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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL

ROSANGELA ARAUJO DA CRUZ

A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA:
ESTUDOS DE PRONÚNCIAS E VOCABULÁRIO DE ADOLESCENTES E IDOSOS
NO MUNÍCIPIO DE PONTA PORÃ - MS

DOURADOS - MS

2012
ROSANGELA ARAUJO DA CRUZ

A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA:
ESTUDOS DE PRONÚNCIAS E VOCABULÁRIO DE ADOLSCENTES E IDOSOS
NO MUNICÍPIO DE PONTA PORÃ - MS

Trabalho de conclusão apresentado ao Curso de


Letras Habilitação Português/Espanhol da
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul,
Como requisito parcial para a obtenção do grau
de Licenciado em Letras.

Orientadora: Marineide Cassuci Tavares

DOURADOS - MS

2012
ROSANGELA ARAUJO DA CRUZ

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL

CURSO DE LETRAS HABILITAÇÃO PORTUGUÊS/ESPANHOL


TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA:
ESTUDOS DE PRONÚNCIAS E VOCABULÁRIO DE ADOLESCENTES E IDOSOS
DO MUNICÍPIO DE PONTA PORÃ - MS

APROVADO EM ____/____/____

______________________________
Orientadora: Profª. Marineide Cassuci Tavares
UEMS/Dourados

_________________________ _________________________
Profª. Milenne Biasotto Holmo Prof.ª Nair Cristina Carlos de Medeiros
Araujo da Cruz, Rosangela.
A variação linguística: Estudos de pronúncias e
vocabulário do adolescente e do idoso/ Rosangela Araujo da Cruz.
Dourados: UEMS, 2012 37 p. 30 cm
Bibliografia
Monografia de Graduação – Curso de Letras Habilitação
Português-Espanhol - Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul.

1. Sociolinguística 2. Comparação linguística 3. Variação linguística.

É concedida à Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul a permissão para publicação e


reprodução de cópia(s) deste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), apenas para propósitos
acadêmicos e científicos, resguardando-se a autoria do trabalho.

________________________________ ____/____/ 2012.


Rosangela Araujo da Cruz
DEDICATÓRIA

A minha mãe,
pela compreensão e o estímulo
em todos os momentos.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus pelo fortalecimento, a minha


orientadora, pela disponibilidade em me orientar.
E ao meu marido por todo apoio que me deu.
RESUMO

Este trabalho foi elaborado seguindo normas de pesquisa sociolinguística, que envolvem em
suas investigações, entre outras possibilidades os tipos de variações existentes na fala de um
grupo com características específicas. Vários estudiosos aprofundaram suas pesquisas nessa
questão, dentre eles Roberto Camacho, um linguista que, durante suas pesquisas, identifica
quatro tipos de variações existentes, sendo elas sociais, estilísticas, geográficas e históricas.
Desses estudos e descobertas, partiu a ideia de fazer um trabalho comparando a linguagem de
adolescente e idoso no município de Ponta Porã, observando assim os tipos de variações
existentes em suas falas. Para que isso pudesse ser realizado, foi necessária uma pesquisa de
campo, que partiu da escolha dos informantes (diferentes sexos e idades) e de um questionário
com perguntas que visaram coletar variações fonético-fonológicas bem como variações de
ordem semântica e lexical. As entrevistas foram feitas com informantes adolescentes e idosos,
o que possibilitou perceber diferenças de linguagem entre eles. As entrevistas foram gravadas
e depois transcritas exatamente como os informantes responderam, o que tornou possível
perceber, a partir dessa pesquisa, que existem muitas variações linguísticas entre as pessoas, e
possibilitou também entender através das leituras de obras de grandes autores da linguística,
que não existem línguas melhores ou piores, apenas existem diferenças nas formas de
expressão, dependendo de cada situação social em que o indivíduo se encontra. Essa pesquisa,
além de informar, procura conscientizar as pessoas de que não devem ter preconceito e sim,
respeitar cada variação linguística.

PALAVRAS CHAVE: Sociolinguística, Variação linguística, Léxico.


RESÚMEN

Este trabajo fue desarrollado seguido de investigación sociolingüística, en sus investigaciones,


entre otra posibilidad relacionadas con los tipos de variación que se encuentra en el discurso
de un grupo con características específicas. Varios estudiosos han profundizado sus estudios
sobre este tema, entre ellos Roberto Camacho, un lingüista que, durante sus investigaciones,
se identifican cuatro tipos de variantes, que es social, estilística, histórica y geográfica. Estos
estudios y conclusiones, surgió la idea de hacer un estudio que comparaba el lenguaje de los
adolescentes y los ancianos en el municipio del Ponta Porã, teniendo en cuenta además los
tipos de variación que se encuentra en su discurso. Para que esto pudiera ser realisado, hizo un
viaje de campo, se fue la elección de los informantes (diferentes géneros y edades) y un
cuestionario que pretendía recoger fonético-fonológicas variaciones y las variaciones de la
semántica léxica y la orden fue. Las entrevistas se llevaron a cabo con los adolescentes y de
los informantes de edad avanzada, lo que permite percibir las diferencias de lenguaje entre
ellos. Las entrevistas fueron grabadas y transcritas tal y como respuesta, lo que hizo posible
ver en esta investigación que hay muchas variantes lingüísticas entre las personas, y
posibilitó, también la comprensión a través de lecturas de obras de grandes autores de la
lingüística, las lenguas no son mejores o peores, sólo las diferencias en las formas de
expresión, dependiendo de la situación social en el que el individuo es. Esta investigación, así
como informar, educar a la gente como que no deben ser perjudicados, pero respetamos la
variación lingüística.

PALABRAS LLAVE: Sociolingüística, la variación lingüística, Léxico.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 12

11
CAPÍTULO I - FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 14
1.1 A importância dos estudos da linguagem 14
1.2 Língua, Cultura e Sociedade 16
1.3 Variação Linguística 19

CAPÍTULO II – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS 22


2.1 Apresentações dos dados: questões fonético-fonológico 22
2.1.1 Análise dos dados: questão fonético-fonológica do adolescente e do idoso 24
2.2 Apresentações dos dados: questões semântico-lexicais 27
2.2.1 Análises dos dados: questões semânticas lexicais do adolescente e do idoso 29

CONSIDERAÇÕES FINAIS 35

REFERÊNCIAS 37

ANEXOS 38
LISTA DE QUADROS

QUADRO I – Variação de pronúncia na fala dos adolescentes. 22

QUADRO II – Variação de pronúncia na fala dos idosos. 23

QUADRO III – Variação de pronúncia semântico-lexical do adolescente. 27

QUADRO IV – Variação de pronúncia semântico-lexical do idoso. 28


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ADOL. --------------------------------------------------------------------Adolescente
Ass. Adm------------------------------------------------------------------Assistente Administrativo.
E.S. C-----------------------------------------------------------------------Ensino Superior Completo.
E.F -------------------------------------------------------------------------Ensino Fundamental
E.M ------------------------------------------------------------------------Ensino Médio
E.S---------------------------------------------------------------------------Ensino Superior
FEM. -----------------------------------------------------------------------Feminino
INF. ------------------------------------------------------------------------Informante
MASC. ---------------------------------------------------------------------Masculino
T.M.L. ---------------------------------------------------------------------Tempo de Moradia no Local.
INTRODUÇÃO

Os estudos voltados para a linguagem têm chamado a atenção de diversos profissionais


de diferentes áreas. Isso ocorre, principalmente, em meio aos educadores, em especial dos que
trabalham com o ensino de língua. Esses profissionais aperfeiçoam esses estudos justamente
por se preocuparem com as questões ligadas à língua, e ao ensino da mesma, o maior
responsável por esse ensino, o professor, deve saber como ela funciona como ocorrem as
variações linguísticas, o uso das diferentes formas de expressão, pois, assim compreenderá as
particularidades presentes na linguagem de cada indivíduo.
Dessa importância e preocupação com a língua surgiu a curiosidade de comparar a
linguagem de dois grupos de falantes que tivessem essas particularidades. Esse tipo de
investigação, ligado à variação da língua poderia ser realizado observando 1- aspectos
geográficos, pensando no local de moradia dos falantes, já que, em cada região, município,
estado fala-se diferente; 2- aspectos históricos, buscando a evolução da língua, pois está
comprovado que a língua muda com o passar dos anos; 3- questões estilísticas, observando
contexto de fala visto que o ser humano adéqua sua linguagem ao momento da interação; e a
4- questão social; que englobaria idade, sexo e escolaridade. Esse último aspecto, em especial
o ligado à faixa etária, é que foi considerado nesta pesquisa.
Sendo assim foram objetivos do trabalho coletar e comparar as diferentes formas
vocabulares existentes na fala de adolescentes e idosos, demonstrando que existem diferenças
na linguagem, palavras que diferem na pronúncia e no próprio significado, tornando-se,
assim, uma maneira diferente de comunicação entre as pessoas de uma mesma sociedade.
Para que essa pesquisa se concretizasse, foi entrevistado um total de vinte pessoas,
divididos entre adolescentes e idosos, e subdividido entre feminino e masculino. Esses
informantes foram agrupados da seguinte forma: idosos (com idade acima de 50 anos) sendo
cinco do sexo masculinos e cinco de sexo feminino; dentre os adolescentes (13 a 17 anos)
foram entrevistados cinco do sexo masculino e cinco do sexo feminino. Os dados foram
coletados a partir de entrevistas gravadas, sendo que as questões foram retiradas do
questionário Atlas Linguística do Brasil (ALiB) Editora UEL, Londrina, 2001. As perguntas
selecionadas envolveram questões semântico-lexicais e questões de ordem fonética
fonológica. Essas entrevistas depois de gravadas foram transcritas, e organizadas de modo a
informar, idade e o grau de escolaridade que os entrevistados possuíam, para uma maior
compreensão do por que das palavras diferenciadas e a maneira como se expressam ao
pronunciar cada uma delas.
13

