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Memorização e Leitura

Dinâmica
Módulo I

Parabéns por participar de um curso dos


Cursos 24 Horas.
Você está investindo no seu futuro!
Esperamos que este seja o começo de
um grande sucesso em sua carreira.

Desejamos boa sorte e bom estudo!

Em caso de dúvidas, contate-nos pelo


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www.Cursos24Horas.com.br

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Equipe Cursos 24 Horas
SUMÁRIO

Introdução..................................................................................................................... 3
Unidade 1 – Memorização ............................................................................................ 5
1.1. Memória – o que é e como funciona ................................................................... 6
1.2. Exercitando o lado direito e esquerdo do cérebro.............................................. 13
1.3. Fatores que influenciam na memória ................................................................ 16
1.4. Os Sentidos e o Aprendizado – Atenção, Observação e Associação.................. 18
1.5. Concentração.................................................................................................... 27
Unidade 2 – Técnicas de Memorização ....................................................................... 33
2.1. Técnicas de Ligação Mnemônicas .................................................................... 34
2.2. Técnicas de Fixação Mnemônicas .................................................................... 36
2.3. Memorizando Textos Longos ........................................................................... 44
2.4. Memorizando Datas ......................................................................................... 49
2.5. Memorizando Palavras em Outras Línguas e Conceitos Abstratos .................... 57
2.6. Memorizando o Nome e a Fisionomia das Pessoas ........................................... 63
Conclusão do Módulo I............................................................................................... 73
Introdução

Vivemos em uma sociedade onde a velocidade das informações cresce


proporcionalmente à quantidade em que ela nos é apresentada. Isso significa que temos
cada vez mais informações à disposição e menos tempo
para absorvê-las. Esse fato tem como consequência um
mundo cada vez mais rápido, com pessoas mais
estressadas e com menos capacidade de se lembrar das
informações que recebem.

Neste processo, estamos expostos a diversos estímulos diferentes, criativos e


simultâneos. A informação é recebida através de jornais impressos, revistas, jornais na
internet, mídias sociais, televisão, rádio, entre outras fontes. A maior parte desses meios
de comunicação se utiliza da escrita para passar as informações, o que faz da leitura
uma ferramenta fundamental para sua interpretação.

Em função disso, a quantidade de material a ser lido cresce de modo inversamente


proporcional ao tempo de que dispomos para lê-los, o que nos motiva a enfrentar um
mundo onde quem não se atualiza e procura se manter informado fica em desvantagem
em relação aos outros. Muitos dizem que não conseguem se lembrar porque têm
“memória fraca” ou “problemas para se lembrar de algo”.

Mas, o que pode parecer “memória fraca”, é consequência da falta de atenção,


observação, associação e concentração. Mas é natural que, com grande quantidade de
informações nos bombardeando diariamente, não damos a mesma atenção a todos os
estímulos que recebemos.

Na primeira parte deste curso, você aprenderá conceitos


e técnicas de memorização, assim como exercícios para
reforçar a sua memória, a fim de desenvolvê-la
constantemente. Você aprenderá a selecionar as informações

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que julga necessárias e as técnicas para guardá-las a longo prazo, descartando as que são
desnecessárias.

Na segunda parte do curso, você será apresentado à técnica da leitura dinâmica,


como ela funciona e a exercícios para praticá-la. Essa técnica é importante porque ela
vai ajudá-lo a ler mais em menos tempo, retendo com maior qualidade as informações
recebidas.

Para participar deste curso, o aluno precisará de muita atenção, concentração,


observação e associação para compreender as informações. Procure estudar em um
momento do seu dia ou da sua semana em que você não esteja com preocupações que
possam atrapalhar a sua concentração, e em um ambiente silencioso, para que não haja
interferência no seu processo de aprendizagem.

Veremos que os fatores ambientais influenciam muito na maneira de retermos as


informações, então para estudar o Curso de Memorização e Leitura Dinâmica, é
fundamental que o aluno esteja em um ambiente favorável ao aprendizado, e que tenha
tido uma boa noite de sono.

Concentre-se e bons estudos!

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Unidade 1 – Memorização

Olá,

Seja bem-vindo(a) à primeira unidade do nosso Curso de Memorização e Leitura


Dinâmica.

Nesta unidade, vamos estudar o que é a memória, e como ela funciona no nosso
cérebro. Também veremos as funções exercidas pelo lado direito e esquerdo do cérebro,
e como podemos exercitá-los.

Em seguida, veremos quais são os fatores que influenciam na retenção de


informações na memória a longo prazo, e a importância de se praticar quatro ações
básicas para desenvolver a nossa capacidade de recordar um fato: a atenção, a
observação, a associação e a concentração.

Também faremos alguns exercícios ao longo da unidade para desenvolver estas


habilidades. Encare seus exercícios com seriedade e os realize da maneira que forem
propostos.

Bons estudos!

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1.1. Memória – o que é e como funciona

“Todo conhecimento não passa de lembrança”


Platão

O que é a memória?

Podemos definir a memória como uma espécie de lugar no cérebro onde retemos
informações importantes. Ela guarda experiência na forma de imagens, sons ou de
outras formas de lembranças, que são
reavivadas através de um estímulo.

O termo memória vem do latim mnemo,


que significa a capacidade de guardar ou
adquirir ideias, imagens e conhecimentos.

A memória é a base da aprendizagem,


pois só podemos nos desenvolver intelectualmente através do conhecimento de um
conceito sobre o outro, como se fosse uma parede de tijolos. Se a base estiver firme, os
que forem colocados em cima também estarão firmes. A aprendizagem passa pelo
mesmo processo, pois se o conhecimento primário estiver bem consolidado na nossa
memória, conseguiremos adquirir conhecimentos mais complexos posteriormente.

Um fator importante de ser conhecido é que não existe memória fraca ou ruim –
sem contar casos especiais, como pessoas com lesões cerebrais, superdotados ou com
algum tipo de deficiência cognitiva. Exceto nesses casos, todas as pessoas possuem a
mesma capacidade de retenção de informações e condições de crescimento intelectual.

Mas para que haja o desenvolvimento da capacidade intelectual, é preciso que se


exercite a memória constantemente. Sabemos que ela está dentro do cérebro, e funciona
de modo semelhante a um músculo, ou seja, ela deve ser constantemente exercitada para
que cresça e se desenvolva, uma vez que sem treinamento ela perde a eficiência.

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Tipos de Memória

Sabemos que existem vários tipos de memória, que são classificadas de acordo
com critérios diferentes. A classificação pode ocorrer
de acordo com os processos cognitivos conscientes,
ou seja, mediante ao processo de aprendizagem
consciente, ou de acordo com a duração da retenção
da informação, ou seja, se a memória é de curto ou
longo prazo. Vamos ver a seguir os diferentes tipos de
memórias definidas pela literatura, de acordo com os critérios citados.

Memória de acordo com os processos de aprendizagem

1) Memória Instantânea

Como o próprio nome já diz, é a memória imediata, que disponibiliza toda a


informação que precisamos em tempo real. Ela é extensa, e agrupa todas as informações
que utilizamos diariamente, como por exemplo:

- Informações relacionadas ao dia a dia, como a localização de objetos, fatos


relacionados a práticas cotidianas, como qual é a nossa mesa de trabalho, qual é a rotina
que seguimos todos os dias, etc.

- Fatos que formam a nossa personalidade e a expressam, como opiniões e


preconceitos, por exemplo.

- Reações automáticas e a linguagem.

- A memória que utilizamos todos os dias no trabalho, e as informações que


precisamos para executá-lo. Ações que parecem automáticas são reflexos do
fornecimento de informações vindas da memória que nos dizem o que fazer e como nos
comportar, a ponto de parecer que não precisamos pensar para executar aquela ação.

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2) Memória Especializada

As memórias especializadas são mais especificas, e elas carregam a memória


instantânea com informações específicas. Este tipo de memória pode ser classificada
como memória a longo prazo, conforme veremos adiante.

A memória visual, as emoções e os conceitos formadores de caráter são exemplos


da memória especializada. Eles são construídos ao longo do tempo e por isso
constituem uma espécie de arquivo cheio de informações que a nossa memória carrega,
e se estimulada, passa essas informações para a memória instantânea.

Memória de acordo com a duração

1) Memória a curto prazo

Esta memória guarda informações por um tempo limitado, de acordo com a


capacidade de cada indivíduo de reter informações, o mesmo ocorre com as variáveis
que afetam a memória – veremos essas variáveis adiante no curso.

De acordo com a literatura, a memória a curto prazo é esvaziada durante o sono, e


as informações que preencherão nossas recordações a longo prazo são consolidadas, ou
seja, as informações armazenadas na memória a curto prazo serão filtradas e passarão
para a memória a longo prazo.

2) Memória a médio prazo

A memória a médio prazo é constituída por informações que passaram pelo filtro
daquela a curto prazo, e que, depois de passar por esse filtro, foram organizadas e
ordenadas dentro da memória. Quando as informações estão guardadas a curto prazo,
elas são cheias de detalhes e desordenadas, e quando passam a ser registradas a médio

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prazo, estão gravadas de forma mais objetiva, fazendo com que a memória seja capaz de
guardar mais informações, uma vez que o espaço para essas lembranças é menor.

As informações são guardadas por mais tempo, mas passarão para a categoria a
longo prazo se tiverem dados relacionais, ou seja, se armazenamos a informação
relacionando-a com outras já contidas na memória a longo prazo.

3) Memória a longo prazo

Nesta categoria, estão guardadas as informações que são retidas durante toda a
vida de uma pessoa, ou seja, os conceitos que fazem parte de sua personalidade e que
orientam as suas ações. As informações armazenadas na memória a longo prazo
passaram pelo filtro das memorizações anteriores – curto e médio prazo – e se
transformaram em conceitos sólidos nas concepções individuais.

Na memória a longo prazo, as informações recebidas podem durar uma vida


inteira e, de modo geral, os fatos ocorridos na infância são os últimos a serem
esquecidos. A emoção é uma das principais causas desta retenção das informações, pois
elas são mecanismos poderosos de armazenamento de memórias.

Mecanismos Cerebrais da Memória

Conforme observado, a capacidade de reter informações, ou memória, está


localizada fisicamente dentro do cérebro, tendo características biológicas e psicológicas
que se relacionam para a sua composição.

As partes do cérebro humano que armazenam a memória são:

- O lobo temporal, que armazena eventos passados, ou seja, está relacionado com
a memória a longo prazo.

- O hipocampo, que é responsável por escolher as informações que são relevantes


e que devem ser armazenadas. Esta região também está relacionada com o
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reconhecimento de relações espaciais, como saber se orientar geograficamente em uma
região que não conhecemos previamente.

