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Proposta de Resolução da Componente de Física do Exame Nacional de Física e Química A — 2.

ª Fase – 2020
Sociedade Portuguesa de Física, Divisão de Educação

Proposta de Resolução do Exame Nacional de Física e Química A – 2.ª Fase, versão 1


Exame Final Nacional do Ensino Secundário, Prova Escrita de Física e Química A, 11.º Ano de Escolaridade, 2.ª Fase, Instituto de
Avaliação Educativa, IAVE, 1/setembro/2020: http://iave.pt/images/arquivo_de_provas/2020/715/EX-FQA715-F2-2020-V1_net.pdf

Grupo I

6.
6.2. (B)
A energia envolvida na  Relação entre a energia envolvida na vaporização de uma amostra de água
vaporização de 1,0 g de que se encontre à temperatura de ebulição, à pressão atmosférica normal,
água que se encontra à 𝐸1 , e a variação de energia interna, ∆𝑈1 , dessa amostra de água:
temperatura de ebulição 𝐸1 = ∆𝑈1 , com ∆𝑈1 = 𝑚 × ∆ℎ, em que 𝑚 é a massa da amostra de água e
será, aproximadamente, ∆ℎ é a variação de entalpia mássica de vaporização.
3
2,3 × 10 J.
 Relação entre a energia envolvida no aquecimento de uma amostra de água
de 25 ℃ até 100 ℃, 𝐸2 , e a variação de energia interna, ∆𝑈2 , dessa amostra
de água:
𝐸2 = ∆𝑈2 , com ∆𝑈2 = 𝑚 × 𝑐 × ∆𝜃, em que 𝑚 é a massa de água líquida,
𝑐 a sua capacidade térmica mássica e ∆𝑡 a variação de temperatura.
 Relação entre as energias envolvidas: 𝐸1 = 7,2 × 𝐸2
 Assim, fica: 𝐸1 = 7,2 × 𝑚 × 𝑐 × ∆𝜃.
 Para uma amostra de água com a massa de 1,0 g, vem:
𝐸1 = 7,2 × 1,0 × 10−3 kg × 4,18 × 103 J kg −1 ℃−1 × (100 ℃ − 25 ℃ )
𝐸1 = 2,3 × 103 J
6.3. (C)
Num mesmo intervalo de
 Uma vez que se admite que o sistema esfera + água se comporta como um
tempo, a energia cedida
sistema isolado, num dado intervalo de tempo, a energia cedida pela esfera
pela esfera será igual à
é igual à energia absorvida pela água ou, por outras palavras, o somatório
energia absorvida pela
das variações de energia interna do sistema é nulo, isto é:
água, sendo a diminuição
da temperatura da esfera ∆𝑈água + ∆𝑈esfera = 0.
maior do que o aumento  A variação de energia interna da água é dada por:
da temperatura da água. ∆𝑈água = 𝑚água × 𝑐água × ∆𝜃água , em que 𝑚água é a massa de água fria,
𝑐água a sua capacidade térmica mássica e ∆𝜃água a variação de temperatura
sofrida pela água.
 A variação de energia interna da esfera é dada por:
∆𝑈esfera = 𝑚esfera × 𝑐metal × ∆𝜃esfera , em que 𝑚esfera é a massa da esfera,
𝑐metal a capacidade térmica mássica do metal constituinte da esfera e
∆𝜃esfera a variação de temperatura sofrida pela esfera.
 Sendo e ∆𝑈água + ∆𝑈esfera = 0 e 𝑚água = 𝑚esfera , simplificando, fica:
𝑚água × 𝑐água × ∆𝜃água + 𝑚esfera × 𝑐metal × ∆𝜃esfera = 0 ⇔
⇔ 𝑐água × ∆𝜃água + 𝑐metal × ∆𝜃esfera = 0
 Sendo a capacidade térmica mássica do metal constituinte da esfera menor
do que a capacidade térmica mássica água líquida, conclui-se que a
|∆𝜃esfera | > |∆𝜃água |, isto é, a diminuição de temperatura da esfera é maior
do que o aumento de temperatura da água.

Sociedade Portuguesa de Física, Divisão de Educação, 5 setembro de 2020


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Sociedade Portuguesa de Física, Divisão de Educação

Grupo II
1. (A)
A força 𝐹⃗ está aplicada na rampa, sendo a sua  A força normal, 𝑁⃗⃗, é exercida pela rampa no automóvel, pelo
intensidade menor do que a intensidade da que atua no automóvel; a força 𝐹⃗ é exercida pelo automóvel
força gravítica que atua no automóvel. na rampa, pelo que atua na rampa.
 Forças que atuam no automóvel, representado pelo seu
centro de massa e a força 𝐹⃗ (não estão representadas as
forças dissipativas, que se consideram como tendo direções
paralelas à rampa):

 A magnitude da força normal é menor do que a magnitude da


força gravítica (𝑁 = 𝑚 𝑔 cos 𝜃, pois na direção perpendicular
à rampa há repouso)
 As forças que constituem um par ação-reação têm a mesma
magnitude. Logo, 𝐹 = 𝑚 𝑔 cos 𝜃
 Sendo 𝐹g = 𝑚 𝑔, logo, 𝐹 < 𝐹g .

