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D I S C I P L I N A Pesquisa e Ensino em Geografia

A pesquisa científica como


construção do conhecimento

Autoras

Ângela Maria Cavalcanti Ramalho

Francisca Luseni Machado Marques

Aula

01
Material APROVADO ((conteúdo e imagens)
g ) Data: ___/___/___
Nome:______________________________________
Governo Federal
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva

Ministro da Educação
Fernando Haddad

Secretário de Educação a Distância – SEED


Carlos Eduardo Bielschowsky

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade Estadual da Paraíba

Reitor Reitora
José Ivonildo do Rêgo Marlene Alves Sousa Luna

Vice-Reitora Vice-Reitor
Ângela Maria Paiva Cruz Aldo Bezerra Maciel

Secretária de Educação a Distância Coordenadora Institucional de Programas Especiais – CIPE


Vera Lucia do Amaral Eliane de Moura Silva

Secretaria de Educação a Distância – SEDIS/UFRN


Coordenadora da Produção dos Materiais Revisoras Tipográficas
Vera Lucia do Amaral Adriana Rodrigues Gomes
Margareth Pereira Dias
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky Nouraide Queiroz

Arte e Ilustração
Projeto Gráfico
Adauto Harley
Ivana Lima
Carolina Costa
Revisores de Estrutura e Linguagem Heinkel Hugenin
Janio Gustavo Barbosa Leonardo Feitoza
Eugenio Tavares Borges
Diagramadores
Thalyta Mabel Nobre Barbosa
Elizabeth da Silva Ferreira
Revisora das Normas da ABNT Ivana Lima
Verônica Pinheiro da Silva Johann Jean Evangelista de Melo
José Antonio Bezerra Junior
Revisores de Língua Portuguesa
Mariana Araújo de Brito
Flávia Angélica de Amorim Andrade
Janaina Tomaz Capistrano Adaptação para Módulo Matemático
Kaline Sampaio de Araújo Joacy Guilherme de A. F. Filho
Samuel Anderson de Oliveira Lima

Divisão de Serviços Técnicos

Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida
sem a autorização expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
VERSÃO DO PROFESSOR

Apresentação

Caro Estudante
A metodologia da pesquisa instrumentaliza o aluno/pesquisador na elaboração e
apresentação de suas intenções de estudo bem como na construção do conhecimento e
sistematização de seus relatórios de pesquisa.

Este propósito está configurado, no presente trabalho, através dos conteúdos e


mecanismos de compreensão propostos, mostrando como a produção científica pode se
tornar uma tarefa fácil e prazerosa.

Dedicamo-nos a explicitar um entendimento do que seja pesquisa e seus elementos


essenciais e, a seguir, fazemos um esforço de encaminhar o estudante universitário para a
produção, elaboração e transmissão de novos conhecimentos embasados na capacidade de
descoberta e criação.

Assim, convido a todos a acreditarem no futuro, na ciência, no conhecimento e na


pesquisa. Se não conseguirmos um ensino com pesquisa, pelo menos podemos começar
a fazer pesquisa no ensino. Vejamos como a metodologia da pesquisa pode contribuir com
esse desafio.

As autoras

Bom estudo e muito sucesso !!!

Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia 1


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VERSÃO DO PROFESSOR
Caminhos a percorrer...

Objetivos
Pretende-se, ao término desta aula, que você sinta-se capaz de:

Analisar como o ato de pesquisar significa ir além da mera aparência,


1 situando a importância dos desafios e incertezas de nosso tempo;

Observar como a pesquisa científica enquanto processo que


2 capacita o educando/pesquisador a produzir conhecimento
adequado à compreensão de determinada realidade, fato, fenômeno
ou relação social;

Perceber como a pesquisa caracteriza-se como descoberta e criação


3 do mundo, uma criação e reelaboração da concepção de mundo,
com sujeitos capazes de apropriar-se do saber com autonomia;

Compreender a pesquisa como princípio educativo, considerando


4 que a educação necessita gerar ambiência para estratégia de
geração de conhecimento e de emancipação do sujeito no diálogo
com a realidade e na formação da cidadania.

Atenção!
O Conhecimento
A busca do conhecimento é a busca eterna do Homem. Neste processo evolutivo,
o homem ousou questionar suas verdades e filosofou, ousou experimentar
e descobriu o conhecimento empírico, estabeleceu regras e fez ciência e
implementou tecnologias; e tudo isso movido pela curiosidade, pesquisou, e foi
através da pesquisa, experiências e experimentações que avançamos da barbárie
à compreensão do mundo que nos cerca. Assim, por isso é importante manter-se
sempre a chama da investigação, independente do domínio da necessidade, pois
ambas possuem um encontro perfeito quando produz no Homem a necessidade
de criar, produzir novos métodos e técnicas e por conseguinte: fazer ciência e
refletir seu estar no mundo (BOENTE; BRAGA, 2004)

2 Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia


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O ato de Pesquisar

O
s seres humanos em todo e qualquer contexto histórico sempre buscam descobrir as
circunstâncias e as características do mundo em que estão inseridos. Assim, a procura
do conhecimento, da felicidade e da beleza é uma constante na vida da humanidade.
A investigação ou a procura de novos conhecimentos é próprio do ser humano, o homem é
um ser inquieto na procura pelo saber, embora os caminhos a percorrer para satisfazer essa
procura que é característico da inquietude humana, sejam como pontuava Hume no século 17,
suaves e pacíficos; as tarefas a desempenhar para conseguir avançar nesse caminho, exigem
compromisso e dedicação para se fazer história.

Todavia, entre questionamentos e respostas do ponto de vista histórico, as inquietações


humanas é um esforço dirigido para aquisição de um conhecimento, que propicia a solução
de problemas teóricos e práticos, além da necessidade de corresponder aos desafios atuais
no reconhecimento de competência científica que só pode construir-se pela pesquisa, que
redunde em capacidade de elaboração própria.

Reflita!!!
É na medida em que se vive num meio sobre o qual é possível agir, no qual
é possível, com o outros, discutir, decidir, realizar, avaliar. Que são criadas as
condições mais favoráveis ao aprendizado (LIBEWRT, 1994).

Desse modo, os seres humanos com o desenvolvimento histórico do conhecimento,


da inteligência e da liberdade, passam a compreender a ação das forças que os arrastam e,
formulam uma nova visão de mundo e, por conseqüência, sua ação no contexto social que
estão inseridos.

Da mesma forma,

O conhecimento do conhecimento deve aparecer como necessidade primeira, que servirá


de preparação para enfrentar os riscos permanentes de erro e de ilusão, que não cessam
de parasitar a mente humana. Trata-se de armar cada mente no combate vital rumo à
lucidez (MORIN, 2000, p.14).

Assim, o ato de pesquisa significar ir além da mera aparência, situando a importância


dos desafios e incertezas de nosso tempo. Nesse sentido, à pesquisa vivenciada no processo
pedagógico converte-se em um instrumento que conduz o estudante a um diálogo criativo com
dúvidas e interrogações, condição necessária para a formação cidadã. Portanto, pesquisar é
lançar-se no desconhecido significando apostar na busca do novo.

Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia 3


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Atividade 1
A partir dessa perspectiva elucidada sobre o ato de pesquisar, faça uma análise da
aventura histórica do homem na busca do conhecimento através da investigação, tendo como
fio condutor analítico a música da Caetano Veloso: Os Argonautas, sendo mais um deles a
navegar com ousadia no oceano da pesquisa.

Os Argonautas
(Caetano Veloso)

O barco, meu coração não aguenta


Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração, o porto, não

Navegar é preciso, viver não é preciso


Navegar é preciso, viver não é preciso

O barco, noite no céu tão bonito


Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco, da madrugada
O porto, nada

Navegar é preciso, viver não é preciso


Navegar é preciso, viver não é preciso

O barco, o automóvel brilhante


O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto silêncio

Navegar é preciso, viver não é preciso


Navegar é preciso, viver não é preciso

4 Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia 5


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A Pesquisa Científica

A
pesquisa científica diz respeito à capacidade de produzir conhecimento adequado à
compreensão de determinada realidade, fato, fenômeno ou relação social. É o resultado
de um processo investigativo, cujo principal objetivo é resolver problemas e esclarecer
dúvidas, mediante a utilização de procedimentos científicos. A investigação se caracteriza como
a composição do ato de estudar, observar, analisar e experimentar os fenômenos, deixando de
lado uma concepção estruturada a partir de visões superficiais, imediatas e subjetivas.

Assim, a pesquisa é definida “como uma forma de estudo de um objeto. Estudo sistemático
e realizado com a finalidade de incorporar os estudos obtidos em expressões comunicáveis e
comprovadas aos níveis do conhecimento obtido” (BARROS; LEHFELD, 1999, p.30).

Também, a pesquisa pode significar “[...] condição de consciência crítica e cabe como
componente necessário de toda proposta emancipatória. Não se trata de copiar a realidade,
mas reconstruí-la conforme os nossos interesses e esperanças” (DEMO, 2002, p.40).

Vários são os conceitos de pesquisa, mais todos convergem em um mesmo significado,


pois toda pesquisa busca respostas para os problemas investigados, e para se encontrar as
possíveis respostas devemos percorrer caminhos parecidos como: traçar objetivos, justificar
os resultados

Portanto, a busca do conhecimento através de um procedimento sistemático objetiva


descobrir, explicar e compreender os fatos que estão inseridos na tessitura de uma
determinada realidade.

Atividade 2
A partir da perspectiva do texto acima, faça uma análise da aventura do conhecimento
Um certo olhar através da educação, tendo como fio condutor fragmentos do poema: Um certo olhar sobre
sobre a pesquisa
a pesquisa, de Martin Gerard e interprete olhares que devemos ter acerca de pesquisa.
LAVILLE, C.; DIONNE, j.
A construção do saber.
Tradução de Heloísa Que alegria diz a Eternidade.
Monteiro e Francisco Ver o filho de minha esperança
Settineri.
Apaixonar-se pela pesquisa,
Porto Alegre: Artes Pois em sua mente
Médicas, 1999. Coloquei inúmeros de meus sonhos
E gostaria tanto que se tornasse realidade.

6 Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia


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A pesquisa
Começou a explicar a Eternidade,[...]
É a fusão, em um só crisol,
De observações, teorias e hipóteses
Para ver se cristalizar
Algumas parcelas de verdade.

A pesquisa,
É ao mesmo tempo, trabalho e reflexão
Para que os homens
Achem todos um pouco de pão
E mais liberdade,
Também é o olhar para o passado
Para encontrar nos antigos
Alguns grãos de sabedoria
Capazes de germinar
No coração dos homens de amanhã.[...]

A pesquisa
Diz finalmente a Eternidade,
É o trabalho do jardineiro
Que quer se tornar
No jardim de minha criação
O parceiro de minhas esperanças

Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia 7


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Atividade 3
Um turista fica admirado com a paisagem do Pico das Agulhas Negras ou um alpinista
que escala uma montanha e sente-se cansado, se questiona da altitude e diz somente que está
desgastado. Outro indivíduo observa um maciço constituído de certas categorias de rochas,
situado em determinado conjunto orográfico, submetido a certas condições climáticas, que
determinam certa distribuição de vegetação, originando certos modos de ocupação do solo
pelos homens e tornando possíveis certos produtos.

Como vimos, à pesquisa se caracteriza como um ato de observação dos fenômenos. O


texto acima apresenta tipos de observação para um fato geográfico. Quais observações se
inserem no âmbito da pesquisa científica? Comente.

8 Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia


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A pesquisa como
Descoberta e Criação

A
pesquisa caracteriza-se como uma descoberta do mundo, da realidade e do cotidiano,
uma criação e reelaboração de uma concepção de mundo, com sujeitos capazes de
apropriar-se do saber com autonomia e habilidade para manejar e produzir conhecimento
em sentido, ativo, produtivo e construtivo. Assim, Demo (2002, p.32), afirma que “[...] a
pesquisa é a arte de questionar de modo crítico e criativo, para melhor intervir na realidade”.

Assim, a pesquisa aponta para a direção correta da aprendizagem centrada na elaboração


própria, devendo se agregado ao processo a qualidade formal e política, elevando, portanto,
a capacidade do educando aprender. ”Aprender é uma necessidade, de ordem instrumental,
mas a emancipação se processa pelo aprender a aprender. È fundamental portanto, ensinar, a
pesquisa ou seja, superar a mera aprendizagem” (DEMO, 2002, p.450).

A utilização da pesquisa é um subsídio fundamental para traçar novos métodos de ensino


como condição essencial para atuarmos de modo diferenciado no exercício da nossa profissão.
Nesse sentido, na concepção de Lakatos e Marconi (2001, p.38):

Os desafios as crises que envolvem a educação apontam para a urgência de repensar


as práticas pedagógicas, as nossas interações e mediações com os alunos, coma
comunidade escolar, com outros profissionais e com todos aqueles que adquirem contato
introdutório com a pesquisa.

Acreditamos, igualmente, seja nossa tarefa a de criar meios e instrumentos através do


movimento dialético da prática educativa o incentivo a pesquisa como criação de produção do
conhecimento, valorizar no aluno a sua capacidade de ser sujeito do processo de aprendizagem

Portanto, a Universidade por excelência é o ambiente que deve proporcionar a


realimentação dos saberes: culturais, sociais, estéticos, ambientais, espirituais, mas necessita,
sobretudo, alimentar-se de sua especificidade intrínseca, que é a pesquisa.

Assim, a Universidade que queremos é um “[...] recanto privilegiado onde se cultive a


reflexão crítica sobre a realidade e se criem conhecimentos com bases científicas” (LUCKESI,
2001, p.30).

Desse modo:
Enquanto educador, como é possível superar a pedagogia da cópia, pensar que,
tendo lido os outros, ou tendo escutado aulas, copiando aulas copiadas, os
educandos são capazes de “aprender a aprender” adquirindo a instrumentalização
necessária e conteúdo científico? Reflita!

Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia 9


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Atividade 4
Leia com atenção o texto abaixo:
Falta a essência: Ciência e educação. Professor, stricto sensu, é um formador de
formadores, por razão científica e educativa. A razão científica encontra-se na
construção da capacidade de produzir ciência com criatividade, ocupando postura
de sujeito do processo científico, não de objeto. A razão educativa aparece na
habilidade de motivar processo emancipatório, que viceja apenas em ambiente de
sujeitos críticos e criativos. A relação de autoridade – que sempre existe – precisa
existe – precisa ancorar, não na distinção falsa entre alguém que ensina e outro
que aprende, mas na competência superior, comprovada, visível do professor,
frente a um aluno que está começando a vida acadêmica (DEMO, 2002, p.140).

A partir da leitura do texto, apresente propostas metodológicas para o “aprender a


aprender” pesquisando:

1.
sua resposta

2.

10 Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia


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A pesquisa como
Princípio Educativo
Outro horizonte da pesquisa é princípio científico e educativo, através da geração de
ambiência para estratégia de geração de conhecimento e de emancipação do sujeito no diálogo
com a realidade e na formação da cidadania.

A escola precisa atualizar-se objetivando acompanhar o progresso da ciência e os


desafios cotidianos da sociedade. Trilhar novos caminhos de informação com instrumentos
didáticos contextualizados, proporcionar aos alunos permanência condizente com o desafio
de elaboração própria.

Na educação escolar, a pesquisa também assume a capacidade de criar os meios


necessários ao estabelecimento de novas interações, mediações e modificações de contextos
que envolvem os sujeitos do ensino e os da aprendizagem. “Também na escola deve emergir
o desafio da ciência, até porque, em nome da pesquisa, todo professor deve ser cientista”
(DEMO, 2002, p.77).

Assim, a escola que vivencia o princípio educativo pela pesquisa configura-se como um
espaço de formação de sujeitos capazes de questionar e promover uma revolução das mentes
que deverão abrir-se para uma realidade que buscar o saber, confia em si, gosta de si, com
consciência da riqueza de suas potencialidades, com razões para aprender de coração e de mente.

Neste contexto, o papel do professor consiste em suscitar o movimento dialético da


aquisição de conhecimentos por meio da pesquisa. O ensino pela pesquisa como uma condição
fundamental da relação ensino e aprendizagem. São momentos intersequentes de uma mesma
vivência da relação ensino- aprendizado realiza a mesma prática pedagógica.

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses-que-fazeres se encontram


um corpo no outro. Enquanto ensino, continuo procurando, continuo buscando,
reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago.
Pesquiso para constatar e, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo.
Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade
(FREIRE, 1997, p. 32).

Na educação escolar, a pesquisa assume a capacidade de criar meios necessários ao


estabelecimento de novas interações, mediações e modificações de contextos que envolvem
os sujeitos do ensino e da aprendizagem. Na escola deve emergir o desafio da ciência, até
porque, em nome da pesquisa, todo professor e aluno são pesquisadores.

Portanto, vamos promover a revolução necessária no processo educacional através da


pesquisa como princípio educativo, começando pelo processo reflexivo analítico.

Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia 11


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Atividade 5
A partir do enfoque abordado, analise o poema e faça uma relação com o princípio
educativo da pesquisa.

Mestre
Maria Luíza Silveira Teles

Mestre Mestre,
teu verbo deve ser revelação
TELES. L. S. Sociologia
e em teu ensinamento
para jovens: iniciação à
sociologia, Petrópolis, RJ :
deve viver o perfume de teu espírito.
Vozes, 1993. Se não podes dar a teu discípulo
tuas próprias asas,
dá-lhe o anseio de voar
e contenta-se em ser
a mais humilde pedra
Que sustentará a sua galgada.
Tu tens que caminhar com ele,
lado a lado,
na estrela do saber.
Se tens mensagem,
tuas palavras jamais se perderão no tempo
e as sementes do teu verbo
germinarão na terra dos corações
E tu serás eterno...
Mas, ah!
Se não conheces o sentido da vida
e se em ti não existe fé;
se não foste fermentado pela dor,
se te preocupas com coisas,
e estás cristalizado em “ tuas verdades”,
melhor seria que não tivesse nascido...
Pois, de que vale a flor que não dá seu néctar
e nem se torna fruto?

12 Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Guisa Reflexiva!!!
O que se impõe à pedagogia neste momento é a tarefa de desenvolver práticas
pedagógicas que projetadas, refletidas, desenvolvidas e avaliadas à luz do projeto
histórico da sociedade, permitam estabelecer as bases de uma teoria pedagógica
que dê sustentação a uma nova práxis educativa efetivamente transformadora
(SUELI MAZILLI).

Resumo
Nessa aula buscamos apresentar ao estudante, uma proposta metodológica
para o desenvolvimento da pesquisa científica, que não deve ser vista como
um amontoado de dados ou uma simples transmissão de informações, mais
um instrumento exeqüível com capacidade de produzir conhecimento adequado
à compreensão de determinada realidade, fato, fenômeno ou relação social.
É o resultado de um processo investigativo, cujo principal objetivo é resolver
problemas e esclarecer dúvidas, mediante a utilização de procedimentos
científicos,conduzindo o estudante a um diálogo criativo com dúvidas e
interrogações, condição necessária para a formação cidadã. Contribuindo
sobremaneira para a reflexão, debate e o enriquecimento da linguagem e
pensamento, pois os dois processos estão interligados. Também para conhecer,
saber, criar e pesquisar... E assim, encontrar prazer na criatividade, na sua
engenhosidade e a alegria de descobrir e aprender. Navegar é preciso...

Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia 13


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Autoavaliação
A partir das discussões dos textos apresentados esperamos que você tenha
assimilado as mensagens emitidas. Agora construa seu próprio texto, a partir
das idéias sobre a temática pesquisa a partir dos eixos discutidos:

Parabéns você acaba de concluir a unidade !!!

Então diga que valeu !!!

Sugestões de Leitura
DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

Recomenda-se a leitura da obra, considerando ser bastante relevante para o aluno e


graduação, pois busca desmitificar o conceito de pesquisa mostrando novos horizontes a
partir da perspectiva descoberta, criação e diálogo com a realidade. Dando ênfase ao princípio
científico e educativo na busca da superação das limitações do ensinar e aprender para um
processo de aprender a aprender a partir da pesquisa contribuindo para a emancipação e
autonomia do estudante, considerando a atividade humana processual pela vida afora.

