Daniel: pensei no título “A evolução do pensamento econômico: do pensamento clássico à qualidade do gasto público”. Veja o que vc acha.

A Teoria clássica: autores e pensamentos Adam Smith Prevalece um consenso de que a Teoria Econômica, de forma sistematizada, inicia-se com o clássico de Adam Smith “A riqueza das Nações”, de 1776. Smith acreditava na preponderância da “mão invisível do mercado”, guiando a sociedade à perfeição, regulada pela lei da oferta e da demanda. A interferência do Estado no mercado, seja em qualquer intensidade, traria malefícios que impediriam alcançar o estado de equilíbrio desejado. Assim, a razão de ser do Estado era, basicamente, garantir o direito de propriedade e defender-se de ataques externos. John Stuart Mill Foi o sintetizador do pensamento clássico, consolidando o exposto por seus antecessores e avançando ao incorporar mais elementos institucionais e ao definir melhor as vantagens, restrições e funcionamento de uma economia de Mercado. Jean Baptista Say O autor retomou a obra de Smith, e subordinou as trocas de mercadoria à sua produção, a chamada Lei de Say: “A oferta cria sua própria procura”. Teoria keynesiana A principal característica da teoria macroeconômica keynesiana é o papel do governo e de sua política fiscal na determinação do nível do produto e da renda agregados, considerando-se a arrecadação de tributos e a natureza dos gastos governamentais. Muitos ecomonistas aderiram a escola de pensamento econômico keynesiana, o que foi chamado de revolução keynesiana. José Matias Pereira1 assinala que as contribuições de John Maynard Keynes propunham a utilização da política fiscal compensatória, qual seja, o aumento do déficit público em épocas de recessão e a geração de superávits diante de ameaças de inflação. A visão keynesiana deu base de sustentação à economia moderna, deflagrando, assim, uma revolução na teoria econômica, ao discordar dos pressupostos da ortodoxia clássica, a qual pregava que o Governo deveria ser neutro em relação à economia através da manutenção de um orçamento plenamento equilibrado.

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PEREIRA, José Matias. Finanças públicas: a política orçamentária no Brasil. 2. ed. - São Paulo: Atlas, 2003.

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-B. assinalando a importância da atividade governamental na compreensão dos eventuais declínios do consumo e investimentos privados.As propostas da chamada “revolução keynesiana” foram feitas no momento em que a economia mundial sofria o impacto da Grande Depressão de 1929. contrair empréstimos e gastar dinheiro. É verdade que a “lei dos mercados” dele já foi abandonada há tempo pela maioria dos economistas. as análises keynesianas passaram a inspirar a atuação de diversos governos num período especialmente difícil. tenha sido dominada. muito mais do que compreendida. uma teoria com essa base é claramente incompetente para enfrentar os problemas do desemprego e do ciclo econômico. No entanto. até recentemente. de forma que uma atividade nova apareceria sempre em substituição e não em suplementação a alguma outra atividade. a estagnação poderia ser uma das características do capitalismo. Segundo os economistas da escola keynesiana. pelas doutrinas associadas ao nome de J. por meio do incremento de investimentos públicos. 1996. reduzir juros. Surgiu a convicção de que o capitalismo poderia ser salvo. Em economia. De acordo com as concepções keynesianas modernas. Quase toda a teoria econômica subseqüente tem defendido. Say estava supondo implicitamente que o sistema econômico está sempre operando com sua capacidade máxima. além dos problemas econômicos em função das alternativas do pleno emprego e da crise econômica. caso a economia concorrencial fosse relegada a seus mecanismos naturais. no sentido de que ela tem exigido. esse mesmo pressuposto. do Juro e da Moeda. a redução da taxa de desemprego apenas poderá ser obtida com o aumento da taxa de inflação." Keynes propôs um novo entendimento dos mecanismos da determinação dos níveis da produção e do emprego. marcado pela crise mundial de 1929-1933. Ao examinar os problemas econômicos em função das alternativas do pleno emprego e da crise econômica. em determinadas circunstâncias. existindo portanto um trade-off entre inflação e desemprego. 2 KEYNES. mas eles não se livraram de seus postulados básicos. que acompanham os períodos de recessão. particularmente de sua idéia errônea de que a demanda é criada pela oferta. 2 . John Maynard. A Teoria Geral do Emprego. Segundo Keynes2: "Acredito que a economia em toda parte. Say. São Paulo: Nova Cultural. desde que o governo soubesse fazer uso de seu poder de cobrar impostos. pela Segunda Guerra Mundial e pela reconstrução da Europa no pós-guerra.

