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07/01/2019

16. Psicopatologia 1
Muitos supostos casos de possessão demoníaca observa-
dos nas igrejas atualmente, e ao longo de toda história, na
realidade são manifestações de surtos psicóticos, e não
possessões verdadeiras. É até possível que muitos exem-
Transtornos mentais e de comportamento plos de possessões mencionados na Bíblia tenham sido ca-
sos de psicoses, mas o fato é que Jesus e o apóstolo Paulo
consideravam as entidades espirituais como seres reais.

“Informar, Formar, Transformar” Gilson de Almeida Pinho (2014; 2019) Ψ Psicologia – Θ Teologia – Psicoteologia “Informar, Formar, Transformar” Gilson de Almeida Pinho (2014; 2019) Ψ Psicologia – Θ Teologia – Psicoteologia

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1. Conceituação de psicopatologia
• Psicopatologia é o estudo dos estados psíquicos em que
• Psicopatologia é o estudo das doenças da alma, ou seja, ocorre alguma forma de sofrimento mental (sofrimentos
das doenças cuja causa não é associada diretamente a cognitivo, emocional, social e/ou espiritual).
alguma origem orgânica (biológica), embora possam ter
• Transtornos mentais, tudo aquilo que estatisticamente
efeitos orgânicos.
se desvia da média geral da população – da média espe-
• Neste caso diz-se que ocorre alguma manifestação psi- rada pela racionalidade, e considerada como comporta-
cossomática (psychḗ = alma + sȏma = corpo, órgão, ma- mento normal, socialmente aceitável, não desviante.
téria, coisa tocável etc.).

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O caracteriza uma psicopatologia?


1) Um comportamento “significativamente diferente” daquele que a
pessoa tinha no seu passado. • Em 1948, a OMS definiu saúde como “um estado comple-
2) Esse novo comportamento “causa sofrimento” (ou risco de sofri- to de bem estar físico, mental e social, e não apenas a
mento, dor, morte, deficiência física ou mental e perda importan- ausência de doença e enfermidade”.
te de liberdade).
• Em 1983, o conceito de saúde da OMS foi alterado para
3) É um comportamento socialmente incompatível e disfuncional.
“um estado dinâmico de bem estar físico, mental, espiri-
4) Comportamento é persistente (constante) ou recorrente (aconte-
cem pelo menos 2 episódios anuais). tual e social, e não apenas a ausência de doença ou en-
5) Dificuldade de controlar esse comportamento disfuncional “mani- fermidade”.
festo”, os comportamentos “latentes” estão além da sua vontade
e controle.
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2. Fatores determinantes dos transtornos mentais e


O critério diagnóstico de uma psicopatologia comportamentais
CID-10 ou DSM-IV TR, exigidos pelo menos 4 sintomas simultâneos e
1- Fatores biológicos das psicopatologias
permanentes.
a) A herança genética como fator predisponente.
• O histórico de vida do portador; b) Outros fatores orgânicos predisponentes:
• As circunstâncias ambientais em que o fenômeno ocorre; • Doenças não psíquicas podem causar sintomas psíquicos, como: de-
• As circunstâncias temporais; mências, delírios e alucinações:
• As condições favoráveis ao desenvolvimento da doença (e condi- 1) doenças genéticas (Alzheimer, Huntington, Parkinson);
ções nas quais elas deveriam se desenvolver, mas não ocorre); e 2) doenças adquiridas ou desenvolvidas (meningite viral, HIV, sífilis,
arteriosclerose);
• Compreender os significados que a pessoa portadora atribui ao
seu mundo objetal. 3) contaminação por chumbo e arsênio;
4) dependência a drogas psicoativas (álcool, cocaína, crack, LSD).
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• Alterações fisiológicas disfuncionais da química cerebral.


• O fator sexo. 2- Fatores psicológicos das psicopatologias
• Traumas e ferimentos. a) O relacionamento com os pais e cuidadores durante a
• A idade avançada. infância. A falta ou perda dos pais, cuidado disfuncional, o
• Podem ocorrer interrupções funcionais em áreas específicas do ambiente aversivo etc., podem causar instabilidade emo-
cérebro, alterações nas comunicações neurais, falhas sinápticas, cional, doenças graves, comportamentos de confronto, dé-
falhas de processamento neural, alterações de níveis proteicos ficit intelectual.
etc. b) Padrões familiares inadequados e patológicos que a cri-
• Nem sempre as causas biológicas de uma psicopatologia podem ança acaba por internalizar e imitar.
ser devidamente sanadas.
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c) Os estímulos ambientais podem produzir comportamentos de-


