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PATRIMÓNIO BALEEIRO MICAELENSE

passado, presente e futuro

RELATÓRIO CIRCUNSTANCIAL

Para: Conselho de Ilha de São Miguel


Produzido por: Secção do Bote Baleeiro, Clube Naval de Vila Franca do Campo
06 de Outubro 2014
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1. A caça à baleia foi uma actividade comum a todas as ilhas dos Açores. Inicia-se por
volta de 1830 na ilha das Flores e, ao longo de 40 anos, propaga-se por todo o
arquipélago. Está intimamente ligada à expansão da actividade baleeira no alto-mar
Americana, no Atlântico, coincidindo com a primeira vaga da imigração para os
Estados Unidos [algumas referências: Moby Dick, Herman Melville, 1951; Baleação
em Botes de Boca Aberta nos Mares dos Açores, história e métodos atuais de uma
indústria-relíquia - Robert Clarke, 1954].
2. Esta actividade, nas ilhas, tem uma base costeira, com a instalação de armações
baleeiras em diversos pontos do arquipélago. Produziu especificidades em cada ilha e
em cada comunidade pela criação de dinâmicas, próprias e diferentes, ao longo da
história: a ilha do Faial assume importância relativa na comercialização do óleo do
cachalote; o Pico é uma ilha fundamental para a baleação considerando o impacto
social que a actividade produz na economia da ilha e suas vizinhas, como São Jorge; a
actividade na Terceira está profundamente relacionada com a da Graciosa; o
processamento das baleias caçadas no Corvo era feito na fábrica das Flores; São
Miguel desempenha um papel preponderante na fase industrial da caça à baleia e na
sua expansão para Santa Maria e para a Madeira [referências: A Fase Industrial da
Baleação Micaelense, 1936-1970, Albano Cymbron)
3. Com o fim da actividade – por decadência [diminuição da procura + substituição por
outros produtos mais baratos e de mais fácil acesso] e pelo facto de Portugal ter
aderido à EU – surgiu um importante movimento social [e político] no sentido de se
preservar o património móvel e imóvel associado à caça da baleia. Isto levou à
institucionalização do Património Baleeiro dos Açores, acautelado em legislação
própria. Foi definida uma abordagem metodológica emoldurada financeiramente no
Programa de Recuperação do Património Baleeiro, gerido pela Direção Regional da
Cultura, a qual delega competências específicas no Museu dos Baleeiros, que por sua
vez acolhe uma Comissão Consultiva do Património Baleeiros dos Açores.

Funcionamento: Governo dos Açores [Programa de Recuperação do Património Baleeiro -


Orçamento da RAA] > Secretaria Regional da Educação e Cultura >> Direcção Regional da
Cultura >>> Museu dos Baleeiros >>>> Comissão Consultiva do Património Baleeiro dos
Açores.

