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IES “San Fernando Rey”

Profesorado de Portugués para la


educación secundaria

Espacio curricular: Lingüística y


Adquisición del Lenguaje

Prof. Emilio R. Castillo Hernández

1° Cuatrimestre - 2020

Apostilha

Espacio curricular: Lingüística y Adquisición del Lenguaje – Profesorado de Portugués para la educación
secundaria – IES “San Fernando Rey” - Prof. Emilio R. Castillo Hernández - 2020
Texto n° 1

O que é linguística?
Linguística é a ciência que se ocupa em estudar as características da linguagem
humana.
O linguista é responsável por analisar e investigar toda a evolução e desdobramentos
dos diferentes idiomas, bem como a estrutura das palavras, expressões idiomáticas e aspectos
fonéticos de cada língua.
O “pai” da linguística moderna foi o suíço Ferdinand de Saussure, que contribuiu
imensamente para esta ciência graças ao seu estudo sobre a língua e a fala.
De acordo com os estudos de Saussure, a linguagem humana é composta por vários
fatores, sendo a língua algo que foi imposto ao indivíduo, pois pertence ao coletivo. Já a fala é
algo individual, um ato particular de cada pessoa.
Para a linguística, todas as palavras que possuem um sentido são consideradas
signos linguísticos.
Os signos linguísticos são formados pela união de dois conceitos desenvolvidos por
Saussure: significado e significante.
O significado é o próprio conceito do signo, ou seja, a ideia que se tem de determinada
palavra. Exemplo: “casa”, como uma moradia ou “cachorro”, como um animal mamífero que
late.
Já a significante é a forma gráfica e fonética do signo que forma a palavra que é
atribuída para determinado significado.
A linguística ainda pode ser dividida em sincrônica (o estudo da língua a partir de
dado momento) ou diacrônia (estudo da língua ao longo da história).
A ciência da linguística ainda é dividida em diferentes áreas de estudo, como:
• Fonética (sons da fala);
• Fonologia (fonemas);
• Morfologia (formação, classificação, estrutura e flexões das palavras);
• Sintaxe (relação das palavras com outras orações);
• Semântica (significação das palavras);
• Estilística (recursos para tornar a escrita mais elegante ou expressivo, constituído
principalmente pelas Figuras de Linguagem e os Vícios de Linguagem).
• Lexicologia (conjunto de palavras de um idioma);
• Pragmática (fala usada na comunicação cotidiana);
• Filologia (língua estudada através de documentos e escritos antigos).
Variação linguística
A variação linguística é um fenômeno comum e que acontece dentro de um mesmo
idioma, quando fatores históricos, regionais e culturais alteram características da língua de
seus falantes.

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No Brasil, por exemplo, mesmo o idioma oficial sendo o português, cada região do país
possui as suas particularidades linguísticas, devido a influência sofrida por contextos históricos
regionais.
Além do regionalismo, as variações linguísticas podem de desenvolver de acordo com
as condições culturais e sociais, originando os jargões e as gírias, por exemplo.
Linguística aplicada
A linguística aplicada é o uso desta ciência diretamente no aperfeiçoamento da
comunicação humana.
O método de ensino de idiomas é um exemplo de linguística aplicada, pois todo o
conhecimento a cerca das definições linguísticas de determinada língua é orientado para o
aprendizado de outras pessoas.
Linguística cognitiva
A linguística cognitiva é uma das abordagens teóricas que englobam os estudos da
Linguística, que nasceu como uma oposição às teorias formais dentro da área, como a
chamada linguística gerativa.
O diferencial da linguística cognitiva está na forma como analisa a abordagem da
linguagem, através de experiências e relações humanas, e não como uma “entidade
autônoma”.
A linguística cognitiva diz que a linguagem é parte integrante de fatores culturais,
psicológicos, funcionais e comunicativos dos seres humanos com o mundo.
Linguística histórica
Também conhecida por linguística diacrônica, a linguística histórica se ocupa de
estudar a origem das línguas, verificando o seu desenvolvimento, suas influências, as
alterações que sofreu ao longo dos anos e os motivos dessas mudanças.
Linguística forense
Este é o ramo da linguística aplicada destinada a estudar a linguagem dentro do
contexto forense. Está relacionado com a interação entre a linguagem e o sistema jurídico,
judiciário e ético. O linguista forense pode atuar nas atividades de perícia e investigação de
evidências linguísticas em um crime, por exemplo.
Fonte: https://www.significados.com.br/linguistica/
Texto n° 2

O conceito de Linguística
O conceito de linguística (do francês linguistique) refere-se àquilo que pertence ou que
é relativo à linguagem. A palavra também permite fazer alusão à ciência cujo objeto de estudo
seja a língua.
Desta forma, a linguística, enquanto ciência, dedica-se à análise da natureza e às leis
que regem a linguagem. Ao contrário da filologia, a qual se interessa pelo desenvolvimento
histórico das línguas em textos escritos e no contexto da literatura e da cultura associada, a
linguística procura explicar como funcionam as línguas a uma determinada altura com o intuito
de compreender o seu funcionamento geral.
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A linguística moderna desenvolveu-se a partir do século XIX. Com a publicação
póstuma de “Curso de linguística geral” (1916), de Ferdinand de Saussure, a linguística tornou-
se numa ciência integrada à semiologia. Começou por suscitar alguma polémica relativamente
à distinção entre língua (o sistema) e a fala (o uso) e na definição de signo linguístico
(significado e significante).
No século XX, Noam Chomsky desenvolveu a corrente do gerativismo com a gramática
generativa transformacional, que se centra na língua enquanto processo da mente do falante e
na capacidade inata (genética) em adquirir e usar uma língua.
O estudo da língua enquanto sistema aplica-se em vários níveis: o fonético-fonológico
(fonologia e fonética), o morfológico (morfologia), o sintático (sintaxe), o léxico (lexicologia e
lexicografia) e o semântico (semântica).
Do ponto de vista da fala, em contrapartida, pode-se considerar o texto como sendo a unidade
superior de comunicação e a pragmática, aquela que estuda a enunciação e o enunciado.
Leia mais: Conceito de linguística - O que é, Definição e Significado
http://conceito.de/linguistica#ixzz4fOqnFFsi

Texto n° 3

A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM
Publicado em 21 de novembro de 2008 por WALERIA CAMINHA
A linguagem é considerada a primeira forma de socialização da criança e, na maioria
das vezes, é efetuada explicitamente pelos pais através de instruções verbais durante
atividades diárias, assim como através de histórias que expressam valores culturais. A
socialização através da linguagem pode ocorrer também de forma implícita, por meio de
participação em interações verbais. Desta forma, através da linguagem a criança tem acesso,
antes mesmo de aprender a falar, a valores, crenças e regras adquirindo os conhecimentos de
sua cultura. A medida que a criança se desenvolve, seu sistema sensorial, incluindo a visão e
audição, se torna mais refinado e ela alcança um nível linguístico e cognitivo mais elevado,
enquanto seu campo de socialização se estende, principalmente quando ela entra para escola
e tem maior oportunidade de interagir com outras crianças.
Quanto mais cedo à criança se envolve nas relações sociais, mais benefícios obterá a
curto ou longo prazo, tendo em vista as experiências e aprendizagens que resultam de tais
interações.
Na aquisição da linguagem, o método como se desenvolve a língua, como se adquire
as primeiras palavras, a fala, enfim, é tudo um processo, embora natural, é longo e difícil.
O começo dessa aquisição seria o primeiro choro da criança ao nascer. Durante o
processo, com o passar dos dias, a criança aos poucos vai adquirindo suas primeiras palavras
através do comportamento observável, ou seja, a criança cercada da família, observa as
palavras e de acordo com a fase em que se encontra, tenta se comunicar com quem os
cercam.

