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ACADEMIA DE PESCAS E CIÊNCIAS DO MAR DO NAMIBE

FACULDADE DE PESCA E NAVEGAÇÃO

COORDENAÇÃO DE MECÂNICA NAVAL

MÁQUINAS AUXILIARES

O Docente

_______________________

Henriques Nambalo

Moçâmedes

2019

1
ACADEMIA DE PESCAS E CIÊNCIAS DO MAR DO NAMIBE

FACULDADE DE PESCA E NAVEGAÇÃO

COORDENAÇÃO DE MECÂNICA NAVAL

TEMA: SISTEMA HIDRAULICO DE POTÊNCIA

Curso: Mecânica Naval Turma: MN01 Grupo n° 2

Elementos do grupo

Nomes Nº Nota individual Nota do grupo


Gabriel José Cangombe
Gabriel Sassoco
José Catewanga
Nataniel Caetano Alberto
Ramiro Santareno Muenho

O Docente

_______________________

Henriques Nambalo

Moçâmedes
2019

2
Índice
Introdução ................................................................................................................................... 4

Objectivo .................................................................................................................................... 5

Objectivo Geral....................................................................................................................... 5

Objectivos específicos ............................................................................................................ 5

1.Fundamentos de hidráulica ...................................................................................................... 6

1.1. Grandezas físicas ............................................................................................................. 7

1.2. Leis fundamentais .......................................................................................................... 12

2.Sistema hidráulico de potência .............................................................................................. 17

2.1. Princípio de funcionamento do accionamento hidráulico ............................................. 18

2.2. Constituição de um sistema hidráulico de potência ...................................................... 19

2.3.Parâmetros de funcionamento de componentes dos sistemas hidráulicos ...................... 44

2.4.Perdas de energia e eficiência de equipamentos hidráulicos .......................................... 44

2.5.Circuito hidráulico .......................................................................................................... 45

3.Sistemas de elevação de carga ............................................................................................... 52

3.1.Tipos de grua .................................................................................................................. 55

3.2.Gruas em embarcações navais ........................................................................................ 61

3.2.1.Tipos de accionamento em gruas............................................................................. 63

3.2.2.Sistema hidráulico de uma grua............................................................................... 63

4.Problemática: aumento da potência do trabalho de grua hidráulica .............................. 67

Conclusão ................................................................................................................................. 68

Bibliografia ............................................................................................................................... 69

3
Introdução
Em actividades marítimas e industriais é frequente a necessidade de se deslocar cargas e
accionar dispositivos. Pelo facto de por vezes estes apresentarem dimensões elevadas e
consequentemente elevada inércia, a força muscular humana torna-se assim insuficiente para
a realização de tarefas de tamanha exigência, levando assim, a concepção dos métodos de
transmissão de potência, nomeadamente a mecânica, a eléctrica e a fluídica.

A transmissão mecânica envolve a utilização de vários órgãos apurados como engrenagens,


cames, molas, polias, correias, entre outros. A eléctrica usa geradores, motores eléctricos,
condutores e uma gama bastante grande de componentes, sendo considerada a melhor forma
de transmitir energia a elevadas distâncias. A fluídica assim como a mecânica teve origem a
centenas de anos e emprega fluidos na transmissão de potência, podendo envolver um
accionamento hidrocinético (utiliza a energia cinética do fluido) e hidrostático (energia de
pressão do fluido).

O accionamento hidrostático é o mais recente, tendo sido desenvolvido após a primeira guerra
mundial. Dada a sua vantagens como a facilidade de controlo da velocidade, inversão
praticamente instantânea do movimento, auto lubrificação e estrutura compacta, os sistemas
de transmissão fluídica de potência são bastante empregues nas embarcações, mais
especificamente em aparelhos de governo e hélices de passo variável, equipamentos de
ancoragem e amarração, equipamentos de manipulação de cargas, sistemas de fechamento de
porões, entre outros. Por esta razão o presente trabalho visa descrever o sistema hidráulico
(fluídico) de transmissão de potência incluindo o princípio de funcionamento e seus
respectivos equipamentos.

4
Objectivo

Objectivo Geral
 Descrever o sistema hidráulico de potência de uma grua.

Objectivos específicos
 Definir básicas teóricas que garantam a compreensão dos fenómenos envolvidos na
transmissão hidráulica de potência;
 Apresentar os principais componentes do sistema hidráulico de potência;
 Descrever o princípio de funcionamento de um sistema hidráulico;
 Estabelecer bases teóricas necessárias a interpretação e leitura de um circuito
hidráulico;
 Descrever o circuito hidráulico de potência de uma grua.

5
1.Fundamentos de hidráulica
A hidráulica consiste numa das partes mais antigas da física, baseando-se no estudo dos
fluidos. A questão que se coloca inicialmente ao depararmo-nos com a hidráulica consiste: em
que de facto consiste um fluido?

Fluidos consistem em substâncias cujas moléculas encontram-se suficientemente afastadas


uma das outras, conferindo-lhes maior liberdade de movimento, exemplo típico são as
substâncias líquidas onde o espaçamento garante que estes possam ser deformadas (não
comprimidas), ser vertidos em reservatórios ou forçados em tubulações. Outro exemplo inclui
os gases cuja liberdade de suas moléculas permiti-os serem deformados facilmente (e
comprimidos) e ocupar totalmente o volume do recipiente que o contém [7].

Uma definição bastante técnica de fluidos, caracteriza-os como substâncias que se deformam
continuamente quando submetidos a uma tensão de cisalhamento gerada por uma força que
actua tangencialmente numa determinada superfície [7].

De forma resumida a hidráulica envolve a análise de fluidos em equilíbrio (hidrostática), bem


como, de fluidos em deslocamento não uniforme (hidrodinâmica) [7].

Como o espaçamento entre as moléculas que constituem um fluido é relativamente pequena


( ), é bastante comum caracterizar o comportamento das moléculas

considerando valores médios (macroscópicos) das variáveis de interesse e não a dinâmica


molecular individual, isto é, se afirmar-mos que que a num ponto de escoamento vale um
determinado valor, na verdade, está-se a indicar a velocidade média das moléculas que
ocupam um pequeno volume que envolve o ponto [7]. Admite-se também que todas as
características do fluido que estamos interessados (pressão, velocidade, etc) variam
continuamente através do fluido, isto é, trata-se o fluido como um meio contínuo,
exceptuando quando se estiver a lidar com gases rarefeitos [7].

6
1.1. Grandezas físicas
A compreensão dos fenómenos em hidráulica exige o conhecimento das seguintes grandezas:

Força

É definida como qualquer causa que tende a produzir ou modificar movimentos. Sir. Isaac
Newton em suas leis do movimento define que devido à inércia, um corpo em repouso tende a
permanecer em repouso, e um corpo em movimento tende a permanecer em movimento, até
ser actuado por uma força externa ( ) [5].

(a) (b)
Fig.3.1.1(a)-(b). Aplicação de força

Pressão

Consiste na relação entre a força aplicada e área de aplicação da força ( . Os sistemas

hidráulicos e pneumáticos têm como medida de pressão o quilograma-força por centímetro


quadrado (Kgf/ ), a libra-força por polegada quadrada (PSI= do inglês Pounds per Square

Inch) [2].

Fig.3.1.2.Pressão

7
Massa específica ou densidade absoluta

A massa específica de um objecto ou de uma amostra decerto material ou substância é a


relação entre a massa da porção do fluido e o seu volume [7]. Sendo assim.

Onde é a densidade ou massa específica ( )

Tab.1.1.1. Massa específica de algumas substâncias

Peso específico

O peso específico de uma substância, designada por , é definido como o peso da substância

contida numa unidade de volume. Este encontra-se relacionado com a massa específica
através da relação [7].

Onde g é a aceleração de gravidade local. O peso específico é utilizado para caracterizar o


peso do sistema fluído enquanto a massa específica é utilizada para caracterizar a massa do
sistema fluido. A unidade do peso específico no SI é Assim, se o valor da aceleração

da gravidade padrão é de 9,807 , o peso específico da água a 15,6 é 9,8 .

8
Densidade Relativa

A densidade de um fluido, designado por SG (“specific gravity”), é definida como a razão


entra a massa específica do fluido e a massa específica da água numa certa temperatura [7].
Usualmente a temperatura especificada é de 4 (nesta temperatura a massa específica da

água é igual a 1000 ). Nesta condição,

De forma simplificada pode-se afirmar que a densidade relativa consiste na relação entre o
peso específico de uma determinada substância e o peso de uma outra tomada como
referência (para líquidos é a água à 4 ).

Viscosidade absoluta ou dinâmica

A lei de Newton da viscosidade impõe uma proporcionalidade entre a tensão de cisalhamento


e o gradiente de velocidade, este coeficiente expressa a viscosidade cinemática ou dinâmica
de um fluido [1]. Matematicamente a lei de Newton para a viscosidade é dada por:

Onde é a tensão de cisalhamento, Consiste no gradiente de velocidade e é a

viscosidade dinâmica ou absoluta.

A viscosidade dinâmica é definida como a propriedade dos fluidos que permite equilibrar,
dinamicamente, força tangenciais externas quando os fluidos estão em movimento, de forma
prática expressa a maior ou a menor dificuldade de um fluido escoar (escorrer) [1]

Note-se que a viscosidade dinâmica possui valor diferente para cada fluido e varia, para um
mesmo fluido, principalmente em relação à temperatura. Quanto a este aspecto os gases e os
líquidos comportam-se de maneiras diferentes, nos líquidos, a viscosidade diminui com o
aumento da temperatura, enquanto nos gases a viscosidade aumenta com o aumento da
temperatura [1].

9
Fig.3.1.2. Viscosidade dinâmica de alguns fluidos em relação a temperatura

Trabalho

O trabalho consiste numa grandeza geralmente associada a uma força e não a corpos, ou seja,
existe trabalho de uma força e não trabalho de um corpo. Matematicamente o trabalho pode
configurar-se de várias formas, dependentemente das características da força que o realiza,
porém, de forma genérica é representada por [5]:

Onde w é o trabalho aplicado (Joule-j), F é a força aplicada (newton-N), d a distância


percorrida pelo corpo e o ângulo entre a força e o deslocamento.

