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Aula 00 –

Introdução à Álgebra

ENEM

Livro Digital
Professor Marçal
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Aula 00: ENEM

Sumário
Introdução ................................................................................................................................ 3
Metodologia do curso ......................................................................................................................... 4
Cronograma .......................................................................................................................................... 5
1. Conceitos iniciais ................................................................................................................. 6
1.1. Diferença entre Expressões, Igualdades, Equações, Inequações e Funções ......................... 6
2. Expressões.......................................................................................................................... 10
2.1. Expressões aritméticas .............................................................................................................. 10
2.2. Expressões algébricas ................................................................................................................ 12
3. Equações ............................................................................................................................ 17
3.1. Equações de primeiro grau ....................................................................................................... 17
3.2. Equações do segundo grau ....................................................................................................... 20
4. Inequações ......................................................................................................................... 26
4.1. Inequação do primeiro grau ..................................................................................................... 27
4.2. Inequação simultânea ............................................................................................................... 30
5. Noções intuitivas sobre Funções .................................................................................... 32
6. Conjuntos ........................................................................................................................... 35
6.1. Aplicação dos diagramas de Venn-Euler ................................................................................. 36
6.2. Conjuntos numéricos ................................................................................................................. 40
7. Questões de vestibulares anteriores ............................................................................. 49
8. Gabarito das questões de vestibulares anteriores...................................................... 62
9. Questões de vestibulares anteriores resolvidas e comentadas ................................ 62
10. Considerações finais......................................................................................................111

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INTRODUÇÃO

Olá, pessoal!
Com satisfação começamos aqui nosso curso preparatório para o vestibular do ENEM.
Meu nome é Marçal, graduado em Matemática pela UFSJ, Universidade Federal de São João
del Rei, professor em cursos pré-vestibulares desde 1999. Como tutor, orientei dezenas de
estudantes ao longo do espinhoso caminho até a aprovação em exames vestibulares de alto
desempenho como Fuvest, Unicamp, ITA, AFA, entre outros. Ao longo da vida, com satisfação, elegi
a Matemática como ferramenta pessoal para construção do conhecimento.
Minha missão aqui é dar a você todos os recursos e condições de aprovação em um dos
vestibulares mais procurados do país.
Como costumo dizer aos meus alunos, aproveite ao máximo o conteúdo e tenha em mente
que nada se conquista sem esforço. Se por um lado estamos oferecendo a você um material de alta
qualidade, por outro você terá que se preparar para muitas e muitas horas de trabalho duro. Não
negligencie o seu desenvolvimento.
Ah, e se aparecer aquela dúvida enquanto estuda? É só entrar em contato, teremos prazer
em ajudar. Pergunte pelo fórum de dúvidas no site do Estratégia ou, se preferir, as alternativas:

/professormarcal /professor.marcal /professormarcal

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METODOLOGIA DO CURSO
Nossas aulas abrangerão todo o conteúdo cobrado nas provas, de forma ampla, com centenas
de exercícios resolvidos detalhadamente para que você possa construir seu conhecimento a cada
passo, em cada detalhe.
E a Matemática é cheia deles, os detalhes, não é mesmo?
Nosso curso é composto por PDFs, com teoria e exercícios, e videoaulas.
A parte teórica é completa, porém objetiva, trazendo as informações necessárias à parte
subsequente, os exercícios direcionados. O conjunto de aulas traz os assuntos cobrados nos últimos
anos, além de outros, fundamentais para entender os tópicos oficiais de seu edital.
Nós passaremos, durante o curso, por todo o conteúdo programático do seu vestibular,
portanto, não será necessário que você procure materiais de diversas fontes como complemento,
economizando, além de dinheiro, um tempo precioso a ser utilizado efetivamente na sua
preparação.
Utilizaremos questões do vestibular do ENEM, na maior quantidade possível, questões
inéditas e questões de outras bancas, quando pertinentes ao momento de seu aprendizado.
Em geral, as provas de vestibular estão em constante mudança. No entanto, quando falamos
em matemática, a maior parte do conteúdo programático é universal. Assim, mesmo questões de
outras bancas, ou ainda questões mais antigas, cumprem muito bem o papel de suporte na sua
preparação. Não as negligencie.
Ao final do curso, com literalmente centenas de exercícios em sua experiência, você terá
todas as condições para fazer uma excelente prova e alcançar sua almejada aprovação.
Vamos começar?

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CRONOGRAMA

Aula Tópico Data

Aula 00 Introdução à Álgebra 20/12/2019

Aula 01 Prof. Ismael – Aula 0 -

Aula 02 Prof. Ismael – Aula 1 -

Aula 03 Prof. Ismael – Aula 2 -

Aula 04 Prof. Ismael – Aula 3 -

Aula 05 Prof. Ismael – Aula 4 -

Aula 06 Prof. Ismael – Aula 5 -

Aula 07 Trigonometria 05/01/2019

Aula 08 Progressões 22/01/2019

Aula 09 Matrizes 08/02/2019

Aula 10 Sistemas Lineares 25/02/2019

Aula 11 Prof. Ismael – Aula 6 -

Aula 12 Prof. Ismael – Aula 7 -

Aula 13 Complexos 13/03/2020

Aula 14 Polinômios 29/03/2020

Aula 15 Geometria Plana 15/04/2020

Aula 16 Geometria Plana Parte 2 02/05/2020

Aula 17 Geometria Espacial 19/05/2020

Aula 18 Geometria Analítica 05/06/2020

Aula 19 Matemática Financeira e Estatística 22/06/2020

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1. CONCEITOS INICIAIS
Provavelmente você já deve ter estudado algo sobre a disciplina que começamos agora, mas
você sabe definir o que é a Matemática?
Para início de conversa, Matemática é uma ciência e seu foco de estudo é a relação entre
objetos abstratos, sobretudo pelo método dedutivo.
A Matemática tem muitas ramificações e estudaremos um pouco delas neste curso, com
ênfase dada à resolução de exercícios para o vestibular do ENEM.
Mas professor, já li muitos materiais sobre matemática e sempre tenho dificuldades. Como
me aconselha a estudar?
Essa é simples: teoria + exercícios. Não tem remédio, a prática é necessária para aprender
algo da Matemática.
O Professor Elon Lages Lima, em seu livro Curso de Análise, Vol. 1 diz: “Matemática não se
aprende passivamente”.
De início, vamos esclarecer alguns conceitos que serão importantíssimos para o bom
transcorrer de nosso curso.
Muito do que veremos agora você já viu nos anos finais do ensino fundamental ou no ensino
médio, mas a citação deles é vital para seguirmos de forma segura.
Vamos a eles.

1.1. DIFERENÇA ENTRE EXPRESSÕES, IGUALDADES, EQUAÇÕES, INEQUAÇÕES E FUNÇÕES


Mesmo bons alunos tendem a aproximar o significado de todas estas palavras: expressões,
igualdades, equações, inequações e funções.
Talvez seja por causa de seu núcleo comum, alicerçado fortemente na aritmética e na álgebra,
quando resolvíamos centenas de exercícios com o mesmo enunciado, “Simplifique as expressões”.
Daí a considerar as igualdades, equações, inequações e até mesmo as funções como
expressões foi um passo. Tudo o que se via com sinais matemáticos era colocado na mesma
categoria.
Oras, professor, mas não são sinônimos?
De forma alguma!
Nessa aula, veremos a diferença entre elas e aprofundaremos nosso conhecimento.
Comecemos pelas expressões. Elas podem ser tanto aritméticas (ou numéricas) quanto
algébricas. As aritméticas apresentam apenas números em sua composição, enquanto as algébricas,
variáveis.

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Expressões

Aritméticas Algébricas

4.{25 – [ 50 –14÷(8-6).7]} 𝑥 2 − 2𝑥 + 1

Simplificando a expressão aritmética


4{25 − [50 − 14 ÷ (8 − 6). 7]}
verá que seu resultado é 96.
Vamos detalhar os métodos para essa transformação ainda nessa aula, mas não agora. Aqui
eu preciso que você foque apenas na diferenciação entre as maneiras de escrita que usaremos em
todo o curso. Aliás, você as usará em toda a sua carreira acadêmica em exatas!
Retomemos.
Escrever
4{25 − [50 − 14 ÷ (8 − 6). 7]}
é exatamente o mesmo que escrever 96, são equivalentes.
Para usar uma expressão popular antiga, você trocou seis por meia dúzia.
Com expressões algébricas não é diferente, veja o nosso exemplo:
𝑥 2 − 2𝑥 + 1
O que você faz com isso?
Bom, você pode escrever de outra maneira, simplificar, fatorar, expandir...
Se você se lembra dos produtos notáveis, perceberá rapidamente que
𝑥 2 − 2𝑥 + 1 = (𝑥 − 1)2
Ou seja, escrever
𝑥 2 − 2𝑥 + 1
é exatamente o mesmo que escrever
(𝑥 − 1)2
porém, na forma fatorada.
É extremamente importante que você perceba que não podemos fazer um gráfico dessa
expressão, não podemos falar sobre o comportamento da função nem falar sobre quanto vale a
incógnita x. Tudo o que podemos fazer é escrevê-la de outro modo.
Lembre-se, expressões trazem um valor, numérico ou algébrico.
Agora uma mudança importante, o símbolo de igualdade, também conhecido como sinal de
igual (=). Com ele as coisas mudam de significado.

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Ao usar o sinal de igual entre expressões aritméticas, temos literalmente uma igualdade, que
pode admitir valores lógicos ou de Verdadeiro (V) ou de Falso (F) (mas não ambos). Acompanhe.
4 . 3 = 12 → (𝑉)
4 . 3 = 29 → (𝐹)
Já ao adicionarmos o sinal de igual na Expressão Algébrica
𝑥 2 − 2𝑥 + 1 = 9
o que era uma expressão, passa a ser uma pergunta, uma equação.
A equação
𝑥 2 − 2𝑥 + 1 = 9
é exatamente o mesmo que a pergunta: qual o número de cujo quadrado foi subtraído seu
dobro e, a essa diferença somado um, resultou em nove?
Perceba que a pergunta na forma escrita é um pouco indigesta. A notação matemática, apesar
dos pesares, vem para facilitar a comunicação e o entendimento.
Outro ponto a ser notado é que, enquanto a equação aritmética admite valores ou de
Verdadeiro (V) ou de Falso (F), não podemos dizer o mesmo sobre equações algébricas. Não se pode
olhar para uma equação do tipo
𝑥 2 − 2𝑥 + 1 = 9
e dizer se é verdadeira ou falsa. A esse tipo de informação matemática chamamos sentença
aberta; uma sentença que não admite valores de verdadeiro ou falso.
Muito bem. O exemplo acima trouxe uma Equação do segundo grau. Com equações do
primeiro grau, o pensamento é o idêntico. A equação
2𝑥 + 3 = 11
é equivalente a perguntar: qual é o número cujo dobro somado a três resulta em onze?
Perceba que, em ambos os casos, espera-se uma resposta, que pode conter de nenhum a
vários números, mas sempre uma resposta.

Ao fazer um exercício sobre expressões você também oferece uma resposta, mas é preciso
que você entenda: não foi a própria expressão que trouxe a pergunta e sim o enunciado do exercício
na forma de comando ou questão propriamente dita. “Simplifique as expressões” ou “Qual é o valor
da expressão?” são comandos muito comuns nas provas.
Falaremos sobre as técnicas de resolução para essas equações mais adiante, o importante
aqui é que fique absolutamente claro para você até aqui a diferença entre Expressão e Equação.
Vamos adiante?
Agora é a vez das Inequações:

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Como as Equações, as Inequações também fazem pergunta. No caso


2𝑥 + 3 > 11
a pergunta seria algo do tipo: quais são os números possíveis cujos dobros somados a 3 são
maiores que onze?
Enquanto na igualdade tínhamos, para
2𝑥 + 3 = 11
apenas um valor como resposta, o número 4, na inequação
2𝑥 + 3 > 11
temos infinitos valores.
São respostas igualmente válidas para essa inequação os números {8, 12, √50, 10𝜋 … }.
Na verdade, qualquer número superior a 4 satisfaz a condição da inequação em voga. A esse
conjunto de valores, damos o nome de intervalo. Dessa forma, uma resposta mais apropriada seria,
naturalmente,
𝑥>4
Detalharemos o método de resolução das inequações mais à frente nessa aula, não se
preocupe com isso agora.
O próximo passo é muito importante, pois vamos diferenciar Equação de Função.
Enquanto Equação e Inequação fazem uma pergunta acerca do(s) valor(es) da incógnita, que
chamamos até aqui de “x” (pode, literalmente, ser qualquer símbolo) a Função traz informação, ela
não pergunta coisa alguma!
São vários os modos de se representar uma função, vejamos os principais:
𝑦 = 2𝑥 + 3
𝑦(𝑥) = 2𝑥 + 3
𝑓(𝑥) = 2𝑥 + 3
Todas essas notações representam a mesma função, uma variável “em função” da outra, uma
variável dependente da outra.
Vamos a um exemplo prático. Você trabalha em uma loja de aparelhos de som e seu salário
é composto por um salário fixo de R$ 1 000,00 somado à comissão de R$ 500,00 a cada aparelho
vendido no mês.
Salário fixo R$ 1 000,00
Comissão a cada aparelho de som vendido R$ 500,00
Uma maneira para representar seu salário no mês é por meio da função, seu salário S em
função do número n de vendas:
𝑆(𝑛) = 1 000 + 500. 𝑛
Assim, caso você venda 3 aparelhos de som em um mês, seu salário será:

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𝑆(3) = 1 000 + 500.3


𝑆(3) = 2 500
Perceba que esse não é seu salário sempre, é só para quando você fizer exatamente 3 vendas.
Não é possível saber quanto você ganhará no próximo mês, ou no próximo natal.
Função não faz perguntas, lembra? Ela só informa algo a você.

Expressão Equação Inequação Função


2x+3 2x+3=11 2x+3>11 y=2x+3

Não faz pergunta Faz pergunta Faz pergunta Não faz pergunta

Traz relação entre duas


Traz um valor Respostas pontuais Intervalo de resposta
ou mais variáveis

x=4 x>4

2. EXPRESSÕES
2.1. EXPRESSÕES ARITMÉTICAS
Como já deve estar claro para você, expressões podem ser manipuladas, fatoradas,
simplificadas, expandidas.
Estudemos com mais cuidado essas possiblidades.
Expressões algébricas marcam por demandarem conhecimentos básicos das quatro
operações. Para resolver à expressão exposta como exemplo, precisamos ter em mente alguns
conceitos do ensino fundamental.
Os elementos parênteses, colchetes e chaves devem ser resolvidos nessa ordem,
obrigatoriamente.
As operações também têm ordem certa para serem resolvidas. Multiplicações e divisões têm
precedência sobre somas e subtrações.
Ordem de resolução

Elementos () [] {}
Operações x÷ +-

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Professor, não sei se entendi bem. Entendi que primeiro se resolve o que estiver entre
parênteses, depois entre colchetes e, finalmente, entre chaves. Mas como fica a prioridade entre
uma multiplicação e uma divisão, quem tem precedência? E entre soma e subtração?
Excelente pergunta.
Pois bem, se não houver operador algum para ditar a ordem, deve-se resolver a operação que
aparecer primeiro na ordem de escrita, ou seja, da esquerda para a direita. Isso vale tanto para
multiplicações e divisões quanto para somas e subtrações.

Para prioridades, consideraremos as potências e raízes semelhantes à multiplicação!

Como fica, então, a resolução da expressão algébrica anterior? Fácil, veja:


4{25 − [50 − 14 ÷ (8 − 6). 7]}
Primeiro os parênteses, claro.
4{25 − [50 − 14 ÷ (8 − 6). 7]}
4{25 − [50 − 14 ÷ 2.7]}
Agora, os colchetes. Mas vá com calma! Perceba que há tanto uma divisão quanto uma
multiplicação a fazer. Qual deles faremos primeiro? Isso, a divisão, pois ela aparece à esquerda, na
ordem de escrita.
4{25 − [50 − 14 ÷ 2.7]}
4{25 − [50 − 7.7]}
Os colchetes ainda não foram resolvidos, então continuamos nele.
4{25 − [50 − 49]}
4{25 − 1}
Finalmente, as chaves.
4{25 − 1}
4.24
96
Atualmente, a escrita mais comum para a expressão que acabamos de resolver é
14 14
4{25 − [50 − 14 ÷ (8 − 6). 7]} = 4 {25 − [50 − 7]} = 4 (25 − (50 − 7))
(8 − 6) (8 − 6)
Essa escrita acaba por eliminar boa parte das dúvidas sobre precedência por ser uma escrita
mais intuitiva. No entanto, atenção é sempre necessária.

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2.2. EXPRESSÕES ALGÉBRICAS


As expressões algébricas têm uma característica marcante: a presença de incógnitas; letras
simbolizando números desconhecidos, incógnitos, daí o nome.
Atenção, todas as expressões algébricas apresentam incógnitas, porém nem tudo o que
apresenta incógnitas é expressão algébrica.
Existem vários tipos de expressões algébricas. Temos as de primeiro grau, de segundo grau,
racionais, trigonométricas, para citar somente algumas.
As expressões algébricas estão sujeitas à modificação na escrita, fatoração, simplificação,
expansão. O que não conseguimos é encontrar o valor da incógnita, pois, para isso, necessitaríamos
de uma equação.
Veja um exemplo de questão que deixa explícito a transformação de uma expressão:

1. (ESPN/2018)
O valor numérico da expressão
𝑥3 − 𝑦3
𝑥 3 + 𝑥 2 𝑦 + 𝑥𝑦 2
Para 𝑥 = 0,8 e 𝑦 = 0,3 é igual a:
a) 0,325
b) 0,125
c) 0,415
d) 0,625
e) 0,275
Comentários
Muito bem. Perceba que o exercício informa uma expressão algébrica e os valores a serem
substituídos em 𝑥 e 𝑦. Não temos aqui que interpretar um problema, achar raízes de equações ou
descrever funções. Basta-nos transformar a expressão de algébrica para aritmética, ou seja,
reescrever a expressão, para chegar à resposta do exercício. Acompanhe.
𝑥3 − 𝑦3
𝑥 3 + 𝑥 2 𝑦 + 𝑥𝑦 2
Como precisamos dos valores 𝑥 = 0,8 e 𝑦 = 0,3, façamos a substituição direta:
0,8 3 − 0,33
0,83 + 0,82 . 0,3 + 0,8. 0,32

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0,512 − 0,027
0,512 + 0,64.0,3 + 0,8.0,09
0,485
0,512 + 0,192 + 0,072
0,485
= 0,625
0,776
Nesse tipo de questão, onde precisamos substituir os valores diretamente, precisamos estar
cientes de que se trata de uma expressão cujo valor será calculado e, além disso, ter alguma
habilidade com as operações fundamentais: soma, subtração, multiplicação e divisão.
Gabarito: d)
A questão pediu exatamente para transformar uma expressão por meio de outra. Um caso
de substituição.
Poderíamos, alternativamente, ter os casos de fatoração ou de expansão, que veremos no
próximo tópico.

2.2.1 Expressões algébricas de segundo grau

São expressões do tipo


𝑎𝑥 2 − 𝑏𝑥 + 𝑐
Onde a, b e c representam coeficientes numéricos e x, a incógnita.
Atenção, nem toda letra é incógnita. Nesse exemplo, estamos considerando apenas o x como
incógnita, ok? Os coeficientes variarão de exercício para exercício e x está representando a incógnita
do problema. Alternativamente você pode usar qualquer letra para coeficientes e para incógnitas.
No entanto, é comum usarmos as letras iniciais do alfabeto para coeficientes e as finais para
incógnitas, todas em minúsculo.
Um exemplo é a expressão já utilizada anteriormente
𝑥 2 − 2𝑥 + 1
E o que podemos fazer com essa expressão? Bem, uma opção é fatorá-la. Às vezes isso facilita
bastante nossa vida nas resoluções.

2.2.2. Fatoração e desenvolvimento

Fatorar significa transformar em fatores, “partes” de uma multiplicação cujo resultado é o


produto. Ao se multiplicar 4 por 3, obtém-se 12. O 4 e o 3 são os fatores e o 12, o produto.
4 . 3 = 12

Fator 1 Fator 2 Produto

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Do mesmo modo que podemos fatorar um número, que sozinho é uma expressão aritmética,
podemos também fatorar uma expressão algébrica. As técnicas para a fatoração são distintas, mas
ambas são fatorações.
Para isso, ambas as expressões devem, obviamente, ser equivalentes, uma seja escrita na
forma expandida e a outra, na forma fatorada.
Os produtos notáveis são excelentes exemplos disso, pois são produtos, resultado de
multiplicações.

Algumas fatorações nos serão muito úteis durante as aulas:


𝑎2 + 2𝑎𝑏 + 𝑏2 = (𝑎 + 𝑏)2
𝑎2 − 2𝑎𝑏 + 𝑏2 = (𝑎 − 𝑏)2
𝑎2 − 𝑏2 = (𝑎 + 𝑏)(𝑎 − 𝑏)
𝑎3 + 3𝑎2 𝑏 + 3𝑎𝑏2 + 𝑏3 = (𝑎 + 𝑏)3
𝑎3 − 3𝑎2 𝑏 + 3𝑎𝑏2 − 𝑏3 = (𝑎 − 𝑏)3
𝑎𝑥 2 + 𝑏𝑥 + 𝑐 = 𝑎(𝑥 − 𝑥 ′ )(𝑥 − 𝑥 ′′ )
𝑛 𝑛 𝑛
𝑎𝑛 + ( ) 𝑎𝑛−1 𝑏1 + ( ) 𝑎𝑛−2 𝑏2 + ⋯ + ( ) 𝑎𝑛−𝑘 𝑏𝑘 + ⋯ + 𝑏𝑛 = (𝑎 + 𝑏)𝑛
1 2 𝑘
𝑛 𝑛 𝑛
𝑎𝑛 − ( ) 𝑎𝑛−1 𝑏1 + ( ) 𝑎𝑛−2 𝑏2 − ⋯ ( ) 𝑎𝑛−𝑘 𝑏𝑘 + ⋯ 𝑏𝑛 = (𝑎 − 𝑏)𝑛
1 2 𝑘
𝑛
Onde ( ) representa, os valores da enésima linha (Ln) e késima coluna (Ck) do Triângulo de
𝑘
Pascal, a saber:
C0
L0 1 C1
L1 1 1 C2
L2 1 2 1 C3
L3 1 3 3 1 C4
L4 1 4 6 4 1 C5
L5 1 5 10 10 5 1 C6
L6 1 6 15 20 15 6 1
. . . . . . . .
. . . . . . . .
. . . . . . . .

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4
Assim, o número binomial ( ) = 6, pois está na quarta linha e segunda coluna do Triângulo
2
de Pascal.
C0
L0 1 C1
L1 1 1 C2
L2 1 2 1 C3
L3 1 3 3 1 C4
L4 1 4 6 4 1 C5
L5 1 5 10 10 5 1 C6
L6 1 6 15 20 15 6 1
. . . . . . . .
. . . . . . . .
. . . . . . . .

Importante ressaltar que a fatoração transforma uma expressão expandida em uma fatorada,
enquanto os produtos notáveis se dão no sentido oposto: estão expandindo, desenvolvendo, uma
expressão algébrica. Em que pese, as fórmulas são exatamente as mesmas.

