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Jesus e a sua relação com o Espírito

Santo no Evangelho de Lucas

 Estudo
 
  13985
 
  29/03/2005

 Eurides Vaz

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314

1. Jesus e o Espírito Santo

Ao analisarmos a passagem que trata sobre a visita de Jesus à Nazaré (4,16-30), nós
ressaltamos a importância da expressão: «o Espírito do Senhor está sobre mim, porque
me ungiu para evangelizar os pobres» (4,18a; cf. 1,35; 3,22; 4,1.14)(1). Expressão esta
que designa a presença do Espírito Santo sobre Jesus, o qual tem como uma das
finalidades de sua missão «evangelizar os pobres» (cf. 6,20; 7,21) (2).
A partir disso, a meta da presente seção consiste em aprofundar um pouco mais sobre o
significado de tal expressão, bem como a sua importância para a inteira narrativa
evangélica. Assim sendo, verificaremos quando é que Jesus foi ungido pelo Espírito Santo,
bem como em que momentos ele está sob o influxo do mesmo. Nosso objetivo é saber se
esta temática tem um caráter programático para o Evangelho de Lucas(3).

1.1. Jesus sob o influxo do Espírito Santo

A expressão «o Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu» (4,18a), indica que
Jesus não está sozinho quando fala ou age, mas suas palavras e ações revelam que o
Espírito Santo está com ele(4). Deste modo, até o presente momento da narrativa lucana
ele age e fala sob a condução de tal Espírito. Com efeito, Lucas já prepara esta temática
indicando a presença do Espírito Santo durante o nascimento de Jesus (1,35), seu
Batismo (3,22), as tentações (4,1) e no início da sua missão galilaica (4,14).
A partir de agora, passaremos a verificar como o mesmo Espírito está sobre Jesus ao
longo do referido Evangelho. Para tanto, nos restringiremos a três seções do mesmo, onde
a referência a Jesus em agindo sob o influxo do Espírito Santo aparece de modo explícito:
na preparação do seu ministério público (3,1–4,13) (5); no exercício de seu ministério
público na Galiléia (4,14–9,50) e na sua subida para Jerusalém (9,51–19,27).

1.1.1. Na preparação do seu ministério público (3,1–4,13) 

Na perícope em questão, o próprio Jesus ensina que o Espírito do Senhor está sobre ele,
porque o ungiu com a finalidade de realizar diversas atividades (4,18). Unção que se deu
durante o seu Batismo: «e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corporal, como
pomba» (3,22a; cf. 1,35). A cena da descida do Espírito Santo sobre Jesus também
recorda a profecia de Isaías (11,1-2; 42,1). Cena esta que é inserida por Lucas logo após a
prisão de João Batista (3,19-20) (6). Depois que todo o povo recebeu o batismo e no
momento em que Jesus, também batizado, achava-se em oração, o céu se abriu (v.21)
(7). É neste momento que acontece a sua unção messiânica, sendo que o Espírito Santo
ou do Senhor, desce sobre ele (v.22a) (8). Trata-se de uma unção que vem do céu
(sobrenatural; cf. At 4,27) (9). Unção esta realizada por Deus, onde o Espírito Santo desce
sobre ele e passa a conduzi-lo(10).
Durante a unção batismal de Jesus na qual ele se torna o Messias e, além disso, uma voz
do céu (sobrenatural) revela sua identidade filial como sendo Filho de Deus, não são
reveladas quais são as tarefas que ele veio desempenhar (3,21-22) (11). Na verdade, tal
unção era ainda a preparação para a realização de seu ministério público. Contudo, na
sinagoga de Nazaré (4,16-30) ele confirma sua identidade messiânica e revela qual é a
sua missão (vv.18-19).
Depois que Deus ungiu Jesus por meio do Espírito Santo, é lógico que tal Espírito começa
a conduzí-lo e não se separará mais dele durante sua vida neste mundo. Assim, o Espírito
Santo passa a conduzir Jesus seja quando ele profere palavras, seja quando realiza
ações. Após o Batismo, a primeira constatação explícita de que Jesus continua a agir sob
o influxo do referido Espírito ocorre por ocasião das tentações.
Já no início das referidas tentações constata-se duas referências ao Espírito Santo que
está sobre Jesus. A primeira delas é assim narrada por Lucas: «Jesus, pleno do Espírito
Santo, voltou para do Jordão» (Lc 4,1a; cf. 1,35; 3,22). O Espírito Santo, neste caso,
plenifica Jesus(12). Já tendo sido ungido por Deus por meio do referido Espírito no
Batismo, o mesmo agora passa a plenificá-lo (cf. At 4,31; 6,3; 7,55; 13,9.52) (13). É a partir
desta plenificação que ele volta do Jordão depois sua unção (3,21-22). Mas não
permanece só nisso. Lucas faz uma segunda referência ao Espírito Santo no mesmo
versículo.
A segunda referência à ação de Jesus sob o influxo do Espírito Santo dentro do contexto
das tentações no deserto (4,1-13), é constatada da seguinte maneira: «e foi conduzido
pelo Espírito através do deserto» (4,1b) (14). Jesus é conduzido através do deserto pelo
referido Espírito(15). Tal «condução» indica que o mesmo orienta as suas ações. Sua
condução para o deserto se dá durante um tempo estabelecido: quarenta dias. Durante
estes dias, ele é tentado pelo demônio (v.2). Mas se o Espírito Santo o plenifica (v.1a) e
conduz durante suas ações (v.1b), também exercerá um influxo durante suas palavras.
Isto porque ao ser tentado pelo demônio (vv.3.6-7.9-11) ele responde com Sabedoria
(vv.4.8.12), comprovando sua autoridade messiânica e filiação divina(16). Deste modo,
Jesus não cai diante das tentações de Satanás, porque o referido Espírito que o ungiu
(3,22) e do qual ele está pleno (4,1a), o conduz e orienta (4,2b).