2. (C)
Para uma mesma distância percorrida sobre a  Considerando a equação de definição de trabalho realizado,
rampa, o trabalho realizado pela força 𝑊 = 𝐹 𝑑 cos 𝛼,
gravítica que atua no automóvel depende da  conclui-se que o trabalho realizado pela força gravítica é dado
inclinação da rampa e da massa do por 𝑊𝐹⃗g = 𝐹g 𝑑 cos 𝛼, com 𝐹g = 𝑚 𝑔
automóvel.

 Como cos 𝛼 = sin 𝜃, vem: 𝑊𝐹⃗g = 𝑚 𝑔 𝑑 sin 𝜃


 Assim, conclui-se o trabalho realizado pela força gravítica que
atua no automóvel depende da inclinação da rampa e da
massa do automóvel, para uma dada distância percorrida.

3. (A)
 Existindo forças dissipativas, há diminuição da energia
mecânica (𝐸m = 𝐸pg + 𝐸c ), pelo que a energia cinética
quando o automóvel atinge o nível de referência (𝐸pg = 0) é
inferior à energia potencial gravítica no instante em que o
automóvel foi destravado.
 Sabendo que a velocidade inicial é nula e considerando as
equações
𝑣 = 𝑣0 + 𝑎 𝑡
1
𝑑 = 𝑣0 𝑡 + 𝑎 𝑡 2
2
obtém-se a expressão 𝑣 2 = 2 𝑎 𝑑
 Assim, conclui-se que a energia cinética do automóvel é
diretamente proporcional à distância percorrida, 𝑑
1 𝑣 2 =2 𝑎 𝑑
𝐸c = 𝑚 𝑣2 → 𝐸c = 𝑚 𝑎 𝑑
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4.

4.1.
 Esboço do gráfico do módulo da velocidade em função do tempo (se o movimento é retilíneo
e a aceleração constante, a componente escalar da velocidade varia linearmente com o tempo)
para o automóvel que parte do repouso e atinge a velocidade máxima no instante em que se
inicia a colisão:

𝑣 /m s −1
7,5

∆𝑡 /s

 módulo do deslocamento é numericamente igual à área sob a curva do gráfico (área do


triângulo sombreado a azul)

𝑣máximo × ∆𝑡 7,5 m s −1 × ∆𝑡
𝑑= ⟶ 80 m = ⇔ ∆𝑡 = 21 s
2 2

4.2.
 𝐸m0 = 𝐸m + 𝐸diss , em que 𝐸m0 é a energia mecânica na posição em que se inicia o
deslizamento (𝑣0 = 0, a que corresponde 𝐸C0 = 0 J) e 𝐸m é a energia mecânica no instante
em que se inicia a colisão.
1 1
𝑚 𝑔 ℎ0 = 𝑚 𝑔 ℎ + 𝑚 𝑣 2 + 𝐸diss ⇔ 𝐸diss = 𝑚 𝑔 (ℎ0 − ℎ) − 𝑚 𝑣 2
2 2
 Substituindo, vem:
1
𝐸diss = 1,2 × 103 × 10 × 7,0 − × 1,2 × 103 × 7,52 ⇔
2
⇔ 𝐸diss = 8,40 × 104 J − 3,38 × 104 J ⇔ 𝐸diss = 5,02 × 104 J
 A energia dissipada é igual ao módulo do trabalho realizado pelas forças dissipativas,
consideradas paralelas à rampa.
𝑊𝐹⃗dissipativas = 𝐹dissipativas 𝑑 cos 180°

 Substituindo, vem:
−5,02 × 104 J = 𝐹dissipativas × 80 m × (−1) ⇔ 𝐹dissipativas = 6,3 × 102 N

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Grupo III
1. (A)
 As linhas de campo magnético são fechadas e saem pelo polo
norte do íman e entram pelo polo sul;
 o vetor campo magnético, 𝐵 ⃗⃗, tem o sentido do polo norte para
o polo sul;
⃗⃗ tem uma direção tangente à linha de
 em cada ponto o vetor 𝐵
campo que aí passa.

2.
 A diferença de potencial nos terminais de um gerador ideal não depende da corrente elétrica no
circuito e é igual à diferença de potencial nos terminais do reóstato,
considerando a resistência dos fios elétricos e do interruptor
desprezáveis.
 A resistência elétrica introduzida pelo reóstato relaciona-se com a
diferença de potencial nos terminais do reóstato e com a corrente
elétrica no circuito pela expressão:
𝑈 𝑈
𝑅=
⇔𝐼= (eq. 1)
𝐼 𝑅
 A potência dissipada pelo reóstato é dada por
𝑃dissipada = 𝑅 𝐼 2 (eq. 2).
 substituindo a eq. 1 na eq. 2 pode, então, ser obtida a expressão:
𝑈
𝐼=
𝑅 𝑈2
𝑃dissipada = 𝑅 𝐼 2 → 𝑃dissipada =
.
𝑅
 Assim, sendo a potência dissipada inversamente proporcional à resistência elétrica introduzida pelo
reóstato, conclui-se que a potência dissipada vai diminuir quando a resistência elétrica introduzida
pelo reóstato aumenta.