- A amígdala, que recebe os estímulos vindos do meio ambiente, tais como


cheiros, sons, sabores, e que transforma estes estímulos em sinais elétricos que são
interpretados pelo cérebro.

- O córtex pré-frontal, que corresponde à resolução de problemas e questões


relacionadas ao comportamento dos indivíduos. Ele está ligado ao lobo temporal.

Leitura Complementar

Cérebro gerencia memória como o computador, diz estudo

RAFAEL GARCIA
da Folha de São Paulo

Um experimento que mostrou como o cérebro faz para gerenciar as


memórias reforça a teoria de que o processo é semelhante ao que ocorre em
um computador.

O trabalho, coordenado pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, diretor do IINN

10
(Instituto Internacional de Neurociências de Natal), flagrou o momento em
que algumas estruturas cerebrais são ativadas para "salvar" dados.

Ribeiro, diferentemente de outros cientistas, não mostra receio em comparar


mente e máquina, mas explica por quê: "É claro que não é a mesma coisa,
mas é a melhor metáfora que a gente tem", diz. "O cérebro é um computador,
só que é um computador construído com regras diferentes."

Uma dessas regras, porém, parece ser muito semelhante. Em 2004, Ribeiro já
havia proposto juntamente com o colega Miguel Nicolelis, da Universidade
Duke, nos EUA, uma teoria nesse sentido.

Segundo eles, duas estruturas cerebrais distintas --o hipocampo e o córtex--


funcionariam de maneira semelhante aos centros de memória de um
computador --a memória RAM e o disco rígido.

Uma série de experimentos nos últimos quatro anos reforçou a hipótese, e


em um estudo publicado nesta sexta-feira na edição de lançamento da revista
"Frontiers in Neuroscience", Ribeiro e Nicolelis detalham as evidências
experimentais em favor da analogia.

Memória RAM

Uma das principais pistas é que os cientistas detectaram pela primeira vez o
momento em que o cérebro transfere informações do hipocampo para o
córtex -como se fosse um software de edição "salvando" um texto- num
breve período, de cinco a dez segundos, durante o sono.

A descoberta só foi possível porque os cientistas conseguiram analisar ao


mesmo tempo a atividade elétrica dos neurônios e a ativação de genes que
fazem essas células produzirem as conexões de longo prazo para as
memórias duradouras.

11
"Foi a primeira vez que alguém fez uma combinação de duas técnicas que,
em si mesmas, já são difíceis", diz.

Sono

Trabalhando com ratos que eram submetidos a experimentos de aquisição de


memória, os pesquisadores conseguiram mostrar que a atividade elétrica do
hipocampo induzia o córtex a ativar --algumas horas depois, durante o sono--
os genes necessários para as conexões duradouras.

De quebra, Ribeiro, Nicolelis e colegas ainda conseguiram mostrar que essas


duas etapas ocorrem em fases distintas do sono.

Durante a fase chamada de sono de ondas lentas --o sono pesado-- o


hipocampo (porta de entrada do aprendizado) prepara as memórias para
serem enviadas ao córtex, e se manifesta por meio de atividade elétrica.

Durante o chamado sono REM (movimento rápido dos olhos, em inglês),


ativa os genes que produzem as proteínas necessárias às conexões da
memória de longo prazo.

"É a primeira evidência eletrofisiológica de que uma memória persiste e


reverbera durante o sono no córtex e não no hipocampo", diz Ribeiro.
"Durante o sono, o córtex continua "lembrando", mas o hipocampo não",
explica.

Medição

A transmissão de dados de uma estrutura à outra foi detectada quando o


grupo mediu a atividade elétrica dos neurônios e descobriu que em um breve
momento eles entravam em sincronia, disparando impulsos na mesma

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freqüência.

"Há uma correlação estreita entre a amplitude das oscilações neurais nessa
freqüência, de 10 a 14 hertz, e a expressão dos genes [necessários à fixação
de memórias]", diz Ribeiro.

Resgatando Freud

Ao mesmo tempo em que trabalha com roedores, o cientista conduz em


Natal experimentos com pessoas para tentar entender o papel dos sonhos
nesse processo.

Ribeiro, um neurocientista que se interessa pela teoria da psicanálise --algo


raro em seu campo de pesquisa--, diz que quer tentar "resgatar Freud no que
ele tinha de mais cientifico", ou seja, tentar entender o papel dos sonhos na
biologia humana.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u342250.shtml

1.2. Exercitando o lado direito e esquerdo do cérebro

É um fato conhecido pelos pesquisadores que estudam os mecanismos cerebrais


que o cérebro dos seres humanos é dividido em duas partes
por uma cavidade profunda. Recentemente, foi descoberto
que essas duas áreas do cérebro funcionam de forma muito
diferente, e que conseguem funcionar sozinhas, até mesmo
quando elas são separadas.

Cada parte do cérebro controla o lado oposto do corpo;


isso quer dizer que o lado direito do cérebro controla os movimentos do lado esquerdo,
assim como o lado esquerdo do corpo é controlado pelo lado direito do cérebro.

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Para a grande maioria das pessoas, o lado esquerdo do cérebro é o responsável
pelo pensamento lógico, racional dos indivíduos. Quando fazemos uma operação
matemática, por exemplo, estamos utilizando o lado esquerdo do cérebro.

Dissemos que isto é valido para a maioria das pessoas porque para os canhotos, o
lado direito do cérebro pode ser o responsável pelo raciocínio lógico. Em alguns
canhotos, a fala pode ser controlada por ambas as partes do cérebro, mas isto acontece
em uma minoria das pessoas (90% da população é destra).

Este lado também está relacionado à capacidade de controlar a fala, escrever e


produzir sons. Quando uma pessoa perde a capacidade de falar claramente, por
exemplo, é muito provável que ela tenha sofrido um dano no lado esquerdo do cérebro.

Já o lado direito do cérebro é aquele responsável pelo entendimento e a


interpretação dos estímulos, estando mais ligado às emoções e à criatividade. Quando
estimulado, ele apresenta uma resposta imediata a um problema, diferente do lado
esquerdo, que segue uma série de passos lógicos
para oferecer uma resposta.

Este lado do cérebro é o que observa o


ambiente que nos cerca, além de comandar
funções como tocar um instrumento e pintar um
quadro, por exemplo. Quando vemos um conhecido em uma multidão, é graças ao lado
direito do cérebro que identificamos seu rosto, mas a ação de lembrar o nome deste
conhecido é função do lado esquerdo.

Ainda que as duas metades possam funcionar sozinhas, elas devem trabalhar
juntas para que o cérebro funcione normalmente. Como no exemplo acima, se só
trabalhássemos com o lado direito, seríamos capazes de saber que conhecemos aquela
pessoa, mas não teríamos outras referências, como de onde a conhecemos, qual seu
nome, etc. Sem o lado direito, não poderíamos fazer os cálculos apresentados em um
problema de matemática, pois não teríamos como entendê-lo.

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Para a maioria das atividades, fazemos uso dos dois lados do cérebro, que
funcionam ao mesmo tempo, trabalhando de forma bem coordenada entre si. Para que
você possa exercitar as duas metades do seu cérebro, apresentamos algumas dicas de
atividades que podem ajudá-lo a fazer isso. A partir das sugestões que mostraremos em
seguida, elabore outras, que você sinta prazer em realizar, o que vai continuamente
exercitar seu cérebro.

Para estimular o lado esquerdo Para estimular o lado direito


- Estudar informática - Praticar meditação
- Arrumar a casa - Praticar ioga
- Treinar e fazer cálculos de cabeça - Fazer atividades relacionadas à
expressão corporal, como dança ou
pintura
- Faça orçamentos domésticos - Fazer outros programas culturais,
diferentes do que está acostumado. Se
você sempre vai ao cinema, por
exemplo, tente ir ao teatro, ou ver um
concerto.
- Estudar idiomas - Brincar (você pode brincar sozinho,
com seu animal de estimação, com
crianças)
- Fazer trabalhos manuais - Memorize de maneira absurda,
improvável, que seja divertida, que lhe
lembre emoções, com cores
- Utilize os cinco sentidos (visão,
audição, tato, olfato e paladar), pois
eles são interpretados pelo lado direito

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1.3. Fatores que influenciam na memória

Existem vários fatores que influenciam na aquisição e absorção de conceitos que


serão guardados na memória. Para o aluno que procura desenvolver sua capacidade de
memorização, é fundamental o conhecimento destes conceitos, a fim de desenvolvê-los.

Existem três elementos centrais para a aquisição de memória: as técnicas, a


concentração/observação/atenção e a memória natural. Vamos ver estes conceitos mais
detalhadamente a seguir.

Técnicas

São várias maneiras de melhorar o registro e a transformação de novos


conhecimentos em conceitos duradouros na memória. Elas são utilizadas para que a
pessoa possa selecionar melhor e guardar mais informações na memória. Veremos no
desenvolvimento do curso, diversas técnicas de memorização.

Concentração/observação/atenção

Estes elementos fazem com que o indivíduo seja capaz de prestar atenção em
conteúdos que julgar interessantes e retê-los na memória, ou seja, esses elementos
funcionam como uma espécie de filtro para as informações. Através destas
características, podemos nos concentrar, observar detalhes, tendo atenção no que
fazemos o que gera interesse, facilitando o processo de
memorização.

A concentração pode ser traduzida de várias maneiras,


mas, no que se refere à concentração, ela é a aplicação
intensa da inteligência do indivíduo em um determinado
assunto. Ela pode ser trabalhada e fornece aumento
significativo na capacidade de aprendizagem de quem a
exercita.

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À primeira vista, atenção e observação podem parecer sinônimas, mas estas
práticas são diferentes na sua aplicação, uma vez que podemos estar atentos a um
assunto ou a um discurso sem, necessariamente, estar observando os detalhes do
contexto que cerca aquela situação.

Memória Natural

Este elemento se refere à capacidade que cada pessoa possui, que depende do
trabalho de exercício da memória ao longo da vida. Todas as pessoas devem procurar
aumentar a capacidade de sua memória, e para isso apresentaremos exercícios ao longo
do curso que proporcionarão esse treino ao aluno.

Além destes três fatores, fundamentais para a absorção de informações e


transformação em conceitos duradouros, outros elementos, relacionados ao ambiente,
influenciam na aquisição de memória.

O mais importante deles é o sono, pois é


durante este período de descanso que nosso
cérebro seleciona as informações adquiridas
durante o dia e as transforma em conceitos
fixados na memória a longo prazo, localizada no
córtex. Por isso, uma boa noite de sono significa
que os conceitos que aprendemos durante uma
aula, por exemplo, serão armazenados na memória de longo prazo, que tem capacidade
ilimitada.

