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TRATANDO ESGOTO DOMÉSTICO


COM PLANTAS

TRANSFORME ESGOTO DOMÉSTICO EM ÁGUA


CRISTALINA NOVAMENTE

Jonas Rodrigo dos Santos


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Edição 1

Volume 1

Autor: Jonas Rodrigo dos Santos l @jonasrodrigodossantos

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS

É proibida a reprodução total ou parcial deste material, de


qualquer forma ou por qualquer meio. A violação dos direitos
do autor (Lei nº 9610/98) é crime estabelecido pelo artigo
184 do Código Penal Brasileiro.

Detentor dos direitos autorais: Jonas Rodrigo dos Santos


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DEDICATÓRIA

Dedico este livro aquelas pessoas que sempre estiveram


em busca de soluções para o tratamento de esgoto de sua
residência, que sabem muito bem os problemas causados com
o lançamento de esgoto sem tratamento ao ambiente, dedico
este livro aquelas pessoas que irão, a partir de agora,
implantar o seu tratamento de esgoto.

Estou falando de você.


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Sumário
ESGOTO X AMBIENTE ................................................ 10
TRATAMENTO DE ESGOTO COM PLANTAS ................. 16
COMPONENTES DO SISTEMA DE TRATAMENTO DE
ESGOTO COM PLANTAS ............................................... 20
CAIXA DE GORDURA .................................................... 23
FOSSA SÉPTICA ............................................................ 26
ESCOLHA DO LOCAL DE INSTALAÇÃO/CONSTRUÇÃO
DA FOSSA SÉPTICA ................................................... 28
FOSSA SÉPTICA DE FIBRA OU POLIETILENO.............. 29
PROCEDIMENTOS PARA INSTALAÇÃO FOSSA SÉPTICA
DE FIBRA OU POLIETILENO ...................................... 30
FOSSA SÉPTICA COM MANILHAS DE CONCRETO ...... 32
PROCEDIMENTOS PARA INSTALAÇÃO FOSSA SÉPTICA
COM TUBOS DE CONCRETO ..................................... 35
FOSSA SÉPTICA DE ALVENARIA ................................ 40
PROCEDIMENTOS PARA CONSTRUÇÃO FOSSA
SÉPTICA DE ALVENARIA ........................................... 42
TANQUE DE ZONA DE RAÍZES ...................................... 47
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PROCEDIMENTOS PARA CONSTRUÇÃO TANQUE DE
ZONA DE RAÍZES ...................................................... 49
MATERIAL FILTRANTE .............................................. 54
PROCEDIMENTO DE INSERÇÃO DO MATERIAL
FILTRANTE NO TANQUE DE ZONA DE RAÍZES .......... 55
PLANTAS RECOMENDADAS ...................................... 57
TABOA ..................................................................... 59
BANANEIRA.............................................................. 61
TAIOBA .................................................................... 63
DISPOSIÇÃO DAS PLANTAS ...................................... 64
TANQUE DE ZONA DE RAÍZES .................................. 64
DESTINO DO EFLUENTE TRATADO ............................... 67
SUMIDOURO ................................................................ 69
TABELAS DE DIMENSIONAMENTO DOS SUMIDOUROS
................................................................................. 70
PROCEDIMENTO PARA CONSTRUÇAÕ DO
SUMIDOURO ............................................................ 72
MANUTENÇÕES ........................................................... 75
BENEFÍCIOS DA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA .............. 78
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TRATANDO ESGOTO DOMÉSTICO COM PLANTAS ....... 81
QUEM É JONAS RODRIGO DOS SANTOS? ................... 83
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Índice de Tabelas
Tabela 1 – Fatores que interferem na eficiência de
tratamento de esgoto nos sistemas que utilizam
plantas. ....................................................................... 19
Tabela 2 – Volume ideal da fossa séptica de acordo com
o número de pessoas atendidas. ................................ 27
Tabela 3 – Tubos de concreto necessários para
construção da fossa séptica. ....................................... 34
Tabela 4 – Medidas sugeridas para fossa séptica de
alvenaria. .................................................................... 40
Tabela 5 – Medidas indicadas para o tanque de zona de
raízes. ......................................................................... 49
Tabela 6 – Medidas indicadas para construção do
sumidouro em solo arenoso ....................................... 70
Tabela 7 – Medidas indicadas para construção do
sumidouro em solo argiloso-arenoso. ........................ 71
Tabela 8 – Medidas indicadas para construção do
sumidouro em solo argiloso. ...................................... 71
Tabela 9 – Periodicidades indicadas para realização de
manutenções e limpezas. ........................................... 76
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Índice de Figuras
Figura 1 - Projeto caixa de gordura de alvenaria .......... 24
Figura 2 - Caixa de Gordura de Polietileno .................... 25
Figura 3 - Identificação das medidas necessárias para
calcular o volume do tanque ......................................... 41
Figura 4 – Estrutura de aerênquimas da Taboa ............ 58
Figura 5 – Taboa (Typha domingensis).......................... 60
Figura 6 – Bananeira (Musa spp) .................................. 63
Figura 7 – Taioba (Xanthosoma sagittifolium)............... 64
Figura 8 – Sequência de inserção das plantas no tanque
de zona de raízes........................................................... 66
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ESGOTO X AMBIENTE

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A contaminação das águas superficiais e subterrâneas
é um dos grandes problemas ambientais e a principal origem
desta contaminação é o lançamento de esgoto sem
tratamento ao ambiente. A disposição inadequada reflete
em problemas de saúde pública, uma vez que o tratamento
do esgoto é um dos elementos principais do saneamento
básico e conforme a Organização das Nações Unidas (ONU),
no mundo aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas não tem
acesso ao saneamento básico.

As contaminações que são relacionadas ao não


tratamento correto de esgotos, seja ele de qualquer origem,
gera primeiramente um impacto ambiental, na maioria das
vezes, severo. Em consequência disso, o impacto ambiental
gera riscos de contaminações ao ser humano, colocando em
situação frágil a saúde pública.

