Você está na página 1de 12

Diretoria de Extensão - Fundação Cecierj

Aula 2: O que é ensino híbrido e alguns modelos

Profa. Dra. Cristina Pfeiffer


Boas-vindas!

Seja bem-vinda, seja bem-vindo à segunda aula desta disciplina! O objetivo


desta aula é definir o que é ensino híbrido e refletir sobre a utilização de alguns
modelos de ensino híbrido em ambientes escolares. Boa leitura!

Para início de conversa

Aulas que privilegiam apenas exposições orais tendem a ser cada vez mais
curtas, porque mantêm os estudantes atentos e concentrados por pouco tempo. Com
a intensificação do uso das tecnologias digitais (TDIC) no ambiente escolar, há a
possibilidade de integrar as atividades da sala de aula às digitais e as presenciais às
virtuais, gerando conceitos como metodologias ativas e sala de aula invertida, que têm
ganhado espaço criando o que conhecemos como blended learning (aprendizagem
híbrida) (BACICH et al., 2015, p. 27-28). As tecnologias digitais, se bem utilizadas pela
escola, constituem-se numa oportunidade para que os alunos possam aprender mais e
melhor.

Objetivos de aprendizagem:
• Definir ensino híbrido, relacionando-o com as metodologias ativas no processo
ensino-aprendizagem.
• Apresentar alguns modelos de ensino híbrido com exemplos de aplicação.
• Avaliar o impacto da educação híbrida nas escolas.

Seção 1: Evolução

Em pleno século XXI, como reagem e interagem entre si professores e


estudantes de diversas gerações ao receber diariamente novas informações via redes
de informação e comunicação? Podemos dizer que muitos estudantes, atualmente,

1
pertencentes à geração Z, são aqueles que já nasceram inseridos em uma cultura
digital e por isso são conhecidos como nativos digitais. Para esse público, a forma de
se relacionar com novos conhecimentos se dá pelas tecnologias, que são absorvidas
intuitivamente. Por outro lado, grande parte dos professores ainda pode ser
considerada como imigrantes digitais, que se inseriram no mundo das tecnologias e
lecionam de uma forma que nem sempre está em sintonia com a forma como os
nativos digitais aprendem.
Antes do surgimento das tecnologias digitais, a informação era transmitida de
forma unidirecional, sendo veiculada pelo rádio e televisão. Com a criação da internet
ou web 1.0, surgiu a possibilidade de uma comunicação bidirecional e da busca não
linear por informações. Depois surgiu a web 2.0, em que as pessoas passaram a
colaborar entre si ao buscar informações em sites, tornando a comunicação
bidirecional feita por interações síncronas e assíncronas. Seguindo a evolução, a web
3.0 (semântica) procura associar uma marcação semântica aos serviços da web,
permitindo que aplicativos conversem entre si, facilitando pesquisas mais amplas de
informações por meio de interfaces mais simples.
A web 4.0 é uma adaptação ao seu ambiente móvel, conectando todos os
dispositivos no mundo real e virtual em tempo real por meio das tecnologias de cloud
computing (computação na nuvem), que permitem o armazenamento na nuvem sem a
necessidade de utilização de equipamentos caros, o que facilita o acesso das pessoas
aos ambientes virtuais. Já se fala na web 5.0, que focará na interação (emocional)
entre humanos e computadores. A interação se tornará um hábito diário para muitas
pessoas com base em neurotecnologia. No momento, a web é “emocionalmente”
neutra, o que significa que a web não percebe a sensação e as emoções dos
usuários. Isso mudará com a web 5.0 – web emocional.
Segundo Priscilla Silva, pesquisadora em Direito e Novas Tecnologias do
Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS), “Em função das
evoluções tecnológicas e da hiperconectividade, a humanidade deverá se adaptar ao
novo contexto social. Para que não se perca a subjetividade, a ideia da sociedade 5.0
é instaurar um contexto de melhoria de qualidade de vida, em que a tecnologia seja
utilizada a serviço da população, e não o contrário”. Em termos mais pragmáticos, a
sociedade 5.0 é uma smart society (no mesmo sentido de smart cities) que, para
resolver problemas sociais cada vez mais preocupantes (como o envelhecimento da
população, por exemplo), usa tecnologias como Inteligência Artificial, Internet das
Coisas (e derivativos como Internet dos Serviços e AIoT), assim como os cada vez
mais potentes e refinados carros autônomos, robôs, drones etc.

