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Contribuição para o zoneamento das áreas com

características geotécnicas semelhantes da Cidade de


Salvador visando aplicação em mapeamento de risco

Jesus, A. C.
UFBA/Graduando Eng. Civil, Salvador, Bahia, Brasil, alexandre@geotec.eng.ufba.br
Miranda, S. B.
UFBA/Graduando Eng. Civil, Salvador, Bahia, Brasil, barreto@geotec.eng.ufba.br
Dias, L. S. O.
UFBA/Mestrando Engenharia Ambiental Urbana, Salvador, Bahia, Brasil,
leonardo.santana@gmail.com
Brito Júnior, J.A
UFBA/Graduando Ciência da Comp., Salvador, Bahia, Brasil, jailson@geotec.eng.ufba.br
Burgos, P.C.
UFBA/UNEB – Pesquisador, Salvador, Bahia, Brasil, pburgos@ufba.br
Campos, L. E. P.
UFBA, Salvador, Bahia, Brasil, ledmundo@ufba.br

Resumo: No desenvolvimento do Plano Diretor de Encostas da Cidade de Salvador, a Prefeitura


Municipal de Salvador solicitou o apoio do Laboratório de Geotecnia da UFBA, visando disponibilizar
e georeferenciar os diversos ensaios de resistência realizados através de projetos de pesquisa e
extensão. Desta forma foi possível cadastrar os resultados dos diversos ensaios e sua localização
espacial, permitindo realizar estudos visando obter distribuição espacial das propriedades de resistência
que, aliada a uma base topográfica, para aplicação na elaboração de mapas de risco de deslizamento
de terra da Cidade. Neste trabalho são apresentados os resultados dessa pesquisa, apresentando os
mapas de isopropriedades de geotecnicas para a Cidade de Salvador.

Abstract: With the event of the development of the Master Plan for Slopes of the City of Salvador,
the Municipality of Salvador requested the support of the Geotechnical Laboratory of the Federal
University of Bahia - UFBA, seeking to make available and to identify several resistance tests
accomplished through research projects and extension. Thus it was possible to collect the several
test results and their space location, allowing the accomplishment of studies that were carried on
in order to obtain a space distribution of the different soil resistance properties and that was
associated to a topographical base, for use in the elaboration of risk maps of landslides for the City
of Salvador. In this paper, the results of such research are presented as maps with areas of similar
geotechnical soil properties for the City of Salvador.

IV COBRAE - Conferência Brasileira sobre Estabilidade de Encostas - Salvador-BA 17