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Tais fases, a primeira seria a do jargão, em que a criança começa a produzir cadeias
de enunciados, meias palavras, ainda não analisáveis, mas que são completamente
interpretáveis para nós adultos. Ocorre normalmente aos dezoito meses de vida da criança. A
segunda fase será a das palavras, em que a criança através de imitações; gestos desenvolvem
as primeiras palavras, ocorrendo por volta dos dois anos de idade. A terceira e última fase seria
a das frases onde a criança já empregando estruturas com frases curtas, com erros de
gramática e de pronúncia, mais, porém não deixa de ser frases compreensíveis, sendo que a
criança já é capaz de produzir uma verdadeira comunicação.
Aos poucos, ela vai notando algumas inadequações em sua produção oral, observando
o comportamento adulto e modificando-os.
Sendo assim, a língua, para a criança é um instrumento que ela usa para se comunicar e
satisfazer suas necessidades.
Muito antes de começar a falar, a criança está habilitada a usar o olhar, a expressão
facial e o gesto para comunicar-se com os outros.
Tem também capacidade para discriminar precocemente os sons da fala. Apesar de
não estar completamente esclarecido o grau de eficácia com que a linguagem é adquirida
sabe-se que as crianças de diferentes culturas parecem seguir o mesmo percurso global de
desenvolvimento da linguagem. Ainda antes de nascer, elas iniciam a aprendizagem dos sons
da sua língua nativa.
No desenvolvimento da linguagem, duas fases distintas podem ser reconhecidas: a
pré- linguística, em que são vocalizados apenas fonemas (sem palavras) e que persiste até aos
11 e 12 meses, e, logo. A seguir, a fase linguística, quando a criança começa a falar palavras
isoladas com compreensão.
Este processo é contínuo e ocorre de forma ordenada e sequencial com sobreposição
considerável entre as diferentes etapas deste desenvolvimento.
O processo de aquisição da linguagem envolve o desenvolvimento de quatro sistemas
interdependentes: o pragmático, que se refere ao uso comunicativo da linguagem num contexto
social, o fonológico envolvendo a percepção e a produção de sons para formar palavras, o
semântico, respeitando as palavras e seu significado e o gramatical, compreendendo as regras
sintáticas e morfológicas para combinar palavras em frases compreensíveis. Os sistemas
fonológico e gramatical conferem à linguagem a sua forma. O sistema pragmático descreve o
modo como a linguagem deve ser adaptada a situações sociais específicas, transmitindo
emoções e enfatizando significados.
As crianças em processo de aprendizagem de uma língua materna, utilizam-se de
vários métodos para se expressarem, como através de uma linguagem não-verbal, com
expressão facial, sinais, e também quando a criança começa a responder, questionar e
argumentar. Essa competência comunicativa reflete a noção de que o conhecimento da
linguagem a determinada situação e a aprendizagem das regras sociais de comunicação é tão
importante quanto o conhecimento semântico e gramatical. As dificuldades de aprendizagem,
podem ocorrer quando existem, retardo mental, distúrbio emocional, problemas sensoriais, ou

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motores, ou, ainda ser acentuadas por influências externas, como, por exemplo, diferenças
culturais, instrução insuficiente ou inapropriada.
O processo de aquisição da linguagem é bastante complexo e envolve uma rede de
neurônios distribuída entre diferentes regiões cerebrais.
O cérebro é um órgão dinâmico que se adapta constantemente as novas informações.
Como resultado, as áreas envolvidas na linguagem de um adulto podem não ser as mesmas
envolvidas na criança, é possível que algumas zonas do cérebro sejam usadas apenas durante
o período de desenvolvimento da linguagem.
Em pesquisas observou-se que as dificuldades de aquisição da linguagem existem
devido a interferência de alguns distúrbios como a dislexia; um atraso congênito de
desenvolvimento ou diminuição na capacidade de traduzir sons e símbolos gráficos e
compreender o material escrito.
Vários são os fatores que descrevem as causas da dislexia entre eles, déficits cognitivos,
fatores neurológicos, prematuridade, influências genéticas e ambientais.
As dislexias podem ser divididas em dois tipos: central e periférica. Na central ocorre o
comportamento do processo linguísticos dos estímulos, alterações no processo de conversão
da ortografia para fonologia.
Na periférica, ocorre o comportamento do sistema de análise viso-perspectiva para a
leitura, havendo prejuízos na compreensão do material lido.
Todos os estudos descritos de aquisição e desenvolvimento da linguagem, dizem que
os comportamentos destacados ocorrem e o fazem na ordem descrita.
Conclusão
É importante ressaltar que existe uma combinação dos fenômenos biológicos e
ambientais no aprendizado da linguagem escrita, envolvendo a integridade socioemocional.
Sabe-se que as causas de alterações da aquisição da linguagem apesar de existirem
muitos estudos indicando fatores neurológicos para tais problemas. Avanços na compreensão
da neurobiologia dos processos de desenvolvimento da linguagem e aprendizagem certamente
irão contribuir para uma melhoria na abordagem da aprendizagem.
Todas as atividades de estimulação da linguagem escrita devem ser realizadas de
forma lúdica, através de jogos e brincadeiras, para que a criança sinta prazer em ler e
escrever. Em casa, o estímulo deve ser iniciado com a leitura de histórias infantis pelos pais
para os filhos, a estimulação de jogos de rimas, que ajudam na consciência fonológica, jogos
com letras e desenhos, para a criança já ir se familiarizando com a escrita, a leitura de rótulos e
propaganda.
Enfim, nunca se deve obrigar uma criança a ler um livro, e sim faze-la ter vontade de
ler e conhecer sua história.
Fazendo dessa forma estaremos contribuindo para que a criança não se prejudique durante o
processo da aquisição da linguagem.
Revisado por Editor do Webartigos.com
http://www.webartigos.com/artigos/a-aquisicao-da-linguagem/11626