2
Para saber mais

Web 1.0 vs. Web 2.0 vs. Web 3.0 vs Web 4.0 vs. Web 5.0. O que é isso?
Visite o endereço abaixo e descubra o que significa cada um desses
termos.
https://qualidadedevida.top/afiliados/web-1-0-web-2-0-web3-0-web4-0-
web5-0/

Verbete draft: o que é sociedade 5.0


https://www.projetodraft.com/verbete-draft-o-que-e-sociedade-5-0/

AIoT – A união de Inteligência Artificial e Internet das Coisas


https://novida.com.br/blog/aiot/

Seção 2: O que é ensino híbrido?


A palavra “híbrido” pode ser definida como algo misturado, mesclado ou blended,
na língua inglesa. A educação pode ser chamada de blended ou híbrida, uma vez que
combinamos:

• Saberes e valores, quando integramos várias áreas do conhecimento (no


modelo disciplinar ou não);
• Metodologias, com desafios, atividades, projetos, games, grupais e
individuais, colaborativos e personalizados;
• processos de ensino-aprendizagem mais formais com aqueles informais, de
educação aberta e em rede.

Híbrido também pode ser um currículo mais flexível, que planeje o que é básico
e fundamental para todos e ao mesmo tempo e seja capaz de gerar caminhos
personalizados em atendimento às necessidades de cada estudante. No ensino
híbrido, a tecnologia ajuda à personalização da aprendizagem e, dessa forma, auxilia
a transformar a educação massificada em uma em que o aluno consiga aprender no
seu ritmo e de acordo com os conhecimentos previamente adquiridos, agilizando seu
processo de aprendizado.
Para definir melhor o que é ensino híbrido, iremos nos basear no trabalho de
pesquisadores do Clayton Christensen Institute, da Califórnia (EUA), que está
disponível em https://www.christenseninstitute.org/ (CHRISTENSEN; HORN;
STAKER, 2013, apud BACICH et al., 2015). Para esses pesquisadores, o ensino
híbrido é um programa de educação formal que mescla o ensino tradicional com a
tecnologia digital. Primeiro, um aluno aprende por meio do ensino online com algum
elemento de controle do estudante sobre tempo, lugar, modo e/ou ritmo do estudo.

3
Num segundo momento, o aluno se dirige a uma localidade física supervisionada, fora
de sua residência.
O maior desafio é integrar o que vale a pena aprender, para que e como fazê-lo.
Que conteúdos, competências e valores escolher em uma sociedade tão multicultural?
O que faz sentido aprender em um mundo tão heterogêneo e mutante? A mudança
deve acontecer a partir dos docentes e gestores, que devem passar por uma formação
continuada que os ajude a experimentar e praticar o que irão lecionar principalmente
no que diz respeito ao uso das TDIC na sua prática pedagógica.

Para saber mais


4 maneiras de aplicar Ensino Híbrido
https://www.tuneduc.com.br/4-maneiras-de-aplicar-ensino-hibrido/

Sua sala de aula online – nesse site você encontrará vários materiais
educacionais sobre: rotações por estações, metodologias ativas, gamificação,
sala de aula invertida, laboratório rotacional, redes sociais em sala de aula etc.
https://www.silabe.com.br/

Seção 3: Modelos de ensino híbrido


Existem vários modelos de ensino híbrido: os sustentados e os disruptivos. Os
sustentados são conhecidos como “rotação por estações”, “laboratório rotacional”,
“rotação individual” e “sala de aula invertida”. Os disruptivos são: “modelo flex”,
“modelo à la carte”, “modelo virtual enriquecido” (BACICH et al., 2015).

