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Direito Constitucional

Teoria e Questões

Prof. Jonathas de Oliveira


Curso: Direito Constitucional
Teoria e Questões Comentadas
Prof. Jonathas de Oliveira

APRESENTAÇÃO

Caros amigos,

Meu nome é Jonathas de Oliveira, bacharel em Turismo e graduando em


Direito, e minha história nos concursos se iniciou aos 23 anos, quando em 2012,
sem maior pretensão, fui aprovado para um concurso de nível municipal em
Armação de Búzios (RJ). Alguns meses depois, dei início à minha preparação
formal.

No início de 2013, fui aprovado para Analista de Fazenda da Secretaria


de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro e, em outubro daquele ano, para
Auditor Fiscal da Receita do Estado do Espírito Santo, em 3º lugar, cargo
que exerço atualmente, atuando como Subgerente na gerência responsável pelo
julgamento de processos administrativos fiscais.

Ao longo dos meus 11 meses de estudo como concurseiro e com mais de


6 anos de atuação como professor para concursos, pude travar contato com
diferentes materiais e metodologias e constatar a dificuldade que os candidatos
– com as mais diversas formações – ao almejado cargo na administração pública
encontram para conciliar, resumir e esquematizar conteúdos vastos e muitas
vezes demasiadamente prolixos.

É nesse sentido que a formatação deste curso visa a ser não apenas um
instrumento de transmissão de informações com eficiência, eficácia e
efetividade, mas também uma ferramenta metodológica ao amigo e à amiga
concurseiros, contribuindo para que o estudo para concursos públicos seja
feito com a maior praticidade possível, obtendo os melhores resultados,
sem desperdício de tempo.

Em inúmeros certames nossa matéria é bastante cobrada, seja nos


concursos municipais, estaduais ou federais.

Nesse contexto, torna-se de fundamental importância assegurar o maior


número de pontos possíveis nas chamadas “disciplinas-núcleo” dos concursos.

A disciplina Direito Constitucional é um verdadeiro “pilar” que não pode


ser negligenciado. É dela e das demais disciplinas-chave que o candidato vai
extrair a maior parte dos pontos que blindarão sua eliminação e o manterão na
zona de competitividade.

Vamos juntos!

Prof. Bruno Spencer e Prof. Luiz Miranda 2 de 90


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Aula – Introdução ao Direito Constitucional. O Direito Constitucional


e os demais ramos do Direito. Estrutura da Constituição Federal de
1988. Conceitos de teoria geral do Estado e os Poderes do Estado.
Análise do princípio hierárquico das normas. Constitucionalismo e
Neoconstitucionalismo. Teoria geral da Constituição: conceito,
origens, conteúdo, estrutura e classificação. Supremacia da
Constituição. Tipos de Constituição. Interpretação constitucional.
Poder constituinte.

Sumário
1- Introdução ao Direito Constitucional ............................................... 4
2- O Direito Constitucional e os demais ramos do Direito .................... 7
3- Estrutura da Constituição Federal de 1988 ...................................... 9
4 - Teoria geral do Estado. Os poderes do Estado e as respectivas
funções. ............................................................................................. 13
4.1- Conceito e elementos de Estado ..................................................... 13
4.2- Poderes e funções do Estado ......................................................... 14
4.3- Formação e formas do Estado ........................................................ 19
4.4- Formas, sistemas e regimes de governo .......................................... 22
5- Princípios do Estado Democrático de Direito e análise do princípio
hierárquico das normas ..................................................................... 27
5.1- Princípios e regras ....................................................................... 27
5.2- Princípios do Estado Democrático de Direito na doutrina .................... 31
6- Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo ................................. 32
7- Conceitos de Constituição.............................................................. 35
8- Conteúdo: normas materialmente constitucionais e formalmente
constitucionais .................................................................................. 37
9- Tipos de Constituição .................................................................... 39
9.1- Quanto à Origem ......................................................................... 40
9.2- Quanto à Forma .......................................................................... 41
9.3- Quanto à Extensão ...................................................................... 41
9.4- Quanto ao Conteúdo .................................................................... 41
9.5- Quanto ao Modo de Elaboração ...................................................... 41
9.6- Quanto à Alterabilidade ................................................................ 42
9.7- Quanto à Dogmática .................................................................... 42
9.8- Quanto à Correspondência com a Realidade (ontologia) ..................... 42
9.9- Quanto ao Sistema ...................................................................... 43

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9.10- Quanto à Origem de sua decretação ............................................. 43
9.11- Quanto à Finalidade ................................................................... 43
9.12- Resumo da Constituição Federal de 1988 ....................................... 43
10- Interpretação constitucional ....................................................... 47
10.1- Métodos de interpretação constitucional ........................................ 49
10.2- Princípios de interpretação constitucional ....................................... 51
10.3- Princípio da interpretação das leis em conformidade com a Constituição
....................................................................................................... 53
11- Poder constituinte: emenda, reforma e revisão constitucional .... 57
11.1- Poder constituinte originário ........................................................ 58
11.2- Poder constituinte derivado ......................................................... 66
11.2.1 - Poder constituinte derivado revisor ........................................... 66
11.2.2 - Poder constituinte derivado reformador ..................................... 67
11.2.3 - Poder constituinte derivado decorrente ...................................... 68
11.3- Poder constituinte difuso ............................................................. 70
12- Questões Comentadas ................................................................. 73
13- Lista de Exercícios ....................................................................... 86
14- Gabarito .................................................................................... 107
15- Referencial Bibliográfico............................................................ 108

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1- Introdução ao Direito Constitucional

Conforme anota o grande jurista José Afonso da Silva, o Direito é um


sistema normativo, do qual extraímos normas (regras e princípios)
imperativas de conduta.
De modo geral, um sistema representa um conjunto dotado de uma
estrutura e organização determinados, que atende a algumas características
básicas, quais sejam: pluralidade de elementos, interação entre os
elementos e a harmonia entre os elementos.
Nosso ordenamento jurídico-normativo, portanto, representa um
sistema cujos elementos são as normas jurídicas.

Este sistema, por seu turno, é composto de unidades estruturais


(ramos) organicamente dispostas.
A doutrina majoritária compreende que a subdivisão da ciência jurídica
em diferentes ramos reveste-se de importância prática para seu ordenamento
e estudo. Porém, em última análise, o Direito é uno.
Assim é que, o Direito Administrativo, o Direito Tributário, o Direito
Financeiro, dentre outros ramos do denominado direito público, muito embora
apresentem especificidades quando comparados aos ramos do dito direito
privado – Civil e Empresarial, por exemplo –, abrigam-se sob um mesmo
arranjo lógico-normativo: “O” Direito.

E o que é o Direito Constitucional?


O Direito Constitucional é o ramo do direito público que tem por
objeto central a Constituição dos Estados nacionais.
No momento oportuno, apresentaremos os diferentes sentidos e
tipologias que a palavra “Constituição” pode assumir. No entanto, em sentido
jurídico – aquele a que devemos dar mais atenção – a Constituição é o
fundamento de validade normativa dos Estados nacionais. É a Lei
máxima do Estado. A Lei das leis, a qual todas as demais devem observância.
No plano jurídico-positivo (o Direito produzido pelo Estado, que rege
nosso dia a dia), a nossa Constituição Federal de 1988, situa-se no topo da
pirâmide normativa. Essa pirâmide é um recurso visual consagrado com base
na teoria normativista de Hans Kelsen e que traduz o princípio da
supremacia da Constituição. Em última instância, é à Constituição que todo
o agir público (e mesmo privado) se reporta, numa relação de verticalidade
hierárquica.

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As normas de um ordenamento não estão todas em um mesmo
plano/hierarquia. Há normas superiores e inferiores, sendo que as normas
inferiores devem observância às superiores.
Um exemplo.
A CF/88 atribui competência exclusiva à União para declarar a guerra e
celebrar a paz. Pois bem, todos os atos subsequentes e derivados dessa regra
matriz não podem afrontar, ativa ou omissivamente, as diretrizes e limites
dispostos pela Constituição, sob pena de incorrerem em inconstitucionalidade.
A Constituição é suprema!
Assim, não pode, por exemplo, sob qualquer hipótese, haver usurpação
de competência e norma municipal, distrital ou estadual se prestar a declarar
guerra ou celebrar a paz.

Perceba-se que todo o corpo legislativo (e o agir público é vinculado à


existência de lei prévia que o autorize) extrai seu fundamento de validade da
Lei Maior, a Constituição Federal.
Visualizando a conexão entre os dois extremos, teríamos, portanto, a
seguinte relação de hierarquia:

*É a ideia lógica Norma Hipotética Fundamental*


que sustenta o
plano jurídico-
Constituição Federal de 1988 (normas
positivo originárias)

Constituição Federal de 1988 (emendas) e


tratados e convenções internacionais sobre
direitos humanos aprovados na forma do
art. 5º, §3º
Outros tratados e convenções
internacionais sobre direitos humanos
(status supralegal)
Leis complementares, leis ordinárias, leis
delegadas, medidas provisórias, decretos
legislativos, resoluções, tratados e
convenções internacionais gerais, decretos
autônomos (status legal)

Normas infralegais (decretos


regulamentares, portarias, ordens de
serviço, instruções normativas e outras)

* A norma hipotética fundamental não é positivada, mas sim pressuposta. É


uma premissa jurídica e o referencial de produção das normas do
ordenamento jurídico, uma espécie de consciência jurídica (ou ânimo jurídico)
que por ele perpassa. É a razão lógica que determina obediência às diretrizes
estabelecidas pelo poder constituinte originário.

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Ao longo do nosso curso estudaremos cada ponto acima.

1- (CESPE / STJ – Conhecimentos Básicos / 2015)


Julgue o item subsecutivo, acerca da República Federativa do Brasil.
A Constituição é instituto multifuncional que engloba entre seus objetivos a
limitação do poder e a conformação e legitimação da ordem política.
Resolução: Correto. A Constituição é a lei máxima do Estado e tem como
alguns de seus objetivos limitar os poderes do próprio Estado e dos
particulares e estabelecer as diretrizes da ordem política.

2- (FGV / Estágio Forense – MPE – RJ / 2014 /


Adaptada) Julgue o item a seguir:
O sistema jurídico brasileiro adota o princípio da supremacia constitucional.
Segundo os juristas pátrios e, principalmente, a jurisprudência do STF, o
referido princípio informa-nos que o intérprete deve ter em conta que as
normas constitucionais encontram-se posicionadas no topo do ordenamento
jurídico e configuram o fundamento de validade de todas as demais normas do
sistema que estejam em posição hierárquica inferior.
Resolução: Correto. O princípio da Supremacia da Constituição postula que a
Lei Fundamental (Constituição) do Estado se encontra na parte mais elevada
do ordenamento jurídico, de modo que nenhuma norma pode contrariar suas
disposições normativas. Este princípio orienta toda interpretação da
Constituição, lei fundamental do Estado, não pode ser contrariada por
nenhuma outra norma.

3- (FGV / Procurador do TCM – RJ / 2008 /


Adaptada) Julgue o item que segue:
É consequência da rigidez constitucional o princípio da Supremacia da
Constituição.
Resolução: Correto. Conforme veremos no nosso curso, nossa Constituição é
do tipo rígida. A rigidez constitucional, exigindo um procedimento diferenciado
para modificação da Constituição, consequentemente a posiciona num
patamar de superioridade hierárquica em relação às demais leis e atos
normativos do ordenamento (a rigidez posiciona a Constituição Federal no
topo da pirâmide do ordenamento jurídico), ou seja, faz com que a CF/88
funcione como fundamento de validade de todas as demais normas.

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2- O Direito Constitucional e os demais ramos do Direito

A esquematização didática do Direito, assim como tudo o mais


nesta ciência, não é unânime entre os autores. De todo modo, numa
abordagem pragmática, podemos propor as seguintes especializações:

DIREITO

Direito
Direito Público Direito Privado
Difuso/Social

D. do Trabalho D. Civil
Direito Público Direito Público
D. Ambiental D. Empresarial
Interno Externo
D. Previdenciário D. Internacional
Privado
D. Constitucional
D. Administrativo
Direito
D. Tributário Internacional
D. Financeiro Público
D. Econômico
D. Processual
D. Penal
D. Urbanístico

Não é necessário memorizar o diagrama acima. Vamos focar na


compreensão!

O Direito Constitucional é, portanto, ramo do direito público.


As diferenças fundamentais entre o direito público e o direito privado
podem ser sintetizadas da seguinte forma:

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DIREITO PÚBLICO DIREITO PRIVADO

• Supremacia do interesse • Equivalência dos interesses


público sobre o privado privados

• Eficácia vertical: a produção de • Eficácia horizontal: a produção


efeitos se dá no sentido Estado de efeitos se dá no sentido
x Particular Particular x Particular

• Indisponibilidade do • Disponibilidade do interesse


interesse público (não há privado (autonomia de vontade;
vontade livre do administrador, os particulares, desde que
este deve sempre agir em prol respeitada a legalidade, são
do bem comum) livres em seu agir)

• Normatização (relações • Contratualização (relações


jurídicas regidas por normas jurídicas regidas,
dotadas de generalidade e fundamentalmente, por contratos
abstração) estabelecidos entre as partes)

Alguns autores, como Pedro Lenza (2012), chamam a atenção para a


progressiva superação da supracitada dicotomia (oposição) Direito Público vs.
Direito Privado.
Fato é que, no atual Estado Democrático de Direito em que vivemos,
observa-se uma tendência de supremacia dos direitos e garantias
fundamentais previstos na Constituição Federal sobre os direitos
particulares estruturados pelo Direito Privado, notadamente pelo Direito
Civil.

Por exemplo, hoje o Código Civil sofre um processo de descodificação


tendo como contrapartida a criação de microssistemas (como o Estatuto da
Criança e do Adolescente, o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto do
Idoso, dentre outros). Estes, por sua vez, extraem seu fundamento de
validade diretamente dos direitos e garantias fundamentais expressos na
Constituição.
Assim, mesmo as relações entre particulares, tradicionalmente regidas
pelo Direito Privado (como aquelas delineadas no Código Civil) e pela
supremacia do interesse dos particulares, não estão isentas da força
normativa dos direitos e garantias fundamentais assegurados pela Carta
Magna.

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Voltaremos a abordar este aspecto ao estudarmos o
Neoconstitucionalismo.

3- Estrutura da Constituição Federal de 1988

A Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988,


compreende um preâmbulo, nove títulos (divididos em capítulos, seções e
subseções), além do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).

Desde sua promulgação, a CF/88 já sofreu dezenas de reformas em seu


texto original, seja por meio de emendas constitucionais, seja mediante
emendas de revisão constitucional.

Esquematicamente, e desconsiderando as subdivisões dos Títulos,


temos a seguinte anatomia constitucional:

PREÂMBULO Natureza
político-
ideológica
TÍTULO I – Dos Princípios Fundamentais (art. 1º a 4º)
TÍTULO II– Dos Direitos e Garantias Fundamentais (art. 5º a
17)
TÍTULO III – Da Organização do Estado (art. 18 a 43)
TÍTULO IV – Da Organização dos Poderes (art. 44 a 135)
Natureza jurídica

TÍTULO V – Da Defesa do Estado e das Instituições


Democráticas (art. 136 a 144)
TÍTULO VI – Da Tributação e Orçamento (art. 145 a 169)
TÍTULO VII – Da Ordem Econômica e Financeira (art. 170 a
192)
TÍTULO VIII – Da Ordem Social (art. 193 a 232)
TÍTULO IX – Das Disposições Constitucionais Gerais (art. 233
a 250)
ATO DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS
TRANSITÓRIAS (art. 1º a 97)

Vejamos o que dispõe o preâmbulo constitucional:

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PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional
Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o
exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-
estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de
uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia
social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução
pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

São três as posições apontadas pela doutrina em relação ao preâmbulo,


vejamos:
a) tese da irrelevância jurídica: o preâmbulo está no âmbito da política e
não possui relevância jurídica;
b) tese da plena eficácia: o preâmbulo tem a mesma eficácia jurídica das
demais normas constitucionais;
c) tese da relevância jurídica indireta: o preâmbulo tem parte das
características jurídicas da Constituição Federal, entretanto, não deve ser
confundido com as demais normas jurídicas desta.

O Supremo Tribunal Federal, ao enfrentar a questão, concluiu que o


preâmbulo constitucional não se situa no âmbito do direito, mas no
âmbito da política, transparecendo a ideologia do constituinte. Desta forma, o
STF adotou, expressamente, a tese da irrelevância jurídica.
Por exemplo, sendo instado a examinar se a invocação da “proteção de
Deus” que consta no preâmbulo seria ou não norma de reprodução obrigatória
pelas Constituições Estaduais (CE) e Leis Orgânicas (LO) do Distrito Federal e
dos Municípios, o STF se manifestou contrário a um discutível caráter
normativo do preâmbulo da CF/88 (ADI 2.076/AC). Ou seja, as CE e LO
não precisam invocar a “proteção de Deus”.
Diferentemente do restante do texto constitucional, o preâmbulo não
possui força cogente, não veicula obrigações a serem observadas pelo Estado.
Como dizemos em linguagem jurídica, não possui força normativa.

4- (FCC / Promotor do Ministério Público – CE /


2011) A invocação à proteção de Deus, constante do Preâmbulo da
Constituição da República vigente:
a) é inconstitucional.
b) é ilícita.

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c) não tem força normativa.
d) não foi recepcionada pelo texto constitucional.
e) é expressão de reprodução obrigatória nas Constituições estaduais.
Resolução: Alternativa C. Questão simples de uma temática já pacificada
pelo STF, conforme exposto acima.

5- (FGV / Estágio Forense MPE – RJ / 2014 /


Adaptada) Julgue o item a seguir:
O preâmbulo constitucional, dada a sua importância no quadro constitucional,
possui superior hierarquia às normas constitucionais constantes do corpo
permanente da Constituição da República Brasileira.
Resolução: Errado. Conforme já se posicionou o STF, o preâmbulo da
Constituição não possui natureza jurídico-normativa, mas político-ideológica.

Além do preâmbulo e das normas gerais da Constituição (Título I a IX),


temos o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
O ADCT contém normas jurídicas, em grande parte, efêmeras,
temporárias, que possibilitaram a passagem da ordem constitucional anterior
(Constituição Federal de 1969) para a atual.
Sua função central, pois, é harmonizar as pendências da ordem anterior
com a nova ordem.
Nesse sentido, válido dizer que suas normas possuem o mesmo grau de
positividade jurídica das normas centrais da Constituição. A natureza jurídica é
a mesma. Não por outro motivo, o ADCT pode inclusive estabelecer exceções
às normas centrais da CF/88.

As normas da CF/88 dispostas no ADCT são suscetíveis de ser


revogadas ou emendadas e se definem como normas formalmente
constitucionais. Veja-se:
O Ato das Disposições Transitórias, promulgado em 1988 pelo legislador
constituinte, qualifica-se, juridicamente, como um estatuto de índole
constitucional. A estrutura normativa que nele se acha consubstanciada
ostenta, em consequência, a rigidez peculiar às regras inscritas no texto
básico da Lei Fundamental da República. Disso decorre o
reconhecimento de que inexistem, entre as normas inscritas no ADCT e
os preceitos constantes da Carta Política, quaisquer desníveis ou
desigualdades quanto à intensidade de sua eficácia ou à prevalência de

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sua autoridade. Situam-se, ambos, no mais elevado grau de
positividade jurídica, impondo-se, no plano do ordenamento estatal,
enquanto categorias normativas subordinantes, à observância
compulsória de todos, especialmente dos órgãos que integram o
aparelho de Estado. (RE 160.486, rel. min. Celso de Mello, julgamento
em 11-10-1994, Primeira Turma, DJ de 9-6-1995.)

Como observamos, o texto constitucional sofreu diversas alterações


desde sua promulgação. Modificações estas, fruto dos poderes constituintes
derivados de revisão (esgotado) e de reforma, conceitos a serem abordados.
Além disso, embora não promova mudança físico-formal da Carta
Magna, destaque-se o fenômeno da mutação constitucional, conferindo-lhe
novos sentidos interpretativos.

Por fim, podemos analisar a Constituição sob mais um aspecto.


Na lição de José Afonso da Silva, de acordo com sua finalidade e
estrutura normativa, as normas constitucionais podem ser agrupadas em cinco
categorias, ou elementos constitucionais.

Contidos nas normas que regulam a estrutura do Estado e


dos Poderes e o sistema de governo. Na Constituição de
Elementos 1988, concentram-se nos Títulos III (Da Organização do
orgânicos Estado), IV (Da Organização dos Poderes e do Sistema de
Governo), Capítulos II e III do Título V (Das Forças Armadas e
da Segurança Pública) e VI (Da Tributação e do Orçamento)

Contidos nas normas relativas aos direitos e garantias


fundamentais: direitos e garantias individuais, direitos de
Elementos
nacionalidade, direitos políticos e democráticos. Concentram-se
limitativos no Título II (Dos Direitos e Garantias Fundamentais),
excetuando-se o Capítulo II (Direitos Sociais)
CONSTITUCIONAIS

Elementos Contidos nas normas que traduzem o compromisso de


cunho intervencionista do Estado Social Democrático .
ELEMENTOS

sócio- Concentram-se no Capítulo II do Título II e nos Títulos VII (Da


ideológicos Ordem Econômica e Financeira) e VIII (Da Ordem Social)

Contidos nas normas destinadas a garantir a solução de


conflitos constitucionais, a defesa da Constituição, do
Estado e das instituições democráticas. Representam
instrumentos de defesa do Estado e da paz social. Concentram-
Elementos de se no art. 102, I, “a” (ação de inconstitucionalidade); arts. 34 a
estabilização 36 (Da Intervenção); arts. 59, I, e 60 (Processos de emendas à
constitucional Constituição); arts. 102 e 103 (Jurisdição constitucional); Título
V (Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas,
especialmente o Capítulo I, que trata do estado de defesa e do
estado de sítio, uma vez que os Capítulos II e III do Título V
tipificam-se como elementos orgânicos)

Contidos nas normas que traduzem regras de aplicação da


Elementos Constituição. Concentram-se no preâmbulo (embora este não
formais de tenha força normativa por si só), no ADCT e no art. 5º, § 1º,
aplicabilidade que estabelece que as normas definidoras dos direitos e
garantias fundamentais têm aplicação imediata.

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6- (FGV / Auditor Fiscal da Receita Estadual – RJ /


2008) São elementos orgânicos da Constituição:
a) a estruturação do Estado e os direitos fundamentais.
b) a divisão dos poderes e o sistema de governo.
c) a tributação e o orçamento e os direitos sociais.
d) as forças armadas e a nacionalidade.
e) a segurança pública e a intervenção.
Resolução: Alternativa B. Fácil, não é pessoal? Basta recordar que os
elementos orgânicos são aqueles que compõem a regulação da organização e
funcionamento do Estado. São aquelas dedicados mais intimamente à
formação e operação do organismo institucional que é o Estado.

7- (IBFC / Gestor de Transportes e Obras SEPLAG –


MG / 2014) Considerando as categorias de elementos que definem o
conteúdo das Constituições, pode-se afirmar que as disposições
constitucionais transitórias são elementos:
a) Limitativos.
b) Socioideológicos.
c) Orgânicos.
d) Formais de aplicabilidade.
Resolução: Alternativa D. O ADCT é uma parte das normas constitucionais,
que contém regras de transição do regime constitucional anterior (1969) para
o atual regime (1988), assim, se caracteriza como formal de aplicabilidade.

4 - Teoria geral do Estado. Os poderes do Estado e as respectivas


funções.

Vamos brevemente elucidar alguns conceitos que, vez ou outra as


bancas colocam no nosso caminho.

4.1- Conceito e elementos de Estado

Seguindo a lição de Cicco e Gonzaga (2008), podemos conceituar


Estado como instituição organizada, política, social e juridicamente, a qual
ocupa um território definido e é regida por uma lei maior, usualmente na
forma de Constituição. Ademais, é dirigida por um governo soberano,

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reconhecido interna e externamente ao território e responsável pela
organização e controle social, uma vez que detém a competência legítima do
uso da força e da coerção.
Destacam-se nessa definição três elementos: povo, território e
governo.