Para reter conteúdos, é importante que a pessoa saiba organizar a grande


quantidade de informações com as quais somos bombardeados diariamente. Podemos
fazer isso dando maior atenção aos conceitos que são mais importantes, deixando de
lado informações cheias de detalhes que sobrecarregarão a nossa memória e irão
atrapalhar o processo de armazenamento.

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Outros fatores também influenciam no processo de memorização, por isso seguem
algumas recomendações para melhorar o desenvolvimento da sua memória:

- Evite o stress, pois é muito mais difícil guardar uma informação que você
recebeu quando estava nervoso ou preocupado.

- Cuidado com a sobrecarga na rotina, tanto no trabalho como na vida pessoal,


pois os lapsos de memória podem estar relacionados a isso e ao stress diário.

- Cuidado com a alimentação e a falta de sono, pois estes elementos desregulam o


ritmo natural do corpo e, consequentemente, têm consequências sobre a sua capacidade
de atenção e aquisição de informações.

- Cuidar do corpo é importante para o seu funcionamento correto, por isso a


prática de exercícios, mesmo que moderadamente, pode auxiliar na capacidade
cognitiva.

- Não acredite em remédios que ajudam a expandir a capacidade da memória.


Lembre-se que todos temos a mesma capacidade, o que diferencia as pessoas é o
exercício da capacidade de memorização.

- Procure dar atenção às informações que considera mais importantes que sejam
guardadas a longo prazo, e não se atenha a detalhes que julgar não relevantes para o seu
cotidiano.

1.4. Os Sentidos e o Aprendizado – Atenção, Observação e Associação

As técnicas de memorização que você irá adquirir no final deste curso estão
baseadas em uma ideia básica: a de associar elementos, ou seja, tornar o assunto
familiar, visual e ligado a algo conhecido. Assim, conhecido simplesmente,
conseguiremos aumentar consideravelmente o grau de retenção de assuntos específicos.

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Para iniciar este assunto, vamos ver qual é o grau de retenção, no processo de
aprendizagem, que cada um de nossos sentidos nos proporciona:

Fonte: http://sepaldigital.wordpress.com/2011/04/18/audio-visual-no-processo-do-
aprendizado/

Olhando para este gráfico, podemos perceber que todos os nossos sentidos
registram informações, e os estímulos percebidos são relacionados com memórias
específicas. É comum ouvir uma música e lembrar de um sentimento ou uma fase da
vida relacionada a essa música, ou sentir um perfume e nos lembrarmos de alguém que
usa a mesma fragrância.

Porém o sentido que mais se destaca na


memorização de informações é a visão, pois nos
lembramos por um tempo bem maior e com mais
detalhes algo que vemos ou imaginamos
visualmente.

Quando estudamos algo, por outro lado, falar se apresenta como um método mais
eficiente quando aliado a outra técnica de estudo. Veja o gráfico abaixo, que relaciona a
porcentagem de retenção de informações de acordo com o método utilizado para
estudar.

19
Fonte: Leitura Dinâmica e Memorização. Teixeira, Elson Adalberto e Machado, Andréa M.
de Barros

A fim de ampliar a sua capacidade de registrar informações, vamos trabalhar com


os conceitos de associação, fazendo relações conscientes entre o que queremos registrar
com aquilo que já está gravado em nossa memória, tornando o assunto o mais visível
possível.

Atenção, Observação e Associação

Para adquirir conhecimento e retê-lo na memória, é fundamental que a pessoa


exerça a atenção, a observação e a associação ao que está
acontecendo, ou à informação que ela pretende fixar.
Muitas pessoas reclamam que têm memória fraca ou que
são esquecidas, mas na realidade não prestaram a devida
atenção ao que estava acontecendo e, por isso, não
conseguem se lembrar da informação.

É comum escutarmos, também, que a pessoa já está velha demais para aprender.
Os estudos comprovam que todas as pessoas podem aprender em todas as idades, só
precisam usar as técnicas corretas, ou seja, precisam exercitar o cérebro o tempo todo,
assim como um músculo.

20
Vamos ver quais são as definições de atenção, observação e associação, e como
podemos melhorar estas práticas em nosso cotidiano.

Atenção

A falta de atenção, em geral, é sinônimo de


distração. Se uma pessoa coloca o óculos em cima da
cabeça e depois não consegue encontrá-lo, é porque
não deu atenção devida ao gesto e, por isso, ele não
ficou registrado em sua memória. Para não cair nessas
armadilhas, basta fazer uma associação com os gestos
que você realiza cotidianamente e prestar atenção neles. Mas como fazer isso?
No começo é preciso que o aluno preste bastante atenção no que está fazendo, mas
depois de adquirir a prática, as associações acontecerão normalmente, sem que você
tenha que dedicar um tempo enorme para fazê-las. Elas ficarão cada vez mais naturais.
Você treinará seu cérebro a registrar as ações em frações de segundo, e esse movimento
ficará gravado no seu consciente, de modo que você se lembrará onde está o óculos
naturalmente.

Quando você for colocar o óculos na cabeça, preste atenção no que está fazendo, e
crie uma associação entre cabeça e óculos. Imagine o óculos acima da cabeça, e em
seguida visualize o cabelo se transformando em uma mão para segurar o óculos, ou
outra cena que ache absurda. Quanto mais irreal for essa cena para você, melhor, pois as
associações absurdas são aquelas que melhor se fixam na memória.

Observação

Os fatos que resgatamos da memória são trazidos à tona através de associações,


ou seja, relacionamos um fato a outro já conhecido, que estava guardado. A observação
é uma das práticas que pode fazer com que nos lembremos de um fato.

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É muito comum que, no cotidiano sobrecarregado em que vivemos, que olhemos
para algo, mas não observemos de fato. Se você acordou atrasado e se vestiu depressa, é
pouco provável que consiga se lembrar da cor das suas meias, por exemplo. Ou pode ser
difícil lembrar qual é a cor da camisa que seu colega
de trabalho está vestindo hoje, ainda que você o
tenha cumprimentado. Estas constatações nos
mostram que muitas vezes olhamos, mas não
observamos o que está acontecendo a nossa volta e
com nós mesmos.

Através das técnicas de memorização, você será capaz de observar os detalhes que
antes passavam despercebidos. Ao observar, seu cérebro registrará tudo ao que você
observou, fazendo com que se lembre de coisas que antes não dava atenção.

Associação

Conforme vimos, a associação é o processo de relacionar algo que observamos


com um fato que conhecemos, que está contido na memória, ou seja, só conseguimos
fazer uma associação se formos capazes de observar os acontecimentos e retê-los na
memória.

Quando falamos em “mapa da Itália”,


você já faz uma associação direta com uma
bota. Isto porque, quando vemos o mapa da
Itália, ele se parece realmente com uma bota –
e essa imagem mental faz com que guardemos
o formato do mapa.

Mas é impossível fazer uma associação


sem que tenhamos interesse na informação que está sendo passada, ou que não
queremos memorizar de imediato. Consequentemente, para melhorar a sua memória,
você tem que se interessar e observar tudo que queira se lembrar – para isso, é de

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fundamental importância que você use a atenção. Vamos a um exemplo, para verificar
como está o seu poder de atenção e observação.

Você está dirigindo um ônibus com 50 passageiros. No primeiro ponto, 15


pessoas sobem e descem 10. No ponto seguinte, 10 pessoas entram e saem 20. Nas duas
paradas seguintes descem 8 passageiros de cada vez, entrando 6 na primeira, e nenhum
na segunda. O ônibus quebra no meio do caminho. Como estão atrasados, alguns
passageiros resolvem descer e ir a pé; são em número de 13. Depois de 1 hora, o
ônibus é consertado e vai para o ponto final, onde todos descem.

Sem reler o parágrafo, responda às seguintes perguntas:

- Quantas pessoas desceram no ponto final?

Provavelmente você sabe responder essa pergunta facilmente. Ainda sem reler o
parágrafo anterior, responda a próxima pergunta:

- Quantas paradas o ônibus fez, no total?

Essa pergunta é mais difícil, porque pouquíssimas pessoas dão atenção a esse
detalhe, ou seja, não aplicam a atenção e a observação na leitura corrente.

Agora, vamos a outra pergunta, que é mais difícil.

- Qual é o nome do motorista do ônibus?

Duas em cada cem pessoas acertam esta pergunta, justamente pelos problemas de
atenção e observação apresentados acima. O problema apresentado se inicia dizendo
que você está dirigindo o ônibus.

Para treinar a sua memória, é importante que você passe a prestar mais atenção no
que lê e no que observa, porque se fizer isso, seu cérebro registrará a informação e você
será capaz de se lembrar dela. A memória funciona como um funil, e se você pensar
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coisas do tipo “tenho uma péssima memória”, por exemplo, estará dando estímulos
negativos para registrar as coisas e, consequentemente, terá mais dificuldade. Se passar
a acreditar que tem a capacidade de reter informações como qualquer outra pessoa, e
alimentar pensamentos como “sou capaz de me lembrar de qualquer coisa” ou “sou
capaz de lembrar de tudo que queira”, você realmente será capaz.

Exercícios de Memorização

Para que você já comece a exercitar a sua memória, vamos apresentar três
exercícios para treiná-la. Como estamos no começo do curso, é normal que você possa
apresentar alguma dificuldade em acertar todas as questões, mas isso não deve te
desanimar. Ao longo do curso, você estará com sua memória mais treinada, e se voltar a
esses exercícios, verá como eles serão resolvidos com muito mais facilidade.

EXERCÍCIO 1

Leia com atenção, e apenas uma vez, o nome dos 15 objetos da lista abaixo.
Depois de ler, escreva o nome dos objetos em um papel sem olhar na lista, na ordem em
que eles estão descritos na listagem. Se você esquecer de uma palavra, errará todas as
seguintes, uma vez que elas não estarão na ordem correta.

1. ESTANTE
2. LIVRO
3. CANETA
4. PAPEL
5. CINZEIRO
6. CASACO
7. JANELA
8. ÓCULOS
9. RELÓGIO
10. COMPUTADOR
11. FOGÃO
12. GELADEIRA
24
13. COPO
14. CADEIRA
15. MESA

EXERCÍCIO 2

Leia com atenção a lista com os 20 objetos, lembrando-se da numeração de cada


um. Você tem no máximo 2 minutos para fazer isso. Em seguida, escreva em um papel
o número e o nome de cada objeto, sem olhar na lista.

1 – COPO
2 – PANELA
3 – CIGARRO
4 – CARRO
5 – LOUSA
6 – BALA
7 – PORTA
8 – VASO
9 – CHAPÉU
10 – ISQUEIRO
11 – JANELA
12 – GIZ
13 – PLACA
14 – CHOCOLATE
15 – MOEDA
16 – BICICLETA
17 – TELEVISÃO
18 – ESPELHO
19 – GARRAFA
20 – ÔNIBUS

25
EXERCÍCIO 3

Em um baralho, existem 52 cartas. Abaixo, apresentamos uma lista com 48 cartas;


Examine cuidadosamente a lista e descubra quais são as 4 cartas que estão faltando e
escreva em um pedaço de papel.