Fatoração

𝑎2 + 2𝑎𝑏 + 𝑏2 = (𝒂 + 𝒃)𝟐

Desenvolvimento

Agora já podemos fatorar nossa expressão de exemplo:


𝑥 2 − 2𝑥 + 1
Verificamos se tratar do caso de diferença de dois quadrados e explicitamos os coeficientes
a, b e c constantes de nossa fórmula:
𝑎2 − 2𝑎𝑏 + 𝑏2
𝑥 2 − 2. 𝑥. 1 + 12
E usamos nossa fórmula no sentido da fatoração:
𝑥 2 − 2. 𝑥. 1 + 12 = (𝑥 − 1)2

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2. (IFSC/2018)
Considere 𝑥 o resultado da operação 5252 − 5232 .
Assinale a alternativa CORRETA, que representa a soma dos algarismos de 𝑥.
a) 18
b) 13
c) 02
d) 17
e) 04
Comentários
Aqui temos dois caminhos interessantes a seguir. Um mais trabalhoso (fazer a conta
diretamente) e outro mais tranquilo (utilizar fatoração).
Resolvamos de ambas as formas para que você tenha amplitude de conhecimento e,
consequentemente, possa definir sua preferência na hora da prova.
Primeiro, façamos pelo método direto: fazer os cálculos diretamente.
5252 − 5232
275 625 − 273 529
2096
Mas professor, foram só três linhas para chegar ao resultado! Tem maneira mais fácil que
essa?
Pois é, tem sim. Na verdade, aqui não está a operação de multiplicação propriamente dita,
que foi necessária para calcular os quadrados. Essa é justamente a parte mais trabalhosa.
No intuito de evitarmos esse trabalho, podemos utilizar nossos conhecimentos sobre
fatoração.
Perceba que a questão traz, diretamente, a diferença entre dois quadrados.
Oras, diferença entre dois quadrados é um dos produtos notáveis, lembra?
𝑎2 − 𝑏2 = (𝒂 + 𝒃)(𝒂 − 𝒃)
Reescrevendo com os dados do exercício, temos:
𝒂2 − 𝒃2 = (𝒂 + 𝒃)(𝒂 − 𝒃)
𝟓𝟐𝟓2 − 𝟓𝟐𝟑2 = (𝟓𝟐𝟓 + 𝟓𝟐𝟑)(𝟓𝟐𝟓 − 𝟓𝟐𝟑)
5252 − 5232 = 1048.2
5252 − 5232 = 2096

Aula 00 – Introdução à Álgebra 16


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Mesmo que tenhamos escrito um pouquinho mais, usando o produto notável conseguimos
reduzir consideravelmente a complexidade dos cálculos, diminuindo bastante o tempo na resolução
da questão.
Mas professor, não há resposta com esse valor!
Calma, não acabamos ainda. É extremamente importante estarmos cientes do que estamos
calculando. Veja que o enunciado pede a SOMA dos algarismos e não o resultado diretamente.
Sendo assim, a soma solicitada é dada por:
2096 → 𝑆𝑜𝑚𝑎 = 2 + 0 + 9 + 6 = 17
Portanto, alternativa d) para essa questão.
Ressalto que não há um jeito “mais certo” que outro. O melhor jeito mesmo é o que você
consegue enxergar na hora da prova e executar corretamente.
O que acontece é que, com experiência em resolução de exercícios e conhecimento teórico
adequado, você acabará por ter suas preferências de resolução, otimizando seus resultados.
Gabarito: d)

3. EQUAÇÕES
As equações, de forma geral, carregam uma pergunta: quais são os valores para uma certa
incógnita que satisfazem uma condição pré-determinada?
Como visto na introdução, consideraremos aqui equação como igualdade envolvendo
expressão algébrica.
A princípio, estudaremos as equações de primeiro grau, de segundo grau e modulares.
Existem muitos outros tipos de equações, como as equações logarítmicas, exponenciais e
trigonométricas, e estas serão estudados dentro de seus tópicos específicos.

Na verdade, é improvável que você faça uma prova de vestibular sem o auxílio de expressões,
equações ou funções. Esse conteúdo inicial é vital para seu entendimento de todos os outros tópicos
que veremos no curso, portanto, dedique-se a ele com carinho.

3.1. EQUAÇÕES DE PRIMEIRO GRAU


Uma equação do primeiro grau é algo do tipo:
𝑎𝑥 + 𝑏 = 0

Aula 00 – Introdução à Álgebra 17


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Onde a incógnita é representada pela letra 𝑥 e os coeficientes 𝑎 e 𝑏 variam de equação pra


equação. Podemos representar as incógnitas e os coeficientes por quaisquer letras, como já vimos,
mas daremos preferência ao modelo padrão apresentado.
Para resolver uma equação de primeiro grau, tenhamos em mente uma balança de pratos,
ou uma gangorra, se preferir, onde cada lado representa um membro da equação.
2𝑥 − 6 8

O equilíbrio da estrutura, representado pela horizontalidade da barra, é representado pelo


sinal de igual. Assim,
2𝑥 − 6 = 8
é a representação matemática do equilíbrio.
Muito bem, o que aconteceria a esse equilíbrio se adicionássemos, digamos, 6 unidades ao
lado esquerdo?

2𝑥 − 6 + 6 8

É evidente que essa adição desequilibraria a estrutura. O lado adicionado seria maior que o
lado não adicionado.
Então, o que podemos fazer para restaurar o equilíbrio sem ter que retirar o que somamos?
Isso mesmo, adicionamos quantidade igual ao outro lado também!
2𝑥 − 6 + 6 8+6

Se a equação
2𝑥 − 6 = 8
representava o equilíbrio original, podemos pensar nas operações que fizemos como:
2𝑥 − 6 + 6 = 8 + 6
Não é costume escrevermos dessa forma nas resoluções, normalmente suprimimos a
expressão
−6 + 6
e deixamos apenas

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2𝑥 = 8 + 6
Isso dá a nítida impressão que o 6 “pulou” para o segundo membro da equação, o que não é
verdade. Quando fazemos essa operação, de mudar alguém de lado, estamos, na verdade,
realizando a mesma operação em ambos os lados da equação.
Dessa forma, acompanhemos o processo até o final para descobrirmos o valor da incógnita x.
2𝑥 − 6 = 8
2𝑥 = 8 + 6
2𝑥 = 14
Dividindo ambos os lados por 2:
2𝑥 14
=
2 2
𝑥=7
Assim, dizemos que a solução, ou conjunto solução, da equação
2𝑥 − 6 = 8
É
𝑆 = {7}
Toda operação aqui é feita em pares. Aplicou em um membro da equação, aplica no outro.
Não há exceções. Podemos usar uma gama imensa de operações: adição, subtração, multiplicação,
divisão, potenciação, radiciação, logaritmos, integrais, derivadas, para citar somente algumas.
Uma vez chegando no resultado, podemos testar sua validade, substituindo-o no lugar da
variável na equação que lhe deu origem, veja
2𝑥 − 6 = 8
𝑆 = {7}
2.7 − 6 = 8
14 − 6 = 8
8 = 8 → (𝑉)
Chegamos a uma igualdade válida, isso quer dizer que nossa solução está correta e que 7 é
realmente solução de 2𝑥 − 6 = 8.

A ideia é extremamente simples, mas não a menospreze. Saiba que, ao resolvermos


exercícios, não escrevemos todos os passos como acima. No entanto, é vital que você entenda o
processo de resolução de equações, pois nós o utilizaremos durante todo o curso e você, durante
toda a sua carreira em exatas.

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3.2. EQUAÇÕES DO SEGUNDO GRAU


Equações do segundo grau têm a seguinte forma:
𝑎𝑥 2 + 𝑏𝑥 + 𝑐 = 0
Há várias maneiras de encontrarmos as soluções desse tipo de equação, mas antes
precisamos notar alguns detalhes.
As equações do segundo grau podem ser incompletas ou completas.
O que as diferencia é a presença ou não de todos os termos:
Termo de segundo grau 𝒂𝒙𝟐
Termo de primeiro grau 𝒃𝒙
Termo independente 𝒄
Para que a equação seja de segundo grau, não pode faltar o termo quadrático, ou não
teríamos uma equação do segundo grau.
Entretanto, é plenamente possível termos equações do segundo grau sem os termos do
primeiro grau ou independente.

Completa 𝑎𝑥 2 + 𝑏𝑥 + 𝑐 = 0
Equação do
segundo grau Falta termo do 1º grau 𝑎𝑥 2 + 𝑐 = 0

Incompleta
Falta termo 𝑎𝑥 2 + 𝑏𝑥 = 0
independente

Para equações do segundo grau, podemos aplicar o mesmo método de resolução que
aplicamos para as equações do primeiro grau. No entanto, para que possamos aplicar a técnica
diretamente, equação do segundo grau deve estar incompleta.
Veja como é simples.

3.2.1. Equações do segundo grau da forma ax2 + c = 0

A equação do segundo grau


3𝑥 2 + 4 = 79
está incompleta, pois o coeficiente do termo de primeiro grau é zero, 𝑏 = 0.

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Para resolvê-la, basta aplicar os princípios que aprendemos para as equações de primeiro
grau:
3𝑥 2 + 4 = 79
3𝑥 2 + 4 − 4 = 79 − 4
3𝑥 2 = 75
3𝑥 2 75
=
3 3
2
𝑥 = 25
√𝑥 2 = √25
|𝑥| = 5
𝑥 = ±5
Professor, por que esse módulo apareceu ali?
Daremos mais ênfase nos módulos em capítulo específico. Por enquanto, basta saber que
√𝑥 2 não é 𝑥 e sim |𝑥|. Voltaremos nesse assinto com mais profundidade no decorrer do curso, ok?

√25 = 5
Não é ±5, não é +5 e −5, não é +5 ou −5.
É 5.
Ou +5 se quiser.
A raiz de um número é única e, para o caso de números positivos, a raiz é somente positiva.
É muito comum a confusão, pois, ao economizar alguns passos nas resoluções, acabamos por
escrever
𝑥 2 = 25
𝑥 = ±√25
𝑥 = ±5
E o pior: essa notação está correta!
Então, professor, por que raios a raiz de 25 não é ±5?
Calma. A notação está correta, mas são coisas diferentes. A a resposta apresentada não é
para a pergunta “Qual a raiz de 25?” e sim para “Qual número, elevado ao quadrado, resulta em
25?”.
Percebeu a diferença?
A equação

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𝑥 2 = 25
como aprendemos no início da aula, é uma pergunta e
𝑥 = ±5
É a resposta para a pergunta dessa equação, “Qual número, elevado ao quadrado, resulta em
25?”, e não para “Qual a raiz de 25?”.
Somente avance quando essa informação estiver bem clara para você.
Agora é um bom momento para notarmos que as equações de primeiro grau apresentam
apenas uma resposta, enquanto as de segundo grau podem ter até duas respostas reais distintas.

3.2.2. Equações do segundo grau da forma ax2 + bx = 0

Vejamos o caso das equações incompletas, mas com a ausência do termo independente, feito
em
2𝑥 2 − 10𝑥 = 0
Aqui também se aplica o método das equações de primeiro grau, mas há um passo
precedente importante: fatorar a expressão do primeiro membro colocando o x em evidência.
2𝑥 2 − 10𝑥 = 0
𝑥 (2𝑥 − 10) = 0
Precisamos desse passo para fazer a seguinte análise: como há uma multiplicação de dois
fatores e o produto é zero, um dos fatores, obrigatoriamente, deve ser zero.
Assim podemos dividir nossos cálculos em duas partes
𝑥=0 (2𝑥 − 10) = 0
𝑥=0 2𝑥 = 10
𝑥=0 𝑥=5
Temos, então:
2𝑥 2 − 10𝑥 = 0
𝑆 = {0; 5}
Ou seja, se colocarmos tanto o zero quanto o cinco na equação de origem, chegaremos a uma
igualdade verdadeira. Vamos testar?
Teste para 𝑥 = 0 Teste para 𝑥 = 5
2. 02 − 10.0 = 0 2. 52 − 10.5 = 0
0+0=0 2.25 − 50 = 0
0 = 0 → (𝑉) 50 − 50 = 0
0 = 0 → (𝑉)
Como ambas as igualdades são verdadeiras, ambas as respostas satisfazem à equação
proposta e são válidas.

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3.2.3. Equações do segundo grau completas (ax2 + bx + c = 0)

Você pode estar pensando: por que será que não podemos aplicar diretamente o método das
equações de primeiro grau nas de segundo?
A resposta é simples: podemos, mas não devemos se queremos ganhar tempo.
Ao aplicar o método em questão nas equações de segundo grau
𝑎𝑥 2 + 𝑏𝑥 + 𝑐 = 0
concluímos que suas duas respostas possíveis 𝑥 ′ e 𝑥 ′′ , são dadas por


−𝑏 + √𝑏2 − 4𝑎𝑐
𝑥 =
−𝑏 ± √𝑏2 − 4𝑎𝑐 2𝑎
𝑥= =
2𝑎 −𝑏 − √𝑏2 − 4𝑎𝑐
′′
{𝑥 =
2𝑎
conhecida como fórmula de Bhaskara, apesar de não ter sido este seu criador.
Alguns livros didáticos trazem uma notação alternativa
∆= 𝑏2 − 4𝑎𝑐
−𝑏 + √∆
−𝑏 ± √∆ 𝑥′ =
𝑥= = 2𝑎
2𝑎 −𝑏 − √∆
𝑥 ′′ =
{ 2𝑎
As duas são idênticas em termos de significado, a segunda versão apenas isola o termo
argumento da raiz quadrada e o nomeia discriminante, representado pela letra grega delta. Anote-
a, pois usaremos essa separação para algumas análises futuras importantes.
Assim, a fórmula de Bhaskara é o resultado da aplicação prévia do método que utilizamos nas
equações de primeiro grau.
Outra opção para resolvermos equações do segundo grau se dá pelas Relações de Girard. No
entanto, veremos esse conteúdo e detalhes quando estudarmos polinômios.
Já sobre a fórmula de Bhaskara, a conversa é outra.
Vamos aplicá-la em uma resolução e verificar sua efetividade?
Dada a equação
𝑥 2 − 5𝑥 + 6 = 0
Perceba que já não conseguimos fatorá-la como um trinômio quadrado perfeito, como
fizemos anteriormente. Sendo assim, a fórmula de Bhaskara ajuda bastante.
∆= (−5)2 − 4.1.6 = 25 − 24 = 1

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5+1
−(−5) ± √1 5 ± 1 𝑥′ = → 𝑥′ = 3
𝑥= = ={ 2
2.1 2 5−1
𝑥 ′′ = → 𝑥 ′′ = 2
2
Nossa solução, então, é
𝑆 = {3; 2}

Você deve ter notado que, na fórmula de Bhaskara, há uma raiz quadrada.
Bem, para que raízes quadradas existam nos números reais, ela precisa ser não negativa, ou
seja, pode ser nula ou positiva.
E o que acontece se o discriminante (∆), que é o argumento da raiz quadrada, for negativo?
Pode isso?
Pode, mas, nesse caso, não existirão raízes reais para a equação. Mais à frente no curso você
verá que existirão raízes complexas, que vêm aos pares, mas isso é conversa para aula específica.
Por enquanto, dizemos apenas que não existem raízes reais que satisfaçam às condições da
equação, ou somente que não há raízes reais para a equação.
Vejamos na prática?

3. (Fuvest/2008)
A soma dos valores de 𝑚 para os quais 𝑥 = 1 é raiz da equação
𝑥 2 + (1 + 5𝑚 − 3𝑚2 )𝑥 + (𝑚2 + 1) = 0
é igual a
𝑎) 5⁄2

𝑏) 3⁄2
𝑐) 0
𝑑) − 3⁄2

𝑒) − 5⁄2
Comentários
Os pontos importantíssimos que não podemos deixar passar antes de iniciar a resolução:
1) Temos uma equação do segundo grau na incógnita 𝑥 com coeficientes:
𝑎=1

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𝑏 = (1 + 5𝑚 − 3𝑚2 )
𝑐 = (𝑚 2 + 1)
2) O exercício já forneceu o valor para a incógnita 𝑥, não precisamos calculá-la!
3) O exercício colocou uma condição e, por meio dessa condição, calcularemos o valor de 𝑚.
Dessa forma, mesmo 𝑚 não sendo a incógnita da equação quadrática em 𝑥, ao substituirmos
o valor 𝑥 = 1 na equação, teremos uma nova equação cuja incógnita passará a ser 𝑚.
Sei que parece um pouco confuso no início, mas é importante que façamos essas observações
desde o início do nosso curso para que você fique cada vez mais ciente do que se passa nas
resoluções, caso contrário você se limitaria a memorizar processos e, na matemática, o
entendimento holístico do processo é primordial.
Para ficar mais claro, sigamos passo a passo as orientações do enunciado.
Comando: 𝑥 = 1 é raiz da equação
Desenvolvimento do comando:
𝑥 2 + (1 + 5𝑚 − 3𝑚2 )𝑥 + (𝑚2 + 1) = 0
12 + (1 + 5𝑚 − 3𝑚2 ). 1 + (𝑚2 + 1) = 0
1 + 1 + 5𝑚 − 3𝑚2 + 𝑚2 + 1 = 0
Agrupando os termos semelhantes:
−2𝑚2 + 5𝑚 + 3 = 0
Perceba que, aqui, temos uma nova equação cuja incógnita é justamente 𝑚 e cujos
coeficientes não são iguais aos da equação original, fique de olho!
𝑎 = −2
𝑏=5
𝑐=3
Voltemos ao enunciado.
Comando: A soma dos valores de 𝑚.
Desenvolvimento do comando:
Aqui temos duas possibilidades: Podemos calcular os valores de 𝑚 e soma-los ou podemos
usar as relações de Girard. Essas relações serão demonstradas mais à frente nessa mesma aula,
então não se preocupe muito com isso agora. Em uma segunda leitura da aula você já terá condições
plenas de utilizá-las na resolução, ok?
Calculando os possíveis valores de 𝑚 com a fórmula de Bhaskara
∆= (5)2 − 4. (−2). 3 = 25 + 24 = 49

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−5 + 7 2 1
−5 ± √49 −5 ± 7 𝑥′ =
= → 𝑥 ′
= −
𝑥= = ={ −4 −4 2
2. (−2) −4 −5 − 7 −12
𝑥 ′′ = = → 𝑥 ′′ = 3
−4 −4
Lembrando que estamos calculando a soma dos valores de 𝑚, então:
1
𝑆 =− +3
2
Para soma de Frações, MMC. Não se lembra disso? Sem problema, revisaremos esse
conteúdo mais à frente também. Por ora, concentremo-nos no problema.
1
𝑆 =− +3
2
−1 + 6
𝑆=
2
5
𝑆=
2
O que nos leva à alternativa a) como nosso gabarito.
Professor, e como seria a resolução usando as relações de Girard?
Simples, olhando para a equação
−2𝑚2 + 5𝑚 + 3 = 0
E definindo os coeficientes
𝑎 = −2
𝑏=5
𝑐=3
Uma das relações de Girard nos diz que a soma das raízes é dada por
−𝑏 −5 5
= 𝑆= =
𝑎 −2 2
Por enquanto, essa resolução usando as relações de Girard está figurando apenas como
curiosidade. Lá na aula sobre polinômios, veremos essas relações em detalhes, não fique assustado,
combinado?
Gabarito: a)

4. INEQUAÇÕES
Inequações, também chamadas de desigualdades, são informações acerca de duas
expressões que não são, necessariamente, iguais; podem trazer as relações de maior que, maior ou
igual a, menor que, menor ou igual a.
Vejamos a simbologia matemática usada para expressar essas informações:

Aula 00 – Introdução à Álgebra 26


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𝑎 > 𝑏 ⇒ 𝑎 é 𝑚𝑎𝑖𝑜𝑟 𝑞𝑢𝑒 𝑏


𝑎 ≥ 𝑏 ⇒ 𝑎 é 𝑚𝑎𝑖𝑜𝑟 𝑜𝑢 𝑖𝑔𝑢𝑎𝑙 𝑎 𝑏
𝑎 < 𝑏 ⇒ 𝑎 é 𝑚𝑒𝑛𝑜𝑟 𝑞𝑢𝑒 𝑏
𝑎 ≤ 𝑏 ⇒ 𝑎 é 𝑚𝑒𝑛𝑜𝑟 𝑜𝑢 𝑖𝑔𝑢𝑎𝑙 𝑎 𝑏
Perceba que inequação não é a mesma coisa que diferença!
A afirmação 𝑎 é diferente de 𝑏 é simbolizada matematicamente por:
𝑎≠𝑏
E, além disso, utilizamos a palavra diferença, também com sentido de subtração. Assim, a
diferença entre 𝑎 e 𝑏 é notada como
𝑎−𝑏
É muito comum necessitarmos das desigualdades envolvendo expressões e é exatamente
esse nosso próximo tópico de estudos.

4.1. INEQUAÇÃO DO PRIMEIRO GRAU


Quando temos desigualdades que podem ser reduzidas a
𝑓(𝑥) > 0
𝑓(𝑥) < 0
𝑓(𝑥) ≥ 0
𝑓(𝑥) ≤ 0
onde 𝑓(𝑥) é, necessariamente, uma função do primeiro grau, temos uma inequação do
primeiro grau.
Para resolvê-las, basta seguir a premissa de realizar as operações em ambos os membros.
Vamos resolver
6𝑥 + 5 > 8
6𝑥 > 8 − 5
6𝑥 > 3
6𝑥 3
>
6 6
1
𝑥>
2
Sem novidades. Vejamos mais um exemplo:
−5𝑥 > 12 + 𝑥
−5𝑥 − 𝑥 > 12
−6𝑥 > 12

Aula 00 – Introdução à Álgebra 27


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−6𝑥 > 12
−6𝑥 12
<
−6 −6
𝑥 < −2
Professor, o que aconteceu ali com o sinal de > ? Por que ele virou < ?
Essa é uma peculiaridade das inequações e é muito importante.
Vejamos o motivo de isso acontecer.
Acompanhe o raciocino: quem está em situação mais favorável, ou menos desvantajosa
financeiramente; quem tem sobra de R$100,00 na conta poupança ou quem tem R$100 000,00?
Se o fator for somente o saldo, é óbvio que quem tem R$100 000,00 está em situação mais
favorável.
Invertamos as coisas agora. Quem está em situação mais favorável, ou menos desvantajosa
financeiramente; quem tem deve R$100,00 no cheque especial ou quem deve R$100 000,00?
Imagino que você tenha respondido: quem deve R$100 000,00.
Essa relação de maior e menor é graças à reta dos números reais que ordena os números da
esquerda para a direita e nos diz, diretamente, que quem está à esquerda é sempre menor do que
quem está à direita. É por isso que colocamos uma setinha na ponta da reta. Não, não se deve colocar
a setinha em ambas as pontas!
Veja.

É por isso que podemos dizer, entre tantas outras possibilidades de comparação, que
100 000 é maior que 100 100 000 está à direita de 100
0 é maior que -100 0 está à direita de -100
-100 é maior que -100 000 -100 está à direita de -100 000
Quando falamos que
−6𝑥 > 12
Estamos informando que −6𝑥 é maior que ou igual a 12, ou seja, está em cima ou à direita
de 12.
Do mesmo modo que a comparação entre 100 e 100 000 é invertida quando falamos em
ambos negativos, ao trocarmos os sinais de −6𝑥 e de 12, precisamos inverter a relação de
desigualdade.
E onde foi que invertemos isso? Você pode se perguntar.

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Foi quando dividimos ambos os lados por −6. À parte da relação numérica, quando dividimos
ou multiplicamos por um número negativo, alteramos o sinal do resultado de forma a inverter a
desigualdade.
Foi o que aconteceu.
Há uma alternativa para o caso, que é não se utilizar de multiplicações ou divisões por
negativos.