sejáveis e indesejáveis. Casos de ansiedade, depressão, fobias, pâ- 3- Fatores socioculturais das psicopatologias
nico, histeria e esquizofrenia são adquiridos por aprendizagem.
a) Urbanização descontrolada.
d) Dificuldade de adaptação a uma ocorrência estressante ou a
um ambiente estressante. b) A pobreza material e existencial.
e) Outros fatores psicológicos predisponentes: c) O racismo e o preconceito social.
• Prática de maus hábitos e vícios. d) A discriminação da mulher.
• Situação traumática incontrolável. Ao se definir alguma anormalidade tomando-se por base as
• Situação de estresse prolongado. normas sociais e a capacidade de adaptação do indivíduo, co-
• Percepção e memórias ligadas ao humor, em especial a senti- mete-se o erro de “juízo de valores”.
mentos dolorosos.
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Histeria coletiva
4- Fatores espirituais das psicopatologias • Instabilidade e falta de controle emocional.
Não significam necessariamente algo ligado ao mundo espiri- • Alto poder de sugestão (contágio emocional) levando outras
tual, pois geralmente indicam valores transcendentais. pessoas (emocionalmente sensíveis) a manifestar os mesmos
sintomas já presentes em alguém com surto histérico.
a) A religião como fator cultural predisponente aos trans- • A histeria coletiva foi considerada manifestação maligna, e mui-
tornos psíquicos tas pessoas acabaram na fogueira, prisão, ostracismo sob a ale-
Nem sempre a religião é benéfica, pois pode conduzir as pes- gação de que eram bruxas ou estavam possessas.
soas a transtornos mentais e comportamentais. • Em outras culturas, as histéricas eram honradas e elevadas à
condição de profetas de deuses.
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Alterações psicóticas b) Manifestações espirituais malignas


• Alterações psíquicas de origem funcional e/ou orgânica, on- • Muitos casos de possessão demoníaca são manifestações de
de a pessoa perde a noção de realidade e apresenta altera- surtos psicóticos, e não possessões verdadeiras.
ções sensoriais e perceptivas. • Jesus considerava as entidades espirituais como seres reais.
• Dentre as psicoses está a esquizofrenia paranoide. Paulo até fez uma classificação dos seres espirituais (Ef
• Saul é exemplo de pessoa psicótica e paranoide. 6.12).
• Muitas pessoas conhecidas como profetas são usuárias de • Para a psiquiatria e psicopatologia os casos de possessão
antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos e são surtos de dispersonalização e/ou múltipla personalida-
outros psicoativos. de.
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• A pessoa psicótica demonstra temor a Deus e busca liberta- 3. Classificação dos transtornos mentais
ção; enquanto que pessoa possessa apresenta comporta- 1- Transtornos mentais de origem orgânica, inclusive os
mento blasfemador, imoral e de afronta a Deus. sintomáticos.
• Pessoa possessa não admite a encarnação de Cristo: 1Jo 4.2 2- Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso
• Pessoa possessa pode apresentar dons de elocução: Mc de substancias psicoativas.
1.21-25; At 16.16-18 3- Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos
• É importante o dom de discernimento de espíritos (1Co delirantes.
12.10; 1Jo 4.1) nas reuniões espirituais. 4- Transtornos do humor ou transtornos afetivos.

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5- Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o es-


tresse e transtornos somatoformes. 4. Transtornos neuróticos
6- Síndromes comportamentais associadas a distúrbios fisiológi-
cos e a fatores físicos. • Gr.: neûron = nervo + osis = ação.
7- Transtorno de personalidade e do comportamento do adulto. • Todas as pessoas apresentam alguma forma de neurose
8- Retardo mental. em maior ou menor grau de gravidade e podem apresen-
9- Transtornos do desenvolvimento psicológico. tar um ou mais surtos ao longo da vida, sem que isso sig-
10- Transtornos do comportamento e transtornos emocionais nifique que a pessoa sofra algum transtorno neurótico.
que aparecem habitualmente na infância e adolescência.
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1- Reação a estresse grave e transtornos de ajustamento ou Os sintomas mais comuns do estresse são:
adaptação • Irritabilidade.
• Ou reações situacionais ou traumáticas à tensão, ou transtorno de • Distúrbio do sono e do apetite.
ajustamento ou adaptação às alterações ambientais.
• Dificuldade na concentração e diminuição da memória.
• Desencadeado por situação súbita (assalto, acidente, perdas etc.)
• Queda no rendimento pessoal, estudantil, profissional etc.
ou situações conflitantes contínuas, mesmo que não traumáticas.
• Se a resposta adaptativa estiver muito além da capacidade da • Preocupação exagerada com relação a situações triviais.
pessoa, pode evoluir para depressão, ou colapso neurótico (histe- • Sensação de impotência.
ria, transtorno somatoforme, ansiedade etc.) ou até psicose. • Perda da libido e impotência sexual.

