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CONSTRUÇÃO DE PROJETOS
PEDAGÓGICOS E TECNOLOGIAS
APLICADAS A EDUCAÇÃO
Sumário

MÓDULO 1- Planejamento Educacional


1.1 Percurso Histórico

1.2 A Construção do Planejamento Educacional

MÓDULO 2-. Projeto Político Pedagógico (PPP)


2.1 O Projeto Político Pedagógico como Inovação Emancipatória

2.2 Princípios Norteadores do Projeto Político Pedagógico

2.3 A Identidade da Escola

2.4 Currículo Escolar

MÓDULO 3 - Metodologia de Trabalho para a Elaboração do


Projeto Político Pedagógico

3.1 Planejamento Pedagógico na Perspectiva da Gestão Democrática

3.2 A Construção da Proposta Pedagógica

MÓDULO 4 - Da Educação Tradicional às Novas Tecnologias


Aplicadas à Educação: percurso histórico
4.1 A Mudança de Tempos, Espaços e Relações na Escola a Partir do uso
de Tecnologias e da Inclusão Social

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MÓDULO 5 - Universidade, Políticas Públicas e Novas
Tecnologias Aplicadas à Educação a Distância

5.1 Políticas Públicas Neoliberais e a Expansão da EAD

5.2 A EAD e as Políticas Públicas de Democratização e “Inclusão” Digital

MÓDULO 6 - Alternativas e Estratégias das Instituições de


Ensino Superior (IES) Frente às Transformações do
Paradigma Educacional Contemporâneo

6.1 Alterações no Contexto Educacional em Função da Incorporação da


Tecnologia

6.1.1 Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica

6.2 Perfil do Professor e as Exigências de Formação

6.2.1 Habilidades Docentes para o Uso das Novas Tecnologias

6.3 A Colaboração em uma Rede de Aprendizagem

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Apresentação

MÓDULO 1 – Planejamento Educacional

MÁRCIA REGINA BARRELLI


Disciplina: Construção de Projetos Pedagógicos e
Tecnologias Aplicadas à Docência
Módulo 1 – Planejamento Educacional– Faculdade
Campos Elíseos (FCE) – São Paulo – 2016.
Guia de Estudos – Módulo 1– Planejamento
Educacional.1.Planejamento 2.Projeto Pedagógico
3.Gestão Democrática

Faculdade Campos Elíseos

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Conversa Inicial

No primeiro módulo, discutiremos sobre planejamento educacional. Iniciaremos


por uma conceituação de planejamento, planejamento educacional e breve histórico
deste movimento no Brasil, refletindo sobre a questão do Estado como instituição que
planeja. Finalizaremos com a reflexão de planejamento educacional participativo,
apontando para a necessidade, a relevância, os limites e as possibilidades do
planejamento e da participação no processo de tomada de decisões.
Agora com a descrição de toda a trajetória, podemos iniciar a nossa jornada de
estudos.

Ótimo aprendizado!

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1. Introdução ao conceito de Planejamento

As circunstâncias nas quais vivemos e das quais fazemos parte no século XXI,
entre desafios, conflitos, as tecnologias da comunicação, o tempo e o espaço digital,
o complexo de elementos que constituem nossa realidade, lugares, objetos, ações,
palavras, significados, intencionalidades, movimentos, as relações (sociais,
humanas, políticas, culturais, de poder), as divergências, a diversidade, estando o
ser humano, ser racional, buscando processos de transformar suas ideias em
realidade - nos coloca diante de uma necessidade:
- Planejar ações mediante objetivos - organizar, conhecer, educar, separar,
juntar, construir, ordenar, comparar, relacionar, qualificar, ampliar nosso viver.
Esta atividade surge desde o aparecimento do homem no universo, já que nós
humanos dotados da capacidade de pensar, elaborar e reelaborar organizamos a
prática de uma ação, e, historicamente, desde o “homem das cavernas”,
constatamos, por analogia, a atividade de planejar. O homem planejava sua ação
de caça para alimentar-se, produzia e usava suas ferramentas, com pedras,
madeiras, aproveitava o couro e a pele de suas caças para proteger-se do frio, e a
descoberta do fogo, ampliou ainda mais seu poder de planejamento, ação,
sobrevivência, criação, mudanças e transformação de ideias.

Reflita sobre a afirmativa relacionando com a temática em estudo e


desdobramentos - “Superando sua condição natural e criando um mundo
cultural, o homem se torna senhor de seu destino, escolhe as alternativas que
mais satisfação lhe proporcionem, renuncia a outras que lhe pareçam mais
custosas, abre caminhos para atingir metas” FONSECA, NASCIMENTO, SILVA,
J.M. (1995)

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Assim, podemos caracterizar o planejamento como uma atividade humana,
pela qual são estabelecidos objetivos, metas, fins, a serem alcançados, com
estratégias e métodos definidos, cuja principal característica é a flexibilidade, ou
seja, possibilita, ação, reflexão, mudanças no percurso e novas tomadas de decisão.

Planejamento é processo de busca de equilíbrio entre meios e fins, entre


recursos e objetivos, visando ao melhor funcionamento de empresas,
instituições, setores de trabalho, organizações grupais e outras atividades
humanas. O ato de planejar é sempre processo de reflexão, de tomada de
decisão sobre a ação; processo de previsão de necessidades e racionalização
de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis, visando
à concretização de objetivos, em prazos determinados e etapas definidas, a
partir dos resultados das avaliações (PADILHA,2001, p.30)
Planejar é definir objetivos e escolher o melhor curso de ação para alcançá-
los. O planejamento define onde se pretende chegar o que deve ser feito,
quando, como e em que sequência. (CHIAVENATO, 1993, p 367)

Segundo Evangelista, o processo de evolução do planejamento, desde o seu


surgimento até a atualidade, apresentou fases definidas que acompanhou a
organização da História da humanidade, passando pelo período racionalista,
antiguidade e idades média, moderna e contemporânea.
Da revolução industrial, das guerras mundiais, da invenção da bomba atômica,
a modernização das guerras, a corrida espacial, os avanços das tecnologias da
informação e da comunicação.
No entanto, verificamos que as concepções de planejamento recaem em uma
abordagem tecnicista, que historicamente, desde a Antiguidade apontou o Estado
como instituição, utilizando-se de estratégias de organização de ações em
determinadas áreas para alcançar objetivos.
Como cita Scaff, em seu artigo, Coombs (1970, p.17) apontou que na
Constituição espartana, indícios de planificação da educação aparecem para
adaptar aos objetivos militares, sociais e econômicos daquele modelo de sociedade.
Também, Platão sugere um plano de educação apropriado à sociedade ateniense.
E consequentemente, motivadas por ideologias próprias, as sociedades
capitalistas, socialistas, os modelos socialdemocratas, socioliberais, liberais,
neoliberais, vêm utilizando, de forma explícita, o planejamento ou a planificação,
como uma intervenção sócio política econômica institucionalmente legalizada. É
compreensível que além de ser uma questão técnica, o planejamento
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governamental é uma questão política, relacionando-se assim com o exercício de
poder, que sugere ou não, um instrumento que se transforme em ameaça à
liberdade e à democracia. Esta reflexão, faremos na sequência deste módulo,
quando discutiremos aspectos históricos do planejamento educacional no Brasil e
planejamento educacional participativo.

Síntese

O principal elemento do planejamento: a racionalidade que é também


principal elemento distintivo da condição humana. Pensar antes de agir.
Organizar a ação. Adequar meios a fins e valores. Estas expressões
sintetizam o conceito de planejamento, considerando-o uma técnica, uma
ferramenta para a ação, de natureza flexível, possibilitando alterações no
percurso. Coloca-se esta questão dentro do que se convenciona chamar de
visão instrumental do planejamento, destacando-se seu aspecto utilitário, a
partir das necessidades, anseios, ideias, desejos e transformações, com a
previsão de meios e recursos disponíveis para atingir os objetivos.

1.1.1- Planejamento: elementos, modalidades e procedimento


Vimos que o planejamento é uma ação pensada pelo homem que busca alterar,
modificar e interagir nos múltiplos ambientes, para atingir determinados objetivos.
Segundo Evangelista, o planejamento muitas vezes é confundido com um plano, um
programa, um projeto, sendo que a diferença é perceptível na realização, nos
resultados, na tomada de decisões, no acompanhamento e na avaliação. Existem
diferentes conceitos e teorias sobre as formas de planejamento, plano, projeto e
programa. Para clarearmos nosso debate, descrevemos alguns elementos do
planejamento e na sequência uma breve conceituação que nos guiará na
compreensão dos diferentes termos utilizados.

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Reflita sobre a afirmativa relacionando com a temática em
estudo e desdobramentos - “O planejamento é um processo
contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar em suas
condições concretas, busca de alternativas para soluções de
problemas e de tomadas de decisões” LIBÂNEO,J.C.(2001)

De acordo com a citação de Evangelista em seu artigo para Néreci “todo


planejamento, para ser consequente, preciso ser unitário, flexível, exequível, realístico
e claro”, constituindo-se de três fases: previsão, programação e avaliação. Em geral
todo planejamento das atividades constam dos seguintes itens ou elementos:
O que - O problema. O que se pretende fazer ou pesquisar?
Por que – A justificativa. As razões, a relevância do plano ou projeto.
Para que – Objetivos que se pretende alcançar.
Para quem – Público a quem se destina o trabalho.
Com quem – Recursos humanos.
Com que – Recursos materiais e financeiros.
Como – Metodologia explica os procedimentos adotados para o alcance dos
objetivos.
Quando – Período de realização.
Onde – Local de realização.
Quanto – Avaliação dos resultados.
Quanto às definições de plano, projeto, programa, Evangelista, em seu artigo,
esclareceu a diferenciação:
Plano – é o documento, a materialização do planejamento, o registro da escrita
dos elementos e objetivos a serem alcançados.
Projeto – do latim projectu, significa lançar para frente uma ideia. O projeto é a
menor unidade do planejamento, com fins, objetivos e metas a serem alcançados em
função de uma necessidade, um problema.

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Programa – é um conjunto de projetos, de propostas operacionalizadas,
desenvolvidos para o alcance de metas.
Esclarecida a diferença entre os conceitos: planejamento, plano, projeto,
programa, ainda podemos caracterizar e definir algumas modalidades de
planejamentos/planos:
Planejamento ou plano curricular – é a sistematização, no âmbito escolar, do
currículo a ser desenvolvido a partir de referenciais definidos para o sistema em função
dos objetivos e dos alunos que são atendidos.
Planejamento ou plano escolar – é a sistematização de todo planejamento
para a escola, englobando todos os elementos necessários.
Planejamento ou plano de ensino – é a sistematização das atividades a serem
desenvolvidas, elaborado pelo professor responsável, embasado no plano curricular.
Planejamento ou plano de disciplina – é a sistematização e organização de
atividades a serem desenvolvidas ao longo do bimestre, semestre, de uma
determinada disciplina.
Planejamento ou plano de unidade – é a sistematização dos elementos de
uma disciplina, organizados por um determinado período ou por temas geradores.
Planejamento ou plano de aula – é a sistematização das aulas e atividades a
serem desenvolvidas em sala de aula, organizando o dia letivo, com objetivos,
conteúdos, estratégias e avaliação.

O planejamento se concretiza em planos e projetos, tanto da escola e do


currículo quanto do ensino. Um plano ou um projeto é um esboço, um
esquema que representa uma ideia, um objetivo, uma meta, uma sequência
de ações que irão orientar a prática. A ação do planejar subordina-se à
natureza da atividade realizada (LIBÂNEO, 2001, p.83).

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Síntese

Reafirmamos o conceito de planejamento, considerando-o um


instrumento para organização da ação escolar e educativa, de natureza
participativa, flexível, possibilitando alterações no percurso. Fizemos,
então, esclarecimentos sobre os conceitos planejamento, plano, programa,
projeto, discutindo sobre os elementos constitutivos, e ainda descrevemos
sobre as modalidades de planejamentos/planos (curricular, escolar, de
ensino, de disciplina, de unidade, de aula).

1.2. Planejamento educacional no Brasil


Como nos referimos no item anterior, sob uma dimensão técnica, o conceito de
planejamento nos remete à ideia de organização, otimização de recursos,
intencionalidade e qualidade. De acordo com Baffi, planejamento é: “o processo de
busca de equilíbrio entre os meios e fins, entre recursos e objetivos, visando ao melhor
funcionamento de empresas, instituições, setores de trabalho, organizações grupais e
outras atividades humanas”.
Assim, o conceito de planejamento para a educação foi se transformando num
processo de estruturar objetivos, traçar metas, organizar conteúdos, a partir das
necessidades da sociedade e do capital.
Entende-se que a política educacional passa a conceber o planejamento como
cumprimento das propostas, e metas, por exemplo, nos sistemas de ensino,
determinando essa situação a política está respaldada pelos interesses das classes
dominantes e a garantia do cumprimento de leis.

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De acordo com a citação de Oliveira e Cypriano (2014):

[...] uma forma especifica de intervenção do Estado em educação, que se


relaciona, de diferentes maneiras, historicamente condicionadas, com as
outras formas de intervenção do Estado em educação (legislação e publica),
visando a implantação de uma determinada política educacional do Estado,
estabelecida com a finalidade de levar o sistema educacional a cumprir
funções que lhe são atribuídas enquanto instrumento deste mesmo Estado
(HORTA,1987)

Com a preocupação em relação às principais necessidades a serem


alcançadas e qual o caminho a seguir para atingir estes objetivos, lança-se ao ato de
planejar, e como instrumento mediador entre a política educacional, o planejamento
assume suas funções seja na sociedade ou entre o poder e o saber.
No Brasil, para compreendermos como se deu o planejamento educacional no
século XX e no primeiro decênio do século XXI, é necessário entender a função social
da educação, atrelada historicamente,
ao desenvolvimento econômico e social, e aos movimentos de centralização e
descentralização que condicionaram as formas de participação na ação de planejar a
educação no país.

Reflita sobre a afirmativa relacionando com a temática em


estudo e desdobramentos - “Sob esta ótica, o planejamento
educacional encontra-se não subordinado à política, mas entendido
como instrumento de poder (...) um meio pelo qual o Estado reforça
sua intervenção na sociedade como um todo.” Oliveira e Cypriano
(2014)

Podemos inferir que a preocupação com o sistema educacional e com uma


política de educação estatal no Brasil surge no final do Império e início da República,
pois até então a educação estava sob a intervenção e organização da Igreja. A
educação destinada às minorias, às classes sociais mais privilegiadas que tinham

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acesso à educação/escolarização, tida como instrumento de ascensão social e de
poder.
Com a Revolução de 1930, o país, na era de Vargas, caracteriza-se pelo
fortalecimento do poder estatal centralizado, permeado pela passagem de uma
economia baseada na agricultura para industrialização. Foi criado o Ministério da
Educação e Saúde Pública. O primeiro esboço de um plano de educação nacional, o
Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932, sinalizando a necessidade de
organização de um sistema nacional de educação pública.
Promulgada a Constituição Federal de 1934 houve a elaboração de um Plano
Nacional de Educação, implantando a gratuidade e obrigatoriedade do ensino primário
e, em 1937, com uma nova Constituição previu-se a introdução do ensino
profissionalizante, para atender às novas necessidades da sociedade no que diz
respeito ao desenvolvimento econômico.
O período compreendido entre 1940 a 1950, percebemos o planejamento
educacional organizado para promover o crescimento e reduzir a pobreza, e
considerava o analfabetismo como responsável pela situação de subdesenvolvimento
do país. Porém, alguns aspectos eram esquecidos, como por exemplo a educação
como direito de todos, as formas de vinculação do financiamento da educação, a
descentralização por meio da criação dos sistemas educacionais.
A partir da década de 1960, surgem mais indícios e ações concretas de
planejamento educacional no país, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases
4024/61 e da Lei da Lei de Diretrizes e Bases 5692/71, seguindo a lógica de que o
planejamento educacional é concebido dentro de uma perspectiva centralizadora,
racionalista e tecnocrata, prevalecendo a continuidade do Estado no controle das
políticas educacionais e da organização curricular.
Durante o período da Ditadura Militar (1964 a 1985), o planejamento da
educação brasileira, predominantemente ligado ao controle do sistema autoritário,
burocrático e centralizado, visando que a educação acompanhasse as mudanças
econômicas e sociais do país, para atender as necessidades de mercado e aos
interesses de determinados grupos econômicos.

