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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Márcio Ferreira e Elfire


Especialistas em Engenharia de
Incêndios, Projetos, Instalação,
Manutenção, Consultoria e
Treinamentos.

Márcio Ferreira
Graduação em Administração pela Universidade do Tocantins.
Graduação em Engenharia civil pela Universidade de Uberaba.
Curso de especialização em Segurança do Contra Incêndios pelo C S I.
Centro de Divisão Científica de Segurança contra Incêndio.

Curso de Vasos de pressão extintores de incêndio • Buller consultoria.


Bombeiro Civil • LSB treinamentos.
Curso de em segurança contra incêndio IT’s e NBR’s (acesso de viatura, extintores, saída de
emergência, sinalização de emergência, alarme e detecção, escadas pressurizadas,
compartimentação vertical e horizontal, segurança estrutural, hidrantes, sprinklers e
sistemas de supressão) – Chamatex.

Agentes de gás supressão: Novec 1230, Argonite, Fe13, Fm200, CO2, Inergen, Nitrogen,
FirePro, Stat- x.

Membro da NFPA • Associação nacional (norte-americana) de proteção contra incêndio.


Membro da SFPE • Sociedade de engenharia de combate a incêndio.
Membro da IAFSS • Associação internacional da ciência do fogo.
Membro da IAAI • Associação internacional de investigadores de incêndio.

Especialização e Mestrado em engenharia de combate a Incêndio nos Estados Unidos.


Curso WPI • Worcester Polytechnic Institute (WPI) • Cursos: Técnicas e analise forense em
sinistros de incêndios, dinâmica do fogo, modelagem do fogo, proteção em incêndios
industriais, práticas de negócios em segurança contra incêndios, sistemas de proteção
contra incêndios, supressão avançada de combate a incêndios, detecção e controle de
fumaça, transferência de calor em proteção contra incêndios e mecânica de fluidos em
proteção contra incêndios.

• Pesquisador no grupo de pesquisa em segurança contra incêndio Mestres do Fogo.


• Gerente Executivo pela empresa Chamatex (a empresa trabalha na área de incêndios com
instalações e manutenções).
• Proprietário da empresa Elfire (foco em projetos e consultoria em engenharia de
incêndio).
• Representante Regional Norte e Nordeste de várias empresas, importador de tecnologia
de segurança de incêndio, sistemas inteligentes de combate a Incêndios (Afex, Ansul,
Notifier, Xtralis, Kidde utc, F-500, Firepro, Janus, FM200, Novec 1230, Gases Inertes, entre
outros).

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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

O início da
nossa história
Desde os 9 anos idade, em 1993, minha família já tinha uma empresa de recarga de
extintores. Meu tio era o sócio majoritário e meu pai um dos gerentes. O tempo passou
e meu pai decidiu abrir uma nova loja. Concorrentes, na outra loja meu pai firmou
sociedade com uma pessoa que entrou com o dinheiro e ele com a técnica e gerência
da empresa. Não demorou 1 ano e o sócio lhe aplicou um golpe que lhe fez perder a
empresa. Mas não foi só isso que ele perdeu. Ele perdeu a direção, perdeu a motivação,
perdeu os bens materiais. Foi um péssimo momento para a família... Meu tio, o
proprietário da primeira empresa, sempre percebeu o potencial do meu pai e lhe deu
mais uma oportunidade. Cedeu a sociedade da empresa em outra cidade. Meu pai
aproveitou a oportunidade. Isto o ajudou a reestruturar tudo, inclusive a família. Como
grande visionário e empreendedor, ele teve grande sucesso com a empresa, que é onde
hoje temos estabilidade e prosperidade profissional a nível internacional (somos uma
empresa com mais de 100 colaboradores e mais de 10 pessoas fazem parte de nossa
família).

Desde minha infância, eu passeava pelas oficinas de recarga de extintores. Nossa


empresa foi a primeira empresa de recarga de extintores da região. Trabalhávamos
somente com a recarga de extintores, o que era um bom negócio no início. Contudo, o
tempo foi passando e começou a não ser mais tão vantajoso assim. Sempre havia a
procura de produtos relacionados na área de proteção contra incêndios, mas não
tínhamos o olho clínico para a oportunidade. Fazíamos as instalações por indicações de
pessoas consideradas autoridades na área e, na maioria das vezes, havia certo desacordo
dos locais escolhidos para instalação. Nem bombeiros nem “consultores” realmente
sabiam o local correto... Isso era bem comum (e ainda é até hoje). Havia a dificuldade de
informação e educação na área.

Comecei a trabalhar nesta empresa aos 17 anos e trabalhei por todas as áreas possíveis
de uma empresa de extintores. Em 2005, aos 21 anos, eu já estava trabalhando como
responsável técnico da empresa e, também, como gerente de vendas. A dificuldade de
informação e educação da área, me despertou a curiosidade e me levou a pesquisar
sobre o assunto “como fazer o dimensionamento dos extintores”. Foi assim o meu
primeiro contato com a área de projetos, que logo mais me levou a aprender os demais
dimensionamentos da área. O assunto não era difícil, e mesmo sendo em poucas folhas,
ninguém lia.
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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Foi assim que comecei a consumir tudo que podia ou havia disponível no assunto,
pesquisando em todos os cantos do mundo. Foi o início da minha paixão, propósito e
missão da minha vida: a área de incêndio. Até este momento, eu tinha apenas a formação
superior de administração. Segui consumindo todos os cursos disponíveis na área de
incêndio, acumulando conhecimento (vale frisar que haviam pouquíssimos cursos
disponíveis no Brasil, o que não mudou muito ainda hoje) – 1°) formação de bombeiros
civil; 2°) especialização em segurança contra incêndios; 3°) participação de feiras e
congressos; e 4°) cursos para projetistas na área de combate a incêndios NBR’s e IT’s de
São Paulo. Nesse período, fiz o que encontrei e o que existia de melhor em todo o Brasil.
Iniciei os trabalhos com projetos e ficou claro a necessidade de cursar engenharia. Decidi
por fazer engenharia civil. Busquei, além disso, cursos fora do Brasil na área de incêndios.
O que havia de mais avançado era a ciência do fogo ou engenharia de incêndios. Tive a
oportunidade de fazer o curso de especialização em incêndios pela WPI (Worcester
Polytechnic Institute, em Massachusetts, USA) e finalizei o mestrado nesta mesma
faculdade. Ao todo, são 12 anos de muita dedicação séria na área de combate a incêndio.