explicável pelas flutuações naturais do ciclo de negócios que caracteriza a economia capitalista. 2007. poderia surgir algum desemprego. acreditava que. apesar de taxas de juros em níveis extremamente baixas. a renda auferida por esses novos trabalhadores alçados ao mercado de trabalho ou seria inteiramente utilizada para adquirir bens ou se constituiria em poupança. mas era um fenômeno temporário que. sendo que. Com o aprofundamento da crise econômica de 1929-33. a partir da quebra da bolsa de Nova York em 1929. formados na tradição clássica. Essa crise econômica vivida no mundo capitalista. a economia de mercado era autoregulável. eventualmente.trade-off é uma expressão que define situação de escolha conflitante. que estimularia novos investimentos. O desemprego refletiria níveis salariais ofertados pelos trabalhadores acima dos valores que os demandantes da força de trabalho se disporiam a pagar. outros. Até então.São Paulo: Frase Editora. um desdobramento claro da máxima liberal da chamada “mão invisível do mercado”. Silvério das Neves. e tendia quase que automaticamente para o pleno emprego. Assim. a questão do desemprego não causava maiores preocupações. “Em suma. O equilíbrio se reestabeleceria então com a diminuição dos salários. acreditavam os economistas clássicos no equilíbrio entre oferta e procura inclusive no âmbito do emprego. Ficou demonstrado que as forças de mercado de uma economia poderiam não ser fortes o 33 VICECONTI. seria eliminado pela atuação livre das forças de mercado. Introdução à economia / Paulo E. isto é. inevitavelmente. ocasionou uma queda brutal no nível de atividade e na elevação do desemprego e da capacidade ociosa. os pressupostos da teoria clássica começaram a ser questionados. Viceconti.”3 Portanto. V. para os economistas clássicos. A maioria dos economistas. o ciclo sempre tenderia ao equilíbrio. 3 . e não havendo qualquer sinal de que as economias americana e européia poderiam se recuperar através da atuação das forças de mercado. Paulo Eduardo Vilchez. caraterizando-se por um hermetismo posteriormente questionado por Keynes. Teoria clássica x Teoria keynesiana Até a grande depressão de 1929-33. esta visão clássica dos problemas econômicos foi aceita sem maiores contestações. A idéia de um desemprego de caráter permanente ou uma crise permanente de superprodução não tinha lugar na Teoria Clássica. ed. rapidamente. 8. quando uma ação econômica que visa à resolução de determinado problema acarreta. . O desemprego era sempre de caráter transitório.