Elementos do
Estado

Povo Governo Território

8- (CESPE / Analista Técnico Administrativo do


MPOG / 2015) A respeito das noções de Estado, governo e administração
pública, julgue o item a seguir.
Povo, território e governo compõem os três elementos constitutivos do
conceito de Estado.
Resolução: Correto. São, respectivamente, o componente humano do Estado,
a base física do Estado e o elemento condutor do Estado
Advirta-se que povo não é sinônimo de população. Povo é a parcela
da população vinculada política e juridicamente ao Estado. Já no conceito de
população se incluem também os estrangeiros e os apátridas (indivíduos que
não têm nacionalidade).

Alguns autores incluem ainda um quarto elemento, a finalidade, que


seria, em termos gerais a promoção do bem comum.

4.2- Poderes e funções do Estado

Pode-se questionar quem detém originariamente o poder no Estado.


Segundo a Constituição Federal, “todo o poder emana do povo”
(CF/88, art. 1º, parágrafo único). No entanto, tal poder é “dividido” (temos

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então, não mais um único poder, mas Poderes1) e manifestado por meio de
diferentes funções, ou seja, “especializações” do agir do Estado.
Na maior parte das democracias contemporâneas prepondera a teoria
(abrandada) de Montesquieu, a denominada teoria da tripartição de
Poderes, tipicamente identificados como Poder Executivo, Poder Legislativo e
Poder Judiciário.

Poderes do Estado

Executivo Legislativo Judiciário

É o caso brasileiro, como podemos extrair da Constituição (e aplicar por


simetria aos demais entes subnacionais2):
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

O antigo Império do Brasil já teve quatro Poderes (Constituição de


1824): o Poder Legislativo, o Poder Executivo, o Poder Judicial e o Poder
Moderador.
Este último era exercido pelo Imperador, que também era chefe do
Poder Executivo, e o possibilitava exercer elevada interferência na atividade
dos demais Poderes.

1
Para fins didáticos, entenda-se tal afirmação como correta. No entanto, em última
análise, advirta-se que o poder político é uno. A dita separação de poderes nada
mais é que uma abordagem de cunho funcional.
Além da unicidade, são tidas como características do poder político a
imprescritibilidade (a possibilidade de se exercê-lo não é extinta com o tempo) e a
indelegabilidade (o exercício do poder é delegável a representantes, mas sua
titularidade – o poder emana do povo – não).
2
A exceção parcial é o Judiciário. Inexiste organização de tal Poder por ente
municipal.

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No Brasil, o abrandamento da teoria de Montesquieu é perfeitamente
estabelecido, dentre outros fatores, uma vez que cada Poder incorpora, além
de uma ou mais função típica, outras funções atípicas.
Vejamos.

Poder Funções típicas Funções atípicas


1- Execução de - Legislar: por exemplo, na edição de
atos de medidas provisórias (art. 62) e leis
administração e delegadas (art. 68)
Executivo de chefia de
- “Julgar”: por exemplo, instaurando,
Estado e de
inquirindo e julgando processos
governo
administrativos disciplinares (em âmbito
federal, lei 8.112/90, art. 151)
1- Elaboração de - Executar: por exemplo, ao dispor sobre
leis sua organização, funcionamento, funções
de serviços e criação de cargos (art. 51,
2 - Fiscalização
contábil, IV e art. 52, XIII)
Legislativo financeira, - Julgar: por exemplo, a Câmara dos
orçamentária,
Deputados autoriza (art. 51, I) e o
operacional e
patrimonial do Senado Federal julga o Presidente e
Poder Executivo outros agentes políticos nos crimes de
responsabilidade (art. 52, I)
- Executar: por exemplo, os tribunais
organizam suas secretarias e serviços
1- Instituir a
auxiliares, proveem cargos necessários à
coisa julgada
administração da Justiça, concedem
com base na
Judiciário férias, licenças e outros afastamentos a
aplicação da
seus membros (art. 96, I)
legislação
- Legislar: por exemplo, os tribunais
elaboram seus regimentos internos (art.
96, I, “a”).

Atente-se que o Poder Legislativo é o único que possui duas funções


típicas, quais sejam, legislar e fiscalizar diretamente (sem necessidade de
provocação) o Poder Executivo.

Além disso, outro fator nos permite visualizar que a tripartição de


Poderes que adotamos não é algo estanque.
A nossa Constituição (assim como outras) estabelece mecanismos de
freios e contrapesos (checks and balances), de controle recíproco entre os

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Poderes, de modo que há evidente interpenetração no agir do Estado,
evitando a arbitrariedade e proporcionando maior equilíbrio a este.
Deste modo, muito embora o art. 2º da Carta Maior assegure a
independência dos Poderes, mais correto é compreender nosso Estado
como um sistema caracterizado pela interdependência dos Poderes.
Um exemplo prático de tal mecanismo, é a possibilidade de veto
conferida ao Presidente da República nos processos legislativos que lhe são
submetidos à deliberação (art. 66). Ou seja, um Poder (no caso, o Executivo)
interfere diretamente sobre a atividade típica de outro Poder (no caso, o
Legislativo).
Similarmente, temos as hipóteses de controle de constitucionalidade de
leis e atos normativos. Por exemplo, um projeto de lei pode ser discutido pelo
Congresso Nacional, proposto, aprovado, ser convertido em lei e, ainda assim,
esta pode eventualmente ser julgada inconstitucional pelo Poder Judiciário,
deixando de ser aplicada.
Do outro lado, exemplificativamente, temos a possibilidade de o
Legislativo (mais especificamente o Senado Federal) julgar os Ministros do STF
caso estes cometam crime de responsabilidade.
Assim, observa-se que nossa tripartição de Poderes foi pensada de
forma a que haja controle do Poder pelo Poder, evitando-se abusos por
parte de qualquer deles.

Embora sejam conceitos relacionados, não se pode confundir a


existência de funções atípicas com o mecanismo de freios e
contrapesos.
A existência de funções atípicas implica num maior dinamismo da
atuação de cada um dos três poderes, os quais exercem atribuições
complementares às suas principais.
Já o mecanismo de freios e contrapesos cuida diretamente da
articulação dos poderes entre si em prol das finalidades do Estado.

9- (ESAF / Analista de Finanças e Controle da CGU /


Área de Auditoria e Fiscalização / 2006 / Adaptada) Sobre Teoria Geral
da Constituição, Poderes do Estado e suas respectivas funções e Supremacia
da Constituição, julgue o item a seguir.

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O poder político de um Estado é composto pelas funções legislativa, executiva
e judicial e tem por características essenciais a unicidade, a indivisibilidade e a
indelegabilidade.
Resolução: Correto. Como vimos, além de ser uno, o poder político é
imprescritível (não se extingue com o tempo) e é indelegável (mas sua
titularidade não pode ser transmitida a quem não lhe é de direito).

10- (CESPE / Polícia Rodoviária Federal / 2013) No


que se refere aos princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988
(CF) e à aplicabilidade das normas constitucionais, julgue o item a seguir.
Decorre do princípio constitucional fundamental da independência e harmonia
entre os poderes a impossibilidade de que um poder exerça função típica de
outro, não podendo, por exemplo, o Poder Judiciário exercer a função
administrativa.
Resolução: Errado. A independência dos Poderes não se confunde com a
completa segregação destes. Muito pelo contrário. No Brasil, a separação
entre Executivo, Legislativo e Judiciário se dá de forma abrandada. Disso
deriva a possibilidade de que, além de suas funções típicas, cada qual exerça
funções atípicas correlatas aos demais.

11- (FCC / Técnico Judiciário do TRE SP / Área


Administrativa / 2012) O mecanismo pelo qual os Ministros do Supremo
Tribunal Federal são nomeados pelo Presidente da República, após aprovação
da escolha pelo Senado Federal, decorre do princípio constitucional da:
a) separação de poderes.
b) soberania.
c) cidadania.
d) inafastabilidade do Poder Judiciário.
e) solução pacífica dos conflitos.
Resolução: Alternativa A. Perceba-se que o mecanismo de freios e
contrapesos advém do princípio da separação de poderes expresso no art. 2º
da CF/88. Os demais itens caracterizam princípios fundamentais, coordenando
fundamentos (soberania e cidadania), princípios do Estado referentes a regras
processuais (inafastabilidade do Poder Judiciário) e princípios nas relações em
âmbito internacional (solução pacífica dos conflitos) e serão tratados
posteriormente.

12- (VUNESP / Analista Técnico Científico do MPE –


SP / 2016) O artigo 16 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
diz que não há constituição em uma sociedade na qual a garantia dos direitos

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e a divisão dos poderes não estejam asseguradas. Dessa forma, a separação
dos poderes é posta em prática na Inglaterra em 1688/89; nos Estados Unidos
e na França, desde os séculos XVII e XVIII, em resposta aos abusos da
concentração de poderes nas mãos do soberano, típica do absolutismo da
Idade Moderna. A separação dos poderes enquanto técnica para a limitação do
poder, no Brasil, está configurada a partir da Constituição Federal de 1988,
em:
a) Poder Ministerial, Poder Executivo e Poder Legislativo.
b) Poder Executivo, Poder do Ministério Público, Poder da Advocacia Pública.
c) Poder Executivo, Poder da Câmara dos Deputados e Poder do Senado
Federal.
d) Poder do Executivo Federal, Poder do Executivo Estadual e Poder do
Executivo Municipal.
e) Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário.
Resolução: Alternativa E. É a chamada tripartição de Poderes, esboçada
originariamente por Montesquieu e incorporada pela nossa Constituição
Federal (art. 2º).

4.3- Formação e formas do Estado

Os Estados são centros de poder soberano3.

Sumariamente, podem ser classificados, sob esse aspecto, em Estados


simples – nos quais há apenas um centro, como o Brasil – e Estados
compostos – nos quais há coexistência de centros, como a commonwealth.
Aqui, a análise é focada nos Estados simples.

A formação de Estados se dá por basicamente três modos:

3
Não confundir com centros de poder autônomos. Se se tratasse meramente de
autonomia, não teríamos Estados, mas sim entes/unidades, como são, no caso
brasileiro, a União, os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios.

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Ocorre por meio da conjunção inédita
dos elementos território, população e
ORIGINÁRIO governo. Não se verifica na idade
contemporânea.
Ex: Atenas

Ocorre por meio da desagregação ou


Formação de agregação de Estados previamente
Estados SECUNDÁRIO constituídos.
(modos) Ex: Estados Unidos da América

Se processa quando o novo Estado


surge mediante concessão de outro
DERIVADO Estado. O estado concedente continha
territorialmente o Estado derivado.
Ex: Israel

Em concursos públicos, as questões quase sempre têm como ponto de


partida o modelo secundário.

Já no que diz respeito à forma de Estado, encontramos dois modelos


fundamentais, quais sejam: o Estado unitário e a Federação.

Formas de
Estado

Estado unitário Federação

O Estado unitário é caracterizado pela existência de uma única


organização política nacional. Muito embora existam variedades mais
flexíveis desse tipo, regra geral, não há aqui a existência de diferentes níveis
de governo (federal, estadual, distrital, metropolitano, municipal, etc.). Ou
seja, a organização político-administrativa não compreende esferas
autônomas.
Por sua vez, a federação resulta do vínculo indissolúvel4 (vide art.
1º da CF/88) entre unidades autônomas (porém, não soberanas). Essa
organização político-administrativa compreende esferas de governo
distintas e descentralizadas, dotadas de competências muitas vezes

4
CF/88, art. 60 [...] § 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a
abolir: I - a forma federativa de Estado; [...]

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exclusivas ou privativas, no entanto, normatizadas por uma mesma
Constituição Federal. Trata-se do caso brasileiro.
Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa
do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. [...]

Por fim, cumpre destacar a existência de diferentes tipologias de


federalismo, de acordo com a perspectiva assumida. Três grupos são de
maior relevância:

Federalismo

Simétrico vs Por agregação vs Por


Cooperativo vs Dual
Assimétrico desagregação

Configuração da Formação do Estado


repartição de federado.
Grau de competências entre os No federalismo por
compatibilidade entes federados e sua agregação, Estados antes
econômica, política, articulação. soberanos vinculam-se
social e cultural entre Quanto mais rígida tal para formar um novo
os entes federados. repartição, mais dual o Estado indissolúvel. Os
Quanto mais federalismo. Por outro entes passam a ter
homogêneos tais fatores lado, havendo maior autonomia. Já no
se apresentam no interpenetração de federalismo por
território e entre a atribuições, por meio de desagregação, um Estado
população, mais competências antes unitário reconfigura
simétrico o federalismo. concorrentes ou comuns, sua estrutura político-
mais cooperativo será o administrativa, tornando-a
federalismo. descentralizada.

13- (CESPE / Administrador da SUFRAMA / 2014)


Julgue o item a seguir, acerca da organização político-administrativa do
Estado, da administração pública e dos servidores públicos.
De acordo com a CF, as atribuições dos entes federativos são de tal modo
separadas que caracterizam um federalismo dual, ou seja, cada ente da
Federação brasileira tem competências distintas, não se podendo falar em
cooperação entre eles.
Resolução: Errado. Questão bastante simples. O Brasil é caracterizado por
um modelo de repartição de competências entre os entes no qual, ao mesmo
tempo em que se visualizam competências exclusivas e privativas, existe um
leque de atribuições concorrentes e comuns que demandam expressamente

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um esforço conjunto entre estes, pendente, pois, para um modelo
cooperativo.

14- (FCC / Notário e Registrador – TJ PE / Remoção


/ 2013) Em relação à possibilidade de aplicação do conceito de federação
assimétrica ao Brasil, é correto afirmar:
a) A concepção inclui a ideia de simetria de fato entre os componentes da
federação, como a criação de regiões de desenvolvimento.
b) O conceito compreende a noção da simetria de direito para corrigir e
compensar a estrutura da federação, v.g., a fixação de benefícios legais na
área tributária.
c) A diferença entre os entes federados no Brasil pode ocorrer tanto na área
social, como na econômica.
d) Os elementos da federação assimétrica não são aplicáveis à realidade
nacional diante da determinação constitucional que a federação é indissolúvel,
não há permissão a secessão.
e) A assimetria somente pode ser transitória e pressupõe um tratamento
desigual para corrigir desigualdades.
Resolução: Alternativa C. É o conceito de federalismo assimétrico. A própria
Constituição Federal reconhece a existência de discrepâncias entre as regiões.
Não por acaso, estatui, por exemplo:
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do
Brasil: [...] III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais; [...]
e
Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação
em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu
desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais.

4.4- Formas, sistemas e regimes de governo

Segundo Canotilho (1993), ao tratarmos das formas de governo,


estamos analisando a lógica da estruturação jurídico-constitucional dos
poderes, órgãos e agentes constitucionais de soberania. Abordamos
uma questão de cunho institucional, em que se deseja saber como o Estado
se organiza para a coordenação de Poderes e exercício de suas
funções com vistas à consecução do bem comum.

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O Estado contém o governo, porém o contrário não é verdadeiro. O
governo é um dos elementos constitutivos do Estado e, enquanto governos
são arranjos temporários, Estados são, em tese, estruturas permanentes.
A classificação mais comum é a que compreende como formas
fundamentais a monarquia e a república.

Formas de
Governo

Monarquia República

De acordo com Farias Neto (2011), podemos apontar como


características distintivas de cada qual:

MONARQUIA REPÚBLICA

• Vitaliciedade • Temporariedade
• Hereditariedade • Eletividade
• Irresponsabilidade política do • Responsabilidade política do
Chefe de Estado (não há Chefe de Estado (há prestação
prestação de contas das de contas das decisões e crime
decisões ou crime de de responsabilidade)
responsabilidade)

O Brasil é uma República Federativa, de acordo com disposição


constitucional expressa.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel
dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem como fundamentos: [...]

Aqui, a chefia de Estado e de governo recai sobre uma mesma pessoa, no


caso o Presidente da República, que é eleito (eletividade) para um mandato
temporário (temporariedade), não podendo se reeleger indefinidamente,
devendo prestar contas e podendo ser responsabilizado politicamente pelos
seus atos de governo, sendo inclusive processado e julgado caso cometa crime
de responsabilidade.

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Por sua vez, na análise relativa aos sistemas de governo, busca-se
primordialmente identificar a forma de relacionamento entre os Poderes
Legislativo e Executivo. Desse exame, encontramos dois regimes principais:
o parlamentarismo e o presidencialismo.

Sistemas de Governo

Parlamentarismo Presidencialismo

No presidencialismo, o Presidente da República acumula as funções


de chefe de Estado (seu representante no plano externo/internacional) e de
chefe de Governo (responsável por tarefas administrativas no plano interno).
Há uma maior autonomia entre os Poderes Executivo e Legislativo, já
que o chefe do Executivo não depende do Poder Legislativo para se manter no
cargo, vez que o poder de sua função advém do próprio povo que o elegeu.
Essa autonomia também se verifica no parlamento (como é o caso do
Congresso Nacional e suas das Casas, o Senado Federal e a Câmara dos
Deputados), que não pode ser dissolvido por ato unilateral do Presidente.

Já no parlamentarismo, o Presidente da República ou o Monarca é


apenas o chefe do Estado.
A condução do governo cabe ao Primeiro Ministro, que é eleito pelo
parlamento e coordena um gabinete de Ministros. Nesse sistema há uma
maior interdependência entre o Executivo e o Legislativo.
Comumente, o Primeiro Ministro costuma ter certo apoio do parlamento.
Contudo, caso perca o apoio, pode por ele ser destituído.
Além disso, o Chefe de Estado (que pode ser um Presidente ou um
monarca) detém a prerrogativa de, em determinadas conjunturas, dissolver o
parlamento e convocar novas eleições. Assim, a relação entre ambos Poderes
é bastante estreita.

Temos, pois, como características centrais de ambos:

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PARLAMENTARISMO PRESIDENCIALISMO

• Poder Executivo dual: distinção • Poder Executivo uno: não há


entre Chefe de Estado e Chefe de distinção entre Chefe de Estado e
Governo Chefe de Governo

• Elevada interdependência dos • Relativa autonomia do Executivo


Poderes Executivo e Legislativo e do Legislativo na condução de suas
funções típicas
• Existência de um órgão executivo
(gabinete de Ministros) dirigido pelo • As funções executivas centrais
Primeiro Ministro (chefe de cabem à figura do Presidente da
governo), cujos atos são República, não havendo
referendados pelo Parlamento interferêcia direta do Parlamento.
Os Ministros de Estado podem ser
• Possibilidade permanente de nomeados e exonerados
dissolução do gabinete e do discricionariamente (ad nutum)
Parlamento
• Não há possibilidade de
•É compatível com a forma dissolução do Parlamento sem
monárquica e com a republicana eleições gerais

• Na prática, compatível apenas com


a forma republicana

Por fim, no que diz com os regimes de governo (ou regimes políticos,
para alguns autores), a distinção é marcada sobretudo com base no nível de
pluralismo, liberdade e participação política em dada sociedade.
Nesse sentido, identificamos na doutrina tradicional três regimes
principais. De todo modo, destaque-se que esta análise no mundo real, a cada
momento histórico, não é estanque.
Assim, podemos encontrar diferentes gradações, de Estado para Estado,
entre os marcos abaixo assinalados, indo desde o totalitarismo absoluto à
democracia plena ou direta.

Totalitário Democrático

Autoritário

No totalitarismo, o poder político está centrado em um indivíduo (ou


grupo). De regra, não há eleições livres, tampouco o pluripartidarismo é
admitido. O poder político é transmitido por via indireta, como pela
hereditariedade ou por escolha do partido único e assume caráter
eminentemente controlador da população e repressivo contra os opositores.

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Por sua vez, no autoritarismo verificam-se alguns limites ao exercício
do poder político, sendo por vezes admitidas eleições indiretas periódicas.
Tolera-se também a existência de mais de um partido, sendo a oposição,
contudo, exercida de forma bastante mitigada. É comum que a Constituição e
as leis sejam, por vezes, meramente figurativas.
Já a democracia caracteriza-se pelo pluripartidarismo e por eleições
livres e periódicas. Além disso, o povo exerce diretamente o poder político por
meio de diversos instrumentos, como o plebiscito, o referendo, a iniciativa
popular de leis, o orçamento participativo, dentre outros. A atuação do Estado
é eminentemente reguladora e sujeita à Constituição e às leis.
O Brasil é uma democracia do tipo representativa (ou semidireta) e
participativa. Representativa pois o povo não exerce o poder político
diretamente, mas sim por meio de representantes eleitos. E participativa pois
a atuação do povo não é restrita ao processo eleitoral, englobando outras
facetas.

15- (CESPE / Agente de Documentação do TCE – PB /


2018) De acordo com os princípios fundamentais estabelecidos na CF,
assinale a opção que apresenta, respectivamente, as formas de Estado e de
governo adotadas no Brasil.
a) Federação e República
b) Federação e presidencialismo
c) presidencialismo e República
d) República e Federação
e) República e presidencialismo.
Resolução: Alternativa A. Federação = forma de Estado, República = forma
de governo.

16- (ESAF / Agente Executivo da CVM / 2010)


Correlacione as colunas abaixo e, ao final, selecione a opção que expresse a
correlação correta.
() República (1) Forma de Governo
() Estado Unitário (2) Sistema de Governo
() Parlamentarismo (3) Forma de Estado
() Federação
() Monarquia
() Presidencialismo

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a) 1, 2, 3, 1, 2, 3
b) 1, 3, 2, 3, 1, 2
c) 3, 1, 2, 1, 2, 3
d) 2, 3, 1, 2, 3, 1
e) 3, 2, 1, 2, 1, 3
Resolução: Alternativa B. Questão ilustrativa que resume o que foi visto até
agora. Formas de Governo: República e Monarquia. Sistemas de Governo:
Parlamentarismo e Presidencialismo. Formas de Estado: Estado Unitário e
Federação.

5- Princípios do Estado Democrático de Direito e análise do princípio


hierárquico das normas

5.1- Princípios e regras

Previamente destacamos que, em seu sentido jurídico, a Constituição é


o fundamento de validade normativa dos Estados nacionais.
A doutrina contemporânea convencionou classificar o “gênero” normas
em “espécies”, quais sejam: princípios e regras.
Na atual hermenêutica (ciência da interpretação) constitucional, a
Constituição é, portanto, considerada como um conjunto normativo
formado por regras e por princípios jurídicos.

As regras têm a sua força normativa verificada de imediato, pelo


enquadramento da hipótese prevista no comando jurídico ao caso concreto.
Por exemplo, como a disposição constitucional de que conceder-se-á habeas
corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou
coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder
(art. 5º, LXVIII).
Assim, caso alguém seja preso ilegalmente, poderá impetrar habeas
corpus, que por sua vez deve ser concedido pelo juiz competente. Em
linguagem popular, “a regra é clara”.

Há, contudo, comandos constitucionais que são a expressão de


princípios mais abstratos, explícitos ou implícitos. Nestes casos, tais princípios
serão aferidos de acordo com a ponderação a cada situação que se
apresentar, como, por exemplo, a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III).

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Afinal, como definir o que é dignidade da pessoa humana? Não há uma
resposta ou um sentido universal. Trata-se de um paradigma que deve ser
verificado caso a caso, de acordo com as situações fáticas.

Conforme expõem Mendes e Branco (2010), analisando especialmente


as contribuições teóricas de Ronald Dworkin e Robert Alexy, algumas
características distintivas entre os princípios e regras são:
NORMAS

* PRINCÍPIOS REGRAS
- Devem ser ponderados de acordo - Tudo ou nada de acordo com o caso
com o caso concreto; concreto;
- Dimensão de peso e valor; - Dimensão de especificidade;
- Instrumentos de otimização; - Instrumentos de definição;
- Havendo conflito aparente entre - Havendo conflito real entre regras, a
princípios, a solução deverá se dará solução deverá ser buscada,
pelo prevalecimento de um sobre o sucessivamente, pelos critérios:
outro no caso concreto.
(i) Hierárquico (regra de maior
hierarquia se sobrepõe a de menor);
(ii) de Especialidade (regra mais
específica se sobrepõe a menos);
(iii) Cronológico (regra mais recente
se sobrepõe a mais antiga).
ou ainda pelo afastamento de uma
delas ou pela derrota (superação) de
uma delas ou pela declaração de
invalidade (total ou parcial) de uma
delas.

Podemos apontar a primorosa conceituação elaborada por Celso Antônio


Bandeira de Mello (2000, 450-451), para o qual o princípio é [...]
“mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição
fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito
e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente
por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere
a tônica e lhe dá sentido harmônico”.
Consoante difundida classificação, os princípios podem ainda ser
classificados como fundamentais, gerais e setoriais.