3.

3.1. (D)
A frequência deste backbeat  Considerando a figura ao lado,
está contida no intervalo, conclui-se que o intervalo de tempo
[17 Hz, 20 Hz]. de 200 ms corresponde
aproximadamente a 3,5 períodos:
∆𝑡 = 3,5 𝑇
 Assim, o período é de
aproximadamente:
200 × 10−3 s
𝑇=
3,5
1
 e a frequência, 𝑓 = , é de
𝑇
aproximadamente:
3,5
𝑓= = 17,5 Hz
200 × 10−3 s

 Assim, pode concluir-se que a frequência do backbeat está contida no


intervalo, [17 Hz, 20 Hz]

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3.2.
 Cálculo do ângulo de incidência:
Considerando a expressão da Lei de Snell-Descartes,
𝑛água sin 𝛼água = 𝑛sedimento sin 𝛼sedimento , e que o
índice de refração de um meio, para uma onda sonora, é
dado por
𝑘
𝑛meio =
𝑣meio
vem:
𝑘 𝑘
sin 𝛼água = sin 𝛼sedimento
𝑣água 𝑣sedimento
Substituindo, fica:
𝑘 𝑘
sin 𝛼água = sin 50° ⇔ sin 𝛼água = 0,638 ⇔ 𝛼água = 39,7°
1,5 1,8
 Cálculo da distância a que a baleia se encontra do sismómetro S:
cateto adjacente 4,0 km 4,0 km
cos 𝛼água = ⟶ cos 𝛼água = ⇔ cos 39,7° = ⇔
hipotenusa 𝑑 𝑑
⇔ 𝑑 = 5,2 km

Grupo IV

1. (B)
A aceleração de um satélite no seu  Considera-se que o movimento é circular uniforme e que a
movimento de translação em torno de única força que atua no satélite é a força gravitacional
Júpiter depende do raio da órbita, mas exercida por Júpiter. Assim,
não depende da massa do satélite.
𝐺 𝑚J 𝑚𝑠
∑ 𝐹⃗ = 𝐹⃗g e 𝐹g =
𝑟2
∑ 𝐹⃗ = 𝑚𝑠 𝑎c

 Então,
𝐺 𝑚J 𝑚𝑠 𝐺 𝑚J
2
= 𝑚𝑠 𝑎c ⇔ 𝑎c = 2
𝑟 𝑟
 Assim, a aceleração de um satélite no seu movimento de
translação em torno de Júpiter é inversamente proporcional
ao quadrado do raio da órbita e diretamente proporcional à
massa de Júpiter, sendo independente da sua massa.

2. Determinação da massa de Júpiter, 𝑚J


 Dedução da expressão do quadrado do período em função do cubo do raio da órbita:
Considera-se que o movimento de cada satélite é circular uniforme e que a única força que atua no
satélite é a força gravitacional exercida por Júpiter. Assim,
𝐺 𝑚J 𝑚s
∑ 𝐹⃗ = 𝐹⃗g e 𝐹g =
𝑟2

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4 𝜋2
∑ 𝐹⃗ = 𝑚s 𝑎c , em que 𝑎c = ×𝑟
𝑇2
Então,

𝐺 𝑚J 𝑚s 4 𝜋2 𝐺 𝑚J 4 𝜋 2 2
4 𝜋2 3
= 𝑚s × 𝑟 ⇔ = ⇔ 𝑇 = 𝑟
𝑟2 𝑇2 𝑟3 𝑇2 𝐺 𝑚J
 Gráfico do quadrado do período em função do cubo do raio da órbita e equação da reta de ajuste:

𝑇 2 /s2 𝑇 2 = 3,119 × 10−16 𝑟 3 − 5,104 × 108 (SI)

0
𝑟 3 /m3

 Equação da reta de ajuste:

𝑇 2 = 3,119 × 10−16 𝑟 3 (SI)


 Cálculo da massa de Júpiter, 𝑚J
4 𝜋2
Considerando a equação deduzida, 𝑇 2 = 𝑟 3 , conclui-se que:
𝐺 𝑚J

4 𝜋2
3,119 × 10−16 = (SI)
𝐺 𝑚J
Substituindo, vem:
4 𝜋2
3,119 × 10−16 = ⇔ 𝑚J = 1,90 × 1027 kg
6,67 × 10−11 𝑚J

Comentário:
A equação que relaciona os valores de 𝑇 2 em função de 𝑟 3 , deve ser uma reta que passa pela origem, 𝑦 = 𝑚 𝑥.
Ajustando a reta 𝑦 = 𝑚 𝑥, conclui-se que o valor do declive é 3,118 × 10−16 .
No entanto, dado que as calculadoras gráficas utilizadas pelos alunos apenas permitem a regressão linear para equações do tipo
𝑦 = 𝑚 𝑥 + 𝑏, é expectável que os alunos apresentem um ajuste a esta curva. Nesse caso, o resultado do ajuste é um declive de
valor 3,119 × 10−16 .

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