que procuravam explicações alternativas para estes fenômenos até então imprevistos. aumentaria a despesa agregada e. Por meio de suas teorias. gastos muito baixos em bens e serviços. considerando o sistema econômico em sua totalidade e conduzindo sua análise em termos agregativos.. Introdução à economia. reduzindo a capacidade ociosa das empresas àquela época. . Não se trata de promover uma competição entre o Estado e o mercado. as correntes dividem-se em duas: economistas liberais ou conservadores em contraposição aos keynesianos. O Produto Nacional converteu-se numa das principais variáveis dos modelos keynesianos. José Paschoal. a única saída seria aumentar a demanda agregada. 4 . onde os pesquisadores buscavam compreender as variáveis que influenciavam o nível do produto e do emprego numa economia moderna. Isto propiciou o surgimento de uma nova teoria para explicar. Para acabar com o desemprego. A persistência da recessão e do desemprego nos países desenvolvidos provocou uma inquietação entre os economistas da época. o nível de produção. consequentemente. que agindo sozinho não é capaz de resolver todos os problemas. O economista inglês John Maynard Keynes acreditava que o desemprego era devido essencialmente a uma demanda agregada insuficiente. Essa divisão perdura até os dias atuais. Keynes deteve-se não no comportamento dos sujeitos econômicos individuais. ed. mas sim de obter uma adequada complementação ao mercado. 1994. bem como o desemprego. Ou seja. ao afirmar que o estado deveria intervir na fase recessiva dos ciclos econômicos com sua capacidade de imprimir moeda para aumentar a demanda efetiva através de déficits do orçamento do Estado e assim manter o pleno emprego.” 4 4 ROSSETI. 16. diante da inoperância da chamada “mão invisível do mercado”. e ampl. Keynes causou uma grande revolução no pensamento econômico. aumentando os gastos governamentais. seu crescimento e sua repartição transformaram-se em elementos essenciais das análises agregativas. Desde então. O governo atuaria como elemento fundamental para a inversão do quadro de recessão e desemprego pois. de forma mais convincente. atual.São Paulo: Atlas. mas no aspecto global da atividade. o fenômeno da crise e sua conseqüência mais evidente e direta: o desemprego em massa. máxima do liberalismo clássico. “Keynes não se interessou apenas pelo montante do Produto Nacional – um dos elementos básicos de seus modelos – mas ainda pela sua constituição e pelos seus fatores determinantes. introduz-se a ação da chamada “mão visível do Estado”. Esta nova interpretação dos fenômenos macroeconômicos modernos ficou conhecida como “Teoria Keynesiana”. A partir do trabalho de Keynes. ou seja. houve um desenvolvimento muito grande da Teoria Macroeconômica.suficiente para levar a economia ao pleno emprego. rev.. Seu montante.

ações etc. Obtém-se. investimento é toda aplicação de dinheiro com expectativa de 5 SANDRONI. Novíssimo Dicionário de Economia. os estudos para sua avaliação seriam incentivados.). Num sentido amplo. os órgãos governamentais deveriam deter conhecimento preciso do montante e da evolução do consumo e da poupança globais. do governo e os investimentos das empresas. passaria a reunir melhores condições para a recuperação econômica nas fases de depressão. A poupança e o investimento: sistema clássico x sistema keynesiano Segundo Paulo Sandroni5: "DEMANDA AGREGADA (ou Demanda de Mercado ou Demanda Global). 1999. necessárias à aplicação dos instrumentos keynesianos. consistindo na medida da demanda total de bens e serviços numa economia. A demanda agregada depende de todos os fatores que determinam a demanda individual mais o número de compradores do bem ou serviço em questão existentes no mercado. o Estado. Como somente os agregados macroeconômicos poderiam fornecer as indicações básicas. equipamentos e imóveis para a instalação de unidades produtivas como à compra de títulos financeiros (letras de câmbio. a demanda agregada de um produto somando-se todas as demandas individuais desse produto. em geral a longo prazo. – São Paulo: Best Seller. portanto. para que a proposta keynesiana fosse satisfatória. para a correção dos setores deficientes e para o desenvolvimento de políticas tendentes à melhor repartição da renda social obtida. Quantidade de bens ou serviços que a totalidade dos consumidores deseja e está disposta a adquirir em determinado período de tempo e por determinado preço." E. o termo aplica-se tanto à compra de máquinas. segundo o mesmo autor: "INVESTIMENTO: Aplicação de recursos (dinheiro ou títulos) em empreendimentos que renderão juros ou lucros. Tanto a política monetária (determinação das taxas de juros) e a política fiscal (determinação dos impostos e gastos governamentais) tentam influenciar a demanda agregada para alcançar metas desejadas de crescimento e emprego. Nesses termos. 5 . inspirado na política keynesiana.Finalmente. bem como da capacidade de acumulação e de investimento das economias nacionais. É a soma das despesas das famílias. 1ª ed. Paulo. Uma vez levantadas as indicações macroeconômicas do Produto Nacional.