1. INTRODUÇÃO sultados dos ensaios realizados nos últimos 20
anos e o georeferenciamento das amostras.
Diversos centros urbanos brasileiros estão lo- Com o georeferenciamento, permitiu um
calizados em áreas com problemas de estudo da distribuição espacial das principais
deslizamento de terra. Salvador, primeira Capi- características dos solos, visando a aplicação
tal do Brasil, convive com problema de estabili- na avaliação de zonas de risco de deslizamento,
dade de encosta ao longo de sua história, sen- junto com as diversas cartas temáticas, utili-
do o primeiro acidente relatado no ano de 1551, zando para isto um Sistema de Informação Geo-
e logo após este merecem destaque os aciden- gráfica (SIG), sendo este fundamental quando
tes ocorridos em 1671, onde parte da encosta se trabalha com o mapeamento de grandes áre-
da Conceição da Praia desabou vitimando trin- as, em que o volume de informações dificulta as
ta pessoas. Inicialmente, os acidentes ocorriam análises por processos não-computacionais,
na região da Falha de Salvador, local onde se assim como armazenamento em bancos de da-
começou desenvolver cidade. Posteriormente, dos no SIG e manipuladas com o objetivo de
com o crescimento de Cidade, o problema de gerar informações derivadas que possam con-
deslizamento de terra acompanhou a ocupação tribuir ao planejamento do meio físico e à toma-
desordenada, principalmente das encostas de da de decisões (Carvalho apud Woslki et al,
Salvador, motivada pelos fatores sócio-econô- 1998).
mico e a pressão imobiliária. Hoje, a Cidade apre-
senta diversas áreas de risco de deslizamento, 2. COLETA DE DADOS
cujo crescimento é bem superior ao potencial
de intervenção do poder publico. A locação espacial das amostras de solos
Visando avaliar áreas com prioridades de coletadas em Salvador tomou como base para
investimentos é necessário saber a condição georeferenciamento a projeção Universal
de risco de deslizamento de terra onde estão Transverse de Mercator (UTM), datum SAD69
implantadas as populações, necessitando para e articulação padrão SICAR. Devido às amos-
isto o conhecimento das propriedades tras já terem sido coletadas nos os últimos vin-
geotécnicas, geológicas, bem com uma base te anos, os padrões de representações geográ-
cartográfica e do processo de avaliação da con- ficas das mesmas são heterogêneos, uma vez
dição de estabilidade. que nos resgates das informações utilizou-se
Quanto à base cartográfica, a Cidade do desde representação da localização feita em sim-
Salvador já dispõe de uma base na escala de ples croquis até o uso de coordenadas Geográ-
1:2000, implantada pela Conder, tendo como re- ficas, obtidas por GPS.
ferência o levantamento feito no ano de 1998, Assim, o trabalho inicial constou de uma
possuindo também fotografias áreas da Cidade triagem conforme o nível de espacialização das
em diversas épocas, onde se observar a forma mesmas, sendo apresentado a seguir os níveis
de ocupação e sua evolução nos últimos anos. de qualidade na referencia adotados, para as
Infelizmente, Salvador não dispõe de uma 369 amostras: A – locadas com auxílio de GPS;
cartografia geológica e geotécnica, levando a B - locadas com a metodologia dos pontos de
Prefeitura a desenvolver trabalhos nesta área controle; C - locadas no centróide da Obra; D -
para a implantação do Plano Diretor de Encos- locadas tomando um único ponto de referên-
tas. Neste plano coube ao Laboratório de cia; G - locadas com auxílio do LOUOS (progra-
Geotecnia da UFBA a disponibilização dos re- ma comercializado pela PMS para localização

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de logradouros, dentre outros dados); e Z - lo- letada esta relacionada com informações de al-
cadas no centróide do logradouro. guns índices físicos do solo (índice de vazios e
A cultura de se vincular, a qualquer tipo de peso específico dos grãos) e principalmente dos
amostragem realizada no ambiente urbano, um parâmetros de resistência ao cisalhamento, ob-
par de coordenadas de referencial cartográfico tidos de ensaios de cisalhamento direto ou
(x,y) ainda não é prática normalmente utilizada triaxial, correlacionadas com a sua coordenada
pelas empresas de engenharia. Isto é compro- e qualidade da localização.
vada pela maior freqüência da espacialização, .
esta ligada a um nível de qualidade baixa. Con- 4. ANÁLISE DOS RESULTADOS
tudo, Texeira (2003) relata que o rigor da locali-
zação geográfica não é uma grande exigência Inicialmente foi feita a análise exploratória dos
em trabalhos de zoneamento regional. dados, visando permitir um melhor entendimen-
to do conjunto de dados, descrevendo suas
A localização das amostras, após o variações e comportamentos em torno da mé-
georeferenciamento, é apresentada no mapa dia, possibilitando interpretações mais
(Figura 1). confiáveis e detecções de possíveis erros, se-
guindo as orientações de Manzione apud Ladim
(2002).
Portanto, os dados foram analisadas atra-
vés da estatística descritiva as medidas de po-
sição (média, mediana), dispersão em torno da
média (desvio padrão, coeficiente de variação e
variância) e forma (coeficiente de assimetria e
curtose), sendo apresentados os resultados nas
tabelas 1 e 2 e 3.

Tabela 1 – Análise exploratória dos parâmetros


de resistência de ensaios inundados ou
saturado.

Análise φ c
Média 27,60 18,90
Figura 01 – Disposição Espacial das Amostras
Indeformadas Mediana 29,10 16,10
Desv.Pad. 7,04 13,98
3. MONTAGEM DO BANCO DE DADOS
Variância 49,56 195,4
Para utilização das informações num sistema de Coef.Variação 25,50 74,00
gerenciamento de informações geográficas, foi
Curtose 4,22 7,72
criado um bando de dados contendo as princi-
pais características das amostras visando apli- Assimetria -1,05 1,60
cação no estudo de avaliação de áreas de risco Unidades Utilizadas: Ângulo de Atrito (φ) em graus,
de deslizamento.Assim, para cada amostra co- coesão em kPa.

