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2º Teste de Ética

Doutrinas sobre a Ética:

5. Ética Cristã:
O Cristianismo destaca-se sobre o que restou do mundo greco-romano e no século
IV torna-se a religião oficial de Roma, é o fim do "mundo antigo": a servidão
substituiu a escravidão e sobre essas bases se constrói a sociedade feudal,
extremamente estratificada e hierarquizada. Nessa sociedade fragmentada
económica e politicamente, verdadeiro mosaico de feudos, a religião passa a ser a
garantia de uma certa unidade social.
Por este motivo a política fica dependente dela e a Igreja Católica passa a exercer,
além de poder espiritual, o poder temporal e a monopolizar, também, a vida
intelectual. É claro, a ética fica sujeita a esse conteúdo religioso. Os filósofos
cristãos tiveram uma dupla atitude diante da ética:
• Absorveram o ético no religioso, fundamentando em Deus os princípios da
moral. Deus, criador do mundo e do homem, é concebido como um ser
pessoal, bom, onisciente e todo-poderoso;
• O homem, como criatura de Deus, passa a ter seu fim último Nele, que é o
seu bem mais alto e valor supremo, a quem deve obediência e a sujeição a
seus mandamentos.
Num outro sentido, também, aproveitaram muitas das ideias da ética grega –
principalmente, platônicas e estoicas - de tal modo que partes dessa ética, como a
doutrina das virtudes e sua classificação inseriram-se quase na sua totalidade na
ética cristã. É claro o que enquanto certas normas éticas eram assimiladas, outras,
por sua incompatibilidade com os ensinamentos cristãos eram rejeitadas.
A ética cristã é uma ética subordinada à religião num contexto em que a filosofia é
"serva" da teologia. Temos, então, uma ética limitada por parâmetros religiosos e
dogmáticos. Uma ética que tende a controlar o comportamento dos homens com
vistas a um outro mundo (o reino de Deus), colocando o seu fim ou valor supremo
fora do homem, na divindade e num mundo onde possa viver uma vida plena e feliz,
livre das desigualdades e injustiças do mundo terreno. Ela introduz uma ideia,
verdadeiramente, inovadora de que todos seriam iguais diante de Deus e seriam
chamados a alcançar a perfeição e a justiça num mundo sobrenatural, o reino dos
Céus.

6. Ética Kantiana (meados do século XVIII):


A ética corrente no mundo era a cristã. Este tipo de ética tem vários pontos de vista
dependendo dos autores:

• Spinoza (1632-1677):
Adapta o estoicismo a um panteísmo evoluído, podendo ser considerado um
ateísmo (Deus é tudo, Deus=Natureza). O sábio chega ao conhecimento perfeito
com a intuição que Deus é o mundo ou o mundo é Deus. A verdadeira ética é uma
ética racional e resume -se na obediência a Deus com o máximo de empenho
interior, obedecendo, desse modo, a Deus, o Homem obedece a si mesmo e nada o
perturba.
• David Hume (1711-1776):
Defende que a razão não é capaz de fomentar a permanência e a coesão. Para
Hume a sociedade não é resultado da astúcia da razão. Aproxima-se de Pascal: a
natureza humana Não é redutível a razão, a vontade, o sentimento, a capacidade
efetiva, a imaginação, são vitalmente mais importantes. Hume não era um
moralista normativo mas sim descritivo- fixa-se na origem das ideias morais, a fim
de determinar em que medida os sentimentos básicos (que derivam das ideias
morais) são capazes de explicar a vida coletiva que é, a essência, o mundo moral.
Hume, seguindo o espírito científico, considera que a moralidade se deve apoiar em
questões de facto. Para ele a justiça é a virtude suprema. A justiça é o vínculo da
vida social, ou seja, as regras de justiça têm por objeto o bem ou o interesse
comum, a utilidade de todos, mas, politicamente, o vínculo é a sua utilidade.
• Kant (1724-1804):
Em concordância com David Hume, defende que a ética não tem fundamentos
científicos, e menos ainda metafísicos. É algo para além dos hábitos sociais, resulta
da lei moral intrínseca ao homem. Para Kant, os princípios da ética são imperativos
categóricos: são imperativos porque, a lei moral não aconselha, mas manda; são
categóricos, porque não é um juízo hipotético mas absoluto. Kant condena o
prêmio. O princípio de ação tem de ser a própria ação: “não atues para conseguir
algo, mas de tal modo que o valor da tua conduta possa atrair a liberdade humana.”
A ética Kantiana não dita conteúdos, mas apenas as normas formais: “atua de tal
modo que possas querer que essa atuação se converta em lei universal.”
Exemplificando, não é ético roubar visto que, o roubo não se converte em lei
universal. Assim, atuar por dever é a necessidade de cumprir uma ação por respeito
à lei e não por temor à lei.
Mas não a uma lei exterior, mas sim intrínseca, o imperativo categórico pressupõe
uma vontade humana autónoma e livre. Se o homem não se sentisse livre seria
obrigado a obedecer, portanto a lei moral seria absurda. Em jeito de conclusão,
para Kant, só o homem que procura o dever pelo dever poderá esperar tudo: o bem
supremo.