ÁS DE REI DE DAMA DEZ DE OITO DE SETE DE QUATR CINC


COPAS PAUS DE ESPADAS OUROS ESPADA O DE O DE
ESPADAS S PAUS COPA
S
NOVE DE TRÊS DE SEIS DE DOIS DE SEIS DE VALETE NOVE SETE
ESPADAS ESPADAS OUROS COPAS COPAS DE DE DE
COPAS COPAS PAUS
OITO DE CINCO NOVE DE SETE DE QUATR CINCO DAMA REI
PAUS DE PAUS COPAS O DE DE DE DE
ESPADAS ESPADA OUROS PAUS OURO
S S
DEZ DE DOIS DE VALETE ÁS DE DAMA OITO DE TRÊS SEIS
PAUS OUROS DE ESPADAS DE ESPADA DE DE
OUROS OUROS S OUROS PAUS
DAMA TRÊS DE DEZ DE TRÊS DE SEIS DE DOIS DE ÁS DE DOIS
DE PAUS COPAS COPAS ESPADA PAUS PAUS DE
COPAS S ESPA
DAS
VALETE OITO DE QUATRO CINCO SETE DE REI DE DEZ DE VALE
DE PAUS COPAS DE DE PAUS OUROS COPAS OUROS TE DE
COPAS ESPA
DAS

(RESPOSTA: ÁS DE OUROS, QUATRO DE OUROS, NOVE DE OUROS E REI DE ESPADAS)

26
1.5. Concentração

A concentração é a habilidade do indivíduo de se


sensibilizar e se colocar em estado de alerta para o
registro das informações relevantes dentro de um quadro
com muitos dados disponíveis. Em outras palavras,
estamos concentrados quando estamos focados em um
objeto específico, sem deixar que outros fatores
interfiram na nossa percepção.

Para conseguir se lembrar de uma informação, ou seja, para registrá-la em sua


memória, a atenção e a observação, sozinhas, não bastam.

A prática da concentração é fundamental, para que você não se distraia com


outros pensamentos.

Podemos distinguir dois tipos de concentração, que levam a dois resultados


diferentes em relação às coisas que observamos e às experiências que vivemos:

- Concentração imediata: como o nome já diz, é aquela aplicada às situações mais


comuns do cotidiano, como ler um documento, observar uma paisagem ou assistir a um
filme.

- Concentração prolongada: está associada à memória a longo prazo, pois ela se


aplica às atividades que requerem a utilização da memória a longo prazo, ou na
obtenção de conhecimentos que serão registrados a longo prazo no nosso cérebro. Este
tipo de concentração é utilizada quando estudamos, escrevemos, refletimos ou fazemos
uma prova, por exemplo.

27
A habilidade de concentrar-se, tanto de forma imediata como prolongada, é
composta por cinco elementos: sensibilização, seleção, manutenção do foco,
consciência da situação e equilíbrio emocional.

Vejamos:

Sensibilização

Para começarmos o processo de concentração, é preciso que façamos com que


nosso corpo esteja o mais sensível possível, a fim de ser capaz de registrar os estímulos
sensoriais que vêm do objeto no qual estamos concentrados.

Se quisermos que nosso cérebro registre as informações com as quais entramos


em contato, é preciso que percebamos o máximo possível, uma vez que a percepção
sensorial é a primeira porta pela qual recebemos uma informação (seja sentindo o cheiro
de uma comida, ouvindo a voz de um palestrante ou olhando para um livro).

Seleção

Em todos os momentos estamos sendo bombardeados de informações diferentes, e


parece que todas são importantes e devem ser lembradas. Para estimular seu poder de
concentração, é essencial que você saiba fazer a seleção do que é realmente relevante
ser memorizado e o que deve ser deixado de lado. Pare, observe com atenção as
informações que estão sendo passadas e selecione as que são realmente importantes, e
dê menor atenção àquelas que julgar desnecessárias.

Manutenção do Foco

Após ter selecionado o objeto do foco da sua concentração, é importante mantê-la


até que a informação seja completamente transmitida ou até o final do acontecimento.
Não adianta estar concentrado quando começa a ler um livro ou assiste uma aula, e não
se manter o foco durante todo o processo, pois provavelmente você só será capaz de

28
lembrar-se do início da atividade, e não será capaz de fazer as associações relevantes, o
que tornará assistir essa aula ou ler esse livro, um esforço desperdiçado.

Consciência da Situação

É importante conhecer o processo que você esteja passando para que saiba como
ele acontece e o que deve ser feito.

Em outras palavras, é o conhecimento da técnica exigida para a execução da ação


e o saber como agir em relação a ela. Pode parecer irrelevante, mas não conseguiremos
assistir a uma aula se não soubermos que não podemos falar no celular durante a
exposição, por exemplo, ou que devemos nos sentar e olhar para o professor. Para a
maioria das pessoas estes são conceitos que já estão internalizados e são praticados de
maneira quase inconsciente, mas sem essas informações não poderíamos nos concentrar
no que está acontecendo.

Outro exemplo do que é ter consciência da situação e como é importante para a


concentração é uma pessoa que pula de paraquedas. Se ela entrar no avião e, na hora de
pular, não tiver sido instruída do que fazer, é impossível que se concentre no momento
do salto. Mas se ela tiver tido aulas no solo do que fazer no momento do salto, poderá se
concentrar na ação que está praticando.

Equilíbrio Emocional

Por fim, para atingir um grau ótimo de concentração, é preciso que a pessoa não
deixe que as emoções afetem negativamente o seu processo de concentrar-se em algo. É
preciso evitar emoções negativas causadas pelo stress, pelo nervosismo e pela tensão,
que atrapalham o nosso processo da compreensão das informações que nos são
apresentadas.

Para exercitar a sua capacidade de concentração, é fundamental que você se


discipline e pratique exercícios diariamente, a fim de aprimorar essa habilidade. É

29
preciso que você se empenhe seriamente nos exercícios, aplicando os conceitos de
atenção e observação que já mostramos, pois, caso contrário, será tempo desperdiçado.

A seguir, mostraremos alguns exercícios e técnicas que vão auxiliá-lo na prática


diária da concentração, a fim de que apreenda melhor as informações e seja capaz de
registrá-las na sua memória a longo prazo.

Pratique exercícios diferentes durante a semana, mas sempre com regularidade.


Você pode fazer a mesma atividade todos os dias, ou variar entre exercícios diferentes,
mas o importante é que pratique constantemente. Faça os exercícios com seriedade e
insistência, pois é isso que vai garantir o treino do seu cérebro e da sua capacidade de
memorização.

Exercícios de Concentração

EXERCÍCIO 1

Coloque-se diante de um espelho e olhe fixamente em um ponto durante um


período de cinco minutos. A princípio, pode parecer
um exercício bobo, mas você verá que inicialmente
é muito difícil permanecer concentrado em um
ponto durante este tempo. Muitas coisas podem te
distrair: barulhos vindos da rua, som de televisão,
celular tocando, uma conversa em outro ambiente
ou pensamentos que interferem no processo de
concentração.

Esses fatores também atrapalham no nosso processo de concentração em


atividades cotidianas e, por isso, praticando esse exercício, você aprenderá a identificar
o que te atrapalha e como ignorar essas interferências. Com a prática diária, você
perceberá que está sendo capaz de se concentrar por mais tempo neste exercício.
Consequentemente, nas suas outras atividades, também estará mais concentrado.

30
EXERCÍCIO 2

Conforme vimos anteriormente, muitas vezes olhamos


as coisas e não as observamos. Para melhorar sua
observação e concentração, pegue um objeto, como uma
chave (por exemplo), observe por 30 segundos e feche os
olhos. Em seguida, construa mentalmente a imagem que
acabou de observar.

É muito provável que, na primeira vez que fizer isso, muitos detalhes não estarão
claros e nítidos na sua memória. Quando isso acontecer, abra os olhos, observe
novamente por 30 segundos, e construa a imagem mentalmente, até todos os detalhes
estarem perfeitamente claros na sua memória.

EXERCÍCIO 3

Escolha três assuntos com temas bem diferentes entre eles, por exemplo, algo
relacionado ao trabalho, a história de um livro e a lembrança de uma viagem que você
fez há bastante tempo. Concentre-se por três minutos no assunto número 1, e não pense
em outras coisas, em especial nos outros temas. Depois, passe para o assunto número 2,
tomando o cuidado de não se distrair também, e faça isso por mais três minutos.
Finalmente, pense sobre o assunto número 3 por três minutos, sem se distrair com
outras coisas.

Pode parecer algo simples a princípio, mas você verá que não é tão fácil como
parece se concentrar apenas em um assunto por três minutos. Com a prática constante,
você perceberá que é cada vez mais capaz de se concentrar em apenas um tema por vez.

31
EXERCÍCIO 4

Pense em uma pessoa que você vê todos os dias e construa


mentalmente a imagem dela, como é o rosto, o formato dos olhos,
o cabelo etc. Perceba que é muito difícil construir uma imagem
clara da pessoa, que você só se lembra de uma forma genérica dos
traços dessa pessoa. Na próxima vez que você encontrá-la,
observe-a com atenção, e tente fazer o exercício novamente, até
ser capaz de elaborar uma imagem nítida da referida pessoa.

EXERCÍCIO 5

Este exercício lhe ajudará a praticar sua atenção auditiva.


Ouça o rádio durante um tempo, e depois vá diminuindo o
volume gradativamente, até atingir o nível mais baixo possível
– mas que você consiga compreender o que está sendo dito. O
volume baixo faz com que você tenha que se concentrar para ouvir. Faça isso por três
minutos.

32
Unidade 2 – Técnicas de Memorização

Olá,

Nesta unidade, você aprenderá as técnicas de memorização propriamente ditas.


Vamos começar pelo sistema de ligações mnemônicas – mas não se assuste com o
nome, é uma técnica simples!

Depois de aprender as técnicas de ligação, você verá como pode aplicar técnicas
de fixação mnemônicas nas situações que precisa se lembrar. Verá o que é o alfabeto
fonético e as palavras de fixação, um sistema amplamente utilizado no mundo por sua
simplicidade e eficiência.

Em seguida, veremos como memorizar textos longos (com base nas técnicas
anteriores), como memorizar datas e como memorizar palavras em línguas estrangeiras.

No final da unidade, você aprenderá como sempre se recordar do nome de pessoas


que acabou de conhecer. Afinal, nada mais desagradável do que alguém lembrar o seu
nome e você não se lembrar do dela, não é mesmo?