14 Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia


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LUCKESI, C. C. Fazer universidade: uma proposta metodológica. 12. ed. São Paulo:
Cortez, 2001.

Recomenda-se a leitura da obra, por representar um receituário de soluções para os


problemas pedagógicos e acadêmicos da Universidade. Com uma proposta de trabalho para a
formação acadêmica voltada para capacitar o aluno, através de reflexões, práticas e reflexões
da própria prática, a uma analise do conhecimento, seu processo de produção, expressão e
apreensão; elementos necessários à construção da Universidade como um centro vivo de
consciência crítica e de construção de conhecimentos.

Referências
BARROS, A. J. da S.; LEHFELD, N. A. de S. Fundamentos de metodologia científica: um guia
para a iniciação científica. 2. ed. São Paulo: Makron Books, 2000.

BOENTE, A. BRAGA. Metodologia científice contemporânea. Rio de Janeiro: Brasport, 2004.

DEMO, P. Saber pensar. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

______, Pesquisa: princípio científico e educativo.9.ed.São Paulo:Cortez,2001.

______. Desafios modernos da educação. 12. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 4. ed. São


Paulo: Atlas, 2001.

LUCKESI, C. C. Fazer universidade: uma proposta metodológica. 12. ed. São Paulo:
Cortez, 2001.

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2000.

Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia 15


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Anotações

16 Aula 01 Pesquisa e Ensino em Geografia


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A trajetória da
ciência e seus paradigmas

Autoras

Ângela Maria Cavalcanti Ramalho

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Aula

02
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Ministro da Educação
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sem a autorização expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
VERSÃO DO PROFESSOR

Apresentação
Prezado(a) Aluno(a)!

N
Esta aula discutiremos o conceito de ciência e a sua trajetória, com base em alguns
autores, como Thomas Kuhn. Neste sentido, destacaremos aspectos da história
científica da antiguidade à atualidade, tendo em vista a presente crise de paradigma e
as perspectivas antropológicas hoje.

Caminhos a percorrer...

Objetivos
Pretende-se, ao final desta aula que você tenha compreendido:

a distinção entre sujeito e objeto na construção da pesquisa;


1
a trajetória da ciência em função de seus paradigmas;
2
o significado de “ciência com consciência”.
3

Conceito – significa a representação


mental que o sujeito passa a ter sobre o
O Conhecimento é uma Relação.
objeto, decorrente do ato de conhecer.
Atenção!!!
Conhecer é estabelecer uma relação entre a pessoa (sujeito que conhece)
e o objeto (fato ou fenômeno) que passa a ser conhecido. No processo de
conhecimento, quem conhece acaba se apropriando do objeto que conheceu.
Ou seja, forma um conceito desse objeto, reconstituindo-o em sua memória.

Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia 1


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VERSÃO DO PROFESSOR

Os objetivos da Ciência
como resultado da Relação Sujeito e Objeto

A
era do conhecimento em que vivemos tem como objeto a ciência, a qual tem a pesquisa
científica como atividade propulsora. Os objetivos da ciência consistem em afirmar que
é possível o alcance do conhecimento dos objetos reais situados no tempo e no espaço.
Estes objetivos são determinados pela necessidade que o homem possui de compreender e
controlar a natureza e as coisas do universo.

A ciência pode ser entendida como busca constante de explicações e soluções, de


revisão e de verdades sobre os fenômenos naturais e sociais – daí a permanente necessidade
do conhecimento. O conhecimento científico resulta da interrelação que se estabelece entre
o sujeito cognoscente (que tem capacidade de conhecer) com os fenômenos da realidade
empírica. Assim, podemos dizer que o ato de conhecer se dá por meio das informações obtidas
pelo sujeito, conforme as determinações afetivas, biológicas, cognitivos e sociais, na apreensão
do objeto. O conhecimento científico é o resultado da relação sujeito e objeto mediado pelo
processo de pesquisa.

Os fatos que podem ser conhecidos fazem parte do nosso cotidiano, os produzimos na
rotina de cada dia. Por vezes, podemos criá-los com a finalidade de estudá-los, como ocorre em
situações experimentais de laboratórios. “Entretanto uma grande parte dos esforços, realizados
pela ciência, destina-se ao conhecimento de fatos que já existem, produzidos pela natureza, e
que o homem ainda desconhece ou, pelo menos, não sabe todo o alcance de suas implicações.”
(RUDIO, 1999, p. 10, grifo do autor).

O papel do sujeito e a relação com o objeto é discutido pela epistemologia, para fazer
referência a estes dois pólos envolvidos na produção do conhecimento. Epistemologia,
no sentido etimológico da palavra, significa: discurso ou estudo (logos) sobre a ciência
(episteme). Assim, a epistemologia procura estudar a origem do conhecimento científico
e sua validade. Como disciplina filosófica faz permanente reflexão sobre a problemática do
conhecimento, das relações entre sujeito e objeto na busca do conhecimento, especialmente
do conhecimento científico.

Da relação do sujeito com os objetos da natureza e da sociedade surgiram várias ciências.


As ciências factuais que se dedicam ao estudo dos fenômenos da natureza (físicos, químicos,
biológicos...) e dos fenômenos da sociedade (sociais, culturais, econômicos...). Cada ciência
dedica-se ao estudo de uma faceta da realidade e, de modo especial, uma particularidade do fato
que é observado por meio dos sentidos e da consciência sensível a uma explicação científica.

As ciências elaboram suas teorias que, além de apresentar uma explicação científica dos
fatos, também, podem nos levar a novas inquietações na busca do conhecimento de fatos
que ainda não foram suficientemente explicados. Tal orientação leva o estudante a focalizar
sua atenção sobre determinado enfoque teórico específico durante a trajetória acadêmica,
passando a constituir tema importante para futura pesquisa.

2 Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia


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VERSÃO DO PROFESSOR
A verdade científica objetiva atinge as razões e as causas dos objetos, pois conhecer é
pensar, significa não se contentar em ver os objetos do mundo empírico sem questionar ou
refletir. Nós somos capazes de participar do mundo científico a partir do momento em que
ultrapassamos o simples conhecer pelo empenho de pensar e refletir com críticas objetivas,
possibilitando o nascer e o fortalecer de atitudes científicas.

Assim, podemos definir ciência como o saber sobre um objeto determinado construído
pela pesquisa. Resulta da utilização adequada de métodos capazes de descrever, analisar,
controlar, prever fatos e buscar soluções para os objetos detectados pelo homem nas diversas
realidades que o cerca.

Atividade 1
Elabore um esquema do texto acima.

Atenção!!!
Realidade Empírica
Significa tudo que existe e que pode ser conhecido através da experiência.
Universo material, físico, naturalmente perceptível pelos órgãos dos sentidos,
ou mediante a ajuda de instrumentos de investigação, verificável na prática por
demonstração, observação ou experimentação.

Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia 3


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Atenção!!!
Quem conhece?
O que está sendo conhecido?
A distinção entre sujeito e objeto é útil na pesquisa.

Sujeito Objeto

Ser cognoscente, afetivo, biológico,


social, econômico, cultural, religioso, Fenômeno da realidade empírica
lingüístico, moral.

Pesquisa científica

Conhecimento científico

Figura 1– Relação no processo de conhecimento

Atividade 2
Interprete a figura acima.

4 Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Paradigmas da Ciência
A trajetória da ciência alcança seu apogeu no século XIX, com o domínio das ciências
da natureza, o ritmo e o número das descobertas. Tais descobertas e suas aplicações práticas
modificaram profundamente a fisionomia do século.

Para alcançar este patamar, podemos pensar a trajetória da ciência com base em três
paradigmas: o paradigma teocêntrico, o paradigma antropocêntrico e o paradigma ecocêntrico.
Nesses paradigmas norteadores da trajetória da ciência poderemos identificar as revoluções
científicas.

Carvalho e outros (2000, p. 62, grifo do autor), destacam a relação de paradigma e


revolução científica, apresentando o seguinte esclarecimento sobre este tema:

Quando a teoria se impõe como adequada, torna-se modelo a partir do qual novas
descobertas são realizadas. O conhecimento é, então, acumulado, à medida que os novos
resultados são produzidos não se contrapõem aos princípios básicos que constituem
o paradigma. Durante muito tempo, por exemplo, pesquisadores da área da física
trabalharam a partir do modelo newtoniano, ampliando-o, sem, no entanto, colocá-lo em
questão. [...] fase normal da ciência.
Quando resultados diferentes dos esperados – as anomalias – começam a aparecer, o
paradigma vigente começa a entrar em crise. [...] o conjunto de anomalias acaba por
produzir uma revolução científica. A teoria copernicana, que substituiu a explicação
geocêntrica pela heliocêntrica, assim como a de Einstein, que rompeu com o modelo
newtoniano de física, são exemplos de revoluções científicas, pois apontaram a
insuficiência dos paradigmas ou modelos explicativos anteriores e estabeleceram novos
critérios para elaboração de procedimentos de pesquisa da realidade.

A história do conhecimento humano mostra como o interesse e a dominação tem


influenciado na concepção de ciência. Porém, as mudanças de paradigmas, não significam,
necessariamente, que as idéias ou interpretações, ora descartadas ou substituídas, eram
essencialmente falsas ou foram elaboradas de forma equivocada ou que os pesquisadores
que as produziram não estavam devidamente preparados para reformulá-las.

Mais ainda, elas mostram que os resultados científicos não são definitivos e que os
cientistas não param de pensar e discutir consigo mesmo e com seus pares; ou de buscar,
ainda, outros modos de formular os conceitos ou interpretações. Isso se aplica para toda a
pesquisa, tanto nas ciências da vida quanto nas ciências da terra.

Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia 5


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Curiosidades!!!
As ciências da Terra, da qual faz parte a geomorfologia, tratam da reconstrução,
valendo-se das evidências disponíveis, da sequencia de eventos que ocorreram
na superfície da terra, ou debaixo dela, deram origem às formas e materiais que
fazem parte dela. Para isso, a Geomorfologia recorre a evidências disponíveis
e a partir delas, enuncia sequencia de fatos que os geomorfólos acreditam
verdadeiros. Na realidade, não há como provar, de forma conclusiva, que os
eventos aconteceram ou se aconteceram à ordem suposta. Desde a época em
que a crença na criação divina da Terra foi destruída, nunca mais houve consenso;
houve e há discussão, controvérsia e substituição regular de paradigmas ou
modelos. Prova disso são os modelos descartados nos últimos trezentos anos,
entre eles o catastrofismo e teorias sobre a formação das montanhas, ciclo de
erosão ou a divisão de períodos do pleistoceno (COLTRINARI, 2002, p.116).

Atenção!!!
Paradigmas são “[...] as realizações científicas reconhecidas que, durante algum
tempo, fornecem problemas e soluções modelares para a comunidade” (KUHN,
1998, p.13).

Nessa perspectiva, em determinada fase de normalidade da ciência, seu


paradigma explica os questionamentos sobre os fatos ou fenômenos (1); surge
um fato novo, diferente do já conhecido e o conhecimento atual não consegue
dar explicações satisfatórias – aconteceu uma anomalia na ciência normal (2);
MAIA, I. M. R. L. S. essa anomalia leva a crise do paradigma vigente (3); com essa crise pesquisas
O desenvolvimento da extraordinárias são realizadas na busca de explicação do novo fato (4); quando
ciência em Thomas Kuhn.
se conseguir novos conceitos e princípios para explicar o novo fato (a anomalia),
Disponível em: emerge o novo paradigma da ciência (5). A ciência, então, retorna a um estado
<HTTP://www.consciencia.
org/kuhmisabel.shtml>.
de normalidade (6).
Acesso em: 11 jun. 2009.

Atividade 3
A revolução científica é um fenômeno semelhante a uma espiral. Enumere, no desenho
abaixo em forma de espiral, as fases que podem ocorrer em um paradigma, segundo Kuhn.

6 Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Paradigmas da
Trajetória da Ciência
Paradigma Teocêntrico
O paradigma teocêntrico foi o primeiro modelo de ciência dominante entre a Antiguidade
e Idade Média. Esse paradigma supõe que a verdade tem como centro o mundo de Deus (Teo),
enquanto o conceito de universo era o geocêntrico (Terra).

Este paradigma foi predominante até o final da Idade Média. A concepção da ciência e dos
métodos de constituição do saber, no decorrer dos séculos que seguem à Antiguidade Grega,
pouco progresso é digno de nota O conhecimento adotado era o meio termo entre religião e
ciência que correspondeu à interpretação de Santo Tomás de Aquino, dos preceitos filosóficos
de Aristóteles, enquanto que as interpretações apresentavam uma conciliação entre razão e fé
subordinadas aos dogmas do cristianismo (CARDOSO, 1995).

O renascimento veio contrapor a esse dogmatismo e o início de uma autonomia científica


até então oprimida pela Santa Inquisição.

Sugestão para ver:

 GIORDANO BRUNO
O filme relata os últimos dias da vida de Giordano Bruno, quando foi perseguido, preso
e condenado pela Santa Inquisição, por ter escrito livros contra o dogmatismo da Igreja.

Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia 7


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Paradigma Antropocêntrico
Neste paradigma a verdade está, mais especificamente, com o homem (Antropos). Em
outras palavras, o homem preterido na Idade Média por Deus, passa a ser o centro das atenções
dos pensadores e homens da ciência.

Na Idade Moderna conduz a encarar novos pontos de vista que irão florescer no século
XVII: O homem acumulador de conhecimento oriundo das inquietações do cotidiano se coloca
como capaz de descobrir o modo de funcionamento da natureza, como já vinha descobrindo
outros povos, continentes e terras.

Assim a construção de um novo conhecimento se impõe com a construção de um método


que se constrói a partir da observação da realidade (empirismo) e coloca a explicação à prova
(experimentação).

A base das ciências, na visão moderna é a experiência verificável. A partir de então


o conhecimento não repousa no simples exercício do pensamento, mas na observação,
experimentação e mensuração, tendo como fundamento o método científico em sua forma
experimental. Podemos caracterizar a ciência moderna como a aprendizagem de dominação
da natureza.

EMPIRISMO
Relaciona-se ao Conhecimento obtido por meio dos sentidos, pela experiência sensível.

Curiosidades
Galileu Galilei (1564 – 1642) - Considerado o pai da ciência moderna, sofreu
hostilidade dos sábios de sua época, por acreditar que o cientista deve provar na
prática tudo o que afirma. Para refutar a teoria geocêntrica (aterra como centro do
universo) desenvolveu argumentos que encontrou nas obras de Nicolau Copérnico
(1473 – 1543). Valendo-se de um telescópio (que inventou ou redescobriu) com
a capacidade para aumentar até mil vezes a imagem observada, conseguiu ver
as fases de Vênus: isto veio confirmar a teoria de Copérnico de que esse planeta
girava em torno do sol e que a terra não era o centro do universo (concepção
heliocêntrica do universo).

8 Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia


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A observação da queda da maçã, que teria inspirado Isaac Newton, ao que denominou “lei da A observação da
queda da maçã
gravidade universal”. No lugar das “leis divinas” surgem a noção de leis da natureza e a idéia
de que a ciência tem por objetivo definir suas leis. Figura do livro de Laville
e Dionne citado nas
referências.

Atividade 4
O que mudou na ciência com a transformação do Paradigma teocêntrico para o
antropocêntrico?

Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia 9


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Paradigma Ecocêntrico

N
esse paradigma, o homem passa a ser um fio na grande teia da vida. Novos conceitos
da relação homem e meio ambiente passam a ser considerados para “o fazer” ciência
no final do século XIX e início de século XX. A concepção de mundo está fundamentada
no conceito que se tem de universo (ECO).

A ciência experimental desenvolveu-se por meio de inúmeras aplicações ao estudo dos


fatos da realidade empírica. Os resultados científicos em benefício da humanidade levaram a
ciência a ter considerável influência na sociedade.

As mudanças e os melhoramentos são notáveis a vida humana. Por outro lado, vivemos
numa sociedade sem limites para o progresso científico em que convivemos com “perigos
cada vez mais verossímeis da catástrofe ecológica ou da guerra nuclear” (SANTOS, 2003, p. 6).

Soluções são procuradas para a grave crise ecológica que aparece até em nosso cotidiano.
Os resultados científicos tem demonstrado uma prática ecológica associada a atividades
utilitárias e pragmáticas, com finalidade econômica e, consequentemente, ao particular
interesse das classes dominantes.

Vivemos, portanto, uma grande perplexidade sobre os caminhos percorridos pelo


homem com os resultados da pesquisa científica. Se de um lado nos encantam as façanhas da
engenharia genética ou da medicina nuclear, temos de haver-nos com as sombras de desastres
dos recursos da ciência contemporânea. Eis porque a ciência e a tecnologia se constituem nas
glorias e nas sérias preocupações para o ser humano no presente século.

Sugestão para ver

Ponto de Mutação
Filme em que enfoca três personagens: um cientista, um político e um poeta, que
discutem sobre a crise atual da ciência com base no livro de Fritjof Capra que dá
nome ao filme (ver resenha apresentada no final da aula). Estabelecem-se novas
concepções defendidas pela visão holística.

10 Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Uma reflexão sobre a ciência hoje

E
stamos diante de uma crise do paradigma atual da ciência: emerge um novo tempo de
reflexão e de questionamentos; um tempo de revisão sobre o rigor científico; de uma nova
orientação do pensar científico, em outras bases conceituais teóricas e epistemológicas
e a noção humanista ética de responsabilidade.

Resta pensar, postas as realizações científicas irreversíveis do novo mundo, qual o


significado contido nelas. Dias (2000) apresenta algumas questões que fazem parte de qualquer Dias
arcabouço que se imagine para a educação nos tempos em que vivemos: De que forma a Emanuel Dias, Jornal
informática é agregada ao cotidiano para a construção de cidadania? Será que o domínio de do Comércio – Recife
–PE, Caderno 2, em 11.
genoma está propiciando as condições racionais para a intervenção mais profunda do homem
01.2000.
na natureza sem cavar sua própria sepultura com a destruição do ecossistema? Estará à
engenharia genética a serviço da qualidade de vida de todos, ou do lucro da minoria?

Os resultados das pesquisas científicas que beneficiam o homem não devem ser
restritos à academia, mas a todos que não puderam chegar à universidade. O que nos leva ao
entendimento de que o mais sofisticado dos produtos de laboratório deve ser explicado ao mais
humilde dos cidadãos. Estamos tratando, agora, da biosfera, da sobrevivência da humanidade.

A evolução da ciência em apenas quatro séculos de experimentalismo conseguiu


realizações verdadeiramente assustadoras, numa sociedade sem limites para o progresso
científico. “O momento é o de perguntarmos o que podemos fazer hoje, convivendo com
os avanços meio inconscientes de uma ciência que é, em si, maravilhosa, mas em muito se
tornou perversa em razão da perda de uma consciência profunda” (MORAIS, 2003, p. 91-92).

O maior desafio é entender como contribuir para a construção de uma consciência ecológica.
Que possa sustentar uma evolução sem desconsiderar os outros seres, reconhecidamente vivos
ou não. Uma educação fundamentada nestes princípios, que incorpore a atitude crítica para uma
atividade consciente do todo, na formação de uma identidade harmonizada.

É preciso crer na participação do ser humano nas possibilidades de recuperação do


mundo, no sentido de refletir sobre o fazer ciência com consciência, considerando que tem
sido vítima de erros ideológicos.

A perspectiva da ciência hoje depende da luta em dois níveis: primeiro, o desafio de uma
política no sentido de levar o conhecimento científico a todos os cidadãos e não só para alguns
e, segundo, a reeducação do homem voltada para atos pequenos e cotidianos, fundamentada
na consciência sobre seu mundo. Desse modo, estaremos contribuindo para uma produção
de cientistas que recupere o sentido do cotidiano, edifique uma ciência ética e socialmente
comprometida com o impacto das descobertas e o caminho de suas aplicações.