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Texto n° 4

Aquisição da linguagem
Privilégio Humano
Para determinar se o homem é o único a utilizar a linguagem, devemos primeiro
esclarecer o que entendemos por linguagem. Se definirmos a linguagem como a capacidade
de comunicação, podemos dizer então que existem vários animais que se comunicam. No
entanto, a linguagem humana é extremamente flexível e criativa, apoiada em regras
gramáticas. Será se esse sistema também existe em outros animais?
O caso da abelha
Há mais de 2000 anos, o filósofo grego Aristóteles percebeu que quando uma abelha
solitária descobre uma fonte de néctar, é logo seguida por outras abelhas. Em 1950, Karl von
Frisch revelou que a abelha exploradora comunica-se com as outras por meio de uma
intrincada dança. Frisch descobriu que a direção e a duração da dança informam às outras a
direção e a distância da fonte de alimento. No entanto, apesar das abelhas se comunicarem
com o canto e a dança, elas não se utilizam dos elementos da linguagem humana. (MYRES,
1999)
O caso dos macacos
Nos anos 40, vários psicólogos tentaram criar chimpanzés-bebês como uma criança
humana, inclusive ensinando-os a falar. Apesar do treinamento, os chimpanzés nunca
aprenderam a dizer mais que algumas poucas palavras. No entanto, esse fato é explicável, já
que a posição da laringe dos macacos os impossibilita de produzir sons como os da fala
humana. Estudos mais recentes incentivam os macacos a usarem a Linguagem Americana de
Sinais (LAS) ou objetos para se comunicarem. Podemos citar o chimpanzé Washoe, treinado
por Allen e Beatrice Gardner, e o gorila Koko, treinado por Francine Patterson, que
conseguiram aprender o significado dos sinais, embora isso só prove que eles possuem uma
boa memória. (BEAR et al, 2002)
Entretanto existe controvérsia sobre a criatividade da linguagem dos macacos. Os
céticos afirmam que eles apenas unem símbolos de maneira aleatória, e em alguns casos
conseguem unir palavras que tenham sentido.
O fato é que animais como abelhas, macacos, chimpanzés, golfinhos e outros, utilizam-
se da linguagem para se comunicar, mas essa linguagem está longe da complexidade da
linguagem humana.
Estágios de desenvolvimento da linguagem
Por que os bebês não nascem falando? Segundo Pinker (2002), os bebês humanos
nascem antes de seus cérebros estarem completamente formados. Se os seres humanos
permanecessem na barriga da mãe por um período proporcional àquele de outros primatas,
nasceriam aos dezoito meses, exatamente a idade na qual os bebês começam a falar,
portanto, nasceriam falando.
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O cérebro do bebê muda consideravelmente depois do nascimento. Nesse momento, os
neurônios já estão formados e já migraram para as suas posições no cérebro, mas o tamanho
da cabeça, o peso do cérebro e a espessura do córtex cerebral, onde se localizam as sinapses,
continuam a aumentar no primeiro ano de vida. Conexões a longa distância não se completam
antes do nono mês e a bainha de mielina continua se adensando durante toda a infância. As
sinapses aumentam significativamente entre o nono e o vigésimo quarto mês, a ponto de terem
50% a mais de sinapses que os adultos. A atividade metabólica atinge níveis adultos entre o
nono e o décimo mês, mas continuam aumentando até os quatro anos. O cérebro também
perde material neural nessa fase. Um enorme número de neurônios morre ainda na barriga da
mãe, essa perda continua nos dois primeiros anos e só se estabiliza aos sete anos. As
sinapses também diminuem a partir dos dois anos até a adolescência quando a atividade
metabólica se equilibra com a do adulto. Dessa forma, pode ser que a aquisição da linguagem
dependa de uma certa maturação cerebral e que as fases de balbucio, primeiras palavras e
aquisição de gramática exijam níveis mínimos de tamanho cerebral, de conexões a longa
distância e de sinapses, particularmente nas regiões responsáveis pela linguagem. (PINKER,
2002)
Balbuciando
É comum dividir o estágio inicial da aquisição de linguagem em duas fases: pré-
linguística e linguística. No estágio pré-linguístico, a capacidade linguística da criança
desenvolve-se sem qualquer produção linguística identificável. Sem levar em conta as
mudanças biológicas que facilitam o desenvolvimento linguístico e ocorrem nos primeiros
meses de vida da criança, é o balbuciar dos bebês de aproximadamente seis meses que
sinaliza o começo da aquisição da linguagem. Esse período é tipicamente descrito como pré-
linguístico porque os sons produzidos não são associados a nenhum significado linguístico. O
estágio dos balbucios é marcado por uma variedade de sons que muitas vezes são usados em
alguma das línguas do mundo, embora muitas vezes não sejam a língua que a criança irá,
posteriormente, falar. O significado dessa observação não é claro. Alguns, como Allport (1924
in STILLINGS, 1987), afirmam que os balbucios sinalizam o começo da habilidade de
comunicação linguística da criança. Nesse estágio, os sons oferecem o repertório no qual a
criança irá identificar os fonemas da sua língua. Por outro lado, McNeil (1970 in STILINGS,
1987) ressalta que a ordem que os sons aparecem durante o período de balbucio é,
geralmente, contrária àquela que eles aparecem nas primeiras palavras da criança. Por
exemplo, consoantes posteriores e vogais anteriores, como [k], [g] e [i], aparecem cedo nos
balbucios das crianças, mas tarde no seu desenvolvimento fonológico.
Primeiras palavras
Segundo Stillings (1987), o primeiro estágio verdadeiramente linguístico da criança
parece ser o estágio de uma palavra. Nesse estágio, que aparece a poucos meses delas
completarem um ano, as crianças produzem suas primeiras palavras. Durante esse estágio, as
suas falas se limitam a uma palavra, que são pronunciadas de maneira um pouco diferente da
dos adultos. Muitos fatores contribuem para essa pronúncia não usual: alguns sons parecem

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estar fora da escala auditiva das crianças, por dependerem da maturação de alguns nervos.
Sons que são difíceis para a criança detectar, tornam-se difíceis para elas aprenderem. Além
disso, alguns sons parecem ter uma articulação difícil para as crianças. Por exemplo, é comum
ver crianças que possuem desenvolvimento linguístico adiantado, mas não conseguem
pronunciar o [r]. Algumas vezes, sons fáceis podem se tornar difíceis na presença de outros
sons. Por exemplo, crianças no estágio de uma palavra frequentemente omitem o som das
consoantes finais.
Crianças nessa fase, além de pronunciar as palavras de maneira diferente também
querem dizer coisas diferentes com elas. Muitos pesquisadores perceberam que as crianças
parecem expressar significados complexos com suas expressões curtas. É como se suas
sentenças de uma palavra representassem um pensamento completo. Esse uso da linguagem
indica que o desenvolvimento conceitual da criança tende a ultrapassar seu desenvolvimento
linguístico nos primeiros estágios da aquisição. Nós devemos traçar essa conclusão com
cuidado, no entanto, já que julgamentos sobre o que as crianças querem disser nos seus
primeiros estágios de desenvolvimento são difíceis de fazer.
Acessando essa e outras propriedades do sistema semântico da criança, nós temos que
considerar a questão da natureza do significado. Em particular, é importante esclarecer que
tipo de conhecimento a criança deve dominar durante o processo de aquisição de linguagem. A
distinção de frege (STILLINGS, 1987) entre sentido e referência é relevante; nós podemos
explorar como as crianças formam e organizam conceitos e como elas aprendem a referenciá-
los. Clark (1973 in SYILLINGS, 1987) e Anglin (1977 in STILLINGS, 1987) mostraram que as
primeiras referências das crianças partem sistematicamente em duas direções particularmente
opostas daquelas da comunidade falante dos adultos. Em alguns casos, as crianças usam as
palavras para referenciar inapropriadamente um vasto número de objetos. Por exemplo, carro
poder ser usado para referenciar um objeto grande que se move ou qualquer objeto que serve
para fazer transporte. Em outros casos, crianças usam as palavras de uma maneira
extremamente restrita, criando um drástico limite para um conjunto de referenciais permitidos.
Por exemplo, uma criança usa a palavra cachorro para designar apenas o cachorro da família.
Esse superextensão e subextensão são bem frequentes nos primeiros diálogos das
crianças, mas decrescem quando seu léxico se torna similar ao dos adultos. A explicação de
Clark (1973 in STILLINGS, 1987) para a aquisição semântica envolve, crucialmente, a hipótese
de que as crianças aprendem o significado de uma palavra através da união de várias
características semânticas que coletivamente constituem o conceito expresso pelo termo. De
fato, essa hipótese sobre o desenvolvimento léxico vê a criança reunindo um banco de dados
onde as características semânticas primitivas são associadas em grupo a um item lexical. Se
uma criança, erradamente, associa muitas ou poucas características a um termo, o conceito
resultante estará excessivamente generalizado ou excessivamente restrito, respectivamente, a
superextensão e subextensão. Apesar dos detalhes da explicação serem controversos, a ideia
de que as crianças constroem conceitos através de algum tipo de conceitual primitivo é mais
aceitável. Como no caso da aquisição fonológica, existem evidências de que as crianças

