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Tribunal

PJe - Processo Judicial Eletrônico

18/11/2020

Número: 8012906-70.2020.8.05.0000
Classe: AGRAVO DE INSTRUMENTO
Órgão julgador colegiado: Quinta Câmara Cível
Órgão julgador: Des. Raimundo Sérgio Sales Cafezeiro
Última distribuição : 21/05/2020
Valor da causa: R$ 0,00
Processo referência: 0786689-61.2018.8.05.0001
Assuntos: Efeitos
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
JULIANO BURAEN SERRA (AGRAVANTE) SHEILA GUIA DA SILVA (ADVOGADO)
ESTADO DA BAHIA (AGRAVADO)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
10040 17/09/2020 19:06 Acórdão Acórdão
806
PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

Quinta Câmara Cível

Processo: AGRAVO DE INSTRUMENTO n. 8012906-70.2020.8.05.0000


Órgão Julgador: Quinta Câmara Cível
AGRAVANTE: JULIANO BURAEN SERRA
Advogado(s): SHEILA GUIA DA SILVA
AGRAVADO: ESTADO DA BAHIA
Advogado(s):

AGRAVO INTERNO. AGRAVO DE INSTRUMENTO NÃO CONHECIDO DE PLANO, POR


APRESENTAR CONTEÚDO CONTRÁRIO AO RESP REPETITIVO DE TEMAS103, 104 E 108.
SÓCIO QUE INSURGIU-SE POR SEU NOME CONSTAR NA CDA, COMO
CORRESPONSÁVEL POR DÍVIDA DE PESSOA JURÍDICA. DEFESA REALIZADA POR
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. INVIABILIDADEJÁ DECLARADA EM
JULGAMENTOS DE RESP REPETITIVO. AGRAVO TRAZENDO O MESMO QUEST
IONAMENTO JURÍDICO, ALÉM DE SUPOSTA NULIDADE DO PAF. QUESTÕES QUE
EFETIVAMENTE DEMANDAM DILAÇÃO PROBATÓRIA, INVIABILIZANDO O USO DA
EXCEÇÃO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.

1. Trata-sede Agravo Interno construído sob a tese de viabilidade de discussão sobre validade do processo
administrativo fiscal através de Exceção de Pré-executividade, ao fundamento de que consta cópia do
procedimento nos autos.

2. Os precedentes fixados pelo Superior Tribunal de Justiça, todavia, seja através de Súmula ou sob a
sistemática de Recursos Repetitivos, no sentido de queo ônus de demonstrar a inexistência de
responsabilidade tributária é do Executado, hipótese que, por demandar dilação probatória, não pode ser
resolvida por Exceção de Pré-executividade, mas apenas por embargos do devedor.

Assinado eletronicamente por: RAIMUNDO SERGIO SALES CAFEZEIRO - 17/09/2020 19:06:33 Num. 10040806 - Pág. 1
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3. Militam contra o Agravante, no presente caso, o fato de ainda não ter sido Acionado na Demanda
originária, como responsável tributário, e o fato de que a sua tese foi desenvolvida no sentido de que
existem vícios no Processo Administrativo Fiscal, no qual não lhe foi oportunizado o exercício do
contraditório e da ampla defesa.

4. Diante de tais razões e das especificidades do presente caso, dentre as quais o fato de tratar-se de
empresário individual e das dificuldades enfrentadas pela parte contrária e pelo próprio Juízo Singular
para promover a sua citação nos endereços por ele cadastrados perante a JUCEB e Fazenda Estadual, as
nulidades por ele alegadas demandam dilação probatória, tornando inviável o estudo da matéria através de
Exceção de Pré-executividade.

5. Diante de tais fundamentos, mostra-se impositivo o improvimento deste Agravo Regimental.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, ACORDAM os Desembargadores integrantes da Quinta Câmara
Cível, à unanimidade de votos, em NEGARPROVIMENTO AO AGRAVO INTERNO, e o fazem de
acordo com o voto do Relator.

PRESIDENTE

Des. RAIMUNDO SÉRGIO SALES CAFEZEIRO

Relator

PROCURADOR DE JUSTIÇA

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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

QUINTA CÂMARA CÍVEL

DECISÃO PROCLAMADA

Improvido. Unânime.

Salvador, 15 de Setembro de 2020.