Se esta for constante e paralela ao deslocamento:

É a aplicação de uma força através de um deslocamento: , onde: W é o trabalho, F

é a força e d a distância.

Fig.3.1.3. Trabalho de uma força

10
Potência

É a velocidade com que o trabalho flui através de uma carga em um determinado período de
tempo, ou ainda, consiste na quantidade de trabalho realizada numa determinada unidade de
tempo. Do ponto de vista prático poderíamos dizer que potência maior implica na capacidade
de realizar um trabalho mais rapidamente [2]. Desta forma.

Onde P (watt-W) é a potência motora, W o trabalho (joule-J) e t o intervalo de tempo (s)

Uma máquina é tanto mais eficiente quanto menor o tempo de realização do trabalho de sua
força motora.

Energia

Está relacionada ao tempo de aplicação da potência a uma carga, um dos princípios mais
importantes a levar-se em conta quando fala-se de energia consiste no princípio da
conservação da energia, que estipula que esta não pode ser criada nem destruída, porém
apenas transformada de uma forma para outra [5].

(a) (b)

Fig.3.1.4.(a) e (b)-Conservação da energia

11
Rendimento

É uma medida adimensional que expressa a quantidade de energia recebida por um


dispositivo que é transformada em energia útil [2]. Pode ser expresso como um quociente

entre a energia de saída e a energia de entrada ( ).

Quanto maior for o rendimento mais próximo do ideal uma máquina opera ou um trabalho é
realizado, em suma maior será a aproximação de sua capacidade em relação ao idealmente
alcançável [2].

1.2. Leis fundamentais


Assim como as grandezas, a seguir são apresentadas algumas leis que regem os fenómenos
em hidráulica:

Princípio de Pascal

Quando é exercida uma pressão um ponto de um líquido em equilíbrio, essa pressão se


transmite a todos os pontos do líquido. É o que ocorre, por exemplo, no travão hidráulico de
um automóvel, no qual a pressão exercida pelo motorista no pedal se transmite até as rodas
através de um líquido (óleo) [5]. Este facto é enunciado como:

“Os acréscimos de pressão sofridos por um ponto de um líquido em equilíbrio são


transmitidos integralmente a todos os pontos do líquido e das paredes do recipiente que o
contém”

Fig.1.2.1.(a) e (b)- Prensa hidráulica

12
Uma importante aplicação do princípio de Pascal é a prensa hidráulica, que consiste em dois
recipientes cilíndricos de diâmetros diferentes, ligados pela base e preenchidos por um líquido
homogéneo [5].

Aplicando no êmbolo menor uma força , o líquido fica sujeito a um acréscimo de pressão

. Como a pressão se transmite integralmente através do líquido, o êmbolo maior fica sujeito

ao acréscimo de pressão , Portanto as intensidades das forças aplicadas, são directamente

proporcionais às áreas dos êmbolos. Por exemplo se a área A2 for dez vezes maior que a área
A1, a força F2 terá uma intensidade dez vezes maior que a intensidade da força F1 [5].

Em cada operação da prensa, o volume de líquido (v) deslocado do recipiente menor passa
para o recipiente maior [5]. Chamando de h1 e h2 os respectivos deslocamentos dos êmbolos,
cujas áreas são A1 e A2 pode-se escrever:

Portanto numa prensa hidráulica, os deslocamentos sofridos pelos êmbolos são inversamente
proporcionais às suas áreas. Em outros termos, o que se ganha na intensidade da força, perde-
se no deslocamento do êmbolo [5].

Teorema de Arquimedes

Arquímedes de Siracusa (287 a.C-212 A.C.) descobriu que se um corpo for imerso num
líquido em equilíbrio, o líquido exercerá no corpo uma força F (empuxo) vertical para cima,
de intensidade igual ao peso do líquido deslocado. Essa conclusão é valida para corpos
imersos em fluidos em geral, líquidos ou gases [5]. Este teorema é enunciado como:
“Todo corpo sólido mergulhado num fluido em equilíbrio recebe uma força de direcção
vertical e sentido de baixo para cima cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado”

13
Fig. 1.2.2.Fenómeno de impulsão

Logo a intensidade do empuxo é dada por: , onde d, a densidade e v o volume do

fluido deslocado decorre0, portanto .

Teorema de Steven

Se considerarmos um líquido de densidade d, homogéneo e incompressível, em equilíbrio.


Imaginemos uma porção deste líquido com a forma de um cilindro recto de atura h e cujas
bases tenham área A, estando a base superior exactamente na superfície livre do líquido [5].

Fig.3.2.3.Teorema de Steven

Sobre a base superior actua a força F exercida pelo ar existente sobre o líquido, e, na base
inferior, a força hidrostática F. Seja P o peso do cilindro líquido [5]. Como há equilíbrio pode-
se escrever:

14
Como , dividindo pela área A da base, vem: , que resulta em,

A formula acima expressa o teorema de Stevin, cujo enunciando é:


“A pressão em um ponto situado à profundidade h no interior de um líquido em equilíbrio é
dada pela pressão na superfície, exercida pelo ar (pressão atmosférica), somada á pressão
exercida coluna de líquido situado acima do ponto e expressa pelo produto dgh”

Lei da continuidade

Se considerarmos um tubo cuja secção transversal não seja constante. As secções S1 e S2 têm
áreas A1 e A2, sendo v e v as velocidades do fluido em S1 e S2, respectivamente [5].
Considerando a fluido incompressível, isto é, sua densidade não vária ao longo do tubo, pode-
se concluir que, no intervalo de tempo t, o volume de fluido que atravessa a secção S1 é o
mesmo que atravessa S. Em outras palavras, a vazão do fluido através de S1 é a mesma
através de S2[5].

Fig.1.2.4. Lei da continuidade

A equação acima é denominada por equação da continuidade e exprime o facto de que a


velocidade de escoamento de um fluido é inversamente proporcional à área da secção
transversal do tubo. Por exemplo: diminuindo a área, a velocidade de escoamento aumenta na
mesma proporção [5].

15
Lei de Bernoulli (Lei da vazão)

Um fluido incompressível e não viscoso, de densidade d, escoa por uma canalização em


regime estacionário. Sejam p e p as pressões nos pontos 1 e 2, cujas alturas, em relação a um
plano horizontal de referência, são h1 e h2, respectivamente. Sejam v1 e v2, as velocidades do
fluido nos pontos 1 e 2 e g a aceleração da gravidade local [5]. A equação de Bernoulli
estabelece que:

Nesta equação é denominada pressão estática e , a pressão dinâmica.

Fig.1.2.5. Efeito de Bernoulli

Aplicando a equação de Bernoulli ao caso particular em que h1=h2, temos:

Fig. 3.2.6.Situação em que h1=h2

É possíLei vel observar que, sendo A2 <A1 pela equação da continuidade conclui-se que v2>
V1. Pela equação de Bernoulli, resulta que p2 <p1, conclui-se que no trecho em que a
velocidade é maior, a pressão é menor [5].

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Na figura abaixo observa-se que se p fluido que escoa pela canalização for um líquido, ele
atinge alturas diferentes nos tubos verticais A e B: no tubo A o nível do líquido é mais
elevado, pois a pressão neste ponto é maior [5].

Fig. 1.2.6.Efeito de Bernoulli

2.Sistema hidráulico de potência


O sistema hidráulico configura um conjunto de máquinas e equipamentos que efectuam a
transferência de energia mecânica através de um fluido de operação para o controlo e
accionamento de dispositivos difíceis de serem manuseados. Neste processo é geralmente
aproveitada a energia potência do fluido (accionamento hidrostático) [3].

(a) (b)

Fig.2.1.(a) e (b)- Sistema hidráulico de uma aeronave e de uma máquina de extrusão

O accionamento hidrostático é amplamente aplicado em locais onde a içamento,


deslocamento ou até mesmo a operação de dispositivos é quase impossível de se realizar com
a força muscular ou outros meios de accionamento. A título de exemplo podemos destacar no
esquema abaixo as áreas onde o sistema de accionamento hidráulico é de primordial
importância.

17
Fig.4.2. Aplicação de sistemas pneumáticos e hidráulicos

De forma mais detalhada, na indústria marítima a aplicação do sistema hidráulico pode ser
verificada tanto na costa (portos), quanto em embarcações em alto mar, para embarcações
sistemas hidráulicos estão presentes em aparelhos de governo e hélices de passo variável,
equipamentos de ancoragem e amarração, equipamentos de manipulação de cargas, sistemas
de fechamento de porões e portas estanques, accionamentos de rampas e passarelas de
desembarque, equipamentos de estabilização, reboque e pesca, e para o controlo de velas [3].

2.1. Princípio de funcionamento do accionamento hidráulico


Os equipamentos hidráulicos funcionam de acordo com a lei de Pascal. A figura abaixo
mostra o diagrama de um equipamento hidráulico. Dois cilindros, A e B, são ligados por uma
tubagem C. O interior dos cilindros e da tubagem é cheio de óleo hidráulico. O cilindro A é
um dispositivo que produz a pressão e bombeia o fluido no sistema hidráulico, o cilindro B é
um actuador, isto é, um dispositivo que executa o trabalho. A força externa F1 atua sobre o
pistão do cilindro A. Dentro da instalação, é criada uma pressão p transmitida uniformemente
em todas as direcções (lei de Pascal). No pistão do cilindro B, é produzida uma força F2 que
transporta a carga. O tamanho da força F2 depende da área do pistão B, e a relação de forças é
proporcional à relação entre as superfícies dos pistões. A distância de movimento (curso) e a
velocidade de movimento dos pistões são inversamente proporcionais à sua superfície. A
velocidade de transporte da carga também depende da velocidade de movimento do pistão do
cilindro A e, portanto, do rendimento do óleo fornecido a partir do cilindro A para o cilindro
B[3].