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adquirem uma representação abstrata durante o aprendizado da sua língua, mesmo nos
primeiros estágios de aquisição.
Dessa forma, mesmo que a primeira hipótese sobre aquisição de linguagem seja de que
a criança simplesmente adquire sons e significados, a investigação das primeiras palavras da
criança indica que o conhecimento adquirido por aquelas de um ano de idade toma a forma de
um sistema rico de regras e representações. Como esses sistemas abstratos foram deduzidas,
principalmente, através das experiências das crianças na comunidade linguística, as diferenças
entre a gramática da criança e a do adulto são compreensíveis.
O surgimento da sintaxe
A partir do estágio de duas palavras é possível examinar o desenvolvimento sintático,
mesmo que seja de maneira rudimentar.
Uma hipótese popular sobre os padrões das expressões de duas palavras (BRAINE,
1963 in STILLINGS, 1987) diz que as crianças organizam seu vocabulário em duas classes
lexicais chamadas de pivô e aberta. Assim, nesse estágio a fala da criança seria composta de
duas palavras da classe aberta ou uma palavra da classe aberta e uma da classe pivô, já que
no estágio de uma palavra elas utilizam palavras da classe aberta. Essa subdivisão dependerá
da fala de cada criança, desse modo toda palavra usada sozinha pertencerá a classe aberta.
O ponto é que justaposição de palavras não implica relação semântica entre ela. Essas
relações semânticas tendem a aparecer com o tempo, quando as combinações de palavras
aumentarem. A primeira relação a aparecer é a de modificador-modificado (mais biscoito) e a
de agente-ação (cachorro come). Essa relação semântica (algumas vezes chamada de relação
temática) aparentemente começa no estágio de duas palavras. Alguns pesquisadores como
Bloom (1970 in STILLINGS, 1987) e Bowerman (1973 in STILLINGS, 1987), propuseram que a
relação temática é a primeira relação estrutural importante que a criança usa para construir
expressões com mais de uma palavra, sugerindo que a gramática da criança seria mais bem
descrita através das funções das palavras. Em vez de sintagma nominal e verbal, falaríamos
em agente e ação. Outra sugestão dada por Berwick e Weinberg (1983 in STILLINGS, 1987), é
que a primeira gramática das crianças está baseada na suposição de que toda relação sintática
está correlacionada com uma relação temática. Desse modo, nos primeiros estágios de
desenvolvimento, toda sequência nome-verbo seria interpretada como agente-ação e
similarmente para outras sequências sintáticas.
O sistema linguístico da criança nessa fase também é diferente do adulto. Além das
diferenças de pronúncia e significado, elas também possuem uma gramática diferente da
deles. Obviamente produzem sentenças mais breves; além da maioria delas serem sentenças
inovadoras, não sendo apenas imitações da dos adultos.

Além do estágio de duas palavras


Embora os estágios de uma e duas palavras não tenham um início e um final
determinado, existem características confiáveis para identificá-los. A partir desse ponto, no
entanto, isso não será mais possível.

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À medida que o MLU (média de palavras por expressão) aumenta, a complexidade da
gramática que gerencia essas palavras torna-se mais complexas, no entanto, continua sendo
deficiente em relação à dos adultos (crianças de dois e três anos). O discurso das crianças
dessa idade é descrito como discurso telegráfico, omitindo pequenas palavras como
determinantes e preposições. Além disso, existem problemas com as estruturas que não
seguem uma regra geral, por exemplo, é comum as crianças dizerem eu trazi, generalizando a
regra dos verbos regulares. O interessante é que antes de cometerem este erro, elas passam
por uma fase em que usam o verbo adequadamente. Uma explicação para essa regressão é
que no início elas simplesmente imitam a formação do verbo, mais tarde, no entanto, após
aprender a regra de formação, elas simplesmente a aplicam para todos os verbos. Porém, com
o passar do tempo acabam aprendendo a forma certa, mesmo que seja através da
memorização.
Próximas fases de desenvolvimento
Após o estágio de duas palavras as crianças expandem seu vocabulário, aprendem as
regras de construção (negativa, passiva, etc.) presentes na língua, aprendendo seu sistema
fonológico e morfológico, aperfeiçoando sua pronúncia, e, geralmente, alcançando a
convenção adulta de maneira bem rápida (entre os seis e sete anos), mesmo que demorem
mais a aprender estruturas mais complexas, como a voz passiva.
O ponto crítico
Todos nós sabemos que é muito mais fácil aprender uma segunda língua na infância. A
maioria dos adultos nunca chega a dominar uma língua estrangeira, sobretudo sua fonologia, o
que gera o inevitável sotaque. Segundo Pinker (2002), “existem diferenças individuais, que
dependem do esforço, qualidade de ensino e simples talento, mas, ainda assim e mesmo nas
melhores circunstâncias, parece haver uma barreira intransponível para qualquer adulto. ”
Dados mais sistemáticos nos são fornecidos pela psicóloga Elissa Newport e seus
colegas (PINKER, 2002). Eles testaram estudantes e professores da Universidade de Illinois
nascidos na Coréia e na China que já viviam há pelo menos dez anos nos Estados Unidos.
Aqueles que tinham migrado entre os 3 e 7 anos, alcançaram o desempenho dos americanos
nativos. A partir desse ponto, quanto mais velho, pior era a assimilação da nova língua.
Quanto a língua materna, são raros os casos de pessoas que chegam a puberdade sem
tê-la adquirido. Até os deficientes auditivos tem mais facilidade de aprender a língua de sinais
antes da fase adulta. No caso de crianças selvagens encontradas na floresta ou em lares de
pais psicóticos, elas podem aprender a se comunicar de forma clara ou não, dependendo da
idade em que foram encontradas.
Resumindo, a aquisição de linguagem é certa até os seis anos, fica comprometida
depois dessa idade até a puberdade e é rara depois disso. Uma explicação plausível seria as
alterações maturativas que ocorrem no cérebro, tais como o declínio da atividade metabólica e
do número de neurônios durante o início da vida escolar, e a estagnação no nível mais baixo
do número de sinapses e da atividade metabólica por volta da puberdade.

