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AUTOMAÇAO
RESIDENCIAL
CONCEITOS E APLICAÇÕES
José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

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AUTOMAÇAO
RESIDENCIAL
CONCEITOS E APLICAÇÕES
José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

la EDIÇÃO
Belo Horizonte-MG
2013
Produção Editorial:

Copyr1gth©2013 by Editora Educere


Rua Comendador Gomes, 64 I 101- Bairro Santa Terezinha
CEP 31365-130- Belo Horizonte I MG
Te!.: +55 313327-7774
contato@editoraeducere.com.br
www.editoraeducere.com.br

Tiragem: 1.000 exemplares

Editor: (!áudio Miranda Marins

Revisão ortográfica: Leila Maria Rodrigues

Capa, projeto gráfico e diagramação: Adriano Alves

Impressão e acabamento: Gráfica ltapuã

Impresso no Brasil I Príntend in Brazil

Todos os direitos reservados à


Editora Educ:ere Ltda.

Muratori, José Roberto


Dal Bó, Paulo Henrique
Automação Residencial- Conceitos e Aplicações.
la. edição

Belo Horizonte: Editora Educere Ltda., 2013.

200pp. 16x23 em
ISBN 97&-85-65641-02-9

1. Automação residencial: Tecnologia 690.8028S


2. Domótica: Tecnologia 690.&02&5
3. Residências inteligentes: Tecnologia 690.80285

I. Titulo.

CDD 690.80285
Para Virgínia, companheira de todos os momentos, que com
seu incentivo e dedicação tornou possível esta obra.

Para meus filhos Heloísa, Marcelo e Pedro que a cada dia


renovam o meu ânimo pela vida.
José Roberto Muratori

À minha amada esposa Giomara e aos meus queridos filhos


Fernando, fsadora e Mariana.
Paulo Henrique Daf Bó
Sumário
Agradecimentos, 11

Prefácio, 13

1. Introdução à automação residencial, 17


1.1. Definição, histórico e evolução, 17
1.2. Benefícios alcançados, 18
1.3. Estágio atual do mercado, 21
1.4. Teoria do ciclo de vida e adoção
(para produtos e serviços de alta tecnologia), 25
1.5. O Consumidor moderno, 28
1.6. A construção civil inovadora, 29
2. Principais sistemas residenciais, 29
2.1. Níveis de automação, 33
2.2. Iluminação elétrica, 34
2.3. Iluminação natural, 37
2.4. Tomadas comandadas, 39
2.5. Cllmatização, 40
2.6. Home Theater, 46
2.7. Sonorização ambiente, 47
2.8. Sensores e atuadores, 49
2.9. Áreas de banho, 52
2.10. Piscinas e SPAs, 57
2.11. Aquecimento solar, 60
2.12. Irrigação de jardim, 62
2.13. Aspiração central, 65
2.14. Integração de sistemas, 67
3. Integração com sistemas de segurança, 69
3.1. Central de alarme, 69
3.2. Proteção perimetral, 70
3.3. Sinais de emergência e de pânico, 71
3.4. CFTV (Circuito Fechado de Televisão), 72
3.5. Controle de acesso, 74
4. Instalações elétricas residenciais convencionais, 81
4.1. Circuito elétrico, 81
4.2. Fase do sistema elétrico, 82
4.3. Zona de iluminação, 83
4.4. Exemplos de ligação de uma zona de iluminação
4.4.1. Ligação simples, 85
4.4.2. ligação paralela (Three Way), 86
4.4.3. Ligação intermediária (Four Way}, 87
4.5. Exemplo de ligação de uma tomada, 87
4.6. Vantagens e desvantagens, 88
S. Instalações elétricas residenciais automatizadas, 91
5.1. Principais obstáculos a serem vencidos, 91
5.2. Definição de cargas automatizadas, 93
5.3. Definição de acionamentos, 93
5.4. Conceito de cenas ou cenários, 93
5.5. Utilização de tomadas comandadas, 94
5.6. Automação centralizada, 95
5.7. Automação distribuída, 99
5.8. Controladores autônomos (stand a/one), 99
5.9. Centrais de automação, 101
6, Principais protocolos de automação, 105
6.1. Definição de protocolo, 105
6.2. Protocolos de automação powerfine, 106
6.2.1. XlO, 107
6.2.2. UPB (Universal Powerline Bus), 107
6.2.3. Homeplug, 108
6.3. Protocolo de automação sem fio, 108
6.3.1. ZigBee, 110
6.3.2. Z-Wave, 110
6.3.3. UHF (Uitra-High Frequency), 111
6.4. Protocolo de automação híbridos, 111
6.4.1. CEBus (Consumer Efectronics Bus), 113
6.4.2. lnsteon, 113
6.4.3. LonWorks, 114
6.4.4. KNX, 114
7. Cabeamento estruturado residencial, 119
7.1. Motivadores, 119
7 .2. Cabos pares trançados, 120
7.3. Cabos coaxiais, 126
7.4. Cabos de fibra óptica, 130
7.5. Cabeamento residencial não estruturado, 131
7 .6. Cabeamento residencial estruturado, 132
7.6.1. Equipamentos passivos: hardware de conexão, 132
7.6.2. Equipamentos ativos: voz, dados e imagem, 133
7.6.3. Conceito de manobra: Cross Connect, 134
7.6.4. Centro de conectividade de sistemas, 137
7.7. Normas técincas, 139
7.8. Infraestrutura para as redes sem fio, 141
8. Projeto integrado de infraestrutura, 143
8.1. O que é um projeto integrado?, 143
8.2. Por onde começar? Check fist de Projeto, 146
8.3. Gateways de integração, 153
8.4. Pré~automação, 154
8.5. Acompanhamento e validação do projeto na obra, 157
9. Interfaces para Usuários, 159
9.1. Pulsador, 159
9.2. Keypad, 160
9.3. Controle remoto universal, 161
9.4. Tab/et e Smartphone, 162
9.5. Celular e SMS, 163
9.6. Outras interfaces, 163
9.7. Aplicações especiais de automação residencial, 164
9.8. Monitoramento remoto, 166
10. Automação em áreas comuns de condomínios residenciais, 169
10.1. Motivadores, 169
10.2. Elementos do sistema de supervisão e controle, 170
10.3. Funcionalidades do sistema de supervisão e controle, 174
10.4. Redução de custos condominiais, 175
10.5. Benefício para as construtoras, 175
11. Automação residencial e eficiência energética, 177
11.1. Introdução, 177
11.2. Aplicações simpfes,178
11.2.1. Sensores de presença, 178
11.2.2. Cena "Master off', 178
11.2.3. Apoio elétrico do boi/er (aquecimento solar), 179
11.3. Iluminação e economia de energia, 181
11.4. Conceito de Smart Grid, 187
12. Projeções- O Futuro da Automação Residencial, 193
12.1. Perspectivas do mercado, 193
12.2. Novas demandas, 194
12.3. Mudanças de Paradigmas, 196
12.4. Internet das coisas, 197
12.5. Uma dose de futurismo, 199
Automação Residencial 11

Agradecimentos

José Roberto Muratori

A todos os profissionais com quem convivi nos últimos


treze anos por intermédio da AURESIDE {Associação Brasileira de
Automação Residencial) e que deram apoio e suporte constantes
para minhas atividades.

À revista "O Setor Elétrico" e ao amigo Prof. Hilton Moreno


pela ideia que deu início ao presente trabalho.

Paulo Henrique Dal Bó

Aos meus queridos pais, Paulino e Oora (in memoriam), pela


oportunidade de ter tido acesso à educação e principalmente pelos
valores a mim ensinados.

Aos mestres das escolas nas quais estudei e aos alunos


das escolas onde lecionei, que contribuíram e contribuem para a
construção da minha base de conhecimento.
Automação Residencial 13

Prefácio
É com grande alegria que apresento Automação Residencial
Conceitos e Aplicações que, certamente, muito será útil aos
diversos públicos que se interessam pelo assunto domótica, ou, se
preferir, Automação Residencial.

O perfil do consumidor moderno, os principais sistemas


residenciais e a forma como se integram, as instalações elétricas,
os principais protocolos de comunicação entre equipamentos,
o conceito de projeto Integrado, a infraestrutura necessária, as
interfaces para usuários, a aplicação da dom ótica em áreas comuns
de condomínios, a eficiência energética, tudo isso pelo enfoque
da Automação Residencial, são alguns dos temas abordados pelos
autores neste livro.

Os engenheiros José Roberto Muratori e Paulo Henrique


Dal Só são profissionais com vasta experiência teórica e prática,
atuantes no mercado de domótica, e formam uma dupla perfeita
para discorrer sobre o assunto. De forma clara, leve, descomplicada
e prática, conseguem trazer fundamentações sobre a Automação
Residencial, sua importância, aplicações, além de nos apresentar
o cenário atual no Brasil e nos nortear sobre as tendências desse
mercado.
14 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bô

O livro Automação Residencial - Conceitos e Aplicações é


uma obra indispensável aos que desejam se iniciar, atualizar ou
aprofundar sobre o tema.

Termino este prefácio tentando imaginar como será, daqui


a 50 anos, o conteúdo de um livro que fale de domótica ... Afinal,
quando falamos de tecnologia "o que hoje é absoluto, amanhã é
obsoleto!'~ E é assim, pois a beleza do homem está justamente
no ato e na arte de criar e reinventar~se! Estejamos preparados e
colaborando para um futuro com muita tecnologia sim, mas, acima
de tudo, utilizando essa tecnologia para transformar nosso planeta
em um lugar melhor de se viver e conviver!

Belo Horizonte, novembro de 2013

Eng. Cláudio Miranda Marins


Automação Residencial 17

1.- Introdução
. . . à automl!ç'io
. -· residel)cil!Í
1.1. Definição, histórico e evolução

No mercado brasileiro, a definição de Automação Residencial


(AR) surgiu como herança de Home Automation utilizado no
mercado americano. Isso ocorreu pelo fato de, no Brasil, os primeiros
sistemas voltados para a automação de residências serem oriundos
de fabricantes americanos. Na Europa, o termo mais utilizado é
Domótica- junção da palavra latina Domus (casa) com Robótica
(controle automatizado).
Uma definição bastante interessante e que agrega também
a ideia de integração de sistemas residenciais pode ser resumida
pela seguinte frase: "É um processo que, usando diferentes
soluções e equipamentos, possibilita ao usuário usufruir o máximo
de qualidade de vida na sua habitação".
Nos últimos anos, ocorreram inúmeros esforços por parte
dos fabricantes de equipamentos, de profissionais qualificados e de
associações para a difusão do conceito de automação residencial.
O principal desafio sempre foi o de mostrar ao futuro usuário os
benefícios dessa tecnologia e como ela pode agregar valor não só
na vida cotidiana dos moradores como também na valorização do
imóvel.
Há cerca de dez anos, a automação residencial era vista
apenas como luxo e havia uma relação instantânea com a famosa
"Casa dos Jetsons"... Com o passar do tempo, de um modo geral,
ocorreu um aculturamento com itens relacionados à tecnologia.
Contudo, a missão de difundir os benefícios da automação
residencial ainda não é uma tarefa fácil, principalmente para os
mais céticos. Muitos daqueles conceitos de automação vistos
como futuristas são hoje utilizados com naturalidade por muitas
famílias brasileiras. Os sistemas estão cada vez mais acessíveis e as
pessoas, no mínimo, já ouviram falar a respeito, seja por meio da
mídia ou por algum amigo que já possui um sistema instalado em
sua residência.
18 José Roberto Muratori e Paulo Hennque Dal Bó

A missão de divulgar a automação residencial está longe de


terminar, há ainda muito o que se fazer. Contudo, temos deadmitir
que já evoluímos bastante e que se trata de uma "viagem sem
volta".

Uma analogia interessante é lembrar a expenencia de


dirigir um carro há alguns anos. Não havia direção hidráulica,
freios ABS, injeção eletrônica, vidros, travas e espelhos elétricos.
É interessante lembrar que abríamos o nosso carro com a chave
e não com um controle remoto. Inicialmente todos esses recursos
eram tidos como "sofisticações" ou itens supérfluos. De fato, tais
acessórios não eram acessíveis e suas vendas eram impulsionadas
por argumentos como conforto, segurança e, muitas vezes, status!
Com o decorrer dos anos, todos esses recursos ficaram tão
acessíveis que passaram a equipar até mesmo os carros populares
e os "acessórios" constantes no "itens de série" desses carros!

Com as nossas residências esse processo não está sendo


diferente. A automação residencial está se tornando presente em
nossas casas de forma gradativa. Você lembra quando possuir um
portão automatizado de garagem era um artigo de luxo? E um
porteiro eletrônico, então? Depois os vídeos-porteiros ... e agora as
câmeras de monitoramento que podem ser vistas pela internet!

A automação residencial vem para nos ajudar nas tarefas


do dia a dia em nossa casa. Assim como os carros, ela também é
impulsionada por argumentos como conforto, segurança, status
e, mais recentemente, pela sustentabilidade! Em breve, esses
"acessórios" também passarão a ser "itens de série" em nossas
residências!

1.2. Benefícios alcançados

Em um primeiro momento, o fator status pode ser


considerado importante para quem teve a sua residência
automatizada. Muitos a queriam para ser algo a mostrar aos amigos.
Automação Residencial 19

Assim, a automação residencial era vista como um luxo, presente


apenas em residências de alto padrão. Atualmente, surgem novos
fabricantes e inúmeros sistemas são criados. Dessa forma, o custo
dos equipamentos tem reduzido significativamente, o que torna
viável o uso dessa tecnologia em residências de menor porte.

Nessa situação percebe-se efetivamente o conforto


proporcionado pela automação residencial. Atividades rotineiras
podem ser programadas para facilitar o cotidiano dentro de uma
residência, como, por exemplo, caminhos de iluminação ao chegar
a casa, o desligar de toda a iluminação ao dormir, o sistema de
irrigação do jardim sendo ligado automaticamente se não choveu
no dia anterior, o controle de temperatura da água do boi/er1 para
propiciar sempre um banho agradável, etc.

Por meio da integração dos sistemas de alarme convencionais


com os sistemas de automação residencial, é possível obter um grau
bem mais elevado de segurança para a residência. Aumentando as
possibilidades de informar uma ocorrência ao morador, aumenta-se
a eficácia do sistema. Como forma de prevenção contra roubos,
quando em viagem, pode-se programar a casa para simular a
presença dos moradores, abrindo e fechando persianas, acendendo
e apagando luzes e ligando e desligando equipamentos eletrônicos,
tudo isso em horários pré-determinados e de maneira aleatória.

A automação residencial colabora para a redução do


consumo energético, pois, quando luzes que ficariam acessas de
forma desnecessária são apagadas, geramos economia!

Estudos mostram que as lâmpadas quando !imitadas em


90% da sua capacidade não causam nenhuma alteração visual (fluxo
luminoso); porém, permitem uma economia de 10% de energia!
Além disso, a dimerização propicia um aumento significativo na vida
útil das lâmpadas.

1 Vide item 2.11


20 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

A otimização do sistema de climatização de uma residência


proporciona um controle preciso sobre as necessidades de
temperatura para cada ambiente versus o horário do dia. Com isso,
mantém-se o conforto térmico e garante-se um consumo energético
mais eficiente.

Para pessoas com necessidades especiais ou com dificuldade


de locomoção, atividades cotidianas dentro de uma residência
podem ser muito difíceis. A automação residencial viabiliza uma
infinidade de interfaces para efetuar o controle de equipamentos
domésticos como, por exemplo, a utilização de comandos por voz.
Sensores de presença podem acender automaticamente lâmpadas,
enquanto sensores de proximidade podem abrir automaticamente
portas para um cadeirante. Qualquer pulsador da residência ou, até
mesmo, um sensor de queda (acelerômetro), poderá enviar uma
mensagem de emergência para os familiares desse morador.

Além do status, praticidade e conforto, outros fatores


como segurança, economia de energia e valorização do imóvel
vêm sendo considerados na decisão pela implantação de um
sistema de automação residencial. Contudo, uma vez tomada
a decisão de automatizar um imóvel, inúmeras dúvidas surgem
em relação a quais subsistemas irão se integrar ao sistema de
automação residencial. Muitas vezes é necessário esclarecer esse
conceito ao cliente respondendo à pergunta: O que é integração
de sistemas residenciais? Para que o usuário possa controlar
totalmente sua residência, é importante que todos os sistemas
nela instalados possam ser "integrados", ou seja, é necessário que
esses sistemas que vamos utilizar se comuniquem por meio de um
sistema centralizado ou distribuído, e que seja possível unificar a
plataforma de controle. Assim, será possível utilizar diferentes tipos
de interfaces para comandar diferentes sistemas residenciais.

Outro fator importante é a escolha do tipo de sistema a ser


instalado. Esse processo envolve diversos fatores como o estágio
atual do andamento da obra, o capftal que se pretende investir e,
finalmente, a adoção de uma tecnologia adequada a essa instalação.
Automação Residencial 21

1.3. Estágio atual do mercado

O mercado de AUTOMAÇÃO RESIDENCIAL no Brasil aos


poucos está adquirindo características muito próximas às de
mercados mais evoluídos. A incorporação de um novo profissional,
intitulado Integrador de Sistemas Residenciais, define uma situação
específica desse mercado: em função das diferentes tecnologias, da
sua complexidade de projeto, instalação e programação, ainda não
existem soluçõesplug-and-play, exigindo, assim, uma especialização
do profissional que nele atua.

No exterior, esse profissional (ou pequena empresa) recebe o


nome de Systems lntegratorou ainda Electronic Systems Contractor.
Sua característica notória é a de se tratar de um pequeno negócio,
quando não de um profissional autônomo com equipes de instalação
terceirizadas. Esse padrão é dominante uma vez que os projetos de
sistemas integrados residenciais são extremamente personalizados,
exigindo uma dedicação que só uma pequena equipe {e não um
departamento de uma multinacional) pode dispensar ao usuário
consumidor.

Assim, o mercado atualmente se posldona com os seguintes


players importantes:
Desenvolvedores I Licenciadores de Tecnologia

+
Fabricantes /Importadores

Distribuidores I Revendas

Projetistas /Integradores /Insta fadares

Cliente Final (consumidor ou empresa construtora)


22 José Robet·to Muraton e Paulo Henrrque Da I Bó

Dentre os Desenvolvedores e Licenciadorestemos empresas


de software, alianças de diversos fabricantes em torno de um
protocolo comum de interoperabilidade, laboratórios de eletrônica,
robótica e mecatrônica públicos e privados, universidades e outras
entidades afins.

Os Fabricantes e Importadores podem ser atualmente


grandes grupos multinacionais, algumas subsidiárias de menor
porte {sendo que algumas são apenas importadoras), fábricas
nacionais de médio e pequeno porte. Os canais de Distribuição e
Revenda muitas vezes se confundem com os importadores e até
mesmo os Integradores podem ser revendedores, principalmente
de equipamentos que necessitam de especificação técnica mais
apurada.

Para efeito desse capítulo, a abrangência dos fornecedores


será de equipamentos típicos para projetos integrados de
Automação Residencial, a saber:

Automação da instalação elétrica

Compreende o fornecimento de controladores inteligentes,


comandos especiais e atuadores. Softwares de controle e supervisão.
Relés, interfaces e temporizadores. Sensores diversos, tais como
detectores de gás e fumaça, de inundação e outros.

Gateways e softwares específicos para integração

Inclui o fornecimento de interfaces necessárias à integração


com sistemas domóticos, licenças de softwares de integração, além
de modernas e cada vez mais usuais interfaces homem/máquina
como aplicativos para tablets, smartphones e outras. Soluções
de software para garantir usabilidade e confiabilidade dessas
aplicações.
Automação Residencial 23

Gestão de energia

A gestão de energia compreende sistemas gerenciadores de


consumo, medição de consumo de água e gás, equipamentos para
proteção elétrica e de geração de energias alternativas.

Acessórios e complementos

Incluem-se nesta classe diversos itens do universo da


Automação Residencial, tais como:

• motorização de persianas, toldos e cortinas


• pisos aquecidos
• aspiração central a vácuo
• desembaçadores de espelhos
• irrigação automatizada
• fechaduras elétricas
• equipamentos de controle de acesso {leituras biométricas,
teclados)
• media centers
• ativos de rede {switches, roteadores)
• telefonia e interfonia {convencional e IP)

Os Integradores cumprem atividades múltiplas como


projeto, especificação, fornecimento, instalação, programação
e pós-venda dos sistemas de AR. Como podemos perceber,
representam um elo imprescindível na cadeia mercadológica, pois
sem eles seria quase inviável a indústria inserir seus produtos no
mercado consumidor.
Os Clientes, nesse mercado, dividem-se em usuários
finais e construtores. Para os primeiros, exige-se atendimento
personalizado e total customização da sua instalação residencial.
Já os construtores, são clientes institucionais nos quais o apelo de
fatores subjetivos como a segurança ou o maior conforto da família
é superado por uma análise objetiva de custo I benefício.
24 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Só

O integrador de sistemas residenciais.

Definimos este novo profissional- o integrador de sistemas


residenciais- como aquele que:

• elabora o projeto integrado, baseado nas definições do


empreendimento {caso de condomínios) ou nas necessidades
de uma família específica (residência unifamiliar)

• acompanha a execução da obra com o intuito de validar o


seu projeto

• especifica fiação, equipamentos, softwares e interfaces de


integração

• comercializa os equipamentos ou participa da contratação


dos terceiros envolvidos

• supervisiona e/ ou executa a instalação

• supervisiona e/ou executa a programação e os testes (start


up)
• garante o desempenho final do sistema integrado.

O Integrador pode ser uma empresa de pequeno porte ou


um profissional autônomo que atua com parcerias independentes
nas atividades nas quais não têm capacitação específica.

Sua formação é abrangente e diversificada; no entanto, na


maioria das vezes, é de base tecnológica (engenharia elétrica ou
eletrônica, redes e informática, automação industrial, mecatrônica
e similares). Diversos profissionais provêm das áreas de áudio e
vídeo, segurança, instalações elétrfcas ou outras similares, em
que já atuavam anteriormente e passaram a incluir Automação
Residencial em sua oferta de serviços.
Automaçao Residencial 25

1.4. Teoria do ciclo de vida e adoção {para produtos e serviços


de alta tecnologia)

Quando se trata de produtos ou serviços de tecnologia


inovadora, o marketing classifica sua aceitação pelos consumidores
segundo critérios que relacionam a sua afinidade com a tecnologia
em geral.

Uma classificação estabelecida por Geoffrey Moore divide os


consumidores em cinco grupos distintos que também acompanham
a linha do tempo de um lançamento de alta tecnologia no mercado.

Essa classificação e a cronologia citada podem ser


visualizadas no gráfico a seguir:

Mercado Inicial

- fiJ'X~ •bi•mo

Entusiastas Visionários Pragmáticos Conservadores Céticos

Segundo essa abordagem, temos cinco grupos com reações


distintas em relação à tecnologia que revelam sua maior proximidade
ou distanciamento das novidades introduzidas no mercado.

. Os entusiastas representam o primeiro grupo de


consumidores, ávidos por tecnologia em todas as suas vertentes.
26 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Oal Bó

Na verdade/ são responsáveis por "testar e avaliar>~ muitos


produtos antes mesmo de eles serem efetivamente lançados no
mercado. Tornam-se assim referências para os demais grupos. Nem
sempre estão no topo da pirâmide de consumo, mas privilegiam
os produtos de alta tecnologia em suas escolhas em detrimento de
outras categorias, mesmo sabendo que estão pagando mais pela
modernidade que estão adquirindo.

•Os visionários gostam da tecnologia principalmente pela


mobilidade e pelo entretenimento. Também compram as novidades
tão logo estejam disponíveis, mesmo que ainda careçam de testes
mais aprofundados que validem sua eficiência e usabilidade. A
questão "preço" não é muito importante também, pois querem
estar sempre atualizados com as últimas tendências.

Essas duas categorias de consumidores estão situadas antes


do "abismo". Mas, afinal, do que se trata tal "abismo"? Segundo
esses estudos, os produtos e serviços de alta tecnologia só atingem
o mercado de larga escala se conseguirem transpor o abismo que
separa esse estágio do mercado chamado "inicial", composto pelos
entusiastas e visionários.

Nas últimas décadas pudemos constatar inúmeros produtos


e soluções que não transpuseram o abismo e, portanto, nem
chegaram a atender consumidores do "lado de láu, ou seja, a
grande maioria do mercado. Entusiastas e visionários normalmente
representam menos de 15% do total do mercado de produtos de
alta tecnologia; mas a sua aprovação é importante para fazer esses
produtos transporem o abismo e chegarem ao mercado de largo
consumo.

Para os vencedores, fica então reservada a maior fatia do


mercado, composta pelos outros três tipos de consumidores.

• Os pragmáticos só aderem às novidades depois de terem


certeza de que elas funcionam e representam realmente um
benefício em suas vidas. Tratam essas soluções, como diz seu nome,
Automação Residencial 27

de forma pragmática, e não consomem apenas por impulso, status


ou para serem considerados modernos.

• Os conservadores sempre esperam mais tempo para entrar


no mercado das novidades tecnológicas. Além de terem a certeza da
utilidade dos produtos, necessitam saber que eles sejam fáceis de
utilizar, sem complicações e ainda que tenham um preço razoável,
caso contrário continuarão postergando a sua aquisição.

• Por último, os céticos são aqueles que se sentem


estranhamente incomodados com a modernidade e relutam
em adotar soluções inovadoras. Têm certa dose de tecnofobia e
admitem precisar de ajuda para utilizar as "novidades", mesmo que
essas já tenham sido lançadas há alguns anos.

Verificando essa classificação podemos então entender o


porquê de diferentes reações das pessoas perante a Automação
Residencial, como ela ainda se apresenta nos dias de hoje. Entusiasta
e visionários sempre vão estar entre os primeiros a aceitar e até
recomendar as soluções que lhes encantam; no entanto, o grupo
mais representativo dos consumidores ainda precisa "ver para crer"
e isso sempre leva algum tempo e consome energia dos agentes
do mercado (no caso da AR: fabricantes, integradores e demais
agentes influenciadores- como arquitetos, designers e projetistas,
por exemplo).
28 José Roberto Muratori e Paulo Henrrque Da I Bó

1.5. O Consumidor moderno

Após conhecer a Teoria do ciclo de vida e adoção


para produtos e serviços de alta tecnologia vamos nos ater a
outras mudanças significativas que ocorreram nos hábitos dos
consumidores nos últimos anos. Essas mudanças estão permeando
o nosso dia a dia e, de maneira quase imperceptível, começam a
tomar conta de nossas vidas. Se prestarmos um pouco mais de
atenção na nossa rotina e na de nossos amigos, vamos nos deparar
com situações incorporadas há muito pouco tempo e que já estão
se consolidando rapidamente.
Entre as principais, podemos apontar:

• trabalhar em casa
• ter acesso ao ensino a distância
• comércio eletrônico utilizado em larga escala
• acesso praticamente irrestrito a formas de entretenimento
interativo (videojogos, conteúdo multimídia)
• monitoramento remoto
• redes sociais, incluindo troca de imagens, vídeos e
comunicação on-line

E muitos outros que começam a despontar.

Ora, para que a maioria desses recursos seja explorada


em profundidade e com excelente relação custo/benefício, as
tecnologias domésticas precisam estar cada vez mais presentes
em nossas casas. Como poderíamos ter um bom desempenho no
trabalho executado em casa, - sem abrirmos mão da segurança
e da economia de recursos - se não dispusermos de conforto
{iluminação, climatização, som ambiente, por exemplo) além de um
acesso rápido à Internet e aos meios de comunicação em geral?

Pesquisas recentes mostraram que o novo consumidor


aceita automatizar sua casa se lhe for provado que vai ter liberdade
e controle assegurados: liberdade de não precisar estar entre quatro
Automação Resldenclal 29

paredes para saber o que acontece em sua casa e controle que lhe
propicie acionar equipamentos domésticos quando desejar ou for
notificado de tal necessidade.

Grande parte desses hábitos já está sendo incorporada por


uma geração de pessoas mais jovens. Ao adquirirem sua primeira
casa, esses jovens já veem com naturalidade a automação
doméstica, diferentemente de seus pais que tinham pouca ou
quase nenhuma afinidade com a tecnologia.

Por tudo isso, estamos prevendo um potencial cada vez


maior de consumidores para o mercado de Automação Residencial
e a sua rápida aceitabilidade.

1.6. A construção civil inovadora

O segundo tipo de cliente de AR é a Empresa Construtora ou


Incorporadora. Suas características como consumidora são muito
diferentes daquelas do consumidor familiar. Quando uma empresa
projeta um condomínio, pode cogitar-se de utilizar tecnologias de
AR para atrair pretensos compradores. Nesse caso, precisa estar
convencida de que esse investimento irá proporcionar:

• diferenciação do seu produto no competitivo mercado


imobiliário
• maior velocidade de vendas e, se possível, maior
rentabilidade na venda das unidades habitacionais
• destaque da sua marca (como incorporador ou construtor)
de uma empresa inovadora e sintonizada com a modernidade.

Além disso, a construtora irá ponderar se a instalação dessas


novas tecnologias pode ou não complicar o seu modus operandi,
ou seja, haverá uma assimilação simples pela sua equipe técnica
{engenheiros, pessoal da obra)? Não haverá impactos significativos
no cronograma normal da obra? O pós-venda junto aos moradores
será tranquilo?
30 José Roberto Muratori e Paulo Hemique Dai Bó

Como resposta a essas questões, normalmente a construtora


estreita parcerias com um Integrador e este acaba, de certa
forma, fazendo parte da equipe da obra. Essa tem sido a situação
mais comum, embora algumas construtoras comecem também a
capacitar pessoal próprio para desenvolver as novas atividades.

