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Eldy Santos Ribeiro

201501210734
Segundo a trama do filme, situado em 2054, John Anderton é o líder
de oficiais de um programa denominado Pré-crime, cuja missão
consiste em antecipar o cometimento do delito e capturar o infrator
antes sequer do início do iter criminis. Além de ser questionável
essa função preventiva, todo sistema se baseia nas previsões de
três cognitivos: Dashiell, Arthur e Agatha, que captam as intenções
dos futuros criminosos e enviam as informações para os oficiais do
Pré-crime que então correm até o local e evitam a consumação
deste, a vítima é salva e o possível homicida preso, mesmo que
ainda não tenha praticado o crime. A trama tem lugar no momento
em que está sendo discutida, por um referendo nacional, a
ampliação ou não desse programa experimental de prevenção de
homicídios para o país inteiro.
De um lado, temos o personagem do Tom Cruise e todos os
envolvidos com o programa, em especial seu criador, que dizem ser
de sucesso com o argumento de que desde que foi implantado não
houve um único assassinato, ou seja, conseguiram evitar todos. E
do outro, os representantes do Departamento de Justiça, na figura
do personagem do Colin Farrell, que querem o seu fim e para isso
procuram falhas no sistema. Aliado a isso, Anderton recebe um
chamado de um crime, que ele mesmo deve cometer, contra
alguém que não conhece. Assim, o sistema que sempre defendeu
está contra ele e sua única alternativa é fugir e tentar entender os
segredos ainda escondidos intencionalmente a respeito do Minority
Report, pois só eles podem ajudar a inocentá-lo e provar de uma
vez por todas se o sistema realmente funciona.
Até o final do filme, Anderton comprova que o sistema que tanto se
confia poderia ser manipulado pelo fator humano e se dá conta de
que existe uma realidade alternativa para todos, e o futuro pode ser
mudado através das escolhas que fazemos, mesmo conhecendo
esse futuro. E em vez de ser lançado no âmbito nacional, o
programa de Pré-crimes é cancelado e abandonado, e seus presos,
soltos.
Para nós, interessados em todo esse universo que envolve crimes e
penas, o filme é um “prato cheio” para discussões. A mais
interessante é a dificuldade em achar um equilíbrio entre
mecanismos de eficiência na prevenção de crimes e o respeito aos
direitos dos cidadãos, como uma sociedade democrática em que o
Estado de Direito constitui um valor fundamental. Ademais, também
se mostra discutível a larga utilização de técnicas modernas de
monitoramento e investigação e até qual ponto não se restringe
indevidamente a intimidade e privacidade.
Embora seja uma obra de ficção que se passa em um futuro
distante, os problemas ressaltados são atuais e constituem pauta
de relevância no debate das políticas preventivas aos delitos. Na
seara das Ciências Criminais, nunca houve um sadio equilíbrio
entre a eficiência na prevenção de delitos e o inabalável respeito
aos direitos e garantias fundamentais, sendo que a adoção de
medidas extremas figura como expedientes simbólicos, não guiados
para a coação psicológica, mas para o entorpecimento do medo e
paranoia da sociedade.

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