3.1 Modelos de ensino híbrido sustentados


Os modelos de ensino híbrido sustentados apresentados a seguir são
baseados nos formulados pela equipe do Clayton Christensen Institute (BACICH et al.,
2015, p. 54-58), que aborda formas de encaminhamento das aulas em que as
tecnologias digitais podem ser inseridas de forma integrada no currículo e que
exercem um papel importante no processo de personalização do ensino. Veja a seguir
os modelos utilizados pela equipe:
• Modelo de rotação – o professor propõe aos estudantes várias atividades e eles
vão executando cada atividade num tempo predeterminado pelo professor,
fazendo em seguida revezamento com os colegas. Essas atividades incluem
discussões em grupo com ou sem a presença do professor, atividades escritas,
leituras e necessariamente uma atividade online. Nesse modelo há várias opções:
o Rotação por estações – o professor deve atuar nesse modelo de ensino
híbrido, que é um dos modelos mais utilizados, quando opta por modificar a
organização do espaço e a forma como conduz sua aula. Para alcançar os

4
objetivos definidos ao utilizar esse modelo, o professor define tarefas e
organiza os estudantes em grupos e cada grupo realiza uma tarefa. O
professor poderá fazer uso de vários recursos, como vídeos, leituras e trabalho
individual e colaborativo, entre outros, visando favorecer a personalização do
ensino, levando em conta que cada estudante aprende no seu próprio ritmo.
Um grupo dentre todos os grupos estará envolvido com atividades online que
muitas vezes não precisam do acompanhamento do professor. Tarefas
individuais e colaborativas são muito importantes para o processo de
aprendizagem. Após um tempo combinado com os estudantes, eles trocam de
grupo, e esse revezamento continua até todos terem passado por todos os
grupos. O planejamento desse tipo de atividade não é sequencial, e as tarefas
realizadas nos grupos são, de certa forma, independentes, mas funcionam de
forma integrada para que, no final da aula, todos tenham tido a oportunidade de
experimentar os mesmos conteúdos. O professor nesse modelo atua como um
mediador, levantando os conhecimentos prévios dos estudantes, estimulando o
trabalho colaborativo e sistematizando, ao final, os aprendizados da aula. O
professor também deverá estar mais presente no grupo que apresentar
estudantes que precisam de mais atenção. Nesse modelo existem dois
momentos: group learning, que é conduzido pelo professor que incentiva o
trabalho colaborativo entre os alunos, e o momento solo learning, que estimula
o uso do ensino online.
o Laboratório rotacional – o professor organiza as atividades em presenciais e
online da seguinte forma: os estudantes primeiro iniciam as tarefas em sala de
aula tradicional e em seguida são divididos em dois grupos: um grupo de
estudantes é direcionado ao laboratório de informática para trabalhar com
computadores, visando cumprir os objetivos fixados pelo professor, que estará
com o outro grupo realizando sua aula num espaço físico da maneira que achar
mais adequada. Os laboratórios rotacionais aumentam a eficiência operacional,
facilitam o aprendizado personalizado e amplificam a autonomia dos
estudantes.
o Sala de aula invertida – segundo estudos, os estudantes constroem sua visão
sobre o mundo ativando seus conhecimentos prévios e com base em um
pensamento crítico e reflexivo, integram às estruturas cognitivas já existentes
as novas informações associadas ao conteúdo ensinado. Isso é facilitado pelo
modelo de sala de aula invertida, quando a teoria é estudada em casa pelo
estudante, no formato online, e o espaço da sala de aula é utilizado para
discussões, resolução de atividades, entre outras propostas. Em resumo, o que