De todo modo, um projeto condominial nos dias de hoje


envolve uma série de especialistas, desde os responsáveis pela
arquitetura e pelos projetos da construção civil até iluminação,
decoração de interiores, climatização e segurança. Nesse contexto,
o profissional de automação mais uma vez vai exercer o papel de
integrador, desde o projeto até a eventual instalação dos sistemas
que forem escolhidos. Sem interferir com os projetos especializados,
ele será responsável por definir os pontos de integração entre
esses projetos, traduzindo no máximo de eficiência possível.

Outra opção muito utilizada atualmente é a construtora


oferecer apenas a infraestrutura no projeto, cabendo a cada
morador instalar em sua unidade os sistemas e equipamentos que
julgar necessários e desejáveis.
Automação Residencial 33

2, Principais sistemas residenciais


2.1. Níveis de automação

Com o intuito de simplificar a análise de sistemas de


automação residencial, podem-se classificar os sistemas em três
níveis:
• Sistemas Autônomos (stand-alone)
• Sistemas Integrados
• Sistemas Complexos (casa "conceito" ou "inteligente")

São considerados sistemas autônomos ou sistemas


stand-a/one todos aqueles sistemas residencia'ls que conseguem
operar de forma independente, exercendo todas as funções para
as quais foram projetados, sem a necessidade da intervenção de
um controlador centralizado. Exemplos de sistemas autônomos
encontrados em residências são os automatizadores de portões
de garagem, as centrais de alarme, os gravadores de imagens de
câmeras (DVR- Digital Video Recorder}, os aquecedores solares, os
controladores de irrigação de jardins, etc.

Quando, por meio de um sistema de automação residencial,


se consegue estabelecer relações de interoperabilidade entre um
ou mais sistemas residenciais, têm-se então os chamados "sistemas
integrados". Nesse caso, sistemas que, a princípio, operam de
forma autônoma, podem passar a interagir com outros sistemas
com a troca de sinais (informações de relevância para os demais
sistemas) que podem ser feitas através de, por exemplo, contatos
"secos" de relés, interfaces de comunicação serial (RS-232/RS-485),
redes Ethernet (UDP/TCP/IP), sinais de infravermelho, etc.

Tecnologias inovadoras que muitas vezes se encontram


em estágio de pesquisa e desenvolvimento são apresentadas
ao mercado e ao grande público por meio de protótipos de
residências chamados de casas "conceito" ou "inteligente". Por
serem inovadores e mais elaborados, esses sistemas - chamados
34 José Roberto Muratori e Paulo Hennque Dai Só

"sistemas complexos" - preconizam a utilização de tecnologias


ainda pouco utilizadas nos projetos convencionais de automação
residencial. Tais sistemas passam por um período de maturação do
mercado e, dependendo da sua aceitação, podem vir a se tornar
produtos convencionais do fabricante que o desenvolveu.

2.2. Iluminação elétrica

Considera~se
sistema de iluminação elétrica todas as
luminárias ou equipamentos de iluminação que contêm lâmpadas e
são alimentadas por energia elétrica.

As lâmpadas podem ser ligadas e desligadas por


controladores que utilizam saídas a relés e são comumente
chamadas saídas on/o.ff(liga/desliga).

A dimerização de uma lâmpada representa a variação


gradativa da sua intensidade luminosa (O a 100%), sendo um
recurso fundamental na criação de cenários 2 de iluminação. As
lâmpadas podem ser dimerizadas por controladores que utilizam
componentes eletrônicos específicos para cada tipo de lâmpada:
essas saídas são comumente chamadas "saídas dimerizadas"
(dimmer).

As lâmpadas de filamento são dimerizadas por controladores


com saídas que utilizam um componente eletrônico denominado
TRIAC (Triode for Alternating Current). Por meio do controle da
forma de onda senoidal entregue à lâmpada (carga) é possível
fazer a variação da sua intensidade luminosidade. As saídas a
TRIAC fornecem dimerização para lâmpadas incandescentes ou de
baixa voltagem com transformador eletromagnético ou eletrônico-
dimerizável.

As lâmpadas do tipo incandescente ou baixa voltagem


(algumas lâmpadas dicroicas ou tipo halógenas AR) que
funcionam com transformadores eletrônicos (não dimerizáveis)

2
Vide item 5.4
Automc;,~o Residencial 35

são dimerizadas por controladores com saídas que utilizam


um componente eletrônico denominado MOSFET (Metal Oxide
Semiconductor Field Ejject Transistor}.

As lâmpadas fluorescentes tubulares são dimerizadas por


controladores com saídas do tipo 1 ~ 10 Vdc que são associados a
reatores específicos para dimerização, ou seja, que possuam entrada
de controle de tensão de 1~10 Vdc. Pelo controle do nível de tensão
contínua entregue à entrada do reator dimerizável é possível fazer
a variação da intensidade luminosidade da lâmpada fluorescente.

Para as lâmpadas LED que são alimentadas em tensão


contínua (9V, 12V, 20V, 24V, etc.) o nível de iluminação depende
da corrente fornecida, cuja tensão deverá ser constante. Para isso,
utiliza~se o controle do tipo PWM (Pulse Width Modulation) através
de saídas MOSFET.

Para as lâmpadas LED que já possuem uma fonte de


alimentação interna para serem ligadas em tensão alternada {110V,
115V, 127V, 220V, etc.), é de fundamental importância a informação
do fabricante de que ela possa ser dimerizada. Para dimerizar com
TRIAC uma lâmpada LED que opera em tensão alternada, esta
precisa possuir um driver interno que suporte a variação na forma
de onda senoidal, ou seja, deve estar especificada como sendo
dimerizável ou dimmab!e.

A Figura 1 mostra alguns exemplos de luminárias utilizadas


para iluminação elétrica.

Fluorescentes tubutares Arandelas

I__
36 José RoiJerto t·.-1urotnrí t: Puu!c He11! .:J . lt: [;ai 86

Plafons Salicas

Abajures

I I
I
'

I
I
Lâmpadas LEO
Balizadores Mangueiras lurriinosas

Fitas LED monocrom:.ltica e RGB

Figura 1- Exemplos de luminárias utilizados para iluminação elétrica.


Automac:tio Residencial 37

2.3. Iluminação natural

Considera-se sistema de iluminação natural todos aqueles


dipositivos que são, de alguma forma, capazes de abrir e fechar,
permitindo ou bloqueando a passagem de luz natural para dentro
da residência. Por serem sistemas motorizados, eles devem ser
alimentados com energia elétrica que pode ser em corrente
alternada (AC) ou em corrente contínua (DC), dependendo da
especificação do fabricante do motor.

Esses dispositivos são acionados por controladores e


utilizam duas saídas a relés (liga/desliga), nas quais são inseridas
os comandos para abrir/fechar e, eventualmente, uma parada
intermediária.

Os motores desses dispositivos possuem dois fins de cursos


internos (aberto/fechado} que interrompem o acionamento do
motor nos extremos programados. Essa é uma configuração
mecânica, feita no própr"1o motor e independente do controlador,
ou seja, não há a leitura dessa posição. O controlador é programado
para manter o comando de abrir/fechar acionado por um
determinado período de tempo suficiente para que o dispositivo
excursione completamente para abrir/fechar.
Os motores em corrente alternada (AC) possuem um terminal
comum e dois terminais distintos: um para o comando abrir e outro
para o comando fechar. A abertura dos dois terminais efetua o
desligamento do motor e é utilizada para a parada intermediária
da cortina.

A Figura 2 mostra alguns exemplos de sistemas utinzados


para iluminação natural.
38 José Roberto i\clur<Jton ~; Poulo Henrique üal Bó

Çortinas-(trilhos motorizados} Vene-ziahas

Romanas Painéis

.Persianas Rolôs

Coberturas motorizadas

Figura 2- Exemplos de sistemas utilizadas para iluminação natural.


Automação Resldenclal 39

2.4. Tomadas comandadas

Ao contrário das tomadas convencionais, as tomadas


comandadas não ficam energizadas constantemente, ou seja, elas
podem ser ligadas e desligadas por um controlador de automação
de acordo com as necessidades dos moradores.
A forma de tomada comandada mais utilizada em instalações
automatizadas é aquela na qual a tomada é ligada a uma saída
dimerizada. Dessa forma, a tomada será utilizada exclusivamente
para a ligação de um abajur que irá participar de cenários de
iluminação.
Outra forma de utilzação de tomadas comandadas é aquela
na qual a tomada é ligada a uma saída liga/desliga {on/off). Dessa
forma, a tomada será utilizada para a ligação de eletrodomésticos
que poderá ser programado para ser ligado/desligado em horários
pré-determinados. Alguns exemplos de equipamentos que são
utilizados com esse tipo de tomadas comandadas são cafeteiras,
aromatizadores de ambientes, pipoqueiras e fontes decorativas,
conforme mostra a Figura 3.

Figura 3 -Exemplos de equipamentos ligados a tomadas comandadas.


40 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

Os requisitos para a instalação das tomadas comandadas


serão aprofundados no capítulo 5 "Instalações Elétricas Residenciais
Automatizadas".

2.5. Climatização

Os sistemas de automação residencial podem controlar


diversos equipamentos de climatização como ar-condicionado,
ventiladores de teto, aquecedores de ambiente, pisos aquecidos,
lareiras elétricas, etc.

Os equipamentos de ar condicionado são controlados,


em sua maioria, por emissores de sinais infravermelho. Esses
módulos emissores fazem as vezes do controle remoto original do
equipamento. Dessa forma, não há a necessidade de fazer nenhuma
alteração interna nos equipamentos e mantém-se a garantia dos
fabricantes.

O controle do ar-condicionado via sinal de infravermelho é


feito na unidade interna chamada Evaporadora- responsável peta
captura do ar quente e emissão do ar refrigerado para o ambiente.
A unidade externa é chamada Condensadora. Os principais tipos de
equipamentos de ar-condicionado são mostrados na Figura 4.
Automação Residencial 41

Janela SpJit flaredé

Sp~_t Cassete-

I
Figura 4- Principais tipos de sistemas de ar-condicionado.
42 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Só

Os ventiladores de teto são fornecidos com seus próprios


controladores locais instalados normalmente em caixas 4x2"
próximas ao acionamento da iluminação daquele ambiente. Esses
controladores já fornecem as opções ligar/desligar, ventilação/
exaustão e, em alguns modelos, ligar/desligar a lâmpada central.
Atualmente, existem muitos modelos de ventiladores de teto que
já possuem um controle remoto infravermelho incorporado; nesses
casos, a integração a um sistema de automação pode ser feita
facilmente utilizando-se emissores de infravermelho.

Embora na prática não seja muito usual, os ventiladores de


teto podem ser controlados por módulos com saídas dimerizadas
que utilizam TRIAC como eletrônica de controle. Como o controle é
feito por onda senoidal aplicada à carga, é possível também controlar
motores. Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados nesse
tipo de controle: é importante ajustar o dimmer para um limite de
partida alto, em torno de 90 a 100%, a fim de não sobrecarregar
essa saída, pois a carga em questão é um motor e, por estar parado,
sua inércia inicial é alta. Uma vez o motor estando em rotação
elevada, o controle de velocidade é feito reduzindo-se o percentual
de potência aplicada na carga.

A Figura 5 mostra alguns modelos de ventiladores de teto.

Figura 5- Modelos de ventiladores de teto.


Automação Residencial 43

Além dos sistemas de climatização responsáveis pelo


resfriamento de ambiente, temos também os sistemas que são
dedicados ao aquecimento de ambientes. Podem ser utilizados
diversos tipos de sistemas para o aquecimento de ambientes
residenc·lais com diferentes fontes de calor, como lenha, gás natural
ou GLP, álcool ou etano!, resistências elétricas, etc. Entretanto,
embora em alguns casos seja possível uma integração com o sistema
de automação, por questões de segurança é sempre recomendado
que essa integração seja feita apenas com os equipamentos
que utilizem sistema de aquecimento elétrico. Por exemplo, os
aquecedores de ambiente do tipo portátil podem ser automatizados
com a utilização de uma simples tomada comandada. Já no caso dos
aquecedores de parede {fixos) podem ser automatizados efetuando
sua ligação a uma saída on/off do controlador. Uma função bastante
interessante proveniente dessa integração, e que agrega bastante
valor para o morador, é a possibilidade de poder ligar/desligar
esses aquecedores remotamente e também poder fazer uma
programação horária para os ciclos de aquecimento.

Atualmente, existem inúmeros modelos de lareiras que


utilizam resistências elétricas e ventilação forçada. Esse conjunto
irá fornecer um fluxo contínuo de ar quente e aquecer o ambiente.
Muitos modelos de lareiras elétricas possuem uma imagem
holográfica que é reproduzida em um vidro, mostrando os troncos
de lenha e a chama em movimento. Essas lareiras possuem uma
função muito interessante que é a possibilidade de llgá~la apenas
com o efeito da lenha/chamas sem o acionamento do aquecimento,
propiciando assim ao morador utilizá-la como um objeto de
decoração mesmo em dias quentes de verão. A maioria das lareiras
elétricas já possui um controle remoto infravermelho incorporado,
permitindo que a integração a sistema de automação possa serfeita
facilmente utilizando emissores de infravermelho.

Outro sistema de aquecimento de ambientes bastante


utilizado em regiões frias do país é o chamado "piso aquecido" ou
"piso radiante". Nesse sistema, são instalados no contrapiso cabos
44 José Roberto Muraton e Paulo Henrique Dai Bó

elétricos especiais que circulam por todo o ambiente e que irão


irradiar calor para o piso acabado {revestimento), proporcionando
o aquecimento não só do piso mas também de todo o ambiente, de
forma eficiente e homogênea. O consumo elétrico desse sistema
é bastante aceitável quando comparado aos demais sistemas de
aquecimento de ambientes. Entretanto, é um sistema que deve ser
definido durante as etapas iniciais da obra, para que seja possível
prever circuitos elétricos específicos para a sua alimentação,
tubulação para as interligações entre o quadro de elétrica, o
controlador local e o cabo radiante.

Para aumentar a sua eficiência, esses sistemas possuem


controladores locais para cada ambiente, proporcionando assim um
controle mais efetivo de acordo com a utilização daquele cômodo. O
controle de temperatura do piso aqu-ecido é um sistema autônomo
(stand-afone), pois irá controlar a temperatura de um determinado
ambiente de acordo com um valor de temperatura definido pelo
morador (set point). Entretanto, alguns modelos possuem um
controle remoto infravermelho incorporado, permitindo que a
integração a um sistema de automação possa ser feita facilmente
por esses emissores. Essa integração poderá agregar valor ao
sistema de automação, pois possibilitará ao morador ligar/desligar
remotamente o aquecimento do piso e, consequentemente,
preparar a casa para uma chegada mais aconchegante a sua
residência.

A Figura 6 mostra alguns exemplos de sistemas utilizados


para aquecimento de ambientes restdenciais.
Automação Residencial 45

-AquecedoreS portáteiS-·

Pisos aquecidos

Figura 6- Exemplos de sistemas utilizados para aquecimento de


ambientes residenciais.
46 Josê Roberto Muratori e Paulo Hennque Dal Bô

2.6. Home Theater

Devido a sua importância como entretenimento, atualmente


os Home Theaters são considerados como um ambiente ou cômodo
específico dentro dos projetos arquitetônicos. Dessa forma, eles
vêm agregando inúmeras funcionalidades desde o controle dos
próprios equipamentos de áudio e vídeo (receivers, televisores,
DVD/Biuray-players, Media centers, etc.}, passando pelo controle
de telas de projeção, de lifts (elevadores) de projetores e de caixas
de som retráteis até a integração total com o sistema de automação
residencial para controlar também cortinas elétricas e a iluminação.

Há uma tendência acentuada no crescimento da indústria


do entretenimento residencial e nela os sistemas de Home Theater
passaram a ser os "aglutinadores" dessas novas tecnologias. Hoje,
temos instalados nos Home Theaters equipamentos como consoles
de video gomes, media centers e streamers de áudio e vídeo,
equipamentos para distribuição de som ambiente, equipamentos
para sistemas de vídeo sob demanda (Apple TV e decoders digitais
de TV a cabo}, switches de redes Ethernet, controladores de
sistemas de automação, etc.

Na Figura 7 temos alguns exemplos de equipamentos


controlados em um sistema de Ho me Theater.

Caixa acústica
motorizada

iPod

Televisor

Figura 7- Exemplos de equipamentos controlados em um sistema de Home Theater.


Automação Residencial 47

2.7. Sonorização ambiente

Os sistemas de sonoroziação ambiente vêm-se


popularizando nos projetos de sistemas residenciais. Um sistema
básico pode ser implementado utilizando apenas um receiver
que possua a chamada Zona 2, que consiste em um amplificador
distinto porém integrado ao equipamento e que é capaz de tocar
uma fonte diferente daquela do amplificador principal. Com
isso, pode-se, por exemplo, manter o som do filme a que se
está assistindo no Home Theater e, ao mesmo tempo, tocar uma
música de um CO através da Zona 2 ligada nos alto-falantes da
varanda gourmet. Aliás, a grande quantidade de empreendimentos
imobilários que sedimentaram o conceito de "varanda gourmet''
foi responsável pela difusão do conceito de sonorização ambiente.

Quando se faz um projeto de sonorização ambiente para


toda a residência, devem-se definir quais ambientes {zonas de
sonorização) receberão caixas acústicas para essa finalidade.
Normalmente, faz-se a previsão de tubulação e caixas 4x2" ou
4x4" para a instalação de um controlador local, e, por meio dele,
será minimamente possível aumentar/diminuir o volume de som
desse ambiente. Um amplificador centralizado composto por várias
zonas de sonorização (multizonas) deve ser instalado em um lugar
centralizado, normalmente no próprio Home Theater pois a maioria
1

das fontes sonoras estará nele.

Existe no mercado uma infinidade de equipamentos para essa


finalidade. Suas principais características são a quantidade de zonas
de sonorização (amplificadores internos) e a sua potência sonora
que, em geral, fica em torno de 25W a SOW por canal, e atendem
muito bem à aplicação para "som ambiente". Deve-se observar ainda
a quantidade de fontes distintas de áudio que poderão ser ligadas
no equipamento, pois elas poderão ser chaveadas para qualquer
ambiente (zona de sonorização), formando uma "matriz de áudio".
Por fim, devem-se observar recursos como a possibilidade de se ter
controladores locais do tipo keypads (normalmente essa quantidade
48 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

é proporcional à quantidade de zonas de sonorização} e uma porta


de comunicação (RS-232 ou Ethernet} para a interface com Tablets
e Smartphones.

Na Figura 8 temos alguns exemplos de equipamentos para o


controle do sistema de som ambiente.

Atenuador de volume Seletor para caixa acústica

Seletor com controle de volume


caixa acústica
Keypad digital

,.•
-••

Figura 8- Exemplos de equipamentos para o controle do sistema de som ambiente.

As caixas acústicas que serão instaladas em um sistema de


sonorização ambiente podem ser de embutir em forro de gesso
ou de sobrepor em teto ou parede. Devido à potência dessas
caixas acústica não ser elevada, elas normalmente apresentam
tamanhos reduzidos. Além da qualidade sonora, deve-se levar em
consideração o fator estético; assim, as caixas precisam ter um
acabamento discreto e compatível com a decoração do ambiente.

Para zonas de sonorização de áreas externas, existe uma


variedade de modelos de caixas acústicas. Além de serem resistentes
ao tempo, muitas se apresentam em formatos que têm como
objetivo se "disfarçar" no ambiente, como, por exemplo, esferas,
pedras, vasos de plantas, etc. A Figura 9 mostra alguns exemplos de
caixas de som utilizadas para áreas externas.
Automação Residencial 49

Caixa outdoor de sobrepor Caixa tipo vaso

Caixa tipo pedra

Caixa esférica

Figura 9- Exemplos de caixas de som utilizadas para áreas externas.

2.8. Sensores e atua dores

Em sistemas de automação residencial, diferentes tipos de


sensores são instalados com o objetivo de monitorar e fornecer
informações referentes aos ambientes daquela residência. A Figura
10 mostra alguns exemplos de sensores utilizados em automação
residencial.
50 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

Crepuscular Intensidade luminosa Chuva e umidade do solo


{dia/noite) (lux)

Velocidade do Direção do Temperatura Umidade


vento vento ambiente relativa do ar

Corrente (on/otf) Abertura de portas e


janelas (magnéticos)

Quebra de vidro
Detector de gâs GLP ou gás natural

Presença Detector de monóxido Detector de inundação


de carbono (fumaça) (água)

Figura 10- Exemplos de sensores utiliz-ados em automação residencial.


Automaçao Residencial 51

Nesse caso, o termo "atuador" representa todo e qualquer


dispositivo que está conectado a uma ou mais saídas do controlador
de automação residencial, e que produz uma ação. As válvulas
solenoides são exemplos de .atuadores e são utilizadas para a
liberação ou bloqueio (abertura ou fechamento) do fluxo de um
determinado fluído em uma tubulação.

As válvulas solenoides utilizadas em tubulação de água


operam usualmente em tensões alternadas de 127V e 220V. Dessa
forma, não necessitam de nenhuma fonte de alimentação DC, pois
podem ser alimentadas diretamente dos circuitos do quadro de
elétrica.

Já as válvulas solenoides empregadas em tubulação de gás,


por segurança (risco de faísca) operam normalmente em tensões
contínuas e mais baixas como, por exemplo, 12V ou 24V. Portanto,
é necessária a utilização de uma fonte de alimentação OC para o
acionamento desse tipo de válvula solenoide. São as chamadas
"válvulas solenoides pulsadas" ou seja, necessitam de um pulso
positivo/negativo para abrirem e um pulso invertido negativo/
positivo para fecharem. Devido a essa inversão de polaridade, para
o acionamento desse tipo de válvula são necessárias duas saídas a
relés e com contatos reversíveis para que seja possível implementar
essa função que é exatamente a mesma a utilizada em cortinas
motorizadas com motores em corrente contínua.

A Figura 11 mostra um exemplo de válvulas solenoides para


gás e água, respectivamente.

Figura 11- Exemplo de válvulas sofenoides para gás e de água,


respectivamente.
52 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

Veremos a seguir alguns exemplos que podem ser


programados para estabelecer relações entre sensores e atuadores
em uma residência:

• caso o detector de gás seja ativado, o sistema fechará a


válvula solenoide instalada na entrada de gás da residência, inibindo
assim o vazamento de gás;

• caso o detector de monóxÊdo de carbono seja ativado, o


sistema ligará o exaustor instalado sobre o fogão, eliminando assim a
fumaça do ambiente. Fechará ainda a válvula solenoide instalada na
entrada de gás da residência, reduzindo assim o risco de explosão.

• caso o detector de inundação seja ativado, o sistema


fechará a válvula solenoide instalada na entrada de água, inibindo
assim o vazamento de água;

Apenas para ilustrar, em todos os exemplos mencionados,


o morador poderá ser informado dessas ocorrências por meio do
envio de mensagem de texto {SMS) ou e-mail, dependendo dos
recursos oferecidos pelo sistema de automação.

Embora mais frequente em aplicações prediais, outro


sistema interessante que também pode ser utilizado em aplicações
residencias é o monitoramento e controle do nível de iluminação
em um ambiente. Para tal, utilizam-se sensores de intensidade
luminosa para monitorar o nível de luminosidade no ambiente e
pela dimerização das lâmpadas e/ou abertura de cortinas controla-
se a intensidade luminosa seguindo um valor pré-estabelecido pelo
morador, e o sistema procura mantê-lo constante. Dessa forma,
garante-se o uso radonal da energ"1a elétrka e estabelecem-se
padrões de operação mais sustentáveis.

2.9. Áreas de banho

Para as áreas de banho existem alguns sistemas simples e


interessantes que podem agregar valor aos projetos de automação
Automaçào Residencial 53

residencial. Muitos são considerados como sistema autônomo


{stand-alone), mas, quando integrados a um sistema de automação,
podem trazer certos benefícios.

O primeiro sistema é o desembaçador de espelho, que


consiste em uma película composta por uma resitência elétrica,
similar a que encontramos nos desembaçadores de vidros traseiros
dos carros. Na parede em que será instalado o espelho, é colada uma
"manta" isolante e sobre ela instalado o desembaçador de espelho,
fazendo com que o calor seja transferido para o espelho e não para
a parede. Sobre o desembaçador é colado o espelho propriamente
dito que, ao ser levemente aquecido, impede que as gotículas de
vapor proveniente do chuveiro fiquem depositadas no espelho.
O consumo do desembaçador de espelho varia de acordo com o
tamanho da sua película. Para se ter uma ordem de grandeza, cada
película pode variar de 30W a SOW. Existem modelos com tensão
de alimentação em 127V ou 220V. Em residências que não possuem
automação, os desembaçadores de espelhos são comumente
ligados em paralelo com a iluminação que fica sobre a pia (também
conhecida com luz do camarim), pois, dessa forma, será possível
saber quando o desembaçador de espelho está ligado, evitando
assim que ele fique funcionando desnecessariamente. Quando
integrado a um sistema de automação, através de uma saída a relé
{on/off), o desembaçador pode ser programado para ficar ligado
por um determinado período de tempo (equivalente ao tempo de
banho). Dessa forma, ele será desligado automaticamente após
esse período de tempo, basicamente seria a função monoestável
de um temporizador.

Outro equipamento interessante é o aquecedor de toalhas,


muito utilizado em regiões de clima úmido, além de hotéis onde
os banheiros, que não possuam vitrôs externos, mesmo com a
exaustão forçada, acabam ficando mais úmidos. O aquecedor
de toalhas consiste em um suporte com uma resistência elétrica
interna que, ao ser ligado, aquece a toalha, elimando, assim, a sua
umidade.
54 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Oal Bó

As lâmpadas de cromoterapia são muito utilizadas sobre


banheiras e SPAs para proporcionar relaxamento. Há alguns
anos, utilizavam-se lâmpadas na cor azul. Atualmente, devido à
popularização das lâmpadas RGB (diversas cores), estas vem sem
utilizadas em aplicações de cromoterapia e muitas já possuem um
controle remoto próprio para ligar/desligar e alterar as cores/efeitos
produzidos pela lâmpada.

Na Figura 12 temos alguns exemplos desses equipamentos


utilizados em áreas de banho.

Desembaçador de espelho

Aquecedor de toalhas

Cromoterapia

Figura 12- Exemplos de equipamentos utilizados em áreas de banho.


Automação Residencial 55

Em relação à automação de banheiras, por muito tempo ela


foi utilizada como marketing e veículo de divulgação para o conceito
de automação residencial. Entretanto, muitos questionam a sua
verdadeira utilidade prática no dia a dia do usuário.

Atualmente, vários fabricantes desenvolveram produtos


voltados para essa aplicação, mas há um consenso de que, ainda,
essa aplicação não é, por grande parte dos consumidores, um item
que esteja ligado com a decisão de compra.

A integração com um sistema de automação agregará valor


no quesito de operação remota, ou seja, será possível preparar
antecipadamente o banho do morador, antes mesmo da sua
chegada à residência.

Para exemplificar como um banheira pode ser automatizada,


algumas rotinas devem ser implementadas como, por exemplo,
o "ciclo de encher e aquecer a banheira" e o "ciclo de esvaziar a
banheira".

Um roteiro de comandos para o ciclo "encher e aquecer a


banheira" seria:

• fechar a válvula solenoide do "dreno" {saída de água);


• abrir a válvula solenoide da "bica" (entrada de água);
• aguardar o sinal de "nível mínimo" {segurança da moto-
bomba);
• aguardar mais um minuto para garantir o completo
enchimento da banheira;
• fechar a válvula solenoide da "bica" (entrada de água);
• enviar o comando para ligar a moto-bomba e aquecer a
água.

Um roteiro de comandos para o ciclo "esvaziar a banheira"


seria:
56 José Roberto Muratori 8 Paulo Hemique Dal Bó

• enviar comando para desligar a moto~bomba;


• abrir a válvula solenoide do "dreno" {saída de água);
• aguardar o tempo necessário para o completo
esvaziamento da banheira;
• fechar a válvula solenoide do "dreno" (saída de água}.

Uma observação interessante é que, com o intuito de


preservar a integridade da resistência elétrica do aquecedor,
muitos fabricantes utilizam como padrão que, após o comando para
desligar a moto~bomba, esta não seja desligada imediatamente.
Dessa forma, desliga~se o aquecimento, mas mantém~se a água fria
circulando pela resistência elétrica por mais alguns segundos. Com
isso, resfria~se a resistência elétrica do aquecedor antes do seu
desligamento. Isso é feito de forma automática e independente
do controlador de automação residencial.

Na Figura 13 temos um exemplo de uma banheira


totalmente automatizada.

Figura 13 - Exemplo de banheira totalmente automatizado.


Automação Residencial 57

2.10. Piscinas e SPAs

Os controladores para o tratamento de água de prscmas


são sistemas considerados totalmente autônomos, pois eles
têm a capacidade de executar os ciclos de filtragens diárias e/ou
aquecimento de forma automática. Assim, poucas aplicações de
integração com sistemas de automação residencial são efetivamente
viáveis. Um cuidado que deve ser levado em consideração quando se
pensa em automação de piscinas é que, por princípio de controle de
máquinas, se há um registro instalado na tubulação de uma moto-
bomba, só se pode implementar o comando sobre esta se houver
o controle sobre este registro. Imagine ligar a moto-bomba com o
registro fechado! A tubulação seria completamente danificada! Para
tal implementação, seria necessária a substituição desses registros
por válvulas solenoides {comando elétrico}. Como o diâmetro dessas
tubulações -e, consequentemente, desses registros- é grande, o
custo dessas válvulas solenoides seria proibitivo para uma aplicação
residencial.

Entretanto, equipamentos periféricos como cascatas,


jatos e iluminação interna podem ser integrados aos sistemas de
automação residencial e podem produzir efeitos interessantes na
criação de um determinado cenário.

A Figura 14 mostra alguns exemplos de cascata e iluminação


interna de piscinas.