−5𝑥 > 12 + 𝑥
−5𝑥 − 𝑥 > 12
−6𝑥 + 6𝑥 − 12 > 12 + 6𝑥 − 12
−12 > 6𝑥
−12 6𝑥
>
6 6
−2 > 𝑥
Não precisamos inverter o sinal e chegamos à uma desigualdade equivalente, pois
𝑥 < −2
e
−2 > 𝑥
São equivalentes, informando que x está à esquerda ou em cima de −2 na primeira ou que
−2 está à direita ou em cima de 𝑥 na segunda.
Em todo caso, a informação é

E quanto, afinal, vale o x? Pois bem, não sei.


Só sabemos que ele está à esquerda de −2, ou seja, é menor que −2.
Graficamente, representamos os possíveis valores de x hachurando a reta dos reais na região
da possibilidade demarcada pela inequação. Valores inclusos pelo sinal de igual na inequação são
representados por uma bolinha preenchida, enquanto os valores excluídos pela ausência do sinal de
igual, por uma bolinha não preenchida.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 29


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Vejamos como esse assunto pode ser cobrado em uma prova.


4. (PUC-RJ/2017)
Assinale a menor solução inteira da inequação 4𝑥 − 10 > 2.
a) 2 b) 3 c) 4 d) 12 e) 60
Comentários
O exercício é simples, mas necessário para consolidar o conhecimento.
Apliquemos os conceitos vistos para a resolução da inequação.
4𝑥 − 10 > 2
4𝑥 > 2 + 10
4𝑥 > 12
12
𝑥>
4
𝑥>3
Muito cuidado aqui para não assinalar a alternativa a). Nossos valores para 𝑥 devem ser
maiores que 3, não podem ser iguais a 3.
Vejamos como fica a representação de nossa resposta na reta dos reais.

Perceba que qualquer número maior que 3 já está incluso, por exemplo, 3,000000000001. No
entanto, o próprio 3 não está.
Assim, o menor inteiro que satisfaz a condição solicitada pelo exercício é, naturalmente, 4.
Gabarito: c)

4.2. INEQUAÇÃO SIMULTÂNEA


Podemos, alternativamente, utilizar duas inequações simultâneas para simbolizar um
intervalo.
As inequações
𝑥>2
{
𝑥 ≤ 10
Significam, em conjunto, todos os números reais entre 2 e 10, excluindo-se o 2 e incluindo-se
o 10.
Podemos representar essa situação das seguintes formas:
Com apenas uma inequação:

Aula 00 – Introdução à Álgebra 30


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2 < 𝑥 ≤ 10
ou graficamente

Podemos, também, resolver inequações simultâneas algebricamente, acompanhe:


3𝑥 − 1 𝑥+1
≤2+𝑥 <
9 3
3𝑥 − 1 𝑥+1
9∙ ≤ 9 ∙ (2 + 𝑥 ) < 9 ∙
9 3
3𝑥 − 1 ≤ 18 + 9𝑥 < 3(𝑥 + 1)
3𝑥 − 1 − 3𝑥 ≤ 18 + 9𝑥 − 3𝑥 < 3𝑥 + 3 − 3𝑥
−1 < 18 + 6𝑥 < 3
−1 − 18 ≤ 18 + 6𝑥 − 18 < 3 − 18
−19 ≤ 6𝑥 < −15
−19 6𝑥 −15
≤ <
6 6 6
19 5
− ≤𝑥<−
6 2
Cuja representação gráfica é

Também podemos pensar na inequação


3𝑥 − 1 𝑥+1
≤2+𝑥 <
9 3
como uma comparação entre três funções; 𝑓 (𝑥), 𝑔(𝑥)𝑒 ℎ(𝑥).
Assim definidas:

Aula 00 – Introdução à Álgebra 31


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3𝑥 − 1
𝑓 (𝑥 ) =
9
𝑔 (𝑥 ) = 2 + 𝑥
𝑥+1
ℎ (𝑥 ) =
3
Dessa forma, a desigualdade se torna
3𝑥 − 1 𝑥+1
≤2+𝑥 <
9 3
𝑓 (𝑥 ) ≤ 𝑔 (𝑥 ) < ℎ (𝑥 )
E podemos interpretar essa pergunta como: quando a altura do gráfico de 𝑔(𝑥) está entre
𝑓(𝑥) e ℎ(𝑥)?
Se fizermos os gráficos das três funções no mesmo plano cartesiano, veremos claramente que
estes valores são exatamente os da nossa resposta algébrica.

Nesse caso, resolver a inequação de forma algébrica seria mais prático que desenhar os três
gráficos. No entanto, há casos em que um esboço do gráfico ajuda muito na resolução. Isso acontece
frequentemente com as inequações do segundo grau, que veremos na próxima aula.

5. NOÇÕES INTUITIVAS SOBRE FUNÇÕES


Funções significam, literalmente, que uma variável depende de outra. Como no caso do
salário, discutido no início da aula, a remuneração depende das vendas. Retomando o exemplo,
temos:
𝑆(𝑛) = 1 000 + 500. 𝑛

Aula 00 – Introdução à Álgebra 32


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Como representação algébrica em que 𝑆 representa a remuneração mensal, 𝑛 o número de


vendas, 1 000 a parte fixa do salário e 500 o coeficiente das vendas, a comissão.
Por praticidade, na maioria dos casos, simplificamos a notação, sem perda de generalidade.
Dessa forma, nomeamos:
𝑆(𝑛) = 1 000 + 500. 𝑛
𝑆 = 1 000 + 500. 𝑛

Variável dependente Variável independente


Quando estudamos funções sem o contexto, é praxe simbolizarmos a variável dependente
por 𝑦 e a independente por 𝑥.
Reescrevendo a fórmula dos rendimentos, mas em termos mais genéricos, teremos:
𝑦 = 500𝑥 + 1 000
Com essa função, podemos descobrir quais são todos os salários para todas as vendas
possíveis. Basta informar a venda que informamos o salário.
E o contrário também é verdade, ao se informar um salário, pode-se inferir diretamente qual
foi a venda correspondente.
No entanto, essa é apenas uma representação para a situação desse salário particular, está
longe de ser a única.
Vamos explorar algumas dessas representações?
Poderíamos, ao invés de escrever uma função, escrever um texto. Aliás, foi o primeiro modo
usado para expor a situação do salário na aula, não foi? Somente após o entendimento textual é que
passamos à representação por meio de uma função.
A representação textual, apresentada no início da aula, foi:
Você trabalha em uma loja de aparelhos de som e seu salário é composto por um salário fixo
de R$ 1 000,00 somado à comissão de R$ 500,00 a cada aparelho vendido no mês.
É uma representação válida e muito usada em contratos, inclusive de trabalho.
Ainda seria perfeitamente possível passar a mesma informação por meio de uma tabela, veja:

Salário Base # Vendas Comissão por venda Salário total

1 000 0 500 1 000

1 000 1 500 1 500

1 000 2 500 2 000

1 000 3 500 2 500

Aula 00 – Introdução à Álgebra 33


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1 000 4 500 3 000

1 000 5 500 3 500

1 000 6 500 4 000

1 000 7 500 4 500

E assim por diante.


Não é a melhor representação, pois apresenta uma certa dificuldade em inferir rapidamente
quais são os salários em todos os casos, mas é plenamente plausível.
Outra opção para a mesma representação é o gráfico.
Como temos duas variáveis, a dependente 𝑦 e a independente 𝑥, podemos fazer dois eixos e
representar os salários por meio de pontos no plano cartesiano.
Veja.

Nesse gráfico, usamos a configuração padrão para os eixos:

Eixo Horizontal Vertical

variável x y

nomenclatura abcissas ordenadas

Nessa representação percebemos características da função muito rapidamente, daí a grande


aplicabilidade desse tipo de representação.

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Em nosso curso, daremos ênfase em dois tipos de representação para as funções: a


representação algébrica e os gráficos.
Como exemplo usamos uma função do primeiro grau, uma variável dependente em igualdade
a uma equação do primeiro grau. Esse é um tipo, mas há inúmeras variações de função. Estudaremos
adiante alguns tipos especiais de funções, a saber: as funções de primeiro grau, de segundo grau,
modulares, compostas e inversas. Os demais tipos, pertinentes ao escopo do vestibular, veremos
durante o curso dentro dos temas específicos.

6. CONJUNTOS
Um conjunto, também chamado de coleção, é uma reunião de elementos que apresentam
determinada propriedade em comum.
Entre um elemento e um conjunto, existe a relação de pertinência, onde o elemento 𝑥 pode
ou não pertencer ao conjunto 𝐴. As notações usadas para a relação de pertinência são:
𝑥 ∈ 𝐴 ⇒ 𝑥 𝒑𝒆𝒓𝒕𝒆𝒏𝒄𝒆 𝑎𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜 𝐴
𝑥 ∉ 𝐴 ⇒ 𝑥 𝑛ã𝑜 𝑝𝑒𝑟𝑡𝑒𝑛𝑐𝑒 𝑎𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜 𝐴
Para definir um conjunto qualquer, precisamos determinar uma regra que permita julgar se
um elemento pertence ou não à coleção.
Segunda-feira é um elemento que não pertence ao conjunto dos meses do ano, enquanto o
retângulo é um elemento que pertence ao conjunto dos quadriláteros.
Podemos simbolizar os conjuntos de várias maneiras, vejamos algumas possibilidades.
Pensemos no conjunto de todos os números inteiros positivos e menores que 4, denominado
conjunto A. Seus elementos são, conforme descrição: 1, 2 e 3.
Podemos simbolizar essa mesma informação usando uma linguagem mais visual, onde uma
linha fechada delimita os elementos do conjunto:

Essa notação é chamada de Diagrama de Venn-Euler e é muito útil para trabalhar visualmente
com vários conjuntos simultaneamente, veremos isso logo adiante.

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Outra maneira interessante é fazer uso da álgebra, veja:


𝐴 = {𝑥 ∈ ℕ∗ /𝑥 < 4} ⇒ 𝐿ê − 𝑠𝑒: 𝑥 𝑝𝑒𝑟𝑡𝑒𝑛𝑐𝑒 𝑎𝑜𝑠 𝑁𝑎𝑡𝑢𝑟𝑎𝑖𝑠 𝑛ã𝑜 𝑛𝑢𝑙𝑜𝑠 𝑡𝑎𝑙 𝑞𝑢𝑒 𝑥 é 𝑚𝑒𝑛𝑜𝑟 𝑞𝑢𝑒 4.

6.1. APLICAÇÃO DOS DIAGRAMAS DE VENN-EULER


5. (Unicamp/2017)
Sabe-se que, em um grupo de 10 pessoas, o livro A foi lido por 5 pessoas e o livro B foi lido
por 4 pessoas. Podemos afirmar corretamente que, nesse grupo,
a) pelo menos uma pessoa leu os dois livros.
b) nenhuma pessoa leu os dois livros.
c) pelo menos uma pessoa não leu nenhum dos dois livros.
d) todas as pessoas leram pelo menos um dos dois livros.
Comentários
O enunciado nos traz várias informações importantes para a resolução:
O total de pessoas no grupo é de 10 pessoas
Essas pessoas estão divididas em dois grupos principais: pessoas que leram o livro A e
pessoas que leram o livro B.
O número de pessoas em cada conjunto.
A rigor, poderíamos pensar em um terceiro grupo, o de pessoas que, porventura, não leram
livro algum. No entanto, é mais prático pensarmos apenas em dois conjuntos, A e B, e colocarmos
as pessoas que não leram livro algum fora desses conjuntos.
Dessa forma, vamos representar esses dados na forma de diagrama.

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A priori, somente com as informações dadas, não conseguimos colocar com exatidão os
valores fornecidos, ficando em aberto a posição das pessoas no diagrama.
Como a questão não solicita alocar as pessoas no diagrama e sim julgar as alternativas e
assinalar a correta (única), analisaremos alternativa a alternativa, sempre procurando encontrar um
meio para prová-la falsa. A que não for possível provar falsa, será nosso gabarito. Sigamos.
a) pelo menos uma pessoa leu os dois livros.
Obedecendo ao enunciado, é possível dispormos as pessoas da seguinte forma:

Atenção: essa não é a única maneira de dispor as pessoas nos conjuntos, mas é, certamente,
uma maneira possível, visto que não infringe nenhuma regra do enunciado.
Dessa forma, teríamos total concordância com o enunciado e não teríamos pessoa alguma na
intersecção, ou seja, não podemos afirmar com certeza que há alguém na região de leitura dos dois
livros, A e B, simultaneamente.
Alternativa falsa, passemos à próxima.
b) nenhuma pessoa leu os dois livros.
Novamente, tentemos provar a alternativa como falsa.

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Todos os dados do enunciado satisfeitos e, ainda assim, há a possibilidade de alguém ter lido
os dois livros, portanto, alternativa falsa.
c) pelo menos uma pessoa não leu nenhum dos dois livros.
Analisando os dois primeiros diagramas, percebemos que, quanto mais pessoas lerem os dois
livros, também mais pessoas ficariam sem ler livro algum, veja o que acontece com os números
quando aumentamos sistematicamente o número de pessoas na intersecção:

Aula 00 – Introdução à Álgebra 38


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A sequência de diagramas evidencia o fato de que, se temos 10 pessoas no grupo e 5 leram


um tipo de livro e 4, outro, temos, necessariamente, pelo menos uma pessoa que não leu livro
algum. Alternativa correta e nosso gabarito.
Achemos, então, o erro da alternativa d).
d) todas as pessoas leram pelo menos um dos dois livros.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 39


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Essa alternativa diz exatamente o contrário da anterior, se é verdadeiro que há alguém que
não leu pelo menos um dos livros (conclusão da alternativa anterior), não podemos ter todas as
pessoas lendo pelo menos um livro.
Gabarito: c)

6.2. CONJUNTOS NUMÉRICOS


Lembra-se de que definimos o conjunto como sendo: uma reunião de elementos que
apresentam determinada propriedade em comum?
Pois é, os conjuntos numéricos se enquadram perfeitamente nessa definição, só que, dessa
vez, as propriedades são numéricas.
Uma característica do conhecimento humano é a de ser dividido em partes para melhor
entendimento e, ao estudar os números, faremos exatamente isso.
Obviamente, se você chegou até esse ponto da aula, já teve contato com números e tem uma
ideia, mesmo que intuitiva, do que eles são.
O que faremos aqui é uma análise dos tipos de números que precisaremos para seguir no
estudo da matemática e essa divisão é feita exatamente em cima dessas propriedades que definem
os elementos dos conjuntos.

6.2.1. Números Naturais ℕ

Pensando historicamente, é muito mais provável que as primeiras contagens tenham sido
feitas usando números inteiros e positivos. Sem esse conceito, é improvável que ideias como a de
frações ou a de números negativos pudessem ser formuladas de forma prática.
Desse modo, é didaticamente interessante começarmos nossos estudos sobre conjuntos
numéricos com esse tipo de conjunto, os números inteiros e positivos.
Para escrever na forma de conjuntos, os inteiros positivos são números do tipo
{1, 2, 3, 4, 5, 6, … }.
Não poderíamos escrever todos os números nessa condição, exatamente por isso a definição
dos elementos de um conjunto é importante e as reticências ao final são o sinal de que o conjunto
se estende com elementos dessa condição indefinidamente.
Você deve ter percebido que não incluímos, nesse conjunto, o zero. Oras, a ideia era colocar
os números inteiros positivos. O zero é um número inteiro, mas não é positivo (nem negativo na
verdade), por isso não foi incluído.
Aliás, demorou um tempo até que a humanidade formalizasse como número o zero. Ele só
apareceu séculos após a ideia de contagem.
Com o advento do zero, podemos inserir um conjunto novo, com uma nova característica: Os
números inteiros e não negativos, o que incluiria o zero no conjunto anterior, resultando
{0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, … }.
Chamamos a esse conjunto de Números naturais, simbolizado pela letra ℕ.

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Assim, definimos nosso primeiro conjunto na matemática, o conjunto dos números naturais:
ℕ = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, … }
Uma observação interessante. Para nós, o início do estudo dos números é justamente o
conjunto dos naturais e, caso queiramos nos referir somente aos números positivos, ditos
estritamente positivos, basta-nos colocar um asterisco para simbolizar essa exclusão:
ℕ∗ = {1, 2, 3, 4, 5, 6, … }

6.2.2. Números Inteiros ℤ

Após a consolidação dos números naturais, veio o advento do oposto de um número, ou seja,
os números negativos.
Dessa forma, o oposto de 5 é −5, o oposto de 10 é −10 e assim por diante.
Professor, e o oposto de zero?
Excelente pergunta, o oposto de zero é ele mesmo, por isso não é comum escrevermos −0,
apesar de não ser um erro.
Se quisermos expressar um conjunto que contenha todos os números naturais e seus opostos,
teremos o conjunto dos inteiros, representado por ℤ:
ℤ = {… − 3, −2, −1, 0, 1, 2, 3 … }
Perceba que o conjunto ℤ tem reticências em ambas as extremidades, significando que ele
segue indefinidamente tanto para o lado negativo quanto para o lado positivo. Isso decorre
diretamente do fato de que cada número natural, exceto o zero, tem um oposto diferente dele
mesmo. Se há infinitos números naturais positivos, é de se esperar que haja, também, infinitos
números negativos.

6.2.3. Números Racionais ℚ

Após a utilização dos números inteiros se tornar rotineira, começaram a aparecer problemas
que esses números não podiam resolver, por exemplo:
Se uma família de 4 membros possui 6 galinhas, quantas galinhas correspondem a cada
membro da família?
Perceba que a ideia de fração ainda não existe e aí surge uma necessidade numérica
diferente.
Eis o nascimento dos números “quebrados”!
Números fracionários simbolizam exatamente uma divisão que não é necessariamente exata
e sua simbologia moderna é:
𝑎
𝑜𝑢 𝑎⁄𝑏 𝑜𝑢 𝑎 ÷ 𝑏
𝑏

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Essa fração, também chamada de quociente ou razão, conta com um número natural no
numerador (a parte de cima da fração, 𝑎) e outro número natural no denominador (a parte de baixo
da fração, 𝑏).
Todos os números, sejam positivos ou negativos, que podem ser representados dessa forma
são chamados de números racionais (de razão, divisão), ainda que o denominador 𝒃 seja 1.
Simbolizamos o conjunto dos racionais por ℚ, de quociente, assim:
7 3 2
ℚ = {… − 5, −
, − , 0, , 6, … }
3 2 5
Mas professor, estou vendo alguns números inteiros ali, ó!
Calma, eles também podem ser escritos na forma de fração, por isso estão ali. Um número
racional, quando o seu denominador é 1, também é inteiro, veja:
10
= 10
1
Aliás, podemos também incluir a notação decimal, não é necessário que tenhamos apenas a
expressão do número na forma fracionária.
13
̅̅̅̅
= 0, 13
99
3
= 0,75
4
2
= 0,4
5
7
− = −2, 3̅
3
Assim, os números racionais incluem, também, todos os inteiros e, por consequência, todos
os naturais.
Note que, aqui, alguns números têm um número de casas decimais limitado, enquanto outros
apresentam dízimas periódicas. Quando a dízima é periódica, ela resulta de uma fração, guarde isso!

6.2.4. Números Irracionais 𝕀

Avançando mais um pouco no tempo, surgiram alguns problemas que mesmo os números
fracionários não resolviam, como a razão entre o raio de uma circunferência e seu comprimento, a
diagonal de um quadrado e seu lado, entre tantos outros.
Surgiram números especiais cujos valores não se deixavam exprimir por meio de frações. Com
certeza você já deve ter visto alguns deles: √2, 𝜋, Φ, e, entre tantos outros. Essa classificação de
números passou a ser conhecida como os números irracionais, visto que não são expressos por
razões (quocientes).
Professor, mas quanto valem esses números na forma decimal?

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Tecnicamente seria impossível escrever seus valores de forma completa, visto que eles
apresentam um número de casas decimais infinitos e não sequenciais, exatamente por isso não
conseguimos expressá-los na forma de fração.
No entanto, podemos apresentar uma aproximação de seus valores:
√2 = 1,4142135623 …
𝜋 = 3,14159265359 …
Φ = 1,61803398875 …
e = 2,81828182846 …
Perceba que esse novo conjunto, o dos números irracionais, não engloba o anterior. Quando
um número pertence aos racionais, não pode pertencer aos irracionais e vice versa.
O conjunto dos irracionais é simbolizado por 𝕀:
𝕀 = {… − √2, Φ, e, 𝜋, √10 … }
Não se preocupe com esses números caso não os tenha visto antes, daremos ênfase a cada
um deles no decorrer do curso. Por ora, basta saber que esses números não têm seus valores
expressos por meio de frações e suas dízimas não são periódicas.
Todos os números vistos aqui têm uma característica, expressam diretamente quantidades
do mundo real, uma diagonal, um tamanho, uma circunferência, etc.
Até por esse motivo, podemos definir um conjunto que seja a soma de todos esses conjuntos
citados, o conjunto dos números reais, simbolizado por ℝ. Assim:
ℝ = {ℚ + 𝕀}

6.2.5. Números Complexos ℂ

Há, também, um conjunto que não exprime exatamente uma quantidade no mundo real, mas
que é muito útil ao resolver problemas mais complexos nas ciências. Trata-se dos números
imaginários, cujo conjunto numérico que os contém é chamado conjunto dos complexos e é
simbolizado pela letra ℂ.
A base dos números imaginários é a raiz quadrada da unidade negativa, o que é impossível
de ser calculada dentro dos números reais.
Essa base imaginária é dada por 𝑖 = √−1.
Um número complexo é formado de duas partes, uma real e uma imaginária e é comum
vermos representações desses números como (2; 5) 𝑜𝑢 (2 + 5𝑖).
Teremos aulas específicas sobre esse conjunto, então deixarei os detalhes para esse
momento, ok?
Para ficar mais claro, veja como se relacionam esses conjuntos em um diagrama de Venn-
Euler que estudamos anteriormente.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 43


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Utilizaremos muitas vezes esses conceitos, portanto, não siga sem os compreender,
combinado?

6.2.6. Múltiplos de um número

Lembra-se das tabuadas?


Aqui elas serão muito, muito úteis.
Imagine que eu queira contar, mas apenas de dois em dois, iniciando do próprio dois, como
seria essa contagem?
Exatamente, {2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22 … }
Podemos notar que são todos os números pares. Mesmo que não escrevamos todos os
elementos desse conjunto, você possivelmente afirmará que 1001 não pertence a ele.
Pois bem, esses números são exatamente os múltiplos de dois.
Para encontrar os múltiplos de um número, basta iniciarmos a contagem por ele e seguirmos
contando com passos exatamente do tamanho do número inicial.

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Se quisermos construir os múltiplos de 3, iniciamos com o 3 e seguimos de 3 em 3:


{3, 6, 9, 12, 15, 18 … }.
Percebeu que são exatamente os números da tabuada? Mas não se limitam a ela, visto que
estudamos poucos múltiplos nas tabuadas. Essa relação de multiplicidade é, como nos conjuntos
numéricos vistos anteriormente, infinita.
A essa altura, você já não deve ter dificuldade em construir os múltiplos de um número
qualquer, não é?
Apenas como exercício, quais seriam os múltiplos de 5, 17, 102 e de um número
desconhecido 𝑛?
Simples, esses múltiplos são:
𝑀ú𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑜𝑠 𝑑𝑒 5 = {5, 10, 15, 20, 25 … }
𝑀ú𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑜𝑠 𝑑𝑒 17 = {17, 34, 51, 68, … }
𝑀ú𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑜𝑠 𝑑𝑒 102 = {102, 204, 306, 408 … }
𝑀ú𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑜𝑠 𝑑𝑒 𝑛 = {𝑛, 2𝑛, 3𝑛, 4𝑛, 5𝑛, 6𝑛 … }
Esse conceito, apesar de simples, nos é a base para o próximo passo.