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Com o fim da ditadura militar e o processo de abertura democrática, bem com
a promulgação da Constituição de 1988 aponta-se para o surgimento de diversos
movimentos sociais, e no âmbito educacional, o espaço escolar foi aberto para a
participação social dentro da lógica de uma educação democrática e de qualidade para
todos.
Nos anos de 1990, embora a democratização da educação e da escola sejam
fortes e importantes processos para descentralização do planejamento da educação
brasileira, no que se refere à participação, autonomia (pedagógica, administrativa e
financeira), gestão democrática, organização curricular, como traz a Lei de Diretrizes
e Bases da Educação nacional 9394/96, o Estado ainda aparece como organizador de
uma política educacional, pautada na globalização, no neoliberalismo, segundo o que
citam Oliveira e Cypriano, (2014) em seu artigo, Saviani aponta o planejamento
educacional brasileiro, subordinado às condições internacionais, para a obtenção de
recursos financeiros.
Entre os anos 1990 até os dias atuais a descentralização, o financiamento, a
avaliação e autonomia passam a fazer parte da realidade dos estados e municípios,
no entanto, esta autonomia está ligada ao grau de dependência financeira e na gestão
de políticas públicas desenvolvidas, destacando que, no século XXI, o Estado
brasileiro aparece na esfera educacional, como aquele que planeja e avalia, sendo
que esta avaliação assume papel de controle do que ocorre no sistema educativo.
No entanto, nós educadores precisamos estar atentos, questionando o exagero
no enfoque técnico pedagógico do planejamento educacional, que visa elevar a
produtividade do sistema educacional, buscando sua adequação à estrutura
socioeconômica, sem novos ônus financeiros, não correspondendo a uma visão
qualitativa, que considere as especificidades da área educacional e que permita a
efetiva participação dos mais diversos segmentos da comunidade escolar nas
decisões coletivas.
Assim, com este breve histórico, nós lançamos ao debate do planejamento
educacional participativo.

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Síntese

Na história da educação brasileira, o planejamento educacional,


apresenta indícios a partir da década de 1930, apresentam-se elementos
de planificação e sistematização da educação pelo poder estatal,
considerando que anteriormente a este período cabia à Igreja a intervenção
e organização da educação no país. Destaca-se ainda que o principal mote
do planejamento educacional no Brasil é considerar a educação como
instrumento de controle, de desenvolvimento econômico e social, voltado
para os interesses da política vigente e das classes e grupos dominantes.
Após iniciativas e medidas legais que evidenciaram o planejamento
educacional no Brasil, a partir de 1988, verifica-se a lógica da
descentralização e da gestão democrática por uma educação de qualidade
para todos, apontando para o planejamento participativo. No entanto, a
globalização e a política neoliberal continuarão influenciando diretamente
no planejamento e organização do sistema educacional brasileiro.

1.3. Planejamento Educacional Participativo

Definimos e conceituamos planejamento e suas modalidades, discutiremos a


seguir um dos principais valores na ação do planejamento: a participação dos
envolvidos no processo.
O planejamento participativo é, de fato, uma tendência no campo educacional,
visto como um conjunto de propostas de ferramentas de intervenção na realidade.

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O planejamento participativo pretende ser mais do que uma ferramenta para
a administração; parte da ideia que não basta uma ferramenta para “fazer bem
as coisas” dentro de um paradigma instituído, mas é preciso desenvolver
conceitos, modelos, técnicas, instrumentos para definir “as coisas certas” a
fazer, não apenas para o crescimento e a sobrevivência da entidade
planejada, mas para a construção da sociedade; neste sentido, inclui como
sua tarefa contribuir para a construção de novos horizontes, entre os quais
estão, necessariamente, valores que constituirão a sociedade. (GANDIN,
2001, p.87)

Com esta afirmação de Gandin, podemos inferir que nas escolas o


planejamento participativo não se encerra por definir coletivamente a organização dos
conteúdos, mas se refere principalmente à organização coletiva e sistematização dos
resultados que pretender buscar, em relação aos seus alunos, às suas realidades
sociais, e a partir disto a avaliação detalhada da prática educativa e docente, seja
propositiva para práticas alternativas influentes na construção e transformação social.
Segundo Fonseca, Nascimento, Silva (1995), valorizar a participação é
considerar importante o próprio processo de planejamento e não apenas o produto
final, e quem inicia o processo de planejamento deve prever a participação dos
envolvidos, e que muitas vezes não ocorre espontaneamente, exige esforço,
dedicação, ações mobilizadoras, exercício de poder descentralizado, partilhado. Os
gestores do plano precisam estar cientes que enfrentarão contradições, tensões e
conflitos.
Os participantes nas tomadas de decisões, por sua vez, cientes da
manifestação individual e coletiva, de seu comprometimento e responsabilização.
Podemos considerar que o planejamento participativo é um instrumento eficaz,
no princípio da gestão democrática, na construção dos ideais coletivos da escola, no
entanto, os líderes da gestão e os envolvidos devem estar atentos às formas que
ocorrem a participação.

A principal característica do que hoje se chama Planejamento Participativo


não é o fato de nele se estimular a participação das pessoas. Isto existe em
quase todos os processos de planejamento: não há condições de fazer algo
na realidade atual sem, pelo menos, pedir às pessoas que tragam sugestões.
Usa-se esta “participação” até para iludir e/ou cooptar. (GANDIN, 2001, p.82)

Surge, então, a necessidade de esclarecer a questão dos âmbitos de


participação. De acordo com FONSECA, NASCIMENTO, SILVA (1995), é importante

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a fixação de regras claras e democraticamente definidas que organizem os processos
decisórios e as formas de execução e avaliação do planejado, para tanto, alguns
mecanismos da própria instituição educacional – colegiado, conselhos de escola,
grêmios, associações, equipes de trabalho, grupos de estudo de horário coletivo,
reuniões pedagógicas – podem favorecer a participação dos envolvidos no
planejamento pensado coletivamente e para coletividade. Criar espaços para as
diversas vozes, para o exercício da participação e da democracia, atingindo as
relações que se dão cotidianamente em todos os âmbitos sociais, é reconhecer que
cada pessoa, cada envolvido no processo de planejamento de um projeto político
pedagógico é um sujeito de direitos e deveres, com imensas potencialidades e
corresponsáveis na tomada de decisões. Como Vasconcellos (2016) cita Paulo Freire,
“a boniteza não tem de estar tanto no produto, mas sobretudo no processo”.

O texto que vai surgir talvez não tenha o mesmo brilho de outro produzido por
um pequeno grupo, todavia, manifesta a realidade do grupo naquele momento
(podendo vir a ser aperfeiçoado nas próximas edições). O Projeto deve
expressar de maneira simples (o que não significa dizer simplista) as opções,
os compromissos, a visão de mundo e as tarefas assumidas pelo grupo; de
pouco adianta um projeto com palavras “alusivas”, chavões, citações e mais
citações, quando a comunidade sequer se lembra de sua existência.
(VASCONCELLOS, 2006, p.25)

Para Vasconcellos, (2006) a elaboração e o desenvolvimento dos Projetos


Políticos Pedagógicos, na perspectiva do planejamento participativo têm duas grandes
contribuições: 1- o rigor teórico metodológico (qualidade formal) e 2- a participação
(qualidade política). Quanto à participação, nas instituições educativas, Vasconcellos
(2006) descreve ser frequente ouvir expressões de descontentamento relativo à falta
de participação no projeto, e em suas indagações, considera que isto ocorre, pois, há
casos em que o educador sequer tem a oportunidade de participar da elaboração do
projeto. Forma-se um pequeno grupo (alguns professores com a direção e
coordenação pedagógica), que elabora o texto e leva para apreciação do coletivo, que,
muitas vezes aprova sem questionar (para não “sobrar” tarefas e responsabilidades).
Outra situação pode se dar mesmo quando o sujeito está presente nos vários
momentos da construção, mas sem acreditar no processo, não se envolve, não se
sente pertencente, não questiona, ou seja, não participa efetivamente.

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Reflita sobre a afirmativa relacionando com a temática em
estudo e desdobramentos.
“A principal característica do que hoje se chama Planejamento
Participativo não é o fato de nele se estimular a participação das
pessoas. (...) Usa-se esta “participação” até para iludir e/ou cooptar”.
GANDIN, 2001.

Assim, para que a participação, como um dos anseios mais fundamentais do


humano - ser levado em conta, tomar parte, ser incluído, ser respeitado - tenha sentido,
é necessária uma disposição em mudar realmente, os envolvidos precisam estar
sensibilizados na decisão de fazer, de como e quando fazer, assumindo a condição
de sujeito e não de objeto do processo de planejamento. A participação aumenta o
grau de consciência política, de responsabilidade, reforça o controle sobre a
autoridade, potencializando a legitimidade das intenções planejadas e realizadas.
Seguindo a crença que o planejamento participativo é a ferramenta mais eficaz,
dentro da lógica da gestão democrática, na construção de ideais coletivos em escolas
e outros espaços educativos, Gandin, D. e Gandin, L.(2003) apresentam a proposta
de três momentos distintos, porém integrados, na elaboração do plano/projeto: 1. a
indicação de um horizonte ou referencial (definição de um ideal social e educacional
em que o coletivo quer chegar, ações voltadas numa mesma direção); 2. a construção
de um diagnóstico que julgue a prática à luz do referencial (não deve ser confundido
com um levantamento de problemas, mas sim das necessidades da escola e seus
sujeitos); 3. programação das ações concretas (definidas as necessidades e a
distância entre o real e o ideal, pode-se elaborar a programação, ou seja, as ações
concretas a serem realizadas).

Concluímos, com a certeza que ação do planejamento participativo na


elaboração dos planos/projetos das instituições educativas é uma tarefa complexa,
mas necessária, já que buscamos uma educação balizada na construção e/ou
18
transformação de uma sociedade de fato democrática, mais justa, mais humana, e que
acolha e respeite as diferenças e a diversidade.

Síntese

O planejamento participativo é, de fato, uma tendência no campo educacional,


visto como um conjunto de propostas de ferramentas de intervenção na
realidade. O planejamento participativo não se encerra por definir coletivamente a
organização dos conteúdos, mas se refere principalmente à organização
coletiva e sistematização dos resultados que pretender buscar, em relação aos
seus alunos, às suas realidades sociais, e a partir disto a avaliação detalhada
da prática educativa e docente, seja propositiva para práticas alternativas
influentes na construção e transformação social.

Considerações Finais

Finalizando o Módulo 1, esperamos que você tenha compreendido as


concepções em estudo do planejamento educacional, sua conceituação, elementos,
modalidades e procedimentos, bem como um breve histórico da educação brasileira
no que diz respeito às iniciativas e às ações concretas de planejamento educacional.
Discutimos também sobre o planejamento participativo, suas contribuições, bem como
sobre as dificuldades e desafios enfrentados para realizá-lo nos espaços educativos.
No próximo Módulo, aprofundaremos a discussão sobre a temática projeto político
pedagógico, utilizando elementos e aprendizados do Módulo1.
Até lá!

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Apresentação

MÓDULO 2

Projeto Político Pedagógico

MÁRCIA REGINA BARRELLI

Disciplina: Construção de Projetos Pedagógicos e Tecnologias Aplicadas à


Docência
Módulo 2 – Projeto Político Pedagógico– Faculdade Campos Elíseos (FCE)
– São Paulo – 2016.
Guia de Estudos – Módulo 2– Projeto Político Pedagógico 1.Planejamento
participativo 2.Projeto Pedagógico 3.Gestão Democrática

Faculdade Campos Elíseos

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Conversa Inicial

No segundo módulo, discutiremos sobre projeto político pedagógico e sua


materialização expressa no cotidiano das unidades educacionais e espaços
educativos, na perspectiva participativa, democrática, coletiva, emancipadora.
Iniciaremos por uma revisão de conceitos referentes ao planejamento educacional,
refletindo sobre as dimensões indissociáveis do instrumento projeto político
pedagógico, as características de inovação reguladora e emancipatória. Finalizaremos
revisitando as contribuições da LDBEN 9394/96 para o projeto político pedagógico.
Agora com a descrição de toda a trajetória, podemos iniciar a nossa jornada de
estudos.

Ótimo aprendizado!

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2. Revisando Conceitos

No primeiro módulo aprendemos sobre as concepções e definições da ação de


planejar, do planejamento educacional participativo, bem como sobre os elementos
e modalidades do planejamento.
Caracterizamos o planejamento como uma atividade humana, pela qual são
estabelecidos objetivos, metas, fins, a serem alcançados, com estratégias e
métodos definidos, cuja principal característica é a flexibilidade, ou seja, possibilita,
ação, reflexão, mudanças no percurso e novas tomadas de decisão. Segundo
Padilha, planejamento é processo de busca de equilíbrio entre meios e fins, entre
recursos e objetivos, visando ao melhor funcionamento de empresas, instituições,
setores de trabalho, organizações grupais e outras atividades humanas. O ato de
planejar é sempre processo de reflexão, de tomada de decisão sobre a ação;
processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios
(materiais) e recursos (humanos) disponíveis, visando à concretização de objetivos,
em prazos determinados e etapas definidas, a partir dos resultados das avaliações.

Reflita sobre a afirmativa relacionando com a temática em estudo e


desdobramentos -
“(...) a esse pano de fundo que proponho discutir o planejamento participativo
com base na escola, tratando-o como instrumental teórico prático capaz de
facilitar a convergência entre o refletir e agir no espaço escolar. Como
ferramenta capaz de vitalizar experiências educativas e instituições e de
respaldar a construção, com democracia, do projeto político pedagógico da
escola. Nessa perspectiva, o planejamento participativo poderá constituir-se
num instrumento pedagógico e político mudança.” (FALKEMBACH, 1996, p.
131).

22
Refletimos também que, em contraposição aos modelos burocratizados de
planejamento, que se sustentam na divisão de tarefas, na fragmentação da ação
educativa e em concepções de caráter instrumental e técnico do planejamento, a
gestão democrática da educação e o planejamento participativo implicam no
fortalecimento da gestão e decisões coletivas, assumindo, assim, a função de
mediador e articulador do trabalho coletivo na educação.

Quanto às definições de plano, projeto, programa, Evangelista (2010), em seu


artigo, esclareceu a diferenciação:

Plano – é o documento, a materialização do planejamento, o registro da escrita


dos elementos e objetivos a serem alcançados.

Projeto – do latim projectu, significa lançar para frente uma ideia. O projeto é a
menor unidade do planejamento, com fins, objetivos e metas a serem alcançados
em função de uma necessidade, um problema.

Programa – é um conjunto de projetos, de propostas operacionalizadas,


desenvolvidos para o alcance de metas.

Esclarecidos estes conceitos e definida desde o módulo 1 qual concepção de


planejamento educacional que iremos trilhar e compartilhar – perspectiva
democrática, participativa e coletiva -, na sequência da discussão seguiremos com
a caracterização do projeto político pedagógico e suas implicações.

23
Síntese

Neste item revisamos os conceitos do módulo 1 referentes às definições


de planejamento, plano, programa, projeto, ação. Reiteramos que a
concepção que vamos seguir é a de planejamento educacional participativo
democrático e coletivo, e assim poderemos aprofundar nossa discussão de
projeto político pedagógico como instrumento de transformação e mudança
nas unidades educacionais brasileiras.

2.1- Projeto Político Pedagógico – Conceito e Dimensões

Projeto – do latim projectu, significa lançar para diante.


Partindo do sentido etimológico do termo projeto, podemos dizer, que ao
construirmos os projetos das unidades educacionais, planejamos o que temos
intenção de fazer. Segundo Veiga (1995, p.12), lançamo-nos para diante, com base
no que temos, buscando o possível. É antever um futuro diferente do presente. Nas
palavras de Gadotti e Vasconcellos:

Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro.


Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se,
atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em
função da promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o
presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente a
determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação
possível, comprometendo seus atores e autores. (GADOTTI,1994)
O projeto político pedagógico é o plano global da instituição. Pode ser
entendido como a sistematização, nunca definitiva, de um processo de
planejamento participativo, que se aperfeiçoa e se objetiva na caminhada, que
define claramente o tipo de ação educativa que se quer realizar, a partir de
um posicionamento quanto á sua intencionalidade e de uma leitura da
realidade. Trata-se de um importante caminho para a construção da
identidade da instituição. É um instrumento teórico metodológico para
transformação da realidade. (VASCONCELLOS, 2002)

24
Podemos assim, nessa perspectiva, relembrar das reflexões do módulo 1,
quando caracterizamos o ato de planejar como processo de ação reflexão ação sobre
a realidade diagnosticada, então o projeto político pedagógico vai além de um simples
agrupamento de planos de ensino e atividades diversas. Portanto, projeto não é um
documento a ser construído e em seguida arquivado ou encaminhado às autoridades
educacionais como prova do cumprimento de tarefas burocráticas. O projeto é
processo vivido, é construído e vivenciado em todos os momentos, por todos os
envolvidos como o processo educativo da unidade educacional.

Para tanto, acredita-se, que o projeto político pedagógico deve se constituir na


referência norteadora de todos os aspectos da ação educativa da unidade
educacional. Por isso, sua elaboração requer, para ser expressão viva de um projeto
coletivo, a participação de todos os que compõem a instituição, mapeando o
diagnóstico do que a escola é hoje, e também apontando o que se pretende ser, com
organização e sistematização, desencadeando mudanças na direção de uma
formação educativa e cultural, de qualidade, para todas as crianças e jovens que
frequentam a escola pública e popular.

Reflita sobre a afirmativa relacionando com a temática em


estudo e desdobramentos -
“A implementação de projeto político pedagógico é condição para
que se afirme (ou se construa simultaneamente) a identidade da
escola, como espaço pedagógico necessário à construção do
conhecimento e da cidadania”. (BUSSMANN,. in VEIGA, 1995)

Então, com esta ideia de participação, as dimensões do projeto político


pedagógico não se esgotam apenas no conceito da palavra projeto, mas ampliamos
nosso debate para o entendimento e discussão destas dimensões (político e
pedagógica).

25
Podemos elucidar e nos posicionar compreendendo que não se constrói um
projeto sem objetivos, sem direção sem intenções; é uma ação orientada pela
intencionalidade, tem um sentido explícito, de um compromisso coletivamente firmado
ideologicamente, com práticas pedagógicas também escolhidas intencionalmente.
Assim, entende-se que as dimensões política e pedagógica do projeto são
indissociáveis, caminham juntas, pois as escolhas não são neutras.
No processo de compreensão das dimensões política e pedagógica do PPP, é
preciso considerar dois aspectos:

• A função social da educação e da escola – a educação numa sociedade


cada vez mais excludente, definir a educação e a escola como um
espaço de emancipação, de transformação;
• A organicidade entre o PPP e os anseios e necessidades da comunidade
escolar – o projeto deve propiciar todas a dimensões da vida escolar,
não se reduzindo a uma somatória de planos ou sugestões copiadas, e
esquecidos nas gavetas ou prateleiras, mas um documento vivo,
elaborado, acompanhado, avaliado e repensado.

Assim, conforme o documento MEC Projeto Vivencial p.3 3 4:


(...) é na ação pedagógica da escola que se torna possível a efetivação de
práticas sociais emancipatórias, da formação de um sujeito social, crítico,
solidário, compromissado, criativo, participativo. É nessa ação que se cumpre,
se realiza, a intencionalidade orientadora do projeto construído. (Projeto
Vivencial)

Compreender essa dialética entre político e pedagógico torna-se imprescindível


para que o PPP não se torne um documento pleno de intenções e vazio de ações; de
pouco adianta declarar que a finalidade da escola é forma um sujeito crítico, criativo,
participativo, ou anunciar sua vinculação às teorias críticas se, nas suas práticas
pedagógicas cotidianas, perduram estruturas de poder autoritárias, currículos
engessados, experiências culturais empobrecidas.
As colocações até aqui feitas parecem ser suficientes para esclarecer que um
projeto político pedagógico, “corretamente” elaborado não traz garantias para que a
instituição educativa se transforme repentinamente, num passe de mágica, numa
escola de melhor qualidade, mas traz aos seus participantes, a oportunidade de
construírem coletivamente o seu caminhar conscientemente, interferindo nos limites e

26
possibilidades, com propostas democráticas, significativas, pensando em um processo
educativo e de ensino aprendizagem de melhor qualidade, que promova a mudança e
que, portanto, esteja voltado para a maioria das pessoas.

Síntese

Aprendemos que projeto, do latim projectu, significa lançar para diante.


Projeto político pedagógico é o plano global da instituição, elaborado a partir
da perspectiva democrática com a participação de toda a comunidade
educativa, ação intencional, que visa a construção do conhecimento e da
cidadania, bem como a expressão e efetivação de práticas sociais
emancipatórias.

2.1.1- Inovação regulatória e inovação emancipatória

Estudamos que o projeto político pedagógico é um instrumento da ação


educativa que pode trazer mudanças, inovações, transformações. No entanto, estas
mudanças, inovações, nem sempre, são emancipatórias.
Inovação regulatória (ou técnica) caracteriza-se por ser mudança instituída
formalmente, organizacional, descontextualizada, temporária e parcial,
descomprometida com os sujeitos protagonistas envolvidos, desprezando as
diferenças, as relações de conflito, de força. Nega a diversidade de interesses, pois é
uma ação sem a participação de todos e não compartilham da mesma concepção de
homem, de sociedade, de educação.
Nesta perspectiva regulatória, o projeto político pedagógico pode ser uma
novidade, uma inovação, assumido como um instrumento organizacional, quantitativo,
de padronização, de controle burocrático, um conjunto de atividades que vão gerar um
produto: um documento encadernado, pronto e acabado, elaborado, por tecnocratas,
27
ou por um pequeno grupo da instituição, não coadunando com a concepção de projeto
que estudamos e acreditamos: planejamento educacional participativo.
Segundo Veiga, assumir a característica da inovação regulatória é deixar de
lado o processo de produção coletiva, integral, priorizando, por exemplo, inovar para
melhorar parcialmente alguns resultados da aprendizagem, da aprendizagem, do
laboratório, da biblioteca, voltando-se assim, para um currículo burocratizado, de
controle, de cumprimento de metas e índices.

Reflita sobre a afirmativa relacionando com a temática em


estudo e desdobramentos – inovação regulatória e emancipatória
“As ações na escola transformaram-se em procedimentos
pulverizados e desconectados. O poder conjunto perde sua força e
descaracteriza-se pela fragmentação. Não se discutem ideias,
contradições, mas, ao contrário, foge-se dos debates numa
preocupação contraditoriamente apaziguadora, visto que essa
postura fortalece ou a hostilidade ou a indiferença.” BUSSMANN, In:
VEIGA, (1995).

Já a inovação emancipatória corresponde às concepções que estudamos no


módulo 1 e no presente módulo. O projeto político pedagógico não é um fim em si
mesmo, um documento encadernado na gaveta. Na perspectiva emancipatória a
inovação e o PPP estão organicamente articulados, integrando-se fins e meios,
pautados por processos de ruptura com as normas conservadoras já instituídas,
cristalizadas. É de natureza democrática, coletiva, ético social e cognitivo instrumental,
visando à eficácia dos processos formativos sob o olhar da ética, referenciada ao
contexto social.

28
Baseia-se em processos dialógicos e não impositivos, mobilizando todos os
sujeitos envolvidos, protagonizando vozes antes silenciadas, valorizando os diversos
tipos de saberes e necessidades, construindo assim a proposta pedagógica educativa
significativa para a unidade educacional.

Síntese

Esclarecemos sobre a inovação regulatória e emancipatória, como


características que podem acompanhar o projeto político pedagógico.
Diferenciando-as, resumidamente, a primeira está ligada à inovação técnica
que o projeto político pedagógico pode representar, considerando este
como um documento organizado, pronto e acabado sem a participação de
seus atores. Já a segunda refere-se à inovação que o projeto político
pedagógico pode oportunizar se for considerado como o plano integral da
instituição, elaborado a partir da perspectiva democrática com a
participação de todos os sujeitos envolvidos, bem como a expressão e
efetivação de práticas sociais transformadoras.

2.2. As contribuições da LDB 9394/96 para o PPP

Conforme vimos no módulo 1, nos anos de 1990, a democratização da


educação e da escola, consistiram em fortes e importantes processos para
descentralização do planejamento da educação brasileira, no que se refere à
participação, autonomia (pedagógica, administrativa e financeira), gestão

29
democrática, organização curricular, como traz a Constituição Federal do Brasil de
1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96.
A Constituição de 1998, ao incorporar a gestão democrática da educação como
princípio em atendimento aos movimentos sociais intensos à época, garantiu novas
formas de organização e administração dos sistemas de ensino, tendo como principal
objetivo a universalização do ensino no país. Nos artigos 205 a 210, destinados à
Educação, verificamos princípios de igualdade de condições de acesso à educação,
liberdade de aprender e ensinar, pluralismo de ideias e concepções pedagógicas,
gratuidade e gestão democrática do ensino público, o que consideramos um grande
avanço, no processo de democratização na história do país e na história da educação
brasileira, seja no aspecto político pedagógico e social, como no aspecto da gestão
financeira.
Podemos afirmar assim, que os debates e as reflexões constantes sobre a
democratização da escola, e a promulgação da Constituição de 1998 oportunizaram a
instituição do princípio da gestão democrática no ensino público, com enfoque na
autonomia dos sistemas e instituições, bem como a criação de mecanismos para a
participação de diversos segmentos da sociedade e das comunidades locais.
Na sequência, como reflexo e produto do processo de democratização, a
publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96)
expressou a síntese dos debates e exigências sociais e legais dos sistemas de ensino
e trouxe com a gestão escolar democrática o fortalecimento do processo pedagógico,
como o caminho mais viável para a participação corresponsável de todos os sujeitos,
autores e atores, nas decisões da organização coletiva dos projetos das escolas, com
vistas à igualdade de condições, respeito ao pluralismo e às diferenças, aos resultados
efetivos de qualidade e significativos à emancipação e transformação social.

Mais especificamente, relacionado ao projeto político pedagógico, a LDBEN,


concedeu às escolas e, consequentemente aos segmentos envolvidos, “progressivos
graus de autonomia pedagógica, administrativa e de gestão financeira”, “incumbência
de elaborar e executar sua proposta pedagógica”, “incumbência de informar os pais e
responsáveis sobre a frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução
de sua proposta pedagógica”, aos professores “incumbência em participar da

30
elaboração da proposta pedagógica e do projeto pedagógico do estabelecimento de
ensino e elaborar e cumprir plano de trabalho estabelecido”.

Reflita sobre a afirmativa relacionando com a temática em


estudo e desdobramentos -
“É preciso fazer um problema do óbvio, daquilo que se forma o
cotidiano, como meio de ressaltar, de sentir o mundo mais vivamente
e de poder voltar a encontrar o significado daquilo que nos rodeia”.
(SACRISTAN, In: Veiga 1995)

Embora, tenhamos presenciado os avanços e conquistas com processo de


democratização balizado também pela promulgação de leis que favoreceram a gestão
democrática da educação brasileira, vale ressaltar que a legislação por si só não
garante a implantação e implementação de mudanças visando a gestão financeira,
administrativa, política e pedagógica. Assim, como afirmam GANDIN e GANDIN
(2003) [...] pensam muitos que a lei vai mudar a realidade e transformar escolas em
instituições competentes (...). Pensar e colocar em práticas as inovações propostas
pelas determinações legais requer discussão e cautela. Convém ressaltar ainda algo
muito positivo: o planejamento educacional, produzido na modalidade de projeto
político pedagógico, é considerado como ferramenta para implementação de
processos pedagógicos. No entanto, é necessária cautela para não incorremos na
inovação regulatória, tomando a introdução das novidades da LDBEN 9394/96,
legitimadora de um controle tecnicista e burocrático. Mas podemos, sim, com reflexão
crítica, utilizar a ferramenta do projeto político pedagógico, como inovação
emancipatória, visando o engajamento coletivo rumo às transformações significativas.
Concluímos assim, que as considerações e discussões sobre a implantação da
LDB, ressaltam que as legislações e prescrições oficiais não se incorporam à escola
tal e qual foram pensadas e formuladas, mas são percebidas e interpretadas dentro

31
de uma determinada ordem escolar existente, muitas vezes a partir de praticadas
consolidadas, costumes instalados e valores estabelecidos pela sociedade. Conforme
Machado, que cita Rockwell em seu artigo:

[...] não se trata simplesmente de que existam algumas práticas


que correspondam a normas e outras que se desviam delas.
Toda experiência escolar participa nesta dinâmica entre normas
oficiais e a realidade cotidiana [...] O conjunto de praticas
cotidianas resultantes deste processo é o que constitui o
contexto formativo real tanto para professores como para alunos
[...]. (MACHADO, apud, Rockwell, 1995, p.14).

Síntese

No Brasil partir de 1988, com a promulgação da Constituição verifica-


se a lógica da descentralização e da gestão democrática. Em decorrência
a LDBEN 9394/96, pautada em princípios democráticos, aponta por uma
educação de qualidade para todos. Uma das novidades da LDB estudadas
neste módulo foi a introdução do projeto político pedagógico, como
ferramenta do planejamento educacional participativo, visando maior
autonomia às unidades educacionais brasileiras.

32
Considerações Finais

Finalizando o Módulo 2, esperamos que você tenha compreendido as


concepções em estudo do projeto político pedagógico, sua conceituação, dimensões
e características, bem como as contribuições da LDBEN 9394/96 para o projeto
político pedagógico. No próximo Módulo, aprofundaremos a discussão sobre a
metodologia de trabalho para a elaboração do projeto político pedagógico,
referenciada a uma proposta concreta de planejamento e currículo, que vem sendo
construída e vivenciada por coletivos humanos singulares, na perspectiva da gestão
democrática, utilizando elementos e aprendizados do Módulo2.
Até lá!

33
Apresentação

MÓDULO 3
Metodologia de trabalho para a elaboração do Projeto Político
Pedagógico

MÁRCIA REGINA BARRELLI

Disciplina: Construção de Projetos Pedagógicos e Tecnologias Aplicadas


à Docência
Módulo 3 – Metodologia de trabalho para a elaboração do Projeto Político
Pedagógico– Faculdade Campos Elíseos (FCE) – São Paulo – 2016.
Guia de Estudos – Módulo 3– Metodologia de trabalho para a elaboração
do Projeto Político Pedagógico 1.Currículo 2.Projeto Pedagógico
3.Proposta Pedagógica
Faculdade Campos Elíseos

34
Conversa Inicial

No terceiro módulo, discutiremos sobre a metodologia de trabalho para a


elaboração do projeto político pedagógico das unidades educacionais e espaços
educativos, na perspectiva participativa, democrática, coletiva, emancipadora. Para
tanto, utilizaremos o conteúdo aprendido e refletido nos módulos 1 e 2, conceitos
referentes ao planejamento educacional participativo, projeto político pedagógico.
Durante o percurso do módulo 3 estudaremos os princípios norteadores do projeto
político pedagógico, linhas de construção de proposta pedagógica, finalizando nossa
reflexão sobre a identidade da escola expressa no currículo.
Agora com a descrição de toda a trajetória, podemos iniciar a nossa jornada de
estudos.

Ótimo aprendizado!