5
era feito em classe (transmissão do conteúdo) agora é realizado na casa do
estudante, e o que era feito em casa (aplicação, atividades sobre o conteúdo)
agora é feito em sala de aula. Uma maneira de aperfeiçoar esse modelo seria
introduzir a experimentação como proposta inicial, colocando o estudante
primeiro em contato com o fenômeno com vídeos, leituras etc. Dessa forma, os
estudantes desenvolvem habilidades de pensamento crítico e compreendem
melhor conceitualmente uma ideia quando exploram um domínio primeiro e em
seguida têm contato com outros recursos, tais como palestras, vídeos ou leitura
de textos. O modelo de sala de aula invertida é considerado o modelo de
ensino híbrido mais popular entre os professores; no entanto, existe um
movimento para desmitificar essa ideia e estimular os professores a usar outros
modelos.
o Rotação individual – esse modelo é uma das estratégias de personalização do
ensino com foco no caminho a ser percorrido pelo estudante de acordo com
suas dificuldades ou facilidades. Isso, no entanto, não impede a realização das
demais atividades. Esse modelo funciona assim: cada aluno deve executar
uma lista de atividades dentre as propostas oferecidas, que devem contemplar
em sua rotina para cumprir os temas a serem estudados. A diferença da
rotação individual para outros modelos de rotação, em alguns exemplos
relatados, é que os estudantes não passam necessariamente por todas as
modalidades ou estações propostas. Ou seja, sua agenda diária é individual,
customizada de acordo com suas necessidades. Em escolas que adotam esse
modelo (Summit Schools, disponível em http://www.summitps.org, apud
BACICH et al., 2015), os estudantes ao chegar à escola pegam seus
computadores, acessam seus planos personalizados de estudo e começam a
trabalhar em seus objetivos. Ao término desses trabalhos, seguem para as
demais propostas do dia. Seguindo esse plano personalizado e atingindo seus
objetivos, eles indicam, anotando num quadro, quando estão prontos para
serem avaliados. O controle individual de seu aprendizado é a chave do
envolvimento dos estudantes.

6
Para saber mais
Modelo utilizado na Innova Schools, no Peru. Disponível em
http://www.innovaschools.edu.pe
Para uma aula diferente, aposte na Rotação por Estações de
Aprendizagem
https://novaescola.org.br/conteudo/3352/blog-aula-diferente-rotacao-
estacoes-de-aprendizagem
Laboratório Rotacional: o que é e como funciona?
https://silabe.com.br/blog/laboratorio-rotacional-o-que-e-e-como-funciona/
Como funciona a sala de aula invertida?
https://www.edools.com/sala-de-aula-invertida/
Você sabe o que é a sala de aula invertida?
https://escoladainteligencia.com.br/voce-sabe-o-que-e-a-sala-de-aula-
invertida/
Rotação individual: o que é e como funciona?
https://silabe.com.br/blog/rotacao-individual-o-que-e-como-funciona/

2.2 Modelos de ensino híbrido disruptivos


Você já ouviu falar em tecnologia
disruptiva ou inovação disruptiva?

Boxe explicativo
A inovação tecnológica, produto, ou
serviço, com características disruptivas
são aquelas que provocam uma ruptura
com os padrões, modelos ou tecnologias
já estabelecidos no mercado. Alguns
exemplos são a fotografia digital, em
comparação com a analógica, o telefone
em relação ao telégrafo e a televisão
surgindo após o cinema. Muitas vezes,
essa inovação torna o produto
mais acessível às massas.

7
Boxe de curiosidade
Um exemplo de modelo disruptivo na educação é o projeto Âncora, de
acordo com o qual a organização dos alunos não é por séries ou anos. Por
exemplo, estudantes do 6º ano podem realizar um projeto junto com os
alunos do 7º ou do 8º ano. Veja mais em:
http://www.projetoancora.gov.org.br/index.php?lang=port

Na educação superior, um grande exemplo desse tipo de inovação é o


surgimento dos MOOCs (massive online open courses, ou cursos abertos e
massivos online), que mudaram as perspectivas do ensino. Saiba mais em:
https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/inovacao-disruptiva-educacao-
superior-3-coisas-voce-precisa-saber/

A seguir serão apresentados os modelos “disruptivos” utilizados na educação


em que as estratégias utilizadas propõem uma organização da escola que ainda não é
muito comum no Brasil:
• Modelo flex: assemelha-se à rotação individual, pois os alunos devem realizar uma
lista de atividades, com ênfase no ensino online. O modelo flex permite que os
estudantes se movam em horários fluidos entre as atividades de aprendizagem, de
acordo com suas necessidades. A aprendizagem online é a espinha dorsal da
aprendizagem do estudante em um modelo flex. Os professores fornecem apoio e
instrução numa base flexível, conforme a necessidade, enquanto os estudantes
trabalham com o currículo e do conteúdo do curso. Esse modelo pode dar aos
estudantes alto grau de controle sobre sua aprendizagem.
• Modelo à la carte: nesse modelo, o aluno é o responsável pela organização de
seus estudos. No entanto, é preciso cumprir os objetivos gerais propostos nas
disciplinas, que deverão ser organizados em parceria com o docente. Pelo menos
uma disciplina é cursada totalmente online, tendo o conteúdo organizado e
monitorado pelo professor, e o aluno poderá cursar essa disciplina na escola, em
casa ou em outros locais. O modelo à la carte permite que os estudantes façam
um curso online com um professor online, além de outros cursos presenciais, que
muitas vezes proporcionam aos estudantes mais flexibilidade em seus horários.
Os cursos à la carte podem ser uma ótima opção quando as escolas não podem
oferecer oportunidades de aprendizagem específicas, como uma colocação
avançada ou cursos eletivos, tornando este um dos modelos mais populares em
escolas secundárias híbridas.