1.1.2. No exercício de seu ministério público na Galiléia (4,14–9,50) 

O Espírito Santo, depois de ter descido sobre Jesus durante sua unção batistmal (3,22a), o
plenifica (4,1a) e o conduz através do deserto (v.2a). Em seguida, constata-se novamente
Jesus sob o influxo do mesmo Espírito: «Jesus voltou então para a Galiléia, pelo poder do
Espírito» (4,14a; cf. 1,35) (17). Estamos diante da introdução sumarizada (4,14-15) (18) à
perícope em questão, a qual pode servir também de introdução para todo o ministério
público de ensinar de Jesus exercido na Galiléia. A volta de Jesus tem como procedência
o deserto, depois que o demônio o tenta naquele lugar (4,1-13) (19). Assim, «é o “poder”
do Espírito que está sobre ele e o acompanha no seu ministério na Galiléia (4,14) antes de
chegar na sinagoga de Nazaré»(20). A preposição «para» indica a direção para onde ele
vai: «para a Galiléia»(21). A finalidade da volta do deserto para a Galiléia é o início de seu
ministério público naquela região.
Assim como ele não estava sozinho durante as referidas tentações, o mesmo acontece
durante sua volta para a Galiléia. A mesma é realizada «pelo poder do Espírito»(22).
Mesmo que o termo «Espírito» não seja qualificado, sabe-se pelo contexto anterior (3,22a;
4,1ab) que se trata do Espírito Santo. É o mesmo Espírito que o impulsiona de volta para a
Galiléia para começar sua vida pública (4,14a) (23). E é o fato de estar sob o influxo do
mesmo que faz com que sua fama se espalhe por toda a região (v.14b) (24). Além disso,
Jesus ensina(25) nas sinagogas e é louvado por todos (4,15) (26). O que também confirma
que, mesmo que ele até agora não esteja na companhia de nenhuma outra pessoa
humana, o Espírito do Senhor o conduz em tudo aquilo que ele faz e diz(27).
Até aqui é o poder sobrenatural (céu) que revela Jesus sob o influxo do Espírito Santo,
confirmando sua identidade messiânica e filiação divina (3,22b) (28). É também o narrador
que revela que tal Espírito o plenifica (4,1a), o conduz através do deserto (4,1b), sendo
que sob seu poder ele volta de tal lugar rumo à Galiléia para começar seu ministério
público (4,14a) (29). Assim, «o evangelho de Lucas coloca o início da missão história de
Jesus na Galiléia sob o poder do Espírito Santo que desce sobre ele em forma pública
visível depois do Batismo»(30). Já em seguida, na perícope em questão (4,16-30), é o
próprio Jesus que ensina aos seus que o Espírito Santo está presente sobre ele (4,18a)
(31). Com isto, ele tem a autoridade necessária para revelar aos seus sua identidade
messiânica e que, agora, Deus está disposto a dar-lhes os benefícios que ele veio trazer
(4,18-19).
Por assim ser, Jesus mesmo por meio de palavras confirma tudo aquilo que tinha sido dito
sobre ele até aqui, seja pelo céu (transcendente), seja pelo narrador (imanente). Tudo isso
nos faz constatar que ele, até o presente momento da narrativa, não está em companhia
de nenhuma pessoa humana, mas somente sob o influxo do Espírito Santo. E se a
presença de tal Espírito não é explicitada quando ele diz alguma coisa ou realiza alguma
ação, isso não quer dizer que ele não está mais sob o seu poder durante seu ministério. O
que quer dizer que o Espírito Santo recebido em sua unção continuou presente sobre ele
ao longo de sua missão. Sendo que no final da mesma, ele promete aos seus apóstolos
que lhes enviará o mesmo Espírito que os orientarão em suas palavras e ações, para que
possam dar continuidade à sua obra salvífica (24,49a). E a promessa de Jesus se cumpre
nos Atos dos Apóstolos, quando os mesmos são revestidos pela força do Espírito Santo
(At 1,4ss; 2,33.39; Gl 3,14.22; 4,6; Ef 1,13). E para o recebimento do mesmo é
indispensável o arrependimento. A partir deste se pode ser beneficiado com o Batismo e o
perdão dos pecados (At 2,38) (32).