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4. O Museu dos Baleeiros, afeto à estrutura do Museu do Pico [com estatuto de Museu
Regional], é a entidade responsável pela definição e desenvolvimento das políticas do
Património Baleeiro dos Açores, designadamente responsável pelo seu estudo,
inventariação, classificação, gestão, recuperação, preservação, promoção e
divulgação.
5. Não há dúvida quanto ao excelente trabalho realizado nesta área, visível pela
concretização de inúmeros projetos de recuperação, manutenção e preservação de
botes, lanchas, fábricas, casas de botes, portos e ancoradouros, particularmente
concentrados no grupo central [ver anexos]. O investimento nesta área foi de tal
ordem que recentemente vingou uma “asserção oficial” de que o Pico é a ilha da
baleia. Não é questionável a importância da ilha na actividade baleeira, seja no
domínio da construção naval [dos botes e lanchas, no caso particular], na quantidade e
diversidade das pessoas envolvidas, no impacto económico e social que produziu, no
facto de ter sido a última a abandonar a caça à baleia (1996), etc.
6. A razão que justifica a predominância tem a ver com “opções políticas” uma vez que,
na perspetiva do processo recente de desenvolvimento da Região, o Governo dos
Açores determinou [a certa altura] identificar as ilhas de acordo com eventuais
aptidões e/ou características supostamente intrínsecas. São Miguel seria a ilha do
ananás, do chá e das lagoas; enquanto a Terceira seria do património mundial das
touradas; o Faial seria dos veleiros e do mar; o Pico seria a ilha das baleias…
7. A opção, ainda que legítima, é extraordinariamente discutível por variadíssimas
razões. Desde logo, o facto de as ilhas serem, por razões históricas, geográficas,
sociais e culturais, um conjunto diversificado, mas claramente complementar. Existe
uma estrutura funcional arquipelágica que produz dinâmicas internas e externas que
são necessárias acautelar e promover, consubstanciadas nas relações entre as ilhas, as
comunidades e as pessoas, muito mais evidentes antes da disseminação dos
transportes tal como conhecemos hoje. Contudo, o impacto mais visível destas
políticas [desajustadas] resultou em assimetrias no direito de todos os Açorianos, de
todas as ilhas, preservarem o seu Património e, consequentemente, a sua Memória e
Identidade, como aconteceu com a ilha de São Miguel.
8. O certo é que o Pico possui um Museu dos Baleeiros [o mais visitado dos Açores!],
um Museu da Indústria Baleeira, a antiga fábrica da SIBIL recuperada em núcleo
museológico, várias casas de botes, tudo isto com recurso ao financiamento público.
O Faial [através do OMA - Observatório do Mar dos Açores] recuperou a Fábrica de
Porto Pim (ainda recentemente foi anunciado pelo Governo um investimento de 800
mil euros na sua qualificação). A Fábrica do Boqueirão, na ilha das Flores, foi
recuperada e também transformada em museu. Todo este trabalho foi importantíssimo
para as respetivas ilhas, e para os Açores no seu conjunto. Não deverá existir
quaisquer dúvidas quanto a isto. Todos os Açorianos devem orgulhar-se do enorme
sucesso deste processo, que deve ter continuidade no investimento e na sua promoção
e divulgação.
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9. No entanto, o património das restantes ilhas ficou completamente fora deste processo.
Caso mais chocante é, sem qualquer hesitação, a ilha de São Miguel. A destruição
recente da fábrica da baleia nas Capelas não motivou qualquer diligência oficial
conhecida (estudo, parecer, embargo, inquérito) que acautelasse o seu eventual
potencial interesse público e cultural, seja por iniciativa da Direção Regional da
Cultura ou proposta do Museu dos Baleeiros, ou da Comissão Consultiva do
Património Baleeiro ou da Câmara de Ponta Delgada, ou da Junta de Freguesia…
10. O trabalho desenvolvido [e publicado] pelo OMA relativo ao Inventário do
Património Baleeiro Imóvel da Região resultou na publicação de um “Roteiro do
Património Baleeiro de São Miguel e Santa Maria” (ver anexo). Neste documento,
pode constatar-se efectivamente a existência de sítios, portos, ancoradouros, vigias,
estações baleeiras e fábricas na ilha de São Miguel, sem que tivesse havido qualquer
investimento no seu estudo, preservação e aproveitamento cultural e turístico.
11. Ação meritória, digna de registo, foi a iniciativa do Museu Carlos Machado com a
aquisição do bote baleeiro “SANTA JOANA”. Esta embarcação integrou a extensa
frota dos botes baleeiros da União das Armações Baleeiras de São Miguel. A sua
preservação/classificação veio a revelar um facto importantíssimo porque destaca o
«design micaelense» no contexto da afirmação do Bote Baleeiro Açoriano. Muito
embora o projecto inicial da aquisição do “SANTA JOANA” pelo Museu Carlos
Machado tenha sido a sua recuperação e utilização [referência: Comunicar
InterMuseus, Outubro 2014, pág. 5)], o facto é que prevaleceu a opção de o manter
«no contexto original (?)»,abdicando da possibilidade de o recuperar em condições de
navegabilidade. O bote encontra-se exposto no Centro Comercial Parque Atlântico,
no âmbito de um protocolo de cooperação com a Sonae Sierra, beneficiando de
grande visibilidade, embora o efeito inicial de curiosidade esteja a ser gradualmente
substituído por uma certa indiferença, razão que explicará as condições precárias da
sua apresentação.

Situação do bote baleeiro “SANTA JOANA” no Parque Atlântico: condições de exposição


precárias do ponto de vista técnico. Falta a vela de vante (jiba); configuração dos cabos e nós
defeituosamente exibida; má combinação da palamenta, incluindo dos remos, das pagaias, das
selhas, colocados de «qualquer maneira»; sinais de vandalização no casco; falta de
manutenção geral; desgaste das madeiras do casco por deficientes condições de exibição em
virtude do efeito negativo do ar concionado e luminosidade artificial intensa.