Figura 14- Exemplo de cascata e ífuminação interna de piscinas.


58 José Roberto Muraton r: Paulo Henrique Dal Bci

Uma aplicação bastante interessante para p1scmas é o


monitoramento de queda acidental de crianças na água. Existem
sistemas que são capazes de detectar a queda na água de uma
massa de poucos quilos e gerar tanto um alarme sonoro como o
acionamento de um relé {contato seco) para ser integrado com
um sistema de automação. Nesse caso, o sistema de automação
residencial poderá, se for à noite, acender automaticamente toda a
iluminação externa da piscina e enviar avisos do tipo SMS ou e-mail
para os moradores sobre tal ocorrência.

Nos Estados Unidos, estima-se que anualmente


aproximadamente 375 crianças menores de 5 anos morrem
afogadas em piscinas. Geralmente esse fato ocorre na piscina da
sua própria residência. Adicionalmente, mais de 2.900 crianças
dessa mesma idade são atendidas em hospitais devido a lesões
causadas por afogamento. No Brasil, um levantamento do
Ministério da Saúde de 2010 aponta que, anualmente, cerca de
1.300 crianças morrem afogadas em piscinas.

O afogamento de uma criança pode ocorrer com rapidez.


Uma criança pode se afogar enquanto se atende ao telefone ou
à campainha da residência. A sobrevivência da criança depende
de um resgate rápido e cada segundo é importante para prevenir
a morte ou um possível dano cerebral. Uma criança que se afoga
sofre uma morte silenciosa, pois ela não grita e nem se debate para
avisar as pessoas.

A Figura 15 mostra alguns exemplos de sistemas de detecção


de queda de crianças em piscinas.

Figura 15- Exemplos de sistemas de detecção de queda de crianças em piscinas.


Automação Residencial 59

Temos também as chamadas banheiras SPAs ou


simplesmente SPAs, que têm uma finalidade mais coletiva,
atendendo a toda a família e amigos. Já as banheiras de
hidromassagem convencionais têm uma finalidade mais
particular, atendendo a só uma pessoa ou a um casal.
As SPAs são normalmente instaladas em áreas externas, junto à
piscina, à sauna, etc., enquanto as banheiras de hidromassagem
são instaladas nos banheiros. As SPAs são mais sofisticadas
e mais bem equipadas que as banheiras de hidromassagem.
Em uma SPA existem inúmeros dispositivos diferentes para a
hidromassagem e em grande quantidade, além de possuírem
equipamentos como filtros de água, minicascatas, iluminação de
cromoterapia, sonorização, etc.

Muitos usuários de SPAs se queixam de que, como o tempo


de aquecimento da água leva algumas horas (depende do volume de
água e da temperatura inicial da água), eles acabam utilizando com
pouca frequência suas SPAs. Portanto, os fabricantes que fornecem
funções automatizadas ou que possam ser integrados em sistemas
de automação, passam a ser uma excelente opção, pois o usuário
poderá iniciar remotamente o ciclo de aquecimento, chegando a
casa e encontrando o seu SPA pronto para o uso.

A Figura 16 mostra alguns exemplos de SPAs em áreas


externas.

Figura 16- Exemplos de SPA em áreas externos.


60 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

2.11. Aquecimento solar

Basicamente, o sistema de aquecimento solar de água é


composto por placas coletoras que ficam expostas ao sol e por onde
a água fria entra, circula internamente e sai aquecida. A água quente
é então armazenada em um reservatório térmico denominado
boiler (caldeira) que possui um isolante térmico para manter a água
aquecida por um longo período de tempo.

Quando há a possibilidade de fazer a instalação da caixa


d'água e do boiler em uma posição acima das placas coletoras, a
água circulará automaticamente pela tubulação devido ao efeito
denominado "termo sifão". Quando não há essa possibilidade, por
exemplo, em telhados onde a altura interna é muito próxima à laje,
faz~se necessária então a instalação de uma bomba de circulação
para fazer essa função. É necessária também a instalação de um
equipamento chamado "vaso expansor" cuja função é controlar a
pressão interna da tubulação.

Em regiões muito frias, onde há a ocorrência de geadas


ou temperaturas muito baixas, é necessária a instalação de um
equipamento chamado "válvula anticongelamento" cuja função é
impedir a entrada de água nas placas coletoras e prevenir danos
por congelamento. Embora a válvula deva ficar sempre energizada,
ela não consome energia, pois só é acionada quando a temperatura
fica abaixo de S\?C (termostato).

Quando ocorrem vários dias nublados consecutivos, deve-se


manter a água aquecida dentro do boiler a fim de não comprometer
o uso de água quente pelos moradores. Internamente o boi/erpossui
uma ou mais resistências elétricas que serão acionadas por um
termostato quando a sua temperatura interna estiver abaixo de um
valor pré~estabelecido. Essas resistências elétricas são conhecidas
como o "apoio elétrico do boiler" e possuem potência que variam
de l.SOOW a 3.500W. Embora o sistema seja automático, devido à
potência da resistência elétrica ser elevada, não se aconselha que
Automação Residencial 61

seja mantida ligada, justamente para evitar que seu acionamento


ocorra em momentos quando não há a necessidade de produção de
água quente.

Para otimizar o sistema, é possivel a instalação de um


equipamento denominado "programador horário" que, por meio de
uma contatara instalada em série com o circuito de alimentação do
apoio elétrico do boifer, irá habilitar/desabilitar o seu acionamento,
fazendo assim o uso racional do consumo de energia elétrica.
Os sistemas de automação residencial podem
também desempenhar as funções deste "programador
horário", habilitando/desabilitando o apoio elétrico do boNer
em horários pré-determinados. No capítulo Automação
Residencial e Eficiência Energética, o tema Apoio Elétrico do
Boiler (aquecimento solar) será novamente abordado no item
11.2.1.
A Figura 17 mostra os principais componentes de um sistema
de aquecimento solar.

Coletores solares
Boifer (caldeira) Apoio elétrico do boi!er
(resistência elétrica)

Bomba Vaso expansor Programador


Válvula de circulação horário
anticongelamento

Figura 17- Principais componentes de um sistema de aquecimento solar.


62 José Ro!)erto Muraton e Paulo Henr;que Dai Bó

2.12. Irrigação de jardim

Um sistema de irrigação é composto por diversos elementos


que irão garantir a rega contínua de uma determinada área externa
{jardim) que pode envolver gramados, árvores, vasos de plantas, etc.
Em sistemas de irrigação residenciais, dependendo da pressão de
água proveniente da concessionária, poderá ou não ser necessária
a instalação de uma moto~bomba para aumentar a pressão na
tubulação e proporcionar o correto funcionamento de rotores e
aspersores de irrigação.

Para otimizar o uso da pressão hidráulica proveniente da


concessionária de água, é usual dividir a instalação em "zonas de
irrigação" que serão acionadas individualmente. Outra vantagem
dessa prática é o fato de que determinadas áreas do jardim
necessitarão de mais ou menos volume de água para cada rega
(tempos de rega distintos). Por exemplo, uma zona de irrigação
para gotejamento de vasos necessitará ser mantida mais tempo
ligada do que para um gramado. O acionamento dessas zonas de
irrigação se dará por meio da instalação de válvulas solenoides
na tubulação de cada circuito de irrigação. Essas válvulas são
específicas para sistemas de irrigação, pois operam em baixa tensão
(24V) e possuem manipulo para a operação manual. Os comandos
elétricos efetuados nas válvulas solenoides {abertura/fechamento}
irão acionar por força hidráulica os rotores, aspersores e sistemas
de gotejamento de vasos.

Outro ponto importante é a instalação de sensores de


umidade do solo ou de chuva para monitorar a necessidade ou não
de se efetuar a rega. No caso de sensores de chuva, em um primeiro
momento seríamos tentados a instalá-lo no telhado, ou seja, no
ponto mais alto da residência. Entretanto, esse tipo de sensor é
acionado pela presença de um determinado volume de água que
entra no sensor {copinho) e que aciona um contato seco. A saída
dessa água do interior do senso r é feita por evaporação, ou seja, se
o sensor estiver instalado no telhado onde o nível de ensolação é
Automacão Residencial 63

elevado, ele será desacionado precocemente e poderá não refletir o


mesmo nível de ensolação recebido pelas plantas do jardim. Dessa
forma, é recomendado que o senso r de chuva seja instalado em um
local mais próximo possível do próprio jardim.

A lógica de funcioname-nto de um controle de irrigação é


muito simples. Em horários pré-determinados (preferencialmente
em um horário em que não haja nenhuma atividade dos moradores),
o sistema irá ler o status do sensorde chuva. Caso ele esteja ativado,
ou seja, ocorreu chuva anteriormente, o jardim não será irrigado.
Caso ele esteja desativado, o sistema iniciará os ciclos de rega de
cada zona de irrigação, conforme a programação pré-estabelecida
no controlador.

Os controladores para irrigação são sistemas considerados


autônomos, pois eles têm a capacidade de executar os ciclos de
regas diárias de forma automática e programável. Entretanto,
nada impediria que essas funcionalidades fossem implementadas
em um sistema de automação residencial. Porém, devido ao custo
relativamente baixo dos controladores de irrigação, esse custo
utilizando módulos de automação residencial seria comercialmente
inviável.

A Figura 18 mostra os principais componentes de um sistema


de irrigação de jardim.
Válvulas solenoides Sensor de chuva

Rotores
Sensor de umidade de solo

-
! II!'l'l

Aspersores

Controladores

---·
Figuro 18- Principais componentes de um sistema de irrigação de jardim.
Automação Residencial 65

2.13. Aspiração central

Os sistemas de aspiração central são constituídos por


uma infraestrutura de tubos de PVC instalados em determinados
ambientes da residência e que serão interligados até a um local
escolhido, normalmente uma área de serviço, onde será instalada a
máquina de aspiração.

Para fazer a limpeza do ambiente (aspiração), basta conectar


a mangueira de aspiração no ponto de sucção que, por um contato
elétrico, o sistema será ligado automaticamente. Dessa forma,
o pó recolhido fica afastado das pessoas, pois será coletado no
equipamento central. A Figura 19 mostra um diagrama da tubulação
de um sistema de aspiração centraL

Central de aspiração jmotor)

Figura 19- Diagrama da tubulação de um sistema de aspiração central.


66 José Roberto tvluraton P. Paulo Henrique Dai Bó

Além disso, como o aspirador fica em um lugar isolado, a


aspiração não produz ruído no ambiente, permitindo que a limpeza
seja feita a qualquer hora. Os fabricantes de equipamentos de
aspiração central demonstram que pesquisas médicas comprovam
que em uma casa com aspiração central melhora-se em até 52% a
qualidade interna do ar, aliviando significativamente sintomas de
asma, bronquite, alergias e demais doenças respiratórias.

Vale lembrar que esses sistemas devem ser considerados


ainda na fase de projeto de uma obra nova ou reforma em que
possa haver um grande grau de interferência para que seja possível
a passagem de toda a tubulação.

Os sistemas de aspiração central são considerados sistemas


totalmente autônomos, pois, a princípio, não há nenhuma
funcionalidade que possa ser integrada a um sistema de automação
residencial. Contudo, os sistemas de aspiração central vêm obtendo
um crescimento significativo no mercado de novas residências
porque eles apresentam uma excelente relação custo-benefício
para os futuros moradores.

Na Figura 20 temos os principais componentes de um


sistema de aspiração central.
Central de aspiração
~angueira de aspiração

1
1;~ Tomada de aspiração

Figura 20- Principais componentes de um sistema de aspiração central.


Automação Residencial 67

2.14. Integração de sistemas

Como vimos, existem inúmeros sistemas residenciais que


podem ser utilizados tanto em um projeto de uma obra nova
como no de uma reforma. Entretanto, a maneira como faremos
com que esses sistemas interajam, com o objetivo de obter
novas funcionalidades e agregar ainda mais valor a eles, é o que
chamamos de "integração de sistemas residenciais".

Portanto, toda e qualquer forma de integração que possa


melhorar o desempenho de um determinado sistema deve ser
levada em consideração pelo projetista de automação residencial
para que o usuário final - o futuro morador - receba uma
residência na qual os diversos sistemas nela instalados possam
interagir e fornecer o máximo de desempenho. Dessa forma, o
morador conseguirá entender o funcionamento da sua residência
e, com certeza, irá valorizar cada centavo investido em sistemas
residenciais!
Automação Residencial 69

3.1. Central de alarme

As centrais de alarme são equipamentos eletrônicos


desenvolvidos com funções específicas para a área de segurança
eletrônica. Elas possuem entradas exclusivas para sensores
magnéticos de portas e janelas, sensores de movimento, quebra de
vidro, sabotagem da sirene, etc., e, ainda, os principais protocolos
de comunicação utilizados pelas centrais de monitoramento.
Trata-se de um hardware dedicado para essa aplicação e fornecido
a um custo relativamente baixo se comparado com uma central
de automação. A Figura 21 mostra alguns exemplos de centrais de
alarme e equipamentos periféricos.

Central Teclado de senha


Sirene

:'

I Sensor-es de porta e janela
Sensor de
presença

Figura 21 - Exemplos de centrais de alarme e equipamentos periféricos.

Embora tecnicamente seja possível desenvolver funções de


uma central de alarme em uma central de automação, não é uma
solução usual, pois os custos envolvidos tanto dos equipamentos de
automação como o dos serviços de engenharia seriam proibitivos.
70 José Roberto Muratori e Paulo Hennque Da I Bó

Assim, as interfaces entre as centrais de alarme e as centrais


de automação (integração de sistemas) são feitas por meio de trocas
de sinais entre as saídas PGM (programáveis) das centrais de alarme
e as entradas digitais da central de automação. Em alguns casos
faz-se necessária a utilização de relés de interface para propiciar à
central de automação um sinal do tipo "contato seco", uma vez que
muitas centrais de alarme possuem saídas "em coletor aberto" (a
transistor).
Usualmente são utilizados sinais de status da central de
alarme como "armado/desarmado" e "disparado/normalizado"
para fazer com que a central de automação envie mensagens aos
moradores via SMS e/ou e-mail.

Com a integração desses sistemas, consegue-se aumentar


a eficácia dos sistemas de segurança eletrônica. Por exemplo, além
da central de automação fornecer a possibilidade de enviar um
comando remoto (via Smartphone ou Toblet) para armar/desarmar
a central de alarme, pode-se ligar toda a iluminação externa da
casa quando ocorrer um disparo do alarme, além de poder enviar
mensagens via SMS e/ou e-mai/ aos moradores.

3.2. Proteção perimetral

Os sistemas de proteção perimetral são baseados em duas


tecnologias: uso de centrais de choque com hastes e arames, e as
centrais com sensores de infravermelho (barreira eletrônica). A
Figura 22 mostra alguns exemplos desses equipamentos utilizados
para proteção perimetral.
Cerca elétrica

~r:a
Barreira de
infravermelho
gi;:ltíU~A:
Placa de advertência
--
;;JJ;

Sirene
li
Fio de contato
Central
Haste de alumínio

Figura 22 ~Exemplos de equipamentos para proteção perimetral.


Automação Residencial 71

Em ambos os casos podemos fazer a integração entre os sistemas


de proteção perimetral e os sistemas de automação residencial
da mesma maneira como mostrada para as centrais de alarme.
Dessa forma, consegue-se aumentar a eficácia desses sistemas com
funções análogas àquelas desenvolvidas com as centrais de alarme.

3.3. Sinais de emergência e de pânico

O sinal de emergência é um recurso que pode ser gerado


por uma central de automação ou por um sistema dedicado cujo
objetivo é informar a uma pessoa que esteja fora da residência
naquele momento que houve alguma emergência médica dentro
da residência. Por exemplo, a queda de um idoso em um banheiro
pode ser detectada por meio de uma pulseira especial (tipo relógio)
que monitora varíações bruscas de aceleração (acelerômetro)
indicando a ocorrência do mal súbito daquele indivíduo.

Já o sinal de pânico é um recurso que pode ser gerado


por uma central de automação ou por uma central de alarme.
Entretanto, nesse caso, o objetivo será informar a uma central
de monitoramento (através de uma comunicação via linha
telefônica, celular ou internet) ou ainda uma pessoa que esteja
fora da residência (através de mensagens SMS ou e~maif) que
está ocorrendo um assalto ou uma situação de pânico dentro da
residência.

Pode-se programar para que qualquer tipo de interface


(pulsador, keypad, touch screen, tabfet, smartphone, etc.), possa
gerar o sinal de pânico e alertar o "mundo" externo sobre tal
ocorrência. Por exemplo, pode-se programar para que o mesmo
pulsado r que liga/desliga uma zona de iluminação possa gerar o sinal
de pânico quando este for mantido pressionado por mais de cinco
segundos. É importante lembrar que essa técnica só será possível
para pulsadores que comandam zonas de iluminação do tipo liga/
desliga {11on/off"), pois em zonas de iluminação dimerizadas é
necessário manter o pulsador pressionado por mais tempo a fim de
efetuar a dimerização das lâmpadas.

I
72 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

3.4. CFTV (Circuito Fechado de Televisão}

Os sistemas de CFTV (Circuito Fechado de Televisão)


são constituídos por um conjunto de câmeras instaladas
estrategicamente nos ambientes da residência, em que suas
imagens serão mostradas em um monitor de segurança ou, ainda,
terão seus sinais modulados em um ou mais canais de televisão
específicos, possibilitando a visualização em qualquer televisor
da residência. A Figura 23 mostra alguns exemplos de câmeras
utilizadas em sistemas de CFTV.

--- ----- -=
©
SORRIA, VOCÊ
ESTÁ SENDO
FILMADO!

Figura 23- Exemplos de câmeras utilizadas em sistemas de CFrV.

Além de coibirem a ação de bandidos em roubos e


assaltos, os sistemas de CFTV também são muito utilizados para o
monitoramento de funcionários domésticos como babás, faxineiras,
cuidadores de idosos, etc. de forma a garantir que nenhum abuso
seja praticado por esses profissionais. Entretanto, a eficácia
desses sistemas é sensivelmente reduzida se as imagens geradas
pelas câmeras não forem devidamente gravadas e armazenadas
para permitir uma futura consulta. Para tal, devem ser utilizados
gravadores de imagens que permitiram recuperar tais imagens e,
consequentemente, visualizar os fatos ocorridos.
Autornaçào Residencial 73

Os gravadores de imagens ou DVR (Digital Video Recorder)


são equipamentos que recebem os sinais de todas as câmeras
instaladas na residência. Dessa forma, o OVR passará a gravar todas
as imagens geradas pelas câmeras por um determinado período
de tempo (dias) sendo esse período diretamente proporcional
à capacidade do disco rígido {HD) instalado internamente no
equipamento.

A capacidade de armazenamento está diretamente ligada


à qualidade das imagens geradas: quanto maior for a resolução
das câmeras maior será o tamanho dos arquivos gerados. Outro
fator importante é a forma como essas imagens serão gravadas, ou
seja, pode-se gravar de forma contínua {mesmo quando a imagem
permanecer estática), ocasionando um maior consumo de disco
rígido, ou através da detecção de movimento, em que só ocorrerá
a gravação enquanto estiverem ocorrendo alterações na imagem,
reduzindo drasticamente o consumo de disco rígido.

Outra função importante do DVR é a possibilidade de


tornarem disponíveis as imagens para a visualizalção remota através
da internet, utilizando-se computadores, tablets ou smartphones.
Com isso é possível monitorar remotamente e em tempo real tudo
o que está ocorrendo na residência, gerando bastante segurança
para o morador quando este estiver ausente.

Grande parte dos atuais equipamentos de mercado oferece


a possibilidade de integração com sistemas de automação. Tal
integração é feita utilizando as entradas e saídas digitais presentes
nesses gravadores. Através de uma saída (relé) do DVR é possível,
por exemplo, monitorar a posição de um objeto presente em
uma imagem {marcação de uma área específica na tela) e, ao ser
detectado o movimento, o DVR irá acionar a saída, informando ao
sistema de automação essa ocorrência e este irá ligar a iluminação
do ambiente violado e enviar aos moradores mensagens via SMS e/
ou e-mail.
74 José Roberto rvluratori e Paulo Hennque Dai Só

Outra aplicação interessante é fazer com que o sistema de


automação residencial avise através de uma saída (relé} a ocorrência
de um disparo de alarme ou uma situação de pânico na residência.
Assim sendo, o DVR recebe este sinal por uma entrada específica e
registra imediatamente (através de fotos} as imagens das câmeras
no momento da ocorrência, enviando essas fotos para o e~maif do
morador.

Atualmente, os gravadores de imagem têm-se popularizado


bastante, principalmente em aplicações residenciais, pois o seu
preço está cada vez mais acessível, o que viabiliza a sua instalação
e agrega valor aos sistemas de CFTV. A Figura 24 mostra alguns
exemplos de DVRs utilizados em sistemas de CFTV.

Figura 24- Exemplos de DVRs utilizados em sistemas de CFTV.

3.5. Controle de acesso

Os sistemas de controle de acesso para residências, em sua


grande maioria, são sistemas autônomos (stand~alone}, ou seja,
a identificação do morador é feita por meio de um dispositivo de
identificação que acionará uma fechadura elétrica, liberando o
Automação Residencial 75

acesso. Os dispositivos de identificação utilizados em residências


podem ser dos mais simples aos mais complexos. Eles podem ir
desde um controle remoto para abertura da garagem, passando
por um teclado por senha, até a um equipamento de identificação
b"1ométrica {digital, ír"1s, fada!, etc.). A ordem de grandeza dos
preços desses sistemas é diretamente proporcional ao seu grau de
complexidade. A Figura 25 mostra alguns exemplos de dispositivos
para o controle de acesso.

.~....,::'':-. __

,~_]]'<~;'
l .

.
.
.

Figuro 25 -Exemplos de dispositivos paro o controle de acesso.

Existem diversos tipos de fechaduras para aplicações


residenciais. Cada tipo de fechadura possui suas vantagens e
desvantagens em relação às demais. Portanto, a escolha do tipo de
fechadura a ser especificada deve seguir determinados critérios.

O tipo mais usual de fechadura elétrica utilizada em


instalações residenciais é a do tipo strike. Elas são comumente
utilizadas na porta social dos portões de garagem e, às vezes,
em portas de acesso à parte interna da residência {social e/ou
serviço). Sua abertura é feita pelo fornecimento de um pulso de
tensão em sua bobina. Uma característica importante é que,
após o seu destravamento, é necessário que a porta seja aberta e
fechada manualmente para que ela volte a ficar travada. Por isso,
em fechaduras que estão integradas com sistemas de automação
residencial e, portanto, podem ser acionadas remotamente, é
76 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

muito importante criar nas interfaces de automação mecanismos


de confirmação do comando de abertura, pois, uma vez acionada,
a porta permanecerá aberta até que alguém a abra e a feche
localmente, ou seja, é um comando irreversível para quem está
operando remotamente. Uma vantagem das fechaduras tipo
Strike é o seu baixo custo. A Figura 26 mostra alguns exemplos de
fechaduras elétricas do tipo strike.

Figura 26- Exemplos de fechaduras elétricos do tipo strike.

Já as fechaduras elétricas do tipo solenoide (pino) são


utilizadas em portas de entrada (social e/ou serviço) e podem ser
embutidas tanto na própria porta como no batente (normalmente
são portas de madeira). Sua abertura/fechamento é feita pelo
fornecimento/interrupção de tensão em sua bobina, recolhendo
ou lançando o pino. Basicamente exfstem dois tipos de fechaduras
elétricas solenoide {pino): a fail safe e a foi/ secure.

A fechadura fail safe necessita de energia para lançar o pino


(travar), portanto na falha de alimentação a fechadura se abre. Se
essa não for uma a condição desejada, deve-se prever a utilização
de uma fonte ininterrupta de energia {no break) para a alimentação
da fechadura.

A fechadura fail secure necessita de energia para recolher


o pino {destravar), portanto na falha de alimentação a fechadura
permanece fechada e não poderá ser aberta. Se esta não for
a condição desejada, deve-se prever a utilização de uma fonte
ininterrupta de energia (no break) para a alimentação da fechadura.
Automação Residencial 77

Alguns modelos de fechaduras fa;J secure possuem a opção de


instalação com um "tambor" para ser utilzado com uma chave
convencional, permitindo a sua abertura manual.

Uma vantagem das fechaduras tipo solenoide (pino) é que,


quando operadas remotamente via um sistema de automação
residencial, elas podem ser tanto destravadas como travadas, não
necessitando da presença física no local para travar novamente,
como no caso das fechaduras tipo strike. Uma desvantagem desse
tipo de fechadura seria o preço mais elevado. A Figura 27 mostra
alguns exemplos de fechaduras elétricas do tipo solenoide (pino).

'

Figura 27- Exemplos de fechaduras elétricas do tipo so!enoide (pino).

Outro tipo de fechadura que pode ser utilizada em aplicações


residenciais são as fechaduras elétricas do tipo eletroímã. De forma
similar à fechadura tipo sole no f de (pino), sua abertura/fechamento
é feita pelo fornecimento/interrupção de tensão em sua bobina,
que, estando energizada, atrai fortemente uma placa metálica
(blanque) instalada na face oposta da porta (normalmente em um
suporte específico) e que mantém a porta travada.

As fechaduras elétricas do tipo eletroímã possuem um preço


similar às fechaduras solenoides (pino). Entretanto, são menos
empregadas em residências, pois a maioria dos modelos tem sua
instalação feita de forma aparente (não ficam embutidas na porta
ou no batente) e, por essa questão estética, elas não são muito bem
aceitas pelos arquitetos e proprietários. Contudo, há no mercado
modelos de fechaduras do tipo solenoide que podem ser embutidas
78 José Roberto Muratori e Paulo Henrioue Dai Bó

no batente, porém sua aplicação está restrita para apenas alguns


modelos de porta. A Figura 28 mostra alguns exemplos de fechaduras
elétricas do tipo eletroímã.
---~~~

I___
Figura 28- Exemplos de fechaduras elétricas do tipo eletroímã.

Em relação ao tipo de abertura/fechamento de portões de garagem,


basicamente existem três modelos: portões pivotantes, deslizantes
e basculantes. A Figura 29 mostra alguns exemplos de portões
pivotantes, deslizantes e basculantes, respectivamente.
Portão basculante
r
-

Portão desliza nte

Figuro 29- Exemplos de portões.

No entanto, todos esses portões são acionados por motores


que possuem seus próprios controladores (sistemas autônomos).
Tais controladores já possuem seu receptor interno e serão
acionados via controle remoto sem fio, em que o mesmo botão
Automação Residencial 79

efetua os comandos para abrir/parar/fechar o portão. A grande


maioria desses controladores possui uma entrada que permite
o acionamento via uma botoeira externa. Com isso, abre-se a
possibilidade de conectara este ponto um contato de relé do módulo
de saída de um sistema de automação {pulsos), permitindo, dessa
forma, integrar os sistemas e efetuar comandos remotamente.

É aconselhável a instalação de um sensor magnético no


portão para que o sistema de automação possa verificar se o
portão está aberto ou fechado, evitando que fique aberto de forma
inadvertida quando operado remotamente. Outra aplicação para
esse sensor seria a criação de cenários de iluminação na garagem
no momento da abertura do portão (por exemplo um cena "bem-
vindo") e a programação do desligamento automático da iluminação
após um determinado período de tempo.
Automação Residencial 81

4.1. Circuito elétrico

De acordo com a Norma Brasileira "Instalações elétricas de


baixa tensão" (NBR 5410:2008), na Seção 4 "'Princípios fundamentais
e determinação das características gerais", temos a definição de
'circuitos', conforme mostrado a seguir:

4.2.5.1 A instalação deve ser dividida em tantos circuitos


quantos necessários, devendo cada circuito ser concebido
de forma a poder ser seccionado sem risco de realimentação
inadvertida através de outro circuito.
(.. .)
4.2.5.5 Os circuitos terminais devem ser individualizados pela
função dos equipamentos de utilização que alimentam. Em
particular; devem ser previstos circuitos terminais distintos
para pontos de iluminação e para pontos de tomada.

4.2.5.6 As cargas devem ser distribuídas entre as fases, de


modo a obter-se o maior equilíbrio possível.

Em uma instalação elétrica residencial, os circuitos


correspondem às saídas dos disjuntores, e estes disjuntores são
alimentados pelos barramentos do quadro de elétrica.
Se o disjuntor for unipolar, o circuito será monofásico; se bipolar, o
circuito será bifásico. No caso de circuitos monofásicos, é necessário
ter um fio neutro exclusivo para cada circuito. Um exemplo de
quadro de elétrica é mostrado na Figura 30.
82 José Roberto ivluratorr e Paulo Hennque Dai BO

Barramento de
proteção {terra) Disjuntor diferencial
residencial tetrapolar

Disjuntor tripolar

D\sjuntores dos circuitos

Disjuntores
-t"í ''''"';,,;1; monofásicos
dos circuitos
terminais bifásicos

Barramento oe.--r'c
interligação
das fases

Figura 30- Exemplo de um quadro de elétrica

4.2. Fase do sistema elétrico

O sistema de geração, transmissão e distribuição de energia


elétrica em corrente alternada é um sistema trifásico. Esse sistema
incorpora o uso de três ondas senoidais balanceadas (R, 5 e T),
defasadas em 120 graus entre si, que correspondem à forma de
onda na saída do gerador, na etapa de geração de energia elétrica,
conforme mostrado na Figura 31.
Automação Residencial 83

Figura 31 -Formas de anda de um sistema trifásico de geração


de energia elétrica

4.3. Zona de iluminação

De acordo com a Norma Brasileira "Instalações elétricas


de baixa tensão" (NBR 5410:2008}, na Seção 9 "Requisitos
complementares para instalações ou locais específicos", temos a
definição de 'ponto de luz', conforme mostrado a seguir:

9.5.2 Previsão de carga

9.5.2.llluminação

9.5.2.1.1 Em cada cômodo ou dependência deve ser previsto


pelo menos um ponto de luz fixo no teto, comandado por
interruptor.
84 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

NOTAS
1. Nas acomodações de hotéis, motéis e similares pode-se
substituir o ponto de luz fixo n.o teto por tomada de corrente
7

com potência mínima de 100 VA, comandada por Interruptor


de parede.