Estima-se que no Brasil, 65% das internações em


hospitais de crianças com menos de 10 anos, sejam
provocadas por males oriundos da deficiência ou inexistência
de tratamento de esgoto, e consequentemente a ingestão de
água contaminada.

A contaminação da água pode ocorrer de várias


maneiras, destacando-se a poluição por esgoto, metais pesa-

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dos, agrotóxicos e fertilizantes. Todos esses tipos de
contaminação ocorrem principalmente como consequência
do descarte inadequado dessas substâncias e por acidentes
que poderiam ser evitados se fossem seguidas as regras
básicas de segurança.

A principal doença desencadeada pela água


contaminada é a diarreia. Parece algo banal, mas esta dentre
as dez doenças que mais matam no mundo, sendo as
crianças as mais acometidas. Ainda se pode afirmar que do
total, o maior número de mortes se concentra em regiões
com pessoas de baixa renda familiar, em virtude, muitas
vezes, das condições de saneamento básico serem precárias.

Além da diarreia, outras doenças que podem ser


transmitidas pela água contaminada são a giardíase,
leptospirose, cólera e a febre tifoide.

Visando contribuir com o desenvolvimento do


saneamento, básico algumas tecnologias relacionadas à
tratamento de esgoto emergem constantemente.

Sistemas de tratamento de esgoto podem ser


consideradas estruturas construídas para proporcionar
ações físicas, químicas e biológicas para a realização do trata-

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mento de esgoto. Nestes dispositivos construídos, é possível,
através de algumas metodologias, separar a água de
materiais sólidos, com o auxílio da força gravitacional, além
da associação de atividades microbiológicas, que através de
seu desenvolvimento natural acabam realizando o
tratamento do esgoto, quebrando compostos químicos
complexos e removendo organismos indesejados.

Atualmente existem normas brasileiras que


demonstram os projetos para construção de um sistema de
tratamento de esgoto, e estabelecem porte dos sistemas de
acordo com o número de contribuintes, para o “correto”
dimensionamento do sistema. Por mais que esses sistemas
ainda não são tão eficientes quanto deveriam ser, é melhor
ter implantado do que direcionar o esgoto bruto
diretamente ao ambiente.

Além do descrito, as informações para se implantar


um sistema de tratamento de esgoto são restritas, deixadas
nas mãos apenas de pessoas relacionadas à engenharia,
dificultando o acesso às informações para as demais que
residem em locais não tendidos por redes coletoras de
esgoto, principalmente áreas rurais.

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Nota-se diariamente que uma evolução na
conscientização das pessoas vem aumentando, o desejo por
fazer o tratamento de esgoto já é eminente em grande parte
das pessoas que moram em locais não atendidos com
sistemas coletores.

As dificuldades daqueles que desejam implantar um


sistema de tratamento de esgoto são muitas. O acesso aos
projetos é restrito, os poucos projetos disponíveis não
tratam todo o esgoto gerado na residência, normalmente
são parciais, os sistemas prontos disponibilizados no
mercado possuem valores muito elevados, e a maioria,
ineficientes.

Tendo em vista toda essa problemática, e com o


intuito de expor abertamente tecnologias eficientes e
acessíveis, este livro foi elaborado.

Após o projeto de tratamento de esgoto por mim


construído em uma propriedade rural, ao qual transformou
esgoto em água cristalina novamente, após receber
premiação nacional devido ao desenvolvimento do projeto,
ao qual repercutiu em diversos meios de comunicação, este
livro foi elaborado.

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Aqui será descrito o processo de implantação do
sistema de tratamento de esgoto que utiliza plantas. Pode
ser chamado de zona de raízes, wetlands, ou tanque de zona
de raízes.

Este livro não foi elaborado com base em normas


técnicas, ele vai muito além disso, e foi por isso que atingiu
sua alta eficiência de tratamento e foi um dos três melhores
projetos no Prêmio ANA 2014.

Que você tenha uma ótima leitura e possa aprender


muito com ele.

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TRATAMENTO DE ESGOTO
COM PLANTAS

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Estações de tratamento de esgoto que utilizam
plantas, são sistemas constituídos por filtros naturais,
compostos por pedras de diversas granulometrias,
associadas à alguma espécie vegetativa. Estes sistemas são
aplicados em sua maioria para tratamento de esgoto em
pequena escala, no entanto o correto dimensionamento
permite o uso em grande escala, podendo tratar o esgoto de
cidades inteiras.

A utilização de espécies vegetativas no tratamento de


esgoto é um método emergente que se revela como uma
alternativa eficiente, capaz de integrar o aspecto econômico,
ambiental e social. Entre as principais vantagens de se
construir um sistema de tratamento de esgoto por zona de
raízes, destaca-se a possibilidade de atingir alta eficiência de
tratamento, baixo custo de implantação, pouca manutenção,
tolerância à variabilidade de carga aplicada, harmonia
paisagística, não utilização de produtos químicos, aplicação
para polimento de efluente de outros sistemas de
tratamento, e aplicação comunitária ou residencial.

O processo de tratamento em sistemas que utilizam


plantas, ocorre em simultâneo com atividade aeróbica e
anaeróbica, reduzindo os níveis de sólidos suspensos, conse-

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quentemente reduzindo os níveis da carga orgânica, odor e
micro-organismos patogênicos. Desta maneira, podendo ser
implantado próximo a residência.

De forma geral a técnica de tratamento consiste em


processos bióticos e abióticos, sendo que os processos
bióticos contemplam a ação de microrganismos, que se
desenvolvem aderidos à fração sólida do substrato ou nas
raízes das plantas, mineralizando os materiais orgânicos
presentes no esgoto e deixando os nutrientes disponíveis
para a vegetação inserida. Quanto aos processos abióticos,
consistem na filtração e decantação dos materiais sólidos,
consistem nos processos físicos e químicos que ocorrem no
decorrer das fases do tratamento.