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Os principais sintomas da TAG são:


Alterações comportamentais
2- Transtornos ansiosos • Tendência a não se preocupar consigo mesmo.
• Comportamento modificado em função das características ligadas
a) Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) a personalidade.
Desencadeado por: Alterações cognitivas
1) aborrecimentos e sofrimentos prolongados; • Pensamento difícil, pois:
2) perdas significativas; 1) apresenta preocupação fixa com um determinado assunto;
3) falta de adaptação a novas condições de vida. 2) dificuldade de concentração;
3) perda da memória; e
4) sensação de vazio na cabeça.
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Alterações emocionais
• Impaciência. b) Transtorno de pânico ou ansiedade paroxística episódica
• Nervosismo persistente e injustificado. • Ataques recorrentes de ansiedade grave (ataques de pânico).
• Medo frequente e injustificado de que a pessoa ou um parente próximo irá fi- • Os ataques são totalmente imprevisíveis.
car doente ou sofrer um acidente.
Alterações fisiológicas Além dos sintomas gerais de uma TAG, os principais sintomas do pâni-
• Insônia.
co são:
• Tensão muscular, podendo ocorrer dores musculares. • Ocorrência brutal de palpitação e dores torácicas.
• Tremores nas mãos. • Sensação de asfixia.
• Palpitações. • Tonturas.
• Sudorese. • Sentimentos de irrealidade (despersonalização ou desrealização).
• Tonturas. • Medo de morrer, de perder o autocontrole ou de ficar louco.
• Desconforto epigástrico.
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3- Transtornos fóbico-ansiosos
a) Sociofobia ou fobia social
A ansiedade e o medo são desencadeados por situações específicas, as quais não
apresentam perigo real. • Medo de ser exposto à observação das demais pessoas, medo de ser
Sintomas mais comuns das fobias ansiosas: criticado ou humilhado publicamente
• Medo exagerado e incontrolável de morrer, de perda do autocontrole ou de • São pessoas de acentuada perda da autoestima.
ficar louco. • A sociofobia evolui de estresse social ou ansiedade crônica, e tende
• Palpitações. a evoluir para o ataque de pânico e agorafobia.
• Impressão de desmaio. Sintomas típicos da sociofobia:
• Comportamento de evitação e fuga. • Rubor.
• Insônia.
• Temor das mãos.
• Sudorese.
• Náuseas.
• Sensação de asfixia.
• Desconforto epigástrico. • Desejo urgente de urinar.
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c) Fobias específicas
• São fobias limitadas a situações específicas, embora a situação desencadeante seja
b) Agorafobia inofensiva.
• As fobias específicas podem evoluir rapidamente para o pânico, sociofobia e agorafo-
• É o medo de multidões e de locais com muitas pessoas. bia.
• Normalmente se manifesta após um episódio de pânico, de Fobias específicas mais comuns são:
fobia social, depressivo ou obsessivo. • Acrofobia: medo de altura e lugares altos.
• Claustrofobia: medo de lugares fechados.
• Devido ao comportamento de evitação constante é comum • Criptofobia: medo de lugares e espaços pequenos.
os agorafóbicos não apresentarem ansiedade exagerada, • Hematofobia: medo de sangue e ferimentos.
mas quando a evitação não é possível, a ansiedade os leva • Manifobia ou lissofobia: medo de ficar louco, medo de loucos.
ao comportamento de fuga. • Necrofobia: medo dos mortos e de cemitérios
• Tanatofobia: medo da morte e de morrer.
• Zoofobia: medo de animais, em especial cobras, ratos, aranhas e insetos, cães e gatos.
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4- Transtornos dissociativos ou conversivos (histeria) Principais sintomas dos transtornos dissociativos:


• Perda parcial ou total das funções normais de integração das • Instabilidade ou falta de controle emocional.
lembranças, consciência, identidade e sensações imediatas, e
• Transtornos psicossomáticos: paralisias parciais ou totais;
também do controle dos movimentos corporais.
anestesias parciais ou totais; cegueira, surdez, mudez, vômi-
• Podem evoluir para uma condição crônica, com paralisias (per-
tos, soluços.
das de movimentos) e anestesias (perdas de sensações) parciais
ou totais. • Comportamentos bizarros: comportamentos obsessivos (repe-
• Portadoras de personalidade histriônica, isto é, são exageradas titivos), tiques, contorcionismos, alterações de voz etc.
(alta teatralidade), altamente sugestionáveis, carentes de aten- • Alto poder de sugestão (contágio emocional). São comuns os
ção etc. casos de histerias coletivas.
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a) Transtornos dissociativos do movimento. Perda da capaci- g) Estados de transe e de possessão. Pessoa se sente em esta-
dade de mover uma parte ou a totalidade de um membro ou do transcendente (transe) ou possuída por alguma entidade
vários membros. maligna, mortos ou animais, e passa a ter comportamento
condizente com o que crê a respeito do ser possuidor.
b) Estupor dissociativo. Diminuição ou ausência dos movi-
h) Transtorno de personalidade múltipla. Apresenta duas ou
mentos voluntários e da reatividade normal a estímulos ex-
mais personalidades distintas, sendo que somente uma se ma-
ternos, como luz, ruído, tato etc.
nifesta de cada vez. Cada personalidade é completa, i.é, pos-
c) Convulsões dissociativas. Os movimentos podem se asse- sui suas próprias memórias, comportamentos e preferências,
melhar aos de uma crise epilética, mas a pessoa não perde a e pode variar radicalmente da personalidade da pessoa antes
consciência. da crise dissociativa.
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De acordo com as características peculiares, o TOC pode ser:


5- Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) a) Com predominância de ideias ou de ruminações obsessivas. Ideias para agir
• Apresenta ideias obsessivas e/ou comportamentos compulsi- ou fazer algo; hesitações intermináveis entre as opções e escolhas de algo, in-
vos recorrentes. capacidade de tomar decisões banais; pensamentos fixos sobre determinados
assuntos (pecado, morte, inferno etc.).
• As ideias obsessivas são pensamentos, representações ou im- b) Com predominância de comportamentos compulsivos (rituais obsessivos).
pulsos repetitivos, estereotipados e desprazerosos. Atos compulsivos de limpeza (lavar as mãos repetidamente, tomar banhos se-
• Os comportamentos e os rituais compulsivos são gestos e ati- guidos etc.); verificações repetidas para evitar a ocorrência de uma situação
perigosa (trancar portas, verificar saídas de gás etc.); desejo excessivo de or-
vidades repetitivas, estereotipadas e desprazerosos. dem (organizar armários, objetos etc.); fazer todas as coisas sempre do mes-
• O TOC acompanha alguma crise de ansiedade ou depressão, e mo jeito (ritualismo) etc.
essa ansiedade se agrava conforme a pessoa tenta resistir aos c) Transtornos mistos de pensamentos obsessivos e comportamentos compul-
pensamentos obsessivos e aos comportamentos compulsivos. sivos. Na maioria das vezes a pessoa apresenta ambas as situações com leve
predomínio de uma.
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6- Síndrome de despersonalização e desrealização.


7- Neurastenia ou fadiga neural
• Sente ou pensa que não está mais produzindo seus pensamentos.
• Ocorre em meio a crises depressivas, transtornos fóbicos, transtornos ob- • Fraqueza mental e física, decorrente de esgotamento men-
sessivo-compulsivos e crises esquizofrênicas. tal.
• Após fadiga mental, privação sensorial, intoxicação alucinógena ou fenôme- Os sintomas mais comuns são:
nos hipnóticos.
• Pensamentos distrativos, dificuldades de concentração, pen-
• Em experiências de quase morte.
Os sintomas mais comuns de despersonalização e desrealização:
samentos ineficientes.
• A pessoa acha que seus pensamentos, imaginação, lembranças, movimen- • Fraqueza e exaustação física após esforços mínimos.
tos e comportamentos são irreais, remotos e automatizados. • Sensação de desconforto físico, dores musculares.
• Acha seu corpo sem vida e distanciado do ambiente.
• Incapacidade de relaxar.
• Acha-se distante e sem vida.
• Perda das emoções.
• Tonturas.
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Síndrome de burnout
•Dores de cabeça.
O Servo do Senhor... “Não quebrará o caniço rachado, e não apa-
•Irritação. gará o pavio fumegante...” (Isaías 42.3 NVI)
•Falta de prazer em fazer as coisas (anedonia).
• Síndrome do esgotamento profissional.
•Falta de sono (insônia) ou excesso de sono (hipersonia).
• Ing.: burn out = queimar por completo, reduzir a cinzas, ser con-
•Dificuldade de digerir os alimentos (dispepsia). sumido pelo fogo, fumegar.
•Pode predispor a pessoa para doenças como gripe, hepatite • Estado de tensão emocional (ansiedade) e estresse crônico pro-
viral, mononuclose infecciosa etc. vocados por condições desgastantes de natureza física, emocio-
Um exemplo de neurastenia é a síndrome de burnout. nal, cognitiva e social relacionados ao ambiente de trabalho ou
ao tipo e intensidade de trabalho.
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Os portadores de burnout apresentam 3 características bási-


cas:
3) Forte desejo de ser o melhor em tudo, e medem sua autoes-
1) Profissão exige envolvimento interpessoal: pessoas públi- tima em função do sucesso profissional.
cas, profissionais de educação, profissionais da saúde, assis-
• O assédio moral no ambiente de trabalho pode ser um fa-
tentes sociais, profissionais de recursos humanos, agentes
tor desencadeador da síndrome.
de seguranças, controladores de tráfego aéreo, estudantes
e as mulheres que enfrentam jornada dupla de trabalho. • Outros desencadeadores: falta de recursos financeiros, di-
ficuldades operacionais diversas, ambiente social aversivo
2) Pessoas detalhistas, perfeccionistas e que se dedicam de
etc.
maneira exagerada à sua atividade profissional (workaho-
lics).
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Os sintomas típicos da síndrome de burnout:


• Alterações comportamentais: agressividade, isolamento
• Sensação permanente de esgotamento geral: tanto físico,
social, atitudes negativas com relação ao trabalho. Em
emocional e mental.
casos extremos apresenta sintomas paranoicos.
• Falta de motivação.
• Alterações psicossomáticas: perda do apetite, dor de ca-
• Alterações cognitivas: dificuldade de concentração, lentifica-
beça e enxaqueca, insônia, palpitação, pressão alta, su-
ção mental e lapsos de memória.
dorese, dores musculares, falta de ar, distúrbios gastrin-
• Alterações emocionais: ansiedade e/ou depressão, mudan-
testinais, perda da libido, impotência sexual, alterações
ças bruscas de humor, irritabilidade, pessimismo, impaciên-
do ciclo menstrual.
cia; falta de alegria; baixa autoestima; autocomiseração.
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Síndrome burnout se desenvolve lentamente em 12 estágios ou pas-