35
3. Princípios norteadores do projeto político pedagógico

No primeiro módulo aprendemos sobre as concepções e definições da ação de


planejar, do planejamento educacional participativo, bem como sobre os elementos
e modalidades do planejamento. Trilhamos o segundo módulo caracterizando o
projeto político pedagógico como uma modalidade de planejamento, na perspectiva
da gestão democrática, coletiva, como inovação emancipadora. Segundo
Vasconcellos:

Projeto político pedagógico é um instrumento teórico metodológico que visa


ajudar enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de forma refletida,
consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. É uma
metodologia de trabalho que possibilita ressignificar a ação de todos os
agentes da instituição. (VASCONCELLOS, C.S. 2006, p.143)

Esclarecidos estes conceitos e definida desde o módulo 1 qual concepção de


planejamento educacional que iríamos trilhar e compartilhar – perspectiva
democrática, participativa e coletiva -, seguiremos nossa discussão com a
caracterização do projeto político pedagógico e suas implicações, relativos aos
princípios norteadores. Veiga (2002 p.16), cita Saviani, que define quais seriam
estes princípios norteadores, que segundo este autor são “os arcabouços para a sua
efetivação processual [...] proporcionam ambientes favoráveis ás discussões e
debates.”

São os princípios:

▪ Igualdade de condições para acesso e permanência na escola – o projeto


político pedagógico, expresso na ação educativa, em seu conjunto, pode
propiciar, democraticamente a igualdade de condições a todos os atores,
ingressantes na escola pública, sujeitos de direitos de nela permanecerem;

36
▪ Qualidade – aspecto que não privilegia minorias econômicas e sociais. Está
associada ao princípio da igualdade, considerando que é do interesse da
sociedade que seus cidadãos sejam educados, instruídos e formados, e que esta
é a principal função da escola, administrá-la de modo eficiente e eficaz, o desafio
do PPP é o de propiciar uma qualidade para todos. Quando assim administrada,
a escola oferece condições para a permanência dos que nela ingressarem e o
direito à aprendizagem.

▪ Gestão democrática – a gestão democrática constitui-se no princípio de


discussão para participação ampla de autores e atores do projeto político
pedagógico das unidades educacionais, abrangendo as dimensões pedagógica,
administrativa e financeira, implicando no repensar da estrutura de poder da
escola, da compreensão em profundidade dos problemas postos pela prática
pedagógica, num compromisso e na construção coletiva.

▪ Liberdade- está associada ao princípio da autonomia, à capacidade da escola de


delinear sua própria identidade, possibilitando as escolhas do projeto político
pedagógico. Estas escolhas envolvem as dimensões políticas, administrativas e
pedagógicas, evidenciando a escola que temos e a escola que queremos. A ideia
de autonomia está ligada à concepção emancipadora da educação.

▪ Valorização do magistério – princípio central na discussão do PPP. A formação


continuada dos profissionais da escola, compromissada com construção do PPP
não deve limitar-se aos conteúdos curriculares, mas se estender à discussão da
escola como um todo e suas relações com a sociedade.

37
Reflita sobre a afirmativa relacionando com princípios
norteadores do projeto político pedagógico - “O planejamento
dialógico é alternativa porque, com a ampliação da comunicação
pelo diálogo coletivo e interativo desde a formulação das questões
relacionadas, por exemplo, às questões orçamentárias, pedagógicas
ou administrativas das escolas e das políticas públicas
educacionais, vai acontecendo num processo de participação, de
envolvimento [...] É essa a grande vantagem do planejamento
dialógico, organizado, democraticamente sistematizado e voltado
para o respeito à autonomia dos sujeitos partícipes do processo.”
(PADILHA, P.R. 2002, p.26)

Seguindo, podemos perceber que a construção do projeto político pedagógico,


na perspectiva dos princípios norteadores acima arrolados – igualdade de condições
de acesso e permanência, qualidade, gestão democrática, liberdade, valorização do
magistério - fundamentam-se nos mesmos princípios que balizam a escola pública e
democrática, de qualidade.
No documento MEC Escola de gestores - projeto político pedagógico: dimensões
conceituais – Projeto vivencial, o autor Gimeno Sacristan é citado ao discutir um projeto
de escola pública da modernidade, destacando, seus objetivos e finalidades
(SACRISTAN, 2001, p.24):
▪ Fundamentação da democracia;
▪ Estímulo ao desenvolvimento da personalidade do sujeito;
▪ Difusão e incremento do conhecimento e da cultura em geral;

38
▪ Inserção dos sujeitos no mundo;
▪ Custódia, cuidado dos mais jovens;

Assim, podemos dizer que os princípios norteadores somados aos objetivos e


finalidades apontadas por Sacristan, se relacionam e se condicionam, evidenciando
inclusive nossas concepções de planejamento educacional participativo e projeto
político pedagógico, pois expressam uma crença numa educação democrática, que
inclui sujeitos, que transforma, emancipa, através do cuidado, do desenvolvimento e
difusão de conhecimento e de cultura, com liberdade, participação, autonomia.
Trata-se de aprender para conhecer e transformar o mundo em que se vive.

[...] aluno aprende apenas quando se torna sujeito de sua aprendizagem. E


para ele tornar-se sujeito de sua aprendizagem ele precisa participar das
decisões que dizem respeito ao projeto de escola que faz parte também do
seu projeto de vida. Não há educação e aprendizagem sem sujeito da
educação e da aprendizagem. A participação pertence à própria natureza do
ato pedagógico. (GADOTTI, 2000, p.36)

Síntese

Neste item refletimos sobre os princípios norteadores do projeto político


pedagógico. São eles:
- igualdade de condições de acesso e permanência, qualidade, gestão
democrática, liberdade, valorização do magistério. E também sobre os
objetivos e finalidades da escola públicas propostos por Sacristan:
fundamentação da democracia, estímulo ao desenvolvimento da
personalidade do sujeito, difusão e incremento do conhecimento e da
cultura em geral, inserção dos sujeitos no mundo e custódia, cuidado dos
mais jovens.

39
3.1 Construção do Projeto Político Pedagógico

Retomando o módulo 1, e, portanto, seguindo a crença que o planejamento


participativo é a ferramenta mais eficaz, dentro da lógica da gestão democrática, na
construção de ideais coletivos em escolas e outros espaços educativos, GANDIN, e
GANDIN, (2003) L., apresentam a proposta de três momentos distintos, porém
integrados, na elaboração do plano/projeto:
1. A indicação de um horizonte ou referencial (definição de um ideal social e
educacional, em que o coletivo quer chegar, ações voltadas numa mesma direção);
2. A construção de um diagnóstico que julgue a prática à luz do referencial (não
deve ser confundido com um levantamento de problemas, mas sim das necessidades
da escola e seus sujeitos);
3. Programação das ações concretas (definidas as necessidades e a distância
entre o real e o ideal, pode-se elaborar a programação, ou seja, as ações concretas a
serem realizadas).
A adoção da metodologia condizente aos fins que se deseja alcançar é critério
essencial para o êxito do projeto político pedagógico. A legitimidade e a racionalidade
do projeto político pedagógico vinculam-se à metodologia usada na sua construção.
São variados os caminhos da elaboração e implementação do projeto político
pedagógico da escola. Nós escolhemos trilhar nossos estudos no âmbito do
planejamento dialógico/participativo, então o princípio metodológico da formulação de
perguntas e questionamentos para problematizar a realidade, como proposta de
trabalho na elaboração do projeto.

3.1.1- Elementos do Projeto Político Pedagógico

Acolhendo as propostas de Gandim e Gandim (2003), quando se inicia o


processo de construção coletiva do projeto político pedagógico, indica-se um marco
referencial – a escola que queremos -, e durante esta indicação o grupo de atores e
40
autores o projeto da escola vão levantando o diagnóstico e as necessidades, definindo
as ações para alcançar o lugar aonde se quer chegar. E neste processo de construção
e organização do trabalho pedagógico da escola, entendido, então, como o próprio
projeto político pedagógico, apontam-se elementos básicos constitutivos, segundo
Veiga (2002, p.22):

▪ Finalidades da escola – há necessidade de se refletir sobre a ação


educativa que a escola desenvolve com base em finalidades e objetivos
definidos no coletivo. As finalidades podem ser de cunho social, político,
cultural, humanístico.
▪ Estrutura organizacional – compreende a estrutura administrativa e
pedagógica. A estrutura administrativa refere-se a gestão de recursos
humanos, físicos e financeiros. Equipamentos, prédio escolar,
distribuição das dependências, todas as instalações físicas,
caracterização local. A estrutura pedagógica envolve todos os aspectos
que referem às ações educativa e do ensino aprendizagem.
▪ Currículo – é um importante elemento constitutivo do projeto político
pedagógico, e implica, a interação entre os sujeitos do processo
educativo, pressupondo a produção, a transmissão e assimilação de
conhecimentos historicamente produzidos. Em uma determinada
concepção o currículo, pode se referir à organização do conhecimento
escolar, mas não é uma mera simplificação de rol de conteúdos. O
currículo não é um instrumento neutro, expressa uma ideologia, uma
cultura, não pode ser separado do contexto social. No próximo item
vamos discutir mais sobre a identidade da escola quando expressamos
o currículo “escolhido” com o projeto político pedagógico, lembrando aqui
que balizamos nosso estudo de planejamento e de projeto político
pedagógico na inovação emancipatória, então, portanto, o currículo
definido terá papel fundamental para contestar, resistir e transformar.

41
▪ Tempo escolar – calendário escolar, horário escolar, são exemplos que
levam à compartimentalização do tempo. É importante que os
educadores percebam e criem novos espaços e tempos para
conhecerem melhor seus estudantes como e o que estão aprendendo,
quais as dificuldades e necessidades. Exemplos: espaços e projetos
extras, além dos horários de aula já previstos.

▪ Processo de decisão – criação e previsão de mecanismos de


participação de todos os envolvidos no processo educativo, avaliando e
acompanhando, assim, o projeto político pedagógico. Exemplos destes
mecanismos, como já vimos no módulo 1: colegiados, conselhos de
escola, grêmios, associações, equipes de trabalho.

▪ Relações de trabalho – baseadas em princípios democráticos, assim


também será a construção do projeto político pedagógico, com atitudes
de participação coletiva e dialógica, de solidariedade, reciprocidade, de
descentralização do poder, articulando práticas emancipatórias.

▪ Avaliação – a avaliação neste contexto, compreende as contradições e


os conflitos. Envolve três momentos: a descrição e da problematização
da realidade, a compreensão crítica desta realidade, e a proposta de
ações coletivas, a serem constantemente avaliadas e retomadas, para
um novo processo de tomadas de decisões. É o exercício: AÇÃO –
REFLEXÃO - AÇÃO.

42
Síntese

Aprendemos neste item - marco referencial - a escola que queremos -, e durante esta
indicação o grupo de atores e autores o projeto da escola vão levantando o diagnóstico
e as necessidades, definindo as ações para alcançar onde se quer chegar.
Começamos a delinear uma estrutura de projeto político pedagógico ao conhecermos
os elementos constitutivos do projeto, segundo VEIGA (2002, p.22):
- finalidades da escola
- estrutura organizacional
- currículo
- tempo escolar
- processo de decisão
- relações de trabalho
- avaliação

Reflita sobre as questões:


O projeto político pedagógico é um modismo, um antídoto, ou uma
ação necessária para uma educação de qualidade?
Em que direção caminhar para provocar a construção coletiva de um
projeto político pedagógico capaz de atender de um lado às
necessidades dos alunos e de outro a escolha dos conteúdos e à
mediação do saber?

43
É importante destacar no âmbito do planejamento dialógico/participativo é
necessário explicitar as articulações entre os diversos tipos de planos (plano de
trabalho docente, plano de curso, plano de disciplina, plano de aula, plano de ensino,
plano curricular), conceitos que aprendemos do módulo 1, tendo como eixo norteador
o projeto político pedagógico. Nessa mesma perspectiva as instâncias colegiadas
(conselho de escola, conselhos de séries, ciclos ou classes, grêmio estudantil e
associações de pais e mestres) também comportam seus respectivos planos de
trabalho cujas metas e objetivos são frutos da análise da realidade escolar e do campo
de atuação de cada segmento.
Destacamos, mais uma vez, que o projeto político pedagógico deve ser a
referência para a reflexão e ação de todas essas instâncias colegiadas.
Não pretendemos aqui estudar e apresentar receitas e modelos de projetos,
nem mesmo de esgotar o assunto sobre a metodologia de elaboração do projeto
político pedagógico, mas acreditamos que durante nossa jornada de estudos durante
os módulos 1, 2 e este em questão, fica evidente nossa preocupação em provocar
reflexões no sentido da prática democrática, participativa, dialógica, coletiva na
construção dos projetos das escolas públicas de qualidade.
Apresentamos a seguir, de forma sucinta, como sugestão a ser discutida e
refletida, uma proposta de organização, com componentes fundamentais de um
projeto político pedagógico baseado em Padilha, (2003 p.90):
1. Identificação do projeto – nome do projeto, identificação geral da escola,
período de duração do projeto (ano letivo, por exemplo), número de alunos,
professores, funcionários, caracterização da escola, localização situação física
da escola, recursos humanos e materiais, gestão da escola.
2. Histórico e justificativa – registrar as articulações entre os segmentos escolares,
incluindo a síntese do marco referencial – diagnóstico, a escola que temos e a
escola que queremos.
3. Objetivos gerais e específicos – o que se pretende alcançar em linhas gerais,
ao sistema de ensino que a escola está ligada, e os específicos em cada plano
de cada segmento e modalidades de plano. O desdobramento do objetivo em
geral em específico traduz-se na definição da proposta curricular.

44
4. Metas – mais concretas que os objetivos devem ser quantificadas e detalhadas
(onde e quando vai ocorrer a ação). As metas devem ser enumeradas em
consonância com as atividades que serão desenvolvidas durante a execução
do projeto.
5. Desenvolvimento metodológico e Recursos – escolha de estratégias de ação e
previsão da disponibilidade de recursos físicos, materiais, humanos e
financeiros.
6. Cronograma – previsão da distribuição ordenada das ações cronologicamente.
7. Avaliação – momentos de verificação da concretização parcial e total dos
objetivos e metas, com previsão dos instrumentos de avaliação.
8. Conclusão – o projeto político pedagógico deverá oferecer elementos para
discussão, elaboração e divulgação do Regimento Escolar ou Regimento
Educacional, onde estarão dispostos todas as decisões dos segmentos
participantes do processo educativo em relação às atribuições e competências
administrativas e pedagógicas da escola.

Reflita sobre as questões:


A escola por meio de seu projeto político pedagógico pode mobilizar
forças para processos qualitativos. É nessa perspectiva que fazem
sentido problematizações como
- quais finalidades da escola?
- que cidadãos queremos formar?
- que sociedade queremos construir?
- quais conhecimentos, quais escolhas curriculares?
- como mobilizar e efetivar a participação do coletivo?
- e a sistemática de avaliação e retomada do projeto?

45
Sem dúvida, o processo de planejamento, de estruturar e organizar o projeto
político pedagógico é complexo. Não é banalizando esta complexidade que
resolveremos os grandes desafios colocados aos educadores. No entanto, como já
falamos o projeto político pedagógico é uma potente ferramenta de transformação da
realidade educacional, ou seja, é uma mediação que ajuda organizar e estabelecer o
desejado e o vivido, diminuindo esta distância. Fechamos este item com a citação de
Vasconcellos, para reflexão:

O grande potencial transformador do Planejamento Participativo está em


articular os vários níveis de reflexão (para onde queremos ir, onde estamos e
o que fazer para chegar lá) e em oferecer estes instrumentos de passagem
do desejado - Marco Referencial – à Realidade: o Diagnóstico e a
Programação. (VASCONCELLOS2006, p.49)

Síntese

Apresentamos neste item uma sugestão de proposta de organização de


projeto político pedagógico, segundo Padilha. São os componentes desta
proposta:
- identificação do projeto.
- histórico e justificativa.
- objetivos gerais e específicos (proposta curricular).
- metas.
- desenvolvimento metodológico e recursos.
- cronograma.
- avaliação.
- conclusão.