7. Pensamento de Adam Smith (1723-1790):


Para Adam Smith a simpatia é a condição necessária e suficiente para
fundamentar a moral. Julgar é aprovar ou desaprovar e isso não mais do que uma
demonstração da presença ou da ausência de simpatia. Mais do que exterior, é
algo interior a cada um de nós, e tanto mais quanto o seu juízo é função da nossa
própria experiência. Só assim nos podemos converter ao espectador imparcial da
nossa própria conduta e do nosso carácter, o que implica o desejo de ganhar o
respeito dos outros, mas também de nós próprios. Há algumas diferenças entre
Hume e Smith: enquanto, em Hume, permanece a ideia de que toda a ação tem um
fim prático, Smith insiste em que, quando aprovamos a conduta de um homem, o
fazemos porque é apropriada e não é só útil. O Homem, para Smith, não atua com
vista a obter uma utilidade, ainda que isto não impeça de reconhecer que as ações
virtuosas são uteis e as viciosas não são. São as regras de conduta que tornam
possível a vida em sociedade e a cooperação. O Homem necessita de se integrar
num grupo para sobreviver e para se desenvolver, por essa razão, a natureza, na
sua sabedoria, dotou a raça humana de aptidões e qualidades que a induzem à vida
em sociedade e, inclusive, que a movem a buscar o respeito e a aprovação dos
outros. Para além da simpatia e das paixões, as virtudes, apesar do papel central
da simpatia, que é pedra angular da sua filosofia, do sistema conceptual que
constrói, o sistema moral de Smith é, na realidade, um sistema adornado de
virtudes.

8. Utilitarismo de Stuart Mill (1806-1873):


Seus principais expoentes são Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill
(1806-1873). O utilitarismo, como é evidente (em si), postula que todos os homens
agem, buscando ou evitando a dor. O prazer é identificado com a felicidade. E o fim
dos atos humanos é conseguir a máxima felicidade possível. A tarefa da ética é
descobrir que espécies de atos aumentam a felicidade humana. Se essas ações
que aumentam a felicidade são, moralmente, boas e obrigatórias pela própria
natureza do homem, que, necessariamente, procura a felicidade. As ações são
consideradas boas ou más, de acordo com as suas consequências de produzir
felicidade ou dor. Bentham chamou de “utilidade” a propriedade do ato de produzir
felicidade: eis porque essa teoria é chamada de utilitarismo.
Bentham era da opinião de que todos os prazeres podiam ser medidos
quantitativamente. Os diferentes tipos de prazer podem ser reduzidos a unidades
de prazer, e assim é possível calcular a grandeza da felicidade. A tarefa da ética é
ajudar-nos a escolher aquelas ações que produzem o máximo de felicidade. Os
homens são, basicamente, egoístas, mas eles são compelidos, também, a
considerar a felicidade de outras pessoas, porque precisam da cooperação de seus
semelhantes para a sua própria felicidade. Assim, o ato moralmente bom é aquele
que produz maior felicidade no maior número de pessoas.
Mill aceitava os princípios básicos do utilitarismo de Bentham, mas, rejeitava a
opinião de que todos os prazeres podem ser medidos quantitativamente. Os
prazeres diferem qualitativamente; por isso, dever-se-ia tentar ter prazeres que
beneficiassem, de preferência, os seres humanos racionais, e não os animais.
Também, acentuou o caráter social da felicidade, mais do que o fazia Bentham pois
para ele o objetivo das ações morais não é apenas a felicidade pessoal, mas a
maior felicidade de todos os membros da sociedade.