18
Fig.2.1.1. Exemplo de um sistema hidráulico simples

2.2. Constituição de um sistema hidráulico de potência


O sistema hidráulico engloba um conjunto de dispositivos que operando correctamente e em
sincronia garantem a execução da tarefa para o qual este foi concebido, estes componentes
incluem principalmente: o fluido hidráulico, reservatório, tubulação, actuadores, válvula
hidráulica, bomba hidráulica de deslocamento positivo, distribuidores hidráulicos,
acumuladores hidráulicos, filtros hidráulicos, vedação para os equipamentos, tubos
hidráulicos [3].

Fluido hidráulico

O fluido hidráulico é o elemento vital de um sistema hidráulico industrial. As principais


funções do fluido hidráulico no sistema, são respectivamente: a transmissão de energia; a
lubrificação das partes móveis interna; transferências de calor, vedação de folgas entre partes
móveis, etc [8].

Os fluidos hidráulicos mais aplicados são: fluido à base de petróleo, resistentes ao calor, de
óleo em água, emulsão de água em óleo e de água-glicol [8].

 Fluido à base de petróleo: Esse fluido é mais do que um óleo comum. Os aditivos
são ingredientes importantes na sua composição. Os aditivos dão ao óleo
características que o tornam apropriado para uso em sistemas hidráulicos [8];
 Fluidos resistentes ao fogo: Uma característica inconveniente do fluido proveniente
do petróleo é que ele é inflamável. Não é seguro usá-lo perto de superfícies quentes ou
de chama. Por esta razão, foram desenvolvidos vários tipos de fluidos resistentes ao
calor [8];
 Emulsão de óleo em água: Consiste de uma mistura de óleo numa quantidade de
água. A mistura pode variar em torno de 1% a 40% de óleo [8];

19
 Emulsão de água em óleo: A mistura é geralmente de 40% de água e 60% de óleo
[8];
 Fluido de água-glicol: É uma solução de glicol (anticongelante) – 60% – e água [8].

Reservatório

Os tanques de armazenamento são recipientes cuja principal finalidade é a de conter e


armazenar o fluido de um sistema até que este seja succionado pela bomba. Quando o fluido
retorna ao reservatório, uma placa deflectora impede que este fluido vá directamente à linha
de sucção. Isto cria uma zona de repouso na qual as impurezas maiores sedimentam, o ar sobe
à superfície do fluido e dá condições para que o calor do fluido, seja dissipado para as paredes
do reservatório. Todas as linhas de retorno devem estar localizadas abaixo do nível do fluido e
no lado do defletor oposto à linha de sucção [2].

Fig.2.2.1.Reservatórios de fluido hidráulico

Os reservatórios podem ser de aço ou de materiais plásticos, contendo todas as conexões


necessárias: linhas de sucção; retorno e drenos; indicador de nível de óleo; tampa para
respiradouro e enchimento; tampa para limpeza. Como regra geral o reservatório deve
apresentar um volume que garanta o fornecimento de óleo para a bomba por mais dois a três
minutos mesmo que ocorra o rompimento da tubulação de saída da mesma [2].

Tipos de reservatórios

A pressão em seu interior, os reservatórios hidráulicos pode ser: aberto ou pressurizado.

 Reservatório aberto: São aqueles em que a pressão no interior do mesmo for igual a
pressão atmosférica [2];

20
 Reservatório pressurizados: Quando a pressão no interior do mesmo for maior que a
pressão atmosférica [2].

Outros tipos de reservatórios incluem os convencionais, suspensos e em forma de L [2].

Fig.2.2.2. Reservatórios em forma de L, suspensos e convencionais

Refrigeradores de óleo hidráulico

Todos os sistemas hidráulicos aquecem. se o reservatório não for capaz de manter o fluido à
uma temperatura normal, isto é, há um superaquecimento. Para evitar este problema, são
utilizados resfriadores ou trocadores de calor, onde os modelos mais comuns são os de água-
óleo e ar-óleo [4].

 Resfriadores a ar: Em máquinas que operam em regime severo, o resfriador a ar pode


ser equipado com ventilador independente. Nos resfriadores a ar, o fluido é bombeado
através de tubos aletados. Para dissipar o calor, o ar é soprado sobre os tubos e aletas
por um ventilador. Os resfriadores a ar são geralmente usados em locais onde a água
não está disponível facilmente [4].

(a) (b)
Fig.2.2.3.(a) e (b)- Resfriador à ar

21
 Resfriador a água: Consiste basicamente de um feixe de tubos encaixados num
invólucro metálico. Neste resfriador, o fluido do sistema hidráulico é geralmente
bombeado através do invólucro e sobre os tubos que são refrigerados com água fria
[4].

Fig.2.2.4. Resfriador à água

No circuito hidráuico os resfriadores geralmente operam à baixa pressão (10,5 ).

Isso requer que eles sejam posicionados em linha de retorno ou dreno do sistema. Se isso não
for possível, o resfriador pode ser instalado em sistema de circulação [4].

Para garantir que um aumento momentâneo de pressão na linha não os danifique, os


resfriadores são geralmente ligados ao sistema em paralelo com uma válvula de retenção de 4
,5 de pressão de abertura [4].

Fig.2.2.5 Resfriador num circuito hidráulico

22
Vedações hidráulicas

As vedações, usadas em sistemas hidráulicos, são divididas em estáticas e dinâmicas. As


vedações estáticas são utilizadas em conexões de tubagens e elementos fixos de bombas,
motores e actuadores. As vedações dinâmicas fornecem a estanqueidade dos elementos
móveis de equipamentos, tais como êmbolos, pistões, hastes dos pistões, rotores, veios, etc.
Para a vedação, são usados os materiais macios (papelão, cartão prensado, klinger, Teflon,
fibra, plásticos, borracha resistente ao óleo) e metais (cobre, latão, alumínio e aço) [5].

(a) (b)

Fig. 2.2.6.(a) (b) -Vedação estática e dinâmica

Bombas hidráulicas

As bombas são utilizadas nos circuitos hidráulicos, para converter energia mecânica em
energia hidráulica. A acção mecânica cria um vácuo parcial na entrada da bomba, o que
permite que a pressão atmosférica force o fluido do tanque, através da linha de sucção, a
penetrar na bomba. A bomba passará o fluido para a abertura de descarga, forçando-o através
do sistema hidráulico. Quanto ao deslocamento as bombas podem ser de deslocamento
positivo e não positivo, sendo as primeiras as mais empregadas em sistemas hidráulicos de
potência [2].

(a) (b)

Fig.2.2.7.(a) e (b)- Bomba de deslocamento positivo e não positivo

23
Bombas hidráulicas de deslocamento positivo

São bombas normalmente utilizadas em circuitos hidráulicos que accionam actuadores


lineares ou rotativos (cilindros ou motores hidráulicos) para a movimentação de carga. Nessas
bombas, existe uma vedação mecânica separando a entrada da saída e isso acaba impedindo
ou dificultando a possibilidade de recirculação interna do fluido [9].

O objectivo das bombas de deslocamento positivo é a de provocar pressões elevadas (6


Até 700 ) diante de vazões relativamente baixas sendo por isso

aconselhável a instalação de válvulas de segurança ou de alívio de modo a se evitar que estas


elevadas pressões provoquem o rompimento do ponto mais fraco da instalação em situações
de bloqueio da válvula de saída [9].

As bombas de deslocamento positivo podem ser divididas em dois tipos: alternativas e


rotativas (tabela abaixo) podendo apresentar um deslocamento fixo ou um deslocamento
variável [9].

Êmbolo

Bombas Alternativas Pistão

Diagrama

Engrenagens
Palhetas
Bombas rotativas Pistões radiais e axiais
Rotores lobulares
Tab. Bombas de deslocamento positivo

(a) (b)

Fig.2.2.8.(a) e (b) Bomba alternativa (pistões axiais) e rotativa (engrenagem)

24
Actuadores hidráulicos

Os actuadores hidráulicos apresentam a função de converter a energia hidráulica do fluido


hidráulico em energia mecânica executando movimento linear ou de rotação. Em sistemas
hidráulicos é visível a aplicação dos actuadores hidráulicos com movimento linear
(movimento de vaivém), actuadores oscilantes com movimento alternativo e rotativo e
actuadores hidráulicos com movimento rotativo. Por motivos de maior relevância, a seguir
serão apresentados os actuadores lineares e o rotativo [4].

Actuador linear ou de êmbolo

Nestes a conversão da energia hidráulica do fluido hidráulico em energia mecânica é


efectuado executando movimentos lineares, elevando, descansando, bloqueando e deslocando
cargas com o auxílio de cilindros hidráulicos[2].

1. Êmbolo; 8. Conexão;
2. Vedação do êmbolo; 9. Cilindro;
3. Haste 10. Câmara da haste;
4. Guia da haste 11. Câmara do êmbolo;
5. Vedação da haste; 12. Conexão;
6. Anel raspador 13. Entrada ou saída do óleo;
7. Flange dianteiro

Fig.2.2.9. Actuador linear

Os actuadores hidráulicos apresentam as seguintes vantagens:

 Bom rendimento ao transformar movimentos;


 Força máxima constante ao longo do curso;
 Controle fácil da força no actuador;
 Velocidade constante ao longo do curso;
 As forças podem ser de tracção e compressão;
 Accionamentos de grande potência com cotas reduzidas de montagem.

Quanto a sua acção os cilindros hidráulicos são classificados em de simples acção/efeito e


dupla acção/efeito.

Cilindros de simples efeito

25
São cilindros que apresentam apenas uma tomada de pressão. O movimento em sentido
contrário ao da pressão dá-se por meio de uma mola ou pela acção do próprio peso ou carga
externa. A mola pode ser interna ou externa, e pode promover o avanço ou retorno do
êmbolo[2].

Fig.2.2.10. Cilindros de simples efeito.

Actuadores de duplo efeito

Os actuadores de duplo efeito são aqueles em que se constata duas tomadas de pressão. A
inversão do movimento ocorre quando se troca a tomada de pressão [2].

Fig.2.2.11. Cilindros de duplo efeito

Um actuador de pistão de dupla acção com haste do pistão de simples acção é mostrado a
seguir. O actuador executa o trabalho em ambas as direcções, devido à possibilidade de
fornecer o óleo em ambos os lados do pistão 2. A força transmitida pela haste do pistão 3 não
é a mesma em ambas as direcções, devido aos diferentes flancos activos do pistão. No lado da
haste do pistão, uma parte do flanco activo ocupa a secção transversal da haste do pistão. O
pistão é vedado no cilindro pelos anéis de vedação 8. A haste do pistão é vedada na tampa do
cilindro 4 por um anel de vedação 8 e limpa por um anel raspador 9 [2].