Muitas alternativas já foram tentadas para a recuperação dos caminhos legítimos da


ciência. A ciência na modernidade para garantir o status de científico instituiu a objetividade,
utilizando-se do método experimental no ato de conhecer fatos empiricamente verificáveis,

Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia 11


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atualmente emerge para uma visão compreensiva, holística, dialética da realidade. A concepção
de cosmovisão (a parte está no todo e o todo está na parte) e outras tradições espirituais
passam a raízes para este novo modelo. O entendimento é o de que no futuro residem todas
Holismo as possibilidades, as boas e as más, e que aquilo que há de vir depende das ações humanas
que preparam esse futuro.
Termo instituído por
Jan Smuts no em 1926,
se refere a uma visão
incluente, englobando
o novo, o dinâmico,
o flexível, a evolução,
trazendo a si todos os seus
princípios – considerada
concepção norteadora, por
Atividade 5
muitos estudiosos, para
uma educação ecológica.
Como poderemos construir Ciência com Consciência? Como vivenciá-la na escola?

Ângela Maria
Cavalcanti Ramalho

Professora do DFCS/ UEPB


e doutoranda em Educação
Ambiental da UFCG.

Para maior compreensão sobre a crise do paradigma atual, Leia a resenha abaixo:

CAPRA, Fritjof. A teia da vida. Tradução de Newton Roberval Ejchemberg.


São Paulo: Cultrix, 1996.
Ângela Maria Cavalcanti Ramalho

A obra de Capra A Teia da Vida faz uma reflexão sobre as perspectivas intelectual
e espiritual que emerge no mundo na contemporaneidade, delineando a necessidade de
se buscar uma nova maneira de pensar mais sensível e significativa; um novo paradigma
com uma visão de mundo ecológica. Essa nova concepção de mundo busca superar
o paradigma dominante que preside a ciência moderna que se constituiu a partir da
Revolução Científica do século XVI e desenvolveu-se nos séculos seguintes basicamente
á luz das ciências naturais, com total separação entre a natureza e o ser humano.

12 Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Portanto, essa perspectiva paradigmática deve ser coerente com uma mudança
fundamental na compreensão humana quanto à natureza do conhecimento científico.
A esfera das ciências físicas, ciências biológicas, sociais e humanas contribuirá para
significativa mudança sistêmica e transformação cultural. Com uma visão diferente de
mundo e da vida, os protagonistas do novo paradigma conduzem uma luta apaixonada
contra todas as formas de autoritarismo e dogmatismo, fazendo-nos crer no limiar de uma
sociedade interativa com uma organização social liberta das carências sociais.

Assim, como em outros períodos de transição difíceis de entender e de percorrer se


instaura a necessidade de formular novas perguntas. Os questionamentos se encaminham
com vistas á compreensão da realidade que se apresenta. O ato de conhecer implica
em um modo de interpretação da realidade em função de como esta interpretação afeta
nosso comportamento frente a nós mesmos e a natureza.

O novo paradigma que emerge atualmente pode ser descrito de várias maneiras:
visão de mundo holística, que enfatiza mais o todo que as suas partes. Também
denominado de visão de mundo ecológica - a expressão ecologia tem um sentido
mais amplo e profundo do que aquele em que é usualmente empregado. A consciência
ecológica, no sentido profundo, reconhece a interdependência essencial de todos os
fenômenos e o diálogo profícuo entre os indivíduos e as sociedades nos processos
cíclicos da natureza. Essa percepção profundamente ecológica está agora emergindo em
vários segmentos da sociedade.

O paradigma ecológico é alicerçado em valores ecocêntricos (centralização na Terra),


enraizado numa percepção existencial que vai além do arcabouço teórico-metodológico
científico baseado em valores antropocêntricos (homem como centro do universo), no
rumo de sua consciência de íntima e sutil unidade de toda a vida e da interdependência
de suas múltiplas manifestações e de seus ciclos de mudança e transformação.

Em última análise, essa profunda consciência ecológica é espiritual. Entendendo o


conceito de espírito humano como o modo de consciência em que o indivíduo se sente
ligado ao cosmo como um todo. Portanto, não é surpresa o fato de que a nova visão
da realidade esteja em harmonia com todas as concepções das tradições espirituais
da humanidade.

Sendo assim, à luz dos pressupostos teóricos e da obra em foco que preconiza a
importância de um novo paradigma: traduzindo-se em uma compreensão, sabedoria de
vida, em harmonia e comunhão com tudo que nos rodeia e que é o mais íntimo de cada
um de nós.

Enfim, acreditamos ser necessário o pronunciamento de um discurso ecocêntrico


de cada ser humano para que efetivamente possamos promover mudanças substanciais;
baseada na crença de que todo sujeito não é um ser individualizado, é um ser social
aprendido em um espaço coletivo compondo a teia da vida... pois, na vida todas as
coisas estão interligadas. Uma teia de conexões nos envolve por todos os lados, podendo
fazer-nos seres cooperativos e solidários, por causa desta teia chegamos até aqui e
poderemos ter futuro.

Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia 13


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Atividade 6
Faça algumas considerações sobre a resenha acima.

Concluindo a aula!
Ao término desta aula desejamos que você tenha compreendido: a importância de
conhecer fenômenos do mundo e da teoria científica que dá suporte à sua área de saber;
a preocupação epistemológica correspondente a relação sujeito e objeto; aspectos que
determinaram o surgimento da ciência moderna e o que se questiona sobre a ciência hoje.

Do mesmo modo, esperamos que as explicações dos paradigmas da ciência, tenham


levado você à reflexão sobre os modelos de conhecimento estabelecidos e aceitos pela
comunidade em determinado momento histórico.

Até a próxima aula!!!

14 Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Sugestões de leitura
Propomos como leituras complementares às discussões apresentadas nesta aula:

KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1998.

A obra é clássica ao iniciar um novo capítulo na história da filosofia da ciência, aliando


as abordagens filosóficas ao conhecimento dos procedimentos científicos. Destacamos os
capítulos em que discute a questão epistemológica, quanto a prática real dos cientistas na
caracterização do empreendimento científico, bem como, a noção de paradigma e seus estágios.

TEIXEIRA, Elizabeth. As três metodologias: acadêmica, da ciência e da pesquisa. Petrópolis,


RJ: Vozes, 2005.

Para nossos fins, particularmente, destacaríamos a segunda parte do livro Metodologia


da Ciência, que apresenta a relação conhecimento e ciência, tendo como ponto central das
discussões a trajetória da ciência e seus paradigmas. Neste contexto, a autora destaca aspectos
relevantes da história científica, da modernidade à atualidade, e chama a atenção para a presente
crise de paradigmas.

Resumo
Nesta aula foi destacado que os objetivos da ciência são determinados pela
necessidade que o homem possui de conhecer. Na descrição da relação sujeito e
objeto na produção do conhecimento científico, necessário a compreensão sobre
o que está sendo conhecido e o papel de quem conhece mediado pela pesquisa
científica. O enfoque sobre a trajetória da ciência teve por base três paradigmas:
teocêntrico, antropocêntrico e ecocêntrico, em que se identificam revoluções
científicas. O questionamento e reflexão sobre as realizações científicas tem como
meta a educação para a construção da ciência, fundamental à concepção de
ciência com consciência face a crise do paradigma atual.

Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia 15


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Autoavaliação
Nesta aula, foi apresentada a trajetória da ciência. Elabore um texto contendo uma
síntese dos três paradigmas: teocêntrico, antropocêntrico e ecocêntrico. Situe a
pesquisa neste contexto e o significado de ciência com consciência.

Referências
CARDOSO, Clodoaldo M. A canção da inteireza. São Paulo: Summus, 1995.

CARVALHO, A. M. et al. Aprendendo metodojogia científica: uma orientação para os alunos


de graduação. 2. ed. São Paulo: Nome da Rosa, 2000.

COLTRINARI, L. A pesquisa acadêmica, a pesquisa didática e a formação do professor de


geografia. In: PONTUSCHKA, N. N.; OLIVEIRA, O. U. Geografia em perspectiva: ensino e
pesquisa. São Paulo: Contexto, 2002.

DIONNE, J; LAVILLE, C. A construção do saber. Tradução de Heloísa Monteiro e Francisco


Settineri. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

KUHN, T. A estrutura das revoluções científicas. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1998.

MORAIS, F. R. de. Ciência e perspectivas antropológicas hoje. In: CARVALHO, Maria Cecília
M. de (Org.). Construindo o saber – Metodologia científica: fundamentos e técnicas. 15. ed.
Campinas, SP: Papirus, 2003.

RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

SANTOS, B. de S. Um discurso sobre as ciências. São Paulo: Cortez, 2003.

TEIXEIRA, E. As três metodologias: acadêmica, da ciência e da pesquisa. Petrópolis:


Vozes, 2005.

16 Aula 02 Pesquisa e Ensino em Geografia


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D I S C I P L I N A Pesquisa e Ensino em Geografia

Critérios de cientificidade
na construção da pesquisa

Autoras

Ângela Maria Cavalcanti Ramalho

Francisca Luseni Machado Marques

Aula

03
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Nome:______________________________________
Governo Federal
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva

Ministro da Educação
Fernando Haddad

Secretário de Educação a Distância – SEED


Carlos Eduardo Bielschowsky

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade Estadual da Paraíba

Reitor Reitora
José Ivonildo do Rêgo Marlene Alves Sousa Luna

Vice-Reitora Vice-Reitor
Ângela Maria Paiva Cruz Aldo Bezerra Maciel

Secretária de Educação a Distância Coordenadora Institucional de Programas Especiais – CIPE


Vera Lucia do Amaral Eliane de Moura Silva

Secretaria de Educação a Distância – SEDIS/UFRN


Coordenadora da Produção dos Materiais Diagramadores
Vera Lucia do Amaral Elizabeth da Silva Ferreira
Ivana Lima
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky Johann Jean Evangelista de Melo
José Antonio Bezerra Junior
Projeto Gráfico Mariana Araújo de Brito
Ivana Lima
Adaptação para Módulo Matemático
Joacy Guilherme de A. F. Filho
Revisoras Tipográficas
Adriana Rodrigues Gomes
Margareth Pereira Dias
Nouraide Queiroz

Arte e Ilustração
Adauto Harley
Carolina Costa
Heinkel Hugenin
Leonardo Feitoza

Divisão de Serviços Técnicos

Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida
sem a autorização expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
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Apresentação

N
esta aula, apresentaremos alguns procedimentos a serem observados durante
o planejamento e execução da pesquisa. A prática dessas posturas volta-se
para conseguir do aluno uma visão crítica da realidade, uma atitude ética e
um compromisso com a cientificidade. Tais cuidados são considerados um exercício
metodológico fundamental ao direcionamento da pesquisa científica.

Caminhos a percorrer...

Objetivos
Ao final desta aula, esperamos que você tenha compreendido

e interpretado:

o sentido da crítica para a construção e posicionamento

1 diante do conhecimento;

o significado da ética do conhecimento na realização da

2 pesquisa científica;

a importância dos critérios de cientificidade na produção


3 dos resultados da ciência.

Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia 1


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Uma reflexão
sobre Pesquisa e Cientificidade

O ser humano precisa conhecer!!!

A
pesquisa é uma atividade voltada para a busca de um determinado conhecimento.
Resulta de uma indagação da realidade com o objetivo de conhecer. Com a pesquisa
conhecemos para comunicar, para utilizar, para criticar, para viver na sociedade
do conhecimento.

Você já deve ter compreendido que a pesquisa antecede a atividade de transmitir e usar
conhecimento. Há, portanto, um momento em que sentimos necessidade de pesquisar. Quando
descobrimos que o que conhecemos era pouco, sempre. Não sabemos quando isso ocorre.
Como consideramos o tempo da vida do conhecimento anterior à pesquisa? Talvez possamos
considerar como “tempo de apenas comunicar e utilizar o que se sabe”.

No entanto, algo acontece quando descobrimos que não sabemos ainda, ou que
precisamos de mais conhecimento. Então se pesquisa, se investiga. A insatisfação com o
conhecimento é o que leva a pesquisar. Podemos dar um nome a esse tempo. Poderia ser: “o
tempo da ciência”. A diferença está na busca, na procura do saber que não possuímos através
da pesquisa em alguma ciência, talvez seja também a diferença entre utilizar o que se sabe e
utilizar o que se veio a saber.

Bruyne e colaboradores (1991) defendem a idéia de que os critérios de


cientificidade devem fazer parte do processo de construção do conhecimento. Minayo
e outros (1994, p.10 -12), afirmam que:
O campo científico, apesar de sua normatividade, é permeado por conflitos e tradições. Há
os que buscam a uniformidade dos procedimentos para compreender o natural e o social
como condição para atribuir o estatuto de “ciência” [...] Poderíamos dizer, nesse sentido,
que o labor científico caminha sempre em duas direções: numa elabora suas teorias,
seus métodos, seus princípios e estabelece seus resultados; noutra investiga, ratifica
seu caminho abandona certas vias e encaminha-se para certas direções privilegiadas.

2 Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Atividade 1
Para você, o que significa: pesquisar para conhecer?

Assim, o êxito de uma pesquisa depende fundamentalmente de certas qualidades


intelectuais e morais do pesquisador. No entanto, “[...] não bastará, pois, conhecê-las; é preciso
vivê-las, reduzi-las à prática, cultivá-las” (RUIZ, 1996, p. 132).

Inicialmente, apresentaremos a importância do posicionamento crítico e ético na pesquisa


para, em seguida, os cuidados metodológicos que uma vez seguidos produz o resultado
requerido pela ciência.

A crítica na
Construção da Pesquisa

A
humanidade atingiu conhecimentos sobre a natureza e sociedade. Quando o homem
faz conhecimento apresenta sua dimensão histórica e ao usá-lo sua condição social.
Cada ser humano se apropria do acervo dessas informações conforme sua vivência
e experiência pessoal, bem como, as condições dadas. Nessas circunstâncias, torna-se
importante a conscientização da necessidade de posicionar-se diante do conhecimento, prática
definidora do fazer e do usar.

O pensamento crítico e a pesquisa se sobrepõem, visto que o pensamento crítico ocorre


em todos os níveis do processo de investigação. No processo de pesquisa esperamos que o

Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia 3


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aluno desenvolva a capacidade de crítica, mediante a reflexão do conhecimento. Pois, o ato de
aprender e de pensar, com atenção e criticamente, credenciam a atividade científica.

Assim, pensar é ter um posicionamento crítico a respeito de cada uma das possibilidades
de saber. É sair da imediatez da experiência situando-a como um saber aparente que
necessita ser criticado (HÜHNE, 1995, p 40).

Atenção!!!
Quando você se posiciona diante de algum assunto, implica o ato de pensar, de
colocar-se reflexivamente diante do conhecimento adquirido.

As tomadas de posição de nossa vida não podem ser assumidas aleatoriamente, mas
consideradas como um trabalho do pensamento, por requerer a busca de sentido.

Portanto, para você: o que significa violência? O que pensa acerca de Greve? De Família?
Qual seu discurso sobre meio ambiente? Sobre amizade? Qual o seu conhecimento a respeito
dessas questões? Como você conheceu esses assuntos? Como você se posiciona acerca
dessas questões? E de outras?

Atividade 2
Pense e escreva um texto sobre um conceito de seu campo de estudo. Pode ser:
desmatamento, resíduos sólidos, mata atlântica ou outro de seu interesse.

4 Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Mas, o que você entende por crítica?

Atenção!!!
Lembre-se que o ato de criticar exige o pensar.

O sentido científico e filosófico de Criticar não significa: criticar por criticar, sem conhecer
a matéria que está sendo analisada. Quando não se conhece o assunto a critica é um ato
proveniente de interesses pessoais, de tabus emocionais, ou seja, decorre da subjetividade
do sujeito, sem fundamento lógico por falta de exame.

Criticar é, antes de qualquer coisa, analisar, questionar, submeter a exame, julgar a


validade, a fundamentação das soluções estabelecidas. Em que a formação do espírito crítico,
direito inalienável à pessoa humana, dá inicio a trajetória de renovação de cada um em particular
e científica da humanidade. Dessa forma, “Crítico, aqui, equivale a objetividade na elucidação:
descrição da realidade a partir de suas manifestações [reais] e não a partir de projeções
psicossociológicas do sujeito” (LUCKESI, 2005, p. 139).

Necessário, pois, estabelecer a diferença entre Espírito Crítico e Espírito de Crítica.


O Espírito Crítico consiste na atitude amadurecida do homem que o leva a aperfeiçoar o
discernimento, capacitando-o a separar o que é essencial do acidental, o importante do
secundário. Significa a busca com seriedade do conhecimento mais adequado, “que tranqüiliza
as exigências da razão, dissipa as trevas da ignorância e promove o progresso da mente.”
Enquanto que o Espírito de Crítica “é o espírito de contradição [...] de superficialidade
irresponsável [que] nasce do nada e não conduz a coisa alguma, ou nasce da inquietação
pessoal e conduz a inquietação de muitos.” Portanto, o aluno pesquisador “[...] deve cultivar,
desenvolver e fundamentar solidamente o espírito crítico e, por outro lado, banir do ambiente
amadurecido da ciência o fútil espírito de crítica, demolidor e pernicioso” (RUIZ, 1996, p. 133).

A crítica como trabalho intelectual tem a finalidade de explicitar o conteúdo de um


pensamento qualquer, de um discurso qualquer, para encontrar o que foi silenciado por esse
pensamento ou por esse discurso. Nesse processo de desvelamento do objeto, a crítica permite
encontrar uma obra de pensamento – a descoberta de tudo aquilo que estava silenciado, não
dito, não revelado. Que não tinha conhecimento.

Assim, como o ato de pesquisar constitui um processo em que o fenômeno estudado


não se deixa desvelar facilmente para o pesquisador, então cabe usar de suas capacidades
cognitivas de análise, síntese, compreensão, avaliação, revisão e aplicação, para a apreensão do
objeto. E só deste modo poderá argumentar e, consequentemente, criticar. Pois, é impossível
investigar sem usar os procedimentos da razão.

Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia 5


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Atividade 3
O Que você entendeu do texto acima?

Reflita!!!
Se a sua cabeça posiciona-se diante do conhecimento, você está criticamente
no mundo.

6 Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia


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A ética no
processo do conhecimento

A
educação assume o papel de tecer e incorporar no aluno o sentido de se viver eticamente
neste mundo global. Neste contexto, a prática da pesquisa envolve ações voltadas para
exemplos e vivências concretas – na reflexão do que poderemos deixar para as gerações
futuras – alunos conscientes e comprometidos consigo mesmo e com o próximo.

Uma reflexão que deve começar bem cedo sobre as ações realizadas no exercício de
nossa profissão. Podemos perguntar a nós mesmos: estou sendo um bom profissional? Estou
agindo adequadamente? Realizo corretamente minha atividade? Algumas perguntas podem
guiar a reflexão, para que possamos fazer uma avaliação das nossas ações, até ela se tornar um
hábito incorporado no dia a dia. Defrontamos com a necessidade de pautar o comportamento
por normas que julgamos apropriadas ou mais dignas de serem cumpridas.

Na vida real, enfrentamos vários problemas práticos que ninguém pode fugir. Para resolvê-
los recorremos a normas que servem para justificar a decisão tomada ou os passos dados.
Toda sociedade apresenta um conjunto de valores e regras destinadas a regular as ações dos
indivíduos que chamamos de Moral – que significa costume, no sentido de conjunto de normas
ou regras adquiridas por hábito.

A reflexão sobre os costumes, ou seja, a reflexão sobre o que seria o comportamento


ideal para os homens constitui atributo da Ética.

No cotidiano, a palavra Ética ganhou o status de coisa séria, entendida sobre o bom ou mau,
correto ou incorreto, adequado ou inadequado, com a missão de refletir sobre as ações humanas.

Com o progresso da ciência, o homem apresenta-se como absoluto, como criador de


diferentes domínios. Desse modo, razões históricas, políticas e culturais nos distanciaram da
dimensão ética da vida.

