bom nisso. – Seus quadris se moveram, combinando com o
meu ritmo. Em seguida, ele gozou, líquido quente enchendo minha boca. Engoli
tudo. Seu olhar se voltou feroz quando ele me puxou para os meus pés e me virou,
pressionando meu corpo na parede. Suas mãos eras autoritárias, virando o jogo de um
momento atrás. Agora ele era o único no controle. Alguns movimentos rápidos, e minha
saia foi empurrada para cima até meus quadris, minha calcinha puxada para baixo, e seu
pau estava dentro de mim, duro e implacável. Fiquei ao mesmo tempo lisonjeada e
impressionada que ele poderia fazer de novo tão cedo, e tentei não ser barulhenta
demais enquanto ele batia em mim, me fazendo esquecer os meus sentidos.

Eu me senti possuída, e eu adorei. Eu o amava. Deus, isso me assustou, mas eu


não podia mentir para mim mesma. Eu sentia muito por ele, muito.
Sua mão em volta do meu estômago me trouxe de volta para os meus sentidos
quando ele me segurou possessivamente.
Gillian estava, provavelmente, de volta de sua pausa para o café agora. Eu
poderia imaginá-la sentada à sua mesa, digitando, totalmente alheia ao que se passava
dentro do escritório de King. Eu juro que era quase como se minha mente a chamasse
quando ouvi uma batida na porta exterior. King não parou de me foder, sua mão vindo
para cobrir minha boca e abafar os meus gemidos. Minha frequência cardíaca aumentou,
o pânico se instalando.

– Sr. King? – Gillian chamou. Sua voz estava muito perto.


King parecia completamente normal, não sem fôlego quando ele respondeu: –
Sim, Gillian?
Oh, meu Deus, eu poderia ter morrido naquele momento se eu não tivesse estado
tão perdido nele, meu corpo grato que ele não estava parando enquanto o meu cérebro
gritou, Pare com essa loucura agora!

Gillian soou estranha, provavelmente porque ela pensou que King estava usando
o banheiro. Fiquei imaginando o que ela pensaria se soubesse o que ele estava realmente
fazendo.
– Eu tenho um par de mensagens para você. Vou deixá-las em sua mesa.
– Obrigado. Vou sair em breve.
Como ele conseguiu ficar tão calmo? Suor revestia minha testa, ansiedade
inundando meu sistema. A boca de King se dirigiu para o meu ombro, brincando de
morder. Mordi a sua mão, que ainda estava grudada na minha boca, e ele soltou uma
risada tranquila, satisfeita. O bastardo estava gostando disso. Eu ouvi os saltos de
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Gillian batendo no chão quando ela fez para sair. Alívio me inundou por apenas um
momento, até que ela parou.
– Sr. King, você ainda não viu Alexis, não é? Ela não está em sua mesa.
– Eu pedi a ela para fazer uma coisa para mim, – King respondeu suavemente. –
Ela não vai demorar muito.
Após isso, ela continuou a sair, fechando a porta com um clique. Ar me
escapou. A mão de King saiu da minha boca, arrastando pelo meu corpo e entre as
minhas pernas.
– Eu vou te matar, – Eu gemi.
Ele riu novamente. – Não, você não vai. Eu vou fazer você gozar, e então você
vai gostar muito de mim para me matar.

– Não é provável.
– Isso é um desafio?
Eu não respondi. Não podia. Seu pau estava batendo em meus pontos doces, e eu
já não sentia o desejo de repreendê-lo. Eu meio que odiava que ele estava certo. Ele
encontrou o meu clitóris e começou a esfregar, e eu não tinha certeza se eu poderia
aguentar. A sensação dele dentro de mim e de seus dedos hábeis trabalhando no meu
clitóris era demais. Eu iria gozar cedo. Cedo demais. Eu queria dar uma dura nele por
brincar com o fogo assim, me foder enquanto Gillian estava lá, mas eu não podia
invocar a força de vontade. Tudo parecia bom demais.
– Eu posso sentir você me apertando, – ele rosnou. – Você gosta disso?
– Sim, – eu suspirei.
– Você vai gozar?

– Sim, – eu repeti.
– Você é linda, – ele respirou, e ao mesmo momento quebrei debaixo da sua
mão. Ele gemeu e continuou a me foder enquanto eu gozava, extraindo cada onda, até
que ele estava gozando também. Eu nunca me senti tão possuída em toda a minha
vida. King encheu-me, e foi só naquele momento que eu percebi que tínhamos transado
sem proteção novamente. Não tínhamos usado antes na limusine também, então não foi
um grande negócio. Ainda assim, ter relações sexuais desprotegidas com ele se sentia
mais perto do que qualquer outra coisa. Eu queria dizer a ele como eu me sentia, mas eu
estava com medo. Eu era geralmente uma pessoa que expressava o que estava pensando,
mas não neste caso. Minha apreensão da pequena chance de que ele não fosse retornar
meus sentimentos continuava lá dentro, à espera de um raro momento de bravura.
King colocou seus braços em volta de mim por trás, seu corpo fundindo no meu
enquanto ele soprava minha pele.
– Eu... – Ele começou, mas vacilou.
– Oliver? – Eu sussurrei.
133
Página
– Eu não consigo parar de pensar em você, amor. Mesmo com tudo o que está
acontecendo, eu não posso parar.
– Eu penso em você, também. O tempo todo.
Seus lábios traçaram meu ouvido. – O que estamos fazendo?
– Eu acho que... – Fiz uma pausa, perdendo a coragem. Vamos, coragem, não
falhe agora. – Oliver, – eu comecei mais me virei, trazendo meus braços em volta do
seu pescoço, meus olhos procurando os seus. – Acho que podemos estar apaixonando
um por outro.
Sua garganta se moveu quando ele engoliu, e sua mão subiu para a minha
mandíbula. Seus olhos eram tão ferozes, então tão cheios de palavras não ditas, que eu
achei difícil de respirar. Cada cabelo no meu corpo ficou em pé, e seu polegar acariciou
minha garganta, enviando tremores através de mim. Então sua boca veio até a minha,
sua língua deslizando para dentro, e eu fechei os olhos. Ele não estava falando, mas ele
não precisava. Seu beijo me disse como ele se sentia. Me disse mais do que palavras
poderiam transmitir.

***

Demorou um pouco para eu conseguir sair do escritório de King sem Gillian


ver. Depois que nós nos limpamos, King saiu e perguntou se ela poderia ir ao quiosque
buscar um café. Ela pulou imediatamente, felizmente me proporcionando a
oportunidade de escapar.
Naquela noite, King mudou nossos planos um pouco, e eu estava um pouco
decepcionada. Eu queria mais tempo sozinha com ele, mas sua mãe não estava indo tão
bem, então ele decidiu que iria passar a noite na casa dele e ele iria cozinhar o jantar
para nós lá.
Eu tinha trocado minhas roupas de trabalho, que estavam enrugadas depois do
nosso encontro no banheiro. E sim, Gillian tinha estado olhando para mim com
desconfiança toda a tarde. Eu acho que ela sabia que algo estava acontecendo; ela só
não sabia exatamente o que era. Mandei a King uma mensagem que dizia:
Acho que a Detective Gillian pode estar de olho nós. Sem mais travessuras no
escritório. Estou falando sério.
Logo depois que eu enviei, eu o ouvi rir em voz alta lá de dentro. Ele não
respondeu, mas sua risada disse tudo. Eu queria estar aborrecida, mas eu simplesmente
não conseguia controlar. Um sorriso se formou em meus lábios. Esse homem me
deixava tão feliz por dentro que era quase assustador.
Enfim, eu estava sentada na sala de estar da mãe de King em um vestido de
algodão solto e meias de malha acolhedoras quando o cheiro de carne assada flutuou da
cozinha. Havia o tilintar de utensílios e panelas e frigideiras enquanto King cozinhava
na sala ao lado. Alguém tinha limpado o local um pouco também. Eu sabia que tinha
que ter sido King, uma vez que Elaine não iria permitir trabalhadores dentro da
134
Página
casa. Me tocou imaginá-lo fazendo a limpeza; Eu acho que porque estava tão em
desacordo com o chefe que eu conhecia.
Elaine se sentou ao meu lado de pijama limpo, um álbum de fotografias da
infância de King em seu colo enquanto ela me mostrava suas fotos de bebê. Ao
contrário de algumas pessoas que eram estranhas ou feias quando crianças antes de
melhorar, King tinha sido sempre lindo. Ele era um daqueles meninos que você pode
olhar e saber que eles iriam ser um galã quando ficasse mais velho. A única diferença
era que, quando ele era pequeno, seu cabelo era branco como a neve. Ele parecia quase
escandinavo. Então, com o passar dos anos, ficou mais escuro, tornou-se mais dourado
do que o branco.
Cerca de meia hora se passou, e eu poderia dizer que Elaine estava se
divertindo. Ela estava se lembrando de um tempo mais simples antes de o pai de King
começar a insinuar em suas vidas.

– Mãe, você gostaria de comer à mesa ou na sala de estar? – Perguntou King, de


pé na porta e nos observando. Havia algo em seus olhos que me deu uma pausa; era
contentamento, um carinho para nós duas. Eu gostei de como isso me fez sentir toda
morna e distorcida por dentro, como se eu fosse realmente uma parte de sua vida agora
mesmo se certas coisas ainda estavam no ar.
Elaine olhou para mim, um brilho nos olhos. Foi tão bom vê-la relaxada e
confortável, como um contraste com a mulher aterrorizada, em pânico que eu tinha
encontrado em nossa chegada de Roma.
– Vamos ser incivilizados e comer aqui, – ela sugeriu com um sorriso tímido.
– Claro, – eu concordei. – Jantares de TV são os melhores.
King balançou a cabeça, sorrindo, em seguida, voltou para a cozinha. Cinco
minutos depois, ele voltou, entregando para cada um de nós um prato com carne assada,
legumes salteados, purê de batata, e o molho mais delicioso que eu já provei. Ele
colocou dois copos de vinho na mesa de café para nós, então foi se sentar em uma
poltrona com seu próprio prato. Notei que ele estava bebendo vinho também. Era um
copo muito grande, mas eu não quis comentar sobre isso. Obviamente, a noite não era
total felicidade doméstica para ele. Ele ainda tinha seu pai em sua mente.
Nós tínhamos acabado de comer quando o telefone de King começou a
tocar. Levantando-se, ele saiu da sala para atender. Eu podia ouvi-lo falar, mas suas
palavras foram abafadas. No final, ele voltou para a sala de estar, uma espécie de alívio
estampada em seus traços... mas havia também uma pitada de tensão. Seus olhos vieram
aos meus e sua voz era clara e arejada quando ele falou, incrédulo quase.

– Era Lee Cross. Ele disse que Bruce concordou em recuar. Ele vai nos deixar
em paz.
Elaine suspirou, sua mão indo para sua boca enquanto seus olhos se molhavam
de lágrimas, apesar de estarem, obviamente, felizes. Levantei-me e caminhei até King,
dando a ele um abraço apertado e pressionando um beijo rápido em seus lábios. No
momento em que eu o soltei, ele foi para sua mãe, pegando-a em seus braços e
apertando-a com força. O abraço durou muito tempo. Estava cheio de alívio, anos de
preocupação e estresse que estava sendo soltado de uma vez. Eu pensei que talvez eu
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Página
devesse dar a eles um momento a sós, mas então King recuou, com os olhos em sua
mãe.
– Vamos, vamos levá-la para a cama. Talvez esta noite você vá dormir
tranquilamente pela primeira vez.

Elaine assentiu e me deu boa noite antes de King a levar da sala. Sentei-me no
sofá, peguei o meu vinho, e tomei o resto do vinho. No momento em que King voltou,
senti-me cansada. Fiquei aliviada, sim, mas havia também um nó de apreensão no meu
intestino.
Eu sabia que isso tudo tinha sido minha ideia, mas havia algo sobre isso que
pareceria muito fácil. Eu nem por um segundo pensei que Lee estava nos
enganando. Ele poderia ter sido um criminoso, mas ele era nobre. Sim, havia uma coisa
como honra entre ladrões. Além disso, eu tinha visto desertores reais durante meus anos
de trabalho no bar para reconhecer um, embora ligeiramente bêbados quando via um.
Ainda assim, algo simplesmente não parecia bem pra mim, e eu odiava me sentir
assim. Como se houvesse pontas soltas invisíveis que não eram o bastante para se
agarrar.
King voltou para a sala e caiu no sofá ao meu lado. Ele não disse uma palavra,
mas ele não precisava. Eu podia sentir que seu alívio foi de curta duração, como o meu
tinha sido. Ele tinha colocado uma cara aliviada por sua mãe, tentando dar a ela uma
aparência de paz, mesmo que poderia ter sido enganosa.
Ele esticou o corpo para fora no sofá e me puxou para o seu peito de modo que
minha cabeça estava descansando em seu esterno. O silêncio continuou quando nenhum
de nós falou. Eu pressionei meu ouvido em sua pele, ouvindo a batida do seu
coração. Foi tranquilizador, em meio à incerteza, ter seu corpo forte tão vivo ao lado do
meu. Saber que uma batida seria seguida pela próxima.

Sua mão começou a acariciar meus cabelos, meu braço nu, meus ombros. Fechei
os olhos, apreciando seu toque.
– O que você disse hoje no escritório, você estava falando sério? – King
murmurou, sua voz quase hesitante.
Sua pergunta me deu uma pausa quando eu levantei a minha cabeça para
encontrar seus olhos. – O que eu disse?
– Sobre nós estarmos nos apaixonando, – King sussurrou. – Você acredita nisso?
– Eu não preciso acreditar nisso, – eu respondi fervorosamente antes de tomar
sua mão e colocá-la sobre o meu peito. – Eu sinto.
King respirou, os olhos piscando entre os meus. Sua voz era quase inaudível,
quando disse: – Eu sinto isso também, Alexis.
Meu coração gaguejou, e um sorriso espalhou o seu caminho através de minha
boca. – Bem, então, Oliver, isso é tudo o que precisamos saber.
E então eu o beijei.
136
Página
***

Várias semanas passaram. King começou a me levar em encontros. O resto do


tempo nós dois estávamos apressados, apenas roubando breves momentos
juntos. Algumas noites King vinha para ficar na minha casa, e depois outras eu ia até a
dele. Eu preferia ir para a dele. Isso significava que eu não precisava me preocupar com
a minha melhor amiga ouvindo os nossos barulhos sexuais.
O que foi mais surpreendente fora os telefonemas que eu comecei a receber
sobre ofertas de emprego. Não para trabalho de secretariado, mas para o de modelo. As
fotos de Bradley tinham sido publicadas em uma revista de moda popular, e eu tinha
chamado a atenção de várias agências. Eu não queria desistir de trabalhar para King,
mas ainda assim, eu achei ser um pouco de boa sorte. Eu tinha um par de fotos
reservado para as próximas semanas e, dependendo de quão rentável fosse, talvez eu
pudesse sair do meu emprego como a assistente de King.
Afinal, eu queria ser sua namorada muito mais do que eu queria ser sua
assistente, e havia um tanto de esgueirar que eu poderia lidar. Além disso, Gillian estava
bem à beira de descobrir a verdade. No outro dia ela tinha me pego de pé à mesa de
King quando ele passou a mão até a parte externa da minha coxa. Ele explicou a ela,
dizendo que ele tinha visto uma aranha na minha saia.
E sim, essa poderia ter sido a mentira mais óbvia já contada.
Era uma manhã ensolarada quando eu fiz meu caminho para os quiosques para
recolher o jornal de King. Achei que Arnold, o lojista que eu estava agora
cumprimentando pelo primeiro nome, estava agindo um pouco estranho, mas eu não dei
muita atenção. Peguei o jornal e disse adeus antes de voltar para o escritório. Foi só
quando cheguei à entrada para Johnson-Pearse que eu notei o enxame de jornalistas do
lado de fora. Eles não estavam lá quando eu cheguei, mas eu tinha chegado mais cedo
do que o habitual. Deve ter havido algum tipo de história acontecendo. Talvez a
economia estivesse descendo outra vez.
Enquanto eu lutava para passar pela multidão, ouvi muita tagarelice, mas não
conseguia distinguir detalhes suficientes. No final, eu puxei um cara bastante jovem
segurando uma câmera de lado e perguntei a ele o que o era.
– Você trabalha aqui? – Ele perguntou animadamente.
– Sim, mas eu sou somente uma assistente. O que há com todos esses
jornalistas?
Sua emoção pareceu desinflar quando ouviu que eu não era ninguém
importante. – Um dos diretores do banco tem sido acusado de abuso de informação
privilegiada ilegais. Está em todos os jornais, – disse ele e acenou para o jornal que eu
segurava debaixo do braço. Meu coração quase parou de bater, e eu passei por ele em
transe. Assim que eu digitalizei minha ID e passei pela recepção, encontrei um banco e
coloquei o jornal lá. Na primeira página estava tudo que eu precisava saber.
Mostrava uma foto de King que parecia ser sido tirada um par de meses
atrás. Ele usava um terno e uma expressão distante, enquanto a foto estava sendo
137
Página
capturada. A inclinação de sua boca o fazia parecer cruel e insensível, que eu achei que
era provavelmente essa a intenção. O artigo dizia:

Oliver King, diretor-gerente do Banco Johnson-Pearse foi acusado de abuso


de informações privilegiadas depois de uma investigação sobre contas públicas e
privadas da instituição financeira. As reivindicações foram apresentadas por um
ex-funcionário do banco, que deseja permanecer anônimo. Este indivíduo é dito ter
deixado o seu trabalho depois de descobrir as práticas antiéticas do diretor-
gerente. Sr. King é o filho da pianista clássica Elaine King, que sumiu aos olhos do
público mais de uma década atrás, depois de uma carreira longa e bem sucedida
no cenário internacional...
E o artigo continuava. Eu senti como se estivesse indo vomitar enquanto eu
compreendia o que estava acontecendo. Eu estava no piloto automático quando deixei o
jornal lá e corri para o elevador. Havia uma série de outras pessoas lá dentro, mas eu
quase não os notei quando eu cliquei no botão para o meu andar. Momentos depois, a
porta abriu e eu estava fora, quase correndo quando fiz meu caminho para o escritório
de King. Vi Gillian primeiro. Ela estava sentada em sua mesa, sua expressão pálida
como um fantasma, e eu sabia que ela tinha ouvido a notícia.

– Onde ele está? – Perguntei, sem fôlego.


Seus olhos preocupados vieram aos meus antes de ela acenar para a porta
fechada do escritório de King. Era um momento raro quando Gillian ficava sem
palavras, e este era um deles. Segurando a maçaneta, virei e entrei. King estava junto à
janela, com as mãos enterradas em seu cabelo enquanto ele olhava para a vista. Em sua
mesa havia uma garrafa vazia de uísque, sua bebida favorita.
– Oliver, – eu sussurrei, e ele se virou, os olhos injetados de sangue e rosto
contorcido na miséria.

– Me deixe, – disse ele, sua voz doía.


Eu dei três passos. – Não. Nós dois sabemos que esta história é mentira. É
Bruce. Estou certa disso. Ele orquestrou tudo isso, plantou as provas.
– Claro que é culpa de Bruce! – King gritou, me assustando. – Como chegamos
a pensar que ele iria recuar? Homens como Bruce não recuam - não é como eles fazem
as coisas. Recuar era ele admitindo que ele era um homem morto. Fraqueza. Eu não sei
porque eu nunca me permiti acreditar no contrário.
Tudo de uma vez, a culpa me bateu. Chantagear Bruce tinha sido minha
ideia. Portanto, o que estava acontecendo agora era minha culpa. Lágrimas encheram os
olhos quando a força fugiu do meu corpo.
– Sinto muito, – eu sussurrei.
Os olhos de King vieram aos meus, tão azuis, tão bonitos, tão tristes. Ele
balançou a cabeça, parecendo ler os meus pensamentos pela minha expressão. – Não,
Alexis. Nem pense isso. Tudo isso ia acontecer eventualmente. Bruce sempre me
desprezou por não ser como ele, por tornar a missão da minha vida de nunca ser como
ele. Ele sempre vai tentar me destruir. Era apenas uma questão de tempo.

– Mas King, eu...


138
Página
Em poucos passos ele estava na minha frente, seus dedos indo para os meus
lábios para me impedir de continuar. – Eu disse que não, minha querida. Não. Você é
uma das melhores coisas que já aconteceu para mim. Apenas por respirar, você faz tudo
isso um milhão de vezes mais suportável. Eu perdi o respeito dos meus funcionários, de
todos que eu conheço. Eu perdi. – Ele parou, se sufocando, sua postura desinflando.
Suas mãos estavam punhos, sua mandíbula apertada. – Eu perdi tudo o que eu trabalhei
anos para construir. O orgulho que eu tinha, o respeito que eu tinha dos outros, está tudo
acabado. Eu já não sou o melhor no que eu faço porque todo mundo pensa que eu
cheguei aqui trapaceando as pessoas.
– Mas você não trapaceou. Você sabe. Eu sei isso. Sua mãe sabe disso. Nós
somos os únicos que importam.
Todo o fôlego se foi dele de uma vez. – Oh, Alexis, – disse ele, a voz mais triste
que eu já ouvi. – Você não entende. Se eu não tenho respeito, não tenho nada. Eu
poderia até mesmo ir para a prisão por isso.
Nesse segundo, o mundo inteiro ficou imóvel. Meu coração quebrou em mil
pedacinhos, e minhas pernas quase dobraram debaixo de mim. Eu estava tão
preocupado com o que Bruce tinha feito com King que eu ainda não tinha pensado
sobre as consequências. Informação ilegal privilegiada e quebrar a lei significava tempo
de prisão. Olhei para ele, de boca aberta, o desespero me enchendo quando houve uma
batida na porta.
Nós dois viramos a cabeça, esperando Gillian, mas outra pessoa entrou. Era a
mulher estranha que eu tinha visto uma vez antes. Aquela com o cabelo vermelho
tingido que parecia uma cigana.
– Oliver, – ela começou, mas ele a interrompeu.
– Saia! Eu não quero te ver! – King se irritou, dando um passo por mim para
enfrentar a mulher.
– Mas eu posso ajudar, – ela insistiu.
– Você não pode. Você nunca pode. Tudo o que você sempre quis de mim era o
dinheiro. Quando eu olho para você, tudo que vejo é ele, então saia. Saia antes que eu
traga a segurança e te remova fisicamente. – A última parte do que ele disse era
sombria, fervendo, e o rosto da mulher ficou assustado.
– Ok, eu vou. Apenas lembre-se, eu estou aqui se você precisar de alguém. Eu
estou aqui, Oliver. Tudo que você tem a fazer é vir me encontrar.
E com isso, ela foi. Limpei as lágrimas do meu rosto. – Quem era?
– Ninguém.

– King.
– Eu disse que não era ninguém, – ele gritou, e eu parei. Um silêncio mortal
encheu a sala até que seu telefone começou a tocar. Eu pensei que ele iria ignorar, mas
então ele viu o nome de sua mãe na tela. Ele atendeu e segurou ao ouvido. A sala ficou
em silêncio e o volume era alto, então mesmo estando longe, eu podia ouvir a voz na
outra extremidade, e a voz não pertencia a mãe de King. Era uma voz profunda,
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Página
arranhada, um decadente sotaque londrino, e meu peito apreendeu quando eu imaginei a
quem pertencia.
O corpo inteiro de King se transformou em pedra enquanto eu escutava.
– Olá, filho, – disse Bruce, satisfação cruel atada em sua voz.
– O que está fazendo com o telefone da minha mãe? – King exigiu, um tremor
em suas palavras.
– Pensei que você poderia me foder mais, seu merdinha. Eu e sua mãe estamos
nos divertindo agora. Você sabe, relembrando. Eu estava esperando que você pudesse
vir e se juntar a nós.
Um grito feminino ecoou e então uma batida audível. A voz de Bruce se afastou
do telefone. – Pare de chorar, ou eu vou te dar algo para chorar. Você sabia o que estava
fazendo, não é, sua cadela. Vocês dois tentaram me foder. Bem, agora vocês vão
aprender que ninguém fode comigo e sai ileso.

– Se você machucá-la, – King começou, a voz baixa e com raiva, mas ele não
conseguia esconder sua emoção. Seu puro pânico era evidente, e eu sabia que Bruce
estava gostando. – Se você tocar em um único fio de cabelo na cabeça dela, eu vou te
matar. Você acha que ganhou, mas você não ganhou. Não tenho mais nada a perder
agora, Bruce. Nada.
Um riso cruel soou o telefone e, em uma fração de segundo, King esmagou-o
contra a parede, e a tela rachou em pedaços. Ele pegou o casaco e fugiu do
escritório. Corri atrás dele, pedindo a ele para esperar, mas ele não quis ouvir. O segui
para a saída de trás do edifício, onde jornalistas estavam esperando, e antes que eu
percebesse, estávamos em um táxi indo para a casa de Elaine. Tentei segurar a mão de
King, mas ele não me deixou tocá-lo.
O ar entre nós parecia frio e eu me mexi para tentar pensar em algo que pudesse
acalmá-lo. Impedi-lo de fazer qualquer coisa estúpida. A viagem foi muito curta, e antes
que eu percebesse, King estava jogando dinheiro para o motorista e correndo para sua
mãe. A porta da frente, que eu sabia que King tinha posto novos bloqueios após a última
invasão de Bruce, tinha sido definitivamente quebrado. A porta estava fechada, mas o
bloqueio estava quebrado. King abriu, e ambos corremos para dentro. Um homem alto,
de ombros largos, estava esperando no corredor. Ele cruzou os braços sobre o peito e
disparou a King um sorriso confiante.
Ele era obviamente muscular demais para ser Bruce. Ele também pareceu pensar
que ele poderia facilmente acabar com King. É por isso que nos surpreendeu quando
King caminhou direito para cima e lhe deu uma cotovelada forte no lado do rosto
dele. Ouvi o osso rachar, e o homem tropeçou em uma parede com um grunhido de
dor. Então King trouxe o pé na canela do cara. O cara soltou um grito estrangulado, mas
nós dois já tínhamos ido embora, correndo para encontrar Elaine.
A casa estava em silêncio, o que de alguma forma pareceu mais assustador do
que se ela estivesse gritando de terror como nós tínhamos ouvido no telefone. Entramos
na cozinha para encontrar um homem mais velho em pé ao lado da pia, casualmente
usando um pano de prato para limpar o sangue de suas mãos. Ele parecia estar em seus
setenta anos, seu cabelo quase completamente desaparecido. Seu rosto estava forrado
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Página
com rugas profundas, e havia uma cicatriz que ia logo acima de sua sobrancelha
direita. Ele parecia em forma para sua idade, sua construção atarracada, o único sinal de
fraqueza de um pouco de banha ao redor da sua cintura.
Seus olhos foram para King, e seu olhar se estreitou. Ele não estava mais
rindo. Havia uma frieza sobre ele que congelou meus ossos.
– Você está muito atrasado, – foi tudo que ele disse. A voz morta. Os olhos
mortos. O coração preto. Eu sabia de tudo isso dentro de segundos olhando para ele.
King estava parado e ele não estava olhando para seu pai. Isso me confundiu no
início, mas depois eu segui o seu olhar para o chão. O tempo deixou de existir. No chão
estava Elaine. Ela usava seu pijama pêssego favorito - o pijama de pêssego favorito que
estava banhado de sangue. Ela não estava se movendo, não estava respirando, mas eu
me recusei a aceitar que ela estava morta. Ela parecia tão... pequena.
Não.
Não.
Não.
Eu nem sequer percebi que estava balançando a cabeça até que King mergulhou
para seu pai, suas mãos indo ao redor da garganta do homem mais velho. Eu não
conseguia ouvir sobre o som do meu coração trovejando nos meus ouvidos. Não era
possível me mover. Então eu estava ali, congelada em estado de choque, quando King
começou a bater em seu pai. Bruce deu um par de socos, mas ele era velho, e sua força
não era párea para a de King. Eu estava prestes a gritar quando eu o vi puxar uma arma,
mas King era mais rápido, levando seu pai ao chão e enviando a arma para longe. Ele
deu um soco final no crânio de Bruce, e o homem caiu molemente nos azulejos. O
baque pesado era um som horrível, e eu pensei que eu ouvi um osso quebrar mais uma
vez. Um tremor abrangente e profundo percorreu meu corpo. O peito de King subia e
descia rapidamente enquanto ele olhava para corpo sem vida de seu pai.
Eu permaneci congelada, sem entender como isso aconteceu.

– Não, não, não, não, não, – ele começou a murmurar, correndo as mãos pelo seu
rosto quando ele balançou a cabeça. – O que foi que eu fiz? O que eu fiz? – King repetiu
suas palavras mais e mais, a sua forma inteira começou a tremer.
Ele foi para sua mãe e caiu de joelhos, puxando-a em seus braços. – Não, mãe,
acorda. Acorda.
Lágrimas encheram meus olhos e correu pelo meu rosto. Era
demais. Demais. Isso não poderia estar acontecendo. Eu não sabia o que fazer. O que eu
poderia fazer? Deveria chamar a polícia? Eu não deveria chamar a polícia? Eu senti
vontade de chamar Lee, mas eu não tinha certeza se eu deveria estar envolvendo
qualquer outra pessoa nesta situação.

O pai de King tinha acabado de matar sua mãe.


E King tinha matado seu pai.
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Página
Foi uma tragédia grega vindo à vida, e eu senti como se eu tivesse de repente
saído da realidade e estava em um sonho. Eu tinha acordado esta manhã para o brilho do
sol. Tinha sido apenas mais um dia comum, mas não era mais. Eu queria voltar o
relógio para que eu pudesse apagar tudo. Mas isso não era possível. King estava
chorando agora, segurando sua mãe para seu peito e apenas deixando as lágrimas
fluírem. Os sons de seu pranto encheram a sala. Um suor frio cobriu minha pele, e meu
coração estava vibrando a mil por hora. Minhas mãos tremiam. Eu dei alguns passos
para a frente até que eu parei ao lado dele e caí de joelhos. Ele nem sequer registrou
minha presença até que eu coloquei a mão em seu ombro.
Ele parou de chorar.
O silêncio encheu a sala.

Ele virou a cabeça.


Ele olhou para mim com horror e realização que eu tinha sido testemunha de
tudo o que tinha acontecido. Seu rosto se contorceu, e tantas emoções passaram que eu
mal podia contá-las. Vergonha. Dor. Perda. Medo. Mais vergonha. Tanta vergonha que
eu mal podia respirar. Ele se afastou do meu toque como se ele tivesse sido queimado, o
corpo de sua mãe escorregando de seus braços enquanto se levantava, se afastando.
– King, – eu disse, minha voz rachando. – Oliver.
Ele começou a sacudir a cabeça, os olhos enormes com medo quando ele olhou
na cena. E então ele se foi. Levei um momento para me levantar e correr atrás
dele. Corri da cozinha, para o corredor, e até a entrada da frente, onde o cara de Bruce
ainda estava agachado no chão gemendo de dor. Corri para fora, olhei para a rua, mas
ele estava longe de ser visto.
Voltei para a casa, procurando em cada quarto para garantir que ele não estava lá
dentro. O lugar estava vazio. Voltei para a cozinha, meu intestino recuando com a visão
dos corpos de Bruce e Elaine e todo aquele sangue. Eu nunca tiraria isso da minha
mente, nunca seria capaz de lavar as minhas memórias. Eu tinha que fazer alguma coisa,
tinha que agir. Eu vi o telefone na parede e soube que chamar a polícia era a ação
correta. King bater em seu pai era autodefesa. Ele não estava em seu juízo
perfeito. Bruce Mitchell era um criminoso. Bruce era o único com a arma, a pessoa que
matou Elaine. Qualquer júri no país seria capaz de ver isso.
Fui até o telefone, peguei e comecei a discar 9-9. Eu estava no número final
quando ouvi uma tosse fraca e olhei à minha esquerda. Meu coração disparou quando eu
vi os olhos de Elaine abrindo e seu peito se mover para cima e para baixo com sua
respiração.

Ela estava viva!


Havia tanto sangue que eu não tinha certeza de como poderia ser possível, mas
não foi. Eu bati o 9 final no teclado de discagem.
– 999, serviço de emergência, como posso ajudá-lo?

– Preciso de uma ambulância, – Eu resmunguei. – Preciso de uma ambulância


imediatamente.
142
Página
Parte dois
Depois

143
Página
Dezesseis
Londres, seis anos mais tarde.

Minhas mãos tremiam.


Tudo o que eu estava fazendo era segurar um pedaço de papel, e minhas mãos
sangrentas estavam tremendo. Eu estava em pé perto da janela aberta, tentando
conseguir um pouco de ar, mas não estava funcionando. Eu me senti tonta. Eu tive que
sentar. Eu já tinha lido a carta três vezes. Então, eu li novamente.

Cara Alexis,
Eu espero que você não ache a minha carta intrusiva, mas te descobri através
da agência que você trabalha e por alguns trabalhos como modelo que você fez
antes. Meu nome é Lille Baker, e eu sou uma artista. Eu trabalho em um circo
itinerante, o Circus Spektakulär. Nós fazemos shows por toda a parte, mas agora nós
estamos parados para fazer alguns shows em Londres.
Eu queria te enviar esta carta durante semanas, mas eu estendi isso. Eu tive que
esperar até que estivéssemos perto o suficiente para que você viesse. Você
provavelmente está se perguntando por que eu não apenas te mandei e-mail. Ou
liguei. Castas são uma espécie de forma de arte perdida agora, certo? Mas o que tenho
a te dizer é de tão grande importância que eu senti que um e-mail seria muito
impessoal. Uma ligação muito abrupta.

Me desculpe. Estou me afastando do ponto principal. Então, sim, o circo.


Ele é administrado por uma mulher chamada Marina Mitchell. Talvez você já
tenha ouvido falar dela? De qualquer forma, Marina tem um irmão. O nome dele é
King, Oliver King. Ele fica a maior parte do tempo; outras vezes, ele vagueia por conta
própria. Eu suponho que você poderia dizer que ele realmente não tem uma casa. King
carrega uma foto sua, Alexis. Ela foi tirada há seis anos em uma praia, em Roma. Você
se lembra? Ele olha tanto para ela, fica louco se alguém tenta pegar.
Porque é que a foto é tão importante para ele?
Uma vez vocês se amaram?

Você sempre pensa nele, quer saber sobre ele?


Desculpa. Eu estou fazendo um monte de perguntas. É só que eu me preocupo
com King. Ele esteve em um caminho destrutivo durante anos, e eu temo que, se algo
drástico não acontecer em breve, ele vai se matar. Ele bebe demais, mais e mais a cada
dia, parece. Eu tento ajudá-lo, todos nós fazemos, mas não há nenhum ponto em tentar
ajudar uma pessoa que não quer. Então eu acho que, se você vier, se ele pudesse vê-la,
então talvez ele gostaria de ser ajudado. Talvez ele teria algo para viver. Vejo
vislumbres nele, Alexis, vislumbres de uma mente fascinante, de um grande homem de
quem as circunstâncias roubou tudo.
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Página
Por favor, venha nos ver. Acho que você é a única que tem uma chance de salvá-
lo.
Com os melhores cumprimentos,
Lille.

Lágrimas encheram os olhos novamente enquanto meu coração batia


forte. King. Ele estava vivo. Por muito tempo eu tinha perdido a esperança. Eu não o
tinha visto desde aquela noite na casa de sua mãe, onde ele tinha fugido depois que ele
achou que matou seu pai. Ele não o matou. Os paramédicos conseguiram reanimar
Bruce, e apenas poucas semanas mais tarde, ele foi enviado para a prisão por tentativa
de assassinato de Elaine. Foi um momento difícil para todos nós, especialmente desde
que King tinha tudo, mas se tornou um fantasma. Procuramos cabo a rabo, falamos com
todos que ele conhecia, mas ele tinha desaparecido sem deixar vestígios. Eu mesmo
questionei Elaine sobre a mulher cigana, mas ela não tinha ideia de quem eu estava
falando. Ela era a única ligação em falta, e eu sabia no fundo do meu coração que se eu
pudesse descobrir quem ela era, eu iria encontrá-lo.
Agora eu segurava uma carta em minhas mãos que explicava tudo.

Por outro lado, era uma localização centro da cidade, onde o circo estava
atualmente acampado para shows. Não era mais do que uma viagem de carro de
distância, e minha pele se arrepiou a pensar que ele estava tão próximo. Era real, ou era
alguém pregando uma peça?
Não, tinha que ser real. Ninguém além de Bruce pensaria em fazer algo tão cruel,
e ele morreu na prisão seis meses depois de ter sido colocado lá, esfaqueado por um
jovem rapaz que não queria ele entrando e tomando conta. Eu achei que sua morte se
encaixou.
Bruce Mitchell.
Marina Mitchell.
King tinha uma irmã. Como eu não a tinha conhecido? Como Elaine não tinha
conhecido? A memória da mulher cigana que King certa vez disse que era da família
brilhou em minha mente novamente. Esta Marina deve ter sido sua meia-irmã, nascida
de Bruce e uma mãe diferente. É por isso que Elaine não a conhecia. Mas por que
diabos King estava vivendo com alguém que tinha alguma coisa a ver com esse
monstro? Era tudo demais, muito confuso. Debrucei-me na minha cadeira, tentando
fazer sentido disso.
Depois que ele desapareceu, eu tinha passado por todas as cinco fases do luto:
negação, raiva, barganha, depressão e finalmente aceitação. Agora, cada uma dessas
etapas estavam correndo de volta ao mesmo tempo, tornando-se uma estranha confusão
de esperança e alegria, raiva e medo.
Eu finalmente resolveria na minha vida. Como poderia uma única carta virar
tudo sobre o seu eixo?
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Página
Quatro anos atrás, eu tinha parado de modelar e abri a minha própria
agência. Deu tão certo que eu finalmente guardei dinheiro suficiente para uma hipoteca,
e tinha comprado uma pequena casa de dois quartos em Waltham Forest. Elaine, que eu
tinha me aproximado ao longo dos anos, vendeu sua casa grande em Bloomsbury, que
segurava muitas memórias ruins, e comprou uma pequena casa de campo em Waltham,
a fim de estar perto de nós.
Nós.
O próprio pensamento fez minhas lágrimas aumentarem. A vida tinha sido tão
difícil desde que King desapareceu. Durante muito tempo, eu não poderia seguir em
frente. Meu coração se recusou a acreditar que ele estava longe pela sua própria
vontade, mas ao mesmo tempo eu entendi o trauma que ele deve ter sofrido ao pensar
que ele tinha matado um homem com suas próprias mãos. Agora eu sabia que ele estava
lá fora, perto o suficiente para me alcançar. Tocar. Para puxar perto.