8
• Modelo virtual enriquecido: de acordo com esse modelo, o processo de ensino-
aprendizagem ocorre quase totalmente a distância, sendo uma alternativa para os
estudantes concluírem a maioria dos cursos online em casa ou fora da escola,
mas frequentando a escola para sessões obrigatórias de aprendizagem
presenciais com um professor. Dessa forma, ao contrário da modelo de sala de
aula Invertida, os programas que utilizam o modelo virtual enriquecido geralmente
não exigem presença diária dos alunos na escola; alguns programas podem exigir
a presença deles apenas duas vezes por semana. Esse modelo também é
classificado como disruptivo por propor uma organização da escola básica que
não é comum no Brasil.

Para saber mais

Modelos de ensino híbrido


https://www.blendedlearning.org/modelos/?lang=pt-br

Uma educação disruptiva para enfrentar os desafios do futuro


https://www.iberdrola.com/talentos/educacao-disruptiva

Inovação disruptiva e educação superior: 3 coisas que você precisa saber


https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/inovacao-disruptiva-educacao-superior-3-
coisas-voce-precisa-saber/

Seção 3: Metodologias ativas e modelos de ensino híbrido

Aprendizagem ativa e aprendizagem híbrida são dois conceitos importantes na


atualidade; são descritos a seguir.

Aprendizagem Papel do professor Papel do aluno


Ativa • Orientador dos alunos. Protagonista: participação
• Utiliza estratégias de ensino e reflexão em todas as
centradas na participação etapas do processo;
efetiva dos estudantes na experimentação; desenho;
construção do processo de criação.
aprendizagem de forma flexível,
interligada e híbrida.
Híbrida Mediador tecnológico e orientador Acesso a uma mistura e
dos alunos quanto ao uso de compartilhamento de
inúmeras possibilidades de espaços, tempos,
atividades em ambientes físico- atividades, materiais,
digitais, móveis, ubíquos, realidade técnicas e tecnologias que
física e aumentada. compõem um processo
ativo.

A junção de metodologias ativas com modelos flexíveis e híbridos traz


contribuições importantes para o desenho de soluções atuais para os aprendizes de
hoje que englobam três movimentos ativos híbridos principais:
9
• A construção individual – o aluno escolhe e percorre seu caminho ao menos
parcialmente.
• A construção grupal – o aluno amplia sua aprendizagem por meio de diferentes
formas de envolvimento, interação e compartilhamento de saberes, atividades
e produções com seus pares, com diferentes grupos e diferentes níveis de
supervisão docente.
• A supervisão tutorial – o aluno aprende com a orientação de pessoas mais
experientes em diferentes campos e atividades (curadoria, mediação,
mentoria).
Onde fica o professor? O papel principal do especialista ou docente é de
orientador, mediador dos estudantes individualmente e nas atividades em grupo, nas
quais os alunos são sempre protagonistas.

