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QUARTA EDIÇÃO

Radiologia Ortopédica
QUARTA EDIÇÃO
/

UMA ABORDAGEM PRATICA


Radiologia
Ortopédica
QUARTA EDIÇÃO
/

UMA ABORDAGEM PRATICA

Adam Greenspan, M.D., F.A.C.R.


Professor, Departments of Radiology and Orthopedic Surgery
University of California, Davis School of Medicine
Chief, Section of Musculoskeletal Imaging
University of California, Davis Medicai Center
Sacramento, California
Consultant, Shriners Hospital for Children
Sacramento, California

Introdução por
Michael W. Chapman, M.D.

com ilustrações de Laura Pardi Duprey

Esta obra é uma tradução de


Orthopedic Imaging:
A Practical Approach

GUANABARA~KOOGAN
Revisão Técnica
Gilberto Torres Neto
Professor Auxiliar da Disciplina de Radiologia da Faculdade de
Medicina da Universidade do Estado do Rio de janeiro.
Médico do Serviço de Radiologia do Hospital de
Clínicas de Niterói - Niterói- RJ

Tradução
Aline Vecchi
Caps. 12 a 15

Antonio Francisco Dieb Paulo


Caps. 1 a 11 , 16 a 23, 26 a 30

Maria Inês Garbino Rodrigues


Caps. 24 e 25

Ricardo Ierusalimschy
Caps. 31, 32 e 33
Para a minha esposa Barbara,
meus filhos Michael, Samantha e Luddy
e meus netos Sydney e Anna, que iluminam minha vida
_,
CONTEUDO

liltri:jiii
INTRODUÇÃO À RADIOLOGIA Angiografia, 54
Ressonância Magnética, 54
ORTOPÉDICA Fraturas e Luxações, 55
Diagnóstico, 55
CAPÍTULO 1 Avaliação Radiográfica das Fraturas, 57
Sinais Indiretos como Indícios Diagnósticos, 57
O Papel do Radiologista Ortopédico, 3 Avaliação Radiológica das Luxações, 66
Leituras Sugeridas, 16 Monitoração dos Resultados do Tratamento, 66
Consolidação de Fraturas e Complicações, 66
CAPÍTULO 2 Outras Complicações de Fraturas e Luxações, 70
Técnicas de Imagem em Ortopedia, 17 Fraturas por Estresse, 84
Escolha da Modalidade de Imagem, 17 Lesão dos Tecidos Moles, 87
Técnicas de Imagem, 18 Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 89
Radiografia Convencional, 18 Leituras Sugeridas, 90
Radiografia com Ampliação, 18
Incidências sob Estresse, 18 CAPÍTULO 5
Escanometria, 18
Fluoroscopia e Filmagem em Vídeo, 18 Membro Superior I: Cíngulo do Membro
Radiografia Digital, 18 Superior, 93
Tomografia, 20 Cíngulo do Membro Superior, 93
Tomografia Computadorizada, 20 Considerações Anatomorradiológicas, 93
Artrografia, 23 Lesão do Cíngulo do Membro Superior, 109
Tenografia e Bursografia, 25 Fraturas ao Redor do Ombro, 109
Angiografia, 25 Luxações na Articulação G/enoumeral, 114
Mielografia, 25 Síndrome de lmpacção, 119
Discografia, 26 Ruptura do Manguito Rotador, 121
Ultra-sonografia, 26 , Lesão do Lábio Cartilaginoso, 125
Cintigrafia (Imagem Ossea por Radionuclídeos), 27 Lesão dos Ligamentos Glenoumerais (LGU), 126
Difosfonatos, 29
Outras Anormalidades, 126
Gália 67, 30
Índio, 30 Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 130
Nanocolóide, 30 Leituras Sugeridas, 131
lmunoglobulinas, 30
Peptídeos Quimiotáticos, 30 CAPÍTULO 6
lodo, 30
Gadolínio, 30 Membro Superior li: Cotovelo, 135
Tomografia por Emissão de Pósitrons, 30 Cotovelo, 135
Ressonância Magnética, 31 Considerações Anatomorradiológicas, 1 35
Leituras Sugeridas, 36 Lesão do Cotovelo, 146
Fraturas ao Redor do Cotovelo, 146
Osteocondrite Dissecante do Capítulo, 151
CAPÍTULO 3 Luxações na Articulação do Cotovelo, 159
Formação e Crescimento Ósseos, 39 Lesões dos Tecidos Moles, 761
Leituras Sugeridas, 43 Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 162
Leituras Sugeridas, 163

lif;.1:jiili TRAUMATISMO CAPÍTULO 7


Membro Superior III: Porção Distai do
CAPÍTULO 4 Antebraço, Punho e Mão, 165
Avaliação Radiológica do Traumatismo, 4 7 Porção Distai do Antebraço, 165
Modalidades de Imagens Radiológicas, 47 Considerações Anatomorradiológicas, 165
Radiografia, Fluoroscopia e Tomografia Linear, 47 Lesão da Porção Distai do Antebraço, 1 70
Tomografia Computadorizada, 47 Fraturas da Porção Distai do Rádio, 170
Cintigrafia, 51 Lesão dos Tecidos Moles na Articulação Radioulnar Distai, 177
Artrografia, 53 Punho e Mão, 179
Mielografia e Discografia, 53 Considerações Anatomorradiológicas, 179
Conteúdo xi

Artrite Reumatóide juvenil com Início Pauciarticular, 485 CAPÍTULO 17


Outros Tipos de Artrite Reumatóide juvenil, 488
Aspectos Radiológicos, 488
Tumores Benignos e Lesões Semelhantes a
Espondiloartropatias Soronegativas, 488 Tumor 1: Lesões Osteoblásticas, 571
Espondilite Anquilosante, 488 Lesões Osteoblásticas Benignas, 571
Aspectos Clínicos, 488 Osteoma, 571
Aspectos Radiológicos, 4 91 Diagnóstico Diferencial, 5 71
Síndrome de Reiter, 491 Osteoma Osteóide, 573
Aspectos Clínicos, 4 91 Diagnóstico Diferencial, 5 7 6
Aspectos Radiológicos, 4 91 Complicações, 5 78
Artrite Psoriática, 493 Tratamento, 584
Aspectos Clínicos, 4 9 3 Osteoblastoma, 584
Aspectos Radiológicos, 4 95 Diagnóstico Diferencial, 587
Artropatias Enteropáticas, 495 Tratamento, 588
Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 499 Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 594
Leituras Sugeridas, 500 Leituras Sugeridas, 594

CAPÍTULO 15 CAPÍTULO 18
Outras Artrites e Artropatias, 503 Tumores Benignos e Lesões Semelhantes a Tumor 11:
Artropatias do Tecido Conectivo, 503 Lesões de Origem Cartilaginosa, 597
Lúpus Eritematoso Sistêmico, 503 Lesões Condroblásticas Benignas, 597
Esclerodermia, 506 Encondroma (Condroma), 597
Polimiosite e Dermatomiosite, 506 Diagnóstico Diferencial, 604
Doença Mista do Tecido Conectivo, 509 Complicações, 604
Vasculite, 509 Tratamento, 604
Artrites Metabólicas e Endócrinas, 509 Encondromatose (Doença de Ollier), 604
Gota, 509 Complicações, 608
Hiperuricemia, 509 Osteocondroma, 609
Exame do Líquido Sinovial, 51 O Complicações, 61 O
Características Radiográficas, 515 Tratamento, 61 O
Doença por Depósito de Cristais de CPPD, 515 Exostoses Osteocartilaginosas Múltiplas, 61 O
Manifestações Clínicas, 515 Complicações, 61 7
Características Radiográficas, 51 7 Tratamento, 61 7
Doença por Deposição de Cristais de HAC, 51 7 Condroblastoma, 617
Hemocromatose, 51 9 Tratamento e Complicações, 61 7
Alcaptonúria (Ocronose), 520 Fibroma Condromixóide, 61 7
Hiperparatireoidismo, 520 Diagnóstico Diferencial, 622
Acromegalia, 521 Tratamento, 622
Outras Condições, 521 Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 622
Amiloidose, 521 Leituras Sugeridas, 623
Retículo-histiocitose Multicêntrica, 522
Hemofilia, 523
Artrite de )accoud, 523 CAPÍTULO 19
Artrite Associada à Síndrome de lmunodeficiência Adquirida, 523 Tumores Benignos e Lesões Semelhantes
Artrite Infecciosa, 524
Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 524 a Tumor 111: Lesões Fibrosas, Fibroósseas e
Leituras Sugeridas, 525 Fibro-histiocíticas, 627
Defeito Cortical Fibroso e Fibroma Não-ossificante, 627
Complicações e Tratamento, 628
PARTE IVTUMORES E LESÕES Fibro-histiocitoma Benigno, 630
Desmóide Periosteal, 630
SEMELHANTES A TUMOR Diagnóstico Diferencial, 630
Displasia Fibrosa, 630
CAPÍTULO 16 Displasia Fibrosa Monostótica, 631
Displasia Fibrosa Poliostótica, 635
Avaliação Radiológica de Tumores e Lesões Complicações, 637
Semelhantes a Tumor, 529 Transtornos Associados, 637
Síndrome de Albright-McCune, 637
Classificação de Tumores e Lesões Semelhantes a Tumor, 529
Síndrome de Mazabraud, 637
Modalidades de Imagens Radiológicas, 531
Displasia Osteofibrosa, 641
Tumores e Lesões Semelhantes a Tumor do Osso, 540 Complicações e Tratamento, 643
Diagnóstico, 540
Fibroma Desmoplásico, 644
Informação Clínica, 542
Modalidades de Imagem, 542 Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 647
Aspectos Radiográficos das Lesões Ósseas, 542 Leituras Sugeridas, 647
Tratamento, 554
Monitorizando os Resultados do Tratamento, 559
CAPÍTULO 20
Complicações, 559
Tumores de Tecidos Moles, 562 Tumores Benignos e Lesões Semelhantes a Tumor IV:
Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 567 Outras Lesões, 649
Leituras Sugeridas, 568 Cisto Ósseo Simples, 649
xii Conteúdo

Complicações e Diagnóstico Diferencial, 649 Hemangioendotelioma e Angiossarcoma, 742


Tratamento, 652 Transtorn9s Benignos com Potencial Maligno, 744
Cisto Ósseo Aneurismático, 652 Infarto Osseo Medular, 744
Complicações e Diagnóstico Diferencial, 657 Trajeto Fistuloso Crônico de Drenagem de Osteomielite, 745
Tratamento, 657 Neurofibromatose Plexiforme, 745
Variante Sólida do Cisto Ósseo Aneurismático, 658 Doença de Paget, 745
Tumor de Células Gigantes, 658 Sarcoma Induzido por Radiação, 746
Diagnóstico Diferencial, 665 Metástases Ósseas, 746
Tratamento e Complicações, 666 Complicações, 751
Mesenquimoma Fibrocartilaginoso, 666 Aspectos Práticos a Serem lembrados, 752
Hemangioma, 669 Leituras Sugeridas, 752
Diagnóstico Diferencial, 677
Tratamento, 677 CAPÍTULO 23
Lipoma lntra-ósseo, 677 Tumores e Lesões Semelhantes a Tumor das
Lesões Não-neoplásicas Simulando Tumores, 678
Gânglion lntra-ósseo, 678 Articulações, 759
Tumor Marrom de Hiperparatireoidismo, 679 lesões Benignas, 759
Histiocitose das Células de langerhans (Granuloma Eosinofílico), 679 (Osteo)Condromatose Sinovial, 759
Doença ,de Chester-Erdheim (Lipogranulomatose), 683 Diagnóstico Diferencial, 762
Infarto Osseo Medular, 683 Sinovite Vilonodular Pigmentada, 763
Miosite Ossificante, 684 Diagnóstico Diferencial, 766
Tratamento, 767
Aspectos Práticos a Serem lembrados, 684
Hemangioma Sinovial, 767
leituras Sugeridas, 685 Diagnóstico Diferencial, 768
Lipoma Arborescente, 768
CAPÍTULO 21 Tumores Malignos, 770
Sarcoma Sinovial, 770
Tumores Ósseos Malignos I: Osteossarcomas e Condrossarcoma Sinovial, 770
Condrossarcomas, 689 Diagnóstico Diferencial, 7 7 7
Osteossarcomas, 689 Sinovite Vilonodular Pigmentada Maligna, 772
Osteossarcomas Primários, 691 Aspectos Práticos a Serem lembrados, 772
Osteossarcoma Convencional, 6 9 7 leituras Sugeridas, 772
Osteossarcoma Central de Baixo Grau, 692
Osteossarcoma Telangiectásico, 692
Osteossarcoma de Pequenas Células, 699
Osteossarcoma Fibro-histiocítico, 699
lêf!i;iil. INFECÇOES
Osteossarcoma lntracortical, 702
CAPÍTULO 24
Osteossarcoma Gnático, 702
Osteossarcoma Multicêntrico (Multifoca/), 702 Avaliação Radiológica das Infecções
Osteossarcomas justacorticais, 704
Osteossarcoma de Tecidos Moles (Extra-ósseo), 71 O
Musculoesqueléticas, 777
Osteossarcomas Secundários, 711 Infecções Musculoesqueléticas, 777
Osteomielite, 777
Condrossarcomas, 712 Artrite Infecciosa, 779
Condrossarcomas Primários, 713 Celulite, 779
Condrossarcoma Convencional, 7 73 Infecções da Coluna Vertebral, 779
Condrossarcoma de Células Claras, 77 3
Avaliação Radiológica das Infecções, 779
Condrossarcoma Mesenquimatoso, 77 8
Condrossarcoma Desdiferenciado, 7 78 Monitorização do Tratamento e Complicações das Infecções, 785
Condrossarcoma Periosteal, 77 9 Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 787
Condrossarcomas Secundários, 719 Leituras Sugeridas, 787
Aspectos Práticos a Serem lembrados, 719
leituras Sugeridas, 719 CAPÍTULO 25
Osteomielite, Artrite Infecciosa e Infecções de
CAPÍTULO 22
Tecidos Moles, 789
Tumores Ósseos Malignos II: Tumores Mistos, 725 Osteomielite, 789
Fibrossarcoma e Fibro-histiocitoma Maligno, 725 Infecções Ósseas Piogênicas, 789
Diagnóstico Diferencial, 727 Osteomielite Aguda e Crônica, 789
Complicações e Tratamento, 728 Osteom~elite Subaguda, 789
Sarcoma de Ewing, 728 Infecções Osseas Não Piogênicas, 790
Diagnóstico Diferencial, 731 Infecções Tuberculosas, 790
Tratamento, 731 Infecções Fúngicas, 790
Infecção Sifilítica, 79 7
Linfoma Maligno, 731
Diagnóstico Diferencial da Osteomielite, 794
Diagnóstico Diferencial, 734
Tratamento, 734 Artrites Infecciosas, 794
Infecções Articulares Piogênicas, 794
Mieloma, 734
Complicações, 798
Diagnóstico Diferencial, 734
Infecções Articulares Não Piogênicas, 798
Complicações e Tratamento, 739
Artrite Tuberculosa, 798
Adamantinoma, 739 Outras Artrites Infecciosas, 798
Tratamento, 739 Infecções da Coluna Vertebral, 798
Cordoma, 739 Infecções Piogênicas, 798
Complicações e Tratamento, 740 Infecções Não Piogênicas, 801
Leiomiossarcoma Primário do Osso, 740 Tuberculose da Coluna Vertebral, 807
Conteúdo xiii

Infecções dos Tecidos Moles, 801 Diagnóstico Diferencial, 859


Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 808 Acromegalia, 862
Leituras Sugeridas, 808 Avaliação Radiológica, 862
Doença de Gaucher, 863
Classificação, 863
PARTE VITRANSTORNOS Avaliação Radiológica, 864
Complicações, 865
METABÓLICOS E ENDÓCRINOS Tratamento, 865
Calcinose Tumorosa, 865
CAPÍTULO 26 Fisiopatologia, 865
Avaliação Radiológica, 865
Avaliação Radiológica dos Transtornos Metabólicos e Tratamento, 868
Endócrinos, 813 Hipotireoidismo, 868
Composição e Produção do Osso, 813 Fisiopatologia, 868
Avaliação dos Transtornos Metabólicos e Endócrinos, 813 Avaliação Radiológica, 868
Modalidades de Imagens Radiológicas, 814 Complicações, 868
Radiografia Convencional e com Ampliação, 814 Escorbuto, 868
Tomografia Computadorizada, 8 77 Fisiopatologia, 868
Cintigrafia, 8 78 Avaliação Radiológica, 868
Ressonância Magnética, 8 78 , Diagnóstico Diferencial, 868
Técnicas de Imagem para Medida da Densidade Mineral Ossea, 819 Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 871
Técnicas com Radionuclídios e Raios X, 8 79
Leituras Sugeridas, 872
Técnica de Tomografia Computadorizada, 820
Técnica de Ultra-som Quantitativo, 820
Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 821
ANOMALIAS CONGÊNITAS E
PARTE VII
Leituras Sugeridas, 822
DO DESENVOLVIMENTO
CAPÍTULO 27
Osteoporose, Raquitismo e Osteomalacia, 823 CAPÍTULO 31
Osteoporose, 823 Avaliação Radiológica de Anomalias Ósseas, 875
Osteoporose Generalizada, 823 Classificação, 875
Osteoporose Localizada, 829 Modalidades de Imagem Radiológica, 881
Raquitismo e Osteomalacia, 829 Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 889
Raquitismo, 830
Raquitismo do Lactente, 830 Leituras Sugeridas, 889
Raquitismo Resistente à Vitamina O, 830
Osteomalacia, 832 CAPÍTULO 32
Osteodistrofia Renal, 832
Anomalias dos Membros Superiores e Inferiores, 891
Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 836
Anomalias da Cintura Escapular e dos Membros Superiores, 891
Leituras Sugeridas, 836 Elevação Congênita da Escápula, 891
Deformidade de Madelung, 891
CAPÍTULO 28 Anomalias da Cintura Pélvica e do Quadril, 893
Hiperparatireoidismo, 837 Luxação Congênita do Quadril (Displasia de Desenvolvimento
Fisiopatologia, 837 do Quadril), 893
Avaliação Radiográfica, 895
Fisiologia do Metabolismo do Cálcio, 838
Medições, 895
Avaliação Radiológica, 838 Artrografia e Tomografia Computadorizada, 896
Complicações, 842 Ultra-sonografia, 897
Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 842 Classificação, 90 7
Leituras Sugeridas, 842 Tratamento, 90 7
Complicações, 902
Deficiência Femoral Focal Proximal, 902
CAPÍTULO 29 Classificação e Avaliação Radiográfica, 903
Doença de Paget, 843 Tratamento, 903
Fisiopatologia, 843 Doença de Legg-Calvé-Perthes, 903
Avaliação Radiológica, 904
Avaliação Radiológica, 844
Classificação, 905
Diagnóstico Diferencial, 852 Diagnóstico Diferencial, 906
Complicações, 852 Tratamento, 906
Fraturas Patológicas, 852 Deslizamento da Epífise da Cabeça do Fêmur, 906
Doença Articular Degenerativa, 852 Avaliação Radiológica, 907
Complicações Neurológicas, 852 Tratamento e Complicações, 909
Complicações Neoplásicas, 852 Anomalias dos Membros Inferiores, 911
Tratamento Ortopédico, 852 Tíbia Vara Congênita, 911
Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 857 Avaliação Radiográfica e Diagnóstico Diferencial, 9 7 7
Leituras Sugeridas, 857 Classificação, 9 74
Tratamento, 9 74
Displasia Epifisária Hemimélica, 914
CAPÍTULO 30 Avaliação Radiográfica e Tratamento, 9 74
Outros Transtornos Metabólicos e Endócrinos, 859 Pé Eqüinovaro, 914
Hiperfosfatasia ldiopática Familiar, 859 Mensurações e Avaliação Radiográfica, 9 75
Avaliação Radiológica, 859 Tratamento, 915
xiv Conteúdo

Tálus Vertical Congênito, 915 Osteogênese Imperfeita, 940


Avaliação Radiográfica, 9 75 Classificação, 94 7
Tratamento, 9 76 Avaliação Radiológica, 94 7
Coalizão do Tarso, 916 Diagnóstico Diferencial, 94 7
Coalizão Calcaneonavicular, 9 76 Tratamento, 94 3
Coalizão Talonavicular, 916 Acondroplasia, 943
Coalizão Talocalcânea, 916 Mucopolissacaridoses, 947
Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 923 Fibrodisplasia Ossificante Progressiva (Miosite Ossificante Progressiva), 947
Leituras Sugeridas, 924 Avaliação Radiológica, 948
Histopatplogia, 948
Displasias Osseas Esclerosantes, 949
CAPÍTULO 33 Osteopetrose, 94 9
Escoliose e Anomalias com Comprometimento Picnodisostose, 9 53
Enostose, Osteopoiquilose e Osteopatia Estriado, 953
Geral do Esqueleto, 927 Displasia Diafisária Progressiva, 955
Escoliose, 927 Melorreostose, 957
Escoliose ldiopática, 927 Outras Displasias Esclerosantes Mistas, 959
Escoliose Congênita, 927 Aspectos Práticos a Serem Lembrados, 960
Escolioses Diversas, 929 Leituras Sugeridas, 961
Avaliação Radiológica, 929
Medidas, 929
Tratamento, 936 Créditos das Figuras, 965
Anomalias com Comprometimento Geral do Esqueleto, 936
Neurofibromatose, 936 Índice Alfabético, 967
INTRODUÇAO

esta quarta edição, o Dr. Greenspan expandiu e melhorou significati- específicos sobre estudo radiológico de várias anormalidades ósseas e
vamente sua tão popular e amplamente usada terceira edição. Embora de articulações, inclusive transtornos traumáticos, artríticos, neoplási-
o livro anterior apresentasse muito material de outras modalidades de cos, infecciosos, metabólicos, endócrinos e congênitos.
imagem, além da radiografia de rotina, tal expansão reflete os extraordi- Em seu Prefácio, o Dr. Greenspan descreve minuciosamente as
nários avanços e inovações que ocorreram na investigação pela imagem mudanças realizadas nesta quarta edição, quando comparada à ter-
nestes cinco anos desde a publicação da última edição. Tratamentos e ceira; portanto, não pretendo prolongar sua descrição , mas alguns pon-
procedimentos cirúrgicos "minimamente invasivos" por via percutânea tos merecem ser enfatizados. A qualidade das imagens reproduzidas no
para diversos transtornos, inclusive aqueles no sistema musculoesque- texto é excelente,já que o Dr. Greenspan , nesta edição, substituiu ilus-
lético, foram aprimorados e incluídos na prática diária. Essa evolução trações menos definidas por reproduções de alta qualidade. O uso de
está refletida na discussão do Dr. Greenspan sobre a ablação térmica desenhos para aprimorar as imagens e vários quadros fornece ao leitor
guiada por radiofreqüência orientada por TC do osteoma osteóide, valiosos recursos para compreender melhor o material e subsídios para
bem como sobre outras técnicas. Técnicas de imagem sofisticadas não aprender o essencial. Mesmo mantendo o livro em um único volume ,
apenas são essenciais para distinguir diversos diagnósticos, mas também o Dr. Greenspan fez acréscimos importantes a tópicos já abordados na
estão sendo integradas rapidamente a várias terapias. terceira edição, além de incluir muitos artigos novos, tornando, assim,
Esta quarta edição continua sendo uma excelente ferramenta de o texto mais abrangente sobre o sistema musculoesquelético.
aprendizado na interpretação de imagens, com ênfase na radiografia O livro é imprescindível para radiologistas, cirurgiões ortopédicos,
convencional; porém, igualmente importante, é essencial para a decisão fisiatras e reumatologistas, porém todo profissional de saúde que trate
dos tipos de estudos radiológicos mais apropriados a uma dada condi- de transtornos musculoesqueléticos e solicite estudos radiológicos
ção e para determinar qual seqüência de estudos de imagem seria mais por imagem deve consultá-lo. É um recurso de estudo essencial para
provável de oferecer um diagnóstico definitivo pelo menor custo. Por estudantes de medicina e para residentes nas especialidades de radiolo-
exemplo, para uma suspeita de fratura por estresse do colo do fêmur gia, medicina musculoesquelética e cirurgia. Espero ver os exemplares
com radiografias negativas, é melhor solicitar uma RM ou cintilogra- da terceira edição, já bastante manuseados , no Departrnent of Ortho-
fia? O Capítulo 1, O Papel do Radiologista Ortopédico, aborda essas pedic Surgery da University of California Davis Medicai Center, sendo
questões e é leitura essencial para todos os profissionais de saúde que substituídos por esta excelente, atualizada e ampliada quarta edição.
solicitam exames radiológicos. O Capítulo 2, Técnicas de Imagem em
Ortopedia, prossegue com informações detalhadas e diretrizes para Michael W. Chapman, M.D.
cada técnica de imagem e é leitura necessária para o restante do texto. Professor Emeritus of Orthopaedic Surgery
O Capítulo 3, destinado à formação e ao crescimento ósseos, é uma University of California, Davis School of Medicine
base para se compreender a mecânica de diversos processos patológi- Sacramento, California
cos que afetam estruturas ósseas; já os Capítulos 4 a 33 contêm dados
""
PREFACIO DA
-
PRIMEIRA EDIÇAO

Radiologia Ortopédica: Uma Abordagem Prática foi escrito para facilitar o Práticos a Serem Lembrados", ao fim de cada capítulo. Foram desen-
complexo processo de investigação diagnóstica de uma grande varie- volvidos inúmeros diagramas esquemáticos e quadros originais, deta-
dade de transtornos ortopédicos. Seu conceito básico é triplo: ofere- lhando , por exemplo, as classificações das fraturas, as características
cer uma compreensão básica das modalidades de imagem disponíveis morfológicas dos processos artríticos e neoplásicos e o posicionamento
atualmente usadas para diagnosticar muitos transtornos comuns dos dos pacientes para as várias incidências radiológicas básicas e especiais,
ossos e articulações; ajudar na escolha da técnica radiológica mais efi- bem como as técnicas radiológicas mais eficazes para demonstrar anor-
caz, buscando minimizar o custo do exame, bem como a exposição dos malidades. Reproduções radiológicas, muitas acompanhadas por dese-
pacientes à radiação; e enfatizar a necessidade de fornecer ao cirurgião nhos explicativos, com indicações, foram especialmente preparadas
ortopédico as informações necessárias para distinguir o tratamento ade- para oferecer exemplos de alta qualidade das apresentações clássicas de
quado. Não tenta competir em tamanho e propósito com outros livros um amplo espectro de transtornos ortopédicos. Além disso , a maioria
sobre o mesmo tema. Muitos transtornos raros foram excluídos, bem das legendas das figuras foram escritas em formato de estudo de caso,
como as instruções exatas para realizar os procedimentos. Da mesma o que, combinado a um sistema de anotações diagnósticas (explicado
forma, a natureza desta obra não permite inclusão de todos os detalhes no Cap. 1) após cada legenda, tem por objetivo transmitir uma avalia-
de determinado transtorno ou a discussão completa de aspectos contro- ção do processo de investigações radiológicas. Embora seu propósito
versos. Essas questões são sugeridas ao leitor para estudo adicional da seja ensinar, Radiologia Ortopédica também deve servir como referência
literatura e dos muitos tratados padrões e especializados, compilados útil aos médicos interessados em transtornos ósseos e articulares, assim
na seção Referências e Leituras Sugeridas, ao fim do volume. como a todos aqueles que, habitualmente, empregam os estudos radio-
Radiologia Ortopédica esforça-se para oferecer ao seu público-alvo, lógicos em sua prática diária.
estudantes de medicina e residentes em radiologia e ortopedia, uma
abordagem prática do tema. Para isso, informações decisivas no texto Adam Greenspan, M.D., F.A. C.R.
de cada capítulo foram dispostas em uma seção intitulada "Aspectos
-""'

PREFACIO

Çinco anos se passaram desde a publicação da terceira edição deste livro. velo (inclusive lacerações dos ligamentos) , fratura-luxação de Essex-
E muito tempo , se considerarmos o progresso rápido na radiologia e os Lopresti, síndromes de compressão ulnar e impacção ulnar, e luxações
contínuos avanços tecnológicos nesse campo. Esses fatos nos incitaram a do escafóide. O material novo também inclui danos ao lábio acetabular,
elaborar uma nova edição, que, em parte, reflete esse progresso, sendo avanços mais novos em RM de lesões de menisco, fraturas de osso navi-
uma cópia amplamente "revisada" e melhorada das edições anteriores. cular, síndromes do seio tarsal e do túnel do tarso , doença de Scheu-
Visto que, atualmente, os radiologistas estão utilizando tecnologias de ermann e lacerações anulares do disco intervertebral. Na seção sobre
imagem não conectadas a um feixe de raios X, como a ressonância artrites, acrescentei os recentes avanços em artroplastia total , dados
magnética, ultra-sonografia e cintigrafia, os termos mais antigos "radio- atualizados sobre coxartropatia de Postei, informações mais novas sobre
grafia" e "radiologia" estão sendo substituídos freqüentemente por um osteoartrite erosiva e artropatia por amilóide que complicam a hemo-
termo novo: "técnicas de imagem". Porém, apesar do uso freqüente diálise de longa duração e a insuficiência renal crônica. A seção sobre
dessas técnicas avançadas "de alta tecnologia" em ortopedia, neste livro, tumores contém informações atuais sobre os mais recentes avanços na
como nas edições prévias, a ênfase é dada à radiografia convencional, investigação por imagem de osteoma osteóide e ablação térmica com
que, pelo menos para mim, ainda é uma modalidade custo-eficaz e radiofreqüência orientada por TC dessa lesão. Condições antes omiti-
tem uma participação fundamental no atendimento prestado pelos das foram todas agora incorporadas: condroma intracortical, síndrome
cirurgiões ortopédicos e por outros médicos aos pacientes, devendo de Jaffe-Campanacci, displasia fibrocartilaginosa de ossos longos , sín-
sempre ser executada antes de técnicas de imagem mais sofisticadas e drome de Mazabraud, a variante sólida de cisto ósseo aneurismático
avançadas. Não obstante, como nas edições prévias, o objetivo princi- (granuloma reparador de células gigantes), tumores multifocais de célu-
pal deste livro é demonstrar a disponibilidade de várias modalidades las gigantes, estagiamento de tumor de células gigantes, hemangioma
de imagem para a avaliação de transtornos traumáticos, artríticos, neo- epitelióide, osteossarcoma de tecidos moles (extra-esqueléticos) e seu
plásicos, infecciosos, metabólicos, endócrinos e congênitos do sistema diagnóstico diferencial, classificação revisada de !infamas, leiomiossar-
musculoesquelético e indicar a efetividade de técnicas adequadas para coma primário do osso, hemangioendotelioma e angiossarcoma do osso
anormalidades específicas. e lipoma arborescente. Na seção sobre infecções musculoesqueléticas,
Há, porém, muitas mudanças, acréscimos e melhorias nesta edição. foi ampliado o papel da RM para distinguir seus diagnósticos. A seção
O livro recebeu um design novo , e utilizou-se cor para descrever melhor sobre transtornos metabólicos incorpora as informações mais recentes
os títulos e os subtítulos. Como sugerido por um dos revisores da edi- sobre as técnicas de imagem para medida da densidade mineral dos
ção precedente, foram melhoradas as legendas das ilustrações, com o ossos. Na seção sobre anomalias congênitas e do desenvolvimento , as
diagnóstico sendo colocado no começo, em negrito. Ilustrações tecni- informações sobre a deformidade de Madelung, o tratamento da dis-
camente subótimas ou foram substituídas por outras com imagens de plasia congênita de quadril e sobre algumas das displasias ósseas escle-
melhor qualidade , ou não foram utilizadas. Texto e referências ultra- rosantes também recebem adendos. ovamente, como nas edições pré-
passados foram substituídos por outros mais atualizados. Foram acres- vias, ao término de cada capítulo são fornecidas referências e sugestões
centados quadros novos que resumem as características importantes de de leitura atualizadas.
vários distúrbios. Além disso, o texto foi revisado para incluir muitos Apesar do número aumentado de ilustrações e do texto adicional , foi
estudos por RM, TC de corte fino eTC em 3D. mantido o formato de volume único . Isso deve facilitar o uso desta obra
Várias seções novas foram acrescentadas a quase todos os capítulos. por radiologistas, cirurgiões ortopédicos e outros médicos interessados
Por exemplo, o capítulo sobre técnicas de imagem contém informações na aplicação de técnicas de imagem aos transtornos musculoesqueléti-
mais recentes sobre o uso diagnóstico da tomografia por emissão de cos e deve expandir os conhecimentos das edições com vários volumes
pósitrons (PET com glicose ligada a fl 8 ). Nos capítulos sobre trauma- de obras semelhantes no mercado.
tismo, lesão da glenóide e dos ligamentos glenoumerais, foi incluída a
classificação , segundo a RM, de lesão da articulação acromioclavicular, Adam Greenspan, M.D., F. A.C.R.
síndrome do nervo supra-escapular, lesão dos tecidos moles do coto-
AGRADECIMENTOS

Como as edições anteriores, este projeto não poderia ter sido concluído a tempo do manuscrito. Também gostaria de agradecer a Laura Pardi
sem a ajuda de muitos de meus amigos e colegas. Agradeço aos muitos Duprey, pela preparação dos diagramas e desenhos; a Aaron Peter-
profissionais da Lippincott Williams & Wilkins que me guiaram e aju- son, pela ajuda na criação de algumas das ilustrações digitais; a Sharon
daram na preparação deste texto. Meu agradecimento especial vai para Rule, pela ajuda na redação de algumas das seções; e ao Dr. Michael W.
Lisa McAllister, editora executiva, Kerry Barrett, editor de desenvolvi- Chapman, por escrever o Prefácio. Igualmente, gostaria de expressar
mento, e Rakesh Rampertab, editor de produção sênior, pelos conselhos minha gratidão a todos os autores que deram permissão para reprodu-
editoriais e coordenação da produção deste livro; para Doug Smock, zir ilustrações selecionadas dos seus livros e publicações. Eles recebem
diretor de arte sênior, pelo design do livro e sua capa; e para Pat Mrozek, o agradecimento separadamente nos Créditos das Figuras, ao término
gerente de projeto, pela supervisão durante a composição final deste do livro. Sem os esforços conscienciosos de muitos desses profissionais,
texto. Uma nota especial de reconhecimento vai para Angela Miche- teria sido impossível realizar esta tarefa.
lier, pela ajuda inestimável na assistência secretaria! e na preparação
Radiologia Ortopédica
QUARTA EDIÇÃO
/

UMA ABORDAGEM PRATICA


PARTE

--
INTRODUÇ.AO
.....

A RADIOLOGIA
~

ORTOPEDICA
O PAPEL DO
RADIOLOGISTA
_,.

ORTOPEDICO

Um espetacular progresso vem ocorrendo no campo da radiologia. A gistas devem estar cientes dos seguintes objetivos no desempenho de
introdução e os constantes aperfeiçoamentos das novas modalidades de suas funções:
imagem- tomografia computadorizada (TC) e suas variações espiral 1. Diagnosticar um transtorno desconhecido, de preferência usando in-
(helicoidal) e tridimensional (3D), radiografia digital (RD), computa- cidências padronizadas juntamente com projeções e técnicas es-
dorizada (RC) e suas variações, radiografia com subtração digital (RSD) peciais que podem ser obtidas na radiografia convencional antes
e angiografia com subtração digital (ASD), ultra-sonografia (US) tridi- de usar as modalidades mais sofisticadas atualmente disponíveis.
mensional, angiografia com radionuclídeos e cintigrafia de perfusão, 2. Realizar exames na seqüência apropriada e para saber o que deve
tomografia por emissão de pósitrons (TEP), tomografia computadori- ser feito em seguida na investigação radiológica.
zada por emissão de fóton único (TCEFU), ressonância magnética 3. Mostrar os aspectos radiológicos determinantes de um transtorno conhe-
(RM), entre outros - expandiram o arsenal do radiologista, facilitan- cido, a distribuição de uma lesão no esqueleto e sua localização no osso.
do o processo algumas vezes difícil do diagnóstico. Esses novos desen- 4. Monitorizar o progresso da terapia e as complicações possíveis.
volvimentos tecnológicos trouxeram também desvantagens. Contribu- 5. Saber quais são as informações específicas importantes para o cirur-
íram para o aumento drástico do custo da assistência médica e freqüen- gião ortopédico.
temente levaram os médicos a tentar acompanhar as novas modalida- 6. Perceber os limites da investigação radiológica não-invasiva e saber
des de imagem, a solicitar muitos exames radiológicos freqüentemente quando empregar técnicas invasivas.
desnecessários. 7. Identificar as lesões que demandam biópsia e as que não deman-
Esta situação serviu para enfatizar a importância fundamental do dam (lesões do tipo "não toque").
radiologista ortopédico e o lugar da radiografia convencional. O ra- 8. Ser mais atento na conduta terapêutica ao realizar um processo
diologista não deve apenas cumprir os pré-requisitos para vários exa- de embolização, administrar quimioterápicos por meio de catete-
mes , mas também , e isso é mais importante, rastreá-los para escolher rismo seletivo ou realizar ablação térmica por radiofreqüência
apenas aqueles procedimentos que levarão ao diagnóstico -e à avalia- (geralmente, guiada por TC) de lesões ósseas (como o osteoma
ção corretos de um determinado transtorno. Para tanto, os radiolo- osteóide).
4 O Papel do Radiologista Ortopédico

O diagnóstico radiológico de muitos transtornos ósseos e articulares gia do osso. O cristal de apatita de cálcio, um dos minerais constituin-
não pode ser feito unicamente com base nos padrões radiológicos es- tes do osso, é um agente de contraste intrínseco, que confere à radiolo-
pecíficos reconhecíveis. Dados clínicos, como idade, sexo, sintomas, gia óssea grande vantagem sobre outras subespecialidades radiológicas
anamnese e achados laboratoriais do paciente, também são importan- e torna fácil obter informações sobre a produção e destruição ósseas
tes para o radiologista interpretar corretamente um exame por imagem. por intermédio da radiografia convencional. A observação simples de
Ocasionalmente, a informação clínica é tão indicativa de um certo trans- alterações na forma ou densidade do osso normal, por exemplo, nas
torno que pode ser suficiente para fundamentar o diagnóstico. A dor vértebras, pode ser um fator decisivo para se chegar a um diagnóstico
óssea em um paciente jovem que é tipicamente mais intensa à noite e é específico (Figs. 1.3 e 1.4).
de pronto aliviada com salicilatos, por exemplo, é tão sugestiva de Para ajudar o radiologista a analisar os padrões e sinais radiológicos,
osteoma osteóide que , freqüentemente , a única tarefa do radiologista alguns patognomônicos e outros inespecíficos, existem várias opções
é encontrar a lesão. Todavia, em muitos casos os dados clínicos não são dentro dos limites da radiografia convencional. Certas formas de posicio-
suficientes e podem até induzir a erro. namento do paciente quando da realização de radiografias asseguram ao
Quando apresentado a um paciente, cuja etiologia da queixa é desco- radiologista a oportunidade de avaliar locais anatômicos que estariam
nhecida (Fig. 1.1) ou se supõe com base nos dados clínicos (Fig. 1.2), o ocultos e de demonstrar mais adequadamente uma anormalidade em
radiologista deve evitar, como ponto de partida no exame, as modali- particular. A incidência lateral do quadril do tipo rã, por exemplo, é
dades tecnológicas mais sofisticadas em favor de um diagnóstico, sem- melhor do que a ântero-posterior na demonstração dos sinais de osteo-
pre que possível, com base nas radiografias convencionais. Essa condu- necrose suspeita da cabeça femoral devido ao fato de demonstrar mais
ta é essencial não apenas para manter a custo-eficácia, mas também para rapidamente o sinal do crescente, aspecto radiográfico inicial deste
diminuir a radiação à qual o paciente é e:Xposto. A realização inicial da transtorno (ver Figs. 4.58 e 4.59B). A incidência lateral do quadril do
técnica convencional também tem base sólida na química e na fisiolo- tipo rã também é extremamente útil no diagnóstico precoce de desliza-

Fig. 1.1 Etiologia dos sintomas desconhecida. (A)


e (B) A anamnese do paciente e os resultados do
exame clínico, fornecidos ao radiologista pelo médi-
ANAMNESE co solicitante, não são suficientes para firmar um diag-
EXAME CLÍNICO nóstico (?). Com base em estudos radiográficos con-
vencionais, (a) o diagnóstico é estabelecido (Ox),
ou (b) os exames podem sugerir o diagnóstico dife-
rencial (OOx). Neste último caso, técnicas de imagem
[?] complementares, como a tomografia, artrografia,
RADIOGRAFIA cintigrafia, tomografia computadorizada ou resso-
CONVENCIONAL nância magnética, entre outras, são utilizadas para
confirmar ou excluir uma das opções. (continua)

Características
Radiográficas Dx

Achados
Radiográficos
Ambíguos

MODALIDADES
DE IMAGEM
COMPLEMENTARES
~::::::::::==:::::::::::==::::=0

Achados
Característicos
Demonstrados

L-----------~--~---------=----~--~----~----------~_JA
O Papel do Radiologista Ortopédico 5

DOR NO JOELHO
AMPLITUDE TOTAL DO MOVIMENTO
ARTICULAR

I
[?]
Radiografias AP e
Lateral do Joelho I
~ ~

v
lesão radiotransparente
na porção proximal da
(a) - epífise da tíbia com 1----
calcificações e borda
Condroblastoma

esclerótica

(b) ....__
lesão radiotransparente
excêntrica na porção
proximal da diáfise da
tíbia com zona
- Osteoma Osteóide?

periférica de esclerose 1-- -


r-- Abscesso Ósseo?

Tomografia
Computadorizada

trajeto serpiginoso
estendendo-se da

lesão até a placa de
crescimento

Abscesso Ósseo!

Fig. 1.1 Continuação.

menta epifisário da cabeça femoral (ver Fig. 32.30B) . Da mesma for- ça do rádio sem as estruturas adjacentes, evidenciando uma lesão obs-
ma, a aplicação de técnicas especiais pode ajudar a identificar uma lesão cura (ver Figs. 6.12 e 6.28). As incidências radiológicas sob estresse são
difícil de se detectar em radiografias de rotina. Fraturas d e estruturas similarmente úteis, em particular na avaliação de rupturas de vários li-
complexas com o cotovelo, punh o , tornozelo e pé nem sempre são de- gamentos das articulações do joelho e do tornozelo (ver Figs. 9.16, 9.71B,
monstrad as nas incidências padronizadas. Devido à superposição dos 10.10, 10.11).
ossos na incidência lateral do cotovelo, por exemplo, a detecção de uma Um diagnóstico acurado depende das observações precisas e da aná-
fratura sem luxação ou com luxação mínima da cabeça do rádio ocasi- lise cuidadosa por p arte do radiologista à luz das informações clínicas,
onalmente exige uma incidência especial com um ângulo de 45· (de- dos ach ados radio lógicos em relação ao tamanho, forma, configuração
nominada incidência da cabeça do rádio-capitelo) que projeta a cabe- e densidade de uma lesão, sua localização dentro do osso e sua distri-
O Papel do Radiologista Ortopédico 5

DOR NO JOELHO
AMPLITUDE TOTAL DO MOVIMENTO
ARTICULAR

[?]
Radiografias AP e
Lateral do Joelho

lesão radiotransparente
na porção proximal da
(a) epífise da tíbia com Condroblastoma
calcificações e borda
esclerótica

lesão radiotransparente
excêntrica na porção Osteoma Osteóide?
(b) proximal da diáfise da
tíbia com zona
periférica de esclerose

Abscesso Ósseo?

Tomografia
Computadorizada

trajeto serpiginoso
estendendo-se da
lesão até a placa de
crescimento

Abscesso Ósseo!

Fig. 1.1 Continuação.

menta epifisário da cabeça femoral (ver Fig. 32.30B). Da mesma for- ça do rádio sem as estruturas adjacentes, evidenciando uma lesão obs-
ma, a aplicação de técnicas especiais pode ajudar a identificar uma lesão cura (ver Figs. 6.12 e 6.28). As incidências radiológicas sob estresse são
difícil de se detectar em radiografias de rotina. Fraturas de estruturas similarmente úteis, em particular na avaliação de rupturas de vários li-
complexas como cotovelo, punho, tornozelo e pé nem sempre são de- gamentos das articulações do joelho e do tornozelo (ver Figs. 9.16, 9.71B,
monstradas nas incidências padronizadas. Devido à superposição dos 10.10, 10.11 ) .
ossos na incidência lateral do cotovelo, por exemplo, a detecção de uma Um diagnóstico acurado depende das observações precisas e da aná-
fratura sem luxação ou com luxação mínima da cabeça do rádio ocasi- lise cuidadosa por parte do radiologista à luz das informações clínicas,
onalmente exige uma incidência especial com um ângulo de 45· (de- dos achados radiológicos em relação ao tamanho, forma, configuração
nominada incidência da cabeça do rádio-capitelo) que projeta a cabe- e densidade de uma lesão, sua localização dentro do osso e sua distri-
O Papel do Radiologista Ortopédi co 7

DOR NO JOELHO
piora ~noite, imed~atamente aliviado por Af'.S
DOR A PALPAÇAO LOCA~ NA PORÇAO
PROXIMAL DA TIBIA

Osteoma
Osteóide?

Incidências AP e
Lateral do Joelho

~
- nicho radiotransparente
circundado por esclerose
reativa
I-
Osteoma
Osteóide!

Osteoma
nicho radiotransparente
~ e discrepância no
comprimento dos membros
- Osteóide e
Crescimento
Ósseo Acelerado
,

~
trajeto serpiginoso
- ~~a
Os 'ide
definido
Abscesso Ósseo

nicho
- espessamento da cortical ,
sem nicho definido - Osteoma
Osteóide? ..l~
definido

Tomografia
Computadorizada
Osteoma
Osteóide!

L __ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ __ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ __ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _JB
Fig . 1.2 Continuação.
8 O Pap e l do Radio logista Orto p édico

Traumatismo

agudo crônico

deformidade no platô acunhamento anterior - defeito localizado no platô separação localizada do


vertebral - fratura de fratura por compressão vertebral- nódulo de ângulo anterior -
compressão Schmorl limbo da vértebra
Lesão Semelhante ao
Artrites Tumor Metabólico

formato quadràdo do vértebra achatada biconcavidade do corpo


corpo - espondilite (vértebra plana) - (vértebra em boca de
ancilosante granuloma eosinofílico peixe) - osteoporose

Congênito

bico anterior central - bico anterior inferior - hem i vértebra


doença de !VIorquio síndrome de Hurler
i (gargoilismo)
do Desenvolvimento

acunhamento anterior do depressão central seme- entalhe da borda posterior


corpo e contorno ondulado lhante a um degrau - - neurofibromatose
dos platôs vertebrais - doença falciforme
doença de Scheuermann

Fig. 1.3 Forma e contorno do osso. Observação de alterações na forma e no contorno de um corpo vertebral em radiografias convencionais pode revelar
informações fundamentais que levam a um diagnóstico correto . .
O Papel do Radiologista Ortopédico 9

Fig. 1.4 Textura e densidade do osso.


Alterações na densidade e na textura de
Tumor um corpo vert e bra l e m rad iog rafi as
Normal
convenciona is podem oferecer dados
úteis para se chegar a um d iagn óstico.

densidades escleróticas "embranqueci menta"


desiguais - metástase uniforme (vértebra ebúrnea)
- linfoma, metástase

Semelhante a Tumor

estriações verticais padrão faveolado


(tecido canelada)- hemangioma (em favo de mel)
- hemangioma
Metabólica do Desenvolvimento

padrão em camisa de rúgbi "moldura" do corpo e imagem esclerótica de


- hiperparatireoidismo trabeculação grosseira - "osso dentro do osso" -
doença de Paget osteopetrose

buição no sistema esquelético. Até que a conduta convencional com sua cintigrafia óssea simples, ao invés de um estudo ósseo de grande am-
variedade de opções seja incapaz de fornecer os achados radiográficos plitude, é também um ponto de partida razoável para investigar ou-
necessários para o diagnóstico correto e a avaliação precisa de uma tros sítios possíveis de envolvimento quando uma lesão é detectada em
anormalidade, o radiologista não precisa recorrer a procedimentos mais um único osso e há suspeita de representar parte de um transtorno
dispendiosos. multifocal ou sistêmico, como a displasia fibrosa poliostótica ou a
O conhecimento da seqüência apropriada dos procedimentos em in- doença metastática. Da mesma forma, se o paciente apresentar sus-
vestigação radiológica depende , em grande extensão, das informações peita de osteoma osteóide ao redor da articulação do quadril, e a ra-
clínicas pertinentes fornecidas pelo médico solicitante. A escolha da diografia padronizada não demonstrou o nicho, uma cintigrafia ós-
modalidade ou modalidades para estudar pela imagem ·uma lesão ou sea deve ser realizada em seguida para determinar o sítio da lesão.
investigar um processo patológico é ditada pela apreserita,ção clínica Depois deve ser realizada uma tomografia linear ou TC para localiza-
bem como pelo equipamento, disponibilidade, habilidade do médi- ção mais precisa de um nicho no osso. Entretanto, se o exame de ro-
co, custos e restrições de cada paciente. Saber onde começare o quefazer tina demonstrar o nicho, a cintigrafia e a tomografia linear podem ser
em seguida, tão rudimentar quanto possa parecer, é de fundamental omitidas da seqüência de exames. Neste ponto, apenas a TC é neces-
importância para alcançar um diagnóstico preciso pela via mais curta saria para determinar a localização exata da lesão no osso e para ob-
possível, com o menor custo e menor detrimento possíveis para o ter as medidas específicas no nicho (Fig. 1.5; ver também Fig. 17.11) .
paciente. Devem ser evitados exames redundantes. Por exemplo, se Se houver suspeita de osteonecrose (ON) da cabeça do fêmur e as
um paciente apresentar artrite e um médico estiver interessado em radiografias forem normais, a RM deve ser solicitada como próximo
demonstrar a distribuição dos locais "silenciosos" do transtorno, o procedimento diagnóstico, porque se trata de modalidade mais sen-
radiologista não deve começar com radiografias de todas as articula- sível do que a tomografia linear (convencional), TC ou cintigrafia. O
ções (o denominado estudo articular) . Em vez disso, é mais sensato texto a seguir brinda os leitores com muitas situações similares nas
realizar uma cintigrafia e , depois , solicitar radiografias apenas daque- quais a seqüência apropriada de modalidades de imagem pode abre-
las áreas que mostram captação aumentada de radiofármaco. Uma viar em muito a investigação diagnóstica.
1O O Papel do Radiologista Ortopédico

ANAMNESE
EXAME CLÍNICO
-

"'
MODALIDADE I
• Dx? - MODALIDADE I MODALIDADE I
Radiografia Radiografia Radiografia
Convencional Convencional Convencional
achados sugestivos achados conclusivos
achados inespecíficos _..... do diagnóstico do diagnóstico
y
~

,,

lo;;i. DDx1? ..
r.
DDx 3? f'

v
MODALIDADE 11
Técnicas de Imagem
Complementares
- DDx 2 ?

....
~ DDx4?

v
achados sugestivos do
diagnóstico
f-o
C>< ~ Dx3?

,
\7
MODALIDADE 111
....
C>< ~ Dx4?

Técnicas de Imagem
Complementares r.,.

achados conclusivos do ~ K
diagnóstico ~-
....

_ i~ Dx4!

MODALIDADE IV
À -=- -
-
Técnicas de Imagem K.. ~

~ ~
Complementares y
c

-
localização precisa e
informação específica DxO + Dx i
~------~------------~--------------------------------------~~~~~------~----~--------~--~----/A
Fig. 1.5 Seqüência de modalidades de imagem. (A) e (B) Um diagnóstico é suspeito (Ox?) com base na anamnese e nos resultados do exame clínico do
paciente. O radiologista sugere a seqüência apropriada de modalidades de imagens, eliminando vários transtornos no processo e estreitando o diagnóstico
diferencial para chegar a um diagnóstico correto (DxO. Também são fornecidas a localização precisa (Ox0) e informações específicas pertinentes ao d iagnós-
tico correto (Dx/ j). (continua)
O Papel do Radiologista Ortopédico 11

DOR NO QUADRIL
piora à noite, imediatamente
aliviada por ácido acetilsalicílico

MODALIDADE I Osteoma MODALIDADE I MODALIDADE I


Radiografias do Quadril Osteóide? Radiografias do Radiografias do
Quadril Quadril
sem alterações significativas área esclerótica no nicho radiotransparen-
exceto osteoporose colo do fêmur, sem te circundado por
periarticular nicho definido esclerose reativa

Osteoporose
Fratura por
Dolorosa
Transitória? Estresse?

MODALIDADE li Sinovite?
Cintigrafia Óssea

aumento localizado da
captação do isótopo no colo
do fêmur

MODALIDADE 111
Tomografia Linear

nicho definido no colo do fêmur

Osteoma
Osteóide!

MODALIDADE IV
Tomografia Computadorizada
t:==========::;
nicho subperiosteal localizado
na cortical mediai , Osteoma
medidas obtidas Osteóide
Subperiosteal

Fig . 1.5 Continuação.


12 O Papel do Rad iologista Ortopédico

Fig. 1.6 Distinguindo as características da lesão, progresso do tratamento e complicações. O diagnóstico é conhecido (Ox). O médico está interessado
em demonstrar: (1) os aspectos básicos da lesão (Ox~), i.e., seu caráter, sua extensão, seu estágio e outros dados pertinentes; (2) a localização da lesão no osso
(Ox0); (3) a distribuição da lesão no esqueleto (Ox -t); (4) o progresso do tratamento (Rx); e (5) o aparecimento de quaisquer complicações (OxJ .
O Papel do Radiologista Ortopédico 13

O diagnóstico correto não termina o processo de investigação radio- Fig. 16.21). Da mesma forma, na monitoração do progresso de fraturas
lógica, porque o curso do tratamento freqüentemente depende da in- em consolidação, o estudo da seqüência diagnóstica de radiografias
vestigação de aspectos distintos de um transtorno distinto (Fig. 1.6). Por exem- complementadas pela tomografia linear ou TC deve decidir os casos
plo, o diagnóstico de sarcoma de Ewing pela radiografia convencional duvidosos. Técnicas de imagem complementares como cintigrafia, TC
é apenas o início de uma investigação radiológica do paciente. Os as- e Rl\1 são essenciais na avaliação de uma das mais graves complicações
pectos cruciais deste tumor precisam ser identificados, como dissemina- dos tumores benignos e das lesões semelhantes aos tumores- a trans-
ção intra-óssea e para os tecidos moles (por TC ou RM) e vasculariza- formação maligna, como pode ocorrer no encondroma, no osteocon-
ção da lesão (por arteriografia convencional ou angiorressonância droma, na displasia fibrosa ou na doença de Paget.
magnética [ARM]) . De modo similar, um diagnóstico de osteossarco- O fornecimento de infonnações específicas ao cirurgião ortopédico
ma deve ser seguido por uma determinação da extensão exata da lesão também é uma função importante do radiologista no momento em
no osso e o estado da medula óssea na vizinhança do tumor. Isso pode que o diagnóstico estiver sendo estabelecido. Se, por exemplo, a
ser feito pela medida precisa da densidade da medula óssea usando-se osteocondrite dissecante for diagnosticada, a decisão sobre a escolha
os números de Hounsfield durante a TC (ver Fig. 2.10) ou usando-se da terapia exige informação acerca do estado da cartilagem articular
imagens de RM com ou sem contraste. O diagnóstico da doença de Paget que cobre a lesão. Esta informação pode ser obtida por artrografia
pode ser uma conquista importante na investigação de um transtorno contrastada, isolada ou associada a TC, ou por RM (ver Figs. 6.39- 6.41).
desconhecido, porém ainda mais importante é a busca adicional de uma Se a cartilagem estiver intacta, deve ser considerado o tratamento
resposta a uma questão fundamental: Existe algum sinal de transforma- conservador; se estiver lesada, a intervenção cirúrgica é o tratamento
ção maligna? (ver Fig. 29.18). A localização de uma lesão no esqueleto mais provável. Da mesma forma , para o plano de tratamento da luxa-
ou em um osso em particular pode freqüentemente ser mais importan- ção anterior na articulação do ombro, o radiologista deve estar aten-
te do que o próprio diagnóstico. O melhor exemplo disso é, mais uma to para a importância que tem para o cirurgião a informação acerca
vez, a localização precisa do nicho do osteoma osteóide, porque a res- do estado do lábio cartilaginoso da glenóide (ver Fig. 5.47) e a possí-
secção incompleta dessa lesão invariavelmente resulta em recorrência. vel presença de corpos osteocondrais na articulação. Estas caracterís-
A determinação da distribuição de uma lesão no esqueleto é útil para o ticas devem ser confirmadas ou excluídas por artrografia combinada
planejamento do tratamento de várias artrites e para o tratamento de com tomografia (artrotomografia), com TC (artrotomografia compu-
um paciente com doença metas tática. A cintigrafia é uma técnica valio- tadorizada) ou por RM (Fig. 1.7).
sa neste aspecto. Definir os limites da investigação radiológica não-invasiva e o momento
Muitas das perguntas mais importantes feitas ao radiologista pelo certo para prosseguir com técnicas invasivas é tão importante para se
cirurgião ortopédico dizem respeito à monitorização do progresso do tra- chegar a um diagnóstico de uma condição como qualquer um dos pon-
tamento e do surgimento de possíveis complicações. o estágio em que o tos já mencionados. Esta situação é mais bem ilustrada no caso de tu-
diagnóstico já foi confirmado, o destino da lesão e conseqüentemente mores e lesões ósseas semelhantes aos tumores. Muitas lesões semelhan-
do paciente devem ser estabelecidos. A comparação de exames radio- tes aos tumores têm apresentações radiográficas distintas que levam a
lógicos anteriores com os achados atuais tem importância crucial neste diagnósticos inquestionáveis nos estudos convencionais. Nesses casos
estágio, porque pode desvendar a dinâmica de condições específicas (ver procedimentos invasivos como biópsia não estão indicados. Isto é par-

Dx LUXAÇÃQ ANTERIOR NA
ARTICULAÇAO GLENOUMERAL

l t t
;
Corpos Estado do Lábio
I, ? I 2? Osteocondrais? Glenoidal?

,_

MODALIDADE ARTRO- RESSONÂNCIA


MODALIDADE

~
TOMOGRAFIA '

~ ~ MAGNÉTICA
I 11
LINEAR ,7 <}

.
t I 1
Corpos Livres
-"' . j-
Lábio Glenoidal
Dx I, Dx I 2 Osteocondrais na Anterior Lesado
Articulação

B
Fig . 1.7 Informações específicas. (A) e (B) O diagnóstico é conhecido (Ox) . O radiologista deve conhece r as informações específicas (1), por exemplo, em
relação às características (i 1 !) ou ao grau (i2 !) de uma lesão, que são necessárias para que o cirurgião ortopédico possa planejar o tratamento. As informações
tam bém podem ser concern entes à distribuição de uma lesão e sua loca lização, ao prog resso do t ratamento, ao aparecimento de complicações. A ap licação
da melhor modalidade radiológica para demonstra r as informações necessárias é uma das funções primordiais do radiologista. As moda lidades variam depen-
dendo das infor mações específicas necessárias.
14 O Papel do Radiologista Ortopédico

ticularmente verdadeiro em um grupo de transtornos definitivamente ficação de imagem ou com orientação pela TC, ou uma ablação térmi-
benignos comumente denominados lesões do tipo "não toque" (ver Fig. ca por radiofreqüência da lesão óssea. Esse procedimento mais inter-
16.48 e Quadro 16.10). A expressão "não toque" fala por si só. Trans- vencionista para o radiologista pode reduzir o tempo da internação e
tornos como uma ilhota óssea (enostose) , miosite ossificante ser mais custo-eficaz.
justacortical pós-traumática e um desmóide periosteal são lesões Em resumo, para controlar suficientemente o diagnóstico e o trata-
inquestionavelmente benignas cujos aspectos determinantes podem mento de pacientes com condições que afetam o sistema musculoesque-
com certeza ser demonstrados por técnicas não-invasivas apropriadas, lético, o radiologista e o médico solicitante devem estar atentos para a
sem necessidade de confirmação histopatológica. A realização de uma variedade de modalidades radiológicas e suas indicações apropriadas.
biópsia nessas lesões pode, de fato , levar a erros no diagnóstico e no Isto aumentará a precisão da investigação radiológica diagnóstica e tam-
tratamento. O aspecto histológico de um desmóide periosteal, por exem- bém reduzirá a quantidade de radiação à qual um paciente é exposto e
plo, pode exibir aspectos agressivos que lembram um tumor maligno; também o custo da hospitalização. A obrigação do radiologista é:
com iniciados, isto pode levar a um tratamento inadequado. Todavia, • Usar os métodos radiográficos convencionais, com conhecimen-
existem ocasiões em que o radiologista se depara com o fato de haver to das capacidades e da eficácia das várias técnicas antes de re-
uma bateria de técnicas não-invasivas convencionais e sofisticadas for- correr a modalidades mais sofisticadas.
necendo informações questionáveis. Neste ponto, não é vergonha di- • Seguir uma seqüência lógica de modalidades de imagem na in-
zer: "Eu não sei o que é isto, mas sei que deve ser realizada uma bióp- vestigação diagnóstica.
sia" (Fig. 1.8). A biópsia percutânea guiada por fluoroscopia ou por TC • Ser o menos invasivo possível de início, mas usar técnicas invasi-
pode ser realizada pelo radiologista na sala de radiologia eliminando- vas se estas puderem abreviar o diagnóstico.
se o uso dispendioso do tempo e da equipe da sala de cirurgia. Ocasio- • Melhorar a comunicação entre o radiologista e o cirurgião orto-
nalmente , o radiologista também pode ser mais precavido na conduta pédico utilizando a mesma linguagem e sabendo o que o cirur-
terapêutica realizando um procedimento de embolização com intensi- gião precisa conhecer acerca da lesão.

ANAMNESE
EXAME CLÍNICO
-

?/Dx
IA
-~
~ MODALIDADE I I
Achados lnespecíficos
Dx?
DDx?

-. ~
A -
: MODALIDADE 11 I
I I
Achados Diagnósticos Achados Questionáveis
Conclusivos Dx?
Dx! DDx?

I K!= : MODALIDADE mj
PARAR
Achados Questionáveis
Não É Necessária
Investigação Adicional Dx?
Não É Necessária DDx?
Biópsia
I PROCEDIMENTO I
(Lesão do Tipo
"Não Toque")
l<i 1 INVASIVO

Dx !