E ainda assim, aqui estava eu vivendo em minha pequena casa com o amor da
minha vida. Aquele que pareceu depois de King e remendou meu coração partido.
Eu o ouvi puxar a maçaneta da porta e entrar na sala, provavelmente, se
perguntando porque eu estava chateada, porque eu estava chorando. Limpei as minhas
lágrimas e tentei gessar uma cara brava, não querendo preocupá-lo.
– Mamãe, – ele perguntou, – o que há de errado?

Meu menino era tão bonito, tão parecido com o pai, com seu cabelo loiro e olhos
azuis pálidos. Eu nem percebi que estava grávida por um longo tempo depois que King
desapareceu. Eu tinha achado que iria morrer de tristeza. Sim, eu pensei que eu estava
vomitando minhas tripas todas as manhãs por causa do quanto senti falta dele. Eu logo
percebi que não era o caso. Aparentemente, o comprimido nem sempre é eficaz.
Mas ainda assim, uma pequena parte de mim estava grata. Meu amor tinha
desaparecido, mas ele tinha deixado algo de si mesmo para trás. No entanto, eu estava
deprimida por grande parte da minha gravidez. Karla e meus pais estavam
preocupados. Elaine também. Ela queria tanto um neto. E então, meu Oliver veio e eu
me apaixonei novamente.
Minha força voltou. Eu precisava viver para o pequeno ser que precisava de
mim. Então eu coloquei tudo em minha carreira, comecei a modelar, tanto quanto eu
poderia. Elaine ajudou com dinheiro até que eu estava indo bem o suficiente para ir
sozinha. Eu acho que a combinação do nascimento de Oliver e a morte de Bruce mudou
alguma coisa nela. Ela começou a sair mais, tornando-se independente. Ela ainda tocava
piano de vez em quando. Ela estava muitas vezes triste, quando ela chorava por seu
filho desaparecido, mas ela não era mais o casco de uma mulher que ela era uma vez.
Mesmo que eu tinha aceitado o fato de que ele se foi, eu sofria também. Todo
dia. Por King.
Acho que foi o fato de que nós tivemos tão pouco tempo juntos, tornou isso
pior. Eu tinha todas essas possibilidades para me perguntar. O que a nossa vida teria
sido se certos eventos não tivessem acontecido? É diferente de perder o seu amor aos
oitenta anos depois de uma vida juntos. A dor é muito mais nítida. Ele acaba com você,
porque você uma vez segurou a perfeição em suas mãos, apenas para ver isso se
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Página
afastando como a névoa. Você tem que ir sabendo que você nunca vai se sentir como
antes, sabendo que ninguém jamais irá se comparar.
Eu podia ir até ele. E, no entanto, eu hesitei.
As palavras na carta de Lille me assustaram. O que eu iria encontrar no
circo? Que tipo de homem? Reunindo um pouco de força, eu sabia que ainda tinha que
ir. Por ele. Pelo nosso filho. Pelo meu coração.
Puxei Oliver no meu colo e deu a ele um aperto suave. – Eu estava pensando em
uma história triste, isso é tudo.
– Por que você pensa sobre histórias tristes? – Ele perguntou, curioso, os dedos
indo para o meu rosto úmido.
– Porque às vezes meu cérebro faz isso, – eu respondi, e suas mãos viajaram para
minha testa, dando um puxão.
– Cérebro, parar de deixar mamãe triste. – Suas palavras me fizeram rir. Em
apenas um par de meses, ele iria completar seis anos. O tempo estava voando tão
rápido. Às vezes ele perguntava sobre seu pai, perguntava se ele tinha um, porque todos
os outros meninos na escola tinham. Eu lhe disse que seu pai estava muito, muito
distante. Eu odiava a triste inclinação na boca de Oliver depois e me perguntei se
poderia ter pensando em uma resposta melhor.
Parecia não natural vê-lo triste, porque ele era uma criança tão feliz,
sociável. Ele nunca foi tímido ou inseguro, sempre aberto para o mundo e as
possibilidades que cada dia poderia trazer. Ele fazia amigos com facilidade também. O
professor de sua classe, Montessori, disse que estava sempre trazendo as crianças para
perto, fazendo sugestões para novos jogos que poderiam jogar.
Eu o deixei sair do meu colo e fui até a cozinha para preparar o almoço. Era
sábado, o meu dia de folga. Normalmente, Elaine ou a minha mãe ficavam com Oliver
quando eu estava trabalhando, mas eu sempre ficava com ele no fim de semana. Se eu
pedisse a uma delas para tomar conta esta noite, elas iriam querer saber o porquê, e eu
não queria explicar a carta de Lille Baker pra ninguém. Eu particularmente não queria
dizer a Elaine no caso disso não for certo. Tirar suas esperanças seria cruel demais.

Depois que eu tinha feito a Oliver sua comida, eu liguei para Karla. Ainda
éramos tão próximas como nunca, mesmo que já não vivíamos mais juntas. Nós não
conseguíamos ver uma a outra tanto quanto costumávamos, mas nos falávamos no
telefone quase todos os dias. Tendo sido a minha rocha quando Oliver era um bebê, ela
amava meu filho, tanto como eu e eu sabia que ela ia saltar na chance de tê-lo por uma
noite. Na verdade, ela estaria tão feliz que ela não pensaria em fazer perguntas.
Não fazer perguntas era fundamental.
Fiz a ela uma ligação rápida, e ela disse que chegaria em um par de horas. Com
isso certo, eu tentei brincar com Oliver por um tempo, mas meu coração não estava
nele. Eu não conseguia me concentrar. Colocando um DVD no leitor, eu o coloquei na
frente da TV para que eu pudesse ir tomar banho. Eu estava nervosa. Eu tinha saído e
estava enrolada em uma toalha quando comecei a tremer. Meu estômago se retorceu e
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Página
se virou. Eu não tinha sido capaz de comer uma refeição desde a manhã. Minha
garganta estava entupida com os nervos e esperança, aniquilando o meu apetite.
Olhei para meu armário sem nenhuma pista do que vestir. Meu senso de moda,
se alguma coisa, tinha se tornado mais distinta ao longo dos anos. Quando você trabalha
na indústria, você tende a se tornar um pouco obcecada com as últimas
tendências. Minhas mãos tremiam de novo quando eu retirei uma blusa de renda bonita
e jeans skinny. Eu combinei com umas botas de couro e permiti que meu cabelo ficasse
enrolado.

Meu coração pulsava.


Eu não podia acreditar que eu estava fazendo isso. Ele estava lá, vivo e
respirando. Por um breve segundo, levou toda a minha força de vontade para não correr
para fora da casa imediatamente e ir encontrá-lo.
Trêmula, passei em algum brilho labial, eu dei a minha aparência uma última
olhada antes de ouvir Karla batendo na porta da frente. Corri para baixo para atender e
descobri que eu estava errada sobre ela não fazer perguntas.
– Você está bonita. Indo em qualquer lugar excitante?
Procurei no meu saco as chaves do meu carro. – Só vou me encontrar com
Bradley e seu novo namorado para algumas bebidas. Eu devo chegar em apenas um par
de horas.
– Ah, certo, bem, se divirta. – Suas sobrancelhas se juntaram, o que era
geralmente um sinal de que ela achava que eu estava mentindo. Eu não sabia por que ela
suspeitava, porque a minha história parecia hermética. Foi só quando eu deslizei para o
assento do motorista que eu percebi o meu erro. Se eu iria beber com Bradley, então por
que diabos eu iria estar dirigindo? Eu juro, essa coisa toda estava virando meu cérebro
em geleia. Minha mente não parava de correr, e eu só queria chegar ao circo e ver King
com os meus próprios olhos. Provar a mim mesma que isso era real.
Esperança inundou minhas veias, enchendo-me com antecipação.

Eu poderia tê-lo de volta. Poderíamos tê-lo de volta para sempre.


Não demorou muito para encontrar um lugar de estacionamento perto o
suficiente para o circo, e no final eu tive que deixar o meu carro a dez minutos a
pé. Eram sete e meia, e a tenda estava toda iluminada para o show da noite. As pessoas
faziam na fila do lado de fora para comprar bilhetes, e eu não sabia para onde ir. Devia
comprar um bilhete? Devia perguntar por aí sobre essa tal de Lille? Eu trouxe a carta na
minha bolsa, como se eu precisasse mostrar a prova definitiva antes que me deixassem
vê-lo.
Insegura sobre o que mais fazer, eu entrei na fila e comprei uma entrada. Eu
andei ao lado de um par de mulheres jovens enquanto eu entrava na tenda e me sentei
perto da parte de trás. Minha pele se arrepiou com a consciência. Meu corpo
cantarolou. King estava aqui em algum lugar. Era quase como se ele tivesse aparecido
no meu radar interno, fazendo tudo parar de funcionar.
Havia cerca de mais vinte minutos antes do show começar, e eu estava muito
impaciente para apenas sentar lá. De pé, eu abri caminho pelo corredor até uma porta
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Página
aberta que levava aos bastidores. O lugar era uma enxurrada de atividades quando eu
entrei. Uma mulher de meia-idade vestindo algum tipo de equipamento chamativo
passou por mim.
– Com licença, – eu disse, e ela se virou para mim. – Estou à procura de Lille
Baker.
A mulher sorriu. – Ela deve estar no estande de pintura de rosto.
Um homem alto, de cabelo escuro que aparentemente tinha ouvido a minha
pergunta parou, arqueando uma sobrancelha curiosa. – Você está procurando Lille? –
Disse. Sua voz era profunda, seu sotaque irlandês.
Olhei para ele, um pouco intimidada, se eu estava sendo honesta. Ele tinha
cabelos escuros na altura dos ombros, e usava jeans, botas e um colete. Seu corpo era
uma obra-prima de músculos e era um pouco grande demais pra eu olhar tudo de uma
vez. Eu não tinha estado com um homem em um longo, longo tempo, e ele era uma das
mais quentes espécimes do sexo masculino que eu já vi. Ele deve ter sido uma parte do
show. Estes tipos sempre eram. Finalmente, eu assentiu.
– Quem é você... – Ele fez uma pausa por um segundo, arrastando a frase quando
algo como o reconhecimento iluminou seus olhos. Parecia que ele me conhecia, o que
me fez me sentir estranha. Passando a mão sobre seu queixo mal barbeado, ele xingou
sob sua respiração. – Inferno do caralho, Lille.

– Você conhece Lille? – Questionei ele sem fôlego, meu ritmo cardíaco correndo
quando eu me aproximei.
– Sim, eu a conheço. – Ele acenou com a cabeça para o fundo da tenda. – Venha
comigo.
Em vez de me levar para frente, como a mulher havia instruído, ele me levou na
direção oposta. Nós saímos da tenda e ele parou, puxando um cigarro e acendendo. Ele
me olhou nos olhos, sem dizer uma palavra.
– Um... – Eu comecei, me sentindo nervosa. Ele poderia ter sido o sexo em uma
bandeja, mas ele também era assustador e intimidante. Atualmente eu estava
acostumada a ficar perto dos meus clientes (que eram quase todas mulheres) e meu
menino. Os homens eram uma área que eu estava completamente fora de prática. Claro,
eu tinha meus irmãos, mas eu não os via muito frequentemente.
– Como você sabia vir aqui? – Ele perguntou.
Ansiosa, eu me atrapalhei com a minha bolsa. – Eu recebi esta carta.

Agora ele estava xingando novamente. – Pelo amor de Deus.


Eu fiz uma careta. – O quê?
Ele parecia apologético. – Desculpe. A minha namorada gosta de se
intrometer. Você não deveria ter vindo.

– Você é o namorado de Lille?


Ele assentiu. – Uh-huh.
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Página
Minha voz ficou tão baixa que era praticamente um sussurro. – Você... você
conhece King?
Seus olhos ficaram tristes como se ele sentisse pena de mim. Algo grosso e
pesado travou na minha garganta. Era tarde demais? Em seu caminho de auto destruição
ele atingiu o seu fim? O pensamento levou a força de dentro de mim. Eu estava prestes a
perguntar a ele o que tinha acontecido quando um outro homem saiu da tenda. Ele era
alto, também, mas com cabelo mais curto e parecia mais gentil. Ele também era muito
bonito, e gostaria de saber quantos homens lindos de morrer simplesmente acontecia de
estar neste circo.
– O que está acontecendo, mano? – Disse ele. Americano. Era difícil entender
todos esses sotaques. Antes que o primeiro homem, cujo nome eu ainda não sabia,
pudesse responder, os olhos do americano vagaram para mim. Ele me olhou
rapidamente, astutamente, e pareceu reconhecer imediatamente quem eu era. Não
demorou alguns minutos como o primeiro homem. E sua reação a mim foi muito
diferente também. Um sorriso largo e quase tonto se espalhou por seus lábios.

– Puta merda! É você, – disse ele com um suspiro, e chegou a colocar as mãos
sobre os meus ombros, apertando-os enquanto ele sorria para mim. – Eu não posso
acreditar que você está aqui.
Ok, agora eu estava confusa. – Uh, nem eu?
– Eu sou Jay, – ele continuou. – Jack é um mal-humorado. Ele é meu irmão. Puta
merda, você é real, Alexis. Você é viva, uma mulher respirando. Por um momento
pensamos que poderia ser um fantasma.
– Espera um segundo, – Jack, o mal-humorado, interrompeu. – Não me disse que
você estava nisso também?
Jay revirou os olhos e sorriu. – Claro que sim.
– E Matilda? – Perguntou Jack.
– Não, era só eu e a sua mulher. Fomos meio sorrateiros sobre isso.
– Isto não é uma piada, Jay. É sério. King não está...
– King vai ficar bem, – Jay entoou significativamente, virando a cabeça para seu
irmão antes de olhar para mim. – Uma vez que ele vê sua bela Alexis, ele estará fazendo
cambalhotas.

– Não, ele não vai.


– Ele vai.
– Ele não vai.
Sério, eu estava indo e voltando entre estes dois. Eu interrompi em voz alta, as
mãos nos quadris. – Será que um de vocês pode me levar até ele? – Eu disse, minha voz
instável.
O rosto de Jay ficou sério. – Sim, desculpe, venha comigo.
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Página
– Eu vou encontrar Lille, – Jack murmurou antes de sair. Parecia que ele tinha
uma conversa séria a ter com ela, e eu não queria ser Lille agora.
Eu puxei a manga da camisa de Jay e ele parou de frente para mim. – Qual o
problema, querida?

Mordi meu lábio, emoção enchendo meus pulmões e meus olhos ficando
aguados. – Como ele está?
– Ah, merda, querida, não chore, – disse ele, e deu um passo para frente, me
assustando quando ele me puxou para um abraço. Eu tinha estado sozinha por tanto
tempo e esse estranho me abraçando apenas piorou as coisas. Sua bondade era mais do
que eu poderia lidar enquanto eu o deixava me abraçar. Era bom ter um homem perto,
um que cheirava bem. Eu não poderia ter antecipado o efeito emocional que teria sobre
mim.
Ele começou a esfregar o centro das minhas costas suavemente, e eu tentei o
meu melhor para parar as minhas lágrimas. Eu me afastei, balançando a cabeça. – Eu
sinto muito. É só que eu estive procurando por ele há anos. Isso tudo é um pouco
demais no momento.
As sobrancelhas de Jay se arquearam com empatia quando ele soltou um suspiro
brusco e colocou as mãos nos quadris. Ele olhou para o chão antes de encontrar meu
olhar. – Olha, eu não vou mentir. Ele está ruim. Lille não disse explicitamente isso na
carta, mas porra, seu homem tem um problema sério com a bebida. Vou levá-la para ele,
você vai vê-lo, mas ele com certeza não vai ser o mesmo que você o conhecia. Você
precisa se preparar para isso, Alexis, ok?
Eu inalei, e mesmo que suas palavras fossem uma grave advertência, havia algo
reconfortante sobre elas. – Ok.
Jay assentiu, satisfeito. – Ótimo. Isso não vai ser fácil, mas eu acho que se ele te
ver, se ele saber que você ainda existe, então podemos todos trabalhar juntos para puxá-
lo de volta. Você vai ser o catalisador. Você vai ser o objetivo para ele. Quer dizer, se
ele sabe que pode ter você de volta, então eu acho que ele vai fazer todo o trabalho duro
ele mesmo. – Uma pausa quando ele me olhou. – Ele pode ter você de volta, certo?
Sem pensar, concordei. Então, eu simplesmente olhei para ele, absorvendo tudo
o que ele tinha acabado de dizer. Um silêncio caiu entre nós. Memórias de mim, todas
as coisas que King tinha passado em sua vida me bombardeou.
A voz de Jay foi um suave sussurro, seus olhos me olhando, me estudando como
se eu fosse um livro e ele estava se esforçando para ver as palavras. – Jesus, Alexis, o
que diabos aconteceu com ele?
Meu rosto ficou triste. – Aconteceu tudo tão rápido. Tenho a sensação de que ele
ainda não sabe que ele não fez o que ele acha que ele fez.
– O que ele acha que ele fez?
Eu não tinha certeza sobre quem era esse cara, mas ele tinha um jeito de puxar
todas as informações de dentro de mim. Minha voz era um sussurro quando eu respondi:
– Ele acha que ele matou alguém.
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Página
Jay absorveu isso rapidamente, sua postura estoica. – Mas ele não matou?
– Não, ele não matou. Ele deveria. Se alguém merecia matar aquele bastardo,
esse alguém era King, mas ele não fez.
– Cristo.
– Jay.
– Sim?

– Me leve para ele. Por favor.


– Tudo bem, querida, tudo bem. Vamos lá, – ele disse, e jogou seu braço
protetoramente em volta dos meus ombros. Ele me levou para mais longe da tenda do
circo e para um aglomerado de casas móveis acampadas nas proximidades. No centro
deles estava um grande gazebo ao ar livre com mesas, cadeiras, e alguns fogões a
gás. Havia um par de pessoas zanzando, mas não muitas. Meus olhos percorreram o
espaço freneticamente, desesperada por um vislumbre de King. Jay parou de andar,
assim como eu.
Foi quando eu o vi.
Ele estava tão mudado, eu não tinha certeza de como eu o reconheci, mas eu
fiz. Meu coração iria conhecê-lo em qualquer lugar, com qualquer disfarce. Ele estava
sentado em um banco, seu corpo caído sobre a mesa, os dedos apertado em torno de
uma garrafa de bebida. Seu cabelo estava longo e sujo, o rosto fortemente envolto em
uma barba. Ele usava sujo, as roupas desalinhadas, uma jaqueta cinza de lã por baixo,
jeans gastos e botas enlameadas.

Eu não podia acreditar que esse era o mesmo homem que estava em seu
escritório com vista para o Tâmisa, um governante de seu próprio universo, o melhor
em tudo o que ele botava esforço. Agora, ele foi reduzido a um bêbado sem-teto,
completamente irreconhecível. Eu realmente não entendia como funcionava o mundo,
às vezes.
Aos trinta e três anos, ele esteve no topo.
Agora, trinta e nove anos, quase quarenta, ele estava por baixo.
E, no entanto, sua presença ainda fazia meu coração bater, ainda fazia meus
pulmões se encherem de ar. Ele estava vivo. Ele estava respirando. E eu não me
importava no que ele se tornou, desde que eu poderia tê-lo de volta. Minhas pernas
cederam, mas Jay me firmou. Eu não conseguia tirar os olhos de King, e ele nem sabia
que eu estava lá.
Uma pequena comoção soou de perto, e eu me virei para ver uma mulher loira
vindo correndo até nós. Ela foi seguida de perto por Jack e outra mulher, uma pequena
morena. Ela parou na nossa frente, as mãos indo para os quadris enquanto tentava
recuperar o fôlego. Seus belos olhos cinzentos dançavam enquanto ela me acolhia.
– Você está aqui, – ela respirou. – Eu não posso acreditar que você veio.
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Olhei para ela, surpresa, mas eu soube imediatamente que este tinha de ser
Lille. Ela confirmou minha suposição quando ela jogou a mão para fora e se
apresentou. – Sou Lille, aquela que escreveu a carta.
Lentamente, eu estendi a mão e apertei a mão dela, sentindo tímida e fora do
lugar. – Eu sou Alexis.
Ela assentiu com a cabeça, sorrindo, e respondeu em voz alta, – Sim, eu sei. –
Ela estava claramente animada.
– Quietos, porra, – uma voz choca, arranhada, exigiu nas proximidades, e todos
os pelos do meu corpo ficaram em pé. Sua voz, tão mudada, ainda que a mesma. Eu não
podia deixar de fechar os olhos, piscando outra lágrima. Eu virei de costas para ele
quando eu apertei a mão de Lille, e agora eu ouvi botas duras esmagando o chão. Eu
virei para trás enquanto ele se aproximava. Seus olhos azuis, outrora tão brilhantes e
cintilantes, estavam agora aborrecidos e avermelhados.
Eu respirei fundo.
Ele parou.

O tempo abrandou, o mundo se tornou tão pequeno como um grão de areia,


enquanto olhávamos um para o outro. Foi um momento que eu nunca esqueceria. A
garrafa que tinha estava agarrando como um bote salva-vidas caiu de suas mãos. O som
áspero de vidro quebrando passou por mim, fazendo isso tudo tão real. King nem
percebeu que ele tinha deixado cair a garrafa. Ele estendeu a mão, esfregando os olhos
tanto que parecia doloroso.
– Parem, parem, parem de me mostrar. Eu não quero mais vê-la. Não mais.
Ele estava se machucando, e eu não podia ficar parada. Dei um passo para frente,
a minha voz mais leve que o ar. – Oliver, – eu sussurrei. Fiquei a meras polegadas de
distância, o cheiro dele me bateu. Ele cheirava a álcool e sujeira. Meu coração rachou
em dois. Era uma dor física de vê-lo assim.
– Não! – Ele gritou, as mãos voando para fora e me empurrando. Eu tropecei
para trás, mas consegui encontrar meus pés antes de cair. Jack caminhou para frente, seu
tamanho formidável, e agarrou King pelos ombros. – Calma, amigo, se acalme. – Suas
palavras pareceram acalmar algo em King, cujo corpo caiu para frente. Os olhos de Jack
vagaram para sua namorada, que ficou congelada no lugar.
– Eu te disse, eu te disse, Lille.
– Sinto muito, eu não pensou que...

– É isso mesmo, você não pensou, – Jack se irritou, olhos agora piscando com
acusação para seu irmão. – Nenhum de vocês. – Havia algo na maneira como ele falou
que me fez sentir como se isso fosse pessoal para ele, como se estivesse realmente o
irritado que Jay e Lille tinham me trazido aqui para King, que claramente não estava em
bom estado para me ver. Mais uma vez, as minhas lágrimas vieram. Eu senti como se
meu coração, minha alma, estivesse sendo dividido em dois. Eu não queria que ele fosse
assim. Eu só queria que o velho King de volta.
153
Página
Agora eu não tinha certeza se isso era mesmo possível. Então, de repente, a raiva
me bateu. Como ele poderia se deixar se tornar assim? Como ele poderia me deixar por
todos esses anos e nunca tentar fazer contato? Tinha que haver uma razão, mas eu não
estava vendo. Talvez fossem as lágrimas enchendo meus olhos que causou a minha
cegueira.
Jack levou King para longe e eu olhei para o meu amor, um nó na garganta e um
tijolo no meu estômago. Nada sobre isso estava bem.
Nada.

154
Página
Dezessete

Chorei todo o caminho de casa, grata que estava escuro e não existem outros
motoristas que podia me ver lamentando como uma pessoa louca no banco da
frente. Depois que Jack tinha levado King embora, eu tinha falado com Lille e Jay por
um tempo, e a morena, Matilda, que acabou por ser a esposa de Jay. Todos eles foram
tão gentis e apologéticos, me implorando para voltar em um ou dois dias. Eles
prometeram que iriam fazer o seu melhor para limpar King, deixá-lo sóbrio. Eu balancei
a cabeça distraidamente, mas ao mesmo tempo a imagem dele em seu estado atual se
marcou em minha mente. Eu não sabia como me sentir. Deveria ficar com
raiva? Triste? Feliz em tê-lo de volta, mesmo que ele não era o mesmo?
Eu pensei que poderia ser sábio em lhe dar espaço por um tempo, mas eu sabia
que ia ser impossível ficar longe. Eu já estava inventando planos, descobrindo maneiras
em que eu poderia trazê-lo de volta ao seu antigo eu. Embora tivesse levado anos,
encontrá-lo tinha sido a parte fácil. Curá-lo seria o maior desafio que eu já tinha
enfrentado.
Eu decidi não contar a ninguém sobre nosso filho, mas eu deixaria King saber
que Elaine estava viva logo que pudesse. Eu pensei que iria aliviar sua mente um pouco,
dar a ele esperança. Eu também precisava dizer a ele que ele não tinha sido o único a
matar Bruce. Ele precisava saber.
Quando cheguei em casa, eu me sentei no carro por alguns minutos, tentando me
recompor. Era inútil, porém, porque Karla ia saber que algo estava acontecendo no
segundo que ela me visse.
A casa estava em silêncio quando eu entrei e deixei cair as chaves na mesa. A
TV estava baixa, e Karla estava sentada no sofá, percorrendo as mensagens em seu
telefone.
– Hey, – eu disse calmamente.
Ela virou para mim e olhou para cima, seus olhos me observando entrar. – Ei,
você está de volta.
– Sim, como ele foi?
– Bem comportado, mas falador, como sempre, – ela me disse com um sorriso
suave que rapidamente se desvaneceu. – Lexie, está tudo bem?
Eu não poderia evitar - eu funguei. Ela levantou de seu assento e me levou em
seus braços dentro de segundos, me segurando perto. Minhas palavras foram baixas,
quase inaudíveis, quando eu sussurrei, – Eu o encontrei.
Karla respirou chocada e se afastou para olhar para mim. Várias emoções
atravessaram seu rosto, principalmente surpresa. – King? Encontrou King?
Eu balancei a cabeça.
– Onde ele está?
155
Página
– Não muito longe, mas Karla, ele mudou, mudou muito. Eu nem tenho certeza
se... – Minha voz se quebrou e foi substituída por soluços. Karla me puxou para perto
novamente.
– Hey, hey, está tudo bem. Você vai passar por isso, você tem a mim. Farei tudo
o que puder para ajudar.
Suas palavras me acalmaram um pouco, e mesmo que eu tivesse estado lá para
ela por alguns momentos realmente difíceis ao longo dos últimos anos, eu me senti
envergonhada que eu estava chorando. Depois de um minuto eu me afastei e fui pegar
um lenço de papel para secar meu rosto.
– Você pode ficar com Oliver novamente amanhã?
Karla assentiu. – Claro. Qualquer coisa que você precise.
Poucos minutos depois ela saiu, e eu subi as escadas para a cama, sabendo que
eu provavelmente não iria pregar o olho. Eu dei uma passada no quarto de Oliver e o
encontrei dormindo profundamente, sua respiração preenchendo o espaço. Eu o amava
tanto quanto eu amava seu pai, mas eu só consegui manter um deles seguro.

O pensamento quase me quebrou.


Fechando a porta delicadamente, eu fui para o meu quarto e deitei na
cama. Fechei os olhos, mas, como previsto, o sono não veio. Eu finalmente dormir
depois de horas de pensamentos acelerados, e fui acordada na manhã seguinte pelo meu
filho me cutucando.
– Eu estou com fome, – reclamou ele. Eu não sei por que, mas houve algo sobre
seu rostinho irritadiço que me fez rir em meio a toda a tristeza. Sentei-me e o puxei para
mim, pressionando um beijo suave na sua cabeça e abraçando-o. Ele riu, e eu o levei
comigo, agradando-lhe debaixo dos braços e fazendo-o se contorcer como um louco.
– Pare com isso! – Ele gritou de alegria. Suas palavras instantaneamente me
deixaram séria, e eu o coloquei no chão. Ele repetiu o que King tinha dito ontem à noite,
quando ele pensou que eu era um espectro inventado por sua mente só para torturá-
lo. Lembrando, eu levei Oliver pelas escadas e comecei distraidamente a tirar potes e
panelas para fazer café da manhã. Deixei que ele me ajudasse a colocar o pão na
torradeira. Ele gostava de ajudar. Depois ele sentou e viu como eu quebrei alguns ovos,
bati, e os joguei dentro da panela para fazer omelete.
– Você está triste de novo, mamãe? – Ele perguntou.
Eu não tinha certeza se ele estava particularmente em sintonia com as emoções
das pessoas, ou se ele era apenas bom em me ler porque passamos tanto tempo juntos,
mas ele sempre pareceu sentir como eu estava sentindo. Reuni um sorriso para ele.

– Não, eu não estou triste, baby, apenas cansada.


– Depois do almoço nós podemos trazer todos os nossos cobertores no andar de
baixo e assistir Lego, – sugeriu ele, como se fosse uma maneira certa para me animar.
– Eu tenho que ir a algum lugar hoje, – eu disse a ele com pesar. – Mas sua tia
Karla vai ficar com você. Talvez ela vá querer ver.
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Ele franziu o nariz. – Mas ela sempre canta a canção. Eu gosto da tia Karla, mas
eu não gosto quando ela canta a música.
Sua resposta me fez rir, porque era verdade - Karla não era uma boa cantora.
– Ok, talvez eu vá dizer a ela para não cantar durante o filme. O que acha disso?
Ele parecia mais tranquilo, respondendo fervorosamente: – Sim, por favor, diga
isso a ela.
Depois que comemos eu fiz um rápido trabalho dar tomar banho e vesti-lo, em
seguida, fiz o mesmo comigo. Coloquei uma calça verde escuro, uma blusa amarela, e
sapatilhas. Eu tinha uma ideia para fazer King interagir comigo, mas ia ser um tiro no
escuro. Eu planejei trazer o meu tabuleiro de xadrez ao circo e ver se ele iria jogar. Nós
não teríamos que falar, mas se eu pudesse, pelo menos, fazê-lo para jogar, seria um
começo.
Karla chegou e eu saí, dirigindo de volta para a cidade novamente. Eu tinha
trocado números tanto com Jay quanto com Lille na noite anterior, de modo que digitei
uma mensagem para eles dizendo que eu estava indo. Era quase hora do almoço, mas eu
não tinha certeza se o circo fazia espetáculos diurnos ou eram apenas noturnos. De
qualquer forma, eu esperava que estivesse tudo tranquilo, então eu poderia encontrar um
espaço de estacionamento decente. Um par de minutos antes de eu chegar, eu recebi
uma mensagem de Jay me dizendo que ele iria me encontrar na frente da tenda.

Eu estacioneis por perto, saí, engatei a minha bolsa no meu ombro (era pesada
por causa do tabuleiro e todas as peças), e fiz meu caminho até a entrada. Quando eu
cheguei lá, eu quase tropecei sobre meus próprios pés, pois ao lado de Jay estava a
mulher cigana, Marina. A meia-irmã de King. Ela quase não mudou desde que eu tinha
visto pela última vez, e quando ela olhou para mim, seus olhos tinham uma mistura de
calor e desconfiança.
– Olá, querida, – ela disse em saudação enquanto ela segurava sua mão. – Eu sou
Marina. Este é o meu circo.
– Você é a irmã de King, – eu respondi, sem saber o que dizer.
Ela assentiu com a cabeça, aqueles velhos olhos sábios piscando lentamente. Um
pequeno macaco-prego estava em seu ombro, que eu teria achado estranho se ela não
possuísse um circo. Eu podia imaginar a excitação de Oliver se ele estivesse
aqui. Sempre que eu o tinha levado para o zoológico de Londres, ele ia logo para os
macacos.
– Então, Bruce Mitchell era o seu pai? – Prossegui.
– É isso mesmo, embora eu diria que apenas por sangue. Aquele homem nunca
foi um pai. – Sua voz era dura quando ela falou dele, e eu soube imediatamente que ela
deve ter tido um tempo horrível com Bruce assim como King. Talvez que é como eles
fossem ligados. Além disso, ela usou o verbo no passado, então eu presumi que ela
sabia que ele estava morto, mas ela sabia que King não tinha sido o único a matá-lo?

– King não o matou, você sabe disso, certo? – Eu soltei.


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Seus olhos se arregalaram quando ela balançou a cabeça. – Eu não sabia, mas eu
sei agora. O jovem Jason aqui me informou. – Minha atenção vagou para Jay, e me
lembrei de como eu disse a ele ontem à noite, como ele tinha um talento especial para
puxar informações de mim. – Embora, honestamente, – Marina continuou, – mesmo se
ele o tivesse matado, eu não o teria culpado. Bruce era um ser humano desprezível.
Por um segundo eu estava surpresa com a dureza de suas palavras, a honestidade
nelas. Um silêncio caiu entre nós, e eu me comecei a sentir autoconsciente quando ela
me estudou. O que ela disse em seguida quase bateu o ar de meus pulmões.

– Você é mãe, – ela declarou.


Eu respirei fundo. – O quê? – Como diabos ela poderia saber isso?
Ela acenou para o meu lado, onde havia um Band-Aid da Disney em volta do
meu polegar. Eu cortei cortando legumes no outro dia e não tinha tido qualquer outra
marca na casa. Envergonhada por alguma razão, eu escondi a minha mão nas minhas
costas. Marina me deu um leve sorriso.
– Quantos você tem?

– Apenas um, – eu respondi.


– Que idade?
Eu não queria dizer a ela, mas eu não tinha outra escolha. – Quase seis.
Ela engasgou, seu rosto ficando sério quando ela mentalmente somou os anos. –
De King?
Eu balancei a cabeça. Ela desviou o olhar, franzindo a testa. Ao lado dela, Jay
xingou sob sua respiração.
– Você não pode dizer a ele, – Eu implorei. – Ainda não. É muito cedo. Eu vi
como ele estava na noite passada. Ele está tão vulnerável. Se você jogar isso em cima
dele, ele vai enlouquecer.

– Alexis, ninguém vai dizer a ele, – Jay me tranquilizou. – É a sua história para
contar.
Algo em sua voz, a maneira como ele falou, me acalmou. Eu atirei a ele um
olhar agradecido. – Obrigada.
– Venha com a gente, – disse Marina, se recompondo. – King passou a noite no
meu trailer. Jack deu banho nele e deu a ele algumas roupas limpas. Ele não teve uma
gota para beber desde ontem, então ele está sóbrio, mas ele está instável, taciturno. Ele
não vai estar no melhor humor, querida. A abstinência deixa ele um doente, porque seu
sistema está acostumando a ter álcool. Só sei que, se ele for cruel ou ruim, não é por
causa de você ou como ele se sente sobre você. É porque ele está em dor física. – Sua
bondade me surpreendeu, porque até agora eu não conseguia dizer se ela estava ou não
feliz por me ter lá. Agora eu sabia que ela estava; ela estava apenas preocupada como
minha presença iria afetar seu irmão. – Jack disse a ele que você estava vindo, então ele
sabe. Ele não disse muito, mas eu posso ver a mudança nele. Posso dizer que ele quer te
ver.
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Suas palavras me deram esperança. Nós viemos para um dos trailers maiores, e
isso foi quando o vi pela segunda vez em tantos anos. Havia uma mesa e duas cadeiras
do lado de fora. King estava sentado em uma das cadeiras, um copo semi acabado de
chá na frente dele e o que parecia ser uma tigela de mingau. Eu imediatamente percebi
as mudanças de ontem à noite. Seu longo cabelo dourado tinha sido lavado e pendurado
sobre um ombro. De certa forma, era lindo. Ele ainda tinha a barba, mas estava
limpo. Ele usava roupas limpas também, uma camisa azul e jeans escuros. Eu fiquei ali,
observando quando ele usou a mão trêmula para levantar a colher e trazer um pouco de
mingau à boca. Parecia que ele tinha dificuldade em engolir, e foi uma coisa difícil de
testemunhar.
Sua construção era a mesma que antes, mas um pouco mais preenchido, menos
magro e atlético. Não me interpretem mal, ele não era gordo, apenas mais espesso em
torno do pescoço e ombros, como parecia acontecer quando os homens se aproximavam
dos quarenta. Seu rosto tinha envelhecido um pouco, mas eu pensei que tinha mais a ver
com o consumo do que os anos que se passaram.
Ele deve ter percebido que ele tinha uma audiência, porque ele olhou para cima,
e eu juro que o ar ficou preso nos pulmões no momento em que seus olhos pousaram em
mim. Ele se levantou abruptamente da mesa, a cadeira caindo no chão atrás dele. Minha
pele se arrepiou com a consciência quando ele começou a se mover para frente, meu
coração batendo rápido quanto mais próximo ele vinha. Seu peito bateu nos meus
suavemente, seus olhos brilhando à luz do sol como antigamente. Eu mal podia respirar
enquanto suas mãos subiam para o meu rosto. Seus dedos começaram a acariciam às
minhas têmporas, em seguida, começou a mover-se lentamente para minhas
bochechas. Eu engoli duramente, meu peito vibrando com borboletas por tê-lo me
tocando. Seus dedos estavam calejados, mas tão suaves. Eu senti como se estivesse
permitindo que um animal selvagem me inspecionasse, percebendo que não era uma
ameaça.

Seus dedos vieram a minha mandíbula, e eu fiquei ali, imóvel como uma estátua,
minha respiração intensificando enquanto inspeção continuava. Seu olhar estava em
mim, tão intenso, e eu achei difícil de encontrar seus olhos. Finalmente, os levantei e
eles trancaram com os dele. Seus dedos estavam em minha garganta agora. Foi um
ponto vulnerável, sensível. Seus dedos cavaram um pouco e o ar saiu de dentro de
mim. Desconfortavelmente, tomei consciência da minha excitação. Ele cheirava a
limpeza, como sabão, e ele era o único homem que eu já amei. Meu corpo estava
programado para responder ao seu, não importa a circunstância. Meus mamilos
endureceram, uma dor persistente entre as minhas coxas.
Ele ainda estava me tocando, os dedos explorando a ascensão e queda da minha
clavícula. Eu podia sentir que suas mãos tremiam e me lembrei do que Marina tinha dito
sobre a abstinência. Eu fiquei encarando, confusa por como ele parecia tão fraco e tão
vital ao mesmo tempo.
Eu vi sua garganta mexer quando ele engoliu antes de murmurar um tímido, –
Olá.
Isso quebrou meu coração.
– Oi, – eu sussurrei de volta.
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Ouvi Marina falando por perto, mas dificilmente poderia me concentrar no que
ela disse. – Nós vamos dar a vocês um pouco de privacidade. Alexis, se você precisar de
alguma coisa é só ligar para o telefone de Jay, ok?
– Ok, – eu respondi baixinho, sem tirar os olhos de King. Eles saíram, e seu
corpo se inclinou mais perto até que eu podia sentir que ele estava duro dentro de suas
calças, apenas o toque mais leve contra a parte inferior do meu estômago. Devo ter feito
algum pequeno som de surpresa, porque suas pálpebras começaram a se agitar
nervosamente e ele desviou o olhar, recuando. Ele parecia embaraçado e envergonhado.