O conceito de Direito e a ideia de justiça:


O direito é uma ordem da conduta humana. Uma “ordem” é um sistema de regras.
O Direito é um conjunto de regras que possui o tipo de unidade que entendemos
por sistema, não sendo apenas uma regra. O conceito de direito é desenvolvido de
modo a corresponder a um ideal específico de justiça, ou seja, o da democracia e
do liberalismo. Direito e justiça são dois conceitos diferentes. O direito,
considerado como distinto da justiça, é o direito positivo. É o conceito de Direito
positivo que está em questão aqui: e uma ciência de Direito positivo deve ser
claramente distinguido de uma filosofia de justiça. A tendência de identificar
Direito e justiça é a tendência de justificar uma dada ordem social. É uma
tendência política não científica. Uma teoria pura do Direito, ao se declarar
incompetente para responder se uma dada lei é justa ou injusta ou no que consiste
o elemento essencial da justiça, não se opõe de modo algum a essa exigência: o
que realmente significa dizer que uma ordem social é justa? Significa que essa
ordem regula a conduta dos homens de modo satisfatório a todos, ou seja, que
todos os homens encontram nela a sua felicidade.
A justiça é a felicidade social. A justiça, como um julgamento subjetivo de valor,
apresenta-se por não poder existir nenhuma ordem “justa”, ou seja, uma ordem
que proporcione felicidade a todos, esta procura concretizar a felicidade não
individual, mas a felicidade de um maior número de indivíduos.
Mas quais as necessidades humanas dignas de serem satisfeitas e, em especial,
em que a ordem dá importância? Essas questões não podem ser respondidas por
meio de cognição racional. A resposta a elas é um julgamento de valor,
determinado por fatores emocionais e, por consequência, de carácter subjetivo
válido apenas para o sujeito que julga e, por conseguinte, apenas relativo. A
resposta será diferente conforme seja dada por um cristão convicto, que considera
o bem-estar da sua alma no além-mundo mais importante que os bens terrenos, ou
por um materialista, que não acredita em vida após a morte e será diferente ainda
conforme considere a liberdade pessoal como um bem supremo, isto é, o
liberalismo, ou por quem considera a segurança social e a igualdade de todos os
homens como superiores à liberdade, ou seja, o socialismo.
✓ Direito positivo:
▪ O direito imposto pela autoridade do legislador, dotado de validade,
pertencente a um determinado sistema jurídico.
▪ Provém dos órgãos do poder (Lei), sendo o conjunto de princípios e
regras que regem a vida social de determinado povo, numa determinada
época, tornando-se, deste modo, variável e oposto ao direito natural.
▪ Relaciona-se com os ideais em vigor de um povo, que inclui a disciplina
da conduta humana, leis votadas e discutidas por órgãos competentes
eleitos, indiretamente pelo povo, regulamentados por disposições
normativas.
▪ Neste direito, é o estado que legisla através dos seus órgãos
competentes, privilegiando sempre e apenas a vontade humana,
correndo risco de provocar descontentamento nas pessoas que não se
revêm nessa atuação do Estado.
✓ Direito natural:
▪ Corresponde aos valores e princípios que são inerentes ao homem e a
vida humana, procurando regular a vida em comunidade entre os
homens e as suas convicções.
▪ A moral, por sua vez, é o código de comportamento de uma sociedade.
▪ A ética procura reunir o dever ser de todas as comunidades
independentemente da religião, etnia, tradições e convicções. O
comportamento humano é definido em criança, pela família, que lhe
incute o que é justo e injusto, bom e mau, correto e incorreto. Quando a
criança cresce, é livre para questionar os valores transmitidos, podendo
aceita-los, rejeitá-los, ou adapta-los. Deste modo, o direito natural tem
como objetivo avaliar as opções humanas com o propósito do homem
agir correta e razoavelmente.
✓ Dualismo do Direito positivo e do Direito natural:
Característico da doutrina do Direito natural, lembra o dualismo metafísico da
realidade e a ideia platónica. O cento da filosofia de Platão é a sua doutrina das
ideias. De acordo com essa doutrina, o mundo é dividido em duas esferas
diferentes: uma é a do mundo visível, percetível pelos nossos sentidos, o que
chamamos de realidade; a outra é a do mundo invisível das ideias.
Esse dualismo entre realidade e ideia, entre o mundo imperfeito dos nossos
sentidos e o outro perfeito, inacessível à experiência dos nossos sentidos, o
dualismo entre a natureza e a supranatural, entre o natural e o sobrenatural, o
empírico e o transcendental, o aqui e o além, essa reduplicação do mundo é um
elemento não apenas da filosofia de Platão, é um elemento típico de toda a
interpretação metafísica ou, o que redunda no mesmo, de toda a interpretação
religiosa do mundo. Se o homem possuísse um discernimento completo do mundo
das ideias, ele seria capaz de adaptar o se mundo e, em especial, o seu mundo
social, a sua conduta, a esse padrão ideal. Por conseguinte, não haveria mais um
mundo empiricamente real, distinto de um mundo transcendental ideal. O ideal
seria o real. O Direito positivo seria supérfluo, ou melhor, desprovido de sentido.
Caso houvesse uma justiça objetivamente reconhecível, não haveria Direito
positivo e, consequentemente, Estado; pois não seria necessário coagir as pessoas
a serem felizes.