~------------~----~~--------------------------------------------- A
Fig. 1.8 Procedimentos não-invasivos versus invasivos. (A) e (B) O diagnóstico é desconhecido(?) ou suspeito (Dx?). Os procedimentos radiológicos não-
invasivos podem fo rnecer dados suficientes para firmar um diag nóstico inq uestionável. Não há necessidade de mais investigação nem indicação de biópsia,
particularmente se for diag nosticada uma condição defi nitiva mente benigna denominada lesão do tipo "não toque". Todavia, os procedimentos não-invasi-
vos podem fo rn ecer dados não elucidativos em cada etapa do exame. Neste ponto, recomenda-se prosseguir até um procedimento invasivo como a biópsia.
O Papel do Radio logista Ortopédico 15

MASSA DOLOROSA ABAIXO DO


_._______________
JOELHO ~------------..r

?/Miosite Ossificante?

massa de tecidos moles


RADIOGRAFIA
CONVENCIONAL
._______________ ... ~ ·

adjacente à porção proximal da


tíbia com calcificações e prováveis
ossificações

Miosite Ossificante?
Osteossarcoma Periosteal?
Condrossarcoma Periosteal?
Osteossarcoma de Tecidos Moles?
Sarcoma Sinovial?
Lipossarcoma?

TOMOGRAFIA
LINEAR

massa de tecidos moles


massa de tecidos moles fixada à tíbia com calcificações
com periferia ossificada e densidades amorfas
e centro radiotransparente sugerindo osso; sem reação
(fenômeno zonal) ; periosteal definida
fenda separando a lesão
da tíbia; reação periosteal Osteossarcoma Periosteal?
mínima, ininterrupta Condrossarcoma Periosteal?
Osteossarcoma de Tecidos Moles?
Miosite Ossificante! Sarcoma Sinovial?
Lipossarcoma?

TOMOGRAFIA
COMPUTADORIZADA
ou RM

PARAR erosão definida da cortical ,


Lesão do Tipo porém sem invasão da cavidade
"Não Toque" medular; densidades na massa que
provavelmente são calcificações,
mas possivelmente osso; sem
evidências de tecido adiposo

Osteossarcoma Periosteal?
Condrossarcoma Periosteal?
Osteossarcoma de Tecidos Moles?
Sarcoma Sinovial?

BIÓPSIA
PERCUTÂNEA

Osteossarcoma Periosteal!

L-----------------------------------------~----~----------~------------------- 8
Fig. 1.8 Continuação.
16 O Papel do Radiologista Ortopédico

• Dar a conhecer aos médicos solicitantes as indicações, benefíci- McDougall IR, Rieser RP . Scintigraphic techniques in musculoskeletal trauma. Radial Clin
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/

CAPITULO

TECNICAS
DE IMAGEM
EM ORTOPEDIA

Escolha da Modalidade de Imagem tes locais anatõmicos, a resposta nem sempre pode ser claramente es-
tabelecida. A escolha das técnicas para a realização de imagens de anor-
Neste capítulo, descrevemos os princípios e as limitações das técnicas malidades ósseas e dos tecidos moles é determinada não apenas pela
atuais de imagem. A compreensão da base das modalidades disponíveis apresentação clínica, mas também pela disponibilidade do equipamen-
para diagnosticar muitos transtornos dos ossos e das articulações comu- to , experiência e custo. As restrições também podem ser impostas pelas
mente encontrados é de suma importância. Pode ajudar a determinar necessidades de cada paciente. Por exemplo, alergia a contrastes ioda-
a técnica radiológica mais eficaz, minimizando o custo do exame e a dos iônicos e não-iônicos pode impedir o uso de artrografia; o marca-
exposição dos pacientes à radiação. Para tanto, é importante escolher a passo impediria o uso da ressonância magnética (RM) ; estados fisioló-
modalidade apropriada para os tipos específicos de anormalidades or- gicos, como a gravidez, impedem o uso de radiação ionizante, favore-
topédicas, e, quando se empregar as técnicas convencionais (isto é, ra- cendo, por exemplo, a ultra-sonografia. A consideração de tempo e custo
diografia "simples") , estar familiarizado com as incidências e as técni- deve evitar estudos redundantes.
cas que demonstrem melhor a anormalidade. É importante enfatizar Independentemente da técnica complementar empregada, a radio-
que a radiografia simples (ou convencional) continua sendo a forma grafia convencional deve estar disponível para comparação. Na maio-
mais eficaz de se revelar uma anormalidade óssea e articular. ria das vezes, a escolha da técnica de imagem é determinada pelo tipo
O uso de técnicas radiológicas difere na avaliação da existência, tipo de anormalidade suspeita. Por exemplo, diante de suspeita de osteone-
e extensão de várias anormalidades ósseas, articulares e dos tecidos crose após a realização de radiografias convencionais, o exame seguin-
moles. Por conseguinte, o radiologista e o cirurgião ortopédico devem te deve ser a RM, que detecta as alterações necróticas no osso muito
conhecer as indicações de uso de cada técnica, as limitações de uma tempo antes de as radiografias, tomografia, tomografia computadori-
modalidade em particular e os tipos de imagem apropriados para anor- zada (TC) ou cintigrafia tornarem-se positivas. Na avaliação de trans-
malidades em locais específicos. "Que modalidade devo usar para este torno interno do joelho, as radiografias convencionais devem ser obti-
problema específico?" Esta pergunta é amiúde formulada por radiolo- das primeiramente e, se a anormalidade não for observada, devem ser
gistas e cirurgiões ortopédicos de modo semelhante, e embora existam novamente seguidas por RM, porque esta modalidade oferece uma re-
vários algoritmos disponíveis para avaliar vários problemas em diferen- solução de contraste excelente da medula óssea, da cartilagem articu-
18 Técnicas de Imagem em Ortopedia

lar, ligamentos, meniscos e tecidos moles. A RM e a artrografia atual- gar de goleiro", resultante da ruptura do ligamento colateral ulnar da
mente são os procedimentos mais eficazes para a avaliação de anorma- primeira articulação metacarpofalângica, é suspeito. o membro infe-
lidades no manguito rotador, sobretudo quando há suspeita de ruptu- rior, as incidências sob estresse das articulações do joelho e do tornoze-
ra parcial ou completa. Embora a ultra-sonografia possa também detec- lo freqüentemente são realizadas. A avaliação da instabilidade do joe-
tar uma ruptura do manguito rotador, sua baixa sensibilidade (68 %) e lho causada por lesões ligamentares pode demandar o uso desta técni-
baixa especificidade (75% a 84%) fazem dela um método diagnóstico ca em casos de ruptura suspeita do ligamento colateral mediai e , me-
menos definitivo. Na avaliação de uma dor no punho, as radiografias nos freqüentemente , na avaliação de insuficiência dos ligamentos cru-
convencionais e a tomografia triespiral devem preceder o uso de técni- zados anterior e posterior. A avaliação dos ligamentos do tornozelo tam-
cas mais sofisticadas, como a artrotomografia ou a artrografia por TC. bém pode exigir radiografias sob o estresse. As incidências sob estresse
Também pode ser realizada a RM; todavia, sua sensibilidade e especifi- em inversão (adução) e em gaveta anterior são as mais freqüentemen-
cidade na detecção de anormalidades da fibrocartilagem triangular e te obtidas nesta classificação (ver Figs. 4.4, 10.10, 10.11).
de vários ligamentos intercarpais são um pouco menores que a da
artrotomografia por TC, sobretudo se for usada injeção nos três com- Escanometria
partimentos. Se houver suspeita de síndrome do túnel do carpo, a RM
é preferida porque proporciona uma diferença de alto contraste entre A escanometria é o método mais usado para a medida do comprimen-
músculos, tendões, ligamentos e nervos. De modo similar, na suspeita to do membro. Esta técnica exige um diafragma de fenda com abertu-
de osteonecrose dos ossos do carpo e com radiografias convencionais ra de 1/ 16 de polegada fixado ao tubo radiográfico e um chassi longo.
normais, a RM seria o método de escolha para mostrar esta anormali- O tubo radiográfico move-se no eixo longo da mesa radiológica. Du-
dade. Na avaliação de fraturas e de consolidação de fraturas dos ossos rante a exposição, o tubo atravessa todo o comprimento do filme, visu-
do carpo, a tomografia triespiral e a TC ainda são as preferidas à RM , alizando o membro inteiro. Esta técnica permite que o feixe de raios X
devido ao alto grau de resolução espacial. Nos diagnósticos de tumores atravesse as extremidades ósseas perpendicularmente; portanto, podem
ósseos, a radiografia convencional e a tomografia ainda são os métodos ser feitas medidas comparativas dos comprimentos dos membros. Quan-
diagnósticos ideais. Todavia, para avaliar a disseminação intra-óssea e do não há um tubo de raios X motorizado, uma técnica modificada com
para tecidos moles do tumor, devem ser acompanhados por TC ou RM, três exposições separadas pode ser usada sob as articulações do quadril,
sendo esta última modalidade a mais precisa. Para avaliar os resultados joelhos e tornozelos. Nesta técnica, uma fita mét.t:ica opaca é colocada
da radioterapia e da quimioterapia de tumores malignos, a RM dinâmi- longitudinalmente no centro da mesa de raios X. As vezes, é obtida uma
ca usando-se gadopentato de dimeglumina (Gd-DTPA) como contras- ortorradiografia. Para esta técnica, o paciente é posicionado em decú-
te é muito superior à cintigrafia, à TC ou até à RM sem contraste. bito dorsal com os membros inferiores sobre um chassi com 90 em de
comprimento e uma régua longa de um lado. É realizada uma única
exposição, centralizada nos joelhos para incluir todo o comprimento
Técnicas de Imagem dos membros e a régua.

Radiografia Convencional Fluoroscopia e Filmagem em Vídeo


A modalidade mais freqüentemente usada para avaliação de transtor- A fluoroscopia é uma ferramenta fundamental para vários procedimen-
nos ósseos e articulares, e sobretudo de condições traumáticas, é a radi- tos radiológicos, incluindo artrografia, tenografia, bursografia, arterio-
ografia convencional. O radiologista deve obter pelo menos duas inci- grafia e biópsia percutânea do osso ou dos tecidos moles. A fluorosco-
dências do osso envolvido, com ângulos de 90° entre si, com cada inci- pia combinada com a filmagem em vídeo é útil na avaliação da cinemá-
dência incluindo duas articulações adjacentes. Isso diminui o risco de tica das articulações. Todavia, devido à alta dose de radiação , é apenas
não diagnosticar uma fratura, subluxação e/ ou luxação em um local ocasionalmente empregada, como na avaliação do movimento de vári-
distante da lesão primária aparente. Em crianças, freqüentemente é as articulações, ou para detectar uma subluxação transitória (isto é ,
necessário obter uma radiografia do membro não afetado normal para instabilidade do carpo). Algumas vezes, é usada após fraturas no exa-
comparação. Geralmente, as radiografias padronizadas compreendem me de seguimento do processo de consolidação para avaliar a solidez
as incidências ântero-posterior e lateral (perfil); ocasionalmente, as da consolidação óssea. A fluoroscopia ainda é usada junto com a mielo-
incidências oblíquas e especiais, sobretudo na avaliação de estruturas
grafia, em que é importante para observar o movimento da coluna de
complexas como cotovelo, punho, tornozelo e pelve, são necessárias.
contraste no espaço subaracnóideo; na artrografia, para verificar o po-
Uma incidência com carga pode ser valiosa para a avaliação dinâmica
sicionamento apropriado da agulha e para monitorizar o fluxo do con-
do espaço articular sob o peso do corpo. Incidências especiais, como
traste ; e durante uma cirurgia, para avaliar a redução de uma fratura
aquelas descritas nos capítulos seguintes, podem ser necessárias às ve-
ou o posicionamento do equipamento.
zes para mais bem mostrar uma anormalidade óssea ou articular.
Radiografia Digital
Radiografia com Ampliação
A radiografia digital (computadorizada) é o nome dado ao processo de
Ocasionalmente, a radiografia com ampliação é solicitada para realçar
aquisição digital da imagem empregando-se um detector de raios X
detalhes ósseos mal apreciados nas incidências radiológicas padroniza-
das e para maximizar a informação diagnóstica obtida por imagem ra- constituído por uma placa de formação de imagem com fósforo
diográfica. Esta técnica envolve um tubo radiológico com ponto focal fotoestimulável e um leitor-gravador de imagens que processa a infor-
pequeno, um sistema écran-filme especial e maior distância entre o mação de imagem latente para subseqüente representação em escala
objeto e o filme, resultando em aumento geométrico que produz ima- com brilho e impressão a laser em filme (Fig. 2.1). O sistema funciona
gens a_mpliadas dos ossos e articulações com maior nitidez e mais deta- baseado no princípio da luminescência fotoestimulada. Quando o écran
lhes. E especialmente eficaz para mostrar alterações iniciais em algu- absorve raios X, a energia dos raios X é convertida em energia lumino-
mas artrites (ver Fig. )2.7), bem como em vários transtornos metabóli- sa pelo processo de fluorescência , com a intensidade da luz sendo pro-
cos (ver Fig. 26.9B). As vezes, pode ser útil para mostrar linhas de fratu- porcional à energia absorvida pelo fósforo. A luz estimulada é usada para
ras sutis não observadas nas incidências de rotina. criar uma imagem digital (uma radiografia computadorizada).
Uma importante vantagem da radiografia computadorizada sobre a
Incidências sob Estresse radiografia filme / écran convencional é que, uma vez adquiridos, os
dados da imagem digital são facilmente manipulados para produzir
As incidências sob estresse são importantes na avaliação de rupturas li- outras reconstruções. As vantagens potenciais da digitalização incluem
gamentares e da estabilidade articular. Na mão , a imagem com estresse a utilização do contraste e do brilho por manipulação da largura da
em abdução do primeiro quirodáctilo pode ser obtida quando o "pole- janela e dos ajustes do nível, bem como várias capacidades de processa-
Técnicas de Imagem em Ortopedia 19

Fig . 2.1 Radiografia digital. Radiografia digital da


mão sem (A) e com (B) realce de borda . Os deta-
lhes ósseos dos tecidos moles são mais bem obser-
vados que em radiografias convencionais.

menta da imagem, quantificação das informações da imagem, e facili- nho com características de baixo ruído permite que quadros de vídeos
tação do armazenamento e recuperação da imagem. Ademais, a ima- únicos de imagens de pré-contraste e pós-contraste sejam usados para
gem com subtração de energia (também denominada subtração com subtração. A resolução espacial pode ser maximizada usando-se uma
energia dupla) pode ser adquirida. Duas imagens, adquiridas seqüen- combinação de ampliação geométrica, ampliação elétrica e uma peque-
cialmente ou simultaneamente com filtração diferente, são usadas para na distância anodo-alvo. A técnica de subtração remove as estruturas
reconstruir uma imagem apenas com tecidos moles ou uma imagem anatômicas circunvizinhas e assim isola o vaso ou a articulação
apenas com osso. opacificada, tornando-o mais nítido.
Na radiografia com subtração digital, um processador de vídeo e um A radiografia digital não vascular pode ser usada para avaliar várias
disco digital são acrescentados a um complexo d estinado a adquirir anormalidades ósseas e, em conjunto com a ir~jeção de contraste, um
imagem fluoroscópica para fornecer visualização onlinede imagens por procedimento denominado artrografia com subtração digital (Fig. 2.2) ,
subtração. Esta técnica é mais utilizada na avaliação do sistema vascu- para avaliar anormalidades sutis das articulações, como as rupturas da
lar, porém também pode ser usada em conjunto com a artrografia para fibrocartilagem uiangular ou os ligamentos intercarpais no punho, ou
avaliar várias articulações. O uso de câmeras de vídeo de alto desempe- para avaliar a estabilidade da substituição de próteses. A radiografia digi-

ruptura do
ligamento
lunopiramidal

local de uma ruptura


da fibrocartilagem
triangular

\:-i,?\--~---- extravasamento de
contraste para
articulação radioulnar
distai

Fig . 2.2 Artrografia com subtração digital. A artrografia com subtração digital mostra rupturas do ligamento lunopiramidal e do complexo da fibrocartila-
gem triangular. (A) Esta imagem foi obtida por subtração da imagem adquirida de forma digital na etapa da pré-injeção (B) a partir da imagem da pós-
injeção. (Cortesia de Dr. B. ). Manaster, Denver, Colorado.)
20 Técnicas de Imagem em Ortopedia

Fig. 2.3 Angiografia com subtração digital. Radiografia


digital (A) e angiografia com subtração digital (B) de um
homem de 23 anos de idade que sofreu fraturas nas por-
ções proximais da tíbia e da fíbula mostram ruptura do seg-
mento distai da artéria poplítea.

tal oferece as vantagens potenciais da qualidade da imagem, sensibilida- precisamente e ajudar muito na capacidade de detectar lesões peque-
de do contraste e latitude da exposição melhoradas, proporcionando o nas de apenas 1 mm.
armazenamento, a recuperação e transmissão de dados de imagens radi- O movimento tomográfico mais simples é linear, com o tubo de raios
ográficas. As imagens digitais podem ser apresentadas em filme ou em X e o chassi do filme movendo-se sobre uma linha reta em sentidos opos-
um monitor de vídeo. Uma vantagem significativa da digitalização de tos. O movimento linear tem pouca aplicação no estudo dos ossos por-
imagens é a capacidade de produzir dados com baixo ruído e uma am- que cria estrias que freqüentemente interferem na interpretação radio-
pla faixa dinâmica adequada para a análise do nível de janela de maneira lógica. A resolução do plano de foco é muito mais nítida quando há bar-
comparável àquela empregada em um equipamento de TC. ramento mais uniforme das estruturas indesejadas. Isto exige um movi-
A angiografia com subtração digital (ASD), o tipo de radiografia di- mento multidirecional, como na zonografia ou na tomografia circular,
gital utilizado com maior freqüência, pode ser solicitada na avaliação na qual o tubo de raios X faz um movimento circular em um ângulo de
de traumatismo, tumores ósseos e dos tecidos moles, e na avaliação geral inclinação preestabelecido. Os movimentos hipocicloidais multidirecio-
do sistema vascular. No traumatismo do membro, a ASD é efetivamen- nais ou triespirais mais complexos aumentam a distância de movimento
te empregada para avaliar oclusão arterial, pseudo-aneurismas, fístulas do tubo e criam um ângulo variável de incidência do feixe de raios X
arteriovenosas e transecção das artérias (Fig. 2.3) . Algumas vantagens durante a exposição. Esses movimentos complexos trazem mais benefíci-
da ASD sobre as técnicas convencionais são que suas imagens podem os porque produzem um barramento ainda maior e as imagens são mais
ser estudadas rapidamente e múltiplas incidências repetidas podem ser nítidas. A tomografia triespiral é uma técnica radiológica importante no
adquiridas. A subtração óssea é útil para delinear claramente as estru- diagnóstico e manuseio de vários problemas ósseos e articulares. Ainda é
turas vasculares. Na avaliação dos tumores ósseos e dos tecidos moles, a um dos exames básicos para avaliação de pacientes que sofreram trau-
ASD é uma ferramenta eficaz para o mapeamento da vascularização do matismo do sistema esquelético. Suas vantagens em relação às radiogra-
tumor. fias convencionais incluem a visualização de fraturas sutis (ver Figs. 4.5B
e 4.6B). É útil não apenas para delinear a linha de fratura e mostrar sua
Tomografia extensão, mas também ajuda na avaliação do processo de consolidação
(ver Fig. 4.43B), complicações pós-traumáticas (ver Figs. 4.50B e 4.59C)
A tomografia é uma radiografia de secções do corpo que permite a vi- e enxertos ósseos no tratamento de não-consolidações. Também é inesti-
sualização mais acurada de lesões muito pequenas para serem observa- mável na avaliação de vários tumores e lesões tumorosas (p. ex., para
das em radiografias convencionais ou mostra detalhes anatômicos en- mostrar o nicho do osteoma osteóide ou para delinear a matriz calcifica-
cobertos por estruturas suprajacentes. Emprega movimento contínuo da no encondroma ou no condrossarcoma). Pequenas lesões císticas e
do tubo de raios X e do chassi do filme em direções opostas durante escleróticas e erosões sutis também podem ser mais bem mostradas. Em
toda a exposição, com o fulcro do movimento localizado no plano de geral, as tomografias devem ser interpretadas juntamente com uma radi-
interesse. Por meio do barramento das estruturas acima e abaixo da área ografia para comparação.
examinada, o objeto a ser estudado é bem delineado em um plano único
de foco. O plano focal pode variar em espessura de acordo com a dis- Tomografia Computadorizada
tância que o tubo de raios X percorre: quanto maior a distância (ou o
arco) percorrida pelo tubo, mais fino o corte em foco. Unidades tomo- A TC é uma modalidade radiológica que contém uma fonte de raios X,
gráficas recentemente desenvolvidas podem localizar a imagem mais detectores e um sistema computadorizado de processamento de dados.
Técnicas de Imagem em Ortopedia 21

Os componentes essenciais de um sistema de TC incluem um gantry


(túnel) explorador circular, que abriga o tubo de raios X e sensores de
imagem, uma mesa para o paciente, um gerador de raios X e uma uni-
dade de processamento de dados computadorizada. O paciente deita-
se sobre uma mesa e é colocado dentro do gantry. O tubo de raios X é
rodado 360a ao redor do paciente, enquanto o computador coleta os
dados e produz uma imagem axial ou "fatia". Cada fatia de corte trans-
versal representa uma espessura entre 0,1 e 1,5 em de tecido corporal.
Os aparelhos mais novos de TC utilizam um leque rotatório de fei-
xes de raios X, um anel fixo de detectores e um colimador do tipo pré-
detector. U m feixe de raios X altamente colimado é transmitido atra-
vés da área que está sendo visualizada. Os tecidos absorvem o feixe de
raios X em vários graus, dependendo do número atômico e da densi-
dade do tecido específico. O feixe remanescente e não absorvido (não
atenuado) passa através dos tecidos e é detectado e processado pelo
computador. O programa do computador converte as atenuações do Fig. 2.4 Imagem por reconstrução de TC. Imagem por reconstrução de TC
feixe de raios X do tecido em um número de TC (unidades Hounsfield), sagital mostra a fratura em lágrima, em flexão, de C5. Também mostra efeti-
por meio de comparação com a atenuação da água. A atenuação da água vamente a alteração do alinhamento do corpo vertebral e estreitamento do
canal vertebral. (Reproduzido de Greenspan A, 1992, com permissão.)
é designada como O (zero) H, a atenuação do ar é designada como
-1 .000 H , e a atenuação do osso cortical normal é+ 1.000 H. Rotineira-
mente , são obtidos cortes axiais; no entanto, a reconstrução (reforma-
tação) computadorizada em muitos planos pode ser obtida, se deseja- colimados dirigidos apenas na camada de tecido sob investigação. Os
do. avanços mais recentes nos programas (software) sofisticados possibili-
A introdução da tomografia em espiral (helicoidal) foi um aperfei- tam a reconstrução tridimensional, que é útil na análise de regiões com
çoamento da TC. Esta técnica, denominada como TC de aquisição de anatomia complexa, como a face , pelve, coluna vertebral, pé, tornoze-
volume, tornou possível um sistema de reunião de dados utilizando-se lo e punho (Figs. 2.6 a 2.9). Novos sistemas computadorizados permi-
uma rotação contínua da fonte de raios X e dos detectores. Permite a tem agora a criação de modelos plásticos da área de interesse baseada
rápida aquisição de volumes dos dados da TC e oferece a capacidade em imagens tridimensionais. Estes modelos facilitam o planejamento
de reformatar as imagens em quaisquer intervalos predeterminados, cirúrgico e permitem cirurgia de ensaio de procedimentos complexos
variando de 0,5 a 10 mm. Ao contrário da TC padronizada, na qual até de reconstrução.
um máximo de 12 imagens podia ser obtido por minuto , a TC helicoi- A TC é muito importante na avaliação de tumores ósseos e de teci-
dal adquire todos os dados em 24 ou 32 segundos, produzindo até 92 dos moles, devido a sua maior resolução de contraste e a sua capacida-
cortes. Esta tecnologia reduziu acentuadamente os tempos de aquisi- de de medir com precisão o coeficiente de atenuação tecidual. Embo-
ção de cada imagem e eliminou a demora entre as imagens. Portanto, ra a TC por si só raramente seja útil para firmar o diagnóstico específi-
eliminou também o movimento entre as aquisições de imagens. Isto co, ela pode avaliar precisamente a extensão da lesão óssea e mostrar
também diminuiu os artefatos de movimento, melhorou a definição das uma ruptura através do córtex e o envolvimento de tecidos moles cir-
estruturas examinadas e aumentou significativamente a capacidade de cunvizinhos. Ademais, a TC é muito útil para delinear um tumor em
se obter reconstruções tridimensionais produzidas por múltiplas ima- ossos que têm estruturas anatômicas complexas, como a escápula, a pelve
gens transaxiais superpostas adquiridas em uma única suspensão da e o sacro, cuja imagem completa com técnicas radiográficas convencio-
respiração. A TC em espiral permite que os dados sejam adquiridos nais ou mesmo com a tomografia linear pode ser difícil de se obter. A
durante a fase de realce de contraste máximo, otimizando assim a de- TC é fundamental para determinar a extensão e disseminação de um
tecção de uma lesão. O volume de dados pode ser visualizado como tumor no osso se for considerada a preservação do membro, de forma
imagens transaxiais convencionais ou como reconstrução multiplanar que possa ser planejada uma margem segura de ressecção (Fig. 2.10).
e tridimensional. Ela pode mostrar efetivamente a disseminação intra-óssea de um tumor
A TC é indispensável na avaliação de muitas condições traumáticas e e o envolvimento extra-ósseo nos tecidos moles como músculos e feixes
de vários tumores ósseos e tecidos moles em face de sua capacidade de neurovasculares. Também é útil para monitorizar os resultados do tra-
formar imagens em cortes transversais. No traumatismo, a TC é extre- tamento, avaliar a recorrência de tumor ressecado e mostrar o efeito
mamente útil para definir a presença e a extensão de fratura ou luxa- de tratamentos não cirúrgicos como a radioterapia e a quimioterapia.
ção; para avaliar várias anormalidades intra-articulares, como a lesão da Ocasionalmente, contrastes iodados podem ser administrados por via
cartilagem articular ou a presença de corpos osteocartilaginosos não intravenosa para realçar as imagens da TC. O contraste altera direta-
calcificados e calcificados; e para avaliar tecidos moles adjacentes. A TC mente o contraste da imagem mediante aumento na atenuação dos raios
é de particular importância na detecção de pequenos fragmentos ósse- X, mostrando com is~o maior brilho nas imagens de TC. Pode auxiliar
os deslocados para dentro das articulações após traumatismos; na de- na identificação de uma massa de tecidos moles suspeita quando os
tecção de pequenos fragmentos deslocados de corpos vertebrais fratu- resultados da TC inicial não são dignos de nota ou pode avaliar a vascu-
rados; na avaliação de lesão concomitante da medula ou do saco tecal. larização do tumor de tecidos moles ou ósseos.
A vantagem da TC sobre a radiografia convencional é sua capacidade A TC é fundamental na análise mineral dos ossos. A possibilidade de
de fornecer uma excelente resolução de contraste, medir acuradamen- a TC medir os coeficientes de atenuação de cada pixel fornece uma base
te o coeficiente de atenuação do tecido e obter imagens transaxiais di- para análise mineral óssea quantitativa precisa no osso trabecular (es-
retas (ver Figs. 11.23C, 11.31, 11.33B e 11.57C) . Uma outra vantagem é ponjoso) e cortical. A tomografia computadorizada quantitativa (TCQ)
sua capacidade - por intermédio de dados obtidos de cortes finos con- é um método para medir o conteúdo mineral da coluna lombar pelo
tíguos - de obter imagem do osso nos planos coronal, sagital e oblí- qual os valores de densidade médios de uma região de interesse são
quo usando-se a técnica de reconstrução. Esta reconstrução multipla- referenciados ao do material de calibração estudado na mesma ocasião
nar é sobretudo útil na avaliação do alinhamento vertebral (Fig. 2.4), que a da paciente. As medidas são realizadas em um aparelho de TC
mostrando fraturas orientadas horizontalmente do corpo vertebral, ou usando-se um padrão de mineral para calibração simultânea e uma ra-
avaliando fraturas complexas da pelve, quadril (Fig. 2.5) ou calcâneo, diografia computadorizada (imagem de referência) para localização.
anormalidades das articulações sacrais e sacroilíacas, esterno e articu- A avaliação da medida da massa óssea fornece então elucidação rele-
lações esternoclaviculares, articulações temporomandibulares (ATM) vante para melhorar a avaliação e o tratamento da osteoporose e de
e punho. Os aparelhos modernos de TC empregam feixes em leque outros transtornos metabólicos.
22 Técnicas de Imagem em Ortopedia

Fig. 2.5 Imagem multiplanar por TC. Um homem de 62 anos de idade sofreu uma luxação posterior da cabeça femoral esquerda . Após redução da luxação,
a incidência ântero-posterior do quadril esquerdo mostrou aumento do espaço articular mediai e distorção da face mediai da cabeça do fêmur (A). Para avaliar
melhor a articulação do quadril, foi realizada uma TC. Imagens reconstruídas coronal (B) e sagital (C) mostraram fratura não suspeita da cabeça do fêmur, e
imagem axial (D) mostrou rotação de 180° do fragmento fraturado .

Fig. 2.6 Imagem tridimensional de TC. A recons-


trução de TC tridimensional ântero-posterior (A) e
oblíqua (B) do punho mostra fratura através da cin-
tura do osso escafóide, complicada por osteonecro-
se do fragmento proximal.

1 JJf~-,.,_--,---,-- linha de fratura


, ..,._,.;o.q~--- fragmento
osteonecrótico
Técnicas de Imagem em Ortopedia 23

Fig. 2.9 TC tridimensional. Reconstrução de TC tridimensional da coluna


torácica mostra fenda sagital com um defeito anterior de Tll, imagem típica
de vértebra em forma de borboleta congênita.

Algumas desvantagens da TC incluem o assim chamado efeito de


Fig. 2.7 Imagem de TC tridimensional. A reconstrução de TC tridimensional volume parcial que resulta da falta de homogeneidade na composição
do cotovelo mostra fratura do colo do rádio (seta) e fratura do processo de pequeno volume de tecido. Em particular, a medida das unidades
olecraniano (ponta de seta). Hounsfield resulta nos valores médios para os diferentes componentes
do tecido. Este efeito de volume parcial torna-se sobretudo importante
A TC também é uma modalidade muito importante para a aspira- quando os processos normais e patológicos entram em contato com um
ção ou biópsia bem-sucedida de lesões ósseas ou das partes moles, pois corte sob investigação. A outra desvantagem da TC é a má caracteriza-
propicia a orientação visível para o posicionamento preciso do instru- ção do tecido. Apesar da capacidade que a TC tem de discriminar en-
mento no interior da lesão (Fig. 2.11). tre algumas diferenças na densidade, uma simples análise dos valores
de atenuação não permite a caracterização histológica precisa. Além
disso, qualquer movimento do paciente produzirá artefatos que degra-
dam a qualidade da imagem. De modo similar, uma área que contenha
metal (p. ex. , próteses ou várias hastes e parafusos) produzirá artefatos
importantes. Finalmente, a radiação às vezes é alta, sobretudo quando
são obtidos cortes contíguos e superpostos durante o exame.

Artrografia
A artrografia é a introdução de um contraste (contraste "positivo"-
solução de iodeto; contraste "negativo" - ar; ou a combinação de am-
bos) no espaço articular. Apesar da evolução de modalidades de ima-
gens diagnósticas mais recentes, como a TC e a RM, a artrografia man-
teve sua importância na prática radiológica diária. A popularidade cres-
cente da artrografia foi parcialmente devida a avanços em suas técnicas
e interpretação. O fato de não ser um procedimento tecnicamente di-
fícil e ser muito mais simples de interpretar que a ultra-sonografia, a
TC ou a RM torna-a muito adequada para avaliar várias articulações.
Embora praticamente toda a articulação possa ser injetada com contras-
te, o exame, atualmepte, é realizado com maior freqüência no ombro,
punho e tornozelo. E importante obter imagens preliminares antes de
qualquer procedimento artrográfico, pois seu contraste pode obscure-
cer algumas anormalidades articulares (isto é, osso osteocondral), o que
pode ser facilmente detectado nas radiografias convencionais. A artro-
grafia é sobretudo eficaz em mostrar a ruptura do manguito rotador
(Fig. 2.12; ver Figs. 5.53 e 5.54) , a capsulite adesiva no ombro (ver Fig.
5.63) e a osteocondrite dissecante, corpos osteocondrais e anormalida-
des sutis da cartilagem articular na articulação do cotovelo (ver Fig.
6.38). No punho, a artrografia mantém o seu valor no diagnóstico de
anormalidades do complexo da fibrocartilagem triangular (ver Fig.
7.23). A recente introdução da técnica de injeção em três compartimen-
Fig. 2.8 Imagem de TC tridimensional. Fratura do colo cirúrgico do úmero
tos e a combinação de artrografia do punho com artrografia com sub-
(seta) e fratura deslocada do tubérculo maior (seta curta) são bem mostradas.
24 Técnicas de Imagem em Ortopedia

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Fig. 2.1O Medida dos valores de Hounsfield por TC. A avaliação da disse-
minação intra-óssea do condrossarcoma por TC é uma parte importante da
investigação radiológica de um paciente se for considerada a preservação do
membro. (A) Vários cortes axiais contíguos são obtidos, preferencialmente
com 1 em de espessura, dos membros afetado e não afetado. (B) Os valores
de Hounsfield da medula óssea são medidos para determinar a extensão dis-
tai do tumor na cavidade medular. Um valor de + 85 indica a existência do
tumor; um valor de - 48 é normal para medula óssea gordurosa. (C) A medi-
da linear é obtida a partir da extremidade articular proximal do osso A até o
ponto localizado 5 em distai à margem do tumor 8. O ponto C corresponde
ao corte axial mais distai que ainda mostra o tumor na medula óssea. (Repro-
duzido de Greenspan A, 1989, com permissão.)

tração digital (ver Fig. 2.2) e T C pós-artrografia to rnaram esta m o dali- estruturas de tecidos moles, com o cápsula articular, m en isco e vários
dad e muito efetiva quando se avalia um punho do lo roso. ligam entos (ver Fig. 9.61). Ela tam bém fornece importantes informa-
Em bora tenha sid o quase q ue com pletamente su bstituída p ela RM, ções sobre o estado da cartilagem articular, sobretu do quand o houver
a artrografia do j oelho ainda pode ser usada para m ostrar lesões de susp eita de fratura condral ou osteocond ral sutil, ou quand o a presen-

Fig. 2.11 Biópsia por aspiração guiada por TC. A biópsia por aspiração de um disco intervertebral infectado é realizada sob orientação de TC. (A) A medida
é obtida desde a superfície cutânea até a área de interesse (disco intervertebral). (B) A agulha é avançada sob orientação de TC e posicionada no local do disco
parcialmente destruído.
Técnicas de Imagem em Ortopedia 25

Fig. 2.12 Artrografia do ombro. Após injeção de


contraste na articulação glenoumeral há enchimento
do complexo de bolsas subacromial-subdeltóide, in-
dicando ruptura do manguito rotador.
-..:.::: . · ~-...O....""'---.::>....,- contraste na
bolsa subacromial

r·:. ~>c+-\:-----'7-1--'-l"'-=..-- contraste na


bolsa subdeltóide

ça ou ausência de corpos osteocondrais (isto é, na osteocondrite disse- to do sistema circulatório em várias condições e ofereceu um método
cante) deva ser confirmada (ver Figs. 9.46D, 9.50C). preciso para definir a patologia local. Com a arteriografia, o contraste
No exame de qualquer das articulações, a artrografia pode ser combi- é injetado nas artérias e são feitas radiografias, geralmente em seqüên-
nada com a tomografia (denominada artrotomografia) , com a TC (artro- cia rápida. Na venografia, o contraste é injetado nas veias. Os dois pro-
grafia por TC) (Fig. 2.13) ou com a digitalização da imagem (artrografia cedimentos são freqüentemente usados na avaliação de traumatismo,
com subtração digital) (ver Fig. 2.2) , fornecendo assim mais informações. sobretudo se houver suspeita de lesão concomitante ao sistema vascu-
Há relativamente poucas contra-indicações absolutas à artrografia. lar (ver Figs. 2.3 e 4.13).
Até mesmo a hipersensibilidade ao iodo é uma contra-indicação relati- Na avaliação de tumores, a arteriografia é solicitada principalmente
va porque, neste caso, pode ser realizado um estudo de contraste sim- para mapear lesões ósseas, mostrar a vascularização da lesão e avaliar a
ples usando-se apenas ar. extensão da doença. Também é usada para mostrar o suprimento vas-
cular de um tumor e para localiz~r vasos adequados para quimiotera-
Tenografia e Bursografia pia intra-arterial pré-operatória. E muito útil para mostrar a área ade-
quada para biópsia a céu aberto , pois as partes mais vascularizadas de
Ocasionalmente, para avaliar a integridade de um tendão, o contraste é um tumor contêm o componente mais agressivo da lesão. Às vezes, a
injetado na bainha tendinosa. Este processo é conhecido como tenografia arteriografia pode ser usada para mostrar vasos tumorosos anormais,
(ver Figs. 10.13 e 10.71). Em vista da introdução de modalidades diag- corroborando achados da radiografia e da tomografia (ver Fig. 16.11B).
nósticas mais modernas, como a TC e a RM, raramente este procedimen- Freqüentemente a arteriografia é extremamente útil no planejamento
to é realizado. Tem aplicação clínica relativamente limitada, sendo prin- de procedimentos de preservação do membro, porque mostra anato-
cipalmente usado para avaliar condições traumáticas ou inflamatórias dos mia vascular regional e, portanto, permite fazer um plano para ares-
tendões (como os fibulares longo e curto, tibiais anterior e posterior e secção do tumor. Também algumas vezes é usada para delinear os prin-
flexor longo dos dedos) do membro inferior e no membro superior para cipais vasos antes da ressecção de uma lesão benigna (ver Fig. 16.12) .
delinear as bainhas sinoviais dentro do túnel do carpo. Também pode ser combinada com um procedimento intervencionis-
A bursografia envolve a injeção de contraste em várias bolsas. Este ta, como a embolização de tumores hipervascularizados, antes do trata-
procedimento em geral foi abandonado e apenas ocasionalmente é rea- mento complementar (ver Fig. 16.13).
lizada a injeção direta de contraste no complexo das bolsas subacromial-
subdeltóide para mostrar rupturas parciais do manguito rotador. Mielografia
Angiografia Durante este procedimento, contrastes hidrossolúveis são injetados no
espaço subaracnóide, misturando-se livremente com o líquido cerebros-
O emprego de contraste injetado diretamente em ramos seletivos da pinal para produzir uma coluna de líquido o pacificada com maior gra-
circulação arterial e venosa ajudou muito na avaliação do envolvimen- vidade específica do que o líquido não opacificado. A inclinação do

Fig. 2.13 Artrografia por TC. Artrografia por


TC coronal do punho mostra extravasamen-
to discreto de contraste da articulação
radiocarpal através de uma ruptura no liga-
mento escapulolunar, um achado não detec-
tado à artrografia de rotina do punho. semi lunar

~~- escafóide
extravasamento de
~Uiri''-R~~. contraste para o
k4~~~~~~ compartimento mesocarpal
contraste na
. . articulação
< radiocarpal
26 Técnicas de Imagem em Ortopedia

paciente permitirá que o líquido opacificado desloque-se para cima ou gens do sistema esquelético. Tem várias vantagens inerentes. Seu custo
para baixo no saco tecal sob a influência da gravidade (ver Figs. 11.16 e é relativamente baixo, permite comparações com o lado oposto normal,
11.48). Geralmente, a punção é realizada na área lombar aos níveis de não utiliza radiação ionizante e pode ser realizada à cabeceira do leito
L2-3 ou L3-4. Para exame do segmento cet>'ical, a punção de C1-2 é ou na sala de cirurgia. Trata-se de modalidade não-invasiva, baseando-
realizada (ver Fig. 11.16A). A mielografia foi quase totalmente substi- se na interação de ondas sonoras propagadas com interfaces teciduais
tuída pela TC de alta resolução e pela RM de alta qualidade. no corpo. Sempre que o pulso dirigido de ondas sonoras encontra uma
interface entre tecidos de diferente impedância acústica, ocorre refle-
Discografia xão ou refração. As ondas sonoras refletidas de volta para o transdutor
do ultra-som são registradas e convertidas em imagens.
A discografia é uma injeção de contraste no núcleo pulposo. Embora Existem vários tipos de exame por ultra-som. O equipamento de ul-
este procedimento seja controvertido e já tenha sido abandonado por tra-som mais moderno mostra informações dinâmicas em "tempo real",
muitos pesquisadores, sob indicações rígidas e técnica imaculada, uma semelhantes às informações fornecidas pela fluoroscopia. Na ultra-
discografia pode produzir informações valiosas. A discografia é uma sonografia em tempo real, as imagens podem ser obtidas em qualquer
ajuda muito útil para determinar a causa de lombalgia de um paciente. plano de observação mediante o simples deslocamento do transdutor.
Não é uma simples técnica de imagem, porque os sintomas produzidos Desta forma , a formação de imagem pode incluir imagens transversais
durante o exame (dor durante a injeção ou indução de dor) parecem ou longitudinais e qualquer obliqüidade também pode ser produzida.
ter um valor diagnóstico até mesmo maior que as radiografias obtidas. A tecnologia das sondas modernas estendeu a utilidade da ultra-
Deve ser sempre associada à TC (denominada disco grafia por TC ou sonografia em radiologia ortopédica (Fig. 2.14). Transdutores de alta
TC-discografia) (ver Figs. 11.49 e 11.50) . De acordo com a posição ofi- freqüência de 7,5 e 10 MHz têm excelente resolução espacial e são ide-
cial sobre discografia do Executive Committee of the North American ais para a aquisição de imagens do esqueleto apendicular.
Spine Society, de 1988, este procedimento "está indicado na avaliação As aplicações da ultra-sonografia em ortopedia incluem a avaliação
de pacientes com dor vertebral contínua, com ou sem dor nos mem- do manguito rotador, de lesões de vários tendões (p. ex. , o tendão aqui-
bros, com mais de quatro meses de duração , quando a dor não respon- leu) , e , ocasionalmente, de tumores de tecidos moles (como o heman-
der a todos os métodos apropriados de tratamento conservador". De gioma).
acordo com a mesma afirmação, antes que um discograma seja realiza- No entanto, a aplicação mais efetiva é na avaliação do quadril do
do , o paciente deve ser submetido a investigação com outras modalida- lactente , na qual a ultra-sonografia tornou-se a modalidade de imagem
des (como TC, RM e mielografia) e a correção cirúrgica do problema de escolha. Os fatores que contribuem são a composição cartilaginosa
do paciente deve ser prevista. do quadril , a capacidade de tempo real do ultra-som para estudar mo-
vimentos e estresse, a ausência de radiação ionizante e a boa relação
custo-eficácia. O desenvolvimento mais recente nesta área é a introdu-
Ultra-sonografia
ção da ultra-sonografia tridimensional para a avaliação da displasia do
Nos últimos anos, a ultra-sonografia teve um impacto enorme no cam- quadril em desenvolvimento. A ultra-sonografia tridimensional ofere-
po da radiologia e se tornou uma ferramenta útil na aquisição de ima- ce utilidade funcional na avaliação da articulação no plano sagital adi-

Fig . 2.14 Ultra-sonografia de ombro. (A) Marcos de referência ósseos (tu-


berosidade maior, tuberosidade menor, sulco bicipital) e (B) estruturas
tendinosas (supra-espinhal) são bem delineados . LESSER TUBER = TUBEROSI-
DADE MENOR; GREATER TUBER = TUBEROSIDADE MAIOR; BICEPS GROOVE
= SULCO BICIPITAL; TRANS = TRANS; LEFT = ESQUERDO .
Técnicas de Imagem em Ortopedia 27

cional (imagem do corte) e na projeção craniocaudal (imagem espaci- da captação de radiofármaco com tropismo pelos ossos (p. ex., no está-
al giratória). Esta técnica permite uma demonstração excelente dare: gio inicial de osteonecrose) ou em captação aumentada (como no caso
!ação entre a cabeça do fêmur e o acetábulo (ver Figs. 32.16, 32.17). E de fratura , neoplasia, um foco de osteomielite, etc.). Em condições
importante não só por propiciar aquisição de imagem em tempo real, normais algumas estruturas podem mostrar aumento da atividade (como
mas também reconstrução subseqüente e visualização no setor de tra- as articulações sacroilíacas ou as placas de crescimento normais).
balho, possibilitando melhor manipulação da imagem do volume. Isto A cintigrafia é uma modalidade de imagem muito sensível; entretan-
permite medidas úteis e realce da informação anatômica obtida das to , não é específica e , freqüentemente, é impossível distinguir vários
imagens. processos que podem causar aumento da captação. Ocasionalmente,
Recentemente , a ultra-sonografia foi aplicada a certas áreas em trans- contudo, a cin ti grafia óssea fornece informações muito específicas e até
tornos reumáticos, sobretudo para detectar acúmulo de líquido intra- mesmo sugere o diagnóstico , por exemplo, no mieloma múltiplo ou no
articular e periarticular e para diferenciação de massas na fossa poplí- osteoma osteóide. Na pesquisa de mieloma, a cintigrafia pode distin-
tea (p. ex. , aneurisma ou cisto de Baker ou sinóvia hipertrofiada). guir entre metástases ósseas de aparência semelhante, pois na maioria
Técnicas de ultra-sonografia mais recentes como o ultra-som com dos casos de mieloma não ocorre aumento significativo da captação de
Doppler ou a imagem do fluxo colorido, que expressa o movimento das radiofármaco; entretanto, na metástase óssea, invariavelmente a capta-
hemácias em cores, encontraram aplicações limitadas em radiologia ção do traçador está significativamente elevada. No caso do osteoma
ortopédica. Esta modalidade é usada principalmente para detectares- osteóide, a cintigrafia óssea típica pode mostrar o chamado sinal da
tenose arterial e trombose venosa. Entretanto, houve um número limi- dupla densidade- maior aumento da captação no centro, em relação
tado de relatos concernentes ao uso desta tecnologia na detecção de ao nicho da lesão, e menor aumento de captação na periferia, relacio-
vascularização tumorosa dentro das massas de tecidos moles. nado com a esclerose reativa em torno do nicho (Fig. 2.16).
A cintigrafia óssea é um indicador da renovação mineral. Como ge-
Cintigrafia (Imagem Óssea por Radionuclídeos) ralmente há aumento do depósito de radiofármacos com tropismo pelos
ossos nas áreas que sofrem alteração e reparo, a cintigrafia ósse~ é útil
A cintigrafia é uma modalidade que detecta a distribuição no corpo de na localização de tumores e de lesões tumorosas no esqueleto. E ideal
agente radioativo injetado no sistema vascular. Após uma injeção intra- em condições como displasia fibrosa, histiocitose das células de Lan-
venosa de radiofármaco , o paciente é colocado sob uma câmera de gerhans, ou câncer metastático, nos quais se encontra mais de uma le-
cintilação, que detecta a distribuição na radioatividade do corpo por s_ão e algumas podem representar um local "silencioso" do transtorno.
meio da medida da interação de raios gama emitidos do corpo com E também importante na localização de pequenas lesões, como o
cristais de iodeto de sódio na frente da câmera. As imagens são obtidas osteoma osteóide, que nem sempre pode ser observado em exames com
em múltiplas projeções e podem incluir todo o corpo ou partes seleci- radiografias convencionais. Na maioria dos casos, a cintigrafia óssea não
onadas. pode distinguir entre lesões benignas e tumores malignos, pois o au-
Uma grande vantagem da cintigrafia óssea em relação a todas as mento do fluxo sangüíneo com conseqüente aumento do depósito do
outras técnicas de imagem é sua capacidade de formar imagem de todo isótopo e da atividade osteoblástica ocorrerão nas duas condições.
o esqueleto de uma só vez (Fig. 2.15) . Como observoujohnson, ela for- Em casos de traumatismo, a cintigrafia é extremamente útil no diag-
nece um "quadro metabólico" localizando anatomicamente uma lesão nóstico precoce de fraturas por estresse. Estas fraturas podem não ser
por meio da avaliação de sua atividade metabólica comparada com o observadas nas radiografias convencionais ou mesmo nos exames tomo-
osso normal adjacente. A cintigrafia pode confirmar a doença, mostrar gráficos. A cintigrafia freqüentemente é usada para diferenciar fratu-
a distribuição da lesão e ajudar a avaliar o processo patológico. As indi- ras tibiais por estresse da síndrome de inflamação musculotendinosa nas
cações para a cintigrafia óssea incluem condições traumáticas, tumores pernas . Na fratura por estresse aguda, tipicamente existem
(primários e metastáticos) , várias artrites, infecções e doença óssea hiperperfusão e hiperemia e as imagens tardias mostram captação em
metabólica. A anormalidade detectada pode consistir em diminuição forma de faixa ou fusiforme na lesão. Em contrapartida, a síndrome de

Fig. 2.15 Cintigrafia óssea . A cintigra-


fia obtida em um paciente com doen-
ça renal e hiperparatireoidismo secun-
dário mostra várias anormalidades: hi-
dronefrose à esquerda secundária a
obstrução urinária, alterações reabsor-
tivas das extremidades distais das cla-
vículas e calcificações dos tecidos mo-
les periarticulares em torno dos om-
bros.
28 Técnicas de Imagem em Ortopedia

Fig . 2.16 Osteoma osteóide- diagnóstico por cintigrafia.


Uma menina de 4 anos de idade apresentava sintomas suges-
tivos de um diagnóstico de osteoma osteóide; no entanto, a
radiografia convencional (A) não mostrou o nicho. A cintigrafia
(B) mostra um sinal de "dupla densidade" característico: o
maior aumento da captação no centro está relacionado ao
nicho de osteoma osteóide, ao passo que o menor aumento
da captação na periferia denota esclerose reativa.

inflamação musculotendinosa é caracterizada por fases angiográfica e teomielite crônica é reduzida. Para aumentar a capacidade diagnóstica
de poolsangüíneo normais com as imagens tardias revelando áreas line- desta técnica, foi defendido o estudo com medula óssea com Tc 99 m-en-
ares orientadas longitudinalmente de captação aumentada. A cintigra- xofre coloidal/leucócitos marcados com In 111 combinados. A técnica em
fia também tem valor no diagnóstico de fraturas de ossos osteopênicos três ou quatro fases que utiliza traçadores de fosfato de tecnécio pode
em pacientes idosos quando as radiografias de rotina aparecem normais. ser efetivamente empregada para distinguir entre infecção de tecidos
Nos transtornos ósseos metabólicos, a cintigrafia óssea é útil, por moles (celulite) e infecção óssea (osteomielite).
exemplo, para estabelecer a extensão do envolvimento ósseo na doen- O uso de leucócitos marcados com hexametilpropileno-amina-oxima
ça de Paget (ver Fig. 26.10) e na avaliação da resposta ao tratamento. (HMPAO)-tecnécio-99m para o diagnóstico de processos infecciosos
Embora não tenha valor para pacientes com osteoporose generalizada, recentemente foi defendido . A cinética e a distribuição normal desses
ocasionalmente ajuda a diferenciar entre osteoporose e osteomalacia e leucócitos são semelhantes às dos leucócitos marcados com índio-111.
entre fraturas vertebrais múltiplas resultantes de osteoporose daquelas A resolução superior e a densidade de contagem do tecnécio-99m, en-
que ocorrem no carcinoma metastático. A cintigrafia óssea também foi tretanto , confere a esta técnica vantagem sobre o uso dos leucócitos
considerada útil no diagnóstico da síndrome de distrofia simpática re- marcados com o índio.
flexa. Em condições neoplásicas, a detecção de metástases esqueléticas
A cintigrafia óssea é freqüentemente usada na avaliação de infecções. provavelmente é a indicação mais comum para a cintigrafia óssea. Tam-
Em particular, o difosfonato de metileno (MDP)-tecnécio-99m e o ín- bém é freqüentemente usada para determinar a extensão de uma lesão
dio-111 são muito sensíveis na detecção de osteomielite precoce e ocul- ou a presença das chamadas lesões saltadas ou metástases intra-ósseas.
ta. Na osteomielite crônica, a aquisição de imagens, uso de citrato de Entretanto, não é_ um método de escolha para determinar a extensão
gália (Ga) 67, é mais precisa na detecção de resposta ou ausência de da lesão no osso. E importante enfatizar que a cintigrafia isoladamente
resposta ao tratamento do que o estudo ósseo com fosfato Tc 99 m. Para a não pode diagnosticar o tipo do tumor; contudo, pode ser útil para
detecção de infecção ativa recorrente em pacientes com osteomielite detectar e localizar alguns tumores primários bem como lesões multi-
crônica, o In 111 parece ser o radiofármaco preferido. Entretanto, deve focais (como o osteossarcoma multicêntrico).
ser enfatizado que, como os leucócitos marcados com In 111 também se Os estudos com MDP-tecnécio-99m são usados principalmente para
acumulam na medula óssea ativa, a sensibilidade para detecção de os- determinar se uma lesão é monostótica ou poliostótica. Portanto, tal
Técnicas de Imagem em Ortopedia 29

estudo é essencial para a classificação do grau de um tumor ósseo. É maior fração de fótons, e algoritmos aperfeiçoados. Em comparação
importante lembrar que embora o grau de captação anormal possa es- com as imagens planares, a SPECT fornece maior resolução de contraste
tar relacionado à agressividade da lesão, isto não se correlaciona bem usando um modo tomográfico similar à tomografia linear, que elimina
com o grau histológico. O gálio 67 pode mostrar captação em um sar- o ruído do tecido fora do plano de aquisição de imagem (Fig. 2.17).
coma de tecidos moles e ajudar a diferenciar entre um sarcoma e uma Fornece não apenas informações qualitativas sobre a captação de
lesão benigna de tecidos moles. radiofármacos que buscam por osso, mas também dados quantitativos.
Embora uma cintigrafia óssea possa mostrar a extensão do tumor O benefício principal da SPECT é a melhora da detecção da lesão e
maligno primário no osso, não é tão acurada quanto a TC ou a RM. Pode a localização anatômica, com isso produzindo melhor sensibilidade
ser útil na detecção de uma recorrência local do tumor e ocasionalmente diagnóstica. A SPECT óssea mostrou ser sobretudo útil na detecção de
indicar a resposta ou ausência de resposta ao tratamento (no caso de lesões em estruturas anatômicas grandes e complexas, nas quais permi-
radioterapia ou quimioterapia) . te a remoção da atividade suprajacente e subjacente das áreas de inte-
Na avaliação de artrites, uma cintigrafia óssea é extremamente útil resse. As aplicações mais amplas foram encontradas na aquisição de
para mostrar a distribuição da lesão no esqueleto, e substituir totalmente imagens da coluna vertebral, da pelve,joelhos e tornozelos. Usando as
o estudo articular radiológico previamente usado (ver Fig. 12.13A). A imagens SPECT no estudo da coluna vertebral, por exemplo, as lesões
cintigrafia pode determinar a distribuição das alterações artríticas, não podem ser localizadas em diferentes partes da vértebra (isto é, corpo
apenas em grandes e pequenas articulações mas também em áreas ge- vertebral, pedículo, processos articulares, lãmina, porção interarticular,
ralmente não detectadas pela radiografia convencional, como as arti- processo espinhoso e transverso). No joelho, a SPECT mostrou ser bas-
culações esternomanubriais e temporomandibulares, entre outras. tante eficaz na detecção de rupturas do menisco.
Com o desenvolvimento da tomografia por emissão de fóton único Vários traçadores que buscam o osso estão disponíveis para as ima-
(SPET) e da tomografia computadorizada por emissão de fóton único gens cintilográficas. Os mais usados são os seguintes:
(SPECT), a precisão diagnóstica na avaliação de anormalidades ósseas
Difosfonatos
e articulares aumentou imensamente. A eficácia da instrumentação para
SPECT está melhorando com a introdução de múltiplos detectores de Nos últimos anos houve um progresso notável no desenvolvimento de
cristal, feixe em leque e colimadores do feixe em cone, detecção de novos agentes diagnósticos emissores de raios gama para estudo com

ANTERIOR POSTERIOR B

c
Fig. 2.17 Efetividade da SPECT. Uma mulher de 46 anos sentia dor no quadril esquerdo há vários meses.
(A) A radiografia mostrou apenas alterações degenerativas mínimas da articulação do quadril. Uma
pequena área radiotransparente da porção superior do acetábulo levantou algumas dúvidas quanto ao
diagnóstico. (B) A cintigrafia óssea convencional em incidências anterior e posterior mostrou um discre-
to aumento da captação do traçador localizado na articulação do quadril esquerdo. (C) Foi realizada
SPECT. No corte tomográfico, ao nível do acetábulo (detalhe), há uma área de aumento da atividade
localizada na face ântero-superior do acetábulo esquerdo e áreas focais de atividade relacionadas com
osteófitos na cabeça do fêmur. (O) TC mostrando um grande cisto degenerativo (geodo) no acetábulo
na área correspondente à captação anormal de um traçador no corte da SPECT.
30 Técnicas de Imagem em Ortopedia

radionuclídeos. Os radiofármacos atualmente em uso em cintigrafia 75 % a 90 %, e a especificidade, como foi recentemente relatada, é de
óssea incluem difosfonatos orgânicos, difosfonatos de etileno (HEPD), cerca de 91 %. Freqüentemente, resultados falso-negativos são encon-
difosfonatos de metileno (MDP) e hidroxidifosfonatos de metano trados em pacientes com infecções crônicas nos quais há redução do
(HNDP), todos marcados com Tc99 m, um emissor de raios gama puro influxo dos leucócitos circulantes. Resultados falso-positivos são encon-
com uma meia-vida de 6 horas. O MDP é mais freqüentemente usado, trados em pacientes que têm um processo inflamatório sem infecção
sobretudo em adultos, tipicamente em uma dose que fornece 15 mCi (como a artrite reumatóide confundida com artrite séptica).
(555 MBq) de Tc99 m . Após injeção intravenosa do radiofármaco, apro-
ximadamente 50% da dose se localiza no osso. O restante circula livre- Nanocolóide
mente no corpo e acaba sendo excretado pelos rins. Uma câmera gama Partículas muito pequenas de colóide de albumina sérica humana mar-
então pode ser usada em um procedimento conhecido como cintigra- cadas com Tc 99 m foram experimentadas como agente para estudo da
fia óssea com isótopos em quatro fases. A primeira fase, a angiografia com medula óssea. Cerca de 86% dessas partículas têm 30 nm ou menos, e
radionuclídeos, é o primeiro minuto após a injeção, quando as imagens as restantes medem entre 30 e 80 nm. Este nanocolóide tem sensibili-
seriadas obtidas a cada 2 segundos mostram o traçador radioativo dos dade para detecção de osteomielite nos membros igual à dos leucóci-
grandes vasos sangüíneos. Na segunda fase, o exame do acúmulo de san- tos marcados com índio. O valor clínico deste método ainda não foi
gUe (pool sangüíneo) , que dura de 1 a 3 minutos após a injeção, o isóto- determinado.
po é detectado no sistema vascular e no espaço extracelular nos tecidos
moles antes de ser captado pelo osso. A terceira fase, ou exame estático lmunoglobulinas
do osso, geralmente ocorre 2 a 3 horas após a injeção e mostra o Recentemente, a IgG policio na! humana radiomarcada foi usada como
radiofármaco no osso. Esta fase pode ser dividida em dois estágios. No agente para varredura por imagem da infecção. Acredita-se que esta
primeiro, o isótopo se difunde passivamente através dos capilares ósse- imunoglobulina marcada se liga a receptores Fc expressos por células
os. No segundo estágio, o radionuclídeo é concentrado no osso. A loca- (macrófagos, leucócitos polimorfonucleares, linfócitos) envolvidas na
lização mais intensa ocorre na primeira e segunda fases em áreas com resposta inflamatória. Em um estudo de 128 pacientes, a IgG policio-
fluxo sangüíneo aumentado, e na terceira fase, em áreas com aumento na! exibiu sensibilidade de 91 % e especificidade de 100%. As imuno-
da atividade osteogênica, aumento do metabolismo do cálcio e renova- globulinas policlonais têm várias vantagens, como a disponibilidade em
ção óssea ativa. A quarta fase é uma imagem estática após 24 horas. forma de kit e o fato de que não exigem o uso de marcadores in vivo.
Gálio 67 Peptídeos Quimiotáticos
O citrato de gálio 67 é freqüentemente usado para diagnosticar proces- Os mesmos pesquisadores que desenvolveram a IgG marcada com ln 111
sos infecciosos e inflamatórios em ossos e articulações. Embora o local- também são pioneiros no uso de peptídeos quimiotáticos para imagem
alvo da localização do gálio sejam os tecidos moles, o gálio se localiza da infecção. Trata-se de pequenos peptídeos produzidos por bactérias.
também em alguma extensão no osso porque é incorporado no cristal Ligam-se a receptores de alta afinidade na membrana celular dos leucó-
de hidroxiapatita de cálcio como um análogo do cálcio, e na medula citos polimorfonucleares e fagócitos mononucleares, estimulando a qui-
óssea, devido a seu comportamento como um análogo do ferro. O gá- miotaxia. Em vez de usar-se o peptídeo nativo, são criados análogos sin-
lia se acumula em regiões de infecção devido a associação com resídu- téticos que permitem a marcação radioativa. O pequeno tamanho dos
os bacterianos e celulares e também com leucócitos. Como os leucóci- peptídeos quimiotáticos marcados com ln 111 permite que o componente
tos migram para os focos de inflamação e infecção, parte do gálio é trans- atravesse rapidamente as paredes vasculares e entre no local da infecção.
portada para estes locais dentro das células. A sensibilidade do Ga6; para
detecção de abscessos varia de 58% a 100 % e a especificidade varia de lodo
75% a 99%. As imagens são geralmente obtidas 6 e 24 horas após a in- O iodo 125 é usado em uma técnica conhecida como absortometria de
jeção de 5 mCi (185 MBq) deste radiofármaco. Estas imagens são ex- fóton único (SPA) para determinar a densidade mineral óssea nos lo-
tremamente acuradas em acompanhar a resposta à terapia da osteomi- cais ósseos periféricos como os dedos das mãos e o rádio. Esse método
elite crônica e da artrite infecciosa. Em particular, a modificação da mede principalmente a densidade do osso cortical.
atividade da captação de Ga6; corre em paralelo com o curso clínico do
paciente na artrite séptica mais intimamente do que as imagens obti- Gadolínio
das após a injeção de difosfonato marcado com tecnécio. Nos últimos
O gadolínio 153 é uma fonte de radionuclídeo na técnica de absorto-
anos, houve considerável modificação na utilização das imagens com
metria de fóton duplo (DPA), que também é usada para calcular a den-
gálio na infecção. Tendo sido a principal modalidade de imagem por
sidade mineral óssea. Esta técnica permite a medida de locais centrais
radionuclídeos para infecção, o estudo com gálio agora foi suplantado
do osso, como coluna vertebral e quadril. O gadolínio 153 produz fá-
pelas imagens realizadas com leucócitos marcados. O estudo com citra-
tons em dois níveis de energia, e as imagens são produzidas em um
to de gálio 67, entretanto, aumenta e complementao valor diagnóstico
aparelho retilíneo de corpo total. As medidas são obtidas para o osso
do estudo com MDP-Tc99 m . Em conjunto com este último, a cintigrafia
compacto e trabecular.
com gálio é usada para melhorar a especificidade das imagens adquiri-
das com tecnécio. Por exemplo, as imagens seqüenciais com tecnécio-
gálio são superiores à cintigrafia com MDP-Tc isolada para o fim de Tomografia por Emissão de Pósitrons
distinguir a celulite de osteomielite e na localização precisa dos focos A tomografia por emissão de pósitrons (PET) é uma técnica de imagem
infecciosos. diagnóstica que permite identificação de alterações bioquímicas e fisi-
Em condições neoplásicas, a cintigrafia com gálio é usada para dife- ológicas do corpo e avalia o nível de atividade metabólica e de perfusão
renciar sarcoma de lesão benigna dos tecidos moles. em vários sistemas orgânicos. O processo produz imagens biológicas
baseadas na detecção de raios gama que são emitidos por uma substân-
Índio
cia radioativa, como a 2-flúor-2-desoxiglicose marcada com P 8 (FDGI 8 ).
A vantagem diagnóstica de leucócitos marcados com oxina-ln 111 em Uma das principais aplicações desta técnica é na oncologia, incluindo
relação aos outros radiofármacos que buscam o osso na detecção de a detecção de tumores primários e metastáticos, e recorrência de tumo-
anormalidades inflamatórias no sistema ósseo foi recentemente defen- res após o tratamento. Apenas recentemente a PET mostrou ser útil no
dida. Devido ao leucócitos-ln 111 não serem geralmente incorporados em diagnóstico, tratamento e acompanhamento de neoplasias musculoes-
áreas de renovação óssea aumentada, o estudo com índio provavelmente queléticas (Fig. 2.18). Embora alguns resultados promissores tenham
reflete apenas a atividade inflamatória, e a experiência inicial mostrou sido relatados no uso desta técnica, a detecção do envolvimento da
que é específico na detecção de abscessos ou de processos infecciosos medula óssea ainda é controvertida, porque a captação fisiológica da
agudos, incluindo osteomielite e artrite séptica. A sensibilidade varia de medula óssea e a captação difusa em alterações reativas na medula ós-
Técnicas de Imagem em Ortopedia 31

sea (como a pós-quimioterapia) podem ser observadas nas imagens com po magnético principal a partir do alinhamento aleatório habitual dos
FDG PET. Recentemente, um progresso significativo foi alcançado na seus pólos magnéticos tendem a se alinhar ao longo da direção daque-
aplicação da PET com o fim de diagnosticar infecções associadas a im- le campo. A aplicação de pulsos de rf faz com que os núcleos absorvam
plantes metálicos em pacientes com traumatismos. energia e induz à ressonância de grupos específicos de núcleos, o que
causa sua orientação para o campo magnético. A freqüência de pulso
Ressonância Magnética necessária é determinada pela potência do campo magnético e pelo
núcleo específico em investigação. Quando o campo de radiofreqüên-
A ressonância magnética é baseada na reemissão de um sinal de radio- cia é removido, a energia absorvida durante a transição de um estado
freqüência (rf) absorvido enquanto o paciente encontra-se em um for- de alta energia para um de baixa energia é em seguida liberada, e isso
te campo magnético. Um campo magnético externo geralmente é pro- pode ser registrado como um sinal elétrico que fornece os dados nos
duzido por um ímã com potência de campo de 0,2 a 1,5 tesla (T). O quais são derivadas as imagens digitais. A intensidade do sinal refere-se
sistema inclui um ímã, bobinas de rf (transmissor e receptor) , bobinas à potência da onda de rádio que o tecido emite após a excitação. A
de gradiente e uma unidade de monitorização computadorizada com potência desta onda determina o grau de brilho das estruturas visuali-
sistemas de armazenamento digital. Os princípios físicos da Rt\1 não zadas. Uma área brilhante (branca) em uma imagem mostra sinal de
podem ser estudados aqui em detalhes devido às limitações de espaço; intensidade elevada, ao passo que uma área escura (preta) mostra sinal
será feita apenas uma breve revisão geral. de baixa intensidade. A intensidade de um determinado tecido é uma
A capacidade de a RM formar imagem de partes do corpo depende função da concentração de átomos de hidrogênio (prótons) ressonando
da rotação intrínseca de núcleos atômicos com um número ímpar de dentro do volume visualizado e dos tempos de relaxamento longitudi-
prótons e/ ou nêutrons (p. ex., hidrogênio) , gerando assim um momen- nal e transversal que, por sua vez, dependem do estado biofísico das
to magnético. Os núcleos atômicos de tecidos situados dentro do cam- moléculas de água do tecido.