– Me desculpe eu.
Eu coloquei a mão em seu ombro. – Ei, está tudo bem.
– Não está, – ele resmungou, e se virou, voltando para a cadeira de praia e
pegando-a do chão. Ele sentou-se e pegou o copo, engolindo o resto do seu conteúdo
rapidamente. Deixando minha bolsa cair do meu ombro, me aproximei da mesa e tomei
o assento vazio. King observava cada movimento meu com cautela quando abri minha
bolsa e comecei a remover o tabuleiro de xadrez. Eu não disse nada, porque tudo
parecia ter estado indo bem até que nós falamos. Às vezes, as palavras simplesmente
complicavam as coisas.
Memórias brilharam em seus olhos quando ele viu o que eu tinha. Eu vi um
caleidoscópio de imagens também, todos os nossos jogos privados juntos. Eu abri a
placa para que ele colocasse em cima da mesa, em seguida, comecei a retirar as
peças. Elas eram feitas de madeira maciça, então eram pesadas, mas eram de
qualidade. Eu tinha comprado o conjunto recentemente, tinha planejado começar a
ensinar Oliver como jogar.

Oliver.
Como eu iria dizer a King que ele tinha um filho? A perspectiva enviou uma dor
aguda no meu peito. Ele tinha faltado muito, e ele nem sequer sabia da missa a
metade. Lentamente, eu me lembrei. Eu precisava dar um passo de cada vez.
Os olhos de King não me deixaram, seu olhar focado em minhas mãos enquanto
eu ajeitava o jogo. Pegando um peão, abri o jogo. Ele me observava, e um silêncio
seguiu. Parecia durar para sempre, e eu não tinha certeza se ele iria se juntar a
mim. Então, quase timidamente, ele se inclinou para a frente e fez um movimento. Meu
coração pulou. Era uma coisa tão pequena, e ainda o fato de que ele estava jogando
significava o mundo para mim.

Sentamos em silêncio por um longo tempo. Eu continuei dando olhares furtivos


para ele ter certeza de que ele ainda estava envolvido. Concentrado no jogo parecia estar
lhe fazendo bem. Suas mãos estavam ainda instáveis, é claro, mas isso não podia ser
evitado. Eu odiava que ele estava com dor e não havia nada que eu pudesse fazer para
aliviar isso. Ficamos em silêncio por tanto tempo que me assustei quando ele falou,
olhando para a placa como se calculando a sua próxima jogada.
– Como você me encontrou? – Ele perguntou, a voz baixa.
– Lille, – respondi simplesmente, e sua mandíbula parecia apertar.

– Essa menina nunca para. Uma benfeitora.


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– Eu estou feliz por isso. Procurei você por anos.
Ele coçou a barba e franziu a testa, ainda não olhando para mim. – Por que você
faria isso? – Ele parecia genuinamente perplexo.
– Porque eu... – Minhas palavras caíram, minha garganta entupindo de
emoção. Eu queria dizer que era porque eu o amava, mas mesmo quando estávamos
juntos, nós nunca realmente dissemos um ao outro corretamente. Nós dois
sabíamos; nós nunca dissemos isso. Por alguma razão, eu não poderia dizer isso agora,
também. Eu senti que poderia assustá-lo. – Porque eu me importo muito com você,
Oliver.
Ele soltou um suspiro longo e doloroso. – Você viu o que eu fiz.
Eu não disse nada, apenas esperei.
– Você viu o que eu fiz, e você ainda se importa comigo. Como isso é possível?
Descrença coloriu suas palavras. Em um instante, eu poderia vê-lo um pouco
mais claro. Ele tinha estado tão envergonhado do que eu tinha visto ele fazer que ele
achou ter se destruído em meus olhos. Ele tinha pensado que qualquer futuro que
pudéssemos ter juntos foi destruído também. Tudo tinha acontecido anos atrás, e ainda
assim eu podia ver que ele ainda estava traumatizado. Ele tinha simplesmente se
transformado em algo mais, algo feio. Auto ódio.
– King, – eu disse, frustração se construindo em como ele não me dava seus
olhos. – King, você pode olhar para mim?
Ele levantou a cabeça, e wow, cada vez que ele me nivelava com seu olhar, me
deixava sem fôlego. Ele ainda era tão bonito, mesmo diferente. – O que aconteceu
naquele dia, não foi como você pensa. Você deveria ter me chamado, feito contato.

As pernas da cadeira rasparam o chão quando ele se mexeu no lugar,


agitado. Quando falou, suas palavras foram empoladas e roucas. – O que quer dizer, que
não foi como eu penso?
Eu me aproximei e peguei sua mão na minha, mas ele afastou bruscamente do
meu toque. – Quer dizer que você nunca matou Bruce. Ele sobreviveu. Ele foi enviado
para a prisão e foi morto por outro preso. Sua mãe sobreviveu também. Ela ganhou a
consciência logo depois que você fugiu.
O ar em torno de nós parecia ainda mais pesado enquanto eu compreendia a
estupidez de apenas deixar escapar tudo de vez. King estava com raiva, balançando a
cabeça em descrença quando ele se empurrou violentamente da mesa, quase derrubando
a placa. – Não, – ele disse duramente. – Não.
Porra. Eu estava bombardeando-o com muito, muito rapidamente. O que diabos
eu estava pensando? King se virou e se afastou, seu andar um pouco instável, como se
pudesse desabar a qualquer momento. Eu não tinha certeza se era por ter se levantado
ou pelo choque do que eu tinha acabado de dizer. Corri atrás dele e peguei seu
braço. Ele recuou do meu toque, então eu joguei meu corpo na frente do ele. Ele parou
de andar, apenas uma polegada entre nós.
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– Sinto muito, – eu disse, sem fôlego. – Eu não deveria ter dito tudo isso. Ainda
não. Você não está pronto.
– Eu não sou um inválido, – ele assobiou.
– Eu sei disso.
– Bem, então, não me trate como um, – ele soltou, a voz engasgada quando seus
olhos aguaram de lágrimas. Ele tentou piscá-las, mas não adiantou. Agonia marcou sua
cada feição.
– Sinto muito, – eu sussurrei.

Sua emoção não me surpreendeu tanto quanto sua altura. Quão sensível eu
poderia ser? Eu vi seu rosto, vi todas as realizações caírem sobre ele como uma tonelada
de tijolos. Eu sabia exatamente o que ele estava pensando. Ele estava imaginando o
tempo todo que ele tinha perdido, porque ele achava que ele era um assassino. Ele havia
se escondido, bebendo quase até a morte, pensando que a única outra opção era a
prisão. Se apenas ele estendesse a mão, tivesse entrado em contato. Mas não, ele estava
muito perdido, enterrado sob uma montanha de álcool e culpa. Eu podia ver que eu
estava perdendo ele, e eu não podia deixar que isso acontecesse. Eu não podia deixá-lo
se perder em arrependimentos.

– Volte e jogar comigo, por favor. Não temos de falar, apenas jogar, – eu disse,
desesperada.
Seu rosto ficou intenso, e minha pele se arrepiou.
– Não. Você deve ir, – disse ele, irritado, se afastando de mim.

Dei um passo para frente, fechando a distância entre nós, mais uma vez, e olhei
para ele de forma aberta, não escondendo nenhuma da vulnerabilidade que eu sentia por
dentro. – Por favor, King, – Eu sussurrei.
Um tremor passou por ele quando eu disse seu nome, e ficamos ali, trancado em
um concurso de encarar que parecia que nunca iria acabar. Depois de um longo tempo,
sua angústia parecia morrer quando ele percebeu que eu não ia desistir e ir embora.
Finalmente, ele soltou, – Certo. Vamos jogar, então.
Alívio me inundou. Fiz um gesto para ele liderar o caminho de volta. Ele se
virou. O segui até que estávamos à mesa, nos sentando para continuar o nosso jogo. Era
meados de julho, e o tempo estava quente. Estava um pouco quente demais para um
casaco, então eu tirei o meu e pendurei sobre as costas da minha cadeira. Alguns dos
botões da minha blusa tinha se desfeito, revelando a borda do meu sutiã de renda
preta. Corri para fechar o botão, sentindo a sua atenção em mim. Se qualquer coisa,
meus peitos tinha ficado um pouco maiores ao longo dos anos, provavelmente porque
eu tinha ganhado alguns quilos depois que eu tive Oliver. King usava nenhuma
expressão, mas seus olhos praticamente me queimavam, e eu já estava muito quente do
sol. Eu estava um pouco contente, apesar de tudo. Pelo menos desta maneira ele poderia
estar pensando em outra coisa que não fosse seu fodido passado.
Nós continuamos a jogar em silêncio, mas eu podia sentir a sua necessidade
agora como um toque físico. Eu não tinha certeza qual de nós estava mais desesperado
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para o conforto humano, ele ou eu. Talvez nós estávamos em pé de igualdade. No
entanto, eu sabia que, ao contrário de mim, King não queria reconhecer o que ele sentia.
Eu estava ganhando o jogo, que era fora do comum, porque ele sempre ganhava
mais do que eu. Olhei para ele para ver sua testa franzida e seu lábio superior
puxado. Sem sequer pensar, eu sabia que ele estava com dor. Sua cabeça deve ter estado
latejando por causa do álcool, sem mencionar a verdade feia de tudo que eu disse a ele.

– É o trailer de Marina? – Perguntei, hesitante, apontando para a van. Ele


assentiu. – Vamos para dentro? Está ficando muito quente aqui fora. Eu preciso de
alguma sombra.
Sem dizer uma palavra, King se levantou e abriu a porta para o trailer. Ele deu
um passo para trás e me deixou ir primeiro. Pela decoração, você poderia dizer que o
lugar pertencia a uma mulher mais velha. O sofá era feito de um material de estampa
floral, e havia toalhinhas na mesa de café e ornamentos antigos em todos os lugares. No
momento em que King fechou a porta atrás de nós, me arrependi de sugerir vir para
cá. Parecia muito pequeno, muito perto. Mas eu sabia que o sol estava tendo seus efeitos
sobre ele, e ele parecia precisar se deitar.
– Está tudo bem se eu pegar um copo de água? – Perguntei.
King deu de ombros.
– Você gostaria de um?
Outro encolher de ombros. Se a maneira como ele estava suando era qualquer
indício, ele estava com sede. Enchi dois copos e fui até onde ele estava sentado no sofá,
antes de lhe entregar um. Ele pegou e bebeu um longo gole. Não havia outro lugar para
sentar, por isso tomei o lugar ao lado dele, algumas polegadas entre nós.
– Alexis, você... você sabe como minha mãe está, onde ela está? – Ele
perguntou, e ele parecia tão vulnerável, então isso fez meu coração se apertar.
– Sim, claro, – eu corri para responder. – Ela mora perto de mim agora. Eu tenho
uma casa em Waltham Forest. Sua mãe vendeu a casa de Bloomsbury e comprou uma
pequena casa de campo nas proximidades. Nós ficamos próximas depois do que
aconteceu, nos tornamos amigas. Você tem que vê-la nos dias de hoje, King. Ela sai
para passear sozinha, vai comprar sua comida, ela até... – Eu parei bem na hora. Eu
estava prestes a dizer a ela: Ela ainda cuida de Oliver quando estou trabalhando. Eu
precisava ser melhor em me censurar em torno dele, pelo menos por um tempo.
Quando eu olhei para ele, ele parecia em conflito, ainda esperançoso. O mundo
de repente não estava tão envolto em nuvens negras como ele tinha pensado. – Então ela
está indo bem, está melhor?
– Ela teve um monte de ajuda, Oliver. Eu e meus pais, nós meio que tomamos
conta dela depois... Quer dizer, ela ainda sente sua falta todos os dias, chora por você, se
pergunta onde você está. Nós duas... nós suas sentimos.
Ele ficou em silêncio, como se estivesse lidando com algum tipo de agitação
interna. Limpei a garganta e fiz o meu melhor para mudar de assunto. – Eu comecei
meu próprio negócio um par de anos atrás. É uma agência de modelos plus-size. É
pequena, mas está indo bem até agora. Eu tenho um pequeno escritório em Finsbury
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Página
Park, – eu disse, um pouco de autodepreciativa. – Eu vi como todas essas agências
trabalhavam e ficava pensando comigo mesma, eu posso fazer isso com meus olhos
fechados. E eu sempre lembrei de você me dizendo que eu poderia fazer qualquer coisa,
ir a qualquer lugar, que eu tinha a capacidade. Sua fé em mim foi onde a minha
confiança de ir sozinho veio.
Eu podia ver que as minhas palavras significavam muito para ele. – Obrigado, –
ele murmurou. – Obrigado por dizer isso.
– Obrigada por me mostrar que eu poderia ser mais do que apenas um a barman
de East End, – eu disse com um pequeno sorriso, me sentindo mais emocional, de
repente. – Se eu não tivesse te conhecido, eu não tenho certeza se eu teria saído daquele
buraco.

– Você teria. – Ele olhou para o copo em suas mãos, agora vazio.
– Quer outro? – Perguntei, apontando para ele.
Ele não respondeu, apenas entregou para mim.
Eu fui até a pia para recarregar, em seguida, caminhei de volta para o sofá. King
tinha ficado ainda mais pálido, e parecia que ele poderia querer vomitar. Ele também
parecia desconfortável, como se ele não me quisesse lá para testemunhar isso. Eu
coloquei o copo sobre a mesa e peguei a minha bolsa, fazendo um show enquanto
olhava para o relógio.
– Bem, eu tenho algumas coisas para fazer enquanto eu estiver na cidade, mas eu
gostaria de voltar mais tarde, se estiver tudo bem para você? – Eu disse calmamente.
Levou um segundo para responder quando ele engoliu em seco. – Sim, sim, está
tudo bem.

– Bom, – eu disse, sentindo estranha. – Eu te vejo mais tarde, então.


Ele não respondeu, apenas assentiu. Eu coloquei a minha bolsa no meu ombro e
fiz meu caminho para fora do trailer. O sol batia em mim, me fazendo sentir um pouco
tonta. Saí do circo e fui para a rua de onde eu tinha estacionado o meu carro. Uma vez
que eu estava em segurança lá dentro, eu deixei minha cabeça cair para trás e exalei. Eu
odiava isso. Eu odiava que eu tinha que deixá-lo lá para sofrer sozinho, mas eu não
queria que ele se sentisse fraco na minha frente. Eu sabia que ele iria se sentir
humilhado se eu o visse vomitar.
Uma vez que eu me acalmei, eu peguei meu telefone e liguei para casa. Karla
atendeu depois de um par de toques e passei alguns minutos conversando com ela,
perguntando como Oliver estava. Ela era boa em não me perguntar em como meu dia
tinha sido, e é isso que eu precisava naquele momento. Eu precisava não falar sobre
King, porque se eu fizesse, eu iria acabar tendo outra crise de choro.
Nós desligamos e eu saí com o carro. Fui até um café nas proximidades, pedi
algo para comer, mal percebendo o que eu pedi desde que a minha mente estava tão em
outro lugar. Sentei-me do lado de fora por um longo tempo, bebendo um copo morno de
café e perguntando como isto iria acabar. Eu tinha ficado fora por cerca de três horas
quando eu finalmente fiz meu caminho de volta para o circo. Eu fui para o trailer de
Marina primeiro, mas não havia ninguém lá, então eu fui na direção do gazebo da noite
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Página
passada. Havia um monte de pessoas zanzando, algumas pessoas comendo, outras
conversando.
Avistei Jay, Jack, Matilda e Lille em uma mesa de jantar, e King estava sentado
ao final da mesa, bebendo uma cerveja. A visão dele com álcool fez um número em
mim, e meu coração deu um salto mortal no meu peito. Por que diabos eles estavam
deixando ele beber?

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Dezoito

Eu dei alguns passos para frente até que eu estava de pé ao lado da mesa. Foi
Jack que me viu primeiro, e ele deve ter visto onde os meus olhos estavam mirando, já
que ele começou a explicar rispidamente: – Ele não pode parar de vez. Vai matá-lo. A
cerveja é leve, boa para desintoxicar.

– Oh, – eu sussurrei, de repente entendendo.


– Sim, lembra o que aconteceu com aquela Amy Winehouse? – Matilda
canalizou. – Que história triste.
Havia um tamborete vazio ao lado de King, mas eu pairei lá, sem saber se eu era
bem-vinda. Encontrei os olhos de Jay, e ele me lançou um olhar que dizia: Pare de ser
idiota e se sente. Então eu dei a volta na mesa e sentei. Eu podia sentir que King estava
ciente da minha presença, mas ele não disse nada. Não olhou. Fiquei imaginando o que
ele estava pensando, imaginando se ele ainda estava chegando a um acordo com tudo o
que eu disse a ele mais cedo. Palavras não ditas penduradas entre nós. Os outros
conversavam um pouco, mas uma atmosfera estranha tinha descido sobre o grupo, e eu
sabia que era pela minha chegada. Foi por isso que eu fiz o que sempre fazia e tentei
preencher o silêncio com a minha própria vibração, fingindo que eu estava confortável
quando na verdade eu era exatamente o oposto.
– Então, vai haver show hoje à noite? – Perguntei, forçando um tom casual. – Eu
sinto muito, eu nem sequer perguntei o que todos fazem aqui ainda.

– Não seja boba, – disse Lille, sua voz suave. – Você tinha tanta coisa para
pensar. – Eu vi uma careta nela depois que ela disse isso, como se ela tivesse achado
que poderia ter sido um pouco desajeitada com as suas palavras. Eu não me
importava. De modo nenhum. Eu preferia muito mais palavras desajeitadas do que
silêncio.
– Bem, – Jay começou a explicar, – Jack e eu somos artistas. Eu faço ilusões, e
Jack é um engolidor de fogo. – Ele balançou as sobrancelhas e me deu um sorriso. –
Realmente perigoso. – Jack revirou os olhos para o irmão e deu uma mordida em seu
frango. – Lille pinta rostos para os pequenos, e Matilda aqui projeta o show de fantasias.
– Ele passou um braço em torno do ombro de sua esposa.
– Bem, eu estou realmente apenas começando, – Matilda acrescentou
timidamente. – Eu projetei as coisas para Jay por um tempo, então alguns estão me
deixando por a minha mão na criação de alguns projetos para eles também.
– Oh, isso é legal. Eu trabalho por mim mesma. Bem, não em design, mas eu
executo uma agência de modelos de pequeno porte.
Os olhos de Matilda iluminaram com interesse. – Sim, é mesmo. Lille me disse.
Nós conversamos um pouco sobre moda, mas o tempo todo eu nunca me senti à
vontade. Eu podia sentir King me observando atentamente. Eu não tive a coragem de
olhar para ele. Seus dedos estavam cruzados em torno de sua garrafa de cerveja, e eu me
perguntei se ele se sentia estranho sobre eu estar lá, tentando se encaixar com todos
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esses estranhos que pareciam conhecê-lo muito melhor do que eu. Bem, eles conheciam
o homem que ele era agora melhor do que eu, de qualquer maneira.
A minha participação na conversa morreu quando me tornei cada vez mais
consciente da sua atenção e presença.

– Hey, Watson, você conseguiu remendar essa camisa para esta noite? Eu
preciso dela para a segunda parte do meu ato, – Jay perguntou à esposa.
– Sim, – respondeu Matilda. – Está tudo feito. Deixei no armário para você.
– Bom, eu não quero ir dar as senhoras na plateia outro prato cheio, – disse ele, e
me atirou um sorriso brincalhão. – Na noite passada eu estava mudando de traje, eu tive
um problema com meu guarda roupa. A rupa mal cobriu minhas coisas.
– Você definitivamente deu a Janet Jackson mais dinheiro, – Matilda disse,
rindo.
Eu ri e sabia que Jay sentiu meu desconforto quando ele me enviou uma
expressão quente. É por isso que ele fez a piada. Eu estava grato a ele. Lille também riu,
enquanto Jack sorria e parecia estar suprimindo outro rolar de olhos. Arrisquei um olhar
para King para descobrir que ele não estava sorrindo. Isso fez a minha pele
formigar. Talvez ele não me quisesse lá. O pensamento me sacudiu, e de repente eu
queria fugir. Peguei minha bolsa do chão e atirei por cima do meu ombro.
– Bem, está ficando tarde. Eu provavelmente deveria ir. Talvez eu possa vir
visitar novamente amanhã? – A insegurança na minha voz era palpável, e eu odiava
como soava.
O segundo que eu fiz um movimento para ficar de pé, a mão de King pegou o
meu pulso. Isso me chocou, desde que ele mal registrou a minha presença, e agora ele
estava me tocando. A sensação de sua pele na minha enviou um tremor através de mim,
e eu olhei para ele, vendo uma pitada de desespero em seus olhos. – Não vá ainda, –
disse ele, a voz baixa e suplicante.
De repente me dei conta do que tinha estado realmente acontecendo. Ele me
queria lá; ele estava apenas embaraçado e envergonhado de como ele estava, como eu
tive que sair tão rapidamente mais cedo para que eu não o testemunhasse vomitar.
Abaixei-me de volta para o banco, e ele soltou meu pulso. – Ok, eu posso ficar
por mais um tempo, – eu disse calmamente.
Meus olhos permaneceram em King quando Lille anunciou: – Todos nós
devemos começar a nos preparar para o show de hoje à noite. Foi ótimo vê-la
novamente, Alexis.
Eu balancei a cabeça para ela, sorrindo, e todo mundo se levantou da mesa para
sair. Alguns momentos depois era apenas King e eu, sentados sozinhos, enquanto os
trabalhadores do circo conversavam e comiam em torno de nós. Meus poros
formigavam quando eu senti muita atenção de King, seu calor ao meu lado. Tudo o que
levaria era chegar a alguns centímetros, e eu estaria tocando-o novamente. Mas eu não
fiz isso porque ele ainda estava desconfiado, ainda feral de alguma forma.
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Página
– A minha mãe sabe que você me encontrou? – Ele perguntou, uma
vulnerabilidade em sua voz.
Meus olhos se suavizaram quando eu sussurrei: – Ainda não, – então falei um
pouco mais alto quando eu limpei minha garganta. – Você quer que eu diga a ela?

Algum tipo de turbulência passou sobre suas características, e ele sacudiu a


cabeça com fervor. – Não. Eu... eu não quero que ela me veja. Assim não.
E lá estava novamente, a vergonha. Eu odiava tanto.
Por instinto, eu estendi a mão e tentei pegar sua mão na minha, mas ele se
afastou. Ele é feroz, Alexis, tente se lembrar. Eu tinha que ficar me lembrando de tratá-
lo com cuidado, como se ele fosse um animal selvagem não está acostumando a ser
tocado. Foi difícil, porque eu era tão tátil nos dias de hoje, especialmente em casa com
Oliver. Estávamos sempre nos abraçando ou brincando de brigar, ou apenas geralmente
brincando.
– Eu tenho que contar a ela, eventualmente, – eu disse suavemente.
Ele só olhou para mim e foi demais. Eu tive que desviar o olhar.
– Eu sou tão terrível para você agora? – Ele perguntou com desgosto.
Imediatamente, eu trouxe o meu olhar para o dele. – Nunca. Você sempre foi
bonito para mim. – Eu deixei meus olhos vagarem sobre suas características, mais
velho, distinto. Sua cabeleira dourada e sua barba cheia. Não, ele não era horrível. Na
verdade, ele poderia ter estado mais bonito agora que ele era falho, mais humano. Ele
fez uma careta, algo que pareceu desconforto, ou talvez fosse constrangimento. Era
óbvio que ele não estava confortável com as pessoas olhando para ele. Também ficou
claro que tinha sido um longo tempo desde que alguém tinha usado a palavra ‘bonito’
para descrevê-lo.
– Por que você nunca entrou em contato comigo? – Eu sussurrei. Eu pensei que
eu já sabia a resposta, mas eu queria ouvi-lo dizer isso.
Levou um longo tempo para ele falar, e quando o fez, a ferocidade de sua voz
me assustou. – Depois que você viu o que eu tinha feito, a violência que eu era capaz,
eu pensei que você não iria me querer. E eu não queria saber nada sobre a minha antiga
vida porque ela não era minha mais. Eu tinha destruído com minhas próprias
mãos. Todo esse potencial se foi em um instante. Mamãe estava morta, e que eu era um
assassino. Não havia mais nada para mim nesse mundo. – Ele ergueu as mãos como se
estivesse com dor.
– Mas e Marina? – Prossegui. – Por que ela nunca procurou por Bruce ou sua
mãe?

– Marina não vive como a maioria das pessoas. Este circo é tudo para ela. O
estilo de vida nômade é o que a faz feliz. Ela nunca realmente abraçou a tecnologia, não
usa a Internet, nem sequer realmente lê os jornais. É como ela vive.
– Eu não entendo...
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Página
King esfregou a mão sobre a boca, como se ele realmente não quisesse falar, mas
estava forçando a si mesmo por mim. Então eu não iria embora. Eu tentei o meu melhor
não perder controle das minhas emoções. Toda vez que eu olhava para ele, eu não sabia
se eu queria chorar e beijar cada polegada dele ou sacudi-lo com raiva por se maltratar
tanto. Era uma sensação estranha de amar alguém tão completamente ainda que
ferozmente odiar suas ações. Suas palavras me tiraram dos meus pensamentos.
– Marina foi o primeiro filho de nosso pai, nascida quando ele ainda era um
adolescente. Ela suportou o peso da sua crueldade porque ele estava em sua vida mais
do que tinha estado na minha. E ele era um pai violento. Ela queria ficar longe dele, e
ela fez isso acontecer por desaparecer. O circo era o escape perfeito, a maneira perfeita
de desaparecer.
– Foi somente através do pequeno contato que teve com sua mãe, que ainda era
casada com Bruce, que ela descobriu sobre mim e como ele estava me
chantageando. Então, ela entrou em contato. Ela queria me ajudar, porque ela nunca
teve um irmão, mas também porque ela sabia o quão terrível o tratamento de Bruce
poderia ser. Nós nos tornamos amigos. Ela me visitava sempre que ela estava perto de
Londres. Eu mesmo a ajudei com dinheiro quando o circo não estava indo tão bem. E
então, quando eu pensei que eu, – ele parou, sua voz cada vez mais tensa, – quando eu
pensei que eu tinha matado Bruce, quando eu pensei que tinha perdido tudo, foi para
onde eu fui. Se Marina tinha conseguido formar uma vida de obscuridade aqui, então
talvez eu também poderia. Eu esqueci de prever que não importava onde eu fosse,
minha própria mente se tornaria uma prisão.
Fiquei ali sentada, absorvendo suas palavras, sentindo como se este tenha disso o
máximo que ele tinha falado com ninguém em um tempo muito longo. Eu queria tocá-
lo, mas novamente me lembrei que eu não deveria.
– O que quer dizer? – Perguntei, franzindo a testa.
Ele começou a tossir e parecia terrível, pesado, a respiração ofegante. – A mente
se torna uma prisão, uma vez que reproduz suas imagens, e tudo que você quer fazer é
acabar com elas. Acabar com a repetição. O álcool é uma maneira tão fácil de fazer isso,
acalmar tudo. Torna-se uma necessidade básica, como água ou ar. De repente, você mal
pode ficar uma hora sem tê-lo em seu sistema.

Ele esfregou os olhos e, em seguida, a testa, como se para acalmar uma dor. – Eu
me sinto horrível quando eu não bebo. Agora é como se existissem estas formigas na
minha pele, rastejando em cima de mim, e eu posso sentir cada uma delas como
essa coceira.
Eu tentei não deixar meu medo aparecer quando ele expressou o que estava
sentindo em voz alta. Era tão fácil simplesmente aceitar que ele estava abandonando o
álcool sem pensar em como ele se sentia. Eu não era a pessoa dentro de seu corpo, tendo
que sentir cada segundo da agonia.
– Você acha que pode parar completamente? – Eu perguntei antes de alterar a
minha pergunta. – Quero dizer, você quer?
Ele olhou para mim, seus olhos cheios de dor e pesar. – Eu realmente não sei.
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Página
Engoli em seco, tentando não deixar que a sua resposta me machucasse. Seria
ridículo pensar que só porque eu estava lá, só porque eu tinha encontrado ele, que ele
tinha de repente faria uma recuperação milagrosa. Que seu vício seria simplesmente
esquecido porque a mulher que o amava tinha vindo encontrá-lo. Sim, eu estava
chateada, com raiva até, mas eu não estava ofendida. Era irrealista pensar que ele
poderia ficar melhor em um piscar de olhos. Eu não era um anjo ou uma princesa
mágica. Eu era apenas uma pessoa, e ele era apenas uma pessoa, e juntos estávamos
lutando no escuro para tentar entender um ao outro.
King começou a ficar incomodo, descascando o rótulo de sua garrafa de cerveja
agora vazia. Eu não tinha certeza se era um sinal de que ele estava impaciente para mais
ou se a conversa estava deixando-o irritado. Eu não tinha em mim força para oferecer
para lhe comprar uma bebida. A mudança de assunto foi tudo o que consegui.
– Você sabe que o seu apartamento ainda está lá? Sua mãe esteve cuidando da
manutenção. Todas as suas coisas ainda estão lá, também, e seu piano. Você toca?
– Não, – King respondeu abruptamente. – Eu não toco mais.
Eu balancei a cabeça, e não empurrei o assunto, mas simplesmente lhe disse: –
Você costumava tocar tão bem.
– Todas essas coisas... elas podem estar lá, mas elas não se sentem como meu
mais. Você deve dizer a mamãe para vendê-los, vender o apartamento, eu não sei, se
livrar dele. Eu não mereço nada disso.
– Claro que sim. Você trabalhou para pagar tudo.
– Não há nenhum ponto já que ninguém mais acredita nisso.
Não entendi o que ele estava falando no início, mas, em seguida, isso me
bateu. – Você quer dizer a campanha de difamação de Bruce? Oh, Oliver, tudo isso foi
exposto anos atrás. Isso saiu durante o seu julgamento. O seu nome foi completamente
apagado.
Sua boca se moveu de uma forma estranha, como se ele compreendesse o que eu
estava dizendo a ele. Ele parecia perturbado, e novamente eu me senti como uma idiota
por sem a menor cerimônia, jogar os fatos sobre ele. Eu só não sentia como se houvesse
alguma maneira correta de fazer isso. Não importa o quão cuidadosa ou sensível eu era,
a verdade ia ser uma pílula difícil de engolir. King se levantou de seu assento, de pé no
lugar por um segundo. Eu pensei que ele estava prestes a sair, perturbado pela notícia de
que ele tinha sido inocentado de qualquer má conduta. Mas então ele começou a tossir
novamente e se sentou abruptamente, sua mão indo para o peito como se ele estivesse
com dor grave. Desta vez, a respiração ofegante soou ainda pior, e meu estômago
apertou com preocupação.
– Quando foi a última vez que você viu um médico? – Perguntei,
preocupada. Seu olhar era toda a resposta que eu precisava. Ele não tinha visto um
médico em anos. De repente eu estava desesperada para levá-lo para o hospital e ele
olhou por cima, com medo de ter alguma doença terrível causada por seu abuso de
álcool. Uma vez que seu ataque de tosse melhorou, sugeri baixinho: – Você deveria me
deixar levá-lo.
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Ele balançou sua cabeça. – Eu vou ficar bem.
Sua resposta abrupta me deixou perplexa, e antes que eu tivesse a chance de me
censurar, eu disse a ele bem direta. – Você costumava ser o homem mais inteligente que
eu conhecia. Então não me venha com essa.

Eu esperava que ele ficasse com raiva ou brigasse comigo, que era por isso que
eu fiquei surpresa quando um sorriso doloroso se formou em seus lábios. – Você não
mudou, não é?
Eu devolvi o sorriso, a pequena expressão praticamente iluminando-me de
dentro para fora. Eu queria manter aquele sorriso, deixá-lo como prova de que a
felicidade ainda era possível para ele. – Nah, se alguma coisa, eu só fiquei melhor com a
idade.
Seus olhos intensos praticamente fizeram um buraco em mim. – Eu não duvido.
Eu tremi, e ficou claro que ele viu. – Frio?

Eu balancei minha cabeça. Seus olhos aqueceram e seu peito subia e descia
lentamente quando ele tomou uma respiração profunda. – O que, então?
– Só... – Eu suspirei. – Recordações.
Ele levantou uma sobrancelha questionando. Eu continuei olhando para ele até
que ele finalmente entendeu, e então algo em sua postura mudou. Ele parecia menos
doente, vulnerável e mais do velho King confiante de que eu conhecia. Foi apenas um
vislumbre, mas ele me afetou até as pontas dos meus dedos. Um arrepio percorreu-me e
King se aproximou, o olhar aceso, suas palavras quase um sussurro. – Diga-me.

– Você se lembra da sessão de fotos?


King sorriu de novo, e meu coração correu. Mais, instou, preciso de mais disso
colocar na caixa sagrada de sorrisos. – Aquele em que eu descobri que você era uma
mentirosa suja? Porque, sim, eu acredito que me lembro.
Ele estava me provocando agora, e meu estômago deu uma cambalhota de
alegria. Eu precisava manter este curso, impedi-lo de pensar sobre a dor que ele estava.

– Bem, eu estava só pensando em você naquelas calças de brim e como você não
se importou de estar semi-nu em uma sala cheia de pessoas. Você estava tão à vontade
consigo mesmo.
Ele deu de ombros e olhou para a mesa, em seguida, de volta para mim. – A
nudez nunca me incomodou.
– Eu poderia dizer. Foi tão sexy. Eu era como, me mate agora, porque não há
nenhuma maneira que eu vá ser capaz de continuar fingindo que eu sou um léxica com
este perfeito exemplar masculino. – Eu amei o som de sua risada de resposta suave e
assisti sua reação às minhas palavras com cuidado. Fiquei encantada por que eles
tinham tido o efeito desejado. Eles fizeram com que ele se sentisse elogiado, orgulhoso,
uma vez ter sido digno de admiração feminina. Isso significava que ele poderia se sentir
assim novamente. Eu queria que ele visse que havia coisas que valiam a pena viver, e às
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Página
vezes as pequenas coisas eram as melhores. Como quando uma mulher percebe você
andando na rua, ou quando alguém flerta com você e sinaliza sua atração.
– Eu tinha começado a suspeitar, – King admitiu. – A maneira como você olhava
para mim às vezes...

– O quê? – Eu perguntei, ansiosa para saber o que ele estava prestes a dizer.
Ele me nivelou com os olhos. – Às vezes você olhava para mim como se me
quisesse.
Eu fiquei quente de repente, e ri para tentar neutralizar o momento. – Bem, suas
suspeitas eram verídicas.
Ele se virou para mim totalmente, em seguida, sua cabeça inclinou para o lado
com curiosidade quando o seu olhar se desviou pelo meu corpo de forma aguda. –
Quanto tempo tem sido para você?
Sua pergunta me surpreendeu e me pegou desprevenida. Oh, como ele poderia
me ler tão bem, mesmo depois de todos estes anos. Fez meus poros formigarem pensar
que ele estava prestando atenção. Sim, eu sabia exatamente o que ele estava pedindo,
mas a resposta honesta me envergonhou. Na verdade, tinha sido anos desde que eu tinha
tido relações sexuais.
King tinha ido embora há meses, desapareceu sem deixar rasto. Eu apenas
descobri que estava grávida e estava me sentindo terrivelmente triste. Lee ainda estava
farejando Karla enquanto eles faziam seus velhos jogos de: ‘eu te odeio, mas eu quero
foder você’. Estávamos em um pub uma noite, quando os irmãos tinham aparecido. Eu
não estava bebendo, é claro, mas eu não estava no meu juízo perfeito, tampouco. E
quando Stu se aproximou e começou a fazer os movimentos, eu sucumbi a
eles. Evidentemente, não era a minha melhor hora, mas eu estava solitária e deprimida e
só queria sentir o conforto de outro ser humano. Isso foi há seis anos, e também a última
vez que eu tinha tido relações sexuais.
Eu decidi imediatamente que eu não ia dizer a King sobre aquela noite com Stu,
porque seria contraproducente e inútil. No entanto, eu também não iria enganá-lo em
acreditar que eu tinha estado com ninguém desde que ele também.

– Muitos anos, – respondi finalmente.


Seus olhos pousaram na minha boca antes de se mover para encontrar o meu
olhar. – Você não está com ninguém agora?
Eu balancei minha cabeça. Ele franziu a testa e fez outra pergunta. – Por que
não?
Puxei conscientemente a barra da minha blusa. Eu tinha estado usando durante
todo o dia, e estava começando a ficar um pouco úmida. – Acabei ficando ocupada, – eu
respondi, em seguida, me apressei a acrescentar: – Com a agência, mantendo tudo
funcionando perfeitamente. Você quase não tem um momento para si mesma quando
você geri o seu próprio negócio. – E tem um menino de cinco anos de idade para
cuidar, minha consciência colocou.
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King olhou para mim, e o silêncio durou um longo tempo até que eu tive que
quebrá-lo. – E você? – Eu sussurrei, e agora era a sua vez para se tornar autoconsciente.
– Eu não, eu quero dizer... algumas das mulheres aqui, elas tentaram, mas estou
sempre... eu nunca estou realmente presente o suficiente, você sabe.

O que ele disse fizeram meus instintos protetores chutarem em alta velocidade. –
Elas nunca tentaram estar com você contra a sua vontade, não é?
Os olhos de King queimaram com a minha pergunta, e ele se apressou para me
corrigir. – Deus, não.
Deixei escapar um suspiro de alívio. – Então você não fez?
Ele balançou a cabeça, e meu coração doeu por ele. Ele realmente tinha estado
preso. Tão só. Me chocou perceber que eu poderia ter preferido que ele tivesse tido
alguém. Não me interpretem mal, eu odiava a ideia ao mesmo tempo, porque no meu
coração ele pertencia a mim e mais ninguém. Mas o fato de que ele não tinha tido
qualquer companhia brilhou uma luz forte em seu sofrimento. Eu queria que ele tivesse
um momento de alívio em meio à turbulência, mesmo que o fizesse me deixasse cm
ciúmes como o inferno.
Nós compartilhamos um momento de profundo intenso contato com os olhos, e
então ouvi a música começar a tocar a partir de dentro da tenda do circo. Foi uma
passagem de som e luz, um tilintar de piano flutuou em torno de nós. A expressão de
King se transformou pelo som e eu sabia que ele estava lembrando o quanto ele adorava
tocar.
– Eu te disse que Elaine começou a tocar de novo, não foi? – King olhou para
mim. Limpei a garganta. – Bem, não para o público ou qualquer coisa assim. Só em
casa. Eu acho que é terapêutico para ela. Você deveria pensar sobre...
– Eu não vou tocar piano de novo, então por favor pare de empurrar.
– Eu só estou tentando ajudá-lo, – eu sussurrei.
– Você está me ajudando. Apenas por estar aqui, você está ajudando. Confie em
mim.
Engoli em seco. – Ok. – Uma pausa. – Você vai, pelo menos, considerar ver um
médico? Essa tosse não soa muito boa, e se não for ver, pode se transformar em algo
desagradável. – Já parecia que tinha se transformado em algo desagradável, mas eu
estava tão desesperada para que ele fosse ver isso que eu me agarraria a qualquer
motivo.