A explicação clássica para a poupança é a de que os indivíduos somente estarão dispostos a poupar. ou seja. pela oferta e demanda 6 . Em outras palavras." Se as pessoas poupam é porque optaram por não gastar toda a renda que obtiveram no processo produtivo. então. seja o chamado custo de oportunidade. maior ou menor quanto maior ou menor for a taxa de juros. Conseqüentemente. haverá menos investimentos. haverá mais investimentos. Geralmente cada país define o que considera investimento de uma forma específica e que corresponda melhor às suas necessidades econômicas. em economia. Por isso. equipamentos e instalações desgastadas pelo uso. o investimento líquido mede com maior precisão o crescimento da economia. a qual afirma que a taxa de juros é determinada no mercado monetário. ou seja. investimento significa a aplicação de capital em meios que levam ao crescimento da capacidade produtiva (instalações. no entanto se estiver alta. máquinas. Em decorrência disso. será maior que a demanda. O investimento líquido exclui as despesas com manutenção e reposição de peças. comunicações). Há dois pontos importantes no sistema clássico: primeiro. a quantidade de investimentos que será efetivada variará inversamente à taxa de juros. caso lhes sejam pagos juros como prêmio ou recompensa por este sacrifício. a quantidade poupada será. meios de transporte). rodovias. Em sentido estrito. No modelo clássico. considera-se também investimento a aplicação de recursos do Estado em obras muitas vezes não lucrativas. à ampliação da capacidade produtiva. o valor da taxa de juros é determinado pela oferta de fundos (poupança) e pela demanda por estes fundos (investimentos). Conclui-se que. Os investimentos com capital circulante (formados pelos estoques de produtos finais) compõem o item “variação de estoques”. a adiar o consumo. mas essenciais por integrarem a infra-estrutura da economia (saneamento básico. ou seja. Se esta estiver baixa. Como está mais diretamente ligado à compra de bens de capital e. dado pela taxa de juros. existe uma relação direta e positiva entre poupança e taxa de juros. O investimento bruto corresponde a todos os gastos realizados com bens de capital (máquinas e equipamentos) e formação de estoques. a qual deu origem à renda. em bens de capital.lucro. portanto. as empresas só realizarão novos investimentos produtivos se os retornos esperados desses investimentos excederem o custo dos empréstimos. a oferta de produtos. Esta é uma conclusão diferente da que foi proposta na teoria keynesiana. Os investimentos realizados na compra de equipamentos e instalações são registrados nas contas nacionais no item “formação de capital fixo” (ou investimento fixo). Diferencia-se ainda a formação interna de capital dentro de um país e os investimentos realizados no exterior.