Fig. 2.18 Tomografia por emissão de pósitrons. (A) PET


de corpo inteiro normal de uma mulher de 62 anos com sus-
peita de metástases ósseas causadas por carcinoma de mama
recentemente tratado. (B) PET de corpo total de uma meni-
na de 9 anos de idade com sarcoma de Ewing do ílio direito
mostra tumor hipermetabólico no osso (seta inferior) e um
nódulo pulmonar metastático (seta superior). (C) PET de corpo
total de uma mulher de 37 anos de idade com displasia fi-
brosa mostra múltiplas deformidades ósseas. A seta inferior
aponta para a lesão na porção proximal do fêmur, e a seta
superior aponta para um grande foco hipermetabólico no
esterno. (B e C são cortesia da Ora. Frieda Feldman e do Dr.
Ronald van Heertum, New York, NY.)
32 Técnicas de Imagem em Ortopedia

Dois tempos de relaxamento são descritos, denominados T1 e T2. O dura. O método da fas e oposta é recomendado para demonstração de
tempo de relaxamento T1 (longitudinal) é usado para descrever o re- lesões que contêm somente pequenas quantidades de gordura. A inca-
torno de prótons ao equilíbrio após a aplicação e remoção do pulso de pacidade desta técnica, para detectar pequenos tumores envolvidos em
radiofreqüência. O tempo de relaxamento T2 (transversal) é usado para tecido adiposo, é notória.
descrever a perda associada de coerência ou fase entre cada um dos Recentemente, as técnicas com supressão de gordura foram combi-
prótons imediatamente após a aplicação do pulso de rf. Várias seqüên- nadas com imagem gradiente eco tridimensional, resultando em me-
cias de pulso de rf podem ser usadas para enfatizar as diferenças em T1 lhor definição da cartilagem articular. A principal indicação para a su-
e T2, proporcionando assim o contraste de imagem necessário. As se- pressão de gordura é a avaliação de pequenas quantidades de edema
qüências mais comumente usadas são spin-eco (SE), recuperação de da medula óssea no osso subcondral, freqüentemente acompanhando
saturação parcial (PSR), inversão-recuperação (IR), supressão quími- patologia osteocondral como nas fraturas osteocondrais, na osteocon-
ca seletiva (CHESS) e seqüências rápidas (FS). As seqüências de pulso drite dissecante ou na osteonecrose.
de spin-eco (SE) com tempos de repetição (TR) (800 ms ou menos) e As técnicas de imagem rápida tornaram-se cada vez mais populares
tempos de eco (TE) curtos (40 ms ou menos) (ou T1) fornecem bons devido a várias vantagens em comparação com as imagens SE muito mais
detalhes anatômicos. Por outro lado, seqüências de pulso com TR lon- lentas. Em particular, as denominadas seqüências de pulso gradient
go (2.000 ms ou mais) e TE longo (60 ms ou mais) (ou T2), oferecem recalled echo (GRE) utilizando ângulos de inclinação variáveis (5 a 90
bom contraste, suficiente para avaliação de processos patológicos. Se- graus ) ganharam rápida aceitação em radiologia ortopédica, pois repre-
qüências com TR intermediário (1.000 ms ou mais) e TE curto (30 ms sentam meios mais efetivos de realizar RM rápida. A principal vantagem
ou menos) são conhecidas como imagens de densidade protônica ou é o encurtamento do tempo de estudo, porque os pulsos de radiofre-
imagens com densidade spin. Representam uma mistura de pondera- qüência com pequeno ângulo de inclinação destroem apenas uma par-
ções de T1 e T2 e, embora propiciem bons detalhes anatômicos, o con- te da magnetização longitudinal em cada ciclo de pulso. Há vários ti-
traste teci dual é um pouco comprometido. As seqüências IR podem ser pos diferentes de métodos GRE em uso clínico. Todos esses métodos
combinadas ao estudo multi planar para reduzir o tempo de observação. baseiam-se no uso de um ângulo de inclinação reduzido para enfatizar
Com um tempo de inversão (TI) curto, na faixa de 100 a 150 ms, os o sinal com TR curto. Estas técnicas são conhecidas por vários acrônimos
efeitos dos tempos de relaxamento T1 e T2 prolongados são cumulati- como FLASH (Jast low-angle shot), FISP (Jast imagingwith steady procession),
vos e o sinal proveniente da gordura é suprimido. Esta técnica, deno- GRASS (gradient-recalled acquisition in the steady state) e MPGR ( multipla-
minada STIR (inversão-recuperação com tempo curto) foi útil para nar gradient recalled). As seqüências de gradiente eco são sobretudo úteis
avaliação de tumores ósseos. A CHESS é uma seqüência também usada no estudo de tendões, ligamentos, cartilagem articular e corpos livres
para supressão do sinal de gordura. Nesta seqüência, os artefatos de na articulação. O ponto negativo desta técnica é o denominado efeito
desvio químicos são removidos e o sinal de gordura de alta intensidade de suscetibilidade, que resulta em perda de sinal artificial na interface
é suprimido; por conseguinte, a faixa dinâmica efetiva de intensidade entre tecidos de diferentes propriedades magnéticas. Este fator limita
do sinal fica aumentada e o contraste dos detalhes anatômicos é me- o uso das seqüências gradiente eco quando se examinam pacientes com
lhor. dispositivos metálicos.
A técnica com supressão de gordura é comumente usada na RM para Na maioria dos exames, devem ser obtidos pelo menos dois planos
detectar tecido adiposo ou suprimir o sinal proveniente do tecido adi- ortogonais (axial e carona! ou sagital), e em muitas ocasiões são neces-
poso. Existem três métodos para alcançar este objetivo: saturação de sários os três planos. Para RM adequada, são necessárias bobinas de
gordura com freqüência seletiva (químico), imagens com inversão-re- superfície porque proporcionam melhor resolução espacial. A maioria
cuperação e imagens em fase oposta (Quadro 2.1). A seleção de um das bobinas de superfície é desenhada especificamente para as diferen-
desses métodos depende do propósito da supressão de gordura, se esta tes áreas do corpo, como joelho, ombro, punho e articu lações
é usada para aumentar o contraste ou para caracterizar o tecido e a temporomandibulares. Atualmente, o uso de RM em radiologia orto-
quantidade de gordura do tecido sob estudo. Os métodos de saturação pédica é principalmente restrito a três áreas: traumatismo , tumores e
de gordura geralmente são escolhidos para supressão de sinal de gran- infecções.
des quantidades de tecido adiposo e para proporcionar boa resolução O sistema musculoesquelético é o ideal para avaliação por RM , visto
de contraste. Esta técnica pode ser usada com qualquer seqüência de que diferentes tecidos apresentam diferentes intensidades nas imagens
imagens. Ela é útil para visualizar pequenos detalhes anatômicos, por ponderadas em T1 e T2. As imagens mostradas podem ser um sinal de
exemplo, na artrografia por RM pós-contraste. O método de inversão- baixa intensidade, sinal de intensidade intermediária ou sinal de inten-
recuperação (como a seqüência STIR) permite a supressão homogênea sidade elevada. O sinal de baixa intensidade pode ser subdividido em vá-
e global da gordura; entretanto, as imagens produzidas têm uma rela- cuo de sinal (preto) e sinal menor que o do músculo normal (escuro).
ção sinal-ruído baixa, e esta técnica não é apenas específica para gor- O sinal de intensidade intermediária pode ser subdividido em sinal igual

Quadro 2 .1 Técnicas de Supressão de Gordura


Métodos Vantagens Desvantagens

Saturação de gordura Lipídio-específica Ocasionalmente supressão inadequada de gordura


freqüência-seletiva Sinal em tecido não-gorduroso não é afetado Sinal de água pode ser suprimido
(química) Excelente imagem de pequenos detalhes anatômicos Heterogeneidades nas áreas de variações agudas nas estruturas
Pode ser usada com qualquer seqüência de imagens anatômicas
Tempo de aquisição de imagem aumentado
Inversão-recuperação Excelente resolução de contraste Baixa relação sinal-ruído ,
(STIR) Muito bom para detecção de tumor Tecido com Tl curto e Tl IÓngo pode produzir a mesma
Pode ser usado com magnetos de potência de campo baixa intensidade de sinal
Sinal de tecido mucóide, hemorragia e líquido proteináceo
podem ser suprimidos
Fase oposta Capacidade de mostrar pequenos volumes de tecido Sinal de gordura suprimido apenas parcialmente
adiposo Suprime o sinal de água
Simples, rápido e disponível em qualquer sistema de Difícil de detectar pequenos tumores incrustados na gordura
aquisição de imagem por RM Nos estudos pós-gadolínio, o contraste pode não ser detectado
Técnicas de Imagem em Ortopedia 33

Fig. 2.19 RM de joelho. (A) Imagem de RM sagi-


tal ponderada em Tl em spin-eco (SE; TR 600/TE
20 ms) e (B) imagem sagital ponderada em
T2*MPGR (ângulo de inclinação: 30°, TR 35/TE 15
ms) mostra várias estruturas anatômicas causadas
por variações na intensidade de sinal do osso, car-
tilagem articular, fibrocartilagem, ligamentos,
músculos e gordura.

tendão do
quadríceps líquido articular
cortical
placa de
A .k::J,__,~'<'-~~~7Jf- crescimento
fibrosada

ligamento patelar

gordura infrapatelar

ao do músculo normal e sinal maior que o do músculo, porém mais ponderadas em Tl e T2; músculo, nervos e cartilagem hialina mostram
baixo que o da gordura subcutânea (brilhante). O sinal de alta intensi- sinais de intensidade intermediária em imagens ponderadas em Tl e
dade pode ser subdividido em sinal igual a gordura subcutânea normal T2. A medula vermelha (hematopoética) mostra sinal de baixa intensi-
(brilhante) e sinal maior que o da gordura subcutânea (muito brilhan- dade nas imagens ponderadas em Tl e sinal de intensidade baixa a in-
te). O sinal de alta intensidade dos planos de gordura e diferenças na termediária nas imagens ponderadas em T2. O líquido mostra sinal
intensidade de sinal de várias estruturas permite a separação dos dife- intermediário nas imagens ponderadas em Tl e sinal de alta intensida-
rentes componentes teciduais, incluindo músculos, tendões, ligamen- de em T2. A maioria dos tumores mostra sinal de intensidade baixa a
tos, vasos, nervos, cartilagem hialina, fibrocartilagem , osso cortical e osso intermediária em imagens ponderadas em Tl e sinal de intensidade
trabecular (Fig. 2.19). Por exemplo, a gordura e a medula óssea amare- elevada em imagens ponderadas em T2. Os lipomas mostram sinal de
la (adiposa) mostram sinal de intensidade elevada nas imagens ponde- intensidade elevada em Tl e intermediária em imagens ponderadas em
radas em Tl e sinal intermediário nas imagens ponderadas em T2; o T2 (Quadro 2.2).
hematoma mostra sinal de intensidade relativamente alta em seqüênci- Os traumatismos dos ossos e dos tecidos moles são sobretudo ade-
as ponderadas em Tl e T2. O osso cortical, ar, ligamentos, tendões e quados para o diagnóstico e avaliação por RM. Algumas anormalidades,
fibrocartilagem mostram um sinal de baixa intensidade em imagens como as contusões ósseas ou microfraturas trabeculares, não observa-

Quadro 2.2 Intensidades de Sinal de RM de Vários Tecidos


TECIDO IMAGEM
PONDERADA EM T1 PONDERADA EM T2
Hematoma, hemorragia (aguda, subaguda) Intermediária/Alta Alta
Hematoma, hemorragia (crônica) Baixa Baixa
Gordura, medula óssea gordurosa Alta Intermediária
Músculos, nervos, cartilagem hialina Intermediária Intermediária
Osso cortical, tendões, ligamentos, fibrocartilagem, Baixa Baixa
tecido cicatricial
Cartilagem hialina Intermediária Intermediária
Medula óssea vermelha (hematopoética) Baixa Intermediária
Ar Baixa Baixa
Líquido Intermediária Alta
Líquido proteináceo Alta Alta
Tumores (em geral) Intermediária a baixa Alta
Lipoma Alta Intermediária
Hemangioma Intermediária (ligeiramente maior que o músculo) Alta
34 Técnicas de Imagem em Ortopedia


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Fig. 2.20 Contusão óssea (lesão trabecular). (A) Imagem de RM coronal ponderada em Tl de uma mulher de 44 anos de idade que sofreu traumatismo no
joelho direito mostra área de sinal de baixa intensidade no côndilo femoral mediai. (B) Na imagem em spin-eco rápida em inversão-recuperação (FSE-IR), a
lesão trabecular torna-se mais visível como um foco de sinal de intensidade elevada contra o fundo de baixa intensidade de gordura medular suprimida (seta).
Em um outro paciente, um homem de 35 anos, as imagens de RM coronais ponderadas em Tl (C) e em FSE-IR (D) mostram lesão trabecular da face lateral
do platô tibial do joelho esquerdo. Em uma mulher de 29 anos de idade, a RM coronal IR ponderada em T2 com saturação da gordura (E) mostra lesão
trabecular do côndilo femoral lateral e da face lateral da porção proximal da tíbia.

das à radiografia e à TC, são bem mostradas por esta técnica (Fig. 2.20). semelhantes àquelas obtidas da articulação com líquido articular pree-
Fraturas ocultas, que podem não ser diagnosticadas em radiografias xistente (derrame articular). Na prática médica, a artrorressonância
convencionais, tornam-se evidentes à RM (Fig. 2.21) . magnética é predominantemente usada na avaliação de anormalidades
Ocasionalmente, as imagens de RM podem ser realçadas por inje- do ombro, como transtorno interno, instabilidade da articulação gle-
ção intravenosa de Gd-DTPA, substância conhecida como gadolínio, um noumeral , transtornos do manguito rotador ou anormalidades da car-
composto paramagnético que mostra maior intensidade de sinal nas tilagem articular e do lábio cartilaginoso (Fig. 2.22). A artrorressonância
imagens ponderadas em Tl. O mecanismo pelo qual o gadolínio pro- magnética indireta é um procedimento no qual é administrada uma
duz realce na RM é fundamentalmente diferente do mecanismo de injeção intravenosa de gadolínio antes da RM da articulação. Esta téc-
contraste da TC. Ao contrário do iodo na TC, o próprio gadolínio não nica, assim como a própria artrografia por ressonância magnética, pode
produz sinal de RM. Em vez disso, atua encurtando os tempos de rela- melhorar a detecção de rupturas do manguito rotador, patologia do
xamento T1 e T2 dos tecidos para os quais extravasa, resultando em lábio e capsulite adesiva.
aumento da intensidade do sinal nas seqüências de imagens pondera- A angiorressonância magnética (ARM) é uma técnica que ajuda a
das em T1 (TR/ TE curto). visualizar vasos sangüíneos. Ao contrário da angiografia contrastada
A artrorressonância magnética tornou-se popular nos últimos anos. convencional, não visualiza o volume sangüíneo em si, porém representa
A acurácia diagnóstica desta técnica pode exceder a da RM convencio- uma propriedade do fluxo sangüíneo. Uma de suas vantagens é que ,
nal, visto que as estruturas intra-articulares são mais bem mostradas se após a coleta de um conjunto de dados tridimensional, pode-se esco-
forem separadas por meio de distensão capsular. Esta distensão pode lher qualquer número de direções da imagem. Esta característica tam-
ser produzida com inje ção intra-articular de contraste, como a bém elimina a superposição vascular. Foram propostas muitas seqüên-
dimeglumina gadopentato (gadolínio) diluída ou soro fisiológico. Mais cias de pulso para produzir contraste angiográfico. Algumas são basea-
comumente, uma mistura de soro fisiológico estéril, contraste iodado, das no rápido influxo de sangue relaxado para a região na qual o teci-
lidocaína a 1% (ou Xylocaine) e gadolínio-DTPA é injetada na articu- do estacionário é saturado. Estes métodos são denominados tempo de
lação sob orientação fluoroscópica. As imagens produzidas são muito movimento- tirne-of-jlight (TOF) -ou realce relacionado ao fluxo
Técnicas de Imagem em Ortopedia 35

Fig. 2.21 Fratura oculta da tíbia . Uma mulher de


47 anos de idade sofreu lesão no joelho esquerdo
em um acidente automobilístico. (A) A incidência
ântero-posterior mostra área esclerótica na porção
proximal da tíbia, porém não se observa fratura
definitiva. Imagens de RM ponderadas em Tl (B)
coronal e (C) axial mostram uma linha de fratura
vertical estendendo-se para as espinhas tibiais. (O)
Imagem de RM coronal ponderada em T2 em in-
versão-recuperação além da linha de fratura mos-
tra as rupturas do menisco lateral e do ligamento
colateral lateral, e também líquido articular.

Fig. 2.22 Ruptura do lábio glenoidal. Artrografia


por ressonância magnética de um homem de 26
anos de idade que sofreu lesão no ombro direito
mostra várias anormalidades . (A) Imagem de RM
coronal ponderada em Tl com saturação de gordura
mostra ruptura do lábio cartilaginoso inferior da gle-
nóide. (B) Imagem de RM axial ponderada em Tl
com saturação de gordura mostra lacerações dos
lábios cartilaginosos anterior e posterior associadas
a arrancamento da cápsula articular anterior.
36 Técnicas de Imagem em Ortopedia

(FRE). Outros, baseados na mudança de fase dependente de velocida- Buckwalter KA, Rydbergj, Kopecky KK, Crow K, Yang EL. Musculoskeletal imaging with
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FORMAÇAOE
CRESCIMENTO
~

OSSEOS

O esqueleto é constituído de osso cortical e esponjoso, que são formas lactação e na adolescência. Os fatores que controlam a formação e a
altamente especializadas de tecido conectivo. Cada tipo de tecido ós- reabsorção ósseas ainda não foram bem elucidados, porém um fato é
seo tem a mesma estrutura histológica básica, mas o componente corti- certo: a formação e a reabsorção ósseas são processos associados extre-
cal tem uma arquitetura compacta e sólida interrompida apenas por mamente balanceados em que a formação óssea final é igual à reabsor-
canais estreitos que contêm vasos sangüíneos (sistemas haversianos), ção óssea final.
enquanto o componente esponjoso consiste em trabéculas separadas A maior parte do esqueleto é formada por ossificação endocondral
por medula óssea gordurosa ou hematopoética. O osso é um material (Fig. 3.1) , processo altamente organizado que transforma a cartilagem
calcificado rígido e cresce pela adição de novo tecido às superfícies em osso e contribui principalmente para aumentar o comprimento
existentes. A remoção de osso impróprio, denominada remodelagem si- ósseo. A ossificação endocondral é responsável pela formação de to-
multânea, também é um componente necessário do crescimento ósseo. dos os ossos tubulares e planos, vértebras, base do crânio, etrnóide,
Ao contrário da maioria dos tecidos, o osso cresce apenas por aposição extremidades mediai e lateral da clavícula. Por exemplo, com aproxi-
sobre a superfície de um substrato já existente, como osso ou cartila- madamente 7 semanas de vida embrionária, as células cartilaginosas
gem calcificada. Todavia, a cartilagem cresce por proliferação celular (condroblastos e condrócitos) produzem um modelo de cartilagem
intersticial e formação de matriz. hialina dos ossos tubulares longos a partir do agregado mesenquimal
O osso normal é formado por intermédio de uma combinação de condensado. Os mecanismos que levam à calcificação da matriz carti-
dois processos: ossificação endocondral ( encondra[) e ossificação intramem- laginosa não estão completamente esclarecidos, porém acredita-se
branosa (membranosa). Em geral, a constituição esponjosa desenvolve-se geralmente que os promotores da calcificação sejam pequenas vesí-
por ossificação endocondral, e a cortical, por ossificação intramembra- culas ligadas por membranas conhecidas como vesículas da matriz, que
nosa. Uma vez formado, o osso vivo nunca fica metabolicamente em re- estão presentes na matriz intersticial entre as células. Com aproxima-
pouso. Começando no período fetal , ele constantemente é remodela- damente 9 semanas, os capilares periféricos penetram no modelo,
do e ordena seus minerais ao longo das linhas de esforço mecânico. Este induzindo a formação de osteoblastos. O tecido ósseo é então deposi-
processo continua durante toda a vida, acelerando durante a fase de tado em espículas de matriz cartilaginosa calcificada que permanecem
40 Formação e Crescimento Ósseos

epífise

fi se
(placa de crescimento)

p~~~--~~~ ~~-H
primária
Porçio ~ ---++-+1
secuncWrta

dláflse

Fig. 3.1 Formação de osso endocondral. Este processo ocorre no centro de ossificação, na placa de crescimento e na metáfise. (Modificado de Rubin P, 1964,
com permissão.)

após a reabsorção osteoclástica, com isso transformando a porção es- lar, enquanto outras trabéculas aumentam e se espessam através da
ponjosa primária em secundária. aposição de novo osso, embora essas também acabem sofrendo reab-
Como este processo move-se rapidamente na direção das extremi- sorção e remodelagem. Outras se estendem na direção da diáfise e são
dades epifisárias do modelo de cartilagem, uma rede frouxa de trabé- incorporadas na cortical óssea em desenvolvimento, que é formada
culas ósseas contendo centros de cartilagem calcificada é deixada para por ossificação intramembranosa. Nas extremidades dos ossos tubu-
trás, criando uma linha bem definida de avanço. Esta linha represen- lares, é iniciado um processo similar, criando um centro de ossifica-
ta a placa de crescimento (fise) (Fig. 3.2) e a metáfise adjacente para ção secundário na epífise. Este núcleo aumenta de tamanho pelo pro-
a qual a porção esponjosa secundária se move quando é formada. As cesso de maturação e calcificação da cartilagem que circunda o cen-
muitas trabéculas da substância esponjosa secundária que são reabsor- tro secundário. A margem periférica da epífise denominada acrófise
vidas logo após serem formadas, transformam-se na cavidade medu- é formada por zonas de hipertrofia celular, degeneração, calcificação
Formação e Crescimento Ósseos 41

osso epifisário vaso eplflsárlo


(nutrlçio da
placa de
crescimento)

placa terminal

o o o
o o o o
o o o
Q 0 G)
0
0
Q 80 0
C!)
Q
(;)
80
0 8
(::;:)
GJ ffi 0
&.
fB
~
@J ~
G)
?!)
8
0 ~ G
sinteseda ~ 0 8
Q
EB 6
~
matriz
Q
o
~ Q ~
~ Q o c:)
~ 8 0 8
calclftcaçio 0 0 ~ 0
ativa
w Ler
Pórçlo vascular
esponjosa aparUrda
Pl'fi1*Ja métáfl8e
(osteoginase}

Fig. 3.2 Representação esquemática da placa de crescimento. Placa de crescimento durante o crescimento ósseo ativo. No topo do diagrama, os vasos
epifisários estão nutrindo as células proliferativas germinativas. Mais abaixo, as células começam a se dispor em paliçada em colunas verticais e, à medida que
se aproximam da metáfise, sofrem hipertrofia e a matriz se calcifica. A matriz calcificada é então invadida por vasos sangüíneos e a porção esponjosa primária
é formada . (Modificado de Bullough PG, 1992, com permissão.)

e ossificação semelhantes às da placa de crescimento. Normalmente, res, formando assim a substância cortical dos ossos longos e planos.
a formação de osso endocondral não é observada após o fechamento Este tipo de formação óssea aumenta a largura do osso. Além do en-
da placa de crescimento. velope periosteal na superfície externa do osso, a ossificação intramem-
Na ossificação intramembranosa, o osso é formado diretamente sem branosa é ativa no envelope endosteal que cobre a superfície interna
o estágio cartilaginoso interveniente (Fig. 3.3). Inicialmente, as células da cortical e no envelope haversiano na superfície interna de todos
mesenquimais condensadas diferenciam-se em células osteoprogenitoras os canais intracorticais. Estes três revestimentos são locais de potente
que, depois, se diferenciam em fibroblastos que produzem colágeno e ação celular envolvendo reabsorção e formação do osso durante toda
tecidos .conectivos fibrosos, e osteoblastos que produzem osteóide. Co- a vida.
meçando aproximadamente na nona semana de vida fetal, a membrana É interessante notar que a mandíbula e as porções médias da claví-
fibrosa produzida pelos fibroblastos forma um colar periosteal e é substi- cula são formadas por um processo de características compartilhadas
tuída por osteóide pela ação dos osteoblastos. Entre os ossos formados de ossificação endocondral e intramembranosa. Estes ossos são pré-for-
por este processo estão o frontal, o parietal e o temporal, bem como suas mados na cartilagem, na vida embrionária, porém não sofrem ossifica-
escamas; os ossos da porção superior da face e também as partes ção endocondral da maneira convencional. Em vez disso, o modelo de
timpânicas do osso temporal; e o vômer e o pterigóide mediai. cartilagem simplesmente serve como uma superfície para a deposição
A ossificação intramembranosa também contribui para a formação de osso pelos tecidos conectivos. Por fim , a cartilagem é reabsorvida e
aposicional de osso periosteal em torno das diáfises dos ossos tubula- os ossos tornam-se totalmente ossificados.
42 Formação e Crescimento Ósseos

Fig. 3.3 Representação esquemática


da ossificação intramembranosa. (A)
e (8) Formação de osso intramembra-
noso na junção do periósteo com a
substância cortical. A formação de osso
subperiosteal progride de osso imatu-
rnetáfise ro (entrelaçado) para o osso mais ma-
duro .

1 - - - - área ampliada em B

diáfise

OST 0

0~
&
@
6 @ 8 =
OSTC osteoclasto
@ ~ FP. = camada fibrosa

~ee
Si) de periósteo
G CP = camada de
camblum
(i} ~ do periósteo
O =camadade
osteoblastos
OST = osteólde
(osso Imaturo)
OCTL = osso cortlcal
(osso maduro)

Substância periósteo
cortical
Formação e Crescimento Ósseos 43

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TRAUMATISMO
AVALIAÇAO ~

RADIOLOGICA
DO TRAUMATISMO

Modalidades de Imagens Radiológicas suficientes (Fig. 4.1) . Ocasionalmente, as incidências oblíquas e espe-
ciais são necessárias, sobretudo para avaliar fraturas de estruturas com-
As modalidades radiológicas usadas para analisar as lesões do sistema plexas como pelve, cotovelo, punho e tornozelo (Figs. 4.2 e 4.3) . As
musculoesquelético são as seguintes: incidências sob estresse são importantes na avaliação de rupturas liga-
1. Radiografia convencional, incluindo incidências de rotina ( es- mentares e da estabilidade articular (Fig. 4.4) .
pecíficas para várias partes do corpo) , incidências especiais e Certas modalidades especiais são usadas com maior freqüência na
incidências sobre estresse avaliação de diferentes tipos de lesões em localizações anatômicas es-
2. Radiografia digital, incluindo artrografia e angiografia com sub- pecíficas. A fluoroscopia e a filmagem em vídeo são úteis na avaliação
tração digital (ASD) da cinem ~ tica das articulações. A tomografia (zono ou triespiral) é útil
3. Fluoroscopia, isoladamente ou combinada com filmagem em vídeo para confirmar fratura (Figs. 4.5 e 4.6) , delineando a extensão de uma
4. Tomografia (sobretudo tomografia triespiral) linha de fratura e avaliando a posição dos fragmentos . Também é va-
5. Tomografia computadorizada (TC) liosa na monitoração do progresso da consolidação.
6. Artrografia, tenografia e bursografia
7. Mielografia e discografia Tomografia Computadorizada
8. Angiografia (arteriografia e venografia)
9. Cintigrafia (estudo ósseo com radionuclídios) A TC é essencial na avaliação de fraturas complexas, particularmente
10. Ressonância magnética (RM) nas vértebras e pelve (Fig. 4.7). Os benefícios da TC em comparação
com a radiografia convencional (simples) são a sua capacidade de ofe-
recer imagens tridimensionais, excelente resolução de contraste e me-
Radiografia, Fluoroscopia e Tomografia Linear
dida acurada do coeficiente de atenuação tecidual. O uso de recons-
Em muitas situações, as radiografias obtidas em duas incidências orto- trução sagital, coronal e multiplanar proporciona mais um benefício
gonais, geralmente ântero-posterior e lateral, com 90° entre elas são em relação a outras modalidades de exame.
48 Avaliação Radio lógica do Traumatismo

fratura do
t'\.'11-- - - - terceiro
metacarpal

Fig . 4.1 Fratura do osso metacarpal. (A) Incidência dorsopalmar (póstero-anterior) da mão não mostra fratura . (B) A incidência lateral revela fratura do
terceiro osso metacarpal.

I
i
I

/ fratura
~+-~----- intra-articular da
cabeça do rádio

Fig . 4.2 Fratura da cabeça do rádio. Um paciente apresentou-se com dor no cotovelo após uma queda. As incidências ântero-posterior (A) e lateral (B) são
normais; no entanto, a cabeça do rádio e os processos coronóides não estão bem mostrados devido a sobreposição óssea. Uma incidência especial com ân-
gulo de 45° do cotovelo (C) é usada para projetar ventralmente a cabeça do rádio, livre da sobreposição de outros ossos. Uma fratura intra-articular curta da
cabeça do rádio agora é claramente visualizada.
Fig . 4.3 Fratura da escápula. (A) Radiografia ântero-
posterior do ombro esquerdo mostra fratura da claví-
cula. A lesão da escápula não é bem mostrada. (B)
Incidência especial em "Y" da escápula mostra clara-
mente a fratura (seta).

Fig. 4.4 Ruptura do ligamento colateral lateral.


Na maioria das lesões do tornozelo, se houver sus-
peita de ruptura ligamentar, então as radiografias
convencionais devem ser suplementadas por inci-
dências sob estresse. A radiografia ântero-posteri-
or padronizada deste tornozelo (A) não é digna de
nota. A aplicação de estresse de adução (inversão)
(B) mostra o alargamento do compartimento la-
teral da articulação tibiotalar (tornozelo), indican-
do ruptura do ligamento colateral lateral.

~\

Fig. 4.5 Fratura do trocanter maior. Este pacien-


te caiu da cama e houve suspeita de fratura do colo
do fêmur. A incidência ântero-posterior do quadril
direito (A) não é convincente . A tomografia (B)
mostra fratura do trocanter maior, porém ausência
de fratura do colo do fêmur.
Fig. 4.6 Fratura do hâmulo do
hamato. Um tenista de 55 anos
de idade relatou dor na palma da
mão esquerda na região hipote-
nar. (A) Radiografia dorsopalmar
mostra margens borradas do
hâmulo (gancho) do hamato (se-
tas), sugestivas - porém não
conclusivas - de fratura. (B)
Tomografia triespirallateral mos-
tra fratura óbvia na base do
hâmulo (setas abertas) .

articulação
~"F----:f--r-- sacroilíaca aberta
- 'f.IIF"-f~'---#-- fratura do sacro

Fig. 4.7 Fratura do sacro e do acetábulo. (A) Incidência ântero-posterior padronizada da pelve mostra fraturas evidentes no anel obturador direito. (B) TC
mostra fratura não suspeitada do sacro e comprometimento da articulação sacroilíaca esquerda. (continua)
Avaliação Radiológica do Traumatismo 51

Fig. 4.7 Fratura do sacro e do acetábulo. Continuação. (C) Imagens reconstruídas por TC (C) axial e (D) coronal em outro paciente mostram fragmento
fraturado não suspeitado em radiografias convencionais, deslocado para dentro da articulação do quadril. As setas apontam para a fratura da coluna posterior
do acetábulo direito.

Cintigrafia das de fraturas infectadas. Na osteomielite, a cintigrafia, mediante uso


de citrato de gálio (6;Ga) e leucócitos marcados com índio ( 111 In), mostra
A cintigrafia óssea consegue detectar fratu ras ocultas ou fraturas muito
aumento significativo na captação do traçador. Visto que o 6 iGa tam-
sutis não observadas nas radiografias convencionais ou nas tomografias
bém é captado ativamente no local de uma fratura em consolidação
lineares (Fig. 4.8). Esta técnica também é útil na diferenciação entre
fraturas tibiais por estresse e a síndrome mediai tibial. Ocasionalmente normal , porém encontrado menos significativamente do que com o
a cintigrafia ajuda a fazer o diagnóstico diferencial entre fraturas anti- exame com tecnécio (99 mTc), a combinação de 6 ;Ga e difosfonato de
gas e fraturas recentes e a detectar complicações como osteonecrose em metileno (MDP) -99 mTc foi sugerida, usando-se a relação de captação de
estágio inicial. Entretanto, as cintigrafias ósseas raramente fornecem
6
;Ga e 99 mTc para determinar se a fratura é infectada. A relação entre
novas informações acerca do estado da consolidação da fratura e, em
6
;Ga e 99 mTc ~D P deve ser maior em fraturas infectadas do que em não-
particular, as cintigrafias ósseas estáticas não conseguem separar as fra- infectadas. E muito difícil diferenciar pseudo-artrose de infecção no
turas que se consolidam normalmente daquelas que têm consolidação local de fratura . As cintigrafias ósseas padronizadas com 99"'Tc e 6;Ga não
tardia o u que resultam em não-consolidação. Ademais, uma cintigrafia são úteis, porque ambas podem ser positivas nas duas condições. Nes-
óssea não pode indicar o ponto do qual a consolidação clínica é estabe- tas situ ações, a cintigrafia com leucócitos marcados com 111In combina-
lecida. Contudo, a cintigrafia é útil para distinguir fraturas não-infecta- da com a cintigrafia com 99 mTc MDP parece ser o melhor método para

Fig. 4.8 Fratura do colo do fêmur. (A) Incidência


ântero-posterior do quadril esquerdo revela uma
faixa de densidade aumentada, sugerindo fratura
do colo do fêmur. (B) Cintigrafia realizada após
administração de 15 mCi (555 MBq) de difosfato
de metileno marcado com 99mTC mostra a capta-
ção aumentada do isótopo na região do colo do
fêmur, confirmando a fratura.

B
52 Avaliação Radiológica do Traumatismo

Fig. 4.9 Ruptura do menisco mediai.


Neste paciente, a artrografia com duplo
contraste do joelho mostra ruptura de
clivagem horizontal no corno posterior
do menisco mediai.

Fig . 4.10 Ruptura do manguito rotador. Artro-


grafia por contraste único do ombro direito mos-
tra extravasamento de contraste para o interior do
complexo das bolsas subacromial- subdeltóide (se-
tas), diagnóstico de ruptura em toda a espessura
do tendão do supra-espinhal.

Fig . 4.11 Hérnia do disco lombar. Um pa-


ciente distendeu a região dorsal ao levan-
tar um objeto pesado. Incidência oblíqua da
porção inferior da coluna lombossacra após
injeção do contraste metrizamida no espa-
ço subaracnóide mostra um defeito de pres-
são extradural no saco tecal no espaço in-
tervertebral LS-Sl característico de hérnia
de disco. Observe a raiz nervosa muito
tumefeita e deslocada .
Avaliação Radiológica do Traumatismo 53

Fig. 4.12 Ruptura do anel fibroso e hérnia


de disco. Uma agulha de punção lombar foi
introduzida no centro do núcleo pulposo e
foram injetados alguns mililitros de metriza-
mida. O extravasamento do contraste para o
espaço extradural indica ruptura do anel fi-
broso e hérnia de disco posterior.

extravasamento
--,-,....-l.e:;:;,~j,;;o,,...---- de contraste
,.?"'--~!11--~---.;...;....;._ _ -f-- - agulha de
punção lombar

determinar se um osso fraturado ou traumatizado está infectado. Para 4.1 0). Embora praticamente todas as articulações possam receber inje-
maiores informações em relação a estudos recentes de avaliação de fra- ção de contraste, o exame é mais freqüentemente realizado nas articu-
turas infectadas com novos agentes radionuclídios incluindo imunoglo- lações do joelho, ombro, tornozelo e cotovelo. As tenografias ajudam a
bulinas, ver Capítulo 2. avaliar as lesões dos tendões.

Artrografia Mielografia e Discografia


A artrografia ainda é usada na avaliação de lesões da cartilagem articu- A mielografia, isoladamente ou em conjunto com a TC, é usada para
lar, meniscos, cápsulas articulares, tendões e ligamentos (Figs. 4.9 e avaliar certas condições traumáticas da coluna vertebral (Fig. 4.11). Se

Fig . 4.13 Ruptura da artéria femoral. Foi realiza-


da arteriografia femoral para descartar dano das
estruturas vasculares em conseqüência de fratura
do fêmur. A fratura transversal resultou em tran-
secção da artéria femoral superficial.
54 Avaliação Radiológica do Traumatismo

Fig. 4.14 Derrame articular. Um homem de 64 anos de idade sofreu lesão do joelho esquerdo. A RM axial (multiplanar gradient-recalled, TR 500/TE 15 ms,
ângulo de inclinação: 30°) mostra ruptura parcial do retináculo mediai. O derrame pós-traumático mostra sinal de alta intensidade. Observe o adelgaçamento
acentuado da cartilagem articular da patela devido a osteoartrite.

houver suspeita de anormalidade discai e a mielografia não for diag- alteração pós-traumática na medula óssea resultante de uma combina-
nóstica, a discografia pode fornecer informações necessárias para me- ção de hemorragia, edema e lesão microtrabecular (ver Fig. 2.16).
lhor tratamento do paciente (Fig. 4.12) . Outras anormalidades sutis d e várias estruturas e derrame articular pós-
traumático também podem ser bem visualizadas (Fig. 4.14) . De modo
Angiografia similar, os ligamentos colaterais mediai e lateral, ligamentos cruzados
ante rior e posterior, e tendões ao redor da articulação do joelho po-
A angiografia está indicada se houver suspeita de lesão concomitante dem ser bem mostrados (ver Figs. 9.14 e 9.15) e anormalidades destas
do sistema vascula r (Fig. 4.13). AASD é preferível porque a subtração
estruturas podem ser diagnosticadas com alta precisão. Embora ocasio-
dos ossos sobrejacentes resulta em uma delineação clara das estruturas
nalmente sejam difíceis de detectar, outros tipos de lesões meniscais,
vasculares (ver Fig. 2.3)
como as rupturas em alça de balde, rupturas da borda livre e descola-
mentos periféricos podem ser diagnosticados. Na maioria das vezes, no
Ressonância Magnética ombro, a síndrome de colisão e rupturas completas ou incompletas do
A ressonância magné tica é importante na avaliação do traumatismo do manguito rotador podem ser eficientemente diagnosticadas (Fig. 4.15).
osso , cartilagem e tecidos moles. A avaliação por RM do traumatismo As lesões traumáticas dos tendões (como a ruptura do tendão do bíceps),
do joelho, sobretudo anormalidades dos meniscos e ligamentos, tem alto derrames articulares traumáticos e hematomas são facilmente diagnos-
valor preditivo n egativo . A RM pode ser usada para examinar pacientes ticados pela RM. A ruptura do lábio cartilaginoso é muito mais difícil
antes da cirurgia, de modo a evitar artroscopias desnecessárias. A RM de diagnosticar. As alterações da osteonecrose em vários locais, parti-
provavelmente é a única modalidade de imagem que pode mostrar as cularmente em seu estágio inicial, podem ser detectadas pela RM quan-
assim denominadas contusões ósseas. As anormalidades consistem em do outras modalidades, como a radiografia convencional, a tomografia

líquido no espaço da ruptura


do manguito rotador
~'----- músculo supra-espinhal
retraído

Fig . 4 .15 Ruptura do manguito rotador. Um homem de 60


anos de idade apresentou dor no ombro direito. A imagem RM
ponderada em T2 coronal oblíqua (SE; TR 2000/TE 80 ms) mos-
tra ruptura completa do manguito rotador. O músculo supra-
espinhal está retraído medialmente e não há tecido tendinoso
no espaço subacromial. O líquido articular mostra sinal de alta
intensidade. (Reproduzido de Beltran j, 1990, com permissão.)
Avaliação Radiológica do Traumatismo 55

e até mesmo a cintigrafia podem ser normais. A RM do tornozelo e do


pé é usada para diagnosticar ruptura de tendões e osteonecrose pós-
traumática do tálus. No punho e na mão, a RM é usada com sucesso no
diagnóstico precoce de osteonecrose pós-traumática do escafóide. A RM
é fortemente defendida como a técnica de escolha na avaliação de anor-
malidades do complexo da fibrocartilagem triangular, embora a artro-
grafia, principalmente em conjunto com as imagens digitais eTC, tam-
bém seja uma modalidade muito eficiente. O maior uso da RM é para
avaliar o traumatismo da coluna vertebral, da medula espinal, do saco
tecal e das raízes nervosas, bem como herniação do disco (ver Fig. 11.89).
A RM também é útil na avaliação da lesão do ligamento espinal. A de-
monstração da relação entre fragmentos vertebrais e medula espinal pela
imagem sagital direta é extremamente útil , sobretudo para avaliar le-
são nas áreas cervical e torácica.

Fraturas e Luxações
As fraturas e luxações estão entre as condições traumáticas mais encon-
tradas pelos radiologistas. Por definição, fratura é a ruptura completa
na continuidade do osso (Fig. 4.16). Se apenas parte das trabéculas
ósseas estiver completamente dividida enquanto outras estiverem cur-
vadas ou permanecerem intactas, a fratura é incompleta (Fig. 4.17).
Luxação é a ruptura completa de uma articulação; as superfícies articu-
lares não estão mais em contato (Fig. 4.18). Entretanto, subluxação é a
ruptura menor de uma articulação, na qual permanece ainda algum
contato articular (Fig. 4.19). A avaliação radiológica apropriada destes
distúrbios contribui grandemente para o sucesso do tratamento pelo
cirurgião ortopédico.
Diante de um traumatismo, o radiologista tem duas tarefas principais:
1. Diagnosticar e avaliar o tipo de fratura ou luxação
2. Monitorizar os resultados do tratamento e procurar possíveis com- Fig. 4.17 Uma fratura incompleta (em galho verde). A ulna está curvada e
plicações. há uma linha de fratura estendendo-se apenas através da cortical posterior.
Na fratura radial, algumas trabéculas permanecem intactas.

Diagnóstico
O princípio radiológico importante no diagnóstico de traumatismo ós-
seo é obter pelo menos duas incidências do osso envolvido, e cada inci-
dência deve incluir duas articulações adjacentes ao osso lesado (Fig. 4.20).
Em assim fazendo, o radiologista elimina o risco de não observar uma
fratura, subluxação e/ ou luxação associada no local distante da lesão

Fig. 4.16 Uma fratura completa. A continuidade do osso é interrompida e Fig. 4.18 Luxação. Luxação anterior típica da cabeça do úmero. A superfície
há uma fenda estreita entre os fragmentos ósseos. articular do úmero perde o contato com a superfície articular da glenóide.
56 Avaliação Rad iológica do T raumatismo

AQUISIÇÃO DE IMAGEM NAS


ARTICULAÇÕES ADJACENTES

Fig. 4.19 Subluxação. Há desalinhamento da cabeça do úmero e da fossa Fig. 4.20 Articulações adjacentes. A radiografia de suspeita de fratura da diáfise
glenóide, mas resta algum contato articular. Observe a fratura associada do femoral deve incluir as articulações do quadril e do joelho.
colo cirúrgico do úmero.

LOCAL E EXTENSÃO DA FRATURA

junção das porções supracondilar intra-articular


média e distai do
fêmur

Fig. 4.21 local e extensão. Fatores na avaliação radiológica de uma fratura : o local anatômico e a extensão.
Avaliação Radiológica do Traumatismo 57

primária aparente. Em crianças, freqüentemente é necessário adquirir traumatismo, ou queimadura grave. A lesão do tipo VII consiste em uma
uma radiografia do membro não afetado normal para comparação. fratura puramente transepifisária que, se a epífise não estiver completamen-
te ossificada, não pode sequer ser detectada na radiografia convencional.
Avaliação Radiográfica das Fraturas A lesão do tipo VIII envolvendo a região metafisária pode ser complicada
A avaliação radiográfica completa das fraturas deve incluir os seguintes por dano aos vasos sangüíneos que suprem a placa de crescimento, e no
elementos: (a) o sítio anatômico e a extensão de uma fratura (Fig. 4.21); tipo IX, a lesão do periósteo pode interferir no mecanismo membranoso
(b) o tipo da fratura, se é incompleta, como observado predominante- da formação óssea. Todos esses traumas, porém particularmente os dos tipos
mente em crianças, ou completa (Fig. 4.22); (c) o alinhamento dos frag- IV e V (ver Fig. 4. 70), podem levar a distúrbios do crescimento com conse-
mentos com relação a deslocamento, angulação, rotação, encurtamen- qüente discrepãncia no comprimento dos membros.
to ou afastamento (Fig. 4.23); (d) a direção da linha de fratura em rela-
Sinais Indiretos como Indícios Diagnósticos
ção ao eixo longitudinal do osso (Fig. 4.24); (e) a presença de caracte-
rísticas especiais como impacção, depressão ou compressão (Fig. 4.25); Embora o diagnóstico da maimia das fraturas possa ser feito por meio
(f) a presença de anormalidades associadas, como fratura com luxação de radiografias convencionais, algumas fraturas sutis, sem deslocamen-
ou diástase concomitantes (Fig. 4.26); e (g) tipos especiais de fraturas que to e finas como um fio de cabelo podem não ser aparentes no momen-
podem ocorrer como resultado de estresse anormal ou fraturas secun- to da lesão. Nestas circunstâncias, certos sinais indiretos de fratura for-
dárias a processo patológico ósseo (Fig. 4.27). A distinção entre fratura necem indícios diagnósticos úteis.
exposta (ou composta, aberta), na qual o osso fraturado se comunica com Edemas de Tecidos Moles. O traumatismo ósseo sempre está associa-
o ambiente externo através de uma ferida aberta, e fratura fechada (ou do a lesão dos tecidos moles, e em quase todos os casos de fratura aguda
simples), a qual não produz ferida aberta na pele, deve ser feita prefe- existe alguma evidência radiológica de edema de tecidos moles no local
rencialmente por exame clínico e não radiológico. da fratura (Fig. 4.29A) . A ausência de edema de tecidos moles, entretan-
Em crianças, a avaliação radiológica das fraturas, particularmente nas to, praticamente exclui a possibilidade de fratura aguda (Fig. 4.29B).
extremidades dos ossos tubulares, deve também levar em consideração o Obliteração ou Deslocament o das Linhas de Gordura. Fraturas
envolvimento da placa de crescimento (fise) . A localização da linha de fra- sutis, sobretudo na porção distai do rádio , no escafóide do carpo, tra-
tura tem implicações com relação ao mecanismo da lesão e possíveis com- pézio e na base do primeiro metacarpal, resultam em obliteração ou
plicações. Uma classificação útil das lesões que afetam a fise, metáfise, epí- deslocamento dos planos fasciais. Na incidência lateral do punho, pode
fise ou todas essas estruturas foi proposta por Sal ter e Harris (tipos I a V) e ser detectada uma linha radiotransparente representando uma coleção
ampliada por Rang (tipo VI) e Ogden (tipos VII a IX) para incluir quatro de gordura entre o pronador quadrado e os tendões do músculo flexor
outros tipos de fratura (Fig. 4.28). Embora as lesões descritas por Range profundo dos dedos. A fratura da porção distai do rádio resulta em uma
Ogden não envolvam diretamente a placa de crescimento, as seqüelas des- alteração na aparência da linha de gordura do pronador quadrado, que pode
te traumatismo afetam a fise da mesma maneira que as lesões diretas des- estar deslocada anteriormente (no sentido palmar), borrada ou oblite-
critas por Sal ter e Harris. No tipo VI, que envolve apenas a região periféri- rada (sinal de MacEwan) (Fig. 4.30).
ca da placa de crescimento, a lesão nem sempre pode estar associada com Terry e Ramin apontaram a utilidade de reconhecer a linha de gordu-
fratura. Pode resultar de uma contusão localizada, infecção induzida pelo ra do escafóide, que geralmente é visível como uma fina linha radiotrans-

TIPO DE FRATURA
Incompleta Com_pleta
(Predominantemente em Crianças)

em curvatura em tórulo em galho verde simples cominutiva


(curvatura plástica (curvatura da (fratura de uma
aguda) cortical) cortical)

Fig. 4.22 Fraturas incompletas e complet as. Fat ores na avaliação radiológica de uma fratura: o tipo de fratura, incompleta ou com pleta.
58 Avaliação Rad iológica d o Trau ma tismo

ALINHAMENTO DOS FRAGMENTOS

deslocamento deslocamento angulação mediai angulação lateral


mediai lateral (ou angulação lateral (ou angulação mediai
do fragmento distai - do fragmento distai -
configuração em configuração em varo)
valgo)

rotação interna rotação externa cavalgamento com afastamento


encurtamento
(aposição em
baioneta)

Fig. 4.23 Alinhamento. Fatores na avaliação radiológica de uma fratura : o alinhamento dos fragmentos.
Avaliação Radio lógica do Traumaúsmo 59

DIREÇÃO DA LINHA DE FRATURA

transversal oblíqua espiral longitudinal

Fig. 4.24 Direção. Fatores na avaliação radiológica de uma fratura : a direção da linha de fratura.

CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS ANORMALIDADES ASSOCIADAS

impacção depressão compressão fratura fratura


com luxação com diástase
associada associada

Fig. 4 .25 Características especiais. Fatores na avaliação radiológica de uma fratura : ca- Fig. 4.26 Anormalidades associadas. Fatores na avaliação
racterísticas especiais. radiológica de uma fratura: anormalidades associadas.
60 Avaliação Radio lógica do Traumatismo

TIPOS ESPECIAIS DE FRATURAS

fadiga insuficiência secundária a anormalidade


(osso normal, estresse (osso anormal- p. ex., preexistente (geralmente,
anormal - p. ex., correr) osteoporótico; estresse normal tumor ósseo)
- p. ex., caminhar)

Fig. 4.27 Tipos especiais. Fatores na avaliação radiológica de uma fratura : tipos especia is de fraturas .

ENVOLVIMENTO DA PLACA DE CRESCIMENTO

Classificação de Salter-Harris
11 111 IV v

fratura através da fratura através da fratura através da fratura através fratura por
placa de crescimento placa de crescimento placa de crescimento da placa de compressão através
e da metáfise e da epífise crescimento, da placa de
metáfise e epífise crescimento

Adições de Rang e Ogden à Classificação de Salter-Harris


VIl VIII

traumatismo do epífise (fratura fratura da lesão por avulsão


pericôndrio com condral ou metáfise do periósteo
limitação da placa osteocondral)
de crescimento
(ponte periférica)

Fig. 4.28 Classificação das lesões da placa de crescimento. A classificação de Salter-Harris envolvendo a placa de crescimento (fise) em conjunto com as
ad ições de Rang e Ogden .
Avaliação Radio lógica d o Tra uma tism o 61

centro de
ossificação
~--;?-?4---Y..-+,.-..:;;:~-- secundário
planos de
edema de tecidos moles
tecidos moles normais

Fig. 4.29 Fratura versus centro de ossificação. (A) Incidência dorsoplantar do pé revela edema de
tecidos moles proeminentes localizado na face lateral. A linha radiotransparente na base do quinto me-
tatarsal indica fratura . (B) Uma linha radiotransparente similar separa o fragmento ósseo da base do
quinto metatarsal em outro paciente que tinha suspeita de fratura deste osso. Observe a ausência com-
pleta de edema dos tecidos moles. O achado representa um centro de ossificação secundário e não
uma fratura .
62 Avaliação Radiológica do Traumatismo

borramento e deslocamento
palmar da linha de gordura

linha de fratura

Fig. 4.30 linha de gordura do pronador quadrado. (A) O plano fascial do músculo pronador quadrado é mostrado na face palmar do antebraço distai como
uma linha radiotransparente. (8) Na fratura da porção distai do rádio, a linha de gordura está borrada e deslocada no sentido palmar devido a edema local e
hemorragia periosteal.

fratura do escafóide

obliteração e
deslocamento da linha
linha de de gordura
·~L.----- gordura do
escafóide
normal

Fig. 4.31 linha de gordura do escafóide. (A) Linha de gordura do escafóide normal. (8) Fratura discreta do escafóide resultou em obliteração e deslocamen-
to radial da linha de gordura.
Avaliação Radiológica do Traumatismo 63

parente paralela à superfície lateral do osso escafóide entre o ligamen- articular pelo líquido sinovial ou hemorrágico faz com que o coxim de
to colateral radial e a bainha sinovial do abdutor longo do polegar e do gordura posterior se tome visível e também desloque o coxim de gordura
extensor curto do polegar. Na maioria das fraturas do escafóide carpa!, anterior, produzindo o sinal do coxim de gordura (Fig. 4.33). Quando há
estilóide do rádio, trapézio, ou da base do primeiro metacarpal, a linha história de traumatismo do cotovelo e o sinal de coxim de gordura for
de gordura do escafóide está obliterada ou deslocada. Este achado é mais positivo, em geral existe fratura associada e todo o esforço deve ser feito
aparente na incidência dorsopalmar do punho (Fig. 4.31). para demonstrá-la. Mesmo se a linha de fratura não for mostrada em várias
Reações Periosteal e Endosteal. A linha de fratura pode não ser radiografias, o paciente deve receber tratamento para fratura.
visível, porém a resposta periosteal ou endosteal pode ser o primeiro Nível Gordura-Líquido lntracapsular. Se uma fratura envolver a
sinal radiológico de uma fratura (Fig. 4.32). extremidade articular de um osso (particularmente um osso longo como
Derrame Articular. Este achado, que resulta na aparência radiográfica tíbia, úmero ou fêmur) , o sangue e a gordura da medula óssea entram
do sinal do coxim de gordura, é particularmente útil no diagnóstico de na articulação (lipo-hemartrose) e produzem uma deposição caracte-
lesões do cotovelo. O coxim de gordura posterior (dorsal) , situa-se profun- rística dessas duas substâncias na radiografia: a interface gordura-san-
damente na fossa do olécrano e não é visível na incidência lateral. O co- gue ou sinalFBI (do inglês fat-blood interface) (Fig. 4.34). Um estudo por
xim de gordura anterior (ventral) ocupa as fossas coronóide e radial ante- TC ou RM também pode mostrar este fenômeno (Figs. 4.35 e 4.36).
riores mais rasas, sendo geralmente observado como uma linha radiotrans- Quando a linha de fratura não pode ser mostrada, o diagnóstico deve
parente plana, ventral à cortical anterior do úmero. A distensão da cápsula ser feito com base apenas neste sinal.

Fig. 4.32 Sinais secundários de fratura. (A) Uma


mulher de 49 anos de idade sofreu lesão na perna.
A radiografia ântero-posterior mostra novo osso
periosteal na cortical mediai da porção distai da tí-
bia logo abaixo do maléolo, e mais proximalmen-
te na face lateral. Este sinal indireto de fratura re-
presenta um estágio inicial da formação de calo
externo. A verdadeira linha de fratura espiral, seme-
lhante a um fio de cabelo, é dificilmente distinguí-
vel. (B) Exemplo da formação do calo ósseo peri-
osteal nos córtices mediai e lateral da diáfise proxi-
mal da tíbia . Uma faixa transversal de densidade
aumentada, visível na porção medular do osso, re-
presenta o calo endosteal. A linha de fratura é pra-
ticamente invisível. Estas características são comu-
mente encontradas em uma fratura por estresse.

fratura espiral
r--t-----7 semelhante a
fio de cabelo

calo endosteal
Fig. 4.33 Fratura da cabeça do rá-
dio. Incidência lateral do cotovelo
mostra um sinal do coxim de gor-
dura positivo. O coxim de gordura
anterior está acentuadamente eleva-
do e o coxim de gordura posterior
é claramente visível neste paciente.
Há uma fratura discreta não deslo-
cada da cabeça do rádio.

1. _,_ _ _ _ _ _ _ coxim de gordura anterior


e+-+->-.:--""..,------- coxim de gordura posterior

Fig . 4.34 Sinal da interface gordura-sangue. (A) Incidência ântero-posterior ereta do ombro com paciente na posição ereta mostra o nível gordura-líquido
na articulação, um exemplo do sinal da interface gordura-sangue (FBI). Uma linha de fratura estende-se do colo do úmero cefalicamente até a tuberosidade
maior. Para mostrar o sinal FBI, o chassi deve estar posicionado perpendicularmente ao nível gordura-líquido esperado com o raio central direcionado hori-
zontalmente. Por exemplo, no ombro, uma radiografia ereta (paciente de pé ou sentado) deve ser obtida. No joelho (B) o paciente deve estar em decúbito
dorsal e deve ser feita uma incidência lateral transversal à mesa.
Fig. 4.35 Sinal da interface gordura-sangue na TC. Corte axial de TC da Fig . 4.36 Sinal da interface gordura-sangue na RM. Imagem de RM axial
articulação do joelho mostra o sinal FBI em um paciente com fratura do platô do joelho com o paciente na posição de decúbito dorsal mostra o sinal da
tibial (não visualizada nesta imagem). interface gordura-sangue secundário a deposição diferencial de gordura mis-
turada com líquido (sinal de intensidade elevada) e sangue (sinal de intensi-
dade intermediária). Observe a aparência heterogênea do sangue devida a
coagulação parcial.

depressão
'-"'-~-~-+-- da cortical
linha articular
~--.::::s::==:J.~=-- cortical
dupla
curvatura da
'\"- - - \ - - - - cortical da
porção distai
do rádio

Fig. 4.37 Fratura do fêmur. (A) Na incidência ântero-posterior do joelho, a Fig. 4.38 Fratura em tórulo. Radiografias póstero-anterior (A) e lateral (B)
linha de fratura não é aparente, mas uma cortical articular deprimida do côn- do antebraço distai mostrando a curvatura da cortical dorsal da porção distai
dilo femoral lateral projeta-se proximalmente à linha subcondral normal do do rádio . Isto representa uma fratura em tórulo incompleta. Observe que a
segmento intacto, produzindo uma linha cortical dupla. (B) Incidência lateral incidência lateral é mais reveladora.
confirma a presença de fratura discreta do côndilo femoral.
66 Avaliação Radiológica do Traumatismo

Fig. 4.39 Síndrome da criança espancada.