Existem diversas maneiras de ser feito o uso de plantas


em sistemas de tratamento de esgoto, sendo que algumas
são mais eficientes que as demais, como é o caso do sistema
que será apresentado neste livro.

Mesmo que há diversas formas de se construir um


sistema de tratamento que utiliza plantas para purificar o
esgoto algumas características entre eles são semelhantes e
alguns fatores afetam a eficiência do tratamento.

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Tabela 1 – Fatores que interferem na eficiência de tratamento de esgoto
nos sistemas que utilizam plantas.

FATOR IINTERFERÊNCIA
Interfere nas taxas de reações físico-
químicas e bioquímicas, evaporação
Temperatura través dos filtros naturais e
evapotranspiração realizada pelas
plantas.
Interfere diretamente na taxa de
crescimento da vegetação. Interfere
Radiação Solar também na quantidade de efluente a
ser evaporado do sistema, tanto pelos
filtros naturais, quanto pelas plantas.
Interfere no balanço hídrico dentro do
sistema, pois regiões com muita
Precipitação incidência de chuvas, podem
comprometer o bom funcionamento
do tanque de zona de raízes.

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COMPONENTES DO SISTEMA DE
TRATAMENTO DE ESGOTO COM
PLANTAS

Os componentes do sistema são uma série de


compartimentos com características únicas, e cada um deles
possuí uma função específica, todos são indispensáveis para
o tratamento adequado do esgoto.

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São quatro compartimentos cruciais, implantados de
maneira sequencial, conforme descrito abaixo:

•Utilizada na saída da tubulação da pia da cozinha. Visa remover a


Caixa de gordura, pois interfere no tratamento.
Gordura

•Recebe o esgoto de toda a residência e saída da caixa de gordura. Faz


Fossa a retenção dos sólidos ao fundo e estabiliza a matéria orgânica.
Séptica

•Recebe o esgoto da fossa séptica, faz a purificação final das águas.


Tanque de
Zona de
Raízes
•Compartimento construído para realizar a infiltração do efluente
Sumidouro tratado ao solo.

Todos os componentes do sistema são necessários. A


não utilização de algum desses compartimentos poderá
prejudicar diretamente o resultado final do tratamento do
esgoto.

Em algumas residências o esgoto está ligado todo em


uma única tubulação, inclusive o gerado na pia da cozinha.
Neste caso haverá dificuldade muito grande de separação do
efluente e a caixa de gordura poderá ser dispensada, porém,

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isso fará com que as limpezas na fossa séptica sejam mais
frequentes.

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CAIXA DE GORDURA

A caixa de gordura atua no tratamento preliminar do


esgoto gerado na pia da cozinha, e tem a função de remover
o excesso de graxas e gorduras que possam provocar
interferências negativas ao tratamento subsequente, além
disso, funciona como proteção aos equipamentos, uma vez
que evita obstruções do sistema.

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Este compartimento consiste em um pequeno tanque
para recepção do esgoto da pia da cozinha, e mantêm o
líquido de três a cinco minutos no compartimento, o que é
chamado de tempo de detenção hidráulica. Este tempo é
necessário para que a gordura flutue e os sólidos pesados
decantem e se aglomerem ao fundo, liberando o efluente
sem materiais flutuantes ou com presença de sólidos.

A caixa de gordura pode ser construída em concreto,


conforme Figura 1, ou comprada, conforme Figura 2.

Figura 1-Projeto caixa de gordura de alvenaria

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Figura 2-Caixa de Gordura de Polietileno

No caso de construção da caixa de gordura


apresentada na Figura 1, ela poderá ser utilizada para até
duas cozinhas. Se optar em fazer a compra da caixa pronta,
deverá adquirir uma caixa de gordura para cada uma.

O tubo de saída da caixa de gordura deve ser


conectado na mesma tubulação de esgoto da residência, que
posteriormente será direcionado à fossa séptica.

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FOSSA SÉPTICA

O sistema de tratamento de esgoto com plantas,


obrigatoriamente deve contemplar um pré-tratamento para
estabilização dos compostos orgânicos e retenção do
material sólido, assim melhorando a eficiência do
tratamento e evitando qualquer tipo de obstrução.

O compartimento utilizado para realizar as funções


descritas são as chamadas fossas sépticas, que poderão ser

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construídas de tijolos, tubos de concreto ou ainda serem
compradas, de fibra ou polietileno.

Sugere-se o uso da fossa séptica construída em


alvenaria, desta maneira, adaptando seu porte ideal para
atendimento à sua residência, além de ser mais econômica
para a implantação.

Quanto maior for o tempo de detenção hidráulica do


esgoto nesse compartimento (Quantidade de horas que ele
ficará retido até ser direcionado à saída), melhor será o
resultado final do tratamento do esgoto. Para garantir o
tratamento absoluto, ou seja, a clarificação total do esgoto
após o tratamento, você deverá seguir os volumes
apresentados na Tabela 2 para a construção da fossa séptica.

Tabela 2 – Volume ideal da fossa séptica de acordo com o número de


pessoas atendidas.

NÚMERO DE PESSOAS VOLUME DA FOSSA SÉPTICA


1a3 3m³ (três mil litros)
4a6 5m³ (cinco mil litros)
7 a 10 7m³ (sete mil litros)

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Nos próximos itens serão apresentados três modelos
de fossas sépticas que você poderá utilizar, escolha à que se
adequar melhor às condições do local onde pretende
implantar o seu sistema de tratamento de esgoto.

ESCOLHA DO LOCAL DE
INSTALAÇÃO/CONSTRUÇÃO DA FOSSA
SÉPTICA

Escolha um local que esteja à níveis mais baixos do que


a saída da tubulação de esgoto da sua residência. Caso seu
terreno seja plano, saiba que você terá que escavar até que
a tubulação de entrada da fossa séptica fique a um nível
mais baixo.

Cuidado, a maioria das fossas sépticas compradas não


permite aterramento superior a 30cm de profundidade, se
você não tem desníveis no seu terreno, sugiro selecionar
outro tipo de fossa séptica dentre as apresentadas nos
próximos capítulos.