Ele olhou para o chão. – Eu disse que não.


– Sim, você disse, – eu disse, perdendo o meu tom suave. – E sabe o que mais
isso me diz? Isso me diz que você não se preocupa o suficiente para se preocupar que
você pode estar doente, e que é mais assustador, Oliver. Mais assustador.
Ele soltou uma miserável risada sombria. – Olhe para mim, Alexis. Tudo sobre
mim deve te dizer isso.
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Página
Agora eu fiquei chateada, minha voz trêmula com lágrimas não derramadas. –
Mas eu quero que você se importe.
Vi sei auto ódio contorcer seu caminho em sua expressão. Era horrível olhar, tão
feio. Eu queria matá-lo, mas isso tinha estado o corrompendo durante anos. Você não
matava isso em um dia. O que ele acreditava ser verdade o tinha moldado a odiar a si
mesmo.

– É difícil cuidar de algo que já está caindo aos pedaços, – disse ele com
veemência.
Olhei para ele, de repente chateada com a maneira como ele falou. – Essa é uma
fodida desculpa, e você sabe disso. Só porque algo está quebrado, não significa que não
pode ser concertado. É só preciso coragem, coragem e um monte de esforço. Mas é
evidente que você não quer sequer tentar. – Minhas palavras eram um desafio, e eu
precisava desesperadamente que ele enfrentasse, combatesse. Eu vi o flash de raiva nos
olhos dele e sabia que o que eu tinha dito o tinha irritado.
Ele se inclinou para frente, sua expressão afiada e seu olhar se estreitou. – Está
quebrado, Alexis, irrevogavelmente quebrado. Talvez tentar seja inútil.
A maneira como ele sussurrou suas palavras me fizeram levantar rapidamente da
mesa, meu banco raspando duramente nos painéis de madeira compensada que tinham
sido colocados para criar um piso improvisado. – Você não está irrevogavelmente
quebrado até que você esteja morto, King. Você pode tentar - você apenas não quer, –
Minha voz tremeu quando minha raiva foi lentamente ultrapassada pela auto piedade. –
Talvez você não ache que eu valha a pena. – Uma única lágrima caiu pelo meu rosto, e
King se levantou de seu assento. A dureza em sua expressão tinha desaparecido, e em
seu lugar estava remorso. Ele estendeu a mão para tocar meu rosto, e eu recuei.
– Alexis, eu...
– Quando você fala assim, quando você se machuca com álcool, você está sendo
cruel para nós dois. Você sabe disso, certo? Não pense que você é o único que sofre
aqui. Quando eu disse que eu cuidaria de você, eu estava dizendo a verdade. Cada
pedaço de dano que você causou ao seu corpo, é como se você me desse socos no
estômago.
Minhas palavras o fizeram recuar. – Isso não é verdade.
– É verdade! Eu sei como me sinto.
Ele ficou irritado novamente e puxou seu cabelo. – Sim, mas você não sabe
como me sinto. Você não sabe como isso é difícil.
Eu balancei a cabeça para ele. – Outro fodida desculpa. O Oliver King que eu
conhecia nunca se afastava um desafio. Ele apreciava. Desafios eram pelo que ele vivia.
Antes que eu pudesse me mover, ele estava no meu espaço, seu rosto
tempestuoso. – Mas você não vê, eu não sou o Oliver King que você conhecia. Pelo
amor de Deus, Alexis, eu não sou mais ele.
Ele estava furioso, mas eu também. Eu estava prestes a jogar mais palavras de
volta para ele quando de repente Jack estava lá, puxando King para longe de mim.
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Página
– Que diabos? – Ele disse, olhando entre os dois de nós.
De repente, o vento saiu dos meus pulmões. Que diabos eu estava fazendo,
brigando com King assim? Isso não iria ajudar. Ele estava doente, e eu estava colocando
meus próprios sentimentos antes da sua doença. Naquele momento, me senti
terrivelmente envergonhada.
– Sinto muito, – eu sussurrei. – Eu deveria... Eu deveria ir.
– Sim, – disse Jack. – Talvez seja melhor.

175
Página
Dezenove

Eu não poderia voltar para o circo no dia seguinte. Principalmente porque eu


tinha que trabalhar, mas também porque eu estava chateada e com raiva de mim mesma
por deixar as coisas ficarem tão fora de mão na noite anterior. Eu precisava ter mais
controle, precisava entender que King não ia ser completamente lógico quando ele
estava em abstinência, e não havia nenhum sentido em discutir com uma pessoa
ilógica. Era tão difícil não ficar emocional. Eu estava chateada com o quanto ele se
desvalorizou só porque ele não era o mesmo homem que era antes. Eu nunca tinha
julgado pessoas pelo seu status na vida ou o trabalho que tinham. Eu julgava as pessoas
por quem elas eram como pessoas.
De qualquer forma, eu estava grata por ter trabalho para me concentrar em tirar a
minha mente dessas coisas. Elaine tinha vindo cedo cuidar de Oliver, e eu estava na
porta, a bolsa por cima do ombro, as chaves do carro na mão, enquanto eu os ouvia
brincar. Avó e neto. A força quase me fugiu naquele momento. Eu não era a única que
precisava de King, e isso me deixou muito mais determinada a vê-lo sobreviver a isso.
Eu tinha inventado uma espécie de plano, mas isso ia levar um pouco de
malandragem. Havia sempre muitos shows clássicos acontecendo em Londres, em
determinado momento, mas por algum golpe de sorte, eu consegui encontrar um recital
de piano de Rachmaninoff No. 2 no Royal Albert Hall. Era a mesma peça e no mesmo
local onde ele tinha visto pela última a sua mãe tocar. Eu pensei que o significado
poderia trazê-lo de volta para si mesmo de alguma forma. Um passo na direção
certa. De qualquer forma, trapacear seria necessário para tê-lo lá, porque eu sabia que se
eu sugerisse sem rodeios ele se recusaria a ir, do mesmo jeito que ele se recusou a
consultar um médico.
Eu tinha comprado quatro bilhetes online, planejando pedir a Lille e Jack para
irem juntos também. Eu poderia dizer que Jack era o mais próximo de King; ele parecia
ter um efeito calmante sobre ele. Isto significava que se o meu plano desse errado e
King se assustasse, eu teria alguém lá que poderia acalmá-lo.
Jay tinha me dito que o circo estava hospedado em Londres pelas próximas três
semanas, o que me deu tempo para levar as coisas devagar. Eu pensei que era
fundamental, porque forçar as coisas a se moverem rápido demais nunca
funcionava. Assim, mesmo que me matou fazer isso, eu decidi ficar longe do circo por
um dia. Eu iria voltar na terça-feira à noite depois do trabalho, mas desta forma eu
estava dando a King algum espaço para por a sua cabeça no lugar. Eu cheguei em casa
do trabalho e comi uma tigela de macarrão para o jantar (o favorito de Oliver) quando
recebi uma mensagem de Jay.

Jay: Onde você está? King tem perguntado.


O texto me fez querer saltar para cima, colocar alguns sapatos, e ir até ele
imediatamente, mas eu não tinha babá para Oliver, e era tarde demais para chamar Karla
ou Elaine. Então ele teria que esperar até amanhã.
Alexis: Eu não posso ir esta noite, mas eu vou visitar amanhã à noite depois do
trabalho. Cerca de 6 ou 7.
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Página
Minha atenção foi atraída para longe do meu telefone e do outro lado da mesa,
como Oliver fez um barulho alto, sugando o espaguete em sua boca.
– Hoje eu perguntei à vovó Elaine sobre as flores, – disse ele aleatoriamente. Eu
teria chamado o meu filho de mestre das declarações aleatórias, mas eu sabia que era
coisa de todas as crianças. Eles diziam o que eles estavam pensando.
– Flores? – Perguntei.
– As do jardim dela. Ela me disse que elas são chamadas tulipas, – disse ele,
soando a nova palavra.
– Oh, você foi para a casa hoje da vovó Elaine?
Oliver assentiu, molho de espaguete vermelho em toda sua boca. Elaine muitas
vezes o levava para sair, especialmente quando ela estava tendo um bom dia. Se ela
estava tendo um dia ruim, e se sentindo para baixo sobre King, ela geralmente se
hospedava dentro de casa. Tomei isso como um sinal de que hoje tinha sido um bom
dia. Eu também tomei isso como um sinal de que talvez eu precisasse dizer a ela que eu
tinha encontrado seu filho em breve.

– Sim. Elas são amarelas com verde...


– Os talos? – Eu perguntei, sorrindo com carinho.
– Amarelo com talos verdes. Perguntei a ela se as cores eram o mesmo com ela
como eram para mim.

O que ele disse me fez sorrir. Eu juro que meu menino já era um pouco filósofo,
pensar sobre a percepção de sua própria maneira particular. Deus, e agora eu estava
pensando sobre como eu precisava contar a King que ele tinha um filho. Por que toda a
explicação tem que cair sobre meus ombros, hein? A emoção me atingiu de repente,
mas eu me lembrei que, embora pudesse ser uma experiência estressante no início, eu
estava animada para King saber mais sobre Oliver, conhecê-lo. Eu tinha certeza de que
ele ficaria fascinado, tanto quanto ele me fascinou.
– E o que vovó Elaine disse?
– Ela disse que as cores eram as mesmas para a maioria das pessoas, mas
algumas pessoas têm daltonismo. Isso significa que elas não veem as cores do mesmo
jeito. – Ele fez uma pausa, a testa enrugando em concentração e ele olhou para mim. –
Eu tenho olhos azuis e vovó tem olhos azuis. É por isso que vemos igual? Você tem
olhos castanhos, mamãe. Isso significa que você vê diferente?
– Não, Oliver, que não é assim que funciona.
Ele franziu a testa, confuso que a sua lógica não estava fazendo sentido, então eu
tentei explicar a ele. – Não importa de que cor nossos olhos são - é nosso cérebro que
diz aos nossos olhos que cor nós estamos olhando. Então os nossos olhos têm três
receptores de mensagens neles. Um para luz vermelha, um para a luz azul, e um para a
luz verde. Vemos a cor através da luz. Estes receptores veem a luz e enviam uma
mensagem para os nossos cérebros, e, em seguida, o nosso cérebro interpreta a
mensagem para nos dizer que cor é. – Eu tentei explicar simplesmente, na medida em
que pude. – No entanto, algumas pessoas têm um defeito em um de seus receptores de
177
Página
mensagens, o que significa que eles veem a luz errada e enviam a mensagem errada para
o cérebro. Isso os torna cegos de cor.
Oliver parecia preocupado agora. – Eu não quero ter um defeito no meu receptor.
Sua declaração fez com que eu soltasse uma risada suave. – Você não tem um
defeito.
Ele se levantou pondo com as mãos sobre a mesa, totalmente angustiado. – Mas
como você sabe?!
Oh, meu Deus, eu sinceramente não poderia aceitar o quão bonito era quando ele
esta forçado sobre as coisas, como se fosse uma questão de vida ou morte. – Bem, na
verdade, eu não sei. Teríamos de testar.
Eu torci um pouco de espaguete em torno de meu garfo, concentrando-me em
minha comida novamente.
– O que você está esperando? Eu quero que você me teste agora, mamãe.
Dei a ele o meu olhar severo. – Eu vou, mas primeiro você tem que terminar de
comer seu jantar. – Ele não estava feliz com a minha resposta, mas ele se acomodou em
sua cadeira, e terminou sua comida. Eu tive que ir procurar um teste de daltonismo e
testar. Quando chegou o resultado que ele não era cego de cor, ele literalmente pulou de
alegria, jogando os braços pequenos em volta do meu pescoço e apertando.
– Oh, mamãe, eu estou tão feliz que eu não sou daltônico. Eu não quero um cão.

Eu ri mais forte dessa vez, percebendo o que lhe tinha causado tanto
sofrimento. Ele pensou que teria que obter um cão guia se ele fosse daltônico. Sério, às
vezes ele era muito bonito para aguentar.
– Todas essas pobres pessoas cegas. Não conseguindo ver as cores, – continuou
ele, suas palavras golpeando um acorde em mim. King costumava ver as cores, mas não
mais. O mundo estava todo em cinza. Eu precisava ensiná-lo a ver as cores novamente.
– Sim, querido, – eu sussurrei. – Todas essas pobres pessoas.

***

No dia seguinte, depois que eu fechei o escritório, eu dirigi direto para o


circo. Eu menti e disse a Elaine que eu estaria em casa tarde porque eu tinha um jantar
de negócios. Ela aceitou a minha explicação, sem duvidar, o que me fez sentir ainda
pior por ter mentido. Era um mal necessário, no entanto. Por agora.
O mesmo que na primeira noite, eu não poderia encontrar um espaço de
estacionamento decente, porque muitas pessoas estavam chegando para o show. Avistei
Lille na frente, uma fila de crianças alinhadas em sua cabine, esperando para ter seus
rostos pintados. Eu estava prestes a passar e dizer olá quando eu vi King. Ele estava
mais pela entrada, andando freneticamente, seus olhos procurando os rostos daqueles
178
Página
que passavam. O segundo que ele me viu, ele começou a se mover, com determinação
em seus passos através da multidão.
– Oi, – eu disse sem jeito quando ele parou alguns centímetros de distância.
Ele passou a mão pelo seu cabelo longo. – Você não veio ontem, – ele afirmou
rispidamente.
Ele parecia irritado, e eu não sei, havia algo sobre isso que me satisfez. Eu
gostava que ele tivesse notado a minha ausência. Talvez fosse ajudá-lo a perceber que
ele ainda queria as coisas, e que havia coisas quem valiam a pena melhorar. Ou, mais ao
ponto, que havia pessoas valiam a pena melhorar.
– Eu tive que trabalhar, – eu respondi.
Ele franziu a testa. – Você trabalha toda a noite?

– Não.
– Bem, então, por que você não veio?
Eu arqueei minha sobrancelha e contive uma gargalhada. Sério, seu tom
autoritário me lembrou tanto de nosso filho, isso era muito engraçado. Fiz questão de
manter minha expressão neutra, embora, não querendo angustiá-lo ainda mais.
– Porque eu estava exausta, e eu não sei você, mas alguns de nós usamos a noite
para uma pequena coisa chamada sono. – Ser atrevida com ele era um risco, pois
poderia enviá-lo ao fundo do poço. Foi um alívio quando isso não aconteceu, como ele
continuou a dedilhar seu cabelo longo e se desculpou.
– Desculpe. Estou sóbrio a dez horas. Isso está me deixando rabugento. E eu
achei que você poderia ter se afastado por causa de como eu falei com você na outra
noite.
Eu olhei para ele significativamente. – Tivemos uma pequena briga, King. Não
foi nada, e certamente não o suficiente para me fazer desistir de você. Mas de qualquer
forma, eu pensei que você não deveria fazer isso de uma hora para outra?
Ele soltou uma respiração áspera. – Eu estou testando as águas, ver quanto
tempo eu posso ir. Eu me sinto como merda, mas eu posso lidar com isso. – Seus olhos
pousaram em mim, e sua intensidade me deixou um pouco sem fôlego. – Estou feliz que
você veio. Eu preciso de uma distração. E eu senti sua falta.
Eu inalei bruscamente na honestidade gritante de sua declaração, e senti meu
coração dar uma pontada de saudade. Ele estava puxando seu cabelo agora, mas eu não
tinha certeza se ele percebeu que estava fazendo isso. Aproximando, eu tentativamente
alcancei e desenrolei seus dedos dos longos fios. Estava um pouco sujo, e eu perguntei
se ele tinha lavado depois, quando Jack o ajudou.
– Você vai acabar puxando da raiz, – eu disse suavemente, e ele me deixou
baixar a mão, me observando de perto o tempo todo. Sentindo uma necessidade
estranha, afundei minhas mãos em seu cabelo e corri até as extremidades. King não me
impediu de fazer isso, só continuou estoicamente a me observar, e isso me deu coragem.
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Página
– Você sabe, eu realmente gosto do seu cabelo assim.
– É mesmo? – Perguntou ele, perplexo.

– Sim, – eu disse, balançando a cabeça. – É lindo, mas precisa ser lavado. Que
tipo de pia Marina tem em seu trailer?
King deu de ombros. – Eu não sei. Nunca realmente notei.
– Bem, você acha que ela se importaria se nós usássemos seu banheiro por meia
hora para lavar seu cabelo?
Ele estreitou seu olhar. – Você quer lavar meu cabelo?
– Sim, Oliver, eu quero. Você acha que ela se importaria?
Balançando a cabeça e exalando fortemente, ele respondeu: – Não, ela não vai se
importar.
– Ótimo. Vamos, então, – eu disse, e fiz um gesto para ele seguir.
Eu fiz o caminho para a volta do circo, onde os trailers estavam estacionados,
sentindo o olhar curioso de King em mim enquanto ele andava um ou dois metros
atrás. Eu estava usando jeans novamente e meus sentidos entraram em alerta. Eu
praticamente podia senti-lo examinando minha bunda. Ele sempre costumava fazer isso
antes, e o pensamento me deu uma corrida de emoção. Qualquer pequeno sinal do seu
antigo eu era motivo para otimismo. Quando chegamos ao trailer de Marina, ele enfiou
a mão no bolso e tirou uma chave para abrir a porta. Eu o deixei mostrar o caminho para
dentro enquanto ele caminhava para o banheiro.
– É um pouco pequeno, – disse ele, olhando ao redor.
Eu desconsiderei o comentário dele e começou a enrolar as mangas, sentindo sua
apreensão. Ele estava irradiando necessidade e... qualquer que seja o oposto do desejo
fosse, como se estivesse morrendo para eu lavar seu cabelo, mas ao mesmo tempo
não. Eu entendi. Ele não estava acostumado a pessoas o tocando nos dias de hoje, e se
minha intuição estava certa, ele não estava acostumando a tomar banho também. Ele
tinha estado vivendo como um vagabundo, mas eu planejei para guiá-lo suavemente de
volta para a terra da água e sabão. Era de extrema importância.
Eu o vi puxar um pequeno pacote de seu jeans quando eu fui para pegar uma das
cadeiras da mesa da cozinha de Marina, e então ele apareceu com algo na boca.
– O que é? – Perguntei, levando a cadeira para o banheiro e colocando na frente
da pia.
– Hortelã. Jack disse que eu deveria chupá-los para que eu tenha algo a fazer
com a minha boca.
Suas palavras foram ditas sem quaisquer conotações sexuais de qualquer
natureza, mas ainda assim, elas fizeram a minha mente vagar a lugares que não tinham
vagado antes. Lembrei-me dele indo lá em baixo em mim, a habilidade celeste de seus
lábios e língua. Ele tinha sido muito, muito bom nisso. Piscando, eu me balancei de
volta ao presente.
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– Ah, certo, – eu disse, olhando para longe e colocando a rolha na pia antes de
ligar a torneira de água quente e deixá-lo encher.
– Ele diz que vai me manter ocupado, de modo que eu não vá pensar em tomar
uma bebida.

– Hã. Isso é realmente uma boa ideia. Está funcionando?


Ele levantou os ombros. – Um pouco.
– Venha aqui, – eu disse, apontando para a cadeira. – Senta.
Cautelosamente, ele entrou no banheiro minúsculo, e eu percebi que ele estava
certo, era pequeno. Parecia ainda menor com nós dois lá dentro e um formigamento de
calor começou a rastejar seu caminho para a superfície da minha pele. King se sentou
conforme as instruções, em seguida, olhou para mim, esperando o que eu ia fazer a
seguir. Minha camisa preta tinha um decote; era bastante modesto, mas mostrava um
toque de decote, e eu estava claramente consciente dos olhos de King descansando
lá. Então ele olhou para cima, viu que eu o peguei, e desviou o olhar.
– Você está autorizado a olhar para mim, você sabe, – eu disse, pegando uma
garrafa de xampu.
Ele continuou a olhar para o seu colo, uma carranca fazendo suas sobrancelhas
se erguerem. O que ele disse em seguida fez o meu coração doer. – Eu não tinha certeza
se... você acharia ruim ter alguém como eu te olhando.
– Hey, – eu sussurrei fervorosamente. Ele olhou para cima lentamente. – Eu
gosto quando você me olha.

Ele engoliu em seco e seus olhos escureceram, necessitados. Engoli em seco,


também, e coloquei o shampoo na borda da pia para quando eu precisasse. Eu desliguei
a torneira, em seguida, trouxe minhas mãos até os ombros. – Só se incline para trás um
pouco, – eu disse calmamente.
Ele fez exatamente o que eu pedi, e os meus olhos estavam fixos na linha
masculina de sua garganta quando ele reclinou. Era meio sexy. Eu escorreguei uma
toalha em volta dos seus ombros de modo a não deixar suas roupas molhadas. Então
enchi um jarro com água morna e levantei acima de sua cabeça antes de jogar sobre seu
cabelo. Repeti o processo várias vezes, King observando cada movimento meu como se
fosse fascinante. Agarrando o shampoo, eu derramei um pouco na palma da mão aberta,
em seguida, afundei as mãos em seus cabelos, massageando-o e criando uma
espuma. King exalou pesadamente enquanto eu cavava meus dedos em seu couro
cabeludo, massageando.
Eu vi sua garganta mexer, seus olhos azuis brilhantes enquanto ele olhou para
mim. Eles mergulharam no meu peito por um momento, e eu o deixei olhar. Eu queria
que ele saiba que eu não achava nada ruim sobre a sua atenção, que eu queria,
apreciava. Inclinado para a frente, eu levei a espuma até as extremidades, o que me
trouxe para mais perto dele, meu peito escovando seu rosto levemente. Ele parecia lutar
por um momento, a mão apertando em um punho. Eu estava lutando tanto, tentando me
concentrar em lavar o cabelo em vez do fato de que eu queria que ele me tocasse. Passar
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a mão na minha coxa, talvez se inclinar para perto e acariciar o nariz contra minha
clavícula.
Estava muito silencioso, mas eu não queria que isso acabasse. Estar perto dele,
tocá-lo, parecia íntimo, e eu queria fazer isso durar tanto tempo quanto possível.

– Você se lembra da primeira vez que você me pegou almoçando em seu


banheiro do escritório? – Perguntei em um esforço para fazer conversa.
Ele me deu um sorriso caloroso, e eu juro que o calor dele descongelou meus
ossos solitários. – Como eu poderia esquecer?
– Eu estava tão embaraçada quando isso aconteceu, convencida de que você ia
me demitir, mas não. Você foi tão legal sobre isso. Você deve ter pensado que eu era
uma maluca completa.
King sacudiu a cabeça. – Foi cativante. Você foi como uma lufada de ar
fresco. Eu amei o quão impulsiva você era. Isso me fez querer estar perto de você.

Nós nos encaramos e eu sabia que tinha feito tudo o que podia com o shampoo,
então eu comecei a lavar. Notei algumas lesões no couro cabeludo, e um pouco de
vermelhidão, mas eles curavam bem, desde que ele continuasse um regime de higiene
decente. Era sua tosse eu estava me preocupando.
– Você pensou sobre ir ver um médico? – Perguntei suavemente, tirando partido
do seu bom humor momentâneo.
– Faria você feliz se eu fosse? – Seus olhos brilharam entre os meus.
– Sim, – eu respondi.
Determinação formou em seu olhar, e eu sabia que não ter vindo vê-lo ontem
havia lhe dado um susto, o fez perceber que ele não queria me perder. – Então eu vou.
Abri a boca e fechei. Foi difícil encontrar palavras por um segundo, e então eu
finalmente encontrei. Eu esperava que ele ouvisse a minha gratidão. – Obrigada.

Eu continuei a enxaguar o cabelo, então sentiu a mão dele vir para descansar no
meu quadril. Ele deixou lá, e nem um de nós comentou. Calor impregnava minha pele,
irradiando de onde ele me tocou. Uma vez que eu tinha torcido todo o excesso de água,
eu puxei a toalha de seus ombros e envolvi em torno de seu cabelo molhado até que
estava em um pacote em cima de sua cabeça. Nós compartilhamos um momento de
contato com os olhos enquanto eu atava meus dedos através dele e o puxei até ficar em
pé.
Levando-o para fora da sala de estar, eu o trouxe para o sofá e ele se sentou,
enquanto eu fui remexer minha bolsa para uma escova de cabelo. Então eu vim e me
abaixei para sentar ao lado dele. Puxei a toalha de seu cabelo, deixei cair em torno de
seus ombros, e torci para secar antes de começar a escovar os emaranhados. King ficou
o tempo todo imóvel como uma estátua, e me permitiu prepará-lo. O ato foi tão
simplista em sua intimidade. Ele estava se afastando de mim, e eu estava prestes a
terminar quando de repente ele se moveu, seus olhos nos meus.
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Eu me assustei quando vi suas lágrimas e engasguei quando de repente ele me
agarrou, me puxando para um abraço desesperado. A velocidade com que ele se mexeu
foi chocante, mas a ternura de suas ações parou meu coração. Ele descansou a cabeça no
meu estômago, e eu não poderia encontrar a minha voz. Ele estava aberto para mim
naquele momento, nu e sua vulnerabilidade provocou lágrimas em mim. Sua respiração
era profunda, a ascensão e queda de seu pesado peito, como eu trouxe as minhas mãos
para seu cabelo e comecei a acariciar.
Eu senti seu rosto se mover e percebi que ele deu um beijo no meu estômago
sobre o tecido da minha blusa. Eu engoli profundamente, sem saber se eu deveria tocá-
lo de volta ou permitir que ele assumisse a liderança. Sua mão veio para a parte macia
da minha barriga e começou a empurrar para cima a barra até que ela revelou pele. A
velha desbotada linha de estrias que eu tinha tido quando eu estava grávida de Oliver
eram um lembrete de tudo que eu ainda tinha que dizer a ele. Eu não poderia impedi-lo,
porém, não quis, e ele não parecia perceber a ligação entre as pequenas linhas e o fato
de que eu poderia ser mãe. Ele simplesmente estava maravilhado com a minha pele,
como se fosse uma coisa maravilhosa.
Ele começou a me acariciar, quase com reverência, e todos os poros do meu
corpo se apertaram. Sua mão era quente, grande e viril, e eu amei a sensação de seus
dedos calejados na minha pele macia. Me deixei completamente imóvel, e permiti que
ele encontrasse seu próprio caminho, ir tão longe quanto ele estava confortável. Mas ele
não tentou qualquer outra coisa, parecia contente em simplesmente correr suas mãos
sobre minha barriga nua e se concentrar no movimento de seus dedos.
Depois de muito tempo, suas mãos pararam e seus olhos se fecharam. Fechei os
meus também. Eu só percebi que tínhamos ambos dormido quando o zumbido do meu
telefone me acordou. King ainda dormia, mas consegui chegar dentro do meu bolso para
verificar a mensagem sem acordá-lo.
Era uma mensagem de Elaine, perguntando quando eu estaria em casa. Eu tinha
que ir, mas eu não queria. Eu queria voltar a dormir, deitar aqui com King durante
horas, e apenas sentir a paz de estar com ele. Infelizmente, a vida tinha outras
ideias. Sua respiração era alta e constante, com um pequeno ronco. Me fez lembrar que
ele concordou em ver o médico, e meu coração se sentiu subitamente mais leve.
Quieta como um rato, eu saí de debaixo dele e deixei o trailer e quase bati em
Jack quando eu estava saindo.

– Oh, meu Deus, você me deu um susto, – eu sussurrei em voz alta, minha mão
indo para o meu peito.
Ele parecia estranho. – Desculpa. Eu recebo muito isso.
– Você é um desses grandes homens com pés silenciosos, hein? – Prossegui.

Inesperadamente, Jack sorriu. Ele era lindo quando ele sorria. Bem, ele já era
lindo, mas ele franzia muito a testa. Ele parecia ser fechado. A única vez que eu
realmente o vi sorrir foi quando ele estava com Lille ou seu irmão.
– Sim, você poderia dizer isso, – ele concordou.
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Eu olhei de volta para o trailer. – King dormiu e ele me disse que vai ver um
médico. Eu trabalho durante o dia, então não vou ser capaz de levá-lo. Você acha que
você poderia levá-lo? Talvez marcar uma consulta para amanhã.
Ele assentiu. – Certo. Eu cuidarei disso.

– Obrigada. Oh, e há outra coisa. Você sabe que ele costumava tocar piano?
Jack balançou a cabeça. – Não, mas eu sabia que a mãe dele tocava.
– Certo. Bem, King costumava tocar também. Música significava muito para ele,
e eu comprei bilhetes para um concerto que eu quero levá-lo para ver. Eu acho que vai
ser bom para ele ouvir uma orquestra ao vivo novamente, talvez terapêutico, mas não
tenho certeza se posso lidar em levá-lo sozinha. Então, você acha que você e Lille
poderiam vir junto?
Jack arqueou uma sobrancelha. – Como em um encontro duplo?
Ele estava me provocando agora, e isso me fez sorrir. Eu não sabia que Jack
tinha essa coisa de provocar. Eu coloquei a mão no meu quadril. – Sim, como um
encontro duplo.
Seus lábios tremeram. – Eu acho que nós podemos fazer isso. Quando é o show?
– Próximo sábado. Você vai se apresentar?

– Sim, mas eu posso me apresentar e ter a noite de folga.


– Ótimo. Isso é ótimo. Muito obrigada. Isso significa muito.
Os olhos de Jack se dirigiram para o trailer. – Eu vou fazer o que puder para
ajudá-lo, Alexis. Me desculpe se eu fui rude antes, mas eu já passei anos vendo esse
homem sofrer. Seria bom ver o seu sofrimento chegar ao fim.
Suas palavras me deixaram um pouco emocional, então tudo que eu podia fazer
era acenar e virar para ir embora.
No dia seguinte, no escritório, eu não poderia evitar verificar meu telefone a
cada cinco minutos. Mandei para Lille uma mensagem, perguntando se ela iria me
deixar saber como as coisas correram no médico com King. Era quase no final do dia, e
eu ainda não tinha ouvido um pio. Isso me deixou preocupada. O que piorou as coisas
foi quando liguei para Elaine para lhe dizer que eu estaria em casa tarde novamente, e
ela fez perguntas. Ela estava começando a suspeitar, especialmente desde que eu disse a
ela que eu estaria em casa às nove ontem e não voltei até depois da meia-noite. Eu
odiava mentir para ela.
No final, Lille me encontrou quando eu cheguei ao circo. Eu tinha estado
preocupada, pensando que algo poderia estar terrivelmente errado com King. Ela me
sentou no trailer dela e de Jack para me dar os detalhes. Descobriram que ele tinha
algumas doenças, mas nada que não podia ser tratado. Ele tinha bronquite aguda, que
era a causa da tosse. Ele também tinha algumas manchas de eczema. Eles tinham feito
alguns testes em seu fígado, mas não conseguiriam os resultados de volta em um par de
dias. Ele também provavelmente tinha uma úlcera no estômago. O médico havia
receitado antibióticos para a bronquite e úlcera, alguns cremes especializados para sua
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Página
pele e um remédio chamado Disulfiram para ajudá-lo a parar de beber. No que se referia
o fígado, o fato de que ele estava fazendo um esforço para sair era de uma grande ajuda.
Mesmo que tudo isso não era exatamente a notícia de que ele estava saudável, eu
estava incrivelmente aliviada ao ouvir que ele não tinha nada incurável. Eu podia ver a
luz no fim do túnel. Quando a porta do trailer abriu e Jack entrou com King seguindo
atrás, eu ofeguei. Ele tinha raspado a barba.

De pé, eu andei até ele e instintivamente trouxe a minha mão para sua bochecha.
– Você raspou, – eu sussurrei.
Seus olhos, aborrecidos e injetados apenas um par de dias atrás, tinham
recuperado um pouco de sua cor. Eles parecem mais claros, mais azuis. – Eu achei que
já era hora.
– Eu posso ver seu rosto agora, – Eu sorri, percebendo as linhas que não estavam
lá antes. Ele também tinha uma pequena cicatriz em uma de suas bochechas. – Como
isso aconteceu?
– Honestamente, amor, não me lembro, – respondeu ele, e eu tremi ao seu termo
carinhoso. Ele sempre me chamava de ‘amor’ quando fizemos sexo, e várias memórias
varreram minha mente de uma só vez.
– Bebida pode fazer isso com você, – disse Jack, dando um tapinha firme no
ombro de King. – É o elixir da perda de memória.
King atirou a seu amigo algo de um sorriso enquanto Lille arregalou os olhos
para o namorado. – Jack.

– Precisamos ser capazes de brincar com isso. Tira seu poder, – Jack explicou, e
achei que fazia sentido.
Olhei para King. – Venha para um passeio comigo?
Sem uma palavra, ele parou ao meu lado e fez um gesto para me mostrar o
caminho. Eu disse adeus a Lille e Jack antes de sair do trailer. Quando chegamos lá
fora, eu deslizei suavemente meu braço através do de King. Ele olhou para mim, os
olhos demorando em nossos braços dados.
– Aonde você foi ontem à noite? – Ele perguntou, tenso. Eu ainda estava
tentando me acostumar com a visão dele sem a barba. Além disso, a sua pergunta me
deixou estranhamente tímida enquanto eu me lembrava de suas mãos sobre mim, seu
carinho, seus toques de adoração. Olhei para os meus dedos enquanto caminhávamos.
– Eu tinha que voltar para casa e não queria te acordar.
– Você poderia ter ficado, – disse ele em voz baixa, e eu não sabia como
responder.

Um silêncio se seguiu enquanto fazíamos nosso caminho para frente da


tenda. Um par de trabalhadores do circo passou, e eu observei alguns deles dando um
duplo olhar quando viram King. Ele tinha mudado muito nos últimos dias. Eu subi e
divertidamente puxei uma mecha de seu cabelo.
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– Eu espero que você não esteja pensando em se livrar disso como você se livrou
de sua barba, – eu disse.
Seus olhos praticamente brilharam. – Você gosta do meu cabelo comprido?
– Eu já te disse que sim.
– Então talvez eu vá mantê-lo.
Eu atirei a ele uma careta divertida. – Só talvez?

Ele riu, baixo e profundo, antes de dar de ombros. – Se você gosta do cabelo, eu
vou manter o cabelo.
– Ótimo, – eu disse, satisfeita. Nós conversamos enquanto continuamos a nossa
caminhada. Perguntei a ele como se sentia, e ele me disse que ele ainda estava com dor,
mas não tanto como no dia anterior. Nós entramos em um movimentado distrito de
compras, ônibus e carros entupindo as estradas desde que era a hora do rush. As ruas
estavam cheias de pessoas, todas correndo para ir para casa do trabalho.
– Você está com fome? – Perguntei quando eu senti meu estômago roncar. Eu
tinha estado em tal pressa para deixar o escritório hoje que eu tinha esquecido
completamente de jantar.
King desviou o olhar desconfortavelmente. – Eu não tenho dinheiro.

Eu não apontei o fato de que ele tinha dinheiro. Ele tinha uma conta bancária
cheia dela, sem mencionar um apartamento gigantesco que tinha sido deixado pelos
últimos seis anos. Ele não havia considerado isso por um tempo muito longo. Talvez ele
pensasse que todos os seus bens tivessem sido apreendidos pelas autoridades. Afinal,
ele nunca soube que seu nome tinha sido limpo. Ainda assim, eu não tinha a intenção de
empurrar o assunto. Eu só queria comer com ele e desfrutar de sua companhia. Eu
sempre amei os almoços que compartilhamos juntos em seu escritório, a conversa.
– Por minha conta, – eu disse enquanto o guiava na direção de um pequeno
bistrô.
Ele não protestou, mas eu tive a sensação de que ele não estava muito
entusiasmado em eu pagar a conta. Nenhum de nós estava vestido
extravagantemente. Eu usava uma blusa de malha creme, calça jeans azul pálido, e
sapatilhas. King usava uma camisa de trabalho e calças cáqui. Mas o Bistro era
ocasional, então não tinha importância. A garçonete nos levou a um pequeno recanto na
parte de trás e nos entregou um menu. Olhei para a lista.
– Frango assado tem bom aspecto, – eu disse, e fui recebida com silêncio.
King estava olhando ao redor, claramente desconfortável. Eu não tinha que
perguntar para saber que tinha sido um longo tempo desde que ele tinha comido em um
restaurante. A garçonete voltou para anotar o pedido das nossas bebidas. King parecia
confuso, então eu liguei meu pé no seu tornozelo debaixo da mesa por um segundo
como uma demonstração de solidariedade. Parecia confortá-lo um pouco, mas a
garçonete ainda estava à espera do seu pedido e ele não estava falando. No final, eu pedi
duas coca-colas e disse que ela poderia nos trazer dois pratos de frango assado também.
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King pareceu aliviado depois que ela saiu, olhando para mim e murmurando um
baixo, – Obrigado.
– Ela estava sendo agressiva, se você me perguntar, – Eu brinquei para tentar
fazê-lo se sentir menos desconfortável. – Então, – eu continuei casualmente, – Lille e
Jack nos convidou para sair com eles no próximo sábado à noite.
Suas sobrancelhas se uniram. – Sair aonde?
– Não tenho certeza. Provavelmente para jantar e um show ou algo
assim. Poderia ser divertido, – eu disse, tentando parecer indiferente. Eu não queria que
ele soubesse o quão desesperadamente eu precisava que ele dissesse sim.
– Você quer que eu vá?
Eu o cutuquei com o pé. – Claro que sim.

– Eu vou, então, se eu estiver me sentindo bem o suficiente.


Meu coração disparou. Ele disse que sim. Nós estávamos indo em um
encontro. Foi um pouco triste quão delirantemente feliz isso me deixou. – Lille me disse
que foi ver um médico hoje.
King balançou a cabeça e olhou para o menu, onde seus dedos brincavam com a
borda do papel. – Eu estou tomando alguns medicamentos, e eu não tomei nada há dois
dias. Eu ainda não superei o pior de tudo, mas eu não quero voltar. Parece como ganhar
ou perder nesta fase.

O que ele disse me surpreendeu, já que eu ainda não tinha tido certeza se ele
queria desistir. – Outro dia você disse que não tinha certeza de que queria sair, mas você
parece determinado agora.
Seus olhos queimaram significativamente. – Estou tentando.
– Tudo o que você pode fazer é tentar, – eu disse, dando a ele um sorriso,
lembrando como ele me disse algo assim anos atrás.

Ele sorriu de volta, fazendo meu coração cheio de esperança disparar. Sentamos
lado a lado em nosso recanto, os ruídos do restaurante nos rodeando. – Talvez em uma
semana ou algo assim, você acha que poderia ver sua mãe? – Eu perguntei hesitante.
Ele limpou a garganta, tossiu um pouco. – Sim, – ele concordou. – Eu só preciso
de mais algum tempo para... ficar melhor.
– Eu posso entender isso, – eu disse, olhando para ele. Eu não sei por que, mas
havia algo em seus olhos que me segurava.
Ele se inclinou um pouco mais perto, e sussurrou para que ninguém mais
pudesse ouvir, – Eu sonhei com você ontem à noite.
187
Página
Vinte

– Você sonhou? – Eu respondi, minha voz mais ar do que o som.