Incidência lateral do joelho revela contornos
irregulares das metáfises da porção distai do
fêmur e da proximal da tíbia, e fraturas discre-
tas dos ângulos, características da síndrome da
criança espancada.

fraturas angulares
metafisárias

Linha Cortical Dupla. Este achado indica uma fratura discreta, po- Ângulos Metafisários Irregulares. Este sinal, que é secundário a
rém deprimida. A linha de fratura verdadeira pode não ser aparente, pequenas fraturas por avulsão da metáfise, indica lesão discreta do osso
mas o contorno duplo da cortical reflete a impacção (Fig. 4.37). causada por uma força rotatória rápida exercida sobre a inserção dos
Deformação da Cortical. Conhecida como fratura em tórulo (ou tó- ligamentos. Como resultado, pequenos fragmentos ósseos são separa-
rus) , este pode ser o único sinal de uma fratura de osso tubular em crian- dos da metáfise. Estas fraturas de ângulo freqüentemente são encontra-
ças (Fig. 4.38) . Este achado algumas vezes é identificado mais facilmen- das em lactentes e outras crianças que sofrem traumatismo ósseo, de-
te na incidência lateral do que na incidência frontal. vendo ser procuradas particularmente na síndrome da criança espan-
cada, também conhecida como "síndrome do bebê espancado" ou sín-
drome de espancamento do bebê pelos pais (SEBP) (Fig. 4.39).
Avaliação Radiológica das Luxações
As luxações são mais óbvias do que as fraturas das radiografias conven-
cionais e, conseqüentemente, são mais facilmente diagnosticadas. Al-
gumas exibem uma aparência tão característica na projeção frontal (in-
cidência ântero-posterior), que este único exame é suficiente para o
diagnóstico (Fig. 4.40). Todavia, deve ser aplicado o mesmo princípio
de se obter pelo menos duas incidências orientadas a 90o entre si. As
radiografias suplementares às vezes são necessárias e, em algumas situ-
ações, a TC é necessária para avaliação exata da luxação.

Monitoração dos Resultados do Tratamento


A radiografia é importante na monitoração do progresso da consolida-
ção das fraturas e na detecção de quaisquer complicações pós-traumá-
ticas. As radiografias de acompanhamento devem ser feitas em interva-
los regulares para avaliar o estágio e possíveis complicações associadas
da consolidação da fratura e outras complicações que podem suceder
uma fratura ou luxação. Se as radiografias forem ambíguas em relação
a este ponto, a TC deve ser solicitada em seguida.
Consolidação de Fraturas e Complicações
Fig. 4.40 Luxação anterior na articulação do quadril. Incidência ântero- A consolidação de fraturas depende de muitos fatores: idade do pacien-
posterior do quadril esquerdo mostra luxação anterior típica da cabeça do te, local e tipo de fratura, posição dos fragmentos, estado do suprimen-
fêmur. O indício deste diagnóstico são a abdução e a rotação externa do fê- to sangüíneo, qualidade da imobilização ou fixação, e presença ou au-
mur e a posição da cabeça do fêmur, que é mediai e inferior ao acetábulo. sência de anormalidades associadas como infecção ou osteonecrose
Avaliação Radiológica do Traumatismo 67

Quadro 4 .1 Fatores que Influenciam a Consolidação de calo periosteal (externo) e endosteal (interno) (Fig. 4.41). Contu-
do, este processo pode não ser radiograficamente aparente no estágio
PROMOTORES RETARDADORES inicial de consolidação. A resposta periosteal pode não ser visível nas
Boa imobilização Movimento radiografias nos locais onde há uma falta anatômica de periósteo, por
Hormônio do crescimento Corticosteróides
Hormônio tireoidiano Vitaminas A e D (alta dose) exemplo, na porção intracapsular do colo do fêmur. Da mesma forma,
Calcitonina Anticoagulantes as radiografias podem não mostrar a formação de calo endosteal, por-
Insulina Anemia que o calo contém apenas tecido fibroso e cartilagem, que são elemen-
Vitaminas A e D Radiação tos radiotransparentes. Neste estágio inicial da consolidação, uma fra-
Hialuronidase Suprimento sangüíneo insuficiente tura pode estar clinicamente consolidada, isto é, não mostra evidências de
Anticoagulantes Infecção movimento sob estresse, embora radiograficamente na fai~a radiotrans-
Correntes elétricas Osteoporose parente entre os fragmentos possa persistir (Fig. 4.42A). A medida que
Oxigênio Osteonecrose o calo primário, temporariamente radiotransparente , for gradualmen-
Exercício físico Cominução te convertido pelo processo de ossificação endocondral a osso lamelar
Idade jovem Idade avançada mais maduro, ele é observado na radiografia como uma ponte densa
(Fig. 4.42B). Esta constitui a consolidação radiológica.
Embora as radiografias convencionais freqüentemente sejam sufici-
entes para avaliar o progresso da consolidação de fraturas, estudos de
rotina às vezes devem ser suplementados por tomografia. Se um apare-
(Quadro 4.1). Muitas fraturas consolidam-se por alguma combinação lho gessado, por exemplo, ainda estiver no lugar e encobrir os detalhes
de calo osteal e periosteal. Considerando que o suprimento sangüíneo ósseos, ou se os achados radiográficos forem duvidosos (Fig. 4.43), a
é adequado, as fraturas não deslocadas e as anatomicamente reduzidas tomografia pode esclarecer o estado da consolidação.
imobilizadas com compressão adequada unem-se por consolidação pri- Recentemente , a TC com reconstrução multiplanar mostrou ser um
mária. Neste tipo de consolidação, a linha de fratura é obliterada por bom método para avaliar a consolidação de fraturas. Foi, em particular,
calo endosteal (interno). Fraturas deslocadas, isto é, aquelas que não eficaz em pacientes com elementos metálicos remanescentes e naqueles
estão anatomicamente alinhadas ou com um espaço entre os fragmen- submetidos a múltiplos procedimentos cirúrgicos incluindo enxerto ós-
tos, unem-se por consolidação secundária. Este tipo de consolidação é al- seo. A TC com reconstrução nos planos coronal e sagital ajudou o plane-
cançado principalmente pelo calo periosteal (externo) excessivo, que jamento cirúrgico por oferecer uma avaliação mais detalhada do desali-
sofre ossificação completa através dos estágios de tecido de granulação, nhamento e das deformidades angulares, da magnitude do intervalo no
tecido fibroso, fibrocartilagem, osso entrelaçado e osso compacto. Para osso e da integridade das articulações de suporte de peso adjacentes.
o radiologista que avalia as radiografias de acompanhamento, a indica- Além de monitorizar o progresso da formação do calo, o radiologis-
ção principal do reparo ósseo é a evidência radiográfica de formação ta deve estar atento para evidências radiológicas de complicações asso-

calo endosteal

calo periosteal

Fig. 4.41 Consolidação de fratura. (A) Radiografia ântero-posterior do fêmur mostra consolidação de fratura predominantemente por formação de calo
periosteal. Não há evidências radiográficas de calo endosteal, e a linha de fratura ainda é visível. (B) Radiografia póstero-anterior da porção distai do antebraço
mostra fraturas em consolidação do rádio e da ulna. As linhas de fratura são quase que completamente obliteradas em decorrência da formação do calo
endosteal. Observe também a quantidade mínima de calo periosteal.
68 Avaliação Radiológica do Trauma tismo

Fig . 4.42 Consolidação clínica versus radiológica.


Uma mulher de 30 anos de idade sofreu fratura da
porção distai da tíbia. (A) Após 3 meses de imobili-
zação o aparelho gessado foi removido. A radiogra-
fia mostra um calo periosteal unilateral da face me-
diai, porém a linha de fratura ainda é nitidamente
visível. Clinicamente, entretanto, esta fratura estava
completamente consolidada e foi permitido ao pa-
ciente suportar peso sem aparelho gessado. (8) Um
mês e meio depois, há evidências de uma ponte densa
de calo periosteal e endosteal, indicando a consoli-
dação radiográfica .

ciadas ao processo de consolidação. Estas complicações são a consoli- consecutivas sob estresse). Para fornecer a avaliação adequada da au-
dação tardia, a não-consolidação e a má consolidação. Das três, a má sência de consolidação, o radiologista precisa distinguir entre os três
consolidação é a mais aparente radiograficamente e é caracterizada pela tipos de não-consolidação: reativa, não-reativa e infectada (Fig. 4.46).
consolidação de fragmentos ósseos em uma posição defeituosa e ina- Não-consolidação Reativa (Hipertrófica e Oligotrófica). Radio-
ceitável (Fig. 4.44); a intervenção cirúrgica geralmente é o método pre- graficamente, este tipo de não-consolidação é caracterizado por reação
ferido de tratamento neste caso. óssea exuberante e conseqüente alargamento e esclerose das extremi-
A consolidação tardia refere-se a uma fratura que não se une em um dades ósseas - do tipo pata de elefante ou casco de cavalo (Fig. 4.47).
período de tempo razoável (16 a 18 semanas), dependendo da idade As áreas escleróticas não representam osso morto, mas a aposição de
do paciente e do local de fratura. Contudo, a não-consolidação aplica-se novo osso bem vascularizado. A cintigrafia óssea mostra aumento acen-
a uma fratura que simplesmente não se une (Fig. 4.45). Algumas das tuado da captação de isótopos no local de fratura. Este tipo de fratura
causas de não-consolidação são correlacionadas no Quadro 4.2. A pseudo- não consolidada geralmente é tratado com a colocação de pinos intra-
artrose é uma variação da não-consolidação na qual existe a formação medulares ou placas de compressão.
de uma falsa cavidade articular com uma cápsula sinovial e até mesmo Não-consolidação Não Reativa (Atrófica). Neste tipo de não-con-
líquido sinovial no local da fratura; entretanto, alguns médicos fazem solidação, a radiografia mostra ausência de reação óssea nas extremi-
referência a qualquer fratura que não se consolida em até 9 meses como dades do fragmento , e o suprimento sangüíneo geralmente é muito
pseudo-artrose e usam o termo como um sinônimo para a não-consoli- escasso (Fig. 4.48) . A cintigrafia óssea mostra captação de isótopos mí-
dação. Radiograficamente, a não-consolidação é caracterizada por bor- nima ou nenhuma captação. Além da fixação interna e estável, estas
das arredondadas; uniformidade e esclerose ( eburnação) das extremi- fraturas freqüentemente exigem descorticação extensa e enxerto ósseo.
dades do fragmento, que são separadas por uma fenda; e movimento Não-consolidação Infectada. A apresentação radiográfica da não-
entre os fragmentos (m ostrado sob fluoroscopia ou em radiografias consolidação infectada depende da atividade da infecção. A osteomi-

Fig. 4.43 Valor da tomografia. (A) Radiografia con-


vencional da porção inferior da tíbia revela fratura
oblíqua da diafisária distai. Embora o calo externo seja
bem mostrado, existe uma fenda de 2 mm entre os
fragmentos, levantando a possibilidade de não-con-
solidação. Incidências suplementares também foram
questionáveis. (B) O exame tomográfico mostra boa
consolidação dos fragmentos pelo calo periosteal das
faces mediai e lateral, confirmando a consolidação
radiológica .
Avaliação Radiológica do Traumatismo 69

Fig . 4.44 Má consolidação. (A) Radiografia ântero-


posterior da perna mostra má consolidação angular.
A fratura da tíbia e a fratura segmentar da fíbula es-
tão solidamente consolidadas. Entretanto a parte dis-
tai da tíbia exibe rotação e angulação anterior, e as
fraturas da fíbula uniram-se em uma deformidade em
arco. (B) A má consolidação foi tratada cirurgicamente
por osteotomia dupla e fixação interna da tíbia com
uma haste intramedular para corrigir o alinhamento
longitudinal e restaurar o eixo anatômico.

Quadro 4.2 Causas de Não-consolidação


I. Movimento excessivo (mobilização inadequada)
11. Fenda entre os fragmentos
A. Interposição de tecidos moles
B. Afastamento por tração ou aparelho
C. Posição anômala, cavalgamento ou deslocamento
de fragmentos
D. Perda de substância óssea
111. Perda de suprimento sangüíneo
A. Lesão dos vasos nutrícios
B. Arrancamento excessivo ou lesão do periósteo e
do músculo
C. Fragmentos livres, cominução grave
D. Avascularização causada por colocação de
aparelho
E. Osteonecrose
IV. Infecção
A. Osteomielite
B. Necrose extensa das margens de fratura (fenda)
C. Morte óssea (seqüestro)
D. Osteólise (fenda)
Fig. 4.45 Não-consolidação. Fratura da porção proximal da fíbula não se E. Afrouxamento de implantes (movimento)
consolidou . Observe a fenda entre os fragmentos, a ausência completa de
formação de calo e o arredondamento das bordas do fragmento. Modificado de Rosen H, 1993, com permissão.
70 Avaliação Radiológica do Traumatismo

TIPOS DE NÃO-CONSOLIDAÇÃO

hipertrófica hipertrófica oligotrófica atrófica infectada


(pata de elefante) (casco de cavalo)

Fig. 4.46 Complicações da fratura. Tipos de não-consolidação: reativa (A-C); não reativa (D); infectada (E).

elite inativa , antiga, mostra espessamento irregular da cortical, reação Outras Complicações de Fraturas e Luxações
periosteal bem organizada e esclerose reativa do osso esponjoso (Fig.
Além das possíveis complicações associadas ao processo de consolida-
4.49) , enquanto a forma ativa mostra edema de tecidos moles, destrui-
ção de fraturas, o radiologista pode encontrar complicações que não
ção da cortical e osso esponjoso associado a formação de novo osso estão relacionadas a este processo. Evidências radiológicas na presença
periosteal, e seqüestro (Fig. 4.50). O tratamento da não-consolidação destas complicações nem sempre podem aparecer no exame de acom-
infectada depende do estágio da osteomielite. A descorticação e o en- panhamento imediato, porque elas podem ocorrer semanas, meses ou
xerto ósseo combinados com a colocação de p lacas de compressão são até mesmo anos após o traumatismo e, algumas vezes, em local distante
usados se a não-consolidação for acompanhada por osteomielite inati- do local original da lesão. Conseqüentemente, ao lidar com pacientes
va. O tratamento da osteomielite ativa envolve a aplicação de an tibióti- que apresentam história de fratura ou luxação, os radiologistas devem
cos e de seqüestrectomia, geralmente seguida por enxerto ósseo e esta- focar sua investigação em áreas onde estas complicações associadas
bilização intramed ular. Procedimentos diferentes são individualizados, possam ocorrer e devem estar atentos para suas características e apa-
dependendo do local anatômico e de vários fatores gerais e locais. rências radiológicas.

Fig. 4.47 Não-consolidação reativa. Na não-consolidação hipertrófica, obser- Fig . 4.48 Não-consolidação não reativa. Na não-consolidação atrófica, ob-
vada aqui nas diáfises da tíbia e da fíbula, existe um alargamento das extrem i- servada aqu i na junção dos terços médio e distai da tíbia, há uma fenda entre
dades ósseas, esclerose acentuada e resposta periosteal, porém sem evidências os fragmentos, arredonda mento das bo rdas e ausência quase completa de
de formação de calo endosteal. A fenda entre os fragmentos ósseos persiste. reação óssea. Observe a fratu ra mal consol idada da fíbul a.
Avaliação Radiológica d o Traumatismo 71

Fig. 4.49 Não-consolidação infectada. A não-conso-


lidação de fratura da diáfise distai do fêmur com evi-
dências de osteomielite inativa antiga mostra espessa-
mento irregular da cortical, esclerose reativa da porção
medular do osso e reação periosteal bem organizada.

E/f~-"-:;ib\1--_:::::.......__ _ _ reação periosteal

r----,~--- esclerose reativa

'-+4 _ _ _ _ espessamento
da cortical
lp;~~~--- fratura fibular mal
consolidada
~~H--- esclerose reativa
M;;...-+- - - fenda

Fig. 4.50 Não-consolidação infectada. (A) Radiografia de fratura não consolidada na diáfise distai da tíbia com osteomielite ativa associada mostra espessa-
mento da cortical, esclerose do osso esponjoso, uma fenda entre os fragmentos ósseos e vários seqüestros. (B) A tomografia mostra melhor os múltiplos
seqüestros, sinal fundamental de infecção ativa.
72 Avaliação Radiológica do Traumatismo

Fig. 4.51 Osteoporose por desuso. (A) Incidência


oblíqua do tornozelo mostra fratura completamente
consolidada da porção distai da fíbula . A osteoporo-
se justarticular por desuso é evidente pelo adelgaça-
mento dos córtices associado a diminuição da densi-
dade óssea. (B) Incidência ântero-posterior do joe-
lho mostra fratura não consolidada do platô tibial,
com moderada osteoporose por desuso .

Osteoporose por Desuso. A osteoporose leve ou moderada, que ção são desmineralização, desossificação, atrofia óssea e osteopenia. Este
pode ser geralmente definida como uma diminuição na massa óssea, último termo geralmente é aceito como a melhor descrição da nature-
freqüentemente ocorre após fratura ou luxação como resultado do za desta complicação. Radiologicamente, é identificada por áreas radio-
desuso do membro causado por dor e imobilização em aparelho gessa- transparentes de densidade óssea diminuída, secundárias ao adelgaça-
do. Outros termos freqüentemente usados para descrever esta condi- mento da cortical e à atrofia das trabéculas ósseas. Pode acompanhar
fraturas consolidadas bem como fraturas não-consolidadas (Fig. 4.51).
Síndrome de Distrofia Simpática Reflexa. Também conhecida
como osteoporose dolorosa pós-traumática ou atrofia de Sudeck, a sín-
drome de distrofia simpática reflexa (SDSR), forma grave de osteopo-
rose, pode ocorrer subseqüentemente a uma fratura ou até mesmo a
uma forma mais leve de lesão. Foi relatada em decorrência de anorma-
lidades neurológicas e vasculares não relacionadas com o traumatismo.
Clinicamente, o paciente apresenta um membro com sensibilidade
dolorosa à palpação e hiperestesia, edema difuso de tecidos moles, rigi-
dez articular, instabilidade vasomotora e alterações cutâneas distróficas.
Foram identificados três estágios. O estágio inflamatório inicial (ou
agudo) dura de 1 a 7 semanas e é caracterizado por dor regional difu-
sa, inflamação, edema e hipotermia ou hipertermia. No segundo está-
gio (ou distrófico), que perdura por 3 a 24 meses, os achados clínicos
incluem dor ao esforço, aumento da sensibilidade da pele a alterações
de pressão e temperatura, e atrofias cutânea e muscular. No estágio fi-
nal (ou atrófico), alterações cutâneas irreversíveis semelhantes à escle-
rodermia e retração aponeurótica e tendinosa podem ocorrer. Na ra-
diografia, a SDSR é caracterizada por edema de tecidos moles e osteo-
porose segmentar grave que progride rapidamente (Fig. 4.52). A cinti-
grafia óssea trifásica com tecnécio tipicamente mostra aumento do flu-
xo sangüíneo, aumento do poolsangüíneo e aumento da captação peri-
articular nas áreas afetadas. Estes achados são encontrados em aproxi-
madamente 60 % dos pacientes afetados.
Contratura lsquêmica de Volkmann. Geralmente desenvolvendo-se
após fratura supracondilar do úmero, a contratura de Volkmann é cau-
sada por isquemia dos músculos seguida por fibrose. Clinicamente, é
caracterizada como a síndrome dos "cinco Ps" - pulso ausente, dor (do
inglês, pain), palidez, parestesia e paralisia. Geralmente, o exame radio-
Fig. 4.52 Atrofia de Sudeck. Um homem de 35 anos de idade sofreu fraturas da lógico revela contratura de flexão no punho e nas articulações interfalân-
tíbia e da fíbula, que acabaram consolidando. Subseqüentemente, entretanto, ele gicas dos dedos e hiperextensão (ou raramente , flexão) das articulações
relatou fraqueza, rigidez e dor no pé. O exame radiológico mostrou alterações metacarpofalângicas associada a atrofia dos tecidos moles (Fig. 4.53).
típicas da síndrome de distrofia simpática reflexa no pé: osteoporose segmentar Miosite Ossificante Pós-traumática. Ocasionalmente, após fratu-
rapidamente progressiva associada a edema acentuado dos tecidos moles. ra, luxação ou até mesmo traumatismo de menor importância dos teci-
Avaliação Radiológica do Traumatismo 73

Fig. 4.53 Contratura de Volkmann. Após ter sofrido fratura supracondilar do úmero que se consolidou, um homem de 23 anos apresentou-se com sintomas
típicos de contratura isquêmica de Volkmann. Incidência lateral da porção distai do antebraço, incluindo o punho e a mão, mostra contratura em flexão nas
articulações metacarpofalângicas e interfalângicas, juntamente com atrofia acentuada dos tecidos moles.

focos imaturos de
miosite ossificante

fenda

Fig . 4.54 Miosite ossificante pós-traumática. (A) Um ho-


mem de 20 anos de idade sofreu fratura transversal na jun-
ção dos terços médio e distai do fêmur. A fratura foi tratada
por redução a céu aberto e fixação interna com uma haste
intramedular. Na incidência lateral, obtida 3,5 semanas após
a lesão, um foco imaturo de miosite ossificante com densida-
de mal definida na massa de tecidos moles é evidente, adja-
cente à cortical posterior do fêmur. (B) Maturação de miosi-
te ossificante em uma mulher de 28 anos que sofreu lesão da
coxa 5 semanas antes de ser obtida esta radiografia. Observe
a formação de ossificação periférica (setas) e a presença de
uma fenda radiotransparente (setas abertas) . (C) Esta radio-
grafia de um homem de 27 anos que 1 ano antes sofreu fra-
tura-luxação no cotovelo, que se consolidou, mostra um foco
maduro bem organizado de miosite ossificante. Observe a
cortical bem desenvolvida na periferia da massa óssea e a la-
cuna radiotransparente separando a lesão da cortical do
úmero.
74 Avaliação Radiológica do T raumatismo

Fig . 4.55 Miosite ossificante pós-


traumática. Um menino de 7 anos
sofreu traumatismo 6 semanas an-
tes desta radiografia . Radiografia
ântero-posterior do quadril esquer-
do (A) mostra lesão que exibe as-
pectos do fenômeno zona i caracte-
rístico de miosite ossificante justa-
cortical. Na incidência lateral em rã
(B) note a fenda separando a mas-
sa ossificada da cortical póstero-la-
teral.

Fig. 4.56 Miosite ossificante pós-traumática. Um


homem de 52 anos de idade sofreu lesão da face
lateral da coxa esquerda 6 meses atrás. Estava pre-
ocupado com uma massa rígida que ele palpou. (A)
Radiografia mostra massa ossificada aderente à cor-
ticallateral do fêmur esquerdo (seta). (B) TC mos-
tra o fenômeno zona! clássico de miosite ossifican-
te. Observe o centro radiotransparente circunda-
do pela cortical madura .
Avaliação Radiológica do Traumatismo 75

dos moles, uma massa dolorosa e crescente se desenvolve no local da Osteonecrose (Necrose lsquêmica ou Avascular). A osteonecro-
lesão. O aspecto característico desta lesão inclui o padrão nitidamente se, morte celular do tecido ósseo, ocorre após fratura ou luxação quan-
reconhecível de sua evolução, que se correlaciona bem com o lapso de do o osso é privado de suprimento suficiente de sangue arterial. Entre-
tempo após o traumatismo. Portanto, por volta da terceira ou quarta tanto, é importante reconhecer que esta condição também pode se
semana, calcificações e ossificações na massa começam a se desenvol- desenvolver em decorrência de fatores não relacionados com o trauma-
ver (Fig. 4.54A e B) , e por volta da sexta à oitava semanas, a periferia da tismo mecânico. Independentemente da causa, o mecanismo patogê-
massa mostra osso cortical definido bem organizado (Fig. 4.54C). O nico da osteonecrose inclui obstrução vascular intraluminal, compres-
marco de referência radiológico importante desta complicação é a pre- são vascular ou ruptura de vaso sangüíneo. Entre as causas relatadas de
sença do denominado fenômeno zonal. Na radiografia, este fenômeno osteonecrose (outras além da fratura ou luxação) estão as seguintes:
é caracterizado por uma área radiotransparente no centro da lesão, 1. Embolização de artérias. Isto pode ocorrer em vários distúrbios. É
indicando a formação de osso imaturo, e por uma zona densa de ossifi- encontrada, por exemplo, em certas hemoglobinopatias, como a
cação madura na periferia. Além disso, uma fina fenda radiotranspa- doença falciforme , na qual as artérias são ocluídas por hemácias
rente separa a massa ossificada da cortical adjacente (Fig. 4.55). Estas anormais; nos estados de descompressão de transtornos disbári-
características importantes ajudam a diferenciar este distúrbio do oste- cos, como a doença do caixão, na qual ocorre por bolhas de ni-
ossarcomajustacortical, que pode, às vezes, ser muito semelhante. En- trogênio; ou no etilismo crônico e na pancreatite, quando as par-
tretanto , deve ser enfatizado que, ocasionalmente, o foco de miosite tículas de gordura embolizam as artérias.
ossificante pode se aderir e se fundir com a cortical, simulando osteos- 2. Vasculite. Inflamação dos vasos sangüíneos pode levar a interrup-
sarcoma parosteal nas radiografias. Nestes casos, a TC pode propiciar ção do suprimento de sangue arterial ao osso, como é encontra-
maiores informações, como o fenômeno zonal característico de miosi- do nos transtornos do colágeno, como o lúpus eritematoso sistê-
te ossificante (Fig. 4.56). mico.
A imagem da miosite ossificante à RM depende do estágio de matu- 3. Acúmulo anormal de células. Na doença de Gaucher, que é caracte-
ração da lesão. No estágio inicial, seqüências ponderadas em Tl geral- rizada pelo acúmulo anormal de histiócitos contendo lipídios na
mente mostram uma massa que não tem bordas definidas com sinal de medula óssea, ou após esteroidoterapia, que pode levar a um au-
intensidade intermediária homogênea, discretamente maior que a do mento das células adiposas, o fluxo sangüíneo sinusoidal pode
músculo adjacente. Imagens ponderadas em T2 mostram a lesão com estar comprometido, resultando em privação de suprimento san-
sinal de intensidade elevada. Após injeção intravenosa de gadopenteta- güíneo ao osso.
to dimeglumina, as imagens ponderadas em Tl mostram um halo peri- 4. Pressão intra-óssea elevada. Esta teoria, elaborada por Hungerford
férico bem definido de realce de contraste, porém o centro da lesão não e Lennox, sugere que qualquer processo fisiológico ou patológi-
é realçado. As lesões mais maduras mostram sinal de intensidade inter- co que resulte em aumento da pressão dentro da cabeça femoral
mediária nas seqüências ponderadas em Tl isointensas com o músculo (que é essencialmente uma esfera de osso esponjoso, medula e
adjacente, circundado por um halo de sinal de baixa intensidade, que gordura circundada por um envoltório cortical) pode comprome-
corresponde à maturação do osso periférico. Nas imagens ponderadas ter o fluxo sangüíneo e levar a osteonecrose.
em T2, geralmente a lesão exibe um sinal de intensidade elevada, po- 5. Inibição da angiogênese. A osteonecrose pode ser resultante de com-
rém pode aparecer heterogênea. O halo de baixo sinal é observado na prometimento da angiogênese normal que ocorre consistente-
periferia. Algumas vezes, o foco de miosite ossificante (seja imaturo ou mente no tecido ósseo. Es_!:a nova hipótese recentemente foi in-
maduro) pode conter um componente gorduroso, conferindo à lesão troduzida por Smith et al. E apoiada pelo fato de que vários medi-
um sinal de alta intensidade nas imagens ponderadas em Tl (Fig. 4.57) . camentos e mediadores, incluindo glicocorticóides, interferons e

Fig. 4.57 Miosite ossificante pós-traumática. Um homem de 41 anos de idade apresentou-se com massa palpável sobre a face póstero-lateral da porção
proximal do úmero direito. (A) Radiografia ântero-posterior convencional do ombro direito mostra calcificações e ossificações sobre a porção proximal do
úmero. (B) Corte de TC mostra o fenômeno de zoneamento típico de miosite ossificante. O centro da lesão mostra uma área de baixa atenuação causada por
alterações gordurosas. A fenda separa a massa da cortical. (C) Imagens de RM axial ponderada em Tl (SE; TR 600/TE 20 ms) mostra o centro da lesão que tem
um sinal de alta intensidade, enquanto a periferia exibe sinal de intensidade baixa a intermediária.
76 Avaliação Radiológica do Traumatismo

outras citocinas produzidas endogenamente inibem a angiogêne- Quadro 4.3 Doenças ou Distúrbios Associados ou Causadores
se. Efeito semelhante foi observado em estudos angiográficos da de Osteonecrose
cabeça do fêmur após administração de esteróides.
6. Estresse mecânico. Este fator causador ocasionalmente foi atribu- Traumatismo
ído a ostenecrose não traumática da cabeça do fêmur. O seg- Fratura do colo do fêmur
Luxação da cabeça do fêmur
mento de suporte de peso da cabeça do fêmur é o quadrante Epifisiólise femoral proximal
ântero-superior e, por conseguinte, está sob grande estresse Deslizamento da epífise da cabeça do fêmur
mecânico. A oclusão dos vasos nesta região da cabeça do fêmur Compressão epifisária
poderia ser o resultado da degradação da cartilagem secundá- Fratura do tálus
ria ao esforço (estresse mecânico excessivo). Apoiando esta Fratura do escafóide
hipótese há experiências em ratos conduzidas por Iwasaki e Doença de Kienbõck
colegas e Suehiro et al. Lesão vascular
7. Exposição à radiação. A exposição à radiação pode acarretar dano Queimaduras
Exposição à radiação
à vascularização do osso.
Hemoglobinopatias
8. Idiopática. Freqüentemente, não há nenhuma causa definida que Doença falciforme
possa ser estabelecida, como no caso da osteonecrose espontânea Hb S/C hemoglobinopatia
que afeta predominantemente o côndilo femoral mediai; ou no Hb S/talassemia
caso de certas osteocondroses, como a doença de Legg-Calvé- Policitemia
Perthes envolvendo a cabeça do fêmur, ou a doença de Freiberg, Distúrbios Congênitos e do Desenvolvimento
que afeta a cabeça do segundo metatarsal. Displasia congênita do quadril (DCQ)
Doenças ou distúrbios associados a ou que acarretem osteonecrose Síndrome de Ehlers-Danlos
estão relacionadas no Quadro 4.3. Disostose hereditária
Doença de Legg-Calvé-Perthes
Após traumatismo, a osteonecrose ocorre mais comumente na cabe-
Doença de Fabry
ça do fêmur, no escafóide do carpa e na cabeça do úmero, devido ao Lesões lnfiltrativas Locais
suprimento precário de sangue a estes ossos. Doença de Gaucher
A osteonecrose da cabeça do fêmur é uma complicação freqüente Distúrbios neoplásicos
após fratura intracapsular do colo do fêmur (60 a 75%), luxação na Distúrbios linfoproliferativos
articulação do quadril (25%) e deslizamento da epífise da cabeça do Distúrbios Metabólicos
fêmur ( 15 a 40%). Nos seus estágios muito iniciais, as radiografias po- Hipercortisol ismo
dem parecer completamente normais; contudo, a cintigrafia pode Medicamentos ( corticosteróides)
Doença de Cushing
mostrar uma captação de isótopos inicialmente diminuída e posteri-
Gota e hiperuricemia
ormente aumentada no local da lesão, o que é uma indicação muito Hiperlipidemia
valiosa de anormalidade. O sinal radiográfico mais precoce desta com- Hiperparatireoidismo
plicação é a presença de um crescente radiotransparente, que pode Distúrbios Disbáricos
ser observado com até 4 semanas após a lesão inicial. Este fenômeno, Doença do caixão
como Norman e Bullough destacaram, é secundário ao colapso estru- Distúrbios Infecciosos e Inflamatórios
tural subcondral do segmento necrótico e é visível como uma linha Osteomielite
radiotransparente estreita paralela à superfície articular do osso. Ra- Pancreatite
diograficamente, o sinal é mais facilmente mostrado na incidência la- Arterite de células gigantes
Lúpus eritematoso sistêmico (LES)
teral em rã do quadril (Fig. 4.58) , porém a tomografia oferece a me- Tromboflebite
lhor modalidade para adquirir imagem das características da própria Síndrome de imunodeficiência adquirida
complicação (Fig. 4.59). Devido ao processo necrótico na maioria das Meningococcemia
vezes não afetar a cartilagem articular, a largura do espaço articular Fatores Diversos
(isto é, o espaço articular radiológico: largura da cartilagem articular Etilismo
dos ossos adjacentes mais cavidade articular verdadeira) está preser- Tabagismo
vada. A preservação do espaço articular ajuda a diferenciar este dis- Insuficiência renal crônica
túrbio da osteoartrite. Em seu estágio mais posterior, a osteonecrose Hemodiálise
Coagulação intravascular
pode ser imediatamente identificada na incidência ântero-posterior Transplante de órgãos
do quadril pelo achatamento da superfície articular e pela aparência Gravidez
densa da cabeça do fêmur (Fig. 4.60). A densidade é secundária à Osteonecrose idiopática
compressão das trabéculas ósseas após microfratura do osso não viá-
vel, calcificação da medula detrítica e reparo da área de necrose por
deposição de novo osso, a denominada substituição progressiva. To-
mografia ou TC freqüentemente ajuda a delinear os detalhes deste
distúrbio. Ficat e Arlet propuseram um sistema de classificação de Acredita-se que esta aparência represente o tecido fibrovascular na zona
osteonecrose da cabeça do fêmur consistindo em quatro estágios, com reparadora. Muitos autores levantam a hipótese de que esse achado é pa-
base nos critérios radiológicos, hemodinâmicos e sintomáticos (Qua- tognomônico de osteonecrose. Outros autores reduziram a importância
dro 4.4). deste achado, alegando que pode ser em grande parte artefatual, repre-
Um avanço significativo na identificação de osteonecrose em pacientes sentando o denominado desvio químico.
com cintigrafias e radiografias convencionais normais foi alcançado com a Vários relatos estabeleceram a sensibilidade diagnóstica da RM nos
RM. Atualmente, esta modalidade é considerada a mais sensível e específi- estágios iniciais de osteonecrose, quando alterações radiográficas ain-
ca para o diagnóstico e avaliação de osteonecrose. A sua aparência caracte- da não são aparentes ou não são específicas. A RM mostrou sensibilida-
rística à RM consiste em uma área ovóide circunscrita (Fig. 4.61A) ou em de de 97% na diferenciação entre a cabeça femoral osteonecrótica e a
halo em forma de crescente lunar (Fig. 4.61B) de baixo sinal em uma loca- normal e de 85% na diferenciação entre cabeça femoral osteonecróti-
lização subcondral. Este halo corresponde à interface de reparo entre o ca e outros distúrbios da cabeça do fêmur, com sensibilidade global de
osso isquêmico e o osso normal consistindo principalmente em esclerose 91%. A RM parece ser um melhor exame preditivo de colapso subse-
e fibrose. Nas imagens ponderadas em T2, um segundo halo interno de qüente na cabeça do fêmur do que a cintigrafia óssea. A área estreita
sinal de alta intensidade é observado (o sinal da linha dupla) (Fig. 4.61C). em forma de faixa de intensidade de baixo sinal que atravessa a cabeça
Avaliação Radio lógica d o T raumaúsmo 77

Fig. 4.58 Osteonecrose da cabeça do fêmur. A incidência


lateral em rã do quadril esquerdo mostra o sinal do crescen-
te (seta) em uma mulher de 45 anos de idade que sofreu
luxação do quadril 5 semanas antes.

Fig. 4.59 Osteonecrose da cabeça do fêmur. (A)


Um homem de 41 anos de idade apresentou-se com
história de luxação traumática na articulação do
quadril esquerdo. Na incidência frontal, densidade
aumentada da cabeça do fêmur sugere osteonecro-
se, porém o diagnóstico definitivo não pode ser fir-
mado. (B) A incidência lateral em rã mostra uma fina
linha radiotransparente paralela à superfície articu-
lar da cabeça do fêmur (seta). Esta linha representa
o sinal do crescente, um marco de referência radio-
lógico de osteonecrose. (C) A tomografia confirma
as características típicas de osteonecrose: sinal do
crescente, cabeça femoral densa e preservação do
espaço articular radiológico indicando cartilagem
articular intacta.

~
f
\
78 Avaliação Radiológica do Traumatismo

TR/ TE curtos ponderadas em Tl e de sinal de intensidade interme-


diária nas imagens TR/ TE longos ponderadas em T2. Posteriormen-
te, quando ocorre inflamação ou ingurgitamento vascular suficien-
te, ou se houver hemorragia subaguda (classe B ou seme lhante ao
sangue), um sinal de alta intensidade é notado nas imagens com TR/
TE curtos e longos . O sinal é similar ao de uma hemorragia subagu-
da. Se houver inflamação, hiperemia e fibrose suficientes para subs-
tituir o conteúdo de gordura da cabeça do fêmur (classe C ou simi-
lar a líquido) , é observado um sinal de baixa intensidade com T R/
TE curtos e sinal de intensidade elevada com T R/ TE longo. Final-
mente, em estágios avançados, onde a fibrose e a esclerose predo-
minam (classe Dou similar à fibrose) , o sinal de baixa inte n sidade
está presente tanto em imagens com T R/ TE curtos quanto longos
(Quadro 4.5 e Figs. 4.62 a 4.65). Os achados da RM correlacionam-
se bem com as alterações histológicas. A região central de sinal de
alta intensidade corresponde a necrose do osso e da medu la. O bai-
xo sinal da faixa periférica corresponde à margem esclerótica do
tecido reativo na interface entre o osso necrótico e o viáve l. Como
Seiler e colaboradores destacaram, a avaliação por RM da osteone-
crose da cabeça do fêmur tem diversas vantagens: não é invasiva, não
exige radiação ionizante, oferece imagens multiplanares, reflete al-
terações fisio lógicas na medula óssea, oferece excelente resolução
dos tecidos moles circunvizinhos e torna possível avaliar a cabeça do
fêmur contralateral simultaneamente.
Fig. 4 .60 Osteonecrose da cabeça do fêmur. Uma mul her de 56 anos sofreu A osteonecrose do escafóide do carpo é uma complicação comumen-
fratura intracapsular do colo do fêmur esquerdo, que consolidou após trata- te encontrada em 10 a 15 % dos casos de fratura do escafóide carpal,
mento ci rúrgico por redução a céu aberto e fixação interna. A incidência ântero-
posterior mostra um pino de Smith-Peterson inserido no colo e na cabeça do aumentando em incidência de 30% a 40 % se houver não-consolidação.
fê mur. A linha de fratura está obliterada. A imagem densa (esclerótica) da Geralmente, a necrose envolve o fragmento proximal de osso, embora
cabeça do fêmur indica o desenvolvi mento de osteonecrose. raramente o fragmento distai também possa ser afetado. Evidências desta
complicação notam-se com mais freqüência em aproximadamente 4 a
6 meses após a lesão, quando o exame radiológico mostra densidade
óssea aumentada. Embora seja mais freqüen temente diagnosticada em
do fêmur nos cortes coronais médios presentes na RM foi um identifi- radiografias convencionais, estudo tomográfico (Fig. 4.66), TC (Fig.
cador significativo de colapsos subseqüentes. 4.67) ou RM está indicad o quando os achados radiológicos são ques-
A RM é indispensável no estadiamento acurado da osteonecrose, tionáveis.
porque reflete o tamanho da lesão e aproximadamente o estágio da Apenas excepcionalmente, o osso escafóide do carpa pode se tornar
doença. Mitchell e colegas descreveram sistemas de classificação de osteonecrótico na ausência de fratu ra. Esta anormalidade é conhecida
osteonecrose baseados em alterações na região central da intensida- como doença de Preiser.
de de sinal da RM no foco osteonecrótico (Quadro 4.5). Em estági- A osteonecrose também pode se desenvolver na cabeça do úmero
os iniciais (classe A ou similar à gordura), há preservação de um si- após fratura do colo do úmero (Fig. 4.68), porém esta complicação não
nal de gordura normal , exceto nas margens reativas escleróticas qu e é encontrada com freqüência .
circundam o sinal de gordura normal, exceto na margem reativa lesão de Vasos Sangüíneos Importantes. Complicação relativa-
esclerótica que circunda a lesão, que se manifesta como uma região mente rara de fratura ou luxação, a lesão de vasos sangüíneos impor-
central de alta intensidade de sinal nas imagens spin-eco (SE) com tantes ocorre quando fragmentos ósseos laceram ou transeccionam

Quadro 4.4 Osteonecrose da Cabeça do Fêmur: Correlação entre os Sintomas Clínicos e os Achados Radiológicos com Alterações
Histopatológicas Baseadas na Classificação de Ficat e Arlet
Sintomas Achados Alterações
Estágio Clínicos Radiográflcos Cintigrafla Patológicas Biópsia
Nenh um Normal Normal Infarto dos segmentos Medula óssea necrótica,
de suporte de peso osteoblastos
2 Dor leve Aumento da Aumento da Reparo espontâneo Deposição de osso novo
densidade da captação
cabeça do fêmur,
espaço articular normal
3 Dor leve a Perda da Aumento da Fratura subcondral Trabécu las ósseas mortas e célu las
moderada esfericidade e colapso captação com colapso, impacção da medula óssea mortas dos dois lados
da cabeça do fêmur, e fragmentação do da linha de fratura
sinal do crescente segmento necrótico
4 Dor Estreitamento do Aumento da Osteoartrite Alterações degenerativas na cartilagem
moderada, espaço articular, captação articular
são alterações acetabulares
ncessários
dispositivos
auxiliares
Modificado de Chang CC, Greenspan A, Gershwin ME, 1993, com permissão.
Avaliação Radiológica do Traumatismo 79

Fig. 4.61 Osteonecrose da cabeça do fê-


mur mostrada por RM. (A) Imagem coro-
na! ponderada em Tl (SE; TR 650/TE 25 ms)
mostra área subcondral ovóide de diminui-
ção de sinal. (B) Imagem coronal pondera-
da em Tl (SE; TR 500/ TE 25 ms) mostra um
halo em forma crescente de sinal diminuí-
do no segmento de suport e de carga da
cabeça do fêmur. (C) Imagem coronal pon-
derada em T1 (SE; TR 650/TE 25 ms) mos-
tra segmento osteonecrótico separado do
osso normal por borda serpiginosa de ba i-
xa intensidade (setas). (D) Imagem coronal
ponderada em T2 gradiente-eco (multipla-
nar gradient-recalled, TR 500/ TE 15 ms,
ângulo de inclinação: 15°) mostra o sinal da
" linha dupla" característico de osteonecro-
se. Observe também o sinal de alta intensi-
dade do líquido articular.

completamente uma artéria (ver Figs. 2.3, 4.13) ou veia, resultando em Distúrbio do Crescimento. Complicação comum das fratu ras de Sal-
sangramento, formação de hematoma, fístula arteriovenosa ou pseudo- ter-B arris dos úpos IV e V envolven do a fise, o distúrbio do crescimento
aneu risma (Fig. 4.69) . Para mostrar essa anormalidade, a an giografia pode resultar de lesão da placa de crescimento pela formação de um a
foi o p rocedimento escolhid o (ver Fig. 2.3). Esta técnica é valiosa na ponte óssea en tre a epífise e a metáfise. Como resultado deste ap risiona-
visualização do local de laceração , d eterminando a extensão exata do mento da placa de crescimen to, ocorre a interrupção localizada do cres-
dano vascular e avaliando o estado da circulação colateral. Pode tam- cimento ósseo. Se a fise em um único osso longo parar de crescer, resul-
bém ser combinada com algum procedimento intervencionista, como tará em discrep ân cia n o comprimento dos membros (Fig. 4.70A). Se
embolização para controlar a h emorragia. apenas uma placa de crescimento das arúculações de ossos paralelos (o

Quadro 4 .5 Correlação entre os Achados na Ressonância Magnética e as Alterações Histológicas


Classe Achados da RM Aparência Hlstologla
A Sinal de gordura normal, exceto na margem Similar à gordura Conversão prematura em medula óssea gordurosa no colo do
esclerótica que circunda a lesão fêmur ou na região intertrocanteriana
B Sinal de alta intensidade da borda interna Similar ao sangue Reabsorção e substituição do osso por tecido de granulação
e baixa intensidade do halo circunvizinho vascular
c Sinal difusamente diminuído em Tl e Similar a líquido Edema de medula óssea
sinal alto nas imagens ponderadas em T2
D Sinal diminuído nas imagens ponderadas Fibrosa Esclerose por reforço de trabéculas existentes na margem do
em Tl e T2 osso vivo (isto é, interface com o tecido de reparo)

Modificado de Chang CC, Greenspa n A, Gershwin ME, 1993, co m permissão .


80 Avaliação Radiológica do Traumatismo

Fig. 4.62 Estadiamento de osteonecrose por RM (classe A) . (A) Imagem


coronal ponderada em T1 (SE; TR 600/ TE 20 ms) mostra a preservação de
um sinal brilhante normal de gordura dentro da lesão, circundado por uma
margem reativa de baixa intensidade na cabeça dos dois fêmures. (B) Ima-
gem axial ponderada em T2 (FSE; TR 3500/TE 17 ms/Ef) mostra sinal inter-
mediário dentro de um segmento osteonecrótico, análogo à gordura.

Fig . 4.63 Estadiamento de osteonecrose por RM (classe B). Imagens


coronal (A) e axial (B) ponderadas em T1 (SE; TR 600/TE 20 ms) mos-
tram intensidade de sinal elevada do segmento osteonecrótico circunda-
do por margem esclerótica . (C) Imagem coronal ponderada em T2* gra-
diente-eco (multiplanar gradient-recalled, TR 500/TE 15 ms, ângulo de
inclinação: 15°) mostra um sinal de intensidade elevada na porção cen-
tral das cabeças femorais.
Avaliação Rad iológica do T raumatismo 81

Fig . 4.64 Estadiamento de osteonecrose por RM (classe C). (A) Imagem axial ponderada em Tl (SE; TR 600/TE 20 ms) mostra áreas de sinal de baixa
intensidade na cabeça dos dois fêmures . (B) Imagem coronal ponderada em T2 (SE; TR 2000/TE 80 ms) mostra uma área de sinal de alta intensidade (mais
pronunciada na cabeça femoral esquerda) circundada por margem com sinal de baixa intensidade.

Fig. 4.65 Estadiamento de osteonecrose por RM (classe D). (A) Imagem


axial ponderada em Tl (SE; TR 600/TE 20 ms) e (B) imagem coronal ponde-
rada em T2 (FSE; TR 3000/TE 1 36 ms/ Ef) mostram lesão esclerótica de osteo-
necrose em estágio final da cabeça do fêmur esquerdo que exibe sinal de baixa
intensidade em ambas as seqüê ncias.

Fig. 4.66 Osteonecrose do escafóide. (A) Radiografia do punho mostra fratura do escafóide do carpo; entretanto, não está claro se a fratura é complicada
por osteonecrose. (B) Tomografia triespiral mostra claramente a não-consolidação e a osteonecrose do fragmento distai, juntamente com degeneração císti-
ca. Observe também o cisto pós-traumático no osso trapezóide. O ponto denso na extremidade articular da ulna representa uma ilhota óssea. (C) Em outro
paciente, a tomografia triespiral mostra fratura não consolidada do escafóide e osteonecrose do fragmento proximal.
82 Avaliação Radiológica do T rau matismo

Fig . 4.67 TC de osteonecrose do


escafóide. Uma mulher de 52 anos
de idade sofreu fratura do escafóide,
tratada conservadoramente com
aparelho gessado . (A) Radiografia
convencional mostra alterações es-
cleróticas no escafóide, que podem
ser devidas ao processo de consoli-
dação ou a osteonecrose. (B) TC
reconstruída coronal mostra fratura
do escafóide parcialmente consolida-
da complicada por osteonecrose.

Fig . 4.68 Osteonecrose da cabeça do úmero.


Seis meses após sofrer fratura do colo do úme-
ro esquerdo que se consolidou, um homem de
62 anos de idade apresentou osteonecrose da
!f-c*;.,--"~:----- sinal do crescente cabeça do úmero, evidente na radiografia pelo
aumento da densidade óssea e pelo colapso do
· '-'""+*---'+'~--- densidade óssea segmento subcondral. ·
aumentada

fratura consolidada

Fig. 4.69 Pseudo-aneurisma da artéria poplítea.


Uma mulher de 30 anos de idade com doença de
Gaucher e artroplastia total de quadril como re-
sultado de osteonecrose da cabeça do fêmur so-
freu fratura transversal da diáfise femoral esquer-
da através do cimento acrnico logo distai ao tron-
co da prótese . Arteriografia femoral revelou
pseudo-aneurisma da artéria poplítea em decor-
rência da lesão do vaso pelo fragmento ósseo fra-
turado e cimento acrnico. (Reproduzido de Baker
ND, 1981, com permissão.)
Avaliação Radiológica do Traumatismo 83

sinostose

"""~~------ deformidade da epífise


distai

Fig . 4.70 Distúrbios do crescimento. (A) Um menino de 3 anos de idade sofreu fratura da porção distai do fêmur esquerdo que se estendeu através da placa
de crescimento. Como resultado, o osso nesta extremidade prematuramente interrompeu seu crescimento. Radiografia ântero-posterior dos joelhos mostra
discrepância no comprimento dos fêmures associada a deformidade da epífise distai do fêmur esquerdo secu,ndária ao aprisionamento da placa de crescimen-
to. (B) Uma menina de 5 anos de idade sofreu fratura de Salter-Harris do tipo V da porção distai da tíbia. A incidência lateral, uma deformidade articular é
evidente como resultado da fusão da fise da tíbia e do crescimento exagerado da porção distai da fíbula. Observe também a sinostose pós-traumática desses
dois ossos.

rádio e a ulna ou a tíbia e a fíbula) é lesada e pára de crescer, o osso não ência nas superfícies articulares resulta em estresses anormais que le-
lesado continua a crescer na velocidade normal, levando ao crescimento vam a alterações degenerativas precoces reconhecidas na radiografia por
exagerado e à conseqüente deformidade articular (Fig. 4.70B). estreitamento do espaço articular, esclerose subcondral e formação de
Artrite Pós-traumática. Se a linha de fratura estender-se para a ar- osteófitos marginais (Fig. 4.71). Também pode ser observada uma com-
ticulação, a superfície articular pode se tornar irregular. Tal incongru- plicação similar após luxação (Fig. 4.72).

Fig. 4.71 Osteoartrite pós-traumática. Incidências dorsopalmar (A) e lateral (B) do punho de um homem de 57 anos de idade que sofreu fratura intra-
articular da porção distai do rádio mostra deformidade residual desse osso e estreitamento da articulação radiocarpal. Tomografia triespiral (C) mostra, além
disso, os múltiplos cistos degenerativos subcondrais freqüentemente observados na artrite pós-traumática.
84 Avaliação Radiológica do Traumatismo

tão o diagnóstico é direto. Entretanto, como a fisiopatologia básica é um


processo contínuo e não um evento único, os achados das imagens são
extremamente variáveis e dependem de fatores como o tipo de atividade
incitante, o osso envolvido e o momento do procedimento de imagem.
As radiografias convencionais são importantes na investigação diag-
nóstica de suspeita de fratura por estresse e devem ser o primeiro estu-
do por imagem obtido. Infelizmente, as radiografias iniciais freqüente-
mente são normais, o que não causa surpresa, em vista do grau de re-
modelagem microscópica que ocorre nos estágios iniciais da lesão por
estresse. A sensibilidade das radiografias iniciais pode ser baixa, de até
15 %, e as radiografias de acompanhamento mostrarão achados iniciais
e m apenas 50% dos casos. O tempo que decorre entre a manifestação
dos sintomas iniciais e a detecção dos achados radiológicos varia de uma
semana a alguns meses, e a cessação da atividade física pode impedir o
desenvolvimento de qualquer achado radiológico.
As alterações iniciais no osso cortical incluem uma má definição su-
til da cortical ("sinal da cortical cinza") (Fig. 4.74) ou estriações radio-
transparentes intracorticais fracas, que presumivelmente estão relacio-
nadas à formação de túnel osteoclástico observada no início do proces-
so de remodelagem. Essas alterações podem ser facilmente negligenci-
adas até a formação de novo osso periosteal e/ ou até que o espessamento
endosteal se desenvolva em uma tentativa aparente de reforçar a corti-
cal temporariamente enfraquecida. À medida que o dano aumenta, uma
Fig. 4.72 Osteoartrite pós-traumática. Radiografia ântero-posterior do om- linha de fratura verdadeira pode aparecer (Fig. 4.75). Tipicamente, estas
bro direito de um homem de 72 anos que se apresentou com história de vá- lesões envolvem a diáfise de um osso longo e são comuns na cortical
rias luxações prévias nessa articulação mostra osteoartrite avançada secundá-
ria ao traumatismo repetido das superfícies articulares da cabeça do úmero e
anterior ou posterior da tíbia e na cortical mediai do fêmur.
da glenóide. É extremamente difícil detectar lesões por estresse no osso esponjo-
so. O barramento discreto das margens trabeculares e áreas radiopacas
escleróticas fracas pode ser encontrado secundariamente ao calo peri-
trabecular, porém uma mudança de 50% na opacidade óssea é neces-
Fraturas por Estresse sária para que estas alterações sejam radiologicamente detectáveis (Fig.
4.76). Com a progressão do processo patológico, uma faixa esclerótica
O osso é um tecido dinâmico que exige estresse para o seu desenvolvi- prontamente aparente é observada (Fig. 4.77).
mento normal. Estresse é a força ou a carga absoluta aplicada a um osso, A cintigrafia óssea tornou-se o padrão-ouro para avaliação de fraturas
que pode ser proveniente de ações de suporte de peso ou musculares. A por estresse devido em grande parte a sua capacidade de mostrar altera-
força pode ser de natureza axial, curva ou por torção, e a modificação ções sutis no metabolismo ósseo muito tempo antes que as radiografias
resultante no formato do osso é denominada como deformação. As forças simples. Os radiofármacos mais amplamente usados para imagem de uma
de tensão são produzidas ao longo do lado convexo de um osso, ao passo lesão por estresse são os análogos do fosfato-99 mTc; estes são captados em
que as forças de compressão ocorrem ao longo de sua margem côncava. locais de renovação óssea, provavelmente por meios de quimioadsorção
De acordo com a lei de Wolff, forças intermitentes aplicadas ao osso esti- à superfície do osso. O grau de captação depende principalmente da taxa
mulam a remodelagem de sua arquitetura para resistir de forma ideal ao de renovação óssea e do fluxo sangüíneo local, e a captação anormal pode
novo ambiente mecânico. Os estresses relacionados às atividades da vida ser encontrada 6 a 72 horas após a lesão. A sensibilidade da cintigrafia
diária estimulam o processo de remodelagem que, no osso cortical, ocor- aproxima-se de 100%, porque apenas alguns estudos falso-negativos fo-
rem ao nível do ósteon, a unidade básica da estrutura óssea. Não se co- ram relatados. Os achados cintigráficos clássicos de uma fratura pores-
nhece o mecanismo exato que ativa este processo, porém algumas evi- tresse incluem uma área fusiforme , focalmente intensa de captação cor-
dências sugerem que pode estar relacionado ao desenvolvimento de tical, ou uma faixa transversal de atividade aumentada (Fig. 4. 78). Toda-
microfraturas (Fig. 4.73A). A reabsorção osteoclástica levando à forma- via, o espectro de achados associados ao estresse ósseo é amplo, o que
ção de pequenas áreas de reabsorção no local das microfraturas é a res- mais uma vez reflete o contínuo fisiopatológico subjacente. Apesar de sua
posta inicial ao aumento do estresse; a perda óssea de pico ocorre após elevada sensibilidade, a especificidade da cintigrafia é um pouco menor
aproximadamente 3 semanas. Estas cavidades de reabsorção são em se- do que a da radiografia porque outros distúrbios, como tumores, infec-
guida preenchidas com osso lamelar, porém, se a osteogênese for lenta, ção, infarto ósseo ou periostite, podem produzir um estudo positivo.
então o desequilíbrio conseqüente entre a reabsorção e a formação ósse- Nessas circunstâncias, a potencialização da cintigrafia por TC ou RM pode
as resulta em enfraquecimento do osso. A proliferação periosteal, a pro- ser útil para mais investigação diagnóstica. ,
liferação endosteal ou ambas podem produzir novo osso nos locais de A TC é limitada no diagnóstico de lesões por estresse. E menos sen-
estresse em uma tentativa aparente de reforçar a cortical temporariamente sível que a cintigrafia e a radiografia no diagnóstico de fraturas por es-
enfraquecida. Os estresses no osso esponjoso podem resultar em micro- tresse, mas pode ser muito útil para definir melhor uma anormalidade
fraturas trabeculares parciais ou completas (Fig. 4.73B). O microcalo é descoberta por qualquer outra modalidade (Fig. 4.79). É muito adequa-
produzido ao longo de fraturas completas, e estas trabéculas espessadas da para delinear uma linha de fratura em uma localização que não foi
provavelmente são responsáveis pela esclerose observada nas radiografias muito bem mostrada na radiografia convencional. As fraturas por es-
quando as lesões por estresse ocorrem no osso esponjoso. Embora a mi- tresse longitudinais da tíbia ocorrem menos freqüentemente que as
crolesão seja um fenômeno fisiológico , torna-se patológico quando sua variações transversais ou oblíquas mais típicas, porém podem ser res-
produção excede sobremaneira o reparo. Se a atividade incitante não for ponsáveis por até 10 % das fraturas tibiais por estresse. Estas são especi-
interrompida, os mecanismos de reparo são sobrecarregados, o quere- almente difíceis de detectar por radiografia em virtude de sua orienta-
sulta no acúmulo de microlesões e em subseqüente fratura por fadiga do ção vertical, e a TC neste particular é bem adequada ao diagnóstico.
osso trabecular ou do osso cortical (ver Figs. 4.27 e 4.32B) . A RM é extremamente sensível na detecção de alterações fisiopatoló-
As imagens diagnósticas adquiriram importãncia na avaliação das le- gicas associadas a lesões por estresse, e é até mais específica do que o es-
sões por estresse do osso porque a avaliação clínica isoladamente não é tudo com radionuclídios. Os achados típicos nas reações iniciais ao es-
definitiva. Se os achados radiológicos clássicos estiverem presentes, en- tresse incluem áreas de sinal de baixa intensidade na medula nas ima-
Avaliação Radi ológica d o Traumatismo 85

MECANISMO PATOGÊNICO DA FRATURA POR ESTRESSE

A. Cortical

8. Osso esponjoso

Fig. 4.73 Mecanismo patogênico da fratura por estresse. (A) Remodelagem intracortical. (B) Microfraturas trabeculares.

Fig. 4.74 Fratura por estresse. As alterações radi-


ológicas mais iniciais da fratura por estresse inclu-
em o sinal da "cortical cinzenta" consistindo em
uma borda cortical sutil mal definida (seta). Com-
pare com a definição normal da cortical contrala-
teral.
Fig. 4.75 Fratura por estresse. Com a progressão do
processo patológico, uma fratura cortical torna-se
visível (A). Este achado pode ser realçado com uma
tomografia triespiral (B).

Fig. 4.76 Fratura por estresse. As alterações radiológicas mais precoces da Fig . 4.77 Fratura por estresse. Fratura por estresse típica no calcâneo: uma
fratura por estresse no osso esponjoso incluem barramento discreto das mar- faixa vertical de esclerose na face posterior do osso é característica desta
gens trabeculares associado a áreas escleróticas fracas (seta). lesão.

~ig. 4.78 Cintigrafia de fratura por estresse. (A)


Area fusiforme de captação aumentada na cortical
mediai do fêmur esquerdo. (B) Faixa transversal de
captação aumentada na diáfise proximal da tíbia
esquerda.