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Os fundamentais se referem a enunciados de extrema relevância e
grande abstração, aplicáveis de forma praticamente irrestrita a inúmeras
situações concretas, como o princípio da dignidade humana.
Os gerais, por sua vez, são dotados de maior concretude e densidade
jurídica, embora também sejam amplos, são mais “palpáveis”, tais como o
princípio da legalidade.
Já os setoriais atuam em determinado nicho/segmento jurídico mais
específico, como a retroatividade da lei penal benéfica, princípio aplicável com
maior densidade na seara do direito penal e processual penal.

Por outro lado, pedimos vênia para conceituar regra como uma
disposição específica que estabelece parâmetros objetivos de
operacionalização num determinado sistema jurídico, visando a dotá-lo de
certos padrões práticos gerais.

Não há um conceito a ser memorizado. Porém, ter tal distinção em


mente é importante na compreensão de diversos pontos da matéria, por
exemplo, no estudo da interpretação das normas constitucionais.

17- (CESPE / Defensor Público Estadual da DPE – RN


/ 2015 / Adaptada) Julgue o item abaixo:
As colisões entre regras devem ser solucionadas mediante a atribuição de
pesos, indicando-se qual regra tem prevalência em face da outra, em
determinadas condições.
Resolução: Errado. Havendo conflito aparente entre princípios, a solução se
dará pelo prevalecimento de um sobre o outro no caso concreto, mediante
atribuição de pesos e valores para cada qual.
Já na colisão efetiva entre regras, o conflito deve ser solucionado pelos
critérios hierárquico, da especialidade ou cronológico, ou, ainda, pelo
afastamento/superação/invalidade de uma delas, seja de forma definitiva, seja
apenas no caso concreto.

18- (FUNCAB / Atividade Técnica – MPOG / 2015 /


Adaptada) “No Direito contemporâneo, a Constituição passou a ser
compreendida como um sistema aberto de princípios e regras, permeável a
valores jurídicos suprapositivos, no qual as ideias de justiça e de realização
dos direitos fundamentais desempenham um papel central. Rememore-se que
o modelo jurídico tradicional fora concebido apenas para a interpretação e
aplicação de regras. Modernamente, no entanto, prevalece a concepção de

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que o sistema jurídico ideal se consubstancia em uma distribuição equilibrada
de regras e princípios, nos quais as regras desempenham o papel referente à
segurança jurídica - previsibilidade e objetividade das condutas - e os
princípios, com sua flexibilidade, dão margem à realização da justiça no caso
concreto" BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional
Contemporâneo 2009 p. 316).
Considerando a relevância conferida aos princípios constitucionais, patente no
trecho acima transcrito, julgue a assertiva abaixo.
Consoante difundida classificação, os princípios podem ser fundamentais,
gerais e setoriais. Os primeiros se referem a enunciados de extrema
relevância e grande abstração, como o respeito à dignidade humana; os gerais
são dotados de maior concretude e densidade jurídica, como a legalidade; já
os últimos atuam em determinado nicho jurídico, como a retroatividade da lei
penal benéfica.
Resolução: Correto!

19- (ESAF / Analista de Planejamento e Orçamento /


2015) Podemos divisar, no ordenamento jurídico, duas espécies de normas:
as regras e os princípios. Sobre os métodos e técnicas de interpretação do
texto constitucional, é incorreto afirmar que:
a) se duas regras estão em conflito ─ que deve ser resolvido pelos meios
clássicos de interpretação, com a aplicação dos critérios cronológico,
hierárquico e de especialidade ─, uma não poderá ser válida.
b) enquanto as regras se revestem de um alto grau de abstração e da
carência na determinabilidade na aplicação do caso concreto, os princípios
somente são encontrados na forma expressa, possuindo um grau de
concretização superior em relação às regras, tendo em vista o seu menor grau
de abstração.
c) as regras incidem sob a forma do tudo ou nada, ou seja, presentes os seus
pressupostos fáticos, ou a regra é aplicada ao caso concreto a ela subsumido,
ou ela é considerada inválida para o mesmo.
d) é no caráter principiológico das normas de direitos fundamentais que
exsurge a aplicação do princípio da proporcionalidade no equacionamento de
eventuais colisões.
e) a ponderação consiste no método necessário ao equacionamento das
colisões entre princípios da Lei Maior, em que se busca alcançar um ponto
ótimo, em que a restrição a cada um dos direitos fundamentais envolvidos
seja a menor possível, na medida exata à salvaguarda do direito contraposto.
Resolução: Alternativa B. Questão boa para revisarmos o tópico.
O problema da opção é que ela confundiu os conceitos. Enquanto os
PRINCÍPIOS se revestem de um alto grau de abstração e da carência na

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determinabilidade na aplicação do caso concreto, as REGRAS somente são
encontradas na forma expressa, possuindo um grau de concretização superior
em relação aos princípios, tendo em vista o seu menor grau de abstração.

5.2- Princípios do Estado Democrático de Direito na doutrina

Os referidos princípios encontram-se esparsos pelo texto constitucional


e nas construções doutrinárias, não sendo exaustivos, mas exemplificativos.
Ressalte-se que também existem outros princípios complementares
(como aqueles que regem mais especificamente a administração pública),
presentes não apenas na Carta Maior como na legislação infraconstitucional.
Adotando a lição de José Afonso da Silva (2005, p. 122), temos:

exprime, em primeiro lugar, que o Estado


Democrático de Direito se funda na legitimidade
de uma Constituição rígida, emanada da
constitucionalidade vontade popular, que, dotada de supremacia,
vincule todos os poderes e os atos deles
provenientes, com as garantias de atuação livre
de regras da jurisdição constitucional

nos termos da Constituição, há de constituir


(estado democrático de dirieto)

uma democracia representativa e


democrático participativa, pluralista, e que seja a garantia
geral da vigência e eficácia dos direitos
fundamentais (art. 10)
sistema de direitos
PRINCÍPIOS

fundamentais
compreende os direitos individuais, coletivos,
sociais e culturais (títulos II, VII e VIII)
justiça social

igualdade referido no art. 170, caput, e no art. 193, como


principio da ordem econômica e da ordem social

divisão de poderes (art.


2º) e independência do
juiz (art. 95)

legalidade (art. 5º, II)

segurança jurídica (art.


5º, XXXVI a LXXIII)

Quando iniciarmos nossa análise detida do texto constitucional,


voltaremos a vê-los, assim como também estudaremos outros princípios de
extrema relevância.

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6- Constitucionalismo e Neoconstitucionalismo

Para Canotilho (1993), o Constitucionalismo pode ser definido como


uma ideologia/corrente na qual o governo é limitado, limitação essa baseada
em um sistema de leis, de forma a promover garantia de determinados
direitos e garantias fundamentais.
É importante aqui lembrar, que a dinâmica democrática dos governos
atuais (principalmente no Ocidente) é relativamente recente na nossa história.
Particularmente antes do advento do iluminismo, a maior parte dos Estados
nacionais e, claro, de suas colônias, era governada por monarquias
absolutistas.
Todavia, a partir da independência dos Estados Unidos da América
e a promulgação de sua Constituição em 1787 e da Revolução Francesa
em 1789, consolida-se a visão de que o poder dos governos deve ser limitado
a fim de evitar sua arbitrariedade.
Não que antes do século XVIII já não houvesse mecanismos legais de
controle dos governos com o intuito de resguardar os direitos individuais.
Todavia, é a partir das revoluções burguesas e com o avanço do
liberalismo político e econômico que teremos a consolidação do
Constitucionalismo contemporâneo, fundado nas escolas positivista, e,
posteriormente, normativista do Direito.

São características centrais desse constitucionalismo: a separação de


Poderes, o princípio da legalidade 5 e a consolidação dos primeiros
direitos e garantias individuais.

E o que é o Neoconstitucionalismo?

O Neoconstitucionalismo, também conhecido como Constitucionalismo


pós-moderno ou pós-positivismo, nasce no século XXI a partir de diversas
sistematizações doutrinárias.
Aqui, o objetivo maior não é de simplesmente limitar o poder do Estado,
mas sim conferir eficácia e efetividade ao texto constitucional, de forma que
os direitos e garantias fundamentais nele consagrados possam, de fato,
produzir efeitos na relação Estado x particular e na relação particular x
particular, conduzindo a uma sociedade mais justa e fraterna.

5
Para os particulares, implica em que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de
fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Já para os agentes do Estado, significa
que estes somente podem agir se houver permissão legal e na forma que ela
prescrever.

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Assim, a Constituição assume papel central na vida em sociedade
e nos afastamos de uma visão eminentemente formal do Direito.
Se o positivismo e o normativismo produzem uma leitura meramente
legalista do Direito (“Direito é o que está na lei”), o pós-positivismo busca
promover uma nova leitura moral do Direito.

O contexto histórico de avanço do Neoconstitucionalismo é o período


pós Segunda Guerra Mundial.
Os regimes totalitários que deflagraram o conflito e conduziram alguns
dos maiores horrores da histórica da humanidade de forma alguma estavam
desamparados de base legal em seus ordenamentos jurídicos pátrios.
Assim, no pós-guerra, restou evidente que não bastava um sistema
jurídico fundado na lei se esta se encontra dissociada do ideal de Justiça e não
atendia ao fim último de propiciar dignidade à existência humana.
Desta forma, no Neoconstitucionalismo, passou-se da supremacia da lei
à supremacia da Constituição, com ênfase na força normativa do texto
constitucional e na concretização das normas nela expressas.

Para Lenza (2012), são pontos marcantes do neoconstitucionalismo:

É o centro do sistema

É norma jurídica dotada de imperatividade e


superioridade
CONSTITUIÇÃO

Sua carga valorativa é a dignidade da pessoa humana e


seus direitos fundamentais

Tem eficácia irradiante em relação aos Poderes do Estado


e diante dos particulares

Deve efetivamente concretizar os valores nela presentes

Deve promover a garantia de condições existenciais


dignas

20- (FUNDATEC / Procurador do Estado do RS /


2015) O movimento do constitucionalismo surgiu:
a) no final do século XVIII, com a elaboração das primeiras constituições
escritas, com o objetivo de assegurar direitos e coibir o arbítrio, mediante a
separação dos poderes.

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b) no início do século XX, com a emergência das constituições sociais, com o
objetivo de assegurar a igualdade social, em face do flagelo da 1ª Guerra
Mundial.
c) em meados do século XX, com a emergência do pós-positivismo, com o
objetivo de assegurar o princípio da dignidade humana e a proteção de
direitos.
d) no final do século XX, com a emergência das constituições pós-sociais, com
o objetivo de reduzir o alcance do Estado, em nome do princípio da eficiência.
e) no final do século XVII, com a elaboração das primeiras constituições
escritas, com o objetivo de assegurar liberdades e coibir o arbítrio, mediante a
cláusula federativa.
Resolução: Alternativa A. O constitucionalismo consolidou-se ao longo do
século XVIII (em especial no seu final), tendo como uma de suas
características centrais a separação de Poderes.

21- (VUNESP / Juiz Substituto do TJ – SP / 2015 /


Adaptada) Julgue o item a seguir:
O “constitucionalismo moderno”, com o modelo de Constituições normativas,
tem sua base histórica a partir das revoluções Americana e Francesa.
Resolução: Correto.

22- (ESAF / Analista de Planejamento e Orçamento /


2015) Com a ascensão científica e institucional do direito constitucional,
vimos o surgimento do chamado "Novo Constitucionalismo", que possui alguns
traços marcantes, com exceção de:
a) a acentuação da dualidade dos ramos do direito público e do direito
privado.
b) passagem da Constituição para o centro do sistema jurídico, em que
passou a desfrutar de supremacia formal e material.
c) filtragem constitucional, pois, com a passagem da Constituição para o
centro, passou ela a funcionar como a lente, o filtro através do qual se deve
olhar para o Direito de uma maneira geral.
d) o triunfo do direito constitucional, que deve ser a “janela" através da qual
se olha o mundo.
e) o modo de desejar o mundo, ou seja, o direito constitucional passou a ser
não somente um modo de olhar e pensar o Direito, mas também um modo de
desejar o mundo: fundado na dignidade da pessoa humana, na centralidade
dos direitos fundamentais, na busca por justiça material, na tolerância e no
respeito ao próximo.
Resolução: Alternativa A.

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No neoconstitucionalismo, os vetores constitucionais baseados no
primado da dignidade humana e em seus direitos e garantias fundamentais
espraia-se para as relações individuais. Assim, promove alterações tanto nas
relações de direito público quanto naquelas reguladas pelo direito privado.

O Neoconstitucionalismo não ignora o Direito posto, porém, inova ao


abrir novas perspectivas a sua aplicação.
E é sob esse prisma que conduziremos nossos estudos.

7- Conceitos de Constituição

Podemos identificar na doutrina três conceitos mais destacados de


Constituição. São diferentes sentidos sob as quais tal termo pode ser
compreendido. Com um ou outro ajuste, são os conceitos mais cobrados em
concursos públicos. Quase sempre, sem muitos desvios e sem maior nível de
aprofundamento.

Principal expoente: Carl Schimtt


Constituição é a decisão política fundamental (as
normas que estruturam a base da sociedade). As demais
normas, ainda que inscritas no mesmo documento,
Político seriam somente leis constitucionais.
Teoria Decisionista - só é constitucional o que organiza o
Estado ou limita o seu poder.
Se preocupa com o conteúdo (conceito material das
normas) e não com a forma.

Principal expoente: Ferdinand Lassale


Constituição é o somatório das forças sociais
(fatores reais) que compoem o poder dentro da
sociedade.
Sociológico Admite-se a existência de uma Constituição
independente de um documento escrito. Inclusive, em
último caso, o Estado pode ter duas Constituições, uma
que é a folha de papel (pois não reflete as forças sociais
que compõem o poder político) e outra que é a "real".

Principal expoente: Hans Kelsen


Constituição como norma logíco-jurídica: é a norma
hipotética fundamental. É uma construção de natureza
Jurídico lógica.
Constituição como norma jurídico-positiva: é a norma
que fundamenta a existência das demais e lhes serve de
referência. É fruto de uma decisão racional humana.

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Nos nossos estudos, prepondera a visão kelseniana de Constituição
como norma jurídico-positiva.
Desse modo, temos uma Constituição que funciona como fundamento
jurídico das demais normas do ordenamento e que se escora na ideia lógica de
que todo o sistema deve a ela observância.

Refinando a ideia de força normativa da Constituição (e se afastando


ainda mais de Lassale), Konrad Hesse desenvolveu a ideia que as questões
constitucionais devem ser autônomas em relação às questões de poder.
Isso não significa que a Constituição deva se afastar da realidade e
historicidade de determinado Estado ignorando a realidade e as forças
políticas, pelo contrário.
Porém, quanto maior a vontade de realização dos conteúdos da
Constituição (vontade de Constituição), quanto maior a vontade de que os
valores constitucionais moldem e orientem os fatores de poder e não lhes
sejam simplesmente subordinados, maior será sua capacidade de conservação
e de efetivar sua própria realização, ou seja, sua força normativa.

23- (CESPE / Analista Judiciário do STF / Área


Judiciária / 2008) Acerca da teoria geral da constituição e do Poder
Constituinte, julgue o item seguinte.
Considere a seguinte definição, elaborada por Kelsen e reproduzida, com
adaptações, de José Afonso da Silva (Curso de Direito Constitucional Positivo.
São Paulo: Atlas, p. 41...).
A constituição é considerada norma pura. A palavra constituição tem dois
sentidos: lógico-jurídico e jurídico-positivo. De acordo com o primeiro,
constituição significa norma fundamental hipotética, cuja função é servir de
fundamento lógico transcendental da validade da constituição jurídico-positiva,
que equivale à norma positiva suprema, conjunto de normas que regula a
criação de outras normas, lei nacional no seu mais alto grau.
É correto afirmar que essa definição denota um conceito de constituição no
seu sentido jurídico.
Resolução: Correto. Questão bem didática e ilustrativa.

24- (FCC / Procurador do Ministério Público de


Contas / 2015) É necessário falar da Constituição como uma unidade e
conservar, entretanto, um sentido absoluto de Constituição. Ao mesmo tempo,
é preciso não desconhecer a relatividade das distintas leis constitucionais. A
distinção entre Constituição e lei constitucional só é possível, sem dúvida, por
que a essência da Constituição não está contida numa lei ou numa norma. No

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fundo de toda a normatividade reside uma decisão política do titular do poder
constituinte, ou seja, do povo na democracia e do monarca na monarquia
autêntica.
O trecho acima transcrito expressa o conceito de Constituição de:
a) Karl Loewenstein, na obra Teoria da Constituição.
b) Carl Schmitt, na obra Teoria da Constituição.
c) Konrad Hesse, na obra A força normativa da Constituição.
d) Peter Häberle, na obra Hermenêutica constitucional.
e) Ferdinand Lassalle, na obra A essência da Constituição
Resolução: Alternativa B. No trecho supracitado temos o sentido de político
de Constituição, cujo principal expoente foi Carl Schmitt.

Karl Loewenstein é bastante conhecido por seus trabalhos


relacionados aos tipos de Constituição, em especial no que concerne à
classificação das constituições quanto à correspondência com a realidade
social (critério ontológico).
Já Peter Häberle sagrou-se no campo da hermenêutica
(interpretação) constitucional.
É dele a lição de “não existe norma jurídica, senão norma jurídica
interpretada”. Nesse processo de interpretação deve haver necessariamente
uma participação de todos aqueles alcançados pela norma.
Disso deriva a ideia de superação de um modelo fechado de
interpretação, a cargo de um grupo seleto de agentes e órgãos do Estado
(como os magistrados) para o de uma sociedade aberta dos intérpretes da
Constituição, na qual esta seria interpretada de forma pluralista e
democrática. A rigidez constitucional pode assim dar lugar a um modelo mais
permeável, tanto em seu processo de formação, como em seu
desenvolvimento e mutações posteriores.

8- Conteúdo: normas materialmente constitucionais e formalmente


constitucionais

Ao abordamos o conceito de Constituição, quer sob o prisma formal,


quer sob o ponto de vista material, podemos tirar as seguintes conclusões em
relação às normas constitucionais.

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NORMAS MATERIALMENTE NORMAS FORMALMENTE


CONSTITUCIONAIS CONSTITUCIONAIS

• Fator distintivo: qual a qualidade do • Fator distintivo: qual procedimento


conteúdo da norma? legislativo de introdução da norma
no ordenamento jurídico?
• É materialmente constitucional a
norma que versa sobre aspecto • É formalmente constitucional a
nuclear da sociedade em seu norma existente por simples
modus operandi jurídico-positivo manifestação do poder constituinte
(forma de Estado, forma de (originário, revisor ou reformador),
governo, sistema de governo, independentemente do seu teor.
divisão de Poderes etc.).
• Tal critério admite a existência de • Tal critério admite como
normas constitucionais fora do texto constitucionais normas indiferentes
constitucional. ao funcionamento estrutural da
sociedade (ex.: CF/88, art. 242,
§2º, que trata do Colégio Pedro II).

Desde já, considere-se uma afirmativa correta: o Brasil adota o


critério formal na identificação da constitucionalidade de suas normas.
Por exemplo, se o texto constitucional tratar do preço dos automóveis
(seja pelo texto original, seja por mudança oriunda de revisão ou reforma),
então o preço dos automóveis será considerado matéria constitucional.
Se resolver disciplinar regras para a soltura de balões de São João,
então a soltura de balões de São João será matéria constitucional.

Algumas vozes doutrinárias chamam a atenção para o fato de que com


o advento da Emenda Constitucional nº 45 de 2004, seria adequado afirmar
que o Brasil comporta um critério misto, em especial pelo o que dispõe o art.
5º, §3º da Constituição Federal, por ela inserido:
Art. 5º [...] § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos
humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional,
em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros,
serão equivalentes às emendas constitucionais.

Observe-se que o dispositivo condiciona a referida equivalência à matéria


(tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos) e a seu
modo de introdução no ordenamento jurídico (rito de aprovação idêntico
ao das emendas constitucionais).
Ou seja, é constitucional tanto pela forma quanto pelo conteúdo.

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De todo modo, a menos que a banca faça referência específica ao critério
misto, considere-se como mais correto afirmar que o Brasil adota o critério
formal!

25- (CESPE / Técnico do MPU / Área de


Administração / 2013) No que se refere à CF, julgue o item a seguir.
Todas as normas presentes na CF, independentemente de seu conteúdo,
possuem supremacia em relação à lei ordinária, por serem formalmente
constitucionais.
Resolução: Correto. Conciliando o conceito de supremacia da Constituição
(relembrem a pirâmide de Kelsen) e, sabendo que no Brasil se adota o critério
formal de Constituição, temos que, qualquer norma (regra ou princípio)
constitucional será hierarquicamente superior à legislação
infraconstitucional (leis ordinárias, complementares, decretos, resoluções
etc.).

9- Tipos de Constituição

Antes de mais nada, cumpre destacar que não há tipologia mais ou


menos acertada.
As diferentes classificações dizem apenas com perspectivas a partir das
quais a Constituição (para fins didáticos, entenda-se o termo aqui em seu
sentido jurídico) é visualizada.

Adotamos e adaptamos aqui a estrutura de apresentação proposta por


Lenza (2012).

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9.1- Quanto à Origem

Instituídas unilateralmente pelo agente ou classe política


dirigente num movimento de auto contenção/restrição. Não
Outorgadas obtiveram legitimidade por parte do povo.
Ex.: No Brasil, as de 1824, 1937 e 1967.

Instituídas pela via democrática, resultantes de uma


Assembleia Nacional Constituinte eleita e, portanto,
Promulgadas legitimada por parte do povo.
Ex.: No Brasil, as de 1891, 1934, 1946 e 1988.

Semelhantes às outorgadas. No entanto,


Cesaristas referendadas/ratificadas (ação a posteriori) pelo povo.
Também chamadas de bonapartistas.

Se originam do compromisso (instável) de duas forças


Pactuadas políticas rivais ou antagônicas. Surgem como tentativa
institucional de equilibrar essa relação.

Até o hoje o Brasil teve 8 Constituições Federais.


“Ok professor, mas como eu vou lembrar qual foi outorgada e qual foi
promulgada caso a banca pergunte?”

CF brasileiras Se você for contemplado com uma questão


dessas, para lembrar qual vem primeiro pense
1824 ----------> Outorgada
no alfabeto. “O” vem antes do “P”, logo, a
1891 ----------> Promulgada primeira é Outorgada. Lembre-se que ela é a
1934 ----------> Promulgada de 1824 e que a próxima, de 1891, é
promulgada. Na sequência use as dicas
1937 ----------> Outorgada
abaixo:
1946 ----------> Promulgada
- Outorgadas: A primeira é ano par e as
1967 ----------> Outorgada demais ímpar
1969 ----------> Outorgada - Promulgada: A primeira é ano ímpar e as
demais são ano par
1988 ----------> Promulgada

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9.2- Quanto à Forma

Materializadas num documento escrito e único.


Escritas
Ex.: No Brasil, a de 1988.

Materializadas em textos legais diversos e


esparsos, além de se fazerem presentes por meio
Não escritas das convenções sociais, costumes,
(costumeiras) jurisprudência etc.
Ex.: A Constituição da Inglaterra.

9.3- Quanto à Extensão

Consubstanciam princípios fundamentais e


Sintéticas estruturais do Estado, pouco ou nada versando
(concisas, sumárias, sobre pormenores. Tendem a ser mais duradouras e
sucintas) estáveis. Ex.: A Constituição norte-america e a brasileira
de 1981.

Analíticas Consubstanciam, além de elementos estruturantes,


diversas minúcias de índole não essencial ao
(amplas, extensas, funcionamento e à organização do Estado. Ex.: No
volumosas) Brasil, a de 1988 (vide art. 242, §2º).

9.4- Quanto ao Conteúdo

Textos legais que contém as normas essenciais ao


funcionamento e à organização do Estado. O elemento
Materialmente
distintivo é o conteúdo normativo e não necessariamente a
constitucionais
existência de uma Constituição escrita ou outros fatores de
natureza formal. Ex.: No Brasil, a de 1824.

Elemento distintivo é o processo de formação da norma


Formalmente e sua inserção no mundo jurídico por um órgão
constitucionais constituinte (originário ou derivado), independentemente
de seu teor. Ex.: No Brasil, a de 1988.

9.5- Quanto ao Modo de Elaboração

Constituições escritas que são elaboradas racional e


sistematicamente por um órgão constituinte, a partir de
Dogmáticas
ideologias e dogmas previamente concebidos. Ex.: No
Brasil, a de 1988.