As causas históricas do esquecimento da questão ética para segundo plano é justificada


pela convicção tecnológica de que o verdadeiro caminho da sociedade rumo a uma vida melhor
seria o avanço técnico dos conhecimentos, da ciência, da riqueza material e econômica que
esse caminho proporciona; preconceito contra o discurso das virtudes – responsabilidade,
coragem, solidariedade, dedicação etc. - na concepção de que o discurso moral era utilizado
para conter a emancipação humana moderna.

Os resultados do avanço da ciência como sinônimo de progresso tem contribuído para


as reflexões éticas na contemporaneidade, do século XIX até nossos dias, voltando-se para
seus motivos e suas aplicações. Na produção do conhecimento científico, as reflexões sobre
as ações humanas se instauram quanto à responsabilidade de seus atos e a consciência de
seu dever.

Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia 7


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A ética de Kant (1980) é a mais perfeita expressão para a reflexão sobre a ciência e
perspectivas para a humanidade hoje. Indica o que a ética impõe a todos, fazer o bem e evitar
o mal. Para ele, o sujeito cognoscente é ativo, criador e está no centro tanto do conhecimento
A ética de Kant quanto da ética. O que leva o esforço da mente a refletir sobre as ações dos homens à luz da
máxima concepção possível do que seria perfeito (GUEDES, 2000).
Kant. I. Fundamentação
da metafísica dos
A pesquisa científica como atividade voltada para o estudo dos fatos de interesse do
costumes. São Paulo: Abril
Cultural, 1980. (Coleção os homem, na busca do conhecimento e não ao dogma, tem de avançar ancorada no conhecimento
pensadores). já sistematizado. Mas, a questão de interesse se firma com a reflexão da problematização e
justificativas do conhecimento.

Atividade 4
a) Atualmente, sobre que assunto gostaria de obter maior conhecimento?

b) Escreva o motivo pelo qual você escolheu este assunto.

8 Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Critérios de cientificidade

O
s critérios de cientificidade referem-se aos cuidados metodológicos que norteiam a
elaboração do trabalho de pesquisa. “Há, assim, um rol de cuidados específicos, que
uma vez seguidos, parecem produzir o resultado imaginado, o saber, a ciência” (DEMO,
2008, p. 34, grifo do autor).

Embora esses critérios também não se esgotem, é ponto de partida e de chegada para a
elaboração do trabalho científico. Com este raciocínio, procuramos responder seguinte questão:
quais cuidados metodológicos o aluno pesquisador deve levar em consideração para qualificar
seu trabalho como científico? Como resposta, seguimos o pensamento e classificação de Pedro A Construção
Demo (2008), apresentados no texto A Construção Científica, categorizando estes “cuidados” Científica
em critérios internos e externos de cientificidade. Os primeiros estão relacionados à própria Estes critérios encontram-
obra científica, ou seja, giram em torno da qualidade das características intrínsecas do trabalho. se explicitados no capítulo
Os segundos dizem respeito à opinião sobre ele, ou seja, o julgamento da qualidade de suas 2 do livro Introdução
à Metodologia da
características atribuídas de fora. Ciência, páginas 34 a
42 e apresentado como
sugestão de leitura.
Critérios internos de cientificidade:
Formais (quanto à forma) → coerência e consistência

Informais (quanto ao conteúdo) → originalidade e


objetivação

Critérios externos de cientificidade:


Estão relacionados à Opinião Dominante

Critérios internos formais e critérios Informais


Os critérios internos formais estão ligados à preocupação do aluno pesquisador quando
a forma do trabalho científico:

 Coerência: caracteriza a montagem do trabalho sem contradições, onde as partes estão


no seu devido lugar, deduzido de tal sorte que a conclusão não contradiz o ponto de
partida, e assim por diante.

Para o atendimento deste critério o aluno deverá cumprir algumas tarefas básicas: a)
definir com precisão os conceitos trabalhados; b) escrever o texto de modo simples e
compreensível; c) não confundir uma coisa com outra; d) observar a ordenação do texto:
introdução, desenvolvimento e conclusão.

É contraditório um político construir a imagem de paladino da justiça social ,


enquanto sua fazenda mantém trabalhadores sem terra em regime de semi-
escravidão.

Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia 9


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Atividade 5
Vamos organizar nosso estudo analisando a noção de coerência textual. Fica mais fácil
começar pela leitura de um fragmento do texto de Pedro Demo (2008, p.50), no qual demos
um título:

Superação da perplexidade inicial na elaboração de um Trabalho de Pesquisa Quando


nos propomos a realizar um trabalho de pesquisa é normal que a primeira impressão seja de
perplexidade. Não sabemos por onde começar, sobretudo se nunca nos tenhamos metido
antes no assunto. Todavia, é a situação de quem se julga pesquisador e não detentor do saber
prévio. Pesquisador é alguém que se propõe a descobrir a realidade, supondo que nunca a
sabemos satisfatoriamente. Sempre há o que descobrir. Quem parte de evidências nada tem
a pesquisar. O processo de superação desta perplexidade inicial é algo central na formação
científica de uma pessoa. Como se faz?

Em primeiro lugar, vamos à biblioteca ler sobre o tema. Não é bom expediente adiantar, de
mão beijada, literatura específica, e muito menos certas páginas, cuja leitura dá uma resposta
à questão procurada. Pesquisador é aquele que descobre por si, que inventa sua saída. Em
segundo lugar vamos levantar informação em torno do assunto, seja de ordem factual ou
teórica. Em terceiro lugar, é preciso colocar a imaginação para funcionar, ou seja, apelar para
a criatividade.

A perplexidade começa a ser superada, quando imaginamos vislumbrar uma suspeita


explicativa. Aí vemos uma luz no fundo do túnel. Conseguimos levantar algumas referências
orientadoras. Pode ser que venhamos logo a constatar que o caminho imaginado não é
factível ou que é equivocado. Mas já foi um avanço. E vamos avançando com maior ou menor
velocidade até elaborarmos as condições suficientes para desembocar nas conclusões.

a) Você deve lembrar que o produtor de um texto comunica suas idéias tendo em vista a
imagem que faz do leitor. Para quem este texto foi escrito? Justifique.

10 Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Atenção!!!
Quando lemos, atribuímos sentido ao texto porque temos idéias a respeito do que
se desenvolve nesse texto. Quando escrevemos, levamos para o leitor sentidos
que vão ser partilhados com ele, porque ele tem também idéias a respeito do
tema tratado no texto.

b) Releia o texto Superação da perplexidade inicial na elaboração de um Trabalho de Pesquisa,


ele apresenta continuidade de sentido. Comente.

c) O texto traz aquilo que esse leitor esperava encontrar quando leu o título e início do
assunto? Justifique.

d) Que outro título poderia ter?

Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia 11


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Atenção!!!
Você deve ter considerado que é possível atribuir significado ao texto porque
está organizado de modo que a fazer o leitor acompanhar a sequência dos
acontecimentos.

Consistência: este critério pode ser alcançado pelo aluno pesquisador com o estudo
permanente do tema da pesquisa. O propósito é a aquisição de conhecimento suficiente
para apresentar a característica de profundidade que toda obra científica deve ter. A
meta é a de apresentar explicações sobre o tema com a necessária profundidade, com
explicações mais adequadas. Considerando que consistência: De certa maneira podemos
defini-la como capacidade de resistir a contra-argumentos. É consistente aquilo que não
rui, que é compacto, resistente.

Assim, se lemos ainda hoje Aristóteles, Platão, Maquiavel, é porque vemos em


suas obras algo que conseguiu sobrepor-se à erosão do tempo. Não são mais
atuais. Reconhecemos até erros. Mas continuam importantes.

Os critérios internos não formais estão relacionados ao conteúdo do trabalho


cientifico, como:

 Originalidade: ligada ao conteúdo, significa a atenção para não cair apenas na cópia
e repetição; a necessidade de recuperar a criatividade, sem deturpar a realidade;
relação intrínseca com a produtividade, da capacidade de construir com os processos
e instrumentos de pesquisa. Portanto, não parece contradição afirmar que o espírito
científico deve ser criativo. Mas, é contradição imaginar que o aluno pesquisador criativo
é aquele que sabe sem estudar.

A pesquisa científica pode ser destacada como trabalho diferente dos exercícios
acadêmicos, geralmente solicitados. Significa a necessidade de levar a ciência para frente,
de a renovar constantemente, de recuperar interminavelmente a criatividade, de explorar
todas as potencialidades imagináveis, de inventar alternativas onde menos se espera. De
caminhar pelo caminho do saber científico.

 Objetividade: Esta qualidade, também, caracteriza os resultados de uma pesquisa.


Para alcançarmos a explicação dos fatos de modo que haja adequação entre o nosso
pensamento e o fato estudado – fica claro que o espírito crítico se liga ao compromisso
da objetividade. Este critério demarca o início da pesquisa experimental, movida pela
busca de uma analise mais realista possível do fenômeno pesquisado.

12 Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Interessa a ciência captar a realidade assim como ela é.

A negação da objetividade é incompatível com a ciência. A apropriação do objeto


pela mente, o conhecimento da verdade não subjetiva, é uma das razões de ser
da ciência. É essa verdade que se denomina objetiva, porque busca a apreensão
do que realmente existe.

Com a subjetividade – o conhecimento resulta de condicionamentos pessoais, dos interesses,


predileções, preconceitos ou gostos, o que implica na deturpação da realidade.


Com a objetividade – o conhecimento resulta do esforço da mente em adequar o pensamento
ao que existe, implica na apreensão da realidade como ela é, e não como gostaríamos que fosse.

Atenção!!!
O que acontece na realidade é um esforço de objetivação constante na atividade
do cientista. Há um grande esforço para recortar o objeto e tratá-lo de forma mais
objetiva possível, num trabalho contínuo, paciente e cuidadoso. Nesse processo, o
cientista deve ter a plena consciência de que todos os seus esforços só conseguem
produzir conhecimento provisório, mutável e falível. Um conhecimento que está
sempre à espera de uma melhor construção, ou seja, da elaboração de uma teoria
que possa explicar melhor o real (GUEDES, 2000, p. 178).

Atividade 6

Consideramos que a maioria dos cuidados metodológicos visa à objetividade. Por que
esse critério é importante na pesquisa científica?

Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia 13


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Critérios Externos
Ao lado dos critérios internos temos ainda os critérios externos, que decorrem do
julgamento ou avaliação externa a respeito da obra científica. Significa a opinião dominante
em determinado assunto, ou sobre certa obra ou autor. Estes se manifestam através da opinião
dominante científica. Assim, uma obra, além dos critérios internos de avaliação, enfrenta a
expectativa ideológica ou a opinião dominante.

Embora na avaliação devêssemos adotar somente a crítica interna, baseada nos critérios
internos, alicerçada pela qualidade interna, a opinião dominante tenta evitar fenômeno do
argumento de autoridade.

O enunciado não pode ser considerado científico por causa de seu produtor. Para Cervo
e Bervian (1996, p. 20), “O argumento de autoridade consiste em admitir uma verdade ou
doutrina com base no valor intelectual ou moral daquele que propõe ou professa.”

A ciência não aceita o argumento de autoridade como critério de avaliação científica.


Embora tal critério tenha sido dominante por muito tempo, tomada como aceitação
do que um “mestre” anunciava acerca de um assunto. De certo modo, os cientistas
utilizam o argumento de autoridade em nossos dias (quando, por exemplo, aceitam como
verdadeiras as técnicas empregadas por outros, sem verificá-las pessoalmente). [...] Em
nossos dias, a ciência não aceita a concepção de verdade eterna e submete qualquer
argumento de autoridade à verificação, a fim de verificar sua veracidade ou falsidade.
Se assim não fosse, o conhecimento científico ficaria estagnado e ainda estaríamos
acreditando na teoria geocêntrica de Ptolomeu, imaginando que o sol e os planetas
girariam em torno da terra (CERVO; BERVIAN, 1996, p, 20).

Os resultados científicos obtidos por especialistas poderão, certamente servir para guiar
trabalhos de investigação. O estudo de fontes bibliográficas, presente em todo tipo de pesquisa,
se expressa na fundamentação teórica obtida com o desenvolvimento de citações.

As citações no texto são importantes no sentido de permitir ao leitor seguir o roteiro de


construção do tema ou relacionar aspectos já estudados por outros estudiosos. As citações
vem garantir a cientificidade do argumento, acrescentando, sustentando, apoiando as idéias
apresentadas pelo autor do texto.

Atenção!!!
A citação não é autoridade, porquanto é somente instrumental.

14 Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Atividade 7
Após o texto acima escrito, verificamos duas citações seguidas. As citações merecem
ser contextualizadas: seja, concluindo um argumento, seja situada no texto e, em seguida,
interpretada. Qual sua sugestão nesse sentido?

Assim, a avaliação científica recebe influência da opinião dominante, que aparece


intrinsecamente: no tipo de direcionamento da relação orientador e orientando; na sugestão
de um determinado tema considerado mais atual e mais adequado influenciado pelo momento
histórico; na adesão extrema às idéias de um autor; enfim, a opinião dominante realiza a
incursão subjetiva na atribuição da nota para um trabalho científico.

Atenção!!!
Um trabalho sem citações é pobre em referência, mas abarrotado delas indica
que o autor do texto esconde-se atrás de citações.

Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia 15


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Atividade 8
A banca examinadora, de um trabalho de conclusão de curso, pode ser considerada um
critério externo de cientificidade habitualmente praticado na Universidade. Por quê?

Concluindo a aula!!!
Ao final da aula, esperamos que você tenha compreendido a importância do senso crítico
e da postura ética na construção do conhecimento, bem como, em sua vida. Do mesmo modo,
a apreensão dos cuidados metodológicos requeridos no processo de pesquisa, na produção
de resultados científicos.

Resumo
Nesta aula, foi estudado o significado da crítica e da reflexão sobre as ações
humana por uma ética do conhecimento. A descrição dos cuidados metodológicos,
classificados em critérios internos e critérios externos, que o pesquisador deve
seguir para a obtenção de cientificidade nos resultados da pesquisa.

16 Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Autoavaliação
a) Leia sobre os critérios internos e externos de cientificidade e escreva o que entendeu.

b) Releia todo texto desta aula e faça um comentário.

Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia 17


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Sugestão de leitura
DEMO, P. Introdução à metodologia da ciência. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

O autor apresenta a dialética como a metodologia mais adequada para apreender a


realidade. No capítulo 2, destacamos, no enfoque relacionado à demarcação científica, a
apresentação de cuidados específicos do cientista, reconhecidos como importantes, “que
uma vez seguidos, parecem produzir o resultado imaginado, a saber, a ciência”. Tais cuidados
são categorizados, pelo autor, como critérios internos e externos de cientificidade.

Referências
BRANDÃO, C. R. A pergunta a várias mãos: a experiência da partilha através da pesquisa em
educação. São Paulo: Cortez, 2003

CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 1996.

DEMO, P. Introdução à metodologia da ciência. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

GUEDES, E. M. Curso de metodologia científica. 2. ed. São Paulo: HD livros, 2000.

HÜNHE, N. A. Metodologia científica. 6. ed. Rio de Janeiro: Agir: 1995.

RUIZ, J. A. Metodologia científica:guia para eficiência nos estudos. 4. ed. São Paulo:
Atlas, 1998.

18 Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Anotações

Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia 19


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Anotações

20 Aula 03 Pesquisa e Ensino em Geografia


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D I S C I P L I N A Pesquisa e Ensino em Geografia

Pontos fundamentais
de um projeto de pesquisa

Autoras

Ângela Maria Cavalcanti Ramalho

Francisca Luseni Machado Marques

Aula

04
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Nome:______________________________________
Governo Federal
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva

Ministro da Educação
Fernando Haddad

Secretário de Educação a Distância – SEED


Carlos Eduardo Bielschowsky

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade Estadual da Paraíba

Reitor Reitora
José Ivonildo do Rêgo Marlene Alves Sousa Luna

Vice-Reitora Vice-Reitor
Ângela Maria Paiva Cruz Aldo Bezerra Maciel

Secretária de Educação a Distância Coordenadora Institucional de Programas Especiais – CIPE


Vera Lucia do Amaral Eliane de Moura Silva

Secretaria de Educação a Distância – SEDIS/UFRN


Coordenadora da Produção dos Materiais Revisoras Tipográficas
Vera Lucia do Amaral Adriana Rodrigues Gomes
Margareth Pereira Dias
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky Nouraide Queiroz

Arte e Ilustração
Projeto Gráfico
Adauto Harley
Ivana Lima
Carolina Costa
Revisores de Estrutura e Linguagem Heinkel Hugenin
Janio Gustavo Barbosa Leonardo Feitoza
Eugenio Tavares Borges
Diagramadores
Thalyta Mabel Nobre Barbosa
Elizabeth da Silva Ferreira
Revisora das Normas da ABNT Ivana Lima
Verônica Pinheiro da Silva Johann Jean Evangelista de Melo
José Antonio Bezerra Junior
Revisores de Língua Portuguesa
Mariana Araújo de Brito
Flávia Angélica de Amorim Andrade
Janaina Tomaz Capistrano Adaptação para Módulo Matemático
Kaline Sampaio de Araújo Joacy Guilherme de A. F. Filho
Samuel Anderson de Oliveira Lima

Divisão de Serviços Técnicos

Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida
sem a autorização expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
VERSÃO DO PROFESSOR

Apresentação

A
universidade deve ser um centro que forme profissionais capazes de pensar e criticar
com independência e que saibam transmitir à sociedade o conhecimento. A capacidade
de reflexão, de busca e de crítica, onde a verdade é procurada cotidianamente, segundo
suas próprias vias, em todas as direções possíveis.

Para alcançar esses objetivos, é preciso habilitar os alunos com noções básicas em
pesquisa e terminologia específica a fim de que estes possam desenvolver investigações
sistemáticas e aplicar conteúdos éticos, resultantes de trabalhos científicos.

Assim, a partir dessa perspectiva, procuraremos através de uma linguagem acessível e


exemplos práticos, ordenar a unidade em uma progressão que se inicia pela elaboração do projeto
de pesquisa com seus vários elementos e seus requisitos básicos de viabilidade e confiabilidade.

Convictas da importância do conteúdo programático apresentado, como elemento básico


para a competência profissional, e objetivando alimentar uma vivência prática da proposta de
iniciação científica, convidamos você a percorrer conosco todas as páginas com motivação e
autodisciplina apropriando-se criteriosamente os conteúdos e pensamentos.

As autoras

Caminhos a percorrer...

Objetivos
Pretende-se, ao final desta aula, que você sinta-se capaz de:

compreender a pesquisa científica como processo que

1 capacita o educando/pesquisador a produzir conhecimento


adequado à compreensão de seu campo de interesse;

entender os passos requeridos para a construção de um


2 projeto inicial de pesquisa;

elaborar sistematização dos passos de um pré-projeto


3 segundo um roteiro estabelecido.

Aula 04 Pesquisa e Ensino em Geografia 1


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VERSÃO DO PROFESSOR

Reflita!!!
Não é no espaço que devo buscar minha dignidade, mas na ordenação de meu
pensamento. Não terei mais, possuindo terras; pelo espaço, o universo me abarca
e traga como um ponto, pelo pensamento, eu os abarco (PASCAL, 1973, p.128).

O Projeto de Pesquisa:
primeiras questões
Todo trabalho científico deve ser construído a partir da elaboração de um projeto de
pesquisa. O projeto de pesquisa vai possibilitar o delineamento das idéias inicias sobre o
problema e sobre a metodologia que será usada no desenvolvimento.

O projeto de pesquisa deve funcionar como um guia do pesquisador em relação aos


passos a seguir. Apesar de ser um roteiro pré-estabelecido e rigorosamente elaborado, o projeto
não é imutável, ao contrário, o caminho percorrido ao longo da pesquisa acaba por imprimir-
lhe novas características, novos aspectos, colocando novas exigências para o pesquisador.