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Tabela 2 – Análise exploratória dos parâmetros caso das variáveis estudadas somente a coe-
de resistência de ensaios na umidade natural. são e índice de vazios apresentam valores pró-
ximos deste índice. Com relação ao coeficiente
Análise φ c de assimetria percebe-se que nenhuma delas
Média 32,82 43,11 apresentam valores alto segundo Manzione
Mediana 32,71 36,70 (2002).
O desvio padrão e o coeficiente de variação
Desv.Pad. 6,09 26,38 alto são um indicativo da heterogeneidade das
Variância 37,08 695,91 amostras e isto é conseqüência do fato de que
Coef.Variação 18,60 61,10 não se levou enconta durante a análise
Curtose 3,98 6,06 estatistica a gênese das amostras,ou seja Sal-
vador conforme relata Ribeiro (1992) a geolo-
Assimetria -0,18 1,58 gia da Cidade de Salvador é constituída por
Unidades Utilizadas: Ângulo de Atrito (φ) em graus, duas partes distintas divididas pela escarpa de
coesão em kPa.
linhas de falha de Salvador. Na cidade baixa
afloram sedimentos da formação ilhas, membro
Tabela 3 – Análise exploratória dos índices físi-
superior constituído de aglomerados silitos e
cos.
folhelhos, enquanto na cidade alta, rochas de
alto grau de metamorfismo da face granulíto,
Análise γ e que constitui o embasamento cristalino, além
Média 16,44 1,10 da presença da formação barreiras.Portanto o
Mediana 16,43 1,09 fator geológico corrobora para estes valores
altos de desvio padrão e coeficiente de varia-
Desv.Pad. 1,33 0,47
ção.
Variância 1,77 0,22 Observa-se que a perda média da coesão
Coef.Variação 8,09 42,73 ficou em torno de 2,3 três vezes, enquanto o
Curtose 5,03 3,49 ângulo de atrito ficou em média 1,7 vezes me-
nor depois do material ficar totalmente
Assimetria -0,17 -0,31
saturado.
Unidades Utilizadas: : Peso específico natural (γ)
Diante da inadequabilidade da estatística
em kN/m³ e índice de vazios (e) adimensional
tradicional para o caso em questão, devido a
diferença significativa de materiais nos diver-
Percebe-se pela simples leitura das Tabe- sos locais da Cidade, foi então necessária a re-
las 1, 2 e 3, que a coesão e o índice de vazios alização de analise geoestatística
obtiveram um coeficiente de variação muito Este fato vem de encontro ao que relata Car-
alto (superior a 30%), enquanto que a variável valho & Uribe-Opazo (2000).As características
ângulo de atrito teve um coeficiente de varia- físicas e químicas do solo não apresentam uma
ção entre 18,60 e 25,50 e a variável peso espe- uniformidade espacial mas sim uma variabilida-
cífico natural obteve um coeficiente de varia- de espacial, portanto, se deve tratar os dados
ção baixo. como variáveis regionalizadas logo aplicação
O coeficiente de curtose é o grau de achata- da estatística clássica não é suficiente para o
mento de uma distribuição. Uma distribuição tratamento de dados, pois a mesma toma como
normal apresenta curtose igual a três, logo no premissa a independência das amostras e

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homogeneidade de variâncias. Portanto, deve-
se utilizar a geoestatística a fim de que os ma-
pas produzidos sejam mais condizentes com a
realidade conforme menciona Manzione
(2002).Portanto o passo seguinte para o pre-
sente trabalho foi a realização da análise estru-
tural dos dados.
A análise estrutural das informações conti-
das na amostras visa determinar, qual o me-
lhor modelo a ser ajustado de maneira a obter-
mos os valores preditos mais próximos da rea-
lidade, ou seja, ele representa a estrutura de
correlação espacial a ser utilizada nos proce- Figura 2 – Semivariograma da variável peso específico
natural.
dimentos de inferências de Krigagem ordiná-
ria. Esta analise é realizada através do semi-
variograma. O semivariograma mostra a medi-
da e grau de dependência espacial ao longo
de um suporte específico, conforme relata
Landim (2003).
Para as quatro variáveis estudadas foram
modelados semivariogramas para várias dire-
ções visando verificar a anisotropia e a depen-
dência espacial de cada variável. Segundo
Camargo et al (2000) a anisotropia é uma carac-
terística muito freqüente na natureza, isto é, a
variabilidade ou distribuição espacial de tais
elementos ocorre mais intensamente numa di-
reção e menos intensamente que na outra. Figura 3 – Semivariograma da variável índice de vazios.