2. Admite-se que o ponto de Juzftxo no teto seja substituído


por ponto na parede em espaços sob escada, depósitos,
despensas, lavabos e varan-das, desde que de pequenas
dimensões e onde a colocação do ponto no teto seja de diflcil
execuçéio ou não conveniente.

Tanto o termo "seção" como o termo "zona de iluminação",


são utilizados nas áreas de projetos luminotécnicos e instalações
elétricas. Como são termos análogos, adotaremos o termo "zona de
iluminação".
De qualquer forma, alguns conceitos importantes devem
estar bem sedimentados, são eles:

• uma Zona de Iluminação é constituída por um ou mais "pontos


de luz", e estes serão sempre acionados simultaneamente;
• uma Zona de Iluminação é alimentada por um circuito;
• um Circuito poderá alimentar várias zonas de iluminação.

Esses três importantes conceitos podem ser exemplificados


na Figura 32.
Automação Residencial 85

........................................
N1 ;,'

I I I A B C
li
I -
I

C~,
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lnterrupWr
.,._ ZonaA 1
C2@]'
r- o· ,._Interruptor
Zon.aB
ri -
C2TIJo

,._Interruptor
ZonaC
I I
-..-;;;-;,;;;.;;;,;-;,;;;.;;;;-;,;;;a;,;-;,;;.J;a;,;-;,;;;a;,;-;,;;;a;,;-;,;;---,;·........- -....
Piso•
A = R:I:!TORNO- OA ZONA. A
!lC =-RETORNO OAZONA B
C·= .RETORNO OA ZONA C
QE =QUADRO DE ELEÍ"RlCA

Figura 32- Exemplo de uma ligação para três zonas de iluminação

4.4. Exemplos de ligação de uma zona de iluminação

4.4.1. ligação simples

O fio de retorno da lâmpada deve ser levado até a caixa


plástica embutida na alvenaria que irá abrigar o interruptor.
Também deverá ser levada até a essa caixa o circuito (fase) de
iluminação correspondente a essa zona de iluminação. A lâmpada
recebe a ligação do fio neutro correspondente ao mesmo circuito
de iluminação. O interruptor irá comutar a fase do circuito de
iluminação com o retorno da lâmpada, fazendo com que esta se
acenda. Na Figura 33 temos um exemplo de ligação simples de uma
zona de iluminação.
86 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

............................................
N1 :.. ;:
Teto-· ~ ,---:-:--=-:-==--=--------~-------F~·=--
. I I
lrrtem~pl<>r

~
Simples

I
I
I
I
o
lc1 A
'---· 'e-1--'
Piso_.,..,..,.. ...,..,.,._ _ _ _..,.,...,..,..,,:.;;;;;,'.. .,.._ _

LEGENDA: C1 = fASE DO CIRCUITO 1 A= RETORNO DA ZONA A


N1 =NEUTRO 00 CIRCUITO 1 QE= QUADRO DE ELETRICA

Figura 33 ~Exemplo de ligação simples de uma zona de iluminação

4.4.2. Ligação paralela (Three Way)

A ligação paralela, também conhecida como ligação Three


Way, é utilizada quando há a necessidade de um duplo comando,
por exemplo, no pavimento superior e inferior de uma escada. Para
a ligação paralela, é necessária a passagem de mais um fio entre as
caixas. É necessária, também, a utilização de dois interruptores do
tipo paralelo. Na Figura 34 temos um exemplo de ligação paralela
de uma zona de iluminação.
.
N1 :F~
Teto ~-,._ ..

:I I
. I I
!n\llrruplor lnlortupl<>r
:I I Pararo!o Pararelc

~III
. '
• -
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I -l
I ,o o
I
I
'. '- '

l~E; -;-
A

Piso

LEGENDA: C1 =FASE DO ClRCUI'fO 1 A" RETORNO DA ZONA A


N1 =<NEUTRO DO CIRCUITO 1 QE = QIJAORO DE ELÉTRfCA

Figura 34- Exemplo de ligação paralela de uma zona de iluminação


Automacão Residencial 87

4.4.3. ligação intermediária (Four Way)

A ligação intermediária, também conhecida como ligação


Four WayJ é utilizada quando há a necessidade de três ou mais
comandos, por exemplo, para a instalação de três pontos de
acionamento em um ambiente de circulação. Para a ligação
intermediária, é necessária a passagem de quatro fios no ponto de
acionamento intermediário e um fio adicional nos pontos extremos.
É necessária, também, a utilização de dois interruptores do tipo
paralelo e um interruptor do tipo intermediário. Na Figura 35
temos um exemplo de ligação com intermediário de uma zona de
iluminação.

N1 •.. '
Teto
~-
·~
I

I Jnt<>rruptor Interruptor Interruptor
I Paraf<!lo lnt~rmcdíãrlo Paramlo

~ • • •
lo. I
. o o.
C1 A

LEGENDA: C1 =FASE DO CIRCUITO 1 A= RETORNO DA ZONA A


N1 =NEUTRO DO CIRCUITO 1 QE o: QUADRO DE ELÉTRICA

Figuro 35- Exemplo de ligação com intermediário de uma zona de iluminação

4.5. Exemplo de ligação de uma tomada

Em uma instalação convencional, as tomadas elétricas são


utilizadas para alimentar equipamentos elétricos de uso geral. A
ligação de uma ou mais tomadas é feita utilizando um condutor
de fase de um circuito específico para tomadas e um condutor de
neutro correspondente a este mesmo circuito, conforme mostrado
na Figura 36.
88 José Roberto Muratorl e Paulo Henrique Oal Bó

Para evitar interferências na instalação elétrica, os circuitos


de tomadas e os de iluminação devem ser sempre separados, ou
seja, um circuito designado para alimentar tomadas não deverá ser
utilizado para alimentar zonas de iluminação.

Táo--------------------------------------------------------

Piso _ _ _ _ _ _..,_,_ _ _ _ _ _,_..,,__ _ _ _ _ _ _ _,..,_

LEGENDA: C:Z = FASE DO CIRCUITO 2


N:Z =NEUTRO DO CIRCUITO 2
QE =QUADRO DE ELÉtRICA

Figura 36- Exemplo de ligação de uma tomada

4.6. vantagens e desvantagens

A principal vantagem de uma instalação convencional


é que os eletricistas já estão totalmente acostumados com
os procedimentos de instalação, do lançamento dos cabos à
execução de todos os tipos de ligações {simples, paralela e
intermediária). Outra vantagem está no fato de o grau de confiança
no funcionamento da instalação ser elevado, tanto por parte dos
eletricistas como dos proprietários.

Uma importante desvantagem de uma instalação


convencional é que se utilizam diferentes tipos de interruptores
(simples, paralelos e intermediários), ou seja, materiais diferentes
na obra. Outra desvantagem está no fato de que em ligações de
Automaçáo Residencial 89

paralelos e intermediários, utilizam-se um número maior de fios


por zona e, dependendo da quantidade de ligações de paralelos
e intermediários, a instalação será bem mais demorada. De um
modo, geral as modificações ou expansões são mais complexas e
levam mais tempo para serem instaladas.
Automação Residencial 91

5. Instalações elétricas residenciais automatizadas


5.1. Principais obstáculos a serem vencidos

Um grande desafio a ser enfrentado quando da implantação


de um sistema de automação residencial está no aculturamento dos
profissionais envolvidos no projeto e na instalação. Primeiramente,
há um certo descrédito em relação à automação, principalmente se
esse profissional já tiver tido uma experiência negativa. Há alguns
anos, muitas empresas integradoras importavam equipamentos e
se aventuravam na missão de instalar um sistema de automação
residencial. Embora os equipamentos fossem, na maioria das
vezes, de boa qualidade, o projeto e a instalação deixavam muito a
desejar. Se o sistema não funciona a contento, ele cai no descrédito
e a confiança na sua operação é perdida. Quando isso ocorre, a
instalação elétrica convencional ganha força, pois é um sistema
consagrado e que funciona muito bem há anos. Nesse caso, os
mais céticos se enchem de argumentos para continuar refratários à
automação residencial.

Para que se tenha sucesso em relação à implantação de


um sistema de automação residencial, precisa-se, primeiramente,
ouvir as reais necessidades do cliente, pois o "sucesso" não está
em implantar sistemas caros e complexos, mas em atender a todas
as expectativas desse cliente. Tais expectativas podem ser mais ou
menos complexas de acordo com o perfil do proprietário do imóveL
Um cliente mais jovem seguramente se interessará por interfaces
mais sofisticadas e que muitas vezes já fazem parte do seu dia a dia,
como smartphones e tablets; ele já está acostumado com todo esse
aparato tecnológico. Já um cliente com mais idade provavelmente
preferirá um sistema mais simples, ou mesmo complicado, mas que
atenda a todas as suas necessidades.

Por essa razão1 há espaço para os mais diversos tipos de


equ'1pamentos e fabricantes, do sistema mais simples aos mais
complexos, dos sistemas mais caros aos mais baratos, mas que
92 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

possam atender aos anseios de automação do cliente e futuro


usuário.

A responsabilidade pela escolha do sistema de automação


residencial a ser adotado não é do cliente, e sim do profissional,
denominado Integrador de Sistemas Residenciais. Aliás, é justamente
pelo fato de não ter conhecimento técnico nesse assunto que o
cliente busca a contratação de um profissional qualificado para
auxiliá-lo.
Cabe ao integrador não apenas a elaboração do projeto
e a instalação propriamente dita. É preciso que esse profissional
esteja disposto a orientar os demais profissionais envolvidos na
implantação, principalmente aqueles que estão tendo contato
pela primeira vez com a automação residencial. Nessa gama de
profissionais incluem-se engenheiros civis e elétricos, mestres e
encarregados de obra e, principalmente, os eletricistas que irão
executar a instalação.

É natural que o pessoal técnico esteja, a princípio, refratário


em relação a mudanças na forma de se fazer a instalação. Ouve-se
frequentemente a frase: "Faço deste jeito há 20 anos e as coisas
sempre funcionaram ... por que vou mudar agora?". Essa pergunta
deve ser respondida naturamente pelo integrador, mostrando
todos os benefícios que a automação irá trazer e que, tecnicamente
se se fizer um estudo comparativo, o trabalho de instalação
para um sistema convencional ou com automação, constatará
sua equivalência. Contudo, o "choque do novo" é sempre mais
impactante do que os benefícios que virão com a instalação
automatizada.

Uma boa prática é procurar uniformizar os termos


comumente utilizados pelos técnicos para que não haja confusão. É
importante rever conceitos como circuito, fase e zona de iluminação,
conforme já descrito.
Automação Residencial 93

5.2. Definição de cargas automatizadas

As cargas automatizadas representam todos os


equipamentos que serão automatizados na residência, por
exemplo:
• iluminação {seguindo um projeto luminotécnico);
• tomadas comandadas;
• venezianas, persianas e cortinas motorizadas;
• bombas de recalque, chafarizes, cascatas, etc.;
• ar-condicionado, ventiladores de teto, aquecedores de
ambiente, lareiras elétricas, pisos aquecidos, desembaçadores
de espelhos, etc.

5.3. Definição de acionamentos

Os acionamentos representam aqueles dispositivos que


serão utilizados para comandar as cargas automatizadas, por
exemplo:
• pulsadores;
• teclados (keypads);
• telas de toque (touch screen);
• celulares (SMS), Smartphones e Tablets (iPad/iPhone, etc.);
• equipamentos de comandos por voz;
• sensores diversos como: gás, monóxido de carbono, fumaça,
inundação, crepuscular, chuva, velocidade do vento,
temperatura, umidade relativa do ar, etc.

5.4. Conceito de cenas ou cenários

Uma pergunta frequente que deixa o iniciante com dúvida


é: O que é uma cena ou cenário? Uma cena ou cenário nada mais
é do que um conjunto de ações pré-programadas que irão ocorrer
de forma simultânea ou sequencial e que atuarão nos diversos
sistemas instalados em uma residência. Uma cena ou cenário pode
ser acionado por qualquer dlsposttivo de interface, como um simples
pulsador, um keypad, uma tela de toque, um SMS, um e-mail, um
comando de voz, uma página na Internet, etc.
94 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Só

5.5. Utilização de tomadas comandadas

Outro conceito importante que quase sempre causa


confusão entre os eletricistas são as famosas "tomadas
comandadas". A Figura 37 mostra um exemplo de ligação de uma
tomada convencional e de uma tomada comandada, que poderá
ser controlada individualmente pelo sistema de automação.

í;ONVENCIONAL

Teto~ ·--- · - - - - Teto---·--------

N .._ Tom<lda
···<'-'-· comandada
R
Plso ..,. ..,.. . . .,.._ _,.....,.,..
Piso - - - - - - - - - - - •
lEGENDA; C "'FASE DO {Jlf\CUITO DE ILUMINAÇÃO
N "NEUTRO 00 CIRCUITO !)~;E ILUMINAÇÃO
R " RETORNO DA ZONA DE ILUMINAÇÃO
QE "'QUADRO DE ELÊffiiCA
QA "'QUADRO OE AUTOMAÇÃO

Figura 37- Comparação entre a instalação convencional e automatizada


de uma tomada

Em projeto de automação residencial, muitas vezes são


designadas algumas tomadas para algum tipo de controle específico,
por exemplo, uma tomada designada especificamente para a ligação
de um abajur em que poderá ser dimerizado e proporcionará um
ambiente mais confortável. Pode-se prever uma tomada instalada
na bancada da cozinha e que será utilizada para ligar e desligar uma
cafeteira em horários pré-programados.

A confusão ocorre porque se utiliza o termo "tomada"


para designar essa função e, mesmo sendo de fato montada em
Automação Residencial 95

uma tomada convencional, ela não estará sempre energizada, pois


dependerá de um controle, como um interruptor que liga/desliga
uma lâmpada. É como se fôssemos instalar uma zona de iluminação
em uma tomada convencional. só que nesse caso deve-se tomar
o cuidado de utilizar o circuito específico de iluminação daquele
ambiente, caso contrário podem-se observar ruídos provenientes de
equipamentos ligados a esse circuito de tomadas convencionai.Já no
caso da utilização de uma tomada comandada para o acionamento
de eletrodomésticos, como mencionado anteriormente, faz-se
necessária a utilização do mesmo circuito elétrico designado para
as tomadas daquele ambiente, também para se evitarem ruídos nos
circuitos de iluminação.

5.6. Automação centralizada

Uma vez consolidados os fundamentos de uma instalação


elétrica automatizada, vamos entender como se proceder à
elaboração de um projeto de automação residencial. Um conceito
inicial a ser passado é que, para um sistema centralizado, todos os
retornos das cargas {lâmpadas, tomadas comandadas, cortinas,
etc.} deverão ser levados para um quadro de automação.

Dependendo do tamanho da instalação, opta-se durante


a fase de projeto, pela utilização de dois ou mais quadros de
automação com o objetivo de reduzir a quantidade de cabos e
infraestrutura a ser utilizada. Nesse caso, setorizar a instalação é
uma boa prática, por exemplo, um quadro de automação atenderá
as cargas do pavimento térreo e outro atenderá as cargas do
pavimento superior.

Para visualizar melhor essa questão, vamos analisar na Figura


38 um exemplo de ligação simples de uma lâmpada (uma zona
de iluminação) fazendo-se um comparativo entre uma instalação
elétrica convencional e uma instalação com automação.
96 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

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Teto----:-'-'-''"-'=j----
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Piso,..,..-. ...,. . . . . . . . . ., . Piso . . . . . . . ., . . , .. . . .- . .. ,

LEGENDA:

Figura 38- Comparação entre a instalação convencional e automatizada


de uma zona de iluminação

Observa-se que na instalação convencional o fio de retorno


da lâmpada deve ser levado até a caixa plástica embutida na
alvenaria, abrigando o interruptor. Também deverá ser levado até
a essa caixa o circuito {fase) de iluminação correspondente para
esta zona de iluminação (uma ou mais lâmpadas). Esse circuito será
fornecido pelo quadro de elétrica e que, seguindo o nosso exemplo,
corresponde a um disjuntor unipolar.

Considerando que a lâmpada receberá a ligação de um fio


neutro (correspondente ao mesmo circuito de iluminação}, ao ser
ligado o interruptor será comutada a fase do circuito de iluminação
com o retorno da lâmpada, fazendo com que esta se acenda. Esse
é o esquema clássico de uma ligação elétrica residencial e que está
presente na maioria das residências.

Continuando com a análise da Figura 38, vamos agora


verificar a mesma ligação simples. de uma lâmpada (uma zona
de iluminação}, porém utilizando o conceito de uma instalação
com automação centralizada. Nesse caso, a utilização de uma
Automaçao Residencial 97

central de controle nos obriga a levar todos os retornos das cargas


automatizadas até o quadro de automação.

No nosso exemplo, devemos levar o retorno da lâmpada


não mais para a caixa do interruptor mais sim para o quadro de
automação. A pergunta que sempre surge é: "Então terei que levar
todos os retornos das lâmpadas para o quadro de automação? Isso
vai dar muito trabalho!", a resposta é "Sim, todos os retornos deverão
ser levados até o quadro de automação e com os seus respectivos
neutros.". Essa resistência inicial oferecida pelo eletricista é natural,
uma vez que ele ainda não visualizou os benefícios provenientes
dessa centralização. Neste momento ele só está pensando que
aparentemente haverá mais trabalho, que será gasto mais fiação
com os retornos, etc. Contudo, devemos continuar introduzindo o
conceito de automação centralizada e passar então a fazer perguntas
que levem o eletricista a conclusões mais realistas.

A primeira delas seria: "Como você instala o circuito


(fase) de alimentação das lâmpadas?" Seguindo a instalação
convencional, a resposta seria "Tenho que levar um fio desse
circuito para cada caixinha de interruptores". Pois bem, com uma
instalação centralizada bastará que esse circuito de iluminação
seja levado do quadro de elétrica para o quadro de automação, ou
seja, apenas uma ligação será suficiente, ao contrário de ter que
percorrer todas as caixas ao longo da instalação. Com isso, haverá
uma redução significativa de trabalho e fiação de alimentação
{circuito de iluminação} que, possivelmente, será equivalente ao
aumento de gasto proporcionado por levar os retornos até o quadro
de automação. Vale lembrar que o objetivo aqui não é economia
de cabos, mas se pudermos trazer uma solução com um consumo
de cabos equivalente à instalação convencional já estaremos em
equilíbrio.

Outro ponto importante a ser questionado é como é feita


a ligação de uma zona de iluminação com acionamentos em
paralelo. Cabe lembrar que para esse tipo de ligação é necessária a
98 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

utilização de mais um fio entre as caixas, quando comparado com


o acionamento simples, além da utilização de dois interruptores do
tipo paralelo, conforme já abordado.

Temos que nos lembrar também das famosas ligações com


acionamentos intermediários. Nesse tipo de ligação, é necessária a
passagem de quatro fios no ponto de acionamento intermediário
além do fio adicional nos pontos extremos, e da utilização de dois
interruptores do tipo paralelo e um interruptor do tipo intermediário,
conforme também já abordado.

Além da quantidade de fios envolvidos para a execução desse


tipo de ligação, todo eletricista sabe do trabalho e do cuidado que
é preciso ter na identificação dos fios para que seja possível efetuar
essas ligações com sucesso. Devido a sua relativa complexidade é
muito comum que o eletricista cometa algum tipo de erro, isto só
irá contribuir para aumentar o tempo total da instalação.

No caso da instalação com uma central de automação, esse


tipo de ligação com acionamento paralelo e/ou intermediário é
feito fisicamente diretamente no quadro de automação e/ou por
software, alterando-se a programação no controlador. Qualquer
alteração poderá ser executada facilmente mesmo quando o cliente
já estiver morando na residência, e até mesmo remotamente, via
tntermet, por exemplo. Nesse caso será fácil perceber os ganhos
que serão obtidos com uma instalação elétrica automatizada.

Existe ainda mais um elemento que precisa ser levado em


consideração em relação à instalação com automação. Na Figura
38, observa-se que o interruptor foi substituído por um pulsador
que nada mais é do que uma chave normalmente aberta que possui
retorno por mola (botão tipo campanhia}. Esses pulsadores têm a
finalidade de fornecer para o sistema uma entrada, indicando que
alguma carga deverá ser acionada. Em sistemas mais elaborados,
esses pulsadores poderão ser substituídos por equipamentos
eletrônicos denominados keypads, que são pequenos teclados
.A.utomacáo Residencial 99

{com eletrônica embarcada) na qual é possível programar a função


de cada uma de suas teclas.

Em ambos os casos, há a necessidade de se prever


no projeto uma infraestrutura específica para os cabos desses
pulsadores, separada daquela dos cabos de elétrica. Por meio dessa
nova infraestrutura será possível interligar todos os pulsadores até
o quadro de automação.

5.7. Automação distribuída

O conceito de automação distribuída pode ser definido


quando os módulos que irão controlar as cargas são instalados
junto aos acionamentos {dentro das caixas 4x2" ou 4x4" na parede)
ou diretamente nas cargas (dentro das caixas ortogonais no teto).
Nesse tipo de instalação, o comando aplicado à carga é feito
localmente, ou seja, do acionamento para o módulo que controla
a carga. Como não há a necessidade de um controlador central,
isso proporciona uma maior "independência" no caso de falhas,
pois se ocorrer um problema, este estaria restrito àquela carga {por
exemplo, uma zona de iluminação) e não comprometeria as demais
cargas automatizadas da instalação.
Os módulos locais (equipamentos controladores) são
interligados, seja por um sistema com fio ou sem fio, e irão formar
um sistema mais complexo que atenderá a toda a instalação. Dessa
forma, será possível a criação de cenários que envolvam quaisquer
módulos {cargas), proporcionando uma abrangência completa do
sistema.

5.8. Controladores autônomos (stand alone)

Os controladores autônomos, também conhecidos como


stand-alones, são controladores de pequeno porte cujo principal
objetivo é automatizar um único ambiente. Normalmente, cada
controlador atende entre 4 e 8 zonas de iluminação, podendo ter
zonas dimerizadas convertidas para o acionamento de venezianas/
100 José Roberto Muratori e P<1ulo Henrtque Dai Só

persianas/cortinas elétricas. Possuem diversos tipos de interfaces


de entrada como pulsadores, keypads e receptores de infravermelho
para efetuar comandos através de um controle remoto. Alguns
modelos são instalados na própria caixa 4x4" ou 4x2", outros
requerem caixas 4x4" ou 4x8" com profundidade dupla. Esse tipo
de instalação requer pouca alteração na fiação, pois os retornos das
zonas já estão no ponto de instalação. Outra opção é a instalação
sobre o forro de gesso, uma vez que a maioria dos retornos passa por
esse espaço. Nesse caso, uma boa prática de instalação é posicionar
o controlador próximo a uma caixa de som embutida no gesso para
facilitar o acesso em uma futura manutenção. A Figura 39 mostra
alguns exemplos de controladores autônomos.

~-----··-

Figura 39- Exemplos de controladores autônomos (stand afane).

Podem-se interligar vários controladores stand-alone para


formar um sistema integrado. Nesse caso, o controle de toda
automação será distribuído, pois não haverá um controlador
principal do sistema. Esses controladores poderão ser interligados
por cabos de comunicação de dados e instalados fisicamente
distribuídos pelos ambientes da residência. Os controladores
Automação Residencia! 101

poderão ainda ser instalados concentrados dentro de um quadro


de automação central, formando uma topologia física em estrela.

Os controladores stand-alone são a porta de entrada para os


instaladores de sistemas de automação residencial, pois possuem
preços mais acessíveis quando comparados a grandes centrais
de automação residencial. Esses sistemas atendem a um grande
público do mercado consumidor, em especial a aqueles clientes
que desejam obter os benefícios da automação em apenas alguns
ambientes da residência. Com a interligação de vários controladores
stand-alone podem-se implantar sistemas de automação mais
complexos.

5.9. Centrais de automação

As centrais de automação são controladores com capacidade


para atender a uma maior quantidade de pontos de entrada e saída
e, dessa forma, podem-se constituir sistemas complexos. A maioria
das centrais de automação é baseada em soluções de hardware
e programação proprietárias. Algumas centrais são baseadas em
Controladores lógico-Programáveis {CLP) que possuem alto grau
de confiabilidade e grande capacidade de processamento. Possuem
diversos tipos de interfaces de entrada como pulsadores, keypads
e receptores de infravermelho para efetuar comandos por meio de
um controle remoto.

As centrais de automação são instaladas em um quadro de


automação centralizado, para o qual todos os retornos das cargas
são levados, formando uma topologia física em estrela. De acordo
com o projeto, pode-se dividir a instalação em dois ou mais quadros
de automação que serão interligados por um cabo de comunicação
de dados. Por exemplo, pode-se instalar um quadro de automação
para atender o pavimento inferior e outro para atender o pavimento
superior, o que reduz bastante a infraestrutura e os cabos utilizados
na instalação. A Figura 40 mostra alguns exemplos centrais de
automação.
102 José Roberto Muratori P. Paulo Hennque Ddl Bc

------~-- ---------·------- ------------~

: I
í

I
~--- -~- -----~__1
Figura 40- Exemplos de centrais de automação.

As centrais de automação normalmente são utilizadas para


instalações maiores e com maior grau de complexidade. Quando
utilizadas em instalações de pequeno porte apresentam preços mais
elevados quando comparados aos controladores stand-a!one e aos
sistemas sem fio. Contudo, à medida que a quantidade de pontos
de entrada e saída aumenta o custo do processador central vai
sendo diluído, tornando o sistema financeiramente mais vantajoso
em relação aos sistemas stand-alone distribuídos.
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1
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Automação Residencial 105

6. Principais protocolos de automação


6.1. Definição de protocolo

Nos últimos anos temos vivenciado uma crescente


evolução nos mais variados sistemas residenciais, incluindo as
próprias soluções em automação residencial, impulsionada com o
crescimento da indústria de sistemas de segurança como alarmes
e monitoramento por câmeras (CFTV), a difusão do conceito de
H ame Theater como um ambiente quase que obrigatório em uma
residência, a redução de preços dos televisores viabilizando a
implantação de sistemas de distribuição de áudio e vídeo residencial,
além das diversidades de sistemas de som ambiente.

O desenvolvimento de novos protocolos de controle e


comunicação permitiu a interação inteligente entre equipamentos,
incentivando, e muito, o mercado de automação residencial.
Pesquisas mostraram que esse mercado nos EUA movimentou, até
2002, aproximadamente US$ 1,6 bilhão e, até 2008, algo em torno
deUS$ 10,5 bilhões.

Mas afinal, o que é um protocolo?

Um "protocolo" é representado por um conjunto de regras


que definem a maneira como os equipamentos irão se comunicar
em uma rede de dados.

Para que um equipamento se comunique nessa rede é


necessário que nele tenha sido inserido esse conjunto de regras,
ou seja, o protocolo. Isso fará com que o equipamento entenda a
comunicação proveniente da rede de dados, ou seja, dos demais
equipamentos que estão ligados na rede e também que ele possa
ser entendido quando for transmitir seus comandos na rede.

Em resumo, para que equipamentos distintos possam se


comunicar em uma rede de dados faz-se necessária a utilização de
106 Josê Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

um protocolo que seja conhecido portados os dispositivos que irão


participar dessa rede.

6.2. Protocolos de automação powerline

Os primeiros sistemas voltados para a automação residencial


surgiram no início dos anos 70 e eram baseados na tecnologia
chamada PLC (Power Une Carrier) que utiliza a própria rede elétrica
para fazer a transmissão dos comandos. Essa tecnologia deu origem
a uma categoria de redes denominadas Powerline Networks.
Os desenvolvedores que se basearam nessa tecnologia
partiram da necessidade de seus clientes de controlar a iluminação
e, até mesmo, eletrodomésticos, presentes em diferentes pontos
da casa, sem a necessidade de executar a instalação de um novo
cabeamento. O controle é feito pelo envio de mensagens dos
transmissores aos receptores utilizando a própria rede elétrica
existente, incorporando funções básicas do tipo liga/desliga,
dimerização e cenários. A Figura 41 mostra alguns exemplos de
equipamentos que utilizam tecnologia powerline.

J
Figura 41 -Exemplos de equipamentos que utilizam tecnologia powerline.
Automação Residencial 107

6.2.1. XlO

O precursor nesse segmento foi o protocolo X10,


desenvolvido em 1975 pela empresa escocesa "Pico Eletronics",
e que tinha como objetivo permitir o controle de dispositivos de
maneria remota em uma residência. O sistema X10 é considerado
como a primeira tecnologia desenvolvida exclusivamente para
a automação residencial. A grande vantagem do XlO está na
facilidade de instalação, pois utiliza o cabeamento elétrico já
existente e na simplicidade da programação. Porém, como toda
tecnologia pioneira, o X10 enfrentou suas dificuldades e incertezas,
solucionadas ao longo do tempo. Uma delas era o envio de comandos
{mensagens) para equipamentos alimentados por fases diferentes.
Nesse caso, por não haver uma conexão física, faz-se necessário o
emprego de acopladores de fases que normalmente são instalados
no quadro de elétrica. Outra questão importante era em relação à
instabilidade do sistema em instalações elétricas mal projetadas ou
com alto grau de ruído elétrico. A patente original do protocolo X10
expirou em dezembro de 1997, possibilitando a vários fabricantes
desenvolver e fabricar novos produtos baseados em XlO. Dessa
forma, mesmo com o surgimento de novas tecnologias, o XlO ainda
mantém seu espaço, principalmente considerando o seu legado
instalado.

