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SISTEMA ESQUELÉTICO

Considerações gerais:

Osteologia, em sentido restrito e etimologicamente, é o estudo dos ossos. Em


sentido mais amplo inclui o estudo das formações intimamente ligadas ou relacionadas
com eles. Formando um todo – o esqueleto.

Funções:

Como funções principais para o esqueleto podemos citar:

 Proteção (para órgãos como o coração, pulmões e sistema nervoso central);

 Sustentação e conformação do corpo;

 Reservatório de sais minerais (durante a gravidez a calcificação fetal se faz, em


grande parte pela reabsorção de Ca e P, armazenados no organismo materno);

 Sistema de alavancas que movimentadas pelos músculos permitem os


deslocamentos do corpo no todo ou em parte;

 Hematopoese.

N° de ossos:

No indivíduo adulto, idade em que se considera completado o desenvolvimento


orgânico, o número de ossos é de 206. Este número, todavia, depende de fatores e
critérios:
 Fatores etários: Do nascimento à senilidade há uma diminuição do número de
ossos. Isto se deve ao fato de que, certos ossos, no recém-nascido, são formados
de partes ósseas que se soldam durante o desenvolvimento do indivíduo para
constituir um único osso único no adulto. Assim, o osso frontal é formado por
duas porções, separadas no plano mediano. O osso do quadril, no feto, é
constituído de três partes, ísquio, pube e ílio, que posteriormente se soldam
formando um osso único no adulto (ilíaco). Por outro lado, nos indivíduos muito
idosos, há tendência para a soldadura de dois ou mais ossos, levando a uma
diminuição do seu número total. Este fato ocorre principalmente entre os ossos
do crânio (sinostose), podendo transformar a abóbada craniana em um único
osso.

 Fatores individuais: Em alguns indivíduos pode haver persistência da divisão do


osso frontal no adulto e ossos extranumerários podem ocorrer, determinando
variação no número de ossos.

 Critério de contagem: Os anatomistas utilizam às vezes critérios muito pessoais


para fazer a contagem do número de ossos do esqueleto e isto explica a
divergência de resultados quando os comparamos. Assim os ossos chamados
sesamóides (inclusos em tendões e músculos) são computados ou não na
contagem global, segundo o autor. O mesmo ocorre com os ossículos do ouvido
médio, ora computados, ora não.

Divisão do esqueleto:

O esqueleto pode ser divido em três grandes porções:

 Segmento Axial;
 Segmento apendicular superior (SAS);
 Segmento apendicular inferior (SAI).

Segmento Axial: Estrutura mediana, formando o eixo do corpo é constituída por


ossos da cabeça, pescoço e tronco (tórax e abdome).
- CABEÇA (22 ossos)

 Face (14):
- Mandíbula (01); - Nasal (02); - Lacrimal (02)
- Maxila (02); - Malar (02); - Vômer (02);
- Concha nasal inferior (02); - Platino (02).

 Crânio (08):
- Frontal (01); - Temporal (02); - Parietal (02);
- Occipital (01); - Esfenóide (01); - Etmóide (01);

 Ossículos da audição (06):


- Martelo; - Bigorna; - Estribo;

- HIÓIDE (01 osso)

- VÉRTEBRAS (coluna vertebral 26 ossos ou 33 vértebras)

 Cervicais (07);
 Torácicas (12);
 Lombares (05);
 Sacrais (05);
 Coccígeas (04).
- ESTERNO (01 osso)

- COSTELAS (24 ossos)

Segmento Apendicular Superior: Formado pela cintura escapular (ou torácica


constituída pela escápula e clavícula, ossos dos braços e antebraços e mãos).

- CLAVÍCULA (02 ossos)

- ESCÁPULA (02 ossos)


- BRAÇO E ANTEBRAÇO (06 ossos)

 Úmero (02);
 Rádio (02);
 Ulna (02).

- MÃO (27 ossos) e FALANGES (28 ossos)

 Carpos (16):
- Escafóide (02); - Semilunar (02); - Piramidal (02);
- Pisiforme (02); - Trapézio (02); - Trapezóide (02);
- Capitato (02); - Hamato (02) (uncinado).

 Metacarpos (10):
- I (02); - II (02); - III (02);
- IV (02); - V (02) Metacárpicos.

 Falanges:
- Proximal (10);
- Média (08);
- Distal (10).

Segmento Apendicular Inferior: Formado pela cintura pélvica, constituída pelos


ossos do quadril, coxas, pernas e pés.

- QUADRIL (02 ossos)

 Ilíaco (02)

- COXAS (02 ossos)

 Fêmur (02)
- PATELA (02 ossos)

- PERNA (04 ossos)

 Tíbia (02);
 Fíbula (02).

- PÉS (24) e FALANGES (28)

 Tarso (14):
- Calcâneo (02); - Tálus (02); - Navicular (02);
- Cubóide (02); - Cuneiformes (06) (lateral, intermédio e
medial).

 Metatarso (10):
- I (02); - II (02); - III (02);
- IV (02); - V (02).

 Falanges (28):
- Proximal (10);
- Média (08);
- Distal (10).