Evolução da síndrome
sos:
Fase inicial • Passo 7: Recolhimento e aversão a reuniões.
• Passo 1: Necessidade da pessoa se afirmar no trabalho ou provar • Passo 8: Mudanças evidentes de comportamento.
que sempre é capaz. • Passo 9: Despersonalização.
• Passo 2: Dedicação intensificada. Estado crítico
• Passo 3: Desconsidera suas necessidades pessoais.
• Passo 10: Vazio interior e sensação de que tudo é compli-
Primeiras manifestações da síndrome
cado.
• Passo 4: Recalque de conflitos.
• Passo 11: Misto de ansiedade e depressão.
• Passo 5: Reinterpretação dos valores.
• Passo 6: Negação de problemas.
• Passo 12: Colapso final.
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O tratamento da síndrome de burnout inclui: 5. Transtornos de humor ou transtornos afetivos


• Uso de antidepressivos e ansiolíticos (se necessário). • Alterações de humor e afeto.
• Abster-se de álcool, drogas e medicamentos sem prescrição médica. • Antecedidos por eventos e situações estressantes graves ou prolongadas.
• Psicoterapia. • Crises são recorrentes.
• Exercícios de relaxamento.
• Afastamento do serviço: férias, licença ou dispensa. 1- Depressão e outros transtornos depressivos
• Alimentação equilibrada. O termo depressão pode ser usado para indicar:
• Atividade física regular, mas sem exageros. 1) uma doença com profundas alterações afetivas;
• Atividade de lazer, hobbies e atividade social prazerosa. 2) um sintoma de inúmeros transtornos emocionais;
• Mudança de estilo de vida, mudança de serviço. 3) uma síndrome com muitos sintomas somáticos; ou
• Buscar novos objetivos de vida. 4) diversos outros tipos de transtornos de humor, direta ou indiretamen-
O tratamento deve ser sério: recidivas e de cronificação. te relacionados à depressão.
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Os sintomas dos transtornos depressivos:


e) Alterações de volição: perda ou falta de interesse e prazer
a) Alterações afetivas: humor triste ou deprimido. em atividades que antes achava prazerosas.
b) Alterações de autovaloração: baixa autoestima e autode- f) Alterações comportamentais: permanecer na cama ou no
preciação.
escuro, não quer visitas ou desejo de ficar isolado etc.
c) Alterações cognitivas: déficit de atenção e concentração,
g) Alterações neurovegetativas (instintivas): perda de energia,
déficit de memória; diminuição da fala, fala lenta, fala em
fadiga fácil e constante, anedonia (falta de prazer), hipobu-
voz muito baixa, mutismo.
lia (desânimo e falta de vontade), insônia ou hipersonia etc.
d) Alterações ideativas: dificuldade de afastar a mente de um
h) Alterações somáticas: dores diversas, tontura, mal-estar
determinado foco, pessimismo em relação a tudo, ideias de
indefinido, formigamentos etc.
arrependimento e culpa, ruminações de mágoas antigas etc.
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a) Depressão unipolar ou depressão maior ou episódio depressivo importante


É a forma mais grave de transtorno depressivo.
Só deve ser identificada pela presença de pelo menos cinco dos sintomas listados a
i) Alterações psicomotoras: lentificação motora até o estupor seguir, e por período sempre superior a duas semanas:
hipotônico ou hipertônico. • Humor depressivo acentuado
j) Alterações nos marcadores biológicos: inversão do sono • Anedonia acentuada
• Alteração de apetite e peso
REM, redução do volume hipocampal e alterações vascu- • Insônia ou hipersonia
lares (somente em idosos). • Lentificação ou agitação psicomotora acentuada
k) Sintomas psicóticos: ideias delirantes, alucinações, ideação • Cansaço ou falta de energia
• Sentir-se sem valor
paranoide (perseguição). • Culpa excessiva
• Dificuldade de pensar e de se concentrar
• Pensamentos sobre morte, ruína e ideação suicida.
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• A depressão unipolar não apresenta variações bruscas de humor


(de depressão para euforia), o que serve para diferenciar da de- b) Depressão secundária ou orgânica
pressão bipolar. • Resultante de doença somática: hipotireoidismo ou hiperti-
• Mais comum em homens de meia idade, solitários, usuários de reoidismo, hipoparatireoidismo ou hiperparatireoidismo,
bebidas alcoólicas, com doenças clínicas ou problemas financei- lúpus eritematoso sistêmico, mal de Parkinson e AVC, em
ros. especial no lobo frontal do hemisfério esquerdo.
• Nem sempre a pessoa responde de maneira adequada ou ime- • A depressão é considerada um sintoma de outra doença.
diata à psicofarmacologia e a psicoterapia. • Nem sempre a pessoa responde de maneira adequada ou
• 15% das pessoas acometidas de depressão unipolar são levadas imediata à psicofarmacologia e a psicoterapia.
a cometer suicídio e, o que é pior, conseguem seu intento.
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c) Depressão melancólica ou endógena f) Distimia (mau humor)