12. Assim, colocam-se várias questões de ordem técnica, museológica, patrimonial e de


interesse público, as quais consideramos fundamentais serem equacionadas. Em
primeiro lugar, a preservação do bote que, nos termos do protocolo, cabe à entidade
que o acolhe. Evidências demonstram que as condições de luminosidade e de
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climatização estão a ter impacto negativo na conservação do bote, sendo urgente uma
intervenção de manutenção com rigor técnico-científico [ver recomendações
efectuadas ao MCM] que esta embarcação histórica [que integra o espólio de uma
entidade pública] exige. Por outro lado, o facto de o bote confirmar uma
especificidade construtiva diferente, exclusiva de São Miguel, levanta a hipótese de
haver um modelo de «bote micaelense». A confirmar-se, constitui, por si só, motivo
de elevadíssimo interesse no conjunto do património baleeiro Açoriano. A
“diferenciação” está associada à fase da industrialização da caça à baleia onde São
Miguel assumiu um papel preponderante [ver artigo anexo].
13. Levantada a hipótese que, aliás, é do conhecimento da Direção Regional da Cultura
[ver relatórios/e-mails enviados], do Museu dos Baleeiros, da Comissão do
Património Baleeiros dos Açores e do Museu Carlos Machado, para além de outras
entidades, uma vez que foi publicada e oficiada, constitui obrigação estatutária das
entidades públicas promoverem o seu estudo, inventariação, registo, recuperação,
utilização, promoção e divulgação deste facto, diretamente ou por intermédio de uma
instituição credível para o efeito (a Secção do Bote Baleeiro do Clube Naval de Vila
Franca do Campo manifestou o interesse e disponibilidade!).
14. Assim sendo, propõe-se a integração de um projecto [ver comunicação enviada ao
Secretário Regional da Educação e Cultura, 04/09/2014] especificamente dirigido ao
estudo do «bote micaelense», possibilitando inclusive a reconstrução de botes de
registo micaelense, com um efeito de exteriorização positiva no aumento da frota na
ilha de São Miguel, ao mesmo tempo que se preservam aptidões e capacidades
construtivas que ainda subsistem [Mestre José de Melo, porto de pescas de Vila
Franca do Campo], no quadro do desenvolvimento local, com impacto no Património
e na Memória, no Desporto e no acesso ao Mar, na promoção e valorização cultural
enquanto recursos pedagógicos e turísticos.

PATRIMÓNIO MICAELENSE
Ponto de Situação

De forma muito sintetizada, apresenta-se o estado geral do património baleeiro de São


Miguel. Avaliando a realidade e as intenções até à data, todas as evidências apontam para que
o GOVERNO DOS AÇORES não tenha uma estratégia verdadeiramente Regional, equitativa,
coerente propiciadora da preservação da memória e da identidade de São Miguel, razão que
justificará uma aclaração política às entidades competentes pelos representantes do círculo
eleitoral da maior ilha dos Açores.

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< antes

depois >

FÁBRICA DA BALEIA (1937) – propriedade do BANIF, abandonada por muitos anos e


destruída recentemente numa ação relâmpago, sem que tivesse havido um estudo prévio

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quanto à viabilidade do seu aproveitamento cultural, pedagógico e turístico no contexto do
Património Baleeiro dos Açores. O anterior Secretário Regional da Cultura propôs a
classificação da chaminé [única parte que resistiu ao ímpeto destruidor], o que não constitui
qualquer benefício e não tem suporte técnico-científico. Esta foi a primeira fábrica da baleia a
ser construída nos Açores e representa a fase mais pujante da industrialização baleação,
promotora de inovações tecnológicas associadas à actividade (referencias: “A Baleação e o
Estado Novo: industrialização e organização corporativa, 1938-1958”, Francisco Henriques)*
*
Livro a publicar no âmbito do Prémio de Humanidades Daniel de Sá 2014/Governo Regional dos Açores - 1ª Menção
Honrosa.