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Se sua propriedade possuí uma área grande e com
desníveis favoráveis para a instalação da fossa séptica e
posteriormente do restante do sistema, opte por construir
distante da residência, pois você poderá utilizar destas
vantagens para implantar um sistema que não necessite de
escavações profundas.

FOSSA SÉPTICA DE FIBRA OU


POLIETILENO

Se você optar por comprar uma fossa séptica pré-


fabricada, o volume normalmente já estará descrito no
produto, ou é anunciada pelo vendedor, facilitando a
identificação da fossa séptica adequada para sua demanda.

Os modelos disponíveis no mercado são similares,


variando apenas alguns aspectos, em sua maioria possuem
formato cilíndrico, com uma tubulação de entrada e outra de
saída, normalmente essas tubulações são indicadas com E
(entrada) e S (saída), que será direcionada para o tanque de
zona de raízes. Caso não houver essas indicações, o lado que
possuir a tubulação mais alta será a entrada.

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Tome cuidado na escolha da fossa séptica adequada
para sua residência, pois em alguns modelos de sistemas é
indicada a capacidade de tratamento de esgoto em litros
por dia, e não o volume do tanque. Os sistemas comprados
normalmente seguem as normas técnicas brasileiras, e
alguns nem isso. Como já comentado anteriormente, o
sistema apresentado aqui não segue normas técnicas, o
objetivo com o projeto e transformar esgoto em água
cristalina novamente.

PROCEDIMENTOS PARA INSTALAÇÃO


FOSSA SÉPTICA DE FIBRA OU
POLIETILENO

Escave o local de
instalação com
paredes em
inclinação de 10 a 45
graus e nivele a terra
da base.

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Construa uma base de


10cm nivelada e lisa, em
concreto armado que
servirá como apoio para
a fossa séptica.

A base deve apoiar todo


o fundo do equipamento,
e ser pelo menos 10cm
maior que o diâmetro do
mesmo.

Encha com água a fossa


séptica, antes de efetuar
o aterramento, e
certifique que não há
vazamentos.

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Faça a conexão da tubulaçã


entrada com o tubo de esgo
residência. Deixa a tubulaçã
saída em espera para liga
tanque de zona de raízes.

Faça o aterramento. Utilize t


de cimento/terra (1:10) livr
pedras e efetue a compact
manual a cada 25cm.

FOSSA SÉPTICA COM MANILHAS DE


CONCRETO

Outra opção sugerida para a construção da fossa


séptica é o uso de tubulações de concreto. Essa opção foi

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citada aqui devido a ser um produto localizado em
praticamente todas as cidades brasileiras, ser resistente e
de fácil implantação.

Normalmente o uso de tubos de concreto é utilizado


em regiões litorâneas, onde o solo é instável. Sendo assim,
com os tubos de concreto, a escavação e aterramento se
tornam mais práticos quando comparado aos outros
modelos aqui apresentados.

Além do exposto, por se tratar de um produto pré-


fabricado, haverá maior celeridade na implantação quando
comparado com a fossa séptica construída de alvenaria.

A quantidade de tubos necessárias para a construção


da fossa séptica está descrita na Tabela 3. Foi considerado
para esse dimensionamento, tubos de 1m de diâmetro e
50cm de altura.

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Tabela 3 – Tubos de concreto necessários para construção da fossa
séptica.

PESSOAS TUBOS DE CONCRETO FOSSAS SÉPTICAS


1a3 8 2
4a6 12 3
7 a 10 16 4

Para que não seja necessário realizar escavações


maiores que dois metros de profundidade, as fossas
sépticas feitas com tubo de concreto serão construídas
com mais de um conjunto, ou seja, a fossa séptica não será
um compartimento único, e sim dois, três ou quatro
compartimentos, sendo que cada um deles terá apenas
quatro manilhas acopladas uma sobre a outra.

Vale ressaltar que em locais de solo arenoso, ou com


lençol freático raso (que a água verte com pouca
perfuração) poderá ser realizada a implantação de apenas
um ou dois tubos de concreto para cada conjunto, desta
maneira a quantidade de conjuntos formados será maior.

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PROCEDIMENTOS PARA INSTALAÇÃO
FOSSA SÉPTICA COM TUBOS DE
CONCRETO

Faça a perfuração do
solo redonda com
diâmetro de 1,20m.

Construa uma base de


10cm nivelada e lisa,
em concreto armado
que servirá como
apoio para o tubo de
concreto.

35
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Acople a primeira
manilha posicionada
com o encaixe
externo para cima.

Concrete o fundo na
parte interna
novamente. Com
pelo menos 10cm de
concreto.

Aplique massa de
cimento com
impermeabilizante de
caixa no encaixe com
a segunda manilha.

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Repita o processo até


colocar o 4º tubo.

Faça acabamentos de
impermeabilização
interna no ponto de
conexão entre os
tubos.

Faça um furo para o


cano de entrada do
esgoto (100mm).
Observe para que se
mantenha o desnível
do cano de esgoto.

37
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Faça o furo de saída


5cm mais baixo do
que o tubo de
entrada.

Impermeabilize o
tubo de entrada e o
de saída com cimento
e impermeabilizante.

O tubo de entrada
deixe à 30cm do
fundo. O de saída,
acople um pedaço de
cano de apenas 40
cm.

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Faça uma tampa de


concreto. Instale um
tubo de 100mm no
centro da tampa da
fossa séptica.

A última ilustração do procedimento para instalação


está representando a implantação de duas fossas sépticas
em série, que corresponde ao atendimento de uma
residência de até três pessoas. Para os demais casos, onde
há mais moradores, deverão ser inseridas a quantidade de
fossas sépticas apresentadas na Tabela 3. Lembrando que
os desníveis entre uma fossa séptica e outra deverá ser de
no mínimo 5cm, ou seja, a cada fossa séptica instalada elas
ficarão mais profundas se o seu terreno não possuir
desníveis, certifique-se de construir uma tampa de
concreto reforçada, de acordo com a altura de terra que
ficará sobre ela. As tubulações centrais das tampas podem
ser alongadas na medida que for necessário para mantê-las

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acima do nível do solo, facilitando as manutenções de
limpezas posteriores.