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Pinker (2002, p.374-5) cria uma metáfora interessante para tentar explicar essa perda de
funcionalidade cerebral:
Imagine que o que os genes controlam não é uma fábrica mandando peças para o
mundo, mas a oficina de uma companhia teatral de poucos recursos para a qual vários
cenários, adereços e materiais retornam periodicamente a fim de serem desmanchados e
remontados para a próxima produção. A qualquer hora, diferentes engenhocas podem ser
produzidas na oficina, dependendo da necessidade do momento. A ilustração biológica mais
óbvia é a metamorfose. [...] Mesmo nos humanos, o reflexo de sucção desaparece, os dentes
nascem duas vezes e uma coleção de característica sexuais secundárias emergem dentro de
um cronograma maturacional. Agora, complete a mudança de ponto de vista. Pense na
metamorfose e nas mudanças maturacionais não como exceção, mas como regra. Os genes,
moldados pela seleção natural, controlam corpos ao longo de toda a vida; seus propósitos
perduram enquanto forem úteis, nem antes nem depois. A razão para termos braços aos
sessenta anos não é o fato de eles estarem ali desde o nascimento, mas porque braços são
tão úteis para um sexagenário quanto o são para um bebê.
Segundo ele, nós não devemos perguntar “Por que a capacidade de aprender
desaparece? ”, mas sim “Quando a capacidade de aprender é necessária? ”. Logo, ela deve
aparecer o mais cedo possível, para podermos usufruí-la o maior tempo possível, no entanto,
ela é extremamente útil apenas uma vez, depois passa a ser supérflua. “Assim, a aquisição
linguística deve ser como as outras funções biológicas. A inépcia linguística de turistas e
estudantes talvez seja o preço a pagar pela genialidade linguística que demonstramos quando
bebês, assim como a decrepitude da idade é o preço pelo vigor da juventude. ” (PINKER, 2002,
p. 378)

Para saber mais:


Livros e publicações:
FARIA, Núbia Rabelo Bakker. Buscando os limites do dado na aquisição da linguagem.
Disponível em <http://sw.npd.ufc.br/abralin/anais_con2nac_tema014.pdf>. Acessado em 18
ago. 2002.
FLAVELL, John H.; MILLER, Patricia H., MILLER, Scott A. Desenvolvimento Cognitivo. 3. ed.
Porto Alegre: Artmed, 1999.
PINKER, Steven. O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. São Paulo: Martins
Fontes, 2002.
SCARPA, Ester Mirian. Aquisição da linguagem. In: MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Ana
Cristina. Introdução à linguística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2001. v.2.
SCHÜTZ, Ricardo. Vygotsky & language acquisition. Disponível em: <http://www.sk.com.br/sk-
vygot.html> Acessado em: 18 ago. 2002.
STENBERG, Robert J. Psicologia Cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2000.
STILLINGS, Neil A. Cognitive Science: an introduction. Cambridge: Massachusetts Institute of
Technology, 1989.

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Links:
http://www.marxists.org/reference/subject/philosophy/works/us/chomsky.htm
“Language and Mind - Linguistic Contributions to the Study of Mind (Future)” texto de Noam
Chomsky (1968). A página é em inglês e possível links para páginas de outros pesquisadores,
como Vygotsky, Locke, Saussure, Jakobson, Descartes.
http://www.mit.edu/~pinker/
Página oficial, em inglês, do professor Steven Pinker do Department of Brain and Cognitive
Sciences do Massachusetts Institute of Technology.
http://www.math.tohoku.ac.jp/~kuroki/Pinker/
Página oficial não oficial, em inglês, do professor Steven Pinker do Department of Brain and
Cognitive Sciences do Massachusetts Institute of Technology, com muitos artigos na área de
linguagem.
http://members.tripod.com/Caroline_Bowen/devel2.htm
Página sobre as fases do desenvolvimento da linguagem na criança de Caroline Bowen.
Podemos encontrar outros trablahos da autora em http://members.tripod.com/Caroline_Bowen.
http://www.einstein.br/espacosaude/palestras/desenv_fala_audi.htm
Fonte:http://www.nce.ufrj.br/ginape/publicacoes/trabalhos/t_2002/t_2002_renato_aposo_e_fran
cine_vaz/aquisicao.htm

Texto n° 5

Como a Linguística Explica a Linguagem da Criança


Autoras: Patrícia Andrade, Daniele Passos, Márcia Rejane
A linguagem da criança sempre despertou curiosidade e indagações entre estudiosos e
interessados no assunto. Adentrar no mundo da linguagem infantil é descobrir o quão
complexo ele é.
Desde seu nascimento, a criança passa a viver e a ter contato com a mãe, em seguida
interagindo com outras pessoas, assim, aos poucos, ela constrói e desenvolve seu mundo, e,
nesse caso, o seu mundo linguístico. É nesse processo, desde seu nascimento até o momento
que adquire a linguagem, que estão os estudos sobre a aquisição da linguagem.
A princípio, o interesse sobre esse assunto pode ser encontrado no século XIX quando
os estudiosos, nesse caso, os pais, registravam as falas de seus filhos em livros, elaborando
diários.
Nesta época, prevalecia a fase da Lingüística Histórica ou da Gramática Comparada ,
que estudava as línguas vivas e as comparações entre elas. A partir dos trabalhos de F. de
Saussure a Lingüística foi reconhecida como estudo científico e a partir da segunda metade do
século XX ela passa a ser descritiva e explicativa segundo a Gramática Gerativa Transformal
proposta por Chomsky.
Dentro dessa nova perspectiva surgiu à sociolinguística e a psicolinguística e é no
campo dos estudos linguísticos que podemos adentrar ao estudo da aquisição da linguagem
fazendo menção dos processos psicológicos implicados à aquisição.
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Na oralidade, a psicolinguísticos é um campo muito amplo, uma área de pesquisas variadas,
cabendo o investigador optar por uma área específica, neste caso, dentro dos estudos
psicolinguísticos, optamos sobre o estudo da aquisição da linguagem.
Os principais questionamentos que se fazem acerca de como as crianças adquirem a
linguagem são as seguintes: Como as crianças aprendem tão rápida a língua materna? Será
que ela já nasce com uma pré-disposição ou ela é adquirida? Existe um período crítico para
uma aquisição? Existe uma diferença entre o processo de aquisição da linguagem de uma
criança normal e uma criança com algum tipo de desvio? A fonologia das primeiras palavras é
adquirida antes da morfologia e sintaxe ou vice-versa?
Para melhor explicar estas questões, várias teorias foram lançadas. Vejamos então a
seguir uma breve visão das correntes teóricas sobre a aquisição da linguagem infantil.
1 - TEORIAS DE AQUISIÇÃO SEGUNDO A PROPOSTA EMPIRISTA
O pensamento empirista foi à base para as duas primeiras teorias em aquisição. A
mente não era considerada fundamental para justificar o processo de aquisição, importava
somente que o conhecimento humano era produzido a partir de suas experiências com o
mundo através de estímulos e respostas. Nessa perspectiva, nasce a teoria Behaviorista
pressupondo que a criança desenvolve seu mundo ou conhecimento linguístico através de
estímulo-resposta (E - R) imitação e reforço. B. F. Skinner fundamenta sua teoria com base nos
reforços que a criança sofre que podem ser esforços positivos ou negativos. De acordo com
esses reforços a criança manteria ou eliminaria algum tipo de comportamento referente à
linguagem e isso a ajudaria a construir, a desenvolver e aprender uma determinada língua.
O Behaviorismo, porém, não levou em conta a criatividade que a criança possui, por
exemplo, quando ela profere certas construções que não foram ensinadas previamente a ela. A
criatividade, portanto, seria alvo de vários estudos posteriores.
Outra teoria com base na proposta empirista é o conexionismo ou associacionismo.
Essa teoria admite que o cérebro e suas reses neurais são responsáveis pelo aprendizado
imediato no mesmo instante que ocorre a experiência. Essa teoria baseia-se na interação entre
o organismo e o ambiente, porém, não explica com coerência a rapidez com que a criança
aprende uma língua.