A parte do questionário com questões que consideram o aspecto semântico-lexical


constou de quinze perguntas ligadas ao cotidiano das pessoas entrevistadas e as palavras
foram transcritas exatamente como elas responderam. Na parte do questionário que visava
coletar variação fonético-fonológica, também com quinze questões, foi observada a forma
como os entrevistados falam e se existe, em algum momento, nas palavras que foram
transcritas, a ocorrência dos fenômenos de redução ou troca de ditongos, Transformação ou
troca de fonema fricativo, redução de palavra, entre outros. Considerou-se como hipótese que
as respostas das perguntas feitas nos mostrariam que existem diferentes formas de dizer uma
mesma palavra por pessoas de diferente idade e que existiriam expressões diferentes para cada
resposta.
O trabalho esta organizado da seguinte forma, o primeiro capítulo foi destinado às
fundamentações teóricas, e apresenta em seus tópicos a importância dos estudos da
linguagem, com a diferenciação da língua padrão e a não padrão, a distinção entre língua,
cultura e sociedade, e por fim, as explicações referentes as variações linguísticas. No segundo
capítulo encontram-se as apresentações e análises dos dados, uma breve introdução vira abre
o capitulo, apresentando as análises e variações encontradas nas palavras dos informantes. Em
seguida, os quadros mostram cada uma dessas palavras exatamente transcritas como foram
pronunciadas pelos entrevistados. E, às considerações finais como base em estudos e
aprendizagens nas referências bibliográficas atestadas pelos nomes de livros de autores
utilizados na elaboração do trabalho, seguidas dos os anexos com o questionário usado para o
desenvolvimento do trabalho.
CAPÍTULO I
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1.1 – A importância dos estudos da Linguagem:

Os estudos da linguagem são importantes, e fundamentais, justamente para observar e


obter conhecimentos de novas formas de comunicações e de variações linguísticas existentes
em uma sociedade. Toda a comunicação que envolve a linguagem tem como objetivo
principal a transmissão de uma mensagem e, como todo processo, apresenta elementos
fundamentais, sendo que o emissor transmite a mensagem, o receptor a recebe, baseado no
referente, que é o assunto a ser tratado durante a comunicação. Segundo Saussure (2006), o
estudo da linguagem comporta duas partes: uma tem por objeto a língua (langue) e outra, a
fala (parole); assim, a primeira seria social em sua essência, em contrapartida a segunda que
se apresenta como parte individual da linguagem. Saussure afirma ainda que:

A partir desses postulados Saussure elege seu objeto de estudo: a língua,


considerada como um sistema de signos formados pela união do sentido e da
imagem acústica. Sentido enquanto conceito, ideia, significado; imagem acústica
pensada como impressão psíquica, não como um som materializado, seria o
significante. Assim sendo, Saussure demarca que esse dois elementos constituintes
do signo “estão intimamente unidos e um reclama do outro” (SAUSSURE, 2006, p.
80).

A estudiosa Matta revela que a expressão linguagem surgiu de uma faculdade universal:

A expressão linguagem designa uma faculdade humana universal, algo que


caracteriza um fenômeno da espécie humana como homo sapiens, ou seja, como um
sujeito reflexivo, pois pela linguagem conseguimos nos tornar seres sociais,
racionais. MATTA (2009, p.17)

O que a autora revela é que a linguagem é universal, são formas de comunicações que se
caracterizam como uma única espécie, uma única forma, diferentemente da definição de
língua que é o que caracteriza as diferenças existentes em cada uma das línguas, como por
exemplo, a lingua portuguesa, espanhola, italiana, cada uma dessas linguas possuem uma
característica própria, já a linguagem é explicada como sendo a forma de comunicação
universal.
Muitos linguistas se aprofundaram nesses estudos e através de seus estudos apresentam
três tipos de concepções diferentes de linguagem, entre eles o linguista Travaglia. Segundo ele
15

as concepções de linguagem podem ser como expressão do pensamento, instrumento de


comunicação e como forma ou processo de interação.

A primeira concepção vê a linguagem como expressão do pensamento; para essa


concepção a expressão se constrói no interior da mente, sendo sua exteriorização
apenas uma tradução. A segunda vê a linguagem como instrumento de comunicação,
como meio objetivo para a comunicação; assim a língua é vista como um código, ou
seja, como um conjunto de signos que se combinam segundo regras, e que é capaz
de transmitir uma mensagem, informações de um emissor a um receptor. A terceira
e última concepção que Travaglia descreve é que a linguagem é vista como forma ou
processo de interação; nessa concepção o que o individuo faz ao usar a língua não é
tão somente traduzir e exteriorizar um pensamento, ou transmitir informações a
outrem, mas sim realizar ações, agir, atuar sobre o interlocutor (ouvinte/leitor).
TRAVAGLIA (2009, p.21 a 23)

Além disso, a linguagem pode ser definida por seus níveis como norma padrão e não
padrão, ou seja, nível culto e popular. A norma padrão está relacionada a tudo o que
corresponde ao “correto” na área da língua portuguesa, o vocabulário é visto como “rico” e as
prescrições gramaticais são plenamente obedecidas. Já a norma não padrão refere-se a tudo o
que é pronunciado pelos falantes, tornando-se dialetos, geralmente observadas, mais no
cotidiano das pessoas de baixa escolaridade ou até mesmo analfabetas, o vocábulo é restrito e,
geralmente, usam gírias, não existe a preocupação do uso das regras gramaticais.
De maneira geral, o nível culto ou padrão acha-se ligado as características da língua
escrita, enquanto a popular ou não padrão apresenta características da linguagem oral. Cabe
aos usuários das variedades não padrão adotarem a variedade socialmente aceitável, pelo
menos em certas circunstâncias, como em situações de fala pública ou durante uma entrevista
de emprego, adequado à norma utilizada em decorrência da situação de comunicação que
enfrentam.
16

1.2– Língua, Cultura e Sociedade:

Sociedade e língua estão ligadas desde o principio dos tempos, na qual as pessoas
sentiam a necessidade de se comunicar umas com as outras. Surgiram, assim, as primeiras
trocas realizadas por meio da linguagem, e dessa linguagem, a ciência da sociolinguística que
se implicaria justamente em estudar esses tipos de comunicação.
A Sociolinguística é o ramo da linguística que estuda a relação entre a língua e
sociedade, seu maior objetivo é estudar a relação da lingua falada no cotidiano em geral das
pessoas, e se estabelece não pelo fato de ser constituido por pessoas que falam do mesmo
modo, mas principalmente por meio de comunicações diferentes, ou seja, a sociolinguistica
estuda a estrutura da linguagem em um todo.

O termo sociolinguística relativo a uma área da linguística fixou-se em 1964. Mas


precisamente, surgiu em um congresso, organizado por William Bright, na
Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), do qual participaram vários
estudiosos, que se constituíram, posteriormente, em referências clássicas na tradição
dos estudos voltados para a relação entre linguagem e sociedade. ALKMIM,
(2001, p.28)

Alkmim (2001, p31), de maneira simples e direta, esclarece o objetivo da


sociolinguística.

“O objetivo da sociolinguística é o estudo da língua falada, observada, descrita e


analisada em seu contexto social, isto é, em situações reais de uso. Seu ponto de
partida é a comunidade linguística, um conjunto de pessoas que interagem
verbalmente e que compartilham um conjunto de normas com respeito aos usos
linguísticos”.