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

Quinta Câmara Cível

Processo: AGRAVO DE INSTRUMENTO n. 8012906-70.2020.8.05.0000


Órgão Julgador: Quinta Câmara Cível
AGRAVANTE: JULIANO BURAEN SERRA
Advogado(s): SHEILA GUIA DA SILVA
AGRAVADO: ESTADO DA BAHIA
Advogado(s):

Assinado eletronicamente por: RAIMUNDO SERGIO SALES CAFEZEIRO - 17/09/2020 19:06:33 Num. 10040806 - Pág. 3
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RELATÓRIO

Vistos, etc.

Trata-se de Agravo Interno interposto Juliano Buraen Serra, contra decisão proferida no Agravo de
Instrumento n.º 8012906-70.2020.8.05.0000, que não conheceu do Recurso.

O julgamento monocrático decorreu do fato de ter sido manejado um Agravo contrário a teses firmadas
pelo Superior Tribunal de Justiça nos REsp Repetitivos de Temas 103, 104 e 108.

Irresignado, o Agravante opôs embargos de declaração, sob ID 7479350, ao fundamento de que a decisão
monocrática foi omissa, pois os precedentes utilizados não seriam aplicáveis ao caso em apreço, fato que
deveria motivar o distinguishing.

De acordo com as razões recursais, a presunção relativa de legitimidade outorgada à CDA decorre de um
mecanismo de controle de legalidade, o qual se pauta no princípio da motivação dos atos administrativos.

Deste modo, os julgados que alicerçam os Repetitivos, bem como seu paradigma, fundamentam-se em
processos administrativos regularmente instituídos, tendo sido oferecido o contraditório e, no bojo do
processo administrativo tem-se a comprovação do desrespeito do sócio a alguma das hipóteses do art. 135
do CTN.

Salienta, porém, que a mesma afirmação não pode ser feita no caso concreto, pois em momento algum a
Administração inseriu o nome do sócio no Processo Administrativo, somente tendo realizado tal ato por
meio de discricionariedade na inscrição em dívida ativa.

Entende, assim, que inexiste a necessidade de dilação probatória, na medida em que o PAF está
colacionado ao processo, o qual, em momento algum suscita a fundamenta a responsabilidade do sócio,
sendo límpido o descabimento de sua inserção no polo passivo da lide.

Fundamentado nestas razões, entende o Agravante que os Recursos Repetitivos não são aplicáveis ao
presente caso.

O presente Recurso foi originalmente distribuído como Embargos de Declaração, fato que motivou o
despacho de ID 7502498, recebendo-o como Agravo Interno e instando a parte Recorrente a
complementar as suas razões no prazo de cinco dias.

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Ante a ausência de complementação, foi então o Estado da Bahia intimado para apresentar contrarrazões,
o que foi feito através da Petição de ID 8261569, ao fundamento de que a decisão que não conheceu do
Recurso deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.

Afirma que, diferentemente da tese exposta pelo Agravante, o ônus de provar a ausência dos requisitos do
art. 135, do CTN, para que o sócio não figure como corresponsável pela dívida constante da CDA, é ônus
do próprio contribuinte, independentemente de que a ação executiva tenha sido proposta contra a pessoa
jurídica e contra o sócio ou somente contra a empresa, na esteira de entendimentos firmados pelo Superior
Tribunal de Justiça.

Cita ainda entendimentos oriundos de outros tribunais, no sentido de que a presunção de liquidez e certeza
da dívida ativa regularmente inscrita somente pode ser elidida por prova inequívoca, sendo este ônus do
contribuinte.

Diante de tal cenário, informa que deve ser considerada legítima a presunção sobre a indicação do
Agravante na CDA como corresponsável, sendo seu o ônus de provar, a tempo e a modo, que não agiu
com dolo ou má-fé.

Salienta também que a jurisprudência é uníssona quanto a impropriedade da modificação do polo passivo
da execução, por meio de exceção de pré-executividade, conforme já explanado na decisão que não
conheceu do Recurso principal.

Defende que, em contrariedade às razões recursais, a ilegitimidade passiva é, no presente caso, matéria de
mérito, cuja verificação demanda análise de prova, sendo, portanto, incompatível com o incidente de
exceção de pré-executividade.

Pautado nestas razões, pugnou, ao final, pelo improvimento do Recurso.

É o relatório que ora submeto aos demais integrantes da Quinta Câmara Cível.

Peço a inclusão do Feito em pauta de julgamento.