R 8
Avaliação Radiológica do Traumaúsmo 87

Fig. 4.79 TC da fratura por estresse. Fratura por estresse na tíbia (seta) mostra-
da por tomografia computadorizada. A seta cutva aponta o forame de nutrição.

gens ponderadas em Tl e aumentam a intensidade do sinal com a pon-


deração em T2. As técnicas com saturação de gordura, como imagens do
tipo inversão-recuperação (IR) ou em spin-eco rápido (FSE) pondera-
das em T2 com saturação de gordura freqüência-seletiva são especialmen-
te úteis para detecção dessas lesões. O conteúdo aumentado de água do
edema medular ou da hemorragia medular associada resulta em sinal de
intensidade elevada contra o fundo escuro da gordura suprimida, de
forma que as seqüências devem maximizar a sensibilidade. Nas imagens
ponderadas em T2 de lesões mais avançadas, faixas de baixa intensidade,
conúguas à cortical, foram encontradas no edema da medula óssea; es-
tas provavelmente representam linhas de fratura (Fig. 4.80). A capacida-
de multiplanar da RM propicia ainda a demonstração ideal da linha de
fratura. Em alguns casos, também foi observado sinal de intensidade ele-
vada em localizações justacortical e subperiosteal. A RM foi considerada Fig. 4.81 lesão dos tecidos moles. (A) Complicação comum do traumatis-
uma modalidade para solucionar problemas, como em um paciente com mo de estruturas musculares, a miosite ossificante é caracterizada pela forma-
cintigrafia negativa ou confusa. Este exame pode assegurar o diagnósti- ção de osso no músculo lesado. Esta condição é aparente na radiografia con-
co se for identificada a linha de fratura. vencional. (continua)

Lesão dos Tecidos Moles convencionais. Como resultado, apenas raramente, como no caso de
condições traumáticas como miosite ossificante (ver abordagem ante-
Em circunstâncias fisiológicas normais, tecidos moles como músculos, rior) ou de certas rupturas ligamentares e tendinosas, a radiografia
tendões, ligamentos, meniscos articulares e discos intervertebrais são convencional é de fato suficiente para mostrar traumatismo dos tecidos
apenas fracamente delineados ou invisíveis em todas as radiografias moles (Fig. 4.81). A avaliação adequada da lesão dessas estruturas e o

Fig. 4.80 RM da fratura por estresse. (A) Imagem


sagital ponderada em Tl mostra um sinal difusamen-
te diminuído no cuneiforme lateral (setas) e uma
faixa de vácuo de sinal no centro do osso (seta cur-
va). (B) RM sagital fast spin-echo com inversão-re-
cuperação mostra sinal aumentado no osso cunei-
forme (seta) representando alterações devido a ede-
ma e hemorragia. A fratura por estresse permanece
com baixa intensidade de sinal (seta cutva).
88 Avaliação Radiológica d o Traumatismo

Fig . 4.81 Lesão dos tecidos moles. Continu-


ação. (B) Calcificação do ligamento colate-
ral mediai do joelho, conhecida como lesão
de Pellegrini-Stieda, representa seqüela de
ruptura traumática deste ligamento. (C) Em
calcificação certas situações, a ruptura de um tendão pode
do ligamento ser diagnosticada na rad!ografia . A radiogra-
colateral mediai fia lateral do tornozelo mostra a imagem tí-
pica de ruptura do tendão do calcâneo.

t
calcificação

::
.· . · ;:;::::~--___ calcâneo
no tendãoroto
do

tumefação e
edema

ruptura completa do
tendão do calcâneo

Fig. 4.82 Ruptura do tendão de Aquiles. RM sagital do tornozelo (SE; TR 2000/TE 20 ms) mostra descontinuidade do tendão do calcâneo próximo a sua
inserção neste osso. Foi observada uma massa inflamatória no local da ruptura . (Reproduzido de Beltran ], 1990, com permissão .)
Avaliação Radiológica do Traumatismo 89

Fig. 4.83 RM de lesão dos tecidos moles. Um menino de 14 anos de idade apresentou-se com luxação posterior da cabeça do fêmur direito. Após a luxação
ter sido reduzida, RM foi realizada para avaliar a lesão dos tecidos moles. (A) A seqüência coronal ponderada em T2* (multiplanar gradient-recalled TR 500/
TE 15 ms, ângulo de inclinação: 15°) mostra aumento significativo do sinal circundando os músculos vasto lateral e vasto intermédio (setas retas). Observe
também a lesão envolvendo o compartimento fascial mediai e os músculos da região glútea (seta curva). (B) Um corte coronal mais posterior mostra sinal
aumentado nos músculos glúteo mínimo e glúteo médio (setas brancas retas) e no tensor da fáscia lata (seta curva). Também há lesão dos músculos obturador
interno, obturador externo e dos músculos adutores curto e magno (setas abertas). (Reproduzido de Laorr A et ai., 1995, com permissão.)

progresso do tratamento, conseqüentemente, exigem exames suplemen- relação à localização da ruptura (se está dentro do tendão, na inserção
tares, que podem incluir radiografia sob estresse, artrografia, tenogra- do tendão ou na interface musculotendinosa), ao tamanho da fenda
fia, bursografia, mielografia, TC e RM. entre as extremidades do tendão, ao tamanho do hematoma no local
A RM é considerada a melhor modalidade de imagem para avaliar de ruptura, e sobre qualquer componente inflamatório (Fig. 4.82).
lesões traumáticas de tecidos moles. As diferenças na intensidade de sinal A RM é valiosa na identificação de várias lesões dos músculos, que
permitem que as anormalidades de várias estruturas (músculos, tendões, podem ocorrer durante a luxação traumática do quadril (Figs. 4.83 e
ligamentos, fáscias, vasos e nervos) sejam efetivamente mostradas. Te- 4.84). O músculo esquelético normal exibe um tempo de relaxamento
nossinovite pós-traumática, derrame articular e hematomas de tecidos Tl intermediário ou discretamente prolongado e um tempo de relaxa-
moles são todos bem visualizados na RM. Rupturas de vários ligamen- mento T2 curto em relação a outros tecidos moles. Quando os múscu-
tos e tendões podem ser diagnosticadas com precisão; por exemplo, los são lesados , a RM pode delinear efetivamente os graus variáveis de
quando se avaliam lesões tendinosas, a RM oferece informações em tensão, contusão, ruptura ou hematoma, e permite a quantificação
dessas lesões. A tensão muscular aguda origina o aumento da intensi-
dade de sinal em T2, refletindo edema tecidual. Quando ocorre uma
ruptura muscular aguda, a forma e a arquitetura do músculo aparecem
alteradas, e o sinal no músculo mostra aumento anormal devido a he-
morragia e edema intramusculares.

ASPECTOS PRÁTICOS A SEREM LEMBRADOS


[1] Ao lidar com suspeita de fratura e luxação, obter radiografias em
pelo menos duas projeções que formem 90o entre si.
[2] Para eliminar o risco de não diagnosticar uma lesão associada,
incluir as articulações adjacentes na radiografia.
[3] Quando houver suspeita de fratura, pesquisar anormalidades as-
sociadas, como:
• edema dos tecidos moles
• obliteração ou deslocamento de linhas de gordura
• reação periosteal e endosteal
• derrame articular
• nível gordura-líquido intracapsular
• linha cortical dupla
• deformidade da cortical
• ãngulos metafisários irregulares.
[4] Quando relatar fratura, descrever:
Fig. 4.84 RM de lesão dos tecidos moles. Em outro paciente, um homem de • local e extensão
20 anos de idade que sofreu luxação posterior no quadril esquerdo, RM coro-
na! ponderada em T2* (multiplanar gradient-recalled; TR 550/TE 15 ms, ân- • tipo
gulo de inclinação: 15°) mostra ruptura e aumento de sinal na região dos • direção da linha de fratura
músculos gêmeo superior e gêmeo inferior (setas) . Há também lesão dos • alinhamento dos fragmentos
músculos glúteos (setas abertas). (Reproduzido de Laorr A et ai., 1995, com • presença de impacção, depressão ou compressão
permissão.) • presença de anormalidades associadas
90 Avaliação Radiológica do Traumatismo

• se a fratura é um tipo especial LEITURAS SUGERIDAS


• se a placa de crescimento está envolvida (em cujo caso a classifica-
ção de Salter-Harris, juntamente com as adições de Rang e Og- Adelberg JS, Smith GH. Corticosteroid-induced avascular necrosis of the talus. f Foot
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den, fornece um método útil para a avaliação precisa da lesão) . Al iarei .JC, Portcr G, Rycrson RW. Occult posttr.tumatic avascular nccrosis of hip rc-
[5] Quando uma fratura não se consolida, distinguir entre os três ti- vcaleel hy MRI. Magn Hwm lmaging IYY2; 10:155-1 5Y.
pos de não-consolidação: Andcrson MW, Greenspan A. State of the art: stress fractures. flrulioÚJf!J' I YYfi; I YY: 1-
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• infectada. Arndt vVF Ill , Truax AL, Barneu FM, Simmons GE, Brown DC. MR diagnosis of honc
[6] Em pacientes que apresentam história de traumatismo ósseo, es- contllsions of Lhe kncc: comparison of c01·onal T2-wcightcd las Lspin-ccho with la L
teja atento para complicações possíveis, como: saturation anel fast spin-echo STTR images with conventional STTR images. AJR Am
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• no estágio inicial, as imagens ponderadas em Tl mostrarão uma 1974;56A:61 1-616.
massa de sinal de intensidade intermediária, enquanto em Caftey]. Pr.rliatric x-ray diagnosis, vol. 2, 2nd ed. Chicago: Year Book Medicai Puhlishers;
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• no estágio maduro, as imagens ponderadas em Tl e T2 mos- Chan vVP , Liu Y.J, Huang G-S, Jiang C-C, Huang S, Chang Y-C. MRI of joint fluid in
trarão uma margem periférica com sinal de baixa intensidade femoral head osreonecrosis. Skeletal Radiol2002;31 :624-630.
correspondente a maturação óssea Chang CC, Greenspan A, Gershwin ME. Osteonecrosis: curre nt perspectives on patho-
• o componente adiposo da lesão aparecerá como um sinal de alta genesis and treatment. Semin Arthntis Rheum 1993;23:47-69.
intensidade nas imagens ponderadas em Tl e como um sinal de Coleman BC, Kressel HY, Dalinka MK, Schiebler ML, Burk DL, Cohen EK. Radio-
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intensidade intermediária nas imagens ponderadas em T2. 1988; 168:525-528.
[8] A osteonecrose pode ser mais bem definida por RM. Quatro clas- Colwell CW, Robinson C. Osteonecrosis of the femoral head in patienrs with inflam-
ses de osteonecrose (similar à gordura, similar ao sangue, similar matory arthritis on asthma receiving corticosteroid therapy. Orthopedics
a líquido, e fibrose) correlacionam-se bem com alterações histo- 1996;1 9:941-946.
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espectro ao longo do qual um osso responde ao ambiente mecâ- 1992; 159:245-252.
nico em modificação, que varia de remodelagem excessiva a uma Davidson JK. Dysbaric disorders . Aseptic bone necrosis in tunnel workers and divers .
fratura evidente. Ao se adquirir imagens destas lesões deve-se aten- Clin Rheu.m.ato/1989;3: 1-23.
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tar para o seguinte: Radial 1985;36:27- 35.
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definição sutil da cortical ("sinal da cortical cinza") DeSmet AA, Fisher DR, Heiner JP, Keene JS. Magnetic resonance imaging of muscle
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Avaliação Radiológica do Traumatismo 91

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MEMBRO SUPERIOR I
Cíngulo do Membro Superior

Cíngulo do Membro Superior Considerações Anatomorradiológicas


O cíngulo do membro superior consiste em componentes ósseos -
O traumatismo do cíngulo do membro superior (cintura escapular) porção proximal do úmero, escápula e clavícula, formando as articula-
é comum durante toda a vida, porém o local de lesão varia com a ida- ções glenoumeral e acromioclavicular (Fig. 5.1)- e vários músculos,
de. Em crianças e adolescentes, a fratura da clavícula sofrida durante ligamentos e tendões reforçando a cápsula articular (Fig. 5.2). A cápsu-
atividades recreativas ou atléticas é um tipo freqüente de lesão óssea. la articular insere-se ao longo do colo anatômico do úmero e ao longo
As luxações do ombro e a separação acromioclavicular freqüentemen- do colo da glenóide. Na frente, é reforçada por três ligamentos gle-
te são observadas na terceira e quarta décadas de vida, enquanto a noumerais (superior, médio e inferior), que convergem do úmero para
fratura da porção proximal do úmero é comumente encontrada nos serem fixados pela cabeça longa do tendão do bíceps ao tubérculo
idosos. A maioria destes distúrbios traumáticos pode ser diagnostica- supraglenoidal. Os outros ligamentos importantes são o acromioclavi-
da com base na anamnese e no exame clínico, com radiografias obti- cular, o wracoacromial e o coracoclavicular (incluindo suas subdivisões,
das principalmente para definir o local exato, o tipo e a extensão da os ligamentos trapezóide e conóide) (Fig. 5.2).
lesão. Algumas vezes, entretanto, como por exemplo na luxação pos- Os músculos essenciais são aqueles que formam o manguito rotador
terior da articulação glenoumeral, que é o diagnóstico mais comu- (Fig. 5.3). O termo manguito rotador é usado para descrever o grupo
mente negligenciado no traumatismo do ombro, apenas o exame ra- de músculos que envolvem a articulação glenoumeral, segurando a
diológico realizado nas incidências apropriadas pode revelar a anor- cabeça do úmero com firmeza na fossa glenoidal. Consistem no mús-
malidade. culo subescapular anteriormente, no infra-espinhal póstero-superior-
94 Membro Superior 1: Cíngulo do Membro Superior

Fig. 5.1 Estruturas ósseas do ombro. Vistas an-


terior (A) e posterior (B) dos componentes ós-
seos do cíngulo do membro superior.
Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior 95

Fig. 5.2 Músculos, ligamentos e tendões do ombro.


Vistas anterior (A) e posterior (B) dos músculos, ligamen-
tos e tendões do cíngulo do membro superior. (Modifi-
cado de Middleton WD, Lawson TL, 1989, com permis-
são.)
96 Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior

Fig. 5.3 Manguito rotador. (A) Esquema da fossa glenoidal (com o úmero removido) mostra a localização dos músculos do manguito rotador e a porção
intracapsular da cabeça longa do tendão do bíceps. (B) Quatro músculos formam o "manguito rotador": subescapular (SE), supra-espinhal (S), infra-espinhal
(I) e redondo menor (R). Envolvem a articulação, fundem-se com a cápsula e apreendem seus quatro pontos de fixação ao úmero como a mão na figura,
mantendo assim a integridade da articulação. (Modificado de Anderson ]E, 1983, com permissão.)

Fig . 5.4 1ncidência ântero-posterior. (A) Para a incidência ântero-posterior padronizada do ombro, o paciente deve estar em decúbito dorsal, como é mos-
trado aqui, ou ereto; o braço do lado afetado está completamente esticado na posição neutra. O feixe central é orientado para a cabeça do úmero. (B) Nesta
incidência radiográfica, a cabeça do úmero é observada sobreposta à fossa glenoidal. A articulação glenoumeral não é bem demonstrada.
Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior 97

me nte, n o redondo me n or p osteriorm e n te e n o supra-espinh al superi- mente à faceta superior. O redondo menor ocupa uma posição mais
orm e nte. O músculo subescapu lar insere-se na tuberosidade menor inferior e se insere na faceta póstero-inferior da tuberosidade maior (Fig.
anteriormente. As inserções dos m úsculos su pra-espinhal, infra-espinhal 5.3B). Além disso, a cabeça longa do bíceps com o seu tendão, que na
e redo ndo m enor localizam-se na tuberosidade maior, posteriormen- sua porção intracapsular atravessa a articulação, e o músculo tríceps,
te. O te ndão do músculo sup ra-espinh al cobre a face superior da cabe- inserindo-se no tubérculo infraglenoidal inferiormente, proporcionam
ça do úmero, inserindo-se na faceta superior da tuberosidade maior. O sustentação adicio nal à articulação glenoumeral.
tendão do infra-espinhal cob re as faces su perior e posterior da cabeça A maioria dos traumatismos na área do ombro pode ser suficiente-
do úmero e se insere n a faceta m édia, localizada distai e m ais posterior- mente avaliada por m eio de radiografias obtidas na incidê ncia ântero-

A
Fig. 5.5 Incidência de Grashey. (A) Para a incidência ântero-posterior do ombro que mostra a glenóide em perfil (i ncidência de Grashey), o paciente deve
estar na posição ereta, como é mostrado aqui, ou em decúbito dorsal. O paciente é rod ado cerca de 40° na direção do lado onde há suspeita de lesão, e o fei xe
central é orientado para a articulação glenoumeral. (B) Esta incidência (incidência oblíqua posterior) mostra a glenóide em perfil verdadeiro. Observe que o
espaço articular glenoumeral agora está bem visível.

Fig . 5.6 Incidência axilar. (A)


Para a incidência axilar do ombro,
o paciente senta-se ao lado da
mesa radiográfica, com o braço
abduzido, de modo que a axila fi-
que posicionada sobre o chassi do
filme. O tubo de raios X é angu-
lado cerca de 5 a 1oona direção
do cotovelo, e o raio central é
orientado através da articulação
do ombro. (B) A radiografia nes-
ta incidência mostra a relação exa-
ta entre a cabeça do úmero e a
glenóide.

~:.;::.,~=::1.:::-c.~::::::-- tuberosidade menor


---=-;:...-t- - processo coracóide
extremidade distai
da clavícula
margem anterior da
glenóide
acrômio
98 Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior

posterior com o braço na posição neutra (Fig. 5.4A) ou com o braço mente radiotransparente entre a cabeça do úmero e a margem da gle-
rodado interna ou externamente para visualizar aspectos diferentes da ca- nóide nesta incidência confirma o diagnóstico (ver Figs. 5.48 e 5.50).
beça do úmero. A única limitação destas incidências é que a cabeça do Outras incidências especiais provaram ser úteis na avaliação de suspeita
úmero é visualizada sobreposta à glenóide, com isso obscurecendo o de traumatismo de várias faces do ombro. A incidência súpero-inferior
espaço articular glenoumeral (Fig. 5.4). A eliminação da superposição do ombro, conhecida como incidência axilar, é útil para determinar a
pode ser obtida rodando-se o paciente aproximadamente 40 ° na dire- relação exata da cabeça do úmero e da fossa glenoidal (Fig. 5.6), bem
ção do lado afetado. Esta incidência oblíqua posterior especial, conhe- como para detectar luxação anterior ou posterior. Esta incidência, en-
cida como incidência de Grashey, permite que a glenóide seja visualizada tretanto, às vezes pode ser difícil de se obter, sobretudo se o paciente não
em perfil (Fig. 5.5) e, por conseguinte, é sobretudo eficaz em demons- for capaz de abduzir o braço, em cujo caso uma variação da incidência
trar a suspeita de luxação posterior. A obliteração do espaço normal- axilar conhecida como incidência de West Point pode ser eficaz de maneira

Fig. 5.7 Incidência de West


Point. (A) Para a incidência de
West Point do ombro, o pacien-
te é colocado em decúbito ven-
tral na mesa radiográfica, com
uma almofada sob o ombro para
elevá-lo aproximadamente 8 em.
O chassi do filme é posicionado
contra a face superior do ombro.
O tubo de raios X é angulado na
direção da axila, formando 25°
com a linha média do paciente
e 25° com a superfície da mesa.
(B) Nesta incidência radiográfi-
ca, a relação da cabeça do úme-
ro com a cavidade glenoidal
pode ser suficientemente avalia-
da como na incidência axilar,
porém a margem ântero-inferior
da glenóide, que é observada
tangencialmente, é mais bem
visualizada.

margem
# 4:-t-- ântero-inferior
da glenóide

Fig. 5.8 Incidência de lawrence. Para a variante de lawrence da incidência


axilar do ombro, o paciente é colocado em decúbito dorsal na mesa radio-
gráfica, com o braço afetado abduzido até 90°. O chassi do filme é posiciona-
do contra a face superior do ombro com a extremidade mediai contra o pes-
coço, o que coloca a porção média do chassi ao nível do colo cirúrgico do
úmero. O tubo de raios X está ao nível do quadril ipsilateral, e angulado me-
dialmente na direção da axila. O grau de angulação depende do grau de ab-
dução do braço: abdução menor exige maior angulação mediai. O raio cen-
tral está orientado horizontalmente um pouco superior à porção média da
axila. A incidência de lawrence mostra as mesmas estruturas que a incidência
axilar padronizada.
Membro Supe1ior 1: Cíngulo d o Membro Superior 99

,_ _______ _

A
- ---'1-- - luberosidade
maior
tuberosidade
menor

Fig. 5.9 Incidência lateral transtorácica. (A) Para a incidência lateral transtorácica da porção proximal do úmero, o paciente é colocado na posição ereta com
o braço lesado contra a mesa radiográfica . O braço oposto é abduzido de modo que o antebraço repouse sobre a cabeça . O raio central é orientado abaixo
da axila, um pouco acima do nível do mamilo. (B) Esta incidência radiográfica mostra a incidência lateral verdadeira da porção proximal do úmero.

Fig. 5.10 Incidência do sulco bi-


cipital. (A) Para obter uma ima-
gem tangencial na incidência
súpero-inferior visualizando o sul-
co bicipital, o paciente fica de pé
e se inclina para a frente, com o
antebraço repousando na mesa
e a mão em supinação. O chassi
fica apoiado no antebraço do pa-
ciente. O raio central é orienta-
do verticalmente na direção do
sulco bicipital, que foi marcado
na pele. (B) Nesta incidência, o
sulco bicipital é bem demonstra-
do.
100 Membro Superio r 1: Cíngulo do Membro Supe1io r

Fig. 5.11 Incidência acromioclavicular. (A) Para ava-


liar a articulação acromioclavicular, o paciente é colo-
cado em posição ortostática, com o braço do lado afe-
tado na posição neutra. O raio central é orientado a 15°
cefálicos na direção da clavícula. Como a superexposição
do filme tornará difícil avaliar a articulação acromiocla-
vicular apropriadamente, os fatores radiográficos devem
ser reduzidos em cerca de 33 a 50% em relação aos
usados na incidência ântero-posterior do ombro. (B) A
radiografia nesta incidência mostra a imagem normal da
articulação acromioclavicular.

articulação acromioclavicular

Fig. 5.12 Incidência transescapular. (A) Para a incidência transescapular


(ou Y) do cíngulo do membro superior, o paciente é colocado na posi-
ção ortostática, com o lado lesado contra a mesa radiográfica. O tron-
co do paciente é rodado a aproximadamente 20° da mesa para permi-
tir a separação dos dois ombros (detalhe). O braço no lado lesado é dis-
cretamente abduzido e o cotovelo flexionado, com a mão apoiada no
quadril ipsilateral. O raio central é orientado para a margem mediai da
escápula em protrusão. (Esta incidência também pode ser obtida com
o paciente em decúbito ventral na mesa radiográfica e o braço não le-
sado elevado a aproximadamente 45°.) (B) Esta incidência fornece o
perfil verdadeiro da escápula, bem como uma vista oblíqua da porção
proximal do úmero.
Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior 101

tangencial desta estrutura (Fig. 5.1 O). A lesão da articulação acromioclavi-


cular geralmente é avaliada com a incidência ântero-posterior obtida com
uma inclinação cefálica de 15o do tubo de raios X (Fig. 5.11). As incidên-
cias com carga (sob estresse) nesta incidência, nas quais são amarrados
pesos nos antebraços do paciente, freqüentemente são obrigatórias, em
especial na suspeita de sub luxação acromioclavicular oculta (ver Fig. 5.64).
A fratura da escápula pode necessitar de uma incidência transescapular
(ou em Y) para avaliação suficiente (Fig. 5.12). A fratura do acrômio pode
ser adequadamente avaliada na incidência da saída do ombro. Esta pro-
jeção é obtida de modo semelhante à incidência em Y do cíngulo do
membro superior; todavia, o raio central é direcionado para a face supe-
rior da cabeça do úmero e inclinado em uma angulação caudal de cerca
de 10 a 15° (Fig. 5.13). Esta incidência também é eficaz na demonstra-
ção de tipos morfológicos de acrômio (Fig. 5.14; ver também Fig. 5.24).
Técnicas de imagem auxiliares geralmente são usadas para avaliar a
lesão da cartilagem e dos tecidos moles do ombro. As modalidades mais
amiúde usadas são a artrografia e a ressonância magnética (RM). A ar-
trografia pode ser realizada utilizando-se uma técnica de contraste sim-
ples ou duplo (Fig. 5. 15). Nos casos de suspeita de ruptura do mangui-
to rotador, por exemplo, uma artrografia contrastada simples pode
revelar a comunicação anormal entre a cavidade da articulação glenou-
meral e o complexo das bolsas subacromial- subdeltóide, que é diagnós-
tica desta anormalidade (ver Fig. 5.53C). Embora seja difícil prescrever
em que condições deve-se escolher estudo com contraste simples ou
duplo, este último pode ser mais bem adequado para demonstrar anor-
malidades da cartilagem e da cápsula articular, bem como a presença
de corpos osteocondrais na articulação. Um estudo com duplo contraste,
Fig. 5.13 Incidência de saída. Esta incidência mostra as mesmas estruturas entretanto, sempre está indicado quando a artrografia for combinada
anatômicas que as demonstradas na incidência em Y do cíngulo do membro à TC (artrotomografia computadorizada) para avaliação de anormali-
superior. Além disso, o arco coracoacromial e o espaço ocupado pelo man- dades suspeitas do lábio glenoidal fibrocartilaginoso (Fig. 5.16). A efi-
guito rotador são bem demonstrados. cácia desta combinação baseia-se no fato de que o ar injetado delimita
o lábio anterior e posterior para melhor demonstração de alterações
traumáticas sutis nas imagens de TC. Para este estudo, o paciente é
semelhante. Além de todos os benefícios da incidência axilar, a incidên- colocado na posição de decúbito dorsal no aparelho de TC com o bra-
cia de West Point efetivamente mostra a margem ântero-inferior da gle- ço do lado afetado na posição neutra para permitir a ascensão do ar e
nóide (Fig. 5.7). Uma outra variação útil da incidência axilar é a incidên- realçar o contorno do lábio anterior. Para avaliar o lábio posterior, o
cia de Lawrence. A importância desta incidência repousa no fato de não braço é rodado externamente (ou o paciente é posicionado em decú-
necessitar a abdução completa do braço, porque pode ser compensada bito ventral), a fim de forçar para trás o movimento do ar.
pela angulação do tubo de raios X (Fig. 5.8) . A suspeita de traumatismo Estudos recentes mostraram a considerável vantagem da RM no exa-
da porção proximal do úmero, possível de ser demonstrada nas incidên- me do ombro. Esta modalidade é particularmente eficaz em demonstrar
cias ântero-posterior e transescapular, pode necessitar da incidência late- anormalidades traumáticas dos tecidos moles, como síndrome da colisão,
ral transtorácica para uma avaliação suficiente (Fig. 5.9) . Devido a esta rupturas parcial e completa do manguito rotador, ruptura do tendão do
projeção proporcionar uma incidência lateral verdadeira da porção pro- bíceps, rupturas do lábio glenoidal e demonstração do derrame articu-
xirnal do úmero, é valiosa sobretudo na determinação do grau de deslo- lar traumático. Todavia, o ombro apresenta dificuldades únicas para aqui-
camento ou angulação dos fragmentos ósseos (ver Fig. 5.27B) . Diante de sição de imagem. Devido a limitações de espaço no magneto, o ombro
suspeita de traumatismo do sulco bicipital, é necessária uma radiografia não pode ser posicionado no centro do campo magnético. Isto exige um

Fig . 5.14 Tipos de acrômio. Na incidência de saída do ombro, três tipos morfológicos de acrômio são bem demonstrados. (A) Tipo I (plano). (B) Tipo 11
(curvo). (C) Tipo 111 (em gancho).
102 Me mbro Superior I: Cíngulo do Membro Superior

-~~ bolsa subtendínea do


músculo subescapular

-tt"....---->,.---r--tt-- --;.,-- bainha do tendão


bicipital

Fig. 5.15 Artrografia do ombro. Para a artrografia do ombro, o paciente é colocado em decúbito dorsal na mesa radiográfica com o ombro não afetado um
pouco elevado e o braço afetado em rotação externa com a palma voltada para cima . (A) Com ajuda da fluoroscopia, um marcador de chumbo é colocado
próximo ao terço inferior da articulação glenoumeral para indicar o local da inserção da agulha. Sob controle fluoroscópico, 15 ml de contraste positivo (diatrizoato
meglumina a 60% ou outro contraste do tipo meg lumina) são injetados na cápsula articular. O estudo usual inclui radiografias em decúbito dorsal do ombro nas
incidências ântero-posterior (braço na posição neutra e em rotação interna e externa) e axilar padronizadas. (B) Uma artrografia normal do ombro mostra o
contraste delimitando a cartilagem articular do úmero e a glenóide e preenchendo a bolsa axilar, o recesso subescapular e a bainha do tendão bicipital.

desvio lateral para a cen tralização e o exam e d e u ma região o nde a rela- O p acie nte deve ser posicionado n o magne to em decúbito dorsal, com
ção e ntre sinal e ruído é relativam e nte baixa. Estes proble m as foram so- os b raços ao longo d o tórax e o braço afetado rod ad o extemarne nte. Os
lucio n ad os pela com binação d e imagem de alta resolução com o uso d e plan os de exam e in cluem o coronal oblíquo (ao lo n go do eixo longitu-
bobinas superficiais especiais. Devid o aos ossos e músculos d o cíngulo d o dinal d o ventre do músculo supra-espinhal) o oblíquo sagital (p erpe ndi-
membro superior serem o rie n tados ao lo ngo d e múltiplos eixos não or- cular ao curso d o músculo supra-espinhal) e o axial (Fig. 5.1 7). Os d ois
togon ais, o exam e nos plan os oblíqu os é mais eficaz. primeiros plan os são ideais p ara avaliação de tod as as estruturas d o m an-

ar na bainha do
_,.~~t<:....--""tr-- tendão bicipital
lábio glenoidal
anterior avulsionado
contraste
intracapsular
cabeça do úmero
glenóide
n~r~~'--"~~~.-- lábio glenoidal
posterior intacto

Fig . 5.16 Ruptura do lábio glenoidal. Como resultado de um acidente automobilístico, uma mulher de 33 anos sofreu lesão do ombro direito; ela apresen-
tava dor e limitação do movimento na articulação. Radiografias padronizadas do ombro foram normais. Quando houve suspeita de lesão do lábio cartilagino-
so, a artrografia com duplo contraste foi realizada: 5 ml de contraste positivo e 1O ml de ar ambiente foram injetados na cápsula articular. (A) Esta artrografia
não mostra anormalidades evidentes. O recesso subescapular, que não é opacificado nesta incidência, posteriormente no estudo apareceu preenchido com
contraste . (B) Em conjunto com a artrog rafia, um exame por TC do mesmo ombro foi realizado e mostra claramente a avulsão do lábio glenoidal anterior, um
achado não apreciado na artrografia. Observe que o fragmento avulsionado é circundado por ar e mostra absorção de contraste. (C) A imagem normal do
lábio glenoidal é mostrada para comparação.
Membro Superior 1: Cíngulo do Membro Superior 103

guito rotador; o plano axial é ideal para avaliação do lábio glenoidal, sulco corpo da escápula. Apresenta-se nas imagens axiais ponderadas em T1
bicipital, tendão do bíceps e tendão subescapular. Seqüências de pulso como uma estrutura de intensidade intermediária que se afila anterior-
apropriadas são fundamentais para mostrar a anatomia normal e as anor- mente em um tendão de baixa intensidade, onde se funde com a face
malidades traumáticas. As seqüências de pulso ponderadas em T1 de- anterior da cápsula antes de se inserir na tuberosidade menor (Fig. 5.19).
monstram suficientemente a anatomia estrutural (Figs. 5.17 e 5.18) . As As imagens axiais são eficazes em demonstrar a cápsula articular,
seqüências de pulso ponderadas em densidade protõnica e T2 fornecem que é anteriormente reforçada pelos ligamentos glenoumerais ante-
as informações necessárias para avaliar patologia do manguito rotador, riores . O complexo capsular proporciona estabilização da articulação
espaço articular e ossos (ver Figs. 5.51, 5.55 e 5.57). glenoumeral. O complexo capsular anterior inclui a cápsula fibrosa,
A demonstração dos músculos e dos tendões do manguito rotador os ligamentos glenoumerais anteriores, a membrana sinovial e seus
é, em grande parte, facilitada com o emprego de RM. O músculo su- recessos, o lábio glenoidal fibroso , o músculo e o tendão subescapula-
pra-espinhal é mais bem demonstrado em imagens sagitais e coronais res e o periósteo escapular. Três tipos de inserção capsular anterior
oblíquas, pn;ferencialmente obtidas em seqüências spin-eco pondera- foram identificados por Zlatkin e colegas. São determinados pela pro-
das em T1. E visualizado como uma estrutura espessa com sinal de in- ximidade da inserção na margem da glenóide (Fig. 5.20). No tipo I, a
tensidade intermediária, e seu tendão se insere na face súpero-lateral cápsula se insere na margem da glenóide em íntima proximidade com
da tuberosidade maior do úmero (Fig. 5.18). Os músculos infra-espi- o lábio glenoidal. Nos tipos li e III , a inserção capsular está mais dis-
nhal e o subescapular são mais bem demonstrados nas imagens axiais tante da margem da glenóide, e pode atingir o colo da escápula (Fig.
como estruturas fusiformes de intensidade intermediária. O tendão do 5.21) . Quanto mais distante a cápsula anterior se inserir da margem
infra-espinhal insere-se distalmente e mais posteriormente ao músculo da glenóide, mais instável será a articulação glenoumeral. A porção
supra-espinhal na tuberosidade maior, adjacente à inserção do redon- posterior da cápsula não mostra variações e se fixa diretamente ao
do menor. O músculo subescapular está localizado anteriormente ao lábio. As imagens axiais também são eficazes na demonstração do lá-

- - - coronal oblíquo

- sagital oblíquo /
\ /
\ goo ~!llllíl/
. .~-......

sagltal
oblíquo

Fig . 5.17 RM do ombro. (A) Planos padroniza-


coronal dos de cortes de RM do ombro. (B) Cortes coro-
oblíquo nais oblíquos são obtidos paralelamente ao eixo
longitudinal do músculo supra-espinhal. (C) Cor-
tes sagitais oblíquos são obtidos perpendicular-
mente aos cortes coronais. (Reproduzido de
A Beltran ], 1990, com permissão.)
104 Mem bro Superior 1: Cíngulo do Mem bro Superior

Fig. 5.18 RM de ombro. Imagem coronal ponderada em


T1 do ombro direito mostra o músculo e o tendão su-
pra-espinhais normais inserindo-se na tuberosidade maior
do úmero. (Reproduzido de Holt RG et ai., 1990, com
tendão do
supra-espinhal
permissão.)

Fig . 5.19 RM de ombro. Imagem axial ponderada em


T1 do ombro esquerdo mostra o músculo e o tendão
subescapulares e o músculo infra-espinhal normais. (Re-
produzido de Holt RG et ai., 1990, com permissão.)

.-'~,.------,-#-'---H--- glenóide
~'Ji1!!!1-:::::..:;;--""'"ft-- láblo posterior

TIPOS DE INSERÇÃO CAPSULAR ANTERIOR

Fig. 5.20 Cápsula da articulação do ombro. Três tipos de inserção capsular anterior na escápula.
Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior 105

Fig . 5.21 Inserção capsular na margem da glenóide. (A) Ima-


gem axial ponderada em Tl após injeção intra-articular de ga-
dolínio mostra o tipo I de inserção capsular anterior. (B) Ima-
gem axial spin-eco rápida com saturação de gordura e gadolí-
nio intra-articular mostra o tipo 11 de inserção capsular anteri-
or. (C) Imagem axial ponderada em Tl com saturação de gor-
dura e gadolínio intra-articular mostra o tipo 111 de inserção
capsular anterior.

Fig. 5.22 Lábio fibrocartilaginoso da glenóide. Imagens de RM (A) axial ponderada em Tl e (B) Fig. 5.23 Lábio fibrocartilaginoso. Imagem de RM
axial ponderada em T2 (multiplanar gradient-recalled) mostram os lábios anterior (setas) e posterior coronal oblíqua ponderada em Tl mostra o lábio
(setas curvas) como pequenos triângulos de sinal de baixa intensidade. superior (seta) e o inferior (seta curva).
106 Membro Superior I: Cíngulo do Membro Su perior

CLASSIFICAÇÃO DE BIGLIANI DA MORFOLOGIA ACROMIAL

A. B.
Representação Esquemática do Peça Anatômica
Aspecto à RM

Fig. 5.24 Variações da morfologia acromial. Representação esquemática das variações morfológicas do acrôm io. (A) RM, cortes sagitais oblíquos. (B) Apa-
rência na peça anatômica.
Membro Superior 1: Cíngulo do Membro Superior 107

bio cartilaginoso anterior e posterior da glenóide, que são observados mentares e distinguir lacerações parciais de completas (em toda a es-
como dois pequenos triângulos de sinal de baixa intensidade locali- pessura) do manguito rotador. Várias concentrações e misturas d e so-
zados anterior e posteriormente à margem da glenóide (Fig. 5.22) . As luções são utilizadas por diferentes radiologistas. Em nossa instituição,
faces su perior e inferior do lábio são mais bem d emonstradas nos seguimos a recomendação relatada por Steinbach e colegas. Adiciona-
cortes coronais oblíquos (Fig. 5.23) . Existem numerosas variações de mos 0,8 mL de gadopentato dimeglumina (gadolínio com 287 mg/ mL)
imagens da morfologia do lábio cartilaginoso. A forma mais comum é a 100 m L de soro fisiológico. Depois, misturamos 10 m L dessa solução
triangular, como é mostrado na Fig. 5.22. A segunda forma mais co- com 5 mL de diatrizoato de meglumina a 60% (contraste iodado) e 5 mL
mu m é arred ondada. As ou tras variações morfológicas inclu em o lá- de lidocaína a 1%, o que dá uma relação de diluição final do gadolínio
bio plano e o lábio clivad o ou com incisura. Em raras ocasiões, o lábio de 1:250. Doze a 15 m L dessa mistura são então injetados na articula-
anterior e posterior pode estar ausente. Ademais, existem aspectos ção do ombro usando-se orientação fluoroscópica em uma maneira
assemelhando-se a lágrimas labiais, como o corte por baixo do lábio semelhan te à da artrografia convencional do ombro (ver Fig. 5. 15).
pela cartilagem hialina, orifícios ou recessos sublabiais e complexos Imagens radiográficas em detalhe ( sp ot) do pré-exercício e do pós-exer-
de Buford (ver Fig. 5.62). cício são obtidas na posição neutra e nas rotações externa e interna do
As imagens sagitais são úteis na demonstração de variações morfoló- braço. Em seguida, sem demora, o pacien te é submetido a RM usando-
gicas do acrômio. Três tipos de acrômio foram identificados por Bigliani se planos de exam es semelhantes aos do estudo convencional de RM.
e colaboradores. O tipo I mostra uma superfície inferior plan a, o tipo Se houver suspeitas de anormalidades do lábio glenoidal, outras seqüên-
11, u ma superfície inferior curva, e o tipo Ill, uma superfície inferior cias são obtidas na chamada posição ABRE (abdução-rotação externa).
em ganch o (Figs. 5.24 e 5.25). O acrômio d o tipo III é considerado as- Veja u m resumo da discussão a seguir na forma de tabela nos Qua-
sociad o a lacerações d o m anguito rotador p roximais ao local de inser- dros 5. 1 e 5.2 e n a Fig. 5.26.
ção d o tendão do su pra-espinhal na tuberosidade maior do úmero.
Na última década, a artrografia por RM direta usando-se injeção de
contraste na articulação do ombro ganhou aceitação mundial. Esta téc- Quadro 5.1 Incidências Radiográficas Padronizadas e Especiais
nica é efetiva sobretudo para demonstrar anormalidades labiais-liga- para Avaliação de lesão do Cíngulo do Membro Superior
Incidência Demonstra~ão

Ântero-posterior
Braço na posição Fratura de:
neutra Cabeça e colo de úmero
Clavícula
Escápula
Luxação anterior
Lesão de Bankart
Ortostática Interface gordura- sangue (sinal FBI)
(fat - blood interface)
Braço em rotação interna Lesão de Hiii-Sacks
Braço em rotação Fratura por compressão da cabeça do
externa úmero (linha de impacção - canaleta)
secundária a luxação posterior
Oblíqua posterior a Espaço articular glenoumeral
40° (Grashey) Glenóide em perfil
Luxação posterior
Inclinação cefálica a 15° Articulação acromioclavicular
do tubo de raios X Separação acromioclavicular
Fratura de clavícula
Estresse Luxação acromioclavicular oculta
Separação acromioclavicular
Axilar Relação entre a cabeça do úmero e a
fossa glenoidal
Luxações anterior e posterior
Fraturas por compressão secundárias a
luxações anterior e posterior
Fraturas da:
Porção proximal do úmero
Escápula
West Point Mesmas estruturas e distúrbios da
incidência axilar
Margem ântero-inferior da glenóide
Transtorácica Lateral Relação entre a cabeça do úmero e a
fossa glenoidal
Fraturas da porção proximal do úmero
Taflgencial (Cabeça do Sulco bicipital
Umero)
Transescapular (em Y) Relação entre a cabeça do úmero e a
fossa glenoidal
Fraturas de:
Porção proximal do úmero
Corpo da escápula
Processo coracóide
Acrôm io
Fig. 5.25 Variações morfológicas do acrômio. (A) No plano sagital oblíquo, Oblíqua (de saída) Arco coracoacromial
o acrôm io do tipo 11 mostra uma superfície inferior suavemente curva. (B) Saída do manguito rotador
Acrôm io do tipo 111 mostra uma superfície inferior em gancho (seta).
108 Membro Superio r I: Cíngulo do Membro Superior

Quadro 5.2 Técnicas de Imagem para Avaliar lesão da Cintura Escapular


Técnica Demonstração Técnica Demonstração
Tomografia Posição dos fragmentos e extensão da Ultra-sonografia Ruptura do manguito rotador
linha de fratura nas fraturas complexas
Processo de consolidação:
Não-consolidação Artrografia Ruptura completa do manguito rotador
Infecção secundária Contraste simples Ruptura parcial do manguito rotador
ou duplo

Tomografia Relação entre a cabeça do úmero e a Anormalidades da cartilagem articular e da


Computadorizada fossa glenoidal cápsula articular*
Múltiplos fragmentos nas fraturas Anormalidades sinoviais*
complexas (principalmente da escápula) Capsulite adesiva
Deslocamento intra-articular de fragmentos Corpos osteocondrais em articulação*
ósseos em fraturas Anormalidade do tendão bicipital*t
Porção intra-articular do tendão bicipital*t
Ressonância Síndrome de impacção Superfície inferior do manguito rotador*t
Magnética Ruptura parcial e completa do Duplo contraste Todos os acima, mais:
manguito rotador* combinado com TC Anormalidades do lábio glenoidal
Ruptura do tendão do bíceps cartilaginoso
Rupturas do lábio glenoidal* Corpos osteocondrais na articulação
Instabilidade glenoumeral Anormalidades sinoviais sutis
Derrame articular traumático

*Estes distúrbios geralmente são mais bem demonstrados usando-se artrografia com duplo contraste.
tEstas características são mais bem demonstradas em radiografias com o paciente na posição ortostática.
*Estas anormalidades são mais bem demonstradas na artrog rafia com RM .

Fraturas
secundárias
a luxações

Separação
acromioclavicular

Fig. 5.26 Espectro de técnicas radiológicas para avaliar lesão do cíngulo do membro superior.*
*As incidências ou técnicas radiológicas indicadas em todo o diagrama são apenas aquelas que mais efetivamente revelam os respectivos traumatismos.
Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior 109

Lesão do Cíngulo do Membro Superior A fmtum em uma parte pode envolver qualquer um ou todos os seg-
mentos anatômicos da porção proximal do úmero. Não há deslocamen-
Fraturas ao Redor do Ombro to ou o deslocamento é mínimo (menor que 1 em) e não há angulação
Fraturas da Porção Proximal do Úmero. As fraturas da porção su- ou a angulação é mínima (menor que 45 °) ; os fragmentos são manti-
perior do úmero envolvendo a cabeça, o colo e a diáfise proximal em dos unidos pelo manguito rotador, pela cápsula articular e pelo periós-
geral resultam de um golpe direto no úmero ou, mais freqüentemente teo intacto.
observado em idosos, por uma queda sobre o braço esticado. As fratu- A fmtum em duas partes indica que apenas um segmento é deslocado
ras sem deslocamento são as mais comuns, representando cerca de 85 % em relação aos três que permanecem não deslocados. Pode envolver o
de todas essas lesões proximais do úmero . colo anatômico, o colo cirúrgico, a tuberosidade maior ou a tuberosi-
A incidência ântero-posterior geralmente é suficiente para demons- dade menor. A fratura em duas partes envolvendo o colo anatômico do
trar anormalidade , porém a incidência lateral transtorácica ou a úmero com deslocamento da extremidade articular pode estar associa-
transescapular (em Y) podem ser necessárias para fornecer uma avalia- da a laceração do manguito rotador, e complicações como a má conso-
ção mais completa, particularmente sobre o grau de deslocamento ou lidação ou osteonecrose pode se desenvolver posteriormente. Nas fra-
angulação dos fragmentos ósseos (Fig. 5.27). Em casos de cominução, turas em duas partes envolvendo o colo cirúrgico do úmero com deslo-
também pode ser necessária tomografia convencional para avaliar o grau camento ou angulação da diáfise, três tipos podem ser encontrados:
de deslocamento de vários fragmentos. A radiografia ântero-posterior impactada, não-impactada e cominutiva. Essas fraturas podem estar
com o paciente na posição ereta pode demonstrar presença de gordu- associadas a luxação anterior ou posterior. Na luxação anterior, a fratu-
ra e sangue dentro da cápsula articular (o sinal FBI da lipoemartrose, ra invariavelmente envolve a tuberosidade maior; na luxação posteri-
ver Fig. 4.34A) , indicando extensão intra-articular da fratura. or, a fratura invariavelmente envolve a tuberosidade menor.
Classificações tradicionais de traumatismo da porção proximal do úme- A fmtum em três partes pode envolver a tuberosidade maior ou a tube-
ro, de acordo com o nível da fratura ou mecanismo de lesão, foram inade- rosidade menor e estar associada a luxação anterior ou posterior. Dois
quadas para identificar os vários tipos de fraturas com deslocamento. A segmentos são deslocados em relação aos outros dois segmentos que
classificação em quatro segmentos descrita por Neer em 1970 era comple- não estão deslocados.
xa e dificil de acompanhar. Posteriormente, ele modificou esta classifica- A fratura em quatro partes envolve a tuberosidade maior e menor àlém
ção e simplificou as divisões em vários grupos. A classificação de um pa- da fratura do colo cirúrgico, e quatro segmentos importantes são des-
drão com deslocamento depende de dois fatores principais: o número de locados. Isto pode estar associado a luxação anterior ou posterior. A
segmentos deslocados e o segmento principal deslocado. Fraturas da por- fratura em quatro partes geralmente está associada ao comprometimen-
ção proximal do úmero ocorrem entre um ou todos os quatro segmentos to do suprimento sangüíneo para a cabeça do úmero, e osteonecrose
importantes: o segmento articular (no nível do colo anatômico), a tubero- da cabeça do úmero é uma complicação freqüente.
sidade maior, a tuberosidade menor e a diáfise umeral (no nível do colo Fraturas da Clavícula. Uma lesão comum em lactentes durante o
cirúrgico). A fratura em uma parte ocorre quando há deslocamento míni- parto, em adolescentes, causada por golpe direto ou queda, e em adul-
mo ou não há deslocamento entre os segmentos. Nas fraturas em duas tos, como resultado de um acidente automobilístico, é a fratura da cla-
partes, um único segmento é deslocado. Na fratura em três partes, dois seg- vícula, que pode ser dividida em três tipos, de acordo com o segmento
mentos são deslocados e uma tuberosidade permanece em continuidade anatômico envolvido (Fig. 5.29). O local mais comum de lesão é o ter-
com a cabeça do úmero. Nas fraturas em quatro partes, três segmentos são ço médio da clavícula, representando 80 % de todas as fraturas
deslocados, incluindo ambas as tuberosidades. As fraturas de duas partes, claviculares. As fraturas do terço distal (lateral) (15 %) e do terço pro-
três partes e quatro partes podem ou não estar associadas a luxação, quer ximal (medial) (5 %) são menos comumente observadas. Se houver
anterior ou posterior. O envolvimento da superficie articular é classificado deslocamento, o fragmento proximal em geral está elevado e o fragmen-
separadamente em dois grupos: de fratura- luxação anterior, denomina- to distal está deslocado medial e caudalmente. As fraturas do terço dis-
do por Neer "divisão da cabeça", e de fratura-luxação posterior, denomi- tal da clavícula foram classificadas por Neer em três tipos (Fig. 5.29B).
nada "impressão" (Fig. 5.28). O tipo I consiste em uma fratura sem deslocamento significativo e com

Fig. 5.27 Fratura da porção proximal do úmero. Um homem de 60 anos caiu do alto de uma escada e sofreu traumatismo no braço direito. (A) Radiografia
ântero-posterior do ombro mostra fratura cominutiva através do colo cirúrgico do úmero. A tuberosidade maior também está fraturada, porém não está sig-
nificativamente deslocada. Para avaliar melhor o grau de deslocamento dos vários fragmentos, a incidência lateral transtorácica (B) foi obtida e mostra uma
discreta angulação anterior da cabeça do úmero que, além disso, está subluxada inferiormente - um achado que não é bem evidenciado na incidência ântero-
posterior.
110 Membro Superio r 1: Cíngulo do Membro Superior

CLASSIFICAÇÃO DAS FRATURAS DA PORÇÃO PROXIMAL DO ÚMERO EM QUATRO SEGMENTOS

,. ..,---·lo·---· -

--
Duas partes Três partes Quatro partes
(d11112C.......-d0dedoll; (-....mode !Jh
Segmento oogmontoa)
Anatômico ~­
-~ cam a
Cllbeçol)

Qualquer
face ou
todas as
faces
anatômicas

Segmento
Articular
(Colo
Anatômico)

f0
Segmento
wrY -
.
da Diáfise impactada não-lmpactada
(Colo
Cirúrgico)

comlnutiva

Segmento
da
uberosldad
Maior

Segmento
da
uberosidad
Menor

Duapartea
Fratura-
Luxação
__,
(dl ll ~~ ··-··­ Superffcle
Articular

Anterior

Posterior

Fig, 5,28 Classificação de Neer, Fraturas da porção proximal do úmero baseadas na presença ou ausência de deslocamentos dos quatro segmentos principais
que podem resultar de fratura , (Modificado de Neer CS 11, 1975, com permissão,)
Membro Superior 1: Cíngulo do Membro Superior 111

TIPOS DE FRATURAS DE CLAVÍCULA

A. Classificação de Acordo com o B. Classificação de Neer das Fraturas


Envolvimento do Segmento Anatômico da Extremidade Distai da Clavícula

I. Terço proximal
11. Terço médio 1. Fratura sem deslocamento, ligamentos
intactos
111. Terço distai
2. Fratura interligamentar com
deslocamento; ligamento conóide
lacerado, ligamento trapezóide
permanece fixado ao segmento distai
3. A fratura estende-se até a superfície
articular, ligamentos intactos

Fig. 5.29 Classificação das fraturas da clavícula.


112 Mem bro Superior 1: Cíngulo do Membro Superior

Fig. 5.30 Fratura da extremidade acromial da clavícula. Fratura do tipo I do terço distai da clavícula . Não há deslocamento do fragmento fraturado.

Fig. 5.31 Fratura de ambas as clavículas. Um homem de 22 anos sofreu politraumatismo em um acidente de motocicleta. A incidência ântero-posterior dos
ombros mostra fratura cominutiva do terço médio da clavícula direita e fratura simples do terço médio da clavícula esquerda.

Fig. 5.32 Fratura da extremidade esternal da clavícula. Uma mulher de 32 anos de idade sofreu traumatismo em acidente automobilístico e se apresentou
com dor localizada na face mediai da clavícula direita nas últimas 3 semanas. (A) A radiografia ântero-posterior mostra uma lesão questionável da extremidade
mediai da clavícula, entretanto, a anormalidade não está bem demonstrada. (B) Uma tomografia triespiral mostra claramente a fratura da clavícula mediai em
consolidação .
Membro Supe1;or 1: Cíngulo do Membro Superior 113

Fig . 5.33 Fratura da extremidade esternal da clavícula. Um homem de 21 anos de idade foi assaltado e sofreu lesão direta da clavícula mediai esquerda. (A)
A radiografia ântero-posterior é sugestiva de fratura da extremidade mediai da clavícula, porém a linha de fratura não está bem demonstrada . (B) TC mostra
fratura na extremidade esternal da clavícula esquerda e edema de tecidos moles associado.

ligamentos intactos (Fig. 5.30). As fraturas do tipo II são deslocadas e X também podem ser úteis, sobretudo em fraturas do terço médio da
localizadas entre dois ligamentos: o ligamento coracoclavicular, que é clavícula. Ocasionalmente, se o diagnóstico for questionável ou se a fra-
separado do segmento mediai, e o ligamento trapezóide , que perma- tura não puder ser bem demonstrada pela radiografia convencional
nece fixado ao segmento distai. A fratura do tipo III envolve a superfí- (simples) , então a tomografia u·iespiral (Fig. 5.32) ou a TC (Figs. 5.33 e
cie articular, porém os ligamentos permanecem intactos. A incidência 5.34) p odem ser mais eficazes.
ântero-posterior do ombro geralmente permite a avaliação suficiente Fraturas da Escápula. Invariavelm en te resultantes de traumatismo
de qualquer tipo de fratura da clavícula (Fig. 5.31), porém as mesmas direto, com freqüência causadas por acidentes com veículos automoto-
incidências obtidas com uma angulação cefálica de 15° do tubo de raios res ou quedas de alturas, as fraturas da escápula, que constituem apro-

Fig. 5.34 Fratura da extremidade esternal da clavícula. Uma mulher


de 34 anos sofreu traumatismo grave em acidente de carro . (A) A radi-
ografia ântero-posterior do ombro direito e da porção superior do tórax
mostra múltiplas fraturas costais. A porção mediai da clavícula não é
adequadamente visualizada. A TC axial (B) e reconstruída coronal (C)
mostra fratura cominutiva da extremidade esternal da clavícula direita
com deslocamento anterior e cavalgamento dos fragmentos .
114 Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior

TIPOS DE FRATURAS DE ESCÁPULA

1. Corpo

2. Margem glenóide ou.superfície articular

3. Colo anatômico

4. Colo cirúrgico

5. Processo coracólde

6. Processo acromlal

7. Espinha

Fig. 5.35 Fraturas da escápula. Classificação das fratu ras da escápula de acordo com a localização a natômica.

ximadamente 1% de todas as fraturas, 3% das lesões do cíngulo do larmente importantes. Compreendem 10% de todas as fraturas da es-
membro superior e 5% das fraturas de ombro, são classificadas de acor- cápula; todavia, menos de 10% apresentam deslocamento significativo.
do com suas localizações anatômicas (Fig. 5.35). Devido a sua extensão Fraturas da margem da glenóide são subclassificadas entre as que envol-
intra-articular, as fraturas da margem e da fossa glenoidais são particu- vem o segmento da porção anterior e as que afetam o segmento da
porção posterior. As fraturas da fossa glenoidal são subclassificadas em
lesões que envolvem o segmento inferior; em ruptura transversa da fos-
sa estendendo-se até a vizinhança da incisura supra-escapular e do pro-
cesso coracóide; em fraturas da fossa central que se estendem através
de toda a escápula; e na combinação das fraturas antes citadas, freqüen-
temente cominutivas e com deslocamento (Fig. 5.36).
As fraturas da escápula podem às vezes ser avaliad as na incidência
ântero-posterior do ombro. Mais comumente, a incidência transesca-
pular (ou Y) pode ser necessária, em especial nos casos de cominução,
porque esta projeção mostra melhor o deslocamento dos fragmentos
(Fig. 5.37). A TC também pode demonstrar efetivamente o deslocamen-
to de vários segmentos (Fig. 5.38) . Complicações como a lesão da arté-
ria axilar ou do plexo braquial são raras.
Luxações na Articulação Glenoumeral
Luxação Ant erior. O deslocamento da cabeça do úmero anterior à
fossa glenoidal, que em geral resulta da aplicação de força indireta ao
braço - uma combinação de abdução, extensão e rotação externa - é
resp9nsável por aproximadamente 97% dos casos de luxação glenoume-
ral. E prontamente diagnosticada na incidência ântero-posterior do
ombro (Fig. 5.39) , embora a incidência em Y também seja eficaz (Fig.
5.40). A TC é igualmente efetiva em demonstrar a luxação anterior (Fig.
5.41).
No momento da luxação, a cabeça do úmero choca-se com a margem
inferior da glenóide, e isto pode resultar em fratura por compressão de
uma ou ambas essas estruturas. Mais freqüentemente , a fratura ocorre
Fig. 5.36 Fratura cominutiva da glenóide. TC axia l da articulação do ombro na face póstero-lateral da cabeça do úmero, na junção com o colo, pro-
mostra fratura comin utiva da fossa glenoidal com deslocamento estendendo- duzindo um defeito em "machadinha" denominado lesão de Hill-Sachs; é
se através de toda a escápu la. mais bem demonstrada na incidência ântero-posterior do ombro com o
Fig . 5.37 Fratura da escápula. Um homem de 52 anos de idade so-
freu traumatismo em acidente de motocicleta. (A) Na incidência
ântero-posterior do ombro direito, uma fratura cominutiva da escá-
pula é evidente. Entretanto, o deslocamento dos fragmentos não pode
ser avaliado. (B) A incidência transescapular (Y) mostra deslocamen-
to lateral do corpo da escápula.

Fig. 5 .38 Fratura da escápula.


Uma mulher de 57 anos de idade
sofreu traumatismo do ombro es-
querdo em acidente de motocicle-
ta . (A) Radiografia ântero-posteri-
or mostra fratura cominutiva da
escápula esquerda . A articulação
glenoumeral não pode ser avalia-
da apropriadamente neste estudo.
Dois cortes de TC axiais, um ao ní-
vel da articulação glenoumeral (B)
e o outro ao nível do corpo da es-
cápula (C) e a imagem coronal
reconstruída (D) mostram melhor
a configuração de vários fragmen-
tos deslocados, bem como uma ar-
ticulação glenoumeral intacta.
116 Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior

~~7t.__----+----J{_ margem inferior


da glenóide

- - -f-- -);:..__.,_ ~:.,t.;,~·~~~ada


anteriormente

Fig . 5.39 Luxação anterior do ombro. Radiografia ântero-posterior do ombro mostra aspecto típico de luxação anterior. A cabeça do úmero situa-se sob a
margem inferior da glenóide.

Fig. 5.40 Luxação anterior do ombro. A luxação é bem demonstrada nesta Fig. 5.41 Luxação anterior do ombro. TC tridimensional (incidência lateral)
incidência transescapular (ou do tipo Y) do cíngulo do membro superior. A mostra luxação anterior da cabeça do úmero (seta) . A seta aberta aponta a
seta aponta para a fossa glenoidal vazia. A cabeça do úmero (H) sofreu luxa- fossa glenoidal vazia, e a seta curva aponta o processo coracóide.
ção mediai e anterior.
Membro Superior 1: Cíngulo do Membro Superior 117

Fig. 5.42 lesão de Hiii-Sachs. Incidência ântero-


posterior do ombro com o braço rodado inter-
namente mostra um defeito em "machadinha",
conhecido como lesão de Hiii -Sachs, na face
póstero-lateral da cabeça do úmero.

Fig. 5.43 TC da lesão de Hiii-Sachs. TC coro-


na! reconstruída mostra luxação anterior na ar-
ticulação do ombro. A seta aponta para a lesão
de Hiii-Sachs.

Fig. 5.44 RM da lesão de Hiii-Sachs. Uma mu-


lher de 56 anos sofreu luxação anterior do om-
bro que foi reduzida com sucesso. RM pós-redu-
ção foi realizada. A imagem coronal oblíqua pon-
derada em Tl (A) e a seqüência gradiente-eco
MPGR (B) mostra fratura por compressão na fase
póstero-lateral da cabeça do úmero (seta). A com-
pressão de Hiii-Sachs também é bem demonstra-
da na imagem axial gradiente-eco MPGR (C)
como um achatamento da face póstero-lateral da
cabeça do úmero (seta aberta) .
118 Membro Su perior 1: Cíngulo do Membro Su perior

/;
Fig . 5 .45 Lesão de Bankart. Incidência ântero-posterior do ombro mostra fratura por compressão da face anterior da porção inferior da glenóide, conhecida
como lesão de Bankart.

Fig . 5.46 TC das lesões de Hiii-Sachs e Bankart. (A) Imagem de TC coronal reconstru ída e (B) TC tridimensional mostram as lesões de Hiii-Sachs (setas) e
Bankart (setas curvas) em uma mulher de 42 anos de idade com luxação anterior do ombro reduzida .
Membro Supe rior I: Cíngulo do Membro Superior 119

Fig. 5.47 Demonstração por RM da lesão de Bankart. (A) Imagem axial ponderada em Tl mostra lesão de Bankart óssea (seta) com fratura da glenóide
anterior. (B) Imagem axial em densidade protônica mostra separação do lábio ântero-inferior (seta curta) e laceração do ligamento glenoumeral inferior (seta
longa) .

braço rodado internamente (Fig. 5.42). A lesão de Hill-Sachs também Síndrome de lmpacção
pode ser examinada por imagens de TC (Fig. 5.43) ou RM. Ao se usar a
última modalidade, a imagem coronal oblíqua (Fig. 5.44A) ou axial (Fig. A síndrome de impacção do ombro refere-se a um distúrbio no qual
5.44B) revela esta anormalidade. A fratura da face anterior da margem o tendão do supra-espinhal e a bolsa subacromial são cronicamente
inferior da glenóide, conhecida como lesão de Bankart, é menos observa- aprisionados entre a cabeça do úmero inferiormente e a própria
da. Pode ocorrer secundariamente ao movimento anterior da cabeça do porção anterior do acrômio , esporões da porção anterior do acrô-
úmero em deslocamento e é de pronto demonstrada na incidência ântero- mio ou articulação acromioclavicular, ou o ligamento coracoacromial
posterior, com o braço na posição neutra (Figs. 5.45 e 5.46) . Quando o superiormente (arco coracoacromial) . O diagnóstico precoce e o
local da lesão de Bankart é o lábio cartilaginoso, que ãs vezes pode estar tratamento da síndrome de impacção são fundamentais para preve-
separado, isto só é revelado por artrotomografia computadorizada (ver nir a progressão deste distúrbio e melhorar a função do ombro .
Fig. 5.16) ou RM (Fig. 5.47) . A presença de qualquer uma dessas anor- Entretanto, é freqüente sinais e sintomas clínicos serem inespecífi-
malidades é praticamente diagnóstica de luxação anterior prévia. cos e, também com freqüência , o diagnóstico só é feito tardiamen-
luxação Posterior. Este tipo de luxação, que é muito menos obser- te , quando um defeito em toda a espessura do manguito rotador
vado- responde por apenas 2 a 3% das luxações na articulação gle- tenha se desenvolvido. Apenas raramente , os achados clínicos são
noumeral - resulta tanto por força direta, como um golpe na face suficientes para o seu diagnóstico definitivo , e se caracterizam por
anterior do ombro, quanto por força indireta aplicada ao braço combi- dor intensa durante a abdução e rotação externa do braço. Os acha-
nando adução, flexão e rotação interna. A luxação posterior causada dos radiológicos mais confiáveis associados a esta síndrome incluem
por força indireta ocorre mais freqüentemente secundária a choque proliferação subacromial do osso, formação de esporão na face in-
elétrico acidental ou com crises convulsivas. Neste tipo de luxação, a
cabeça do úmero situa-se posteriormente à fossa glenoidal e, em geral,
impacta sobre a margem posterior da glenóide.
A elaboração de um diagnóstico correto é com freqüência proble-
mática, porque a anormalidade pode ser facilmente negligenciada nas
radiografias ântero-posteriores padronizadas do ombro, em que a su-
perposição entre a cabeça do úmero e a fossa glenoidal pode ser inter-
pretada como normal. E imperativo, ao lidar-se com suspeita de luxa-
ção posterior, demonstrar radiologicamente a fossa glenoidal em per-
fil. Isto pode ser realizado na incidência ântero-posterior girando-se o
paciente 40° na direção do lado afetado (ver Fig. 5.5) . Normalmente, o
espaço da articulação glenoumeral é transparente nesta incidência. A
obliteração do espaço devida à superposição da cabeça do úmero com
a glenóide é diagnóstica de luxação posterior (Fig. 5.48) . O diagnósti-
co também pode ser feito na incidência axilar, embora a abdução limi-
tada do braço possa tomar impossível obter-se esta incidência (Fig. 5.49).
A fratura por compressão da face ântero-medial da cabeça do úme-
ro, conhecida como linha de impacção (sinal do canalete), ocorre comu-
mente na luxação posterior secundária a impacção da cabeça do úme-
ro na margem posterior da glenóide. Este sinal refere-se a uma linha
vertical ou em arco com o córtex da cabeça do úmero que se projeta
paralela e lateralmente à extremidade articular deste osso. A incidên-
cia ântero-posterior do ombro com o braço externamente rodado mos-
tra de pronto este tipo de fratura (Fig. 5.50); esta também é identifica-
da na incidência axilar (ver Fig. 5.49) . Fig. 5.48 Luxação posterior do ombro. Na incidência ântero-posterior do
Complicações. A luxação anterior ou posterior na articulação glenou- ombro obtida com a rotação do paciente a 40° na direção do lado afetado
meral pode resultar em complicações como luxações reco rrentes, ar- (incidência de Grashey), a superposição da cabeça do úmero deslocada me-
trite pós-traumática e lesão do nervo axilar e da artéria axilar. dialmente com a glenóide é praticamente diagnóstica de luxação posterior.
120 Membro Superior 1: Cíngulo do Membro Superior

Fig. 5.49 Luxação posterior do ombro. In-


cidência axilar do ombro mostra luxação
posterior. Observe a fratura por compres-
são associada da face ântero-medial da
cabeça do úmero.

