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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – Campus Avaré

FERNANDA LOPES DE SÁ

ANÁLISE CRÍTICA DAS METAS 15, 16, 17 E 18, DO PLANO NACIONAL


DE EDUCAÇÃO

Avaré/SP
2020
Essa análise crítica levará em conta as metas 15, 16, 17 e 18 do Plano Nacional de
Educação. Abaixo, encontra-se um breve resumo do que cada uma delas trata:

Meta 15 - Assegurar, em aliança com a União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios, uma política nacional de formação docente e também assegurar que todos os
professores da Educação Básica tenham formação superior específica nos cursos de
licenciatura de sua área do conhecimento da qual dão aulas.

Meta 16 - Formar até 2024, em grau de pós-graduação, metade dos professores da


Educação Básica e garantir a formação contínua de todos esses profissionais na sua área
de atuação, atendendo às necessidades, exigências e circunstâncias dos sistemas
educacionais.

Meta 17 - Valorizar professores de escolas públicas de Educação Básica, de forma a


equilibrar sua renda média com a de outros profissionais com formação escolar
proporcional.

Meta 18 - Assegurar a elaboração e implementação de planos de carreira para todos os


profissionais da rede pública de Educação Básica e Superior, para que os profissionais da
educação básica pública, atinjam o piso salarial profissional nacional.

Sob o escudo de se transformar tudo em mercadoria disfarçado de democratização


da educação, as reformas educacionais nacionais, como a Lei 10.172/ 2001 e o Plano
Nacional de Ensino atual, provocaram profundas mudanças no modelo de gestão
educacional público, afetando diretamente e indiretamente em seu desenvolvimento,
financiamento, autonomia, formação e trabalho docente, entre outros também.

Com a reformulação do ciclo liberal, verifica-se o aumento dos serviços educacionais


privados e de novas formas de exploração do trabalho em um amontoado de
empresas/instituições educacionais conduzidas por fundos de investimento, novas
regulamentações sobre a relação entre tempo e espaço de trabalho - nos contratos
temporários, na subcontratação, na modalidade remota e/ou virtual, na versatilidade - o
que diversificou e dividiu a classe trabalhadora.

O PNE destaca os objetivos centrais da formação de professores em algumas de suas


metas, (ensino superior específico) e do seu aprimoramento (pós-graduação), além do
fortalecimento por meio de planos de carreira e do piso salarial nacional.
As metas 15 e 16 dizem respeito à valorização profissional, e estão relacionadas à
formação de professores, nas licenciaturas, na área de atuação profissional e na ascensão
do nível dessa formação (50% na pós-graduação e 100% na formação continuada).

Embora o INEP tenha registrado, no ano de 2013, um avanço na formação superior,


o mesmo, baseado no Censo de 2007, demonstrou que dos 68,4% docentes com curso
superior, pelo menos 10% não tinham curso de licenciatura e diversos docentes, mesmo
tendo a licenciatura, não possuíam a formação adequada com a disciplina que ministram
aula. No ensino médio, este número era maior.

Mesmo nos tempos atuais, é fácil encontrar docentes na sala de aula que não tenham
uma formação específica e adequada para ministrarem as aulas que lhes foram destinadas.
De acordo com o Censo escolar de 2019, uma em cada três disciplinas é dada por
professor sem formação específica, e isso varia de acordo com a etapa de ensino. Essa
relação revela que as políticas de formação dos professores a nível superior, precisam de
alterações de forma a garantir que esse acesso seja universal.

PORCENTAGEM DE DOCENTES COM FORMAÇÃO ADEQUADA


Contudo, é o setor privado o maior responsável por universalizar esse acesso, já que
possuí mais instituições de educação superior e, mais de 80% das matrículas de graduação
no país, sendo aliás, a maior parte desses cursos EAD ou noturnos. Porém, de acordo com
as metas 15 e 16 almeja-se que a formação e especialização dos docentes ocorram por
meio das redes públicas de educação profissional e de ensino superior, conforme exposto
em suas estratégias, o que está longe de ocorrer.

São as metas 17 e 18 que tratam da questão da valorização profissional dos docentes.