1.1.3. Na sua subida para Jerusalém (9,51–19,27) 

Até aqui vimos que Jesus ensinou aos seus na sinagoga de Nazaré que está sob o influxo
do Espírito Santo, tendo sido ungido e enviado para desempenhar as atividades próprias
do Messias (4,18-19; cf. 3,21-22) (33). Depois disso encontramos somente mais uma
ocorrência direta ao longo do Evangelho de Lucas que manifesta explicitamente a relação
entre ele e o referido Espírito. A mesma se dá durante a sua subida para Jerusalém:
«naquele momento, ele exultou de alegria sob a ação do Espírito Santo e disse» (10,21a;
cf. 1,35; 3,22; 4,1.14.18) (34). Jesus ensina neste contexto (10,21-22) que o Evangelho é
revelado aos simples e indica qual é sua relação com o Pai (35). No contexto anterior
(10,17-20), os setenta e dois discípulos retornam alegres de sua missão (10,17), e Jesus
indica-lhes qual deve ser o motivo da alegria dos mesmos: «vossos nomes estão inscritos
nos céus» (v.20). Agora, é Jesus que exulta de alegria. O que o faz exultar é a ação «do
Espírito Santo».
O motivo da exultação de Jesus está no conteúdo daquilo que ele diz logo a seguir: «eu te
louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e
entendidos, e as revelaste aos pequeninos» (10,21b) (36). A exultação de Jesus confirma
que o Espírito Santo está sobre ele, sendo que foi ungido e enviado para executar diversas
tarefas (4,18-19) (37). Jesus já tem executado parte de tais tarefas durante o seu
ministério público (cf. 7,22) e agora percebe o resultado positivo das mesmas,
principalmente depois da volta dos setenta e dois discípulos (10,17-20). Por isso, Jesus
sob a ação do mesmo Espírito Santo que desceu sobre ele no Batismo e continua sobre
ele em tudo o que tem feito e dito, exulta reconhecendo que a missão para a qual ele tem
sido enviado, tem sido cumprida (4,18-19; cf. 7,22) (38).