Ao longo da unidade serão propostos exercícios para que você desenvolva sua
capacidade de memorização. Assim como recomendamos na unidade anterior, encare os
exercícios com seriedade e compromisso, pois você só tem a ganhar com a prática
constante deles. Lembre-se: o cérebro é como um músculo e, para desenvolver sua
capacidade de memorização, você precisa treiná-lo!

Bons estudos!

33
2.1. Técnicas de Ligação Mnemônicas

Como vimos, a palavra memória deriva da palavra grega mnemo, que está
associada à deusa grega Mnemosine, que personificava a memória. Na mitologia grega,
essa deusa era a responsável por preservar do esquecimento os acontecimentos
passados.

Atualmente, o termo mnemônico se refere a um conjunto de técnicas que auxiliam


na memorização através da associação de um dado a outra informação relativamente
importante para a pessoa.

Uma técnica de memorização mnemônica que você pode até conhecer, mas não
sabe que tem esse nome, é aquela que faz uso dos nós dos dedos para a memorização de
quais meses no ano têm 30 dias.

É uma técnica bastante simples, em que se associa os meses que têm 31 dias aos
que estão relacionados aos nós dos dedos, e os que têm 30 dias ou menos aos que caem
no intervalo entre estes nós. A contagem começa no nó do dedo anelar da mão esquerda
e termina no dedo anelar da mão direita. Veja a figura a seguir para entender melhor a
correlação descrita.

Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/ab/Knucklemnemonic.jpg

34
As técnicas de ligação mnemônicas são usadas fazendo relações entre fatos que
você deve lembrar e uma correlação, e as ligações mais eficientes são aquelas que
achamos absurdas. Quando presenciamos algo cotidiano, dificilmente registramos
aquela imagem em nosso cérebro, mas se vemos algo extraordinário, isto ficará
registrado na nossa memória a longo prazo.

A seguir, vamos fazer um exercício para que você entenda como funcionam as
ligações mnemônicas absurdas e veja que, quanto mais inusitadas forem as relações
estabelecidas, maior será a memorização dos elementos.

Para praticar os exercícios, aplique a atenção, a observação e a concentração


aprendidos na unidade anterior, e pratique com seriedade, pois este é um exercício para
o seu cérebro.

EXERCÍCIO

Vamos supor que você está estudando para uma prova e que precisa memorizar as
características de um movimento literário, como o Realismo no Brasil. Liste as
características principais que você deve se lembrar:

- Texto que descreve, analisa e critica a realidade;

- Visão objetiva da realidade, sem subjetividade, não distorcida;

- A primeira obra do Realismo brasileiro foi Memórias Póstumas de Brás Cubas;

- O principal autor do período foi Machado de Assis.

Agora separe os termos mais importantes para você memorizar as características:

- texto analítico;

- realidade não distorcida;


35
- Memórias Póstumas de Brás Cubas/Brás Cubas;

- Machado de Assis.

A partir desta lista, vamos estabelecer relações estranhas ou inusitadas entre os


termos e as imagens que nos ajudarão a lembrar das características.

Imagine uma imagem toda distorcida, sem foco, e ela vai se tornando nítida,
objetiva, realista. Quando ela fica clara, você vê um detetive investigando uma
evidência cuidadosamente, de forma analítica, ou seja, olhando todos os detalhes, e
anotando o que está observando de maneira objetiva. O detetive olha para você e ele
está com uma jaqueta com o mapa de Cuba atrás. Quando você se aproxima dele, vê
que o objeto que está sendo analisado é um machado.

Perceba, nesta imagem mental, é possível lembrar de todas as características do


realismo que você listou:

- a imagem se torna nítida, ou seja, a realidade é representada sem distorção;

- o detetive investiga de forma analítica, sem subjetividade, descrevendo os


detalhes;

- o mapa de Cuba – o primeiro livro do realismo brasileiro foi Memórias


Póstumas de Brás Cubas;

- o detetive está analisando um machado – Machado de Assis, principal escritor


do Realismo brasileiro.

2.2. Técnicas de Fixação Mnemônicas

Agora que aprendemos o que são as ligações mnemônicas e como elas se fixam na
nossa memória, vamos aprender algumas técnicas de fixação que se utilizam dessas

36
ligações, exercitando a nossa habilidade de fazer associações entre coisas que queremos
lembrar.

Alfabeto Fonético

A técnica do sistema fonético é muito utilizada em processos de memorização ao


redor do mundo, e pode ser usada para guardar qualquer tipo de informação, desde datas
importantes até informações complexas.

A estrutura fundamental deste método é a associação de letras e números, o que se


mostra muito eficiente, pois a associação é um sistema que retém informações em longo
prazo, conforme vimos. Para começar, o aluno deve dar atenção ao quadro abaixo, e
dedicar alguns minutos na memorização dos números e das consoantes correspondentes.

Número Consoante Dica para memorização


1 T, D A forma do número 1 parece
com o T e o D.
2 N, NH Pense na frase “dois patinhos
na lagoa”, ou lembre que na
alfabetização aprendemos
que o N tem duas pernas.
3 M Na alfabetização, ouvimos
que o M tem três pernas, e o
N tem duas pernas.
4 R, RR Se escrevermos errado a
palavra quatRRo,
lembraremos do R e do RR.
5 L, LH Em algarismos romanos, o
número 50 corresponde à
letra L, se tirarmos o zero fica
o número cinco.

37
6 CH, G (suave – como Podemos lembrar da
nas palavras gelo ou apresentadora infantil que
girafa), J, X dizia “xeis” no lugar de
“seis”
7 C (forte – como nas Lembre-se das fitas K-7, e
palavras cavalo ou também da palavra cassete,
casa), G (forte – que possui o C forte.
como nas palavras
gato ou gosto), Q, K
8 F, V Neste grupo, podemos
estabelecer a relação com a
palavra FaVor, ou lembrar da
forma 8-FV
9 P, B Se invertermos o p e o b eles
se transformarão no número
9. Podemos lembrar deste
grupo como “papai e bebê”
0 C (fraco – como nas Podemos pensar no Z de
palavras cidade ou “zero”, ou que tudo que faz
cebola), Ç, S, SS, Z “sssssss” relaciona-se ao
zero.

Neste sistema, as vogais são neutras, não correspondem a nenhum número: os


sons mais importantes são os das consoantes, ignore os sons das vogais. Assim sendo,
para palavras parecidas, as letras correspondentes são diferentes, como no caso da
palavra cão e da palavra céu; a primeira corresponde ao número 7, e a segunda ao 0,
pois o primeiro C é forte e o segundo C é fraco. Para que fique claro, vamos ver outros
exemplos:

CACHORRO: 764
CAFÉ: 78
MÊS: 30
GELO: 65
38
Palavras de Fixação

A fim de guardar este sistema fonético, apresentamos a seguir 20 palavras cuja


numeração corresponde à tradução da palavra para o sistema fonético. Observe
cuidadosamente a tabela abaixo e note como as palavras correspondem ao número.

Você não deve decorar todas as palavras, pois isso poderá acabar confundindo-o
na hora de associar a palavra ao número. Esta lista é uma referência para que você possa
montar o seu sistema de associação das palavras com os números.

Numeração Palavra correspondente


0 Céu
1 Teia
2 Noé
3 Mão
4 Rã
5 Lua
6 CHá
7 Cão
8 Véu
9 Pá
10 TaÇa
11 DaDo
12 TiNa
13 TiMe
14 TeRRa
15 TeLa
16 TáXi
17 TaCo
18 DiVã
19 TaPa
20 NoZ

39
21 ÍNDio
22 NiNHo
23 NoMe
24 NeRo
25 aNeL
26 aNJo
27 NuCa
28 NaVio
29 NaBo
30 MaÇã
31 MoTo
32 MoiNHo
33 MaMão
34 MaR
35 MoLa
36 aMeiXa
37 MaCa
38 MáFia
39 MaPa
40 RoSa
41 RaTo
42 ReNa
43 ReMo
44 aRaRa
45 RoLHa
46 RoCHa
47 aRCa
48 RiFa
49 RoBô
50 LaÇo
51 LaTa
52 LoNa
40
53 LiMão
54 LouRo
55 LuLa
56 LiXa
57 LaKa
58 LuVa
59 LuPa
60 GiZ
61 JaTo
62 CHiNa
63 GiM
64 JaRRo
65 GeLo
66 CHuCHu
67 JaCa
68 CHaVe
69 CHaPéu
70 GaZe
71 GaTo
72 CaNa
73 GoMa
74 GoRRo
75 GaLo
76 CaiXão
77 CoCo
78 GaVião
79 GoiaBa
80 VaSo
81 VeaDo
82 ViNHo
83 FuMo
84 FeRRo
41
85 VioLão
86 FaiXa
87 FaCa
88 FoFão
89 FuBá
90 PaZ
91 PaTo
92 PiaNo
93 PuMa
94 BuRRo
95 BoLa
96 PeiXe
97 BoCa
98 PaVão
99 PiPa
100 CeSSou
00 SaCi
01 SeTa
02 SiNo
03 SuMo
04 SiRi
05 SeLo
06 SoJa
07 SaCo
08 SoFá
09 SoPa
Fonte: Leitura Dinâmica e Memorização, pág. 102 e
http://memorizacao.blogspot.com/2010/02/memorizacao-de-numeros-parte-2.html.

O método de memorização fonética pode ser utilizado para datas e palavras chave
de conceitos que você precisa memorizar. Por exemplo, se quiser memorizar a data da

42
evolução Francesa, 9/11/1789, pode decorar a frase “PÁ DADO TACO-FUBÁ”, ou
pode inventar outras frases que preferir.

Se você quiser, pode associar uma palavra a um número. Para quem trabalha com
direito esta é uma técnica muito útil, uma vez que esses profissionais têm que trabalhar
com muitos números de artigos e associá-los a conceitos.

O Art. 70 do Código Civil Brasileiro, por exemplo, diz que:

“O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência


com ânimo definitivo.”

O número 70, no método fonético de memorização, forma a palavra CASA. Desta


forma, a associação entre os dois conceitos fica muito mais fácil.

EXERCÍCIO

Para que o aluno possa fixar o sistema fonético de memorização, apresentamos a


seguir um exercício. Preste bem atenção na tabela fonética e anote os números
correspondentes às palavras sem olhar na tabela.

Número do Palavra RESPOSTA


Exercício
1 PAÍS (90)
2 AMARGO (347)
3 SEMANA (032)
4 COMPUTADOR (739114)
5 CARRO (74)
6 BONECA (927)
7 SOLIDÃO (051)
8 REVISTA (4801)

43
9 ARQUIVO (478)
10 PIZZA (90)
11 CAÇA (70)
12 LIVRO (584)
13 BICICLETA (90751)
14 DOCUMENTO (17321)
15 ABACAXI (976)
16 COLÉGIO (756)
17 AMIGO (37)
18 GELADEIRA (6514)
19 AMOR (34)

Recomendamos que você treine pelo menos 20 minutos todos os dias para fixar a
associação das letras com os números, sendo capaz de formar suas próprias palavras e
de memorizar conceitos muito mais facilmente.

