Você está na página 1de 453

Índice

PM - TO
Soldado do QPPM
EDITAL Nº 001/CFSD-2013/PMTO

ARTIGO DO WILLIAM DOUGLAS

LÍNGUA PORTUGUESA

Leitura, compreensão e interpretação de textos.................................................................................................................01


Estruturação do texto e dos parágrafos..............................................................................................................................01
Articulação do texto: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores sequenciais...........................................08
Significação contextual de palavras e expressões...............................................................................................................17
Equivalência e transformação de estruturas......................................................................................................................19
Sintaxe: processos de coordenação e subordinação...........................................................................................................24
Emprego de tempos e modos verbais..................................................................................................................................30
Pontuação...............................................................................................................................................................................38
Estrutura e formação de palavras.......................................................................................................................................41
Funções das classes de palavras...........................................................................................................................................45
Flexão nominal e verbal........................................................................................................................................................55
Pronomes: emprego, formas de tratamento e colocação...................................................................................................58
Concordância nominal e verbal...........................................................................................................................................62
Regência nominal e verbal...................................................................................................................................................74
Ocorrência de crase..............................................................................................................................................................79
Ortografia oficial...................................................................................................................................................................82
Acentuação gráfica................................................................................................................................................................90

RACIOCÍNIO LÓGICO

Avaliação da habilidade do candidato em entender a estrutura lógica de relações arbitrárias entre pessoas, lugares,
coisas ou eventos fictícios; deduzir novas informações das relações fornecidas e avaliar as condições usadas para estabelecer
a estrutura daquelas relações. As questões das provas poderão tratar das seguintes áreas: estruturas lógicas; lógica de
argumentação; diagramas lógicos; álgebra e geometria básica.........................................................................................01/46

ATUALIDADES E CONHECIMENTOS REGIONAIS

Mundo Contemporâneo: elementos de política internacional e brasileira......................................................................01


Cultura internacional...........................................................................................................................................................05
Cultura e sociedade brasileira: música, literatura, artes, arquitetura, rádio, cinema, teatro, jornais, revistas e
televisão.........................................................................................................................................................................................07

Didatismo e Conhecimento
Índice
Descobertas e inovações científicas na atualidade e seus impactos na sociedade contemporânea...............................13
O desenvolvimento urbano brasileiro.................................................................................................................................16
História e Geografia do Estado do Tocantins; o movimento separatista; a criação do Estado; os governos desde a
criação;..........................................................................................................................................................................................20
Governo e Administração Pública Estadual; divisão política do Estado, clima e vegetação; hidrografia; atualidades:
economia, política, desenvolvimento..........................................................................................................................................20

NOÇÕES DE DIREITO

DIREITO CONSTITUCIONAL:
Dos princípios fundamentais; direitos e deveres individuais e coletivos; garantias dos direitos individuais, coletivos,
sociais e políticos;.........................................................................................................................................................................01
Da nacionalidade; partidos políticos;..................................................................................................................................02
Da Administração Pública;..................................................................................................................................................20
Defesa do Estado e das instituições democráticas: segurança pública; organização da segurança pública;...............24
Ordem social..........................................................................................................................................................................25
Normas da Constituição do Estado do Tocantins pertinentes aos Militares do Estado, às policias estaduais e à
segurança pública em geral.........................................................................................................................................................39

DIREITO PENAL:
Infração penal: elementos, espécies;....................................................................................................................................01
Sujeito ativo e sujeito passivo da infração penal;...............................................................................................................01
Tipicidade, ilicitude, culpabilidade, punibilidade;.............................................................................................................02
Imputabilidade penal............................................................................................................................................................03
Crimes contra a pessoa;........................................................................................................................................................05
Abuso de Autoridade (Lei nº 4.898/65)................................................................................................................................33
Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90)....................................................................................................................................37
Código Penal (Decreto-lei nº. 2.848, de 7 de dezembro de 1940): Título XI - Dos Crimes Contra a Administração
Pública...........................................................................................................................................................................................38

DIREITOS HUMANOS:
Histórico dos direitos humanos;..........................................................................................................................................01
Aspectos gerais;.....................................................................................................................................................................05
A Declaração Universal dos Direitos Humanos..................................................................................................................08

DIREITO PENAL MILITAR:


Crime militar: conceito.........................................................................................................................................................01
Da violência contra superior ou oficial de serviço..............................................................................................................05
Do desrespeito a superior e do vilipêndio a símbolo nacional ou farda...........................................................................05
Da coação irresistível e da obediência hierárquica............................................................................................................06

NOÇÕES DE INFORMÁTICA

Sistema operacional Windows XP e Windows 7.................................................................................................................01


Microsoft Office: Word 2007, Excel 2007, Power Point 2007 e Microsoft Outlook 2007...............................................12
Conceitos e tecnologias relacionados à Internet e a Correio Eletrônico..........................................................................62
Internet Explorer 8................................................................................................................................................................75
Conceitos básicos de segurança da informação..................................................................................................................78

Didatismo e Conhecimento
Índice

NORMAS PERTINENTES À PM/TO

Lei Complementar Nº 79, de 27/04/2012 – Dispõe sobre a organização básica da Polícia Militar do Estado do Tocantins,
e adota outras providências.........................................................................................................................................................01
Lei nº. 2.578, de 20/04/2012 – Dispõe sobre o Estatuto dos Policiais Militares e Bombeiros Militares do Estado do
Tocantins, e adota outras providências......................................................................................................................................05

REDAÇÃO

Redação...................................................................................................................................................................................01

Didatismo e Conhecimento
SAC

Atenção
SAC
Dúvidas de Matéria
A NOVA APOSTILA oferece aos candidatos um serviço diferenciado - SAC (Serviço de Apoio ao Candidato).
O SAC possui o objetivo de auxiliar os candidatos que possuem dúvidas relacionadas ao conteúdo do edital.
O candidato que desejar fazer uso do serviço deverá enviar sua dúvida somente através do e-mail: professores@
novaapostila.com.br.
Todas as dúvidas serão respondidas pela equipe de professores da Editora Nova, conforme a especialidade da
matéria em questão.
Para melhor funcionamento do serviço, solicitamos a especificação da apostila (apostila/concurso/cargo/
Estado/matéria/página). Por exemplo: Apostila do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo - Cargo Escrevente.
Português - paginas 82,86,90.
Havendo dúvidas em diversas matérias, deverá ser encaminhado um e-mail para cada especialidade, podendo
demorar em média 05 (cinco) dias para retornar. Não retornando nesse prazo, solicitamos o re-envio do mesmo.

Erros de Impressão
Alguns erros de edição ou impressão podem ocorrer durante o processo de fabricação deste volume, caso
encontre algo, por favor, entre em contato conosco, pelo nosso e-mail, nova@novaapostila.com.br.
Alertamos aos candidatos que para ingressar na carreira pública é necessário dedicação, portanto a NOVA
APOSTILA auxilia no estudo, mas não garante a sua aprovação. Como também não temos vínculos com a
organizadora dos concursos, de forma que inscrições, data de provas, lista de aprovados entre outros independe
de nossa equipe.
Havendo a retificação no edital, por favor, entre em contato pelo nosso e-mail, pois a apostila é elaborada com
base no primeiro edital do concurso, teremos o COMPROMISSO de enviar gratuitamente a retificação APENAS por
e-mail e também disponibilizaremos em nosso site, www.novaapostila.com.br, na opção ERRATAS.
Lembramos que nosso maior objetivo é auxiliá-los, portanto nossa equipe está igualmente à disposição para
quaisquer dúvidas ou esclarecimentos.

CONTATO COM A EDITORA:


2242-7998 / 2242-7743

nova@novaapostila.com

@novaconcurso

/NOVAConcursosOficial

NovaApostila

nova_apostila@hotmail.com
Atenciosamente,
NOVA CONCURSOS
Grupo Nova Concursos
novaconcursos.com.br

Didatismo e Conhecimento
Artigo
O conteúdo do artigo abaixo é de responsabilidade do autor William Douglas, autorizado gentilmente e sem cláusula
de exclusividade, para uso do Grupo Nova.
O conteúdo das demais informações desta apostila é de total responsabilidade da equipe do Grupo Nova.

ÁGUIA OU GALINHA: QUE TIPO DE CONCURSEIRO É VOCÊ?

Por William Douglas*


 
Dois grandes teólogos escreveram livros com o tema a águia e a galinha, cada qual com lições distintas e muito interessantes: Frei
Leonardo Boff (Ed. Vozes) e o pastor Jorge Linhares (Ed. Getsêmani). Vou me valer de textos do segundo (LINHARES, Jorge. Águia
ou Galinha? 27ª Ed. Belo Horizonte: Editora Getsêmani, 2005. p. 38-52), e em seguida, comparar suas lições com o concurso público,
convidando o leitor a descobrir-se “águia” ou “galinha”.
“Galinha é caça. Águia é caçadora.” Você olha a matéria, os livros, as provas como alguém que vai lhe destruir ou como algo que você
vai caçar e vencer?
“Galinha tem olhos laterais. A águia, não. Seus olhos são frontais.” Animais que caçam (ao invés de serem caçados) olham para frente,
para focar o que desejam. Concursandos que ficam olhando demais para os lados, para os prazeres excessivos, para os problemas não focam.
Águias e galinhas nascem com os olhos “prontos”, mas você pode escolher para que lado vai olhar: para o objetivo ou para os problemas,
para o que traz resultados ou para o que atrapalha os resultados pretendidos.
“Galinha só enxerga de dia. Quando o sol se põe, vai para o galinheiro ou poleiro, condenada a virar canja de raposa, cachorro ou
gambá. A águia enxerga tanto de dia quanto de noite.” E você, estuda de noite? Vira madrugadas?
“Águia é vigorosa; galinha, frágil.“ Para cuidar da vida atual, para se organizar e AINDA CONSEGUIR estudar, fazer cursos, simulados
etc. é preciso vigor e disposição.
“Galinha é medrosa. Águia é destemida, corajosa.” Estamos voltando à questão de ser caça ou caçador, mas também ao fato de que um
bom concursando não deve temer a quantidade de matéria, nem a relação candidato-vaga, nem coisa alguma que esteja entre sua situação
atual e a situação pretendida.
“Quando adoece, a galinha fica de asas caídas, jururu, dependente de socorro. Ninguém jamais viu uma águia doente. Quando debilitada,
reúne todas as forças que tem para refugiar-se no alto. Não fica por aí à espera de piedade. Autocomiseração não combina com a águia.” E
você, amigo, está esperando piedade alheia ou prefere reunir suas forçar para ir em busca do sonho?
“Galinha se alimenta de milho e restos. A águia, do alto, seleciona a presa, e desce como uma flecha sobre ela.” Aqui vale o cuidado com
a qualidade dos cursos que faz e dos livros ou apostilas que lê. Não se “alimente” de coisa ruim, pois faz mal! Isto também vale para suas
conversas e companhias, para os programas de TV que assiste e tudo o mais que influencie sua mente e sua preparação. O lazer é essencial,
mas um bom lazer.
Se você se negar a ter uma visão e um comportamento limitados como os de uma galinha, pode ter certeza que terá o melhor desta terra.
Mas ainda há mais: “O ninho de galinha é feito de pena e capim. Da águia também. Mas sob o capim e as penas, retiradas do próprio
peito, a águia coloca uma camada de espinhos.”
Às vezes é preciso ter, ou ao menos se lembrar, dos “espinhos” para que não nos acomodemos e para que levantemos vôo. São os
espinhos da vida, as necessidades, as contas, que algumas vezes nos impulsionam para a vitória. Não é raro ver pessoas com tudo a favor
não passarem... Talvez por falta de espinhos no ninho, e pessoas com “espinhos” conseguirem passar nos concursos. Não sei se os espinhos
são as contas, doença, separação ou o que for, mas espinhos não são limitadores para as águias.
A galinha aceita ficar presa, a águia não. Algumas pessoas aceitam uma situação de “prisão”, limitadora, enquanto outras ousam
melhorar de vida. A galinha faz seu ninho ao nível do chão, sem pensar alto, coisa que uma águia não imagina. Ela voa, pensa e aninha-se
no alto, que é para onde se dirige sempre.
Enquanto há várias espécies de galinha, temos na águia uma espécie rara. Concursandos organizados, estudiosos e que fazem o que é o
certo são raros... e são os que passam, mais cedo ou mais tarde!
A diferença não é o que acontece com a águia ou com a galinha, mas como essas duas aves reagem ao que acontece com elas, como elas
encaram sua existência e como lidam com ninhos, espinhos, alimentação, desafios etc. Por isso elas são tão diferentes.
O livro de Obadias, na Bíblia, diz “Se te remontares como a águia, e puseres o teu ninho entre as estrelas...” (1.4). Este é o desafio:
não importa como você foi até hoje, mas sim que se “remonte” como águia, que é o que você já é ou pode vir a ser. Para ser um concurseiro-
águia, basta pensar e agir como um, pois “somos o que pensamos e fazemos”.

Ponha seu “ninho” entre as estrelas: você merece.

*William Douglas é juiz federal, professor universitário, palestrante e autor de mais de 30 obras, dentre elas o best-seller
“Como passar em provas e concursos” . Passou em 9 concursos, sendo 5 em 1º Lugar
www.williamdouglas.com.br
Conteúdo cedido gratuitamente, pelo autor, com finalidade de auxiliar os candidatos.

Didatismo e Conhecimento
LÍNGUA PORTUGUESA
LÍNGUA PORTUGUESA
Pré-Leitura
LEITURA, COMPREENSÃO E Nome do livro
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS. ESTRUTU- Autor
RAÇÃO DO TEXTO E DOS PARÁGRAFOS. Dados Bibliográficos
Prefácio e Índice 
Prólogo e Introdução
 
O primeiro passo é memorizar o nome do autor e a edição do
O primeiro passo para interpretar um texto consiste em de- livro, fazer um folheio sistemático: ler o prefácio e o índice (ou
compô-lo, após uma primeira leitura, em suas “ideias básicas ou sumário), analisar um pouco da história que deu origem ao livro,
ideias núcleo”, ou seja, um trabalho analítico buscando os con- ver o número da edição e o ano de publicação. Se falarmos em ler
ceitos definidores da opinião explicitada pelo autor. Esta operação um Machado de Assis, um Júlio Verne, um Jorge Amado, já esta-
fará com que o significado do texto “salte aos olhos” do leitor. Ler remos sabendo muito sobre o livro. É muito importante verificar
é uma atividade muito mais complexa do que a simples interpre- estes dados para enquadrarmos o livro na cronologia dos fatos e na
tação dos símbolos gráficos, de códigos,  requer que o indivíduo atualidade das informações que ele contém.  Verifique detalhes que
seja capaz de interpretar o material lido, comparando-o e incorpo- possam contribuir para a coleta do maior número de informações
rando-o à sua bagagem pessoal, ou seja, requer que o indivíduo possível. Tudo isso vai ser útil quando formos arquivar os dados
mantenha um comportamento ativo diante da leitura. lidos no nosso arquivo mental. A propósito, você sabe o que seja
um prólogo, um prefácio e uma introdução? Muita gente pensa que
Os diferentes níveis de leitura os três são a mesma coisa, mas não:
Prólogo: é um comentário feito pelo autor a respeito do tema
Para que isso aconteça, é necessário que haja maturidade para e de sua experiência pessoal.
a compreensão do material lido, senão tudo cairá no esquecimento Prefácio: é escrito por terceiros ou pelo próprio autor, referin-
ou ficará armazenado em nossa memória sem uso, até que tenha- do-se ao tema abordado no livro e muitas vezes também tecendo
mos condições cognitivas para utilizar. comentários sobre o autor.
De uma forma geral, passamos por diferentes níveis ou etapas Introdução: escrita também pelo autor, referindo-se ao livro
até termos condições de aproveitar totalmente o assunto lido. Es- e não ao tema.
sas etapas ou níveis são cumulativas e vão sendo adquiridas pela O segundo passo é fazer uma leitura superficial. Pode-se, nes-
vida, estando presente em praticamente toda a nossa leitura. se caso, aplicar as técnicas da leitura dinâmica.

O Terceiro Nível é conhecido como analítico. Depois de vas-


O Primeiro Nível é elementar e diz respeito ao período de
culharmos bem o livro na pré-leitura, analisamos o livro. Para isso,
alfabetização. Ler é uma capacidade cerebral muito sofisticada e
é imprescindível que saibamos em qual gênero o livro se enquadra:
requer experiência: não basta apenas conhecermos os códigos, a
trata-se de um romance, um tratado, um livro de pesquisa e, neste
gramática, a semântica, é preciso que tenhamos um bom domínio caso, existe apenas teoria ou são inseridas práticas e exemplos. No
da língua. caso de ser um livro teórico, que requeira memorização, procure
criar imagens mentais sobre o assunto, ou seja, veja, realmente, o
O Segundo Nível é a pré-leitura ou leitura inspecional. Tem que está lendo, dando vida e muita criatividade ao assunto.  Note
duas funções específicas: primeiro, prevenir para que a leitura pos- bem: a leitura efetiva vai acontecer nesta fase, e a primeira coisa a
terior não nos surpreenda e, sendo, para que tenhamos chance de fazer é ser capaz de resumir o assunto do livro em duas frases. Já
escolher qual material leremos, efetivamente. Trata-se, na verdade, temos algum conteúdo para isso, pois o encadeamento das ideias já
de nossa primeira impressão sobre o livro. É a leitura que comu- é de nosso conhecimento. Procure, agora, ler bem o livro, do início
mente desenvolvemos “nas livrarias”. Nela, por meio do salteio de ao fim. Esta é a leitura efetiva, aproveite bem este momento. Fique
partes, respondem basicamente às seguintes perguntas: atento! Aproveite todas as informações que a pré-leitura ofereceu.
- Por que ler este livro? Não pare a leitura para buscar significados de palavras em dicioná-
- Será uma leitura útil? rios ou sublinhar textos, isto será feito em outro momento.
- Dentro de que contexto ele poderá se enquadrar?
  O Quarto Nível de leitura é o denominado de controle. Trata-
Essas perguntas devem ser revistas durante as etapas que se -se de uma leitura com a qual vamos efetivamente acabar com
seguem, procurando usar de imparcialidade quanto ao ponto de qualquer dúvida que ainda persista. Normalmente, os termos des-
vista do autor, e o assunto, evitando preconceitos. Se você se pro- conhecidos de um texto são explicitados  neste próprio texto, à me-
puser a ler um livro sem interesse, com olhar crítico, rejeitando-o dida que vamos adiantando a leitura. Um mecanismo psicológico
antes de conhecê-lo, provavelmente o aproveitamento será muito fará com que fiquemos com aquela dúvida incomodando-nos até
baixo. que tenhamos a resposta. Caso não haja explicação no texto, será
Ler é armazenar informações; desenvolver; ampliar horizon- na etapa do controle que lançaremos mão do dicionário.
tes; compreender o mundo; comunicar-se melhor; escrever me- Veja bem: a esta altura já conhecemos bem o livro e o ato de
lhor; relacionar-se melhor com o outro. interromper a leitura não vai fragmentar a compreensão do assunto
como um todo. Será, também, nessa etapa que sublinharemos os
tópicos importantes, se necessário. Para ressaltar trechos impor-

Didatismo e Conhecimento 1
LÍNGUA PORTUGUESA
tantes opte por um sinal discreto próximo a eles, visando principal- Mas a grande novidade de Freud, que escandalizou o mundo
mente a marcar o local do texto em que se encontra, obrigando-o a cultural da época, foi a apresentação da tese de que toda neurose
fixar a cronologia e a sequência deste fato importante, situando-o é de origem sexual.”
no livro. (Salvatore D’Onofrio)
Aproveite bem esta etapa de leitura. Para auxiliar no estudo, é Primeiro Conceito do Texto: “Incalculável é a contribuição
interessante que, ao final da leitura de cada capítulo, você faça um do famoso neurologista austríaco no tocante aos estudos sobre a
breve resumo com suas próprias palavras de tudo o que foi lido. formação da personalidade humana. Sigmund Freud (1859-1939)
conseguiu acender luzes nas camadas mais profundas da psique
Um Quinto Nível pode ser opcional: a etapa da repetição humana: o incosciente e subconsciente.” O autor do texto afirma,
aplicada. Quando lemos, assimilamos o conteúdo do texto, mas inicialmente, que Sigmund Freud ajudou a ciência a compreender
aprendizagem efetiva vai requerer que tenhamos prática, ou seja, os níveis mais profundos da personalidade humana, o incosciente
que tenhamos experiência do que foi lido na vida. Você só pode e subconsciente.
compreender conceitos que tenha visto em seu cotidiano. Nada
como unir a teoria à prática. Na leitura, quando não passamos pela
Segundo Conceito do Texto: “Começou estudando casos clí-
etapa da repetição aplicada, ficamos muitas vezes sujeitos  àqueles
nicos de comportamentos anômalos ou patológicos, com a aju-
brancos quando queremos evocar o assunto. Para evitar isso, faça
resumos. da da hipnose e em colaboração com os colegas Joseph Breuer e
Observe agora os trechos sublinhados do livro e os resumos Martin Charcot (Estudos sobre a histeria, 1895). Insatisfeito com
de cada capítulo, trace um diagrama sobre o livro, esforce-se para os resultados obtidos pelo hipnotismo, inventou o método que até
traduzi-lo com suas próprias palavras. Procure associar o assunto hoje é usado pela psicanálise: o das ‘livres associações’ de ideias
lido com alguma experiência já vivida ou tente exemplificá-lo com e de sentimentos, estimuladas pela terapeuta por palavras dirigi-
algo concreto, como se fosse um professor e o estivesse ensinando das ao paciente com o fim de descobrir a fonte das perturbações
para uma turma de alunos interessados. É importante lembrar que mentais.” A segunda ideia núcleo mostra que Freud deu início a
esquecemos mais nas próximas 8 horas do que nos 30 dias poste- sua pesquisa estudando os comportamentos humanos anormais ou
riores. Isto quer dizer que devemos fazer pausas durante a leitura e doentios por meio da hipnose. Insatisfeito com esse método, criou
ao retornarmos ao livro, consultamos os resumos. Não pense que o das “livres associações de ideias e de sentimentos”.
é um exercício monótono. Nós somos capazes de realizar diaria-
mente exercícios físicos com o propósito de melhorar a aparência Terceiro Conceito do Texto: “Para este caminho de regresso
e a saúde. Pois bem, embora não tenhamos condições de ver com às origens de um trauma, Freud se utilizou especialmente da lin-
o que se apresenta nossa mente, somos capazes de senti-la quando guagem onírica dos pacientes, considerando os sonhos como com-
melhoramos nossas aptidões como o raciocínio, a prontidão de in- pensação dos desejos insatisfeitos na fase de vigília.” Aqui, está
formações e, obviamente, nossos conhecimentos intelectuais. Vale explicitado que a descoberta das raízes de um trauma se faz por
a pena se esforçar no início e criar um método de leitura eficiente meio da compreensão dos sonhos, que seriam uma linguagem me-
e rápido. tafórica dos desejos não realizados ao longo da vida do dia a dia.

Ideias Núcleo Quarto Conceito do Texto: “Mas a grande novidade de Freud,


que escandalizou o mundo cultural da época, foi a apresentação
O primeiro passo para interpretar um texto consiste em de- da tese de que toda neurose é de origem sexual.” Por fim, o tex-
compô-lo, após uma primeira leitura, em suas “ideias básicas ou to afirma que Freud escandalizou a sociedade de seu tempo, afir-
ideias núcleo”, ou seja, um trabalho analítico buscando os con- mando a novidade de que todo o trauma psicológico é de origem
ceitos definidores da opinião explicitada pelo autor. Esta operação
sexual.
fará com que o significado do texto “salte aos olhos” do leitor.
Exemplo:
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpre-
tação de texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
“Incalculável é a contribuição do famoso neurologista aus-
tríaco no tocante aos estudos sobre a formação da personalidade
humana. Sigmund Freud (1859-1939) conseguiu acender luzes - Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
nas camadas mais profundas da psique humana: o incosciente e - Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitu-
subconsciente. Começou estudando casos clínicos de comporta- ra, vá até o fim, ininterruptamente;
mentos anômalos ou patológicos, com a ajuda da hipnose e em - Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo
colaboração com os colegas Joseph Breuer e Martin Charcot (Es- menos umas três vezes;
tudos sobre a histeria, 1895). Insatisfeito com os resultados obti- - Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
dos pelo hipnotismo, inventou o método que até hoje é usado pela - Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
psicanálise: o das ‘livres associações’ de ideias e de sentimentos, - Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
estimuladas pela terapeuta por palavras dirigidas ao paciente - Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor
com o fim de descobrir a fonte das perturbações mentais. Para compreensão;
este caminho de regresso às origens de um trauma, Freud se uti- - Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do tex-
lizou especialmente da linguagem onírica dos pacientes, conside- to correspondente;
rando os sonhos como compensação dos desejos insatisfeitos na - Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada ques-
fase de vigília. tão;

Didatismo e Conhecimento 2
LÍNGUA PORTUGUESA
- Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de...), não, Movimentar a cabeça: procure perceber se você não está
correta, incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; movimentando a cabeça enquanto lê. Este movimento, ao final
palavras que aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a de pouco tempo, gera muito cansaço além de não causar nenhum
entender o que se perguntou e o que se pediu; efeito positivo. Durante a leitura apenas movimentamos os olhos.
- Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a Regressar no texto, durante a leitura: pessoas que têm dificul-
mais exata ou a mais completa; dade de memorizar um assunto, que não compreendem algumas
- Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamen- expressões ou palavras tendem a voltar na sua leitura. Este movi-
to de lógica objetiva; mento apenas incrementa a falta de memória, pois secciona a linha
- Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais; de raciocínio e raramente explica o desconhecido, o que normal-
- Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela respos- mente é elucidado no decorrer da leitura. Procure sempre manter
ta, mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto; uma sequência e não fique “indo e vindo” no livro. O assunto pode
- Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denun- se tornar um bicho de sete cabeças!
Ler palavra por palavra: para escrever usamos muitas pala-
cia a resposta;
vras que apenas servem como adereços. Procure ler o conjunto e
- Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo
perceber o seu significado.
autor, definindo o tema e a mensagem;
Sub-vocalização: é o ato de repetir mentalmente a palavra.
- O autor defende ideias e você deve percebê-las;
Isto só será corrigido quando conseguirmos ultrapassar a marca de
- Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são im- 250 palavras por minuto.
portantíssimos na interpretação do texto. Exemplos: Usar apoios: algumas pessoas têm o hábito de acompanhar
a leitura com réguas, apontando ou utilizando um objeto que sal-
Ele morreu de fome. ta “linha a linha”. O movimento dos olhos é muito mais rápido
de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na quando é livre do que quando o fazemos guiado por qualquer ob-
realização do fato (= morte de “ele”). jeto.
Ele morreu faminto.
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que “ele” se Leitura Eficiente
encontrava quando morreu.
Ao ler realizamos as seguintes operações:
- As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as
ideias estão coordenadas entre si; - Captamos o estímulo, ou seja, por meio da visão, encami-
- Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior nhamos o material a ser lido para nosso cérebro.
clareza de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o sig- - Passamos, então, a perceber e a interpretar o dado sensorial
nificado; (palavras, números, etc.) e a organizá-lo segundo nossa bagagem
- Esclarecer o vocabulário; de conhecimentos anteriores. Para essa etapa, precisamos de moti-
- Entender o vocabulário; vação, de forma a tornar o processo mais otimizado possível.
- Viver a história; - Assimilamos o conteúdo lido integrando-o ao nosso “arqui-
- Ative sua leitura; vo mental” e aplicando o conhecimento ao nosso cotidiano.
- Ver, perceber, sentir, apalpar o que se pergunta e o que se
pede; A leitura é um processo muito mais amplo do que podemos
- Não se deve preocupar com a arrumação das letras nas al- imaginar. Ler não é unicamente interpretar os símbolos gráficos,
ternativas; mas interpretar o mundo em que vivemos. Na verdade, passamos
- As perguntas são fáceis, dependendo de quem lê o texto ou todo o nosso tempo lendo!
O psicanalista francês Lacan disse que o olhar da mãe confi-
como o leu;
gura a estrutura psíquica da criança, ou seja, esta se vê a partir de
- Cuidado com as opiniões pessoais, elas não existem;
como vê seu reflexo nos olhos da mãe! O bebê, então, segundo
- Sentir, perceber a mensagem do autor;
esta citação, lê nos olhos da mãe o sentimento com que é rece-
- Cuidado com a exatidão das questões em relação ao texto;
bido e interpreta suas emoções: se o que encontra é rejeição, sua
- Descobrir o assunto e procurar pensar sobre ele; experiência básica será de terror; se encontra alegria, sua expe-
- Todos os termos da análise sintática, cada termo tem seu riência será de tranquilidade, etc. Ler está tão relacionado com o
valor, sua importância; fato de existirmos que nem nos preocupamos em aprimorar este
- Todas as orações subordinadas têm oração principal e as processo. É lendo que vamos construindo nossos valores e estes
ideias se completam. são os responsáveis pela transformação dos fatos em objetos de
nosso sentimento.
Vícios de Leitura Leitura é um dos grandes, senão o maior, ingrediente da ci-
vilização. Ela é uma atividade ampla e livre, fato comprovado
Por acaso você tem o hábito de ler movimentando a cabeça? pela frustração de algumas pessoas ao assistirem a um filme, cuja
Ou quem sabe, acompanhando com o dedo? Talvez vocalizando história já foi lida em um livro. Quando lemos, associamos as in-
baixinho... Você não percebe, mas esses movimentos são alguns formações lidas à imensa bagagem de conhecimentos que temos
dos tantos que prejudicam a leitura. Esses movimentos são conhe- armazenados em nosso cérebro e então somos capazes de criar,
cidos como vícios de linguagem. imaginar e sonhar.

Didatismo e Conhecimento 3
LÍNGUA PORTUGUESA
É por meio da leitura que podemos entrar em contato com Exercícios
pessoas distantes ou do passado, observando suas crenças, convic-
ções e descobertas que foram imortalizadas por meio da escrita. Atenção: As questões de números 1 a 5 referem-se ao texto
Esta possibilita o avanço tecnológico e científico, registrando os seguinte.
conhecimentos, levando-os a qualquer pessoa em qualquer lugar
do mundo, desde que saibam decodificar a mensagem, interpre- Fotografias
tando os símbolos usados como registro da informação. A leitura
é o verdadeiro elo integrador do ser humano e a sociedade em que Toda fotografia é um portal aberto para outra dimensão: o
ele vive! passado. A câmara fotográfica é uma verdadeira máquina do tem-
O mundo de hoje é marcado pelo enorme fluxo de informa- po, transformando o que é naquilo que já não é mais, porque o que
ções oferecidas a todo instante. É preciso também tornarmo-nos temos diante dos olhos é transmudado imediatamente em passado
mais receptivos e atentos, para nos mantermos atualizados e com- no momento do clique. Costumamos dizer que a fotografia con-
petitivos. Para isso, é imprescindível leitura que nos estimule cada gela o tempo, preservando um momento passageiro para toda a
vez mais em vista dos resultados que ela oferece. Se você pretende
eternidade, e isso não deixa de ser verdade. Todavia, existe algo
acompanhar a evolução do mundo, manter-se em dia, atualizado
que descongela essa imagem: nosso olhar. Em francês, imagem e
e bem informado, precisa preocupar-se com a qualidade da sua
magia contêm as mesmas cinco letras: image e magie. Toda ima-
leitura.
Observe: você pode gostar de ler sobre esoterismo e uma pes- gem é magia, e nosso olhar é a varinha de condão que descongela
soa próxima não se interessar por este assunto. Por outro lado, será o instante aprisionado nas geleiras eternas do tempo fotográfico.
que esta mesma pessoa se interessa por um livro que fale sobre Toda fotografia é uma espécie de espelho da Alice do País
História ou esportes? No caso da leitura, não existe livro interes- das Maravilhas, e cada pessoa que mergulha nesse espelho de pa-
sante, mas leitores interessados. pel sai numa dimensão diferente e vivencia experiências diversas,
A pessoa que se preocupa com a qualidade de sua leitura e pois o lado de lá é como o albergue espanhol do ditado: cada um
com o resultado que poderá obter, deve pensar no ato de ler como só encontra nele o que trouxe consigo. Além disso, o significado
um comportamento que requer alguns cuidados, para ser realmente de uma imagem muda com o passar do tempo, até para o mesmo
eficaz. observador.
Variam, também, os níveis de percepção de uma fotografia.
- Atitude: pensamento positivo para aquilo que deseja ler. Isso ocorre, na verdade, com todas as artes: um músico, por exem-
Manter-se descansado é muito importante também. Não adianta plo, é capaz de perceber dimensões sonoras inteiramente insus-
um desgaste físico enorme, pois a retenção da informação será peitas para os leigos. Da mesma forma, um fotógrafo profissional
inversamente proporcional. Uma alimentação adequada é muito lê as imagens fotográficas de modo diferente daqueles que desco-
importante. nhecem a sintaxe da fotografia, a “escrita da luz”. Mas é difícil
- Ambiente: o ambiente de leitura deve ser preparado para ela. imaginar alguém que seja insensível à magia de uma foto.
Nada de ambientes com muitos estímulos que forcem a dispersão. (Adaptado de Pedro Vasquez, em Por trás daquela foto.
Deve ser um local tranquilo, agradável, ventilado, com uma cadei- São Paulo: Companhia das Letras, 2010)
ra confortável para o leitor e mesa para apoiar o livro a uma altura
que possibilite postura corporal adequada. Quanto a iluminação, 1. O segmento do texto que ressalta a ação mesma da percep-
deve vir do lado posterior esquerdo, pois o movimento de virar a ção de uma foto é:
página acontecerá antes de ter sido lida a última linha da página di- (A) A câmara fotográfica é uma verdadeira máquina do tempo.
reita e, de outra forma, haveria a formação de sombra nesta página, (B) a fotografia congela o tempo.
o que atrapalharia a leitura. (C) nosso olhar é a varinha de condão que descongela o ins-
- Objetos necessários: para evitar que, durante a leitura, le-
tante aprisionado.
vantarmos para pegar algum objeto que julguemos importante,
(D) o significado de uma imagem muda com o passar do tempo.
devemos colocar lápis, marca-texto e dicionário sempre à mão.
(E) Mas é difícil imaginar alguém que seja insensível à magia
Quanto sublinhar os pontos importantes do texto, é preciso apren-
der a técnica adequada. Não o fazer na primeira leitura, evitando de uma foto.
que os aspectos sublinhados parecem-se mais com um mosaico de
informações aleatórias. 2. No contexto do último parágrafo, a referência aos vários
níveis de percepção de uma fotografia remete
Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por (A) à diversidade das qualidades intrínsecas de uma foto.
finalidade a identificação de um  leitor autônomo. Portanto, o can- (B) às diferenças de qualificação do olhar dos observadores.
didato deve compreender os níveis estruturais da língua por meio (C) aos graus de insensibilidade de alguns diante de uma foto.
da lógica, além de necessitar de um bom léxico internalizado. (D) às relações que a fotografia mantém com as outras artes.
As frases produzem significados diferentes de acordo com o (E) aos vários tempos que cada fotografia representa em si
contexto em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sem- mesma.
pre fazer um confronto entre todas as partes que compõem o texto.
Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas 3. Atente para as seguintes afirmações:
por trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedi- I. Ao dizer, no primeiro parágrafo, que a fotografia congela o
mento justifica-se por um texto ser sempre produto de uma postura tempo, o autor defende a ideia de que a realidade apreendida numa
ideológica do autor diante de uma temática qualquer. foto já não pertence a tempo algum.

Didatismo e Conhecimento 4
LÍNGUA PORTUGUESA
II. No segundo parágrafo, a menção ao ditado sobre o alber- Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a de-
gue espanhol tem por finalidade sugerir que o olhar do observador sigualdade. Nesse caso, deixar de discriminar (no sentido de dis-
não interfere no sentido próprio e particular de uma foto. cernir) é permitir que uma discriminação continue (no sentido de
III. Um fotógrafo profissional, conforme sugere o terceiro pa- preconceito). Estamos vivendo uma época em que a bandeira da
rágrafo, vê não apenas uma foto, mas os recursos de uma lingua- discriminação se apresenta em seu sentido mais positivo: trata-
gem específica nela fixados. -se de aplicar políticas afirmativas para promover aqueles que
Em relação ao texto, está correto o que se afirma SOMENTE vêm sofrendo discriminações históricas. Mas há, por outro lado,
em quem veja nessas propostas afirmativas a forma mais censurável
(A) I e II. de discriminação... É o caso das cotas especiais para vagas numa
(B) II e III. universidade ou numa empresa: é uma discriminação, cujo senti-
(C) I. do positivo ou negativo depende da convicção de quem a avalia.
(D) II. As acepções são inconciliáveis, mas estão no mesmo verbete do
(E) III.
dicionário e se mostram vivas na mesma sociedade.
(Aníbal Lucchesi, inédito)
4. No contexto do primeiro parágrafo, o segmento Todavia,
existe algo que descongela essa imagem pode ser substituído, sem
6. A afirmação de que os dicionários podem ajudar a incendiar
prejuízo para a correção e a coerência do texto, por:
debates confirma-se, no texto, pelo fato de que o verbete discri-
(A) Tendo isso em vista, há que se descongelar essa imagem.
(B) Ainda assim, há mais que uma imagem descongelada. minar
(C) Apesar de tudo, essa imagem descongela algo. (A) padece de um sentido vago e impreciso, gerando por isso
(D) Há, não obstante, o que faz essa imagem descongelar. inúmeras controvérsias entre os usuários.
(E) Há algo, outrossim, que essa imagem descongelará. (B) apresenta um sentido secundário, variante de seu sentido
principal, que não é reconhecido por todos.
5. Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre (C) abona tanto o sentido legítimo como o ilegítimo que se
o texto: costuma atribuir a esse vocábulo.
(A) Apesar de se ombrearem com outras artes plásticas, a fo- (D) faz pensar nas dificuldades que existem quando se trata de
tografia nos faz desfrutar e viver experiências de natureza igual- determinar a origem de um vocábulo.
mente temporal. (E) desdobra-se em acepções contraditórias que correspon-
(B) Na superfície espacial de uma fotografia, nem se imagine dem a convicções incompatíveis.
os tempos a que suscitarão essa imagem aparentemente congela-
da... 7. Diz-se que tratar igualmente os desiguais é perpetuar a
(C) Conquanto seja o registro de um determinado espaço, uma desigualdade.
foto leva-nos a viver profundas experiências de caráter temporal. Da afirmação acima é coerente deduzir esta outra:
(D) Tal como ocorrem nos espelhos da Alice, as experiências (A) Os homens são desiguais porque foram tratados com o
físicas de uma fotografia podem se inocular em planos temporais. mesmo critério de igualdade.
(E) Nenhuma imagem fotográfica é congelada suficientemen- (B) A igualdade só é alcançável se abolida a fixação de um
te para abrir mão de implicâncias semânticas no plano temporal. mesmo critério para casos muito diferentes.
(C) Quando todos os desiguais são tratados desigualmente, a
Atenção: As questões de números 6 a 9 referem-se ao texto desigualdade definitiva torna-se aceitável.
seguinte. (D) Uma forma de perpetuar a igualdade está em sempre tratar
os iguais como se fossem desiguais.
Discriminar ou discriminar?
(E) Critérios diferentes implicam desigualdades tais que os
injustiçados são sempre os mesmos.
Os dicionários não são úteis apenas para esclarecer o sen-
tido de um vocábulo; ajudam, com frequência, a iluminar teses
8. Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o
controvertidas e mesmo a incendiar debates. Vamos ao Dicionário
sentido de um segmento em:
Houaiss, ao verbete discriminar, e lá encontramos, entre outras,
estas duas acepções: a) perceber diferenças; distinguir, discernir; (A) iluminar teses controvertidas (1º parágrafo) = amainar
b) tratar mal ou de modo injusto, desigual, um indivíduo ou grupo posições dubitativas.
de indivíduos, em razão de alguma característica pessoal, cor da (B) um preciso discernimento (2º parágrafo) = uma arraigada
pele, classe social, convicções etc. dissuasão.
Na primeira acepção, discriminar é dar atenção às diferen- (C) disseminar o juízo preconcebido (2º parágrafo) = dissuadir
ças, supõe um preciso discernimento; o termo transpira o senti- o julgamento predestinado.
do positivo de quem reconhece e considera o estatuto do que é (D) a forma mais censurável (3º parágrafo) = o modo mais
diferente. Discriminar o certo do errado é o primeiro passo no repreensível.
caminho da ética. Já na segunda acepção, discriminar é deixar (E) As acepções são inconciliáveis (3º parágrafo) = as versões
agir o preconceito, é disseminar o juízo preconcebido. Discrimi- são inatacáveis.
nar alguém: fazê-lo objeto de nossa intolerância.

Didatismo e Conhecimento 5
LÍNGUA PORTUGUESA
9. É preciso reelaborar, para sanar falha estrutural, a redação 10. O cronista ressalta aspectos contrastantes do caso de Sa-
da seguinte frase: quarema, tal como se observa na relação entre estas duas expres-
(A) O autor do texto chama a atenção para o fato de que o sões:
desejo de promover a igualdade corre o risco de obter um efeito (A) drama da baleia encalhada e três dias se debatendo na
contrário. areia.
(B) Embora haja quem aposte no critério único de julgamento, (B) em quinze minutos estava toda retalhada e foram disputa-
para se promover a igualdade, visto que desconsideram o risco do das as toneladas da vítima.
contrário. (C) se esfalfar em vão na luta pela sobrevivência e levar pas-
(C) Quem vê como justa a aplicação de um mesmo critério téis e empadinhas para vender com ágio.
para julgar casos diferentes não crê que isso reafirme uma situação (D) o filhote de jubarte conseguiu ser devolvido ao mar e lá se
de injustiça. foi, espero que salva, a baleia de Saquarema.
(D) Muitas vezes é preciso corrigir certas distorções aplican- (E) Até que enfim chegou uma traineira da Petrobrás e Logo
do-se medidas que, à primeira vista, parecem em si mesmas dis- uma estatal, ó céus.
torcidas.
(E) Em nossa época, há desequilíbrios sociais tão graves que 11. Atente para as seguintes afirmações sobre o texto:
tornam necessários os desequilíbrios compensatórios de uma ação I. A analogia entre a baleia e a União Soviética insinua, entre
corretiva. outros termos de aproximação, o encalhe dos gigantes.
II. As reações dos envolvidos no episódio da baleia encalhada
Atenção: As questões de números 10 a 14 referem-se à crônica revelam que, acima das diferentes providências, atinham-se todos
abaixo. a um mesmo propósito.
III. A expressão Tudo é símbolo prende-se ao fato de que o au-
Bom para o sorveteiro tor aproveitou o episódio da baleia encalhada para também figurar
o encalhe de um país imobilizado pela alta inflação.
Por alguma razão inconsciente, eu fugia da notícia. Mas a Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
(A) I, II e III.
notícia me perseguia. Até no avião, o único jornal abria na minha
(B) I e III, apenas.
cara o drama da baleia encalhada na praia de Saquarema. Afinal,
(C) II e III, apenas.
depois de quase três dias se debatendo na areia da praia e na tela
(D) I e II, apenas.
da televisão, o filhote de jubarte conseguiu ser devolvido ao mar.
(E) III, apenas.
Até a União Soviética acabou, como foi dito por locutores espe-
cializados em necrológio eufórico. Mas o drama da baleia não
12. Foram irrelevantes para a salvação da baleia estes dois
acabava. Centenas de curiosos foram lá apreciar aquela monta-
fatores:
nha de força a se esfalfar em vão na luta pela sobrevivência. Um
(A) o necrológio da União Soviética e os serviços da traineira
belo espetáculo. da Petrobrás.
À noite, cessava o trabalho, ou a diversão. Mas já ao raiar (B) o prestígio dos valores ecológicos e o empenho no lúcido
do dia, sem recursos, com simples cordas e as próprias mãos, to- objetivo comum.
dos se empenhavam no lúcido objetivo comum. Comum, vírgula. (C) o fato de a jubarte ser um animal de sangue frio e o prestí-
O sorveteiro vendeu centenas de picolés. Por ele a baleia ficava gio dos valores ecológicos.
encalhada por mais duas ou três semanas. Uma santa senhora (D) o fato de a Petrobrás ser uma empresa estatal e as iniciati-
teve a feliz ideia de levar pastéis e empadinhas para vender com vas que couberam a uma traineira.
ágio. Um malvado sugeriu que se desse por perdida a batalha e se (E) o aproveitamento comercial da situação e a força desco-
começasse logo a repartir os bifes. munal empregada pela jubarte.
Em 1966, uma baleia adulta foi parar ali mesmo e em quinze
minutos estava toda retalhada. Muitos se lembravam da alegria 13. Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o
voraz com que foram disputadas as toneladas da vítima. Essa de sentido de um segmento em:
agora teve mais sorte. Foi salva graças à religião ecológica que (A) em necrológio eufórico (1º parágrafo) = em façanha mortal.
anda na moda e que por um momento estabeleceu uma trégua en- (B) Comum, vírgula (2º parágrafo) = Geral, mas nem tanto.
tre todos nós, animais de sangue quente ou de sangue frio. (C) que se desse por perdida a batalha (2º parágrafo) = que se
Até que enfim chegou uma traineira da Petrobrás. Logo uma imaginasse o efeito de uma derrota.
estatal, ó céus, num momento em que é preciso dar provas da efi- (D) estabeleceu uma trégua entre todos nós (3º parágrafo) =
cácia da empresa privada. De qualquer forma, eu já podia reco- derrogou uma imunidade para nós todos.
lher a minha aflição. Metáfora fácil, lá se foi, espero que salva, (E) é preciso dar provas da eficácia (4º parágrafo) = convém
a baleia de Saquarema. O maior animal do mundo, assim frágil, explicitar os bons propósitos.
à mercê de curiosos. À noite, sonhei com o Brasil encalhado na
areia diabólica da inflação. A bordo, uma tripulação de camelôs 14. Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre
anunciava umas bugigangas. Tudo fala. Tudo é símbolo. o último parágrafo do texto.
(A) Apesar de tratar do drama ocorrido com uma baleia, o
(Otto Lara Resende, Folha de S. Paulo) cronista não deixa de aludir a circunstâncias nacionais, como o
impulso para as privatizações e os custos da alta inflação.

Didatismo e Conhecimento 6
LÍNGUA PORTUGUESA
(B) Mormente tratando de uma jubarte encalhado, o cronista (C) excludentes, já que a qualificação por mérito pressupõe
não obsta em tratar de assuntos da pauta nacional, como a inflação que toda votação é ilegítima.
ou o processo empresarial das privatizações. (D) conciliáveis, desde que as mesmas pessoas que votam se-
(C) Vê-se que um cronista pode assumir, como aqui ocorreu, o jam as que decidam pelo mérito.
papel tanto de um repórter curioso como analisar fatos oportunos, (E) independentes, visto que cada uma atende a necessidades
qual seja a escalada inflacionária ou a privatização. de bem distintas naturezas.
(D) O incidente da jubarte encalhado não impediu de que o
cronista se valesse de tal episódio para opinar diante de outros fa- 16. Atente para as seguintes afirmações:
tos, haja vista a inflação nacional ou a escalada das privatizações. I. A argumentação do ministro, referida no primeiro parágrafo,
(E) Ao bom cronista ocorre associar um episódio como o da é rebatida pelo autor do texto por ser falaciosa e escamotear os
jubarte com a natureza de outros, bem distintos, sejam os da eco- reais interesses de quem a formula.
nomia inflacionada, sejam o crescente prestígio das privatizações. II. O autor do texto manifesta-se francamente favorável à ra-
zão do mérito, a menos que uma situação de real impasse imponha
Atenção: As questões de números 15 a 18 referem-se ao texto a resolução pelo voto.
abaixo. III. A conotação pejorativa que o uso de aspas confere ao ter-
mo “assembleísmo” expressa o ponto de vista dos que desconsi-
A razão do mérito e a do voto deram a qualificação técnica.

Um ministro, ao tempo do governo militar, irritado com a Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma
campanha pelas eleições diretas para presidente da República, em
buscou minimizar a importância do voto com o seguinte argumen- (A) I.
to: − Será que os passageiros de um avião gostariam de fazer uma (B) II.
eleição para escolher um deles como piloto de seu voo? Ou prefe- (C) III.
ririam confiar no mérito do profissional mais abalizado? (D) I e II.
A perfídia desse argumento está na falsa analogia entre uma (E) II e III.
função eminentemente técnica e uma função eminentemente polí-
17. Considerando-se o contexto, são expressões bastante pró-
tica. No fundo, o ministro queria dizer que o governo estava indo
ximas quanto ao sentido:
muito bem nas mãos dos militares e que estes saberiam melhor que
(A) fazer uma eleição e confiar no mérito do profissional.
ninguém prosseguir no comando da nação.
(B) especialidade técnica e vocação política.
Entre a escolha pelo mérito e a escolha pelo voto há neces-
(C) classificação de profissionais e escolha da liderança.
sidades muito distintas. Num concurso público, por exemplo, a
(D) avaliação do mérito e reconhecimento da qualificação.
avaliação do mérito pessoal do candidato se impõe sobre qual- (E) transparência do método e desejo da maioria.
quer outra. A seleção e a classificação de profissionais devem ser
processos marcados pela transparência do método e pela adequa- 18. Atente para a redação do seguinte comunicado:
ção aos objetivos. Já a escolha da liderança de uma associação
de classe, de um sindicato deve ocorrer em conformidade com o Viemos por esse intermédio convocar-lhe para a assembleia
desejo da maioria, que escolhe livremente seu representante. Entre geral da próxima sexta-feira, aonde se decidirá os rumos do nos-
a especialidade técnica e a vocação política há diferenças profun- so movimento reinvindicatório.
das de natureza, que pedem distintas formas de reconhecimento.
Essas questões vêm à tona quando, em certas instituições, o As falhas do texto encontram-se plenamente sanadas em:
prestígio do “assembleísmo” surge como absoluto. Há quem pre- (A) Vimos, por este intermédio, convocá-lo para a assembleia
tenda decidir tudo no voto, reconhecendo numa assembleia a “so- geral da próxima sexta-feira, quando se decidirão os rumos do
berania” que a qualifica para a tomada de qualquer decisão. Não nosso movimento reivindicatório.
por acaso, quando alguém se opõe a essa generalização, lembran- (B) Viemos por este intermédio convocar-lhe para a assem-
do a razão do mérito, ouvem-se diatribes contra a “meritocra- bleia geral da próxima sexta-feira, onde se decidirá os rumos do
cia”. Eis aí uma tarefa para nós todos: reconhecer, caso a caso, a nosso movimento reinvindicatório.
legitimidade que tem a decisão pelo voto ou pelo reconhecimento (C) Vimos, por este intermédio, convocar-lhe para a assem-
da qualificação indispensável. Assim, não elegeremos deputado bleia geral da próxima sexta-feira, em cuja se decidirão os rumos
alguém sem espírito público, nem votaremos no passageiro que do nosso movimento reivindicatório.
deverá pilotar nosso avião. (D) Vimos por esse intermédio convocá-lo para a assembleia
(Júlio Castanho de Almeida, inédito) geral da próxima sexta-feira, em que se decidirá os rumos do nos-
so movimento reivindicatório.
15. Deve-se presumir, com base no texto, que a razão do mé- (E) Viemos, por este intermédio, convocá-lo para a assem-
rito e a razão do voto devem ser consideradas, diante da tomada bleia geral da próxima sexta-feira, em que se decidirão os rumos
de uma decisão, do nosso movimento reinvindicatório.
(A) complementares, pois em separado nenhuma delas satis-
faz o que exige uma situação dada. Respostas: 01-C / 02-B / 03-E / 04-D / 05-C / 06-E / 07-B /
(B) excludentes, já que numa votação não se leva em conta 08-D / 09-B / 10-C / 11-B / 12-E / 13-B / 14-A / 15-E / 16-A / 17-D
nenhuma questão de mérito. / 18-A

Didatismo e Conhecimento 7
LÍNGUA PORTUGUESA
Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra gramatical
ARTICULAÇÃO DO TEXTO: PRONOMES (pronome, verbos ou advérbios)
E EXPRESSÕES REFERENCIAIS, NEXOS,
OPERADORES SEQUENCIAIS. “No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total
igualdade entre homens e mulheres: estas ainda ganham menos do
que aqueles em cargos equivalentes.”

Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o


Coesão termo mulheres, enquanto “aqueles” recupera a palavra homens.
Os termos que servem para retomar outros são denominados
Uma das propriedades que distinguem um texto de um amon- anafóricos; os que servem para anunciar, para antecipar outros são
toado de frases é a relação existente entre os elementos que os chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa aban-
constituem. A coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre donar a faculdade no último ano:
palavras, expressões ou frases do texto. Ela manifesta-se por ele-
mentos gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os “Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último
componentes do texto. Observe: ano?”
“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os
anotações, que segurava na mão.” pronomes relativos, certos advérbios ou locuções adverbiais (nes-
se momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os prono-
Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão mes pessoais de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes
entre as duas orações. O iraquiano leu sua declaração num blo- indefinidos. Exemplos:
quinho comum de anotações e segurava na mão, retomando na
segunda um dos termos da primeira: bloquinho. O pronome relati- “Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na
vo é um elemento coesivo, e a conexão entre as duas orações, um
cátedra de Sociologia na Universidade de São Paulo.”
fenômeno de coesão. Leia o texto que segue:
O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre.
Arroz-doce da infância
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como
Ingredientes
um pensador cín iço e descrente do amor e da amizade.”
1 litro de leite desnatado
150g de arroz cru lavado
O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o
1 pitada de sal
4 colheres (sopa) de açúcar pronome pessoal “o” retoma o nome Machado de Assis.
1 colher (sobremesa) de canela em pó
“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando
Preparo roupa escura.”
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de
sal e mexa sem parar até cozinhar o arroz. Adicione o açúcar e O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.
deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente,
polvilhe a canela. Sirva. “Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4. com a fila.”
São Paulo, InCor, agosto de 1999, p. 42.
O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema.
Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes
e modo de preparar. As informações apresentadas na primeira são “O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos fun-
retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primei- cionários do palácio, e o fará para demonstrar seu apreço aos
ra vez na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido, servidores.”
o qual exerce, entre outras funções, a de indicar que o termo deter-
minado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugu-
já fizera menção. rar e seu complemento.
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o
açúcar, o artigo citado na primeira parte. Se dissesse apenas adi- - Em princípio, o termo a que o anafórico se refere deve estar
cione açúcar, deveria adicionar, pois se trataria de outro açúcar, presente no texto, senão a coesão fica comprometida, como neste
diverso daquele citado no rol dos ingredientes. exemplo:
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada
ou antecipação de palavras, expressões ou frases e encadeamento “André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários
de segmentos. meses.”

Didatismo e Conhecimento 8
LÍNGUA PORTUGUESA
A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafó- Hipônimo é uma palavra que mantém com outra uma relação
rico, pois não está retomando nenhuma das palavras citadas antes. do tipo está contido/contém. O significado do termo rosa está con-
Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudica- tido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma
do: não há possibilidade de se depreender o sentido desse prono- flor, mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de
me. rosa, e esta palavra é hipônimo daquela.
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a ne- Antonomásia é a substituição de um nome próprio por um
nhuma palavra citada anteriormente no interior do texto, mas que nome comum ou de um comum por um próprio. Ela ocorre, prin-
possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que cipalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma ca-
racterística notória ou quando o nome próprio de uma personagem
se inscreve o texto. É o caso de um exemplo como este:
famosa é usada para designar outras pessoas que possuam a mes-
ma característica que a distingue:
“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava de-
sesperado, porque eram 21 horas e ela não havia comparecido.” “O rei do futebol (=Pelé) som podia ser um brasileiro.”
Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela” “O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa
é um anafórico que só pode estar-se referindo à palavra noiva. recente minissérie de tevê.”
Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser
pelo atraso da noiva (representada por “ela” no exemplo citado). Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado
pela liberdade na Europa e na América.
- O artigo indefinido serve geralmente para introduzir infor-
mações novas ao texto. Quando elas forem retomadas, deverão ser “Ele é um hércules (=um homem muito forte).
precedidas do artigo definido, pois este é que tem a função de indi-
car que o termo por ele determinado é idêntico, em termos de valor Referência à força física que caracteriza o herói grego Hér-
referencial, a um termo já mencionado. cules.

“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala “Um presidente da República tem uma agenda de trabalho
de espetáculos. Curiosamente, a carteira tinha muito dinheiro extremamente carregada. Deve receber ministros, embaixadores,
visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo momento
dentro, mas nem um documento sequer.”
tomar graves decisões que afetam a vida de muitas pessoas; ne-
cessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e no mundo.
- Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e termi-
termos distintos, há uma ruptura de coesão, porque ocorre uma nar sua jornada altas horas da noite.”
ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal
forma que o leitor possa determinar exatamente qual é a palavra A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o
retomada pelo anafórico. último período e o que vem antes dele.

“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por “Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros
causa da sua arrogância.” sempre o atraíram.

O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros,
quanto a diretor. que recupera os hipônimos estrelas, planetas, satélites.

“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que traba- “Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do ho-
lha na mesma firma.” mem era regido por humores (fluidos orgânicos) que percorriam,
ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso cor-
Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo po. Eram quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmo-
nar), a bile amarela e a bile negra. E eram também estes quatro
amiga ou a ex-namorado. Permutando o anafórico “que” por “o
fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), à
qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita.
Água (úmido), ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamente.”
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.
Retomada por palavra lexical
(substantivo, adjetivo ou verbo) Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos
se faz pela repetição da palavra humores; entre o terceiro e o se-
Uma palavra pode ser retomada, que por uma repetição, quer gundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos.
por uma substituição por sinônimo, hiperônimo, hipônimo ou an- É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras,
tonomásia. pois, se ela não for usada para criar um efeito de sentido de inten-
Sinônimo é o nome que se dá a uma palavra que possui o sificação, constituirá uma falha de estilo. No trecho transcrito a
mesmo sentido que outra, ou sentido bastante aproximado: injúria seguir, por exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice
e afronta, alegre e contente. e outras parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem), com a evidente
Hiperônimo é um termo que mantém com outro uma relação intenção de ridicularizar a condição secundária que um provável
do tipo contém/está contido; flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente:

Didatismo e Conhecimento 9
LÍNGUA PORTUGUESA
“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas Coesão por Conexão
sobre o pouco simpático Eurico Miranda. Faltam-me provas, mas
tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.” Há na língua uma série de palavras ou locuções que são res-
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presiden- ponsáveis pela concatenação ou relação entre segmentos do texto.
te do clube, vice-campeão carioca e bi vice-campeão mundial. E Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discur-
isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete, sivos. Por exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou
no Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes seja.
que vicejam. Espero que não viciem. Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: es-
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 08/03/2000, p. tabelecem entre elas relações semânticas de diversos tipos, como
4-7. contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Es-
sas relações exercem função argumentativa no texto, por isso os
A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode operadores discursivos não podem ser usados indiscriminadamente.
ser facilmente recuperado pelo contexto. Também constitui um Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não al-
expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria cançou a vitória”, por exemplo, o conector “mas” está adequa-
repetido, e o preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado damente usado, pois ele liga dois segmentos com orientação ar-
(=elíptico) exige, necessariamente, que se faça correlação com ou- gumentativa contrária. Se fosse utilizado, nesse caso, o conector
tros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que “portanto”, o resultado seria um paradoxo semântico, pois esse
se desenrola a fala. operador discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Macha- argumentativa, sendo o segmento introduzido por ele a conclusão
do de Assis: do anterior.
(...) - Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa
Mas a lua, fitando o sol, com azedume: série de argumentos orientados para uma mesma conclusão. Divi-
dem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela forte de uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que
Claridade imorta, que toda a luz resume!”
subentendem uma escala com argumentos mais fortes: ao menos,
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, v.III,
pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito.
p. 151.
“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem arti-
Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo
culado, conhece bem o assunto de que fala e é até sedutor.”
que disse a lua, isto é, antes das aspas, fica subentendido, é omitido
por ser facilmente presumível.
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no Toda a série de qualidades está orientada no sentido de com-
exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que vem elidido (ou apagado) provar que ele é bom conferencista; dentro dessa série, ser sedutor
antes de sentiu e parou: é considerado o argumento mais forte.

“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no “Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Che-
peito e parou.” gará a ser pelo menos diretor da empresa.”

Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo
segue, aquela promoção é complemento tanto de querer quanto de sentido de ser ambicioso e ter grande capacidade de trabalho; por
desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo: outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para com-
provar que ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preferido. Afi- (por exemplo, ser presidente da empresa) e que se está usando o
nal, queria muito, desejava ardentemente aquela promoção.” menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos
de valor positivo.
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm
regência diferente, a coesão é rompida. Por exemplo, não se deve “Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo
dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege grau.”
complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma
o complemento inteiro, portanto teríamos uma preposição inde- No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sen-
vida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico tido de ter muita dificuldade de aprender; supõe que há uma escala
e dispenso sem dó os estranhos palpiteiros”, diferentemente, no argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está
complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo usando o argumento menos forte da escala no sentido de provar a
verbo implicar. afirmação anterior; no máximo e quando muito estabelecem liga-
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é co- ção entre argumentos de valor depreciativo.
locar o complemento junto ao primeiro verbo, respeitando sua
regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acres- - Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam
centando a preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) uma conjunção argumentativa, ou seja, ligam um conjunto de ar-
ou eliminando a indevida (Implico com estranhos palpiteiros e os gumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também,
dispenso sem dó). ainda, nem, não só... mas também, tanto... como, além de, a par de.

Didatismo e Conhecimento 10
LÍNGUA PORTUGUESA
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões
da escola, é muito respeitado pelos funcionários e também é muito opostas: Imagine-se, por exemplo, o seguinte diálogo entre o dire-
querido pelos alunos.” tor de um clube esportivo e o técnico de futebol:

Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlo- “__Precisamos promover atletas das divisões de base para
cutor quem pode tomar uma dada decisão. O último deles é intro- reforçar nosso time.
duzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma __Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os
direção argumentativa dos precedentes. do time principal.”
Esses operadores introduzem novos argumentos; não signifi-
cam, em hipótese nenhuma, a repetição do que já foi dito. Ou seja, Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção,
só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que pois ele declara que qualquer atleta das divisões de base tem, pelo
representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Dis- menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que
farçou as lágrimas que o assaltaram e continuou seu discurso”,
estes não primam exatamente pela excelência em relação aos ou-
porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da expo-
tros.
sição. Não teria cabimento usar operadores desse tipo para ligar
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os seg-
dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
escondeu o choro que tomou conta dele”. mentos na sua fala:

- Disjunção Argumentativa: há também operadores que in- “__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das
dicam uma disjunção argumentativa, ou seja, fazem uma conexão divisões de base.”
entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orienta-
ção argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja, Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da pro-
caso contrário, ao contrário. moção, pois ele estaria declarando que os atletas do time principal
são tão bons quanto os das divisões de base.
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a
briga, para que ele não apanhasse.” - Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem
uma explicação ou uma justificativa em relação ao que foi dito
O argumento introduzido por ao contrário é diametralmente anteriormente: porque, já que, que, pois.
oposto àquele de que o falante teria agredido alguém.
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autori-
- Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão zação da ONU, devem arcar sozinhos com os custos da guerra.”
em relação ao que foi dito em dois ou mais enunciados anteriores
(geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a
implícita, por manifestar uma voz geral, uma verdade universal- tese de que os Estados Unidos devam arcar sozinhos com o custo
mente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois (o pois é con- da guerra contra o Iraque.
clusivo quando não encabeça a oração).
- Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao contro- uma relação de contrajunção, isto é, que ligam enunciados com
le dos fluxos mundiais de petróleo. Por conseguinte, não é moral- orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversati-
mente defensável.” vas (mas, contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as
concessivas (embora, apesar de, apesar de que, conquanto, ainda
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirma-
que, posto que, se bem que).
ção exposta no primeiro período.
Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se
- Comparação: outros importantes operadores discursivos são tanto umas como outras ligam enunciados com orientação argu-
os que estabelecem uma comparação de igualdade, superioridade mentativa contrária?
ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento intro-
contrária ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como, duzido pela conjunção.
mais... (do) que.
“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves mais decidido a vencer.”
quanto maior for a corrupção entre os agentes penitenciários.”
Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negati-
O comparativo de igualdade tem no texto uma função argu- va sobre um processo ocorrido com o atleta, enquanto a começada
mentativa: mostrar que o problema da fuga de presos cresce à me- pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segun-
dida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por da orientação é a mais forte.
isso, os segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é boni-
sintático, mas não o são do ponto de vista argumentativo, pois não ta” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. No primeiro caso, o
há igualdade argumentativa proposta, “Tanto maior será a cor- que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza;
rupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o no segundo, que a falta de beleza perde relevância diante da sim-
problema da fuga de presos”. patia. Quando se usam as conjunções adversativas, introduz-se um

Didatismo e Conhecimento 11
LÍNGUA PORTUGUESA
argumento com vistas a determinada conclusão, para, em seguida, “A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas
apresentar um argumento decisivo para uma conclusão contrária. entre as camadas mais pobres da população. Por exemplo, é cres-
Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa cente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em
que predomina é a do segmento não introduzido pela conjunção. toda sorte de delitos, dos menos aos mais graves.”