Assim, podemos dizer que o momento da construção do projeto é o momento mais


criativo e individual do pesquisador. “[...] por outro lado também é certo que o processo de
investigação, pela sua riqueza, transforma o sonho, por vezes reduzindo-o, por vezes ampliando
mais ainda os seus horizontes” (GONSALVES, 2001, p.11).

Para que o projeto seja eficiente necessita ser bem pensado como também redigido,
considerando que o mesmo é um documento escrito, é a materialização de um planejamento.

O projeto de pesquisa também possibilita o estabelecimento de uma comunicação entre


os pares, permitindo uma troca, o que se caracteriza como uma experiência muito rica e
comum nos cursos de graduação e pós-graduação. Expondo seu projeto para seus colegas e
professores, você consegue descobrir suas lacunas, perceber novas possibilidades.

A elaboração de um projeto de pesquisa segundo Gonsalves (2001) implica em três


dimensões, que estão interligadas:

a) a dimensão técnica, que remete para as regras instituídas sobre a elaboração de um


projeto de pesquisa científica;

b) a dimensão teórica, que corresponde às escolhas do pesquisador (tema, referencial teórico


etc.) que norteiam a reconstrução de um objeto de conhecimento com procedimentos
próprios e consensuais no campo da ciência;

2 Aula 04 Pesquisa e Ensino em Geografia


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VERSÃO DO PROFESSOR
c) a dimensão afetiva, que revela a afinidade, identidade e o envolvimento do pesquisador
com o tema escolhido.

Portanto, a construção do projeto de pesquisa é um momento relevante na vida de um


estudante de graduação, pois é o resultado de um sonho, pela riqueza de ampliação dos seus
horizontes. Um momento criativo e individual do pesquisador.
Assim:

O projeto de pesquisa deve ser entendido como um produto, pois é um documento


escrito resultante de um exercício acadêmico e científico – e, também como um
processo – pois é um instrumento dinâmico, que tem a importante característica
de ser flexível (GONSALVES, 2001, p.12).

Construindo o pré-projeto

P
ara Lakatos e Marconi (2001) antes de redigir um projeto de pesquisa, alguns passos
necessitam ser dados. Em primeiro lugar, exigem-se estudos preliminares que permitirão
verificar o estado da questão que se pretende desenvolver sob o aspecto teórico e de
outros estudos e pesquisas já sistematizadas.

A finalidade do Pré-Projeto é a integração dos elementos em quadros teóricos e aspectos


metodológicos adequados, permitindo também ampliar e especificar a definição das categorias.
Em um segundo momento, prepara-se o projeto definitivo.

Assim, o primeiro passo inicia-se com a escolha do tema. O que estudar?

a) Escolha do Tema
Com a escolha do tema, você inicia a sua caminhada científica, cujo conteúdo e sucesso
dependem bastante deste momento. Além disso, diante da vastidão das possibilidades de
temas sugeridos pela atividade humana, sabe-se, por experiência, da dificuldade diante da
escolha de um tema.

Definido o tema, vamos dar o segundo passo à delimitação do tema, sair da perspectiva
temática geral para a específica. O que estudar especificamente?

b) Delimitação do Tema
Delimitar um tema significa focalizar as partes específicas que interessam, considerando-o
por período de tempo, situação geográfica, social, política, cultural ou histórica.

Exemplo: Tema: Desertificação. O tema é bem abrangente, logo, necessita de ser delimitado.

Aula 04 Pesquisa e Ensino em Geografia 3


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VERSÃO DO PROFESSOR
Assim:
A desertificação como resultado da intervenção do homem no meio ambiente no Cariri
paraibano.

Ou:
A desertificação como resultado dos efeitos climáticos e da ação antrópica no Cariri paraibano.

Resumindo:
Processo inicial: a) encontrar um interesse em uma área definindo uma temática;
b) restringir o interesse para um tópico possível; c) questionar esse tópico sob
diversos pontos de vista; d) definir um fundamento lógico para o projeto.

O Pré-Projeto de pesquisa também pode ser iniciado por uma situação problema.
Portanto, vamos construí-la exercitando.

Atividade 1
a) A partir do que lemos ao longo do semestre, do que estamos aprendendo nas várias
disciplinas, do que temos trabalhado em nossa prática estamos interessados em pesquisar
sobre qual problema?

b) O referido problema nos preocupa por quê?

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c) Questões Norteadoras
Estamos interessados nessa situação problema porque queremos encontrar resposta às
seguintes perguntas:

d) Fundamento Lógico
Estamos interessados nessa situação problema e queremos encontrar resposta às
perguntas formuladas a fim de:

Observe!!!
Assim, se as perguntas estão direcionadas aos autores, ou seja, se o desejo é
formular e encontra respostas em fontes bibliográficas, a Pesquisa é Bibliográfica.
Se as perguntas estão direcionadas aos atores da educação, ou seja, se o desejo é
encontrar respostas em fontes orais nos múltiplos contextos educacionais então
a Pesquisa será uma Pesquisa de Campo.

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O Projeto de Pesquisa:
estrutura básica
Realizada a construção do Pré-projeto de pesquisa e feita à revisão da bibliografia, análise
do estado da arte e definido o quadro teórico e os aspectos metodológicos, sistematiza-se o
projeto de pesquisa, mais detalhado e apresentado rigor e precisão metodológicos.

Assim, eis os elementos:

TEMA: apresentação do tema e de seus conceitos mais gerais.

DELIMITAÇÃO DO TEMA: especificação geográfica e temporal

SITUAÇÃO PROBLEMA: a situação que está causando o interesse pela pesquisa. Exemplos:
uma ausência, uma falta/carência, dificuldades sentidas/observadas, uma mudança, uma
descontinuidade, uma crise, uma contradição, dúvidas. O que você detectou como problemático
na escola e deseja estudar para desvendar, compreender e transformar.

Deverá vir acompanhado das questões norteadoras ou hipóteses: os questionamentos:


as perguntas que devem ser respondidas com a pesquisa; As Hipóteses: são respostas às
perguntas formuladas acima.

Exemplo:

Problema: Quais são os fatores determinantes do processo de desertificação no Cariri


paraibano?

Hipótese: A desertificação é um fenômeno que se processa em zonas áridas, semi-áridas e


subúmidas secas, desencadeado por efeitos climáticos e intensificado pela ação antrópica,
resultante de fatores econômicos, sociais e culturais, ocorrendo à perda dos solos e o
desaparecimento da biodiversidade, Intensificando a degradação ambiental.

É nesta etapa que você responde a um por quê? Refere-se aos motivos que impulsionaram você
a pesquisar sobre determinado tema. Para tanto, ela deve abordar os seguintes elementos: a
delimitação, a relevância e a viabilidade além do caráter de cientificidade.

Não existem regras fixas na elaboração de hipóteses. Sua formulação exige habilidade,
criatividade e conhecimento do tema estudado. Um mesmo problema pode apresentar várias
hipóteses que são soluções possíveis para a sua resolução.

JUSTIFICATIVA: explicitar as razões teóricas e prática que te levaram a pesquisar o tema,


motivação e importância do estudo. Aqui você deve buscar convencer o leitor de que seu
estudo tem relevância e os fatores que foram determinantes.

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OBJETIVOS: são obrigatórios em qualquer tipo de pesquisa. Eles devem sintetizar o que se
pretende alcançar com a pesquisa. São divididos em geral e específicos e devem ser claros,
sucintos e diretos e estar coerentes com o problema e a justificativa.

OBJETIVO GERAL: é a síntese do que se pretende alcançar/ atingir com a pesquisa realizada,
oferecendo uma resposta ao problema, testando a veracidade da hipótese de trabalho.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS: o que será feito ao longo de estudo para responder às perguntas,
ocupam-se dos detalhes e serão desdobramentos do objetivo geral.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: autores que serão referência para o estudo; teorias que
serão utilizadas etc. Os aspectos definidores do tema, suas características, peculiaridades,
modalidades etc.

METODOLOGIA: É o ponto mais complexo da pesquisa, pois nele se faz a explanação e a


demonstração a ser adotada. Devem ser descritos minuciosamente os procedimentos utilizados
na pesquisa.

a) A escolha dos métodos de abordagem que serão utilizados

b) Método de procedimento

c) Seleção das técnicas de coleta de dados: demonstrando-os por quais instrumentos será
feita a coleta de dados, como será feita a tabulação, a análise dos dados

d) Descrição da população ou delimitação do universo da pesquisa, que consiste na


determinação do espaço geográfico, espaço de tempo e indicadores ou aspectos que
serão pesquisados

e) Para efeito de pesquisa, “população” não significa apenas pessoas ou habitantes, mas
sim, a totalidade de elementos de um determinado universo.

Resumindo
(A) Tipo de estudo: suas características, razões da escolha B) Local/Contexto:
onde será feito o estudo. Aspectos definidores. C) Fontes de Informação: o que
será consultado (fontes orais, documentais etc., quem irá fornecer os dados,
critérios de escolha, suas características. D) Técnicas de Coleta e Análise de
Dados: questionário, formulário, entrevista, análise de documentos, história de
vida/oral, observação, observação participante, fotografia, filmagem, etc. referir
quais técnicas para quais sujeitos, etapas que pretende desenvolver e as técnicas
de análise dos dados que pretende adotar. (E) Aspectos Éticos: como será obtido
consentimento esclarecido dos informantes.

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CRONOGRAMA: (Quando?) descrever o período que será desenvolvido a pesquisa e as
respectivas atividades.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: (Quais as fontes de estudo?) apresentar a relação de


documentos que subsidiaram a compreensão do objeto de estudo.

RESUMINDO: As perguntas ao serem respondidas redundarão no corpo ou


estrutura do projeto de pesquisa.

(1) O que fazer, ou o que eu quero descobrir? Constitui a formulação do


problema, o enunciado das hipóteses, se for o caso, e estabelecimento de bases
teóricas do estudo a ser feito.

(2) Por quê? Refere-se a justificativa da pesquisa, motivos de ordem prática e


teórica que ensejam a pesquisa o assunto e o que trará benefício para a sociedade.

(3) Para quê? Objetivos gerais da pesquisa é a definição clara do que se deseja
conseguir com o estudo, exposto de maneira bem geral e abrangente, mas sem
ser muito extensiva. Para quem? Refere-se aos objetivos específicos e deve
conter as situações particulares dos objetivos.

(4) Onde? Como? Com quê? Quando? Nesta parte está considerado o trabalho
em si, ou seja, o plano experimento. Onde e como, referem-se ao campo de
observação e variáveis que sejam importantes para o estudo, características
da população. Com quê? Instrumentos a serem usado devem ser descritos e
relacionados às informações que se deseja colher, quais serão os procedimentos
e que resultados se pretende obter com os dados coletados.

(5) Quando? Responde a definição de tempo para planejamento, execução e


apresentação da pesquisa, compreendendo todas as suas fases. Cronograma.

(6) Com quanto fazer? Toda e qualquer pesquisa, para ser feita, envolve gastos e
esta pergunta se refere ao orçamento ou plano de custos. Nele devem ser incluídos
os gastos com recursos materiais e humanos de maneira bem discriminada.

Assim, da mesma forma que a estrutura do projeto tem um núcleo básico, o percurso da
investigação científica também possui alguns elementos comuns. Goldenberg (1999) compara
este momento com uma relação amorosa. Vamos Observá-la:

“A fase inicial, que pode ser chamada de exploratória, lembra uma paquera de dois adolescentes.
É o momento em que se tenta descobrir algo sobre o objeto de desejo, quem mais escreveu (ou

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se interessou) sobre ele, qual a melhor abordagem dentre todas as possíveis para conquistar
este objeto” (GOLDENBERG, 1999, p.72). Podemos considerar essa fase correspondente a
um olhar, um desejo ainda distante.

“Em seguida, vem a fase do “namoro”, uma fase de maior e compromisso que exige um
conhecimento mais profundo, uma dedicação quase que exclusiva ao objeto de paixão.”
(GOLDENBERG, 1999, p.72). Aqui o pesquisador acaba por envolver-se com seu objeto de
estudo de forma profunda.

“A terceira fase é o “casamento”, em que a pesquisa exige fidelidade, dedicação, atenção ao


seu cotidiano, que é feito de altos e baixos.” (GOLDENBERG, 1999, p.72).

Finalmente, a última fase que para a autora é um momento de “separação” feliz: “[...] a fase da
separação, em que o pesquisador precisa se distanciar do seu objeto para escrever o relatório
final da pesquisa. É o momento em que é necessário olhar o mais criticamente possível o objeto
estudado. É o momento de ver os defeitos e qualidades do objeto amado.” (GOLDENBERG,
1999, p.72).

Atividade 2
Agora vamos exercitar o aprender fazendo, sistematizando um Pré-Projeto de pesquisa:

TEMA

DELIMITAÇÂO DO TEMA

PROBLEMA

HIPÓTESE

JUSTIFICATIVA

OBJETIVOS

GERAL

ESPECÍFICOS

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METODOLOGIA

CRONOGRAMA:

  ATIVIDADES / PERÍODOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
1 Pesquisa bibliográfica X                  
2 Elaboração do Projeto   X  X              
3 Coleta de dados     X X X          
4 Análise dos dados       X X X X      
5 Elaboração do Relatório Final           X X X    
6 Revisão da ABNT/ Ortográfica                 X  
7 Entrega/ Defesa da Monografia                   X

Atividade 3

Vejamos agora se realmente você entendeu o que um projeto de quais seus objetivos.
Portanto, descreva:

O que é um projeto de pesquisa?

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Atividade 4
Ao término da unidade nosso desafio agora é “aprender a aprender”. Portanto, iniciemos
fazendo uma analisar da proposta abaixo:

Na atual realidade em que vivemos, as transformações são constantes em ritmos


acelerados. Verdades são questionadas e as nossas certezas tornam-se provisórias. Diante
desse contexto, o desafio é “aprender a aprender” e “saber pensar”. Portanto, o educador deve
estimular e propor ao aluno conteúdos e atividades que possibilitem ao aluno aprender pela
ação. Como é possível essa vivência? Comente.

Reflita!!!
Em questões de ciência, a autoridade de mil pessoas não tem o mesmo valor que
o raciocínio de um só indivíduo (GALILEU).

Autoavaliação
A partir de uma observação sistemática do meio ambiente no qual você está
inserido e o da figura apresentada abaixo. Formule uma questão que mereça ser
investigada.

Meio Ambiente

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Concluindo nosso DIÁLOGO


Ao término das leituras e atividades desenvolvidas esperamos que você tenha
encontrado pistas suficientes que possa lhe permitir dar passos significativos
rumo ao “aprender a aprender” no caminho da pesquisa científica. Lembramos
que existe ainda muita coisa a ser dita e outras tantas a serem aprofundadas.
Todavia, ao possibilitar a realização desse diálogo você já se manifesta favorável
a redimensionar sua leitura de mundo e aprender pela ação. Considerando que é
preciso construir o conhecimento com iniciativa própria, pesquisando em grupo
e elaborando individualmente, fica para a vida, principalmente a atitude cotidiana
construtiva, sendo uma chance real de futuro. Assim: “Saber pensar não é só
pensar é saber intervir” (DEMO, 2001.p.36).

Leituras complementares
GONSALVES, E. L. Iniciação à pesquisa científica. 2. ed. Campinas, SP: Alínes, 2001.

Este livro supera a figura de um “manual clássico” para a construção e apresentação de


um projeto de pesquisa. A autora mostra que as regras instituídas pelo jogo da ciência estão
em constante mutação e que o maior motor dessa transformação é um conjunto formado pela
criatividade, ousadia e o rigor do pesquisador.

SANTOS, I. E. dos. Métodos e técnicas da pesquisa científica. 2. ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2000.

A obra apresenta uma série de textos selecionados de métodos e técnicas de pesquisa


científica, todos considerados importantes e indispensáveis a qualquer estudante que esteja
envolvido com as atividades científicas.

Resumo
Discutimos nesta aula, que o ato de pesquisar significa ir além da mera aparência,
por isso é relevante perceber a importância dos desafios e incertezas de nosso
tempo. Abordamos a pesquisa científica como processo que capacita o educando/
pesquisador a produzir conhecimento adequado à compreensão de determinada
realidade, fato, fenômeno ou relação social. Vislumbrando a pesquisa como
descoberta e criação que se caracteriza como uma descoberta do mundo,
criação e reelaboração de uma concepção de mundo, com sujeitos capazes de
apropriar-se do saber com autonomia. Nesse sentido, é preciso compreender
a pesquisa como princípio educativo, considerando que a educação necessita
gerar ambiência para estratégia de geração de conhecimento e de emancipação
do sujeito no diálogo com a realidade e na formação da cidadania.

12 Aula 04 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Parabéns!!! Mais uma etapa vencida.
Nós acreditamos no seu potencial...

Referências
ANDRADE, M. M. de. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 2000.

DEMO, P. Saber pensar. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001.

GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em ciências


sociais. São Paulo:Record,1999.

GONSALVES, E. L. Iniciação à pesquisa científica. 2. ed. Campinas,SP: Alínes, 2001.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 4. ed. São


Paulo: Atlas, 2001.

PIZZOLATO, L, L.(Coord.). RELATÓRIOS. Universidade Federal do Paraná, Sistema de


Bibliotecas. Curitiba: Editora da UFPR, 2001.

SANTOS, I. E. dos. Métodos e técnicas da pesquisa científica. 2. ed. Rio de Janeiro:


Impetus, 2000.

Anotações

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Anotações

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Anotações

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Anotações

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D I S C I P L I N A Pesquisa e Ensino em Geografia

Classificação da pesquisa científica

Autoras

Ângela Maria Cavalcanti Ramalho

Francisca Luseni Machado Marques

Aula

05
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Nome:______________________________________
Governo Federal
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva

Ministro da Educação
Fernando Haddad

Secretário de Educação a Distância – SEED


Carlos Eduardo Bielschowsky

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade Estadual da Paraíba

Reitor Reitora
José Ivonildo do Rêgo Marlene Alves Sousa Luna

Vice-Reitora Vice-Reitor
Ângela Maria Paiva Cruz Aldo Bezerra Maciel

Secretária de Educação a Distância Coordenadora Institucional de Programas Especiais – CIPE


Vera Lucia do Amaral Eliane de Moura Silva

Secretaria de Educação a Distância – SEDIS/UFRN


Coordenadora da Produção dos Materiais Arte e Ilustração
Vera Lucia do Amaral Adauto Harley
Carolina Costa
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky Heinkel Hugenin
Leonardo Feitoza
Projeto Gráfico
Diagramadores
Ivana Lima
Elizabeth da Silva Ferreira
Revisoras Tipográficas Ivana Lima
Adriana Rodrigues Gomes Johann Jean Evangelista de Melo
Margareth Pereira Dias José Antonio Bezerra Junior
Nouraide Queiroz Mariana Araújo de Brito

Adaptação para Módulo Matemático


Joacy Guilherme de A. F. Filho

Divisão de Serviços Técnicos

Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida
sem a autorização expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
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Apresentação
Caro(a) Aluno(a)

N
esta aula enfocaremos a importância da pesquisa para o professor. A intenção é
incentivá-lo a pensar em pesquisa como base de seu próprio desenvolvimento
profissional. Pois, além do contato permanente do professor com a pesquisa – por
meio de conhecimentos adquiridos ou produzidos no estudo das diversas áreas do currículo,
novas metodologias de ensino ou opções pedagógicas -, o trabalho pedagógico do professor,
cada vez mais, se constrói mediante conhecimentos gerados de pesquisa de sua própria
prática pedagógica.

Com esse objetivo, apresentaremos as tipologias das pesquisas, tendo como base
os seguintes critérios: quanto à definição de objetivos; quanto ao local de obtenção das
informações e; quanto aos procedimentos técnicos utilizados pelo pesquisador.

Além das definições e exemplos, você vai encontrar solicitações de atividades que podem
levá-lo (a) a maior reflexão do conceito de pesquisa e sua relação com a prática docente na
área de conhecimento Geografia.

