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FACULDADE DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO FACITE

CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

JANE CLÉA DE JESUS SIMOES


VANUZIA DE JESUS SIMOES

LUDICIDADE: O brincar na educação infantil

SANTA MARIA DA VITÓRIA


2020

0
JANE CLÉA DE JESUS SIMÕES
VANUZIA DE JESUS SIMÕES

LUDICIDADE: O brincar na Educação Infantil

Projeto de Pesquisa apresentado à


Faculdade de Ciência, Tecnologia e
Educação – FACITE, como pré-requisito
parcial do curso de
Licenciatura em Pedagogia. Orientadora:
Professora Ana Érica

SANTA MARIA DA VITÓRIA


2020
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RESUMO

Este trabalho insere-se nas discussões acerca da ludicidade como elemento


fundamental para a aprendizagem escolar das crianças, por tomar como pressuposto
que a brincadeira e as atividades lúdicas são elementos inerentes ao universo infantil
e que podem tornar o processo ensino-aprendizagem mais prazeroso. O objetivo geral
do trabalho consistiu em analisar o uso da ludicidade como recurso pedagógico para
a aprendizagem. Para isso foi realizado um estudo bibliográfico, que foi construído
com base nas discussões sobre os conceitos de brincadeira, jogo e ludicidade, assim
como na busca para compreender teoricamente a importância da metodologia lúdica
para a aprendizagem e desenvolvimento integral da criança, tomando como principais
referências os seguintes autores: Adriana Fridmann, Herminia Regina Bugeste
Marinho, Jean Piaget, entre outros, sendo que esses autores falam sobre o assunto
em estudo, e se dedicam a temática, contribuindo assim para a leitura e discussões
sobre o tema.

Palavras-chave: Ludicidade; Brincadeiras; Aprendizagem.

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ABSTRACT

This work is part of discussions about playfulness as a fundamental element for


children's school learning, as it is assumed that play and play activities are inherent
elements of the children's universe and can make the teaching-learning process more
enjoyable. The general objective of the study was to analyze the use of playfulness as
a pedagogical resource for learning. A bibliographic study was carried out, based on
the discussions about the concepts of play, play and playfulness, as well as the search
to understand theoretically the importance of the playful methodology for learning and
integral development of the child, taking as main references the following authors:
Adriana Fridmann, Herminia Regina Bugeste Marinho, Jean Piaget, among others,
being that these authors talk about the subject in study, and are devoted to thematic,
contributing thus to the reading and discussions on the subject.

Key-words: Ludicidade; Jokes; Learning.

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SUMÁRIO

1 RESUMO .....................................................................................................

2 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 5

2.1 O brincar interfere no desenvolvimento cognitivo das crianças ...... 7

2.2 O brincar não é apenas divertimento, mas também aprendizagem ... 12

2.3 A importância da ludicidade no contexto escolar ................................ 17

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................... 22

4 REFERÊNCIAS .......................................................................................... 23

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1 INTRODUÇÃO

Atualmente observa-se a necessidade da ludicidade está sempre presente no


âmbito escolar e isso vem contribuindo com as concepções psicológicas e
pedagógicas do desenvolvimento infantil. Dessa forma as atividades lúdicas ajudam
a vivenciar fatos e favorecer aspectos da cognição, portanto, brincadeiras e jogos
podem e devem ser utilizados como uma ferramenta importante para o auxílio do
ensino aprendizagem bem como para que se estruturem os conceitos de interação e
cooperação.
Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo geral discutir a importância
dos jogos e brincadeiras no processo de ensino aprendizagem, além de demonstrar a
importância da inserção dos mesmos, como um modelo prático de vivencia e
consciência, visando uma melhor prática no desenvolvimento da criança, analisando
o lúdico como mediador da aprendizagem na sala de aula, sobretudo na Educação
Infantil e visa à ludicidade como caminho para a aprendizagem e a construção do
conhecimento através de brincadeiras, jogos e brinquedos. De forma mais objetiva,
espera-se perceber como o brincar influencia no desenvolvimento cognitivo das
crianças; identificar a importância da ludicidade no contexto escolar e explicar que o
brincar não é apenas divertimento, mas também aprendizagem.
Sabe-se que existem formas em que a atividade lúdica pode contribuir para a
aprendizagem na Educação Infantil, pois é evidente a sensação de prazer que envolve
as crianças em suas atividades lúdicas, que por sua vez, desenvolvem maior contato
com professores e colegas. A brincadeira e os jogos não são apenas um passatempo,
são também formas de estimular na criança autoconfiança, desenvolvimento
psicomotor, afetividade e são as principais formas de socialização, pois, através do
brincar, a criança aprende normas e limites no qual usará respeitosamente no dia a
dia com os colegas.
Teve-se como auxílio às pesquisas bibliográficas realizadas no decorrer deste
trabalho, e uma experiência vivenciada no decorrer da realização do Estágio
Supervisionado I, onde se pode verificar que o lúdico trabalhado através de jogos e
brincadeiras era posto no processo de aprendizagem de maneira insatisfatória. Por
isso, estudar e investigar sobre este tema é importante para mostrar que o lúdico é
um método que contribui para que a criança se desenvolva, pois, é através do brincar