26
1. Cilindro;
2. Pistão;
3. Haste do pistão;
4. Tampa do cilindro;
5. Entrada/saída de óleo;
6. Orelha de fixação;
7. Conexão de carga;
8. Anel de vedação;
9. Anel raspador
10. Pino de fixação oscilante

Fig.2.2.12. Constituição de um pistão de duplo efeito

De forma genérica os actuadores apresentam diferentes aparatos para a sua devida montagem, na
tabela a seguir isto é ilustrado de forma mais detalhada.

Tab.2.1.Tipos de montagem de cilindros hidráulicos

Motores hidráulicos

Os motores hidráulicos são actuadores cujo movimento de accionamento é rotativo. Tal como
as bombas, os motores hidráulicos são máquinas de deslocamento positivo, no entanto, o

27
princípio do seu funcionamento é invertido. A energia hidráulica, que é contida no óleo a uma
pressão e um rendimento adequados, é convertida no motor em energia mecânica. Por
conseguinte, o motor executa o trabalho. Dependendo da estrutura, os motores hidráulicos
podem operar em uma vasta gama de velocidades de rotação. Os motores de alta velocidade
atingem a partir de 750 até vários milhares de revoluções por minuto, os motores de baixa
velocidade atingem a partir de 0,5 até 750 RPM. O binário dos motores depende da cilindrada
geométrica e da queda de pressão do óleo. Os motores de alta velocidade atingem um binário
baixo, no entanto, os motores de baixa velocidade atingem um binário alto. Existe uma vasta
gama de motores hidráulicos, nomeadamente o motor de aletas, o motor de aletas com rotor
de came, o motor de engrenagem e o motor de pistões múltiplos, entre outros [4].

(a) (b)

Fig.2.2.13. (a) e (b)- Motor hidráulico de engrenagem

Os motores usados em sistemas hidráulicos industriais são quase que exclusivamente


projectados para serem bidireccionais (operando em ambas as direcções). Mesmo aqueles
motores que operam em sistema de uma só direcção (unidireccional) são provavelmente
motores bidireccionais de projecto [4].

Com a finalidade de proteger a sua vedação do eixo, os motores bidireccionais, de


engrenagem de palheta e de pistão são, de modo geral, são drenados externamente [4].

28
Os motores hidráulicos têm certas vantagens sobre os motores eléctricos. Algumas destas
vantagens são [4]:

1. Reversão instantânea do eixo do motor;


2. Ficar carregado por períodos muito grandes sem danos;
3. Controle de torque em toda a sua faixa de velocidade;
4. Frenagem dinâmica obtida facilmente.

A título de exemplo a seguir verifica-se um motor hidráulico de engrenagem construído tal


como uma bomba de engrenagem externa. O binário do motor é produzido pela diferença de
pressão do óleo nos dentes da câmara de entrada e câmara de saída. Os motores de
engrenagem também são construídos com um perfil epicicloide da engrenagem. A estrutura
do mais simples motor epicicloide é similar à estrutura de uma bomba gerotor de engrenagem
interna [4].

Torque

Uma grandeza de grande importância para a descrição dos motores hidráulicos consiste no
torque [4].

Uma unidade para medir o torque é Newton metro, ou N m. Para se conseguir o valor em

N, basta multiplicar o peso em por 9,81 [4].

Na ilustração, a força de 25 está posicionada sobre uma barra, a qual está ligada ao eixo

do motor. A distância entre o eixo e a força é de 0,3 m. Isso resulta num torque no eixo de 7,5
[4].

29
Fig.2.2.14.Momento torsor

Se o peso de 25 estivesse colocado a 0,4 m, sobre a barra, o esforço de giro ou torque

gerado no eixo seria igual a um esforço de torção no eixo de 10 [4].

Destes exemplos podemos concluir que, quanto mais distante a força estado eixo, maior é o
torque no eixo. Deve-se notar que o torque não envolve movimento [4].

Válvulas hidráulicas

As válvulas hidráulicas são usadas em sistemas hidráulicos para abrir ou fechar o fluxo de
óleo no sistema, garantir a direcção de fluxo de óleo adequada, controlar a pressão do óleo,
controlar a taxa de fluxo de óleo e proteger contra um aumento excessivo da pressão. As
válvulas aplicadas em instalações hidráulicas de potência são inúmeras dada a grande
variedade de sistemas hidráulicos de potência, porém são constantes 3 tipos de válvulas nestas
instalações válvulas limitadoras de pressão, de alívio ou de segurança, válvulas de controlo de
fluxo e válvulas direccionais [2].

Válvulas limitadoras de pressão, de alívio ou de segurança

A pressão máxima do circuito hidráulico é controlada com o uso de uma válvula limitadora de
pressão normalmente fechada. Com a via primária da válvula conectada à pressão do sistema,
e a via secundária conectada ao tanque, o carretel no corpo da válvula é accionado por um
nível predeterminado de pressão, e neste ponto as vias primária e secundária são conectadas, e
o fluxo é desviado para o tanque. As válvulas de retenção são aparentemente pequenas
quando comparadas aos outros componentes hidráulicos, mas elas são componentes que
servem à funções importantes e muito variadas [2].

1.Corpo da válvula;
2.Esfera de vedação;
3.Mola

Fig.2.2.15. Válvula de alívio de pressão

30
Válvulas de controlo de fluxo

A função da válvula controladora de fluxo é a de reduzir a vazão em uma linha do circuito.


Ela desempenha a sua função por ser uma restrição maior que a normal do sistema. Para
vencer a restrição é necessário uma pressão maior provocando o desvio do fluxo para outra
parte do circuito, ou promovendo a abertura da válvula limitadora de pressão deslocando o
fluxo para o reservatório. São utilizadas quando se deseja controlar a velocidade em
determinados actuadores [2].
1. Corpo da válvula;
2. Botão de ajuste;
3. Válvula estranguladora
4. Sede da válvula
5. Esfera de vedação
6. Mola

A-União macho B-Engate rápido fêmea


Fig.2.2.16. Válvula de controlo de fluxo

Válvulas direccionais

Os circuitos hidráulicos necessitam de meios para se controlar a direcção e o sentido do fluxo


de fluido. Através desse controle, pode-se obter movimentos desejados dos actuadores
(cilindros, motores e osciladores hidráulicos, etc.), de tal forma que, seja possível se efectuar
o trabalho exigido. O processo mais utilizado para se controlar a direcção e sentido do fluxo
de fluido em um circuito, é a utilização de válvulas de controlo direccional, comummente
denominadas apenas de válvulas direccionais. Esses tipos de válvulas podem ser de múltiplas
vias que, com o movimento rápido de um só elemento, controla a direcção ou sentido de um
ou mais fluxos diversos de fluido que vão ter à válvula [2].

31
Fig.2.2.17. Válvula direccional

Distribuidores hidráulicos

Os distribuidores hidráulicos controlam o fluxo de óleo na instalação hidráulica pela força


muscular, mecânica, eléctrica e hidráulica. O posicionamento dos distribuidores permite
realizar diferentes combinações de orientação, corte e abertura do fluxo de óleo e controlo de
movimento dos actuadores [3].

Considerando a estrutura, os distribuidores são divididos em distribuidores de corrediça,


distribuidores de válvulas e distribuidores rotativos. A diferença reside no tipo de elementos
de controlo de fluxo de óleo utilizados, isto é, corrediças com movimento de vaivém, válvulas
e corrediças rotativas. As figuras a seguir mostram o princípio de construção e funcionamento
dos distribuidores hidráulicos de corrediça, de válvulas e rotativos controlados manualmente
com alavanca [3].

(A) (B) (C)

Fig. 2.2.18.(a) (b) e (c) - Distribuidor de corrediça, de válvula e rotativo

Cada um destes distribuidores é ligado a três vias de fluxo de óleo (P, A, Z), podendo
apresentar uma ou duas posições de trabalho (I i II). O símbolo P designa a via de entrada de

32
óleo a partir da bomba, os símbolos A ou B designam as vias para o actuador da instalação, o
símbolo Z ou T designa a via de saída de óleo para o tanque. As designações 3/2, 2/2 e 4/3,
referem-se ao número de vias de fluxo de óleo e o número de posições de trabalho, ou seja,
por exemplo um distribuidor 3/2 apresenta três vias de fluxo de óleo e duas posições de
funcionamento [3].

Acumuladores hidráulicos

Os acumuladores hidráulicos destinam-se ao armazenamento da pressão do fluido de


operação, esta pressão é energia potencial, uma vez que ela pode ser transformada em
trabalho. A energia potencial armazenada pelos acumuladores são usados para, alimentação
do sistema durante uma parada provisória ou falha da bomba hidráulica [4].

Tipos de acumuladores hidráulicos

A forma como os acumuladores armazenam energia hidráulica varia, assim sendo, existem os
seguintes tipos de acumuladores hidráulicos: acumuladores carregados por peso, carregados a
mola, acumuladores hidropneumáticos, acumuladores tipo pistão, acumuladores tipo bexiga,
acumuladores tipo diafragma [4].

1. Acumuladores carregados por peso: Um acumulador carregado por peso aplica uma
força ao líquido por meio de carga com grandes pesos. Como os pesos não se alteram,
os acumuladores carregados por peso são caracterizados pela pressão, que é constante
durante todo o curso do pistão. Os pesos utilizados nos acumuladores podem ser feitos
de qualquer material pesado como: ferro, concreto, ou mesmo água (acondicionada).
Os acumuladores carregados por peso são, geralmente, muito grandes [4].