Em outras palavras, uma comunidade de fala se caracteriza não pelo fato de se constituir
por pessoas que falam do mesmo modo, mas por indivíduos que se relacionam, por meio de
redes comunicativas diferentes, e que orientam seu comportamento verbal por um mesmo
conjunto de regras.
A autora Alkmim (2001, p24 - 27) cita vários pesquisadores que contribuíram com os
estudos acerca da linguagem na sociedade. O primeiro foi Bright, cuja proposta para a
Sociolinguística é a de relacionar as variações linguísticas observáveis em uma comunidade
às diferenciações existentes na estrutura social dessa comunidade. A autora cita ainda Meillet,
17

aluno de Saussure, que se filia à orientação diacrônica dos estudos linguisticos, mas, para ele,
a história das línguas é inseparável da história da cultura e da sociedade.
Outro autor que se baseia nos estudos da língua e sociedade, e que também cita Bright
em sua obra é o estudioso Silvio Elia:

Para Bright o escopo da sociolinguística seria “mostrar a sistemática covariação da


linguística e da estrutura social – e talvez até mostrar uma relação causal numa ou
noutra direção”. ELIA (1987 p.65)

A pesquisadora cita que para Jakobson a respeito do processo comunicativo ele afirma:

Jakobson (1960) o ponto de partida é o processo comunicativo amplo, e isso o leva a


ultrapassar a óptica estreita de uma análise do fenômeno lingüístico ancorado apenas
em suas características estruturais. Ao privilegiar o processo comunicativo, o
referido autor privilegia também os aspectos funcionais da linguagem.
ALKMIM, (2001, p.25)

Outro autor citado por Alkmim (2001, p.24) é Bakhtin (1929), com sua critica radical à
postura saussuriana, traz para o centro da cena dos estudos linguísticos a noção de
comunicação social:

A verdadeira substância da língua não é constituída por sistema abstrato de formas


linguísticas, nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo ato psicofisiológico
de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal realizada através da
enunciação ou das enunciações. A interação verbal constitui, assim, a realidade
fundamental da língua.

Já Marcel Cohen (1971) assume a questão das relações entre linguagem e sociedade
a partir da consideração de fatores externos.
Nesse sentido, o referido autor estabelece um repertório de tópicos de interesse para
um estudo sociológico da linguagem, como, por exemplo, o estudo das relações
entre as divisões sociais e as variedades de linguagem que permite abordar tema
como: a distinção entre variedades rurais, urbanas e de classes sociais.

Silvio Elia ressalta que Marcel Cohen já fazia judiciosas ponderações sobre a questão de
língua e sociedade:

Se a linguagem é inseparável da vida social, não se deve, entretanto, esperar que as


fórmulas rigorosas que a linguística se esforçara por estabelecer ponham em relação
todos os detalhes da constituição de cada língua particular com os detalhes de
estrutura social. É preciso distinguir pontos de vista que vão da história dos destinos
de uma língua aos detalhes de sua estrutura e de suas transformações: aspectos
externos e aspectos internos do estudo, diz-se geralmente. ELIA (1987, P.66)
18

Seguindo com as citações de Alkmim (2001, p.27) ela ainda ressalta Benveniste; Para
esse linguista a questão entre Linguagem e Sociedade dá-se assim: “é dentro da, e pela língua,
que indivíduo e sociedade se determinam mutuamente”, dado que ambos só ganham
existência pela língua.

Benveniste afirma: “que o homem se situa na natureza e na sociedade, e


necessariamente em uma classe”. Cabe também considerar que segundo Benveniste
a língua permite que o homem se situe na natureza e na sociedade; para ele “o
homem se situa necessariamente em uma classe, seja uma classe de autoridade ou
classe da produção”. ALKMIM (2001, p.27)

A própria língua é, pois, um fenômeno social e as transformações que sofre no


tempo são também de cunho social, mas isso não implica necessariamente uma
dependência ou um paralelismo entre uma estrutura linguística e a sociedade que se
sirva dessa estrutura como meio de comunicação. ELIA (1987, p.77)

Sendo assim, é pelo exercício da linguagem, pela utilização da língua, que o homem
constrói sua relação com a natureza e com os outros homens, pois, a questão da relação entre
língua e sociedade se resolve pela consideração da língua como instrumento de análise da
sociedade.

1.3 Variações Linguísticas:

Nas primeiras décadas do século XX as variações linguísticas passaram a ser


consideradas objeto de estudo da Linguística, possuindo uma grande importância. Alkmim
(2001, p.28) lembra que a figura chave desses estudos foi William Labov, que, nos anos 1964,
começou uma série de investigações sobre a variação linguística, investigações que
revolucionaram a compreensão de como os falantes utilizam sua língua.
O autor Camacho (1988) afirma na citação abaixo que a língua humana varia de acordo
com o grau de contanto que as pessoas tem uma com as outras. E esclarece que os membros
de uma sociedade estão interligados através da sociocultura existente entre eles.

Esclarece que os membros de uma nação, ligados por traços socioculturais


econômicos e políticos, tradicionalmente firmados, identificam-se e distinguem-se
dos membros de outra pelo seu instrumento de comunicação, além, evidentemente,
de outros traços até mais importantes. “A linguagem humana varia de acordo com o
grau de contato entre os seres que constituem a comunidade universal. Uma língua é
um objeto histórico, enquanto saber transmitido, estando, portanto, sujeita as
19

eventualidades próprias de tal tipo de objeto. Isso significa que se transforma no


tempo e se diversifica no espaço”. (Camacho 1988, p29)

Roberto Camacho (1988, p30 - 34) define a variação linguística em quatro etapas, sendo
elas a variação histórica, geográfica, social e estilística. Vamos ver a definição de cada uma
delas. A variação histórica está condicionada à observação de pelo menos dois estados
sucessivos de uma língua. O conhecimento de variantes históricas e seu reconhecimento pelos
membros de uma comunidade, como pertencentes à língua que falam, decorrem em maior
escala da modalidade escrita, que faz preservar o passado de um instrumento de comunicação.
Resumindo, a variação histórica determina que para que uma palavra passe a existir, outra
deve deixar de ser utilizada; alguém fala a sociedade a adota, e escreve. Ou seja, se uma
palavra possui o mesmo significado ou é parecida com outra, umas dessas expressões terá que
deixar de existir.
Já a variação geográfica pode ser percebida, segundo esse autor, numa comunidade
linguística relativamente extensa, em que todos falam o mesmo idioma; notam-se variações
que se traduzem na forma de pronunciar os sons, nas construções sintáticas e no uso
característico do vocabulário, à medida que se afasta de determinado ponto de referência em
direção de outro.

É importante lembrar que o limite geográfico de uma comunidade linguística não se


confunde exatamente com os limites políticos de um estado ou região em que se
divide um país. CAMACHO (1988, p31, 32)

O terceiro tipo de variação apresentada por Camacho é a variação social, a qual é o


resultado da tendência para maior semelhança entre os atos verbais dos membros de um
mesmo setor sociocultural da comunidade.

A capacidade verbal de cada membro de uma comunidade linguística homogênea do


ponto de vista geográfico é, com efeito, adquirida num meio, o ambiente familiar e,
num sentido mais geral, a classe social caracterizada por normas de conduta e
padrões culturais e, portanto, linguísticos, diferentes aos de outros membros
pertencentes a um setor distinto. O nível socioeconômico do indivíduo não é o único
fator determinante da formação de setores distintos de atividade verbal no interior de
uma comunidade geograficamente homogênea. A divisão de uma comunidade em
setores sociais não significa que o intercâmbio linguístico entre indivíduos de
distintos estratos seja prejudicado por dificuldades de compreensão, como poderia
ocorrer entre duas comunidades regionais. Não significa também que um indivíduo,
provindo de classes socioeconomicamente desfavorecidas não possa atingir o padrão
de prestígio, geralmente confinado às classes cultural e socialmente favorecidas.
CAMACHO (1988, p.32)
20

O que o linguista descreve na citação acima, é que uma pessoa ao morar em uma
sociedade, ou determinada comunidade na qual sua estrutura não ofereça uma determinada
educação equivalente ao que é necessário para o ensino da lingua, justamente por fazer parte
de um nível socioeconômico desfavorável, essa mesma pessoa não adotará os princípios
exigidos para uma comunicação vista pela sociedade como algo “correto”, ou seja, ela
somente falará a lingua que aprendeu com o convívio com a família, e amigos da comunidade,
porém, se ela se deslocar para uma sociedade ou um local que ofereça os ensinamentos
necessários ela sem dúvida acarretará um nível de linguagem mais avançado, e por fim,
mesmo que uma determinada pessoa não possua um estudo adequado, não significa que ela
não possa alcançar o nível padrão de prestígio, que geralmente é confinado somente as classes
mais favorecidas.
A quarta e ultima variação que o linguista descreve é a estilística. Para ele nesse tipo de
variação cada ato linguístico apresenta seu próprio estilo.

“Sendo a variação estilística o resultado da adaptação da forma linguística


específica do ato verbal, relativamente às circunstancias em que se produz, são
evidentes que tantas são as variedades quantas são as situações momentâneas em
que se realiza a atividade verbal. Nesse sentido, cada ato lingüístico apresenta um
estilo específico”. (CAMACHO, 1988 p.34)

Ou seja, na variação estilística existem diferenças de estilo; adequação de linguagem;


porém, não confunde a linguagem formal da informal e nem da escrita e oral. Assim fica
claro, que para que uma variante passe a ser considerada, deve ser pronunciado e entendido
pela comunidade, geralmente as variações são ditas pelas classes menos privilegiadas, mas
isso não quer dizer que as classes mais privilegiadas também não as usam o que acontece é
que essas pessoas usam as variações de maneira que não prejudica a sua comunicação no dia-
a-dia, ou seja, nos momentos de trabalho, ou entrevistas, essas pessoas usam a linguagem
padrão.
Além das quatro variações que Camacho descreve a estudiosa Sozângela Schemim da
Matta também ressalta algumas variações baseadas nos estudos de Camacho, entre eles a
variação geográfica, social, estilística ou de registro. Na variação geográfica ele descreve que:

Ainda há pessoas que acham que o modo de falar de uma região é melhor do que a
outra. [...] Não se pode negar que alguns falantes aparecem como de maior prestigio
do que outros na sociedade. [...] São, portanto fatores históricos, políticos e
econômicos que conferem a certos falantes maior prestígio. MATTA (2009, p31)
21

Dentro da justificativa de Camacho para a variação geográfica ele descreve que os fatores
históricos e políticos podem implicar na pronuncia das pessoas de certa comunidade, Matta
ressalta a mesma coisa porem com palavra diferenciada, que os fatores históricos e políticos
podem sim implicar na pronuncia das pessoas de certa comunidade.
Dentro das variantes que Matta descreve, se destaca também, a variante social, segundo a
autora a variação social tem uma ligação com a organização sociocultural da comunidade.