– Eu acho que foi algo sobre ter você perto, seu cheiro, seu calor. Fomos dormir
do mesmo jeito, mas estávamos pele com pele. – Sua mão flutuou sobre a mesa para as
minhas, os dedos cobrindo meus dedos. Eu tremia, minha garganta ficando apertada
com a necessidade. Ele olhou para mim tão intensamente que eu me tornei
autoconsciente. Não era sempre que alguém olhava para você como se estivessem
vendo cada pedaço que estava na superfície, bem como todas os pedaços que havia por
baixo.
Quase instintivamente, minha cabeça flutuou em direção a sua, meros
centímetros entre nossas bocas.
– Não pare, – eu respirei.
– Você estava debaixo de mim, toda suave e lânguida. Corri minhas mãos daqui,
– disse ele, e tocou levemente um dedo na minha testa antes de movê-lo para o lado do
meu rosto, ao longo do meu pescoço e peito até que ele chegou a ascensão do meu
seio. – Até aqui.

Deixei escapar uma bufada de um fôlego. – Isso é tudo?


Os olhos de King brilharam quando ele balançou a cabeça lentamente. Seu olhar,
de modo carnal em sua intensidade, como se ele estivesse vivamente lembrando o
sonho, me deixou molhada. Deixei minha cabeça cair contra o assento, suspirando
pesadamente. – A vida é tão injusta.
O próprio canto de sua boca se curvou para cima. – Como assim?

Apertei os olhos para ele, irritada e bem, com tesão. – Não me dê seu recatado
‘como assim’. Você sabe exatamente o que quero dizer
– Alexis... – Ele começou, seu tom apologético, mas foi interrompido quando a
garçonete chegou com as nossas refeições. Eu não sabia o que fazer - continuar com a
conversa ou fingir que não tinha acontecido? No final, eu cavei em minha comida, feliz
pela distração. Pelo menos desta maneira uma das minhas fomes estava sendo
satisfeita. King pegou seus talheres e começou a comer também. Havia algo
reconfortante sobre o silêncio que se seguiu. Era um bálsamo para a dor dentro de mim
que ansiava por ele.
Quando nós dois acabamos de comer, eu me sentei um momento,
hesitando. Finalmente decidi para o inferno com isso e coloquei minha cabeça em seu
ombro. Eu o ouvi chupar uma respiração no meu movimento, mas eu não poderia
evitar. Eu precisava do contato. Timidamente, ele levantou o braço em volta do meu
ombro e me puxou para perto. A garçonete veio e perguntou se gostaríamos de uma
sobremesa. Eu pedi um cheesecake para nós compartilharmos, principalmente porque eu
queria prolongar o nosso tempo juntos, mas também porque, bem, eu queria cheesecake.
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Página
Uma vez que ela o entregou com duas colheres, King e eu comemos a partir de
uma das extremidades da fatia. Continuamos dando olhares um para o outro. Tornou-se
tão ridículo que ambos começaram a rir no final.
King baixou o garfo e estendeu a mão para a minha bochecha. Minha risada
morreu, meu sorriso desaparecendo, enquanto seus olhos me bebiam. – Você é tão
bonita.

– Estou velha e gorda, – Eu bufei. E olha, eu sei que eu deveria ter apenas
aceitado o elogio, mas eu era terrível com louvor. Não podia lidar quando as pessoas
diziam coisas agradáveis. Quando eu era mais jovem, eu poderia ter lhe dado
uma atrevida, sou mesmo, não é? Mas não agora. A vida tinha tido o seu caminho
comigo. Eu não era um colírio mais e nem tão sarcástica.

King franziu a testa. – Você não é velha ou gorda. Na verdade, você está de
alguma forma mais bonita agora do que antes.
– Talvez eu não fosse muito bonita antes, – eu brinquei.
– Isso não é verdade. Você era deslumbrante. Eu realmente não deveria ter
contratado você. Mesmo quando eu concordei com Eleanor que você seria sua
substituta, em algum lugar no fundo da minha mente eu sabia que estava fodido.

Eu ri e balancei a cabeça. – Oh, qual é.


– Estou falando sério, – disse ele, sua voz baixando, sua mão ainda na minha
bochecha. – Às vezes, vemos alguém e elas apenas nos convém. Elas são bonitas para
nós em todos os sentidos. Você é essa pessoa para mim.
Bem. Como eu deveria responder a isso? Ele sempre teve um jeito com as
palavras, sempre soube exatamente a coisa certa a dizer para derreter meus
ossos. Parecia que em todos esses anos ele não tinha perdido essa capacidade.
– Você é essa pessoa para mim também, – eu finalmente consegui sussurrar em
resposta.
O peito de King levantou-se e caiu drasticamente, a turbulência em seus
olhos. Eu sabia exatamente o que ele estava sentindo, porque eu estava sentindo a
mesma coisa. Queríamos um ao outro, mas era cedo demais. Ele não estava bem, e eu
tinha que lhe dar tempo para se curar, para ganhar um nível de estabilidade. Então, eu
simplesmente aconcheguei mais perto nele, e era o que ele poderia me dar naquele
momento.
E foi o suficiente.

***

No dia seguinte, eu tinha a minha assistente, Dara, me cobrindo a tarde para que
eu pudesse sair do trabalho mais cedo para ir e ver King. Nosso tempo juntos na noite
anterior tinha ido tão bem, e eu estava ansiosa para passar mais tempo com ele. Quando
189
Página
topei com Matilda, ela me disse que tinha o visto caminhando em direção ao gazebo,
então eu fui nessa direção. O lugar estava lotado com pessoas almoçando, muita
agitação, e eu não consegui achar King.
Quase todos os lugares no local estavam tomados e quando eu digitalizei as
cabeças, procurando seu longo cabelo loiro reconhecível, o vi sentado sozinho no canto
mais distante. Tive a sensação de que a maioria dos trabalhadores do circo tendiam a
evitá-lo. Fazendo meu caminho pelas pessoas, eu vi que havia uma refeição na frente
dele. Um homem de pele escura passou, viu King, e puxou uma pequena garrafa de
vodca de seu casaco. Quando falou, seu sotaque soou estranho.
– King, meu amigo, tenho algo para você. – Ele colocou a garrafa sobre a mesa,
deu um tapinha no ombro dele, e se afastou. Os olhos de King foram para a garrafa, e eu
fiquei ali, olhando incrédula para o homem enquanto ele se afastava. Ele não sabia que
King estava tentando parar de beber, ou ele estava intencionalmente tentando sabotá-lo?

Minha pele começou a formigar quando preocupação enrolou firmemente na


minha barriga. A mão de King se moveu em direção a garrafa então parou, a palma da
mão descansando sobre a mesa. Sua mandíbula firmou, e sua mão formou um
punho. Eu forcei meus pés a se moverem até que eu estava em pé diante dele.
– O que você está pensando agora? – Perguntei, mantendo o meu nível de voz
enquanto seus olhos se levantaram para encontrar os meus.
Ele ficou momentaneamente surpreso ao me ver lá, mas depois ele estremeceu
quando percebeu que eu tinha testemunhado ele pensar em pegar a vodka. Ele parecia
envergonhado. – Eu estou pensando que eu realmente quero pegar a garrafa e beber toda
a maldita coisa.

– Por que esse homem te deu álcool?


– O nome dele é Pedro. Nós costumávamos beber muito juntos. Eu não tenho
certeza que ele sabe que eu desisti.
– Neste momento, você não parece como um homem que acredita que está
realmente desistindo. Você se parece com um homem que está tentado.
King soltou um longo suspiro, sua boca firmando em uma linha dura. – Claro
que eu estou tentado. Isto não é fácil, Alexis.
Meu olhar se suavizou, juntamente com o meu tom. – Eu sei que não é fácil. Eu
estou do seu lado, nunca se esqueça disso. Mas pense nisso desta maneira - se você
beber aquela garrafa, você estará de volta à estaca zero. Se você não fizer isso, você está
dando mais um passo no sentido de ficar melhor. Você quer ficar melhor, não é?
Sua expressão era feroz. – Claro. Eu não quero voltar à forma como as coisas
eram, mas porra, Alexis, eu... – Ele deu um outro olhar triste para a garrafa, cerrou o
punho novamente, e então abruptamente a empurrou para fora da mesa até que quebrou
no chão. O barulho fez algumas pessoas olharem para cima de seus almoços, mas
ninguém disse nada. King passou a mão pelos cabelos e olhou para mim, os olhos
suplicantes, – me distraia.
Tomando um assento na frente a ele, eu me vasculhei a minha bolsa e tirei minha
agenda mensal. Era onde eu guardava todos os meus compromissos de trabalho, porque
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Página
eu preferia assim do que cópia impressa. Do interior da tampa de couro, puxei uma
Polaroid que eu guardava há anos. Muitas vezes eu pegava e apenas olhava para ele,
lembrando daquele dia na praia, em Roma e quando King tinha tirado duas fotos. Eu
tinha ficado com uma e ele com a outra. Coloquei em cima da mesa e deslizei para ele.
– Você se lembra quando você tirou isso? – Eu perguntei suavemente.
King ficou maravilhado com a imagem, pegou com cuidado, como se pudesse
danificá-la. – Sim, – ele sussurrou.
– Eu adorei como você olhou para mim.
Seus olhos brilharam. – Eu adorei você.
– E eu adorei você, – eu respondi com um suspiro. – Eu ainda te adoro.
Sua garganta se mexeu de uma maneira que me fez pensar que ele tinha
dificuldade em engolir e suas sobrancelhas uniram. Muito como eu, ele não estava
acostumada a aceitar elogios nos dias de hoje. Ele guardou a imagem antes de remexer
no bolso. Meu coração sacudiu quando eu vi que ele tinha a outra Polaroid, a minha no
meu maiô, sorrindo para a câmera como se eu não tivesse nenhuma preocupação no
mundo. Lille tinha mencionado em sua carta, dizendo como King ficava louco se
alguém tentasse roubá-lo. Deve ter sido um conforto para ele como a minha tinha sido
para mim.
– Eu mantive a minha também, – disse ele, um fio de tristeza em sua voz. –
Engraçado porque eu perdi tantas coisas ao longo dos anos, há semanas inteiras que não
me lembro, e ainda assim eu sempre consegui manter esta imagem segura.
Um pequeno silêncio se passou antes que eu respondesse, – Talvez você não
queria esquecer tudo. Talvez houvesse algumas memórias que você queria manter.

Seus olhos encontraram os meus, intensos e sondando: – Sim, talvez por isso.

***

Quase duas semanas se passaram, e eu arranjei para os meus pais ficassem com
Oliver por um par de noites. Eu não gostava de estar longe dele, mas eu precisava de
tempo com King. Era um período crítico. Ele estava fazendo progresso, e eu senti como
se me ter por perto estava ajudando. Isso foi apenas uma pequena parte disso,
embora. Depois de resistir a vodca, sua própria força interior estava começando a
brilhar, sua determinação a assumir. Foi como quando era mais jovem, e ele trabalhava
durante a noite, a fim de fazer o melhor trabalho que podia. Essa característica potente
estava voltando, e ele estava usando isso em sua busca para desistir de álcool para
sempre. Não me interpretem mal, ele teve alguns momentos preocupantes onde
ele realmente queria uma bebida, mas com a minha ajuda e com a ajuda de seus amigos,
ele conseguiu ficar forte.
E forte era o que ele precisava ser, porque ele vomitava muito durante essas duas
semanas. Na verdade, era um tempo horrível. Eu estava lendo muito sobre o alcoolismo,
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Página
mas parecia que todos os casos eram diferentes. Recuperação bem sucedida dependia do
indivíduo.
Marina nos deixou termos nosso tempo no seu trailer. Tentei ajudar King com os
seus medicamentos e tal, mas ele não me queria por perto para isso. Ele ainda ficava um
pouco irritado as vezes, dizendo que ele era bem capaz e não precisava de uma
enfermeira. Poderia ter me levado no caminho errado se isso não tivesse me deixado tão
incrivelmente feliz. Na verdade, eu estava mais feliz em tê-lo fazendo as coisas ele
mesmo do que confiar em alguém para ajudar. Apoiando-se significava que ele tinha
uma maior chance de sucesso.
Então a noite do concerto veio, e meu estômago estava fazendo cambalhotas
todo o dia que a antecedeu. Eu estava com medo que King iria ficar puto comigo por
enganá-lo, mas eu estava determinada a aproveitar a oportunidade. O retorno potencial
valia a pena o risco.

Me vestindo, eu coloquei um vestido azul escuro com saltos pretos e estilizei


meu cabelo em cachos brilhantes. Eu queria ter uma boa aparência para King. Na
verdade, a antecipação de vê-lo era quase demais. Nós realmente não tínhamos nos
tocado desde o nosso jantar no restaurante, mas havia sempre essa energia entre nós. Era
um pouco viciante.
Eu decidi deixar meu carro em casa e ir em um táxi. Dessa forma eu não teria
que me preocupar em encontrar uma vaga de estacionamento. Mandei uma mensagem
para Lille enquanto eu estava sentada na parte de trás, dando a minha maquiagem uma
última verificação no meu espelho de maquiagem. O motorista me deu um sarcástico,
‘Você está linda’. Ele me lembrou dos amigos do meu pai. Você sabe, o tipo de caras
que não podem evitara a fazer estes comentários irritantes.
Alexis: Estou chegando em 5 minutos.

Sua resposta foi instantânea.


Lille: Certo. Estamos todos esperando aqui fora.
Minha barriga começou a turvar com a tensão nervosa quando todos paramos na
frente do circo. Avistei Jack, Lille, e King imediatamente. Todos eles estavam vestidos
bom, mas não tão chiques como eu. Eu me senti um pouco envergonhada que eu tinha
me vestido assim. Então eles entraram, King correndo para o espaço ao meu lado. Ele
cheirava a limpeza, e seu cabelo caía sobre um ombro. Deus, ele era bonito. Eu apertei
as mãos com força.

– Oi.
– Olá, Alexis, – disse ele, os olhos mergulhando momentaneamente para meu
vestido, em seguida, de volta para o meu rosto. – Você está bonita.
Nesse momento, todo o esforço valeu a pena. A palavra ‘bonita’ na boca de
Oliver King quando dirigida a mim sempre valia a pena.
– Obrigada.
O táxi começou a se mover. Eu já tinha dito ao motorista nosso destino
final; Dessa forma, King não saberia para onde estávamos indo até que nós realmente
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Página
chegássemos lá. Ele não fez perguntas, e parecia contente em simplesmente se sentar ao
meu lado, nossas coxas se tocando, braços escovando sempre que o táxi virava.
A área do lado de fora da Royal Albert Hall estava agitada, então King não
reconheceu imediatamente onde estávamos. Meu coração estava batendo a mil por
hora. E então, quase em câmera lenta, ele olhou para cima e observou o local. Eu vi sua
garganta mexer quando ele engoliu em seco, e todo o ruído que nos rodeava parecia se
acalmar enquanto eu esperava por sua reação. Jack e Lille foram para o lado, de mãos
dadas. Jack parou, observando King quase tão de perto quanto eu estava para que ele
pudesse mergulhar de cabeça se as coisas tomassem um rumo para o pior.
O olhar de King veio descansar em mim, as sobrancelhas juntas em
consternação. – Porque estamos aqui?

Minha garganta ficou seca. – Porque nós vamos ver um concerto.


No segundo que a resposta estava fora, ele se virou, verificando para ver se havia
algum cartaz em exposição. Havia um bem grande ao lado da entrada, e todo o seu
corpo ficou imóvel.
Ele não se virou enquanto falava, emoção enchendo sua voz. – Eu te disse para
não empurrar isto.

– Eu só empurrei porque eu me importo. – Minhas palavras foram proferidas tão


calmamente, que fiquei surpresa que ele ouviu. Jack deu um passo adiante, como se
prevendo que King fosse voar ao fundo do poço. Ele atirou em Jack um olhar bastante
hostil.
– Se acalme, McCabe. Eu não sou um animal. Eu não vou fazer uma cena.
E então, sem mais delongas, ele andou em direção à sala de concertos,
determinação em sua marcha. Jack, Lille e eu trocamos olhares surpresos antes de eu
correr para alcançá-lo, tentando encontrar os bilhetes na minha bolsa.
Entreguei ao atendente na porta, e ele apontou a nossa seção. Todos nós
evitamos o bar (obviamente) e fomos direto para o corredor. Nossos lugares eram no
piso térreo, bem no meio. King apressou o passo e passou à frente de nós para tomar o
seu lugar. Sua postura estava apertada, as mãos em punhos. Eu estava no corredor e me
virei para os outros.
– Você acha que ele está bem? – Perguntei a eles com preocupação.
– Acho que ele está tentando estar, – disse Jack.
Sua resposta me fez emitir uma longa exalação, e então eu fiz o meu caminho
para os nossos lugares. Escolhendo um assento ao lado de King, eu me sentei. Ele olhou
diretamente em frente ao palco vazio, e eu tentei fazer conversa.
– Este local é muito bonito, não é?
Nada.

– É engraçado que eu nunca realmente vim aqui antes. Eu deveria tornar uma
coisa regular.
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Página
Nada ainda.
– Você gostaria de algo para beber? – Perguntei, e depois fiz uma careta. –
Quero dizer, como água ou suco de laranja ou algo assim.
– Eu estou bem, – ele finalmente disse em uma longa exalação.
– Ah, certo, bom. – Fiz uma pausa, olhando em volta. Lille e Jack estavam tão
silenciosos quanto King, que não estava querendo papo. Tive a sensação de que nenhum
dos dois eram do tipo falador, mas poderiam muito bem ter evitado o constrangimento
em tentar dizer alguma coisa. De repente, meu vestido parecia muito apertado, e minha
garganta obstruía com a tensão nervosa.
– Bem, eu acho que vou usar o banheiro e talvez agarrar um programa antes do
início do concerto.
King olhou para mim por um breve momento, balançou a cabeça, em seguida,
voltou sua atenção para o palco novamente. Eu me levantei, fazendo o meu caminho por
ele, porque muitas pessoas já tinham tomado seus lugares na outra extremidade da
fila. Eu fiz o meu melhor para não tocar em ninguém, e depois corri para encontrar o
banheiro. Uma vez que eu cheguei lá, eu realmente queria jogar um pouco de água no
meu rosto, mas não podia porque iria estragar a minha maquiagem, então eu colocar
molhar meus pulsos debaixo da torneira fria por um minuto.
Quando terminei, eu comprei um programa e pairei no navegador na seleção de
CDs disponíveis. Em seguida, a chamada final para o início do concerto foi anunciado
nos alto-falantes, então eu fiz o meu caminho de volta para dentro. Eu tive que passar
por King novamente para chegar ao meu assento, e meu salto pegou na ponta do seu
sapato, me fazendo. Suas mãos foram para os meus quadris para me firmar e me puxou
de volta para cima, pedindo desculpas profusamente. Uma vez eu estava sentada com
segurança, sua mão apertou meu joelho, o gesto carinhoso me surpreendendo. Fiquei
ainda mais surpresa quando ele se inclinou perto do meu ouvido e sussurrou
calmamente: – Relaxe, Alexis.
Minha pele aqueceu em todos os lugares quando sua respiração me tocou, e ele
moveu a mão para longe. Eu queria que ele deixasse ela lá. Um momento depois, o
concerto começou, os músicos da orquestra tomando seus lugares no palco. O pianista
foi o último a aparecer, uma mulher de trinta anos usando um vestido preto longo. O
público aplaudiu, e, em seguida, o condutor estava de pé ao seu pódio, sinalizando o
início do concerto. As luzes do salão foram controladas, que fez o local gigantesco
parecer pequeno de alguma forma.
O segundo que a pianista começou a tocar, eu tive calafrios. Com cada clicar nas
teclas, ela se mexia seu corpo com uma elegância feroz. Me fez lembrar daquela noite
em Roma, quando King tinha tocado a mesma música e eu tinha ficado fascinada por
seu talento e habilidade. A orquestra se juntou depois de um par de notas, e eu fui
varrida com a música. Era tão... apaixonado. Vários minutos se passaram antes que eu
pensasse em olhar para King. Ele olhava para a frente, as mãos apoiadas sobre as coxas,
mas seus olhos estavam vidrados, sua mandíbula apertada. Eu não poderia dizer se era
porque ele estava com raiva ou porque ele estava tentando controlar suas emoções.
Me sentindo corajosa, eu estendi a mão e deslizei a minha na dele, nossos dedos
entrelaçados. Ele não me afastou. Em vez disso, ele apertou meus dedos, quase ao ponto
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Página
de doer. Ele não tinha ouvido a música em um tempo muito longo, e eu poderia dizer
que estava tendo um profundo efeito sobre ele. Inferno, estava tendo um efeito profundo
em mim, e eu não sabia nada sobre música clássica. Havia tanta beleza que era difícil
não deixá-la prender a sua imaginação.
Tudo nesse homem tinha brilhado em minha mente. O medo do perseguidor de
sua mãe. Pensando que ele tinha o matado e depois seu pai ajudando, fazendo parecer
que ele poderia resolver tudo, quando na verdade ele só iria tornar isso pior. Bruce
tentando forçar seu modo de vida na vida de King quando ele não queria participar
disso. Fazendo-o testemunhar a violência e crimes que ele nunca poderia arrancar de
suas memórias. Ser chantageado por anos. E então, a gota d'água quando King
finalmente estalou e quase matou seu pai. Fugindo e deixando para trás tudo o que ele
trabalhou tão duro para conseguir, porque ele achava que ele era um assassino.
A música continuou, e antes que eu percebesse, o concerto tinha chegado ao
fim. Quando o público se levantou em uma ovação de pé, King se levantou de seu
assento, rapidamente fazendo o seu caminho para fora do salão.

– Onde ele está indo? – Perguntou Lille, mas eu só poderia dar a ela um olhar
vazio. Eu não tinha ideia, mas eu sabia que precisava segui-lo. Abri caminho para fora,
vendo-o a um par de metros a minha frente. Era difícil manter-se com seus passos
largos, especialmente desde que eu estava de salto e tinha pernas consideravelmente
mais curtas.
– King, – gritei. – Onde você vai?
Eu não esperava que ele respondesse, mas, em seguida, ele respondeu em voz
alta por cima do ombro, – Eu tenho que... eu tenho que ir em algum lugar.

Eu não conseguia alcançá-lo, então eu retirei as sapatilhas que eu sempre


mantive na minha bolsa (eu era prática assim) e rapidamente as troquei com meus
saltos. Finalmente me aproximando, peguei seu cotovelo.
– King, você vai esperar um segundo?
Ele não parou. – Eu só preciso andar, ok? Você não tem que vir.
Eu endureci a minha determinação. Não havia nenhuma maneira que eu iria
deixá-lo sozinho. – Estou indo. – Mal sabia eu que eu viria a lamentar essa decisão
quando tinha caminhado por mais de uma hora, e os meus pés pareciam como se
quisessem se arrastar para longe do meu corpo e morrer. King não pareceu estar
andando em qualquer direção aleatória, embora; Eu senti que ele tinha um destino em
mente. Tornou-se evidente qual era o caso quando eu reconheci seu velho edifício de
apartamentos.
– Sua casa, – eu disse, sem fôlego. Sim, eu definitivamente precisava malhar
mais e, não sei, comer mais cenouras ou algo assim. Eu estava em pior forma do que
King, que estava superando um vício, e algumas doenças graves. Era meio que
ridículo. Maldito seja o bolo! Eu gemi interiormente.
Nós tínhamos acabado de chegar à entrada do lobby, quando King se virou para
mim, seus olhos ferozes quando ele me acolheu. – Você está bem?
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Página
Acenei para longe sua preocupação timidamente enquanto eu tentava recuperar o
fôlego. – Sim, essa caminhada foi apenas um pouco, uh, mais vigorosa do que eu estou
acostumada.
A ferocidade rapidamente fugiu de sua expressão quando seus lábios se
transformaram em algo semelhante a diversão. Ele não fez comentários sobre isso,
porém, e sua expressão ficou séria logo depois. Ele se virou, andando em direção à porta
e abrindo para mim. Quando entramos, o porteiro da noite tirou seus fones de ouvido,
nos olhando com curiosidade.

– Eu perdi minhas chaves, – King anunciou com autoridade, e o porteiro franziu


o cenho.
– Desculpe. Eu não o reconheço. O número é do seu apartamento é qual?
– Vinte e dois. Piso superior. Meu nome é Oliver King. – A maneira como ele
disse isso me deu um pequeno tremor de consciência. Esta foi a primeira vez desde que
eu tinha encontrado ele com tanta confiança declarada em seu nome, como se ele tivesse
recuperado um sentido de sua identidade. Parecia monumental, fez meu coração bater
duramente.
Os olhos do porteiro se arregalaram. – Oh, você quer dizer a cobertura? Você
tem alguma identificação?
A expressão de King escureceu em aborrecimento, e de repente eu lembrei que
eu tinha as chaves. Elaine tinha me pedido para aparecer e verificar as coisas há
algumas semanas, e tinha me dado as chaves de reposição. Eu tinha esquecido
completamente de deixar com ela, é claro, e as chaves ainda estavam em segurança no
bolso interno da minha bolsa. Eu rapidamente comecei a procurar antes de puxá-las para
fora, triunfante.
– Ah! Crise evitada. Eu encontrei as chaves, – eu declarei, balançando-as no
ar. King me lançou um olhar perplexo, e o jovem porteiro parecia aliviado por ser capaz
de evitar uma perturbação adicional. Tudo o que ele tinha estado ouvindo nos fones de
ouvido, ele parecia ansioso para voltar a isso. Eu fingi um tom confiante.
– Vamos, querido, – eu disse, segurando minha mão para King. – Vamos
indo. Estou exausta.
Ele se adiantou e pegou a minha mão enquanto eu o levava em direção ao
elevador. Uma vez que estávamos em segurança, King se virou para mim. – Querido?
Dei de ombros. – Eu estava tentando ser casual.
Seus lábios se contraíram em diversão novamente. – Você tem as chaves do meu
apartamento?

– Sua mãe as deu para mim. Ela queria que eu verificasse as coisas. Certificar
que as plantas fossem regadas.
– Eu nunca tive quaisquer plantas.
Eu fiz um som estranho na parte de trás da minha garganta. – Oh, você sabe o
que quero dizer.
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As portas do elevador abriram, e houve um momento de silêncio onde King
apenas olhou para mim. Eu amava e odiava seus olhares em igual medida. Eu amava
porque me fazia querer ele. E eu odiava porque me fazia querer ele.
Ele fez o seu caminho para fora do elevador, e eu segui. Quando chegamos à
porta, ele se endireitou e esperou que eu abrisse. Eu fiz isso em silêncio e ele se
apressou para dentro, indo direto para uma gaveta e tirou um bloco de papel e um
lápis. Achei fascinante que ele se lembrava exatamente onde tinha deixado as
coisas. Então, ele foi para o seu piano, se sentou pela grande janela que dava para o
rio. Eu vi quando ele se sentou e abriu a tampa, revelando as teclas. Ele correu os dedos
sobre elas, levemente, como se dizendo olá a um velho amigo.
Eu o observei com muita atenção. Seu rosto se levantou, e eu notei que ele
estava olhando para alguma coisa. Seguindo seu olhar, vi que estava fixado no armário
de bebidas do outro lado da sala. Elaine não sabia sobre o abuso de álcool de King,
então, obviamente, ela nunca tinha pensado em limpar o gabinete. King ainda estava
olhando para ele quando ele falou, a voz tensa. – Você pode esvaziar todas aquelas
garrafas na pia, por favor?
– Claro, – eu disse, um pouco confusa, e corri. Tão rápido quanto eu podia, eu
removi as garrafas e as levei para a cozinha, onde eu prontamente derramei seu
conteúdo na pia. Eu estava uma mistura de nervosa e triunfante, porque a maneira em
que King olhou para as garrafas foi estressante, mas o fato de que ele me disse para
esvaziá-las significava que sua força havia vencido. Uma vez que tudo foi feito, eu virei
para trás e deu a ela um aceno de cabeça firme. O corpo de King suavizou, e ele me
lançou um olhar estoico antes de sua atenção estar de volta ao piano.
De repente, me tornei ciente de meus pés doridos, e eu só sabia que eu tinha um
monte de bolhas pela longa caminhada. Por que diabos eu não tinha sugerido um
táxi? Ou até mesmo pegado um? Eu estava tão ansiosa, tão preocupada com a forma
como o concerto tinha lhe afetado, que meu cérebro não pareceu estar funcionando
como de costume.
Vendo que a porta do banheiro estava entreaberta, eu deixei King à sua própria
sorte, quando eu entrei e tirei meus sapatos. Assim como eu achava, meus pés estavam
vermelhos e crus.

O lugar estava impecável, cortesia da manutenção de Elaine. Na verdade, não


havia uma pitada de pó ou mofo à vista. Talvez ela sabia que seu filho iria voltar aqui
um dia. Eu fiz meu caminho até a grande banheira de canto e enchi com um par de
polegadas de água, apenas o suficiente para mergulhar meus pés. Eu corri a torneira por
um tempo, esperando a água esquentar, e ouvi King pressionar um par de teclas,
testando. O piano não deveria estar afinado, porque o ouvi brincar com ele por um
tempo.
Com a banheira cheia, eu afundei meus pés na água morna e praticamente gemi
de alívio. King começou a tocar alguma coisa, uma melodia que eu não conhecia, e eu
fechei os olhos, saboreando o som.
Ele estava tocando.
Eu não podia acreditar que ele estava tocando. A música era doce, e de alguma
forma me fez lembrar da primavera. Eu queria ir para lá e vê-lo, beber os movimentos
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hábeis de seu corpo enquanto ele criava algo próximo a verdadeira perfeição. Mas não
me movi, apenas ouvi, com medo que se eu entrasse, eu quebraria o feitiço.
A música parou, e eu o ouvi murmurando algo distraidamente para si
mesmo. Em seguida, ele começou de novo, parou, começou mais uma vez. Eu tive a
sensação de que ele estava ou tentando se lembrar de algo velho ou compor algo
novo. Qualquer que seja, eu não tinha intenção de interromper. Eu coloquei minha
cabeça contra os azulejos, aproveitando a água em meus pés e o som da música nos
meus ouvidos.

Eu não tinha certeza de quanto tempo tinha passado quando a porta do banheiro
rangeu e King entrou. Abri os olhos, olhei para cima, e o vi me estudando. Sua
sobrancelha arqueou para cima.

– O que você...
– Meus pés estavam doloridos, – eu expliquei rapidamente.
– Oh, – ele disse. – Eu esqueci que você não estava acostumada a andar.
– E você está?
Conscientemente, ele coçou a cabeça. – Às vezes, quando o circo está em uma
pausa, eu vago por aí.
Sua resposta me intrigou. – Você vaga? Onde?
– Qualquer lugar. Eu nunca realmente me importei para onde ia, desde que fosse
para algum lugar diferente do que antes. De alguma forma, porém, eu sempre consegui
encontrar o meu caminho de volta.
Algo doloroso me acertou bem no peito, como se eu compreendesse o que ele
estava dizendo. – E quando você anda, – eu sussurrei, – onde você dorme?
– Nas ruas.
– Oliver, – eu disse, minha voz vacilante.
– Você está chateada, – ele afirmou.
– Claro que estou chateada. Você esteve dormindo nas ruas, e ainda assim você
tinha este lugar aqui o tempo todo.
– Eu te disse, eu parei de pensar nisso como meu.
– Bem, você precisa começar novamente. Porque esta é a sua casa.
Seu rosto ficou tenso. – Alexis, eu não tive uma casa adequada, a minha própria
cama, em um bom tempo. – Ele fez uma pausa, olhou ao redor, e fez um gesto com as
mãos. – Tudo isso vai levar um tempo para se acostumar.

Em um nível, o que ele disse me irritou. Este lugar era dele, pelo amor de
Deus. Mas em outro nível, eu completamente compreendia. O apartamento era
praticamente palaciano, e tudo nele era caro e de luxo. Minha própria casa era
positivamente singular em comparação a esta cobertura.
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Minha voz era calma quando eu ofereci, – Você pode vir e ficar comigo, se
quiser. Minha casa é pequena. Pode ser melhor pra você. – Eu atirei a ele um sorriso,
por um momento esquecendo que ele não poderia ir e ficar comigo até que eu dissesse a
ele sobre Oliver. Eu tive que dizer a ele sobre Oliver; Eu estava apenas esperando o
momento certo, que parecia nunca chegar.
– Eu não poderia impor a você, – disse ele, e foi até a prateleira para retirar uma
toalha. Ele se aproximou, a toalha na mão, então se ajoelhou na frente da banheira. Eu
assisti com muita atenção quando ele chegou e retirou um pé e depois o outro, secando
ambos com cuidado. O esfregou meus pés, aplicando apenas a quantidade certa de
pressão. Eu tinha que morder o lábio para não gemer, porque parecia tão bom.
– Você não tem que fazer isso, – eu disse, enquanto ao mesmo tempo não queria
que ele parasse. Seus olhos vieram aos meus, e a toalha caiu enquanto ele olhava para
baixo e começou a examinar os meus pés. Sugando uma respiração dura, ele disse: –
Você precisa curativo nestes cortes.
– Eles vão ficar bem.
Ele me lançou um olhar de repreensão e eu calei minha boca.
– Eu acho que eu costumava manter um kit de primeiros socorros aqui em algum
lugar, – disse ele, e olhou no armário sobre a pia. Com certeza havia uma caixa branca
lá dentro. Ele puxou para fora e começou a procurar por algum creme antisséptico e
band-aids.
– A música que estava tocando lá era linda, – eu disse enquanto ele trabalhava.
– Sim, eu estava assistindo a mulher tocar esta noite, e eu percebi uma coisa. –
Ele franziu a testa, as mãos parando no meu pé.
– O que foi?
Seu olhar encontrou o meu. – Que eu estava com ciúmes.
Eu não sabia o que dizer, mas então ele continuou a falar. – Eu queria o que ela
tinha, era quase um tipo físico de dor. Eu estive longe da verdadeira música por tanto
tempo que eu não percebi o quanto eu precisava. Ela costumava ser a minha coisa
favorita, algo que eu fazia para descomprimir. Mas agora parece que eu não posso
respirar se eu não voltar a isso.
Meus lábios ficaram secos, ainda sem saber o que dizer. – Bem, eu estou feliz
que você tenha gostado do show.
– Gostei. Obrigado por me levar lá. Eu sei que isso te legou um monte de
coragem.
Ele segurou meu pé na sua mão, seus dedos deliciosamente quentes na minha
pele. Fiquei olhando, paralisada, quando ele começou a fazer o seu caminho até minha
canela. Meus lábios ficaram mais secos. Na verdade, eu estava morrendo de sede
naquele momento, e não era para a água. A boca de King estava aberta enquanto ele
admirava minhas pernas nuas, seus olhos vagando tão longe em minhas coxas antes que
eles viessem para o meu rosto. Nós nos comunicamos em silêncio e, segundos depois
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ele estava me puxando para ele, espirrando água quando ele me pegou. Suas mãos
agarraram cada lado do meu pescoço, e ele baixou a boca na minha.
O beijo foi suave no início, talvez até um pouco hesitante, mas, em seguida, sua
língua deslizou ainda que levemente contra a minha, e eu gemi no fundo da minha
garganta. O som fez King deixar sair um grunhido baixo enquanto seus dedos se
cravavam em minha pele e o beijo se aprofundou. Cada fibra do meu ser veio explodiu
enquanto nossas línguas enrolavam, nossos lábios mordendo, mordiscando, buscando, e
eu senti o ponto entre as minhas coxas ficar molhado e necessitado.

Eu poderia ter gozado apenas pelo beijo, foi tão intenso. Nós nos beijamos como
se as nossas vidas dependessem disso, como se estivéssemos morrendo de sede no
deserto, e eu teria estado constrangida pela minha necessidade óbvia se não tivesse
correspondido com a dele. Longos minutos se passaram, mas seus dedos não desviaram
do meu pescoço e os meus nunca deixou a frente de sua camisa, o material agrupado em
meus punhos. O fato de que estávamos mal nos tocando tornou muito mais febril. Foi só
quando eu gemi uma segunda vez, muito mais alto do que antes, e King deu um rosnado
profundo, masculino, que eu sabia que tinha que quebrar o beijo. Se não parássemos
com isso, ele ia estar dentro de mim em breve, e eu sabia que não teria a força de
vontade para detê-lo.
Meu peito arfava quando eu rompi, vendo estrelas, todas elas douradas como seu
cabelo. Nós nos encaramos e foi naquele momento que eu deixei escapar: – Há alguém
que eu preciso que você conheça.

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Vinte e um

King não queria ficar em seu apartamento naquela noite, e não importou o
quanto eu tentei convencê-lo a dar uma tentativa, ele estava determinado a voltar para o
circo. Ele queria o que era familiar, e seu antigo apartamento era estranho para ele
agora.

Nós compartilhamos um táxi, e eu o fiz prometer me encontrar no dia seguinte


às duas, porque eu queria ir ver o show e apresentá-lo a um amigo. O que ele não sabia
era que o amigo não era um amigo, mas nosso filho. Eu tinha decidido que não haveria
um momento perfeito para dizer a ele, e que mostrar a ele iria explicar as coisas muito
melhor do que quaisquer palavras.

Elaine tinha vindo para o café da manhã, e estávamos sentadas à mesa, tomando
café e comendo panquecas. Você sempre saberia que eu estava supercompensando
quando eu fazia panquecas. Oliver estava na sala de estar, comendo uma tigela de
Cheerios e assistindo televisão. Ele não queria panquecas por algum motivo e estava
determinado a comer cereal. Oh, os caprichos de uma criança de cinco anos de idade.
– Eu tenho que te dizer uma coisa, – eu disse, nervosa, e Elaine ergueu os olhos
da revista que ela estava olhando. Suas sobrancelhas naturalmente pálidas arquearam
em preocupação quando ela percebeu minha apreensão.
– Sim, querida? – Ela disse, dando-me um sorriso caloroso. Eu mencionei o
quanto eu amava que ela me chamava de querida? Ela tinha essa educada classe de
sobre ela. Às vezes eu me sentia como se talvez eu pudesse ganhar um pouco disso por
osmose.