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que a criança descobre, inventa, ensina regras, experimenta, relaxa e desenvolve
habilidades.
Com esta pesquisa busca-se também reafirmar ao educador a respeito da
necessidade do lúdico no processo de ensino-aprendizagem, tendo em vista que a
criança aprende de modo mais agradável. Desta maneira, a partir da contribuição
teórica surgiu como conseqüência o tema “Ludicidade: O brincar na educação infantil”,
que abriu um leque para a problemática que estimula a questionar sobre quais são as
metodologias utilizadas para a introdução de jogos e brincadeiras apropriadas para o
desenvolvimento cognitivo das crianças na educação infantil. Diante desta análise e
inquietação o presente estudo vem listar estratégias, destacando algumas
possibilidades de estruturar atividades no espaço de educação infantil, que permita
um maior contato da criança com o lúdico a partir de espaços e de materiais
acessíveis.
Para tanto, o presente estudo se estrutura inicialmente, com base em literaturas
especializadas sobre o assunto, com o propósito de desenvolver uma análise mais
abrangente a respeito da temática, bem como a mesma é pensada e veiculada nos
espaços que atendem crianças pequenas.

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2 O BRINCAR INTERFERE NO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DAS
CRIANÇAS.

O desenvolvimento cognitivo não ocorre por si só, mas através das diversas
interações que a criança faz ao longo de sua trajetória, explorando o meio onde vive.
Vale ressaltar que no lúdico, as crianças desenvolvem a cognição, como a
capacidade de mobilizar esquemas a fim de resolver dificuldades que surgem durante
algumas brincadeiras, promovendo, deste modo, o raciocínio. Outro ponto muito
importante a ser considerado é o amadurecimento das habilidades motoras que é
proporcionado pelas brincadeiras. Com isso, pode-se mencionar a relação da escola
e do pedagogo na construção do lúdico no ambiente escolar, no reconhecimento da
importância deste momento, não só no nível cognitivo, mas também no nível afetivo,
a partir de uma atenção específica, tanto por parte da escola como por parte do
professor.

Nessa perspectiva afirmou Cunha (2001, p. 14):

Brincar desenvolve as habilidades da criança de forma natural, pois brincando


aprende a socializar-se com outras crianças, desenvolve a motricidade, a
mente, a criatividade, sem cobrança ou medo, mas sim prazer. (CUNHA,
2001, p. 14).

O lúdico é a linguagem cultural da criança, ela vive e aprende através dele,


sendo um agente de transformação, que é muito importante para seu desenvolvimento
integral, e atua para facilitar na convivência em grupo.

Brincar além de ser prazeroso, também é indispensável à saúde emocional,


intelectual e físico da criança, contribuindo no futuro para o equilíbrio do adulto. Como
salientou Winnicott (1975, p.12), “É no brincar, e somente no brincar que o indivíduo,
criança ou o adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente
sendo criativo que o indivíduo descobre o eu.”

Diante disso, percebe-se que, não só os jogos, como também as brincadeiras


contribuem para o desenvolvimento emocional, motor e cognitivo da criança. É
brincando com o mundo que ela aprende sobre ela e desenvolve a atenção, a
criatividade e a imaginação.

Como salientou Vygotsky (1989, p. 109):

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É enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma
criança. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera
cognitiva, ao invés de agir numa esfera visual externa, dependendo
das motivações e tendências internas, e não por incentivos
fornecidos por objetos externos (VYGOTSKY, 1989, p. 109).

Pela ludicidade, as crianças, além de desenvolverem suas capacidades


motoras, cognitiva e afetivas, apropria-se de construções sociais, significados
culturais que possibilitam seu ingresso no mundo adulto. A criança desenvolve sua
capacidade de criar através do brincar, mas nem sempre o significado das ações que
a criança desenvolve, durante essa atividade, são os que aparentam ser.
Embora a brincadeira seja uma atividade universal entre as crianças de
diferentes povos, cada cultura possui uma forma peculiar de expressão que é um
reflexo das características ambientais específicas. Segundo Morais 2004, p.57, “Tanto
a brincadeira como os brinquedos que ela pode envolver estão marcados pela
identidade cultural e por características sociais específicas de um grupo social”. Diante
disso, pode-se dizer que ao mesmo tempo em que a brincadeira constitui-se como
uma característica universal, ela possui aspectos específicos que irão depender de
diversos fatores, tais como ambiente físico, social, cultural e as características da
criança.

Diante do exposto, pode-se compreender que existem diversas razões para a


criança brincar, sendo uma delas o próprio prazer que podem desfrutar enquanto
estão brincando. No entanto, é importante destacar que a brincadeira possui um lugar
fundamental no desenvolvimento infantil, seja por seus benefícios imediatos ou de
longo prazo. A importância da brincadeira pode estar relacionada a aspectos do
desenvolvimento físico, social, cognitivo e afetivo

A brincadeira também contribui de forma bastante efetiva para o


relacionamento social das crianças, visto que possibilita uma forma livre e autônoma
de interação entre as mesmas. Por meio dela, a criança é capaz de resgatar valores
e sentimentos, como a responsabilidade, além de aprender a importância da
negociação, da conquista, de conviver com regras e a resolver conflitos.