Variante social diz respeito a um conjunto de fatores que identificam os seus


falantes e que tem a ver com a organização sociocultural da comunidade a que elas
pertencem. Assim, o nível de renda familiar, grau de escolaridade, idade, sexo,
profissão ou ocupação, são elementos motivadores de diferenças linguisticas.
MATTA (2009, p32)

A terceira variação que a autora descreve, é a estilística ou de registro. Ela afirma que:

Um mesmo falante pode, em um único dia ou em questões de horas, utilizar uma


gama de variações linguisticas, desde que ele tenha à sua disposição mais de uma
variante, fazendo parecer que adota personagens diferentes para diferentes cenas em
que atua. MATTA (2009, p.34)

A conclusão que se tem disso tudo sobre a questão das variações, é que não importa o
grau de escolaridade, o modo como vive, ou até mesmo a forma como a pessoa pronuncia as
palavras, acredita-se que todas as pessoas usam algum tipo de variação, mesmo que sem
perceber, em algum momento de sua fala.
CAPÍTULO II
APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
2.1- Apresentação dos dados: questões fonético-fonológicas.

Abaixo se encontra o quadro I, composto por respostas obtidas por meio de perguntas
feitas para os adolescentes cujas respostas foram apresentadas e gravadas exatamente como
pronunciaram. Cabe observar que as palavras escritas em negrito representam as respostas que
sofreram variações linguísticas, que foram observadas e analisadas na oralidade dos
entrevistados.
QUADRO I

VARIAÇÃO DE PRONÚNCIA NA FALA DOS ADOLESCENTES


INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF.
QUESTÃO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
FEM. FEM. FEM. FEM. FEM. MASC. MASC. MASC. MASC. MASC.

1ª Traves- Traves- Travis- Traves- Traves- Travis- Travis- Travis- Travis- Travis-
seiro seiro seiro seiro seiro seiro seiro seiro seiro seiro

2ª Luz Luz Luz Luz Luz Luz Luz Luz Luz Luz

3ª Fósforo Fósforo Fósforo Fósforo Fósforo Fósforo Fósfuro Fósforo Fósforo Fósforo

4ª Pólvora Pólvra Pólvora Pólvora Pólvora Pólvora Povora Pólvora Pólvora Pólvora

5ª Colher Colher Colher Culher Culher Colher Culher Colher Culher Culher

6ª Planta Planta Planta Planta Planta Planta Planta Planta Planta Planta

7ª Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha

8ª Borbo Borbo Borbole- Borbole Borbo- Borbo- Borbo- Borbo- Borbo- Borbo-
leta leta ta ta leta leta leta leta leta leta

9ª Peixe Peixe Peixe Peixe Peixe Peixe Pexe Peixe Pexe Pexe

10ª Placas Placas Placas Placas Placa Placas Placas Placas Placas Placas

11ª Traba- Traba- Traba- Traba - Traba - Traba- Traba- Traba- Traba- Traba-
lhar lhar lhar lhar lhar lhar lhar lhar lhar lhar

12ª Bandeira Bandeira Bandera Bandeira Bandeira Bandeira Bandeira Bandeira Bandera Bandera

13ª Soldado Soldado Soldado Soldado Soldado Soldado Soldado Soldado Soldado Soldado

14ª Homem Homem Homem Homem Homem Homem Homem Homem Homem Homem
Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher
15ª
23

O quadro II que se segue abaixo descreve as apresentações lexicais e suas pronúncias


obtidas através das perguntas feitas, referentes à parte fonológica aos idosos, as palavras
foram escritas como os entrevistados falaram e as variações que foram encontradas, seguindo
a oralidade de cada um, estão representados, também em negrito.

QUADRO II

VARIAÇÃO DE PRONÚNCIA NA FALA DOS IDOSOS


INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
QUEST
FEM. FEM. FEM. FEM. FEM. MAC. MASC. MASC. MASC. MASC.
ÃO

1ª Traves Traves Travis Trabis Traves Travis Travis Travis Travis Travis
seiro seiro seiro sero seiro seiro seiro seiro seiro seiro

2ª Luz Luz Luz Luz Luz Luz Luz Luz Luz Luz

3ª Fósforo Fósforo Fósfro Fósfro Fósforo Fósforo Fósforo Fósforo Fósforo Fósforo

4ª Pólvora Pólvra Póvora Póvora Pólvora Pólvora Pólvora Pólvora Pólvora Pólvora

5ª Colher Colher Culher Culher Colher Culher Colher Colher Colher Colher

6ª Planta Planta Planta Planta Planta Planta Planta Planta Planta Planta

7ª Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha Abelha

8ª Borbo Borbo Borbo Borbo Borbo Borbo Borbo Borbo Borbo Borbo
leta leta leta leta leta leta leta leta leta leta

9ª Peixe Peixe Pexe Pexe Peixe Peixe Pexe Peixe Pexe Peixe

10ª Placas Placas Placas Placas Placas Placas Placas Placas Placas Placas

11ª Traba Traba Traba Traba Traba Traba Traba Traba Traba Traba
lhar lhar lhar lhar lhar lhar lhar lhar lhar lhar

12ª Bandeira Bandera Bandera Bandera Bandei Bandei Bandera Bandera Bandera Bande
ra ra ra

13ª Soldado Soldado Soldado Soldado Solda do Soldado Soldado Soldado Soldado Soldado

14ª Homem Homem Homem Homem Homem Homem Homem Homem Homem Homem

15ª Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher Mulher
24

No próximo tópico encontram-se as considerações a respeito dos quadros que


abordaram variações de pronúncia com comparações do vocabulário dos adolescentes e dos
idosos.

2.1.1 – Análise dos dados: questão fonético-fonológica do adolescente e do idoso.

As perguntas feitas para os entrevistados foram retiradas do questionário, atlas


linguístico do Brasil (ALIB) Editora UEL, Londrina, 2001.
Na primeira questão na qual a pergunta correspondia em os entrevistados responderem,
“Como é o nome daquilo onde se encosta a cabeça para dormir na cama”. A resposta que se
encontra no questionário ou que ele esperava era TRAVESSEIRO, os informantes de numero
3, 6, 7, 8,9 e 10 falaram “Travisseiro”, a transcrição fonética para essa resposta é
[t][r][a][v][í][s][e][r][o] sendo que as idades deles correspondiam dos treze até os dezessete
anos. Cinco dessas pessoas eram do sexo masculino e um do feminino, com idade de
dezessete anos, assim pode ser observada que ocorreu troca do fonema do E pelo fonema
simples I, como o autor Bagno (2004) descreve em sua obra “A língua de Eulália”, que será
usado para explicar os fenômenos encontrados em cada variação. Entre os idosos, foram
encontrados na pronúncia do informante dois “travissero”, e o quarto disse “trabissero”, sendo
que essas variações ocorreram na fala das pessoas do sexo feminino. Nessas palavras ocorreu
a transformação do fonema fricativo V em fonema bilabial B.
A segunda, sexta, sétima, oitava, décima, décima primeira, décima quarta e décima
quinta questão que seguem, não obteve variação na resposta falada. A pergunta encontra-se
em anexos, no fim desse trabalho, junto com as respostas esperadas.
A terceira pergunta feita para os entrevistados foi a seguinte, “Aquilo que se usa para
acender o fogo?”. A resposta esperada era FÓSFORO, pode ser analisada uma variação na
resposta do informante adolescente de número sete do sexo masculino, cuja resposta dele foi
fósfuro, a transcrição fonética dessa resposta é [f][o][s][f][u][r][o] ocasionando assim a troca
do fonema O por U, conhecido como processo de assimilação entre as palavras. Os
informantes idosos de numero três e quatro do sexo feminino responderam ao ouvir a
pergunta, fósfro, sua transcrição é /f/ó/s/f/r/o/. Aconteceu aqui a transformação da
proparoxítona em paroxítona e a perda do fonema O.
Na quarta questão cuja pergunta era, “aquilo que se coloca nos fogos/ foguetes para que
eles estourem”. Sabendo que a resposta que se esperava era PÓLVORA, aconteceram duas
variações entre as respostas dos adolescentes, o informante dois respondeu “pólvra”, e o
25