“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramáti- Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica,
ca, trata-se de capacidades diferentes.” exemplifica a afirmação de que a violência não é um fenômeno
adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”.
A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação ar-
gumentativa no sentido de que saber escrever e saber gramática - Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma re-
são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção tificação, uma correção do que foi afirmado antes: ou melhor, de
argumentativa contrária. fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia ar- outras palavras. Exemplo:
gumentativa é a de introduzir no texto um argumento que, embo-
ra tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com “Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar
orientação contrária. a viver junto com minha namorada.”
A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é
de estratégia argumentativa. Compare os seguintes períodos: O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito an-
tes.
“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argu- Esses operadores servem também para marcar um esclareci-
mento mais fraco), a realidade mostrou-se mais complexa (argu- mento, um desenvolvimento, uma redefinição do conteúdo enun-
mento mais forte).” ciado anteriormente. Exemplo:
“O exército planejou minuciosamente a operação (argumen-
to mais fraco), mas a realidade mostrou-se mais complexa (argu- “A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas
mento mais forte).”
corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, os interesses dos fabri-
cantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.”
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que intro-
duzem um argumento decisivo para derrubar a argumentação con-
O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito
trária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se
antes.
fosse apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais,
Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do
além de tudo, além disso, ademais.
conteúdo de verdade de um enunciado. Exemplo:
“Ele está num período muito bom da vida: começou a namo-
rar a mulher de seus sonhos, foi promovido na empresa, recebeu “Quando a atual oposição estava no comando do país, não
um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ga- fez o que exige hoje que o governo faça. Ao contrário, suas políti-
nhou uma bolada na loteria.” cas iam na direção contrária do que prega atualmente.

O operador discursivo introduz o que se considera a prova O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito
mais forte de que “Ele está num período muito bom da vida”; no antes.
entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma.
- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explica-
- Generalização ou Amplificação: existem operadores que ção, uma confirmação, uma ilustração do que foi afirmado antes:
assinalam uma generalização ou uma amplificação do que foi dito assim, desse modo, dessa maneira.
antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que.
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se
“O problema da erradicação da pobreza passa pela geração processavam as negociações, atacou de surpresa.”
de empregos. De fato, só o crescimento econômico leva ao aumen-
to de renda da população.” O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado
antes.
O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes.
Coesão por Justaposição
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que
atualmente militam no nosso futebol. É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enun-
O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: ciados, marcada ou não com sequenciadores. Examinemos os prin-
não “ele”, mas todos os técnicos do nosso futebol são retranquei- cipais sequenciadores.
ros.
- Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterio-
- Especificação ou Exemplificação: também há operadores ridade, concomitância ou posterioridade: dois meses depois, uma
que marcam uma especificação ou uma exemplificação do que foi semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predomi-
afirmado anteriormente: por exemplo, como. nantemente nas narrações).

Didatismo e Conhecimento 12
LÍNGUA PORTUGUESA
“Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele - que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da
esteve conosco. Estava alegre e cheio de planos para o futuro.” primeira oração)
- que apoiariam a campanha de combate à fome (oração su-
- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição bordinada substantiva objetiva direta da segunda oração)
relativa no espaço: à esquerda, à direita, junto de, etc. (são usados - que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada
principalmente nas descrições). adjetiva restritiva da terceira oração).

“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, representando Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem
o amor e a castidade, sustentam uma cúpula oval de forma ligeira, escreveu o período começou a encadear orações subordinadas e
donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa finíssima. “esqueceu-se” de terminar a principal.
(...) Do outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o dispensa Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos
nosso ameno clima fluminense, ainda na maior força do inverno.” longos. No entanto, mesmo quando se elaboram períodos curtos é
José de Alencar. Senhora. preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que
São Paulo, FTD, 1992, p. 77. suas partes estejam bem conectadas entre si.
Para que um conjunto de frases constitua um texto, não bas-
- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem ta que elas estejam coesas: se não tiverem unidade de sentido,
dos assuntos numa exposição: primeiramente, em segunda, a se- mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um
guir, finalmente, etc. amontoado injustificado. Exemplo:

“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, “Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes
das agruras por que passam as populações civis; em seguida, dis- restaurantes. Ela tem bairros muito pobres. Também o Rio de Ja-
correrei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmen- neiro tem favelas.”
te, exporei suas consequências para a economia mundial e, por-
tanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do planeta.” Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o
substantivo São Paulo, estabelecendo uma relação entre o segun-
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conver- do e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra
sação principalmente, servem para introduzir um tema ou mudar cidade, vinculando o terceiro ao segundo período. O operador tam-
de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto, bém realiza uma conjunção argumentativa, relacionando o quar-
fazendo um parêntese, etc. to período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto,
pois não apresenta unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A
“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pes- coesão, portanto, é condição necessária, mas não suficiente, para
soas. A propósito, era um homem que sabia agradar às mulheres.” produzir um texto.

- Operadores discursivos não explicitados: se o texto for Coerência


construído sem marcadores de sequenciação, o leitor deverá in-
ferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos Infância
não explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos
diferentes conectores estarão indicados, na escrita, pelos sinais de O camisolão
pontuação: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos. O jarro
O passarinho
“A reforma política é indispensável. Sem a existência da fide- O oceano
lidade partidária, cada parlamentar vota segundo seus interesses A vista na casa que a gente sentava no sofá
e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há ba-
ses governamentais sólidas.” Adolescência

Esse texto contém três períodos. O segundo indica a causa Aquele amor
de a reforma política ser indispensável. Portanto o ponto-final do Nem me fale
primeiro período está no lugar de um porque.
Maturidade
A língua tem um grande número de conectores e sequencia-
dores. Apresentamos os principais e explicamos sua função. É pre- O Sr. e a Sra. Amadeu
ciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso Participam a V. Exa.
inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafó- O feliz nascimento
ricos ou catafóricos geram rupturas na coesão, o que leva o texto a De sua filha
não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra Gilberta
falha comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensá-
veis da oração ou do período. Analisemos este exemplo: Velhice

“As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de O netinho jogou os óculos
combate à fome que foi lançada pelo governo federal.” Na latrina
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas.
O período compõe-se de: 4ª Ed. Rio de Janeiro
- As empresas Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161.

Didatismo e Conhecimento 13
LÍNGUA PORTUGUESA
Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao menos à Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção; adoles-
primeira vista, seja a ausência de elementos de coesão, quer reto- cência e escolha profissional; relações sociais sob o capitalismo)
mando o que foi dito antes, quer encadeando segmentos textuais. que mantêm relações muito tênues entre si. Esse fato, prejudicando
No entanto, percebemos nele um sentido unitário, sobretudo se a continuidade semântica entre as partes, impede a apreensão do
soubermos que o seu título é “As quatro gares”, ou seja, as quatro todo e, portanto, configura um texto incoerente.
estações. Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que o com-
Com essa informação, podemos imaginar que se trata de fla- põem, e, por isso, costuma-se falar em vários níveis de coerência.
shes de cada uma das quatro grandes fases da vida: a infância, a
adolescência, a maturidade e a velhice. A primeira é caracterizada Coerência Narrativa
pelas descobertas (o oceano), por ações (o jarro, que certamente a
criança quebrara; o passarinho que ela caçara) e por experiências A coerência narrativa consiste no respeito às implicações ló-
marcantes (a visita que se percebia na sala apropriada e o cami- gicas entre as partes do relato. Por exemplo, para que um sujeito
solão que se usava para dormir); a segunda é caracterizada por realize uma ação, é preciso que ele tenha competência para tanto,
amores perdidos, de que não se quer mais falar; a terceira, pela ou seja, que saiba e possa efetuá-la. Constitui, então, incoerên-
formalidade e pela responsabilidade indicadas pela participação cia narrativa o seguinte exemplo: o narrador conta que foi a uma
formal do nascimento da filha; a última, pela condescendência festa onde todos fumavam e, por isso, a espessa fumaça impedia
para com a traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir que se visse qualquer coisa; de repente, sem mencionar nenhuma
a ação). A primeira parte é uma sucessão de palavras; a segunda, mudança dessa situação, ele diz que se encostou a uma coluna e
uma frase em que falta um nexo sintático; a terceira, a participação passou a observar as pessoas, que eram ruivas, loiras, morenas.
do nascimento de uma filha; e a quarta, uma oração completa, po- Se o narrador diz que não podia enxergar nada, é incoerente dizer
rém aparentemente desgarrada das demais. que via as pessoas com tanta nitidez. Em outros termos, se nega a
Como se explica que sejamos capazes de entender esse poema competência para a realização de um desempenho qualquer, esse
em seus múltiplos sentidos, apesar da falta de marcadores de coe- desempenho não pode ocorrer. Isso por respeito às leis da coerên-
são entre as partes? cia narrativa. Observe outro exemplo:
A explicação está no fato de que ele tem uma qualidade indis-
pensável para a existência de um texto: a coerência.
“Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná Clu-
Que é a unidade de sentido resultante da relação que se esta-
be, entrevistado por um repórter da Rádio Cidade. O Paraná tinha
belece entre as partes do texto. Uma ideia ajuda a compreender a
tomado um balaio de gols do Guarani de Campinas, alguns dias
outra, produzindo um sentido global, à luz do qual cada uma das
antes. O repórter queria saber o que tinha acontecido. Edinho não
partes ganha sentido. No poema acima, os subtítulos “Infância”,
“Adolescência”, “Maturidade” e “Velhice” garantem essa unidade. teve dúvida sobre os motivos:
Colocar a participação formal do nascimento da filha, por exem- __ Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo ata-
plo, sob o título “Maturidade” dá a conotação da responsabilida- que do Guarani.”
de habitualmente associada ao indivíduo adulto e cria um sentido Ernâni Buchman. In: Folha de Londrina.
unitário.
Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que um A surpresa implica o inesperado. Não se pode ser surpreendi-
conjunto de enunciados pode formar um todo coerente mesmo sem do com o que já se esperava que acontecesse.
a presença de elementos coesivos, isto é, mesmo sem a presença
explícita de marcadores de relação entre as diferentes unidades Coerência Argumentativa
linguísticas. Em outros termos, a coesão funciona apenas como
um mecanismo auxiliar na produção da unidade de sentido, pois A coerência argumentativa diz respeito às relações de im-
esta depende, na verdade, das relações subjacentes ao texto, da plicação ou de adequação entre premissas e conclusões ou entre
não-contradição entre as partes, da continuidade semântica, em afirmações e consequências. Não é possível alguém dizer que é a
síntese, da coerência. favor da pena de morte porque é contra tirar a vida de alguém. Da
A coerência é um fator de interpretabilidade do texto, pois mesma forma, é incoerente defender o respeito à lei e à Constitui-
possibilita que todas as suas partes sejam englobadas num único ção Brasileira e ser favorável à execução de assaltantes no interior
significado que explique cada uma delas. Quando esse sentido não de prisões.
pode ser alcançado por faltar relação de sentido entre as partes, Muitas vezes, as conclusões não são adequadas às premissas.
lemos um texto incoerente, como este: Não há coerência, por exemplo, num raciocínio como este:

A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a medio- Há muitos servidores públicos no Brasil que são verdadeiros
cridade de uma vida que se acomoda e a grandeza de uma vida marajás.
voltada para o aprimoramento intelectual. O candidato a governador é funcionário público.
A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam. De Portanto o candidato é um marajá.
repente vejo que não sou mais uma “criancinha” dependente do
“papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho que escolher uma Segundo uma lei da lógica formal, não se pode concluir nada
profissão para me realizar e ser independente financeiramente. com certeza baseado em duas premissas particulares. Dizer que
No país em que vivemos, que predomina o capitalismo, o mais muitos servidores públicos são marajás não permite concluir que
rico sempre é quem vence! qualquer um seja.
Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira (orgs). A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito anterior-
A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987, p. 53. mente também constitui incoerência. É o que se vê neste diálogo:

Didatismo e Conhecimento 14
LÍNGUA PORTUGUESA
“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento de nicipalidade com os gastos de coleta e destinação dos resíduos só-
pedágio para circular no centro da cidade? lidos produzidos pelos moradores de nossa cidade. Francamente,
__ É preciso melhorar a vida dos habitantes das grandes ci- achei uma sacanagem esta armação da Prefeitura: jogar mais um
dades. A degradação urbana atinge a todos nós e, por conseguin- gasto nas costas da gente.”
te, é necessário reabilitar as áreas que contam com abundante
oferta de serviços públicos.” Como se vê, o léxico usado no último período do texto destoa
completamente do utilizado no período anterior.
Coerência Figurativa
Ninguém há de negar a incoerência de um texto como este:
A coerência figurativa refere-se à compatibilidade das figuras Saltou para a rua, abriu a janela do 5º andar e deixou um bilhe-
que manifestam determinado tema. Para que o leitor possa per- te no parapeito explicando a razão de seu suicídio, em que há
ceber o tema que está sendo veiculado por uma série de figuras evidente violação da lei sucessivamente dos eventos. Entretanto
encadeadas, estas precisam ser compatíveis umas com as outras. talvez nem todo mundo concorde que seja incoerente incluir guar-
Seria estranho (para dizer o mínimo) que alguém, ao descrever um danapos de papel no jantar do Itamarati descrito no item sobre
jantar oferecido no palácio do Itamarati a um governador estran- coerência figurativa, alguém poderia objetivar que é preconceito
geiro, depois de falar de baixela de prata, porcelana finíssima, flo- considerá-los inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que,
res, candelabros, toalhas de renda, incluísse no percurso figurativo afinal, determina se um texto é ou não coerente?
guardanapos de papel. A natureza da coerência está relacionada a dois conceitos bá-
sicos de verdade: adequação à realidade e conformidade lógica
Coerência Temporal entre os enunciados.
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: narrativa, ar-
Por coerência temporal entende-se aquela que concerne à su- gumentativa, figurativa, etc. Em cada nível, temos duas espécies
cessão dos eventos e à compatibilidade dos enunciados do ponto diversas de coerência:
de vista de sua localização no tempo. Não se poderia, por exemplo, - extratextual: aquela que diz respeito à adequação entre o
dizer: “O assassino foi executado na câmara de gás e, depois, texto e uma “realidade” exterior a ele.
- intratextual: aquela que diz respeito à compatibilidade, à
condenado à morte”.
adequação, à não-contradição entre os enunciados do texto.
Coerência Espacial
A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajustar-se
pode ser:
A coerência espacial diz respeito à compatibilidade dos enun-
- o conhecimento do mundo: o conjunto de dados referentes
ciados do ponto de vista da localização no espaço. Seria incoeren-
ao mundo físico, à cultura de um povo, ao conteúdo das ciências,
te, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A Marvada Carne’ etc. que constitui o repertório com que se produzem e se entendem
mostra a mudança sofrida por um homem que vivia lá no interior e textos. O período “O homem olhou através das paredes e viu onde
encanta-se com a agitação e a diversidade da vida na capital, pois os bandidos escondiam a vítima que havia sido sequestrada” é
aqui já não suportava mais a mesmice e o tédio”. Dizendo lá no incoerente, pois nosso conhecimento do mundo diz que homens
interior, o enunciador dá a entender que seu pronunciamento está não vêem através das paredes. Temos, então, uma incoerência fi-
sendo feito de algum lugar distante do interior; portanto ele não gurativa extratextual.
poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o - os mecanismos semânticos e gramaticais da língua: o con-
tédio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem. Em junto dos conhecimentos sobre o código linguístico necessário à
síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui” para indicar o mesmo codificação de mensagens decodificáveis por outros usuários da
lugar. mesma língua. O texto seguinte, por exemplo, está absolutamente
sem sentido por inobservância de mecanismos desse tipo:
Coerência do Nível de Linguagem Utilizado
“Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma carrei-
A coerência do nível de linguagem utilizado é aquela que con- ra universitária informações críticas a respeito da realidade pro-
cerne à compatibilidade do léxico e das estruturas morfossintáti- fissional a ser optada. Deve ser ciado novos métodos criativos nos
cas com a variante escolhida numa dada situação de comunicação. ensinos de primeiro e segundo grau: estimulando o aluno a forma-
Ocorre incoerência relacionada ao nível de linguagem quando, por ção crítica de suas ideias as quais, serão a praticidade cotidiana.
exemplo, o enunciador utiliza um termo chulo ou pertencente à Aptidões pessoais serão associadas a testes vocacionais sérios de
linguagem informal num texto caracterizado pela norma culta for- maneira discursiva a analisar conceituações fundamentais.”
mal. Tanto sabemos que isso não é permitido que, quando o faze- Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58.
mos, acrescentamos uma ressalva: com perdão da palavra, se me
permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência nesse nível: Fatores de Coerência

“Tendo recebido a notificação para pagamento da chama- - O contexto: para uma dada unidade linguística, funcio-
da taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª, senhora prefeita, para na como contexto a unidade linguística maior que ela: a sílaba é
expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida, porque o contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba; a oração, para a
IPTU foi aumentado, no governo anterior, de 0,6% para 1% do palavra; o período, para a oração; o texto, para o período, e assim
valor venal do imóvel exatamente para cobrir as despesas da mu- por diante.

Didatismo e Conhecimento 15
LÍNGUA PORTUGUESA
“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Napo- Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema: o que
li, cruzar a Ipiranga com a avenida São João, o “Parmera”, o significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que foi ontem?”. No entanto,
“Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.” as duas datas colocadas no início do poema e o título remetem a
um episódio da História do Brasil, o golpe militar de 1964, chama-
À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência na enu- do Revolução de 1964. Esse fato deve fazer parte de nosso conhe-
meração desses elementos. Quando ficamos sabendo, no entanto, cimento de mundo, assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia
que eles fazem parte de um texto intitulado “100 motivos para 1º de abril, mas sua comemoração foi mudada para 31 de março,
gostar de São Paulo”, o que aparentemente era caótico torna-se para evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”.
coerente:
- As regras do gênero:
100 motivos para gostar de São Paulo
“O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos
1. Um chopps escondiam a vítima que havia sido sequestrada.”
2. E dois pastel
(...) Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é comple-
5. O polpettone do Jardim de Napoli tamente coerente no mundo criado pelas histórias de super-heróis,
(...) em que o Super-Homem, por exemplo, tem força praticamente
30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João ilimitada; pode voar no espaço a uma velocidade igual à da luz;
(...) quando ultrapassa essa velocidade, vence a barreira do tempo e
43. O “Parmera” pode transferir-se para outras épocas; seus olhos de raios X permi-
(...) tem-lhe ver através de qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc.
45. O “Curíntia” Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que efetiva-
(..) mente existe, ao que se pode ver, tocar, etc.: ele inclui também os
59. Todo mundo estar usando cinto de segurança mundos criados pela linguagem nos diferentes gêneros de texto,
ficção científica, contos maravilhosos, mitos, discurso religioso,
(...)
etc., regidos por outras lógicas. Assim, o que é incoerente num
determinado gênero não o é, necessariamente, em outro.
O texto apresenta os traços culturais da cidade, e todos con-
vergem para um único significado: a celebração da capital do esta-
- O sentido não literal:
do de São Paulo no seu aniversário. Os dois primeiros itens de nos-
so exemplo referem-se a marcas linguísticas do falar paulistano; o
“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão explodir a
terceiro, a um prato que tornou conhecido o restaurante chamado
qualquer momento.”
Jardim de Napoli; o quarto, a um verso da música “Sampa”, de
Caetano Veloso; o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, pois,
mais populares da cidade são denominados na variante linguística nessa acepção, o termo ideias não pode ser qualificado por adjeti-
popular; o último à obediência a uma lei que na época ainda não vos de cor; não se podem atribuir ao mesmo ser, ao mesmo tempo,
vigorava no resto do país. as qualidades verde e incolor; o verbo dormir deve ter como su-
jeito um substantivo animado. No entanto, se entendermos ideias
- A situação de comunicação: verdes em sentido não literal, como concepções ambientalistas, o
período pode ser lido da seguinte maneira: “As idéias ambienta-
__A telefônica. listas sem atrativo estão latentes, mas poderão manifestar-se a
__Era hoje? qualquer momento.”

Esse diálogo não seria compreendido fora da situação de in- - O intertexto:


terlocução, porque deixa implícitos certos enunciados que, dentro
dela, são perfeitamente compreendidos: Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro

__ O empregado da companhia telefônica que vinha conser- __ a chuva me deixa triste...


tar o telefone está aí. __ a mim me deixa molhado.
__ Era hoje que ele viria? José Paulo Paes. Op. Cit., p 79.

- O conhecimento de mundo: Muitos textos retomam outros, constroem-se com base em


outros e, por isso, só ganham coerência nessa relação com o texto
31 de março / 1º de abril sobre o qual foram construídos, ou seja, na relação de intertextua-
Dúvida Revolucionária lidade. É o caso desse poema. Para compreendê-lo, é preciso saber
que Alberto Caeiro é um dos heterônimos do poeta Fernando Pes-
Ontem foi hoje? soa; que heterônimo não é pseudônimo, mas uma individualidade
Ou hoje é que foi ontem? lírica distinta da do autor (o ortônimo); que para Caeiro o real é a
exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões subjeti-

Didatismo e Conhecimento 16
LÍNGUA PORTUGUESA
vas; que sua posição é antimetafísica; que não devemos interpre- Da terceira vez não vi mais nada
tar a realidade pela inteligência, pois essa interpretação conduz a Os céus se misturaram com a terra
simples conceitos vazios, em síntese, é preciso ter lido textos de E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face
Caeiro. Por outro lado, é preciso saber que o ortônimo (Fernando [das águas.
Pessoa ele mesmo) exprime suas emoções, falando da solidão in- Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro,
terior, do tédio, etc. Aguilar, 1986, p. 214.

Incoerência Proposital Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, no míni-


mo, que nosso conhecimento de mundo inclua o poema:
Existem textos em que há uma quebra proposital da coerência,
com vistas a produzir determinado efeito de sentido, assim como O Adeus de Teresa
existem outros que fazem da não-coerência o próprio princípio
constitutivo da produção de sentido. Poderia alguém perguntar, A primeira vez que fitei Teresa,
então, se realmente existe texto incoerente. Sem dúvida existe: é Como as plantas que arrasta a correnteza,
aquele em que a incoerência é produzida involuntariamente, por A valsa nos levou nos giros seus...
inabilidade, descuido ou ignorância do enunciador, e não usada
funcionalmente para construir certo sentido. Castro Alves
Quando se trata de incoerência proposital, o enunciador dis-
semina pistas no texto, para que o leitor perceba que ela faz parte Para identificarmos a relação de intertextualidade entre eles;
de um programa intencionalmente direcionado para veicular de- que tenhamos noção da crítica do Modernismo às escolas literárias
terminado tema. Se, por exemplo, num texto que mostra uma festa precedentes, no caso, ao Romantismo, em que nenhuma musa se-
muito luxuosa, aparecem figuras como pessoas comendo de boca ria tratada com tanta cerimônia e muito menos teria “cara”; que fa-
aberta, falando em voz muito alta e em linguagem chula, osten- çamos uma leitura não literal; que percebamos sua lógica interna,
tando sua últimas aquisições, o enunciador certamente não está criada pela disseminação proposital de elementos que pareceriam
absurdos em outro contexto.
querendo manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o da vulga-
ridade dos novos-ricos. Para ficar no exemplo da festa: em filmes
como “Quero ser grande” (Big, dirigido por Penny Marshall em SIGNIFICAÇÃO CONTEXTUAL DE
1988, com Tom Hanks) e “Um convidado bem trapalhão” (The PALAVRAS E EXPRESSÕES.
party, Blake Edwards, 1968, com Peter Sellers), há cenas em que
os respectivos protagonistas exibem comportamento incompatível
com a ocasião, mas não há incoerência nisso, pois todo o enredo
converge para que o espectador se solidarize com eles, por sua Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguin-
ingenuidade e falta de traquejo social. Mas, se aparece num texto tes categorias:
uma figura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certeza
de que se trata de uma quebra de coerência proposital, com vistas Sinônimos: são palavras de sentido igual ou aproximado.
a criar determinado efeito de sentido, vai pensar que se trata de Exemplo:
contradição devida a inabilidade, descuido ou ignorância do enun- - Alfabeto, abecedário.
ciador. - Brado, grito, clamor.
Dissemos também que há outros textos que fazem da inversão - Extinguir, apagar, abolir, suprimir.
da realidade seu princípio constitutivo; da incoerência, um fator de - Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial.
coerência. São exemplos as obras de Lewis Carrol “Alice no país
das maravilhas” e “Através do espelho”, que pretendem apre- Na maioria das vezes não é indiferente usar um sinônimo pelo
sentar paradoxos de sentido, subverter o princípio da realidade, outro. Embora irmanados pelo sentido comum, os sinônimos dife-
mostrar as aporias da lógica, confrontar a lógica do senso comum renciam-se, entretanto, uns dos outros, por matizes de significação
com outras. e certas propriedades que o escritor não pode desconhecer. Com
efeito, estes têm sentido mais amplo, aqueles, mais restrito (ani-
Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que contém mal e quadrúpede); uns são próprios da fala corrente, desataviada,
mais de um exemplo do que foi abordado: vulgar, outros, ao invés, pertencem à esfera da linguagem culta,
literária, científica ou poética (orador e tribuno, oculista e oftalmo-
Teresa logista, cinzento e cinéreo).
A contribuição Greco-latina é responsável pela existência, em
A primeira vez que vi Teresa nossa língua, de numerosos pares de sinônimos. Exemplos:
Achei que ela tinha pernas estúpidas - Adversário e antagonista.
Achei também que a cara parecia uma perna - Translúcido e diáfano.
- Semicírculo e hemiciclo.
Quando vi Teresa de novo - Contraveneno e antídoto.
Achei que seus olhos eram muito mais velhos - Moral e ética.
[que o resto do corpo - Colóquio e diálogo.
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando - Transformação e metamorfose.
[que o resto do corpo nascesse) - Oposição e antítese.

Didatismo e Conhecimento 17
LÍNGUA PORTUGUESA
O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se sinoní- Parônimos: são palavras parecidas na escrita e na pronúncia:
mia, palavra que também designa o emprego de sinônimos. Coro e couro, cesta e sesta, eminente e iminente, tetânico e titâni-
co, atoar e atuar, degradar e degredar, cético e séptico, prescrever
Antônimos: são palavras de significação oposta. Exemplos: e proscrever, descrição e discrição, infligir (aplicar) e infringir
- Ordem e anarquia. (transgredir), osso e ouço, sede (vontade de beber) e cede (verbo
- Soberba e humildade. ceder), comprimento e cumprimento, deferir (conceder, dar defe-
- Louvar e censurar. rimento) e diferir (ser diferente, divergir, adiar), ratificar (confir-
- Mal e bem. mar) e retificar (tornar reto, corrigir), vultoso (volumoso, muito
grande: soma vultosa) e vultuoso (congestionado: rosto vultuoso).
A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido oposto
ou negativo. Exemplos: Bendizer/maldizer, simpático/antipático,
progredir/regredir, concórdia/discórdia, explícito/implícito, ativo/ Polissemia: Uma palavra pode ter mais de uma significação.
inativo, esperar/desesperar, comunista/anticomunista, simétrico/ A esse fato linguístico dá-se o nome de polissemia. Exemplos:
assimétrico, pré-nupcial/pós-nupcial. - Mangueira: tubo de borracha ou plástico para regar as plan-
tas ou apagar incêndios; árvore frutífera; grande curral de gado.
Homônimos: são palavras que têm a mesma pronúncia, e às - Pena: pluma, peça de metal para escrever; punição; dó.
vezes a mesma grafia, mas significação diferente. Exemplos: - Velar: cobrir com véu, ocultar, vigiar, cuidar, relativo ao véu
- São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo). do palato.
- Aço (substantivo) e asso (verbo). Podemos citar ainda, como exemplos de palavras polissêmi-
cas, o verbo dar e os substantivos linha e ponto, que têm dezenas
Só o contexto é que determina a significação dos homônimos. de acepções.
A homonímia pode ser causa de ambiguidade, por isso é conside-
rada uma deficiência dos idiomas. Sentido Próprio e Sentido Figurado: as palavras podem ser
O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspecto fônico empregadas no sentido próprio ou no sentido figurado. Exemplos:
(som) e o gráfico (grafia). Daí serem divididos em: - Construí um muro de pedra. (sentido próprio).
- Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e diferentes no - As águas pingavam da torneira, (sentido próprio).
timbre ou na intensidade das vogais.
- As horas iam pingando lentamente, (sentido figurado).
- Rego (substantivo) e rego (verbo).
- Colher (verbo) e colher (substantivo).
- Jogo (substantivo) e jogo (verbo). Denotação e Conotação: Observe as palavras em destaque
- Apoio (verbo) e apoio (substantivo). nos seguintes exemplos:
- Para (verbo parar) e para (preposição). - Comprei uma correntinha de ouro.
- Providência (substantivo) e providencia (verbo). - Fulano nadava em ouro.
- Às (substantivo), às (contração) e as (artigo).
- Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de per+o). No primeiro exemplo, a palavra ouro denota ou designa sim-
plesmente o conhecido metal precioso, tem sentido próprio, real,
Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e diferentes denotativo.
na escrita. No segundo exemplo, ouro sugere ou evoca riquezas, poder,
- Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir). glória, luxo, ostentação; tem o sentido conotativo, possui várias
- Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emendar). conotações (ideias associadas, sentimentos, evocações que irra-
- Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato de con- diam da palavra).
sertar).
- Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar). Exercícios
- Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar (acelerar).
- Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo selar).
01. Estava ....... a ....... da guerra, pois os homens ....... nos
- Censo (recenseamento) e senso (juízo).
erros do passado.
- Cerrar (fechar) e serrar (cortar).
- Paço (palácio) e passo (andar). a) eminente, deflagração, incidiram
- Hera (trepadeira) e era (época), era (verbo). b) iminente, deflagração, reincidiram
- Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cassar = c) eminente, conflagração, reincidiram
anular). d) preste, conflaglação, incidiram
- Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e sessão e) prestes, flagração, recindiram
(tempo de uma reunião ou espetáculo).
02. “Durante a ........ solene era ........ o desinteresse do mestre
Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na pronúncia. diante da ....... demonstrada pelo político”.
- Caminhada (substantivo), caminhada (verbo). a) seção - fragrante - incipiência
- Cedo (verbo), cedo (advérbio). b) sessão - flagrante - insipiência
- Somem (verbo somar), somem (verbo sumir). c) sessão - fragrante - incipiência
- Livre (adjetivo), livre (verbo livrar). d) cessão - flagrante - incipiência
- Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr). e) seção - flagrante - insipiência
- Alude (avalancha), alude (verbo aludir).

Didatismo e Conhecimento 18
LÍNGUA PORTUGUESA
03. Na ..... plenária estudou-se a ..... de direitos territoriais a c) senso - laço - comprimento - iminentes
..... . d) senso - laço - cumprimento - eminentes
a) sessão - cessão - estrangeiros e) censo - lasso - comprimento - iminentes
b) seção - cessão - estrangeiros
c) secção - sessão - extrangeiros Respostas: (01.B)(02.B)(03.A)(04.D)(05.B)(06.C)(07.B)
d) sessão - seção - estrangeiros (08.E)(09.A)(10.B)
e) seção - sessão - estrangeiros

04. Há uma alternativa errada. Assinale-a: EQUIVALÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO DE


a) A eminente autoridade acaba de concluir uma viagem política. ESTRUTURAS.
b) A catástrofe torna-se iminente.
c) Sua ascensão foi rápida.
d) Ascenderam o fogo rapidamente.
e) Reacendeu o fogo do entusiasmo. Norma Culta

05. Há uma alternativa errada. Assinale-a: Norma culta ou linguagem culta é uma expressão empregada
a) cozer = cozinhar; coser = costurar pelos linguistas brasileiros para designar o conjunto de variedades
b) imigrar = sair do país; emigrar = entrar no país linguísticas efetivamente faladas, na vida cotidiana, pelos falantes
c) comprimento = medida; cumprimento = saudação cultos, sendo assim classificados os cidadãos nascidos e criados
d) consertar = arrumar; concertar = harmonizar em zona urbana e com grau de instrução superior completo.
e) chácara = sítio; xácara = verso O Instituto Camões entende que a “noção de correção está
[...] baseada no valor social atribuído às [...] formas [linguísti-
06. Assinale o item em que a palavra destacada está incorre- cas]. Ainda assim, informa que a norma-padrão do português eu-
tamente aplicada: ropeu é o dialeto da região que abrange Lisboa e Coimbra; refere
também que se aceita no Brasil como norma-padrão a fala do Rio
a) Trouxeram-me um ramalhete de flores fragrantes.
e de São Paulo.
b) A justiça infligiu a pena merecida aos desordeiros.
c) Promoveram uma festa beneficiente para a creche.
Aquisição da linguagem
d) Devemos ser fiéis ao cumprimento do dever.
e) A cessão de terras compete ao Estado.
Iniciamos o aprendizado da língua em casa, no contato com a
família, que é o primeiro círculo social para uma criança, imitando
07. O ...... do prefeito foi ..... ontem.
o que se ouve e aprendendo, aos poucos, o vocabulário e as leis
a) mandado - caçado combinatórias da língua. Um jovem falante também vai exerci-
b) mandato - cassado tando o aparelho fonador, ou seja, a língua, os lábios, os dentes,
c) mandato - caçado os maxilares, as cordas vocais para produzir sons que se transfor-
d) mandado - casçado mam, mais tarde, em palavras, frases e textos.
e) mandado - cassado Quando um falante entra em contato com outra pessoa, na rua,
na escola ou em qualquer outro local, percebe que nem todos falam
08. Marque a alternativa cujas palavras preenchem correta- da mesma forma. Há pessoas que falam de forma diferente por per-
mente as respectivas lacunas, na frase seguinte: “Necessitando ...... tencerem a outras cidades ou regiões do país, ou por terem idade
o número do cartão do PIS, ...... a data de meu nascimento.” diferente da nossa, ou por fazerem parte de outro grupo ou classe
a) ratificar, proscrevi social. Essas diferenças no uso da língua constituem as variedades
b) prescrever, discriminei linguísticas.
c) descriminar, retifiquei
d) proscrever, prescrevi Variedades Linguísticas
e) retificar, ratifiquei
Variedades linguísticas são as variações que uma língua apre-
09. “A ......... científica do povo levou-o a .... de feiticeiros os senta, de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e
..... em astronomia.” históricas em que é utilizada.
a) insipiência tachar expertos Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde que
b) insipiência taxar expertos cumpram com eficiência o papel fundamental de uma língua, o de
c) incipiência taxar espertos permitir a interação verbal entre as pessoas, isto é, a comunicação.
d) incipiência tachar espertos Apesar disso, uma dessas variedades, a norma culta ou nor-
e) insipiência taxar espertos ma padrão, tem maior prestígio social. É a variedade linguística
ensinada na escola, contida na maior parte dos livros e revistas e
10. Na oração: Em sua vida, nunca teve muito ......, apresen- também em textos científicos e didáticos, em alguns programas
tava-se sempre ...... no ..... de tarefas ...... . As palavras adequadas de televisão, etc. As demais variedades, como a regional, a gíria
para preenchimento das lacunas são: ou calão, o jargão de grupos ou profissões (a linguagem dos poli-
a) censo - lasso - cumprimento - eminentes ciais, dos jogadores de futebol, dos metaleiros, dos surfistas), são
b) senso - lasso - cumprimento - iminentes chamadas genericamente de dialeto popular ou linguagem popular.

Didatismo e Conhecimento 19
LÍNGUA PORTUGUESA
Propósito da Língua Expressões não recomendadas

A língua que utilizamos não transmite apenas nossas ideias, - a partir de (a não ser com valor temporal). Opção: com base
transmite também um conjunto de informações sobre nós mesmos. em, tomando-se por base, valendo-se de...
Certas palavras e construções que empregamos acabam denun- - através de (para exprimir “meio” ou instrumento). Opção:
ciando quem somos socialmente, ou seja, em que região do país por, mediante, por meio de, por intermédio de, segundo...
nascemos, qual nosso nível social e escolar, nossa formação e, às - devido a. Opção: em razão de, em virtude de, graças a, por
vezes, até nossos valores, círculo de amizades e hobbies, como causa de.
skate, rock, surfe, etc. O uso da língua também pode informar nos- - dito. Opção: citado, mensionado.
sa timidez, sobre nossa capacidade de nos adaptarmos e situações - enquanto. Opção: ao passo que.
novas, nossa insegurança, etc. - fazer com que. Opção: compelir, constranger, fazer que, for-
A língua é um poderoso instrumento de ação social. Ela pode çar, levar a.
- inclusive (a não ser quando significa incluindo-se). Opção:
tanto facilitar quanto dificultar o nosso relacionamento com as pes-
até, ainda, igualmente, mesmo, também.
soas e com a sociedade em geral.
- no sentido de, com vistas a. Opção: a fim de, para, com o fito
(ou objetivo, ou intuito) de, com a finalidade de, tendo em vista.
Língua Culta na Escola
- pois (no início da oração). Opção: já que, porque, uma vez
que, visto que.
O ensino da língua culta, na escola, não tem a finalidade de - principalmente. Opção: especialmente, mormente, notada-
condenar ou eliminar a língua que falamos em nossa família ou em mente, sobretudo, em especial, em particular.
nossa comunidade. Ao contrário, o domínio da língua culta, soma- - sendo que. Opção: e.
do ao domínio de outras variedades linguísticas, torna-nos mais
preparados para nos comunicarmos. Saber usar bem uma língua Expressões que demandam atenção
equivale a saber empregá-la de modo adequado às mais diferentes
situações sociais de que participamos. - acaso, caso – com se, use acaso; caso rejeita o se
- aceitado, aceito – com ter e haver, aceitado; com ser e estar,
Graus de Formalismo aceito
- acendido, aceso (formas similares) – idem
São muitos os tipos de registro quanto ao formalismo, tais - à custa de – e não às custas de
como: o registro formal, que é uma linguagem mais cuidada; o - à medida que – à proporção que, ao mesmo tempo que, con-
coloquial, que não tem um planejamento prévio, caracterizando- forme
-se por construções gramaticais mais livres, repetições frequentes, - na medida em que – tendo em vista que, uma vez que
frases curtas e conectores simples; o informal, que se caracteriza - a meu ver – e não ao meu ver
pelo uso de ortografia simplificada, construções simples e usado - a ponto de – e não ao ponto de
entre membros de uma mesma família ou entre amigos. - a posteriori, a priori – não tem valor temporal
As variações de registro ocorrem de acordo com o grau de - de modo (maneira, sorte) que – e não a
formalismo existente na situação de comunicação; com o modo - em termos de – modismo; evitar
de expressão, isto é, se trata de um registro formal ou escrito; com - em vez de – em lugar de
a sintonia entre interlocutores, que envolve aspectos como graus - ao invés de – ao contrário de
de cortesia, deferência, tecnicidade (domínio de um vocabulário - enquanto que – o que é redundância
específico de algum campo científico, por exemplo). - entre um e outro – entre exige a conjunção e, e não a
- implicar em – a regência é direta (sem em)
- ir de encontro a – chocar-se com
Atitudes não recomendadas
- ir ao encontro de – concordar com
- junto a – usar apenas quando equivale a adido ou similar
Expressões Condenáveis
- o (a, s) mesmo (a, s) – uso condenável para substituir pro-
nomes
- a nível de, ao nível. Opção: em nível, no nível. - se não, senão – quando se pode substituir por caso não, sepa-
- face a, frente a. Opção: ante, diante, em face de, em vista rado; quando se pode, junto
de, perante. - todo mundo – todos
- onde (quando não exprime lugar). Opção: em que, na qual, - todo o mundo – o mundo inteiro
nas quais, no qual, nos quais. - não-pagamento = hífen somente quando o segundo termo
- (medidas) visando... Opção: (medidas) destinadas a. for substantivo
- sob um ponto de vista. Opção: de um ponto de vista. - este e isto – referência próxima do falante (a lugar, a tempo
- sob um prisma. Opção: por (ou através de) um prisma. presente; a futuro próximo; ao anunciar e a que se está tratando)
- como sendo. Opção: suprimir a expressão. - esse e isso – referência longe do falante e perto do ouvinte
- em função de. Opção: em virtude de, por causa de, em con- (tempo futuro, desejo de distância; tempo passado próximo do pre-
sequência de, por, em razão de. sente, ou distante ao já mencionado e a ênfase).

Didatismo e Conhecimento 20
LÍNGUA PORTUGUESA
Erros Comuns - “Mal cheiro”, “mau-humorado”. Mal opõe-se a bem e mau,
a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-hu-
- “Hoje ao receber alguns presentes no qual completo vinte morado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito,
anos tenho muitas novidades para contar”. Temos aí um exemplo mal-estar.
de uso inadequado do pronome relativo. Ele provoca falta de coe- - “Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impes-
são, pois não consegue perceber a que antecedente ele se refere, soal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.
portanto nada conecta e produz relação absurda. - “Houveram” muitos acidentes. Haver, como existir, também
- “Tenho uma prima que trabalha num circo como mágica é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. /
e uma das mágicas mais engraçadas era uma caneta com tinta Deve haver muitos casos iguais.
invisível que em vez de tinta havia saído suco de lima”. Você per- - “Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e
cebe aí a incapacidade do concursando ou vestibulando organizar sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças.
sintaticamente o período. Selecionar as frases e organizar as ideias / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns
é necessário. Escrever com clareza é muito importante.
objetos. / Sobravam ideias.
- “Ainda brincava de boneca quando conheci Davi, piloto de
- Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito.
cart, moreno, 20 anos, com olhos cor de mel. “Tudo começou na-
quele baile de quinze anos”, “...é aos dezoito anos que se começa Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.
a procurar o caminho do amanhã e encontrar as perspectiva que - Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti:
nos acompanham para sempre na estrada da vida”. Você pode ter Entre mim e você. / Entre eles e ti.
conhecimento do vocabulário e das regras gramaticais e, assim, - “Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado na frase.
construir um texto sem erros. Entretanto, se você reproduz sem Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.
nenhuma crítica ou reflexão expressões gastas, vulgarizadas pelo - “Entrar dentro”. O certo: entrar em. Veja outras redundân-
uso contínuo. A boa qualidade do texto fica comprometida. cias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo,
- Tema: Para você, as experiências genéticas de clonagem já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.
põem em xeque todos os conceitos humanos sobre Deus e a vida? - “Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra masculi-
“Bem a clonagem não é tudo, mas na vida tudo tem o seu valor e na, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda
os homens a todo momento necessitam de descobrir todos os mis- de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a
térios da vida que nos cerca a todo instante”. É importante você cavalo, a caráter.
escrever atendendo ao que foi proposto no tema. Antes de começar - “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a
o seu texto leia atentamente todos os elementos que o examinador palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? /
apresentou para você utilizar. Esquematize suas ideias, veja se não Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você
há falta de correspondência entre o tema proposto e o texto criado. se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o
- “Uma biópsia do tumor retirado do fígado do meu primo trânsito estava congestionado.
(...) mostrou que ele não era maligno”. Esta frase está ambígua, - Vai assistir “o” jogo hoje. Assistir como presenciar exige a:
pois não se sabe se o pronome ele refere-se ao fígado ou ao primo. Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A
Para se evitar a ambiguidade, você deve observar se a relação entre medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram
cada palavra do seu texto está correta. (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pa-
- “Ele me tratava como uma criança, mas eu era apenas uma gou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos
criança”. O conectivo mas indica uma circunstância de oposição, estudantes.
de ideia contrária a. Portanto, a relação adversativa introduzida - Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma coisa a ou-
pelo “mas” no fragmento acima produz uma ideia absurda. tra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É prefe-
- “Entretanto, como já diziam os sábios: depois da tempes-
rível lutar a morrer sem glória.
tade sempre vem a bonança. Após longo suplício, meu coração
- O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula
apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava que só esta-
ríamos separadas carnalmente”. Não utilize provérbios ou ditos o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu.
populares. Eles empobrecem a redação, pois fazer parecer que seu Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o
autor não tem criatividade ao lançar mão de formas já gastas pelo sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu no-
uso frequente. vas denúncias.
- “Estou sem inspiração para fazer uma redação. Escrever - Não há regra sem “excessão”. O certo é exceção. Veja ou-
sobre a situação dos sem-terra? Bem que o professor poderia pro- tras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: “paralizar”
por outro tema”. Você não deve falar de sua redação dentro do (paralisar), “beneficiente” (beneficente), “xuxu” (chuchu), “previ-
próprio texto. légio” (privilégio), “vultuoso” (vultoso), “cincoenta” (cinquenta),
- “Todos os deputados são corruptos”. Evite pensamentos ra- “zuar” (zoar), “frustado” (frustrado), “calcáreo” (calcário), “ad-
dicais. É recomendável não generalizar e evitar, assim, posições vinhar” (adivinhar), “benvindo” (bem-vindo), “ascenção” (as-
extremistas. censão), “pixar” (pichar), “impecilho” (empecilho), “envólucro”
- “Bem, acho que - você sabe - não é fácil dizer essas coisas. (invólucro).
Olhe, acho que ele não vai concordar com a decisão que você to- - Quebrou “o” óculos. Concordância no plural: os óculos,
mou, quero dizer, os fatos levam você a isso, mas você sabe - todos meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames,
sabem - ele pensa diferente. É bom a gente pensar como vai fazer seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.
para, enfim, para ele entender a decisão”. Não se esqueça que o - Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não
ato de escrever é diferente do ato de falar. O texto escrito deve se podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também:
apresentar desprovido de marcas de oralidade. Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

Didatismo e Conhecimento 21
LÍNGUA PORTUGUESA
- Nunca “lhe” vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e - Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca,
por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o meio esperta, meio amiga.
convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama. - “Fica” você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para
- “Aluga-se” casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam- a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa
-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. você também. / Chegue aqui.
/ Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados. - A questão não tem nada “haver” com você. A questão, na
- “Tratam-se” de. O verbo seguido de preposição não varia verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma:
nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de Tem tudo a ver com você.
empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos. - A corrida custa 5 “real”. A moeda tem plural, e regular: A
- Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e corrida custa 5 reais.
não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os - Vou “emprestar” dele. Emprestar é ceder, e não tomar por
filhos ao circo. empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o
- Atraso implicará “em” punição. Implicar é direto no sentido livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu em-
de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção im- prestadas duas malas.
plica responsabilidade. - Foi “taxado” de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi
- Vive “às custas” do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.
também em via de, e não “em vias de”: Espécie em via de extin- - Ele foi um dos que “chegou” antes. Um dos que faz a con-
ção. / Trabalho em via de conclusão. cordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que
- Todos somos “cidadões”. O plural de cidadão é cidadãos. chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam
Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, com a vitória.
tabeliães, gângsteres. - “Cerca de 18” pessoas o saudaram. Cerca de indica arredon-
- O ingresso é “gratuíto”. A pronúncia correta é gratúito, assim damento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20
como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica pessoas o saudaram.
a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, - Ministro nega que “é” negligente. Negar que introduz sub-
ibéro, pólipo.
juntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negli-
- A última “seção” de cinema. Seção significa divisão, repar-
gente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez
tição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção
o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.
Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cine-
- Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O certo: Tinha
ma, sessão de pancadas, sessão do Congresso.
chegado atrasado.
- Vendeu “uma” grama de ouro. Grama, peso, é palavra mas-
- Tons “pastéis” predominam. Nome de cor, quando expresso
culina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas,
por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza,
por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.
camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos
- “Por isso”. Duas palavras, por isso, como de repente e a par-
tir de. azuis, canetas pretas, fitas amarelas.
- Não viu “qualquer” risco. É nenhum, e não “qualquer”, que - Queria namorar “com” o colega. O com não existe: Queria
se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém namorar o colega.
lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão. - O processo deu entrada “junto ao” STF. Processo dá entrada
- A feira “inicia” amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não “junto
A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã. ao”) Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não
- Soube que os homens “feriram-se”. O que atrai o pronome: “junto aos”) leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não “junto
Soube que os homens se feriram. / A festa que se realizou... O ao”) banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não “junto ao”)
mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e Procon.
os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pro- - As pessoas “esperavam-o”. Quando o verbo termina em m,
nunciou. / Quando se falava no assunto... / Como as pessoas lhe ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e
haviam dito... / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro. nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos,
- O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha. Veja outras impõem-nos.
confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível) queimou. / Casa “germina- - Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome átono
da” (geminada), “ciclo” (círculo) vicioso, “cabeçário” (cabeçalho). (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, fu-
- Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sabiam onde turo do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês
ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos co-
sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos? nhecimentos (e nunca “imporá-se”). / Os amigos nos darão (e não
- “Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: “darão-nos”) um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo
“Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obri- “formado-me”).
gados por tudo. - Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco minutos.
- O governo “interviu”. Intervir conjuga-se como vir. Assim: Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância
O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, inter- ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há
viemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, manti- (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O
vesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entre- atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu
vimos, condisser, etc. há (faz) pouco menos de dez dias.

Didatismo e Conhecimento 22
LÍNGUA PORTUGUESA
- Blusa “em” seda. Usa-se de, e não em, para definir o mate- - A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica singular sem-
rial de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, pre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.
medalha de prata, estátua de madeira. - Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica substi-
- A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar à luz, ape- tuição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa ape-
nas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu “a nas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.
luz a” gêmeos. - Se eu “ver” você por aí... O certo é: Se eu vir, revir, previr.
- Estávamos “em” quatro à mesa. O em não existe: Estávamos Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter),
quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala. mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer),
- Sentou “na” mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é
desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.
sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. /
- Ele “intermedia” a negociação. Mediar e intermediar con-
Sentou ao piano, à máquina, ao computador.
- Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. Embora jugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação.
popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Reme-
ninguém se feriu. deiam, que eles anseiem, incendeio.
- O time empatou “em” 2 a 2. A preposição é por: O time em- - Ninguém se “adequa”. Não existem as formas “adequa”,
patou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma “adeque”, etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o:
forma: empate por. adequaram, adequou, adequasse, etc.
- À medida «em» que a epidemia se espalhava... O certo é: À - Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as pessoas em
medida que a epidemia se espalhava... Existe ainda na medida em que depois do “d” vêm “e” e “i”: Explode, explodiram, etc. Por-
que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em tanto, não escreva nem fale “exploda” ou “expluda”, substituindo
que elas existem. essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se
- Não queria que “receiassem” a sua companhia. O i não exis- conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas “pre-
te: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: cavejo”, “precavês”, “precavém”, “precavenho”, “precavenha”,
passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento “precaveja”, etc.
cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam). - Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo recupera
- Eles “tem” razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este
é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não
põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.
existem “reavejo”, “reavê”, etc.
- A moça estava ali “há” muito tempo. Haver concorda com
- Disse o que “quiz”. Não existe z, mas apenas s, nas pessoas
estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. /
Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus,
dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo pusesse, puseram, puséssemos.
está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.) - O homem “possue” muitos bens. O certo: O homem possui
- Não “se o” diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui,
os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue,
isso), vê-se-a, etc. atenue.
- Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos compostos, - A tese “onde”... Onde só pode ser usado para lugar: A casa
só o último elemento varia: acordos político-partidários. Outros onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos de-
exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-finan- mais casos, use em que: A tese em que ele defende essa ideia. /
ceiras, partidos social-democratas. O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em
- Andou por “todo” país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: que...
Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a - Já “foi comunicado” da decisão. Uma decisão é comunica-
tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qual- da, mas ninguém “é comunicado” de alguma coisa. Assim: Já foi
quer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada:
nação) tem inimigos. A diretoria “comunicou” os empregados da decisão. Opções corre-
- “Todos” amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: To- tas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão
dos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contra-
foi comunicada aos empregados.
dições do texto.
- Favoreceu “ao” time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejei- - “Inflingiu” o regulamento. Infringir é que significa transgre-
ta a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores. dir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não “inflingir”) significa
- Ela “mesmo” arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a pró- impor: Infligiu séria punição ao réu.
prio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas - A modelo “pousou” o dia todo. Modelo posa (de pose).
mesmas recorreram à polícia. Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também
- Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Não se pode empregar iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico
o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não (contrabando) com tráfego (trânsito).
atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o - Espero que “viagem” hoje. Viagem, com g, é o substantivo:
país conhecerá a decisão dos servidores (e não “dos mesmos”). Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que
- Vou sair “essa” noite. É este que designa o tempo no qual se viajem hoje. Evite também “comprimentar” alguém: de cumpri-
está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que mento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento
se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concre-
(o século 20). tizado).

Didatismo e Conhecimento 23
LÍNGUA PORTUGUESA
- O pai “sequer” foi avisado. Sequer deve ser usado com ne-
gativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que SINTAXE: PROCESSOS DE
pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar. COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO.
- Comprou uma TV “a cores”. Veja o correto: Comprou uma
TV em cores (não se diz TV “a” preto e branco). Da mesma forma:
Transmissão em cores, desenho em cores.
- “Causou-me” estranheza as palavras. Use o certo: Causa- Período: Toda frase com uma ou mais orações constitui um
período, que se encerra com ponto de exclamação, ponto de inter-
ram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro
rogação ou com reticências.
de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro
O período é simples quando só traz uma oração, chamada ab-
exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não “foi iniciado”
soluta; o período é composto quando traz mais de uma oração.
esta noite as obras). Exemplo: Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absolu-
- A realidade das pessoas “podem” mudar. Cuidado: palavra ta.); Quero que você aprenda. (Período composto.)
próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso: A
realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os Existe uma maneira prática de saber quantas orações há num
funcionários foi punida (e não “foram punidas”). período: é contar os verbos ou locuções verbais. Num período ha-
- O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato passou verá tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais
despercebido, não foi notado. Desapercebido significa despreve- nele existentes. Exemplos:
nido. Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração)
- “Haja visto” seu empenho... A expressão é haja vista e não Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações)
varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja Está pegando fogo no prédio. (uma locução verbal, uma oração)
vista suas críticas. Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas locuções
- A moça “que ele gosta”. Como se gosta de, o certo é: A moça verbais, duas orações)
de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a Há três tipos de período composto: por coordenação, por su-
que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo bordinação e por coordenação e subordinação ao mesmo tempo
a que se referiu, etc. (também chamada de misto).
- É hora «dele» chegar. Não se deve fazer a contração da pre-
Período Composto por Coordenação. Orações Coordenadas
posição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo:
É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado... / De-
Considere, por exemplo, este período composto:
pois de esses fatos terem ocorrido...
- Vou “consigo”. Consigo só tem valor reflexivo (pensou con- Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os tempos
sigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Por- de infância.
tanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o 1ª oração: Passeamos pela praia
senhor (e não “para si”). 2ª oração: brincamos
- Já “é” 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tem- 3ª oração: recordamos os tempos de infância
po variam: Já são 8 horas. / Já é (e não “são”) 1 hora, já é meio-dia,
já é meia-noite. As três orações que compõem esse período têm sentido pró-
- A festa começa às 8 “hrs.”. As abreviaturas do sistema mé- prio e não mantêm entre si nenhuma dependência sintática: elas
trico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não são independentes. Há entre elas, é claro, uma relação de sentido,
“kms.”), 5 m, 10 kg. mas, como já dissemos, uma não depende da outra sintaticamente.
- “Dado” os índices das pesquisas... A concordância é normal: As orações independentes de um período são chamadas de
Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as orações coordenadas (OC), e o período formado só de orações
suas ideias... coordenadas é chamado de período composto por coordenação.
- Ficou “sobre” a mira do assaltante. Sob é que significa debai- As orações coordenadas são classificadas em assindéticas e
xo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. sindéticas.
Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o te-
- As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando
lhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano
não vêm introduzidas por conjunção. Exemplo:
têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma
Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram.
coisa e alguém vai para trás. OCA OCA OCA
- “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expressões: A meu
ver, a seu ver, a nosso ver. “Inclinei-me, apanhei o embrulho e segui.” (Machado de As-
sis)
“A noite avança, há uma paz profunda na casa deserta.” (An-
tônio Olavo Pereira)
“O ferro mata apenas; o ouro infama, avilta, desonra.” (Coe-
lho Neto)

Didatismo e Conhecimento 24
LÍNGUA PORTUGUESA
- As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando vêm Venha agora ou perderá a vez.
introduzidas por conjunção coordenativa. Exemplo: “Jacinta não vinha à sala, ou retirava-se logo.” (Machado de
O homem saiu do carro / e entrou na casa. Assis)
OCA OCS “Em aviação, tudo precisa ser bem feito ou custará preço
muito caro.” (Renato Inácio da Silva)
As orações coordenadas sindéticas são classificadas de acor- “A louca ora o acariciava, ora o rasgava freneticamente.”
do com o sentido expresso pelas conjunções coordenativas que as (Luís Jardim)
introduzem. Pode ser:
- Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque,
- Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só... pois, porquanto.
mas também, não só... mas ainda. Vamos andar depressa / que estamos atrasados.
Saí da escola / e fui à lanchonete. OCA OCS Explicativa
OCA OCS Aditiva
Observe que a 2ª oração é introduzida por uma conjunção que
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção expressa idéia de explicação, de justificativa em relação à oração
que expressa idéia de acréscimo ou adição com referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa explicativa.
anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa aditiva.
Leve-lhe uma lembrança, que ela aniversaria amanhã.
A doença vem a cavalo e volta a pé. “A mim ninguém engana, que não nasci ontem.” (Érico Ve-
As pessoas não se mexiam nem falavam. ríssimo)
“Não só findaram as queixas contra o alienista, mas até ne- “Qualquer que seja a tua infância, conquista-a, que te aben-
nhum ressentimento ficou dos atos que ele praticara.” (Machado çôo.” (Fernando Sabino)
de Assis) O cavalo estava cansado, pois arfava muito.
- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém,
todavia, contudo, entretanto, no entanto. Exercícios
Estudei bastante / mas não passei no teste.
OCA OCS Adversativa 01. Relacione as orações coordenadas por meio de conjunções:
a) Ouviu-se o som da bateria. Os primeiros foliões surgiram.
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção b) Não durma sem cobertor. A noite está fria.
que expressa idéia de oposição à oração anterior, ou seja, por uma c) Quero desculpar-me. Não consigo encontrá-los.
conjunção coordenativa adversativa.
Respostas:
A espada vence, mas não convence. Ouviu-se o som da bateria e os primeiros foliões surgiram.
“É dura a vida, mas aceitam-na.” (Cecília Meireles) Não durma sem cobertor, pois a noite está fria.
Tens razão, contudo não te exaltes. Quero desculpar-me, mais consigo encontrá-los.
Havia muito serviço, entretanto ninguém trabalhava.
02. Em: “... ouviam-se amplos bocejos, fortes como o maru-
- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por lhar das ondas...” a partícula como expressa uma ideia de:
isso, pois, logo. a) causa
Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão. b) explicação
OCA OCS Conclusiva c) conclusão
d) proporção
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção e) comparação
que expressa idéia de conclusão de um fato enunciado na oração
anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa conclusiva. Resposta: E
A conjunção como exercer a função comparativa. Os amplos
Vives mentindo; logo, não mereces fé. bocejos ouvidos são comparados à força do marulhar das ondas.
Ele é teu pai: respeita-lhe, pois, a vontade.
Raimundo é homem são, portanto deve trabalhar. 03. “Entrando na faculdade, procurarei emprego”, oração
sublinhada pode indicar uma ideia de:
- Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou,ou... ou, a) concessão
ora... ora, seja... seja, quer... quer. b) oposição
Seja mais educado / ou retire-se da reunião! c) condição
OCA OCS Alternativa d) lugar
e) consequência
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção
que estabelece uma relação de alternância ou escolha com refe- Resposta: C
rência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa A condição necessária para procurar emprego é entrar na fa-
alternativa. culdade.

Didatismo e Conhecimento 25
LÍNGUA PORTUGUESA
04. Assinale a sequência de conjunções que estabelecem, en- 08. “Vivemos mais uma grave crise, repetitiva dentro do ci-
tre as orações de cada item, uma correta relação de sentido. clo de graves crises que ocupa a energia desta nação. A frustra-
ção cresce e a desesperança não cede. Empresários empurrados
1. Correu demais, ... caiu. à condição de liderança oficial se reúnem, em eventos como este,
2. Dormiu mal, ... os sonhos não o deixaram em paz. para lamentar o estado de coisas. O que dizer sem resvalar para o
3. A matéria perece, ... a alma é imortal. pessimismo, a crítica pungente ou a autoabsorvição?
4. Leu o livro, ... é capaz de descrever as personagens com É da história do mundo que as elites nunca introduziram mu-
detalhes. danças que favorecessem a sociedade como um todo. Estaríamos
5. Guarde seus pertences, ... podem servir mais tarde. nos enganando se achássemos que estas lideranças empresariais
aqui reunidas teriam motivação para fazer a distribuição de po-
a) porque, todavia, portanto, logo, entretanto deres e rendas que uma nação equilibrada precisa ter. Aliás, é in-
b) por isso, porque, mas, portanto, que genuidade imaginar que a vontade de distribuir renda passe pelo
empobrecimento da elite. É também ocioso pensar que nós, de tal
c) logo, porém, pois, porque, mas
elite, temos riqueza suficiente para distribuir. Faço sempre, para
d) porém, pois, logo, todavia, porque
meu desânimo, a soma do faturamento das nossas mil maiores e
e) entretanto, que, porque, pois, portanto
melhores empresas, e chego a um número menor do que o fatura-
mento de apenas duas empresas japonesas. Digamos, a Mitsubishi
Resposta: B e mais um pouquinho. Sejamos francos. Em termos mundiais so-
Por isso – conjunção conclusiva. mos irrelevantes como potência econômica, mas o mesmo tempo
Porque – conjunção explicativa. extremamente representativos como população.”
Mas – conjunção adversativa. (“Discurso de Semler aos empresários”, Folha de São Paulo)
Portanto – conjunção conclusiva.
Que – conjunção explicativa. Dentre os períodos transcritos do texto acima, um é composto
por coordenação e contém uma oração coordenada sindética ad-
05. Reúna as três orações em um período composto por coor- versativa. Assinalar a alternativa correspondente a este período:
denação, usando conjunções adequadas. a) A frustração cresce e a desesperança não cede.
Os dias já eram quentes. b) O que dizer sem resvalar para o pessimismo, a crítica pun-
A água do mar ainda estava fria. gente ou a autoabsorvição.
As praias permaneciam desertas. c) É também ocioso pensar que nós, da tal elite, temos riqueza
suficiente para distribuir.
Resposta: Os dias já eram quentes, mas a água do mar ainda d) Sejamos francos.
estava fria, por isso as praias permaneciam desertas. e) Em termos mundiais somos irrelevantes como potência
econômica, mas ao mesmo tempo extremamente representativos
06. No período “Penso, logo existo”, oração em destaque é: como população.
a) coordenada sindética conclusiva Resposta E
b) coordenada sindética aditiva
c) coordenada sindética alternativa Período Composto por Subordinação
d) coordenada sindética adversativa
e) n.d.a Observe os termos destacados em cada uma destas orações:
Vi uma cena triste. (adjunto adnominal)
Resposta: A Todos querem sua participação. (objeto direto)
Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de causa)
07. Por definição, oração coordenada que seja desprovida de
Veja, agora, como podemos transformar esses termos em ora-
conectivo é denominada assindética. Observando os períodos se-
ções com a mesma função sintática:
guintes: Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada com
I- Não caía um galho, não balançava uma folha. função de adjunto adnominal)
II- O filho chegou, a filha saiu, mas a mãe nem notou. Todos querem / que você participe. (oração subordinada com
III- O fiscal deu o sinal, os candidatos entregaram a prova. função de objeto direto)
Acabara o exame. Não pude sair / porque estava chovendo. (oração subordina-
da com função de adjunto adverbial de causa)
Nota-se que existe coordenação assindética em:
a) I apenas Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma certa
b) II apenas função sintática em relação à primeira, sendo, portanto, subordi-
c) III apenas nada a ela. Quando um período é constituído de pelo menos um
d) I e III conjunto de duas orações em que uma delas (a subordinada) de-
e) nenhum deles pende sintaticamente da outra (principal), ele é classificado como
período composto por subordinação. As orações subordinadas são
Resposta: D classificadas de acordo com a função que exercem: adverbiais,
substantivas e adjetivas.