46
3. 2. A Identidade da Escola e o Currículo

Estudamos que o projeto político pedagógico é um instrumento da ação


educativa que pode trazer mudanças, inovações, transformações. No entanto, estas
mudanças, inovações, nem sempre são emancipatórias.
Inovação regulatória (ou técnica) caracteriza-se por ser mudança instituída
formalmente, organizacional, descontextualizada, temporária e parcial,
descomprometida com os sujeitos protagonistas envolvidos, desprezando as
diferenças, as relações de conflito, de força. Nega a diversidade de interesses, pois é
uma ação sem a participação de todos e não compartilham da mesma concepção de
homem, de sociedade, de educação.
Nesta perspectiva, regulatória, o projeto político pedagógico pode ser uma
novidade, uma inovação, assumido como um instrumento organizacional, quantitativo,
de padronização, de controle burocrático, um conjunto de atividades que vão gerar um
produto: um documento encadernado, pronto e acabado, elaborado, por tecnocratas,
ou por um pequeno grupo da instituição, não coadunando com a concepção de projeto
que estudamos e acreditamos: planejamento educacional participativo.
Já a inovação emancipatória corresponde com as concepções que estudamos
no módulo 1 e neste módulo. O projeto político pedagógico não é um fim em si mesmo,
um documento encadernado na gaveta. Na perspectiva emancipatória a inovação e o
PPP estão organicamente articulados, integrando-se fins e meios, pautados por
processos de ruptura com as normas conservadoras já instituídas, cristalizadas. É de
natureza democrática, coletiva, ético social e cognitivo instrumental, visando à eficácia
dos processos formativos sob o olhar da ética, referenciada ao contexto social.
Baseia-se em processos dialógicos e não impositivos, mobilizando todos os
sujeitos envolvidos, protagonizando vozes antes silenciadas, valorizando os diversos
tipos de saberes e necessidades, construindo assim a proposta pedagógica educativa
significativa para a unidade educacional.

47
Então, um projeto político pedagógico baseado em princípios democráticos,
como inovação emancipatória, expressará uma identidade de escola através de sua
proposta, coerente, cumprindo sua função social de propiciar a efetiva aprendizagem
e desenvolvimento por parte de todos os alunos.

Reflita sobre a afirmativa relacionando com a


temática em estudo e desdobramentos
A escola coloca-se como agenciadora do saber; no entanto, o
processo de aquisição desse saber pode se dar tanto de maneira
opressiva, tendo como centro a indisciplina do aluno suas possíveis
limitações individuais e sociais como, também, centrar-se na
concepção transformadora, dialógica e, neste caso, o aluno deixa de
ser domesticado para assumir o importante papel de autor de sua
história. (RESENDE, In: VEIGA, 2002 p. 73).

Toda escola deve ter uma alma, uma identidade, uma qualidade que a faz ser
única para todos que nela passam uma parte de suas vidas. Esse vínculo cognitivo
e afetivo deve ser construído a partir das vivências propiciadas a toda a
comunidade escolar. Já vimos e discutimos que o projeto político pedagógico, em
construção coletiva, dialógica e participativa deve contribuir para criar ou fortalecer
a identidade da escola.
A comunidade escolar deve levantar:
▪ as características atuais da escola;
▪ suas limitações e possibilidades;
▪ os seus elementos identificadores;
▪ a imagem que se quer construir quanto a seu papel na comunidade em que
está inserida.

48
Ao delinear o horizonte, onde se quer chegar – o desejo, o coletivo da escola,
elabora, entre outros elementos constitutivos do projeto político pedagógico, a
Proposta Pedagógica, que vai englobar o conjunto de experiências e práticas
pedagógicas educativas, que convencionaremos chamar de Currículo, salvo melhores
ou diferentes definições, já que o conceito de currículo não é de simples formulação.
Tomaz Tadeu da Silva, em sua obra Documentos de identidade – uma introdução às
teorias do currículo -, percorre este árduo caminho de definição de currículo, e revela
logo na introdução que:

(...) a questão central que serve de pano de fundo para qualquer teoria do
currículo é a de saber qual conhecimento deve ser ensinado. De uma forma
mais sintética questão central é: o quê? Para responder a essa questão as
diferentes teorias podem recorrer a discussões sobre a natureza humana,
sobre a natureza da aprendizagem ou sobre a natureza do conhecimento, da
cultura e da sociedade. (Silva, 1999, p.14).

Entretanto, salientamos que a questão básica do currículo: o que os alunos


devem saber? Qual o conhecimento deverá fazer parte do currículo? Percebemos
então, o momento e os critérios das escolhas, que não serão neutros, e se
relacionarão com as concepções e necessidades da sociedade e da comunidade, das
relações de poder, das contradições, das tensões, dos conflitos, dos autores e atores
do processo educativo, e todo o envolvimento na discussão e engajamento com
projeto político pedagógico com vistas à emancipação.

Vale ressaltar que nas discussões cotidianas, quando pensamos em currículo,


não podemos pensar apenas em conhecimento, pois currículo é uma questão de
identidade. Portanto, o currículo é um meio de atribuição de sentido às diversas
atividades realizadas no interior da escola, por ser intencional e sistemático,
implicando na elaboração e realização de todo o programa de experiências
pedagógicas, incluindo a avaliação a serem vivenciadas em sala de aula e demais
espaços da escola. Pensando assim, a pratica educativa escolar, dependerá, da
concepção de currículo expressa na proposta pedagógica da escola. Tradicionalmente
– escolas públicas têm a sua prática pedagógica determinada ou por orientações
oriundas das secretarias de educação ou pelos próprios livros didáticos:

49
- prática curricular pobre, que não leva em conta nem a experiência trazida pelo
professor, nem a trazida pelo aluno, ou mesmo às características da
comunidade;
- restringe a autonomia intelectual do professor e o exercício da sua criatividade.
Não permite que a escola construa sua identidade.

Não se trata de tarefa fácil, pois se estabelece uma contradição entre o discurso
e a prática, quando os sistemas oferecem autonomia para as escolas elaborarem seus
projetos políticos pedagógicos e oferecem ou apresentam os documentos curriculares
oficiais.
É da maior importância que a escola se fortaleça, discuta, construa seu projeto,
sua identidade, elabore seu currículo, dialogando criticamente, conquistando sua
autonomia. Como cita Malheiro (2005) em seu artigo:
(...) a autonomia e a participação [...] não se limitam a mera declaração de
princípios consignados em algum documento. Sua presença precisa ser
sentida no Conselho de Escola ou colegiado, e também na escolha do livro
didático, no planejamento do ensino, na organização de eventos culturais, de
atividades cívicas, esportivas e recreativas. Não basta apenas assistir às
reuniões.
A gestão democrática deve estar impregnada de certa atmosfera que se
respira na escola, na circulação das informações, na divisão do trabalho, no
estabelecimento do calendário escolar, na distribuição das aulas, no processo
de elaboração ou de criação de novos cursos ou novas disciplinas, na
formação de grupos de trabalho, na capacitação dos recursos humanos, etc.
(Gadotti e Romão, 1997 p. 36).

Um projeto político pedagógico coletivamente construído não garante à escola


que a mesma se transforme “magicamente” em uma instituição de melhor qualidade,
mas certamente permitirá que seus atores tenham consciência de seu caminhar,
entendam e interfiram em seus limites, aproveitem melhor as potencialidades e
equacionem de maneira coerente as dificuldades identificadas. Assim será possível,
numa perspectiva participativa e democrática pensar em um currículo
verdadeiramente significativo, em um processo de ensino aprendizagem com melhor
qualidade e aberto para uma sociedade em constante mudança; a escola terá aguçado
seus sentidos para captar, interferir e transformar estas mudanças favoráveis à vida
das crianças, jovens, adultos, seres humanos comuns, alunos de nossas escolas.

50
Síntese

Toda escola deve ter uma alma, uma identidade, uma qualidade que a faz ser
única para todos que nela passam uma parte de suas vidas. Esse vínculo cognitivo e
afetivo deve ser construído a partir das vivências propiciadas a toda a comunidade
escolar. O projeto político pedagógico, em construção coletiva, dialógica e participativa
deve contribuir para criar ou fortalecer a identidade da escola. O currículo é um meio
de atribuição de sentido às diversas atividades realizadas no interior da escola, por ser
intencional e sistemático, implicando na elaboração e realização de todo o programa
de experiências pedagógicas, incluindo a avaliação a serem vivenciadas em sala de
aula e demais espaços da escola.

Considerações Finais

Finalizando o Módulo 3, esperamos que você tenha compreendido o debate


proposto sobre a metodologia de trabalho para a elaboração do projeto político
pedagógico, referenciada a uma proposta concreta de planejamento e currículo e a
identidade da escola, que vem sendo construída e vivenciada por coletivos humanos
singulares, na perspectiva da participação e da gestão democrática, utilizando
elementos e aprendizados do Módulo 1, 2 e 3. Não tivemos a pretensão, durante nosso
diálogo, esgotar o assunto, mas fornecemos subsídios, referenciais e pistas que lhe
darão sustentação para práticas comprometidas e consequentes, bem como, para o
prosseguimento de estudos
A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para
assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto salvá-lo da ruína que
seria inevitável não fosse a renovação e vinda dos novos e dos jovens. A
educação é também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante
para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios
recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender
alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disto com
antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum. (ARENDT, 1972,
p. 274)

51
Apresentação

Módulo 4

Da Educação Tradicional às Novas


Tecnologias Aplicadas à Educação: percurso histórico

ANA PAULA PIMENTEL


Disciplina: Construção de Projetos Pedagógicos e Tecnologias Aplicadas
à Docência.
Módulo 4 – Da Educação Tradicional às Novas Tecnologias Aplicadas à
Educação - Faculdade Campos Elíseos (FCE) – São Paulo – 2016.
Guia de Estudos – Módulo 4 - Tecnologia.
1. Mudanças 2. Tempos e espaços 3. Inclusão Social

Faculdade Campos Elíseos

52
Conversa Inicial

No quarto módulo, discutiremos sobre as novas tecnologias aplicadas à educação.


Para tanto, no primeiro momento estudaremos a história da tecnologia no Brasil a partir
da educação tradicional; em seguida abordaremos a mudança de tempos, espaços e
relações na escola a partir do uso de tecnologias; e por fim estudaremos a inclusão
digital como inclusão social com o uso de tecnologias nas escolas.
Agora com a descrição de toda a trajetória, podemos iniciar a nossa jornada de
estudos.

Ótimo aprendizado!

53
4.1. A História da Tecnologia na Educação

A sociedade está em constante desenvolvimento e transformação e


consequente evolução do ser humano. A evolução histórica do ensino à distância foi
marcada pelo surgimento dos meios de comunicação, primeiro por correspondência,
segundo pelo rádio no Rio de Janeiro com um plano sistemático de utilização da rádio
difusão, como forma de ampliar a educação, a TV, e atualmente a internet é um dos
meios que fez mais acelerar esta modalidade de ensino no Brasil e no mundo.
Estudos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que
pouco antes de 1900 já existiam propagandas de cursos profissionalizantes por
correspondência em jornais do Rio de Janeiro. O ensino por correspondência também
foi utilizado pelas Forças Armadas: em 1939, a Escola de Guerra Naval fez um
preparatório para o Curso de Comando e, em 1963, o Exército ofereceu o preparatório
para o curso de Aperfeiçoamento de Oficiais. Na década de 1970, começou a oferta
de cursos técnicos a distância na área de contabilidade, finanças e área jurídica.
No Brasil, a primeira experiência radiofônica ocorreu em 1922, porém, somente
em 1923 foi instalada a primeira emissora. O rádio exerceu forte influência na vida das
pessoas, marcando profundamente suas vidas, transformando-se em parte integrante
do cotidiano. Desde os primeiros tempos, a radiodifusão apresentou-se como algo de
fundamental importância em relação à comunicação à distância. O Decreto nº 16.657,
de novembro de 1924, as programações deveriam ter como finalidade a formação
educativa, científica, artística e que trouxesse benefício ao povo. A partir da década
de 1930, Getúlio Vargas passou a fazer uso desse meio de comunicação para difundir
o projeto político-pedagógico do Estado Novo, repassando a imagem de uma
sociedade unida e harmônica, sem divisões e conflitos sociais. Por meio de um
programa oficial, A Hora do Brasil, que deveria ser retransmitida por todas as
emissoras do país, como forma de educação moral e cívica, buscava-se difundir a
informação criando uma unidade nacional.

54
A Rádio Sociedade Rio de Janeiro desenvolvia programas voltados à formação
dos ouvintes, por meio de cursos: aulas, conferências e palestras. Literatura, lições de
português, história, geografia e outras faziam parte das transmissões radiofônicas.
A TV chega ao Brasil em 1950 e de 20 a 26 de julho acontecem as primeiras
transmissões de um vídeo educativo no auditório da faculdade de medicina em São
Paulo. A televisão foi vista como uma aliada do professor na explanação dos mais
diversos assuntos, dos atuais aos antigos, possibilitando uma viagem no tempo com
as produções de época e analisando o futuro com base nas notícias vinculadas sobre
as grandes descobertas científicas. É preciso pensar a influência da televisão no nosso
dia-a-dia, reconhecendo suas características positivas e negativas bem como
compreendendo sua influência sobre a sociedade desde o seu surgimento em nosso
país, apresentando em sua grade de programação uma ferramenta educacional
eficiente, principalmente como recurso pedagógico.
O surgimento da internet se deu em meados de 1988, quando um professor da
Universidade de São Paulo, deu início a um projeto, que estabelecia contato com
universidades de outras partes do mundo, formando uma rede de computadores,
projeto esse nomeado "Bitnet" (Because is Time to Network, porque é hora de
conectar).
A Bitnet conectava a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de
São Paulo), a um laboratório de física de Chicago, Estados Unidos, para meio de
transferência de arquivos e e-mail. Em 1991, já coo nome de internet, este acesso foi
liberado para órgãos do governo e institutos de pesquisa, mas ainda eram muito
limitados. Estes acessos, que mantinham transferência de dados, e-mails, porém a um
pequeno grupo de pessoas.
Em 1992, muitas redes regionais foram desenvolvidas em vários estados do
Brasil para facilitar uma estrutura nacional para a comunicação de dados. O Alternex
passou a ser o primeiro serviço de rede de computadores fora da comunidade
acadêmica a oferecer todos os serviços de internet no Brasil. Neste mesmo ano, foi
inaugurada a rede nacional de pesquisa (RNP).
Em 1992 a RNP já tinha implementado uma rede de abrangência nacional,
interligando 11 capitais brasileiras com conexões entre Brasília, Rio de Janeiro, São
Paulo e Porto Alegre. No estado de São Paulo surgiu a Academic Network at São

55
Paulo (ANSP), que interligou a Universidade de São Paulo (USP), Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), e o IPT,
Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Além disso, também
surgiram redes estaduais em Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul e no
Distrito Federal. Ao longo de 1994, um grupo de estudantes da USP criou centenas de
páginas Web. Em novembro, estimaram que metade das páginas Web do país
estivesse na USP (500 Páginas). O BBS já oferecia serviços de e-mail internet e
acesso à rede de mensagens. Em 1995, os Ministérios das Comunicações e da
Ciência e Tecnologia criaram uma portaria, a liberação do comércio de provedores de
internet. Em 2002, a Unicamp inicia sua preparação para acessar a Internet 2, rede
mundial de alto desempenho que estava sendo montada para superar as deficiências
da Internet atual. Daí a possibilidade do acesso banda larga tão usada nos dias de
hoje.

Esse conjunto de novos valores vai caracterizando esse novo


mundo ainda em formação. Um mundo em que a relação homem-máquina
passa a adquirir um novo estatuto, uma outra dimensão. As máquinas da
comunicação, os computadores, essas novas tecnologias, não mais
máquinas. São instrumentos de uma nova razão. Nesse sentido, as
máquinas deixam de ser como vinham sendo até então, um elemento de
mediação entre o homem e a natureza e passam a expressar uma nova
razão cognitiva. (Pretto: 1996, p.43).
Reflita como a tecnologia cada vez mais faz parte de nossas
vidas.