Constituições (escritas ou não) elaboradas gradativamente


como reflexo imediato das características peculiares do
Históricas
povo do Estado e sua dinâmica ao longo do tempo. Ex.: A
Constituição da Inglaterra

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9.6- Quanto à Alterabilidade

Imutáveis Pretensamente eternas. Desconsideram a evolução da


(permanentes) sociedade a qual pretendem normatizar.

Parcialmente imodificáveis pelo poder constituinte derivado.


O que as caracteriza é a existência de um núcleo de
Super rígidas matérias impossível de ser modificado (suprimido).
Ex.: Para alguns autores, no Brasil, a de 1988 (vide as
cláusulas pétreas).

Processo de modificação requer um rito legislativo


Rígidas mais solene e moroso. Ex.: No Brasil, a de 1988 (vide
processo legislativo – art. 60 – de emenda à Carta Magna).

Suas normas podem ser alteradas, em parte pelo processo


Semi rígidas legislativo comum e em parte, por processo especial, de
emendamento à Constituição.

Processo de modificação se assemelha àquele das leis


Flexíveis
infraconstitucionais (notadamente, medidas provisórias,
(plásticas)
leis ordinárias, leis complementares e leis delegadas).

9.7- Quanto à Dogmática

Constituições formadas por basicamente uma única corrente


Ortodoxas
ideológica. Ex.: A Constituição soviética de 1977

Constituições formadas por diversas correntes ideológicas.


Ecléticas
Ex.: A brasileira de 1988.

9.8- Quanto à Correspondência com a Realidade (ontologia)

Constituições que, de fato, disciplinam o agir do Estado e


estabelecem em seu sistema estrutural elevada
Normativas correspondência com a realidade social e política. Ex.: A
brasileira de 1988 é (ou para alguns autores, ‘pretende ser’)
normativa.

Constituições que tentam estabelecer critérios limitadores


ao poder político, porém não logram êxito. Estabelecem
Nominalistas
em seu sistema estrutural média correspondência com a
realidade social e política.

Constituições que apenas visam a legitimar as ações dos


agentes ou classes políticas dominantes. Estabelecem
Semânticas
em seu sistema estrutural baixa correspondência com a
realidade social e política.

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9.9- Quanto ao Sistema

Constituições em que predominam princípios. Ex.:


Principiológicas
A brasileira de 1988.

Preceituais Constituições em que predominam regras.

9.10- Quanto à Origem de sua decretação

Constituições decretadas por outro Estado ou


Heterônomas organismo internacional. Ex.: A Constituição
japonesa de 1946.

Constituições decretadas pelo próprio Estado que


Autônomas por ela será regido. Ex.: Todas as Constituições
brasileiras.

9.11- Quanto à Finalidade

Constituições que visam a garantir a proteção dos


Garantia direitos civis e políticos dos cidadãos em face à
(liberais ou potencial arbitrariedade do Estado, numa típica
negativas) atuação negativa deste. Marcam a passagem de um
Estado autoritário para um Estado de Direito.

Constituições que consubstanciam princípios socialistas.


Balanço Marcam a passagem de um Estado de Direito para um
Estado Democrático de Direito.

Dirigentes
Constituições que estabelecem uma diretiva ou projeto
(sociais ou de Estado, numa típica atuação positiva deste.
positivas)

9.12- Resumo da Constituição Federal de 1988

TIPOLOGIA CF/88
Origem Promulgada
Forma Escrita
Extensão Analítica
Conteúdo Formalmente constitucional
Modo de elaboração Dogmática

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Alterabilidade Super rígida / Rígida
Dogmática Eclética
Correspondência com a Pretende ser normativa
realidade (ontologia)
Sistema Principiológica
Origem de sua decretação Autônoma
Finalidade Dirigente

MNEMÔNICO (PRAFED - principais características)


P = Promulgada R = [super]Rígida A = Analítica
F = Formal E = Escrita D = Dogmática

26- (FCC / Técnico Judiciário do TRT da 4ª Região /


2015 / Adaptada) Em relação à sua mutabilidade ou alterabilidade, as
Constituições podem ser classificadas em:
a) flexíveis, rígidas, semirrígidas ou semiflexíveis, e superrígidas.
b) delegadas, outorgadas ou consensuais.
c) analíticas ou sintéticas.
d) escritas, costumeiras ou mistas.
Resolução: Alternativa A. Vejamos os erros.
Alternativa “B” → Classificação quanto à origem
Alternativa “C” → Classificação quanto à extensão
Alternativa “D” → Classificação quanto à forma

27- (FGV / Técnico do MPE – RJ / 2016) Pedro,


estudante de direito, disse ao seu professor que lera, em um livro, que a
Constituição brasileira era classificada como rígida. O professor explicou-lhe
que deve ser classificada como rígida a Constituição que:
a) precise ser observada por todos os que vivam no território do respectivo
País.
b) seja escrita, distinguindo-se, portanto, das Constituições que se formam a
partir do costume.
c) vincule todas as estruturas estatais de poder aos seus comandos.
d) só possa ser reformada mediante um processo legislativo qualificado, mais
complexo que o comum.

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e) não possa ser revogada por outra Constituição, ainda que haja uma
revolução.
Resolução: Alternativa D. A mutabilidade da constitucional diz com as
características do processo legislativo necessário para promover-lhe
alterações, bem como com as normas que poderão ser alteradas. Quanto mais
complexo e restrito for esse processo, maior a rigidez constitucional.
O erro das opções “A” e “C” é que elas em nada dizem com as tipologias
(classificações) constitucionais. A observância da Constituição por toda a
população que viva no território de determinado Estado decorre do fato de ser
ela fundamento de validade normativa de todo o ordenamento, sendo
soberana e cogente para todos seus agentes e instituições internas.
Já a opção “B” erra uma vez que o fato de ser escrita diz com a forma
da Constituição e não com sua alterabilidade.
Por fim, a opção “E” apresenta erro uma vez que, muito embora a
Constituição não preveja sua própria suplantação, é simplesmente um
contrassenso lógico assumir que ela não possa eventualmente ser substituída
por força de revoluções e convulsões sociais de vulto.

28- (CESPE / Juiz Federal TRF da 1ª Região / 2009)


Assinale a opção correta acerca do conceito, da classificação e dos elementos
da constituição.
a) Segundo a doutrina, os elementos orgânicos da constituição são aqueles
que limitam a ação dos poderes estatais, estabelecem as balizas do estado de
direito e consubstanciam o rol dos direitos fundamentais.
b) No sentido sociológico, a constituição seria distinta da lei constitucional,
pois refletiria a decisão política fundamental do titular do poder constituinte,
quanto à estrutura e aos órgãos do Estado, aos direitos individuais e à atuação
democrática, enquanto leis constitucionais seriam todos os demais preceitos
inseridos no documento, destituídos de decisão política fundamental.
c) Na acepção formal, terá natureza constitucional a norma que tenha sido
introduzida na lei maior por meio de procedimento mais dificultoso do que o
estabelecido para as normas infraconstitucionais, desde que seu conteúdo se
refira a regras estruturais do Estado e seus fundamentos.
d) Considerando o conteúdo ideológico das constituições, a vigente
Constituição brasileira é classificada como liberal ou negativa.
e) Quanto à correspondência com a realidade, ou critério ontológico, o
processo de poder, nas constituições normativas, encontra-se de tal modo
disciplinado que as relações políticas e os agentes do poder se subordinam às
determinações de seu conteúdo e do seu controle procedimental.
Resolução: Alternativa E. Questão interessante por revisar diversos pontos
trabalhados até aqui.

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O erro do item “A” é que tais elementos são limitativos e não orgânicos,
conforme sintetiza a lição de José Afonso da Silva. Já o item “B”, descreve o
que seria o conceito político de Constituição (vide Carl Schmitt) e não o
sociológico (vide Ferdinand Lassale).
O item “C” inicia acertadamente, porém erra ao condicionar à acepção
formal ao conteúdo das normas. Nessa tipologia (formal), não interessa o
elemento material do texto normativo.
Por fim, a atual CF/88 é tida como dirigente (sinônimos: social ou
positiva), uma vez que exprime uma atuação de cunho intervencionista do
Estado nas relações sociais, de modo a assegurar a premência dos direitos e
garantias individuais e coletivos, sociais etc.

29- (FGV / Advogado da AL – RO / 2018) O grupo que


tomou o poder, após um golpe de estado, constituiu uma comissão de
notáveis para elaborar um projeto de Constituição, o qual foi submetido à
apreciação popular, tendo a população liberdade para escolher entre as opções
sim e não.
Com a aprovação popular, a nova Constituição entrou em vigor com a edição
de decreto da junta de governo. Para facilitar a atualização do texto
constitucional, foi previsto que parte de suas normas poderia ser alterada com
observância do processo legislativo regular, enquanto a alteração das normas
restantes exigiria um processo legislativo qualificado. A Constituição, além
disso, buscou encampar distintas concepções ideológicas, como a livre
iniciativa e a função social da propriedade. A Constituição acima descrita pode
ser classificada como:
a) revolucionária, semirrígida e ideologicamente neutra.
b) cesarista, semirrígida e compromissória.
c) promulgada, formal e compromissória.
d) liberal-social, outorgada e dirigente.
e) cesarista, flexível e dirigente.
Resolução: Alternativa B.
Quanto à origem, a Constituição em apreço é cesarista, posto que muito
embora não tenha sido criada pela via democrática, mas sim por um grupo
político dominante, foi posteriormente referendadas/ratificadas pelo povo.
Quanto à rigidez, apenas parte de seu conteúdo requer emendamento
pela via legislativa qualificada (com aquiescência de maior número de
parlamentares), podendo haver modificações inclusive da mesma forma
observada para outros diplomas legais comuns, razão pela qual ela é bastante
mitigada.

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Por fim, ela também é tida como compromissória (ou eclética), uma vez
que fundada em diferentes espectros ideológicos, assegurando assim certa
pluralidade de princípios e concepções no ordenamento jurídico.

10- Interpretação constitucional

Uma vez que a Constituição irradia o fundamento de validade do nosso


ordenamento jurídico, é de nuclear importância o trabalho de adequada
interpretação (cuja ciência é a hermenêutica) do seu texto.
A interpretação jurídica nada mais é que a atividade de revelar ou
mesmo “atribuir” sentido ao texto normativo e tudo aquilo que gravita ao seu
redor (como os princípios gerais e os costumes), em especial na resolução de
problemas.
Evidentemente, onde não há margem para dúvidas, não cabe
interpretação. Por exemplo, não há dúvidas que são Poderes da União o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário (art. 2º). Tampouco questiona-se se o
Brasil é ou não uma República Federativa, o que está expresso na Constituição
Federal (art. 1º).

Segundo a lição de Canotilho (1993), a hermenêutica constitucional


dispõe, para esse propósito, de um conjunto de métodos de interpretação
(não são necessariamente mutuamente excludentes, podendo ser
complementares), os quais expomos sinteticamente a seguir, somando ainda
o importante método da comparação constitucional, não abordado
diretamente pelo professor.

No estudo da interpretação jurídica, em especial no nível


infraconstitucional, é de fundamental importância o conceito de cláusula
geral.
Cláusulas gerais são normas com conteúdo aberto, sem significado pré-
determinado, e que também não explicitam de plano suas consequências
jurídicas.
São “folhas em branco” preenchidas mediante atividade criativa dos
juízes, que para tanto recorrem a regras jurídicas e extrajurídicas (ou seja,
para além do direito positivo).

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Um exemplo se encontra no art. 5º, inciso LIV, da Constituição Federal,
que estabelece que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem
o devido processo legal”. Note-se, porém, que o próprio texto não define o
que vem a ser “devido processo legal”, tampouco disciplina todas as
consequências jurídicas do cumprimento/descumprimento do preceito.
Desta forma, as cláusulas gerais possibilitam que o aplicador do direito
crie soluções jurídicas específicas, subsumindo (encaixando) a realidade fática
de cada caso concreto ao sistema normativo, o que confere maior mobilidade
e flexibilidade a todo o ordenamento jurídico.

Não se deve confundir a existência de eventuais “lacunas” na


Constituição Federal, vale dizer, de espaços não normatizados, de situações
jurídicas por ela não previstas e reguladas, nas quais a aplicação dos métodos
e princípios de interpretação constitucional é inevitável à extração do
resultado pretendido pelo constituinte ou mesmo é necessária atuação
legislativa em nível infraconstitucional, com a existência do chamado silêncio
eloquente, ou seja, daquele espaço de atuação no qual o silêncio, por si só,
evidencia uma manifestação, um posicionamento do constituinte.
Havendo silêncio eloquente, obsta-se uma ação interpretativa expansiva
por parte do hermeneuta, bem como uma atuação legislativa do legislador
infraconstitucional, uma vez que o “nada dizer” já demonstra qual a solução
dada pelo constituinte acerca de determinada matéria.
Por exemplo, o art. 29, VIII, da Constituição Federal, assegura aos
Vereadores inviolabilidade por suas opiniões, palavras e votos no exercício do
mandato e na circunscrição do Município. Trata-se, pois, de hipótese de
imunidade material.
No mais, conforme se depreende do texto constitucional, os
parlamentares federais e estaduais, além da imunidade material, também
dispõem de outro tipo de imunidade, a formal, que diz com aspectos
relacionados à prisão e processamento penal.
Nesse ponto, a Constituição Federal, perceba-se, foi silente no trato dos
Vereadores.
Isso significa que o silêncio deve ser interpretado de forma favorável
aos Vereadores, e analogamente entender-se que também lhes é aplicável a
imunidade formal?
Para o STF, não (ADI 371).
Portanto, no que diz com as imunidades dos Vereadores, o silêncio
constitucional foi eloquente no sentido de que eles são dotados de
imunidade material (art. 29, VIII), porém não de imunidade formal.

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10.1- Métodos de interpretação constitucional

"Interpretar a Constituição é interpretar uma lei".


Para tanto, o sentido desta deve ser buscado a partir
dos elementos:
(i) gramatical/textual - análise literal das normas;
JURÍDICO (ii) lógico - análise da lógica entre as normas do
(HERMENÊUTICO sistema;
CLÁSSICO) (iii) histórico - análise da criação e evolução das
normas e do contexto em que estão inseridas;
(iv) teleológico - análise da finalidade das normas;
(v) genético - análise da origem dos conceitos
normativos utilizados pela norma.

Este método considera que a tarefa de interpretação


constitucional deve considerar:
(i) os sistemas de valores subjacentes ao texto
CIENTÍFICO- constitucional;
ESPIRITUAL
(ii) o sentido social e a realidade evolutiva da Lei
Maior.
A Constituição é, portanto, dinâmica.

Método caracterizado pelo caráter prático da


interpretação.
TÓPICO- Sentido interpretativo:
PROBLEMÁTICO
CASO CONCRETO → NORMA
(mais específico para o mais geral)

Método caracterizado pelo grande peso das pré-


compreensões do intérprete e de sua mediação
entre a norma e o caso concreto.
HERMENÊUTICO-
CONCRETIZADOR Sentido interpretativo:
NORMA (pré-compreendida) → CASO CONCRETO
(mais geral para o mais específico)

O método tópico-problemático (ou da tópica) parte do princípio que


as normas constitucionais são indeterminadas (genéricas e abstratas) e
fragmentadas (não cobrem todos os fatos da realidade). Assim, para sua
aplicação, o intérprete deve partir de um exercício prático, no qual a discussão
do fato específico se sobrepõe à discussão da norma em si. Uma vez
delimitado o fato, o intérprete seleciona critérios, regras e princípios para a
sua solução adequada. Neste método, o problema “prevalece” sobre a norma.

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O traço distintivo é que o intérprete parte de um caso concreto e então
“busca” no ordenamento jurídico a norma que sobre ele deve ser aplicada, a
fim de obter o resultado mais razoável/justo.

Por sua vez, o método hermenêutico-concretizador também entende


que as normas constitucionais são indeterminadas e fragmentadas, porém, a
natureza subjetiva do intérprete lhe confere uma pré-compreensão acerca da
norma a ser interpretada. Assim, para sua aplicação cabe ao intérprete mais
concretizá-las (torna-las aplicáveis no mundo real) do que simplesmente
interpretá-las. Neste método, a norma prevalece sobre o problema.
É um pouco mais aberto e conceitual. Nele, não se parte de um caso
concreto, mas de um exercício de raciocínio lógico-jurídico abstrato. Com base
nesse método, subentende-se que as normas constitucionais escritas são
apenas parte do ordenamento, existindo toda uma série de facetas implícitas.
O intérprete, assim, realiza esse exercício de raciocínio a fim de
descobrir outras possibilidades de aplicação das normas. De certa forma, é um
exercício interpretativo ampliativo. Ele é dito normativo-estruturante pois o
intérprete estrutura (constrói/amplia) o arcabouço normativo.

Método caracterizado pela compreensão de que o


texo da norma positivada é apenas a ponta do
NORMATIVO- iceberg normativo. O interpréte (legislador,
ESTRUTURANTE administrador, julgador) deverá captar a realidade
social e concretizar uma aplicação prática das
normas.

Método caracterizado por se valer da confrontação


COMPARAÇÃO de diversas Constituições, seja no âmbito
CONSTITUCIONAL externo (Constituições de outros países), seja no
âmbito interno (histórico de Constituições do País).

Paralelamente aos métodos de interpretação constitucional temos –


partindo de uma postura hermenêutico-concretizadora – um rol de princípios
de interpretação, os quais, grosso modo, facilitam a “operacionalização” do
trabalho do exegeta (aquele encarregado da extração e contextualização do
sentido mais real e puro pretendido pela norma).
É por meio de tais princípios que a praxis (prática) jurídica articula a
aplicação do Direito Constitucional no mundo real.
Canotilho os estrutura como será descrito a seguir.

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Somamos, ainda, os cada vez mais recorrentes no âmbito doutrinário,
princípios da proporcionalidade e da razoabilidade (frequentemente tratados
como sinônimos).

10.2- Princípios de interpretação constitucional

Os princípios de interpretação são comandos, diretrizes, vetores gerais


de otimização nesta tarefa.

A Constituição deve ser interpretada como um


UNIDADE DA todo harmônico. Os conflitos entre normas são
CONSTITUIÇÃO apenas aparentes e devem ser sanados de modo a
evitar a existência persistente de contradições.

Princípio complementar ao supracitado. Implica em


EFEITO interpretar a Constituição adotando os critérios e
INTEGRADOR resoluções que contribuam para maior
integração e coesão política e social.

É um princípio que visa a atribuir às normas


constitucionais a maior eficácia possível,
MÁXIMA
extraindo o máximo de seus efeitos potenciais.
EFETIVIDADE
Especialmente aplicável quando da interpretação dos
direitos e garantias fundamentais.

É um princípio que visa a evitar que o intérprete


constitucional fragilize e subverta a estrutura
JUSTEZA/
organizativa estabelecida pelo poder
CONFORMIDADE
constituinte. Especialmente aplicável nos momentos
FUNCIONAL de crise institucional e conflito aparente de
competências.

Havendo conflito aparente de normas


(especialmente princípios), a solução deve ser
CONCORDÂNCIA buscada de modo a evitar o sacrifício total de um
PRÁTICA / deles. Especialmente aplicável em relação aos
HARMONIZAÇÃO direitos fundamentais, por exemplo, quando a
liberdade de ação/expressão de um indivíduo entra
em choque com a de outro ou da coletividade.

Princípio idealizado por Konrad Hesse, estatui que o


ânimo da Constituição deve ser o de materializar e
cristalizar no mundo real a razão normativa que
FORÇA
lhe é própria, de tal modo que a consciência sócio-
NORMATIVA
política e jurídica da sociedade seja moldada (e,
reciprocamente, molde) a Constituição enquanto
sistema de referência.

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Princípio que condiciona o plano jurídico-


positivo, conduzindo ideais como equidade,
ponderação, justiça, moderação. Pode ser
destrinchado em três elementos:
PROPORCIONALIDADE
/ RAZOABILIDADE Adequação (eficácia do meio)
Necessidade (escolha do melhor meio)
Proporcionalidade estrita (equilíbrio entre
meios e fins)

30- (FGV / Procurador da Assembleia Legislativa –


MT / 2013 / Adaptada) Julgue o item a seguir.
O princípio da eficácia integradora orienta o aplicador da Constituição no
sentido de dar preferência àqueles critérios ou pontos de vista que favoreçam
a integração social e a unidade política.
Resolução: Correto. Este princípio orienta o aplicador da Constituição no
sentido de que ao estabelecer soluções para os problemas jurídicos-
constitucionais, dê preferência àqueles critérios que favoreçam a integração
social e a unidade política, uma vez que toda Constituição necessita produzir e
manter a coesão sociopolítica.

31- (IBFC / Analista Judiciário do TRE – AM / 2014)


“A Constituição deve ser sempre interpretada em sua globalidade como um
todo e, assim, as aparentes antinomias deverão ser afastadas.”
O enunciado se refere ao princípio de interpretação constitucional:
a) Da Máxima Efetividade.
b) Da Unidade da Constituição.
c) Do Efeito Integrador.
d) Da Harmonização.
Resolução: Alternativa B.
Antinomias são as disparidades e conflitos (reais ou aparentes) entre as
normas. No caso em análise, a Unidade da Constituição é o princípio
interpretativo que visa a resolvê-las ao mesmo tempo em que enxerga a
Constituição como um sistema harmônico.

Em suma:

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MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO
Normativo Estruturante Unidade da Constituição
Científico Espiritual Concordância Prática ou
Harmonização
Hermenêutico Concretizador Efeito Integrador
Jurídico Justeza ou Conformidade Funcional
Tópico Problemático Força Normativa da Constituição
Máxima Efetividade
Proporcionalidade e Razoabilidade

10.3- Princípio da interpretação das leis em conformidade com a


Constituição

Este princípio (para alguns é um método) tem tido tanta relevância que
optamos por destacá-lo aqui.
Aplicado nos casos em que a interpretação de uma mesma norma
pode produzir significados diversos (normas polissêmicas). O intuito é
conduzir a interpretação desta ao sentido mais compatível com o texto
constitucional, afastando-a dos vieses inconstitucionais e conservando-a
no sistema normativo.
Ou seja, sempre que uma norma jurídica comportar mais de um
significado possível, deve o intérprete optar por aquele que melhor realize o
espírito da Constituição, rejeitando as exegeses (entendimentos,
interpretações) contrárias aos preceitos constitucionais.
Outra inferência que podemos fazer é que a interpretação conforme não
é utilizável quando a norma impugnada admite sentido unívoco.
Esta técnica pode ser com redução de texto ou sem redução de
texto.
Atente-se para o fato de que tal princípio apresenta alguns limites:
(i) o intérprete não pode ignorar ou corromper o texto literal e o
significado mais plausível da norma;
(ii) o intérprete não pode estender a interpretação para além dos
limites do conteúdo legal, atuando como legislador.

Por exemplo, o antigo artigo 1.723 do Código Civil assim dispunha:


“É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a

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mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e
estabelecida com o objetivo de constituição de família”.
Perceba-se que a norma era silente quanto à união homoafetiva (e
também não a vedava expressamente). Assim, poder-se-ia fazer duas
interpretações: (i) a união estável seria destinada apenas para um homem e
uma mulher; ou, (ii) o disposto no Código Civil não vedaria a união estável
entre dois homens ou duas mulheres.
Ocorre que muitos órgãos públicos se valiam do referido dispositivo para
negarem o direito da união estável a casais homossexuais. Faziam a primeira
interpretação, portanto.
A questão foi levada ao STF por meio da Arguição de Descumprimento
de Preceito Fundamental nº 132, interposta pelo então governador do Rio de
Janeiro.
Ao analisar o tema (vale a pena conferir todo o teor da decisão), a
nossa Suprema Corte, dentre outros elementos, considerou que:
De acordo com o princípio da igualdade: o legislador e o intérprete
não podem conferir tratamento diferenciado a pessoas e a situações
substancialmente iguais, sendo-lhes constitucionalmente vedadas quaisquer
diferenciações baseadas na origem, no gênero e na cor da pele (inciso IV do
art. 3º, da CF/88).
De acordo com o princípio da liberdade: a autonomia privada em sua
dimensão existencial manifesta-se na possibilidade de orientar-se sexualmente
e em todos os desdobramentos decorrentes de tal orientação (art. 5º, caput,
da CF/88).
De acordo com o princípio da dignidade da pessoa humana (art. 1º,
III, da CF/88): todos os projetos pessoais e coletivos de vida, quando
razoáveis, são merecedores de respeito, consideração e reconhecimento por
parte do Estado.
De acordo com o princípio da segurança jurídica: a incerteza quanto
ao reconhecimento da união homoafetiva e suas consequências jurídicas
acarretava insegurança jurídica tanto para os partícipes da relação
homoafetiva, quanto para a própria sociedade.
De acordo com o princípio da razoabilidade ou da
proporcionalidade: a imposição de restrições só poderia ser justificada por
normas jurídicas da mesma hierarquia (que o Código Civil). Caso contrário,
estar-se-ia diante de um mero preconceito ou de um autoritarismo moral.
Assim, o STF, fazendo a interpretação do então vigente artigo 1.723 do
Código Civil, conforme as regras e princípios constitucionais, afastou o
entendimento que a união estável seria destinada apenas para um homem e
uma mulher, um dos sentidos possíveis da norma.