Hoje, conseguimos alcançar um grande sucesso na área de projetos. Dentre eles, destaco
o: projeto de proteção contra incêndio completo da usina hidrelétrica de Tucuruí, projeto
de proteção contra incêndio completo da usina hidrelétrica de Pimentel, projeto de
proteção contra incêndio completo da usina hidrelétrica de Belo Monte, projeto de sistemas
fixo de equipamentos de Mineração Vale (mais de 40 equipamentos de mina), projetos
de sistemas fixos de subestações elétricas de Mineração Vale (mais de 30 subestações), e
várias edificações de uso comum. Se contarmos tudo, são mais de 100 projetos de
combate a incêndios. Abaixo está a lista de algumas empresas que eu e minha equipe já
fizemos:

(HOSPITAL) SANTA TEREZINHA S.A., JOÃO ASEVEDO COELHO (RESTAURANTE),


AMAZONIATERRAAMBIENTALESERVIÇOSS/A(CONSTRUTORAEREFLORESTAMENTO),
CITY LAR (COMERCIO DE MOVEIS E ELETRODOMESTICOS), VEREDAS
EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA QUADRA 06 (PREDIOS RESIDENCIAIS),
VEREDAS EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA QUADRA 08 (PREDIOS
RESIDENCIAIS), CONSTRUTORA E TRANSPORTADORA CARVALHO LTDA (FABRICA DE
ASFALTO E DETONAÇÃO DE MINERIO), ETEQ EMPR. TECNICA LTDA (FABRICA DE
ASFALTOE DETONAÇÃO DE MINERIO), ESCO SUPLLY CARAJAS COMERCIO E INDUSTRIA
DE PEÇAS (INDUSTRIA DE PEÇAS PARA VEICULOS OFF ROADS), PREMIUM ENGENHARIA
S/A (CONSTRUTORA), COMUNIDADE KOLPING SOPHIE LINK (ESCOLA), MARABÁ
DISTRIBUIDORA DE VEICULOS – DISBRAVA (COMERCIO DE VEICULOS), SOTREQ S/A
(MANTENEDORAEDISTRIBUIDORADEPEÇASDEVEICULOSOFFROADS), KELMEHORAS
DA SILVA (POSTO DE COMBUSTIVEL), TOYOTA (COMERCIO DE VEICULOS), LOJA DO EPI
(COMERCIO DE EPI), RESIDENCIAL CASTANHEIRA (PREDIOS RESIDENCIAIS), CARVALHO
E BAESSE LTDA - (BANCO BASA), PREFEITURA MUNICIPAL DE PARAUAPEBAS (EDIFICIO),
JULIO SIMOES LOGISTICA S/A (EMPRESA DE TRANSPORTES COLETIVOS), NB PNEUS
(MANUTENÇÃO EM VEICULOS), EDIFICIO 24 DE MARÇO (EDIFICIO RESIDENCIAL),

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Projeto de incêndio: um guia completo para gestores de segurança

BANCO DO BRASIL (BANCO), MARABÁ DISTRIBUIDORA DE VEICULOS – MARABÁ


(COMERCIO DE VEICULOS), DISBRAVA NOVA HYUNDAY MARABÁ (COMERCIO DE
VEICULOS), CAMARA MUNICIPAL DE PARAUAPEBAS (EDIFICIO E AUDITORIOS), VALE
(INDUSTRIA E MINERAÇÃO), HOTEL DO GAUCHO (HOTEL), RESIDENCIAL BEIRA RIO
HOTEL (EDIFICIO DE APARTAMENTOS), LOJA OPÇÃO (LOJA DE ELETRODOMESTICOS),
IGREJA BATISTA MISSIONARIA EM PARAUAPEBAS (IGREJA), METSO (INDUSTIA DE MEDIA
CARGA DE INCENDIO), MARISA BANCO BRADESCO (LOJAS NO SHOPING), CIPASA
(IMOBILIARIA), FABRICA DE PREMOLDADOS RIBEIRO (INDUSTRIA DE CIMENTO), AMBEV
DETCÇÃO SÃO LUIS (INDUSTRIA CERVEJEIRA), CIL ICEC (ALMOXARIFADO DE RISCO
ALTO), NOVO BANCO DO BRASIL (PREDIO DE 8 PAVIMENTOS), BRADESCO CARAJÁS
(BANCO), COLEGIO AMAZON (COLEGIO), WTORRES (7 EDIFICIOS DE APARTAMENTOS),
SOTREQ AMPLIAÇÃO (INDUSTRIA), VILAGE DA SERRA (EDIFICIO DE APARTAMENTO),
PARCAN (INDUSTRIA DE MEDIA CARGA DE INCENDIO), HOTEL CANAÃ (MAIOR HOTEL
EM CANÃA), SHOPING ELDORADO (SHOPING), SAE – SERVIÇO DE ASSISTENCIA
ESPECIALIZADA A AIDS (CENTRO SOCIAL), USINA HIDRELETRICA DE TUCURUI (M-3
INDÚSTRIA DE GERAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA) CERCA DE 125.000,00 M²
(SISTEMAS DE CO2, ESPUMAMECANICA, SISTEMA DE DETECÇÃO E ALARME, SISTEMA
DE SUPRESSÃO), VIX (GARAGEM DE ONIBUS), CURINGA PNEUS (OFICINA), QUALYFAT
(PREDIOS RESIDENCIAIS MORRO DOS VENTOS), 2 HIPERSENAS (SUPERMERCADOS),
MATEUS (SUPERMERCADOS) HCP (HOSPITAL), IOP (CLINICA MEDICA), CORPO VIVO
(CLINICA DE FISIOTERAPIA), ART MOVEIS (FABRICA DE MOVEIS), VALE DATACENTER,
TAURUS ENGENHARIA (DEPOSITOS), FADEZA (ESCOLA), METSO (FABRICA DE PEÇAS),
MORENTA (COMERCIO DE ELETRODOMESTICOS), GEOTERRA (FABRICA), GEOBRITA
(FABIRCA), HOTEL ZII, SHALON (GARAGEM DE ONIBUS), PELICANO (GARAGEM DE
ONIBUS), ACADEMIA MACHIDA, RESIDENCIAL CASTANEHIRA, HOTEL ITALIA,
SANTANDER, IGREJA MIR PARAUAPEBAS, IGREJA MIR SANTAREM, ESCOLA INFATIL
MORRO DOS VENTOS, ORICA (FABRICA DE EXPLOSIVOS), USINA HIDRELETRICA DE
BELO MONTE (M-3 INDÚSTRIA DE GERAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA) CERCA
DE 100.000,00 M² (SISTEMAS DE CO2, SISTEMA DE AGUA NEBULIZADA, SISTEMA DE
DETECÇÃO E ALARME, SISTEMA DE SUPRESSÃO, PROTEÇÃO PASSIVA, EXTINTORES
ESPECIAIS). SISTEMAS FIXOS DE COMBATE A INCENDIO PARA VEICULOS OFF ROADS
OS EQUIPAMENTOS DA EMPRESA VALE EM CARAJÁS E SALOBO.