Didatismo e Conhecimento 26
LÍNGUA PORTUGUESA
Orações Subordinadas Adverbiais Formiga, quando quer se perder, cria asas.
“Lá pelas sete da noite, quando escurecia, as casas se esva-
As orações subordinadas adverbiais (OSA) são aquelas que ziam.” (Carlos Povina Cavalcânti)
exercem a função de adjunto adverbial da oração principal (OP). “Quando os tiranos caem, os povos se levantam.” (Marquês
São classificadas de acordo com a conjunção subordinativa que as de Maricá)
introduz: Enquanto foi rico, todos o procuravam.

- Causais: Expressam a causa do fato enunciado na oração - Finais: Expressam a finalidade ou o objetivo do que foi
principal. Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que, enunciado na oração principal. Conjunções: para que, a fim de
visto que. que, porque (=para que), que.
Não fui à escola / porque fiquei doente. Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar.
OP OSA Causal OP OSA Final

O tambor soa porque é oco. “O futuro se nos oculta para que nós o imaginemos.” (Mar-
Como não me atendessem, repreendi-os severamente. quês de Maricá)
Como ele estava armado, ninguém ousou reagir. Aproximei-me dele a fim de que me ouvisse melhor.
“Faltou à reunião, visto que esteve doente.” (Arlindo de Sousa) “Fiz-lhe sinal que se calasse.” (Machado de Assis) (que = para
- Condicionais: Expressam hipóteses ou condição para a que)
ocorrência do que foi enunciado na principal. Conjunções: se, con- “Instara muito comigo não deixasse de freqüentar as recep-
tanto que, a menos que, a não ser que, desde que. ções da mulher.” (Machado de Assis) (não deixasse = para que não
Irei à sua casa / se não chover. deixasse)
OP OSA Condicional
- Consecutivas: Expressam a consequência do que foi enun-
Deus só nos perdoará se perdoarmos aos nossos ofensores. ciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como (= por-
Se o conhecesses, não o condenarias.
que), pois que, visto que.
“Que diria o pai se soubesse disso?” (Carlos Drummond de
A chuva foi tão forte / que inundou a cidade.
Andrade)
OP OSA Consecutiva
A cápsula do satélite será recuperada, caso a experiência te-
nha êxito.
Fazia tanto frio que meus dedos estavam endurecidos.
“A fumaça era tanta que eu mal podia abrir os olhos.” (José
- Concessivas: Expressam ideia ou fato contrário ao da oração
principal, sem, no entanto, impedir sua realização. Conjunções: J. Veiga)
embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo De tal sorte a cidade crescera que não a reconhecia mais.
que. As notícias de casa eram boas, de maneira que pude prolon-
Ela saiu à noite / embora estivesse doente. gar minha viagem.
OP OSA Concessiva
- Comparativas: Expressam ideia de comparação com re-
Admirava-o muito, embora (ou conquanto ou posto que ou ferência à oração principal. Conjunções: como, assim como, tal
se bem que) não o conhecesse pessoalmente. como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado com
Embora não possuísse informações seguras, ainda assim menos ou mais).
arriscou uma opinião. Ela é bonita / como a mãe.
Cumpriremos nosso dever, ainda que (ou mesmo quando ou OP OSA Comparativa
ainda quando ou mesmo que) todos nos critiquem.
Por mais que gritasse, não me ouviram. A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o ferro.”
(Marquês de Maricá)
- Conformativas: Expressam a conformidade de um fato com Ela o atraía irresistivelmente, como o imã atrai o ferro.
outro. Conjunções: conforme, como (=conforme), segundo. Os retirantes deixaram a cidade tão pobres como vieram.
O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado. Como a flor se abre ao Sol, assim minha alma se abriu à luz
OP OSA Conformativa daquele olhar.

O homem age conforme pensa. Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam clara-
Relatei os fatos como (ou conforme) os ouvi. mente o verbo, como no exemplo acima, em que está subentendido
Como diz o povo, tristezas não pagam dívidas. o verbo ser (como a mãe é).
O jornal, como sabemos, é um grande veículo de informação.
- Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona pro-
- Temporais: Acrescentam uma circunstância de tempo ao que porcionalmente ao que foi enunciado na principal. Conjunções: à
foi expresso na oração principal. Conjunções: quando, assim que, medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto
logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que). menos.
Ele saiu da sala / assim que eu cheguei. Quanto mais reclamava / menos atenção recebia.
OP OSA Temporal OSA Proporcional OP

Didatismo e Conhecimento 27
LÍNGUA PORTUGUESA
À medida que se vive, mais se aprende. - Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: É
À proporção que avançávamos, as casas iam rareando. aquela que exerce a função de complemento nominal de um termo
O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai dimi- da oração principal. Observe: Estou convencido de sua inocência.
nuindo. (complemento nominal)
Estou convencido / de que ele é inocente.
Orações Subordinadas Substantivas OP OSS Completiva Nominal

As orações subordinadas substantivas (OSS) são aquelas Sou favorável a que o prendam. (= Sou favorável à prisão
dele.)
que, num período, exercem funções sintáticas próprias de subs-
Estava ansioso por que voltasses.
tantivos, geralmente são introduzidas pelas conjunções integrantes
Sê grato a quem te ensina.
que e se. Elas podem ser:
“Fabiano tinha a certeza de que não se acabaria tão cedo.”
(Graciliano Ramos)
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: É aquela
que exerce a função de objeto direto do verbo da oração principal. - Oração Subordinada Substantiva Predicativa: É aquela
Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto) que exerce a função de predicativo do sujeito da oração principal,
O grupo quer / que você ajude. vindo sempre depois do verbo ser. Observe: O importante é sua
OP OSS Objetiva Direta felicidade. (predicativo)
O mestre exigia que todos estivessem presentes. (= O mestre O importante é / que você seja feliz.
exigia a presença de todos.) OP OSS Predicativa
Mariana esperou que o marido voltasse.
Ninguém pode dizer: Desta água não beberei. Seu receio era que chovesse. (Seu receio era a chuva.)
O fiscal verificou se tudo estava em ordem. Minha esperança era que ele desistisse.
Meu maior desejo agora é que me deixem em paz.
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: É Não sou quem você pensa.
aquela que exerce a função de objeto indireto do verbo da oração
principal. Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto indireto) - Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela que
exerce a função de aposto de um termo da oração principal. Obser-
Necessito / de que você me ajude.
ve: Ele tinha um sonho: a união de todos em benefício do país.
OP OSS Objetiva Indireta
(aposto)
Não me oponho a que você viaje. (= Não me oponho à sua
Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício do país.
viagem.) OP OSS Apositiva
Aconselha-o a que trabalhe mais.
Daremos o prêmio a quem o merecer. Só desejo uma coisa: que vivam felizes. (Só desejo uma coi-
Lembre-se de que a vida é breve. sa: a sua felicidade)
Só lhe peço isto: honre o nosso nome.
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: É aquela que “Talvez o que eu houvesse sentido fosse o presságio disto: de
exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. Observe: que virias a morrer...” (Osmã Lins)
É importante sua colaboração. (sujeito) “Mas diga-me uma cousa, essa proposta traz algum motivo
É importante / que você colabore. oculto?” (Machado de Assis)
OP OSS Subjetiva
As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de dois-
A oração subjetiva geralmente vem: -pontos. Podem vir, também, entre vírgulas, intercaladas à oração
- depois de um verbo de ligação + predicativo, em construções principal. Exemplo: Seu desejo, que o filho recuperasse a saúde,
do tipo é bom, é útil, é certo, é conveniente, etc. Ex.: É certo que tornou-se realidade.
ele voltará amanhã.
- depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta- Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as ora-
ções substantivas podem ser introduzidas por outros conectivos,
-se, diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu da cidade.
tais como quando, como, quanto, etc. Exemplos:
- depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir, ocor-
Não sei quando ele chegou.
rer, quando empregados na 3ª pessoa do singular e seguidos das Diga-me como resolver esse problema.
conjunções que ou se. Ex.: Convém que todos participem da re-
união. Orações Subordinadas Adjetivas

É necessário que você colabore. (= Sua colaboração é neces- As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a fun-
sária.) ção de adjunto adnominal de algum termo da oração principal.
Parece que a situação melhorou. Observe como podemos transformar um adjunto adnominal em
Aconteceu que não o encontrei em casa. oração subordinada adjetiva:
Importa que saibas isso bem. Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal)
Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada adjetiva)

Didatismo e Conhecimento 28
LÍNGUA PORTUGUESA
As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas Ao entrar na escola, encontrei o professor de inglês.
por um pronome relativo (que , qual, cujo, quem, etc.) e podem Quando entrei na escola, / encontrei o professor de inglês.
ser classificadas em: OSA Temporal
Ao entrar na escola: oração subordinada adverbial temporal,
- Subordinadas Adjetivas Restritivas: São restritivas quando reduzida de infinitivo.
restringem ou especificam o sentido da palavra a que se referem.
Exemplo: Precisando de ajuda, telefone-me.
O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar. Se precisar de ajuda, / telefone-me.
OP OSA Restritiva OSA Condicional
Precisando de ajuda: oração subordinada adverbial condicio-
Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica o nal, reduzida de gerúndio.
sentido do substantivo cantor, indicando que o público não aplau-
diu qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º lugar. Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário.
Assim que acabou o treino, / os jogadores foram para o ves-
Pedra que rola não cria limo. tiário.
Os animais que se alimentam de carne chamam-se carní- OSA Temporal
voros. Acabado o treino: oração subordinada adverbial temporal, re-
Rubem Braga é um dos cronistas que mais belas páginas es- duzida de particípio.
creveram.
“Há saudades que a gente nunca esquece.” (Olegário Ma- Observações:
riano)
- Há orações reduzidas que permitem mais de um tipo de de-
- Subordinadas Adjetivas Explicativas: São explicativas senvolvimento. Há casos também de orações reduzidas fixas, isto
quando apenas acrescentam uma qualidade à palavra a que se refe- é, orações reduzidas que não são passíveis de desenvolvimento.
rem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi- Exemplo: Tenho vontade de visitar essa cidade.
- O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem orações
-lo ou especificá-lo. Exemplo:
reduzidas quando fazem parte de uma locução verbal. Exemplos:
O escritor Jorge Amado, / que mora na Bahia, / lançou um
Preciso terminar este exercício.
novo livro.
Ele está jantando na sala.
OP OSA Explicativa OP
Essa casa foi construída por meu pai.
- Uma oração coordenada também pode vir sob a forma redu-
Deus, que é nosso pai, nos salvará.
zida. Exemplo:
Valério, que nasceu rico, acabou na miséria. O homem fechou a porta, saindo depressa de casa.
Ele tem amor às plantas, que cultiva com carinho. O homem fechou a porta e saiu depressa de casa. (oração
Alguém, que passe por ali à noite, poderá ser assaltado. coordenada sindética aditiva)
Saindo depressa de casa: oração coordenada reduzida de ge-
Orações Reduzidas rúndio.
Observe que as orações subordinadas eram sempre introdu- Qual é a diferença entre as orações coordenadas explicativas e
zidas por uma conjunção ou pronome relativo e apresentavam o as orações subordinadas causais, já que ambas podem ser iniciadas
verbo numa forma do indicativo ou do subjuntivo. Além desse tipo por que e porque? Às vezes não é fácil estabelecer a diferença
de orações subordinadas há outras que se apresentam com o ver- entre explicativas e causais, mas como o próprio nome indica, as
bo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio e particípio). causais sempre trazem a causa de algo que se revela na oração
Exemplos: principal, que traz o efeito.
Note-se também que há pausa (vírgula, na escrita) entre a ora-
- Ao entrar nas escola, encontrei o professor de inglês. (in- ção explicativa e a precedente e que esta é, muitas vezes, imperati-
finitivo) va, o que não acontece com a oração adverbial causal. Essa noção
- Precisando de ajuda, telefone-me. (gerúndio) de causa e efeito não existe no período composto por coordenação.
- Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário. (par- Exemplo: Rosa chorou porque levou uma surra. Está claro que a
ticípio) oração iniciada pela conjunção é causal, visto que a surra foi sem
dúvida a causa do choro, que é efeito. Rosa chorou, porque seus
As orações subordinadas que apresentam o verbo numa das olhos estão vermelhos.
formas nominais são chamadas de reduzidas. O período agora é composto por coordenação, pois a oração
Para classificar a oração que está sob a forma reduzida, de- iniciada pela conjunção traz a explicação daquilo que se revelou
vemos procurar desenvolvê-la do seguinte modo: colocamos a na coordena anterior. Não existe aí relação de causa e efeito: o
conjunção ou o pronome relativo adequado ao sentido e passamos fato de os olhos de Elisa estarem vermelhos não é causa de ela ter
o verbo para uma forma do indicativo ou subjuntivo, conforme chorado.
o caso. A oração reduzida terá a mesma classificação da oração
desenvolvida. Ela fala / como falaria / se entendesse do assunto.
OP OSA Comparativa SA Condicional

Didatismo e Conhecimento 29
LÍNGUA PORTUGUESA
Exercícios a) complementos nominais; orações subordinadas adverbiais
concessivas, coordenadas entre si
01. Na frase: “Maria do Carmo tinha a certeza de que estava b) adjuntos adnominais; orações subordinadas adverbiais
para ser mãe”, a oração destacada é: comparativas
a) subordinada substantiva objetiva indireta c) agentes da passiva; orações subordinadas adjetivas, coor-
b) subordinada substantiva completiva nominal denadas entre si
c) subordinada substantiva predicativa d) objetos diretos; orações subordinadas adjetivas, coordena-
d) coordenada sindética conclusiva das entre si
e) coordenada sindética explicativa e) objetos indiretos; orações subordinadas adverbiais compa-
rativas
02. A segunda oração do período? “Não sei no que pensas” ,
é classificada como: 08. Neste período “não bate para cortar” , a oração “para cor-
a) substantiva objetiva direta tar” em relação a “não bate” , é:
b) substantiva completiva nominal a) a causa
c) adjetiva restritiva b) o modo
d) coordenada explicativa c) a consequência
e) substantiva objetiva indireta d) a explicação
e) a finalidade
03. “Na ‘Partida Monção’, não há uma atitude inventada. Há 09. Em todos os períodos há orações subordinadas substanti-
reconstituição de uma cena como ela devia ter sido na realida- vas, exceto em:
de.” A oração sublinhada é: a) O fato era que a escravatura do Santa Fé não andava nas
a) adverbial conformativa festas do Pilar, não vivia no coco como a do Santa Rosa.
b) adjetiva b) Não lhe tocara no assunto, mas teve vontade de tomar o
c) adverbial consecutiva trem e ir valer-se do presidente.
d) adverbial proporcional c) Um dia aquele Lula faria o mesmo com a sua filha, faria o
e) adverbial causal mesmo com o engenho que ele fundara com o suor de seu rosto.
d) O oficial perguntou de onde vinha, e se não sabia notícias
04. No seguinte grupo de orações destacadas: de Antônio Silvino.
1. É bom que você venha. e) Era difícil para o ladrão procurar os engenhos da várzea, ou
2. Chegados que fomos, entramos na escola. meter-se para os lados de Goiana
3. Não esqueças que é falível.
10. Em - “Há enganos que nos deleitam”, a oração grifada é:
Temos orações subordinadas, respectivamente: a) substantiva subjetiva
a) objetiva direta, adverbial temporal, subjetiva b) substantiva objetiva direta
b) subjetiva, objetiva direta, objetiva direta c) substantiva completiva nominal
c) objetiva direta, subjetiva, adverbial temporal d) substantiva apositiva
d) subjetiva, adverbial temporal, objetiva direta e) adjetiva restritiva
e) predicativa, objetiva direta, objetiva indireta
Respostas: (01-B) (02-E) (03-A) (04-D) (05-E) (06-B) (07-C)
05. A palavra “se” é conjunção integrante (por introduzir ora- (08-E) (09-C) (10-E)
ção subordinada substantiva objetiva direta) em qual das orações
seguintes?
a) Ele se mordia de ciúmes pelo patrão. EMPREGO DE TEMPOS E MODOS
b) A Federação arroga-se o direito de cancelar o jogo. VERBAIS.
c) O aluno fez-se passar por doutor.
d) Precisa-se de operários.
e) Não sei se o vinho está bom.
Verbo é a palavra que indica ação, movimento, fenômenos da
06. “Lembro-me de que ele só usava camisas brancas.” A natureza, estado, mudança de estado. Flexiona-se em número (sin-
oração sublinhada é: gular e plural), pessoa (primeira, segunda e terceira), modo (indi-
a) subordinada substantiva completiva nominal cativo, subjuntivo e imperativo, formas nominais: gerúndio, infi-
b) subordinada substantiva objetiva indireta nitivo e particípio), tempo (presente, passado e futuro) e apresenta
c) subordinada substantiva predicativa voz (ativa, passiva, reflexiva). De acordo com a vogal temática, os
d) subordinada substantiva subjetiva verbos estão agrupados em três conjugações:
e) subordinada substantiva objetiva direta
1ª conjugação – ar: cantar, dançar, pular.
07. Na passagem: “O receio é substituído pelo pavor, pelo 2ª conjugação – er: beber, correr, entreter.
respeito, pela emoção que emudece e paralisa.” Os termos sub- 3ª conjugação – ir: partir, rir, abrir.
linhados são:

Didatismo e Conhecimento 30
LÍNGUA PORTUGUESA
O verbo pôr e seus derivados (repor, depor, dispor, compor, O modo indica as diversas atitudes do falante com relação ao
impor) pertencem a 2ª conjugação devido à sua origem latina poer. fato que enuncia. São três os modos:
- Modo Indicativo: a atitude do falante é de certeza, precisão:
Elementos Estruturais do Verbo: As formas verbais apresen- o fato é ou foi uma realidade; Apresenta presente, pretérito perfei-
tam três elementos em sua estrutura: Radical, Vogal Temática e to, imperfeito e mais que perfeito, futuro do presente e futuro do
Tema. pretérito.
- Modo Subjuntivo: a atitude do falante é de incerteza, de dú-
Radical: elemento mórfico (morfema) que concentra o signi- vida, exprime uma possibilidade; O subjuntivo expressa uma in-
ficado essencial do verbo. Observe as formas verbais da 1ª conju- certeza, dúvida, possibilidade, hipótese. Apresenta presente, preté-
gação: contar, esperar, brincar. Flexionando esses verbos, nota-se rito imperfeito e futuro. Ex: Tenha paciência, Lourdes; Se tivesse
que há uma parte que não muda, e que nela está o significado real dinheiro compraria um carro zero; Quando o vir, dê lembranças
do verbo. minhas.
cont é o radical do verbo contar; - Modo Imperativo: a atitude do falante é de ordem, um desejo,
esper é o radical do verbo esperar; uma vontade, uma solicitação. Indica uma ordem, um pedido, uma
brinc é o radical do verbo brincar. súplica. Apresenta imperativo afirmativo e imperativo negativo

Se tiramos as terminações ar, er, ir do infinitivo dos verbos, Emprego dos Tempos do Indicativo
teremos o radical desses verbos. Também podemos antepor prefi-
xos ao radical: des nutr ir / re conduz ir. - Presente do Indicativo: Para enunciar um fato momentâneo.
Ex: Estou feliz hoje. Para expressar um fato que ocorre com fre-
Vogal Temática: é o elemento mórfico que designa a qual con- quência. Ex: Eu almoço todos os dias na casa de minha mãe. Na
jugação pertence o verbo. Há três vogais temáticas: 1ª conjugação: indicação de ações ou estados permanentes, verdades universais.
a; 2ª conjugação: e; 3ª conjugação: i. Ex: A água é incolor, inodora, insípida.
- Pretérito Imperfeito: Para expressar um fato passado, não
Tema: é o elemento constituído pelo radical mais a vogal te- concluído. Ex: Nós comíamos pastel na feira; Eu cantava muito
mática: contar: -cont (radical) + a (vogal temática) = tema. Se bem.
não houver a vogal temática, o tema será apenas o radical: contei - Pretérito Perfeito: É usado na indicação de um fato passado
= cont ei. concluído. Ex: Cantei, dancei, pulei, chorei, dormi...
- Pretérito Mais-Que-Perfeito: Expressa um fato passado
Desinências: são elementos que se juntam ao radical, ou ao anterior a outro acontecimento passado. Ex: Nós cantáramos no
tema, para indicar as flexões de modo e tempo, desinências modo congresso de música.
temporais e número pessoa, desinências número pessoais. - Futuro do Presente: Na indicação de um fato realizado num
instante posterior ao que se fala. Ex: Cantarei domingo no coro da
Contávamos igreja matriz.
Cont = radical - Futuro do Pretérito: Para expressar um acontecimento pos-
a = vogal temática terior a um outro acontecimento passado. Ex: Compraria um car-
va = desinência modo temporal ro se tivesse dinheiro
mos = desinência número pessoal
1ª conjugação: -AR
Flexões Verbais: Flexão de número e de pessoa: o verbo varia
para indicar o número e a pessoa. Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais, dançam.
- eu estudo – 1ª pessoa do singular; Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos, dan-
- nós estudamos – 1ª pessoa do plural; çastes, dançaram.
- tu estudas – 2ª pessoa do singular; Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava, dançáva-
- vós estudais – 2ª pessoa do singular; mos, dançáveis, dançavam.
- ele estuda – 3ª pessoa do singular; Pretérito Mais-Que-Perfeito: dançara, dançaras, dançara,
- eles estudam – 3ª pessoa do plural. dançáramos, dançáreis, dançaram.
Futuro do Presente: dançarei, dançarás, dançará, dançare-
- Algumas regiões do Brasil, usam o pronome tu de forma di- mos, dançareis, dançarão.
ferente da fala culta, exigida pela gramática oficial, ou seja, tu foi, Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria, dançaría-
tu pega, tu tem, em vez de: tu fostes, tu pegas, tu tens. O pronome mos, dançaríeis, dançariam.
vós aparece somente em textos literários ou bíblicos. Os prono-
mes: você, vocês, que levam o verbo na 3ª pessoa, é o mais usado 2ª Conjugação: -ER
no Brasil.
- Flexão de tempo e de modo – os tempos situam o fato ou a Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem.
ação verbal dentro de determinado momento; pode estar em plena Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos, comes-
ocorrência, pode já ter ocorrido ou não. Essas três possibilidades tes, comeram.
básicas, mas não únicas, são: presente, pretérito, futuro. Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos, co-
míeis, comiam.

Didatismo e Conhecimento 31
LÍNGUA PORTUGUESA
Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera, co- Emprego do Imperativo
mêramos, comêreis, comeram.
Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá, comeremos, Imperativo Afirmativo:
comereis, comerão. - Não apresenta a primeira pessoa do singular.
Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria, comería- - É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do
mos, comeríeis, comeriam.
subjuntivo.
- O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”.
3ª Conjugação: -IR
- O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo.
Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem.
Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos, partistes, Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós ama-
partiram. mos, vós amais, eles amam.
Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos, par- Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele
tíeis, partiam. ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira, partí- Imperativo afirmativo: (X), ama tu, ame você, amemos nós,
ramos, partíreis, partiram. amai vós, amem vocês.
Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos,
partireis, partirão.
Imperativo Negativo:
Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria, partiríamos,
partiríeis, partiriam. - É formado através do presente do subjuntivo sem a primeira
pessoa do singular.
Emprego dos Tempos do Subjuntivo - Não retira os “s” do tu e do vós.

Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou duvi- Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele
doso, muitas vezes ligados ao desejo, à suposição: Duvido de que ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem.
apurem os fatos; Que surjam novos e honestos políticos. Imperativo negativo: (X), não ames tu, não ame você, não
Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma condi- amemos nós, não ameis vós, não amem vocês.
ção ou hipótese: Se recebesse o prêmio, voltaria à universidade.
Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético, pode Além dos três modos citados, os verbos apresentam ainda as
ou não acontecer. Quando/Se você fizer o trabalho, será generosa-
formas nominais: infinitivo – impessoal e pessoal, gerúndio e par-
mente gratificado.
ticípio.
1ª Conjugação –AR
Infinitivo Impessoal: Exprime a significação do verbo de
Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que nós modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de substan-
dancemos, que vós danceis, que eles dancem. tivo. Por exemplo: Viver é lutar. (= vida é luta); É indispensável
Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se ele combater a corrupção. (= combate à)
dançasse, se nós dançássemos, se vós dançásseis, se eles dançassem. O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma
Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele simples) ou no passado (forma composta). Por exemplo: É preciso
dançar, quando nós dançarmos, quando vós dançardes, quando ler este livro; Era preciso ter lido este livro.
eles dançarem. Quando se diz que um verbo está no infinitivo impessoal, isso
2ª Conjugação -ER
significa que ele apresenta sentido genérico ou indefinido, não
Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que nós relacionado a nenhuma pessoa, e sua forma é invariável. Assim,
comamos, que vós comais, que eles comam. considera-se apenas o processo verbal. Por exemplo: Amar é so-
Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu comesses, se ele frer; O infinitivo pessoal, por sua vez, apresenta desinências de
comesse, se nós comêssemos, se vós comêsseis, se eles comessem. número e pessoa.
Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele co- Observe que, embora não haja desinências para a 1ª e 3ª pes-
mer, quando nós comermos, quando vós comerdes, quando eles soas do singular (cujas formas são iguais às do infinitivo impes-
comerem. soal), elas não deixam de referir-se às respectivas pessoas do dis-
curso (o que será esclarecido apenas pelo contexto da frase). Por
3ª conjugação – IR exemplo: Para ler melhor, eu uso estes óculos. (1ª pessoa); Para
ler melhor, ela usa estes óculos. (3ª pessoa)
Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que nós
As regras que orientam o emprego da forma variável ou inva-
partamos, que vós partais, que eles partam.
Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu partisses, se ele riável do infinitivo não são todas perfeitamente definidas. Por ser
partisse, se nós partíssemos, se vós partísseis, se eles partissem. o infinitivo impessoal mais genérico e vago, e o infinitivo pessoal
Futuro: quando eu partir, quando tu partires, quando ele par- mais preciso e determinado, recomenda-se usar este último sempre
tir, quando nós partirmos, quando vós partirdes, quando eles par- que for necessário dar à frase maior clareza ou ênfase.
tirem.

Didatismo e Conhecimento 32
LÍNGUA PORTUGUESA
O Infinitivo Impessoal é usado: Em orações como “Esta carta é para mim!”, a preposição está
ligada somente ao pronome, que deve se apresentar oblíquo tônico.
- Quando apresenta uma ideia vaga, genérica, sem se referir
a um sujeito determinado; Por exemplo: Querer é poder; Fumar Infinitivo Pessoal: É o infinitivo relacionado às três pessoas
prejudica a saúde; É proibido colar cartazes neste muro. do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta desi-
- Quando tiver o valor de Imperativo; Por exemplo: Soldados, nências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais,
marchar! (= Marchai!) flexiona-se da seguinte maneira:
- Quando é regido de preposição e funciona como comple-
mento de um substantivo, adjetivo ou verbo da oração anterior; 2ª pessoa do singular: Radical + ES. Ex.: teres (tu)
Por exemplo: Eles não têm o direito de gritar assim; As meninas 1ª pessoa do plural: Radical + mos. Ex.: termos (nós)
foram impedidas de participar do jogo; Eu os convenci a aceitar. 2ª pessoa do plural: Radical + dês. Ex.: terdes (vós)
No entanto, na voz passiva dos verbos “contentar”, “tomar” 3ª pessoa do plural: Radical + em. Ex.: terem (eles)
e “ouvir”, por exemplo, o Infinitivo (verbo auxiliar) deve ser fle-
xionado. Por exemplo: Eram pessoas difíceis de serem contenta- Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa co-
das; Aqueles remédios são ruins de serem tomados; Os CDs que locação.
você me emprestou são agradáveis de serem ouvidos.
Quando se diz que um verbo está no infinitivo pessoal, isso
Nas locuções verbais; Por exemplo: significa que ele atribui um agente ao processo verbal, flexionan-
- Queremos acordar bem cedo amanhã. do-se.
- Eles não podiam reclamar do colégio.
- Vamos pensar no seu caso. O infinitivo deve ser flexionado nos seguintes casos:

Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo do verbo da oração - Quando o sujeito da oração estiver claramente expresso; Por
anterior; Por exemplo: exemplo: Se tu não perceberes isto...; Convém vocês irem primei-
- Eles foram condenados a pagar pesadas multas. ro; O bom é sempre lembrarmos desta regra (sujeito desinencial,
- Devemos sorrir ao invés de chorar. sujeito implícito = nós).
- Tenho ainda alguns livros por (para) publicar. - Quando tiver sujeito diferente daquele da oração principal;
Por exemplo: O professor deu um prazo de cinco dias para os alu-
Quando o infinitivo preposicionado, ou não, preceder ou es- nos estudarem bastante para a prova; Perdôo-te por me traíres; O
tiver distante do verbo da oração principal (verbo regente), pode hotel preparou tudo para os turistas ficarem à vontade; O guarda
ser flexionado para melhor clareza do período e também para se fez sinal para os motoristas pararem.
enfatizar o sujeito (agente) da ação verbal. Por exemplo: - Quando se quiser indeterminar o sujeito (utilizado na tercei-
- Na esperança de sermos atendidos, muito lhe agradecemos. ra pessoa do plural); Por exemplo: Faço isso para não me acharem
- Foram dois amigos à casa de outro, a fim de jogarem fute- inútil; Temos de agir assim para nos promoverem; Ela não sai
bol. sozinha à noite a fim de não falarem mal da sua conduta.
- Para estudarmos, estaremos sempre dispostos.
- Antes de nascerem, já estão condenadas à fome muitas - Quando apresentar reciprocidade ou reflexibilidade de ação;
crianças. Por exemplo: Vi os alunos abraçarem-se alegremente; Fizemos os
adversários cumprimentarem-se com gentileza; Mandei as meni-
Com os verbos causativos “deixar”, “mandar” e “fazer” e seus nas olharem-se no espelho.
sinônimos que não formam locução verbal com o infinitivo que os
segue; Por exemplo: Deixei-os sair cedo hoje. Como se pode observar, a escolha do Infinitivo Flexionado é
Com os verbos sensitivos “ver”, “ouvir”, “sentir” e sinôni- feita sempre que se quer enfatizar o agente (sujeito) da ação ex-
mos, deve-se também deixar o infinitivo sem flexão. Por exemplo: pressa pelo verbo.
Vi-os entrar atrasados; Ouvi-as dizer que não iriam à festa.
- Se o infinitivo de um verbo for escrito com “j”, esse “j” apa-
É inadequado o emprego da preposição “para” antes dos ob- recerá em todas as outras formas. Por exemplo:
jetos diretos de verbos como “pedir”, “dizer”, “falar” e sinônimos; Enferrujar: enferrujou, enferrujaria, enferrujem, enferrujarão,
- Pediu para Carlos entrar (errado), enferrujassem, etc. (Lembre, contudo, que o substantivo ferrugem
- Pediu para que Carlos entrasse (errado). é grafado com “g”.).
- Pediu que Carlos entrasse (correto). Viajar: viajou, viajaria, viajem (3ª pessoa do plural do presen-
te do subjuntivo, não confundir com o substantivo viagem) viaja-
Quando a preposição “para” estiver regendo um verbo, como rão, viajasses, etc.
na oração “Este trabalho é para eu fazer”, pede-se o emprego do - Quando o verbo tem o infinitivo com “g”, como em “dirigir”
pronome pessoal “eu”, que se revela, neste caso, como sujeito. Ou- e “agir” este “g” deverá ser trocado por um “j” apenas na primeira
tros exemplos: pessoa do presente do indicativo. Por exemplo: eu dirijo/ eu ajo
- Aquele exercício era para eu corrigir. - O verbo “parecer” pode relacionar-se de duas maneiras dis-
- Esta salada é para eu comer? tintas com o infinitivo. Quando “parecer” é verbo auxiliar de um
- Ela me deu um relógio para eu consertar. outro verbo: Elas parecem mentir. Elas parece mentirem. Neste

Didatismo e Conhecimento 33
LÍNGUA PORTUGUESA
exemplo ocorre, na verdade, um período composto. “Parece” é o Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tinha sido.
verbo de uma oração principal cujo sujeito é a oração subordina- Futuro do Pretérito simples: eu seria, tu serias, ele seria, nós
da substantiva subjetiva reduzida de infinitivo “elas mentirem”. seríamos, vós seríeis, eles seriam.
Como desdobramento dessa reduzida, podemos ter a oração “Pa- Futuro do Pretérito Composto: terei sido.
rece que elas mentem.” Futuro do Presente: eu serei, tu serás, ele será, nós seremos,
vós sereis, eles serão.
Gerúndio: O gerúndio pode funcionar como adjetivo ou ad- Futuro do Pretérito Composto: Teria sido.
vérbio. Por exemplo: Saindo de casa, encontrei alguns amigos.
(função de advérbio); Nas ruas, havia crianças vendendo doces. Modo Subjuntivo
(função adjetivo) Presente: que eu seja, que tu sejas, que ele seja, que nós seja-
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na mos, que vós sejais, que eles sejam.
forma composta, uma ação concluída. Por exemplo: Trabalhan- Pretérito Imperfeito: se eu fosse, se tu fosses, se ele fosse, se
do, aprenderás o valor do dinheiro; Tendo trabalhado, aprendeu o nós fôssemos, se vós fôsseis, se eles fossem.
Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tivesse sido.
valor do dinheiro.
Futuro Simples: quando eu for, quando tu fores, quando ele
for, quando nós formos, quando vós fordes, quando eles forem.
Particípio: Quando não é empregado na formação dos tempos Futuro Composto: tiver sido.
compostos, o particípio indica geralmente o resultado de uma ação
terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exem- Modo Imperativo
plo: Terminados os exames, os candidatos saíram. Quando o par- Imperativo Afirmativo: sê tu, seja ele, sejamos nós, sede
ticípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, vós, sejam eles.
assume verdadeiramente a função de adjetivo (adjetivo verbal). Imperativo Negativo: não sejas tu, não seja ele, não sejamos
Por exemplo: Ela foi a aluna escolhida para representar a escola. nós, não sejais vós, não sejam eles.
Infinitivo Pessoal: por ser eu, por seres tu, por ser ele, por
1ª Conjugação –AR sermos nós, por serdes vós, por serem eles.

Infinitivo Impessoal: dançar. Formas Nominais


Infinitivo Pessoal: dançar eu, dançares tu; dançar ele, dançar- Infinitivo: ser
mos nós, dançardes vós, dançarem eles. Gerúndio: sendo
Gerúndio: dançando. Particípio: sido
Particípio: dançado.
Estar
2ª Conjugação –ER
Modo Indicativo
Infinitivo Impessoal: comer. Presente: eu estou, tu estás, ele está, nós estamos, vós estais,
Infinitivo pessoal: comer eu, comeres tu, comer ele, comer- eles estão.
mos nós, comerdes vós, comerem eles. Pretérito Imperfeito: eu estava, tu estavas, ele estava, nós
Gerúndio: comendo. estávamos, vós estáveis, eles estavam.
Particípio: comido. Pretérito Perfeito Simples: eu estive, tu estiveste, ele esteve,
nós estivemos, vós estivestes, eles estiveram.
Pretérito Perfeito Composto: tenho estado.
3ª Conjugação –IR
Pretérito Mais-que-Perfeito Simples: eu estivera, tu estive-
ras, ele estivera, nós estivéramos, vós estivéreis, eles estiveram.
Infinitivo Impessoal: partir. Pretérito Mais-que-perfeito Composto: tinha estado
Infinitivo pessoal: partir eu, partires tu, partir ele, partirmos Futuro do Presente Simples: eu estarei, tu estarás, ele estará,
nós, partirdes vós, partirem eles. nós estaremos, vós estareis, eles estarão.
Gerúndio: partindo. Futuro do Presente Composto: terei estado.
Particípio: partido. Futuro do Pretérito Simples: eu estaria, tu estarias, ele esta-
ria, nós estaríamos, vós estaríeis, eles estariam.
Verbos Auxiliares: Ser, Estar, Ter, Haver Futuro do Pretérito Composto: teria estado.

Ser Modo Subjuntivo


Presente: que eu esteja, que tu estejas, que ele esteja, que nós
Modo Indicativo estejamos, que vós estejais, que eles estejam.
Presente: eu sou, tu és, ele é, nós somos, vós sois, eles são. Pretérito Imperfeito: se eu estivesse, se tu estivesses, se ele
Pretérito Imperfeito: eu era, tu eras, ele era, nós éramos, vós estivesse, se nós estivéssemos, se vós estivésseis, se eles estives-
éreis, eles eram. sem.
Pretérito Perfeito Simples: eu fui, tu foste, ele foi, nós fo- Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tivesse estado
mos, vós fostes, eles foram. Futuro Simples: quando eu estiver, quando tu estiveres,
Pretérito Perfeito Composto: tenho sido. quando ele estiver, quando nós estivermos, quando vós estiverdes,
Mais-que-perfeito simples: eu fora, tu foras, ele fora, nós fô- quando eles estiverem.
ramos, vós fôreis, eles foram. Futuro Composto: Tiver estado.

Didatismo e Conhecimento 34
LÍNGUA PORTUGUESA
Modo Imperativo Haver
Imperativo Afirmativo: está tu, esteja ele, estejamos nós, es-
tai vós, estejam eles. Modo Indicativo
Imperativo Negativo: não estejas tu, não esteja ele, não este- Presente: eu hei, tu hás, ele há, nós havemos, vós haveis, eles
jamos nós, não estejais vós, não estejam eles. hão.
Infinitivo Pessoal: por estar eu, por estares tu, por estar ele, Pretérito Imperfeito: eu havia, tu havias, ele havia, nós ha-
por estarmos nós, por estardes vós, por estarem eles. víamos, vós havíeis, eles haviam.
Pretérito Perfeito Simples: eu houve, tu houveste, ele houve,
Formas Nominais nós houvemos, vós houvestes, eles houveram.
Infinitivo: estar Pretérito Perfeito Composto: tenho havido.
Gerúndio: estando Pretérito Mais-que-Perfeito Simples: eu houvera, tu houve-
Particípio: estado ras, ele houvera, nós houvéramos, vós houvéreis, eles houveram.
Pretérito Mais-que-Prefeito Composto: tinha havido.
Futuro do Presente Simples: eu haverei, tu haverás, ele ha-
Ter
verá, nós haveremos, vós havereis, eles haverão.
Futuro do Presente Composto: terei havido.
Modo Indicativo
Futuro do Pretérito Simples: eu haveria, tu haverias, ele ha-
Presente: eu tenho, tu tens, ele tem, nós temos, vós tendes, veria, nós haveríamos, vós haveríeis, eles haveriam.
eles têm. Futuro do Pretérito Composto: teria havido.
Pretérito Imperfeito: eu tinha, tu tinhas, ele tinha, nós tínha-
mos, vós tínheis, eles tinham. Modo Subjuntivo
Pretérito Perfeito Simples: eu tive, tu tiveste, ele teve, nós Presente: que eu haja, que tu hajas, que ele haja, que nós ha-
tivemos, vós tivestes, eles tiveram. jamos, que vós hajais, que eles hajam.
Pretérito Perfeito Composto: tenho tido. Pretérito Imperfeito: se eu houvesse, se tu houvesses, se ele
Pretérito Mais-que-Perfeito Simples: eu tivera, tu tiveras, houvesse, se nós houvéssemos, se vós houvésseis, se eles houves-
ele tivera, nós tivéramos, vós tivéreis, eles tiveram. sem.
Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tinha tido. Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tivesse havido.
Futuro do Presente Simples: eu terei, tu terás, ele terá, nós Futuro Simples: quando eu houver, quando tu houveres,
teremos, vós tereis, eles terão. quando ele houver, quando nós houvermos, quando vós houver-
des, quando eles houverem.
Futuro do Presente: terei tido. Futuro Composto: tiver havido.
Futuro do Pretérito Simples: eu teria, tu terias, ele teria, nós
teríamos, vós teríeis, eles teriam. Modo Imperativo
Futuro do Pretérito composto: teria tido. Imperativo Afirmativo: haja ele, hajamos nós, havei vós,
hajam eles.
Modo Subjuntivo Imperativo Negativo: não hajas tu, não haja ele, não hajamos
Presente: que eu tenha, que tu tenhas, que ele tenha, que nós nós, não hajais vós, não hajam eles.
tenhamos, que vós tenhais, que eles tenham. Infinitivo Pessoal: por haver eu, por haveres tu, por haver ele,
Pretérito Imperfeito: se eu tivesse, se tu tivesses, se ele ti- por havermos nós, por haverdes vós, por haverem eles.
vesse, se nós tivéssemos, se vós tivésseis, se eles tivessem.
Pretérito Mais-que-Perfeito Composto: tivesse tido. Formas Nominais
Infinitivo: haver
Futuro: quando eu tiver, quando tu tiveres, quando ele tiver,
Gerúndio: havendo
quando nós tivermos, quando vós tiverdes, quando eles tiverem.
Particípio: havido
Futuro Composto: tiver tido.
Verbos Regulares: Não sofrem modificação no radical duran-
Modo Imperativo te toda conjugação (em todos os modos) e as desinências seguem
Imperativo Afirmativo: tem tu, tenha ele, tenhamos nós, ten- as do verbo paradigma (verbo modelo)
de vós, tenham eles.
Imperativo Negativo: não tenhas tu, não tenha ele, não te- Amar: (radical: am) Amo, Amei, Amava, Amara, Amarei,
nhamos nós, não tenhais vós, não tenham eles. Amaria, Ame, Amasse, Amar.
Infinitivo Pessoal: por ter eu, por teres tu, por ter ele, por Comer: (radical: com) Como, Comi, Comia, Comera, Come-
termos nós, por terdes vós, por terem eles. rei, Comeria, Coma, Comesse, Comer.
Partir: (radical: part) Parto, Parti, Partia, Partira, Partirei, Par-
Formas Nominais tiria, Parta, Partisse, Partir.
Infinitivo: ter
Gerúndio: tendo Verbos Irregulares: São os verbos que sofrem modificações
Particípio: tido no radical ou em suas desinências.

Didatismo e Conhecimento 35
LÍNGUA PORTUGUESA
Dar: dou, dava, dei, dera, darei, daria, dê, desse, der Particípio Regular: Aceitado, Anexado, Acendido, Desenvol-
Caber: caibo, cabia, coube, coubera, caberei, caberia, caiba, vido, Emergido, Expelido.
coubesse, couber. Particípio Irregular: Aceito, Anexo, Aceso, Desenvolto,
Agredir: agrido, agredia, agredi, agredira, agredirei, agrediria, Emerso, Expulso.
agrida, agredisse, agredir.
Tempos Compostos: São formados por locuções verbais que
Anômalos: São aqueles que têm uma anomalia no radical. têm como auxiliares os verbos ter e haver e como principal, qual-
Ser, Ir quer verbo no particípio. São eles:

Ir - Pretérito Perfeito Composto do Indicativo: É a formação de


locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Presente do Indi-
Modo Indicativo cativo e o principal no particípio, indicando fato que tem ocorrido
Presente: eu vou, tu vais, ele vai, nós vamos, vós ides, eles com freqüência ultimamente. Por exemplo: Eu tenho estudado de-
vão. mais ultimamente.
Pretérito Imperfeito: eu ia, tu ias, ele ia, nós íamos, vós íeis, - Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo: É a formação
eles iam. de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Presente do
Pretérito Perfeito: eu fui, tu foste, ele foi, nós fomos, vós Subjuntivo e o principal no particípio, indicando desejo de que
fostes, eles foram. algo já tenha ocorrido. Por exemplo: Espero que você tenha estu-
Pretérito Mais-que-Perfeito: eu fora, tu foras, ele fora, nós dado o suficiente, para conseguir a aprovação.
fôramos, vós fôreis, eles foram. - Pretérito Mais-que-Perfeito Composto do Indicativo: É a
Futuro do Presente: eu irei, tu irás, ele irá, nós iremos, vós formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Preté-
ireis, eles irão. rito Imperfeito do Indicativo e o principal no particípio, tendo o
Futuro do Pretérito: eu iria, tu irias, ele iria, nós iríamos, vós mesmo valor que o Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo sim-
iríeis, eles iriam. ples. Por exemplo: Eu já tinha estudado no Maxi, quando conheci
Magali.
- Pretérito Mais-que-perfeito Composto do Subjuntivo: É a
Modo Subjuntivo
formação de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Preté-
Presente: que eu vá, que tu vás, que ele vá, que nós vamos,
rito Imperfeito do Subjuntivo e o principal no particípio, tendo
que vós vades, que eles vão.
o mesmo valor que o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo simples.
Pretérito Imperfeito: se eu fosse, se tu fosses, se ele fosse, se
Por exemplo: Eu teria estudado no Maxi, se não me tivesse mu-
nós fôssemos, se vós fôsseis, se eles fossem.
dado de cidade. Perceba que todas as frases remetem a ação obri-
Futuro: quando eu for, quando tu fores, quando ele for, quan-
gatoriamente para o passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia
do nós formos, quando vós fordes, quando eles forem.
é completamente diferente de Se eu tivesse estudado, teria apren-
dido.
Modo Imperativo - Futuro do Presente Composto do Indicativo: É a formação
Imperativo Afirmativo: vai tu, vá ele, vamos nós, ide vós, de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Pre-
vão eles. sente simples do Indicativo e o principal no particípio, tendo o
Imperativo Negativo: não vás tu, não vá ele, não vamos nós, mesmo valor que o Futuro do Presente simples do Indicativo. Por
não vades vós, não vão eles. exemplo: Amanhã, quando o dia amanhecer, eu já terei partido.
Infinitivo Pessoal: ir eu, ires tu, ir ele, irmos nós, irdes vós, - Futuro do Pretérito Composto do Indicativo: É a formação
irem eles. de locução verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Pre-
térito simples do Indicativo e o principal no particípio, tendo o
Formas Nominais: mesmo valor que o Futuro do Pretérito simples do Indicativo. Por
Infinitivo: ir exemplo: Eu teria estudado no Maxi, se não me tivesse mudado
Gerúndio: indo de cidade.
Particípio: ido - Futuro Composto do Subjuntivo: É a formação de locução
verbal com o auxiliar ter ou haver no Futuro do Subjuntivo sim-
Verbos Defectivos: São aqueles que possuem um defeito. Não ples e o principal no particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro
têm todos os modos, tempos ou pessoas. do Subjuntivo simples. Por exemplo: Quando você tiver terminado
sua série de exercícios, eu caminharei 6 Km. Veja os exemplos:
Verbo Pronominal: É aquele que é conjugado com o pro- Quando você chegar à minha casa, telefonarei a Manuel.
nome oblíquo. Ex: Eu me despedi de mamãe e parti sem olhar Quando você chegar à minha casa, já terei telefonado a Ma-
para o passado. nuel.

Verbos Abundantes: “São os verbos que têm duas ou mais Perceba que o significado é totalmente diferente em ambas as
formas equivalentes, geralmente de particípio.” (Sacconi) frases apresentadas. No primeiro caso, esperarei “você” praticar
a sua ação para, depois, praticar a minha; no segundo, primeiro
Infinitivo: Aceitar, Anexar, Acender, Desenvolver, Emergir, praticarei a minha. Por isso o uso do advérbio “já”. Assim, observe
Expelir. que o mesmo ocorre nas frases a seguir:

Didatismo e Conhecimento 36
LÍNGUA PORTUGUESA
Quando você tiver terminado o trabalho, telefonarei a Manuel. 06. Assinale a única alternativa que contém erro na passagem
Quando você tiver terminado o trabalho, já terei telefonado a da forma verbal, do imperativo afirmativo para o imperativo ne-
Manuel. gativo:
a) parti vós - não partais vós
- Infinitivo Pessoal Composto: É a formação de locução ver- b) amai vós - não ameis vós
bal com o auxiliar ter ou haver no Infinitivo Pessoal simples e
c) sede vós - não sejais vós
o principal no particípio, indicando ação passada em relação ao
d) ide vós - não vais vós
momento da fala. Por exemplo: Para você ter comprado esse carro,
necessitou de muito dinheiro e) perdei vós - não percais vós

Exercícios 07. Vi, mas não ............; o policial viu, e também não ............,
dois agentes secretos viram, e não ............ Se todos nós ............ ,
01. Assinale o período em que aparece forma verbal incorreta- talvez .......... tantas mortes.
mente empregada em relação à norma culta da língua: a) intervir - interviu - tivéssemos intervido - teríamos evitado
a) Se o compadre trouxesse a rabeca, a gente do ofício ficaria b) me precavi - se precaveio - se precaveram - nos precavísse-
exultante. mos - não teria havido
b) Quando verem o Leonardo, ficarão surpresos com os trajes c) me contive - se conteve - contiveram - houvéssemos conti-
que usava.
do - tivéssemos impedido
c) Leonardo propusera que se dançasse o minuete da corte.
d) Se o Leonardo quiser, a festa terá ares aristocráticos. d) me precavi - se precaveu - precaviram - precavêssemo-nos
e) O Leonardo não interveio na decisão da escolha do padri- não houvesse
nho do filho. e) intervim - interveio - intervieram - tivéssemos intervindo -
houvéssemos evitado
02. ....... em ti; mas nem sempre ....... dos outros.
a) Creias – duvidas 08. Assinale a alternativa em que uma forma verbal foi empre-
b) Crê – duvidas gada incorretamente:
c) Creias – duvida a) O superior interveio na discussão, evitando a briga.
d) Creia – duvide b) Se a testemunha depor favoravelmente, o réu será absol-
e) Crê - duvides vido.
c) Quando eu reouver o dinheiro, pagarei a dívida.
03. Assinale a frase em que há erro de conjugação verbal:
a) Os esportes entretêm a quem os pratica. d) Quando você vir Campinas, ficará extasiado.
b) Ele antevira o desastre. e) Ele trará o filho, se vier a São Paulo.
c) Só ficarei tranquilo, quando vir o resultado.
d) Eles se desavinham frequentemente. 09. Assinale a alternativa incorreta quanto à forma verbal:
e) Ainda hoje requero o atestado de bons antecedentes. a) Ele reouve os objetos apreendidos pelo fiscal.
b) Se advierem dificuldades, confia em Deus.
04. Dê, na ordem em que aparecem nesta questão, as seguintes c) Se você o vir, diga-lhe que o advogado reteve os documentos.
formas verbais: d) Eu não intervi na contenda porque não pude.
advertir - no imperativo afirmativo, segunda pessoa do plural e) Por não se cumprirem as cláusulas propostas, as partes de-
compor - no futuro do subjuntivo, segunda pessoa do plural savieram-se e requereram rescisão do contrato.
rever - no perfeito do indicativo, segunda pessoa do plural
prover - no perfeito do indicativo, segunda pessoa do singular
10. Indique a incorreta:
a) adverti, componhais, revês, provistes a) Estão isentados das sanções legais os citados no artigo 6º.
b) adverti, compordes, revestes, provistes b) Estão suspensas as decisões relativas ao parágrafo 3º do
c) adverte, compondes, reveis, proviste artigo 2º.
d) adverti, compuserdes, revistes, proveste c) Fica revogado o ato que havia extinguido a obrigatoriedade
e) n.d.a de apresentação dos documentos mencionados.
d) Os pareceres que forem incursos na Resolução anterior são
05. “Eu não sou o homem que tu procuras, mas desejava ver- de responsabilidade do Governo Federal.
-te, ou, quando menos, possuir o teu retrato.” Se o pronome tu e) Todas estão incorretas.
fosse substituído por Vossa Excelência, em lugar das palavras
destacadas no texto acima transcrito teríamos, respectivamente, as
Respostas: 01-B / 02-E / 03-E / 04-D / 05-D / 06-D / 07-E /
seguintes formas:
a) procurais, ver-vos, vosso 08-B / 09-D / 10-A /
b) procura, vê-la, seu
c) procura, vê-lo, vosso
d) procurais, vê-la, vosso
e) procurais, ver-vos, seu

Didatismo e Conhecimento 37
LÍNGUA PORTUGUESA
Termos coordenados ligados pelas conjunções e, ou, nem dis-
PONTUAÇÃO. pensam o uso da vírgula: Conversaram sobre futebol, religião e
política. Não se falavam nem se olhavam; Ainda não me decidi se
viajarei para Bahia ou Ceará. Entretanto, se essas conjunções apa-
recerem repetidas, com a finalidade de dar ênfase, o uso da vírgula
Os sinais de pontuação são sinais gráficos empregados na lín- passa a ser obrigatório: Não fui nem ao velório, nem ao enterro,
gua escrita para tentar recuperar recursos específicos da língua fa- nem à missa de sétimo dia.
lada, tais como: entonação, jogo de silêncio, pausas, etc.
A vírgula entre orações
Ponto ( . )
É utilizada nas seguintes situações:
- indicar o final de uma frase declarativa: Lembro-me muito
- separar as orações subordinadas adjetivas explicativas: Meu
bem dele. pai, de quem guardo amargas lembranças, mora no Rio de Janeiro.
- separar períodos entre si: Fica comigo. Não vá embora. - separar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas (ex-
- nas abreviaturas: Av.; V. Ex.ª ceto as iniciadas pela conjunção “e”: Acordei, tomei meu banho,
comi algo e saí para o trabalho; Estudou muito, mas não foi apro-
Vírgula ( , ): É usada para marcar uma pausa do enunciado vado no exame.
com a finalidade de nos indicar que os termos por ela separados,
apesar de participarem da mesma frase ou oração, não formam Há três casos em que se usa a vírgula antes da conjunção:
uma unidade sintática: Lúcia, esposa de João, foi a ganhadora úni- - quando as orações coordenadas tiverem sujeitos diferentes:
ca da Sena. Os ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais
Podemos concluir que, quando há uma relação sintática entre pobres.
termos da oração, não se pode separá-los por meio de vírgula. Não - quando a conjunção e vier repetida com a finalidade de dar
se separam por vírgula: ênfase (polissíndeto): E chora, e ri, e grita, e pula de alegria.
- predicado de sujeito; - quando a conjunção e assumir valores distintos que não seja
- objeto de verbo; da adição (adversidade, consequência, por exemplo): Coitada! Es-
- adjunto adnominal de nome; tudou muito, e ainda assim não foi aprovada.
- complemento nominal de nome; - separar orações subordinadas adverbiais (desenvolvidas ou
- predicativo do objeto do objeto; reduzidas), principalmente se estiverem antepostas à oração prin-
- oração principal da subordinada substantiva (desde que esta cipal: “No momento em que o tigre se lançava, curvou-se ainda
não seja apositiva nem apareça na ordem inversa). mais; e fugindo com o corpo apresentou o gancho.” (O selvagem
- José de Alencar)
A vírgula no interior da oração - separar as orações intercaladas: “- Senhor, disse o velho, te-
nho grandes contentamentos em a estar plantando...”. Essas ora-
É utilizada nas seguintes situações: ções poderão ter suas vírgulas substituídas por duplo travessão:
“Senhor - disse o velho - tenho grandes contentamentos em a estar
- separar o vocativo: Maria, traga-me uma xícara de café; A
plantando...”
educação, meus amigos, é fundamental para o progresso do país.
- separar as orações substantivas antepostas à principal: Quan-
- separar alguns apostos: Valdete, minha antiga empregada,
to custa viver, realmente não sei.
esteve aqui ontem.
- separar o adjunto adverbial antecipado ou intercalado: Che- Ponto-e-Vírgula ( ; )
gando de viagem, procurarei por você; As pessoas, muitas vezes,
são falsas. - separar os itens de uma lei, de um decreto, de uma petição,
- separar elementos de uma enumeração: Precisa-se de pedrei- de uma sequência, etc:
ros, serventes, mestre-de-obras. Art. 127 – São penalidades disciplinares:
- isolar expressões de caráter explicativo ou corretivo: Ama- I- advertência;
nhã, ou melhor, depois de amanhã podemos nos encontrar para II- suspensão;
acertar a viagem. III- demissão;
- separar conjunções intercaladas: Não havia, porém, motivo IV- cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
para tanta raiva. V- destituição de cargo em comissão;
- separar o complemento pleonástico antecipado: A mim, nada VI-destituição de função comissionada. (cap. V das penalida-
me importa. des Direito Administrativo)
- isolar o nome de lugar na indicação de datas: Belo Horizon-
te, 26 de janeiro de 2011. - separar orações coordenadas muito extensas ou orações
- separar termos coordenados assindéticos: “Lua, lua, lua, lua, coordenadas nas quais já tenham tido utilizado a vírgula: “O rosto
por um momento meu canto contigo compactua...” (Caetano Ve- de tez amarelenta e feições inexpressivas, numa quietude apática,
loso) era pronunciadamente vultuoso, o que mais se acentuava no fim da
- marcar a omissão de um termo (normalmente o verbo): Ela vida, quando a bronquite crônica de que sofria desde moço se foi
prefere ler jornais e eu, revistas. (omissão do verbo preferir) transformando em opressora asma cardíaca; os lábios grossos, o
inferior um tanto tenso (...)” (Visconde de Taunay)

Didatismo e Conhecimento 38
LÍNGUA PORTUGUESA
Dois-Pontos ( : ) Travessão ( __ )
- iniciar a fala dos personagens: Então o padre respondeu: - dar início à fala de um personagem: O filho perguntou: __
__Parta agora. Pai, quando começarão as aulas?
- antes de apostos ou orações apositivas, enumerações ou - indicar mudança do interlocutor nos diálogos. __Doutor, o
sequência de palavras que explicam, resumem ideias anteriores: que tenho é grave? __Não se preocupe, é uma simples infecção. É
Meus amigos são poucos: Fátima, Rodrigo e Gilberto. só tomar um antibiótico e estará bom.
- antes de citação: Como já dizia Vinícius de Morais: “Que - unir grupos de palavras que indicam itinerário: A rodovia
o amor não seja eterno posto que é chama, mas que seja infinito Belém-Brasília está em péssimo estado.
enquanto dure.” Também pode ser usado em substituição à virgula em expres-
sões ou frases explicativas: Xuxa – a rainha dos baixinhos – é loira.
Ponto de Interrogação ( ? )
- Em perguntas diretas: Como você se chama? Parágrafo
- Às vezes, juntamente com o ponto de exclamação: Quem Constitui cada uma das secções de frases de um escritor; co-
ganhou na loteria? Você. Eu?! meça por letra maiúscula, um pouco além do ponto em que come-
çam as outras linhas.
Ponto de Exclamação ( ! )
- Após vocativo: “Parte, Heliel!” ( As violetas de Nossa Sra.- Colchetes ( [] )
Humberto de Campos). Utilizados na linguagem científica.
- Após imperativo: Cale-se!
- Após interjeição: Ufa! Ai! Asterisco ( * )
- Após palavras ou frases que denotem caráter emocional: Que Empregado para chamar a atenção do leitor para alguma nota
pena! (observação).

Reticências ( ... ) Barra ( / )


- indicar dúvidas ou hesitação do falante: Sabe...eu queria te Aplicada nas abreviações das datas e em algumas abreviaturas.
dizer que...esquece.
- interrupção de uma frase deixada gramaticalmente incom- Hífen (−)
pleta: Alô! João está? Agora não se encontra. Quem sabe se ligar Usado para ligar elementos de palavras compostas e para unir
mais tarde... pronomes átonos a verbos. Exemplo: guarda-roupa
- ao fim de uma frase gramaticalmente completa com a inten-
ção de sugerir prolongamento de ideia: “Sua tez, alva e pura como Exercícios
um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...”
(Cecília- José de Alencar) 01. Assinale o texto de pontuação correta:
- indicar supressão de palavra (s) numa frase transcrita: a) Não sei se disse, que, isto se passava, em casa de uma co-
“Quando penso em você (...) menos a felicidade.” (Canteiros - madre, minha avó.
Raimundo Fagner) b) Eu tinha, o juízo fraco, e em vão tentava emendar-me: pro-
vocava risos, muxoxos, palavrões.
Aspas ( “  ” ) c) A estes, porém, o mais que pode acontecer é que se riam
- isolar palavras ou expressões que fogem à norma culta, deles os outros, sem que este riso os impeça de conservar as suas
como gírias, estrangeirismos, palavrões, neologismos, arcaísmos roupas e o seu calçado.
e expressões populares: Maria ganhou um apaixonado “ósculo” do d) Na civilização e na fraqueza ia para onde me impeliam
seu admirador; A festa na casa de Lúcio estava “chocante”; Con- muito dócil muito leve, como os pedaços da carta de ABC, tritu-
versando com meu superior, dei a ele um “feedback” do serviço a rados soltos no ar.
mim requerido. e) Conduziram-me à rua da Conceição, mas só mais tarde no-
- indicar uma citação textual: “Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro tei, que me achava lá, numa sala pequena.
vezes, às pressas, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e
refiz a mala”. (O prazer de viajar - Eça de Queirós) 02. Das redações abaixo, assinale a que não está pontuada
Se, dentro de um trecho já destacado por aspas, se fizer neces- corretamente:
sário a utilização de novas aspas, estas serão simples. ( ‘  ‘ ) a) Os candidatos, em fila, aguardavam ansiosos o resultado
do concurso.
Parênteses ( () ) b) Em fila, os candidatos, aguardavam, ansiosos, o resultado
- isolar palavras, frases intercaladas de caráter explicativo e do concurso.
datas: Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), ocorreu inúmeras per- c) Ansiosos, os candidatos aguardavam, em fila, o resultado
das humanas; “Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se como do concurso.
se fora na véspera), acordara depois duma grande tormenta no fim d) Os candidatos ansiosos aguardavam o resultado do concur-
do verão”. (O milagre das chuvas no nordeste- Graça Aranha) so, em fila.
Os parênteses também podem substituir a vírgula ou o tra- e) Os candidatos, aguardavam ansiosos, em fila, o resultado
vessão. do concurso.