Fig.2.2.19.Carregado por peso

33
Eles podem atender a muitas máquinas ao mesmo tempo, e são usados nas usinas de
aço e nas centrais de sistemas hidráulicos. Os acumuladores carregados por peso não
são muito populares por causa do seu tamanho e da inflexibilidade na montagem (eles,
geralmente, devem ser montados na vertical) [4].
2. Acumuladores carregados a mola: Um acumulador carregado por mola consiste em:
carcaça de cilindro, pistão móvel e mola. A mola aplica a força ao pistão, o que resulta
na pressão do líquido. Conforme o líquido é bombeado para dentro do acumulador
carregado por mola, a pressão no reservatório é determinada pela taxa de compressão
da mola. Em alguns acumuladores deste tipo, a pressão da mola pode ser ajustada por
meio de um parafuso de regulagem, trabalhando assim com uma pressão variável. Os
acumuladores carregados por mola são mais flexíveis do que o tipo carregado por
peso. Eles são menores e podem ser montados em qualquer posição [4].

Fig.2.2.20.Carregados por mola


3. Acumuladores hidropneumáticos: O acumulador hidropneumático é o tipo mais
comum de acumulador usado na hidráulica industrial. Esse tipo de acumulador aplica
a força do líquido usando um gás comprimido, que age como mola, trabalhando
também com uma pressão variável. Por se tratar de um gás inerte o nitrogénio não
oferece perigo com relação as explosões originadas de uma pressão excessiva e
consequentemente aumento de temperatura, além de ser compatível com diversos tipos
de elastómeros do elemento flexível. Os acumuladores hidropneumáticos estão
divididos nos tipos: pistão, diafragma e bexiga. O nome de cada tipo indica a forma de
separação do líquido do gás [4].
4. Acumuladores tipo pistão: O acumulador tipo pistão consiste de carcaça e pistão
móvel. O gás que ocupa o volume acima do pistão fica comprimido conforme o

34
líquido é inserido com força na carcaça. Quando o acumulador fica cheio, a pressão do
gás se iguala à pressão do sistema [4].

Fig.2.2.21.De pistão
5. Acumuladores tipo diafragma: O acumulador do tipo diafragma geralmente tem
uma forma esférica divida em dois hemisférios de metal, que são separados por meio
de um diafragma de borracha sintética. O gás ocupa uma câmara e o líquido entra na
outra [4].

Fig.2.2.22.Tipo diafragma
6. Acumuladores tipo bexiga: O acumulador tipo balão consiste de uma bexiga de
borracha sintética dentro de uma carcaça de metal. A bexiga é enchida com gás
comprimido. Uma válvula do tipo assento, localizada no orifício de saída, fecha o
orifício quando o acumulador está completamente vazio e evita que a bexiga seja
extrudada para o sistema [4].

35
Fig.2.2.23.Tipo bexiga

Aplicação dos acumuladores hidráulicos

Os acumuladores podem desempenhar uma gama muito grande de funções no sistema


hidráulico. Algumas dessas funções são [4]:

 Manter a pressão do sistema;


 Desenvolver o fluxo no sistema;
 Absorver choques no sistema;
 Absorver o aumento da pressão causado pela expansão térmica;
 Emergência para manter a pressão do sistema ou movimentar o actuador.

Se a bomba num circuito falhar, o acumulador pode ser usado para manter a pressão do
sistema, de modo que o trabalho não seja interrompido. Nesta aplicação, o volume do
acumulador é, muitas vezes, usado para completar o ciclo da máquina. Um acumulador pode
manter a pressão em uma parte do sistema enquanto a bomba estiver suprindo o fluxo
pressurizado na outra parte. Os acumuladores também mantêm a pressão do sistema,
compensando a perda de pressão ocorrida por vazamento ou aumento de pressão causado pela
expansão térmica. Os acumuladores são uma fonte de energia hidráulica. Quando a demanda
do sistema é maior do que a bomba pode suprir, a energia potencial no acumulador pode ser
usada para prover o fluxo. Por exemplo, se uma máquina for projectada para executar ciclos
de modo aleatório, uma bomba de pequeno volume pode ser usada para encher o acumulador.
No momento de a máquina operar, uma válvula direccional é accionada e o acumulador supre
a pressão de fluxo requerida para o actuador. Usando-se um acumulador e uma bomba
pequena combinados haverá economia [4].

36
Um acumulador é utilizado em alguns casos para absorver os choques dos sistemas. O choque
pode desenvolver-se em um sistema pela inércia de uma carga ligada a um cilindro ou motor
hidráulico, ou pode ser causado pela inércia do fluido quando o fluxo do sistema é bloqueado
subitamente, ou mudar de direcção quando uma válvula de controlo direccional é accionada
rapidamente. Um acumulador no circuito absorverá um pouco do choque, não permitindo
assim que o choque seja inteiramente transmitido ao sistema [4]

Filtros hidráulicos

A contaminação causa problemas nos sistemas hidráulicos, uma vez que, esta interfere no
fluido, que tem normalmente apresenta quatro funções [4]:

1. Transmitir energia;
2. Lubrificar peças internas que estão em movimento;
3. Transferir calor;
4. Vedar folgas entre peças em movimento

Para se evitar os problemas que a contaminação possa vir a provocar aos elementos
subsequentes do sistema, força-se o fluxo do fluido a passar por um elemento filtrante cuja
função é de reter a contaminação. Os elementos filtrantes são divididos em tipos de acordo
com a profundidade e a superfície [4].

Fig.2.2.24. Filtros hidráulicos

37
Tipo de filtragem pela posição no sistema

O filtro garante protecção para os componentes hidráulicos. Seria ideal que cada componente
do sistema fosse equipado com o seu próprio filtro, mas isso não é economicamente viável na
maioria dos casos, daí a importância de se instalar adequadamente os filtros nos sistemas de
tal forma que a instalação seja protegida e os gastos com a sua manutenção não sejam
insustentáveis. Os filtros podem ser de sucção (interno e externo), de pressão, de retorno e off-
line [4].

a) Filtros de sucção internos: são os mais simples e mais utilizados. Têm a forma
cilíndrica com tela metálica com malha de 74 a 150 mícron, não possuem carcaça e
são instalados dentro do reservatório, abaixo, no nível do fluido. Apesar de serem
chamados de filtro, impedem apenas a passagem de grandes partículas (na língua
inglesa são chamados de “strainer”, que significa peneira) [4].

Fig.2.2.25.Filtros de sucção internos


b) Filtro de sucção externo: Pelo fato de possuírem carcaça, estes filtros são instalados
directamente na linha de sucção, fora do reservatório. Existem modelos que são
instalados no topo ou na lateral dos reservatórios. Estes filtros possuem malha de
filtragem de 3 a 238 mícron [4].
c) Filtro de pressão: Um filtro de pressão é posicionado no circuito, entre a bomba e um
componente do sistema. A malha de filtragem dos filtros de pressão é de 3 a 40
mícrones. Um filtro de pressão pode também ser posicionado entre os componentes do
sistema [4].
d) Filtro de linha de retorno: está posicionado no circuito próximo do reservatório. A
dimensão habitualmente encontrada nos filtros de retorno é de 5 a 40 mícrones [4].

38
Fig.2.2.26.Filtros de sucção internos

e) Filtragem off-line: Também conhecido como recirculagem ou filtragem auxiliar, este


sistema é totalmente independente de um sistema hidráulico principal de uma
máquina. A filtragem off-line consiste de uma bomba, filtro, motor eléctrico e os
sistemas de conexões, instalados como um subsistema separado das linhas de trabalho
ou incluído em um de resfriamento. O fluido é bombeado para fora do reservatório de
óleo hidráulico, através do filtro, e retorna para o reservatório em um ciclo contínuo
[4].

Com este efeito “polidor”, a filtragem off-line é capaz de manter um fluido em um nível
constante de contaminação, pois o filtro da linha de retorno não fornece protecção específica
aos componentes. Grandes sistemas off-line poderão conter, além dos filtros de diversas
malhas, também centrífugas, que removem sólidos e água não emulsionada do óleo [4].

Válvula de desvio (“Bypass”) do filtro

Se a manutenção do filtro não for feita, o diferencial de pressão através do elemento filtrante
aumentará. Este diferencial de pressão, no lado de sucção do filtro, poderá provocar cavitação
na bomba ou a destruição do filtro. Uma válvula limitadora de pressão de acção directa ou
simples é usada para limitar o diferencial de pressão através do filtro de fluxo pleno. Este tipo
de válvula limitadora de pressão é geralmente chamado de válvula de bypass e consiste de um
pistão móvel, da carcaça e de uma mola [4].

As válvulas de bypass operam com a diferença da pressão. Na Figura 8.27, o fluido


contaminado que vem para dentro do filtro pode ser observado na parte inferior do pistão. A

39
pressão do fluido, depois que ele passou através do elemento filtrante, é sentida no outro lado
do pistão, no qual a mola está agindo [4].

À medida que o elemento filtrante é obstruído pela contaminação, cresce a pressão requerida
para empurrar o fluido através do elemento. Quando o diferencial de pressão através do
elemento filtrante, bem como através do pistão, é suficientemente grande para vencer a força
da mola, o pistão mover-se-á e o fluido passará em volta do elemento [4].

(a) (b)

Fig.2.2.27. (a) e (b) - Filtro de pressão em corte e mecanismo indicador de obstrução de um filtro

A válvula bypass é um mecanismo à prova de falhas. Num filtro de sucção, a bypass limita o
diferencial de pressão máxima sobre o filtro se ele não estiver limpo. Isso protege a bomba.
Se um filtro de linha de retorno ou de pressão não estiver limpo, a bypass limitará o
diferencial de pressão máxima, de modo que a sujeira não seja empurrada através do
elemento. Dessa maneira, a bypass protege o filtro [4].

Mangueiras dos sistemas hidráulicos

As linhas flexíveis para condução de fluidos são necessárias na maior parte das instalações em
que a compensação de movimento e absorção de vibrações se fazem presentes. Um exemplo
típico de linhas flexíveis são as mangueiras, cuja aplicação visa atender a três propostas
básicas: Conduzir fluidos líquidos ou gases, absorver vibrações, partes das mangueiras [4].

40
Fig.2.2.28. Mangueira de sistema hidráulico

As mangueiras são compostas por três partes construtivas: tubo interno ou alma, reforço ou
carcaça e cobertura ou capa [4].