Des. RAIMUNDO SÉRGIO SALES CAFEZEIRO

Relator

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SC02

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA

Quinta Câmara Cível

Processo: AGRAVO DE INSTRUMENTO n. 8012906-70.2020.8.05.0000


Órgão Julgador: Quinta Câmara Cível
AGRAVANTE: JULIANO BURAEN SERRA
Advogado(s): SHEILA GUIA DA SILVA
AGRAVADO: ESTADO DA BAHIA
Advogado(s):

VOTO

Trata o presente Recurso de insurgência manifesta por Juliano Buraen Serra, contra decisão monocrática
que não conheceu de prévio Agravo de Instrumento por ele interposto.

Referido julgado baseou-se no julgamento do REsp 1.110.925/SP (Tema 108), no qual firmou-se o
entendimento de que o ônus de demonstrar a inexistência de responsabilidade tributária é do Executado,
hipótese que, por demandar dilação probatória, não pode ser resolvida por Exceção de Pré-executividade,
mas apenas por embargos do devedor.

Pleiteia o Agravante, todavia, que seja feito no presente caso o distinguishing, apontado suposto vício no
desenvolvimento do Processo Administrativo Fiscal, pois, segundo as suas razões, não teria sido citado
para defender-se no procedimento.

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Diante de tal peculiaridade, entende o Agravante que não ostenta legitimidade para figurar no polo
passivo da Execução Fiscal, ainda que na condição de corresponsável tributário, e que tal discussão pode
desenvolver-se através de Exceção de Pré-executividade.

As razões defendidas pelo Agravante, porém, aparentemente não observaram o objeto de estudo de forma
completa, pois há nítida confusão entre os institutos do redirecionamento e da responsabilização pessoal
do sócio.

Ao tratarmos de redirecionamento da execução fiscal, como ocorre no caso em apreço, a discussão


reclama uma resposta sobre a legitimidade do sócio para responder pelas dívidas da pessoa jurídica, se ele
pode figurar no polo passivo da execução fiscal.

Note-se que neste momento estamos a tratar apenas da legitimidade passiva, sem entrar no mérito sobre a
existência de responsabilidade tributária, até porque, de acordo com o próprio art. 204, do CTN, a
presunção de certeza e liquidez do título é apenas relativa,nos seguintes termos:

Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova
pré-constituída.

Parágrafo único.A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova
inequívoca, a cargo do sujeito passivoou do terceiro a que aproveite. (grifei)

Ao tratarmos da responsabilidade propriamente dita, porém, devemos lembrar que a decisão da questão
será realizada após exaurimento da via cognitiva, através dos Embargos à Execução Fiscal, sendo
assegurada a ampla defesa e a dilação probatória.

Temos, pois, duas situações distintas, sendo a primeira para averiguação da legitimidade passiva do sócio,
para posterior aferição de responsabilidade, caso necessário.

Um aspecto que não pode passar despercebido no presente caso é a que o estudo da legitimidade do
corresponsável passa necessariamente pelo exame da condição do sócio, que deve obrigatoriamente
figurar como administrador ou gerente, sendo imprescindível que exerça poderes de gestão da pessoa
jurídica.

Note-se que no caso concreto estamos a tratar de um Empresário Individual de Responsabilidade


Limitada – EIRELI, hipótese que por si só elide o fato de tratar-se de pessoa com poderes de gestão.

Devemos ter em mente, por outro lado, que não encontra-se em discussão neste momento se o Agravante,
na condição de empresário individual, é o responsável pelo crédito tributário, mas apenas se está
legitimado a figurar na Certidão de Dívida Ativa.

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Como dito durante o exame monocrático do Agravo de Instrumento, cinge-se a discussão ao
reconhecimento sobre a viabilidade da utilização da Exceção de Pré-executividade para fins de discussão
sobre a possibilidade ou não do empresário individual figurar na Certidão de Dívida Ativa.

Após estudo detalhado do problema trazido pelas partes, continuo convencido de que a resposta ao
questionamento é negativa.

O resultado do julgamento do REsp Repetitivo n.º 1.110.925/SP e 1.104.900/ES, utilizados para


fundamentar a decisão agravada, foram no sentido de que a inclusão do nome do sócio-gerente na CDA
seria suficiente para autorizar a sua inclusão no polo passivo da Execução Fiscal, dada a presunção de
legitimidade do título, passível de ser desconstituída, porém, através de embargos à execução fiscal.

Ressalte-se que neste momento o Agravante, enquanto pessoa física, ainda não figura no polo passivo da
Execução Fiscal, ajuizada tão apenas em face da pessoa jurídica.