2 - TEORIAS DE AQUISIÇÃO SEGUNDO A PROPOSTA RACIONALISTA


Diferentemente dos empiristas, os racionalistas atribuem à mente a responsabilidade
pela aquisição da linguagem. Pressupõem que todo ser humano nasce com uma capacidade
inata que subjaz o processo de aquisição.
Segundo os inatistas, ao observarem uma criança de aproximadamente 3-4 anos
vivendo em um meio em que todos falam uma determinada língua viram que as mesmas eram
capazes de produzirem sons dessa mesma língua com rapidez e precisão levando esses
estudiosos a concluírem que a partir dessa idade a criança já está com sua "gramática" quase
completa. É que, ao contrário dos behavioristas, esta aquisição não se dá por repetição e sim
por outro meio a pré-disposição em adquirir uma língua é transmitido geneticamente, a criança

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já nasceria com uma certa competência em adquiri-la. No entanto, esse conhecimento
considerado inato só é ativado através do contato com outras pessoas que falem a mesma
língua a qual a criança está exposta. Através desse contato intenso, as sentenças recebidas
pela criança são trabalhadas gerando a gramática de sua língua, tudo isso por meio de um
dispositivo de aquisição da linguagem: o DAL. É a partir desses pressupostos que Noam
Chomsky propõe a Gramática Universal baseada na intuição do falante.
A teoria inatista, entretanto, deixa de lado o papel do conhecimento na aprendizagem
da língua da criança cabendo as outras teorias nesse estudo, como as teorias cognitivistas e
interacionalistas. Essas teorias convergem e divergem entre si, ambas construtivistas, as duas
partem do mesmo pressuposto de que as crianças constroem a linguagem, porém, diferem de
como elas contraem essa linguagem. Enquanto que o cognitivismo, representado por Piaget
propõe que a criança constrói seu conhecimento através da experiência com o mundo físico e
que nesse conhecimento se desenvolve por estágio admitindo o egocentrismo da criança, o
interacionalismo de Vygostsky se baseia nas trocas comunicativas entre a criança e o adulto, o
desenvolvimento da linguagem e o pensamento tem origem social através dessa interação.
Piaget e Vysgotsky estavam mais interessados em explicar a relação linguagem e
pensamento do que a aquisição da linguagem. Como vimos, suas teorias surgiram para
explicar as questões referentes ao processo do conhecimento adquirido na aprendizagem da
língua, que Chomsky havia minimizado em seus estudos.
O estudo sobre aquisição tanto contribuiu para as pesquisas linguísticas quanto para o
estudo da cognição humana. Para se estudar a aquisição da linguagem é preciso adentrar em
suas teorias, pois foram a partir delas que se iniciaram estudos sobre o assunto, cada uma
tenta melhorar explicar expondo suas ideias pressupostos como as crianças adquirem a
linguagem e é nelas, portanto, que podemos nos fundamentar se quisermos seguir em diante
no mundo linguístico infantil e descobrir que muito se tem para estudar sobre o assunto.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DEL RÉ, Alessandra. A aquisição da linguagem: uma abordagem psicolingüística. São Paulo:
Contexto, 2006.
DEL RÉ, Alessandra. A pesquisa em aquisição da linguagem: teoria e prática. In DEL RÉ,
Alessandra - A aquisição da linguagem: uma abordagem psicolingüística. São Paulo: Contexto
pp. 13 - 25.
PATRÍCIA ANDRADE, DANIELE PASSOS e MÁRCIA REJANE escreveram este artigo sob
a orientação do professor Vicente Martins, da Universidade Estadual Vale do
Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará.

Texto n° 6

Aquisição da Linguagem à luz do Modelo Gerativista


Autores: Antônio Rômulo Bezerra de Sousa e Roberta Farias Paiva
O presente trabalho tem por finalidade, fazer um apanhado de três aspectos
relacionados ao inatismo e também ao racionalismo. O primeiro deles é com relação ao
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Modelo Gerativista, este explica que aquisição da linguagem é inata, ou seja, nasce com a
criança e a aquisição da língua materna é o amadurecimento desta, com relação à língua.
Termos como competência e desempenho, também são relacionados à aquisição da
língua. A Competência é o conhecimento que o falante tem da gramática de sua língua e o
Desempenho é o uso desse conhecimento.
Esta hipótese defende ainda, que as produções das crianças não são simples
imitações de adultos, pois existem produções que não se verificam na fala dos adultos, por isso
são originais. Portanto estes defendem que as crianças possuem suas próprias regras de fala,
mas que com o convívio com os adultos vão moldando sua fala as regras deles.
Segundo Chomsky adepto do gerativismo, a criança possui um Dispositivo de
Aquisição da Linguagem, DAL e que é acionado através de frases ou falas, IMPUT, dos
adultos, gerando assim a gramática a qual a criança está contextualizada. Mas neste sistema
somente algumas regras serão ativadas, pois a criança escolhe quais regras serão usadas
para uso da língua nativa, descartando as que não se adequam.
Um outro assunto abordado, é a Gramática Universal, a criança já nasce com uma
gramática em sua cabeça, onde se guardam todas as regras, de todas as línguas, uma enorme
quantidade de conteúdo. Mas a criança transforma esta gramática, na gramática de sua língua,
retirando só o que necessário para o uso e aprendizagem da mesma e descartando o restante.
O último assunto a ser abordado é a teoria dos Princípios e Parâmetros, estes são na
verdade uma releitura da Gramática Universal, devido a novas descobertas na área e também
por causa de vários questionamentos a respeito. Então se postula que a gramática é regida por
Princípios ou “Leis”, que são constantes usadas em todas as línguas, contendo os
Parâmetros ou “Leis” que tem representações nas línguas em que se encontrem,
ocasionando divergências entre as línguas e a transformação dentro de uma mesma língua.
Tentando desvendar como se dão os valores aos Parâmetros três hipóteses são
propostas: A primeira diz que no inicio os parâmetros não estão completamente presentes só
com o aprofundamento da linguagem é que eles aparecem, os mesmos foram organizados
geneticamente, devendo ocorrer de acordo com o amadurecimento, cujos fatores são
responsáveis pela transcrição da gramática universal e gramática da língua nativa. A segunda
está dividia em dois aspectos: a da competência plena/total, o entendimento que se tem é
que os princípios estão presentes desde o inicio do processo, caso não ocorra é por algum
problema, como por exemplo à memória. A aprendizagem lexical, os princípios estão
completamente presentes, a evolução sintática só depende da interiorização morfológicas e
lexicais novas, o que necessita da interação com o meio. A explicação porque as fontes de
suporte são tão escassas a resposta de Chomsky é na existência da gramática universal
enquanto conceitos inatos, biologicamente determinados que constituem a mente humana.
Outra questão é a dissociação dos dispositivos de aquisição da linguagem das demais
instâncias cognitivas comportamentais, a aquisição da língua se por meio de gramática
universal, e a definição dos parâmetros não são obrigatoriamente atrelados aos sistemas
cognitivos.