Assim, poderá realizar nova leitura sobre o projeto de pesquisa, para a descrição mais
aprofundada e consciente do tipo de pesquisa em função das atividades desenvolvidas na
investigação.

Caminhos a percorrer ...

Objetivos
Esperamos que, ao final desta aula, você saiba:

Estabelecer a importância da pesquisa científica no


1 desenvolvimento da prática docente;

Situar classificações das pesquisas quanto aos objetivos


2 e local de informações;

Identificar pesquisas segundo o tipo de questões


3 formuladas.

Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia 1


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A Pesquisa:
Atividade Básica do Ensino
O professor é necessariamente, pesquisador, pois, a docência implica permanente busca
do conhecimento, tanto como princípio para a aprendizagem, tanto no horizonte da pesquisa
como princípio para o ensino.

O conceito de ciência vem sendo desmitificado ao longo dos anos. Os meios de


comunicação contribuíram para a divulgação da pesquisa científica como atividade tão somente
realizada por pessoas consideradas gênios, bem como a concepção da imperiosa manipulação
de equipamentos complicados.

No entanto, quem faz pesquisa são pessoas dotadas de determinada escolaridade


à compreensão dos caminhos que levam ao conhecimento científico na adequação entre
o pensamento e a realidade. Para o professor, a pesquisa não se reduz à obtenção de
conhecimento de ponta, mas atividade de aprendizagem.

Conhecimento de Ponta
Resulta dos conhecimentos obtidos de pesquisadores que já incorporaram à
rotina de uma ciência ou profissão, parte em busca do novo, do ignorado, com
intenção e método. O profissional de nível superior, convidado para integrar-se em
pesquisas, usa procedimentos e equipamentos dos mais complexos na busca de
descobertas consideradas relevantes para a humanidade. A pesquisa de “ponta”
é a tentativa de negação/superação científica e existencial (SANTOS A. R., 2002).

Neste sentido, Demo (2004, p. 80 - 81), afirma que:

Nem todos os professores serão pesquisadores profissionais, mas serão de todos os


modos profissionais pesquisadores: capazes de pesquisar sempre que necessário para
renovar sua profissão. “Profissional pesquisador” é aquele que não faz da pesquisa sua
razão maior de ser, mas instrumentação indispensável de aprendizagem permanente.
Professor e o “eterno aprendiz”, e só será se souber pesquisar. Assim colocadas as coisas,
pesquisa comparece em muitos matizes nos professores, desde aquele que se torna capaz
de sofisticações maiores, até outros que exercitam o questionamento reconstrutivo com
relativa modéstia.

Professor é o eterno aprendiz que faz da aprendizagem sua profissão e tem a pesquisa
como hábito de estudo para as atividades de ensino realizadas. A pesquisa se torna pano de
fundo para a aprendizagem e ensino, considerando-se que: o professor que realiza pesquisa
para aprender tende a ressaltar a idéia de “educar pela pesquisa” como caminho dos mais

2 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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profícuos para se chegar ao “aprender a aprender”. Diz respeito, também, à capacidade do
professor de produzir conhecimento científico adequado à compreensão de determinado fato
ou fenômeno. Consequentemente, para que o aluno aprenda a pesquisar, implica que tenha
diante de si professor que saiba pesquisar.

A pesquisa, concebida como busca significativa de uma dúvida ou problema, demanda


a necessidade de realizar empreendimentos para descobrir ou conhecer algo (BARROS;
LEHFELD, 1999).

Pois, a investigação científica nasce de um problema percebido: da ignorância ou objetiva


maior compreensão, atende a inquietação ou ao desejo de apropriação, revela a necessidade de
descoberta ou da revisão do conhecimento já produzido. Para o professor, atende a necessidade
de maior conhecimento sobre determinado tema ou respostas de situação que envolve o
contexto educacional.

O trabalho do professor, basicamente, é adquirir e reconstruir novas explicações sobre


os fenômenos observados. Neste sentido, busca respostas de novas questões, realiza ações
para resolver problemas, aperfeiçoa investigações, agregando estes conhecimentos aos já
existentes. O método de pesquisa orientador deste trabalho confere a validade dos resultados
do estudo.

Atividade 1

Ciência

Método Pesquisa

ENSINO

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a) A partir de do que você estudou: o que representa a figura acima?

Lembre-se:
O professor precisa compreender e utilizar os caminhos da ciência...

b) Para você, o que significa a afirmativa: a pesquisa é a atividade básica para o ensino.

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Curiosidades!!!

Setores da Pesquisa em Geografia


A pesquisa em geografia é fragmentada em setores, dentre os quais podem ser
considerados:

1) Geomorfologia: que trata da observação do terreno e dos efeitos dos mecanismos


perceptíveis e suscetíveis de serem projetados no plano de hipóteses de evolução.

O laboratório auxilia o estudo da geomorfologia quando permite diagnosticar o grau de


estabilidade de uma vertente, a velocidade mais ou menos pronunciada de destruição de uma
topografia tais como o desflorestamento, construções, obras de arte etc.

As pesquisas geomorfológicas envolvem: o estudo do gelo, das rochas e dos solos; estudo
das alterações das rochas e análise com raios x. Estas pesquisas demandam laboratórios e
equipamentos com tecnologia de ponta. Outras, como: os estudos de bacias e vertentes podem
ser feitas através de pesquisas mais simples, com observações de campo.

2) Climatologia: as pesquisas no campo da climatologia levam a curiosidade além do plano


dos climas locais, gerados por efeitos voluntários ou involuntários e das realizações
da economia industrial: climas urbanos, clima das regiões, modificações operadas no
escoamento e no estacionamento das águas e nas transformações da vegetação, entre
outros.

O campo da pesquisa é relativo aos “danos” dos meios densamente ocupados e


sobrecarregados de técnicas ainda mal controladas, está a exigir novos trabalhos de
climatologia geográfica.

3) Hidrologia: pesquisas relacionadas com a oceanografia. A hidrologia vai se integrando cada


vez mais à geomorfologia, na medida em que o fluxo é considerado um tempo de fator de
erosão e de deslocamento de materiais e como forma de alimentação fluvial balanceada
pela natureza das rochas, pelos solos e pela vegetação.

4) Biogeografia: constitui vastíssimo campo de investigação, pois compreende o estudo dos


seres vivos sobre a superfície do globo, atualmente e no tempo passado, e das condições
desta distribuição, contemplando a composição das floras e faunas viventes ou fósseis, o
determinismo e as conseqüências desta composição. É essencialmente ecológica, isto é,
constitui a mais representativa da abordagem geográfica dos fatos planetários.

Qualquer agressão a um equilíbrio biogeográfico compromete não apenas a combinação


viva como também seu sustentáculo inerte, com relação ao qual ela exercia uma função de
proteção e de conservação (ZILIANI, 2007).

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Classificação da Pesquisa
A pesquisa, mais usualmente, pode ser classificada ou dividida de três maneiras: a primeira
com base nos objetivos pretendidos, a segunda com base na obtenção das informações e a
terceira se baseia nos procedimentos utilizados pelo pesquisador.

A classificação da pesquisa
com base em seus objetivos
Quanto aos objetivos, a pesquisa pode ser exploratória, descritiva e explicativa.

1) A pesquisa exploratória é considerada uma pesquisa preliminar, mais superficial, que


se caracteriza pela existência de poucos dados disponíveis. “Muitas vezes, por não ter
clareza sobre um determinado problema, o pesquisador vale-se inicialmente desse tipo
de pesquisa [...] Alguns autores a vêem como um estudo inicial para a realização de outro
tipo de pesquisa” (RODRIGUES, 2006, p. 90).

O planejamento do tipo de pesquisa exploratória está relacionado à pesquisa bibliográfica


sobre um tema estudado. Quando realiza entrevistas com pessoas que possam responder sobre
o problema pesquisado, geralmente, assume a forma de estudo de caso.

Explorar é tipicamente a primeira aproximação com o tema e visa criar maior familiaridade
em relação a um fato ou fenômeno. Quase sempre busca-se essa familiaridade pela
prospecção de materiais que possam informar ao pesquisador a real importância do
problema, o estágio em que se encontram as informações já disponíveis à respeito do
assunto, e até mesmo, revelar ao pesquisador novas fontes de informações (SANTOS,
A. R., 2007, p. 26).

2) A pesquisa descritiva trata da descrição das características de um determinado fenômeno


ou estabelecer relações entre variáveis que se manifestam espontaneamente.

Após a primeira aproximação (pesquisa exploratória), o interesse é descrever um fato


ou fenômeno. Por isso a pesquisa descritiva é um levantamento das características
conhecidas, componentes do fato/fenômeno/problema. É normalmente feita na forma
de levantamentos ou observações sistemáticas do fato/fenômeno/problema escolhido
(SANTOS, A. R., 2007, p.26).

Muitas são as pesquisas com esta denominação e a utilização de técnicas padronizadas de


coleta de dados, tais como questionário e a observação sistemática. Nesse caso, o pesquisador
registra, analisa e interpreta os dados. É amplamente utilizada nas Ciências Humanas e Sociais,
com a utilização do método observacional; solicitada por instituições educacionais, empresas
comerciais, partidos políticos e outros.

6 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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3) A pesquisa explicativa estuda de modo mais aprofundado a realidade, porque explica o
motivo, o porquê das coisas. Consiste numa investigação mais complexa, valendo-se do
método experimental. As Ciências Naturais utilizam com maior freqüência os procedimentos
das pesquisas explicativas.

Criar uma teoria aceitável a respeito de um fato ou fenômeno constitui a pesquisa


explicativa. Esta se ocupa dos porquês de fatos/fenômenos que preenchem a realidade,
isto é, com a identificação dos fatores que contribuem ou determinam a ocorrência, ou
a maneira de ocorrer dos fatos e fenômenos. Não é demais afirmar que as informações
mais importantes, componentes de várias ciências, são originárias deste tipo de pesquisa,
já que visa aprofundar o conhecimento da realidade para além das aparências dos seus
fenômenos. E, por natureza, envolve o pesquisador num nível também mais elevado de
responsabilidade para com os resultados obtidos. (SANTOS, A. R., 2007, p.27).

Atividade 2
A classificação da pesquisa quanto aos objetivos está relacionada ao nível de investigação
- mais superficial ou menos superficial? Comente.

Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia 7


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Classificação da pesquisa
com base na obtenção das informações

A pesquisa quanto ao local de obtenção das informações pode ser classificada em:
bibliográfica, de campo e de laboratório.

a) As informações na pesquisa bibliográfica são obtidas por meio de fontes teóricas, ou


seja, por meio de material publicado como livros, revistas e artigos científicos. Consiste na
pesquisa fundamental à formação do estudante universitário. Todo estudante universitário
deve ser iniciado nos métodos e técnicas da pesquisa bibliográfica. Geralmente, o local
indicado para obtenção das informações é a biblioteca.

Leia!!!
Como você deve ter percebido não se concebe a docência sem pesquisa bibliográfica.
Porque o(a) professor(a) não tem nada a ensinar se não dispõe de material de discussão, sem
ser retirado de outros autores, através de pesquisas.

Atenção!!!
O confronto crítico do professor pesquisador durante a leitura é condição fundamental
para se superar de níveis apenas repetitivos. Portanto, a disposição de dialogar com teóricos,
não como mero aprendiz, mas como alguém capaz de relacionar a aprendizagem ao contexto
em que vive e marcar a trajetória do aprendizado com contribuições originais.

b) A coleta e registro na pesquisa de campo, relativos ao assunto da pesquisa, são realizadas


in loco, ou seja, no local onde está ocorrendo o fenômeno estudado. O pesquisador
obtém os dados no local (campo) onde o fenômeno surgiu, e ocorre em situação natural,
espontaneamente.

A pesquisa de campo constitui um tema muito importante na Geografia. O campo para


o geógrafo é o local adequado para o ato de observação da realidade, em que sua construção
geográfica depende de suas práticas sociais. Neste sentido, como afirma Morin (1996), implica
a forma de visualização do mundo como uma totalidade complexa e dialética não externa ao
sujeito. Pois, faço parte de um sistema mundo e como observador/pesquisador/transformador
de mim e de mim nele.

8 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Leia!!!
O campo de pesquisa do professor pesquisador pode ser dimensionado como: a sala
de aula, a escola, a comunidade, uma praça, um rio ou uma serra próximo à sua cidade etc.
A pesquisa de campo é a que observa, registra ou recolhe os dados no local, de interesse do
pesquisador.

Atenção!!!
O(a) professor(a) realiza o trabalho de campo com o objetivo de compreender os grupos
de relação com a escola para construir sua própria resposta em função desta intenção.

Assim, prática docente é condição fundamental para a realização da pesquisa aplicada,


baseada no desejo de conhecer ou compreender uma situação vivenciada, para tornar-se capaz
de fazer algo melhor ou de maneira mais eficiente.

c) Os dados obtidos em laboratório caracterizam a pesquisa de laboratório, quando o


pesquisador procura produzir ou reproduzir o fenômeno estudado, em condições de
controle (experimento), para saber os efeitos.

Os mais modernos aparelhos e instrumentos de precisão e experiências que a técnica


coloca à disposição do homem, invadem aos poucos nossas Universidades, alojando-se
nos chamados laboratórios. Os alunos são acompanhados pelos mestres especializados
no treinamento necessário ao uso de tais instrumentos, para realizarem experiências ou
pesquisas de laboratório (CERVO; BERVIAN, 2002, p. 34).

Leia!!!
A pesquisa de laboratório pode ser caracterizada por duas situações: a interferência
artificial na produção do fato/fenômeno ou artificialização de sua leitura, geralmente melhorando
as capacidades humanas naturais de percepção. [...] os fatos/fenômenos que acontecem na
realidade, no campo, muitas vezes escapam ao padrão desejável de observação. Por isso,
são reproduzidos de forma artificial e controlada, e permitem assim captação adequada para
descrição e análise (SANTOS, A. R., 2002, p. 30 – 31).

Atenção!!!
O professor pode fazer da sala de aula seu laboratório. Para isto, deve apresentar um plano
experimental, definindo o experimento e como será testado. Algumas pesquisas aproximam-se
ao máximo do planejamento da pesquisa experimental e, por isso, serem consideradas quase
experimentais.

Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia 9


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Atividade 3
Como se distinguem os locais em que podem ser obtidas informações de pesquisa?

Pesquisas classificadas com base nos


procedimentos técnicos utilizados
Uma terceira maneira de classificar os tipos de pesquisa diz respeito aos procedimentos
técnicos utilizados pelo pesquisador. Neste caso, a elaboração das perguntas define o tipo de
pesquisa. Com esse raciocínio, as pesquisas podem ser identificadas, dentre outras, como:
bibliográfica, documental, do tipo levantamento, estudo de caso, pesquisa ação

Pesquisa bibliográfica
Inicialmente, o aluno pesquisador precisa estar a par de uma bibliografia,
instrumentalizando-se na manipulação de referências bibliográficas dos diversos tipos de
publicações com que irá lidar no momento da pesquisa bibliográfica.

10 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Para Gil (2002, p. 72-73), os procedimentos da pesquisa bibliográfica se definem mediante
os seguintes passos: a) determinar os objetivos; b) elaborar um plano de trabalho; c) identificar
as fontes; localizar as fontes e obter o material; d) ler o material; fazer apontamentos; e)
confeccionar fichas; e f) redigir o trabalho.

Exemplo de uma pergunta de pesquisa: Como a literatura brasileira contemporânea tem


tratado o desmatamento da Amazônia?

A pesquisa terá sempre uma parte de fundamentação teórica sobre o assunto. Nessa parte
deve apresentar os conhecimentos adquiridos das leituras realizadas na bibliografia selecionada
para estudo. Importante lembrar que a pesquisa bibliográfica é base para a pesquisa de campo
ou de laboratório, pois, a fundamentação teórica é essencial a qualquer tipo de pesquisa. Por
vezes, é realizada independentemente, percorrendo todos os passos do trabalho científico.
Assim, como os demais tipos de pesquisa, a pesquisa bibliográfica exige do pesquisador
procedimento crítico diante dos textos consultados e incluídos na pesquisa.

As técnicas utilizadas na coleta de dados decorrem dos procedimentos de estudo da


leitura trabalhada: resumos, fichamentos, resenhas etc. Estão relacionadas a preparar-se para
anotar informações, à aplicação do espírito para apreender e obter conhecimentos.

Atividade 4
A Educação Ambiental tem sido motivo de preocupação no âmbito da educação há,
pelo menos, três décadas. Na Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o
Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, Suécia, em 1972, reconheceu-se o desenvolvimento
da EA como elemento crítico para o combate à crise ambiental no mundo e enfatizou-se a
urgência da necessidade do homem reordenar suas prioridades. Além disso, recomendou-se
o treinamento de professores e o desenvolvimento de novos recursos institucionais e métodos
para trabalhar a EA, sendo reconhecida a importância em trazer assuntos ambientais para o
público em geral (DIAS, 1998)

De acordo com o texto acima, é fundamental que professores trabalhem assuntos


ambientais para os alunos. O que requer do professor a atividade da pesquisa bibliográfica
sobre o tema Meio Ambiente, voltada para o ato de ensinar.

a) Formule uma pergunta de pesquisa sobre Meio Ambiente que permita a obtenção da
resposta, através de uma pesquisa bibliográfica, ou seja, a atividade a ser desenvolvida
requer procedimentos da leitura de material já elaborado, constituído de livros, artigos,
monografias, dissertações, teses etc.

Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia 11


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b) Com o objetivo de obter conhecimento sobre o tema referido, cite duas referências
bibliográficas que você considera possíveis fontes de pesquisa.

Pesquisa documental
A pesquisa documental embora se assemelhe à pesquisa bibliográfica, diferencia-se, seja
quanto: à natureza das fontes de pesquisa; ou quanto aos documentos que podem ser escritos
ou não, ou ainda, que não receberam tratamento analítico.

Exemplo de uma pergunta de pesquisa: Como os PCNs tratam a questão do meio-


ambiente nos temas transversais?

Gil (2002, p.52) define as seguintes fases na pesquisa documental: a) estabelecimento de


objetivos; b) elaboração do plano de trabalho; c) seleção e localização das fontes; d) obtenção
do material; e) tratamento dos dados; f) confecção das fichas; e g) redação do trabalho.

A pesquisa documental, geralmente, é realizada em locais que sirvam como fonte de


informações para o levantamento de documentos arquivados em órgãos públicos e instituições

12 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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privadas, associações, sindicatos, igrejas etc. Tem como objeto para coleta de dados: boletins,
cartas pessoais, folhetos, diários, fotografias, gravações, memorandos, regulamentos etc.
Por outro lado, a pesquisa documental procura dados em documentos como: relatórios de
pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas, anais etc. Como se vê, “[...] é possível
até mesmo tratar a pesquisa bibliográfica como um tipo de pesquisa documental, que se vale
especialmente de material impresso fundamentalmente para fins de leitura” (GIL, 2002, p. 52).

Atividade 5

Formule uma pergunta de pesquisa cujos dados possam ser obtidos, a partir de
1 documentos.

Analise em que medida o lixo da praça e textos dos alunos podem ser utilizados
2 como fonte de dados em pesquisa.

Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia 13


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Pesquisa levantamento
Trata de um estudo que envolve grande número de componentes de determinado universo
a ser pesquisado, através de amostras.

Refere-se aos estudos interrogando-se, de forma clara e direta, indivíduos dos quais
se objetiva saber o comportamento. Exemplos são os censos realizados pelo governo e
buscam informações de todos os componentes de um determinado universo pesquisado,
através de amostras (SANTOS, I. E., 2000, p. 162).

Os levantamentos podem envolver vários segmentos (sócio econômicos, psicossociais


etc.). A análise dos dados é realizada por meio de tratamento estatístico. Nas conclusões
procuram-se respostas às perguntas de pesquisa, incluindo comentários do pesquisador em
relação às implicações ou necessidades de aprofundamento.

De modo geral, para Gil (2002, p.86) as fases da pesquisa levantamento podem ser
definidas na seguinte sequência: a) apresentação dos objetivos; b) definição dos conceitos
e variáveis; c) realização de um estudo piloto; d) seleção da amostra; e) elaboração do
instrumento e coleta de dados; e f) análise e apresentação dos resultados.