✓ Justiça e paz:
A justiça é uma ideia irracional. Não está só sujeita à cognição, existem apenas
interesses e, consequentemente, conflitos de interesses. A solução pode ser
alcançada por uma ordem que satisfaça um interesse em detrimento de outro ou
que procure alcançar um compromisso entre interesses opostos. Tal cognição pode
entender apenas uma ordem positiva enunciada por atas determináveis
objetivamente. Essa ordem é o Direito Positivo.

✓ Justiça e legalidade:
É justo que uma regra seja aplicada em todos os casos em que, de acordo com o
seu conteúdo, esta regra deva ser aplicada, em contrapartida, é injusto que ela seja
aplicada num caso e não noutro caso similar. Justiça significa a manutenção de
uma ordem positiva através da sua aplicação escrupulosa. A declaração de que
uma conduta é legal ou ilegal tem de ser independente das vontades e dos
sentimentos do sujeito que julga.
A teoria social e o poder da justiça:
Não se trata de um estudo que procura determinar como os homens deveriam de
agir, mas sim como eles efetivamente agem e têm de agir, de acordo com as leias
de causa e efeito.
Essa transformação da ciência das relações sociais, de uma ciência ética numa
sociologia causal, que explica a realidade da conduta efetiva e que é, portanto,
indiferente a valores, está, hoje, em boa parte, consumada.
A ciência jurídica dos séculos XIX e XX declara-se expressamente incapaz de
incluir o problema da justiça no objetivo das suas investigações.
Consequentemente, o Direito Positivo mostra-se ansioso por manter a diferença, e
mesmo o contrate entre “justo” e “jurídico”, uma antítese que se manifesta na
nítida separação entre a filosofia jurídica e a ciência jurídica.

O princípio da validade no direito natural e no direito positivo:


Era característica da doutrina do Direito Natural, fosse na condição da parte ética
ou da teologia, fosse como disciplina autónoma, o costume de trabalhar sobre o
pressuposto de uma “ordem natural”. Este é o segundo ponto no qual o Direito
natural se diferencia do Direito positivo. O Direito positivo é, essencialmente, uma
ordem de coerção. Assim sendo, o seu desenvolvimento conduz necessariamente
ao estabelecimento de agências especiais para concretizar os atos de coerção
apropriados. Assim, diz-se que o Estado é a forma perfeita do Direito Positivo. O
Direito Natural é um princípio, uma ordem não-coerciva, anárquica. Toda a teoria
de Direito Natural, na medida em que conserva a ideia de uma lei pura de natureza,
é necessariamente um anarquismo ideal; todo o anarquismo, do cristianismo
primitivo ao marxismo moderno, é, fundamentalmente, uma teoria de Direito
Natural.

O que “deve ser”- validade absoluta e relativa:


O dever-ser do Direito positivo só pode ser hipotético. As normas do Direito
Positivo são “válidas” porque foram criadas de certo modo ou por uma determinada
pessoa. A conduta humana deve-se conformar aos seus conteúdos. A validade
absoluta corresponde ao Direito Natural, ao passo que a validade meramente
hipotética corresponde ao Direito Positivo.