6.2.2. UPB {Universal Powerlíne Bus)

Outro protocolo que seguiu na linha das "Powerlines


Networks" foi o UPB (Universal Powerline Bus) que teve sua origem
voltada para a plicaçõesdeautomação residencial. Elefoidesenvolvido
em 1999 pela empresa americana PCS (Power!ine Contra/ Systems).
O projeto do UPB foi baseado no princípio de funcionamento do
XlO, porém algumas melhorias foram conseguidas no protocolo
como o aumento da velocidade da transmissão dos dados e
principalmente a melhoria na confiabilidade da rede.

I
108 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

6.2.3. Homeplug

O HomeP!ug Powerlíne Alfiance desenvolveu dois padrões para


comunicação em Powerlines Networks: o HomeP!ug 1.0- baseado
na tecnologia Jntellon PowerPacket e que permite boa velocidade
de comunicação, e o padrão HomePiug AV, ainda mais avançado e
que pode chegar a taxas de 200 Mbps, sendo capaz de transmitir
conteúdo multimídia e HDTV através da -rede elétrica.

6.3. Protocolos de automação sem fio

São protocolos que utilizam tecnologias totalmente baseadas em


rádio {sem fio), ou seja, utilizam o espectro de radiofrequência {RF)
para estabelecer a comunicação entre os dispositivos. A Figura 42
mostra alguns exemplos de equipamentos que utilizam tecnologia
sem fio.

...
·.·~·l·
I_J<
~
J''
.

Figura 42 -Exemplos de equipamentos que utilizam


tecnologia sem fio.
Automação Residencial 109

Muitos sistemas sem fio utilizados em automação residencial


são baseados em redes do tipo "Mesh" {malha). Essas redes possuem
alta resiliência, ou seja, possuem grande capacidade de se adaptar
a mudanças de topologia. Os dispositivos podem ser incluídos ou
excluídos a qualquer instante, e novas rotas são recalculadas.

Embora a transmissão de um único dispositivo consiga


alcançar alguns metros, todos os dispositivos da rede se
comportam como retransmissores de mensagens, o que aumenta
significativamente o alcance da rede como um todo. A Figura 43
mostra um exemplo de uma rede Mesh {malha).

Figura 43- Exemplo de uma rede Mesh (malha).

Cada módulo é considerado um "nó" da rede, e qualquer


"nó" consegue se comunicar com outro, pois há um processo de
roteamento das mensagens através dos demais "nós" da rede.
À medida que a quantidade de "nós" de uma rede aumenta
naturalmente o atraso da comunicação poderá aumentar.
Entretanto, com o aumento de "nós" da rede aumenta também
a possibilidade de serem estabelecidas novas rotas que poderão
propiciar valores de atrasos iguais ou até mesmo menores do que
uma rede com poucos "nós".
110 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

Os sistemas sem tio possuem uma característica muito


importante: a pouca interferência na instalação elétrica já existente.
Devido a essa maior facilidade de instalação eles são mais indicados
para as já existentes e aquelas em reformas (retrofít).

Atualmente, as principais tecnologias sem tio utilizadas em


automação residencial são o ZigBee, o Z-wave e o UHF (Uftra-High
Frequency).

6.3.1. ZigBee

O ZigBee é um padrão de rede roteada e sem fio desenvolvida


em 2005 pela ZigBee Alliance estando baseada no padrão IEEE
802.15.4. O nome ZigBee se deve ao fato de que, devido ao
roteamento, as mensagens trafegam na rede em zigzag (Zig) como
se fossem abelhas (Bee). A tecnologia foi desenvolvida para atender
a uma grande variedade de aplicações que vão desde dispositivos
que trabalham à bateria até dispositivos mais sofisticados para
serem aplicados em automação comercial e industrial. Por essa
razão, a sua operação está baseada em uma rede mesh (malha)
de alta resiliência (capacidade de se readaptar a mudanças), com
dispositivos que consomem pouca energia e tenham baixo custo.
Embora a transmissão de um único dispositivo consiga alcançar
alguns metros, todos os dispositivos da rede se comportam como
retransmissores de mensagens, o que aumenta significativamente o
alcance da rede.

OZ-Wave é um padrão de rede roteada e sem fio desenvolvida


pela empresa dinamarquesa ZenSys AS e foi concebida para
aplicações de controle de dispositivos residenciais. Éuma tecnologia
que também mantém seu foco no desenvolvimento de dispositivos
de baixo custo, fáceis de instalar, confiáveis, que possuem baixo
consumo de energia. Os fabricantes de equipamentos Z-Wave
precisam homologar seus produtos na Z- Wave Alliance para que
Automação Residencial 111

seja possível garantir a sua interoperabilidade em qualquer rede


Z-Wave. Cada módulo Z-Wave é considerado um nó da rede, sendo
que a topologia formada é de uma única rede mesh (malha), ou
seja, qualquer nó da rede consegue se comunicar com outro, pois
há um processo de roteamento das mensagens através dos demals
nós da rede. À medida que a quantidade de nós da rede aumenta
naturalmente o tempo de latência da comunicação poderá
aumentar. Contudo, com novos nós na rede, há a possibilidade de
serem estabelecidas outras rotas que poderão propiciar valores de
atrasos iguais ou até mesmo menores.

6.3.3. UHF (Uitra-High Frequency)

A banda de UHF (Ultra-High Frequency) é muito utilizada por


inúmeros métodos de codificação proprietária que operam na faixa
de frequência de 260 a 470 MHz. Existem muitos equipamentos
no mercado que já utilizam essa faixa de frequência, muitas dessas
aplicações são populares e operam em 433 MHz. Exemplos de tais
aplicações estão em sistemas de alarmes, controladores de luz,
controle remoto para carros e controle remotos de portões de
garagem. Como se trata de uma banda de frequência não licenciada,
os órgãos regulamentadores exigem que esses dispositivos operem
apenas em caráter intermitente e a baixas potências de transmissão,
o que normalmente resulta em alcances da ordem de dezenas de
metros. Há muitos anos, essa tecnologia vem sendo desenvolvida
de maneira independente e por diversos fabricantes, que
utilizam diferentes tipos de esquemas de modulação e diferentes
métodos de codificação de dados. Ou seja, não há um padrão de
comunicação efetivamente aberto, assim não é possível garantir a
interoperabilidade entre equipamentos de fabricantes diferentes.

6.4. Protocolos de automação híbridos

São sistemas que utilizam mais de um meio físico para


QStabelecer a comunicação entre as cargas e os acionamentos. os
principais meios físicos utilizados são os cabos de pares trançados,
112 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

redes powerline e rádio (RF). A Figura 44 mostra alguns exemplos de


equipamentos que utilizam tecnologias híbridas.

/
- o -·-

Figura 44- Exemplos de equipamentos que utilizam tecnologia híbrida.

A comunicação pode ocorrer tanto de forma "ponto a


ponto" (peer-to-peer) ou por meio da formação de uma rede do tipo
"malha" (mesh), em que se formam dois ou mais possíveis caminhos
entre os "nós" da rede. A Figura 45 mostra os diferentes tipos de
dispositivos que a rede pode suportar e como a comunicação pode
ocorrer nos vários tipos de meios físicos utilizados.

Sinal Powerlir~e

Sinal de R~dio

··., Cobertura de R:i.dio

e Dispositivo apenas Rádio

--· e
@ Dispositivo apenas Powerline

Dispositivo Rádio e Powerfine

Figuro 45- Exemplo de tipos de dispositivos e meios físicos utilizando


tecnologia híbrido.
Automação Residencial 113

6.4.1. CEBus (Consumer Electronics Bus}

Em 1984, a ElA (Eiectronic lndustries Association),


atualmente chamada de CEA (Consumer Electronics
Association) formou um comitê técnico visando a desenvolver
um ambicioso padrão para interconectar todos os tipos de
dispositivos dentro de uma residência. Esse padrão foi batizado
de CEBus (Consumer Electronics Bus), e despendeu um enorme
esforço para unificar as comunicações em aplicações residenciais.

Foram escolhidos sete diferentes tipos de meios de


transmissão para que fosse analisado qual seria o mais adequado
para essa aplicação. Os meios de comunicação selecionados foram
os cabos coaxiais, cabos de pares trançados, cabos de fibras ópticas,
powerline, rádio, infravermelho e áudio/vídeo.

O comitê técnico do CEBus recebeu inúmeras soluções de


diversos fabricantes que defendiam sua tecnologia e demonstravam
as suas principais características em relação aos demais.

Ao final, o comitê escolheu a tecnologia lntellon que é


baseada em uma combinação de comunicação powerline e rádio.
O lntellon utilizava a tecnologia de espalhamento espectral (spread
spectrum), muito inovador para aquela época. Em 1994, os membros
da ElA publicaram o padrão CEBus sob a designação EIA-600. O
principal fator que impediu o progresso e a disseminação massiva do
padrão CEBus foi a sua complexidade e, consequentemente, o seu
custo. Os principais fabricantes da época não se identificaram como
padrão CEBus, não conseguindo, por isso, ser adotado plenamente
pelo mercado.

6.4.2. lnsteon

Seguindo o conceito do CEBus, em 2001 foi desenvolvido pela


11
SmartLabs Jnc." o padrão /nsteon que também utiliza as tecnologias
de poweline e rádio combinadas. Contudo, o seu desenvolvimento
114 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

esteve orientado à fabricação de equipamentos de baixo custo e


que possibilitassem uma melhor aceitação dessa tecnologia no
mercado. Trata~se de uma rede ponto a ponto {peer~to-peer) na qual
todos os dispositivos da rede podem transmitir, receber ou repetir
as mensagens, sem a necessidade de um controlador principal
(master) ou algum tipo de roteamento de dados mais complexos.

Um ponto interessante no desenvolvimento da tecnologia


fnsteon foi a preocupação em manter a sua compatibilidade com
a tecnologia XlO, respeitando todo um legado de equipamentos já
instalados. O lnsteon procurou resolver os problemas de sinalização
em redes exclusivamente baseadas em powerline, utilizando uma
topologia de rede denominada dual mesh (malha dupla), na qual
os dispositivos podem se comunicar utilizando tanto via powerline
como via rádio. O protocolo utilizado para essa comunicação foi
denominado lnsteon RF.

6.4.3. LonWorks

O LonWorks é uma tecnologia de redes desenvolvida em


1988 pela empresa americana Echelon, Inc. O LonWorks teve seu
desenvolvimento baseado em padrões da automação industrial
e predial. A tecnologia LonWorks é sofisticada, constituindo uma
rede de alto desempenho e que utiliza roteadores e repetidores
que garantem o não looping de mensagens, comum em redes com
roteamento.

Uma prova de sua complexidade é que a pilha de protocolos


Lon Works usa as sete camadas do modelo 051 (Open Systems
/nterconnection). Na camada física, o LonWorks pode utilizar cabos
de pares trançados, coaxiais, fibras ópticas, infravermelho e também
powerline, além de prever comunicações via rádio (sem fio).

6.4.4. KNX

A tecnologia KNX é o resultado da associação de


conhecimento e experiência obtido pelas tecnologias:
Automação Residencial 115

• European lnsta/lation Bus {EIB);


• European Home System (EHS);
• BatiBUS.

Em 1997, esses três consórcios decidiram unir esforços para


desenvolver o mercado de domótica, formando a Associação KNX
com o objetivo de desenvolver uma nova norma comum a todos e
que pudesse também ser proposta como norma internacional. Em
2002 a especificação KNX foi publicada.

O processo de certificação KNX garante que produtos


diferentes, de fabricantes diferentes, utilizados em aplicações
diferentes, funcionem e se comuniquem uns com os outros. Dessa
forma, assegura-se um elevado nível de flexibilidade na expansão e
modificação das instalações.

Para garantir imparcialidade, a certificação dos produtos KNX


é verificada em laboratórios neutros (tercerizados). A Associação
KNX exige um elevado nível de controle de qualidade durante
todas as fases de produção do produto. Assim, todos os fabricantes
devem comprovar a certificação ISO 9001 antes de se candidatar a
uma certificação de produtos KNX. Além da ISO 9001, os produtos
devem cumprir os requisitos das normas europeia e internacional
para s'1stemas de domótica.

O KNX é uma Norma aberta, internacional e dedicada


à domótica por isso vem sendo adotado por diversos órgãos
normativos. Até o presente, os órgãos normativos que já
regulamentaram o KNX foram:

• Norma internacional lSO/IEC 14543-3 em 2006;


• Normas europeias: CENELEC EN 50090 em 2003 e CEN EN
13321-1 e EN13332-2 (KNXnet/IP) em 2006;
• Norma chinesa SAC GB/Z 20965 em 2007;
• Norma americana ANSI/ASHRAE 135 em 2005.
116 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

A KNX suporta diversos tipos de meio f(sico, sendo possível a


combinação de um ou mais modos de configuração, permitindo
que cada fabricante escolha a combinação certa para o segmento
de mercado e aplicação a que se destina o produto. Os meios físicos
padronizados são:

• Cabo de pares trançados (KNX TP};


• Powerline (KNX PL);
• Radiofrequência (KNX RF};
• IP/Ethernet (KNX IP).
Automação Residencial 119

1. cabeamento estruturado residenc;ial·.


7.1. Motivadores

Atualmente, as aplicações encontradas nas residências


demandam por diferentes tipos de cabeamento para serem
utilizadas. Esse cabeamento deve ser capaz de suportar tanto
as necessidades atuais como atender satisfatoriamente às
tecnologias futuras. Conceitualmente, o cabeamento residenciat
deve ser tratado com uma distribuição interna de cabos, com o
intuito de permitir a transmissão de sinais, garantindo flexibilidade
a mudanças, longevidade em relação às novas tecnologias,
conveniência e conforto.

Serão abordadas técnicas para a utilização de serviços


residenciais, tais como telefonia através da utilização de um
PABX (que também pode fazer o papel de interfonia e porteiro
eletrônico), redes de dados lAN (Local Area Network), acesso
a Internet banda larga, televisão aberta analógica e/ou digital,
televisão por assinatura tanta a cabo {CATV) como via satélite
(satelital}, câmeras de um Circuito Fechado de Televisão {CFTV),
distribuição de áudio e vídeo (Home Theater/Som Ambiente), etc.

Dentre as principais necessidades por serviços tecnológicas


nas residências destaca-se uma tendência mundial das empresas
em promover aos seus funcionários a benefício da "Trabalha
em casa" ou "Home Office". Para tal é necessário que haja nesta
residência uma infraestrutura similar à encontrada nos escritórios
comerciais. Por exemplo, o rama 1telefônica desse funcionária será
disponível deforma remota através da tecnologia de Voz sobre !P ou
VoJP (Voice over IP) para ser utilizado em casa .Isso poderá ser feita
utilizando um aparelho do tipo ATA {Analog Telephone Adapter) ou
um "Sojtphone" (programa instalado em um computador. tablet
ou smartphone). Da mesma forma, será necessário que esse
funcionário acesse de forma segura (criptografada) o banco de
dados da empresa, por exemplo, utilizando uma conexão segura
através de uma VPN {Virtual Private Network).
120 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

Outro grande motivador para o avanço na qualidade


das redes domésticas são os sistemas multimídia e de vídeo sob
demanda, como, por exemplo, a Apple TV, Netf/fx, Netmovies,
etc. Por meio desses sistemas é possível comprar ou alugar um
determinado filme para ser assistido de acordo com a disponibilidade
do morador. Serviços de biblioteca virtual como Amazon, iBooks,
etc., também contribuem para a implantação de um ambiente de
redes residenciais segura e confiáveL

A indústria da segurança eletrônica também gerou uma


demanda significativa por uma infraestrutura mínima de redes
domésticas, sem a qual não é possíve\ fazer a supervisão remota de
câmeras de CFTV (Circuito Fechado de Televisão).

Mais recentemente, os sistemas de Automação Residencial


também começaram a demandar por uma infraestrutura de redes
domésticas adequada, pois são pelas interfaces para Tablets e
Smartphones que o morador irá supervisionar ou comandar as
cargas em sua residência seja de forma local como remota.

Nesse contexto, podemos definir um sistema de cabeamento


estruturado residencial como sendo uma distribuição interna de
cabos {não contempla a rede externa} que permite a transmissão de
sinais de voz, dados e imagem, garante a flexibilidade a mudanças
futuras, estabelece longevidade dos serviços em relação a novas
tecnologias, promovendo conveniência e conforto aos moradores.

7 .2. Cabos de pares trançados

O principal cabo utilizado para redes de dados e voz é o cabo


de quatro pares trançados não blindado, também conhecido como
cabo UTP {Unshie/ded Twisted Pair). Possui impedância característica
de 100 Ohms. Devido a sua construção {trançamento dos pares)
e a forma de transmissão empregada (transmissão balanceada),
esse cabo fornece um bom grau de imunidade a interferências
eletromagnéticas, principalmente considerando a aplicação em um
Automação Residencial 121

ambiente residencial. A Figura 46 mostra um cabo UTP de quatro


pares.

L __ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ j I

Figura 46- Cabo UTP (Unshielded Twisted Poir].

Em casos mais específicos, como a utilização de um


cabeamento de dados ou voz em um local com alto índice de
ruído eletromagnético, faz-se necessária a utilização de cabos de
pares trançados com blindagem por par (lâmina} e blindagem
gera( {malha} - S/FTP (Screened/Foiled Twisted Pair), conforme
mostrado na Figura 47. Esses cabos também possuem impedânda
característica de 100 Ohms. Via de regra, em ambientes
residenciais, não são encontradas grandes fontes geradoras de
ruídos eletromagnéticos. Considerando que toda a infraestrutura do
cabeamento estruturado residencial é feita em separado da parte
elétrica, raramente será necessário o emprego de cabos blindados.

Figura 47- Cabo 5/FTP (Screened/Foiled Twisted Poir}.


122 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da\ Bó

Uma carcterística muito importante dos cabos é a sua


largura de banda que deve ser expressa sempre em MHz. Ela
representará a capacidade de um cabo em transmitir informações
que, dependendo da codificação de linha empregada, se traduzirá
na velocidade de transmissão alcançada, que é expressa em bits
por segundo (bps). A classificação mais comumente utilizada no
mercado brasileiro é a mesma do mercado americano que divide
os tipos de cabos em "Categorias" de acordo com a sua largura
de banda. No mercado europeu é mais comum a utilização dessa
divisão em "Classes". A relação entre as "Categorias/Classes" e as
larguras de bandas dos cabos é mostrada na Figura 48.

Categoria i Classe Largura de Banda


CAT 31 Classe C 16MHz
CAT4 20 MHz
CAT 5 I Classe O 100MHz
CAT SE f Classe O 100MHz
CAT 6 I Classe E 2SOMHz
CAT 6A I Classe E SOOMHz
CAT 7 I Classe F 600MHz

Figura 48- Categorias/Classes dos cabos e suas respectivas larguras de banda.

Devido aos requisitos atuais das principais aplicações


utilizadas nas residências, e levando-se em consideração uma boa
relação custo/beneficio, as categorias de cabos mais utilizadas nos
projetos residenciais são a Categoria SE e 6.

O conectar utilizado para cabos UTP, denominado "conectar


modular de oito vias", é conhecido popularmente como conectar
"RJAS". Esse conectar possui oito posições e oito conexões (8P8C) e
sua conectorização deve serfeita utilizando-se um alicate de crimpar
específico. Um exemplo desse conectar é mostrado na Figura 49.
Automação Residencial 123

Figura 49 ~Conectar Modular de 8 vias (RJ-45) e Alicate de Crimpar.

Cabe lembrar que, quando são utilizados cabos S/FTP


(blíndados), os conectares "RJ-45" para esses cabos são diferentes,
ou seja, o conectar deve possuir uma parte metálica internamente
e nas laterais que irá fornecer a conexão elétrica entre a blindagem
do cabo e a tomada blindada, seja ela do painel de manobras ou da
própria tomada de parede.

Para os conectares de telefonia, existem diversos padrões


conforme mostrado na Figura 50. Uma vez que o RJ-10 (4P4C)
é utilizado exclusivamente na conexão do gancho do telefone
{monofone), para a conexão do telefone à tomada de telefonia
utiliza-se o padrão RJ-11 (6P4C). O padrão RJ-12 (6P6C) é mais
utilizado nas Centrais Telefônicas (PABX).

I I
l!l -~.

RJ-10 RJ-11 RJ-12


(4P4C) (6P4C) (6P6C)

Figura 50- Conectares Modulares de Telefonia.


124 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai 86

Entretanto, em sistemas de cabeamento estruturado, todas


as tomadas devem ser RJ~45, o que garante a possibilidade de
alterar os serviços de telecomunicações {voz e dados) nas tomadas.
Por exemplo, uma tomada RJ-45 poderá receber tanto um conectar
RJ~45 para um serviço de dados como um conectar RJ~11 para um
serviço de telefonia. Se fosse adotada uma tomada RJ-11, esta só
poderia receber um serviço de telefonia (RJ-11), uma vez que não
suporta um conectar RJ-45.

Temos ainda os "Cordões de Manobra" ou "Patch Cords",


constituídos de uma seção de cabo UTP com um conectar RJ~45 em
cada ponta. Eles serão responsáveis pelas "manobras" dos serviços
que serão disponibilizados nas tomadas. Exemplos de "Cordões de
Manobra" são mostrados na Figura 51.

~--- -------------------
Figura 51- "Cordões de Manobra" ou "Patch Cords".

Note que a capa externa do cabo pode ser fabricada com


diferentes tipos de cores. Ao contrârio do que muitos profissionais
imaginam, a capa na cor azul não é uma condição exigida pelas
Normas. O que as Normas padronizam são as cores dos quatro
pares presentes dentro do cabo, sendo elas:

• Par 1 com uma via na cor azul e a outra na cor branca/azul;


• Par 2 com uma via na cor laranja e a outra na cor branca/
laranja;
Automaçâo Residencial 125

• Par 3 com uma via na cor verde e a outra na cor branca/


verde;
• Par 4 com uma via na cor marrom e a outra na cor branca/
marrom.

Uma dúvida frequente é com relação a questão do tipo de


terminação que deve ser adotada na conectorização dos cabos
UTP: T568A ou T568B. Na realidade, a única diferença entre as
terminações T568A e T568B é a inversão da ligação dos pares dois e
três. Tecnicamente não há nenhum ganho ou perda de desempenho
em se utilizar um padrão de terminação ou o outro. O padrão
T568B foi adotado nos Estados Unidos pela AT&T e é reconhecido
pela norma americana. O único cuidado que se deve ter é que, ao
se adotar um tipo de terminação (TS68A ou T5688}, esta deve ser
mantida ao longo de toda a instalação. A conectorização de um
patch pane/ no padrão T568A e da tomada correspondente no
padrão T568B produzirá um cabo "crossover' {cruzado) que não é
permitido pelas Normas no cabeamento horizontaL Os padrões de

l
terminação T568A e TS68B estão descritos na Figura 52.

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laranja
Par 2

p,, @·;~" laranJa í § l u l Marron


Par 2 Par 1 Par4 I
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T56BA T5688
L-------~---------~-------~
Figura 52- Padrões de terminação T568A e T568B.

O padrão de tomadas (RJ-45) utilizadas para aplicações


residenciais se diferencia do padrão de tomadas utilizadas em
aplicações comerciais (keystone} única e exclusivamente pela
126 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai 86

questão estética. São normalmente utilizadas tomadas de padrão


modular, com um ótimo cabeamento e com espelhos que estejam
de acordo com a linha de interruptores, tomadas elétricas, etc.,
escolhida para a residência. Na Figura 53 temos alguns exemplos de
tomadas (RJ-45) utilizadas em aplicações residenciais.

Figuro 53- Tomadas (RJ-45) para aplicações residencias.

7 .3. Cabos coaxiais

Para aplicações de sinais de imagem para televisão aberta


analógica e/ou digital (VHF/UHF), utilizam-se os cabos coaxiais
Série 59 (RG-59), que atendem perfeitamente aos requisitos de
transmissão dessas aplicações.

Já para os sinais de imagem de televisão por assinatura a


cabo (CATV) ou Satelital (DBS- Direct Broadcast Sate/fite ou DTH-
Direct-To-Home), utilizam cabos coaxiais Série 6 (RG-6) que possuem
uma bitola relativamente maior e que proporcionam uma menor
atenuação por metro, possibilitando, assim, uma melhor qualidade
do sinal recebido.

Há ainda os cabos coaxiais Série 11 {RG-11) que possuem


uma bitola ainda maior que os Série 6 {RG-6); devido a sua robustez
e baixa atenuação por metro, são muito utilizados nas redes
externas de CATV nas chamadas redes HFC (Hybrid Fiber Coax). Já
Automação Residencial 127

em aplicações de redes internas, eles são utilizados na distribuição


de sinais em backbones prediais.

Os três tipos de cabos coaxiais apresentados (RG-59, RG-6 e RG-11),


possuem impedância característica de 75 Ohms. As diferenças entre
eles podem ser observadas na Figura 54.

Série 59 (RG-59)

Série 6 {RG-6)

Série 11 (RG~ll)

hgura 54- Cabos coaxiais Série 59, 6 e 11 (RG-59, RG-6 e RG-11).

Um resumo dos tipos de cabos coaxiais utilizados em


n~sidências e suas respectivas aplicações estão representadas na
Figura 55:
128 José Roberto iv1Uiatori r: Paulo Henrique Dal Bó

Pai<: h Cord I
Tipod(> Cabo Cabo
Cordão de
·.. ·. t;abà Backbone Horizontal
Equipamento
Sérle 11 Sim Sim Não
SérieS Sim Sim Sim
Série 59 Não Não Sim

Figura 55 -Aplicações versus tipos de cabos coaxiais.

O conectar utilizado para cabos coaxiais é chamado "Tipo


F" e a sua conectorização deve ser feita utilizando um alicate de
crimpar específico para cabos coaxiais. Atualmente, o método de
conectorização mais recomendado é o de compressão, pois garante
uma melhor fixação mecânica entre o cabo e o conectar. Cabe
lembrar que, devido às diferenças no diâmentro interno dos cabos
RG-59 e RG-6, os conectares "Tipo F" são diferentes para cada tipo
de cabo. Portanto, deve-se atentar para esse fato no momento da
aquisição dos conectares. A Figura 56 mostra os diferentes tipos de
conectares "Tipo F" e seus métodos de conexão.

,---------

~~
.· I I
Crimpar Cônico I
I
....

Compressão Rosca

- - - - - - - - -·---------.J
Figura 56- Tipos de conectares "Tipo F".
Automação Residencial 129

Da mesma forma que as tomadas RJ-45, a tomadas Tipo F seguem


o mesmo padrão da linha de interruptores, tomadas elétricas, etc.,
escolhida para residência. Na Figura 57 temos alguns exemplos de
tomadas Tipo F utilizadas em aplicações residenciais.

\ lf T

Figura 57- Tomadas {Tipo F) para aplicações residenciais.

Para que seja possível fazer a distribuição do sinal de UHF,


CATV ou Satelital para os diversos pontos de televisão instalados
na residência, é necessária a utilização de "divisores de sinal",
também conhecidos como "Spliters". Na Figura 58 temos alguns

·----,
exemplos de "Spliters" utilizados em aplicações residenciais.

I
I
L___ _ __ _ __ __ _ __ __ ,_ _ _ _ j
Figura 58- "Spliters" utilizados em aplicações residenciais.
130 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

No momento da compra de um Sp/iter, é de fundamental


importância observar as faixas de frequências de operação, pois
uma escolha errada poderá prejudicar ou impedir o funcionamento
do serviço de televisão em questão. As faixas de frequências de
operação mais utilizadas em aplicações residenciais são: 5-900 MHz
e 5-1000 MHz para aplicações de DTV (Digital TV) e CATV (Cable TV),
e 900-2.400 MHz para aplicações de receptores de satélites (DBS/
DTH).

Outro tipo de cone ctor uti Iizad o p ri n ci paI mente em a p Iicações


de CFTV (Circuito Fechado de Televisão) e em cabos coaxiais Série
59 {RG-59) é o conectar BNC (Bayonet-Neiii-Concefman ou British
Naval Connector). Esse conectar possui uma baioneta {pino central)
que pode ser soldada ou crimpada ao elemento central do cabo
coaxial. A Figura 59 dá exemplos de conectares BNC.

,_
-=6

Figura 59- Tipos de conectares BNC.

7.4. Cabos de fibra óptica

O cabeamento óptico ainda é pouco utilizado em instalações


residenciais, pois os benefícios advindos da sua utilização ainda não
são demandados pela maioria das aplicações hoje encontradas em
uma residência. Apenas como ilustração, uma aplicação residencial
que utiliza cabos ópticos é a interligação de sinais de áudio digital em
equipamentos de Home Theater, esta utiliza o padrão de conexão
TOSLINK (Toshiba Link) e representa uma aplicação específica para
equipamentos de áudio e vídeo.
Automação Residencial 131

Alguns provedores de acesso de Internet banda larga


passaram a fornecer um cabo de fibra óptica até o equipamento do
usuário ou CPE (Customer Premises Equipment), ou seja, dentro da
residência. Dessa forma, sedimenta-se o conceito de FTTH (Fiber To
The Ho me) preconizado há algumas décadas.

No futuro, seguramente as aplicações residenciais passarão


a demandar por larguras de banda maiores, principalmente as
aplicações de vídeo sob demanda. Nesses casos, a utilização de
fibras ópticas será de grande valia para a implantação dessas
tecnologias.

7 .5. Cabeamento residencial não estruturado

Para um cabeamento residencial convencional, também


conhecido como "não estruturado", a instalação é feita por demanda,
ou seja, de acordo com as necessidades imediatas da residência.
O lançamento de cabos é feito apenas para os pontos que estarão
ativos, a cada novo remanejamento é necessário o lançamento
de um novo cabo, nesse caso a infraestrutura não está preparada
para tal. São as chamadas "extensões'' tanto de telefonia como
de televisão, nas quais os equipamentos são ligados em "cascata"
formando uma topologia puramente em barramento. Esse tipo de
ligação também é conhecido como "Daisy Chaning Scheme". Nesse
caso, o serviço de telecomunicações (dados, voz e imagem) desses
pontos será fixo, ou seja, não será possível promover uma alteração
no tipo de serviço.

