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5 Por-quês

23/08/2009 por ronaldocgq 4 Comentários

Em resposta ao artigo sobre 5W2H (A ferramenta do curioso), o nosso amigo


Antonio Carlos Sarkis Issa sugeriu a aplicação de outra ferramenta também muito
útil: a técnica dos 5 Por-quês.

Vejam na íntegra o e-mail que ele me enviou:

Prezado Ronaldo

Você discorreu com muita propriedade sobre o uso do 5W2H, de inegável eficiência
para a consecução de Planos de Ação para o tratamento de problemas, sejam reativos ou
oriundos de metas de melhoria o para a execução de um projeto. Permito-me acrescentar
que muitas vezes basta um plano simplificado apenas com O quê? Quando? Como?
(cuja alocação dos recursos poderá depender do quando e das dificuldades do o quê, ou
seja, para breve maior alocação de recursos de imediato, para médio e longo prazos,
recursos mais distribuídos no tempo) e, o que não pode faltar, quem ficará responsável
pela execução do plano.

Entretanto, nada disso terá utilidade se não houver de fato o gerenciamento do Plano de
Ação acompanhado e apoiado pela Alta Administração e a verificação de seu sucesso
após sua implementação.

Mas sobre o que quero comentar, aproveitando o seu texto, é a respeito de outro método
muito útil para a identificação de causas de falhas, e que deve preceder à utilização do
5W2H, ou 5W1H, quando o custo for irrelevante, ou mesmo do simples O quê? Quem?
e Quando?, porém pouco utilizado sistematicamente.

Trata-se do “Método dos 5 Por quês?”, que através de perguntas encadeadas sobre os
efeitos, motivos e causas dos problemas nos levam às causas fundamentais que devem
ser atacadas, evitando que se fique, como muitas vezes é usual, agindo apenas sobre os
sintomas dos problemas e não em sua solução e bloqueio.

O arquivo em anexo (imagem acima) mostra um exemplo de árvore para ser utilizado
na aplicação do “Método dos 5 Por quês?” na análise de falhas, lembrando que as
causas fundamentais dos problemas serão as últimas apontadas na seqüência de
perguntas e que as ações ou contra-medidas para o seu bloqueio devem ser transpostas
para a coluna de O Quê fazer do 5W2H.

É interessante saber que esse método tem a sua origem conhecida remontando a cerca
de 400 anos antes de Cristo, pois era utilizado pelo filósofo Sócrates e é conhecido
também por maiêutica, que consiste na multiplicação de perguntas, induzindo o
interlocutor na descoberta de suas próprias verdades e na conceituação geral de um
objeto e que, por extensão de sentido é também denominado de heurística, que vem a
ser o método de investigação baseado na aproximação progressiva de um dado
problema.

Faço esta observação apenas para ressaltar que os métodos para identificação de
problemas existem há milênios e muitos ainda não o utilizam de forma sistêmica e
gerencial.

Com apreço

Antonio Carlos Sarkis Issa.

P.S.: A identificação das causas fundamentais das falhas tem tudo a ver com a
necessidade de se ter um bom Sistema de Padronização, mas isso fica para uma outra
oportunidade.

Bem, faço aqui um comentário: O Diagrama de Árvore apresentado pelo Sarkis


aparece também no Sistema Toyota de Produção, e alguns autores atribuem a Toyoda
Sakichi (fundador da Toyota) o seu desenvolvimento.

Apesar de conhecida como Cinco Por-quês, não há obrigatoriedade de limitar a


análise a cinco perguntas, podem ser mais ou menos, conforme a complexidade do
problema que estamos avaliando. Como num Brainstorming ou num Diagrama de
Ishikawa, é interessante que a análise seja feita em equipe, para verificarmos a
variação de interpretações que surgem e obtermos uma aproximação maior das
verdadeiras causas raiz, que sim, podem ser mais de uma!… Às vezes um problema é
causado por um conjunto de fatores e neste caso todos eles deverão ser tratados para a
real eliminação da causa.

O que leva ao sucesso na aplicação dos 5 Por-quês é exatamente o questionamento das


causas apresentadas, assim como faz uma criança quando sua resposta não é
satisfatória para ela…