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32- (IBFC / Titular de Serviços de Notas e de


Registros TJ – PR / 2014) Assinale a alternativa correta sobre a
interpretação das normas constitucionais:
a) As normas constitucionais não admitem interpretação.
b) A técnica denominada interpretação conforme somente pode ser utilizada
quando a norma infraconstitucional admite, dentre várias interpretações
possíveis, uma que seja compatível com a Carta Magna.
c) As normas infraconstitucionais têm presunção de inconstitucionalidade.
d) O Supremo Tribunal Federal não admite a técnica denominada
interpretação conforme.
Resolução: Alternativa B.
A alternativa “A” é do tipo evidentemente errada... Ao contrário do que
afirma, as normas constitucionais podem e devem ser interpretadas à luz da
situação real ao qual se deseja que sejam aplicadas.
A opção “C” também erra por léguas. Normas infraconstitucionais são
simplesmente aquelas “abaixo da Constituição” em termos de hierarquia. São,
por exemplo, as leis complementares e ordinárias, as medidas provisórias, os
decretos e resoluções, dentre outras espécies. E, ao contrário do que aduz o
enunciado, têm presunção de legalidade e legitimidade e não de
inconstitucionalidade (vício por afronta à Constituição).
Por fim, a “D” erra pelo simples motivo que o STF não apenas admite a
interpretação conforme como já a utilizou em diversas oportunidades.

33- (FCC / Auditor do TCE – SP / 2008) Por força da


Emenda Constitucional nº 52, de 8 de março de 2006, foi dada nova redação
ao § 1º do artigo 17 da Constituição da República, estabelecendo-se inexistir
obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas dos partidos políticos em
âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal. Referido dispositivo foi objeto
de impugnação por meio de ação direta de inconstitucionalidade, ao final
julgada procedente, pelo Supremo Tribunal Federal, para o fim de declarar que
a alteração promovida pela referida emenda constitucional somente fosse
aplicada após decorrido um ano da data de sua vigência (ADI 3685-DF, Rel.
Min. Ellen Gracie, publ. DJU de 10 ago. 2006).
Na hipótese relatada, o Supremo Tribunal Federal procedeu à:
a) interpretação, conforme a Constituição, sem redução de texto normativo.
b) declaração parcial de inconstitucionalidade, com redução de texto
normativo.
c) declaração total de inconstitucionalidade, com redução de texto normativo.
d) interpretação, conforme a Constituição, com redução de texto normativo.

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e) declaração de situação de norma ainda constitucional.
Resolução: Alternativa A.
Mesmo que o candidato desconhecesse a ADI, com os dados do
enunciado é possível observar que a decisão do STF se limitou a apontar a
qualidade temporal da produção de efeitos da norma: ela seria aplicável ou
não às eleições em curso naquele ano? Descartamos assim as alternativas “B”,
“C” e “D”.
As ações da Suprema Corte se deram basicamente no sentido de afastar
um dos possíveis sentidos da EC 52/2006. Note-se que a interpretação
conforme é princípio aplicável às denominadas normas polissêmicas (que
admitem diversos sentidos interpretativos).

34- (FGV / Juiz Estadual – AM / 2013) A respeito


dos métodos de aplicação e interpretação da Constituição, assinale a
afirmativa incorreta.
a) A ponderação consiste na técnica jurídica de solução de conflitos
normativos que envolvem valores ou opções políticas em tensão, insuperáveis
pelas formas hermenêuticas tradicionais.
b) A interpretação conforme a Constituição é uma técnica aplicável quando,
entre interpretações plausíveis e alternativas de certo enunciado normativo,
exista alguma que permita compatibilizá‐la com a Constituição.
c) O princípio da concordância prática consiste numa recomendação para que
o aplicador das normas constitucionais, em se deparando com situações de
concorrência entre bens constitucionalmente protegidos, adote a solução que
otimize a realização de todos eles, mas ao mesmo tempo não acarrete a
negação de nenhum.
d) A aplicação do princípio da proporcionalidade esgota‐se em duas etapas: a
primeira, denominada “necessidade ou exigibilidade”, que impõe a verificação
da inexistência do meio menos gravoso para o atingimento dos fins visados
pela norma jurídica, e a segunda, chamada “proporcionalidade em sentido
estrito”, que é a ponderação entre o ônus imposto e o benefício trazido, para
constatar se é justificável a interferência na esfera dos direitos dos cidadãos.
e) O princípio da eficácia integradora orienta o intérprete a dar preferência
aos critérios e pontos de vista que favoreçam a integração social e a unidade
política, ao fundamento de que toda Constituição necessita produzir e manter
a coesão sociopolítico, pré‐requisito de viabilidade de qualquer sistema
jurídico.
Resolução: Alternativa D. O problema é que a questão ignora a adequação
(eficácia do meio) como etapa.
Assim, na aplicação do princípio da proporcionalidade deve-se percorrer
não apenas duas etapas, mas três.

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35- (FGV / Auditor Fiscal Tributário da Receita


Municipal de Cuiabá / 2015) Analise o fragmento a seguir.
“Sempre que uma norma jurídica comportar mais de um significado possível,
deve o intérprete optar por aquele que melhor realize o espírito da
Constituição, rejeitando as exegeses contrárias aos preceitos constitucionais.”
Assinale a opção que indica o princípio de interpretação constitucional a que o
fragmento se refere.
a) Princípio da Unidade da Constituição.
b) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição.
c) Princípio da Supremacia da Constituição.
d) Princípio da Força Normativa da Constituição.
e) Princípio da Concordância Prática.
Resolução: Alternativa B. Por todo o exposto acima, ficou mais fácil acertar
agora, concordam?

11- Poder constituinte: emenda, reforma e revisão constitucional

Vencida a questão da hermenêutica constitucional, vamos estudar o que


é o conceito de poder constituinte (aquele que, de alguma forma, cria ou
promove mudanças na Constituição).

O poder constituinte originário é uma força pré-jurídica, social e


política, um poder de fato, de 1º grau, que, conforme expõem Mendes e
Branco (2010), é consciente de si e disciplina as bases da convivência na
comunidade política.
Dele deriva o poder constituinte derivado (revisor, decorrente ou
reformador), verdadeira força pós-jurídica (uma vez que nasce do Direito já
estruturalmente constituído, e não antes dele), de 2º grau.
Ao lado desses dois poderes, traremos à análise mais um “poder”, qual
seja, o poder constituinte difuso.
Por razões didáticas, assumiremos tal nomenclatura. Contudo,
ressaltem-se também corretas as assertivas que o classificam primariamente
como simples fenômeno interpretativo.

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Poder Constituinte

Originário Derivado Difuso (mutação)

Revisor (esgotado)

Decorrente (CE dos Estados e LO do DF)

Reformador (Emendas à Constituição)

Alguns autores falam ainda em um poder constituinte supranacional,


que seria identificado especialmente a partir do esforço global de assegurar
direitos e garantias fundamentais mínimos em todos os Estados.
Assim, haveria uma tendência de deslocamento do
(neo)constitucionalismo local para um transconstitucionalismo.
De todo modo, entendemos que ao menos por ora:
(i) não há verdadeiramente uma Constituição comunitária que intervenha
substancialmente no plano interno; e
(ii) essa atuação em escala mundial não repercute diretamente sobre nossa
Constituição Federal a ponto de promover mudanças equiparáveis àquelas dos
poderes originário, derivado e difuso.

11.1- Poder constituinte originário

Este poder é aquele que pode estabelecer uma nova ordem jurídica
constitucional. Assim, pode modificar todo o ordenamento jurídico do Estado
em sua essência, rompendo com a ordem anterior.
Alguns autores fazem ainda a seguinte distinção:

Poder Constituinte Originário Histórico: é aquele que estabelece a


primeira Constituição do Estado, que o estrutura pela primeira vez.
Poder Constituinte Originário Revolucionário: é todo aquele posterior ao
poder originário histórico. Por exemplo, o poder originário que deu origem à
Constituição de 1988.

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Temos como características centrais desse poder:

Inicial → precede a ordem jurídica. O Direito do Estado


começa a partir dele e não antes.

Ilimitado → O Direito porventura anterior (conjunto


normativo do Estado anterior) não lhe serve de molde.
É livre para criar e inovar o ordenamento.
O poder OBS.: por outro lado, valores suprapositivos (religiosos
constituinte e éticos, por exemplo) que inspiram a nação,
originário certamente lhe servem como parâmetro.
(de 1º grau) é:
Incondicionado → é um poder político, uma força
social pré-jurídica.

Permanente → não se esgota após editada e outorgada


ou promulgada a Constituição. Pelo contrário, é latente
ao longo da existência do Estado.

A ilimitação do poder originário deve ser vista de forma relativizada.


Com efeito, do ponto de vista jurídico, no processo de elaboração da
Constituição o poder originário inaugura um novo ordenamento jurídico, não
se subordinando a qualquer norma jurídica do ordenamento anterior.
Todavia, do ponto de vista político e social, o poder originário
encontra limitações nos valores e regras não jurídicas da sociedade na qual se
insere.
Conforme expõem Mendes e Branco (2010), “se o poder constituinte é a
expressão da vontade política da nação, não pode ser entendido sem a
referência aos valores éticos, religiosos, culturais que informam essa mesma
nação e que motivam as suas ações”.
Por esse motivo, se os representantes do poder constituinte originário
hostilizarem os valores sociais dominantes, podem não ser reconhecidos como
manifestação de tal poder.

36- (FCC / Especialista em Políticas Públicas – SP /


2009) O Poder Constituinte denominado originário:
a) consubstancia manifestação do poder soberano do Estado, não sofrendo
limitações de natureza jurídica no plano interno.

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b) tem como características a precariedade e a informalidade, servindo
apenas para a estruturação do Poder Constituinte derivado.
c) não existe em Estados federativos, porquanto as Constituições dos Estados-
membros estão adstritas às limitações estabelecidas na Constituição federal.
d) somente se manifesta por meio de Assembleia Constituinte, eleita de
acordo com os princípios democráticos.
e) pode se manifestar por meio de emendas pontuais ou mediante ampla
revisão da Constituição preexistente.
Resolução: Opção A.
Os itens “B” e “E” são do tipo “totalmente errados”. O primeiro descreve
o oposto do que é o poder originário. O segundo descreve o poder derivado. O
item “C” peca ao delimitar a existência do poder originário à forma de Estado.
Na verdade, o poder de 1º grau será a base do Estado, regulando sua forma,
a forma e o regime de governo e outros aspectos orgânicos.
Já o “D” erra já que o poder originário também pode se manifestar em
situações não tão democráticas, sem promulgação de Constituição mas, por
exemplo, com outorga.

37- (CESPE / Advogado da União / 2015) Julgue o


item a seguir, relativo a normas constitucionais, hermenêutica constitucional e
poder constituinte.
Diferentemente do poder constituinte derivado, que tem natureza jurídica, o
poder constituinte originário constitui-se como um poder, de fato, inicial, que
instaura uma nova ordem jurídica, mas que, apesar de ser ilimitado
juridicamente, encontra limites nos valores que informam a sociedade.
Resolução: Correto. Ou seja, do ponto de vista jurídico, o poder originário
seria ilimitado. Porém, do ponto de vista metajurídico (para além do Direito),
não.

Abrimos um breve parêntese para expor alguns tópicos correlatos ao


nosso tema central.

a) Recepção
A pergunta inevitável é: o advento de uma nova Constituição implica na
revogação de todas as normas infraconstitucionais (hierarquicamente, abaixo

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da Constituição, como as leis ordinárias e complementares, decretos e leis
delegadas) da ordem anterior?
Não necessariamente.
Nessa situação, podemos ter dois casos:

Norma infraconstitucional

Compatível com a Incompatível com a


nova Constituição? nova Constituição?

Será recepcionada (explícita ou Será revogada por ausência


tacitamente, total ou de recepção
parcialmente)

A norma recepcionada pode, inclusive, adquirir novo status. Exemplo


clássico é o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966). Editado com
quórum de lei ordinária, o Código foi recepcionado pela ordem inaugurada com
a CF/88 com status de lei complementar, versando sobre tema que a
Constituição atual reserva a esta espécie legal.
Art. 146. Cabe à lei complementar: [...]
III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária,
especialmente sobre:
a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos
impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos
geradores, bases de cálculo e contribuintes;
b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;
[...]

Ou seja, o Código apresenta compatibilidade material (de conteúdo),


porém não formal (de observância estrita ao processo legislativo).
O CTN é elucidativo por dois aspectos.

Primeiro, nem todos os seus artigos foram recepcionados, o que reitera


que a recepção pode ser parcial. Exemplo é seu art. 15, III:
(CTN) Art. 15. Somente a União, nos seguintes casos excepcionais,
pode instituir empréstimos compulsórios:

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I - guerra externa, ou sua iminência;
II - calamidade pública que exija auxílio federal impossível de atender
com os recursos orçamentários disponíveis;
III - conjuntura que exija a absorção temporária de poder aquisitivo
[não recepcionado].

Ora, o Sistema Tributário Nacional expresso na CF/88 não admite mais


tal situação como ensejadora de instituição de empréstimos compulsórios!

Em segundo lugar, vale fazer uma importante distinção:


Recepção de norma com status infraconstitucional → Pode ser tácita
Recepção de norma com status constitucional → Deve ser expressa

No caso do CTN, a recepção foi expressa, como dispõe o ADCT:


Art. 34. O sistema tributário nacional entrará em vigor a partir do
primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição,
mantido, até então, o da Constituição de 1967, com a redação dada
pela Emenda nº 1, de 1969, e pelas posteriores. [...]
§ 5º - Vigente o novo sistema tributário nacional, fica assegurada a
aplicação da legislação anterior, no que não seja incompatível com ele
[...].

necessidade de que ela seja constitucional no


ordenamento anterior

apresentar compatibilidade formal e material


com a Constituição em que fora editada
Requisitos para
recepção da norma
necessidade de que ela esteja em vigor quando da
superveniência da nova Constituição

apresentar compatibilidade material com a


Constituição pela qual é recepcionada

(1) A posição esposada pelo STF é que, não havendo compatibilidade material
da norma anterior com a nova Constituição, teremos um caso de revogação

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e não de inconstitucionalidade superveniente (ADI 02/DF). Voltaremos a
este conceito posteriormente.
(2) Mesmo espécie normativa “extinta” pode ser recepcionada pela nova Carta
Magna. Exemplo clássico são os “decretos-lei”. Não é mais possível a criação
de tais decretos. No entanto, vários continuam em plena vigência.

b) Repristinação (e efeito repristinatório)


Imagine-se o seguinte esquema:

Constituição C
Constituição B
Constituição A (Norma X é
(revoga efetivamente
Norma X compatível e poderia
toda a Constituição A)
ser recepcionada)

Pois bem. O Brasil adotou como regra a impossibilidade da


repristinação, que seria a restauração de norma revogada pelo fato da
norma revogadora ter perdido a vigência, exceto se a nova Carta assim
dispuser (o poder constituinte originário é ilimitado, estabelece o que quiser).
Assim dispõe a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro:
Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que
outra a modifique ou revogue. [...]
§ 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura
por ter a lei revogadora perdido a vigência.

Por outro lado, o efeito repristinatório é um fenômeno observado no


controle de constitucionalidade. Ilustremos:

Norma B Norma B é declarada


inconstitucional e a
Norma A (revoga aparentemente Norma A "recupera"
a Norma A) sua vigência

Observe-se que a revogação é somente aparente.

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A norma B sendo declarada inconstitucional será considerada nula desde
a origem (salvo modulação dos efeitos da decisão) e seus efeitos, inexistentes.

c) Desconstitucionalização

A desconstitucionalização seria o fenômeno por meio do qual as normas


constitucionais da Constituição anterior, compatíveis com a nova Constituição,
seriam por ela recepcionadas. Contudo, tais normas seriam “rebaixadas” à
categoria de leis infraconstitucionais (leis comuns que compõe o ordenamento,
hierarquicamente abaixo da Constituição).

Constituição B
Constituição A Constituição B
Norma X (status de
Norma X (status de (não revoga a norma
norma
norma constitucional) X)
infraconstitucional)

Pois bem.
A menos que haja disposição expressa da nova Constituição
vigente, tal fenômeno não ocorrerá de forma automática.
O único modo de ocorrer tal desconstitucionalização seria por previsão
do poder constituinte originário, que é ilimitado e incondicionado.

Interessante questão que pode emergir diz com a relação entre o


poder originário e o direito adquirido.
Diz-se que direito adquirido é aquele incorporado ao patrimônio jurídico
de determinado titular.
Se, por exemplo, num contexto de absoluta legalidade, eu sou herdeiro
de determinada pessoa que veio a óbito, tenho direito adquirido à herança.
Se cumpri todos os requisitos constitucionais e legais para me
aposentar, tenho direito adquirido à aposentadoria. E, após aposentado, não
posso ser forçosamente “desaposentado” por uma eventual mudança da
norma.

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Dito isso, o que ocorrem com os direitos adquiridos com o advento de
uma nova Constituição Federal?
Sabendo que, de regra, a lei somente alcança fatos ocorridos após sua
vigência, uma norma de Constituição nova, que disponha de forma diversa da
anterior sobre determinada situação jurídica, pode retroagir (alcançar fatos
pretéritos) e prejudicar direito adquirido?
Para responder, vejamos algumas questões.

Seguindo os ensinamentos do STF (ADI 493 e outras), as leis podem


apresentar três graus de retroatividade:

Retroatividade da lei

Máxima Média Mínima

A lei nova alcança os


efeitos pendentes de
situações e relações
jurídicas outrora
reguladas por outra lei. A lei nova não alcança
Ex.: em um contrato, a situações e relações
A lei nova alcança lei disciplinava que o não jurídicas já consumadas
situações e relações cumprimento de ou pendentes, mas
jurídicas já consumadas, obrigação sujeitava o apenas eventuais efeitos
inclusive a coisa julgada. inadimplente à multa de decorrentes delas e que
20% sobre o valor do são posteriores a sua
objeto contratado. Antes vigência.
de o devedor pagar a
multa, sobreveio lei nova
estabelecendo multa de
10%.

Nesse mister, o STF já decidiu que:

A norma constitucional tem


retroatividade mínima.
Trata-se de regra relativa
REGRA para a Constituição Federal
e absoluta para as
Constituições Estaduais e Lei
RETROATIVIDADE Orgânica do DF.
de norma
constitucional
Se houver disposição
expressa, a norma
EXCEÇÃO constitucional (CF) pode ter
retroatividade média ou
máxima.

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Portanto, respondendo o questionamento, de regra, o direito adquirido
não será prejudicado.
Contudo, excepcionalmente (embora não seja comum), se houver
disposição expressa nesse sentido, é possível que o constituinte originário, que
é ilimitado e incondicionado, estabeleça norma que retroaja de forma máxima
e modifique situações e relações jurídicas já sedimentadas, inclusive direito
adquirido.

Avancemos.

11.2- Poder constituinte derivado

O poder constituinte derivado tem essa denominação pois deriva do


efeito criador do poder constituinte originário.
Suas características são:

Constituído → criado pelo poder constituinte


originário.
O poder
constituinte Limitado → deve observância aos critérios materiais,
derivado formais, temporais elencados pelo poder de 1º grau.
(de 2º grau) é:

Condicionado → sua manifestação é limitada aos ritos


processuais delineados pelo poder originário.

Tal poder desdobra-se em três eixos de competência.

11.2.1 - Poder constituinte derivado revisor


Quando da promulgação da Carta de 1988, assim dispôs o ADCT:
Art. 3º. A revisão constitucional será realizada após cinco anos,
contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria
absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão
unicameral.

Observe-se que a revisão constitucional fora bem mais flexível que o


rito para aprovação de emendas constitucionais (que exige discussão e
aprovação em ambas Casas do Congresso Nacional, com quórum de três
quintos dos votos dos parlamentares).

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De todo modo, como resultado, tivemos a aprovação de 6 emendas de
revisão.
Atualmente, a eficácia de tal poder encontra-se exaurida, ou seja,
não pode mais ser exercida a revisão constitucional nos termos acima.

É pacífico no STF (ADI 1.722 MC) que ao Poder Legislativo, federal e


estadual, não está aberta a via da (re)introdução, no cenário jurídico, do
instituto da revisão constitucional.

11.2.2 - Poder constituinte derivado reformador


Este é o poder que se manifesta por meio das emendas à
Constituição.
O rito processual encontra-se disposto no art. 60 da CF/88.
Adiantamos que os elementos relativos às emendas à Constituição
(iniciativa, rito, limitações etc.) são detidamente estudados no tópico do
processo legislativo:

Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:


I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou
do Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de
seus membros.
§ 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência de
intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.
§ 2º - A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em
ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.
§ 3º - A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número
de ordem.
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a
abolir:
I - a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;

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III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.
§ 5º - A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida
por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão
legislativa.

11.2.3 - Poder constituinte derivado decorrente


É o poder que se manifesta na elaboração das Constituições
Estaduais e da Lei Orgânica do Distrito Federal.
De acordo com o STF:
O poder constituinte outorgado aos Estados-membros sofre as
limitações jurídicas impostas pela CR. Os Estados-membros organizam-
se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem (CF, art. 25),
submetendo-se, no entanto, quanto ao exercício dessa prerrogativa
institucional (essencialmente limitada em sua extensão), aos
condicionamentos normativos impostos pela CF, pois é nessa que reside
o núcleo de emanação (e de restrição) que informa e dá substância ao
poder constituinte decorrente que a Lei Fundamental da República
confere a essas unidades regionais da Federação. (ADI 507, rel. min.
Celso de Mello, j. 14-2-1996, P, DJ de 8-8-2003.)

As Leis Orgânicas dos Municípios não são fruto do poder constituinte


derivado decorrente. Seu fundamento imediato de validade são as
Constituições Estaduais e não a Constituição Federal. Representam, assim, um
poder de terceiro grau.
Esse é o entendimento doutrinário e jurisprudencial majoritário.

38- (FCC / Defensor Público Estadual – MA / 2015)


No âmbito da teoria do poder constituinte, considera-se que o poder de
aprovar emendas às constituições estaduais:
a) não configura exercício de poder constituinte derivado ou instituído.
b) cabe ser definido no âmbito das Constituições Estaduais, constituindo o
único instrumento pelo qual se admite promover modificações no regime
constitucional estadual em vigor.
c) configura exercício de poder constituinte decorrente de segundo grau, pois
deve observar, como regra geral, as limitações materiais impostas ao poder

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constituinte decorrente inicial, além daquelas estatuídas pela própria
Constituição Estadual.
d) sujeita-se apenas a limites formais e circunstanciais.
e) fica sujeito, em virtude do princípio da simetria, apenas às limitações
formais e materiais impostas ao poder de reforma da Constituição Federal.
Resolução: Alternativa C.
a) não configura exercício de poder constituinte derivado ou instituído.
b) cabe ser definido no âmbito das Constituições Estaduais, constituindo o
único instrumento pelo qual se admite promover modificações no regime
constitucional estadual em vigor. O regime também pode ser alterado por
mudanças na Constituição Federal, além daquelas decorrentes do poder
difuso.
d) sujeita-se apenas a limites formais e circunstanciais e materiais
e) fica sujeito, em virtude do princípio da simetria, apenas às limitações
formais e materiais impostas ao poder de reforma da Constituição Federal
além daquelas disciplinadas pela própria Constituição Estadual.