Por fim, o aspecto afetivo da brincadeira encontra-se na possibilidade que ela


oferece de a criança se conhecer melhor, tendo, assim, motivos de encontrar nos
outros atitudes e habilidades que causem admiração, que combinem com sua maneira

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de pensar, que causem vontade de conhecer melhor o outro, surgindo daí as primeiras
amizades. Do ponto de vista dos privilégios emocionais, podemos constatar também
a função retaliativa e gratificante da brincadeira. Através dela a criança pode dominar
suas angústias, manifestar a sua agressividade e trabalhar a ansiedade.

A criança ao brincar, pensa e analisa sobre sua realidade, cultura e o meio em


que está inserida, discutindo sobre regras e papéis sociais. Ao brincar a criança
aprende a conhecer, a fazer, a conviver e a ser, o que favorece no desenvolvimento
da autoconfiança, curiosidade, autonomia, linguagem e pensamento. O fato de a
criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde
representar determinado papel na brincadeira faz com que a sua imaginação seja
desenvolvida. Ao brincar as crianças podem desenvolver algumas capacidades
importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem
também sua capacidade de se socializar, por meio da interação e da utilização e
experimentação de regras e papéis sociais

A importância do lúdico para o desenvolvimento e aprendizagem da criança


oferece um mundo de fantasia e brincadeira, onde há uma essência fundamental para
o aprendizado. As brincadeiras envolvem de modo constante as crianças no processo
de ação, reação, sensação e experimentação, os jogos e as atividades de ocupação
de espaço devem ter lugar de destaque nos conteúdos, pois ajuda a ampliar às
possibilidades de se posicionar melhor e compreender as próprias dificuldades,
adquirindo representações mentais e precisão de espaço.

A brincadeira executa um papel fundamental no aprendizado, mas não é a


única peça para o desenvolvimento humano, existem outras funções para os mesmos,
uma das barreiras quando tratamos de discutir o brincar e a aprendizagem é que a
tarefa difícil é a de distinguir entre o brincar e o comportamento de brincar, portanto,
quanto ao modo como a criança e o adulto consideram certos objetos que agem ou
não de maneira lúdica. Quando a criança ocupa-se com atividades desafiadoras, elas
raramente prestam atenção nas conversas de adultos, pois se encontram em
construção mental em conjunto entre a atividade e sua concentração.

O brincar livre propõe a criança uma serie de exposições para contribuir no seu
aprendizado, mas isso depende do contexto geral e exploratório em suas experiências
em casa ou com amiguinhos de brincadeira, uma pessoa que já tenha observado ou

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participado do brincar infantil notará como a criança utiliza uma variedade de
atividades que a mesma sugere.

Lembrando que a brincadeira permite pensar, construir, decidir, experimentar,


descobrir, aceitar limites, sentir emoção e competir, pois é nela que ficam frente a
frente com situações desafiadoras, onde há um clima que os motivam na confecção
de jogos e brincadeiras educativas, aquilo que se espera através de esforço físico e
mental da criança, sem se sentir obrigada pelo adulto, a mesma se sente na liberdade
e satisfação pelo que faz dando um valor real as atividades exercidas. Pode-se
perceber que acontece um aprendizado através das brincadeiras, quando uma criança
brinca com a outra, ela está lidando com inúmeras situações, que fazem com que ela
cresça, por exemplo, coleguismo, companheirismo e até mesmo estabelece relações
do seu eu e do outro, pois ela aprende que cada indivíduo age e pensa de maneira
diferente. Quando se fala de promoção de conhecimento e do desenvolvimento, logo
vem à cabeça o brincar como atenuante desses pontos. E por isso, tanto a escola
quanto a família deve dedicar oportunidades e espaços para que a criança possa
mostrar seus desejos e opiniões através do brincar e da criatividade, incentivando-as
na construção de cultura e de conhecimento.

A aplicação de brinquedos e jogos educativos com fins pedagógicos nos leva


a crer que o uso desses materiais é de grande relevância no processo de
ensino/aprendizagem e de desenvolvimento infantil. Quando os professores
estimulam atividades de cunho direcionado usando a brincadeira para dá prazer e
conforto à criança, pode-se perceber que é muito relevante esse brincar para a
aprendizagem desses indivíduos. O brincar livre também é importante e impulsiona
no processo de ensino/aprendizagem também, assim deve ser incentivado e
promovido pelos educadores.

Pois, quando a criança está realizando a brincadeira e os jogos entende-se que


essa ação é voluntária, por isso a criança não visa nenhum resultado. Segundo
Kishimoto (2001, p. 34), “...o jogo, por ser uma ação voluntária da criança, um fim em
si mesmo, não pode criar nada, não visa a um resultado final”. A brincadeira
espontânea e livre da à possibilidade da criança expressar suas tristezas e alegrias,
também contribui no desenvolvimento da inteligência e da parte motora, fazendo com
que todas as emoções e todas as suas vontades, são produzidas e colocadas em
prática através da imaginação da criança.
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Assim, a brincadeira é algo muito maior e muito mais importante do que
somente a imaginação e o fantasiar das crianças, mas também para contribuir no
desenvolvimento cognitivo, social e emocional. O brincar é algo natural no dia a dia
das crianças, pois se define como criativo, prazeroso, espontâneo e sem nenhuma
responsabilidade.