3.1 Aprendizagem personalizada com base no projeto de vida (educação híbrida


em modelos inovadores)
São muitas as questões que impactam o ensino híbrido, o qual não se reduz a
metodologias ativas, à combinação de atividades presenciais e online, de sala de aula
e outros espaços, mas que mostra que, por um lado, ensinar e aprender nunca foi tão
fascinante, pelas inúmeras oportunidades oferecidas, e, por outro, tão frustrante, pelas
dificuldades em conseguir que todos desenvolvam seu potencial e se mobilizem de
verdade para evoluir sempre mais.
As instituições mais inovadoras procuram integrar algumas dimensões
importantes no seu projeto político-pedagógico (BACICH et al., 2015, p. 29):
1) Ênfase no projeto de vida de cada aluno, com orientação de um mentor. O
projeto de vida é um componente curricular transversal importante, que busca
convergir interesses e paixões de cada aluno e ao mesmo tempo procura
nivelar seus talentos, história e contexto (BACICH; MORAN, 2018, p. 7). O
projeto de vida visa estimular a busca de um sentido, de uma vida com
significado, com motivação profunda e socialmente útil. Estimula a busca de
trilhas de vida com significado útil pessoal e socialmente e, como
consequência, pretende-se ampliar a motivação profunda para aprender e
evoluir em todas as dimensões.
2) Ênfase em valores e competências amplas: de conhecimento e
socioemocionais.
3) Equilíbrio entre as aprendizagens pessoal e grupal. Respeito ao ritmo e ao
estilo de aprendizagem de cada aluno combinado com metodologias ativas

10
grupais (desafios, projetos, jogos significativos), sem disciplinas, com
integração de tempos, espaços e tecnologias digitais.

Seção 4: O impacto da educação híbrida nas escolas


Muitas escolas estão modificando suas estratégias de ensino, combinando a
integração de recursos tecnológicos com formas tradicionais de aprendizagem. Essa
mistura de elementos online disponíveis por meio de recursos tecnológicos com
elementos da sala de aula presencial tem sido chamada de “educação híbrida”
(CHRISTENSEN et al., 2008, apud BACICH et al., 2015).
Os modelos híbridos, conforme vimos anteriormente, usam as tecnologias
emergentes para estabelecer novas configurações de formas de aprendizagem.
Segundo o Horizon Report (2012), uma publicação resultante da análise empreendida
por diversos especialistas em educação sobre o impacto que as tecnologias
emergentes terão no campo do ensino e os prazos previstos para sua incorporação
pelas escolas, até 2017 os recursos tecnológicos listados a seguir já deveriam estar
integrados à educação:
• Computação em nuvem
• Ambientes colaborativos
• Aprendizagem baseada em jogos
• Dispositivos móveis
• Conteúdo livre
• Inteligência coletiva
• Laboratórios móveis
• Ambientes pessoais de aprendizado
• Grades de cursos abertos online

Os modelos híbridos oferecem condições para que a instituição realize essa


mudança de forma sustentada, ou seja, sem correr o risco de perder sua identidade
nem abrir mão daqueles modelos que se tornaram parte de sua cultura e ainda
revelam-se funcionais.

Vamos concluir aqui algumas ideias?


Inserir as novas tecnologias nas escolas exige planejamento estratégico.
Repensar os espaços de aprendizagem, a formação dos professores e as formas de
produzir e transmitir conhecimentos são apenas alguns aspetos da organização
escolar que devem ser ajustados para possibilitar o uso de modelos da educação
híbrida. Para a maioria das escolas, os modelos de ensino híbrido sustentados são os
mais indicados, pois possibilitam uma transição sem grandes abalos. No entanto,

11
instituições que com maior infraestrutura permitindo-lhe assumir um perfil mais
inovador irão ousar ao experimentar modelos híbridos disruptivos, sobretudo em
projetos experimentais. Nesse processo, poderão descobrir novos caminhos para a
inovação e a originalidade. Em relação ao professor, na educação híbrida ele
desempenhará o papel de mediador tecnológico e orientador dos alunos quanto ao
uso de inúmeras possibilidades de atividades em ambientes físico-digitais, móveis,
ubíquos, realidade física e aumentada.

Não acabamos por aqui!


Na próxima aula vamos avançar no assunto e abordar os seguintes temas:

• O que é Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP)?


• A Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) no contexto do ensino do
século XXI.

Referências Bibliográficas:

BACICH, L.; MORAN, J. (Orgs.). Metodologias ativas para uma educação inovadora.
Uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018.
BACICH, L.; NETO, A. T.; TREVISANI, F. M. Ensino híbrido: personalização e
tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso. 2015.
HORIZON REPORT. Perspectivas tecnológicas para o ensino fundamental e médio
brasileiro de 2012 a 2017: uma análise regional por NMC Horizon Project. Austin:
The New Media Consortium, 2012. Disponível em:
http://zerohora.com.br/pdf/14441735.pdf.

12

Você também pode gostar