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Prefácio

Olá, gestor! Seja muito bem-vindo!

Você que é responsável por uma empresa, profissional de segurança ou gerente


de compras, este ebook é dedicado a você. Pelo que já presenciamos e pelas
várias histórias na área de incêndios, nós sabemos o quanto é complicado o seu
papel para uma ação efetiva na área.

Existe um número grande de empresas hoje no Brasil que deixam a desejar em


todo o seu processo de segurança contra incêndio. O fator Nº 1 é a falta de
informação, que desencadeia erros de projetos, erros na instalação, manutenção,
plano de emergência, plano de manutenção, treinamento e até no simulado.
Infelizmente, o resultado provocado disto é que 90% das empresas não estão
protegidas no Brasil. Posso citar, como exemplo, as escolas de São Paulo, estado
mais avançado na segurança contra incêndios. 90% das suas escolas estavam
com o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) vencido em 2019. Segue
link para você acessar a reportagem:
<https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/280261/em-sp-90-das-escolas-
estao-com-laudo-de-vistoria-d.htm>

O AVCB é um certificado de ocupação para uma edificação começar a funcionar.


Sua emissão se dar após um bombeiro ir na edificação fiscalizar 1 dia do ano,
para verificar o mínimo necessário. A obtenção deste certificado muitas vezes não
é fácil, e as empresas que passa por esse teste, acabam acreditando que o seu
processo de segurança contra incêndio terminou ou estar completo quando ela
recebe o AVCB. Elas acabam tendo uma sensação que estão totalmente
protegidas, mas na realidade, isto é uma falsa verdade.

Este é um dos motivos que comprovam a principal dificuldade na área de


incêndios: a variável informação. Este ebook traz um conteúdo que deveria ser
disponibilizado em todo curso de engenharia e arquitetura, sancionada pela Lei
Kiss – nome dado devido ao acidente ocorrido na Boate Kiss, onde morreram mais
de 230 pessoas. Essa lei obriga todas as universidades de engenharia e
arquitetura a terem cursos de segurança contra incêndio. Mas, três anos depois,
esta é uma luta que ainda não vencemos. Ainda não possuímos um curso que
aborde as proteções básicas. Vou deixar o link da lei para você acessa-la.
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13425.htm>

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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

A falta de informação torna difícil tanto o papel do profissional da segurança, como


dos compradores. Já vimos casos de cliente que no processo de compra havia
gasto mais de R$ 1 milhão em material errado devido a especificações técnicas
bem erradas, e depois tiveram que reinvestir nos materiais corretos, ficando
assim, com um grande prejuízo. Este é um caso que podemos visualizar como a
dificuldade de informação pode dar margem a pessoas se aproveitarem na venda
de materiais errados em um processo de licitação.

Por isso, eu dedico esse ebook a você, responsável por uma empresa, profissional
de segurança ou gerente de compras. Espero ajudá-lo a melhorar tanto o seu
processo de segurança contra incêndio, quanto o seu processo de compra dos
materiais necessários. Acredito que um pouco de informação de qualidade, vai lhe
ser muito útil.

Um breve contexto
da ciência do fogo

Dentro dos elementos de uso cotidianos da vida,


o fogo é o mais complicado para se entender.
(Hottel,1984)

Uma ciência ainda


recém-nascida no mundo

Ao longo dos últimos 500 anos, a ciência tem progredido a um ritmo acelerado
desde o início da generalidade matemática para um conjunto completo de
princípios de conservação necessário para resolver a maioria dos problemas. No
entanto, o fogo, uma das primeiras ferramentas da humanidade, precisou dos
últimos 50 anos para dar-lhe expressão matemática.

Fundamentals of fire phenomena (Quintiere)

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Projeto de incêndio: um guia completo para gestores de segurança

No contexto mundial, em termos reais, as perdas, danos ou prejuízos


relacionados aos incêndios não aumentaram significativamente ao longo das
últimas duas décadas. Entretanto, este contexto foi alcançado por um aumento
substancial em investimentos, os quais são: a melhoria da capacidade
técnica (conhecimento e educação) no serviço dos profissionais de segurança
contra incêndios e a adoção de sistemas mais sofisticados de proteção contra
incêndio.
Outros grandes avanços no combate a incêndio não são susceptíveis de
serem alcançados simplesmente pela aplicação contínua dos métodos
tradicionais. Para estes, é necessária uma abordagem mais profunda, no qual
pode ser aplicado na fase de projeto, em vez de confiar demasiadamente que
os riscos serão sanados dando atenção apenas no atendimento os códigos
prescritivos (as normas ou códigos normativos regionais). Tal abordagem
requer uma compreensão detalhada do comportamento do fogo do ponto de
vista da engenharia.
Por esta razão, pode-se dizer que um estudo da dinâmica do fogo é tão
essencial para o engenheiro de proteção contra incêndio como o estudo da
química para o engenheiro químico.
Na verdade, o termo “dinâmica de fogo” foi escolhido para descrever a teoria
do fogo. A complexidade do comportamento do fogo em toda a sua
compreensão exige o conhecimento não só da química, mas também de
muitos assuntos normalmente associados com as disciplinas de engenharia
(de transferência de calor, dinâmica de fluidos, equações diferenciais e etc).

Introdução a Dinâmica do fogo (Drysdale)

Os textos acima foram retirados das “nossas relíquias” e se referem aos


acontecimentos mais importantes da área de combate a incêndios no mundo. São
a base da engenharia de incêndios hoje.

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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

O projeto
e sua elaboração
Tudo na área de incêndio começa pelo projeto, e o projeto está intimamente ligado a
engenharia. Por isso, precisamos introduzir o conceito do termo Engenharia de
Incêndios. Este termo ainda é novo no Brasil, mas já utilizado por cerca de 50 anos
no mundo. A engenharia de incêndios é a aplicação de princípios da ciência e da
engenharia para proteger propriedades e pessoas do fogo e seus danos. Um conceito
de Engenharia muito bom é:

➔ Engenharia é aplicação do conhecimento científico, econômico, social e prático,


com o intuito de inventar, desenhar, construir, manter e melhorar estruturas,
máquinas, aparelhos, sistemas, materiais e processos. É também a profissão em
que se adquire e se aplica os conhecimentos matemáticos e técnicos na criação,
aperfeiçoamento e implementação de utilidades que realizem uma função ou
objetivo.