• De natureza neurobiológica (causas orgânicas). • Intensidade leve, mas crônica e prolongada (duração mínima de 2 anos),
normalmente começa no início da vida adulta.
• Nem sempre a psicoterapia apresenta resultados satisfatórios.
• Sintomas: mau humor crônico, irritabilidade, desesperança, baixa autoes-
• Lentificação psicomotora, hiporreatividade geral, anedonia, tima, alta fadiga, dificuldade de se concentrar e de tomar decisões.
alterações de humor (tristeza vital), de apetite e de libido, e
g) Ciclotimia (humor cíclico)
ideação de culpa.
• Intensidade leve, porém crônica e prolongada (pela vida toda).
• Sintomas mais característicos na parte da manhã, com melho-
• Variações de humor, de depressão leve à elação leve, com períodos de
ra à tarde e da noite. humor estável por vários meses.
• Pessoa acorda muito antes do horário normal e tem muita di- • Para a pessoa, seu humor variou de acordo com os eventos da vida, por
ficuldade para dormir novamente. isso seu diagnóstico é difícil.
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2- Transtorno afetivo bipolar (TAB)


• Transtorno bipolar de humor (TBH) e psicose maníaco-depressiva
Episódios maníacos
(PMD). • Começam de maneira abrupta e duram 2 semanas a 5 me-
• Doença crônica, grave e atinge 1,5% da população. ses.
• Pessoas de todas as culturas, todos os níveis educacionais e socio- • Gr.: manía = loucura, demência, furor, raiva; mau costume,
econômicos, e de ambos os sexos em proporções semelhantes. hábito prejudicial, vício; esquisitice, extravagância, exagero.
• Dois ou mais episódios anuais. • Sintomas cognitivos: pensamentos acelerados que se atro-
• Humor e níveis de atividades são alterados de: (1) elevação de hu- pelam, pessoa se distrai facilmente etc.
mor e aumento de energia e atividade (episódio de mania ou hi- • Sintomas comportamentais: pouco controle do tempera-
pomania), e (2) rebaixamento profundo de humor e diminuição de mento e comportamento, libido exagerada etc.
energia e atividade (episódio depressivo).
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Episódios depressivos
• Sintomas emocionais: autoestima exagerada, baixa tole- • Iniciam de modo menos abrupto, mas duram em média 6
rância à frustração etc. meses, em pessoas idosas podem ultrapassar a um ano.
• Sintomas orgânicos: aumento de energia e hiperativida- • Sintomas cognitivos: dificuldade de se concentrar, lem-
de, compulsão alimentar, beber demais e uso abusivo de brar de algo ou tomar decisões, pensamentos sobre mor-
drogas. te e suicídio.
• Sintomas psicóticos: alucinações, delírios, ideação para- • Sintomas comportamentais: falta de energia, fraqueza e
noide (perseguição) e fuga de ideias. desânimo, afastamento dos amigos e do convício social
etc.
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• Sintomas emocionais: tristeza, vergonha e culpa, inutilida-


de e falta de esperança, baixa autoestima e autocrítica. 6. Transtornos psicóticos funcionais
• Sintomas orgânicos: falta de sono ou sono excessivo, per- • Gr.: psyché = alma + osis = ação.
da de apetite ou fome excessiva, abuso do álcool e drogas • Reações psicóticas ou psicoses funcionais.
etc. 1) O psicótico não consegue manter a integridade de seu
• Sintomas psicossomáticos: dores, tontura, mal-estar, for- self.
migamentos, peso ou vazio na cabeça ou corpo, aperto no 2) As diversas psicoses funcionais se caracterizam pelo
peito etc. comportamento esquizofrênico (gr.: schízo = dividir, fender,
• Sintomas psicóticos: alucinações, delírios, ideação paranoi- separar + phrenós = mente, inteligência).
de e fuga de ideias.
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1- Transtornos psicóticos agudos e transitórios