haveria uma insuficiência de demanda agregada e surgiria a recessão. Poupança é. não bastava que o governo ampliasse a oferta de recursos para investimentos. pela teoria clássica. Segundo. após realizado o consumo.de moeda. Já o investimento desejado depende da lucratividade esperada da nova fábrica e dos novos equipamentos e estoques. Dessa forma. Keynes acreditava que haveria riscos na adoção do equilíbrio no orçamento fiscal (equilíbrio recomendado pelos economistas clássicos). Mas. ao nível de investimento. Assim. agravam a recessão. decorria da escassez de novos investimentos. simplesmente. o investimento seria a variável importante e a poupança simplesmente se ajustaria. exige cortes nos gastos e investimentos públicos. Enquanto os clássicos entendiam que não era possível investir mais do que as poupanças geradas. como um fator exarcebador das flutuações cíclicas. através da renda. um governo responsável e consciente deveria preocupar-se com o desemprego. por entender que seria outro elemento a agravar as recessões. é importante que. e. e não com o equilíbrio fiscal. seria recomendável para retirar a economia da recessão. representado pelos keynesianos. a igualdade entre poupança e investimentos ocorre sempre ao nível da renda de pleno emprego. Era preciso que houvesse um aumento simultâneo nos gastos em obras públicas. o governo deveria assumir o papel de complementar os gastos privados. embora a poupança e o investimento desejado sejam iguais em equilíbrio. resta a discussão do “peso e qualidade” da ação 7 . motivada pela retração da renda. O equilíbrio ocorre quando a poupança é igual ao investimento desejado. ou minimamente presente. por isso. os keynesianos acreditavam haver uma diferença entre poupança e investimento. por sua vez. Acreditava-se que. que. considerando que um déficit resultante de aumento nos gastos públicos. Ele observava que a queda na receita de impostos. na verdade. os valores da poupança e do investimento desejado são determinados de forma independente um do outro. a insuficiência de demanda. Gastos Públicos e Crescimento Econômico Partindo do princípio de que a discussão atual ultrapassou a dicotomia entre Estado ausente. que leva às crises de desemprego. a chamada eficiência marginal do capital. Havendo uma insuficiência de demanda. Para Keynes. O rigor orçamentário perseguido pelos governos considerados responsáveis deveria ser encarada. o que sobra da renda. reduzindo impostos ou realizando investimentos. quando a poupança desejada superasse os investimentos planejados. representada pelo pensamento liberal e Estado presente.

n 5-6. para a melhoria da situação de solvência do setor público brasileiro. os gastos públicos constituem na principal peça de atuação do governo. Política Fiscal e Crescimento Econômico. com a ajuda de outros fatores (especialmente o maior crescimento do PIB – Produto Interno Bruto).deste novo agente no mercado.] Os recentes desenvolvimentos da teoria do crescimento econômico sugerem que a política fiscal pode ter efeitos importantes no crescimento econômico de longo prazo 6. Nesses termos. quais seriam as escolhas que maximizassem os gastos dos governos. consideram-se gastos governamentais apenas as despesas realizadas pelas unidades que compõem a administração governamental direta e indireta. Dessa forma. De maneira geral. (Daniel: pensei que aqui vc poderia inserir gráficos com a série história do gasto corrente x inflação ou taxa selic. (Daniel: pensei que aqui vc poderia inserir gráfico com a série história da NFSP) O forte crescimento dos gastos correntes tem dificultado a tarefa de manter a inflação sob controle. se houver coerência com a relação inversa proposta no início do parágrafo). Por outro lado. a SELIC. Partindo desse princípio. 2006. não apenas cai o consumo privado em relação ao PIB. considera-se gasto público a totalidade dos gastos governamentais mais as despesas do governo com suas atividades econômicas produtivas. de forma a propiciar crescimento econômico. ou seja. Sem dúvida. seriam englobados neste conceito apenas os gastos realizados pelas esferas de governo mais suas autarquias e fundações. pois o Banco Central. como. em grande parte. impedindo o adequado crescimento da capacidade produtiva do País. diante de pressões de demanda agregada sobre a capacidade de produção da economia brasileira é levado a subir a taxa básica de juros. repetidas vezes. esta dicotomia. o ajuste das contas públicas levado a efeito nos últimos anos contribuiu decisivamente. Revista de Estudos Politécnicos. Conceição. a taxa de investimento privado. Nesse sentido. Superada. Vol III. Os gastos públicos podem ser conceituados como uma escolha política dos governos no que se refere aos diversos serviços que eles prestam à sociedade. O impacto que a política fiscal tem no crescimento econômico está condicionado pelo tipo de 6 CASTRO. incluindo-se aí as empresas estatais. 087-118 8 . níveis aceitáveis de desemprego e inflação sob controle. os debates macroeconômicos se fixaram na questão da qualidade do gasto público. diante de cenários recessivos ou inflacionários. que por meio deles. volta à tona a discussão sobre a evolução dos gastos públicos. estabelece uma série de prioridades no que se refere à prestação de serviços públicos básicos e aos investimentos a serem realizados. e principalmente.