39- (FCC / Defensor Público – RS / 2011) No que se


refere ao Poder Constituinte, é incorreto afirmar:
a) O Poder Constituinte genuíno estabelece a Constituição de um novo Estado,
organizando-o e criando os poderes que o regerão.
b) Existe Poder Constituinte na elaboração de qualquer Constituição, seja ela
a primeira Constituição de um país, seja na elaboração de qualquer
Constituição posterior.
c) O Poder Constituinte derivado decorre de uma regra jurídica constitucional,
é ilimitado, subordinado e condicionado.
d) Quando os Estados-Federados, em razão de sua autonomia político-
administrativa e respeitando as regras estabelecidas na Constituição Federal,
auto-organizam- se por meio de suas constituições estaduais estão
exercitando o chamado Poder Constituinte derivado decorrente.
e) Para parte da doutrina, a titularidade do Poder Constituinte pertence ao
povo, que, entretanto, não detém a titularidade do exercício do poder.
Resolução: Alternativa C. O Poder Constituinte Derivado é limitado.
Uma observação pertinente: como vimos, os Municípios não são
alcançados pelo Poder Constituinte derivado decorrente. Uma vez que, por
outro lado, os Estados e o DF estão alcançados por tal poder, existe disposição
literal na CF/88 para esse alcance?
A resposta é não. Não existe disposição constitucional expressa para os
Estados-membros, DF, nem para os Municípios, de todo modo, destaque-se

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que, conforme a teoria do Direito Constitucional, o poder derivado decorrente
alcança apenas as Constituições Estaduais e Lei Orgânica do DF. Trata-se de
uma construção mais lógico-teórica que literal na redação constitucional.

11.3- Poder constituinte difuso

É o poder que se manifesta no fenômeno das mutações constitucionais.


Diferentemente dos poderes revisor e reformador (mutação formal),
aqui observamos uma mutação informal. Não há mudança na literalidade,
na redação do texto, mas sim no seu sentido interpretativo.
O caráter aberto de muitos dos conceitos presentes nos dispositivos
constitucionais (por exemplo, “função social da propriedade”, “limites da
atividade econômica”, intervenção do Estado nas famílias etc.), muitas vezes
assim deixados intencionalmente pelo constituinte, favorece uma
interpretação constantemente atualizadora, capaz de produzir, por vezes, uma
mutação constitucional difusa, informal.
Para que seja válida, a mutação constitucional não pode ofender a letra
nem o espírito da Constituição. Vale dizer, não pode contrariá-la em sua
essência, devendo veicular conteúdo que, indireta ou implicitamente, é
passível de acolhimento pela Lei Maior.
Assim, a mutação deve ter lastro democrático, não podendo estar
dissociada de uma demanda social efetiva, estando fundada, portanto, em
última análise, na soberania popular.

40- (CESPE / Defensor Público Estadual da DPE – AC


/ 2017) A mutação constitucional:
a) é fenômeno reconhecido apenas pela doutrina, uma vez que o STF evita
aplicá-la.
b) ocorre em razão da natureza monossêmica do texto constitucional.
c) acarreta a alteração da configuração verbal do texto constitucional.
d) decorre da técnica de declaração de nulidade de dispositivos legais pelo
controle concentrado.
e) é justificada pelas modificações na realidade fática e na percepção do
direito.
Resolução: Alternativa E.
A mutação constitucional consiste em uma alteração do significado de
determinada norma da Constituição (que não raro é polissêmica, isto é,

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admite mais de um vetor de sentido), sem que tenha havido qualquer
processo legislativo de alteração de seu texto. Trata-se de fenômeno
reconhecido, pacificamente, pela doutrina e pela jurisprudência.

41- (FGV / Analista de Controle Externo do TCE – BA


/ 2013 / Adaptada) Julgue o item a seguir:
A mutação constitucional consiste em uma alteração do significado de
determinada norma da Constituição, sem observância do mecanismo
constitucionalmente previsto para as emendas e sem que tenha havido
qualquer modificação de seu texto.
Resolução: Correto. Em outras palavras, a mutação constitucional se dá
quando, em decorrência da evolução nas situações fatídicas sobre as quais
incide a norma, ou em razão da superveniência de nova visão jurídica, se
altera a interpretação dada à constituição, porém, não seu texto.

42- (FCC / Juiz do Trabalho Substituto do TRT da 1ª


Região / 2015) Thomas Paine afirmou "A vaidade e a presunção de governar
para além do túmulo é a mais ridícula e insolente das tiranias". Partindo-se
das premissas de que a Constituição é feita para durar (estabilidade), mas que
a imutabilidade absoluta é um risco à sua legitimidade, especialmente perante
as gerações futuras (adaptabilidade), tem-se que o mecanismo institucional
que, de maneira informal, permite a modificação do sentido e do alcance do
texto constitucional positivado é a:
a) Revisão constitucional.
b) Mutação constitucional.
c) Reforma constitucional.
d) Assembleia constituinte.
e) Emenda constitucional.
Resolução: Alternativa B.
Um exemplo bastante citado de mutação constitucional é o art. 5º, XI,
da CF/88:
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante
delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por
determinação judicial;
Quando a Constituição foi promulgada, o conceito de casa era bem mais
restrito do que hoje, limitado ao seu sentido ordinário de residência ou
domicilio.

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No entanto, atualmente, a interpretação, tanto jurisprudencial como
doutrinária, que se é dada, é bem mais ampla, abrangendo, por exemplo,
quartos de hotel, trailers e até mesmo locais de trabalho.

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12- Questões Comentadas

43- (FCC / Procurador da Assembleia Legislativa – SP / 2010) Pela


Teoria Geral do Estado, é incorreto afirmar:
a) No Estado Unitário, o ente provincial tem, dentre outras, soberania interna
e externa, competência legislativa própria, capacidade de auto-organização e
subordinação vinculada.
b) As formas de Estado levam em consideração a composição geral do Estado,
a estrutura do poder, sua unidade, distribuição e competências no território do
Estado.
c) O Estado Federal é aquele que se divide em províncias politicamente
autônomas, possuindo duas fontes paralelas de Direito Público, uma Nacional
e outra Provincial.
d) Pelo fato de apresentar a centralização política, o Estado Unitário só tem
uma fonte de Poder, o que não impede a descentralização administrativa.
e) Dentre as características do Estado Federal, tem-se a constância dos
princípios fundamentais da Federação e da República, sob as garantias da
imutabilidade desses princípios, da rigidez Constitucional e do instituto da
Intervenção Federal.
Resolução: Alternativa A. Questão de excelente didatismo!
O problema da opção “A” é que, no Estado Unitário, todos os poderes
estão concentrados na mão de um ente central. Deste modo, os demais entes
(regionais, subnacionais, provençais etc.) são dotados, no máximo, de alguma
autonomia administrativa, porém não de autonomia para sua auto
organização, exercício de capacidade legislativa e de auto governo.
Ademais, outro ponto a ser observado é que a soberania é atributo
exclusivo da República Federativa do Brasil.

44- (FGV / Técnico de Nível Superior da Prefeitura de Salvador – BA


/ 2017 / Adaptada) Em momento anterior à promulgação da Constituição
da República, estavam em vigor as Leis X, Y e Z, tendo, essa última, revogado
a Lei W.
A Lei X era formal e materialmente compatível com a nova ordem
constitucional.
A Lei Y era formalmente incompatível e materialmente compatível com a nova
ordem constitucional.
A Lei Z era formal e materialmente incompatível com a nova ordem
constitucional, sendo certo que a revogada Lei W, caso estivesse vigendo,
seria formal e materialmente compatível com a nova ordem constitucional.

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À luz da narrativa acima, assinale a afirmativa correta.
a) A Lei X foi recepcionada e as Leis Y e Z foram revogadas, ressalvada a
hipótese de a nova ordem constitucional ter determinado, expressamente, a
permanência em vigor destas últimas.
b) As Leis X, Y e Z foram revogadas pela nova ordem constitucional, já que a
narrativa não faz menção à existência de comando constitucional expresso
prevendo a sua recepção.
c) As Leis X e Y foram recepcionadas pela nova ordem constitucional, em
razão de sua compatibilidade material, e a Lei W foi repristinada em
decorrência da revogação da lei revogadora.
d) A Lei Z não foi recepcionada e as Leis X e Y foram recepcionadas pela nova
ordem constitucional, sendo certo que esta última passou a ter a mesma
natureza jurídica da espécie legislativa prevista na nova sistemática.
e) A Lei X foi recepcionada pela nova ordem constitucional, a Lei Y foi
revogada e a Lei W foi repristinada em razão da não recepção da lei
revogadora.
Resolução: Alternativa D.
Vejamos novamente os requisitos para recepção de norma pré
constitucional:

necessidade de que ela seja constitucional no


ordenamento anterior

apresentar compatibilidade formal e material


com a Constituição em que fora editada
Requisitos para
recepção da norma
necessidade de que ela esteja em vigor quando da
superveniência da nova Constituição

apresentar compatibilidade material com a


Constituição pela qual é recepcionada

De acordo com os dados fornecidos pelo enunciado, observe-se que as


leis X e Y, puderam ser recepcionadas pela nova ordem constitucional. Trata-
se de fenômeno “automático”, vale dizer, preenchidos os requisitos acima,
desnecessária disposição constitucional/legal expressa para que dada lei
continue vigendo no atual ordenamento jurídico.
Já em relação às leis Z e W, vejamos:
Lei Z - formal e materialmente incompatível com a nova ordem constitucional,
não pode ser recepcionada
Lei W - revogada pela Lei Z, caso estivesse vigendo, seria formal e
materialmente compatível com a nova ordem constitucional. Todavia, não há
que se falar em repristinação, uma vez que isso só seria possível se a nova

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Constituição previsse tal fato expressamente. No silêncio constitucional, a Lei
W permanece revogada.

45- (CESPE / Analista de Infraestrutura – MPOG / Área I / 2012)


Com relação aos princípios do direito constitucional, julgue o item a seguir.
A Federação brasileira − formada, de acordo com o disposto na CF, pela união
indissolúvel da União, dos estados-membros, do Distrito Federal e dos
municípios − é um federalismo do tipo assimétrico, em razão da falta de
homogeneidade entre os entes federativos.
Resolução: Correto. O critério da simetria diz com a homogeneidade dos
fatores econômicos, políticos e socioculturais nos diferentes entes do Estado
brasileiro. A nossa federação se caracteriza por elevadas disparidades de
Produto Interno Bruto, renda per capita, oferta e prestação de serviços
públicos, dentre outros fatores.

46- (FEMPERJ / Analista de Controle Externo do TCE – RJ / Controle


Externo / 2012) A Constituição da República de 1988 consagrou no seu art.
2º a teoria da "tripartição dos Poderes" exposta por Montesquieu. Contudo, o
fez de forma abrandada, na medida em que essa separação não é pura e
absoluta. Assim sendo, cada poder exerce funções típicas e atípicas.
Sobre o tema, é correto afirmar que são funções:
a) típicas do Poder Judiciário julgar e administrar.
b) atípicas do Poder Legislativo administrar e fiscalizar.
c) típicas do Poder Executivo administrar e legislar.
d) típicas do Poder Executivo administrar e julgar.
e) típicas do Poder Legislativo fiscalizar e legislar.
Resolução: Opção E. Questão direta e sem pegadinhas. O único dos três
Poderes que detém duas funções típicas é o Poder Legislativo.

47- (FCC / Juiz do Trabalho do TRT da 1ª Região / 2012) Em 1993, o


eleitorado brasileiro participou de plebiscito para definição da forma e do
sistema de governo que deveriam vigorar no País. Se o resultado do plebiscito
houvesse modificado o sistema de governo brasileiro de presidencialista para
parlamentarista, mas mantido a forma republicana de governo, o texto da
Constituição Federal, necessariamente, deveria ser reformado para:
a) incluir a previsão de eleições indiretas, realizadas pelo Parlamento, para a
escolha do Chefe de Estado.

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b) acrescentar a possibilidade de o Chefe de Estado ter mandato por tempo
indeterminado e escolher seu sucessor, a fim fiscalizar a atuação do Chefe de
Governo com imparcialidade.
c) modificar competências, no âmbito da União, tanto do Poder Executivo,
quanto do Poder Legislativo, para que fossem especificadas as atribuições a
serem exercidas pelo Chefe de Governo em conjunto com o Parlamento.
d) implantar uma monarquia constitucional, para que a chefia do Poder
Executivo fosse dividida entre o Primeiro Ministro, responsável pelas funções
do governo, e o Chefe de Estado, responsável pelas funções de representação
do Estado brasileiro.
e) alterar regras de competência do Congresso Nacional para que este
pudesse processar e julgar o Primeiro Ministro por crime de responsabilidade,
sendo proibido, em regimes democráticos, exonerá-lo do cargo apenas pela
perda do apoio parlamentar.
Resolução: Alternativa C. De antemão, observe-se que o enunciado usa o
termo “necessariamente”. O candidato deve estar atento à morfologia do texto
das questões, em especial aos advérbios e conjunções.
No parlamentarismo, o Chefe de Estado é o Monarca (poder obtido por
hereditariedade) ou o Presidente (poder obtido por eleições). Regra geral, o
Chefe de Estado não é escolhido pelo parlamento, mas sim o Chefe de
Governo, cuja permanência no cargo dependerá do referendo dos seus atos
por aquele órgão. Assim, descartamos a alternativa “A”.
Para a implantação do parlamentarismo não é necessário que o
mandato do chefe de Estado seja por tempo indeterminado. Podemos lembrar
que tal regime é compatível tanto com a forma republicana, caracterizada pela
eletividade, quanto com a forma monárquica. Erradas as letras “B” e “D”.
Finalmente, em relação ao item “E”, no parlamentarismo, não há
qualquer óbice à exoneração do Primeiro Ministro pela falta de apoio
parlamentar. Pelo contrário, a permanência deste depende, em regra, da
confiança do Parlamento.

48- (CESPE / Assistente Técnico Administrativo do Ministério da


Integração Nacional / 2013 / Adaptada) Julgue o item a seguir.
Os poderes do Estado são independentes e harmônicos entre si e a titularidade
de suas funções típicas é, reciprocamente, indelegável.
Resolução: Correto. Cada Poder exerce pelo menos uma função típica (o
Legislativo exerce duas...) que lhe foi conferida pelo poder constituinte. Muito
embora os demais Poderes possam exercê-la atipicamente, a titularidade
permanece com o Poder.

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Um caso são as leis delegadas, espécie legislativa que pode ser editada
pelo Poder Executivo caso autorizado pelo Legislativo, dentro determinados
parâmetros. Muito embora exista tal possibilidade de exercício atípico de
função legiferante, a titularidade de comando do processo legislativo e de suas
etapas nucleares será sempre do Poder Legislativo!

49- (ESAF / Analista Técnico Administrativo do Ministério do


Turismo / 2014) O Estado é pessoa jurídica territorial soberana formada por
três elementos indissociáveis e indispensáveis para a noção de um Estado
independente.
Assinale a opção que contenha os três elementos essenciais para a existência
do Estado.
a) Povo, Carta Constitucional e Território.
b) Autonomia, Governo e Povo.
c) Território, Povo e Governo.
d) Carta Constitucional, Povo e Governo.
e) Autonomia, Povo e Território.
Resolução: Alternativa C. Questão fácil, embasada na teoria tradicional do
Direito Constitucional. Alguns autores inserem um quarto elemento, qual seja,
a finalidade. No entanto, trata-se de ponto não sedimentado no mundo dos
concursos destacá-lo como elemento originário explícito.

50- (CESPE / Delegado de Polícia Civil da PC – MA / 2018) De acordo


com a doutrina majoritária, quanto à origem, as Constituições podem ser
classificadas como:
a) promulgadas, que são ditas democráticas por se originarem da participação
popular por meio do voto e da elaboração de normas constitucionais.
b) outorgadas, que surgem da tradição, dos usos e costumes, da religião ou
das relações políticas e econômicas.
c) cesaristas, que são as derivadas de uma concessão do governante, ou seja,
daquele que tem a titularidade do poder constituinte originário.
d) pactuadas, que são formadas por dois mecanismos distintos de
participação popular, o plebiscito e o referendo, ambos com o objetivo de
legitimar a presença do detentor do poder.
e) históricas, que surgem do pacto entre o soberano e a organização nacional
e englobam muitas das Constituições monárquicas.
Resolução: Alternativa A. As Constituições promulgadas são aquelas
instituídas pela via democrática, resultantes de uma Assembleia Nacional

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Constituinte eleita e, portanto, legitimada pelo povo para elaborar as normas
constitucionais.
Vejamos os erros.
A alternativa “B” erra, pois, as Constituições outorgadas, também
conhecidas como ditatoriais e autocráticas, surgem unilateralmente por
iniciativa do agente ou classe política dominante, sem qualquer legitimação
por parte do povo, seja a priori, seja a posteriori.
Já a “C” erra uma vez que as cesaristas também surgem
unilateralmente por iniciativa do agente ou classe política dominante, sendo,
no entanto, referendadas/ratificadas pelo povo, este sim titular do poder
constituinte originário.
A “D”, por seu turno, traz um conceito errado de Constituição pactuada.
Esta é aquela originária do compromisso (instável) de duas forças políticas
rivais ou antagônicas. Exemplos são as Constituições europeias que surgiram
na transição histórica marcada pela ascensão da classe burguesa e declínio
das monarquias absolutistas.
Por fim, a “E” erra duplamente. Primeiramente, as Constituições não são
classificadas como históricas quanto à origem, mas sim quanto ao seu modo
de elaboração. Em segundo lugar, o conceito em si está descrito
erroneamente. Constituições históricas são aquelas (escritas ou não)
elaboradas gradativamente como reflexo imediato das características
peculiares do povo e sua dinâmica ao longo do tempo em determinado Estado.

51- (ESAF / Analista de Comércio Exterior / Grupo 1 / 2012) Sabe-


se que a doutrina constitucionalista classifica as constituições. Quanto às
classificações existentes, é correto afirmar que:
I. quanto ao modo de elaboração, pode ser escrita e não escrita.
II. quanto à forma, pode ser dogmática e histórica.
III. quanto à origem, pode ser promulgada e outorgada.
IV. quanto ao conteúdo, pode ser analítica e sintética.
Assinale a opção verdadeira.
a) II, III e IV estão corretas.
b) I, II e IV estão incorretas.
c) I, III e IV estão corretas.
d) I, II e III estão corretas.
e) II e III estão incorretas.
Resolução: Alternativa B.

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O item I se refere à tipologia quanto à forma e não quanto ao modo de
elaboração.
Já o item II se refere à tipologia quanto ao modo de elaboração e não
quanto à forma.
Por fim, o item IV erra, pois, os tipos apresentados se referem à
extensão e não ao conteúdo.

52- (FGV / Analista Judiciário do TRE – PA / Área Judiciária / 2011)


As constituições imutáveis são aquelas que não comportam modificação de
nenhuma espécie, enquanto as rígidas exigem um processo de alteração mais
rigoroso do que aquele previsto para a legislação infraconstitucional. A
Constituição de 1988 é considerada super-rígida, isto é, ela possui uma parte
imutável e uma parte rígida.
Para que se altere a CRFB de 1988 na sua parte rígida, é necessário que
a) haja proposta de emenda por, no mínimo, metade dos membros da
Câmara dos Deputados ou do Senado Federal.
b) a proposta de emenda seja discutida e votada em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos.
c) a proposta de emenda seja aprovada se obtiver, em pelo menos uma das
casas, três quintos dos votos.
d) a emenda seja promulgada pelo Senado Federal, que detém competência
privativa para tanto.
e) a proposta de emenda tenha iniciativa do Presidente da República ou dos
Governadores dos Estados ou do Distrito Federal.
Resolução: Alternativa B.
Basta seguir a literalidade da CF/88, art. 60, §2º: “A proposta será
discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos,
considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos
respectivos membros”.
Como reforçamos no início do curso, é de absoluta importância que o
candidato memorize a literalidade do texto constitucional, em particular, do
recorte que se inicia no preâmbulo e vai até o art. 192.

53- (CESPE / Juiz Federal do TRF da 1ª Região / 2011) Acerca do


poder constituinte, da CF e do ADCT, assinale a opção correta.
a) As normas que versam sobre a intervenção federal nos estados e no DF,
bem como dos estados nos municípios, incluem-se entre os chamados
elementos de estabilização constitucional.

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b) O poder constituinte originário dá início a nova ordem jurídica, e, nesse
sentido, todos os diplomas infraconstitucionais perdem vigor com o advento da
nova constituição.
c) Consideram-se elementos socioideológicos da CF as normas que disciplinam
a organização dos poderes da República e o sistema de governo.
d) O ADCT não tem natureza de norma constitucional, na medida em que
dispõe sobre situações excepcionais e temporárias.
e) Segundo disposição literal da CF, os estados e municípios dispõem do
chamado poder constituinte derivado decorrente, que deve ser exercido de
acordo com os princípios e regras dessa Carta.
Resolução: Alternativa A.
O item “B” desconsidera o fenômeno da recepção das normas
constitucionais e infraconstitucionais, caso apresentem compatibilidade
material com a nova Constituição.
Quanto ao item “C”, tais elementos são orgânicos e não
socioideológicos.
Em relação ao item “D”, muito embora os candidatos não costumem
gostar do estudo do ADCT, este tem sim natureza de norma constitucional,
dispondo sobre importantes aspectos à consolidação da ordem jurídica
inaugurada pela CF/88.
Por último, o poder constituinte derivado decorrente não alcança os
Municípios. Estes teriam um poder de 3º grau, uma vez que seu fundamento
de validade é a Constituição dos Estados e não a Carta Maior.

54- (CESPE / Analista do Executivo – ES / Área de Direito / 2013) No


que se refere ao conceito de Constituição e às normas constitucionais, assinale
a opção correta. Nesse sentido, considere que a sigla CF, sempre que
empregada, refere-se a Constituição Federal de 1988.
a) Atualmente, a doutrina constitucional defende que as normas
constitucionais operam apenas na qualidade de regras jurídicas.
b) Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), como o
preâmbulo da CF possui força jurídica, sua reprodução é obrigatória nas
constituições dos estados.
c) Os direitos fundamentais previstos no art. 5º da CF classificam-se como
normas materialmente constitucionais.
d) O caráter supralegal da CF relaciona-se à noção de constituição material.
e) Nas Constituições flexíveis, o procedimento de reforma do texto
constitucional é distinto do processo legislativo ordinário e, também, mais
difícil de ser realizado.

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Resolução: Alternativa C.
Reiteradamente afirmamos que as normas são “gênero”, cujas
“espécies” são as regras e princípios (as principais diferenças entre ambas já
foram descritas). Errada, portanto, a alternativa “A”.
Em relação ao item “B”, destacamos ementa do acórdão proferido pelo
STF quando do julgamento da ADI 2.076/AC:
CONSTITUCIONAL. CONSTITUIÇÃO: PREÂMBULO. NORMAS CENTRAIS.
Constituição do Acre.
I. - Normas centrais da Constituição Federal: essas normas são de
reprodução obrigatória na Constituição do Estado-membro, mesmo
porque, reproduzidas, ou não, incidirão sobre a ordem local.
Reclamações 370-MT e 383-SP (RTJ 147/404).
II. - Preâmbulo da Constituição: não constitui norma central.
Invocação da proteção de Deus: não se trata de norma de
reprodução obrigatória na Constituição estadual, não tendo força
normativa.
III. - Ação direta de inconstitucionalidade julgada improcedente.

No item “D”, o caráter supralegal da CF relaciona-se à noção de


constituição formal. Lembrando que o Brasil adota o critério formal na
definição de o que é ou não constitucional.
Já a “E” é a famosa alternativa “dada para o candidato”. Podemos
reescrevê-la: nas Constituições flexíveis, o procedimento de reforma do texto
constitucional não é distinto do processo legislativo ordinário e, também, mais
difícil de ser realizado.

55- (CESPE / Técnico do MPU / Área de Administração / 2013) No


que se refere à CF, julgue o item a seguir.
Todas as normas presentes na CF, independentemente de seu conteúdo,
possuem supremacia em relação à lei ordinária, por serem formalmente
constitucionais.
Resolução: Correto. Sejam elas fruto do poder constituinte originário ou
derivado, estando insertas no texto constitucional, serão dotadas de
supremacia perante todas as leis infraconstitucionais.

56- (CESPE / Analista do Executivo – ES / Área de Direito / 2013)


Acerca do poder constituinte, assinale a opção correta.