FOSSA SÉPTICA DE ALVENARIA

A fossa séptica de alvenaria é o modelo mais indicado


por possuir menor custo de implantação e opção de
adaptação às características específicas de cada residência.

A dimensão para a sua fossa séptica ser observadas na


Tabela 4. Lembrando que se trata de dimensões sugeridas, e
foram estabelecidas de acordo com vários estudos e
aplicações práticas já realizadas.
Tabela 4 – Medidas sugeridas para fossa séptica de alvenaria.

NÚMERO DE PESSOAS DIMENSÕES DA FOSSA SÉPTICA


1a3 1,5mx1,5mx1,5m
4a6 1,6mx1,6mx2m
7 a 10 1,9mx1,9mx2m

Caso prefira construir sua fossa séptica com outras


medidas, deverá calcular o seu volume para saber se está
compatível com o apresentado na Tabela 2 da página 23.

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Para calcular o volume da fossa séptica é simples,
apenas utilize a fórmula matemática apresentada a seguir.

Figura 3– Identificação das medidas necessárias


para calcular o volume do tanque

𝑽𝒐𝒍𝒖𝒎𝒆 = 𝑳𝟏 . 𝑳𝟐 . 𝑯

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PROCEDIMENTOS PARA CONSTRUÇÃO
FOSSA SÉPTICA DE ALVENARIA

Faça a abertura do solo


com 50cm a mais para
cada lado da fossa
séptica que será
construída.

Construa uma base


nivelada e lisa, em
concreto armado que
servirá como apoio para
a construção das
paredes.

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Faça o levantamento das


paredes e assentamento
de tijolos deitados. Usar
Tijolos de 6 furos.

Nos cantos, intercale os


tijolos. Isso gera uma
espécie de travamento e
dispensa pilares.

Instale o cano de
entrada e saída em
lados opostos.

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Aplique reboco na parte


interna e externa da
fossa séptica.

Impermeabilize
internamente e
externamente com
impermeabilizante
asfáltico.

Instale o septo de
entrada à 30cm do fundo
e o de saída com 40cm
de comprimento.

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Construa a laje, de
preferência com vigotas
e lajotas. Deixe um cano
de 100mm no centro
para futuras limpezas.

A construção da fossa
séptica de alvenaria está
finalizada.

Faça o aterramento com


cuidado para não causar
impacto nas tubulações.

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Você poderá aterrar até


70cm acima da laje, caso
seja necessário para
atender os desníveis do
terreno.

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TANQUE DE ZONA DE RAÍZES

Zona de raízes é o nome dado a área ocupada pelas


raízes das plantas dentro do sistema, que entrarão em
contado com o efluente, auxiliando no tratamento.

O tanque de zona de raízes é um compartimento onde


irão ocorrer ações físicas e biológicas que farão a purificação
final do esgoto, que já iniciou o seu tratamento na fossa
séptica.

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Por mais que o Tanque de Zona de Raízes seja um
compartimento único, sua parte interna é dividida em fases
de tratamento. Nestas fases são inseridos elementos de
diferentes granulometrias para realizar a filtração do
efluente, sempre seguindo a sequência da maior
granulometria para a menor.

É importante ressaltar que os sistemas que usam


plantas para tratamento de esgoto já são utilizados há
décadas. Este sistema se diferencia em alguns detalhes
cruciais, que se mostram com eficiência muito maior do que
os demais sistemas já conhecidos. Se mostrou tão eficiente
que foi premiado no Prêmio ANA 2014.

Vale ainda destacar que a garantia de eficiência de


tratamento está relacionada à correta implantação do
sistema de fossa séptica como pré-tratamento do esgoto
antes de ser direcionado a este compartimento.

Antes de partir para a construção você terá que


selecionar a dimensão da zona de raízes para atender a
demanda da sua residência, e isso você pode avaliar na
Tabela 5.

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Tabela 5 – Medidas indicadas para o tanque de zona de raízes.

NÚMERO DE PESSOAS DIMENSÕES DO TANQUE


1a3 1,5mx3m
4a6 2mx4,5m
7 a 10 3,5mx7,5m

PROCEDIMENTOS PARA CONSTRUÇÃO


TANQUE DE ZONA DE RAÍZES

Selecione local de
implantação que esteja
em nível inferior à fossa
séptica.

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Abra a vala do tanque


com 70 cm abaixo do
nível da tubulação de
saída da fossa séptica.

Faça a perfuração no solo


com 50cm a mais para
cada lado do tanque de
zona de raízes que será
construído.

Faça um piso em concreto


com 10cm de espessura.

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Construa as paredes com


tijolos deitados. A altura
será até atingir 10cm
acima do nível do solo.

Nos cantos, intercale os


tijolos. Isso “trava” as
paredes e dispensará
pilares.

Construa duas chicanas


internas com altura de
60cm, dividindo o tanque
em 3 compartimentos.

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Observe que elas


possuem aberturas de
30cm em lados opostos.

Instale o cano de entrada


e saída do tanque. Saída
5cm mais baixo que o de
entrada.

Observe que a entrada é


na lateral, não no meio do
tanque, assim como a
saída é no lado oposto da
entrada.

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Faça o reboco da parte


interna e externa.

Aplique
impermeabilizante
asfáltico na área interna e
externa.

Instale um joelho
posicionado para baixo na
entrada e na saída do
tanque.

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MATERIAL FILTRANTE

Os filtros naturais a serem utilizados no projeto são


pedras britas nº 1 e pedrisco. Esses materiais possuem duas
funções cruciais para o correto funcionamento do sistema.