6.2.7. Números Primos

Primo significa primeiro, o primeiro de vários elementos.


Assim, voltemos à contagem que fizemos anteriormente quando estávamos a estabelecer os
múltiplos de um número. Porém, agora, faremos em sequência, a partir do 2, e com uma regra
adicional: nenhum número pode ser reescrito; se já apareceu em alguma listagem, não pode
aparecer novamente.
Comecemos.
2 ⇒ {2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22 … }
3 ⇒ {3, 9, 15, 21 … }
Aqui os números 6, 12, 18 não apareceram na listagem do 3, pois já haviam sido escritos na
listagem do 2, ok?
Continue comigo.
O 4 não pode iniciar uma listagem, pois já consta na listagem do 2.
O 5 pode, então sigamos.
5 ⇒ {5, 25, 35, 55 … }
Novamente, os números 10, 15, 20, 30, 40, 45, 50 não configuraram na listagem do 5, pois já
haviam sido listados em listagens anteriores.
O 6 não pode iniciar listagem.
7 ⇒ {7, 49 … }

Aula 00 – Introdução à Álgebra 45


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8, 9 𝑒 10 não podem iniciar listagem...


11 ⇒ {11, 121 … }
Pois bem, vamos escrever todas as listagens que fizemos até agora.
2 ⇒ {2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22 … }
3 ⇒ {3, 9, 15, 21 … }
5 ⇒ {5, 25, 35, 55 … }
7 ⇒ {7, 49 … }
11 ⇒ {11, 121 … }
Os números passíveis de iniciarem esse tipo de lista vão ficando mais escassos enquanto
preenchemos novas e novas listas e, ainda hoje, não sabemos todos os números com essa
característica.
Aos números colocados como primeiros nas listas, até aqui 2, 3, 5, 7 𝑒 11, damos os números
de primos, pois são os primeiros a serem listados.
Aos demais, os que não puderam iniciar lista alguma, chamamos de números compostos.
Mas professor, 1 não é primo?
Excelente pergunta, caro pupilo!
Pensemos...
Caso o 1 seja considerado primo, perceba que sua lista seria:
1 ⇒ {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 … }
Dessa forma, não poderíamos iniciar outras listas, o que acabaria com a nossa brincadeira e
não teríamos quaisquer outros primos exceto o 1. Exatamente por esse motivo, o 1 não é
considerado primo.
E o zero, professor?
Pois é, a lista do zero seria ainda mais pitoresca que a do 1, veja:
0 ⇒ {0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 0 … }
Assim, o zero também não é um número primo, pois não gera números múltiplos de zero, ou
ainda, compostos.

6.2.8. Mínimo Múltiplo Comum - MMC

Como já conhecemos os múltiplos de um número, podemos ampliar essa análise para quando
temos dois ou mais números.
Quais seriam os múltiplos dos números, digamos, 6, 8 e 12?
Simples, sigamos como fizemos anteriormente:
𝑀ú𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑜𝑠 𝑑𝑒 6 = {6, 12, 18, 24, 30, 36, 42, 48, 54, 60, 66, 72, 78, … }
𝑀ú𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑜𝑠 𝑑𝑒 8 = {8, 16, 24, 32, 40, 48, 56, 64, 72, 80, 88, 96 … }

Aula 00 – Introdução à Álgebra 46


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𝑀ú𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑜𝑠 𝑑𝑒 12 = {12, 24, 36, 48, 60, 72, 84 … }


Perceba que há, nesses múltiplos, alguns números que são comuns a 6, 8 e 12:
𝑀ú𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑜𝑠 𝑑𝑒 6 = {6, 12, 18, 𝟐𝟒, 30, 36, 42, 𝟒𝟖, 54, 60, 66, 𝟕𝟐, 78, … }
𝑀ú𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑜𝑠 𝑑𝑒 8 = {8, 16, 𝟐𝟒, 32, 40, 𝟒𝟖, 56, 64, 𝟕𝟐, 80, 88, 96 … }
𝑀ú𝑙𝑡𝑖𝑝𝑙𝑜𝑠 𝑑𝑒 12 = {12, 𝟐𝟒, 36, 𝟒𝟖, 60, 𝟕𝟐, 84 … }
Existem muitos números que são múltiplos comuns a estes três números, 6, 8 e 12, e todos
eles são múltiplos de 24.
Dessa forma, é muito comum que, ao precisarmos de múltiplos comuns a um conjunto de
números, opte-se pelo menor múltiplo comum, por praticidade.
Assim, dentre os múltiplos comuns a 6, 8 e 12, percebemos que o mínimo deles é 24 e
simbolizamos essa informação da seguinte forma:
𝑀𝑀𝐶 (6, 8, 12) = 24
Há maneiras mais práticas para calcularmos o MMC entre dois ou mais números, por
exemplo, a fatoração simultânea, você deve se lembrar dela da época da escola.
Escrevemos os números que queremos saber qual é o MMC e utilizamos os números primos,
do menor para o maior, para irmos “fatorando” os números.
Acompanhe.

6 8 12 2

3 4 6 2

3 2 3 2

3 1 3 3

1 1 1 2³. 3 = 24

𝑀𝑀𝐶 (6, 8, 12) = 23 . 3 = 8.3 = 24


Nesse exemplo, utilizamos 3 números, mas podemos calcular o 𝑀𝑀𝐶 entre quantos números
precisarmos.
Utilizamos muito o 𝑀𝑀𝐶 para somar frações, e frações aparecerão bastante em nosso curso.

6.2.9. Divisores de um número

Para os divisores de um número, pensamos em quantas partes podemos dividi-lo sem que
obtenhamos um resultado não inteiro. Vejamos alguns exemplos.
𝐷𝑖𝑣𝑖𝑠𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 6 ⇒ {1, 2, 3, 6}

Aula 00 – Introdução à Álgebra 47


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𝐷𝑖𝑣𝑖𝑠𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 10 ⇒ {1, 2, 5, 10}


𝐷𝑖𝑣𝑖𝑠𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 11 ⇒ {1, 11}
𝐷𝑖𝑣𝑖𝑠𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 200 ⇒ {1, 2, 4, 5, 8, 10, 20, 25, 40, 50, 100, 200}

O conjunto dos divisores de um número não é infinito, como o conjunto dos múltiplos.
Números primos só têm dois números em seu conjunto de divisores, eles mesmos e o número
1.

6.2.10. Máximo Divisor Comum - MDC

Para calcular o Máximo Divisor Comum – MDC entre dois ou mais números, podemos pensar,
inicialmente, no método da listagem, abordado anteriormente.
Vamos calcular, digamos, o MDC entre 20 e 30, ou seja, 𝑀𝐷𝐶(20,30).
𝐷𝑖𝑣𝑖𝑠𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 20 ⇒ {1, 2, 4, 5, 10, 20}
𝐷𝑖𝑣𝑖𝑠𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 30 ⇒ {1, 2, 3, 5, 6,10, 15, 30}
Quais seriam os divisores comuns entre 20 e 30?
Simples, basta olhar nas listagens de seus divisores.
𝐷𝑖𝑣𝑖𝑠𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 20 ⇒ {1, 2, 4, 5, 10, 20}
𝐷𝑖𝑣𝑖𝑠𝑜𝑟𝑒𝑠 𝑑𝑒 30 ⇒ {1, 2, 3, 5, 6,10, 15, 30}
Assim, podemos dizer que o maior divisor comum a 20 e 30, é 10, ou 𝑀𝐷𝐶 (20,30) = 10.
Alternativamente, podemos trabalhar com a fatoração para encontrar o 𝑀𝐷𝐶 entre números.
Veja.

20 2 30 2

10 2 15 3

5 5 5 5

1 2².5 1 2.3.5

Para encontrar o 𝑀𝐷𝐶 (20,30), basta multiplicarmos os primos que se repetem em todas as
fatorações, com seus menores expoentes:
𝑀𝐷𝐶 (20,30) = 2.5 = 10
O 𝑀𝐷𝐶 é uma ferramenta muito útil em certos tipos de problemas de divisão e voltaremos a
esse assunto em breve.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 48


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7. QUESTÕES DE VESTIBULARES ANTERIORES


1. (ENEM/2019)
Uma empresa tem diversos funcionários. Um deles é o gerente, que recebe 𝑅$ 1.000,00
por semana. Os outros funcionários são diaristas. Cada um trabalha 2 dias por semana,
recebendo 𝑅$ 80,00 por dia trabalhado.
Chamando de 𝑋 a quantidade total de funcionários da empresa, a quantia 𝑌, em reais,
que esta empresa gasta semanalmente para pagar seus funcionários é expressa por
a) 𝑌 = 80𝑋 + 920.
b) 𝑌 = 80𝑋 + 1.000.
c) 𝑌 = 80𝑋 + 1.080.
d) 𝑌 = 160𝑋 + 840.
e) 𝑌 = 160𝑋 + 1.000.
2. (ENEM/2019)
A gripe é uma infecção respiratória aguda de curta duração causada pelo vírus influenza.
Ao entrar no nosso organismo pelo nariz, esse vírus multiplica-se, disseminando-se para a
garganta e demais partes das vias respiratórias, incluindo os pulmões.
O vírus influenza é uma partícula esférica que tem um diâmetro interno de
0,00011 𝑚𝑚.
Disponível em: www.gripenet.pt. Acesso em: 2 nov. 2013 (adaptado).
Em notação científica, o diâmetro interno do vírus influenza, em mm, é
a) 1,1 × 10−1
b) 1,1 × 10−2
c) 1,1 × 10−3
d) 1,1 × 10−4
e) 1,1 × 10−5
3. (ENEM/2018)
Uma empresa de comunicação tem a tarefa de elaborar um material publicitário de um
estaleiro para divulgar um novo navio, equipado com um guindaste de 15 𝑚 de altura e uma
esteira de 90 𝑚 de comprimento. No desenho desse navio, a representação do guindaste deve
ter sua altura entre 0,5 𝑐𝑚 e 1 𝑐𝑚, enquanto a esteira deve apresentar comprimento superior
a 4 𝑐𝑚. Todo o desenho deverá ser feito em uma escala 1: 𝑋
Os valores possíveis para 𝑿 são, apenas.
a) X > 1.500.
b) X < 3.000.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 49


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c) 1.500 < X < 2.250.


d) 1.500 < X < 3.000.
e) 2.250 < X < 3.000.
4. (ENEM/2017)
Em uma cantina, o sucesso de venda no verão são sucos preparados à base de polpa de
2
frutas. Um dos sucos mais vendidos é o de morango com acerola, que é preparado com de
3
1
polpa de morango e de polpa de acerola.
3
Para o comerciante, as polpas são vendidas em embalagens de igual volume.
Atualmente, a embalagem da polpa de morango custa 𝑅$18,00 e a de acerola, 𝑅$ 14,70.
Porém, está prevista uma alta no preço da embalagem da polpa de acerola no próximo mês,
passando a custar 𝑅$ 15,30. Para não aumentar o preço do suco, o comerciante negociou com
o fornecedor uma redução no preço da embalagem da polpa de morango.
A redução, em real. no preço da embalagem da polpa de morango deverá ser de
a) R$1,20.
b) R$0,90.
c) R$0,60.
d) R$0,40.
e) R$0,30.
5. (Unicamp/2019)
A representação decimal de certo número inteiro positivo tem dois algarismos. Se o
triplo da soma desses algarismos é igual ao próprio número, então o produto dos algarismos é
igual a
a) 10. b) 12. c) 14. d) 16.
6. (Fepar/2019)
O Papiro de Ahmés (ou Papiro Rhind) é uma das mais antigas obras matemáticas de que
se tem registro. Consiste em 84 problemas matemáticos resolvidos pelos métodos adotados
no Egito Antigo, época em que foi escrito. Acredita-se que esse papiro foi usado como material
didático na época. São 5,36 metros de comprimento por 0,32 de largura, dispostos em 14
folhas, escrito em cor preta, com partes importantes destacadas em vermelho.
Os problemas buscavam resolver situações do cotidiano da época, como preço do pão,
armazenamento do trigo, alimentação do gado, além de problemas mais abstratos e
algébricos, que podem ser comparados atualmente à resolução de equações. O que hoje
tratamos como a incógnita "x", na época, era nomeado por um termo sinônimo da palavra
montão".
Por exemplo, o problema 26 do Papiro de Ahmés diz o seguinte: um montão e sua quarta
parte, todos juntos são 15. Diga-me quanto é esse montão?

Aula 00 – Introdução à Álgebra 50


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Considere o texto e avalie as sentenças que se seguem.

( ) Equação é toda sentença matemática aberta que expressa uma igualdade.


( ) O problema descrito pode ser expresso por uma equação do segundo grau.
( ) A equação que descreve o problema do papiro é
𝑥
𝑥 + = 15
4
( ) Uma equação equivalente a situação é
𝑥 + 4𝑥 60
=
4 4
( ) Um "montão" é 12.
7. (Fuvest/2018)
Dentre os candidatos que fizeram provas de matemática, português e inglês num
concurso, 20 obtiveram nota mínima para aprovação nas três disciplinas. Além disso, sabe-se
que:
I. 14 não obtiveram nota mínima em matemática;
II. 16 não obtiveram nota mínima em português;
III. 12 não obtiveram nota mínima em inglês;
IV. 5 não obtiveram nota mínima em matemática e em português;
V. 3 não obtiveram nota mínima em matemática e em inglês;
VI. 7 não obtiveram nota mínima em português e em inglês;
VII. 2 não obtiveram nota mínima em português, matemática e inglês.
A quantidade de candidatos que participaram do concurso foi
a) 44.
b) 46
c) 47

Aula 00 – Introdução à Álgebra 51


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d) 48
e) 49
8. (Unicamp/2018)
Considere três números inteiros cuja soma é um número ímpar. Entre esses três
números, a quantidade de números ímpares é igual a
a) 0 ou 1.
b) 1 ou 2.
c) 2 ou 3.
d) 1 ou 3.
9. (Mackenzie/2018)
Em uma pesquisa com 120 pessoas, verificou-se que
65 assistem ao noticiário A
45 assistem ao noticiário B
42 assistem ao noticiário C
20 assistem ao noticiário A e ao noticiário B
25 assistem ao noticiário A e ao noticiário C
15 assistem ao noticiário B e ao noticiário C
8 assistem aos três noticiários

Então, o número de pessoas que assistem somente a um noticiário é


a) 7 b) 8 c) 14 d) 28 e) 56
10. (Mackenzie /2018)
O número inteiro positivo, cujo produto de seu antecessor com seu sucessor é igual a 8,
é
a) 5
b) 4
c) −3
d) 3
e) 2
11. (Unesp/2018)
Renata escolhe aleatoriamente um número real de −4 a 2 e diferente de zero,
denotando-o por 𝑥. Na reta real, o intervalo numérico que necessariamente contém o número
2−𝑥
é
𝑥

Aula 00 – Introdução à Álgebra 52


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a)
b)
c)
d)
e)

12. (Unicamp/2017)
Sabe-se que, em um grupo de 10 pessoas, o livro A foi lido por 5 pessoas e o livro B foi
lido por 4 pessoas. Podemos afirmar corretamente que, nesse grupo,
a) pelo menos uma pessoa leu os dois livros.
b) nenhuma pessoa leu os dois livros.
c) pelo menos uma pessoa não leu nenhum dos dois livros.
d) todas as pessoas leram pelo menos um dos dois livros.
13. (Unesp/2017)
(𝑥 2 −13𝑥+40)(𝑥 2 −13𝑥+42)
No universo dos números reais, a equação = 0 é satisfeita
√𝑥 2 −12𝑥+35
por apenas
a) três números.
b) dois números.
c) um número.
d) quatro números.
e) cinco números.
14. (Fuvest/2017)
Sejam a e b dois números inteiros positivos. Diz-se que a e b são equivalentes se a soma
dos divisores positivos de a coincide com a soma dos divisores positivos de b.
Constituem dois inteiros positivos equivalentes:
a) 8 e 9.
b) 9 e 11.
c) 10 e 12.
d) 15 e 20.
e) 16 e 25.
15. (Unesp/2016)
Uma imobiliária exige dos novos locatários de imóveis o pagamento, ao final do primeiro
mês no imóvel, de uma taxa, junto com a primeira mensalidade de aluguel. Rafael alugou um

Aula 00 – Introdução à Álgebra 53


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imóvel nessa imobiliária e pagou 𝑅$ 900,00 ao final do primeiro mês. No período de um ano
de ocupação do imóvel, ele contabilizou gastos totais de 𝑅𝑆 6.950,00 com a locação do imóvel.
Na situação descrita, a taxa paga foi de
a) 𝑅$450,00.
b) 𝑅$250,00.
c) 𝑅$ 300,00.
d) 𝑅$350,00.
e) 𝑅$550,00.
16. (Fuvest/2016)
A igualdade correta para quaisquer 𝑎 e 𝑏, números reais maiores do que zero, é
3
𝑎) √𝑎3 + 𝑏3 = 𝑎 + 𝑏
1 1
𝑏) =−
𝑎√𝑎2 + 𝑏2 𝑏
2
𝑐) (√𝑎 − √𝑏) = 𝑎 − 𝑏
1 1 1
𝑑) = +
𝑎+𝑏 𝑎 𝑏
𝑎3 − 𝑏3
𝑒) 2 =𝑎−𝑏
𝑎 + 𝑎𝑏 + 𝑏2
17. (Unicamp/2015)
Prazeres, benefícios, malefícios, lucros cercam o mundo dos refrigerantes.
Recentemente, um grande fabricante nacional anunciou que havia reduzido em 13 mil
toneladas o uso de açúcar na fabricação de seus refrigerantes, mas não informou em quanto
tempo isso ocorreu. O rótulo atual de um de seus refrigerantes informa que 200 𝑚𝑙 do produto
contêm 21 𝑔 de açúcar. Utilizando apenas o açúcar "economizado" pelo referido fabricante
seria possível fabricar, aproximadamente.
a) 124 milhões de litros de refrigerante.
b) 2,60 bilhões de litros de refrigerante.
c) 1.365 milhões de litros de refrigerante.
d) 273 milhões de litros de refrigerante.
18. (Unicamp/2015)
Um carpinteiro foi contratado para construir uma cerca formada por ripas de madeira.
As figuras abaixo apresentam uma vista parcial da cerca, bem como os detalhes das ligações
entre as ripas, nos quais os parafusos são representados por círculos brancos. Note que cada
ripa está presa á cerca por dois parafusos em cada extremidade.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 54


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Os parafusos usados na cerca são vendidos em caixas com 60 unidades. O número


mínimo de caixas necessárias para construir uma cerca com 100 𝑚 de comprimento é
a) 13. b) 12. c) 15. d) 14.
19. (Fuvest/2015)
Na cidade de São Paulo, as tarifas de transporte urbano podem ser pagas usando o
bilhete único. A tarifa é de R$3,00 para uma viagem simples (ônibus ou metrô/trem) e de
R$4,65 para uma viagem de integração (ônibus e metrô/trem). Um usuário vai recarregar seu
bilhete único, que está com um saldo de R$12,50. O menor valor de recarga para o qual seria
possível zerar o saldo do bilhete após algumas utilizações é
a) R$0,85 b) R$1,15 c) R$1,45 d) R$2,50 e) R$2,80
20. (Unicamp/2014)
Um investidor dispõe de 𝑅$ 200,00 por mês para adquirir o maior número possível de
ações de certa empresa. No primeiro mês, o preço de cada ação era 𝑅$ 9,00. No segundo mês
houve uma desvalorização e esse preço caiu para 𝑅$ 7,00. No terceiro mês, com o preço
unitário das ações a 𝑅$ 8,00, o investidor resolveu vender o total de ações que possuía.
Sabendo que só é permitida a negociação de um número inteiro de ações, podemos concluir
que com a compra e venda de ações o investidor teve
a) lucro de 𝑅$ 6,00.
b) nem lucro nem prejuízo.
c) prejuízo de 𝑅$ 6.00.
d) lucro de 𝑅𝑆 6,50.
21. (Fuvest/2014)
O número real 𝑥, que satisfaz 3 < 𝑥 < 4, tem uma expansão decimal na qual os
999.999 primeiros dígitos à direita da vírgula são iguais a 3. Os 1.000.001 dígitos seguintes são
iguais a 2 e os restantes são iguais a zero.
Considere as seguintes afirmações:
I. 𝑥 é irracional.
10
II. 𝑥 ≥
3

Aula 00 – Introdução à Álgebra 55


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III. 𝑥. 102.000.000 é um inteiro par


Então,
a) nenhuma das três afirmações é verdadeira
b) apenas as afirmações I e II são verdadeiras
c) apenas a afirmação I é verdadeira
d) apenas a afirmação II é verdadeira
e) apenas a afirmação III é verdadeira
22. (Fuvest/2013)
As propriedades aritméticas e as relativas à noção de ordem desempenham um
importante papel no estudo dos números reais. Nesse contexto, qual das afirmações abaixo é
correta?
a) Quaisquer que sejam os números reais positivos a e b, é verdadeiro que √𝑎 + 𝑏 =
√𝑎 + √𝑏.
b) Quaisquer que sejam os números reais a e b tais que 𝑎2 − 𝑏2 = 0, é verdadeiro que
𝑎 = 𝑏.
c) Qualquer que seja o número real a é verdadeiro que √𝑎2 = 𝑎.
d) Quaisquer que sejam os números reais a e b não nulos tais que 𝑎 < 𝑏, é verdadeiro
que 1⁄𝑏 < 1⁄𝑎.
e) Qualquer que seja o número real a, com 0 < 𝑎 < 1, é verdadeiro que 𝑎2 ≤ √𝑎.
23. (Unicamp/2011)
Quarenta pessoas em excursão pernoitam em um hotel.
Somados, os homens despendem 𝑅$ 2.400,00. O grupo de mulheres gasta a mesma
quantia, embora cada uma tenha pago 𝑅𝑆 64,00 a menos que cada homem.
Denotando por 𝑥 o número de homens do grupo, uma expressão que modela esse
problema e permite encontrar tal valor é
a) 2400𝑥 = (2400 + 64𝑥)(40 − 𝑥).
b) 2400(40 − 𝑥) = (2400 − 64𝑥)𝑥.
c) 2400𝑥 = (2400 − 64𝑥) (40 − 𝑥).
d) 2400(40 − 𝑥) = (2400 + 64𝑥)𝑥.
24. (Fuvest/2010)
Leia a charge e responda.

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a) Que motivo levou Mafalda a pedir para ir ao banheiro?


b) Enuncie e resolva o problema matemático apresentado à Mafalda.
25. (Fuvest/2008)
Sabendo que os anos bissextos são os múltiplos de 4 e que o primeiro dia de 2007 foi
segunda-feira, o próximo ano a começar também em uma segunda-feira será
a) 2012
b) 2014
c) 2016
d) 2018
e) 2020

26. (Fuvest/2007)
Uma empresa de construção dispõe de 117 blocos de tipo X e 145 blocos de tipo Y. Esses
blocos têm as seguintes características: todos são cilindros retos, o bloco X tem 120 cm de
altura e o bloco Y tem 150 cm de altura.