Didatismo e Conhecimento 39
LÍNGUA PORTUGUESA
Instruções para as questões de números 03 e 04: Os períodos 07.
abaixo apresentam diferenças de pontuação, assinale a letra que a) Entra a propósito, disse Alves, o seu moleque, conhece pou-
corresponde ao período de pontuação correta: co os deveres da hospitalidade.
b) Entra a propósito disse Alves, o seu moleque conhece pou-
03. co os deveres da hospitalidade.
a) Pouco depois, quando chegaram, outras pessoas a reunião c) Entra a propósito, disse Alves o seu moleque conhece pou-
ficou mais animada. co os deveres da hospitalidade.
b) Pouco depois quando chegaram outras pessoas a reunião d) Entra a propósito, disse Alves, o seu moleque conhece pou-
ficou mais animada. co os deveres da hospitalidade.
c) Pouco depois, quando chegaram outras pessoas, a reunião e) Entra a propósito, disse Alves, o seu moleque conhece pou-
ficou mais animada. co, os deveres da hospitalidade.
d) Pouco depois quando chegaram outras pessoas a reunião,
ficou mais animada. 08.
e) Pouco depois quando chegaram outras pessoas a reunião a) Prima faça calar titio suplicou o moço, com um leve sorriso
ficou, mais animada. que imediatamente se lhe apagou.
b) Prima, faça calar titio, suplicou o moço com um leve sorri-
04. so que imediatamente se lhe apagou.
a) Precisando de mim procure-me; ou melhor telefone que eu c) Prima faça calar titio, suplicou o moço com um leve sorriso
venho. que imediatamente se lhe apagou.
b) Precisando de mim procure-me, ou, melhor telefone que d) Prima, faça calar titio suplicou o moço com um leve sorriso
eu venho. que imediatamente se lhe apagou.
c) Precisando, de mim, procure-me ou melhor, telefone, que e) Prima faça calar titio, suplicou o moço com um leve sorriso
eu venho. que, imediatamente se lhe apagou.
d) Precisando de mim, procure-me; ou melhor, telefone, que
09.
eu venho.
a) Era um homem de quarenta e cinco anos, baixo, meio gor-
e) Precisando, de mim, procure-me ou, melhor telefone que
do, fisionomia insinuante, destas que mesmo sérias, trazem im-
eu venho.
presso constante sorriso.
b) Era um homem de quarenta e cinco anos, baixo, meio gor-
05. Os períodos abaixo apresentam diferenças de pontuação.
do, fisionomia insinuante, destas que mesmo sérias trazem, im-
Assinale a letra que corresponde ao período de pontuação correta:
presso constante sorriso.
a) José dos Santos paulista, 23 anos vive no Rio.
c) Era um homem de quarenta e cinco anos, baixo, meio gor-
b) José dos Santos paulista 23 anos, vive no Rio.
do, fisionomia insinuante, destas que, mesmo sérias, trazem im-
c) José dos Santos, paulista 23 anos, vive no Rio.
presso, constante sorriso.
d) José dos Santos, paulista 23 anos vive, no Rio. d) Era um homem de quarenta e cinco anos, baixo, meio gor-
e) José dos Santos, paulista, 23 anos, vive no Rio. do, fisionomia insinuante, destas que, mesmo sérias trazem im-
presso constante sorriso.
06. A alternativa com pontuação correta é: e) Era um homem de quarenta e cinco anos, baixo, meio gor-
a) Tenha cuidado, ao parafrasear o que ouvir. Nossa capacida- do, fisionomia insinuante, destas que, mesmo sérias, trazem im-
de de retenção é variável e muitas vezes inconscientemente, detur- presso constante sorriso.
pamos o que ouvimos.
b) Tenha cuidado ao parafrasear o que ouvir: nossa capacidade 10.
de retenção é variável e, muitas vezes, inconscientemente, detur- a) Deixo ao leitor calcular quanta paixão a bela viúva, empre-
pamos o que ouvimos. gou na execução do canto.
c) Tenha cuidado, ao parafrasear o que ouvir! Nossa capacida- b) Deixo ao leitor calcular quanta paixão a bela viúva empre-
de de retenção é variável e muitas vezes inconscientemente, detur- gou na execução do canto.
pamos o que ouvimos. c) Deixo ao leitor calcular quanta paixão, a bela viúva, empre-
d) Tenha cuidado ao parafrasear o que ouvir; nossa capacidade gou na execução do canto.
de retenção, é variável e - muitas vezes inconscientemente, detur- d) Deixo ao leitor calcular, quanta paixão a bela viúva, empre-
pamos o que ouvimos. gou na execução do canto.
e) Tenha cuidado, ao parafrasear o que ouvir. Nossa capaci- e) Deixo ao leitor, calcular quanta paixão a bela viúva, empre-
dade de retenção é variável - e muitas vezes inconscientemente gou na execução do canto.
- deturpamos, o que ouvimos.
Respostas: 01-C / 02-E / 03-C / 04-D / 05-E / 06-B / 07-D /
Nas questões 07 a 10, os períodos foram pontuados de cinco 08-B / 09-E / 10-B
formas diferentes. Leia-os todos e assinale a letra que corresponde
ao período de pontuação correta:

Didatismo e Conhecimento 40
LÍNGUA PORTUGUESA
Desinências: são os elementos terminais indicativos das fle-
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DE PALAVRAS. xões das palavras. Existem dois tipos:
- Desinências Nominais: indicam as flexões de gênero (mas-
culino e feminino) e de número (singular e plural) dos nomes.
Exemplos: aluno-o / aluno-s; alun-a / aluna-s. Só podemos falar
Estudar a estrutura é conhecer os elementos formadores das em desinências nominais de gêneros e de números em palavras
palavras. Assim, compreendemos melhor o significado de cada que admitem tais flexões, como nos exemplos acima. Em palavras
uma delas. As palavras podem ser divididas em unidades menores, como mesa, tribo, telefonema, por exemplo, não temos desinência
a que damos o nome de elementos mórficos ou morfemas. nominal de gênero. Já em pires, lápis, ônibus não temos desinên-
Vamos analisar a palavra “cachorrinhas”. Nessa palavra ob- cia nominal de número.
servamos facilmente a existência de quatro elementos. São eles:
cachorr - este é o elemento base da palavra, ou seja, aquele - Desinências Verbais: indicam as flexões de número e pes-
que contém o significado. soa e de modo e tempo dos verbos. A desinência “-o”, presente
inh - indica que a palavra é um diminutivo em “am-o”, é uma desinência número pessoal, pois indica que o
a - indica que a palavra é feminina verbo está na primeira pessoa do singular; “-va”, de “ama-va”, é
s - indica que a palavra se encontra no plural desinência modo-temporal: caracteriza uma forma verbal do pre-
térito imperfeito do indicativo, na 1ª conjugação.
Morfemas: unidades mínimas de caráter significativo. Exis-
tem palavras que não comportam divisão em unidades menores, Vogal Temática: é a vogal que se junta ao radical, preparando-
tais como: mar, sol, lua, etc. São elementos mórficos: -o para receber as desinências. Nos verbos, distinguem-se três vo-
- Raiz, Radical, Tema: elementos básicos e significativos gais temáticas:
- Afixos (Prefixos, Sufixos), Desinência, Vogal Temática: - Caracteriza os verbos da 1ª conjugação: buscar, buscavas, etc.
elementos modificadores da significação dos primeiros - Caracteriza os verbos da 2ª conjugação: romper, rompemos, etc.
- Vogal de Ligação, Consoante de Ligação: elementos de li- - Caracteriza os verbos da 3ª conjugação: proibir, proibirá, etc.
gação ou eufônicos.
Tema: é o grupo formado pelo radical mais vogal temática.
Raiz: É o elemento originário e irredutível em que se concen- Nos verbos citados acima, os temas são: busca-, rompe-, proibi-
tra a significação das palavras, consideradas do ângulo histórico.
É a raiz que encerra o sentido geral, comum às palavras da mesma Vogais e Consoantes de Ligação: As vogais e consoantes de
família etimológica. Exemplo: Raiz noc [Latim nocere = prejudi- ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja,
car] tem a significação geral de causar dano, e a ela se prendem, para facilitar ou mesmo possibilitar a pronúncia de uma determi-
pela origem comum, as palavras nocivo, nocividade, inocente, ino- nada palavra. Exemplos: parisiense (paris= radical, ense=sufixo,
centar, inócuo, etc. vogal de ligação=i); gas-ô-metro, alv-i-negro, tecn-o-cracia, pau-l-
-ada, cafe-t-eira, cha-l-eira, inset-i-cida, pe-z-inho, pobr-e-tão, etc.
Uma raiz pode sofrer alterações: at-o; at-or; at-ivo; aç-ão; ac-
-ionar; Formação das Palavras: existem dois processos básicos pe-
los quais se formam as palavras: a Derivação e a Composição. A
Radical: diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo
de derivação, partimos sempre de um único radical, enquanto no
Observe o seguinte grupo de palavras: livr-o; livr-inho; livr- processo de composição sempre haverá mais de um radical.
-eiro; livr-eco. Você reparou que há um elemento comum nesse
grupo? Você reparou que o elemento livr serve de base para o sig- Derivação: é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova,
nificado? Esse elemento é chamado de radical (ou semantema). chamada derivada, a partir de outra já existente, chamada primiti-
Elemento básico e significativo das palavras, consideradas sob va. Exemplo: Mar (marítimo, marinheiro, marujo); terra (enterrar,
o aspecto gramatical e prático. É encontrado através do despojo terreiro, aterrar). Observamos que «mar» e «terra» não se formam
dos elementos secundários (quando houver) da palavra. Exemplo: de nenhuma outra palavra, mas, ao contrário, possibilitam a for-
cert-o; cert-eza; in-cert-eza. mação de outras, por meio do acréscimo de um sufixo ou prefixo.
Logo, mar e terra são palavras primitivas, e as demais, derivadas. 
Afixos: são elementos secundários (geralmente sem vida autô-
noma) que se agregam a um radical ou tema para formar palavras Tipos de Derivação
derivadas. Sabemos que o acréscimo do morfema “-mente”, por
exemplo, cria uma nova palavra a partir de “certo”: certamente, - Derivação Prefixal ou Prefixação: resulta do acréscimo de
advérbio de modo. De maneira semelhante, o acréscimo dos mor- prefixo à palavra primitiva, que tem o seu significado alterado:
femas “a-” e “-ar” à forma “cert-” cria o verbo acertar. Observe crer- descrer; ler- reler; capaz- incapaz.
que a- e -ar são morfemas capazes de operar mudança de classe - Derivação Sufixal ou Sufixação: resulta de acréscimo de
gramatical na palavra a que são anexados. sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de significado
Quando são colocados antes do radical, como acontece com ou mudança de classe gramatical: alfabetização. No exemplo, o
“a-”, os afixos recebem o nome de prefixos. Quando, como “-ar”, sufixo -ção transforma em substantivo o verbo alfabetizar. Este,
surgem depois do radical, os afixos são chamados de sufixos. por sua vez, já é derivado do substantivo alfabeto pelo acréscimo
Exemplo: in-at-ivo; em-pobr-ecer; inter-nacion-al. do sufixo -izar.

Didatismo e Conhecimento 41
LÍNGUA PORTUGUESA
A derivação sufixal pode ser: O processo normal é criar um verbo a partir de um substanti-
Nominal, formando substantivos e adjetivos: papel – papela- vo. Na derivação regressiva, a língua procede em sentido inverso:
ria; riso – risonho. forma o substantivo a partir do verbo.
Verbal, formando verbos: atual - atualizar.
Adverbial, formando advérbios de modo: feliz – felizmente. - Derivação Imprópria: A derivação imprópria ocorre quando
determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão
- Derivação Parassintética ou Parassíntese: Ocorre quando a em sua forma, muda de classe gramatical. Neste processo:
palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufi- Os adjetivos passam a substantivos: Os bons serão contem-
xo à palavra primitiva. Por meio da parassíntese formam-se nomes plados.
(substantivos e adjetivos) e verbos. Considere o adjetivo “triste”. Os particípios passam a substantivos ou adjetivos: Aquele ga-
Do radical “trist-” formamos o verbo entristecer através da junção roto alcançou um feito passando no concurso.
simultânea do prefixo  “en-” e do sufixo “-ecer”. A presença de Os infinitivos passam a substantivos: O andar de Roberta era
apenas um desses afixos não é suficiente para formar uma nova fascinante; O badalar dos sinos soou na cidadezinha.
palavra, pois em nossa língua não existem as palavras “entriste”, Os substantivos passam a adjetivos: O funcionário fantasma
nem “tristecer”. Exemplos: foi despedido; O menino prodígio resolveu o problema.
emudecer Os adjetivos passam a advérbios: Falei baixo para que nin-
mudo – palavra inicial guém escutasse.
e – prefixo Palavras invariáveis passam a substantivos: Não entendo o
mud – radical porquê disso tudo.
ecer – sufixo Substantivos próprios tornam-se comuns: Aquele coordena-
dor é um caxias! (chefe severo e exigente)
desalmado
alma – palavra inicial Os processos de derivação vistos anteriormente fazem parte
des – prefixo da Morfologia porque implicam alterações na forma das palavras.
alm – radical No entanto, a derivação imprópria lida basicamente com seu sig-
nificado, o que acaba caracterizando um processo semântico. Por
ado – sufixo
essa razão, entendemos o motivo pelo qual é denominada “impró-
pria”.
Não devemos confundir derivação parassintética, em que o
acréscimo de sufixo e de prefixo é obrigatoriamente simultâneo,
Composição: é o processo que forma palavras compostas, a
com casos como os das palavras desvalorização e desigualdade.
partir da junção de dois ou mais radicais. Existem dois tipos:
Nessas palavras, os afixos são acoplados em sequência: desvalo-
rização provém de desvalorizar, que provém de valorizar, que por - Composição por Justaposição: ao juntarmos duas ou mais
sua vez provém de valor. palavras ou radicais, não ocorre alteração fonética: passatempo,
É impossível fazer o mesmo com palavras formadas por pa- quinta-feira, girassol, couve-flor. Em «girassol» houve uma altera-
rassíntese: não se pode dizer que expropriar provém de “propriar” ção na grafia (acréscimo de um «s») justamente para manter inal-
ou de “expróprio”, pois tais palavras não existem. Logo, expro- terada a sonoridade da palavra.
priar provém diretamente de próprio, pelo acréscimo concomitante
de prefixo e sufixo. - Composição por Aglutinação: ao unirmos dois ou mais
- Derivação Regressiva: ocorre derivação regressiva quando vocábulos ou radicais, ocorre supressão de um ou mais de seus
uma palavra é formada não por acréscimo, mas por redução: com- elementos fonéticos: embora (em boa hora); fidalgo (filho de algo
prar (verbo), compra (substantivo); beijar (verbo), beijo (substan- - referindo-se a família nobre); hidrelétrico (hidro + elétrico); pla-
tivo). nalto (plano alto). Ao aglutinarem-se, os componentes subordi-
nam-se a um só acento tônico, o do último componente.
Para descobrirmos se um substantivo deriva de um verbo ou
se ocorre o contrário, podemos seguir a seguinte orientação: - Redução: algumas palavras apresentam, ao lado de sua for-
- Se o substantivo denota ação, será palavra derivada, e o ver- ma plena, uma forma reduzida. Observe: auto - por automóvel;
bo palavra primitiva. cine - por cinema; micro - por microcomputador; Zé - por José.
- Se o nome denota algum objeto ou substância, verifica-se o Como exemplo de redução ou simplificação de palavras, podem
contrário. ser citadas também as siglas, muito frequentes na comunicação
Vamos observar os exemplos acima: compra e beijo indicam atual.
ações, logo, são palavras derivadas. O mesmo não ocorre, porém,
com a palavra âncora, que é um objeto. Neste caso, um substanti- - Hibridismo: ocorre hibridismo na palavra em cuja forma-
vo primitivo que dá origem ao verbo ancorar. ção entram elementos de línguas diferentes: auto (grego) + móvel
(latim).
Por derivação regressiva, formam-se basicamente substanti-
vos a partir de verbos. Por isso, recebem o nome de substanti- - Onomatopeia: numerosas palavras devem sua origem a uma
vos deverbais. Note que na linguagem popular, são frequentes os tendência constante da fala humana para imitar as vozes e os ruí-
exemplos de palavras formadas por derivação regressiva. o portu- dos da natureza. As onomatopeias são vocábulos que reproduzem
ga (de português); o boteco (de botequim); o comuna (de comu- aproximadamente os sons e as vozes dos seres: miau, zumzum,
nista); agito (de agitar); amasso (de amassar); chego (de chegar) piar, tinir, urrar, chocalhar, cocoricar, etc.

Didatismo e Conhecimento 42
LÍNGUA PORTUGUESA
Prefixos: os prefixos são morfemas que se colocam antes dos Prefixos de Origem Latina
radicais basicamente a fim de modificar-lhes o sentido; raramen-
te esses morfemas produzem mudança de classe gramatical. Os a-, ab-, abs-: afastamento, separação: aversão, abuso, absti-
prefixos ocorrentes em palavras portuguesas se originam do latim nência, abstração.
e do grego, línguas em que funcionavam como preposições ou ad- a-, ad-: aproximação, movimento para junto:
vérbios, logo, como vocábulos autônomos.  Alguns prefixos foram adjunto,advogado, advir, aposto.
pouco ou nada produtivos em português. Outros, por sua vez, tive- ante-: anterioridade, procedência: antebraço, antessala, an-
ram grande vitalidade na formação de novas palavras: a- , contra- , teontem, antever.
des- , em-  (ou en-) , es- , entre- re- , sub- , super- , anti-. ambi-: duplicidade: ambidestro, ambiente, ambiguidade, am-
bivalente.
ben(e)-, bem-: bem, excelência de fato ou ação: benefício,
Prefixos de Origem Grega
bendito.
bis-, bi-:  repetição, duas vezes: bisneto, bimestral, bisavô,
a-, an-: afastamento, privação, negação, insuficiência, carên- biscoito.
cia: anônimo, amoral, ateu, afônico. circu(m)-: movimento em torno: circunferência, circunscrito,
ana-: inversão, mudança, repetição: analogia, análise, anagra- circulação.
ma, anacrônico. cis-: posição aquém: cisalpino, cisplatino, cisandino.
anfi-: em redor, em torno, de um e outro lado, duplicidade: co-, con-, com-: companhia, concomitância: colégio, coope-
anfiteatro, anfíbio, anfibologia. rativa, condutor.
anti-: oposição, ação contrária: antídoto, antipatia, antagonis- contra-: oposição: contrapeso, contrapor, contradizer.
ta, antítese. de-: movimento de cima para baixo, separação, negação: de-
apo-: afastamento, separação: apoteose, apóstolo, apocalipse, capitar, decair, depor.
apologia. de(s)-, di(s)-: negação, ação contrária, separação: desventura,
arqui-, arce-: superioridade hierárquica, primazia, excesso: discórdia, discussão.
arquiduque, arquétipo, arcebispo, arquimilionário. e-, es-, ex-: movimento para fora: excêntrico, evasão, expor-
cata-: movimento de cima para baixo: cataplasma, catálogo, tação, expelir.
catarata. en-, em-, in-: movimento para dentro, passagem para um es-
di-:  duplicidade: dissílabo, ditongo, dilema. tado ou forma, revestimento: imergir, enterrar, embeber, injetar,
dia-: movimento através de, afastamento: diálogo, diagonal, importar.
diafragma, diagrama. extra-: posição exterior, excesso: extradição, extraordinário,
dis-: dificuldade, privação: dispneia, disenteria, dispepsia, extraviar.
disfasia. i-, in-, im-: sentido contrário, privação, negação: ilegal, im-
ec-, ex-, exo-, ecto-: movimento para fora: eclipse, êxodo, ec- possível, improdutivo.
toderma, exorcismo. inter-, entre-: posição intermediária: internacional, interpla-
en-, em-, e-:  posição interior, movimento para dentro: encé- netário.
falo, embrião, elipse, entusiasmo. intra-: posição interior: intramuscular, intravenoso, intraver-
endo-: movimento para dentro: endovenoso, endocarpo, en- bal.
intro-: movimento para dentro: introduzir, introvertido, in-
dosmose.
trospectivo.
epi-: posição superior, movimento para: epiderme, epílogo,
justa-: posição ao lado: justapor, justalinear.
epidemia, epitáfio.
ob-, o-: posição em frente, oposição: obstruir, ofuscar, ocupar,
eu-: excelência, perfeição, bondade: eufemismo, euforia, eu- obstáculo.
caristia, eufonia. per-: movimento através: percorrer, perplexo, perfurar, per-
hemi-: metade, meio: hemisfério, hemistíquio, hemiplégico. verter.
hiper-: posição superior, excesso: hipertensão, hipérbole, hi- pos-: posterioridade: pospor, posterior, pós-graduado.
pertrofia. pre-: anterioridade: prefácio, prever, prefixo, preliminar.
hipo-: posição inferior, escassez: hipocrisia, hipótese, hipo- pro-: movimento para frente: progresso, promover, prosse-
dérmico. guir, projeção.
meta-: mudança, sucessão: metamorfose, metáfora, metacarpo. re-: repetição, reciprocidade: rever, reduzir, rebater, reatar.
para-: proximidade, semelhança, intensidade: paralelo, para- retro-: movimento para trás: retrospectiva, retrocesso, retroa-
sita, paradoxo, paradigma. gir, retrógrado.
peri-: movimento ou posição em torno de: periferia, peripé- so-, sob-, sub-, su-: movimento de baixo para cima, inferiori-
cia, período, periscópio. dade: soterrar, sobpor, subestimar.
pro-: posição em frente, anterioridade: prólogo, prognóstico, super-, supra-, sobre-: posição superior, excesso: supercílio,
profeta, programa. supérfluo.
pros-: adjunção, em adição a: prosélito, prosódia. soto-, sota-: posição inferior: soto-mestre, sota-voga, soto-pôr.
proto-: início, começo, anterioridade: proto-história, protóti- trans-, tras-, tres-, tra-: movimento para além, movimento
po, protomártir. através: transatlântico, tresnoitar, tradição.
poli-: multiplicidade: polissílabo, polissíndeto, politeísmo. ultra-: posição além do limite, excesso: ultrapassar, ultrarro-
sin-, sim-: simultaneidade, companhia: síntese, sinfonia, sim- mantismo, ultrassom, ultraleve, ultravioleta.
patia, sinopse. vice-, vis-: em lugar de: vice-presidente, visconde, vice-almi-
tele-: distância, afastamento: televisão, telepatia, telégrafo. rante.

Didatismo e Conhecimento 43
LÍNGUA PORTUGUESA
Sufixos: são elementos (isoladamente insignificativos) que, -io, -(t)ivo: ação referência, modo de ser – tardio, afirmativo,
acrescentados a um radical, formam nova palavra. Sua principal pensativo.
característica é a mudança de classe gramatical que geralmente -(d)iço, -(t)ício: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação,
opera. Dessa forma, podemos utilizar o significado de um verbo referência – movediço, quebradiço, factício.
num contexto em que se deve usar um substantivo, por exemplo. -(d)ouro,-(t)ório: ação, pertinência – casadouro, preparatório.
Como o sufixo é colocado depois do radical, a ele são incorpora-
das as desinências que indicam as flexões das palavras variáveis. Sufixos Adverbiais: Na Língua Portuguesa, existe apenas um
Existem dois grupos de sufixos formadores de substantivos extre- único sufixo adverbial: É o sufixo “-mente”, derivado do substan-
mamente importantes para o funcionamento da língua. São os que tivo feminino latino mens, mentis que pode significar “a mente,
formam nomes de ação e os que formam nomes de agente. o espírito, o intento”.Este sufixo juntou-se a adjetivos, na forma
feminina, para indicar circunstâncias, especialmente a de modo.
Sufixos que formam nomes de ação: -ada – caminhada; Exemplos: altiva-mente, brava-mente, bondosa-mente, nervo-
-ança – mudança; -ância – abundância; -ção – emoção; -dão – so- sa-mente, fraca-mente, pia-mente. Já os advérbios que se derivam
lidão; -ença – presença; -ez(a) – sensatez, beleza; -ismo – civismo; de adjetivos terminados em –ês (burgues-mente, portugues-men-
-mento – casamento; -são – compreensão; -tude – amplitude; -ura te, etc.) não seguem esta regra, pois esses adjetivos eram outrora
– formatura. uniformes. Exemplos: cabrito montês / cabrita montês.

Sufixos que formam nomes de agente: -ário(a) – secretário; Sufixos Verbais: Os sufixos verbais agregam-se, via de regra,
-eiro(a) – ferreiro; -ista – manobrista; -or – lutador; -nte – feirante. ao radical de substantivos e adjetivos para formar novos verbos.
Em geral, os verbos novos da língua formam-se pelo acréscimo
Sufixos que formam nomes de lugar, depositório: -aria – da terminação-ar. Exemplos: esqui-ar; radiograf-ar; (a)doç-ar;
churrascaria; -ário – herbanário; -eiro – açucareiro; -or – corre- nivel-ar; (a)fin-ar; telefon-ar; (a)portugues-ar.
dor; -tério – cemitério; -tório – dormitório.
Os verbos exprimem, entre outras ideias, a prática de ação.
-ar: cruzar, analisar, limpar
Sufixos que formam nomes indicadores de abundância,
-ear: guerrear, golear
aglomeração, coleção: -aço – ricaço; -ada – papelada; -agem –
-entar: afugentar, amamentar
folhagem; -al – capinzal; -ame – gentame; -ario(a) - casario, in-
-ficar: dignificar, liquidificar
fantaria; -edo – arvoredo; -eria – correria; -io – mulherio; -ume
-izar: finalizar, organizar
– negrume.
Verbo Frequentativo: é aquele que traduz ação repetida.
Sufixos que formam nomes técnicos usados na ciência:
Verbo Factitivo: é aquele que envolve ideia de fazer ou cau-
-ite - bronquite, hepatite (inflamação), amotite (fósseis). sar.
-oma - mioma, epitelioma, carcinoma (tumores). Verbo Diminutivo: é aquele que exprime ação pouco in-
-ato, eto, Ito - sulfato, cloreto, sulfito (sais), granito (pedra). tensa.
-ina - cafeína, codeína (alcaloides, álcalis artificiais).
-ol - fenol, naftol (derivado de hidrocarboneto). Exercícios
-ema - morfema, fonema, semema, semantema (ciência lin-
guística). 01. Assinale a opção em que todas as palavras se formam pelo
-io - sódio, potássio, selênio (corpos simples) mesmo processo:
a) ajoelhar / antebraço / assinatura
Sufixo que forma nomes de religião, doutrinas filosóficas, b) atraso / embarque / pesca
sistemas políticos: - ismo: budismo, kantismo, comunismo. c) o jota / o sim / o tropeço
d) entrega / estupidez / sobreviver
Sufixos Formadores de Adjetivos e) antepor / exportação / sanguessuga

- de substantivos: -aco – maníaco; -ado – barbado; -áceo(a) 02. A palavra “aguardente” formou-se por:
- herbáceo, liláceas; -aico – prosaico; -al – anual; -ar – escolar; a) hibridismo
-ário - diário, ordinário; -ático – problemático; -az – mordaz; b) aglutinação
-engo – mulherengo; -ento – cruento; -eo – róseo; -esco – pito- c) justaposição
resco; -este – agreste; -estre – terrestre; -enho – ferrenho; -eno d) parassíntese
– terreno; -ício – alimentício; -ico – geométrico; -il – febril; -ino e) derivação regressiva
– cristalino; -ivo – lucrativo; -onho – tristonho; -oso – bondoso;
-udo – barrigudo. 03. Que item contém somente palavras formadas por justa-
posição?
- de verbos: a) desagradável – complemente
-(a)(e)(i)nte: ação, qualidade, estado – semelhante, doente, b) vaga-lume - pé-de-cabra
seguinte. c) encruzilhada – estremeceu
-(á)(í)vel: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação – lou- d) supersticiosa – valiosas
vável, perecível, punível. e) desatarraxou – estremeceu

Didatismo e Conhecimento 44
LÍNGUA PORTUGUESA
04. “Sarampo” é: 10. Assinale a alternativa em que uma das palavras não é for-
a) forma primitiva mada por prefixação:
b) formado por derivação parassintética a) readquirir, predestinado, propor
c) formado por derivação regressiva b) irregular, amoral, demover
d) formado por derivação imprópria c) remeter, conter, antegozar
e) formado por onomatopéia d) irrestrito, antípoda, prever
e) dever, deter, antever
05. Numere as palavras da primeira coluna conforme os pro-
cessos de formação numerados à direita. Em seguida, marque a Respostas: 1-B / 2-B / 3-B / 4-C / 5-E / 6-E / 7-D / 8-A / 9-D
alternativa que corresponde à sequência numérica encontrada: / 10-E /
( ) aguardente     1) justaposição
( ) casamento     2) aglutinação
( ) portuário         3) parassíntese FUNÇÕES DAS CLASSES DE PALAVRAS.
( ) pontapé         4) derivação sufixal
( ) os contras     5) derivação imprópria
( ) submarino     6) derivação prefixal
( ) hipótese Artigo

a) 1, 4, 3, 2, 5, 6, 1 Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para


b) 4, 1, 4, 1, 5, 3, 6 determiná-los, indicando, ao mesmo tempo, gênero e número.
c) 1, 4, 4, 1, 5, 6, 6 Dividem-se os artigos em: definidos: o, a, os, as e indefini-
d) 2, 3, 4, 1, 5, 3, 6 dos: um, uma, uns, umas.
e) 2, 4, 4, 1, 5, 3, 6 Os definidos determinam os substantivos de modo preciso,
particular: Viajei com o médico.
Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, im-
06. Indique a palavra que foge ao processo de formação de
preciso, geral: Viajei com um médico.
chapechape:
a) zunzum
- Ambas as mãos. Usa-se o artigo entre o numeral ambas e o
b) reco-reco
substantivo: Ambas as mãos são perfeitas.
c) toque-toque
d) tlim-tlim
- Estou em Paris / Estou na famosa Paris. Não se usa artigo
e) vivido
antes dos nomes de cidades, a menos que venham determinados
por adjetivos ou locuções adjetivas.
07. Em que alternativa a palavra sublinhada resulta de deriva- Vim de Paris
ção imprópria? Vim da luminosa Paris.
a) Às sete horas da manhã começou o trabalho principal: a
votação. Mas com alguns nomes de cidades conservamos o artigo.
b) Pereirinha estava mesmo com a razão. Sigilo... Voto secre- O Rio de Janeiro, O Cairo, O Porto.
to... Bobagens, bobagens!
c) Sem radical reforma da lei eleitoral, as eleições continua- Pode ou não ocorrer crase antes dos nomes de cidade, confor-
riam sendo uma farsa! me venham ou não precedidos de artigo.
d) Não chegaram a trocar um isto de prosa, e se entenderam. Vou a Paris.
e) Dr. Osmírio andaria desorientado, senão bufando de raiva. Vou à Paris dos museus.

08. Assinale a série de palavras em que todas são formadas - Toda cidade / toda a cidade. Todo, toda designam qualquer,
por parassíntese: cada.
a) acorrentar, esburacar, despedaçar, amanhecer Toda cidade pode concorrer (qualquer cidade).
b) solução, passional, corrupção, visionário Todo o, toda a designam totalidade, inteireza.
c) enrijecer, deslealdade, tortura, vidente Conheci toda a cidade (a cidade inteira).
d) biografia, macróbio, bibliografia, asteróide
e) acromatismo, hidrogênio, litografar, idiotismo No plural, usa-se todos os, todas as, exceto antes de numeral
não seguido de substantivo.
09. As palavras couve-flor, planalto e aguardente são forma- Todas as cidades vieram.
das por: Todos os cinco clubes disputarão o título.
a) derivação Todos cinco são concorrentes.
b) onomatopeia
c) hibridismo - Tua decisão / a tua decisão. De maneira geral, é facultativo o
d) composição uso do artigo antes dos possessivos.
e) prefixação Aplaudimos tua decisão.
Aplaudimos a tua decisão.

Didatismo e Conhecimento 45
LÍNGUA PORTUGUESA
Se o possessivo não vier seguido de substantivo explícito é Substantivo Composto: É composto o substantivo formado
obrigatória a ocorrência do artigo. por dois ou mais radicais. Por exemplo: pedra-sabão, homem-rã,
Aplaudiram a tua decisão e não a minha. passatempo.

- Decisões as mais oportunas / as mais oportunas decisões. Substantivo Coletivo: É coletivo o substantivo no singular
No superlativo relativo, não se usa o artigo antes e depois do subs- que indica diversos elementos de uma mesma espécie.
tantivo. - abelha - enxame, cortiço, colmeia
Tomou decisões as mais oportunas. - acompanhante - comitiva, cortejo, séquito
Tomou as decisões mais oportunas. - alho - (quando entrelaçados) réstia, enfiada, cambada
É errado: Tomou as decisões as mais oportunas. - aluno - classe
- amigo - (quando em assembleia) tertúlia
- Faz uns dez anos. O artigo indefinido, posto antes de um
numeral, designa quantidade aproximada: Faz uns dez anos que Adjetivo
saí de lá.
É a classe gramatical de palavras que exprimem qualidade,
- Em um / num. Os artigos definidos e indefinidos contraem-se defeito, origem, estado do ser.
com preposições: de + o= do, de + a= da, etc. As formas de + um e
em + um podem-se usar contraídas (dum e num) ou separadas (de Classificação dos Adjetivos
um, em um). Estava em uma cidade grande. Estava numa cidade
grande. Explicativo - exprime qualidade própria do se. Por exemplo,
neve fria.
Substantivo Restritivo - exprime qualidade que não é própria do ser. Ex:
fruta madura.
Substantivo é tudo o que nomeia as “coisas” em geral. Primitivo - não vem de outra palavra portuguesa. Por exem-
Substantivo é tudo o que pode ser visto, pego ou sentido. plo, bom e mau.
Substantivo é tudo o que pode ser precedido de artigo . Derivado - tem origem em outra palavra portuguesa. Por
exemplo, bondoso
Classificação e Formação Simples - formado de um só radical. Por exemplo, brasileiro.
Composto - formado de mais de um radical. Por exemplo,
Substantivo Comum: Substantivo comum é aquele que de- franco-brasileiro.
signa os seres de uma espécie de forma genérica. Por exemplo: Pátrio - é o adjetivo que indica a naturalidade ou a nacionali-
pedra, computador, cachorro, homem, caderno. dade do ser. Por exemplo, brasileiro, cambuiense, etc.

Substantivo Próprio: Substantivo próprio é aquele que de- Locução Adjetiva


signa um ser específico, determinado, individualizando-o. Por
exemplo: Maxi, Londrina, Dílson, Ester. O substantivo próprio É toda expressão formada de uma preposição mais um subs-
sempre deve ser escrito com letra maiúscula. tantivo, equivalente a um adjetivo. Por exemplo, homens com ap-
tidão (aptos), bandeira da Irlanda (irlandesa).
Substantivo Concreto: Substantivo concreto é aquele que de-
signa seres que existem por si só ou apresentam-se em nossa ima- Gêneros dos Adjetivos
ginação como se existissem por si. Por exemplo: ar, som, Deus,
computador, Ester. Biformes - têm duas formas, sendo uma para o masculino e
outra para o feminino. Por exemplo, mau e má, judeu e judia. Se o
Substantivo Abstrato: Substantivo abstrato é aquele que de- adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no feminino somente
signa prática de ações verbais, existência de qualidades ou sen- o último elemento. Por exemplo, o motivo sócio-literário e a causa
timentos humanos. Por exemplo: saída (prática de sair), beleza sócio-literária. Exceção = surdo-mudo e surda-muda.
(existência do belo), saudade.
Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino como
Formação dos substantivos para o feminino. Por exemplo, homem feliz ou cruel e mulher fe-
liz ou cruel. Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável
Substantivo Primitivo: É primitivo o substantivo que não se no feminino. Por exemplo, conflito político-social e desavença
origina de outra palavra existente na língua portuguesa. Por exem- político-social.
plo: pedra, jornal, gato, homem.
Número dos Adjetivos
Substantivo Derivado: É derivado o substantivo que provém Plural dos adjetivos simples: Os adjetivos simples flexionam-
de outra palavra da língua portuguesa. Por exemplo: pedreiro, -se no plural de acordo com as regras estabelecidas para a flexão
jornalista, gatarrão, homúnculo. numérica dos substantivos simples. Por exemplo, mau e maus, fe-
Substantivo Simples: É simples o substantivo formado por um liz e felizes, ruim e ruins, boa e boas.
único radical. Por exemplo: pedra, pedreiro, jornal, jornalista.

Didatismo e Conhecimento 46
LÍNGUA PORTUGUESA
Plural dos adjetivos compostos: Os adjetivos compostos fle- um primeiro vinte vigésimo
xionam-se no plural de acordo com as seguintes regras:
- os adjetivos compostos formados de adjetivo + adjetivo fle- dois segundo trinta trigésimo
xionam somente o último elemento. Por exemplo, luso-brasileiro três terceiro cinquenta quinquagésimo
e luso-brasileiros. Exceções: surdo-mudo e surdos-mudos. E ficam quatro quarto sessenta sexagésimo
invariáveis os seguintes adjetivos compostos: azul-celeste e azul-
-marinho. cinco quinto setenta septuagésimo
- os adjetivos compostos formados de palavra invariável + seis sexto cem centésimo
adjetivo flexionam também só o último elemento. Por exemplo, sete sétimo quinhentos quingentésimo
mal-educado e mal-educados.
- os adjetivos compostos formados de adjetivo + substantivo oito oitavo seiscentos sexcentésimo
ficam invariáveis. Por exemplo, carro(s) verde-canário. nove nono mil milésimo
- as expressões formadas de cor + de + substantivo também dez décimo milhão milionésimo
ficam invariáveis. Por exemplo, cabelo(s) cor-de-ouro.
Faz-se a leitura do numeral cardinal, dispondo-se a palavra
Graus dos Adjetivos “e” entre as centenas e as dezenas e entre as dezenas e unidades.
Por exemplo, 1.203.726 = um milhão duzentos e três mil setecen-
O adjetivo flexiona-se em grau para indicar a intensidade da tos e vinte e seis.
qualidade do ser. Existem, para o adjetivo, dois graus:
Pronome
Comparativo
- de igualdade: tão (tanto, tal) bom como (quão, quanto). A palavra que acompanha (determina) ou substitui um nome é
- de superioridade: analítico (mais bom do que) e sintético denominada pronome. Ex.: Ana disse para sua irmã: - Eu preciso
(melhor que). do meu livro de matemática. Você não o encontrou? Ele estava
- de inferioridade: menos bom que (do que). aqui em cima da mesa. 
- eu substitui “Ana”
Superlativo - meu acompanha “o livro de matemática”
- absoluto: analítico (muito bom) e sintético (ótimo, erudito; - o substitui “o livro de matemática”
ou boníssimo, popular). - ele substitui “o livro de matemática”
- relativo: de superioridade (o mais bom de) e de inferioridade
(o menos bom ). Flexão: Quanto à forma, o pronome varia em gênero, número
e pessoa:
Somente seis adjetivos têm o grau comparativo de superiori-
dade sintético. Veja-os: de bom - melhor, de mau - pior, de grande Gênero (masculino/feminino)
- maior, de pequeno - menor, de alto - superior, de baixo - inferior. Ele saiu/Ela saiu
Para estes seis adjetivos, usamos a forma analítica do grau compa- Meu carro/Minha casa
rativo de superioridade, quando se comparam duas qualidades do
mesmo ser. Por exemplo, Ele é mais bom que inteligente. Usa-se Número (singular/plural)
a forma sintética do grau comparativo de superioridade, quando se Eu saí/Nós saímos
comparam dois seres através da mesma qualidade. Por exemplo: Minha casa/Minhas casas
Ela é melhor que você.
Pessoa (1ª/2ª/3ª)
Numeral Eu saí/Tu saíste/Ele saiu
Meu carro/Teu carro/Seu carro
É a classe de palavras que exprimem quantidade, ordem, divi-
são e multiplicação dos seres na natureza. Função: O pronome tem duas funções fundamentais:
Classificação Substituir o nome: Nesse caso, classifica-se como pronome
substantivo e constitui o núcleo de um grupo nominal. Ex.: Quan-
Cardinais: indicam contagem, medida. Por exemplo, um, do cheguei, ela se calou. (ela é o núcleo do sujeito da segunda ora-
dois, três… ção e se trata de um pronome substantivo porque está substituindo
Ordinais: indicam a ordem do ser numa série dada. Por exem- um nome)
plo, primeiro, segundo, terceiro…
Fracionários: indicam a divisão dos seres. Por exemplo, Referir-se ao nome: Nesse caso, classifica-se como pronome
meio, terço, quarto, quinto … adjetivo e constitui uma palavra dependente do grupo nominal.
Multiplicativos: indicam a multiplicação dos seres. Por exem- Ex.: Nenhum aluno se calou. (o sujeito “nenhum aluno” tem como
plo, dobro, triplo, quádruplo, quíntuplo … núcleo o substantivo “aluno” e como palavra dependente o prono-
me adjetivo “nenhum”)

Didatismo e Conhecimento 47
LÍNGUA PORTUGUESA
Pronomes Pessoais: São aqueles que substituem os nomes e - Vossa Eminência (V.Emª.): para cardeais
representam as pessoas do discurso: - Vossa Santidade (V.S.): para o Papa
1ª pessoa - a pessoa que fala - eu/nós - Vossa Majestade (V.M.): para reis e rainhas
2ª pessoa - a pessoa com que se fala - tu/vós - Vossa Majestade Imperial (V.M.I.): para imperadores
3ª pessoa - a pessoa de quem se fala - ele/ela/eles/elas - Vossa Alteza (V.A.): para príncipes, princesas e duques

Pronomes pessoais retos: são os que têm por função principal 1- Os pronomes e os verbos ligados aos pronomes de trata-
representar o sujeito ou predicativo.  mento devem estar na 3ª pessoa. Ex.: Vossa Excelência já termi-
Pronomes pessoais oblíquos: são os que podem exercer fun- nou a audiência? (nesse fragmento se está dirigindo a pergunta à
ção de complemento. autoridade)
2- Quando apenas nos referimos a essas pessoas, sem que es-
Pronomes Pronomes pessoais tejamos nos dirigindo a elas, o pronome “vossa” se transforma no
Pessoas do pessoais oblíquos possessivo “sua”. Ex.: Sua Excelência já terminou a audiência?
Discurso retos (nesse fragmento não se está dirigindo a pergunta à autoridade,
Átonos Tônicos
mas a uma terceira pessoa do discurso)
1ª pessoa eu me mim, comigo
Singular 2ª pessoa tu te ti, contigo Pronomes Possessivos: São aqueles que indicam ideia de pos-
se. Além de indicar a coisa possuída, indicam a pessoa gramatical
3ª pessoa ele/ela se, o, a, si, ele, consigo
possuidora.
lhe
1ª pessoa nós nos nós, conosco
Masculino Feminino
2ª pessoa vós vos vós convosco
Plural Singular Plural Singular Plural
3ª pessoa eles/elas se, os, si, els, consigo
meu meus minha minhas
as, lhes
teu teus tua tuas
Pronomes Oblíquos seu seus sua suas
nosso nossos nossa nossas
- Associação de pronomes a verbos: Os pronomes oblíquos
vosso vossos vossa vossas
o, a, os, as, quando associados a verbos terminados em -r, -s, -z,
assumem as formas lo, la, los, las, caindo as consoantes. Ex.: Car- seu seus sua suas
los quer convencer seu amigo a fazer uma viagem; Carlos quer
convencê-lo a fazer uma viagem. Existem palavras que eventualmente funcionam como prono-
mes possessivos. Ex.: Ele afagou-lhe (seus) os cabelos.
- Quando associados a verbos terminados em ditongo nasal
(-am, -em, -ão, -õe), assumem as formas no, na, nos, nas. Ex.: Fi- Pronomes Demonstrativos: Os pronomes demonstrativos
zeram um relatório; Fizeram-no. possibilitam localizar o substantivo em relação às pessoas, ao tem-
po, e sua posição no interior de um discurso.
- Os pronomes oblíquos podem ser reflexivos e quando isso
ocorre se referem ao sujeito da oração. Ex.: Maria olhou-se no
espelho; Eu não consegui controlar-me diante do público. Enumera-
Pronomes Espaço Tempo Ao dito
ção
- Antes do infinitivo precedido de preposição, o pronome usa- Perto de Presente Referente Referente
do deverá ser o reto, pois será sujeito do verbo no infinitivo. Ex.: quem fala aquilo ao último
O professor trouxe o livro para mim. (pronome oblíquo, pois é um (1ª pessoa). que ainda elemento
complemento); O professor trouxe o livro para eu ler. (pronome não foi citado em
reto, pois é sujeito) dito. uma enume-
este, ração.
Pronomes de Tratamento: São aqueles que substituem a ter- esta,
Ex.: Não Ex.: Neste Ex.: Esta Ex.: O ho-
ceira pessoa gramatical. Alguns são usados em tratamento cerimo- isto,
gostei deste ano, tenho afirma- mem e a
nioso e outros em situações de intimidade. Conheça alguns: estes,
livro aqui. realizado ção me mulher são
- você (v.): tratamento familiar estas
bons ne- deixou massacrados
- senhor (Sr.), senhora (Srª.): tratamento de respeito
gócios. surpresa: pela cultura
- senhorita (Srta.): moças solteiras
gostava atual, mas
- Vossa Senhoria (V.Sª.): para pessoa de cerimônia
- Vossa Excelência (V.Exª.): para altas autoridades de quími- esta é mais
ca. oprimida.
- Vossa Reverendíssima (V. Revmª.): para sacerdotes

Didatismo e Conhecimento 48
LÍNGUA PORTUGUESA

Perto de Passado Referente   “Maria esperou os demais.” (pronome indefinido = os outros)


quem ouve ou futuro aquilo “Maria esperou demais.” (advérbio de intensidade) 
(2ª pessoa). próximos que já foi
dito. Todo: É usado como pronome indefinido e também como
esse, advérbio, no sentido de completamente, mas possuindo flexão de
Ex.: Não Ex.: Nesse Ex.: Gos-  
essa, gênero e número, o que é raro em um advérbio. Ex.:
gostei desse último tava de
esses, “Percorri todo trajeto.” (pronome indefinido)
livro que ano, rea- química.
essas “Por causa da chuva, a roupa estava toda molhada.” (advérbio)
está em tuas lizei bons Essa afir-
mãos. negócios mação me
Cada: Possui valor distributivo e significa todo, qualquer den-
deixou
tre certo número de pessoas ou de coisas. Ex.: “Cada homem tem
surpresa
a mulher que merece”. Este pronome indefinido não pode antece-
Perto da Passado   Referente der substantivo que esteja em plural (cada férias), a não ser que o
3ª pessoa, ou futuro ao primeiro substantivo venha antecedido de numeral (cada duas férias). Pode,
distante dos remotos elemento às vezes, ter valor intensificador: “Mário diz cada coisa idiota!”
interlocuto- citado em
res. uma enume- Pronomes Relativos: São aqueles que representam nomes
aquele, ração. que já foram citados e com os quais estão relacionados. O nome
aquela, Ex.: Não Ex.: Tenho   Ex.: O ho- citado denomina-se  antecedente do pronome relativo. Ex.: “A rua
aquilo, gostei da- boas re- mem e a onde moro é muito escura à noite.”; onde: pronome relativo que
aqueles, quele livro cordações mulher são representa “a rua”; a rua: antecedente do pronome “onde”.
aquelas que a Ro- de 1960, massacrados
berta trouxe. pois na- pela cultura Alguns pronomes que podem funcionar como pronomes re-
quele ano atual, mas lativos: Masculino (o qual, os quais, quanto, quantos, cujo, cujos).
realizei esta é mais Feminino (a qual, as quais, quanta, quantas, cuja, cujas). Invariável
bons ne- oprimida (quem, que, onde).
gócios. que aquele.
O pronome relativo quem sempre possui como antecedente
uma pessoa ou coisas personificadas, vem sempre antecedido de
Pronomes Indefinidos: São pronomes que acompanham o preposição e possui o significado de “o qual”. Ex.: “Aquela me-
substantivo, mas não o determinam de forma precisa: algum, bas-
nina de quem lhe falei viajou para Paris”. Antecedente: menina;
tante, cada, certo, diferentes, diversos, demais, mais, menos, muito
Pronome relativo antecedido de preposição: de quem.
nenhum, outro, pouco, qual, qualquer, quanto, tanto, todo, tudo,
Os pronomes relativos cujo, cuja sempre precedem a um
um, vários.
substantivo sem artigo e possuem o significado “do qual”, “da
qual”. Ex.: “O livro cujo autor não me recordo.”
Algumas locuções pronominais indefinidas: cada qual, qual-
Os pronomes relativos quanto(s) e quanta(s) aparecem ge-
quer um, tal e qual, seja qual for, sejam quem for, todo aquele,
ralmente precedidos dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s),
quem (que), quer uma ou outra, todo aquele (que), tais e tais, tal
tanta(s), todos, todas. Ex.: “Você é tudo quanto queria na vida.”
qual, seja qual for.
O pronome relativo onde tem sempre como antecedente pa-
lavra que indica lugar. Ex.: “A casa onde moro é muito espaçosa.”
Uso de alguns pronomes indefinidos:
O pronome relativo que admite diversos tipos de anteceden-
tes: nome de uma coisa ou pessoa, o pronome demonstrativo ou
Algum:
outro pronome. Ex.: “Quero agora aquilo que ele me prometeu.”
- quando anteposto ao substantivo da ideia de afirmação. “Al-
Os pronomes relativos, na maioria das vezes, funcionam como
gum dinheiro terá sido deixado por ela.” 
conectivos, permitindo-nos unir duas orações em um só período.
- quando posposto ao substantivo dá ideia de negação. “Di-
Ex.: A mulher parece interessada. A mulher comprou o livro. (A
nheiro algum terá sido deixado por ela.”
mulher que parece interessada comprou o livro.)
O uso desse pronome indefinido antes ou depois do verbo está
Pronomes Interrogativos: Os pronomes interrogativos levam
ligado à intenção do enunciador.
o verbo à 3ª pessoa e são usados em frases interrogativas diretas ou
indiretas. Não existem pronomes exclusivamente interrogativos e
Demais: Este pronome indefinido, muitas vezes, é confun-
sim que desempenham função de pronomes interrogativos, como
dido com o advérbio “demais” ou com a locução adverbial “de
por exemplo: que, quantos, quem, qual, etc. Ex.: “Quantos livros
mais”. Ex.: teremos que comprar?”; “Ele perguntou quantos livros teriam que
“Maria não criou nada de mais além de uma cópia do quadro comprar.”; “Qual foi o motivo do seu atraso?”
de outro artista.” (locução adverbial)

Didatismo e Conhecimento 49
LÍNGUA PORTUGUESA
Verbo O futuro subdivide-se em futuro do presente e futuro do pre-
térito.
Quando se pratica uma ação, a palavra que representa essa - futuro do Presente. Refere-se a um fato imediato e certo.
ação e indica o momento em que ela ocorre é o verbo. Exemplos: Ex: comprarei ingressos para o teatro.
- Aquele pedreiro trabalhou muito. (ação – pretérito) - futuro do Pretérito. Pode indicar condição, referindo-se a
- Venta muito na primavera. (fenômeno – presente) uma ação futura, vinculada a um momento já passado. Ex: Apren-
- Ana ficará feliz com a tua chegada. (estado - futuro) deria tocar violão, se tivesse ouvido para a música (aqui indica
- Maria enviuvou na semana passada. (mudança de estado – condição); Eles gostariam de convidá-la para a festa.
pretérito)
- A serra azula o horizonte. (qualidade – presente) Modos Verbais
Conjugação Verbal: Existem 3 conjugações verbais: - Indicativo. Apresenta o fato de maneira real, certa, positiva.
- A 1ª que tem como vogal temática o ‘’a’’. Ex: cantar, pular,
Ex: Eu estudo geografia Iremos ao cinema; Voltou para casa.
sonhar etc...
- subjuntivo. Pode exprimir um desejo e apresenta o fato
- A 2ª que tem como vogal temática o ‘’e’’. Ex: vender, comer,
como possível ou duvidoso, hipotético. Ex: Queria que me levas-
chover, sofrer etc....
ses ao teatro; Se eu tivesse dinheiro, compraria um carro; Quando
- A 3ª que tem como vogal temática o ‘’i’’. Ex: partir, dividir,
sorrir, abrir etc.... o relógio despertar, acorda-me.
- Imperativo. Exprime ordem, conselho ou súplica. Ex: Lim-
pa a cozinha, Maria; Descanse bastante nestas férias; Senhor tende
1º CONJUGAÇÃO 2º CONJUGAÇÃO 3º CONJUGAÇÃO piedade de nós.
verbos terminados verbos terminados verbos terminados
em AR em ER em IR As formas nominais do verbo são Três: infinitivo, gerúndio
e particípio.
cantar vender partir
Infinitivo:
amar chover sorrir
Pessoal - cantar (eu), cantares (tu), vender (eu), venderes (tu), 
sonhar sofrer abrir
partir (eu), partires (tu)
Impessoal - cantar, vender, partir.
OBS: O verbo pôr, assim como seus derivados (compor, re- Gerúndio - cantando, vendendo, partindo.
por, depor, etc.), pertence à 2º conjugação, porque na sua forma Particípio - cantado,vendido,partido.
antiga a sua terminação era em er: poer. A vogal “e”, apesar de
haver desaparecido do infinitivo, revela-se em algumas formas de Impessoal: Uma forma em que o verbo não se refere a ne-
verbo: põe, pões, põem etc. nhuma pessoa gramatical: é o infinitivo impessoal quando não se
refere às pessoas do discurso. Exemplos: viver é bom. (a vida é
Pessoas: 1ª, 2ª e 3ª pessoa são abordadas em 2 situações: sin- boa); É proibido fumar. (é proibido o fumo)
gular e plural.
Primeira pessoa do singular – eu; ex: eu canto Pessoal: Quando se refere às pessoas do discurso. Neste caso,
Segunda pessoa do singular – tu; ex: tu cantas não é flexionado nas 1ª e 3ª pessoas do singular e flexionadas nas
Terceira pessoa do singular – ele; ex ele: canta demais:
Primeira pessoa do plural – nós; ex: nós cantamos Falar (eu) – não flexionado
Segunda pessoa do plural – vós; ex: vós cantais Falares (tu) – flexionado
Terceira pessoa do plural – eles; ex: eles cantam Falar (ele) – não flexionado 
Falarmos (nós) – flexionado
Tempos e Modo de Verbo
Falardes (voz) – flexionado
Falarem (eles) – flexionado
- Presente. Fato ocorrido no momento em que se fala. Ex: Faz
- Pretérito. Fato ocorrido antes. Ex: Fez
- Futuro. Fato ocorrido depois. Ex: Fará Ex: É conveniente estudares (é conveniente o estudo); É útil
pesquisarmos (é útil a nossa pesquisa)
O pretérito subdivide-se em perfeito, imperfeito e mais-que- Aspecto: Aspecto é a maneira de ser ação.
-perfeito.
- Perfeito. Ação acabada. Ex: Eu li o ultimo romance de Ru- O Pretérito Perfeito Composto: indica um fato concluído,
bens Fonseca. revela de certa forma a ideia de continuidade. Ex: Eu tenho estu-
- Imperfeito. Ação inacabada no momento a que se refere à dado (eu estudei até o presente momento). Os verbos invocativos
narração. Ex: Ele olhava o mar durante horas e horas. (terminados em “ecer” ou “escer”) indica uma continuidade gra-
- Mais-que-perfeito. Ação acabada, ocorrida antes de outro dual. Ex: embranquecer é começar a ficar grisalho e envelhecer é
fato passado. Ex:  para poder trabalhar melhor, ela dividira a turma ir ficando velho.
em dois grupos. 

Didatismo e Conhecimento 50
LÍNGUA PORTUGUESA
O Presente do Indicativo pode: Indicativo:
- indicar frequência. Ex: O sol nasce para todos. Pretérito perfeito composto - tenho cantado, tenho vendido,
- ser empregado no lugar do futuro. Ex: amanhã vou ao teatro. tenho partido, etc.
(irei); Se continuam as indiretas, perco a paciência. (continuarem; Pretérito mais-que-perfeito composto - tinha cantado, tinha
perderei) vendido, tinha partido, etc.
- ser empregado no lugar do pretérito (presente histórico). Ex:
Futuro do presente composto - terei cantado, terei vendido,
É 1939: alemães invadem o território polonês (era; invadiram)
terei partido, etc.
O Pretérito Imperfeito do Indicativo pode: Futuro do pretérito composto - teria cantado, teria vendido,
- Substituir o futuro do pretérito. Ex: se eu soubesse, não dizia teria partido, etc.
aquilo. (diria)
- Expressar cortesia ou timidez. Ex: o senhor podia fazer o Subjuntivo:
favor de me emprestar uma caneta? (pode) Pretérito perfeito composto - tenha cantado, tenha vendido,
tenha partido, etc.
Futuro do Presente pode: Pretérito mais-que-perfeito composto - tivesse cantado, tives-
- Indicar probabilidade. Ex: Ele terá, no máximo, uns 70 quilos. se vendido, tivesse partido, etc.
- Substituir o imperativo. Ex: não matarás. (não mates) Futuro composto - tiver cantado, tiver vendido,tiver partido, etc.
Tempos Simples e Tempos Compostos: Os tempos são sim-
ples quando formados apenas pelo verbo principal. Infinitivo:
Indicativo: Pretérito impessoal composto - ter cantado, ter vendido, ter
Presente - canto, vendo, parto, etc. partido, etc.
Pretérito perfeito - cantei,vendi,parti, etc. Pretérito pessoal composto - ter (teres) cantado, ter (teres)
Pretérito imperfeito - cantava, vendia, partia, etc. vendido, ter (teres) partido.
Pretérito mais-que-perfeito - cantara, vendera, partira, etc. Gerúndio pretérito composto - tendo cantado, tendo vendido,
Futuro do presente - cantarei, venderei, partirei, etc. tendo partido.
Futuro do pretérito - cantaria, venderia, partiria, etc.
Regulares: Regulares são verbos que se conjugam de acordo
Subjuntivo: com o paradigma (modelo) de cada conjugação. Cantar (1ª conju-
Presente - cante,venda, parta, etc.
gação) vender (2ª conjugação) partir (3ª conjugação) todos que se
Pretérito imperfeito  - cantasse, vendesse, partisse, etc.
Futuro - cantar, vender, partir. conjugarem de acordo com esses verbos serão regulares.

Imperativo: Ao indicar ordem, conselho, pedido, o fato ver- Advérbio


bal pode expressar negação ou afirmação. São, portanto, duas as
formas do imperativo: Palavra invariável que modifica essencialmente o verbo, ex-
- Imperativo Negativo: Não falem alto. primindo uma circunstância.
- Imperativo Afirmativo: Falem mais alto.
Advérbio modificando um verbo ou adjetivo: Ocorre quan-
Imperativo negativo: É formado do presente do subjuntivo. do o advérbio modifica um verbo ou um adjetivo acrescentando
a eles uma circunstância. Por circunstância entende-se qualquer
1º CONJUGAÇÃO 2º CONJUGAÇÃO 3º CONJUGAÇÃO particularidade que determina um fato, ampliando a informação
CANT - AR VEND - ER PART - IR nele contida. Ex.: Antônio construiu seu arraial popular ali; Estra-
Não cantes Não vendas Não partas das tão ruins.
Não cante Não venda Não parta
Não cantemos Não vendamos Não partamos Advérbio modificando outro advérbio: Ocorre quando o ad-
Não canteis Não vendais Não partais vérbio modifica um adjetivo ou outro advérbio, geralmente inten-
Não cantem Não vendam Não partam sificando o significado. Ex.: Grande parte da população adulta lê
muito mal.
Imperativo afirmativo: Também é formado do presente do
subjuntivo, com exceção da 2º pessoa do singular e da 2º pessoa do
Advérbio modificando uma oração inteira: Ocorre quando
plural, que são retiradas do presente do indicativo sem o “s”. Ex:
Canta – Cante – Cantemos – Cantai – Cantem o advérbio está modificando o grupo formado por todos os outros
elementos da oração, indicando uma circunstância. Ex.: Lamenta-
O imperativo não possui a 1º pessoa do singular, pois não se velmente o Brasil ainda tem 19 milhões de analfabetos.
prevê a ordem, o pedido ou o conselho a si mesmo.
Locução Adverbial: É um conjunto de palavras que pode
Tempos são compostos quando formados pelos auxiliares ter exercer a função de advérbio. Ex.: De modo algum irei lá.
ou haver.

Didatismo e Conhecimento 51
LÍNGUA PORTUGUESA
Tipos de Advérbios Palavras Denotativas: Há, na língua portuguesa, uma série de
palavras que se assemelham a advérbios. A Nomenclatura Grama-
- de modo: Ex.: Sei muito bem que ninguém deve passar ates- tical Brasileira não faz nenhuma classificação especial para essas
tado da virtude alheia. Bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, de- palavras, por isso elas são chamadas simplesmente de palavras
pressa, acinte, debalde, devagar, ás pressas, às claras, às cegas, à denotativas.
toa, à vontade, às escondas, aos poucos, desse jeito, desse modo, - Adição: Ex.: Comeu tudo e ainda queria mais. Ainda, além
dessa maneira, em geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, disso.
em vão e a maior parte dos que terminam em -mente: calmamente, - Afastamento: Ex.: Foi embora daqui. Embora.
tristemente, propositadamente, pacientemente, amorosamente, do- - Afetividade: Ex.: Ainda bem que passei de ano. Ainda bem,
cemente, escandalosamente, bondosamente, generosamente. felizmente, infelizmente.
- Aproximação: quase, lá por, bem, uns, cerca de, por volta de.
- de intensidade: Ex.: Acho que, por hoje, você já ouviu bas- - Designação: Ex.: Eis nosso novo carro. Eis.
tante. Muito, demais, pouco, tão, menos, em excesso, bastante, - Exclusão: Ex.: Todos irão, menos ele. Apenas, salvo, menos,
pouco, mais, menos, demasiado, quanto, quão, tanto, assaz, que exceto, só, somente, exclusive, sequer, senão.
(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, de todo, de muito, por - Explicação: Ex.: Viajaremos em julho, ou seja, nas férias.
completo,bem (quando aplicado a propriedades graduáveis). Isto é, por exemplo, a saber, ou seja.
- Inclusão: Ex.: Até ele irá viajar. Até, inclusive, também,
- de tempo: Ex.: Leia e depois me diga quando pode sair na mesmo, ademais.
gazeta. Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora, amanhã, cedo, - Limitação: Ex.: Apenas um me respondeu. Só, somente, uni-
dantes, depois, ainda, antigamente, antes, doravante, nunca, en- camente, apenas.
tão, ora, jamais, agora, sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, - Realce: Ex.: E você lá sabe essa questão? É que, cá, lá, não,
constantemente, entrementes, imediatamente, primeiramente, pro- mas, é porque, só, ainda, sobretudo.
visoriamente, sucessivamente, às vezes, à tarde, à noite, de manhã, - Retificação: Ex.: Somos três, ou melhor, quatro. Aliás, isto
de repente, de vez em quando, de quando em quando, a qualquer é, ou melhor, ou antes.
momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em dia.
- Situação: Ex.: Afinal, quem perguntaria a ele? Então, mas,
se, agora, afinal.
- de lugar: Ex.: A senhora sabe aonde eu posso encontrar esse
pai de santo? Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, atrás,
Grau dos Advérbios: Os advérbios, embora pertençam à ca-
além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, abaixo, aonde,
tegoria das palavras invariáveis, podem apresentar variações com
longe, debaixo, algures, defronte, nenhures, adentro, afora, alhu-
relação ao grau. Além do grau normal, o advérbio pode-se apresen-
res, nenhures, aquém, embaixo, externamente, a distancia, à dis-
tancia de, de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda, ao tar no grau comparativo e no superlativo.
lado, em volta.
- Grau Comparativo: quando a circunstância expressa pelo
- de negação : Ex.: De modo algum irei lá. Não, nem, nunca, advérbio aparece em relação de comparação. O advérbio não é fle-
jamais, de modo algum, de forma nenhuma, tampouco, de jeito xionado no grau comparativo. Para indicar esse grau utilizam as
nenhum. formas tão…quanto, mais…que, menos…que. Pode ser:
- comparativo de igualdade. Ex.: Chegarei tão cedo quanto
- de dúvida: Ex.: Talvez ela volte hoje. Acaso, porventura, você.
possivelmente, provavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por - comparativo de superioridade. Ex.: Chegarei mais cedo que
certo, quem sabe. você.
- comparativo de inferioridade. Ex.: Chegaremos menos cedo
- de afirmação: Ex.: Realmente eles sumiram. Sim, certamen- que você.
te, realmente, decerto, efetivamente, certo, decididamente, real-
mente, deveras, indubitavelmente. - Grau Superlativo: nesse caso, a circunstância expressa pelo
advérbio aparecerá intensificada. O grau superlativo do advérbio
- de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, somen- pode ser formado tanto pelo processo sintético (acréscimo de sufi-
te, simplesmente, só, unicamente. xo), como pelo processo analítico (outro advérbio estará indicando
o grau superlativo).
- de inclusão: Ex.: Emocionalmente o indivíduo também - superlativo (ou absoluto) sintético: formado com o acrésci-
amadurece durante a adolescência. Ainda, até, mesmo, inclusiva- mo de sufixo. Ex.: Cheguei tardíssimo.
mente, também - superlativo (ou absoluto) analítico: expresso com o auxilio
de um advérbio de intensidade. Ex.: Cheguei muito tarde.
- de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente
Quando se empregam dois ou mais advérbios terminados em
- de designação: Eis –mente, pode-se acrescentar o sufixo apenas no ultimo. Ex.: Nada
omitiu de seu pensamento; falou clara, franca e nitidamente.
- de interrogação: Ex.: E então? Quando é que embarca? Quando se quer realçar o advérbio, pode-se antecipá-lo. Ex.:
onde? (lugar), como? (modo), quando? (tempo), porque? (causa), Imediatamente convoquei os alunos.
quanto? (preço e intensidade), para que? (finalidade).