Ok, isso e perder uns quilinhos. Eu não queria fazer rodeios, e Elaine não estava
tão vulnerável nestes dias, então ela poderia lidar com um pouco de um choque.
– Eu encontrei Oliver.
Ela piscou para mim, incrédula, seus olhos correndo para a porta que dava para a
sala de estar. – Você quer dizer, meu Oliver?
Eu balancei a cabeça.
Ela se levantou da mesa e começou a se abanar com as mãos enquanto ela
andava para trás e para frente. Eu assisti, tensa, preocupada que ela poderia ter um
colapso. Felizmente, isso não aconteceu. Sua voz estava ofegante de emoção e excitação
quando ela finalmente falou. – Como você o encontrou? Quer dizer, onde ele está?
Eu disse a ela para se sentar e que eu iria explicar tudo. E eu fiz. Tudo sobre a
carta de Lille e como King tinha uma meia-irmã que era dona de um circo, como ele
tinha vivido com ela durante anos. Quão doente ele se tornou e como ele estava
lentamente tentando ficar melhor. Ela estava com os olhos arregalados e sem fala pelo
tempo que eu tinha terminado de contar tudo.
– Você acha que ele vai querer me ver? – Ela perguntou timidamente.
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– Eu sei que ele quer. Ele só quer ficar melhor primeiro, se fazer apresentável.
Ela assentiu com a cabeça, os olhos lacrimejantes quando ela olhou por cima do
ombro, e eu sabia que sua mente estava em outro lugar.
– Eu vou levar Oliver para o circo hoje para apresentá-los. Eu não posso
esconder o fato de que temos um filho por mais tempo.
O rosto de Elaine ficou preocupado. – Ele está pronto para isso?
– Sim, – eu disse, – Eu acho que está.

***

– Para onde estamos indo, mamãe? – Oliver perguntou do banco de trás do


carro. Eu tinha vestido ele com seu melhor, uma camisa azul marinho e calças
cinza. Seu cabelo estava cuidadosamente escovado para o lado, e quando eu olhei para
ele através do meu espelho retrovisor, eu senti meu peito apertar. Ele parecia tão
adorável. Havia algo sobre crianças vestidas como gente grande que me deixava
assim. Mas mais do que isso, ele parecia tanto com o pai.
– Nós vamos para o circo, – eu respondi antes de me concentrar de volta na
estrada.
– Circo! – Ele gritou com pura emoção. Esta foi a razão pela qual eu tinha
segurado em dizer a ele. Eu sabia que ele ia ficar tudo alegre e seria impossível de
controlar. Ele saltou para cima e para baixo em seu assento, um sorriso gigantesco no
rosto. – Mamãe, você se esgueirou! Você manteve isso em segredo. – Comecei a rir pela
sua frase.
– Sim. – Eu sorri para ele.
– Haverá elefantes?
– Sim.
– Oh, meu Deus! – Ele exclamou, colocando as mãos ao rosto como se ele
simplesmente não conseguisse se conter. Ele saltou com mais vigor agora, sua cabeça
quase batendo no teto. Jesus, eu o amava. Eu estacionei ao longo da rua que levava até o
circo e senti meu coração começar a vibrar. Meu corpo inteiro estava cheio até a borda
com a tensão nervosa, e eu me senti como eu estivesse andando no ar. Ou prestes a
vomitar.
Olhando para o relógio no painel, vi que era 13h55. Nós iríamos nos encontrar
com King em cinco minutos. Em cinco minutos King conhecer seu filho.
Peguei a mão de Oliver e o levei. Todo o tempo, minha pele estava quebrando
em um suor frio. Quando chegamos no circo, eu comprei dois bilhetes, mas assim que
eu soltei a mão de Oliver, ele correu na minha frente, para o lado da tenda, onde havia
uma gaiola grande contendo dois leões machos.
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– Leõeeeeeeees! – Ele gritou, acenando com as mãos no ar. Corri para alcançá-
lo, virei meu braço em torno de seu corpo, e o levantei no ar.
– Oh, não, não mesmo, – Eu avisei. – Você vai ficar comigo. Não saia correndo
dessa jeito de novo, me ouviu?

Ele fez beicinho. – Sim, mamãe.


Eu o abaixei e, em seguida, ouvi alguém limpar a garganta atrás de mim. Jay e
Jack estavam a um par de metros de distância, ambos olhando para Oliver com olhos
arregalados. Oliver viu os dois homens e se tornou estranhamente tímido, agarrando
minha mão e se escondendo por trás da minha perna.
– É ele...? – Jay começou, e eu assenti.
– Uh-huh.

– King sabe? – Perguntou Jack.


Eu balancei minha cabeça. – Ainda não.
Ele passou a mão pelo cabelo. – Bem, merda.
Jay bateu no ombro dele. – Ei! Olha a boca perto da criança, mano.
Jack deslizou as mãos nos bolsos e me lançou um olhar envergonhado. –
Desculpa.
Pisquei para ele, mal ouvindo o que eles estavam dizendo, porque eu ainda
estava me afogando em nervos. Oliver estava olhando para os dois como se fossem de
outra espécie. Além do meu pai, ele não ficava muito perto dos homens, especialmente
não homens que se pareciam como eles.

– Alexis, – ouvi uma voz de perto chamar e tive que fechar os olhos. O que eu
estava fazendo? Era muito cedo. Eu silenciosamente desejei nos transportar para longe
de lá, mas eu não podia. Eu não tinha outra escolha a não ser encarar a música. Passos
soaram quando King se aproximou, e eu me forcei para abrir os olhos. Ele usava uma
camiseta, jeans e botas. Foi surpreendente vê-lo camiseta de manga curta quando
normalmente ele usava de manga longa, mesmo no calor escaldante.
– Oi, – eu disse, mal reconhecendo minha própria voz. Olhei para Jay em pânico,
e ele balançou a cabeça em encorajamento, como se dissesse, Você pode fazer isso.
Eu poderia fazer isso. Eu poderia.
King ainda estava focado em mim, uma carranca tomando forma quando ele
observou a minha postura nervosa. Vários minutos de silêncio se passaram enquanto
meu coração batia alto em meus ouvidos. Parecia que o momento tinha durado uma
eternidade. King de repente, olhou para baixo e viu Oliver. Seus olhos azuis se voltaram
para os meus, uma pergunta neles.
– Seu amigo? – Ele perguntou, sua voz uma mistura de curiosidade e apreensão.
Eu engoli em seco e chamei a minha coragem antes de deixar escapar: – Este é o
meu filho.
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– Olá, – disse Oliver, acenando, totalmente alheio à cena. Sua voz chamou a
atenção de King de volta para ele, e eu o vi olhar casa parte dele, de seus olhos azuis e o
cabelo loiro, o rosto que era quase uma cópia do dele. Eles dizem que você se parece
com um dos pais mais em momentos diferentes em sua vida. Bem, bem, então Oliver se
assemelhava a seu pai muito mais do que sua mãe.
A mandíbula de King se mexeu e ele engoliu em seco, seus olhos não deixando
Oliver quando ele perguntou: – Quantos anos ele tem?
– Cinco, – eu respondi, a voz vacilante, embora eu só tivesse pronunciado uma
sílaba.
King correu as duas mãos pelos cabelos e olhou para longe, tensão marcando
suas feições. Eu sabia exatamente o que estava acontecendo; sua mente estava reunindo
as informações, fazendo a matemática. Quando ele olhou de volta para mim, seus olhos
estavam molhados, e eu senti o peso de tudo o que ele estava sentindo como um golpe
no peito. Nossos olhares se encontraram, a atmosfera pesada com perguntas sem
respostas. Finalmente, Oliver interrompeu, puxando a minha mão.
– Mamãe, eu quero entrar agora.
– Ei, amigo, – disse Jay, dando um passo para frente. – Você quer ver algo legal?

Oliver assentiu e Jay puxou um baralho de cartas do bolso, embaralhando de um


jeito diferente. Oliver soltou a minha mão e deu um passo adiante, olhando para as
cartas com fascínio.
– Faça de novo! – Ele exclamou com prazer.
– Eu vou, mas primeiro, você quer vir ver os elefantes antes do show começar?
Oliver assentiu profusamente, e eu sem palavras deixei Jay levá-lo, sabendo que
King e eu precisávamos conversar. Um momento depois eles foram embora e nós dois
ficamos ali, as pessoas passando por nós, atravessando o oceano de perguntas que havia
entre nós.
– Eu não entendo, – disse ele, confuso.
Eu olhei para o chão, empurrando as mãos nos bolsos e murmurando, – Não é
tão complicado.

King avançou às pressas, sua expressão frenética e sua voz arejada. – Ele é meu,
não é? Porra, você só tem que olhar para ele para saber que ele é meu. – Ele se virou,
olhando para as pessoas caminhando, sua mente claramente correndo. Música começou
a tocar nos alto-falantes na entrada para o circo, como um ponto de exclamação gritante
no final da sua declaração.
– Ele é seu, – eu respirei.
King esfregou sua mandíbula, onde um pouco de barba começava a crescer. E
então, só assim, ele se virou e foi embora. Jesus. Meus sapatos pareciam estar presos em
uma banheira de cimento enquanto eu ficava ali, sem saber o que fazer. Quando eu
finalmente recuperei os sentidos, corri atrás dele. Ele tinha dado a volta na tenda e
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estava fazendo o seu caminho para os trailers quando cheguei perto o suficiente para
agarrar seu cotovelo.
– Espere, não fique zangado comigo, por favor, – eu implorei. Ele parou de
andar e se virou, suas feições contorcidas de angústia. Seus olhos brilharam entre os
meus, sua voz saindo tensa e rouca.
– Cristo, Alexis, eu não estou com raiva de você. Eu estou com raiva de mim
mesmo.
– Por quê? Você não tinha ideia de que estava grávida. Inferno, eu nem sequer
me dei conta disso até meses depois que você tinha desaparecido.
Ele bufou, as mãos freneticamente correndo por seu cabelo novamente. – Sim,
mas eu sumi por anos, enterrando a cabeça na areia, e todo o tempo você estava lá fora,
sozinha com uma criança que era minha. Isso só... me faz sentir inútil.
Cheguei mais perto e ergui as mãos para seu cabelo, como eu fiz antes, quando
ele estava puxando para o ponto onde ele estava quase rasgando para fora. Deslizando
os dedos pelos seus, eu segurei as duas mãos na minha e o olhei nos olhos. – Você não é
inútil, King. Você é a pessoa mais forte que eu conheço. Quero dizer, olhe para você,
olhe para o quão longe você veio desde que eu te encontrei. Não se atreva a pensar por
um segundo que eu te culpo por não estar lá. Eu tive ajuda. Eu tive Karla e os meus
pais, e sua mãe também. A única coisa que eu lamento são os anos que você perdeu,
mas eu não vou me debruçar sobre eles, e eu não vou deixar você fazer isso
também. Ele ainda é jovem, King, e há mais anos à frente do que há para trás.

Lágrimas escorriam pelo seu rosto quando ele olhou para mim. – Ele é tão...
perfeito. – Ele fez uma pausa, levou as mãos ao meu rosto para minhas bochechas. – Ele
é como este pequeno humano perfeito que fizemos juntos, e eu nem sequer o conheci.
Eu coloquei minhas mãos sobre as dele. – Você vai conhecê-lo. E se eu fosse
você não ficaria jorrando a palavra ‘perfeito’ ainda, – eu brinquei. – Quando ele está
tendo um acesso de raiva ou entrando em casa todo sujo, ele está longe de ser perfeito,
acredite em mim.
King soltou uma triste risada baixa e me segurou mais apertado. O silêncio foi
interrompido pelo latejar no meu pulso, que eu tinha certeza que ele podia sentir. Um
longo silêncio caiu entre nós enquanto simplesmente ficamos ali, nos comunicando sem
palavras. Finalmente, falei.
– Vamos, vamos voltar para que você possa conhecê-lo corretamente.
Indecisão nublou sua expressão, ele respirou fundo e limpou as lágrimas de seus
olhos. Havia algo tão dolorosamente bonito sobre o momento, e eu me perguntava por
que eu estive com medo de dizer a ele. Se qualquer coisa, a descoberta trouxe mais da
cor de volta para seus olhos, e eu estava determinada a substituir até a última gota.
Nós caminhamos lado a lado para onde os elefantes estavam sendo mantidos, e
encontramos Jay com Oliver em seus ombros para que ele pudesse acariciar um.

– Hey! – Eu chamei, e ele se virou para me ver.


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– Mamãe, eu estou acariciando o elefante. Olhe! – Ele gritou de volta, e estendeu
a mão para tocá-lo novamente.
– Eu posso ver isso, querido. Venha aqui, há alguém que eu quero que você
conheça. – Eu podia sentir o olhar intenso de King em mim enquanto falava com o
nosso filho, e então eu vi sua atenção ir para Oliver quando Jay o deixou sair de seus
ombros. Ele veio correndo para mim e eu o peguei, levantando-o em meus braços. Ele
estava ficando mais alto a cada semana, suas longas pernas balançando em meu abraço.
O virei para encarar King e disse: – Este é meu amigo. O nome dele é Oliver.
Oliver fez uma careta. – Mas o meu nome é Oliver.
– Sim. Vocês dois se chamam Oliver.
Ele soltou uma risada bonita. – Isso é louco.

Eu ri também, e vi King sorrir. Eu poderia dizer que ele ainda estava lutando
com suas emoções, mas estava fazendo um esforço para se segurar. – É um prazer
conhecê-lo, cara, – disse ele, e estendeu a mão para pegar a dele e agitar. Oliver ficou
quieto enquanto ele estudava King, tentando desvendá-lo. Era adorável. Dei a ele um
pequeno empurrão.
– O que você diz de volta?
– É um prazer conhecê-lo também.
O sorriso de King se tornou maior, e eu senti como se meu coração estivesse
prestes a estourar. Eu tinha visualizado este momento há anos, imaginei isso
acontecendo de muitas maneiras diferentes, mas agora que ele estava realmente aqui,
não havia comparação. Era como um pequeno pedaço de mim que foi quebrado sendo
finalmente ser curado. E pelo olhar no rosto de King, ele estava se sentindo exatamente
da mesma maneira.
– Oh, eu sei o que podemos fazer, – Oliver anunciou de repente. – Eu posso ser
Oliver 1 e você pode ser Oliver 2.
– Isso soa como uma boa ideia, – King riu, a ternura em sua voz quando ele
interagiu com o nosso filho fazendo uma parte profunda e feminino de mim doer.
Eu realmente queria dizer a ele que ele poderia chamá-lo de papai, mas era muito
cedo. Oliver do tipo aberto de criança, mas ainda assim, eu sabia que tinha de aliviar a
ideia de que King era seu pai. Baixando-o dos meus braços, nós fomos para dentro da
tenda para o início do show. Eu comprei a Oliver algum algodão doce, então ele ficou
quieto, concentração estampada em seu rosto. King parecia não saber como agir, mas eu
só apertei a mão dele para que ele soubesse que ele estava indo bem. Quando
encontramos alguns lugares e King se sentou, Oliver sem cerimônia começou a subir
em seu colo.
– Eu vou sentar aqui, – disse ele, sem preâmbulos. Eu ri. King olhou para ele,
uma mistura de divertimento e perplexidade. Isso era o típico comportamento de Oliver,
embora; ele fazia amizade rapidamente. Dei de ombros e tomei o assento ao lado de
King com o nosso filho sentado em seu colo, feliz, comento seu algodão doce como se
ele não tivesse nenhuma preocupação no mundo.
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Eu olhei para King, em seguida, sussurrei: – Você está bem?
Ele engoliu em seco e piscou algumas vezes antes de limpar a garganta. – Sim,
eu estou bem.
Eu sorri e lancei um olhar na direção de Oliver enquanto observava algumas
pessoas de mexendo para dar início ao espetáculo. – Eu acho que ele decidiu que vocês
irão ser amigos. Não que você tenha alguma a coisa a dizer a esse respeito. Desculpa.
King riu suavemente. – Isso está bom pra mim.
– Obrigada por ser tão legal sobre isso, – continuei, a voz suave.

– Honestamente, eu não tenho certeza se eu totalmente compreendi o que está


acontecendo ainda.
Seu tom confuso me fez rir, porque eu completamente entendi. Se eu estivesse
no lugar de King, eu provavelmente estaria assustada como o inferno.
Oliver torceu em seu colo e praticamente empurrou o algodão doce no rosto de
King. – Quer um pouco?
– Uh, claro, – ele disse, e pegou um pedaço.

– Oh, sim, não se preocupe em me oferecer, – eu me queixei, e depois o algodão


doce estava sendo empurrado na minha cara. Peguei um pedaço maior.
– Não coma tudo, – Oliver gemeu antes de olhar para King. – Ela sempre come
tudo.
King riu, os olhos acesos e fascinados por cada pequena coisa que saia da boca
de Oliver. Um segundo depois, as luzes estavam apagadas e o início do show estava
sendo anunciado. Descobriu-se que Marina era a mestre de cerimônias, e ela saiu
vestindo um casaco vermelho longo e um chapéu alto. Seu macaco-prego estava em seu
ombro, e, assim como eu tinha imaginado quando eu o vi pela primeira vez, Oliver
quase perdeu.

– Ela tem um macaco! Olha, mamãe, ela tem um macaco! – Ele saltou no colo
de King, que se inclinou para lhe dizer:
– Essa é a minha irmã, Marina. O nome do macaco é Pierre.
Oliver olhou para ele, com um sorriso enorme no rosto e pedaços de algodão
doce rosa presos a suas bochechas. – Posso conhecer ele?
King sorriu para ele, e novamente fez meu coração correr. – Eu tenho certeza
que posso arranjar isso.
– Você é o melhor, – Oliver declarou, e sem aviso estendeu a mão e jogou os
braços em volta do pescoço de King para um abraço. Ele parecia assustado no início,
mas então seus olhos vieram aos meus e eu vi a emoção em si. Ele o apertou de volta, e
de alguma forma eu sabia naquele momento que tudo ia ficar bem. Eu tive que desviar o
olhar por um segundo e limpar a garganta para não ficar toda chorosa.
O show começou com Marina anunciando os elefantes.
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– É o que eu acariciei, – Oliver gritou, apontando para uma das grandes
criaturas.
Ele estava hipnotizado por todo o show, em parte específica de Jay, que me
deixou de queixo caído com espanto. Depois de Jay veio Jack, mas Oliver não gostou
tanto. Na verdade, todo o fogo o assustava, e ele se virou no colo de King, empurrando
seu rosto no peito dele, porque ele não queria assistir. King se assustou, as mãos no ar
como se ele não soubesse o que fazer. Dei a ele um olhar encorajador e apontei para as
mãos. Por fim, ele pegou a dica e passou os braços ao redor de Oliver como se
protegendo-o do que o assustou.
Ao contrário do meu filho, eu não estava com medo do ato de Jack. Pelo
contrário, eu estava maravilhada, especialmente desde que o homem usava jeans e
estava sem camisa. Eu peguei King me olhando, então eu dei de ombros e murmurei
o quê? para ele. Ele só sorriu e balançou a cabeça, mas se eu não soubesse melhor, eu
diria que ele estava com ciúmes. O pensamento me deixou estranhamente tonta.
Durante o intervalo, Oliver era um gato falante, como de costume. E ele estava
mais do que fascinado pelo King.
– Por que você tem cabelo comprido?
King me deu um sorriso diabólico antes de responder, – Sua mãe gosta dele
assim.

Oliver se virou para mim, todo curioso. – Por que você gosta do cabelo longo
dele, mamãe?
Eu dei a King uma careta, tentando não sorrir de volta, mas o meu esforço foi
inútil. – Porque é belo e loiro como o seu.
Pelo olhar em seu rosto, ele não gostou do som disso. – Eu sou um rapaz. Eu não
sou belo. Eu sou bonito.
Sua resposta me fez rir, e eu estava olhando para King quando eu respondi: – Às
vezes os meninos podem ser belos e bonitos.
– Vovó Elaine me diz que eu sou bonito o tempo todo, – Oliver respondeu.
A expressão de dor cruzou o rosto de King com a menção de sua mãe, e eu sabia
exatamente o que eu tinha deixado de fazer. Eu tinha que levá-lo para vê-la. O show
chegou ao fim, e Oliver não iria ouvir uma palavra sobre ir para casa até que ele tinha
conhecesse o macaco. King nos levou aos bastidores, e Marina estava mais do que feliz
em apresentar Oliver para seu companheiro peludo. Eu mesmo vi um pouco de brilho
em seus olhos quando ela viu o meu menino. Ela ficou olhando entre ele e King,
observando as semelhanças. Eu pensei que ela poderia explodir em um ponto, mas ela
conseguiu segurar.
– Você quer voltar para casa com a gente para o jantar? – Perguntei a King em
silêncio, enquanto Oliver ria animadamente enquanto Pierre enfiava suas mãos de
macaco nos bolsos da camisa e calças do meu filho, querendo roubar.
King respirou fundo, perto o suficiente para eu sentir sua respiração bater minha
pele. – Sim, eu gostaria disso, Alexis.
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Havia algo intenso na maneira como ele disse meu nome. Fez com que os
minúsculos pelos em meus braços ficassem em pé e minha respiração travasse. Eu
comecei a lembrar do nosso beijo da noite anterior, sua língua quente e molhada na
minha boca e seu pau duro e pronto em suas calças. Eu pisquei e desviei o olhar,
tentando apagar as imagens. Eu não podia ter esses tipos de pensamentos naquele
momento.
Alguns minutos mais tarde, eu finalmente conseguiu puxar Oliver para longe de
Pierre. De repente, tudo o que ele poderia falar era ter um macaco de
estimação. Fizemos nosso caminho para onde eu tinha estacionado o carro, e Oliver
pediu a King para se sentar na parte de trás com ele para que pudessem conversar. No
momento em que chegamos em casa, ele contou a ele tudo sobre seus amigos em
Montessori e como ele iria estar começando na grande escola em setembro.
De vez em quando o meu olhar travava com o de King através do espelho
retrovisor e cada vez que isso acontecia, minha pele formigava. Ele estava aqui, em
nossas vidas, falando com o nosso filho como se fosse a coisa mais normal do
mundo. Me sentindo tonta com a felicidade, eu saí do carro e dei a volta para deixar
Oliver sair. King saiu do outro lado e parou no nosso pequeno jardim, observando a
casa na frente dele.
– Este é um lugar agradável, – ele disse enquanto eu gesticulava para ele me
seguir para dentro.
– Obrigada. Pareceu ter levado uma vida poupando dinheiro para comprar. Eu ia
colocar o dinheiro do meu trabalho de modelagem, mas, então a agência decolou e eu
pude finalmente pagar. – Parei de falar quando eu percebi que estava divagando
– Você gosta de viver aqui? – Perguntou.
– Eu amo, – respondi simplesmente. – É um lar.
Escorregando meus sapatos no corredor, eu fui descalça até a cozinha e abri a
geladeira, pegando os ingredientes para o jantar. Eu planejava fazer porco assado com
batatas e molho de maçã. King tomou um assento na bancada e assistiu, enquanto
Oliver se sentava na sala de estar para jogar. Ele tinha esse conjunto de carros de
brinquedo que ele atualmente estava obcecado. Tudo que eu ouvia era várias
interpretações de vroom vroooom dele por horas a fio.
– É bom olhar para você, – disse King aleatoriamente enquanto eu descascava
batatas.

– O que?
– Esse lugar. Eu gosto do quão feliz você parece aqui.
– Bem, como eu disse, eu meio que tenho que te agradecer por isso. Você
sempre me via grande, me dizia que eu poderia fazer o que quisesse uma vez que eu
colocasse a minha mente nisso. E possuir uma casa própria sempre foi um grande sonho
para mim.

Seu olhar ficou pensativo. Ele não disse nada em resposta, e de repente eu me
senti estranha. Foi provavelmente por causa da maneira como ele estava olhando para
mim com tanta atenção. Eu pus o dedo na gola da minha camisa, acanhada, e seus olhos
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se dirigiram para o movimento. Sua respiração lhe escapou de uma vez, antes que ele
deixasse escapar, – É estranho sentir como se eu já o amasse e eu acabei de conhecê-lo?
Meu coração deu um único baque duro, e eu soube imediatamente que ele estava
falando sobre Oliver. Suas palavras fizeram meu pulso acelerar quando eu balancei a
cabeça. – Não é estranho. Eu o amei desde o momento em que o vi.
Agora, ele franziu a testa enquanto ele estendia a mão e apertou a minha mão. –
Me desculpe não estar lá no nascimento. Isso não é algo que você deveria ter passado
sem mim.
Olhei para ele. – É o que é. Não podemos mudar o passado. Você está aqui
agora, no entanto. Isso é tudo que importa.
Ele apertou minha mão uma vez antes de soltar, e eu voltei para preparar o
jantar. Era meio desconcertante ele simplesmente ficar lá e assistir. Bem, desconcertante
e sexualmente frustrante, porque a forma como ele olhava para mim parecia
sensual. Sempre foi. King tinha um jeito intenso de estudar as pessoas que garantia
conseguir qualquer mulher quente sobre ele. Falando nisso, eu estava puxando a minha
gola de novo, e ele pareceu notar.
– Você está bem?

– Sim. Está apenas um pouco quente aqui com o forno. Acho que vou subir e
trocar para algo mais leve.
King concordou. – Está tudo bem se eu usar seu banheiro?
– Claro, venha e eu vou te mostrar onde ele está.

Ele me seguiu até as escadas, e eu indiquei a porta do banheiro à direita. Então


eu entrei no meu quarto e abri uma gaveta, em busca de uma das minhas camisetas leves
de algodão. Encontrando-o, eu tirei minha blusa e puxei a camiseta por cima da minha
cabeça. Eu ouvi a torneira, e poucos momentos depois, King saiu do banheiro, o piso
rangendo sob seus passos. A casa parecia tão em silêncio, só o baixo volume da TV lá
embaixo. Minha pele se arrepiou por tê-lo ali, tão perto da minha cama. Eu o ouvi fazer
uma pausa no patamar, não fazendo o seu caminho de volta para o piso térreo.
– King? – Eu chamei suavemente.
Como se a minha voz fosse um convite, ele deu um passo para dentro do meu
quarto. Seus olhos viajaram ao redor do pequeno espaço, vagando momentaneamente
para a minha cama, onde um par das minhas coisas estavam lá em cima. Principalmente
roupas íntimas. Acrescentou uma nova tensão para o momento, e eu fiquei congelada no
local, sem saber como agir. Embora fosse triste de admitir, eu nunca tinha tido um
homem neste quarto antes, e sua presença fez o lugar parecer menor.

Ele franziu a testa e se virou. – Desculpa. Eu não sei por que vim aqui.
– Você veio porque eu chamei você. Está tudo bem? – Eu senti como se
estivesse sempre lhe perguntando isso, mas eu não conseguia evitar. Eu sempre queria
ter certeza de que ele estava se sentindo bem e não sobrecarregado. Ele finalmente
levantou os olhos para mim e minha tensão aumentou, um peso se fixando em minha
garganta. O peso da atmosfera entre nós era quase insuportável.
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– Você deu o meu nome para ele, – ele sussurrou.
Tudo o que eu podia fazer era acenar com a cabeça, minha boca ligeiramente
abrindo, coração apertando com tantos sentimentos diferentes ao mesmo tempo.
Ele respirou para dentro e para fora, em seguida, deu um passo adiante. Agarrei a
camisa que eu tinha acabado de tirar com força em minhas mãos e não podia deixar de
admirar a sua forma. Sua camiseta encaixava muito bem ao redor de seus ombros
largos, seu cabelo pendurado ligeiramente para frente para proteger o rosto. Mesmo
antes, eu raramente o vi em jeans, mas abraçava a cintura fina atraente, acentuada por
um cinto de couro marrom simples. Ele parecia tão normal e, então viril. Era difícil
imaginar um momento em que ele vestia ternos de grife e tinha seu cabelo cortado por
um ótimo salão em Londres.

Ele continuou se movendo em direção a mim, e eu comecei a recuar. Eu não


tinha certeza por que, mas eu gostava da sensação de estar presa. Antes que eu
percebesse, minhas costas bateram na parede, e ele estava bem ali, os olhos me
segurando. A camisa caiu de minhas mãos enquanto eu chupava uma respiração
afiada. O peito dele encontrou o meu, e então ele inclinou todo o seu peso sobre mim
até que eu estava contra a parede. Seu peso não era desagradável - na verdade, era
bom. Eu saboreei como nossos corpos se alinharam juntos, e minha respiração
aumentou em velocidade.
– Eu gosto do seu quarto, – disse King, a voz baixa e sedutora. Eu não podia
acreditar o quão confiante ele estava sendo, tão agressivamente assumindo a
liderança. Ainda assim, houve uma ternura, um certo nível de hesitação, como se ele
não tivesse certeza se eu iria deixá-lo chegar perto. Logo em seguida, ele não poderia ter
chegado mais perto.
– Obrigado.

Sua cabeça mergulhou para frente, o queixo na minha testa e seu nariz e os
lábios no meu cabelo. Ele inalou profundamente, e um arrepio me percorreu. Ele sentiu
isso, apoiando-se em mim ainda mais forte. Eu estava tão tensa que eu pensei que eu
poderia derreter na parede. A maneira como seu corpo sentia estava fazendo o meu
coração para correr e minha cabeça se encher de imagens. Minha cama estava bem ali.
Como seria fácil para ele me jogar sobre ele e me levar?
Naquele momento, eu queria ser tomada.
– Eu fiquei pensando sobre a noite passada e sobre beijar você, – ele
murmurou. Engoli em seco bruscamente quando ele pegou minha orelha em sua boca e
chupou. Sua língua deslizou ao longo da concha da minha orelha e formigamentos
irradiaram pela minha espinha.
– Oh, Deus.
Ele continuou lambendo minha orelha, em seguida, mexeu o seu corpo para que
eu pudesse sentir sua dureza pressionando no meu estômago. Eu queria gemer, mas
mordi o lábio para segurar. Oliver estava lá em baixo, e eu não queria que ele ouvisse.
– Te quero tanto. Eu quis você desde o momento em que se aproximou de mim
naquele dia no circo. – Suas palavras provocaram a memória dele se levantando
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abruptamente da cadeira e andando em minha direção como se eu fosse a única coisa
que ele viu. Como ele tinha me tocado quase com reverência, seus dedos traçando
minhas características que ele não acreditava que eu era real.
Me mexi um pouco, apertando minhas coxas para aliviar a dor que ele tinha
criado. Ele notou, e seus lábios começaram a curva em um sorriso. – O que está errado,
amor?

Olhei para sua garganta. – Jantar. Eu preciso descer e ver como a comida está.
– A comida está muito bem.
– Pode queimar.
– Não vai. Eu quero te tocar.
Eu levantei meu olhar, encontrando seus olhos ferozes, e sussurrei: – Então me
toque.
O segundo que as palavras saíram da minha boca, suas mãos voaram para o cós
da calça, desfazendo o botão e se aventurando no interior. Seus dedos deslizaram sob o
elástico da minha calcinha, e então ele estava me sentindo, seu toque quente e
sondando. Nós dois trememos. Ele tocou minha fenda, em seguida, afundou ainda mais,
explorando minhas dobras, e eu senti meu corpo espalmar pelo contato. Eu estava
encharcada, e quando ele encontrou a minha abertura e levou para dentro, eu tive que
enterrar meu rosto em seu ombro e morder para não gritar. Tudo de uma vez ele estava
enchendo anos de vazio, e foi demais.
Meu corpo ficou mole, mas sua força me segurou. Ele moveu os dedos
lentamente, fodendo para dentro e para fora enquanto seus olhos brilhavam, imersos em
minha reação. Meus mamilos ficaram duros, esfregando quase dolorosamente contra o
tecido do meu sutiã. King continuou com seu dedo, o polegar esfregando círculos em
meu clitóris. Eu ondulei sob ele, deixando escapar um suspiro que ele capturou com sua
boca. Não houve delicadeza em seu beijo. Foi duro e exigente, sua língua se movendo
em uníssono com a minha, enviando a cada terminação nervosa minha em uma
pirueta. Eu estava completamente aberta para ele enquanto ele explorava.
– Você é incrível, – ele engasgou, quebrando nosso beijo por uma fração de
segundo antes que seus lábios estivessem de volta em mim. Seu polegar circulou o meu
clitóris mais uma vez e eu gozei em um instante, tremendo e sacudindo contra ele. Ele
soltou um gemido baixo quando ele me beijou, e ele vibrou através de mim quando as
ondas do meu orgasmo caíram sobre mim como um tsunami. Seu beijo ficou mais
suave, até que ele foi mordiscando nas bordas dos meus lábios, permitindo-me apreciar
os efeitos. Eu estava vagamente consciente do meu constrangimento, desde que eu tinha
acabado de ser vítima do equivalente feminino da ejaculação precoce. King nem sequer
pareceu estar ciente de quão rapidamente eu gozei, então eu não me debrucei sobre
ele. Eu encontrei seus beijos, explorando sua mandíbula e, em seguida, seu pescoço. Ele
gemeu quando eu lambi o lóbulo da sua orelha, assim como ele tinha feito comigo.
Minha mão tinha apenas começado a se mover ao longo de seu estômago na
direção de sua virilha, quando uma voz chamou do andar de baixo.
– Algo está apitando, mamãe!
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Minha mão parou a sua exploração quando abaixei minha cabeça em seu peito e
suspirei.

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Vinte e dois

Tomei consciência de várias coisas ao mesmo tempo. Um, meu filho estava lá
embaixo - o nosso filho estava lá embaixo. Dois, eu tinha acabado de deixar King me
foder com os dedos dentro de uma polegada da minha vida, e eu queria levar as coisas
mais longe. Três, eu não tinha tempo para levar as coisas adiante (cara triste.) E quatro,
eu realmente precisava verificar o jantar.
Eu me afastei de King, a voz ofegante. – Eu deveria descer.
– Sim, – ele disse, um pouco sem fôlego.
Eu estava consciente dele entrando no banheiro para lavar as mãos em vez de
seguir atrás de mim. Na cozinha, eu me ocupei desligando o forno e verificando para
garantir que a carne foi cozida. Eu sabia que era o temporizador apitando, o que
representou o sinal sonoro. Ainda assim, eu verifiquei, principalmente para me manter
de pensar sobre o que tinha acontecido. Foi estranho, porque eu certamente não tinha
forçado sua mão para dentro das minhas calças, mas eu tinha essa noção ridícula de que
eu estava tirando proveito dele. Eu não estava, é claro. Eu nunca faria isso, mas era
exatamente como eu me sentia. Provavelmente porque ele ainda estava em estado de
recuperação.
Quando King desceu um minuto depois, ele entrou na sala de estar para ficar
com Oliver. Os ouvi conversar enquanto terminava a comida, sorrindo para as perguntas
intermináveis do meu filho e as respostas de King na pequena conversa aleatória. Eu
poderia dizer que ele estava completamente obcecado, embora, e isso fez meu coração
disparar.

Depois de alguns minutos, King entrou e silenciosamente começou a pôr a


mesa. Lancei a ele um olhar de agradecimento, e nós trabalhamos juntos em silêncio por
alguns minutos. Uma vez que tudo estava pronto, eu chamei Oliver, enfiando um
guardanapo na camisa dele, porque ele era um bagunceiro. Todo o tempo eu estava
ciente de King observando cada movimento meu, enquanto eu cortava a carne de Oliver
em pedaços pequenos, ou como eu estendi a mão e tirei um pouco de molho de maçã de
sua boca.
De vez em quando eu olhava para cima da minha comida e pegava seus olhos em
mim. Sua atenção me fez corar, porque era óbvio que ele estava pensando sobre o que
tinha acontecido entre nós no meu quarto. Quando acabamos de comer, King insistiu em
lavar os pratos, então eu levei Oliver no andar de cima para tomar banho. Até o
momento eu tinha ele de pijama e pronto para a cama, a cozinha estava impecável.
Eu entrei quando King estava secando as mãos com uma toalha. Um passo à
frente, eu fui na ponta dos pés e dei um beijo suave em sua bochecha.

– Obrigada, – eu sussurrei. Foi bom ter alguém lavando os pratos pra variar.
– Sem problemas.
– Eu ia ler uma história para dormir para Oliver. Você quer ir?
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Um olhar pensativo atravessou seu rosto antes de ele limpar a garganta e
perguntar: – Você se importaria se eu fizesse isso? Ler a história, quero dizer.
Estudei-o, surpresa com o pedido. – Claro que não. Vou te dizer uma coisa - eu
queria tomar um banho, então que tal você ler enquanto eu estou no banho?

King sorriu em resposta e me tirou o fôlego. – Isso soa como um plano.


Tentei não ficar desapontada quando Oliver agiu todo feliz da vida por descobrir
que King ia ler a sua história. Se isso não me deixasse tão feliz, eu poderia ter ficado
com ciúmes com a rapidez com que tinham se aproximado. Mas eles eram pai e
filho. Era natural que ele tivessem uma conexão. O pensamento de repente me fez ficar
um pouco chorosa (lágrimas felizes, é claro), então eu rapidamente fui tomar meu
banho. Não queria King me vendo agir como uma bagunça hormonal.
Sua voz veio pelo corredor quando me estabeleci na água morna. Isso me fez
doer por seu toque e tê-lo sussurrando coisas impertinentes no meu ouvido. Eu tive uma
súbita vontade de me tocar, mas eu resisti. Sua voz só fazia coisas estranhas comigo. Eu
tinha saído e me secado quando o ouvi fechar a porta do quarto de Oliver e
silenciosamente sair para o corredor. Deslizando rapidamente em um robe, eu abri a
porta e o encontrei ali de pé, olhando para o chão, consternado. Quando olhou para
cima, ele pegou na minha aparência lentamente e minha barriga deu uma pequena
cambalhota.
– Hey, – eu sussurrei. – Ele está dormindo?
King parecia estar tentando passar através de um labirinto de seus próprios
sentimentos quando ele balançou a cabeça e respondeu: – Sim, ele está dormindo.
Parecia que ele precisava de um abraço, então eu fui até ele e passei meus braços
em volta do seu pescoço, puxando-o para perto. Seus braços foram para a minha cintura,
os dedos inocentemente roçando a curva da minha bunda. Nós nos abraçamos por um
longo tempo, absorvendo o calor um do outro e respirando um do outro. Então, de
repente ele estava me levando para o meu quarto, e eu não o impedi. Nós já estávamos
dentro quando ele perguntou: – Está tudo bem?
– Sim, está tudo bem.

– Eu não quero ir ainda, – disse ele, o nariz no meu cabelo molhado.


– Eu não quero que você saia ainda também. – E era verdade, não só porque eu
saboreava sua presença, mas também porque meus pequenos impulsos no banho ainda
não havia se dissipado. Eu juro, apenas ouvi-lo falar provavelmente poderia me fazer
gozar. Ele olhou para mim e deve ter lido alguma coisa no meu rosto, porque seus olhos
ficaram aquecidos. Seus braços caíram para longe de mim enquanto ele parecia
considerar algo. Então, com uma voz grave, ele gesticulou para a cama e me ordenou: –
Deite-se.
Uau. Isso foi inesperado. O tom autoritário que ele usou fez o meu sangue
correr. Engolindo, eu deu três passos para trás até que as minhas pernas bateram na
cama. Abaixei-me sobre o colchão até que eu estava de costas, o peito subindo e
descendo pesadamente, e esperei para o que viesse a seguir. Os olhos de King
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escureceram quando ele se sentou em uma cadeira e esfregou seu queixo. Eu amei como
o seu olhar me traçou, observando todos os detalhes.
– Tire o seu robe. – Ao contrário de sua primeira ordem, desta vez, ouvi um leve
tremor em sua voz. Ele estava nervoso?