A empresa foi contratada para edificar colunas, sob as seguintes condições: cada coluna
deve ser construída sobrepondo blocos de um mesmo tipo e todas elas devem ter a mesma
altura. Com o material disponível, o número máximo de colunas que podem ser construídas é
de
a) 55 b) 56 c) 57 d) 58 e) 59

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27. (Fuvest/2005)
O menor número inteiro positivo que devemos adicionar a 987 para que a soma seja o
quadrado de um número inteiro positivo é
a) 37
b) 36
c) 35
d) 34
e) 33
28. (Unesp/2004)
Carlos trabalha como disc-jóquei (dj) e cobra uma taxa fixa de 𝑅$ 100,00, mais 𝑅$ 20,00
por hora, para animar uma festa. Daniel, na mesma função, cobra uma taxa fixa de RS 55,00,
mais 𝑅$ 35,00 por hora. O tempo máximo de duração de uma festa, para que a contratação
de Daniel não fique mais cara que a de Carlos, é:
a) 6 horas.
b) 5 horas.
c) 4 horas.
d) 3 horas.
e) 2 horas.

29. (Fuvest/2003)
Num bolão, sete amigos ganharam vinte e um milhões, sessenta e três mil e quarenta e
dois reais. O prêmio foi dividido em sete partes iguais. Logo, o que cada um recebeu, em reais,
foi:
a) 3.009.006,00
b) 3.090.006,50
c) 3.090.006,00
d) 3.090.006,50
e) 3.900.060,50
30. (Fuvest/2003)
As soluções da equação
𝑥−𝑎 𝑥+𝑎 2 (𝑎 4 + 1)
+ =
𝑥 + 𝑎 𝑥 − 𝑎 𝑎 2 (𝑥 2 − 𝑎 2 )
onde 𝑎 ≠ 0, são:

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𝑎 𝑎
𝑎) − 𝑒
2 4
𝑎 𝑎
𝑏) − 𝑒
4 4
1 1
𝑐) − 𝑒
2𝑎 2𝑎
1 1
𝑑) − 𝑒
𝑎 2𝑎
1 1
𝑒) − 𝑒
𝑎 𝑎
31. (Unesp/2003)
Por hipótese, considere
𝑎 = 𝑏
Multiplique ambos os membros por 𝑎
𝑎² = 𝑎𝑏
Subtraia de ambos os membros 𝑏²
𝑎² − 𝑏² = 𝑎𝑏 − 𝑏²
Fatore os termos de ambos os membros
(𝑎 + 𝑏)(𝑎 − 𝑏) = 𝑏(𝑎 − 𝑏)
Simplifique os fatores comuns
(𝑎 + 𝑏) = 𝑏
Use a hipótese que 𝑎 = 𝑏
2𝑏 = 𝑏
Simplifique a equação e obtenha
2 = 1
A explicação para isto é:
a) a álgebra moderna quando aplicada à teoria dos conjuntos prevê tal resultado.
b) a hipótese não pode ser feita, pois como 2 = 1, 𝑎 deveria ser (𝑏 + 1).
c) na simplificação dos fatores comuns ocorreu divisão por zero, gerando o absurdo.
d) na fatoração, faltou um termo igual a −2𝑎𝑏 no membro esquerdo.
e) na fatoração, faltou um termo igual a +2𝑎𝑏 no membro esquerdo.
32. (Fuvest/2002)
Maria quer cobrir o piso de sua sala com lajotas quadradas, todas com lado de mesma
medida inteira, em centímetros. A sala é retangular, de lados 2 m e 5 m. Os lados das lajotas

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devem ser paralelos aos lados da sala, devendo ser utilizadas somente lajotas inteiras. Quais
são os possíveis valores do lado das lajotas?
33. (Fuvest/2000)
Se x e y são dois números inteiros, estritamente positivos e consecutivos, qual dos
números abaixo é necessariamente um inteiro ímpar?
a) 2𝑥 + 3𝑦
b) 3𝑥 + 2𝑦
c) 𝑥𝑦 + 1
d) 2𝑥𝑦 + 2
e) 𝑥 + 𝑦 + 1
34. (Fuvest/1999)
Dados dois números reais a e b que satisfazem as desigualdades 1 ≤ 𝑎 ≤ 2 e 3 ≤ 𝑏 ≤
5, pode-se afirmar que
𝑎 2
𝑎) ≤
𝑏 5
𝑎 2
𝑏) ≥
𝑏 3
1 𝑎 2
𝑐) ≤ ≤
5 𝑏 3
1 𝑎 1
𝑑) ≤ ≤
5 𝑏 2
3 𝑎
𝑒) ≤ ≤ 5
2 𝑏
35. (Fuvest/1999)
Um nadador, disputando a prova dos 400 metros, nado livre, completou os primeiros
300 metros em 3 minutos e 51 segundos. Se este nadador mantiver a mesma velocidade média
os últimos 100 metros, completará a prova em
a) 4 minutos e 51 segundos.
b) 5 minutos e 8 segundos.
c) 5 minutos e 28 segundos.
d) 5 minutos e 49 segundos.
e) 6 minutos e 3 segundos.
36. (Fuvest/1999)
Se a equação 8𝑥 3 + 𝑘𝑥 2 − 18𝑥 + 9 = 0 tem raízes reais 𝑎 e −𝑎, então o valor de 𝑘 é:
9
𝑎)
4

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𝑏) 2
9
𝑐)
8
𝑑) − 2
𝑒) − 4
37. (Fuvest/1997)
O menor número natural 𝑛, diferente de zero, que torna o produto de 3888 por 𝑛 um
cubo perfeito é
a) 6
b) 12
c) 15
d) 18
e) 24

Aula 00 – Introdução à Álgebra 61


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8. GABARITO DAS QUESTÕES DE VESTIBULARES ANTERIORES


1. D 20. A
2. D 21. E
3. C 22. E
4. E 23. C
5. C 24. 291
6. V-F-V-V-V 25. D
7. E 26. E
8. D 27. A
9. E 28. D
10. D 29. A
11. A 30. E
12. C 31. C
13. C 32. 1, 2, 4, 5, 10, 20, 25, 50, 100.
14. E 33. C
15. D 34. C
16. E 35. B
17. A 36. E
18. D 37. B
19. B

9. QUESTÕES DE VESTIBULARES ANTERIORES RESOLVIDAS E COMENTADAS


1. (ENEM/2019)
Uma empresa tem diversos funcionários. Um deles é o gerente, que recebe 𝑅$ 1.000,00
por semana. Os outros funcionários são diaristas. Cada um trabalha 2 dias por semana,
recebendo 𝑅$ 80,00 por dia trabalhado.
Chamando de 𝑋 a quantidade total de funcionários da empresa, a quantia 𝑌, em reais,
que esta empresa gasta semanalmente para pagar seus funcionários é expressa por
a) 𝑌 = 80𝑋 + 920.
b) 𝑌 = 80𝑋 + 1.000.
c) 𝑌 = 80𝑋 + 1.080.
d) 𝑌 = 160𝑋 + 840.
e) 𝑌 = 160𝑋 + 1.000.
Comentários
𝐺𝑒𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒 → 1000
𝐷𝑖𝑎𝑟𝑖𝑠𝑡𝑎 → 80 ⋅ 2
𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑎𝑟𝑖𝑠𝑡𝑎𝑠 → 𝑓𝑢𝑛𝑐𝑖𝑜𝑛á𝑟𝑖𝑜𝑠 𝑚𝑒𝑛𝑜𝑠 1 (𝑔𝑒𝑟𝑒𝑛𝑡𝑒)
Desse modo:

Aula 00 – Introdução à Álgebra 62


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𝑌 = 1000 + (𝑋 − 1) ⋅ 80 ⋅ 2
𝑌 = 1000 + (𝑋 − 1) ⋅ 160
𝑌 = 1000 + 160𝑋 − 160
𝑌 = 160𝑋 + 840
Gabarito: d)

2. (ENEM/2019)
A gripe é uma infecção respiratória aguda de curta duração causada pelo vírus influenza.
Ao entrar no nosso organismo pelo nariz, esse vírus multiplica-se, disseminando-se para a
garganta e demais partes das vias respiratórias, incluindo os pulmões.
O vírus influenza é uma partícula esférica que tem um diâmetro interno de
0,00011 𝑚𝑚.
Disponível em: www.gripenet.pt. Acesso em: 2 nov. 2013 (adaptado).
Em notação científica, o diâmetro interno do vírus influenza, em mm, é
a) 1,1 × 10−1
b) 1,1 × 10−2
c) 1,1 × 10−3
d) 1,1 × 10−4
e) 1,1 × 10−5
Comentários:
0,00011 104 1,1
0,00011 = ⋅ 4 = 4 = 1,1 ⋅ 10−4
1 10 10
Gabarito: d)

3. (ENEM/2018)
Uma empresa de comunicação tem a tarefa de elaborar um material publicitário de um
estaleiro para divulgar um novo navio, equipado com um guindaste de 15 𝑚 de altura e uma
esteira de 90 𝑚 de comprimento. No desenho desse navio, a representação do guindaste deve
ter sua altura entre 0,5 𝑐𝑚 e 1 𝑐𝑚, enquanto a esteira deve apresentar comprimento superior
a 4 𝑐𝑚. Todo o desenho deverá ser feito em uma escala 1: 𝑋
Os valores possíveis para 𝑿 são, apenas.
a) X > 1.500.
b) X < 3.000.
c) 1.500 < X < 2.250.
d) 1.500 < X < 3.000.
e) 2.250 < X < 3.000.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 63


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Comentários:
Para evitar inconsistências nas unidades, vamos expressar todas as distâncias em
centímetros.
𝑔𝑢𝑖𝑛𝑑𝑎𝑠𝑡𝑒 → 15 𝑚 = 15 ⋅ 100 𝑐𝑚 = 1500 𝑐𝑚
𝑒𝑠𝑡𝑒𝑖𝑟𝑎 → 90 𝑚 = 90 ⋅ 100 𝑐𝑚 = 9000 𝑐𝑚
A representação do guindaste deve ter sua altura entre 0,5 𝑐𝑚 e 1 𝑐𝑚, então:
1
0,5 < ⋅ 1500 < 1
𝑋
1 1500
< <1
2 𝑋
𝑋
2> >1
1500
𝑋
2 ⋅ 1500 > ⋅ 1500 > 1 ⋅ 1500
1500
3000 > 𝑋 > 1500
1500 < 𝑋 < 3000
Já a esteira deve apresentar comprimento superior a 4 cm:
1
⋅ 9000 > 4
𝑋
9000
>4
𝑋
9000 > 4𝑋
9000 4𝑋
>
4 4
2250 > 𝑋
𝑋 < 2250
Como x deve estar de acordo com ambas as restrições, temos:
1500 < 𝑋 < 2250
Gabarito: c)

4. (ENEM/2017)
Em uma cantina, o sucesso de venda no verão são sucos preparados à base de polpa de
2
frutas. Um dos sucos mais vendidos é o de morango com acerola, que é preparado com de
3
1
polpa de morango e de polpa de acerola.
3
Para o comerciante, as polpas são vendidas em embalagens de igual volume.
Atualmente, a embalagem da polpa de morango custa 𝑅$18,00 e a de acerola, 𝑅$ 14,70.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 64


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Porém, está prevista uma alta no preço da embalagem da polpa de acerola no próximo mês,
passando a custar 𝑅$ 15,30. Para não aumentar o preço do suco, o comerciante negociou com
o fornecedor uma redução no preço da embalagem da polpa de morango.
A redução, em real. no preço da embalagem da polpa de morango deverá ser de
a) R$1,20.
b) R$0,90.
c) R$0,60.
d) R$0,40.
e) R$0,30.
Comentários:
Seguindo as orientações do enuncido, temos:
2 1
...preparado com de polpa de morango e de polpa de acerola.
3 3
2 1
𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 =
⋅ 𝑚𝑜𝑟𝑎𝑛𝑔𝑜 + ⋅ 𝑎𝑐𝑒𝑟𝑜𝑙𝑎
3 3
...a embalagem da polpa de morango custa 𝑅$18,00 e a de acerola, 𝑅$ 14,70.
2 1
𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 = ⋅ 18 + ⋅ 14,70
3 3
𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 = 12 + 4,90
𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 = 16,90
O custo não deve ser alterado, então:
2 1
𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 = ⋅ 𝑚𝑜𝑟𝑎𝑛𝑔𝑜 + ⋅ 𝑎𝑐𝑒𝑟𝑜𝑙𝑎
3 3
2 1
16,90 = ⋅ 𝑚𝑜𝑟𝑎𝑛𝑔𝑜 + ⋅ 15,30
3 3
2
16,90 = ⋅ 𝑚𝑜𝑟𝑎𝑛𝑔𝑜 + 5,10
3
2
16,90 − 5,10 = ⋅ 𝑚𝑜𝑟𝑎𝑛𝑔𝑜
3
2
11,80 = ⋅ 𝑚𝑜𝑟𝑎𝑛𝑔𝑜
3
3
11,80 ⋅ = 𝑚𝑜𝑟𝑎𝑛𝑔𝑜
2
17,70 = 𝑚𝑜𝑟𝑎𝑛𝑔𝑜
Desse modo, a redução é dada por:
18 − 17,70 = 0,30
Gabarito: e)

Aula 00 – Introdução à Álgebra 65


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5. (Unicamp/2019)
A representação decimal de certo número inteiro positivo tem dois algarismos. Se o
triplo da soma desses algarismos é igual ao próprio número, então o produto dos algarismos é
igual a
a) 10.
b) 12.
c) 14.
d) 16.
Comentários
Tomemos o número inteiro positivo como 𝑛 = 10 ⋅ 𝑎 + 𝑏, onde 𝑎 representa o algarismo das
dezenas e 𝑏, o das unidades.
Reescrevendo parte do enunciado como equação, temos:
“... o triplo da soma desses algarismos é igual ao próprio número...”
3(𝑎 + 𝑏) = 10 ⋅ 𝑎 + 𝑏
3𝑎 + 3𝑏 = 10 ⋅ 𝑎 + 𝑏
2𝑏 = 7𝑎
2𝑏
=𝑎
7
Como 𝑎 e 𝑏 são, necessariamente, inteiros e positivos, temos que 𝑏 deve ser múltiplo de 7,
pois 𝑎 é inteiro.
Como 0 < 𝑏 < 9, afinal, estamos falando de dígitos de um número, o único valor possível
para 𝑏 é 7, o que retorna 𝑎 = 2. Assim, temos 𝑎 ⋅ 𝑏 = 2 ⋅ 7 = 14.
Gabarito: c)

6. (Fepar/2019)
O Papiro de Ahmés (ou Papiro Rhind) é uma das mais antigas obras matemáticas de que
se tem registro. Consiste em 84 problemas matemáticos resolvidos pelos métodos adotados
no Egito Antigo, época em que foi escrito. Acredita-se que esse papiro foi usado como material
didático na época. São 5,36 metros de comprimento por 0,32 de largura, dispostos em 14
folhas, escrito em cor preta, com partes importantes destacadas em vermelho.
Os problemas buscavam resolver situações do cotidiano da época, como preço do pão,
armazenamento do trigo, alimentação do gado, além de problemas mais abstratos e
algébricos, que podem ser comparados atualmente à resolução de equações. O que hoje
tratamos como a incógnita "x", na época, era nomeado por um termo sinônimo da palavra
montão".
Por exemplo, o problema 26 do Papiro de Ahmés diz o seguinte: um montão e sua quarta
parte, todos juntos são 15. Diga-me quanto é esse montão?

Aula 00 – Introdução à Álgebra 66


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Considere o texto e avalie as sentenças que se seguem.

( ) Equação é toda sentença matemática aberta que expressa uma igualdade.


( ) O problema descrito pode ser expresso por uma equação do segundo grau.
( ) A equação que descreve o problema do papiro é
𝑥
𝑥 + = 15
4
( ) Uma equação equivalente a situação é
𝑥 + 4𝑥 60
=
4 4
( ) Um "montão" é 12.
Comentários
Para essa questão, vamos interpretar e resolver todo o problema e julgar as alternativas ao
final.
A questão traz o enunciado: um montão e sua quarta parte, todos juntos são 15. Diga-me
quanto é esse montão?
Chamando “um montão” de 𝑥, temos que sua quarta parte é 𝑥⁄4.
A informação de que a soma do montão com sua quarta parte, todos juntos são 15 equivale
à equação:
𝑥
𝑥 + = 15
4
Agora, precisamos descobrir o valor do 𝒙. Para a soma de frações, já sabe, MMC.
Atenção, podemos calcular o MMC para apenas um dos membros ou para toda a equação;
ambos os métodos estão corretos. Optaremos por tirar o MMC para os dois membros por
antecipação à quarta afirmação da questão, que coloca ambos os membros da equação com o
mesmo denominador.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 67


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𝑥
= 15 𝑥+
4
𝑥 + 4𝑥 60
=
4 4
Multiplicando ambos os termos da equação por 4,
𝑥 + 4𝑥 = 60
5𝑥 = 60
Dividindo ambos os termos por 5,
5𝑥 = 60
5𝑥 60
=
5 5
𝑥 = 12
Agora sim, podemos julgar as alternativas.
(V) Equação é toda sentença matemática aberta que expressa uma igualdade.
Correto, de acordo com a definição vista nessa mesma aula.
(F) O problema descrito pode ser expresso por uma equação do segundo grau.
A equação correspondente é do primeiro grau, não do segundo.
(V) A equação que descreve o problema do papiro é
𝒙
𝒙 + = 𝟏𝟓
𝟒
Absolutamente correto, a resolução traz exatamente a mesma equação.
(V) Uma equação equivalente a situação é
𝒙 + 𝟒𝒙 𝟔𝟎
=
𝟒 𝟒
Correto novamente, vide resolução.
(V) Um "montão" é 12.
Também correto, nossa resolução trouxe 𝒙 = 𝟏𝟐 como solução da equação.
Gabarito: V-F-V-V-V

7. (Fuvest/2018)
Dentre os candidatos que fizeram provas de matemática, português e inglês num
concurso, 20 obtiveram nota mínima para aprovação nas três disciplinas. Além disso, sabe-se
que:
I. 14 não obtiveram nota mínima em matemática;
II. 16 não obtiveram nota mínima em português;
III. 12 não obtiveram nota mínima em inglês;

Aula 00 – Introdução à Álgebra 68


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IV. 5 não obtiveram nota mínima em matemática e em português;


V. 3 não obtiveram nota mínima em matemática e em inglês;
VI. 7 não obtiveram nota mínima em português e em inglês;
VII. 2 não obtiveram nota mínima em português, matemática e inglês.
A quantidade de candidatos que participaram do concurso foi
a) 44. b) 46 c) 47 d) 48 e) 49
Comentários
Com o enunciado, percebemos que há várias informações acerca dos alunos. Uma maneira
muito interessante para organizar essas informações é a utilização dos diagramas de Venn-Euler, por
tratar os dados de maneira visual.
Inicialmente, façamos um diagrama com o número de conjuntos pretendido:

Nesse contexto, consideraremos o conjunto “Matemática” como o conjunto dos alunos que
não obtiveram nota mínima em Matemática, aplicando o mesmo raciocínio para Português e para
Inglês.
Sendo assim, a região em cinza a seguir representa os alunos que não obtiveram nota mínima
nas três disciplinas simultaneamente, ou seja, em Matemática, em Português e em Inglês.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 69


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Para evitar contabilização duplicada, é indicado começarmos justamente por essa


intersecção. Como o exercício nos diz:
VII. 2 não obtiveram nota mínima em português, matemática e inglês.
Começaremos justamente colocando essa informação no diagrama.

Nosso próximo passo é extremamente importante e dele depende todo o decorrer de nossa
resolução.
A região hachurada na próxima figura representa as pessoas que não obtiveram nota mínima
em Português e em Inglês, veja:

Aula 00 – Introdução à Álgebra 70


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Perceba o que o exercício nos informa exatamente sobre essa região:


VI. 7 não obtiveram nota mínima em português e em inglês;
Aqui há uma tendência a colocar os 7 na área que falta, porém já há a anotação de 2 pessoas
nessa região, portanto, podemos apenas acrescentar 5 para que, na região toda, haja as 7 pessoas
informadas, concorda?
Veja como fica:

Agora que você já pegou o jeito, vamos completar as informações faltantes em sequência,
sempre com o mesmo raciocínio:
V. 3 não obtiveram nota mínima em matemática e em inglês;

Aula 00 – Introdução à Álgebra 71


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IV. 5 não obtiveram nota mínima em matemática e em português;

III. 12 não obtiveram nota mínima em inglês;

Aula 00 – Introdução à Álgebra 72


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II. 16 não obtiveram nota mínima em português;

I. 14 não obtiveram nota mínima em matemática;

Aula 00 – Introdução à Álgebra 73


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Muita calma agora. Apesar de termos inserido todas as informações de I a VII no diagrama,
há uma informação crucial no enunciado e que ainda não foi inserida, veja:
“Dentre os candidatos que fizeram proas de matemática, português e inglês num concurso,
20 obtiveram nota mínima para aprovação nas três disciplinas.”
Mas professor, em qual desses conjuntos colocaremos esses 20 alunos?
Veja bem, no início do nosso exercício definimos que entrariam nesses conjuntos
(Matemática, Português e Inglês) os alunos que não conseguiram nota mínima para aprovação.
Se o enunciado nos informa que 20 alunos conseguiram a nota mínima, eles não podem ser
inseridos em nenhum desses 3 conjuntos, então ficarão de fora mesmo.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 74


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Agora sim, temos todos os dados para resolvermos praticamente qualquer questão acerca
dessas informações.
Voltando ao enunciado, retomemos:
“A quantidade de candidatos que participaram do concurso foi”
Aqui a questão está solicitando o que chamamos de “conjunto universo”, ou seja, a soma de
todos os elementos de dentro e de fora de nossa delimitação.
Alguns livros didáticos fazem essa representação gráfica com uma delimitação maior
contendo os 3 conjuntos, veja:

Essa delimitação do conjunto universo não nos é crucial para a resolução, bastando entender
que há apenas dois tipos de pessoas que participaram do concurso: as que não conseguiram nota
mínima (dentro das delimitações Matemática, Português e Inglês) e as que conseguiram (as 20
pessoas fora desses 3 conjuntos).
Agora conseguimos nossa resposta. O número N de pessoas que participaram do concurso é
dado por:
𝑁 = 8 + 3 + 6 + 1 + 2 + 5 + 4 + 20 = 49
Ou seja, nossa alternativa e).
Aprofundando um pouco mais. Com o diagrama feito, poderíamos pensar em muitos tipos de
perguntas e gostaria de explorar algumas delas com você.
Olhando nosso último diagrama, responda:
Quantas pessoas não conseguiram nota mínima em apenas uma disciplina?
Quantas pessoas não conseguiram nota mínima em exatamente duas disciplinas?
Quantas pessoas não conseguiram nota mínima em uma ou duas disciplinas?
Quantas pessoas não conseguiram nota mínima?
Vejamos as respostas:

Aula 00 – Introdução à Álgebra 75


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Quantas pessoas não conseguiram nota mínima em apenas uma disciplina?