O brincar destaca-se como uma forma de expressão criativa e promotora de


conhecimento, vivenciada pela criança desde seu nascimento. Porém, tentar definir o
termo jogo não é um trabalho fácil. Para OLIVEIRA (2005), “O brincar, assim como o
descobrir e inventar novas coisas e/ou técnicas, são possibilidades que se
desenvolvem ao longo da história, muitas vezes de maneira entrelaçada”. São
brinquedos, brincadeiras e jogos que podem e devem ser utilizados como instrumento
importante na educação, e as atividades lúdicas que também auxiliam e ajudam no
cognitivo.

Na Educação Infantil o brincar é um grande veículo de aprendizagem para a


experiência, visto que permite, através dos brinquedos e brincadeiras, vivenciar a
aprendizagem como processo social. A sugestão dos jogos, é para promover uma
aprendizagem significativa na prática educacional, é agregar o conhecimento através
das características do conhecimento do mundo. As brincadeiras estimulam o
rendimento escolar além do conhecimento, pensamento, sentido e oralidade. O
brincar dá prazer e para as crianças isto é fundamental, pois através da brincadeira
ela aprende.

Para profissionais da educação é necessário que haja uma relação entre os


objetivos que precisam ser almejados com a forma lúdica de ensinar. No brincar a
criança satisfaz todas as suas necessidades, a brincadeira trás estimulo e proporciona
um clima especial para a aprendizagem e para a criatividade. Essa criatividade está
ligada diretamente as representações sociais, à linguagem, ao desenvolvimento e ao
simbolismo, adquiridos a partir do brincar (brincadeiras e jogos). Segundo Moyles, “...
os atuais modelos do brincar e da aprendizagem influenciam na criatividade das
crianças”. O brincar é a primeira linguagem da criança, a partir das atividades lúdicas
é que ela irá se desenvolver, o que ajudará em seu processo de socialização,
comunicação e construção de pensamentos.

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3 O BRINCAR NÃO É APENAS DIVERTIMENTO, MAS TAMBÉM APRENDIZAGEM

A educação lúdica sempre esteve presente na vida escolar, sendo de grande


importância no desenvolvimento do ser humano, tanto nas séries iniciais como na vida
em sociedade. Nas escolas infantis, o brincar é de fundamental importância, um meio
para a criança alcançar determinadas competências como a socialização. Assim, a
prática lúdica na educação infantil não deve ser considerada como um simples passa
tempo, pois é brincando que a criança aprende e se desenvolve de forma divertida,
ludicidade não se limita à mera diversão, pois usada na aprendizagem, mediante jogos
e situações lúdicas, não impede a reflexão sobre conceitos matemáticos, linguísticos
ou científicos, por exemplo.

Como citou Freire (1997, p. 44):

Compreender a atividade infantil capacita o professor a intervir para facilitar


o desenvolvimento da criança. Isso contribuiria para reforçar a ideia de que a
escola, na primeira infância, deve considerar as estruturas corporais e
intelectuais de que dispõem as crianças, utilizando o jogo simbólico e as
demais atividades motoras próprias da criança nesse período (FREIRE, 1997,
p. 44).

É importante perceber que brincando as crianças tornam-se agentes de sua


experiência social, estabelecem diálogos, organizam com autonomia suas ações e
interações, produzindo regras de convivência social e de participação nos jogos e
brincadeiras, sendo fundamental a participação do educador nesse contexto.
Segundo Fortuna (2003), “é importante que o educador insira o brincar em
um projeto educativo, com objetivos e metodologia definidos, o que supõe ter
consciência da importância de sua ação em relação ao desenvolvimento e à
aprendizagem das crianças”.

Ressalta-se que a aprendizagem é o mais freqüente motivo pelo qual o jogo é


considerado de suma importância para a educação, em que o brincar se torna
realmente significante com a ajuda dos seus educadores. No entanto, muitas vezes
observa-se que alguns professores usam os jogos em sala de aula, apenas como
passatempo deixando as crianças livres para brincar sem nenhuma orientação,
tornando a aula sem nenhum objetivo para o ensino aprendizagem e muitas vezes a
criança perde o estímulo com o jogo e principalmente o aprendizado.
Segundo Piaget (1998, p.62), “o brinquedo não pode ser visto apenas como
divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o
desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e moral”.

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Através dele se processa a construção de conhecimento, principalmente nos
períodos sensório-motor e pré- operatório. Atuando sobre os objetos, as crianças,
desde pequenas, organizam seu espaço e seu tempo, ampliando a noção de
casualidade, chegando à representação e, finalmente, à lógica. As crianças ficam
mais motivadas para usar a inteligência, pois querem jogar bem, esforçam-se para
dominar obstáculos tanto cognitivos como emocionais. Nessa visão, o brinquedo não
é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos, ao contrário, corresponde a
uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de extraordinária importância na
educação escolar. Incentiva o crescimento e o desenvolvimento, a coordenação
muscular, as faculdades intelectuais, a iniciativa individual, favorecendo o advento e
o progresso da palavra. Instiga a observar e conhecer as pessoas e as coisas do
ambiente em que está inserido.
Através do brinquedo a criança pode brincar naturalmente, testar hipóteses,
buscar toda a sua espontaneidade criativa. Sendo assim, o brinquedo é um dos fatores
mais importantes das atividades da infância, pois a criança precisa brincar, jogar, criar
e inventar para manter seu equilíbrio com o mundo. A importância da introdução e
utilização dos brinquedos, jogos e brincadeiras na prática pedagógica é uma realidade
que se impõe ao professor.
Brinquedos não devem ser usados somente para lazer, mas também como um
elemento enriquecedor para promover a aprendizagem. Através das brincadeiras e
dos jogos, o educando encontra ajuda para superar suas dificuldades de
aprendizagem, melhorando assim o seu relacionamento com o mundo.
A ação do brincar pode e deve estar relacionada a uma ação física individual, onde a
criança utiliza apenas a si mesma para a busca do prazer, ou em conjunto, quando brinca
com outras crianças, onde trabalha o movimento e a socialização. A partir desta idéia surge o
brinquedo que está intimamente ligada ao ato de brincar. Conforme Lira; Rubio (2014, p. 8),
“O brinquedo faz parte da vida da criança e está atrelado ao brincar, é considerado como
objeto lúdico no suporte para brincadeira”.
Através do brinquedo a criança amplia sua imaginação, construindo assim, o
mundo do faz de conta sem a necessidade de interferência ou imediação.