A primeira, e até mesmo mais importante função


destes materiais, será disponibilizar área de superfície, ou
seja, área das suas extremidades para a aderência e
formação de colônias de bactérias que irão realizar o
tratamento do esgoto. Quanto menor for a granulometria do
material utilizado, maior será a área de superfície disponível
e melhor será o tratamento. Porém há um limite de
granulometria, orienta-se utilizar pedrisco como o material
mais fino para aplicação no tanque de zona de raízes.

A disposição do material filtrante no tanque se dará do


que possui maior granulometria para o menor, como
apresentado no procedimento a seguir.

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PROCEDIMENTO DE INSERÇÃO DO
MATERIAL FILTRANTE NO TANQUE DE
ZONA DE RAÍZES

Coloque pedras de até


20cm de diâmetros ao
entorno dos canos de
entrada e saída do
tanque.

Adicione pedras britas


nº 1 nos dois primeiros
compartimentos até
cobrir as divisórias
internas.

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Adicione pedrisco no
último compartimento
formado, deixe com a
mesma altura das
pedras britas.

O uso de pedras de maior granulometria nos tubos de


entrada e saída do tanque tem o objetivo de evitar
obstruções nestes pontos, tendo em vista que o material
filtrante utilizado para tratamento deixaria menor área de
passagem do efluente na extremidade da tubulação, e ainda
haverá a formação de biofilme que após determinado
período certamente causaria a obstrução.

O uso de elementos filtrantes mais finos do que os


indicados, poderá comprometer o bom funcionamento do
sistema, causando possíveis obstruções e transbordamento
de efluente no tanque de zona de raízes.

O uso de elementos mais grosseiros causará um


impacto direto na eficiência de tratamento do esgoto, tendo

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em vista que possuirá menor área superficial disponível para
o desenvolvimento de colônias de bactérias, que contribuem
para o tratamento do esgoto.

Diante do exposto, vale ressaltar a importância de


seguir adequadamente o apresentado no procedimento de
inserção do material filtrante, garantindo bom
funcionamento e eficiência de tratamento.

PLANTAS RECOMENDADAS

As plantas a serem utilizadas sobre os filtros naturais


(pedras britas e pedrisco) devem possuir características
fisiológicas adequadas à ambientes úmidos, alagados,
banhados, etc.

O ideal é que as plantas possuam características


anatômicas de desenvolvimento de aerênquimas, ocupando
até 60% do volume do seu tecido. Estas estruturas conduzem
o oxigênio da atmosfera até as raízes, desta maneira
oxigenando o efluente do sistema, contribuindo
significativamente no tratamento da matéria orgânica pre-

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sente, pois a presença de oxigênio permite o
desenvolvimento de bactérias aeróbicas que acabam por
consumir parte da matéria orgânica presente.

Aerênquimas, de uma maneira muito didática, são


“espaços vazios” no caule ou folha de algumas espécies de
plantas, conforme exemplo da Figura 4.

Figura 4 – Estrutura de
aerênquimas da Taboa

Algumas plantas se destacam por serem mais


eficientes para a aplicação, mas caso sua região não possua
as espécies aqui citadas, poderá utilizar plantas locais, desde
que possuam as características destacadas.

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TABOA

A melhor planta até o momento considerada para


auxiliar no tratamento de esgoto é a taboa (Typha
domingensis), também conhecida como tabua, partasana,
paineira do brejo, espadana, landim, capim de esteira, pau
de alagado, tabebuia e erva de esteira. Sua estrutura atende
especificamente todos os requisitos necessários para
contribuir significativamente com o tratamento.

As taboas são aptas para crescerem em meios


alagados e com altas cargas orgânicas (característica do
esgoto doméstico), e devido a sua estrutura, quando inserida
nesses locais, tendem a causar redução nos níveis de
contaminações.

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Figura 5 – Taboa (Typha


domingensis)

A taboa é utilizada no primeiro filtro, conforme você


verá mais adiante deste livro. As plantas aqui citadas devem
ser dispostas no sistema de maneira sequencial, pois cada
espécie tem uma função, a taboa será a primeira pois possui
capacidade de se desenvolver normalmente em ambientes
contaminados.

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BANANEIRA

Outra excelente planta para ser utilizada no tanque de


zona de raízes é a bananeira (Musa spp). Ela apresenta caule
subterrâneo (rizoma) onde está localizado o sistema
radicular que pode abranger até 5m na horizontal, com
profundidade média de 30cm, ou seja, as raízes desta planta
irão se espalhar por todo meio filtrante onde for inserida,
essa característica dentro do sistema de tratamento de
esgoto é excelente.

A bananeira desenvolve muito seu sistema radicular


por um motivo, ela demanda de volume alto de água por dia
para seu crescimento e desenvolvimento. Estima-se que uma
bananeira adulta possa utilizar vinte e cinco litros de água
por dia, através do fenômeno da fotossíntese.

Uma das funções do tanque de zona de raízes, além de


realizar o tratamento do esgoto, é reduzi-lo. Isso é feito
através dos filtros naturais, com a incidência dos raios solares
sobre eles e com todas as plantas, através do fenômeno
chamado evapotranspiração. A bananeira neste caso, para
atender o requisito de redução do volume do efluente, será
primordial devido as suas características fisiológicas.

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Uma informação importante que deve ser citada é que
as bananas produzidas em sistemas de tratamento de esgoto
doméstico, poderão ser consumidas normalmente, os
contaminantes, e principalmente bactérias e vírus, não são
transportados até seu fruto.

A Figura 6 apresentada a seguir é de um dos sistemas


de tratamento de esgoto implantados, neste caso a
bananeira está inserida dentro de um tubo de 300mm de
diâmetro, pois acreditava-se que as suas raízes poderiam
acabar se desenvolvendo muito e obstruiriam o meio
filtrante. Porém, após várias aplicações em sistemas de
tratamento de esgoto, observou-se que o uso desta
tubulação não é necessário.