Diante da crescente difusão e renovação das tecnologias no contexto social,


não se pode ignorar a nova realidade imposta dentro da sala de aula. Cada vez mais
as tecnologias digitais tornam-se presentes em todos os ambientes, modificando a
maneira como ensinamos e aprendemos. Segundo Kalinke:

56
Os avanços tecnológicos estão sendo utilizados praticamente por todos os
ramos do conhecimento. As descobertas são extremamente rápidas e estão a
nossa disposição com uma velocidade nunca antes imaginada. A Internet, os
canais de televisão a cabo e aberta, os recursos de multimídia estão presentes
e disponíveis na sociedade. Estamos sempre a um passo de qualquer
novidade. Em contrapartida, a realidade mundial faz com que nossos alunos
estejam cada vez mais informados, atualizados, e participantes deste mundo
globalizado (Kalinke, 1999, p.15).

As novas tecnologias estão integrando-se ao nosso cotidiano, e o acesso à


informação está tornando-se cada vez mais natural. Além disso, as mudanças
tecnológicas também modificam as novas gerações que surgem, com um novo
contexto educacional, passando a ser indispensável nas escolas e nas casas. A
influência tecnológica nos trouxe métodos avançados com diversas maneiras de se
aprender, qualificando o ensino dentro e fora da escola.

A evolução tecnológica não se restringe apenas aos novos usos de determinados


equipamentos e produtos. Ela altera comportamentos. A ampliação e a banalização do
uso de determinada tecnologia impõem-se à cultura existente e transformam não
apenas o comportamento individual, mas o de todo o grupo social. (...) As tecnologias
transformam suas maneiras de pensar, sentir e agir. Mudam também suas formas de
se comunicar e de adquirir conhecimentos (KENSKI, 2010, p. 21)

A escola deve se tornar interessante, adquirindo saberes, com suas tecnologias


e inovações, levando o aluno a ampliar seu conhecimento de mundo adquirindo
informações necessárias para a construção de conhecimentos e competências
necessárias ao aprendizado. A escola precisa dialogar com esse novo mundo.

Síntese

A história da tecnologia como elemento fundamental para a evolução do


ensino aprendizagem trouxe mudanças constantes e necessárias para
atender às transformações culturais e sociais que ocorrem na sociedade.
Como pudemos ver, historicamente, a origem dela se deu desde o
começo do século passado, contribuiu e transformou a educação
continuando até os dias atuais desenvolvendo novas teorias e formas de
pensar e agir, facilitando a aprendizagem, o que implica em um trabalho
educativo atualizado moderno e permanente e que continua se
transformando ao longo da história. Podemos incluir qualquer forma de
tecnologia no processo educacional como rádio e TV além da internet.
Toda forma de tecnologia pode ser aplicada a educação nos trazendo
métodos organizados e avançados para que as escolas possam
acompanhar o rápido desenvolvimento da sociedade ao longo do tempo,
buscando cada vez mais dar qualidade ao ensino.

57
4.2 A mudança de tempos e espaços na escola a partir do
uso de tecnologias

Tecnologia é um produto da ciência e da engenharia que envolve um conjunto


de instrumentos, métodos e técnicas que visam à resolução de problemas. É uma
aplicação prática do conhecimento científico em diversas áreas de pesquisa,
avançando conforme necessidade da sociedade. (ALMANAQUE Abril, 2010, p.164).
A tecnologia nos traz métodos e técnicas para avançarmos no conhecimento humano.
No passado, ao se falar em educação, falava-se de uma sala de aula com muitos
alunos e um professor ativo detentor de todo conhecimento transmitindo e
reproduzindo saberes, onde processo de aprendizagem se dava de forma mecânica.

A escola atual é tecnológica, de modo que não é mais possível pensar em


educação sem a utilização das tecnologias. Nessa perspectiva, o processo de ensino-
aprendizagem também se modificou e avançou ao longo do tempo, proporcionando
mudanças dos tempos e espaços dentro e fora da escola, mudando com isso as
formas de aprendizagens. Nesse novo processo a escola e a tecnologia transforma o
professor em mediador e facilitador do processo de ensino. As práticas pedagógicas
utilizando a tecnologia levam para a escola um novo olhar na construção do
conhecimento superando as formas tradicionais de educação. Provocam mudanças
no âmbito da educação escolar, contribuindo para o desenvolvimento dos indivíduos
e como interagem com o mundo. Ampliando o olhar para a inovação tecnológica no
espaço educacional e seus processos formativos, ampliam-se também as visões de
mundo, as práticas, as relações pessoais e de aprendizado. A mudança então se dará
nos tipos de atividades propostas em sala de aula, onde o desafio será entre avanços
das tecnologias e orientação do caminho de todos para o domínio e a apropriação do
uso dessa nova realidade.

58
É por meio dos processos de criação, de gestão, reorganização do ensino
aprendizagem e utilização das tecnologias da comunicação da informação, como meio
para construção do conhecimento e melhorias dos tempos e espaços possibilitando
que alunos e professores tenham inúmeras possibilidades de acesso a conteúdo e
informações mudando o papel da escola, garantindo o desenvolvimento de novas
habilidades por todos.

De acordo com Gatti:


A incorporação das inovações tecnológicas só tem sentido se contribuir para
a melhoria da qualidade de ensino. A simples presença de novas tecnologias
na escola não é, por si só, garantia de maior qualidade na educação, pois a
aparente modernidade pode mascarar um ensino tradicional baseado na
recepção e na memorização de informações. (GATTI1993, apud Mainart;
Santos, 2010, p. 3):

A escola caminha para uma aprendizagem colaborativa em que os estudantes


podem ampliar sua visão de mundo interagindo com alunos de outras culturas,
ampliando seu conhecimento, através de projetos educacionais. Isso torna a escola
contextualizada, dinâmica e os alunos com senso crítico e colaboradores do processo
de ensino aprendizagem. É necessário que se rompa os espaços convencionais
tornando o ambiente educativo adequado à aprendizagem, de tal maneira que os
alunos ampliem a visão sobre si e sobre o mundo, onde possamos encontrar os
recursos necessários para a realização de pesquisas e projetos.

Tecnologias, tempos, espaços e reorganização dos ambientes contribuem para


a qualidade da educação, proporcionando um planejamento e organização que levem
os alunos e professores ao acesso aos recursos tecnológicos. Todavia, é preciso
pensar em formas de facilitar o acesso a esses recursos e que interaja com todos os
espaços da escola e que estejam ao alcance de todos.

Kenski constata que:

À aprendizagem pode se dar com o envolvimento integral do indivíduo, isto é,


do emocional, do racional, do seu imaginário, do intuitivo, do sensorial em
interação, a partir de desafios, da exploração de possibilidades, do assumir de
responsabilidades, do criar e do refletir juntos. (KENSKI, 2007).

59
A reorganização de tempos e espaços deve prever condições para o trabalho
coletivo e organização de materiais, assegurando a educação em sua integralidade.
Para isso precisamos possibilitar espaços menos rígidos, mais flexíveis, agradáveis,
constituindo assim um ambiente híbrido e de intensidade com o mundo interior e
exterior da escola.

Segundo Moran (1995, apud MAINART; SANTOS, 2010, p. 04): A


presença dos recursos tecnológicos na sala de aula não garante mudanças na
forma de ensinar e aprender. A tecnologia deve servir para enriquecer o
ambiente educacional, propiciando a construção de conhecimentos por meio de
uma atuação ativa, crítica e criativa por parte de alunos.
Reflita como garantir uma educação de qualidade a partir do uso das tecnologias
na educação.

Lousas digitais, tabletes, redes sociais, conteúdo interativo e alunos,


professores, gestores, pais, todos, conectados à internet. É preciso que haja uma
gestão desse processo, em que o planejamento é fundamental. Montar uma
infraestrutura adequada, capacitar os professores, visando os interesses pedagógicos
da escola e dos docentes com a utilização dos recursos tecnológicos disponíveis,
desfrutando dessas ferramentas da melhor forma possível e a escolha do material
digital que contemplará o PPP, Projeto Político Pedagógico da escola é fundamental
para que a escola ofereça um ensino de qualidade.

Estamos diante de um novo século, com uma nova sociedade, a sociedade da


informação, com novo formato de receber e transmitir informação, e de uma busca
interminável de conhecimento. A escola é a grande mediadora desse processo.

60
Síntese

Com os recursos tecnológicos cada vez mais a escola deve reorganizar o


processo de ensino aprendizagem, utilizando ferramentas que se tornaram
imprescindíveis à Educação contemplando PPP, Projeto Político Pedagógico da
escola. A escola deve preparar a todos, alunos, pais, professores gestores como
leitores críticos e escritores conscientes das mídias que servem de suporte a
essas novas tecnologias de informação. É necessário, ao implantar a
informática educativa nas dispor de um currículo flexível, multicultural, que
relacione seus conteúdos, objetivos e estratégias questões culturais e
tecnológicas, reorganizando os tempos e espaços com as mudanças
necessárias para ampliar os olhares e a visão de mundo dos educandos. O uso
das tecnologias na escola estabelece, promovem resultados e se sustentam
através de um trabalho realizado dentro e escola.

4.2 A inclusão Social Frente ao Uso das Tecnologias

Nas sociedades e civilizações a educação é um processo de ensinar e aprender


de formas diferenciadas, com valores distintos, valorizando as diversas culturas, o ser,
o agir e o pensar necessários a convivência dos povos.

A educação não é vista, assim, como um mero adorno do espírito, mas como
uma forma de cultura e comunicação substantivas, que intenta ser um meio
para uma mudança da condição humana (ALMEIDA, 1987, p. 50).

61
Segundo Lima e Aita (2007, p.1), é através da educação que uma sociedade
se forma e grupos se estabelecem. A partir das relações entre as pessoas e das
relações com o meio que ocorrem nos espaços escolares, estabelecemos uma
educação inclusiva nos vários níveis da sociedade.
As novas tecnologias da informação e comunicação usadas na escola se
tornaram transformadoras e inclusivas, pois permitiram a todos falar e se fazer ouvir,
condição-chave para a construção de uma sociedade participativa e igualitária a todos
os cidadãos. Por este motivo, a necessidade de oportunizar o acesso ao mundo digital
e virtual a todos, sem exclusão (CONFORTO; SANTAROSA, 2002, p. 88).
Ao utilizar diferentes mídias e seus inúmeros recursos, a escola permite a
apropriação de um ambiente de comunicação e de inclusão digital como uma ação
educacional envolvendo gestores, professores, pais e alunos críticos, pensantes e
participantes no processo de inclusão social, garantindo os direitos básicos de
liberdade e de expressão, contribuindo para o desenvolvimento social, econômico,
cultural e intelectual.
A nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação nacional propõe uma
prática educacional adequada à realidade do mundo, preparando as pessoas para o
mercado de trabalho considerando a escola como espaço de uso de tecnologias.
A partir dessas reflexões, pretende-se entender e compreender o compromisso
social da escola neste contexto, como produtora de conhecimento e formadora de
futuros cidadãos para serem inseridos no mercado de trabalho, percebendo-se
enquanto produtor de um mundo social. A escola deve adequar a relação do sujeito
com o conhecimento e o seu progresso, utilizando as novas tecnologias da
comunicação e informação no espaço institucional.

[...] integrar, coordenar e fomentar ações para a utilização de tecnologia da


informação e comunicação, de forma a contribuir para a inclusão social de
todos os brasileiros na nova sociedade e, ao mesmo tempo, contribuir para que
a economia do País tenha condições de competir no mercado global
(TAKAHASHI, 2000, p.10).

62
A educação é à base da sociedade da informação. Educar é ir além da
capacitação do uso das tecnologias de informação e comunicação, permite aos
indivíduos novas formas de pensar, agir e conhecer a si mesmo e o outro,
estabelecendo relações sociais diferentes, promovendo a aprendizagem que vise à
aceitação de todos e a inclusão destes tem sido uma constante entre educadores,
gestores. Colocar as novas tecnologias a favor da aprendizagem nos possibilita
dialogar com outras culturas e identidades diversas criando impactos e mudanças
sociais.

Como destaca Schwarzelmüller (2005) [...] não é o acesso à tecnologia


promoverá a inclusão, mas sim, a forma como essa tecnologia vai atender
necessidades da sociedade e comunidades locais, com uma apropriação crítica,
pois o papel mais importante do processo de inclusão digital crítica, pois o papel
mais importante do processo de inclusão digital deve ser a sua utilidade social.
É preciso pensar na contribuição digital um desenvolvimento contínuo e sustentável, com a
melhoria da qualidade padrão de vida da população, por meio da redução das
desigualdades sociais e econômicas.
Nessa perspectiva reflita como fazer parte integrante desse processo.

Segundo Pereira (2007), é papel da escola incluir aqueles que ainda estão nas
estatísticas de exclusão digital, passando a fazer um trabalho social, inserindo essas
pessoas no mundo tecnológico, eliminando assim todas as barreiras que possam
existir, sejam elas sociais ou culturais.
Garantir um acesso igualitário, a uma educação que forme o indivíduo para
interagir com os meios, a informação e o uso social são essenciais para a cultura e a
formação de uma sociedade e se torna fundamental na busca de uma educação de
qualidade.
63
Deve-se ressaltar que essa qualidade está além do uso das tecnologias dentro
da escola. Como destacou Mattellart (1999), é uma utopia acreditar que o
desenvolvimento tecnológico, pode, por si mesmo, representar ou levar a uma inclusão
social. Nessa perspectiva, a escola, por meio de seu projeto político pedagógico, deve
ter como objetivo formar para o entendimento do funcionamento das mídias e
tecnologias da informação e comunicação levando em conta as relações
estabelecidas no contexto social e cultural da sociedade em que está inserida.

Síntese

A inserção da tecnologia nas escolas é fundamental para


garantir o acesso a cidadania e igualdade de direitos.
Através da inclusão digital no espaço educativo
contemplando o planejamento dos projetos amplia a
inclusão social trazendo significativas contribuições para o
pensamento crítico de todos, gestores, professores, alunos
e pais contribuindo para diminuir as desigualdades de
oportunidades dentro e fora da escola. A tecnologia por si
mesma não promove a inclusão e sim depende de como é
inserida no processo educacional, envolvendo o acesso das
pessoas aos meios, sobretudo a formação destas pessoas
para a utilização social destas tecnologias.

64
Considerações Finais
Finalizando o módulo 4, esperamos que você tenha compreendido qual a importância
da inserção da tecnologia na escola e na sociedade, bem como a história e a mudança
nos tempos e espaços no processo educativo para a formação de um cidadão com
pensamento crítico, ampliando sua visão de mundo considerando a inclusão digital
como inclusão social na perspectiva de formação cultural do meio em que estamos
inseridos. O papel da escola é garantir o acesso e a formação para utilização dessas
tecnologias.

65
Apresentação

Módulo 5 – UNIVERSIDADE, POLÍTICAS PÚBLICAS E NOVAS


TECNOLOGIAS APLICADAS À EAD

ANA PAULA PIMENTEL

Disciplina: Construção de Projetos Pedagógicos e Tecnologias Aplicadas


à Docência.

Módulo 5 – Universidade, Políticas Púbicas e Novas Tecnologias


Aplicadas à EAD - Faculdade Campos Elíseos (FCE) – São Paulo – 2016.

Guia de Estudos – Módulo 5 – Tecnologias EAD

1. Democratização 2. Políticas Públicas 3. Inclusão Digital

Faculdade Campos Elíseos

66
Conversa Inicial

No quinto módulo, discutiremos sobre as políticas públicas para a EAD no Brasil. Para
tanto, no primeiro momento estudaremos a as políticas públicas neoliberais e a
expansão da EAD; em seguida abordaremos as políticas públicas de democratização
a partir da EAD; e por fim estudaremos a inclusão digital a partir das políticas públicas.

Agora com a descrição de toda a trajetória, podemos iniciar a nossa jornada de


estudos.

Ótimo aprendizado!

5.1. Políticas Públicas Neoliberais e a Expansão da EAD

As políticas públicas neoliberais possibilitam preparar a sociedade para


o mercado de trabalho em parceria com o poder público na área da educação,
favorecendo a melhoria na qualidade dos serviços educacionais.
A Educação a Distância (EAD) surge através de grandes universidades
mundiais como uma grande aliada à formação com o uso de tecnologias, alcançando
diversos locais e sociedades que a educação presencial não conseguia abranger.
Segundo Oliveira, V.S., Cegan, E, Vieira, L.A, na pesquisa Políticas Públicas
Para A Educação A Distância No Brasil, citando Santos, a EAD:

67
[...] atende às necessidades de um vasto público: os que não têm tempo de
frequentar um sistema convencional de educação superior; os que não têm
acesso a universidades por razões geográficas; os que procuram uma forma
de educação continuada; os portadores de deficiência física e também os
alunos que estão na prisão. [...] A educação a distância também passou a ser
uma opção também para os estudantes mais jovens, que estão na chamada
“idade escolar”, mas precisam trabalhar para pagar os custos da educação
superior. (Santos 2009, p. 291).