Com relação a dependência espacial esta


pode ser mensurada através do índice de de-
pendência espacial (IDE) calculado pela equa-
ção 1 apresentada abaixo, sendo considerada a
dependência espacial baixa para IDE maior que
75%, moderada para valores entre 25% e 75%; e
alta menores que 25%.

(1)

São apresentados abaixo alguns Figura 4 – Semivariograma da variável coesão (material


semivariogramas de cada variável estudada. inundado / saturado)

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tados podem ser visualizados na Tabela 4 apre-
sentada a seguir:
As variáveis, coesão, peso específico e ín-
dice de vazios apresentaram uma anisotropia
combinada na direção Nordeste-sudoeste vari-
ando de 28° a 38°, o que pode ser explicado
inicialmente pela grande concentração de amos-
tra nesta direção.
Devido a anisotropia optou-se por combi-
nar dois modelos de semivariograma
(exponencial e esférico). Com relação ao índice
de dependência espacial percebe-se que as va-
Figura 5 – Semivariograma da variável ângulo de atrito riáveis têm baixa dependência espacial devido
(material saturado/inundado) basicamente ao efeito pepita.
Por apresentar poucas amostras na parte
A distância na qual o semivariograma atin- norte da Cidade de Salvador e, principalmente,
ge um valor de estabilidade, o limite da depen- por esse local se apresenta fora do alcance da
dência espacial, é chamado alcance (a) ou “ran- dependência espacial, a mesma foi subtraída do
ge”. A esse valor, próximo à variância dos da- presente trabalho. Pretende-se, no futuro, reali-
dos, dá-se o nome de patamar (C +C ) ou “sill”. zar uma campanha de ensaios nesses locais re-
0 i
O alcance da dependência espacial representa conhecidamente com poucas informações
a distância em que os pontos amostrais estão geotécnicas.
correlacionados entre si Manzione (2002).
Portanto, utilizando a análise do 4. ELABORAÇÃO DE MAPAS
semivariograma obtemos para cada variável
estudada (índice de vazios, peso específico Segundo Camargo (2000), a análise espacial
natural, coesão e ângulo de atrito no estado permite que dados disponíveis de forma pontu-
saturado ou inundado) os parâmetros al sejam interpolados gerando uma superfície
geoestatísticos para os modelos teóricos ajus- que representa o padrão de distribuição da va-

Tabela 4 – Parâmetros Geoestatísticos dos Modelos Teóricos Ajustados

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riável estudada. Dentre os diversos métodos
de interpolação foi escolhido a Krigagem ordi-
nária por ser um método geoestatístico que leva
em consideração as características espaciais de
auto-correlação de variáveis regionalizadas e,
principalmente, ao contrario dos métodos
determinísticos a Krigagem considera a conti-
nuidade do fenômeno em estudo e apresenta
os resíduos e variâncias envolvidas além de trata
a redundância de amostras de forma mais apro-
priada. Ademais, este é um método bem difun-
dido em nosso país podendo citar alguns tra-
balhos realizados Carvalho e Uribe-Opazo
(2000), Camargo et al (2000) e Landim et al (2002).
Os mapas de isopropriedades obtidos atra-
vés da técnica de Krigagem são apresentados
nas figuras 7 a 10.
Analisando os mapas de peso especifico e
coesão observa-se que na parte central da Ci-
dade os valores são menores, acontecendo de Figura 7 – Mapa da Isopropriedade da coesão (material
forma inversa com o índice de vazios. inundado ou saturado)

Figura 6 – Mapa de isopropriedade do ângulo de atrito Figura 8 – Mapa de isopropriedade do índice de vazios
(material inundado ou saturado).