As principais vantagens do cabeamento "não estruturado"


são o baixo custo inicial e a rapidez na instalação. As principais
desvantagens estão no alto custo de manutenção, na péssima
flexibilidade a mudanças, na não previsão de um crescimento
adequado da instalação, na falta de documentação adequada,
em uma infraestrutura insuficiente para acomodar expansões,
e no lançamento de novos cabos que podem causar danos ao
cabeamento já instalado.

I
132 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

7.6. Cabeamento residencial estruturado

Já para a implantação de um cabeamento residencial


estruturado, o lançamento de cabos é feito de forma planejada
visando a atender não só as necessidades atuais como as futuras.
É possível a instalação de vários pontos em um mesmo ambiente,
levando-se em consideração a área útil e o tipo de sua utilização. O
conceito de "ponto de serviços de telecomunicações" é usado onde,
por meio de uma manobra no cabeamento, seja possível dispor do
tipo de serviço desejado {dados, voz e imagem). Isso permitirá que
na eventual necessidade de uma alteração de um ponto de serviço,
por exemplo, na suíte master, a mudança de um ponto de telefone
de um lado da cama do casal para o outro, seja possível fazê-la
rapidamente, simplesmente efetuando-se uma manobra no Patch
Pane/ {painel de manobras) nos pontos correspondentes a essas
tomadas.

A instalação segue normas e padrões internacionais e


possui como premissa fornecer uma previsão suficiente de dutos e
cabos para a implementação do projeto e para futuras expansões.
As principais vantagens são a alta flexibilidade no atendimento às
necessidades do morador, uma excelente previsão do crescimento
da instalação, a capacidade de suportar tecnologias futuras
e, principalmente, a documentação clara e precisa de toda a
instalação. Se pudéssemos destacar algumas desvantagens, estas
seriam a instalação um pouco mais demorada devido à criação de
uma infraestrutura específica para o cabemamento e, a princípio,
custo inicial mais alto.

7 .6.1. Equipamentos passivos: hardware de conexão

Conceitualmente, um equipamento passivo é aquele que


não necessita de alimentação elétrica p-ara operar. No caso de um
sistema de cabeamento estruturado, os equipamentos passivos
são chamados "hardware de conexão", ou seja, são todos aqueles
elementos funcionais responsáveis pela interligação do cabeamento
Automação Residencial 133

com o equipamento ativo. Os hardwares de conexão são compostos


por blocos de ramais ou voice panels, patch pane/s com portas RJ~45
e tipo F, tomadas com portas RJ-45 e tipo F, divisores de frequênda
{Spliters). Na Figura 60 temos alguns exemplos desses hardwares de
conexão (equipamentos passivos}.

Blocos de Ramais Tomadas Tomadas


(RJ-45) (Tipo F) Divisores

Voice Panels

Patch Pane/s (RJ-45)


Patch Panels (Tipo F)

Figura 60- Exempfos de equipamentos passivos.

7.6.2. Equipamentos ativos~ voz~ dados e imagem

Conceitualmente, um equipamento ativo é aquele que


necessita de alimentação elétrica para operar. No caso de um
sistema de cabeamento estruturado, os equipamentos ativos são
responsáveis por prover os serviços de telecomunicações que serão
utilizados no cabeamento estruturado {dados, voz e imagem). Por
exemplo, para uma aplicação de telefonia (voz) os equipamentos
ativos serão a central telefônica ou PABX (Private Automatic Branch)
e o telefone (embora alguns telefones recebam alimentação da
própria linha telefônica, eles são considerados equipamentos que
134 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Oal Bó

fornecem um serviço de telefonia). Já para uma aplicação de redes


de computadores {dados), os equipamentos ativos serão o Switch
de redes Ethernet e o computador. Na Figura 61 temos alguns
exemplos de equipamentos passivos.

PABX (Central Tolefónica)

Switch

Computador

Telefone

Figura 61- Exemplos de equipamentos ativos.

7.6.3. Conceito de manobra: Cross Connect

Também conhecido como Cross Connect, o conceito de


manobra é de vital importância para um sistema de cabeamento
estruturado residencial, pois será por meio dessa manobra feita
no Painel de Manobras ou Patch Pane/ que se definirá o serviço de
telecomunicação (dados, voz, ou imagem) a ser disponibilizado na
tomada. De um modo geral, pelo cabeamento UTP será fornecido
um serviço de telefonia {voz) ou de rede de computadores (dados).
Já por meio do cabeamento coaxial será fornecido um serviço de
antena UHF para TV Digital (DTV), ou da rede de TV a cabo (CATV),
ou Satelital (DBS/DTH).
Na Figura 62 temos dois exemplos de manobras: dados para
a ligação de um computador (rede Ethernet) e voz para a ligação de
um ramal telefônico (voz).
Automaçào Residencial 135

Switr:h

".MANOBRA

Plttch Pane/
!RJ·46)

'---=--- •·, .... , . Trtlafune


'------··

Figuro 62- Exemplos de manobras para serviços de dados e voz.

Nem todas as tomadas (RJ-45 e F) previstas no projeto de


cabeamento estruturado residencial deverão ser utilizadas. Isso
se deve ao fato de que, embora essas tomadas não sejam usadas
inicialmente, elas servirão para acomodar futuras mudanças nos
serviços oferecidos, e que deverão ocorrer de acordo com as
necessidades do morador. Novas situações familiares poderão surgir
e serão atendidas facilmente através de uma simples manobra no
Painel de Manobras ou Patch Pane/.

Por exemplo, na Figura 62, imagine que a tomada RJ-45


na qual o telefone está conectado esteja instalada fisicamente no
lado direito de uma cama de casaL A tomada RJ-45 que está livre
esteja instalada fisicamente no lado esquerdo dessa mesma cama.
Suponha que, por algum motivo, o morador deseje alterar a posição
do telefone do lado direito para o lado esquerdo da cama. Para isso1
seria necessário apenas fazer uma manobra conforme mostrada na
Figura 63.
136 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

Switch

'.MANOBRA

Patch ~11el
(RJ-451 Computador


vo,
O·• • • · • • • • Telefone

Figura 63- Exemplo de uma mudança de uma tomada de serviço (voz).

Analogamente, as manobras efetuadas no cabeamento


coaxial {serviços de imagem) ocorrerão da mesma forma que no
cabeamento UTP, ou seja, as alterações feitas no Painel de Manobras
ou Patch Pane/ irão determinar o serviço disponibilizado na tomada
F. Na Figura 64 temos um exemplo de uma manobra para o serviço
de TV a cabo {CATV) em que o sinal proveniente da operadora de TV
a cabo passará pelo Spliter (para que possa ser utilizado em outros
pontos) e será manobrado para a tomada F. Na tomada F será ligado
o decodificador (Decoder) fornecido pela operadora de TV a cabo,
e o sinal sintonizado será enviado para o televisor através de uma
conexão HDM\.
CATV Satélite
o;v;,o'~·
Q
{1:8) " '
ou
o o
o o
00
o

Tomadu
(Tipo F)

'----;:>,•
Figura 64- Exemplo de uma manobra para o serviço de CATV (imagem).
Automacão Residencial 137

Além do serviço de TV a cabo, outros serviços de imagem


poderão ser utilizados no cabeamento coaxial. Eles podem ser
disponíveis em outras tomadas F da instalação ou serem implantados
em substituição ao serviço atual de uma tomada F. Na Figura 65
temos um exemplo de uma manobra para o serviço de TV Digital
(DTV) em que o sinal proveniente de uma antena UHF passará
pelo Spliter {para que possa ser utilizado em outros pontos) e será
manobrado para uma tomada F. Na tomada F teremos a ligação
direta ao televisor, uma vez que este já possui um decodificador
(Decoder) interno para TV Digital (DTV).

Antena UHF

OWl"' F
{1:8)

.. • .... ·a.

Patch Pane/ Tomadas


(Tipo F)
'"
e.- • • • • • • • • •

'----------------------.i
Figuro 65- Exemplo de uma manobra para o serviço de DTV (imagem).

7.6.4. Centro de conectividade de sistemas

Como o cabeamento estruturado segue uma topologia


física em estrela, temos o Painel de Manobras (Patch Pane!)
como o centro dessa estrela e as tomadas (pontos de serviços de
telecomunicações), as suas extremidades.

Para a implantação dos serviços de telecomunicações na


residência, no centro dessa estrela deverão ser acomodados tanto os
138 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

equipamentos passivos como os ativos. Todos esses equipamentos


serão instalados em um ponto denominado genericamente de
"centro de conectividade de sistemas", que poderá ser representado
por um rack de telecomunicações instalado em uma Sala Técnica,
ou por um "Quadro de Sistemas" embutido na parede. O "Quadro
de Sistemas" também é chamado "Quadro DVI" (Dados, Voz e
Imagem).
O "centro de conectividade de sistemas" tem como objetivo
abrigar equipamentos relativos aos sistemas de voz (telefonia),
dados (rede local e Internet) e imagem (TV aberta, satelital e a
cabo), tais como:
• dispositivos de proteção: elétrica e telefonia;
• central telefônica (PABX);
• cable modem ou modem ADSL, roteador e switch;
• divisores de frequência para o cabeamento coaxial;
• patch pane/ do cabeamento estruturado {manobra).

Embora não seja parte 'ntegrante do cabeamento


estruturado residencial. outros sistemas como sonorização
ambiente, gravadores de imagens de câmeras de segurança {DVR
- Digital Video Recorder) poderão ser instalados no "centro de
conectividade de sistemas".
Na Figura 66 temos exemplo ele "Quadro de Sistemas- DVl"
com seus componentes. Instalações de Entrada
(Troncos de Telefonia, CATV e Satefital)

Voice Pane/ (Ramais)

Central Telefônica {PABX)

Switch (Ethernet)

Rede Interna {Patch Pane/ UTP)

Rede Interna (Patch Pane/ Coaxial)

Rede Elétrica (circuito dedicado)

Figura 66- Exemplo de um "Quadro de Sistemas DVI" com seus componentes.


Automação Residencial 139

7.7. Normas técnicas

A Norma americana ANSI/TIA/EIA 570C {Residential


Telecommunication Cabling Standard) estabelece graus {grades)
de instalação baseados em serviços e sistemas que poderão ser
suportados dentro de cada residência e, ainda, para acompanhar
a escolha do tipo de infraestrutura para o cabeamento. A seguir
são apresentados os requisitos mínimos para a implantação desses
graus de instalação:

Grau 1: Prove um cabeamento genérico básico, que atinge


os requisitos mínimos para serviços de telecomunicações como
telefone, dados, satélite e CATV. Cada ponto de serviço deverá ter
no mínimo:
e 1 Cabo Cat SE;

1 Cabo Coaxial Série 6 ou Série 59 (apenas nos cordões de
manobra).
OBS: Alguns pontos poderão ter apenas uma tomada de cada tipo.
Grau 2: Prove um cabeamento avançado para serviços de
redes de alta velocidade, multimídia e video on-demand. Cada
ponto de serviço poderá ser composto por:

• 2 Cabos CAT SE;


• 2 Cabos Coaxiais Série 6 ou Série 59 (apenas nos cordões de
manobra);
o 1 Par de Fibras Ópticas (opcional).

OBS: Alguns pontos poderão ter apenas uma tomada de cada tipo.

Outra premissa estabelecida pela Norma americana é


a utilização de um cabeamento que siga uma topologia física
em estrela, e por isso, implemente um dispositivo centralizado
para a distribuição dos serviços de telecomunicações dentro da
residência. Esse dispositivo de distribuição {Distribution oevice)
será implementado no "centro de conectividade de sistemas".
140 Jose Robetto ivluroh1n e. Paulo HenrtQLte Dai Bó

A Norma internacional que trata sobre o cabeamento


estruturado residencial é a ISO /EC 15018:2004/Amendment 1:2009
(Edition 1.0)- lnformation technology- Generic cabling for homes.
Devido ao seu grau de importância mundial, a futura Norma
brasileira de cabeamento estruturado residencial foi baseada nesta
Norma.
No início do ano de 2012, a Comissão de Estudo de Redes
Telefônicas Internas de Edificações, (CE 03:046.05) do Comitê
Brasileiro de Eletricidade (ABNT/CB-03), por intermédio do seu
Grupo de Trabalho 2 (GT-2), elaborou um projeto de Norma de
"Cabeamento Estruturado Residencial". Afutura Norma especificará
um sistema de cabeamento estruturado para uso nas dependências
de uma residência ou um conjunto de edificações residenciais e,
especifica uma infraestrutura de cabeamento para três grupos de
apllcações:

., ICT- Tecnologia de comunicações e informação {lnformation


and Communications Technology) na qual as tomadas de
aplicações utilizam cabos balanceados ou ópticos e são
denominadas como TO - Tomada de Telecomunicações
(Telecommunications Outlet);
e BCT- Tecnologias de comunicação e Broadcast {Broadcast
and Communications Technologies) nas quais as tomadas de
aplicações utilizam cabos balanceados {BCT-B) ou coaxiais
{BCT-C) e são denominadas como BO- Tomada de Broadcast
(som e imagem);
• CCCB - Comandos, controles e comunicações em edifícios
(Commands, Contrais and Communications in Buildings) nos
quais as tomadas de aplicações utilizam cabos balanceados
ou ópticos e são denominadas como CO - Tomada de
Controle {automação).

A futura Norma brasileira de "Cabeamento Estruturado


Residencial" encontra-se em processo de revisão ortográfica (Draft
2) e, na sequênda, será encaminhada para o processo de consulta
pública. Tem-se a expectativa de que sua publicação seja iminente.
Automação Residencial 141

7 .8. Infraestrutura para as redes sem fio

Ao contrário do que muitos imaginam, de forma alguma


as redes sem fio concorrem com os sistemas de cabeamento
estruturado, pelo contrário, elas têm a função de complementar a
abrangência da rede de dados quando o cabeamento não for viável.
Ninguém se imagina sentado ao lado de uma piscina com um "cabo
azul espetado no seu laptop". Amabilidade trazida pelas redes sem
fio é de fundamental importância ainda mais em um ambiente
residencial. As redes sem fio são a base de comunicação de dados
de inúmeros dispositivos encontrados hoje nas residências, entre
eles os smartphones e tab/ets. Atualmente, diversos sistemas
residenciais utilizam a infraestrutura das redes sem fio para serem
implementados, o principal exemplo são as atuais interfaces dos
sistemas de automação residencial que são operadas através dos
smartphones e tablets conectados via uma rede sem fio.

Da mesma forma, o cabeamento estruturado fornecerá


a infraestutura necessária para a instalação dos pontos de
acesso (Access Points) que irão formar a rede sem fio. Por isso é
de fundamental importância que o projetista do cabeamento
estruturado residencial tenha em mente as premissas para a
'Implantação da rede sem fio, pois, dessa forma, ele fará uma
previsão adequada de pontos de dados (normalmente serão
tomadas instaladas a 0,30 m do teto acabado) que serão utilizados
para a instalação dos pontos de acesso (Access Points) da rede sem
fio. Nesses casos, é importante considerar ao lado desta tomada de
dados a instalação de uma tomada de elétrica para a alimentação
do ponto de acesso (Access Points) da rede sem fio. Embora existam
equipamentos que trabalhem com a tecnologia PoE (Power over
Ethernet) e que, portanto, possam ser alimentados pelo próprio
cabo de pares trançados, normalmente esses equipamentos são
mais caros e menos comuns em aplicações residenciais. o custo
da implantação de uma tomada elétrica será infinitamente menor
desde que prevista durante a fase de projeto.
Automação Residencial 143

lk Projeto integrado .4e infraestrutura

8.1. O que é um projeto integrado?

Em um projeto convencional de uma edificação, a disciplina


de engenharia elétrica é responsável pelo projeto de instalações
elétricas. Em uma visão simplista, durante muitos anos esse projeto
se limitava a definir os circuitos de tomadas e de iluminação da
casa, cuidando também da proteção desses circuitos.

As notáveis mudanças tecnológicas, principalmente da virada


dos anos 90, passaram a exigir um projeto muito mais completo,
incluindo novas disciplinas. O grande salto nas telecomunicações
na área de segurança e de entretenimento domésticos está levando
algum tempo para se incorporar aos novos projetos. E, quando isso
acontece, muitas vezes temos projetos fragmentados, incompletos
e, até mesmo, redundantes.

Isso porque, em vez de um único especialista cuidar de todo


o projeto, surgiram profissionais de áreas emergentes (como áudio f
vídeo e segurança, por exemplo) interferindo nos projetos originais
para agregar a eles as suas necessidades.

Sem a contribuição de uma visão sistêmica, a implantação


desses conceitos é, muitas vezes, executada no decorrer da obra,
sem maiores preocupações em utilizar o que fosse possível do
projeto original, o que resulta sempre em custos crescentes,
atrasos, ineficiência.

Para mudar este panorama, surgiu a integração de projetos.


Basicamente, trata-se de consolidar e compatibilizar em um único
formato os projetos das diversas disciplinas, observando parâmetros
de máximo desempenho. Não se está descartando a importante
contribuição dos especialistas de cada área, mas argumentando
sobre a necessidade crescente da participação de um profiss·lonal
que se encarregue de promover esta integração.
144 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

E esse profissional que está despontando é o Integrador de


Sistemas Residenciais. Sua primeira atividade {na ordem cronológica
de um projeto) é justamente conhecer as características principais
de cada sistema residencial e, fazendo a leitura apropriada das
necessidades do seu cliente, formular o projeto integrado.

Assim, um projeto integrado deve levar em conta os


seguintes sistemas:

• automação da instalação elétrica (complementos ao projeto


elétrico)
• telecomunicações (dados I voz I imagem)
• segurança eletrônica
• áudio e vídeo
• climatização
• utilidades (bombas, irrigação, aquecimento de água e
outros)

Normalmente a infraestrutura desses sistemas é executada


por um mesmo pessoal de obra. Estamos aqui falando, por
enquanto, apenas de conduítes, caixas de passagem, quadros de
distribuição, etc., ainda sem o cabeamento e, muito menos, sem os
equipamentos finais.

Portanto, tratando-se de um único executor, torna-se


importante que o projeto seja também compartilhado.
Existe um conjunto de projetos elaborados primeiramente,
fundamentais para dar início ao processo de construção de uma
residência. São eles:

• arquitetura
• estrutura e fundações
• instalações elétricas e hidráulicas

Ainda na fase de planejamento podem surgir os projetos


auxiliares, cujos principais exemplos seriam:
Automaçao Residencial 145

• decoração de interiores (fayout de mobiliário)


• luminotécnico
• dimatização
• segurança

O ideal seria começar um projeto integrado somente quando


esse conjunto de projetos já estivesse disponíveL

É imprescindível que se tenha pelo menos os projetos


básicos; os demais podem ser desenvolvidos em paralelo; no
entanto, tem que constar no cronograma da obra.

Esquematicamente, teríamos o diagrama abaixo:

', :_,'.\ ', ,,_ •' _.


tritêríorés-

€J~'~q.ií6a
.. (layo~\)

1nst. Elétrica
e hidráulica
146 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

8.2. Por onde começar? Check líst de Projeto

Avaliações iniciais

O conjunto de projetos básicos citado é o primeiro passo


para se familiarizar com o projeto que se inicia.

Se possível, procure conhecer também o local onde será


construída (ou reformada) a residência. Se a obra já estiver em
andamento, mais importante ainda será agendar uma visita in loco.

Sempre que possível. procure conhecer os outros


profissionais envolvidos com o projeto, destacadamente:

• o arquiteto responsável
• o engenheiro da obra ou empreiteiro
• equipe de instalações elétricas {se já contratada)

Ê muito comum, principalmente em obras em andamento,


que algumas alterações já tenham sido feitas nos projetos
originais durante a sua execução. Portanto, questione a validade
e atualização dos projetos que você recebeu. Caso tenha alguma
dúvida sobre esse dado, não hesite em visitar o local da obra e
constatar pessoalmente a validade dos projetos sobre o qual está
se preparando para executar o seu.

Muitas vezes é necessário se informar sobre a obra antes


ainda de ser contratado, uma vez que determinadas características
de um trabalho podem alterara volume de horas técnicas designadas
para o desenvolvimento de um projeto integrado.

As principais informações, nessa fase, seriam:


Automação Residencial 147

TABELA 1- Informaçõ-es iniciais

A. Quais os projetos que já estão contratados?

B. Quais os profissionais contratados e seus contatos?

C. Tipo de construção:

• Nível admissível de intervenção (infraestrutura)

• Estágio da Obra

• Paredes

• Contrapiso

.. Pintura

• Pavimentos {se houver mais de um)

D. Cronograma:

• Previsão de entrega da obra

• Atualizações de projeto
L__-----~--~~- - - ~~ .-.1

Ao levantar este conjunto inicial de dados sobre o projeto


que se inicia, o Integrador estará criando uma base consistente de
informações inclusive para formular uma proposta de trabalho.

Quais as informações relevantes?

Determinadas informações, se corretamente analisadas,


permitem inferir sobre determinadas características:
148 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

• localização do imóvel: permite avaliar distâncias a percorrer


e despesas de locomoção em caso de visitas à obra.
• quanto mais adiantada a obra, menor será o prazo para
apresentar o seu projeto.
• se os projetos estão desatualizados, implica dedicação
maior de tempo para levantamentos ín loco, reuniões com
outros profissionais, revisões de projeto, etc.

A partir da análise feita com base nos dados obtidos é


possível estabelecer cronogramas de trabalho.

Será, então, necessário entrar na segunda etapa do


levantamento de informações, estas mais diretamente ligadas às
tecnologias que serão implantadas por meio do projeto integrado.

Nessa etapa, devem ser obtidas as informações mais


relevantes para cada um dos subsistemas.

• Áudio e Vídeo

• Tv por Assinatura

• Rede de Informática

• Telefonia

• Segurança (Alarmes I CFTV I Controle de Acesso)

• Controle de Iluminação

• Cortinas, Venezianas e Toldos

• Utilidades

• Proteção Elétrica I Energia Alternativa


Automação Residencial 149

Tabulação de dados

A quantidade de dados obtidos desde o início de um projeto


começa a tomar proporções consideráveis, tornando necessário
planilhar e organizar.

Essa organização tem três objetivos principais:

• facilitar a consulta desses dados durante o desenvolvimento


do projeto;
• criar uma documentação que sirva de base para a entrega
do projeto executivo, demarcando qual o padrão de desempenho
combinado entre o cliente e o Integrador no início do projeto;
• facilitar a manutenção futura das instalações.

Recomenda-se arquivar cópias dos dados originais, inclusive


o Questionário inicial preenchido pelo morador. Esses documentos
muitas vezes serão confrontados pelos diversos participantes do
projeto para se certificarem de alguns detalhes que podem ter sido
negligenciados no decorrer da obra.

Nesse quesito, vale lembrar que muitas obras têm uma


duração medida em anos, o que é um tempo considerável para
que nossa memória apague certos detalhes que só podem ser
resgatados se tiverem sido devidamente arquivados.

Organização dos elementos de projeto

Antes de iniciar os traçados das plantas, propriamente ditos,


recomenda-se organizar todos os elementos que farão parte do
projeto, dividindo-os segundo a sua aplicação e o subsistema do
qual fazem parte.

Uma listagem desse tipo de organização segue:


150 José Roberto Muraton e Paulo Henrique Dal Bó

ÁUDIO E VIDEO

~ ISIM/NAO ~ 'DE
i ' i
~--o~ra Prolet()r_
i
Tela ;etcãtil oaca
'TV
ICaim ; de i
Caim i '
I
I

I OVO Plovec I

llood
·, Centec
cde OVO
i
i c de'
SISTEMA DE SOM AMBIENTE
TIPO SIM/ NAO TIPO/MARCA OTOE
Caixas acústicas de embutir
:
Caixas acústicas de sobreoor
Caixas acústicas ali weather
Potenciômetro simoles
Kevoad de comando /multiroom)
Reoetidor de infravermelho
Amolificador de som ambiente
Seletor de caixas acústicas
--· -- +
DADOS/ VOZ /IMAGEM
DADOS /VOZ /IMAGEM
TIPO ISIM I NAO TIPO/MARCA OTOE
Central telefônica ' I

~elho orograma?or ~e_ telefonia



Aoarelho comum
1 Aoarelho de telefonia IP
I . -
Roteador !
- --+---
~cessJ!9Jnt _ . .. '
Servidor
- -t·- ..

Decodificador de TV oor assinatura


Automaçao Residencial 151

SISTfMA DE SEGURANÇA .

...·. TU>O
AI.AÍl!\6S MONITOÍIADOS
~-IM-/ NA.o:· 'f)P0/!\61\áCA o:roe:·
Central de alarme -·-
-· ---~- ~

Teclado -·" .. ·---


Botoeira
Sensor de oresenca
Sirene
Sensor de abertura
de cortas e ia nelas - -. ----- -
Senso r de auebra de vidro
Cerca elétrica
.
Infravermelho ativo

No break
Baterias
. . . . . .

·.· _CiflCUIT() Ft;CHAOQ Df:TV


.·. ··uro SI_M !NAO TIPO/MARCA' .QTD-E
Microcâmera P/B
Microcâmera colorida
Câmera esoecial
DVR {Digital Vídeo Recorde r)
Placa de caotura de vídeo
Servidor
Modulador
•••
·..•.
·:_ CQNT~Ol~OEACESSo·
TJP.O· SIM/NAO TIPO/MARCA QTOE
Portão automático
-
Porta automática --- ---- ·····-
Cancela
· Fechadura elétrica
Leitor de cartão magnético
-
leitora biométrica
Teclado
••
152 José Roberto ,\1uratori e Paulo Henn'que Dai 86

AUTOMAÇÃO ElÉTRICA
AUTOMACÃO ELETRICA
TIPO SIM/NAO TIPO/MARCA QTDÉ
Central de automação(*) -
(*)unidade central de processamento
---,
·-~· --i-
(*) módulo de entrada
--
(*)módulo de saída simoles
--
(*)módulo de saída dimerizado ;
(*)fonte de alimentação
-
=r~
(*)modem
--- '
(*}comando infravermelho
---
Minicentral de controle ;
I
de lluminacão
-- '
'
Rei é
interface oara persianas e cortinas I

Sensor especial - - '


Termostato
Painel touch screen I

Trilho motorizado oara cortinas i


~pd esoecial .•. c.~<·
··~·
--
UTILIDADES
UTILIDADES
TIPO !SIM {NAO TIPO!MARCA QTDE
!rril!acão automatizada
- asoersor -··-..,.-
- sensor de umidade de solo - --i--
- sensor de chuva
- central microorocessada
Asoiracão central '
- -----1-
- central de asoiracão -
- - mamweira -- : ·---
- oontos de conexão
- oá automática ---
Desembacador de esoelho •

Aauecedor de toalhas ':


Piso aquecido
.

Devemos ressaltar que parte dessas informações,


principalmente quantidades, pode ser estabelecida no decorrer do
projeto.
Automação Residencial 153

No entanto, preencher pelo menos a coluna SIM I NÃO do


check /ist apresentado proporciona uma maneira eficaz de não se
esquecer de nenhuma inserção de material ou equipamento no
projeto.

8.3. Gateways de integração

Partindo dessa visão analítica e detalhada de cada um


dos subsistemas tecnológicos do nosso projeto, o passo seguinte
será estudar onde e quais equipamentos serão necessários para
promover a integração entre eles.

Esses equipamentos (denominados genericamente de


gateways) são necessários para que diferentes protocolos de
transmissão sejam "entendidos" pelos subsistemas conforme
planejado. Nesse sentido, também deverão ser especificados quais
softwares serão utilizados e com que finalidade.

Para potencializar o uso de diferentes tecnologias por meio


de uma única plataforma de controle, é comum a especificação de
gateways que recebem sinais oriundos de diferentes protocolos e
meios de comunicação e "traduzem" esses sinais para que sejam
entendidos pelos aplicativos visualizados pelo usuário.

Como exemplo, ainda hoje a maioria dos equipamentos


de áudio e vídeo opera por comandos em infravermelho (IR) e
mesmo quando aceitam comandos via porta serial precisam de um
"tradutor" para que os comandos sejam perfeitamente "entendidos"
pelos diversos equipamentos que compõem o sistema todo.

O diagrama abaixo ilustra a utilização de um gateway


para viabilizar o comando integrado de sistemas de áudio e vídeo,
dimatização, iluminação e cortinas utilizando um tablet que, por
sua vez, está apoiado em uma rede doméstica sem fios.
154 José Roberto fvluratori e Paulo Henrique Dai Bó

.........••. ,TÇ~/!0. ,

,--
' '"''"""'"""o
l I")
-_
~%""----="'-:=_- ' --

-~~
''-''""''"~-co[lR>
_ _ _ _ _ ._JI Ar-coed.c,onado

Figuro 67- Gotewoy poro comando integrado.

Resolvida essa etapa em que se abordou interfaces


"técnicas" que são transparentes ao usuário final, será necessário
citar também as interfaces destinadas ao uso rotineiro dos
moradores.
Por estarmos tratando de um projeto de Automação
Residencial, é importante ter sempre em mente a praticidade e
instintividade dessas interfaces. O próximo capítulo vai tratar de
detalhes das interfaces mais utilizadas atualmente que estão à
disposição dos projetistas e integradores.