 Tubo interno ou alma: deve ser construído com material flexível e de baixa
porosidade, ser compatível e termicamente estável com o fluido a ser conduzido [4].
 Reforço ou carcaça: considerado como elemento de força de uma mangueira, o
reforço é quem determina a capacidade de suportar pressões. Sua disposição sobre o
tubo interno pode ser na forma trançada ou espiralada [4];
 Cobertura ou capa: disposta sobre o reforço da mangueira, a cobertura tem por
finalidade proteger o reforço contra eventuais agentes externos que provoquem a
abrasão ou danificação do reforço [4].

Classificação das mangueiras

A Sociedade dos Engenheiros Automotivos Americanos (SAE) tem a dianteira na elaboração


de normas construtivas para mangueiras, que permitem ao usuário enquadrar o produto
escolhido dentro dos seguintes parâmetros de aplicação [4], nomeadamente:

 Capacidade de pressão dinâmica e estática de trabalho,


 Temperatura mínima e máxima de trabalho;
 Compatibilidade química com o fluido a ser conduzido, resistência ao meio
ambiente de trabalho contra a acção do ozónio (O3), raios ultravioleta, calor
irradiante, chama viva, etc.
 Vida útil das mangueiras em condições dinâmicas de trabalho (impulse-test)
 Raio mínimo de curvatura.

A seguir é apresentada uma tabela com os principais tipos de mangueiras de borracha

41
Tab.2.2.Classificação de mangueiras

Determinação do diâmetro interno da mangueira em função da vazão do circuito

A aplicação do diâmetro correto das mangueiras numa determinada instalação hidráulica é de


grande importância, a seguir é apresentado um gráfico para a selecção do diâmetro correcto
para uma determinada instalação [4].

42
Fig. Gráfico para a selecção do diâmetro da mangueira em função da vazão

Exemplo de aplicação

Precisa-se do diâmetro interno apropriado para uma mangueira aplicada em uma linha de
pressão com vazão de 16 GPM.

Resolução

Para o efeito, deve-se localizar na coluna da esquerda a vazão de 16 GPM e na coluna da


direita a velocidade de 20 pés por segundo (velocidade máxima recomendada para a linha
de pressão). Em seguida, traça-se uma linha unindo os dois pontos localizados e assim
encontra-se na coluna central o diâmetro correcto, que para o exemplo corresponde a 0,625
pol.
43
2.3.Parâmetros de funcionamento de componentes dos sistemas hidráulicos
Os parâmetros de funcionamento básicos dos sistemas hidráulicos são os seguintes: pressão
de serviço, taxa de fluxo de óleo na instalação, rendimento de bombas, potência necessária
para o accionamento da bomba, velocidade de rotação de bombas e motores hidráulicos,
eficiência de bombas e motores, potência de motores, binário de motores, força de pressão e
velocidade de curso de actuadores [3].

2.4.Perdas de energia e eficiência de equipamentos hidráulicos


Durante o fluxo do óleo, através das tubagens e componentes do sistema hidráulico, ocorrem
as perdas volumétricas, hidráulicas e mecânicas [3].

 Perdas volumétricas: São causadas por vazamentos nas tubagens e nos


componentes associados dos equipamentos hidráulicos. O efeito é a perda do fluido
[3].
 Perdas hidráulicas: ocorrem durante o fluxo do óleo na instalação e durante a
operação de máquinas e equipamentos hidráulicos. São devidas ao atrito interno no
líquido, atrito do líquido contra as paredes de tubagens e canais e às alterações de
velocidade e direcção de fluxo. As perdas hidráulicas causam uma queda de pressão
do óleo durante o fluxo na instalação [3].
 Perdas mecânicas: São devidas ao atrito dos componentes que operam em
conjunto [3].

A energia das perdas mecânicas e hidráulicas é convertida no calor dissipado no óleo


hidráulico e no ambiente. Devido às perdas de energia, a energia mecânica transferida por um
elemento de actuação (motor ou actuador) para o equipamento accionado é menor do que a
energia mecânica necessária para o accionamento da bomba [3].

O tamanho de perdas de energia nos equipamentos hidráulicos é determinado pelos


coeficientes de eficiência. Os valores aproximados dos coeficientes de eficiência são os
seguintes [3]:

 Eficiência total dos actuadores hidráulicos: ;

 Eficiência volumétrica das bombas e motores: ;

 Eficiência hidráulica das bombas e motores: ;

 Eficiência mecânica das bombas e motores: ;

44
 Eficiência total das bombas e motores: .

A eficiência total do sistema hidráulico é a relação entre a energia de partida do sistema e a


energia fornecida para o accionamento da bomba hidráulica. A eficiência total dos sistemas
hidráulicos depende do número e do tipo de componentes usados e do comprimento das
tubagens, geralmente o valor da referida eficiência equivale a 0,55 ÷ 0,7 [3].

2.5.Circuito hidráulico
Equivale a esquemas usados para expressar os comando e os controles necessários para o
funcionamento de uma determinada máquina com accionamento hidráulico. O esquema de
um circuito hidráulico é um desenho completo, que inclui sua descrição, sequência de
operações, notas, lista de componentes, etc. Essa representação gráfica não mostra nada sobre
a construção ou posição relativa dos componentes; sua finalidade é mostrar funções, conexões
e caminhos de fluxo [4]. O esquema seguinte mostra o esquema genérico de um sistema de
accionamento hidráulico típico.

Fig.2.5.1. Esquema genérico de um circuito hidráulico

Como podemos observar o accionamento hidráulico envolve a colaboração de diversos


subsistemas, onde o hidráulico é apenas um destes, sendo assim, este genericamente é
representado como apresentado na figura a seguir.

45
Fig.2.5.2. Esquema geral do sistema hidráulico

O sistema recebe energia mecânica na forma de torque ou rotação, obtida da energia eléctrica
ou térmica através de um motor eléctrico ou de combustão interna. Em seguida, esta energia
mecânica é convertida em energia hidráulica (potência hidráulica) pela unidade de conversão
primária. A energia hidráulica transferida ao fluido hidráulico passa pela unidade de limitação
e controle, onde é condicionada por válvulas, sendo em seguida transmitida à unidade de
conversão secundária. O condicionamento da energia hidráulica na unidade de limitação e
controle é feito através das informações de limitação e controle, obtidas externamente ou por
sinais de realimentação do próprio sistema. Na unidade de conversão secundária, a energia
hidráulica devidamente condicionada é convertida em energia mecânica, expressas em termos
de força e velocidade (ou deslocamento) ou torque e rotação (ou deslocamento angular). Esta
energia é a saída do sistema, e é utilizada em accionamentos mecânicos para diversos fins [2].

2.5.1.Simbologia hidráulica

É de grande importância o conhecimento da simbologia hidráulica (forma de representação


gráfica que expressa o funcionamento do componente hidráulico) para ler e interpretar
determinado circuito hidráulico [2]. As tabelas abaixo reúnem os principais símbolos [2].

46
47
48
49
50
2.5.2.Tipos de esquemas de circuitos hidráulicos

A variedade de máquinas e equipamentos accionados hidraulicamente, impõe a necessidade


de sistemas hidráulicos que se adeqúem as condições de funcionamento e operabilidade de
cada uma. Apesar desta variedade os esquemas de circuitos hidráulicos classificam-se
essencialmente em: aberto, fechado e semifechado [4].

1. Circuito aberto: A bomba succiona o óleo do reservatório e o recalca (descarrega)


através das tubulações para o actuador hidráulico. Nesse actuador o óleo transfere sua
energia de pressão e retorna ao reservatório [4].

Fig.2.5.2.1.Circuito aberto

2. Circuito fechado: A alimentação do motor hidráulico é do tipo fechado, de maneira


que é assegurada uma resposta satisfatória dos motores hidráulicos, nas condições de
desaceleração ou movimento em vazio. As vantagens deste circuito incluem:
possibilidade de suprir as deficiências de sucção, reversibilidade das funções da
bomba e do motor hidráulico, especialmente para os efeitos de restituição de energia
(frenagem) e capacidade de efectuar inversão de movimentos nos consumidores de
forma suave contínua [4].

Fig.2.5.2.2.Circuito fechado
3. Circuito semifechado: Este apresenta as mesmas características e vantagens do
circuito fechado, montagens desse tipo são utilizadas quando há necessidade de
complementação ou descarga de excesso de óleo num dos ramos do sistema. É o que

51
acontece quando emprega-se um cilindro hidráulico diferencial, cujos volumes de óleo
de saída são diferentes nos movimentos de avanço e retorno do cilindro [4].

Fig.2.5.2.3.Circuito semifechado

3.Sistemas de elevação de carga


Na área naval e não só, existem máquinas e equipamentos destinados a fazer o transporte e
levantamento de cargas denominados sistemas de elevação [6].

Sistemas de elevação conjunto de equipamentos de elevação e movimentação de cargas, quer


seja simples ou em complexidade aos acessórios que utiliza. No entanto será importante
salientar que os mesmos devem ser seleccionados e usados de acordo com as necessidades do
trabalho a realizar [6]. Dentre os vários destacam-se os seguintes:
 Ponte rolante
De uma forma geral este tipo de equipamento é uma viga sobre um vão livre e pode
apresentar algumas variantes, nomeadamente ponte rolante monoviga, biviga ou suspensa,
sendo tipicamente usada no interior de armazéns, permitindo a utilização de toda a área
localizada por baixo da mesma [6].

Fig.3.1.Ponte rolante

 Pórtico
O pórtico rolante acaba por ser em tudo semelhante as referidas pontes rolantes com a
excepção da altura de elevação e maior capacidade de carga. Desliza sobre trilhos conforme
nos mostra a figura abaixo, e existem algumas versões que utilizam rodas direccionáveis.
Tipicamente são usadas para armazenamento ao ar livre. Apresentam como desvantagem o
fato de interferir com o trafego no piso onde se deslocam [6].