Eu nunca tirei meus olhos dele quando minhas mãos caíram para o robe e seguiu
seu comando. Lentamente, eu escovei ambos os lados separados até a minha nudez
estava nua para ele. Ele assobiou e se aproximou, cotovelos nos joelhos. Seus olhos
estavam nivelados nos meus seios e meus mamilos, que estavam endurecidos. Em
seguida, ele se abaixou.
Sua voz estava grossa quando ele falou. – Levante os joelhos para cima e abra as
pernas. – Na superfície, suas palavras eram brutas, mas foi a maneira como ele disse que
segurava ternura. Dentro do meu peito, meu coração estava batendo com excitação. Eu
amei isso, amei como ele estava me dizendo o que fazer. Uma vez que eu tinha feito o
que ele tinha pedido, King soltou um gemido audível antes de murmurar, – Jesus, você
está molhada.
Ele estava certo, eu estava. Eu também estava doendo, pulsando com uma
profunda necessidade para ele vir e me dar algum alívio. Suas próximas palavras, tão
calorosos, me fizeram gemer.
– Toque-se para mim, amor.

Instintivamente, eu permiti que a minha mão corresse pelo meu peito,


acariciando meus seios e beliscando meus mamilos. Eu podia ouvir a respiração de
King encher o quarto, e quando eu olhei para ele, suas mãos estavam fechadas em
punhos. Ele deve ter estado usando toda a sua força de vontade para não me tocar, e eu
me senti eufórica. Lentamente, eu corri minha mão pelo meu estômago e entre as
minhas coxas. Meu corpo estremeceu quando eu trouxe meus dedos para o meu sexo e
esfreguei, meu clitóris um pacote apertado de necessidade.
– Porra, – King xingou, e eu estremeci, esfregando minha umidade para cima e
para baixo em minhas dobras antes de circular meu clitóris suavemente. Eu encontrei
seus olhos, silenciosamente comunicando que isso era para ele. Suas narinas, seu olhar
em chamas, e ele estava inclinado para frente, tanto que ele estava prestes a cair da
cadeira. Eu teria achado engraçado se não estivesse tão excitada.
– Coloque seus dedos dentro de si mesma, – disse ele com a voz rouca, e eu
gemi novamente. Tentei não ser muito alto, já que Oliver estava dormindo no final do
corredor, mas era difícil. O pau de King estava duro, delineado agudamente contra a
virilha de seu jeans. Olhei para ele, imaginando-o dentro de mim, como meus dedos
deslizaram, me enchendo. Meus quadris subiram para fora da cama enquanto eu me
movia para dentro e fora. Meus olhos se encontraram em King, e eu nunca olhei para
longe, nunca parei de me dedilhar enquanto ele me devorava com o olhar. Então eu os
puxei e me acariciei para cima e para baixo antes de esfregar meu clitóris
novamente. Minha pele estava quente e febril, e meu estômago estava apertado com a
necessidade de gozar.
– Goze para mim, – King me pediu, e eu aumentei minha velocidade, meus
próprios gemidos alto em meus ouvidos. Eu estava tão molhada que era quase
embaraçoso, porque ele nem tinha me tocado ainda. Sentindo o prazer correr para frente
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tudo de uma vez, eu dei ao meu clitóris um aperto final, esfregando com força, e minha
visão ficou embaçada por um segundo. Eu gozei com um grito agudo.
Eu estava esfregando as ondas quando de repente King pairava sobre mim, suas
intenções claras em seu rosto. Ele queria fazer amor. O olhar terno em seus olhos me fez
sentir verdadeiramente acarinhada. Ele estava puxando sua camiseta pela cabeça
enquanto eu vasculhava no meu criado mudo para pegar um preservativo. Eu tinha
comprado um pacote apenas alguns dias atrás, na esperança de que talvez algo fosse
acontecer entre nós. Nunca em um milhão de anos eu achei que seria assim, tão tenro e
quente – ainda que tão emocional.
Sua camisa estava fora primeiro e quando ele se concentrou em suas calças, eu
observei os contornos de seu corpo. Ele era mais grosso do que ele costumava ser, ainda
musculoso, mas não definido, mas de alguma forma era mais sexy. Na verdade, naquele
momento ele era a coisa mais excitante que eu já vi. Eu tremia enquanto eu o
observava. Havia um par de cicatrizes nos braços e um no peito. Eu sabia que ele
provavelmente não se lembrava de onde elas vieram ao longo dos anos, ele tinha
perdido a seu vício. A vida nas ruas não era fácil. Foi duro e brutal, e eu tinha certeza
que ele entrou em brigas em mais de uma ocasião.

De qualquer forma, não era como se meu corpo não tivesse mudado. Eu tinha
estrias antigas e ganhei uns quilinhos a mais. Não era uma coisa ruim. Era apenas
humano. Os olhos de King praticamente brilhavam, e eu sabia que era tão sexy para ele
como era para mim. Não sobre o lado de fora, mas sobre a alma.
Quando suas calças tinham ido embora, eu trouxe o preservativo para a minha
boca em um esforço para rasgar sedutoramente com os dentes. O pacote não rasgava e
ambos compartilharam uma risada em minha falha épica. King colocou a mão na minha
bochecha, e murmurou: – Cristo, eu te amo.
Suas palavras me fizeram ofegar e eu olhei para ele, incrédula, o pacote caindo
deselegantemente da minha boca. Eu não tinha certeza por que eu não acreditava
nele. Eu acho que eu só passei tanto tempo desejando tê-lo de volta que era difícil
acreditar que havia se tornado uma realidade. De qualquer forma, minha descrença não
durou muito tempo, porque mesmo que meu cérebro estivesse hesitante, meu coração
sabia o que significava o que ele tinha dito.

Ele riu e se abaixou para beliscar meu queixo quando ele tomou o preservativo
de onde tinha aterrado no meu peito. Claramente, eu não poderia ser confiável com ele.
– Não há necessidade de parecer tão chocada, amor, – ele me disse
suavemente. – Eu nunca deixei de te amar, nem mesmo na minha hora mais escura.
– Eu não estou chocada, – eu disse, me engasgando. – Eu só estou tentando...
absorver. Eu nunca deixei de te amar também.

O sorriso que ele me deu em resposta fez meu peito doer. Eu vi como ele rasgou
o preservativo com muito mais requinte do que eu poderia ter feito antes de rolar em
comprimento duro. Engoli em antecipação quando ele trouxe as mãos para minhas
coxas e as puxou firmemente em torno de seus quadris. Sua ereção roçou, me
provocando, e ele se inclinou para capturar meus lábios com os seus. Ele manteve os
olhos abertos enquanto ele me beijava; era ao mesmo tempo estranho e cativante. Olhei
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para ele, fascinada por todos os seus movimentos. Eu amei a tensão em seus ombros
enquanto se segurava, e a tensão de seus bíceps enquanto ele continuava entrar de mim.
Em seguida, seus quadris começaram a se mover, lentamente para dentro e para
fora, seu pau me abrindo. Segurei seus braços e gemi de frustração. Ele apenas mal
deslizou para dentro antes de arrancar de novo e, finalmente, entrou até o fundo com um
rosnado quase selvagem. Gritei com a invasão, meu corpo apertado e fora de
prática. Parecia incrível, tão quente e escorregadio. Não se movendo, ele continuou a
me beijar, sua língua sedosa e molhada, suas pálpebras fechando de prazer. Um arrepio
o percorreu, mas ainda assim ele não se mexeu. Eu amei a sensação dele tão
profundamente dentro de mim, enchendo cada polegada. Por instinto, eu cerrei em torno
dele, e sua boca caiu da minha quando ele soltou um gemido silencioso.
– Jesus.
– Oliver, – eu respirei, um apelo silencioso.
– Apenas... apenas me dê um minuto.
Baixei a boca para seu pescoço e chupei, fazendo-o estremecer uma segunda
vez. Então eu corri minhas mãos sobre os ombros largos e sua espinha até chegar a sua
parte inferior das costas. Pressionando os dedos suavemente, uma vontade silenciosa
para ele se mover, olhei para cima e o encontrei olhando para mim com
fascinação. Seus olhos gelados dançavam à luz da lâmpada, a boca aberta. Levantei-me
um pouco e tomei seu lábio inferior entre os meus dentes, dando a ele uma linha de
contato suave. Ele rosnou baixo em sua garganta, um som brincalhão e sexy.

– Faça amor comigo, – eu sussurrei.


Foi um doce alívio quando ele finalmente moveu seus quadris, puxando para
fora, em seguida, dirigindo de volta para mim duramente. Deixei escapar um suspiro
ofegante, os dedos cavando mais forte na base de sua espinha.
– Porra, eu amo seu corpo, – ele sussurrou como um voto. – Eu nunca vou deixá-
la novamente. Nunca.

Suas palavras fixaram algo em mim, vedando qualquer dúvida persistente. Ele
estava aqui para ficar. E eu nunca o deixaria ir.
E então ele estava dirigindo em mim ferozmente, expulsando anos de fome e
solidão. Eu conhecia que o sentimento. Era quase eufórico por ter finalmente alguém
para conectar no nível humano mais básico. Eu corri minha boca sobre sua mandíbula,
tentei pegar seus lábios nos meus, mas ele me escapou enquanto seu corpo se movia
rapidamente. Seus músculos estavam apertados, sua respiração dura. Eu queria o beijo
dele, caramba. Assim como se ele estivesse em sintonia com todas as minhas
necessidades, ele diminuiu o ritmo e me deu sua boca.
Enquanto nós nos beijávamos, nosso amor se tornou lento e lânguido, mas de
alguma forma mais febril. Eu senti cada segundo, m encontrei tremendo enquanto eu
apreciava o empurrar e puxar e saboreei cada polegada dele dentro de mim. Meus poros
apertaram, minha pele estava quente e corada, e uma leve camada de suor revestida
minha pele.
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Ele baixou o rosto para o meu pescoço, ainda me fodendo, e respirou
fundo. Havia uma urgência para os seus movimentos, e eu sabia que ele ia gozar em
breve.
– Eu te amo, – eu sussurrei em seu ouvido. – Sempre.

E então ele ainda gozou, antes de cair quente e pesado no meu peito.

***

Algo era maravilhoso. Eu pensei que eu poderia estar sonhando, mas havia essa
tensão vibrando na boca do estômago e percebi que o sentimento era tudo muito real. Eu
mexi um pouco na cama, abrindo os olhos e olhando para baixo para encontrar a cabeça
de King entre as minhas pernas, sua língua me lambendo avidamente. Eu inalei com a
vista, e o primeiro som que fiz foi um gemido baixo.
– O que você está fazendo? – Eu perguntei, minha voz um sussurro.
– Te provocando, – disse ele, suas palavras como a da primeira noite que
passamos juntos em Roma, e como ele tinha me acordado com o plantio de beijos ao
longo das minhas coxas.

Antes que eu pudesse responder, seus dedos estavam dentro de mim, bombeando
rápido enquanto sua língua trabalhava sua mágica em meu clitóris. Eu tinha energia
suficiente para virar a cabeça e verificar o tempo no meu despertador. Eram cinco e
meia da manhã, e, portanto, cedo o suficiente para que Oliver não estivesse acordado
ainda. Eu poderia desfrutar disso. Deixei escapar um suspiro de alívio que se misturava
com os meus gemidos.
King tinha jogado minhas pernas sobre os ombros para dar a ele maior acesso, e
eu juro por Deus que eu poderia ter morrido com a sensação celestial de seus lábios e
língua.
– Eu mencionei que eu te amo? – Eu suspirei.

Ele riu na minha pele, o som vibrando agradavelmente através do meu


corpo. Então, ele cantarolou baixinho em sua garganta, um som de puro prazer que ele
estava realmente se divertindo. Eu apreciava a sensação de excitação preguiçosa, de
apenas me ter lá, me tocando como um piano. O pensamento me fez imaginá-lo tocando
na minha mente, e então eu estava ainda mais excitada. Deus, este homem.
Afundando meus dedos em seus cabelos, eu puxei seu rosto para mais perto, sua
barba arranhando em minhas coxas. Ele riu novamente, e eu deixou escapar um suspiro.
– Cale-se.

Ele veio para o ar. – Diga a verdade. É por isso que você queria que eu
mantivesse o meu cabelo comprido.
Eu triturei meu queixo e respondi sem fôlego, – Eu disse para se calar.
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Rindo, e então ele estava de volta para mim, me lambendo até que eu estava
gozando em sua boca. Sua mão acariciava minha barriga, se arrastando pelo meu corpo
e acariciando meus seios, meus mamilos. Eu tremia e agarrei seus ombros, puxando-o
para mim.
– Venha aqui, – eu sussurrei, e passei meus braços em volta do pescoço,
segurando-o perto. Sua respiração era profunda e relaxada, e eu amei a
sensação. Minhas coxas estavam em torno de sua cintura, seu delicioso corpo pesado
em cima do meu. Eu acariciava seu cabelo, apreciando a sensação sedosa, e o senti cair
de volta para dormir.
Eu não tinha certeza de que horas eram quando acordei, mas eu sabia que tinha
que ser mais tarde do que a minha hora habitual. King e eu tínhamos nos mexido
enquanto dormíamos, e agora ele estava atrás de mim, seu grande corpo me
encapsulando. O edredons foram puxados, nos cobrindo completamente, ainda bem...
porque eu abri meus olhos para encontrar dois olhos azuis curiosos olhando para mim.
Oh, Meu Deus.
Oliver estava ali em seus pijamas, um olhar inquisidor em seu rosto enquanto ele
segurava um de seus ursos de pelúcia em seu peito. Ele olhou para mim e King na cama,
mas não parecia perturbado. Ele só parecia curioso. Eu poderia ter sentido vergonha se o
homem na minha cama não fosse seu pai e se eu não tinha planos de passar o resto da
minha vida com ele.
– Oliver 2 está dormindo, – ele sussurrou, e apontou.

Dei a ele um sorriso tenso, e honestamente, eu meio que senti vontade de rir. Eu
já disse que não havia nenhuma privacidade quando você vivia em uma casa com uma
criança de cinco anos de idade? Eu realmente deveria ter pensado em trancar a
porta. Mas se ele tivesse acordado e encontrado minha porta trancada, ele iria ficar com
medo e ira começar a chorar, ou ia dar um chilique até que eu o deixasse entrar.
Bem, não era exatamente perfeito, mas eu imaginei que isso foi o jeito dele saber
que King e eu estávamos juntos.
– Por que ele está dormindo em sua cama, mamãe? – Oliver perguntou, ainda
usando aquela expressão curiosa. Era meio que adorável.
– Porque ele é meu... amigo especial, – eu respondi, imediatamente me
encolhendo com a minha escolha de palavras. Sério, eu poderia ter feito melhor do que
puxar o cartão de ‘amigo especial’, mas simplesmente não havia um jeito certo para
explicar esta situação a uma criança. – Você pode fazer uma coisa para mim,
querido? Descer e pegar a bolsa da mamãe na cozinha? A azul?
Oliver pulou para a atenção a meu pedido, balançando a cabeça e correndo para
completar a tarefa. Me sentei na cama rapidamente e puxei meu roupão, me inclinando e
apertando o ombro de King. Ele abriu os olhos, me viu pairando sobre ele, e sorriu
preguiçosamente. Ele deslizou o braço em volta da minha cintura para me puxar para
mais perto, sua mão imergindo para dentro do meu robe para pegar meu peito. Eu
gentilmente o empurrei.
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– Lamento acordá-lo, mas Oliver acabou de chegar e nos encontrar dormindo
juntos, – eu disse, não tendo certeza porque eu ainda estava sussurrando. Todo mundo
estava acordado agora. King estava com muito sono para interpretar o que eu estava
dizendo no início, mas quando ele percebeu, suas sobrancelhas se arquearam.
– Ah, inferno, – disse ele, se levantando para se sentar e passando a mão sobre o
rosto.

– Sim, você precisa colocar algumas roupas. Ele estará de volta em um segundo.
– Ok, – ele murmurou, se inclinando para dar um beijo em meus lábios antes de
se levantar e puxar sua cueca, jeans e camiseta. Eu fui fazer a cama enquanto ele
deslizava o cinto através dos aros e ajeitava a fivela. Havia algo satisfeito em sua
expressão enquanto ele me observava, e eu não gostava disso. Ok, isso foi errado. Eu
gostei muito, mas eu não gostava que eu gostei. Dizia algo tipo: Sim, eu fiz você gozar
várias vezes ontem à noite, não há necessidade de me agradecer. Bem arrogante. Eu
tinha apenas tempo suficiente para estreitar os olhos para ele e suprimir um sorriso antes
de ouvir pezinhos voltando a subir as escadas.
– Aqui, mamãe, aqui está sua bolsa, – Oliver anunciou, segurando minha bolsa
triunfante.
Eu tomei dele e dei um beijo no topo de sua cabeça. – Muito obrigada, querido.
King deu um passo adiante e bagunçou o cabelo de Oliver, nós três de pé juntos
em um círculo. Eu fui momentaneamente atingida com uma pontada de emoção de ter
os dois tão perto. Meus dois homens. A nossa pequena família. King me lançou um
sorriso caloroso como se ele pudesse ler meus pensamentos.
– Vamos, cara, vamos descer e fazer o café da manhã. Dê sua mãe uma manhã
de folga.
– Ok, – disse Oliver, balançando a cabeça. Ele parecia gostar de como King o
chamou de ‘cara’ como se ele fosse um adulto. Ele também parecia animado em tê-lo
lá. Deve ter sido porque era geralmente só nós dois, então ter alguém novo de manhã
acrescentava um elemento de diversão. Eu fui e tomei um banho rápido, enquanto os
dois conversavam na cozinha. Eu não tinha ideia do que eles estavam cozinhando, mas
eles estavam fazendo um monte de ruído. Quando ouvi King rir, cheio e profundo, isso
enviou um tremor de prazer bem na minha espinha. Era bom ter um homem por perto,
apenas fazendo coisas normais de homem, como fazer café da manhã com o nosso filho
e me dar orgasmos.

Uma vez fora do chuveiro, eu envolvi meu cabelo em uma toalha e coloquei um
vestido confortável azul de bolinha creme. Em seguida, removi a toalha, eu torci o
cabelo úmido em um nó e desci para ver que tipo de estragos os dois estavam causando
na minha cozinha.
Surpreendentemente, o lugar não estava muito confuso, e o cheiro celestial de
pão francês encheu a sala. King estava junto do fogão, segurando uma espátula. Ele
tinha colocado Oliver em um banquinho para que ele pudesse sentar e assistir. Eu fui e
espiei em um dos armários, sorrindo feliz quando descobri que tinha xarope de
bordo. King não tinha percebido que eu entrei, porque ele estava muito focado em
cozinhar e conversar com Oliver. Os dois eram tão fofos juntos, as semelhanças entre a
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sua aparência era particularmente impressionante. Era como olhar para duas fotos da
mesma pessoa, um como um menino e o outro como um homem. De alguma forma,
mesmo que ele era menor e não tão forte, eu me senti como talvez o menino fosse o
único a salvar o homem neste momento. Ter o meu amor era tudo muito bom, mas
apenas algo sobre os olhos de King quando ele olhou para o nosso menino trouxe a vida
de volta neles. Foi nesse momento que eu realmente acreditava que ele nunca beberia
novamente. Eu não tinha percebido isso, mas eu não tinha certeza antes. Agora, de
alguma forma, eu sabia.
Sentando ao balcão, coloquei meu queixo nas minhas mãos, observando-os
interagir.
Isso me fez feliz.

King só me vi quando ele se virou, segurando a bandeja. Seus lábios tremeram


com um sorriso enquanto ele jogava a comida nos pratos.
– Você está linda, – disse ele.
– Cale a boca, – eu disse.

– Oi! Você não está autorizada a dizer isso, – disse Oliver.


Mostrei a língua para ele, e ele riu. King serviu torrada francesa, e eu derramei
uma quantidade insalubre de xarope de bordo na minha. Oliver fez uma careta para
mim, porque ele não gostava de xarope de bordo e preferia geleia de morango.
Estávamos comendo por um minuto ou dois, quando ouvi uma ranhura de chave
na porta da frente. Meus olhos se arregalaram e foi direto para King, cuja testa estava
franzida com curiosidade do som de alguém entrando em minha casa, alguém que tinha
uma chave. Não era nada do que ele pensava, embora. Eu ouvi os passos leves de Elaine
pelo corredor antes de ela entrar. Ela muitas vezes vinha de forma inesperada, mas já
que ela visitou ontem, eu não achava que ela estaria de volta tão cedo. Quando eu vi o
ramo de flores que ela estava segurando, eu sabia que ela tinha vindo apenas para deixá-
los. De vez em quando ela gostava de me trazer flores. King se virou em seu lugar para
ver quem estava entrando, e seu garfo ruidosamente caiu em seu prato.
– Oliver, – disse Elaine, sua voz misturada fortemente com a emoção.
– Mãe, – ele respirou, tão quieto que era quase um sussurro.
Ela olhou para mim, e eu soube imediatamente que ela não tinha a intenção de se
intrometer. Ela levantou as flores fracamente, como se para provar que sua visita era
inocente. E então seus olhos se encheram de lágrimas. Segundos depois, King estava de
pé, dando passos longos em direção a ela e puxando-a em seus braços para um abraço
apertado. Eles se abraçaram por um longo período de tempo, as flores sendo esmagadas
entre eles.
Oliver olhou para mim, a boca aberta e os olhos grandes. Ele claramente sentiu
que algo importante estava acontecendo, mas ele não tinha certeza do que. O longo
silêncio foi quebrado quando ele sussurrou: – Por que vovó Elaine está chorando?
Eu não sabia como responder, mas então ouvi a risada suave de Elaine quando
ela puxou King de volta e se virou para ele. Ela se adiantou e passou a mão suavemente
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sobre o cabelo de Oliver. – Porque este é o meu filho, – ela respondeu suavemente. – E
eu não o vi por um tempo muito longo.
Vi quando o pequeno cérebro de Oliver colocou dois e dois juntos. – Você é a
mãe dele, – disse ele, finalmente, e Elaine assentiu. King tinha colocado uma mão de
modo tranquilizador no ombro dela.
– Eu pertenço a ela o mesmo que você pertence a sua mãe, – ele explicou.
– Oh, – disse Oliver. – Eu ficaria triste também se eu não visse a minha mãe por
muito tempo.
Suas palavras nos fez engasgar e eu me levantei para pegar um prato para Elaine
e um café. Isso me deu a chance de resolver minhas emoções. Ela se sentou à mesa,
conversando com Oliver. Eu tive a sensação de que ela realmente queria algum tempo
sozinha com King, então uma vez que nós tínhamos acabado de comer, eu fiz uma
sugestão.
– Que tal Oliver e eu sairmos por um par de horas? Dar a vocês algum tempo.
Elaine assentiu como se fosse uma boa ideia, mas King parecia um pouco mais
hesitante. Eu sabia que não era porque ele não queria passar tempo com ela, mas mais
porque ele não queria falar sobre todas as coisas dolorosas que tinham para discutir.
– Eu não quero ir, – meu filho reclamou, irritado. – Eu quero ficar aqui com
Oliver 2!
Em qualquer outra situação, o seu mau humor teria me incomodado, mas não. O
fato de que ele tinha ficado tão ligado a King fez meu coração dar cambalhotas no meu
peito.
– Oliver 2? – Perguntou Elaine, seus lábios puxando em um sorriso.
Suspirei e sorri para ela. – Ele acha que é loucura que ambos são Oliver. Não
pergunte. Você se importa se ele ficar? Eu tenho algumas coisas que eu preciso cuidar
de qualquer maneira, e vai ser mais fácil se eu deixá-lo aqui.
– Claro que não, você sabe que eu sempre gosto de ficar com ele.

E foi assim que eu me encontrei agarrando minhas coisas e fazendo o meu


caminho até a porta da frente. King me seguiu, deixando Elaine e Oliver na
cozinha. Então ele colocou a mão nas minhas costas, e meu corpo deu um pequeno
estremecimento.
– Não se sinta como você tivesse que sair, – ele disse calmamente, seu toque
quente.
Eu me virei e olhei para ele. – Você e sua mãe precisam conversar. Eu só vou
sair por um par de horas.

– Sim, mas esta é a sua casa...


Eu o fiz se calar, colocando um dedo sobre seus lábios. – Nada desculpas. Sério,
você precisa falar com ela. Colocar tudo para fora. Se você colocar um DVD para
Oliver, ele vai se sentar e assistir. Ele não lhe dará nenhum problema.
223
Página
– Não é sobre isso. Você sabe que eu o amo.
Sem pensar, um suave suspiro me escapou. – Deus, eu amo que você o ama.

– Bem, – disse King, se inclinando mais perto, a voz baixa, – Eu amo que você
ama que eu o amo. E eu te amo também.
Eu atirei a ele uma careta divertida. – Não tente me ganhar. – Minha mão se
mudou de sua boca para o queixo, meu toque uma carícia quando minha expressão ficou
séria. – Como você está se sentindo? Quaisquer dores de cabeça ou náuseas?
Sua boca endureceu quando ele engoliu. – Honestamente? Sim, um pouco de
ambos. Mas eu estou lidando com isso.
– Sim, – eu respirei, pronta para estourar, eu estava tão orgulhoso dele. – Sim,
você está.

Sua força para lidar com tudo isso mesmo se sentindo como merda, me
surpreendeu. Ele me apoiou na parede e se inclinou para pressionar um beijo na minha
mandíbula. – Eu vou sentir sua falta hoje.
– Eu irei sentir sua falta também. Agora, é melhor eu ir. Caso contrário, eu
poderia te arrastar de volta para a cama.
Sua risada vibrou através do meu peito enquanto eu escorregava para fora da
porta e me dirigia para o meu carro. Foi só quando eu estava no meio da rua da minha
casa que eu percebi que não tinha ideia de onde eu estava indo.

224
Página
Vinte e três

– Oh, meu Deus, nem sequer me fale, – Lille pigarreou. – Esse macaco roubou
dezenas de presilhas, vários tubos de gloss, pacotes de tintas de rosto, e qualquer
pequenas moedas desde que comecei a viver com este circo. Alguém precisa chamar a
polícia. Eu juro, eu não sei onde ele esconde tudo.

– Talvez ele tenha um esconderijo secreto onde ele vai para admirar todos os
seus belos tesouros, – Matilda sugeriu com um sorriso.
Lille suspirou. – Ele estava com o rabo sujo de tinha verde no outro dia, e minha
tinta verde estava suspeitosamente faltando.
– Bem, essa não é uma boa notícia para mim. Após o encontro com Pierre,
Oliver está determinado a conseguir um macaco. Talvez eu tenha que arrumar um novo
brinquedo só assim ele vai esquecer, – eu brinquei.
As meninas riram quando nós nos sentamos na mesa da cozinha minúscula no
trailer de Lille, compartilhando uma garrafa de vinho e falando do macaco ladrão de
Marina, Pierre. Quando eu tentei pensar em um lugar para ir mais cedo, eu me encontrei
instintivamente dirigindo na direção do circo. Eu tinha mentido quando eu tinha dito a
King e Elaine que eu tinha coisas para fazer, mas era uma mentira branca. Eu poderia
ter ido para a casa dos meus pais, ou mesmo para a casa de Karla, mas por alguma razão
eu queria passar mais tempo com estas mulheres, conversar com elas sobre King,
porque elas foram as que o conhecia melhor estes dias.

De alguma forma, porém, tínhamos conseguido discutir tudo que não era o pai
do meu filho, e foi estranhamente relaxante. Às vezes era um alívio apenas falar sobre
porcaria aleatória, como o macaco ladrão. Matilda tinha um vestido na frente dela
enquanto ela costurava à mão um detalhe no decote. Jack e Jay tinham aparecido, mas
principalmente ficavam na tenda, ensaiando. Eu estava interessada na dinâmica entre os
dois casais, e sinceramente, morrendo de vontade de saber como eles se
conheceram. Então, como a sem noção que eu era, eu perguntei.
Uma hora depois, a garrafa de vinho há muito havia sido esvaziado, e eu tinha
vivido através das histórias de dois romances muito espetaculares. Me fez sentir aliviada
ao saber que eu não era a única cujo coração tinha sido virado, mastigado e cuspido de
volta novamente. Eu pensei que talvez os melhores amores tinham de sofrer as maiores
dificuldades. Você tinha eu e King, Jay e Matilda, Jack e Lille. Inferno, havia até Karla
e seu marido, mas essa era uma história para outro dia.
Matilda tinha ido usar o banheiro quando Lille se inclinou para frente e colocou
a mão sobre a minha. Aos trinta e três anos, eu era quase onze anos mais velha que ela,
e, no entanto, havia algo sobre Lille que parecia sábio além de seus anos. O toque dela
me confortou, e quando falou, meu coração se sentiu muito cheio.
– Estou tão feliz que encontramos você, Alexis. Vendo King ficar melhor tem
sido verdadeiramente surpreendente de assistir, e é tudo por causa de você.
Olhei para ela por um longo momento, então passei meus dedos ao redor dela
para apertar sua mão. – Estou tão feliz que você me procurou.
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Página
Era tarde da noite quando eu finalmente disse adeus. Eu só tinha tomado dois
copos de vinho, e isso foi horas atrás, então eu sabia que estaria bem para ir para
casa. Quando cheguei lá, encontrei Elaine enrolada na poltrona na sala de estar,
dormindo com uma manta estendida sobre ela. King estava sentado no sofá com Oliver,
e um filme infantil estava passando na TV. Oliver estava sentado confortavelmente em
seu colo enquanto King distraidamente acariciava o cabelo dele. Se eu não estava tão
tomada pela visão deles, eu poderia ter puxado o meu telefone para tirar uma foto. Era
muito encantador.
– Se divertindo? – Eu perguntei suavemente, com cuidado para não acordar
Elaine.
King olhou para mim, e fiquei impressionada com a calma em suas
características, a sensação de paz sobre ele. Ele não respondeu, apenas me lançou um
sorriso preguiçoso e acenou para eu vir me sentar. Deixei minha bolsa no chão e tirei
minha jaqueta antes de tomar o lugar ao lado dele. Depois de um segundo de hesitação,
eu descansei minha cabeça em seu ombro. Ele exalou pesadamente, virando o rosto para
que ele pudesse acariciar o nariz em minha testa.
– Você e Elaine tiveram tempo suficiente para conversar? – Eu sussurrei.
– Sim, – King sussurrou de volta e eu podia senti-lo sorrindo em minha pele. –
Obrigado por nos dar algum tempo. Era necessário.
– Não é nenhum problema. E Oliver não foi demais? – Perguntei, o nosso filho
muito absorto no filme para ouvir o seu nome.

King balançou a cabeça, ainda sorrindo. – Não, amor, ele foi bonzinho.
Apenas um ou dois minutos se passaram antes de Oliver dar um salto e anunciar:
– Eu tenho que fazer xixi. – Ele se levantou e saiu pela porta um segundo depois,
subindo as escadas para o banheiro. Deixei escapar uma risada silenciosa e olhei para
cima para encontrar King olhando para mim calorosamente. Elaine se agitou em seu
lugar, o anúncio de Oliver acordando ela.
– Que horas são? – Ela perguntou, a voz sonolenta.
– Um pouco depois das oito, – eu respondi. Ela olhou para mim e King sentados
juntos, e sorriu com carinho.
– Bem, é melhor eu ir, – disse ela, passando as mãos pelo seu vestido e se
levantando. King se levantou também.
– Devo te levar?

Ela parecia surpresa com a sua oferta, tímida até. – Bem, eu moro na mesma rua,
mas eu não me importaria de alguma companhia.
King estendeu o braço para ela, e ela deslizou através dele antes de saírem.
– Eu estarei de volta em um par de minutos, – ele disse por cima do ombro,
assim quando a porta da frente abriu e fechou. Aproveitei a oportunidade para subir e
deixar Oliver pronto para a cama. Em um dia normal, ele já estaria dormindo, mas este
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Página
não era um dia normal. Pegando-o assim como ele saiu do banheiro, eu o levantei em
meus braços.
– Tudo bem, senhor, hora de ir dormir.
– Mas eu estava assistindo a um filme, – ele se queixou.
– E você pode terminar de assistir amanhã, – eu disse firmemente enquanto eu o
levava para o seu quarto. Eu precisava parar de levantá-lo, porque Jesus, ele estava
ficando pesado. Eu ia acabar estragando as minhas costas.
– Onde está Oliver 2?, – Ele perguntou quando eu fui pegar o pijama da gaveta.

Deixei escapar um suspiro e respondi: – Ele está levando vovó Elaine para
casa. Ele estará de volta em poucos minutos.
– Eu gosto dele.
Sua declaração me fez sorrir. – Você gosta?
Ele balançou a cabeça e se inclinou para frente, sussurrando: – Se eu pedir a ele
para ser meu melhor amigo, você acha que ele diria que sim?
Eu juro, eu não sabia onde ele tirou isso, porque certamente não foi de mim. Eu
tinha sido um pouco aterrorizada na sua idade. Havia algo sobre o momento que me fez
sentir como se tivesse testando as águas.
– Querido, você sabe que vovó Elaine é a mamãe de Oliver 2? – Ele olhou para
mim, balançando a cabeça, e eu continuei: – E vovó Elaine é o sua vovó? Bem, isso
significa que Oliver 2 é o seu pai.
Ele olhou para mim por um longo tempo, sua expressão concentrada como se ele
estivesse tentando descobrir a lógica. – Você disse que meu pai estava longe.
– Ele estava. É por isso que vovó Elaine não tinha visto ele em um tempo muito
longo, mas agora ele está de volta.
Oliver estava franzindo a testa, em seguida, e eu não sabia por que, mas seus
lábios ficaram todos cheios, como se estivesse prestes a chorar. – Ele vai embora de
novo?
Eu o puxei para um abraço. – Não, querido, ele não vai desaparecer
novamente. Eu prometo.

E assim, a possível crise de choro tinha desaparecido quando ele saltou em meus
braços. – Ele é meu pai. Eu mal posso esperar para contar a Timothy que tenho um pai
agora. – Timothy era seu amigo de Montessori. E sério, ele precisava parar de dizer
coisas que me deixavam emocional. Meu filho aceitou que King era seu pai sem uma
única hesitação. Houve uma batida na porta, e eu o desci para abrir.
– Hey, – eu disse enquanto a mantinha aberta e ele entrou. – Então, você e Elaine
realmente tiveram uma boa conversa? – Eu não sei por que eu senti a necessidade de
reafirmar que estava tudo bem entre eles. Acho que eu só queria ter certeza de que ele
estava bem e não se sentia como se as coisas estivessem indo rápido demais,
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Página
especialmente desde que eu tinha agora outra bomba para soltar. Talvez pudesse esperar
até de manhã.
Ele balançou a cabeça e respondeu: – Sim Alexis, estamos bem. Pare de se
preocupar.

Eu disse enquanto eu estava colocando Oliver na cama, então ele me


acompanhou. No mesmo instante em que entramos no quarto, Oliver gritou: – Oi,
papai!
Bem, esperar até de manhã estava fora de questão então.
King parou, franziu o cenho, olhou para mim, olhou para Oliver, então olhou de
volta para mim novamente. Ele tinha uma expressão de descrença, como se talvez ele
tivesse estado ouvido coisas. Eu tinha certeza de que eu estava usando uma expressão
terrivelmente culpada.
Olhando para o chão, eu disse: – Desculpe, uh, eu poderia ter dito a ele que você
é seu pai.
Ele soltou uma risada nervosa. – Ok. Tudo bem. Eh, isso é... isso é....
– Tinha que acontecer mais cedo ou mais tarde.
– Eu não estou irritado com você, Alexis.

– Oh, não, eu não acho que você estava. Eu só, talvez eu devesse ter falado com
você primeiro.
Ele deu um passo à frente, colocando a mão no meu ombro. – Estou bem. Estou
mais do que bem. Relaxe.
Suas palavras funcionaram para me acalmar. – Você quer ler para ele de novo?
– Sim.
Deixei eles lá e fui para o meu quarto, respirando profundamente. Por um
segundo eu estava certa de que eu tinha fodido as coisas. Me deixei na cama e tentei me
concentrar na leitura que eu estava atualmente trabalhando. Após cerca de vinte
minutos, olhei para cima para encontrar King em pé na minha porta. Nos encaramos e
um silêncio caiu entre nós.
– Eu deveria ir, – disse ele, ao mesmo tempo que eu soltei, – Fique.

Ugh, por que eu estava sendo tão estranha? King me lançou um sorriso
arrogante, então eu joguei um travesseiro nele. – Não me venha com essa cara.
Ele entrou no quarto e perguntou timidamente: – Que cara?
– Essa mesma. – Eu apontei. – A cara que diz que você acha que é uma
merda. Eu odeio essa cara.
Ele estava no pé da cama quando ele respondeu, – Você ama essa cara.
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Página
– Ok, eu vou ajustar a minha declaração. Eu amo seu rosto. Eu odeio a sua
expressão.
Ele balançou sua cabeça. – Não, eu tenho certeza que você ama minha expressão
também.

Ele estava inclinado sobre mim agora, subindo em cima do colchão e nivelando
as mãos em cada lado da minha cabeça. Eu estava prestes a dizer algo inteligente, mas
fugiu imediatamente da minha mente quando ele me beijou. Sua língua varreu em
minha boca, e tudo que eu podia fazer era gemer.
– Obrigado por dizer a ele, – ele respirou quando se afastou para beijar ao longo
da minha mandíbula, descendo para o meu pescoço. Esforcei-me debaixo dele, as mãos
indo para seus ombros. Em todos os lugares que seus lábios viajaram, eles deixaram um
formigamento em seu rastro.
– Eu pensei que você tinha ficado com raiva de mim por um segundo.
– Eu não estava com raiva. Eu só estava surpreso. Ele me chamou papai.
– Bem, você é seu pai.
Ele se abaixou agora, o rosto nivelado com meus seios enquanto ele se aninhava
em meu decote. – Sim, eu sou.
Fechei os olhos, tentando me concentrar na trajetória de nossa conversa, em vez
de o fato de que seu nariz estava roçando meu mamilo endurecido.