Didatismo e Conhecimento 52
LÍNGUA PORTUGUESA
Preposição - Preposição + Pronomes
De + ele(s) = dele(s)
É uma palavra invariável que serve para ligar termos ou ora- De + ela(s) = dela(s)
ções. Quando esta ligação acontece, normalmente há uma subor- De + este(s) = deste(s)
dinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições De + esta(s) = desta(s)
são muito importantes na estrutura da língua pois estabelecem a De + esse(s) = desse(s)
coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para De + essa(s) = dessa(s)
a compreensão do texto. De + aquele(s) = daquele(s)
De + aquela(s) = daquela(s)
De + isto = disto
Tipos de Preposição
De + isso = disso
De + aquilo = daquilo
- Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamen- De + aqui = daqui
te como preposições. A, ante, perante, após, até, com, contra, de, De + aí = daí
desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro De + ali = dali
de, para com. De + outro = doutro(s)
- Preposições acidentais: palavras de outras classes gramati- De + outra = doutra(s)
cais que podem atuar como preposições. Como, durante, exceto, Em + este(s) = neste(s)
fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto. Em + esta(s) = nesta(s)
- Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como Em + esse(s) = nesse(s)
uma preposição, sendo que a última palavra é uma delas. Abaixo Em + aquele(s) = naquele(s)
de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, Em + aquela(s) = naquela(s)
em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, graças a, junto Em + isto = nisto
a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de. Em + isso = nisso
Em + aquilo = naquilo
A preposição, é invariável. No entanto pode unir-se a outras A + aquele(s) = àquele(s)
palavras e assim estabelecer concordância em gênero ou em núme- A + aquela(s) = àquela(s)
ro. Ex: por + o = pelo; por + a = pela A + aquilo = àquilo
Vale ressaltar que essa concordância não é característica da
1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome pessoal
preposição e sim das palavras a que se ela se une. Esse processo de
oblíquo e artigo. Como distingui-los?
junção de uma preposição com outra palavra pode se dar a partir
- Caso o “a” seja um artigo, virá precedendo a um substanti-
de dois processos: vo. Ele servirá para determiná-lo como um substantivo singular e
feminino.
- Combinação: A preposição não sofre alteração. - A dona da casa não quis nos atender.
preposição a + artigos definidos o, os - Como posso fazer a Joana concordar comigo?
a + o = ao - Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois ter-
preposição a + advérbio onde mos e estabelece relação de subordinação entre eles.
a + onde = aonde - Cheguei a sua casa ontem pela manhã.
- Não queria, mas vou ter que ir a outra cidade para procurar
- Contração: Quando a preposição sofre alteração. um tratamento adequado.
Preposição + Artigos - Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o lugar e/ou
De + o(s) = do(s) a função de um substantivo.
De + a(s) = da(s) - Temos Maria como parte da família. / A temos como parte
De + um = dum da família.
De + uns = duns - Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém. /
De + uma = duma Creio que a conhecemos melhor que ninguém.
De + umas = dumas
2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio das
Em + o(s) = no(s)
preposições:
Em + a(s) = na(s)
Destino: Irei para casa.
Em + um = num Modo: Chegou em casa aos gritos.
Em + uma = numa Lugar: Vou ficar em casa;
Em + uns = nuns Assunto: Escrevi um artigo sobre adolescência.
Em + umas = numas Tempo: A prova vai começar em dois minutos.
A + à(s) = à(s) Causa: Ela faleceu de derrame cerebral.
Por + o = pelo(s) Fim ou finalidade: Vou ao médico para começar o tratamento.
Por + a = pela(s) Instrumento: Escreveu a lápis.
Posse: Não posso doar as roupas da mamãe.

Didatismo e Conhecimento 53
LÍNGUA PORTUGUESA
Autoria: Esse livro de Machado de Assis é muito bom. Exercícios
Companhia: Estarei com ele amanhã.
Matéria: Farei um cartão de papel reciclado. 01. Assinale o par de frases em que as palavras sublinhadas
Meio: Nós vamos fazer um passeio de barco. são substantivo e pronome, respectivamente:
Origem: Nós somos do Nordeste, e você? a) A imigração tornou-se necessária. / É dever cristão praticar
Conteúdo: Quebrei dois frascos de perfume. o bem.
Oposição: Esse movimento é contra o que eu penso. b) A Inglaterra é responsável por sua economia. / Havia muito
Preço: Essa roupa sai por R$ 50 à vista. movimento na praça.
c) Fale sobre tudo o que for preciso. / O consumo de drogas
Interjeição é condenável.
d) Pessoas inconformadas lutaram pela abolição. / Pesca-se
É a palavra que expressa emoções, sentimentos ou pensamen- muito em Angra dos Reis.
tos súbitos. Trata-se de um recurso da linguagem afetiva, em que e) Os prejudicados não tinham o direito de reclamar. / Não
não há uma ideia organizada de maneira lógica, como são as sen- entendi o que você disse.
tenças da língua, mas sim a manifestação de um suspiro, um estado
da alma decorrente de uma situação particular, um momento ou 02. Assinale o item que só contenha preposições:
um contexto específico. Exemplos: a) durante, entre, sobre
- Ah, como eu queria voltar a ser criança! (ah: expressão de b) com, sob, depois
um estado emotivo = interjeição) c) para, atrás, por
- Hum! Esse cuscuz estava maravilhoso! (hum: expressão de d) em, caso, após
um pensamento súbito = interjeição) e) após, sobre, acima

As sentenças da língua costumam se organizar de forma ló- 03. Observe as palavras grifadas da seguinte frase: “Encami-
gica: há uma sintaxe que estrutura seus elementos e os distribui nhamos a V. Senhoria cópia autêntica do Edital nº 19/82.” Elas
em posições adequadas a cada um deles. As interjeições, por ou- são, respectivamente:
tro lado, são uma espécie de palavra frase, ou seja, há uma idéia a) verbo, substantivo, substantivo
expressa por uma palavra (ou um conjunto de palavras - locução b) verbo, substantivo, advérbio
interjetiva) que poderia ser colocada em termos de uma sentença. c) verbo, substantivo, adjetivo
Observe: d) pronome, adjetivo, substantivo
- Bravo! Bravo! Bis! (bravo e bis: interjeição) ...[sentença e) pronome, adjetivo, adjetivo
(sugestão): “Foi muito bom! Repitam!”]
- Ai! Ai! Ai! Machuquei meu pé... (ai: interjeição) ...[sentença 04. Assinale a opção em que a locução grifada tem valor ad-
(sugestão): “Isso está doendo!” ou “Estou com dor!”] jetivo:
O significado das interjeições está vinculado à maneira como a) “Comprei móveis e objetos diversos que entrei a utilizar
elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que dita o senti- com receio.”
do que a expressão vai adquirir em cada contexto de enunciação. b) “Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos.”
Exemplos: c) “Pediu-me com voz baixa cinquenta mil réis.”
- Psiu! ...(contexto: alguém pronunciando essa expressão na d) “Expliquei em resumo a prensa, o dínamo, as serras...”
rua) ...[significado da interjeição (sugestão): “Estou te chamando! e) “Resolvi abrir o olho para que vizinhos sem escrúpulos
Ei, espere!”] não se apoderassem do que era delas.”
- Psiu! ...(contexto: alguém pronunciando essa expressão em
um hospital) ...[significado da interjeição (sugestão): “Por favor, 05. O “que” está com função de preposição na alternativa:
faça silêncio!”] a) Veja que lindo está o cabelo da nossa amiga!
- Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! ...(puxa: interjei- b) Diz-me com quem andas, que eu te direi quem és.
ção) ...(tom da fala: euforia) c) João não estudou mais que José, mas entrou na Faculdade.
- Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte! ...(puxa: interjeição) d) O Fiscal teve que acompanhar o candidato ao banheiro.
...(tom da fala: decepção) e) Não chore que eu já volto.

As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não sofrem va- 06. “Saberão que nos tempos do passado o doce amor era jul-
riação em gênero, número e grau como os nomes, nem de número, gado um crime.”
pessoa, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto, a) 1 preposição
em uso específico, algumas interjeições sofrem variação em grau. b) 3 adjetivos
Deve-se ter claro, neste caso, que não se trata de um processo natu- c) 4 verbos
ral dessa classe de palavra, mas tão só uma variação que a lingua- d) 7 palavras átonas
gem afetiva permite. Exemplos: oizinho, bravíssimo, até loguinho. e) 4 substantivos

Didatismo e Conhecimento 54
LÍNGUA PORTUGUESA
07. As expressões sublinhadas correspondem a um adjetivo, - Palavras terminadas em EL:
exceto em: átono: plural em EIS: nível – níveis.
a) João Fanhoso anda amanhecendo sem entusiasmo. tônico: plural em ÉIS: carretel – carretéis.
b) Demorava-se de propósito naquele complicado banho.
c) Os bichos da terra fugiam em desabalada carreira. - Palavras terminadas em X são invariáveis: o clímax − os
d) Noite fechada sobre aqueles ermos perdidos da caatinga clímax.
sem fim.
e) E ainda me vem com essa conversa de homem da roça. - Há palavras cuja sílaba tônica avança: júnior − juniores; ca-
ráter – caracteres. A palavra
08. Em “__ como se tivéssemos vivido sempre juntos”, a for- Caracteres é plural tanto de caractere quanto de caráter.
ma verbal está no:
a) imperfeito do subjuntivo; - Palavras terminadas em ão fazem o plural em ãos, ães e ões.
b) futuro do presente composto; Em ões: balões, corações, grilhões, melões, gaviões.
c) mais-que-perfeito composto do indicativo; Em ãos: pagãos, cristãos, cidadãos, bênçãos, órgãos. Os pa-
d) mais-que-perfeito composto do subjuntivo; roxítonos, como os dois últimos, sempre fazem o plural em ãos.
e) futuro composto do subjuntivo. Em ães: escrivães, tabeliães, capelães, capitães, alemães.
Em ões ou ãos: corrimões/corrimãos, verões/verãos, anões/
09. Assinale a alternativa que completa adequadamente a fra- anãos.
se: “___ em ti, mas nem sempre ___ dos outros”. Em ões ou ães: charlatões/charlatães, guardiões/guardiães,
a) creias - duvides; cirugiões/cirurgiães.
b) crê - duvidas; Em ões, ãos ou ães: anciões/anciãos/anciães, ermitões/ermi-
c) creais - duvidas; tãos/ermitães
d) creia - duvide;
e) crê - duvides. - Plural dos diminutivos com a letra z. Coloca-se a palavra no
plural, corta-se o s e acrescenta-se zinhos (ou zinhas): coraçãozi-
10. Se ele ____ (ver) o nosso trabalho _____ (fazer) um elo- nho – corações – coraçõe – coraçõezinhos.
gio.
a) ver – fará; - Plural com metafonia (ô - ó). Algumas palavras, quando
b) visse – fará; vão ao plural, abrem o timbre da vogal “o”, outras não. Com me-
c) ver – fazerá; tafonia singular (ô) plural (ó): coro-coros; corvo-corvos; destroço-
d) vir – fará; -destroços. Sem metafonia singular (ô) plural (ô): adorno-adornos;
e) vir – faria. bolso-bolsos; transtorno-transtornos.

Respostas: 01-E / 02-A / 03-C / 04-E / 05-D / 06-E / 07-B / - Casos especiais: aval, avales e avaiscal − cales e caiscós −
08-D / 09-E / 10-D coses e cós – fel, feles e féis – mal e males – cônsul e cônsules.

- Os dois elementos variam. Quando os compostos são forma-


FLEXÃO NOMINAL E VERBAL. dos por substantivo mais palavra variável (adjetivo, substantivo,
numeral, pronome): amor-perfeito − amores-perfeitos; couve-flor
− couves-flores; segunda-feira − segundas-feiras.

Flexão Nominal - Só o primeiro elemento varia. Quando há preposição no


composto, mesmo que oculta: pé-de-moleque − pés-de-moleque;
Flexão de número: Os nomes (substantivo, adjetivo etc.), de cavalo-vapor − cavalos-vapor (de ou a vapor). Quando o segundo
modo geral, admitem a flexão de número: singular e plural: animal substantivo determina o primeiro (fim ou semelhança): banana-
– animais. -maçã − bananas-maçã (semelhante a maçã); navio-escola − na-
vios-escola (a finalidade é a escola).
- Na maioria das vezes, acrescenta-se S: ponte – pontes; bo- Alguns autores admitem a flexão dos dois elementos. É uma
nito – bonitos. situação polêmica: mangas-espada (preferível) ou mangas-espa-
- Palavras terminadas em R ou Z: acrescenta-se ES: éter – das. Quando dizemos (e isso vai ocorrer outras vezes) que é uma
éteres; avestruz – avestruzes. O pronome qualquer faz o plural no situação polêmica, discutível, convém ter em mente que a questão
meio: quaisquer do concurso deve ser resolvida por eliminação, ou seja, analisando
- Palavras oxítonas terminadas em S: acrescenta-se ES: ana- bem as outras opções.
nás – ananases. As paroxítonas e as proparoxítonas são invariá-
veis: o pires − os pires, o ônibus − os ônibus - Apenas o último elemento varia. Quando os elementos são
adjetivos: hispano-americano − hispano-americanos. A exceção
- Palavras terminadas em IL: é surdo-mudo, em que os dois adjetivos se flexionam: surdos-
átono: trocam IL por EIS: fóssil – fósseis. -mudos. Nos compostos em que aparecem os adjetivos grão, grã e
tônico: trocam L por S: funil – funis. bel: grão-duque − grão-duques; grã-cruz − grã-cruzes; bel-prazer

Didatismo e Conhecimento 55
LÍNGUA PORTUGUESA
− bel-prazeres. Quando o composto é formado por verbo ou qual- Flexão de Grau:
quer elemento invariável (advérbio, interjeição, prefixo etc.) mais
substantivo ou adjetivo: arranha-céu − arranha-céus; sempre-viva Grau do substantivo
− sempre-vivas; super-homem − super-homens. Quando os ele- - Normal ou Positivo: sem nenhuma alteração.
mentos são repetidos ou onomatopaicos (representam sons): reco- - Aumentativo: Sintético: chapelão. Analítico: chapéu gran-
-reco − reco-recos; pingue-pongue − pingue-pongues; bem-te-vi
de, chapéu enorme etc.
− bem-te-vis.
Como se vê pelo segundo exemplo, pode haver alguma alte- - Diminutivo: Sintético: chapeuzinho. Analítico: chapéu pe-
ração nos elementos, ou seja, não serem iguais. Se forem verbos queno, chapéu reduzido etc. Um grau é sintético quando formado
repetidos, admite-se também pôr os dois no plural: pisca-pisca − por sufixo; analítico, por meio de outras palavras.
pisca-piscas ou piscas-piscas
Grau do adjetivo
- Nenhum elemento varia. Quando há verbo mais palavra in- - Normal ou Positivo: João é forte.
variável: O cola-tudo – os cola-tudo. Quando há dois verbos de - Comparativo: de superioridade: João é mais forte que An-
sentido oposto: o perde-ganha – os perde-ganha. Nas frases subs- dré. (ou do que); de inferioridade: João é menos forte que An-
tantivas (frases que se transformam em substantivos): O maria- dré. (ou do que); de igualdade: João é tão forte quanto André. (ou
-vai-com-as-outras − os maria-vai-com-as-outras. como)
- Superlativo: Absoluto: sintético: João é fortíssimo; analíti-
- São invariáveis arco-íris, louva-a-deus, sem-vergonha, sem-
-teto e sem-terra: Os sem-terra apreciavam os arco-íris. Admitem co: João é muito forte (bastante forte, forte demais etc.); Relativo:
mais de um plural: pai-nosso − pais-nossos ou pai-nossos; padre- de superioridade: João é o mais forte da turma; de inferioridade:
-nosso − padres-nossos ou padre-nossos; terra-nova − terras-novas João é o menos forte da turma.
ou terra-novas; salvo-conduto − salvos-condutos ou salvo-con- O grau superlativo absoluto corresponde a um aumento do ad-
dutos; xeque-mate − xeques-mates ou xeques-mate; fruta-pão − jetivo. Pode ser expresso por um sufixo (íssimo, érrimo ou imo)
frutas-pães ou frutas-pão; guarda-marinha − guardas-marinhas ou ou uma palavra de apoio, como muito, bastante, demasiadamente,
guardas-marinha. Casos especiais: palavras que não se encaixam enorme etc. As palavras maior, menor, melhor, e pior constituem
nas regras: o bem-me-quer − os bem-me-queres; o joão-ninguém sempre graus de superioridade: O carro é menor que o ônibus; me-
− os joões-ninguém; o lugar-tenente − os lugar-tenentes; o mapa- nor (mais pequeno): comparativo de superioridade. Ele é o pior
-múndi − os mapas-múndi. do grupo; pior (mais mau): superlativo relativo de superioridade.
Alguns superlativos absolutos sintéticos que podem apresen-
Flexão de Gênero: Os substantivos e as palavras que o acom-
panham na frase admitem a flexão de gênero: masculino e femi- tar dúvidas. acre – acérrimo, amargo – amaríssimo; amigo – ami-
nino: Meu amigo diretor recebeu o primeiro salário. Minha amiga císsimo; antigo – antiqüíssimo; cruel – crudelíssimo; doce – dul-
diretora recebeu a primeira prestação. A flexão de feminino pode císsimo; fácil – facílimo; feroz – ferocíssimo; fiel – fidelíssimo;
ocorrer de duas maneiras. geral – generalíssimo; humilde – humílimo; magro – macérrimo;
- Com a troca de o ou e por a: lobo – loba; mestre – mestra. negro – nigérrimo; pobre – paupérrimo; sagrado – sacratíssimo;
- Por meio de diferentes sufixos nominais de gênero, muitas sério – seriíssimo; soberbo – superbíssimo.
vezes com alterações do radical: ateu – atéia; bispo – episcopisa;
conde – condessa; duque – duquesa; frade – freira; ilhéu – ilhoa; Flexão Verbal
judeu – judia; marajá – marani; monje – monja; pigmeu – pigmeia;
píton – pitonisa; sandeu – sandia; sultão – sultana.
As flexões verbais são expressas por meio dos tempos, modo
Alguns substantivos são uniformes quanto ao gênero, ou seja, e pessoa da seguinte forma: O tempo indica o momento em que
possuem uma única forma para masculino e feminino. Podem ser: ocorre o processo verbal; O modo indica a atitude do falante (dú-
Sobrecomuns: admitem apenas um artigo, podendo designar vida, certeza, impossibilidade, pedido, imposição, etc.); A pessoa
os dois sexos: a pessoa, o cônjuge, a testemunha. marca na forma do verbo a pessoa gramatical do sujeito.
Comuns de dois gêneros: admitem os dois artigos, podendo
então ser masculinos ou femininos: o estudante − a estudante, o Tempos: Há tempos do presente, do passado (pretérito) e do
cientista − a cientista, o patriota − a patriota. futuro.
Epicenos: admitem apenas um artigo, designando os ani-
mais: O jacaré, a cobra, o polvo Modo
O feminino de elefante é elefanta , e não elefoa. Aliá é correto,
Modo Indicativo: Indica uma certeza relativa do falante com
mas designa apenas uma espécie de elefanta. Mamão, para alguns
gramáticos, deve ser considerado epiceno. É algo discutível. referência ao que o verbo exprime; pode ocorrer no tempo presen-
Há substantivos de gênero duvidoso, que as pessoas costu- te, passado ou futuro:
mam trocar: champanha aguardente, dó, alface, eclipse, calfor-
micida, cataplasma, grama (peso), grafite, milhar libido, plasma, Presente: Processo simultâneo ao ato da fala, fato corriqueiro,
soprano, musse, suéter, preá, telefonema. habitual: Compro livros nesta livraria. Usa-se também o presente
Existem substantivos que admitem os dois gêneros: diabetes com o valor de passado, passado histórico (nos contos, narrativas)
(ou diabete), laringe, usucapião etc.

Didatismo e Conhecimento 56
LÍNGUA PORTUGUESA
Tempos do Pretérito (passado): Exprimem processos ante- 04. Flexão incorreta:
riores ao ato da fala. São eles: a) os cidadãos
- Pretérito Imperfeito: Exprime um processo habitual, ou com b) os açúcares
duração no tempo: Naquela época eu cantava como um pássaro. c) os cônsules
- Pretérito Perfeito: Exprime uma ação acabada: Paulo que- d) os tóraxes
brou meu violão de estimação. e) os fósseis
- Pretérito Mais-que-Perfeito: Exprime um processo ante-
rior a um processo acabado: Embora tivera deixado a escola, ele 05. Mesma pronúncia de “bolos”:
nunca deixou de estudar. a) tijolos
b) caroços
Tempos do Futuro: Indicam processos que irão acontecer: c) olhos
- Futuro do Presente: Exprime um processo que ainda não d) fornos
aconteceu: Farei essa viagem no fim do ano. e) rostos
- Futuro do Pretérito: Exprime um processo posterior a um
processo que já passou: Eu faria essa viagem se não tivesse com- 06. Não varia no plural:
prado o carro. a) tique-taque
b) guarda-comida
Modo Subjuntivo: Expressa incerteza, possibilidade ou dúvi- c) beija-flor
da em relação ao processo verbal e não está ligado com a noção d) para-lama
de tempo. Há três tempos: presente, imperfeito e futuro. Quero e) cola-tudo
que voltes para mim; Não pise na grama; É possível que ele seja
honesto; Espero que ele fique contente; Duvido que ele seja o cul- 07. Está mal flexionado o adjetivo na alternativa:
pado; Procuro alguém que seja meu companheiro para sempre; a) Tecidos verde-olivas
Ainda que ele queira, não lhe será concedida a vaga; Se eu fosse b) Festas cívico-religiosas
bailarina, estaria na Rússia; Quando eu tiver dinherio, irei para as c) Guardas noturnos luso-brasileiros
praias do nordeste. d) Ternos azul-marinho
e) Vários porta-estandartes
Modo Imperativo: Exprime atitude de ordem, pedido ou soli-
citação: Vai e não voltes mais. 08. Na sentença “Há frases que contêm mais beleza do que
verdade”, temos grau:
Pessoa: A norma da língua portuguesa estabelece três pes- a) comparativo de superioridade
soas: Singular: eu , tu , ele, ela. Plural: nós, vós, eles, elas. No b) superlativo absoluto sintético
português brasileiro é comum o uso do pronome de tratamento
c) comparativo de igualdade
você (s) em lugar do tu e vós.
d) superlativo relativo
e) superlativo por meio de acréscimo de sufixo
Exercícios
09. Assinale a alternativa em que a flexão do substantivo com-
01. Assinale o par de vocábulos que formam o plural como
posto está errada:
órfão e mata-burro, respectivamente:
a) os pés-de-chumbo
a) cristão / guarda-roupa
b) questão / abaixo-assinado b) os corre-corre
c) alemão / beija-flor c) as públicas-formas
d) tabelião / sexta-feira d) os cavalos-vapor
e) cidadão / salário-família e) os vaivéns

02. Relativamente à concordância dos adjetivos compostos in- 10. Aponte a alternativa em que haja erro quanto à flexão do
dicativos de cor, uma, dentre as seguintes, está errada. Qual? nome composto:
a) saia amarelo-ouro a) vice-presidentes, amores-perfeitos, os bota-fora
b) papel amarelo-ouro b) tico-ticos, salários-família, obras-primas
c) caixa vermelho-sangue c) reco-recos, sextas-feiras, sempre-vivas
d) caixa vermelha-sangue d) pseudo-esferas, chefes-de-seção, pães-de-ló
e) caixas vermelho-sangue e) pisca-piscas, cartões-postais, mulas-sem-cabeças

03. Indique a frase correta: Respostas: 1-A / 2-D / 3-C / 4-D / 5-E / 6-E / 7-A / 8-A / 9-B
a) Mariazinha e Rita são duas leva-e-trazes. / 10-E /
b) Os filhos de Clotilde são dois espalhas-brasas.
c) O ladrão forçou a porta com dois pés-de-cabra.
d) Godofredo almoçou duas couves-flor.
e) Alfredo e Radagásio são dois gentilhomens.

Didatismo e Conhecimento 57
LÍNGUA PORTUGUESA
me, te, lhe, nos, vos: quando colocado com verbos transitivos
PRONOMES: EMPREGO, FORMAS DE diretos (TD), têm sentido possessivo, equivalendo a meu, teu, seu,
TRATAMENTO E COLOCAÇÃO. dele, nosso, vosso: Os anos roubaram-lhe a esperança. (sua, dele,
dela possessivo)
as formas conosco e convosco são substituídas por: com +
nós, com + vós. seguidos de: ambos, todos, próprios, mesmos, ou-
É a palavra que acompanha ou substitui o nome, relacionan- tros, numeral: Mariane garantiu que viajaria com nós três.
do-o a uma das três pessoas do discurso. As três pessoas do dis- o pronome oblíquo funciona como sujeito com os verbos: dei-
curso são: xar, fazer, ouvir, mandar, sentir e ver+verbo no infinitivo. Deixe-
1ª pessoa: eu (singular) nós (plural): aquela que fala ou emissor; -me sentir seu perfume. (Deixe que eu sinta seu perfume me sujei-
2ª pessoa: tu (singular) vós (plural): aquela com quem se fala to do verbo deixar Mandei-o calar. (= Mandei que ele calasse), o=
ou receptor; sujeito do verbo mandar.
3ª pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural): aquela de os pronomes pessoais oblíquos nos, vos, e se recebem o nome
quem se fala ou referente. de pronomes recíprocos quando expressam uma ação mútua ou re-
cíproca: Nós nos encontramos emocionados. (pronome recíproco,
Dependendo da função de substituir ou acompanhar o nome, nós mesmos). Nunca diga: Eu se apavorei. / Eu já se arrumei; Eu
o pronome é, respectivamente: pronome substantivo ou pronome me apavorei. / Eu me arrumei. (certos)
adjetivo. - Os pronomes pessoais retos eu e tu serão substituídos por
Os pronomes são classificados em: pessoais, de tratamento, mim e ti após preposição: O segredo ficará somente entre mim e ti.
possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relati- - É obrigatório o emprego dos pronomes pessoais eu e tu,
vos. quando funcionarem como Sujeito: Todos pediram para eu rela-
tar os fatos cuidadosamente. (pronome reto + verbo no infinitivo).
Pronomes Pessoais: Os pronomes pessoais dividem-se em: Lembre-se de que mim não fala, não escreve, não compra, não
- retos exercem a função de sujeito da oração: eu, tu, ele, nós, anda. Somente o Tarzã e o Capitão Caverna dizem: mim gosta /
vós, eles: mim tem / mim faz. / mim quer.
- oblíquos exercem a função de complemento do verbo (ob- - As formas oblíquas o, a, os, as são sempre empregadas
jeto direto / objeto indireto) ou as, lhes. - Ela não vai conosco. (ela como complemento de verbos transitivos diretos ao passo que as
pronome reto / vai verbo / conosco complemento nominal. São: formas lhe, lhes são empregadas como complementos de verbos
tônicos com preposição: mim, comigo, ti, contigo,si, consigo, co- transitivos indiretos; Dona Cecília, querida amiga, chamou-a.
nosco, convosco; átonos sem preposição: me, te, se, o, a, lhe, nos, (verbo transitivo direto, VTD); Minha saudosa comadre, Nircleia,
vos, os,pronome oblíquo) - Eu dou atenção a ela. (eu pronome reto obedeceu-lhe. (verbo transitivo indireto,VTI)
/ dou verbo / atenção nome / ela pronome oblíquo) - É comum, na linguagem coloquial, usar o brasileiríssimo a
gente, substituindo o pronome pessoal nós: A gente deve fazer ca-
Saiba mais sobre os Pronomes Pessoais ridade com os mais necessitados.
- Os pronomes pessoais retos ele, eles, ela, elas, nós e vós
- Colocados antes do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pes- serão pronomes pessoais oblíquos quando empregados como com-
soa, apresentam sempre a forma: o, a, os, as: Eu os vi saindo do plementos de um verbo e vierem precedidos de preposição. O
teatro. conserto da televisão foi feito por ele. (ele= pronome oblíquo)
- As palavras “só” e “todos” sempre acompanham os prono- - Os pronomes pessoais ele, eles e ela, elas podem se contrair
mes pessoais do caso reto: Eu vi só ele ontem. com as preposições de e em: Não vejo graça nele./ Já frequentei
- Colocados depois do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pes- a casa dela.
soa apresentam as formas: - Se os pronomes pessoais retos ele, eles, ela, elas estiverem
o, a, os, as: se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral: funcionando como sujeito, e houver uma preposição antes deles,
Encontrei-a sozinha. Vejo-os diariamente. não poderá haver uma contração: Está na hora de ela decidir seu
o, a, os, as, precedidos de verbos terminados em: R/S/Z, as- caminho. (ela sujeito de decidir; sempre com verbo no infinitivo)
sumem as formas: lo, Ia, los, las, perdendo, consequentemente, as - Chamam-se pronomes pessoais reflexivos os pronomes pes-
terminações R, S, Z. Preciso pagar ao verdureiro. = pagá-lo; Fiz soais que se referem ao sujeito: Eu me feri com o canivete. (eu 1ª
os exercícios a lápis. = Fi-los a lápis. pessoa sujeito / me pronome pessoal reflexivo)
lo, la, los, las: se vierem depois de: eis / nos / vos Eis a prova - Os pronomes pessoais oblíquos se, si e consigo devem ser
do suborno. = Ei-la; O tempo nos dirá. = no-lo dirá. (eis, nos, vos empregados somente como pronomes pessoais reflexivos e funcio-
perdem o S)
nam como complementos de um verbo na 3ª pessoa, cujo sujeito
no, na, nos, nas: se o verbo terminar em ditongo nasal: m, ão,
é também da 3ª pessoa: Nicole levantou-se com elegância e levou
õe: Deram-na como vencedora; Põe-nos sobre a mesa.
consigo (com ela própria) todos os olhares. (Nicole sujeito, 3ª pes-
lhe, lhes colocados depois do verbo na 1ª pessoa do plural,
soa/ levantou verbo 3ª pessoa / se complemento 3ª pessoa / levou
terminado em S não modificado: Nós entregamoS-lhe a cópia do
verbo 3ª pessoa / consigo complemento 3ª pessoa)
contrato. (o S permanece)
- O pronome pessoal oblíquo não funciona como reflexivo se
nos: colocado depois do verbo na 1ª pessoa do plural, perde o
não se referir ao sujeito: Ela me protegeu do acidente. (ela sujeito
S: Sentamo-nos à mesa para um café rápido.
3ª pessoa me complemento 1ª pessoa)

Didatismo e Conhecimento 58
LÍNGUA PORTUGUESA
- Você é segunda ou terceira pessoa? Na estrutura da fala, você - O pronome seu toma o sentido ambíguo, pois pode referir se
é a pessoa a quem se fala e, portanto, da 2ª pessoa. Por outro lado, tanto ao consultório de João Luís como ao de Laurinha. No caso,
você, como os demais pronomes de tratamento senhor, senhora, usa-se o pronome dele, dela para desfazer a ambiguidade.
senhorita, dona, pede o verbo na 3ª pessoa, e não na 2ª. - Os possessivos, às vezes, podem indicar aproximações nu-
- Os pronomes oblíquos me, te, lhe, nos, vos, lhes (formas de méricas e não posse: Cláudia e Haroldo devem ter seus trinta anos.
objeto indireto, 0I) juntam-se a o, a, os, as (formas de objeto dire- - Na linguagem popular, o tratamento seu como em: Seu Ri-
to), assim: me+o: mo/+a: ma/+ os: mos/+as: mas: Recebi a carta e cardo, pode entrar!, não tem valor possessivo, pois é uma alteração
agradeci ao jovem, que me trouxe. nos +o: no-lo / + a: no-la / + os: fonética da palavra senhor
no-los / +as: no-las: Venderíamos a casa, se no-la exigissem. te+ o: - Os pronomes possessivos podem ser substantivados: Dê
to/+ a: ta/+ os: tos/+ as: tas: Deite os meus melhores dias. Dei-tos. lembranças a todos os seus.
lhe+ o: lho/+ a: lha/+ os: lhos/+ as:lhas: Ofereci-lhe flores. Ofereci - Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo concor-
lhas. vos+ o: vo-lo/+ a: vo-la/+ os: vo-los/+ as: vo-las: Pedi-vos da com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e anotações.
conselho. Pedi vo-lo. - Usam-se elegantemente certos pronomes oblíquos: me, te,
lhe, nos, vos, com o valor de possessivos. Vou seguir-lhe os passos.
No Brasil, quase não se usam essas combinações (mo, to, lho, (os seus passos)
no-lo, vo-lo), são usadas somente em escritores mais sofisticados. - Deve-se observar as correlações entre os pronomes pessoais
e possessivos. “Sendo hoje o dia do teu aniversário, apresso-me
Pronomes de Tratamento: São usados no trato com as pes- em apresentar-te os meus sinceros parabéns; Peço a Deus pela tua
soas. Dependendo da pessoa a quem nos dirigimos, do seu car- felicidade; Abraça-te o teu amigo que te preza.”
go, idade, título, o tratamento será familiar ou cerimonioso: Vossa - Não se emprega o pronome possessivo (seu, sua) quando se
Alteza-V.A.-príncipes, duques; Vossa Eminência-V.Ema-cardeais; trata de parte do corpo. Veja: “Um cavaleiro todo vestido de ne-
Vossa Excelência-V.Ex.a-altas autoridades, presidente, oficiais; gro, com um falcão em seu ombro esquerdo e uma espada em sua,
Vossa Magnificência-V.Mag.a-reitores de universidades; Vossa mão”. (usa-se: no ombro; na mão)
Majestade-V.M.-reis, imperadores; Vossa Santidade-V.S.-Papa;
Vossa Senhoria-V.Sa-tratamento cerimonioso.
Pronomes Demonstrativos: Indicam a posição dos seres de-
signados em relação às pessoas do discurso, situando-os no espaço
- São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, a
ou no tempo. Apresentam-se em formas variáveis e invariáveis.
senhorita, dona, você.
- Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico.
- Em relação ao espaço:
Nas comunicações oficiais devem ser utilizados somente dois fe-
Este (s), esta (s), isto: indicam o ser ou objeto que está próxi-
chos:
mo da pessoa que fala.
- Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive para
Esse (s), essa (s), isso: indicam o ser ou objeto que está próxi-
o presidente da República.
- Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia ou mo da pessoa,com quem se fala, que ouve (2ª pessoa)
de hierarquia inferior. Aquele (s), aquela (s), aquilo: indicam o ser ou objeto que está
- A forma Vossa (Senhoria, Excelência) é empregada quando longe de quem fala e da pessoa de quem se fala (3ª pessoa)
se fala com a própria pessoa: Vossa Senhoria não compareceu à
reunião dos sem terra? (falando com a pessoa) - Em relação ao tempo:
- A forma Sua (Senhoria, Excelência ) é empregada quando Este (s), esta (s), isto: indicam o tempo presente em relação ao
se fala sobre a pessoa: Sua Eminência, o cardeal, viajou para um momento em que se fala. Este mês termina o prazo das inscrições
Congresso. (falando a respeito do cardeal) para o vestibular da FAL.
- Os pronomes de tratamento com a forma Vossa (Senhoria, Esse (s), essa (s), isso: indicam o tempo passado há pouco ou
Excelência, Eminência, Majestade), embora indiquem a 2ª pessoa o futuro em relação ao momento em se fala. Onde você esteve essa
(com quem se fala), exigem que outros pronomes e o verbo sejam semana toda?
usados na 3ª pessoa. Vossa Excelência sabe que seus ministros o Aquele (s), aquela (s), aquilo: indicam um tempo distante em
apoiarão. relação ao momento em que se fala. Bons tempos aqueles em que
brincávamos descalços na rua...
Pronomes Possessivos: São os pronomes que indicam posse
em relação às pessoas da fala. - dependendo do contexto, também são considerados prono-
Singular: 1ª pessoa: meu, meus, minha, minhas; 2ª pessoa: mes demonstrativos o, a, os, as, mesmo, próprio, semelhante, tal,
teu, teus, tua, tuas; 3ª pessoa: seu, seus, sua, suas; equivalendo a aquele, aquela, aquilo. O próprio homem destrói a
Plural: 1ª pessoa: nosso/os nossa/as, 2ª pessoa: vosso/os vos- natureza; Depois de muito procurar, achei o que queria; O profes-
sa/as. 3ª pessoa: seu, seus, sua, suas. sor fez a mesma observação; Estranhei semelhante coincidência;
Tal atitude é inexplicável.
Emprego dos Pronomes Possessivos - para retomar elementos já enunciados, usamos aquele (e va-
riações) para o elemento que foi referido em 1º lugar e este (e
- O uso do pronome possessivo da 3ª pessoa pode provocar, variações) para o que foi referido em último lugar. Pais e mães vie-
às vezes, a ambiguidade da frase. João Luís disse que Laurinha ram à festa de encerramento; aqueles, sérios e orgulhosos, estas,
estava trabalhando em seu consultório. elegantes e risonhas.

Didatismo e Conhecimento 59
LÍNGUA PORTUGUESA
- dependendo do contexto os demonstrativos também servem Os pronomes relativos estão divididos em variáveis e inva-
como palavras de função intensificadora ou depreciativa. Júlia fez riáveis.
o exercício com aquela calma! (=expressão intensificadora). Não Variáveis: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja,
se preocupe; aquilo é uma tranqueira! (=expressão depreciativa) cujas, quanto, quantos;
- as formas nisso e nisto podem ser usadas com valor de então Invariáveis: que, quem, quando, como, onde.
ou nesse momento. A festa estava desanimada; nisso, a orquestra
atacou um samba é todos caíram na dança. Emprego dos Pronomes Relativos
- os demonstrativos esse, essa, são usados para destacar um
elemento anteriormente expresso. Ninguém ligou para o incidente, - O relativo que, por ser o mais usado, é chamado de relati-
mas os pais, esses resolveram tirar tudo a limpo. vo universal. Ele pode ser empregado com referência à pessoa ou
coisa, no plural ou no singular: Este é o CD novo que acabei de
Pronomes Indefinidos: São aqueles que se referem à 3ª pes- comprar; João Adolfo é o cara que pedi a Deus.
soa do discurso de modo vago indefinido, impreciso: Alguém disse
- O relativo que pode ter por seu antecedente o pronome de-
que Paulo César seria o vencedor. Alguns desses pronomes são
monstrativo o, a, os, as: Não entendi o que você quis dizer. (o que
variáveis em gênero e número; outros são invariáveis.
= aquilo que).
Variáveis: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo,
vários, tanto, quanto, um, bastante, qualquer. - O relativo quem refere se a pessoa e vem sempre precedido
Invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, algo, quem, de preposição: Marco Aurélio é o advogado a quem eu me referi.
nada, cada, mais, menos, demais. - O relativo cujo e suas flexões equivalem a de que, do qual,
de quem e estabelecem relação de posse entre o antecedente e o
Emprego dos Pronomes Indefinidos termo seguinte. (cujo, vem sempre entre dois substantivos)

Não sei de pessoa alguma capaz de convencê-lo. (alguma, - O pronome relativo pode vir sem antecedente claro, explí-
equivale a nenhum) cito; é classificado, portanto, como relativo indefinido, e não vem
- Em frases de sentido negativo, nenhum (e variações) equi- precedido de preposição: Quem casa quer casa; Feliz o homem
vale ao pronome indefinido um: Fiquei sabendo que ele não é ne- cujo objetivo é a honestidade; Estas são as pessoas de cujos no-
nhum ignorante. mes nunca vou me esquecer.
- O indefinido cada deve sempre vir acompanhado de um - Só se usa o relativo cujo quando o consequente é diferente
substantivo ou numeral, nunca sozinho: Ganharam cem dólares do antecedente: O escritor cujo livro te falei é paulista.
cada um. (inadequado: Ganharam cem dólares cada.) - O pronome cujo não admite artigo nem antes nem depois
- Colocados depois do substantivo, os pronomes algum/algu- de si.
ma ganham sentido negativo. Este ano, funcionário público algum - O relativo onde é usado para indicar lugar e equivale a: em
terá aumento digno. que, no qual: Desconheço o lugar onde vende tudo mais barato. (=
- Colocados antes do substantivo, os pronomes algum/algu- lugar em que)
ma ganham sentido positivo. Devemos sempre ter alguma espe- - Quanto, quantos e quantas são relativos quando usados de-
rança. pois de tudo, todos, tanto: Naquele momento, a querida comadre
- Certo, certa, certos, certas, vários, várias, são indefinidos Naldete, falou tudo quanto sabia.
quando colocados antes do substantivo e adjetivos, quando coloca-
dos depois do substantivo: Certo dia perdi o controle da situação. Pronomes Interrogativos: São os pronomes em frases inter-
(antes do substantivo= indefinido); Eles voltarão no dia certo. (de- rogativas diretas ou indiretas. Os principais interrogativos são:
pois do substantivo=adjetivo).
que, quem, qual, quanto:
- Todo, toda (somente no singular) sem artigo, equivale a
Afinal, quem foram os prefeitos desta cidade? (interrogativa
qualquer: Todo ser nasce chorando. (=qualquer ser; indetermina,
direta, com o ponto de interrogação)
generaliza).
- Outrem significa outra pessoa: Nunca se sabe o pensamento - Gostaria de saber quem foram os prefeitos desta cidade. (in-
de outrem. terrogativa indireta, sem a interrogação)
- Qualquer, plural quaisquer: Fazemos quaisquer negócios.
Exercícios
Locuções Pronominais Indefinidas: São locuções pronomi-
nais indefinidas duas ou mais palavras que esquiva em ao pronome Reescreva os períodos abaixo, corrigindo-os quando for o
indefinido: cada qual / cada um / quem quer que seja / seja quem caso:
for / qualquer um / todo aquele que / um ou outro / tal qual (=certo)
/ tal e, ou qual / 01. “Jamais haverá inimizade entre você e eu “, disse o rapaz
lamentando e chorando”.
Pronomes Relativos: São aqueles que representam, numa 2ª 02. “Venha e traga contigo todo o material que estiver aí!”
oração, alguma palavra que já apareceu na oração anterior. Essa 03. “Ela falou que era para mim comer, e depois, para mim
palavra da oração anterior chama-se antecedente: Comprei um sair dali.”
carro que é movido a álcool e à gasolina. É Flex Power. Percebe- 04. Polidamente, mandei eles entrar e, depois, deixei eles sentar”
-se que o pronome relativo que, substitui na 2ª oração, o carro, por 05. “Durante toda a aula os alunos falaram sobre ti e sobre
isso a palavra que é um pronome relativo. Dica: substituir que por mim.”
o, a, os, as, qual / quais. 06. “Comunico-lhe que, quanto ao livro, deram-no ao professor.”

Didatismo e Conhecimento 60
LÍNGUA PORTUGUESA
07. “Informamo- lhe que tudo estava bem conosco e com 32. Numa das frases, está usado indevidamente um pronome
eles.” de tratamento. Assinale-a:
08. “Espero que V. Exa. e vossa distinta consorte nos honrem a) Os Reitores das Universidades recebem o título de Vossa
com vossa visita. Magnificência.
09. “Vossa Majestade, Senhor Rei, sois generoso e bom para b) Senhor Deputado, peço a Vossa Excelência que conclua a
com o vosso povo.” sua oração.
10. “Ela irá com nós mesmo, disse o homem com voz grave
c) Sua Eminência, o Papa Paulo VI, assistiu à solenidade.
e solene.
d) Procurei a chefe da repartição, mas Sua Senhoria se recu-
11. “Ele falou do lugar onde foi com entusiasmo e saudade ao
mesmo tempo” sou a ouvir minhas explicações.
12. “Você já sabe aonde ela foi com aquele canalha?
13. “Espero que ele vá ao colégio e leve consigo o livro que 33. Em “O que estranhei é que as substâncias eram transferi-
me pertence. das........!
14. “Se vier, traga comigo o livro que lhe pedi” a) artigo - expletivo
15. “Mandaram-no à delegacia para explicar o caso da morte.” b) pronome pessoal - pronome relativo
16. Enviaremos lhe todo o estoque que estiver disponível. c) pronome demonstrativo - integrante
17. “Para lhe dizer tudo, eu preciso de muito mais dinheiro.” d) pronome demonstrativo - expletivo
18. “Ela me disse apenas isto: me deixe passar que eu quero e) artigo - pronome relativo
morrer.”
19. “Me diga toda a verdade porque, assim as coisas ficam 34. Em “Todo sistema coordenado é...........”. “Mas o propó-
mais fáceis.” sito de toda teoria física é.......”. As palavras destacadas são.... e
20. “Tenho informado-o sobre todos os pormenores da via-
significam, respectivamente:
gem.”
21. “Mandei-te todo o material de que precisas.” a) pronomes substantivos indefinidos qualquer e qualquer
22. “Dir-lhe-ei toda a verdade sobre o caso do roubo do banco.” b) pronomes adjetivos indefinidos qualquer e inteiro
23. Espero que lhe não digam nada a meu respeito. c) pronomes adjetivos demonstrativos inteiro e cada um
24. “Haviam-lhe informado que ela só chegaria depois das d) pronomes adjetivos indefinidos inteiro e qualquer
três horas.” e) pronomes adjetivos indefinidos qualquer e qualquer.
25. “Nesse ano, muitos alunos passarão no vestibular.”
26. “Corria o ano de 1964. Neste ano houve uma revolução Respostas:
no Brasil.” 01 .... entre você e mim.
27. “Estes alunos que estão aqui podem sair, aqueles irão de- 02 ...Traga consigo...
pois.” 03 ....para eu comer... para eu sair
28. “Os livros cujas páginas estiverem rasgadas serão devol- 04 ... mandei-os entrar ... deixei-os sair
vidos.’ 05 ...sobre ele...
29. “Apalpei-lhe as pernas que se deixavam entrever pela saia
06 ...
rasgada.”
07 ...bem com nós
30. “Agora, pegue a tua caneta e comece a substituir, abaixo 08 ...sua distinta ... com sua visita
os complementos grifados pelo pronome oblíquo correspondente: 09 ...é generoso e ...seu povo...
a) Mandamos o filho ao colégio. 10 ...
b) Enviamos à menina um telegrama 11 ... aonde
c) Informaram os meninos sobre a menina. 12 ...
d) Fez o exercício corretamente. 13 ...
e) Diremos aos professores toda a verdade. 14 ... traga consigo.
f) Ela nunca obedece aos superiores. 15 ...
g) Ontem, ela viu você com outra. 16 ... enviar-lhe-emos
h) Chamei a amiga para a festa. 17 ...
18 ...deixe-me passar
31. Indique quando, na segunda frase, ocorre a substituição
19. Diga-me ...
errada das palavras destacadas na primeira, por um pronome:
20. Tenho- o...
a) O gerente chamou os empregados.
O gerente chamou-os 21. Mandar- te- ei
b) Quero muito a meu irmão. 22 ...
Quero-lhe muito. 23 ...
c) Perdoei sua falta por duas vezes. 24 ...
Perdoei-lhe por duas vezes 25 ... neste ano
d) Tentei convencer o diretor de que a solução não seria justa 26 ...
Tentei convencê-lo de que a solução não seria justa. 27 ...
e) A proposta não agradou aos jovens 28 ...
A proposta não lhe agradou. 29 ...

Didatismo e Conhecimento 61
LÍNGUA PORTUGUESA
30. Concordância Nominal: adequação entre o substantivo e os
a) Mandamos-o... elementos que a ele se referem (artigo, pronome, adjetivo).
b) Enviamos-lhe... Concordância Verbal: variação do verbo, conformando-se ao
c) Informaram-nos número e à pessoa do sujeito.
d) Fê-lo
e) Dir-lhes-emos Concordância Nominal
f) Ela nunca lhes obedece
g) ...ela o viu... Concordância do adjetivo adjunto adnominal: a concordân-
h) Chamei-a ... cia do adjetivo, com a função de adjunto adnominal, efetua-se de
31-A / 32-C / acordo com as seguintes regras gerais:
O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo
33-A a que se refere. Exemplo: O alto ipê cobre-se de flores amarelas.
O adjetivo que se refere a mais de um substantivo de gênero
Partícula expletiva ou de realce: pode ser retirada da frase, ou número diferentes, quando posposto, poderá concordar no mas-
sem prejuízo algum para o sentido. Nesse caso, a palavra que não culino plural (concordância mais aconselhada), ou com o substan-
exerce função sintática; como o próprio nome indica, é usada ape- tivo mais próximo. Exemplo:
nas para dar realce. Como partícula expletiva, aparece também na
expressão é que. Exemplo: - No masculino plural:
“Tinha as espáduas e o colo feitos de encomenda para os ves-
- Quase que não consigo chegar a tempo. tidos decotados.” (Machado de Assis)
- Elas é que conseguiram chegar. “Os arreios e as bagagens espalhados no chão, em roda.”
(Herman Lima)
Como Pronome, a palavra que pode ser: “Ainda assim, apareci com o rosto e as mãos muito marca-
dos.” (Carlos Povina Cavalcânti)
- Pronome Relativo: retoma um termo da oração antecedente, “...grande número de camareiros e camareiras nativos.” (Éri-
projetando-o na oração consequente. Equivale a o qual e flexões. co Veríssimo)
Exemplo: Não encontramos as pessoas que saíram.
- Com o substantivo mais próximo:
- Pronome Indefinido: nesse caso, pode funcionar como pro- A Marinha e o Exército brasileiro estavam alerta.
nome substantivo ou pronome adjetivo. Músicos e bailarinas ciganas animavam a festa.
“...toda ela (a casa) cheirando ainda a cal, a tinta e a barro
- Pronome Substantivo: equivale a que coisa. Quando for fresco.” (Humberto de Campos)
pronome substantivo, a palavra que exercerá as funções próprias “Meu primo estava saudoso dos tempos da infância e falava
do substantivo (sujeito, objeto direto, objeto indireto, etc.). Exem- dos irmãos e irmãs falecidas.” (Luís Henrique Tavares)
plo: Que aconteceu com você? - Anteposto aos substantivos, o adjetivo concorda, em geral,
com o mais próximo:
- Pronome Adjetivo: determina um substantivo. Nesse caso, “Escolhestes mau lugar e hora...” (Alexandre Herculano)
exerce a função sintática de adjunto adnominal. Exemplo: Que “...acerca do possível ladrão ou ladrões.” (Antônio Calado)
vida é essa? Velhas revistas e livros enchiam as prateleiras.
Velhos livros e revistas enchiam as prateleiras.
34-D
Seguem esta regra os pronomes adjetivos: A sua idade, sexo e
profissão.; Seus planos e tentativas.; Aqueles vícios e ambições.;
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL. Por que tanto ódio e perversidade?; “Seu Príncipe e filhos”. Mui-
tas vezes é facultativa a escolha desta ou daquela concordância,
mas em todos os casos deve subordinar-se às exigências da eufo-
nia, da clareza e do bom gosto.
A concordância consiste no mecanismo que leva as palavras
a adequarem-se umas às outras harmonicamente na construção - Quando dois ou mais adjetivos se referem ao mesmo subs-
frasal. É o princípio sintático segundo o qual as palavras depen- tantivo determinado pelo artigo, ocorrem dois tipos de constru-
dentes se harmonizam, nas suas flexões, com as palavras de que ção, um e outro legítimos. Exemplos:
dependem. Estudo as línguas inglesa e francesa.
“Concordar” significa “estar de acordo com”. Assim, na con- Estudo a língua inglesa e a francesa.
cordância, tanto nominal quanto verbal, os elementos que com- Os dedos indicador e médio estavam feridos.
põem a frase devem estar em consonância uns com os outros. O dedo indicador e o médio estavam feridos.
Essa concordância poderá ser feita de duas formas: grama-
tical ou lógica (segue os padrões gramaticais vigentes); atrativa - Os adjetivos regidos da preposição de, que se referem a
ou ideológica (dá ênfase a apenas um dos vários elementos, com pronomes neutros indefinidos (nada, muito, algo, tanto, que,
valor estilístico). etc.), normalmente ficam no masculino singular:

Didatismo e Conhecimento 62
LÍNGUA PORTUGUESA
Sua vida nada tem de misterioso. “Se eram necessárias obras, que se fizessem e largamente.”
Seus olhos têm algo de sedutor. (Eça de Queirós)
Todavia, por atração, podem esses adjetivos concordar com o “Seriam precisos outros três homens.” (Aníbal Machado)
substantivo (ou pronome) sujeito: “São precisos também os nomes dos admiradores.” (Carlos
“Elas nada tinham de ingênuas.” (José Gualda Dantas) de Laet)

Concordância do adjetivo predicativo com o sujeito: a con- Concordância do predicativo com o objeto: A concordância
cordância do adjetivo predicativo com o sujeito realiza-se con- do adjetivo predicativo com o objeto direto ou indireto subordina-
soante as seguintes normas: -se às seguintes regras gerais:

- O predicativo concorda em gênero e número com o sujeito - O adjetivo concorda em gênero e número com o objeto
simples: quando este é simples:
A ciência sem consciência é desastrosa. Vi ancorados na baía os navios petrolíferos.
Os campos estavam floridos, as colheitas seriam fartas. “Olhou para suas terras e viu-as incultas e maninhas.” (Car-
É proibida a caça nesta reserva. los de Laet)
O tribunal qualificou de ilegais as nomeações do ex-prefeito.
- Quando o sujeito é composto e constituído por substantivos A noite torna visíveis os astros no céu límpido.
do mesmo gênero, o predicativo deve concordar no plural e no
gênero deles: - Quando o objeto é composto e constituído por elementos
O mar e o céu estavam serenos. do mesmo gênero, o adjetivo se flexiona no plural e no gênero
A ciência e a virtude são necessárias. dos elementos:
“Torvos e ferozes eram o gesto e os meneios destes homens A justiça declarou criminosos o empresário e seus auxiliares.
sem disciplina,” (Alexandre Herculano) Deixe bem fechadas a porta e as janelas.

- Sendo o sujeito composto e constituído por substantivos de - Sendo o objeto composto e formado de elementos de gênero
gêneros diversos, o predicativo concordará no masculino plural: diversos, o adjetivo predicativo concordará no masculino plural:
O vale e a montanha são frescos. Tomei emprestados a régua e o compasso.
“O céu e as árvores ficariam assombrados.” (Machado de Achei muito simpáticos o príncipe e sua filha.
Assis) “Vi setas e carcás espedaçados”. (Gonçalves Dias)
Longos eram os dias e as noites para o prisioneiro. Encontrei jogados no chão o álbum e as cartas.
“O César e a irmã são louros.” (Antônio Olinto)
- Se anteposto ao objeto, poderá o predicativo, neste caso,
- Se o sujeito for representado por um pronome de tratamen- concordar com o núcleo mais próximo:
to, a concordância se efetua com o sexo da pessoa a quem nos É preciso que se mantenham limpas as ruas e os jardins.
referimos: Segue as mesmas regras o predicativo expresso pelos subs-
Vossa Senhoria ficará satisfeito, eu lhe garanto. tantivos variáveis em gênero e número: Temiam que as tomassem
“Vossa Excelência está enganado, Doutor Juiz.” (Ariano por malfeitoras; Considero autores do crime o comerciante e sua
Suassuna) empregada.
Vossas Excelências, senhores Ministros, são merecedores de
nossa confiança. Concordância do particípio passivo: Na voz passiva, o par-
Vossa Alteza foi bondoso. (com referência a um príncipe) ticípio concorda em gênero e número com o sujeito, como os ad-
O predicativo aparece às vezes na forma do masculino singu- jetivos:
lar nas estereotipadas locuções é bom, é necessário, é preciso, etc., Foi escolhida a rainha da festa.
embora o sujeito seja substantivo feminino ou plural: Foi feita a entrega dos convites.
Bebida alcoólica não é bom para o fígado. Os jogadores tinham sido convocados.
“Água de melissa é muito bom.” (Machado de Assis) O governo avisa que não serão permitidas invasões de pro-
“É preciso cautela com semelhantes doutrinas.” (Camilo Cas- priedades.
telo Branco)
“Hormônios, às refeições, não é mau.” (Aníbal Machado) Quando o núcleo do sujeito é, como no último exemplo, um
coletivo numérico, pode-se, em geral, efetuar a concordância com
Observe-se que em tais casos o sujeito não vem determinado o substantivo que o acompanha: Centenas de rapazes foram vis-
pelo artigo e a concordância se faz não com a forma gramatical da tos pedalando nas ruas; Dezenas de soldados foram feridos em
palavra, mas com o fato que se tem em mente: combate.
Tomar hormônios às refeições não é mau. Referindo-se a dois ou mais substantivos de gênero diferen-
É necessário ter muita fé. tes, o particípio concordará no masculino plural: Atingidos por
mísseis, a corveta e o navio foram a pique; “Mas achei natural que
Havendo determinação do sujeito, ou sendo preciso realçar o o clube e suas ilusões fossem leiloados.” (Carlos Drummond de
predicativo, efetua-se a concordância normalmente: Andrade)
É necessária a tua presença aqui. (= indispensável)

Didatismo e Conhecimento 63
LÍNGUA PORTUGUESA
Concordância do pronome com o nome: - Só. Como adjetivo, só [sozinho, único] concorda em número
com o substantivo. Como palavra denotativa de limitação, equiva-
- O pronome, quando se flexiona, concorda em gênero e nú- lente de apenas, somente, é invariável.
mero com o substantivo a que se refere: Eles estavam sós, na sala iluminada.
“Martim quebrou um ramo de murta, a folha da tristeza, e Esses dois livros, por si sós, bastariam para torná-los célebre.
deitou-o no jazido de sua esposa”. (José de Alencar) Elas só passeiam de carro.
“O velho abriu as pálpebras e cerrou-as logo.” (José de Alen- Só eles estavam na sala.
car)
Forma a locução a sós [=sem mais companhia, sozinho]: Es-
- O pronome que se refere a dois ou mais substantivos de gê- távamos a sós. Jesus despediu a multidão e subiu ao monte para
neros diferentes, flexiona-se no masculino plural: orar a sós.
“Salas e coração habita-os a saudade”” (Alberto de Oliveira)
“A generosidade, o esforço e o amor, ensinaste-os tu em toda - Possível. Usado em expressões superlativas, este adjetivo
a sua sublimidade.” (Alexandre Herculano) ora aparece invariável, ora flexionado:
Conheci naquela escola ótimos rapazes e moças, com os quais “A volta, esperava-nos sempre o almoço com os pratos mais
fiz boas amizades. requintados possível.” (Maria Helena Cardoso)
“Referi-me à catedral de Notre-Dame e ao Vesúvio familiar- “Estas frutas são as mais saborosas possível.” (Carlos Góis)
mente, como se os tivesse visto.” (Graciliano Ramos) “A mania de Alice era colecionar os enfeites de louça mais
grotescos possíveis.” (ledo Ivo)
Os substantivos sendo sinônimos, o pronome concorda com “... e o resultado obtido foi uma apresentação com movimen-
o mais próximo: “Ó mortais, que cegueira e desatino é o nosso!” tos os mais espontâneos possíveis.” (Ronaldo Miranda)
(Manuel Bernardes)
Como se vê dos exemplos citados, há nítida tendência, no
- Os pronomes um... outro, quando se referem a substantivos
português de hoje, para se usar, neste caso, o adjetivo possível no
de gênero diferentes, concordam no masculino:
plural. O singular é de rigor quando a expressão superlativa inicia
Marido e mulher viviam em boa harmonia e ajudavam-se um
com a partícula o (o mais, o menos, o maior, o menor, etc.)
ao outro.
Os prédios devem ficar o mais afastados possível.
“Repousavam bem perto um do outro a matéria e o espíri-
Ele trazia sempre as unhas o mais bem aparadas possível.
to.” (Alexandre Herculano)
O médico atendeu o maior número de pacientes possível.
Nito e Sônia casaram cedo: um por amor, o outro, por interesse.
- Adjetivos adverbiados. Certos adjetivos, como sério, claro,
A locução um e outro, referida a indivíduos de sexos diferen-
tes, permanece também no masculino: “A mulher do colchoeiro caro, barato, alto, raro, etc., quando usados com a função de advér-
escovou-lhe o chapéu; e, quando ele [Rubião] saiu, um e outro bios terminados em – mente, ficam invariáveis:
agradeceram-lhe muito o benefício da salvação do filho.” (Macha- Vamos falar sério. [sério = seriamente]
do de Assis) Penso que falei bem claro, disse a secretária.
Esses produtos passam a custar mais caro. [ou mais barato]
O substantivo que se segue às locuções um e outro e nem ou- Estas aves voam alto. [ou baixo]
tro fica no singular. Exemplos: Um e outro livro me agradaram;
Nem um nem outro livro me agradaram. Junto e direto ora funcionam como adjetivos, ora como ad-
vérbios:
Outros casos de concordância nominal: Registramos aqui “Jorge e Dante saltaram juntos do carro.” (José Louzeiro)
alguns casos especiais de concordância nominal: “Era como se tivessem estado juntos na véspera.” (Autram
Dourado).
- Anexo, incluso, leso. Como adjetivos, concordam com o “Elas moram junto há algum tempo.” (José Gualda Dantas)
substantivo em gênero e número: “Foram direto ao galpão do engenheiro-chefe.” (Josué Gui-
Anexa à presente, vai a relação das mercadorias. marães)
Vão anexos os pareceres das comissões técnicas.
Remeto-lhe, anexas, duas cópias do contrato. - Todo. No sentido de inteiramente, completamente, costuma-
Remeto-lhe, inclusa, uma fotocópia do recibo. -se flexionar, embora seja advérbio:
Os crimes de lesa-majestade eram punidos com a morte. Esses índios andam todos nus.
Ajudar esses espiões seria crime de lesa-pátria. Geou durante a noite e a planície ficou toda (ou todo) branca.
As meninas iam todas de branco.
Observação: Evite a locução espúria em anexo. A casinha ficava sob duas mangueiras, que a cobriam toda.