2.3. Memorizando Textos Longos

Agora que você já aprendeu as técnicas de


memorização mnemônicas, que estão baseadas no
conceito de fixação, vamos aprender outra técnica que
é a substituição de palavras ou ideias, ou em outras
palavras, o sistema de ligações.

A diferença essencial entre o sistema de fixação


e o sistema de ligação é que o primeiro é utilizado
para memorizar uma sequência de objetos ou tarefas
em uma determinada ordem, e o sistema de ligações é
utilizado para que possamos nos lembrar dos itens que precisamos memorizar em
qualquer ordem.

44
Isto é muito útil para quem vai memorizar uma palestra, por exemplo, pois você
poderá relacionar os tópicos fundamentais que precisa se lembrar para que não esqueça
de nenhum durante a explicação.

Para a memorização de textos longos ou de discursos, você irá selecionar um


conjunto de palavras-chave dentro do texto para serem gravadas. Se você for realizar
um seminário sobre educação, por exemplo, memorize tópicos importantes que não
podem ser esquecidos, como por exemplo:

- violência na escola;

- excesso de alunos por sala de aula;

- infraestrutura da escola;

- integração entre escola e sociedade;

- presença dos pais na vida escolar dos alunos.

No início da sua apresentação, você começará falando da violência nas escolas,


dos problemas decorrentes e das soluções possíveis. Isso fará uma ligação com o
excesso de alunos por sala de aula, problemas de disciplina e assuntos correlatos.

Em seguida, apresentará suas considerações a


respeito da infraestrutura da escola e do que pode ser
feito para melhorá-la, estabelecendo uma ligação com
a integração entre a escola e a comunidade. Assim,
você criará um gancho para se lembrar de que também
deve trabalhar com o assunto da presença dos pais na
vida escolar dos seus filhos.

45
Como você pode ver, para memorizar um texto longo como foi citado, você
apenas deve memorizar uma sequência de ideias com sentido entre si para que uma vá
lembrando a outra ao longo da sua explicação.

A ideia de fixar todas as palavras de um texto pode ser desastrosa, uma vez que se
você esquecer uma palavra, perderá a sequência, o que comprometerá a sua exposição.

Neste caso, poderíamos pensar que é melhor ler o discurso impresso em papel,
mas se você já assistiu a uma palestra ou a uma aula em que o ministrante fala por horas
lendo, sabe que esse recurso causa tédio na plateia, além de tornar a exposição menos
interativa e interessante.

Para evitar que a sua exposição caia nessa situação, aplique o sistema de ligações
para a memorização de um texto longo. Primeiramente, leia todo o texto, e pratique o
discurso. Em seguida, tente resumir as ideias principais em frases curtas, como fizemos
acima. Depois de fazer isso, selecione uma palavra-chave que
possa fazer a ligação com o primeiro conceito.

Após a seleção da palavra-chave, faça o exercício de


fixação mnemônica para se lembrar dos demais conceitos do
texto, ou seja, faça associações absurdas entre os conceitos
para fixá-los na memória.

Por último, releia seu discurso para que os detalhes


estejam armazenados na sua memória e você estará seguro
para fazer a sua exposição sem o perigo de esquecer nenhum detalhe.

Demos o exemplo de um discurso, mas você pode usar esse sistema para se
lembrar de um texto, uma fala em uma peça de teatro, de letras de música, poemas, ou
qualquer texto longo que precise guardar na sua memória a longo prazo.

46
EXERCÍCIO

Jesus disse ao seu Pai:

- PAI, PERDOAI-LHES, POIS ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM.

Depois, ao malfeitor:

- DEVERAS, EU TE DIGO HOJE: ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO.

E a Maria:

- MULHER, EIS O TEU FILHO.

Na estaca:

- TENHO SEDE.

Depois clamou:

- DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME ABANDONASTE?

Tendo então recebido o vinho acre:

- TUDO ESTÁ CONSUMADO!

Para memorizar esta sequência de 12 parágrafos, você deverá escolher 8 ou mais


palavras-chave, o quanto achar necessário. As palavras podem ser:

- PERDOAI-LHES

- MALFEITOR

47
- MARIA

- FILHO

- SEDE

- CLAMOU

- DEUS

- ABANDONASTE

- CONSUMADO.

Agora releia o texto algumas vezes, com as palavras chave em mente a fim de
memorizá-las na ordem apresentada.

Depois da releitura, pegue um pedaço de papel e reescreva as frases, começando


cada parágrafo com a palavra-chave correspondente a ele.

Com a prática deste exercício aplicado a diferentes contextos e necessidades, você


irá perceber que fica cada vez mais fácil a memorização de textos e discursos através da
utilização dessa técnica.

Se você encontrou dificuldade na realização do exercício com as palavras-chave


que mostramos, procure memorizar mais palavras-chave por parágrafo. Com o tempo e
a prática constante desse exercício e das técnicas de concentração, atenção e observação
que apresentamos, você verá que fica cada vez mais fácil a memorização.

48
2.4. Memorizando Datas

Vamos começar este tópico apresentando uma técnica para que você seja capaz de
saber o dia da semana em que caiu ou que vai cair uma data entre os anos de 1900 e
2100.

Vamos explicar este sistema para que você


compreenda o que queremos dizer (lembre-se que, em
seguida, vamos mostrar uma tabela com os números
correspondentes para os meses para que você possa memorizar e entender o que vamos
dizer). Digamos que você queira saber que dia da semana foi 24 de outubro de 1988.
Siga os seguintes passos:

- Identifique a chave correspondente ao mês. A chave para outubro é 1, conforme


veremos a frente na tabela.

- Some o dia com o número correspondente à chave do ano. Neste caso, o ano
corresponde ao número 5, 24+5=29.

- Some o número encontrado com a chave correspondente ao mês. Neste caso, o


mês de outubro corresponde a 1, então a conta fica 29+1=30.

- Do número encontrado, subtraia a quantidade de 7, ou seja, divida o número por


7 e veja o quanto resta (lembre-se que existem 7 dias dentro da semana, para memorizar
este número). Neste caso, 30/7=4 com resto 2. Veja na figura abaixo.

49
Na tabela que veremos a seguir, o número 2 corresponde à segunda-feira. Isso
significa que o dia 24 de outubro de 1988 foi uma segunda-feira.

A seguir, vamos apresentar como encontrar os números chave para os meses e


para os anos.

Primeiramente, veremos como encontrar os números chave para os anos de 1900 a


2000.

Para encontrar a chave para os anos, temos que dividir os últimos dígitos duas
vezes: primeiramente por 7 (número de dias em uma semana) e por 4 (para encontrar os
anos bissextos, que ocorrem a cada 4 anos). Vamos fazer este procedimento com o ano
de 1988:

Na primeira divisão, o que nos interessa é o resto do número, ou seja, o número 4,


pois ele é o número chave do ano.

Na segunda divisão, o que nos interessa é o resultado (ou quoeficiente), sem


considerar o resto. Quando o resto é zero, como no ano de 1988, isto significa que ele é
bissexto.

50
Somando o resto da primeira divisão (4) com o resultado da segunda divisão (22)
temos o número 26. Devemos dividir este número por 7 e verificar o resto, conforme
abaixo:

Conforme vimos, o resto da operação é 5, que é o número chave para o ano de


1988.

É importante que o aluno se lembre de uma regra importante:

SE O ANO FOR BISSEXTO, ELE DEVE SUBTRAIR O NÚMERO 1


QUANDO A DATA QUE PROCURAR FOR ENTRE OS MESES DE JANEIRO E
FEVEREIRO. NO EXEMPLO APRESENTADO, SE VOCÊ QUISER SABER O
NÚMERO CHAVE DE 1988 PARA O MÊS DE FEVEREIRO, SUBTRAIA O
NÚMERO 1 DO NÚMERO CHAVE ENCONTRADO NA OPERAÇÃO ACIMA.
ASSIM, O NÚMERO CHAVE DO ANO DE 1988 PARA OS MESES DE JANEIRO E
FEVEREIRO É 4.

Agora veremos como encontrar as chaves para os anos entre 2001 e 2100.

Se você conseguiu entender como é a técnica de encontrar os números chave entre


1900 e 2000, com certeza entenderá como encontrar os números chave entre 2001 e
2100, pois a técnica é quase igual, mas vamos subtrair um dígito no final da conta.

Por exemplo, encontrar o ano chave para 2088.

Pegamos os dois últimos dígitos do ano (88) e dividimos por 7 e por 4,


novamente. Veja:

51
Assim como no primeiro exemplo, o resto da primeira conta é 4 e o quoeficiente
da segunda conta é 22. Novamente, vamos somar estes dois números e dividir pelo
número de dias da semana, 7.

Novamente o resto é cinco, mas deste resultado vamos subtrair 1 dígito, ou seja,
5-1=4, ou seja, o número chave para o ano de 2088 é 4.

É importante que o aluno se lembre de uma regra importante: SE O ANO FOR


BISSEXTO, ELE DEVE SUBTRAIR O NÚMERO 1 APENAS QUANDO A DATA
QUE PROCURAR FOR ENTRE OS MESES DE JANEIRO E FEVEREIRO. NO
EXEMPLO APRESENTADO, SE VOCÊ QUISER SABER O NÚMERO CHAVE DE
2088 PARA O MÊS DE MARÇO, NÃO SUBTRAIA O NÚMERO 1, O ANO CHAVE
CONTINUARÁ SENDO 5.

Agora que já aprendemos como obter as chaves dos anos, vamos ver a tabela com
os números correspondentes às chaves.