informante sete “póvora”. Sendo assim na resposta do segundo adolescente, que era do sexo
feminino com a idade de dezessete anos, ocorreu o que se conhece como sendo a perda do
ditongo fonético. Na resposta do adolescente de número sete, houve a perda do L, ou seja,
uma redução, também chamada de sincope. A transcrição para essas pronúncia é
[p][ᴐ][l][v][r][a] e [p][ᴐ][v][o][r][a]. Entre as mulheres idosas houve três variações a
informante um falou pólvra, a terceira e quarta disseram póvora, sendo assim as variações
encontradas na pronuncia dos adolescentes e idosos, foram exatamente iguais.
A questão de número cinco era “A carne se come de garfo e faca. E a sopa com que se
toma”. A resposta era COLHER, aqui houve uma variação em cinco respostas dos informantes
adolescentes sendo que o informante quatro, cinco, sete, nove e dez responderam “culher”.
Três desses informantes eram do sexo masculino e dois do sexo feminino, ou seja, eles
trocaram O por U, obtendo então o que é explicado como troca de fonema. Entre os idosos a
informante três e quatro do sexo feminino, também responderam culher, a transcrição para
essa pronuncia dita pelos entrevistados é [c][u][λ][e][r].
Na pergunta de número nove: “O que é se pesca nos rios, no mar?”, A resposta esperada
era PEIXE; Aqui foi analisada uma variação que aconteceu na resposta de três adolescentes
masculinos, eles responderam “pexe” ao invés de responderem peixe, e entre os idosos,
também ocorreu variação linguística, sendo que dois deles era do sexo feminino e dois do
masculino, a transcrição fonológica é [p][e][x][i], concluindo assim que houve redução do
ditongo EI por E.
A décima segunda pergunta feita para os informantes foi a seguinte, “aquilo que
representa o País, que é verde, amarelo, branco e azul?” A resposta para essa questão era
BANDEIRA, ao analisar as respostas pôde ser observada uma variação que aconteceu na
resposta do informante dois, do sexo feminino, e dos informantes nove e dez, respectivamente
do sexo masculino, sendo essas pessoas adolescentes. Essas pessoas ao responderem à
pergunta falaram bandera, ocasionando assim à redução do ditongo, ou seja, trocaram EI por
E. Na pronúncia dos idosos ocorreu variação na fala do sexo feminino, na qual também
disseram “bandera”, essa variação tem como representação fonética a seguinte,
[b][ã][d][e][r][a].
Dessa forma, através das análises feitas com as respostas de todos os informantes,
adolescentes, informados no quadro I, observou-se que na oralidade do adolescente do sexo
masculino existem mais variações, sendo que também foram encontradas na fala das
adolescentes do sexo feminino algumas variações linguísticas, porém com mais frequência na
fala dos adolescentes do sexo oposto.
26

Conclui-se, perante as análises feitas pelas respostas dos adolescentes e dos idosos, que
muitas palavras pronunciadas obtiveram variações linguísticas, como foi o caso de trabissero,
travessero, fosfuro, fosfro, culher, pexe, bandera, polvra, póvora, ou seja, a questão de idade
não muda em nada quando comparado à relação de pronúncias e vocabulários do cotidiano de
cada pessoa, até mesmo porque convivemos em uma sociedade que nos propõem vários tipos
de linguagem, não importando se as pessoas possuem muito ou pouco estudo, as variações
sempre vão existir.
Porém o que pode ser observado também é que nas respostas dos adolescentes o sexo
que mais teve variações linguísticas foi no do masculino, entre as mulheres também pode ser
observadas essas variações. Quanto às respostas dos idosos, pode-se dizer que houve uma
média proporcional, balanceada, porém entre as idosas as variações pode ser percebida com
mais clareza, isso pode ter ocorrido devido o estilo de vida em que levam, ou até mesmo que
levavam quando eram adolescentes, e a criação que essas pessoas tiveram com quem
convivem ou conviveram entre outros fatores, seja, propício a usarem uma linguagem não
padrão. Cabe a cada pessoa saber quando e como usar esses tipos linguísticos variados. Isto é,
adequar ou não a língua ás diferentes situações de comunicação.
O tópico seguinte mostrará as informações dos quadros semântico-lexicais, dos
adolescentes e dos idosos e as análises de pronúncia semântico-lexical, feito com os
entrevistados, sendo que o quadro de número III mostrará a oralidade dos adolescentes, cujas
palavras foram passadas para o quadro de maneira exata como pronunciaram. E logo depois
vem a apresentação do quadro IV com as pronuncias do idoso, que mostram também as
palavras ditas pelos entrevistados exatamente como eles falaram.
27

2.2 – Apresentação dos dados: questões semântico-lexicais.


QUADRO III

QUADRO DE PRONÚNCIA SEMÂNTICO-LEXICAL


ADOLESCENTE
INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
QUEST FEM. FEM. FEM. FEM. FEM. MASC. MASC. MASC. MASC. MASC.
ÃO

1ª Tagarela Tagarela Tagarela Tagarela Tagarela Linguaru Fofoquei Fofoquei Tagarela Tagarela
da ra ro

2ª Burra Preguiço Burro Burro Lerdinh Burra Burro Burro Burra Burro
sa o
Mão de
3ª Mesquin Muxiba Mesquin Pão duro Mão de Mão de Mão de Muquira Mão de vaca
ha ha vaca vaca vaca na vaca

4ª Assas- Pistolero Traficant Malan- Assas- Assas- Atirador Assas- Pistolei- Pistolero
sino e dro sino sino sino ro

5ª Corno Corno Corno Trai- Corno Corno Corno Chifrudo Corno Corno
dor

6ª Prosti Prostituta Prosti- Vadia Ramera Prostituta Biscate Mulher Puta Puta
tuta tuta de
programa

7ª Alcoólatr Bêbado Bêbado Bebum Bêbado Bêbado Bêbado Bêbado Bêbado Cacha-
a ceiro

8ª Assombr Fantasma Cadáver Assom- Fantas- Fantasma Fantasma Assom- Fantasma Fantasma
ação bração ma bração

9ª Pacto Feiti Feitiço Macumb Macumb Macumb Macumb Macumb Macumb Macumb
ço a a a a a a a

10ª Benzedei Benzedei Benzedei Benzedei Benzedei Bruxa Benze Benze Benze- Benze-
ra ra ra ra ra deira deira deira deira

11ª Bangue- Banguela Banguela Banguela Banguela Banguela Banguela Banguela Banguela Banguela
la

12ª Fanha Fanho Fanho Fanha Fanho Fanho Fanha Fanha Fanha Fanho

13ª Tatu Meleca Tatuzi- Caca Melequi- Caca Meleca Caca Tatu Tatu
nho nha

14ª Cece Cece Cece Suva- Cece Cece Cece Suva- Suva- Cece
queira quera quera

15ª Vomi- Vomi- Vomi- Vomi- Vomitar Vomi- Vomi- Vomi- Vomitar Vomitar
tar tar tar tar tar tar tar
28

Abaixo se encontra o quadro semântico-lexical que informará as palavras ditas pelos


entrevistados idosos, mostrará as variações encontradas em suas respostas.

QUADRO IV

QUADRO DE PRONÚNCIA SEMÂNTICO-LEXICAL


IDOSO
INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF. INF.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
QUESTÃO FEM. FEM. FEM. FEM. FEM. MASC. MASC. MASC. MASC. MASC.

1ª Faladei- Faladei Fofoqu Tagare- Faladeira Tagarel Tagarela Tagarela Tagare- Tagarela
ra ra eira la a la

2ª Ruda Não é Pregui Pregui- Dificulto Lerda Lerda Lerda Lerda Lerda
intelige çosa ça sa
-nte

3ª Miserá- Miserá- Pão Mão de Econômi Mão de Mão de Mão de Mão de Mão de
vel vel duro vaca ca vaca vaca vaca vaca vaca

4ª Bandido Maland Pistolei Pistolei Assas- Assas- Assas- Assas- Assas- Assas-
ro ro -ro sino sino sino sino sino sino

5ª Corno Corno Corno Corno Corno Corno Corno Corno Corno Corno

6ª Biscate Prostitu Prostitu Puta Biscate Prostitu Prostituta Prostituta Prostitu Prostituta
ta ta ta ta

7ª Bêbado Bêbado Bêbado Bêbado Alcoóla- Bêbado Bêbado Bêbado Bêbado Bêbado
tra

8ª Fantas- Fantas- Fantas- Fantas- Assom- Fantas- Fantasma Fantasma Fantas- Fantasma
ma ma ma ma bração ma ma

9ª Feiticero Macum Macum Feitiço Macum- Macum Macum- Macum- Macum Macum-
ba ba ba ba ba ba ba ba

10ª Benze- Feitice- Benze- Benze- Benzedei Benze- Benze- Benze- Benze- Benze-
deira ro deira deira -ra deira dera dera dera dera

11ª Desden- Desden Bangue Bangue Banguela Bangue Banguela Banguela Bangue Banguela
tada -tada la la la la

12ª Fanha Fanho Fanho Fanha Fanha Fanha Fanha Fanha Fanha Fanha

13ª Tatu Tatu Tatu Meleca Cacaren- Tatu Tatu Tatu Tatu Tatu
ca

14ª Suor Cece Suvaqu Suvaqu Suvaquer Cece Cece Cece Cece Cece
era era a

15ª Vomitar Vomi Vomi Vomi Vomi Vomi- Vomitar Vomitar Vomi- Vomitar
tar tar tar tar tar tar
29

2.2.1– Análise dos quadros: questões semântico-lexicais do adolescente e do idoso.