- escápula

ferior do acrômio e alterações degenerativas das tuberosidades ume- gio III representa a ruptura completa do manguito rotador e está asso-
rais na inserção do manguito rotador. ciado a uma incapacidade progressiva. Em geral, este estágio é observa-
Neer descreveu três estágios da síndrome de impacção aparentes do em pacientes com mais de 40 anos de idade. A artrografia ajuda
clinicamente e na cirurgia. O estágio I consiste em edema e hemorra- pouco no diagnóstico precoce da síndrome de impacção, e outras téc-
gia e é reversível com terapia conservadora. Tipicamente, ocorre em nicas de imagem auxiliares também não são satisfatórias para demons-
indivíduos jovens engajados em atividades esportivas que demandam o tração da lesão nos estágios iniciais. Devido a sua alta resolução de con-
uso excessivo do braço acima da cabeça (isto é, natação). O estágio 11 traste de tecidos moles e capacidade de imagens multi planares, a RM é
implica fibrose e espessamento dos tecidos moles subacromiais, tendi- a única técnica que pode realizar imagens precisas das alterações inici-
nite do manguito rotador e, algumas vezes, laceração parcial do man- ais deste distúrbio e, sobretudo, do espessamento e derrame da bolsa
guito rotador. Manifesta-se clinicamente por dor recorrente e, com fre- (bursite subacromial), edema e alterações inflamatórias do manguito
qüência, é observado em pacientes com 25 a 40 anos de idade. O está- rotador e de seus tendões (Fig. 5.51).

Fig. 5.50 Luxação posterior do ombro. In-


cidência ântero-posterior do ombro mos-
tra luxação posterior na articulação glenou-
meral. Observe a linha de impacção na face
ântero-medial da cabeça do úmero.
Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior 121

acrõmio

~~;z::z:;;e:~- tendão do
supra-espinhal
sinal aumentado
na zona crítica

gordura normal
na peribolsa

Fig. 5.51 Síndrome de impacção. (A) RM coronal oblíqua ponderada em T1 do estágio inicial da síndrome de impacção. Há aumento discreto de sinal na
zona crítica do tendão supra-espinhal. A gordura na peribolsa que demarca o complexo de bolsas subacromial-subdeltóide ainda está intacta. (Reproduzido
de Holt RG et ai., 1990, com permissão.) (B) RM coronal oblíqua ponderada em T1 da síndrome de impacção em estágio 11 mostra ruptura parcial (seta preta)
do tendão do supra-espinhal. Uma linha de gordura subacromial-subdeltóide ainda está preservada (setas brancas). (C) RM coronal oblíqua ponderada em
T2* (multiplanar gradient-recalled) da síndrome de impacção em estágio 11 mostra atenuação do sinal de alta intensidade da superfície inferior do tendão supra-
espinhal (seta preta).

Ruptura do Manguito Rotador tresse de tração pelo manguito rotador (Fig. 5.52). Embora estes acha-
dos em geral sejam diagnósticos de ruptura crônica, a artrografia con-
O manguito rotador do ombro, uma estrutura musculotendinosa ao redor trastada P.?de ser realizada para confirmar ou excluir o diagnóstico
da cápsula articular, consiste em quatro músculos intrínsecos: o subesca- suspeito. A medida que o manguito rotador intacto normalmente se
pular, o supra-espinhal, o infra-espinhal e o redondo menor (ver Fig. 5.3). separa do complexo das bolsas subacromial- subdeltóide da cavidade
As porções tendinosas do manguito, que convergem e se fundem para for- articular, apenas a articulação glenoumeral, o recesso axilar, a bolsa
mar o invólucro que cobre a cabeça do úmero, inserem-se no colo anatô- subtendínea do músculo subescapular e a bainha do tendão bicipital
mico e nas tuberosidades umerais. As lacerações geralmente ocorrem na devem opacificar o exame artrográfico (Fig. 5.53A; ver também Fig.
porção supra-espinhal do manguito, a aproximadamente 1 em da inser- 5.15B). A o pacificação das bolsas subacromial-subdeltóide é diagnósti-
ção na tuberosidade maior do úmero (conhecida como zona crítica). ca de ruptura do manguito rotador (Fig. 5.53B, C). Ocasionalmente, o
A lesão do manguito rotador pode ocorrer secundariamente a luxa- contraste é observado apenas na substância do manguito rotador, en-
ção na articulação glenoumeral ou a abdução súbita do braço contra a quanto o complexo das bolsas subacromial-subdeltóide permanece não
resistência. É mais comumente observada em pacientes acima de 50 anos opacificado, indicando ruptura parcial do manguito (Fig. 5.54).
de idade devido às alterações degenerativas normais no manguito que Embora a artrografia do ombro continue sendo a técnica efetiva para
predispõem esta estrutura a ruptura até mesmo após lesões mínimas do avaliar suspeita de ruptura do manguito rotador, a RM está sendo usa-
ombro. Clinicamente, são características dos pacientes com dor no da mais freqüentemente como um método não-invasivo para o diagnós-
ombro e incapacidade de abduzir um braço. tico desta ruptura. A vantagem da RM sobre a artrografia não é apenas
Embora as radiografias do ombro normalmente sejam insuficientes o fato de se tratar de uma técnica não-invasiva, mas também permitir a
para demonstrar a ruptura, certos aspectos radiográficos característicos visualização dos tecidos ósseos e dos tecidos moles periarticulares do
de ruptura crônica do manguito rotador podem estar presentes na in- ombro nos planos coronal, sagital, axial e oblíquo. Este método pro-
cidência ântero-posterior: (a) estreitamento do espaço acromioumeral vou ser altamente sensível (75 a 92%) e acurado (84 a 94%) no diag-
a menos de 6 mm; (b) erosão da face inferior do acrômio secundária à nóstico de ruptura completa do manguito rotador. Ademais, há uma
migração cefálica da cabeça do úmero; e (c) achatamento e atrofia da correlação excelente entre a avaliação pré-operatória do tamanho das
tuberosidade maior da cabeça do úmero causados pela ausência de es- lacerações do manguito rotador por RM e a da medida na cirurgia.
122 Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior

Fig. 5.52 Ruptura cromca do manguito rotador.


As características de ruptura crônica do manguito ro-
tador são identificadas na incidência ântero-poste-
rior do ombro.

estreitamento
do espaço
acromloumeral

achatamento da
tuberosidade maior

Fig. 5.53 Artrografia da articulação do ombro.


O manguito rotador intacto (A) não permite a
comunicação entre a cavidade articular glenoume-
ral e o complexo de bolsa subacromial-
subdeltóide. Quando a artrografia é realizada de-
vido a suspeita de ruptura do manguito, a opacifi-
cação das bolsas (B, C) indica a comunicação anor-
mal entre estas e a cavidade articular, confirman-
do o diagnóstico.
Membro Superior 1: Cíngulo d o Me m bro Superior 123

Fig. 5.54 Ruptura parcial do manguito rotador. Esta lesão (A) permite a passagem de contraste para a substância do manguito (B) enquanto as bolsas
subacromial-subdeltóide permanecem sem contraste.

líquido na bolsa
subacromial- subdeltóide

interrupção do tendão

Fig. 5 .55 Ruptura completa do tendão do supra-es-


pinhal. (A) RM coronal oblíqua do ombro esquerdo
(ponderada em T2* multiplanar gradient-recalled) mos-
tra interrupção do tendão do supra-espinhal e líquido
no complexo de bolsas subacromial- subdeltóide, di-
agnósticos de ruptura completa do manguito rotador.
(Reproduzido de Holt RG et ai., 1990, com permissão.)
(B) RM carona! oblíqua ponderada em T2 com supres-
são de gordura do ombro direito mostra ruptura com -
pleta do tendão do supra-espinhal (setas) e retração
mediai do músculo supra-espinhal (seta aberta) .
124 Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior

Fig. 5.56 Ruptura do manguito rotador. (A) Imagem coronal


ponderada em T2* (multiplanar gradient-recalled) mostra rup-
tura completa do manguito rotador com comunicação direta
de líquido entre a articulação glenoumeral e o complexo de
bolsa subacromial-subdeltóide (seta). (B) e (C) Imagens coro-
nais oblíquas ponderadas em T2* (multiplanargradient-recalled)
mostram ruptura maciça do manguito rotador (setas) com rup-
tura anterior e posterior dos tendões do supra-espinhal (5) e do
infra-espinhal (/).

A visualização do manguito rotador é ideal quando são obtidas ima- interpretação correta. Grandes rupturas são bem visualizadas nas ima-
gens coronais oblíquas. Os achados da RM para a ruptura do manguito gens por RM como áreas de descontinuidade e de irregularidade dos
rotador consistem em descontinuidade focal do tendão do supra-espi- tendões do manguito rotador, com passagem do líquido articular atra-
nhal, retração tendinosa e muscular, sinal anormalmente aumentado vés do defeito do manguito dentro do complexo das bolsas subacromial-
dentro do tendão e presença de líquido no complexo das bolsas suba- subdeltóide. Com rupturas completas do manguito rotador e retração
cromial-subdeltóide (Figs. 5.55 , 5.56 e 5.57). dos tendões, o ventre do músculo correspondente assume uma forma
Entretanto, deve-se notar que a aparência complexa da RM do man- globular distorcida que é facilmente reconhecida. As rupturas crônicas
guito rotador pode confundir o diagnóstico de uma ruptura; a expe- podem resultar em atrofia da musculatura do manguito, manifestada
riência e o conhecimento total da anatomia normal são necessários para nas imagens ponderadas em Tl por diminuição no tamanho e no volu-

Fig. 5.57 Ruptura do manguito rotador. (A) Imagens coronais oblíquas ponderadas em Tl (A) e ponderadas em T2* (B) mostram ruptura completa do
tendão do supra-espinhal com retração proximal da borda do tendão ao nível da articulação acromioclavicular (setas retas). Leve atrofia adiposa do músculo
supra-espinhal (pequena seta curva).
Membro Superio r 1: Cíngulo do Membro Superior 125

Fig. 5.58 RM da lesão ALPSA. Imagem de RM axial gradiente-eco ponde-


rada em T2* mostra avulsão do lábio cartilaginoso anterior (seta curva),
porém o periósteo escapular anterior, apesar de arrancado do osso, per-
manece fixado ao lábio (seta aberta).

me do músculo , e por infiltração do músculo por uma faixa de gordura artrografia por RM com o braço do paciente em abdução e rotação
com sinal de alta intensidade. As rupturas parciais podem ser observa- externa (denominada posição ABRE) (Fig. 5.59).
das como vários focos de sinal de alta intensidade dentro de sinal ho- Lesão SLAP. A lesão da porção superior do lábio glenoidal cartilagi-
mogêneo de baixa intensidade do tendão ou como irregularidades ou noso , em qualquer um dos lados de fixação da cabeça longa do tendão
adelgaçamento do tendão. O obscurecimento da linha de gordura do bíceps no lábio no tubérculo glenoidal superior, é denominada le-
subacromial-sudeltóide nas imagens ponderadas em T2 é o indicador são SLAP (ruptura dos lábios anterior, posterior e superior) e resulta
sensível de rupturas do manguito rotador, e o sinal de intensidade au- de uma abdução forçada súbita do braço. Geralmente, acontece em
mentada na mesma região nas seqüências ponderadas em T2 corres- atividades atléticas como tênis, voleibol ou beisebol, embora às vezes o
ponde ao extravasamento de líquido articular no complexo das bolsas mecanismo desta lesão possa consistir em queda sobre o braço esticado
subacromial-subdeltóide. com o ombro em abdução e flexão discreta para frente no momento
A RM fornece informações críticas ao cirurgião em relação ao tama- do impacto. As lesões SLAP são classificadas em quatro tipos. O tipo I é
nho e localização de uma ruptura, os tendões específicos envolvidos, o o menos comum ( 10% ) e consiste em aparência irregular desgastada e
grau de atrofia da muscular e de retração dos tendões, e a qualidade degene rativa da porção superior do lábio cartilaginoso. Neste tipo de
das margens rotas. Essas informações são valiosas para avaliar a possibi- lesão, o lábio permanece firmemente fixado à margem da glenóide. O
lidade de cirurgia e o tipo de reparo necessário. tipo 11 é o mais comum ( 40 % ) e consiste na separação superior do lá-
bio cartilaginoso ao nível do ligamento glenoumeral médio, bem como
Lesão do Lábio Cartilaginoso na separação do tendão da cabeça longa do bíceps da margem da gle-
Lesão de Bankart. A lesão do lábio cartilaginoso ântero-inferior, que nóide. O tipo III (30 % ) consiste numa ruptura em "alça de balde" da
geralmente está associada a uma avulsão do ligamento glenoumeral porção superior do lábio; todavia, o local de fixação do tendão da cabe-
inferior da margem ântero-inferior da glenóide , ocorre durante a luxa- ça longa do bíceps está intacto. O tipo IV (15 % ) consiste em ruptura
ção anterior na articulação glenoumeral. Pode afetar apenas uma por- em "alça de balde" do lábio superior estendendo-se até o tendão do
ção fibrocartilaginosa da glenóide , ou estar associada a uma fratura da bíceps. Os achados de RM da lesão SLAP incluem um sinal linear de
face anterior da margem óssea inferior da glenóide (ver Fig. 5.45) . intensidade aumentada na porção superior do lábio cartilaginoso nas
Lesão POLPSA. A lesão POLPSA, recentemente descrita como avul- seqüências ponderadas em T2 (Fig. 5.60); na artrografia por RM o con-
são da bainha periosteallabiocapsular posterior, consiste em avulsão da traste se estende em uma porção superior separada do lábio.
fixação da cápsula glenoumeral e do periósteo à qual esta é fixada so- Lesão GLAD. A lesão da porção ântero-inferior do lábio glenoidal car-
frida durante a luxação posterior do ombro. Ao contrário da lesão de tilaginoso associada a ruptura articular glenolabial é denominada lesão
Bankart, o lábio glenoidal posterior está intacto, embora esteja separa- GLAD. O mecanismo habitual desta lesão consiste em queda sobre um
do da glenóide óssea. braço esticado em abdução e rotação externa, resultando na lesão por
Lesão ALPSA. A lesão ALPSA é semelhante à lesão de Bankart. Tra- adução forçada do ombro onde a cabeça do úmero choca-se contra a car-
ta-se de uma lesão por avulsão da bainha periosteal labioligamentar tilagem articular adjacente da glenóide. A lesão consiste em laceração su-
anterior sofrida durante luxação anterior na articulação glenoumeral; perficial da porção ântero-inferior do lábio e sempre está associada a rup-
contudo, o periósteo escapular anterior não se rompe como ocorre na tura inferior em "flap", mas sem evidências de instabilidade articular gle-
lesão de Bankart clássica. Isto resulta em deslocamento mediai das es- noumeral anterior no exame fisico. As fibras profundas do ligamento gle-
truturas labioligamentares que também rodam inferiormente no colo noumeral inferior permanecem fixadas ao lábio e à margem da glenóide.
da escápula. A lesão ALPSA é mais bem observada em imagens de RM Uma lesão GLAD é efetivamente diagnosticada na artrografia por RM. Os
axiais (Fig. 5.58). achados incluem ruptura sem deslocamento do lábio ântero-inferior com
Lesão de Perthes. A lesão de Perthes, originalmente descrita pelo lesão condral adjacente, que pode variar de ruptura com "flap" cartilagi-
cirurgião alemão Perthes em 1905, é muito semelhante à lesão ALPSA. noso a lesão com depressão da cartilagem articular (Fig. 5.61).
O periósteo escapular está intacto; entretanto, é "arrancado" mediai- lesão GLOM. A lesão GLOM ou sinal GLOM (massa o vóide
mente causando avulsão incompleta do lábio glenoidal anterior. Devi- glenolabial) representa uma avulsão de uma porção do lábio anterior
do ao lábio cartilaginoso avulso não estar deslocado nem minimamen- observada na imagem de RM axial.
te deslocado , as imagens por RM convencional podem não detectar esta Complexo de Buford. A variante congênita da ausência do lábio
anormalidade. A técnica mais eficaz para diagnosticar esta lesão é a ântero-superior e espessamento acentuado do ligamento glenoumeral
126 Membro Superior 1: Cíngulo do Membro Superior

Fig. 5.59 lesão de Perthes. Um homem de 32 anos de idade apresentava instabilidade no ombro anterior após queda com a mão espalmada. (A) Artrografia
por RM axial ponderada em Tl com saturação de gordura mostra o lábio anterior espessado (setas), porém não há ruptura demonstrada. (B) Artrografia por
RM axial oblíqua ponderada em Tl obtida na posição ABRE (abdução-rotação externa) mostra separação entre o lábio anterior e a glenóide (seta curva).
(Cortesia do Dr. T. K. Wischer, Base! Switzerland. Reimpresso com permissão de Wischer TK, Bredella MA, Genant HK, Stoller DW, Bost FW, Tirman PF. Perthes
lesion [a variant of the Bankart lesion] : MR imaging and MR arthrographic findings with surgical correlation. AJR Am f Roentgeno/2002; 178: 233-237.)

médio que pode simular uma ruptura labial é denominada complexo porção anterior do ombro. O ligamento glenoumeral inferior (LGUI)
de Buford (Fig. 5.62). O aspecto deste complexo na RM deve ser dife- é a estrutura mais espessa e se estende do lábio glenoidal até o colo
renciado de outras variantes anatômicas normais, como uma separação anatômico do úmero. O ligamento glenoumeral médio (LGUM) origi-
isolada do lábio ântero-superior (também conhecida como forame ou na-se na porção superior do lábio anterior e se fixa à base da tuberosi-
orifício sublabial), o corte por baixo da cartilagem articular entre o lá- dade menor do úmero. O ligamento glenoumeral superior (LGUS)
bio e a cortical da glenóide ou a presença de um recesso (sulco) sinovi- origina-se do lábio súpero-anterior e se fixa distalmente à face superior
al interposto entre a margem da glenóide e o lábio cartilaginoso. da tuberosidade menor do úmero. Todos estes ligamentos podem ser
lesados durante um evento traumático da articulação do ombro; entre-
Lesão dos Ligamentos Glenoumerais (LGU)
tanto, o ligamento glenoumeral inferior, estabilizador mais importan-
Existem três ligamentos glenoumerais localizados na porção anterior te da articulação glenoumeral, é mais vezes traumatizado.
da articulação glenoumeral que contribuem para a estabilidade da Lesão HAGL. A avulsão do ligamento glenoumeral inferior do colo
anatômico do úmero é denominada lesão HAGL. Pode ser causada por
luxação do ombro e, freqüentemente, está associada a ruptura do ten-
dão subescapular. Esta anormalidade pode ser observada em imagens
de RM axial, coronal oblíqua ou sagital ou em artrografia por RM.
Lesão BHAGL. A avulsão umeral óssea do ligamento glenoumeral
(BHAGL) é semelhante à HAGL, porém está associada a avulsão de um
fragmento ósseo do úmero .
Outras Anormalidades
Capsulite Adesiva. A capsulite adesiva, também denominada "om-
bro congelado", geralmente resulta de inflamação adesiva pós-traumá-
tica entre a cápsula articular e a cartilagem articular periférica do om-
bro. Clinicamente, é caracterizada por dor, rigidez e limitação de mo-
vimentos na articulação do ombro.
Devido à radiografia- que pode apenas revelar osteoporose periar-
ticular por desuso secundária a este distúrbio - ser insuficiente para
firmar um diagnóstico, a artrografia com contraste simples ou duplo é
a técnica de escolha quando houver suspeita desta anormalidade. Em
geral , o artrograma revela diminuição da capacidade da cápsula articu-
lar, ou até mesmo obliteração completa dos recessos axilares e subesca-
pulares , achados diagnósticos deste distúrbio (Fig. 5.63).
Recentemente, o uso de imagem pela RM foi recomendado para
diagnosticar a capsulite adesiva do ombro. Emig e colaboradores rela-
taram que o espessamento da cápsula e da sinóvia superior a 4 mm
Fig. 5.60 RM de lesão SLAP. RM coronal oblíqua ponderada em T2* mostra detectado nos estudos de RM pode ser um critério útil para o diagnós-
lesão SLAP do tipo 11 envolvendo o lábio glenoidal anterior superior (L). Ob- tico desta condição.
serve o sinal linear de alta intensidade estendendo-se através da base do lábio Separação Acromioclavicular. As lesões da articulação acromio-
(seta). clavicular, que são comumente sofridas durante atividades atléticas
Membro Superior 1: Cíngulo do Membro Superior 127

Fig. 5.61 RM de lesão GLAD. Artrografia por RM axial ponderada em T2 do Fig. 5.62 RM de complexo de Buford. A artrografia por RM mostra ausência
ombro esquerdo mostra ruptura sem deslocamento do lábio ântero-inferior do lábio glenoidal anterior superior (seta) e espessamento acentuado do liga-
associada a defeito osteocondral (seta) em um jogador profissional de hóquei mento glenoumeral médio (seta aberta), aspectos característicos do comple-
no gelo que sofreu luxação anterior do ombro. (Cortesia do Dr. j. Tehranzadeh, xo de Buford. Esta variante congênita pode simular laceração labial. (Cortesia
Orange, Califórnia.) do Dr. L. Steinbach, São Francisco, Califórnia.)

por indivíduos entre as idades de 15 e 40 anos, freqüentemente re- afastando o ombro da pare de torácica e uma queda sobre a mão
sultam em separação (luxação) acromioclavicular. Várias forças po- estendida ou sobre o cotovelo flexionado com o braço flexionado a
dem causar lesão da articulação acromioclavicular. A mais comum é 90° para a frente.
uma contusão para baixo na face lateral do ombro que desloca o Qualquer que seja o mecanismo da lesão , o grau de lesão dos li-
acrômio inferiormente (caudalmente); outras são a tração no braço gamentos acromioclavicular e coracoclavicular varia com a gravida-