52
TABELA PARA 1900 A 2000

Zero 1 2 3 4 5 6
1900 1901 1902 1903 1909 1904 1905
1906 1907 1913 1908 1915 1910 1911
1917 1912 1919 1914 1920 1921 1916
1923 1918 1924 1925 1926 1927 1922
1926 1929 1930 1931 1937 1932 1933
1934 1935 1941 1936 1943 1938 1939
1945 1940 1947 1942 1948 1949 1944
1951 1946 1952 1953 1953 1955 1950
1956 1957 1958 1959 1965 1960 1961
1962 1963 1969 1964 1971 1966 1967
1973 1968 1975 1970 1976 1977 1972
1979 1974 1980 1981 1982 1983 1978
1984 1985 1986 1987 1993 1988 1989
1990 1991 1997 1992 1999 1994 1995
1996 1998 2000
Fonte: http://pt.scribd.com/doc/55454521/21/%C2%AA-ETAPA-TECNICAS-DE-
FIXACAO-MNEMONICAS

TABELA PARA 2001 A 2100

Zero 1 2 3 4 5 6
2001 2002 2003 2009 2004 2005 2006
2007 2013 2008 2015 2010 2011
2012 2019 2014 2020 2021 2016 2017
2018 2024 2025 2026 2027 2022 2023
2029 2030 2031 2037 2032 2033 2028
2035 2041 2036 2043 2038 2039 2034
2040 2047 2042 2048 2049 2044 2045
2046 2052 2053 2054 2055 2050 2051

53
2057 2058 2059 2065 2060 2061 2056
2063 2069 2064 2071 2066 2067 2062
2068 2075 2070 2076 2077 2072 2073
2074 2080 2081 2082 2083 2078 2079
2085 2086 2087 2093 2088 2089 2084
2091 2097 2092 2099 2094 2095 2090
2096 2098 2100
Fonte: http://pt.scribd.com/doc/55454521/21/%C2%AA-ETAPA-TECNICAS-DE-
FIXACAO-MNEMONICAS

Agora que você aprendeu como encontrar os números chave para os anos, vamos
ver como encontrar os números chave para os meses.

MÊS CHAVE PORQUE (REGRAS PARA


MEMORIZAÇÃO)
Janeiro 1 É o primeiro mês do ano.
Fevereiro 4 É o mês do carnaval, que dura
4 dias.
Março 4 Também pode ser o mês do
carnaval, que duras 4 dias.
Abril 0 É o mês do feriado de
Tiradentes e, quando se tiram
todos os dentes, sobram zero.
Maio 2 É o mês dos noivos e, para
casar, precisa-se de duas
pessoas.
Junho 5 É o mês da festa junina, e esta
palavra tem 5 sílabas.
Julho 0 É o mês das férias, quando
temos “zero” aulas.
Agosto 3 Agosto rima com “desgosto”,
que tem 3 sílabas.

54
Setembro 6 Setembro começa com SE, e
SEIS também.
Outubro 1 Outubro é o mês 10, sem o
zero fica 1.
Novembro 4 É o mês em que se comemora
a Proclamação da República,
e “República” tem 4 sílabas.
Dezembro 6 Dezembro rima com
setembro, que também é 6.

Tabela de resultado da subtração que corresponde ao dia da semana.

DOMINGO SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO


1 2 3 4 5 6 0

Agora, pare um momento, e pratique a memorização dos anos chave e dos meses
chave. Leia e repita em voz alta, se necessário, até entender.

EXERCÍCIO

Para praticar o que aprendeu, veja as datas apresentadas abaixo e responda, em


uma folha de papel, em qual dia da semana elas caíram ou cairão. Em seguida,
apresentaremos o gabarito, e veja o quanto você acertou. Refaça as suas contas e
pratique até ter acertado todos os números.

1) 12 de março de 1907: _______________

2) 28 de abril de 2000: _______________

3) 3 de setembro de 1988: _______________

4) 18 de fevereiro de 1994: _______________


55
5) 1 de novembro de 2078: _______________

6) 25 de dezembro de 1900: _______________

7) 6 de maio de 2034: _______________

8) 31 de janeiro de 1955: _______________

9) 15 de agosto de 2014: _______________

10) 12 de junho de 2100: _______________

GABARITO:

1) Terça-feira

2) Sexta-feira

3) Sábado

4) Sexta-feira

5) Quarta-feira

6) Terça-feira

7) Sábado

8) Segunda-feira

9) Sexta-feira

10) Sábado
56
2.5. Memorizando Palavras em Outras Línguas e Conceitos Abstratos

Para conseguir memorizar palavras em outras


línguas, também faremos uso do sistema de ligações.
Nesta técnica, para línguas estrangeiras, apresentaremos
algumas formulações feitas por nós para o
entendimento do aluno, mas é importante que você se
lembre que, quanto mais sentido as ligações fizerem
para você, mais facilmente se lembrará do que significam as palavras.

Esse sistema de ligações está baseado na substituição de palavras, e é um método


aplicado para conceitos que não podem ser visualizados (abstratos) e para palavras em
outras línguas que, aparentemente, não têm sentido na nossa. Vamos criar um
correspondente a nossa memória para estes conceitos, para que sejamos capazes de
visualizá-los mentalmente e nos lembrar do que se tratam.

Vamos dar um exemplo, para que fique mais claro. Digamos que você seja um
estudante de medicina que precisa se lembrar que o sistema endócrino está relacionado
com a produção e distribuição de hormônios no corpo humano, mas são muitos
conceitos que precisa estudar para uma só prova e fica difícil fazer a relação de todos.

Pense que existe uma prática comum de se dar hormônios a cavalos de corrida
para que eles tenham um melhor desempenho na competição. Cavalos têm crinas. Aí se
estabelece uma relação entre crina e hormônio, portanto o sistema endócrino é aquele
que está relacionado aos hormônios.

Essa é apenas uma ilustração de como podemos estabelecer relações concretas, a


partir de imagens mentais que conseguimos visualizar objetivamente, com conceitos
abstratos que devemos memorizar.

57
É importante ressaltar que este processo é
puramente individual, e o mais importante é que as
relações estabelecidas façam sentido para você.

Quando as ligações entre os conceitos e as


imagens mentais fazem sentido para a própria pessoa,
a correlação que ela estabelece entre a imagem e o conceito acontece muito
rapidamente. Mas, essa capacidade de fazer uma associação rápida entre os conceitos
está diretamente ligada ao exercício constante da sua memória, para que você seja capaz
de fazer essas relações de maneira cada vez mais ágil.

Em relação a termos em línguas estrangeiras, para que sejamos capazes de


memorizá-los, não precisamos fazer uma relação direta entre o significado do termo e o
conceito lembrado. Por exemplo, podemos lembrar da palavra em espanhol VENTANA
construindo a seguinte imagem mental: imagine uma amiga sua chamada ANA, e você
chamando-a pela janela da sua casa com a seguinte frase “VEM, ANA”. O som da frase,
e a presença da janela na imagem mental, farão com que você estabeleça a relação entre
janela e ventana.

Agora, vamos ver alguns termos em espanhol, francês, inglês e alemão para
ilustrar a relação entre as palavras e as imagens mentais. Lembramos que a lista abaixo
é apenas uma sugestão, e que o aluno deve criar suas próprias relações, que mais
fizerem sentido para si, a fim de memorizar os conceitos.

ESPANHOL

- PADRE (pai). Imagine seu pai vestido com uma roupa de padre.

- CALLE (rua). Pense que as calhas da sua casa estão se espatifando no meio da
rua.

58
- GRIFO (torneira). Imagine que você está grifando um livro muito interessante,
mas não consegue e, quando olha para ver o que há de errado com a caneta, descobre
que está tentando grifar o livro com uma torneira, e não uma caneta.

- PLUMA (caneta). Imagine que você está escrevendo com uma pena, como os
antigos, no lugar de uma caneta.

- TALLER (oficina). Imagine um mecânico consertando seu carro com talheres ao


invés dos instrumentos tradicionais.

- OFICINA (escritório). Imagine que, ao entrar em uma oficina, ao invés de um


mecânico todo sujo de graxa, você se depara com um executivo vestido de terno.

INGLÊS

- COW (vaca). Pense em uma vaca bem branquinha, coberta de pó de cal.

- LOCK (fechar). Imagine que sua mulher está louca porque você irá fechá-la
dentro de casa.

- BADGE (distintivo). Pense em um policial com um distintivo bege na cintura.

- OVEN (fogão). Pense em um ovo em cima do fogão falando com você.

- FRY (fritar). Imagine que você está fritando alguma coisa tremendo de frio.

- BRIDE (noiva). Pense em um casamento e você pedindo um brinde à noiva.

FRANCÊS

- RÉFRIGÉRATEUR (geladeira). Pense que você está com sede e vai pegar um
refrigerante na geladeira.

59
- MÉLANGEUR (liquidificador). Imagine que você vai fazer um suco de
melancia no seu liquidificador.

- PRESSE (imprensa). Pense em um jornalista correndo com pressa atrás do


entrevistado.

- FRÈRE (irmão). Imagine o seu irmão vestido de freira.

- CHAT (gato). Pense em uma criança correndo atrás de um gato e, ao não


conseguir, diz “que gato chato!”.

- SALUT (olá, oi). Imagine que vai dizer “oi” a um conhecido e logo que ele se
aproxima, você espirra, e ele diz “saúde!”.

ALEMÃO

- BÄR (urso). Imagine um grande urso entrando em um bar.

- EINHORN (unicórnio – pronúncia “ainorn”). Pense que você está vendo um


unicórnio pela primeira vez e, assustado, grita “ai não!”.

- WIEGE (berço, pronúncia “viga”). Imagine um berço vazio sendo atingido por
uma viga.

- GERÄTE (eletrodomésticos). Pense que está abrindo a sua garagem e ela está
cheia de eletrodomésticos que caem em cima de você.

- GATTIN (esposa). Imagine sua esposa se transformando em um gatinho.

- MAIS (milho). Pense em uma criança comendo uma espiga de milho, toda
lambuzada, dizendo a você “quero mais milho!”.

60
Essa lógica de ligação entre as palavras pode ser aplicada a qualquer língua, e
você pode e deve estabelecer as relações que lhe parecerem mais lógicas. Agora vamos
praticar dois exercícios para ver se você conseguiu visualizar as imagens mentais e
decorar as palavras em francês, inglês, espanhol e alemão.

EXERCÍCIOS

EXERCÍCIO 1

Pegue um papel e uma caneta, e anote quais são as traduções, em português, das
palavras abaixo. Em seguida, terá um gabarito, para você verificar se acertou as
questões. Repasse as imagens descritas mentalmente e não vá adiante no curso até ter
conseguido memorizar todas as palavras.

1) LOCK
2) CHAT
3) CALLE
4) OVEN
5) FRY
6) OFICINA
7) MÉLANGEUR
8) GATTIN

GABARITO

1) Fechar
2) Gato
3) Rua
4) Fogão
5) Fritar
6) Escritório
7) Liquidificador
8) Esposa
61
EXERCÍCIO 2

Agora, vamos fazer um exercício semelhante, mas ao invés de indicar as palavras


em português, você deverá responder qual é a tradução na língua indicada. Lembre-se, é
importante fazer esse exercício para treinar seu cérebro. Se alguma das correlações
apresentadas não fizer sentido para você, estabeleça outra ligação entre objetos que
possam fazer você se lembrar da palavra. Não esqueça que, para memorizar, a ligação
entre os objetos tem que fazer sentido para você.