– Eu não vou mentir, – eu disse sem fôlego. – Ele ficou um pouco chateado
quando eu disse a ele. Não é porque você é seu pai, mas porque ele pensou que você
poderia ir embora de novo.
King fez uma pausa para olhar para mim, o rosto sério. – E o que você disse a
ele?
Um momento de silêncio decorreu quando eu engoli. – Eu - eu disse a ele que
você estava aqui para ficar.
Seus olhos seguraram os meus por um longo momento antes de ele concordar, –
Bom, porque eu vou. – E então ele lambeu seu caminho através da parte superior do
meu peito, e meu cérebro virou gosma.

***

Na manhã seguinte, acordei com o meu despertador gritando às seis e meia da


manhã. King estava dormindo assim como ele tinha estado no dia anterior. Seu corpo
estava duro e quente, e eu realmente não queria sair. Dever chamava, infelizmente, e eu
sentei na cama, o que soltou um gemido dele.
– Onde você está indo? – Ele perguntou, grogue.
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Página
– Eu tenho trabalho. Volte a dormir.
Apesar da minha ordem, ele se sentou e passou a mão pelo cabelo. O lençol caiu
até sua cintura, revelando seu torso nu, e eu tive que usar muita força de vontade para
desviar o olhar. Nós tínhamos feito amor bem nas primeiras horas da manhã, e eu ainda
podia sentir o cheiro dele na minha pele. Deus, como eu queria rastejar de volta para a
cama e passar o dia inteiro lá, só nós dois.

– Você poderia me deixar no meu apartamento? – Perguntou King, me


surpreendendo.
– Uh, claro. – Eu não perguntei por que ele queria ir para lá, mas eu tomei isso
como um bom sinal. Juntei minhas coisas para o chuveiro e fiz meu caminho para o
banheiro. Eu liguei e entrei lá debaixo do jato quando um corpo grande e acolhedor se
juntou a mim.
Melhor. Banho. De. Sempre.
Elaine chegou para cuidar de Oliver, e eu fomos para a cidade, deixando King
em seu antigo apartamento primeiro e depois saindo para o escritório. Foi um dia
agitado, e apesar de uma metade de mim realmente querer ir direto para casa e colocar
os pés para cima, a outra metade queria ir buscar King. Eu gostava tê-lo na minha cama,
na minha casa. Na verdade, se eu pudesse, ele estaria se mudando comigo e passando
todas as noites lá. Eu sabia que era melhor não empurrá-lo, sabia que tinha que levar as
coisas a um passo de cada vez.
Era pouco depois das seis, quando eu estacionei em frente de seu prédio e entrei.
Eu tomei o elevador para encontrá-lo sentado em seu piano, partituras em todos os
lugares e um tipo elétrico da aura sobre ele. A simples visão causou um tremor
emocionante pela minha espinha. Eu dei uma olhada nas páginas, notando que muitas
delas continha sua própria letra, notas musicais rabiscadas a lápis. Ele estava compondo
alguma coisa?
Ele começou a tocar uma melodia linda, e eu fui para a cozinha para fazer uma
xícara de chá.
– Você se importa? – Eu chamei.

– Não, – disse King, distraído. – Continue.


Eu encontrei uma pequena caixa de chá de hortelã que Elaine deve ter deixado lá
e liguei a chaleira. Quando voltei para a sala, King ainda estava sentado ao piano,
praticando.
– Então, você está tocando de novo? – Perguntei tentativamente quando eu
levantou o copo à boca e tomei um gole.

Os olhos de King estavam acesos quando ele voltou sua atenção para mim. Eu
juro que quase brilhavam, e eu poderia dizer que a sua mente estava correndo. A musa
criativa estava sobre ele.
– Sim, a música, é, bem, ela está derramando. O foco é libertador. Eu mal parei o
dia todo.
230
Página
O que ele disse me preocupou. – Você comeu?
Ele franziu a testa, como se tentasse se lembrar. – Eu acho que eu comi algumas
torradas na hora do almoço. – Bem, isso era uma mentira, se alguma vez eu ouvi
uma. Puxando meu telefone da minha bolsa, eu rapidamente disquei para meu
restaurante chinês favorito e fiz um pedido. Com isso feito, eu parei na frente do piano e
dei a ele um olhar reprimido.

– Você tem que comer, King.


Ele estendeu a mão para a minha bochecha. – Eu vou. Não se preocupe,
querida. É só que eu fico tão absorvido quando eu toco que eu esqueço tudo em volta de
mim, e parece que nunca há horas suficientes. O que Rachmaninoff disse uma vez era
verdade: A música é suficiente para uma vida, mas uma vida não é suficiente para a
música.
– Sim, bem, o que Selina Kyle disse uma vez também é verdadeiro: As garotas
precisam comer. Eu acho que serve para os rapazes também, – eu disse a ele com uma
piscadela.
Ele sorriu. – Eu não acho que Catwoman pode superar Rachmaninoff, querida.
Oh, eu poderia ter lhe batido pelo seu tom de voz pouco superior em ‘querida’.
De alguma forma, porém, isso me fez sorrir. Quaisquer sinais de seu antigo eu sempre
me fez sorrir. Se misturava com seu novo eu, criando algo que eu amava ainda
mais. Enfim, eu não me preocupei em responder, porque eu estava muito curiosa sobre a
partitura. – Você esteve compondo?
A expressão dele ficou rígida, mas ele me respondeu de qualquer maneira. –
Sim.
– Você vai tocar alguma para mim?
Quando seu corpo se acalmou, eu sabia que eu tinha o deixado desconfortável. –
Eu sou cauteloso, – disse ele e, em seguida, fez uma pausa, nossos olhos se
encontrando. – Não me interprete mal - você é a única que me inspira, mas eu só não
quero cair na armadilha de tocar e receber elogios. Isso é o que eu costumava fazer
antes. Eu trabalhei tão duro para que as pessoas respeitassem e olhassem para mim, me
elogiassem por um trabalho bem feito e me dizer quão fantástico eu era. Então, quando
eu perdi tudo, eu senti que não tinha mais nada para viver. Quero que esta música seja
algo que eu faço porque eu amo, e não para o único propósito de ser o melhor.
– Isso é compreensível, – disse eu, chegando e tomando um assento ao lado
dele. – Eu quero que você faça o que te faz feliz. E se você nunca tocar para mim ou
para qualquer um, então isso é bom. Desde que seja o que você ama.
– Obrigado, – ele sussurrou. – Me desculpe se eu estou agindo como um
louco. Às vezes, a forma como a minha mente funciona me deixa perplexo.

Estendi a mão e peguei a mão dele, deslizando os dedos pelos seus. – Não se
desculpe. Eu gosto da sua mente. Combina com a minha.
O sorriso que ele me deu iluminava todo o seu rosto, e meu coração bateu mais
rápido ao vê-lo.
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Página
Apertei a mão dele enquanto eu continuava significativamente, – Mas lembre-se,
a sua música não tem de significar elogios para você. Ele pode ser o presente que você
dá a outras pessoas.
Ele olhou para mim, pensativo, antes de sua atenção vagar para as teclas do
piano. Eu poderia dizer que ele estava pensando sobre o que eu tinha dito. Alguns
momentos passados de nós sentados lá em silêncio, o peso dos anos nos rodeando e o
amor que tínhamos um pelo outro fazendo todo o sofrimento valer a pena. Engoli o
último do meu chá e me curvei para colocar meu copo no chão. Meu top subiu na parte
de trás, expondo a pele, e eu senti as mãos de King na base da minha espinha. Eu fiquei
completamente imóvel quando ele se inclinou para murmurar sedutoramente no meu
ouvido.
– Acho que me lembro de dizer que uma vez que eu ia transar com você sobre
este piano até que você esquecesse seu próprio nome. – Ele fez uma pausa e baixou a
voz para um sussurro. – Vamos tentar isso?
Eu não precisei falar, porque o meu corpo já tinha dito a ele a resposta.
Sim, Oliver, vamos tentar isso.

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Página
Vinte e quatro
Dois meses depois.

King tinha um segredo.


Bem, eu não tinha certeza se era um segredo, mas ele estava definitivamente
tramando algo. As vezes ele desaparecia, não dizendo a ninguém onde estava indo. Se
eu não fosse uma boa juíza de caráter, eu pensaria que talvez ele estivesse bebendo de
novo, ou pior, tendo um caso. Mas não, ele definitivamente não beberia, nem estava
tendo um caso. Seu amor e desejo por mim era algo que parecia ser
impenetrável. Sólido. Constante.
Na verdade, ele ficava me pedindo para casar com ele, e isso estava se tornando
um pouco de um incômodo. A primeira vez que ele pediu, ele tinha arranjado um jantar
à luz de velas romântico em sua cobertura. Ele estava mantendo seu lugar para guardar
seu piano (eu sei, estranho). Mas para além disso, ele basicamente veio morar comigo e
Oliver. Eu adorava tê-lo aqui, amava o seu cheiro em meus lençóis e sua voz no período
da manhã, enquanto falava com o nosso filho.
Foi por isso que eu fiquei surpreendida quando ele fez a pergunta e eu lhe disse
que não, eu não iria casar com ele.
No começo, ele ficou chateado, mas quando eu expliquei a ele que a resposta era
não por agora, mas sim para o futuro, ele tinha conseguido um brilho nos olhos,
determinado a me desgastar. Eu só não queria me apressar em casamento. Parecia
supérfluo para mim. Nós nos amávamos. Nem um de nós ia a lugar nenhum. Um
casamento era uma despesa inútil. Já para não falar que eu queria ser uma noiva tanto
quanto eu queria fincar pinos nos meus olhos.
Não, se alguma vez ia fosse me casar, ele teria que ser pequeno. Rápido e
indolor. Também não ia ser algo que eu mergulhasse de cabeça. Infelizmente, King era
uma pessoa singularmente focada, o que significava que ele propôs, pelo menos, uma
vez por dia. Às vezes, duas ou três vezes. Eu encontrava notas de post-it dentro do pote
de chá. Mensagens de voz no meu telefone. Textos com anexos de imagem de ‘Case-se
comigo?’ escrito na areia ou em janelas do carro. Ele até enviou uma foto dele sem
camisa, com as palavras rabiscadas em batom através de seu peito.
Meio sexy? Sim. Na fronteira do ridículo? Além disso, sim.

Eu estava junto ao fogão, esquentando um pouco de sopa para Oliver, quando


King veio atrás de mim, deslizando os braços em volta da minha cintura e apoiando o
queixo no meu ombro. Eu me preparei para mais uma proposta, mas nunca veio. Em
vez disso, ele me disse: – Eu vou sair por um par de horas. Não espere por mim.
Eu balancei a cabeça em silêncio, ele deu um beijo na minha bochecha, e se
foi. Ele começou a dirigir seu velho Merc, mas ele vendeu seus outros carros, que
haviam sido guardados na garagem subterrânea abaixo de seu apartamento, e doou o
dinheiro para a caridade. Na verdade, ele doou uma soma enorme de sua riqueza para
fundações para os sem-abrigo e alcoolismo, mantendo apenas o suficiente para viver
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Página
bem. Depois de anos de vida com nada, eu não achava que ele se sentiria confortável
com a riqueza. Eu também não tentei impedi-lo. Na verdade, eu apoiei a ação. Na minha
opinião, o dinheiro só trazia felicidade até um certo nível. Quaisquer riquezas para além
disso só te fazia tão miserável como ser pobre. Ok, talvez não para todos, porque as
Kardashians pareciam bem felizes com a sua sorte. Talvez eu devesse ajustar a minha
declaração. Riquezas vastas para aqueles com corações e cérebros te faziam tão
miseráveis como ser pobre.
Elaine veio passar a noite conosco, então logo que King saiu, corri para a sala de
estar, perguntando se ela iria cuidar de Oliver para mim enquanto eu saía um pouco. Eu
estava ao volante do meu carro e saindo da garagem apenas a tempo de ver o Merc de
King virar a esquina no final da nossa rua.
Eu segui alguns carros atrás dele todo o caminho para a cidade, mordendo
minhas unhas o tempo todo. Onde diabos ele estava indo? Finalmente, ele estacionou
em uma rua em Camden, saiu, e se afastou. Corri para estacionar também, em seguida,
discretamente o segui. Ele não suspeitava de nada, nunca olhou para trás, e então ele
passou pela porta de um bar de aparência moderno.
Ah, Merda.
Um bar? Ele tinha furtivamente ido para um bar? Talvez eu não fosse uma boa
juíza de carácter afinal de contas. Isso não era bom. Eu fiquei na rua por pelo menos dez
minutos, em pânico e tentando me convencer de que isso não era o que parecia,
enquanto o meu cérebro era tudo, Vadia, como isso pode não ser o que parece?
P.s: meu cérebro era um cara gay magro que trabalhava em um salão de
cabeleireiro e gostava de fofocar cinicamente sobre as vidas amorosas de outras
pessoas.
Quando eu consegui me acalmar, eu observei que uma longa fila se formou do
lado de fora do bar, mas King tinha conseguido passar direto. Sabendo que eu não tinha
qualquer outra opção, eu entrei na fila. Não demorou muito para eu entrar, porque o
lugar estava lotado e os seguranças estavam diminuindo a fila. O bar estava escuro e
lotado, e eu odiei instantaneamente. Isso foi, até que ouvi a música. Era linda,
transformando a sala de algo chato em algo maravilhoso. Era uma mistura única de
clássico e moderno, e era apenas um instrumento. Piano.
Eu senti tudo em torno de mim, até os dedos dos pés, e, instintivamente, eu sabia
que era ele, sabia que essa era a música que ele passava dias a fio compondo sozinho em
seu apartamento.
Eu não podia ver o palco, porque ele estava cercado por pessoas, mas o meu
coração começou a bater quando minhas suspeitas sobre King voltar a beber
desapareceu lentamente. Empurrando meu caminho pelos corpos, eu finalmente cheguei
a um ponto onde eu podia ver. Havia um pequeno palco, onde ele estava sentado,
tocando música gloriosa em um desgastado piano que parecia que tinha estado no bar
por mais de vinte anos. No entanto, seu público estava cativado, assim como eu.
A maneira como seu corpo se movia enquanto ele tocava, a forma como as mãos
manipulava as teclas tão fluidamente, acendeu cada terminação nervosa minha. Ele
manteve o cabelo comprido, assim como eu tinha lhe pedido , que caia sobre o rosto,
fazendo-o parecer elusivo e misterioso. Seus olhos estavam fechados também,
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Página
adicionando à sua vibração enigmática. Ele vestia apenas uma camiseta branca simples
sob uma camisa cinza aberta e jeans. Basicamente, ele parecia em nada com o que você
esperaria de um pianista clássico, mas ele não estava tocando exatamente clássico. Era
um som incomum, algo novo e diferente, que provavelmente foi por isso que ele atraiu
uma multidão. De alguma forma, eu sabia que se King não estivesse tocando, este bar
não estaria tão lotado como estava. Eu poderia dizer porque os clientes estavam focados
completamente sobre ele, em vez de conversando entre si e socializando.
Ele deve ter feito isso há semanas, não contado a ninguém. O pensamento me
deixou feliz e triste ao mesmo tempo. Mas então me lembrei da nossa conversa de
semanas atrás em seu apartamento, onde ele falou sobre tocar por amor a ele, em vez de
louvor. Lembrei-me também dizer a ele que ele tocando não tinha que ser qualquer uma
dessas coisas, que poderia ser simplesmente um presente para as outras
pessoas. Naquele momento, eu sabia que ele tinha levado minhas palavras para o
coração, porque cada pessoa no bar estava recebendo um presente naquele momento.
Um trabalhador passou por mim, recolhendo copos vazios, e eu a puxei de lado,
apontando para o palco.
– Ele toca sempre aqui? – Perguntei.
Ela olhou para King, em seguida, de volta para mim. – Nem sempre. Ele toca em
diferentes lugares ao redor da cidade. Um par de semanas atrás, ele apareceu em um bar
em Soho e perguntou ao gerente se ele poderia tocar. O lugar estava tranquilo, então o
gerente disse que sim. Ele está ganhando público desde então, mas ele nunca anuncia
um show, só aparece aleatoriamente, e as pessoas espalham por aí.
– Oh, – eu disse, absorvendo sua resposta, a pele formigando com a ideia de
King tocando apenas aleatoriamente para as pessoas onde e quando ele quisesse.
– Qual é o nome dele? – Perguntei antes de ela se virar para sair.
– Eles o chamam de Oliver, – ela respondeu.
– Apenas Oliver?

– Sim, só Oliver.
E então ela se foi e eu estava olhando para King, tudo sobre ele me mantendo
cativa. O fato de que ele manteve os olhos fechados a maior parte do tempo e nunca
realmente olhou para alguém na plateia significava que ele não me viu lá. Ainda assim,
tive a certeza de ficar atrás de um par de outras pessoas apenas no caso. Por um segundo
eu pensei em ficar esperando até o fim, saltando sobre ele, e declarando que eu tinha
descoberto o seu segredo. Mas não, não era isso que eu queria. Eu só queria que ele
continuasse tocando, continuasse fazendo ele e as pessoas que viam vê-lo tocar
felizes. Eu nunca seria aquela que transformou o que ele amava em algo que exigia
elogios, algo que já tinha destruído ele.
Assim, quando ele terminou sua canção final da noite, eu inalei uma respiração
profunda, saboreei o momento, e observei as reações das pessoas ao meu redor, a
catarse que sentiam das emoções retratadas em sua canção sem palavras. Então eu me
virei e saí do bar.
235
Página
***

Um par de dias mais tarde, me encontrei acordando Oliver em uma manhã de


segunda-feira e deixando-o pronto para o seu primeiro dia de escola. Eu tinha deixado
seu uniforme pronto: uma camisa branca, gravata cinza, blazer azul marinho com o
brasão da escola, e calça cinza. Juro que ele parecia tão bonito, minúsculo ainda que
crescido, ao mesmo tempo, e eu senti vontade de chorar.
Aposto que todas as mães choravam no primeiro dia de seus filhos da escola. Foi
programado em nosso DNA. Oliver estava cheio de perguntas e entusiasmo. Ele estava
se preparando por isso por um ano. Muitas vezes ia de carro pela escola e ele via os
filhos, e eu dizia a ele que é onde ele iria estudar em breve. Fiquei maravilhada com a
forma como ele nunca agiu com medo ou apreensão. Não, seus olhos se iluminaram
com a perspectiva de algo novo.
King estava sentado na cozinha, comendo uma fatia de pão, quando coloquei
Oliver no chão, todo vestido em seu novo uniforme.
– Papai! Olhe para mim, não eu pareço bonito? – Disse ele, e King virou-se para
olhá-lo. Ao contrário de mim, ele não tinha lágrimas nos olhos. Não, seus lábios se
contraíram em diversão.
– Você está muito elegante, de fato, cara, – disse ele, me atirando um sorriso.
– O que é elegante? – Oliver questionou.
– Ser pai está sendo extravagante de novo. Ele sempre tenta ser extravagante, –
eu provoquei. – E isso significa que você está perfeito. Arrumado e bonito.
Ele parecia satisfeito com a minha resposta, e King foi fazer café da
manhã. Uma vez que era hora de ir, nós três saímos da casa para levá-lo para a
escola. Era apenas dez minutos, e era uma manhã ensolarada, então decidimos renunciar
o carro. Eu segurei uma das mãos de Oliver e King segurou a outra. Ao mesmo tempo,
o nosso filho passeavam entre nós, conversando sobre como ele iria fazer amigos com
todos e como ele iria brincar de amarelinha no pátio durante a sua pausa.
Olhei para King em um ponto para vê-lo sorrindo para Oliver, carinho e amor
nos seus olhos enquanto ouvia cada palavra dele. Então, muito em breve, estávamos na
escola, e o professor estava esperando do lado de fora enquanto as crianças se reuniram.
– Lá está Timothy, – Oliver gritou, apontando para seu amigo. – Vou até lá. –
Antes que ele pudesse fugir, eu o puxei de volta e me ajoelhei, olhando-o nos olhos e
ajeitando sua gravata. Havia algo sobre quão pequeno ele era que me fez sentir como se
tivesse grávida novamente. King notou a minha expressão ridiculamente emocional e
assumiu, se curvando para dar a Oliver um abraço.
– Seja bonzinho hoje, filho. Sua mãe e eu vamos estar de volta mais tarde para
buscá-lo.
E com isso ele foi embora, correndo com entusiasmo até seu amigo, sua pequena
mochila azul nas costas. Ao meu redor, os pais se despediam de seus filhos, e não havia
muito choro acontecendo. Eu vi uma menina gritando seus olhos para fora com a
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Página
perspectiva de ser separada de sua mãe, e isso quebrou meu coração. De certa forma, eu
desejei que Oliver tivesse sido mais como ela, mais chateado, porque dessa forma eu me
sentiria menos de um covarde.
King e eu ficamos lado a lado, observando Oliver indo atrás das outras
crianças. – Eu espero que você não pense que sou uma tola sentimental depois disso,
mas quando chegarmos em casa, eu poderia voltar para a cama e ficar estranha por um
tempo. E com isso quero dizer que eu poderia voltar para a cama e chorar.
King deslizou sua mão na minha, uma demonstração tranquila de afeto, como ele
inclinou a cabeça para mim e sorriu. – Você não tem que estar no escritório em uma
hora?
– Pare de estragar com meus planos, Sr. King, – eu cortei, mas havia humor na
minha voz.
– Você sabe, você não se referiu a mim como o Sr. King desde que você era
minha funcionária, – ele brincou. – Quer tirar a manhã de folga? Talvez ir para casa e ir
para a cama por um motivo diferente? Brincar de papai e mamãe?
Bati em seu ombro e fiz uma careta. – Não seja um cafajeste.
Ele se inclinou e cochichou no meu ouvido: – Ah, mas você o ama tanto. – Sua
voz me deu arrepios, e eu fechei os olhos por um segundo para empurrar as imagens de
nossa vida sexual da minha mente. Esse claramente não era o momento.
– Nah, talvez nós vamos guardar isso para mais tarde. Eu queria ir para a cidade
de qualquer maneira, passar um par de horas praticando.
O que ele disse trouxe de volta memórias da outra noite, e quão elétrica me senti
ao vê-lo tocar para um público, quando ele finalmente parecia estar completamente
sozinho. Sem dor. Sem solidão. Sem vício. Sem um pai mal tentando estragar sua
vida. Sem uma mãe assustada, muito paranoica para sair de casa. Ele estava melhor, e
isso era tudo que eu sempre quis que ele ficasse.
De repente, eu tive um momento de clareza, uma sensação de que tudo estava
bem com o mundo. E então eu estava me sentindo chorosa novamente, mas desta vez
foi por outra razão. Eu não conseguia segurar as lágrimas, e os meus olhos se aguaram
enquanto corriam pelo meu rosto. Claro, eram lágrimas felizes, mas quando King viu
que eu estava chorando, ele respirou fundo e me puxou para ele. Ainda segurando
minha mão nas suas, ele estendeu uma e limpou a umidade do meu rosto.
– Ei, ele vai ficar bem, você sabe. Olhe para ele - ele está tão animado e
feliz. Metade das crianças aqui estão fazendo birra.
– Não é isso, é só... eu o amo muito, e eu te amo tanto. Parece bom demais para
ser verdade, ter tanto amor dentro de mim.
Seu corpo estava nivelado com o meu quando ele soltou minha mão para que ele
pudesse pegar meu rosto, os polegares escovando sobre a ascensão do meu rosto. Seus
olhos brilharam entre os meus, tão amoroso, tão grave. – Oh, querida, devemos nos
casar.
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Página
Eu funguei e soltei uma explosão inesperada de riso. Ele nunca ia parar com
isso, mas, estranhamente, havia algo diferente sobre isso neste momento. Ele era tão
sincero como sempre foi, mas a mudança estava em mim, e eu senti como se minha
resposta pudesse ser diferente agora.
– Seja honesto, você só quer se casar comigo pelo meu dinheiro. Bem, isso e
meu traseiro de classe mundial, – eu brinquei, minha voz um tremor instável.

King deu um sorriso glorioso, sua réplica provocando memórias das palavras
que ele tinha falado para mim anos atrás. – Não, eu quero casar com você por causa das
suas brincadeiras espirituosas. Bem, isso e seu cérebro classe mundial.
Sua resposta me fez rir mais uma vez quando eu dei um último olhar na direção
de Oliver para ver que o professor estava agora liderando as crianças para dentro da
escola. Uma vez que ele se foi, eu me virei de volta a King. – Você sabe o quê? Eu
estou no humor para me casar hoje. Deve haver algo no ar.
Eu sabia que ele não esperava a minha resposta quando o seu sorriso cresceu
ainda mais em seu rosto maravilhosamente bonito. Ele puxou meus lábios nos dele e me
beijou profundamente antes de se afastar e sussurrar, – Deve ser.

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Epílogo
King

Ela entrou na sala e eu olhei para cima casualmente, a minha atenção no meu
telefonema. Olhei para fora, em seguida, olhei para trás. Puta que pariu, ela tinha um
corpo, e notei algo exótico em suas feições escuras. Beneficiando de uma visão breve,
mas detalhada, de afundar meus dedos ao redor dos quadris exuberantes, olhei para o
seu currículo para verificar o nome dela. Hmmm.
Você tem olhos lindos, Alexis Clark.
Lembranças eram uma coisa poderosa. Elas poderiam ao mesmo tempo te
libertar ou levá-lo como prisioneiro, mantenha toda sua vida cativa.

Eu acho que, no espaço entre o nascimento e a morte, você pode ter uma vida, ou
você pode ter muitas. Mas, a fim de ter muitas, você também precisa de força para
acabar com a que veio antes. E aí reside a parte complicada.
Na antiga vida você pode ter sido a cara para baixo na terra, mas a terra segurava
uma qualidade sedutora que o mantinha em seu agarre.
Era uma vez um tempo em que eu sentia preso em um túnel escuro, e a única luz
era uma luz falsa encontrada no fundo de uma garrafa. A única paz era a dormência que
cantava em minhas veias e bloqueava as memórias da vida que deixei para trás. Edgar
Allen Poe disse uma vez que ele não começou a usar drogas pelo prazer que trouxe, mas
para escapar das memórias que o atormentavam. Nesse sentido, fomos parentes.

Quando eu era jovem, eu era confiante, pronto para assumir qualquer desafio,
livre do medo.
Quando eu era um homem adulto, eu sabia que o mundo e eu estávamos
ganhando, embora houvesse preocupações que tentaram me arrastar para baixo.
Quando eu era um homem mais velho, eu estava quebrado; as coisas que eu
pensava que tinha feito tinha arruinado as coisas que eu tinha deixado para trás.
Agora eu era um homem ainda mais velho, e eu sabia que minhas memórias não
tinham que me possuir e nada estava perdido para sempre, especialmente o amor. Ele
estava simplesmente à espera de ser recuperado, e recuperando a força necessária.

Você vê, eu lhe disse que havia uma parte complicada.


E essa parte nunca seria verdadeiramente ultrapassada. Muito parecido com um
vírus que não pode ser curado, mas apenas mantido, eu sempre olhava para a terra e via
algo sedutor. Era a força que eu tirei de dentro que me impedia de sucumbir à tentação.
Minha força estava na minha música. Estava no meu menino, que ficava mais
alto a cada dia. E estava em Alexis, que mesmo quando eu era nada, tinha olhado para
mim como se eu fosse tudo. Pensando nela, senti uma súbita necessidade de vê-la e me
levantei do meu lugar, minha irmã me olhando desconfiada.
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– Onde você pensa que vai? – Perguntou Marina.
– Ver Alexis. Só vai levar um minuto, – eu respondi.

Ela puxou minha mão e me puxou de volta para baixo com uma surpreendente
quantidade de força para uma mulher de sessenta anos de idade.
– Você não pode vê-la agora. Dá má sorte, – ela me repreendeu.
Jay, que estava sentado do outro lado da sala, fez um barulho como se Marina
tivesse respondido a uma pergunta errada em um show de perguntas. – Até parece, –
disse ele, casualmente fechando seu livro e inclinando-se para frente. – As pessoas
diziam essa merda nos tempos dos casamentos arranjados. Imagine isso: O cara entra e
vê que sua noiva é uma baranga e então, ‘Foda-se isso, vou dar o fora daqui’. Antes que
você perceba, ele sumiu do casamento. – Houve um silêncio, e minha irmã deu a Jay
uma carranca. – Ou você sabe, vice-versa. Tem muito caro feio também, – ele emendou.
Marina apontou para ele. – Não é por isso que estou de cara feia. Eu estou de
cara feia porque você está tentando trazer má sorte para o casamento do meu irmão,
instando-o a quebrar uma tradição milenar.

Jay jogou as mãos no ar. – Ei, eu estou apenas dizendo os fatos. Você vai
descobrir que um monte dessas antigas superstições surgiram da simples praticidade. Os
casamentos eram pouco mais que transações comerciais naquela época.
Marina fez uma careta mais dura. – Quando minha amiga Rose quebrou um
espelho, ela ficou doente com uma doença diferente, pelo menos uma vez por ano
durante sete anos. Então, depois do sétimo ano, puf, sem doenças. Como você explica
isso, Sr. Prático?
– Eu te explico com uma palavra: coincidência, – Jay respondeu de volta.

Eu balancei minha cabeça. Aqueles dois estavam sempre discutindo sobre coisas
como esta. Na verdade, eu achava que eles gostavam. Marina tocou minha mão. – Não
dê ouvidos a ele. A cerimônia é em menos de meia hora. Você pode esperar.
Antes que eu pudesse responder, Jay falou novamente. – Ah, e mais evidências
para provar o meu ponto: véus. Por que ter um véu, se não para esconder um rosto
feio? Você já está casado no momento em que o padre te diz para levantar e, em seguida
aqui está o que você acabou de se comprometer toda a sua vida. Boa sorte com isso.
Jack, que estava ajeitando sua gravata no espelho, riu. Eu acho que isso deve ter
sido a primeira vez que eu tinha visto ele em um terno. Meu melhor homem. Meu
melhor amigo.

Marina continuou franzindo o cenho para Jay até que ele finalmente recebeu a
mensagem para calar a boca. Ela tornou uma espécie de mãe substituta aos irmãos, e
embora muitas vezes ela reclamasse sobre isso, eu sabia que ela gostava de ser
necessária.
Eu apertei sua mão. – Está bem. Eu vou esperar.
Eu não a ouvi entrar no apartamento. A música em meus dedos era muito alta e
consumia tudo para eu estar consciente de outra presença. Essa foi a melhor coisa
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Página
sobre isso. Música poderia encher sua cabeça e te permitir escapar das preocupações
constantes que te consumia.
Um zumbido disparou, e parei. Virei-me, vi a roupa dela, e tentei reprimir um
sorriso.

– Oh, vá em frente, diga. Você sabe que você quer, – ela suspirou.
Deus, essa mulher. Mesmo quando os meus medos mais profundos tentavam me
arrastar para baixo, ela sempre encontrava alguma maneira de me fazer sentir mais
leve.
Eu soltei o sorriso que eu tinha retido e respondi: – Que diabos você está
vestindo?
A tenda estava cheia. Eu não estava muito certo porque, porque eu tinha sido
nada além de um bêbado rude e descuidado com essas pessoas há anos, mas parecia
todo o circo estava lá para assistir o nosso casamento. Cada vez que me viam agora, eles
pareciam surpresos com o quanto eu tinha mudado.
Cristo, toda vez que eu me via agora, ficava surpreso com o quanto eu tinha
mudado.
Eu usava um smoking equipado, feito pela esposa de Jay, Matilda. Ela também
desenhou o vestido de Alexis, mas eu não tinha permissão de vê-lo. Eu acreditava nas
superstições da minha irmã tanto quanto Jay, mas ainda assim, eu fui na dela. Marina
tinha me impedido de ir até o limite por muito tempo.
Falando da minha meia-irmã, ela era a única conduzir a cerimônia, e ela usava
roupa de mestre de cerimônias, com cartola e fraque. Jack parou ao meu lado; eu
sempre achei a sua presença calmante, mesmo quando eu estava tão longe que eu
esquecia semanas inteiras. Assim como Marina, que tinha sido uma rocha para mim, e
provavelmente a única corajosa o suficiente para me agarrar pelas bolas
(metaforicamente falando) e me dizer a verdade de que a maneira que eu estava vivendo
ia me matar.

Claro, eu não ouvi. Foi só quando Alexis voltou para a minha vida que eu
lembrei que não era eu. Beber não era eu. E eu era muito mais forte do que eu tinha me
dado crédito.
A música começou a tocar, e eu me virei para vê-la andando pelo corredor. Seu
vestido era lindo, o rosto radiante, e quando ela parou na minha frente.
Ela se sentou, montando em mim, e eu não podia esconder a minha
excitação. Ela estava bem ciente disso também, mas a reação dela não era o que eu
esperava. Algo forçou o meu olhar para baixo, longe de seus lábios bonitos e belos
olhos, e vi que seus mamilos estavam duros. Em um instante, tudo se encaixou. Ela
estava mentindo; com certeza. E eu estava chateado. Chateado e excitado, e sim,
presunçoso pra caralho. Meros segundos se passaram, e eu já estava imaginando todas
as maneiras que eu iria levá-la. Eu queria agarrar seu cabelo espesso e escuro
enquanto eu mergulhada em seu corpo suave e acolhedor.
Ela tremeu quando eu me inclinei perto o suficiente para que os nossos lábios
quase escovassem e eu sussurrei: – Porra eu sabia disso.
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Página
Oliver era o pajem. Ele também sentou ao meu lado durante toda a recepção, e
eu passei a maior parte do meu tempo falando com ele, em vez de me socializar com os
convidados. Eu tinha perdido muito, e cada momento parecia como uma nova
oportunidade para recuperar algo daqueles anos perdidos.
– Eu acho que sua esposa gostaria de dançar com você agora, – Alexis
murmurou no meu ouvido, a qualidade rouca em sua voz enviando uma emoção na
minha espinha. Eu passei semanas pedindo-a em casamento, e ela finalmente disse que
sim. Agora, aqui estávamos, seis meses depois. O circo tinha voltado para Londres, e
nós éramos marido e mulher em um casamento que tinha sido nada menos que único.
Eu peguei a mão dela na minha, e minha mãe veio tomar o meu lugar vazio ao
lado de Oliver. Ela parecia mais feliz do que eu tinha visto desde que eu era um
adolescente. Depois de todo o tempo que eu passei pensando que ela estava morta,
parecia um pouco milagroso tê-la diante de mim, viva e muito mais saudável do que
nunca.
Levando a minha mulher para a pista de dança, passei meus braços ao redor da
cintura dela, a puxei para o meu corpo, e nós dois oscilamos ao ritmo da música. Seu
cabelo cheirava a rosas e sua pele do sol. Sua pele morena contrastava bastante contra o
branco do vestido, e meus dedos a agarram por trás, mal sendo capaz de esperar até hoje
à noite quando ficássemos sozinhos. Ela deu um pequeno tremor e descansou a cabeça
no meu ombro.
Em torno de nós, nossa família e amigos apreciavam a festa. Marina sentou-se
com os pais de Alexis, conversando como se fossem velhos amigos. Oliver estava
silencioso em seu colo agora, e eu sabia que o meu menino estava em seu mundo da
mesma maneira que ele estava no meu.
A mão de Alexis veio ao meu pescoço, seus dedos sondando a minha pele. – Eu
mal posso esperar por esta noite, – ela sussurrou, ecoando os meus próprios
sentimentos. – Talvez pudéssemos escapar um pouco.

Eu gemi baixo em minha garganta, sentindo-a mexer seu corpo de modo que
seus seios empurraram com mais força contra o meu peito.
– Ainda não, – eu sussurrei de volta. – Primeiro, eu tenho algo para você.
O corpo dela era um sonho, seu estômago suave e arredondado, os seios
pesados e cheios em minhas mãos. Enquanto eu olhava para ela, maravilhado com a
curva de seus quadris e os cabelos espalhados como um halo escuro em torno de sua
cabeça, senti algo estranho e intangível tomar posse. Minha garganta estava apertada,
e o gosto dela ainda estava na minha boca. Eu já amava o gosto dela.

– Eu acho que essa é a sua dica para mendigar, amor, – eu murmurei.


Ela fez. Cristo, ela implorou tão perfeitamente.
E quando eu finalmente me afundei dentro dela, essa peça final, essa coisa
estranha e intangível caiu no lugar. Eu estava certamente apaixonado.

Sentei-me no palco no meio da tenda, nossos convidados do casamento sentados


ao redor. Alexis estava a alguns metros de distância, e a gravidade do que eu estava
prestes a fazer fazia um peso se instalar no meu intestino. Minhas mãos não tremeram
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assim desde que eu saí do álcool. Eu esfreguei as palmas das mãos juntas em um
esforço para elas pararem. Eu não podia tocar se minhas mãos tremessem.
A banda de casamento tinha feito uma pausa, e eu me sentei ao piano, o peso de
duas centenas de pares de olhos me olhando. Durante meses, eu só tinha tocado para
estranhos; agora eu estava tocando para todos que eu conhecia no mundo. Havia um
certo conforto no anonimato, mas não havia nenhum conforto em tocar para as pessoas
que mais importava.
Minha coragem voltou e minhas mãos se estabeleceram nas teclas. Meu olhar
descansou no de Alexis quando eu me inclinei e falei ao microfone.
– Alguém me disse uma vez que a minha música pode ser um presente que eu
dou para as outras pessoas. Então, minha querida, aqui está o meu presente de
casamento para você.
Fechei os olhos e toquei. A música parecia correr atrás das minhas pálpebras, e
eu experimentei um momento maravilhoso da sinestesia. Vi os anos piscarem na minha
mente, toda a dor e solidão expelidos através das pontas dos meus dedos. Quando abri
os olhos, vi Alexis na minha frente, seu olhar brilhando com lágrimas não
derramadas. Parecendo como um presente esperando sob a árvore, eu sabia que o dela
tinha sido aberto. Ela me viu como tudo que eu era, e eu a vi por tudo o que ela era. A
história na música que todos nós tínhamos passado não era bonita, e ainda, naquele
momento, eu não gostaria de ser alguém que eu não era naquele momento. Fiquei
contente com as minhas experiências, boas e más. Fiquei contente por aquilo que tinha
feito por mim mesmo.
E eu estava feliz que eu não tinha tido uma vida, mas que eu tinha tido muitas.

Ela estava diante de mim, um milagre e Deus, muito mais bonita do que eu
mesmo recordava. Viver sem ela durante tantos anos tinha sido como viver em um
mundo sem sol. Eu não me sentia digno de tocá-la, e, no entanto, minhas mãos vagaram
de qualquer maneira. Começaram pela testa antes de descer. Bebendo-a com meus
olhos, eu senti meu caminho até chegar a sua garganta e uma respiração escapou dela.
Ela era de uma outra vida, a que eu tinha deixado para trás, mas tê-la ali, minhas mãos
em sua pele, me fez sentir como se eu estivesse saindo desta vida e indo para uma nova.
– Olá, – eu disse calmamente.
– Oi, – ela respondeu de volta.
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