- A olhos vistos. Locução adverbial invariável. Significa visi- Mas admite-se também a forma invariável:
velmente. Fiquei com os cabelos todo sujos de terá.
“Lúcia emagrecia a olhos vistos”. (Coelho Neto) Suas mãos estavam todo ensangüentadas.
“Zito envelhecia a olhos vistos.” (Autren Dourado)

Didatismo e Conhecimento 64
LÍNGUA PORTUGUESA
- Alerta. Pela sua origem, alerta (=atentamente, de prontidão, 03. Complete os espaços com um dos nomes colocados nos
em estado de vigilância) é advérbio e, portanto, invariável: parênteses.
Estamos alerta. a) Será que é ____ essa confusão toda? (necessário/ necessária)
Os soldados ficaram alerta. b) Quero que todos fiquem ____. (alerta/ alertas)
“Todos os sentidos alerta funcionam.” (Carlos Drummond de c) Houve ____ razões para eu não voltar lá. (bastante/ bas-
Andrade) tantes)
“Os brasileiros não podem deixar de estar sempre alerta.” d) Encontrei ____ a sala e os quartos. (vazia/vazios)
(Martins de Aguiar) e) A dona do imóvel ficou ____ desiludida com o inquilino.
(meio/ meia)
Contudo, esta palavra é, atualmente, sentida antes como adje-
tivo, sendo, por isso, flexionada no plural:
Nossos chefes estão alertas. (=vigilantes) 04. “Na reunião do Colegiado, não faltou, no momento em
Papa diz aos cristãos que se mantenham alertas. que as discussões se tornaram mais violentas, argumentos e opi-
“Uma sentinela de guarda, olhos abertos e sentidos alertas, es- niões veementes e contraditórias.” No trecho acima, há uma infra-
perando pelo desconhecido...” (Assis Brasil, Os Crocodilos, p. 25) ção as normas de concordância.
a) Reescreva-o com devida correção.
- Meio. Usada como advérbio, no sentido de um pouco, esta b) Justifique a correção feita.
palavra é invariável. Exemplos:
A porta estava meio aberta. 05. Reescrever as frases abaixo, corrigindo-as quando neces-
As meninas ficaram meio nervosas. sário.
Os sapatos eram meio velhos, mas serviam. a) “Recebei, Vossa Excelência, os processos de nossa estima,
pois não podem haver cidadãos conscientes sem educação.”
- Bastante. Varia quando adjetivo, sinônimo de suficiente: b) “Os projetos que me enviaram estão em ordem; devolvê-
Não havia provas bastantes para condenar o réu. -los-ei ainda hoje, conforme lhes prometi.”
Duas malas não eram bastantes para as roupas da atriz.
06. Como no exercício anterior.
Fica invariável quando advérbio, caso em que modifica um a) “Ele informou aos colegas de que havia perdido os docu-
adjetivo:
mentos cuja originalidade duvidamos.”
As cordas eram bastante fortes para sustentar o peso.
Os emissários voltaram bastante otimistas. b) “Depois de assistir algumas aulas, eu preferia mais ficar no
“Levi está inquieto com a economia do Brasil. Vê que se apro- pátio do que continuar dentro da classe.”
ximam dias bastante escuros.” (Austregésilo de Ataíde)
07. A frase em que a concordância nominal está correta é:
- Menos. É palavra invariável: a) A vasta plantação e a casa grande caiados há pouco tempo
Gaste menos água. era o melhor sinal de prosperidade da família.
À noite, há menos pessoas na praça. b) Eles, com ar entristecidos, dirigiram-se ao salão onde se
encontravam as vítimas do acidente.
Exercícios c) Não lhe pareciam útil aquelas plantas esquisitas que ele cul-
tivava na sua pacata e linda chácara do interior.
01. Assinale a frase que encerra um erro de concordância no- d) Quando foi encontrado, ele apresentava feridos a perna e o
minal: braço direitos, mas estava totalmente lúcido.
a) Estavam abandonadas a casa, o templo e a vila. e) Esses livro e caderno não são meus, mas poderão ser impor-
b) Ela chegou com o rosto e as mãos feridas. tante para a pesquisa que estou fazendo.
c) Decorrido um ano e alguns meses, lá voltamos.
d) Decorridos um ano e alguns meses, lá voltamos. 08. Assinale a alternativa em que, pluralizando-se a frase, as
e) Ela comprou dois vestidos cinza.
palavras destacadas permanecem invariáveis:
a) Este é o meio mais exato para você resolver o problema:
02. Enumere a segunda coluna pela primeira (adjetivo pos-
posto): estude só.
(1) velhos b) Meia palavra, meio tom - índice de sua sensatez.
(2) velhas c) Estava só naquela ocasião; acreditei, pois em sua meia pro-
( ) camisa e calça. messa.
( ) chapéu e calça. d) Passei muito inverno só.
( ) calça e chapéu. e) Só estudei o elementar, o que me deixa meio apreensivo.
( ) chapéu e paletó.
( ) chapéu e camisa. 09. Aponte o erro de concordância nominal.
a) Andei por longes terras.
a) 1-2-1-1-2 b) Ela chegou toda machucada.
b) 2-2-1-1-2 c) Carla anda meio aborrecida.
c) 2-1-1-1-1 d) Elas não progredirão por si mesmo.
d) 1-2-2-2-2 e) Ela própria nos procurou.
e) 2-1-1-1-2

Didatismo e Conhecimento 65
LÍNGUA PORTUGUESA
10. Assinale o erro de concordância nominal. Sendo o sujeito composto e posposto ao verbo, este poderá
a) – Muito obrigada, disse ela. concordar no plural ou com o substantivo mais próximo:
b) Só as mulheres foram interrogadas. “Não fossem o rádio de pilha e as revistas, que seria de Eli-
c) Eles estavam só. sa?” (Jorge Amado)
d) Já era meio-dia e meia. “Enquanto ele não vinha, apareceram um jornal e uma vela.”
e) Sós, ficaram tristes. (Ricardo Ramos)
“Ali estavam o rio e as suas lavadeiras.” (Carlos Povina Ca-
Respostas:
valcânti)
01-A / 02-C
03. a) necessária b) alerta c) bastantes d) vazia e) meio ... casa abençoada onde paravam Deus e o primeiro dos seus
04. a) “Na reunião do colegiado, não faltaram, no momento ministros.” (Carlos de Laet)
em que as discussões se tornaram mais violentas, argumentos e Aconselhamos, nesse caso, usar o verbo no plural.
opiniões veementes e contraditórias.”
b) Concorda com o sujeito “argumentos e opiniões”. - O sujeito é composto e de pessoas diferentes
05. a) “Receba, Vossa Excelência, os protestos de nossa esti-
ma, pois não pode haver cidadãos conscientes sem a educação.” Se o sujeito composto for de pessoas diversas, o verbo se fle-
b)  A frase está correta. xiona no plural e na pessoa que tiver prevalência. (A 1ª pessoa
06. a) “Ele informou aos colegas que havia perdido (ou: ele prevalece sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª prevale sobre a 3ª):
informou os colegas de que havia perdido os documentos de cuja “Foi o que fizemos Capitu e eu.” (Machado de Assis) (ela e
originalidade duvidamos.” eu = nós)
b) “Depois de assistir algumas aulas, eu preferia ficar no “Tu e ele partireis juntos.” (Mário Barreto) (tu e ele = vós)
pátio a continuar dentro da classe.”
Você e meu irmão não me compreendem. (você e ele = vocês)
07-E / 08-E / 09-D / 10-C

Concordância Verbal Muitas vezes os escritores quebram a rigidez dessa regra:

O verbo concorda com o sujeito, em harmonia com as seguin- - Ora fazendo concordar o verbo com o sujeito mais próximo,
tes regras gerais: quando este se pospõe ao verbo:
“O que resta da felicidade passada és tu e eles.” (Camilo Cas-
- O sujeito é simples: O sujeito sendo simples, com ele con- telo Branco)
cordará o verbo em número e pessoa. Exemplos: “Faze uma arca de madeira; entra nela tu, tua mulher e teus
filhos.” (Machado de Assis)
Verbo depois do sujeito: - Ora preferindo a 3ª pessoa na concorrência tu + ele (tu +
“As saúvas eram uma praga.” (Carlos Povina Cavalcânti) ele = vocês em vez de tu + ele = vós):
“Tu não és inimiga dele, não? (Camilo Castelo Branco) “...Deus e tu são testemunhas...” (Almeida Garrett)
“Vós fostes chamados à liberdade, irmãos.” (São Paulo)
“Juro que tu e tua mulher me pagam.” (Coelho Neto)
Verbo antes do sujeito:
Acontecem tantas desgraças neste planeta! As normas que a seguir traçamos têm, muitas vezes, valor re-
Não faltarão pessoas que nos queiram ajudar. lativo, porquanto a escolha desta ou daquela concordância depen-
A quem pertencem essas terras? de, freqüentemente, do contexto, da situação e do clima emocional
que envolvem o falante ou o escrevente.
- O sujeito é composto e da 3ª pessoa
- Núcleos do sujeito unidos por ou
O sujeito, sendo composto e anteposto ao verbo, leva geral-
mente este para o plural. Exemplos: Há duas situações a considerar:
“A esposa e o amigo seguem sua marcha.” (José de Alencar)
“Poti e seus guerreiros o acompanharam.” (José de Alencar) - Se a conjunção ou indicar exclusão ou retificação, o verbo
“Vida, graça, novidade, escorriam-lhe da alma como de uma concordará com o núcleo do sujeito mais próximo:
fonte perene.” (Machado de Assis)
Paulo ou Antônio será o presidente.
O ladrão ou os ladrões não deixaram nenhum vestígio.
É licito (mas não obrigatório) deixar o verbo no singular:
- Quando o núcleo dos sujeitos são sinônimos: Ainda não foi encontrado o autor ou os autores do crime.
“A decência e honestidade ainda reinava.” (Mário Barreto) - O verbo irá para o plural se a idéia por ele expressa se refe-
“A coragem e afoiteza com que lhe respondi, perturbou-o...” rir ou puder ser atribuída a todos os núcleos do sujeito:
(Camilo Castelo Branco) “Era tão pequena a cidade, que um grito ou gargalhada forte
“Que barulho, que revolução será capaz de perturbar esta se- a atravessavam de ponta a ponta.” (Aníbal Machado) (Tanto um
renidade?” (Graciliano Ramos) grito como uma gargalhada atravessavam a cidade.)
- Quando os núcleos do sujeito formam sequência gradativa: “Naquela crise, só Deus ou Nossa Senhora podiam acudir-
Uma ânsia, uma aflição, uma angústia repentina começou a -lhe.” (Camilo Castelo Branco)
me apertar à alma.

Didatismo e Conhecimento 66
LÍNGUA PORTUGUESA
Há, no entanto, em bons autores, ocorrência de verbo no sin- “Tanto Noêmia como Reinaldo só mantinham relações de
gular: amizade com um grupo muito reduzido de pessoas.” (José Condé)
“A glória ou a vergonha da estirpe provinha de atos indivi- “Tanto a lavoura como a indústria da criação de gado não o
duais.” (Vivaldo Coaraci) demovem do seu objetivo.” (Cassiano Ricardo)
“Há dessas reminiscências que não descansam antes que a
pena ou a língua as publique.” (Machado de Assis) - Sujeitos resumidos por tudo, nada, ninguém: Quando o su-
“Um príncipe ou uma princesa não casa sem um vultoso jeito composto vem resumido por um dos pronomes, tudo, nada,
dote.” (Viriato Correia) ninguém, etc. o verbo concorda, no singular, com o pronome re-
sumidor. Exemplos:
- Núcleos do sujeito unidos pela preposição com: Usa-se Jogos, espetáculos, viagens, diversões, nada pôde satisfazê-lo.
mais frequentemente o verbo no plural quando se atribui a mesma “O entusiasmo, alguns goles de vinho, o gênio imperioso, es-
importância, no processo verbal, aos elementos do sujeito unidos touvado, tudo isso me levou a fazer uma coisa única.” (Machado
pela preposição com. Exemplos: de Assis)
Manuel com seu compadre construíram o barracão. Jogadores, árbitro, assistentes, ninguém saiu do campo.
“Eu com outros romeiros vínhamos de Vigo...” (Camilo Cas-
telo Branco) - Núcleos do sujeito designando a mesma pessoa ou coisa: O
“Ele com mais dois acercaram-se da porta.” (Camilo Castelo verbo concorda no singular quando os núcleos do sujeito designam
Branco) a mesma pessoa ou o mesmo ser. Exemplos:
“Aleluia! O brasileiro comum, o homem do povo, o João-
Pode se usar o verbo no singular quando se deseja dar relevân- -ninguém, agora é cédula de Cr$ 500,00!” (Carlos Drummond
cia ao primeiro elemento do sujeito e também quando o verbo vier Andrade)
antes deste. Exemplos: “Embora sabendo que tudo vai continuar como está, fica o
O bispo, com dois sacerdotes, iniciou solenemente a missa. registro, o protesto, em nome dos telespectadores.” (Valério An-
O presidente, com sua comitiva, chegou a Paris às 5h da tarde. drade)
“Já num sublime e público teatro se assenta o rei inglês com
Advogado e membro da instituição afirma que ela é corrupta.
toda a corte.” (Luís de Camarões)
- Núcleos do sujeito são infinitivos: O verbo concordará no
- Núcleos do sujeito unidos por nem: Quando o sujeito é for-
plural se os infinitivos forem determinados pelo artigo ou expri-
mado por núcleos no singular unidos pela conjunção nem, usa-se,
mirem idéias opostas; caso contrário, tanto é lícito usar o verbo no
comumente, o verbo no plural. Exemplos:
singular como no plural. Exemplos:
Nem a riqueza nem o poder o livraram de seus inimigos.
O comer e o beber são necessários.
Nem eu nem ele o convidamos.
“Nem o mundo, nem Deus teriam força para me constranger Rir e chorar fazem parte da vida
a tanto.” (Alexandre Herculano) Montar brinquedos e desmontá-los divertiam muito o menino.
“Nem a Bíblia nem a respeitabilidade lhe permitem praguejar “Já tinha ouvido que plantar e colher feijão não dava traba-
alto.” (Eça de Queirós) lho.” (Carlos Povina Cavalcânti) (ou davam)
É preferível a concordância no singular:
- Sujeito oracional: Concorda no singular o verbo cujo sujeito
- Quando o verbo precede o sujeito: é uma oração:
“Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, Ainda falta / comprar os cartões.
nem a pompa das folhas verdes...” (Machado de Assis) Predicado Sujeito Oracional
Não o convidei eu nem minha esposa.
“Na fazenda, atualmente, não se recusa trabalho, nem dinhei- Estas são realidades que não adianta esconder.
ro, nem nada a ninguém.” (Guimarães Rosa) Sujeito de adianta: esconder que (as realidades)

- Quando há exclusão, isto é, quando o fato só pode ser atri- - Sujeito Coletivo: O verbo concorda no singular com o sujei-
buído a um dos elementos do sujeito: to coletivo no singular. Exemplos:
Nem Berlim nem Moscou sediará a próxima Olimpíada. (Só A multidão vociferava ameaças.
uma cidade pode sediar a Olimpíada.) O exército dos aliados desembarcou no sul da Itália.
Nem Paulo nem João será eleito governador do Acre. (Só um Uma junta de bois tirou o automóvel do atoleiro.
candidato pode ser eleito governador.) Um bloco de foliões animava o centro da cidade.

- Núcleos do sujeito correlacionados: O verbo vai para o Se o coletivo vier seguido de substantivo plural que o espe-
plural quando os elementos do sujeito composto estão ligados por cifique e anteceder ao verbo, este poderá ir para o plural, quando
uma das expressões correlativas não só... mas também, não só se quer salientar não a ação do conjunto, mas a dos indivíduos,
como também, tanto...como, etc. Exemplos: efetuando-se uma concordância não gramatical, mas ideológica:
Não só a nação mas também o príncipe estariam pobres.” “Uma grande multidão de crianças, de velhos, de mulheres
(Alexandre Herculano) penetraram na caverna...” (Alexandre Herculano)
“Tanto a Igreja como o Estado eram até certo ponto inocen- “Uma grande vara de porcos que se afogaram de escantilhão
tes.” (Alexandre Herculano) no mar...” (Camilo Castelo Branco)

Didatismo e Conhecimento 67
LÍNGUA PORTUGUESA
“Reconheceu que era um par de besouros que zumbiam no “A baronesa era uma das pessoas que mais desconfiavam de
ar.” (Machado de Assis) nós.” (Machado de Assis)
“Havia na União um grupo de meninos que praticavam esse “Areteu da Capadócia era um dos muitos médicos gregos que
divertimento com uma pertinácia admirável.” (Carlos Povina Ca- viviam em Roma.” (Moacyr Scliar)
valcânti) Ele é desses charlatães que exploram a crendice humana.
- A maior parte de, grande número de, etc: Sendo o sujei-
to uma das expressões quantitativas a maior parte de, parte de, Essa é a concordância lógica, geralmente preferida pelos es-
a maioria de, grande número de, etc., seguida de substantivo ou critores modernos. Todavia, não é prática condenável fugir ao rigor
pronome no plural, o verbo, quando posposto ao sujeito, pode ir da lógica gramatical e usar o verbo da oração adjetiva no singular
para o singular ou para o plural, conforme se queira efetuar uma (fazendo-o concordar com a palavra um), quando se deseja desta-
concordância estritamente gramatical (com o coletivo singular) ou car o indivíduo do grupo, dando-se a entender que ele sobressaiu
uma concordância enfática, expressiva, com a idéia de pluralidade ou sobressai aos demais:
sugerida pelo sujeito. Exemplos: Ele é um desses parasitas que vive à custa dos outros.
“Foi um dos poucos do seu tempo que reconheceu a originali-
A maior parte dos indígenas respeitavam os pajés.” (Gilberto
dade e importância da literatura brasileira.” (João Ribeiro)
Freire)
“A maior parte dos doidos ali metidos estão em seu perfeito Há gramáticas que condenam tal concordância. Por coerência,
juízo.” (Machado de Assis) deveriam condenar também a comumente aceita em construções
“A maior parte das pessoas pedem uma sopa, um prato de anormais do tipo: Quais de vós sois isentos de culpa? Quantos de
carne e um prato de legumes.” (Ramalho Ortigão) nós somos completamente felizes? O verbo fica obrigatoriamente
“A maior parte dos nomes podem ser empregados em sentido no singular quando se aplica apenas ao indivíduo de que se fala,
definido ou em sentido indefinido.” (Mário Barreto) como no exemplo:
Jairo é um dos meus empregados que não sabe ler. (Jairo é o
Quando o verbo precede o sujeito, como nos dois últimos único empregado que não sabe ler.)
exemplos, a concordância se efetua no singular. Como se vê dos
exemplos supracitados, as duas concordâncias são igualmente legí- Ressalte-se porém, que nesse caso é preferível construir a fra-
timas, porque têm tradição na língua. Cabe a quem fala ou escreve se de outro modo:
escolher a que julgar mais adequada à situação. Pode-se, portanto, Jairo é um empregado meu que não sabe ler.
no caso em foco, usar o verbo no plural, efetuando a concordância Dos meus empregados, só Jairo não sabe ler.
não com a forma gramatical das palavras, mas com a ideia de plu-
ralidade que elas encerram e sugerem à nossa mente. Essa concor- Na linguagem culta formal, ao empregar as expressões em
dância ideológica é bem mais expressiva que a gramatical, como foco, o mais acertado é usar no plural o verbo da oração adjetiva:
se pode perceber relendo as frases citadas de Machado de Assis, O Japão é um dos países que mais investem em tecnologia.
Ramalho Ortigão, Ondina Ferreira e Aurélio Buarque de Holanda, Gandhi foi um dos que mais lutaram pela paz.
e cotejando-as com as dos autores que usaram o verbo no singular. O sertão cearense é uma das áreas que mais sofrem com as
- Um e outro, nem um nem outro: O sujeito sendo uma dessas secas.
expressões, o verbo concorda, de preferência, no plural. Exemplos: Heráclito foi um dos empresários que conseguiram superar
“Um e outro gênero se destinavam ao conhecimento...” (Her- a crise.
nâni Cidade)
“Um e outro descendiam de velhas famílias do Norte.” (Ma- Embora o caso seja diferente, é oportuno lembrar que, nas ora-
ções adjetivas explicativas, nas quais o pronome que é separado de
chado de Assis)
seu antecedente por pausa e vírgula, a concordância é determinada
Uma e outra família tinham (ou tinha) parentes no Rio.
pelo sentido da frase:
“Depois nem um nem outro acharam novo motivo para diá-
Um dos meninos, que estava sentado à porta da casa, foi cha-
logo.” (Fernando Namora) mar o pai. (Só um menino estava sentado.)
Um dos cinco homens, que assistiam àquela cena estupefatos,
- Um ou outro: O verbo concorda no singular com o sujeito soltou um grito de protesto. (Todos os cinco homens assistiam à
um ou outro: cena.)
“Respondi-lhe que um ou outro colar lhe ficava bem.” (Ma-
chado de Assis) - Mais de um: O verbo concorda, em regra, no singular. O plu-
“Uma ou outra pode dar lugar a dissentimentos.” (Machado ral será de rigor se o verbo exprimir reciprocidade, ou se o numeral
de Assis) for superior a um. Exemplos:
“Sempre tem um ou outro que vai dando um vintém.” (Raquel Mais de um excursionista já perdeu a vida nesta montanha.
de Queirós) Mais de um dos circunstantes se entreolharam com espanto.
Devem ter fugido mais de vinte presos.
- Um dos que, uma das que: Quando, em orações adjetivas
restritivas, o pronome que vem antecedido de um dos ou expres- - Quais de vós? Alguns de nós: Sendo o sujeito um dos prono-
são análoga, o verbo da oração adjetiva flexiona-se, em regra, no mes interrogativos quais? quantos? Ou um dos indefinidos alguns,
plural: muitos, poucos, etc., seguidos dos pronomes nós ou vós, o verbo
“O príncipe foi um dos que despertaram mais cedo.” (Ale- concordará, por atração, com estes últimos, ou, o que é mais lógi-
xandre Herculano) co, na 3ª pessoa do plural:

Didatismo e Conhecimento 68
LÍNGUA PORTUGUESA
“Quantos dentre nós a conhecemos?” (Rogério César Cer- - Concordância com certos substantivos próprios no plural:
queira) Certos substantivos próprios de forma plural, como Estados Uni-
“Quais de vós sois, como eu, desterrados...?” (Alexandre Her- dos, Andes, Campinas, Lusíadas, etc., levam o verbo para o plural
culano) quando se usam com o artigo; caso contrário, o verbo concorda no
“...quantos dentre vós estudam conscienciosamente o passa- singular.
do?” (José de Alencar) “Os Estados Unidos são o país mais rico do mundo.” (Eduar-
Alguns de nós vieram (ou viemos) de longe. do Prado)
Os Andes se estendem da Venezuela à Terra do Fogo.
Estando o pronome no singular, no singular (3ª pessoa) ficará “Os Lusíadas” imortalizaram Luís de Camões.
o verbo: Campinas orgulha-se de ter sido o berço de Carlos Gomes.
Qual de vós testemunhou o fato?
Nenhuma de nós a conhece. Tratando-se de títulos de obras, é comum deixar o verbo no
Nenhum de vós a viu? singular, sobretudo com o verbo ser seguido de predicativo no sin-
Qual de nós falará primeiro? gular:
“As Férias de El-Rei é o título da novela.” (Rebelo da Silva)
- Pronomes quem, que, como sujeitos: O verbo concordará, “As Valkírias mostra claramente o homem que existe por de-
em regra, na 3ª pessoa, com os pronomes quem e que, em frases trás do mago.” (Paulo Coelho)
como estas: “Os Sertões é um ensaio sociológico e histórico...” (Celso
Sou eu quem responde pelos meus atos. Luft)
Somos nós quem leva o prejuízo.
Eram elas quem fazia a limpeza da casa. A concordância, neste caso, não é gramatical, mas ideológica,
“Eras tu quem tinha o dom de encantar-me.” (Osmã Lins) porque se efetua não com a palavra (Valkírias, Sertões, Férias de
El-Rei), mas com a ideia por ela sugerida (obra ou livro). Ressalte-
Todavia, a linguagem enfática justifica a concordância com o -se, porém, que é também correto usar o verbo no plural:
sujeito da oração principal: As Valkírias mostram claramente o homem...
“Sou eu quem prendo aos céus a terra.” (Gonçalves Dias) “Os Sertões são um livro de ciência e de paixão, de análise e
“Não sou eu quem faço a perspectiva encolhida.” (Ricardo de protesto.” (Alfredo Bosi)
Ramos)
“És tu quem dás frescor à mansa brisa.” (Gonçalves Dias) - Concordância do verbo passivo: Quando apassivado pelo
“Nós somos os galegos que levamos a barrica.” (Camilo Cas- pronome apassivador se, o verbo concordará normalmente com o
telo Branco) sujeito:
Vende-se a casa e compram-se dois apartamentos.
A concordância do verbo precedido do pronome relativo que Gataram-se milhões, sem que se vissem resultados concretos.
far-se-á obrigatoriamente com o sujeito do verbo (ser) da oração “Correram-se as cortinas da tribuna real.” (Rebelo da Silva)
principal, em frases do tipo: “Aperfeiçoavam-se as aspas, cravavam-se pregos necessá-
Sou eu que pago. rios à segurança dos postes...” (Camilo Castelo Branco)
És tu que vens conosco?
Somos nós que cozinhamos. Na literatura moderna há exemplos em contrário, mas que não
Eram eles que mais reclamavam. devem ser seguidos:
“Vendia-se seiscentos convites e aquilo ficava cheio.” (Ricar-
Em construções desse tipo, é lícito considerar o verbo ser e a do Ramos)
palavra que como elementos expletivos ou enfatizantes, portanto “Em Paris há coisas que não se entende bem.” (Rubem Braga)
não necessários ao enunciado. Assim:
Sou eu que pago. (=Eu pago) Nas locuções verbais formadas com os verbos auxiliares po-
Somos nós que cozinhamos. (=Nós cozinhamos) der e dever, na voz passiva sintética, o verbo auxiliar concordará
Foram os bombeiros que a salvaram. (= Os bombeiros a sal- com o sujeito. Exemplos:
varam.) Não se podem cortar essas árvores. (sujeito: árvores; locução
Seja qual for a interpretação, o importante é saber que, neste verbal: podem cortar)
caso, tanto o verbo ser como o outro devem concordar com o pro- Devem-se ler bons livros. (=Devem ser lidos bons livros) (su-
nome ou substantivo que precede a palavra que. jeito: livros; locução verbal: devem-se ler)
“Nem de outra forma se poderiam imaginar façanhas me-
- Concordância com os pronomes de tratamento: Os prono- moráveis como a do fabuloso Aleixo Garcia.” (Sérgio Buarque de
mes de tratamento exigem o verbo na 3ª pessoa, embora se refira à Holanda)
2ª pessoa do discurso: “Em Santarém há poucas casas particulares que se possam
Vossa Excelência agiu com moderação. dizer verdadeiramente antigas.” (Almeida Garrett)
Vossas Excelências não ficarão surdos à voz do povo.
“Espero que V.Sª. não me faça mal.” (Camilo Castelo Branco) Entretanto, pode-se considerar sujeito do verbo principal a
“Vossa Majestade não pode consentir que os touros lhe matem oração iniciada pelo infinitivo e, nesse caso, não há locução verbal
o tempo e os vassalos.” (Rebelo da Silva) e o verbo auxiliar concordará no singular. Assim:

Didatismo e Conhecimento 69
LÍNGUA PORTUGUESA
Não se pode cortar essas árvores. (sujeito: cortar essas árvo- - Concordância do verbo ser: O verbo de ligação ser concor-
res; predicado: não se pode) da com o predicativo nos seguintes casos:
Deve-se ler bons livros. (sujeito: ler bons livros; predicado:
deve-se) - Quando o sujeito é um dos pronomes tudo, o, isto, isso, ou
aquilo:
Em síntese: de acordo com a interpretação que se escolher, “Tudo eram hipóteses.” (Ledo Ivo)
tanto é lícito usar o verbo auxiliar no singular como no plural. “Tudo isto eram sintomas graves.” (Machado de Assis)
Portanto: Na mocidade tudo são esperanças.
Não se podem (ou pode) cortar essas árvores. “Não, nem tudo são dessemelhanças e contrastes entre Brasil
Devem-se (ou deve-se) ler bons livros. e Estados Unidos.” (Viana Moog)
“Quando se joga, deve-se aceitar as regras.” (Ledo Ivo)
“Concluo que não se devem abolir as loterias.” (Machado de A concordância com o sujeito, embora menos comum, é tam-
Assis) bém lícita:
“Tudo é flores no presente.” (Gonçalves Dias)
- Verbos impessoais: Os verbos haver, fazer (na indicação do “O que de mim posso oferecer-lhe é espinhos da minha co-
tempo), passar de (na indicação de horas), chover e outros que roa.” (Camilo Castelo Branco)
exprimem fenômenos meteorológicos, quando usados como im-
pessoais, ficam na 3ª pessoa do singular: O verbo ser fica no singular quando o predicativo é formado
“Não havia ali vizinhos naquele deserto.” (Monteiro Lobato) de dois núcleos no singular:
“Havia já dois anos que nos não víamos.” (Machado de Assis) “Tudo o mais é soledade e silêncio.” (Ferreira de Castro)
“Aqui faz verões terríveis.” (Camilo Castelo Branco)
“Faz hoje ao certo dois meses que morreu na forca o tal mal- - Quando o sujeito é um nome de coisa, no singular, e o predi-
vado...” (Camilo Castelo Branco) cativo um substantivo plural:
“A cama são umas palhas.” (Camilo Castelo Branco)
Observações:
“A causa eram os seus projetos.” (Machado de Assis)
“Vida de craque não são rosas.” (Raquel de Queirós)
- Também fica invariável na 3ª pessoa do singular o verbo que
Sua salvação foram aquelas ervas.
forma locução com os verbos impessoais haver ou fazer:
Deverá haver cinco anos que ocorreu o incêndio.
O sujeito sendo nome de pessoa, com ele concordará o verbo ser:
Vai haver grandes festas.
Emília é os encantos de sua avó.
Há de haver, sem dúvida, fortíssimas razões para ele não acei-
Abílio era só problemas.
tar o cargo.
Começou a haver abusos na nova administração. Dá-se também a concordância no singular com o sujeito que:
“Ergo-me hoje para escrever mais uma página neste Diário
- o verbo chover, no sentido figurado (= cair ou sobrevir em que breve será cinzas como eu.” (Camilo Castelo Branco)
grande quantidade), deixa de ser impessoal e, portanto concordará
com o sujeito: - Quando o sujeito é uma palavra ou expressão de sentido
Choviam pétalas de flores. coletivo ou partitivo, e o predicativo um substantivo no plural:
“Sou aquele sobre quem mais têm chovido elogios e diatri- “A maioria eram rapazes.” (Aníbal Machado)
bes.” (Carlos de Laet) A maior parte eram famílias pobres.
“Choveram comentários e palpites.” (Carlos Drummond de O resto (ou o mais) são trastes velhos.
Andrade) “A maior parte dessa multidão são mendigos.” (Eça de Queirós)
“E nem lá (na Lua) chovem meteoritos, permanentemente.”
(Raquel de Queirós) - Quando o predicativo é um pronome pessoal ou um substan-
tivo, e o sujeito não é pronome pessoal reto:
- Na língua popular brasileira é generalizado o uso de ter, “O Brasil, senhores, sois vós.” (Rui Barbosa)
impessoal, por haver, existir. Nem faltam exemplos em escritores “Nas minhas terras o rei sou eu.” (Alexandre Herculano)
modernos: “O dono da fazenda serás tu.” (Said Ali)
“No centro do pátio tem uma figueira velhíssima, com um “...mas a minha riqueza eras tu.” (Camilo Castelo Branco)
banco embaixo.” (José Geraldo Vieira)
“Soube que tem um cavalo morto, no quintal.” (Carlos Drum- Mas: Eu não sou ele. Vós não sois eles. Tu não és ele.
mond de Andrade)
Esse emprego do verbo ter, impessoal, não é estranho ao por- - Quando o predicativo é o pronome demonstrativo o ou a
tuguês europeu: “É verdade. Tem dias que sai ao romper de alva palavra coisa:
e recolhe alta noite, respondeu Ângela.” (Camilo Castelo Branco) Divertimentos é o que não lhe falta.
(Tem = Há) “Os bastidores é só o que me toca.” (Correia Garção)
“Mentiras, era o que me pediam, sempre mentiras.” ( Fernan-
- Existir não é verbo impessoal. Portanto: do Namora)
Nesta cidade existem ( e não existe) bons médicos. “Os responsórios e os sinos é coisa importuna em Tibães.”
Não deviam (e não devia) existir crianças abandonadas. (Camilo Castelo Branco)

Didatismo e Conhecimento 70
LÍNGUA PORTUGUESA
- Nas locuções é muito, é pouco, é suficiente, é demais, é mais - Era uma vez: Por tradição, mantém-se invariável a expres-
que (ou do que), é menos que (ou do que), etc., cujo sujeito expri- são inicial de histórias era uma vez, ainda quando seguida de subs-
me quantidade, preço, medida, etc.: tantivo plural: Era uma vez dois cavaleiros andantes.
“Seis anos era muito.” (Camilo Castelo Branco)
Dois mil dólares é pouco. - A não ser: É geralmente considerada locução invariável,
Cinco mil dólares era quanto bastava para a viagem. equivalente a exceto, salvo, senão. Exemplos:
Doze metros de fio é demais. Nada restou do edifício, a não ser escombros.
A não ser alguns pescadores, ninguém conhecia aquela praia.
- Na indicação das horas, datas e distância , o verbo ser é “Nunca pensara no que podia sair do papel e do lápis, a não
impessoal (não tem sujeito) e concordará com a expressão desig- ser bonecos sem pescoço...” (Carlos Drummond de Andrade)
nativa de hora, data ou distância:
Era uma hora da tarde. Mas não constitui erro usar o verbo ser no plural, fazendo-o
“Era hora e meia, foi pôr o chapéu.” (Eça de Queirós) concordar com o substantivo seguinte, convertido em sujeito da
“Seriam seis e meia da tarde.” ( Raquel de Queirós) oração infinitiva. Exemplos:
“Eram duas horas da tarde.” (Machado de Assis) “As dissipações não produzem nada, a não serem dívidas e
desgostos.” (Machado de Assis)
Observações: “A não serem os antigos companheiros de mocidade, nin-
guém o tratava pelo nome próprio.” (Álvaro Lins)
- Pode-se, entretanto na linguagem espontânea, deixar o ver- “A não serem os críticos e eruditos, pouca gente manuseia
bo no singular, concordando com a idéia implícita de “dia”: hoje... aquela obra.” (Latino Coelho)
“Hoje é seis de março.” (J. Matoso Câmara Jr.) (Hoje é dia
seis de março.) - Haja vista: A expressão correta é haja vista, e não haja visto.
“Hoje é dez de janeiro.” (Celso Luft) Pode ser construída de três modos:
Hajam vista os livros desse autor. (= tenham vista, vejam-se)
Haja vista os livros desse autor. (= por exemplo, veja)
- Estando a expressão que designa horas precedida da locu-
Haja vista aos livros desse autor. (= olhe-se para, atente-se
ção perto de, hesitam os escritores entre o plural e o singular:
para os livros)
“Eram perto de oito horas.” (Machado de Assis)
A primeira construção (que é a mais lógica) analisa-se deste
“Era perto de duas horas quando saiu da janela.” (Machado
modo.
de Assis)
Sujeito: os livros; verbo hajam (=tenham); objeto direto: vista.
“...era perto das cinco quando saí.” (Eça de Queirós)
A situação é preocupante; hajam vista os incidentes de sábado.
Seguida de substantivo (ou pronome) singular, a expressão,
- O verbo passar, referente a horas, fica na 3ª pessoa do sin-
evidentemente, permanece invariável: A situação é preocupante;
gular, em frases como: Quando o trem chegou, passava das sete haja vista o incidente de sábado.
horas.
- Bem haja. Mal haja: Bem haja e mal haja usam-se em fra-
- Locução de realce é que: O verbo ser permanece invariável ses optativas e imprecativas, respectivamente. O verbo concordará
na expressão expletiva ou de realce é que: normalmente com o sujeito, que vem sempre posposto:
Eu é que mantenho a ordem aqui. (= Sou eu que mantenho a “Bem haja Sua Majestade!” (Camilo Castelo Branco)
ordem aqui.) Bem hajam os promovedores dessa campanha!
Nós é que trabalhávamos. (= Éramos nós que trabalhávamos) “Mal hajam as desgraças da minha vida...” (Camilo Castelo
As mães é que devem educá-los. (= São as mães que devem Branco)
educá-los.) - Concordância dos verbos bater, dar e soar: Referindo-se
Os astros é que os guiavam. (= Eram os astros que os guia- às horas, os três verbos acima concordam regularmente com o su-
vam.) jeito, que pode ser hora, horas (claro ou oculto), badaladas ou
relógio:
Da mesma forma se diz, com ênfase: “Nisto, deu três horas o relógio da botica.” (Camilo Castelo
“Vocês são muito é atrevidos.” (Raquel de Queirós) Branco)
“Sentia era vontade de ir também sentar-me numa cadeira “Bateram quatro da manhã em três torres a um tempo...”
junto do palco.” (Graciliano Ramos) (Mário Barreto)
“Por que era que ele usava chapéu sem aba?” (Graciliano Ramos) “Tinham batido quatro horas no cartório do tabelião Vaz Nu-
nes.” (Machado de Assis)
Observação: O verbo ser é impessoal e invariável em constru- “Deu uma e meia.” (Said Ali)
ções enfáticas como:
Era aqui onde se açoitavam os escravos. (= Aqui se açoitavam Pasar, com referência a horas, no sentido de ser mais de, é
os escravos.) verbo impessoal, por isso fica na 3ª pessoa do singular: Quando
Foi então que os dois se desentenderam. (= Então os dois se chegamos ao aeroporto, passava das 16 horas; Vamos, já passa
desentenderam.) das oito horas – disse ela ao filho.

Didatismo e Conhecimento 71
LÍNGUA PORTUGUESA
- Concordância do verbo parecer: Em construções com o Meio milhão de refugiados se aproximam da fronteira do Irã.
verbo parecer seguido de infinitivo, pode-se flexionar o verbo pa- Meio milhão de pessoas foram às ruas para reverenciar os
recer ou o infinitivo que o acompanha: mártires da resistência.
As paredes pareciam estremecer. (construção corrente)
As paredes parecia estremecerem. (construção literária) Observações:

Análise da construção dois: parecia: oração principal; as pare- - Milhão, bilhão e milhar são substantivos masculinos. Por
des estremeceram: oração subordinada substantiva subjetiva. isso, devem concordar no masculino os artigos, numerais e pro-
Outros exemplos: nomes que os precedem: os dois milhões de pessoas; os três mi-
“Nervos... que pareciam estourar no minuto seguinte.” (Fer- lhares de plantas; alguns milhares de telhas; esses bilhões de
nando Namora) criaturas, etc.
“Referiu-me circunstâncias que parece justificarem o proce- - Se o sujeito da oração for milhões, o particípio ou o adjeti-
dimento do soberano.” (Latino Coelho) vo podem concordar, no masculino, com milhões, ou, por atração,
“As lágrimas e os soluços parecia não a deixarem prosse- no feminino, com o substantivo feminino plural: Dois milhões de
guir.” (Alexandre Herculano) sacas de soja estão ali armazenados (ou armazenadas) no pró-
“...quando as estrelas, em ritmo moroso, parecia caminha- ximo ano. Foram colhidos três milhões de sacas de trigo. Os dois
rem no céu.” (Graça Aranha) milhões de árvores plantadas estão altas e bonitas.

Usando-se a oração desenvolvida, parecer concordará no sin- - Concordância com numerais fracionários: De regra, a con-
gular: cordância do verbo efetua-se com o numerador. Exemplos:
“Mesmo os doentes parece que são mais felizes.” (Cecília “Mais ou menos um terço dos guerrilheiros ficou atocaiado
Meireles) perto...” (Autran Dourado)
“Outros, de aparência acabadiça, parecia que não podiam “Um quinto dos bens cabe ao menino.” (José Gualda Dantas)
com a enxada.” (José Américo) Dois terços da população vivem da agricultura.
“As notícias parece que têm asas.” (Oto Lara Resende) (Isto
é: Parece que as notícias têm asas.) Não nos parece, entretanto, incorreto usar o verbo no plural,
quando o número fracionário, seguido de substantivo no plural,
Essa dualidade de sintaxe verifica-se também com o verbo ver tem o numerador 1, como nos exemplos:
na voz passiva: “Viam-se entrar mulheres e crianças.” Ou “Via- Um terço das mortes violentas no campo acontecem no sul
-se entrarem mulheres e crianças.” do Pará.
Um quinto dos homens eram de cor escura.
- Concordância com o sujeito oracional: O verbo cujo sujeito
é uma oração concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular: - Concordância com percentuais: O verbo deve concordar
Parecia / que os dois homens estavam bêbedos. com o número expresso na porcentagem:
Verbo sujeito (oração subjetiva) Só 1% dos eleitores se absteve de votar.
Faltava / dar os últimos retoques. Só 2% dos eleitores se abstiveram de votar.
Verbo sujeito (oração subjetiva) Foram destruídos 20% da mata.
“Cerca de 40% do território ficam abaixo de 200 metros.”
Outros exemplos, com o sujeito oracional em destaque: (Antônio Hauaiss)
Não me interessa ouvir essas parlendas.
Anotei os livros que faltava adquirir. (faltava adquirir os livros) Em casos como o da última frase, a concordância efetua-se,
Esses fatos, importa (ou convém) não esquecê-los. pela lógica, no feminino (oitenta e duas entre cem mulheres), ou,
São viáveis as reformas que se intenta implantar? seguindo o uso geral, no masculino, por se considerar a porcenta-
gem um conjunto numérico invariável em gênero.
- Concordância com sujeito indeterminado: O pronome se,
pode funcionar como índice de indeterminação do sujeito. Nesse - Concordância com o pronome nós subentendido: O verbo
caso, o verbo concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular. concorda com o pronome subentendido nós em frases do tipo:
Exemplos; Todos estávamos preocupados. (= Todos nós estávamos
Em casa, fica-se mais à vontade. preocupados.)
Detesta-se (e não detestam-se) aos indivíduos falsos. Os dois vivíamos felizes. (=Nós dois vivíamos felizes.)
Acabe-se de vez com esses abusos! “Ficamos por aqui, insatisfeitos, os seus amigos.” (Carlos
Para ir de São Paulo a Curitiba, levava-se doze horas. Drummond de Andrade)

- Concordância com os numerais milhão, bilhão e trilhão: - Não restam senão ruínas: Em frases negativas em que se-
Estes substantivos numéricos, quando seguidos de substantivo no não equivale a mais que, a não ser, e vem seguido de substantivo
plural, levam, de preferência, o verbo ao plural. Exemplos: no plural, costuma-se usar o verbo no plural, fazendo-o concordar
Um milhão de fiéis agruparam-se em procissão. com o sujeito oculto outras coisas. Exemplos:
São gastos ainda um milhão de dólares por ano para a manu- Do antigo templo grego não restam senão ruínas. (Isto é: não
tenção de cada Ciep. restam outras coisas senão ruínas.)

Didatismo e Conhecimento 72
LÍNGUA PORTUGUESA
Da velha casa não sobraram senão escombros. 05. Indique a alternativa em que há erro:
“Para os lados do sul e poente, não se viam senão edifícios a) Os fatos falam por si sós.
queimados.” (Alexandre Herculano) b) A casa estava meio desleixada.
“Por toda a parte não se ouviam senão gemidos ou clamores.” c) Os livros estão custando cada vez mais caro.
(Rebelo da Silva) d) Seus apartes eram sempre o mais pertinentes possíveis.
e) Era a mim mesma que ele se referia, disse a moça.
Segundo alguns autores, pode-se, em tais frases, efetuar a con-
cordância do verbo no singular com o sujeito subentendido nada:
Do antigo templo grego não resta senão ruínas. (Ou seja: não 06. Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal:
resta nada, senão ruínas.) a) Soava seis horas no relógio da matriz quando eles chega-
Ali não se via senão (ou mais que) escombros. ram.
As duas interpretações são boas, mas só a primeira tem tradi- b) Apesar da greve, diretores, professores, funcionários, nin-
ção na língua. guém foram demitidos.
c) José chegou ileso a seu destino, embora houvessem muitas
- Concordância com formas gramaticais: Palavras no plu- ciladas em seu caminho.
ral com sentido gramatical e função de sujeito exigem o verbo no d) Fomos nós quem resolvemos aquela questão.
singular: e) O impetrante referiu-se aos artigos 37 e 38 que ampara sua
“Elas” é um pronome pessoal. (= A palavra elas é um pronome
petição.
pessoal.)
Na placa estava “veiculos”, sem acento.
“Contudo, mercadores não tem a força de vendilhões.” (Ma- 07. A concordância verbal está correta na alternativa:
chado de Assis) a) Ela o esperava já faziam duas semanas.
b) Na sua bolsa haviam muitas moedas de ouro.
- Mais de, menos de: O verbo concorda com o substantivo que c) Eles parece estarem doentes.
se segue a essas expressões: d) Devem haver aqui pessoas cultas.
Mais de cem pessoas perderam suas casas, na enchente. e) Todos parecem terem ficado tristes.
Sobrou mais de uma cesta de pães.
Gastaram-se menos de dois galões de tinta. 08. É provável que ....... vagas na academia, mas não ....... pes-
Menos de dez homens fariam a colheita das uvas.
soas interessadas: são muitas as formalidades a ....... cumpridas.
a) hajam - existem - ser
Exercícios
b) hajam - existe - ser
01. Indique a opção correta, no que se refere à concordância c) haja - existem - serem
verbal, de acordo com a norma culta: d) haja - existe - ser
a) Haviam muitos candidatos esperando a hora da prova. e) hajam - existem - serem
b) Choveu pedaços de granizo na serra gaúcha.
c) Faz muitos anos que a equipe do IBGE não vem aqui. 09. ....... de exigências! Ou será que não ....... os sacrifícios que
d) Bateu três horas quando o entrevistador chegou. ....... por sua causa?
e) Fui eu que abriu a porta para o agente do censo. a) Chega - bastam - foram feitos
b) Chega - bastam - foi feito
02. Assinale a frase em que há erro de concordância verbal:
c) Chegam - basta - foi feito
a) Um ou outro escravo conseguiu a liberdade.
b) Não poderia haver dúvidas sobre a necessidade da imigração. d) Chegam - basta - foram feitos
c) Faz mais de cem anos que a Lei Áurea foi assinada. e) Chegam - bastam - foi feito
d) Deve existir problemas nos seus documentos.
e) Choveram papéis picados nos comícios. 10. Soube que mais de dez alunos se ....... a participar dos
jogos que tu e ele ......
03. Assinale a opção em que há concordância inadequada: a) negou – organizou
a) A maioria dos estudiosos acha difícil uma solução para o b) negou – organizastes
problema. c) negaram – organizaste
b) A maioria dos conflitos foram resolvidos. d) negou – organizaram
c) Deve haver bons motivos para a sua recusa. e) negaram - organizastes
d) De casa à escola é três quilômetros.
e) Nem uma nem outra questão é difícil.
Respostas: (01-C) (02-D) (03-D) (04-D) (05-D) (06-D) (07-
04. Há erro de concordância em: C) (08-C) (09-A) (10-E)
a) atos e coisas más
b) dificuldades e obstáculo intransponível
c) cercas e trilhos abandonados
d) fazendas e engenho prósperas
e) serraria e estábulo conservados

Didatismo e Conhecimento 73
LÍNGUA PORTUGUESA
- horror a, de: Tinha horror a quiabo refogado.
REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL. - hostil: a, para com.
- impróprio para: O filme era impróprio para menores.
- inerente: a.
- junto a, com, de: Junto com o material, encontrei este do-
cumento.
Regência Nominal - lento: em.
- necessário a, para: A medida foi necessária para acabar com
Regência nominal é a relação de dependência que se estabele- tanta dúvida.
ce entre o nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e o termo por - passível de: As regras são passíveis de mudanças.
ele regido. Certos substantivos e adjetivos admitem mais de uma - preferível a: Tudo era preferível à sua queixa.
regência. Na regência nominal o principal papel é desempenhado - próximo: a, de.
pela preposição. - rente: a.
No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que - residente: em.
vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos - respeito a, com, de, entre, para com, por: É necessário o
de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses respeito às leis.
casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: - satisfeito: com, de, em, por.
- semelhante: a.
Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem
- sensível: a.
complementos introduzidos pela preposição “a”.
- sito em: O apartamento sito em Brasília foi vendido.
Obedecer a algo/ a alguém. - situado em: Minha casa está situada na Avenida Internacional.
Obediente a algo/ a alguém. - suspeito: de.
- útil: a, para.
Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da pre- - vazio: de.
posição ou preposições que os regem. Observe-os atentamente e - versado: em.
procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a - vizinho: a, de.
algum verbo cuja regência você conhece.
Exercícios
- acessível a: Este cargo não é acessível a todos.
- acesso a, para: O acesso para a região ficou impossível. 01. O projeto.....estão dando andamento é incompatível.....tra-
- acostumado a, com: Todos estavam acostumados a ouvi-lo. dições da firma.
- adaptado a: Foi difícil adaptar-me a esse clima. a) de que, com as
- afável com, para com: Tinha um jeito afável para com os b) a que, com as
turistas. c) que, as
- aflito: com, por. d) à que, às
- agradável a, de: Sua saída não foi agradável à equipe. e) que, com as
- alheio: a, de.
- aliado: a, com. 02. Quanto a amigos, prefiro João.....Paulo,.....quem sinto......
- alusão a: O professor fez alusão à prova final. simpatia.
- amor a, por: Ele demonstrava grande amor à namorada. a) a, por, menos
- análogo: a. b) do que, por, menos
- antipatia a, por: Sentia antipatia por ela. c) a, para, menos
- apto a, para: Estava apto para ocupar o cargo. d) do que, com, menos
- atenção a, com, para com: Nunca deu atenção a ninguém. e) do que, para, menos
- aversão a, por: Sempre tive aversão à política.
03. Assinale a opção em que todos adjetivos podem ser segui-
- benéfico a, para: A reforma foi benéfica a todos.
dos pela mesma preposição:
- certeza de, em: A certeza de encontrá-lo novamente a ani-
a) ávido, bom, inconsequente
mou. b) indigno, odioso, perito
- coerente: com. c) leal, limpo, oneroso
- compatível: com. d) orgulhoso, rico, sedento
- contíguo: a. e) oposto, pálido, sábio
- desprezo: a, de, por.
- dúvida em sobre: Anotou todas as dúvidas sobre a questão dada. 04. “As mulheres da noite,......o poeta faz alusão a colorir Ara-
- empenho: de, em, por. caju,........coração bate de noite, no silêncio”. A opção que comple-
- equivalente: a. ta corretamente as lacunas da frase acima é:
- favorável a: Sou favorável à sua candidatura. a) as quais, de cujo
- fértil: de, em. b) a que, no qual
- gosto de, em: Tenho muito gosto em participar desta brin- c) de que, o qual
cadeira. d) às quais, cujo
- grato a: Grata a todos que me ensinaram a ensinar. e) que, em cujo

Didatismo e Conhecimento 74
LÍNGUA PORTUGUESA
05. Assinale a alternativa correta quanto à regência: No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo
a) A peça que assistimos foi muito boa. caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A oração “Cheguei
b) Estes são os livros que precisamos. no metrô”, popularmente usada a fim de indicar o lugar a que se
c) Esse foi um ponto que todos se esqueceram. vai, possui, no padrão culto da língua, sentido diferente. Aliás, é
d) Guimarães Rosa é o escritor que mais aprecio. muito comum existirem divergências entre a regência coloquial,
e) O ideal que aspiramos é conhecido por todos. cotidiana de alguns verbos, e a regência culta.

06. Assinale a alternativa que contém as respostas corretas. Abdicar: renunciar ao poder, a um cargo, título desistir. Pode
I. Visando apenas os seus próprios interesses, ele, involunta- ser intransitivo (VI não exige complemento) / transitivo direto
riamente, prejudicou toda uma família. (TD) ou transitivo indireto (TI + preposição): D. Pedro abdi-
II. Como era orgulhoso, preferiu declarar falida a firma a acei- cou em 1831. (VI); A vencedora abdicou o seu direto de rainha.
tar qualquer ajuda do sogro. (VTD); Nunca abdicarei de meus direitos. (VTI)
III. Desde criança sempre aspirava a uma posição de destaque,
embora fosse tão humilde. Abraçar: emprega-se sem / sem preposição no sentido de
IV. Aspirando o perfume das centenas de flores que enfeita- apertar nos braços: A mãe abraçou-a com ternura. (VTD); Abra-
vam a sala, desmaiou. çou-se a mim, chorando. (VTI)
a) II, III, IV
b) I, II, III Agradar: emprega-se com preposição no sentido de conten-
e) I, III, IV tar, satisfazer.(VTI): A banda Legião Urbana agrada aos jovens.
d) I, III (VTI); Emprega-se sem preposição no sentido de acariciar, mimar:
e) I, II Márcio agradou a esposa com um lindo presente. (VTD)
07. Assinale o item em que há erro quanto à regência: Ajudar: emprega-se sem preposição; objeto direto de pessoa:
a) São essas as atitudes de que discordo. Eu ajudava-a no serviço de casa. (VTD)
b) Há muito já lhe perdoei.
c) Informo-lhe de que paguei o colégio.
Aludir: (=fazer alusão, referir-se a alguém), emprega-se com
d) Costumo obedecer a preceitos éticos.
preposição: Na conversa aludiu vagamente ao seu novo projeto.
e) A enfermeira assistiu irrepreensivelmente o doente.
(VTI)
08. Dentre as frases abaixo, uma apenas apresenta a regência
Ansiar: emprega-se sem preposição no sentido de causar
nominal correta. Assinale-a:
a) Ele não é digno a ser seu amigo. mal-estar, angustiar: A emoção ansiava-me. (VTD); Emprega-se
b) Baseado laudos médicos, concedeu-lhe a licença. com preposição no sentido de desejar ardentemente por: Ansia-
c) A atitude do Juiz é isenta de qualquer restrição. va por vê-lo novamente. (VTI)
d) Ele se diz especialista para com computadores eletrônicos.
e) O sol é indispensável da saúde. Aspirar: emprega-se sem preposição no sentido de respirar,
cheirar: Aspiramos um ar excelente, no campo. (VTD) Emprega-
Respostas: 01-B / 02-A / 03-D / 04-D / 05-D / 06-A / 07-C / -se com preposição no sentido de querer muito, ter por objetivo:
08-C Gincizinho aspira ao cargo de diretor da Penitenciária. (VTI)
Regência Verbal
Assistir: emprega-se com preposição a no sentido de ver, pre-
A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre os senciar: Todos assistíamos à novela Almas Gêmeas. (VTI) Nesse
verbos e os termos que os complementam (objetos diretos e obje- caso, o verbo não aceita o pronome lhe, mas apenas os pronomes
tos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais). O estudo da pessoais retos + preposição: O filme é ótimo. Todos querem as-
regência verbal permite-nos ampliar nossa capacidade expressiva, sistir a ele. (VTI) Emprega-se sem / com preposição no sentido
pois oferece oportunidade de conhecermos as diversas significa- de socorrer, ajudar: A professora sempre assiste os alunos com
ções que um verbo pode assumir com a simples mudança ou reti- carinho. (VTD); A professora sempre assiste aos alunos com cari-
rada de uma preposição. nho. (VTI) Emprega-se com preposição no sentido de caber, ter
direito ou razão: O direito de se defender assiste a todos. (VTI)
A mãe agrada o filho. (agradar significa acariciar, contentar) No sentido de morar, residir é intransitivo e exige a preposição
A mãe agrada ao filho. (agradar significa “causar agrado ou em: Assiste em Manaus por muito tempo. (VI)
prazer”, satisfazer)
Logo, conclui-se que “agradar alguém” é diferente de “agra- Atender: empregado sem preposição no sentido de receber
dar a alguém”. alguém com atenção: O médico atendeu o cliente pacientemente.
O conhecimento do uso adequado das preposições é um dos (VTD) No sentido de ouvir, conceder: Deus atendeu minhas pre-
aspectos fundamentais do estudo da regência verbal (e também ces.(VTD); Atenderemos quaisquer pedido via internet. Emprega-
nominal). As preposições são capazes de modificar completamente -se com preposição no sentido de dar atenção a alguém: Lamen-
o sentido do que se está sendo dito. to não poder atender à solicitação de recursos. (VTI) Emprega-se
com preposição no sentido de ouvir com atenção o que alguém
Cheguei ao metrô. diz: Atenda ao telefone, por favor; Atenda o telefone. (preferência
Cheguei no metrô. brasileira)

Didatismo e Conhecimento 75
LÍNGUA PORTUGUESA
Avisar: avisar alguém de alguma coisa: O chefe avisou os me, se, lhe, são transitivos diretos (TD). Nos exemplos, ambos os
funcionários de que os documentos estavam prontos. (VTD); Avi- verbos, esquecer e lembrar, exigem o pronome e a preposição
saremos os clientes da mudança de endereço. (VTD ); Já tem tra- de; são transitivos indiretos e pronominais. No exemplo o verbo
dição na língua o uso de avisar como OI de pessoa e OD de coisa; esquecer está empregado no sentido de apagar da memória. e o
Avisamos aos clientes que vamos atendê-los em novo endereço. verbo lembrar está empregado no sentido de vir à memória. Na
língua culta, os verbos esquecer e lembrar quando usados com a
Bater: emprega-se com preposição no sentido de dar panca- preposição de, exigem os pronomes.
das em alguém: Os irmãos batiam nele (ou batiam-lhe) à toa; Ner-
voso, entrou em casa e bateu a porta.(fechou com força); Foi logo Implicar: emprega-se com preposição no sentido de ter im-
batendo à porta. (bater junto à porta, para alguém abrir); Para que plicância com alguém, é TI: Nunca implico com meus alunos.
ele pudesse ouvir, era preciso bater na porta de seu quarto. (dar (VTI) Emprega-se sem preposição no sentido de acarretar, en-
pancadas) volver, é TD: A queda do dólar implica corrida ao poder. (VTE);
O desestímulo ao álcool combustível implica uma volta ao pas-
Casar: Marina casou cedo e pobre. (VI não exige comple- sado. (VTD) Emprega-se sem preposição no sentido de embara-
mento); Você é realmente digno de casar com minha filha. (VTI çar, comprometer, é TD: O vizinho implicou-o naquele caso de
com preposição); Ela casou antes dos vinte anos. (VTD sem pre- estupro. (VTD) É inadequada a regência do verbo implicar em:
posição. O verbo casar pode vir acompanhado de pronome refle- Implicou em confusão.
xivo: Ela casou com o seu grande amor; ou Ela casou-se com seu
grande amor. Informar: o verbo informar possui duas construções, VTD
e VTI: Informei-o que sua aposentaria saiu. (VTD); Informei-lhe
Chamar: emprega-se sem preposição no sentido de convo- que sua aposentaria. (VT); Informou-se das mudanças logo cedo.
car; O juiz chamou o réu à sua presença. (VTD) Emprega-se com (inteirar-se, verbo pronominal)
ou sem preposição no sentido de denominar, apelidar, construído
com objeto + predicativo: Chamou-o covarde. (VTD) / Chamou-o Investir: emprega-se com preposição (com ou contra) no
de covarde. (VID); Chamou-lhe covarde. (VTI) / Chamou-lhe de sentido de atacar, é TI: O touro Bandido investiu contra Tião.
covarde. (VTI); Chamava por Deus nos momentos difíceis. (VTI) Empregado como verbo transitivo direto e indireto, no sentido
de dar posse: O prefeito investiu Renata no cargo de assessora.
Chegar: como intransitivo, o verbo chegar exige a preposi- (VTDI) Emprega-se sem preposição no sentido também de em-
ção a quando indica lugar: Chegou ao aeroporto meio apressada. pregar dinheiro, é TD: Nós investimos parte dos lucros em pes-
Como transitivo direto (VTD) e intransitivo (VI) no sentido de quisas científicas. (VTD)
aproximar; Cheguei-me a ele.
Morar: antes de substantivo rua, avenida, usase morar com
Contentar-se: emprega-se com as preposições com, de, em: a preposição em: D. Marina Falcão mora na rua Dorival de Barros.
Contentam-se com migalhas. (VTI); Contento-me em aplaudir da-
qui. Namorar: a regência correta deste verbo é namorar alguém e
NÃO namorar com alguém: Meu filho, Paulo César, namora Cris-
Custar: é transitivo direto no sentido de ter valor de, ser tiane. Marcelo namora Raquel.
caro. Este computador custa muito caro. (VTD) No sentido de ser
difícil é TI. É conjugado como verbo reflexivo, na 3ª pessoa do Necessitar: emprega-se com verbo transitivo direto ou indire-
singular, e seu sujeito é uma oração reduzida de infinitivo: Custou- to, no sentido de precisar: Necessitávamos o seu apoio; Necessi-
-me pegar um táxi.(foi difícil); O carro custou-me todas as econo- távamos de seu apoio,(VTDI)
mias. É transitivo direto e indireto (TDI) no sentido de acarretar:
A imprudência custou-lhe lágrimas amargas. (VTDI) Obedecer / Desobedecer: emprega-se com verbo transitivo
direto e indireto no sentido de cumprir ordens: Obedecia às irmãs
Ensinar: é intransitivo no sentido de doutrinar, pregar: Mi- e irmãos; Não desobedecia às leis de trânsito.
nha mãe ensina na FAI. É transitivo direto no sentido de educar:
Nem todos ensinam as crianças. É transitivo direto e indireto no Pagar: emprega-se sem preposição no sentido de saldar coi-
sentido de dar instrução sobre: Ensino os exercícios mais difíceis sa, é VTI): Cida pagou o pão; Paguei a costura. (VTD) Emprega-
aos meus alunos. -se com preposição no sentido de remunerar pessoa, é VTI: Cida
pagou ao padeiro; Paguei à costureira., à secretária. (VTI) Empre-
Entreter: empregado como divertir-se exige as preposições: ga-se como verbo transitivo direto e indireto, pagar alguma coisa
a, com, em: Entretinham-nos em recordar o passado. a alguém: Cida pagou a carne ao açougueiro. (VTDI) Por alguma
coisa: Quanto pagou pelo carro? Sem complemento: Assistiu aos
Esquecer / Lembrar: estes verbos admitem as construções: jogos sem pagar.
Esqueci o endereço dele; Lembrei um caso interessante; Esqueci-
-me do endereço dele; Lembrei-me de um caso interessante. Es- Pedir: somente se usa pedir para, quando, entre pedir e o
queceu-me seu endereço; Lembra-me um caso interessante. Você para, puder colocar a palavra licença. Caso contrário, diz-se pedir
pode observar que no 1º exemplo tanto o verbo esquecer como que; A secretária pediu para sair mais cedo. (pediu licença); A di-
lembrar, não são pronominais, isto é, não exigem os pronomes reção pediu que todos os funcionários, comparecessem à reunião.

Didatismo e Conhecimento 76
LÍNGUA PORTUGUESA
Perdoar: emprega-se sem preposição no sentido de perdoar Responder: emprega-se no sentido de responder alguma coi-
coisa, é TD: Devemos perdoar as ofensas. (VTD ) Emprega-se sa a alguém: O senador respondeu ao jornalista que o projeto do
com preposição no sentido de conceder o perdão à pessoa, é TI: rio São Francisco estava no final. (VTDI) Emprega-se no sentido
Perdoemos aos nossos inimigos. (VTI) Emprega-se como verbo de responder a uma carta, a uma pergunta: Enrolou, enrolou e não
transitivo direto e indireto, no sentido de ter necessidade: A mãe respondeu à pergunta do professor.
perdoou ao filho a mentira. (VTDI) Admite voz passiva: Todos se-
rão perdoados pelos pais. Reverter: emprega-se no sentido de regressar, voltar ao esta-
do primitivo: Depois de aposentar-se reverteu à ativa. Emprega-
Permitir: empregado com preposição, exige objeto indire- -se no sentido de voltar para.a posse de alguém: As jóias reverte-
to de pessoa: O médico permitiu ao paciente que falasse. (VTI) rão ao seu verdadeiro dono. Emprega-se no sentido de destinar-se:
Constrói-se com o pronome lhe e não o: O assistente permitiu-lhe A renda da festa será revertida em beneficio da Casa da Sopa.
que entrasse. Não se usa a preposição de antes de oração infinitiva:
Os pais não lhe permite ir sozinha à festa do Peão. (e não de ir
Simpatizar / Antipatizar: empregam-se com a preposição
sozinha)
com: Sempre simpatizei com pessoas negras; Antipatizei com ela
desde o primeiro momento. Estes verbos não são pronominais, isto
Pisar: é verbo transitivo direto VTD: Tinha pisado o conti-
é, não exigem os pronomes me, se, nos, etc: Simpatizei-me com
nente brasileiro. (não exige a preposição no)
você. (inadequado); Simpatizei com você. ( adequado)
Precisar: emprega-se com preposição no sentido de ter ne-
cessidade, é VTI: As crianças carentes precisam de melhor atendi- Subir: Subiu ao céu; Subir à cabeça; Subir ao trono; Subir ao
mento médico. (VTI) Quando o verbo precisar vier acompanhado poder. Essas expressões exigem a preposição a.
de infinitivo, pode-se usar a preposição de; a língua moderna ten-
de a dispensá-la: Você é rico, não precisa trabalhar muito. Usa-se, Suceder: emprega-se com a preposição a no sentido de subs-
às vezes na voz passiva, com sujeito indeterminado: Precisa-se tituir, vir depois: O descanso sucede ao trabalho.
de funcionários competentes. (sujeito indeterminado) Emprega-se
sem preposição no sentido de indicar com exatidão: Perdeu muito Tocar: emprega-se no sentido de pôr a mão, tocar alguém,
dinheiro no jogo, mas não sabe precisar a quantia.(VTD) tocar em alguém: Não deixava tocar o / no gato doente. Empre-
ga-se no sentido de comover, sensibilizar, usa-se com OD: O nas-
Preferir: emprega-se sem preposição no sentido de ter prefe- cimento do filho tocou-o profundamente. Emprega-se no sentido
rência. (sem escolha): Prefiro dias mais quentes. (VTD) Preferir de caber por sorte, herança, é OI: Tocou-lhe, por herança, uma
VTDI, no sentido de ter preferência, exige a preposição a: Prefiro linda fazenda. Emprega-se no sentido de ser da competência de,
dançar a nadar; Prefiro chocolate a doce de leite. Na linguagem caber: Ao prefeito é que toca deferir ou indeferir o projeto.
formal, culta, é inadequado usar este verbo reforçado pelas palavras Visar: emprega-se sem preposição como VT13 no sentido de
ou expressões: antes, mais, muito mais, mil vezes mais, do que. apontar ou pôr visto: O garoto visou o inocente passarinho; O ge-
rente visou a correspondência. Emprega-se com preposição como
Presidir: emprega-se com objeto direto ou objeto indireto, VTI no sentido de desejar, pretender: Todos visam ao reconheci-
com a preposição a: O reitor presidiu à sessão; O reitor presidiu mento de seus esforços.
a sessão.
Casos Especiais
Prevenir: admite as construções: A paciência previne dissa-
bores; Preveni minha turma; Quero preveni-los; Prevenimo-nos Dar-se ao trabalho ou dar-se o trabalho? Ambas as constru-
para o exame final.
ções são corretas. A primeira é mais aceita: Dava-se ao trabalho
de responder tudo em Inglês. O mesmo se dá com: dar-se ao / o
Proceder: emprega-se como verbo intransitivo no sentido de
incômodo; poupar-se ao /o trabalho; dar-se ao /o luxo.
ter fundamento: Sua tese não procede. (VI) Emprega-se com a
preposição de no sentido de originar-se, vir de: Muitos males da
humanidade procedem da falta de respeito ao próximo. Emprega- Propor-se alguma coisa ou propor-se a alguma coisa? Pro-
-se como transitivo indireto com a preposição a, no sentido de dar por-se, no sentido de ter em vista, dispor-se a, pode vir com ou
início: Procederemos a uma investigação rigorosa. (VTI) sem a preposição a: Ela se propôs levá-lo/ a levá-lo ao circo.