52
Fig.3.2.Pórtico

Dentro deste sistema de elevação encontramos também diversos tipos de gruas que iremos
descrever em seguida
 Grua monocarril ou bandeira
A grua monocarril ou de bandeira e também um equipamento de accionamento eléctrico por
meio de moto-redutores, existindo duas versões, uma para fixação na parede conforme as
figuras a baixo. Este tipo de solução apresenta-se como sendo mais económica do que as
anteriores e permite uma grande economia de espaço, no entanto tem um raio de acção
limitado pelo comprimento do seu braço. Grande parte das aplicações é em locais pequenos
como, por exemplo, pequenos armazéns/oficinas ou no exterior em portos/estaleiros como
forma de optimização de espaço [6].

Fig.3.3.Grua monocarril ou bandeira


 Grua móvel com rodas
A grua móvel com rodas tornou-se um equipamento muito útil dado que permite uma rápida
instalação sendo ideal para trabalho de curta duração. A titulo de exemplo, actualmente
existem equipamentos com capacidade de 1200 toneladas e 188 metros de lança [6].

 Grua móvel com lagartas


Conforme mostra na figura as gruas móveis com lagartas são dedicadas ao uso em estaleiro e
terreno acidentado, podendo apenas ser transportadas em camiões e muitas das situações em
transporte especial, dadas as dimensões e peso. Existe ainda a possibilidade de lança tipo
treliça ou telescópica [6].

53
Fig.3.4.Grua móvel com lagarta
 Grua móvel
Para além dos tipos de gruas referidas, existem as gruas móveis ou instaladas sobre uma base
móvel. Normalmente existem dois tipos de “base” com lagartas ou rodas, conforme mostra as
figuras respectivamente, podendo o tipo de lança ser telescópica ou tipo treliça. Estes
equipamentos designados na gíria por camião grua, apresentam um vasto leque de vantagens
tendo em linha de conta que existem diferentes tamanhos permitindo uma excelente adaptação
em função do local e tipo de trabalho a realizar. De salientar que estes equipamentos
necessitam de um tempo relativamente reduzido para início do trabalho sem necessidade de
recorrer a equipamentos auxiliares [6].

(a) (b)

Fig.3.5. (a) e (b)- Grua móvel

54
3.1.Tipos de grua
Existe uma grande variedade de gruas que atendem a necessidades específicas, destacando-se
as seguintes:

Gruas automontantes

A grua Automontante mostrada na figura abaixo é um dos tipos de grua mais utilizado nas
obras de pequena dimensão, consequência das boas características que apresenta. Este tipo de
equipamento esta disponível numa gama de tamanhos/capacidades excluindo a partida a
necessidade de um camião ou viatura especial bem como licença para o seu transporte,
possuindo algumas delas rodado próprio, representando também uma poupança financeira
considerável e dando ainda a liberdade ao proprietário de efectuar o seu transporte quando for
mais conveniente [6].

Fig.3.1.1.Grua automontante
No que diz respeito aos modelos existentes, estes estão dotados de um sistema hidráulico
auxiliar para a sua montagem, o que torna este trabalho numa tarefa muito mais segura, rápida
e com um baixo custo de manutenção, permitindo realizar este trabalho em poucos minutos.
Contudo estes equipamentos também apresentam algumas limitações nomeadamente na
capacidade de carga máxima na ponta da lança, que pode variar entre 1,5 e 2,6 toneladas [6].

GRUAS DE LANÇA OU TORRE

Uma grua torre pode ser vista na Figura ilustrada abaixo, e este e sem duvida o modelo mais
familiar e que mais rapidamente nos vem a memoria quando falados em grua de construção
civil. Este e um dos modelos que mantem as suas características gerais e estrutura desde as
primeiras versões [6].
Este tipo de gruas e a que apresenta mais variantes, no que diz respeito ao tipo de
comando/controlo, com ou sem cabine para o operador bem como tipo de contrapeso e forma
construtiva. Caracteriza-se ainda pela montagem modular o que se traduz numa vantagem. A
vertente modular e muito usada no estrangeiro onde a construção de edifícios altos e comum.
Como forma de exemplo, quando se inicia uma obra de um edifício que terá 100 metros de
altura não implica que a grua seja montada numa fase inicial com esta altura, ou seja, a grua
“cresce” em função da obra e para tal e usado um equipamento ao qual se da o nome de
gaiolas de telescopagem que será abordado mais a frente [6].

55
Fig.3.1.2.Grua de lança ou torre
No que diz respeito a limitações e vantagens, tendo em linha de conta que este modelo ou tipo
grua e um dos mais utilizados na construção civil e face aos comprimentos de lança que
podem ultrapassar os 80 metros e cargas máximas de 40 tonelada, poderia significar que não
tem limitações ou tem muito mais vantagens do que desvantagens, o que não traduz a
realidade. Ora vejamos, o facto de a lança ou contra laca com peso ter de ficar por cima de
propriedades ou espaços vizinhos que nada tem que ver com a obra. Em alguns países a
legislação e de tal ordem apertada que não é possível ultrapassar os limites do terreno da obra,
invadindo o espaço aéreo dos vizinhos [6].

Gaiolas de telescopagem
Conforme referido no ponto anterior a montagem modular destas versões esta relacionada
com um tipo de solução, designada por gaiolas de telescopagem, no entanto existem duas
formas de utilizar esta solução, telescopagem interior e exterior, de acordo com as figuras [6].

(a) (b)
Fig.3.1.3 (a) e (b)-.Grua automontante

De uma forma muito resumida, a diferença tem que ver com a zona onde a grua esta montada,
no exterior da área de implantação do edifício ou no interior/centro do mesmo. Para tal e
usado um tramo em todo idêntico aos tramos da torre da grua, mas com dimensão superior e
por meio de cavilhas e um sistema hidráulico, a torre e elevada tantas vezes quantas as
necessitamos fazer “crescer” a grua [6].

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Gruas de lança móvel
Este tipo de equipamento, não e muito comum na construção civil em Portugal, o mesmo já
não poderá ser dito em relação ao estrangeiro. Este modelo e muito utilizado nos portos de
mar e na construção civil em zonas com áreas reduzidas sendo que em grande parte das obras
esta grua e montada no telhado/cobertura do edifício [6].

Fig.3.1.4.Grua de lança móvel

No que diz respeita a forma construtiva pode ser de base fixa ou móvel com accionamento
próprio, normalmente por intermédio de um motor de combustão. A estrutura da torre tal
como da lança mantem a configuração tipo treliça. De forma idêntica aos outros modelos de
grua mencionados, o accionamento/movimento da lança e feito por intermédio de guinchos
com accionamento eléctrico ou hidráulico [6].

Componentes de uma grua


A constituição de uma grua varia em função da sua constituição conforme a necessidade e a
aplicação em diferentes áreas [6].

Fig.3.1.5.Componentes de uma grua

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Nº Descrição
1 Contra peso
2 Contra lança
3 Suporte contra peso
4 á 12 Tramos de lança
13 Suporte roldanas
14 Gancho para elevação de carga
15 Grupo hidráulico
16 Guincho (moto redutor)
17 Rotação (moto redutores)
18 Cabine do operador
19 Plataforma de rotação
20 Cilindro hidráulico
21 Tramo de torre

5.1.1.Descrição dos componentes principais de uma grua

Base
A base é quem suporta todo o peso da grua e geralmente é colocada em uma base de concreto
reforçada, neste concreto é onde são colocados grandes chumbadores em uma profundidade
enorme para ter uma boa e confiável sustentação [6].

Lança (Braço)
É a parte do que possui um carrinho na parte inferior que contém roldanas, que percorrem
todo seu comprimento, esta é a parte que puxa, move e sustenta a carga [6].

Lança menor
É o local onde ficam localizados os contrapesos que geralmente são feitos de concreto. É
também onde fica localizado o motor e/ou o sistema electrónico da grua [6].

Torre
A torre é o corpo da grua, é o que transmite o peso do conjunto superior para a base. Acima
dela ainda se encontram o suporte giratório juntamente com a cabine do operador [6].

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Polia
A grua trabalha com sistema de polias móveis, no caso deste protótipo estes estão na
disposição cardinal. São seis polias sendo um conjunto de três na parte de baixo fixa e
conjunto de três móveis, que podem ser descritos pela equação [6].

N = número de polias móveis presas ao mesmo conjunto

Quando a extremidade cabo no carretel é puxada, as roldanas proporcionam uma


multiplicação da força aplicada para levantar a carga. Esse feito é conhecido como vantagem
mecânica [6].

Cilindro Hidráulico
Cilindros hidráulicos podem ser usados para auxiliarem no levantamento da carga e, às vezes,
para mover o braço [6].

Moto Redutor
Moto-redutor é um sistema integrado de força motriz, que contém um motor eléctrico e uma
engrenagem de redução interligados. Ele proporciona usar pequenos motores, que por sua vez
geram maior economia e, ao mesmo tempo, consegue fornecer uma grande força matriz em
baixa rotatividade. São facilmente encontrados em elevadores, macacos para carros, entre
outras coisas em que são necessárias aplicar força em uma velocidade reduzida [6].

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Mancas de rolamento
Os mancais servem como apoio de rolamentos e, em alguns casos como em motores, eixos;
que são peças de rotação em máquinas e em diversas coisas. São produzidos, em maior parte,
de ferro fundido. São separados em duas partes em sua maioria e em alguns casos, é uma
estrutura só [6].

5.1.2.Estrutura em trelíça
É uma estrutura formada por algo rígido (madeira, alumínio, aço, etc.). Segundo fulano(ano),
cada parte desse material, chamado de barra, fica conectada com outras por pontos que são
chamados de nós. Com isso, as forças são destinadas aos nós, sendo exercida assim, força de
tração e compressão nas mesmas [6].

Fig.3.1.2.1.Estrtura em treliça

60
3.2.Gruas em embarcações navais
Geralmente instaladas no convés, as gruas de vários tipos e capacidades ainda são necessárias
em embarcações de carga multifuncionais, navios graneleiros, navios de transporte de cargas
pesadas e alguns transportadores de produtos florestais. Os fabricantes possibilitam a
obtenção de gruas com design e acessórios de manuseio especiais para melhor adequação a
movimentação de cargas [11].