De acordo com Bomtempo (1999, p.5).

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O brinquedo é um objeto que reproduz valores e conceitos de uma sociedade.
Ele é o parceiro da criança na brincadeira. A manipulação do brinquedo leva a
criança ao movimento e representação, a agir e imaginar.

Sendo assim, pode-se dizer que qualquer objeto utilizado por uma criança pode
ser visto como brinquedo por ela e pode ser usada como ferramenta nas aulas. O que
vai conceituar um objeto como brinquedo é a visão, ação e utilização do mesmo para
a criança. Fortuna (2004, p. 3) afirma, “O que faz um brinquedo ser brinquedo é a ação
de quem brinca”. É através desta manipulação do brinquedo, que a criança constrói
valores e conceitos dos esportes e sobre o mundo em que está inserido,
representando situações e atitudes vividas no seu cotidiano e escolar, sendo assim, o
brinquedo ajuda na brincadeira, assim como pode ser usado nas aulas. O brinquedo
e o jogo são produtos formadores de cultura e seus usos permitem que a criança fique
inclusa na sociedade.

Segundo Kishimoto (1993, p. 45)

O jogo é uma atividade espontânea, livre desinibida e gratuita, pela qual a


criança se manifesta, sem barreiras e inibições. O jogo é a atividade, o
“trabalho” próprio da criança. O jogo também tem função de dar prazer à
criança, liberar a imaginação e a criatividade, ritmo, raciocínio, memória.
Cada criança, através dos jogos, cria seu próprio êxito.

Dentro desta concepção deve-se destacar que as brincadeiras, brinquedos e


jogos são ações criadas em busca do prazer, ou seja, visando a ludicidade, e por meio
deste momento de prazer para criança, desenvolver suas capacidades cognitivas,
sócio afetivas e psicomotoras, construindo conhecimentos e o ensino aprendizagem.
Conforme Kiskimoto (2000, p.32) “para Piaget ao manifestar a conduta lúdica, a
criança demonstra o nível de seus estágios cognitivos e constrói conhecimentos”.

Com base na citação acima, é fundamental que o professor seja o


intermediador de tais conhecimentos, utilizando-se destas atividades como recursos
dentro da escola, e não vendo apenas como um passatempo para o lazer, e sim para
a aprendizagem, pois os jogos não são apenas uma forma de distração para gastar
as energias das crianças, mas meios que ajudam e contribuem para o
desenvolvimento intelectual. Evidenciar a brincadeira é permitir esse
desenvolvimento, e o jogo é um método lúdico que favorece a identificação de
realidades intelectuais exteriores à inteligência infantil. Piaget apud Freire (1997)

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analisando o jogo a partir de suas estruturas classificou-o em: de exercício, de
símbolo, de construção e de regra. O de exercício é característico das crianças do
período sensório-motor, isto é, as que ainda não estruturaram as representações
mentais que caracterizam o pensamento. A atividade lúdica refere-se ao movimento
corporal sem expressão e não tem outra finalidade que não o próprio prazer do
funcionamento; o de símbolo exerce papel semelhante ao do jogo de exercício,
acrescentando um espaço onde se podem resolver conflitos e realizar desejos que
não foram possíveis em situações não-lúdicas. Ou seja, é o faz de conta, a fantasia;
o jogo de construção estabelece uma espécie de mudança entre o jogo simbólico e o
jogo social. Por fim, o jogo social é marcado pela atividade coletiva de intensificar
trocas e a consideração pelas regras. A ação educativa numa abordagem lúdica pode
trabalhar a busca do êxito em diversas tentativas e erros, a insistência e a segurança
de que o erro faz parte do processo de aprendizagem. Nessa perspectiva, é
fundamental que o professor elabore situações de aprendizagem significativas, pois
estas farão com que o educando relacione o aprendizado ao prazer.

De acordo com Freire (1997, p. 112), “a criança é uma especialista em


brinquedo, mais até que a própria professora. Não uma especialista em teorizar sobre
o brinquedo, mas em brincar.” O resgate do universo cultural infantil é o ponto de
partida para a construção de situações lúdicas incentivadoras para as crianças. O
lúdico deve ser escolhido nas propostas pedagógicas da Educação Infantil e, numa
perspectiva não utilitária apenas, proporcionar experiências reflexivas e significativas
uma vez que envolve prazer, emoção, descobertas, participação, entre outros.

