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O Ano da Morte de Ricardo Reis

Questão de aula Alberto Caeiro

Nome: _________________________________________________________ N.º: ___ Turma: _______

Avaliação: _________________________________ O professor: _____________________________

1. Lê atentamente o poema de “O Guardador de Rebanhos” de Alberto Caeiro.

XXIV
O que nós vemos das cousas são as cousas.
Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?

5
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa.

10 Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),


Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender
E uma sequestração na liberdade daquele convento
De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas
15 E as flores as penitentes convictas de um só dia,
Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas
Nem as flores senão flores,
Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.
PESSOA, Fernando, 2010. Poesia dos Outros Eus. 2.a ed. Lisboa:
Assírio & Alvim (pp. 56-57)

1.1. Apresenta os traços de carácter do sujeito poético e relaciona-os com os sentimentos


expressos ao longo do poema.

1.2. Explicita o valor expressivo das interrogações (vv. 2-4) e do discurso parentético do verso 10, no
contexto em que ocorrem.

1.3. Interpreta a referência aos “poetas”, no verso 14.

OEXP12DP © Porto Editora


1.1. O sujeito poético caracteriza-se como alguém que vive das sensações, nomeadamente visuais
(vv. 1-4), defende uma postura objetivista perante a realidade e, por isso, questiona a existência de
sentidos que ultrapassam a existência objetiva das coisas (vv. 5-9). Rejeita convenções e
racionalizações (vv. 10-13) e nega a utilidade do pensamento (vv. 3-4). Ao longo do poema,
expressa estranheza face à interpretação racional da realidade (vv. 1-4) e desagrado em relação à
propensão humana para se deixar levar por essa mesma tendência interpretativa (v. 10).

1.2. As frases interrogativas denunciam o espanto do sujeito poético face às interpretações


metafísicas da existência e da natureza e marcam o seu distanciamento relativamente a elas,
através das afirmações apologéticas do sensacionismo que se lhes seguem. A frase em discurso
parentético, de dimensão metafórica, resume a tristeza do sujeito poético face à dependência dos
seres humanos do pensamento, que cobre a espontaneidade das sensações.

1.3. A menção aos “poetas” assume um carácter crítico relativamente à utilização subjetiva da
linguagem, que se opõe à objetividade e simplicidade dos elementos naturais.

OEXP12DP © Porto Editora

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