Os quadros III e IV informaram a resposta das perguntas do questionário semântico-lexical


feito com os adolescentes e idosos, as palavras foram escrita de maneira exata como os
entrevistados responderam.
O primeiro grupo de léxico a ser analisado foi o dos adolescentes, por meio de perguntas
tiradas do questionário, Atlas Linguística do Brasil (ALIB) Editora UEL, Londrina, 2001.
A primeira pergunta feita aos entrevistados foi a seguinte: Como chama a pessoa que fala
demais? Todas as meninas disseram tagarela, já entre os meninos dois responderam
fofoqueira e um deles falou linguaruda, os outros dois falaram tagarela; Aqui podem-se,
observar três tipos de variações lexical.
Segundo o dicionário eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, que será usado para
descrever os significados das palavras encontradas nas respostas dos entrevistados, a palavra
tagarela significa, que ou aquele que fala muito, linguarudo, diz-se de ou indivíduo que fala
demais; falada, tagarela, indiscreto, maldizente, e fofoqueiro que quer dizer: que ou aquele
que faz fofoca, que se intromete em assuntos alheios. Essa definição para fofoqueiro é um
regionalismo do Brasil e também considerado uma linguagem informal. Depois de observar
essas respostas, os adolescentes que responderam fofoqueira não corresponderam à resposta
que se adéqua a pergunta feita a eles. Além das traduções do dicionário para essas palavras,
outra possibilidade que se pode levar em conta do uso delas, é que tagarela esta relacionada a
ave maritaca, que vive gritando, linguaruda pode estar relacionado a uma pessoa que tem a
língua grande, maior do que o normal, portanto que fala de mais. E a palavra fofoqueira é
usada ao se referir á alguém que cuida somente da vida dos outros e esquece-se de cuidar da
sua própria vida.
Entre os grupos de idosas faladeira e tagarela foram os vocábulos que mais prevaleceram,
sendo que todos os idosos do sexo masculino responderam tagarelas, e na das mulheres duas
idosas disseram faladeira. Esse último termo tem no dicionário a explicação como sendo,
mulher que fala muito; tagarela.
A segunda questão perguntava “Como é que chama a pessoa que tem dificuldade de
aprender as coisas?”. Três tipos de variação lexical foram encontrados entre os adolescentes,
sendo que todos os meninos responderam burro, uma menina disse lerdinho, e outra falou
preguiçosa, as demais responderam igual à resposta dos meninos, ou seja, burro. O dicionário
revela que o significado de burro é; individuo estúpido, pouco inteligente, teimoso. A
definição para lerdinha não foi encontrada, porém a pronúncia lerda significa que denota
30

estupidez; tolo, parvo, e a palavra preguiçosa significam, que ou aquele que tem preguiça;
mole, desanimado, indolente.
Entre os idosos apareceram outras respostas sendo elas lerda, dificultosa, preguiçosa e
ruda. No dicionário a explicação para essas palavras, dificultosa significa; em que há ou que
apresenta dificuldade; difícil, árduo, preguiçosa quer dizer, que ou aquele que tem preguiça;
mole, desanimado, indolente, e ruda não tem um significado, mas foi encontrada a palavra
rude que quer dizer, não cultivado, lavrado; agreste, inculto, tosco. Entre as definições já
existentes dessas palavras, umas das possibilidades que podem ser consideradas, é que
lerdinho ou lerdo, esta comparada a tartaruga que esta sempre devagar, para burro, compara-
se ao animal burro ou asno que de vez enquanto empaca em um determinado lugar e não sai
de jeito nenhum, o mesmo quando um aluno ou aluna permanece em uma determinada série
por mais de um ano, quer dizer que empacou, é por tanto burro.
Na terceira pergunta, era para as pessoas responderem, Como é que chama a pessoa que
não gosta de gastar seu dinheiro e, às vezes, até passa dificuldade para não gastar? Cinco
variações foram encontradas, o informante um e três falaram mesquinha, a segunda falou
muxiba, a quarta disse pão duro, e os restantes dos informantes disseram mão de vaca, que
por sinal prevaleceu mais entre os adolescentes do sexo masculino.
A descrição que foi encontrada no dicionário para mesquinha, é a seguinte:
demasiadamente agarrado a bens materiais, a dinheiro; não generoso; avaro, a palavra
muxiba quer dizer, que ou quem é apegado ao dinheiro, avarento, usuário, unha de fome, a
descrição para pão duro não foi encontrada no dicionário e mão de vaca significa poder
decisório; domínio, controle, cuidado. A palavra que diferiu um pouco das respostas dos
adolescentes dita por duas idosas para essa pergunta foi à palavra miserável, que significa na
versão do dicionário “estado ou condição do que é miserável; estado de miséria;
miserabilismo”. A possibilidade de outro significado para mesquinha, é que alguém esconde
as coisas para nenhuma outra pessoa alem dele mesmo possa vir a mexer, mão-de-vaca, é por
que a vaca não tem mão, ela tem pata sem dedo nenhum, ou seja, sem mão não se pega nem
se da o dinheiro, e muxiba que esconde o dinheiro ou o carrega para todo o lugar em que se
vai, somente para que outras pessoas não possam se usufruir dele.
Na quarta questão que perguntava, Como é que chama a pessoa que é paga para matar
alguém? Foram encontradas cinco tipos de respostas diferentes, sendo que com mais
frequência no sexo feminino, a primeira e a quinta e o sexto entrevistado responderam
assassino, a segunda respondeu pistoleiro, assim, como o nono e décimo adolescente
31

masculino, uma menina disse traficante, e a outra falou malandro e um menino disse
atirador.
O dicionário descreve malandro como sendo um substantivo masculino, que ou aquele que
não trabalha, ou que leva a vida em diversão, pistoleiro que dizer, indivíduo que é pago para
matar, assassino profissional, atirador, que ou aquele que foi treinado para atirar com
precisão, assassino quer dizer indivíduo que comete homicídio; homicida, e traficante tem
como descrição que ou aquele que negocia comerciante. Segundo as descrições do dicionário
Houaiss, somente uma das respostas realmente corresponde à pergunta feita para os
entrevistados, sendo que a maioria que respondeu corretamente foi do sexo masculino. Na
resposta dos idosos surgiu à palavra bandida dita por uma das entrevistadas, essa palavra
significa, segundo o dicionário, indivíduo que pratica atividades criminosas; assaltante,
bandoleiro, as outras correspondem iguais à dos adolescentes. Possíveis traduções alem do
que já foi descrito pelo dicionário é que atirador seria alguém que tem facilidade de manusear
uma arma, assassino; que mata por dinheiro, o mesmo que interesseiro alguém cujo já nasce
com sangue frio, não pensa nas consequências de seus atos.
A quinta pergunta era para os entrevistados responderem a seguinte questão, “como é que
chama o marido que a mulher passa para trás com outro homem?” Aqui foram observadas três
variações, a primeira, segunda, terceira e quinta informantes respondeu corno, a quarta disse
traidor, uns dos adolescentes masculinos responderam chifrudo, o restante do mesmo sexo
disse corno. Assim, a descrição para essas palavras segundo o dicionário eletrônico Houaiss,
corno significa substância de que é feita o chifre, o que é feito de chifre, em forma de chifre,
para traidor encontrou-se a seguinte descrição, que ou aquele que atraiçoa; traiçoeiro, e
chifrudo quer dizer, que ou o que tem chifre(s) [diz-se de animal]. Dessa forma pôde-se
perceber que nenhuma das respostas correspondeu à resposta esperada para a pergunta feita
aos adolescentes, ou seja, falaram variações dialetais existentes em nosso cotidiano. Todos os
idosos responderam corno, que se iguala à resposta de alguns dos adolescentes. Corno que
também pode ser visto como o mesmo chifre do touro, que se encontra na testa, por isso o
nome de corno, ou também poderia ser chifrudo que por sinal se refere a traição da mulher.
Na sexta questão a pergunta foi a seguinte, como é que se chama a pessoa que vende para
qualquer homem? Entre as pessoas do sexo feminino as três primeiras responderam
prostituta, a quarta falou vadia e a quinta disse rameira. Já entre os adolescentes do sexo
masculino houve varias respostas diferentes entre eles, biscate, mulher de programa e puta.
Se analisarmos o significado dessas palavras, veremos que o dicionário descreve que biscate
significa prostituta de rua ou mulher de prostíbulo, prostituta significa, mulher que exerce a
32