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a) A lei orgânica municipal, por ser fruto do poder constituinte derivado
decorrente, pode ser parâmetro para o controle de constitucionalidade
municipal.
b) Um dos limites ao poder constituinte derivado reformador de revisão
previstos pela CF é o quórum qualificado de aprovação, de três quintos.
c) Para a maioria da doutrina constitucional, a CF foi produto do poder
constituinte originário, pois implicou a ruptura com o regime político anterior e
o estabelecimento de novos valores constitucionais.
d) A CF proibiu a elaboração de emendas constitucionais durante o período
eleitoral, sendo este um limite circunstancial ao poder constituinte derivado
reformador.
e) A proposta de emenda constitucional que pretenda abolir o direito à
educação não viola a CF, pois os direitos sociais não são limites materiais ao
poder constituinte derivado reformador.
Resolução: Alternativa C.
Lembrando: o poder constituinte derivado decorrente só se manifesta
no nível das Constituições Estaduais e Lei Orgânica do DF. Errada, pois, a letra
“A”.
Já o erro da letra “B” é abordar o poder de revisão (esgotado)
descrevendo uma limitação formal que na verdade se aplica ao poder de
reforma. Os limites ao poder de revisão se encontram no ADCT:
Art. 3º. A revisão constitucional será realizada após cinco anos,
contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria
absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão
unicameral.
A alternativa “D” tenta confundir o candidato sugerindo uma limitação
circunstancial que inexiste no texto da Constituição. Por essas e outras a
importância de ler e revisar o texto literal da CF/88:
Art. 60. [...] § 1º - A Constituição não poderá ser emendada na vigência
de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. [...]

Por último, mas não menos importante, vamos revisar as cláusulas


pétreas expressas no parágrafo quarto:
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a
abolir: I - a forma federativa de Estado; II - o voto direto, secreto,
universal e periódico; III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e
garantias individuais. [...]
Fácil identificar o erro da alternativa “E”, não? A educação é um direito
social (art. 6º) e, portanto, direito fundamental. Ademais, reforçamos que o

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rol expresso na CF não é exaustivo. Vejamos parte do ementário 1730-10
do STF:
"Tivemos, Senhor Presidente, o estabelecimento de direitos e garantias
de uma forma geral. Refiro-me àqueles previstos no rol, que não é
exaustivo, do art. 5º da Carta, os que estão contidos, sob a
nomenclatura direitos sociais", no art. 7º e, também, em outros
dispositivos da Lei Básica Federal, isto sem considerar a regra do §2º,
do art. 5º, segundo o qual "os direitos e garantias expressos nesta
Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios
por ela adotados...”

57- (FCC / Gestor Público – PI / 2013) Na interpretação da Constituição


Federal, prevalece:
a) a norma constitucional específica frente à norma constitucional geral,
ambas originárias, ainda que a primeira abra exceção à segunda.
b) a vontade do constituinte frente à literalidade da norma constitucional.
c) a vontade do magistrado frente à literalidade da norma constitucional.
d) o sentido da lei regulamentadora frente ao inequívoco sentido da norma
constitucional.
e) a orientação normativa do Presidente da República frente à Súmula
Vinculante do Supremo Tribunal Federal.
Resolução: Alternativa A. Neste ponto podemos relembrar a dinâmica da
colisão entre normas:

HAVERÁ
CHOQUE DE PREVALÊNCIA E
Ponderação de
DOIS OU MAIS NÃO NEGAÇÃO
interesses DE UM DOS
PRINCÍPIOS
PRINCÍPIOS.

Situação especial: uma das regras


será derrotada
CHOQUE DE
Situação mais comum: uma das
DUAS OU MAIS
regras será afastada
REGRAS Critérios: Hierarquia → Especialidade
→ Cronologia
Situação especial: uma das regras
será invalidada (total ou
parcialmente)
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Já o item “B” esbarra numa armadilha. Se os parâmetros de
interpretação fossem fechados à vontade do legislador originário, não haveria
espaço para mutações constitucionais, por exemplo, ampliando direitos e
garantias fundamentais.
Já o item “C”, recai no sentido oposto. Muito embora o trabalho de
interpretação dos magistrados possibilite a ampliação do alcance da norma, há
um limite, de modo que aquele não pode atuar como legislador positivo.
No item “D” temos o seguinte panorama. A lei regulamentadora é, como
sugere seu nome, uma derivação de cunho prático-operacionalizador de uma
lei mais ampla e abstrata, não raro de normas gerais. Um dos atributos que
diferem o poder regulamentar do poder legal-normativo é o da novidade.
Assim, não pode lei regulamentar inovar em ponto já totalmente aclarado e
delimitado pela norma constitucional mais ampla.
Por fim (e, novamente, adiantando pontos que serão detalhados mais
adiante), a solução do item “E” se encontra na própria CF:
Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por
provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após
reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a
partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em
relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública
direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como
proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.

Apenas o Poder Legislativo não é vinculado por tais súmulas, como será
visto em tópico futuro.

58- (FGV / Técnico Tributário SEFIN – RO / 2018) Pedro e Antônio


travaram intenso debate a respeito dos princípios fundamentais encampados
pela Constituição de 1988, dentre os quais, a forma de Estado adotada. Após
intensas reflexões a esse respeito, chegaram à única conclusão
constitucionalmente correta: a de que a forma de Estado prevista na
Constituição é a:
a) federativa, caracterizada pela união indissolúvel dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.
b) republicana, caracterizada pela outorga do poder ao povo e pelo exercício
direto ou por meio de representantes eleitos.
c) federativa, caracterizada pela união indissolúvel dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios e dos Territórios.
d) presidencial, em que o Chefe do Poder Executivo é eleito pelo povo, não
sendo escolhido entre os parlamentares.

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e) federativa, caracterizada pela união dissolúvel dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios e dos Territórios.
Resolução: Alternativa A. Questão ilustrativa que resume o que foi visto até
agora.
Formas de Estado: Estado Unitário e Federação.
Nossa Constituição adotou a forma federativa, marcada pelo vínculo
indissolúvel entre seus entes. Destaque-se que os Territórios (conforme
reveremos posteriormente) não são entes autônomos da nossa Federação.
Quanto às demais opções, válido rever os conceitos:
Formas de Governo: República e Monarquia.
Sistemas de Governo: Parlamentarismo e Presidencialismo.

59- (CESPE / Analista Judiciário do STJ / 2018) A respeito do poder


constituinte, do controle de constitucionalidade e da organização dos poderes,
julgue o item que se segue.
O poder constituinte originário fixou as condições do exercício do poder de
revisão constitucional; contudo, no Brasil, o legislador pode ampliar as
hipóteses de revisão, desde que haja autorização popular por meio de
plebiscito.
Resolução: Errado. Para o STF (ADI 1.722) não pode o Poder Legislativo,
federal ou estadual (no caso das Constituições Estaduais), por qualquer meio,
reintroduzir, no cenário jurídico, o instituto da revisão constitucional. Tal
instituto encontra-se exaurido.

60- (FCC / Analista Judiciário do TRE – SE / 2015) Provavelmente, a


decisão política que conduziu à promulgação da constituição, ou desse tipo de
constituição, foi prematura. A esperança, contudo, persiste, dada a boa
vontade dos detentores e destinatários do poder, de que tarde ou cedo a
realidade do processo do poder corresponderá ao modelo estabelecido na
constituição.
O trecho acima, retirado da obra de um importante constitucionalista do
século XX, corresponde à descrição de uma constituição:
a) normativa.
b) balanço.
c) semântica.
d) nominal.
e) analítica.

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Resolução: Alternativa D. Conforme vimos previamente, caso a realidade
fático-social corresponda ao disciplinado na Constituição, teremos um modelo
de Constituição NORMATIVA. De outra via, caso a disciplina constitucional
ainda busque correspondência esta realidade, teremos uma Constituição
NOMINATIVA (ou NOMINAL).

13- Lista de Exercícios

1- (CESPE / STJ – Conhecimentos Básicos / 2015) Julgue o item


subsecutivo, acerca da República Federativa do Brasil.
A Constituição é instituto multifuncional que engloba entre seus objetivos a
limitação do poder e a conformação e legitimação da ordem política.

2- (FGV / Estágio Forense – MPE-RJ / 2014 / Adaptada) Julgue o


item a seguir:
O sistema jurídico brasileiro adota o princípio da supremacia constitucional.
Segundo os juristas pátrios e, principalmente, a jurisprudência do STF, o
referido princípio informa-nos que o intérprete deve ter em conta que as
normas constitucionais encontram-se posicionadas no topo do ordenamento
jurídico e configuram o fundamento de validade de todas as demais normas do
sistema que estejam em posição hierárquica inferior.

3- (FGV / Procurador do TCM – RJ / 2008 / Adaptada) Julgue o item


que segue:
É consequência da rigidez constitucional o princípio da Supremacia da
Constituição.

4- (FCC / Promotor do Ministério Público – CE / 2011) A invocação à


proteção de Deus, constante do Preâmbulo da Constituição da República
vigente:
a) é inconstitucional.
b) é ilícita.
c) não tem força normativa.
d) não foi recepcionada pelo texto constitucional.
e) é expressão de reprodução obrigatória nas Constituições estaduais.

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5- (FGV / Estágio Forense MPE – RJ / 2014 / Adaptada) Julgue o
item a seguir:
O preâmbulo constitucional, dada a sua importância no quadro constitucional,
possui superior hierarquia às normas constitucionais constantes do corpo
permanente da Constituição da República Brasileira.

6- (FGV / Auditor Fiscal da Receita Estadual – RJ / 2008) São


elementos orgânicos da Constituição:
a) a estruturação do Estado e os direitos fundamentais.
b) a divisão dos poderes e o sistema de governo.
c) a tributação e o orçamento e os direitos sociais.
d) as forças armadas e a nacionalidade.
e) a segurança pública e a intervenção.

7- (IBFC / Gestor de Transportes e Obras SEPLAG – MG / 2014)


Considerando as categorias de elementos que definem o conteúdo das
Constituições, pode-se afirmar que as disposições constitucionais transitórias
são elementos:
a) Limitativos.
b) Socioideológicos.
c) Orgânicos.
d) Formais de aplicabilidade.

8- (CESPE / Analista Técnico Administrativo do MPOG / 2015) A


respeito das noções de Estado, governo e administração pública, julgue o item
a seguir.
Povo, território e governo compõem os três elementos constitutivos do
conceito de Estado.

9- (ESAF / Analista de Finanças e Controle da CGU / Área de


Auditoria e Fiscalização / 2006 / Adaptada) Sobre Teoria Geral da
Constituição, Poderes do Estado e suas respectivas funções e Supremacia da
Constituição, julgue o item a seguir.
O poder político de um Estado é composto pelas funções legislativa, executiva
e judicial e tem por características essenciais a unicidade, a indivisibilidade e a
indelegabilidade.

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10- (CESPE / Polícia Rodoviária Federal / 2013) No que se refere aos
princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988 (CF) e à
aplicabilidade das normas constitucionais, julgue o item a seguir.
Decorre do princípio constitucional fundamental da independência e harmonia
entre os poderes a impossibilidade de que um poder exerça função típica de
outro, não podendo, por exemplo, o Poder Judiciário exercer a função
administrativa.

11- (FCC / Técnico Judiciário do TRE SP / Área Administrativa /


2012) O mecanismo pelo qual os Ministros do Supremo Tribunal Federal são
nomeados pelo Presidente da República, após aprovação da escolha pelo
Senado Federal, decorre do princípio constitucional da:
a) separação de poderes.
b) soberania.
c) cidadania.
d) inafastabilidade do Poder Judiciário.
e) solução pacífica dos conflitos.

12- (VUNESP / Analista Técnico Científico do MPE – SP / 2016) O


artigo 16 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão diz que não há
constituição em uma sociedade na qual a garantia dos direitos e a divisão dos
poderes não estejam asseguradas. Dessa forma, a separação dos poderes é
posta em prática na Inglaterra em 1688/89; nos Estados Unidos e na França,
desde os séculos XVII e XVIII, em resposta aos abusos da concentração de
poderes nas mãos do soberano, típica do absolutismo da Idade Moderna. A
separação dos poderes enquanto técnica para a limitação do poder, no Brasil,
está configurada a partir da Constituição Federal de 1988, em:
a) Poder Ministerial, Poder Executivo e Poder Legislativo.
b) Poder Executivo, Poder do Ministério Público, Poder da Advocacia Pública.
c) Poder Executivo, Poder da Câmara dos Deputados e Poder do Senado
Federal.
d) Poder do Executivo Federal, Poder do Executivo Estadual e Poder do
Executivo Municipal.
e) Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário.

13- (CESPE / Administrador da SUFRAMA / 2014) Julgue o item a


seguir, acerca da organização político-administrativa do Estado, da
administração pública e dos servidores públicos.

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De acordo com a CF, as atribuições dos entes federativos são de tal modo
separadas que caracterizam um federalismo dual, ou seja, cada ente da
Federação brasileira tem competências distintas, não se podendo falar em
cooperação entre eles.

14- (FCC / Notário e Registrador – TJ PE / Remoção / 2013) Em


relação à possibilidade de aplicação do conceito de federação assimétrica ao
Brasil, é correto afirmar:
a) A concepção inclui a ideia de simetria de fato entre os componentes da
federação, como a criação de regiões de desenvolvimento.
b) O conceito compreende a noção da simetria de direito para corrigir e
compensar a estrutura da federação, v.g., a fixação de benefícios legais na
área tributária.
c) A diferença entre os entes federados no Brasil pode ocorrer tanto na área
social, como na econômica.
d) Os elementos da federação assimétrica não são aplicáveis à realidade
nacional diante da determinação constitucional que a federação é indissolúvel,
não há permissão a secessão.
e) A assimetria somente pode ser transitória e pressupõe um tratamento
desigual para corrigir desigualdades.

15- (CESPE / Agente de Documentação do TCE – PB / 2018) De


acordo com os princípios fundamentais estabelecidos na CF, assinale a opção
que apresenta, respectivamente, as formas de Estado e de governo adotadas
no Brasil.
a) Federação e República
b) Federação e presidencialismo
c) presidencialismo e República
d) República e Federação
e) República e presidencialismo.

16- (ESAF / Agente Executivo da CVM / 2010) Correlacione as colunas


abaixo e, ao final, selecione a opção que expresse a correlação correta.
() República (1) Forma de Governo
() Estado Unitário (2) Sistema de Governo
() Parlamentarismo (3) Forma de Estado
() Federação

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() Monarquia
() Presidencialismo
a) 1, 2, 3, 1, 2, 3
b) 1, 3, 2, 3, 1, 2
c) 3, 1, 2, 1, 2, 3
d) 2, 3, 1, 2, 3, 1
e) 3, 2, 1, 2, 1, 3

17- (CESPE / Defensor Público Estadual da DPE – RN / 2015 /


Adaptada) Julgue o item abaixo:
As colisões entre regras devem ser solucionadas mediante a atribuição de
pesos, indicando-se qual regra tem prevalência em face da outra, em
determinadas condições.

18- (FUNCAB / Atividade Técnica – MPOG / 2015 / Adaptada) “No


Direito contemporâneo, a Constituição passou a ser compreendida como um
sistema aberto de princípios e regras, permeável a valores jurídicos
suprapositivos, no qual as ideias de justiça e de realização dos direitos
fundamentais desempenham um papel central. Rememore-se que o modelo
jurídico tradicional fora concebido apenas para a interpretação e aplicação de
regras. Modernamente, no entanto, prevalece a concepção de que o sistema
jurídico ideal se consubstancia em uma distribuição equilibrada de regras e
princípios, nos quais as regras desempenham o papel referente à segurança
jurídica - previsibilidade e objetividade das condutas - e os princípios, com sua
flexibilidade, dão margem à realização da justiça no caso concreto" BARROSO,
Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo 2009 p. 316).
Considerando a relevância conferida aos princípios constitucionais, patente no
trecho acima transcrito, julgue a assertiva abaixo.
Consoante difundida classificação, os princípios podem ser fundamentais,
gerais e setoriais. Os primeiros se referem a enunciados de extrema
relevância e grande abstração, como o respeito à dignidade humana; os gerais
são dotados de maior concretude e densidade jurídica, como a legalidade; já
os últimos atuam em determinado nicho jurídico, como a retroatividade da lei
penal benéfica.

19- (ESAF / Analista de Planejamento e Orçamento / 2015) Podemos


divisar, no ordenamento jurídico, duas espécies de normas: as regras e os
princípios. Sobre os métodos e técnicas de interpretação do texto
constitucional, é incorreto afirmar que:

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a) se duas regras estão em conflito ─ que deve ser resolvido pelos meios
clássicos de interpretação, com a aplicação dos critérios cronológico,
hierárquico e de especialidade ─, uma não poderá ser válida.
b) enquanto as regras se revestem de um alto grau de abstração e da
carência na determinabilidade na aplicação do caso concreto, os princípios
somente são encontrados na forma expressa, possuindo um grau de
concretização superior em relação às regras, tendo em vista o seu menor grau
de abstração.
c) as regras incidem sob a forma do tudo ou nada, ou seja, presentes os seus
pressupostos fáticos, ou a regra é aplicada ao caso concreto a ela subsumido,
ou ela é considerada inválida para o mesmo.
d) é no caráter principiológico das normas de direitos fundamentais que
exsurge a aplicação do princípio da proporcionalidade no equacionamento de
eventuais colisões.
e) a ponderação consiste no método necessário ao equacionamento das
colisões entre princípios da Lei Maior, em que se busca alcançar um ponto
ótimo, em que a restrição a cada um dos direitos fundamentais envolvidos
seja a menor possível, na medida exata à salvaguarda do direito contraposto.

20- (FUNDATEC / Procurador do Estado do RS / 2015) O movimento


do constitucionalismo surgiu:
a) no final do século XVIII, com a elaboração das primeiras constituições
escritas, com o objetivo de assegurar direitos e coibir o arbítrio, mediante a
separação dos poderes.
b) no início do século XX, com a emergência das constituições sociais, com o
objetivo de assegurar a igualdade social, em face do flagelo da 1ª Guerra
Mundial.
c) em meados do século XX, com a emergência do pós-positivismo, com o
objetivo de assegurar o princípio da dignidade humana e a proteção de
direitos.
d) no final do século XX, com a emergência das constituições pós-sociais, com
o objetivo de reduzir o alcance do Estado, em nome do princípio da eficiência.
e) no final do século XVII, com a elaboração das primeiras constituições
escritas, com o objetivo de assegurar liberdades e coibir o arbítrio, mediante a
cláusula federativa.

21- (VUNESP / Juiz Substituto do TJ – SP / 2015 / Adaptada) Julgue


o item a seguir:
O “constitucionalismo moderno”, com o modelo de Constituições normativas,
tem sua base histórica a partir das revoluções Americana e Francesa.

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22- (ESAF / Analista de Planejamento e Orçamento / 2015) Com a
ascensão científica e institucional do direito constitucional, vimos o surgimento
do chamado "Novo Constitucionalismo", que possui alguns traços marcantes,
com exceção de:
a) a acentuação da dualidade dos ramos do direito público e do direito
privado.
b) passagem da Constituição para o centro do sistema jurídico, em que
passou a desfrutar de supremacia formal e material.
c) filtragem constitucional, pois, com a passagem da Constituição para o
centro, passou ela a funcionar como a lente, o filtro através do qual se deve
olhar para o Direito de uma maneira geral.
d) o triunfo do direito constitucional, que deve ser a “janela" através da qual
se olha o mundo.
e) o modo de desejar o mundo, ou seja, o direito constitucional passou a ser
não somente um modo de olhar e pensar o Direito, mas também um modo de
desejar o mundo: fundado na dignidade da pessoa humana, na centralidade
dos direitos fundamentais, na busca por justiça material, na tolerância e no
respeito ao próximo.

23- (CESPE / Analista Judiciário do STF / Área Judiciária / 2008)


Acerca da teoria geral da constituição e do Poder Constituinte, julgue o item
seguinte.
Considere a seguinte definição, elaborada por Kelsen e reproduzida, com
adaptações, de José Afonso da Silva (Curso de Direito Constitucional Positivo.
São Paulo: Atlas, p. 41...).
A constituição é considerada norma pura. A palavra constituição tem dois
sentidos: lógico-jurídico e jurídico-positivo. De acordo com o primeiro,
constituição significa norma fundamental hipotética, cuja função é servir de
fundamento lógico transcendental da validade da constituição jurídico-positiva,
que equivale à norma positiva suprema, conjunto de normas que regula a
criação de outras normas, lei nacional no seu mais alto grau.
É correto afirmar que essa definição denota um conceito de constituição no
seu sentido jurídico.

24- (FCC / Procurador do Ministério Público de Contas / 2015) É


necessário falar da Constituição como uma unidade e conservar, entretanto,
um sentido absoluto de Constituição. Ao mesmo tempo, é preciso não
desconhecer a relatividade das distintas leis constitucionais. A distinção entre
Constituição e lei constitucional só é possível, sem dúvida, por que a essência
da Constituição não está contida numa lei ou numa norma. No fundo de toda a

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normatividade reside uma decisão política do titular do poder constituinte, ou
seja, do povo na democracia e do monarca na monarquia autêntica.
O trecho acima transcrito expressa o conceito de Constituição de:
a) Karl Loewenstein, na obra Teoria da Constituição.
b) Carl Schmitt, na obra Teoria da Constituição.
c) Konrad Hesse, na obra A força normativa da Constituição.
d) Peter Häberle, na obra Hermenêutica constitucional.
e) Ferdinand Lassalle, na obra A essência da Constituição.

25- (CESPE / Técnico do MPU / Área de Administração / 2013) No


que se refere à CF, julgue o item a seguir.
Todas as normas presentes na CF, independentemente de seu conteúdo,
possuem supremacia em relação à lei ordinária, por serem formalmente
constitucionais.

26- (FCC / Técnico Judiciário do TRT da 4ª Região / 2015 /


Adaptada) Em relação à sua mutabilidade ou alterabilidade, as Constituições
podem ser classificadas em:
a) flexíveis, rígidas, semirrígidas ou semiflexíveis, e superrígidas.
b) delegadas, outorgadas ou consensuais.
c) analíticas ou sintéticas.
d) escritas, costumeiras ou mistas.

27- (FGV / Técnico do MPE – RJ / 2016) Pedro, estudante de direito,


disse ao seu professor que lera, em um livro, que a Constituição brasileira era
classificada como rígida. O professor explicou-lhe que deve ser classificada
como rígida a Constituição que:
a) precise ser observada por todos os que vivam no território do respectivo
País.
b) seja escrita, distinguindo-se, portanto, das Constituições que se formam a
partir do costume.
c) vincule todas as estruturas estatais de poder aos seus comandos.
d) só possa ser reformada mediante um processo legislativo qualificado, mais
complexo que o comum.
e) não possa ser revogada por outra Constituição, ainda que haja uma
revolução..

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28- (CESPE / Juiz Federal TRF da 1ª Região / 2009) Assinale a opção
correta acerca do conceito, da classificação e dos elementos da constituição.
a) Segundo a doutrina, os elementos orgânicos da constituição são aqueles
que limitam a ação dos poderes estatais, estabelecem as balizas do estado de
direito e consubstanciam o rol dos direitos fundamentais.
b) No sentido sociológico, a constituição seria distinta da lei constitucional,
pois refletiria a decisão política fundamental do titular do poder constituinte,
quanto à estrutura e aos órgãos do Estado, aos direitos individuais e à atuação
democrática, enquanto leis constitucionais seriam todos os demais preceitos
inseridos no documento, destituídos de decisão política fundamental.
c) Na acepção formal, terá natureza constitucional a norma que tenha sido
introduzida na lei maior por meio de procedimento mais dificultoso do que o
estabelecido para as normas infraconstitucionais, desde que seu conteúdo se
refira a regras estruturais do Estado e seus fundamentos.
d) Considerando o conteúdo ideológico das constituições, a vigente
Constituição brasileira é classificada como liberal ou negativa.
e) Quanto à correspondência com a realidade, ou critério ontológico, o
processo de poder, nas constituições normativas, encontra-se de tal modo
disciplinado que as relações políticas e os agentes do poder se subordinam às
determinações de seu conteúdo e do seu controle procedimental.