contraste na cápsula
~-::..--::::::-~ articular

~~~"---- canais linfáticos


o pacificados

Fig . 5.63 Capsulite adesiva. Artrografia com duplo contraste do ombro mostra os achados característicos de ombro congelado. A capacidade da bolsa axilar
está muito diminuída e o recesso subescapular permanece sem opacificação, enquanto os canais linfáticos são preenchidos com contraste secundariamente ao
aumento da pressão intracapsular.
128 Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior

Quadro 5 .3 Graus de Separação Acromioclavicular


Grau Características Radiológicas
I Alargamento mínimo do espaço articular
(Entorse Leve) acromioclavicular, que normalmente tem
0,3-0,8 em
Distância coracoclavicular na faixa normal de
1,0-1,3 em
11 Alargamento do espaço articular
(Entorse Moderada) acromioclavicular para 1,0-1,5 em
Aumento de 25-50% na distância
coracoclavicular
111 Alargamento acentuado do espaço articular
(Entorse Grave) acromioclavicular até 1,5 em ou mais e da
distância coracoclavicular em 50% ou mais
Luxação na articulação acromioclavicular
Deslocamento cefálico aparente da
extremidade distai da clavícula

"~i~
· ....
·-:t.•"
~- .
de da força aplicada e com a extensão da entorse leve do ligamento
acromioclavicular, da entorse moderada envolvendo a ruptura do liga-
mento acromioclavicular e da entorse do ligamento coracoclavicular
com c~mseqüente luxação na articulação acromioclavicular (Quadro
5.3). E importante estar ciente de que, como Rockwood e Green Fig. 5.65 Medidas normais. Diagrama esquemático mostra a relação normal
pontuaram, a principal deformidade encontrada neste tipo de lesão entre o processo coracóide e a face inferior da clavícula e a largura normal do
espaço articular na articulação acromioclavicular.
não é a elevação da clavícula, mas sim o deslocamento inferior da
escápula e do membro superior (Fig. 5.64), embora algum grau de
deslocamento cefálico da extremidade distai da clavícula possa acom-
panhar este tipo de lesão . Os sintomas clínicos também variam com
a gravidade da lesão; os pacientes podem apresentar-se com sinto-
mas variando de hipersensibilidade dolorosa a palpação, edema e
discreta limitação dos movimentos na articulação até a incapacida-
de completa de abduzir o braço .
A suspeita de luxação acromioclavicular é prontamente avaliada na
incidência ântero-posterior do ombro obtida com uma angulação cefá-
lica de 15° do tubo de raios X (ver Fig. 5.11). Freqüentemente, é neces-
sário obter uma imagem com estresse nesta incidência, prendendo-se
um peso de 2,5 a 4,5 kg a cada antebraço. Um estudo comparativo do
ombro oposto é invariavelmente útil.
Os exames radiográficos também podem ser suplementados pela
quantificação da separação acromioclavicular com base nas relações
normais do processo coracóide, clavícula e acrômio (Fig. 5.65). Normal-
mente, a distância entre o processo coracóide e a face inferior da claví-
cula, conhecida como distância coracoclavicular, varia de 1 a 1,3 em; o
espaço articular na articulação da clavícula com o acrômio mede 0,3 a
0,8 em. O grau de alargamento nestes pontos ajuda a determinar a gra-
vidade da lesão. Um aumento de , por exemplo, 0,5 em na distância
coracoclavicular ou um alargamento da distância em 50% ou mais, com-
parado com o ombro oposto, é característico de separação acromiocla-
vicular de grau III (Fig. 5.66).
Recentemente, Antonio e colegas introduziram a classificação de
lesão da articulação acromioclavicular com o uso da RM. Na lesão do
tipo I, há uma entorse do ligamento acromioclavicular, porém os liga-
mentos coracoclaviculares estão intactos. As imagens de RM mostram
achados inespecíficos. Na lesão do tipo 11, há evidência de ruptura do
ligamento acromioclavicular, porém o ligamento coracoclavicular está
apenas torcido. As imagens por RM mostram edema do ligamento
coracoclavicular e continuidade de suas fibras . A extremidade acromial
da clavícula e o acrômio também podem exibir edema de medula
óssea. Imagens de RM sagitais oblíquas são mais efetivas para demons-
trar essa anormalidade. Na lesão do tipo 111, observa-se luxação comple-
ta da articulação acromioclavicular e o ligamento coracoclavicular está
Fig. 5.64 Separação acromioclavicular. A principal deformidade encontrada roto. Os músculos deltóide e trapézio podem estar separados da ex-
na separação acromioclavicular é o deslocamento inferior da escápula e do tremidade distai da clavícula. As imagens de RM sagitais e coronais
membro superior, enquanto a posição da clavícula do lado afetado permane- oblíquas são mais efetivas para diagnosticar esta lesão. Na lesão do tipo
ce a mesma em relação à clavícula no lado não afetado. (Modificado de IV, a extremidade acromial da clavícula está posteriormente luxada e
Rockwood CA ]r., Green DP, 1975, com permissão.) a escápula está deslocada ântero-inferiormente. A imagem de RM mais
Membro Superior 1: Cíngulo do Membro Superior 129

. :: .:

. =:=.:~:~ : •••·•. B

Fig. 5.66 Luxação acromioclavicular. (A) Incidência ântero-posterior do ombro mostra deslocamento cefálico aparente da extremidade distai da clavícula e
o alargamento da articulação acromioclavicular e da distância coracoclavicular. As deformidades acentuadas observadas aqui, que são características da sepa-
ração acromioclavicular de grau 111 (entorse grave), são resultantes da laceração dos ligamentos coracoclavicular e acromioclavicular com conseqüente luxação
na articulação acromioclavicular (B).

efetiva para detectar este tipo de lesão é na orientação axial. Na lesão - , a extremidade acromial da clavícula está luxada inferiormente na
do tipo V, os achados são semelhantes aos do tipo III, porém mais gra- direção do acrômio e do processo coracóide.
ves. As fixações dos músculos trapézio e deltóide na clavícula e no Osteólise Pós-traumática da Porção Distai da Clavícula. Após le-
acrômio estão completamente arrancadas, e se observa a queda da são do ombro, como uma entorse da articulação acromioclavicular, a
escápula inferiormente. A extremidade acromial da clavícula está reabsorção da extremidade distai (acromial) da clavícula pode ocasio-
deslocada cefalicamente. As imagens de RM coronal, axial e sagital nalmente ocorrer. O processo osteolítico, que está associado a dor leve
oblíqua demonstram bem esta lesão. Na lesão do tipo VI- a mais rara a moderada, geralmente começa 2 meses após a lesão. Os achados radioló-

------:f---.:!S;::;t...._ :~:~~~J~~vicular
alargada

Fig. 5.67 Osteólise pós-traumática. Um homem de 50 anos de idade que há 5 meses sofreu traumatismo no ombro direito em uma queda apresentou-se
com queixas de dor enquanto jogava tênis. Incidência ântero-posterior do ombro mostra alargamento acentuado da articulação acromioclavicular secundário
à reabsorção da extremidade distai da clavícula- aspectos radiográficos típicos de osteólise pós-traumática. Observe também a ossificação pós-traumática na
inserção do ligamento coracoclavicular.
130 Membro Superior I: Cíngulo do Membro Superior

2. A classificação em quatro segmentos de Neer baseada na presen-


ça ou ausência de deslocamento dos quatro fragmentos principais
é uma forma prática e eficaz de avaliar as fraturas da porção pro-
ximal do úmero.
3. As fraturas da escápula, sobretudo se cominutivas e com desloca-
mento, são mais bem avaliadas na incidência transescapular (ou
Y). Se houver dúvida quanto ao diagnóstico, ou a fratura não pu-
der ser bem demonstrada pela radiografia convencional, tomogra-
fia triespiral ou TC deve ser realizada.
4. A classificação de fraturas de Neer da extremidade acromial da
clavícula é baseada no local e direção da linha de fratura e na in-
tegridade dos ligamentos.
5. Para avaliação precisa da articulação do ombro e melhor demons-
tração da articulação glenoumeral, a incidência ântero-posterior
obtida com o paciente rodado em cerca de 40° na direção do lado
afetado (incidência de Grashey):
• elimina a superposição da cabeça do úmero e fossa glenoidal
• permite a visualização do espaço articular glenoumeral e da
glenóide em perfil.
6. A lesão de Hill-Sachs, que é mais bem demonstrada na incidência
ântero-posterior obtida com o braço rodado internamente, e a
lesão de Bankart são praticamente diagnósticas de luxação ante-
rior prévia.
7. A fratura por compressão (sinal do canalete) da face ântero-me-
dial da cabeça do úmero é uma seqüela comum de luxação poste-
Fig. 5.68 Nervo supra-escapular. Trajeto do nervo supra-escapular observa- rior. A incidência ântero-posterior obtida com o braço rodado
do da face posterior da escápula direita. externamente mostra de pronto este achado.
8. As características da síndrome de impacção na RM incluem:
• alterações císticas e escleróticas na tuberosidade maior
• edema perimuscular e peritendinoso
gicos iniciais consistem em edema de tecidos m_?les e osteop~rose pe~ar­ • espessamento (ou derrame) da bolsa subacromial
ticular. Em seu estágio avançado, a reabsorçao da extremidade d1stal • adelgaçamento do tendão do supra-espinhal
da clavícula resulta em alargamento acentuado da articulação acromi- • sinal de intensidade elevada no tendão (nas imagens pondera-
oclavicular (Fig. 5.67). das em T2)
Síndrome do Nervo Supra-escapular. O nervo supra-escapular • esporão subacromial.
segue um percurso dentro das incisuras escapulares espinoglenóide 9. A ruptura do manguito rotador pode ser avaliada efetivamente por
e supra-escapular. Trata-se de um nervo misto - motor e sensorial artrografia contrastada. A opacificação do complexo de bolsas
- que fornece fibras motoras aos músculos supra-espinhal e infra- subacromial-subdeltóide é diagnóstica desta lesão.
espinhal e transporta fibras de sensibilidade dolorosa das articula- 10. As características da ruptura do manguito rotador no estudo por
ções glenoumeral e acromioclavicular. Uma entidade clínica rara- RM incluem:
mente diagnosticada , a síndrome do ne rvo supra-escapular, resulta • descontinuidade dos tendões do manguito rotador
do aprisionamento ou comprometimento deste nervo em algum • sinal de intensidade elevada na estrutura do tendão (imagens
ponto de seu trajeto (Fig. 5.68). A maioria dos pacientes relata dor ponderadas em T2)
inespecífica no ombro, pescoço, parte anterior do tórax, ou em uma • retração da junção musculotendinosa dos músculos espinhais
combinação destes sítios anatômicos. Posteriormente, astenia e atro- • atrofia do músculo supra-espinhal e infiltração por gordura
fia intensas dos músculos supra-espinhal e infra-espinhal podem • obliteração da linha de gordura subacromial-subdeltóide (nas
ocorrer. Várias causas de lesão ou aprisionamento do nervo supra- imagens ponderadas em T1)
escapular foram relatadas, incluindo fratura da escápula ou do úme- • líquido no complexo de bolsas subacromial-subdeltóide.
ro , luxação anterior do ombro, espessame nto dos ligamentos trans- 11. Imagens de RM sagitais oblíquas são úteis para mostrar três tipos de
versos da escápula, tendinite do manguito rotador e vários tumores acrômio: tipo 1, plano; tipo 2, suavemente curvo; tipo 3, em gancho.
maligt:;.os e benignos. Destes últimos , a massa mais comumente en- 12. As imagens de RM axiais são úteis para demonstrar três tipos de
contrada é um gânglio localizado na incisura espinoglenoidal (da inserção capsular anterior à escápula.
escápula). A técnica mais eficaz para diagnosticar a síndrome do 13. A posição ABRE do braço (abdução e rotação externa) é efetiva
nervo supra-escapular é a RM . Esta modalidade pode distinguir di- para avaliar anormalidades sutis do lábio cartilaginoso e do com-
ferentes fatores etiológicos responsáveis pela síndrome e fornecer plexo ligamentar labial durante artrografia por RM.
informações anatômicas, além de demonstrar atrofia dos músculos 14. A separação acromioclavicular é mais bem demonstrada na inci-
espinhosos. Também pode excluir outras causas de ombro doloro- dência ântero-posterior sob estresse com angulação cefálica de 15o
so, como a ruptura do manguito rotador. do tubo de raios X e pesos atados aos antebraços do paciente. As
características radiológicas deste distúrbio incluem:
ASPECTOS PRÁTICOS A SEREM LEMBRADOS • alargamento do espaço articular acromioclavicular
• alargamento da distância corococlavicular
1. As fraturas da porção proximal do úmero podem ser avaliadas nas • presença ou ausência de deslocamento cefálico aparente da
incidências ântero-posterior, transescapular e transtorácica late- extremidade distai da clavícula.
ral. Esta última incidência: 15. A síndrome do nervo supra-escapular resulta do aprisionamento
• fornece uma imagem lateral verdadeira da porção proximal do deste nervo causado por vários processos patológicos, incluindo a
úmero fratura da escápula ou do úmero, luxação anterior do ombro,
• permite a avaliação suficiente do grau de deslocamento ou tendonite do manguito rotador e tumores benignos ou malignos.
angulação desses fragmentos . A RM é a técnica ideal para diagnosticar esta síndrome.
Membro Superior I : Cíngulo do Membro Superior 131

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MEMBRO SUPERIOR 11
Cotovelo

Cotovelo são completa. Os movimentos de flexão e extensão no cotovelo ocor-


rem nas articulações umeroulnar e radiocapitelar. Os músculos bíceps,
O traumatismo do cotovelo é comum em todas as faixas etárias, mas é braquiorradial e braquial são flexores primários do cotovelo, enquanto
freqüente sobretudo quando, ao começarem a andar, as crianças sofrem o músculo tríceps é o extensor da articulação do cotovelo (Fig. 6.2). O
lesões do cotovelo. Atividades de lazer e atléticas na segunda infância e movimento rotacional ocorre quando a cabeça do rádio , mantida fir-
no início da adolescência também são ocasiões freqüentes de trauma- memente pelo ligamento anular da ulna, roda dentro da incisura radi-
tismo. Embora a anamnese e o exame clínico forneçam em geral indí- al da ulna. As articulações radioulnares proximal e distai permitem 90o
cios para o diagnóstico correto, o exame radiológico é indispensável para de pronação e supinação do antebraço. A estabilidade da articulação é
determinar o tipo de fratura ou luxação, a direção da linha de fratura e determinada pelo grupo de ligamentos colaterais ulnares do carpo
a posição dos fragmentos, e também para avaliar lesões concomitantes medialmente e pelos ligamentos colaterais radiais do carpo lateralmente
dos tecidos moles. (Fig. 6.3). O ligamento colateral ulnar consiste no feixe anterior, que
se estende da face ântero-inferior do epicôndilo mediai até a margem
Considerações Anatomorradiológicas coronóide mediai; no feixe posterior, que se estende da face póstero-
inferior do epicôndilo mediai até a margem mediai do olecrânio; e no
A articulação do cotovelo, uma articulação sinovial composta, compre- feixe transverso, que se estende sobre a incisura, entre o processo coro-
ende as articulações umeroulnar (ulnotroclear), umerorradial nóide e o olecrânio. O ligamento colateral radial é mais fino que o liga-
(radiocapitelar) e radioulnar proximal (Fig. 6.1). É uma articulação do mento colateral ulnar e se insere no ligamento anular, que por sua vez
tipo gínglimo com cerca de 150° de flexão a partir da posição de exten- circunda a cabeça do rádio e se fixa às margens anterior e posterior da
136 Membro Superior Il: Cotovelo

Vista Anterior Vista Posterior

Fig . 6.1 Estruturas ósseas do cotovelo. Vistas anterior e posterior da porção distai do úmero e dos terços proximais do rádio e da ulna.

incisura radial da ulna. Uma cápsula fibrosa profunda nas estruturas do Quando há suspeita de traumatismo do cotovelo, as radiografias são
ligamento circunda a articulação do cotovelo. A cápsula articular ante- obtidas rotineiramente nas incidências ântero-posterior e lateral, às vezes
rior e a sinóvia inserem-se proximalmente às fossas coronóide e radial suplementadas por incidências oblíquas interna e externa.
na face anterior do úmero. A cápsula articular posterior fixa-se ao úme- A incidência ântero-posterior geralmente é suficiente para mostrar a
ro logo proximal à fossa do olecrânio. lesão dos epicôndilos medial e lateral, da fossa do olecrânio, do capítu-

Vista Anterior Vista Posterior

Fig . 6.2 Músculos do cotovelo. Vistas anterior e posterior dos músculos da articulação do cotovelo.
Membro Superior II : Cotovelo 137

Fig . 6.3 Ligamentos do cotovelo.


Vistas mediai e lateral dos ligamentos Vista Mediai
da articulação do cotovelo.

Vista Lateral

fossa do olecrânio

-+- - epicõndilo lateral


olecrânio
tróclea
capítulo
processo coronóide
cabeça do rádio

A
Fig. 6.4 Incidência ântero-posterior. (A) Para incidência ântero-posterior do cotovelo, o antebraço é supinado (palma da mão para cima) na mesa radioló-
gica, com a articulação do cotovelo completamente esticada e os dedos discretamente flexionados. O raio central é orientado perpendicularmente à articu-
lação do cotovelo. (B) Esta incidência mostra os epicôndilos mediai e lateral, a fossa do olecrânio, o capítulo e a cabeça do rádio . O processo coronóide é
visualizado de frente, e o olecrânio se superpõe à tróclea .
138 Membro Superior II: Cotovelo

lo, da tróclea e da cabeça do rádio (Fig. 6.4). Também revela uma rela-
ção anatômica importante entre o antebraço e o eixo central do braço,
conhecida como ângulo de condução (Fig. 6.5). Normalmente, o eixo
longitudinal do antebraço forma um ângulo valgo de 15° com o eixo
longitudinal do braço; o antebraço portanto é angulado lateralmente,
isto é, afastando-se do eixo central do corpo.
Na incidência ântero-posterior em crianças, é essencial reconhecer
os quatro centros de ossificação secundários da porção distai do úme-
ro: os do capítulo, dos epicôndilos mediai e lateral e da tróclea. A or-
dem habitual na qual estes centros aparecem e a idade na qual setor-
nam visíveis radiologicamente são fatores importantes na avaliação das
lesões do cotovelo (Fig. 6.6) . O deslocamento de qualquer um desses
centros serve como indicador diagnóstico do tipo de fratura ou luxa-
ção. Por exemplo, o epicôndilo mediai sempre se ossifica antes da tró-
clea. Se o exame radiológico em uma criança entre 4 e 8 anos de idade
revelar uma estrutura óssea na região da tróclea (isto é, antes do apare-
cimento deste centro de ossificação) e não mostrar evidências do cen-
tro de ossificação do epicôndilo mediai, deve-se supor que o centro de
ossificação do epicôndilo mediai foi avulsionado e deslocado para a
articulação (Fig. 6. 7).
A incidência lateral do cotovelo permite avaliação suficiente do proces-
so do olecrânio, da face anterior da cabeça do rádio e da articulação
umerorradial. Entretanto, é limitada nas informações que pode fornecer,
principalmente quanto à metade posterior da cabeça do rádio e do pro-
cesso coronóide, em face da superposição das estruturas ósseas (Fig. 6.8) .
Assim como ocorre com a incidência ântero-posterior, a incidência
Fig. 6.5 Ângulo de condução. O ângulo formado pelos eixos longitudinais lateral em crianças revela configurações e relações significativas que, se
da porção distai do úmero e da porção proximal da ulna constitui o ângulo de distorcidas, indicam a presença de anormalidades. A porção distai do
condução do antebraço. Normalmente, há um ângulo valgo de 15°. úmero em crianças tem aparência angular lembrando um bastão de
hóquei, cujo ângulo normalmente mede cerca de 140°. A perda dessa
configuração ocorre na fratura supracondilar (Fig. 6.9). Rogers desta-
cou também a importância da posição do capítulo em relação às por-
ções distai do úmero e proximal do rádio. Ele constatou que uma linha
desenhada ao longo do eixo longitudinal do rádio proximal passa atra-
vés do centro do capítulo e que uma linha desenhada ao longo da cor-
tical anterior da porção distai do úmero e esticada para baixo através
da articulação cruza o terço médio do capítulo (Fig. 6.10) . A ruptura
desta relação serve como uma indicação importante da possível presença
de fratura ou luxação. Por fim, independentemente da idade do pacien-
te, o deslocamento das posições normais dos coxins de gordura do co-
tovelo também fornece um indício diagnóstico útil da presença de fra-
tura. Normalmente, o coxim gorduroso posterior, que se situa profun-
damente na fossa do olecrânio, não é visível na incidência lateral. Quan-
do este se torna visível e o coxim gorduroso anterior aparece deslocado
- sinal do coxim de gordura positivo (Fig. 6.11; ver Fig. 4.33) - a li-
nha de fratura deve ser mostrada.
A incidência da cabeça do rádio-capítulo é uma variante da incidência
Fig. 6.6 Centros de ossificação da porção distai do úmero. Os centros se-
cundários de ossificação da porção distai do úmero geralmente aparecem na lateral, que foi introduzida pelo autor em 1982. Por superar a principal
seguinte ordem: o capítulo com 1 a 2 anos de idade, o epicôndilo mediai aos limitação da incidência lateral padronizada por projetar a cabeça do
4 anos de idade, a tróclea aos 8 anos de idade e o epicôndilo lateral aos 1O rádio ventralmente, sem superposição pelo processo coronóide, mos-
anos de idade. trou ser uma técnica particularmente eficaz. Além da cabeça do rádio,

Fig. 6.7 Fratura do epicôndilo medi-


ai. Deslocamento do centro de ossifi-
cação do epicôndilo mediai secundá-
rio à fratura (A) e (B) pode mimetizar
a imagem normal do centro de ossifi-
cação da tróclea (C) .

A B c
Memb ro Superior 11: Cotovelo 139

Fig. 6.8 Incidência lateral. (A) Para incidência lateral do cotovelo, o antebraço é apoiado sobre o seu lado ulnar no chassi radiológico, com a articulação
flexionada a 90°, o polegar apontando para cima e os demais dedos discretamente fle xionados. O raio central é orientado verticalmente para a cabeça do
rádio. (8) Esta incidência mostra a diáfise distai do úmero, a crista supracondilar, o processo do 61ecrân io e a face anterior da cabeça do rádio. A superfície
articular e a face posterior da cabeça do rádio não são bem mostradas nesta incidência devido à superposição pelo processo coronóide. O capítulo também
está obscurecido pela superposição da tróclea .

Fig. 6.9 Fratura supracondilar. (A) Incidência lateral da articulação


do cotovelo em uma criança de 3 anos de idade mostra o aspecto
normal em bastão de hóquei da porção d istai do úmero. (continua)
140 Membro Super;or li: Cotovelo

Fig. 6.9 Fratura supracondilar. Continuação. (B) Perda


desta configuração, como é mostrado nesta radiografia em
uma menina de 3,5 anos de idade que sofreu traumatis-
mo do cotovelo 4 semanas antes de esta radiografia ter sido
realizada, serve como um marco de referência importante
para reconhecer a fratura supracondilar da porção distai do
úmero. Observe também que a linha umeral anterior situa-
se anteriormente ao capítulo, indicando lesão por exten-
são (ver Fig . 6.10).

t--------- linha umeral


anterior

também m os tra com nitidez o capítulo, o processo coro n óide e as arti- tra-articulares - ; avaliação da cartilagem articular; avaliação d os cistos
culações umerorradial e umeroulnar (Fig. 6. 12) , e as fraturas su tis d es- j ustaarticulares - se estão se comunicando com a articulação; avalia-
sas estruturas que p od em estar o bscu recidas em ou tras incidên cias (ver ção da capacidad e articular; e avaliação das várias an ormalidad es sino-
Figs. 6.27, 6.28 e 6.32) . viais e capsulares. A artrografia com contraste simples é preferível quan-
Outras m odalidades também pod em ser necessárias para avaliação do se avaliam an ormalidades sinoviais e corpos osteocondrais intra-ar-
suficie nte de lesão d o cotovelo. A artrografia com contraste simples ou ticulares, po rque o duplo contraste po de resultar em b olhas de ar na
pre fere ncialm e n te d uplo, comume nte co mbinada co m tomografi a articulação. Entretanto, a artrografia com duplo contraste fo rnece in-
( artrotomografia) ou T C, provou-se eficaz na visuali zação de fra turas fo rmações mais detalhadas; em particular, a superfície articular e o re-
condrais sutis, osteocondrite dissecante, an ormalidad es sinoviais e cap- vestimento sinovial são bem delinead os e os pequen os detalhes podem
sulares e corpos osteocondrais na articulação . Em geral, as indicações ser mais bem visualizad os (Fig. 6.13). Freqüe ntem en te , em conjunto
para artrografia do cotovelo in cluem detecção da p resen ça , tamanh o e com a artrografia do cotovelo, a tomografia conven cio nal p ode ser usa-
número dos corp os osteocondrais intra-articulares; d eterminação das da em um processo den o minad o artro to mografia (Fig. 6.1 4) ou pode
calcificações ao redor da articulação do cotovelo - se são intra ou ex- ser realizada T C (artrografia com T C) (Fig. 6.1 5) . Se o exame tomo-

Fig. 6.1O Marcos de referência da articulação do cotovelo. Nas crianças, a


posição normal do capítulo em relação à porção distai do úmero e à porção
proximal do rádio é determinada pelas porções do capítulo interceptadaspor
duas linhas: linha (a) coincidente com o eixo longitudinal da porção proximal
do rádio, passa através do centro do capítulo; e linha (b) paralela à cortical Fig. 6.11 Sinal do coxim de gordura. Radiografia lateral da articulação do
anterior da porção distai do úmero intercepta a porção média do capítulo. A cotovelo mostra os sinais do coxim de gordura anterior (seta) e posterior (seta
ruptura desta relação indica uma possível anormalidade (ver Figs. 6.9B e 6.25B). curva) positivos. A seta aberta aponta fratura sutil da cabeça do rádio .
~A
Fig . 6.12 Incidência da cabeça do rádio-capítulo. (A) Para incidência da
cabeça do rádio-capítulo do cotovelo, o paciente é sentado ao lado da mesa
radiológica, com o antebraço apoiado sobre o seu lado ulnar, a articulação do
cotovelo flexionada a 90° e o polegar apontando para cima. O raio central é
orientado para a cabeça do rádio em um ângulo de 45 ° em relação ao ante-
braço. (B) A radiografia nesta incidência mostra a cabeça do rádio projetada
ventralmente, sem a superposição do processo coronóide, que também é bem
mostrado . Esta incidência também é eficaz na avaliação do capítulo e das ar-
ticulações umerorradial e umeroulnar.

Fig. 6.13 Artrografia da articulação do cotovelo. (A) Para artrografia do co-


tovelo, o antebraço do paciente é posicionado em pronação sobre a mesa ra-
d iológica, com a articulação flexionada a 90° e os dedos apoiados sobre a mesa .
A articulação é penetrada pela face lateral entre a cabeça do rádio e o capítu-
lo, e sob controle fluoroscópico com 2 ml de contraste positivo (diatrizoato
de meglumina a 60%). Oito a 1 O ml de ar ambiente são injetados na articu-
lação radiocapitular. (O ponto vermelho marca o ponto de entrada da agulha .)
As radiografias ou tomografias convencionais podem então ser obtidas nas in-
cidências padronizadas (ver Figs. 6.14 e 6.38). (B, C) Na artrografia do coto-
velo, podem-se distinguir os recessos anterior, posterior e anular da cápsula
articular. As cartilagens articulares da cabeça do rádio e do capítulo também
são bem mostradas .
142 Membro Superior li: Cotovelo

Fig. 6.14 Artrografia da articulação do coto-


velo. Artrotomografia através da articulação
umeroulnar (A) mostra o recesso coronóide e
através da articulação radiocapitular (B) mos-
tra os recessos anular (perirradial), anterior e
posterior da cápsula articular.

1
I

gráfico convencional isoladamente for realizado , cortes helicoidais Entretanto, Franklin e colegas notaram que as imagens de TC axiais do
triespirais são preferíveis, porque os cortes mais finos obtidos com este cotovelo flexionado (denominadas cortes coronais) fornecem um plano
método fornecem melhores detalhes gerais- como, por exemplo, na ideal para avaliação da fossa do olecrânio e do espaço entre a tróclea e o
localização de múltiplos fragmentos em fraturas cominutivas. processo do olecrânio posteriormente, bem como do rádio e do capítulo,
Ocasionalmente, as imagens de TC axial do cotovelo estendido são efi- e da tróclea e do processo coronóide anteriormente. As imagens axiais atra-
cazes em mostrar anormalidades traumáticas. Entretanto, são dificeis de vés do cotovelo flexionado também permitem a demonstração adicional
se obter no paciente traumatizado, e, exceto para visualização da articulação da porção proximal do rádio em seu eixo longitudinal.
radioulnar proximal e da articulação umeroulnar, não são freqüentemente A RM mostra efetivamente anormalidades traumáticas da articulação
usadas. Às vezes, estes cortes podem mostrar fraturas osteocondrais da ca- do cotovelo e dos tecidos moles circunvizinhos. Os planos axial, sagital
beça do rádio e avaliar a integridade da articulação radioulnar proximal. e coronal são rotineiramente usados para estudo do cotovelo. O plano

cartilagem articular

capitulo
tróclea

Fig. 6.15 Artrografia com TC do cotovelo. TC co-


ronal pós-artrografia da articulação do cotovelo
mostra bem o recesso anular e o contorno da ex-
tensão lateral da cápsula articular. A cartilagem ar-
ticular também é bem mostrada.
Membro Superior li: Cotovelo 143

Fig. 6.16 Anatomia normal da articulação do co-


tovelo à RM. No corte coronal (A), observe a rela-
ção anatômica entre estruturas ósseas, musculares e
tendíneas. Nos cortes sag ita is (B) e (C), as estrutu-
ras musculares (músculo braqu ial e músculo
ancôneo), tendões (tendão do tríceps, tendão do
bíceps) e ossos (porção distai do úmero, processo do músculo braquiorradial

olecrânio e cabeça do rádio) são bem mostrados. (Re- fossa do olecrânio


produzido de Beltran ], 1990, com permissão.) tendões do flexor comum

epicôndilo mediai

epicôndllo lateral
tendões do extensor comum

ligamento colateral mediai

ligamento colateral lateral

cabeça do rádio

,._+-- - tendão do tríceps


úmero
._"i\t-#;d -.:...,..JU_--= músculo braquial
coxi m de gordura posterior

coxim de gordura anterior


"--:tffli-- -U__ tróclea

axial é ideal para mostrar a relação anatômica entre a articulação dio são bem mostrados , bem como os vários tendões, ligamentos e
radioulnar p roxim al e a cabeça d o rádio. Vários ten dões, músculos, o m úsculos em torno do cotovelo (Fig. 6.1 6A). No p lan o sagital, as arti-
ligam ento anular e fe ixes n eurovasculares também são efetivamente culações umeroulnar e radiocapitular também são observadas, e os gru-
estudad os. Nas imagen s coronais, a tróclea, o capítulo e a cabeça do rá- pos musculares dos m úsculos bíceps, tríceps e braquial também mos-
144 Membro Superior II: Cotovelo

Fig. 6.17 Artrografia com RM do cotovelo. (A) Imagem coronal ponderada em Tl com supressão de gordura mostra a
faixa anterior do ligamento colateral ulnar (seta) e do ligamento colateral radial (seta curva) . A articulação é delineada por
contraste hiperintenso. C = capítulo, T = tróclea, RH = cabeça do rádio . (B) Imagem sagital ponderada em Tl com su-
pressão de gordura obtida através da parte mediai da articulação do cotovelo mostra recessos anterior (seta) e posterior
(seta aberta). T = tróclea, O = olecrânio, BM = músculo braquial, TM = músculo tríceps. (C) Imagem sagital ponderada
em Tl com supressão de gordura obtida através da parte lateral da articulação do cotovelo mostra a fixação da cápsula
articular à porção proximal do rádio (seta) e sua extensão posterior (setas abertas). C = capítulo, RH = cabeça do rádio.
Membro Superior li: Cotovelo 145

Quadro 6.1 Incidências Radiológicas Padronizadas e Especiais Quadro 6.2 Técnicas de Imagem Auxiliares para Avaliar a
para Avaliação de lesão do Cotovelo lesão do Cotovelo
Incidência Demonstração Técnica Demonstração
Ântero-posterior Fraturas supra, trans e intercondilares da Tomografia Fraturas complexas ao redor da
porção distai do úmero articulação do cotovelo, sobretudo
Fraturas de: para avaliar a posição dos
Epicôndilos mediai e lateral fragmentos cominutivos
Face lateral do capítulo Processo de consolidação:
Face mediai da tróclea Não-consolidação
Face lateral da cabeça do rádio Infecção secundária
Deformidades valgas e varas Artrografia Anormalidades sutis da cartilagem
Centros de ossificação secundários da articular
porção distai do úmero Contraste único ou duplo da Rupturas capsulares
Lateral Fratura supracondilar da porção distai do úmero cartilagem Anormalidades sinoviais
Fraturas de: (geralmente aumentado Fraturas condrais e osteocondrais
Face anterior da cabeça do rádio pela tomografia) Osteocondrite dissecante
Processo do olecrânio Corpos osteocondrais na articulação
Luxações complexas na articulação do Tomografia Idem para artrografia
cotovelo Computadorizada
Luxação da cabeça do rádio Isoladamente ou
Sinal do coxim de gordura combinada com
Oblíqua Externa Fraturas de: artrografia de duplo
Epicôndilo lateral contraste
Cabeça do rádio Ressonância Magnética Anormalidades dos ligamentos*,
Oblíqua Interna Fraturas de: tendões e músculos
Epicôndilo mediai Rupturas capsulares*
Processo coronóide Derrame articular
Cabeça do Fraturas de: Cistos sinoviais*
Rádio-Capítulo Cabeça do rádio Hematomas
Capítulo Anormalidades discretas dos ossos
Processo coronóide (por exemplo, contusão óssea)
Anormalidades das articulações umerorradial Osteocondrite dissecante*
e umeroulnar Fraturas epifisárias (em crianças)
*Estas anormalidades são mais bem demonstradas pela artrografia com RM .

Fig. 6.18 Espectro de técnicas radiológicas para avaliar lesão do cotovelo.*


•As incidências ou técnicas radiológicas indicadas em todo o diagrama são apenas aquelas que são mais eficazes em mostrar os respectivos traumatismos.
146 Membro Superior II: Cotovelo

trados em seus eixos longitudinais. O tendão do bíceps e o músculo suficientes para mostrar a anormalidade, embora a linha de fratura seja
ancôneo também são bem estudados (Fig. 6.16B, C). às vezes mais difícil de se avaliar na incidência ântero-posterior do que
A artrografia com RM é às vezes realizada, principalmente para avaliar na incidência lateral. Em crianças com idade entre 3 e 10 anos, a fratu-
anormalidades sinoviais e integridade da cápsula e ligamentos articulares. ra supracondilar é o tipo mais comum de fratura do cotovelo. A lesão
Além disso, corpos livres intra-articulares sutis podem ser detectados com por extensão, causada por queda com a mão esticada e o cotovelo em
esta técnica e a estabilidade da fratura osteocondral ou a osteocondrite hiperextensão, está presente em 95% desses casos e, tipicamente, o frag-
dissecante do capítulo podem ser avaliadas. Similar à concentração usada mento distai está deslocado posteriormente (Fig. 6.24) . No tipo de le-
para artrografia com RM do ombro, a concentração de gadolínio mistura- são por flexão, causada por queda sobre o cotovelo flexionado, que
do com soro fisiológico, contraste iodado e lidocaína é preparada, e um ocorre em apenas 5% dos casos de fratura supracondilar, o fragmento
total de até 10 mL de líquido são injetados na articulação do cotovelo. O distai está deslocado anteiior e superiormente. A identificação de fra-
acesso lateral idêntico à técnica para artrografia convencional do cotovelo tura supracondilar na incidência lateral geralmente é facilitada pelo
(ver Fig. 6.13) é preferido. Imagens coronais, sagitais e axiais são obtidas reconhecimento da perda do aspecto de bastão de hóquei da porção
usando-se seqüências spin-eco com supressão de gordura (Fig. 6.17). distai do úmero e deslocamento do capítulo em relação à linha da cor-
Veja um resumo do assunto anterior na forma de tabela nos Qua- tical anterior do úmero. Um sinal do coxim de gordura positivo invari-
dros 6.1 e 6.2 e na Fig. 6.18. avelmente está presente (Fig. 6.25).
Qualquer que seja a idade do paciente, é importante na fratura da
Lesão do Cotovelo porção distai do úmero mostrar e avaliar completamente o tipo de le-
são, a extensão da linha de fratura e o grau de deslocamento, pois o
Fraturas ao Redor do Cotovelo método de tratamento varia de acordo com estes achados. Quando
Fraturas da Porção Distai do Úmero. Como a nomenclatura de vá- surgirem dificuldades na interpretação do tipo de fratura e do grau de
rias estruturas da porção distai do úmero usada em diferentes livros de deslocamento, é mais útil obter radiografias do cotovelo normal con-
anatomia e cirurgia não é uniforme, há confusão em relação à classifi- tralateral para comparação.
cação das fraturas da porção distai do úmero . Para esclarecer este qua- Complicações. As complicações mais graves da fratura supracondi-
dro, uma divisão anatômica simplificada da porção distai do úmero é lar são a contratura isquêmica de Volkmann (ver Fig. 4.53) e a má con-
mostrada na Fig. 6.19. A significância da distinção entre as partes arti- solidação. Esta última comumente resulta em uma deformidade em varo
cular e extra-articular da porção distai do úmero baseia-se em sua im- do cotovelo, conhecida como cúbito varo (ou ulna vara).
portância no diagnóstico, tratamento e prognóstico. Por exemplo, como Fraturas da Cabeça do Rádio. A fratura da cabeça do rádio é uma
Rockwood e Green afirmaram, a fratura envolvendo apenas a porção lesão comum que resulta, na maioria dos casos, de queda sobre o braço
articular da porção distai do úmero geralmente resulta em perda de esticado e, só raramente, de contusão direta na face lateral do cotovelo.
movimento, mas não acarreta perda de estabilidade, enquanto a fratu- As fraturas da cabeça do rádio foram classificadaS por Mason em três
ra de um côndilo - isto é, das porções articular e extra-articular - , tipos: tipo I, fraturas sem deslocamento; tipo 11, fraturas marginais com
geralmente leva à restrição do movimento e a instabilidade. deslocamento (incluindo impactação, depressão e angulação); e tipo
Com base na estrutura envolvida, as fraturas da porção distai do III , fraturas cominutivas envolvendo toda a cabeça. Posteriormente,
úmero podem ser classificadas como supracondilares, transcondilares DeLee, Green e Wilkins sugeriram adicionar o tipo IV, fraturas da ca-
e intercondilares, bem como as fraturas dos epicôndilos mediai e late- beça do rádio associadas com luxação do cotovelo (Fig. 6.26). Todas
ral, do capítulo e da tróclea. A classificação de Müller é recomendada essas fraturas podem ser adequadamente mostradas nas radiografias
porque se trata de uma classificação prática baseada na distinção entre ântero-posterior e lateral do cotovelo. Contudo, em virtude de as fra tu-
as fraturas intra-articulares e extra-articulares (Fig. 6.20). Geralmente, ras sem deslocamento ou minimamente deslocadas poderem não ser
essas lesões não criam problemas diagnósticos em adultos e são facil- detectadas nessas incidências, a incidência da cabeça do rádio-capítu-
mente avaliadas nas incidências ântero-posterior e lateral do cotovelo lo deve ser incluída no exame radiológico de rotina para detectar le-
(Figs. 6.21 e 6.22) . Só ocasionalmente a tomografia pode ser necessária sões ocultas e para avaliar o grau de deslocamento (Figs. 6.27 e 6.28). A
para localizar fragmentos cominutivos (Fig. 6.23). determinação da extensão exata da linha de fratura (isto é, se é extra
Em crianças, no entanto, o diagnóstico pode ser problemático devi- ou intra-articular) e do grau de deslocamento é fundamental para de-
do à presença de centros de ossificação secundários e sua variabilida- cidir o curso do tratamento. O exame por TC é muito importante nes-
de. Apesar disso, as projeções ântero-posterior e lateral geralmente são ta avaliação (Fig. 6.29). Fraturas sem deslocamento ou com deslocamen-

Fig. 6.19 Estruturas anatômicas da porção distai do úmero. Divisão ana-


tômica simplificada das estruturas da porção distai do úmero.
Mem bro Superior li: Cotovelo 147

FRATURAS DA PORÇÃO DISTAL DO ÚMERO

Extra-articular- Epicondilar, Supracondilar

avulsão do epicôndilo mediai fratura supracondilar simples fratura supracondilar


e/ou lateral cominutiva

lntra-articular- Transcondilares

fratura da tróclea fratura do capítulo

lntra-articular- Bicondilar, lntercondilar

fratura bicondilar em forma fratura intercondilar em fratura cominutiva complexa


deY forma de Y com cominução
supracondilar

Fig. 6.20 Fraturas da porção distai do úmero. Classificação das fraturas da porção distai do úmero com base em extensão extra-articular e intra-articular.
(Reproduzido de Müller ME et ai., 1979.)
148 Membro Superior II: Cotovelo

Fig. 6.21 Fratura supracondilar. Um homem de 27 anos caiu de uma escada sobre seu braço esticado. Radiografias ântero-posterior (A) e lateral (B) mostram
fratura supracondilar simples do úmero com deslocamento posterior do fragmento distai.

crista
-1--;~-t--- supracondilar
lateral

Fig. 6.22 Fratura da porção distai do úmero. Um homem de 25 anos de idade sofreu fratura intra-articular complexa da porção distai do úmero em acidente
de motocicleta. As incidências ântero-posterior (A) e lateral (B) mostram claramente a extensão das linhas de fratura e a posição dos vários fragmentos. O
capítulo está separado, lateralmente deslocado e subluxado; a crista supracondilar lateral sofreu avulsão e está deslocada ântero-lateralmente, e o epicôndilo
mediai está rodado externamente e deslocado medialmente. (continua)
Membro Superior 11: Cotovelo 149

crista
IM, - - - - - - - - - supracondilar
lateral

Fig. 6.22 Fratura do úmero distai. Continuação.

Fig. 6.23 Tomografia da fratura da porção distai do úmero. Após queda de árvore, uma mulher de 20 anos de idade sofreu fratura intra-articular cominutiva
da porção distai do úmero, que foi revelada nas incidências ântero-posterior (A) e lateral (B) padronizadas do cotovelo. Todavia, a inadequação dos estudos
convencionais causada por edema acentuado dos tecidos moles, o derrame articular e a condição clínica da paciente (dor e limitação do movimento na arti-
culação) tornaram impossível a avaliação completa da lesão. As tomografias ântero-posterior (C) e lateral (O) foram obtidas para avaliar a deformidade com-
plexa. O capítulo está completamente separado, medialmente rodado e deslocado posteriormente; a crista supracondilar mediai sofreu avulsão; e a tróclea e
o epicôndilo mediai estão separados da porção distai do úmero e deslocados medialmente. Um fragmento ósseo da crista da fossa coronóide está deslocado
anteriormente. (continua)
150 Membro Superior li: Cotovelo

Fig. 6.23 Tomografia da fratura da porção distai


do úmero. Continuação.

crista epicôndilo lateral


supracondilar
mediai crista
supracondilar
epicôndilo mediai
mediai
f ragmento da
fragmento da crista da fossa
crista da fossa coronóide
coronóide
tróclea
epicôndilo lateral
epicôndilo mediai
tróclea
capítulo capítulo

cabeça do rádio cabeça do rádio

Fig. 6.24 Fratura supracondilar com deslocamento. Um menino de 9 anos de idade caiu da bicicleta sobre a mão esticada. As incidências ântero-posterior
(A) e lateral (B) do cotovelo mostram fratura supracondilar da porção distai do úmero com deslocamento póstero-medial do fragmento distai. Observe o
aumento no ângulo valgo do antebraço na incidência ântero-posterior.
Membro Superior II: Cotovelo 151

sinal do coxim de
gordura posterior positivo

Fig. 6.25 Fratura supracondilar sem deslocamento. Uma menina de 3 anos de idade caiu na rua. Na incidência ântero-posterior (A), a linha de fratura é
praticamente invisível, enquanto na incidência lateral (B) torna-se mais evidente. Observe o sinal do coxim de gordura posterior positivo, e o coxim de gor-
dura anterior também está nitidamente deslocado. Observe que a linha umeral anterior intercepta a porção posterior do capítulo, indicando discreta angula-
ção anterior do fragmento distai.

to mínimo geralmente são tratadas de forma conservadora com o uso Várias classificações foram desenvolvidas para avaliar a fratura do
de talas ou gesso, até que a consolidação permita a mobilização ativa olecrânio. Colton classificou as fraturas do olecrânio como sem deslo-
do cotovelo. No entanto, a fratura por clivagem da superfície articular camento e com deslocamento, sendo este último grupo subdividido em
do rádio envolvendo um terço ou a metade da cabeça com deslocamento fraturas com avulsão, fraturas oblíquas e transversais, fraturas
superior a 3 a 4 mm geralmente indica a necessidade de redução a céu cominutivas e fraturas-luxações.
aberto e fixação interna; isto é particularmente verdadeiro em jovens. Outra classificação prática foi desenvolvida por Horne e Tanzer, que
A excisão da cabeça do rádio é o procedimento escolhido quando há classificaram estas fraturas por sua localização aparente nas radiogra-
cominução e deslocamento da cabeça do rádio (Fig. 6.30) . fias laterais (Fig. 6.35). As do tipo I são subdivididas em dois grupos:
Fratura-Luxação de Essex-Lopresti. Esta lesão complexa com- (A) fraturas oblíquas extra-articulares da extremidade do olecrânio e
preende a fratura cominutiva da cabeça e do colo do rádio com ou (B) fraturas transversais intra-articulares originando-se na porção pro-
sem extensão distal da linha de fratura, laceração da membrana in- ximal da superfície articular da fossa do olecrânio. As do tipo 11 são fra-
teróssea do antebraço e luxação na articulação radioulnar distal (Fig. turas transversais ou oblíquas que se originam do terço médio da su-
6.31). Trata-se de uma lesão instável que, em virtude da perda bipo- perfície articular da fossa do olecrânio. Estas fraturas também são sub-
lar do apoio radial em ambos os locais (cotovelo e punho) , exige um divididas em dois grupos: (A) linha de fratura única e (B) duas linhas
tratamento único e individualizado . Na maioria dos pacientes, a fi- de fratura, uma proximal (transversal ou oblíqua) e a segunda, mais
xação interfragmentar da fratura da cabeça do rádio é realizada, ou, distal, estendendo-se posteriormente. As fraturas do tipo 111 envolvem
no caso de cominução grave, a prótese de silastic da cabeça do rádio a porção distal da fossa do olecrânio e podem ser transversais ou oblí-
pode estar indicada para manter o comprimento e estabilidade . A quas. A maioria é do tipo 11.
lesão de Essex-Lopresti crônica com migração proximal irredutível No que se refere ao tratamento, as fraturas sem deslocamento geral-
do rádio pode demandar o encurtamento ulnar para restaurar a va- mente são tratadas conservadoramente, enquanto as fraturas com des-
riância ulnar neutra. locamento são mais freqüentemente tratadas por redução a céu aberto
Fratura do Processo Coronóide. Raramente ocorrendo como le- e fixação interna.
são isolada, a fratura do processo coronóide está mais freqüentemente
Osteocondrite Dissecante do Capítulo
associada com luxação posterior na articulação do cotovelo. Por conse-
guinte, é importante nos casos de lesão do cotovelo excluir a possibili- Este distúrbio, também denominado como doença de Panner, é consi-
dade de fratura do processo coronóide, porque se não diagnosticada derado relacionado a traumatismo, principalmente a lesões exógenas
pode não consolidar, levando a instabilidade e a subluxação recorren- repetidas do cotovelo. A tensão em valgo do cotovelo em esportes de
te na articulação. As incidências ântero-posterior e lateral geralmente arremesso, como o beisebol e o futebol americano, foi implicada como
são insuficientes para avaliar o processo coronóide devido à superposi- um fator causal. Aparentemente, durante o movimento de arremesso,
ção de estruturas nestas incidências. A demonstração da lesão é mais o capítulo é sujeito à compressão e à força de cisalhamento. Afeta mais
bem efetuada na incidência da cabeça do rádio-capítulo (Fig. 6.32) e, freqüentemente o cotovelo direito em crianças e adolescentes destras,
ocasionalmente, na incidência oblíqua interna. a maioria dos quais é do sexo masculino.
Fratura do Olecrânio. Geralmente, as fraturas do olecrânio resul- No estágio inicial da doença, as radiografias ântero-posterior e late-
tam de queda direta sobre o cotovelo flexionado, e este mecanismo fre- ral podem não mostrar anormalidade significativa (Fig. 6.36A, B); o
qüentemente produz cominução e deslocamento acentuado de frag- único sinal radiológico da doença de Panner em estágio inicial pode
mentos importantes. Um mecanismo indireto, como a queda sobre o aparecer na incidência da cabeça do rádio-capítulo com a constatação
braço esticado, produz fratura oblíqua ou transversal com deslocamen- de achatamento discreto do capítulo (Fig. 6.36C). À medida que o dis-
to mínimo. Em geral, a fratura é bem mostrada em uma incidência la- túrbio progride, a lesão, consistindo em um segmento separado de osso
teral do cotovelo (Figs. 6.33 e 6.34). subcondral com cartilagem sobrejacente, gradualmente separa-se de seu
152 Membro Superior 11: Cotovelo

CLASSIFICAÇÃO DE MASON DAS FRATURAS


DA CABEÇA DO RÁDIO

Tipo I . Tipoll

Tipo 111 Tipo IV

Fig . 6.26 Classificação de Mason das fraturas da cabeça do rádio.

leito no capítulo. Antes da separação, a lesão é denominada "in situ"; condição, vários corpos cartilaginosos que são regulares e de tamanho
após a separação, o fragmento osteocondral torna-se um corpo "livre" geralmente uniforme são vistos na articulação (ver Fig. 23.2).
na articulação (Fig. 6.37). Pelo fato de que algumas vezes mais de um Um dos procedimentos radiológicos para avaliar a osteocondrite
fragmento é liberado para a articulação, a osteocondrite dissecante pode dissecante é a artrotomografia, que localiza o defeito na superfície car-
ser confundida com (osteo)condromatose sinovial idiopática, um dis- tilaginosa do capítulo e distingue entre uma lesão in situe o estágio mais
túrbio não traumático que é uma forma de metaplasia sinovial. Nesta avançado da doença (Fig. 6.38). Esta informação é fundamental para o
Membro Superior li: Cotovelo 153

extensão
, - - - - - - -- - intra-articular
da fratura

Fig. 6.27 Fratura da cabeça do rádio. Radiografias ântero-posterior (A) e lateral (B) do cotovelo mostram o que parece ser uma fratura da cabeça do rádio
sem deslocamento. Na incidência da cabeça do rádio-capítulo (C), entretanto, a extensão intra-articular da linha de fratura e uma depressão de 4 mm do
fragmento subcondral estão bem vistas. (Reproduzido de Greenspan A, Norman A, 1983, com permissão.)

Fig. 6.28 Fratura da cabeça do rádio. Incidência lateral padronizada do cotovelo (A) mostra fratura da cabeça do rádio, porém a superposição óssea impede
a exata avaliação da extensão da linha de fratura e o grau de deslocamento. A incidência da cabeça do rádio-capítulo (B) revela tratar-se de fratura articular
com deslocamento envolvendo a porção posterior da cabeça do rádio. (Reproduzido de Greenspan A et ai., 1984, com permissão.)
Fig. 6.29 TC de fratura da cabeça do rádio. (A) Radiografia lateral convencional do coto-
velo mostra fratura da cabeça do rádio com deslocamento (setas) . (B) TC coronal oblíqua
mostra o deslocamento póstero-lateral do fragmento fraturado, embora a orientação ana-
tômica seja um pouco ambígua nesta imagem (rh, cabeça do rádio; f, fragmento fratura-
do deslocado; c, capítulo; o, olecrânio; mt, tróclea mediai; lt, tróclea lateral; cp, processo
coronóide). (C) TC com reconstrução tridimensional (visualizada da face lateral) mostra a
orientação espacial da fratura. A seta aponta para o fragmento deslocado póstero-lateral-
mente, e a seta curva indica o defeito na cabeça do rádio.

Fig. 6.30 Fratura da cabeça do rádio. Radiografias


ântero-posterior (A) e lateral (B) do cotovelo mos-
tram fratura da cabeça do rádio acentuadamente
cominutiva e com deslocamento . A excisão de toda
a cabeça do rádio seria provavelmente necessária.
Membro Superior II: Cotovelo 155

Fig. 6.31 Fratura-luxação de Essex-Lopresti. Os elementos cruciais


desta lesão compreendem fratura cominutiva da cabeça do rádio,
ruptura da membrana interóssea e luxação na articulação radioulnar
distai.

capítulo fraturado
fratura do processo
~i*-"-<--== coronóide sem
deslocamento

Fig. 6.32 Fraturas do capítulo e do processo coronóide. Durante uma partida de hóquei no gelo, um homem de 37 anos sofreu lesão do cotovelo direito
numa queda. Radiografias ântero-posterior (A) e lateral (B) iniciais mostram fratura do capítulo com rotação anterior e deslocamento. Observe a aparência
típica de "meia-lua" do capítulo deslocado na incidência lateral. Radiografia na incidência da cabeça do rádio-capítulo (C) evidencia fratura do processo
coronóide não suspeita sem deslocamento. (B e C são cortesia de Greenspan A, Norman A, 1 982, com permissão.)
156 Membro Supe rim· li: Cotovelo

Fig . 6.33 Fratura do olecrânio. Um homem de 41 anos de idade caiu sobre Fig. 6.34 Fratura do olecrânio. Uma mulher de 52 anos de idade caiu sobre
seu cotovelo flexionado e sofreu fratura de olecrânio cominutiva do tipo 11 B, seu braço esticado e sofreu fratura do olecrânio do tipo 111, efetivamente mos-
nítida nesta radiografia lateral. trada na incidência lateral do cotovelo . Observe os sinais do coxim de gordu-
ra anterior e posterior positivos.

CLASSIFICAÇÃO DAS FRATURAS DO OLECRÂNIO


Tipo I

B
Tipo 11

A B
Tipo 111

Fig . 6.35 Classificação das fraturas do olecrânio. (Modificado de Horne )G, Tanzer TL, 1981, com permissão .)
Membro Superior li: Cotovelo 157

Fig. 6 .36 Osteocondrite dissecante do capítulo. Um menino de 13 anos de idade que era muito ativo
na liga infantil de beisebol relatou dor no cotovelo direito por vários meses. As radiografias ântero-
posterior (A) e lateral (8) do cotovelo não mostram anormalidades. Na incidência da cabeça do rádio-
capítulo (C), o achatamento discreto do capítulo pode indicar osteocondrite dissecante em estágio
inicial. (De Greenspan A, Norman A, 1982, com permissão .)

Fig. 6.37 Osteocondrite dissecante do capítu-


lo. Um rapaz de 15 anos de idade, jogador de
beisebol ativo, relatava dor no cotovelo direito por
vários meses. A incidência ântero-posterior do
cotovelo (A) revela um defeito radiotransparente
no capítulo sugerindo osteocondrite dissecante;
a incidência lateral (8) é normal. A incidência da
cabeça do rádio-capítulo (C) mostra não apenas
a extensão completa da lesão no capítulo, mas
também os corpos osteocondrais na articulação
-um sinal de doença de Panner em estágio avan-
çado. (Reproduzido de Greenspan A et ai., 1984,
com permissão.) (continua)
158 Membro Superior II : Cotovelo

Fig. 6.37 Osteocondrite dissecante do capítulo. Continuação.

Fig. 6.38 Osteocondrite dissecante do capítulo.


Artrotomografia lateral do cotovelo mostra defeitos no
segmento subcondral do capítulo e na cartilagem
supra jacente. Os corpos osteocondrais livres estão pre-
sentes, um deles localizado posteriormente no compar-
timento umeroulnar, e o outro anteriormente no com-
partimento radiocapitular. Os achados representam
defeito na osteocondrite dissecante de estágio avançado.
cartilagem e no
osso subcondral

Fig. 6.39 RM de osteocondrite dissecante do ca-


pítulo. Um jogador de beisebol de 1 6 anos de idade
sentia dor no cotovelo direito há 6 meses. Cortes de
RM sagitais (seqüências SE, TR 2000/TE 20 ms, TR
2000/TE 80 ms) mostram uma área de sinal de in-
tensidade intermediária na imagem- ponderada em
densidade protônica (A) e um sinal de intensidade
elevada da imagem ponderada em T2 (B), circunda-
da por faixa de baixa intensidade de sinal. A cartila-
gem articular está intacta. Os achados são típicos de
lesão in situ da osteocondrite dissecante (doença de
Panner). (Reproduzido de Beltran ], 1990, com per-
missão .)
Membro Superior li: Cotovelo 159

Fig. 6.40 RM de osteocondrite dissecante do capítulo. (A) RM sagital ponderada em Tl mostra foco linear de sinal diminuído (seta aberta) na face anterior
do capítulo. (B) A imagem STIR sagital mostra sinal aumentado generalizado circundando o foco bem definido de aspecto cístico (setas) na face anterior do
capítulo, compatível com osteocondrite dissecante. (C) A imagem sagital gradiente-eco ponderada em T2 revela corpo osteocondral deslocado (seta aberta).

cirurgião ortopédico, porque a lesão in situ pode ser tratada conserva- ções na articulação (Fig. 6.42). A luxação isolada da cabeça do rádio,
doramente, enquanto a intervenção cirúrgica pode ser necessária se o entretanto, é ocorrência rara; é mais comumente associada à fratura da
fragmento osteocondral tiver se separado parcialmente de seu leito ou ulna (ver "Fratura-Luxação de Monteggia"). As luxações são facilmen-
liberado para articulação. A RM também pode efetivamente mostrar a te diagnosticadas nas incidências ântero-posterior e lateral padroniza-
lesão (Fig. 6.39) e fornecer informações sobre sua estabilidade (Fig. das do cotovelo.
6.40). As lesões do tipo I estão intactas (in situ) sem deslocamento de A presença de luxação deveria sinalizar a possibilidade de fratura asso-
fragmentos; as lesões do tipo 11 estão discretamente deslocadas, e a su- ciada da ulna, que pode não ser notada quando o exame radiológico se
perfície articular está lesada; as lesões do tipo 111 mostram separação concentrar apenas no cotovelo. Por esta razão, se houver suspeita de luxa-
do fragmento osteocondral (Fig. 6.41). ção na articulação do cotovelo, é ob1;gatório incluir todo o antebraço nas
radiografias ântero-posterior e lateral; contrariamente, nos casos de suspeita
Luxações na Articulação do Cotovelo
de fratura de ulna, as radiografias devem incluir a articulação do cotovelo.
luxações Simples. O método padronizado de classificação de luxa- Do ponto de vista prático, é importante, sobretudo em adultos, obter duas
ções do cotovelo é baseado na direção de deslocamento do rádio e da radiografias separadas, uma centralizada sobre a articulação do cotovelo e
ulna em relação à porção distai do úmero. Três tipos principais de lu- a outra sobre o local da suspeita de fratura da ulna. Devem-se centralizar~
xação podem ser distinguidos, como aqueles que afetam: (A) o rádio e imagens apropriadamente, pois a luxação da cabeça do rádio pode facil-
a ulna, que podem sofrer luxação posterior, anterior, mediai ou lateral mente passar despercebida em imagens mal centralizadas.
(ou combinando luxação posterior ou anterior com mediai ou lateral) ; Fratura-luxação de Monteggia. A associação de fratura de ulna com
(B) apenas a ulna, que pode sofrer luxação anterior ou posterior; e (C) luxação da cabeça do rádio é conhecida pelo epônimo de fratura-luxa-
apenas o rádio, que pode sofrer luxação anterior, posterior ou lateral. ção de Monteggia. Geralmente, resulta da pronação forçada do antebra-
As luxações posterior e póstero-lateral do rádio e da ulna são, de ço durante uma queda ou de contusão direta da face posterior da ulna.
longe, os tipos mais comuns. Representam 80 a 90% de todas as luxa- Já foram descritos quatro tipos desta anormalidade (Fig. 6.43), porém os

Fig. 6.41 RM de osteocondrite dissecante do capí-


tulo. Um rapaz de 16 anos com dor crônica no coto-
velo submeteu-se a artrografia com ressonância mag-
nética (RM). (A) A artrografia por RM coronal e (B)
sagital com saturação de gordura ponderada em T1
(SE; TR 650/TE 1 7 ms) mostra osteocondrite dissecan-
te do capítulo com corpo osteocondrallivre comple-
tamente separado (lesão do tipo 111).
160 Membro Su perior li: Cotovelo

Fig. 6.42 Luxação do cotovelo. Radiografia lateral mos-


tra o tipo mais comum de luxação na articulação do coto-
velo - tanto o rádio quanto a ulna sofreram luxação pos-
terior.

Fig. 6.43 Fratura- luxação de Monte-


CLASSIFICAÇÃO DE BADO DA FRATURA-LUXAÇÃO DE MONTEGGIA ggia. A classificação de Bado da fratu-
ra-luxação de Monteggia é baseada
em quatro tipos de anormalidades ge-
ralmente resultando de pronação for-
çada do antebraço. Estas podem ocor-
rer durante queda ou como resultado
de contusão direta da face posterior da
ulna.

Tipo 11 Tipo 111

Tipo IV
Membro Superior li: Cotovelo 161

Fig. 6.44 Fratura-luxação de Monteggia. Radiografia lateral da ar-


ticulação do cotovelo e da porção proximal do antebraço mostra
fratuFa-luxação de Monteggia do tipo I; a fratura tem angulação
a~terior e está na porção proximal da ulna, associada a luxação an-
terior da cabeça do rádio.

aspectos da descrição clássica são, em geral (em 60 a 70% dos casos): fra- Lesões dos Tecidos Moles
tura na junção dos terços proximal e médio da ui na, com angul~ção an-
terior associada a luxação anterior da cabeça do rádio (tipo I). E identi-
Epicondilite Lateral (Cotovelo de Tenista). A epicondilite late-
ral, primeiramente descrita por Runge em 1878, afeta cerca de 3% dos
ficável ao exame físico por dor espontânea intensa e dor à palpação ao
adultos, geralmente entre as idades de 35 e 55 anos. Os sintomas in-
redor do cotovelo e por deslocamento na cabeça do rádio para a fossa
cluem dor de início insidioso, agravada pela atividade, na face lateral
antecubital. Os outros tipos, que Bado descreveu, são os seguintes:
da articulação do cotovelo. Freqüentemente este distúrbio é diagnos-
Tipo 11: Fratura da porção proximal da ulna com angulação posterior ticado em tenistas, jogadores de golfe e carpinteiros. O mecanismo
e luxação posterior ou póstero-lateral da cabeça do rádio patogênico desta anormalidade é baseado no esforço repetitivo sobre
Tipo 111: Fratura da porção proximal da ulna com luxação lateral ou músculos e tendões adjacentes à face lateral da porção distai do úme-
ântero-lateral da cabeça do rádio ; as lesões do tipo 11 e do ro , particularmente durante a pronação e a supinação excessivas do
tipo 111 são responsáveis por aproximadamente 30 a 40% das antebraço quando o punho está esticado. Isto resulta em degenera-
fraturas de Monteggia ção mucóide e granulação reativa dos tendões dos extensores, princi-
Tipo IV: Fraturas das extremidades proximais do rádio e da ulna, com palmente do tendão do extensor curto radial do carpa, levando a
luxação anterior da cabeça do rádio (este é o tipo menos co- avascularização e calcificação do tendão em sua inserção no epicôn-
mum). dilo lateral.
As incidências ântero-posterior e lateral são suficientes para forne- As radiografias convencionais freqüentemente são normais, embora
cer uma avaliação completa destas anormalidades (Figs. 6.44 e 6.45). a calcificação e o edema de tecidos moles algumas vezes possam ser

Fig . 6.45 Fratura-luxação de Monteggia. As incidências ântero-posterior (A) e lateral (B) do cotovelo
que incluem terço proximal do antebraço mostram o aspecto típico da fratura-luxação de Monteggia
do tipo 111; a fratura encontra-se na porção proximal da ulna, associada a luxação ântero-lateral da ca-
beça do rádio.
162 Membro Superior II: Cotovelo

recomendaram o uso da ultra-sonografia dinâmica com estresse valgo


para avaliar a lesão do ligamento colateral ulnar em lançadores de bei-
sebol. Esta técnica mostra a frouxidão e instabilidade da articulação
mediai quando as medidas do grau de alargamento da articulação du-
rante o estresse valgo do cotovelo forem obtidas.

ASPECTOS PRÁTICOS A SER .. LEMBRADOS


[1] Na incidência ântero-posterior do cotovelo:
• observar o ângulo de condução valgo a 15° normal formado
entre o braço e o antebraço
• (na criança) reconhecer os quatro centros de ossificação secun-
dários da porção distai do úmero e a idade na qual aparecem:
capítulo de 1 a 2 anos, epicôndilo mediai aos 4 anos, tróclea
aos 8 anos e epicôndilo lateral aos 10 anos.
[2] Na incidência lateral do cotovelo:
• observar o aspecto angular normal (bastão de hóquei) da por-
ção distai do úmero; o ângulo médio é de cerca de 140°; a per-
da deste ângulo ocorre na fratura supracondilar
• avaliar a posição do capítulo em relação ao eixo longitudinal
da porção proximal do rádio e da linha umeral anterior
• prestar atenção à presença ou ausência do sinal do coxim de
gordura; se o sinal for positivo em um paciente com lesão do
cotovelo, então a fratura sempre deve ser considerada.
[3] A incidência da cabeça do rádio-capítulo é muito útil na avalia-
Fig. 6.46 Epicondilite lateral. Uma mulher de 46 anos de idade sentiu dor
ção do traumatismo de cotovelo e deve ser sempre obtida como
crônica na face lateral do cotovelo. RM coronal ponderada em T2 com supres- parte de um estudo de rotina.
são de gordura mostra ruptura parcial das fibras dos tendões extensores na [4] A artrotomografia é uma técnica importante em casos seleciona-
inserção epicondilar (seta) e edema de tecidos moles (setas abertas). A seta dos de lesão do cotovelo. O procedimento ajuda a visualizar:
curva aponta derrame articular. (Cortesia do Dr. A. Gentili, San Diego, Cali- • fraturas condrais e osteocondrais sutis
fórnia.) • osteocondrite dissecante
• anormalidades sinoviais e capsulares
• corpos osteocondrais na articulação.
observados adjacentes ao epicôndilo lateral. A RM é útil para avaliação [5] Artrografia com RM da articulação do cotovelo é útil para avaliar
do dano dos tendões e avaliação das anormalidades associadas dos liga- anormalidades sinoviais, integridade da cápsula e ligamentos ar-
mentos (Fig. 6.46). Não é raro a RM mostrar avulsão do tendão do ex- ticulares, e para detectar corpos livres intra-articulares.
tensor curto do radial do carpa do epicôndilo lateral e edema de me- [6] A fratura supracondilar da porção distai do úmero (geralmente
dula óssea associado. Em alguns pacientes, as imagens de RM mostram do tipo extensão) é muito comum em crianças. A radiografia la-
um sinal de intensidade elevada no músculo ancôneo. teral mostrando a perda da aparência em bastão de hóquei da
Lacerações do Complexo Ligamentar Colateral Radial (Lateral) porção distai do úmero é diagnóstica. Se a incidência lateral for
(CLCR). O complexo do ligamento colateral radial consiste nos ligamen- questionável, então obtém-se uma radiografia do cotovelo contra-
tos colateral radial, anular, colateral acessório e no ligamento colateral lateral (normal) para comparação. ,
póstero-lateral (ulnar lateral). Os três primeiros ligamentos fornecem [7] A fratura da cabeça do rádio é comum em adultos. E importante
estabilidade lateral da articulação do cotovelo e impedem a deforma- mostrar:
ção em varo. O último destes ligamentos fornece a estabilização póste- • o tipo de fratura
ro-lateral da articulação. O microtraumatismo repetitivo crônico que • a extensão da linha de fratura
resulta em estresse varo pode levar a entorse ou ruptura do CLCR, ambos • o grau de deslocamento articular.
os quais podem ser diagnosticados por RM. A torção aparece como um Esta informação determina se está indicado um tratamento con-
adelgaçamento ou espessamento do ligamento associada a um sinal de servador ou cirúrgico.
alta intensidade dentro ou adjacente a esta estrutura. Uma ruptura [8] A fratura do processo coronóide geralmente é oculta e está mais
completa manifesta-se como descontinuação das fibras ou defeito no freqüentemente associada a luxação posterior da articulação do
ligamento. Estas anormalidades também podem ser observadas em as- cotovelo. Se não for reconhecida, pode não consolidar, levan-
sociação a epicondilite lateral (ver anteriormente). do a subluxação ou luxação recorrente na articulação. A inci-
Lacerações do Complexo Ligamentar Colateral Ulnar (Mediai) dência da cabeça do rádio-capítulo é mais adequada para
(CLCU). O complexo do ligamento colateral ulnar consiste nos ligamen- demonstrá-la.
tos anterior, posterior e transverso. Estes ligamentos fornecem estabili- [9] As fraturas do olecrânio são mais bem mostradas na incidência la-
dade mediai à articulação do cotovelo e impedem a deformação em teral. São classificadas em três tipos, de acordo com a origem da
valgo. O mais importante das três faixas é a porção anterior, que se linha de fratura na superfície articular da fossa do olecrânio.
origina na face inferior do epicôndilo mediai e se insere na borda me- [10] O tratamento ortopédico da osteocondrite dissecante exige a
diai do processo coronóide no tubérculo sublime. A lesão do CLCU demonstração do estado da cartilagem articular do capítulo e a
comumente ocorre em atletas, em especial lançadores de beisebol e, determinação da estabilidade do fragmento osteocondral. A
menos amiúde, arremessadores de dardo, jogadores de handebol, pra- artrotomografia, a RM ou a artrografia com RM são os procedi-
ticantes de luta greco-romana e tenistas. Os achados da RM incluem sinal mentos escolhidos.
anormal e interrupção da continuidade das fibras ou defeito no liga- [11] Em todos os casos de fratura ulnar, procurar luxação associada
mento (na ruptura completa) ou espessamento do ligamento e focos da cabeça do rádio; em todos os casos de luxação, procurar fra-
de calcificação ou ossificação (na lesão crônica). tura da ulna (fratura-luxação de Monteggia). A técnica radioló-
A artrografia com RM pode distinguir entre rupturas parcial e com- gica apropriada para o estudo dessas lesões freqüentemente ne-
pleta do ligamento colateral ulnar. Recentemente, DeSmet e colegas gligenciadas exige, em adultos, obtenção de duas radiografias
Membro Superior 11: Cotovelo 163

separadas que incluam a articulação do cotovelo e o antebraço: Gaary E, Potter HG, Altchek DvV. Mediai elbow pain in the throwing athlete: MR imag-
uma centralizada sobre a articulação e outra sobre a porÇão ing evaluation. A1R Am1 Raentgeno/1997; 168:795-800.
Greenspan A, Norman A. Th e radial head-capitellum view: useful technique in elbow
média do antebraço. Em crianças, uma única radiografia que trauma. AJRAmf Raentgena/ 1982;138:1186-1188.
inclua a articulação do cotovelo e todo o antebraço é suficiente. Greenspan A, Norman A. The radial head-cap ite llum view: a nother example of its use-
[12] Fratura- luxação de Essex-Lopresti é uma lesão instável, comple- fulness [leuer ]. A1R Am 1 Raentgeno/1982; 139:193.
xa, que compreende fratura cominutiva da cabeça e do colo do Gree nspan A, Norman A. Lcttcr to the ed itor [Reply]. A1R Am J Raentgenal
1983; 140: 1273.
rádio, laceração da membrana intra-óssea do antebraço e luxação Greenspan A, Norman A, Rosen H. Radial head-capitellum view in elbow trauma: clin-
na articulação radioulnar distai. icai application and radiographic-anatomic correlation. AJR Am 1 Roentgenol
[13] A epicondilite lateral (ou cotovelo de tenista) é mais efetivamen- I 984;143:355-359.
te avaliada com RM. Esta técnica pode mostrar a avulsão do ten- Holtz P, Erickson SJ, Holmquist K. MR imaging of the elbow: technical co nsidera ti ons.
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MEMBRO SUPERIOR 111
Porção Distal do Antebraço, Punho e Mão

Porção Distai do Antebraço importante apreciar as relações anatômicas normais do rádio e da ulna
para uma avaliação completa do traumatismo.
A lesão da porção distai do antebraço , causada em 90 % dos casos por A incidência póstero-anterior da porção distai do antebraço revela
queda sobre a mão esticada, é comum durante toda a vida, porém é mais variações anatômicas no comprimento do rádio e da ulna, conhecidas
freqüente nos idosos. Em geral, o tipo de lesão sofrida é a fratura da como variância ulnar ou variância de Hulten. Como regra, o processo
porção distai do rádio ou da ulna, cuja incidência excede substancial- estilóide do rádio excede o comprimento da extremidade articular da
mente a da luxação das articulações radiocarpal e radioulnar distai. ulna em 9 a 12 mm. Entretanto, no local da articulação com o semilu-
Embora a anamnese e o exame físico forneçam quase sempre informa- nar, as superfícies articulares do rádio e da ulna estão no mesmo nível,
ções importantes em relação ao tipo de lesão, as radiografias são indis- produzin~o uma ~ariância* ulnar neutra (Fig. 7.3) . Às vezes, a ulna pro-
pensáveis para determinar o local exato e a extensão; em vários tipos jeta-se mais prox1malmente- variância ulnar negativa (ou variância
de fraturas , apenas o exame radiológico adequado pode levar ao diag- ulnar -) ; ou mais distalmen te - variância ulnar positiva (ou variância
nóstico correto. ulnar +) (Fig. 7.4) . A posição do punho é um determinante importante
da variância ulnar. A posição padronizada geralmente aceita é uma in-
cidência póstero-anterior obtida com o punho estendido sobre a mesa
Considerações Anatomorradiológicas radiológica, a rotação neutra do antebraço e com o cotovelo flexiona-
Por via de regra, as radiografias obtidas nas incidências póstero-anteri- do a 90° e o ombro abduzido a 90o. A radiografia póstero-anterior tam-
or e lateral são suficientes para avaliar a maioria das lesões da porção
distai do antebraço (Figs. 7.1 e 7.2) . Em cada uma dessas incidências, é ' N.T .: Muitos autores também empregam o te rmo variação.
166 Membro Superior III: Porção do Antebraço, Punho e Mão

Fig. 7.1 Incidência dorsopalmar (póstero-anterior) da porção distai do


antebraço, punho e mão. Para fins de classificação, deve ser feita distinção
entre os distúrbios traumáticos envolvendo a porção distai do antebraço, o
punho e a mão. Do ponto de vista radiológico, entretanto, o posicionamento
do membro para as radiografias póstero-anterior e lateral da área do punho
(isto é, a porção distai do antebraço e o carpo) e da mão é essencialmente o
mesmo. (A) Para a incidência póstero-anterior (dorsopalmar) do punho e da
mão, os pacientes são posicionados com o braço completamente estendido
sobre a mesa radiológica . A porção do membro que vai da porção distai do
antebraço até as extremidades dos dedos apóia-se em pronação sobre o chas-
si . Se a área do punho ou da mão for o foco da avaliação, a mão geralmente
apóia-se aberta (com a palma voltada para baixo), com os dedos ligeiramente
afastados. Entretanto, o ponto para o qual o raio central é orientado varia. Para
o punho, o raio central é orientado para o centro do carpo; para a mão, o raio
central é orientado para a cabeça do terceiro osso metacarpal. Para melhor
demonstração da área do punho, os dedos do paciente podem ser flexiona-
dos para fazer com que o carpo repouse totalmente apoiado no chassi (deta-
lhe). (B) Na radiografia desta incidência, as porções distais do rádio e da ulna,
bem como os ossos do carpo e do metacarpo e as falanges, são bem mostra-
dos. O polegar, entretanto, é observado em uma incidência oblíqua; as bases
do segundo ao quinto metacarpais parcialmente se sobrepõem. No punho,
há também uma superposição do pisiforme e do piramidal, bem como dos
ossos trapézio ~ trapezóide. (C) Nesta incidência, o ângulo carpal pode ser
determinado. E formado por duas tangentes, a primeira traçada contra as
bordas proximais do escafóide e do semilunar (1 ), a segunda traçada contra
as bordas proximais do piramidal e do semilunar (2). O ângu lo mede normal-
mente 11 ooe 150°, mostrando um desvio considerável com a idade, o sexo e
a raça.

hâmulo do hamato
hamato
trapezóide
trapézio
...:.,.-'11- f+'tst'--lt"'==,.,c-- - - piram ida I
//-"'';}Ir--~~---- capitato
escafóide
semilunar
L-.::....::..._ _ _: __ _ _ _ _ pisiforme

bém revela uma característica anatômica importante do rádio conheci- rurgião decidir entre uma redução fechada ou aberta, bem como aju-
da como ângulo radial (também chamado de inclinação ulnarda super- dar nos exames de seguimento.
fície articular do rádio) , que normalmente varia de 15° a 25° (Fig. 7.5). As técnicas de imagem complementares são ocasionalmente neces-
A incidência lateral da porção distai do antebraço mostra uma outra sárias para avaliação do traumatismo da porção distai do antebraço e
característica significativa, a inclinação pahnarda superfície articular do do punho. O exame artrográfico (Fig. 7.7) pode ser necessário em ca-
rádio (também conhecida como ângulo dorsal, oposição palmar ou incli- sos de suspeita de lesão do complexo da fibrocartilagem triangular
nação palmar). A inclinação normalmente varia de 10° a 25° (Fig. 7.6). (CFCT), que consiste em fibrocartilagem triangular (disco articular) ,
Ambas essas medidas têm importância prática para o cirurgião orto- homólogo do menisco, ligamentos radioulnares dorsal e palmar e liga-
pédico na avaliação de deslocamento e da posição de fragmentos após mento colateral ulnar (Fig. 7.8). Devido à cavidade radiocarpal- na
fratura da porção distai do rádio . Também podem ser úteis para o ci- qual, normalmente, o contraste é injetado - não se comunicar com a
Membro Superior III : Porção do Antebraço, Punho e Mão 167

hamato
trapézio
capitato
w - - - piramidal
\..::=="\"...._+-- - escafóide
semilunar

Fig. 7.2 Incidência lateral do punho e da mão. (A) Para incidência lateral da área do punho e da mão, o braço do paciente é completamente estendido e
apoiado sobre o seu lado ulnar. Os dedos podem ser completamente estendidos ou, preferencialmente, ligeiramente flexionados (detalhe), com o polegar um
pouco em frente dos dedos. Para avaliação da área do punho, o raio central é orientado na direção do centro do carpo, enquanto para a mão, é orientado para
a cabeça do segundo metacarpal. (B) Na radiografia desta incidência, as porções distais do rádio e da ulna se sobrepõem, porém a relação dos eixos longitu-
dinais do capitato, semilunar e rádio pode ser suficientemente avaliada (ver Fig. 7.66). Embora os metacarpais e as falanges também se sobreponham, o
deslocamento dorsal ou palmar de uma fratura desses ossos -pode facilmente ser detectado (ver Fig . 4.1). O polegar é examinado em incidência dorsopalmar
verdadeira. (C) Uma maneira mais efetiva de estudar os dedos na incidência lateral é afastá-los do paciente, como se fossem um leque, com o lado ulnar da
quinta falange apoiando-se sobre o chassi. O raio central é orientado na direção das cabeças dos metacarpais . (D) Na radiografia desta incidência, a superpo-
sição das falanges comumente observada na incidência lateral padronizada é eliminada. As articulações interfalângicas podem prontamente ser avaliadas.
168 Membro Superio r III: Porção d o Anteb raço , Punh o e Mão

Fig. 7.3 Variância ulnar neutra. (A) Como regra, o


I processo estilóide do rádio eleva-se 9 a 12 mm aci-
______ _L ____ _ ma da superfície articular da porção distai da ulna.
I - Esta distância também é conhecida como compri-
mento radial. (B) No local de articulação com o se-
I milunar, as superfícies articulares do rádio e da ulna
estão no mesmo nível.

Fig. 7.4 Variância ulnar negativa e positiva. (A)


Variância ulnar negativa. A superfície articular da ui na
projeta-se 5 mm proximal ao local da articulação
radiolunar. (B) Variância ulnar positiva. A superfície
articular da ulna projeta-se 8 mm distai ao local da
articulação radiolunar.

Fig. 7.5 Inclinação ulnar. A inclinação ulnar da superfície articular do rádio Fig. 7.6 Inclinação palmar. A inclinação palmar da superfície articular do
é determinada, com o punho na posição neutra, pelo ângulo formado por rádio é determinada pela medida do ângulo formado por uma linha per-
duas linhas: uma perpendicular ao eixo longitudinal do rádio ao nível da pendicular ao eixo longitudinal do rádio ao nível do processo estilóide (a)
superfície articular radioulnar (a) e uma tangente que passa pelo processo e uma tangente que passa pelas faces dorsal e palmar da superfície articu -
estilóide radial e pela face ulnar do rádio (b). lar do rádio (b).
Memb ro Supe rior III: Porção do An tebraço, Punho e Mão 169

espaço
pisopiramidal
cartilagem triangular
compartimento
r"'' - - - - - - - não-opacificada
radiocarpal
(intacta)
recesso
pré-estilóide

recesso radial palmar

A
Fig. 7.7 Artrografia do punho. (A) Para o estudo artrográfico da articulação radiocarpal, o punho é posicionado em pronação sobre uma esponja
radiotransparente de modo a abrir a articulação para inserção da agulha. Sob controle fluoroscópico, a articulação é penetrada usando-se uma agulha de
calibre 22 em um ponto lateral ao ligamento escafolunar. (O ponto vermelho marca o local da punção.) Dois ou 3 ml de contraste (diatrizoato de meglum ina
a 60o/o) são injetados, e realizadas radiografias nas incidências póstero-anterior (dorsopalmar), lateral e oblíqua . As incidências póstero-anterior (B) e lateral (C)
mostram enchimento de contraste do compartimento radiocarpal, dos recessos radiais pré-estilóide e palmar e do espaço pisopiramidal. A fibrocartilagem
triangular intacta não permite que o contraste entre na articulação radioulnar distai, e os ligamentos intercarpais intactos impedem o extravasamento de
contraste para as articulações intercarpais.

Fig . 7.8 Complexo da fibrocartilagem triangular. O complexo da fibrocar-


tilagem triangular (CFCT) inclui a fibrocartilagem triangular, o ligamento COMPLEXO DA FIBROCARTILAGEM TRIANGULAR
radioulnar, o ligamento ulnocarpal, a bainha do tendão do extensor ulnar do (CFCT)
carpo e o homólogo do menisco. Está localizado entre a porção distai da ulna
e a fileira proximal do carpo, estabiliza a articulação radioulnar distai e funci-
ona como uma almofada das forças axiais de compressão. A fibrocartilagem
triangular fixa-se medialmente à fóvea da ulna e lateralmente à fossa semilu-
nar do rádio. ligamento colateral ulnar

homólogo do menisco

fibrocartilagem triangular
170 Membro Superior III : Porção do Antebraço, Punho e Mão

Quadro 7 .1 Incidências Radiológicas Padronizadas para Avaliação extensão intra-articular da linha de fratura, ~-:m como uma fratura as-
do Traumatismo da Porção Distai do Antebraço sociada da extremidade distai da ulna (Fig. 7.10, Quadro 7.3).
As radiografias nas incidências póstero-anterior e lateral são sufici-
Incidência Demonstração
entes para mostrar a fratura de Colles. A avaliação completa de ambas
Póstero-anterior Variância ulnar as incidências deve levar em consideração o estado do ângulo radial e a
Ângulo do carpo inclinação palmar, bem como o grau de encurtamento do rádio secun-
Ângulo radial dário à impacção ou deslocamento do tipo baioneta (Figs. 7.11, 7.12 e
Articulação radioulnar distai 7.13) . O estudo de TC pode fornecer mais informação concernente à
Fratura de Colles posição exata dos fragmentos deslocados (Fig. 7.14).
Fratura de Hutchinson Complicações. No momento da fratura, pode ocorrer lesão conco-
Fratura-luxação de Galeazzi
mitante dos nervos mediano e ulnar. A ausência de estabilidade dos
Lateral Face palmar do rádio
Linha de gordura do pronador quadrado fragmentos durante a consolidação pode resultar em perda de redução,
Fratura de Colles porém raramente são observados o retardo da consolidação e a má
Fratura de Smith consolidação. Como seqüela, a artrite pós-traumática pode se desenvol-
Fratura de Barton ver na articulação radiocarpal.
Fratura-luxação de Ga leazzi Fraturas de Barton e Hutchinson . Ambas são fraturas intra-articu-
lares da porção distai do rádio . A fmtura de Barton clássica afeta a mar-
gem dorsal da porção distai do rádio e se estende para a articulação
radiocarpal (Fig. 7.15) ; ocasionalmente, também há luxação associada
articulação radioulnar distai, a opacificação deste compartimento indi- na articulação. Quando a fratura envolve a margem palmar da porção
ca uma ruptura da fibrocartilagem triangular (ver Fig. 7.23). Em uma distai do rádio com extensão intra-articular, é conhecida como fratura
pequena percentagem de casos, um resultado falso-positivo pode ser . de Barton invertida (ou palmar) (Fig. 7.16). Como em ambas as variantes
causado por uma variante anatômica normal permitindo comunicação a linha de fratura está orientada no plano coronal, é melhor demons-
entre o compartimento radiocarpal e a articulação radioulnar distai. trada nas incidências lateral ou oblíqua.
Para um resumo em forma de quadro das incidências radiológicas A fratura de Hutchinson (também conhecida como fratura do moto-
básicas e das técnicas de imagem complementares usadas na avaliação rista - nome derivado da época dos automóveis com partida a manive-
de traumatismo da porção distai do antebraço , ver Quadros 7.1 e 7.2. la quando o traumatismo direto no lado radial do punho freqüentemen-
te era sofrido pelo retrocesso da manivela) envolve a margem radial
(lateral) da porção distai do rádio, estendendo-se através do processo
Lesão da Porção Distai do Antebraço
estilóide do rádio até a articulação radiocarpal. Devido à orientação
Fraturas da Porção Dista/ do Rádio sagital da linha de fratura, a incidência póstero-anterior é mais adequa-
da para diagnosticar este tipo de lesão (Fig. 7.17).
Fratura de Colles. A lesão mais freqüentemente encontrada na por- Fratura de Smith. Geralmente resultando de queda sobre o dorso
ção distai do antebraço, a fratum de Colles, geralmente resulta de uma da mão ou de contusão direta desta região em flexão palmar, a fratura
que~a sobre a mão esticada com o antebraço pronado em flexão dor- de Smith consiste em uma fratura da porção distai do rádio, que algu-
sal. E mais comum em adultos com mais de 50 anos de idade, e mais mas vezes se estende até a articulação radiocarpal, com deslocamento
freqüentemente em mulheres que em homens. Na descrição clássica palmar e angulação do fragmento distai (Fig. 7.18). Devido à deformi-
desta lesão, conhecida na literatura européia como fratum de Pouteau, a dade nesta fratura ser o oposto da observada na lesão de Colles, freqüen-
linha de fratura é extra-articular, em geral ocorrendo aproximadamente temente é denominada como fratura de Colles invertida; entretanto, é
2 a 3 em da superfície articular da porção distai do rádio. Em muitos muito menos comum que a de Colles. Existem três tipos de fratura de
casos, o fragmento distai está deslocado radial e dorsalmente e mostra Smith , definida com base na obliqüidade na linha de fratura (Fig. 7.19),
angulação dorsal, embora outras variantes no alinhamento dos fragmen- que é mais bem avaliada na incidência lateral. Os tipos 11 e 111 geral-
tos também possam ser observadas (Fig. 7.9). Comumente, existe uma mente são instáveis e podem demandar intervenção cirúrgica.
fratura associada do processo estilóide da ulna. Deve-se notar que al- Fratura-Luxação de Galeazzi. Esta anormalidade, que pode resul-
guns autores (p. ex. , Frykman) incluem sob este mesmo epônimo a tar indiretamente de queda sobre a mão esticada combinada com pro-
nação acentuada do antebraço, ou diretamente, por contusão da face
dorsolateral do punho, consiste em uma fràtura da porção distai do
Quadro 7.2 Técnicas de Imagem Complementares para Avaliação rádio , algumas vezes estendendo-se até a articulação radiocarpal , e em
de Lesão da Porção Distai do Antebraço luxação associada na articulação radioulnar distai. Tipicamente, a ex-
tremidade proximal do fragmento distai apresenta um deslocamento
Técnica Demonstração dorsal , em geral com a angulação dorsal no local de fratura; a ulna está
Artrografia Articulação radiocarpal deslocada dorsal e medialmente. Dois tipos da lesão de Galeazzi foram
Laceração do complexo da fibrocartilagem identificados. No tipo I, a fratura do rádio é extra-articular no terço distai
triangular do osso (Fig. 7.20). No tipo 11, a fratura do rádio geralmente é cominu-
Arteriografia Lesão concom itante das artérias do antebraço tiva e se estende para a articulação radiocarpal (Fig. 7.21).
Imagem por Fraturas sutis do rádio e da ulna As radiografias póstero-anterior e lateral são rotineiramente obtidas
Radionuclídeos quando h á suspeita desta lesão, porém a incidência lateral revela com
(cintilografia óssea) nitidez sua natureza e extensão (Figs. 7.20B e 7.21B).
Tomografia Consolidação de fraturas e complicações Fratura de Piedmont. Uma fratura isolada do rádio na junção dos
Computadorizada da consolidação
Lesão dos tecidos moles (músculos, tendões) terços médio e distai sem ruptura associada da articulação radioulnar
Ressonância Magnética Lesão dos tecidos moles distai é conhecida como fratura de Piedmont. Esta lesão é também
Fraturas sutis e contusão óssea do rádio e denominada "fratura de necessidade", porque a redução aberta e a
da ulna fixação interna são necessárias para alcançar um resultado funcional
Laceração do complexo da fibrocartilagem aceitável. Se esta fratura for tratada conservadoramente com redu-
triangular ção fechada e aplicação de aparelho gessado, então o espaço interós-
Anormalidades de vários tendões, seo pode ser comprometido devido à ação dos músculos, resultando
ligamentos e músculos em perda de pronação e supinação após a consolidação óssea ter se
Lesão da membrana interóssea
completado.
Membro Superior III: Porção do Antebraço, Punho e Mão 171

FRATURA DE COLLES:
VARIANTES NO ALINHAMENTO DOS FRAGMENTOS

impacção deslocamento deslocamento dorsal e


sem deslocamento dorsal simples angulação dorsal

deslocamento radial (lateral) deslocamento radial (lateral)


e angulação radial

Fig. 7.9 Fratura de Colles. Cinco varia ntes de desloca mento e angulação do frag mento d istai na fratura de Colles. Al gu ns desses padrões podem ocorrer em
comb in ações, produzindo deformidades complexas.

Fratura-Luxação de Essex-Lopresti. Esta fratura , que afeta a cabe- variância ulnar negativa ou fusão prematura da p laca de crescimen-
ça do rádio e está associada a ruptura da membrana interóssea do ante- to u lnar distai , ou recorte radial e convergência radioulnar nos ca-
braço e a luxação na articulação radioulnar distai, foi estudada no Ca- sos de ressecção ulnar distai. Antes de esses achados se tornarem
pítulo 6. evidentes nos estudos radiológicos convencionais, a RM pode ser útil
Síndrome de Colisão Ulnar. A síndrome de colisão ulnar é cau- no reconhecimento precoce deste distúrbio.
sada por uma u lna distai curta que se choca com o terço distai do
rádio, proximal à incisura ulnar (sigmóide). A ulna curta pode re-
presentar uma anomalia congên ita, como uma variância ulnar ne- Quadro 7.3 Classificação de Frykman das Fraturas da Porção
gativa, ou pode ser resultante de fusão prematura da placa de cres- Dh tal do Rádio
cimento ulnar distai secundária a traumatismo prévio. Entretanto,
na maioria dos casos, é causada por procedimentos cirúrgicos que Fratura da Porção
Fratura do Rádio Distai da Ulna
envolvem ressecção da porção distai da ulna secundária a traumatis-
mo , por artrite reumatóide ou por correção de deformidade de Localização Ausente Presente
Madelung. Os sintomas clínicos da síndrome de colisão ulnar con-
sistem em dor no punho do lado u lnar e limitação do movimento Extra-articula r I 11
na articulação radiocarpal. Além disso, os pacientes sofrem descon- lntra-articular (articu lação radiocarpal) 111 IV
forto durante a pronação e supinação do antebraço. Na radiografia,
lntra-articu lar (articulação radiou lnar) v VI
lntra-articular (articulações radioca rpal e VIl VII I
as alterações características desta anormalidade incluem ulna curta radioulnar)
e recorte da face mediai da porção distai do rádio nos casos de
172 Membro Superior III: Porção do Antebraço, Punho e Mão

FRATURAS DA PORÇÃO DISTAL DO RÁDIO


(Classificação de Frykman)

Fig. 7.1 O Fraturas da porção distai do rádio. Classificação de Frykman de fraturas da porção distai do rádio de acordo com a localização da linha de fratura
(intra-articular versus extra-articular) e associação da fratura da porção distai da ulna .
Membro Superio r III: Porção do An tebraço, Pu nho e Mão 173

diminuição do
ângulo radial angulação dorsal
do fragmento distai
L..o4---~------=df------- fratura da porção
distai da ulna
\~--=1------- impacção do rádio
do tipo baioneta

impacção do rádio
do tipo baioneta

Fig . 7.11 Fratura de Colles. Incidências póstero-anterior (A) e lateral (B) da porção distai do antebraço mostram as características da fratura de Colles. Na
incidência póstero-anterior, uma diminuição no ângulo radial e uma fratura associada da porção distai da ulna são evidentes. A incidência lateral revela a
angulação dorsal da porção distai do rádio, bem como uma inversão da inclinação palmar. Em ambas as incidências, o rádio está encurtado secundariamente
a um deslocamento do tipo baioneta. A linha de fratura não se estende até a articulação (tipo 11 de Frykman).

Fig . 7.12 Fratura intra-articular da porção distai


do rádio. Radiografia póstero-anterior da porção
distai do antebraço (A) e tomografia triespiral (B)
mostram fratura de Frykman do tipo IV. A fratura
se estende até a articulação radiocarpal, a articula-
ção radioulnar distai é poupada, e existe uma fra-
tura associada do estilóide ulnar.
Fig . 7.13 Fratura intra-articular da porção distai do
rádio. Radiografias póstero-anterior (A) e oblíqua (B)
da porção distai do antebraço mostram fraturas de
Frykman do tipo VI. A linha de fratura estende-se até
a articulação radioulnar distai e também se nota fra-
tura do estilóide ulnar.

Fig . 7.14 TC de fratura intra-articular da porção distai do rádio. (A) Radiografia póstero-anterior mostra fratura intra-articular da porção distai do rádio . A
fratura parece não estar deslocada. Imagens de (B) TC coronal e (C) tridimensional reconstruídas mostram deslocamento ( seta) e depressão (seta curva) dos
fragmentos fraturados.

Fig . 7.15 Fratura de Barton . Esquema (A) e radio-


grafia oblíqua (B) mostram a aparência típica da fra-
tura de Barton . A linha de fratura no plano coronal
estende-se da margem dorsal da porção d istai do
rádio até a articulação radiocarpal.
Fig . 7.16 Fratura de Barton invertida. Esquema
(A), radiografia oblíqua (B) e tomografia triespiral
lateral (C) mostram fratura de Barton invertida (ou
palmar); a linha de fratura também está orientada
no plano coronal, porém se estende da margem
palmar do processo estilóide do rádio até a articu-
lação radiocarpal.

Fig. 7.17 Fratura de Hutchinson. Esquema (A) e ra-


diografias dorsopalmares (B) mostrando a aparên-
cia clássica da fratura de Hutchinson. A linha de fra-
tura no plano sagital estende-se através da margem
radial do processo estilóide do rádio até a articula-
ção radiocarpal.

Fig . 7.18 Fratura de Smith. Radiografias póstero-


anterior (A) e lateral (B) da porção distai do antebra-
ço mostram a aparência típica da fratura de Smith . O
deslocamento palmar do fragmento distai é evidente
na incidência lateral.
176 Me mb ro Supe ri o r 111: P orção d o Antebraço , Pu n h o e Mão

Fig. 7.19 Fratura de Smith. Estes três tipos de fratura de Smith são distinguidos pela obliqüidade da linha de fratura. O deslocamento palmar do fragmento
distai é característico de todos os três tipos . (A) Na fratura de Smith do tipo I, a linha de fratura é transversal, estendendo-se do córtex dorsal até o córtex
palmar do rádio . (B) A linha de fratura oblíqua no tipo 11 estende-se do lado dorsal da porção distai do rádio até o córtex palmar. (C) O tipo 111 , que é quase
idêntico à fratura de Barton invertida (ver Fig . 7.16), é uma fratura intra-articular com extensão até a cortical palmar da porção distai do rádio.

Fig . 7.20 Fratura-Luxação de Galeazzi. Radiografias póstero-anterior (A) e lateral (B) da porção distai do antebraço mostram a fratura-luxação de Galeazzi
do tipo I. A fratura simples do rádio afeta o terço distai do osso, e a extremidade proximal do fragmento distai está deslocada dorsal mente e angulada . Além
disso, observa-se luxação da articulação radioulnar distai.
Membro Superior III: Porção do Antebraço, Punho e Mão 177

fratura do
processo
fratura do estilóide ulnar
processo
~~~!.k;s;r~r==------ estilóide ulnar
ulna luxada
Af?r.~~----- dorsalmente

~--+-1---f----- fratura da porção


fratura distai do rádio
intra~articular
do rádio

Fig . 7.21 Fratura-Luxação de Galeazzi. Incidências póstero-anterior (A) e lateral (B) da porção distai do antebraço mostram os dois componentes da fratura-
luxação de Galeazzi do tipo 11. A incidência póstero-anterior claramente revela a fratura da porção distai do rádio, que neste caso é uma fratura cominutiva
estendendo-se até a articulação radiocarpal. O fragmento distai tem discreta angulação lateral. Observe também a fratura cominutiva associada do processo
estilóide da ulna e a luxação na articulação radioulnar. Estas características também são encontradas na incidência lateral, porém esta incidência fornece tam-
bém melhor demonstração da luxação dorsal da porção distai da ulna.