Sendo assim, pelo conceito, cabe ao engenheiro desenhar ou projetar. Itens


fundamentais na área de incêndios.

Para entender melhor a elaboração de projeto de segurança contra incêndio, você


precisará cumprir alguns requisitos. Aqui, daremos dicas para que você tenha
sucesso.

A primeira dica é que todo projeto precisa de um responsável técnico. O


responsável técnico é o profissional habilitado para assinar os projetos e o
dirigente das informações técnicas aplicadas nos documentos necessários. Cada
região do Brasil tem uma exigência para este profissional. Por exemplo, no Estado
do Pará, o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) permite que o responsável seja
engenheiro civil, arquiteto e/ou engenheiro mecânico com pós em segurança do
trabalho. Já o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CREA) exige que
para cada projeto específico de combate a incêndios é preciso um profissional de
engenharia específica. Exemplo: projeto de hidrante podem ser feitos por
engenheiros civis e/ou engenheiros ambientais e sanitaristas; projetos de acesso
de viatura, isolamento de risco, segurança estrutural nas edificações e
compartimentação horizontal e vertical tem que ser um engenheiro civil; projeto
de pressurização de escada de segurança tem que ser um engenheiro mecânico;
projeto de alarme de incêndio tem que ser um engenheiro eletricista; projeto de
resfriamento podem ser engenheiros mecânicos e/ou químicos; projeto de sistema
fixo de gases limpos e dióxido de carbono (CO2) podem ser engenheiros
mecânicos e/ou químicos...e assim por diante. Vale lembrar que, isto seria para
apenas um estado brasileiro. O que se dirá quanto a mudança de estado para
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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

estado. Na nossa opinião, isto é um dos absurdos da área. É também uma das
explicações porque a área é tão atrasada em relação ao mundo. Uma verdadeira
salada!

Sobre problemas de informação é importante:

Ter o conhecimento com grande propriedade das possíveis normas a serem


usadas: em alguns estados se aceitam NBR e Instituições Técnicas (IT) do Corpo
de Bombeiros. Em cada caso, é preciso analisar qual seria o ideal a se usar.
As normas que mencionaremos neste ebook são as normas e ITs utilizadas para
realizar os projetos essenciais.

Projetos essenciais:

Os quatro projetos básicos que toda edificação necessita, independentemente do


tipo de edificação e da sua área de risco, são:

• Projeto de extintores

• Projeto de saída de emergência

• Projeto de iluminação de emergência

• Projeto de sinalização de emergência

Projeto de
extintores
O uso de extintores tem o objetivo de nos proteger de princípios de incêndios. Para
que isto aconteça, eles precisam estar posicionados e em números estratégicos. Estes
itens são estabelecidos no projeto de extintores, cujo amparo é o atendimento as
exigências que precisam ser seguidas.

O dimensionamento do extintor é baseado na capacidade extintora, ou seja, o quanto


o extintor apaga o fogo. A maioria das pessoas no Brasil não conhecem ou entendem
sobre isso.

Você já viveu a experiência de ir a uma loja de extintores e precisar escolher qual o


tipo?

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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

O primeiro dimensionamento que precisei apender foi o de extintores. Como já falei


anteriormente, é normal ter dificuldade de informação e isso é o contexto de todo o
Brasil. Esta falta de conhecimento dos profissionais e a acomodação da área, foi o
que me despertou a curiosidade sobre o assunto. O assunto é simples e de fácil
entendimento, mas poucas pessoas sabem. A norma NBR 12693 de 1993 era a usada
na época e tinha apenas um item confuso (a área máxima protegida pela capacidade
extintora de 1A). Com a atualização em 2010, o que era simples, ficou mais ainda.

Vamos, então, dar uma olhada sobre capacidade extintora.

Geralmente, quando uma pessoa vai comprar um extintor, a escolha é feita pela
capacidade nominal. Um exemplo dos modelos existentes no mercado brasileiro é o
PQS (2kg, 4kg, 6kg, 8kg, 12kg, 20kg, 25kg, 30kg, 50kg, 55kg) e PQS ABC / BC.

Anotação importante

Você sabia que PQS significa Pó Químico Seco? Termo usado na década de 90,
mas pouco usado hoje, e poucas pessoas conhecem.

CO2 – dióxido de carbono (2kg, 4kg, 6kg, 10kg, 25kg)


Ap – água pressurizado (10L, 25L)

Mas você sabia que não se escolhe extintor dessa forma, e sim pelo quanto ele
apaga? E que cada fabricante tem uma capacidade extintora para a sua capacidade
nominal?

Quando vemos números na frente das letras das classes extintora (A, B e C), isto
representa quanto o extintor apaga, ou seja, sua capacidade para a respectiva classe.
Vejamos:

A tabela a seguir representa uma lista de extintores Pó ABC comerciais da empresa


Kidde Brasil do ano de 2009. Mostraremos, posteriormente, outra tabela atualizada
para vermos a diferença.

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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Modelo Código do Classe de Capacidade Agente


Carga (kg)
certificado Produto fogo Extintora Extintor

KB-P4ABC55 2.009.084 ABC 2-A:20-B:C 4 Fosfato


monoamônico

KB-P4BCK95 2.501.002 BC 20-B:C 4 Bicarbonato


de Sódio

KB-P6ABC55 2.009.269 ABC 3-A:20-B:C 6 Fosfato


Monoamônico

KB-P6BCK95 2.502.002 BC 20-B:C 6 Bicarbonato


de Sódio

KB-P8ABC55 2.009.086 ABC 4-A:30-B:C 8 Fosfato


Monoamônico

KB-P8BCK95 2.503.002 BC 30-B:C 8 Bicarbonato


de Sódio

KB-P12ABC55 2.009.087 ABC 3-A:20-B:C 12 Fosfato


Monoamônico

KB-P12BCK95 2.504.002 BC 30-B:C 12 Bicarbonato


de Sódio

Os itens da 4° coluna da tabela acima representam a capacidade extintora.