Classificação dos ossos:

Há várias maneiras de classificar os ossos. Eles podem, por exemplo, ser


classificados pela sua posição topográfica (axiais, apendiculares). Entretanto, a
classificação mais difundida é aquela que leva em consideração a forma dos ossos,
classificando-os segundo a predominância de uma das dimensões (comprimento, largura
ou espessura) sobre as outras duas.
a) Ossos longos: Apresenta comprimento consideravelmente maior que a
largura ou espessura, possuindo cavidade no interior – medula óssea. Esses
ossos também são chamados de tubulares.

Ex: Fêmur, úmero, rádio, ulna, tíbia, fíbula, falanges.

b) Ossos curtos: Apresentam equivalência das três dimensões.

Ex: Ossos do carpo e tarso.

c) Ossos Planos: Também chamado de laminar, apresenta comprimento e


largura equivalentes, predominando sobre a espessura.

Ex: Frontal, occipital, parietal, escápula e ilíaco.

d) Ossos Irregulares: Apresenta uma morfologia complexa que não encontra


correspondência em formas geométricas conhecidas.

Ex: Vértebras, esfenóide, temporal, maxilar.

e) Ossos Pneumáticos: Apresenta uma ou mais cavidades em seu interior, de


volume variável. Essas cavidades recebem o nome de sinus ou seio.

Ex: Frontal, temporal, maxilar, etmóide e esfenóide.

f) Ossos Alongados: Ex: Costelas.

g) Ossos Sesamóides: Desenvolvem-se na substância de certos tendões ou da


cápsula fibrosa que envolve certas articulações.

Ex: Patela.

Obs.: Periósteo – Membrana conjuntiva com 2 folhetos( interno e externo).


Acidentes ósseos:

 Linha: Uma margem óssea suave;

 Crista: Linha óssea proeminente, aguçada;

 Tubérculo: Um nódulo ou pequeno processo arredondado;

 Trocanter: Um processo globoso grande;

 Fóvea: Uma cova – geralmente usada como fixação mais do que para

articulação;

 Fossa: Uma depressão – frequentemente usada como superfície articular;

 Forame: Um buraco;

 Sulco: Uma goteira;

 Faceta: Uma superfície articular quase achatada, lisa;

 Côndilo: Proeminência arredondada que se articula;

 Epicôndilo: Pequena projeção localizada acima ou no côndilo;

 Meato: Canal;

 Fissura: Passagem estreita como uma fenda;

 Cabeça: geralmente a extremidade maior de um osso longo –

frequentemente separada do corpo do osso por um colo estreitado;

 Processo: Uma proeminência ou projeção;

 Ramo: Uma parte projetada ou um processo alongado;

 Espinha: Uma projeção afilada;

 Tuberosidade: Um processo amplo – maior que um tubérculo.


Condições de Importância Clínica:

 Fraturas: Mesmo que a composição dos ossos seja tal que eles estejam bem
aparelhados para resistir a forças de torção e de compressão, é possível que se
quebrem, essa quebra é chamada de fratura.

 Tipos de fraturas: As fraturas são nomeadas de acordo com as várias condições


do local da quebra. São os seguintes os tipos mais comuns de fraturas:

 Fratura Simples: As extremidades quebradas do osso não se


exteriorizam através da pele;

 Fratura Composta: Também chamada de fratura exposta, as


extremidades quebradas do osso atravessam a pele;

 Fratura cominutiva: No lugar de ser quebrado num plano


único, o osso é partido em muitos fragmentos que
permanecem no local da quebra;

 Fratura com afundamento: A região quebrada é comprimida


para dentro, como frequentemente ocorre com fraturas dos
ossos planos da calota craniana;

 Fratura Impactada: As extremidades quebradas do osso


cavalgam uma sobre a outra. Tais fraturas ocorrem em quedas
nas quais as pessoas caem sobre as extremidades dos ossos.

 Consolidação das fraturas: As fraturas estão sujeitas a três mudanças


progressivas durante o processo de consolidação, são estas:

 Formação de um pró-calo: Quando um osso é quebrado,


ocorre hemorragia a partir dos vasos sanguíneos do sistema
haversiano e do periósteo. Isto produz um inchaço e se forma
um coágulo chamado pró-calo.
 Formação de um calo fibrocartilaginoso : Os fibroblastos
invadem o pró-calo e forma fibras. Em alguns dias o pró-calo
é substituído por um calo fibrocartilaginoso, que se
desenvolve entre as extremidades do osso e eventualmente
forma uma ponte que aglutina os fragmentos. A parte do calo
que se estende além da superfície usual do osso é chamada de
calo externo. A parte do calo entre as extremidades quebradas
do osso, que oclui a cavidade medular, é chamada calo
interno.

 Formação do calo ósseo: Inicialmente a porção mais exterior


do calo externo consiste de cartilagem formada pelos
condroblastos e condrócitos que invadem a área.
Gradualmente, entretanto, os osteoblastos derivados da
camada interna do periósteo e o endósteo formam um calo
ósseo que mantém as extremidades do osso firmemente
unidas. No inicio, o calo ósseo é de osso esponjoso, mas ele é
lentamente remodelado para formar osso compacto. A
formação do osso compacto está parcialmente sob a influência
da pressão quando o osso reparado é novamente usado para
movimentos do corpo e sustentação.