1.2. Sumário

Durante essa seção procuramos demonstrar que a expressão «o Espírito do Senhor está
sobre mim, porque me ungiu para evangelizar os pobres» presente na perícope em
questão, revela que Jesus não está sozinho quando vai ao encontro dos seus em Nazaré
(4,18a; cf. 1,35; 3,22; 4,1.14; 10,21a). O que indica que a presença do Espírito Santo
sobre ele é um tema dominante dentro do nosso texto, bem como ao longo do Evangelho
de Lucas (39).
Jesus, já na preparação para o seu ministério, está sob o influxo do Espírito Santo, pois é
a partir do Batismo que o mesmo desce sobre ele confirmando sua identidade messiânica
de modo sobrenatural (Lc 3,22; cf. At 10,38). Neste momento Deus (voz do céu), também
confirma sua filiação divina (3,22). O mesmo Espírito plenifica Jesus e o conduz através do
deserto (Lc 4,1; cf. At 4,31; 6,3; 7,55; 13,9.52). E uma vez sendo tentado pelo demônio
durante quarenta dias, ele, protegido pelo Espírito Santo, confirma sua identidade
resistindo às tentações de Satanás (4,4.8.12).
Logo depois das tentações, Jesus, conduzido pelo poder do Espírito Santo, voltou do
Jordão tendo como direção a Galiléia, onde inicia seu ministério público (4,14). E o referido
Espírito não o abandonará durante o exercício do mesmo. O mesmo faz com que sua
fama comece a estender-se geograficamente e o inspira durante seu ensinamento,
provocando a reação positiva de todos por meio do louvor que lhe prestam (cf. 4,14;
12,12).
O Espírito Santo também está sobre Jesus na sua subida para Jerusalém. É durante a
subida para a cidade santa que ele exulta de alegria sob a sua ação (Lc 10,21; cf. At
13,52). E o motivo da mesma é porque o mesmo Espírito que desceu sobre ele no
Batismo, também lhe mostra que a sua missão tem tido resultado (cf. 7,22). O que se
revela principalmente depois que os setenta e dois discípulos manifestam sua alegria ao
retornarem da missão, com a constatação de que até os demônios se submetiam em seu
nome (cf. 4,34; 8,28.32).
A partir do exposto, podemos resumir dizendo que a pouca freqüência do Espírito Santo
ao longo do ministério público de Jesus, não comprova que tal temática não seja
programática para o Evangelho de Lucas. Na perícope em questão (4,16-30), a temática
de «Jesus sob o influxo do Espírito Santo» é constatada explicitamente e revelada por ele
próprio (4,18a). Deste modo, mesmo que a relação entre Jesus e o Espírito Santo não seja
uma temática freqüente de modo explícito ao longo do seu ministério público como tal, isso
não quer dizer que depois de sua unção o mesmo não está sobre ele em tudo aquilo que
faz e diz.

DIA 6 – AGINDO NO PODER DO


ESPÍRITO
Estamos examinando o relacionamento de Jesus com o Santo Espírito. A partir
do registro de Lucas, destacamos cinco níveis, cada um tocando uma das áreas de
Sua vida e ministério. Ao findar Seu ministério terreno, Ele transferiu para os
discípulos Sua vida e missão. Para tanto, prometeu a habilidade Divina que nos é
outorgada pelo mesmo Espírito de Deus. Resumindo o que já vimos até aqui:

 O NASCIMENTO de Jesus, como Filho do Homem na terra, é resultado


da obra do Espírito, gerando-O no ventre de Maria. Disse Gabriel:
Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua
sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho
de Deus
(Lucas 1:35)
Do mesmo modo nós somos gerados como filhos de Deus pela obra regeneradora
do Espírito Santo.

Por meio de um único Espírito, todos imersos num único corpo… e a todos nós
foi dado beber de um único Espírito
(1 Co 12:13)
A imersão no Corpo de Cristo pelo Espírito é a essência do novo nascimento.
Assim nos tornamos participanes de Sua natureza.

 Jesus foi BATIZADO NO ESPÍRITO SANTO, logo após seu batismo nas
águas (Lucas 3:21). Ali o Pai proclama ao mundo que Ele é Seu Filho, o
prometido, o Redentor. A partir de então, Ele desenvolve Seu ministério.
Prometeu o mesmo batismo aos Seus discípulos e ordenou-lhes que antes de
saírem a pregar, aguardassem em Jerusalém aquela experiência (Atos 1:4). O
Espírito desceu e todos foram batizados nEle. Pedro logo anuncia que aquela
promessa era “para todos quantos o SENHOR, nosso Deus chamar!” (Atos
2:39). Trata-se da habilidade para cumprir a missão.
 Lucas registra que Jesus foi para o deserto “CHEIO DO ESPÍRITO” (4:1).
E Ele assim permaneceu, inteiramente controlado pelo Espírito Santo.
Novamente, esta experiência é destinada a todo Filho de Deus, pelo que
Paulo ordena que sejamos continuamente cheios, isto é, controlados pelo
Espírito, momento após momento (Efésios 5:18).
 Lucas destaca ainda que Jesus, foi GUIADO, conduzido, dirigido pelo
Espírito ao deserto (4:1). E isto foi padrão em sua vida. Somos, como filhos,
igualmente, chamados a ser guiados pelo Espírito Santo todos os dias da
nossa vida. Esta é uma marca de um filho maduro, como visto na reflexão
anterior (Romanos 8:14).
 Finalmente, Lucas declara que Jesus voltou para a Galileia “no poder do
Espírito” (4:14). Em suas realizações Ele usa armas espirituais. Haverá,
porventura, arma mais potente que o “poder do Espírito Santo”. Nosso grande
desafio é desenvolver os mesmos cinco níveis de relacionamento com
Espírito de Cristo. Como vimos,
o No nascimento, o Espírito nos gera como Filhos de Deus. Esta é
nossa POSIÇÃO.
o No Batismo no Espírito Santo, recebemos a habilidade para ser
testemunhas. Esta é nossa MISSÃO.
o No enchimento, ou viver cheios do Espírito, provamos o Seu
controle em todas as áreas da nossa vida. Este é nosso CARÁTER.
o Sendo guiados pelo Espírito, teremos uma direção segura para tudo
quanto fazemos. Isto fala de nossas DECISÕES E REALIZAÇÕES.
o Experimentando o poder do Espírito, dependeremos dele para viver
e realizar a obra de Deus. Será sempre a FONTE DE ENERGIA que
nos impulsiona em tudo quanto FAZEMOS. Esse poder será a arma que
usaremos para cumprir nossa missão. Dele seremos sempre
dependentes.