29- (FGV / Advogado da AL – RO / 2018) O grupo que tomou o poder,


após um golpe de estado, constituiu uma comissão de notáveis para elaborar
um projeto de Constituição, o qual foi submetido à apreciação popular, tendo
a população liberdade para escolher entre as opções sim e não.
Com a aprovação popular, a nova Constituição entrou em vigor com a edição
de decreto da junta de governo. Para facilitar a atualização do texto
constitucional, foi previsto que parte de suas normas poderia ser alterada com
observância do processo legislativo regular, enquanto a alteração das normas
restantes exigiria um processo legislativo qualificado. A Constituição, além
disso, buscou encampar distintas concepções ideológicas, como a livre
iniciativa e a função social da propriedade. A Constituição acima descrita pode
ser classificada como:
a) revolucionária, semirrígida e ideologicamente neutra.
b) cesarista, semirrígida e compromissória.
c) promulgada, formal e compromissória.
d) liberal-social, outorgada e dirigente.
e) cesarista, flexível e dirigente.

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30- (FGV / Procurador da Assembleia Legislativa – MT / 2013 /
Adaptada) Julgue o item a seguir.
O princípio da eficácia integradora orienta o aplicador da Constituição no
sentido de dar preferência àqueles critérios ou pontos de vista que favoreçam
a integração social e a unidade política.

31- (IBFC / Analista Judiciário do TRE – AM / 2014) “A Constituição


deve ser sempre interpretada em sua globalidade como um todo e, assim, as
aparentes antinomias deverão ser afastadas.”
O enunciado se refere ao princípio de interpretação constitucional:
a) Da Máxima Efetividade.
b) Da Unidade da Constituição.
c) Do Efeito Integrador.
d) Da Harmonização.

32- (IBFC / Titular de Serviços de Notas e de Registros TJ – PR /


2014) Assinale a alternativa correta sobre a interpretação das normas
constitucionais:
a) As normas constitucionais não admitem interpretação.
b) A técnica denominada interpretação conforme somente pode ser utilizada
quando a norma infraconstitucional admite, dentre várias interpretações
possíveis, uma que seja compatível com a Carta Magna.
c) As normas infraconstitucionais têm presunção de inconstitucionalidade.
d) O Supremo Tribunal Federal não admite a técnica denominada
interpretação conforme.

33- (FCC / Auditor do TCE – SP / 2008) Por força da Emenda


Constitucional nº 52, de 8 de março de 2006, foi dada nova redação ao §
1º do artigo 17 da Constituição da República, estabelecendo-se inexistir
obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas dos partidos políticos em
âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal. Referido dispositivo foi objeto
de impugnação por meio de ação direta de inconstitucionalidade, ao final
julgada procedente, pelo Supremo Tribunal Federal, para o fim de declarar que
a alteração promovida pela referida emenda constitucional somente fosse
aplicada após decorrido um ano da data de sua vigência (ADI 3685-DF, Rel.
Min. Ellen Gracie, publ. DJU de 10 ago. 2006).
Na hipótese relatada, o Supremo Tribunal Federal procedeu à:
a) interpretação, conforme a Constituição, sem redução de texto normativo.

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b) declaração parcial de inconstitucionalidade, com redução de texto
normativo.
c) declaração total de inconstitucionalidade, com redução de texto normativo.
d) interpretação, conforme a Constituição, com redução de texto normativo.
e) declaração de situação de norma ainda constitucional.

34- (FGV / Juiz Estadual – AM / 2013) A respeito dos métodos de


aplicação e interpretação da Constituição, assinale a afirmativa incorreta.
a) A ponderação consiste na técnica jurídica de solução de conflitos
normativos que envolvem valores ou opções políticas em tensão, insuperáveis
pelas formas hermenêuticas tradicionais.
b) A interpretação conforme a Constituição é uma técnica aplicável quando,
entre interpretações plausíveis e alternativas de certo enunciado normativo,
exista alguma que permita compatibilizá‐la com a Constituição.
c) O princípio da concordância prática consiste numa recomendação para que
o aplicador das normas constitucionais, em se deparando com situações de
concorrência entre bens constitucionalmente protegidos, adote a solução que
otimize a realização de todos eles, mas ao mesmo tempo não acarrete a
negação de nenhum.
d) A aplicação do princípio da proporcionalidade esgota‐se em duas etapas: a
primeira, denominada “necessidade ou exigibilidade”, que impõe a verificação
da inexistência do meio menos gravoso para o atingimento dos fins visados
pela norma jurídica, e a segunda, chamada “proporcionalidade em sentido
estrito”, que é a ponderação entre o ônus imposto e o benefício trazido, para
constatar se é justificável a interferência na esfera dos direitos dos cidadãos.
e) O princípio da eficácia integradora orienta o intérprete a dar preferência
aos critérios e pontos de vista que favoreçam a integração social e a unidade
política, ao fundamento de que toda Constituição necessita produzir e manter
a coesão sociopolítico, pré‐requisito de viabilidade de qualquer sistema
jurídico.

35- (FGV / Auditor Fiscal Tributário da Receita Municipal de Cuiabá /


2015) Analise o fragmento a seguir.
“Sempre que uma norma jurídica comportar mais de um significado possível,
deve o intérprete optar por aquele que melhor realize o espírito da
Constituição, rejeitando as exegeses contrárias aos preceitos constitucionais.”
Assinale a opção que indica o princípio de interpretação constitucional a que o
fragmento se refere.
a) Princípio da Unidade da Constituição.
b) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição.

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c) Princípio da Supremacia da Constituição.
d) Princípio da Força Normativa da Constituição.
e) Princípio da Concordância Prática.

36- (FCC / Especialista em Políticas Públicas – SP / 2009) O Poder


Constituinte denominado originário:
a) consubstancia manifestação do poder soberano do Estado, não sofrendo
limitações de natureza jurídica no plano interno.
b) tem como características a precariedade e a informalidade, servindo
apenas para a estruturação do Poder Constituinte derivado.
c) não existe em Estados federativos, porquanto as Constituições dos Estados-
membros estão adstritas às limitações estabelecidas na Constituição federal.
d) somente se manifesta por meio de Assembleia Constituinte, eleita de
acordo com os princípios democráticos.
e) pode se manifestar por meio de emendas pontuais ou mediante ampla
revisão da Constituição preexistente.

37- (CESPE / Advogado da União / 2015) Julgue o item a seguir,


relativo a normas constitucionais, hermenêutica constitucional e poder
constituinte.
Diferentemente do poder constituinte derivado, que tem natureza jurídica, o
poder constituinte originário constitui-se como um poder, de fato, inicial, que
instaura uma nova ordem jurídica, mas que, apesar de ser ilimitado
juridicamente, encontra limites nos valores que informam a sociedade.

38- (FCC / Defensor Público Estadual – MA / 2015) No âmbito da


teoria do poder constituinte, considera-se que o poder de aprovar emendas às
constituições estaduais:
a) não configura exercício de poder constituinte derivado ou instituído.
b) cabe ser definido no âmbito das Constituições Estaduais, constituindo o
único instrumento pelo qual se admite promover modificações no regime
constitucional estadual em vigor.
c) configura exercício de poder constituinte decorrente de segundo grau, pois
deve observar, como regra geral, as limitações materiais impostas ao poder
constituinte decorrente inicial, além daquelas estatuídas pela própria
Constituição Estadual.
d) sujeita-se apenas a limites formais e circunstanciais.

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e) fica sujeito, em virtude do princípio da simetria, apenas às limitações
formais e materiais impostas ao poder de reforma da Constituição Federal.

39- (FCC / Defensor Público – RS / 2011) No que se refere ao Poder


Constituinte, é incorreto afirmar:
a) O Poder Constituinte genuíno estabelece a Constituição de um novo Estado,
organizando-o e criando os poderes que o regerão.
b) Existe Poder Constituinte na elaboração de qualquer Constituição, seja ela
a primeira Constituição de um país, seja na elaboração de qualquer
Constituição posterior.
c) O Poder Constituinte derivado decorre de uma regra jurídica constitucional,
é ilimitado, subordinado e condicionado.
d) Quando os Estados-Federados, em razão de sua autonomia político-
administrativa e respeitando as regras estabelecidas na Constituição Federal,
auto-organizam- se por meio de suas constituições estaduais estão
exercitando o chamado Poder Constituinte derivado decorrente.
e) Para parte da doutrina, a titularidade do Poder Constituinte pertence ao
povo, que, entretanto, não detém a titularidade do exercício do poder.

40- (CESPE / Defensor Público Estadual da DPE – AC / 2017) A


mutação constitucional:
a) é fenômeno reconhecido apenas pela doutrina, uma vez que o STF evita
aplicá-la.
b) ocorre em razão da natureza monossêmica do texto constitucional.
c) acarreta a alteração da configuração verbal do texto constitucional.
d) decorre da técnica de declaração de nulidade de dispositivos legais pelo
controle concentrado.
e) é justificada pelas modificações na realidade fática e na percepção do
direito.

41- (FGV / Analista de Controle Externo do TCE – BA / 2013 /


Adaptada) Julgue o item a seguir:
A mutação constitucional consiste em uma alteração do significado de
determinada norma da Constituição, sem observância do mecanismo
constitucionalmente previsto para as emendas e sem que tenha havido
qualquer modificação de seu texto.

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42- (FCC / Juiz do Trabalho Substituto do TRT da 1ª Região / 2015)
Thomas Paine afirmou "A vaidade e a presunção de governar para além do
túmulo é a mais ridícula e insolente das tiranias". Partindo-se das premissas
de que a Constituição é feita para durar (estabilidade), mas que a
imutabilidade absoluta é um risco à sua legitimidade, especialmente perante
as gerações futuras (adaptabilidade), tem-se que o mecanismo institucional
que, de maneira informal, permite a modificação do sentido e do alcance do
texto constitucional positivado é a:
a) Revisão constitucional.
b) Mutação constitucional.
c) Reforma constitucional.
d) Assembleia constituinte.
e) Emenda constitucional.

43- (FCC / Procurador da Assembleia Legislativa – SP / 2010) Pela


Teoria Geral do Estado, é incorreto afirmar:
a) No Estado Unitário, o ente provincial tem, dentre outras, soberania interna
e externa, competência legislativa própria, capacidade de auto-organização e
subordinação vinculada.
b) As formas de Estado levam em consideração a composição geral do Estado,
a estrutura do poder, sua unidade, distribuição e competências no território do
Estado.
c) O Estado Federal é aquele que se divide em províncias politicamente
autônomas, possuindo duas fontes paralelas de Direito Público, uma Nacional
e outra Provincial.
d) Pelo fato de apresentar a centralização política, o Estado Unitário só tem
uma fonte de Poder, o que não impede a descentralização administrativa.
e) Dentre as características do Estado Federal, tem-se a constância dos
princípios fundamentais da Federação e da República, sob as garantias da
imutabilidade desses princípios, da rigidez Constitucional e do instituto da
Intervenção Federal.

44- (FGV / Técnico de Nível Superior da Prefeitura de Salvador – BA


/ 2017 / Adaptada) Em momento anterior à promulgação da Constituição
da República, estavam em vigor as Leis X, Y e Z, tendo, essa última, revogado
a Lei W.
A Lei X era formal e materialmente compatível com a nova ordem
constitucional.

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A Lei Y era formalmente incompatível e materialmente compatível com a nova
ordem constitucional.
A Lei Z era formal e materialmente incompatível com a nova ordem
constitucional, sendo certo que a revogada Lei W, caso estivesse vigendo,
seria formal e materialmente compatível com a nova ordem constitucional.
À luz da narrativa acima, assinale a afirmativa correta.
a) A Lei X foi recepcionada e as Leis Y e Z foram revogadas, ressalvada a
hipótese de a nova ordem constitucional ter determinado, expressamente, a
permanência em vigor destas últimas.
b) As Leis X, Y e Z foram revogadas pela nova ordem constitucional, já que a
narrativa não faz menção à existência de comando constitucional expresso
prevendo a sua recepção.
c) As Leis X e Y foram recepcionadas pela nova ordem constitucional, em
razão de sua compatibilidade material, e a Lei W foi repristinada em
decorrência da revogação da lei revogadora.
d) A Lei Z não foi recepcionada e as Leis X e Y foram recepcionadas pela nova
ordem constitucional, sendo certo que esta última passou a ter a mesma
natureza jurídica da espécie legislativa prevista na nova sistemática.
e) A Lei X foi recepcionada pela nova ordem constitucional, a Lei Y foi
revogada e a Lei W foi repristinada em razão da não recepção da lei
revogadora.

45- (CESPE / Analista de Infraestrutura – MPOG / Área I / 2012)


Com relação aos princípios do direito constitucional, julgue o item a seguir.
A Federação brasileira − formada, de acordo com o disposto na CF, pela união
indissolúvel da União, dos estados-membros, do Distrito Federal e dos
municípios − é um federalismo do tipo assimétrico, em razão da falta de
homogeneidade entre os entes federativos.

46- (FEMPERJ / Analista de Controle Externo do TCE – RJ / Controle


Externo / 2012) A Constituição da República de 1988 consagrou no seu art.
2º a teoria da "tripartição dos Poderes" exposta por Montesquieu. Contudo, o
fez de forma abrandada, na medida em que essa separação não é pura e
absoluta. Assim sendo, cada poder exerce funções típicas e atípicas.
Sobre o tema, é correto afirmar que são funções:
a) típicas do Poder Judiciário julgar e administrar.
b) atípicas do Poder Legislativo administrar e fiscalizar.
c) típicas do Poder Executivo administrar e legislar.
d) típicas do Poder Executivo administrar e julgar.

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e) típicas do Poder Legislativo fiscalizar e legislar.

47- (FCC / Juiz do Trabalho do TRT da 1ª Região / 2012) Em 1993, o


eleitorado brasileiro participou de plebiscito para definição da forma e do
sistema de governo que deveriam vigorar no País. Se o resultado do plebiscito
houvesse modificado o sistema de governo brasileiro de presidencialista para
parlamentarista, mas mantido a forma republicana de governo, o texto da
Constituição Federal, necessariamente, deveria ser reformado para:
a) incluir a previsão de eleições indiretas, realizadas pelo Parlamento, para a
escolha do Chefe de Estado.
b) acrescentar a possibilidade de o Chefe de Estado ter mandato por tempo
indeterminado e escolher seu sucessor, a fim fiscalizar a atuação do Chefe de
Governo com imparcialidade.
c) modificar competências, no âmbito da União, tanto do Poder Executivo,
quanto do Poder Legislativo, para que fossem especificadas as atribuições a
serem exercidas pelo Chefe de Governo em conjunto com o Parlamento.
d) implantar uma monarquia constitucional, para que a chefia do Poder
Executivo fosse dividida entre o Primeiro Ministro, responsável pelas funções
do governo, e o Chefe de Estado, responsável pelas funções de representação
do Estado brasileiro.
e) alterar regras de competência do Congresso Nacional para que este
pudesse processar e julgar o Primeiro Ministro por crime de responsabilidade,
sendo proibido, em regimes democráticos, exonerá-lo do cargo apenas pela
perda do apoio parlamentar.

48- (CESPE / Assistente Técnico Administrativo do Ministério da


Integração Nacional / 2013 / Adaptada) Julgue o item a seguir.
Os poderes do Estado são independentes e harmônicos entre si e a titularidade
de suas funções típicas é, reciprocamente, indelegável.

49- (ESAF / Analista Técnico Administrativo do Ministério do


Turismo / 2014) O Estado é pessoa jurídica territorial soberana formada por
três elementos indissociáveis e indispensáveis para a noção de um Estado
independente.
Assinale a opção que contenha os três elementos essenciais para a existência
do Estado.
a) Povo, Carta Constitucional e Território.
b) Autonomia, Governo e Povo.
c) Território, Povo e Governo.

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d) Carta Constitucional, Povo e Governo.
e) Autonomia, Povo e Território.

50- (CESPE / Delegado de Polícia Civil da PC – MA / 2018) De acordo


com a doutrina majoritária, quanto à origem, as Constituições podem ser
classificadas como:
a) promulgadas, que são ditas democráticas por se originarem da participação
popular por meio do voto e da elaboração de normas constitucionais.
b) outorgadas, que surgem da tradição, dos usos e costumes, da religião ou
das relações políticas e econômicas.
c) cesaristas, que são as derivadas de uma concessão do governante, ou seja,
daquele que tem a titularidade do poder constituinte originário.
d) pactuadas, que são formadas por dois mecanismos distintos de
participação popular, o plebiscito e o referendo, ambos com o objetivo de
legitimar a presença do detentor do poder.
e) históricas, que surgem do pacto entre o soberano e a organização nacional
e englobam muitas das Constituições monárquicas.

51- (ESAF / Analista de Comércio Exterior / Grupo 1 / 2012) Sabe-se


que a doutrina constitucionalista classifica as constituições. Quanto às
classificações existentes, é correto afirmar que:
I. quanto ao modo de elaboração, pode ser escrita e não escrita.
II. quanto à forma, pode ser dogmática e histórica.
III. quanto à origem, pode ser promulgada e outorgada.
IV. quanto ao conteúdo, pode ser analítica e sintética.
Assinale a opção verdadeira.
a) II, III e IV estão corretas.
b) I, II e IV estão incorretas.
c) I, III e IV estão corretas.
d) I, II e III estão corretas.
e) II e III estão incorretas.

52- (FGV / Analista Judiciário do TRE – PA / Área Judiciária / 2011)


As constituições imutáveis são aquelas que não comportam modificação de
nenhuma espécie, enquanto as rígidas exigem um processo de alteração mais
rigoroso do que aquele previsto para a legislação infraconstitucional. A

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Constituição de 1988 é considerada super-rígida, isto é, ela possui uma parte
imutável e uma parte rígida.
Para que se altere a CRFB de 1988 na sua parte rígida, é necessário que
a) haja proposta de emenda por, no mínimo, metade dos membros da
Câmara dos Deputados ou do Senado Federal.
b) a proposta de emenda seja discutida e votada em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos.
c) a proposta de emenda seja aprovada se obtiver, em pelo menos uma das
casas, três quintos dos votos.
d) a emenda seja promulgada pelo Senado Federal, que detém competência
privativa para tanto.
e) a proposta de emenda tenha iniciativa do Presidente da República ou dos
Governadores dos Estados ou do Distrito Federal.

53- (CESPE / Juiz Federal do TRF da 1ª Região / 2011) Acerca do


poder constituinte, da CF e do ADCT, assinale a opção correta.
a) As normas que versam sobre a intervenção federal nos estados e no DF,
bem como dos estados nos municípios, incluem-se entre os chamados
elementos de estabilização constitucional.
b) O poder constituinte originário dá início a nova ordem jurídica, e, nesse
sentido, todos os diplomas infraconstitucionais perdem vigor com o advento da
nova constituição.
c) Consideram-se elementos socioideológicos da CF as normas que disciplinam
a organização dos poderes da República e o sistema de governo.
d) O ADCT não tem natureza de norma constitucional, na medida em que
dispõe sobre situações excepcionais e temporárias.
e) Segundo disposição literal da CF, os estados e municípios dispõem do
chamado poder constituinte derivado decorrente, que deve ser exercido de
acordo com os princípios e regras dessa Carta.

54- (CESPE / Analista do Executivo – ES / Área de Direito / 2013) No


que se refere ao conceito de Constituição e às normas constitucionais, assinale
a opção correta. Nesse sentido, considere que a sigla CF, sempre que
empregada, refere-se a Constituição Federal de 1988.
a) Atualmente, a doutrina constitucional defende que as normas
constitucionais operam apenas na qualidade de regras jurídicas.
b) Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), como o
preâmbulo da CF possui força jurídica, sua reprodução é obrigatória nas
constituições dos estados.

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c) Os direitos fundamentais previstos no art. 5º da CF classificam-se como
normas materialmente constitucionais.
d) O caráter supralegal da CF relaciona-se à noção de constituição material.
e) Nas Constituições flexíveis, o procedimento de reforma do texto
constitucional é distinto do processo legislativo ordinário e, também, mais
difícil de ser realizado.

55- (CESPE / Técnico do MPU / Área de Administração / 2013) No


que se refere à CF, julgue o item a seguir.
Todas as normas presentes na CF, independentemente de seu conteúdo,
possuem supremacia em relação à lei ordinária, por serem formalmente
constitucionais.

56- (CESPE / Analista do Executivo – ES / Área de Direito / 2013)


Acerca do poder constituinte, assinale a opção correta.
a) A lei orgânica municipal, por ser fruto do poder constituinte derivado
decorrente, pode ser parâmetro para o controle de constitucionalidade
municipal.
b) Um dos limites ao poder constituinte derivado reformador de revisão
previstos pela CF é o quórum qualificado de aprovação, de três quintos.
c) Para a maioria da doutrina constitucional, a CF foi produto do poder
constituinte originário, pois implicou a ruptura com o regime político anterior e
o estabelecimento de novos valores constitucionais.
d) A CF proibiu a elaboração de emendas constitucionais durante o período
eleitoral, sendo este um limite circunstancial ao poder constituinte derivado
reformador.
e) A proposta de emenda constitucional que pretenda abolir o direito à
educação não viola a CF, pois os direitos sociais não são limites materiais ao
poder constituinte derivado reformador.

57- (FCC / Gestor Público – PI / 2013) Na interpretação da Constituição


Federal, prevalece:
a) a norma constitucional específica frente à norma constitucional geral,
ambas originárias, ainda que a primeira abra exceção à segunda.
b) a vontade do constituinte frente à literalidade da norma constitucional.
c) a vontade do magistrado frente à literalidade da norma constitucional.
d) o sentido da lei regulamentadora frente ao inequívoco sentido da norma
constitucional.

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e) a orientação normativa do Presidente da República frente à Súmula
Vinculante do Supremo Tribunal Federal.

58- (FGV / Técnico Tributário SEFIN – RO / 2018) Pedro e Antônio


travaram intenso debate a respeito dos princípios fundamentais encampados
pela Constituição de 1988, dentre os quais, a forma de Estado adotada. Após
intensas reflexões a esse respeito, chegaram à única conclusão
constitucionalmente correta: a de que a forma de Estado prevista na
Constituição é a:
a) federativa, caracterizada pela união indissolúvel dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.
b) republicana, caracterizada pela outorga do poder ao povo e pelo exercício
direto ou por meio de representantes eleitos.
c) federativa, caracterizada pela união indissolúvel dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios e dos Territórios.
d) presidencial, em que o Chefe do Poder Executivo é eleito pelo povo, não
sendo escolhido entre os parlamentares.
e) federativa, caracterizada pela união dissolúvel dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios e dos Territórios.

59- (CESPE / Analista Judiciário do STJ / 2018) A respeito do poder


constituinte, do controle de constitucionalidade e da organização dos poderes,
julgue o item que se segue.
O poder constituinte originário fixou as condições do exercício do poder de
revisão constitucional; contudo, no Brasil, o legislador pode ampliar as
hipóteses de revisão, desde que haja autorização popular por meio de
plebiscito.

60- (FCC / Analista Judiciário do TRE – SE / 2015) Provavelmente, a


decisão política que conduziu à promulgação da constituição, ou desse tipo de
constituição, foi prematura. A esperança, contudo, persiste, dada a boa
vontade dos detentores e destinatários do poder, de que tarde ou cedo a
realidade do processo do poder corresponderá ao modelo estabelecido na
constituição.
O trecho acima, retirado da obra de um importante constitucionalista do
século XX, corresponde à descrição de uma constituição:
a) normativa.
b) balanço.
c) semântica.

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d) nominal.
e) analítica.

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14- Gabarito

1 Correto 21 Correto 41 Correto


2 Correto 22 A 42 B
3 Correto 23 Correto 43 A
4 C 24 B 44 D
5 Errado 25 Correto 45 Correto
6 B 26 A 46 E
7 D 27 D 47 C
8 Correto 28 E 48 Correto
9 Correto 29 B 49 C
10 Errado 30 Correto 50 A
11 A 31 B 51 B
12 E 32 B 52 B
13 Errado 33 A 53 A
14 C 34 D 54 C
15 A 35 B 55 Correto
16 B 36 A 56 C
17 Errado 37 Correto 57 A
18 Correto 38 C 58 A
19 B 39 C 59 Errado
20 A 40 E 60 D

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15- Referencial Bibliográfico

CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito constitucional e teoria da


Constituição. 6. ed. Coimbra: Almedina, 1993.
DE CICCO, Cláudio; GONZAGA, Álvaro de Azevedo. Teoria geral do estado e
ciência política. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008.
FARIAS NETO, Pedro Sabino de. Ciência política: Enfoque integral avançado.
São Paulo: Atlas, 2011.
KELSEN, Hans. Teoria pura do Direito. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes,
1998.
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 16. ed. São Paulo:
Saraiva, 2012.
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 12. ed.
São Paulo: Malheiros, 2000.
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito
Constitucional. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 25. ed.
São Paulo: Malheiros, 2005.

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