8 + 6 + 4 = 18
Quantas pessoas não conseguiram nota mínima em exatamente duas disciplinas?
3+1+5=9
Quantas pessoas não conseguiram nota mínima em uma ou duas disciplinas?
3 + 1 + 5 + 8 + 6 + 4 = 27
Quantas pessoas não conseguiram nota mínima?
8 + 3 + 6 + 1 + 2 + 5 + 4 = 29
Agora sim, estamos prontos para seguir.
Gabarito: e)

8. (Unicamp/2018)
Considere três números inteiros cuja soma é um número ímpar. Entre esses três
números, a quantidade de números ímpares é igual a
a) 0 ou 1. b) 1 ou 2. c) 2 ou 3. d) 1 ou 3.
Comentários
Chamando 𝑝 um número par e 𝑖 um número ímpar, temos as seguintes possibilidades:

𝑝+𝑝+𝑝 =𝑝 𝑝+𝑝+𝑖 =𝑖 𝑝+𝑖+𝑖 =𝑝 𝑖+𝑖+𝑖 =𝑖

Como o enunciado disse que o resultado é um número ímpar, temos apenas duas
possibilidades: ou apenas uma parcela da soma é formada por número ímpar ou as três parcelas da
soma são números ímpares.
Gabarito: d)

9. (Mackenzie/2018)
Em uma pesquisa com 120 pessoas, verificou-se que
65 assistem ao noticiário A
45 assistem ao noticiário B
42 assistem ao noticiário C
20 assistem ao noticiário A e ao noticiário B
25 assistem ao noticiário A e ao noticiário C
15 assistem ao noticiário B e ao noticiário C
8 assistem aos três noticiários

Então, o número de pessoas que assistem somente a um noticiário é

Aula 00 – Introdução à Álgebra 76


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a) 7 b) 8 c) 14 d) 28 e) 56
Comentários
Para esses exercícios de conjuntos, lembre-se do diagrama de Venn-Euler e de seu
preenchimento preferencial a partir da intersecção dos 3 conjuntos.
A informação a ser preenchida inicialmente é a de que 8 assistem aos três noticiários e deve
ser colocada logo na intersecção do diagrama.
As informações em sequência são as intersecções de dois em dois dos conjuntos, e são
20 assistem ao noticiário A e ao noticiário B
25 assistem ao noticiário A e ao noticiário C
15 assistem ao noticiário B e ao noticiário C
É vital aqui que você lembre que esses números não vão escritos diretamente, pois dentro
deles estão contados os 8 que já assistem aos 3 noticiários e é preciso subtraí-los de cada um destes.
E, finalmente, as informações restantes, de cada conjunto individualmente:
65 assistem ao noticiário A
45 assistem ao noticiário B
42 assistem ao noticiário C
Também, lembrando de fazer as devidas subtrações.
Seguindo as orientações dadas em aula, o diagrama de Venn-Euler para o problema proposto
é:

Agora estamos aptos a responder o que for necessário acerca desses dados.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 77


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O enunciado solicitou o número de pessoas que assistem somente a um noticiário.


Consultando o diagrama, vemos que as pessoas que assistem somente ao noticiário A somam
28 pessoas; as que assistem somente ao noticiário B, 18 e as que assistem somente ao noticiário C,
10.
Dessa forma, o número 𝑛 de pessoas solicitado é dado por:
𝑛 = 28 + 18 + 10 = 56
Gabarito: e)

10. (Mackenzie/2018)
O número inteiro positivo, cujo produto de seu antecessor com seu sucessor é igual a 8,
é
a) 5
b) 4
c) −3
d) 3
e) 2
Comentários
Para chegar à solução, precisamos, antes, escrever a equação que representa o problema.
Podemos representar o antecessor de um número por 𝒙 − 𝟏 e o sucessor por 𝒙 + 𝟏. O
problema afirma que o produto do antecessor pelo sucessor é 8, então:
(𝒙 − 𝟏)(𝒙 + 𝟏) = 𝟖
O que é a equação correspondente ao problema.
Vamos, então, à sua resolução.
(𝑥 − 1)(𝑥 + 1) = 8
Ao invés de distribuir o produto, podemos pensar nos produtos notáveis, especificamente no
produto da soma pela diferença, assim:
(𝑥 − 1)(𝑥 + 1) = 8
𝑥 2 − 12 = 8
𝑥2 = 8 + 1
𝑥2 = 9
𝑥 = ±√9
𝑥 = ±3
Como o enunciado pede apenas a solução inteira e positiva, nossa resposta é 3.
Gabarito: d)

Aula 00 – Introdução à Álgebra 78


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Aula 00: ENEM

11. (Unesp/2018)
Renata escolhe aleatoriamente um número real de −4 a 2 e diferente de zero,
denotando-o por 𝑥. Na reta real, o intervalo numérico que necessariamente contém o número
2−𝑥
é
𝑥
a)
b)
c)
d)
e)
Comentários
Do enunciado, escolhemos o número 𝑥 entre 4 e 2, ou seja: −4 < 𝑥 < 2
2−𝑥
Para conseguir induzir a expressão , dada no enunciado, façamos o inverso de cada termo
𝑥
multiplicado por 2. Mas cuidado, ao invertermos a inequação, precisamos inverter os sinais de
desigualdade.
2 2
− >
4 𝑥
2 2 2 𝑖𝑛𝑣𝑒𝑟𝑠ã𝑜 𝑐𝑜𝑚 𝑒𝑥𝑡𝑟𝑒𝑚𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑠
− > >+ → 𝑑𝑒 𝑠𝑖𝑛𝑎𝑖𝑠 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜𝑠 →
4 𝑥 2 𝑠𝑒𝑝𝑎𝑟𝑎çã𝑜 𝑜𝑏𝑟𝑖𝑔𝑎𝑡ó𝑟𝑖𝑎 2 2
{ 𝑥 > +
2
2 2 2 2
− > >+
4 𝑥 𝑥 2

2 2
−0,5 > >1
𝑥 𝑥

2 2
−0,5 − 1 > −1 −1>1−1
𝑥 𝑥

2 2
−1,5 > −1 −1>0
𝑥 𝑥

2−𝑥 2−𝑥
−1,5 > >0
𝑥 𝑥

Gabarito: a)

12. (Unicamp/2017)
Sabe-se que, em um grupo de 10 pessoas, o livro A foi lido por 5 pessoas e o livro B foi
lido por 4 pessoas. Podemos afirmar corretamente que, nesse grupo,

Aula 00 – Introdução à Álgebra 79


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Aula 00: ENEM

a) pelo menos uma pessoa leu os dois livros.


b) nenhuma pessoa leu os dois livros.
c) pelo menos uma pessoa não leu nenhum dos dois livros.
d) todas as pessoas leram pelo menos um dos dois livros.
Comentários
Se o grupo conta com 10 pessoas, 5 pessoas leram o livro 𝐴 e 4, o livro 𝐵, temos 9 pessoas
lendo algum livro, deixando possibilidade para que, pelo menos uma, não tenha lido livro algum.
Exercício resolvido em detalhes na teoria, seção 6.1.
Gabarito: c)

13. (Unesp/2017)
(𝑥 2 −13𝑥+40)(𝑥 2 −13𝑥+42)
No universo dos números reais, a equação = 0 é satisfeita
√𝑥 2 −12𝑥+35
por apenas
a) três números. b) dois números. c) um número.
d) quatro números. e) cinco números.
Comentários
Fatoremos os três trinômios para a forma 𝑎(𝑥 − 𝑥 ′ )(𝑥 − 𝑥′′)

𝒙𝟐 − 𝟏𝟑𝒙 + 𝟒𝟎 𝒙𝟐 − 𝟏𝟑𝒙 + 𝟒𝟐 𝒙𝟐 − 𝟏𝟐𝒙 + 𝟑𝟓

∆= 132 − 4 ⋅ 1 ⋅ 40 = 9 ∆= 132 − 4 ⋅ 1 ⋅ 42 = 1 ∆= 122 − 4 ⋅ 1 ⋅ 35 = 4

13 ± √9 13 ± 3 13 ± √1 13 ± 1 12 ± √4 12 ± 2
𝑥= = 𝑥= = 𝑥= =
2⋅1 2 2⋅1 2 2⋅1 2

13 + 3 13 + 1 12 + 2
𝑥′ = =8 𝑥′ = =7 𝑥′ = =7
2 2 2
𝑥= 𝑥= 𝑥=
13 − 3 13 − 1 12 − 2
𝑥′′ = =5 𝑥′′ = =6 𝑥′′ = =5
{ 2 { 2 { 2

1 ⋅ (𝑥 − 8)(𝑥 − 5) 1 ⋅ (𝑥 − 7)(𝑥 − 6) 1 ⋅ (𝑥 − 7)(𝑥 − 5)

Reescrevendo a equação.
(𝑥 2 − 13𝑥 + 40)(𝑥 2 − 13𝑥 + 42)
=0
√𝑥 2 − 12𝑥 + 35
1 ⋅ (𝑥 − 8)(𝑥 − 5) ⋅ 1 ⋅ (𝑥 − 7)(𝑥 − 6)
=0
√1 ⋅ (𝑥 − 7)(𝑥 − 5)
Condição de existência (CE).

Aula 00 – Introdução à Álgebra 80


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Aula 00: ENEM

(𝒙 − 𝟕) ≠ 𝟎 (𝒙 − 𝟓) ≠ 𝟎 𝒙𝟐 − 𝟏𝟐𝒙 + 𝟑𝟓 ≥ 𝟎

𝑥≠7 𝑥≠5 𝑥 ≤ 5 𝑜𝑢 𝑥 ≥ 7

𝑥 < 5 𝑜𝑢 𝑥 > 7

Igualando os fatores do numerador a zero.

(𝒙 − 𝟖) = 𝟎 (𝒙 − 𝟓) = 𝟎 (𝒙 − 𝟕) = 𝟎 (𝒙 − 𝟔) = 𝟎

𝑥=8 𝑥=5 𝑥=7 𝑥=6

𝑂𝑘 Não permitido, CE. Não permitido, CE. Não permitido, CE.

Gabarito: c)

14. (Fuvest/2017)
Sejam a e b dois números inteiros positivos. Diz-se que a e b são equivalentes se a soma
dos divisores positivos de a coincide com a soma dos divisores positivos de b.
Constituem dois inteiros positivos equivalentes:
a) 8 e 9. b) 9 e 11. c) 10 e 12. d) 15 e 20. e) 16 e 25.
Comentários
Muito bem. Antes de analisarmos as alternativas, faz-se necessário entender o que o
enunciado diz.
A título de esclarecimento, peguemos dois números, digamos 6 e 10. Para saber se eles são
equivalentes, façamos o proposto pelo enunciado, somemos seus divisores. Acompanhe:

Número Divisores Soma

6 1, 2, 3 𝑒 6 1 + 2 + 3 + 6 = 12

10 1, 2, 5 𝑒 10 1 + 2 + 5 + 10 = 18

Portanto, pelos dados do enunciado, os números 6 e 10 não são equivalentes.


Para uma análise mais ampla, façamos o mesmo com todos os números citados nas
alternativas:

Aula 00 – Introdução à Álgebra 81


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Aula 00: ENEM

Número Divisores Soma

8 1, 2, 4 𝑒 8 1 + 2 + 4 + 8 = 15

9 1, 3 𝑒 9 1 + 3 + 9 = 13

10 1, 2, 5 𝑒 10 1 + 2 + 5 + 10 = 18

11 1 𝑒 11 1 + 11 = 12

12 1, 2, 3, 4, 6 𝑒 12 1 + 2 + 3 + 4 + 6 + 12 = 28

15 1, 3, 5 𝑒 15 1 + 3 + 5 + 15 = 24

16 1, 2, 4, 8 𝑒 16 1 + 2 + 4 + 8 + 16 = 31

20 1, 2, 4, 5, 10 𝑒 20 1 + 2 + 4 + 5 + 10 + 20 = 42

25 1, 5 𝑒 25 1 + 5 + 25 = 31

Perceba que apenas os números 16 e 25 apresentam somas iguais, indicando a alternativa e)


como nosso gabarito!
Dica: Você não precisaria saber o que são os números equivalentes. É muito comum um
exercício trazer uma definição “nova” para você e, dando informações suficientes, solicitando
alguma atividade que exija adaptação de seus conhecimentos. Não se desespere com termos
diferentes e conceitos novos, a prova dará informações suficientes nessas situações.
Gabarito: e)

15. (Unesp/2016)
Uma imobiliária exige dos novos locatários de imóveis o pagamento, ao final do primeiro
mês no imóvel, de uma taxa, junto com a primeira mensalidade de aluguel. Rafael alugou um
imóvel nessa imobiliária e pagou 𝑅$ 900,00 ao final do primeiro mês. No período de um ano
de ocupação do imóvel, ele contabilizou gastos totais de 𝑅𝑆 6.950,00 com a locação do imóvel.
Na situação descrita, a taxa paga foi de
a) 𝑅$450,00. b) 𝑅$250,00. c) 𝑅$ 300,00.
d) 𝑅$350,00. e) 𝑅$550,00.
Comentários
Chamando a taxa de 𝑥, uma equação que descreve a situação proposta é:
1 ⋅ 900 + 11 ⋅ (900 − 𝑥) = 6.950
900 + 9900 − 11𝑥 = 6.950
900 + 9900 − 6.950 = 11𝑥

Aula 00 – Introdução à Álgebra 82


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Aula 00: ENEM

900 + 9900 − 6.950 = 11𝑥


3.850 = 11𝑥
350 = 𝑥
Gabarito: d)

16. (Fuvest/2016)
A igualdade correta para quaisquer 𝑎 e 𝑏, números reais maiores do que zero, é
3
𝑎) √𝑎3 + 𝑏3 = 𝑎 + 𝑏
1 1
𝑏) =−
𝑎√𝑎2 + 𝑏2 𝑏
2
𝑐) (√𝑎 − √𝑏) = 𝑎 − 𝑏
1 1 1
𝑑) = +
𝑎+𝑏 𝑎 𝑏
𝑎3 − 𝑏3
𝑒) 2 =𝑎−𝑏
𝑎 + 𝑎𝑏 + 𝑏2
Comentários
Mais uma questão que, para resolvê-la, precisamos analisar alternativa a alternativa.
Podemos perceber que teremos que “provar” certas propriedades por meio de equações e
há, basicamente, três meios para se provar uma igualdade 𝐴 = 𝐵: podemos sair de 𝐴 e chegar em
𝐵, sair de 𝐵 e chegar em 𝐴 ou ainda sair da própria igualdade 𝐴 = 𝐵 e chegar a uma igualdade
irrefutavelmente verdadeira (ou falsa, para provar que a igualdade não é válida).
Mãos à obra!
3
𝑎) √𝑎3 + 𝑏3 = 𝑎 + 𝑏
Nessa igualdade, optaremos pela terceira das possibilidades apresentadas, saindo da
igualdade original e tentando chegar a uma igualdade irrefutavelmente válida ou inválida.
3
√𝑎 3 + 𝑏 3 = 𝑎 + 𝑏
3 3
( √ 𝑎 3 + 𝑏 3 ) = (𝑎 + 𝑏 ) 3
𝑎 3 + 𝑏 3 = (𝑎 + 𝑏 )3
Se você se lembra dos produtos notáveis apresentados no início da aula, já deve ter percebido
que a igualdade não é válida, pois o desenvolvimento do cubo da soma não é a soma dos cubos,
veja:
𝑎3 + 𝑏3 ≠ (𝑎 + 𝑏)3 = 𝑎3 + 3. 𝑎2 𝑏 + 3. 𝑎𝑏2 + 𝑏3
Portanto a alternativa a) é falsa, vamos para a próxima.
1 1
𝑏) =−
𝑎√𝑎2 + 𝑏2 𝑏

Aula 00 – Introdução à Álgebra 83


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Novamente, partamos da igualdade completa.


1 1
=−
𝑎√𝑎2 + 𝑏2 𝑏
Rearranjando os termos, cientes de que 𝑎 e 𝑏 não são nulos, temos:
𝑏
= √𝑎2 + 𝑏2 −
𝑎
Ao olhar a igualdade, sabendo que 𝑎 e 𝑏 são maiores do que zero, portanto positivos,
podemos perceber que a fração apresentada no primeiro termo da equação será sempre negativa e
um resultado negativo nunca poderia ser resultado de a extração de uma raiz quadrada no domínio
dos números reais.
Novamente, alternativa falsa.
2
𝑐) (√𝑎 − √𝑏) = 𝑎 − 𝑏
Para essa alternativa, vamos sair do primeiro membro e tentar chegar ao segundo para
verificar a validade da afirmação.
2 2 2
(√𝑎 − √𝑏) = √𝑎 − 2√𝑎. √𝑏 + √𝑏 = 𝑎 − 2√𝑎. √𝑏 + 𝑏
Como a expressão a que chegamos não é equivalente ao segundo termo da equação
apresentada, classificamos, também, essa alternativa como falsa.
1 1 1
𝑑) = +
𝑎+𝑏 𝑎 𝑏
Para a análise dessa alternativa, saiamos do segundo membro da equação para tentar chegar
ao primeiro.
1 1
+
𝑎 𝑏
Para soma de frações, MMC:
1 1 𝑏+𝑎
+ =
𝑎 𝑏 𝑎𝑏
Novamente, chegamos a uma expressão não equivalente à informada na igualdade.
Alternativa também falsa.
Sem mais alternativas, não nos resta escolha além de assinalar a alternativa e) como nosso
gabarito, mas, a título de exercício, vamos analisá-la também para atestar sua validade.
𝑎3 − 𝑏3
𝑒) 2 =𝑎−𝑏
𝑎 + 𝑎𝑏 + 𝑏2
Nessa alternativa, vamos partir da expressão apresentada no primeiro termo e verificar se ela
é equivalente ao segundo termo.
𝑎3 − 𝑏3
𝑎2 + 𝑎𝑏 + 𝑏2

Aula 00 – Introdução à Álgebra 84


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Como vimos nos produtos notáveis apresentados no início, podemos fatorar a expressão 𝑎3 −
𝑏3 .
𝑎3 − 𝑏3 (𝑎 − 𝑏)(𝑎2 + 𝑎𝑏 + 𝑏2 )
= = (𝑎 − 𝑏 )
𝑎2 + 𝑎𝑏 + 𝑏2 (𝑎2 + 𝑎𝑏 + 𝑏2 )
Exatamente o que nossa alternativa afirmou.
Gabarito: e)

17. (Unicamp/2015)
Prazeres, benefícios, malefícios, lucros cercam o mundo dos refrigerantes.
Recentemente, um grande fabricante nacional anunciou que havia reduzido em 13 mil
toneladas o uso de açúcar na fabricação de seus refrigerantes, mas não informou em quanto
tempo isso ocorreu. O rótulo atual de um de seus refrigerantes informa que 200 𝑚𝑙 do produto
contêm 21 𝑔 de açúcar. Utilizando apenas o açúcar "economizado" pelo referido fabricante
seria possível fabricar, aproximadamente.
a) 124 milhões de litros de refrigerante.
b) 2,60 bilhões de litros de refrigerante.
c) 1.365 milhões de litros de refrigerante.
d) 273 milhões de litros de refrigerante.
Comentários
O número 𝑛 de refrigerantes de 200 𝑚𝑙, contendo 21 𝑔 de açúcar por unidade, é:
200 𝑚𝑙
13.000.000 𝑘𝑔 13.000.000.000 𝑔 ⋅ ( 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 ) 13.000.000.000 ⋅ 200 𝑚𝑙
= = =
21 𝑔 21 𝑔 21
( ) ( )
𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒
200 𝑚𝑙
( )
𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒
= 123.809.523.810 𝑚𝑙 = 123.809.523,810 𝑙 ≅ 124 𝑚𝑖𝑙ℎõ𝑒𝑠 𝑑𝑒 𝑙𝑖𝑡𝑟𝑜𝑠
Gabarito: a)

18. (Unicamp/2015)
Um carpinteiro foi contratado para construir uma cerca formada por ripas de madeira.
As figuras abaixo apresentam uma vista parcial da cerca, bem como os detalhes das ligações
entre as ripas, nos quais os parafusos são representados por círculos brancos. Note que cada
ripa está presa á cerca por dois parafusos em cada extremidade.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 85


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Os parafusos usados na cerca são vendidos em caixas com 60 unidades. O número


mínimo de caixas necessárias para construir uma cerca com 100 𝑚 de comprimento é
a) 13. b) 12. c) 15. d) 14.
Comentários
A menor cerca possível necessita de 5 ripas e tem 2 metros de comprimento. A cada 2 metros
adicionais, temos que adicionar 4 ripas.
Assim, como precisamos de uma cerca de 100 metros, precisamos de (5 + 4 + 4 + ⋯ + 4)
ripas, ou seja, (5 + 49 ⋅ 4) ripas.
Como cada ripa utiliza 4 parafusos (dois em cada extremidade), temos o número de parafusos
dado por 4 ⋅ (5 + 49 ⋅ 4).
O enunciado informou que cada caixa de parafuso tem 60 unidades, portanto, precisaremos
de um número 𝑛 de caixas dado por:
4 ⋅ (5 + 49 ⋅ 4) 20 + 784 804
𝑛= = = = 13,4 ∴ 𝑝𝑟𝑒𝑐𝑖𝑠𝑎𝑟𝑒𝑚𝑜𝑠 𝑑𝑒 14 𝑐𝑎𝑖𝑥𝑎𝑠.
60 60 60
Gabarito: d)

19. (Fuvest/2015)
Na cidade de São Paulo, as tarifas de transporte urbano podem ser pagas usando o
bilhete único. A tarifa é de R$3,00 para uma viagem simples (ônibus ou metrô/trem) e de
R$4,65 para uma viagem de integração (ônibus e metrô/trem). Um usuário vai recarregar seu
bilhete único, que está com um saldo de R$12,50. O menor valor de recarga para o qual seria
possível zerar o saldo do bilhete após algumas utilizações é
a) R$0,85 b) R$1,15 c) R$1,45 d) R$2,50 e) R$2,80
Comentários
Para essa análise, podemos trabalhar com a proposta de exaustão, pois são poucas
possibilidades.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 86


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Imaginemos, inicialmente, que a pessoa utilize apenas bilhetes para viagens simples, ou seja,
de R$3,00 cada. Assim, para que o valor seja superior aos R$12,50 já presentes no bilhete único,
teríamos o mínimo de 5 viagens:
3 + 3 + 3 + 3 + 3 = 15 → 𝑎 𝑑𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖𝑡𝑎𝑟 𝑅$2,50
Caso a pessoa utilize apenas uma viagem de integração, teríamos:
3 + 3 + 3 + 4,65 = 13,65 → 𝑎 𝑑𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖𝑡𝑎𝑟 𝑅$1,15
Caso a pessoa utilize duas viagens de integração:
3 + 3 + 4,65 + 4,65 = 15,30 → 𝑎 𝑑𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖𝑡𝑎𝑟 𝑅$2,80
Caso a pessoa utilize três viagens de integração:
4,65 + 4,65 + 4,65 = 13,95 → 𝑎 𝑑𝑒𝑝𝑜𝑠𝑖𝑡𝑎𝑟 𝑅$1,45
Caso a pessoa utilize mais viagens do que as citadas, o valor seria sempre mais do que os
depósitos excedentes calculados.
Dentre as opções, o menor valor a ser depositado deve ser de R$1,15, ou seja, alternativa b).
Mas professor, não tem uma fórmula para resolver esse tipo de exercício?
Pois é, não tem. E isso é muito comum nas provas.
Como no exercício anterior, devemos utilizar os conhecimentos básicos adquiridos nos
ensinos fundamental e médio para resolver as situações-problema propostas.
Com a prática adquirida nos exercícios das aulas você será mais do que capaz de escapar
dessas armadilhas. Por isto nossas aulas contam com tantos exercícios resolvidos detalhadamente:
para proporcionar a você a experiência necessária para fazer uma excelente prova!
Não negligencie a parte de prática, ok? É aqui que você consolida seu conhecimento!
Vamos adiante.
Gabarito: b)