3) Todas as psicoses funcionais são de origem psicológica ou • Sintomas psicóticos (ideias delirantes, alucinações, perturbações das per-
decorrentes de alterações na bioquímica cerebral, sendo que cepções e desorganização do comportamento) e confusão mental, mas as
isso, em muitos casos, pode ser de origem genética. perturbações de orientação de tempo, espaço e autopercepção não são
acentuadas.
4) A pessoa psicótica deve manter constante uso de medica-
a) Transtorno psicótico agudo polimorfo, sem sintomas esquizofrênicos
mentos antipsicóticos para que consiga conviver em família e
• Principal característica é a instabilidade.
em sociedade, e continue a trabalhar e a exercer suas ativida-
• Sintomas psicóticos gerais (alucinações, ideias delirantes e perturbações das
des profissionais. percepções), mas eles não são graves.
5) O colapso psicótico (ataque) pode variar de algumas horas • São muito variáveis, mudando de um dia para outro, ou mesmo de uma ho-
a muitos anos, sempre é grave e exige a intervenção especiali- ra para outra no mesmo dia.
zada, ou forçada. • Desordem emocional: sentimentos intensos de felicidade ou de êxtase vari-
ando para ansiedade e irritabilidade.
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2- Esquizofrenia
b) Transtorno psicótico agudo polimorfo, com sintomas esqui- Transtornos esquizofrênicos: distorções do pensamento e da percepção,
zofrênicos afetos inapropriados ou embotados, mas normalmente os esquizofrêni-
cos mantêm a consciência clara e a capacidade intelectual.
• Idêntico ao anterior, mas também ocorrem sintomas esqui- Os sintomas mais comuns são:
zofrênicos na maior parte do tempo (distorções de pensa- • Eco do pensamento.
mento, afetos inapropriados, eco do pensamento, ideias e • Imposição ou o roubo do pensamento.
percepções delirantes, vozes alucinatórias etc.). • Ideias delirantes de controle, de influência ou de passividade.
• Se não houver a remissão do quadro e os sintomas esquizo- • Percepção delirante.
frênicos permanecerem, esse transtorno deve ser entendido • Vozes alucinatórias que comentam ou discutem com o paciente na ter-
que evoluiu para a esquizofrenia. ceira pessoa.
• Pensamentos e sintomas negativos.
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a) Esquizofrenia simples
c) Esquizofrenia hebefrênica
• Não se manifestam sintomas esquizofrênicos, mas há a excentricidade
de comportamento, incapacidade de responder aos relacionamentos • Comum em pré-adolescentes, adolescentes e adultos jovens.
sociais, declínio geral do desempenho, embotamento do afeto e perda • Perturbação dos afetos.
da volição. • Pensamentos desordenados, ideias delirantes, alucinações, e
b) Esquizofrenia paranoide a fala é incoerente.
• Ideias delirantes permanentes e frequentemente relacionadas à perse- • Comportamento é irresponsável e imprevisível.
guição. • Maneirismos (vícios, gestos e manias peculiares a cada indiví-
• Alucinações (principalmente auditivas). duo).
• Perturbação das percepções.
• Isolamento social.
• Raramente ocorrem alterações de afeto, vontade, linguagem e sinto-
mas catatônicos.
• Perda da vontade.
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d) Esquizofrenia catatônica 7. Transtornos de personalidade e do comportamento adulto


• Distúrbios psicomotores, alternam de hipercinesia a estupor, ou de obedi- • São transtornos sem causas orgânicas específicas.
ência automática a não obediência. 1) Alterações na estrutura da personalidade do indivíduo ocasionando pa-
• Manter atitudes e posturas bizarras por longos períodos. drões comportamentais anormais e permanentes, que vão da timidez ou
sensibilidade excessivas, e retraimento ou excentricidade até bloqueios de
e) Esquizofrenia residual
convívio social.
• Lentidão psicomotora e hipoatividade.
2) Origem genética ou decorrente de lesões no sistema nervoso central, mas
• Embotamento afetivo. são os fatores socioculturais e psicológicos os desencadeadores ou origina-
• Passividade e falta de iniciativa. dores de tais transtornos.
• Fala reduzida e desconexa. 3) Não apresenta reações ansiosas, típicas das neuroses e comuns nas psi-
• Pouca comunicação não verbal: expressão facial, contato ocular, modulação coses.
da voz e gestos. 4) Os portadores são pessoas egocêntricas e não se sentem responsáveis
• Falta de cuidados pessoais e desempenho social disfuncional. pelos seus atos ou por compromissos com outras pessoas.
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1- Transtornos de hábitos e impulsos


• Atos repetidos e incontroláveis, e vão contra os interesses do próprio 2- Transtornos de identidade, preferência e orientação sexual
portador e de outras pessoas. • A sexualidade é influenciada por fatores filogenéticos, sociogenéticos, psico-
1) Transtorno explosivo intermitente. Impulsos que levam a adotar um com- lógicos e ontogenéticos.
portamento explosivo. • O comportamento sexual passa a ser anormal (patológico) quando se torna
destrutivo para o próprio indivíduo ou para o outro envolvido; e quando
2) Jogo patológico ou jogo compulsivo. Episódios repetidos e frequentes de
associado à sensação de ansiedade, medo, culpa, compulsão, aberração etc.
jogo que dominam a vida da pessoa.
• Alterações na estrutura da personalidade do indivíduo ocasionando padrões
3) Roubo patológico (cleptomania). Impossibilidade de resistir ao impulso
comportamentais anormais e permanentes relacionados aos comportamen-
de roubar objetos. tos sexuais.
4) Tricotilomania. Perda dos cabelos causada por um impulso irresistível de • São transtornos relacionados a fatores socioculturais e psicológicos. São
arrancá-los. pessoas egocêntricas (estabelecem suas próprias leis de vida) e não se sen-
5) Piromania. Pôr fogo em objetos e bens sem motivo aparente, associado a tem responsáveis pelos seus atos ou por compromissos com outras pessoas.
preocupações persistentes com relação a fogo ou incêndio.
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a) Transtornos de da identidade de gênero sexual