Aristóteles
✓ Justiça:
Aristóteles diz que a justiça ”é aquela disposição do carácter a partir da qual os
homens agem justamente, é o fundamento e o que faz ansiar que é justo “. A
justiça relativa às pessoas e manifesta-se em função das mesmas. Para ele, a
justiça não se resume a lei escrita ou a lei que provém da autoridade dominante, a
lei dos homens.
Aristóteles diz que as leis particulares são as leis que cada povo tende em
estabelecer para si próprio. Diz também que há uma lei comum, conforme a
natureza onde estão inseridos.
A definição de justiça é muito abstrata, pois a sua expressão pode ser entende “ de
acordo com tantos sentidos, quanto aos que tiver os termos “ injustiça “ “.
Injusto, será, quem quer ter mais do que é devido e quem é iníquo, logo, justo será
quem observa a lei e respeita. Ou seja, justo, é o que produz e salvaguarda da
cidade como as suas partes componentes para si e para toda a comunidade.
Aristóteles diz que as relações de justiça que individualmente nos ligam aos amigos
dependem só de nós, mas as relações com os outros são fixadas por lei e não
dependem só de nós, ora Aristóteles, refere que sendo o princípio de qualquer
comunidade não podem desligar-se da razão que naturalmente as levam a crer
viver em conjunto. Relevantes é ainda a classificação que faz quanto às formas que
a justiça apresenta. E nesse sentido fala-nos de:
• Justiça particular:
o Justiça distributiva- tem o seu campo de aplicação nas distribuições
da honra ou riqueza, ou seja, diz respeito ao princípio de riqueza e ao
princípio da igualdade. Cada um de nós devia ter riqueza em função
do nosso mérito, com o nosso trabalho esforço, só assim é que
iríamos conseguir o princípio universal. Esta justiça é proporcional
porque se as pessoas não forem iguais não terão partes iguais e
porque os homens se reunião em comunidades por causa da riqueza,
a participação na cidade deveria ser proporcional a participação da
riqueza.
o Justiça corretiva- observa o princípio da igualdade, isto é, a justiça
tinha de ser igual para todos independentemente do estatuto social,
porque a lei olha apenas para a especificidade e trata toda a gente
por igual. Esta justiça tenta garantir unção e harmonioso
funcionamento. Ao associar a justiça corretiva ao desvio das regras
estabelecidas, Aristóteles que cornos dos contratos que
estabelecemos e esperamos que venham a ser cumpridos por
outrem.
• Justiça política: tem em vista a autossuficiência das comunidades entre
homens livres e iguais que se associaram na existência comum, sendo uma
tal igualdade por analogia ou arimética. Assim, enquanto não for criada uma
ta igualdade, não haverá estado a regular as relações entre as pessoas, mas
apenas uma justiça aparente. Esta pode ser:
o Natural- esta justiça vem da retórica e diz respeito a todos os seres
humanos e determina que existe um princípio comum a toda a
sociedade, ou seja, ninguém está em condições de a aceitar ou
rejeitar, pois ela tem a mesma validade em toda a parte;
o Convencional- cada povo tem a sua ordem, respeitando o princípio
universal (justiça natural). Ou seja, é indiferente se o princípio
admitir diferentes modos de formulação, mas uma vez estabelecido o
seu conteúdo não é indiferente.
✓ Lei:
A lei, diz Aristóteles, “...é a razão liberta do desejo” e se o que nela “… estiver
disposto (...) tiver sido corretamente disposto pelo legislador, a lei é justa, caso
seja extemporânea poderá não ser tão justa”. De tal modo importa observar que
“as leis fundadas nos costumes têm supremacia e referem-se a questões ainda
mais importantes do que as leis escritas”.