Nesse sentido, como menciona Kramer (2009, p. 36):

Há momentos variados da atividade da criança na escola em que o gozo e o


prazer são os móveis da atividade lúdica, e o jogo (espontâneo ou dirigido) é
só ludicidade mesmo; isso significa, então, que há trabalho (prazeroso) e jogo
na escola, tendo ambos aspectos distintos.

No entanto, o tempo e espaço para as brincadeiras estão cada vez menores no


âmbito escolar. A preferência na instrumentalização precoce da criança é fato
comprovado nas entrevistas, fazendo com que a ação educativa limite-se somente
numa dimensão técnica. Diante de tal situação, propõe-se como tarefa necessária
para o professor: a atenção sobre a perspectiva de ludicidade utilizada na prática

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pedagógica assim como as relações em que há com o desenvolvimento, a
aprendizagem, a cultura e os conhecimentos do educando. Segundo Vygotsky (1987)
apud Borba (2006), o brincar é uma atividade humana criadora, na qual imaginação,
fantasia e realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação,
de expressão e de ação pelas crianças, assim como de novas formas de construir
relações sociais com outros sujeitos, crianças e adultos. É essencial que o professor
não confunda o lúdico com “passatempo”, pois, conforme menciona Freire (1997), isso
equivale a camuflar o problema, e não a ter coragem de lidar com ele. Do ponto de
vista educacional, seria como dar água a quem não tem sede. Brincar é muito mais
que isto.

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4 A IMPORTÂNCIA DA LUDICIDADE NO CONTEXTO ESCOLAR

É através das brincadeiras, que as crianças iniciam e desenvolvem a sua


interação social, aprendendo a conviver com outras pessoas e encontram a
capacidade de resolver problemas enfrentados durante a vida, pois o lúdico além de
encorajar e incentivar, ele constrói o conhecimento da criança, para que a
aprendizagem ocorra de maneira fácil e prazerosa.

Vale ressaltar que é muito importante, que os profissionais da educação


utilizem as brincadeiras, pois é por meio das experiências realizadas, das situações
vividas que a criança desenvolve suas capacidades; é através da experimentação, da
realização e do sentindo que ela absorve os conhecimentos que lhes foram passados.
O ato de brincar organiza as relações necessárias para que as crianças adquiram
conhecimento.

Como acrescentou Marinho (2007, p. 91):

A escola deve priorizar, em seu projeto político pedagógico, o


desenvolvimento de atividades que privilegiem o lúdico. Os educadores, por
sua vez, no espaço da sala de aula, devem fazer da ludicidade um dos
principais eixos norteadores de sua prática pedagógica (MARINHO, 2007, p.
91).

O brincar contribui na dinâmica das relações sociais em sala de aula, pois


através da utilização do lúdico o aprendizado consiste em um ambiente mais
agradável, trazendo assim, um momento de felicidade, além de tornar leve e
prazerosa a rotina escolar, fortalecendo o convívio entre o educador e o educando. O
desenvolvimento do aspecto lúdico deve, além de divertir, facilitar a aprendizagem, o
desenvolvimento pessoal, social e cultural. No entanto, o professor também deve ter
cuidado na hora de planejar, ou melhor, colocar os jogos em seus fins pedagógicos,
para que não se torne uma atividade didatizada, e perca seu foco lúdico de aprender
brincando.

Ao programar atividades lúdicas, é fundamental ter como ponto de partida a


realidade, os interesses e as necessidades da criança que faz parte da Educação
Infantil, pois, tendo um planejamento voltado para a ludicidade, promove o
desenvolver das habilidades, o que ajuda na aprendizagem da criança, pois ela nunca
brinca sem estar aprendendo, e para isso é indispensável que haja uma séria escolha

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das brincadeiras que vão ser trabalhadas, pois já que é por meio dessas que as
crianças aprendem, devem ser minuciosamente escolhidas pelos educadores.

Nesse aspecto enfatizou Antunes (2005, p. 31):


[...] por tudo quanto hoje se conhece sobre a mente infantil e não mais se
duvide de que é no ato de brincar que toda criança se apropria da realidade
imediata, atribuindo-lhe significado. Em outras palavras, jamais se brinca sem
aprender e, caso se insista em uma separação, esta seria a de organizar o
que se busca ensinar, escolhendo brincadeiras adequadas para que melhor
se aprenda (ANTUNES, 2005, p.31)

É através da brincadeira que a imaginação das crianças é desenvolvida,


fundamenta afetos e exploram habilidades. As ações com o jogo devem ser criadas e
recriadas, para que sejam sempre uma nova descoberta e sempre se transformem
em um novo jogo, em uma nova forma de jogar. Quando a criança brinca, sem saber
fornece várias informações a seu respeito, tendo em vista as barreiras que venha a
ter em cada jogo e brincadeira proposto para ser elaborado, percebendo assim, suas
dificuldades, além disso, o brincar pode ser favorável para incentivar seu
desenvolvimento integral, tanto no ambiente familiar, quanto no ambiente escolar.

Como afirmou Dhome (2003, p. 124-125).