NO PODER DO ESPÍRITO
O poder pertence a Deus
(Salmo 62:11)
O Deus de Israel é o que dá força e poder ao seu povo
(Salmo 68:35)
Lucas já havia enfatizado a relação de Cristo com o Espírito Santo (1:35, 67-69;
2:27-30; 3:21-22), mas agora julga ser importante lembrar-nos que Seu
ministério é revestido do poder do Espírito. Declara:

Então, Jesus retornou para a Galileia no poder do Espírito…


(4:14)
Jesus voltou no poder do Espírito, do qual Ele estava cheio, e pelo qual foi
guiado ao deserto, e havia travado combate com Satanás, alcançado vitória sobre
ele. Em virtude disto entrou em seu ministério público, operou milagres e
ensinou com autoridade. A forma de falar é usada em Miquéias 3:8:

Mas eu estou cheio do poder do Espírito de Yahweh, e de juízo e de força, para


anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado.
(Miquéias 3:8)
A expressão para falar do seu retorno à Galileia denota que Ele o fez devido ao
forte impulso do Espírito Santo, que estava nele e o moveu a voltar para lá, onde
deveria começar o seu ministério, e operar os milagres, e assim cumprir a
profecia sobre Ele (Is 9:1,2; Mateus 4:12-16). (John Gill).

O PODER SE MANIFESTA APÓS A PROVA


No batismo de Jesus, o Pai proclama que Ele é o Seu Filho. Ato contínuo, o
Espírito Santo o conduz ao deserto para ser testado. Viera libertar os homens do
poder de Satanás. A raça humana caíra diante de sua tentação de Satanás, usando
para tanto os sentidos do seu corpo. O Filho de Deus vem como Filho do Homem
e, em seu território precisa, primeiro, sofrer de Satanás o mesmo tipo de tentação,
dos que viera redimir, e vencê-lo.

É depois desta vitória que o poder se manifesta. Sempre, depois do batismo no


Espírito Santo, somos levados a um tipo de deserto, onde somos tentados.
Somente depois de vencer a Satanás manifestamos o poder do Espírito. Há um
confronto de poderes. Se o batismo no Espírito visa equipar-me para ser o canal
de Cristo na busca e salvação do perdidos. Se os homens são escravos de Satanás,
e minha missão envolve arrancá-los de suas garras, preciso conquistar a posição
de quem o enfrentou e venceu. Manifestarei, então, o poder de Deus no
cumprimento da Missão.

O PODER DO ESPÍRITO ESTÁ LIGADO À MISSÃO


Inferimos de todo o contexto do relato de Lucas 4, que a expressão “então Jesus
retornou para a Galileia no poder do Espírito…” (4:14), está intimamente
relacionada à demonstração das obras de Deus na Sua missão Redentiva. Isto é
descrito de forma maravilhosa em Atos 10:38:

Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou
por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque
Deus era com Ele.
(Atos 10:38)
No batismo no Espírito Santo vem o revestimento de poder, a concessão da
habilidade Divina. Segue-se o imperativo de viver cheios dEle e em tudo ser
dirigidos por Ele. Esses níveis de experiência nos colocam em uma posição de
guerra contra Satanás, pois todo o poder disponível a tais filhos de Deus tem uma
meta: Saquear o inferno e povoar o céu. Ele só se manifestará no exercício da
MISSÃO.