Querer: emprega-se sem preposição no sentido de desejar: Passar revista a ou passar em revista? Ambas estão corretas,
Quero vê-lo ainda hoje.(VTD) Emprega-se com preposição no porém a segunda construção é mais frequente: O presidente passou
sentido de gostar, ter afeto, amar: Quero muito bem às minhas a tropa em revista.
cunhadas Vera e Ceiça.
Em que pese a - expressão concessiva equivalendo a ainda
Residir: como o verbo morar, o verbo responder, constrói-se que custe a, apesar de, não obstante: “Em que pese aos inimigos
com a preposição em: Residimos em Lucélia, na Avenida Interna- do paraense, sinceramente confesso que o admiro.” (Graciliano
cional. Residente e residência têm a mesma regência de residir em. Ramos)

Didatismo e Conhecimento 77
LÍNGUA PORTUGUESA
Observações Finais 04. Em todas as alternativas, o verbo grifado foi empregado
com regência certa, exceto em:
Os verbos transitivos indiretos (exceção ao verbo obedecer), a) a vista de José Dias lembrou-me o que ele me dissera.
não admitem voz passiva. Os exemplos citados abaixo são consi- b) estou deserto e noite, e aspiro sociedade e luz.
derados inadequados. c) custa-me dizer isto, mas antes peque por excesso;
O filme foi assistido pelos estudantes; O cargo era visado d) redobrou de intensidade, como se obedecesse a voz do má-
por todos; Os estudantes assistiram ao filme; Todos visavam ao gico;
cargo. e) quando ela morresse, eu lhe perdoaria os defeitos.
Não se deve dar o mesmo complemento a verbos de regên-
cias diferentes, como: Entrou e saiu de casa; Assisti e gostei da 05. O verbo chamar está com a regência incorreta em:
peça. Corrija-se para: Entrou na casa e saiu dela; Assisti à peça a) chamo-o de burguês, pois você legitima a submissão das
e gostei dela. mulheres;
As formas oblíquas o, a, os, as funcionam como complemento b) como ninguém assumia, chamei-lhes de discriminadores;
de verbos transitivos diretos, enquanto as formas lhe, lhes funcio- c) de repente, houve um nervosismo geral e chamaram-nas de
nam como transitivos indiretos que exigem a preposição a. Con- feministas;
videi as amigas. Convidei-as; Obedeço ao mestre. Obedeço-lhe. d) apesar de a hora ter chegado, o chefe não chamou às femi-
nistas a sua seção;
Exercícios e) as mulheres foram para o local do movimento, que elas
chamaram de maternidade.
01. Assinale a única alternativa que está de acordo com as
normas de regência da língua culta. 06. Assinale o exemplo, em que está bem empregada a cons-
a) avisei-o de que não desejava substituí-lo na presidência, trução com o verbo preferir:
pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei a a) preferia ir ao cinema do que ficar vendo televisão;
tal cargo; b) preferia sair a ficar em casa;
b) avisei-lhe de que não desejava substituí-lo na presidência, c) preferia antes sair a ficar em casa;
pois apesar de ter sempre servido a instituição, jamais aspirei a tal d) preferia mais sair do que ficar em casa;
cargo; e) antes preferia sair do que ficar em casa.
c) avisei-o de que não desejava substituir- lhe na presidência,
pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei tal 07. Assinale a opção em que o verbo lembrar está empregado
cargo; de maneira inaceitável em relação à norma culta da língua:
d) avisei-lhe de que não desejava substituir-lhe na presidência, a) pediu-me que o lembrasse a meus familiares;
pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei a tal b) é preciso lembrá-lo o compromisso que assumiu conosco;
cargo; c) lembrou-se mais tarde que havia deixado as chaves em casa;
e) avisei-o de que não desejava substituí-lo na presidência, d) não me lembrava de ter marcado médico para hoje;
pois apesar de ter sempre servido a instituição, jamais aspirei tal e) na hora das promoções, lembre-se de mim.
cargo.
08. O verbo sublinhado foi empregado corretamente, exceto em:
02. Assinale a opção em que o verbo chamar é empregado com a) aspiro à carreira militar desde criança;
o mesmo sentido que apresenta em __ “No dia em que o chamaram b) dado o sinal, procedemos à leitura do texto.
de Ubirajara, Quaresma ficou reservado, taciturno e mudo”: c) a atitude tomada implicou descontentamento;
a) pelos seus feitos, chamaram-lhe o salvador da pátria; d) prefiro estudar Português a estudar Matemática;
b) bateram à porta, chamando Rodrigo; e) àquela hora, custei a encontrar um táxi disponível.
c) naquele momento difícil, chamou por Deus e pelo Diabo;
d) o chefe chamou-os para um diálogo franco; 09. Em qual das opções abaixo o uso da preposição acarreta
e) mandou chamar o médico com urgência. mudança total no sentido do verbo?
a) usei todos os ritmos da metrificação portuguesa. /usei de
03. Assinale a opção em que o verbo assistir é empregado com todos os ritmos da metrificação portuguesa;
o mesmo sentido que apresenta em “não direi que assisti às alvo- b) cuidado, não bebas esta água./ cuidado, não bebas desta
radas do romantismo”. água;
a) não assiste a você o direito de me julgar; c) enraivecido, pegou a vara e bateu no animal./ enraivecido,
b) é dever do médico assistir a todos os enfermos; pegou da vara e bateu no animal;
c) em sua administração, sempre foi assistido por bons con- d) precisou a quantia que gastaria nas férias./ precisou da
selheiros; quantia que gastaria nas férias;
d) não se pode assistir indiferente a um ato de injustiça; e) a enfermeira tratou a ferida com cuidado. / a enfermeira
e) o padre lhe assistiu nos derradeiros momentos. tratou da ferida com cuidado.

Didatismo e Conhecimento 78
LÍNGUA PORTUGUESA
10. Assinale o mau emprego do vocábulo “onde”: - Antes dos pronomes indefinidos com exceção de outra: Di-
a) todas as ocasiões onde nos vimos às voltas com problemas rei isso a qualquer pessoa; A entrada é vedada a toda pessoa estra-
no trabalho, o superintendente nos ajudou; nha. Com o pronome indefinido outra(s), pode haver crase porque
b) por toda parte, onde quer que fôssemos, encontrávamos ele, às vezes, aceita o artigo definido a(s): As cartas estavam co-
colegas; locadas umas às outras (no masculino, ficaria “os cartões estavam
c) não sei bem onde foi publicado o edital; colocados uns aos outros”).
d) onde encontraremos quem nos forneça as informações de
que necessitamos; - Quando o “a” estiver no singular e a palavra seguinte esti-
e) os processos onde podemos encontrar dados para o relató- ver no plural: Falei a vendedoras desta firma; Refiro-me a pessoas
rio estão arquivados curiosas.

Respostas: 1-A / 2-A / 3-D / 4-B / 5-D / 6-B / 7-B / 8-E / 9-D - Quando, antes do “a”, existir preposição: Ela compareceu
perante a direção da empresa; Os papéis estavam sob a mesa. Ex-
/ 10-B /
ceção feita, às vezes, para até, por motivo de clareza: A água inun-
dou a rua até à casa de Maria (= a água chegou perto da casa); se
OCORRÊNCIA DE CRASE. não houvesse o sinal da crase, o sentido ficaria ambíguo: a água
inundou a rua até a casa de Maria (= inundou inclusive a casa).
Quando até significa “perto de”, é preposição; quando significa
“inclusive”, é partícula de inclusão.
Crase é a superposição de dois “a”, geralmente a preposição - Com expressões repetitivas: Tomamos o remédio gota a
“a” e o artigo a(s), podendo ser também a preposição “a” e o pro- gota; Enfrentaram-se cara a cara.
nome demonstrativo a(s) ou a preposição “a” e o “a” inicial dos - Com expressões tomadas de maneira indeterminada: O
pronomes demonstrativos aqueles(s), aquela(s) e aquilo. Essa su- doente foi submetido a dieta leve (no masc. = foi submetido a
perposição é marcada por um acento grave (`). repouso, a tratamento prolongado, etc.); Prefiro terninho a saia e
Assim, em vez de escrevermos “entregamos a mercadoria a a blusa (no masc. = prefiro terninho a vestido).
vendedora”, “esta blusa é igual a a que compraste” ou “eles deve-
riam ter comparecido a aquela festa”, devemos sobrepor os dois - Antes de pronome interrogativo, não ocorre crase: A que
“a” e indicar esse fato com um acento grave: “Entregamos a mer- artista te referes?
cadoria à vendedora”. “Esta blusa é igual à que compraste”. “Eles
deveriam ter comparecido àquela festa.” - Na expressão valer a pena (no sentido de valer o sacrifício, o
O acento grave que aparece sobre o “a” não constitui, pois, a esforço), não ocorre crase, pois o “a” é artigo definido: Parodiando
crase, mas é um mero sinal gráfico que indica ter havido a união Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é pequena...
de dois “a” (crase).
Para haver crase, é indispensável a presença da preposição A Crase é Facultativa
“a”, que é um problema de regência. Por isso, quanto mais conhe-
cer a regência de certos verbos e nomes, mais fácil será para ele ter - Antes de nomes próprios feminino: Enviamos um telegrama
o domínio sobre a crase. à Marisa; Enviamos um telegrama a Marisa. Em português, antes
de um nome de pessoa, pode-se ou não empregar o artigo “a” (“A
Marisa é uma boa menina”. Ou “Marisa é uma boa menina”). Por
Não existe Crase
isso, mesmo que a preposição esteja presente, a crase é facultati-
va. Quando o nome próprio feminino vier acompanhado de uma
- Antes de palavra masculina: Chegou a tempo ao trabalho;
expressão que o determine, haverá crase porque o artigo definido
Vieram a pé; Vende-se a prazo. estará presente. Dedico esta canção à Candinha do Major Queve-
do. [A (artigo) Candinha do Major Quevedo é fanática por seresta.]
- Antes de verbo: Ficamos a admirá-los; Ele começou a ter
alucinações. - Antes de pronome adjetivo possessivo feminino singular:
Pediu informações à minha secretária; Pediu informações a minha
- Antes de artigo indefinido: Levamos a mercadoria a uma secretária. A explicação é idêntica à do item anterior: o pronome
firma; Refiro-me a uma pessoa educada. adjetivo possessivo aceita artigo, mas não o exige (“Minha secre-
tária é exigente.” Ou: “A minha secretária é exigente”). Portanto,
- Antes de expressão de tratamento introduzida pelos prono- mesmo com a presença da preposição, a crase é facultativa.
mes possessivos Vossa ou Sua ou ainda da expressão Você, forma
reduzida de Vossa Mercê: Enviei dois ofícios a Vossa Senhoria; - Com o pronome substantivo possessivo feminino singular,
Traremos a Sua Majestade, o rei Hubertus, uma mensagem de paz; o uso de acento indicativo de crase não é facultativo (conforme o
Eles queriam oferecer flores a você. caso, será proibido ou obrigatório): A minha cidade é melhor que a
tua. O acento indicativo de crase é proibido porque, no masculino,
- Antes dos pronomes demonstrativos esta e essa: Não me ficaria assim: O meu sítio é melhor que o teu (não há preposição,
refiro a esta carta; Os críticos não deram importância a essa obra. apenas o artigo definido). Esta gravura é semelhante à nossa. O
acento indicativo de crase é obrigatório porque, no masculino, fi-
- Antes dos pronomes pessoais: Nada revelei a ela; Dirigiu-se caria assim: Este quadro é semelhante ao nosso (presença de pre-
a mim com ironia. posição + artigo definido).

Didatismo e Conhecimento 79
LÍNGUA PORTUGUESA
Casos Especiais - Palavra “distância”: Não se usa crase diante da palavra dis-
tância, a menos que se trate de distância determinada: Via-se um
- Nomes de localidades: Dentre as localidades, há as que ad- monstro marinho à distância de quinhentos metros; Estávamos à
mitem artigo antes de si e as que não o admitem. Por aí se deduz distância de dois quilômetros do sítio, quando aconteceu o aci-
que, diante das primeiras, desde que comprovada a presença de dente. Mas: A distância, via-se um barco pesqueiro; Olhava-nos
preposição, pode ocorrer crase; diante das segundas, não. Para se a distância.
saber se o nome de uma localidade aceita artigo, deve-se substituir
o verbo da frase pelos verbos estar ou vir. Se ocorrer a combinação - Pronome Relativo: Todo pronome relativo tem um subs-
“na” com o verbo estar ou “da” com o verbo vir, haverá crase com tantivo (expresso ou implícito) como antecedente. Para saber se
o “a” da frase original. Se ocorrer “em” ou “de”, não haverá crase: existe crase ou não diante de um pronome relativo, deve-se subs-
Enviou seus representantes à Paraíba (estou na Paraíba; vim da Pa- tituir esse antecedente por um substantivo masculino. Se o “a” se
raíba); O avião dirigia-se a Santa Catarina (estou em Santa Catari- transforma em “ao”, há crase diante do relativo. Mas, se o “a”
na; vim de Santa Catarina); Pretendo ir à Europa (estou na Europa; permanece inalterado ou se transforma em “o”, então não há crase:
vim da Europa). Os nomes de localidades que não admitem artigo é preposição pura ou pronome demonstrativo: A fábrica a que me
passarão a admiti-lo, quando vierem determinados. Porto Alegre refiro precisa de empregados. (O escritório a que me refiro precisa
indeterminadamente não aceita artigo: Vou a Porto Alegre (estou de empregados.); A carreira à qual aspiro é almejada por muitos.
em Porto Alegre; vim de Porto Alegre); Mas, acompanhando-se de (O trabalho ao qual aspiro é almejado por muitos.). Na passagem
uma expressão que a determine, passará a admiti-lo: Vou à grande do antecedente para o masculino, o pronome relativo não pode ser
Porto Alegre (estou na grande Porto Alegre; vim da grande Porto substituído, sob pena de falsear o resultado: A festa a que compa-
Alegre); Iríamos a Madri para ficar três dias; Iríamos à Madri das reci estava linda (no masculino = o baile a que compareci estava
touradas para ficar três dias. lindo). Como se viu, substituímos festa por baile, mas o pronome
relativo que não foi substituído por nenhum outro (o qual etc.).
- Pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo:
quando a preposição “a” surge diante desses demonstrativos, deve- A Crase é Obrigatória
mos sobrepor essa preposição à primeira letra dos demonstrativos
e indicar o fenômeno mediante um acento grave: Enviei convi- - Sempre haverá crase em locuções prepositivas, locuções
tes àquela sociedade (= a + aquela); A solução não se relaciona adverbiais ou locuções conjuntivas que tenham como núcleo um
àqueles problemas (= a + aqueles); Não dei atenção àquilo (= a + substantivo feminino: à queima-roupa, à maneira de, às cegas, à
aquilo). A simples interpretação da frase já nos faz concluir se o noite, às tontas, à força de, às vezes, às escuras, à medida que, às
“a” inicial do demonstrativo é simples ou duplo. Entretanto, para pressas, à custa de, à vontade (de), à moda de, às mil maravilhas,
maior segurança, podemos usar o seguinte artifício: Substituir os à tarde, às oito horas, às dezesseis horas, etc. É bom não confundir
demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo pelos demonstrativos a locução adverbial às vezes com a expressão fazer as vezes de,
este(s), esta(s), isto, respectivamente. Se, antes destes últimos, sur- em que não há crase porque o “as” é artigo definido puro: Ele se
gir a preposição “a”, estará comprovada a hipótese do acento de aborrece às vezes (= ele se aborrece de vez em quando); Quando
crase sobre o “a” inicial dos pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo. o maestro falta ao ensaio, o violinista faz as vezes de regente (= o
Se não surgir a preposição “a”, estará negada a hipótese de crase. violinista substitui o maestro).
Enviei cartas àquela empresa./ Enviei cartas a esta empresa; A so-
lução não se relaciona àqueles problemas./ A solução não se rela- - Sempre haverá crase em locuções que exprimem hora de-
ciona a estes problemas; Não dei atenção àquilo./ Não dei atenção terminada: Ele saiu às treze horas e trinta minutos; Chegamos à
a isto; A solução era aquela apresentada ontem./ A solução era esta uma hora. Cuidado para não confundir a, à e há com a expressão
apresentada ontem. uma hora: Disseram-me que, daqui a uma hora, Teresa telefonará
de São Paulo (= faltam 60 minutos para o telefonema de Teresa);
- Palavra “casa”: quando a expressão casa significa “lar”, Paula saiu daqui à uma hora; duas horas depois, já tinha mudado
“domicílio” e não vem acompanhada de adjetivo ou locução ad- todos os seus planos (= quando ela saiu, o relógio marcava 1 hora);
jetiva, não há crase: Chegamos alegres a casa; Assim que saiu do Pedro saiu daqui há uma hora (= faz 60 minutos que ele saiu).
escritório, dirigiu-se a casa; Iremos a casa à noitinha. Mas, se a
palavra casa estiver modificada por adjetivo ou locução adjetiva, - Quando a expressão “à moda de” (ou “à maneira de”) es-
então haverá crase: Levaram-me à casa de Lúcia; Dirigiram-se à tiver subentendida: Nesse caso, mesmo que a palavra subsequente
casa das máquinas; Iremos à encantadora casa de campo da família seja masculina, haverá crase: No banquete, serviram lagosta à Ter-
Sousa. midor; Nos anos 60, as mulheres se apaixonavam por homens que
tinham olhos à Alain Delon.
- Palavra “terra”: Não há crase, quando a palavra terra sig-
nifica o oposto a “mar”, “ar” ou “bordo”: Os marinheiros ficaram - Quando as expressões “rua”, “loja”, “estação de rádio”,
felizes, pois resolveram ir a terra; Os astronautas desceram a terra etc. estiverem subentendidas: Dirigiu-se à Marechal Floriano (=
na hora prevista. Há crase, quando a palavra significa “solo”, “pla- dirigiu-se à Rua Marechal Floriano); Fomos à Renner (fomos à
neta” ou “lugar onde a pessoa nasceu”: O colono dedicou à terra loja Renner); Telefonem à Guaíba (= telefonem à rádio Guaíba).
os melhores anos de sua vida; Voltei à terra onde nasci; Viriam à
Terra os marcianos? - Quando está implícita uma palavra feminina: Esta religião
é semelhante à dos hindus (= à religião dos hindus).

Didatismo e Conhecimento 80
LÍNGUA PORTUGUESA
- Não confundir devido com dado (a, os, as): a primeira ex- 05. Em qual das alternativas o uso do acento indicativo de
pressão pede preposição “a”, havendo crase antes de palavra fe- crase é facultativo?
minina determinada pelo artigo definido. Devido à discussão de a) Minhas idéias são semelhantes às suas.
ontem, houve um mal-estar no ambiente (= devido ao barulho de b) Ele tem um estilo à Eça de Queiroz.
ontem, houve...); A segunda expressão não aceita preposição “a” c) Dei um presente à Mariana.
(o “a” que aparece é artigo definido, não havendo, pois, crase): d) Fizemos alusão à mesma teoria.
e) Cortou o cabelo à Gal Costa.
Dada a questão primordial envolvendo tal fato (= dado o proble-
ma primordial...); Dadas as respostas, o aluno conferiu a prova (= 06. “O pobre fica ___ meditar, ___ tarde, indiferente ___ que
dados os resultados...). acontece ao seu redor”.
a) à - a - aquilo
Excluída a hipótese de se tratar de qualquer um dos casos b) a - a - àquilo
anteriores, devemos substituir a palavra feminina por outra mas- c) a - à - àquilo
culina da mesma função sintática. Se ocorrer “ao” no masculino, d) à - à - aquilo
haverá crase no “a” do feminino. Se ocorrer “a” ou “o” no masculi- e) à - à - àquilo
no, não haverá crase no “a” do feminino. O problema, para muitos,
consiste em descobrir o masculino de certas palavras como “con- 07. “A casa fica ___ direita de quem sobe a rua, __ duas qua-
dras da Avenida Central”.
clusão”, “vezes”, “certeza”, “morte”, etc. É necessário então frisar
a) à - há
que não há necessidade alguma de que a palavra masculina tenha b) a - à
qualquer relação de sentido com a palavra feminina: deve apenas c) a - há
ter a mesma função sintática: Fomos à cidade comprar carne. (ao d) à - a
supermercado); Pedimos um favor à diretora. (ao diretor); Muitos e) à - à
são incensíveis à dor alheia. (ao sofrimento); Os empregados dei-
xam a fábrica. (o escritório); O perfume cheira a rosa. (a cravo); O 08. “O grupo obedece ___ comando de um pernambucano,
professor chamou a aluna. (o aluno). radicado __ tempos em São Paulo, e se exibe diariamente ___ hora
do almoço”.
Exercícios a) o - à - a
b) ao - há - à
c) ao - a - a
01. A crase não é admissível em: d) o - há - a
a) Comprou a crédito. e) o - a - a
b) Vou a casa de Maria.
c) Fui a Bahia. 09. “Nesta oportunidade, volto ___ referir-me ___ problemas
d) Cheguei as doze horas. já expostos __ V.Sª __ alguns dias”.
e) A sentença foi favorável a ré. a) à - àqueles - a - há
b) a - àqueles - a - há
02. Assinale a opção em que falta o acento de crase: c) a - aqueles - à - a
a) O ônibus vai chegar as cinco horas. d) à - àqueles - a - a
b) Os policiais chegarão a qualquer momento. e) a - aqueles - à - há
c) Não sei como responder a essa pergunta. 10. Assinale a frase gramaticalmente correta:
d) Não cheguei a nenhuma conclusão. a) O Papa caminhava à passo firme.
b) Dirigiu-se ao tribunal disposto à falar ao juiz.
03. Assinale a alternativa correta: c) Chegou à noite, precisamente as dez horas.
a) O ministro não se prendia à nenhuma dificuldade burocrática. d) Esta é a casa à qual me referi ontem às pressas.
b) O presidente ia a pé, mas a guarda oficial ia à cavalo. e) Ora aspirava a isto, ora aquilo, ora a nada.
c) Ouviu-se uma voz igual à que nos chamara anteriormente.
d) Solicito à V. Exa. que reconheça os obstáculos que estamos 11. O Ministro informou que iria resistir __ pressões contrá-
enfrentando. rias __ modificações relativas __ aquisição da casa própria.
a) às - àquelas - à
b) as - aquelas - a
04. Marque a alternativa correta quanto ao acento indicativo c) às - àquelas - a
da crase: d) às - aquelas - à
a) A cidade à que me refiro situa-se em plena floresta, a algu- e) as - àquelas - à
mas horas de Manaus.
b) De hoje à duas semanas estaremos longe, a muitos quilô- 12. A alusão ___ lembranças da casa materna trazia ___ tona
metros daqui, a gozar nossas merecidas férias. uma vivência ___ qual já havia renunciado.
c) As amostras que servirão de base a nossa pesquisa estão há a) às - a - a
muito tempo à disposição de todos. b) as - à - há
d) À qualquer distância percebia-se que, à falta de cuidados, a c) as - a - à
lavoura amarelecia e murchava. d) às - à - à
e) às - a - há

Didatismo e Conhecimento 81
LÍNGUA PORTUGUESA
13. Use a chave ao sair ou entrar ___ 20 horas. prios, palavras estrangeiras e outras palavras em geral. Exemplos:
a) após às km, kg, watt, playground, William, Kafka, kafkiano.
b) após as Vogais: a, e, i, o, u.
c) após das Consoantes: b,c,d,f,g,h,j,k,l,m,n,p,q,r,s,t,v,w,x,y,z.
d) após a Alfabeto: a,b,c,d,e,f,g,h,i,j,k,l,m,n,o,p,q,r,s,t,u,v,w,x,y,z.
e) após à
Emprego da letra H
14. ___ dias não se consegue chegar ___ nenhuma das locali-
dades ___ que os socorros se destinam.
a) Há - à - a Esta letra, em início ou fim de palavras, não tem valor fonéti-
b) A - a - a co; conservou-se apenas como símbolo, por força da etimologia e
c) À - à - a da tradição escrita. Grafa-se, por exemplo, hoje, porque esta pala-
d) Há - a - a vra vem do latim hodie.
e) À - a - a Emprega-se o H:
- Inicial, quando etimológico: hábito, hélice, herói, hérnia, he-
15. Fique __ vontade; estou ___ seu inteiro dispor para ouvir sitar, haurir, etc.
o que tem ___ dizer. - Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh e nh: chave, bo-
a) a - à – a liche, telha, flecha companhia, etc.
b) à - a – a - Final e inicial, em certas interjeições: ah!, ih!, hem?, hum!,
c) à - à – a etc.
d) à - à – à - Algumas palavras iniciadas com a letra H: hálito, harmo-
e) a - a - a
nia, hangar, hábil, hemorragia, hemisfério, heliporto, hematoma,
hífen, hilaridade, hipocondria, hipótese, hipocrisia, homenagear,
Respostas: (1-A) (2-A) (3-C) (4-C)
hera, húmus;
a – é facultativo o uso de crase antes de pronome adjetivo - Sem h, porém, os derivados baianos, baianinha, baião, baia-
possessivo feminino singular (nossa). nada, etc.
à - Sempre haverá crase em locuções prepositivas, locuções
adverbiais ou locuções conjuntivas que tenham como núcleo um Não se usa H:
substantivo feminino (à disposição). - No início de alguns vocábulos em que o h, embora etimoló-
gico, foi eliminado por se tratar de palavras que entraram na língua
(5-C) (6-C) (7-D) (8-B) (9-B) (10-D) (11-A) (12-D) (13-B) por via popular, como é o caso de erva, inverno, e Espanha, res-
(14-D) (15-B) pectivamente do latim, herba, hibernus e Hispania. Os derivados
eruditos, entretanto, grafam-se com h: herbívoro, herbicida, hispâ-
nico, hibernal, hibernar, etc.
ORTOGRAFIA OFICIAL.
Emprego das letras E, I, O e U

Na língua falada, a distinção entre as vogais átonas /e/ e /i/, /o/


A palavra ortografia é formada pelos elementos gregos orto e /u/ nem sempre é nítida. É principalmente desse fato que nascem
“correto” e grafia “escrita” sendo a escrita correta das palavras da as dúvidas quando se escrevem palavras como quase, intitular, má-
língua portuguesa, obedecendo a uma combinação de critérios eti- goa, bulir, etc., em que ocorrem aquelas vogais.
mológicos (ligados à origem das palavras) e fonológicos (ligados
aos fonemas representados). Escrevem-se com a letra E:
Somente a intimidade com a palavra escrita, é que acaba tra-
zendo a memorização da grafia correta. Deve-se também criar o - A sílaba final de formas dos verbos terminados em –uar: con-
hábito de consultar constantemente um dicionário. tinue, habitue, pontue, etc.
Desde o dia primeiro de Janeiro de 2009 está em vigor o Novo - A sílaba final de formas dos verbos terminados em –oar:
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, por isso temos até abençoe, magoe, perdoe, etc.
2016. - As palavras formadas com o prefixo ante– (antes, anterior):
Esse material já se encontra segundo o Novo Acordo Orto-
antebraço, antecipar, antedatar, antediluviano, antevéspera, etc.
gráfico.
- Os seguintes vocábulos: Arrepiar, Cadeado, Candeeiro,
Alfabeto Cemitério, Confete, Creolina, Cumeeira, Desperdício, Destilar,
Disenteria, Empecilho, Encarnar, Indígena, Irrequieto, Lacrimo-
O alfabeto passou a ser formado por 26 letras. As letras “k”, gêneo, Mexerico, Mimeógrafo, Orquídea, Peru, Quase, Quepe,
“w” e “y” não eram consideradas integrantes do alfabeto (agora Senão, Sequer, Seriema, Seringa, Umedecer.
são). Essas letras são usadas em unidades de medida, nomes pró-

Didatismo e Conhecimento 82
LÍNGUA PORTUGUESA
Emprega-se a letra I: Emprego das letras G e J

- Na sílaba final de formas dos verbos terminados em –air/– Para representar o fonema /j/ existem duas letras; g e j. Grafa-
oer /–uir: cai, corrói, diminuir, influi, possui, retribui, sai, etc. -se este ou aquele signo não de modo arbitrário, mas de acordo
- Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra): antiaé- com a origem da palavra. Exemplos: gesso (do grego gypsos), jeito
reo, Anticristo, antitetânico, antiestético, etc. (do latim jactu) e jipe (do inglês jeep).
- Nos seguintes vocábulos: aborígine, açoriano, artifício, ar-
timanha, camoniano, Casimiro, chefiar, cimento, crânio, criar, Escrevem-se com G:
criador, criação, crioulo, digladiar, displicente, erisipela, escárnio,
feminino, Filipe, frontispício, Ifigênia, inclinar, incinerar, inigualá- - Os substantivos terminados em –agem, -igem, -ugem: gara-
vel, invólucro, lajiano, lampião, pátio, penicilina, pontiagudo, pri- gem, massagem, viagem, origem, vertigem, ferrugem, lanugem.
vilégio, requisito, Sicília (ilha), silvícola, siri, terebintina, Tibiriçá, Exceção: pajem
Virgílio. - As palavras terminadas em –ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio:
contágio, estágio, egrégio, prodígio, relógio, refúgio.
Grafam-se com a letra O: abolir, banto, boate, bolacha, bole- - Palavras derivadas de outras que se grafam com g: massa-
tim, botequim, bússola, chover, cobiça, concorrência, costume, en- gista (de massagem), vertiginoso (de vertigem), ferruginoso (de
golir, goela, mágoa, mocambo, moela, moleque, mosquito, névoa, ferrugem), engessar (de gesso), faringite (de faringe), selvageria
nódoa, óbolo, ocorrência, rebotalho, Romênia, tribo. (de selvagem), etc.
- Os seguintes vocábulos: algema, angico, apogeu, auge, es-
Grafam-se com a letra U: bulir, burburinho, camundongo, trangeiro, gengiva, gesto, gibi, gilete, ginete, gíria, giz, hegemonia,
chuviscar, cumbuca, cúpula, curtume, cutucar, entupir, íngua, ja- herege, megera, monge, rabugento, sugestão, tangerina, tigela.
buti, jabuticaba, lóbulo, Manuel, mutuca, rebuliço, tábua, tabuada,
tonitruante, trégua, urtiga. Escrevem-se com J:
Parônimos: Registramos alguns parônimos que se diferen-
- Palavras derivadas de outras terminadas em –já: laranja (la-
ciam pela oposição das vogais /e/ e /i/, /o/ e /u/. Fixemos a grafia e
ranjeira), loja (lojista, lojeca), granja (granjeiro, granjense), gorja
o significado dos seguintes:
(gorjeta, gorjeio), lisonja (lisonjear, lisonjeiro), sarja (sarjeta), ce-
reja (cerejeira).
área = superfície
- Todas as formas da conjugação dos verbos terminados em
ária = melodia, cantiga
arrear = pôr arreios, enfeitar –jar ou –jear: arranjar (arranje), despejar (despejei), gorjear (gor-
arriar = abaixar, pôr no chão, cair jeia), viajar (viajei, viajem) – (viagem é substantivo).
comprido = longo - Vocábulos cognatos ou derivados de outros que têm j: laje
cumprido = particípio de cumprir (lajedo), nojo (nojento), jeito (jeitoso, enjeitar, projeção, rejeitar,
comprimento = extensão sujeito, trajeto, trejeito).
cumprimento = saudação, ato de cumprir - Palavras de origem ameríndia (principalmente tupi-guarani)
costear = navegar ou passar junto à costa ou africana: canjerê, canjica, jenipapo, jequitibá, jerimum, jiboia,
custear = pagar as custas, financiar jiló, jirau, pajé, etc.
deferir = conceder, atender - As seguintes palavras: alfanje, alforje, berinjela, cafajeste,
diferir = ser diferente, divergir cerejeira, intrujice, jeca, jegue, Jeremias, Jericó, Jerônimo, jérsei,
delatar = denunciar jiu-jítsu, majestade, majestoso, manjedoura, manjericão, ojeriza,
dilatar = distender, aumentar pegajento, rijeza, sabujice, sujeira, traje, ultraje, varejista.
descrição = ato de descrever - Atenção: Moji palavra de origem indígena, deve ser escrita
discrição = qualidade de quem é discreto com J. Por tradição algumas cidades de São Paulo adotam a grafia
emergir = vir à tona com G, como as cidades de Mogi das Cruzes e Mogi-Mirim.
imergir = mergulhar
emigrar = sair do país Representação do fonema /S/
imigrar = entrar num país estranho
emigrante = que ou quem emigra O fonema /s/, conforme o caso, representa-se por:
imigrante = que ou quem imigra
eminente = elevado, ilustre - C, Ç: acetinado, açafrão, almaço, anoitecer, censura, cimen-
iminente = que ameaça acontecer to, dança, dançar, contorção, exceção, endereço, Iguaçu, maçarico,
recrear = divertir maçaroca, maço, maciço, miçanga, muçulmano, muçurana, paço-
recriar = criar novamente ca, pança, pinça, Suíça, suíço, vicissitude.
soar = emitir som, ecoar, repercutir - S: ânsia, ansiar, ansioso, ansiedade, cansar, cansado, descan-
suar = expelir suor pelos poros, transpirar sar, descanso, diversão, excursão, farsa, ganso, hortênsia, preten-
sortir = abastecer são, pretensioso, propensão, remorso, sebo, tenso, utensílio.
surtir = produzir (efeito ou resultado) - SS: acesso, acessório, acessível, assar, asseio, assinar, car-
sortido = abastecido, bem provido, variado rossel, cassino, concessão, discussão, escassez, escasso, essencial,
surtido = produzido, causado expressão, fracasso, impressão, massa, massagista, missão, necessá-
vadear = atravessar (rio) por onde dá pé, passar a vau rio, obsessão, opressão, pêssego, procissão, profissão, profissional,
vadiar = viver na vadiagem, vagabundear, levar vida de vadio ressurreição, sessenta, sossegar, sossego, submissão, sucessivo.

Didatismo e Conhecimento 83
LÍNGUA PORTUGUESA
- SC, SÇ: acréscimo, adolescente, ascensão, consciência, Emprego da letra Z
consciente, crescer, cresço, descer, desço, desça, disciplina, discí-
pulo, discernir, fascinar, florescer, imprescindível, néscio, oscilar, - Os derivados em –zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita: ca-
piscina, ressuscitar, seiscentos, suscetível, suscetibilidade, susci- fezal, cafezeiro, cafezinho, avezinha, cãozito, avezita, etc.
tar, víscera. - Os derivados de palavras cujo radical termina em –z: cruzei-
- X: aproximar, auxiliar, auxílio, máximo, próximo, proximi- ro (de cruz), enraizar (de raiz), esvaziar (de vazio), etc.
dade, trouxe, trouxer, trouxeram, etc. - Os verbos formados com o sufixo –izar e palavras cognatas:
- XC: exceção, excedente, exceder, excelência, excelente, excel- fertilizar, fertilizante, civilizar, civilização, etc.
- Substantivos abstratos em –eza, derivados de adjetivos e de-
so, excêntrico, excepcional, excesso, excessivo, exceto, excitar, etc.
notando qualidade física ou moral: pobreza (de pobre), limpeza
(de limpo), frieza (de frio), etc.
Homônimos - As seguintes palavras: azar, azeite, azáfama, azedo, amizade,
aprazível, baliza, buzinar, bazar, chafariz, cicatriz, ojeriza, prezar,
acento = inflexão da voz, sinal gráfico prezado, proeza, vazar, vizinho, xadrez.
assento = lugar para sentar-se
acético = referente ao ácido acético (vinagre) Sufixo –ÊS e –EZ
ascético = referente ao ascetismo, místico
cesta = utensílio de vime ou outro material - O sufixo –ês (latim –ense) forma adjetivos (às vezes subs-
sexta = ordinal referente a seis tantivos) derivados de substantivos concretos: montês (de monte),
círio = grande vela de cera cortês (de corte), burguês (de burgo), montanhês (de montanha),
sírio = natural da Síria francês (de França), chinês (de China), etc.
cismo = pensão - O sufixo –ez forma substantivos abstratos femininos deri-
sismo = terremoto vados de adjetivos: aridez (de árido), acidez (de ácido), rapidez
empoçar = formar poça (de rápido), estupidez (de estúpido), mudez (de mudo) avidez (de
empossar = dar posse a ávido) palidez (de pálido) lucidez (de lúcido), etc.
incipiente = principiante
insipiente = ignorante Sufixo –ESA e –EZA
intercessão = ato de interceder
Usa-se –esa (com s):
interseção = ponto em que duas linhas se cruzam
- Nos seguintes substantivos cognatos de verbos terminados
ruço = pardacento em –ender: defesa (defender), presa (prender), despesa (despen-
russo = natural da Rússia der), represa (prender), empresa (empreender), surpresa (surpreen-
der), etc.
Emprego de S com valor de Z - Nos substantivos femininos designativos de títulos nobiliár-
quicos: baronesa, dogesa, duquesa, marquesa, princesa, consulesa,
- Adjetivos com os sufixos –oso, -osa: gostoso, gostosa, gra- prioresa, etc.
cioso, graciosa, teimoso, teimosa, etc. - Nas formas femininas dos adjetivos terminados em –ês: bur-
- Adjetivos pátrios com os sufixos –ês, -esa: português, portu- guesa (de burguês), francesa (de francês), camponesa (de campo-
guesa, inglês, inglesa, milanês, milanesa, etc. nês), milanesa (de milanês), holandesa (de holandês), etc.
- Substantivos e adjetivos terminados em –ês, feminino –esa: - Nas seguintes palavras femininas: framboesa, indefesa, lesa,
burguês, burguesa, burgueses, camponês, camponesa, campone- mesa, sobremesa, obesa, Teresa, tesa, toesa, turquesa, etc.
ses, freguês, freguesa, fregueses, etc.
- Verbos derivados de palavras cujo radical termina em –s: Usa-se –eza (com z):
analisar (de análise), apresar (de presa), atrasar (de atrás), extasiar - Nos substantivos femininos abstratos derivados de adjetivos
(de êxtase), extravasar (de vaso), alisar (de liso), etc. e denotado qualidades, estado, condição: beleza (de belo), fran-
- Formas dos verbos pôr e querer e de seus derivados: pus, queza (de franco), pobreza (de pobre), leveza (de leve), etc.
pusemos, compôs, impuser, quis, quiseram, etc.
Verbos terminados em –ISAR e -IZAR
- Os seguintes nomes próprios de pessoas: Avis, Baltasar,
Brás, Eliseu, Garcês, Heloísa, Inês, Isabel, Isaura, Luís, Luísa, Escreve-se –isar (com s) quando o radical dos nomes corres-
Queirós, Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás, Valdês. pondentes termina em –s. Se o radical não terminar em –s, grafa-
- Os seguintes vocábulos e seus cognatos: aliás, anis, arnês, -se –izar (com z): avisar (aviso + ar), analisar (análise + ar), alisar
ás, ases, através, avisar, besouro, colisão, convés, cortês, corte- (a + liso + ar), bisar (bis + ar), catalisar (catálise + ar), improvisar
sia, defesa, despesa, empresa, esplêndido, espontâneo, evasiva, (improviso + ar), paralisar (paralisia + ar), pesquisar (pesquisa +
fase, frase, freguesia, fusível, gás, Goiás, groselha, heresia, hesitar, ar), pisar, repisar (piso + ar), frisar (friso + ar), grisar (gris + ar),
manganês, mês, mesada, obséquio, obus, paisagem, país, paraíso, anarquizar (anarquia + izar), civilizar (civil + izar), canalizar (ca-
pêsames, pesquisa, presa, presépio, presídio, querosene, raposa, nal + izar), amenizar (ameno + izar), colonizar (colono + izar),
represa, requisito, rês, reses, retrós, revés, surpresa, tesoura, tesou- vulgarizar (vulgar + izar), motorizar (motor + izar), escravizar (es-
ro, três, usina, vasilha, vaselina, vigésimo, visita. cravo + izar), cicatrizar (cicatriz + izar), deslizar (deslize + izar),
matizar (matiz + izar).

Didatismo e Conhecimento 84
LÍNGUA PORTUGUESA
Emprego do X - Duplicam-se o R e o S em dois casos: Quando, intervocá-
licos, representam os fonemas /r/ forte e /s/ sibilante, respectiva-
- Esta letra representa os seguintes fonemas: mente: carro, ferro, pêssego, missão, etc. Quando a um elemento
de composição terminado em vogal seguir, sem interposição do
Ch – xarope, enxofre, vexame, etc. hífen, palavra começada com /r/ ou /s/: arroxeado, correlação,
CS – sexo, látex, léxico, tóxico, etc. pressupor, bissemanal, girassol, minissaia, etc.
Z – exame, exílio, êxodo, etc.
SS – auxílio, máximo, próximo, etc. CÊ - cedilha
S – sexto, texto, expectativa, extensão, etc.
É a letra C que se pôs cedilha. Indica que o Ç passa a ter som
- Não soa nos grupos internos –xce- e –xci-: exceção, exceder, de /S/: almaço, ameaça, cobiça, doença, eleição, exceção, força,
excelente, excelso, excêntrico, excessivo, excitar, inexcedível, etc. frustração, geringonça, justiça, lição, miçanga, preguiça, raça.
- Grafam-se com x e não com s: expectativa, experiente, ex- Nos substantivos derivados dos verbos: ter e torcer e seus de-
piar, expirar, expoente, êxtase, extasiado, extrair, fênix, texto, etc. rivados: ater, atenção; abster, abstenção; reter, retenção; torcer,
- Escreve-se x e não ch: Em geral, depois de ditongo: caixa, torção; contorcer, contorção; distorcer, distorção.
baixo, faixa, feixe, frouxo, ameixa, rouxinol, seixo, etc. Excetuam- O Ç só é usado antes de A,O,U.
-se caucho e os derivados cauchal, recauchutar e recauchutagem.
Geralmente, depois da sílaba inicial en-: enxada, enxame, enxa- Emprego das iniciais maiúsculas
mear, enxagar, enxaqueca, enxergar, enxerto, enxoval, enxugar,
enxurrada, enxuto, etc. Excepcionalmente, grafam-se com ch: - A primeira palavra de período ou citação. Diz um provérbio
encharcar (de charco), encher e seus derivados (enchente, preen- árabe: “A agulha veste os outros e vive nua”. No início dos versos
cher), enchova, enchumaçar (de chumaço), enfim, toda vez que se que não abrem período é facultativo o uso da letra maiúscula.
trata do prefixo en- + palavra iniciada por ch. Em vocábulos de ori- - Substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos,
gem indígena ou africana: abacaxi, xavante, caxambu, caxinguelê, nomes sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes,
orixá, maxixe, etc. Nas seguintes palavras: bexiga, bruxa, coaxar, Brasil, Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Mi-
nerva, Via-Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc.
faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, mexer, mexerico, puxar, rixa,
- Nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas
oxalá, praxe, vexame, xarope, xaxim, xícara, xale, xingar, xampu.
religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da Independência
do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc.
- Nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da Re-
Emprego do dígrafo CH
pública, etc.
- Nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Na-
Escreve-se com ch, entre outros os seguintes vocábulos: bu-
ção, Estado, Pátria, União, República, etc.
cha, charque, charrua, chavena, chimarrão, chuchu, cochilo, facha-
- Nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremia-
da, ficha, flecha, mecha, mochila, pechincha, tocha. ções, órgãos públicos, etc: Rua do Ouvidor, Praça da Paz, Academia
Brasileira de Letras, Banco do Brasil, Teatro Municipal, Colégio
Homônimos Santista, etc.
- Nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, lite-
Bucho = estômago rárias e científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arqui-
Buxo = espécie de arbusto tetura, Os Lusíadas, O Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro,
Cocha = recipiente de madeira Correio da Manhã, Manchete, etc.
Coxa = capenga, manco - Expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente,
Tacha = mancha, defeito; pequeno prego; prego de cabeça lar- Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc.
ga e chata, caldeira. - Nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os po-
Taxa = imposto, preço de serviço público, conta, tarifa vos do Oriente, o falar do Norte. Mas: Corri o país de norte a
Chá = planta da família das teáceas; infusão de folhas do chá sul. O Sol nasce a leste.
ou de outras plantas - Nomes comuns, quando personificados ou individuados: o
Xá = título do soberano da Pérsia (atual Irã) Amor, o Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc.
Cheque = ordem de pagamento
Xeque = no jogo de xadrez, lance em que o rei é atacado por Emprego das iniciais minúsculas
uma peça adversária
- Nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gen-
Consoantes dobradas tílicos, nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, carnaval,
ingleses, ave-maria, um havana, etc.
- Nas palavras portuguesas só se duplicam as consoantes C, - Os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando em-
R, S. pregados em sentido geral: São Pedro foi o primeiro papa. Todos
- Escreve-se com CC ou CÇ quando as duas consoantes soam amam sua pátria.
distintamente: convicção, occipital, cocção, fricção, friccionar, - Nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o
facção, sucção, etc. rio Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc.

Didatismo e Conhecimento 85
LÍNGUA PORTUGUESA
- Palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação di- Use “em vez de” quando quiser um sentido de “no lugar de”
reta: “Qual deles: o hortelão ou o advogado?”; “Chegam os magos ou “em lugar de”. No entanto, pode assumir o significado de “ao
do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso, mirra”. invés de”, sem problemas. Porém, o que ocorre é justamente o
- No interior dos títulos, as palavras átonas, como: o, a, com, de, contrário, coloca-se “ao invés de” onde não poderia.
em, sem, grafam-se com inicial minúscula.
A par: equivale a (bem informado, ciente): Estamos a par das
Algumas palavras ou expressões costumam apresentar dificul- boas notícias.
dades colocando em maus lençóis quem pretende falar ou redigir Ao par: indica relação (de igualdade ou equivalência entre va-
português culto. Esta é uma oportunidade para você aperfeiçoar lores financeiros – câmbio): O dólar e o euro estão ao par.
seu desempenho. Preste atenção e tente incorporar tais palavras
certas em situações apropriadas. Aprender: tomar conhecimento de: O menino aprendeu a
lição.
A anos: a indica tempo futuro: Daqui a um ano iremos à Eu- Apreender: prender: O fiscal apreendeu a carteirinha do
ropa. menino.
Há anos: há indica tempo passado: não o vejo há meses.
À toa: é uma locução adverbial de modo, equivale a (inutilmen-
“Procure o seu caminho te, sem razão): Andava à toa pela rua.
Eu aprendi a andar sozinho À toa: é um adjetivo (refere-se a um substantivo), equiva-
Isto foi há muito tempo atrás le a (inútil, desprezível). Foi uma atitude à toa e precipitada. (até
Mas ainda sei como se faz 01/01/2009 era grafada: à-toa)
Minhas mãos estão cansadas
Não tenho mais onde me agarrar.” Baixar: os preços quando não há objeto direto; os preços fun-
(gravação: Nenhum de Nós) cionam como sujeito: Baixaram os preços (sujeito) nos supermer-
cados. Vamos comemorar, pessoal!
Abaixar: os preços empregado com objeto direto: Os postos
Atenção: Há muito tempo já indica passado. Não há necessi-
(sujeito) de combustível abaixaram os preços (objeto direto) da
dade de usar atrás, isto é um pleonasmo.
gasolina.
Acerca de: equivale a (a respeito de): Falávamos acerca de
Bebedor: é a pessoa que bebe: Tornei-me um grande bebedor
uma solução melhor.
de vinho.
Há cerca de: equivale a (faz tempo). Há cerca de dias resol-
Bebedouro: é o aparelho que fornece água. Este bebedouro
vemos este caso.
está funcionando bem.
Ao encontro de: equivale (estar a favor de): Sua atitude vai ao
encontro da verdade. Bem-Vindo: é um adjetivo composto: Você é sempre bem vin-
De encontro a: equivale a (oposição, choque): Minhas opi- do aqui, jovem.
niões vão de encontro às suas. Benvindo: é nome próprio: Benvindo é meu colega de classe.
A fim de: locução prepositiva que indica (finalidade): Vou a Boêmia/Boemia: são formas variantes (usadas normalmente):
fim de visitá-la. Vivia na boêmia/boemia.
Afim: é um adjetivo e equivale a (igual, semelhante): Somos
almas afins. Botijão/Bujão de gás: ambas formas corretas: Comprei um bo-
tijão/bujão de gás.
Ao invés de: equivale (ao contrário de): Ao invés de falar co-
meçou a chorar (oposição). Câmara: equivale ao local de trabalho onde se reúnem os ve-
Em vez de: equivale a (no lugar de): Em vez de acompanhar- readores, deputados: Ficaram todos reunidos na Câmara Munici-
-me, ficou só.´ pal.
Câmera: aparelho que fotografa, tira fotos: Comprei uma câ-
Faça você a sua parte, ao invés de ficar me cobrando! mera japonesa.
Quantas vezes usamos “ao invés de” quando queremos dizer
“no lugar de”! Champanha/Champanhe (do francês): O champanha/
Contudo, esse emprego é equivocado, uma vez que “invés” champanhe está bem gelado.
significa “contrário”, “inverso”. Não que seja absurdamente errado
escrever “ao invés de” em frases que expressam sentido de “em Cessão: equivale ao ato de doar, doação: Foi confirmada a ces-
lugar de”, mas é preferível optar por “em vez de”. são do terreno.
Observe: Em vez de conversar, preferiu gritar para a escola Sessão: equivale ao intervalo de tempo de uma reunião: A ses-
inteira ouvir! (em lugar de) Ele pediu que fosse embora ao invés são do filme durou duas horas.
de ficar e discutir o caso. (ao contrário de) Seção/Secção: repartição pública, departamento: Visitei hoje a
Use “ao invés de” quando quiser o significado de “ao contrá- seção de esportes.
rio de”, “em oposição a”, “avesso”, “inverso”.

Didatismo e Conhecimento 86
LÍNGUA PORTUGUESA
Demais: é advérbio de intensidade, equivale a muito, aparece Estada: permanência de pessoa (tempo em algum lugar): A es-
intensificando verbos, adjetivos ou o próprio advérbio. Vocês falam tada dela aqui foi gratificante.
demais, caras! Estadia: prazo concedido para carga e descarga de navios ou
Demais: pode ser usado como substantivo, seguido de artigo, veículos: A estadia do carro foi prolongada por mais algumas se-
equivale a os outros. Chamaram mais dez candidatos, os demais manas.
devem aguardar.
De mais: é locução prepositiva, opõe-se a de menos, refere-se Fosforescente: adjetivo derivado de fósforo; que brilha no es-
sempre a um substantivo ou a um pronome: Não vejo nada de mais curo: Este material é fosforescente.
em sua decisão. Fluorescente: adjetivo derivado de flúor, elemento químico,
refere-se a um determinado tipo de luminosidade: A luz branca do
Dia a dia: é um substantivo, equivale a cotidiano, diário, que carro era fluorescente.
faz ou acontece todo dia. Meu dia a dia é cheio de surpresas. (até
01/01/2009, era grafado dia-a-dia) Haja - do verbo haver - É preciso que não haja descuido.
Dia a dia: é uma expressão adverbial, equivale a diariamente. Aja - do verbo agir - Aja com cuidado, Carlinhos.
O álcool aumenta dia a dia. Pode isso?
Houve: pretérito perfeito do verbo haver, 3ª pessoa do sin-
Descriminar: equivale a (inocentar, absolver de crime). O réu gular
foi descriminado; pra sorte dele. Ouve: presente do indicativo do verbo ouvir, 3ª pessoa do
Discriminar: equivale a (diferençar, distinguir, separar). Era singular
impossível discriminar os caracteres do documento. Cumpre dis-
criminar os verdadeiros dos falsos valores. /Os negros ainda são Levantar:é sinônimo de erguer: Ginês, meu estimado cunha-
discriminados. do, levantou sozinho a tampa do poço.
Levantar-se: pôr de pé: Luís e Diego levantaram-se cedo e,
Descrição: ato de descrever: A descrição sobre o jogador foi dirigiram-se ao aeroporto.
perfeita.
Discrição: qualidade ou caráter de ser discreto, reservado: Mal: advérbio de modo, equivale a erradamente, é oposto de
Você foi muito discreto. bem: Dormi mal. (bem). Equivale a nocivo, prejudicial, enfermida-
de; pode vir antecedido de artigo, adjetivo ou pronome: A comida
Entrega em domicílio: equivale a lugar: Fiz a entrega em do- fez mal para mim. Seu mal é crer em tudo. Conjunção subordinati-
micílio. va temporal, equivale a assim que, logo que: Mal chegou começou
Entrega a domicílio com verbos de movimento: Enviou as a chorar desesperadamente.
compras a domicílio. Mau: adjetivo, equivale a ruim, oposto de bom; plural=maus;
feminino=má. Você é um mau exemplo (bom). Substantivo: Os
As expressões “entrega em domicílio” e “entrega a domicílio” maus nunca vencem.
são muito recorrentes em restaurantes, na propaganda televisa, no
outdoor, no folder, no panfleto, no catálogo, na fala. Convivem Mas: conjunção adversativa (ideia contrária), equivale a po-
juntas sem problemas maiores porque são entendidas da mesma rém, contudo, entretanto: Telefonei-lhe mas ela não atendeu.
forma, com um mesmo sentido. No entanto, quando falamos de Mais: pronome ou advérbio de intensidade, opõe-se a menos:
gramática normativa, temos que ter cuidado, pois “a domicílio” Há mais flores perfumadas no campo.
não é aceita. Por quê? A regra estabelece que esta última locução
adverbial deve ser usada nos casos de verbos que indicam movi- Nem um: equivale a nem um sequer, nem um único; a pala-
mento, como: levar, enviar, trazer, ir, conduzir, dirigir-se. vra um expressa quantidade: Nem um filho de Deus apareceu para
Portanto, “A loja entregou meu sofá a casa” não está correto. ajudá-la.
Já a locução adverbial “em domicílio” é usada com os verbos sem Nenhum: pronome indefinido variável em gênero e número;
noção de movimento: entregar, dar, cortar, fazer. vem antes de um substantivo, é oposto de algum: Nenhum jornal
A dúvida surge com o verbo “entregar”: não indicaria movi- divulgou o resultado do concurso.
mento? De acordo com a gramática purista não, uma vez que quem
entrega, entrega algo em algum lugar. Obrigada: As mulheres devem dizer: muito obrigada, eu
Porém, há aqueles que afirmam que este verbo indica sim mo- mesma, eu própria.
vimento, pois quem entrega se desloca de um lugar para outro. Obrigado: Os homens devem dizer: muito obrigado, eu
Contudo, obedecendo às normas gramaticais, devemos usar mesmo, eu próprio.
“entrega em domicílio”, nos atentando ao fato de que a finalidade
é que vale: a entrega será feita no (em+o) domicílio de uma pessoa. Onde: indica o (lugar em que se está); refere-se a verbos que
exprimem estado, permanência: Onde fica a farmácia mais próxi-
Espectador: é aquele que vê, assiste: Os espectadores se far- ma?
taram da apresentação. Aonde: indica (ideia de movimento); equivale (para onde) so-
Expectador: é aquele que está na expectativa, que espera algu- mente com verbo de movimento desde que indique deslocamento,
ma coisa: O expectador aguardava o momento da chamada. ou seja, a+onde. Aonde vão com tanta pressa?

Didatismo e Conhecimento 87
LÍNGUA PORTUGUESA
“Pode seguir a tua estrada 02. Passe as palavras para o diminutivo:
o teu brinquedo de estar - asa; japonês; pai; homem; adeus; português; só; anel;
fantasiando um segredo - beleza; rosa; país; avô; arroz; princesa; café;
o ponto aonde quer chegar...” - flor; Oscar; rei; bom; casa; lápis; pé.
(gravação: Barão Vermelho)

Por ora: equivale a (por este momento, por enquanto): Por ora 03. Passe para o plural diminutivo: trem; pé; animal; só; pa-
chega de trabalhar. pel; jornal; mão; balão; automóvel; pai; cão; mercadoria; farol;
Por hora: locução equivale a (cada sessenta minutos): Você rua; chapéu; flor.
deve cobrar por hora.
04. Preencha as lacunas com as seguintes palavras: seção, ses-
Por que: escreve se separado; quando ocorre: preposição são, cessão, comprimento, cumprimento, conserto, concerto
por+que - advérbio interrogativo (Por que você mentiu?); prepo- a) O pequeno jornaleiro foi à.........do jornal.
sição por+que – pronome relativo pelo/a qual, pelos/as quais (A b) Na..........musical os pequenos cantores apresentaram-se
cidade por que passamos é simpática e acolhedora.) (=pela qual);
muito bem.
preposição por+que – conjunção subordinativa integrante; inicia
oração subordinada substantiva (Não sei por que tomaram esta de- c) O........do jornaleiro é amável.
cisão. (=por que motivo, razão) d) O..... das roupas é feito pela mãe do garoto.
Por quê: final de frase, antes de um ponto final, de interroga- e) O......do sapato custou muito caro.
ção, de exclamação, reticências; o monossílabo que passa a ser tô- f) Eu......meu amigo com amabilidade.
nico (forte), devendo, pois, ser acentuado: __O show foi cancelado g) A.......de cinema foi um sucesso.
mas ninguém sabe por quê. (final de frase); __Por quê? (isolado) h) O vestido tem um.........bom.
Porque: conjunção subordinativa causal: equivale a: pela cau- i) Os pequenos violinistas participaram de um........ .
sa, razão de que, pelo fato, motivo de que: Não fui ao encontro por-
que estava acamado; conjunção subordinativa explicativa: equivale
05. Dê a palavra derivada acrescentando os sufixos ESA ou
a: pois, já que, uma vez que, visto que: “Mas a minha tristeza é
sossego porque é natural e justa.”; conjunção subordinativa final EZA: Portugal; certo; limpo; bonito; pobre; magro; belo; gentil;
(verbo no subjuntivo, equivale a para que): “Mas não julguemos, duro; lindo; China; frio; duque; fraco; bravo; grande.
porque não venhamos a ser julgados.”
Porquê: funciona como substantivo; vem sempre acompanha- 06. Forme substantivos dos adjetivos: honrado; rápido; escas-
do de um artigo ou determinante: Não foi fácil encontrar o porquê so; tímido; estúpido; pálido; ácido; surdo; lúcido; pequeno.
daquele corre-corre.
Senão: equivale a (caso contrário, a não ser): Não fazia coisa 07. Use o H quando for necessário: alucinar; élice, umilde,
nenhuma senão criticar. esitar, oje, humano, ora, onra, aver, ontem, êxito, ábil, arpa, irôni-
Se não: equivale a (se por acaso não), em orações adverbiais
co, orrível, árido, óspede, abitar.
condicionais: Se não houver homens honestos, o país não sairá des-
ta situação crítica.
8. Complete as lacunas com as seguintes formas verbais: Hou-
Tampouco: advérbio, equivale a (também não): Não compare- ve e Ouve.
ceu, tampouco apresentou qualquer justificativa. a) O menino .....muitas recomendações de seu pai.
Tão pouco: advérbio de intensidade: Encontramo-nos tão pou- b) ........muita confusão na cabeça do pequeno.
co esta semana. c) A criança não.........a professora porque não a compreende.
d) Na escola........festa do Dia do Índio.
Trás ou Atrás = indicam lugar, são advérbios
Traz - do verbo trazer
9. A letra X representa vários sons. Leia atentamente as pala-
Vultoso: volumoso: Fizemos um trabalho vultoso aqui. vras oralmente: trouxemos, exercícios, táxi, executarei, exibir-se,
Vultuoso: atacado de congestão no rosto: Sua face está vultuo- oxigênio, exercer, proximidade, tóxico, extensão, existir, experiên-
sa e deformada. cia, êxito, sexo, auxílio, exame. Separe as palavras em três seções,
conforme o som do X.
Exercícios - Som de Z;
- Som de KS;
01. Observe a ortografia correta das palavras: disenteria; pro- - Som de S.
grama; mortadela; mendigo; beneficente; caderneta; problema.
10. Complete com X ou CH: en.....er; dei.....ar; ......eiro;
Empregue as palavras acima nas frases:
a) O......teve.....porque comeu......estragada. fle......a; ei.....o; frou.....o; ma.....ucar; .....ocolate; en.....ada; en.....
b) O superpai protegeu demais seu filho e este lhe trouxe ergar; cai......a; .....iclete; fai......a; .....u......u; salsi......a; bai.......a;
um.........: sua.......escolar indicou péssimo aproveitamento. capri......o; me......erica; ria.......o; ......ingar; .......aleira; amei......a;
c) A festa......teve um bom.......e, por isso, um bom aprovei- ......eirosos; abaca.....i.
tamento.

Didatismo e Conhecimento 88
LÍNGUA PORTUGUESA
11. Complete com MAL ou MAU: 17. Forme novas palavras usando ISAR ou IZAR: análise;
a) Disseram que Carlota passou......ontem. pesquisa; anarquia; canal; civilização; colônia; humano; suave;
b) Ele ficou de......humor após ter agido daquela forma. revisão; real; nacional; final; oficial; monopólio; sintonia; central;
c) O time se considera......preparado para tal jogo. paralisia; aviso.
d) Carlota sofria de um..........curável.
e) O.......é se ter afeiçoado às coisas materiais. 18. Haja ou aja. Use haja ou aja para completar as orações:
f) Ele não é um........sujeito. a) ........ com atenção para que não ........ muitos erros.
g) Mas o.......não durou muito tempo. b) Talvez ......... greve; é preciso que........... cuidado e atenção.
c) Desejamos que ........ fraternidade nessa escola.
12. Complete as frases com porque ou por que corretamente: d) ...... com docilidade, meu filho!
a) ....... você está chateada?
19. A palavra MENOS não deve ser modificada para o femini-
b) Cuidar do animal é mais importante........ele fica limpinho.
no. Complete as frases com a palavra MENOS:
c) .......... você não limpou o tapete?
a) Conheço todos os Estados brasileiros,.....a Bahia.
d) Concordo com papai.............ele tem razão.
b) Todos eram calmos,.........mamãe.
e) ..........precisamos cuidar dos animais de estimação.  
c) Quero levar.........sanduíches do que na semana passada.
d) Mamãe fazia doces e salgados........tortas grandes.
13. Preencha as lacunas com: mas = porém; mais = indica
quantidade; más = feminino de mau. 20. Use por que , por quê , porque e porquê:
a) A mãe e o filho discutiram,.......não chegaram a um acordo. a) ..........ninguém ri agora?
b) Você quer.......razões para acreditar em seu pai? b) Eis........ ninguém ri.
c) Pessoas.........deveriam fazer reflexões para acreditar...... na c) Eis os princípios ............luto.
bondade do que no ódio. d) Ela não aprendeu, ...........?
d) Eu limpo,.........depois vou brincar. e) Aproximei-me .........todos queriam me ouvir.
e) O frio não prejudica .........o Tico. f) Você está assustado, ..........?
f) Infelizmente Tico morreu, ........comprarei outro cãozinho. g) Eis o motivo........errei.
g) Todas as atitudes ......devem ser perdoadas,.......jamais ser h) Creio que vou melhorar.......estudei muito.
repetidas, pois, quanto............se vive,.........se aprende. i) O....... é difícil de ser estudado.
j) ........ os índios estão revoltados?
14. Preencha as lacunas com: trás, atrás e traz. k) O caminho ........viemos era tortuoso.
a) ........... de casa havia um pinheiro.
b) A poluição.......consigo graves consequências. 21. Uso do S e Z. Complete as palavras com S ou Z. A se-
c) Amarre-o por......... da árvore. guir, copie as palavras na forma correta: pou....ando; pre....ença;
d) Não vou....... de comentários bobos.. arte.....anato; escravi.....ar; nature.....a; va.....o; pre.....idente; fa.....
er; Bra.....il; civili....ação; pre....ente; atra....ados; produ......irem;
15. Preencha as lacunas com: HÁ - indica tempo passado; A - a....a; hori...onte; torrão....inho; fra....e; intru ....o; de....ejamos;
tempo futuro e espaço. po....itiva; podero....o; de...envolvido; surpre ....a; va.....io; ca....o;
a) A loja fica ....... pouco quilômetros daqui. coloni...ação.
b) .........instantes li sobre o Natal.
c) Eles não vão à loja porque ........ mais de dois dias a mer- 22. Complete com X ou S e copie as palavras com atenção:
e....trangeiro; e....tensão; e....tranho; e....tender; e....tenso; e....pon-
cadoria acabou.
tâneo; mi...to; te....te; e....gotar; e....terior; e....ceção; e...plêndido;
d) .........três dias que todos se preparam para a festa do Natal.
te....to; e....pulsar; e....clusivo.
e) Esse fato aconteceu ....... muito tempo.
f) Os alunos da escola dramatizarão a história do Natal daqui
23. Tão Pouco / Tampouco
......oito dias.
g) Ele estava......... três passos da casa de André. Complete as frases corretamente:
h) ........ dois quarteirões existe uma bela árvore de Natal. a) Eu tive ........oportunidades!
b) Tenho.......... alunos, que cabem todos naquela salinha.
16. Atenção para as palavras: por cima; devagar; depressa; de c) Ele não veio;.......virão seus amigos.
repente; por isso. Agora, empregue-as nas frases: d) Eu tenho .........tempo para estudar.
a) ......... uma bola atingiu o cenário e o derrubou. e) Nunca tive gosto para dançar;......para tocar piano.
b) Bem...........o povo começou a se retirar. f) As pessoas que não amam,........são felizes.
c) O rei descobriu a verdade,..........ficou irritado. g) As pessoas têm.....atitudes de amizade.
d) Faça sua tarefa............, para podermos ir ao dentista. h) O governo daquele país não resolve seus problemas,....... se
e) ......... de sua vestimenta real, o rei usava um manto. preocupa em resolvê-los.