Exemplo de uma pergunta de pesquisa: Quais são os grupos culturais e étnicos que
compõem a população de alunos da comunidade x atualmente?

A pesquisa procura respostas para descrever a situação como ela existe, podendo ser
qualitativa ou quantitativa. Geralmente, os resultados são apresentados em forma de narrativas
com apresentação de tabelas e gráficos.

Atividade 6
a) Formule uma pergunta de pesquisa, cujos dados possam ser obtidos a partir de
levantamento.

14 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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b) Convém que o projeto de pesquisa, a seguir, seja desenvolvido como levantamento:

Projeto de pesquisa acerca das contribuições de cientistas brasileiros na área de


Desenvolvimento Capitalista no Espaço Agrário Brasileiro. Por quê?

Pesquisa estudo de caso


Neste estudo, se realiza uma análise com profundidade de uma ou poucas unidades, com
vistas à obtenção de conhecer detalhes sobre o objeto da pesquisa. O processo de aquisição
de conhecimento da realidade se pauta pela economia e eficiência. Para isto, Martins (2006, p
17), afirma ser “[...] necessário buscar, armazenar e ter acesso ao máximo de informações e
conhecimentos possíveis sobre o tema escolhido, com um nível aceitável de esforço e dispêndio
de tempo e recursos”.

Para Gil (2002, p. 121), nos estudos de casos se distinguem quatro fases: a) delimitação
da unidade caso; b) coleta de dados; c) análise e interpretação dos dados coletados; e d)
redação do relatório.

Exemplo de uma pergunta de pesquisa: Como o saber de Geografia é construído na escola


X da rede pública de ensino?

O objeto de uma pesquisa de estudo de caso pode surgir de circunstâncias pessoais ou


profissionais, da experiência científica própria ou alheia. Pode ser uma pessoa, uma família,
uma comunidade, uma escola ou um conjunto de relações ou processos (como conflitos no
trabalho, segregação espacial numa comunidade etc.).

A quantidade de informações necessárias sobre o objeto de estudo, depende da percepção


do pesquisador em considerá-los suficientes para se chegar à compreensão do objeto. É muito
importante, também, que para a análise dos dados sejam utilizadas categorias analíticas. Por
exemplo, se numa pesquisa sobre conteúdos básicos da Geografia na Educação Infantil e Anos
iniciais for possível, utilizar as categorias “paisagem”, “região”, “lugar”, “território”, “natureza”
e “sociedade”, os dados assumem um significado que facilmente pode ser transmitido.

Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia 15


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Atividade 7
Apresente uma pergunta de pesquisa para a qual seja indicada a utilização do
estudo de caso.
Sua resposta

Pesquisa ação
A pesquisa ação diz respeito à intervenção planejada e envolvimento do pesquisador
em relação ao grupo envolvido no problema, com o objetivo de examinar os efeitos dessa
intervenção.

Moreira e Caleffe (2008, p.92, grifo nosso), afirmam que a pesquisa ação na escola e na
sala de aula é um meio:

a) de sanar problemas diagnosticados em situações específicas, ou melhorar alguma


maneira um conjunto de circunstâncias. b) de treinamento em serviço, portanto,
proporcionando ao professor habilidades, métodos para aprimorar sua capacidade
analítica e fortalecimento da autoconsciência; c) de introduzir abordagens adicionais e
inovadoras no processo ensino-aprendizagem e aprender continuamente em um sistema
que normalmente inibe a mudança e a inovação; [...] e) de proporcionar uma alternativa
à solução de problemas na sala de aula.
[acrescenta ainda:]

16 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Quem realmente pode fazer pesquisa-ação? Três possibilidades se apresentam. Primeiro,
o professor trabalhando sozinho com sua turma. Ele sentirá necessidade de algum tipo
de mudança ou melhora na sua prática pedagógica e na organização e estará em uma
posição de traduzir suas idéias em ação na sua própria sala de aula. Nesse caso ele se
torna praticante e pesquisador e tentará integrar as orientações teóricas e práticas em
seu trabalho. Segundo, a pesquisa pode ser realizada por um grupo de professores
trabalhando cooperativamente em uma escola, ainda que haja a necessidade de o
professor trabalhar sozinho. Ele pode ser ou não orientado por um pesquisador de fora
da escola. E, terceiro, há uma ocasião – talvez a mais característica em anos recentes
– em o professor ou os professores trabalham em conjunto com um pesquisador ou
pesquisadores em uma relação sustentada, possivelmente com outras partes interessadas
como orientadores, departamentos universitários e patrocinadores.

Na educação a pesquisa ação realizada de forma cooperativa se revela como a mais


prática de pesquisa na busca de solução de problemas pelos professores, administradores,
alunos e pessoas da comunidade, tendo como fundamento a melhoria da qualidade do ensino
e da aprendizagem.

Moreira e Caleffe (2008, p. 93) ainda apresentam ocasiões em que a pesquisa ação é
apropriada:

1) Métodos de ensino – substituir um método tradicional por um método progressista;

2) Estratégias de aprendizagem – adotar uma abordagem integrada de aprendizagem em


referências a outro estilo de ensino;

3) Procedimentos de avaliação – melhorar os métodos de avaliação;

4) Atitudes e valores – possibilidade de incentivar atitudes mais positivas em relação ao


trabalho, ou modificar o sistema de valores dos alunos em relação a alguns aspectos
da vida;

5) O desenvolvimento pessoal dos professores – melhorar as habilidades de ensino,


desenvolver novos métodos de aprendizagem, aumentar a sua capacidade de análise.

6) Gerenciamento e controle – a introdução gradual de técnicas de modificação de


comportamento;

7) Gestão – aumentar a eficiência do professor em alguns aspectos administrativos da


vida escolar.

Exemplo de uma pergunta de pesquisa: É possível planejar um sistema de controle


disciplinar para a Escola XXX com a finalidade de melhorar o comportamento geral
dos alunos?

Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia 17


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Trata de um problema específico da escola XXX, preocupada com a disciplina em sala de
aula. Com a pesquisa ação se identifica um problema específico, apresenta possíveis soluções
para o problema para aplicar e testar essas soluções. Durante o processo de execução é
necessário registrar todas as situações, os procedimentos e resultados. A pesquisa ação segue
os principais passos, conforme ilustração abaixo:

Condição anterior
(Indisciplina)

Pesquisa Implementada
(Nova Proposta Disciplinar)

Condição Subsequente
(Melhor Comportamento)

Assim, a pesquisa ação está preocupada com o diagnóstico de um problema de um


contexto específico. As atividades a serem desenvolvidas exigem um plano de ação direcionado
à melhoria das condições deste contexto particular com a adoção de procedimentos flexíveis,
pois no processo de pesquisa os objetos são constantemente redefinidos.

Atividade 8
Uma pesquisa ação concretiza-se com o planejamento de uma ação destinada a enfrentar
o problema que foi diagnosticado. Isto implica a elaboração de um plano de ação que indique:

a) Um objetivo que pretende atingir:

18 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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b) A população a ser beneficiado: ___________________________________________

c) A identificação de ações que podem contribuir para melhorar a situação:

Concluindo a aula !!!


Finalizando esta aula, esperamos que você tenha refletido sobre a importância da
pesquisa científica na atividade docente como um recurso permanente para a aprendizagem.
Do mesmo modo, o conhecimento/prática das atividades sobre tipologias das pesquisas,
possam orientá-lo(a) na compreensão das implicações e ações mediadoras no processo de
reconstrução do ensino.

Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia 19


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Sugestões de leitura
MOREIRA, H. CALEFFE, L. G. Metodologia da pesquisa para professor pesquisador. São
Paulo: DP&A; Lamparina, 2006.

Este livro destaca a importância da pesquisa com base no seu próprio desenvolvimento.
Consiste em relevante auxílio para o professor pesquisador, dando suporte para alunos de
graduação e especialização que necessitam elaborar suas monografias. Destacamos o capítulo
3 que trata das tipologias das pesquisas inerentes aos paradigmas: positivista e interpretativo.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

O livro traz esclarecimentos acerca dos procedimentos a serem adotados para a


elaboração de projetos referentes aos mais diversos tipos de pesquisa. A preocupação do autor
é apresentar condições de organização de conhecimentos fundamentais à sistematização da
pesquisa, obtidos ao longo da vida acadêmica. O capítulo 4 aborda a classificação da pesquisa
com base nos objetivos e nas informações obtidas, apresentando conceituações, vantagens e
limitações. Nos capítulos subseqüentes, descreve o delineamento dos mais diversos tipos de
pesquisas como: pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, pesquisa experimental, pesquisa
“ex-pós-facto”, levantamento, estudo de caso, pesquisa ação e pesquisa participante.

Resumo
Nesta aula, tratamos de esclarecer a importância da pesquisa na prática
pedagógica do professor. Abordamos a classificação da pesquisa
quanto aos objetivos, na perspectiva de complexidade da investigação.
Apresentamos a classificação da pesquisa quanto ao local de obtenção das
informações coletadas e com base nos procedimentos técnicos utilizados,
ou seja, as pesquisas definidas segundo a natureza das perguntas que
estimulam a investigação científica.

20 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Autoavaliação
Elabore um resumo esquemático do texto desta aula.

Referências
BARROS, A. J. P. de; LEHFELD, N. A. de S. Fundamentos de metodologia: um guia para a
iniciação científica. 2. ed. ampl. São Paulo: Makron Books, 2000.

CERVO, A; BERVIAN, p. A. Metodologia científica. São Paulo:Prentice Hall, 2002.

DIAS, G. F. Educação ambiental: princípios e práticas. 5. ed. São Paulo: Gaia, 1998.

DEMO, P. Professor do futuro e reconstrução do conhecimento. 2. ed. Petrópolis, RJ:


Vozes, 2004.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

MARTINS, G. A. Estudo de caso: uma estratégia de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2006.

MOREIRA, H. CALEFFE. L. G. Metodologia da pesquisa para o professor pesquisador. 2. ed.


São Paulo: DP&A, 2008.

SANTOS, R. A. dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 7. ed. Rio de


Janeiro: DP&A, 2007.

SANTOS, I. E. dos. Métodos e técnicas da pesquisa científica. 2. ed. Rio de Janeiro:


Impetus, 2000.

Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia 21


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Anotações

22 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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24 Aula 05 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Pesquisa e Ensino em Geografia – GEOGRAFIA

EMENTA

Métodos e técnicas de ensino em geografia e sua relação com a pesquisa. O papel da pesquisa na formação
docente. As fontes de pesquisa e o ensino de Geografia. Atividades práticas envolvendo a pesquisa e o ensino de
Geografia.

AUTORES

> Ângela Maria Cavalcanti Ramalho

> Francisca Luseni Machado Marques

AULAS

01 A pesquisa científica como construção do conhecimento

02 A trajetória da ciência e seus paradigmas

03 Critérios de cientificidade na construção da pesquisa

04 Pontos fundamentais de um projeto de pesquisa

05 Classificação da pesquisa científica

06 Os métodos de pesquisa

Impresso por: Gráfica


2º Semestre de 2009
D I S C I P L I N A Pesquisa e Ensino em Geografia

Os métodos de pesquisa

Autoras

Ângela Maria Cavalcanti Ramalho

Francisca Luseni Machado Marques

Aula

06
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Nome:______________________________________
Governo Federal
Presidente da República
Luiz Inácio Lula da Silva

Ministro da Educação
Fernando Haddad

Secretário de Educação a Distância – SEED


Carlos Eduardo Bielschowsky

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Universidade Estadual da Paraíba

Reitor Reitora
José Ivonildo do Rêgo Marlene Alves Sousa Luna

Vice-Reitora Vice-Reitor
Ângela Maria Paiva Cruz Aldo Bezerra Maciel

Secretária de Educação a Distância Coordenadora Institucional de Programas Especiais – CIPE


Vera Lucia do Amaral Eliane de Moura Silva

Secretaria de Educação a Distância – SEDIS/UFRN


Coordenadora da Produção dos Materiais Arte e Ilustração
Vera Lucia do Amaral Adauto Harley
Carolina Costa
Coordenador de Edição
Ary Sergio Braga Olinisky Heinkel Hugenin
Leonardo Feitoza
Projeto Gráfico
Diagramadores
Ivana Lima
Elizabeth da Silva Ferreira
Revisoras Tipográficas Ivana Lima
Adriana Rodrigues Gomes Johann Jean Evangelista de Melo
Margareth Pereira Dias José Antonio Bezerra Junior
Nouraide Queiroz Mariana Araújo de Brito

Adaptação para Módulo Matemático


Joacy Guilherme de A. F. Filho

Divisão de Serviços Técnicos

Catalogação da publicação na Fonte. UFRN/Biblioteca Central “Zila Mamede”

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste material pode ser utilizada ou reproduzida
sem a autorização expressa da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
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Apresentação

Caro Estudante

E
sta coletânea sobre métodos de pesquisa foi organizada com o intuito de iluminar a
compreensão da significação do termo método à medida que o primeiro esforço foi
tentar entendê-lo como caminhos para atingir um fim, investigação, maneira de agir,
percurso pelo qual se chega a um determinado resultado e discernimento de direção. Como
também, a constituição e politização do método, além das múltiplas acepções dos fundamentos
do método científico, para em seguida, iniciar um diálogo intelectual sobre os procedimentos
dos métodos e sua importância no processo da pesquisa científica.

Nesta caminhada, será inevitável não enfrentar dificuldades, mas aceitar o desafio da
superação pode ser altamente estimulante. Vale a pena atravessar esses momentos, apoiados
na clorosa recomendação Marcel Proust (1989, p.35): “[...] ler uma bela página antes de se
pôr a trabalhar [...] a leitura é para nós iniciadora, cujas chaves mágicas abrem no fundo de
nós mesmos a porta das moradas onde não saberíamos penetrar”.

Caminhos a percorrer ...

Objetivos
Ao término desta aula, esperamos que você seja capaz de:

Entender os caminhos da pesquisa científica, para


1 aprimorar a percepção, refinar a sensibilidade e ampliar
os horizontes de compreensão do fenômeno observado;

Traçar um caminho que possa conduzi-lo a construir uma


2 representação adequada das questões a serem estudadas

Optar por um método que cultive a ética na construção


3 do conhecimento, múltiplas descobertas que a pesquisa
deve ensejar.

Aula 06 Pesquisa e Ensino em Geografia 3


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Construção e
Politização do Método

O
método científico foi constituído no âmbito de um movimento cuja origem remonta aos
séculos XVI e XVIII e que valorizava a capacidade do pensamento racional. Acreditava-se
que, pelo uso da razão, seria possível aos homens não só conhecer o mundo, mas, além
disso, transformá-lo. Esse discernimento que associava a razão dos homens à possibilidade
de provocar mudanças na vida social já significava o questionamento do saber diletante e
contemplativo. Representava, também, um questionamento da supremacia das interpretações
teocêntricas (Deus como centro do universo), propondo a desvinculação da produção do
saber da ordem eclesial para que ela pudesse se constituir na interior do universo secular. O
surgimento das academias laicas (leigas) trazia, portanto, outra possibilidade interpretativa,
buscando explicações para os dramas sociais na própria dimensão humana de existência, sem
interferência dos componentes extraterrenos.

Cuidou-se, então, de construir meios confiáveis para observar, para promover


experimentos, bem como para elaborar hipóteses e princípios. O desenvolvimento destes
instrumentos foi concomitante ao uso das técnicas; postulava-se, afinal, uma ciência de
intervenção, que fosse atuante na prática, estivesse sintonizada com a expansão capitalista e
com o aumento da capacidade produtiva. Ordenar as coisas, sistematizar, identificar unidade
e diversidade, mensurar, decompor o todo em partes, analisar – eis resumidamente o que se
queria consolidar.

Vejamos o desenvolvimento
histórico do método científico

Contribuições de Bacon, Galileu e Descartes:


O inglês Francis Bacon (1561- 1626) é considerado um dos fundadores do método
indutivo de investigação científica. Atribui-se a ele a criação do lema “saber é poder”, que indica
o objetivo da ciência moderna: colocar as forças da natureza a serviço do homem.

Para chegar a conhecimentos científicos úteis, é preciso criticar todos os preconceitos e


erros, que ele chama de ídolos: por exemplo, os preconceitos que são frutos de uma educação
e cultura diferente, ou de uma linguagem não exata, ou da subserviência à tradição.

Bacon propõe quanto à observação dos fenômenos, o uso de três tábuas: de presença,
de ausência e de graus. A Tábua de presença indica todos os casos em que aparece um
determinado fenômeno. Por exemplo, estudando o calor, serão observadas as circunstâncias

4 Aula 06 Pesquisa e Ensino em Geografia


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que acompanham esse fenômeno. Na tábua de ausência são indicados todos os casos em
que o fenômeno não se verifica. E, por fim, na Tábua dos graus se indicam os casos em que
o fenômeno variou, com graus de intensidade diferente.

Depois dessa observação, realizada por meio das tábuas, será preciso formular uma
hipótese que pode explicar a causa do fenômeno. Quando a hipótese concordar com todos os
casos que aparecem nas tábuas, será válida e tornar-se-á uma verdadeira lei.

Galileu Galilei (1564-1642) afirma a necessidade, para o cientista que queira estudar a
natureza, de libertar-se completamente do peso da autoridade do passado, seja no campo
filosófico, seja no religioso.

Galileu dá uma interpretação quantitativa da natureza e, consequentemente, indica como


meta da pesquisa científica, a descoberta das quantidades que se encontram no fenômeno:
figura, lugar, tempo e movimento.

Sustenta que a pesquisa científica acontece por dois momentos: um analítico – consiste
na observação do fenômeno e proposição das hipóteses. O outro o sintético – consiste na
experimentação e se a hipótese for confirmada, transforma-se em lei.

Renê Descartes (1596-1650) – sustenta o método matemático dedutivo. (do geral par
o particular), dando início, assim, ao pensamento racionalista moderno.

Preposições:

Sustenta que os elementos fundamentais do método matemático são expressos em


quatro regras:

Regra da evidência: Não acolher jamais como verdadeira uma coisa que não se reconheça
evidentemente como tal, isto é, evitar a precipitação

Regra da análise: Dividir cada uma das dificuldades em tantas partes necessárias para
melhor resolvê-las.

Regra da síntese – Ir do mais simples ao mais complexo.

Regra da enumeração – Realizar sempre enumerações tão cuidadas e revisões gerais que
se possa ter certeza de nada haver omitido.

Descartes elabora seu sistema filosófico, colocando o fundamento do conhecimento e da


verdade na razão humana (daí o termo racionalismo). A base deste sistema é o “Cogito, ergo
sum” (=Penso, logo existo). De fato, diante de todas as dúvidas e erros que o homem pode
cometer, ele não pode duvidar da sua existência, pois a razão apresenta esse fato como evidente

Assim, nessa exposição, encontramos três propostas diferentes: Bacon apresenta a


necessidade da indução, Galileu a importância da experimentação e Descartes fixa regras do
método matemático-dedutivo, ressaltando a importância da razão humana.

Aula 06 Pesquisa e Ensino em Geografia 5


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Atividade 1
Faça a diferença da perspectiva metodológica de Bacon, Galileu Galilei e Descartes:
Sua resposta

6 Aula 06 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Significação e
Fundamentos do método

A
pesquisa em todas as áreas do conhecimento científico, de modo geral, exige a aplicação
de metodologias apropriadas, bem como uma teoria base e de ampla bibliografia, além
de um método científico específico. Assim, os pesquisadores necessitam se aproximar
cada vez mais da metodologia, lapidando artesanalmente a construção dos seus estudos, sem
perder de vista a ideia de totalidade que recobre as ciências humanas.

Desse modo, antes de falarmos sobre método é importante entendermos o significado


do termo em questão. Na antiga Grécia, methodos (methá+odon) significava “caminho para
chega a um fim”. Com a passar do tempo essa significação generalizou-se e o termo passou
a ser empregado, também, para expressar outras coisas, como “maneira de agir”, “tratado
elementar”, “processo de ensino” etc.