A MISSÃO DEFINIDA
Jesus veio a este mundo com uma missão. Ele continua a cumpri-la através de
Seu Corpo. Ele a define usando a profecia de Isaías 61:1-2, ressaltando seus
vários aspectos. Deixa claro que o poder do Espírito Santo nEle estaria por trás
de todas as suas realizações. Examinemo-los com a consciência de que Sua
missão nos é transferida, e a habilidade para cumpri-la nos está disponível.
1. A Missão de Pregar o Evangelho aos pobres – para anunciar a boa notícia
àqueles que foram desprovidos de riqueza, posição, influência e honra.
Aqueles que, literalmente, se encolhem amedrontados diante de um grande
Deus. Jesus veio para os pobres, financeira, moral e espiritualmente! (Mt
11:28; Is. 55:1; Ap 22:17.);
2. A Missão de curar os de coração despedaçado – a cura daqueles que
sofreram extrema tristeza! Fala daqueles cujo espírito foi esmagado.
Literalmente, “estar debaixo dos pés de um conquistador”;
3. A Missão de apregoar liberdade aos cativos – literalmente: “Aqueles que
estão conservados na ponta da lança.” Para declarar que há liberdade para
todos os prisioneiros da lança de Satanás!
4. A Missão de recuperar a vista aos cegos – para dar visão aos
entenebrecidos pelos ardis de Satanás, que cega o entendimento dos homens.
Literalmente, os mental e espiritualmente cegos;
5. A Missão de pôr em liberdade os oprimidos. “Libertação do mundo das
trevas aos prisioneiros da escuridão”. Para libertar da escravidão os que
foram esmagadas, ou oprimidos. Satanás está se divertindo às custas até dos
filhos de Deus! Ele não tem o direito de lançar lixo em sua vida! Ele não tem
o direito de se infiltrar em sua mente, nem de destrui-lo;
6. A Missão de anunciar o ano aceitável de Yahweh – para anunciar que as
portas da salvação foram abertas, as portas da cura e da libertação de todo o
poder do inimigo foram abertos. Para nos lembrar que existe um tempo
glorioso quando o povo de Deus vai estar com Ele no céu (Ap. 21:4). Para
nos recordar que chegará o dia quando a justiça e a bênção plena reinarão
sobre a terra!
Tudo isto Jesus realizou no poder do Espírito Santo. Todas as fases de Sua vida
estão intimamente ligadas ao precioso Espírito Santo. Até de Sua morte é dito
que “pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus” (Hebreus
4:14), para nos purificar a consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus
vivo!

A própria ressurreição de Jesus tem o dedo do Espírito Santo. Paulo o declara:


Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos,
esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também
o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita
(Romanos 8:11)

O MESMO PODER É DISPONÍVEL AOS DISCÍPULOS


A promessa de Jesus foi enfática:

Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão
minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os
confins da terra
(Atos 1:8)
O testemunho de Paulo revela que ele nadou nas pegadas do Mestre:

 Pelo poder de sinais e maravilhas e por meio do poder do Espírito de


Deus. Assim, desde Jerusalém e arredores, até o Ilírico proclamei
plenamente o evangelho de Cristo
(Romanos 15:19)
 Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras
persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do
Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria
humana, mas no poder de Deus
(1 Coríntios 2:4-5)
 Pois o Reino de Deus não consiste de palavras, mas de poder
(1 Coríntios 4:20)
 Tão importante é para o crente tudo fazer no poder do Espírito, que Paulo
orou:

Para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais
fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior
(Ef 3:16)
 Certos de que podemos contar com este poder em todo o tempo, podemos
declarar em gratidão:
Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo
quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a
ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para
todo o sempre. Amém!
(Ef 3:20,21)

CONCLUSÃO
A vida cristã é uma aventura sobrenatural, que começa e termina com a presença,
obra e direção do Espírito Santo. É Ele:

 Quem nos gera em Cristo, como filhos de Deus;


 Em quem somos batizados por Jesus para receber a habilidade divina para
testemunhar;
 É Ele que nos enche de Sua presença e permeia todo o nosso ser;
 É Ele quem nos guia a toda a verdade e dirige os nossos passos;
 É dEle que procede todo o poder para viver a vida cristã e realizar a obra
de Deus.
Diante de tudo isto, desenvolvamos um estreito relacionamento com a Pessoa do
Espírito Santo, e nossa vida glorificará a Cristo e será alegrará o coração do
nosso Deus e Pai

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