Selecionando o penúltimo tipo, ele possui a capacidade extintora de 3A:20B:C. Isto
quer dizer que ele apaga 3A (3 quantidades de madeira), 20B (20 quantidades de
líquido combustível) e 1C (uma quantidade de equipamento elétrico).

Anotação importante

O item C não é contável. Ele sempre possui 1C, pois não é possível conferir ou
quantificar esse risco. Todo risco elétrico deve ser protegido por 1 extintor classe C.
Neste quesito, não há diferença entre um aparelho de dimensões elétricas pequenas
ou grandes. Todos são 1C.

Note que um extintor de 12kg ABC, na tabela do ano de 2009, tem capacidade
3A:20B:C e apaga a mesma quantidade que o que um extintor de 6kg ABC. Note
também que o extintor de 8kg ABC (4A:30B:C) tem mais capacidade extintora que um
extintor de 12kg.

A seguir, a tabela atualizada:

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KB-P2,3ABC90 2.134.100 ABC 2-A:40-B:C 2,3 Fosfato monoamônico

KB-P4,5ABC90 2.136.100 ABC 4-A:80-B:C 4,5 Fosfato Monoamônico

KB-P9ABC90 2.138.100 ABC 6-A:120-B:C 9 Fosfato Monoamônico

KB-P25ABC90 2.601.001 ABC 20A:120-B:C 25 Fosfato Monoamônico

KB-P8ABC55 2.601.002 ABC 30-A:160-B:C 55 Fosfato Monoamônico

KB-DABC55-3 2.009.210 ABC 1-A:5-B:C 900g Fosfato Monoamônico

KB-DABC55-35 2.009.211 ABC 1-A:5-B:C 900g Fosfato Monoamônico

KB-DABC55-4 2.009.212 ABC 1-A:5-B:C 900g Fosfato Monoamônico

KB-P2ABC55 2.009.078 ABC 2-A:10-B:C 2 Fosfato Monoamônico

KB-P4ABC55 2.009.080 ABC 2-A:10-B:C 4 Fosfato Monoamônico

KB-P4ABC55 2.009.084 ABC 2-A:20-B:C 4 Fosfato Monoamônico

KB-P4ABC55 2.009.268 ABC 2-A:20-B:C 4 Fosfato Monoamônico

KB-P4BCK95 2.501.002 BC 20-B:C 4 Bicarbonato de Sódio

KB-P6ABC55 2.009.081 ABC 3-A:20-B:C 6 Fosfato Monoamônico

KB-P6ABC55 2.009.085 ABC 3-A:20-B:C 6 Fosfato Monoamônico

KB-P6ABC55 2.009.269 ABC 3-A:20-B:C 6 Fosfato Monoamônico

KB-P6BCK95 2.502.002 BC 20-B:C 6 Bicarbonato de Sódio

KB-P6BCK9 2.009.086 ABC 4-A:30-B:C 8 Fosfato Monoamônico

KB-P12ABC55 2.503.002 ABC 30-B:C 12 Bicarbonato de Sódio

KB-P12BCK95 2.009.087 ABC 6-A:30-B:C 12 Fosfato Monoamônico

KB-P20ABC55 2.504.002 BC 30-B:C 20 Bicarbonato de Sódio

KB-P2OBCK95 2.193.007 ABC 6-A:30B:C 30 Fosfato Monoamônico

KB-P50BCK95PP 2.507.000 BC 40-B:C 50 Bicarbonato de Sódio

KB-CO24 2.212.001 BC 5-B:C 4 Gás Carbônico

KB-CO26 2.214.003 BC 5-B:C 6 Gás Carbônico

KB-C KB-CO210O210 2.216.005 BC 5-B:C 10 Gás Carbônico

KB-CO225 2.922.583 BC 10-B:C 25 Gás Carbônico

KB-A10 2.505.001 A 2-A 10 litros Água

KB-EM10 2.506.001 AB 2-A:10-B 10 litros Espuma Mecânica

KB-EM50 2.237.001 AB 6-A:20-B 50 litros Espuma Mecânica

KB-P30BCK95 2.009.141 BC 80-B:C 30 Bicarbonato de Sódio

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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Os itens de amarelo da tabela são os extintores especiais. Eles possuem alta


capacidade extintora. O extintor de 4,5kg é um dos mais escolhidos em projetos
especiais, pois possui 80B:C. Se compararmos ele com o extintor de 50kg, uma
carreta (extintor sobre rodas), deste mesmo fabricante, o de 50kg apaga 40B:C, ou
seja, metade do de 4,5kg.

Os itens de verde da tabela são extintores de 12kg e de 20kg. Ambos apagam


6A:30B:C.

O item de vermelho da tabela é um extintor de CO2 25kg, uma carreta, que apaga a
mesma quantidade de um extintor de 2kg (extintor veicular). Essa informação é muito
importante, pois aqui vemos claramente o baixo poder de extinção do CO2. Ele é o
extintor mais caro, devido ao corpo do cilindro e a sua recarga ser de alta
pressurização. A sua vantagem está em não deixar resíduos. Algumas normas
brasileiras indicam este extintor para risco de alto poder elétrico, mas seu disparo pode
provocar choques térmicos e danificar os equipamentos. Resumindo: não indicamos,
a não ser que seja em uma sala de muitos computadores.

Os itens de azul escuro da tabela são ambos extintores de 30kg e apagam 2


capacidades diferentes: 30B:C e 80B:C.

Os itens de azul claro da tabela são extintores de espuma mecânica. Os mesmos têm
baixo poder de capacidade extintora para o liquido combustível, mas a fiscalização
tem exigido preferencialmente ele do que o de pó químico. Na nossa visão, eu vejo
vantagem nisso apenas na aplicação de resfriamento (sistema de hidrantes com
grandes quantidades de dosagem de espuma), mas para extintor é incoerente.

E a pergunta que quase ninguém responde ou é difícil de achar a reposta: quanto


apaga 1A, 1B ou 1C? 1C nós já respondemos, mas vamos lá. A primeira vez que
tivemos essa reposta foi em 2007, em um curso da Buller Consultoria sobre extintores
de incêndio. Isso era informação privilegiada.