No Brasil, a Educação a Distância, EAD, começa a se expandir a partir da


década de 90, onde as políticas públicas, por meio do Plano Nacional de Educação
(PNE), na perspectiva das diferentes formações que nos levaram ao diálogo sobre o
papel da educação a distância e de como conduzi-lo no processo educativo.
Nessa concepção, o recurso para a EAD tem facilitado e aumentado o acesso
às instituições de ensino superior, propiciando uma formação continua e permanente,
transformando o aluno em um sujeito ativo de sua própria formação, pois requer
disciplina, organização e envolvimento.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394/96, em seu artigo
80 institui que o “Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de
programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino e de
educação continuada” (BRASIL, Presidência da República 1996), consolidando e
organizando o ensino a distância no Brasil, a EAD, sendo regulamentado pelo decreto
nº 5.622 de 2005.

Esse decreto dispõe também sobre o credenciamento e a organização das


Instituições de Ensino Superior (IES), públicas e privadas para oferta da EAD, onde
se cria o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), instituído pelo Decreto nº
5.800, de 08 de junho de 2006. A UAB oferece cursos de licenciatura e formação
continuada e inicial aos professores e gestores, além de ampliar a oferta e o acesso à
educação superior a distância em todo o País, incentivando a pesquisa em
metodologias inovadoras em tecnologia de informação e comunicação nessa área.

68
Segundo Martins, G e Souza, M.V., no artigo Educação
a Distância coo política pública no Brasil: A educação avançará na medida
em que seja capaz de ajudar no processo de desenvolvimento de sujeitos
autônomos. Frente a uma sociedade que massifica estruturalmente, que
tende a homogeneizar, inclusive quando cria possibilidades de inclusão,
a possibilidade de exercitamos a cidadania é diretamente proporcional ao
desenvolvimento sujeitos livre, tanto interiormente como em suas
tomadas de posição. (MELO, 2007).
Reflita como a EAD pode contribuir para o crescimento da
sociedade em que estamos inseridos.

Nessa perspectiva, o ensino a distância, EAD, impulsionado por programas do


governo para facilitar o acesso de alunos ao ensino superior, é a modalidade que mais
cresce no Brasil. Todo ano, milhares de novos cursos superiores são reconhecidos
pelo MEC.

A tecnologia está totalmente integrada nessa modalidade de ensino, em que os


alunos utilizam os mais diversos recursos de comunicação por meio de computadores
conectados à Internet, tendo um crescimento acelerado em todo país.
Milhares de alunos que optaram pelo ensino a distância para concluir uma
faculdade e ter acesso ao mercado de trabalho, ampliando a sua qualificação.
O ensino a distância estabelece os parâmetros da relação pedagógica,
propondo características à modalidade como o aluno ser o sujeito do seu aprendizado
por meios tecnológicos que viabilizem processos de comunicação entre os atores da
formação, tornando o professor um elemento facilitador desse processo, definindo as
relações e a forma pela qual a gestão da aprendizagem ocorre viabilizando a
construção do conhecimento.

69
Síntese

A trajetória histórica da consolidação da Educação a Distância (EAD) no Brasil se deu


através das políticas públicas e da realidade social do Brasil. A EAD é apresentada
como uma modalidade de ensino que acompanhou o desenvolvimento do sistema
educacional brasileiro e, a partir de 1996, com a LDB, vem recebendo significativo
apoio do Governo Federal que, por meio do Ministério da Educação, tem incentivado
o seu crescimento, tanto na esfera púbica quanto privada, dando destaque a UAB,
Universidade Aberta no Brasil, que atingem todas as regiões do nosso país.

5.2 A EAD e as Políticas Públicas de

Democratização

O ensino a distância (EAD) tem sido utilizado como forma de democratização


do ensino superior no Brasil. Com as políticas públicas para implementação da
Universidade Aberta do Brasil (UAB), como vimos no capítulo anterior, se estabelece
a democratização do ensino superior em nosso País, como política de popularização
do ensino, com ampliação do acesso tanto público como privado em todas as regiões
do Brasil.
O ensino por meio de EAD conta com as tecnologias de informação e
comunicação que possibilitam a interação do aluno com o ensino e a aprendizagem
através dos professores, tutores e demais discentes, dando ao aluno acesso ao
material digital e impresso, links de acesso a leituras complementares, vídeos, chats,
onde os alunos podem dialogar entre si e com os professores e tutores.

70
A políticas públicas e educacionais devem se preocupar com a universalização
do acesso à educação, que promova a emancipação dos sujeitos enquanto atores do
processo ensino aprendizagem. Os programas de formação continuada de
educadores através da EAD devem permitir a compreensão e apropriação crítica das
tecnologias, ressignificando o conhecimento e potencializando esse processo.
A expansão do ensino superior em vários tempos e espaços fundamenta a
utilização das tecnologias da informação e comunicação na educação, facilitando o
desenvolvimento da Educação a Distância. Além disso, há um grande número de
estudantes adultos, inseridos no mercado de trabalho, e não atendidos pelo sistema
tradicional de ensino, principalmente pelo alto custo do ensino superior que com a EAD
passam a ter acesso, pois o custo é baixo e de qualidade e por não conseguir
comparecer a Universidade todos os dias.
Segundo Souza, Wanderson G.; Gomes, Celso A. e Moreira, Simone P.T. no
artigo: Educação a Distância como possibilidade de democratização do ensino
superior: uma discussão à luz do pensamento de Democracia e Educação de John
Dewey, citando Netto, 2009, p.45:
O processo educacional mediado pelas Tecnologias da Informação e
Comunicação adquire dimensões que precisam ser exploradas segundo as
perspectivas da era das redes. As relações educativas possibilitam trocas
comunicativas multidirecionadas, baseadas na participação, na colaboração e
na interação entre todos os agentes. Rompe-se assim com os velhos modelos
pedagógico baseados na comunicação unilateral que privilegia o professor
desconsiderando as peculiaridades do aluno.

Desta forma a EAD traz a possibilidade de promover a cidadania e facilitar a


inserção das pessoas no mercado, diminuindo barreiras que impedem o acesso ao
conhecimento e à educação continuada e permanente. (Aquino, 2007, p.1).
Paulo Freire (2001, p.158), em seu livro Educação como pratica de liberdade,
ressalta a importância de uma educação que se apresente criticamente aos alunos e
para quem a comunicação é parte integrante do processo de aprendizagem, destaca
que a educação não pode ser meramente o repasse de instruções ao aluno: “a
educação como prática da liberdade” não é transferência ou a transmissão do saber
nem da cultura; não é a extensão de conhecimentos técnicos; não é o ato de depositar
informes ou fatos nos educandos; não é a ‘perpetuação dos valores de uma cultura
dada’; não é o ‘esforço de adaptação do educando a seu meio’. As perspectivas para

71
a EAD como democratizada a do ensino superior como um instrumento de conquista
da cidadania, oportunizando o acesso e permanência de todos.

Segundo S.D em seu artigo:

PAULO FREIRE: POR UMA EDUCAÇÃO LIBERTADORA E HUMANISTA, para


Paulo Freire, a libertação do homem oprimido, tão necessária a si e ao opressor,
será possível mediante uma nova concepção de educação: a educação
libertadora, aquela que vai remar na contramão da dominação. Freire propõe
abandonar a educação bancária, a qual transforma os homens em “vasilhas”,
em “recipientes”, a serem “preenchidos” pelos que julgam educar, pois acredita
que essa educação defende os interesses do opressor, que trata os homens
como seres vazios, desfigurados, dependentes. Ao invés disso, buscou
defender uma educação dos homens por meio da conscientização, da
desalienação e da problematização. Reflita sobre a educação libertadora que a
EAD pode ofertar na sua formação superior em seus diversos níveis.

Nesse processo de democratização do ensino superior no Brasil, a EAD tem


sido fundamental, ampliando consideravelmente suas vagas, garantido o acesso e a
ação das Instituições de ensino superior públicas e privadas em todo o País, levando
em consideração as diferentes regiões, sua economia e a demanda por educação
superior. Deve-se ainda priorizar uma administração voltada para a característica de
cada polo segundo a cultura regional

Enfim, o ensino a distância deve expandir seus limites territoriais, adotando


políticas claras de Estado de acordo com as condições sociais e econômicas das
comunidades envolvidas, buscando nas avaliações dos cursos presenciais ou à
distância sempre a avaliação, diálogo, instrumentos e estratégias que possibilitem uma
aprendizagem satisfatória.

72
É preciso saber quem é o aluno de EAD, saber que ele é um aluno diferente do
aluno presencial, com necessidades e demandas mais imediatas, emergenciais, feitas
em tempo real.

Deve ficar claro a todos que, ensino a distância, EAD não é uma plataforma de
acesso somente, é acima de tudo é um Projeto Político Pedagógico onde o processo
ensino e aprendizagem devem estar estabelecidos nos parâmetros dessa modalidade.

Síntese

A ampliação da Educação a Distância, a EAD e as políticas educacionais são


fundamentais para a democratização do ensino superior no Brasil. O
crescimento considerável do número de matriculados na EAD justifica a
necessidade de se qualificar o caráter democrático do acesso e a formação
da população brasileira em nível superior. As políticas de formação
continuada de professores estabelecem avanços significativos na
democratização da educação superior visando a qualidade e o
reconhecimento das especificidades dos alunos e sua cultura regional
ampliando assim, o acesso e oportunizando uma educação crítica para
todos.

5.3 Políticas Públicas e “Inclusão Digital”

A inclusão digital pode ser definida como toda a ação que permite que a
informática e seus recursos estejam à disposição da população. Na educação a
inclusão digital estabelece a democratização do conhecimento, além de possibilitar
melhorias na perspectiva de emprego e oferecendo novos meios de comunicação e

73
acesso a recursos tecnologicos. A educação a distância através das políticas públicas
se tornam aliadas nesse processo de inclusão.
Através da inclusão digital, as pessoas ganham qualidade de vida, na medida
em que ganha tempo fazendo uso da tecnologia, principalmente em relação ao ensino
superior e a EAD, pois incentivam e dão o suporte necessário para a utilização
pedagógica da informática nas intituições de educação superior e continuada,
públicas ou privadas no Brasil.
Os programas de inclusão digital buscam aprimorar e ampliar o acesso às
tecnologias aos alunos e professores de todo o país. As Tecnologias da Informação e
Comunicação, as TICS visam potencializar a expansão do processo de comunicação
e compartilhamentom da informação. Com foco na educação a distância, as
universidades estão cada vez mais propondo uma formação continuada aos
professores para que, junto aos alunos, desenvolvam novas competências.
Roberto C.F. de, em seu artigo: Pierre Lévy: A inteligência coletiva e os espaços
do saber, 2014, citando Lévy:
Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no
mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os
homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da
metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os
tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação, aprendizagem são
capturados por uma informática cada vez mais avançada (LÉVY, 1993.
p. introdução).

Francisco, Deise J., Costa, Emmanuele M.C. e Aureliano, João no artigo:


TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO: A PRÁTICA PEDAGÓGICA E A
INCLUSÃO DIGITAL DO PROFESSOR, citando Moran, 2007, o ímpeto dessas inserções
tecnológicas na educação tem gerado uma reformulação na concepção da técnica
transformando nossas concepções acerca do processo de orientar e principalmente de
aprender a aprender. O papel fundamental da educação no desenvolvimento das pessoas e
das sociedades amplia-se ainda mais no despertar do novo milênio e aponta para a
necessidade de se construir uma escola voltada para a formação de cidadãos críticos,
reflexivos, cientes da importância do seu papel na sociedade (BRASIL, 1998). Nessa
perspectiva, pense como deve ser a construção do currículo para uma inclusão digital.

74
Paulo Freire, no livro Pedagogia do oprimido, 1968, ressalta que professores e
alunos juntos constroem seu conhecimento em um sistema de troca, que ninguém
aprende sozinho, aprendemos em comunhão, uns com os outros, num processo de
interação com o meio.

Compreendendo que é na educação, seja pública ou privada, que se deve dar


a construção da cidadania, ampliando assim a inclusão digital para todos, educadores
e alunos que vamos avançar no processo de qualidade principalmente na educação a
distância pelo Brasil.

O mundo passa a ser a sala de aula e a mudança de paradigmas na educação


torna-se clara a partir do uso das tecnologias numa perspectiva de inclusão.

Costa, Plácida L.V.A. dá e Bembem, Ângela H.C. no artigo: “Inteligência


coletiva: um olhar sobre a produção de Pierre Levy, citando Lévy” (2003), a inteligência
coletiva é aquela que se distribui entre todos os indivíduos, que não está restrita para
poucos privilegiados. O saber está na humanidade e todos os indivíduos podem
oferecer conhecimento; não há ninguém que seja nulo nesse contexto.

Por essa razão, as políticas públicas devem favorecer a inclusão digital como
forma de interação entre as pessoas gerando um movimento social e cultural que
estabelece uma nova relação com o saber e o conhecimento, apresentando novas
possibilidades de aprender e ensinar, transformando a educação em uma nova
realidade. A interação através da inclusão digital torna possível o processo ensino
aprendizagem, numa perspectiva de interação, de compartilhamento de
conhecimentos e culturas, inserindo a todos, alunos e professores no mundo
tecnológico nos dias de hoje.

75
Síntese

Uma verdadeira democratização da sociedade numa


perspectiva inclusiva se dá através da organização de uma
sociedade na qual as identidades dos indivíduos são
construídas por meio dos seus saberes. A grande inclusão
digital de professores, alunos, pais e toda sociedade que
estamos inseridos ocorrer pelo direcionamento dos esforços
dos profissionais da informação no fornecimento de
competências tecnológicas, para que sejam capazes de
desenvolver habilidades na rede, aprendendo uns com os
outros através de uma educação inclusiva digital e social.

Considerações Finais

Finalizando o módulo 5, esperamos que você tenha compreendido a importância das


políticas públicas na expansão da educação a distância, EAD, na perspectiva da
democratização da educação, ampliadas em todo território nacional, em decorrência
das transformações no ato de educar, formando cidadãos críticos numa consciência
coletiva de saberes, propiciada principalmente pela inclusão digital.

76
Apresentação

Módulo 6

ALTERNATIVAS E ESTRATÉGIAS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO


SUPERIOR (IES) FRENTE ÀS TRANSFORMAÇÕES DO PARADIGMA
EDUCACIONAL CONTEMPORÂNEO

ANA PAULA PIMENTEL


Disciplina: Construção de Projetos Pedagógicos e Tecnologias Aplicadas
à Docência.
Módulo 6 – Alternativas e Estratégias das Instituições Superior (IES)
Frente às Transformações do Paradigma Educacional Contemporâneo -
Faculdade Campos Elíseos (FCE) – São Paulo – 2016.
Guia de Estudos – Módulo 6 – Alternativas
1. Estratégias 2. Transformações 3. Educação
Faculdade Campos Elíseos

77
Conversa Inicial

No sexto módulo, discutiremos sobre as alternativas e estratégias das instituições de


ensino superior (IES) para os novos paradigmas educacionais no Brasil. Para tanto,
no primeiro momento estudaremos a as novas tecnologias e a mediação pedagógica;
em seguida abordaremos o perfil e as exigências na formação do professor, bem
como, as habilidades que deve desenvolver frente as novas tecnologias; e, por fim,
estudaremos a colaboração em uma rede de aprendizagem.
Agora com a descrição de toda a trajetória, podemos iniciar a nossa jornada de
estudos.
Ótimo aprendizado!