O desenvolvimento pessoal fundamenta-se em um processo de auto


descoberta, onde cada qual tende a tomar consciência do que sabe fazer e
do que temdificuldade, como pode potencializar aquilo que faz bem
econviver, ou diminuir, com afeitos daquilo que tem menos
habilidades. O processo de comparação pode serdoloroso, porém é eficaz e,
às vezes, inevitável. Porematividade lúdica pode compor esse processo
decomparação de forma agradável, divertida e em um climade
camaradagem. Quando a criança joga, ela percebesuas possibilidades e a
dos companheiros (DHOME,2003, p. 124-125).

Portanto, os jogos tornam-se indispensáveis na vida da criança, pois a partir


deles a criança é instigada a pensar e decidir situações problemáticas. É na hora do
jogo que se percebe o lado afetivo, através de diversas atitudes na criança, como por
exemplo: se a criança é agitada ou tranqüila, paciente ou não, se divide os brinquedos
com os colegas, e descobrir as reações que tem quando perde ou ganha no jogo
executado, pois, quando a criança constrói, transforma e, até mesmo destrói, ela põe
em prática seu mundo imaginário, além de manusear os objetos, manifesta seus
desejos e representações através das brincadeiras, o que torna mais fácil para
verificar atitudes, que podem vir a ser desenvolvidas ou mudadas.

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Segundo Kishimoto (2005, p. 40):

Construindo, transformando e destruindo, a criançaexpressa seu imaginário,


seus problemas e permite aos terapeutas o diagnóstico de dificuldades de
adaptação bem como a educadores o estímulo da imaginação infantile o
desenvolvimento afetivo e intelectual. Dessa forma,quando está construindo,
a criança está expressandosuas representações mentais, além de manipular
objetos(KISHIMOTO, 2005, p.40).

É nas brincadeiras que a criança ganha experiências sensoriais, estimula a


criatividade e desenvolve diversas habilidades. Pode-se também, avaliar as idéias
presentes nas representações que as crianças realizam e analisar de que forma o
mundo real da criança contribui para suas representações, pois ela acaba construindo
e imitando o que costuma conhecer ou alguma coisa que ela já tenha pelo menos um
pouco de informação. Sendo de grande importância o uso de brinquedos, brincadeiras
e jogos como mediador na educação infantil, é de grande importância que os
professores façam uso desses materiais com conhecimento adequado, não só
utilizando-os apenas por usar os brinquedos para as crianças, pois é através deles
que se desenvolve uma criança criativa.

Neste aspecto enfatizou Trevissan (2006, p. 45):

O ser humano nasceu para aprender, para descobrir eapropriar-se dos


conhecimentos, desde os mais simplesaté os mais complexos, e é isso que
lhe garante asobrevivência e a integração na sociedade como
serparticipativo, crítico e criativo. Os seres humanosaprendem e renovam
suas experiências a partir dainteração que tem com seus semelhantes e
também pelodomínio do meio em que vive. O cotidiano escolar temcomo
papel criar espaços e oportunidades para que ascrianças se desenvolvam
através de atividades lúdicas, tanto em sala como fora dela, tornando dessa
maneiracom que os conhecimentos sejam assimilados de maneiraprazerosa,
possibilitando que as crianças se desenvolvamcomo um todo (TREVISSAN,
2006, p.45).

O prazer que rodeia essas atividades se contrapõe aos momentos de tensão,


pois é gratificante e sério ao mesmo tempo. É uma prática de suma importância na
educação da criança, uma vez que, brincando ela experimenta, inventa, aprende,
descobre e aperfeiçoa suas habilidades. Além de aguçar a curiosidade, a
autoconfiança e a autonomia, o que possibilita o aperfeiçoamento de vários aspectos
do seu desenvolvimento. As crianças fazem das brincadeiras uma ponte para o seu
mundo, mundo este que está em processo de organização. Por meio delas, as

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crianças manifestam suas criações e emoções, refletem medos e alegrias,
aperfeiçoam características importantes para a vida individual e social.
Inúmeras são as maneiras de brincar e de utilizar o lúdico como motivação para
as atividades pedagógicas, no entanto, a escolha de atividades que correspondam ao
nível de desenvolvimento e a faixa etária que cada grupo se encontra, é um dos
elementos fundamentais para que haja um retorno satisfatório das crianças com
relação às atividades planejadas e para que o objetivo que foi traçado para ela seja
almejado.
A ludicidade é sugerida em muitas propostas pedagógicas da Educação Infantil
como um mediador para o ensino de conteúdos. Mas quando os jogos e as
brincadeiras são vistos apenas como recursos pedagógicos, assumem um caráter
instrumental porque perdem o sentido da brincadeira e, muitas vezes, até mesmo a
própria ludicidade, servindo apenas para sistematização de conhecimentos, uma vez
que são utilizados para atingir resultados preestabelecidos pelo educador. Neste
aspecto, Borba (2006) enfatiza que o jogo visto apenas como recurso didático não
contém os requisitos básicos que configuram uma atividade como brincadeira: ser
livre, espontâneo, não ter hora marcada, nem resultados prévios e determinados. A
ludicidade utilizada na aprendizagem, mediante jogos e situações lúdicas, não limita
a reflexão sobre conceitos matemáticos, linguísticos ou científicos, por exemplo.
De acordo com Freire (1997, p. 44):
Compreender a atividade infantil capacita o professor a intervir para facilitar
o desenvolvimento da criança. Isso contribuiria para reforçar a idéia de que a
escola, na primeira infância, deve considerar as estruturas corporais e
intelectuais de que dispõem as crianças, utilizando o jogo simbólico e as
demais atividades motoras próprias da criança nesse período.