O estudo. As controvérsias que se originam de tal tema podem ser ilustradas pelos gráficos abaixo: (Daniel: acho que aqui poderíamos inserir os gráficos que vc montou.anpec. segregados por função e pelos agregados “investimento” e “gasto corrente”.impostos e de despesas públicas (ou da combinação das duas). Depois. e pelo tipo de financiamento. c) A relação entre gastos com defesa. correntes e investimentos apresentarem altas correlações com o crescimento do PIB no mesmo período. bem como as correlações entre Variação do PIB e Variação de gasto corrente e Investimento sinalizam quão complexas são as escolhas sobre o tipo de gasto público que melhor retorna em crescimento econômico. só que. favorecendo a acumulação de capital humano.org. e compara-os com o retorno nas taxas de crescimento econômico no longo prazo.) A análise dos gráficos. utilizando-se de ferramentas econométricas. colocando em um mesmo gráfico Variação do PIB e Variação do investimento (montei uma linha na planilha) e em segundo Variação do PIB e Variação do gasto corrente). uma análise assim feita distancia-se da real relação entre as variáveis postas. Ana Carolina. pois. mas também do crescimento econômico nas despesas. carecendo. inserir as correlações. Apesar de ambos os gastos. sabe-se que. mas também porque algumas despesas públicas têm um impacto lento no crescimento econômico. In www. A análise do impacto das despesas públicas no crescimento não é. podem ser acompanhados por aumentos das despesas públicas produtivas que favorecem o crescimento econômico. educação. 7 ROCHA. como as despesas em educação e I&D. em suma.br. Fabiana e GIUBERTI. por um lado. Se. desaceleram o crescimento. as autoras analisam séries históricas de gastos públicos. entitulado “Composição do gasto público e crescimento econômico: um estudo em painel para os estados brasileiros”. alcança as seguintes conclusões: a) A relação entre os gastos correntes do Governo e o crescimento econômico é negativa. no entanto. dos estados da federação. pelo nível total das despesas públicas. impostos mais elevados reduzem os incentivos para investir e. Composição do gasto público e crescimento econômico: um estudo em painel para os estados brasileiros brasileiros. No estudo de Rocha e Giuberti7. 9 . b) A relação entre os gastos com capital e a taxa de crescimento é positiva. de instrumentos da econometria mais refinados. transporte e comunicação com o crescimento econômico é positiva. portanto. por outro. simples: não só porque a relação de causalidade não é apenas do impacto das despesas no crescimento.

especialmente em infra-estrutura. por parte do Estado. como energia. Essas decisões geralmente respondem a impulsos de mercados em crescimento.No mesmo sentido o estudo de Mazoni (2005). essa decisão pertence ao mundo das mercadorias em geral. Ainda nesse sentido. água e transportes. da sua viabilidade. ocorre o mesmo. o Brasil precisaria investir mais de R$ 87 bilhões por ano para 10 . Logicamente. mas guarda enorme relação com o âmbito das finanças. portanto. São as decisões de investir em novos produtos. a partir de 2007.6 vezes maior que aquele apresentado pelos investimentos públicos. indica que existe uma relação de longo prazo negativa entre os gastos em consumo do Governo e o produto. é essencial para aumentar a competitividade e sustentar um novo ciclo de crescimento. o empreendedor avalia as receitas derivadas do investimento num horizonte de pelo menos cinco anos. Em primeiro lugar. Itens fundamentais na estrutura de custos. contudo. É a expansão da indústria. A relação entre o investimento público e o produto e o investimento privado e o produto é positiva durante o período 1970-2003. cerca de 2. Evidentemente. em maximizar o crescimento de longo prazo. as condições da própria economia são fundamentais para que o investidor consiga formular hipóteses minimamente confiáveis sobre suas receitas futuras. pesam muito na definição da rentabilidade dos investimentos e. Para Afonso e Biasoto o investimento. A decisão de investir envolve uma série de condicionantes para sua realização. através da eliminação de gargalos que impedem ou dificultam o desenvolvimento econômico do país. citado no mesmo estudo de Rocha e Giuberti. Do lado dos custos de produção. que exerce papel crucial para conformação de uma trajetória de crescimento de maior fôlego. Investimento como Propulsor do Crescimento A determinação da dimensão ótima do setor público é de difícil resolução: a preocupação. tem que ponderar entre os efeitos da política de intervenção pública que favorece o crescimento e os efeitos que retardam o crescimento resultantes de impostos mais elevados e regulamentações. O impacto do investimento privado no PIB é. estudo da ABDIB (2006) estimou que. sendo retroalimentados pela própria expansão. e dos segmentos a ela ligados. novos processos e nova capacidade produtiva que dão a dinâmica do processo de crescimento.