(a) (b)

Fig.3.2.1 (a) e (b)- Gruas em embarcações navais

As gruas substituíram as torres rolantes em muitos navios modernos por apresentarem


inúmeras vantagens, por exemplo, o tempo de montagem é reduzido e o guindaste é capaz de
carregar e desembarcar cargas permitidas em qualquer lugar dentro do seu raio de trabalho.
As cargas de trabalho seguras das gruas são geralmente da ordem de 10 a 15 toneladas e estão
disponíveis gruas maiores, capazes de elevar de 30 a 40 toneladas. As gruas em embarcações
são geralmente destinadas a tarefas de carregamento e descarregamento rápido de carga,
quando estas excedem ocasionalmente 3 toneladas. Há alguma controvérsia em relação aos
méritos das gruas mas há evidências disponíveis para mostrar que o guindaste é talvez menos
eficiente com cargas muito leves [11].

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(A) (B)

Fig.3.2.2. (a) e (b)- Grua e ponte rolante

As gruas geralmente podem ser posicionadas na linha central do navio entre os porões em
uma plataforma que pode ser girada em 360 °, exigindo apenas um homem para operá-la, mas
isso pode exigir uma lança extremamente longa quando o feixe do navio é grande e é
necessário um alcance razoável. Gruas posicionais transversais podem então ser montadas de
modo que, quando não estão sob carga, podem ser movidas para bombordo ou estibordo e
fixados para trabalhar a escotilha e proporcionar o alcance desejado. Alternativamente,
guindastes fixos, um em cada extremidade da escotilha, podem ser colocados em cantos
opostos. Este é um arranjo que é útil na descarga para bombordo e estibordo simultaneamente.
Há também um guindaste montado em uma seção de cobertura da escotilha capaz de viajar
sob carga ao longo da escotilha na direcção longitudinal [10].

(a) (b)
Fig.3.2.3.(a) e (b)- Gruas posicionais transversais e gruas no centro do convés

62
3.2.1.Tipos de accionamento em gruas
As gruas em embarcações marítimas apresentam três sistemas de accionamentos separados,
que fornecem os principais movimentos: um motor de elevação para elevar a carga, um motor
de elevação para elevar ou abaixar a lança e um motor de rotação para girar o guindaste. Para
arranjos ocasionais de cargas pesadas, para que dois guindastes trabalhem juntos, ou seja,
geminação, podem ser feitos com um único operador usando um sistema de controlo mestre e
escravo nos dois guindastes. Uma plataforma rotativa comum será necessária para esse
arranjo. O meio de operação para motores de guindaste de convés pode ser: hidráulico ou
eléctrico. Por ser o foco do presente trabalho apenas será apresentado o accionamento
hidráulico [10].

Fig.3.2.1.1. Representação geral de um sistema de accionamento hidráulico

3.2.2.Sistema hidráulico de uma grua


O accionamento hidráulico de uma grua envolve uma pletora de equipamentos, muito deles já
apresentados anteriormente. De forma simplificada este sistema envolve: tanque de
armazenamento, motor eléctrico, bomba de debito fixo, nível de óleo, filtro de retorno, base
com válvula limitadora de pressão, manómetro de pressão, distribuidor 4/3 com actuação
eléctrica e um actuador linear ou rotativo, dependentemente da natureza do movimento
pretendido (elevação de carga-rotação, rotação do guindaste e movimentação da lança-linear)
[11].

63
3.2.2.1.Esquema hidráulico do sistema de deslocamento da lança-linear

A solução óleo hidráulica convencional para movimentação de cargas onde não existe
variação do sentido da força ou a carga passa de opositora a motora é bastante dominada. O
esquema envolve normalmente cilindro hidráulico, distribuidor 4/3, bomba, fonte de potência
e acessórios [11].

Fig.3.2.2.1.1. Circuito hidráulico convencional do deslocamento da lança

3.2.2.2.Esquema hidráulico do sistema de rotação da grua e içamento da carga

Muitos dos sistemas hidráulicos, instalados em máquinas de convés, incluindo às gruas, são
do tipo 'unidade', com uma bomba accionando um motor, mas há grandes vantagens a serem
obtidas com a aplicação de um sistema principal em anel., onde uma bomba hidráulica
localizada centralmente é capaz de atender às necessidades de vários auxiliares que podem
trabalhar simultaneamente ou alternadamente com cargas variadas. Como o equipamento
alimentado por essa instalação de bombeamento central não precisa se restringir às máquinas
de convés ou a um tipo de equipamento, o sistema oferece uma economia considerável no
custo de capital [11].

64
Os componentes básicos de um sistema hidráulico do projecto Norwinch para accionamento
rotativos típicos na rotação da grua e içamento de carga é mostrado na figura a seguir. A
bomba neste caso é do tipo palheta, possuindo fendas radiais contendo palhetas rectangulares
ajustadas de maneira forçada contra o revestimento por efeito centrífugo e pressão do óleo. À
medida que o rotor gira, a folga de expansão e contracção entre ele e a carcaça produz uma
acção de bombeamento. São fornecidos filtros mecânicos e magnéticos e uma válvula de
alívio. O tanque de expansão contém uma reserva de óleo [11].

Fig.3.2.2.2.1. Sistema Norwinch com actuador rotativo

O motor hidráulico também é do tipo palheta, com palhetas montadas em um rotor cilíndrico
trabalhando em um alojamento que incorpora duas câmaras de pressão. Quando é necessário
que o motor exerça torque máximo, o fluxo de óleo da bomba é direccionado para as duas
câmaras. Para cargas mais leves, uma alavanca de operação é accionada para direccionar o
fluxo total para apenas uma das câmaras de pressão. Este sistema fornece duas faixas de
velocidade variável [11].

Bombas para instalações hidráulicas, como a descrita, operam a velocidade constante e são
accionadas por um motor eléctrico ou directamente por um motor primário. Com a bomba em
funcionamento, há um fluxo contínuo de óleo através do sistema, estando o motor em
operação ou não. Quando o guincho não está em uso, o óleo passa apenas pela válvula de
operação, ignorando o hidromotor e retornando à bomba. Como título de exemplo, na imagem
abaixo é possível verificar o esquema de um circuito hidráulico destinado especificamente ao
deslocamento do tambor detentor do cabo/guincho (hoisting winch drum) pelo deslocamento
do joy stick na cabina do operador [11].

65
Fig. 3.2.2.2.2.Esquema hidráulico para accionamento do moto redutor .

O deslocamento do joy stick para a esquerda ou para a direita permite o accionamento


eléctrico do distribuidor, permitindo a mudança do fluxo de óleo e consequentemente o
sentido de rotação do motor hidráulico [11].

66
4.Problemática: aumento da potência do trabalho de grua hidráulica
Possíveis soluções para aumentar a potência de uma grua hidráulica:

 Ter no sistema um fluido capaz de atender as situações que estará sujeita;


 Aumentar a pressão da bomba (instalando uma segunda bomba que estará
em série com a primeira, ou substituir simplesmente a bomba com uma de
maior potencia);
 Verificar o diâmetro das tubulações (da zona de sucção como o de
recalque);
 Selecionar tubulação (mangueira) com a capacidade adequada para
suportar altas pressões;
 Colocar uma válvula que tenha a capacidade de controlar a taxa de fluxo
de óleo bem como a sua pressão;
 Instalar um acumulador hidráulico que possa manter a pressão do sistema,
e que possa absorver o aumento da pressão causado pela expansão
térmica;
 Diminuir as perdas (volumétricas, hidráulicas e mecânicas) que ocorrem
através das tubagens e componentes do sistema hidráulico;
 Instalar no sistema um actuador ou um motor hidráulico que tenha uma
maior capacidade de converter a energia hidráulica em energia mecânica;

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Conclusão
Com a evolução da engenharia, passou-se a utilizar ferramentas que facilitam o trabalho das
pessoas, dessas ferramentas está inclusa a grua, como um equipamento hidráulico cujo seu
funcionamento consiste no princípio físico, onde uma ou mais máquinas simples geram um
ganho mecânico, retirando a necessidade do esforço humano, e permitindo uma elevação
maior com mais segurança, se utilizado correctamente.

E esse equipamento hidráulico releva algumas vantagens e desvantagens tais como:


Vantagens, inclui a construção compacta, pequenas dimensões e peso reduzido, durabilidade
e confiabilidade, alto binário de arranque, alta carga em baixas velocidades, facilidade de
protecção contra sobrecarga, velocidade continuamente ajustável, alterações de direcção de
movimento mesmo com cargas elevadas, realização de quaisquer movimentos do dispositivo
atuador: movimentos de vaivém, movimentos oscilatórios e rotativos, precisão do
funcionamento, padronização de componentes e facilidade de automação, facilidade de
colocação de tubagens da instalação e baixos custos da manutenção devido às propriedades
lubrificantes do fluido de operação. Desvantagens - sensibilidade ao ar, perdas de potência
durante o fluxo do fluido de operação, requisitos de alta precisão de execução e reparação de
equipamentos, requisitos de altas qualificações do serviço

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Bibliografia
[1] Brunetti, Franco. (2009). Mecânica dos fluidos.2ª ed.São Paulo-SP-Brazil. Pearson.

[2] Conceitos básicos de sistema hidráulico industrial.pdf

[3] Górski, Zygmunt. Máquinas aparelhos navais. (2014). Gdynia, Polónia.

[4] Hannifin, Parker. Tecnologia Hidráulica Industrial.

[5] Junior,Ferraro & Soares. (2007). Fundamentos da Física. 9ª ed. São Paulo-SP-Brazil.
Editora Moderna LTDA.

[6] Leira, Hélder. (2017). PROJECTO E EXECUÇÃO DE UM SISTEMA HIDRÁULICO


PARA UMA GRUA TIPO LUFFING. Isep.

[7] Okiishi, Young & Munsosn. (2004). 4ª ed. Fundamentos da mecânica dos fluidos. São
Paulo-SP-Brazil. Edgard Blucher.

[8] Pavani,Sergio. (2011). Comandos pneumáticos e hidráulicos. Santa Maria-Rs. E-Tec


Brazil.

[9] Santos, Sérgio. (2007). Bombas e instalações hidráulicas. São Paulo-SP-Brazil. LCTE
Editora.

[10] https: //www.brighthubengineering.com/marine-history/84795-types-of-shipboard-


cranes/

[11] generalcargoship.com/deck-crane.html

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