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INC n.

1160/2020
Apresentação: 01/12/2020 12:09 - Mesa
REQUERIMENTO DE INDICAÇÃO Nº , DE 2020

(Do Sr. Mário Heringer)

Requer o envio de Indicação ao


Presidente do Banco Central, Senhor
Roberto Campos Neto, sugerindo a
criação de um procedimento padrão

Documento eletrônico assinado por Mário Heringer (PDT/MG), através do ponto SDR_56239,
para restituição de recursos extraídos
mediante fraude, coação ou erro, em
procedimentos realizados através do
PIX.

Senhor Presidente,

Com fundamento no art. 113, inciso I e § 1º, do Regimento Interno da Câmara


dos Deputados, requeiro a V. Exª que seja encaminhada ao Poder Executivo a
Indicação anexa, sugerindo a criação de um procedimento padrão para restituição de

na forma do art. 102, § 1º, do RICD c/c o art. 2º, do Ato


recursos extraídos mediante fraude, coação ou erro, em procedimentos realizados
através do PIX.

Sala das Sessões, em 27 de novembro de 2020.

da Mesa n. 80 de 2016.
Deputado Mário Heringer

PDT/MG
*CD207653806100*

Exmo. Sr.
Deputado RODRIGO MAIA
Presidente da Câmara dos Deputados
NESTA
INC n.1160/2020
Apresentação: 01/12/2020 12:09 - Mesa
INDICAÇÃO Nº , DE 2020

(Do Sr. Mário Heringer)


Requer o envio de Indicação ao
Presidente do Banco Central, Senhor
Roberto Campos Neto, sugerindo a
criação de um procedimento padrão
para restituição de recursos extraídos
mediante fraude, coação ou erro, em
procedimentos realizados através do
PIX.

Excelentíssimo Senhor Roberto Campos Neto,

Documento eletrônico assinado por Mário Heringer (PDT/MG), através do ponto SDR_56239,
Venho, por meio desta Indicação, sugerir a Vossa Senhoria a criação de
um procedimento padrão para restituição de recursos extraídos mediante fraude,
coação ou erro, em procedimentos realizados através do PIX.

Em primeiro lugar, evidentemente, congratulo ao Banco Central e


instituições parceiras pela excelente iniciativa da criação desta nova modalidade de
pagamento e transferências bancárias. Esta ferramenta inova o sistema financeiro,
adequando-o à nova realidade do comércio virtual e de pequenos negócios, tornando
possível a dispensa de intermediários em determinadas transações, acelerando e

na forma do art. 102, § 1º, do RICD c/c o art. 2º, do Ato


simplificando o procedimento das operações, e ainda reduzindo as cobranças de
tarifas e incentivando que mais pessoas façam uso de suas contas correntes e afins.

À parte deste reconhecimento, enquanto parlamentar recebi diversas


comunicações de populares preocupados com as possibilidades de falha de
segurança no sistema PIX. Ainda que deposite tamanha confiança na qualidade
técnica do trabalho do Banco Central, foi incumbida a mim, pela função de
representação, a tarefa de checar possibilidades de golpes que possam ser aplicados

da Mesa n. 80 de 2016.
ao novo sistema, e sugerir aprimoramentos. Tenho certeza que este tema tem sido
muito tratado pelos Senhores, particularmente por acompanhar a discussão em torno
do sequestro-relâmpago, iniciada com um alerta feito pelo delegado Marco Antônio
Paula Santos, e com manifestação de vossa instituição na sequência.

Pela pesquisa realizada, identifiquei duas modalidades centrais de


golpes em potencial mediados pelo sistema PIX. A primeira, pelo já mencionado
sequestro-relâmpago, tratando-se dos casos em que o correntista seja de alguma
*CD207653806100*

forma forçado, mediante grave ameaça, a transferir valores de sua conta para o
estelionatário. Como já respondido por Vossas Senhorias, este tipo de situação é
desincentivado pela fácil identificação do criminoso a partir da identificação do CPF da
conta beneficiária da operação. Na Jurisprudência já estabelecida para este tipo de
situação, prévia à implementação do PIX, o criminoso, caso identificável, pode ser civil
e penalmente processado, e a devolução dos valores extorquidos ocorre por sentença
judicial, após anos de júdice. Na segunda modalidade, que engloba alguns tipos de
casos, a transferência é direcionada para a conta de terceiros, alheios à transação,
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seja por interceptação em QR Codes fraudulentos, seja por erro de digitação do
usuário. Nesta situação, a previsão é que a transferência pode ser devolvida por
iniciativa do beneficiário da transação – solução que parece ineficiente, especialmente
no caso em que os recursos vão para a conta errada por fraude (o que também se
enquadra nos casos de chaves originadas por phishing).

Assim sendo, avalio que o PIX passa por maior rigor de segurança (com
o uso dos mecanismos de autenticação do usuário, o rastreamento das transações e
os “motores antifraude”), mas encontra sua limitação nas possibilidades de devolução
de recursos extorquidos ou erroneamente transferidos – que são mais fáceis de
controlar em operações por cartão de crédito, pagamento de boletos e transferências
por TED e DOC.

Me parece que todos estes impasses poderiam ser resolvidos pela


criação de um mecanismo de devolução dos recursos transferidos mediante coação,
erro ou fraude. O mecanismo já estabelecido para fraude identificada é resumido por

Documento eletrônico assinado por Mário Heringer (PDT/MG), através do ponto SDR_56239,
vossa instituição em: “Caberá ao prestador de serviço de pagamento a análise do caso
de fraude e o eventual ressarcimento”. Com um procedimento padrão, será possível
reduzir o sofrimento dos acometidos pelas perdas monetárias, e garantir maior
confiabilidade do mecanismo.

Neste sentido, minha sugestão a Vossa Senhoria seria o


estabelecimento de um procedimento administrativo padrão para resolução deste tipo
de conflito. Para tanto, evidentemente caberia a exigência de Boletim de Ocorrência e
outras comprovações cabíveis. Ainda que o estorno dos valores não seja possível,
tendo em vista a qualidade imediata da transferência de recursos na operação, seria

na forma do art. 102, § 1º, do RICD c/c o art. 2º, do Ato


possível instituir uma ferramenta de cobrança de dívidas pelo direcionamento de
recursos que venham a ser depositados na conta.

Acredito que tal medida seria suficiente para redução de externalidades


geradas pelo mau uso da plataforma (pelo próprio correntista ou por criminosos),
garantindo maior confiança dos usuários e maior conforto para os brasileiros e
brasileiras que tanto sofrem com os golpes e estelionatos.

da Mesa n. 80 de 2016.
Assim, peço a Vossa Senhoria que leve tal proposta em consideração,
parabenizo o Banco Central e instituições parceiras por mais esta inovação, e coloco-
me à disposição para colaborar como puder.

Sala das Sessões, em 27 de novembro de 2020.


*CD207653806100*

Deputado Mário Heringer

PDT/MG