1) Pai, em espanhol
2) Noiva, em inglês
3) Milho, em alemão
4) Torneira, em espanhol
5) Imprensa, em francês
6) Irmão, em francês
7) Urso, em alemão
8) Vaca, em inglês

GABARITO

1) PADRE
2) BRIDE
3) MAIS
4) GRIFO
5) PRESSE
6) FRÈRE
7) BÄR
8) COW

62
2.6. Memorizando o Nome e a Fisionomia das Pessoas

A maioria de nós já se esqueceu, ou pelo menos não conseguiu associar


imediatamente, o nome de um conhecido quando o encontramos casualmente. Esse é
um fato extremamente desagradável, podendo
até mesmo atrapalhar uma negociação e
causando grande constrangimento quando a
outra pessoa lembra do seu nome e você fica
com aquela expressão de espanto, deixando
claro que não se lembra do nome dela.

Todos nós gostamos de ter nossos nomes lembrados e pronunciados da maneira


correta, assim como você acharia desagradável se um colega de trabalho não se
lembrasse do seu nome, algum amigo que você encontrar na rua terá uma péssima
impressão de você caso esqueça, ainda que momentaneamente, do nome dele.

O esquecimento do nome fica marcado na pessoa que foi, por assim dizer,
esquecida, e afeta a relação a longo prazo, pois por muito tempo ela se lembrará de que
você a desconsiderou, esquecendo seu nome.

Agora, se parar e pensar, uma pessoa que sempre lembra do seu nome parece que
lhe trata com mais atenção, com mais consideração, e são essas as pessoas que ganham
uma enorme popularidade, além de serem melhores aceitas nos ambientes que
frequentam.

Imagine uma pessoa que não tem um contato próximo a você, mas que sempre se
lembra de seu nome quando se encontram: você certamente terá a impressão de que ela
está lhe tratando com uma consideração maior do que aquele vizinho que você encontra
na rua, mas nunca lembra seu nome.

63
Tenha consciência de que, para quem é requisitado pelo nome, fica marcada a
diferença entre aquele que não titubeia em chamá-la pelo nome correto e aquele que
sempre a chama de formas genéricas, como amigo, parceiro, querido etc.

Mas não é uma técnica simples a memorização do nome de todos que


conhecemos, pois se você parar pra pensar, conhece pelo nome mais pessoas do que
poderia apontar em um primeiro momento. Para nos lembrarmos, é preciso fazer uma
associação da imagem da pessoa com seu nome.

Os resultados são surpreendentes e o relacionamento interpessoal aumenta em


proporção direta ao número de novas pessoas que vão sendo apresentadas.

Dificilmente, esquecemos que conhecemos anteriormente uma pessoa, mas com


frequência esquecemos seu nome. Isso se dá porque a imagem visual fica registrada
com mais facilidade na memória a longo prazo, do que a memória auditiva. É possível
que uma pessoa se esqueça da fisionomia, mas o índice de esquecimento é menor do
que da denominação do outro.

Em relação ao nome que nos é dito, podemos apontar uma série de erros que
cometemos quando escutamos, pela primeira vez, o nome de alguém. Vamos apontar
alguns erros e conselhos para gravar os nomes:

- Muitas vezes, não chegamos a ouvir direito o nome da pessoa e, evidentemente,


não podemos nos lembrar daquilo que sequer registramos. Se não escutar o nome de
alguém, pergunte até que fique claro para você e seja capaz de pronunciar corretamente
o nome. Isso demonstra interesse na pessoa e credibilidade.

- Ao escutar o nome, fale-o em voz alta. Isso fará com que você reforce na
memória o nome e a relação com a pessoa que o está dizendo, além de, se tiver escutado
o nome errado, este é o momento para correção. Nada mais constrangedor do que
conhecer uma Marina e, toda vez que encontrar com ela, chamá-la de Mariana, e ser
corrigido em todas as vezes.

64
- Se você tiver alguém com uma relação próxima com o mesmo nome ou com
nome semelhante, faça esse comentário em voz alta, pois isso o ajudará a gravar o nome
do novo conhecido e ser capaz de estabelecer uma ligação entre ele e alguém próximo,
ou seja, uma lembrança que já está registrada a longo prazo na sua memória.

A segunda etapa é tentar estabelecer uma relação entre uma característica da


fisionomia da pessoa que difere das demais pessoas. Pegue essa característica e a
exagere, forme uma imagem mental exagerada e distorcida, o suficiente para que esta
característica seja marcante para você.

Por exemplo, se você conhecer uma Patrícia, e ela for ruiva, imagine que sua
cabeça é um enorme pirulito vermelho – a inicial de pirulito e Patrícia é P, e aí você já
estabelece uma relação entre os dois. Lembramos que este é apenas um exemplo e que
você deverá criar as correlações que fizerem mais sentido para você.

A terceira fase na memorização de uma fisionomia é ligar o nome, que já foi


trabalhado, com uma característica visual da pessoa. É como se escrevêssemos o nome
da pessoa na característica identificada. Na próxima vez que encontrarmos essa pessoa,
sua característica vai ser percebida e o nome estará associado a ela.

Com o apelido é feito o mesmo processo, mas raramente não esquecemos do


apelido de alguém. Imagine um amigo de infância que você não vê há muito tempo:
provavelmente lembrará qual era seu apelido, mas não imediatamente de seu nome.

A seguir, vamos ver um exemplo de uma sequência de rostos e apresentar suas


características e dicas para que você possa memorizá-los. Ressaltamos ao aluno que
estas são sugestões, que você poderá aplicar ou modificar, para construir uma que faça
mais sentido para você.

65
Número 1

NOME: Leonardo
CARACTERÍSTICAS MARCANTES: Testa curva, loiro, rosto com covas.
NOME EM DESTAQUE: Leopardo
66
ASSOCIAÇÃO: Imagine a pessoa se transformando em um leopardo com as
mesmas características: loiro, com a testa curva, com covinhas atrás dos bigodes.

Número 2

NOME: Rosa
CARACTERÍSTICAS MARCANTES: Cabelos ondulados, sorriso largo.
NOME EM DESTAQUE: Rosas
ASSOCIAÇÃO: Imagine os cabelos se transformando em rosas, e uma porção de
rosas vermelhas em sua boca.

Número 3

NOME: Brito
CARACTERÍSTICAS MARCANTES: Bigode, covas no queixo e marcas na
testa.
NOME EM DESTAQUE: Cabrito
ASSOCIAÇÃO: Imagine um cabrito em sua testa comendo seu bigode.

Número 4

NOME: Kátia
CARACTERÍSTICAS MARCANTES: Rosto fino, olhos pequenos, cabelos
pretos.
NOME EM DESTAQUE: Abacate
ASSOCIAÇÃO: Imagine vários abacates no lugar do cabelo ou no lugar dos
olhos-abaKÁTIAS.

Número 5

NOME: Henrique

CARACTERÍSTICAS MARCANTES: Óculos, orelhas grandes, queixo


67
NOME EM DESTAQUE: Rico
ASSOCIAÇÃO: Imagine várias notas de dinheiro por trás dos óculos ou saindo
das orelhas.

Número 6

NOME: Marina
CARACTERÍSTICAS MARCANTES: Franja, olhos pequenos, boca pequena.
NOME EM DESTAQUE: Mar
ASSOCIAÇÃO: Imagine uma onda no lugar da franja, ou a boca se
transformando em um pequeno barquinho (os barcos aportam na marina).

Número 7

NOME: Cíntia
CARACTERÍSTICAS MARCANTES: Olhos amendoados, nariz pequeno, lenço.
NOME EM DESTAQUE: Cinto
ASSOCIAÇÃO: Pense em um cinto vendando a moça, ou substituindo seu lenço.

Número 8

NOME: Marcelo
CARACTERÍSTICAS MARCANTES: Queixo quadrado, cavanhaque e fumante.
NOME EM DESTAQUE: Martelo
ASSOCIAÇÃO: Imagine que ele está fumando um martelo no lugar do cigarro.

Número 9

NOME: Carlos
CARACTERÍSTICAS MARCANTES: boca pequena, cabelo preto, rosto
retangular.
NOME EM DESTAQUE: Carro

68
ASSOCIAÇÃO: Imagine pequenos carrinhos de autorama percorrendo o
perímetro do rosto, ou apostando uma corrida nos cabelos.

Como vimos no exemplo acima, deve-se observar características físicas e de


estrutura de rosto. Características como bigode, barba, penteado, fumar ou não, são
auxiliares, mas deve-se memorizar alguma outra característica relacionada à estrutura
física do rosto, pois as primeiras podem se modificar facilmente. Os fatores físicos, com
exceções raras, como no caso de cirurgias plásticas, não mudam.

Uma vez utilizada, essa técnica amplia enormemente a retenção de nomes ligados
às suas respectivas fisionomias, o que vai lhe dar uma capacidade contínua de fazer isso.

Existem algumas outras práticas que podem ser incorporadas no seu processo de
memorização dos nomes relacionados às pessoas. Você pode, por exemplo, dizer
sutilmente os nomes das pessoas que conheceu recentemente durante a conversa,
sempre com o cuidado de não chamar a atenção pronunciando o nome da pessoa sem a
devida necessidade.

Quando você acaba de conhecer uma pessoa, ou quando teve pouco contato com
ela e vocês conversam com certa constância, como um colega de trabalho, por exemplo,
nas primeiras vezes que se falarem não há problema se você disser “Desculpe, não me
lembro do seu nome.”. A pessoa dirá o nome e você irá aplicar a técnica de
memorização. Enquanto estiverem conversando, quando for relacionar um assunto a
outro, você poderá dizer o nome da pessoa antes de começar a sua frase, por exemplo.
Isso demonstra interesse no outro e no diálogo, além de auxiliá-lo na memorização do
nome.

69
EXERCÍCIO

Observe a figura abaixo e os nomes relacionados aos rostos. Você tem 10


minutos, no máximo, para estabelecer uma correlação lógica entre a característica física
e o nome. Em seguida, mostraremos a figura sem os nomes relacionados, e você deverá
escrever, de acordo com os números, o nome de cada pessoa.

Se não conseguir se lembrar de todos os nomes, repita o exercício.

70
Fonte: Leitura Dinâmica e Memorização. Teixeira, Elson Adalberto e Machado, Andréa M.
de Barros.

Agora, estabeleça as correlações.


Pronto? Veja a imagem e preencha com os nomes das pessoas.

71
72
Conclusão do Módulo I

Chegamos ao final do Módulo I.

Neste módulo você aprendeu conceitos e técnicas de memorização, espero que


você tenha realizado os exercícios propostos a fim de desenvolver e reforçar cada vez
mais a sua memória.

É muito importante que você continue concentrado(a) para compreender todo o


conteúdo que será abordado adiante.

Para dar continuidade ao seu curso, faça a avaliação referente ao Módulo I, em


seguida você terá acesso ao material do Módulo II.

Boa sorte!

73

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