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Pretendemos aqui levantar algumas questões relacionadas a aquisição da linguagem
pela criança dento de uma perspectiva racionalista ou mais especificamente inatista, buscando
explicitá-las de uma maneira simples, a fim de que se tenha uma visão dos princípios
defendidos por essa tendência teórica linguística.
Desse modo, o trabalho em pauta está divido em cinco partes. Na segunda parte
abordaremos o Modelo gerativista, que postula a existência de um dispositivo de aquisição da
linguagem, com o qual a criança já nasce possuindo, utilizando-se desse, para em contato com
uma língua mãe, amadurecer sua capacidade inata de se comunicar. Sustenta ainda, que as
línguas, indistintamente, são dispostas em estruturas, das quais a mais importante é a
estrutura profunda ou o sentido, tendo como principal defensor Noam Chomsky.
Na terceira parte iremos trabalhar com a Gramática Universal, também legado de
Chomsky, onde a resposta para a, de certa forma, rápida aprendizagem de uma língua por
uma criança, deve-se a presença de uma Gramática composta de todas as regras possíveis de
todas as línguas, inserida na estrutura da mente do homem e a qual é parte exclusiva da carga
genética da espécie humana tomando a linguagem como uma faculdade inerente ao ser
humano, portanto, essa gramática é universal.
Na quarta, iremos discorrer a respeito da Teoria de Princípios e Parâmetros, cuja
representou uma adequação dos conceitos já postulados pela Gramática Universal, sendo que
nessa abordagem, não se afirma mais que as crianças nascem dotadas com todas as regras
das línguas, mas com parâmetros, os quais terão seus valores definidos pela língua a que a
criança será exposta.
Na quinta parte elaboraremos algumas conclusões a respeito dos três assuntos
trabalhados no artigo, a fim de apreendermos e compreendermos melhor o que de mais
significante essas tendências têm a oferecerem para o estudo e para aprendizagem da
linguagem.

O MODELO GERATIVISTA
Seguindo uma tendência Inatista e, por sua vez Racionalista, o modelo gerativista se
propõe explicar as manifestações da aquisição de linguagem partindo do principio de que a
criança já nasce dotada de ”... uma capacidade inata de aquisição da linguagem”. Nessa
abordagem a aquisição de uma língua materna é o resultado direto do amadurecimento dessa
criança, ou seja, uma consequência de sua capacidade de formular suposições, respostas às
questões que lhe surgem e de procurar e encontrar algumas semelhanças presentes na língua
a ser adquirida.
Desta forma, quanto maior for à capacidade cognitiva da criança, maior será o número
de suposições formuladas por ela e mais próxima da linguagem do adulto ela estará. Com
efeito, essa teoria dá mais importância para a sintaxe, em detrimento de morfologia e fonologia,
descrevendo a aquisição da linguagem termos de competências e desempenho. A
competência pode ser entendida como “...o conhecimento que o falante tem de gramática de
sua língua...” e o desempenho como “...o uso que a fonte faz desse conhecimento. ”

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Segundo a hipótese gerativo-transformacional, as frases produzidas pelas crianças não
são simples imitações aproximativas da fala dos adultos, mas que essas possuem algumas
disposições e ordenações que não se verificam na fala dos adultos, portanto são produções
originais da criança. Baseado nisso, o gerativismo sugere que a fala da criança é ordenada por
regras próprias, mas que em contato com as regras da fala dos adultos, as crianças vão
moldando o seu sistema de regras.
Para Chomsky, adepto do gerativismo, a criança possui um mecanismo que lhe permite
adquirir a linguagem, chamado de Dispositivo de Aquisição da Linguagem (DAL), o qual é parte
da herança genética de sua espécie e que esse é acionado pelas frases ou falas (input) dos
adultos, com as quais irá atuar, gerando assim a gramática da língua na qual a criança está
contextualizada.
No gerativismo é sustentada a concepção de que
“... as línguas comportam uma estrutura profunda que se transforma, por meio de
regras, numa estrutura superficial. Essas regras têm como domínio estruturas
intermediarias entre a estrutura profunda e a estrutura superficial”.
Por isso, no decorrer do processo de aquisição da linguagem, a criança nota as
disposições que há na língua e adiciona a sua gramática.
Ainda segundo Chomsky, esse dispositivo constitui-se de um conjunto de regras, sendo que
somente algumas dessas serão ativadas, uma vez que a criança escolhe, baseada na
influência que sofre da língua nativa, quais as normas devem ser usadas na língua que está
adquirindo especificamente e quais devem ser descartadas. Após esse processo, segue-se
produção das falas da criança.
A GRAMÁTICA UNIVERSAL
Na visão inatista de Chomsky é proposto que a criança “...possui uma Gramática
Universal incorporada à própria estrutura de sua mente”, isto é a criança já nasce
biologicamente (geneticamente) equipada com uma gramática onde se encontrem todas as
regras possíveis da todas as línguas, um enorme conteúdo de informações, isto é, uma
gramática universal.
Essa abordagem postula que a criança realiza operações mentais que transforma a
gramática universal na gramática da língua a que está exposta, da seguinte forma: a gramática
universal constitui-se de um conjunto de regras, das quais a criança irá selecionar as que serão
empregadas para que possa efetivamente adquirir a linguagem que está submetida e excluir
todas as demais.
Chomsky pauta seus argumentos para validar a teoria da gramática universal desta
forma:
“...a criança, que é exposta normalmente a uma fala precária, fragmentada, cheia de frases
truncadas ou incompletas, é capaz de dominar um conjunto complexo de regras ou princípios
básicos que constituem a gramática internalizada do falante. (...). Um mecanismo ou dispositivo
inato de aquisição da linguagem (...), que elabore hipóteses linguísticas sobre dados
linguísticos primários (isto é, a língua a que a criança está exposta), gera uma gramática

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especifica, que é a gramática da língua nativa da criança, de maneira relativamente fácil e com
um certo grau de instantaneidade. Isto é, esse mecanismo inato faz “ desabrochar “ o que “já
está lá”, através da projeção, nos dados do ambiente, de um conhecimento linguístico prévio,
sintático por natureza”.
Assim, a linguagem é atrelada a características inerentes a espécie humana, o que
reafirma seu caráter universal, tomando a linguagem como um fator biológico e cognitivo. Ao
assumir essa postura admite-se que o ser humano por natureza é detentor de uma gramática
universal que possui princípios universais que fazem parte da faculdade da linguagem e
parâmetro que serão definidos pela influencia do meio e/ou da língua nativa.