Síndrome de lmpacção Ulnar. Também conhecida como síndro- condral e formação cística, e destruição da cartilagem. Anormalidades
me do contato ulnossemilunar, a síndrome de impacção ulnar é uma associadas, como rupturas da fibrocartilagem triangular e do ligamen-
entidade bem reconhecida clinicamente caracterizada por dor no pu- to semilunar-piramidal também são bem estudadas por este método
nho do lado ulnar e limitação do movimento na articulação radiocarpal. (Fig. 7.22) . O tratamento deste distúrbio inclui o debridamento do
Está freqüentemente associada à variância ulnar positiva. O mecanis- CFCT e o encurtamento ulnar.
mo patológico dessa síndrome está ligado a forças alteradas e aumenta-
das transmitidas através do lado ulnar do punho, levando à compres- Lesão dos Tecidos Moles na Articulação Radioulnar Dista/
são da porção distai da ulna sobre a superfície mediai do osso semilu- Uma das seqüelas mais comuns de lesão da articulação radioulnar dis-
nar. Isto causa o desenvolvimento de alterações degenerativas na carti- tai é a ruptura do CFCT. A ruptura pode ocorrer como resultado de
lagem que cobre os dois ossos. Além disso, a associação freqüente da fraturas, como aquelas descritas nas seções anteriores, ou independen-
ruptura da fibrocartilagem triangular foi relatada. Em casos de compri- temente, após lesão da porção distai do antebraço e do punho.
mento ulnar excessivo, existe subluxação dorsal da ulna comprometen- As radiografias nas incidências padronizadas são invariavelmente
do a supinação do antebraço. A RM é a técnica mais eficaz para diag- normais em relação ao estado da cartilagem triangular, particularmen-
nosticar esta síndrome e mostrar as alterações patológicas dos ossos te se não houver evidências de fratura ou luxação na qual seja possível
afetados e nos tecidos moles circunvizinhos. A RM revela edema de embasar uma suspeita de lesão de tecidos moles. Entretanto, quando
medula óssea da porção distai da ulna e do semilunar, esclerose sub- há suspeita, uma artrografia com contraste único do punho pode confir-
178 Membro Superior III: Porção do Antebraço, Punho e Mão

Fig . 7.22 Síndrome de impacção ulnar. (A) Imagem de RM coronal ponderada em Tl mostra variância ulnar positiva e esclerose da face ulnar proximal do
semilunar (seta) . (B) Imagem de RM coronal ponderada em Tl obtida um pouco mais palmar e (C) imagem ponderada em T2* correspondente mostram
cistos subcondrais (setas retas) e envolvimento do piramidal (setas curvas) . Observe também a laceração da fibrocartilagem triangular.
Membro Superior III: Porção do Antebraço, Punho e Mão 179

Fig . 7.23 Artrografia do punho. Uma artrogra-


fia com contraste único do punho mostra extra-
vasamento do contraste para o espaço ocupado
pela cartilagem triangular, com enchimento ca-
racterístico do compartimento radioulnar distai,
confirmando ruptura do complexo da fibrocarti -
lagem tria ngular (compare com a Fig . 7.7B).

compartimento
radioulnar distai
opacificado

mar ou descartar o diagnóstico. Normalmente, o contraste preenche o res relataram uma sensibilidade de apenas 17% da RM, com especifici-
compartimento radiocarpal , os recessos radial palmar e pré-estilóide, e dade de 79 % e acurácia de 64%.
o espaço pisopiramidal (ver Fig. 7.7). A presença de contraste no com-
partimento radioulnar distai ou no local da cartilagem triangular indi-
ca ruptura (Fig. 7.23). Punho e Mão
Até recentemente , a artrografia era o exame preferido para avalia-
ção de CFCT. Atualmente, acredita-se que geralmente no diagnóstico Considerados como uma unidade funcional, o punho e a mão são os
de anormalidades do CFCT, a acurácia da RM aproxima-se à da artro- locais mais comuns de lesão no sistema esquelético. Fraturas dos meta-
grafia. A vantagem da RM é a sua ausência de invasividade e a capacida- carpais e das falanges, entretanto, de longe, predominam em incidên-
de de adquirir imagens de toda a substância da fibrocartilagem, enquan- cia sobre fraturas e luxações dos ossos e articulações do carpo, que cons-
to a artrografia é limitada apenas à avaliação da superfície desta estru- tituem aproximadamente 6% de todas as lesões. Na maioria das circuns-
tura. Nas imagens de RM c01·onais ponderadas em T1 , o CFCT normal tâncias, a anamnese e o exame físico fornecem informações valiosas nas
aparece como uma faixa bicôncava de sinal homogêneo de baixa inten- quais é possível fundamentar uma suspeita diagnóstica, porém achados
sidade estendendo-se através do espaço entre a porção distai da ulna, a radiológicos derivados de radiografias obtidas em pelo menos duas in-
face mediai da porção distai do rádio, e os ossos piramidal e semilunar cidências com 90° entre si (ver Fig. 4.1) são essenciais para determinar
(ver Figs. 7.8 e 7.26). As rupturas do CFCT manifestam-se como um diagnóstico específico de lesão nestes locais.
descontinuidades e fragmentação desta estrutura. A ruptura da fibra-
cartilagem confere a esta um contorno irregular interrompido por áre- Considerações Anatomorradiológicas
as de sinal de intensidade elevada nas imagens ponderadas em T2 (Fig.
7.24). Todavia, um dos estudos recentes publicados por Haims e cole- O traumatismo do punho e da mão geralmente pode ser suficientemen-
gas questiona a sensibilidade do estudo de RM no diagnóstico de rup- te avaliado pelas radiografias simples (convencionais) nas incidências
turas periféricas da fibrocartilagem triangular. A esse respeito , os auto- dorsopalmar (póstero-anterior) e lateral (ver Figs. 7.1 e 7.2). Todavia,
a determinação da extensão exata do dano dos diferentes ossos do car-
po que formam a estrutura complexa do punho pode exigir estudos
suplementares específicos para os vários sítios anatômicos. Estas inci-
dências especiais incluem as seguintes:
l. Dorsopalmar obtida no desvio ulnar do punho para avaliação do
osso escafóide, que aparece encurtado na incidência dorsopalmar
padronizada como resultado de sua inclinação palmar normal
(Fig. 7.25)
2. Oblíqua em supinação para visualização do osso pisiforme e da
articulação pisopiramidal (Fig 7.26)
3. Oblíqua em pronação para estudar o osso piramidal, a face rádio
palmar do escafóide e o processo estilóide do rádio (Fig. 7.27)
4. Do túnel do carpo para mostrar o hâmulo (ou gancho) do osso
hamato , o pisiforme e a face palmar do trapézio (Fig. 7.28).
A avaliação completa das condições traumáticas e suas seqüelas tam-
bém pode demandar técnicas de imagem complementares. Entre as
mais comumente realizadas estão a tomografia linear, principalme nte
na forma de cortes triespirais finos , para detecção de fraturas ocultas;
fluoroscopia obtida com filmagem em vídeo para avaliação da
cinemática do punho e instabilidade articular; artrografia e ressonân-
cia magnética (RM) para determinar lesões dos tecidos moles como
rupturas capsulares e tendinosas; e cintilografia óssea para detectar fra-
turas sutis e complicações preçoces da consolidação de fraturas. A to-
mografia computadorizada (TC) evoluiu como uma ferramenta versá-
Fig . 7.24 Ruptura do complexo de fibrocartilagem triangular. Imagem por
til e um procedimento adjunto para adquirir imagens de várias anor-
RM coronal ponderada em T2* GRASS do punho esquerdo mostra ruptura malidades traumáticas do punho. Em muitas instituições, esta técnica
completa do CFCT. A fibrocartilagem triangular está rota e luxada a partir do praticamente substituiu a tomografia co nvencional , porque é mais fá-
estilóide ulnar (seta) . Um volume moderado de líquido é observado na articu- cil de realizar, é mais rápido e tem uma dose de radiação mais baixa.
lação radioulnar distai (seta curva). Após os cortes axiais padronizados serem obtidos, a reformatação das
180 Membro Superior III: Porção do Antebraço, Punho e Mão

A
Fig . 7.25 Desvio ulnar. (A) Para a incidência dorsopalmar do punho no desvio ulnar, o antebraço posiciona-se totalmente apoiado sobre a mesa raqiológica
com a superfície anterior voltada para baixo e o cotovelo flexionado a 90°. A mão, apoiada totalmente sobre o chassi, está desviada para o lado ulnar. O raio
central é orientado para o carpo. (B) A radiografia nesta incidência mostra o escafóide sem distorção devido a sua inclinação palmar normal quando o punho
está na posição neutra.

Fig . 7.26 Incidência oblíqua em supinação. (A) Para a incidência oblíqua


em supinação no punho, a mão apoiada sobre seu lado ulnar no chassi é in-
clinada a aproximadamente 30° a 35o na direção de sua superfície dorsal. Os
dedos estendidos são mantidos juntos, e o polegar ligeiramente abduzido. O
raio central é orientado na direção do centro do punho. (B) A radiografia nesta
incidência mostra o osso pisiforme e a articulação pisopiramidal.
Membro Superior III : Porção do Antebraço , Punho e Mão 181

i
I
I
I

Fig. 7.27 Incidência oblíqua em pronação. (A) Para a incidência oblíqua


em pronação do punho, a mão é apoiada sobre o seu lado ulnar no chassi e
incl inada a aproximadamente 40° a 45o na direção de sua superfície palmar.
Os dedos ligeiramente flexionados e mantidos juntos, com o polegar em frente
a eles. O raio central é orientado para o centro do carpo. (B) A rad iografia
nesta incidência mostra a face dorsal do piramidal, o corpo do hamato, a face
radi opalmar do escafóide e as articulações escafóide-trapézio e trapézio- --:--7.'-f';:#::-Qic.;..:'~"?'-'----- corpo do hamato
trapezó ide.
articulação
trapézio-trapezóide

articulação
escafóide-trapézio
face radiopalmar
do escafóide
face dorsal
do piramidal

imagens em planos de imagem adicionais podem ser adquiridos e a posição de decúbito ventral com o braço esten dido acima da cabeça.
reconstrução tridimensional (3D) pode ser realizada (ver Fig. 2.6A, B). Cortes contíguos de 1 ou 2 mm são adquiridos, preferencialmente usan-
A TC pode ser combinada com~ artrografia (ver Fig. 2. 13) ou pode ser do-se a técnica em espiral (h elicoidal). Os cortes coronais diretos tam-
realçada por contraste venoso. E eficaz para mostrar subluxação na ar- bém podem ser obtidos com o pun ho em extensão dorsal ou em fl exão
ticulação radioulnar distai e para avaliar a denominada deformidade palmar máxima.
em corcova do escafóide , a osteo n ecrose do sem ilunar (doença de A artrografia ain da continua sen do um procedimento eficaz para
Kienbõck) e fraturas do h âmulo d o h amato, entre ou tras anormalida- avaliar as anormalidades d o CFCT e as rupturas dos vários ligam entos
des. Os cortes axiais são obtidos após posicionamento do paciente na intercarpais . Em geral, a artrografia com contraste simples usando con-

face palmar
-=-'*-- - do trapézio
~~ ..........
hãmulo
do hamato
pisiforme

= A
Fig. 7.28 Incidência do túnel do carpo . (A) Para a incidência do túnel do carpo do punho, a mão é
posicionada em fl exão dorsal máxima com o uso da mão oposta do paciente ou de uma tira, com a su-
perfície palmar do punho apoiada no chassi. O raio central é orientado para a concha da palma em um
ângulo de aproximadamente 15°. (B) A radiog rafia nesta incid ência mostra uma vista axial do hâmulo do
hamato, bem como o osso pisiforme e a margem palmar do trapézio .
182 Membro Superior III: Porção do Antebraço, Punho e Mão

COMPARTIMENTOS ARTICULARES DO CARPO

Fig . 7.29 Compartimentos do carpo. Os compartimentos da articulação do carpo são sepa rados entre si por vários ligamentos interósseos.

trastes positivos é realizada. Entretanto , se o exame de TC pós-


artrográfico vier a ser realizado, a artrografia com duplo contraste usan-
do ar é preferível. A introdução da técnica de injeção em três compar-
timentos e a combinação da artrografia do punho com a técnica digital
e a TC na pós-artrografia faz desta modalidade um procedimento esco-
lhido na avaliação do punho doloroso. Uma avaliação artrográfica com-
pleta do punho exige a opacificação dos compartimentos médio do
carpo, radiocarpal e da articulação radioulnar distai. Estes três compar-
timentos estão normalmente separados entre si por vários ligamentos
interósseos e, no caso da articulação radioulnar distai, pelo CFCT (Fig.
7.29). O fluxo de contraste de um compartimento a outro indica defei-
to em um desses ligamentos. Foi descrito um fluxo de contraste
unidirecional através dos defeitos dos ligamentos, associado a uma pe-
quena saliência atuando como válvula, que pode não ser notado se o
contraste for injetado em apenas um lado do defeito. Por essa razão, é
preferível a injeção separada de todos os três compartimentos. Entre-
tanto, deve-se enfatizar que os defeitos nos ligamentos podem ocasio-
nalmente ser encontrados em indivíduos assintomáticos, normais; por
conseguinte, sua importãncia permanece indeterminada.
Mais recentemente, a artrografia com subtração digital foi defendi-
da por Resnick e Manaster como uma maneira efetiva de mostrar
extravasamentos sutis de contraste. As vantagens da artrografia com ligamento
interósseo
subtração digital incluem não apenas a redução do tempo de exame, semilunar-piramidal
mas também a diminuição na concentração do contraste e a localiza-
ção mais precisa dos defeitos nos ligamentos intercarpais, particularmen-
te quando os efeitos são múltiplos (ver Fig. 2.2).
A RM tornou-se uma modalidade de imagem muito promissora para
librocartilagem
avaliação do punho e da mão (Fig. 7.30). Para alcançar um exame de triangular
qualidade ideal, o uso de uma bobina de radiofreqüência local (de su-
perfície) dedicada e campo de visão limi tado é recomendado. Esta téc-
Fig. 7.30 RM de punho. Imagem RM coronal ponderada e·m T2 (seqüência
nica pode adquirir as imagens não apenas de anormalidades dos teci- de pulso gradiente-eco) do punho mostra as porções distais do rádio e da ulna
dos moles, incluindo vários músculos, tendões, ligamentos interósseos e os ossos do carpo. Os ligamentos interósseos proximais e a fibrocartilagem
e fibrocartilagem triangular, mas também anormalidades ósseas como triangular estão claramente delineados. (Reproduzido de Beltran j, 1990, com
fraturas ocultas e osteonecrose em fase inicial, particularmente do se- permissão.)
Mem bro Supe1io r III : Porção do Antebraço , Punho e Mão 183

gordura normal entre os


ossos do carpo e o túnel do
carpo

nervo mediano

tubérculo do trapézio

retináculo dos flexores

Fig . 7.31 RM de punho. Imagem RM axial spin-eco ponderada em densidade protônica (TR 2000/ TE 20 ms) através do túnel do carpo mostra as várias
estruturas. Observe o nervo mediano exibindo o sinal de intensidade intermediária e o retináculo flexor exibindo um sinal de baixa intensidade. (Reproduzido
de Beltran ], 1990, com permissão.)

milunar e do escafóide. Também é muito útil no estudo do túnel do Técnicas complementares como radiografias com estresse e artrogra-
carpo (Fig. 7.31) e na detecção de anormalidades sutis na síndrome do fia podem também ser necessárias para avaliação da ruptura ou deslo-
túnel do carpo (Fig. 7.32). camento dos ligamentos da mão, particularmente no polegar degolei-
O plano coronal é melhor para mostrar os ligamentos interósseos da ro. Veja um resumo na forma de tabela das incidências radiográficas
fileira proximal do carpo (ligamentos escafolunar e semilunar-pirami- padronizadas e especiais, bem como das técnicas complementares usa-
dal) e o CFCT . Estas estruturas exibem um sinal de baixa intensidade das para avaliar os traumatismos do punho e da mão , nos Quadros 7.4
nas seqüências ponderadas em T1 e T2 (ver Fig. 7.30). este plano, e 7.5 e na Fig. 7.37.
vários ligamentos dorsais e palmares intrínsecos e extrínsecos do punho
(Fig. 7.33) também são observados. 1 o plano sagital, todos os tendões Lesão do Punho
dos fl exores e d os extensores com suas respectivas inserções são bem
visualizados, bem como alguns dos ligamentos, incluindo o ligamento Fraturas dos Ossos do Carpo
radioescafocapitato, radiolun opiram idal e radiolunar dorsal (Fig. 7.34) . Fratura do Osso Escafóide. A fratura do escafóide (ou osso navicu-
No plano axial, vários ligamentos e tendões são mostrados em cortes lar do carpo) é a segunda lesão mais comum do membro superior, ex-
transversais; sua relação anatômica com as estruturas ósseas, artérias e cedidas em freqüência apenas por fraturas na porção distai do rádio, e
nervos pode ser avaliada efetivamente (Fig. 7.35) . Este plano também é compreende 2% de todas as fraturas. Das fraturas e luxações no carpo,
ideal para estudar o canal de Guyon. Esta estrutura anatômica está lo- essa fratura é a mais comum, sendo responsável por 50% a 60% dessas
calizada na face palmar do punho, medialmente ao túnel do carpo, entre lesões. Freqüentemente, ocorre em adultos jovens (entre 15 e 30 anos)
o osso pisiforme e o hâmulo do hamato (Fig. 7.36). Com esse canal fa- após queda sobre a palma da mão esticada. As fraturas do escafóide
zem limite o retináculo flexor da face dorsal , a musculatura hipotenar podem ser classificadas de acordo com a direção da linha de fratura (Fig.
da face mediai e a fáscia da face palmar. Contém a veia ulnar, a artéria 7.38) , o grau de estabilidade dos fragmentos e a localização da linha de
ulnar e o nervo ulnar. fratura . De um ponto de vista diagnóstico, esta última

plano adiposo
ausente
sinóvia
espessada

nervo mediano
aumentado e
edemaciado

~~~~~~f>L-- ~~~n~~~~~es
abaulado

Fig . 7.32 Síndrome do túnel do carpo. Uma mulher de 21 anos de idade diagnosticada clinicamente com síndrome do túnel do carpo submeteu-se a estudo
de RM do punho direito. As imagens axiais ponderadas em densidade protônica (A) e ponderadas em T2 (B) mostram um sinal aumentado do nervo mediano
e espessamento da sinóvia que circunda os tendões flexores no túnel do carpo . Observe a curvatura palmar do retináculo .flexor e a ausência do plano de
gordura entre os tendões do flexor profundo e do ligamento radiolunopiramidal mais dorsal. (Reproduzido de Beltran ], 1990, com permissão.)
184 Memb ro Su perior III : Porção do Anteb raço, Pu nho e Mão
Fig . 7.33 Ligamentos do punho. Re-
A. Ligamentos Dorsais do Punho presentação esquemática dos ligamen-
tos dorsais (A) e palmares (B) do pu-
nho.

B. Ligamentos Palmares do Punho

Ligamento
radioescafocapitato ~--+-!- Ligamento
intercarpal dorsal

Fig . 7.34 RM do punho. Imagem de RM sagital através do punho da face média (A), (B) até a face ulnar (C), (D) . Os componentes radiolunares palmar e dorsal
dos ligamentos radioescafolunares são bem mostrados. O ligamento radiolunopiramidal é observado palmar à articulação capitato-semilunar. O ligamento
radioescafocapitato é observado inserindo-se no terço palmar e proximal do osso capitato. (Reproduzido de Beltran), 1990, com permissão .) (continua)
Membro Superior III 185

Ligamento Ligamento
radiolunar palmar -~-.>.ct-s radiolunar dorsal

Ramo ulnar do
ligamento deltóide V
Ligamento
radiolunopiramidal

Ligamentos
ulnocarpais -~--"~~"7 Complexo da
"-.:..~llll!!i~l-t- fibrocartilagem
triangular

Fig. 7.34 RM do punho. Continuação.


I I~ • I • -'-' Ot. o .. o ..... ~ ,.... ...... o o,....,., "o,..,..~ .._ , o..; '-"""' o" • o ..,.. ,.., voo..o ,.... .._. ,I
deradas em Tl através da porção proximal (A) e dis-
tai (B) do carpo mostram efetivamente várias estru-
turas anatômicas do punho.

Fig . 7.36 Localização do canal de Guyon dentro do punho.


Membro Superior III 187

Quadro 7.4 Incidências Radiológicas Padronizadas e Especiais para Avaliação de Traumatismo do Punho e da Mão
Incidência Demonstração Incidência Demonstração

Dorsopalmar Ossos do carpo Oblíqua (mão) Fraturas de:


Três arcos do carpo Metacarpais
Olho do hamato Falanges
Linha de gordura do escafóide Fratura de boxeador
Articulação radiocarpal Oblíqua em Supinação (punho) Articulação pisopiramidal
Metacarpais Fraturas do pisiforme
Falanges Oblíqua em Pronação (punho) Face dorsal do piramidal e fraturas do piramidal
Articulações carpometacarpais, Fraturas do Corpo do Hamato Face radiopalmar do escafóide
metacarpofalangianas e Articulações entre:
interfalangianas Escafóide e trapézio
Dissociação escafolunar: Trapézio e trapezóide
Sinal de Terry-Thomas Túnel do Carpa Face palmar do trapézio
Sinal do anel em sinete do escafóide Fraturas de:
Fraturas de: Hâmulo do hamato
Escafóide Pisiforme
Capitato Estresse em Abdução (polegar) Polegar do couteiro
Semilunar
Metacarpais
Falanges
Fraturas de Bennett e Rolando
em desvio ulnar
Em desvio
ulnar Fraturas do escafóide
Lateral Alinhamento axial longitudinal do
terceiro metacarpal, capitato,
semilunar e rádio
Fraturas de:
Piramidal
Metacarpais
Falanges
Luxações do carpo:
Semilunar
Perilunar
Mesocarpal
Luxações dos metacarpais e
das falanges

Quadro 7.5 Técnicas de Imagem Complementares para Avaliação de Traumatismo do Punho e da Mão

Técnica Demonstração Técnica Demonstração

Fluoroscopia/ Vídeo Cinemática do punho e da mão Tomografia


Instabilidade do carpo (geralmente
Subluxações transitórias do carpo triespiral)
Imagens com Fraturas condrais e osteocondrais sutis Incidências:
Radionuclídeos Consolidação de fraturas e complicações Dorso palmar Fraturas dos ossos do carpo, sobretudo
( cintilografia óssea) (p. ex., infecção, osteonecrose) Lateral escafóide e semilunar
Artrografia Laceração de: Oblíqua Fratura de Rolando
(contraste único) Ligamentos intercarpais Doença de Keinbock
Ligamento colateral ulnar Consolidação de fratura e complicações (p. ex.,
(polegar do couteiro) não-consolidação e osteonecrose)
Ressonância Canal de Guyon Lateral
Magnética Síndrome do túnel do carpo Túnel do carpo Fraturas do hâmulo do hamato
Lesão dos tecidos moles Flexão-exíensão Estabilidade da fratura do escafóide
Fraturas discretas
Osteonecrose Tomografia Fraturas discretas, particularmente do hâmulo do
Computadorizada h amato
Deformidade em corcova do escafóide
Consolidação de fratura e complicações
188 Membro Superior III

TRAUMATISMO
DA PORÇÃO
DISTALDO
ANTEBRAÇ9,
PUNHO E MAO

Fig. 7.37 Espectro de técnicas radiológicas para avaliar lesão da porção distai do antebraço, punho e mão.*
*As incidências ou técnicas radiológicas indicadas em todo o diagrama são apenas aquelas mais eficazes em mostrar os respectivos traumatismos.

CLASSIFICAÇÃO DE RUSSE DAS FRATURAS DO ESCAFÓIDE

Tipo I Tipo li Tipo 111

Fig . 7.38 Fraturas do escafóide. Fraturas do osso escafóide classificadas por Russe de acordo com a direção da linha de fratura.
Membro Superior III 189

angulação apical dorsal do escafóide) pode ser bem avaliada por esta
CLASSIFICAÇÃO DAS FRATURAS DO E~CAFÓIDE
DE ACORDO COM A LOCALIZAÇAO modalidade (Fig. 7.44). Na última década, a RM tornou-se a técnica
escolhida para diagnosticar fraturas sutis dos ossos do carpa e para de-
tectar várias complicações, incluindo osteonecrose. Em particular, a RM
é muito eficaz para mostrar uma linha de fratura que não é aparente
nas radiografias convencionais (Fig. 7.45).
Complicações. A demora no diagnóstico e , conseqüentemente, no
tratamento da fratura do escafóide pode levar a complicações como
não-consolidação, osteonecrose e artrite pós-traumática, sendo as duas
primeiras mais comumente encontradas. Embora ocasionalmente
ambos os fragmentos do escafóide possam se necrosar, a osteonecrose
geralmente afeta o fragmento proximal (ver Fig. 7.47) e apenas rara-
mente o pólo distai devido ao bom suprimento de sangue a esta parte
do osso. A osteonecrose mais freqüentemente torna-se aparente 3 a 6

tubérculo pólo distai

7()-80% 15-20%

cintura pólo proximal

Fig. 7.39 Fraturas do escafóide. Classificação de fraturas do escafóide pela


localização da linha de fratura.

classificação é a maneira mais prática de classificar fraturas do escafói-


de (5 % a 10% das quais ocorrem na tuberosidade e no pólo distai, 15%
a 20% no pólo proximal, e 70% a 80% na cintura) , pois tem valor prog-
nóstico (Fig. 7.39). Fraturas da tuberosidade (extra-articulares) e do pólo
distai geralmente resultam de um traumatismo direto e raramente cau-
sam qualquer problema clínico significativo. Se não houver deslocamen-
to ou instabilidade carpa!, as fraturas na porção central (cintura) do
escafóide comportam um bom padrão de consolidação, em mais de 90%
dos casos. Fraturas envolvendo o pólo proximal têm uma alta incidên-
cia de não-consolidação e de osteonecrose.
Quando há suspeita de fratura do escafóide, as radiografias padroni-
zadas são rotineiramente obtidas nas incidências dorsopalmar,
dorsopalmar no desvio ulnar, oblíqua e lateral, e estes exames conven-
cionais em geral são suficientes para mostrar a anormalidade. Entretan-
to , quando não têm sucesso, a tomografia triespiral em cortes finos
provou ser muito eficaz (Fig. 7.40). Esta técnica é igualmente útil para
monitorizar o progresso da cicatrização de fraturas do escafóide e para
detectar complicações pós-traumáticas, especialmente quando as radi-
ografias de seguimento de rotina não são convincentes (Fig. 7.41). Da Fig. 7.40 Fraturas do escafóide. Um homem de 28 anos de idade sofreu le-
mesma forma, a TC é efetiva a esse respeito (Figs. 7.42 e 7.43; vertam- são do punho esquerdo; a dor persistia por 3 semanas. As incidências
bém Fig. 4.67A, B) . Em particular, a denominada deformidade da cor- dorsopalmar (A) e lateral (B) mostram osteoporose periarticular, porém sem
cova do escafóide após fratura (na qual o segmento proximal sofre fle- evidência de linha de fratura. Em uma tomografia triespiral em cortes finos na
xão dorsal e o fragmento distai sofre flexão palmar, resultando em incidência lateral (C), uma fratura do escafóide torna-se aparente.
190 Me m bro Supe rio r III

do~

Fig. 7.41 Fratura do escafóide consolidada. No exame de segmento de um


homem de 27 anos de idade que sofreu um procedimento para enxerto ósseo
devido a não-consolidação de uma fratura do escafóide, radiografia na incidên-
cia dorsopalmar (A) sugere a persistência da não-consolidação e fracasso do
enxerto. Para uma avaliação mais completa, a tomografia triespiral usando cor-
tes finos de 1 mm foi realizada . Os cortes da face palmar do osso (B), (C), mos-
tram boa consolidação e sucesso do enxerto. Embora uma fenda seja evidente
no corte dorsal (D), não tem significância clínica, apenas dando a impressão de
não-consolidação. A razão deste fato está ilustrada no diagrama esquemático
(E), no qual os planos através do escafóide (b, c, d) correspondem aos cortes
das tomografias (B), (C), (D) .

Fig. 7.42 TC de fratura do escafóide consolidada.


Um homem de 56 anos de idade foi tratado conser-
vadoramente de fratura do escafóide com redução
fechada e aplicação de aparelho gessado . (A) Radio-
grafia dorsopalmar do punho mostra uma linha
rad iotransparente (seta) sugestiva de não-consolida-
ção. (B) Imagem de TC coronal oblíqua mostra, en-
tretanto, a consolidação completa (seta curva) .
Membro Superior III 191

Fig. 7.43 TC de fratura do escafóide não-consoli-


dada. Imagens de TC coronal (A) e sagital (B) mos-
tram a não-consolidação de fratura do escafóide.
Observe as bordas escleróticas e a fenda entre os frag-
mentos fraturados.

meses após a lesão quando o fragmento afetado mostra evidências de


densidade aumentada. Devido às radiografias convencionais poderem,
às vezes, não mostrar estas características, TC ou tomografia triespiral
é recomendada como ajuda importante (Fig. 7.46). Pacientes com
demora na consolidação ou não-consolidação estão mais sujeitos a
osteonecrose, porém a consolidação, apesar disso , algumas vezes pode
ocorrer (Fig. 7.47). Tehranzadeh e colegas introduziram a tomogra-
fia com movimento complexo em flexão-extensão lateral para avaliar
o processo de consolidação após fraturas do escafóide, e em particu-
lar, a estabilidade dos fragmentos fraturados . O exame inclui a aqui-
sição de incidências tomográficas laterais neutras seguida por
tomografias laterais, primeiramente em flexão completa e, em segui-
da em extensão completa do punho. Esta técnica diagnosticou todas
as fraturas consolidadas ou estáveis e foi significativa na detecção de
movimento entre os fragmentos de fratura nas fraturas instáveis do
escafóide em 93 % dos casos. Nos últimos anos, entretanto, a TC qua-
se substituiu completamente a tomografia linear, tornando-se uma
técnica muito útil para mostrar fraturas e complicações do escafóide,
particularmente osteonecrose e não-consolidação (ver Fig. 7.43). Em
geral, a não-consolidação é tratada cirurgicamente por enxerto ósseo.
Se esta conduta não tiver sucesso, então o escafóide pode ser excisado
e substituído por uma prótese (Fig. 7.48) .
Fratura do Osso Piramidal. Embora não seja incomum, Cl. fratura
do piramidal pode facilmente ser negligenciada se o exame radiológi-
co apropriado não for realizado. a maioria dos casos, a fratura do pi-
ramidal é mais bem mostrada nas incidências lateral e oblíqua em pro-
nação do punho. Entretanto, uma vez que os ossos superpostos nessas
incidências às vezes possam obscurecer a linha de fratura , o estudo to-
mográfico na incidência lateral pode ser necessário para confirmar o
diagnóstico. A cintilografia óssea também pode ser uma ajuda valiosa
na localização do ponto traumático quando a fratura for suspeitada e
as radiografias de rotina forem normais (Fig. 7.49) .
Fratura do Osso Hamato. Tipo raro de lesão do punho- respon-
sável por aproximadamente 2% de todas as fraturas carpais - ,a fratu-
ra do hamato mais freqüentem ente resulta de um golpe direto na face
palmar do punho. Isto é particularmente verdadeiro em fraturas do
Fig. 7.44 Deformidade da corcova. Imagem de TC sagital reformatada mos- gancho (ou hâmulo) do hamato que, juntamente com as fraturas do
tra deformidade em corcova de um escafóide fraturado. Observe a flexão pal- corpo do hamato , constituem os dois grupos de lesões deste osso. A
mar do fragmento distai (seta) e a angulação dorsal do ápice (seta curva). maioria das fraturas do hâmulo ocorre em atividades esportivas que
192 Membro Superior III

Fig. 7.45 RM de fratura do escafóide. Um homem de 27 anos de idade sofreu queda no gelo e apresentou hipersensibilidade dolorosa à palpação na tabaqueira
anatômica. As radiografias dorsopalmar (A) em desvio ulnar e oblíqua (B) (bem como as incidências dorsopalmar e lateral convencionais, não mostradas aqui)
eram normais. As imagens de RM coronal ponderada em Tl (C) e coronal ponderada em T2 com supressão de gordura (D) mostram fratura do pólo proximal
do escafóide (setas) .
Membro Superior III 193

pólo distai de
fonnato estranho

fratura do
escafóide
fr'.z::';f!t- - - - - - artrite
pós·traumática

Fig. 7.46 Fratura do escafóide complicada por osteonecrose. No exame de acompanhamento de um homem de 40 anos de idade que sofreu fratura do
escafóide tratada por imobilização durante 3 meses, a radiografia dorsopalmar (A) mostra a persistência da linha de fratura, um pólo distai do escafóide de
formato estranho, e evidências de artrite pós-traumática do compartimento rad ioescafóide da articulação radiocarpal. Para determ inar a possível causa da
não-consol idação e a extensão da artrite, foi realizada tomografia triespiral (B), revelando osteonecrose insuspeitada do fragmento distai. (Reproduzido de
Sherman SB et ai., 1 983, com permissão.)

Fig. 7.47 Fratura do escafóide consolidada e


osteonecrose. Tomografia triespiral (A) na incidên-
cia dorsopalmar mostra um segmento proximal den-
so do escafóide indicativo de osteonecrose. Observe
que a fratura está completamente consolidada. Em
outro paciente, uma imagem de TC coronal (B)
mostra a fratura consolidada do escafóide com
osteonecrose do fragmento proximal.

Fig. 7.48 Prótese do escafóide. Um homem de 35


anos de idade sofreu fratura do escafóide. A não-con-
solidação foi complicada por osteonecrose. O osso foi
excisado e foi inserida uma prótese de Silastic. Observe
a suavidade das margens da prótese, bem como sua
densidade homogênea similar a marfim e ausência de
padrão trabecular.
194 Membro Superior III

H-- - - - fratura do
piramidal

Fig. 7.49 Fratura do piramidal. Um homem de 45 anos de idade que sofreu queda sobre a mão esticada apresentou hipersensibilidade dolorosa à palpação
localizada na face dorsal do punho. As radiografias dorsopalmar (A) e lateral (B) do punho são normais. A cintilografia óssea (C) que foi realizada para localizar
o possível local do traumatismo revela captação aumentada do traçador no lado ulnar do carpo, sugerindo fratura . A tomografia na incidência lateral (D)
mostra inequivocamente a fratura do piramidal. A imagem normal na tomografia do piramidal (E) é mostrada para comparação.

demandam o uso de uma raquete , taco , bastão ou implemento similar Este "olho" do hamato na realidade é o hâmulo do hamato visualizado
que possa causar lesão direta da face palmar do punho. de topo. Embora em muitos casos a ausência de contorno ou um con-
As fraturas do corpo do hamato , que podem se estender ulnar ou torno indistinto da sombra cortical ou a presença de esclerose sugira o
radialmente até o hâmulo , em geral são facilmente mostradas nas inci- diagnóstico de fratura do hâmulo , radiografia do punho oposto deve
dências padronizadas do punho. As radiografias lateral e oblíqua em ser obtida para comparação (Fig. 7.51 A, B). A confirmação do diagnós-
pro nação são preferíveis, em especial para detectar fraturas que possam tico e a avaliação do tipo , local e extensão da fratura podem ser feitas
estar orientadas no plano coronal (Fig. 7.50). na incidência do túnel do carpo (Fig. 7.51 C). Esta incidência também
As fraturas do hâmulo, entretanto, não são aparentes nos estudos de pode ser efetiva quando a suspeita de fratura é distai à base do hâmulo
rotina e, conseqüentemente, podem não ser diagnosticadas. Para aju- e, como resultado, o olho do hamato pode ainda ser visível (Fig. 7.52).
dar a reconhecer a fratura do hâmulo na incidência dorsopalmar pa- A incidência do túnel do carpo, contudo, não é sempre definitivamen-
dronizada do punho, Norman e colegas identificaram o sinal do olho. O te diagnóstica, devido ao grau de flexão dorsal do punho necessário para
nome do sinal deriva de uma sombra em anel cortical, oval, densa que esta incidência (ver Fig. 7.28) amiúde ser limitado devido a d9r, parti-
normalmente é observada sobre o hamato na incidência dorsopalmar. cularmente nos pacientes com fraturas agudas ou subagudas. A flexão

Fig. 7.50 Fratura do hamato. Na incidência oblíqua em


pronação do punho, uma fratura do corpo do hamato é
claramente evidente.
1embro Superior UI 195

~~----- " olho" do


hamato

Fig. 7.51 Fratura do hâmulo do hamato. Após sofrer uma lesão do punho direito durante uma partida de golfe, um homem de 36 anos de idade apresentou
dor na palma da mão sobre pressão, enfraquecimento da preensão e parestesia ocasional do dedo mínimo. A dor ao contato estava limitada à área sobre o
hâmulo do hamato. Na incidência dorsopalmar do punho (A), a imagem cortical oval normalmente observada projetando-se sobre o hamato não é visível,
sugerindo fratura . Em um estudo comparativo do punho esquerdo (B), o olho do hamato é claramente observado. A fratura do h amato, sugerida pelo desa-
parecimento da sombra cortical do hamato no punho direito, é confirmada na incidência do túnel do carpo (C) .

linha
~=-=-f-.=---A?f-.!.- radiotransparente
na base do
hâmulo

Fig. 7.52 Fratura do hâmulo do hamato. Após sofrer queda sobre a palma da mão direita, um homem de 66 anos de idade relatou dor na palma, insensibi-
lidade e fraqueza muscular nos dedos inervados pelo nervo ulnar. Nenhuma anormalidade evidente era observada na incidência dorsopalmar do punho (A);
o olho do hamato é claramente discernível. Na incidência do túnel do carpo convencional (B), obtida, por causa da dor, sem o grau máximo de flexão dorsal,
o pisiforme parcialmente se superpõe ao hâmulo. Uma linha radiotransparente curta é, entretanto, evidente na base do hâmulo, porém o diagnóstico de
fratura não pode ser feito definitivamente. As tomografias triespirais na lateral (C) e do túnel do carpo (D) inquestionavelmente mostram fratura do hâmulo
do hamato distai à base. A imagem normal do hâmulo respectivamente nas mesmas projeções (E), (F) é mostrada para comparação. (A, B, D): (Reproduzido
de Greenspan A et ai., 1985, com permissão.)
196 Membro Supe1ior III

tarde um golpe direto do punho. A porção central (ou colo) do capitato


é o local mais comum de fratura. A incidência dorsopalmar do punho
geralmente mostra a anormalidade (Fig. 7.54A), embora a incidência
lateral possa ser útil para determinar a rotação ou deslocamento do
fragmento . A tomografia triespiral é útil para delinear os detalhes da
fratura e determinar o estágio de consolidação (Fig. 7.54B). ·
Fratura do Osso Semilunar. Geralmente resultante de queda sobre
o punho em flexão dorsal ou de empurrão extenuante sobre a base da
mão, a fratura do semilunar é um tipo raro de les~o carpal, responsável
por menos de 3 % de todas as fraturas do carpo. E freqüentemente ob-
servada em associação à luxação perilunar, porém ocorre mais como
fratura patológica do osso necrótico secundária à doença de Kienbõck
(ver adiante). As incidências padronizadas do punho, em especial a
dorsopalmar e a lateral, são em geral suficientes para mostrar a anor-
malidade , embora a TC também possa ser necessária para uma avalia-
ção completa.
Doença de Kienbock
O traumatismo único ou repetido do semilunar ou sua luxação pode
comprometer seu suprimento sangüíneo e torná-lo necrótico. Entretan-
to, o desenvolvimento da doença de Kienbõck, como esta forma de
osteonecrose que afeta o semilunar é conhecida, pode não ser unica-
mente atribuído a traumatismo extrínseco. Ainda se especula se a his-
Fig. 7.53 Fratura do pisiforme. Uma mulher de 66 anos sofreu lesão pores-
magamento do punho esquerdo em acidente automobilístico. As radiografias tória natural começa com uma única fratura transversal simples ou
de rotina nas incidências dorsopalmar, lateral e oblíqua revelaram fraturas numerosas fraturas por compressão de tensões compressivas repetidas.
cominutivas dos terços distais do rádio e da ulna. Para excluir a possibilidade Uma hipótese interessante, porém controvertida, liga este distúrbio à
de associação de fraturas do carpa, especialmente em vista da gravidade da variância ulnar negativa em indivíduos cuja ulna se projeta mais proxi-
lesão observada nos exames de rotina, foi obtida uma radiografia na incidên- malmente. Eles podem estar predispostos a doença de Kienbõck devi-
cia oblíqua com supinação. Esta incidência mostra claramente, também, fra- do à compressão do semilunar contra a superfície articular irregular
tura do pisiforme. criada pela discrepância nos comprimentos do rádio e da ulna.
Quando a necrose do semilunar tem início, uma seqüência de even-
tos progressiva e ordenada entra em movimento. Esta progressão é mar-
dorsal limitada pode fazer com que as margens anteriores do capitato e cada por achatamento e alongamento do semilunar, migração proxi-
do pisiforme se sobreponham e obscureçam a linha de fratura (Fig. mal do capitato, dissociação escafolunar e finalmente osteoartrite da
7.52B). Nestes casos, exames tomográficos triespirais nas incidências articulação radiocarpal. Esta série de alterações também constitui a base
lateral e do túnel do carpo (Fig. 7.52C, D) geralmente são diagnósti- para a classificação da doença de Kienbõck (Fig. 7.55). Clinicamente, o
cos. Os cortes de TC axiais do punho com reconstrução sagital são igual- estágio I é indistinguível de uma entorse do punho. As radiografias de
mente eficazes. punho podem ser completamente normais, e apenas a tomografia
Fratura do Osso Pisiforme. A fratura do pisiforme é rara. Geralmen- triespiral ou a TC podem detectar uma fratura linear sutil. A cintilogra-
te resulta de lesão direta do punho como, por exemplo, a causada por fia óssea pode mostrar aumento da captação de um traçador
queda sobre a mão esticada ou pelo uso da mão como ao bater um objeto radiofarmacêutico pelo semilunar. A RM pode mostrar anormalidade,
com martelo. Pode ser uma lesão isolada ou coexistir com fraturas de exibindo sinal de intensidade ?iminuída do semilunar nas imagens
outros ossos (Fig. 7.53). As radiografias nas incidências oblíqua em su- ponderadas em Tl (Fig. 7.56). A medida que o distúrbio progride (es-
pinação e do túnel do carpo são mais adequadas para mostrar a anor- tágio 11) , as radiografias convencionais e estudos tomográficos triespirais
malidade. nas incidências dorsopalmar e lateral mostram aumento da densidade
Fratura do Osso Capitato. Tipo incomum de lesão carpal, respon- do semilunar acompanhado por algum grau de achatamento do lado
sável por apenas 1% a 3% das fraturas do carpo, a fratura do capitato radial deste osso (Fig. 7.57). A cintilografia óssea é invariavelmente
ocorre em geral associada a outras lesões do carpo, principalmente fra- positiva neste estágio. No estágio 111, as radiografias mostram diminui-
tura do escafóide e luxação perilunar. Quase sempre resulta de queda ção acentuada na altura do semilunar e migração proximal do capitato
sobre a mão esticada, com hiperflexão dorsal da mão causando (Fig. 7.58) . Degeneração necrótica e cística pode levar à maior fragmen-
impacção do osso contra a porção distal do rádio ; pode também resul- tação e colapso (Fig. 7.59). Dissociação escafolunar é uma característi-

Fig. 7.54 Fratura do capitato. Um homem de 23


anos de idade sofreu queda sobre a mão esticada. (A)
Incidência dorsopalmar do punho mostra fratura atra-
vés do colo do capitato. (8) Após tratamento con-
servador (3 meses de imobilização em um aparelho
gessado) a tomografia triespiral foi realizada. Nestas
imagens, observam-se evidências claras de não-con-
solidação. Note o pequeno fragmento osteonecróti-
co, que não foi muito bem mostrado nas incidências
padronizadas.
Membro Superior III 197

CLASSIFICAÇÃO DA DOENÇA DE KIENBÕCK

Estágio I Estágio 11

Estágio 111 Estágio IV

Fig. 7.55 Os quatro estágios da doença de Kienbõck. (Modificado de Gelberman RH, Szabo RM, 1993, com permissão.)

Fig. 7.56 Doença de Kienbõck. Um homem de 35


anos de idade com dor no punho submeteu-se a
investigação radiológica para doença de Kienbôck.
(A) A radiografia dorsopalmar convencional do pu-
nho esquerdo é normal. (B) RM coronal ponderada
em Tl mostra sinal de baixa intensidade do semilu-
nar compatível com osteonecrose. (Cortesia de Dr.
L. Steinbach, São Francisco, CA.)
198 Membro Su perior III

semilunar
~~~;;.<'--r---- ~=~e,.o necrótlco,
0
variância
ulnar negativa

Fig. 7.57 Doença de Kienbõck. Radiografia dorsopalmar (A) e tomografia (B) do punho mostram a imagem retificada e densa do semilunar característica da
doença de Kienbóck. Observe a variância ulnar negativa, um possível fator predisponente neste distúrbio.

Fig. 7.58 Doença de Kienbõck. Um homem de 21 anos de idade apresentou


dor de longa duração no punho. Radiografia dorsopalmar mostra o estágio 111 Fig. 7.59 Doença de Kienbõck. TC coronal do punho revela alterações císti-
da doença de Kienbóck. Observe o colapso do semilunar osteonecrótico e a cas do semilunar osteonecrótico associadas a uma fratura patológica . (Corte-
migração proximal do capitato. sia de Dr. L. Friedman, Hamilton, Canadá.)

Fig. 7.60 Doença de Kienbõck. O estág io IV da doença de Kienbóck é marca-


do por fragmentação e colapso do semilunar, migração proximal do capitato,
subluxação giratória do escafóide e osteoartrite na articulação radiocarpal.
Membro Superior III 199

\ \..

Fig. 7.61 Doença de Kienbõck. (A) Tomografia lateral do punho em um paciente com doença de Kienbõck mostra o aspecto denso do semilunar caracterís-
tico de osteonecrose; também se observam evidências nítidas de degeneração cística. Por não haver linha de fratura, o cirurgião tem a opção de realizar um
procedimento de revascularização. Após a artrodese semilunar-piramidal, a incidência dorsopalmar do punho em desvio radial (B) e uma tomografia triespiral
(C) mostram a saliência óssea vascularizada ligando o piramidal e o semilunar.

ca relevante deste estágio. O estágio IV é marcado por desintegração TC, alternativas à revascularização - como a artroplastia silástica ou,
quase completa do semilunar e desenvolvimento de osteoartrite na ausência de deformidade por colapso, o aumento do comprimento
radiocarpal com alterações típicas de estreitamento do espaço articu- ulnar ou encurtamento do rádio - deveriam então ser consideradas.
lar, formação de osteófitos, esclerose subcondral e cistos degenerativos Em alguns casos, estes últimos procedimentos restaurando a variância
(Fig. 7.60). ulnar neutra podem permitir a consolidação espontãnea da fratura do
Do ponto de vista ortopédico, simplesmente diagnosticar a doença semilunar.
de Kienbõck não é suficiente; em vez disso , é essencial para o radiolo-
gista mostrar a integridade do osso. A razão para tal é que em um está- Luxações dos Ossos do Corpo
gio inicial da doença, na ausência de fratura ou fragmentação, o proce-
Os tipos mais freqüentes de luxações no punho são a escafolunar, a
dimento de revascularização visando a restaurar a circulação do semi-
perilunar, a mesocarpal e a do semilunar. Para compreender melhor o
lunar pode prevenir maior progressão do processo necrótico e finalmen-
te um colapso do osso (Fig. 7.61) . Diante de fratura (Fig. 7.62 ) ou frag- padrão de luxação dos ossos do carpo,Johnson enfatizou a ocorrência
mentação (Fig. 7.63) do semilunar, que são mais bem diagnosticadas da denominada zona vulnerável, o local comum de lesões do punho (Fig.
nas tomografias triespirais, nas incidências dorsopalmar e lateral ou na 7.64). Dois tipos importantes de lesão são reconhecidos: os padrões do
arco menor e do arco maior. As lesões do arco menor envolvem, em
estágios seqüenciais, subluxação giratória do escafóide e luxações
perilunar, mesocarpal e do semilunar, enquanto a lesão do arco maior
envolve fratura de qualquer um dos ossos adjacentes ao semilunar asso-
ciados a estas luxações. Os ligamentos do punho estabilizam o carpo
em relação às porções distais do rádio e da ulna . Os ligamentos
radiocapitato e capitopiramidal são os estabilizadores primários da fi-
leira distai do carpo. A fileira proximal do carpo é estabilizada pelos
ligamentos radiopiramidal palmar, radiocarpal dorsal , ulnolunar,
ulnopiramidal e colateral ulnar. O escafóide é estabilizado distalmente
pelos ligamentos radiocapitato e colateral radial, e proximalmente pe-
los ligamentos radioescafóide e escafolunar (ver Fig. 7.33). Mayfield e
posteriorme nte Yeager, Dalinka e Gilula enfatizaram o padrão de qua-
tro estágios seqüenciais da lesão do arco menor (Fig. 7.65). O estágio I

(j
~------ fraturado
~ ~·;'"""
Fig. 7.62 Doença de Kienbõck. (A) Em uma tomografia triespiral em incidência
dorsopalmar com o punho em desvio ulnar, não há evidências de fratura do Fig. 7.63 Doença de Kienbõck. Tomografias triespirais dorsopalmar (A) e late-
semilunar. (B) Entretanto, a incidência lateral mostra uma indicação clara de ral (B) do punho mostram fragmentação do semilunar observada na doença
linha de fratura. de Kienbõck avançada.
200 Membro Superior III

Fig. 7.64 Zona vulnerável do punho. A "zona vulnerável" do carpo é repre-


sentada por áreas sombreadas. A maioria das fraturas, fraturas-luxações e lu-
xações dos ossos do carpo ocorre nesta área. O arco menor define a "zona de
luxação", enquanto o arco maior delineia a zona de "fratura-luxação". (Mo-
dificado de Yeager B, Dalinka M, 1985, com permissão.)

representa dissociação escafolunar e subluxação giratória do escafóide.


O estágio II representa luxação do capitato conhecida também como
luxação perilunar. O estágio III representa luxação mesocarpal, resul-
tado da ruptura das articulações entre o semilunar e o piramidal. O
estágio IV representa luxação completa do semilunar. Este padrão se-
gue a progressão da lesão menos grave, dissociação escafolunar (subluxa-
ção giratória do escafóide), na qual existe uma ruptura dos ligamentos
radioescafóide, radiocapitato palmar e escafolunar, até uma luxação
perilunarmais grave, na qual existe, além disso, a ruptura dos ligamen-
tos radiocapitatos, até uma lesão ainda mais grave , a luxação mesocarpal
(luxação do capitato dorsalmente ao semilunar e subluxação, porém
Fig. 7.66 Alinhamento axial longitudinal. Na incidência lateral do punho,
não a luxação completa do semilunar), com ruptura dos ligamentos os eixos centrais do rádio, o semilunar, o capitato e o terceiro metacarpal
ulnopiramidal e radiopiramidal palmar e dorsal, até a lesão mais grave, normalmente formam uma linha reta.
luxação do semilunar, na qual há uma laceração do fascículo radiolunar

do ligamento radiocarpal dorsal e dos ligamentos palmares, deixando


o semilunar inteiramente sem fixações ligamentares.
A apreciação de duas relações normais importantes dos ossos do
carpo- uma observada na incidência lateral e outra na incidência
dorso palmar do punho- deve ajudar a reconhecer a presença de anor-
malidade. A incidência lateral obtida com o punho na posição neutra
revela o alinhamento do rádio, semilunar, capitato e terceiro metacarpal
ao longo de seus eixos longitudinais (Fig. 7.66). Na incidência dorso-
palmar do punho em posição neutra, Gilula identificou três arcos re-
gulares delimitando as fileiras proximal e distal do çarpo. O arco I liga
as superfícies articulares proximais do escafóide, semilunar e pirami-
dal; o arco II delimita as concavidades distais dos mesmos ossos; o arco
III é formado pelas convexidades proximais do capitato e do hamato
(Fig. 7.67). A significância diagnóstica da distorção de ambas essas re-
lações é discutida na seções seguintes.
Dissociação Escafolunar. A lesão do ligamento escafolunar pode
resultar na instabilidade do ligamento intercarpal que leva a subluxa-
ção giratória do escafóide, um tipo de dissociação escafolunar. Na inci-
dência dorsopalmar do punho, que isoladamente é suficiente para di-
Fig. 7.65 lesões do arco menor. Estágios seqüenciais de lesão do arco me- agnosticar este distúrbio, dois sinais que indicam sua presença podem
nor. O estágio I representa uma falha escafolunar que resulta em dissociação ser observados.
escafolunar ou em subluxação giratória do escafóide. O estágio 11 representa O primeiro deles, conhecido na literatura como sinal de Terry-Thomas,
uma falha capitelolunar que resulta em luxação do capitato (luxação perih..inar). é caracterizado pelo alargamento do espaço entre o escafóide e o semi-
O estágio 111 representa uma falha semilunar-piramidal devido à articulação
entre o semilunar e o piramidal estar rompida, levando a luxação mesocarpal. lunar, que normalmente não mede mais que 2 mm (Fig. 7.68). Às ve-
O estágio IV representa uma ruptura completa do semilunar, causada por in- zes, esse achado não é evidente na incidência dorsopalmar do punho
suficiência do ligamento radiocarpal dorsal. (Modificado de Yeager B, Dalinka na posição neutra, mas se torna aparente quando o punho apresenta
M, 1985, com permissão.) desvio ulnar (Fig. 7.69).
Membro Superior III 201

Fig. 7.67 Arcos do carpo. Três arcos suaves contornando as fileiras proxi- Fig. 7.69 Dissociação escafolunar. (A) Na incidência dorsopalmar do punho
mal e distai do carpa são identificados na incidência dorsopalmar do punho na posição neutra, uma fenda entre o escafóide e o semilunar não está bem
normal. mostrada. (B) Entretanto, no desvio ulnar, a fenda torna-se aparente, indicando
dissociação escafolunar.

Fig. 7.68 Sinal de Terry-Thomas. Incidência dorsopalmar do punho mostra Fig. 7.70 Sinal do anel de sinete. (A) Na incidência dorsopalmar do punho
um espaço anormalmente alargado entre o escafóide e o semi lunar- o sinal em posição neutra, a subluxação giratória do escafóide pode ser reconhecida
de Terry-Thomas- indicando dissociação escafolunar causada por ruptura pela sombra do anel cortical que aparece projetando-se sobre o escafóide (com-
dos ligamentos intercarpais. pare com a Fig. 7.67). Este fenômeno é causado pela inclinação palmar e ro-
tação do osso, que faz com que este apareça encurtado e sua tuberosidade
seja visualizada de topo. (B) Uma figura semelhante pode ser observada na
incidência dorsopalmar do punho em desvio radial, porém esta aparente ima-
gem em anel é causada pela inclinação palmar normal do escafóide exagera-
da pelo desvio radial.
202 Membro Superior IIl

Fig. 7.71 Subluxação transitória. Após sofrer lesão do punho 3 meses antes, um paciente apresentou dor e estalido audível no desvio ulnar do punho. As
radiografias de rotina nas incidências dorsopalmar, dorsopalmar em desvio ulnar e oblíqua eram normais. Fluoroscopia combinada com filmagem em vídeo
confirmou a suspeita de instabilidade semilunar- capitato . No desvio ulnar (a seta indica a direção do movimento), a dissociação escafolunar e a subluxação
semilunar-capitato transitórias tornaram-se aparentes. Os diagramas esquemáticos baseados na seqüência em vídeo mostram a relação entre os ossos do
carpa antes (A) e depois (B) do estalido. Em (B), observe a pequena fenda entre o semilunar e o capitato por subluxação dorsal transitória do capitato.

O outro sinal, o sinal do anel de sinete, recebe esta designação por cau- da com a filmagem em vídeo algumas vezes pode contribuir para uma
sa de uma sombra cortical em anel que normalmente não é observada avaliação cinemática do punho e para o diagnóstico de instabilidade ou
no escafóide na incidência dorsopalmar com o punho na posição neu- subluxação transitória do carpa (Fig. 7. 71 ). O estudo artrográfico do
tra (ver Fig. 7 :67). Na sub luxação giratória do escafóide, entretanto, a
inclinação palmar e a rotação do escafóide fazem com que ele pareça
encurtado e a tuberosidade do osso seja visualizada na extremidade,
produzindo a sombra em anel característica (Fig. 7. 70A). Para confiar
neste sinal como um indicador diagnóstico, as radiografias
dorsopalmares devem ser obtidas com o punho na posição neutra ou
em desvio ulnar, porque no desvio radial do punho o escafóide normal-
mente apresenta inclinação palmar, criando um quadro radiológico
similar (Fig. 7.70B) .
Quando os achados radiológicos são normais nos casos de suspeita
de lesão do complexo ligamentar intercarpal, a fluoroscopia combina-

Fig. 7.72 Ruptura do ligamento escafolunar. Um homem de 21 anos de idade


sofreu lesão do punho direito durante competição de vale-tudo (luta). Inci-
dências padronizadas, incluindo o desvio ulnar do punho, não mostraram al- Fig. 7.73 Ruptura dos ligamentos escafolunar e semilunar- piramidal. (A)
terações dignas de nota . Da mesma forma, a videofluoroscopia não revelou Imagem de RM coronal ponderada em Tl com supressão de gordura após
anormalidades significativas. Entretanto, artrografia do punho mostra extra- injeção de gadolínio na articulação radiocarpal mostra laceração do ligamen-
vasamento de contraste para as articulações mesocarpais, indicando ruptura to escafolunar (seta) . L, semilunar; C, capitato; S, escafóide. (B) Imagem de
do complexo liga menta r interósseo escafolunar. Observe também que o com- RM coronal gradiente-eco mostra ruptura do ligamento semilunar-piramidal
plexo de fibrocartilagem triangular está intacto, porque nenhum contraste (seta). Também se observa ruptura da fibrocartilagem triangular (seta curva) .
penetrou na articulação radioulnar distai. T, piramidal; L, semilunar; 5, escafóide.
Membro Superior III 203

punho (ver Fig. 7. 7) é efetivo quando os achados radiográficos ou incidência lateral mostra claramente o alinhamento normal dos eixos
videofluoroscópicos não são conclusivos. O artrograma do punho pode longitudinais do semilunar, capitato e terceiro metacarpal sobre a su-
revelar comunicação anormal entre os compartimentos radiocarpal e perfície da porção distai do rádio , uma quebra em qualquer ponto des-
mesocarpal que indicam uma ruptura no complexo ligamentar interós- ta linha é patognomônica de subluxação ou luxação. A luxação do se-
seo escafolunar ou semilunar-piramidal (Fig. 7.72). milunar pode, portanto, ser reconhecida quando seu eixo estiver
A RM também pode mostrar anormalidades dos ligamentos angulado para fora da superfície da porção distai do rádio, enquanto o
escafolunar e semilunar-piramidal. O ligamento escafolunar une as capitato permanece em seu alinhamento normal (Fig. 7.74A). De modo
bordas palmar, proximal e dorsal do osso escafóide ao osso semilunar. similar, a luxação do semilunar também pode ser identificada na inci-
Na RM, aparece como uma estrutura com sinal de baixa intensidade. dência dorsopalmar por ruptura do arco 11 descrita pelas superfícies
O ligamento lunopiramidalliga as bordas palmar, proximal e dorsal do côncavas distais do escafóide, semilunar e piramidal, bem como por
osso semilunar ao osso piramidal, também exibindo sinal de baixa in- causa da aparência triangular concomitante do semilunar (Fig. 7.74B).
tensidade. Ambos os ligamentos fundem-se de forma quase impercep- A luxação perilunar pode ser reconhecida na incidência lateral do
tível com cartilagens articulares. As rupturas desses ligamentos ·são di- punho pela angulação dorsal ou palmar do eixo longitudinal do capitato
agnosticadas à RM quando áreas isoladas ou dispersas de sinal de in- para fora de seu alinhamento central normal com o semilunar e a su-
tensidade elevada são identificadas dentro das estruturas, ou quando perfície distai do rádio. O semilunar neste caso permanece na articula-
há descontinuidade de um ligamento com sinal de baixa intensidade ção com o rádio, embora possa haver algum grau de inclinação do se-
atravessado por líquido hiperintenso (Fig. 7. 73) . Todavia, de acordo com milunar devido a subluxação associada com luxação perilunar (Fig.
Schweitzer e colegas, quando os resultados da RM foram comparados 7.75A). Na incidência dorsopalmar, a superposição das fileiras carpais
com os da artrografia e da artroscopia, mostraram uma sensibilidade proximal e distai e uma quebra dos arcos 11 e 111 no local do capitato
de apenas 50 %, especificidade de 86% e acurácia de 77 % para ruptu- indicam a presença de luxação perilunar (Fig. 7. 75B) .
ras do ligamento escafolunar, e de 52%, 46 % e 49 %, respectivamente, Luxação Perilunar Transescafóide. Quando a luxação dos ossos do
para rupturas do ligamento semilunar-piramidal. A não-visualização do carpa está associada a uma fratura, o prefixo trans indica qual osso está
ligamento escafolunar foi um sinal útil de ruptura; todavia, a não-visu- fraturado. A fratura mais comum associada a luxação do carpa é a luxa-
alização do ligamento semilunar-piramidal não significava necessaria- ção perilunar transescafóide. Como nos tipos precedentes de luxações
mente que o mesmo apresentasse laceração. do carpa, as radiografias nas incidências dorsopalmar, dorsopalmar em
Luxações Perilunar e do Semilunar. As radiografias dorsopalmar e desvio ulnar e lateral padronizada geralmente são suficientes para fir-
lateral do punho na posição neutra geralmente são suficientes para mar um diagnóstico . As relações normais dos ossos do carpa observa-
diagnosticar a suspeita de luxações perilunar e do semilunar. Como a

capitato
luxado em
sentido
dorsal
--++--+- semilunar
rodado em
sentido palmar

superposição
de capitato e
escafólde
arco 11 roto
7 ,.-""'-:,....,:-7-F-''r--- arco 111 roto

...-4'1-:.o~-+-- semilunar
de formato arco 11 roto
semllunar triangular
,.,."'r1~~~--- luxado em
sentido
palmar

Fig. 7.75 luxação perilunar. (A) Radiografia lateral do punho mostra luxa-
Fig. 7.74 luxação do semilunar. (A) Na incidência lateral do punho, a luxa- ção perilunar caracterizada pelo deslocamento do capitato dorsal ao semilu-
ção do semilunar é evidente pela perda do alinhamento longitudinal do ter- nar que, através de uma discreta rotação palmar, permanece em articulação
ceiro metacarpal e do capitato sobre a superfície radial distai no local do semi- com a porção distai do rádio. Observe a ruptura no alinhamento longitudinal
lunar, que apresenta rotação e deslocamento palmar. (B) Incidência dorso- do terceiro metacarpal e do capitato com o semilunar e a superfície radial dis-
palmar mostra ruptura do arco 11 no local do semilunar, indicando um mau tai. Na incidência dorsopalmar (8), a luxação perilunar é evidente pela super-
alinhamento. Observe também a aparência triangular do semilunar, achado posição das fileiras proximal e distai do carpa e conseqüente ruptura dos ar-
praticamente patognomônico de luxação deste osso. cos 11 e 111.
204 Me mbro Supe rio r III

fratura do
escafólde

Fig. 7.76 Luxação perilunar transescafóide. (A) Radiografia dorsopalmar do punho em desvio ulnar mostra claramente fratura do escafóide, porém as
descontinuidades nos arcos distais do carpo não são nítidas quanto ao tipo de luxação. A incidência lateral também não foi conclusiva. (B) Tomografia lateral
mostra que o capitato está deslocado dorsalmente ao semilunar, que permanece em articulação com a porção distai do rádio- aspecto típico de luxação perilunar.

espaço carpal anormal

fratura do escafólde

semllunar de formato
anormal

fratura do piramidal

Fig. 7.77 Luxação semi lunar transradial, transescafóide e transpiramidal. Incidência dorsopalmar do punho revela claramente fraturas do processo estilói-
de radial, do escafóide e do piramidal. O amplo espaço que separa as fileiras proximal e distai do carpo e a forma triangular do semilunar indicam a possibi-
lidade de luxação do semilunar. Observe a ruptura nos arcos I e 11. Incidência lateral confirmou o deslocamento palmar do semilunar e a posição normal do
capitato. Esta anormalidade pode ser descrita como luxação semilunar transradial, transescafóide e transpiram ida!.

Fig. 7.78 Luxação isolada do


escafóide. Radiografias dorsopal-
mar (A) e oblíqua (B) mostram
deslocamento palmar do escafói-