Tenta, porém, desconstituir o próprio título executivo, ao fundamento de vícios existentes no Processo
Administrativo Fiscal, por não ter sido oportunizada a defesa, na qualidade de pessoa natural.

A matéria de defesa arguida pelo Recorrente, inclusive, é a de que tanto no processo administrativo,
quanto na Execução Fiscal, não se demonstrou que o Agravante agiu com excesso de poder ou infração à
lei, mostrando-se, portanto, ilegítima a sua inclusão no polo passivo da demanda.

Labora contra o Recorrente, todavia, o fato de que ainda não é Acionado na Execução Fiscal, além de ser
empresário individual, pessoa que, ao final, detém poderes de gestão, hipótese que permite a sua inclusão
na CDA como corresponsável.

Como já explicado no julgamento monocrático, fundamentado em precedentes do Superior Tribunal de


Justiça, notadamente os Recursos Repetitivos de Temas 103, 104 e 108, trata-se de hipótese não atacável
por Exceção de Pré-executividade, inclusive porque está o Agravante a discutir a suposta ausência de
responsabilidade pelo pagamento da dívida tributária, hipótese que por si só demanda dilação probatória.

Deverá o Agravante, por conseguinte, utilizar-se do meio processual adequado para formular a sua defesa
na lide originária, mediante o uso de embargos à execução fiscal.

Questões idênticas aos fundamentos deste Agavo encontram-se em discussão na Demanda de piso, dentre
as quais a nulidade de citação e de notificação no processo administrativo fiscal, todavia elaboradas
através de Exceção de Pré-executividade pela pessoa jurídica Buraen Minimercado EIRELI.

Para que não pairem dúvidas sobre a necessidade de dilação probatória, os questionamentos tecidos pelo
Agravante neste Recurso tornam imprescindível o conhecimento sobre as informações da Empresa
perante a Junta Comercial do Estado e no cadastro por ela mantido perante a Fazenda Estadual, ao longo
do tempo, para que se possa verificar com exatidão se ocorreram, de fato, vícios no desenvolvimento do
PAF.

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Pensar dessa forma, porém, leva ao discernimento sobre a necessidade de dilação probatória, tornando
inviável, por conseguinte, a discussão através de Exceção de Pré-executividade.

Neste sentido:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. PRESUNÇÃO DE


LEGITIMIDADE. EXCLUSÃO DE CO-RESPONSÁVEL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE.
IMPOSSIBILIDADE.

(omissis)

2. É inadequada a via da exceção de pré-executividade para a exclusão de co-executado do polo


passivo da execução fiscal, tendo em vista a presunção de legitimidade da CDA.

3. Constando o nome de Waldir Siqueira como corresponsável na CDA, só por meio da oposição de
embargos do devedor é que se poderia, depois da instrução probatória, decidir pela sua permanência ou
não no polo passivo da referida execução, devendo o julgado proferido pela Corte a quo ser anulado por
vício de procedimento.

4. A exceção de pré-executividade só poderia ser admitida se demonstrado, de forma inequívoca e


sem resistência fundamentada da parte exequente, a suposta irregularidade na inclusão do
co-devedor na CDA, o que, no caso, não se deu.

5. A questão controvertida dos autos exige dilação probatória, com análise da amplitude da representação
conferida ao agravante pela empresa estrangeira, a fim de que se verifique se ele pode ser enquadrado em
alguma das hipóteses previstas no art. 135 do CTN.

6. Agravo interno desprovido.

(AgInt nos EDcl no REsp 1658515/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA,
julgado em 25/11/2019, DJe 04/12/2019) (grifei)

Ainda sob o mesmo enfoque, a Súmula 393, do Superior Tribunal de Justiça:

Súmula 393 - A exceção de pré-executividade é admissível na execução fiscal relativamente às matérias


conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória.

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Diante de tais razões e das especificidades do presente caso, dentre as quais o fato de tratar-se de
empresário individual e das dificuldades enfrentadas pela parte contrária e pelo próprio Juízo Singular
para promover a sua citação nos endereços por ele cadastrados perante a JUCEB e Fazenda Estadual, as
nulidades por ele alegadas demandam dilação probatória, tornando inviável o estudo da matéria através de
Exceção de Pré-executividade.

Conclusão.

Ante o exposto e por tudo o mais que dos autos transparece, voto no sentido de NEGAR
PROVIMENTO ao Agravo Interno.

Des. RAIMUNDO SÉRGIOSALES CAFEZEIRO

Relator

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