prostituição, vadia é, mulher que, sem viver da prostituição, leva vida devassa ou amoral,
para rameira, não houve teve uma definição, puta é descrita como, qualquer mulher lúbrica
que se entregue à libertinagem, e o significado para mulher de programa, não possui uma
descrição.
As respostas dadas pelos idosos se comparam exatamente às variações que os adolescentes
disseram, assim de todas as respostas dadas pelos adolescentes e pelos idosos a que mais se
relaciona à pergunta feita, biscate e prostituta são os termos que estão mais próximos de uma
resposta exata. A palavra prostituta, pode estar relacionada a casa noturna, alguém que se
vende por dinheiro, mulher a toa sem caráter, vadia, alguém que vaga pelas ruas sem destino,
a procura de alguém para se vender, biscate, que da em cima do marido dos outro, o mesmo
que sem escrúpulo ou vulgar, e mulher de programa, que faz um programa em troca de
alguma coisa, dinheiro por exemplo.
A sétima pergunta dizia para responderem, que nomes dão para uma pessoa que bebeu
demais? Ao observar as respostas foram encontrados três tipos de variações, entre eles
bêbado, cachaceiro e alcoólatra, da segunda entrevistada até o nono entrevistado adolescente
as respostas foram iguais, ou seja, falou bêbado, a primeira disse alcoólatra e o último falou
cachaceiro.
Na descrição do dicionário eletrônico, para bêbado não foi encontrada uma descrição, já
alcoólatra que é um substantivo feminino significa, consumo exagerado de bebida alcoólica;
vício de embriaguez, e para cachaceiro não foi encontrado um significado. A maioria dos
idosos disse bêbado, e uma idosa disse alcoólatra e um idoso também. A outra descrição do
porque das respostas bêbado e cachaceiro, é que cachaceiro se refere a alguém que tomou
“todas” sozinho, ou seja, tomou pinga, sozinho e ficou bêbado, perdeu os sentidos.
A oitava pergunta correspondia a que os adolescentes respondessem, o que algumas
pessoas dizem já ter visto, á noite, em cemitérios ou em casas, que se diz que é do outro
mundo? Seis entrevistados adolescentes disseram fantasma, três falaram assombração e uma
disse cadáver, no dicionário assombração quer dizer, ação ou efeito de assombrar, a palavra
fantasma significa visão que apavora que aterroriza, e cadáver quer dizer, que anima odor
repulsivo, a pronúncia que mais prevaleceu entre o idoso feminino e masculino, foi a resposta
fantasma. Aqueles que disseram assombração e fantasma corresponderam à pergunta feita,
pode-se dizer então que aqui ocorreram três variações de léxico. Alem das definições já
existentes para essas palavras outra que pode descrever assombração é que significa uma
morte dolorosa, alguém que morreu com muito sofrimento, e por sofrer muito, tenta assustar
as pessoas para que elas não tenham paz assim como não tiveram. E cadáver, alguém que
33

morreu e esta sendo velada, esta sendo observado pelos seus entes querido, fantasma que fica
vagando pela rua sem rumo algum, aquele que morreu sem ser a hora dele.
A nona questão pergunta feita era, o que certas pessoas fazem para prejudicar alguém e
botam, por exemplo, nas encruzilhadas? Dos entrevistados duas meninas disseram feitiço, e
uma falou pacto, e todos os demais falaram macumba. No dicionário, feitiço significa não
natural, artificial, pacto quer dizer, ajuste, contrato, convenção entre duas ou mais pessoas, e
macumba significa, designação leiga de cultos quando supostamente pregam magia negra.
Os idosos também responderam as mesmas palavras ditas pelos adolescentes, ou seja,
igualaram-se na resposta dada. Feitiço também pode ser visto como algo mal, alguma coisa ou
alguém que faz maldade para os outros, e pacto pode funcionar como um segredo que não
pode ser revelado ou até mesmo algo que se eterniza que não pode ser desfeito.
Na décima pergunta que correspondia em as pessoas responderem “como é que chama
uma mulher que tira o mau-olhado com reza, geralmente com galho de planta”, todos
disseram benzedeira, inclusive os idosos, essa palavra que quer dizer segundo a explicação do
dicionário “que ou quem pretensamente afasta o mal, defende de feitiço e cura doenças com
benzeduras, eventualmente predizendo o futuro”. Apenas uma idosa respondeu feiticeira
nessa questão.
Na décima primeira e décima segunda questão que correspondia respectivamente às
perguntas que seguem, como é que chama a pessoa que não tem dente, a pessoa que parece
falar pelo nariz, tanto os entrevistados adolescentes quanto idosos corresponderam à resposta
certa sendo que a resposta era banguelo e fanho, no dicionário eletrônico banguela quer dizer
que ou quem se ressente de falta de um ou de mais dentes na parte frontal de uma ou de
ambas as arcadas, e fanho quer dizer, que parece falar pelo nariz. A palavra fanho pode ser
vista pelas pessoas como alguém que tem dificuldade na fala, e banguela, se refere a janelas
aberta, por isso quem não tem dente é banguela, ou seja, esta sempre de janela aberta.
Na décima terceira pergunta, foi perguntado aos adolescentes, como é que chama a
sujeirinha dura que se tira do nariz com o dedo?, aqui ao analisar as respostas podem ser
observados três tipos de respostas diferentes sendo elas, tatu, que foi o que prevaleceu na fala
dos idosos, caca e meleca. Segundo o dicionário, meleca significa; qualidade do que é
maleável flexível, tatu significa, prato preparado com carne de tatu” e caca quer dizer
“excremento, fezes. Dessa forma depois de analisadas as respostas, ficou bem claro que entre
os adolescentes somente três deles falaram à resposta que era esperada. Porém outra tradução
para essas palavras é que o “tatu” esta se referindo ao animal que sai de sua toca ou buraco, o
34

nariz possui um buraco por isso o que sai de dentro dele é chamado de tatu. E a meleca como
foi dito pelos entrevistados, esta relacionado a algo sujo, nojento, que sai do nariz.
A décima quarta pergunta era, como é que chama o mau cheiro embaixo dos braços? Aqui
foi observado entre os adolescentes dois tipos de respostas diferentes, sendo que as três
primeiras e a quinta menina entrevistada disse cece, e dois meninos também, os demais
disseram suvaqueira.
Entre os idosos suvaqueira e cece também foram ditos. Não foram encontrados no
dicionário os significados dessas palavras, uma idosa disse uma palavra que diferenciou às
outras a idosa respondeu suor que quer dizer, ação ou efeito de suar; transpiração, sudorese.
Na décima quinta pergunta que era para as pessoas responderem “se uma pessoa come
muito se sente que vai pôr para fora o que comeu se diz que ela vai”. Aqui os entrevistados
adolescentes e idosos responderam vomitar que no dicionário explica como sendo “expelir
pela boca (o conteúdo do estômago)”, correspondendo assim à resposta esperada para a
pergunta feita a eles.
Assim fica claro de que algumas palavras que foram ditas pelas pessoas se igualam de
maneira que o conhecimento segue sendo diferenciados; alguns idosos não tiveram os estudos
completos, e os adolescentes entrevistados possuem o ensino fundamental e alguns têm o
ensino médio, mesmo assim, durante as entrevistas foram observadas pequenas variações
linguística evidenciando que, quando a língua é usada no cotidiano por seus falantes, estes
não demonstram qualquer preocupação ao manifestá-la em sua oralidade. Ou seja, não existe
preconceito linguístico entre eles, apesar de que durante a pesquisa para o desenvolvimento
do trabalho, não foram encontradas tantas variações linguisticas como era o esperado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

As variações linguísticas são bastante estudadas por linguistas e pesquisadores da área