8.4. Préwautomação

Uma alternativa de projeto em algumas situações específicas


é a chamada "pré-automação". Esse conceito implica traçar
um projeto de infraestrutura que pode ser utilizada a qualquer
momento para automatizar pardal ou totalmente a residência, mas
em um primeiro momento receberá uma instalação mais universal.
Automação Residencial 155

Essa situação normalmente ocorre quando se projeta um


condomínio com diversas unidades habitacionais {apartamentos ou
casas) e a construtora opta por deixar a decisão sobre automatizar ou
não para o futuro usuário, mas deseja oferecer uma infraestrutura
mais flexível. tornando essa opção mais simples de ser adotada.
Mas também é comum que um morador que está
construindo sua residência não esteja ainda certo do que deseja ou
tenha restrições orçamentárias momentâneas e pretenda usufruir
futuramente da automação em etapas.
O projeto de pré-automação segue os mesmos parâmetros
de um projeto com central de automação, mas não irá adotar,
a princípio, equipamentos com "inteligência" que aceitem
programações. No lugar desses módulos de automação serão
utilizados relés de impulso, que de um lado estarão conectados
aos "retornos" das cargas e do outro estarão ligados a botões
pulsadores. A ligação entre pu lsadores e relés será feita por meio
de cabos que possuem bitola de 0,5 mm 2, e atendem à Norma
NBR-5410 no quesito "cabos de controle". O acionamento de um
pulsador fará com que o relé ligue ou desligue a respectiva carga.
Na figura 68 temos um diagrama típico de ligação para
relés de impulso e na figura 69 outro diagrama de ligação para
pré-automação que mantém similaridade com o diagrama de
Central de Automação, exceto com relação aos elementos internos
do quadro e aos comandos de acionamento.
LI

'----..----:···
E
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Ccrs<>
Figura 68- Ligação de um relé de impulso.
156 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

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........• -R j

Retomo da
.._ Zona de llumfnaçiio

Circuito de
alimentação da
iluminação

Piso ..,.,..,....,• •..,...,.,.,...,........

LEGENDA: F= FASE DO CIRCUITO DE ILUMINAÇÃO


N c: NEUTRO DO CIRCUITO DE ILUMIN~ÇÂO
R= RETORNO DA ZONA DE ILUMINAÇAO
QE =QUADRO DE ELéTRICA
QA = QUADRO DE AUTOMAÇÃO

Figura 69- Ligação para pré-automação.

As vantagens de implantar um projeto de pré-automação podem


ser resumidas como:

• instalação simples e utilização de cabeamento, comandos


e quadros que serão mantidos mesmo que o futuro usuário opte
pela implantação total de automação na residência
• facilidade em modificar acionamentos tipo "paralelos"
ou "intermediários" por meio de uma simples manobra no quadro
central, sem necessidade de intervenção na fiação ou em conduítes
existentes.
• possibilidade de instalar alguns controlares básicos como
temporizadores ou dimmers aproveitando também a mesma
infraestrutura.
Automação Residencial 157

8.5. Acompanhamento e validação do projeto na obra

Um projeto integrado contém muita informação ainda


pouco conhecida pelos responsáveis pela execução de uma obra.
Os diversos elementos tecnológicos que acompanham um novo
projeto carecem de divulgação prévia apropriada devido ao seu
caráter inovador e recente.

Assim, os responsáveis pela sua implantação em um imóvel,


seja este novo, reformado ou adaptado, devem investir tempo e
esforço para levar o projeto a bom termo. Muitas vezes a equipe
que executa a infraestrutura de uma residência não responde
diretamente a um Integrador, mas tem outros superiores e por isso
deve receber orientações claras e de forma didática. Dizemos que
um Integrador, na função de projetista, não pode se limitar a fazer
plantas, esquemas de ligação e detalhamentos sem comparecer
assiduamente ao local onde se executam os serviços.

Pelo menos em dois momentos distintos a presença de um


integrador responsável é necessária nesta etapa:

• Em uma visita prévia de esclarecimento, em que o projeto


é submetido a quem irá executá-lo e discutido in loco. Podem ser
necessárias alterações e ajustes e isso deve ser feito ainda antes de
considerara projeto pronto para a obra. Nessa etapa, os responsáveis
pela execução devem ser também ouvidos sobre peculiaridades da
obra e situações que podem exigir também modificações no projeto
que está sendo discutido.
• Após a conclusão da infraestrutura, quando o integrador
deve retornar para uma verificação detalhada da execução,
confrontando-a com o projeto entregue anteriormente. Somente
após essa etapa o projeto poderá ser considerado definitivo e
serão iniciadas as etapas posteriores, que envolvem o cabeamento
específico, a instalação dos equipamentos e sua programação final.
Automaçào Residencial 159

9..Interfaces para Usuários


Em capítulos anteriores, mencionamos os principais
sistemas, subsistemas e requisitos para um projeto de infraestrutura
para automação residencial e abordamos superficialmente a
questão das interfaces com o usuário. Neste capítulo, vamos
avançar mais neste tema, pois, na visão do usuário de um sistema
de automação, normalmente leigo, a maneira como ele interage
com o sistema é de vital importância para o seu êxito.

Normalmente, em uma mesma residência habitam diversos


moradores, com idades e características pessoais diferentes no
que tange à facilidade de interagir com a tecnologia. Além disso,
existem usuários em tempo parcial {hóspedes, alguns prestadores
de serviço, por exemplo).

Por isso, em um projeto de automação bem desenvolvido


pode ser necessária a utilização de diferentes interfaces para
atender a essa diversidade entre os moradores e os usuários.

9.1. Pulsador

Provavelmente, a interface mais simples que podemos


considerar é um pulsador, substituindo um tradicional
interruptor e, externamente, mantendo a mesma aparência.
A diferença, conforme discutido em capítulos anteriores, é
que o pulsador consegue enviar um comando, mesmo que
simples, a um processador que, por sua vez, executa uma função
pré-programada. Dessa maneira, um simples toque do usuário
em um pulsa dor pode desencadear uma função complexa, desde
que esse seja o seu desejo e tenha sido assim programada.

Figura 70- Pu/sador.


160 Josê Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

Em determinadas situações, essa interface, tão simples,


pode ser a melhor alternativa a ser utilizada, dada a sua intuitividade
de uso. Comandos do tipo "desligar tudo" ao sair de casa ou deixar
a casa no "modo viagem" são exemplos desse uso.

9.2. Keypad

Uma extensão do conceito de pulsador são os chamados


"painéis ou teclados inteligentes" ou, mais comumente, keypads.
Por definição, um keypad agrupa diversos botões pulsa dores em
um teclado múltiplo, e cada botão pode ser programado com
diferentes funções. Esses keypads normalmente contêm um circuito
eletrônico possibilitando que cada botão ao ser acionado emita
um sinal de código diferenciado. Assim, em um mesmo keypad
podemos, por exemplo, comandar luzes de um ambiente de forma
individual e utilizar outro grupo de botões para executar cenários
mais complexos, inclusive envolvendo outros ambientes.

Figura 71 - Keypad.

Os formatos e o desígn destes keypads variam muito, pois


cada fabricante desenvolve o seu produto de forma proprietária.
Podemos ter modelos com visar de cristal líquido ou telas de
toque que multiplicam ainda mais a quantidade de acionamentos
possíveis em um formato padrão simples (4x2" ou 4x4").

• I
l

~
Figura 72- Keypad e painel de
parede touch screen.
Automação Residencial 161

9.3. Controle remoto universal

Talvez. a interface que mais seja associada à automação


residencial seja o controle remoto universal. Isso porque o próprio
conceito de integração de sistemas sugere uma diversidade de
controles específicos que, uma vez. considerados em conjunto,
mostram-se excessivos, redundantes e de difícil assimilação pelo
usuário. Assim, é normal que o usuário final anseie por um único
controle, de preferência móvel, que lhe permita não só comandar
individualmente cada um dos subsistemas, mas também executar
comandos complexos envolvendo todas as possibilidades.

Existem controles universais simples com teclas. No entanto,


ficam difíceis de utilizar por serem pouco intuitivos. Assim, os
controles que utilizam telas de toque (touch screen) e ícones gráficos
se tornaram a interface mais adequada para sistemas integrados.

Figura 73- Controle remata universal.

Os mais eficientes utilizam, além da transmissão por


infravermelho {comum à maioria dos aparelhos domésticos),
também a transmissão por radiofrequência, ampliando em muito
o raio de alcance dos comandos e permitindo "esconder" parte dos
equipamentos a serem controlados. Geralmente, esses controles
também utilizam protocolos de transmissão proprietários de seus
fabricantes, o que obriga ao integrador escolher uma plataforma e
utilizá-la na integração, o que é feito por meio do software disponível
pelo mesmo fabricante.
162 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

r-------------------~

' I
I I

'
Figura 74- Controle remoto universal com tela touch screen

Com o advento de equipamentos móveis mais completos


(citados a seguir), o uso desses controles universais proprietários
entrou em declínio, pois os novos modelos os substituem com
amplas vantagens, como veremos.

9.4. TableteSmartphone

Um desenvolvimento recente que tem mudado muito


as tendências nessa área foi o surgimento dos smartphones e,
em sequência, dos tablets. Com características similares às dos
controles universais {uso de ícones e telas de toque), a utilização de
aplicativos específicos possibilita criar também interfaces adaptadas
aos sistemas de automação, potencializando o seu uso ainda mais.
Autornac:'!.o Residencial 163

Ou seja, esses equipamentos que já permitiam utilizar a rede sem


fio da casa para acessar e navegar na internet, assistir a vídeos,
ouvir músicas, manter agendas e se comunicar, passam a ser
também controles universais dos equipamentos domésticos. Tudo
isso sem comprometer a mobilidade, garantida pela cobertura da
rede sem fio da residência. Os principais aplicativos atualmente
em uso utilizam a plataforma do iPad da Apple ou Android, mas
espera-se que na medida em que novas plataforma se tornem mais
comercializadas, não faltarão aplicativos para se integrar com a
automação residencial.

9.5. Celular e SMS

Ainda podemos utilizar os telefones celulares, por meio de


suas mensagens SMS, para acionamentos remotos de sistemas de
automação domésticos. A transmissão pode ser tanto do usuário
para a casa como vice-versa. Ou seja, a casa pode se comunicar
enviando "torpedos" para seus moradores no caso de algum evento
a ser notificado, assim como os usuários podem enviar comandos
ou receber status de situações correntes em suas residências. Mais
uma vez, esse tipo de interface deve ser escolhida pelo integrador
desde que faça sentido seu uso pelo morador nas circunstâncias
previstas.

9.6. Outras interfaces

Menos comum, no entanto, viável tecnologicamente, pode


ser a utilização de um PC ou notebook como interface para sistemas
de automação residencial. Destina-se a usuários mais avançados
que pretendem modificar e/ou atualizar sistematicamente sua
programação e essa interface se mostra bastante conveniente para
tal aplicação.

Muitas pesquisas têm sido feitas também para utilização de


interfaces ainda mais avançadas como reconhecimento da fala e de
gestos. Aplicações práticas já são tecnicamente viáveis e poderão
164 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da! Bó

em breve ser utilizadas de forma rotineira. Entre os maiores


beneficiários desse tipo de interface estarão portadores de algum
tipo de deficiência física que podem superar suas atuais barreiras e
comandar equipamentos domésticos utilizando essas soluções.

9.7. Aplicações especiais de automação residencial

Ao tratarmos do tema "interfaces", podemos constatar o


alcance dos benefícios da automação residencial em situações
especiais como ao lidar com portadores de deficiências, idosos e
necessitados de cuidados especiais.

O tema da acessibilidade tem dominado as discussões tanto


no campo da arquitetura como no da engenharia. A automação
residencial não poderia ficar alheia ao desenvolvimento de soluções
específicas. Embora muitas edificações novas {principalmente
espaços públicos) tragam em seus projetos arquitetônicos a questão
do "desenho universal" já incorporada, os moradores de residências
ainda não são privilegiados nesse quesito.

Projetar e edificar casas "inclusivas" é uma tendência


irreversíveL Ao lado de padrões de sustentabilidade, aliados tanto
à questão dos materiais utilizados como à da eficiência energética,
a acessibilidade no decorrer de toda a vida útil da casa deve ser um
recurso previsto desde o seu projeto. Por se tratar de um bem de
uso continuo e por longo prazo, uma casa deve possibilitar que seus
moradores a utilizem durante toda a sua vida, nas mais variadas
condições físicas e de saúde, independente de sua faixa etária.

Levando essa questão para o campo da automação


residencial, é importante que o profissional da área projete soluções
e interfaces que comportem essa evolução, sejam flexíveis ao longo
do tempo e adaptáveis às necessidades futuras ou eventuais dos
moradores.
Automação Residencial 165

Figura 76- Casa Inclusiva.


Como exemplo, um usuário em perfeitas condições
físicas pode sofrer algum acidente ou ter um problema de saúde
temporário e necessitar de interfaces especiais durante seu período
de recuperação.

Ao envelhecer, pode ter mais dificuldades em operar algum


tipo de s'1stema que ex·1ja maior acuidade visual ou destreza nas
mãos. Crianças pequenas ou pessoas analfabetas podem também
necessitar de interfaces específicas, mesmo que temporariamente.

Com a participação cada vez maior da terceira idade


entre os consumidores, algumas soluções tendem também a ser
incorporadas e integradas às residências. Uma das mais importantes
é a denominada home core, ou seja, a possibilidade de monitorar e
cuidar da saúde dos moradores de uma residência a distância.

Sistemas que utilizam botões de pânico podem indicar que


um morador corre perigo, seja por ter sofrido um mal súbito, uma
queda ou qualquer situação atípica. Esse acionamento de pânico
pode ser feito em qualquer pulsador comum da casa quando
pressionado por um tempo maior (por exemplo) ou por dispositivos
móveis, como pulseiras que emitem sinais de rádio e se comunicam
com sistemas instalados na casa. A partir do recebimento de um
alarme desse tipo, além de comunicar o evento aos interessados
{parentes, centrais de monitoramento ou até mesmo centros
médicos e serviços de urgência), o sistema de automação local
pode acionar determinados equipamentos ou executar comandos
166 José Roberto Muratori e Paulo Henr1que Dal Bó

compatíveis com a situação (ligar luzes, liberar abertura de portas,


suprimir entrada de gás, dentre outros).

Todas essas constatações mostram o terreno fértil que


podem se tornar as aplicações de automação residencial que
visam à acessibilidade dos moradores e auxiliar nos seus cuidados
especiais sempre que for necessário.

9.8. Monitoramento remoto

Como uma conclusão natural deste capítulo, ao inserirmos


as redes domésticas como portadoras também dos sinais de
comunicação e controle dos sistemas residenciais, notamos que
estamos alargando os domínios da Automação para fora dos muros
da residência. Literalmente, para qualquer tocai do mundo com
acesso à Internet ...

Figura 77- Monitoramento remoto.


Automação Residencial 167

Ou seja, o morador pode não só se locomover pela casa sem perder


o comando de seus equipamentos e sistemas (como já podia no
passado com seu controle universal portátil), mas agora pode
também fazer isso a distância, utilizando a Internet para receber e
enviar informações à sua moradia.

Imagens de câmeras, sinais de sensores, comunicação por


voz ou mensagens escritas, alarmes, enfim, qualquer situação
rotineira ou não poderá ser .acompanhada, de forma passiva ou
ativa pelo morador, conforme programação que ele escolheu com
seu integrador.

No capítulo 12 do livro vamos aprofundar um pouco


mais essas possibilidades, tratando do futuro da Automação
Residencial.
Automação Residencial 169

10. Automação em áreas comuns de condomínios


residenciais
10.1. Motivadores

Em paralelo a todo o desenvolvimento tecnológico ocorrido


nos últimos anos, houve também uma verdadeira explosão da
indústria da construção civil. A cada dia são lançados novos
empreendimentos imobiliários e estes são vendidos a uma
velocidade nunca antes imaginada. Fruto de uma aceleração
econômica do País, as pessoas passaram a ter melhores
oportunidades de trabalho e, consequentemente, mais acesso ao
crédito oferecido por bancos e financeiras.

Dessa forma, novos condomínios vêm surgindo trazendo


conceitos de segurança, sustentabilidade, convtvencia com
os amigos e qualidade de vida para a família. Hoje se têm nos
empreendimentos ambientes que há poucos anos não faziam parte
dos projetos nem das grandes construtoras de condomfnios de alto
padrão. Bons exemplos são: Espaço Gourmet, Espaço Mulher, Sala
de Massagem, SPA, Fitness Center, Piscina Coberta {25m), Salão
de Jogos, Brinquedoteca, Play Baby, Play Junior, Garage Band,
Espaço Pet, Box para lavagem de carros, etc. A Figura 78 mostra
"Brinquedoteca" da área comum de um edifício residencial.

Figura 78- Brinquedoteca da área comum de um edij(cio residencial.


170 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

O mercado de condomínios residenciais pode nos trazer um


novo olhar para as aplicações já desenvolvidas com a automação
residencial, porém com o pensamento voltado para o uso coletivo,
ou seja, na automação das áreas comuns de edifícios residenciais.

Primeiramente deve-se pensar em como a automação pode


contribuir na operação do edifício. Ações como ligar e desligar luzes
podem ser simplificadas com um clique na tela de um computador.
Garantir que cargas como iluminação, bombas de recalque, saunas
e ar- condicionado não fiquem ligados desnecessariamente pode
ser o primeiro passo para reduzir o consumo de energia elétrica da
área comum do edifício.

10.2. Elementos do sistema de supervisão e controle

Os conceitos de "cargas" e "acionamentos" utilizados


na automação residencial são mantidos nessas aplicações.
Assim, as cargas representam todos os equipamentos que serão
automatizados no edifício, por exemplo:

iluminação interna dos ambientes;


iluminação externa e paisagismo;
venezianas, persianas e cortinas motorizadas;
bombas de recalque de água;
chafarizes e cascatas;
ar-condicionado;
• sistemas de irrigação.

A Figura 79 mostra uma cascata da piscina englobada no


sistema de automação e que pode ser acionada remotamente da
portaria.
Figura 79 ~Cascata do piscina acionada remotamente da portaria.

Já os acionamentos, normalmente são feitos integralmente


por um sistema de supervisão e controle instalado na portaria do
edifício. Os acionamentos locais ficam limitados a alguns pulsadores
instalados em ambientes específicos como, por exemplo, Salão de
Jogos, Sala de Ginástica, Salão de Festas, etc. As Figuras 80 e 81
mostram exemplos do computador do sistema de supervisão e
controle instalado na portaria do edifício.

Figura 80- Sistema de supervisão e controle do edifício instalado na portaria.


172 José Roberto Muraton e Paulo H8111"1Que Dal Bó

Observe que o sistema de monitoramento por câmeras


(CFTV- Circuito Fechado de TV) está instalado ao lado do sistema
de supervisão e controle. Dessa forma, o porteiro pode identificar
que, por exemplo, não há mais ninguém utilizando o Salão de Jogos
e, assim, desligar a iluminação e o ar-condicionado desse ambiente.
Tal procedimento contribui para a redução do consumo de energia
elétrica da área comum do edifício.

Figura 81-Sistemo de supervisão e controle do edifico insto lado no portorio.

O sistema de supervisão e controle é constituido por um


computador tipo PC, no qual é executado um software específico
para aplicações do tipo SCADA (System Contrai and Data Acquisition).
Desse computador há uma comunicação direta com o quadro
de automação instalado normalmente em uma área reservada
denominada "Sala Técnica". Na Figura 82 temos a tela inicial de um
sistema de supervisão e controle da área comum.
Automação Residencial 173

Figura 82 -Tela inicial de um sistema de supervisão e controfe da área comum.

Por meio desse sistema é possível fazer a leitura das variáveis


internas dos controladores situados no(s) quadro(s) de automação
(supervisão) e mostrartais dados na tela do computador, informando
ao operador o status de funcionamento, alarmes, etc. de todas
as cargas que foram automatizadas. O sistema permite também
que sejam enviados comandos para o{s) quadro(s) de automação
(controle) fazendo com que seja possível ligar/desligar as cargas.

O quadro de automação recebe as alimentações e todos os


"retornos" relativos às cargas automatizadas, sendo responsável pela
sua comutação (liga/desliga). Ele também abriga os equipamentos
relativos ao sistema de automação, tais como:

• dispositivos de proteção elétrica;


o fontes de alimentação;
" módulos de entradas para pulsadores, sensores, etc.;
• módulos de saídas "on/off' (relés);
o módulos de saídas "dimerizadas" (dimmers);
• interfaces de comunicação (serial, Ethernet, Wi-Fi,
etc.);
• canaletas, trilhos, bornes, cabeamento interno, etc.
174 José Rol1e1to f'vluratO!I t' i-'dlllo He1111~1i1e Di<! 8"

10.3. Funcionalidades do sistema de supervisão e controle

Algumas funções desempenhadas pelo sistema de controle


e supervisão:

controlar e rnonitorar todas as cargas contempladas


$

no projeto de automação através da portaria do edifício, sem a


necessidade que o porteiro se ausente da guarita;

um sensor crepuscular {dia/noite) fará com que,


s
ao anoitecer, algumas zonas de iluminação sejam ligadas
automaticamente conforme a programação definida pelo
condomínio {"cena anoitecer");

oserá definido um horário, por exemplo, às 23h, para


que o edifício entre dUtoniJticamente em "modo econômico".
Nesse horário, diversas zonas de iluminação serão desligadas
automaticamente sendo mantidas ligadas apenas as zonas de
iluminação essenciais para a operação do prédio durante o período
noturno;

• ao amanhecer, toda a iluminação será desligada


automaticamente evitando que luzes permaneçam acesas
desnecessariamante durante o dia;

• na ocorrência de um alarme ou evento programado, o


sistema produzirá um alerta sonoro e mudará automaticamente
para a tela de alarmes, informando ao porteiro sobre esse evento;

• o sistema efetua um registro de histórico de todos os


alarmes e status do sistema de automação {gerador, bombas, níveis
dos reservatórios, etc.). Esses alarmes poderão ser consultados
posteriormente no computador da portaria;

• em caso de um assalto ao edifício, pelo sistema de


auton1ação o porteiro poderá enviar um sinal de emergência para o
Automação Residencial 175

sistema de alarme. Nesse caso, o sistema de alarme será responsável


por reportar a ocorrência à central de monitoramento.

10.4. Redução de custos condominiais

Em sua grande maioria, por se tratar da automação de novos


empreendimentos, fica difícil mensurar o quanto a automação das
áreas comuns irá impactar na redução dos custos condominiais, uma
vez que não temos dados anteriores de consumo para comparar
com o consumo atual.

Um bom exemplo são os sistemas de medição individualizada


do consumo de água (instalação de hidrômetros distintos para cada
unidade); nesses casos, já se tem todo o histórico do consumo do
condomínio e, portanto, pelas contas de águas pós-implantação do
sistema será possível visualizar facilmente os benefícios auferidos.

10.5. Beneficios para as construtoras

A cada dia surgem lançamentos de edifícios residenciais para


os quais as construtoras buscam cada vez mais oferecer um produto
diferenciado em relação ao mercado. Esses novos empreendimentos
procuram aliar uma imagem de modernidade com a adoção de
projetos voltados para o conceito de sustentabilidade e inovação
tecnológica. Sob o ponto de vista das construtoras, a instalação de
um sistema de automação para as áreas comuns do edificio traz
um enorme diferencial de mercado; na visão dos clientes e futuros
moradores, a existência do sistema de automação demonstra uma
preocupação da construtora em relação à redução dos gastos do
condomínio depois da obra entregue.
Automação Residencial 177

11. Automaçiio residencial e eficiência energética

',• 11.1. Introdução

Nos últimos anos, as questões relativas à preservação


ambiental tomaram espaço nas mídias especializadas e trouxeram
I à tona vários conceitos de preservação dos recursos naturais.
I Nos anos 80, já havia nas escolas a divulgação de temas ligados à
'
preservação ambiental e que, à época, eram chamados Ecologia. Em
meados de 1992 ocorreu na cidade do Rio de Janeiro a Conferência
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento
(CNUMAD}, mais conhecida -como EC0-92. A Conferência tinha
como objetivo principal buscar meios de conciliara desenvolvimento
socioeconômico com a conservação e proteção dos ecossistemas
da Terra. Mais recentemente, esses temas voltaram a ter maior
relevância por meio da difusão do conceito de sustentabilidade e
eficiência energética. As empresas hoje, sejam elas grandes redes
de supermercados ou construtoras, buscam formas de atrelar a sua
imagem institucional com elementos ligados à sustentabllidade.

Então, como a automação residencial pode contribuir nesse


aspecto para a redução do consumo de energia elétrica?
Vários métodos podem ser desenvolvidos por sistemas de
automação para que se possa de alguma forma reduzir os gastos
com energia elétrica. O primeiro deles é bem simples: toda lâmpada
ligada desnecessariamente pode ser desligada e, dessa forma,
contribuir para a redução do consumo de energia elétrica em uma
residência.

Provavelmente toda família tem em sua residência esse


personagem, que, muitas vezes, é considerado "o chato" e que passa
pelos cômodos apagando as luzes e reclamando da "conta de luz".
Mesmo uma casa estando toda automatizada, não há como fugir
da premissa de que toda lâmpada ligada consome energia elétrica!
Então, cabe a nós, usuários domésticos, estar sempre atentos aos
consumos desnecessários mesmo que os sistemas de automação
possam estar de alguma forma zelando por isso.
178 José Roberto Muratori e Paulo Henríque Dal Bó

11.2. Aplicações simples

11.2.1. Sensores de presença

Um equipamento bastante simples que pode ser adotado


e com baixo custo é a utilização de sensores de "presença" para
ligarem automaticamente as luzes. Porém, muitas vezes é muito
mais efetivo o uso de sensores de "não presença" para apagarem
automaticamente as luzes quando não for detectada a presença de
pessoas naquele ambiente. Esses conceitos devem ser empregados
com muita cautela, pois há muitas situações nas quais podemos ter
o acionamento ou desligamento indevido, como o clássico exemplo
de aplicações em banheiros. Os sensores de presença se mostram
muito eficazes, principalmente em edifícios onde a circulação de
pessoas é mais constante. Se combinados com uma função de
temporização, como as famosas "minuterias", podemos alcançar
resultados ainda melhores.

11.2.2. Cena "Master off'

Em uma residência 100% automatizada, uma função


bastante interessante é a utilização do cenário "desliga tudo" ou
também conhecido como "master off'. Como o nome sugere, essa
cena irá desligar cargas pré-programadas e que possam permancer
desligadas durante a ausência do morador. Em cargas como
iluminação, aquecedores, ar-condicionado, bombas de circulação,
etc. obviamente não serão desligados os circuitos de tomadas,
principalmente aqueles relativos à alimentação de geladeiras e
freezers. Deve-se ter bom senso na escolha dos equipamentos
que serão desligados, pois muitos equipamentos eletrônicos
podem perder a sua programação se ficarem longos períodos sem
alimentação, por exemplo, no caso de uma viagem da família. Mas,
de qualquer forma, esse é um recurso muito interessante que
garante a nenhuma carga ficar ligada desnecessariamente.
Automaçào Residencial 179

11.2.3. Apoio elétrico do boi/er {aquecimento solar)

Uma questão bastante interessante é a utilização de


sistemas de aquecimento solar para residências. Resumidamente,
esses sistemas são compostos por placas coletoras que aquecem
a água que passa pelo seu interior e pelo boiler, ou caldeira, que
armazena a água aquecida para uso posterior. Na maioria dos
sistemas, a circulação de água é feita através do efeito denominado
"termo-sifão" sem a necessidade de bomba de circulação.

Como o sol não é uma fonte de energia constante, nem


sempre haverá aquecimento suficiente nos coletores solares. Dessa
forma, a água armazenada no boiler terá uma redução na sua
temperatura podendo esfriar completamente, deixando o morador
sem água quente para o banho.

Contudo, os boilers possuem isolantes térmicos que têm a


missão de reduzir ao máximo essa perda de calor fazendo com que
a água permaneça quente por longos períodos de tempo. Porém,
dependendo do consumo e das condições climáticas, por exemplo,
vários dias nublados consecutivos, haverá a necessidade de aquecer
a água armazenada no boíler. Nesse caso, usa-se um dispositivo
interno ao boiler denominado "apoio elétrico".

O apoio elétrico do boiJer nada mais é do que uma ou mais


resistências instaladas no reservatório que têm a missão de aquecer
a água no seu interior, quando a temperatura interna da água estiver
baixa. Para fazer esse controle, a forma mais simples é a utilização
de um termostato instalado no reservatório e que é ligado em série
com o banco de resistências.

Dessa forma, estando ligado o circuito de alimentação do


apoio elétrico, normalmente em 220V, as resistências só serão
ligadas se a temperatura da água estiver abaixo de um determinado
valor {função do termostato). Assim, caso o sol não aqueça
suficientemente a água durante o dia, automaticamente ela será
aquecida pelas resistências elétricas.
180 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

Este breve descritivo serve para esclarecer o porquê de


haver moradores que se queixam do consumo execessivo de
energia elétrica em suas residências, mesmo tendo investido em
um sistema de aquecimento solar.

Vamos imaginar uma família de quatro pessoas cujo hábito


de banho, ou seja, utilização de água quente, seja no período da
manhã entre 6h e 8h. Considere que no dia anterior o nível de
insolação fora alto e que os coletores solares conseguiram encher
completamente o boiler com água quente. Nesse caso, mesmo
estando o apoio elétrico do boiler ligado {habilitado}, o termostato
impedirá que as resistências liguem, pois a água já está quente o
suficiente. Nesse caso, não haverá consumo de energia elétrica.
Portanto, toda a água quente que será gasta no banho da famíla foi
produzida exclusivamente utilizando o aquecimento solar!

Entretanto, considere agora que no dia anterior, o nível de


insolação fora baixíssimo (dia nublado e frio) e que os coletores
solares não conseguiram encher o boiler com água quente. Como
o apoio elétrico do boiler está ligado (habilitado) e a água está
fria, o termostato permitirá que as resistências liguem iniciando o
consumo de energia elétrica. Portanto, toda a água quente que será
gasta no banho da famíla foi produzida utilizando o aquecimento
elétrico!