b) Transtornos de preferência sexual
• Há uma identificação forte e persistente com o sexo oposto.
• Há o desconforto persistente com o próprio sexo no papel que ocupa como • Não é o caso de falta de identificação com o próprio sexo,
gênero sexual. mas de práticas sexuais extravagantes, exageradas e social-
• Transtorno de personalidade da identidade sexual. Intenso sofrimento com mente inaceitáveis.
relação a pertencer a um dado sexo, junto com o desejo de ser do outro sexo.
• Fetichismo. Utilização de objetos como estímulo da excita-
• Transexualismo. Desejo de se submeter a uma intervenção cirúrgica ou a um
tratamento hormonal a fim de tornar seu corpo conforme o sexo desejado. ção e da satisfação sexual, como vestimentas e calçados, e
• Travestismo bivalente ou transexual. Desejo de usar vestimentas do sexo objetos diversos feitos de borracha, plástico ou couro.
oposto, de modo a satisfazer a experiência (temporária) de pertencer ao sexo • Travestismo fetichista. Vestir roupas do sexo oposto com o
oposto, mas sem desejo de alteração sexual permanente através de uma in-
tervenção cirúrgica.
objetivo de obter excitação sexual.
“Informar, Formar, Transformar” Gilson de Almeida Pinho (2014; 2019) Ψ Psicologia – Θ Teologia – Psicoteologia “Informar, Formar, Transformar” Gilson de Almeida Pinho (2014; 2019) Ψ Psicologia – Θ Teologia – Psicoteologia

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• Exibicionismo. Prática de expor seus órgãos genitais a pessoas es- 8. Transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substân-
tranhas ou a pessoas em locais públicos, sem desejar ou solicitar cias psicoativas
contato sexual direto. • Drogas: álcool, fumo, canabinoides, cocaína, opiáceos, sedativos e
• Voyeurismo. Prática de observar pessoas em atividades sexuais ou hipnóticos, estimulantes (inclusive a cafeína), alucinógenos e solven-
íntimas. tes voláteis.
a) Intoxicação aguda. Sintomas: perturbações da consciência, das fa-
• Pedofilia. Preferência sexual por crianças de um ou do outro sexo.
culdades cognitivas, percepção, afeto ou comportamento; delirium,
• Sadomasoquismo. Atividade sexual que implica em dor, humilha- coma, convulsões etc.
ção ou subserviência do parceiro sexual.
b) Síndrome de dependência. Desejo de tomar a droga, dificuldade de
• Outros transtornos da preferência sexual: atividade sexual com controlar o consumo, utilização persistente (apesar de saber das suas
animal, emprego de estrangulamento ou anóxia para aumentar a consequências nefastas), a uma maior prioridade dada ao uso da dro-
excitação sexual, bolinagem, necrofilia etc. ga etc.
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c) Síndrome ou estado de abstinência. Sintomas cuja gravi- f) Síndrome amnésica. Transtornos crônicos da memória, per-
dade é variável. Pode se complicar pela ocorrência de con- turbações da orientação temporal e da cronologia dos aconteci-
vulsões. mentos, assim como dificuldades de aprender coisas novas.
d) Síndrome de abstinência com delirium. Um exemplo é o g) Transtorno psicótico residual ou de início tardio. Quando as
modificações, induzidas por álcool ou substâncias psicoativas
delirium tremens, induzido pelo álcool.
persistem além do período durante o qual podem ser conside-
e) Transtorno psicótico. Presença de alucinações, distorção rados como um efeito direto da substância. Sintomas mais co-
das percepções, ideias delirantes, perturbações psicomotora muns: flashbacks (revivescências), transtorno de personalidade,
e afetos anormais, podendo ir do medo intenso ao êxtase. transtorno afetivo e demência.

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9. Transtornos mentais ou operações demoníacas?


• Apresentar algumas psicopatologias mais comuns no ambiente social e no
interior das diversas igrejas cristãs. • Muitas manifestações consideradas carismáticas e espiritu-
• Patologias podem ter origem biológica, psicológica, social e não apenas es- ais dentro das igrejas nada mais são que surtos psicóticos
piritual. com fortes componentes culturais evangélicas.
• Muitos líderes espirituais cometem três erros básicos:
• Isso de maneira alguma significa que não existem manifesta-
1) ficam lutando contra demônios e se sentem derrotados porque não conse-
guem a libertação do pobre escravo de Satanás;
ções espirituais verdadeiras, tanto de origem divina como
2) atrasar e dificultar o tratamento médico especializado que deveria ser pres-
de origem demoníaca, e muitas vezes a distinção entre uma
tado ao doente; e psicopatologia e uma manifestação espiritual é uma linha
3) estigmatizar e discriminar a pessoa, como um depósito de demônios, quan- muito tênue ou de contornos não definidos.
do, na realidade, é uma infeliz portadora de algum tipo de transtorno men-
tal.
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