A TEORIA DE PRINCÍPIOS E PARÂMETROS


Elaborada por Chomsky, em 1984, a Teoria de princípios e parâmetros significou uma
adequação dos conceitos da gramática universal face aos questionamentos surgidos em torno
da mesma, bem como diante das novas descobertas na área da aquisição da linguagem.
Nessa releitura “...postula-se que a criança nasce pré-programada com princípios (universais) e
um conjunto de parâmetros que deverão ser fixados ou marcados de acordo com os dados da
língua a que a criança está exposta. A criança não escolhe mais as regras, nesta versão da
teoria de princípios e parâmetros, mas valores, paramétricos”.
Em outras palavras podemos dizer que se passou a acreditar que a gramática universal
é disposta por princípios ou “leis” que são constantes e que são usadas igualmente em todas
as línguas; contendo também parâmetros ou “leis” que tem representações definidas pela
língua que se encontre, ocasionando as divergências entre as línguas e as transformações
dentro de uma mesma língua. Nessa teoria a função da criança é analisar todas as partes do
input e depois processá-lo a fim de atribuir o valor que cada parâmetro deve possuir.
Para um melhor esclarecimento, vamos exemplificar do seguinte modo: partindo da
concepção de que todas as frases, indistintamente da língua, requerem um sujeito, contudo
esse sujeito não necessariamente tem que estar explicito, sendo esse parâmetro ou valor que
deve ser fixado. A criança, dependendo do sistema linguístico em que se encontra, decidirá se
o sujeito deve ou não constar obrigatoriamente na frase realizada.
Entretanto, muitas perguntas sobre a problemática dos parâmetros ainda esperam por
uma explicação, tais como: ”...quantos são os valores dos parâmetros? No estado inicial da
GU, um dado parâmetro já tem uma marcação especifica ou não tem marcação alguma? É
possível haver reparametrização? O que desencadearia a parametrização?...”
Buscando desvendar como se dá à atribuição dos valores aos parâmetros temos três
hipóteses que se propõem da conta de tal questão. A primeira afirma que no começo do
processo os parâmetros não estão completamente presentes e só com o prosseguimento da
aquisição da linguagem é que esses surgem, crendo também que os mesmos são organizados
geneticamente, de modo a ocorrerem em determinadas etapas do amadurecimento do
individuo, cujos fatores motivadores de tal processo são responsáveis pela transcrição da
gramática universal para a gramática da língua nativa.

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A segunda hipótese divide-se em duas perspectivas, a da competência plena/total o
entendimento que se teve é que todos os princípios estão presentes no começo do processo,
caso não ocorra à delimitação logo, o motivo pode ser um problema de memória, por exemplo,
na referida delimitação. Já a hipótese de aprendizagem lexical explica, segundo Pinker (1984),
que os princípios estejam completamente presentes, a evolução sintática depende da
interiorização de partes morfológicas e lexicais novas, o que pressupõe a interação com o meio
que rodeia o individuo.
Outras partes primordiais da teoria de parâmetros da aquisição da linguagem é a
explicação da aprendizagem da língua, vista as fontes que dão suporte as crianças são tão
escassas. A resposta de Chomsky fundamenta-se exatamente na existência da gramática
universal enquanto conjunto de “...princípios inatos, biologicamente determinados, que
constituem o componente da mente humana – faculdade da linguagem”. (Há também a
questão da dissociação dos dispositivos de aquisição da linguagem das demais instâncias
cognitivas comportamentais, ou seja, a aquisição da língua deu acionamento da Gramática
Universal e da definição de parâmetros não são obrigatoriamente atrelados aos outros
sistemas cognitivos, memória por exemplo, bem como a interação social.

CONCLUSÃO
Conclui-se a partir do que foi lido e discutido nesse artigo, acerca dos estudos de
Chomsky, discutimos três vertentes de seu pensamento: o modelo gerativista, a gramática
universal e o modelo dos princípios e parâmetros.
O modelo gerativista se fundamenta no inatismo e também no racionalismo, que
acreditam que a criança já nasce dotada de uma capacidade inata de aquisição da linguagem,
e que o aprendizado da língua materna é o resultado de um amadurecimento dessa criança,
isto é, uma consequência de suas suposições, respostas ou conclusões, a respeito da língua a
ser adquirida.
Então, quanto maior for à capacidade cognitiva, maior será a possibilidade de
suposições levantadas por ela, e mais perto ficará da língua do adulto. A aquisição da
linguagem possui ainda termos de competência e desempenho. A competência seria o
entendimento que se tem da gramática de sua língua e o desempenho é como se usa esse
conhecimento.
A hipótese gerativo-transformacional diz que a fala da criança não é simples imitação
da fala do adulto, pois possuem fatos que não aparecem na língua do adulto, então a fala das
crianças é original possui suas próprias regras, que através da convivência com o adulto é que
vão se moldando.
Para Chomsky, a criança possui um dispositivo de aquisição da linguagem chamado de
DAL, que lhe permite adquirir a linguagem, que é acionado através de fala ou frases, IMPUT,
de adultos, ajudará no desenvolvimento da língua a que a criança esta inserida.

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Chomsky diz ainda, que nesse processo de desenvolvimento da língua a criança irá
conhecer muitas regras, mas escolherá somente aquelas que usará no contexto da língua em
que esta inserida e que eliminará as outras.
A respeito da gramática universal, Chomsky afirma que esta já nasce com a criança,
cheias de regras de todas as gramáticas que esta usará. E que esta se transforma em
gramática da língua, a partir do momento que a criança separa as regras que usará em
determinadas línguas, ou seja, na língua em que está inserida.
Quanto à teoria dos princípios e parâmetros, é uma releitura da gramática universal,
esta postula que língua possui princípios ou leis, que são usados igualmente por todas as
línguas, e parâmetros ou leis que possuem representações na língua em que se encontre, a
partir disso cabe a criança selecionar o input que melhor se adeque e depois processar o valor
de cada parâmetro.
Para solucionar essa teoria, três proposições acerca do assunto foram propostas. A
primeira delas diz que no começo os parâmetros não estão presentes, só com o processo de
aquisição da língua é que eles aparecem, e que são organizados geneticamente e são
programados a aparecerem em determinadas fases do amadurecimento das crianças, cujos
fatores responsáveis por tal processo é que transformam a gramática universal em gramática
da língua. A segunda hipótese é dividida em duas fases: a da competência plena/total é que
todos os princípios estiveram presentes desde o começo, caso a delimitação não ocorra desde
o começo é porque houve algum problema com por exemplo memória. A outra é a da
aprendizagem lexical que diz que os princípios estão completamente presentes, mas que a
evolução sintática depende da interiorização de partes morfológicas e lexicais novas, o que
exige uma interação com o meio. Outra é a explicação porque as fontes de suporte são tão
escassas, a reposta de Chomsky sobre o assunto é na existência da gramática universal
enquanto conceitos inatos, biologicamente determinados que constituem a mente humana.
Outra questão é a dissociação dos dispositivos de aquisição da linguagem das demais
instancias cognitivas comportamentais, a aquisição da língua se dá por meio da gramática
universal, e a definição dos parâmetros não são obrigatoriamente atrelados aos sistemas
cognitivos.
BIBLIOGRAFIA
1. KATO, Mary A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo: Ática, 1990. pp. 98-138.
2. KAUFMAM, Diana. A natureza da linguagem e sua aquisição. INGERBER, Adele. Problemas de aprendizagem
relacionados à linguagem: sua natureza e tratamento. Tradução de Sandra Costa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
pp. 51-71.
3. LYONS, John. Linguagem e linguística: uma introdução. Tradução de Marilda Winkle Averbug. pp. 219-243.
4. MAROTE, João Teodoro D`olim: FERRO, Gláucia D`olim Marote. Didática da língua portuguesa. 8ª ed. São Paulo:
Ática, 1996. pp. 17-24.
5. MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina. (Orgs.). Introdução a Lingüística: domínios e fronteiras, v.2. São
Paulo: Cortez, 2001. pp. 203-232.
6. SANTOS, Raquel. A aquisição da linguagem. FIORIN, José Luiz (org.) Introdução a Lingüística: I. objetos teóricos.
São Paulo: Contexto, 2002.
7. SCARPA, Ester Mirian. Aquisição da linguagem. In MUSSALIN, Fernanda; Bentes, Anna Christina. (Orgs.).
Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v.2. São Paulo: Cortez, 2001. pp. 203-232.
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