Abaixo o link do vídeo que tivemos oportunidade de colocar no canal do YouTube:

Como podemos ver, esse assunto é muito importante para um correto


dimensionamento de extintores. São raríssimos os profissionais que entendem essas
informações ou as utilizam de maneira a tirar máximo aproveito em um
dimensionamento. Esse conhecimento possibilidade e facilita, por exemplo, pesquisar
quais os valores dos fabricantes de extintores com a melhor relação capacidade
extintora versus custo.
14
Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

A NBR e a fiscalização
Hoje, se estar bem fácil fazer o dimensionamento de extintores pela norma NBR
12693/2010. Seguimos as tabelas:

Risco Classe A
Capacidade Extintora Distância Máxima a ser
Classe de Risco
Mínima Percorrida

Baixo 2-A 25

Médio 3-A 20

Alto 4-A 15

Dois extintores com carga d’água de capacidade extintora 2A, quando instalados um
ao lado do outro, podem ser utilizados em substituição a um extintor 4A.

Capacidade Extintora Distância Máxima a ser


Classe de Risco
Mínima Percorrida

Baixo 20-B 15

Médio 40-B 15

Alto 80-B 15

Para fogos em líquidos e gases inflamáveis pressurizados, ver 6.3.1 da norma.

Fazemos parte de um grupo de pesquisa que tem vários membros em todo o Brasil e
nesta comunidade se compartilhava, a um tempo atrás, a reprovações de muitos
projetos, onde a fiscalização cobrava extintores tentando atender aos 2 itens de risco
das tabelas. Por exemplo: um prédio de classe de ocupação D-1, risco médio
(escritórios), só precisa atender ao risco A, e não ao B. No entanto, o que a fiscalização
exigia era um extintor de capacidade extintora de 3A:40B:C, o qual não existe. O
correto seria um extintor com a capacidade 3A. Na tabela da capacidade extintora
seria o extintor de 6kg 3A:20B:C.

Se procurarmos o texto da antiga NBR 12693, de 1993, ele descreve melhor o que
seria o risco de classe B. Os riscos de incêndio de classe B se divide em duas
categorias:
15
Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

• Categoria 1 - líquidos com profundidade até 6 mm


• Categoria 2 - líquidos inflamáveis com profundidade superior a 6 mm

Mas essa clareza foi retirada na atualização. Ainda assim, no mínimo é exigido 2
extintores de capacidade extintora de 2A:20B:C. Comumente, seria um de pó químico
de 4kg ABC em cada pavimento da edificação.

Capacidade
Extintora Reduzida

Quando a capacidade extintora não está declarada no extintor ou algum componente


original foi substituído em sua manutenção, não é possível averiguar a capacidade
extintora. Sendo assim, ela deve seguir a tabela abaixo retirada da NBR 12693/2010 -
ANEXO C.

Seguir a tabela resulta na diminuição da capacidade extintora. Isto é algo que


comprometeria diretamente a edificação, pois um extintor que foi recarregado por uma
empresa, sem conseguindo manter a sua capacidade extintora, promove mudanças
ou o não atendimento ao projeto desenvolvido para a edificação. Um bom fiscal seria
capaz de perceber a situação e reprovar a vistoria anual desta edificação. Tal situação
é uma polêmica na área. Lembramos aqui, mais uma vez, que nosso grande problema
da área é a falta de informação e educação.

Extintor Portátil Extintor sobre Rodas


Agente Extintor
Capacidade Extintora Capacidade Extintora
Carga Carga
Equivalente Equivalente
75 L 10 A
Água 10 L 15 150L 20 A

Espuma Mecânica 9L 15

10 kg 5B
15 25 kg 10B
Gás Carbônico (CO₂) 80-B 30 kg 10B
50 kg 10B
1 kg 2B
2 kg 2B 20 kg 30B
Pó a base de 4 kg 10B 50 kg 30B
Bicabornato de Sódio 6 kg 10B
8 kg 100 kg 40B
10B
12 kg 20B

1 kg 2B
Hidrocarbonetos 2 kg 5B
Halogenados 2,5 kg 10B
4 kg 10B

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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Bônus
Como existe dificuldade em reconhecer os fabricantes dos extintores, resolvemos
compartilhar os símbolos que coletamos ao longo de nossa jornada profissional para
facilitar aos interessados.

Projeto de Saída
de Emergência
As saídas de emergência nas edificações é uma das medidas mais importantes no
projeto de combate a incêndio. Podemos falar que a missão da proteção contra
incêndios é salvar vidas e patrimônio, e o dimensionamento das saídas de emergência
é o principal elemento para o primeiro item desta missão.

Normas:
• Instrução Técnica Nº 11/2019 - Saídas de Emergência, Estado de São Paulo;
• NBR 9077/2001 - Saídas de emergência em edifícios, nível Nacional.
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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

As normas citadas são as mais comuns de serem utilizadas. Ambas tratam sobre as
saídas de emergência, estabelecendo os requisitos mínimos necessários para o seu
dimensionamento, o que possibilita garantir que a população consiga abandonar o
local em segurança em caso de um incêndio.

Dica importante

➔ Deve permitir a evacuação da população do local em 1 minuto para


cada pavimento. Se a edificação possui 3 pavimentos, o tempo
máximo de evacuação do local deve ser de 3 minutos.

Isso é o mais importante que se deve visar neste dimensionamento.

Infelizmente, ainda hoje, encontramos um imenso número de edificações que não


atendem o mínimo para promover as saídas de emergência. As principais causas
disso é o fato de as edificações serem antigas, as normas não serem conhecidas e/ou
divulgadas e, também, devido aos projetistas não terem o foco ou a preocupação com
a área de incêndios.

“Mas depois do prédio construído, como mudar a geometria das paredes?”


A verdade é que a mudança só acontece reformando. Isso requer um investimento
bem alto, ou possivelmente, o investimento mais caro da área de incêndios.

“E como provar que a população conseguirá sair no tempo certo?”


É através dos cálculos para a verificação dos tamanhos ou medidas dos acessos e
aberturas de três itens: portas, corredores e escadas.

Dica
Os maiores erros na área de proteção contra incêndio são encontrados no
dimensionamento das saídas de emergência: corredores com tamanhos onde
não passam duas pessoas, escadas que atrasam em três vezes mais o tempo
para a evacuação, alarmes ao abrir portas sem sentido, distâncias enormes para
se sair por caminhos em contramão...em outras palavras, verdadeiros labirintos
disfarçados de edificação.

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Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Dimensionamento das saídas de emergência


Exemplo: uma edificação cuja ocupação é academia. Usamos essas informações para
dimensionar e elaborar um relatório.

Divisão: E-3
Ocupação/Uso: Locais de ensino e/ou práticas de artes marciais, ginásticas (artística,
dança, musculação e outros)

Área:
Térreo: 293,72 m²
Mezanino: 108 m²
Total = 401,72 m²

Precisamos fazer os cálculos para os três itens – portas, corredores e escadas – para
cada pavimento.