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Figura 6 – Bananeira
(Musa spp)

TAIOBA

A taioba (Xanthosoma sagittifolium) é uma espécie de


fácil adaptação aos sistemas de tratamento de esgoto, e
contribui muito para a purificação final do efluente que está
sendo tratado. Esta espécie deve ser inserida apenas na
última fase de tratamento, pois possuí certa sensibilidade à
ambientes com alta contaminação. Porém, inserida na fase
correta de tratamento irá auxiliar na redução de
contaminantes biológicos.

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Uma informação que eu não poderia deixar de citar, é
que as taiobas utilizadas em sistemas de tratamento de
esgoto não devem ser consumidas, pois podem apresentar
contaminação em sua estrutura.

Figura 7 – Taioba
(Xanthosoma sagittifolium)

DISPOSIÇÃO DAS PLANTAS


TANQUE DE ZONA DE RAÍZES

Como já citado, as plantas dentro do tanque de zona


de raízes devem seguir uma sequência de acordo com a fun-

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ção de cada uma delas dentro do sistema. Sendo assim a
sequência correta de inserção será:

1º Taboas
2º Bananeiras
3º Taiobas

Para melhor compreensão, confira na Figura 8 a


sequência correta de inserção das plantas, da esquerda
(entrada do efluente no tanque) para a direita (saída do
efluente tratado do tanque).

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Figura 8 – Sequência de inserção das plantas no tanque de zona de


raízes.

Vale ressaltar que este arranjo, dentre os sistemas já


implantados, foi a que se mostrou com maior eficiência de
tratamento, porém, nada lhe impede de realizar testes com
novas plantas, como flores por exemplo, deixando o sistema
cada vez mais harmônico com seu jardim.

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DESTINO DO EFLUENTE TRATADO

O sistema apresentado é um dos, se não o, mais


eficiente sistema de tratamento de esgoto residencial
existente na atualidade. Sendo assim, se for de sua vontade,
poderá reutilizar a água final para irrigação de jardins ou
pastagens.

Se você irá implantar o sistema em área urbana é


muito provável que você não utilize todo o efluente tratado
para irrigações, e desta maneira deverá construir ao final do
sistema um sumidouro, para realizar a infiltração do exce-

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dente no solo. É orientado neste caso que você consulte o
órgão ambiental da sua cidade para certificação de que é
permitida a implantação do sistema no meio urbano, pois em
alguns locais há restrições.

Caso a implantação do sistema seja feita em área rural,


você poderá direcionar o efluente tratado diretamente para
pastagens, gramados ou jardins, normalmente nestas
localidades, devido a área disponível para irrigação ser
relativamente maior, todo o efluente será reutilizado, não
necessitando de sumidouro.

Não é orientada sob hipótese alguma o uso do


efluente final para irrigação de hortaliças. Por mais que a
qualidade do efluente final será excepcional, poderá haver
riscos de contaminações, caso utilize para irrigação de
plantas em que são consumidas as suas folhas.

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SUMIDOURO

Sumidouro é um dispositivo construído para realizar a


infiltração do esgoto já tratado no solo.

Em um sumidouro as paredes devem possuir


aberturas e o fundo ser permeável, permitindo que o
efluente tratado entre em contato com o solo e acabe
infiltrando. O porte do sumidouro varia de acordo com a
quantidade de pessoas que serão atendidas e a capacidade
de infiltração do solo em que será construído. Terrenos
arenosos tem uma alta capacidade de infiltração, sendo

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assim, o sumidouro tende a ser menor, já os terrenos
argilosos são totalmente ao contrário e consequentemente
necessitam de sumidouros maiores.

TABELAS DE DIMENSIONAMENTO DOS


SUMIDOUROS

Tabela 6 – Medidas indicadas para construção do sumidouro em solo


arenoso
SOLO ARENOSO
Nº DE Sumidouro Redondo
PESSOAS Profundidade Diâmetro Nº Sumidouros
Até 3 2m 1,3m 01
De 4 a 6 3m 1,3m 01
De 7 a 10 3m 1,8m 01

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Tabela 7 – Medidas indicadas para construção do sumidouro em solo
argiloso-arenoso.
SOLO ARGILOSO-ARENOSO
Nº DE Sumidouro Redondo
PESSOAS Profundidade Diâmetro Nº Sumidouros
ATÉ 3 2m 1,5m 01
DE 4 A 6 3m 1,6m 01
DE 7 A 10 3m 1,3m 02

Tabela 8 – Medidas indicadas para construção do sumidouro em solo


argiloso.
SOLO ARGILOSO
Nº DE Sumidouro Redondo
PESSOAS Profundidade Diâmetro Nº Sumidouros
ATÉ 3 2m 1,6m 01
DE 4 A 6 3m 1,7m 01
DE 7 A 10 3m 1,8m 02

Identifique o porte adequado do seu sumidouro que


irá atender o seu projeto e siga os procedimentos destacados
a seguir para a implantação.

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PROCEDIMENTO PARA CONSTRUÇÃO
DO SUMIDOURO

Escolha o local no
terreno, à pelo menos
2m do tanque de zona
de raízes e pelo menos
6m da casa.

Escave o buraco
cilíndrico de acordo
com as dimensões
apresentadas nas
tabelas anteriores.

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Coloque ao fundo uma


camada de 20cm de
brita número 2.

Assente os tijolos
deixando um espaço
para passagem do
efluente tratado entre
eles.

Instale o tubo de
100mm de saída do
tanque de zona de
raízes na entrada do
sumidouro.

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Assente a última fileira


de tijolos
normalmente, sem
deixar espaços entre
eles.

Coloque uma tampa de


concreto de 10cm.
Poderá ser pré-
fabricada ou feita no
local. Deixe um tubo de
100mm no centro.

Você poderá recobrir a


tampa com uma
camada de até 50cm de
terra.

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MANUTENÇÕES

Assim como qualquer sistema de tratamento de


esgoto, é necessário realizar manutenções periódicas como,
limpeza da caixa de gordura, remoção do lodo do fundo da
fossa séptica e controle no desenvolvimento das plantas
inseridas no tanque de zona de raízes. Verifique a
periodicidade das manutenções necessárias na Tabela 9.