É importante observar que brincando as crianças tornam-se agentes de sua


experiência social, criam diálogos, organizam com autonomia suas ações e
interações, construindo assim, regras de convivência social e de participação nos
jogos e brincadeiras. Ao criar atividades lúdicas, é importante ter como ponto de
partida a realidade, os interesses e as necessidades da criança que faz parte da
Educação Infantil. Nessa perspectiva, Almeida (1992) afirma que é necessário que o
educador se conscientize de que ao desenvolver o conteúdo programático, por
intermédio do ato de brincar, não significa que está ocorrendo um descaso ou desleixo
com a aprendizagem do conteúdo formal.

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A ludicidade na educação cria e possibilita situações de aprendizagem que
ajudam no desenvolvimento integral da criança, mas deve existir uma dosagem entre
a utilização do lúdico instrumental, isto é, a brincadeira com a finalidade de atingir
objetivos escolares, e também o brincar de forma espontânea, envolvendo o prazer e
o entretenimento, neste último, o lúdico essencial.
Santin (1996) apud Júnior (2005) nos diz que o significado de ludicidade surge
da própria palavra relacionada à liberdade, criatividade, imaginação, participação,
interação, autonomia além de outras qualificações que podem ser atribuídas a uma
infinita riqueza que há nela mesma.
Na fantasia lúdica, a criança faz uso da imaginação, redimensionando
significados e sentidos presentes no seu mundo real, como afirma Castoriadis (1992,
p. 89): A imaginação não é apenas a capacidade de combinar elementos já dados
para produzir um outro. A imaginação é o que nos da à possibilidade de criar um
mundo, ou seja, apresentamos uma coisa, da qual sem imaginação não poderíamos
falar nada e, sem a qual não poderíamos saber de nada. O desenvolvimento da
fantasia é de fundamental importância para a criatividade, é resultado da observação,
de vivências e experiências.
Freire (1997, p. 46) explica que:
A criança faz uso da imaginação, vive e encarna um sem número de relações.
Saltar um rio largo, atravessar uma ponte estreita, repartir a comida feita, são
atividades que materializam, na prática, a fantasia imaginada, e que
retornarão depois da prática em forma de ação interiorizada, produzindo e
modificando conceitos, incorporando-se às estruturas de pensamento. Ou
seja, no brinquedo simbólico a ação vai e vem incessantemente, da ação ao
pensamento, modificando-se em cada trajeto, até que as representações do
indivíduo possam se expressar de forma cada vez mais compreensível no
universo social. A prática social não interrompe, contudo, esse jogo de idas e
vindas da ação e da representação, pelo contrário, sofistica cada vez mais as
representações que o sujeito faz do mundo.

Quando a criança modifica as regras do jogo ou organiza uma brincadeira na


escola, sai daquele espaço tradicional de ensino, coloca-se como autor de um jogo,
criando uma experiência lúdica que promove momentos de prazer, criatividade,
alegria, enfim, fruição corporal.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O propósito dessa pesquisa é apresentar a ludicidade como o ponto de partida


para a educação infantil, buscando compreender tal tema aprofundando leituras sobre
o assunto, como também um levantamento teórico, que puderam contribuir,
alicerçando o brincar como uma atividade lúdica.
Ao término do presente estudo, conclui-se que o lúdico deve ser colocado como
um agente que facilita no desenvolvimento da criança, assim pode-se notar que o
desenvolvimento ocorre com maior disposição se houver estímulos externos que
podem ser oferecidos pelo professor como um mecanismo de aprendizagem. A
educação infantil admite trabalhar o lúdico, pois nas fases inicias, as crianças devem
brincar para que o seu desenvolvimento seja completo, tanto no corpo como na mente.
Para isso competirá aos professores entender todo esse processo para que possam
realizar atividades que envolva a criança por inteira, que beneficie sua aprendizagem
efetiva e significativa, colaborando para sua aproximação com as outras crianças,
juntamente com os professores.
O estudo permitiu compreender a ludicidade como um processo pelo qual a
criança se descobre e constrói sua identidade como ser pensante, o que contribui
nesse método de ensino-aprendizagem um melhor progresso como também facilita
aos professores trabalharem o total desenvolvimento das mesmas, pois para a criança
é muito mais agradável aprender utilizando brincadeiras afetivas e alegres, para que
elas se sintam a vontade para alcançar mais conhecimentos.
Buscar novas formas de ensinar essas crianças através do lúdico pode ser um
dos métodos para atingir uma educação de qualidade em termos de melhor
aprendizagem, que consiga compreender os interesses e necessidades delas, sendo
assim, o educador têm o papel de ser um facilitador das brincadeiras sendo
indispensável mesclar momentos onde ele guia e orienta o processo ensino
aprendizagem.
Diante das referidas verificações, há a necessidade de reafirmar o lúdico – e
não subestimá-lo – como forma de ensino e aprendizagem, uma vez que as atividades
lúdicas são o combustível da infância e do progresso físico e psicológico da criança.

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6 REFERENCIAS

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