Trecho do Anexo A da IT Nº 11/2019 de São Paulo:


(0) Capacidade da Unidade de
Ocupação
(A)
Passagem (UP)
População
Acessos/ Escadas/
Grupo Divisão Descargas Rampas Portas

Uma pessoa por 7 m2 de área


(L)
D
100 75 100
Uma pessoa por 1,5 m2 de área de sala de
E-1 a E-4 (F)(N)
aula
E
Uma pessoa por 1,5 m2 de área de sala de
E-5, E-6 (F)(N) 30 22 30
aula

Informação importante
➔ 1 unidade de passagem (UP) é a quantidade que vale a distância de 0,55 metros
(a largura do ombro humano);
➔ A capacidade da unidade de passagem é o número de pessoas que precisam
passar por um corredor, escada ou porta em 1 minutos. No nosso exemplo é
100, 75 e 100, respectivamente.

São com essas informações que fazemos o dimensionamento e provamos o


tempo de evacuação da edificação.

Térreo
Área 293,72 m² – a legislação pontua uma pessoa por 1,5 m².
Área de sala 294,00 m² / 1,5 = 196 pessoas no térreo.

19
Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Portas: Precisamos selecionar ou analisar o número de população da maior sala ou


de todo o pavimento. Nem sempre, precisamos fazer o cálculo para todas as portas,
pois se atender a maior sala – o qual terá o maior número de população – nas outras
usualmente atende.

No térreo, geralmente é usado o número de toda a população do pavimento para o


cálculo.
Portas = 196 / 100 = 2UP (unidade de passagem) = 1 porta de 1 metro.

➔ Pela IT Nº 11/2019 de São Paulo, quando a população for maior que 100 pessoas,
as portas devem abrir para fora ou permanecer aberta durante expediente.

Corredores: Tem que analisar o espaço e população em um ambiente, a fim de não


promover efeito gargalo. O cálculo é realizado da mesma forma que para portas, mas
no nosso exemplo não há corredores. Porém, a exigência mínima é de 2UP = 1,1 m.
Como a largura mínima é 1,20 m – atende.

Distâncias máximas a serem percorridas: outro item que precisa atender. Tem que
seguir a tabela da página seguinte retirado do Anexo B da IT Nº 11/2019 de São Paulo.

O térreo tem 2 saídas sem sistema de sprinkler ou de detecção, assim:


Distância máxima a percorrer = 50,00 m
A distância máxima no pior caso é 17,00 m (verificado no projeto) – atende.

Mezanino
• Área de salas = 108m² /1,5 = 72 pessoas
• 72/100 = 1 UP para corredores e para portas – menor corredor com 1,20 m e
menor porta com 0,80 m (verificado no projeto) – atende.
• Escadas 72/75 = 1UP – Possui escada com 1,50 (3UP) – atende.
• Distância máxima a percorrer = 30,00 m. Possui 35,00 m. – não atende.
35 m – 5 metros de erro por 3UP e existe apenas escada de 1,2 m (2UP),
verificado no projeto. Isto representa um erro de 33%, ou seja, um atraso de 20
segundos.

Dica

Implantar sistema de alarme e detecção de fumaça, para compensar a distância


máxima a percorrer. Com detecção de fumaça aumentaria para 35 metros.
Solução mais barata contra a opção de refazer a escada ou criar outra saída. Em
alguns lugares no Brasil, você poderia limitar, documentando o número de sua
população de maneira a promover o número possível para a evacuação no tempo
mínimo.

20
Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Anexo B – IT Nº 11/2019 de São Paulo

Distancias máximas a serem percorridas


Grupo e divisão de

Sem chuveiros automáticos Com chuveiros automáticos


ocupação

Saída única Mais de uma saída Saída única Mais de uma saída
Andar
Sem Sem Sem Sem
detecção Com detecção Com Com Com
detecção detecção
detecção detecção detecção detecção
automática automática automática automática
automática automática automática automática
de fumaça de fumaça de fumaça de fumaça
de fumaça de fumaça de fumaça de fumaça
(ref) (ref) (ref) (ref)

De saída da
edificação
(piso de 45 m 55 m 55m 65 m 60 m 70 m 80 m 95 m
AeB descarga)

Demais
andares 40 m 45 m 50m 60 m 55 m 65 m 75 m 90 m

De saída da
C, D, E, edificação
F, G-3, (piso de 40 m 45 m 50m 60 m 55 m 65 m 75 m 90 m
G-4, G-5, descarga)
H, L
eM Demais
30m 35 m 40 m 45 m 45 m 55 m 65 m 75 m
andares
De saída da
edificação
I-1 e (piso de 80 m 95 m 120 m 140 m - - - -
J-1 descarga)

Demais
70 m 80m 110 m 130 m - - - -
andares
De saída
da
G-1, edificação 50 m 60m 60 m 70 m 80 m 95 m 120 m 140m
G-2 (piso de
e J-2 descarga)
Demais
45 m 55 m 55 m 65 m 70 m 80 m 110 m 130 m
andares
De saída da
edificação
I-2, I-3, (piso de 40 m 45 m 50 m 60 m 60 m 70 m 100 m 120 m
J-3 e descarga)
J-4
Demais
andares 30 m 35 m 40 m 45 m 50 m 65 m 80 m 95 m

21
Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Total de erros ou tempo de atraso

O tempo estabelecido pela norma é de 1 minuto para cada pavimento. Neste


exemplo, teríamos um tempo total de 2 minutos e 20 segundos no total da
evacuação. Desta forma, não atende ao tempo mínimo exigido.

Dica

Os cálculos demonstrados aqui tem a intenção de dar a noção básica e um


entendimento de como usamos nos nossos relatórios. Os relatórios permitem
registrar os cálculos feitos e obter rastreabilidade e checagem de erros. Serve
também para facilitar a análise do fiscal da área e a defesa do projeto,
garantindo a aprovação. Serve ainda para defender diante de limitações da
edificação. (Temos outras maneiras para defesa, mas será abordado em outro
material).

Projeto de Iluminação
de Emergência

A ideia básica para projetar a iluminação de emergência é iluminar o caminho para a


evacuação das pessoas em um momento que haja a falta de luz. Quando isto acontece,
as pessoas costumam entra em pânico e o objetivo é evitar o pânico.