S. Tomás de Aquino
✓ Justiça:
Defende que a justiça é a “constante e perpétua vontade de dar a cada um o que é
seu por direito” e considerou existir “…uma dupla espécie de justiça”, ou seja,
afirmava que existiam duas “espécies” de justiça:
• Justiça particular:
o Comutativa- Entende-se as relações entre as pessoas, ou seja, é
aquela que se ocupa das relações que os indivíduos estabelecem por
si. Consiste na relação mútua do dar e receber.
o Distributiva- aquela que “…consiste na distribuição”. Quem manda
ou administra dá a cada um segundo a sua dignidade. Corresponde à
ordem social, fazendo, uma analogia entre a sociedade e a família.
Quando afirma, que “assim como uma correta organização da família
ou de qualquer multidão governada, demonstra a existência de
justiça nos que mandam, assim também a ordem universal
demonstra a justiça de deus.
• Justiça geral/social- É aquela que se traduz nas virtudes com o próprio bem
comum (obrigou o homem ao bem comum), trata as obrigações de cada um
de nós a titular individual para com a sociedade, só funciona se todos derem
o seu contributo, exercem o seu dever (ex: pagar impostos). São Tomás de
Aquino busca o justo equilíbrio entre os homens, e sem colocar em causa as
suas intrínsecas e naturais diferenças, nem a sua voluntária liberdade de
agirem e interagirem. Para este pensador, este justo equilíbrio ajuda a que a
felicidade e a paz sejam alcançadas.
✓ Lei:
A lei é uma regra e medida dos nossos atos, segundo a qual cada um é induzido a
fazer ou a deixar de fazer. É um bem comum que deve ser dado aos homens para
que sejam orientados nas suas operações individuais para obter um fim social.
Como o seu o objetivo é o bem comum a instituição para obter um fim social. Como
o seu objetivo é o bem comum a instituição da lei pertence quer todo o povo, quer à
pessoa pública que tem a seu cargo a governação devendo ser a intenção de todo o
legislador (fazer bons todos aqueles aos quais a lei é dada). A lei reflete a vontade
de alguém superior a nós, Deus. São Tomás de Aquino divide a lei em 4 tipos:
• Lei eterna: afirma que a lei eterna é aquela que transmite a própria razão de
Deus governadora e ordenadora de todas as coisas, toda a comunidade do
universo está governadora pela razão divina; É deus que define tudo.
• Lei natural: é participação da lei eterna na criatura racional. Esta
participação é essencial para compreendermos a relação existente entre a
lei natural e a lei eterna. Trata-se de uma intrínseca ligação entre Deus e o
homem, por si criado e de reconhecer que a ligação é manifestada na
criatura racional e é recebida através da inteligência e da razão. Tem o seu
fundamento na lei eterna e resulta da participação intelectual na lei eterna e
resulta da participação intelectual e racional dos seres humanos nessa
mesma lei (eles aceitam e participam). Esta lei abrange a ordenação de todo
o agir humano, incluindo o que respeita a realização da justiça na vida
social. A lei natural foi fixada por Deus, na mente dos homens, para eu estes
possam naturalmente conhecê-la.
• Lei humana: Todas as leis estão diretamente ligadas a Deus; Todas as Leis
humanas têm de derivar a lei moral natural (é a lei que os homens criam e
seguem, inspirada por Deus, porém quando o homem decide algo que não
está de acordo com a vontade de Deus, vai contra si mesmo e têm de ser
justas. São as disposições particulares descobertas pela razão humana.
Falar deste tipo de lei é compreender a razão pela qual os atos são dirigidos
para um fim: o bem comum. Para S.T.A., a lei não deverá ser igual para
todas as sociedades pois, se a lei humana é dependente do regime político e
das formas de governo, teremos uma lei civil própria da sociedade política e
outra que corresponde a toda a criação cujo bem comum é definido por
Deus. As leis, instituem a paz e a virtude dos homens. Toda a gente deve
seguir as leis para que se alcance a harmonia, a estabilidade social e o bem
comum. Para quem se desviasse do bem-comum, a lei humana passaria a
ser a disciplina que obriga o medo da pena. Segundo ele, para que a lei
humana tenha o poder de obrigar é necessário que seja aplicada aos
homens que devem ser regulados de acordo com as suas disposições e a lei
para que se reconheçam como tal tem de ser promulgada. E ninguém pode,
segundo S.T.A., invocar o desconhecimento da lei (a lei é feita pelo povo e
pela pessoa pública que tem a seu cargo a governação, só o povo ou o seu
mandatário a podem legislar) pois uma vez promulgada têm que observar ou
conhecê-la por terceiros. S.T.A. lembra ao legislador que há uma hierarquia
de valores na formação das leis que não pode ser ignorada ou esquecida
pois para ele, o Direito traduz sempre um sistema de valores, obedecendo a
um princípio de coerência interna.
• Lei divina- Se pela lei natural o homem participa da lei eterna, na medida da
sua capacidade natural, importará entender e ter presente que para ser
conduzido ao fim necessita de uma norma de ordem superior. Lei divina
poderá ser assim considerada a lei positiva de Deus que é transmitida
através de alguns homens à conversão dos povos. A necessidade de
transformação do ateísmo em naturalismo reflete a necessidade ética de
uma metafísica, ou na prática significa “religião”. S.T.A., parte da lógica
sustentada da liberdade do ser humano- o livre arbítrio. O ser humano é
livre, ou seja, Deus não lhe travou a liberdade. O ordenamento finalista do
universo não elimina nem diminui a liberdade do homem.