20. (Unicamp/2014)
Um investidor dispõe de 𝑅$ 200,00 por mês para adquirir o maior número possível de
ações de certa empresa. No primeiro mês, o preço de cada ação era 𝑅$ 9,00. No segundo mês
houve uma desvalorização e esse preço caiu para 𝑅$ 7,00. No terceiro mês, com o preço
unitário das ações a 𝑅$ 8,00, o investidor resolveu vender o total de ações que possuía.
Sabendo que só é permitida a negociação de um número inteiro de ações, podemos concluir
que com a compra e venda de ações o investidor teve
a) lucro de 𝑅$ 6,00. b) nem lucro nem prejuízo.
c) prejuízo de 𝑅$ 6.00. d) lucro de 𝑅𝑆 6,50.
Comentários
200
1º mês: Compra de = 22 ações ao custo 𝐶1 de 22 ⋅ 𝑅$ 9 = 𝑅$ 198
9

Aula 00 – Introdução à Álgebra 87


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200
2º mês: Compra de = 28 ações ao custo 𝐶2 de 28 ⋅ 𝑅$ 7 = 𝑅$ 196
7
3º mês: Venda de 22 + 28 = 50 ações ao valor 𝑉 de 50 ⋅ 𝑅$ 8 = 𝑅$ 400
Assim, o lucro 𝐿 é dado por 𝐿 = 𝑅$ 400 − 𝑅$ 198 − 𝑅$ 196 = 𝑅$ 6.
Gabarito: a)

21. (Fuvest/2014)
O número real x, que satisfaz 3 < x < 4, tem uma expansão decimal na qual os 999.999
primeiros dígitos à direita da vírgula são iguais a 3. Os 1.000.001 dígitos seguintes são iguais a
2 e os restantes são iguais a zero.
Considere as seguintes afirmações:
I. 𝑥 é irracional.
10
II. 𝑥 ≥
3
2.000.000
III. 𝑥. 10 é um inteiro par
Então,
a) nenhuma das três afirmações é verdadeira
b) apenas as afirmações I e II são verdadeiras
c) apenas a afirmação I é verdadeira
d) apenas a afirmação II é verdadeira
e) apenas a afirmação III é verdadeira
Comentários
Muito bem. Antes de julgar as afirmações, vamos explicitar nosso número x:
𝑥 = 3,3333 … 33 2222 … 22 0000 …
Obviamente, respeitados os números de casas decimais fornecidos de 999.999 casas decimais
com o algarismo 3, de 1.000.001 casas decimais com o algarismo 2 e de todas as seguintes com o
algarismo 0.
Assim, vejamos as afirmações.
I. x é irracional.
Como 𝑥 tem um número finito de casas decimais diferentes de zero, nesse caso 999.999 +
1.000.001 = 2.000.000, 𝑥 é racional, tornando a afirmativa falsa.
10
II. 𝑥 ≥
3
10
𝑥≥
3

Aula 00 – Introdução à Álgebra 88


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10
3,3333 … 33 2222 … 22 0000 … ≥
3
3,3333 … 33 2222 … 22 0000 … ≥ 3,3333 … 33 3333 … 33 3333 …
O que é falso.
III. 𝑥. 102.000.000 é um inteiro par
Quando multiplicamos um número por uma potência positiva de dez, acabamos por transpor
a vírgula para a direita um número de casas decimais igual à potência de dez multiplicada.
Sendo assim, nesse caso, ao multiplicarmos um número por 102.000.000 , levamos a vírgula
para a direita dois milhões de casas.
Se o nosso número 𝑥 tem exatamente dois milhões de casas diferentes de zero após a vírgula,
ao multiplicarmos esse número por 102.000.000 , ele se tornará um inteiro, pois todas as casas
restantes após a vírgula serão iguais a zero.
Desse modo, afirmativa verdadeira.
Gabarito: e)

22. (Fuvest/2013)
As propriedades aritméticas e as relativas à noção de ordem desempenham um
importante papel no estudo dos números reais. Nesse contexto, qual das afirmações abaixo é
correta?
a) Quaisquer que sejam os números reais positivos a e b, é verdadeiro que √𝑎 + 𝑏 =
√𝑎 + √𝑏.
b) Quaisquer que sejam os números reais a e b tais que 𝑎2 − 𝑏2 = 0, é verdadeiro que
𝑎 = 𝑏.
c) Qualquer que seja o número real a é verdadeiro que √𝑎2 = 𝑎.
d) Quaisquer que sejam os números reais a e b não nulos tais que 𝑎 < 𝑏, é verdadeiro
que ⁄𝑏 < 1⁄𝑎.
1

e) Qualquer que seja o número real a, com 0 < 𝑎 < 1, é verdadeiro que 𝑎2 ≤ √𝑎.
Comentários
a) Quaisquer que sejam os números reais positivos a e b, é verdadeiro que √𝑎 + 𝑏 =
√𝑎 + √𝑏.
Como comentado anteriormente, nem a potenciação nem a radiciação podem ser
desmembradas em somas ou subtrações. Para provar a afirmação como falsa, basta apresentarmos
um contraexemplo:
√1 + 1 = √1 + √1
√2 = 1 + 1
√2 = 2

Aula 00 – Introdução à Álgebra 89


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O que é absurdo, ou seja, a alternativa a) é falsa.


b) Quaisquer que sejam os números reais a e b tais que 𝑎2 − 𝑏2 = 0, é verdadeiro que
𝑎 = 𝑏.
Ao desenvolver, tomemos cuidado com os sinais envolvidos:
𝑎2 − 𝑏2 = 0
𝑎2 = 𝑏2
√𝑎2 = √𝑏2
±𝑎 = ±𝑏
𝑎 = ±𝑏
Ou seja, alternativa falsa.
Em nossa próxima aula, veremos com mais profundidade o que vem a ser a expressão √𝑎2 .
Alternativamente, podemos pensar também em um contraexemplo como fizemos na
alternativa anterior:
𝑎2 − 𝑏2 = 0
𝑎2 = 𝑏2
Peguemos os valores de 𝑎 = 1 e 𝑏 = −1.
(1)2 = (−1)2
1=1
E, apesar de termos 𝑎2 − 𝑏2 = 0 temos, claramente, 𝑎 ≠ 𝑏, tornando a alternativa também
falsa.
c) Qualquer que seja o número real a é verdadeiro que √𝑎2 = 𝑎.
Aqui há o mesmo erro apresentado na alternativa b). Perceba que para 𝑎 = −1 a equação
não se sustenta:
√𝑎2 = 𝑎
√(−1)2 = −1
Lembre-se da “tia” da escola: “Primeiro os parênteses!”.
√1 = −1
1 = −1
Como chegamos a um absurdo com 𝑎 = −1, não podemos afirmar que a equação é
verdadeira “qualquer que seja o número real 𝑎”.
Atenção: É plenamente possível encontrarmos algum 𝑎 que satisfaça a equação, o que não
se pode afirmar é que a equação vale para todo 𝑎, ok?
Como a alternativa fala em “qualquer que seja o número 𝑎”, não há escolha a não ser
classificá-la como falsa.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 90


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d) Quaisquer que sejam os números reais a e b não nulos tais que 𝑎 < 𝑏, é verdadeiro
que 1⁄𝑏 < 1⁄𝑎.
Vamos para mais um contraexemplo. Assumamos 𝑎 = −1 e 𝑏 = 1. Para esses valores, tem-
se como verdadeira a primeira parte 𝑎 < 𝑏, pois −1 < 1.
Vejamos se a segunda parte se sustenta:
1 1
<
𝑏 𝑎
1 1
<
1 −1
1 < −1
Outro absurdo.
e) Qualquer que seja o número real a, com 0 < 𝑎 < 1, é verdadeiro que 𝑎2 ≤ √𝑎.
Analisemos com calma.
Sabemos que, para todo 0 < 𝑎 < 1, 𝑎2 < 𝑎.
Se você não tomou isso como automático, pense no exemplo da pizza. Se alguém come
metade da metade de uma pizza, come menos que a metade, veja:
1 1 1
. <
2 2 2
1 2 1
( ) <
2 2
1 1
<
4 2
Desse modo, e como 0 < 𝑎 < 1, podemos dizer:
0<𝑎<1
Multiplicando todos os termos por 𝑎:
0 < 𝑎2 < 𝑎
Extraindo a raiz quadrada de todos os termos:

√0 < √𝑎2 < √𝑎


Como sabemos que 𝑎 é positivo, √𝑎2 = 𝑎, então:
0 < 𝑎 < √𝑎
Perceba o que conseguimos ao unir duas das informações obtidas:
0 < 𝑎2 < 𝑎
0 < 𝑎 < √𝑎
Unindo essas duas informações em uma única inequação, temos:

Aula 00 – Introdução à Álgebra 91


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0 < 𝑎 2 < 𝑎 < √𝑎


A afirmativa e) diz que
𝑎 2 ≤ √𝑎
O que está de acordo com nossa conclusão.
Gabarito: e)

23. (Unicamp/2011)
Quarenta pessoas em excursão pernoitam em um hotel.
Somados, os homens despendem 𝑅$ 2.400,00. O grupo de mulheres gasta a mesma
quantia, embora cada uma tenha pago 𝑅𝑆 64,00 a menos que cada homem.
Denotando por 𝑥 o número de homens do grupo, uma expressão que modela esse
problema e permite encontrar tal valor é
a) 2400𝑥 = (2400 + 64𝑥)(40 − 𝑥).
b) 2400(40 − 𝑥) = (2400 − 64𝑥)𝑥.
c) 2400𝑥 = (2400 − 64𝑥) (40 − 𝑥).
d) 2400(40 − 𝑥) = (2400 + 64𝑥)𝑥.
Comentários

n° de pessoas n° de homens n° de mulheres Gasto homem Gasto mulher

2400 2400
40 𝑥 40 − 𝑥 − 64
𝑥 𝑥

Pelo enunciado, podemos dizer que


𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑢𝑙ℎ𝑒𝑟𝑒𝑠 ⋅ 𝑔𝑎𝑠𝑡𝑜 𝑚𝑢𝑙ℎ𝑒𝑟 = 2400
2400
(40 − 𝑥) ⋅ ( − 64) = 2400
𝑥
2400 − 64𝑥
(40 − 𝑥) ⋅ ( ) = 2400
𝑥
(40 − 𝑥) ⋅ (2400 − 64𝑥) = 2400 ⋅ 𝑥
Gabarito: c)

24. (Fuvest/2010)
Leia a charge e responda.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 92


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a) Que motivo levou Mafalda a pedir para ir ao banheiro?


b) Enuncie e resolva o problema matemático apresentado à Mafalda.
Comentários
Ok, essa questão não é inteiramente matemática, ainda assim é uma questão interessante.
Vejamos:
a) Que motivo levou Mafalda a pedir para ir ao banheiro?
Analisando a tirinha, Mafalda foi ao banheiro para lidar com sua frustração de não conseguir
resolver o problema proposto na aula.
b) Enuncie e resolva o problema matemático apresentado à Mafalda.
Sem dar a mesma desculpa de Mafalda, vamos traduzir o enunciado em linguagem
matemática.
Primeiro, limpemos o texto. A tirinha traz as seguintes informações:
“O toneleiro passou 218 litros de um barril de vinho para 𝑔 garrafas de 75 centilitros.”
Ah, professor, está melhorando! Pelo menos agora não foi 𝑥...
Pois é, usemos, para variar, 𝑔 para simbolizar o número de garrafas necessárias à situação
proposta. Mas não se acostume, viu? Ainda sou fã do 𝑥...
Vamos lá.
Aqui nós precisaremos de um conhecimento sobre nomenclatura. O prefixo centi é usado
para quando queremos a centésima parte de algo, exatamente o que acontece com o centímetro
(que é a centésima parte do metro). Se preferir, pode pensar no centi como sendo a divisão por cem,
ou, alternativamente, como a multiplicação de algo por 10−2 .
Assim, 75 centilitros nada mais é do que 75⁄100 litros, ou 0,75 litros.
Dessa forma, o número 𝑔 de garrafas necessárias para conter 218 litros é dado por:
218
𝑔=
0,75
𝑔 = 290, 6̅

Aula 00 – Introdução à Álgebra 93


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Aula 00: ENEM

Uma observação é necessária antes de darmos nossa resposta. É razoável imaginar que todas
as garrafas sejam iguais e que não se possa pegar 0, 6̅ garrafas. Dessa forma, uma resposta mais
razoável é utilizarmos 291 garrafas.
Essa situação é muito comum em vestibulares. Fique atento ao perguntarem sobre leitos de
hospitais, lugares no cinema ou teatro, quantidade de caixas e embalagens... Não podemos contar
com frações desses itens, então é necessário adequar a resposta numérica obtida na resolução da
equação à situação particular de cada exercício. Fique de olho.
Gabarito: 291

25. (Fuvest/2008)
Sabendo que os anos bissextos são os múltiplos de 4 e que o primeiro dia de 2007 foi
segunda-feira, o próximo ano a começar também em uma segunda-feira será
a) 2012 b) 2014 c) 2016 d) 2018 e) 2020
Comentários
Mais um exemplo de exercício sem referência a uma fórmula pronta. Vejamos o que sabemos
acerca do assunto.
Você já deve ter percebido que seu aniversário, a cada ano que passa, “adianta” um dia na
semana a cada ano comum e dois dias a cada ano bissexto.
Não percebeu?
Então vamos verificar esse fato matematicamente. Acompanhe.
Uma semana tem 7 dias, um ano comum tem 365 dias e um ano bissexto tem 366 dias.
Vamos tentar relacionar esses números.
Qual é o número múltiplo de 7 mais próximo de 365?
Se você fizer a conta manualmente, verá que, a divisão de 365 por 7 deixa resto 1, o que
significa que 364 é o múltiplo de 7 mais próximo de 365.
Exatamente por isso, por 365 ser uma unidade à frente de um múltiplo de 7, que seu
aniversário “anda” um dia da semana por ano.
Perceba que no ano bissexto, seu aniversário (ou qualquer dia de referência), andará dois dias
ao invés de um, pois 366 está 2 unidades à frente de um múltiplo de 7.
Além disso, precisamos saber quais são os anos bissextos para conseguir uma dedução válida
no exercício.
A divisão de 2007 por 4 deixa resto 3, ou seja, 2007 está 3 anos à frente de um ano
bissexto, ou um ano antes de outro, se preferir.
Vamos fazer uma relação dos anos bissextos, sequencialmente, e dos dias da semana que
cada um “avança” na semana quando de sua passagem.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 94


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Aula 00: ENEM

Ano Bissexto Avança na semana Primeiro dia


2007 Não 1 dia Segunda-feira
2008 Sim 2 dias Terça-feira
2009 Não 1 dia Quinta-feira
2010 Não 1 dia Sexta-feira
2011 Não 1 dia Sábado
2012 Sim 2 dias Domingo
2013 Não 1 dia Terça-feira
2014 Não 1 dia Quarta-feira
2015 Não 1 dia Quinta-feira
2016 Sim 2 dias Sexta-feira
2017 Não 1 dia Domingo
2018 Não 1 dia Segunda-feira
2019 Não 1 dia Terça-feira
Dessa forma, percebemos que o próximo ano a ter seu primeiro dia em uma segunda-feira,
após 2007, será 2018.
Gabarito: d)

26. (Fuvest/2007)
Uma empresa de construção dispõe de 117 blocos de tipo X e 145 blocos de tipo Y. Esses
blocos têm as seguintes características: todos são cilindros retos, o bloco X tem 120 cm de
altura e o bloco Y tem 150 cm de altura.

A empresa foi contratada para edificar colunas, sob as seguintes condições: cada coluna
deve ser construída sobrepondo blocos de um mesmo tipo e todas elas devem ter a mesma
altura. Com o material disponível, o número máximo de colunas que podem ser construídas é
de
a) 55 b) 56 c) 57 d) 58 e) 59
Comentários
O enunciado apresenta várias informações. Para maior clareza, vamos dispor essas
informações de forma mais clara.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 95


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Tipo de Bloco X Y

Quantidade 117 145

Altura do bloco (cm) 120 150

Como temos que fazer sempre colunas de mesma altura, independentemente de serem feitas
com os blocos X ou Y, precisamos achar a altura que encaixe um número inteiro de blocos, tanto X
quanto Y.
A ferramenta para esse cálculo é o Mínimo Múltiplo Comum, nesse caso entre 120 e 150 que
são as alturas dos dois tipos de bloco. Fatorando 120 e 150 simultaneamente, chegamos a
𝑀𝑀𝐶 (120; 150) = 600, que representa a altura.
De posse do valor da altura, precisamos saber quantos blocos vão em cada coluna e quantas
colunas de cada tipo conseguimos fazer. Para facilitar o entendimento, ampliemos nossa tabela
inicial com esses dados.

Tipo de Bloco X Y

Quantidade 117 145

Altura do bloco (cm) 120 150

Altura da coluna (cm) 600 600

600 600
Blocos por coluna =5 =4
120 150

117 145
Quantidade de colunas ≅ 23 ≅ 36
5 4

Perceba que as divisões 117⁄5 e 145⁄4 não são exatas. Diferentemente dos exercícios
anteriores, aqui a aproximação foi para baixo. A pergunta se refere a quantas colunas conseguimos
fazer e, ao sobrar blocos insuficientes para fazer uma coluna, não podemos considerar uma coluna
feita, portanto, desconsideramos o resto das divisões e consideramos apenas as colunas inteiras.
Esse discernimento é muito importante ao interpretar o exercício e fornecer a resposta
correta.
Voltando ao cálculo, percebemos, pela tabela, que conseguimos 23 colunas com os blocos do
tipo X e 36 colunas com os blocos do tipo Y, totalizando 59 colunas completas.
Gabarito: e)

27. (Fuvest/2005)
O menor número inteiro positivo que devemos adicionar a 987 para que a soma seja o
quadrado de um número inteiro positivo é

Aula 00 – Introdução à Álgebra 96


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a) 37
b) 36
c) 35
d) 34
e) 33
Comentários
Excelente enunciado para praticar a tradução do Português para o “matematiquês”.
Chamando o número solicitado de 𝑥 e o quadrado de um número inteiro positivo de 𝑦 2 com
𝑦 ∈ ℕ (total falta de criatividade, eu sei... pode-se usar quaisquer letras para incógnitas no lugar dos
tradicionais 𝑥 e 𝑦, ok?), temos:
987 + 𝑥 = 𝑦 2
Analise comigo quais são os números quadrados de inteiros positivos:
1, 4, 9, 16, 25, 36, 49, … , 900, 961, 1024, 1089, 1156 …
Como queremos um número que somado a 987 dê um quadrado perfeito, o quadrado deve,
obrigatoriamente, ser superior a 987, assim nossas opções são resumidas a:
1024, 1089, 1156 …
Mas o exercício pediu o menor 𝑥 possível, então nossa escolha deve ser o menor quadrado
perfeito maior que 987, ou seja, 1024.
Perceba que 𝑦 2 = 1024, pois 𝑦 2 está simbolizando nosso quadrado de um número inteiro
positivo, ok?
Agora podemos, finalmente, escrever a equação referente ao problema:
987 + 𝑥 = 1024
Subtraindo 987 de ambos os termos da equação, temos:
𝑥 = 1024 − 987
𝑥 = 37
Gabarito: a)

28. (Unesp/2004)
Carlos trabalha como disc-jóquei (dj) e cobra uma taxa fixa de 𝑅$ 100,00, mais 𝑅$ 20,00
por hora, para animar uma festa. Daniel, na mesma função, cobra uma taxa fixa de RS 55,00,
mais 𝑅$ 35,00 por hora. O tempo máximo de duração de uma festa, para que a contratação
de Daniel não fique mais cara que a de Carlos, é:
a) 6 horas.
b) 5 horas.
c) 4 horas.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 97


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d) 3 horas.
e) 2 horas.
Comentários
Chamando 𝐶 o custo total de animação de Carlos para uma festa de ℎ horas e 𝐷 o custo total
de Daniel para uma festa de mesma duração, temos:
𝐷<𝐶
55 + 35ℎ < 100 + 20ℎ
15ℎ < 45
ℎ<3
Gabarito: d)

29. (Fuvest/2003)
Num bolão, sete amigos ganharam vinte e um milhões, sessenta e três mil e quarenta e
dois reais. O prêmio foi dividido em sete partes iguais. Logo, o que cada um recebeu, em reais,
foi:
a) 3.009.006,00
b) 3.090.006,50
c) 3.090.006,00
d) 3.090.006,50
e) 3.900.060,50
Comentários
Aqui temos uma rara pergunta direta. Basta dividir o prêmio pelo número de amigos.
Além da possibilidade de fazer a divisão manualmente, você pode fazer o cálculo mental, caso
queira.
Acompanhe uma sugestão para o cálculo mental.
Os sete amigos ganharam vinte e um milhões, sessenta e três mil e quarenta e dois reais.
Vamos, então, dividir por partes:
Vinte e um milhões divididos em partes iguais para sete amigos resultam em sete milhões.
Sessenta e três mil divididos em partes iguais para sete amigos resultam em nove mil.
Quarenta e dois reais divididos em partes iguais para sete amigos resultam e seis reais.
Assim, nosso resultado deve ser: sete milhões, nove mil e seis reais; R$3.009.006,00.
Aqui a opção foi pela escrita e não pela notação simbólica justamente por simbolizar o
pensamento. Tome muito cuidado com os cálculos mentais, pois podem levar a armadilhas. Essa
questão foi bem direta, com números múltiplos de sete em uma divisão por sete; isso não acontece
sempre.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 98


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Gabarito: a)

30. (Fuvest/2003)
As soluções da equação
𝑥−𝑎 𝑥+𝑎 2 (𝑎 4 + 1)
+ =
𝑥 + 𝑎 𝑥 − 𝑎 𝑎 2 (𝑥 2 − 𝑎 2 )
onde 𝑎 ≠ 0, são:
𝑎 𝑎
𝑎) − 𝑒
2 4
𝑎 𝑎
𝑏) − 𝑒
4 4
1 1
𝑐) − 𝑒
2𝑎 2𝑎
1 1
𝑑) − 𝑒
𝑎 2𝑎
1 1
𝑒) − 𝑒
𝑎 𝑎
Comentários
Uma questão um pouco mais técnica.
Perceba que a questão trata 𝑥 como variável e 𝑎 como constante, o que fica evidenciado ao
analisarmos as respostas contendo o termo 𝑎.
Assim, vamos resolver a equação em termos de 𝑥 e consideraremos o termo 𝑎 como
constante.
Dessa forma, temos:
𝑥−𝑎 𝑥+𝑎 2 (𝑎 4 + 1)
+ =
𝑥 + 𝑎 𝑥 − 𝑎 𝑎 2 (𝑥 2 − 𝑎 2 )
Como temos uma soma de frações, a primeira coisa é fazer o MMC entre os denominadores.
Podemos fazer o MMC entre todos os termos da equação ou apenas dos termos do primeiro
membro. Optaremos aqui pela segunda opção.
𝑥−𝑎 𝑥+𝑎 2 (𝑎 4 + 1)
+ = 2 2
𝑥 + 𝑎 𝑥 − 𝑎 𝑎 (𝑥 − 𝑎 2 )
(𝑥 − 𝑎 )2 + (𝑥 + 𝑎 )2 2(𝑎 4 + 1)
= 2 2
(𝑥 + 𝑎)(𝑥 − 𝑎) 𝑎 (𝑥 − 𝑎 2 )
Vamos desenvolver e simplificar o numerador da primeira fração.
(𝑥 − 𝑎 )2 + (𝑥 + 𝑎 )2 2(𝑎 4 + 1)
= 2 2
(𝑥 + 𝑎)(𝑥 − 𝑎) 𝑎 (𝑥 − 𝑎 2 )