6.1. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica

A tecnologia precisa ser ressignificada na prática pedagógica do professor,


para que a cultura e a sociedade possam ser transformadas, a partir de uma mudança
no agir e no pensar o mundo, levando o aluno a se tornar um cidadão crítico.
Nessa nova realidade o processo ensino-aprendizagem se torna cada vez mais
interativo e tecnológico, onde as instituições de ensino passam a ter muitas
possibilidades metodológicas para organizar seu projeto político pedagógico na
direção do trabalho com os alunos, integrando a sua pratica ao currículo da escola na
perspectiva de transformar o olhar do professor.

78
Na perspectiva das novas tecnologias a mediação pedagógica tem um
movimento de ordenar e decentralizar e cabe a escola gerar e orientar atividades
didáticas, necessárias para que os alunos desenvolvam seu processo de aprender,
sistematizando os processos de produção de conhecimentos, promovendo
principalmente o diálogo de todos os atores envolvidos no processo.

Silva J., Coelho C., Molina C. e Medeiros A. em seu artigo “O uso das novas
tecnologias e a mediação pedagógica na percepção de docentes” (2014), citando
Rocha-Trindade, que usa do termo "Mediatizar” que significa

(...) escolher, para um dado contexto e situação de comunicação, o modo


mais eficaz de assegurá-la; selecionar o médium mais adequado a esse fim;
em função deste, conceber e elaborar o discurso que constitui a forma de
revestir a substância do tema ou matéria a transmitir. (ROCHA-TRINDADE.
1988 p.86).

A mediação pedagógica adquiriu um papel de grande importância uma vez que


as novas tecnologias exigem recursos, estratégias, habilidades, competências de
todos. Com a inserção das tecnologias digitais de comunicação na educação superior
e o desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem, a função mediadora do
professor tomou um forte impulso, pelas possibilidades e também pelas exigências da
configuração desse novo contexto.

Nesse processo inovador configura-se o surgimento de um paradigma que


propicia um novo perfil de alunos, professores e escola, os quais são estimulados a
desenvolver outro desempenho no contexto educacional. Por um lado, o professor
atua como um parceiro, mediador e um elemento facilitador da aprendizagem e da
busca do conhecimento e do outro o aluno desenvolve a busca pela aprendizagem e
organização dos saberes coletivos.

79
Segundo Lemgruber, Marcio S, em seu artigo: Mediação Pedagógica
na Educação a Distância, citando Francisco José da Silveira Lobo Neto (2006, p.
414): O que vem se manifestando em horizontes cada vez mais próximos é: uma
educação aberta, porque exigência de um processo contínuo ao longo de toda a
vida; uma educação plural, porque exigência da crescente complexidade da vida
humana em suas dimensões social e individual; uma educação dialógica, porque
exigência da necessidade de negociar decisões coletivas nas situações, cada
vez mais frequente, de incerteza e de urgência. E hoje, e mais ainda amanhã –
com o aperfeiçoamento dos suportes de processamento da informação e dos
meios de ampliação fidedigna da comunicação em graus cada vez maiores de
interação mediada ‐, o conceito de presencial se modifica e já nos desafia no
acolhimento crescente do virtual como realização de presença.
Reflita como deve ser feita a mediação pedagógica a partir das novas
tecnologias na educação.

É importante ressaltar a interatividade como processo dialógico, de construção


coletiva do conhecimento, que pode servir de indicador de projetos desenvolvidos
coletivamente, a valorização da medição pedagógica em um processo educativo com
um aluno autônomo, participativo, responsável e colaborativo, além da integração de
mídias através do ensino hibrido, que garante o equilíbrio entre o ensino a distância e
o presencial, enfatizando, portanto, o papel mediador das instituições educacionais
salientando a qualidade do processo educacional e a indicação da utilização de
diversas mídias como agentes para incrementar a interação entre docentes e
discentes e facilitar a atuação coletiva.

80
Síntese

A nova tecnologia para a educação caracteriza-se por ser um processo composto por
duas mediações pedagógicas: a mediação humana e a mediação tecnológica, ligadas
uma na outra. A primeira pelo sistema de tutoria, a segunda pelo sistema de
comunicação para viabilizar a mediação pedagógica. A mediação pedagógica,
resultante da concepção planejada entre estas duas mediações, é potencializada pela
convergência digital que disponibiliza acesso e portabilidade por meio de dispositivos
de comunicação num processo dialógico, de construção e atuação coletiva do
conhecimento.

6.2 Perfil do Professor e as Exigências de formaçã

Nesse processo educacional com as novas tecnologias e de interatividade, o


professor deve assumir um novo papel, deixando de lado a postura de detentor do
conhecimento e atuar como mediador e facilitado do processo de aprendizagem. É
fundamental que o professor se torne mediador e principalmente orientador na
aprendizagem a partir das novas tecnologias, possibilitando o conhecimento e a
aprendizagem.
Ramo, em seu artigo “O professor frente às novas tecnologias de informação e
comunicação” (2014), citando Moran (2000) o papel do professor é dividido em:
Orientador/mediador intelectual – informa, ajuda a escolher as informações mais
importantes, que os alunos possam significa-las, permitindo que eles a compreendam,
avaliem – conceitual e eticamente -, reelaborem-nas e adaptem-nas aos seus
contextos pessoais. Ajuda a ampliar o grau de o grau de compreensão de tudo, a
integrá-lo em novas sínteses provisórias.

81
Orientador/mediador emocional – motiva, incentiva, incentiva, estimula, organiza
os limites, com equilíbrio, credibilidade, autenticidade e empatia.

Orientador/mediador gerencial e comunicacional – organiza grupos, atividades


de pesquisa, ritmos, interações. Organiza o processo de avaliação. É o elo entre a
instituição, os alunos e os demais grupos envolvidos (comunidade). Organiza o
equilíbrio entre o planejamento e a criatividade. O professor atual como orientador
comunicacional e tecnológico; ajuda a desenvolver todas as formas de expressão,
interação, de sinergia, de troca de linguagens, conteúdos e tecnologias.

Orientador ético – ensina a assumir e vivenciar valores, ideias, atitudes, tendo


por base alguns eixos fundamentais comuns como a liberdade, a cooperação, a
integração pessoal. Um bom educador faz a diferença. [Grifos do autor] (p. 30-31).

Os professores devem avaliar suas ações metodológicas e desenvolver


projetos com uma metodologia virtual colaborativa. A competência do professor não
deve se referir apenas a aspectos técnicos do manuseio dos equipamentos
tecnológicos. Devem sim buscar novas competências para utilizar pedagogicamente
as novas tecnologias e novas formas de se relacionar com o conhecimento, com os
outros e com o mundo, em uma perspectiva colaborativa. Essa perspectiva de um
novo olhar para a formação do professor, nos leva para além dos cursos de formação
que contemplam apenas aspectos técnicos e operacionais. Isso exigirá do professor
reflexões para alcançar uma concepção teórica da aplicação das tecnologias na
educação escolar. Para utilizar os computadores, os professores precisam criar
situações em que o conteúdo da aula faça sentido para o aluno, para que as produções
escolares sejam significativas.

O professor deve ter a capacidade para valorizar positivamente a integração


das TIC na educação e para ensinar o seu uso no nível instrumental. Deve também
possuir o conhecimento e a capacidade para usar ferramentas tecnológicas diversas
em contextos habituais de prática profissional. Cabe, portanto, ao professor o papel
de orientar, guiar e manter a atividade construtiva do aluno.

82
Ao interagir com o ambiente virtual, os professores vislumbram
novas perspectivas do ato de ensinar e de aprender. Procura privilegiar as falas
e as práticas pedagógicas dos sujeitos da pesquisa-ação, a fim de estabelecer
um diálogo para dar início ao projeto de trabalho que examina as possibilidades
de utilização da internet na educação. O professor pode contribuir para mudar a
educação escolar e lutar por uma formação continuada que promova uma ação
reflexiva, não só para o uso da internet, mas especialmente para todas as
questões que envolvem o sistema educacional.
Reflita como a formação continuada promove as novas competências do
professor nos dias de hoje.

Ser professor no século XXI é ter conhecimentos teóricos além das disciplinas
a que se propõe ministrar e uma gama diversificada de práticas de ensino, é
desenvolver os conteúdos de modo contextualizado, globalizado e diversificado o
suficiente para envolver os alunos num projeto de ensino e de aprendizagem capaz
de despertar interesse e motivação. O professor deve também desenvolver práticas
de ensino que atendam à diversidade dos processos de aprendizagem dos alunos
contemplando às necessidades individuais num trabalho coletivo de construção de
conhecimento.

Provocar, estimular, desafiar os alunos os alunos, facilita a interação, onde


professor precisa provocar a busca pelo conhecimento com as ferramentas corretas.
Ter a habilidade de instigar a participação e o questionamento é fundamental para o
docente trabalhar com a nova geração de estudantes.

83
Síntese

Segundo Morais, S., uma mudança de paradigma não se restringe apenas


em incorporar as tecnologias de informação e comunicação no processo
educacional, deve propiciar reflexões e ações críticas sobre o trabalho do
professor na sala de aula. Essa mudança, também exigirá que o professor
esteja subsidiado com leituras e discussões em torno das tendências
pedagógicas de ensino. Ao incorporar a internet, o professor deverá
primeiramente dominar o conteúdo e possuir uma prática escolar
democrática para viabilizar a construção de conhecimento. Esse saber,
independente das tecnologias, servirá como um instrumento a mais para o
professor criar novos espaços de atuação e interação, para aluno utilizar
esses recursos na sala de aula. A partir desta constatação a metodologia de
projeto colaborativo propõe ações que possibilitam ao professor e aluno
criar situações de aprendizagens significativas.

6.3 A colaboração em uma Rede de Aprendizagem

O desafio dos profissionais da educação é desenvolver habilidades essenciais


que professores precisam ter para ensinar em parceria com a tecnologia.
É essencial que o professor facilite a interação em vez de impor o seu
conhecimento, fazendo os alunos sentirem-se parte da produção de conhecimento
participando de diálogos, mostrando seus saberes produzindo conehcimento. Essa
postura estimula um ambiente dinâmico, onde o conhecimento é compartilhado em
rede.

84
Nessa perspectiva, o professor deve conhecer os ambientes digitais
aprendendo a usar as mídias sociais, adaptando-se a esses ambientes onde os
estudantes convivem e se expressam. Trazer para sala de aula conceitos, expressões
e conteúdos que estão circulando nas redes sociais, aproxima o olhar de mundo dos
alunos e os seus saberes.
Almeida, (2008), em seu artigo Rede Colaborativa de Aprendizagem: da teoria
a efetividade (2008), citando Lévy afirma que essas tecnologias intelectuais favorecem
novas formas de acesso à informação e novos estilos de raciocínio e de conhecimento,
destacando que a EAD e as IES exploram certas técnicas específicas, incluindo as
hipermídias, as redes de comunicação interativas e todas as tecnologias intelectuais
da cibercultura. Lévy (1999) considera que:
o essencial é a existência de um novo estilo de pedagogia, favorecendo ao
mesmo tempo as aprendizagens personalizadas e a aprendizagem coletiva em
páginas da web como uma expressão de idéias, desejos, saberes, ofertas de
transação de pessoas e grupos. Por trás de um hipertexto fervilham a
multiplicidade e as suas relações, ou seja, as páginas da web desembocam em
uma comunicação direta, por mundos virtuais. No ciberespaço, o saber não
pode mais ser concebido como algo abstrato, ele está mais visível e mesmo
tangível em tempo real. (LÉVY, 1999.).

Nesse sentido das redes interativas, o ambiente virtual reconfigura o processo


de ensino aprendizagem apresentando muitas possibilidades para a construção do
conhecimento.
Segundo HARASIM, as redes de aprendizagem:
(...) são grupos de pessoas que utilizam a internet para aprenderem juntas,
no horário, no local e no ritmo mais adequado para elas mesmas e para a
tarefa em questão”. HARASIM, (2005, p. 112).

Sendo que a educação on-line é um campo novo e único, assim suas


características determinam a maneira pela qual as atividades, os prazos e os
processos de grupo podem ser implementados. O autor cita cinco características que
a distingue:
• De muitos para muitos (comunicação de grupos).
• Em qualquer lugar (independe do local).
• A qualquer momento (independe de horário)
• Textual (e cada vez mais multimídia).
• Troca de mensagens mediada por computador.

85
Na colaboração em uma rede de aprendizgem, podemos ressaltar as
conferências por computador pensadas como espaços do processo de ensino
aprendizagem, transformando o ambiente de interação educacional, exigindo do
professor a criação das condições apropriadas a um ambiente de aprendizagem em
grupo, despertando nos alunos o sentimento de pertencimento de uma comunidade
eletronicamente reunida, não considerando o ambiente virtual de apredizagem apenas
uma rede de computadores interligados, mas uma rede de pessoas interagindo.
Ao tratar de rede de aprendizagem é importante estabelecer uma diferença
entre os conceitos de interação e interatividade. A interatividade refere-se às ações do
tutor e do aluno em relação ao material pedagógico e à tecnologia. A interação é
definida como a relação de troca intersubjetiva entre as pessoas participantes do
processo.

Segundo Almeida, O.C.S., em seu artigo Rede Colaborativa de


Aprendizagem: da teoria a efetividade (2008), para criar um ambiente
virtual de aprendizagem, é preciso considerar também o design de
interação. Segundo Preece, Rogers e Sharp (2005), é o desenvolvimento
de produtos interativos que proporcionem aos usuários uma experiência
agradável. As autoras recomendam que ao se projetar produtos
interativos usáveis é necessário considerar quem irá utilizá-los e onde
serão utilizados. Além disso, outros campos relacionados ao design de
interação devem ser incluídos, como por exemplo: fatores humanos,
ergonomia e engenharia cognitivas. Todos preocupados em projetar
sistemas que vão ao encontro dos objetivos dos usuários (alunos e
tutores), ainda que cada um com seu foco e sua metodologia. Pense
como uma rede de aprendizagem colaborativa trouxe qualidade na
formação de professores e alunos.

86
Ao planejar e implementar estratégias de aprendizagem em rede, o professor,
ao fazer o seu planejamento e montar suas estratégias de ensino virtual deve
direcionar e apresentar caminhos para que o potencial dos sistemas em rede se
realize, considerando os elementos culturais e organizacionais para apoiar a
colaboração entre os alunos, fazendo com que percebam a construção do
conhecimento coletivamente.
A rede de aprendizagem é prioritariamente centrada no aluno, como sujeito do
processo, participante ativo em interação com outros atores envolvidos no processo.
Nessa perspectiva o aluno é construtor ativo do conhecimento, interagindo e
agindo nos saberes de todos, visando às redes como espaços sociais com potencial
para se tornar mais igualitárias do que outros meios de interação social.
O ambiente virtual de aprendizagem deve promover a interação, propiciando
uma visão de educação em rede, comprometidas com o ser humano e com as
necessidades da coletividade, ampliando conhecimento e aprendizagem, significando
e ressignificando saberes coletivos, em que os indivíduos aprendem mais e melhor
juntos. Segundo Paulo Freire (1996, p.165), em seu livro Pedagogia da Autonomia,
ninguém aprende sozinho, aprendemos em comunhão uns com os outros.

Síntese

Paulo Freire (1996) introduz Pedagogia da Autonomia valorizando o ser e


o saber dos alunos em relação a prática pedagógica do professor e o
respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola. Nessa
perspectiva a aprendizagem em uma rede colaborativa, deve ser centrada
nos saberes dos alunos, nas trocas e no diálogo em uma rede estruturada
e mediada pelo professor que deve despertar em seus alunos a vontade
pela pesquisa e pela busca para poder ir além. A rede de aprendizagem
colaborativa favorece e amplia as possibilidades de um conhecimento de
mundo entre todos os envolvidos num processo de troca e dialogo
atingindo cada vez mais pessoas e culturas.

87
Considerações Finais

Finalizando o módulo 6, esperamos que você tenha compreendido qual o papel


da mediação pedagógica com as novas tecnologias e nessa perspectiva quais as
exigências e habilidades para a formação do novo perfil do professor inserido no
processo de ensino através da colaboração em uma rede de aprendizagem centrada
nos saberes e competências.

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