Isso não é um grande problema uma vez que um chuveiro


elétrico convencional também consome energia elétrica para
aquecer a água do banho. Porém, um chuveiro elétrico só consumirá
energia elétrica durante o período de tempo em que permanecer
ligado.

A questão fundamental a ser considerada em sistemas de


aquecimento solar de água é o fato de que, como relatado, em dias
nublados e frios o sistema permanecerá aquecendo a água sem que
ela seja consumida de imediato.
Voltando ao nosso exemplo, como o perfil de consumo da família
Automação Residencial 181

é o de utilizar a água quente no período da manhã, as resistências


elétricas do boiler irão aquecer a água durante todo dia e a
madrugada ao mesmo tempo em que as condições climáticas
tendem a esfriar esta mesma água que está sendo aquecida
(através de energia elétrica). Nesse exemplo o sistema mostra-se
ineficiente, pois desperdiça energia elétrica para produzir água
quente desnecessariamente!

Nesse caso, a automação residencial pode auxiliar e muito


o sistema de aquecimento solar através da implantação de um
simples programador horário que irá habilitar e desabilitar o apoio
elétrico do boiler inibindo o acionamento das resistências nos
momentos em que a água não está suficientemente quente para o
banho, porém ela não será consumida neste momento.

Esta é uma ação simples de se implementar, bastando utilizar


uma saída do controlador de automação residencial ou um simples
programador horário autônomo para acionar uma contatara que
será ligada em série com o circuito de alimentação do apoio elétrico
do boiler. No nosso exemplo, considerando que o apoio elétrico
consegue aquecer toda a água do boi/er em três horas, bastaria
programar a contatara para ligar às 3h e desligar às 6h. Dessa forma,
garante-se que a família terá água quente para o banho no horário
desejado e otimiza-se o consumo de energia elétrica.

11.3. Iluminação e economia de energia

Talvez o recurso de automação residencial mais divulgado


pelos fabricantes para demonstrar a economia de energia elétrica
na iluminação seja o de dimerfzação de lâmpadas feita através do
controle da potência entregue para a lâmpada, proporcionado uma
variação de O a 100 %.
Pode-se dimerizar lâmpadas dos tipos:
• incandescentes, halógenas e dicroicas (filamentos)
• fluorescentes com reatores dimerizáveis (0-lOV}
• alguns tipos mais recentes de LEDs.
182 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dai Bó

Para efetuar o controle de potência em lâmpadas de


filamento são empregados triacs- componentes semicondutores
nos quais podemos controlar o início da sua condução de energia
para a lâmpada (ângulo de disparo). As formas da onda senoidal
durante a dimerização de lâmpadas de filamento para os principais
níveis de dimerização são mostradas na Figura 83.

100% 75% 50%


TENSÃO NA CARGA

25% 0%

Figura 83- Formas da onda senoidal durante a dimerização de


lâmpadas de filamento.

Em 100%, a tensão na carga é igual à tensão da rede (senoide


completa).

Já em 50% de regulação de potência, temos os disparos


(condução) feitos exatamente na metade dos semicidos positivo e
negativo.

Observe que para 25% ou 75% de regulação, os disparos


são feitos não exatamente em um quarto dos semicic!os positivo
e negativo, pois a potência de 25% ou 75% será representada pela
função integral dessa curva {área}.
Automação Residencial 183

Para entender as relações entre dimerização e eficiência


energética é preciso entender alguns conceitos importantes sobre
lâmpadas:
• potência consumida; " VGncrJ.
i ,.', ::;;.".~ i·~',-!''~··
" '
,_j :·ti~{,;
• fluxo luminoso; [ng;Jfl~si;u:·· r; ; . · .. .-.!~>'ti~:. ic~

• eficiência luminosa. ~:lstrlcHk· .. ' · '"··:· -.!;-Q


cr.·,.Jv. ·r~-:;1·.~.; ::.
A potência consumida na lâmpada é diretamente
proporcional à potência regulada pelo dimmer, conforme mostrado
na Figura 84.

PóTlNCIA POTEtiCIA PóTEI'ICIA


REG\Il.ADA PELO CON$UIIIIDA PELA ECONOMIZADA NA
DIMM~I! · tAMPADA · . tAMPADA
90% 90% 10'%
75% 75% 25%
50% 50% 50%
25% 25% 75%

Figuro 84- Relação entre regulação do dimmer e consumo de potência.

Muitos fabricantes apenas invertem esse discurso para


demonstrar o percentual de potência economizada na lâmpada. Ou
seja, se regulamos um dimmer para 90%, temos 10% de economia
de energia e veremos que a variação do fluxo luminoso será
imperceptíveL

O fluxo luminoso é a quantidade total de luz emitida por


uma fonte em sua tensão nominal de funcionamento, sendo que a
unidade de medida é o lúmen {1m).

É importante ter em mente que, ao programar um canal de


dimmer para um determinado valor, estamos ajustando o nível de
potência que será entregue para a lâmpada e não um fluxo luminoso
específico. Lembre~se de que o fabricante do equipamento não
conhece o modelo da lâmpada e da luminária que estará sendo
utilizada.
184 José Roberto iv1uraton e P3ulr.' Htõ!l~iquu DD: Be>

A eficiência luminosa é a relação entre o fluxo luminoso


total emitido por uma fonte de luz e a potência por ela consumida,
e a unidade de medida é o lúmen/watt (lm/W).
Na Figura 85, temos um gráfico que mostra a eficiência luminosa
obtida para diferentes tipos de lâmpadas.

Eficíéncia Energética (lmfW)

'"
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Grupo de lâmpadas
Melâ!!ca
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00 ã 140

Figura 85- Eficiência luminosa para diferentes tipos de lâmpadas (Fonte: Osram)

Observe que as lâmpadas incandescentes são as grandes


"vilãs" da história devido ao fluxo luminoso gerado versus o grande
consumo de energia que ela exige. Essas lâmpadas s~o muito
pouco eficientes do ponto de vista energético embora sejam ainda
amplamente utilizadas devido ao seu baixo custo de produção.

Vamos entender agora as relações proporcionadas pela


dimerização quanto à redução do nível de luminosidade, o consumo
de potência e o aumento da vida útil da lâmpada.
Automação Residencial 185

90% 90% 2 vezes


75% 80% 20% 4 vezes
20 vezes
25% 40% 60% > 20 vezes

Figura 86- Relações entre nível de fuminosidade, potência consumido


e vida útil da lâmpada.

A tabela da Figura 86 é muito utilizada por fabricantes


e projetistas luminotécnicos para demonstrar os benefícios da
dimerízação. Contudo, é importante observar que a primeira
coluna da tabela diz respeito ao percentual de redução do nível de
luminosidade (ou fluxo luminoso) e não é da regulação de potência
do dimmer. Esse detalhe é fundamental, pois, ao não se atentar a
este ponto, pode-se tomar conclusões erradas sobre essa tabela.

Para entender mais claramente essas relações vamos


analisar um exemplo simples:

Considere que em uma mesma luminária estão instaladas


duas lâmpadas de 100 W, e iremos proporcionar uma dimerização
com redução do nível de luminosidade em 50%. Pergunta-se: O
consumo dessas duas lâmpadas equivaleria ao consumo de uma
única lâmpada de 100 W ligada a 100%?

A resposta é: não, pois cada lâmpada de 100 W teria 60% de


potência consumida na lâmpada~ ou seja, estaria consumindo 60W!
Portanto as duas lâmpadas juntas consumem 120 W, o que é maior
do que os 100 W consumidos por uma única lâmpada.

Dessa forma, conclui-se que a redução do nível de


luminosidade não é proporcional à potência economizada na
lâmpada, pois a eficiência do filamento não é linear, conforme os
dados mostrados na tabela da Figura 86.
186 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

A Norma NBR 14671:2001 entitu!ada "Lâmpadas com


filamento de tungstênio para uso doméstico e iluminação
geral similar - Requisitos de desempenho" traz no seu Anexo H
(informativo) um estudo sobre a "Influência da tensão elétrica de
energização no desempenho da lâmpada incandescente". Segundo
a NBR 14671:2001, "A tensão elétrica aplicada a uma lâmpada
incandescente (que depende das características do ponto de
consumo) está intimamente ligada ao desempenho da lâmpada
quando em serviço, podendo alterar a potência dissipada, o fluxo
luminoso produzido, a temperatura de trabalho do filamento, a
eficiência luminosa e a vida útil da lâmpada."

A Figura 87 nos mostra as relações entre essas grandezas


para um ensaio de uma lâmpada de filamento de lOOW sendo
alimentada por uma tensão de 127V.

r~~ ;;~~ •c;~i';"


127 100 1620
\fl5:"P Qr,!"~;"~;::
16,2 750
124 96 1488 15,5 1000
120 92 1343 14,6 1600
115 86 1161 13,5 2850
Forrte: NBR 14611:2001

Figura 87- Desempenho de uma lâmpada de lOOW em diferentes


tensão de utilização.

Algumas conclusões importantes podem ser observadas:

• quanto maior for a tensão elétrica maior será o fluxo


luminoso e a eficiência luminosa;
• quanto menor for a tensão elétrica maior será a vida média
e menor será a potência elétrica {consumo).

A grande diversidade de tensões de rede é um dos principais


problemas no projeto de lâmpadas incandescentes no Brasil. A
principal dificuldade seria na Grande São Paulo, onde coexistem,
Automação Residencial 187

principalmente, redes de 115 V, 120 V e 127 V (entre fase e neutro).


O problema é que essa tensão -elétrica de utilização está dentro de
um intervalo muito extenso. Considerando tais fatos, a NBR 14671
apresenta a tensão elétrica de 127 V como única opção de tensão
elétrica para os consumidores na faixa de 110 a 127 V.

Para efetuar o controle de potência em lâmpadas


fluorescentes, é necessária a utilização de um reator dimerizável,
ou seja, um reator específico para essa aplicação. Esses reatores
possuem uma entrada de tensão (O a 10V) quecorresponderá ao nível
de energia que será entregue para a lâmpada e, consequentemente,
a variação do seu fluxo luminoso.

Embora as lâmpadas fluorescentes apresentem uma boa


eficiência luminosa (vide Figura 87), um dos fatores que têm
limitado a sua aplicação com dimerização são o custo maior dos
controladores de automação e, principalmente, o custo dos reatores
dimerizáveis que, muitas vezes, tornam a relação custo/benefício
proibitiva quando comparada com as novas aplicações com LEDs.

11.4. Conceito de Smart Gríd

Novas aplicações destinadas a garantir o max1mo de


eficiência nas instalações elétricas residenciais estão surgindo
com grande velocidade, estimuladas pela onda do smart grid. Na
medida em que as concessionárias de energia conhecem melhor o
padrão de consumo de seus clientes, poderão desenvolver políticas
de incentivo, seja com a redução de tarifas em horários de pico
ou planos de fidelização {isso já é possível em países com políticas
energéticas mais avançadas).

No entanto, independente do posicionamento das


concessionanas em relação a esse tema, os consumidores
residenciais já dispõem de variados equipamentos que podem
ser instalados imediatamente em suas casas, garantindo o melhor
aproveitamento da energia.
188 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Só

Essa nova geração de produtos, os quais vamos denominar


genericamente como "medidores inteligentes" ou smart meters,
podem serplugados nos diferentes pontos de consumo da residência
ou no quadro geral, opcionalmente e mandam informações,
normalmente por meio de protocolos de transmissão sem fio, para
controladores no interior da residência. Esse "controlador" pode
até ser um simples PC carregado com um software adequado para
manipular as informações recebidas.
Com os medidores mais simples, o consumidor poderá
armazenar seus dados sobre consumo e utilizá-los para estatísticas,
para comparativos, enfim para saber o seu consumo de energia em
relação a sua vizinhança ou a outras famílias em situação similar.
Essas comparações vão permitir avaliar se o consumo de seus
equipamentos domésticos está dentro das especificações médias
ou se precisam de ajustes ou trocas. Aquecedores, climatizadores,
chuveiros, geladeiras, máquinas de lavar e secar, enfim qualquer
equipamento cujo consumo possa afetar o gasto mensal de energia
poderá ser dessa forma monitorado.
Alguns exemplos de sistemas de medição de energia
residencial podem ser vistos nas imagens abaixo:
Automação Residencial 189

Esse tipo de aplicação é considerado como stand afane e


sua eficácia vai depender da dedicação do consumidor ao avaliar
os dados auferidos. Soluções muito mais eficientes serão obtidas se
integrarmos esses medidores a sistemas de automação residencial.
Nesse caso, os "alertas" informados pelos medidores poderão
resultar em ações específicas, tais como desligar sistemas de
aquecimentos, reduzir níveis de iluminação e outras ações similares.
Muitos desses medidores lançados no mercado trabalham com
protocolos de transmissão já conhecidos e que permitem uma
integração simples com uma variedade significativa de sistemas de
automação residencial já existente.

Obviamente, a introdução desses medidores no mercado


brasileiro ainda será tímida, pois talvez o principal incentivo a sua
adoção tivesse que partir das nossas concessionárias de energia. Se
as concessionárias avalisassem a sua instalação, obteriam também
um excelente retorno, pois conseguiriam acompanhar melhor as
curvas de consumo de energia dos seus consumidores, podendo
distribuir a energia com mais eficiência e menores custos para
manutenção de suas redes. Para se ter uma ideia desse mercado
em países mais evoluídos, a expectativa é que no ano de 2014 o
mercado norte-americano residencial deva consumir 17 milhões de
medidores inteligentes, o que corresponde a mais de 15% do total
de residências do país.

Além disso, a mudança nos critérios de tarifação da energia


para a ampla maioria dos consumidores, estabelecendo taxas mais
altas para os chamados "horários de pico" vai incentivar ainda mais
a adoção de controles em tempo real. Essa realidade de muitos
países ainda levará algum tempo a ser implantada no Brasil, mas
sua aplicação é irreversível.

É possível racionalizar muito o consumo de determinados


equipamentos no decorrer do dia para aproveitar os momentos em
que a tarifa é mais baixa. Assim, por exemplo, bombas de recalque
190 José Roberto Muratorl e Paulo Henrique Dai Bó

de água para reservatórios de prédios podem ser acionadas sempre


que a energia for mais acessível, o mesmo acontecendo com
eletrodomésticos (lavadoras de roupa ou de louças).

Pode mesmo ser interessante "estocar" energia em baterias


estacionárias ou até em carros elétricos e depois utilizar essa energia
armazenada para suprir os períodos de pico quando o consumo
seria cobrado pela concessionária pela tarifa mais cara.

Mas tudo isso só será realmente confiável se for


supervisionado por sistemas de automação que estarão ligados
o tempo todo, tomando decisões baseadas em programações
pré-estabelecidas, independentes de intervenções humanas de
funcionários de um condomínio ou de usuários de uma residência
que poderiam, por qualquer motivo, negligenciar esses controles
no dia a dia.

Na questão do uso mais eficiente da energia em ambientes


domésticos, o futuro da automação residencial está apenas
começando ...
i
·i
198 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

veículos, set-top-boxes e outros estão aumentando o saldo de nós


representados por máquinas e não por pessoas conectadas. No
futuro próximo, claramente a quantidade de nós representados por
"coisas" vai superar em grande escala a Internet das "pessoas". As
previsões falam em algo como 100 para 1, só para começar...

Embora hoje o maior consumo de tráfego na rede seja


para conteúdos representados por grandes volumes de dados,
como vídeos e mídias em gera!, haverá uma significativa mudança
nisso. A maioria dos equipamentos .conectados à Internet utilizará
diferentes recursos. Serão sensores, controladores, atuadores e
uma combinação destes. Um exemplo simples seria um termostato
diretamente ligado à Internet que compara a temperatura ambiente
com aquela desejada e ativa um aquecedor. Essa ação representa
um sensoriamente e um controle. Por isso está surgindo o termo
sentro!Jers para representar essa combinação de ações conjugadas
executadas pelos equipamentos interligados via Internet.

Como se pode perceber, esses pequenos sentrollers utilizam


pouquíssima quantidade de informação trafegando; no entanto, sua
conectividade com a Internet é essencial para que desempenhem
sua função. Assim, as casas conectadas terão boa part"
ações decididas na "nuvem" e não mais em hardwarp-
insta!ados em seu interior.
l
Assim, desde prosaicas caf~=>"'
de alarme, desde sensorP'"
persianas e toldos, tw'
desempenhar rl',.
espedfir~-
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det~
Automação Residencial 193

12. Prójeções - O Futuro dà AtltomaÇ~Q Residencll.JI


12.1 Perspectivas do mercado

Será que finalmente as "casas inteligentes" farão parte de


nossa rotina? As mudanças no comportamento do consumidor e
a chegada de novas tecnologias convergentes e conectadas estão,
aparentemente, fazendo com que as pessoas passem mais tempo
em suas casas e também utilizando seus gadgets aproveitando,
entre outras coisas, a sua mobilidade e interatividade. Um cenário
perfeito para a indústria da Automação Residencial prosperar de
vez.

Num passado recente, as tecnologias domésticas ainda


assustavam, tanto pelo seu custo como peta dificuldade de uso.
O advento, entre outras soluções, dos tab/ets e dos smartphones
abriu novos horizontes de utilização para os usuários domésticos.
Ao utilizarem esses produtos para finalidades tão diferentes como
se comunicar, ouvir músicas, criar vídeos e outras, controlar a casa
passou a ser apenas mais uma das facilidades disponíveis ... Além
disso, a ampla oferta de banda larga e de redes sem fio facilita ainda
mais essas aplicações, extensíveis a qualquer ambiente da casa ou
até das cidades.

l Assim, direta ou indiretamente, a criação de um estilo de vida


mais conectado está trazendo muitos moradores para o mercado
de Automação Residencial também. Algumas estatísticas recentes
comprovam que em 2011 foram comercializados globalmente
1,8 milhões de sistemas e a previsão para 2016 é de 12 milhões.
Confirmados esses números, com certeza teremos dentro de 5 anos
um mercado totalmente amadurecido.

Nos últimos anos, o mercado de Automação Residencial


baseou-se muito em projetos para novas residências, o que limitou
de certa forma seu crescimento e abrangência. Estudos atualizados
mostram que esta tendência está mudando, ainda lentamente,

i'
194 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

mas com indicadores firmes. No mercado norte-americano,


por exemplo, hoje 60% dos projetos já estão voltados a imóveis
existentes que passam por reformas e atualizações e apenas 40% são
representados por projetos de novas residências. Antes da crise de
2009, cerca de 90% dos projetos eram voltados a novas edificações.
Esse panorama vem mudando devido ao surgimento de soluções
sem fio bastante confiáveis e simples de instalar e programar. Com
a consolidação desse mercado, novas oportunidades vão surgir
referentes à manutenção e reprogramação de sistemas, um negócio
pouco viável no dia de hoje em função de um parque instalado
ainda não significativo.

No Brasil, diversas construtoras estão apostando no


diferencial representado pela introdução da Automação Residencial
em seus projetos. E essa característica do nosso mercado ajuda
a cr"lar potenciais consumidores num futuro bem próximo. Ao
receberem seus novos imóveis já com algum tipo de tecnologia, ou
pelo menos preparados para recebê-la, os moradores estarão mais
propensos a investir em sistemas de automação e usufruírem deles
desde a ocupação inicial da moradia,

12.2. Novas demandas

Além dos benefícios já conhecidos representados pela


Automação Residencial ligados aos aspectos de conforto,
segurança, lazer e conveniência, espera-se em um futuro muito
próximo o crescimento acelerado dos outros, ligados à eficiência
energética e à sustentabilidade. Alguns desses temas já foram
tratados em capítulos anteriores, mas a ênfase vai aumentar
ainda mais a partir de novas regras que estão surgindo. No Brasil,
a ANEEL, agência reguladora das concessionárias de energia
elétrica, já criou dispositivo legal que vai obrigá-las a cobrar tarifas
diferenciadas dos consumidores para fornecimentos de energia
fora dos horários de pico de demanda. Essa medida, já usual em
muitos países desenvolvidos, trará um novo benefício representado
pela redução no valor da conta de consumo. Para aproveitar deste
Automação Residencial 195

benefício, consumidores em geral terão que escalonar o uso de


seus equipamentos elétricos e eletroeletrônicos para usufruir dos
períodos em cuja energia será mais barata: uma aplicação ideal
para sistemas automatizados, ligados aos medidores inteligentes,
que poderão maximizar a eficiência no uso da energia na prática
sem a necessária intervenção do morador.

Essa situação também nos leva a antever uma possível


participação maior de concessionárias de serviços (seja de energia
ou telecomunicações) no mercado de Automação Residencial.
Como essas empresas já têm normalmente um elo com o
consumidor doméstico, poderão em um futuro breve oferecer uma
gama de serviços e mesmo de bens sob a forma de comodato.
Alguns exemplos de equipamentos já existentes seriam os smart
meters (medidores inteligentes de consumo) e modens de Internet.
No entanto, a oferta de serviços inovadores tem uma amplitude
ainda maior e depende apenas da capacidade e do interesse das
concessionárias em abordar esse mercado.

Da mesma forma, também provedores de serviços atuais


podem se candidatar a ampliar sua oferta. A migração de dados
para a "nuvem" (cloud computfng) é uma das possíveis tendências
da Automação Residencial que começa a ser investigada. Servidores
de maior capacidade, externos à residência e pertencentes a
provedores, poderão ser utilizados para simplificar os equipamentos
domésticos, fazendo o processamento dos dados na nuvem. Se
as empresas de AR se interessarem em desenvolver e instalar
esses equipamentos mais "leves" nas residências, aproveitando a
arquitetura de servidores disponíveis na rede mundial como apoio,
uma nova geração de aplicativos com certeza surgirá com grandes
chances de se prevalecer no mercado.

Também já discutimos o uso cada vez mais intenso de


sistemas de monitoramento a distância utilizados não apenas para
segurança patrimonial como também para acompanhar a saúde dos
moradores e suas necessidades especiais (de crianças, deficientes
196 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó

ou idosos, por exemplo). A partir desse tipo de utilização, também


prevemos o surgimento de diversos serviços inovadores que vão
desde "cuidadores a distância" até a entrega em domicílio de bens
e serviços resultantes de comandos automáticos dos sistemas de
supervisão (caso por exemplo de medicamentos, consultas médicas,
serviços de enfermagem, de exames laboratoriais e similares,
manutenções preventivas e corretivas).

O entretenimento doméstico também passa por uma grande


transformação. O crescente abandono das mídias físicas, como CDs
e OVOs, substituídos por Media Centers que armazenam grandes
quantidades de arquivos (música, vídeos, fotos, entre outros) e a
rápida introdução de conteúdo interativo representado por novas
modalidades de jogos eletrônicos e de canais de TV assinados está
alterando não só os equipamentos e softwares utilizados como o
próprio espaço físico das casas. Novos conceitos de armazenar e
distribuir áudio e vídeo pelos ambientes domésticos implicam
projetos mais arrojados e bem resolvidos, e, principalmente, à
prova de futuro, pois devem ser capazes de acompanhar a evolução
tecnológica por muito tempo sem a necessidade de reformas ou
intervenções na moradia.

O mote da mobilidade tem ajudado muito o


desenvolvimento da Automação Residencial. Moradores podem
controlar seus equipamentos domésticos enquanto transitam
pelos diversos ambientes e, logicamente, também de fora da
residência. Controles estáticos, tais como telas de toqLie fixadas
na parede, estão perdendo terreno rapidamente para tablets e
smartphones pela facilidade que estes últimos representam.

12. 3. Mudanças de Paradigmas

Muito se discute sobre a criação cada vez mais intensa de


soluções plug & p!ay, ou seja, na qual o usuário comum poderá
instalar e programar seus equipamentos sem a necessidade de
recorrer a profissionais especializados. Em algumas categorias, isso
Automação Residencial 197

vem ocorrendo com mais intensidade, como é o caso de aplicações


de jogos eletrônicos, áudio e vídeo. Sistemas mais elaborados, como
segurança e iluminação, ainda estão longe de serem considerados
plug & p/ay.. pois normalmente demandam a participação de
diferentes profissionais para obter resultados satisfatórios. Isso
inclui desde arquitetos a consultores especializados, cabendo
ao profissional de automação a tarefa de integrar o resultante
dessas atividades num projeto harmonioso e eficiente. Essa é uma
tendência que, acredita~se, ainda deve perdurar por muito tempo,
mesmo que sistemas mais intuitivos sejam criados com a finalidade
de facilitar o acesso dos moradores à tecnologia.

A unificação de protocolos de comunicação também é citada


muitas vezes como uma necessidade, a fim de tornar os sistemas
interoperáveis. Sem dúvida, uma linguagem universal facilitaria
muito o trabalho de integração e possivelmente tornaria as soluções
ainda mais viáveis em termos de custo final. No entanto, barreiras
comerciais e tecnológicas se impõem ainda no mercado e tornam
esse paradigma difícil de ser quebrado. Houve evolução nesse
cenário, logicamente. A utiliz.ação, por exemplo, de plataformas IP,
comuns a diversas interfaces, e o desenvolvimento de múltiplos
aplicativos simples de baixar e utilizar ajuda a superar algumas
dessas dificuldades para o usuário comum. No entanto, em médio
prazo, ainda será necessário fazer a integração de equipamentos de
diferentes origens e fabricantes por meio de interfaces e softwares
específicos, desenhados e desenvolvidos pelos integradores
profissionais.

12.4. Internet das coisas

A Internet tal qual a conhecemos desde a década de 90 é


apenas o início de uma era de conectividade crescente a quase
infinita ... Hoje ainda a maior parte dos "end-nodes" conectados à
Internet é representada por pessoas utilizando seus computadores,
notebooks, tablets e smartphones. No entanto, isso está mudando
muito rapidamente e equipamentos tão diversos como câmeras,
198 José Roberto Muratori e Paulo Henrique Da I Bó

veículos, set-top-boxes e outros estão aumentando o saldo de nós


representados por máquinas e não por pessoas conectadas. No
futuro próximo, claramente a quantidade de nós representados por
"coisas" vai superar em grande escala a Internet das "pessoas". As
previsões falam em algo como 100 para 1, só para começar...

Embora hoje o maior consumo de tráfego na rede seja


para conteúdos representados por grandes volumes de dados,
como vídeos e mídias em geral, haverá uma significativa mudança
nisso. A maioria dos equipamentos conectados à Internet utilizará
diferentes recursos. Serão sensores, controladores, atuadores e
uma combinação destes. Um exemplo simples seria um termostato
diretamente ligado à Internet que compara a temperatura ambiente
com aquela desejada e ativa um aquecedor. Essa ação representa
um sensoriamente e um controle. Por isso está surgindo o termo
sentro!Jers para representar essa combinação de ações conjugadas
executadas pelos equipamentos interligados via Internet.

Como se pode perceber, esses pequenos sentro!lers utilizam


pouquíssima quantidade de informação trafegando; no entanto, sua
conectividade com a Internet é essencial para que desempenhem
sua função. Assim, as casas conectadas terão boa parte das
ações decididas na "nuvem" e não mais em hardwares dedicados
instalados em seu interior.

Assim, desde prosaicas cafeteiras até sistemas sofisticados


de alarme, desde sensores de detecção de vazamentos até
persianas e toldos, tudo estará interligado à internet e poderão
desempenhar diferentes funções de acordo com circunstâncias
específicas. Um exemplo simples seria o uso de sensores de
detecção de movimento. Em situações de rotina eles seriam
utilizados para acender ou apagar luzes. No entanto, em outros
momentos podem ser sinalizadores de uma possível invasão por
elementos estranhos à residência. Nos dois casos, as ações que
eles provocam são consideravelmente diferentes.
É interessante notar que a Internet das coisas não vai
provocar grandes mudanças na estrutura atual da rede, pois,
Automação Residencial 199

como Ja vimos, o tráfego de informações não será aumentado


consideravelmente. A maior preocupação será com um tipo de
código mais amplo para os endereços IP, pois cada nó precisa de
um endereço, e isso já está sendo bem resolvido com a introdução
do sistema 1Pv6 que sucede o 1Pv4.

12. S. Uma dose de futurismo

Certas tecnologias ainda pouco utilizadas na Automação


Residencial, tais como GPS e RFID podem passar a fazer parte do
cenário em breve. Projetos conceituais desenvolvidos em centros
de referência mundiais estão pesquisando os chamados "ambientes
inteligentes", bem como a "internet das coisas", citada no parágrafo
anterior, dois conceitos inovadores e recentes. Um dos objetivos é
desenvolver meios de controle utilizando sensores, comunicação
sem fio, identificação por radiofrequência (RFID) e GPS para observar
o comportamento dos moradores e fazer escolhas automáticas
baseadas nos padrões detectados. Sempre com a intenção de tornar
ainda mais intuitivas e amigáveis as interações dos moradores com
os sistemas de controle e comando.

Esse tipo de tecnologia, aliada à presença de computação


pervasiva, ou seja, uma grande quantidade de processadores e chips
nos rodeando, promete também situações de grande interatividade.
Um sistema baseado nesses conceitos pode fazer com que imagens
de monitores "sigam" os moradores pela casa, apresentando as
condições climáticas e do trânsito enquanto ele se troca ou toma o
café da manhã, conferindo o extrato bancário e sugerindo uma lista
de compras para o dia, depois de verificar o estoque de suprimentos
da casa. Alguns gestos podem ser captados por microcâmeras que
identificam as necessidades traduzidas nesses gestos e preparam
cenários diferentes conforme a situação reportada.

Ficção? Nada disso ... Com certeza já dispomos de tecnologias


para construir esse tipo de solução. O que é preciso é torná-las
mais acessíveis, fáceis de instalar e que possibilitem upgrades que
garantam sua competitividade e flexibilidade em longo prazo)