Aula 00 – Introdução à Álgebra 99


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𝑥 2 − 2𝑎𝑥 + 𝑎2 + 𝑥 2 + 2𝑎𝑥 + 𝑎2 2(𝑎 4 + 1)


= 2 2
(𝑥 + 𝑎)(𝑥 − 𝑎) 𝑎 (𝑥 − 𝑎 2 )
𝑥 2 − 2𝑎𝑥 + 𝑎2 + 𝑥 2 + 2𝑎𝑥 + 𝑎2 2(𝑎 4 + 1)
= 2 2
(𝑥 + 𝑎)(𝑥 − 𝑎) 𝑎 (𝑥 − 𝑎 2 )
𝑥 2 − 2𝑎𝑥 + 𝑎2 + 𝑥 2 + 2𝑎𝑥 + 𝑎2 2(𝑎 4 + 1)
= 2 2
(𝑥 + 𝑎)(𝑥 − 𝑎) 𝑎 (𝑥 − 𝑎 2 )
2𝑥 2 + 2𝑎2 2(𝑎 4 + 1)
=
(𝑥 + 𝑎)(𝑥 − 𝑎) 𝑎2 (𝑥 2 − 𝑎2 )
Colocando 2 em evidência no numerador e desenvolvendo o produto do denominador
(lembre-se dos produtos notáveis!), ambos do primeiro termo da equação, e simplificando:
2(𝑥 2 + 𝑎 2 ) 2(𝑎 4 + 1)
=
(𝑥 2 − 𝑎 2 ) 𝑎 2 (𝑥 2 − 𝑎 2 )
2(𝑥 2 + 𝑎 2 ) 𝟐 (𝑎 4 + 1)
=
(𝒙𝟐 − 𝒂𝟐 ) 𝑎2 (𝒙𝟐 − 𝒂𝟐 )
Aqui, temos que fazer a ressalva de 𝑥 ≠ ±𝑎, ou corremos o risco de dividirmos por zero e
chegarmos a uma resposta inválida. Desse ponto em diante, nossas respostas não podem admitir
𝑥 = ±𝑎, tudo bem?
Continuemos simplificando...
(𝑥 2 + 𝑎 2 ) (𝑎 4 + 1)
=
1 𝑎2
𝑎4 + 1
𝑥 2 + 𝑎2 =
𝑎2
𝑎4 + 1
𝑥2 = 2
− 𝑎2
𝑎
Mais uma fração, portanto, mais um MMC.
𝑎4 + 1
𝑥2 = − 𝑎2
𝑎2
2
𝒂𝟒 + 1 − 𝒂𝟒
𝑥 =
𝑎2
1
𝑥2 = 2
𝑎

1
√𝑥 2 = √
𝑎2

1
𝑥 = ±√
𝑎2

Aula 00 – Introdução à Álgebra 100


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1
𝑥=±
𝑎
Criando um pouco de suspense: analisaremos com mais detalhes na próxima aula o que
acontece com √𝑥 2 .
É de extrema importância que você perceba o que foi feito aqui. Como a parte algébrica foi
um pouco extensa, é fácil se perder.
O exercício nos pediu para resolver uma equação, o que, você sabe, gera a necessidade de
uma resposta, ou seja, quais são os valores que satisfazem a condição inicial dada.
O exercício deixou claro, por meio das alternativas, que 𝑥 é a variável a ser descoberta e que
𝑎 é um termo fixo, que, inclusive, pode aparecer em nossa resposta como se um número fosse. E de
fato apareceu.
Sendo assim, nossa resposta para os possíveis valores de 𝑥 é:
1
𝑥=±
𝑎
Nota: ± não quer dizer, em matemática, “mais ou menos” no sentido popular de
“aproximadamente”. Aqui esse símbolo comunica exatamente a possibilidade dupla do sinal, ou
seja, ambas as possibilidades estão ali.
Uma forma mais explícita de escrevermos nosso resultado é:
1 1
𝑥=− 𝑜𝑢 𝑥 = +
𝑎 𝑎
Gabarito: e)

31. (Unesp/2003)
Por hipótese, considere
𝑎 = 𝑏
Multiplique ambos os membros por 𝑎
𝑎² = 𝑎𝑏
Subtraia de ambos os membros 𝑏²
𝑎² − 𝑏² = 𝑎𝑏 − 𝑏²
Fatore os termos de ambos os membros
(𝑎 + 𝑏)(𝑎 − 𝑏) = 𝑏(𝑎 − 𝑏)
Simplifique os fatores comuns
(𝑎 + 𝑏) = 𝑏
Use a hipótese que 𝑎 = 𝑏
2𝑏 = 𝑏
Simplifique a equação e obtenha

Aula 00 – Introdução à Álgebra 101


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2 = 1
A explicação para isto é:
a) a álgebra moderna quando aplicada à teoria dos conjuntos prevê tal resultado.
b) a hipótese não pode ser feita, pois como 2 = 1, 𝑎 deveria ser (𝑏 + 1).
c) na simplificação dos fatores comuns ocorreu divisão por zero, gerando o absurdo.
d) na fatoração, faltou um termo igual a −2𝑎𝑏 no membro esquerdo.
e) na fatoração, faltou um termo igual a +2𝑎𝑏 no membro esquerdo.
Comentários
O erro está na simplificação dos fatores comuns. Como 𝑎 é igual a 𝑏 (equação inicial), temos
que 𝑎 − 𝑏) = 0 e, ao dividir ambos os termos da equação por (𝑎 − 𝑏), o autor acabou por dividir
(
por zero, o que não é possível.
Gabarito: c)

32. (Fuvest/2002)
Maria quer cobrir o piso de sua sala com lajotas quadradas, todas com lado de mesma
medida inteira, em centímetros. A sala é retangular, de lados 2 m e 5 m. Os lados das lajotas
devem ser paralelos aos lados da sala, devendo ser utilizadas somente lajotas inteiras. Quais
são os possíveis valores do lado das lajotas?
Comentários
Muito bem. É mais comum nesse tipo de exercício a pergunta sobre o maior tamanho
possível, o que seria dado pelo Máximo Divisor Comum entre 200 cm e 500 cm 𝑀𝐷𝐶(200,500) (o
exercício informou em metros, mas pediu que fossem calculados os lados da lajota quadrada em
centímetros).
Nesse problema a pergunta se referiu aos possíveis valores para o lado das lajotas. Muita
atenção, quando se pergunta quais são os “possíveis” valores, não se está perguntando sobre
“alguns” valores e sim sobre “todos” os valores!
Comecemos com a análise dos divisores comuns entre 200 e 500.

Número Divisores

200 1, 2, 4, 5, 8, 10, 20, 25, 40, 50, 100, 200

500 1, 2, 4, 5, 10, 20, 25, 50, 100, 125, 250, 500

Como queremos todos os possíveis valores para uma lajota quadrada, perceba que
precisamos de um valor para o lado da lajota que permita um número inteiro de lajotas tanto no
lado de 5 metros quanto no de 2 metros da sala. Dessa forma, qualquer número que seja divisor de
ambos os números (5 m = 500 cm e 2 m = 200 cm) simultaneamente, representa uma possibilidade.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 102


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Assim, todos os possíveis valores inteiros para os lados das lajotas, em centímetros, são: 1, 2,
4, 5, 10, 20, 25, 50 e 100.
Gabarito: 1, 2, 4, 5, 10, 20, 25, 50, 100.

33. (Fuvest/2000)
Se x e y são dois números inteiros, estritamente positivos e consecutivos, qual dos
números abaixo é necessariamente um inteiro ímpar?
a) 2𝑥 + 3𝑦 b) 3𝑥 + 2𝑦 c) 𝑥𝑦 + 1
d) 2𝑥𝑦 + 2 e) 𝑥 + 𝑦 + 1
Comentários
Antes de iniciarmos a análise das alternativas, é importante notar que se temos dois números
consecutivos e estritamente positivos, um deles é par e o outro, ímpar. Além disso, a expressão
“estritamente positivos” exclui o zero das possibilidades.
Atenção: de 𝑥 e 𝑦, não sabemos quem é par e quem é ímpar.
Considerações feitas, vamos às análises
a) 2𝑥 + 3𝑦
Dessa soma, a parcela 2𝑥 é, com certeza, par, independente de 𝑥, pois o dobro de algo é
sempre par. Já não temos tanta certeza sobre a parcela 3𝑦, que pode ser tanto par (caso 𝑦 seja par)
quanto ímpar (caso 𝑦 seja ímpar).
Assim, não se pode ter certeza de que a soma seja par ou ímpar como quer o enunciado.
b) 3𝑥 + 2𝑦
Exatamente o mesmo caso da alternativa a), a parcela 3𝑥 pode ser tanto par quanto ímpar, a
depender do valor de 𝑥 ser par ou ímpar.
c) 𝑥𝑦 + 1
O produto 𝑥𝑦 é, com certeza, par, pois temos a multiplicação de um número par e outro
ímpar, independente de qual é qual (são dois números consecutivos, lembra? Com certeza um par
e outro ímpar).
Sendo assim, o produto 𝑥𝑦 par somado a 1 resulta em um número ímpar e esse é nosso
gabarito!
d) 2𝑥𝑦 + 2
O produto 𝑥𝑦 é, como já vimos na alternativa anterior, par. O dobro desse produto, 2𝑥𝑦,
continua a ser par e, a soma de um número par a 2, resulta, novamente, em um número par.
O exercício pede a expressão que resulta em um número ímpar, então essa alternativa não
obedece ao critério solicitado.
e) 𝑥 + 𝑦 + 1

Aula 00 – Introdução à Álgebra 103


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Essa é sutil. Perceba que temos, obrigatoriamente, um número par e um número ímpar entre
𝑥 e 𝑦.
Se somarmos 1 ao número ímpar, seja 𝑥 ou 𝑦, teremos um número par que, somado ao outro
par, soma par novamente, não atendendo à solicitação do enunciado de resultar em um número
ímpar.
Gabarito: c)

34. (Fuvest/1999)
Dados dois números reais a e b que satisfazem as desigualdades 1 ≤ 𝑎 ≤ 2 e 3 ≤ 𝑏 ≤
5, pode-se afirmar que
𝑎 2
𝑎) ≤
𝑏 5
𝑎 2
𝑏) ≥
𝑏 3
1 𝑎 2
𝑐) ≤ ≤
5 𝑏 3
1 𝑎 1
𝑑) ≤ ≤
5 𝑏 2
3 𝑎
𝑒) ≤ ≤ 5
2 𝑏
Comentários
Analisemos cada uma das alternativas.
𝑎 2
𝑎) ≤
𝑏 5
Para que essa desigualdade seja sempre verdadeira, analisaremos o pior caso possível, ou
seja, quando a fração 𝑎⁄𝑏 é a maior possível. Se mesmo com a maior fração possível ela ainda for
menor ou igual a 2⁄5, a desigualdade será verdadeira para quaisquer outros valores nos intervalos
dados.
Para que a fração 𝑎⁄𝑏 seja a maior possível, queremos o maior denominador possível, ou seja,
o maior 𝑎 possível, e o menor denominador, o menor valor de 𝑏.
Dos intervalos dados no enunciado, vemos que o maior valor para 𝑎 é 𝑎 = 2 e o menor valor
para 𝑏 é 𝑏 = 3. Assim, a desigualdade, em sua condição extrema, é dada ppor:
𝑎 2

𝑏 5
2 2

3 5
0, 6̅ ≤ 0,4
O que, claramente, é falso.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 104


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𝑎 2
𝑏) ≥
𝑏 3
Aqui o raciocínio é similar, porém invertido.
Se queremos a fração 𝑎⁄𝑏 maior que algo, a pior situação possível é a menor dessas frações
e esse caso se dá com o menor 𝑎 e o maior 𝑏 possíveis, ou seja, 𝑎 = 1 e 𝑏 = 5.
𝑎 2

𝑏 3
1 2

5 3
3 10

15 15
0,2 ≥ 0, 6̅
Qualquer que seja sua notação favorita, percebe-se claramente a falsidade da inequação.
1 𝑎 2
𝑐) ≤ ≤
5 𝑏 3
Nessa alternativa, faremos duas comparações, uma para 1⁄5 ≤ 𝑎⁄𝑏 e outra para 𝑎⁄𝑏 ≤ 2⁄3.
Apenas para o caso de ambas serem verdadeiras, a alternativa será aceitável.
Lembre-se: para 𝑎⁄𝑏 maior que algo, usaremos a menor fração possível, ou seja, 𝑎⁄𝑏 = 1⁄5;
enquanto para 𝑎⁄𝑏 menor que algo, usaremos a maior fração possível, 𝑎⁄𝑏 = 2⁄3.
1 𝑎 2
≤ ≤
5 𝑏 3
1 𝑎 𝑎 2
≤ ≤
5 𝑏 𝑏 3
1 1 2 2
≤ ≤
5 5 3 3
𝑉 𝑉
Como, em ambas, temos ≤, ambas são verdadeiras, ou seja, a alternativa c) é o nosso
gabarito!
Vejamos o motivo de as restantes serem falsas...
1 𝑎 1
𝑑) ≤ ≤
5 𝑏 2
Mesmo raciocínio e condições anteriores:
1 𝑎 1
≤ ≤
5 𝑏 2
1 𝑎 𝑎 1
≤ ≤
5 𝑏 𝑏 2

Aula 00 – Introdução à Álgebra 105


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1 1 2 1
≤ ≤
5 5 3 2
𝑉 𝐹
Como só uma parte é verdadeira, a alternativa é falsa.
3 𝑎
𝑒) ≤ ≤5
2 𝑏
3 𝑎
≤ ≤5
2 𝑏
3 𝑎 𝑎
≤ ≤5
2 𝑏 𝑏
3 1 2
≤ ≤5
2 5 3
𝐹 𝑉
Novamente, como só uma parte é verdadeira, a alternativa é falsa.
Gabarito: c)

35. (Fuvest/1999)
Um nadador, disputando a prova dos 400 metros, nado livre, completou os primeiros
300 metros em 3 minutos e 51 segundos. Se este nadador mantiver a mesma velocidade média
os últimos 100 metros, completará a prova em
a) 4 minutos e 51 segundos. b) 5 minutos e 8 segundos.
c) 5 minutos e 28 segundos. d) 5 minutos e 49 segundos.
e) 6 minutos e 3 segundos.
Comentários
Novamente, aqui temos uma situação-problema que pode ser resolvida de diversas maneiras,
inclusive com a fórmula a posição do Movimento Uniforme MU que você já deve ter estudado nas
aulas de Física.
Daremos ênfase aqui em uma resolução dedutiva, sem a utilização da fórmula do MU. Caso
seja de seu interesse, resolva-a também pela fórmula, assim você aproveita para revisar o conteúdo!
Vamos lá.
Pelo enunciado, o nadador deverá chegar à marca dos 400 metros, mas ainda está na marca
dos 300 metros com um tempo de 3 minutos e 51 segundos.
Muito bem.
Se ele já nadou 300 metros, faltam 100 metros.
Se ele nadou 300 metros em 3 minutos e 51 segundos, deve nadar 100 metros em um terço
desse tempo, ou seja, 1 minuto e 17 segundos, já que a suposição do exercício é a de que ele
mantenha a mesma velocidade média.

Aula 00 – Introdução à Álgebra 106


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Se ele nadou 300 metros em 3 minutos e 51 segundos e ainda faltam 100 metros, nos quais
ele deve gastar mais 1 minuto e 17 segundos, seu tempo total será igual à soma de 3 minutos e 51
segundos a 1 minuto e 17 segundos.
Façamos essa soma com cuidado:

Minutos Segundos

3 51
+
1 17

4 68

Tome cuidado: nossa resposta seria, se em uma base decimal, 4 minutos e 68 segundos. No
entanto, sabemos que não contamos os segundos de um minuto de 100 em 100 e sim de 60 em 60.
Professor, como faço então?
Simples.
Os 68 segundos indicados na soma são, na verdade, 1 minuto e 8 segundos; esse minuto extra
é somado à resposta já obtida de 4 minutos, totalizando 5 minutos e 8 segundos.
Gabarito: b)

36. (Fuvest/1999)
Se a equação 8𝑥 3 + 𝑘𝑥 2 − 18𝑥 + 9 = 0 tem raízes reais 𝑎 e −𝑎, então o valor de 𝑘 é:
9
𝑎)
4
𝑏) 2
9
𝑐)
8
𝑑) − 2
𝑒) − 4
Comentários
Muito bem. Nessa equação, sabemos que tanto 𝑎 quanto −𝑎 são raízes. Sejamos obedientes
e façamos as duas substituições de maneira separada:
Substituindo 𝑥 por 𝑎:
8𝑥 3 + 𝑘𝑥 2 − 18𝑥 + 9 = 0
8𝑎3 + 𝑘𝑎2 − 18𝑎 + 9 = 0
Substituindo 𝑥 por −𝑎:
8𝑥 3 + 𝑘𝑥 2 − 18𝑥 + 9 = 0
8(−𝑎)3 + 𝑘 (−𝑎)2 − 18(−𝑎) + 9 = 0

Aula 00 – Introdução à Álgebra 107


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−8𝑎3 + 𝑘𝑎2 + 18𝑎 + 9 = 0


Como as duas substituições têm como resultado 0, podemos dizer que ambas têm o mesmo
valor numérico, ou seja, podemos igualá-las.
8𝑎3 + 𝑘𝑎2 − 18𝑎 + 9 = −8𝑎3 + 𝑘𝑎2 + 18𝑎 + 9
Simplificando:
8𝑎3 + 𝑘𝑎2 − 18𝑎 + 9 = −8𝑎3 + 𝑘𝑎2 + 18𝑎 + 9
8𝑎3 + 𝒌𝒂𝟐 − 18𝑎 + 𝟗 + 8𝑎3 − 𝒌𝒂𝟐 − 18𝑎 − 𝟗 = 0
16𝑎3 − 36𝑎 = 0
Colocando 4𝑎 em evidência.
16𝑎3 − 36𝑎 = 0
4𝑎(4𝑎2 − 9) = 0
Como temos uma multiplicação de três termos esse produto é igual a zero, temos,
obrigatoriamente, um deles iguais a zero. Analisemos as possibilidades:
4=0 𝑎=0 4𝑎2 − 9 = 0
𝑖𝑚𝑝𝑜𝑠𝑠í𝑣𝑒𝑙 4𝑎2 − 9 = 0
4𝑎2 = 9
𝑎2 = 9⁄4

𝑎 = ±√9⁄4

𝑎 = ± 3⁄2
Perceba que, aqui, conseguimos 3 possibilidades para o valor de 𝑎, mas a questão nos
solicitou o valor de 𝑘, não de 𝑎.
Apesar de o valor de 𝑎 nos ajudar a alcançar o valor solicitado, de 𝑘, ainda não chegamos à
resposta.
Para conseguir o valor de 𝑘, como já conseguimos os valores de 𝑎, que são, na verdade, raízes
da equação, vamos fazer uma nova substituição para calcular o valor solicitado. Acompanhe.
Substituindo 𝑥 por 𝑎 = 0:
8𝑥 3 + 𝑘𝑥 2 − 18𝑥 + 9 = 0
8. 03 + 𝑘. 02 − 18.0 + 9 = 0
9=0
𝑖𝑚𝑝𝑜𝑠𝑠í𝑣𝑒𝑙
Não sendo suficiente para calcular o valor de 𝑘 com essa substituição, avancemos para a
próxima substituição possível.
Substituindo 𝑥 por 𝑎 = 3⁄2:

Aula 00 – Introdução à Álgebra 108


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8𝑥 3 + 𝑘𝑥 2 − 18𝑥 + 9 = 0
3 3 3 2 3
8. ( ) + 𝑘. ( ) − 18. ( ) + 9 = 0
2 2 2
27 9 3
𝟖. + 𝑘. − 𝟏𝟖. + 9 = 0
𝟖 4 𝟐
9
27 + 𝑘. − 27 + 9 = 0
4
9
27 + 𝑘. − 27 + 9 = 0
4
9
𝑘. + 9 = 0
4
9
𝑘. = −9
4
𝟗. 4
𝑘=−
𝟗
𝑘 = −4
Gabarito: e)

37. (Fuvest/1997)
O menor número natural 𝑛, diferente de zero, que torna o produto de 3888 por 𝑛 um
cubo perfeito é
a) 6 b) 12 c) 15 d) 18 e) 24
Comentários
Novamente, traduzamos o texto em linguagem matemática:
Produto de 3888 por 𝑛 → 3888. 𝑛
Um cubo perfeito → 𝑦 3 , com 𝑦 ∈ ℕ.
Agora a equação completa:
3888. 𝑛 = 𝑦 3
Aqui temos uma proposta ligeiramente diferente do que fizemos no exercício 04, apesar da
proximidade dos enunciados.
Nesse caso, fatoremos o 3888=24 . 35 = 23 . 21 . 33 . 32 .
Mas professor, por que você separou em mais de um fator de 2 e mais de um fator de 3?
Simples, jovem padawan, separamos assim para explicitar a potência de três, já que estamos
procurando justamente um cubo perfeito, lembra?
Voltemos à nossa equação principal:
3888. 𝑛 = 𝑦 3

Aula 00 – Introdução à Álgebra 109


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24 . 35 . 𝑛 = 𝑦 3
23 . 21 . 33 . 32 . 𝑛 = 𝑦 3
Percebe que há termos cuja potência não são múltiplas de 3?
Para que tenhamos um cubo perfeito, seria interessante que todas as potências fossem
múltiplas de 3 e como o enunciado pede o menor 𝑛 possível, faremos com os menores fatores
possíveis.
23 . 21 . 22 . 33 . 32 . 31 = 𝑦 3
Perceba que substituímos o fator 𝑛 por 22 . 31 , deixando, assim, as potências todas múltiplas
de 3 e com as menores inserções possíveis, veja:
23 . 23 . 3 3 . 33 = 𝑦 3
O exercício solicitou o menor 𝑛 a ser multiplicado por 3888. Percebemos no desenvolvimento
que a menor inserção foi possível quando 𝑛 = 22 . 31 , ou seja, 𝑛 = 4.3 = 12, o que nos faz escolher
a alternativa b) como correta.
Perceba que, com a mesma situação, poderíamos ter muitas outras questões, como:
Qual é o cubo formado? (𝑦 3 = 3888.12 = 46656)
O cubo formado tem qual base? (𝑦 3 = 3888.12 = 46656 → 𝑦 = 36)
Ressalto a importância de, após os cálculos, retornar ao enunciado e responder exatamente
o que foi perguntado, sobretudo em questões abertas. Fique de olho!
Gabarito: b)

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10. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Ufa!
Passamos boas horas juntos.
Muitos dos assuntos dessa aula serão recorrentes por todo o curso. Mesmo sendo a nossa
aula inicial, esses assuntos são muito importantes e devem receber a sua devida atenção.
Agora é revisar e ir para a próxima aula, pois há muito mais pela frente.
Novamente, se surgirem dúvidas (e é natural que elas surjam), utilize o fórum de dúvidas no
site do Estratégia. Suas dúvidas são levadas muito a sério por nós.
Grande abraço e bons estudos.

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