da sociolinguística, é um tema muito comentado e também muito questionado. As palavras se
modificam com o passar dos tempos e, cada vez mais nos deparamos com situações que
envolvem essas variações, como na linguagem dos idosos e adolescentes que foi observada, e
durante o processo de desenvolvimento desse trabalho, foi observada a questão da parte
fonética- fonológica e a semântico-lexical dessas pessoas.
Assim fica claro que existem as variações linguísticas, e que são usadas por muitas
pessoas de diferentes idades, seja em casa com a família, ou em conversas com amigos e até
mesmo nas escolas com os colegas de classe, através da pesquisa de campo, puderam ser
observados vários fenômenos de variações dentro da linguagem no meio da sociedade,
algumas delas simples e muito usadas no cotidiano, como por exemplo, troca do fonema O
por U, E por I, a troca do V pelo B, redução do ditongo, entre outros. Esses fenômenos
encontrados na oralidade dos entrevistados foram analisados com ajuda de livros escritos por
linguistas que se dedicaram exatamente em expor esses tipos de variações.
As comparações entre a linguagem dos idosos e adolescentes fizeram com que fosse
descoberto que às vezes as variações linguisticas podem existir na oralidade tanto das pessoas
mais estudadas, quanto das menos estudadas, com muito ou pouca idades, com o sem
profissão, justificado ainda através do seu local de moradia, entretanto, essas variações é algo
aceitável, na medida em que uma pessoa usa essa linguagem colocada e conhecida como a
língua não padrão e começa a se comunicar com outra, que possui a língua padrão, pelo
conhecimento aceitável do não padrão essa mesma pessoa cria um dialogo, onde dada as
circunstancias todas se entendem.
Existem vários tipos de variação no Brasil e diferentes formas de comunicação que se
destacam entre regiões e grupos sociais diferentes; geralmente dentro de uma mesma região,
as pessoas acabam criando uma forma de linguagem própria, de modo que a comunicação
fique mais fluente e fácil de entender.
Os estudos de variações linguísticas, realmente despertam curiosidade, até mesmo
porque quanto mais se estuda mais se aprende com essas linguagens, com o desenvolvimento
desse trabalho pôde ser descoberta a existência de tipos de variações como, a variação
histórica, estilística, geográfica e social, cada uma delas com um significado conforme
explicação no texto do trabalho. Assim, o que fica claro, é que esses estudos, é importante e
que deve sem dúvida serem levado a sério e aceitos por toda a sociedade; porém, também que
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devem, haver certo cuidado ao usar a língua, ou seja, nos diferentes contextos sociais, por
exemplo, o cuidado de não se utilizar a linguagem não padrão, como as gírias, em uma
entrevista de emprego, pois pode transparecer ao entrevistador que o candidato não se
conhece a língua padrão, e pode acabar dando uma impressão diferente do que o esperado
pelo o entrevistador.
Conclui-se assim que a linguagem se transforma a cada dia que passa, e que existem
diferentes palavreados e variações linguisticas entre uma mesma comunidade e grupos sociais
e também que, a diferença de idades em alguns casos não difere ou interfere em nada na
variação, como foi o caso da análise feita com o vocabulário dos adolescentes e idosos.
Porém, cabe ainda ressaltar que deve haver um cuidado com o uso dessas variações e, é claro,
um respeito com quem a usa, até mesmo porque as variações também faz parte da linguagem
humana e algumas vezes até têm seu lado bastante expressivo nos grupos em que são usadas
como marcas sociais. Espera-se que este trabalho possa ter contribuído para os debates sobre
linguagem e variações linguísticas sociais e possa servir de incentivos a outros de igual
natureza.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALKMIM, Tânia Maria. Sociolinguística. In: MUSSALIM, F. e BENTES, A.C. Introdução à


linguística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2001.

BAGNO, Marcos. A língua de Eulália: novela/ 13ª. Ed. São Paulo: Contexto, 2004.

CAMACHO, Roberto. A variação Linguística. In: Subsidio a proposta curricular de língua


portuguesa para o 1° e 2° graus, coletânea de textos. São Paulo, SE/ CENP, 1988.
ELIA, Silvio. Sociolinguística, Rio de Janeiro: Padrão, 1987.
HOUAISS, Dicionário eletrônico da língua portuguesa. Ed. Objetiva Ltda, 2001.
MATTA, Sozângela Schemim Da. Português: Linguagem e Interação, Curitiba: Bolsa
Nacional do Livro Ltda. 2009.

SAUSSURE, F. de. Curso de linguística geral. Tradução de Antônio Chelini, José.


Paulo Paes e Isidoro Blikstein. 28 ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e Interação: Uma proposta para o ensino de


Gramática, 14ª Ed. São Paulo: Cortez. 2009.
ANEXOS
INFORMAÇÕES DOS ENTREVISTADOS
ADOLESCENTES
INFORMANTES SEXO IDADE LOCAL T.M. L PROFISSÃO ESCOLARIDADE

INF. 1 FEM. 17 Ponta Porã 17 anos Estudante 2° Ano E.M


INF. 2 FEM. 17 Ponta Porã 17 anos Estudante 2° Ano E.M

INF. 3 FEM. 17 Ponta Porã 17 anos Estudante 3° Ano E.M


INF.4 FEM. 14 Ponta Porã 14 anos Estudante 9° Ano E.F
INF. 5 FEM. 14 Ponta Porã 14 anos Estudante 9° Ano E.F
INF.6 MASC. 13 Ponta Porã 13 anos Estudante 6° Ano E.F

INF. 7 MASC. 17 Ponta Porã 17 anos Estudante 2° Ano E.M


INF. 8 MASC. 17 Ponta Porã 17 anos Estudante 2° Ano E.M

INF. 9 MASC. 16 Ponta Porã 16 anos Estudante 1° Ano E.M

INF. 10 MASC. 15 Ponta Porã 15 anos Estudante 7° Ano E.F

INFORMAÇÕES DOS ENTREVISTADOS


IDOSOS
INFORMANTES SEXO IDAD LOCAL T.M. L PROFISSÃO ESCOLARIDADE
E
INF. 1 FEM. 82 Ponta Porã 34 anos/ 48 em Doméstica 3° série E.F
Capão Bonito
INF. 2 FEM. 67 Ponta Porã 67 anos Dona de casa E.F Completo

INF. 3 FEM. 50 Ponta Porã 50 anos Ass.Adm E.S .C.


INF.4 FEM. 50 Ponta Porã 20 anos / 30 em Funcionária E. F Completo
Dourados/MS Pública
INF. 5 FEM. 61 Ponta Porã 61 Anos Funcionária 2° Grau completo
Pública
INF.6 MASC. 50 Ponta Porã 50 anos Pedreiro 5ª série
INF. 7 MASC. 75 Ponta Porã 75 anos Aposentado 8ª série
INF. 8 MASC. 52 Ponta Porã 52 anos Segurança 4ª série

INF. 9 MASC. 65 Ponta Porã 65 anos Aposentado 5ª série


INF. 10 MASC. 60 Ponta Porã 60 anos Vigilante 8ª série
NOME: SEXO:
IDADE:
ESCOLARIDADE: PROFISSÃO:
LOCAL: TEMPO DE MORADIA NO LOCAL:
CIDADE ONDE MOROU ANTES DE VIR PARA ESTA CIDADE:
POR QUANTO TEMPO:

QUESTIONÁRIO FONÉTICO-FONOLÓGICO

1 – Como é o nome daquilo onde se encosta a cabeça para dormir na cama? TRAVESSEIRO
2 – Quando está escuro é porque faltou o quê? [Quando falta energia é que ficou sem ________? LUZ
3 – Aquilo que se usa (mímica) para acender o fogo? FÓSFORO
4 – Aquilo que se coloca nos fogos/foguetes para que eles estourem? PÓLVORA
5 – A carne se come de garfo e faca. E a sopa, com que se toma? [o que se usa para tomar sopa?] COLHER
6 – Para ter flores no jardim, depois que se prepara a terra, o que é que se faz? [Costuma-se dizer: Só colhe quem
________?] PLANTA
7 –... Um inseto que carrega o pólen das flores vive em colméias, fabrica um líquido grosso, amarelado, que é
usado como alimento, remédio? ABELHA
8 -... Um bichinho que voa e tem as asas bonitas e coloridas? BORBOLETA
9 – O que é que se pesca nos rios, no mar? PEIXE
10 – O que é que se põe nas estradas para indicar as direções, avisar de curvas, desvios? PLACA
11 – Para ganhar dinheiro, o que é preciso fazer? TRABALHAR
12 -... Aquilo que representa o país, que é verde, amarelo, branco e azul? BANDEIRA
13 -... A pessoa que usa farda, que vive em quartel? SOLDADO
14 – Adão foi o primeiro ______________? HOMEM
15 – E Eva foi à primeira _____________? MULHER
NOME: SEXO:
IDADE:
ESCOLARIDADE: PROFISSÃO:
LOCAL: TEMPO DE MORADIA NO LOCAL:
CIDADE ONDE MOROU ANTES DE VIR PARA ESTA CIDADE:
POR QUANTO TEMPO:

QUESTIONÁRIO SEMÂNTICO-LEXICAL

Como é que se chama... 1- A pessoa que fala demais? (tagarela)


2 - A pessoa que tem dificuldade de aprender as coisas (pouco inteligente)
3 - A pessoa que não gosta de gastar seu dinheiro e, às vezes, até passa dificuldades para não gastar (sovina)
4 - A pessoa que é paga para matar alguém (assassino pago)
5 - O marido que a mulher passa para trás com outro homem (marido enganado)
6 - A mulher que se vende para qualquer homem (prostituta)
7 - Que nomes dão para uma pessoa que bebeu demais? (bêbado)
8 - O que algumas pessoas dizem já ter visto, à noite, em cemitérios ou em casas, que se diz que é do outro
mundo? (fantasma)
9 - O que certas pessoas fazem para prejudicar alguém e botam, por exemplo, nas encruzilhadas? (feitiço)
10 - Uma mulher que tira o mau-olhado com rezas, geralmente com galho de planta... (curandeiro)
11 - A pessoa que não tem dente... (desdentado, banguela)
12 - A pessoa que parece falar pelo nariz... Imitar (fanho fanhoso)
13 - A sujeirinha dura que se tira do nariz com o dedo... (meleca, tatu)
14 - Mau cheiro embaixo dos braços... (cheiro nas axilas)
15 - Se uma pessoa come muito, se sente que vai por para fora o que comeu, se diz que ela vai... (vomitar)

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