Didatismo e Conhecimento 89
LÍNGUA PORTUGUESA
Respostas 17. analisar; pesquisar; anarquizar; canalizar; civilizar; coloni-
zar; humanizar; suavizar; revisar; realizar; nacionalizar; finalizar;
01. a) mendigo disenteria mortadela b) problema caderneta c) oficializar; monopolizar; sintonizar; centralizar; paralisar; avisar.
beneficente programa
18. a) Aja haja b) haja haja c) haja d) Aja
02.
- asinha; japonesinho; paizinho; homenzinho; adeusinho; por- 19. a) menos b) menos c) menos d) menos
tuguesinho; sozinho; anelzinho;
- belezinha; rosinha; paisinho; avozinho; arrozinho; princesi- 20. a) Por que b) porquê c) por que d) por quê e) porque f) por
nha; cafezinho; quê g) por que h) porque i) porquê j) Por que k) por que
- florzinha; Oscarzinho; reizinho; bonzinho; casinha; lapisi-
nho; pezinho. 21. Pousando; Presença; Artesanato; Escravizar; Natureza;
Vaso; Presidente; Fazer; Brasil; Civilização; Presente; Atrasados;
03. trenzinhos; pezinhos; animaizinhos; sozinhos; papeizi- Produzirem; Asa; Horizonte; Torrãozinho; Frase; Intruso; Deseja-
nhos; jornaizinhos; mãozinhas; balõezinhos; automoveizinhos; mos; Positiva; Poderoso; Desenvolvido; Surpresa; Vazio; Caso;
paizinhos; cãezinhos; mercadoriazinhas; faroizinhos; ruazinhas; Colonização.
chapeuzinhos; florezinhas.
22. estrangeiro; extensão; estranho; estender; extenso; Espon-
04. a) seção b) sessão c) cumprimento d) conserto e) conserto tâneo; Misto; Teste; Esgotar; Exterior; Exceção; Esplêndido; Tex-
f) cumprimento g) sessão h) comprimento i) concerto. to; Expulsar; Exclusivo.

05. portuguesa; certeza; limpeza; boniteza; pobreza; magreza; 23. a) tão poucas b) tão poucos c) tampouco d) tão pouco e)
tampouco f) tampouco g) tão poucas h) tampouco
beleza; gentileza; dureza; lindeza; Chinesa; frieza; duquesa; fra-
queza; braveza; grandeza.

06. honradez; rapidez; escassez; timidez; estupidez; palidez; ACENTUAÇÃO GRÁFICA.


acidez; surdez; lucidez; pequenez.

07. alucinar, ontem, hélice, êxito, humilde, hábil, hesitar, har-


pa, hoje, irônico, humano, horrível, hora, árido, honra, hóspede, Após várias tentativas de se unificar a ortografia da Língua
haver, habitar. Portuguesa, a partir de 1º de Janeiro de 2009 passou a vigorar no
Brasil e em todos os países da CLP (Comunidade de países de
08. a) ouve b) Houve c) ouve d) houve Língua Portuguesa) o período de transição para as novas regras
ortográficas que se finaliza em 31 de dezembro de 2016.
09. Esse material já se encontra segundo o Novo Acordo Orto-
Som de Z: exercícios, executarei, exibir-se, exercer, existir, gráfico.
êxito e exame.
Som de KS: táxi, oxigênio, tóxico e sexo. Tonicidade
Som de S: trouxemos, proximidade, extensão, experiência e
auxílio. Num vocábulo de duas ou mais sílabas, há, em geral, uma que
se destaca por ser proferida com mais intensidade que as outras: é a
10. encher, deixar, cheiro, flecha, eixo, frouxo, machucar, cho- sílaba tônica. Nela recai o acento tônico, também chamado acento
colate, enxada, enxergar, caixa, chiclete, faixa, chuchu, salsicha, de intensidade ou prosódico. Exemplos: café, janela, médico, es-
baixa, capricho, mexerica, riacho, xingar, chaleira, ameixa, chei- tômago, colecionador.
rosos, abacaxi. O acento tônico é um fato fonético e não deve ser confundido
com o acento gráfico (agudo ou circunflexo) que às vezes o assi-
11. a) mal b) mau c) mal d) mal e) mau f) mau g) mal nala. A sílaba tônica nem sempre é acentuada graficamente. Exem-
plo: cedo, flores, bote, pessoa, senhor, caju, tatus, siri, abacaxis.
12. a) Por que b) porque c) Por que d) porque e) Porque As sílabas que não são tônicas chamam-se átonas (=fracas),
e podem ser pretônicas ou postônicas, conforme estejam antes ou
13. a) mas b) mais c) más mais d) mas e) mais f) mas g) más depois da sílaba tônica. Exemplo: montanha, facilmente, heroi-
mas mais mais zinho.
De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos com
14. a) Atrás b) traz c) trás d) atrás mais de uma sílaba classificam-se em:

15. a) a b) Há c) há d) Há e) há f) a g) a h) A Oxítonos: quando a sílaba tônica é a última: café, rapaz, es-


critor, maracujá.
16. a) De repente b) devagar c) por isso d) depressa e) Por Paroxítonos: quando a sílaba tônica é a penúltima: mesa, lá-
cima pis, montanha, imensidade.

Didatismo e Conhecimento 90
LÍNGUA PORTUGUESA
Proparoxítonos: quando a sílaba tônica é a antepenúltima: ár- Acentuação dos Ditongos
vore, quilômetro, México.
Monossílabos são palavras de uma só sílaba, conforme a in- Acentuam-se a vogal dos ditongos abertos éi, éu, ói, quando
tensidade com que se proferem, podem ser tônicos ou átonos. tônicos.

Monossílabos tônicos são os que têm autonomia fonética, sen- Segundo as novas regras os ditongos abertos “éi” e “ói” não
do proferidos fortemente na frase em que aparecem: é, má, si, dó, são mais acentuados em palavras paroxítonas: assembléia, pla-
nó, eu, tu, nós, ré, pôr, etc. téia, idéia, colméia, boléia, Coréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio,
Monossílabos átonos são os que não têm autonomia fonética, heróico, paranóico, etc. Ficando: Assembleia, plateia, ideia, col-
sendo proferidos fracamente, como se fossem sílabas átonas do meia, boleia, Coreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, para-
vocábulo a que se apoiam. São palavras vazias de sentido como noico, etc.
artigos, pronomes oblíquos, elementos de ligação, preposições, Nos ditongos abertos de palavras oxítonas terminadas em
conjunções: o, a, os, as, um, uns, me, te, se, lhe, nos, de, em, e, que. éi, éu e ói e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói,
anéis, papéis, troféu, céu, chapéu.
Acentuação dos Vocábulos Proparoxítonos
Acentuação dos Hiatos
Todos os vocábulos proparoxítonos são acentuados na vogal
tônica: A razão do acento gráfico é indicar hiato, impedir a ditonga-
- Com acento agudo se a vogal tônica for i, u ou a, e, o aber- ção. Compare: caí e cai, doído e doido, fluído e fluido.
tos: xícara, úmido, queríamos, lágrima, término, déssemos, lógico, - Acentuam-se em regra, o /i/ e o /u/ tônicos em hiato com vo-
binóculo, colocássemos, inúmeros, polígono, etc. gal ou ditongo anterior, formando sílabas sozinhos ou com s: saída
- Com acento circunflexo se a vogal tônica for fechada ou na- (sa-í-da), saúde (sa-ú-de), faísca, caíra, saíra, egoísta, heroína, caí,
sal: lâmpada, pêssego, esplêndido, pêndulo, lêssemos, estômago, Xuí, Luís, uísque, balaústre, juízo, país, cafeína, baú, baús, Gra-
sôfrego, fôssemos, quilômetro, sonâmbulo etc. jaú, saímos, eletroímã, reúne, construía, proíbem, influí, destruí-lo,
instruí-la, etc.
Acentuação dos Vocábulos Paroxítonos - Não se acentua o /i/ e o /u/ seguidos de nh: rainha, fuinha,
moinho, lagoinha, etc; e quando formam sílaba com letra que não
Acentuam-se com acento adequado os vocábulos paroxítonos seja s: cair (ca-ir), sairmos, saindo, juiz, ainda, diurno, Raul, ruim,
terminados em: cauim, amendoim, saiu, contribuiu, instruiu, etc.

- ditongo crescente, seguido, ou não, de s: sábio, róseo, planí- Segundo as novas regras da Língua Portuguesa não se acen-
cie, nódua, Márcio, régua, árdua, espontâneo, etc. tua mais o /i/ e /u/ tônicos formando hiato quando vierem depois
- i, is, us, um, uns: táxi, lápis, bônus, álbum, álbuns, jóquei, de ditongo: baiúca, boiúna, feiúra, feiúme, bocaiúva, etc. Ficaram:
vôlei, fáceis, etc. baiuca, boiuna, feiura, feiume, bocaiuva, etc.
- l, n, r, x, ons, ps: fácil, hífen, dólar, látex, elétrons, fórceps,
etc. Os hiatos “ôo” e “êe” não são mais acentuados: enjôo, vôo,
- ã, ãs, ão, ãos, guam, guem: ímã, ímãs, órgão, bênçãos, enxá- perdôo, abençôo, povôo, crêem, dêem, lêem, vêem, relêem. Fi-
guam, enxáguem, etc. caram: enjoo, voo, perdoo, abençoo, povoo, creem, deem, leem,
veem, releem.
Não se acentua um paroxítono só porque sua vogal tônica é
aberta ou fechada. Descabido seria o acento gráfico, por exemplo, Acento Diferencial
em cedo, este, espelho, aparelho, cela, janela, socorro, pessoa, do-
res, flores, solo, esforços. Emprega-se o acento diferencial como sinal distintivo de vo-
cábulos homógrafos, nos seguintes casos:
Acentuação dos Vocábulos Oxítonos
- pôr (verbo) - para diferenciar de por (preposição).
Acentuam-se com acento adequado os vocábulos oxítonos - verbo poder (pôde, quando usado no passado)
terminados em: - é facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as
- a, e, o, seguidos ou não de s: xará, serás, pajé, freguês, vovô, palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a
avós, etc. Seguem esta regra os infinitivos seguidos de pronome: frase mais clara. Exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?
cortá-los, vendê-los, compô-lo, etc.
- em, ens: ninguém, armazéns, ele contém, tu conténs, ele con- Segundo as novas regras da Língua Portuguesa não existe
vém, ele mantém, eles mantêm, ele intervém, eles intervêm, etc. mais o acento diferencial em palavras homônimas (grafia igual,
som e sentido diferentes) como:
Acentuação dos Monossílabos
- côa(s) (do verbo coar) - para diferenciar de coa, coas (com
Acentuam-se os monossílabos tônicos: a, e, o, seguidos ou + a, com + as);
não de s: há, pá, pé, mês, nó, pôs, etc. - pára (3ª pessoa do singular do presente do indicativo do ver-
bo parar) - para diferenciar de para (preposição);

Didatismo e Conhecimento 91
LÍNGUA PORTUGUESA
- péla (do verbo pelar) e em péla (jogo) - para diferenciar de 05- Assinale a opção em que o par de vocábulos não obedece
pela (combinação da antiga preposição per com os artigos ou pro- à mesma regra de acentuação gráfica.
nomes a, as); a) sofismático/ insondáveis
- pêlo (substantivo) e pélo (v. pelar) - para diferenciar de pelo b) automóvel/fácil
(combinação da antiga preposição per com os artigos o, os); c) tá/já
- péra (substantivo - pedra) - para diferenciar de pera (forma d) água/raciocínio
arcaica de para - preposição) e pêra (substantivo); e) alguém/comvém
- pólo (substantivo) - para diferenciar de polo (combinação
popular regional de por com os artigos o, os); 06- Os dois vocábulos de cada item devem ser acentuado gra-
- pôlo (substantivo - gavião ou falcão com menos de um ano) - ficamente, exceto:
para diferenciar de polo (combinação popular regional de por com a) herbivoro-ridiculo
os artigos o, os); b) logaritmo-urubu
c) miudo-sacrificio
Emprego do Til d) carnauba-germem
e) Biblia-hieroglifo
O til sobrepõe-se às letras “a” e “o” para indicar vogal nasal.
Pode figurar em sílaba: 07- “Andavam devagar, olhando para trás...” (J.A. de Almei-
- tônica: maçã, cãibra, perdão, barões, põe, etc; da-Américo A. Bagaceira). Assinale o item em que nem todas as
- pretônica: romãzeira, balõezinhos, grã-fino, cristãmente, etc; palavras são acentuadas pelo mesmo motivo da palavra grifada no
- átona: órfãs, órgãos, bênçãos, etc. texto.
a) Más – vês
Trema (o trema não é acento gráfico) b) Mês – pás
c) Vós – Brás
Desapareceu o trema sobre o /u/ em todas as palavras do por- d) Pés – atrás
tuguês: Linguiça, averiguei, delinquente, tranquilo, linguístico. e) Dês – pés
Exceto as de língua estrangeira: Günter, Gisele Bündchen, müle-
riano. 08- Indique a única alternativa em que nenhuma palavra é
acentuada graficamente:
Exercícios a) lapis, canoa, abacaxi, jovens,
b) ruim, sozinho, aquele, traiu
01- O acento gráfico de “três” justifica-se por ser o vocábulo: c) saudade, onix, grau, orquídea
a) Monossílabo átono terminado em ES. d) flores, açucar, album, virus,
b) Oxítono terminado em ES e) voo, legua, assim, tenis
c) Monossílabo tônico terminado em S
d) Oxítono terminado em S 09- Nas alternativas, a acentuação gráfica está correta em to-
e) Monossílabo tônico terminado em ES das as palavras, exceto:
a) jesuíta, caráter
02- Se o vocábulo concluiu não tem acento gráfico, tal não b) viúvo, sótão
acontece com uma das seguinte formas do verbo concluir: c) baínha, raiz
a) concluia d) Ângela, espádua
b) concluirmos e) gráfico, flúor
c) concluem
d) concluindo 10- Até ........ momento, ........ se lembrava de que o antiquário
e) concluas tinha o ......... que procurávamos.
a) Aquêle-ninguém-baú
03- Nenhum vocábulo deve receber acento gráfico, exceto: b) Aquêle-ninguém-bau
a) sururu c) Aquêle-ninguem-baú
b) peteca d) Aquele-ninguém-baú
c) bainha e) Aquéle-ninguém-bau
d) mosaico
e) beriberi Respostas: (1-E) (2-A) (3-E) (4-A) (5-A) (6-B) (7-D) (8-B)
(9-C) (10-D)
04- Todos os vocábulos devem ser acentuados graficamente,
exceto:
a) xadrez
b) faisca
c) reporter
d) Oasis
e) proteina

Didatismo e Conhecimento 92
RACIOCÍNIO LÓGICO
RACIOCÍNIO LÓGICO
Todo A é B
AVALIAÇÃO DA HABILIDADE DO Todo B é C
CANDIDATO EM ENTENDER A Logo Todo A é C
ESTRUTURA LÓGICA DE RELAÇÕES
ARBITRÁRIAS ENTRE PESSOAS, A arbitrariedade ainda se relaciona à pessoas, lugares, coisas,
LUGARES, COISAS OU EVENTOS ou eventos fictícios. Cobra-se no edital o ato de deduzir novas
FICTÍCIOS; DEDUZIR NOVAS informações das relações fornecidas, ou seja, o aspecto da Dedução
INFORMAÇÕES DAS RELAÇÕES Lógica poderá ser cobrado de forma a resolver as questões.
FORNECIDAS E AVALIAR AS CONDIÇÕES
USADAS PARA ESTABELECER A As questões das provas poderão tratar das seguintes áreas:
ESTRUTURA DAQUELAS RELAÇÕES. AS - Estruturas Lógicas.
QUESTÕES DAS PROVAS PODERÃO - Lógica de Argumentação.
TRATAR DAS SEGUINTES ÁREAS: - Diagramas Lógicos.
STRUTURAS LÓGICAS; LÓGICA DE - Trigonometria.
ARGUMENTAÇÃO; DIAGRAMAS LÓGICOS; - Probabilidades.
ÁLGEBRA E GEOMETRIA BÁSICA. - Combinações, Arranjos e Permutação.
- Geometria Básica

Entendemos o conhecimento dos três primeiros itens como o


Introdução entendimento da Lógica propriamente dita. A partir do quarto item,
são cobrados conhecimentos de Raciocínio Lógico Quantitativo
Pode-se afirmar que só para analisar o edital, tem-se um e Matemático, dentro dos tópicos citados e o sétimo item pode
primeiro “susto”, o candidato não entende o que vai cair. Alguns ser resumido nos livros de Matemática pelo tema Análise
perguntam se tem matéria para estudar, outros qual é a matéria. Combinatória, onde é possível acrescentar o estudo do Princípio
Observe que vai cair na prova conhecimentos do candidato se Fundamental da Contagem (ou princípio do produto) como
o mesmo entende a estrutura lógica de relações arbitrárias entre de caráter necessário ao candidato, e a geometria na orientação
pessoas, lugares, coisas, ou eventos fictícios. espacial e temporal.
Entende-se por estruturas lógicas as que são formadas pela
presença de proposições ou sentenças lógicas (são aquelas frases Estruturas Lógicas – Verdade ou Mentira
que apresentam sentido completo, como por exemplo: Homero
é culpado). Observe que a estrutura lógica vai ligar relações Na lógica, uma estrutura (ou estrutura de interpretação) é um
arbitrárias e, neste caso, nada deverá ser levado para a prova a não objeto que dá significado semântico ou interpretação aos símbolos
ser os conhecimentos de Lógica propriamente dito, os candidatos definidos pela assinatura de uma linguagem. Uma estrutura possui
muitas vezes caem em erros como: diferentes configurações, seja em lógicas de primeira ordem,
Se Ana foi à praia então Paulo foi pescar, ora eu sou muito seja em linguagens lógicas poli-sortidas ou de ordem superior.
amigo de uma Ana e de um Paulo e ambos detestam ir à praia ou As questões de Raciocínio Lógico sempre vão ser compostas por
mesmo pescar, auto induzindo respostas absurdas. Dessa forma, proposições que provam, dão suporte, dão razão a algo, ou seja, são
as relações são arbitrárias, ou seja, não importa se você conhece afirmações que expressam um pensamento de sentindo completo.
Ana, Homero ou Paulo. Não importa o seu conhecimento sobre Essas proposições podem ter um sentindo positivo ou negativo.
as proposições que formam a frase, na realidade pouco importam
se as proposições são verdadeiras ou falsas. Queremos dizer que Exemplo 1: João anda de bicicleta.
o seu conhecimento sobre a frase deverá ser arbitrário, vamos ver Exemplo 2: Maria não gosta de banana.
através de outro exemplo: Tanto o exemplo 1 quanto o 2 caracterizam uma afirmação/
proposição.
Todo cavalo é um animal azul
Todo animal azul é árvore
A base das Estruturas Lógicas é saber o que é Verdade ou
Logo Todo cavalo é árvore
Mentira (verdadeiro/falso). Os resultados das proposições sempre
tem que dar verdadeiro. Há alguns princípios básicos:
Observe que podemos dizer que se tem acima um argumento
lógico, formado por três proposições categóricas (estas têm
Contradição: Nenhuma proposição pode ser verdadeira e
a presença das palavras Todo, Algum e Nenhum), as duas
falsa ao mesmo tempo.
primeiras serão denominadas premissas e a terceira é a conclusão.
Observe que as três proposições são totalmente falsas, mas é
possível comprovar que a conclusão é uma consequência lógica Terceiro Excluído: Dadas duas proposições lógicas
das premissas, ou seja, que se considerar as premissas como contraditórias somente uma delas é verdadeira. Uma proposição
verdadeiras, a conclusão será, por consequência, verdadeira, e este ou é verdadeira ou é falsa, não há um terceiro valor lógico (“mais
argumento será considerado válido logicamente. A arbitrariedade ou menos”, meio verdade ou meio mentira). Ex. Estudar é fácil.
é tanta que na hora da prova pode ser interessante substituir as (o contrário seria: “Estudar é difícil”. Não existe meio termo, ou
proposições por letras, veja: estudar é fácil ou estudar é difícil).

Didatismo e Conhecimento 1
RACIOCÍNIO LÓGICO
Para facilitar a resolução das questões de lógica usam- P Q PVQ
se os conectivos lógicos, que são símbolos que comprovam a
V V V
veracidade das informações e unem as proposições uma a outra ou
as transformam numa terceira proposição. Veja: V F V
(~) “não”: negação F V V
(Λ) “e”: conjunção F F F
(V) “ou”: disjunção
(→) “se...então”: condicional Condicional (símbolo →): Este conectivo dá a ideia de
(↔) “se e somente se”: bicondicional condição para que a outra proposição exista. “P” será condição
suficiente para “Q” e “Q” é condição necessária para “P”. Ex: P →
Temos as seguintes proposições: Q. (Se o Pão é barato então o Queijo não é bom.) → = “se...então”.
Regrinha para o conectivo condicional (→):
O Pão é barato. O Queijo não é bom.
A letra p representa a primeira proposição e a letra q, a P Q P→Q
segunda. Assim, temos: V V V
p: O Pão é barato. V F F
q: O Queijo não é bom.
F V V
Negação (símbolo ~): Quando usamos a negação de uma F F V
proposição invertemos a afirmação que está sendo dada. Veja os
Bicondicional (símbolo ↔): O resultado dessas proposições
exemplos: será verdadeiro se e somente se as duas forem iguais (as duas
verdadeiras ou as duas falsas). “P” será condição suficiente
~p (não p): O Pão não é barato. (É a negação lógica de p) e necessária para “Q”. Exemplo: P ↔ Q. (O Pão é barato se e
~q (não q): O Queijo é bom. (É a negação lógica de q) somente se o Queijo não é bom.) ↔ = “se e somente se”. Regrinha
Se uma proposição é verdadeira, quando usamos a negação para o conectivo bicondicional (↔):
vira falsa.
Se uma proposição é falsa, quando usamos a negação vira P Q P↔Q
verdadeira. V V V
V F F
Regrinha para o conectivo de negação (~):
F V F
P ~P F F V
V F QUESTÕES
F V
01. (ESAF - Receita Federal - Auditor Fiscal) A afirmação “A
Conjunção (símbolo Λ): Este conectivo é utilizado para unir menina tem olhos azuis ou o menino é loiro” tem como sentença
logicamente equivalente:
duas proposições formando uma terceira. O resultado dessa união
(A) se o menino é loiro, então a menina tem olhos azuis.
somente será verdadeiro se as duas proposições (p e q) forem (B) se a menina tem olhos azuis, então o menino é loiro.
verdadeiras, ou seja, sendo pelo menos uma falsa, o resultado será (C) se a menina não tem olhos azuis, então o menino é loiro.
falso. Ex.: p Λ q. (O Pão é barato e o Queijo não é bom). Λ = “e”. (D) não é verdade que se a menina tem olhos azuis, então o
Regrinha para o conectivo de conjunção (Λ): menino é loiro.
(E) não é verdade que se o menino é loiro, então a menina tem
olhos azuis.
P Q PΛQ Parte inferior do formulário
V V V
V F F 02. (ESAF - Receita Federal - Auditor Fiscal) Se Anamara é
médica, então Angélica é médica. Se Anamara é arquiteta, então
F V F Angélica ou Andrea são médicas. Se Andrea é arquiteta, então
F F F Angélica é arquiteta. Se Andrea é médica, então Anamara é
médica. Considerando que as afirmações são verdadeiras, segue-
se, portanto, que:
Disjunção (símbolo V): Este conectivo também serve para
(A) Anamara, Angélica e Andrea são arquitetas.
unir duas proposições. O resultado será verdadeiro se pelo menos (B) Anamara é médica, mas Angélica e Andrea são arquitetas.
uma das proposições for verdadeira. Ex: p v q. (Ou o Pão é barato (C) Anamara, Angélica e Andrea são médicas.
ou o Queijo não é bom.) V = “ou”. Regrinha para o conectivo de (D) Anamara e Angélica são arquitetas, mas Andrea é médica.
disjunção (V): (E) Anamara e Andrea são médicas, mas Angélica é arquiteta.

Didatismo e Conhecimento 2
RACIOCÍNIO LÓGICO
03. (ESAF - Receita Federal - Auditor Fiscal) Se Ana é 07. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens
pianista, então Beatriz é violinista. Se Ana é violinista, então seguintes, acerca de proposições lógicas. A partir das premissas P1,
Beatriz é pianista. Se Ana é pianista, Denise é violinista. Se Ana P2 e P3, é correto inferir que o prefeito Pérsio não sabia do esquema.
é violinista, então Denise é pianista. Se Beatriz é violinista, então
Denise é pianista. Sabendo-se que nenhuma delas toca mais de um ( ) Certo ( ) Errado
instrumento, então Ana, Beatriz e Denise tocam, respectivamente:
(A) piano, piano, piano. 08. (CESPE - TRE-ES - Técnico) Entende-se por proposição
(B) violino, piano, piano. todo conjunto de palavras ou símbolos que exprimem um
(C) violino, piano, violino.
pensamento de sentido completo, isto é, que afirmam fatos ou
(D) violino, violino, piano.
exprimam juízos a respeito de determinados entes. Na lógica
(E) piano, piano, violino.
bivalente, esse juízo, que é conhecido como valor lógico da
(CESPE – TRE-RJ – Técnico Judiciário) proposição, pode ser verdadeiro (V) ou falso (F), sendo objeto
de estudo desse ramo da lógica apenas as proposições que atendam
Texto para as questões de 04 a 07. ao princípio da não contradição, em que uma proposição não pode
ser simultaneamente verdadeira e falsa; e ao princípio do terceiro
O cenário político de uma pequena cidade tem sido excluído, em que os únicos valores lógicos possíveis para uma
movimentado por denúncias a respeito da existência de um proposição são verdadeiro e falso. Com base nessas informações,
esquema de compra de votos dos vereadores. A dúvida quanto julgue os itens a seguir. Segundo os princípios da não contradição
a esse esquema persiste em três pontos, correspondentes às e do terceiro excluído, a uma proposição pode ser atribuído um e
proposições P, Q e R: somente um valor lógico.

P: O vereador Vitor não participou do esquema; ( ) Certo ( ) Errado


Q: O Prefeito Pérsio sabia do esquema;
R: O chefe de gabinete do Prefeito foi o mentor do esquema. (CESPE - TRT-ES – Técnico Judiciário) Proposição

Os trabalhos de investigação de uma CPI da Câmara Municipal Texto para as questões 09 e 10.
conduziram às premissas P1, P2 e P3 seguintes:
Proposições são frases que podem ser julgadas como
P1: Se o vereador Vitor não participou do esquema, então o
verdadeiras (V) ou falsas (F), mas não como V e F simultaneamente.
Prefeito Pérsio não sabia do esquema.
P2: Ou o chefe de gabinete foi o mentor do esquema, ou o As proposições simples são aquelas que não contêm nenhuma
Prefeito Pérsio sabia do esquema, mas não ambos. outra proposição como parte delas. As proposições compostas são
P3: Se o vereador Vitor não participou do esquema, então o construídas a partir de outras proposições, usando-se símbolos
chefe de gabinete não foi o mentor do esquema. lógicos, parênteses e colchetes para que se evitem ambiguidades.
As proposições são usualmente simbolizadas por letras maiúsculas
Considerando essa situação hipotética, julgue os itens do alfabeto: A, B, C, etc. Uma proposição composta da forma A ∨
seguintes, acerca de proposições lógicas. B, chamada disjunção, deve ser lida como “A ou B” e tem o valor

lógico F, se A e B são F, e V, nos demais casos. Uma proposição
04. Das premissas P1, P2 e P3, é correto afirmar que “O chefe de composta da forma A B, chamada conjunção, deve ser lida como
gabinete foi o mentor do esquema ou o vereador Vitor participou “A e B” e tem valor lógico V, se A e B são V, e F, nos demais casos.
do esquema”. Além disso, A, que simboliza a negação da proposição A, é V, se
A for F, e F, se A for V. Considere que cada uma das proposições
( ) Certo ( ) Errado seguintes tenha valor lógico V.
I- Tânia estava no escritório ou Jorge foi ao centro da cidade
05. Parte superior do formulário II- Manuel declarou o imposto de renda na data correta e Carla
Considerando essa situação hipotética, julgue os itens não pagou o condomínio.
seguintes, acerca de proposições lógicas. A premissa P2 pode ser
III- Jorge não foi ao centro da cidade.
corretamente representada por R ∨ Q.
09. A partir dessas proposições, é correto afirmar que a
proposição “Manuel declarou o imposto de renda na data correta e
( ) Certo ( ) Errado
Jorge foi ao centro da cidade” tem valor lógico V.
06. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens ( ) Certo ( ) Errado
seguintes, acerca de proposições lógicas. A premissa P3 é
logicamente equivalente à proposição “O vereador Vitor participou 10. A partir dessas proposições, é correto afirmar que a
do esquema ou o chefe de gabinete não foi o mentor do esquema”. proposição. “Carla pagou o condomínio” tem valor lógico F.

( ) Certo ( ) Errado ( ) Certo ( ) Errado

Didatismo e Conhecimento 3
RACIOCÍNIO LÓGICO
Respostas 3. V V F - Aqui também ocorreu o mesmo problema da 2º
hipótese, também devemos descartá-la.
01. Resposta “C”.
- Se Andrea é arquiteta, então Angélica é arquiteta. (verdadeiro)
Proposição Equivalente 1. F F
2.
P→Q ~Q → ~P 3.
P→Q ~P ∨ Q
P→Q P é suficiente para Q - Se Andrea é médica, então Anamara é médica. (verdadeiro)
1. V V
P→Q Q é necessário para P
2.
3.
A menina tem olhos azuis ou o menino é loiro.
(~P) (∨ ) (Q)
03. Resposta “B”.
Se a menina não tem olhos azuis, então o menino é loiro.
Ana pianista → Beatriz violinista. (F → F)
(~P) (→) (Q)
Ana violinista → Beatriz pianista. (V → V)
Ana pianista → Denise violinista. (F → F)
Sintetizando: Basta negar a primeira, manter a segunda e
Ana violinista → Denise pianista. (V → V)
trocar o “ou” pelo “se então”. “A menina tem olhos azuis (M) ou
o menino é loiro (L)”. Beatriz violinista → Denise pianista. (F → V)

Está assim: M v L Proposições Simples quando aparecem na questão,


Fica assim: ~M → L suponhamos que sejam verdadeiras (V). Como na questão não
há proposições simples, escolhemos outra proposição composta e
Se a menina não tem olhos azuis, então o menino é loiro. supomos que seja verdadeira ou falsa.

02. Parte inferior do formulário 1º Passo: qual regra eu tenho que saber? Condicional (Se... então).
Resposta “C”. 2º Passo: Fazer o teste com as hipóteses possíveis até encontrar
a resposta.
Anamara médica → Angélica médica. (verdadeira →
verdadeira) Hipótese 1
Anamara arquiteta → Angélica médica ∨ Andrea médica.
(falsa → verdadeira ∨ verdadeira) - Se Ana é pianista, então Beatriz é violinista. (verdade)
Andrea arquiteta → Angélica arquiteta. (falsa → falsa) V V - Como já sabemos, se a (verdade) aparecer primeiro, a
Andrea médica → Anamara médica. (verdadeira → (falso) não poderá.
verdadeira)
- Se Ana é violinista, então Beatriz é pianista. (verdade)
Como na questão não existe uma proposição simples, temos F F - Já sabemos que Ana é pianista e Bia é violinista, então
que escolher entre as existentes, uma proposição composta e supor falso nelas.
se é verdadeira ou falsa. Nesta questão analise as proposições à
medida que aparecem na questão, daí a primeira proposição sobre - Se Ana é pianista, Denise é violinista. (verdade)
a pessoa assume o valor de verdade, as seguintes serão, em regra, VV
falsas. Embora nada impeça que uma pessoa tenha mais de uma
profissão, o que não deve ser levado em consideração. Importante - Se Ana é violinista, então Denise é pianista. (verdade)
lembrar que todas as proposições devem ter valor lógico verdadeiro. FF
Para encontrar a resposta temos que testar algumas hipóteses até
encontrar a que preencha todos os requisitos da regra. - Se Beatriz é violinista, então Denise é pianista. (verdade)
V F - Apareceu a temida V F, logo a nossa proposição será
- Se Anamara é médica, então Angélica é médica. (verdadeiro) falsa. Então descarte essa hipótese.
1. V V Hipótese 2
2. F F
3. F V - Se Ana é pianista, então Beatriz é violinista. (verdade)
FV
- Se Anamara é arquiteta, então Angélica ou Andrea são
médicas. (verdadeiro) - Se Ana é violinista, então Beatriz é pianista. (verdade)
1. F V V - Para ser falso Todos devem ser falsos. V F - A VF apareceu, então já podemos descartá-la, pois a
2. V F V - A segunda sentença deu falso e a VF apareceu, nossa proposição será falsa.
então descarta essa hipótese.

Didatismo e Conhecimento 4
RACIOCÍNIO LÓGICO
04. Resposta “Certo”. verdade, quando somente uma das proposições forem verdadeiras,
pois quando as duas forem verdadeiras a proposição será falsa. Da
É só aplicar a tabela verdade do “ou” (v). mesma forma se as duas forem falsas, a proposição toda será falsa.
V v F será verdadeiro, sendo falso apenas quando as duas
forem falsas. Tabela verdade do “Ou Exclusivo”.

A tabela verdade do “ou”. Vejam:


p q p∨q
V V F
p q p∨q
V F V
V V F
F V V
V F V
F F F
F V V
F F F Com a frase em P2 “mas não ambos” deixa claro que as duas
premissas não podem ser verdadeiras, logo não é uma Disjunção,
No 2º caso, os dois não podem ser verdade ao mesmo tempo. mas sim uma Disjunção Exclusiva, onde apenas uma das premissas
pode ser verdadeira para que P2 seja verdadeira.
Disjunção exclusiva (Ou... ou)
Representado pelo v, ou ainda ou. 06. Resposta “Certo”.
Pode aparecer assim também: p v q, mas não ambos. Duas premissas são logicamente equivalentes quando elas
possuem a mesma tabela verdade:
Regra: Só será verdadeira se houver uma das sentenças
verdadeira e outra falsa.
P R ¬P ¬R P→R ¬R → P ¬P ∨ R
Hipótese 1: V V F F V V V
V F F V F F F
P1: F → V = V (Não poderá aparecer VF).
P2: V F = V (Apenas um tem que ser verdadeiro). F V V F V V V
P3: F → F = V F F V V V V V

Conclusões: Possuem a mesma tabela verdade, logo são equivalentes.


Vereador participou do esquema.
Prefeito não sabia. Representando simbolicamente as equivalências, temos o
Chefe do gabinete foi o mentor. seguinte:
(P → R) = (¬P ∨ R) = (¬R → ¬P)
Então:
O chefe de gabinete foi o mentor do esquema ou o vereador As proposições dadas na questão:
Vitor participou do esquema. P = O vereador Vitor não participou do esquema.
V V = verdade, pois sabemos que para ser falso, todos devem R = O chefe de gabinete do Prefeito foi o mentor do esquema.
ser falsos.
Premissa dada na questão: P3 = Se o vereador Vitor não
Hipótese 2: participou do esquema, então o chefe do gabinete não foi o mentor
P1: F → F = V do esquema. Em linguagem simbólica, a premissa P3 fica assim:
P2: F V = V
(P → ¬R).
P3: F →V = V
A questão quer saber se (P → ¬R) é logicamente equivalente a
proposição: “O vereador Vitor participou do esquema ou o chefe de
Conclusões:
gabinete não foi o mentor do esquema”, que pode ser representada
Vereador participou do esquema.
da seguinte forma: (¬P ∨ ¬R). Vemos que P3 tem a seguinte
Prefeito sabia.
equivalente lógica: (P → ¬R) = (¬P ∨ ¬R). Negamos a primeira
Chefe de gabinete não era o mentor.
Então: sentença, mudamos o conectivo “→” para “∨ ”, e depois mantemos
O chefe de gabinete foi o mentor do esquema ou o vereador a segunda sentença do mesmo jeito. Assim sendo, a questão está
Vitor participou do esquema. correta. As duas sentenças são “logicamente equivalentes”.
F V = verdade.
07. Resposta “Errado”.
05. Resposta “Errado”. A questão quer saber se o argumento “o Prefeito Pérsio não
Não se trata de uma Disjunção, trata-se de uma Disjunção sabia do esquema” é um argumento válido. Quando o argumento
Exclusiva, cujo símbolo é . Também chamado de “Ou Exclusivo”. é válido? Quando as premissas forem verdadeiras e a conclusão
É o famoso “um ou outro mas não ambos”. Só vai assumir valor obrigatoriamente verdadeira ou quando as premissas forem falsas

Didatismo e Conhecimento 5
RACIOCÍNIO LÓGICO
e a conclusão falsa. Quando o argumento não é válido? Quando as como o conectivo é “e” as duas teriam que ser verdadeiras (o que
premissas forem verdadeiras e a conclusão for falsa. Pra resolver não acontece). Vamos analisar cada proposição de cada premissa,
essas questões de validade de argumento é melhor começar de tendo em mente que as premissas tem valor lógico (V), daí tiramos
forma contrária ao comando da questão. Como a questão quer um importante dado, sabemos que a premissa III é (V), portanto
saber se o argumento é válido, vamos partir do princípio (hipótese) vamos atribuir o valor lógico (V) a proposição “e” e o valor lógico
que é inválido. Fica assim: (F) a proposição “B”, agora vamos separar:
A: Tânia estava no escritório (V)
P1: P → ~Q verdade B: Jorge foi ao centro da cidade (F)
P2: R (ou exclusivo) Q verdade
P3: P → ~R verdade Diante das análises iniciais temos que a premissa A v B, tem
Conclusão: O prefeito Pérsio não sabia do esquema. falso valor lógico (V), mas que a proposição “B” tem valor lógico (F),
ou seja, A v (valor lógico F), para que essa premissa tenha o valor
Se é falso que o Prefeito Pérsio não sabia, significa dizer que lógico (V), “A” tem que ter um valor lógico (V).
ele sabia do esquema. Então, pode-se deduzir que as proposições
~Q e Q são, respectivamente, falsa e verdadeira. Na segunda C: Manuel declarou o imposto de renda na data correta (V)
premissa: Se Q é verdadeira, R será obrigatoriamente falsa, pois D: Carla não pagou o condomínio (V)
na disjunção exclusiva só vai ser verdade quando apenas um dos
argumentos for verdadeiro. E se R é falso, significa dizer que ~R é ∨
O enunciado fala para considerar todas as premissas com
verdadeiro. Fazendo as substituições: valor lógico (V), logo, a premissa C D para ter valor lógico (V),
ambas proposições devem ter valor lógico (V).
P1: P → ~Q Verdade
F→FV ∨ ∨
E: Jorge não foi ao centro da cidade (V)
Diante das explicações, C B = (V) (F) = (F).
Por que P é falso? Na condicional só vai ser falso se a primeira
for verdadeira e a segunda for falsa. Como “sabemos” que a premissa 10. Resposta “Certo”.
toda é verdadeira e que ~Q é falso, P só pode assumir valor F. Considere que cada uma das proposições seguintes tenha
valor lógico V. Logo o que contraria essa verdade é falso.
P2: R (ou exclusivo) Q Verdade I- V + F = V
F (ou exclusivo) V V II- V + V = V
III- V
Lembrando que na disjunção exclusiva, só vai ser verdade
quando uma das proposições forem verdadeiras. Como sei que Q é Portanto se no item II diz que Carla não pagou o condomínio
verdadeiro, R só pode ser falso. é verdadeiro, então o fato dela ter pago o condomínio é falso, pois
está contradizendo o dito no item II. Os valores lógicos da segunda
P3: P → ~R Verdade proposição não são deduzíveis, mas sim informados no enunciado.
F→VV II- Manuel declarou o imposto de renda na data correta e Carla
não pagou o condomínio V e V. Portanto, se Carla não pagou o
Se deduz que R é falso, logo ~R é verdadeiro. Consideramos condomínio é Verdadeiro. Carla pagou o condomínio é Falso.
inicialmente o argumento sendo não válido (premissas verdadeiras Enunciado correto.
e conclusão falsa). Significa dizer que a questão está errada. Não
é correto inferir que o Prefeito Pérsio não sabia do esquema. Foi Argumentos
comprovado que ele sabia do esquema.
Um argumento é “uma série concatenada de afirmações com
08. Resposta “Certo”. o fim de estabelecer uma proposição definida”. É um conjunto de
proposições com uma estrutura lógica de maneira tal que algumas
Princípio da Não Contradição = Uma preposição será delas acarretam ou tem como consequência outra proposição. Isto

V ou F não podendo assumir os 2 valores simultaneamente. é, o conjunto de proposições p1,...,pn que tem como consequência
Representação: ¬(P ¬P). Exemplo: Não (“a terra é redonda” e outra proposição q. Chamaremos as proposições p1,p2,p3,...,pn
“a terra não é redonda”). de premissas do argumento, e a proposição q de conclusão do
Princípio do Terceiro Excluído = Uma preposição será V ou F, argumento. Podemos representar por:
não podendo assumir um 3o valor lógico. Representação: P ∨ ¬P.
Exemplo: Ou este homem é José ou não é José. p1
Uma proposição só poderá ser julgada verdadeira ou falsa, p2
nunca poderá ser as duas coisas ao mesmo tempo. p3
.
09. Resposta “Errado”. .
Da proposição III “Jorge não foi ao centro da cidade” que é .
verdadeira e a questão diz “Manuel declarou o imposto de renda na pn
data correta e Jorge foi ao centro da cidade” a segunda parte é falsa ∴ q

Didatismo e Conhecimento 6
RACIOCÍNIO LÓGICO
Exemplos: Regras de Implicação
01. Premissas Conclusão Inferência
Se eu passar no concurso, então irei trabalhar. A B AàB
Passei no concurso
Falsas Falsa Verdadeira
________________________
∴ Irei trabalhar Falsas Verdadeira Verdadeira
Verdadeiras Falsa Falsa
02.
Verdadeiras Verdadeira Verdadeira
Se ele me ama então casa comigo.

Ele me ama.
- Se as premissas são falsas e a inferência é válida, a conclusão
__________________________
pode ser verdadeira ou falsa (linhas 1 e 2).
∴ Ele casa comigo.
- Se as premissas são verdadeiras e a conclusão é falsa, a
inferência é inválida (linha 3).
03.
- Se as premissas e a inferência são válidas, a conclusão é
Todos os brasileiros são humanos.
verdadeira (linha 4).
Todos os paulistas são brasileiros.
__________________________
∴ Todos os paulistas são humanos.
Desse modo, o fato de um argumento ser válido não significa
necessariamente que sua conclusão seja verdadeira, pois pode ter
partido de premissas falsas. Um argumento válido que foi derivado
04.
de premissas verdadeiras é chamado de argumento consistente.
Se o Palmeiras ganhar o jogo, todos os jogadores receberão
Esses, obrigatoriamente, chegam a conclusões verdadeiras.
o bicho.
Se o Palmeiras não ganhar o jogo, todos os jogadores
Premissas: Argumentos dedutíveis sempre requerem certo
receberão o bicho.
número de “assunções-base”. São as chamadas premissas. É a
__________________________
∴ Todos os jogadores receberão o bicho.
partir delas que os argumentos são construídos ou, dizendo de outro
modo, é as razões para se aceitar o argumento. Entretanto, algo que
é uma premissa no contexto de um argumento em particular pode
Observação: No caso geral representamos os argumentos
ser a conclusão de outro, por exemplo. As premissas do argumento
escrevendo as premissas e separando por uma barra horizontal
sempre devem ser explicitadas. A omissão das premissas é
seguida da conclusão com três pontos antes. Veja exemplo:
comumente encarada como algo suspeito, e provavelmente
reduzirá as chances de aceitação do argumento.
Premissa: Todos os sais de sódio são substâncias solúveis
A apresentação das premissas de um argumento geralmente
em água.
é precedida pelas palavras “admitindo que...”, “já que...”,
Todos os sabões são sais de sódio.
“obviamente se...” e “porque...”. É imprescindível que seu oponente
____________________________________
concorde com suas premissas antes de proceder à argumentação.
Conclusão: ∴ Todos os sabões são substâncias solúveis
Usar a palavra “obviamente” pode gerar desconfiança. Ela
em água.
ocasionalmente faz algumas pessoas aceitarem afirmações falsas
em vez de admitir que não entenda por que algo é “óbvio”. Não
Os argumentos, em lógica, possuem dois componentes
se deve hesitar em questionar afirmações supostamente “óbvias”.
básicos: suas premissas e sua conclusão. Por exemplo, em: “Todos
os times brasileiros são bons e estão entre os melhores times do
Inferência: Uma vez que haja concordância sobre as
mundo. O Brasiliense é um time brasileiro. Logo, o Brasiliense
premissas, o argumento procede passo a passo por meio do
está entre os melhores times do mundo”, temos um argumento com
processo chamado “inferência”. Na inferência, parte-se de uma ou
duas premissas e a conclusão.
mais proposições aceitas (premissas) para chegar a outras novas.
Evidentemente, pode-se construir um argumento válido a
Se a inferência for válida, a nova proposição também deverá ser
partir de premissas verdadeiras, chegando a uma conclusão também
aceita. Posteriormente, essa proposição poderá ser empregada em
verdadeira. Mas também é possível construir argumentos válidos a
novas inferências. Assim, inicialmente, apenas se pode inferir algo
partir de premissas falsas, chegando a conclusões falsas. O detalhe
a partir das premissas do argumento; ao longo da argumentação,
é que podemos partir de premissas falsas, proceder por meio de uma
entretanto, o número de afirmações que podem ser utilizadas
inferência válida e chegar a uma conclusão verdadeira. Por exemplo:
aumenta. Há vários tipos de inferência válidos, mas também alguns
Premissa: Todos os peixes vivem no oceano.
inválidos. O processo de inferência é comumente identificado
Premissa: Lontras são peixes.
pelas frases “Consequentemente...” ou “isso implica que...”.
Conclusão: Logo, focas vivem no oceano.
Conclusão: Finalmente se chegará a uma proposição que
Há, no entanto, uma coisa que não pode ser feita: a partir de
consiste na conclusão, ou seja, no que se está tentando provar. Ela é
premissas verdadeiras, inferirem de modo correto e chegar a uma
o resultado final do processo de inferência e só pode ser classificada
conclusão falsa. Podemos resumir esses resultados numa tabela
como conclusão no contexto de um argumento em particular. A
de regras de implicação. O símbolo A denota implicação; A é a
conclusão respalda-se nas premissas e é inferida a partir delas.
premissa, B é a conclusão.

Didatismo e Conhecimento 7
RACIOCÍNIO LÓGICO
A seguir está exemplificado um argumento válido, mas que Observe que não precisamos de nenhum conhecimento
pode ou não ser “consistente”. aprofundado sobre o assunto para concluir que o argumento é
1. Premissa: Todo evento tem uma causa. válido. Vamos substituir mulheres bonitas e princesas por A, B e C
2. Premissa: O universo teve um começo. respectivamente e teremos:
3. Premissa: Começar envolve um evento.
4. Inferência: Isso implica que o começo do universo envolveu Todos os A são B.
um evento. Todos os C são A.
5. Inferência: Logo, o começo do universo teve uma causa. ________________
6. Conclusão: O universo teve uma causa. ∴ Todos os C são B.

A proposição do item 4 foi inferida dos itens 2 e 3. O item 1, Logo, o que é importante é a forma do argumento e não o
então, é usado em conjunto com proposição 4 para inferir uma conhecimento de A, B e C, isto é, este argumento é válido para
nova proposição (item 5). O resultado dessa inferência é reafirmado quaisquer A, B e C, portanto, a validade é consequência da forma
(numa forma levemente simplificada) como sendo a conclusão. do argumento. O atributo validade aplica-se apenas aos argumentos
dedutivos.
Validade de um Argumento
Argumentos Dedutivos e Indutivos
Conforme citamos anteriormente, uma proposição é verdadeira
ou falsa. No caso de um argumento diremos que ele é válido ou não O argumento será dedutivo quando suas premissas fornecerem
válido. A validade de uma propriedade dos argumentos dedutivos prova conclusiva da veracidade da conclusão, isto é, o argumento
que depende da forma (estrutura) lógica das suas proposições é dedutivo quando a conclusão é completamente derivada das
(premissas e conclusões) e não do conteúdo delas. Sendo assim premissas. Exemplo:
podemos ter as seguintes combinações para os argumentos válidos
dedutivos: Todo ser humano tem mãe.
Todos os homens são humanos.
__________________________
a) Premissas verdadeiras e conclusão verdadeira. Exemplo:
∴ Todos os homens têm mãe.

Todos os apartamentos são pequenos. (V)


O argumento será indutivo quando suas premissas não
Todos os apartamentos são residências. (V) fornecerem o apoio completo para retificar as conclusões. Exemplo:
__________________________________
∴ Algumas residências são pequenas. (V)
O Flamengo é um bom time de futebol.
O Palmeiras é um bom time de futebol.
b) Algumas ou todas as premissas falsas e uma conclusão O Vasco é um bom time de futebol.
verdadeira. Exemplo: O Cruzeiro é um bom time de futebol.
______________________________
Todos os peixes têm asas. (F) ∴ Todos os times brasileiros de futebol são bons.
Todos os pássaros são peixes. (F)
__________________________________ Portanto, nos argumentos indutivos a conclusão possui
∴ Todos os pássaros têm asas. (V)
informações que ultrapassam as fornecidas nas premissas. Sendo
assim, não se aplica, então, a definição de argumentos válidos ou
c) Algumas ou todas as premissas falsas e uma conclusão não válidos para argumentos indutivos.
falsa. Exemplo:
Argumentos Dedutivos Válidos
Todos os peixes têm asas. (F)
Todos os cães são peixes. (F) Vimos então que a noção de argumentos válidos ou não
__________________________________ válidos aplica-se apenas aos argumentos dedutivos, e também
∴ Todos os cães têm asas. (F) que a validade depende apenas da forma do argumento e não dos
respectivos valores verdades das premissas. Vimos também que
Todos os argumentos acima são válidos, pois se suas premissas não podemos ter um argumento válido com premissas verdadeiras
fossem verdadeiras então as conclusões também as seriam. e conclusão falsa. A seguir exemplificaremos alguns argumentos
Podemos dizer que um argumento é válido quando todas as suas dedutivos válidos importantes.
premissas são verdadeiras, acarreta que sua conclusão também é
verdadeira. Portanto, um argumento será não válido se existir a Afirmação do Antecedente: O primeiro argumento dedutivo
possibilidade de suas premissas serem verdadeiras e sua conclusão válido que discutiremos chama-se “afirmação do antecedente”,
falsa. Observe que a validade do argumento depende apenas da também conhecido como modus ponens. Exemplo:
estrutura dos enunciados. Exemplo:
Se José for reprovado no concurso, então será demitido do
Todas as mulheres são bonitas. serviço.
Todas as princesas são mulheres. José foi aprovado no concurso.
__________________________ ___________________________
∴ Todas as princesas são bonitas. ∴ José será demitido do serviço.

Didatismo e Conhecimento 8
RACIOCÍNIO LÓGICO
Este argumento é evidentemente válido e sua forma pode ser Argumentos Dedutivos Não Válidos
escrita da seguinte forma:
Se p, então q, p→q Existe certa quantidade de artimanhas que devem ser evitadas
p.
ou p quando se está construindo um argumento dedutivo. Elas são
∴ q. ∴q conhecidas como falácias. Na linguagem do dia a dia, nós
denominamos muitas crenças equivocadas como falácias, mas, na
lógica, o termo possui significado mais específico: falácia é uma
Outro argumento dedutivo válido é a “negação do falha técnica que torna o argumento inconsistente ou inválido
consequente” (também conhecido como modus tollens). Obs.: (além da consistência do argumento, também se podem criticar as
( ) ( )
p → q é equivalente a ¬q → ¬p . Esta equivalência é intenções por detrás da argumentação).
chamada de contra positiva. Exemplo: Argumentos contentores de falácias são denominados
falaciosos. Frequentemente, parecem válidos e convincentes,
“Se ele me ama, então casa comigo” é equivalente a “Se ele às vezes, apenas uma análise pormenorizada é capaz de revelar
não casa comigo, então ele não me ama”;
a falha lógica. Com as premissas verdadeiras e a conclusão falsa
nunca teremos um argumento válido, então este argumento é não
Então vejamos o exemplo do modus tollens. Exemplo:
válido, chamaremos os argumentos não válidos de falácias. A
seguir, examinaremos algumas falácias conhecidas que ocorrem
Se aumentarmos os meios de pagamentos, então haverá
inflação. com muita frequência. O primeiro caso de argumento dedutivo não
Não há inflação. válido que veremos é o que chamamos de “falácia da afirmação do
______________________________ consequente”. Exemplo:
∴ Não aumentamos os meios de pagamentos.
Se ele me ama então ele casa comigo.
Este argumento é evidentemente válido e sua forma pode ser Ele casa comigo.
escrita da seguinte maneira: _______________________
∴ Ele me ama.

Se p, então q, p→q
ou Podemos escrever esse argumento como:
Não q. ¬q
∴ Não p. ∴ ¬p
Se p, então q, p→ q

q ou q
Existe também um tipo de argumento válido conhecido ∴p ∴p
pelo nome de dilema. Geralmente este argumento ocorre quando
alguém é forçado a escolher entre duas alternativas indesejáveis.
Exemplo:
Este argumento é uma falácia, podemos ter as premissas
João se inscreve no concurso de MS, porém não gostaria de verdadeiras e a conclusão falsa.
sair de São Paulo, e seus colegas de trabalho estão torcendo por
ele. Eis o dilema de João: Outra falácia que corre com frequência é a conhecida por
“falácia da negação do antecedente”. Exemplo:
Ou João passa ou não passa no concurso.
Se João passar no concurso vai ter que ir embora de São Paulo.
Se João parar de fumar ele engordará.
Se João não passar no concurso ficará com vergonha diante
João não parou de fumar.
dos colegas de trabalho.
________________________
_________________________
∴ João não engordará.
∴ Ou João vai embora de São Paulo ou João ficará com
vergonha dos colegas de trabalho.
Observe que temos a forma:
Este argumento é evidentemente válido e sua forma pode ser
escrita da seguinte maneira: Se p, então q, p→q

Não p. ou ¬p
p ou q. p∨ q ∴ ¬q
∴ Não q.

Se p então r ou p→ r
q→s
Se p então s. Este argumento é uma falácia, pois podemos ter as premissas
∴r ∨ s
∴ r ou s verdadeiras e a conclusão falsa.

Didatismo e Conhecimento 9
RACIOCÍNIO LÓGICO
Os argumentos dedutivos não válidos podem combinar verdade Um argumento não equivale a uma explicação. Suponha
ou falsidade das premissas de qualquer maneira com a verdade que, tentando provar que Albert Einstein cria em Deus, alguém
ou falsidade da conclusão. Assim, podemos ter, por exemplo, dissesse: “Einstein afirmou que ‘Deus não joga dados’ porque
argumentos não válidos com premissas e conclusões verdadeiras, acreditava em Deus”. Isso pode parecer um argumento relevante,
porém, as premissas não sustentam a conclusão. Exemplo: mas não é. Trata-se de uma explicação da afirmação de Einstein.
Para perceber isso, deve-se lembrar que uma afirmação da forma
Todos os mamíferos são mortais. (V) “X porque Y” pode ser reescrita na forma “Y logo X”. O que
Todos os gatos são mortais. (V) resultaria em: “Einstein acreditava em Deus, por isso afirmou que
___________________________ ‘Deus não joga dados’”. Agora fica claro que a afirmação, que
∴ Todos os gatos são mamíferos. (V)
parecia um argumento, está admitindo a conclusão que deveria
estar provando. Ademais, Einstein não cria num Deus pessoal
Este argumento tem a forma: preocupado com assuntos humanos.

QUESTÕES
Todos os A são B.
Todos os C são B.
01. Se Iara não fala italiano, então Ana fala alemão. Se Iara fala
_____________________ italiano, então ou Ching fala chinês ou Débora fala dinamarquês. Se
∴ Todos os C são A.
Débora fala dinamarquês, Elton fala espanhol. Mas Elton fala espanhol
se e somente se não for verdade que Francisco não fala francês. Ora,
Podemos facilmente mostrar que esse argumento é não válido, Francisco não fala francês e Ching não fala chinês. Logo,
pois as premissas não sustentam a conclusão, e veremos então que a) Iara não fala italiano e Débora não fala dinamarquês.
podemos ter as premissas verdadeiras e a conclusão falsa, nesta b) Ching não fala chinês e Débora fala dinamarquês.
forma, bastando substituir A por mamífero, B por mortais e C por c) Francisco não fala francês e Elton fala espanhol.
cobra. d) Ana não fala alemão ou Iara fala italiano.
e) Ana fala alemão e Débora fala dinamarquês.
Todos os mamíferos são mortais. (V)
Todas as cobras são mortais. (V) 02. Sabe-se que todo o número inteiro n maior do que 1
__________________________ admite pelo menos um divisor (ou fator) primo.Se n é primo, então
∴ Todas as cobras são mamíferas. (F) tem somente dois divisores, a saber, 1 e n. Se n é uma potência
de um primo p, ou seja, é da forma ps, então 1, p, p2, ..., ps são os
Podemos usar as tabelas-verdade, definidas nas estruturas divisores positivos de n. Segue-se daí que a soma dos números
lógicas, para demonstrarmos se um argumento é válido ou falso. inteiros positivos menores do que 100, que têm exatamente três
Outra maneira de verificar se um dado argumento P1, P2, P3, divisores positivos, é igual a:
...Pn é válido ou não, por meio das tabelas-verdade, é construir a) 25
a condicional associada: (P1 ∧ P2 ∧ P3 ...Pn) e reconhecer se b) 87
essa condicional é ou não uma tautologia. Se essa condicional c) 112
associada é tautologia, o argumento é válido. Não sendo tautologia, d) 121
o argumento dado é um sofisma (ou uma falácia). e) 169
Tautologia: Quando uma proposição composta é
sempre verdadeira, então teremos uma tautologia. Ex: 03. Ou Lógica é fácil, ou Artur não gosta de Lógica. Por outro
lado, se Geografia não é difícil, então Lógica é difícil. Daí segue-se
P (p,q) = ( p ∧ q) ↔ (p V q) . Numa tautologia,
que, se Artur gosta de Lógica, então:
o valor lógico da proposição composta P (p,q,s) =
a) Se Geografia é difícil, então Lógica é difícil.
{(p ∧ q) V (p V s) V [p ∧ (q ∧ s)]} → p será sempre verdadeiro. b) Lógica é fácil e Geografia é difícil.
c) Lógica é fácil e Geografia é fácil.
Há argumentos válidos com conclusões falsas, da mesma d) Lógica é difícil e Geografia é difícil.
forma que há argumentos não válidos com conclusões verdadeiras. e) Lógica é difícil ou Geografia é fácil.
Logo, a verdade ou falsidade de sua conclusão não determinam a
validade ou não validade de um argumento. O reconhecimento de 04. Três suspeitos de haver roubado o colar da rainha foram
argumentos é mais difícil que o das premissas ou da conclusão. levados à presença de um velho e sábio professor de Lógica. Um
Muitas pessoas abarrotam textos de asserções sem sequer dos suspeitos estava de camisa azul, outro de camisa branca e o
produzirem algo que possa ser chamado de argumento. Às vezes, outro de camisa preta. Sabe-se que um e apenas um dos suspeitos é
os argumentos não seguem os padrões descritos acima. Por culpado e que o culpado às vezes fala a verdade e às vezes mente.
exemplo, alguém pode dizer quais são suas conclusões e depois Sabe-se, também, que dos outros dois (isto é, dos suspeitos que
justificá-las. Isso é válido, mas pode ser um pouco confuso. são inocentes), um sempre diz a verdade e o outro sempre mente.
Para complicar, algumas afirmações parecem argumentos, O velho e sábio professor perguntou, a cada um dos suspeitos,
mas não são. Por exemplo: “Se a Bíblia é verdadeira, Jesus foi qual entre eles era o culpado. Disse o de camisa azul: “Eu sou o
ou um louco, ou um mentiroso, ou o Filho de Deus”. Isso não culpado”. Disse o de camisa branca, apontando para o de camisa
é um argumento, é uma afirmação condicional. Não explicita as azul: “Sim, ele é o culpado”. Disse, por fim, o de camisa preta:
premissas necessárias para embasar as conclusões, sem mencionar “Eu roubei o colar da rainha; o culpado sou eu”. O velho e sábio
que possui outras falhas. professor de Lógica, então, sorriu e concluiu corretamente que:

Didatismo e Conhecimento 10
RACIOCÍNIO LÓGICO
a) O culpado é o de camisa azul e o de camisa preta sempre 07. (ESAF - 2012 - Auditor Fiscal da Receita Federal) Parte
mente. superior do formulário
b) O culpado é o de camisa branca e o de camisa preta sempre Caso ou compro uma bicicleta. Viajo ou não caso. Vou morar
mente. em Passárgada ou não compro uma bicicleta. Ora, não vou morar
c) O culpado é o de camisa preta e o de camisa azul sempre em Passárgada. Assim,
mente. (A) não viajo e caso.
d) O culpado é o de camisa preta e o de camisa azul sempre (B) viajo e caso.
diz a verdade. (C) não vou morar em Passárgada e não viajo.
e) O culpado é o de camisa azul e o de camisa azul sempre (D) compro uma bicicleta e não viajo.
diz a verdade. (E) compro uma bicicleta e viajo.

05. O rei ir à caça é condição necessária para o duque sair 08. (FCC - 2012 - TST - Técnico Judiciário) Parte superior do
formulário
do castelo, e é condição suficiente para a duquesa ir ao jardim.
A declaração abaixo foi feita pelo gerente de recursos humanos
Por outro lado, o conde encontrar a princesa é condição necessária
da empresa X durante uma feira de recrutamento em uma faculdade:
e suficiente para o barão sorrir e é condição necessária para a
“Todo funcionário de nossa empresa possui plano de saúde e
duquesa ir ao jardim. O barão não sorriu. Logo:
ganha mais de R$ 3.000,00 por mês”. Mais tarde, consultando
a) A duquesa foi ao jardim ou o conde encontrou a princesa. seus arquivos, o diretor percebeu que havia se enganado em sua
b) Se o duque não saiu do castelo, então o conde encontrou a declaração. Dessa forma, conclui-se que, necessariamente,
princesa. (A) dentre todos os funcionários da empresa X, há um grupo
c) O rei não foi à caça e o conde não encontrou a princesa. que não possui plano de saúde.
d) O rei foi à caça e a duquesa não foi ao jardim. (B) o funcionário com o maior salário da empresa X ganha, no
e) O duque saiu do castelo e o rei não foi à caça. máximo, R$ 3.000,00 por mês.
(C) um funcionário da empresa X não tem plano de saúde ou
06. (FUNIVERSA - 2012 - PC-DF - Perito Criminal) Parte ganha até R$ 3.000,00 por mês.
superior do formulário (D) nenhum funcionário da empresa X tem plano de saúde ou
Cinco amigos encontraram-se em um bar e, depois de algumas todos ganham até R$ 3.000,00 por mês.
horas de muita conversa, dividiram igualmente a conta, a qual (E) alguns funcionários da empresa X não têm plano de saúde
fora de, exatos, R$ 200,00, já com a gorjeta incluída. Como se e ganham, no máximo, R$ 3.000,00 por mês.
encontravam ligeiramente alterados pelo álcool ingerido, ocorreu
uma dificuldade no fechamento da conta. Depois que todos 09. (CESGRANRIO - 2012 - Chesf - Analista de Sistemas)
julgaram ter contribuído com sua parte na despesa, o total colocado Parte superior do formulário
sobre a mesa era de R$ 160,00, apenas, formados por uma nota de Se hoje for uma segunda ou uma quarta-feira, Pedro terá
R$ 100,00, uma de R$ 20,00 e quatro de R$ 10,00. Seguiram-se, aula de futebol ou natação. Quando Pedro tem aula de futebol ou
então, as seguintes declarações, todas verdadeiras: natação, Jane o leva até a escolinha esportiva. Ao levar Pedro até
a escolinha, Jane deixa de fazer o almoço e, se Jane não faz o
Antônio: — Basílio pagou. Eu vi quando ele pagou. almoço, Carlos não almoça em casa. Considerando-se a sequência
Danton: — Carlos também pagou, mas do Basílio não sei de implicações lógicas acima apresentadas textualmente, se Carlos
dizer. almoçou em casa hoje, então hoje
Eduardo: — Só sei que alguém pagou com quatro notas de (A) é terça, ou quinta ou sexta-feira, ou Jane não fez o almoço.
R$ 10,00. (B) Pedro não teve aula de natação e não é segunda-feira.