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Tabela 9 – Periodicidades indicadas para realização de manutenções e
limpezas.

FASE ATIVIDADE PERÍODO


Caixa de
Remoção de gordura Bimestral
Gordura
Remoção de lodo
Fossa Séptica Anual
acumulado ao fundo
Zona de Remoção do excesso Quando
Raízes de plantas necessário

As manutenções periódicas são necessárias para


garantia de qualidade no tratamento do esgoto, preservação
das estruturas e aumento da vida útil do sistema.

As limpezas na caixa de gordura evitam obstruções nas


tubulações, além de impedir que a gordura seja direcionada
à fossa séptica e acabe interferindo diretamente no
tratamento.

Na limpeza da fossa séptica, remova apenas o material


acumulado na superfície e no fundo do tanque, nunca reduza
mais que 50cm do nível do efluente. Jamais deve ser
removido todo o esgoto presente nela, pois junto com ele há

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colônias de bactérias que demoram meses para se
desenvolver e auxiliar no tratamento.

O controle das plantas no tanque de zona de raízes,


consiste na remoção e/ou poda de espécies caso acabem se
desenvolvimento muito. Esse tipo de manutenção tem o
objetivo de ornamentação e proteção do tanque de zona de
raízes.

Em resumo final, fazer as manutenções corretamente


manterá seu sistema por muitos anos em pleno
funcionamento, e realmente transformando esgoto
doméstico em água cristalina novamente.

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BENEFÍCIOS DA IMPLANTAÇÃO DO
SISTEMA

A aplicação das metodologias descritas neste livro,


quando aplicadas na íntegra para a construção de um
sistema de tratamento de esgoto, garante a eficiência plena
no tratamento, mesmo ocorrendo pequenas variações de
carga orgânica ou quantidade de efluente direcionadas ao
sistema.

A eficiência de tratamento nos sistemas descritos


pode chegar até 98%, podendo variar pouco de acordo com

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a região do país que será implantado. Porém, todos os
sistemas, implantados nas condições técnicas descritas neste
livro, permitirão o reuso da água final para irrigações,
conforme já citado.

Com a implantação do sistema de tratamento,


diversos benefícios ambientais serão atingidos:

• O sistema não permite que vetores como


moscas, mosquitos e baratas se desenvolvam
em seu interior, diferente da maioria dos
sistemas e principalmente das chamadas
fossas negras, muito utilizadas em locais não
atendidos com rede coletoras de esgoto;
• Evita a contaminação do solo e recursos
hídricos;
• Não há emissão de maus odores, e desta
maneira, o sistema poderá ser inserido como
um componente harmônico em seu jardim;
• Reduz a praticamente zero o risco de
contaminação humana;
• O sistema está diretamente ligado a
sustentabilidade ambiental;
• Promove a educação ambiental;

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• Proporciona um ótimo aspecto visual.

A partir daqui você já sabe tudo sobre um dos


melhores sistemas que utiliza plantas para tratamento de
esgoto. E agora está com você! Construa o seu sistema de
tratamento, auxilie também outras pessoas, compartilhe da
sua experiência com este livro, não fique parado com todo
esse conhecimento guardado para si. Haja! Nosso planeta
precisa de pessoas como você!

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TRATANDO ESGOTO
DOMÉSTICO COM
PLANTAS

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É uma obra elaborada com linguagem simples e direta
para aqueles que não possuem tratamento do esgoto gerado
em sua propriedade.

Criei todo este conteúdo sabendo da grande


deficiência na área de tratamento de esgoto no Brasil. Por
mais que o sistema aqui apresentado pode ser instalado em
qualquer residência, ele foi desenvolvido principalmente
para as residências rurais.

Aprenda uma coisa. Fazer o tratamento de esgoto é


algo simples, os que entendem do assunto que acabam
deixando isso complexo demais, e você acaba não tendo
acesso à conteúdos que poderia interpretar e realmente
aprender.

Fico muito feliz de você ter chego até aqui, espero ter
contribuído para seu aprendizado, desejo do fundo do meu
coração, que você compartilhe tudo que aprendeu,
ensinando outras pessoas.

“Seja orgulho para a criança que você foi um dia”

Um grande abraço. Deus lhe abençoe.

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QUEM É JONAS RODRIGO


DOS SANTOS?

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Bacharel em Engenharia Ambiental pela Universidade
Dinâmica das Cataratas. Honrado pela Agência Nacional de
Águas pelo desenvolvimento de projetos que visam os
cuidados com a água em nosso país.

Atua no ramo de tratamento de água e esgoto a mais


de dez anos, sempre inovando e aplicando novas
metodologias em seus projetos. Já implantou sistemas de
tratamento de esgoto em vários estados brasileiros.

Acredita que a chave para causar a mudança na


realidade do saneamento no Brasil e no mundo, é levar o
conhecimento de forma didática para as pessoas, não espera
que governos ou que empresas privadas irão resolver tudo,
pois não vão!

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A falta de conhecimento sobre o assunto faz com que
você conviva diariamente com a situação inadequada do
esgoto da sua residência, seja por lançamento sem
tratamento em fossas negras, a céu aberto ou diretamente
em cursos d’água.

Neste livro você encontrará de forma didática uma


metodologia de tratamento de esgoto com plantas,
premiada pela Agência Nacional de Águas por seu alto nível
de eficiência de tratamento e fácil aplicabilidade.

O não tratamento do esgoto de sua casa pode ser o


responsável por disseminação de doenças transmitidas por
vetores, como mosquitos, moscas e baratas, além de causar
a contaminação do solo, recursos hídricos e um péssimo
aspecto para a residência.

Você está pronto para implantar um sistema de


tratamento de esgoto, e não fazer mais parte dos 45% da
população brasileira que não tem acesso a esse tipo de
sistema?

Ao aplicar cada passo de tudo que é ensinado neste


livro, você realmente não fará mais parte dessa parcela da
população.

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