ESTAÇÃO BALEIIRA DO FAIAL DA TERRA (1952) – Ao abandono vários anos. A


Casa dos Caldeiros foi vandalizada, os equipamentos subtraídos ou destruídos. A rampa de
varagem subsiste, embora se tenham perdido 2 cabrestantes (aparelho que içava as baleias
para terra). A Câmara Municipal da Povoação e a Junta de Freguesia do Faial da Terra
consideram o interesse histórico e patrimonial do sítio. Tarda a concretização deste
projecto…

OUTROS SÍTIOS DE INTERESSE (ver Roteiro do Património Baleeiro São Miguel e


Santa Maria em anexo) – Rampa de Varagem/Alagem de Santa Iria; Vigia do Cintrão
[Câmara Municipal da Ribeira Grande]; Complexo Baleeiro das Capelas; Porto das
Capelas; Casa dos Botes do Porto das Capelas; Armazém da UABSM no Porto da Capelas;
Vigia do Morro; Bairro dos Baleeiros; Rampa de Alagem dos Poços; Calhau Miúdo;
Complexo Baleeiro da Ajuda da Bretanha (caldeiros); Varadouro Baleeiro dos Mosteiros;
Vigia da Várzea; Posto Baleeiro de Ponta Delgada [Câmara Municipal de Ponta Delgada];
Vigia de Água de Pau [Câmara Municipal da Lagoa]; Vigia da Ponta Garça; Rampa de
Varagem de Vila Franca do Campo [Câmara Municipal de Vila Franca do Campo].
Nenhum destes locais está devidamente identificado e integrado no roteiro turístico da ilha de
São Miguel relacionado com a caça à baleia. Alguns mesmo estão votados a total abandono,
sem que autarquias locais e entidades competentes de ilha ou regionais façam a mínima
diligência/iniciativa para a sua qualificação, identificação e aproveitamento. Conclui-se que
eventualmente não haverá uma estratégia clara para o Património Baleeiro em São Miguel.

BOTES – Da análise efetuada (e publicada) até ao momento, desde os primórdios da


baleação micaelense na década de 80 do séc. XIX, pode apurar-se a existência de mais de 30
botes e outras tantas embarcações de apoio, entre lanchas de reboque, barcos e canoas
baleeiras motorizadas. A maioria tem registo na Capitania do Porto de Ponta Delgada (PD –
xxx - B), mas também na Delegação Marítima de Vila Franca do Campo (VF – xxx - B). Na
década de 30 do séc. XX, São Miguel ganha um protagonismo preponderante na organização

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e modernização da indústria baleeira na Região. Consequências deste processo está o
surgimento do «modelo de bote micaelense».
Falta de estratégia global, desinteresse das entidades locais e regionais, desconhecimento
público da história e dos factos contribuíram para que os botes de São Miguel caíssem no
esquecimento, abandonados, destruídos, «arrebatados» e vendidos para várias Instituições
fora da região. Para além do registo oficial que consta nas capitanias e nos arquivos da
UABSM [ambos necessário estudar em profundidade!], sabe-se da existência dos
seguintes botes:

> “SANTA JOANA” – construção


micaelense. Propriedade do Museu Carlos Machado. Está exposto no Centro Comercial
Parque Atlântico, através de um protocolo celebrado com a Sonae Sierra. Apesar de
beneficiar de visibilidade junto dos utentes e visitantes, mas considerando as recomendações
do European Maritime Heritage (European Association for Traditionalships in Operation
http://www.european-maritime-heritage.org/default.aspx), a forma correta de preservar uma
embarcação é dotá-la das condições de funcionamento, fazendo dela um Museu-vivo…

> “SANTO AGOSTINHO” – Construção


micaelense (tabuado cruzado em X). Está em péssimo estado e pertence à CM das Velas de
São Jorge. O proprietário está disponível para o vender por 4.000,00€. Foram feitas várias
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diligências junto da Câmara das Velas para o ceder, bem como à Direção Regional da Cultura
e outras, mas sem contudo qualquer consequência de ordem prática (ver propostas em e-mails
anexos).

> “SANTO ANDRÉ” – Construção


micaelense. Pertence ao Clube Naval de Vila do Porto que avalia as possibilidades da sua
eventual recuperação. Seria de extremo interesse que este bote regressasse a São Miguel, não
apenas por que é um bote micaelense, que baleou predominantemente nesta ilha, mas que
poderia ser colocado a navegar reforçando a oferta de vela [ver anexo proposta efetuada pelo
Clube Naval Vila Franca do Campo ao Clube Naval Santa Maria, ainda aguardando resposta.