. José Matias. rev. Viceconti.gov.9 bilhões até 2010. criado em 2007: engloba um conjunto de políticas econômicas e que tem como objetivo acelerar o crescimento econômico. prevendo investimentos totais de R$ 503. 16.net/dicionario/ http://pt.solucionar os problemas mais imediatos de infra-estrutura e permitir a retomada do crescimento econômico. Na atual configuração da economia brasileira. José Paschoal. VICECONTI.org/ BIBLIOGRAFIA (MARCOS) 8 http://www. 2. Introdução à economia. Paulo Eduardo Vilchez. Finanças públicas: a política orçamentária no Brasil. Podemos citar como exemplo de viabilização dos investimentos em infraestrutura as Parecerias Público-Privadas (PPPs): forma de provisão de infra-estrutura e serviços públicos em que o parceiro privado é responsável pela elaboração do projeto. sendo uma de suas prioridades o investimento em infra-estrutura8. ROSSETI. 2003. . BIBLIOGRAFIA UTILIZADA: (ALINE) PEREIRA. preservando o equilíbrio fiscal. construção e operação de ativos. ed. essa realidade deriva da especificidade histórica de desenvolvimento do capitalismo brasileiro e das formas de estruturação do setor público e das relações entre este e o aparelho econômico. 8.br/pac. . mas logrando atingir um patamar mais elevado de investimentos públicos. Silvério das Neves. 1994. enquanto as condições institucionais não ganham os contornos necessários à plena atuação dos capitais privados. que posteriormente são transferidos ao estado. REFERÊNCIAS UTILIZADAS (ALINE) http://www.São Paulo: Frase Editora.brasil. ed.São Paulo: Atlas. E acredita-se que o estímulo e a elevação do investimento privado seriam suficientes para suprir a lacuna aberta pela baixa inversão pública.wikipedia. ela é depende do ritmo de crescimento brasileiro nos próximos anos. Introdução à economia / Paulo E. ed. financiamento. Logicamente.. bem como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 11 . A solução para o problema da infra-estrutura não é trivial. e ampl.economiabr. V. 2007. atual. . o desafio que surge é o de dar conta do reordenamento de espaços entre ações públicas e privadas.São Paulo: Atlas.

Vol III. 27. 14. 087-118 AFONSO. Composição do gasto público e crescimento econômico: um estudo em painel para os estados brasileiros brasileiros. 1ª ed.ROCHA. 1996. Política Fiscal e Crescimento Econômico. – São Paulo: Best Seller. Revista do BNDS. Investimento Público no Proposições. John Maynard. n 5]6. In www.br. 2006.brasil. do Juro e da Moeda.gov. Paulo. JUN. SANDRONI. P. Fabiana e GIUBERTI. 71-122. São Paulo: Nova Cultural. A Teoria Geral do Emprego. 2006. Ana Carolina. Revista de Estudos Politécnicos. Rio de Janeiro. Conceição. Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base: “Agenda da infra-estrutura 2007-2010.br/pac Brasil: Diagnósticos e ABDIB. Novíssimo Dicionário de Economia. 2007. ABDIB.anpec. 1999. N. 12 .org. Geraldo Jr. e BIASOTO. BIBLIOGRAFIA (PATRICIA) CASTRO. http://www. V. José Roberto R. KEYNES.

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