Todavia, isso, não impediu que conservasse sua validade com o significado de
“caminho para chegar a um fim”, precisamente a acepção que nos interessa. Assim, método
é conceituado como:

“Conjunto de etapas, ordenadamente dispostas, a serem vencidas na investigação


da verdade, no estudo de uma ciência, ou para alcançar determinado fim” (RAMPAZZO,
2002, p.13).

“Método pode ser conceituado como um conjunto de procedimentos os quais são


percorridos visando à criação do conhecimento (ANDRADE, 1993, p, 36).

Nas palavras de Marilena Chauí (1994, p.354) “methodos significa uma investigação
que segue um modo ou uma maneira planejada e determinada para conhecer alguma coisa;
procedimento racional para o conhecimento seguindo um percurso fixado”.

O método indica, portanto, estrada, via de acesso e, simultaneamente, rumo, discernimento


de direção. O método assinala um percurso escolhido entre outros possíveis. Não é sempre,
que o pesquisador tem consciência de todos os aspectos que envolvem este seu caminhar;
nem por isso deixa de assumir um método. Todavia, neste caso, corre muitos riscos de não
proceder criteriosamente com as premissas teóricas que norteiam seu pensamento.

Assim, o método não representa tão somente um caminho qualquer entre outros, mas um
caminho seguro, uma via de acesso que permita interpretar com a maior coerência e correção
possíveis às questões sociais propostas num dado estudo, dentro da perspectiva abraçada
pelo pesquisador.

Numa perspectiva ampla, é isso que se concebe por método entre os filósofos, como
mostra Marilena Chauí (1994, p.77), ressaltando que, “o bom método é aquele que permite
conhecer verdadeiramente o maior número de coisas com o menor número de regras”, também

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enfatiza a importância do pesquisador buscar a aproximação entre as áreas, pois: “[...] as
ciências humanas tendem a apresentar resultados mais complexos e satisfatórios quando
trabalham interdisciplinarmente, de modo a abranger os múltiplos aspectos simultâneos e
sucessivos dos fenômenos estudados”.

Contudo, mormente de um ponto de vista de elaboração dos trabalhos científicos, dois


métodos podem ser debatidos por meio de dois modos básicos de compreensão: método de
abordagem; método de procedimento

Pense nisso !!!


“A complexidade e a mutabilidade do real são tão grandes como a imprecisão e
rigidez dos métodos de investigação destinados a compreendê-lo melhor [...].
Neste sentido, o processo de (formação) do conhecimento não é mais do que
uma vitória parcial e efêmera sobre a ignorância humana” (QUIVY, 1972, p.147).

Atividade 2
A partir das reflexões estabelecidas sobre o método científico analise as questões:

a) Como surgiu o método científico?

8 Aula 06 Pesquisa e Ensino em Geografia


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b) O que é método?

c) Qual a importância do método para o trabalho de pesquisa científica?

Métodos de Abordagem
Trata-se de um fundamento do plano geral de trabalho; fala de seus pressupostos lógicos,
do processo de raciocínio escolhido. Enfim, discutir o método de abordagem é debater um
conjunto de procedimento essencialmente racional, caracterizado basicamente por “uma
abordagem mais ampla, em nível de abstração mais elevado, dos fenômenos da natureza e da
sociedade” (LAKATOS, 2001, p.106). Em outras palavras, os métodos de abordagens podem
ser entendidos como um conjunto de procedimentos gerais.

Em termos de seu delineamento e conforme especificamente o tipo de raciocínio


empregado, o método de abordagem pode ser discutido através de quatro maneiras principais:
a) método dedutivo; b) método dedutivo; c) método hipotético-dedutivo; d) método dialético.

Antes de passarmos para uma discussão sobre esses quatro tipos principais, ressalta-
se ainda que é possível que tais métodos sobre esses quatro tipos principais de abordagens
apareçam tanto de uma forma exclusiva em algumas pesquisas como de forma simultânea em

Aula 06 Pesquisa e Ensino em Geografia 9


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outras. Podem-se observar, por exemplo, alguns estudos sendo feitos apenas pelo método
indutivo, outros se desenvolvendo ao mesmo tempo através do método dialético e dedutivo.

a) Método Dedutivo: trata-se de um método que promove uma conexão ascedente, ou seja,
tal raciocínio parte de premissas particulares em direção às premissas gerais. Pode ser
delineado a partir das seguintes etapas:

Observação – manifestações da realidade, espontânea ou provocadas;

Hipótese (s): tentativa de explicação;

Experimentação: observação da reação de causa-efeito, imaginada na etapa anterior;

Comparação: classificação, análise e crítica dos dados recolhidos;

Abstração: verificação dos pontos de acordo e de desacordo dos dados recolhidos;

Generalizações: consiste em estender a outros casos, da mesma espécie, um conceito obtido


com base nos dados observados (ANDRADE, 1993, p. 105-106)

b) Método Indutivo: aqui ocorre a promoção da conexão descendente, ou seja, os


pressupostos de raciocínio partem de premissas gerais para premissas particulares. A
dedução, enfim, “é a argumentação que torna explicitas verdades particulares contidas
em verdades universais” (CERVO, 1983, p.41)

c) Método Hipotético-Dedutivo: caracteriza-se principalmente pelo seu aspecto lógico. Desta


forma, relaciona-se fundamentalmente e historicamente com a questão da experimentação,
fato que lhe dá destaque, sobretudo, nas investigações das ciências naturais.

d) Método Dialético: define-se como um método de investigação dos fenômenos em


constante mudança, os quais ocorrem inerentemente, a partir das ações recíprocas e
contraditórias entre natureza e a sociedade (ANDRADE, 1993).

O método dialético traz contribuições significativas para o processo de formação do


conhecimento, quando problematiza o processo do conhecimento dentro de um contínuo de
constantes mudanças inacabadas que contém um todo que abarca contrários em incessantes
conflitos. Nesse processo, há sempre algo que se cria, se desfaz, se agrega, se desagrega. È
como se o real, nessa perspectiva, pudesse ser exemplificado uma massa heterogênea com
todos os contrários em constante luta.

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Método de procedimento:
Tem um caráter específico, ou seja, apresenta-se menos da perspectiva do plano geral
do trabalho e mais do ponto de vista de suas etapas, ressaltando suas particularidades. Em
outras palavras:

Os métodos de procedimentos seriam etapas mais concretas da investigação, com


finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos e menos abstratas.
Dir-se-ia até serem técnicas que, pelo uso mais abrangente, se erigiram em métodos.
Pressupõem uma atitude concreta em relação ao fenômeno e estão limitados a domínio
particular (LAKATOS, 2001, p.106).

Partindo de tais considerações, pode-se dizer que os principais métodos de procedimentos,


que podem ser usados nas ciências sociais e humanas, são:

a) Método histórico

Investiga os fenômenos sociais e humanos nos seus processos históricos, averiguando-os


junto às instituições do passado a fim de ver os possíveis graus de influência na sociedade atual.

b) Método Comparativo:

Realiza comparações com a finalidade de verificar semelhanças e explicar divergências.


Usado para comparações de grupos no presente, no passado, entre sociedades de iguais ou
de diferentes estágios de desenvolvimento.

c) Método estatístico:

Utiliza-se fundamentalmente da perspectiva estatística, que lida com probabilidades. Ainda


que indique certa margem de erro, suas conclusões mostram-se com grandes possibilidades
de acertos.

d) Método Funcionalista:

É considerado mais um método de interpretação do que de investigação. Enfatiza as


relações e o ajustamento entre os diversos componentes de uma cultura ou sociedade.

Propõe-se a estudar a sociedade, a partir da função de suas unidades, ou seja, estudá-la


como um sistema organizado de atividades. Considera, de um lado, a sociedade como uma
estrutura complexa de indivíduos reunidos numa trama de ações e reações sociais; de outro,
como um sistema de instituições correlacionadas entre si, agindo e reagindo umas em relação
às outras.

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e) Método Monográfico ou estudo de caso:

Parte do princípio de que qualquer caso que se discuta além da superfície dos fatos e
com sistematização pode ser significativo para a compreensão de muitos outros. Isto sem
contar que o referido caso, a despeito de considerar-se uma possível margem de erro, pode
ser representativo de muitos outros casos semelhantes.

O método monográfico consiste no estudo de determinados indivíduos, profissões,


condições, instituições, grupos ou comunidades, com a finalidade de obter generalizações.

O estudo monográfico pode, também, em vez de se concentrar em um aspecto,


abranger o conjunto de atividades de um grupo social particular. A vantagem do
método consiste em respeitar a ‘totalidade solidária’ dos grupos, ao estudar, em
primeiro lugar, a vida do grupo na sua unidade concreta, evitando, portanto, a
prematura dissociação de seus elementos (LAKATOS, 2001, p. 108)
Estudo de caso em suas minúcias pode servir de referências para outros que apresentem
as mesmas características.

Atividade 3
A partir das leituras sobre os métodos de abordagem e procedimentos, analise:

a) Qual a diferenças entre os dois métodos?

b) Qual a importância dos métodos na observação dos fenômenos da natureza?

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Processos do Método

P
ara oferecer demonstrar de que não existe um método único de “fazer” ciência, diferentes
fontes descrevem as etapas do método científico de maneiras diversas. Algumas delas
mencionam três etapas, outras apenas duas. Em termos fundamentais, porém, elas
incorporam os mesmos conceitos e princípios.

Imagem de William Harris

Para os nossos propósitos, diremos que existem cinco etapas fundamentais no método.

Etapa 1: Observação
Quase todas as investigações científicas começam por uma observação que desperta
a curiosidade ou suscita uma questão. Por exemplo, quando Charles Darwin (1809-1882)
visitou as Ilhas Galápagos (localizadas no Oceano Pacífico, a 950 km a oeste do Equador), ele
observou diversas espécies de tentilhões, cada qual adaptado de maneira única a um habitat
específico. Os bicos dos tentilhões, em especial, apresentavam largas variações e pareciam
desempenhar papel importante na maneira pela qual o animal obtinha alimento. Os pássaros

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cativaram Darwin. Ele queria compreender as forças que permitiam que tantas variedades
diferentes coexistissem com sucesso em uma área geográfica pequena. Suas observações o
levaram a formular uma pergunta que poderia ser submetida a teste.

Etapa 2: Formulação da pergunta


O propósito da pergunta é estreitar o foco da investigação e identificar o problema em
termos específicos. A pergunta que Darwin poderia ter feito, depois de ver tantos tentilhões
diferentes, talvez fosse expressa assim: o que causou a diversificação dos tentilhões das ilhas
Galápagos?

Eis algumas outras questões científicas:

 O que faz com que as raízes de uma planta cresçam para baixo e o seu caule cresça
para cima?

 O que causa descoloração nos corais?

 O que causa o buraco na camada de ozônio?

 Que fatores provocam a desertificação?

Encontrar perguntas científicas não é difícil e não requer treinamento científico. Se você
já se sentiu curioso sobre algo, se já quis saber o que causou algum acontecimento, então
provavelmente já formulou uma pergunta que poderia servir de base a uma investigação
científica.

Etapa 3: Formulação da hipótese


Perguntas anseiam por respostas e o próximo passo no método científico é sugerir uma
possível resposta em forma de hipótese. Uma hipótese é, muitas vezes, definida como um
palpite informado porque quase sempre se baseia nas informações que você dispõe sobre
um tópico. Por exemplo, se você desejasse estudar o problema relacionado à resistência do
ar, poderia já ter a sensação intuitiva de que um carro em forma de pássaro poderia enfrentar
menos resistência do ar do que um carro em forma de caixa. Essa intuição pode ser usada
para ajudar a formular uma hipótese.

Em termos gerais, uma hipótese é expressa na forma de uma declaração “se... então”.
Ao fazer uma declaração como essa, os cientistas estão praticando o raciocínio dedutivo,
que é o oposto do raciocínio indutivo. A dedução, na lógica, requer movimento do geral para
o específico. Eis um exemplo: se o perfil da carroceria de um carro se relaciona à resistência
do ar que ele encontra - declaração geral - então um carro em forma de pássaro será mais
aerodinâmico do que um carro em forma de caixa - declaração específica.

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Perceba que existem duas qualidades importantes quanto a uma hipótese expressa em
formato “se... então”. A primeira é que ela é passível de teste e é possível organizar uma
experiência que teste a validade dessa declaração. A segunda é que ela pode ser contestada,
ou seja, seria possível desenvolver uma experiência que revele que tal idéia não procede. Caso
essas duas qualificações não sejam atendidas, a questão não poderá ser tratada por meio do
método científico.

Etapa 4: Experiência controlada


Muitas pessoas pensam em uma experiência como algo que acontece em um laboratório.
Mas as experiências não necessariamente envolvem as bancadas de um laboratório ou tubos
de ensaio. No entanto, elas precisam ser montadas de forma a testar uma hipótese específica
e precisam ser controladas. Controlar uma experiência significa controlar todas as variáveis, de
modo que apenas uma esteja aberta a estudo. A variável independente é a variável controlada
e manipulada pelo responsável pela experiência, enquanto a variável dependente não o é.
À medida que a variável independente é manipulada, a variável dependente é mensurada em
busca de variações.

Agora considere o exemplo sobre a resistência do ar. Se desejarmos conduzir a


experiência, precisaríamos de ao menos dois carros - um de forma mais esbelta, semelhante
à do corpo de um pássaro, e o outro em forma de caixa. O primeiro modelo seria o grupo
experimental e o segundo o grupo de controle. Todas as demais variáveis - o peso dos carros,
os pneus e até mesmo a pintura - teriam de ser idênticas. A pista de teste e as condições que
a afetam teriam de ser controladas ao máximo.

Etapa 5: Análise dos dados e conclusão


Durante uma experiência, os cientistas reúnem dados quantitativos e qualitativos. Em
meio a essas informações, se eles tiverem sorte, estão indícios que podem ajudar a sustentar
ou a rejeitar uma hipótese. O volume de análise necessário para chegar a uma conclusão pode
variar amplamente. Como a experiência de Pasteur dependia de observações qualitativas sobre
a aparência do caldo, a análise era bem simples. Ocasionalmente, é preciso usar ferramentas
analíticas sofisticadas para analisar os dados. De qualquer forma, o objetivo final é provar ou
negar uma hipótese e, ao fazê-lo, responder à pergunta original.

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Atividade 4
Qualquer pessoa que tente resolver um problema pode realizar observações e usar
1 o método científico. Assim, observe alguns problemas do meio ambiente na região
onde você vive e formule perguntas e hipótese que conduza a uma experiência
de pesquisa:

Comente uma das assertivas e justifique sua resposta:


2
a) Todas as etapas do trabalho científico se sucedem na mesma ordem.

b) As necessidades da sociedade influem no trabalho científico.

c) A comprovação experimental antecede a observação dos fenômenos.

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Indique a fase do Método Científico Experimental a que pertence cada uma dessas
3 propostas:

a) Procurar em um dicionário o significado da palavra refração.

b) Contemplar o céu estrelado numa noite de verão.

c) Representar graficamente a velocidade do carro que o transporta, a cada minuto de viagem.

d) Supor que vemos a Lua de noite porque nosso satélite reflete a luz solar.

e) Medir a temperatura na qual “fervem” vários líquidos.

a)

b)

c)

d)

e)

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Analise as questões
4
a) Os agricultores têm fama de serem bons observadores e de prever com bastante exatidão o
tempo que vai apresentar-se no dia seguinte. Em que se diferencia a observação que fazem
os agricultores daquelas realizadas pelos meteorologistas para as previsões do tempo?
Você acredita nas “previsões” do “Homem do Tempo” da TV ou do agricultor? Comente.

Complete os espaços em branco correspondentes às fases do Método Científico


5 Experimental:

Definição do
problema a estudar
Medida e análise
dos dados
Observação
do fenômeno

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Concluindo a aula!!!

A
o término da aula com as leituras e atividades desenvolvidas esperamos que você tenha
encontrado pistas suficientes que possa lhe permitir trabalhar o conteúdo aprendido,
ou seja, com as diferentes propostas metodológicas esboçadas. Fundamentando-se
na leitura, intelecção, discussão e elaboração de associações possíveis, dialogando com os
teóricos clássicos dos métodos, ler é o passo inicial.

Para evitar dissabores, uma saída é acompanhar atentamente as construções teórico-


metodológicas do texto, mergulhando em sua dinâmica interior. A recompensa virá do próprio
exercício em si, que cultiva as múltiplas descobertas que o texto proporciona.

Parabéns! mais uma etapa vencida !!!

Sugestões de leitura
Recomendamos como leitura complementar as discussões apresentadas nesta aula:

BASTOS, R. L. Ciências Humanas e complexidades: projetos método e técnicas de pesquisa.


Juiz de Fora, MG: EDUFJF, 1999.

Esta obra permite um diálogo com o leitor, no sentido de que ele opere as páginas lidas
e faça combinações diversas, dando-lhes uma ordem em função de seu interesse, gerando no
leitor uma ação criadora e transformadora de auto operador do texto em questão.

OLIVEIRA, P. de S.(Org.) Metodologia das ciências humanas. São Paulo: HUCITEC, 2001.

O livro apresenta textos com diferentes alternativas, todas baseadas em autores


clássicos, que parecem desafiar o tempo pela riqueza de ensinamentos, pela luminosidade no
encaminhamento das reflexões e pelo arrimo seguro. Podem, por isso mesmo, tanto acolher
novas, quanto sugerir desdobramentos originais.

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Resumo
Nesta aula, foi trabalhada a significação do termo método como caminhos para
atingir um fim, investigação, maneira de agir, percurso pelo qual se chega a um
determinado resultado, discernimento de direção. Como também a constituição
e politização do método, além das múltiplas acepções dos fundamentos do
método científico, para em seguida, iniciar um diálogo sobre os procedimentos
dos métodos e sua importância no processo da pesquisa científica. A pesquisa
em todas as áreas do conhecimento científico exige a aplicação de metodologias
apropriadas, bem como uma teoria base, além de um método científico específico.
Assim, os pesquisadores necessitam se aproximar cada vez mais da metodologia,
lapidando artesanalmente a construção dos seus estudos, sem perder de vista a
ideia de totalidade que recobre as ciências humanas.

Referências
ANDRADE, M. M. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1993.

BASTOS, R. L. Ciências Humanas e complexidades: projetos, método e técnicas de pesquisa.


Juiz de Fora, MG: EDUFJF, 1999.

CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia Científica. São Paulo: MacGraw-hill, 1983.

CHAUÍ, Marilena. Introdução à história da filosofia: dos Pré-socráticos a Aristóteles. São


Paulo: Brasiliense, 1994.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 4. ed. São


Paulo: Atlas, 2001.

OLIVEIRA, P. de S.(Org.) Metodologia das ciências humanas. São Paulo: HUCITEC, 2001.

PROUST, Marcel. Sobre leitura. Tradução de C. Vogt. Campinas, SP: Pontes, 1989.

RAMPAZZO, L. Metodologia Científica: para alunos dos cursos de graduação e pós-graduação.


São Paulo: Loyola, 2002.

20 Aula 06 Pesquisa e Ensino em Geografia


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Pesquisa e Ensino em Geografia – GEOGRAFIA

EMENTA

Métodos e técnicas de ensino em geografia e sua relação com a pesquisa. O papel da pesquisa na formação
docente. As fontes de pesquisa e o ensino de Geografia. Atividades práticas envolvendo a pesquisa e o ensino de
Geografia.

AUTORES

> Ângela Maria Cavalcanti Ramalho

> Francisca Luseni Machado Marques

AULAS

01 A pesquisa científica como construção do conhecimento

02 A trajetória da ciência e seus paradigmas

03 Critérios de cientificidade na construção da pesquisa

04 Pontos fundamentais de um projeto de pesquisa

05 Classificação da pesquisa científica

06 Os métodos de pesquisa
Impresso por: Gráfica
2º Semestre de 2009

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