Para o projeto de iluminação de emergência, vamos deixar um checklist para facilitar


no seu entendimento. Itens que precisa verificar:

• Distância máxima entre si


• Se a sala é menor de 50m²
• Lumens
• Distância máxima 4x a altura de instalação
• Autonomia de iluminação

Pela normatização, é necessário que as iluminações de emergência (ou blocos


autônomos) estejam em uma distância máxima de 15 em 15 metros. Se uma sala tiver
um tamanho menor do que 50 m², não é necessário iluminação de emergência. Sobre a
quantidade de iluminação que a lâmpada precisa iluminar, temos os valores de 3 lx para
22
Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

ambientes normais e 5 lx para ambientes de desnível. No cálculo para dimensionar a


iluminação de emergência, você deve usar a distância máxima entre elas, sendo 4 vezes
a altura da sua instalação em relação ao nível do piso. Por fim, a autonomia de
iluminação deve ser no mínimo de 1 hora de funcionamento do sistema de iluminação.

Projeto de Sinalização
de Emergência
Esta será a nossa última oferta neste material, caro leitor. Não nos alongaremos no
assunto de projetos de sinalização de emergência, mas compartilharemos as dicas
mais importantes.

Seguindo a NBR 13434/2004, a sinalização de emergência se divide em três partes:

Parte 1: Princípios de projeto


Parte 2: Símbolos e suas formas, dimensões e cores
Parte 3: Requisitos e métodos de ensaio

A Parte 1 e a Parte 2 da norma são importantes para o dimensionamento do projeto.


A Parte 3 é usada para a composição ou exigência de qualidade do sinal ou da placa.
A exigência deste conjunto de itens, na nossa opinião, torna o produto muito caro e
sem inviabilidade na comercialização. Alguns centros de fiscalização CBM usam do
bom senso para dizer como atender a norma e exigem apenas três itens de grande
importância: resistência ao fogo sem derretimento, fotoluminescência (brilhar no
escuro) e validade de 5 anos em ambientes internos.

Voltando os olhos para o dimensionamento, precisamos conhecer os tipos de


sinalização:

a) Sinalização de proibição (proibido fumar, proibido produzir chama);

b) Sinalização de alerta (risco de incêndio, risco elétrico);

c) Sinalização de orientação e salvamento (rotas de fuga);

d) Sinalização de equipamentos de combate e alarme (extintores, alarme,


hidrantes).

O dimensionamento é muito fácil para os itens a, b, e d, os quais precisam estar no


exato local do que estão indicando.

23
Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Dica

Para o item c: o seu dimensionamento somente será possível após a


elaboração das saídas de emergência, pois é necessário temos a direção de
fluxo de saídas, para assim, dimensionar a sinalização de emergência de
orientação e salvamento (rota de fuga).
Uma informação importante: as placas devem estar posicionadas em uma
distância entre elas de 15 metros, deste modo, o observador no pior caso ficaria
a 7,5 metros.

Na Parte 2 da norma é onde a maioria das pessoas se confundem. Item polêmico:


cálculo para o tamanho da placa versus o tamanho da placa comercializado no
mercado brasileiro.

A tabela abaixo apresenta os valores já calculados dos tamanhos das placas em


relação a distância do observador, baseado na norma. São estes tamanhos de placas
que comumente encontramos nos projetos. Entretanto, são valores os quais não
existem no mercado brasileiro.

Forma Cota Distância máxima de visibilidade (m)


Sinal
Geométrica (mm) 4 6 8 10 12 14 16 18 20 24 28 30

Proibição 101 151 202 252 303 353 404 454 505 606 706 757
D

Alerta L 136 204 272 340 408 476 544 612 680 816 951 1019

L 89 134 179 224 268 313 358 402 447 537 626 671

Orientação,
salvamento e L
equipamentos

H
H 63 95 126 158 190 221 253 185 316 379 443 474
(L=2H)
L
As dimensões (cotas) apresentadas são valores mínimos de referência para distâncias dadas.

24
Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

A tabela abaixo é um exemplo de projeto dimensionado com placas não comerciais


retangulares, de forma a ter placa com tamanho 315mmx158mm, inexistente no
mercado.

Cód./Dim. Símbolo Significado

14 Saída de Emergência
315/158

16 Escada de Emergência
315/158

17 Saída de Emergência
315/158

21 Comando manual
da Bomba de Incêndio
358

23 Extintor de Incêndio
358

25 Mangotinho
358

24 Abrigo de Mangueira e Hidrante


358

Alguns fornecedores de placas já oferecem no seu portifólio os tamanhos calculados


de acordo com o que seria encontrado no mercado, conforme as tabelas a seguir:

25
Projeto de Incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Forma geométrica Forma geométrica

A A

h h
L L
Medidas (mm) Distância de observação (m)
80x80 4 Medidas (mm) Distância de observação (m)
120x120 5 75x150 5
150x150 7 100x240 7
200x200 9 120x240 8
300x300 13 150x200 8
400X400 18 200x70 5
200x100 6
200x300 11
Forma geométrica
200x400 13
300x150 9
300x400 16
300x600 19
400x100 9
400x120 10
h 600x150 13
Medidas (mm) Distância de observação (m) 600x200 16
Base 100 5 800x600 31
Base 200 7
Base 300 9

Forma geométrica Forma geométrica

h
h h
Medidas (mm) Distância de observação (m)
Medidas (mm) Distância de observação (m) 100x100 4
140x180 4 150x150 7
150x200 8 300x300 13
200x300 11 400x400 18

Dica

Os tamanhos das placas fornecidos pelos fabricantes são os tamanhos os


quais devemos pôr no projeto de sinalização de emergência. Vejamos no
projeto demonstrado anteriormente: a placa 14 (saída em frente) com tamanho
de 315x158mm, nos obrigaria a usar uma placa de tamanho comercial maior,
que seria de 400x200mm. Assim, a distância do observador cobriria 13 metros,
o que significa quase o dobro do que estamos buscando (7,5m). Desta forma,
pelo material do fornecedor, precisaríamos apenas dos tamanhos de
240x120mm ou 150x200mm.

26
Projeto de incêndio: um guia completo para gestores de segurança

Conclusão

Infelizmente, muitas empresas deixam a desejar em todo o processo de segurança


contra incêndio. O grande problema na área é a falta de informação. Esta falta de
informação dificulta o papel do profissional de segurança e dos compradores, como
também dar margem a pessoas se aproveitarem na venda de materiais errados em um
processo de licitação.
O objetivo deste ebook foi contribuir com você, gestor de segurança, a melhorar o seu
processo de segurança contra incêndio e o seu processo de compra de materiais
necessários na área. Espero que tenha sido útil para você!

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