> “SÃO JOÃO EVENGELISTA” – Foi


construído em 1962 (tabuado cruzado em X) por Leonardo Rocha nas instalações da Fábrica
das Capelas. Pertence atualmente a José Bairos Batista e está em Santa. Maria. Este bote
nunca baleou em Santa Maria! Foi sempre um bote de São Miguel, ao serviço da União das
Armações Baleeiras de São Miguel, Capelas. Com a compra do complexo baleeiro do Castelo
da Maia, Santa Maria, pelo imigrante mariense “Joe De Laura”, este exigiu o regresso dos
equipamentos utilizados na Fábrica da Baleia mariense, inclusive os botes. Considerando que
a CORRETORA [que adquiriu os activos da UABSM] já tinha trazido todos os botes de
Santa Maria [e artefactos] de volta para São Miguel, acabou por devolver os botes «à sorte»,
tendo o “SÃO JOÃO EVANGELISTA” ido parar à ilha de Santa Maria por engano.
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> “SANTA MARIA” - Este bote baleeiro foi
uma descoberta surpreendente na Holanda. A sua importância extraordinária reside no facto
de poder demonstrar o “salto tecnológico” do método construtivo convencional para o método
da construção do tabuado cruzado micaelense. A própria história deste bote tem
extraordinário interesse do ponto de vista do património baleeiro de São Miguel. Foram feitos
contactos com o atual proprietário para um eventual regresso aos Açores, facto que carece de
apoios institucionais. Este bote esteve afecto à estação baleeira do Faial da Terra.

> “SANTO ANTÓNIO” (informação a


confirmar…) – É um bote de construção micaelense, presentemente em exposição no Musée
de La Pêche, Concarneau. Foi feito contacto com esta instituição para saber os detalhes sobre
a sua história e envio para França.

CONCLUSÃO

De acordo com o disposto no Artigo nº 3, da Lei 39/80, de 5 de Agosto, no que concerne aos
objectivos fundamentais do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos
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Açores, na obrigação dos seus órgão próprios de promoverem a identidade e os valores
Açorianos; a salvaguarda o património histórico; o fomento a coesão económica e os laços
sociais e culturais de todos os Açorianos; cumulativamente com o respeito pela participação
livre e democrática dos cidadãos e a efetivação dos seus direitos constitucionalmente
consagrados pelo Artigo 48º, alínea 2, do CAPÍTULO II da CRP; coadjuvado no DLR
21/99/A, que define o regime jurídico dos conselhos de ilha, assinaladamente no que refere a
alínea f) do n.º 2 do Artigo 18º, vimos mui respeitosamente dirigir o presente documento que
visa REQUERER ao Exmo. Sr. Presidente do Conselho de Ilha de São Miguel a inclusão do
seguinte ponto na ordem de trabalhos da próxima reunião da assembleia do CISM:

- Análise e discussão da situação do património baleeiro de São Miguel no âmbito


da política e acção governativa de salvaguarda, preservação, recuperação e
valorização do Património Baleeiro dos Açores.

Tratando-se de um tema específico e para favorecer uma análise e debate sérios e produtivos,
recomendamos a distribuição antecipada do presente Relatório Circunstancial pelos
digníssimos membros do CISM, sugerindo ainda que V. Excia. solicite informação previa à
Direcção Regional da Cultura, incidente nos seguintes pontos:

1. Reconhece o Governo dos Açores o estado de abandono a que foi sujeito o Património
Baleeiro, móvel e imóvel, da ilha de São Miguel? Que medidas se preconizam para alterar
a situação?
2. Qual a proporcionalidade das verbas atribuídas à ilha de São Miguel, no âmbito do
Programa de Recuperação do Património Baleeiro dos Açores [DRC], desde 1998 até
hoje?
3. É do conhecimento do Governo dos Açores a existência de um modelo construtivo,
designado por «bote micaelense», específico de São Miguel e que se diferencia esta ilha
no contexto do Bote Baleeiro Açoriano?
4. É do interesse do Governo dos Açores o estudo, preservação, recuperação e reconstrução
destes «botes micaelenses», pelo seu caracter distintivo e enriquecedor para o Património
Baleeiro da Região? Qual a prioridade que lhe será dado?

Vila Franca do Campo, 06 de Outubro de 2014.

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Miguel Cravinho José Paulo Bolarinho
Secção do Bote Baleeiro Presidente da Direção
Clube Naval de Vila Franca do Campo Clube Naval de Vila Franca do Campo

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