A meta 17 coloca os docentes da Educação Básica em alguns eixos centrais de
valorização, sendo eles o salário, a carreira e a jornada de trabalho. O peso conferido à
valorização salarial docente é identificado nas políticas públicas educacionais, como por
exemplo na Lei 11.738/08, que trata do Piso Salarial Profissional Nacional. Não obstante
as novas regras ao longo dos anos, a discrepância e o atraso salarial docente continua.
A meta 18 que trata especificamente do plano de carreira docente, esboça a ideia de
que a valorização considera a carreira como sendo fundamental ao trabalho do professor,
reconhecendo a urgência de elaborar o planejamento, organização e progresso
profissional e analisando o avanço e materialização de novos ganhos, tal como por meio
de novas qualificações desses profissionais. Contudo, é necessário ter em conta que
estados e municípios apresentam realidades diferentes uns dos outros, além também, da
falta de planos de carreiras que não estão de acordo com as vontades, e mesmo, com as
necessidades dos docentes.

A escassez de uma política que realmente incentive a formação de novos professores


e daqueles que já estão no cargo, se conjuga com a falta de qualidade de muitos cursos de
licenciatura e com a baixa atratividade da carreira. Quem se forma em geografia,
matemática e biologia, por exemplo, tem diversos outros ramos profissionais para atuar,
e normalmente mais bem assalariadas. Justamente por isso, ainda existem muitos
professores leigos atuando nas escolas.

Para quem opta pela carreira de docente, o salário insuficiente para sobreviver de
uma maneira digna, obriga que o indivíduo dê aula em várias escolas, além de procurar
por meios externos de complementar sua renda, e o acúmulo de tarefas que se transpõe
no aumento da carga horária trabalhada durante o dia, somado à exaustão física e mental,
constantemente provoca doenças como ansiedade, depressão, síndrome do pânico,
fazendo com que muitos professores solicitem licença médica e se afastem das escolas,
causando assim, uma grande defasagem no ensino.

Além de serem feitos concursos para a contratação dos profissionais que atuam nas
escolas deve haver um plano de carreira em toda extensão nacional, e esse plano precisa
ser bom, considerando as particularidades de cada lugar. É preciso
buscar concretizar uma “carreira aberta”, para que os docentes possam evoluir sem
necessariamente largarem sua função. Há que se criar a possibilidade de que um bom
professor consiga se aposentar sendo um professor, sem ter que recorrer a outros cargos
dentro da escola para progredir na carreira

O grande número de docentes que atuam nas escolas com contratos temporários gera
um impacto negativamente considerável sobre o aprendizado dos alunos. Além de que, a
falta de um plano de carreira eficaz a esses profissionais, faz com que eles não tenham
segurança e uma boa visão do futuro, se por exemplo, muitos nem sabem se terão ou não
turmas para darem aulas no próximo ano, ou em quais escolas continuarão dando aula e
quais não. Isso dificulta muito o planejamento profissional do professor, prejudicando o
seu desempenho como profissional e afetando o desempenho de seus alunos também.

Dessa forma, a meta 18 é relevante para cessar com a “desprofissionalização da


profissão”. E, especialmente, para atrair indivíduos mais qualificados para a ocupação
docente, porém, não será possível se não houver um cenário aceitável de futuro a eles, ou
seja, a tal da valorização do professor.

Conforme o indicador de esforço docente, avaliado pelo Inep, mais de quarenta por
cento dos docentes do ensino médio possuem de 50 a 400 alunos, trabalham em mais de
um turno, em mais de uma escola e em mais de duas etapas de ensino diferentes. Muitos
trabalham de manhã, à tarde e à noite, em duas ou três instituições de ensino diferentes.

Já que o professor tem que essencialmente dobrar a sua carga horária de trabalho,
devido a desvalorização do mesmo, ele fica sem tempo para se dedicar em uma formação
continuada, tendo um grande impedimento para se especializar e com isto, aprimorar a
qualidade das suas aulas. Além de que, como precisa aumentar a sua renda, isso justifica
o fato de não recusar dar aulas de disciplinas que não refletem à sua formação.

Valorização não se trata apenas do aumento de salário. O ofício docente foi


essencialmente modificado, em outras palavras, desprovido intelectualmente, convertido
em exercício de tarefas predeterminadas. Logo, falar em valorização do professor é, antes
de tudo, salvar o seu caráter intelectual. A valorização profissional do professor
conseguiria atrair mais profissionais para a docência.

Referências

BRASIL. Lei n° 13.005/2014. Plano Nacional de Educação. Brasília, DF: Inep/MEC,


2020.

Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).


Censo da educação básica 2019: Notas estatísticas. Brasília, DF: Inep/MEC, 2020.

Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).


Censo da educação superior 2018: Notas estatísticas. Brasília, DF: Inep/MEC, 2019.
Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Nota Técnica nº 039/2014: Indicador de esforço docente. Brasília, DF: Inep/MEC, 2015.

Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).


Censo escolar da educação básica 2013: Resumo técnico. Brasília, DF: Inep/MEC, 2014.