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Quanto à distribuição do ângulo de atrito,
observa-se um alinhamento vertical de valores
mais elevados, reduzindo para leste e oeste,
apresentando distribuição espacial diferente
dos demais parâmetros analisados.
Outra importante constatação é que a maio-
ria dos casos de deslizamento em encosta na
Cidade de Salvador, ocorrem durante o período
chuvoso e tomando como base o inventário de
deslizamento e problemas geotécnicos realiza-
dos para a Prefeitura Municipal de Salvador em
2003, durante o Plano Diretor de Encostas
(PDE), notamos que boa parte dos locais onde
suscitou problemas, estão em zonas onde a
coesão do solo no estado saturado é baixa, como
se pode observar na Figura 10.
Não foi possível determinar o zoneamento
da coesão e ângulo de atrito para o solo na
condição natural, devido a grande variabilida-
de dos resultados, ocasionados, além do fator
Figura 9 – Mapa de isopropriedade do peso específico geológico (litologia), pelos blocos apresenta-
natural.
rem umidades distintas, haja vista serem retira-
das em períodos diferentes, que acabam por
repercutir no valor da sucção e conseqüente-
mente nos parâmetros de resistência do solo.

5.CONCLUSÕES

Através resultados gerados ficaram evidentes


as seguintes conclusões a respeito do presen-
te trabalho:
A necessidade de termos uma rede de pon-
tos bem distribuída, é importante, pois a mesma
afetará na qualidade do processo da
interpolação, haja vista onde se tem encontra-
do IDE baixo, possivelmente afetados pela con-
centração de dados em uma mesma localidade.
É muito importante que exista um mapa geo-
lógico com escala aceitável; haja vista que de-
vido as diversas unidades geológicas existen-
tes na cidade de Salvador fica evidente que não
se pode tratar todas informações de maneira
Figura 10 – Pontos com ocorrência de problemas de igual, todas com a mesma gênese geológica,
deslizamento de terra ocasionando a dispersão dos valores obtidos.

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Os resultados confirmam que o uso da téc- Campos, L. E. P. (1984). Influência da Sucção
nica de Krigagem ordinária como um bom na Estabilidade de Taludes Naturais em So-
interpolador espacial, haja vista em virtude da los Residuais. Dissertação de mestrado em
predição está compatível com os valores de engenharia civil - geotecnia. PUC. Rio de
amostras coletadas no período de 2004 confir- Janeiro.
mando a validação do processo apesar da dis- Carvalho, L. P; Uribe-Opazo, M. A.(2000). Aná-
tribuição dos pontos. lise geoestatística sobre a variabilidade es-
Analisando os mapas de zoneamento pro- pacial de propriedades químicas do solo do
duzidos através da Krigagem ordinária, perce- ano de 2000 em uma área experimental sem
be-se que em zonas onde o índice de vazios é manejo localizado. Cascavel, UNIOESTE
elevado, o valor do ângulo de atrito encontra- Landim, P. M. B.(2003).Análise estatística de
do é baixo, isto vem ao encontro com o que dados geológicos.2º Edição.Editora
Campos (1984) relatou ao citar Macarini (1980) Unesp.São Paulo.
e Sandroni (1973). Manzione, R. L. (2002) Variabilidade espacial de
Este zoneamento geotécnico, mesmo em atributos químicos do solo em Araguari –
caráter preliminar é de suma importância, permi- MG. Dissertação de mestrado em agrono-
tindo assim o desenvolvimento e continuidade mia. UNESP. São Paulo.
de pesquisas sistemáticas sobre o tema em ques- Ribeiro, L. P (1991).Alguns aspectos do solo
tão, além de permitir a divulgação dessa ferra- do Salvador e sua relação com processos
menta de análise no meio técnico local. de degradação.Sociedade e Natureza. -
Uberlândia
6. REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA Teixeira, C. Z. (2003.) Um estudo de viabilidade
para fundações rasas de construções de
Camargo, E. C. G; Felgueiras, C. A e Monteiro, A. pequeno porte na região de Belo Horizonte
M. V. (2000). A importância da modelagem usando ferramentas de SIG.VI Curso de es-
anisotrópica na distribuição espacial de vari- pecialização em Geoprocessamento. Depar-
áveis ambientais utilizando procedimentos tamento de Geociências-UFMG.Belo Hori-
geoestatísticos. (2000) INPE-São Paulo zonte

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